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MahaLeela



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MahaLeela
O mahalila, jogo milenar hindu, é para os indianos o que o tarô é
para os europeus e o I Ching para os chineses: uma descrição dos
estados e as situações pelas quais circula o homem no processo de
crescer através da vida.
Para jogar o mahalila precisam-se quatro coisas:
1) o tabuleiro,
2) um dado,
3) estas instruções, e
4) um objeto pessoal como uma medalha, um anel ou uma chave que
o jogador utilize freqüentemente e que o representará no jogo.
O objeto pessoal é o “peão” que simbolizará cada jogador. Deve ser
de preferência algo que o jogador utiliza normalmente, como um
anel, um brinco, uma pedrinha, uma medalhinha ou qualquer objeto,
que deve ser de um tamanho adequado para que se marque a casa
onde está. Evite escolher um objeto maior que o tamanho da casa do
seu tabuleiro.
Ao iniciar, cada jogador coloca seu símbolo na casa 68, Consciência
Cósmica (vaikuntha loka) e aquele que tirar o maior número numa
primeira rodada do dado lerá para os demais jogadores este texto:
Antes de jogar o jogo estamos na meta final dele, o Ser, que,
sem forma nem nome, é fonte de todo o que existe. Mas o
dado do karma registra as vibrações do jogador, que logo
escolherá uma forma e um nome para jogar o jogo das
escadas e das serpente, através dos oito níveis do mahalila,
o grande jogo, até voltar à fonte original, onde tudo
recomeça eternamente.
Depois, ele joga o dado e o passa para a pessoa à sua direita. Quem
tirar um número um move seu símbolo para a primeira casa,
nascimento (janma), e lê seu significado em voz alta para os demais
jogadores.
Nas próximas etapas do jogo, a cada vez que um jogador tirar um
seis, avança sem ler e joga o dado novamente até tirar um número
diferente de seis. Somente no último movimento lerá a descrição da
casa em que caiu.
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Quando o símbolo do jogador cair na base de uma escada, move seu
símbolo até o fim dela, lendo a descrição dessas duas casas.
Quando o símbolo cair sobre a cabeça de uma serpente, deve descer
até o extremo da cauda, lendo as duas descrições correspondentes.
O objetivo do jogo é chegar na Consciência Plena (vaikuntha loka), à
casa 68. Se o jogador alcançar a oitava fileira e passar do 68, deve
avançar e retroceder entre a casa 69, plano do Absoluto (brahma
loka) e a 72, inconsciência (tamoguna), até tirar a cifra exata que o
deixe na boca de serpente, que o engolirá e levará de volta para a
terra (prthivi), na casa 51.
Lançar os dados simboliza a influência do caos em uma existência
que nem sempre acontece dentro de uma seqüência lógica. Cada casa
tem um nome e corresponde a um nível de consciência no processo
do autoconhecimento. Os nomes das casas levam o jogador a meditar
sobre o conceito por trás da palavra e a familiarizar-se com a
metafísica hindu como veículo para o auto-conhecimento.
Cada fileira que o jogador ascende, como numa espiral, equivale a
um chakra, centro de energia no ser humano onde se expressa a
energia cósmica, indo desde o mais denso (muladhara) ao mais sutil
(sahasrara), e além dele, até o plano da consciência cósmica
(chamada no hinduísmo vaikuntha loka, plano celestial), em que se
transcende a individualidade.
O jogo conclui quando o jogador cai exatamente na casa 68,
Consciência Plena (vaikuntha loka), seja através da ascensão
numérica, seja pela escada que inicia na casa 54, exercício espiritual
(savana).
Jogando várias vezes, você irá descobrir circuitos freqüentes, escadas
auxiliadoras e serpentes amistosas. Isto é o que torna o mahalila um
jogo de auto-conhecimento. Há somente um jogo: o jogo em que cada
um de nós é um jogador representando seu papel. Esse é o jogo
universal da energia cósmica, mahalila. Após iniciar o jogo, o
tabuleiro começa a brincar com a mente, com o ego e com o sentido
da própria identidade do jogador.
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O Dado de 6 faces
A lei universal de Ação e Reação é a base fundamental para se
praticar o Mas Leia, e ela se expressa no jogo através do dado de seis
faces. Partindo-se do princípio de que tudo É o que deve SER, todas
as jogadas realizadas tem um motivo de acontecer, senão
simplesmente não aconteceriam. São estas jogadas que levarão o
praticante a exercer o auto-conhecimento, perceber as possibilidades
e caminhos que ele trilha.
O dado é como se fosse uma representação das nossas atitudes
perante a vida, a cada lance, indica o quantidade de passos que o
jogador deve caminhar pelo tabuleiro. Podemos perceber, que ele
consegue demonstrar durante o jogo, pelos números que vão saindo,
pelas casas que o jogador vai passando, um verdadeiro reflexo das
nossas aspirações mais intimas. Parecendo que, ao jogar o dado e
seguir a numeração determinada vamos percebendo a sincronicidade
acontecer.
Ao longo desses anos percebi que ao jogar o dado antes do jogo, para
conseguir a permissão de entrada com o numero 6, os números que
saíam antes se comunicavam comigo e aos poucos fui dando
significados a cada um dos números das faces do dado.
Numero 1 significa: NÃO - você ainda não está preparado, jogue
outra vez, peça mentalmente para entrar.
Numero 2 significa que você está muito mental.
Numero 3 significa nervoso ou apressado.
Numero 4 significa que você está preocupado com coisas materiais.
Numero 5 significa que você precisa silenciar um pouco o dialogo
interno.
Numero 6 significa : SIM - pode começar seu caminho pelo Maha
Lilah.
Assim, podemos entender por que as vezes demora a sair a permissão
de entrada. A linguagem do dado ajuda você a já ir se trabalhando
internamente antes de iniciar um caminho pelo Mahalilah.


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Consciência Plena
A casa nº 68 é a Consciência Plena. É nela que o jogo se inicia e
termina, sempre. Partimos do princípio de que viemos do Plano
Divino e a Ele retornaremos. É por isso que tudo necessita de
começo, meio e fim. A Consciência Plena simbolicamente representa
o nosso resgate do Eu Divino, como o sentido da vida humana.
Através do livre-arbítrio ou poder de escolha, alcançamos a plenitude
e felicidade interior de estar vivendo em um corpo físico.
A Consciência Plena é o egresso, ingresso e regresso de todo aquele
que persevera no que é correto…

Espadas e Serpentes ou Escadas e Escorregadores
Cruzando o caminho da evolução existem dois elementos
fundamentais no jogo: a espada e a serpente.
Através da base da espada o jogador sobe a outros planos, enquanto
que, pela cabeça de uma serpente, deve-se descer até o nível da ponta
de sua cauda. As espadas são como escadas que o jogador utiliza para
subir no jogo e as serpentes tem a função de escorregador que faz o
jogador descer no jogo.
As espadas representam nossas virtudes e as serpentes nossos
defeitos ou vícios. As espadas encurtam nosso caminho no jogo e as
serpentes nos atrasam. Sempre o punho da espada e a cabeça da
serpente representam nossas ações e a ponta da espada e a cauda da
serpente são as reações.








