Você está na página 1de 74

12

1.0

INTRODUÇÃO

A rápida ascensão da economia brasileira demanda o consumo proporcional de bens naturais que em sua maioria não são renováveis, causando significativos danos à natureza. Sabendo que dentre todos os setores da economia brasileira, o setor da construção civil se destaca como o maior consumidor destes bens, é necessário, pois, atribuir a este setor, estratégias que posam aprimorar e racionar a exploração das matérias primas encontradas na natureza. Com o intuito de diminuir os impactos gerados na construção civil, surgiu a ideia das construções ecológicas, também conhecidas com construções sustentáveis, que utilizam técnicas e procedimentos adequados sob o ponto de vista ecológico. Dentre tantas alternativas voltadas a sustentabilidade na construção civil será enfatizada, neste trabalho, o uso dos fenômenos climáticos na construção de residências habitacionais, como fonte geradora de economia, sustentabilidade e conforto fisiológico aos moradores desses tipos de construções. Nesse estudo foi realizada uma análise dos dados climáticos do Brasil numa escala geral e local e a partir destes dados, avaliou-se o desempenho ecoeficiente de uma residência localizada no município de Maceió - AL, propondo a esta residência a obtenção máxima de conforto térmico, redução no consumo de energia e menor impacto ambiental. Esta avaliação foi baseada na norma NBR 15220:2005 - Parte 3, que indica três conjuntos de recomendações construtivas estratégicas voltadas à eficiência do clima junto à construção. No capitulo 1 deste pesquisa, foram avaliados os conceitos de sustentabilidade na construção civil e por fim a evolução das construções sustentáveis no Brasil. No capítulo 2 avaliou-se o estudo do clima no Brasil e a sua influência no planejamento de construções sustentáveis, onde trataremos dos fenômenos climáticos: Radiação solar, Temperatura do ar, Umidade do Ar e Ventos, nas escalas macroclimáticas, mesoclimáticas e microclimáticas. Além disso, investigaram-se estudos de Bioclimatologia, conceito idealizado pelos irmãos Olgyay, que significa a união harmoniosa entre o clima e o ambiente interno construído. Nesta etapa apresentaremos o Zoneamento Bioclimático Brasileiro, disponível na norma NBR 15220:2005 - parte 3, onde para as 8 zonas foram especificados três conjuntos

13

de estratégias construtivas passivas voltadas a otimização de aclimatação das residências brasileiras. E, finalmente, no capítulo 3, foi elaborado um estudo de caso para uma residência localizada na cidade Maceió - AL, indicando todos os parâmetros necessários, definidos pela NBR 15220:2005 - parte 3, a fim de identificar as melhores estratégias climáticas passivas a serem inseridas na residência.

14

2.0 DESENVOLVIMENTO

2.1 Sustentabilidade na Construção Civil

A Sustentabilidade é definida como as ações e atividades realizadas pelo ser humano para suprir suas necessidades, respeitando e preservando o meio ambiente não comprometendo os recursos naturais das gerações futuras (Relatório de Brundtland, 1987). Segundo Sepúlveda (2005), para ser sustentável é necessária a integração das questões sociais, energéticas, econômicas e ambientais:

Questão Social: O ser humano precisa ser respeitado para respeitar a natureza, pois afinal, o homem é a parte mais importante do meio ambiente; Questão Energética: A energia é um elemento indispensável no processo de desenvolvimento econômico de um país. A economia desenvolvida faz o homem progredir juntamente com a sustentabilidade; Questão Ambiental: Quando o ser humano degrada o meio ambiente ele decresce a economia do país e a si próprio, ficando assim o seu futuro insustentável. Portanto um empreendimento humano só será considerado sustentável, se este

for:

Ecologicamente correto; Economicamente viável; Socialmente justo; Culturalmente diverso.

A cooperação da indústria da construção civil é essencial para o desenvolvimento sócio-econômico do país, segundo dados do Departamento de Engenharia de Construção Civil da PCC/USP (Escola Politécnica da Universidade de São Paulo) a construção civil corresponde a 15,5% do PIB nacional (Produto Interno Bruto), sendo atualmente o setor que mais gera emprego no país. A construção civil é o setor produtivo que mais consome recursos naturais (água, solo, minerais, florestas), tanto na sua fase de construção quanto no seu

15

período de uso. Segundo Roodman D. M.; Lenssen N. (1995, p.124 apud KEELER M.; BURKER B., 2010) as edificações consomem 40% das matérias-primas de todo o mundo. Na construção civil a vida útil do material: produção, o transporte, uso e o descarte final, requer um consumo elevado de energia e água, gerando também muitos poluentes atmosféricos, ocasionando degradações ambientais de acordo com a necessidade da obra. O setor da construção ainda é o maior gerador de resíduos sólidos no meio ambiente. Segundo Ângulo et. al. (2004-2) estimativas indicam que no Brasil são geradas 68,5 milhões de toneladas de resíduos sólidos por ano, devido a esse fato é necessária uma atenção especial quanto ao seu manejo e disposição. Pensando nos impactos que a construção civil causa ao ambiente, o Relatório de Bründtland (1987) sugere algumas medidas para torná-la ao máximo sustentável:

Diminuição do consumo de energia e desenvolvimento de tecnologias que admitam o uso de fontes energéticas renováveis; Aumento da produção industrial nos países não-industrializados à base de tecnologias ecologicamente adaptadas; Controle da urbanização desordenada e a integração entre campo e cidades.

Essas medidas reduzem o consumo de fontes energéticas não renováveis, além de promover a inserção de energias limpas e renováveis. A construção sustentável é uma realidade crescente no Brasil, sendo atualmente o 4º país em construção de residências sustentáveis, atrás apenas de EUA, Emirados Árabes e China, segundo a Green Building Council, órgão internacional responsável pelo setor da construção sustentável. Ainda, segundo a Green Building Council Brasil, até 2007, somente 08 projetos receberam o certificado de empreendimentos sustentáveis, de 2007 até abril de 2012 são mais de 500 empreendimentos sustentáveis, neles pouco mais de 50 estão certificados e mais de 400 estão em fase de certificação, isto mostra a evolução social sustentável e a preocupação em diminuir o impacto que as construções causam ao meio ambiente.

16

Muitos são os estudos voltados para a execução de residências sustentáveis, envolvendo, por exemplo, inserção de tecnologias limpas como no uso de placas fotovoltaicas, materiais de construção reciclados e reutilizados, aparelhos sanitários e elétricos mais eficientes com baixo consumo de água e energia, respectivamente, estratégias passivas que exploram os fenômenos naturais existentes no entorno onde se quer construir, dentre outros. Todos estes estudos são importantes na construção de uma residência, pois agregam economia, conforto e um bem-estar sócio-ambiental.

2.1.1 O Clima e suas classificações

O clima são variações sucessivas do tempo durante determinado período (ALMEIDA; RIGOLIN, 2003), que através de medições meteorológicas periódicas caracterizam uma determinada região. Para a definição de um clima em qualquer lugar da terra é necessário considerar os fenômenos meteorológicos e os fatores climáticos que os caracterizam, esclarece Almeida; Rigolin (2003). Os fenômenos meteorológicos ou elementos do clima são:

A temperatura do ar;

A umidade do ar (chuvas);

A pressão atmosférica (ventos);

As massas de ar.

A maneira como se apresentam e se relacionam esses elementos em cada clima é determinada pelos fatores modificadores do clima. Os principais fatores modificadores do clima são:

A altitude;

A latitude;

A maritimidade (localidades próximas aos litorais);

A continentalidade (locais afastados dos litorais);

As correntes marítimas.

17

O Brasil possui um clima bastante variado devido sua imensa extensão territorial, sendo o quinto maior território em extensão do mundo. 92% do território brasileiro esta inserido na Zona tropical, localizada entre os trópicos de Câncer (23° 27’ de latitude norte) e de capricórnio (23° 27’ de latitude sul), é a zona mais quente e iluminada da terra. Os outros 8% do território está localizado na Zona temperada do sul, zona menos quente e iluminada da terra. Sendo assim, a grande variação latitudinal, que somados aos outros fatores modificadores como os diferentes níveis de altitude, a extensa área continental, a grande faixa litorânea e as correntes marítimas, justificam a grande variação climática do Brasil. No Brasil as massas de ar, que são parcelas específicas e indissociáveis de temperatura, umidade e pressão, atuam como o principal e o grande elemento climático condicionador da dinâmica repentina do tempo e do clima no Brasil (ALMEIDA; RIGOLIN, 2003). As principais massas de ar que influenciam o clima no território brasileiro são:

Massa Equatorial Continental; Massa Tropical Atlântica; Massa Polar Atlântica; Massa Equatorial Atlântica; Massa Tropical Continental.

foi

classificado em seis regiões básicas climáticas, segundo os estudos do norte-

em

variação

Para

simplificar

esta

grande

do

clima,

2003,

o

p.

território

369),

brasileiro

que

leva

americano Arthur Strähler

consideração as massas de ar, principal elemento que determina o clima no Brasil:

(ALMEIDA;

RIGOLIN,

Clima tropical; Clima equatorial úmido; Clima tropical Semiárido; Clima litorâneo úmido; Clima Subtropical úmido; Clima tropical de altitude.

18

Antes da construção é necessário realizar um estudo do envoltório climático que cerca uma edificação (LAMBERTS; DUTRA; PEREIRA, 1997). As variações do clima podem ser usadas na construção civil como instrumento passivo de condicionamento térmico da edificação. O uso das variáveis climáticas na construção civil, como técnica sustentável, possibilitou a criação de diversas estratégias bioclimáticas. As diversas estratégias bioclimáticas são adaptáveis a qualquer tipo de construção e almejam três objetivos principais:

1. Produzir o máximo de conforto fisiológico aos moradores das edificações;

2. Economizar no consumo de energia elétrica (eficiência energética);

3. Tornar estas edificações autossuficientes e ecologicamente corretas.

Como dito anteriormente, o Brasil, devido seu vasto território, apresenta diversas variáveis climáticas que atuam de forma distinta na natureza, então, a construção que ali se encontra, deve se adaptar a estas variáveis climáticas. As manifestações climáticas devem interagir com a edificação de forma a propiciar o conforto térmico dos seus moradores.

A arquitetura deve ser tratada como uma envoltória reguladora, permeável e controlada entre os ambientes externo e interno, considerando-se o desempenho térmico da edificação por meio de

soluções adotadas em projeto e com vistas a propiciar maior conforto térmico, tanto aos moradores do empreendimento como aos do entorno

imediato [

].

(GUIA CAIXA, 2010, p. 57).

Pela necessidade de uma melhor compreensão das variáveis climáticas que influenciam a arquitetura, Lamberts; Dutra; Pereira (1997) dividiram o clima em três escalas climáticas distintas, porém inseparáveis: macroclima, mesoclima e microclima.

19

2.1.2

Escalas climáticas e sua relação com a radiação, temperatura do ar, umidade do ar e ventos.

As variáveis climáticas na escala macroclima são quantificadas em estações meteorológicas, fornecendo dados climáticos como, a direção dos ventos, as precipitações, as temperaturas máxima, mínima e as suas médias, a intensidade de radiação solar e outros. Estes dados podem ser horários, diários, mensais ou anuais e ajudam o empreendedor a tomar as decisões primordiais no inicio do planejamento da obra.

Dentre tantas metodologias de tratamento de dados climáticos, a mais usada no Brasil são as Normais Climatológicas (LAMBERTS; DUTRA; PEREIRA, 1997), destacando-se também a metodologia do Ano Climático Referência - Test Reference Year (TRY).

O Test Reference Year (TRY) é resultado de uma série de 30 anos de dados climáticos, onde são eliminados os dados anuais que possuem valores extremos de temperatura, até restar somente um ano específico. Este ano específico disponibiliza as características climáticas do local através de valores horários, são 8760 dados horários que correspondem há

365 dias. Estes dados horários são traduzidos em pontos e desenhados na Carta Bioclimática de Givoni 1 (1992) que é sobreposta ao Diagrama Psicométrico (Figura 1).

que é sobreposta ao Diagrama Psicométrico (Figura 1). Figura 1: Diagrama Psicométrico Fonte: Programa Analysis

Figura 1: Diagrama Psicométrico

Fonte: Programa Analysis Bio (LABEEE/UFSC, 2003).

1 A Carta Bioclimática para edifícios de Givoni, B. foi criada a partir de algumas correções do diagrama idealizado por Olgyay (1968). A carta fornece indicativos satisfatórios sobre as melhores estratégias climáticas a serem aplicadas diante das condições térmicas internas das edificações brasileiras, adequando o máximo possível a arquitetura ao clima local. (LAMBERTS, DUTRA e PEREIRA, 1997, p. 104) citam que a Carta Bioclimática de

Givoni: “[

estritamente para as condições externas”.

enquanto que Olgyay aplicava seu diagrama

]

se baseia em temperaturas internas do edifício, [

]

20

No Diagrama Psicométrico pode-se ler:

TBS [°C] - Temperatura de Bulbo Seco - São as linhas verticais paralelas localizadas na base inferior do diagrama que medem a temperatura do ar; U [g/kg] - São as linhas paralelas horizontais localizadas a direita do diagrama que medem a Umidade Absoluta do ar; UR [%] - São as trajetórias curvas (em vermelho) que medem a Umidade Relativa do ar; TBU [°C] - Temperatura de Bulbo Úmido - São as linhas em diagonal localizadas a esquerda do diagrama que definem os valores da temperatura do ar levando em consideração a sua umidade.

As Normais Climatológicas são uma série de dados meteorológicos

padronizados pela organização de meteorologia mundial e calculadas para períodos

de 30 em 30 anos. A série de 1961 a 1990 é a mais recente, havendo também séries

anteriores. Durante estas séries, são reunidos os dados meteorológicos e elaborado um ano com dados médios mensais como referência da série. Os principais dados

meteorológicos das normais coletados para elaboração das estratégias climáticas são

as médias mensais das máximas de temperatura Tmáx (mês), médias mensais das

mínimas de temperatura Tmin (mês), as médias mensais de temperatura Tmed (mês), média mensal da umidade relativa URmed (mês). Esses dados estão facilmente

disponíveis no site do Instituto Nacional de Meteorologia - INMET http://www.inmet.gov.br. Os dados médios mensais das normais climatológicas são traduzidos em retas

e inseridos na Carta Bioclimática de Givoni Adaptada, elaborada pela

NBR 15220:2005 2 - Parte 3 a partir dos conceitos iniciais da Carta de Givoni (1992), que também é sobreposta ao Diagrama Psicométrico. Através da manipulação de softwares ou da criação de gráficos dos dados das Normais climatológicas ou do TRY, pode-se conhecer o comportamento dos fenômenos meteorológicos para qualquer localidade do território brasileiro, durante todo o ano, ofertando ao arquiteto conteúdo suficiente para identificação dos períodos

2 NBR 15220:2005 trata do desempenho térmico de edificações e é constituída por cinco partes, sendo que usaremos somente a Parte 2 (Métodos de Cálculo de Transmitância Térmica, da Capacidade Térmica, do Atraso Térmico e do Fator Solar de Elementos e Componentes de Edificação) e a Parte 3 (Zoneamento Climático Brasileiro e Diretrizes Construtivas para Habitações Unifamiliares de Interesse Social).

