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NOVOS MOVIMENTOS SOCIAIS E PADRÕES JURÍDICOS NO PROCESSO

DE REDEFINIÇÃO DA REGIÃO AMAZÔNICA
NEW SOCIAL MOVEMENT AND JURIDICAL PATTERNS IN THE PROCESS
OF REDEFINITION OF THE AMAZON REGION

Joaquim Shiraishi Neto
RESUMO
Na última década, muito se discutiu sobre a necessidade de adotar medidas para reduzir
o aumento do desmatamento na chamada região Amazônica brasileira. Os esforços
utilizados para diminuir esse processo, que continua em ritmo acelerado, tendem a se
tornar inócuo, diante de uma medida em curso no Congresso Nacional, que pretende
alterar por meio de Projeto de Lei a área de abrangência da Amazônia legal, retirando da
região os Estados do Mato Grosso, Tocantins e Maranhão. A discussão sobre a
redefinição da região Amazônica está inserida no bojo de um intenso processo de
conflito na região, onde os povos e comunidades tradicionais se organizam
politicamente para enfrentar os problemas decorrentes da ameaça da perda dos seus
territórios tradicionalmente ocupados. No interior do processo de mobilização
vivenciado por esses grupos sociais, é possível identificar diferentes estratégias e ações,
que se colocam em face dos “tradicionais” e “novos” antagonistas, sendo que um traço
distintivo, considerado comum é a “luta jurídica localizada”, que não se restringe ao
âmbito dos espaços municipais. O reconhecimento jurídico de que a sociedade brasileira
é uma “sociedade plural”, tem servido como argumento, acionado para a garantia e a
reivindicação de direitos. As discussões em torno da noção de “pluralismo jurídico” são
retomadas, ganhando novo significado e impondo “novos” padrões jurídicos. Nesse
processo, o direito tem sido um poderoso instrumento, utilizado para nortear o processo
de
mobilização
política
e
de
construções
das
novas
identidades.
PALAVRAS-CHAVES: NOVOS MOVIMENTOS SOCIAIS, REDEFINIÇÃO DA
REGIÃO AMAZÔNICA, NOVOS PADRÕES JURÍDICOS.

ABSTRACT
In the last ten years, a lot has been discussed about the needs of adopting measures to
reduce the deforestation increase in the region called Brazilian Amazon. The efforts
used to reduce this process, which remains accelerated, intent to become innocuous, due
to the measure on course at the National Congress that intent to change, through a
Project of Law, the area that holds the Legal Amazon, removing the states of Mato
Grosso, Tocantins and Maranhão. The discussion about the redefinition of the Amazon

Trabalho publicado nos Anais do XVII Congresso Nacional do CONPEDI, realizado em Brasília – DF
nos dias 20, 21 e 22 de novembro de 2008.

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Region is due to the intense conflict in this area, where the people and the traditional
communities organize themselves politically in order to face the problems that come
with the threaten of loosing their territories traditionally occupied. Inside this
mobilization process lived by these social groups it is possible to identify different
strategies and actions, placing the “traditional” against of the “new” antagonists. A
distinctive trace, considered ordinary is the so called “localized juridical fight”, which is
not restricted to the counties areas. The juridical recognition that the Brazilian Society is
a “plural society”, has served as an argument, within the claim for individual rights and
guarantees. The discussions around the notion of the “juridical pluralism” is taken back,
getting a new significance and demanding “ new” juridical pattern. Within this process,
the law has been a powerful instrument, used to direct the political mobilization process
and the built of new identities.
KEYWORDS:
NEW
SOCIAL
MOVEMENTS,
REDEFINITION, NEW JURIDICAL PATTERN.

AMAZON

REGION

DISPUTA PELA REDEFINIÇÃO DA REGIÃO AMAZÔNICA
Em meio às discussões relacionadas ao aumento do desmatamento na região e às
medidas e estratégias para reduzi-los, a chamada Amazônia legal poderá ter sua área de
abrangência reduzida em função de dois Projetos de Lei que se encontram em trâmite no
Congresso Nacional. Os referidos Projetos de Lei objetivam dar nova redação ao inciso
VI do §2° do art.1° da Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, para alterar a definição
de Amazônia legal, retirando dessa região os Estados do Tocantins, Mato Grosso e
Maranhão. Os argumentos apresentados consistem em afirmar que os critérios utilizados
para a definição da região à sua época não levaram em consideração as características
dos diferentes “ecossistemas” ou “biomas” existentes em cada um dos Estados. A
delimitação levou em consideração critérios eminentemente políticos, sem que houvesse
preocupação com os científicos, notadamente os de base geográfica, que poderiam
contribuir para nortear a sua definição. A necessidade de desenvolver os Estados de
acordo com as políticas públicas traçadas em consonância com um meticuloso
planejamento, orientou os atuais limites da Amazônia legal.
O fato de a Amazônia ser compreendida como “região problema”, fez com que os
esforços governamentais se concentrassem e se dirigissem na adoção de um conjunto de
políticas públicas voltadas à exploração “racional” dos potenciais da região, sobretudo
pelo malogro das atividades até então desenvolvidas de exploração dos recursos de
origem florestal e mineral. A exploração dos recursos naturais, que trouxeram certa
“prosperidade” à região, foi objetivo de análise econômica. Os esquemas interpretativos
acionados que procuravam compreender esse processo o fizeram a partir da noção de
“ciclos econômicos”, segundo um discurso teórico que procura articular os temas
referidos aos mitos da região, como: o “nomadismo”, o “extrativismo”, o “contato das
raças” e a “entrada da civilização”, transformando-os em “verdades científicas”, que
foram produzidas e difundidas enquanto tais.
Nesse sentido, o desenvolvimento da região Amazônica implicava na adoção de
políticas que tinham como pressuposto a necessidade de incorporá-la ao País. O
processo de “integração” ocorreu atraindo capital privado por meio de incentivos fiscais

