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Elementos de Máquinas

Ligações aparafusadas e rebitadas

CAP 6 – LIGAÇÕES APARAFUSADAS E REBITADAS

6.1. INTRODUÇÃO

As principais vantagens dos parafusos são:

Baixo custo Facilidade de montagem e desmontagem. As principais aplicações dos parafusos são:

Parafusos de fixação em uniões desmontáveis; Parafusos obturadores para tapar orifícios; Parafusos de transmissão de forças; Parafusos de movimento para transformar movimentos rectilíneos em rotativos e vice versa. As principais desvantagens nos parafusos de fixação são:

Possibilidade de ocorrer desaperto durante o funcionamento do equipamento. (para evitar este inconveniente devem usar-se dispositivos contra o desaperto, tais como anilhas retentoras ou porcas com roscas especiais) [parafusos de fixação]. Baixo rendimento de transmissão e o elevado desgaste dos flancos das roscas. [parafusos de movimento]

6.2. TIPOS DE ROSCA E DEFINIÇÃO

A figura 6.1. mostra a parte roscada de um parafuso e a sua simbologia. O significado da terminologia é a seguinte:

- p – passo “pitch”, é a distância axial entre dois pontos correspondentes de filetes adjacentes.

- d – diâmetro nominal do parafuso.

- De – diâmetro exterior “major diameter”, é o diâmetro exterior do parafuso.

- D r – diâmetro interior “minor diameter”, é o diâmetro da raiz do parafuso.

- D m diâmetro médio “mean diameter”, é a média dos diâmetros exterior e raiz.

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- 2aa – ângulo de flanco “thread angle”, é o ângulo formado pelos flancos da rosca.

- ll – ângulo de hélice “lead angle”, é o ângulo da recta planificado correspondente à hélice formada pelos pontos da rosca sobre um cilindro

de diâmetro Dm (figura 6.4.). Tem-se que

tg l =

L

p D

m

.

- L – avanço, é a distância axial que a porca avança quando roda uma volta (figura 6.4.).

que a porca avança quando roda uma volta (figura 6.4.). Fig. 6.1. – Simbologia usada nas

Fig. 6.1. – Simbologia usada nas roscas. [fig. 8.1 Shigley]

Em construção mecânica utilizam-se roscas de dimensões normalizadas com perfil triangular, semicircular, trapezoidal, dente de serra e quadrada. Nos parafusos de fixação usam-se roscas triangulares com crista plana ou lisa. A rosca métrica é especificada pelo símbolo M seguido do diâmetro nominal x passo (ex: M16 x 2). A figura 6.2. mostra esquematicamente o perfil das roscas métricas.

Fig. 6.2. – Representação esquemática do perfil das roscas

triangulares. [fig. 8.2 Shigley]

do perfil das roscas triangulares. [fig. 8.2 Shigley] Rosa Marat-Mendes – Escola Superior de Tecnologia –

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As roscas quadradas, trapezoidais e dente de serra usam-se nos parafusos de movimento encontrando-se a sua geometria também normalizada. A figura 6.3. mostra esquematicamente a configuração das roscas trapezoidais e quadradas.

a configuração das roscas trapezoidais e quadradas. Fig. 6.3. – (a) Rosca quadrada; (b) Rosca trapezoidal.

Fig. 6.3. – (a) Rosca quadrada; (b) Rosca trapezoidal. [fig. 8.3 Shigley] Tabela 6.1. – Diâmetro e passos normalizados das roscas métricas. (dimensões em

mm).[Tabela 8.1. Shigley]

roscas métricas. (dimensões em mm). [Tabela 8.1. Shigley] A t – área útil, à tracção, de

A t – área útil, à tracção, de uma rosca (para igual resistência à de um varão não roscado) A r – é a área correspondente ao diâmetro da raiz.

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6.3. FUSOS DE TRANSMISSÃO DE MOVIMENTO “POWER SCREWS”. MECANISMOS E DIMENSIONAMENTO.

6.3.1. – DIMENSIONAMENTO PARA ROSCAS QUADRADAS.