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As casas do jogo
PLANO BÁSICO: É o mais denso do jogo, nele estão contidos os
aspectos da sobrevivência física, suas inseguranças, lutas e
preocupações. A ânsia por possuir o mundo material é um
problema crônico da base da existência. Esta é a fase infantil da
expressão humana.
1. Janma:Nascimento
Nascer é entrar no jogo. No início não havia jogo, mas a natureza
brincalhona da Consciência não pode ficar imóvel por muito tempo e,
desde a Unidade, Brahman, o Absoluto, torna-se muitos para jogar o
jogo. Este é o jogo do karma, onde o Uno chega a ser muitos jogando
o jogo cósmico de esconde-esconde consigo próprio. É a concepção
do jogo, aqui só se passa uma vez, é o primeiro passo. O elemento
inicial atribuído é AGUA. Considerando que a vida física nasceu na
água, atribuímos a este elemento o símbolo do nascimento. A
unidade que gera a diversidade, nesta casa homenageamos o Criador
da Vida, DEUS ! Por gostar de brincar, criou a Grande Brincadeira de
se viver na Terra. A partir de agora, o UM se transforma em muitos
para que o Jogo aconteça…
2. Maya: Ilusão
Jogando, perco a percepção da unidade na fascinação do próprio
jogo: estou separado e sou diferente. Dois é a dualidade, e a
dualidade acontece quando o um repete a si próprio. Um é realidade.
Dois é ilusão. Estou no mundo dos nomes, das formas e os
fenômenos, no cenário onde irei inventar minha ação... mas intuo
que há uma saída: perceber a ilusão das dualidades. Inicialmente
simboliza a criação do intelecto humano, a construção da
personalidade que irá atuar no caminho, como sendo a forma ilusória
que representará a realidade.O elemento AR simboliza o intelecto
humano que armazenará as impressões que o jogo lhe causar.O ego
nasce nesta casa e sempre terá uma visão limitada em relação a algo
ou alguém.O ego nos fará buscar a sobrevivência e gerará os desejos
em ter o mundo material.O ego comandará os sentidos físicos do
jogador e suas vontades de realizações pelo caminho.Vindo da casa
63, representa que você não está conseguindo se conectar com o
Divino, porque está preso a sua personalidade. Você vacilou em um
momento que deveria ter fé, portanto terá que recomeçar seu
caminho novamente e procurar aprender que ninguém é
insubstituível, tudo nasce, cresce e desaparece…aprenda a confiar
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mais no Divino em você, desapegue-se do seu personagem e siga em
frente…
3. Krodha: Ira
Não sei ao certo quem sou, mas sei muito bem quem não sou. Esta
corrente de auto-identificação enfrenta inevitavelmente aspectos
reprimidos de mim mesmo. Minha identidade vacila. Meu ego está
ferido. Minha reação emocional é a ira. A ira produz fogo e o fogo
queima tudo. Esta é a cauda da serpente da casa 55, egocentrismo.
Projeto em você o que reprimi em mim e concentro então minha
energia para eliminar de você esse aspecto indesejável. Inicialmente
é a criação do caráter humano, como resultado dos desejos da
personalidade, aqui nasce o instinto/vontade que impulsiona o
jogo.O elemento atribuído a esta casa é o FOGO, como símbolo da
energia da vida em ação, da transformação do mundo material.Bem
canalizado traz o instinto e a vontade, mau canalizado traz a cólera e
a raiva. O fogo pode construir ou destruir, dependerá da educação
que cada jogador receber na sua infância. Vindo da casa 55,
representa que você está com raiva devido a alguma rejeição. Ficar
irritado com algo ou alguém tira o jogador do Plano da Conexão e o
faz recomeçar no Plano Básico, atrasando com isso o seu caminho
pelo jogo da vida.
4. Lobha: Cobiça
Estou separado e sou tão diferente dos outros que me sinto só.
Preciso completar-me. Entretanto, confundo o vazio que deixou o
Uno ao evaporar-se do jogo, com as necessidades materiais e tento
preencher-me satisfazendo-as. Então, se minha necessidade é de
uma casa, meu desejo é de cinco. Estou inseguro, e a insegurança
provém do medo. Inicialmente é a criação da estrutura humana, o
corpo como realidade temporária para uma alma habitar.Devido a
esta limitação estrutural nos apegamos ao corpo e ao mundo material
como se fosse a única forma real. A cobiça é uma sensação de querer
possuir algo ou alguém, como se fosse a única realidade possível.
Ficamos possessivos, pois sentimos um vazio interior inexplicável e
queremos preenche-lo com algo ou alguém do mundo material,
começa aqui o que chamamos de sofrimento… Atribuímos o
elemento TERRA a esta casa simbolizando a estrutura física do nosso
corpo. “E o verbo se fez carne…” Vindo da casa 16, significa que você
está possessivo, apegado, iludido e até magoado com algo ou alguém
Você pensou o pior e só gerou cobiça em sua fantasia, com isso não
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consegue ver o lado bom das coisas e pessoas. O medo de perder
atrasou o seu caminho.
5. Bhur loka: Corpo físico
Fui pego pela vibração mais baixa de mim mesmo. Meu único tema é
a realização material: meu conforto, minha sexualidade, minha
alimentação, minha vontade de satisfazer os sentidos. Mas isso é tão
fugaz que devo repetir tudo de novo e de novo! Aqui é a conclusão da
formação inicial de um corpo, com seus 5 sentidos de percepção
(visão, audição, olfato, paladar e tato) e seus 5 órgãos de ação (mãos,
pés, boca, genital e anus).Vindo das primeiras casas deste plano
indica que você precisa compreender o funcionamento do seu
próprio corpo físico e viver em conformidade com aquilo que já é…o
elemento atribuído é FLUIDO VITAL ou ENERGIA DA VIDA.
6. Moha: Apego, Condicionamento
Desde que nasci fui condicionado pelas circunstâncias de
nascimento, tempo e lugar (janma, kala e desha). Deixei de jogar e
caí no delírio do apego. A realidade de hoje deve ser a realidade de
sempre. Esse apego que me condiciona a ver do jeito que eu sou é a
causa real que me traz de volta uma e outra vez às vibrações mais
baixas de mim mesmo. Aqui começa um jogo, é o nascimento de um
caminho, a confusão que levará o jogador a buscar esclarecimento e
realizações. Todo começo gera confusão, na maioria das vezes a
criança nasce chorando, a sensação de não saber o que vai acontecer
gera uma confusão inicial que faz parte da brincadeira de se conhecer
melhor. O aprendizado começa aqui, seu objetivo é conduzir sua
alma de volta à casa 68 e cumprir um ciclo no jogo da vida.
Conhecerás o medo e a dúvida, que testarão você durante todo o jogo
e a esperança é que você consiga transformar a confusão em
compreensão. Vindo da casa 29, indica que você sente medo ou
insegurança, porque dispersou sua auto-confiança e lhe faltou fé em
si mesmo em algum momento.Aqui o medo é sentido como uma
sensação de fraqueza que causa uma agonia de que tudo vai dar
errado. A sensação de perigo obssessivo na mente do jogador gera
paranóia. Você atrasou seu caminho por não acreditar em si mesmo.
7. Mada: Presunção, Vaidade
Estou auto-intoxicado. Estou intoxicado de mim mesmo. Sou aquilo
que os demais dizem de mim. Cheio de falsas identificações de todo
tipo, fiquei preso no meu próprio jogo: não entendo como não se
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cumprem todos meus desejos, sendo eu como sou. As más
companhias apenas confirmam a minha auto-intoxicação. Os meus
pensamentos estão desconectados da realidade dos fatos, eu estou
imaginando coisas, a dúvida gera presunção. Presumir a vida impede
que as ações sejam verdadeiras. Esse processo mental faz com que o
jogador intelectualize suas ações, perdendo com isso a
espontaneidade do agir. Suposições, idéias, dúvidas e soberbas
acompanham a vaidade. A vaidade gera pré-conceitos mentais que
pensam e pensam como fazer e nunca fazem nada. Vindo da casa 24,
indica que você pode estar mentindo… ou acreditando em mentiras.
Você está propiciando para que a traição aconteça em sua vida.
Indica que a falsidade é a expressão dos mentirosos. Podemos
enganar a muitos por muito tempo, mas não a todos o tempo todo.
Seja mais autentico e menos competitivo.
8. Matsara: Avareza
A avareza é cobiça mais inveja. Tenho uma aversão ativa contra todos
vocês. Sou demasiado bom para vocês e minhas coisas também são
demasiado boas para vocês. Até mesmo as coisas que vocês têm são
demasiado boas para vocês, pelo que deveriam ser minhas. Eu estou
ansioso, nervoso ou agitado, com isso , minha expressão está
deturpada. A avidez é sinônimo de apego, avareza ou uma ansiedade
que destrói a espontaneidade do jogador o deixando inquieto, com
pressa e desatento consigo mesmo. Vindo da casa 12, indica que a
razão de sua ansiedade é o excesso de seus desejos em querer ter algo
ou alguém. Relaxe, procure compreender que o mundo não gira em
torno de você e se algo não está dando certo, é porque você não está
sabendo jogar direito o próprio jogo. Controle sua ambição!
9. Kama loka: Desejos
Se não houver desejo, não haverá criação. É a pura vontade de jogar
que cria a diversidade. Mas viver satisfazendo desejos é um estado
vinculado à ignorância. O verdadeiro vazio não se preenche deste
modo. A principio representa o afeto, o carinho, a sensualidade,
necessidade de expressar amor, de sentir prazer.É a primeira
manifestação de amor ao próximo, o tesão possibilita gerar
admiração por algo ou alguém. Vindo da casa 44 representa que você
está carente, tem falta de fé em si mesmo, ou tem necessidade
interna de receber atenção demasiada, que provoca a carência no
jogador. A pergunta que o jogo te faz é: carinho ou carência ? Você
escolhe.
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PLANO IMAGINÁRIO: nele a imaginação domina a atenção do
indivíduo, fazendo-o procurar pelos prazeres oferecidos pelos
sentidos. Depois da densidade da base, ele agora usa sua imagem
em ação para desejar as possibilidades e idéias que procura
realizar em sua busca. Os aspectos positivos levarão o caminhante
a realizar em sua busca. Os aspectos positivos levarão o
caminhante a realizar suas idéias e os aspectos negativos da
imaginação o levarão à densidade novamente, a fim de disciplinar
sua maneira de pensar. Esta é a fase juvenil da expressão humana.
10. Tapah: Purificação
Quero me purificar e consigo isso alterando o comportamento de
meus órgãos dos sentidos. Aos poucos, percebo um aumento de nível
vibracional que faz minha energia ascender. Fazer um esforço sobre
si próprio para purificar-se é a primeira escada do jogo, que nos dá a
oportunidade de transcender os apegos vinculados à primeira fileira.
Você está sabendo cuidar de si, está usando o que a vida lhe deu de
uma maneira correta, está sendo inteligente, então suba para casa 23.
11. Gandharva: Diversão
Este espaço psíquico freqüente na infância é a expressão natural da
minha alegria interior. A criação é uma brincadeira alegre da energia,
e somente quando nos libertamos da primeira fileira podemos
perceber a vida como o riso Daquele que escolheu ser muitos. Há a
necessidade de se divertir mais, levar a vida com bom humor, ser
criativo em seu viver, sair da rotina e brincar mais. Expresse seu
lado artístico em alguma atividade manual. Use a imaginação para
melhorar sua forma de expressão.
12. Amarsha: Inveja
Quando minha energia está baixa, observando os demais começo a
me comparar, e a comparação é o veneno que produz a inveja.
Porque os outros vibram em planos mais altos que eu? Esta é a
primeira serpente do jogo, uma reação destrutiva que me joga de
volta para a avareza. Querer ter sempre mais derruba o jogador, o
excesso de desejos ou a atenção projetada obsessivamente em algo ou
alguém faz você se atrasar no caminho e voltar para a casa 8.
13. Antariksha: Futilidade
Não estou nem na terra nem no céu. Nem aqui nem lá: em parte
alguma. Caí na nulidade. Qual é o propósito do meu ser? A angústia
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existencial flui através da minha consciência. Sou tão insignificante.
Tudo perdeu o sentido. Os objetivos estão ainda aí, mas, para que
servem? Felizmente, a futilidade não é um estado permanente. Pare
de reclamar dos outros, sua insatisfação te deixa instável, inquieto e
inconstante, se lamentar é futilidade. Indica também a presença de
um mau humor em sua mente que acabará por se transformar em
tédio. Esse modo de pensar leva o jogador a focar nos problemas e
não enxergar as soluções para as situações que vivencia ou almeja.
14. Bhuva loka: Poder da Mente
Por um momento, realidade e fantasia se estabilizam entre o que sou
e o que poderia ser. Posso ver a estrutura de minhas idéias com total
clareza: devo continuar sendo o que sou. Não posso deixar de ser o
que sou. Esse é o caminho correto. A fé é um dispositivo da
imaginação que possibilita aumentar o poder mental do jogador. Seja
inteligente, não desperdice suas fantasias a toa, comece a
desenvolver seu poder mental organizando seus pensamentos e
parando de culpar os outros. Seja positivo e acredite em algo para
positivar suas emoções e pensamentos, comece a meditar ou orar,
por exemplo.
15. Naga loka: Fantasia
Aqui voa a imaginação: não há nada que não possa fazer. Nada é
demasiado fantástico ou estranho. Na brincadeira, despertei as
possibilidades. Aqui, mergulhei nelas. Estou materialmente seguro,
tenho meu sucesso garantido e, com a maré da autoconfiança, a
imaginação criativa pode voar. A fantasia é o poder que está por trás
da criatividade. A fantasia é a energia mental que precede uma ação,
o desperdício desta energia provoca quedas e o bom uso traz a
criatividade nas ações do jogador.
16. Dvesha: Ciúme
Perdi a habilidade de distinguir entre o possível e o impossível.
Sonho, e acredito que meus sonhos são reais. Este é o apego básico
da segunda fileira e é provocado pela minha confusão: minha
indulgência com o mundo do fantástico. Minhas dúvidas crescem.
Tenho tão pouca autoconfiança que me odeio. Projeto esse ódio sobre
todos aqueles que não confirmam minha auto-imagem. A energia
baixa. Caí na cobiça novamente. O medo de perder algo ou alguém ou
a própria opinião gera o ciúme. Sonhei demais e fiquei inseguro nas
minhas emoções, gerando com isso, medo de rivalidade, mágoas,
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ressentimentos que levam o jogador de volta para a casa 4, para
recomeçar meu caminho novamente. Ninguém é de ninguém.
17. Daya: Perdão, Compaixão
Entrego-me à compaixão com tal potência que meus olhos ficam
úmidos, meu coração bate forte e meu ego é varrido com tal força
que, por um momento, sou uno com o outro. E isso é ser uno com
Brahman. Essa essência da compaixão desapega minha consciência
da identidade que escolhi. A vibração da energia assim liberada me
eleva ao plano do Absoluto (brahma loka). Este é o aspecto mais
positivo da imaginação. É quando damos uma segunda chance a algo
ou alguém ou a sim mesmo. O jogador sente a compaixão e consegue
entender os acontecimentos, consegue enxergar o outro, não guarda
rancor, perdoa. “Deixa pra lá, já passou” é a frase costumeira de
quem sabe perdoar. Suba para a casa 69, Sincronicidade, e a partir
daí só vale andar nas 3 ultimas casas, 70,71,72. Vai e volta no bailado
que rege a ação, Consciência, Movimento e Transformação. Só
voltará ao jogo quando compreender que tudo tem seu começo, meio
e fim neste mundo dual, nasce o dia, vivemos o dia e morremos para
aquele dia para renascermos novamente na manhã seguinte.
Nascimento, vida e morte fazem parte da natureza humana. Quando
conseguir parar na casa 72, volte com seu objeto para a casa 51 e
continue seu caminho.
18. Harsha loka: Alegria
Uma fase está terminada, outra está a ponto de começar. Neste
momento o espírito da alegria atravessa meu ser. Estou no cume de
mim mesmo. No cume do mundo. O tempo desaparece. A alegria é
eterna, sempre. Entretanto, breve é sua duração. Alegria é a energia
mental eufórica de satisfação em relação a algo ou alguém. A gratidão
vem junto com a satisfação provocando enorme prazer e alegria no
intimo do jogador.





