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Universidade Federal de Santa Maria Centro de Ciências da Saúde Departamento de Fisiologia e Farmacologia

Universidade Federal de Santa Maria Centro de Ciências da Saúde Departamento de Fisiologia e Farmacologia

Farmacologia Geral Veterinária

Autores Profª Adjunta Eliane Maria Zanchet Profº Adjunto João Regis Miolo

Colaboradores Méd. Vet. Bruna Carolina Garmatz Méd. Vet. Guilherme Coradini Fontoura da Silva Méd. Vet. Luciana Conterato Bulsing Méd. Vet. Renan M. Kruger

Reeditado e Impresso em Março de 2011

Farmacologia Geral Veterinária

FICHA CATALOGRÁFICA

Farmacologia Geral Veterinária

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO E CULTURA UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE

Prof. Felipe Martins Muller Reitor da UFSM

Prof. Dalvan José Reinert Vice-Reitor da UFSM

Prof. Paulo Afonso Burmann Diretor do CCS/UFSM

Prof. Renato Borges Fagundes Vice-Diretor do CCS/UFSM

Farmacologia Geral Veterinária

Farmacologia Geral Veterinária

Autores

Eliane Maria Zanchet 1 João Regis Miolo 2

Colaboradores

Bruna Carolina Garmatz 3 Guilherme Coradini Fontoura da Silva 3 Luciana Conterato Bulsing 3 Renan M. Kruger 3

1 Médica

Farmacologia/CCS/UFSM. Santa Maria – RS.

2 Médico Veterinário,

Farmacologia/CCS/UFSM. Santa Maria – RS.

3 Médico Veterinário, graduado pela UFSM.

Veterinária,

Doutora,

Mestre,

Professora

Professor

do

Departamento

de

Fisiologia

e

do

Departamento

de

Fisiologia

e

Farmacologia Geral Veterinária

APRESENTAÇÃO

Este Caderno Didático foi elaborado para que os alunos do Curso de Medicina Veterinária da UFSM, tenham acesso fácil a informações relativas ao conteúdo programático, desenvolvido na disciplina de Farmacologia Geral Veterinária – FSL 1003, facilitando assim a compreensão dos temas abordados em aulas expositivas teóricas e práticas.

Este trabalho que contou com a colaboração de alunos monitores da disciplina, não tem a pretensão de esgotar o assunto e nem substituir a literatura especializada em farmacologia veterinária, apenas auxiliar de forma didática no acompanhamento das aulas, pelos alunos regularmente matriculados. Obviamente, que os assuntos aqui abordados restringem-se aos propostos pelo plano de ensino em sintonia com a ementa da disciplina FSL 1003 do currículo do Curso de Medicina Veterinária da UFSM, sendo necessário a busca de mais informações por parte dos acadêmicos ou quem fizer uso deste manual para aprofundamento dos temas aqui explanados. Agradecemos a todos que colaboraram, especialmente aos alunos que se utilizam deste instrumento para atingirem os seus objetivos como futuros profissionais médicos-veterinários. Também não podemos deixar de lembrar os Professores aposentados Amauri Rodrigues da Silva, Hilton Machado Magalhães e Rubem Boelter, mestres inspiradores e pioneiros na elaboração de polígrafos ou cadernos didáticos para a disciplina de Farmacologia Veterinária no Departamento de Fisiologia e Farmacologia, além da autoria de livros sobre o tema.

Os Autores

Farmacologia Geral Veterinária

SUMÁRIO

UNIDADE I – INTRODUÇÃO A FARMACOLOGIA

7

1. INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA FARMACOLOGIA

7

2. FORMAS FARMACÊUTICAS E FÓRMULAS

13

3. ADMINISTRAÇÃO DE FÁRMACOS

17

4. VIAS DE ADMINISTRAÇÃO

19

5. FARMACOCINÉTICA

29

6. MECANISMO DE AÇÃO DOS FÁRMACOS- Considerações Gerais e Receptores

43

7. MECANISMO DE AÇÃO DOS FÁRMACOS – Relação dos Fármacos com o Organismo

49

8. EFEITOS ADVERSOS DOS FÁRMACOS

52

9. FATORES QUE MODIFICAM A AÇÃO FARMACOLÓGICA DOS FÁRMACOS

53

UNIDADE II – FARMACOLOGIA DO SISTEMA NERVOSO AUTÔNOMO

60

10. ADRENÉRGICOS E ANTIADRENÉRGICOS

60

11. COLINÉRGICOS E ANTICOLINÉRGICOS

69

UNIDADE III – FARMACOLOGIA DO SISTEMA NERVOSO PERIFÉRICO

74

12. ANESTÉSICOS LOCAIS

74

13. RELAXANTES MUSCULARES DE AÇÃO PERIFÉRICA

79

UNIDADE IV – FARMACOLOGIA DO SISTEMA NERVOSO CENTRAL

82

14. INTRODUÇÃO E ANESTÉSICOS GERAIS

82

15. ANESTÉSICOS GERAIS INALATÓRIOS

87

16. ANESTÉSICOS GERAIS INJETÁVEIS E DISSOCIATIVOS

93

17. TRANQÜLIZANTES MAIORES

99

18. TRANQÜLIZANTES MENORES

104

19. RELAXANTES MUSCULARES DE AÇÃO CENTRAL

110

20. ESTIMULANTES: CORTICAIS, BULBARES E MEDULARES

112

21. CONTENÇÃO QUÍMICA EM RÉPTEIS

116

22. IMOBILIZAÇÃO QUÍMICA EM PRIMATAS SELVAGENS

117

23. CONTENÇÃO QUÍMICA DE FELINOS SELVAGENS

119

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

121

Farmacologia Geral Veterinária

UNIDADE I – INTRODUÇÃO À FARMACOLOGIA

1. INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA FARMACOLOGIA

1.1 – Breve Histórico da Farmacologia

Desde sempre o homem em todas as épocas lutou e ainda luta contra a dor e a enfermidade, preocupado com a preservação de sua saúde visando melhor qualidade de vida.

sua

predecessora a empírica MATERIA MÉDICA.

O conhecimento do uso de substâncias medicamentosas bem como de sua

aplicação se funde na história com os aspectos mitológicos dos diferentes povos da Antigüidade. Acreditavam os povos antigos na interferência de forças divinas para auxiliar na cura das enfermidades. Normalmente, cabia ao feiticeiro de cada clã a realização de rituais com a finalidade de obter a cura.

Entre o povo grego era Apolo considerado o Deus encarregado da arte de curar. Asclépio (Eusculápio na mitologia romana), que era filho de Apolo, estimulava seus seguidores a erigirem templos de tratamento para os doentes sendo que nesses locais, além de rituais, os enfermos eram tratados com banhos de água mineral e massagens; usavam também plantas, animais e seus produtos em sacrifícios para aplacar a ira dos deuses, bem como com a finalidade de eliminar o agente causador da enfermidade.

A primeira referência escrita do uso de diversas plantas no tratamento das

enfermidades é encontrada na TÁBUA SÚMERO-ASSÍRIO-BABILÔNICAS (500 A.C.) No PAPIRO DE EBERS (1500 A.C.) aparecem prescrições que especificavam as doenças, substâncias e processos a serem usados no tratamento. CRATEVAS (126-64 A.C.) foi médico de Mitrídates IV, o Rei do Ponto, e por solicitação deste soberano foi o primeiro a estudar os venenos e seus antídotos. CORNÈLIO CELSUS (25-50 A.C.) foi o primeiro a classificar as substâncias conforme seus efeitos classificando-as em 6 grupos: purgativos, vomitivos, diuréticos, sudoríficos, narcóticos e estimulantes.

PEDANO DIOSCORIDES (40-90 D.C.) escreveu o livro De Universa Medicina reunindo a matéria médica até então conhecida, realizando a classificação qualitativa de ervas medicinais, minerais, e alguns produtos de origem animal. Sua matéria médica foi o guia do uso das drogas até o século XVIII. CLAUDIO GALENO (135-201 D.C.) englobava as prescrições que receberam a denominação de preparações galênicas, onde se misturavam até 50 substâncias (polifarmácia). Na Idade Média houve uma completa estagnação nas ciências nas artes e praticamente não ocorreram fatos relevantes dentro da Farmacologia.

A farmacologia

como

ciência

tem

pouco

mais

de

um

século,

sendo

A grande arrancada desta disciplina ocorreu juntamente com a Renascença,

destacando-se, entre outros, PHILIPUS AUREOLUS THEOPHRASTUS BOMBAST VON HOHENHEIM (Paracelso) que foi o primeiro a se insurgir contra o sistema de polifarmácia preconizado por Galeno; estimulou o uso clínico do enxofre, ferro, sulfato de cobre, sulfato de potássio, mercúrio, láudano, tinturas e extratos de várias plantas no tratamento das enfermidades.

SIR CHRISTOPHER WREN e assistentes, em 1656, realizaram a primeira injeção de drogas no cão. Quase que na mesma época, membros da Ordem dos Jesuítas

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levaram da América do Sul a casca da árvore da quina para tratarem indivíduos acometidos de malária. A partir de então, se concluiu que era possível de realizar uma terapêutica específica e este fato iniciou a pesquisa contínua na Farmacologia, com a finalidade de se achar droga específica para tratar enfermidade específica. WILLIAN WITHERING, em 1783 registrou sua experiência com o uso da Digitalis no tratamento da hidropsia. A investigação experimental desta planta foi realizada por CLAUDE BERNARD (1813-1873) e SCHMIEDENBERG demonstrou que a ação era exercida sobre o coração.

Durante o transcorrer dos séculos XVIII e XIX as ciências experimentais tiveram um crescimento vertiginoso, principalmente pelo isolamento de princípios ativos de plantas e

a síntese de compostos orgânicos. Destacamos desta época as figuras de FRANÇOIS

MAGENDIE (1783-1855) que publicou suas observações experimentais sobre os efeitos de inúmeras substâncias, destacando-se a injeção endovenosa da ipeca, morfina, ácido cianídrico, estricnina, iodo, potássio, veratrina, quinina, dentre outras. ORFILA (1787- 1853) químico e médico, realizou investigações aprofundadas dos venenos e se tornou conhecido como o fundador da TOXICOLOGIA. O termo PHARMAKOLOGIE foi usado pela primeira vez em 1692. Em 1885, BUCHEIM publicou um tratado onde, pela primeira vez, classificou as drogas de acordo com sua ação farmacológica sobre o tecido vivo. Por este motivo RUDOLF BUCHEIM é considerado como o pai da farmacologia. OSWALD SCHMIEDENBERG (1838-1921), discípulo e substituto de Bucheim na Cátedra de farmacologia teve como meta fazer da farmacologia uma disciplina independente e baseada numa metodologia experimental exata. JOÃO BAPTISTA DE LACERDA (1846-1915), fluminense, dedicou-se ao estudo dos efeitos de plantas e venenos, sendo o fundador do primeiro laboratório brasileiro de fisiologia e farmacologia; EMIL FISCHER (1852-1919) alemão, sintetizou e introduziu o uso em medicina do primeiro barbitúrico, o barbital; PAUL EHRLICH (1854-1915) foi o fundador da quimioterapia moderna; JOHN JACOB ABEL (1857-1938) farmacologista americano, pioneiro na investigação das secreções endócrinas: estudou a adrenalina, cristalizou a insulina, estudou os hormônios da hipófise; WALTER CANNON (1871-1945) fisiologista americano demonstrou a mediação química da adrenalina (e hoje sabe-se da noradrenalina, também) no sistema simpático; OTTO LOEWI (1873-1961) austríaco, criou

a teoria de mediação química do parassimpático pela acetilcolina (vagusstoff) e explicou a ação da eserina pela inibição da colinesterase; RUDOLF MAGNUS (1837-1927) farmacologista holandês, foi o primeiro a estudar a ação das drogas sobre o músculo intestinal isolado; Sir HENRY DALE (1857-1968) farmacologista e fisiologista inglês, estudou os princípios ativos de ergô, das aminas simpaticomiméticas e parassimpaticomiméticas, descreveu as ações da histamina analisando seu papel na anafilaxia, e, criador das expressões adrenérgico e colinérgico; Sir ALEXANDER FLEMING (1881-1953) escocês, descobridor da penicilina e da lisozima e iniciador da era da antibioticoterapia; GERHARD DOMAG (1895-1964) alemão, introdutor da sulfanilamida em terapêutica; DANIEL BOVET (1907- ) suíço, estudou as ações farmacológicas dos primeiros anti-histamínicos e curares sintéticos; ALFRED JOSEPH CLARCK (1885-1941) médico e farmacologista inglês, fundador da Farmacologia Molecular.

