O Quadrilatero Wesleyano

Por José Ildo Swartele de Mello

O Quadrilatero Wesleyano

Escrituras

Tradição

Razão

Experiência

Pano de Fundo

A formação anglicana de Wesley o levou a considerar a autoridade da tradição
como fonte secundária, mas importante.

Mas como decidir entre um e outro? Através do uso da razão que não foi
totalmente destruída pelo pecado. Observando também que a experiência
pessoal e coletiva exercia influencia no processo de interpretação.

Isto soou como um escândalo para os demais evangélicos, pois diziam que
somente as Escrituras.

Wesley concordava , mas achava pouco realista não levar em consideração que
nossa mente e experiência influenciavam nossa interpretação. E não podemos
desconsiderar a tradição, principalmente a compreensão dos primeiros 4 séculos.

Lutero se vale da tradição

Utilizou-se das tradições da igreja, recitava os credos antigos, utilizou
catecismos, hinários católicos e tradicionais.

A confissão de Augsburg, mesmo sendo centralizada nas Escrituras,
apela para Augustinho para defender sua tese.

Calvino e seu método
complexo de interpretação

Nas Institutas, Calvino começa falando sobre a Bíblia, mas na sessão
seguinte ele fala da filosofia, e na próxima fala sobre o valor da tradição.

Ou seja, considerou aspectos exteriores as Escrituras para chegar as
suas conclusões.

Wesley não estava apresentando nada novo, apenas colocava em prática
o que já era comum e aceitável.

A influência de outros fatores

Precisamos ser mais realistas em como formamos nosso conceito teológico.

Não adianta negar a influência de outros fatores secundários como a tradição,
a razão e a experiência.

A questão não é se você vai ou não se valer deles, mas como e quanto.

A ideia não é apelar para um ou outro, mas promover interação. As vezes,
fazemos isto de maneira tão natural que sequer percebemos. Por exemplo,
como escolhemos louvores, a Bíblia é o único fator a ser considerado, ou
também levamos em consideração as nossas preferencias, o que é mais
favorável ao público alvo, como agradar os idosos, jovens, etc.

Albert Outler

Criou a terminologia baseado no conceito anglicano de que uma estrutura só
é forte se estiver embasada em quadro lados.

A idéia de fortaleza de um castelo, algo bem estabelecido.

No final da vida, ele se arrependeu desta terminologia, achando preferível
dizer a fortaleza wesleyana.

Uma ferramenta heurística

O Quadrilátero não é algo sagrado, é simplesmente
uma ferramenta útil.

Uma ferramenta que ajuda a descobrir outras
realidades.

Escrituras

A fonte primária e final de autoridade doutrinaria.

"O próprio Deus se dignou mostrar o caminho; para este fim definido
desceu ele do céu. Ele o escreveu num livro. Oh, dai-me esse livro!
Qualquer que seja o preço, dai’-me o livro de Deus! Ei-lo: eis aqui
conhecimento suficiente para mim. Que eu possa ser homo unius libri.
(Wesley em Prefácio de Sermões para Várias Ocasiões)

Tradição

Wesley afirmou que “As Escrituras são a regra completa da fé e prática; e
são claras em todos os pontos necessários. E contudo a sua clareza não
prova que elas não precisam ser explicadas; nem significa a sua clareza
que elas não precisam ser postas em vigor . . . Valorizar os escritos dos
primeiros três séculos, não em pé de igualdade com as Escrituras mas
em combinação com elas, jamais levou ninguém a erros perigosos, nem,
provàvelmente, jamais levará.” (Oden, Thomas C. John Wesley’s
Scriptural Christianity: A Plain Exposition of His Teaching on Christian
Doctrine, p. 67. Grand Rapids: Zondervan, 1994.)

A Experiência

Na tradição anglicana, Wesley aprendeu que a leitura das Escrituras está
intimamente relacionada ao raciocínio e à tradição.

A esses três elementos ele acrescentou um quarto: a experiência. Afinal, foi
a experiência de 24 de maio de 1738 que modificou significativamente seu
modo de ver e vivenciar a fé cristã.

Charles Wesley escreveu: “Aquilo que o seu Espírito escrever em mim tem
que condizer com a Escritura.” 

(Scripture Hymns, The Poetical Works of John and Charles Wesley, 9:380)

O valor da experiência

Wesley cria firmemente na “religião do coração.”, pois alguém pode
afirmar todos os credos, e crer em todas as doutrinas certas, e ainda
assim estar espiritualmente morto. A graça de Deus tem que ser
apropriada individualmente, resultando em segurança e transformação
de vida e coração.