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PLANO RACIONAL é a expressão do adulto, da personalidade em
crescimento, cujo ego que interferir na sociedade em que vive, busca
influência políticas e se identifica com as atividades que exerce.
Cada ação produz uma reação e, com isso, o indivíduo já
responsável por suas ações poderá agir com segurança nas
atividades que pratica. Porém, qualquer “excesso” de confiança o
derrubará.
19. Karma loka: Ação, Responsabilidade
Enquanto vivo nesta existência corpórea não posso deixar de agir. As
ações criam seus próprios resultados. Além destas ações naturais,
meu ego deseja estender sua influência em círculos crescentes. No
entanto, sendo o mundo exterior um espelho de mim mesmo, ao agir
descubro as influências familiares, sociais e políticas que criaram
minha própria identidade egóica. Então, vejo que a ação é ao mesmo
tempo a corrente e a libertação. Eu sou o responsável por tudo que
me acontece, eu comando minha história, ninguém está fora da lei de
ação e reação, não adianta culpar ninguém.
20. Dana: Caridade, Compartilhar
Caridade é compaixão mais ação, uma virtude que quebra os limites
da terceira fileira, relativa ao terceiro chakra, manipura. O
sentimento de alegria que eu experimento ao realizar uma ação
caridosa se traduz na transcendência da energia ao plano do
equilíbrio (maha loka). Eu entendi ou optei pela pratica do
compartilhar, aprender a dar e receber, a falar e ouvir. Suba para a
casa 32. O cooperativismo ou a cooperação fez de você uma pessoa
equilibrada.
21. Samana papa: Penitência e Perseverança
É tempo de grandes inquietudes emocionais. Enquanto gratificava
meus desejos egocêntricos, provoquei danos aos demais. Agora quero
retificar meus karmas negativos. A penitência transcende meus
desejos materiais e sensuais e, por um tempo, produz resultados
favoráveis. Você terá que perseverar em buscar o equilíbrio, para
percorrer seu próprio caminho livre das opiniões dos outros. A
perseverança traz boa fortuna.
22. Dharma: Virtude, Ação Correta
A virtude é consciência em ação. Quando minha ação é boa para os
demais, a minha energia também se eleva. Sou virtuoso quando fluo
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na ação natural das coisas. Minhas virtudes são as escadas do jogo.
Faço ações errôneas quando permito que o ego assuma o controle de
mim mesmo. Meus vícios são as serpentes do jogo. O exercício da
virtude torna positivo o intelecto e assim vou para a casa 60,
positividade (subuddhi). Eu alcancei a ação correta, ou seja, reuni
todas minha virtudes e qualidades em meu agir. Parabéns, suba para
a casa 60. Quem segue seu próprio jeito de ser está caminhando de
forma otimista e com intelecto positivo. Seja assim e a vida irá
sempre sorrir para você, não precisará se esforçar mais para
aprender qualquer coisa.
23. Svarga loka: Céu Terrenal, Auto-confiança
Quando vibro aqui, no céu terrenal, estou fabricando para mim
mesmo um paraíso nascido de meus desejos. O que quero é
imortalizar minha identidade em uma forma de vida. Vejo um
mundo doloroso, mas procuro um prazer infinito. Todas as
ideologias, todas as religiões, todas as políticas me alimentam neste
espaço: o céu é o mundo das utopias. Está na hora de agir com
segurança e determinação em minhas atividades materiais e comigo
mesmo. Devo manter a auto-confiança em minhas expressões.
24. Asatsanga: Falsidade
Sei como cheguei aqui: foi buscando identificar meu ego e acabei com
um grupo que em verdade alimenta meu ego. Ao estar com estas
pessoas fica claro que meus problemas pessoais acontecem por causa
do mundo exterior. Estou em companhia de pessoas superficiais, e a
serpente me devolve para a vaidade. Eu também estou agindo com
falsidade, pois estou traindo seu jeito de ser verdadeiro. Volte para a
casa 7 porque você não está sendo amigo de alguém ou de si mesmo.
25. Susanga: Amizade
Em boa companhia posso crescer, abandonar velhos padrões, velhas
programações de conduta, num clima de confiança e compaixão. As
boas amizades são o lado positivo da minha necessidade de grupo,
porque no grupo minha energia se eleva vibrando junto a dos outros,
que estão buscando a mesma finalidade. Eu estou sendo um amigo
sincero e verdadeiro e com isso, atrairei a atenção de amigos
verdadeiros e sinceros que me ajudarão a crescer no jogo da vida. A
amizade é um tesouro que não se deteriora com o tempo.