1.2 - Divisão da Farmacologia

FARMACOLOGIA GERAL: tem por objetivo o estudo dos conceitos farmacológicos básicos e comuns a todos os fármacos. Ex: vias de administração, absorção, distribuição, biotransformação e excreção.

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FARMACOLOGIA ESPECIAL OU APLICADA: estuda os fármacos reunidos em grupos que tenham ação farmacológica similar. Ex: fármacos que agem sobre o sistema nervoso periférico, que agem sobre o sistema cardiovascular, sobre o sistema digestivo, estimulantes do sistema nervoso central, etc FARMACOGNOSIA: é a parte da farmacologia que estuda a origem dos fármacos. FARMACODINÂMICA: estuda os efeitos bioquímicos e fisiológicos dos fármacos e seus mecanismos de ação. FARMACOCINÉTICA: estuda o destino dos fármacos (absorção, distribuição, metabolização e excreção), ou seja, como o organismo se comporta frente aos fármacos. FARMACOLOGIA MOLECULAR: é a área da farmacologia que estuda os efeitos das drogas correlacionando-as com a estrutura química das mesmas. FARMACOTÉCNICA: estuda a maneira de preparar as formas medicamentosas. FARMACOTERAPIA: é o ramo da farmacologia que estuda a aplicação dos medicamentos no tratamento das enfermidades. TOXICOLOGIA: é a área que se dedica a estudar os efeitos nocivos dos fármacos, as doses tóxicas, os sintomas e o tratamento das intoxicações. CRONOFARMACOLOGIA: é a área que se dedica ao estudo das variações rítmicas dos medicamentos no corpo, com o objetivo de encontrar horários em que as medicações sejam mais eficientes e provoquem menos efeitos colaterais. FARMACOGENÉTICA: É o estudo das influências genéticas sobre as respostas dos fármacos. FARMACOGENÔMICA: Descreve o uso da informação genética para guiar a escolha de uma terapia medicamentosa em bases individuais. Associando as variações genéticas específicas às variações na terapêutica ou nos efeitos indesejáveis de um fármaco em particular permitiria a individualização da escolha terapêutica com base no genótipo do paciente. FARMACOECONOMIA: Ramo da economia da saúde que visa quantificar em termos econômicos o custo e o benefício dos fármacos utilizados terapêuticamente. FARMACOEPIDEMIOLOGIA: É o estudo dos efeitos dos fármacos em nível populacional. Estuda a variabilidade dos efeitos dos fármacos entre indivíduos de uma população, e entre populações.

1.3 - Conceitos Gerais

FARMACOLOGIA: é uma ciência que estuda os fármacos e os medicamentos sob todos os aspectos. Compreende o conhecimento da história, origem, propriedades físicas e químicas, composição, efeitos bioquímicos e fisiológicos, mecanismo de ação, absorção, distribuição, biotransformação, eliminação, usos terapêuticos, além de outros empregos das substâncias medicamentosas. Etimologicamente vem do grego Phármakon = fármaco, droga ou medicamento e do sufixo Lógos = estudo, tratado. FÁRMACO: são substâncias que possuem estrutura química definida e que são utilizadas com a finalidade de modificar ou explorar sistemas fisiológicos ou patológicos, para o benefício do organismo receptor. É a droga-medicamento de estrutura química bem definida. MEDICAMENTO: do latim medicamentum, de medicare = curar. Portanto, medicamento é qualquer substância química ou associação de substâncias empregadas

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num organismo vivo, visando-se obter efeitos benéficos. São substâncias químicas destinadas a curar, diminuir, prevenir e/ou diagnosticar enfermidades. DROGA: qualquer substância química capaz de agir num organismo vivo, produzindo efeito farmacológico, provocando alterações somáticas ou funcionais. Estas alterações podem ser benéficas (droga-medicamento) ou maléficas (droga-tóxico). Podem também ser utilizadas como instrumento auxiliar em investigação científica. REMÉDIO: do latim remedium, re= inteiramente + mederi = curar. Portanto, tudo aquilo que cura, alivia ou evita uma enfermidade. Palavra usada pelo leigo como sinônimo de medicamento e especialidade farmacêutica. Este termo abrange não só os agentes químicos (medicamentos) como outros recursos como tratamento psicológico, alterações de hábitos, higiene, massagem, orações ou crença religiosa, exercícios. O conceito de remédio exclui a necessidade de comprovação científica de sua eficácia e segurança. FORMA FARMACÊUTICA: é a forma pela qual se apresenta o medicamento para ser utilizado. Exemplo: comprimido, tablete, cápsula, xarope, elixir, etc VENENO: toda a substância que ingerida ou aplicada externamente, sendo absorvida, determine a morte ou ponha risco a vida. PLACEBO: é uma palavra derivada do latim placere = agradar. Segundo definição de 1881: “placebo é um qualitativo dado a toda medicação prescrita mais para agradar ao paciente do que para lhe ser útil”. Outra definição é que “placebo é qualquer tratamento que não tem ação específica nos sintomas ou doença do paciente, mas que, de qualquer forma, pode causar um efeito no paciente”. Usado em ensaios clínicos controlados para determinar a eficácia de novos medicamentos. A palavra também pode ser aplicada a algum processo sem valor terapêutico intrínseco, porém realizado pela sua influência psicológica sobre o paciente. Mesmo os medicamentos já consagrados ou em investigação possuem, além de sua ação farmacológica intrínseca, o chamado efeito placebo quando o paciente acredita na atividade do medicamento. POSOLOGIA: do grego pósos = quanto + logos = estudo. É o estudo das dosagens do medicamento com fins terapêuticos. DOSE: é a quantidade de medicamento necessária para promover a resposta terapêutica. DOSAGEM: Inclui além da dose, a freqüência de administração e duração do tratamento. DOSE EFETIVA OU TERAPÊUTICA: é a dose capaz de produzir efeito determinado. DOSE EFETIVA 50 (DE 50): dose que produz determinado efeito em 50% dos indivíduos testados. DOSE LETAL 50 (DL 50): dose que produz a morte de 50% dos indivíduos testados. ÍNDICE TERAPÊUTICO: é a relação existente entre a DL50/DE50. Este índice será tanto melhor quanto maior o quociente. MARGEM DE SEGURANÇA: é a relação estabelecida entre DL10/DE90. MEDICAMENTO OFICIAL: é aquele que faz parte da farmacopéia. MEDICAMENTO OFICINAL: é aquele que se prepara na própria farmácia, de acordo com as normas e doses estabelecidas por farmacopéias ou formulários e com designação uniforme. MEDICAMENTO MAGISTRAL: é aquele prescrito pelo profissional e preparado para cada caso, com indicação de composição qualitativa e quantitativa, da forma farmacêutica e da maneira de administração.

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FARMACOPÉIA: publicação na forma de livro que oficializa as drogas- medicamentos de uso corrente e consagradas pela experiência como eficazes e úteis. Descreve testes químicos para determinar a identidade e pureza das drogas e fórmulas para certas misturas dessas substâncias. As farmacopéias são publicações oficiais do governo de cada país e são atualizadas periodicamente por comissões designadas pelo órgão oficial.

1.4 - Importância da Farmacologia na Medicina Veterinária

A Farmacologia pode ser considerada a “censura” dos medicamentos, uma vez que para a obtenção de um fármaco que seja eficaz na terapêutica medicamentosa, na maioria das vezes é necessário examinar milhares de outras substâncias químicas derivadas de um só produto, como é o caso das sulfas, antibacteriano que para a sua obtenção, examinaram-se mais de cinco mil produtos. Portanto um laboratório de Farmacologia pesquisa em média de quatro a cinco mil outros medicamentos até chegar a um medicamento que venha a ser utilizado no arsenal terapêutico.

Antes de um fármaco ser testado clinicamente, deverá passar por etapas consideradas básicas que iniciam pela descoberta de um novo composto ou a descoberta de um novo uso para um composto já conhecido; a pesquisa inicial por meio de testes específicos ou gerais para determinar a real atividade farmacológica; estudos da toxicidade aguda em animais para estabelecer a margem de segurança, dose letal e dose terapêutica eficaz; estudos mais amplos para estes aspectos de toxicidade e eficácia; estudos da toxicidade subaguda para determinação da dosagem correta, e o que a nova droga faz e como faz, usando no mínimo duas espécies de animais e estudos anátomo- patológicos; informações às autoridades competentes e solicitação de um requerimento para uma droga investigacional iniciando estudos em seres humanos, pacientes voluntários. Por fim, estudos de toxicidade a longo termo em animais, preferencialmente primatas, podendo então a partir daí, iniciarem os testes clínicos, continuando os testes em animais. Observa-se, portanto a necessidade de conhecimentos principalmente nas áreas de Fisiologia e Patologia, destacando-se o Médico Veterinário como um dos profissionais indicados para estes estudos básicos e clínicos na pesquisa de fármacos. Os conhecimentos exatos em Farmacologia são necessários para o desempenho pleno da profissão de médico-veterinário.

e

bioquímica é útil a qualquer que seja a especialização dentro da área da saúde.

A farmacologia fornece as bases para o estabelecimento de uma terapêutica científica e racional.

É

evidente

que

a

farmacologia

com

suas

raízes

profundas

na

fisiologia

1.5 - Sistemas de Tratamentos

ALOPATIA: (allos = outro; pathos = doença). É o sistema terapêutico em que as doenças são tratadas criando-se condições compatíveis com o estado patológico, mediante antagonismo do agente causal. HOMEOPATIA: (homeo = semelhante; pathos = doença). Ramo paralelo a Farmacologia, baseado numa teoria criada no final do século XVIII por SAMUEL HAHNEMANN (1755-1843) de que o “semelhante combate semelhante”. Hahnemman propõe o uso de doses infinitesimalmente menores do que as usadas em terapias com medicamentos, a tal ponto que é praticamente impossível dosar o que considera princípios ativos. Baseado na observação de efeitos tóxicos, a homeopatia procura curar

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administrando um agente que pode causar o mesmo sintoma da moléstia. Utiliza os princípios da potenciação e similaridade (similia similibus curantur), abordando o indivíduo como um todo, trata o doente e não somente a doença. Seus medicamentos são preparados, empregando-se técnicas especiais de diluições sucessivas, intercaladas de agitações vigorosas e dinamizações. FITOTERAPIA: é o emprego correto de plantas medicinais para fins terapêuticos, com o uso de plantas medicinais selecionadas por sua eficácia e segurança terapêuticas, baseadas na tradição popular ou cientificamente validadas como medicinais. As apresentações e preparações fitoterápicas são divididas em uso farmacêutico (produto fitoterápico) e uso doméstico (planta medicinal).

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2. FORMAS FARMACÊUTICAS E FÓRMULAS

2.1 - Introdução

Historicamente, sabe-se que as primeiras formas farmacêuticas foram descritas nos papiros médicos dos egípcios e que através das crenças espirituais, que utilizavam o encantamento, a música e os perfumes tentava-se a cura de enfermidades. Também as chamadas beberagens mágicas utilizadas no preparo de medicamentos foram descritas por Hipócrates na Grécia Antiga e Galeno no Império Romano. A formulação farmacêutica propriamente dita foi descrita no século XIV por Paracelsus e por Lavoisier no século XVII na chamada “Revolução Química”. No século XIX e XX sucedeu-se a criação das Indústrias Farmacêuticas, iniciando

a produção de medicamentos e a diversificação das formas farmacêuticas, seguindo o princípio de primo non nocere (primeiro não causar mal), ou seja, “com o critério de assegurar ao medicamento o máximo de ação com o mínimo de inconvenientes”.

2.2 - Fórmulas ou Formulação

Uma fórmula ou também chamada formulação constitui-se de:

- Substância principal da fórmula princípio ativo ou base medicamentosa;

- Substância que reforça a ação do princípio ativo adjuvante;

- Substância para corrigir o sabor e odor corretivo ou edulcorante;

- Substância que evita incompatibilidades farmacêuticas intermediário;

- Meio no qual se dissolve o princípio ativo veículo para líquidos ou excipiente para sólidos.

BULA: é o formulário técnico apresentado pelo fabricante do medicamento junto com a apresentação comercial do fármaco e que deve conter informações importantes,

tanto ao leigo como ao profissional que fará uso do medicamento. Os principais itens são

o nome farmacológico ou genérico que identifica o produto farmacêutico, a composição

(apresentação e quantidade), farmacologia (informações técnicas referentes a farmacocinética e farmacodinâmica), indicações ou usos clínicos, contra-indicações, precauções ou advertências, reações adversas (RAD) ou efeitos colaterais ou paraefeitos (efeitos paralelos indesejados), posologia (dose, via, freqüência ou intervalo de administração, duração do tratamento), interações medicamentosas e superdosagem (toxicologia).

