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Teorias da Cidade: A recepção no

Brasil

A repercussão das teorias no Brasil

A escola alemã

Foi a escola que menos marcas deixou entre os estudiosos brasileiros pois não chegou a criar centros acadêmicos de pesquisa especializada.

A escola alemã do pensamento

histórico e culturalista da cidade não fez “escola” no Brasil no sentido de criar centros acadêmicos, universitários, de pesquisa especializada que se voltassem

para o estudo da gênese, estrutura e

funcionalidade das cidades brasileiras, de sua origem no século XXI.

Max Weber

Sua teoria da cidade fez

parte dos currículos de

sociologia urbana, mas trata-se de um saber “externo”.

sociologia urbana, mas trata-se de um saber “externo”. Georg Simmel Cultivou certa simpatia entre os antropólogos
sociologia urbana, mas trata-se de um saber “externo”. Georg Simmel Cultivou certa simpatia entre os antropólogos

Georg Simmel

Cultivou certa simpatia entre os

antropólogos brasileiros, que partiram para uma espécie de etnografia da cidade, porém, encontraram no modelo da Escola de Chicago categorias de análise mais

adequadas para pensar os problemas

brasileiros.

Walter Benjamin Tem sido muito citado e adotado no estudo e na descrição das cidades

Walter Benjamin

Tem sido muito citado e adotado no estudo e na descrição

das cidades brasileiras, mas trata-se

de um modismo recente. Willi Bolle

examina com auxílio das categorias benjaminianas a megalópole

paulista. Luiz Sérgio Duarte da Silva

descrever a construção de Brasília e

Renato Cordeiro também introduz Benjamin no Rio de Janeiro.

Ronald Daus

Tem tido pouca penetração no Brasil em razão de sua relativa juventude e falta de tradução de seus livros para o português.

pouca penetração no Brasil em razão de sua relativa juventude e falta de tradução de seus

A escola francesa

A escola francesa

teve grande influência no Brasil, onde sem

dúvida, Le Corbursier

foi o teórico de maior

presença.

Le Corbusier Influenciou muito uma jovem geração de urbanistas e arquitetos, principalmente no Rio de

Le Corbusier

Influenciou muito uma

jovem geração de urbanistas e arquitetos, principalmente no Rio de Janeiro onde se aproximou de

Lúcio Costa para desenvolver um

projeto para o novo prédio do MEC.

Ele também fez vários croquis para reestruturar o Rio,

desde a orla até o centro da cidade, esboços que não foram aproveitados. Brasília é

considerada, por Peter Hall, um “quase-projeto” corbusieriano.

Touraine

Teórico dos movimentos

sociais urbanos na América Latina

e Brasil que através do livro de

Castells, influenciou a elaboração de uma grande variedade de

estudos e teses universitárias.

de uma grande variedade de estudos e teses universitárias. Henri Lefebvre Teve repercussão duradoura, especialmente
de uma grande variedade de estudos e teses universitárias. Henri Lefebvre Teve repercussão duradoura, especialmente

Henri Lefebvre

Teve repercussão duradoura, especialmente entre geógrafos, arquitetos e urbanistas de tradição marxista, incluindo seus ensinamentos em currículos acadêmicos, programas habitacionais e propostas de planejamento regional.

Escola inglesa

A escola inglesa não teve tanta repercussão no Brasil como a escola

francesa. Contudo, ao estudar a expansão urbana de São Paulo nos anos 1920, é bom lembrar que a companhia Light era

inglesa e teve o monopólio do

abastecimento de luz no Brasil, durante décadas.

Essa hegemonia no campo da

iluminação dos centros urbanos

brasileiros vinha acompanhada da instalação de uma ampla rede de transportes urbanos, baseada nos

“elétricos” (bondes) das grandes capitais estaduais, facilitando o transporte

público.

Os bondes também facilitaram a conquista de novas áreas, como foi o caso dos Jardins, em São Paulo, cuja

urbanização seguiu os planos de uma

empresa de Patrick Geddes, e procurou implementar entre nós o modelo das cidades-jardim.

Escola americana

Na virada do século XX para o XXI,

já podemos afirmar que a influência das teorias e práticas urbanas americanas no Brasil é hegemônica. Isso se reflete na verticalização das construções, na

introdução de elevados e túneis, que

favorecem o transporte urbano voltado para

o automóvel em detrimento de bondes,

metrô e trens que começaram a congestionar centros urbanos e zonas

industriais, modificando a fisionomia das

grandes cidades.