A Razão

Wesley questionava uma fé que tinha muito “entusiasmo” mas pouco
discernimento.

O culto e a teologia cristã devem ser racionais.

Deus é o autor da razão e não é preciso escolher entre Deus e a lógica.

Inúmeras Figuras

A ideia original era representar o
quadrilátero como uma fortaleza,
mas posteriormente passou a ser
entendido como uma forma
geométrica.

Não importa a figura, desde que
as Escrituras estejam no centro,
na base e no coração.

Experiência

Razão

Tradição

Escrituras

A figura transmite a idéia de uma estrutura sólida e equilibrada, mas dá a entender que
as Escrituras estão em pé de igualdade com os demais pilares.

Escrituras

Teologia

Experiência Tradição Razão Escrituras
A interpretação das Escrituras se dá através de nossa razão que é
afetada por nossa tradição e também por nossas experiências,
inclusive as com o Espírito.

Quadrilátero Wesleyano

Teologia Wesleyana

Teologia Liberal

Ênfases

A Criação

Wesley valeu-se também da sabedoria de Deus revelada na criação.

Wesley entendia que a contemplação é um exercício teológico e não
apenas devocional.

É nosso dever contemplar o que Deus quer nos comunicar através de toda
a sua maravilhosa criação, extraindo dela o máximo conhecimento
possível.

Para Wesley o conhecimento de Deus

encontra-se revelado na Bíblia

é iluminado pela tradição

é despertado pela experiência

é compreendido pela razão

e pode ser observado na criação

Revelação Geral na Criação

Os céus proclamam a gloria de Deus e declaram a imensidão e a magnificência, o poder e
a sabedoria de seu criador.

Trovões, relâmpagos, tempestades, terremotos e vulcões demonstram o terror de sua ira.

A fartura da terra, as chuvas sazonais, o brilho do sol e a colheita denotam sua bondosa
providência.

Sucessivas e continuas gerações de plantas e animais apontam para o caráter eterno de
sua causa primária.

A vida subsistindo em milhões de distintas formas mostra a vasta difusão de seu poder
gerador de vida

e a morte aponta para a infinita desproporção entre Deus e suas criaturas vivas.

Teologia Wesleyana
Base bíblica analisada à luz
da razão, da tradição, da experiência e da Criação.

Wesley não era adepto da teologia natural

Somente iluminados pela revelação especial, é que podemos
verdadeiramente discernir o que se pode apreender de Deus através da
Sua criação.

O conhecimento de Deus na natureza é escasso e nebuloso, conduzindo
o homem à idolatria e à concepção de um deus distinto do Deus revelado
nas Escrituras.

Wesley não fez uso do método da analogia do ser, pois entendia que a
Bíblia é o único ponto de partida para o conhecimento de Deus.

Teologia Natural - Analogia do Ser

Entende que é possível conhecer a Deus através da revelação geral, tanto
interna quanto externa. E que existe um duplo caminho para o
conhecimento de Deus: revelação específica e a revelação geral.

Faz teologia de baixo para cima e do geral para o particular. Especulação
filosófica.

Wesley utiliza o método da Analogia da Fé

A analogia da fé não tem o seu ponto de partida na razão humana, mas na fé.

Analogia da fé é analogia da Palavra, analogia da revelação especial, sendo, portanto,
analogia de Cristo.

Deus é distinto de sua criação, não existindo, portanto, uma substância denominada
“ser” que seria tanto comum a Deus quanto aos homens.

Deus é absolutamente Outro, e, em sua completa liberdade, Ele é livre para revelar a Si
mesmo, para compartilhar de Si mesmo, para estar com o homem, em outras palavras,
Deus é livre para ser imanente.

Não se faz teologia de baixo para cima e nem em abstrato, filosofando e especulando.

Analogia da Fé

A teologia wesleyana é cristocêntrica e não antropocêntrica.

O homem não encontra Deus olhando para dentro de si mesmo, mas olhando para
Cristo.

Deus não está presente no mundo a ponto de ser tornar um objeto passível do
conhecimento humano exceto quando Ele mesmo escolhe se revelar.

A analogia da fé, ao contrário da analogia do ser, não é uma confiança nas aptidões
naturais ou no poder cognitivo do homem, mas sim estritamente na revelação de Deus.

Só a revelação pode fornecer ao homem conceitos análogos de Deus.

Conclusão

A teologia wesleyana
começa com as Escrituras,
conta com o auxílio do Espírito Santo,
vale-se das dádivas divinas da razão, experiência, tradição e criação,
voltando-se sempre para as Escrituras para chegar a conclusão final.

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Método Wesleyano

Teologia

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