2.3 - Formas Farmacêuticas

É o estado sólido, líquido ou gasoso que se apresenta o fármaco ou o formato que fica após a manipulação, ou seja, esférico (pílula); oval (óvulo); cônico (supositório); cilíndrico (cápsula).

As principais formas farmacêuticas são classificadas levando-se em consideração o uso, interno ou externo, bem como a via de administração de escolha do fármaco.

2.3.1 - Para uso interno:

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Via Oral ou Digestiva

- Forma sólida: pós e aglomerados na forma de pílulas, pastilhas, comprimidos,

cápsulas, drágeas, granulados, pérola, pasta e gel.

- Forma líquida: composta por soluções simples e compostas, xaropes, elixires,

gargarismo, colutório, sopa e barbotage, bebida e beberagem, poção, além de dispersões

constituídas por emulsões e suspensões. Enema é uma solução aplicada por via retal.

2.3.2 - Para uso externo:

Via Cutânea (Tópica): as pomadas, cremes, ungüentos, pastas, cataplasmas e loções são alguns exemplos. Para uso oftalmológico utilizam-se cremes, colírios e soluções. Via Vaginal: usam-se óvulos, comprimidos, geléias e velas. Via Parenteral: utilizam-se líquidos, solução aquosa ou oleosa, suspensão em grandes volumes (para nutrição parenteral prolongada). Para pequenos volumes (ampolas e injeções) administra-se pela via intramuscular (IM), intravenosa (IV), intra- raquidiana e intradérmica (pellets), subcutânea (SC) e intraperitoneal (IP). Via Intramamária: utilizam-se líquidos, pomadas ou cremes e aerossóis, introduzidos pelo canal do teto na glândula mamária. Geralmente o princípio ativo está contido nestas formas farmacêuticas, em seringas plásticas com bico de 2-3 mm de comprimento, para introdução no canal do teto.

2.4- Classificação das formas farmacêuticas

Sólidas: comprimidos, drágeas, cápsulas, supositórios e óvulos Líquidas: soluções, xaropes, elixires, suspensões, emulsões, injetáveis, colírios, tinturas, extratos Líquidas: soluções, xaropes, elixires, suspensões, emulsões, injetáveis, colírios, tinturas, extratos Aerossóis

COMPRIMIDOS São preparações farmacêuticas sólidas, de formato variado, geralmente cilíndricas ou lenticulares, obtidas pela compressão de substâncias medicamentosas secas, acondicionadas ou não em excipientes inertes. Tipos especiais: comprimidos de uso externo, comprimidos sublinguais, comprimidos bucais, comprimidos efervescentes, comprimidos mastigáveis, comprimidos revestidos, pellets ou implantes.

DRÁGEAS São formas farmacêuticas cujo princípio ativo fica envolvido por um revestimento de açúcar e corante.

CÁPSULAS São formas farmacêuticas constituídas de um invólucro de gelatina dura ou mole, contendo um ou mais fármacos.

SUPOSITÓRIOS São formas farmacêuticas de consistência firme, forma cônica ou ogival, destinadas a aplicação retal, obtidas por solidificação ou compressão, em moldes de

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massa adequada, encerrando substâncias medicamentosa. Exemplos: supositório de glicerina.

ÓVULOS São formas farmacêuticas ovóides de aplicação vaginal.

SOLUÇÕES

São

contém

dissolvidas em um solvente adequado ou numa mistura de solventes mutuamente

químicas

preparações

líquidas

que

uma

ou

mais

substâncias

imiscíveis.

Tipos:

soluções Orais; soluções Otológicas; soluções Nasais; colutórios; soluções cavitárias

ELIXIRES São formas farmacêuticas para uso oral que contém no mínimo 20% de álcool e 20% de açúcar.

XAROPES São preparações farmacêuticas aquosas contendo 2/3 do seu peso de sacarose.

SUSPENSÕES São formas farmacêuticas líquidas constituídas de 2 fases: interna sólida (insolúvel) e externa líquida. Exemplo: Suspensão de hidróxido de alumínio (MAALOX ®)

EMULSÕES São formas farmacêuticas líquidas constituídas por um sistema de 2 fases imiscíveis em que uma está finamente dividida e dispersa na outra por um agente emulsivo. Apresentam uma fase aquosa e uma fase oleosa. Exemplo: Emulsão de fenolftaleína (AGAROL ®)

INJETÁVEIS São soluções, suspensões, emulsões estéreis de substâncias medicamentosas em veículos aquosos, oleosos e outros, apropriados para serem administrados por via parenteral.

COLÍRIOS São formas farmacêuticas líquidas administradas sob a forma de gotas, quer se trate de soluções ou suspensões, e que se destinam a tratar das várias afecções do globo ocular incluindo a das pálpebras, da conjuntiva e da córnea.

EXTRATOS São preparações concentradas, obtidas de drogas vegetais ou animais, frescas ou secas, por meio de um líquido extrativo apropriado, seguido de sua evaporação total e parcial e ajuste de concentração a padrões estabelecidos. Exemplo: Extrato de boldo

TINTURAS São preparações alcoólicas ou hidroalcoólicas preparadas a partir de matéria prima vegetal ou de substâncias químicas.

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POMADAS São formas farmacêuticas de consistência macia, pegajosa, semi-sólida, contendo um ou mais princípios ativos, destinadas a serem usadas externamente, para ação tópica ou sistêmica e também para fins de proteção e lubrificação. Exemplo: Pomada de betametasona (BETNOVATE ® )

CREMES São emulsões líquidas viscosas ou semi-sólidas do tipo óleo em água ou água em óleo que podem ou não conter substâncias terapêuticas. Exemplo: Creme de betametasona (BETNOVATE ® )

LOÇÕES São formas farmacêuticas líquidas com princípios ativos em solução, emulsão ou suspensão destinadas a serem aplicadas na pele. Exemplo: Loção de calamina + difenidramina (CALADRYL ® )

AEROSSÓIS São formas farmacêuticas formadas por fármacos sólidos ou líquidos acrescidos de gases para nebulização. Exemplos: Beclometasona aerossol (BECLOSOL ® )

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3. ADMINISTRAÇÃO DE FÁRMACOS

3.1 - Administração de Medicamentos: Considerações Gerais

Para que determinado fármaco chegue ao local de atuação é necessário que ele seja fornecido ao organismo, ou seja, é necessário que haja uma penetração do fármaco no organismo, exceto no caso de ele atuar exclusivamente por ação tópica ou local. Assim o fármaco seguirá desde o local onde foi colocado (administrado) até ao local de atuação, utilizando preferencialmente a corrente sangüínea como meio de circulação. O modo como o fármaco é fornecido ao organismo constitui a via de administração, que deverá ser escolhida em função do princípio ativo, do veiculo utilizado (que tem grande influência na cinética do transporte), do objetivo terapêutico e das condições em que se encontra o paciente. Portanto o efeito desejado (se sistêmico ou local), o período de latência (tempo de inicio da ação), as propriedades físico-químicas, a forma farmacêutica do fármaco são fatores que influenciam na administração e conseqüentemente no efeito farmacológico.

3.1.1 - Classificação das vias de administração quanto à velocidade de absorção:

Como vimos, é necessário que o fármaco entre na circulação sanguínea para que atinja o local onde irá atuar. Para isso, ele poderá ser introduzido diretamente no sangue (penetração direta no organismo - administração imediata) ou poderá ser colocado em determinado local (depósito - administração mediata) de onde irá passar para o sangue, com determinada velocidade. Um dos fatores que influencia grandemente a velocidade de absorção é o veículo da preparação medicamentosa. Baseados em numerosos ensaios, e única e exclusivamente com fins pedagógicos, elaborou-se uma lista, em ordem decrescente, da velocidade média de absorção:

Via intramedula-óssea

+++++

Via alveolar

++++

Via intraperitoneal/ endovenosa

+++

Via intramuscular

++

Via subcutânea

+

Via retal

+

Via digestiva

+

Via cutânea/ dérmica (tópica)

-

3.1.2 Absorção:

Esta poderá ser mediata ou indireta, sempre que não há traumatismo na deposição do fármaco, e imediata ou direta quanto há. Portanto, absorção é um processo fisiológico através do qual uma substância administrada do exterior chega até à corrente circulatória, passando através de barreiras fisiológicas.

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3.1.3 Aspectos a Considerar na Escolha da Via de Administração:

Quando perante determinado paciente se pretende fazer a administração de um ou mais fármacos, deve-se levar em conta o paciente, o fármaco utilizado, a velocidade de absorção da via escolhida, a contenção do paciente, o objetivo terapêutico e no caso das fêmeas em gestação, a absorção por via transplacentária.

a) Aspectos dependentes do paciente: aqui deve-se levar em consideração a

espécie animal, a idade, a raça, o sexo, e o estado físico do paciente.

b) O Fármaco utilizado: depende do fim que se pretende deve-se escolher o

fármaco em função da sua farmacodinâmica. Um fator importante são as possíveis incompatibilidades existentes; fenômenos de destruição pelo pH ácido do estômago ou enzimas ou bactérias existentes no tubo digestivo; e eliminação na primeira passagem pelo fígado (efeito de primeira passagem).

c) A velocidade de absorção da via: está dependente do estado físico do animal

e da preparação medicamentosa.

d) Contenção do paciente: não existe, normalmente, grande colaboração por

parte dos animais na administração de fármacos, e na maior parte das vezes temos que nos socorrer de meios de contenção, que diferem entre as espécies e o grau de sujeição

que se pretende.

e) Objetivo terapêutico: são variadas as situações em que o objetivo terapêutico

pode condicionar a escolha da via de administração, notadamente a necessidade de curtos tempos de latência ou efeitos mais prolongados no tempo, as vias de acesso ao local onde se pretende atuar.

f) Absorção por via transplacentária: a absorção por via transplacentária é um fator que não se deve negligenciar nas fêmeas em gestação, principalmente no princípio da gravidez, pois pode provocar a morte dos fetos por intoxicação como também provocam alterações e mal-formação em diferentes tipos de placentas.

g) Eliminação do fármaco: pelos efeitos nocivos na via de eliminação, capacidade

funcional dos órgãos de eliminação e possíveis acumulações de fármaco nesses órgãos ou produtos por eles produzidos. Na escolha da via de administração deve-se ter atenção no caso particular das fêmeas lactantes (consumo de leite pelas crias ou utilização do leite para consumo humano). A via intramamária é aquela que tem uma implicação mais direta.

3.2 - Material Usado na Administração de Medicamentos

3.2.1 - Material usado nas administrações por via entérica ou digestiva:

- Pistola lança-doses ou dosadora, aplicador intra-ruminal;

- Régua oral (ovinos, caprinos, bovinos, canídeos, felinos) ou abre-bocas;

- Garrafa (para beberagem);

- Sondas gástricas;

- Seringas plásticas (líquidos em animais de companhia).

3.2.2 - Material usado nas administrações por via parenteral:

de vidro, metálica (veterinária) e plástico

(descartáveis e esterilizáveis), seringas de um só uso (descartáveis).

- Agulhas Tipos de agulhas: são variáveis de acordo com suas características, que são: diâmetro, comprimento e ângulo do bisel.

- Seringas

Tipos

de seringas:

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4. VIAS DE ADMINISTRAÇÃO

VIAS ENTERAIS Fármacos entram em contato com o trato digestório. Também chamada de vias de USO INTERNO.

4.1- Via Oral (VO)

Esta via de administração é a via mais usual para animais domésticos, por ser relativamente fácil de ser executada pelos donos dos animais.

4.1.1 Vantagens: É a via mais simples, a mais segura, a mais econômica e a

menos perigosa, pois em caso de sobredosagem, pode-se retirar o excesso de medicamento por lavagem gástrica ou por vômito (carnívoros).

características

organolépticas indesejáveis está condicionada ao uso de cápsulas, drágeas ou corretivos como forma de abreviar este problema. Está fortemente relacionado ao uso de substâncias que sejam destruídas pelo suco gástrico, instáveis no pH intestinal estomacal, destruídas por enzimas do trato gastrointestinal (TGI) ou microrganismos aí existentes. Há fármacos que podem sofrer o fenômeno de primeira passagem (metabolização em grande percentagem na primeira passagem pelo fígado antes da distribuição pelo organismo).

Deve-se ter atenção à possibilidade de interação entre os medicamentos administrados por esta via e ainda entre estes e o conteúdo do TGI com a formação de complexos não absorvíveis. No caso dos ruminantes a diluição do fármaco no conteúdo ruminal pode implicar grandes tempos de latência e variabilidade das doses de fármaco que chega ao intestino. Esta via não pode ser utilizada em pacientes comatosos, nem naqueles em que exista diarréia ou vômitos, nem naqueles animais que pela sua agressividade seja difícil a administração. Além disso, levar em conta os seguintes fatores dependentes do grau e velocidade de absorção:

4.1.2

Inconvenientes:

A

utilização

de

substâncias

-

com

a) Estado de repleção do estômago;

b) Motilidade intestinal;

c) Variação da circulação sangüínea, que sofre a influência dos estados de ansiedade, medo, etc.;

d) Variação das secreções;

e) Velocidade de esvaziamento do estômago;

f) Natureza dos excipientes dos medicamentos;

g) Absorção gástrica de ácidos fracos e absorção intestinal de bases fracas.