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26. Duhkha: Sofrimento, Aflição
O sofrimento é um dos extremos de minha vida emocional. O outro é
a alegria. Percebo a dor como uma repressão que acontece no corpo
quando sofro uma perda. A minha energia se bloqueia, como o
dragão que morde a própria cauda. O sofrimento é um cobertor que
me envolve. Não consigo ver mais nada além do cobertor. É um
estado temporário, mas que pode transformar-se em um modo de
ser. A aflição, a angústia, a tensão e a tristeza estão representadas
nesta casa e impedem o jogador de enxergar os fatos reais ao seu
redor. Calma, o sofrimento e a aflição só estão querendo te dizer que
você precisa mudar alguma coisa que não está bem em você.
27. Paramartha: Altruísmo
Somente quando deixo de viver para mim mesmo posso entender
meu papel no jogo: agora sei que meu ser individual é o veículo
através do qual o Supremo realiza. Agora posso fazer meu papel no
jogo sem pensar em direitos, ganâncias ou recompensas: apenas
fluindo em minhas virtudes. Fazer o bem não importando a quem.
Não esperar por reconhecimento ou gratidão. Somente ajudar a
evolução da vida ao meu redor. Caridade é dar o que nos sobra,
altruísmo é dividir uma única fatia de pão. Aqui se desenvolve o
espírito de servir ao semelhante como forma de evolução, suba para a
casa 41 e encontre sua missão de vida.












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PLANO DO EQUILÍBRIO: adentrando neste plano a pessoa
consegue desapegar-se um pouco do materialismo e começa a ouvir
seu coração e seus sentimentos começam a se refinar. Ainda não há
o entendimento, mas o amor pela vida chegou no interior do
caminhante e isto o levará a buscar saúde, religiosidade, equilíbrio
e clareza com seus sentimentos e pensamentos.
28. Sudharma: Concentração e Confiança
Quando me harmonizo com as regras do jogo, minha conduta passa a
ser expressão verdadeira de minha natureza. Jogo o dado sem me
importar aonde o karma irá me conduzir. Confio na harmonia do
jogo, entregando-me às suas regras e vibrando cada vez mais alto.
Quando estamos atentos e tranqüilos estamos concentrados e
confiantes, não desprezamos nada nem ninguém, estamos
conectados numa força do Bem em prol da evolução da vida, isso é
espiritualidade. Isso eleva as vibrações do jogador para o plano da
transformação, suba para a casa 50 e procure manter a disciplina da
confiança em suas ações.
29. Adharma: Dispersão
Quando a confiança não se funde na minha natureza interior, mas
em um modelo cultural, significa que caí numa atitude errônea.
Penso que meu caminho é o único caminho válido e tento impô-lo
aos demais. A fé cega é um vício, e vou descendo, para refletir sobre
meus apegos. Você não acreditou em si mesmo ou desconfiou de algo
ou alguém e isso gera insegurança no seu intimo. Também significa
que você não está acreditando em si mesmo e tudo acaba na
confusão. Volte para casa 6 e livre-se dos seus medos.
30. Uttama gati: Esperança
As boas tendências fluem em mim de maneira espontânea ao atingir
o equilíbrio. Praticando a esperança, estabilizo e fluo mais
ritmicamente, afastando-me das distrações egocêntricas. Acreditar
que tudo vai dar certo é sinal de esperança surgindo no intimo de
mim. Com esse sentimento conseguimos vencer nossos obstáculos
pela vida.
31. Yaksha loka: Saúde, Santidade
Quero achar os vínculos que existem entre a vida cotidiana e o
divino. Yata Brahmande tata pindade: “assim como é no Ser, assim
é no corpo!” Já consigo perceber a unidade entre meu ser mais
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íntimo e a Alma do Universo (Paramatman). Bem estar físico,
emocional e espiritual. Estar conectado com suas próprias
qualidades, capacidades e limitações são sinônimos de saúde. Saber
lidar com as experiências e conseqüências delas também traz a saúde
quando o jogador permanece tranqüilo, mesmo enfrentando alguma
doença. A saúde está na nossa postura frente aos fatos da vida em
movimento, mesmo com alguma doença a pessoa pode permanecer
saudável perante a vida. Saúde é tranqüilidade e esperança frente a
qualquer fato. É mais uma atitude interna do que externa. Uma
postura regeneradora que cicatriza as feridas.
32. Maha loka: Equilíbrio
Quando vibro aqui, consigo equilibrar o feminino que sou com o
masculino que também sou. Por momentos, me sinto preparado para
identificar-me com o resto da existência. Assim como é dentro, assim
é fora! Vivo um sentimento de unidade cósmica. Consegui polarizar o
masculino/feminino dentro de mim, consigo entender melhor a vida
ao meu redor.
33. Sugandha: Fragrância, aromas da vida
A energia que vibra em mim está mudando minha química corporal e
meu corpo segrega fragrâncias de sândalo e lótus. E, às vezes, fortes
baforadas de enxofre. A natureza com seus aromas e essências nos
traz a serenidade e energia vital. O momento é de sutilização do
olfato, use as fragrâncias e aromas da vida para encontrar a
serenidade. A terapia floral trata os sentimentos e emoções para que
estes melhorem e reflitam no corpo físico essa harmonia. Ofereça
também aromas ao seu ambiente, use insensos ou essências, e a você
mesmo através de banhos aromáticos.
34. Rasa: Alimentação e sabor
Até aqui, meu sentido do gosto era uma percepção sensorial.
Somente agora entendo seu sentido estético. Esta vibração unifica
toda a criação. Vibrando aqui, penetro no mundo das idéias e dos
significados, como se o fizesse na essência de minhas emoções e
sentimentos. O sabor (rasa) é a essência da poesia e da música.
Corresponde a tudo que absorvo da vida pelos sentidos, comida,
leitura, sons, aromas e toques, está na hora de começar a me
alimentar conscientemente, pois tudo é ação e reação neste jogo. As
informações também são alimentos que nos impulsionam a agir.

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35. Narka loka: Reflexão, purgatório
Na metade do caminho entre o céu e a terra, está a reflexão, o
purgatório. Nele, assumo minhas responsabilidades. Cada ação
trouxe seu fruto. Mas a queda na violência não é um castigo, senão
uma purificação. Observe a sim mesmo com o coração, procure
enxergar qual é sua atitude prioritária perante a vida. Aprenda a
ouvir melhor. Não queira reformar os outros, o máximo que você
pode fazer é aceitar a si mesmo assim como você é e, com esta
tomada de consciência, mudar o rumo do seu jogo.
36. Svaccha: Clareza de consciência
Matei minhas dúvidas. Aqui se dissolvem as trevas do ego e emergem
meus verdadeiros sentimentos elevados. Já estou preparado para me
unir ao fluxo ascendente da energia e entrar no reino do Ser. Clareza
no coração e na mente, sentimentos tranqüilos fecham o plano do
equilíbrio e me levarão para a abertura de novos horizontes. Novas
maneiras de agir no mundo, mais coerentes com meu jogo evolutivo.










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PLANO DA ABERTURA: aqui o indivíduo se dedica a pesquisar
sua origem e a estudar profundamente o ser humano. Cria-se a voz
interior que conduz ao entendimento com o mundo, podendo
influenciar o meio ambiente e seus elementos. Liberando seus
potenciais pela voz e pelo canto, pode-se conhecer neste plano uma
nova maneira de se viver, mais consciente de Ser e Estar em um
corpo. A expansão da energia não deve ser usada para manipular
os outros.
37. Jñana: Discernimento
Perceber não é realizar nada. É simplesmente tomar consciência do
que é bom e constatar quais são os meios para fazer o bem. Perceber
que não sou independente reduz o tamanho de meu ego. Observo
sem julgar. De fato, este estado acontece quando paro de julgar.
Nesse sentido, perceber é o contrário de iludir-se. A ilusão muda
constantemente os valores, enquanto que ao tomar consciência, esta
página fica em branco. E somente uma folha branca pode ficar limpa.
Discernimento é quando mudamos o que pode ser mudado,
aceitamos o que não pode ser mudado e temos a sabedoria para
distinguir um do outro. Suba para casa 66, o Plano Divino te chama.

