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Análise Financeira II
Análise Financeira II
Análise Financeira II

Análise Financeira II

ÍNDICE INTRODUÇÃO 5 1. OS MAPAS AUXILIARES À ANÁLISE FINANCEIRA 11 1.1. O BALANÇO 13

ÍNDICE

INTRODUÇÃO

5

1. OS MAPAS AUXILIARES À ANÁLISE FINANCEIRA

11

1.1. O BALANÇO

13

1.2. O BALANÇO FUNCIONAL

14

 

1.2.1. Fundo de maneio, necessidades em fundo de maneio e tesouraria

16

1.2.2. A passagem do balanço contabilístico ao balanço funcional

23

1.3. A DEMONSTRAÇÃO DE RESULTADOS

28

 

1.3.1. A demonstração de resultados por funções

29

1.3.2. A demonstração de resultados por natureza

29

1.3.3. Da demonstração de resultados contabilística à demonstração de resultados a custeio variável

31

1.4. A DEMONSTRAÇÃO DE ORIGENS E APLICAÇÕES

 

DE FUNDOS (DOAF)

33

1.4.1 A DOAF e o fundo de maneio

35

1.5. A DEMONSTRAÇÃO DE FLUXOS DE CAIXA

36

 

1.5.1. A demonstração de fluxos de caixa para análise financeira

37

1.5.2. Os indicadores económico-financeiros baseados na demonstração de fluxos de caixa para análise financeira

41

2. ANÁLISE DA RENDIBILIDADE

47

2.1.

A RENDIBILIDADE DE EXPLORAÇÃO

49

  2.1.1. Os meios libertos 50 2.1.2. O valor acrescentado (VA) 51 2.1.3. Análise do
 

2.1.1.

Os meios libertos

50

2.1.2.

O

valor acrescentado (VA)

51

2.1.3.

Análise do risco económico

52

2.2. A RENDIBILIDADE DOS CAPITAIS PRÓPRIOS

57

 

2.2.1 Análise do risco financeiro

57

2.3. OS RÁCIOS DE RENDIBILIDADE

63

 

2.3.1. Os rácios de rendibilidade económica

63

2.3.2. Os rácios de rendibilidade financeira

65

3. O PLANEAMENTO FINANCEIRO

67

3.1. O PLANEAMENTO FINANCEIRO DE CURTO PRAZO

69

 

3.1.1.

O

equilíbrio financeiro

69

3.1.2.

O planeamento das necessidades em fundo de maneio

75

3.1.3.

Os rácios de funcionamento

76

3.1.4.

O

orçamento de tesouraria

78

3.1.5.

O

orçamento financeiro

80

3.1.6.

As fontes de financiamento de curto prazo

81

3.2. O PLANEAMENTO FINANCEIRO DE MÉDIO E LONGO PRAZO

85

 

3.2.1.

O modelo da taxa de crescimento sustentável

85

3.2.2.

O

custo do capital

87

3.2.3.

As teorias de estruturação dos capitais

88

3.2.4.

Indicadores económico-financeiros de médio e longo prazo

90

3.2.5.

As fontes de financiamento de médio

 

e

longo prazo

93

4. ANÁLISE DE INVESTIMENTOS

97

4.1.

INVESTIMENTO?

 

99

 

4.1.1.

Noção de investimento

99

Análise Financeira II

3

4.1.2. A classificação dos investimentos 99 4.1.3. As fases do investimento 100 4.2. A ÓPTICA

4.1.2. A classificação dos investimentos

99

4.1.3. As fases do investimento

100

4.2. A ÓPTICA ECONÓMICA DO INVESTIMENTO

102

4.2.1. A elaboração dos estudos de investimento

102

4.2.2. A avaliação económica do investimento

104

4.3. A ÓPTICA FINANCEIRA DO INVESTIMENTO

115

4.3.1.

A avaliação financeira do investimento

115

4.4. A AVALIAÇÃO GLOBAL DO INVESTIMENTO

120

4.5. AS FONTES DE FINANCIAMENTO DE UM PROJECTO DE

INVESTIMENTO

122

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

127

FICHA TÉCNICA

131

INTRODUÇÃO
INTRODUÇÃO
INTRODUÇÃO

INTRODUÇÃO

INTRODUÇÃO INTRODUÇÃO O papel da função financeira na empresa encontra-se, ainda hoje, em mutação.

INTRODUÇÃO

INTRODUÇÃO

O papel da função financeira na empresa encontra-se,

ainda hoje, em mutação. Identificando-se a sua génese com a elementar gestão dos fluxos monetários de pagamento e recebimento, derivados das operações financeiras inerentes a uma organização, a concepção actual da função financeira abrange um extenso e propenso campo de aplicação.

Num universo de crescente complexidade onde impera a

elevada competitividade inter-empresarial na optimização

da aplicação dos recursos, simultaneamente mais vastos

e mais escassos, a função financeira foi desenraizada da

sua tradicional redoma de passividade.

A assunção da maximização do valor da empresa como

mote reflectivo dos objectivos da função financeira, representou a ampliação das suas tarefas a toda a envolvente empresarial. De facto, a tomada de consciência da influência da promoção de redes interdependentes de decisão, entre o departamento financeiro de uma organização e os seus congéneres de outras áreas, foi preponderante no fomento da rendibilidade do capital investido e na adopção de procedimentos de gestão que minimizam o risco.