4.1.3 - Regras a observar: Praticamente o único risco que poderá existir é a

falsa via, se forçar o animal a ingerir a preparação medicamentosa.

4.1.4 - Modo de administração - O modo de administração é variável conforme

as espécies.

a) Equídeos e Bovinos:

- Substâncias líquidas - Administração por beberagem e na água de bebida .A contenção do animal deve ser de modo a não forçar o animal a ingerir o líquido contra vontade sob risco de provocar um falso trajeto/falsa via. O gargalo da garrafa é introduzido na cavidade oral do animal pela comissura labial, depois de ser levantada a cabeça, deixando-se o líquido verter livremente.

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- Substâncias pastosas - Puxar a língua do animal para fora da cavidade oral e colocar na porção posterior da língua com o auxilio de uma espátula.

- Substâncias sólidas - Administração por bolos, na água de bebida e na ração.

Puxar a língua do animal para fora e colocar o bolo no post-boca e largar rapidamente a língua, estimulando o reflexo da deglutição pela presença do bolo, que é assim deglutido.

b) Suínos:

- Substâncias líquidas - Administração com o auxilio de pistola lança-doses e na

água de bebida. Abrir a boca do animal, introduzir a pistola lança-doses no post-boca e

pressionar o "gatilho".

- Substâncias pastosas e Substâncias sólidas - Não se utilizam a não ser na ração e na água.

c) Ovinos e Caprinos:

- Substâncias líquidas - Administração com o auxilio de pistola lança-doses e

régua oral e na água de bebida. Abre-se a boca do animal introduzindo a régua oral e coloca-se na posição correta, o mais atrás possível. Introduz-se a pistola lança-doses pelo orifício e aperta-se o "gatilho".

- Substâncias sólidas - Administração de cápsulas, com o auxilio da régua oral e na água de bebida e na ração (ver técnica acima).

d) Canídeos e Felinos:

- Substâncias líquidas - Com o animal com a boca fechada, puxa-se a bochecha

de modo a fazer uma bolsa e introduz-se aí o líquido contido numa colher ou numa

seringa.

- Substâncias sólidas - Abrir a boca do animal (uma das mãos no mandibular e a

outra no maxilar). Com o auxilio dos dedos anelar e médio obriga-se o animal a abrir a

boca e os restantes dedos segurando o "comprimido" depositando no post-boca. Fechar a boca do animal (sempre com a cabeça em posição normal) e estimular o reflexo da deglutição. Também se podem administrar as preparações medicamentosas dentro de pedaços de carne.

4.2 - Via Retal

4.2.1 Vantagens: Permite a absorção local ou sistêmica de certas substâncias,

que por via oral apresentam características organolépticas indesejáveis (p. ex. desinfetantes pulmonares), assim como fornecer líquidos a animais desidratados.

as

substâncias o tempo necessário para a sua absorção, esta via apresenta certas dificuldades na administração. Não se pode administrar por esta via substâncias irritantes.

4.2.3 - Regras a observar: Trata-se de um clister medicamentoso, deve ter o

menor volume possível. Deve-se fazer preceder este tipo de enema por um evacuativo, a fim de facilitar a absorção (por diminuição dos movimentos peristálticos). Se tratar-se de um supositório (preparação sólida de forma cônica) para pequenas espécies, este deve ter um tamanho adequado ao tamanho do animal.

4.2.2

Inconvenientes: Devido

dificuldade

que

existe

a

em

manter

4.2.4 - Modo de administração:

a) Supositórios - Reservam-se às pequenas espécies. Introduzir o supositório,

após untá-lo com uma substância oleosa ou molhá-lo o mais possível dentro da ampola retal. Impedir a sua saída até que cessem as tentativas de expulsão.

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b) Enteroclises - Usa-se um irrigador que se coloca a uma altura superior ao

animal. Deve-se ter cuidado com o volume de líquido que se administra de modo a não

provocar lesões.

4.2.5 - Local de administração: Reto.

4.2.6 - Preparações medicamentosas mais utilizadas: Supositórios e

enemas.

VIAS PARENTERAIS ou VIAS DE USO EXTERNO

Vantagens:

absorvíveis,

destruídos no TGI ou demasiado irritantes. É a via mais cômoda para o clínico, pois é de rápida administração e de rápido efeito.

Inconvenientes - Pode provocar uma irritação local; no caso de via endovenosa, há o perigo de reações gerais de tipo anafilático ou outras decorrentes de sobredosagens que surgem logo após ou mesmo durante a administração, o que não dá grande margem de manobra para retirar o excesso de medicamento ou controlar os efeitos adversos; necessidade de material próprio e esterilizado.

Regras a observar - Local da injeção; assepsia rigorosa; procura do refluxo sangüíneo (exceto nas injeções intravenosas).

ampolas;

implantes (via SC); soluções e suspensões.

Permite

a

administração

de

medicamentos

não

Preparações

medicamentosas

mais

utilizadas:

líquidos

em

4.3 - Via Subcutânea (SC)

4.3.1 Vantagens: Permite a administração de substâncias em suspensão ou

oleosas; é pouco dolorosa; possibilidade de administrações de grandes quantidades de líquido, mas em pequenas quantidades no local de aplicação.

4.3.2 Inconvenientes: Absorção muito lenta devido á presença do ácido hialurônico (grande viscosidade do meio) e a pouca vascularização. Esta situação que é desvantajosa numa urgência pode ser extremamente útil nos casos em que se pretenda exatamente esse efeito como é no caso da administração de vacinas. Pode-se contornar este inconveniente adicionando hialuronidase, massageando o local e usando um vaso dilatador periférico.

4.3.3 - Modo de administração: Administração com o auxilio duma seringa e de

agulha (curta e de bisel curto). Desinfetar o local de administração. Fazer uma prega triangular na pele e introduzir a agulha profundamente por uma das faces da pirâmide triangular assim formada. Procurar a existência de refluxo e em caso afirmativo não injetar. Injetar (velocidade dependente da fluidez do líquido e do volume). Retirar a agulha rapidamente. Massagear para facilitar a absorção quando tal seja o pretendido.

4.3.4 - Local de administração: Variável com a espécie animal:

a) Equídeos e Bovinos - Barbela; zona das costelas, axila e virilha.

b) Suínos - Administração na base da orelha e região mamária.

c) Caprinos e Ovinos - Virilha e axila.

d) Canídeos e Felinos - Dorso, principalmente região da espádua e ainda face

dorsal do pescoço.

e) Aves - Na região peitoral.

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4.4 - Via Intramuscular (IM)

4.4.1 Vantagens: Nesta via de administração há facilidade de administração de

substâncias oleosas ou suspensões. O tempo médio de absorção é de 10 a 30 minutos. As injeções são pouco dolorosas, devido ao número de terminações nervosas aí existentes (poucos).

4.4.2 Inconvenientes: Possibilidade de causar lesões musculares de gravidade

variável, principalmente nos equídeos. Pequenos volumes administráveis no local da injeção.

4.4.3 - Modo de administração: Administra-se com o auxilio de uma seringa e

de uma agulha (comprimento dependente do porte do animal e bisel médio). Desinfeta-se o local de administração e introduz-se a agulha com um movimento enérgico (em animais de grande porte e pele grossa deve ser introduzida a agulha por estocada com a agulha separada da seringa). Procurar a existência de refluxo e em caso afirmativo não injetar. A velocidade de administração da injeção é dependente da fluidez do líquido e do volume do líquido. Após a injeção dada retirar rapidamente. Verificar se há hemorragia.

4.4.4 - Local de administração: Variável com a espécie animal:

a) Equídeos e Bovinos - Tábua do pescoço e região da garupa, evitar se possível

esta região.

b) Suínos - Tábua do pescoço, não se usa o membro posterior por causa do valor

econômico da peça de talho (presunto).

c) Ovinos e Caprinos - Tábua do pescoço e músculos semimembranoso e

semitendinoso, com a introdução da agulha na face interna ou externa da coxa.

d) Canídeos - Músculo semimembranoso e semitendinoso com a introdução da

agulha na face interna ou externa da coxa. Longo dorsal (região lombar).

e) Felinos - Músculo semimembranoso e semitendinoso com a introdução da

agulha na face interna ou externa da coxa.

f) Aves - Músculos peitorais.

4.5 - Via Intravenosa

O medicamento é introduzido diretamente na corrente circulatória sem que haja absorção.

4.5.1 Vantagens: Efeito imediato (útil em caso de urgência). Efeito controlável,

pois há a possibilidade de parar imediatamente; Possibilidade de fornecimento prolongado por perfusão contínua (Venoclise) e de grandes quantidades; Possibilidade de injetar substâncias que são necrosantes ou dolorosas por via SC ou IM.

4.5.2 Inconvenientes: É uma via perigosa, pois o medicamento chega rapidamente ao contato com o coração e centros nervosos; Reações anafiláticas mais exuberantes do que por via IM; Possibilidade de reações febris devido à presença de pirógenos; não se podem injetar substâncias oleosas, nem suspensões, pois há sérios riscos de provocar embolias (o mesmo se passa com bolhas de ar). Só pode ser efetuada por pessoal devidamente treinado.

4.5.3 - Regras a observar: Além das já descritas; colocar a agulha no centro do

vaso (para evitar a irritação ou necrose do endotélio vascular). Injetar lentamente (no caso de parada repentina, o cérebro recebe ainda o medicamento durante mais 10 ou 15 segundos). No caso de substâncias muito irritantes, cáusticas ou com características

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físico-químicas muito diferentes do sangue, fazer refluxo com grande quantidade de sangue para obter um efeito de diluição prévio.

4.5.4 - Modo de administração: Administração com o auxilio de uma seringa e

de uma agulha (comprimento médio e bisel curto). Pode-se usar duas técnicas:

a) Introduzir a agulha diretamente em direção à veia ingurgitada (este ingurgitamento obtém-se por compressão venosa com o garrote), e assim que surgir um refluxo de sangue na seringa, aliviar o garrote e injetar lentamente. b) Introduzir a agulha na via subcutânea, e depois introduzir na veia, com um movimento lateral da agulha (a veia fica colocada entre o dedo e a agulha). Depois proceder como acimas descrito.

4.5.5 - Local de administração: É variável com a espécie animal:

a) Equídeos - V. Jugular e auricular, esta última só nos asininos.

b) Bovinos - V. Jugular; V. epigástrica externa (fêmeas leiteiras), v. caudal medial,

v. auricular.

c) Suínos - Veia marginal da orelha, jugular e v. cava cranial.

d) Ovinos - Veia Jugular.

e) Caprinos - Veia Jugular.

f) Canídeos e Felinos - Veia Jugular; cefálica (ou radial); Safena.

g) Lagomorfos - Veia marginal da orelha ou jugular.

h) Aves - Veia axilar.

4.6 - Via Intratecal ou intra-raquidiana

Normalmente a penetração de fármacos no SNC é muito lento, devido a barreira hematoencefálica. No entanto, quando é desejável ação local e rápida de fármacos no SNC, como na anestesia espinhal ou infecção aguda, geralmente costuma-se injetá-lo no espaço subaracnóide espinhal. O espaço peridural, utilizado em anestesia, limita a difusão do líquido injetado na altura de L2-L3 ou L3-L4 apenas à porção espinhal, diminuindo assim o risco de penetração do anestésico no encéfalo no encéfalo e permitindo que o liquido banhe as raízes nervosas. A formulação injetada não deve ter conservante, deve ser aquosa, isotônica, rigorosamente estéril e apirogênica.

4.6.1 Vantagens: Certeza de que o medicamento chega ao local onde queremos que atue (ultrapassagem da barreira hemato-encefálica).

4.6.2 Inconvenientes: Há uma difusão muito lenta no líquido cefalorraquidiano.

4.6.3 - Modo de administração: A administração é feita com o auxílio de uma

seringa e de uma agulha (comprida e de bisel longo) e/ou trocarter. Existem dois tipos de injeções intra-raquidianas: SUB-ARACNOIDEIA e a EPIDURAL.

a) A via subaracnoideia é delimitada pela aracnóide e pia-máter.

b) A epidural, no chamado espaço epidural ou peridural, entre a dura-máter e a

parede do canal raquidiano.