38. Prana loka: Força vital, respiração consciente
O prana ou impulso vital é a própria força da vida. No corpo humano
ela reside na respiração e seu alimento é o ar. Ao vibrar neste estado
compreendo que o impulso vital está a serviço do Ser e que a menor
mudança no meu Ser/estar afeta o ritmo de meus ciclos vitais. Ao
mesmo tempo, posso aprender a equilibrar meu Ser controlando os
ciclos de meu impulso vital. Aprenda a respirar com sentimento, ao
inspirar imagine que você esta se alimentando do ar e sentindo
prazer e vitalidade com isso. Ao expirar, imagine que você está
eliminando toda tensão, todo a ansiedade. Pratique exercícios que te
ajudem a respirar melhor. Tome consciência da sua respiração e
trabalhe para aumentar sua capacidade respiratória.
39. Apana vayu: Eliminação consciente, excreção
A eliminação (apana vayu) é o impulso físico que descarrega a
energia do organismo. No ser humano reside no ventre. O Yoga
ensina que a fusão entre os ares vitais prana e apana tem efeitos
rejuvenescedores. Não retenha seus excrementos no corpo, libere os
gases intestinais, libere o ar das vísceras, faça exercícios de
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agachamento. Permita ao corpo urinar, evacuar, ejacular e peidar
quando ele precisar. Não retenha mágoas ou rancor para não se
enfezar, não fique cheio de fezes, libere o ar descendente para poder
comandar o bom funcionamento do organismo.
40. Vyana vayu: Circulação vital
A circulação (vyana vayu) é uma forma da energia vital que equilibra
o corpo. Sua manifestação é o sangue, que toma energia dos pulmões
e a distribui pelo corpo, trabalhando em uníssono com o sistema
endócrino. O vyana vayu equilibra as forças prana e apana. Movi-
mente seu corpo até transpirar e eliminar pelo suor as toxinas
causadas pela vida sedentária ou má alimentação. Cuide da
circulação sanguínea, formigamento nas extremidades indica que o
corpo precisa se movimentar. Dance, corra, pule ande de bicicleta,
enfim faça este sangue circular. A energia vital deve ser ampliada
neste ponto do caminho, e isto pede por consciência fisiológica e
corporal ao jogador.
41. Jana loka: Plano Humano, Missão de vida
Chegando neste ponto, dedico meu esforço a fim de ficar em sintonia
com as leis divinas, para manter o fluxo ascendente de minha energia
interior. Aumentando a vibração, aumenta a consciência: além do
horizonte existe outro horizonte novo. Começa aqui o caminho do
Mago. Neste ponto do jogo a visão sobre si e sobre o mundo se
ampliou, o jogador está com suas capacidades e habilidades mais
desenvolvidas, portanto, pode atuar na vida com mais responsa-
bilidade e eficácia. Quando aliar a respiração, a eliminação e a
circulação vital com o conhecimento adquirido, poderá desfrutar de
maior poder de atuação na vida. Qual a sua missão neste planeta? Ela
já existe, você só tem que encontrá-la.
42. Agni loka: Fogo Interior
O fogo é o veículo da energia, um elo entre Deus e o mundo. Ao
vibrar aqui sei que minha natureza íntima é o fogo. E que também
sou um veículo de Deus. Enganar a mim mesmo é impossível: a
testemunha está sempre presente. A respiração consciente aliada ao
sentimento amoroso, desperta em nós um fogo interior, um calor
humano que nos capacita com o dom da fogosidade em nossas
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atitudes. Ao sentirmos este fogo interior, ficamos cheios de energia,
de entusiasmo, de uma sensação de compreensão, que cura todas as
angustias e conflitos. É um fogo que traz um calor amoroso e a
serenidade para prosseguir.
43. Manushya janma: Renascimento
Este nascimento não foi registrado em cartórios, pois não sou filho
de ninguém. Não pertenço a nenhuma casta, credo, religião ou nação.
Não tenho coisas que me prendam, nem preciso de papéis de
identidade. Encontrei a mim mesmo: sou filho de Deus. É hora de
renascer a cada amanhecer. Acredite na possibilidade de viver o
momento presente intensamente, mude sua maneira de agir consigo
e com os outros, realize em você o exemplo de renovação e evolução.
É momento de permitir o Eu Superior comandar o caminho, ser
testemunha de sua própria fé.
44. Avidya: Ignorância, sedução, manipulação
Somente quando se chega ao conhecimento pode-se perceber a
ignorância. A mente é um tigre na selva dos desejos. O verdadeiro
conhecimento é a visão do Real. Por meu lado, estou identificado
com certos estados emocionais e com certas percepções de meus
sentidos (jñanendriyas). Usar o poder pessoal adquirido para
manipular os outros ou seduzi-los faz com que você retorne para a
casa 9, para resolver suas questões de carência. Esta é a casa do
manipulador carente, aquele que atua em nós quando nos deixamos
levar pelos interesses pessoais.
45. Suvidya: Sabedoria, conhecimento correto
O conhecimento correto (suvidya) acrescenta à percepção correta
(jñana) a conduta que advêm da compreensão do passado, do
presente e do futuro como aspectos da mesma continuidade. Por sua
vez, essa compreensão provêm do fato de que deixei de fazer
diferenciações: eu, conhecedor, sou uno com aquilo que conheço.
Neste momento sou uno com o Real e minha vibração ascende até o
bem cósmico (rudra loka). Use o poder pessoal adquirido para
ajudar a evolução das pessoas ao seu redor, seja um instrumento de
cura em nome da evolução do seu meio ambiente. Ousar, querer,
saber, fazer e calar são as regras do sábio. Suba para a casa 67 , pois
você já pode sentir o Amor Impessoal, por tudo e por todos.

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PLANO DA TRANSFORMAÇÃO: neste plano a prioridade será
doutrinar o ego e colocá-lo como auxiliar do Eu Superior no mundo
material. A auto-disciplina com ações, pensamentos e palavras
ditas amorosamente aplicados e vividos no cotidiano o levarão ao
conhecimento de si mesmo. A maestria do bem viver não interfere e
nem julga a vida ao seu redor.
46. Viveka: Humildade e discernimento
O discernimento é o terceiro olho. Com ele posso perceber o Ser,
distinguir o denso do sutil. Assim posso evitar o retrocesso aos
apegos materiais. A dualidade já tem pouco efeito sobre minha
percepção da unidade e me sinto transportado à felicidade.
Discernimento significa compreender que ninguém é de ninguém,
cada um é cada um e que estamos vivendo nesta Terra algumas
dezenas de anos para desfrutar de tudo e de todos sem se apegar a
nada e nem ninguém. Suba para a casa 62 porque você já está apto
para encontrar a prosperidade da felicidade.
47. Sarasvati: neutralidade, caminho do meio
Até agora não havia podido controlar o equilíbrio entre as forças
masculina e feminina. Neste momento, a energia psíquica começa a
ascender ao longo do canal central na coluna (sushumna nadi). O
positivo e o negativo (ida e pingala) desapareceram. Somente o
neutro fica estável, mais além da existência. Sou um espectador,
apenas uma testemunha imparcial (sakshi) deste jogo. É momento
de calar os pensamentos, não ter opinião formada sobre algo ou
alguém. Mantenha-se receptivo para o que a vida está querendo te
mostrar.
48. Yamuna: energia solar, masculina, campo elétrico
O plano solar (yamuna ou pingala nadi) é o plano da energia
masculina, onde se descobrem o poder e a destruição. Porém,
equilibrar-se sem energia lunar (ganga ou ida nadi) é impossível.
Aqui você está apto a realizar seus projetos de vida com vitalidade e
dinamismo. O contato com o Sol trará mais vigor físico. O Sol é a
forma material de Deus, como a energia elétrica é a forma material
da luz e da energia. Eletricidade é a polaridade masculina da vida.