21

de maior desconforto térmico interno da edificação, para logo após, elaborar estratégias bioclimáticas mitigadoras à nível de projeto ou reforma. A radiação solar é a principal fonte de energia da terra, o sol oferece dois componentes importantes: a energia luminosa e a energia térmica que são primordiais para o planejamento da arquitetura sustentável (LAMBERTS; DUTRA; PEREIRA,

1997).

No planejamento de uma obra pode-se aproveitar a radiação solar para integrar a iluminação natural e o aquecimento passivo da construção (LAMBERTS; DUTRA; PEREIRA, 1997). Pode-se, por exemplo, distribuir de forma racional os cômodos da edificação, evitando aquecimento excessivo ou umidade nos fechamentos externos e internos, e ao mesmo tempo, aperfeiçoar a iluminação natural dos cômodos com uma melhor distribuição das aberturas e a mesma ainda ser protegida dos raios solares através de proteções solares, promovendo um sombreamento ótimo e permitindo iluminação sem ganho térmico. Muitos profissionais construtores evitam a inserção de radiação solar direta para iluminação e aquecimento natural nos cômodos da edificação, alegando a grande capacidade térmica da mesma, mas este pensamento é errôneo, se levarmos em consideração a eficácia luminosa 3 , pois a luz natural direta oferece maior rendimento luminoso que muitas alternativas de luz artificiais conhecidas (LAMBERTS; DUTRA; PEREIRA, 1997). A luz natural introduz menor quantidade de calor por lúmen que a maioria das lâmpadas usualmente introduzidas na construção, levando em consideração que todos os equipamentos artificiais de iluminação não são 100% eficientes onde parte da sua luz é perdida e convertida em calor para dentro do ambiente edificado (LAMBERTS; DUTRA; PEREIRA, 1997). Então a luz natural pode ser um aliado para diminuir a carga de uso de equipamentos artificiais de refrigeração, principalmente em edificações comerciais, pois os cálculos de refrigeração também levam em consideração à carga térmica produzida internamente pela edificação, advindos das perdas dos equipamentos artificiais de iluminação, dos eletrodomésticos, das trocas de calor entre os seus ocupantes, pelo efeito estufa promovido por alguns fechamentos transparentes, outros.

3 Também denominado rendimento luminoso é a razão entre unidade luminosa, em lumens, e unidade térmica em watts, indicando a quantidade de valor luminoso em (lm) necessário para produzir uma unidade de calor em (w).

22

Abaixo, (Tabela 1) temos um comparativo da eficácia luminosa de algumas alternativas artificiais de iluminação e a iluminação solar passiva. Observamos, em negrito, que as condições naturais do tempo se sobressaem em seu rendimento luminoso com relação ao uso de equipamentos artificiais de iluminação.

CONDIÇÕES

CARACTERÍSTICAS

EFICIÊNCIA LUMINOSA

 

(lumens/watt)

   

Altitude 7,5°

90 lm/w

Sol

Altitude média

100 lm/w

NATURAIS

Altitude > 25°

117

lm/w

Céu

Claro

150

lm/w

 

Médio

125

lm/w

Global

Média (sol/céu)

115

lm/w

   

Incandescentes

5-30 lm/w

ARTIFICIAIS

Lâmpadas

Fluorescentes

20-100 lm/w

Sódio em alta pressão

45-110 lm/w

Tabela 1: Comparativo de Eficiência Energética Entre as Condições Naturais do Tempo e Condições Artificiais.

Fonte: LAMBERTS, DUTRA e PEREIRA, Eficiência Energética na Arquitetura. São Paulo: PW, 1997, p. 32. (adaptada)

De início o conhecimento de dois ângulos é imprescindível para identificarmos o sol em qualquer ponto do céu, são eles: a altura solar e o azimute solar, O azimute solar (A) é o ângulo que a projeção do raio solar faz com a direção norte, é medido a partir do norte geográfico em sentido horário, enquanto a altura solar (H) é o ângulo que o raio solar faz com o plano horizontal, sendo medido a partir do plano horizontal (0°) até o Zênite 4 (90°). Tanto altura solar como azimute solar varia conforme a latitude do local, hora do dia e dia do ano. Os ângulos de azimute e altura solar são locados na carta solar (Figura 2 e 3) e a partir desta carta podemos identificar a posição do sol na abóbada celeste em qualquer hora do dia e dia do ano. A carta solar é definida como a projeção do sol em um plano horizontal ao longo da abóbada celeste durante o período de um ano. (MARINOSKI, D. L., 2007).

4 Interseção da vertical superior do lugar com a esfera celeste.

23

23 Figura 2: Carta Solar. Fonte: LAMBERTS, DUTRA e PEREIRA, Eficiência Energética na Arquitetura . São

Figura 2: Carta Solar.

Fonte: LAMBERTS, DUTRA e PEREIRA, Eficiência Energética na Arquitetura. São Paulo: PW, 1997, p. 30.

Energética na Arquitetura . São Paulo: PW, 1997, p. 30. Figura 3: Azimute e Altura Solar

Figura 3: Azimute e Altura Solar para um Dia Qualquer as 10 h.

Fonte: MARINOSKI, D. L., Desempenho Térmico de Edificações. Florianópolis. Apostila Acadêmica: Labeee, 5a Edição – 2007, p. 42. (Ilustração Luciano Dutra)

Abaixo segue um modelo de estudo da distribuição da radiação solar com o uso de uma carta solar, seguindo a metodologia didática elaborada por (FERNANDES, 2007), usando como exemplo, uma das fachadas de uma edificação localizada na cidade de Maceió no estado de Alagoas (Figura 4).

na cidade de Maceió no estado de Alagoas (Figura 4). Figura 4: Localização da Edificação e

Figura 4: Localização da Edificação e da Fachada em Questão.

Fonte: Autores

A latitude da cidade de Maceió é de 9°51’ (Sul), mas para nossos estudos consideraremos o valor latitudinal equivalente de 10° (Sul). Para efeitos didáticos usaremos uma carta solar simplificada, somente com as três linhas de trajetória principais, os solstícios de verão e inverno e equinócio primavera/outono, além das linhas que representam às 12 horas de dia claro (Figura 5).

24

24 Figura 5: Carta Solar Simplificada (10° sul). Fonte : Carta Solar em Formato “dwg”,

Figura 5: Carta Solar Simplificada (10° sul).

Fonte: Carta Solar em Formato “dwg”,

Site-http://www.2shared.com/photo/zk8eA1G/Cartas_Solares_Cad.html

Disponível para Downloads no

Primeiramente devemos definir o ângulo de azimute que a fachada em questão faz com norte geográfico. Para isto temos que traçar uma reta perpendicular (90°) com a fachada, conhecida como normal, que passará no centro da carta até tocar a circunferência base, é a partir desta reta normal que podemos definir o ângulo de azimute. Observe na figura 6, para a localidade estudada, que a fachada em questão tem um ângulo azimutal de 24° em relação ao norte geográfico. Traça-se agora uma linha base na carta solar, perpendicular ao azimute da fachada (90º), que passará pelo seu centro. Esta linha da fachada interceptará as três projeções aparentes da trajetória solar, que representam os períodos de solstícios e equinócio (Figura 6), definindo assim a dinâmica e a intensidade de radiação solar que incidirá na fachada em estudo durante todas as estações do ano. Agora podemos quantificar o intervalo em horas que aquela fachada será irradiada pelo sol e qualificar a forma que os raios solares atingem a fachada, se vem na região alta ou baixa do céu, de forma frontal ou lateral, pela esquerda ou pela direita para qualquer hora e data do ano.

25

25 Figura 6: Fachada com Azimute a 24°: Avaliação Quantitativa de Insolação. Fonte : Carta Solar

Figura 6: Fachada com Azimute a 24°: Avaliação Quantitativa de Insolação.

Fonte: Carta Solar em Formato “dwg”,

Disponível para Downloads no

Site-http://www.2shared.com/photo/ zk8eA1G/Cartas_Solares_Cad.htm

(adaptada)

Seguindo o exemplo da figura 6, temos o encontro da linha base com as trajetórias solares que estão representadas pelos pontos (A, B e C), estes três pontos indicam as insolações, ou seja, a duração em horas que o sol incide sobre a fachada, para as trajetórias solares nos períodos de solstícios e equinócios. Portanto para os três pontos, temos que: a fachada em questão tem uma insolação que dura na prática todas as horas do dia, para período de solstício de inverno, que vai até às 17h38min (ponto A). No período de equinócio primavera/outono o sol incidira na fachada até às 13h27min (ponto B) e no solstício de verão o sol na fachada dura somente até às 09h15min da manhã (ponto C). Para definir a duração dos raios solares para qualquer outra data devemos usar os cálculos por interpolação. Encontrada a insolação, podemos agora definir exatamente em qual elevação vertical e qual direção os raios solares penetram na fachada, com o auxílio do Transferidor de ângulos 5 (Figura 7), que “gradeia” o céu visto de uma janela na vertical com ângulos de varia de 0° a 90° e na horizontal que varia de 0° a 90° à direita e 0° a 90° à esquerda.

5 Utilizado para converter em ângulos a trajetória solar aparente da carta, sendo útil para análise mais fácil de sombreamento do entorno, penetração solar e proteções solares, etc.

26

26 Figura 7 : Transferidor de Ângulos. Fonte : Carta Solar em Formato “dwg”, Site-http://www.2shared.com/photo/

Figura 7: Transferidor de Ângulos.

Fonte: Carta Solar em Formato “dwg”,

Site-http://www.2shared.com/photo/ zk8eA1G/Cartas_Solares_Cad.htm

Disponível para Downloads no

O transferidor de ângulos é sobreposto a carta solar e sua base inferior coincide com a linha base da carta - linha da fachada (Figura 8).

com a linha base da carta - linha da fachada (Figura 8). Figura 8 : Transferidor

Figura 8: Transferidor Sobreposto à Carta: Avaliação Qualitativa de Insolação.

Fonte: Carta Solar em Formato “dwg”,

Disponível para Downloads no Site

http://www.2shared.com/photo/zk8eA1G/Cartas_Solares_Cad.htm (adaptada)

Para identificarmos as coordenadas do sol com relação à fachada, devemos locar na carta solar um ponto, que representa uma determinada data e hora desejada e com o auxilio do transferidor, que está sobreposto a carta solar, localizar a disposição e direção dos raios solares para aquele determinado instante.

27

Continuando com os estudos, foram locados quatro pontos como exemplo para

a fachada em questão: pontos D, E, F e G (Figura 8). Para fácil assimilação estes

pontos estão locados exatamente nas três principais trajetórias, nos solstícios de verão

e inverno e no equinócio. Então para a figura 8 temos que: para o solstício de inverno, às 14h00min (ponto D) os raios do sol atingem pela esquerda a (65°) a fachada, com inclinação vertical elevada de (68°) enquanto que às 11h00min (ponto E) no mesmo período, os raios atingem a fachada frontalmente a (0°) com inclinação vertical um pouco menor e igual a (54°); nos equinócios, às 08h00min (ponto F) os raios solares atingem a fachada pela direita a (60°), com uma inclinação vertical intermediária de 48°; e por fim no solstício de verão às 07h00min (ponto G) os feixes de sol penetram na fachada, vindos mais pela direita a (88°) com ângulo vertical muito elevado de (83°). No caso da necessidade de localização dos raios solares para outras datas e horas pode-se fazer com o auxilio dos cálculos por interpolação.

O programa Analysis Sol-Ar 6 foi desenvolvido pelo Laboratório de Eficiência Energética em Edificações – LABEEE, da Universidade de Federal de Santa Catarina

– UFSC, e permiti obter as cartas solares para qualquer localidade da terra, com um

conteúdo diversificado e uma visão dinâmica da distribuição dos raios solares. No programa já vem inclusos dados para 14 capitais brasileiras, mas podemos obter a carta solar para qualquer outra localidade da terra através da inserção manual

da latitude local, onde só pode ser lida a trajetória solar e as máscaras de sombreamento. Para as 14 cidades brasileiras, além das trajetórias solares ao longo do ano e as máscaras de sombreamento, observam-se também, a representação gráfica das intensidades de radiação global horizontal (W/m 2 ), radiação direta normal 7 (W/m 2 ) e a temperatura (°C). Este software é de simples manipulação e sua carta solar oferece um vasto conteúdo de dados meteorológicos de fácil assimilação, onde se podem implantar diversas estratégias passivas de condicionamento de ar, como a inserção ou exclusão

6 Programa disponível para downloads no site da LABEEE/UFSC - Laboratório de Eficiência Energética em Edificações da Universidade Federal de Santa Catarina http://www.labeee.ufsc.br/downloads/softwares. 7 Incide sobre uma superfície receptora que se encontra alinhada em ângulo reto com a direção de incidência, formando um ângulo de incidência de 0° (zero graus) com a normal à superfície, e podemos estimá-la através da relação matemática da radiação direta horizontal (W/m 2 ) com o cosseno da altura solar (°) ou (rad).

28

das radiações solares nos cômodos da edificação e proteções de sombreamento nas diferentes fachadas da edificação, através do transferidor de ângulos. A temperatura do ar não possui uma relação direta com os raios solares, o que ocorre é um processo indireto de fluxo de radiação, pois a radiação do sol penetra no solo, este se aquece e por convecção 8 aquece o ar. As temperaturas do ar para um local podem ser incrementadas pela ação dos fluxos de ar (ventos), de tal forma que, segundo Lamberts; Dutra; Pereira (1997), quando a velocidade do ar for pequena, a temperatura do ar será predominantemente dos ganhos térmicos locais, influenciados pelos seus fatores modificadores do clima, mas quando a velocidade do fluxo de ar for grande, os fatores climáticos atuam com menor propriedade na temperatura do ar local. Os principais dados de temperatura coletados para estudos meteorológicos são:

temperatura máxima, temperatura mínima, média térmica e amplitude térmica. Observe abaixo figura 9 um gráfico com os dados das normais climatológicas para a série de (1961 a 1990) da cidade de Maceió - AL, contendo as temperaturas médias mensais das máximas - Tmáx (mês) e médias mensais das míninas - Tmín (mês).

(mês) e médias mensais das míninas - T mín (mês) . Figura 9 : Gráfico das

Figura 9: Gráfico das Temperaturas Médias Mensais das Máximas e Mínimas.

Fonte: Disponível no Site: http://www.inmet.gov.br, do Instituto Nacional de Meteorologia – INMET.

Os dados de temperatura máxima, temperatura mínima e temperatura média do ar, em horas, dias ou meses, após coletados e manipulados graficamente, detectam os

8 Movimento natural e constante do ar dentro de um ambiente, provocado pela diferença de temperatura entre dois pontos, onde ar quente e leve sobe e o ar frio e pesado desce.

29

períodos de maior desconforto térmico humano, tendo como referência os estudos recentes de Givoni, B. (1992) que, dentre tantos trabalhos voltados à climatologia junta

à construção, sintetizou uma zona de conforto térmico humano para temperatura do ar

em ambientes internos, compreendida entre 18°C a 29°C. Uma quantidade total de vapor de água contido em certo volume de ar determina a umidade absoluta do ar. A umidade absoluta do ar é resultado da evaporação da água contida nos mares, lagos, rios, na superfície terrestre e até a evapotranspiração das plantas (LAMBERTS; DUTRA; PEREIRA, 1997). Quando o ar chega a sua máxima capacidade de conter vapor de água, a uma determinada temperatura, dizemos que este ar está saturado, caso haja o acréscimo de vapor de água neste ar, o vapor se condensará podendo haver a precipitações como, o orvalho, nevoeiro, chuvas, neve, e outros, dependendo da região e da altitude das camadas de ar onde acontece o fenômeno. Quando a umidade de ar encontra-se abaixo da umidade máxima permitida a certa temperatura, a relação matemática do seu valor de umidade com o seu ponto de saturação nos fornece a umidade relativa do ar, então:

Umidade absoluta do ar: quantidade de vapor de água existente em uma determinada quantidade de ar, medidas em (g/m3) ou (g/kg); Umidade relativa do ar: relação entre umidade absoluta e a sua capacidade máxima de reter umidade, medida em (%).