Os parafusos de movimento são usados frequentemente em aplicações como fusos de tornos, prensas e macacos. Estes vão transformar o movimento circular em rectilíneo ou vice versa. As principais aplicações são fusos de tornos, prensas, macacos, etc. A figura 6.4. mostra um parafuso de movimento de rosca quadrado, com diâmetro médio D m , passo p e ângulo de hélice l, carregado por uma força axial F.

Figura 6.4. – Parafuso de movimento.

[fig. 8.5 Shigley]

F. Figura 6.4. – Parafuso de movimento. [fig. 8.5 Shigley] Para calcular o binário necessário para

Para calcular o binário necessário para elevar ou baixar a carga, considere-se o desenrolamento de um filete de rosca. Este desenrolamento forma a hipotenusa de um triângulo cuja altura é o avanço L e a base é o perímetro pD m correspondente ao

diâmetro médio da rosca (figura 6.5.). Em que N é a força normal, m o coeficiente de atrito e P a força tangencial provocada pelo aperto e desaperto do parafuso.

tangencial provocada pelo aperto e desaperto do parafuso. Fig. 6.5. – (a) Diagrama de forças no

Fig. 6.5. – (a) Diagrama de forças no levantamento da carga ou aperto. (b) na descida da carga ou desaperto. [fig. 8.6 Shigley]

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Fazendo o equilíbrio de forças, vem que:

- para o diagrama de forças no aperto

Ï

Ì

Ó

Â

Â

F

H

F

v

=

P

-

Nsen

l -m

N cos

l =

0

=

F

+ m

Nsen

l -

N cos

l =

0

- para o diagrama de forças no desaperto.

Ï

Ì

Ó

Â

F

H

Â

F

v

= -

= F

P

-m

-

Nsen

l + m

N cos

l =

Nsen

l -

N cos

l =

0

0

(6.1)

(6.2)

Como não estamos interessados na reacção N, eliminamo-la, obtendo-se então a força

tangencial para o aperto e para o desaperto, respectivamente:

P

P

=

=

F(sen

l

+ m

cos

l

)

cos

F(

m

l

cos

- m

l -

l

sen

sen

l

)

cos

l

+ m

sen

l

Dividindo as equações por cosl, considerando

tg l =

L

p D

m

(6.3)

(6.4)

e sabendo que o momento

torsor a aplicar é o produto da força P pela metade do raio D m /2, obtém-se o

Momento torsor para levantar (aperto) e para baixar (desaperto) a carga,

respectivamente.

T

T

=

=

F

D

m

Ê L

Á

Á

Ë

Ê

Á

Á

Ë

+ pm

D

m

ˆ

˜

˜

¯

2

p

D

m

-m

L

F

D

m

pm

D

m

-

L ˆ

˜

L

˜

2

p

D

m

+ m

¯

(6.5)

(6.6)

Se T = 0 ou T < 0

Se T > 0

Não é necessário aplicar qualquer carga para que o

parafuso baixe sob a acção do peso próprio (o fuso

desaperta-se sozinho).

Não há desaperto (ex: parafusos de fixação) quando este

caso acontece, designa-se por Auto-Retenção “Self-

Locking”. A condição para Auto-retenção é que pmD m L.

Se se dividir ambos os membros por pD m , obtém-se m tgl.

Isto mostra que quando o parafuso está em auto-retenção deverá ter-se o ângulo de

atrito maior ou igual que o ângulo da hélice.

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6.3.2. - RENDIMENTO

Por vezes, nos parafusos de movimento é importante conhecer o rendimento:

Se se tiver m = 0 em

T 0

FL = 2 p

T =

F

D

Ê L

+ pm

D

 
 

m

Á

m

 

2

Á

Ë

p

D

- m

m

L

ˆ

˜

˜

¯

, vem:

(6.7)

Sendo T 0 o momento torsor para levantar a carga sem atrito. O rendimento vem então dado por:

e =

T

0

FL

=

T

2

p

T

(6.8)

6.3.3. – DIMENSIONAMENTO PARA ROSCAS TRAPEZOIDAIS.