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49. Ganga: energia lunar, feminina, campo magnético
A corrente lunar (ganga ou ida nadi) é a raiz da minha fonte de
energia feminina. Com meus dois pólos funcionando em uníssono
sou um campo magnético harmonizado. Quanto mais vamos
aprendendo, a energia ao nosso redor aumenta. Vamos ficando seres
cada vez mais luminosos. Não podemos ver nem a energia e nem as
luzes com nossos olhos físicos, mas podemos sentir uma sensação de
leveza e grandeza que chamaremos de magnetismo. Esse
magnetismo aumenta ou diminui conforme nossas percepções
pessoais. Podemos chamá-lo de termômetro da nossa fé. Entre em
contato com a energia feminina lunar para fortalecer o magnetismo
em você. O magnetismo é a polaridade feminina da vida. A união das
duas polaridades da vida formam um campo eletro-magnético no
jogador, semelhante o mesmo campo que existe no planeta.
50. Tapah loka: Disciplina, autoconsciência
O tema desta fileira do jogo é a prática da meditação. Reconheço
o karma que ainda resta, mas conheço também a plenitude de vibrar
sem ele. Através da disciplina obtenho a capacidade de sentir vibrar a
divindade dentro de mim. Assim é mais fácil queimar os karmas que
restam. Quanto mais sabemos, maior é nossa responsabilidade em
não julgar, não mentir, não interferir na vida dos outros. O momento
é procurar viver sem conflitos, e agir com consciência da disciplina
de que necessita ter daqui por diante.
51. Prithivi: Ecologia
A terra é o cenário onde a consciência interpreta seus papéis. A terra
não é somente o planeta: é a Mãe, a Unidade viva, Prakriti. Nesta
casa conseguimos ver a Terra como um organismo vivo e nós como
uma célula dela, um microcosmo dela. Sabemos que nem só de coisas
materiais depende a harmonia de viver, portanto aqui nasce a
ecologia no intimo do jogador, que procurará viver em harmonia e
sem conflitos com o seu meio ambiente e todos os seres que o
compõe. Neste ponto do caminho você necessita praticar sua auto-
consciência adquirida, ou então com certeza irá voltar a planos
inferiores para se preparar melhor. Não dá mais para agir como se
não soubesse de nada. Amplie o quanto antes sua visão sobre algo ou
alguém e não interfira com o que não te diz respeito.


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52. Himsa: Violência
A ira é uma reação de defesa pessoal. Para ser violento, entretanto,
necessito ter uma grande confiança em mim mesmo. A violência
nasce somente quando possuo uma verdade: acredito ser o agente da
verdade e a violência acontece no afã de reformar a consciência dos
demais. Em casos extremos posso inclusive desejar que morram,
para que suas consciências possam sair da ignorância. E assim, vou
para o purgatório, na quarta fileira. Interferir indica ferir por dentro.
A violência surge quando não respeitamos os nossos limites, quando
forçamos alguma situação movidos pelos desejos pessoais que
estreitam nossa visão sobre os fatos. Volte a casa 35 para refletir
sobre sua atitude perante a vida, aprenda a ouvir com o coração e
mantenha a compaixão acesa em você, para poder se preparar
melhor e subir rumo ao teu destino. Quando nos sentimos ofendidos
estamos sendo violentos também.
53. Jala loka: Intuição
A água que absorve calor está aqui para apagar a energia da violência
e transformá-la em exercício espiritual. A água não tem forma: adota
a do vaso que a contêm. Ao vibrar aqui adquiro essa mesma
qualidade da água. Reconheço que caibo em qualquer forma, posso
transformar-me naquilo que configura o Ser e somente quando
adquiro este conhecimento é que se dissolve a ilusão identificatória.
A terceira visão consiste em enxergar alem das aparências físicas,
ampliar a visão de mundo para poder perceber a voz interior a
indicar o caminho certo a ser seguido. A intuição surge em nós num
momento de receptividade e atenção, nos faz sentir fluídicos, capazes
de se adaptar a qualquer situação, como a água que se adapta em
diferentes formas de copo. Inofendibilidade é a palavra chave para
esta casa, a arte de não se ofender com nada e com ninguém. Posso
até dizer que a intuição é o piloto automático desta maquina física.
Deixa fluir e aja de acordo com suas aspirações e inspirações mais
íntimas.
54. Sadhana: Entrega espiritual
A entrega espiritual é o meio direto de experienciar a consciência
cósmica. A entrega espiritual permite entender que o mahalila, o
grande jogo, é a natureza básica do universo manifestado: cada
estado, cada casa, é um jogo da mesma energia divina, uma
manifestação diferente da mesma Unidade. Essa consciência devolve
o múltiplo ao único. Procuro a união indivisível, a consciência sem
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dualidade, a bênção da graça. Entregar-se ao fluxo dos
acontecimentos e não perder a dignidade e o respeito pela vida ao seu
redor, possibilita a aceitação do divino em si mesmo, a centelha
divina se mantém acesa e o ser humano brilha sua luz própria. Se
você é capaz de entender que a consciência plena é o inicio de uma
vida consciente plenamente no momento presente, no dia de hoje, no
aqui/agora, como a única realidade possível de se viver, suba para
casa 68, pois seu caminho termina por enquanto. Descanse um
pouco do tabuleiro e vá viver sua vida real onde a prática do
conhecimento adquirido se faz necessária agora… Boa Sorte!
PLANO DA CONEXÃO quando o caminhante anda por este plano
ele já esta pronto para ensinar sem tanta interferência dos desejos
do ego. Com a consciência em alerta, poderá desfrutar de uma
plenitude de vitalidade em ação e trabalhar para melhorar a
qualidade de vida na Terra, com clareza e simplicidade de um bem
aventurado. As três maiores serpentes do jogo guardam o caminho
da realidade para que não passe ninguém por aqui com interesses
pessoais e mesquinhos.
55. Ahamkara: Egoísmo
Ao assumir uma forma, o centro de toda atividade sou eu e minhas
coisas. Tudo aparenta estar em função de mim. Fiquei preso no ego.
Não consigo me reconhecer como a totalidade que sou. Estou
próximo da consciência cósmica, mas posso me perder do caminho.
A falsa identidade às vezes me irrita, e é por isso que vou até a ira.
Chegando nesta casa, demonstro que minha visão sobre algo ou
alguém está limitada aos meus próprios conceitos. Podemos dizer
que me apeguei em minha própria opinião e, quando ela não é aceita,
surge um sentimento de revolta, uma indignação capaz de trazer
consigo uma irritação quando as coisas não são do meu jeito. Volte
para a casa 3, a fim de disciplinar sua maneira de agir e resolver suas
questões de carências pessoais, para poder completar seu percurso
com mais fraternidade em suas expressões.
56. Omkara: Som Sagrado
O Yoga ensina que o som do mantra Aum (Om) é a forma mais sutil
sob a qual se manifesta o mar de consciência-energia. No início era o
som, no início era o verbo. Sei que quando repito este som abandono
o falso refúgio dos desejos e vejo com mais calma a vida. Preciso
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simplificar minha existência. Entrando no Plano da Conexão, surge a
necessidade de ampliar minhas percepções em relação a vida ao meu
redor. Esta é a casa da vibração original Aum. Para os hindus este é o
som sagrado que harmoniza e apazigua o intimo do jogador. Inspire
profundamente e na expiração faça o som ooommm, abrindo bem a
boca no início e cerrando os lábios no final, mantendo a garganta
vibrando este som até o termino da expiração. Inspire novamente e
repita isso por 3 vezes. É um ótimo exercício para se acalmar e se
harmonizar com a vida ao seu redor. Em um minuto esta prática já
surte um efeito visível em nosso íntimo. E seguindo essa regra
podemos descobrir que todo som emitido por nós produz um efeito
em nosso íntimo, positivo ou negativo. Esta casa te pede para
sacralizar os teus sons, tornar sagrado o dom da fala e do canto. A
perfeição está debaixo da língua (sufi). Somente expresse palavras
formosas.
57. Vayu loka: Plano do vento, meditação
O vento é movimento puro, sem peso, forma nem medida. Um
líquido ainda adquire a forma do recipiente que o contém. Assim, ao
chegar aqui, deixei de estar limitado. Momentaneamente ganhei
liberdade de ação. Tampouco tenho peso, massa, nem forma. Ao
tornar-me leve e em paz, experimento a meditação como estado de
espírito. Não é indispensável praticar exercícios para atingir este
estágio de expressão, pois ele é alcançado no momento em que a
compreensão sobre a harmonia no agir é conquistada pelo jogador,
com exercícios ou não. Quando a receptividade se harmoniza com a
atividade, quando a energia pessoal é utilizada para a evolução da
vida ao seu redor, produz no intimo do jogador um sentimento de
paz, atenção e tranqüilidade que permitem a expressão consciente
acontecer. Sem conflitos, sem mágoas, sem medo de ser feliz, o
jogador consegue meditar, fazer a ponte da terra com o céu, se
conectar com o divino dentro dele e ser da paz profunda.