A umidade do ar atua diretamente no conforto térmico humano de tal modo que

quando a umidade relativa do ar é muito alta a pele tem mais dificuldade em evaporar

o seu suor, aumentando a sensação de desconforto térmico. Como referência, Givoni,

B. (1992) sintetizou uma zona de conforto para a umidade relativa do ar compreendida

entre 20% e 80%.

30

Abaixo temos um gráfico com valores de umidade relativa do ar para a cidade de Maceió - AL com dados médios mensais das normais climatológicas para a série de 1961 a 1990 (Figura 10).

climatológicas para a série de 1961 a 1990 (Figura 10). Figura 10 : Gráfico da Média

Figura 10: Gráfico da Média Mensal da Umidade Relativa.

Fonte: Disponível no Site: http://www.inmet.gov.br, do Instituto Nacional de Meteorologia - INMET.

] depende

da distribuição das temperaturas na superfície da terra, pois estas são responsáveis

pelas desigualdades de pressão atmosférica que iniciam a movimento dos ventos”. Os ventos são medidos em estações meteorológicas localizadas em áreas abertas (zonas rurais), longe das grandes construções. As medições são realizadas a 10m de altura do solo onde são coletados os dados de direção, velocidade e freqüência dos ventos para todo o ano. É necessário realizar correções matemáticas, a fim de adequar os valores de velocidade do ar à realidade urbana, pois os ventos medidos nas zonas rurais e a 10m de altura não condizem com os ventos que adentram nas aberturas construídas. Assim o cálculo para correção da velocidade do ar está descrito abaixo (BRE - Building Research Establishment, apud BITTENCOURT; CÂNDIDO, 2008, p. 42):

Almeida; Rigolin (2003, p. 77) afirmam que a formação dos ventos “[

apud BITTENCOURT; CÂNDIDO, 2008, p. 42): Almeida; Rigolin (2003, p. 77) afirmam que a formação dos

31

Onde:

V: Velocidade média do vento na altura de abertura de entrada do ar - (m/s); Vm: Velocidade média do vento na estação meteorológica a uma altura padrão de 10m - (m/s); z: Altura da cumeeira para edificações de até dois andares ou a altura do piso do pavimento térreo até a janela para edificações acima de dois andares - (m); k, a: Coeficiente de rugosidade do terreno - (Tabela 2);

COEFICIENTE DO TERRENO

K

a

Área aberta plana

0,68

0,17

Campo com obstáculos esparsos em relação ao vento

0,52

0,20

Área urbana (subúrbio)

0,35

0,25

Centro de cidade

0,21

0,33

Tabela 2: Valores de k e a para diferentes características do entorno.

Fonte: BRE - Building Research Establishment, Principles of Natural Ventilation. BRE Digest, n°. 210. BRE, Garston: 1978.

Para o uso da ventilação nos projetos de construção, (BITTENCOURT e CÂNDIDO, 2008) recomendam que a extração dos dados de ventilação seja de freqüência horária, para que se possa entender o comportamento dos mesmos ao longo do dia e suas variações sazonais. Os elementos gráficos gerados pelos dados meteorológicos auxiliam o arquiteto no planejamento de estratégias construtivas voltadas a ventilação, de modo que se possa aproveitar o vento fresco no período quente e renunciar o vento forte no período frio (LAMBERTS; DUTRA; PEREIRA, 1997), visando à qualidade do ar dos cômodos internos da edificação junto ao conforto fisiológico diário dos seus moradores (CÂNDIDO, 2006, apud Casa Eficiente: UFSC/LabEEE, Vol. 1, 2010). Observemos a seguir um gráfico criado a partir de uma tabela de dados climáticos das Normais Climatológicas para a série de (1961 a 1990), que indica a velocidade média do ar de todos os meses do ano para cidade de Maceió (Figura 11).

32

32 Figura 11 : Gráfico da Média Mensal das Velocidades dos Ventos Fonte: Autores Podemos observar

Figura 11: Gráfico da Média Mensal das Velocidades dos Ventos

Fonte: Autores

Podemos observar no gráfico acima para velocidade dos ventos de Maceió que elas variam de 2,96m/s em abril (meados de outono) até 4,48m/s em novembro (fim de primavera e inicio de Verão). Podemos concluir que as taxas de ventilação são mais altas justamente no período onde ela se faz mais necessária, no inicio do solstício de verão.

Considerando ainda que Givoni, B. (1976), citado por Bittencourt; Cândido (2008) esclarece que para as regiões de clima quente e úmida, ao qual o Brasil está inserido, as velocidades do ar acima dos 2,5 m/s são suficientes para gerar conforto fisiológico humano, de imediato podemos concluir que a ventilação natural pode ser usada como uma estratégia bioclimática para as edificações localizadas na cidade de Maceió, durante todos os meses do ano. Temos a seguir um gráfico (Figura 12) contendo a frequência de ocorrência dos ventos para oito coordenadas geográficas (N, NE, L, SE, S, SO, O, NO) em todos os meses do ano na localidade de Maceió. Estes dados foram coletados das tabelas de dados estatísticos 9 de horas dos ventos.

9 Fonte: Solange, V. G. Goulart; Lamberts, R; Firmino, S., Dados climáticos para projeto e avaliação energética de edificações para 14 cidades brasileiras. Florianópolis: Núcleo de Pesquisa em Construção/UFSC, 1998. 345 p.: il.

33

33 Figura 12 : Gráfico da Frequência Ocorrência de Ventilação Mensal para Oito Direções. Fonte: Autores

Figura 12: Gráfico da Frequência Ocorrência de Ventilação Mensal para Oito Direções.

Fonte: Autores

No gráfico acima fica explicito que as maiores frequências de ventilação encontram-se voltadas para as coordenadas geográficas sul, sudeste e leste. Para os meses de novembro, dezembro, janeiro a direção predominante dos ventos encontra-se a leste. Nos meses março, abril, agosto e setembro os ventos estão mais voltados a sudeste. Em fevereiro e outubro os ventos estão mais direcionados a leste e sudeste. E em maio, junho e julho os ventos direcionam-se para sudeste e sul. Então podemos concluir, perante os dados dos gráficos (Figuras 11 e 12), que os ventos dos períodos mais quentes do ano (no solstício de verão) encontram-se mais direcionados a leste com altas taxas de velocidades de ar na casa dos 4m/s. Já a dinâmica dos ventos dos períodos mais frios do ano para a cidade (no solstício de inverno) está voltada a sudeste e sul com velocidades na casa dos 3m/s. As direções dos ventos e suas taxas de velocidade de ar são dois elementos dinâmicos do ar que juntos ajudam, por exemplo, a indicar as melhores orientações das aberturas na edificação. O diagrama do tipo rosa dos ventos é um elemento gráfico, que se destaca dos outros, por possuir um conteúdo didático de fácil visualização para uma interpretação conjugada das velocidades, direções e frequências dos ventos em todos os períodos do ano. O programa Analysis Sol-Ar desenvolvido pela LABEEE/UFSC, fornece também a rosa dos ventos para 14 cidades brasileiras.

34

Esta ferramenta fornece dados da orientação e velocidade dos ventos predominantes para todas as estações do ano em oito orientações (N, NE, L, SE, S, SO, O, NO). Com estes dados podemos lançar estratégias de ventilação, principalmente a ventilação cruzada que é a estratégia mais usada nas edificações brasileiras, principalmente nas regiões de clima quente e úmido. A seguir temos a rosa dos ventos extraída do programa Analysis Sol-Ar para a cidade de Maceió, contendo a velocidade predominante dos ventos (Figura 13), a freqüência de ocorrência dos ventos (Figura 14) e o quadro de ausência dos ventos para quatro períodos do dia (madrugada, manhã, tarde e noite) e para cada estação do ano (Tabela 3).

tarde e noite) e para cada estação do ano (Tabela 3). Figura 13 : Rosa dos

Figura 13: Rosa dos Ventos Indicando a Velocidade de Ventos Predominantes.

Fonte: Programa Analysis Sol-ar (LABEEE/UFSC, 2009).

Figura 14: Rosa dos Ventos Indicando Ventos por Freqüência de Ocorrência.

Fonte: Programa Analysis Sol-ar (LABEEE/UFSC, 2009).

 

P

V

O

I

MADRUGADA

96,67

92,88

95,12

90,41

MANHÃ

28,70

29,30

50,81

45,92

TARDE

0,56

0,00

5,73

4,44

NOITE

65,00

51,87

83,87

74,91

Tabela 3: Quadro de Ausência dos Ventos (Calmaria) para a Cidade de Maceió - (%).

Fonte:

Ilustração adaptada

Programa

Analysis

Sol-ar

(LABEEE/UFSC,

2009).

As características climáticas nas escalas de mesoclima e microclima são aquelas identificadas nas proximidades da edificação, onde nelas são observadas as

35

alterações locais na radiação solar, temperatura do ar, umidade e vento. No mesoclima estas alterações climáticas estão associadas às características topográficas do local, como nas edificações localizadas no litoral, vales e montanhas, ou ainda para residências localizadas em grandes centros urbanos e em áreas afastadas das grandes cidades, como os campos e florestas. Para as moradias localizadas nas grandes cidades, o clima é fortemente influenciado pelo desenvolvimento socioeconômico do local, onde há presença de grandes construções residenciais e industriais e a emissão de gases poluentes que estas construções geram. Deve-se levar em consideração também, o grande percentual de solo impermeável do local composto de concreto e asfalto que incrementam a temperatura do ar local. Para as moradias construídas nos campos e florestas, as condições locais do clima estão integramente associadas aos obstáculos naturais como o grande volume de vegetação e possíveis presenças dos rios e lagoas. O tipo de solo permeável, geralmente úmido e usualmente coberto por gramas, característicos de fazendas, por exemplo, também influenciam no clima local para as residências que ali se encontram. O microclima é semelhante ao mesoclima, porém, estas variações climáticas são diretamente ligadas à escala da edificação e podem ser concebidas e alteradas pelo arquiteto. Visto isto, Lamberts; Dutra; Pereira (1997, p. 35) expressam que o

estudo das variáveis climáticas da escala microclimática “[

é fundamental para o

lançamento do projeto, pois uma série de particularidades climáticas do local pode induzir a soluções arquitetônicas mais adequadas ao bem-estar das pessoas e a eficiência energética”. A energia solar é um dos principais responsáveis pelo ganho térmico das residências. Na escala da edificação a transferência de calor por radiação pode ser dividida em cinco partes principais:

]

1. Radiação solar direta (onda curta);

2. Radiação solar difusa (onda curta);

3. Radiação solar refletida pelo solo e pelo entorno (onda curta);

4. Radiação térmica emitida pelo solo aquecido e pelo céu (onda longa);

36

36 Figura 15 : Esquema de Troca de Calor entre o Edifício e o Meio Externo.

Figura 15: Esquema de Troca de Calor entre o Edifício e o Meio Externo.

Fonte: LAMBERTS; DUTRA; PEREIRA, Eficiência Energética na Arquitetura. São Paulo: PW, 1997, p. 36.

As duas primeiras partes (1 e 2) são quantificadas em estações meteorológicas.

A radiação direta é importante para as residências nos tempos frios, pois esta permite

a entrada com maior intensidade de energia térmica para dentro dos ambientes

internos de uma edificação. Entretanto esta mesma radiação direta deve ser evitada em períodos quentes e promover a entrada de radiação difusa, para uma melhor iluminação e menor valor calórico nos cômodos internos das construções (MARINOSKI, D. L., 2007). A radiação refletida (3) pelo solo e pelo entorno (edificações, pavimentos, vegetação, etc.) depende do albedo 10 que é um coeficiente de reflexão de valor adimensional, que varia dependendo do tipo de superfície refletora. As duas ultimas transferência de calor (4 e 5) ocorrem quando a superfície externa e a edificação recebem porções de radiação solar primária (onda curta), se aquecendo e emitindo radiação térmica secundária (onda longa). O efeito estufa é um fenômeno de superaquecimento dos ambientes internos de uma edificação, que ocorre devido à entrada direta dos raios solares primários (onda curta) no interior da construção, onde neste é produzido altas cargas térmicas (ondas longas), que não podem ser expelidas para o exterior devido ao comum uso de elementos transparente de vidro nas fachadas das edificações.

10 Quanto maior o albedo maior será a reflexão da superfície. Temos, por exemplo, para uma superfície gramada um albedo é 0,20, isto significa que apenas 20% da radiação solar incidida na superfície gramada será refletida, gerando pouca carga térmica por reflexão (onda curta), absolvendo os outros 80% da radiação, logo é interessante o uso de grama nas proximidades das edificações.

37

Este problema de superaquecimento pode ser solucionado, por exemplo, através de aberturas nas fachadas para ventilação natural e também através do uso de esquadrias com folhas de materiais a base de polímeros, como, por exemplo, policarbonato e acrílico, que permitem a passagem total de radiação térmica produzidas nos ambientes internos (onda longa) para o meio exterior. Os materiais translúcidos e transparentes (vidros, policarbonato, acrílico, outros) também podem ser usados como fonte indireta de luz, promovendo a luz natural para dentro dos ambientes. Outra forma de amenizar o quantitativo térmico dentro da edificação é a implantação de vegetação. Em locais arborizados, como em algumas ruas e praças das grandes cidades ou em fazendas e sítios dos centros rurais, a vegetação pode interceptar entre 60% e 90% da radiação solar (LAMBERTS; DUTRA; PEREIRA, 1997), causando sombreamento e uma atenuação da temperatura da superfície do solo. Isto ocorre devido a três fatores naturais, o primeiro é a simples reflexão das folhas, devolvendo para atmosfera uma parte da radiação incidida, o segundo fator diz respeito à quantidade de radiação solar que a planta absolve para produzir seu alimento (fotossíntese) e o último fator é a convecção natural, quando o movimento do ar entre as folhas retira grande parte do calor absolvido pelo sol (Figura 16).

retira grande parte do calor absolvido pelo sol (Figura 16). Figura 16 : Árvore como Bloqueio

Figura 16: Árvore como Bloqueio Natural dos Raios Solares no Solo.

Fonte: LAMBERTS; DUTRA; PEREIRA, Eficiência Energética na Arquitetura. São Paulo: PW, 1997, p. 35.

38

O grande responsável pelo fenômeno de Ilha de Calor, tão comum nos grandes

centros urbanos, é a inércia térmica 11 . A Ilha de Calor é fenômeno noturno que pode

ser sentido durante o dia, caracterizado pelas altas taxas de temperatura do ar numa certa concentração urbana, diferente das temperaturas do ar do entorno não urbanizado. Isto acontece pelo grande volume de massa de concreto que absorve calor radiante durante o dia, liberando-o à noite, fazendo com que a temperatura noturna não caia o suficiente, tornando o ar das noites quente e abafado, causando desconforto térmico.