As equações anteriores foram desenvolvidas para roscas quadradas. Se as roscas forem inclinadas (triangulares ou trapezoidais) a carga é inclinada em relação ao eixo do parafuso. Nestes casos o efeito do ângulo de flanco a é aumentar o atrito.

Assim os termos do atrito têm de ser divididos por cosa.

Fig. 6.6. – (a) efeito do ângulo de flanco a. (b) diâmetro médio de contacto no apoio (collar).

[fig. 8.7. Shigley]

médio de contacto no apoio (collar). [fig. 8.7. Shigley] Obtém-se então o momento torsor para o

Obtém-se então o momento torsor para o aperto para rosca trapezoidal:

T =

F

D

m

2

Ê L

+ pm

D

 

sec

a

Á

m

Á

Ë

p

D

- m

m

Lsec

a

ˆ

˜

˜

¯

(6.9)

Para além do atrito nas roscas ocorre ainda o atrito na cabeça do parafuso (parafusos de fixação) ou no anel de suporte da carga (parafusos de movimento) que vai originar um momento torsor que é preciso vencer para apertar ou desapertar os parafusos.

T

c

=

F

m

c

d

c

2

(6.10)

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sendo:

m c – coeficiente de atrito entre o anel de suporte ou a cabeça do parafuso e a peça.

d c – diâmetro médio de contacto no apoio (figura 6.6. (b)).

Daqui obtêm-se o momento torsor total para levantar (apertar) e baixar (desapertar) a carga para roscas trapezoidais, respectivamente.

T =

F

D

m

2

Ê L

Á

Á

Ë

+ pm D

D

- m

m

m

sec

a

Lsec

a

p

ˆ

˜ +

˜

¯

T =

F

D

m

2

Ê

Á

Á

Ë

pm

D

m

-

Lsec

a

p

D

m

+ m

Lsec

a

ˆ

˜ +

˜

¯

F

m

c

d

c

F

m

2

d

c

c

2

(6.11)

(6.12)

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6.4. PARAFUSOS À TRACÇÃO.

6.4.1. PARAFUSOS COM PRÉ-TENSÃO

Os parafusos são em regra instalados com uma pré-tensão tal que, por atrito, nunca deixem as peças ligadas escorregarem uma sobre a outra, pelo que, nestas condições, os parafusos trabalham à tracção (e não ao corte). No caso geral, o parafuso deverá não só suportar a força normal aplicada, P, como ainda deverá comprimir as peças ligadas com uma força inicial de aperto F i .

Fig. 6.7. – União por parafuso com

pré-tensão. [fig. 8.12. Shigley]

A pré-tensão tem por objectivo:

F i F i
F
i
F
i

Evitar deslocamento relativo das peças ligadas (e consequente corte dos parafusos), através de criação de uma força de atrito suficiente. Evitar que a união se separe por aplicação da força normal exterior, P.

6.4.2. RIGIDEZ DO PARAFUSO

Os parafusos podem ser todos roscados ou só uma das zonas ser roscada. No cálculo da rigidez do parafuso tem de se ter em conta esse aspecto. Quando o parafuso tem uma zona roscada e uma zona não roscada, podemos considerar o parafuso como duas molas em série;

1

K

b

=

1

K

1

+

1

K

2

+

+

1 K

K

i

ou

K

b

=

d

+

K

t

K

d

K

t

(6.13)

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A constante elástica do parafuso ou constante de rigidez para a zona lisa é dada por:

K

=

A

d

E

d L

d

(6.14)

Para a zona roscada vem dada por:

K

=

A

t

E

T L

t

sendo:

(6.15)

A

d – Área de maior diâmetro do parafuso (zona lisa).

A

t – Área resistente do parafuso.[tabela 6.1]

E

– Módulo de elasticidade do parafuso

L

d – Comprimento da zona lisa do parafuso

L

t – Comprimento da zona roscada do parafuso

K

T – constante de rigidez da zona roscada “threaded”.

K

d – constante de rigidez da zona não roscada.