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Esta leitura formal do direito. Observa-se que o discurso ambientalista. A segunda tendência refere-se à emergência dos movimentos sociais na região Amazônica. O avanço da exploração econômica sobre as terras e os recursos naturais coloca em risco as formas de reprodução física e cultural dos mais variados grupos. eucalipto. Desta forma. sendo que isso implica na redefinição da própria noção de região a partir dos critérios de mobilização política. aos poucos. que possam estar para além ou aquém dos limites de seu tempo e espaço.e monetários. os povos e as comunidades tradicionais vão desenhando seus territórios. na medida em que “desconhece” a existência de diversos grupos sociais portadores de distintas “temporalidades” e “axiologias”. Os juristas se esforçam em fazer coincidir o espaço jurídico com a sociedade. quando os critérios dominantes foram àqueles identificados pela “objetividade científica”.. que consiste na propriedade do direito regulamentar toda e qualquer situação que exista de fato. os critérios acionados para sua definição se encontram delineados num campo de disputa. o modelo em expansão retoma e “atualiza” o pensamento geopolítico brasileiro de vertente militar desenhado em tempos passados. Em outras palavras. cana de açúcar. frente às situações que lhes apresentam adversas. levando à destruição das identidades coletivas. O viés autoritário do modelo serviu para atender aos interesses dos Estados e de determinados grupos locais. Nas últimas décadas duas tendências entrelaçadas vêm redefinindo a região Amazônica. e reivindicam a manutenção e garantia de direitos. que serviu como norte das discussões nas últimas décadas. modernamente com o Estado. dendê. cujo objetivo era a inserção da região na expansão capitalista contemporânea. Trata-se do dogma da completude do ordenamento jurídico. A aquisição e ocupação de terras por grandes proprietários e empresas para o cultivo das monoculturas (de soja. perde força. bem como a exploração e intensificação dos recursos minerais e energéticos evidenciam o caráter predatório desse processo. Em meio a esse intenso processo de disputas. onde distintos interesses entram em conflito. que se definem e são autodefinidos por critérios de identidade étnica. que de forma ampla pôde se beneficiar dessas políticas. que segundo Almeida encontram-se em “processo de territorialização”. diante da intensificação do processo de exploração econômica na região. Observa-se que é a noção de região Amazônica se encontra em jogo mais uma vez. O desenvolvimento e a ocupação da região se tornaram objetivos e em nenhum momento os Estados se opuseram ou mesmo rivalizaram a esse modelo de desenvolvimento marcadamente de caráter autoritário. que se coloca de forma antagônica ao vivenciado pelos diversos povos e comunidades tradicionais. diferentemente da sua primeira definição. que tem se ocupado em promover o desenvolvimento a partir dos interesses dos interessados em explorar economicamente a região. dentre tantas..). 1637 . rivalizam com os territórios pretendidos. “NOVO” DIREITO E “NOVOS MOVIMENTOS SOCIAIS” As reflexões em torno do ordenamento ou sistema jurídico tendem a “apagar” a possibilidade de considerar a existência de direitos. A primeira está relacionada ao papel do Estado na região. No entanto.

As situações complexas têm implicado na necessidade de envolver uma maior participação dos interessados e dos que detém conhecimentos específicos a respeito. que tem se apresentado de forma múltipla e complexa. O “pluralismo jurídico” era formulado segundo o campo jurídico por historiadores e sociólogos do direito.que privilegia a interpretação das normas e a coerência do ordenamento tem se constituído em objeto de discussão em face dos fenômenos sociais e econômicos recentes. que não se encontravam catalogadas no direito. apesar de reconhecerem as dificuldades. embora tenham se demonstrado bastante criativos em relação a elas. quando reduzidas ao mundo jurídico. “livre” de qualquer tipo de interesses que possam maculá-la. culturais e ideológicos”. de classes. Eles se utilizavam dessa noção operacional para demonstrar a insuficiência do ordenamento jurídico. A recusa em se admitir a insuficiência do ordenamento ou sistema jurídico. o que implicava numa simplificação das situações. as reflexões dogmáticas mais procuram se atualizar e o fazem se apropriando da noção de “pluralismo jurídico”. na medida em que esses procedimentos permitam contribuir na tomada das decisões judiciais. Optar pelo reconhecimento de que somos uma sociedade plural. no reconhecimento de que a norma se origina de uma situação particular e que se universaliza no ambiente jurídico. que sempre ficaram distantes dos tratamentos jurídicos. as reflexões jurídicas mais recentes reconhecem o fato de que somos uma “sociedade plural”. que possam ser consideradas mais justas. sempre ficaram evidenciadas diante dos fatos. o processo em curso que valida o pluralismo na ordem jurídica. obrigando a uma reflexão permanente acerca dos significados do direito. reprodução e difusão da universalidade da norma jurídica. importa. A diversidade importa no acatamento de “práticas jurídicas” diferenciadas. um dispositivo. Para essa análise: “o pluralismo é uma realidade. Isso se constituiu num dos “obstáculos epistemológicos”. que se colocam distantes da forma como o direito se produz. econômicos. Nesse sentido. que sempre foi tomado como algo residual do direito positivado. inclusive a sua possibilidade de atualização. nesse sentido. já que a todo custo procuravam enquadrar as situações aos dispositivos legais. embora os intérpretes preferissem ignora-los. Os intérpretes do direito têm encontrado enormes dificuldades em atender de forma satisfatória as demandas. A necessidade de o direito ser pensado e organizado para atender determinados problemas torna-se “obstáculo” à própria capacidade do direito se modificar diante das situações que se complexificam. grupos sociais. enseja a necessidade de revisitar o próprio direito e. reproduz e difunde. As dificuldades de interpretar os fenômenos sociais à luz dos padrões jurídicos tradicionais. na medida em que a sociedade se globaliza. O discurso jurídico e o “senso teórico comum dos juristas” têm garantido a produção. também. Contudo. bem como para descrever as situações da realidade. que tem impedido a compreensão do próprio direito. Percebe-se que o formalismo excessivo utilizado para compreender os fenômenos sociais e econômicos tem impedido a interpretação dos processos de extrema complexidade. nem sempre catalogadas e que necessitam ser incorporadas às reflexões jurídicas para garantir direitos efetivos à diversidade de sujeitos e grupos sociais. 1638 . tende a impor uma ruptura com os esquemas de pensamento jurídico tradicionais e a necessidade de repensá-lo à luz das discussões do “pluralismo jurídico”. pois a sociedade se compõe de uma pluralidade de categorias sociais. Para cada situação.