A inércia térmica pode ser usada como estratégia passiva de condicionamento

térmico. Lamberts; Dutra; Pereira (1997, p. 63) citam que nos fechamentos opacos das fachadas (paredes externas) em regiões de alta amplitude térmica, o acúmulo de calor das paredes durante o dia pode ser devolvido ao ambiente interno da edificação durante a noite, quando se faz necessário aquecimento, havendo, pois um amortecimento da temperatura interna do ambiente devido ao retardo térmico 12 com

relação à temperatura exterior (Figura 17).

1 2 com relação à temperatura exterior (Figura 17). Figura 17 : Inércia Térmica Amortecimento e

Figura 17: Inércia Térmica Amortecimento e Retardo.

Fonte: LAMBERTS; DUTRA; PEREIRA, Eficiência Energética na Arquitetura. São Paulo: PW, 1997, p. 64.

11 É a capacidade do material de acumular energia térmica, consequência de sua massa térmica, podendo esta energia ser devolvida ao meio se este meio tiver temperatura menor que a da superfície do material acumulador. (LAMBERTS; DUTRA; PEREIRA, 1997, p. 63);

12 Também conhecido como atraso térmico é o “Tempo transcorrido entre uma variação térmica em um meio e sua manifestação na superfície oposta de um componente construtivo submetido a um regime periódico de transmissão de calor” (ABNT - NBR 15220: 2005 - Parte 1, p. 2). A mesma norma ainda cita que: “O atraso térmico depende da capacidade térmica do componente construtivo e da ordem em que as camadas estão dispostas” (Parte 1, p. 3).

39

A umidade do ar pode ser modificada quando mais próxima esta se encontra da edificação, na presença, por exemplo, de fontes hídricas e/ou de vegetação (LAMBERTS; DUTRA; PEREIRA, 1997). Quando as residências se encontram próximas a cursos de água naturais (rios e lagoas) ou fontes artificiais de água (chafariz ou piscina) o ar se torna mais úmido e o fluxo deste ar pode diminuir a carga térmica das edificações, resfriando seus cômodos através das aberturas existentes. Terrenos com solos gramados realizam fotossíntese e absorvem calor para evaporar a sua água (evapotranspiração), isto torna o ar mais agradável e gera um microclima local satisfatório, auxiliando no conforto do entorno construído. A intensidade e a dinâmica dos ventos são influenciadas principalmente por quatro fatores: latitude, altitude, topografia e rugosidade do solo:

Latitude - A desigualdade no aquecimento da terra, acarreta na elevação do ar mais quente (baixa pressão) das regiões de baixa latitude, possibilitando a entrada de ar mais frio (alta pressão) vindos das regiões de alta latitude (MARINOSKI, D. L., 2007); Altitude - Onde geralmente, quanto maior a altitude maior será a velocidade dos ventos (LAMBERTS; DUTRA; PEREIRA, 1997); Topografia - Em regiões muito acidentadas, como nos vales, por exemplo, os ventos podem ser consideravelmente alterados em sua intensidade e direção. Os vales podem acentuar a velocidade dos ventos canalizando-os para uma determinada direção ou ainda diminuí-la, promovendo, por exemplo, a formação de bolsões de recirculação de ar (Figura 18), limitando a sua intensidade e sua dinâmica térmica no local (BITTENCOURT; CÂNDIDO, 2008); Rugosidade do solo – Diz respeito às alturas dos obstáculos verticais terrestres, naturais ou artificiais, que obstruem o fluxo livre dos ventos. Onde quanto maior o obstáculo, maior será a Altura do Gradiente dos Ventos (Figura 19), definida como a altura necessária para que a ventilação esteja livre do atrito com a terra (BITTENCOURT; CÂNDIDO, 2008). Fazendo um comparativo, temos que nos grandes centros urbanos, onde há significativa interferência na ventilação devido a concentração de grandes obstáculos verticais, a velocidade

40

dos ventos é mais baixa que em locais abertos, como nos campos.

ventos é mais baixa que em locais abertos, como nos campos. Figura 18 : Formação e

Figura 18: Formação e Bolsões de Ar Estagnados Pelos Vales.

Fonte: BITTENCOURT; CÂNDIDO, Introdução a Ventilação Natural. 3 ed. Maceió: EDUFAL, 2008, p. 42. (adaptada)

Natural. 3 ed. Maceió: EDUFAL, 2008, p. 42. (adaptada) Figura 19 : Vento e Rugosidade do

Figura 19: Vento e Rugosidade do Terreno.

Fonte: LAMBERTS; DUTRA; PEREIRA, Eficiência Energética na Arquitetura. São Paulo: PW, 1997, p. 37.

Nas regiões litorâneas a dinâmica dos ventos está diretamente associada à diferença de Capacidade Térmica 13 entre as massas de terra e da água (BITTENCOURT; CÂNDIDO, 2008). A terra se aquece e se resfria mais rápido que a água, promovendo o fenômeno de movimentos convectivos naturais de ar durante o dia e a noite. Nestas regiões litorâneas ocorrem brisas diurnas vindas do mar para a terra, devido ao rápido aquecimento do ar próximo ao solo, que sobe e permiti a entrada das brisas marítimas. Já durante a noite as brisas noturnas da terra vão de encontro ao mar, devido à

é definida como a quantidade de calor que um determinado corpo deve trocar para

que sua temperatura sofra uma variação unitária” (GUIA CAIXA, 2010, p. 78). Para definirmos a capacidade térmica de um corpo devemos conhecer ainda os valores de condutividade térmica, resistência térmica, espessura, calor específico e a densidade dos seus materiais componentes.

13 A capacidade térmica “[

]

41

facilidade de resfriamento do ar do solo e ao calor armazenado no mar durante o dia, que sobe e permite a entrada das brisas terrestres (Figura 20).

sobe e permite a entrada das brisas terrestres (Figura 20). Figura 20: Brisas Diurnas e Noturnas.

Figura 20: Brisas Diurnas e Noturnas.

Fonte: Adaptado por BOUTET, T.S. Controlling Air Movement: A Manual for Architects and Builders. McGraw-Hill: Nova York, 1987. (adaptada)

Segundo Marinoski, D. L. (2007) as principais funções da ventilação no interior dos cômodos de uma edificação estão descritas abaixo:

a) Manter o ambiente livre de impurezas e odores, fornecendo oxigênio e reduzindo o gás carbônico;

b) Remover o excesso de calor produzido no interior da edificação pelos habitantes, aparelhos elétricos e de iluminação, outros;

c) Resfriar a estrutura do edifício não permitindo que o mesmo aqueça o ar do interior dos cômodos;

d) Facilitar as trocas térmicas entre o ser humano e o meio ambiente;

e) Remover a umidade excessiva dos cômodos, evitando a condensação superficial e posterior formação de microrganismos indesejáveis.

O lançamento do fluxo de ar para dentro do interior de uma construção é determinado por três fatores principais (BITTENCOURT; CÂNDIDO, 2008):

1. O tamanho e a localização das aberturas de entrada do ar na parede;

2. O tipo e a configuração das esquadrias utilizadas;

42

3. Localização de outros componentes arquitetônicos nas proximidades das aberturas tais como, varandas, marquises, toldos, venezianas (móveis ou fixas), outros.

2.2

Bioclimatologia

O Projeto Bioclimático ou Bioclimatologia, expressão criada pelos irmãos Victor

e Aladar Olgyay no final dos anos sessenta, realiza o estudo do clima (climatologia) e sua relação com o homem em espaços arquitetônicos construídos (LAMBERTS; DUTRA; PEREIRA, 1997). Um projeto bioclimático sentencia estratégias passivas de condicionamento à arquitetura, onde esta arquitetura poderá oferecer, além de uma resposta térmica adequada ao ambiente interno construído, um bem estar sócio-ambiental e econômico aos moradores participantes deste tipo de empreendimento.

A climatologia aplicada na construção é uma ferramenta muito importante, pois

auxilia o profissional construtor a tomar decisões corretas na execução de um espaço arquitetônico construído, tendo em vista a dinâmica do clima local, sabendo ainda que, todas estas alterações no espaço construído não devem causar degradações significativas ao meio ambiente. Barbirato, G.M.; [et al]., acentua a importância do estudo do clima para o planejamento de construção sustentável quando afirma que:

É de fundamental importância para o planejador urbano conhecer as variáveis climáticas que atuam sobre determinado sitio, de modo que todos os fatores e elementos climáticos possam ser aproveitados da melhor forma no projeto dos espaços, em beneficio do homem. (2010, p. 1).

As manifestações climáticas reagem de forma distinta em cada local onde será inserida a arquitetura, logo para distintas manifestações locais, serão necessárias diferentes estratégias climáticas.

A exploração e o manejo racional das condições climáticas locais, como por

exemplo, a orientação solar, iluminação natural, predominância dos ventos, orientação

das precipitações pluviais durante todo o ano, proporcionam soluções arquitetônicas

43

diversas, como o uso adequado dos materiais para construção, locação das aberturas para colocação das esquadrias, das proteções solares, escolhas das cores de

acabamento, proporção dos espaços exteriores e interiores. Com isso podemos aproveitar melhor a luminosidade e os ventos, alcançando um conforto visual e térmico adequado para cada cômodo interno da edificação.

A avaliação do desempenho térmico das edificações pode ser realizada tanto na

fase de projeto quanto após a sua construção. Os estudos de Lamberts; Dutra; Pereira (1997) exaltam esta realidade sustentando ainda que deve haver a integração estratégica entre os elementos artificiais de iluminação e aclimatação (lâmpadas, equipamentos de aquecimento e resfriamento), e as estratégias climáticas passivas (ventilação cruzada, aquecimento solar passivo, massa térmica, etc.), a fim de proporcionar a economia de energia e espaços arquitetônicos confortáveis e sustentáveis.

2.2.1 Zoneamento bioclimático brasileiro- NBR 15220:2005 - parte 3

A NBR 15220:2005 - parte 3 foi elaborada de acordo com as metodologias da

Carta Bioclimática de Givoni (1992) e com o Método de Mahoney 14 , onde esta trata do desempenho térmico para habitações unifamiliares de interesse social. Esta norma desenvolveu o zoneamento bioclimático brasileiro, que dividiu o Brasil em oito zonas bioclimáticas (Figura 21) e para cada uma delas formulou um conjunto de recomendações e estratégias construtivas que visão um melhor desempenho térmico das edificações tendo como base o clima de cada localidade.

O anexo A da NBR 15220:2005 - Parte 3 apresenta uma tabela com a relação

de 330 cidades e suas respectivas zonas. Caso a cidade desejada não esteja incluída na tabela do anexo A da norma, pode-se fazer uso do anexo B, da mesma norma, que apresenta a metodologia de classificação de uma cidade a uma determinada zona, com o auxílio da carta bioclimática adaptada e os dados das normais climatológicas (temperatura e umidade do ar) da cidade desejada.

14 Carl Mahoney - arquiteto que começou seus estudos sobre clima e sua influência arquitetura em 1963 na Nigéria. Através de seus estudos foi possível, por exemplo, definir os limites das propriedades térmicas dos fechamentos (paredes e coberturas): Fator Solar, Atraso Térmico e Transmitância Térmica.

44

Figura 21: Zoneamento Bioclimático Brasileiro. Fonte: ELETROSUL CENTRAIS ELÉTRICAS S/A. Projeto Casa Eficiente:
Figura 21: Zoneamento
Bioclimático Brasileiro.
Fonte:
ELETROSUL
CENTRAIS ELÉTRICAS
S/A. Projeto Casa
Eficiente: Bioclimatologia e
Desempenho Térmico /
Editores: Roberto Lamberts
[et al.]. Florianópolis:
UFSC/LabEEE, Vol. 1,
2010, p. 21.

A NBR 15220:2005 - Parte 3 apresenta Três grupos de recomendações e estratégias construtivas para cada Zona Bioclimática Brasileira:

1. Fechamentos (paredes e coberturas) informando os valores de Transmitância Térmica, Atraso Térmico e Fator de Calor Solar, para cada tipo de vedação;

2. Áreas de abertura para ventilação e o sombreamento de janelas;

3. Estratégias Bioclimáticas que aperfeiçoem as condições térmicas das construções.

2.2.1.1 Fechamentos

Para definir os tipos de fechamentos externo (paredes e coberturas) que melhor se adéquam ao clima local onde a edificação se encontra, é necessário conhecer as propriedades termo físicas de transmitância térmica, atraso térmico e fator solar dos materiais que compõem cada fechamento. A transmitância térmica é definida como o inverso do somatório total das resistências das camadas do fechamento, frente às cargas térmicas externas (Figura 22).

45

A transmitância térmica é um parâmetro que auxilia o arquiteto na escolha dos melhores fechamentos opacos verticais (paredes) e opacos horizontais (coberturas), diante da necessidade de transmissão de calor para o ambiente construído.

de transmissão de calor para o ambiente construído. Figura 22: Transmitância Térmica. Fonte: LAMBERTS;

Figura 22: Transmitância Térmica.

Fonte: LAMBERTS; DUTRA; PEREIRA, Eficiência Energética na Arquitetura. São Paulo: PW, 1997, p. 60.

Onde:

U = Transmitância térmica;

R T = Resistência Total; Rse e Rsi = Resistências superficiais externas e internas (Ver Tabela do Anexo A.1 - NBR 15220: 2005 - Parte 2). Rn = Resistência das diferentes camadas de um fechamento;

Sendo:

Resistência das diferentes camadas de um fechamento; Sendo: L = Espessura do fechamento em metros; λ

L = Espessura do fechamento em metros;

λ = Condutividade térmica. (Ver Tabela do Anexo B.3 - NBR 15220: 2005 Parte 2).

-

46

Atraso térmico (Φ) é o tempo necessário para que a variação térmica da superfície externa seja transmitida para a superfície interna do fechamento, dependendo da capacidade térmica do componente construtivo, da espessura e da quantidade de camadas do fechamento. Fator solar para fechamentos opacos (FS 0 ) é o valor da radiação solar emitida pelo fechamento (onda longa) dividido pelo valor de radiação primária (onda curta) na superfície externa do mesmo fechamento (Figura 23). Fator solar para fechamentos transparentes (FS T ) é o valor de radiação solar emitida pela abertura transparente (Transmissão direta + 50% absorvida) dividida pelo valor de radiação solar total incidente (onda curta) na superfície externa do mesmo fechamento transparente (Figura 23).

externa do mesmo fechamento transparente (Figura 23). Figura 23: Fator Solar dos Fechamentos Opacos.

Figura 23: Fator Solar dos Fechamentos

Opacos.

Transparentes

e

Fonte: LAMBERTS, DUTRA e PEREIRA, Eficiência Energética na Arquitetura. São Paulo: PW, 1997, p. 56.

Onde:

Absortância (α) - Esta parcela está associada principalmente a cor da superfície (acabamento) que esta em contato direto com a radiação. Se, por exemplo, uma superfície externa tiver absortividade igual 0,4 isso significa que 40% da energia incidida sobre o material opaco será absorvido (α) e 60% será refletida (ρ). Abaixo (Tabela 4) alguns valores de absortividade em função da cor:

47

Cores

Α

Escuras

0,7 a 0,9

Médias (Tijolos)

0,5 a 0,7

Claras

0,2 a 0,5

Tabela 4: Absortividade em Função da Cor.