L d
L d

K b – constante de rigidez do parafuso para a zona de ligação

Donde vem que para qualquer parafuso a rigidez deste é dada por:

K

b

=

A A

d

t

E

A L

d

t

+

A L

t

d

(6.16)

6.4.3. RIGIDEZ DAS PEÇAS LIGADAS

À semelhança do procedimento para os parafusos, é necessário determinar a

constante de rigidez das peças ligadas na zona de ligação.

Numa união de peças com várias constantes de rigidez diferentes actuam

como molas em série:

1

K

m

=

1

K

1

+

1

K

2

+

+

1

K

i

(6.17)

Sendo K m a constante de rigidez das peças ligadas.

Se uma das peças tiver uma constante muito menor que as outras, vem que:

K 1 << K i

K 1

m

=

1

K

1

(6.18)

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A rigidez das peças a unir é muito árdua de calcular, pois não se consegue

determinar com exactidão a área da secção resistente (área comprimida das peças).

Como solução aproximada podemos considerar que as peças a unir se

comportam como uma peça composta por dois troncos de cone, com ângulo de

45º[Hamrock] ou de 30º[Shigley], juntos pela base maior, ocos, em que a base menor é o

diâmetro da cabeça do parafuso D e o diâmetro interno é o diâmetro d do parafuso.

D e o diâmetro interno é o diâmetro d do parafuso. Fig. 6.8. – Zona comprimida

Fig. 6.8. – Zona comprimida das flanges considerada como um cone oco com ângulo

de cone 45º. [fig. 8.11 Shigley]

A

constante de rigidez das peças comprimidas é então dada por:

K m

K m

K m

 

p

Ed tan

a

ln

((

È D

2t tan

a +

-

d

)(

D

+

d

))

˘

˙

((

Í Î 2t tan

a +

D

p

Ed

+

d

)(

D

-

d

))

˚

ln

È 2t

+ D

-

d

)(

D

 

+

d

))

˘

˙

Î ((

Í 2t

+ D

+

d

)(

0.577 Ed

p

D

 

-

d

))

˚

ln

È 1.15t

+ D

-

d

)(

D

+

d

))

˘

˙

Î ((

Í 1.15t

+ D

+

d

)(

D

-

d

))

˚

=

= ((

= ((

 

(6.20)

para a = 45º

(6.21)

para a = 30º

(6.22)

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No caso mais corrente (figura 6.9) em que temos dois cones iguais com

t =

L

2

,

o diâmetro de cabeça do parafuso é D = 1,5 d e se as peças a unir forem do mesmo

material, obtém-se então a rigidez das peças comprimidas:

K m

K m

=

 

p

Ed

 

È

2ln 5

(

L

+ 0,5d

)

˘

˙

Í

Î

(

L

+ 2,5d

)

˚

=

0.577 Ed

p

È

2ln 5

Í

Î

0.577L

+

0,5d

0.577L

+

2,5d

˘

˙

˚

(

(

)

)

para a = 45º

(6.23)

para a = 30º

(6.24)

Fig. 6.9. – Ligação aparafusada com flanges do

mesmo material e mesma espessura.

[fig. 15.13 Hamrock]

6.4.4. PARAFUSOS SEM PORCA

t t
t
t

No caso de se terem parafusos em que estes enroscam directamente na chapa

sem aparafusar na porca, as equações para os diâmetros vêm dadas por:

L

D

D

=

Ï h +

Ì

Ó

h +

os diâmetros vêm dadas por: L D D = Ï h + Ì Ó h +

t

2

t

2

1

2

= d

w

=

d

w

+ l tga

=

1,5

d

<

d

d

Fig. 6.10 – Parafuso sem porca.

[fig. 8.18 Shigley]

(6.25)

(6.26)

(6.27)

Parafuso sem porca. [fig. 8.18 Shigley] (6.25) (6.26) (6.27) Rosa Marat-Mendes – Escola Superior de Tecnologia

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6.4.5. JUNTAS (GASKET)

Normalmente em ligações aparafusadas em cilindros sob pressão, aparecem muitas vezes com juntas. Estas juntas, têm como função a vedação desses mesmos cilindros.