58. Tejas loka: Plano do fogo, irradiação
Irradiar é emitir luz. A irradiação começa quando o movimento
interior é tão rápido que já não pode ser contido pela matéria.
Elevando minhas vibrações ao máximo, corro o risco de explodir em
uma chama irradiante. Significa aumentar a capacidade de emitir luz
própria, começa a acontecer a iluminação pessoal. O jogador se sente
forte e sereno, tranqüilo e ativo, seu poder de atuação na vida se
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expande, fazendo-o se sentir capaz de realizar o que quiser. O
jogador foi aprovado em seu treinamento até agora, e com isso pode
desfrutar da expansão energética que o auto-conhecimento produz
no indivíduo. Porém, nada é definitivo, ainda não há o auto-controle
e dependerá das atitudes do jogador subir ou descer no jogo.
59. Satya loka: Plano da realidade-verdade
Percebo a mim mesmo como o Real. Alcanço a auto-realização. O
jogo é um processo de descobrimento da realidade. Já não há
nenhum obstáculo para o fluir da energia. Equilibrado com as forças
do Cosmos, fluo como uma gota de água no oceano. Realidade é a
real idade do jogador, o momento que ele está maduro, pleno de suas
capacidades mental, física e espiritual. Agora é uma expressão da
verdade, e pode expressar a verdadeira espiritualidade em seu
cotidiano. Neste ponto do caminho, o jogador pode se tornar mestre
de si mesmo e adquirir o controle sobre suas atitudes, palavras e
pensamentos. A atenção em suas aspirações mais intimas se faz
necessário, pois a lei de ação e reação é mais rápida aqui.
60. Subuddhi: Otimismo, intelecto positivo
O intelecto positivo e otimista é a consciência sem dualidade. É
verdade que enquanto ficar aqui neste corpo terei que discriminar,
diferenciar e ponderar. Porém, estes julgamentos já não se referem
ao mundo exterior, senão à minha própria realidade interior. Deste
modo, minha vibração é cada vez mais positiva. O intelecto humano é
como se fosse um armazém, que guarda as informações que as
impressões do mundo nos causam. Quando armazenamos as
informações positivas de tudo e todos, nos tornamos otimistas.
Aquele que valoriza o bem, o belo e o verdadeiro, aquele que acredita
na evolução e prosperidade humana, esse é o otimista. E também o
alquimista que transforma chumbo em ouro, sabendo otimizar até as
adversidades. Agir com toda força e serenidade, dando atenção ao
lado positivo dos acontecimentos e momentos vividos.
61. Durbuddhi: Pessimismo, intelecto negativo
Enquanto o intelecto ficar voltado para o ego, não posso evitar os
julgamentos negativos. Negando assim a manifestação peculiar do
Único, me fecho a essa possibilidade. Duvido que o divino também
esteja presente. No final deste caminho, nada nem ninguém é bom.
Minhas energias se consomem tentando negar o real e assim caio no
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estado de nulidade e futilidade (antariksha). Quando o intelecto
armazena mais as impressões negativas e pessimistas de tudo e de
todos, ele destrói a evolução conquistada e faz o jogador retornar a
casa 13, pois foi registrado em seu íntimo um desânimo ou
inquietação que não são suportáveis no Plano da Conexão. O seu
treino vai ser aprender a não esperar o pior.
62. Sukha: Prosperidade, felicidade
É impossível descrever este sentimento, que está além da alegria
passageira. É uma experiência tão intensa que a felicidade pode
ofuscar o jogador, levando-o a acreditar que já atingiu o objetivo. Por
isso, logo à frente está a escuridão. Procure conseguir se educar para
poder desfrutar da prosperidade que a vida te oferece neste ponto do
caminho. Suas necessidades serão supridas sem conflitos e esforços,
a ti será dado o dom da bem-aventurança. A felicidade de viver da
melhor maneira possível, ajudando a curar e criar a vida em
movimento. Poder viver sem se apegar a nada e a ninguém. A decisão
agora será sua: se conectar com o Plano Divino ou voltar para o Plano
Básico?
63. Tamas: Orgulho, vaidade
A escuridão é a ausência de luz. E, se a luz é conhecimento, a
escuridão é ignorância. Os karmas são inevitáveis, tanto no jogo
quanto na vida. Tentar evitá-los é mais um karma. Não posso ver a
Unidade que existe entre as correntes e a libertação, volto então à
ilusão (maya) para percorrer novamente o jogo desde o início.
Respire e relaxe, você não conseguiu se conectar com o Plano Divino,
seu orgulho ou vaidade não te deixaram. Quando nos achamos
indispensáveis para algo ou alguém. Isso também é sinônimo de
orgulho/vaidade. Quanto mais evoluído é o ser humano, mais
espírito de aprendiz ele possui. E quando isso não acontece, o
jogador deverá voltar para a casa 2 e reiniciar seu caminho educativo
novamente. Seja mais humilde da próxima vez, a lição sabemos
decór, só nos resta aprender.




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PLANO DIVINO é o plano que representa o nível que nos conecta
com os aspectos espirituais da vida na Terra. Nele está a
Consciência Plena, como símbolo de nossa Origem e Destino neste
nosso aprendizado de viver em um corpo. Nas demais casas deste
plano estão contidas as Fontes da Sabedoria, do Amor e do Poder
do Espírito Divino no mundo material.
64. Prakriti loka: Mundo exterior, transparência
Sem a experiência, o conceito fica vazio. Sem o conceito, a
experiência fica cega. Agora me aproximo do conceito após viver a
experiência e compreendo que a fonte de todos os fenômenos é
Brahman, o Absoluto onipresente. Você conseguiu se conectar com o
Plano Divino, pois em seu intimo já não há mais conflitos neste
momento. Você se auto-aceitou como é, você não tem mais nada que
esconder dos outros, você está transparente e o divino em você te
acolhe com felicidade tranqüila, força e energia vital. Sem medo de
ser feliz e viver em paz são atributos da auto-aceitação. Siga o seu
caminho e deixe quem quiser falar, está na hora da Consciência Plena
chegar. Troque os desejos do ego pelas convicções da alma e viva seu
Plano Divino aqui na Terra.
65. Urantara loka: Mundo interior, espaço interior
Após perceber que o mundo dos fenômenos também é Uno, me
fundo na força deles: sou o ser que sente. Não existe bem nem mal,
vício nem virtude: sou como uma lente que deixa passar os
fenômenos, sem restrições. Já não há distância entre os objetos e eu.
De fato, não existe mais separação. Estou me fundindo na Unidade.
O espaço interior é da alma do jogador, manifestando minhas
expressões com a espiritualidade adquirida até agora. A presença
divina se manifesta em meu íntimo, para trazer a certeza de que
estou amparado e capacitado para me iluminar e cumprir a missão
de todo ser humano que vive em um corpo material. A morte do
corpo é inevitável, então viva enquanto está num corpo vivo, não
tenha medo de morrer, confie no divino e seja feliz. E o divino
simplesmente é o nome que damos para o que existe de melhor em
todos nós. Siga tranqüilo e jogue o dado sem pensar.
66. Ananda loka: Mundo da bem-aventurança, êxtase
Todos os sentimentos se transformam em um só quando se percebe o
Uno que está em tudo. Eu mesmo sou ser, consciência e bem-
aventurança, sat-chit-ananda. Somente aquele que discerniu isto
32