a fim de proporcionar maior celeridade à resolução dos conflitos devem ser vistas com ressalva. que se colocam por vezes de forma contraditória no interior da sociedade. acabando por impor formas próprias: junto às Câmaras Municipais e Assembléias Legislativas dos Estados.“o reino de um direito”. em discussões com Poder Executivo vem discutindo e firmando determinadas medidas. estruturados em consonância com os padrões jurídicos tradicionais.não tem se apresentado neste momento. na medida em que esse campo tem se demonstrado extremamente favorável às disputas políticas. Os esforços teóricos devem se concentrar na possibilidade de intensificar as reflexões do papel do direito na sociedade contemporânea e de sua aplicação frente à dinâmica da realidade. os povos e comunidades tradicionais além de participarem das audiências públicas para discutir projetos que lhes afetam direta ou indiretamente. É localizada no sentido de que os grupos têm acesso aos meios e ao Poder Público responsável para atender e executar as medidas eventualmente propostas. Observa-se que o critério de identidade vem contribuindo numa maior capacidade dos grupos sociais exerceram mobilização política para reivindicarem direitos. já que trazem no seu bojo a idéia de que o direito representa os interesses da sociedade. Percebe-se que há uma apropriação das “práticas” e do discurso jurídico. pelo menos. que se evidenciam nos processos de disputas pelos territórios. Neste contexto em que os grupos sociais se organizam e se mobilizam. que não se restringe aos limites do espaço municipal. que se colocam em face dos seus antagonistas. que procuram encontrar na idéia do “consenso”. é importante destacar o papel do Poder Judiciário. procuram propor dispositivos legais que estejam mais alinhados com a sua maneira de viver. que tem procurado reconhecer a relevância da ampla participação da sociedade nos 1639 . procuram interpretar os dispositivos consoante os seus interesses e vontades. que tem se traduzido em políticas específicas.Os resultados do reconhecimento de que somos uma “sociedade plural” implica numa ampliação dos problemas. Nesse sentido. O fato do direito representar os interesses de determinados grupos . Um traço distintivo que pode ser considerado comum a todos esses grupos sociais é o que pode ser denominado de “luta jurídica localizada”. As reflexões que se encontram ancoradas nas discussões de Democracia e Estado de Direito vêm sendo objeto de crítica. sobretudo pelo fato de existir no momento atual reflexões no âmbito do direito. as quais têm se transformado em leis. como um obstáculo aos movimentos sociais que. Em determinados momentos. o enfrentamento jurídico tem sido uma arena de luta privilegiada. e em discussão com o Ministério Público Estadual e Federal apresentam e discutem a particularidade de seus problemas para a defesa de seus direitos. apesar de que a interpretação nem sempre encontra “eco” nos esquemas de pensamento jurídicos dominantes. senão a única. mas a melhor forma para a resolução dos conflitos sociais existentes. que não se encontram referidas ao aspecto discursivo. As manifestações políticas dos movimentos nas mais diversas situações revelam diferentes estratégias e ações. as tentativas de simplificação dos procedimentos. A organização e mobilização dos povos e comunidades tradicionais se constituem em um importante instrumento para enfrentar as situações concretas. Os esforços dos grupos sociais em manter a “luta jurídica localizada” decorre da utilização de diversas práticas. que é reconhecidamente plural. em decorrência do grau de disputas acirradas. Nesse intenso processo vivenciado pelos grupos sociais. apresentam proposições por meio de representantes. diluindo a política sob o conceito de direito. como afirmou Jacques Rancière . ao se apropriarem das “práticas jurídicas”.

que motiva as reivindicações dos diversos povos e comunidades tradicionais. Até a década de 1980. na medida em que as discussões políticas em torno das proposições permitem ao mesmo tempo. que impõem novas formas.que serviam para distinguir a região das demais . a primeira ação consiste em reafirmar e afirmar a idéia da diferença. O procedimento de encaminhar prevalentemente os conflitos ao Poder Judiciário representava uma das estratégias mais utilizadas em face de seus antagonistas. em que os próprios intérpretes autorizados reconhecem a necessidade de uma maior participação da sociedade. há uma necessidade de ocupar o campo jurídico. estadual revela um dado “novo”. onde o discurso era mediado. diante da complexidade e da pluralidade de situações. As discussões em torno da elaboração e proposição dos dispositivos legais tem sido um elo importante no processo de construção das identidades coletivas. As disputas jurídicas cingiam-se aos processos e às medidas 1640 . as discussões eram encaminhadas ao Poder Judiciário. No caso.julgamentos. Na maioria das situações. os movimentos sociais passaram a ser os protagonistas e intérpretes de suas próprias ações e estratégias.são recuperadas. Extensivamente a esse processo. Os argumentos acionados eram os perfilados pelos advogados. bem como seus modos de “fazer”. envolvendo uma intensa discussão em torno dos direitos de posse e propriedade. frente os antagonistas. A força e a intensidade dos processos fazem com que os grupos apaguem as diferenças e reforcem os laços de solidariedade. “criar” e “viver”. que promoviam a disputa no campo jurídico. As idéias da existência de coesão social . observa-se que os conflitos se referiam às disputas pela terra na região Amazônica. também. bem como demonstrar a necessidade de protegê-la. inicialmente. Os esforços do Poder Judiciário em ampliar a participação da sociedade nos processos decisórios se encontram coadunados com os interesses dos povos e comunidades tradicionais. afastar as divergências e aproximar os grupos. julgadas favoravelmente. mas sem perder a possibilidade de realçar as diferenças existentes entre os diversos grupos sociais que compõem a Amazônia. que merece ser incorporado às analises. A partir do intenso processo de organização e mobilização política. diferentemente de outros períodos. sobretudo em função do momento vivenciado. “PRÁTICAS JURÍDICAS” LOCALIZADAS: “novos” padrões jurídicos O deslocamento dos enfrentamentos políticos para a “luta jurídica localizada”. mesmo que para isso seja necessário repensar os próprios padrões jurídicos instituídos. onde os pré-intérpretes são determinantes no processo decisório. Nesse processo. O seu objetivo consistia em garantir ou mesmo evitar qualquer tipo de medida que pudesse implicar na ameaça ou perda da terra em disputa. os grupos sociais intensificam sua luta em explicitar a sua existência social. sobretudo a produção de dispositivos legais no âmbito municipal e. permitam reconhecer a sua existência social. As ações eram organizadas com intuito de demonstrar a existência da posse mansa e pacífica sobre a terra ou mesmo a insuficiência dos documentos acostados aos processos judiciais. embora não se esperasse que as ações fossem êxitosas. No processo que envolve o reconhecimento da diversidade. isto é. os grupos sociais adotam a seguinte estratégia: a elaboração e proposição de dispositivos legais que.