4.7 - Via Intraperitoneal

4.7.1 Vantagem: Facilidade de utilização no caso de animais comatosos, ou em

que haja um colapso das veias. Possibilidade de injetar grandes volumes de líquido. Transfusões de sangue total (1) : (4). Velocidade de absorção extremamente elevada.

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4.7.2 Inconvenientes: Possibilidades de provocar peritonites ou perfurações de

vísceras principalmente se a técnica não for bem executada.

4.7.3 - Modo de administração: Usar seringa ou sistema de venoclise e agulha

comprida, com orifícios terminais lateralizados, para evitar a sua obstrução pelo peritôneo; Usar trocarter em animais de maior porte. Animais colocados em decúbito lateral ou dorsal.

4.7.4 - Local de administração:

a) Equídeos – fossa do flanco esquerdo.

b) Bovinos - flanco direito.

c) Suínos - flanco direito.

d) Canídeos, Felinos e Lagamorfos. - Na região atrás e ao lado do umbigo.

e) Aves - Injeção praticada a meia distância entre o esterno e a cloaca.

4.8 - Via Intramedular

A via intramedular representa a introdução de um líquido na cavidade da medula

óssea.

4.8.1 Vantagens: Permite a absorção de soluções salinas, glicosadas, soro e

sangue total, quando não se pode utilizar outra via (p. ex. endovenosa). É a via que apresenta maior velocidade de absorção. Permite fazer administrações de grandes volumes de líquidos.

4.8.2 Inconvenientes: Os solutos devem ser administrados gota a gota. Há o

perigo de se provocarem osteomielites, abscessos subcutâneos, tromboses arteriais.

4.8.3 - Regras a observar: Antissepsia rigorosa.

4.8.4 - Modo de administração: O primeiro passo consiste em fazer a depilação

da zona, depois faz-se a assepsia com tintura de iodo. Faz-se a punção óssea até à medula e depois faz-se a administração - velocidade de administração até 60 gotas/minuto. As agulhas podem ter um comprimento de 40 a 150 mm e um diâmetro de 1,6 a 0,9 mm. Como medida profilática é aconselhável a injeção de antibióticos.

4.8.5 - Local de administração: Ossos longos, como fêmur e úmero, e esterno.

4.8.6 - Preparações medicamentosas mais utilizadas: Líquidos

4.9 - Via Intra-cardíaca

4.9.1 Vantagens: Atuação instantânea sobre o coração, em casos de parada

cardíaca (p. ex. adrenalina) ou na prática de eutanásia. Facilidade de colheita de sangue. Administração em substituição da via endovenosa em animais comatosos e ou hipotensos.

4.9.2 Inconvenientes: Possibilidades de provocar lesões do pericárdio e miocárdio. Necessidade de grande treino para efetuar esta via em animais com parada cardíaca.

4.9.3 - Regras a observar: o animal deve estar perfeitamente imóvel (se não estiver comatoso, deve ser anestesiado).

4.9.4 - Modo de administração: Administra-se com o auxilio de uma seringa e

de uma agulha (comprida e bisel curto). Coloca-se o animal em decúbito lateral direito

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(lado esquerdo para cima) nos CARNIVOROS e introduz-se a agulha (após desinfecção do local) até aparecer um refluxo de sangue. Nessa altura são perceptíveis na agulha os movimentos cardíacos (no caso de não haver parada cardíaca). A injeção deve ser dada rapidamente e retira-se logo a agulha. A presença física da agulha também funciona como estímulo para o inicio do movimento cardíaco.

4.9.5 - Local de administração: Área de projeção cardíaca:

PUNÇÃO CARDÍACA - Rato (no lado esquerdo, no local do ápice cardíaco, decúbito dorsal); Cobaia (decúbito dorso lateral direito punção no lado esquerdo, ao nível do choque pré-cordial); Coelho (decúbito lateral direito - ao nível do choque pré-cordial); Cão e Gato (decúbito lateral direito - 4º espaço intercostal esquerdo); Eqüídeos - 3º e 4º espaço intercostal; Bovinos - 3º e 4º espaço intercostal esquerdo; Lagomorfos - 3º espaço intercostal esquerdo, 3 a 4 mm acima do esterno, ao nível do choque pré-cordial; Aves- 3º ou 4º espaço intercostal, na linha que une o esterno à articulação escápulo-umeral.

4.10 - Via Intradérmica:

Esta via destina-se a pesquisas de caráter imunológico.

4.10.1 Vantagens: O agente antigênico permanece no local da inoculação.

4.10.2 - Regras a observar: Trabalhar com material esterilizado para evitar

infecções, ou concorrências imunológicas.

4.10.3 - Modo de administração: Com o auxilio duma agulha muito curta

(aproximadamente 1 cm) introduzir o inoculado entre a derme e a epiderme. A administração está correta quando se observa a formação duma "ampola" ou “inchaço” no local. O volume é de 1 a 3 cm ³ .

4.10.4 - Local de administração:

a) Equídeos - Pálpebra e pele do pescoço e espádua.

b) Bovinos - Base da cauda, pescoço e espádua.

c) Suínos - Base da orelha.

d) Ovinos e Caprinos - Porção glabra da base da cauda

e) Canídeos - Pele do abdômen

f) Felinos - Ver CANIDEOS

g) Lagomorfos - Ver CANIDEOS e SUINOS

h) Aves - Injetar na espessura do barbilhão.

Preparações medicamentosas mais utilizadas - Ampolas

4.11 - Via Intra-pleural

4.11.1 Vantagens: Hidrotórax, pneumotórax. Tratamento de afecções locais, ou

retirada de líquidos ou gases (toracocenteses).

4.11.2 Inconvenientes: Possibilidade de provocar uma perfuração do pulmão,

ou de introduzir agentes microbianos.

perfeitamente

esterilizado.

4.11.4 - Modo de administração: Após a introdução da agulha ou trocarter no

espaço intercostal, exatamente no centro para evitar a perfuração de vasos. Se tratando

4.11.3

Regras

a

observar: Todo

-

o

material

deve

estar

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de uma toracocentese, adaptar um sistema de 3 vias, para eliminar o conteúdo pleural (lentamente para não provocar um estado de choque). Se tratando da administração de fármacos, introduzi-los lentamente e em pequeno volume para não provocar compressões. Proceder ao refluxo, para pesquisa de ar exceto no pneumotórax (pulmão) ou sangue (vaso sanguíneo).

4.11.5 - Local de administração:

a) Canídeos - 6º espaço intercostal direito ou 7º - 8º espaço intercostal esquerdo.

4.12 - Via Intra-articular

4.12.1 Vantagens: Tratamento por via local de artrites e artroses.

4.12.2 Inconvenientes: Possibilidade de introduzir agentes microbianos.

4.12.3 - Regras a observar: Quer seja para fazer colheita do líquido sinovial,

quer seja para a administração de fármacos, o material deve estar esterilizado.

4.12.4 - Modo de administração: Um primeiro ponto é o conhecimento da

articulação em causa; Efetuar a anestesia, e a assepsia do local. Colocar a articulação na melhor posição e introduzir uma agulha comprida e de bisel médio. Aspirar o líquido sinovial para se certificar que está no local (são necessários 10 a 20 segundos para que ele surja, devido à sua viscosidade). Depois ou retirar líquido ou fazer a injeção do medicamento e obrigar a articulação a movimentar-se para espalhar o medicamento.

4.12.5 - Local de administração: Qualquer articulação móvel ou semi – móvel.

4.12.6 - Preparações medicamentosas mais utilizadas: líquidos.

VIAS LOCAIS OU TÓPICAS

Também são vias de uso externo

4.13 - Via dérmica

Esta via destina-se única e exclusivamente ao tratamento local de afecções da derme ou para absorção sistêmica nos modos de administração pour on ou spot on no caso de endectocidas.

4.13.1

Vantagem: Ação no próprio local da afecção.

 

4.13.2

Inconvenientes: Os animais

normalmente

retiram

a

preparação

medicamentosa: há possibilidade de absorção quer diretamente, quer por via digestiva.

4.13.3 - Regras a observar: Proceder à limpeza da região, retirando mesmo as

camadas anteriores da pomada, antes de nova aplicação.

4.13.4 - Modo de administração: O modo de administração está condicionado

pela preparação medicamentosa (sólida ou líquida). Não se devem cortar os pelos. Deve- se aplicar massageando para abrir os poros e facilitar assim a sua penetração por renovação das secreções das glândulas. A aplicação de líquidos na forma pour on, sobre o fio do lombo do animal, desde a região das cruzes até a inserção da cauda e na forma spot on (em um ponto localizado, como uma mancha, que pode ser na nuca ou outro local), vem sendo muito utilizada em animais.

4.13.5 - Local de administração: Epiderme.

4.13.6 - Preparações medicamentosas mais utilizadas: Pós, Pomadas

(todas as suas espécies), Cataplasmas, líquidos.

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APLICAÇÕES NAS MUCOSAS Vantagens - Atuação no próprio local da afeção. Inconvenientes - Possibilidade de absorções indesejáveis.

4.14 - Mucosa Ocular

4.14.1 Inconvenientes: Possibilidade de haver irritações e lesões.

4.14.2 - Regras a observar: Usar colírios(líquidos) ou na forma de spray .

4.14.3 - Modo de administração: No caso da aplicação de colírio líquido ou pastoso, fechar o olho do animal, puxar a pálpebra inferior de modo a formar uma cavidade e introduzir o colírio. Depois massagear lentamente para espalhar. No caso de ser um colírio sólido, abrir o olho do animal e projetar o pó diretamente, assim como no uso de aerossol.

4.14.4 - Local de administração: Mucosa ocular.

4.14.5 - Preparações medicamentosas mais utilizadas: Colírios e sprays.

Pode ainda ser usado cremes ou pomadas.

4.15 - Mucosa Bucal

4.15.1 Inconvenientes: Só usada na clínica de pequenos animais.

4.15.2 - Modo de administração: Abrir a boca ao animal, e pincelar o local com

o auxilio duma zaragatoa ou cotonete.

4.15.3 - Local de administração: Cavidade bucal.

4.15.4 Preparações medicamentosas mais utilizadas: Colutórios.

4.16 - Mucosas Gênito-urinárias

Inconvenientes - há a possibilidade de aumentar a extensão das lesões (p. ex. até ao rim). Regras a observar - Só usar material esterilizado.

4.16.1 - Mucosa Genital do Macho: Fazer a exteriorização do pênis e aplicar

sobre a sua mucosa a preparação medicamentosa, ou então aplicá-la entre o pênis e o prepúcio.

4.16.2 - Mucosa Urinária do Macho: Fazer a exteriorização do pênis, e nas

espécies em que é possível, instilar com o auxilio de uma seringa com sonda, ou então praticar a punção de bexiga e introduzir o medicamento (exceto no caso de obstrução). Fazer sempre o esvaziamento prévio da bexiga.

4.16.3 - Mucosa Genital da Fêmea: Após abertura da vulva e vagina com um

vaginoscópio ou espéculo vaginal, introduzir o medicamento.

4.16.4 - Mucosa Urinária da Fêmea: Após a colocação do vaginoscópio,

introduzir a sonda (metálica) e instilar ou aplicar o medicamento. Fazer o prévio esvaziamento da bexiga.

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a) Local de administração - Aparelhos genital e urinário.

b)

Preparações

medicamentosas

mais

utilizadas

vaginais, óvulos, velas.

4.17 - Via Intramamária

-

solutos,

comprimidos

4.17.1 Vantagens: Tratamento local das mamites. Certeza da difusão do

princípio ativo.

4.17.2 Inconvenientes: Possibilidade de lesão da glândula.

4.17.3 - Regras a observar: Este tipo de tratamento está praticamente reservado

às raças bovinas leiteiras, devido ao diâmetro do canal do teto.

4.17.4 - Modo de administração: Injetar com o auxilio de uma seringa plástica

especialmente desenhada de não mais que 2-3 mm de comprimento.

4.17.5 - Local de administração: Canal do teto da glândula mamaria em

bovinos.

4.17.6 - Preparações medicamentosas mais utilizadas: Pomadas, líquidos

ou sprays. OBS: Levar em consideração o veículo utilizado, que será o responsável pela

difusão do fármaco ( em especial antibiótico), geralmente a base de polivinil-pirrolidona. N

a fase de lactação, a persistência do antibiótico deve ser curta, portanto o veículo aquoso.

Na fase de secagem, deve-se usar veículo com longa persistência (óleo mineral +

monoesterato de alumínio a 3%). Também pode-se usar sais insolúveis, normalmente

nestes casos a concentração do princípio ativo (atb), deve estar em uma concentração

mais elevada.