Fig. 6.11. – Exemplo de uma junta. [fig. 15.17 Hamrock]

Fig. 6.11. – Exemplo de uma junta. [fig. 15.17 Hamrock] A pressão de vedação na junta

A pressão de vedação na junta é dada por:

p =

N

A

g

[F

i

-

nP(1

-

C)]

(6.28)

Para que haja a condição de a pressão ser uniforme na vedação, tem de se verificar a seguinte relação:

3

£

p D

b £

N d

6

em que:

(6.29)

N

– n.º de parafusos

D

b – diâmetro da circunferência dos parafusos

d

– diâmetro nominal dos parafusos

A

g – área de encosto da junta

n

– coeficiente de segurança

F

i – força inicial de aperto dos parafusos

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6.4.6. PARAFUSOS COM PRÉ-TENSÃO

Ao aplicar uma força exterior P ao parafuso com pré-tensão, esta distribui-se

pelo parafuso e pelas peças ligadas:

• O parafuso alonga de ( P + Fi )

• As peças comprimem de ( P – Fi )

A força resultante no parafuso é de:

F

b

=

K

P

b

K

b

K

m

F

+ i

+

=

CP

+

F

i

A força resultante nas peças ligadas é de:

F

m

=

K

m

P

K

b

+

K

m

-

F

i

=

(1

-

C)P

-

F

i

Em que a constante da junta é dada por:

C

=

K

b

K

b

+

K

m

6.4.7. BINÁRIO DE APERTO

Como já vimos anteriormente;

T =

F

i

D

m

Ê

Á

tg

l + m

sec

a

ˆ

˜ +

˜

 

2

Á

Ë

1

- m

tg

l

sec

a

¯

F

i

m

c

d

c

2

(6.30)

(6.31)

(6.32)

(6.33)

Para uma anilha de um parafuso de cabeça hexagonal, temos que d c = 1.25d

substituindo na equação (6.33), tem-se o binário de aperto:

T

=

È sec

Í

Î

D

m

Ê

Á

Á

Ë

tg l + m

a

2d

1

- m

tg

l

sec

a

ˆ ˘

˜ +

˜

¯

0,625

m

c

˙

˚

F d

i

Û

1 - m tg l sec a ˆ ˘ ˜ + ˜ ¯ 0,625 m c

(6.34)

Tabela 6.2. – Factor do binário (K).

[Tabela 8.10. Shigley]

6.2. – Factor do binário (K). [Tabela 8.10. Shigley] Rosa Marat-Mendes – Escola Superior de Tecnologia

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6.4.8. PROJECTO ESTÁTICO DO PARAFUSO

Sabendo que a força no parafuso é

F

b

= CP + F , a tensão no parafuso vem dada por:

i

s

b

=

F

b

Cn P

F

i

=

+

A

t

A

t

N

A

t

£

S

p

e o coeficiente de segurança é dado por:

n =

(

S

p

A

t

-

F

i

)

N

CP

sendo:

N – número de parafusos

S p – tensão de prova

A

t - Área resistente do parafuso.[tabela 6.1]

n

– coeficiente de segurança

P

– carga aplicada ao parafuso

Se o parafuso a dimensionar destinar-se

a

ser amovível convém que o projecto, em vez

de “à cedência”, seja efectuado “à tensão de prova” (máxima tensão que se pode aplicar ao parafuso sem que este adquira deformação permanente).

Fig. 6.9. – Diagrama típico Tensão-

Deformação. [Fig. 8.15. Shigley]

(6.35)

(6.36)

Tensão- Deformação. [Fig. 8.15. Shigley] (6.35) (6.36) Caso se queira dar a maior pré-tensão possível

Caso se queira dar a maior pré-tensão possível consideram-se os seguintes limites:

F = 0,75F

i

p

F = 0,9F

i

p

Para ligações amovíveis

(6.37)

Para ligações inamovíveis

(6.38)

Sendo F p a Força de Prova dada por F p = A t S p . Os valores de S p encontram-se tabelados na tabela 6.3., para materiais que não se encontrem tabelados usa-se S p = 0.85 S y