as leis ficam “sacramentadas” e herméticas aos questionamentos. que vinham se demonstrando ineficazes diante dos problemas. incluindo o dia da votação. acabam sendo aprovados. vindo a se incorporar na Política Nacional de Unidades de Conservação. até então hegemônicos foram perdendo gradativamente força junto aos movimentos sociais. incorporado pela Política Nacional do Meio Ambiente por meio das Reservas Extrativistas (RESEXs). a esse discurso do direito agrário. Verifica-se que o maior grau de organização e mobilização dos grupos reflete os ganhos e as perdas dos projetos de lei apresentados. a ação política exercida pode significar um grande passo em direção a aprovação dos projetos. aproximando-os das formulações e dos debates jurídicos ambientais. A experiência dos seringueiros com os Projetos de Assentamento Extrativistas (PAEXs). evidencia as situações existenciais de fato. que procuram como medida na manutenção de seus direitos. Nessa arena. Os discursos jurídicos. que se colocavam e que ameaçavam a reprodução física e cultural dos grupos. que passaram a articular as lutas a partir de “novas” formas. uma vez que contribuem com o maior ou menor êxito da maioria das propostas apresentadas. sendo que os diversos grupos e o Poder Municipal procuram cumprir o que foi previamente pactuado. apesar de sofrerem forte resistência. por isso mesmo não há restrições legais em relação ao que foi aprovado. O conteúdo dos projetos aprovados além de expressarem a correlação de forças localizadas.que vai desde a escolha do vereador ou parlamentar .administrativas junto aos órgãos fundiários. são dados relevantes que necessitam ser analisados. A força do discurso ambiental. Uma vez aprovadas. somente a partir do aumento do grau de organização e mobilização dos grupos sociais é que as demandas jurídicas passaram a se tornar mais complexa. ações mais localizadas em que pudessem deter o controle político do processo. agrário e ambiental. que implicam no reconhecimento da existência social dos povos e comunidades tradicionais. O “pacto” envolve uma “consciência geral” do profundo conhecimento da questão e a necessidade de 1641 . Na década de 1990. mas a um conjunto de proposições. impondo questionamentos aos procedimentos comumente utilizados. objeto do litígio. Os projetos de lei. onde os interesses divergentes se explicitam. que procuravam identificar formas para melhor disciplinar as ocupações e usos dos territórios. As estratégias utilizadas para a discussão e apresentação da proposição . que eram acionados para promover o processo de desapropriação ou mesmo regularização fundiária do imóvel. Os conteúdos dos projetos representam o grau de enfrentamento envolvendo interesses diversos. é um exemplo recorrente. que se realiza no interior dos espaços políticos. que buscou identificar formas de preservação e conservação da região Amazônica. vivenciadas diferentemente por cada grupo social. As discussões não mais se referiam ao direito à terra. fez com que os grupos sociais passassem a ter uma participação mais ativa. que implicam numa maior liberdade ou restrição de determinadas “práticas sociais”. foram incorporadas as discussões de meio ambiente. Tal processo reflete as “novas” ações e estratégias dos grupos sociais. Ele se espraiou por toda região Amazônica. As leis aprovadas são acatadas. A maioria dos projetos de lei apresentados pelos representantes dos movimentos sociais foram e estão sendo aprovados nas diversas Câmaras Municipais de toda região Amazônica. No entanto.bem como as articulações que ocorrem no decorrer de toda tramitação do projeto.

Trata-se de promover a passagem de uma situação de “invisibilidade” para a de “visibilidade” jurídica. A “autonomia” é construída em face das necessidades de produção. Os grupos sociais vêm apostando suas lutas nesse processo que. lograram questionar o direito na sua concepção universalista. em face dos projetos de intervenção na região. esse processo é pouco refletido. Os esforços dos grupos deverão se dirigir e concentrar no direito em dizer o direito. que deduziam o seu “fim” ou “assimilação” diante da sociedade nacional. as “práticas sociais” dos diferentes grupos sociais vêm se impondo na ordem. especificamente para o da elaboração e proposição de leis vêm servindo para reconhecer a existência social dos grupos sociais e. os novos movimentos sociais ganharam força e vitalidade. em função da “autonomia” do campo jurídico. sem dúvida. Os novos dispositivos legais criados a partir do controle exercido pelos movimentos sociais determinaram de certa forma. porque a partir dessa primeira. sobretudo na capacidade dos grupos explicitarem a legitimidade dos seus direitos que. pois o direito somente protege os visíveis. A sua permanência e perenidade rivalizaram com todos os esquemas científicos de pensamento. Observa-se que os envolvidos possuem plena consciência dos direitos em jogo. esses grupos estariam fadados ao desaparecimento. reprodução e difusão de um discurso jurídico. Em decorrência. obrigando -o a se debruçar sobre as diversidades e as singularidades. Os deslocamentos das ações e estratégias para o plano jurídico local. a ampliação e abertura do ordenamento ou sistema jurídico até então indiferente aos direitos desses grupos. contribui com a construção de suas identidades. em muitos momentos. sob pena de “novos” conflitos. Em outras palavras. A força e vitalidade dos movimentos sociais residem. Os novos dispositivos necessitam ir se acomodando ao universo jurídico. sobretudo legitimar as suas ações. que sempre se ocupou em negar direitos a esses grupos. 1642 . se encontram em conflito com o próprio direito. implicando num repensar do próprio conteúdo jurídico. acarretando uma intensa disputa sobre os territórios e no processo de redefinição da região. que procuram incluí-la na expansão capitalista. no fato de terem garantido a sua existência enquanto grupo socialmente distinto. Os indivíduos passam a se identificar enquanto membro do grupo. sendo que esse processo pode implicar em um menor controle dos grupos sociais.regulamentá-la. Isso deverá implicar em um novo conjunto de ações e estratégias. Contudo. Segundo essas leituras. bem como da necessidade de protegê-los. É por esse motivo que os debates sobre a redefinição da região Amazônica não podem prescindir da participação e do conteúdo desses grupos sociais. CONSIDERAÇÕES FINAIS No bojo da dinâmica da região Amazônica. enquanto instrumento. a “luta jurídica localizada”. vem aproximando o direito das situações mais particularizadas. em primeiro lugar. Em segundo. em função dos resultados positivos até aqui alcançados. A elaboração e proposição dos dispositivos legais auxiliam no reforço e atualização dos laços sociais.