Fonte: LAMBERTS, DUTRA e PEREIRA, Eficiência Energética na Arquitetura. São Paulo: PW, 1997, p. 57.

Para valores de absortância dos materiais, ver tabela do anexo B.2 - NBR 15220: 2005 - Parte 2. Refletância (ρ) - Parcela de radiação refletida pelo material, determinada pelo seu albedo; Transmissividade (τ) - Parcela de radiação transmitida diretamente ao ambiente interno construído, exclusivo aos fechamentos transparentes e translúcidos. Os valores máximos aceitáveis de transmitância térmica, atraso térmico e fator solar das vedações externas (paredes e coberturas) para cada zona bioclimática, estão disponíveis no anexo C da NBR 15220: 2005 - Parte 3. O anexo D da NBR 15220: 2005 - Parte 3 apresenta os valores de transmitância térmica, capacidade térmica e atraso térmico de algumas tipologias de fechamentos opacos verticais (paredes) e horizontais (coberturas). Os valores de transmitância térmica, atraso térmico e fator solar para outras tipologias de fechamentos que não estiverem incluídas no anexo D da norma, podem ser calculados seguindo a metodologia da NBR 15220: 2005 - Parte 2.

2.2.1.2 Abertura para ventilação e sombreamento

Segundo a norma NBR 15220:2005 - Parte 3, as recomendações de aberturas para ventilação e sombreamento para cada zona bioclimática, estão definidas na tabela 5 abaixo:

48

Zona

Área de abertura para ventilação (A = % da área do piso)

Sombreamento das aberturas

1, 2 e 3

Média: 15% < A < 25%

Permitir sol durante o período frio

4, 5 e 6

Média: 15% < A < 25%

Sombrear

7

Pequena: 10% < A < 15%

Sombrear

8

Grande: A > 40%

Sombrear

Tabela 5: Recomendações de Dimensionamento das Aberturas para Ventilação e Sombreamento.

Fonte: RORIZ, GHISI e LAMBERTS - Uma Proposta de Norma Técnica Brasileira Sobre Desempenho Térmico de Habitações Populares. Palestra Ministrada em Fortaleza - Ceará, p. 9. (Adaptada).

Para determinar a necessidade de sombreamento da fachada de um edifício pode-se fazer o uso da carta solar. Como vimos anteriormente, a carta solar fornece o intervalo de horas de radiação solar incidente em cada fachada de uma edificação. Com esta carta solar e o auxilio do Transferidor de ângulos (ver figura 7, p. 26) podemos definir o sombreamento das aberturas das fachadas para proteger as mesmas durante os períodos de maior incidência solar. Os brises são elementos de proteção solar externa das aberturas, utilizados nas edificações para sombreamento. Esses brises são divididos em três (3) tipos: brises horizontais (Infinito e finito), brises verticais (Infinito e finito) e brises mistos ou em grelha.

Brises Horizontais Infinitos: São proteções solares longitudinais horizontais implantadas sobre as aberturas, a fim de impedir a penetração de incidência solar advinda do ângulo de altitude solar. O traçado de mascaramento para este brise é definido pelo ângulo α (MARINOSKI, D. L., 2007). Onde o ângulo α é o ângulo de sombra vertical produzido pelo brise horizontal junto à altura da abertura, visto em corte, que varia de 0° até 90° (Figura 24).

visto em corte, que varia de 0° até 90° (Figura 24). Figura 24: Brise Horizontal Infinito.

Figura 24: Brise Horizontal Infinito.

Fonte: MARINOSKI, D. L., Desempenho Térmico de Edificações. Florianópolis. Apostila Acadêmica: Labeee, 5a Edição – 2007, p. 56. (adaptada)

49

Brises Horizontais Finitos: São proteções solares longitudinais horizontais implantadas sobre as aberturas que possuem um limite de dimensão, propiciando a formação do ângulo ϒ. O ângulo ϒ varia de 0° a 90° e limita a ação de proteção do ângulo de sombra vertical α com a incidência solar advinda do ângulo de altitude solar. Então o traçado de mascaramento para este brise é definido pela intersecção dos ângulos α e ϒ, ver figura 25.

pela intersecção dos ângulos α e ϒ , ver figura 25. Figura 25: Brise Horizontal Finito.

Figura 25: Brise Horizontal Finito.

Fonte: MARINOSKI, D. L., Desempenho Térmico de Edificações. Florianópolis. Apostila Acadêmica: Labeee, 5a Edição – 2007,

p. 58. (adaptada)

Através dos estudos da dinâmica solar do Brasil, verificou-se que os dispositivos de proteção horizontais são mais eficientes quando voltados às fachadas orientadas ao norte no país, onde o sol permanece quase o dia todo, na parte superior da abóbada celeste. Brises Verticais Infinitos: São proteções solares longitudinais verticais implantados nas laterais das aberturas, a fim de impedir a penetração de incidência solar advinda do ângulo de azimute solar. O traçado de mascaramento para este brise é definido pelo ângulo β (MARINOSKI, D. L., 2007). Onde o ângulo β é o ângulo de sombra horizontal produzido pelo brises verticais da esquerda e da direita junto ao comprimento da abertura, visto em planta, variando de 0º a 90º em cada quadrante da circunferência (Figura 26).

0º a 90º em cada quadrante da circunferência (Figura 26). Figura 26: Brise Vertical Infinito. Fonte
0º a 90º em cada quadrante da circunferência (Figura 26). Figura 26: Brise Vertical Infinito. Fonte

Figura 26: Brise Vertical Infinito.

Fonte: MARINOSKI, D. L., Desempenho Térmico de Edificações. Florianópolis. Apostila Acadêmica: Labeee, 5a Edição – 2007,

p. 57. (adaptada)

50

Brises Verticais Finitos: São proteções solares longitudinais verticais implantadas nas laterais das aberturas que possuem um limite de dimensão, propiciando a formação do mesmo ângulo ϒ. O ângulo ϒ limita a ação de proteção do ângulo de sombra horizontal β com a incidência solar advinda do ângulo de azimute solar. Então o traçado de mascaramento para este brise é definido pela intersecção dos ângulos β e ϒ, ver figura 27.

pela intersecção dos ângulos β e ϒ , ver figura 27. Figura 27: Brise Vertical Finito
pela intersecção dos ângulos β e ϒ , ver figura 27. Figura 27: Brise Vertical Finito

Figura 27: Brise Vertical Finito

Fonte: MARINOSKI, D. L., Desempenho Térmico de Edificações. Florianópolis. Apostila Acadêmica: Labeee, 5a Edição – 2007, p. 58 e 59. (adaptada)

No Brasil, verificou-se que os dispositivos de proteção verticais são mais eficientes quando voltados às fachadas orientadas a leste (nascente) e a oeste (poente) no país, orientações onde o sol se encontra, na parte inferior da abóbada celeste. Brises Mistos ou em Grelhas: É a união das proteções solares longitudinais horizontais e verticais implantados nas laterais e sobre as aberturas, impedindo a entrada dos raios solares no ambiente (Figura 28).

a entrada dos raios solares no ambiente (Figura 28). Figura 28: Brise Misto. Fonte: FERNANDES, A.M.C.P.
a entrada dos raios solares no ambiente (Figura 28). Figura 28: Brise Misto. Fonte: FERNANDES, A.M.C.P.

Figura 28: Brise Misto.

Fonte: FERNANDES, A.M.C.P. Arquitetura e Sombreamento: Parâmetro para a região climática de Goiânia. Goiânia: Dissertação de Mestrado, 2007, p. 45. (adaptada)

51

Na Construção civil podemos utilizar 2 (dois) tipos de dispositivos de sombreamento das aberturas para construção (Brises): dispositivos fixos e móveis. Dispositivos Fixos: as varandas, os beirais, as marquises, as venezianas externas fixas, entre outros (Figura 29a e 29b). Os brises fixos precisam ser bem projetados, atentando para a dinâmica solar e pedindo a entrada de radiação no interior da residência.

pedindo a entrada de radiação no interior da residência. a Figura 29: Beirais Utilizados como Dispositivos

a

a entrada de radiação no interior da residência. a Figura 29: Beirais Utilizados como Dispositivos Fixos

Figura 29: Beirais Utilizados como Dispositivos Fixos de Sombreamento.

Fonte: ELETROSUL CENTRAIS ELÉTRICAS S/A. Projeto Casa Eficiente: Bioclimatologia e Desempenho Térmico / Editores: Roberto Lamberts [et al.]. - Florianópolis: UFSC/LabEEE, Vol. 1, 2010, p. 26.

b

Dispositivos Móveis: as venezianas reguláveis, persianas de enrolar, etc. Estes dispositivos de proteção são bem mais eficientes que os fixos, pois têm como vantagem da administração de iluminação natural e do sombreamento para dentro dos ambientes construídos.

2.2.1.3 Estratégias bioclimáticas

A carta bioclimática adaptada foi elaborada pela NBR 15220:2005 - Parte 3, a partir dos estudos de Givoni, B. (1992) que desenvolveu estratégias bioclimáticas passivas para o conforto interno das edificações brasileiras (Figura 30).

52

A - Aquecimento Artificial (Calefação) B - Aquecimento Solar da Edificação C - Massa Térmica
A - Aquecimento Artificial (Calefação)
B - Aquecimento Solar da Edificação
C - Massa Térmica para Aquecimento
D - Conforto Térmico (Baixa Umidade)
E - Conforto Térmico
F - Desumidificação (Renovação de Ar)
G + H - Resfriamento Evaporativo
H + I - Massa Térmica de Refrigeração
I + J - Ventilação Natural
K - Refrigeração Artificial
L - Umidificação do Ar

Figura 30: Carta Bioclimática Adaptada com Estratégias de Projeto Passivo.

Fonte: GUIA CAIXA, Selo Azul: Boas praticas para Habitação mais Sustentável. São Paulo: Páginas & Letras - Editora e Gráfica, 2010, p. 59. (Adaptada)

A - Aquecimento artificial (Calefação)

Utilização de aparelhos de aquecimento artificial para diminuir o desconforto térmico durante o frio, onde podemos citar como exemplo, as lareiras, os fogões a lenha e elétrico, dentre outros.

B - Aquecimento solar da edificação

É o aquecimento da edificação que tem como fonte principal a radiação solar. A orientação, a localização, as aberturas, as superfícies envidraçadas e a cor do fechamento externo contribuem para o aquecimento da edificação (GUIA CAIXA,

2010).

O aquecimento solar pode ser:

Direto - Os raios solares aquecem diretamente os ambientes

internos (onda curta) através das janelas ou fechamentos transparentes nas paredes ou nas coberturas (Figura 31);

53

Indireto - O ambiente interno recebe carga térmica dos raios

solares que passam anteriormente por uma transformação de frequência (onda longa) devido às propriedades térmicas fechamentos opacos (Figura 32).

Figura 31: Aquecimento Solar Passivo Direto. Fonte: LAMBERTS, DUTRA e PEREIRA, Eficiência Energética na
Figura 31: Aquecimento
Solar Passivo Direto.
Fonte: LAMBERTS,
DUTRA e PEREIRA,
Eficiência Energética na
Arquitetura. São Paulo:
PW, 1997, p. 157.
Figura 32: Aquecimento Solar Passivo Indireto. Fonte: KRAUSE, C.; LOMARDO, L.; MAIOR, F. Caderno 9
Figura 32: Aquecimento
Solar Passivo Indireto.
Fonte:
KRAUSE,
C.;
LOMARDO,
L.;
MAIOR,
F.
Caderno
9
-
MCidades
Parcerias:
Eficiência
Energética em Habitações de
Interesse
Social.
Brasília:
PROCEL/Eletrobrás/Ministério
de Minas e Energia; Ministério
das
Cidades,
2005.
p.
62.
(Ilustração
de
Diego
Tamanini).

C – Massa térmica para aquecimento Esta estratégia está associada à exploração da inércia térmica que está ligado a capacidade térmica dos materiais vedantes. O acúmulo de calor produzido pelos fechamentos espessos durante o dia é gradativamente transferido ao interior da edificação durante a noite, amenizando o desconforto do ambiente interno, ver figura 17, p. 38. D – Conforto térmico (Baixa umidade) “Caracteriza a zona de conforto térmico para baixas umidades” (GUIA CAIXA, 2010, p. 83).

54

E - Conforto térmico

“Caracteriza a zona de conforto térmico” (GUIA CAIXA, 2010, p. 83).

F – Desumidificação (Renovação de ar)

É o processo de renovação de ar nos ambientes que pode ser muito bem

realizado através da ventilação (Figura 33).

muito bem realizado através da ventilação (Figura 33). Figura 33 : Renovação de Ar. Fonte: KRAUSE,

Figura 33: Renovação de Ar.

Fonte: KRAUSE, C.; LOMARDO, L.; MAIOR, F. Caderno 9 – MCidades Parcerias: Eficiência Energética em Habitações de Interesse Social. Brasília: PROCEL/Eletrobrás/Ministério de Minas e Energia; Ministério das Cidades, 2005. p.39.

G + H – Resfriamento evaporativo

Para localidades de climas quentes e secos é necessário resfriar os ambientes internos da edificação através de vapor de água, a fim de amenizar a sensação de desconforto térmico, com o auxílio da ventilação natural. A implantação de vegetação

ao redor da construção e uso dos recursos hídricos naturais ou artificiais são os principais elementos externos de obtenção do resfriamento evaporativo (GUIA CAIXA, 2010, p. 83), ver Figura 34.

evaporativo (GUIA CAIXA, 2010, p. 83), ver Figura 34. Figura 34 : Resfriamento Evaporativo. Fonte: GUIA

Figura 34: Resfriamento Evaporativo.

Fonte: GUIA CAIXA, Selo Azul: Boas Práticas para Habitação mais Sustentável. São Paulo:

Páginas & Letras - Editora e Gráfica, 2010, p. 84.

55

H + I – Massa térmica de refrigeração Esta estratégia está associada à exploração da inércia térmica que está ligado a capacidade térmica dos materiais vedantes. O acúmulo térmico produzido pelos fechamentos espessos durante a noite é gradativamente transferido ao interior da edificação durante o dia, amenizando o desconforto do ambiente interno. A ventilação noturna é uma Estratégia Hibrida 15 que combina a ventilação e massa térmica para manter o ambiente refrigerado durante o dia. Esta estratégia faz a utilização dos ventos noturnos para resfriar os fechamentos, com o uso de suas massas térmicas, de tal forma que durante o dia os fechamentos sejam capazes absorver os ganhos de calor e ao anoitecer possam expulsar este valor térmico através dos ventos noturnos do dia seguinte, fechando o ciclo (BITTENCOURT; CÂNDIDO, 2008). I + J - Ventilação natural Os ventos predominantes e os obstáculos do entorno influenciam significativamente na implantação dos cômodos de uma edificação. As aberturas das paredes externas devem garantir a ventilação nos ambientes de maior permanência como: cozinha, salas e dormitórios (Figura 35).

como: cozinha, salas e dormitórios (Figura 35). Figura 35 : Ventilação Natural. Fonte: GUIA CAIXA, Selo

Figura 35: Ventilação Natural.

Fonte: GUIA CAIXA, Selo Azul: Boas Práticas para Habitação Mais Sustentável. São Paulo : Páginas & Letras - Editora e Gráfica, 2010, p. 84

15 Combinação de dois ou mais procedimentos estratégicos que se complementam para o melhor condicionamento térmico do ambiente, dependendo das necessidades da edificação.