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Tabela 6.3. – Propriedades mecânicas dos aços para parafusos. [Tabela 8.6. Shigley]

Sp

Sut

Sy

dos aços para parafusos. [Tabela 8.6. Shigley] Sp Sut Sy O projecto específico de um parafuso

O projecto específico de um parafuso de boa qualidade segue, portanto, o seguinte método:

1. Definir o tipo de ligação quanto a mobilidade ou não do parafuso.

2. Especificar uma classe de resistência para o parafuso (i.e. obter os valores de S p e S y ).

3. Dimensionar o parafuso ao esforço total (F b ).

4. Alternativamente, determinar o número de parafusos (N), de uma dada dimensão (A t ).

5. Num caso e noutro pode ainda interessar calcular o valor máximo a dar a F i , tal que não cause o sobredimensionamento desnecessário de A t ou de

N.

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6.4.9. PARAFUSOS SOLICITADOS À FADIGA

Em muitas situações a solicitação da ligação aparafusada é variável no tempo, o que vai provocar fadiga nos parafusos. O exemplo mais utilizado é o de uma tampa de um reservatório.

Fig. 6.10. – Tampa de um reservatório sob pressão variável.

6.10. – Tampa de um reservatório sob pressão variável. Para o cálculo à fadiga de parafusos

Para o cálculo à fadiga de parafusos solicitados à tracção tem de se utilizar o coeficiente de redução da resistência à fadiga K f , mostrado na tabela abaixo. Para determinar o acabamento superficial, caso não exista nada estabelecido em contrário pode considerar-se acabamento maquinado.

Tabela 6.4. – Factores de redução da resistência à fadiga K f para peças roscadas.

Classe SAE

Classe métrica

Roscas laminadas

Roscas maquinadas

Filete

0

a 2

3,6 a 5,8

2,2

2,8

2,1

3

a 8

6,6 a 10,9

3,0

3,8

2,3

A maioria das cargas de fadiga em parafusos é do tipo pulsante em que a carga

varia entre zero a um valor máximo P. Se a ligação mantiver pré-tensão a carga no parafuso vai variar entre F i e F b .

F

F max F min
F
max
F
min

t

=

F

b

=

F

i

- Força máxima

- Força mínima

Fig. 6.11. – Variação da carga de fadiga em parafusos.

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Esta carga produz uma tensão ondulada, que varia entre uma tensão mínima e

uma tensão máxima.

s

s max s min
s
max
s
min

t

=

=

F

b

A

F

b

t

A

t

- Tensão máxima

- Tensão mínima

Fig. 6.12. – Variação da tensão provocada pela carga de fadiga em parafusos.

A Tensão alternada para parafuso com pré-tensão é dada por:

s

s

a

m

max

- s

min

=

F

b

-

F

i

=

K

b

P

-

F

i

=

F

i

+

CP

-

F

i

 

2

2A

t

K

b

2A

+ 2A

K

m

t

t

 

2A

t

s

=

s

=

A Tensão média para parafuso com pré-tensão é dada por:

max

+ s

min

=

F

b

+

F

i

 

2

2A

t

= s

a

+

F i Û s

A

t

m

=

CP F

i

+

2A

t

A

t

Û s

CP

=

a 2A

t

(6.39)

(6.40)

A tensão s a deve ser comparada com a amplitude da tensão S a dada pelo

critério de Goodman.

Fig. 6.13. – Diagrama de Goodman e

representação da linha de

Kimmelmann usada na análise de

rotura de parafusos à fadiga. B é o

ponto de segurança. C é o Ponto de

rotura.