4.18- Via Inalatória

A absorção pelo alvéolo pulmonar tem velocidade rápida e constante, havendo

necessidade de equipamentos específicos, com alto custo e contando com pessoal

especializado. A grande vantagem é a difusão rápida de agentes gasosos voláteis, com

efeitos imediatos e reversão imediata com a suspensão da administração do agente

geralmente anestésico. A grande desvantagem é a obrigatoriedade do uso de

equipamento especializado e a técnica específica para a espécie animal.

4.19- Via Intraruminal

Esta via é de uso específico em ruminantes e requer técnica adequada e específica

ao ruminante, bem como pessoal especializado. Normalmente utilizada para

administração de vermífugos diretamente no sistema rúmen-retículo, através da

introdução de seringa com agulha longa, no mínimo 50x20 ou por meio de trocarter, na

fossa paralombar esquerda. A administração deve sempre ser feita com supervisão do

veterinário.

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5. FARMACOCINÉTICA

É o estudo do movimento de uma substância química, em particular, um fármaco

no interior do organismo vivo, isto é dos processos de absorção, de distribuição, de

biotransformação e de excreção.

5.1 - Absorção

Absorção de fármacos: é a passagem do fármaco de seu local de administração para o sangue. Portanto, deve ser considerada em todas as vias de administração, exceto pela via intravenosa. Para chegar ao local de ação, o fármaco deve atravessar várias barreiras, que são as membranas celulares. As membranas celulares têm uma camada lipoprotéica bimolecular que pode atuar como barreira para a transferência do fármaco através da membrana. As membranas celulares também contêm poros.

As barreiras entre compartimentos aquosos no organismo são representadas pelas membranas celulares. Uma única camada de membrana separa o compartimento intracelular do extracelular. Uma barreira epitelial, como aquela representada pela mucosa gastrointestinal ou túbulo renal, consiste de uma camada de células firmemente conectadas entre si de forma que as moléculas devem atravessar duas camadas de membranas para passar de um lado para o outro. O endotélio vascular é um pouco mais complicado; na maioria dos tecidos, os capilares são fenestrados, sendo as fendas entre as células endoteliais suficientemente grandes para permitir que pequenas moléculas atravessem por difusão aquosa, mas muito pequenas para permitir que moléculas com peso molecular maior que aproximadamente 30.000 A Amstrons (maioria das moléculas de proteínas) atravessem. Em alguns órgãos, principalmente o sistema nervoso central e placenta, o endotélio capilar é contínuo, e a penetração por moléculas de fármacos envolve a travessia da membrana das células endoteliais, um importante detalhe que torna esses leitos vasculares muito distintos daqueles de outros órgãos. Isso possui importantes conseqüências farmacocinéticas. Assim, os fármacos atravessam as membranas baseadas na sua habilidade de dissolver na porção lipídica da membrana e no seu tamanho molecular, o qual regula sua filtração através dos poros. Fármacos e outras moléculas atravessam as membranas celulares por vários processos:

Difusão passiva através dos lipídios; Difusão passiva através canal aquoso; Difusão facilitada; Transporte ativo; Pinocitose. Dessas vias, a difusão através dos lipídios e o transporte mediado por transportador são particularmente importantes em relação aos mecanismos farmacocinéticos.

A habilidade do fármaco para atravessar a membrana por difusão lipídica depende:

Grau de solubilidade em lipídios; Gradiente de concentração do fármaco ao longo da membrana; Tamanho molecular; Espessura da membrana; Área de superfície de absorção;

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pH.

A maioria dos fármacos são ácidos ou bases fracas e em pH fisiológico estão

presentes na forma ionizada e não-ionizada. A forma não-ionizada é capaz de atravessar membranas. A forma ionizada tem baixa lipossolubilidade. A proporção das respectivas formas depende do pKa do fármaco e do pH do meio no qual os fármacos estão dissolvidos.

Em pH estomacal baixo, os ácidos fracos como a aspirina (pKa 3,5) tendem a ser melhor absorvidos no estômago do que as bases fracas devido as condições ácidas.

Bases fracas são pouco absorvidas no ambiente ácido do estômago porque elas existem principalmente no estado ionizado (baixa lipossolubilidade). Bases fracas são melhores absorvidas no intestino delgado onde o pH é mais alcalino. Para calcular a porcentagem de um fármaco que existe na forma ionizada e não- ionizada usa-se a equação de Henderson- Hasselbach, mas precisamos conhecer o pKa da droga e o pH do meio.

Para ácidos fracos usa-se:

pKa = pH + log conc. ácido não-ionizado conc. ácido ionizado

Para bases fracas usa-se:

pKa = pH

+ log

conc. base ionizado conc. base não-ionizado

A forma ionizada possui lipossolubilidade muito baixa, e é praticamente incapaz de atravessar membranas, exceto, raramente, onde existe um mecanismo de transporte específico.

Para a maioria dos fármacos a espécie não-carregada é suficientemente lipossolúvel para permitir rápida travessia da membrana, embora haja exceções (ex. o grupo de antibióticos relacionados à estreptomicina) onde mesmo a molécula não carregada é insuficientemente lipossolúvel para atravessar as membranas de maneira considerável. Geralmente deve-se a uma preponderância de grupos com ligações de hidrogênio, como -OH, que torna hidrofílica a molécula não-carregada.

A ionização não afeta apenas a taxa com que os fármacos atravessam as

membranas, mas também a distribuição constante das moléculas de fármacos entre os

compartimentos aquosos, se houver uma diferença de pH entre elas.

5.1.1 - Fatores que Modificam a Absorção:

a) A absorção, seja qual for o local, depende da solubilidade do fármaco.

b) Substâncias administradas em solução aquosas são absorvidas mais rapidamente que em soluções oleosas, suspensões ou forma sólida, porque se misturam mais facilmente com fase aquosa no local absortivo.

c) Condições do local de absorção modificam a solubilidade, especialmente no

TGI.

d) A concentração do fármaco influencia a velocidade de sua absorção.

e) O fluxo sanguíneo no local da absorção também afeta a absorção.

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f) A área de superfície absorvente à qual o fármaco é exposto é um dos determinantes mais importantes da velocidade de absorção. As substâncias são absorvidas muito rapidamente a partir de grandes superfícies, como o epitélio alveolar, mucosa intestinal.

A absorção gastrointestinal é afetada por todos os fatores descritos acima mais:

- Motilidade gastrointestinal

- Interação físico-química com outras drogas co-administradas ou com constituintes

alimentares

- Alteração da estrutura e integridade funcional do epitélio gástrico e intestinal.

5.2 - Distribuição dos Fármacos

Após a absorção, um fármaco pode ficar sob a forma livre no sangue, ligar-se a proteínas plasmáticas ou então, ser seqüestrado para depósitos no organismo. Somente o fármaco na forma livre é distribuído para os tecidos. Define-se distribuição como o fenômeno em que um fármaco após ter chegado ao sangue, sai deste compartimento e vai para o seu local de ação. Os fármacos abandonam a via circulatória para o espaço intersticial por processo de difusão através das membranas celulares dos capilares ou ainda por poros ou fenestrações existentes na parede dos capilares. A difusão para o compartimento intersticial é rápida por causa da natureza extremamente permeável das membranas endoteliais capilares, exceto no cérebro. A velocidade com que a concentração de um determinado fármaco livre demora para se equilibrar entre o plasma e o líquido extracelular depende basicamente do grau de vascularização de um determinado tecido. Este equilíbrio é conseguido rapidamente em órgãos bem perfundidos. O coração, fígado, rins, cérebro e outros órgãos bem perfundidos recebem a maior parte dos fármacos durante os primeiros minutos após a sua absorção. O aporte do fármaco à musculatura, à maioria das vísceras, à pele e ao tecido adiposo é mais lento, e estes tecidos exigem de minutos a algumas horas para ser atingido um estado de equilíbrio. Na distribuição é importante levar em conta a água corporal, que representa de 50 a 70% do peso do organismo, distribuído em 4 compartimentos:

Líquido extracelular, constituído de plasma sanguíneo (4,5% do peso corporal); Líquido intersticial (16%) e linfa (1-2%); Líquido intracelular (30 a 40%); Líquido transcelular (2,5%), que inclui os líquido cefalorraquidiano, intraocular, peritoneal, pleural, sinovial e secreções digestivas. No interior de cada um destes compartimentos aquosos, as moléculas do fármaco existem em solução livre, ligada, na forma molecular ou iônica, de acordo com o pH de cada compartimento. Portanto, o equilíbrio da distribuição entre os vários compartimentos depende: da capacidade de um fármaco de atravessar as barreiras teciduais de cada compartimento; da ligação do fármaco no interior dos mesmos; da ionização e da lipo-ou- hidrossolubilidade das moléculas dos fármacos. Os fármacos que não são lipossolúveis e penetram mal nas membranas têm sua distribuição limitada e seus locais de ação potenciais também são limitados.

A distribuição pode ser limitada pela ligação dos fármacos às proteínas plasmáticas.

Fármacos ácidos - se ligam a albumina

Fármacos básicos - se ligam a

-globulina e

1 -glicoproteína

31

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Fármacos que apresentam forte e extensa ligação com as proteínas plasmáticas têm acesso limitado aos locais de ação celular e são metabolizados e eliminados lentamente.

Os fármacos podem se acumular nos tecidos. Os fármacos que se acumulam em

determinado tecido podem servir como reservatório que prolonga a ação do fármaco no mesmo tecido ou no local distante atingido através da circulação.

5.2.1 - Reservatório dos Fármacos:

seus

reservatórios potenciais.

a) Proteínas plasmáticas Muitos fármacos se ligam às proteínas plasmáticas:

albumina, -globulina e 1 -glicoproteína. A ligação é reversível. A ligação às proteínas plasmáticas limita a concentração nos tecidos e nos seus locais de ação, porque apenas a forma livre está em equilíbrio através das membranas.

A ligação limita a filtração glomerular, mas não limita a biotransformação ou a

secreção tubular renal. Muitos fármacos com características físicas semelhantes podem competir uns com os outros e com substâncias endógenas por outros locais de ligação. Ex:. deslocamento da bilirrubina não-conjugada da ligação com albumina por sulfas,

aumento do risco de encefalopatia por bilirrubina no recém-nascido.

b) Reservatórios celulares Muitos agentes acumulam-se na musculatura e em

outras células em concentrações superiores aquelas encontradas no líquido extracelular. Em geral a ligação tecidual dos fármacos, dá-se com proteínas, fosfolipídeos e nucleotídeos e costuma ser reversível.

Os

compartimentos

orgânicos

nos

quais

o

fármaco

se

acumula

são

c) Tecido adiposo

É um importante reservatório de fármacos lipossolúveis.

d) Ossos As tetraciclinas e os metais pesados acumulam-se nos ossos por

absorção à superfície cristalina óssea e incorporação final à trama cristalina. O osso pode tornar-se um reservatório para a liberação lenta de agentes tóxicos como o chumbo ou rádio para o sangue.

e) Líquidos transcelulares O principal reservatório transcelular é o TGI. As

bases fracas são concentradas passivamente no estômago, a partir do sangue por causa do grande diferencial de pH entre os 2 líquidos.

acumulam

concentrações importantes de fármacos.

O humor

aquoso,

líquor,

endolinfa

e

quidos

articulares

não

5.2.2 – VOLUME DE DISTRIBUIÇÃO

O volume de distribuição (V d ) é um volume hipotético no líquido no qual o

fármaco se dissemina. O V d dá informações sobre a distribuição de fármacos no organismo e, portanto, pode auxiliar na otimização de esquemas terapêuticos. Logo após o fármaco ser absorvido, ele pode distribuir-se no compartimento plasmático, líquido intersticial, líquido intracelular, ou ser seqüestrado em algum local celular.

Se um fármaco possui massa molecular elevada ou se liga fortemente às proteínas

plasmáticas, ele acaba “aprisionado”dentro do compartimento vascular. Assim, o fármaco se distribui em um volume (o plasma) que é cerca de 6% da massa corporal, em uma pessoa de 70 kg, cerca de 4 L de líquido corporal. Ex.: heparina.

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Mas se tiver baixa massa molecular ou é hidrofílico, ele pode se mover através das fendas endoteliais para o líquido intersticial e não conseguem entrar no meio intracelular. Assim, se distribuem em um volume que é soma da água plasmática e da água intersticial, dito meio extracelular, e corresponde a 20% da massa corporal, ou cerca de 14 L numa pessoa de 70 kg. Ex.: antibióticos aminoglicosídeos.

Se um fármaco possui baixa massa molecular e é lipofílico, ele pode se movimentar para o interstício e para o liquido intracelular. Assim ele se distribui em um volume de 60% da massa corporal, cerca de 42 L em uma pessoa de 70 kg. Ex.: etanol

Na gestação, o feto pode captar fármacos e, assim, aumentar o volume de distribuição. Fármacos extremamente lipossolúveis, como o tiopental, podem apresentar V d extremamente elevados.