56

A ventilação cruzada ocorre quando o fluxo de ar dentro do ambiente entra por

um lado e sai pelo lado oposto. Este cruzamento de ar ocorre essencialmente devido

as diferentes zonas de pressão nas fases dos fechamentos (MARINOSKI, D.L., 2007).

A organização espacial dos ambientes interiores pode favorecer o fluxo livre do

ar, promovendo uma eficiente ventilação cruzada. Aberturas intermediárias paralelas às aberturas de entrada do ar (barlavento) e saída do ar (sotavento) e o acentuado valor de porosidade 16 das paredes externas e internas aumentam a eficiência do movimento do ar dentro dos cômodos (BITTENCOURT; CÂNDIDO, 2008), ver Figura 36.

dos cômodos (BITTENCOURT; CÂNDIDO, 2008), ver Figura 36. Figura 36 : Espaços Fluidos. Fonte: LAMBERTS, DUTRA

Figura 36: Espaços Fluidos.

Fonte: LAMBERTS, DUTRA e PEREIRA, Eficiência Energética na Arquitetura. São Paulo: PW, 1997, p. 152.

O ar mais quente produzido no interior da edificação tende a se acumular nas

partes mais altas da residência, devido aos movimentos convectivos do ar. A inserção de aberturas superiores pode retirar estes valores calóricos, promovendo um

movimento de ar ascendente (Efeito chaminé), devido aos diferentes níveis de aberturas (LAMBERTS; DUTRA; PEREIRA, 1997). As aberturas na cumeeira (Figura 37) e o uso das pérgulas (Figura 38) são exemplos de dispositivos que auxiliam na renovação de ar dos cômodos, estes dispositivos também podem incorporar iluminação natural dentro do ambiente.

16 Razão entre as áreas de abertura de uma parede e a área total da mesma parede, medido em porcentagem.

57

57 Figura 37 : Aberturas na Cumeeira para Ventilação e Iluminação. Fonte: LAMBERTS; DUTRA; PEREIRA, Eficiência

Figura 37: Aberturas na Cumeeira para Ventilação e Iluminação.

Fonte: LAMBERTS; DUTRA; PEREIRA, Eficiência Energética na Arquitetura. São Paulo: PW, 1997, p. 152. (Adaptada)

na Arquitetura . São Paulo: PW, 1997, p. 152. (Adaptada) Figura 38 : Pergolado (Visto em

Figura 38: Pergolado (Visto em Corte) para Ventilação e Iluminação.

Fonte: BITTENCOURT e CÂNDIDO, Introdução a Ventilação Natural. Maceió: EDUFAL, 3ª edição, 2008, p. 100. (Adaptada)

As aberturas nos áticos 17 também podem diminuir a carga térmica da edificação devido às renovações de ar (LAMBERTS, R.; TRIANA, M. A., 2007).

K – Refrigeração artificial

Utilização de aparelhos de resfriamento artificial, ar condicionado, ventiladores,

aparelhos umidificadores de ar, dentre outros, utilizados de forma racional, auxiliando para o conforto térmico durante os períodos críticos de calor.

L – Umidificação do ar

Utilizada quando a umidade relativa do ar for muito baixa, inferior a 20%, (LAMBERTS; DUTRA; PEREIRA, 1997) e a temperatura do ar estiver entre 21°C e 30°C (NBR 15220:2005 - Parte 3). Pode-se aumentar a umidade do ambiente utilizando também a evaporação da água de fontes naturais ou artificiais próximas à edificação. No Anexo A deste trabalho estão descritas as estratégias bioclimáticas para as 8 zonas bioclimáticas, segundo a NBR 15220:2005 - Parte 3.

17 Câmara de ar existente entre o telhado e o forro.

58

3.0 ESTUDO DE CASO - REFORMA DE UMA RESIDÊNCIA LOCALIZADA NO MUNICÍPIO DE MACEIÓ/AL

A residência em questão possui uma área construída de 57,08m² e está localizada no Loteamento Jardim Planalto 2, QD. E, n° 26, no Bairro do Santos Dumont no município de Maceió/AL (Figura 39).

do Santos Dumont no município de Maceió/AL (Figura 39). Figura 39: Localização da Residência em Questão.

Figura 39: Localização da Residência em Questão.

Fonte: Autores

Segundo a NBR 15220: 2005 - parte 3 o município de Maceió/AL está inserido na Zona Bioclimática 8 (Figura 40a e 40b).

59

59 Figura 40ª Figura 40b Figura 40: (a) Zona Bioclimática 8 e (b) Carta Bioclimática Apresentando

Figura 40ª

59 Figura 40ª Figura 40b Figura 40: (a) Zona Bioclimática 8 e (b) Carta Bioclimática Apresentando

Figura 40b

Figura 40: (a) Zona Bioclimática 8 e (b) Carta Bioclimática Apresentando as Normas Climatológicas das Cidades da Zona 8 (Cinza Claro), Destacando a Cidade de Maceió-AL (Azul Escuro).

Fonte: NBR 15220: 2005 - Parte 3, p.8. (Adaptada)

2005

recomendações construtivas, descritos abaixo :

Para

zona

8,

a

NBR

15220:

-

Parte

3

indica

três

grupos

de

60

1. Propriedades térmicas das vedações externas - Paredes e cobertas leves e refletoras. Para as paredes o valor limite da transmitância térmica (U) é igual a 3,60 [W/m 2 K], atraso térmico (ϕ) deve ser igual ou inferior a 4,3 horas e o fator solar (FS o ) deve ser menor ou igual a 4%. Para as coberturas o valor limite da transmitância térmica (U) é igual a 2,30 x FT [W/m 2 K], atraso térmico (ϕ) deve ser igual ou inferior a 3,3 horas e o fator solar (FS o ) deve ser menor ou igual a 6,5%. O valor de FT (adimensional) é fator de correção da transmitância aceitável para as cobertas localizadas na zona 8:

aceitável para as cobertas localizadas na zona 8: Onde: FT = fator de correção de transmitância

Onde:

FT = fator de correção de transmitância h = a altura da abertura em dois beirais opostos, para ventilação do ático - (cm).

2. Dimensionamento das aberturas - Área de abertura de ventilação efetiva devem ser grandes com valores acima de 40% em relação à área de piso de cada ambiente de longa permanência (cozinha, salas e quartos);

3. Estratégias Bioclimáticas - O uso da ventilação cruzada permanente e de sombreamento das aberturas das fachadas ao longo de todo o ano. Estas estratégias, ventilação e sombreamento, minimizam principalmente os efeitos térmicos durante o período do verão.

3.1 Projeto Existente

Os fechamentos externos verticais (parede) da edificação estudada são constituídos por blocos cerâmicos de seis furos (9,0 x 14,0 x 24,0 cm) assentados em ½ vez com espessura de argamassa de emboço interno e externo igual a 2,5 cm e

61

acabamento externo com tinta PVA branca, obtendo uma espessura total do fechamento igual a 14 cm. A partir da descrição dos dados de composição das paredes externas existentes foi possível identificar as suas propriedades de transmitância térmica (U), atraso térmico (ϕ) e fator solar (FS O ), ver tabela 6:

FECHAMENTO VERTICAL EXTERNO (U) (φ) FS O [W/m 2 K] [Horas] [%] 2,59 3,30 2,10*
FECHAMENTO VERTICAL
EXTERNO
(U)
(φ)
FS O
[W/m 2 K]
[Horas]
[%]
2,59
3,30
2,10*
Tabela 6: Propriedades Térmicas do Fechamento Vertical Externo da Residência Existente.
Fontes: Laboratório de Eficiência Energética em Edificações da Universidade Federal de Santa Catarina
– LabEEE/UFSC. (Metodologia de Cálculo Segunda a NBR 15220:2005 - Parte 2)
* Para absortância igual 0,20.

O fechamento externo horizontal (cobertura) da edificação estudada é constituído por telha cerâmica com 1 cm de espessura, laje mista com 12cm de espessura e câmara de ar (ático) com espessura maior que 5cm. A partir da descrição dos dados de composição da coberta existente foi possível identificar as suas propriedades térmicas de transmitância (U), atraso térmico (ϕ) e fator solar (FS O ), ver tabela 7:

FECHAMENTO HORIZONTAL EXTERNO (U) (φ) FS O [W/m 2 K] [Horas] [%] 1,79 3,60 2,90*
FECHAMENTO HORIZONTAL
EXTERNO
(U) (φ)
FS O
[W/m 2 K]
[Horas]
[%]
1,79
3,60
2,90*
Tabela 7: Propriedades Térmicas do Fechamento Horizontal Externo da Residência Existente.
Fontes: Laboratório de Eficiência Energética em Edificações da Universidade Federal de Santa Catarina –
LabEEE/UFSC.(Metodologia de Cálculo Segunda a NBR 15220:2005 - Parte 2)
* Para Absortância Igual 0,40.

62

Abaixo (Figura 41) temos a planta baixa da edificação existente e as dimensões das aberturas.

da edificação existente e as dimensões das aberturas. Figura 41: Planta Baixa da Residência Existente, Indicando

Figura 41: Planta Baixa da Residência Existente, Indicando a Área de Cada Cômodo, Dimensão das Esquadrias e Orientação Geográfica.

Fonte: Autores

63

Na tabela 8 abaixo podemos observar os seguintes dados de área de ventilação efetiva existentes na residência.

JANELA

DESCRIÇÃO TÉCNICA

ÁREA EFETIVA DE VENTILAÇÃO (m²)

J1 e J2

Janela com duas folhas de correr e duas folhas fixas de alumínio com vidro de espessura igual a 4 mm.

0,75

J3

Janela com duas folhas de correr de alumínio com vidro de espessura igual a 4 mm.

0,6

J4

Janela basculante com 4 básculas em alumínio e vidro com espessura de 4 mm.

0,8

J5

Janela basculante com 1 báscula em alumínio e vidro com espessura de 4 mm.

0,1

Tabela 8: Áreas de Ventilação Efetiva Existente para cada Ambiente.

Fonte: Autores

3.2 Análise dos Dados para a Residência em Questão

Analisando o projeto executado com as 3 (três) recomendações construtivas para a zona 8, onde está inserida a cidade de Maceió, podemos verificar se o projeto executado atende aos parâmetros construtivos climáticos do local, segundo a norma, para posterior correção no caso de não conformidade. Na tabela 9 abaixo, temos o cálculo de abertura efetiva para ventilação conforme a norma e sua comparação com as aberturas do projeto executado.

 

ÁREA DO

ÁREA ABERTURA EFETIVA DA NORMA (m²)

ÁREA ABERTURA

DÉFICIT DE

 

AMBIENTE

AMBIENTE

EFETIVA DO

ÁREA DE

ACEITABILIDADE

(m²)

A>40%

PROJETO (m²)

ABERTURA (m²)

Cozinha

8,57

A>3,43

0,60

A2,83

Não

Estar/jantar

14,85

A>5,94

0,75

A5,19

Não

Quarto 01

9,27

A>3,71

0,75

A2,96

Não

Quarto 02

9,27

A>3,71

0,80

A2,91

Não

BWC

2,82

A>1,13

0,10

A1,03

Não

Tabela 9: Valores de Ventilação Efetiva Segundo a Norma e sua Comparação com as Áreas das Aberturas da Edificação Existente.

Fonte: Autores

Todas as esquadrias das aberturas da residência devem ser alteradas para um tipo de abertura que possibilite ao máximo 100% de área de abertura para ventilação,

64

como por exemplo, janelas dos tipos de abrir com ângulo de 90° ou 180°, pivotantes horizontais com ângulo de 90°, máxim-ar, sanfonada, outros. No quarto 01 a janela J1 será ampliada para as dimensões 2,00 x 1,10 x 1,00m, e ainda deve ser acrescentada mais uma janela JP1 na parede que divide o quarto 01 da área de pergolado, com dimensões 1,50 x 1,10 x 1,00m. Para a sala estar / jantar, será acrescentada uma nova abertura JP3 na mesma parede e com as mesmas dimensões de J2. Será acrescentada também uma abertura JP2, acima da porta P1 com dimensão total 1,80 x 0,40 x 2,30m. A abertura que dá acesso ao hall (Vão livre VL1) será ampliada, para permitir que os ventos vindos da área do pergolado complementem a ventilação na sala, sendo a área de ventilação do pergolado é igual 1,97m². Para a cozinha, a janela J3 será ampliada para as dimensões 2,00 x 1,10 x 1,00m e o vão livre VL2 incrementará a ventilação deste ambiente com área de abertura igual a 2,10m². No quarto 02 a janela J4 será ampliada para as dimensões 2,00 x 1,10 x 1,00m. Ainda será acrescentada uma bandeira BP1 acima da porta do quarto 02 com dimensões de 0,80 x 0,40 x 2,30m. No ambiente BWC a janela J5 será ampliada para as dimensões 1,90 x 0,60 x

1,90m.

65

Abaixo (Tabela 10) está descrito um quadro resumo com as propostas de ampliações e aberturas para cada cômodo com suas respectivas áreas de ventilação efetiva:

   

DIMENSÕES

ÁREA EFETIVA DE VENTILAÇÃO OBTIDA (m²)

AMBIENTES

ABERTURAS

PROPOSTAS

Quarto 01

J1

2,00 x 1,10 x 1,00m

3,85

JP1

1,50 x 1,10 x 1,00m

 

J2

1,50 x 1,10 x 1,00m

 

Sala

Estar/Jantar

JP2

1,80 x 0,40 x 2,30m

5,99*

JP3

1,50 x 1,10 x 1,00m

Cozinha

J3

2,00 x 1,10 x 1,00m

4,30**

Quarto 02

J4

2,00 x 1,10 x 1,00m

4,20***

BP1

0,80 x 0,40 x 2,30m

BWC

J5

1,90 x 0,60 x 1,90m

1,14

Tabela 10: Dimensões de Aberturas Propostas para Ventilação Efetiva Satisfatória em Cada Cômodo, Segundo Norma.

* Este Valor Foi Acrescido a 1,97m² de Ventilação da Área de Pergolado; ** Este Valor Foi Acrescido a 2,10m² de Ventilação do vão livre VL2; *** Este Valor Foi Acrescido a 1,68m² de Ventilação da Área da Porta, Quando Esta Estiver Aberta. Fonte: Autores

Os valores termofísicos (transmitância, atraso e fator solar) dos fechamentos da edificação estudada serão comparados com a NBR 15220: 2005 - Parte 3, ver tabela 11 e 12.

ELEMENTOS

PAREDE SEGUNDO A NORMA

PAREDE EDIFICAÇÃO EXISTENTE

 

TERMO-FÍSICOS

ACEITABILIDADE

(U) [W/m 2 K]

3,60

2,59

Sim

(ϕ) [hs]

4,30

3,30

Sim

FS o [%]

4,00

2,10

Sim

Tabela 11: Valores de Transmitância Térmica, Atraso Térmico e Fator de Calor Solar das Paredes, Segundo a Norma, e Comparação com os Valores da Edificação Executada.

Fonte: Autores

66

Conforme a tabela 11, os valores termo-fisicos dos fechamentos verticais (paredes) do projeto executado estão dentro dos intervalos recomendados pela norma.