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que extinguiu a SPVEA e criou a Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia .ADA)..74. de 2007. Projeto de Lei n° 1. Projeto de Lei nº 005. é de autoria do senador Jonas Pinheiro.278. O artigo 43 da CF de 1988 previu a existência das regiões.M. do Estado do Tocantins. O Projeto de Lei nº 005. DEFICIENTE auditiva terá intérprete na sala de aula.C4. diz ABGLT. 16 de agosto de 2008.771. Vale ressaltar que há uma vasta literatura a respeito das tentativas de definir e delimitar a região Amazônica. e se encontra no Senado. 23-23).1° da lei 4. é de autoria do deputado Osvaldo Reis. na redação alterada pela Medida Provisória nº 2. com objetivo de promover o desenvolvimento e reduzir as desigualdades regionais. n. “Altera o inciso VI do §2° do art. e dá outras providências. que criou a Superintendência do Plano de Valorização Econômica da Amazônia .A6.166-67. do Estado do Mato Grosso. Lei n°5. outorga permissão e uso. CÂMARA DOS DEPUTADOS. Para Eidorfe Moreira. de 15 de setembro de 1965. “Dá nova redação ao inciso VI do §2° do art. p.SUDAM e Medida Provisória n°2.889/ 2004. “Para efeitos administrativos. Tais discussões procuravam identificar o que poderia ser tomado como “unidade” da região no sentido de justificar a sua existência física e social. de 27 de outubro de 1966. de 06 de janeiro de 1953.278.771. que dispõe sobre a abrangência da Amazônia Legal. de 2005.” 134 CANDIDATOS se declaram gays ou ‘aliados´.806.1º da Lei n° 4. outros poderiam ser igualmente 1646 . visando a seu desenvolvimento e à redução das desigualdades regionais. a União poderá articular sua ação em um mesmo complexo geoeconômico e social. acabou vencendo o critério geodésico (Moreira. 10 de agosto de 2008.173. Folha de São Paulo.O. 1958. SENADO FEDERAL. de 24 de agosto de 2001. sendo que além desse critério. de 2005. que extinguiu a SUDAM e criou a Agência de Desenvolvimento da Amazônia . de 24 de agosto de 2001. para alterar a definição de Amazônia Legal. D. Folha de São Paulo.SPVEA.” STF amplia participação no debate público. de 28 de setembro de 2004.” O Projeto de Lei n° 1. de 15 de setembro de 1965. de 2007. na “delimitação oficial” (Lei nº 1. p.CURITIBA. 28 de junho de 2008. Folha de São Paulo. Decreto n.157-5. A12. e se encontra em trâmite na Câmara Federal.

diversas atividades extrativas foram objeto de interpretação econômica. não já de resolver. 106). Oliveira Filho (1979. Não se pode perder de vista que a idéia de região está inscrita numa luta entre os cientistas que aspiram pelo monopólio de sua definição legitima (Bourdieu. apesar de o planejamento tentar se desprender de seu conteúdo. 1988.“o uso de tal noção funciona como mecanismo de filtragem e incorporação de fatos a uma forma prédefinida. pelo menos. A “noção de ciclo impôs-se como modelo de organização dos fatos históricos ligados à produção da borracha”.. excluindo sistematicamente de consideração aqueles fenômenos que pudessem refutar ou relativizar seu valor heurístico.” (Oliveira. Se for possível afirmar que há alguma relação entre os critérios é o fato de se colocarem como verdade absoluta. pode-se apreender o processo pelo qual o saber funciona como um poder e reproduz os seus efeitos. só tem alguma probabilidade.” (Grau. A respeito da análise econômica da atividade extrativa do babaçu. tais como: o “hidrográfico”. ver Amaral Filho (1990). O que quer dizer que não é possível dispensar. uma análise da relação entre a lógica da ciência e a lógica da prática” (Bourdieu. neste caso menos que em qualquer outro. é produto de actos de classificação e fizer entrar na sua pesquisa da verdade das classificações o conhecimento da verdade dos seus próprios actos de classificação.” (Foucault. relações de poder que passem pelo saber e que naturalmente. por isso mesmo as discussões em torno dos critérios que justificariam a idéia de região Amazônica devem ser objeto de reflexão. 41). mas de. os babaçuais. 1989.. 102). Para esse autor: “Ora. 1989. Para Oliveira Filho esse esquema interpretativo objetiva construir uma “história geral” da região. o “zoogeografico”. os castanhais.. acabaram os seringais. uma política do saber. 1978. apesar de utilizarem de esquemas analíticos diferenciados para explicar os processos de exploração que se verificou em momentos distintos. 111). Continua o autor . que é obrigado a classificar para conhecer. o “fitogeográfico”. No entanto. Foucault também chama atenção para a relação entre o poder e o saber. 1647 . Para esse tipo de análise. Na região Amazônica. instituição fundamental do sistema. sobretudo das metáforas geográficas: “Desde o momento em que se pode analisar o saber em termos de região. por correctamente o problema das classificações sociais e de conhecer tudo o que.. a ciência social. remetemse àquelas formas de dominação a que se referem noções como campo. 1979. 158).acionados. trata-se de uma noção fortemente marcada por uma ideologia: “O que define um pressuposto de não neutralidade no planejamento é justamente o compromisso prévio de preservação do mercado. no seu objecto. o “político” e o “econômico”. quando se quer descrevê-las. Existe uma administração do saber. A propósito da discussão entre planejamento e direito. 108). ver a pesquisa desenvolvida por Grau. região e território. posição. acabaram chegando aos mesmos resultados: declararam o “fim da atividade extrativa”. Para o autor.