Um fármaco raramente se associa a um único compartimento de água corporal. A grande maioria de se distribui em vários compartimentos, com freqüência ligando- se a componentes celulares, como lipídios, proteínas ou ácidos nucléicos. Por isso, o volume no qual o fármaco se distribui é denominado volume aparente de distribuição, ou V d .

Determinação do V d

O volume aparente no qual o fármaco se distribui, Vd, é determinado pela injeção de uma

dose padrão do fármaco, a qual é inicialmente contida inteiramente no sistema vascular.

O fármaco pode mover-se do plasma para o interstício e o interior das células, causando

a diminuição da concentração no plasma no decorrer do tempo. Admita, para simplificar,

que o fármaco não é eliminado do organismo; então, alcança uma concentração uniforme que é mantida no decorrer do tempo. A concentração no interior do compartimento vascular é a quantidade total de fármaco administrado dividida pelo volume no qual se distribui.

V d = D/C

Onde C= concentração plasmática do fármaco (mg/L), D= quantidade total do fármaco no organismo (dose administrada - mg/kg). O valor pode ser expresso em L/kg, ou em L. Ex.:

Foram administrados 25 mg de um fármaco (D=25 mg), e a concentração plasmática é 1 mg/L, então V d = 25mg/1mg/L= 25 L.

Efeito de um V d elevado na meia-vida do fármaco

Um V d elevado influencia a meia-vida de um fármaco, pois sua eliminação depende da quantidade de fármaco ofertada ao fígado ou rins por unidade de tempo. A oferta de fármacos aos órgãos de eliminação depende não somente do fluxo sanguíneo, como também da fração do fármaco no plasma. Se o V d é elevado, a maior parte do fármaco está no espaço extraplasmático e indisponível para os órgãos excretores. Assim, qualquer fator que aumente o volume de distribuição pode levar a um aumento da meia-vida e prolongar a ação do fármaco.

5.3 - Biotransformação

A biotransformação dos fármacos submete o fármaco a reações químicas, geralmente mediadas por enzimas, que o convertem em um composto diferente do originalmente administrado.

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Este processo torna os fármacos mais polares e menos lipossolúveis, aumentado assim a sua excreção e reduz seu volume de distribuição. Também alivia a carga de substâncias químicas estranhas e é essencial à sobrevida do organismo.

A biotransformação se processa principalmente no fígado, mas ocorre também no plasma, rins, pulmões, mucosa intestinal e placenta. No interior do fígado as enzimas envolvidas são intracelulares. Várias são fixadas ao retículo endoplasmático liso e freqüentemente são denominadas microssômicas. Para atingir essas enzimas metabolizadoras, um fármaco deve atravessar a membrana do hepatócito.

envolve 2 tipos de reações

bioquímicas, que geralmente ocorrem seqüencialmente:

A

biotransformação

das

moléculas

do

fármaco

Reações da Fase I

oxidação, redução e hidrólise

Reações da Fase II

conjugação

Ambas as fases reduzem a lipossolubilidade dos fármacos, aumentando a taxa de eliminação renal. As reações da FASE I podem originar metabólitos ativos, inativos e tóxicos. Mas após a Fase II, a grande maioria dos fármacos está inativada. As reações oxidativas (perda de H + ou adição de O 2 ) são as reações mais proeminentes no metabolismo da maior parte de compostos, incluindo fármacos lipossolúveis e hormônios esteróides. Muitas destas enzimas estão localizadas nas células parenquimatosas dos órgãos metabolizantes (fígado, rins, epitélio intestinal), onde ficam associadas ao retículo endoplasmático liso. Quando os tecidos são homogeneizados, o retículo endoplasmático quebra-se para formar pequenas vesículas conhecidas como microssomos. Essas enzimas, que apresentam uma necessidade específica de NADPH e oxigênio molecular, foram classificadas como OXIDASES DE FUNÇÃO MISTA e são denominadas enzimas microssômicas. A enzima mais importante deste sistema enzimático é o citocromo P-450. O NADPH reduz o citocromo P-450, que reage com o oxigênio molecular para formar um intermediário de oxigênio ativo. A interação entre este complexo e uma droga lipossolúvel ou substrato esteróide fornece um substrato hidroxilado, P-450 oxidado, e uma fração molar equivalente de água. Há várias famílias de isoenzimas de citocromo P-450, contendo heme, que se localizam na maioria das células, principalmente naquelas do fígado e do TGI. Cada uma das famílias possui certo substratos que metaboliza mais eficientemente. Isto resulta numa ampla variedade de reações oxidativas que ocorrem nos microssomos e incluem hidroxilação aromática, oxidação alifática, O- e N- desalquilação, desaminação oxidativa e a formação de sulfóxido. É comum um fármaco ser metabolizado ao longo de duas ou mais vias simultaneamente. A prevalência das diferentes isoenzimas é diferente de um órgão para outro dentro de uma espécie, em diferentes espécies para um órgão específico e em animais com idades diferentes dentro de uma espécie e tipo de órgão. O citocromo P450, é designado como CIP ou CYP. Seis isoenzimas são responsáveis pela grande maioria das reações catalisadas pelo P-450: CYP3A4, CYP2D6, CYP2C9/10, CYP2E1 e CYP1A2. As porcentagens de fármacos disponíveis que são substrato para essas isoenzimas são: 60, 25, 15,15, 2 e 2% respectivamente. Um fármaco específico pode ser substrato para mais de uma enzima. CYP3A4 é encontrada na mucosa intestinal, respondendo pela biotransformação de primeira passagem de fármacos como a clorpromazina e o clonazepam. Essas enzimas exibem considerável variabilidade genética, que tem implicações para regimes de dosagens individuais e, até mais importante, como determinantes da resposta terapêutica e o risco de efeitos adversos. O

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CYP2D6 revelou polimorfismo genético. Mutações resultam em capacidades muito baixas de biotransformar substratos. Ocorrem também reações oxidativas em vários outros tecidos além do fígado e não envolvem as enzimas do sistema oxidase de função mista. Ex.: etanol é metabolizado por uma enzima citoplasmática solúvel, álcool desidrogenase; noradrenalina e tiramina metabolizadas pela monoaminoxidase. As reações de redução (perda de O 2 ou adição de H + ) geralmente levam a ativação do composto. São reações menos comuns que a oxidação e envolvem enzimas microssomais hepáticas. As reações de hidrólise (decomposição de uma substância por intermédio da água) não envolvem enzimas microssomais hepáticas, mas ocorrem em vários tecidos. A hidrólise de ésteres e amidas é prontamente catalisada por diversas enzimas hidrolíticas presentes no plasma sanguíneo e em outros tecidos, incluindo o fígado e rins. Microorganismos ruminais e bactérias intestinais medeiam reações hidrolíticas e redutoras, por exemplo, os glicosídeos cardíacos são hidrolisados no rúmen, e o cloranfenicol é inativado por redução. O paration, precursor do pesticida ativo paraoxon, pode sofrer nitrorredução no rúmen. Essa redução metabólica reduz a atividade e a toxicidade desse agente anticolinesterásico irreversível. As reações da FASE II, consistem de reações de conjugação, que ocorrem se a molécula do fármaco possui um grupo hidroxila, tiol ou amino. Ocorre então a fixação de um grupo substituto que pode ser glicuronil, sulfato, metil, acetil, glicil ou glutamil, produzindo um composto polar, em geral mais hidrossolúvel e terapeuticamente inativo Uma exceção é o glicuronideo-6-morfina, que é 2 vezes mais potente que a morfina em vários modelos de analgesia. A glicuronidação é a reação de conjugação mais comum e mais importante. Os neonatos são deficientes neste sistema de conjugação. Gatos sintetiza conjugados do glicuronídeo em taxa lenta, uma vez que esta espécie é deficiente na enzima glicuroniltransferase. O cão e a raposa são incapazes de acetilar grupos amino aromáticos. Várias reações de conjugação ocorrem no fígado, mas também no pulmão e rins.

5.3.1 - Fatores que Modificam a Biotransformação:

a) Indução enzimática:

Fármacos como o fenobarbital, fenilbutazona, carbamazepina, etanol (uso crônico), rifampicina estimulama atividade das enzimas microssomais hepáticas. O efeito é dito indução e é resultado de um aumento na síntese de enzimas microssomais. A taxa do metabolismo do próprio agente indutor é aumentada, assim como aquela de várias outras substâncias. Ocorre:

da velocidade de biotransformação hepática do fármaco da velocidade da produção de metabólitos da depuração hepática do fármaco

diminuição

da meia-vida sérica do fármaco

aumento

do efeito farmacológico A indução de algumas das isoenzimas CYP causam interações farmacocinéticas importantes, pois o aumento da velocidade de biotransformação pode levar a reduções

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significativas nas concentrações plasmáticas dos fármacos, com redução do efeito farmacológico.

b) Inibição enzimática:

Fármacos como o dissulfiram, cloranfenicol, cimetidina, propoxifeno, eritromicina, cetoconazol e ritonavir bloqueiam a atividade das enzimas microssomais hepáticas. Ocorre:

da velocidade de biotransformação hepática da velocidade de produção de metabólitos da depuração total da meia-vida sérica do fármaco dos efeitos farmacológicos A inibição da atividade das isoenzimas CYP é uma fonte importante de interações de fármacos que leva a eventos adversos graves. A forma mais comum de inibição é pela competição pela mesma isoenzima. Numerosos fármacos são capazes de inibir uma ou mais vias de biotransformação CYP-dependente da varfarina. Por exemplo, o omeprazol é um inibidor importante de três das isoenzimas CIP responsáveis pela biotransformação da varfarina. Se os dois fármacos são tomados juntos, a concentração plasmática da varfarina aumenta, o que aumenta a inibição da coagulação e o risco de hemorragias e sangramentos graves.

c) Idade:

Em recém-nascidos e prematuros a atividade das enzimas de biotransformação é

baixa.

Em idosos ocorre diminuição da massa hepática, diminuição do fluxo sanguíneo e diminuição da atividade enzimática. Nos cães, a maior parte das oxidases de função mista amadurecem por volta da quinta à oitava semana, com leves diminuições após o desmame. As reações de sulfatação amadurecem rapidamente nos cães, mas a glicuronidação amadurece mais lentamente.Isso causa impacto no metabolismo e distribuição do paracetamol, do fenobarbital e da fenitoína em cães. Nos ruminantes, modificações claras no metabolismo resultam quando os animais pré-ruminantes tornam-se ruminantes. O citocromo P-450 e as redutases dependentes de NADPH aumentam em torno de 50%.

d) Doenças hepáticas:

Hepatotoxicidade, hepatite aguda e lesões hepáticas extensas alteram a atividade normal das enzimas microssomais hepáticas, diminuindo a biotransformação e aumentando a meia-vida sérica dos fármacos.

e) Estado nutricional:

Casos severos de hipoproteinemia, avitaminose B e deficiência de energia, diminuem a atividade funcional das enzimas microssomais.

5.3.2 - Metabolismo de Primeira Passagem:

Alguns fármacos são removidos da circulação de forma muito eficaz pelo fígado e metabolizadas, de modo que a quantidade que chega à circulação sistêmica é consideravelmente menor que a quantidade absorvida pela veia porta. Um número menor é metabolizado na parede do intestino. É conhecido como efeito de primeira passagem ou metabolismo pré-sistêmico e é significativo para vários fármacos clinicamente importantes.

O metabolismo de primeira passagem geralmente é um incômodo na prática,

porque:

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- É necessária uma dose muito maior do fármaco quando este é administrado por via oral que quando administrado por outras vias. Importante frisar, que este aumento da dose já foi considerado no momento da preparação da forma farmacêutica pela indústria, não necessitando que o profissional adapte a dosagem. - Acentuadas variações individuais ocorrem na extensão do metabolismo de primeira passagem de determinado fármaco, o que pode produzir um grau problemático de imprevisibilidade quando tais fármacos são usados por via oral. Exemplos de fármacos que sofrem metabolismo de primeira passagem: Aspirina, clorpromazina, contraceptivos orais, lidocaína, morfina, paracetamol, petidina, propranolol, salbutamol, terbutalina, verapamil.

5.4 - Excreção

Os fármacos podem ser excretados após biotransformação ou mesmo na sua forma inalterada. Os principais órgãos responsáveis pela excreção dos fármacos são: os rins, onde os medicamentos hidrossolúveis são excretados; o fígado, onde após a sua biotransformação os fármacos são excretados pela bile; e os pulmões, responsáveis pela excreção de fármacos voláteis. Pequenas quantidades de fármacos também podem ser excretadas pelo suor, saliva e leite.