ELEMENTOS

COBERTURA

COBERTURA

 

TERMO-

SEGUNDO A

EDIFICAÇÃO

ACEITABILIDADE

FÍSICOS

NORMA

EXISTENTE

(U) [W/m 2 K]

2,30*

1,79

Sim

(ϕ) [hs]

3,30

3,60

Não

FS o [%]

6,5

2,90

Sim

Tabela 12: Valores de Transmitância Térmica, Atraso térmico e Fator de Calor Solar da cobertura, Segundo a Norma, e Comparação com os Valores da Edificação Executada.

* 2,30 x FT Sendo FT=1,17-1,07 x h -1,04 = 1, Pois, para Este Caso, Não Haverá Ventilação do Ático. (Analisar nota da norma 15220:2005 - Parte 3, p.9).

Conforme a tabela 12, os valores termo-fisicos de transmitância e fator solar dos fechamentos horizontais (coberturas) do projeto executado estão dentro dos intervalos recomendados pela norma, mas o valor referente a atraso térmico não é aceito pela mesma, sendo necessária a implantação de outro elemento de cobertura. Dentre inúmeras soluções propostas para a reforma da cobertura da residência existente, como: telha cerâmica com forro de madeira, com forro de gesso e outras. Segue abaixo um exemplo de um fechamento tradicional constituído pelas seguintes características: telha cerâmica com 1 cm de espessura, forro em PVC de 1cm de espessura e câmara de ar (ático) com espessura maior que 5cm, este tipo de fechamento horizontal respeita os valores termofísicos estipulados pela norma, ver tabela 13 abaixo.

FECHAMENTO HORIZONTAL EXTERNO (U) (φ) FS O [W/m 2 K] [Horas] [%] 1,75 1,20 2,80*
FECHAMENTO HORIZONTAL
EXTERNO
(U) (φ)
FS O
[W/m 2 K]
[Horas]
[%]
1,75
1,20
2,80*
Tabela 13: Propriedades Térmicas do Fechamento Horizontal Externo Proposto para Reforma da
Residência.
Fontes: Laboratório de Eficiência Energética em Edificações da Universidade Federal de Santa Catarina –
LabEEE/UFSC. (Metodologia de Cálculo Segunda a NBR 15220:2005 - Parte 2)
* Para Absortância Igual 0,40.

O quarto 01 e a sala estar/jantar junto com a área de pergolado, são os principais ambientes da residência que incorporam o fluxo livre de ar para dentro dos outros ambientes da residência. As aberturas externas da sala e do quarto 01 estão

67

localizados á barlavento para os ventos predominantes mais quentes do ano vindos do leste e mais frios do ano vindos do sul e sudeste, analisar o sentido dos ventos predominantes para Maceió - verificar figura 12, p. 33.

O quarto 01 recebe os ventos predominantes através de sua abertura J1, onde

estes ventos cruzam o quarto saindo pela nova abertura proposta JP1 e pela porta do quarto, caso ela esteja aberta.

A sala jantar/estar também recebe os ventos predominantes através da nova

janela proposta JP2 acima da porta P1, onde estes ventos cruzam toda a sala,

invadindo principalmente o ambiente da cozinha.

O pergolado existente da edificação (Figura 42) complementa a ventilação e

iluminação dos ambientes da residência (quartos 01 e 02, sala estar/ jantar e BWC), deve-se atentar para a impermeabilização das paredes internas da área de pergolado, devido ao alto teor de umidade no mesmo.

A cozinha receberá os ventos predominantes dos ambientes: sala, quarto 01 e

área de pergolado, através do vão livre VL2. Para a ventilação cruzada funcionar no quarto 02, é necessário deixar a porta e a bandeira proposta BP1 abertas, mas caso a porta esteja fechada, a bandeira fará esta função, logicamente com menos eficiência de ventilação cruzada. Devido a eventuais baixas taxas de ventilação natural no quarto 02, será necessário o uso de ventilação artificial (ventiladores portáteis ou de teto, ar- condicionado, outros.), auxiliando na ventilação do ambiente, principalmente durante os períodos mais quentes do ano.

do ambiente, principalmente durante os períodos mais quentes do ano. Figura 42 : Pergolado Existente Fonte:

Figura 42: Pergolado Existente

Fonte: Autores

68

Para o estudo de caso vamos adotar uma carta solar com valor de latitude 10° (Sul), equivalente à latitude da cidade de Maceió que é de 9°51’ (Sul). O sombreamento gerado na carta solar para as diferentes orientações de aberturas não levará em consideração o sombreamento produzido por obstáculos existentes no local, como muros, residências vizinhas, vegetação, etc., contando somente com o sombreamento produzido pelos brises propostos para a reforma da residência. Os brises propostos para reforma da residência produzirão, junto às aberturas das fachadas em estudo, os ângulos de proteção solar vertical e horizontais (α, βd e βe) e seus limitantes de sombra (ϒd e ϒe). Estes ângulos serão inseridos no transferidor de ângulos de sombra, que será sobreposto a carta solar 10° sul, e a partir daí, podemos definir a mascara de sombreamento para todas as aberturas em questão. Temos três fachadas para o estudo de sombreamento:

Fachada Frontal: Com azimute igual a 150°, onde estão inseridas as aberturas P1, J1 e JP2; Fachada Lateral: Com azimute igual a 239°, onde estão inseridas as aberturas P2, J2 e JP3; Fachada dos Fundos: Com azimute igual a 330°, onde estão inseridas as aberturas J3 e J4.

Para toda a largura da fachada frontal (Az: 150°) será proposto, como dispositivo de sombreamento, o avanço no beiral existente, criando-se uma varanda com um comprimento de 1,50m em planta baixa. Este dispositivo horizontal (varanda) está apoiado na extremidade esquerda e ao centro por pilares em estrutura de madeira, e na sua extremidade direita por um elemento vertical em alvenaria (parede), que tem, em planta baixa, o mesmo comprimento da varanda, ver projeto proposto no apêndice A. A varanda proposta produz os seguintes ângulos de proteção solar com as aberturas P1, J1 e JP2 da fachada frontal:

Para a abertura P1 o ângulo de sombra vertical (α) é igual a 34°; o ângulo limitador de sombra pela direita (ϒd) é igual a 18° e o ângulo de sombra horizontal

69

pela esquerda (βe) é igual a 18°, ver máscara de sombreamento da abertura P1 abaixo (Figura 43). A tabela 14 abaixo apresenta os horários de insolação para a abertura P1 com e sem a proteção (varanda), para datas-base de solstício de verão, equinócio e solstício de inverno.

de solstício de verão, equinócio e solstício de inverno. Figura 43 : Máscara de Sombra da

Figura 43: Máscara de Sombra da Abertura P1, Azimute 150°

Fonte: Autores

ABERTURA P1 - AZ=150°

SEM PROTEÇÃO

COM PROTEÇÃO

Verão

Insolação até às 13h55min

Proteção das 09h25min até às 12h55mim

Equinócio

Insolação até às 10h55min

Insolação até às 08h05min

Inverno

Insolação até às 08h00min

Proteção total

Tabela 14: Horários de Insolação para Abertura P1

Fonte: Autores

Para a abertura J1 o ângulo de sombra vertical (α) é igual a 48°; o ângulo limitador de sombra pela direita (ϒd) é igual a 61° e o ângulo de sombra horizontal pela esquerda (βe) é igual a 33°, ver máscara de sombreamento da abertura J1 abaixo (Figura 44).

70

A tabela 15 abaixo apresenta os horários de insolação para a abertura J1 com e sem a proteção (varanda), para datas-base.

J1 com e sem a proteção (varanda), para datas-base. Figura 44 : Máscara de Sombra da

Figura 44: Máscara de Sombra da Abertura J1, Azimute 150°

Fonte: Autores

ABERTURA J1 - AZ=150°

SEM PROTEÇÃO

COM PROTEÇÃO

Verão

Insolação até as 13h55min

Insolação até as 08h25min

Equinócio

Insolação até as 10h55min

Proteção total

Inverno

Insolação até as 08h00min

Proteção total

Tabela 15: Horários de Insolação para Abertura J1

Fonte: Autores

Para a abertura JP2 o ângulo de sombra vertical (α) é igual a 84°; o ângulo limitador de sombra pela direita (ϒd) é igual a 42° e o ângulo de sombra horizontal pela esquerda (βe) é igual a 17°, ver máscara de sombreamento da abertura JP2 abaixo (Figura 45).

71

A tabela 16 abaixo apresenta os horários de insolação para a abertura JP2 com e sem a proteção (varanda), para datas-base.

JP2 com e sem a proteção (varanda), para datas-base. Figura 45 : Máscara de Sombra da

Figura 45: Máscara de Sombra da Abertura JP2, Azimute 150°

Fonte: Autores

ABERTURA JP2 - AZ=150°

SEM PROTEÇÃO

COM PROTEÇÃO

Verão

Insolação até as 13h55min

Insolação até as 06h05min

Equinócio

Insolação até as 10h55min

Insolação até as 06h15min

Inverno

Insolação até as 08h00min

Proteção total

Tabela 16: Horários de Insolação para Abertura JP2.

Fonte: Autores

Este dispositivo horizontal (varanda) além de gerar sombreamento nas aberturas, tem o poder de direcionar uma porção de correntes de ar (ventos) para dentro dos ambientes (BITTENCOURT e CÂNDIDO, 2008, p. 79), sem contar que este ainda protege a fachada das chuvas de ventos vindas principalmente do sul e do sudeste, garantindo a estanqueidade da fachada frontal. Para um determinado trecho da fachada lateral (Az: 239°) será proposto, como dispositivo de sombreamento, a criação de um beiral em estrutura de concreto com uma largura de 0,70m em planta baixa. Este dispositivo horizontal (beiral de concreto), que está a uma altura de 2,10m do piso interno, está apoiado na parede da fachada lateral e em três elementos verticais em alvenaria (paredes), que tem, em planta baixa, o mesmo comprimento do beiral proposto. Um pequeno trecho do beiral, acima de J2, ficará em balanço somente apoiado na parede, ver projeto proposto no apêndice A.

72

O beiral proposto produz os seguintes ângulos de proteção solar com as aberturas P2, J2 e JP3 da fachada lateral:

Para a abertura P2 o ângulo de sombra vertical (α) é igual a 22°; o ângulo de sombra horizontal pela direita (βd) é igual a 45° e o ângulo de sombra horizontal pela esquerda (βe) é igual a 24°, ver máscara de sombreamento da abertura P2 abaixo (Figura 46). A tabela 17 abaixo apresenta os horários de insolação para a abertura P2 com e sem a proteção (beiral de concreto), para datas-base.

e sem a proteção (beiral de concreto), para datas-base. Figura 46 : Máscara de Sombra da

Figura 46: Máscara de Sombra da Abertura P2, Azimute 239°.

Fonte: Autores

ABERTURA P2 - AZ=239°

SEM PROTEÇÃO

COM PROTEÇÃO

Verão

Insolação após as 11h25min

Insolação após as 13h20min

Equinócio

Insolação após as 12h25min

Insolação após as 14h20min

Inverno

Insolação após as 13h20min

Proteção total

Tabela 17: Horários de Insolação para Abertura P2.

Fonte: Autores

Para a abertura J2 o ângulo de sombra vertical (α) é igual a 38°; o ângulo de sombra horizontal pela direita (βd) é igual a 30° e o ângulo limitador de sombra pela esquerda (ϒe) é igual a 20°, ver máscara de sombreamento da abertura J2 abaixo (Figura 47).

73

73 Figura 47 : Máscara de Sombra da Abertura J2, Azimute 239° Fonte: Autores Para a

Figura 47: Máscara de Sombra da Abertura J2, Azimute 239°

Fonte: Autores

Para a abertura JP3 o ângulo de sombra vertical (α) é igual a 38°; o ângulo de sombra horizontal pela direita (βd) é igual a 30° e o ângulo de sombra horizontal pela esquerda (βe) é igual a 23°, ver máscara de sombreamento da abertura JP3 abaixo (Figura 48).

máscara de sombreamento da abertura JP3 abaixo (Figura 48). Figura 48 : Máscara de Sombra da

Figura 48: Máscara de Sombra da Abertura JP3, Azimute 239°

Fonte: Autores

74

A tabela 18 abaixo apresenta os horários de insolação para as aberturas J2 e JP3 com e sem a proteção (beiral de concreto), para datas-base.

ABERTURAS J2 e JP3 -

SEM PROTEÇÃO

COM PROTEÇÃO

AZ=239°

Verão

Insolação após as 11h25min

Insolação após as 14h30min

Equinócio

Insolação após as 12h25min

Insolação após as 15h00min

Inverno

Insolação após as 13h20min

Insolação após as 16h25min

Tabela 18: Horários de Insolação para as Aberturas J2 e JP3.

Fonte: Autores

Para toda a largura da Fachada dos Fundos (Az: 330°) será proposto, como dispositivo de sombreamento, um pequeno avanço no beiral existente, ampliado-opara 1,00m o seu comprimento em planta baixa. Este dispositivo horizontal (beiral ampliado) está apoiado em suas extremidades pelos elementos verticais em alvenaria (paredes), que tem, em planta baixa, o mesmo comprimento do dispositivo horizontal, ver projeto proposto no apêndice A. O beiral ampliado produz os seguintes ângulos de proteção solar com as aberturas J3, e J4 da fachada dos fundos:

Para a abertura J3 o ângulo de sombra vertical (α) é igual a 38°; o ângulo de sombra horizontal pela direita (βd) é igual a 12° e o ângulo de sombra horizontal pela esquerda (βe) é igual a 26°, ver máscara de sombreamento da abertura J3 abaixo (Figura 49).

máscara de sombreamento da abertura J3 abaixo (Figura 49). Figura 49 : Máscara de Sombra da

Figura 49: Máscara de Sombra da Abertura J3, Azimute 330°

Fonte: Autores

75

Para a abertura J4 o ângulo de sombra vertical (α) é igual a 38°; o ângulo de sombra horizontal pela direita (βd) é igual a 24° e o ângulo de sombra horizontal pela esquerda (βe) é igual a 12°, ver máscara de sombreamento da abertura J4 abaixo (Figura 50).

máscara de sombreamento da abertura J4 abaixo (Figura 50). Figura 50 : Máscara de Sombra da

Figura 50: Máscara de Sombra da Abertura J4, Azimute 330°

Fonte: Autores

A tabela 19 abaixo apresenta os horários de insolação para as aberturas J3 e J4 com e sem a proteção (beiral ampliado), para datas-base.

ABERTURAS J3 e J4 -

SEM PROTEÇÃO

COM PROTEÇÃO

AZ=330°

Verão

Insolação após as 13h55min

Proteção total

Equinócio

Insolação após as 10h55min

Insolação após as 15h25min

Inverno

Insolação após as 07h50min

Insolação após as 13h20min

Tabela 19: Horários de Insolação para as Aberturas J3 e J4

Fonte: Autores

A norma recomenda sombreamento das aberturas das fachadas durante todo o tempo, combatendo principalmente os raios solares dos horários e dos períodos mais quentes do ano (verão). De forma prática, para a cidade de Maceió, as aberturas devem evitar a entrada dos raios solares durante o intervalo horário das 10h00min até as 16h00min. As aberturas P1 e P2 permaneceram frequentemente fechadas e na abertura JP2, que se encontra acima da P1, praticamente não há entrada de radiação solar, isto garante sombreamento nestas três aberturas durante todo o dia.