pode compreender a si mesmo. A plenitude nos torna leves e essa
leveza permite a compreensão sobre si mesmo, sobre algo ou alguém.
Êxtase é o sorriso da alma que se regozija por compreender a arte de
se viver em plenitude. O êxtase é só uma passagem em nossas ações
bem sucedidas. Sensação divina que nos faz perceber como é bom
viver, celebrar sem celebrar. Quando estamos em êxtase, sentimos a
presença divina sorrir em nós. O despertar do amor divino começa
aqui.
67. Rudra loka: Amor incondicional, bem querer, céu
Sem eliminar a identidade centrada no ego, a verdadeira União é
impossível. Se a criação é vontade divina, também o é a preservação e
a destruição. Entendendo isto estou a um passo da consciência plena.
Posso transmutar alquimicamente minha energia e enviá-la de volta,
reconhecendo sua fonte divina. Amar a tudo e a todos sem se apegar
a nada e a ninguém. Bendito amor impessoal que não faz distinção,
que não seleciona, que não comanda algo ou alguém. Sentimento
puro de amor. Sentimento de bem querer a vida ao seu redor. Esta é
a casa da Mãe Divina, parte feminina do divino que rege as 3
primeiras casas do Plano Divino e é responsável pelo amor
incondicional no ser humano, que se processa da seguinte forma: na
Transparência (mundo exterior) o jogador se auto-aceita como é e
permite a conexão com o Divino, no Espaço Interior (mundo
interior) ele fortalece os poderes da alma confiando plenamente no
amparo divino, no êxtase (mundo da bem-aventurança) ele se
regozija por compreender os mistérios da vida; e no amor impessoal
a Unidade se manifesta, levando-o a bem querer a tudo e a todos sem
querer ter algo ou alguém. Tá quase pronto, falta só um bocadinho.
Jogue o dado e verá o que acontece.
68. Vaikuntha loka: Consciência Plena
Qualquer que tenha sido o percurso karmico escolhido entre as
ilimitadas possibilidades do jogo, cheguei ao lar, à verdade que é a
própria essência da criação. Aqui acaba o jogo. Posso voltar a nascer
para continuar jogando, ou posso ajudar os demais jogadores. A
escolha é minha. Parabéns! Você conseguiu cumprir um ciclo no
MahaLilah, o grande jogo cósmico. Egresso, ingresso e regresso te
deram a Consciência Plena sobre si mesmo. Não há fogos de artifícios
ou shows pirotécnicos na iluminação do ser humano, simplesmente
ele compreende que o livre-arbítrio é como jogar o dado e que a vida
real pode se transformar num tabuleiro traçado entre espadas e
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serpentes. A Consciência Plena te torna desperto para poder agir no
mundo fenomênico sem dores e sofrimento. A Consciência Plena é o
inicio de uma vida sem conflitos e medos. Poder viver cada dia como
se fosse o último, consciente no presente, usando a coerência e a
sabedoria para se expressar com integridade em seu caminho neste
jogo da Vida. Você está livre agora para deixar de lado o tabuleiro e ir
viver com amor e carinho a sua vida real. Seja Feliz! Tudo é tudo que
há e isto também passará.
69. Brahma loka: O Absoluto, sincronicidade
Praticando a compaixão (daya) chego a morar aqui, livre de medos e
karmas, porque posso perceber o princípio sutil que me une a todas
as formas e a todos os nomes. Mas essa percepção é temporária. O
jogo está além da formas e deve continuar. A sincronicidade é um
mecanismo divino para despertar a Consciência Plena no jogador.
Inicialmente, as coincidências começam a acontecer, você pensa em
uma pessoa e ela te liga, você sonha com alguém e depois encontra
essa pessoa. Isso desperta no íntimo do jogador uma elevação de ser
e de sentir a vida. Sincronicidade é a casa do Absoluto, do pai divino
e rege as 3 últimas casas do tabuleiro. Após ter passado da casa 68,
que é o inicio e destino de todo jogador, você terá que andar com seu
objeto até o final e descer pela serpente da transformação (72) até a
casa da ecologia (51) a fim de continuar o seu jogo. A mensagem
desta casa é a de lembrar ao jogador que quando estamos atentos, no
momento presente, conseguimos realizar nossos desejos sem o
esforço da conquista e disputa. Quem compreende que tudo nasce,
cresce e desaparece está consciente no presente, vivendo o dia de
hoje. Esquecendo ou não se apegando ao que já passou, nem ficando
ansioso pelo que virá, a sincronicidade fará você mudar sua maneira
de se expressar. Lembre-se que daqui pra frente só pode ir e voltar
pelas 3 últimas casas, cumprindo a determinação do dado, até
conseguir parar na casa 72, e então continuar seu caminho pela casa
51.
70. Sattva guna: Essência da verdade (início)
A atividade harmônica da consciência é a corda onde me equilibro
interiormente. A atividade balanceada da consciência me sustenta
livre, sem karmas. Ela é a síntese entre ação (rajas) e inatividade
(tamas). Desta forma compreendo, como uma testemunha, que
simplesmente estou fazendo meu papel no jogo. Esta casa representa
o início da consciência do Plano Divino em sua vida. “Conhecereis a
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Verdade e ela vos libertará.” A consciência do que é mais verdadeiro
em você fará sua vida tomar um rumo certo. A essência da verdade
está nas nossas aspirações mais intimas, permita-se ser verdadeiro
em sua busca pela felicidade aqui na terra. Mas lembre-se, tudo tem
começo, meio e fim. Você está no começo da transformação interior.
71. Rajo guna: Verdade em ação, consciência (meio)
Alcancei o oitavo plano mas, sem poder perpetuá-lo na Consciência
Plena, fico novamente atraído pela ação. Neste plano, a atividade é
como um espelho de minha consciência. Mas agir pressupõe a
existência de alguém que age e a ação pode produzir dor, desejo e
conflito. O momento sugere que você coloque o seu plano divino em
ação, ou seja, pratique o conhecimento adquirido, vivendo no
momento presente, no dia de hoje, no eterno aqui/agora, neste
instante mesmo, para que você consiga se transformar interiormente
e voltar para o jogo, no Plano da Transformação.
72. Tamo guna: Transformação, inconsciência (fim)
A inconsciência é a última casa do jogo. Aqui começa um novo jogo.
O atributo da inconsciência é a escuridão, que predomina à noite.
Sua natureza é a inércia. Aqui deixo a fileira das forças cósmicas e
volto para a terra para descobrir a verdade, percorrendo um novo
caminho. Compreendendo isto, relaxo e vejo a vida como um jogo.
Não tenho outro objetivo. Só o jogo, pois é tudo e apenas isso, um
jogo divino. Aqui termina o tabuleiro e esta se torna a única serpente
necessária para que eu retorne ao Plano da Transformação na casa
51, seguindo meu caminho rumo a casa 68 novamente. A
transformação indica que você mudou interiormente sua maneira de
pensar, sentir e se expressar no aqui/agora, podendo com isso seguir
o seu caminho com mais harmonia e paz na busca pela Consciência
Plena.







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Iniciação
Era noite, soprava um vento frio e seco e o céu do planalto central
estava repleto de estrelas sem lua…Era 1987, dezembro para ser
exato e a primavera já se despedia da chapada dos veadeiros. Eu
morava com um casal em troca de serviços de manutenção da casa.
Estava lavando a louça do jantar, enquanto Dio e Mara teciam
tapetes na sala…quando de repente, entra pela casa um homenzarrão
alemão chamado Herbert, trazendo pelas mãos uma pasta com uns
escritos e um mapa traçado com espadas e serpentes. Disse que era
um jogo milenar indiano que ele estava traduzindo e popularizando
aqui no Brasil. Ele se intitulava um Templo Viajante com a missão de
semear as artes, frutos, flores e um oficio de sobrevivência. Tinha por
ideal rumar na direção do sol poente a pé, resgatando o Deus Interno
das pessoas que encontrasse pelo caminho e que estivessem
disponíveis para trabalhar pela Nova Era. Um aquariano legítimo.

Logo que ouvi estas coisas sobre Templos Viajantes me identifiquei e
me auto-convoquei um deles, pedi então a Herbert se eu podia lhe
acompanhar até sua casa no Vale do Matão. Ele concordou com uma
risadinha misteriosa…depois de 40 km andando a pé, no escuro, é
que eu entendi o significado daquela risadinha.

Chegamos ao desfiladeiro que dava acesso ao Vale no amanhecer do
dia e antes de descermos pela encosta, ele pediu para que tirasse toda
a roupa e a colocasse em uma sacola.Estranhei, mas concordei
perante o tom autoritário dele. Depois entendi que era para não
pegar carrapato e micuim que tinha por lá. Alto Paraíso de Goiás é
uma cidade localizada na Chapada dos Veadeiros e rodeada por
formações rochosas que contém muitos minerais, como exemplo o
urânio, cristal, ouro. Talvez por isso quem está por lá sente uma
energia no ar, que ou se ilumina ou se machuca com ela.

Começamos a descer a encosta e pouco a pouco a vegetação árida do
cerrado dava lugar a uma vegetação tropical com árvores frondosas e
muitos coqueiros indaiá, um rio percorria todo vale vindo da chapada
e proporcionando uma linda cachoeira na entrada. Andamos lá
embaixo cerca de 500 metros até chegarmos em uma cabana feita de
pau-a-pique coberta com folhas de coqueiro. Antes de entrarmos ele
me pediu que fizesse a revista em todo o corpo para catar todos
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carrapatos antes de entrar.

Tinha fora um fogão feito com pedras que serviam de chapa para
assar massa de milho triturado por um moedor. Essa era a única
comida por lá… Aparentemente era só milho que eu avistava, mas
com o passar dos dias eu aprendi com os macacos que o coco indaiá
ao ser quebrado por uma pedra, desprende uma polpa doce
riquíssima em vitaminas e possui uma castanha comestível que
lembra castanha-do-pará. A lagarta do coco ao ser assada na pedra se
torna um delicioso salgadinho de coco cheio de proteína. Bebi muita
água e me banhei constantemente naquele rio cristalino e cheio de
cristais em sua borda. As pedras do rio continham desenhos que
conversavam comigo e me faziam entender o Maha Lilah como se as
informações estivessem entrando pelos meus poros. Ah! como foi
bom…eu também lia o manuscrito escrito por Herbert e jogava no
tabuleiro dele, mas o encontro com este jogo foi pra mim, um
reencontro com ele, como que se eu já o tivesse usado em outras
épocas… Tudo que é bom passa rápido…me sentia leve no amanhecer
do domingo, céu azul e um sol sem nuvens desde a alvorada.
Preparamos as mochilas para partir, ambos com um ar de
contragosto…deu um nó na garganta de saudades daquele lugar,
como é fácil viver com pouco.

Subimos a encosta do Matão em silencio rumo a chapada e os 40km
de percurso até Alto Paraíso nem cansou. Chegamos por volta das
13hs. e Herbert me pediu de volta o manuscrito, pois ele viajaria para
Brasília ás 14hs. e levaria o Maha Lilah para tirar Xerox. Foi então,
que rapidamente emprestei um perígrafo, arrumei uma madeirinha e
fiz meu primeiro tabuleiro com os nomes das casas. Foi o que eu
consegui ficar comigo e a partir dali, começava minha jornada em
conhecer o jogo e compreende-lo como um espelho de expressão da
vida real.

Eu voltei para casa de Dio e Mara e eles já tinham almoçado, faziam
um pequeno repouso, antes de voltarem a tecer. Fui lavar a louça do
almoço e me sentia como se tudo aquilo que vivi fosse um sonho.
Desde esse dia nunca mais parei de jogar o Maha Lilah e ainda hoje o
levo comigo onde quer que eu vá.
Roberto Mancini

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