sem nenhuma preocupação prévia com os envolvidos.” (Oliveira. 1994). competência técnica. tem sido um importante instrumento para facilitar e acelerar as transações mercantis. que objetiva analisar o processo de regulamentação jurídica à luz das situações vivenciadas pelos povos e comunidades tradicionais. Dantas (2008). a intensificação do desmatamento na região Amazônica levou os movimentos sociais a se empenharem com os problemas ambientais. Moog. imensos. A síntese desse processo que se verifica em quase toda região Amazônica. o discurso de preservação ganha força somente com o aparecimento da questão da biodiversidade. comunidades. esse discurso se vinculou a um outro. Cunha. nações indígenas e etnias locais e regionais não teriam forças. 1946. que projetou nova luz sobre o meio ambiente. Em meados da década de 1980. 1914. reproduzido e difundido e que relaciona a total incapacidade do “Homem Amazônico” diante da imensidão da floresta (Rangel. que é um processo sociocultural de maior fôlego. Aliás. ainda que de “repartição de benefícios”. ver Almeida. inaugura-se um novo tipo de exploração predatória que leva em consideração os potencias da diversidade da região (Santos. com os mesmos arranjos de desenvolvimento para a região (Acselrad. A necessidade de regulamentação dos conhecimentos tradicionais deve ser analisada com extrema cautela pelos intérpretes do direito. A propósito dessa discussão. de que os problemas da Amazônia eram tão grandes. “O que é importante reter é que a formação talvez não de um consenso. A existência social dos diversos grupos estava condicionada à manutenção da floresta. que as sociedades.O chamado Zoneamento Ecológico-Econômico da Amazônia apresenta também um caráter autoritário. recursos financeiros. O grau de intensidade e a extensão das áreas atingidas são tamanha. Para Santos. As florestas representam um enorme depósito de espécies e de recursos genéticos que podem ser explorados economicamente. O contrato é um instrumento mercantil. que foi igualmente produzido. 1648 . 6). pode ser resumida na noção de devastação dos recursos naturais. tribos. Os esforços em proteger a floresta estão entrelaçados com o seu valor econômico. pois as categorias jurídicas utilizadas. poderes abrangentes para superá-los. sobretudo o “contrato”. Shiraishi Neto e Martins (2005). que rompe com os laços e as relações comunitárias existentes entre os diferentes sujeitos e grupos sociais. 1994. A respeito do processo nas áreas de babaçuais. consultar Shiraishi Neto. mas de uma impressão. que se distingue das situações ocorridas em momentos anteriores. 1936). s/d). No entanto.

O conceito de “unidades de mobilização” utilizado por Almeida nos auxilia nesta análise das ações coletivas que demandam conhecimento jurídico formal. Para Faria. a funcionalidade e o alcance do direito positivo. 1994. Carbonnier (1978. É interessante observar o intenso processo de mobilização das chamadas quebradeiras de coco babaçu a respeito do seu processo de territorialização. como área de deslocação (Carbonnier. Almeida (2006. “substituído” ou “suplantado”. Carbonnier procura (des)naturalizar as noções jurídicas de espaço e tempo. a expansão e o desenvolvimento da economia capitalista vêm “afetando radicalmente a estrutura. Sua existência coletiva. 349). vêm perdendo a capacidade de ordenar. 19).” (Almeida.. Suas normas. outros grupos podem compreender certa noção de território . com as áreas de ocorrência de babaçu. isto é. “as políticas públicas é que possibilitam os elementos básicos à formação de composições e de vínculos solidários essências ao êxito dessas mobilizações (Almeida. consultar Arnaud (1999). entretanto exemplifica a situações dos grupos nômades. 356). conformar. Bobbio (1999). 1649 . 1978. 349). Lembra que “o espaço jurídico tem por suporte natural um território”. não se confunde. necessariamente. Sobre as profundas transformações do direito. 59). 1995. moldar. 23).” (Faria.. O movimento das quebradeiras não existe em todos os lugares em que há babaçuais. 1978. 21-99). face a uma realidade dominada por forças e dinâmicas globais que ultrapassam os marcos institucionais e nacionais tradicionais. 2002. que se encontra em processo de ser “suprimido”. Segundo Almeida “.o mundo das quebradeiras revela-se agora política e economicamente construído e sua abrangência transcende as fronteiras fixadas pelas divisões político administrativas. As “unidades de mobilização” representam instrumentos organizativos dos quais esses grupos sociais lançam mão para garantir e assegurar direitos em face das políticas contrárias aos seus interesses vitais. Enquanto que uma tribo cigana pode se constituir num espaço jurídico sem domínio territorial (Carbonnier. controlar e regular a sociedade e a economia. por outro lado.

O reconhecimento dos direitos das chamadas minorias tem se tornado palco de acirradas disputas. e as situações em que os povos são submetidos ao direito do conquistador (Santos. Os debates mais sistematizados em torno dessa noção foram realizados por sociólogos do direito. O universalismo jurídico tem rivalizado com o particularismo das situações. 64-78). temos as situações em que os Estados adotam o direito europeu como instrumento de modernização e de consolidação do poder. As dificuldades de garantir tal direito parte da própria Secretaria Estadual da Educação. 2002. ver Gurvitch (1946) e Carbonnier (1978). faz emergir espaços infra e supra legais. Para Faria. Wolkmer (2001). Dentre os trabalhos. o que lhes retira a condição de ordenamento jurídico. 1988. O autor procura distinguir os ordenamentos jurídicos não estatais do estatal (Bobbio. pois esse 1650 . uma deficiente auditiva conseguiu na Justiça o direito de ter uma intérprete de Libras (língua brasileira de sinais) na sala de aula (Folha de São Paulo. 164). que alega que o cargo de intérpretes de Libras ainda não foi criado. Já Santos procura identificar os contextos em que aparece o “pluralismo jurídico”. A despeito do resultado da análise que se preocupa em identificar a “unidade plural” da sociedade. No Estado de São Paulo. onde se verifica o direito do Estado colonizador em face do “direito tradicional”. é importante destacar o trabalho do Reale no âmbito do direito. As reflexões sobre a noção de “pluralismo jurídico” procuram explicitar diferentes situações. A despeito de colocá-los no mesmo plano. as situações de revolução social. da “recusa” ou “indiferença” do ordenamento estatal em relação ao não estatal. 60-78). vale destacar o trabalho de Bobbio sobre “pluralismo jurídico”.C4). 28 de junho de 2008. onde um “direito tradicional” entra em conflito com o “direito revolucionário”. sobretudo em função das enormes dificuldades operacionais de implementálos. as limitações do direito positivo que se relevam incapazes de superar os problemas decorrentes do desenvolvimento e expansão do capitalismo. p. 1999. procuram dotá-los dos mesmos elementos caracterizadores dos ordenamentos estatais. Além do contexto colonial. numa concepção aparentemente dialética. As reflexões sobre a noção de “pluralismo jurídico” eram realizadas em espaços não dogmáticos por envolverem dimensões outras de uma discussão jurídica. Tal entendimento de matiz nitidamente positivista do que seria ordenamento jurídico tende a levar ao processo de “absorção”. No interior das reflexões jurídicas. sobretudo por não possuírem esses elementos caracterizadores. cuja forma e rigidez são elementos imprescindíveis para a sua existência. sendo que os primeiros sem interferência e os segundos com interferência dos Estados (Faria.