76

Com o dispositivo de proteção na abertura J1, a insolação máxima possível no cômodo quarto 01 se dá até as 08h25min da manhã, durante o período do verão. Então podemos concluir que o dispositivo de proteção é satisfatório, pois neste cômodo não adentram cargas térmicas diretas das horas mais quente do dia. Para as aberturas J2 e JP3, o sombreamento adquirido do dispositivo de proteção é parcialmente satisfatório, pois durante o período mais quente do ano (verão), os raios solares adentram na residência a partir das 14h30min. Sendo necessário o uso de dispositivos móveis (internos ou externos) de proteção solar incorporado às aberturas, ou até o lançamento de elementos verticais externos, geradores de sombra, como arbustos, muros, dentre outros, que possam incrementar na proteção dos raios solares pelo menos até às 16h00min. Para as aberturas J3 e J4, temos que a insolação no período do equinócio começará a partir das 15h25min e no período do inverno a partir das 13h20min, nestes horários os valores de radiação são elevados, mas são decrescentes. Para estas aberturas o uso dos dispositivos móveis de proteção solar é interessante, visto que, através destes pode-se administrar o quantitativo solar direto, tanto para promover a entrada do mesmo a fim de retirar a umidade dos cômodos, quanto para complementar no sombreamento.

4.0

CONCLUSÃO

77

Para o estudo de caso da residência de Maceió, de início foi feita uma análise em relação às áreas de aberturas para ventilação dos cômodos, onde os resultados indicaram, segundo a NBR 15220:2005, que as aberturas existentes são insuficientes. Com isso foram criadas novas áreas de aberturas de ventilação e ampliadas as existentes, obtendo assim a ventilação necessária nos cômodos, principalmente nas áreas de maior permanência (Quartos, Sala e Cozinha). Em seguida foram verificados os fechamentos verticais (paredes) e horizontais (coberturas) existentes na residência em estudo. Para as paredes constatou-se que as propriedades termofísicas dos seus materiais constituintes se enquadram a NBR 15220:2005, mas as propriedades termofísicas dos materiais constituintes da cobertura não se enquadraram a mesma norma, sendo necessária a inserção de outros elementos de cobertura que estejam dentro dos limites conforme para zona de Maceió (zona 8), segundo a norma. Para a zona bioclimática de Maceió, onde está localizada a residência, foram definidas duas estratégias de condicionamento térmico passivo: a ventilação cruzada e o sombreamento. A ventilação cruzada nos cômodos da residência não atendia completamente aos parâmetros exigidos pela norma vigente, mesmo existindo uma área de pergolado que também serve de elemento construtivo para fluxo livre ar, porém, o aumento e o acréscimo de áreas de aberturas nas fachadas, tornou possível a circulação dos ventos em todos os ambientes da residência. O sombreamento produzido por alguns elementos construtivos propostos (brises fixos) não foi satisfatório, sendo necessário o complemento de sombra através de outros elementos de proteção solar inserido junto às aberturas, como o uso de cortinas, persianas, venezianas, etc., ou elementos verticais externos como muros, vegetações, etc., que protegem dos raios solares mais intensos do dia. Com relação à varanda proposta, temos que a mesma ainda funciona como canalizador de ar, direcionando a ventos como maior facilidade para dentro dos cômodos da residência. O uso dos fenômenos climáticos para a execução de residências, como vimos anteriormente, é de fato economicamente viável e ecologicamente correto. A inserção das constantes climáticas na construção é a forma mais rápida, simples e econômica

78

de se obter a sustentabilidade. Através do clima, construções mais baratas podem ser executadas, favorecendo a população de poder aquisitivo reduzido e promovendo em conseqüência o seu bem estar social e econômico. Através do uso de estratégias construtivas simples, lançadas a partir do estudo dos fenômenos climáticos naturais da cidade de Maceió junto à NBR 15220:2005 - parte 3, fora possível incorporar à residência estudada, o conforto térmico, a economia de energia para iluminação e de condicionamento, que antes eram limitadas, tornando esta residência o máximo possível sustentável. As alternativas construtivas propostas para reforma da residência estudada foram baseadas pela NBR 15220:2005, havendo também outras fontes de referências voltadas ao estudo do clima junto à construção, que também podem promover a sustentabilidade a este estudo de caso ou quaisquer outros tipos de empreendimentos. Recomenda-se pesquisar sobre a viabilidade econômica da reforma desta residência, elaborando um orçamento, que será uma ferramenta ideal a fim de entender os “gastos” presente e benefícios sustentáveis futuro. Outro foco de estudo diz respeito ao impacto gerado pelos resíduos sólidos de demolição de laje existente, sendo, pois necessário a elaboração de um projeto de gerenciamento de resíduos da construção civil – PGRCC. Conclui-se que as alterações primordiais para atender aos requisitos recomendados pela NBR 15220-2005 foram: a) Ampliação das aberturas existentes e implantação de novas aberturas para atender aos valores mínimos de ventilação por cômodo; b) Alteração da cobertura existente por uma mais leve como a de forro de PVC; c) A proteção das aberturas contra os raios solares diretos, através dos brises fixos - varanda e beirais; d) E finalmente a definição de duas estratégias climáticas passivas para a cidade de Maceió, que são a ventilação cruzada e sombreamento permanente.

APÊNDICE A: Projeto de Reforma Proposto

79

APÊNDICE A: Projeto de Reforma Proposto 79

80

80

81

81

82

ANEXO A: Definição de Estratégias por Zona Bioclimática

ZONA

ESTRATÉGIAS BIOCLIMÁTICAS

   

B)

AQUECIMENTO SOLAR PASSIVO – a edificação deve ser implantada com

orientação solar adequada, de modo a garantir a insolação dos cômodos de permanência prolongada (salas e dormitórios).

1

INVERNO

C)

VEDAÇÕES INTERNAS PESADAS (INÉRCIA TÉRMICA) – a adoção de paredes

internas pesadas pode contribuir para manter o interior da edificação aquecido. Obs.: o condicionamento passivo será insuficiente durante o período mais frio do ano.

   

B) AQUECIMENTO SOLAR PASSIVO (INVERNO) – a edificação deve ser implantada com orientação solar adequada, de modo a garantir a insolação dos cômodos de permanência prolongada (salas e dormitórios).

INVERNO

C)

VEDAÇÕES INTERNAS PESADAS (INÉRCIA TÉRMICA) – a adoção de paredes

2

internas pesadas pode contribuir para manter o interior da edificação aquecido. Obs.: o condicionamento passivo será insuficiente durante o período mais frio do ano.

 

J)

VENTILAÇÃO CRUZADA – a edificação deve ser implantada, considerando-se os

VERÃO

ventos predominantes e os obstáculos do entorno, de modo a garantir a ventilação cruzada nos cômodos de permanência prolongada (salas e dormitórios).

   

B)

AQUECIMENTO SOLAR PASSIVO – a edificação deve ser implantada com

INVERNO

orientação solar adequada, de modo a garantir a insolação dos cômodos de permanência prolongada (salas e dormitórios).

3

C)

VEDAÇÕES INTERNAS PESADAS (INÉRCIA TÉRMICA) – a adoção de paredes

internas pesadas pode contribuir para manter o interior da edificação aquecido.

   

J)

VENTILAÇÃO CRUZADA – a edificação deve ser implantada, considerando-se os

VERÃO

ventos predominantes e os obstáculos do entorno, de modo a garantir a ventilação cruzada nos cômodos de permanência prolongada (salas e dormitórios).

   

B)

AQUECIMENTO SOLAR PASSIVO – a edificação deve ser implantada com

INVERNO

orientação solar adequada, de modo a garantir a insolação dos cômodos de permanência prolongada (salas e dormitórios).

C)

VEDAÇÕES INTERNAS PESADAS (INÉRCIA TÉRMICA) – a adoção de paredes

internas pesadas pode contribuir para manter o interior da edificação aquecido.

4

 

H) RESFRIAMENTO EVAPORATIVO e MASSA TÉRMICA PARA RESFRIAMENTO

– o resultado pode ser obtido por meio do uso de vegetação, fontes de água ou

VERÃO

outros recursos que permitam a evaporação da água diretamente no ambiente que se deseja resfriar.

J)

VENTILAÇÃO SELETIVA (nos períodos quentes em que a temperatura interna

seja superior à externa).

   

J)

VENTILAÇÃO CRUZADA – a edificação deve ser implantada, considerando-se os

VERÃO

ventos predominantes e os obstáculos do entorno, de modo a garantir a ventilação

5

cruzada nos cômodos de permanência prolongada (salas e dormitórios).

 
 

INVERNO

C)

VEDAÇÕES INTERNAS PESADAS (INÉRCIA TÉRMICA) – a adoção de paredes

internas pesadas pode contribuir para manter o interior da edificação aquecido.

   

H) RESFRIAMENTO EVAPORATIVO e MASSA TÉRMICA PARA RESFRIAMENTO

– o resultado pode ser obtido por meio do uso de vegetação, fontes de água ou

VERÃO

outros recursos que permitam a evaporação da água diretamente no ambiente que

6

se deseja resfriar.

 

J)

VENTILAÇÃO SELETIVA (nos períodos quentes em que a temperatura interna

 

seja superior à externa).

INVERNO

C)

VEDAÇÕES INTERNAS PESADAS (INÉRCIA TÉRMICA) – a adoção de paredes

internas pesadas pode contribuir para manter o interior da edificação aquecido.

83

ZONA

ESTRATÉGIAS BIOCLIMÁTICAS

(CONTINUAÇÃO)

 

SOMBREAMENTO DE FACHADAS – o sombreamento é recomendável nas fachadas e aberturas para esta zona. D.1 – a edificação deve ser implantada com orientação solar adequada, de modo a garantir que os cômodos de permanência prolongada (salas e dormitórios) não estejam voltados para a face oeste; ou D.2 – deve ser garantido o sombreamento das fachadas no caso de existência de cômodos de permanência prolongada (salas e dormitórios) voltados para a face oeste. Dicas: utilização de brises, varandas, beirais, pergolados, vegetação,

7 VERÃO

anteparos, marquises ou outros recursos.

H) RESFRIAMENTO EVAPORATIVO e MASSA TÉRMICA PARA RESFRIAMENTO

– o resultado pode ser obtido por meio do uso de vegetação, fontes de água ou

outros recursos que permitam a evaporação da água diretamente no ambiente que se deseja resfriar.

J)

VENTILAÇÃO SELETIVA (nos períodos quentes em que a temperatura interna

seja superior à externa).

 

J) VENTILAÇÃO CRUZADA PERMANENTE – a edificação deve ser implantada, de modo a garantir a ventilação cruzada permanente nos cômodos de permanência prolongada (salas e dormitórios). Dicas: utilização de bandeiras com veneziana sobre as portas e janelas, forro ventilado. Obs.: o condicionamento passivo será insuficiente durante as horas mais quentes.

SOMBREAMENTO DE FACHADAS – o sombreamento é recomendável nas

8 VERÃO

fachadas e aberturas para esta zona.

D.1 – a edificação deve ser implantada com orientação solar adequada, de modo a garantir que os cômodos de permanência prolongada (salas e dormitórios) não estejam voltados para a face oeste; ou D.2 – deve ser garantido o sombreamento das fachadas no caso de existência de cômodos de permanência prolongada (salas

dormitórios) voltados para a face oeste. Dicas: utilização de brises, varandas, beirais, pergolados, vegetação, anteparos, marquises ou outros recursos.

e

Fonte: GUIA CAIXA, Selo Azul: Boas praticas para Habitação Mais Sustentável. São Paulo: Páginas & Letras – Editora e Gráfica, 2010, p. 102-103. (Adaptada)

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

84

ABNT – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 15220:

Desempenho Térmico de Edificações – Parte 2: Métodos de Cálculo da Transmitância Térmica, da Capacidade Térmica, do Atraso Térmico e do Fator Solar de Elementos e Componentes de Edificações. Rio de Janeiro, 2005b.

ABNT – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 15220:

Desempenho Térmico de Edificações – Parte 3: Zoneamento Bioclimático Brasileiro e Estratégias de Condicionamento Térmico Passivo para Habitações de Interesse Social. Rio de Janeiro, 2005c.

ALMEIDA, L. M. A.; RIGOLIN, T. B. Geografia: Série Novo Ensino Médio. São Paulo:

Ática, 1ª Edição, Vol. Único, 2007.

BITTENCOURT, L. S.; CÂNDIDO, C. M. Introdução a Ventilação Natural. Maceió:

EDUFAL, 3ª Edição, 2008.

ELETROSUL CENTRAIS ELÉTRICAS S/A. Projeto Casa Eficiente: Bioclimatologia e Desempenho Térmico / Editores: Roberto Lamberts [et al]. - Florianópolis:

UFSC/LabEEE, Vol. 1, 2010.

FERNANDES, A. M. C. P. Arquitetura e Sombreamento: Parâmetro para a Região Climática de Goiania. Goiania, 2007, 121f. Dissertação (Mestrado em Arquitetura) – Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS.

GREEN BUILDING COUNCIL BRASIL. Certificação Internacional LEED. Disponível em: < http://www.gbcbrasil.org.br/ >. Acesso em: 25 de Março de 2013.

GUIA CAIXA, Selo Azul: Boas Práticas para Habitação Mais Sustentável. São Paulo: Páginas & Letras – Editora e Gráfica, 2010.

KRAUSE, C. B.; LOMARDO, L. L. B.; MAIOR, F. S. Caderno 9 - MCidades Parcerias:

Eficiência Energética em Habitações de Interesse Social. Brasília:

PROCEL/Eletrobrás/Ministério de Minas e Energia; Ministério das Cidades, 2005.

LABORATÓRIO DE EFICIÊNCIA ENERGÉTICA EM EDIFICAÇÕES DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA – LABEEE/UFSC. Catálogo de propriedades térmicas de paredes e coberturas. Elaboração: Roberto Lamberts [et al]. - Florianópolis: Vol. 4, 2010.

LAMBERTS, R.; DUTRA, L.; PEREIRA, F. O. R. Eficiência Energética na Arquitetura. São Paulo: PW, 1997.

LAMBERTS, R.; TRIANA, M. A. Habitação Mais Sustentável: Levantamento do Estado da Arte: Energia. São Paulo: Projeto FINEP, 2007.

MARINOSKI, D. L. Desempenho Térmico de Edificações. Florianópolis. Apostila Acadêmica: LABEEE, 5a Edição – 2007.

85

RORIZ, M. G. E. ; LAMBERTS, R. Uma Proposta de Norma Técnica Brasileira Sobre Desempenho Térmico de Habitações Populares. In: V ENCONTRO NACIONAL DE CONFORTO NO AMBIENTE CONSTRUÍDO E II ENCONTRO LATINO-AMERICANO DE CONFORTO O AMBIENTE CONSTRUIDO, Fortaleza,

1999.

RELATÓRIO DE BRUNDTLAND “Nosso Futuro Comum” – Definição e Princípios. Disponível em: <www.marcouniversal.com.br/upload/relatoriobrundtland-pdf>. Acesso em: 25.mar.2013.

SEPULVEDA, S. Desenvolvimento Sustentável Microregional: Métodos para Planejamento Local. Tradução Dalton Guimarães. Brasilia: IICA, 2005.

SUA

PESQUISA.

COM.

Sustentabilidade.

Disponível

em:

<http://www.suapesquisa.com/ecologiasaude/sustentabilidade.htm

>.

Acesso

em:25.mar.2013.