O modelo americano infiltrou todas as esferas da vida urbana brasileira, como a cultura do shopping center desenhado para substituir as antigas galerias que haviam

encantado Benjamin em Paris. Eles viraram

os palacetes de consumo, da exposição das mercadorias, dos estacionamentos pagos mas seguros, dos locais de diversão. Significam a morte da vida no

bairro. As favelas, invasões e ocupações clandestinas do espaço, sobre os quais o

Estado já perdeu o controle são o reverso do planejamento urbano voltado para a elite e

a classe média.

Teorias da Cidade: A recepção no

Brasil

A receptividade das propostas vindas de fora e suas modificações

no Brasil

Barbara Freitag apresenta

quatro teóricos brasileiros que são responsáveis por difundir

caminhos alternativos no Brasil e

no mundo e, suas visões acerca da questão urbana abrem caminho para a percepção da cidade e a

solução de alguns problemas

básicos. São eles: Milton Santos, advogado e geógrafo; Lúcio Costa e Oscar Niemeyer, arquitetos e

urbanistas; e Nestor Goulart Reis,

urbanista e cientista social.

Todos provêm de diferentes regiões brasileiras, mas cada um,

dentro de sua área do

conhecimento, estava profundamente comprometido com a questão urbana.

Milton Santos As quatro principais obras de Milton Santos: A urbanização brasileira, (1971); O espaço

Milton Santos

As quatro principais obras de

Milton Santos: A urbanização

brasileira, (1971); O espaço divido (1979); Por uma outra globalização. Do pensamento único a consciência

universal (2000); O Brasil. Território e

sociedade no início do século XXI; apontando os avanços teóricos que Santos fez em relação às escolas

influenciadoras da sua formação.

Em A urbanização brasileira são

apresentadas as características do crescimento urbano brasileiro

enfatizando os processos sociais,

econômicos e territoriais, expondo com originalidade, atualidade e convicção

sua oposição ao fenômeno de

metropolização dominante das cidades, responsável pela fragmentação

territorial, defendendo os oprimidos e

explorados.

dominante das cidades, responsável pela fragmentação territorial, defendendo os oprimidos e explorados.
Em o Espaço dividido Milton busca uma teoria do espaço e da urbanização em cidades

Em o Espaço dividido Milton

busca uma teoria do espaço e da

urbanização em cidades do terceiro mundo, classificando o estudo em dois

subsistemas: o circuito superior, fruto

da modernização tecnológica, e o

circuito inferior, reservado para a população pobre e estaria baseado na

organização primitiva do trabalho, com

poucos capitais e reduzidos estoques. Segundo Santos, os dois circuitos

estabeleceriam uma relação de dialética

espacial, contudo, ele admite que, na

maioria dos casos, o circuito inferior passa ser sinônimo de pobreza.

No livro Por uma outra

globalização. Do

pensamento único a consciência universal é tratado

o processo de

globalização em três óticas: a

globalização como

fábula; a globalização como

perversidade; e a

globalização como

possibilidade.

como perversidade; e a globalização como possibilidade. Em O Brasil. Território e sociedade no início do
como perversidade; e a globalização como possibilidade. Em O Brasil. Território e sociedade no início do

Em O Brasil.

Território e sociedade

no início do século

XXI Milton procura

alcançar partidários

empenhados em

combater a injustiça e a miséria, com um conhecimento “de alta

excelência”,

desenvolvendo uma

“teoria do Brasil a partir do território”,

consolidando os

conceitos de “espaço” e “territorialidade”.

Em suas análises sobre Lúcio Costa e Oscar Niemeyer, Barbara Freitag chama atenção para a

versatilidade e inovação das obras de

Niemeyer e do Plano Piloto

desenvolvido para a cidade de Brasília por Lúcio Costa, sendo tomada como a expressão

urbanística pura da “modernidade”,

segundo a Unesco.

A concepção da capital do

Brasil foi pensada para uma

sociedade moderna, sem as mazelas

da sociedade real, foram priorizados os princípios arquitetônicos da

modernidade, mas ignoraram os problemas de segregação social e

espacial, de violência e pobreza, que sempre caracterizaram a sociedade brasileira.

Nestor Goulart Reis Filho

Colaboração na fundação

“escola do pensamento urbano” em

São Paulo, tendo em vista sua

atividade docente e de orientador de teses de mestrado e doutorado, formando um grande número de

discípulos e admiradores.

Nestor Goulart analisa o sistema social da colônia, com sua organização econômica e

estratificação social; discutindo a

política urbanizadora da coroa portuguesa, com sua doação de sesmarias e construções religiosas.

social; discutindo a política urbanizadora da coroa portuguesa, com sua doação de sesmarias e construções religiosas.

Universidade Federal de Santa Maria

Teorias da Urbanização A

Professores: Luis Fernando e Lilian Acadêmicos: Alex Batisti, Eduardo Bitencourt e Jeison de Paula