vale retomar a polêmica gerada em torno da “morte” da Constituição Dirigente. Entre os autores. essa análise de que somos uma “sociedade plural”. ver: Gevaerd Filho (1986). Após discorrer sobre as situações que envolveria o que foi designado como “mutirão”. A respeito do enquadramento jurídico do “faxinal”. 13). Para esse constitucionalista português pensar o direito a partir desses esquemas seria prejudicial ao próprio cidadão. tendo por fundamento o solidarismo humano. Trata-se de um neologismo proposto para que se possa contar com um conceito operacional que sirva para mencionar a dimensão ideológica das verdades jurídicas. vale a pena ver as discussões em torno do “mutirão” se se trata de qual espécie de contrato. Já no final do século XIX e início do século XX há toda uma literatura jurídica a respeito do tema. no Estado do Paraná. No contexto das discussões. `sui generis´. circulação e consumo das verdades nas diferentes práticas de enunciação e escritura do Direito. Além desse. Freitas Marcondes chega a seguinte conclusão: “podemos concluir que o mutirão é uma convenção consuetudinária de trabalho. 2001. Miaille (1994. 23). outros exemplos também poderiam ser perfilados. 1651 .” (Warat. Para Warat. 1994. Silva (2007. sinalagmática. a respeito da necessidade de se repensar a Constituição Federal de 1988 para além dos esquemas comumente acionados.autor reafirma o fato de que “somos substancialmente uma sociedade plural que somente pode ser compreendida mediante uma série de fatores e circunstâncias que se interligam de maneira complementar e dinâmica. 143). onerosa. Morin (1945). nos moldes desenhados por Canotilho. já havia sido anunciada em um outro período pelo mesmo autor (Reale. Cruet (2003). 1963). consultar: Geny (1899).” (Reale. “a expressão “senso comum teórico dos juristas” designa as condições implícitas de produção. A propósito da necessidade do direito “enquadrar” as situações para encontrar a sua “natureza jurídica”. sobretudo numa época de “cidadanias múltiplas” e “múltiplos de cidadania”. 112). da dificuldade das leis frente os fatos. 1949. 37-42). Aliás.” (Freitas Marcondes.

Sobre a discussão da substituição dos modelos jurídicos – do modelo do conflito pelo modelo do consenso . 110). Ranciere chama atenção para o fato de “o reino do direito é sempre o reino de um direito.” (Wald. 143). Os direitos políticos não são apenas fundamentais para demandar respostas políticas. levou a realização da primeira audiência pública na história do STF para discutir esse tema (Folha de São Paulo. 2006.Em que pese à necessidade de uma análise mais rigorosa de como tem sido a “participação” nos processos judiciais em curso no Supremo Tribunal Federal. Almeida enfatiza o fato de que os movimentos sociais na região Amazônica vêm se consolidando fora dos marcos tradicionais dos Sindicatos. 1994). 10 de agosto de 2008. quando da apreciação de questões políticas de ampla repercussão nacional. no sentido de garantir a participação. o exercício dos direitos políticos é fundamental às pessoas. 173-187).” (Ranciere. a arbitragem tenta manter as relações entre elas de modo que possam continuar a atuar em conjunto nos contratos de longo prazo. A12). Para esses autores: “enquanto o processo judicial é uma espécie de guerra que afasta as partes. mas tem um papel construtivo na “conceituação das necessidades” (Sen. O julgamento das células tronco. Martins. que expressam a diversidade de formas de existência coletiva (Almeida. para Sen. 2008). observase que esse Tribunal mudou de posição. tem sido um poderoso instrumento de controle social. Aliás. cuja base seria o cidadão (Bonavides. incorporando critérios étnicos. trata-se de introduzir uma “nova legitimidade”. exatamente pelo fato de aceitarmos a harmonia como benigna (Nader. Silva (2007. 1996. De forma antagônica as reflexões de Silva. Ela se relaciona à necessidade de criar procedimentos que possibilitem um maior número de subsídios para fundamentar as decisões. pois tem se empenhado em assumir um papel mais ativo. onde o direito assume posição central na resolução dos conflitos. não significa que esse último seja benigno. 21-26). pelo contrário. O processo vivenciado por esses grupos sociais de promover a “luta jurídica localizada” se encontra em sintonia com o conjunto de reflexões jurídicas a respeito da “democracia participativa”.é importante refletir as conclusões de Nader. Para Bonavides. 2006). quer como clientes. O modelo de harmonia. por exemplo. 2000. temos a postura de Wald e Martins. Para essa autora. Trata-se de uma preocupação coadunada a uma tendência na ordem jurídica mundial. que buscam afastar esse papel. quer como fornecedores. a substituição dos modelos conflitivos para os de harmonia. a reivindicação e formulação de propostas. 1652 .