[Fig. 8.17. Shigley]

O coeficiente de segurança é dado por AC/AB, ou seja:

n = S a / s a

segurança é dado por AC/AB, ou seja: n = S a / s a (6.41) Rosa

(6.41)

Elementos de Máquinas

Ligações aparafusadas e rebitadas

Dado que a distância AD é igual a S a , tem-se:

S a = S m – F i /A t

A equação de goodman é:

S m = S ut ( 1 - S a / S e )

Substituindo uma equação noutra, obtém-se:

S

a

=

- F A S ut i t 1 + S S ut e
- F
A
S ut
i
t
1
+ S
S
ut
e

(6.42)

(6.43)

(6.44)

6.4.10. CONCENTRAÇÃO DE TENSÕES

As duas zonas de um parafuso onde há que considerar obviamente o fenómeno da concentração de tensões são a Arreigada (transição cabeça/espiga) e a transição Liso/Rosca. Considerando, no entanto o conjunto Parafuso/Porca há que ter em conta o efeito da concentração de carga no primeiro fio da rosca sob a porca. O comportamento deste efeito é o de uma verdadeira concentração de tensões, aliás, a mais grave de todas as mencionadas anteriormente. Pode-se considerar, em geral, uma distribuição de tensão típica, ao longo de um parafuso.

distribuição de tensão típica, ao longo de um parafuso. Fig. 6.14. – Concentração de tensões no

Fig. 6.14. – Concentração de tensões no parafuso. A experiência reflecte esta situação. A distribuição de falhas ocorridas em parafusos é de:

Arreigada Æ 15 %

Liso/rosca Æ 20 %

Rosca/Face da Porca Æ 65 %

Elementos de Máquinas

Ligações aparafusadas e rebitadas

6.5. REBITES E PARAFUSOS AO CORTE

6.5.1. INTRODUÇÃO

Os parafusos podem, em certas aplicações, trabalhar ao corte, p.ex. em mecanismos articulados, designando-se mais propriamente por pinos ou cavilhões. Em ligações aparafusadas estruturais evita-se a aplicação de parafusos ao corte devido à necessidade de ajustamento perfeito entre parafusos e furos, bem como o alinhamento perfeito dos furos, para que a carga possa ser igualmente distribuída por todos os parafusos da ligação. Nas ligações rebitadas, em que os rebites trabalham, obviamente, ao corte, já não há necessidade de ajustamentos perfeitos, uma vez que os rebites preenchem completamente os furos, por deformação plástica durante a cravação. As ligações rebitadas usam-se em casos em que seja contra-indicada a ligação soldada (ex. na construção de estruturas metálicas).

As principais vantagens das ligações rebitadas são:

ÿ Mais barato

ÿ Maior facilidade de reparação

ÿ Aplicação a materiais de má soldabilidade (estruturas de alumínio)

Quer se trate de rebites, quer de parafusos ao corte, a análise e tratamento de projecto são o mesmo.

Elementos de Máquinas

Ligações aparafusadas e rebitadas

6.5.2. MODOS DE FALHA E RESPECTIVO PROJECTO DE LIGAÇÃO

AO CORTE.

MODOS DE FALHA E RESPECTIVO PROJECTO DE LIGAÇÃO AO CORTE. C o r t e d

Corte do rebite

AO CORTE. C o r t e d o r e b i t e Esmagamento

Esmagamento das peças Ligadas ou do rebite

r e b i t e Esmagamento das peças Ligadas ou do rebite Flexão das peças

Flexão das peças

Ligadas e do rebite

Ligadas ou do rebite Flexão das peças Ligadas e do rebite C o r t e

Corte da bainha

e do rebite C o r t e d a b a i n h a

Rotura das peças Ligadas

t e d a b a i n h a Rotura das peças Ligadas Rasgão da

Rasgão da bainha

Fig. 6.12. – Modos de falha das uniões aparafusadas ou rebitadas ao corte.

Deste modo, tem de se verificar cada um dos modos de falha para o cálculo de rebites

ao corte.

Elementos de Máquinas

Ligações aparafusadas e rebitadas

Flexão das Peças Ligadas

s = Mc £ s I all
s =
Mc £ s
I all

Corte do Rebite

t = F £ t A all
t =
F £ t
A all

com a área dada por:

A

=

S

n

e

p d

2

4

onde: S – n.º de secções ao corte

n e – n.º de rebites

(6.45)

(6.46)

(6.47)

A – área da secção transversal de todos os rebites. É comum usar-se para o cálculo de A o diâmetro nominal do rebite ou parafuso em vez do diâmetro do furo.