5.4.1 - Excreção Renal:

A

excreção

renal

é

o

principal

processo

de

eliminação

dos

fármacos,

principalmente os polares ou pouco lipossolúveis. Três processos básicos são responsáveis pela excreção renal:

Filtração glomerular; Secreção ou reabsorção tubular ativa; Difusão passiva através do epitélio tubular.

Filtração glomerular Os capilares glomerulares permitem a passagem de qualquer molécula do fármaco para o filtrado glomerular, desde que o seu peso molecular seja inferior que aproximadamente 20.000 A . Secreção e reabsorção tubular A filtração remove cerca de 20% do fármaco que chega ao rim. Os 80% restantes passam para os capilares peritubulares do túbulo proximal, onde há 2 sistemas transportadores independentes e relativamente não seletivos que transportam as moléculas dos fármacos para a luz tubular. Assim a secreção tubular é potencialmente o mecanismo mais efetivo para a eliminação renal do fármaco. Ao contrário da filtração glomerular, o transporte mediado por transportador pode atingir depuração máxima do fármaco mesmo quando a maior parte do fármaco se liga às proteínas plasmáticas. Este transporte mediado por carreador de determinados fármacos e metabólitos para o líquido tubular ocorre no túbulo proximal. Requer uma fonte de energia e substâncias carreadoras intracelulares, que são relativamente inespecíficos, porque transportam tanto ácidos como bases orgânicas, porém sua capacidade é limitada. A ligação protéica extensa não impede a excreção tubular do fármaco, presumivelmente porque o complexo fármaco-albumina dissocia-se pela remoção do fármaco livre a partir do plasma. A penicilina, por exemplo, embora se apresente 80% ligada e portanto seja depurada lentamente por filtração, é quase completamente removida por secreção tubular proximal, e sua taxa de eliminação é muito alta. Vários fármacos excretados pelos rins compartilham o mesmo sistema de transporte, e pode haver competição entre eles. Ex. é a probenecida que retarda a excreção da penicilina G.

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Difusão através do túbulo renal A medida que o filtrado glomerular passa através do túbulo renal, a água é progressivamente reabsorvida, sendo o volume da urina que emerge apenas aproximadamente 1% daquele do filtrado. Se o túbulo é livremente permeável às moléculas do fármaco, aproximadamente 99% do fármaco filtrado será reabsorvido passivamente. Os fármacos com elevada lipossolubilidade, e portanto elevada permeabilidade tubular, são lentamente excretados. Se o fármaco é altamente polar, e possui baixa permeabilidade tubular, o fármaco filtrado não será capaz de sair do túbulo, e sua concentração se elevará continuamente até que seja aproximadamente 100 vezes maior na urina que no plasma. Vários fármacos sendo ácidos ou bases fracas alteram sua ionização quando o pH é alterado, e isto pode afetar significativamente a excreção renal. Um fármaco básico será excretado mais rapidamente em urina ácida, porque o baixo pH no túbulo favorecerá a ionização e assim inibirá a reabsorção. Um fármaco ácido será da mesma forma excretado mais rapidamente se a urina se tornar alcalina.

O pH urinário usual de carnívoros como cães e gatos é ácido (5,5 -7,0), enquanto

que nas espécies herbívoras (eqüinos, bovinos e ovinos) é alcalino (7,0 -9,0). Em qualquer espécie, entretanto, o pH urinário depende do hábito dietético. Em humanos, a reação urinária é geralmente ácida, mas pode variar (5,0 – 8,5).

5.4.2 - Excreção Biliar:

por

intermédio da bile. Os fatores que determinam esta forma de excreção incluem o tamanho e a polaridade da molécula. Fármacos com peso molecular elevado, acima de 300, têm grandes probabilidades de serem excretados pela bile. A excreção biliar também elimina substâncias orgânicas polares que não são reabsorvidas no intestino como por ex., cátions e ânions orgânicos. Cães e ratos apresentam boa capacidade de excreção via bile; gato e ovino, moderada; cobaias, coelhos e primatas, má excreção por esta via. Ao alcançarem o intestino, algumas substâncias eliminadas na bile podem ser reabsorvidas. Este fato dependerá da lipossolubilidade, ou ainda da conjugação destes fármacos com glicuronídeos, sendo que, neste último caso, estes compostos podem sofrer hidrólise causada pela -glicuronidase, voltando a se reabsorvidos pelo organismo. Esta excreção hepática, seguida de reabsorção intestinal, é denominada ciclo êntero-hepático de um fármaco.

Alguns

fármacos

e

seus

metabólitos

o

eliminados

pela

via

hepática

5.4.3 - Excreção Pelo Leite:

O epitélio secretor da glândula mamária tem características de uma membrana

lipídica e separa o sangue do leite. O pH tem levemente inferior ao do sangue (7,4) variando entre 6,4 e 6,8 em animais sadios. Este fato resulta em facilitação da excreção de medicamentos de caráter básico pelo leite.

Quantificação da eliminação dos fármacos

A taxa de eliminação de um fármaco/droga é determinada principalmente pelos

mecanismos do processo. Pode ser influenciada:

Pela alta ligação às proteínas plasmáticas (+ 80%);

Grau de perfusão dos órgãos eliminadores;

Atividade das enzimas metabolizadoras do fármaco;

Eficácia da excreção renal

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As concentrações plasmáticas dos fármacos declinam tipicamente de acordo com:

1. Cinética de primeira ordem. Onde a velocidade de biotransformação do

fármaco é diretamente proporcional à concentração de fármaco livre. Isso indica que uma fração constante do fármaco é biotransformada por unidade do tempo. Ocorre geralmente com doses baixas do fármaco.

2. Cinética de ordem zero. Ocorre quando doses muitos grandes de

fármacos como o ácido acetil salicílico, o etanol e a fenitoína são administradas. As enzimas envolvidas na biotransformação são saturadas pela concentração elevada de fármaco livre, e a velocidade de biotransformação permanece constante no tempo.

A eliminação de um fármaco em geral segue a cinética de primeira ordem, e

sua concentração no plasma cai exponencialmente com o tempo. Isso pode ser usado para determinar a meia-vida do fármaco.

Meia-vida Plasmática - Em farmacocinética meia-vida se refere ao tempo que leva determinada concentração do fármaco para reduzir-se a sua metade.

A meia-vida plasmática dos fármacos origina dados importantes para interpretação

dos efeitos terapêuticos ou tóxicos das drogas, da duração do efeito farmacológico e do

regime posológico adequado.

Situações clínicas que resultam em aumento da meia-vida do fármaco

Diminuição do fluxo sanguíneo renal ou hepático, como por exemplo, no choque cardiogênico, insuficiência cardíaca ou hemorragia;

Redução na velocidade de excreção, por exemplo, na doença renal;

Diminuição da biotransformação, por exemplo, na cirrose ou inibição enzimática.

5.5 - Biodisponibilidade

Biodisponibilidade indica a porção do fármaco que atinge a circulação geral de forma inalterada após sua administração. É a quantidade da droga disponível para ser utilizada pelo organismo. Objetivos dos estudos das biodisponibilidades:

Consiste em determinar quanto de determinado fármaco é absorvido pelo paciente, que dele necessita para prevenir ou curar uma doença. Determinar a velocidade de absorção do fármaco. Determinar a permanência do fármaco nos líquidos do organismo e sua correlação com as respostas farmacológicas e/ ou tóxicas. Estas informações têm importância para a determinação da posologia de um fármaco e de sua forma farmacêutica, principalmente quando se usam medicamentos com pequena margem de segurança, como 0s digitálicos e alguns antibióticos. Também servem para a adequação da dose utilizada em pacientes portadores de insuficiência hepática e renal.

A determinação da biodisponibilidade é mais freqüentemente realizada através da

concentração plasmática do fármaco.

5.5.1 - Fatores que Influenciam na Biodisponibilidade das Drogas Administradas por Via Oral:

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a) Características da droga:

Inativação antes da absorção GI;

Absorção incompleta; Efeito de primeira passagem.

b) Forma farmacêutica:

Estado físico da droga; Tamanho da partícula;

Tipo de sal;

Excipiente ou veículo da droga.

c) Interação com outras substâncias no TGI:

Alimentos e drogas.

d) Características do paciente:

pH gastrointestinal; motilidade GI; perfusão; flora; estrutura; estado de má absorção; função hepática; fenótipo genético.

5.5.2- Bioequivalência- Dois fármacos são bioequivalentes se mostram biodisponibilidade comparáveis e tempos similares para alcançar o pico de concentração plasmática. Dois fármacos relacionados com biodisponibilidades significativamente diferentes são bioinequivalentes.

5.5.3- Equivalência terapêutica- Dois fármacos são terapêuticamente equivalentes se tem eficácia e segurança comparáveis. Dois fármacos que são bioequivalentes podem não ser equivalentes terapeuticamente.

5.6 - Relação Dose-Resposta 5.6.1 - Relação Dose-Resposta Gradual: aumentos na dose produzem

aumentos na resposta. As curvas dose-resposta graduais tem 4 variáveis características:

Potência: refere-se à dose (concentração) da droga necessária para produzir um efeito. Quanto menor a dose para produzir um efeito maior a potência. Inclinação: as drogas que atuam em um mesmo receptor têm curvas com inclinações paralelas; drogas que tem curvas dose-resposta íngremes são potencialmente mais difíceis de usar porque pequeno aumento na dose pode produzir toxicidade. Variabilidade: na resposta de uma dose específica pode ser esperada e podem ser necessárias variações na dosagem para produzir uma dada resposta. Efeito máximo: é a maior resposta possível de um efetor.

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Farmacologia Geral Veterinária Figura 1 - Curva representando a relação entre dose em escala logarítmica versus

Figura 1 - Curva representando a relação entre dose em escala logarítmica versus intensidade do efeito.

5.6.2 - Relação Dose-Resposta Quantais: são baseadas em resposta de tudo ou nada.

Relação dose-resposta quantais são usadas para estabelecer o efeito útil da droga e as curvas de efeitos tóxicos da droga. Com o gráfico da relação dose-resposta quantal podemos obter:

a) Índice Terapêutico (IT): relação usada para avaliar a segurança da droga:

IT =

DL50

DE50

Teoricamente, quanto maior o índice terapêutico maior a segurança da droga.

b) Margem de segurança padrão: é um parâmetro mais seguro da segurança de

um fármaco do que o índice terapêutico. Ele é a porcentagem pela qual a DE99 precisa

ser aumentada antes que a DL1 seja alcançada.

Margem de segurança padrão= DL1 – DE99 x 100

DE99

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Farmacologia Geral Veterinária Figura 2 - (A) A concentração eficaz para produzir um a resposta quantal

Figura 2 - (A) A concentração eficaz para produzir uma resposta quantal foi determinada em 100 indivíduos. O número de indivíduos que exigiu cada dose foi lançado no gráfico resultando numa distribuição de freqüências log normal (barras brancas). As barras empilhadas demonstram que a distribuição de freqüência normal, quando somada, resulta numa distribuição de freqüências acumulativa- uma curva sigmóide que é uma curva concentração-efeito quantal. (B) Curvas dose- resposta quantais para a ação útil e tóxica da droga.

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6. MECANISMO DE AÇÃO DOS FÁRMACOS - Considerações Gerais e Receptores

A Farmacodinâmica estuda os mecanismos pelos quais um fármaco atua sobre as

funções bioquímicas ou fisiológicas de um organismo vivo. Este ramo da Farmacologia realiza o estudo quantitativo, isto é, a relação dose-resposta dos efeitos biológicos e

terapêuticos dos fármacos.

6.1 - Local de Ação dos Fármacos

Para que se desenvolva uma ação farmacológica, o fármaco deve alcançar o local do organismo onde deve atuar numa concentração determinada e esta parte do organismo deve ter a capacidade de responder ao fármaco. Assim os fármacos podem ter ação local ou tópica que corresponde à produzida no local de aplicação, sem penetrar na circulação. Esta ação ocorre sobre a pele e mucosas, especialmente a respiratória e a digestiva. É evidente que a natureza química do fármaco é que determina sua não absorção. O subnitrato de bismuto exerce seu efeito localmente no trato digestivo protegendo a mucosa.

A ação geral ou sistêmica é aquela produzida após a penetração do fármaco na circulação (absorção) e seu efeito manifesta-se nos diferentes órgãos, segundo a afinidade dos mesmos pelo fármaco.

A ação indireta ou remota é exercida sobre um órgão que não está em contato com o fármaco ou não tem afinidade pelo fármaco, mas como conseqüência da ação do fármaco sobre outras estruturas, o mesmo age indiretamente sobre o órgão com o qual estas estruturas mantém ligações nervosas ou hormonais. A cânfora, por exemplo, irrita a pele quando aplicada localmente e pode provocar alterações da freqüência cardíaca por via reflexa.

6.2 - Ação Farmacológica</