que “dispõe sobre a proibição da queima.477/ 07. de 7 de fevereiro de 2007. apresentado pelo Dep. os ciganos da Associação de Preservação da Cultura Cigana (APRECI) conseguiram da Prefeitura Municipal a outorga de permissão e uso de uma área para a implementação do Memorial da Cultura Cigana.169 da OIT.040. vale destacar o Decreto de 27 de dezembro de 2004. Tocantins.6 do referido Decreto determina a vigência do contrato por um período de 90 (noventa) dias. que “dispõe sobre a proteção da derrubada de palmeiras de babaçu nos estados do Maranhão.Embora o sistema de consulta e participação estejam previstos na Convenção n. de Direitos Humanos e Minorias e da Amazônia.889/ 2004. O Regimento Interno da Câmara dos Deputados não consta de nenhum artigo que determine a realização de audiência pública em caso de projetos de lei que possam atingir povos e comunidades tradicionais. Recentemente foi aprovado o PL n. em função do termino do contrato. Integração Nacional e de Desenvolvimento Regional realizaram uma Audiência Pública. Percebe-se que os procedimentos são realizados ou não. derrubada e do uso predatório das palmeiras de babaçu e adota outras providências. no Estado do Tocantins. segundo o Decreto n. Pará. É interessante observar que o art. Em 10 de julho de 2007.213/ 2007. o então Prefeito Municipal “empurrou” o problema para o próximo prefeito.6. Essa audiência somente foi realizada em virtude de um requerimento pessoal do referido deputado.231/ 2007. Domingos Dutra. e o Decreto n.” Em 2007. período exíguo se levado em consideração os objetivos contidos no Decreto. Goiás e mato Grosso. conseguiu após a realização de uma audiência pública.” Em Curitiba. as Comissões de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável.” 1653 . no Estado do Paraná. que “institui a Política Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais. quando da realização de atividade que possa atingir direta ou indiretamente os povos e comunidades tradicionais. a “rede puxirão”. consoante vontade do titular do órgão. Na verdade. que deverá adotar as medidas jurídicas. a aprovação do Projeto de Lei n. que “dispõe sobre o Sistema Faxinal e o processo de reconhecimento dos faxinalenses no Estado do Paraná. esses procedimentos não são adotados pelos diversos órgãos públicos. na Câmara dos Deputados para discutir o PL n. Piauí. No âmbito desse processo. que “cria a Comissão Nacional de Desenvolvimento Sustentável das Comunidades Tradicionais e dá outras providências”.”.

Lésbicas. também. no município de São Gabriel da Cachoeira. com pedido de liminar. que “dispõe sobre a co-oficialização das Línguas Nheêngatu. Ver: Shiraishi Neto (2006). Segundo levantamento divulgado pela Associação Brasileira de Gays. é utilizada para reforçar o poder de determinados políticos conservadores da região. Estado do Amazonas. Travestis e Transexuais (ABGLT).Na Comarca de São Luís Gonzaga. em ocupar os espaços do legislativo municipal. determinados indivíduos que se autodefinem “caboclos” conseguiram aprovação de dois projetos de lei. que nem sempre estão explicitados. o MP do Estado propôs uma ação civil pública. portadores de identidade. Tem-se observado uma preocupação dos movimentos sociais. consultar Almeida (2007). que é comemorado em 24 de junho.A6). a Lei n. Tal preocupação se faz presente em vários segmentos sociais. É interessante observar que a designação “caboclo”. a partir de representações formuladas pelos faxinalenses junto ao Ministério Público do Estado. proibindo o cercamento de uma parte da área do faxinal. A esse respeito. de 11 de dezembro de 2002. com pedido de liminar. que tratam de regulamentar o acesso e uso das palmeiras de babaçu. No Estado do Paraná. o representante do MP se dispôs atuar conjuntamente na defesa dos direitos dos povos e comunidades tradicionais do Estado. 1654 . de 28 de junho de 2007). No “Seminário de Direitos Étnicos e Coletivos”. instituindo o “dia do caboclo”.140. Baniwa à Língua Portuguesa. lésbicas. proibindo a derrubada de palmeiras de babaçu. reivindicada enquanto critério de identidade. p. 3. Este período é marcado por um intenso processo de mobilização política dos trabalhadores rurais em torno da Reforma Agrária. priorizando uma leitura a partir das questões jurídicas. bissexuais. pelo menos 134 candidatos nas eleições deste ano se declaram gays. Na cidade de Manaus. Vale destacar. foram propostas duas ações civis públicas. 145. entre os dias 19-20 de agosto de 2008. Tal ação originou-se de uma representação da Secretaria da Mulher do Sindicato de Trabalhadores Rurais de São Luís Gonzaga. 16 de agosto de 2008. Tukano. A prática de elaborar e propor dispositivos legais têm sido utilizados indistintamente em função de interesses diversos. que foi realizado na sede da Fundação Escola do Ministério Público do Estado do Paraná. No âmbito de atuação do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB) existem pelo menos 14 (quatorze) leis aprovadas. no âmbito municipal e estadual (Lei n. no Estado do Maranhão. travestis ou aliados do movimento (Folha de São Paulo. A presente reflexão fez um recorte proposital.

Estado do Tocantins.04/ 2005. ficando a efetivação de caeiras dentro das terras de particulares . serão de propriedades e responsabilidades dos proprietários das terras. do município do Lago do Rodrigues. comparar o artigo 1° da Lei n.49/ 2003: “As palmeiras de coco babaçu existentes no Município de Praia Norte – TO. Estado do Maranhão. no Estado do Maranhão. deverão ser punidos nos termos da lei. os responsáveis pela tragédia. extrativismo e comercialização. sua preservação. com o artigo 1° da Lei n. O grau de organização e mobilização está expresso no conteúdo da lei aprovada. enquanto a Lei de Lago do Rodrigues garante o livre acesso e uso. são de livre acesso e uso das populações extrativistas que as exploram em regime de economia familiar e comunitária.N 1655 . “que cria a lei de licuri livre ou lei do ouricuri. aprovou o projeto de lei n. Artigo 1° da Lei n. é interessante observar os projetos de lei. no Estado da Bahia.” G.” É copiosa os projetos e as leis aprovadas pela “rede puxirão”. condiciona. do município de Praia Norte. A título de exemplo. que foram apresentados e aprovados nas Câmaras Municipais pelas chamadas quebradeiras de coco babaçu. e na medida do possível poderão ser exploradas pelas quebradeiras de coco babaçu e suas famílias. que deverão explorar em regime de economia familiar e comunitária.N Artigo 1 ° da Lei n.32/ 1999: “ As palmeiras de babaçu existentes no município de Lago dos Rodrigues. no Estado do Paraná. A esse respeito. a de Praia Norte. juntamente com o segmento organizado ao qual pertence.” G.32/ 1999.A Câmara Municipal de Antonio Gonçalves. e caso destas vierem a existir danos aos pastos e à natureza.49/ 2003.