Rotura das Peças Ligadas

F s = £ s all A 1
F
s =
£ s
all
A
1

A 1 – área útil da peça ligada (sem furos)

Esmagamento do Rebite

ou da Peça Ligada

F s = £ s all A 2
F
s =
£ s
all
A
2

A 2 – área sujeita a esmagamento A

2

= n

e

Corte da Bainha

Rasgão da Bainha

Evitam-se se a bainha for

1.5d

 

(6.48)

(6.49)

d

t

(6.50)

Elementos de Máquinas

Ligações aparafusadas e rebitadas

6.5.3. LIGAÇÕES COM CARREGAMENTO CENTRADO.

A resultante das forças aplicadas passa pelo centróide da ligação, i.e., o

momento aplicado à ligação é nulo. A força em cada elemento é dada por:

F'=

F

(6.51)

n

onde:

n

– nº de elementos (rebites) ao corte

F

– força resultante aplicada

F’

– força em cada elemento (rebite) ao corte

F
F

F

F’ – força em cada elemento (rebite) ao corte F F Fig. 6.16. – Ligação rebitada

Fig. 6.16. – Ligação rebitada com carregamento centrado.

6.5.4. LIGAÇÕES COM CARREGAMENTO DESCENTRADO.

Neste caso, a resultante das forças aplicadas não passa pelo centróide da ligação, i.e., o momento aplicado à ligação não é nulo.

X L
X
L

F

Fig. 6.17. – Ligação rebitada com carregamento descentrado.

As coordenadas do centróide são dadas pelas seguintes equações:

Â

n

e

A

x

x =

1

i

i

Â

n

1

e

A

i

Â

n

e

A

y

=

1

i

i

y

Â

n

1

e

A

i

(6.52)

Em que A i são as áreas dos vários elementos i.

Elementos de Máquinas

Ligações aparafusadas e rebitadas

A força F vai provocar um esforço de corte (F’) e uma força devido ao momento (F’’), tal como se pode ver na figura 6.18.

F 3

y F’’ 2 F 2 F’’ 1 R2 R1 F’ 2 F’ 1 C.G. F
y
F’’ 2
F 2
F’’ 1
R2
R1
F’ 2
F’ 1
C.G.
F 1
R3
R4
F’’ 3
x
F’’ 4
F’ 3
F’ 4
F 4

Fig. 6.18. – Forças aplicadas nos elementos quando estão sujeitos a um carregamento descentrado.

As solicitações (F’ e F’’) em cada elemento são dadas por:

F¢ =

i

F

F

¢¢=

i

n

e

M

t

r

i

Â

r 2

i

(6.53)

(6.54)

O elemento que determinará o projecto da ligação é o que for carregado com maior força resultante de F’ e F’’.

2 F = F ¢ + F ¢¢ 2 + F ¢ + F ¢¢
2
F
=
F
¢ +
F ¢¢
2 + F
¢ +
F ¢¢
i
i
i
i
i

(5.55)

Elementos de Máquinas

Ligações aparafusadas e rebitadas

6.5.5. CHAVETAS E PINOS.

Chavetas são elementos usados em veios para fixar componentes rotativos, com transmissão de potência. Pinos são elementos usados para a fixação de peças e que permitem movimentos relativos.

Fig. 6.19. - Pinos [Fig. 8.27 Shigley]
Fig. 6.19. - Pinos
[Fig. 8.27 Shigley]
relativos. Fig. 6.19. - Pinos [Fig. 8.27 Shigley] Fig. 6.20. – Chavetas (a) de cunha; (b)

Fig. 6.20. – Chavetas (a) de cunha; (b) de disco. [Fig. 8.28 Shigley]

Elementos de Máquinas

Ligações aparafusadas e rebitadas

Os modos de falha das chavetas e pinos são o corte e o esmagamento:

Corte

Esmagamento

t

s

=

F

F

=

A

w L

=

F

Lh'

£ s

all

£ t

all

As dimensões das chavetas são normalizadas (Veiga da Cunha)

F F
F
F

Fig. 6.21. – Forças aplicadas nas chavetas e sua nomenclatura. [Fig. 11.10 Hamrock]