A função financeira passou então, a centralizar em si, a

gestão dos recursos globais da empresa, definindo opções estruturais e convergentes em áreas tão díspares como a política de investimentos e financiamentos, a gestão de origens e aplicações de reduzida temporalidade, a análise das decisões comerciais, entre inúmeras que poderíamos mencionar. Em síntese, cabe

INTRODUÇÃO

INTRODUÇÃO actualmente à função financeira a percepção, análise, planificação, execução e controlo das

actualmente à função financeira a percepção, análise, planificação, execução e controlo das decisões financeiras integradas num plano global que traduz o futuro percurso estratégico da empresa.

A função financeira é consubstanciada por duas vertentes técnicas de índole complementar: a análise financeira e a gestão financeira.

Enquanto a gestão financeira se concentra na obtenção dos recursos financeiros necessários à prossecução da missão da organização, assente no binómio maximização da rendibilidade/ minimização do risco, a análise financeira traduz a aplicação de um conjunto de instrumentos e metodologias que conduzem à formulação de diagnósticos precursores de futuros cenários de gestão.

A relação interdependente entre as duas áreas (análise financeira e gestão financeira) é evidente. Do exposto ressalta, inevitavelmente, a geração de um ciclo ininterrupto entre decisões financeiras e avaliação do impacto das mesmas. Efectivamente, a implementação de decisões financeiras será avaliada, o que contribui para a elaboração de novos projectos de gestão, que serão posteriormente apreciados e fomentadores de novas opções de gestão, que conduzirão a outras avaliações, e assim continuamente.

Este manual pretende sistematizar os elementos e ciclos financeiros, oriundos da análise e gestão financeira, conducentes, por um lado, a um melhor conhecimento económico-financeiro da realidade dinâmica de uma empresa, impulsionadores, por outro lado, à criação de

Análise Financeira II

7

INTRODUÇÃO prognósticos adequados a essa salutar mutação. Estruturando-se em torno de três vectores chave da

INTRODUÇÃO

prognósticos adequados a essa salutar mutação.

Estruturando-se em torno de três vectores chave da função financeira - a rendibilidade da empresa, o planeamento financeiro e a análise de investimentos - este manual procura constituir um sintético instrumento de apoio à criação e valorização das competências técnicas dos seus leitores.

Organizado em quatro partes distintas, mas complementares, pretendeu-se na concepção da primeira parte do manual apresentar as peças financeiras de suporte à análise financeira, discernindo os critérios de transformação dos documentos contabilísticos em fontes privilegiadas de informação relevante para a função financeira.

A rendibilidade da empresa é abordada na segunda parte,

evidenciando-se a componente de exploração e financiamento com os respectivos instrumentos de

análise do subjacente risco económico e financeiro.

A terceira parte focaliza-se na concepção de planos de

gestão enquadrados nas metas delineadas pela empresa

e na análise das fontes específicas de financiamento ao dispor nos mercados financeiros tradicionais.

A última parte destaca a importância da definição de um

plano de desenvolvimento da empresa, assente na detecção e exploração de oportunidades de investimento, apresentando as metodologias de apoio à tomada de decisão de investir.

Consciente do carácter de síntese exigido no desenvolvimento deste manual, procurou-se realçar as principais temáticas e instrumentos presentes

INTRODUÇÃO

INTRODUÇÃO actualmente no campo de aplicação da análise/gestão financeira. Não se trata, no entanto, de uma

actualmente no campo de aplicação da análise/gestão financeira. Não se trata, no entanto, de uma obra acabada, pois a análise financeira encontra-se em dinâmica estruturação e aprofundamento. Apesar disso, espera-se ter contribuído para a clarificação de ideias e para o reforço da correcta aplicabilidade dos instrumentos financeiros pelos formandos e restantes leitores.

Análise Financeira II

9

10 Análise Financeira II
OS MAPAS AUXILIARES À ANÁLISE FINANCEIRA Capítulo 1
OS MAPAS AUXILIARES À ANÁLISE FINANCEIRA Capítulo 1

OS MAPAS AUXILIARES À ANÁLISE FINANCEIRA

Capítulo 1

OS MAPAS AUXILIARES À ANÁLISE FINANCEIRA Objectivos No final deste capítulo deverá ser capaz de:

OS MAPAS AUXILIARES À ANÁLISE FINANCEIRA

Objectivos

No final deste capítulo deverá ser capaz de:

Identificar, diferenciar, determinar e analisar as principais peças financeiras aplicadas na análise financeira; Articular os conceitos de fundo de maneio, necessidades em fundo de maneio e tesouraria com a elaboração de diagnósticos sobre o equilíbrio financeiro da empresa; Realçar as vantagens da aplicação da Demonstração de Fluxos de Caixa na avaliação dos recursos financeiros efectivamente gerados por uma empresa.

A actividade financeira da empresa encontra-se suportada em documentos contabilísticos. Estes documentos registam as relações económicas estabelecidas e permitem à gestão financeira apreciar, estudar e definir as condições de equilíbrio financeiro, de forma a maximizar os objectivos da empresa.

O Balanço, a Demonstração de Resultados, a Demonstração de Origens e Aplicações de Fundos e a Demonstração dos Fluxos de Caixa constituem, actualmente, peças fundamentais para a elaboração de diagnósticos económico-financeiros, imprescindíveis ao desenvolvimento de futuras estratégias empresariais.

OS MAPAS AUXILIARES À ANÁLISE FINANCEIRA

1.1. O BALANÇO

OS MAPAS AUXILIARES À ANÁLISE FINANCEIRA 1.1. O BALANÇO A análise financeira tradicional baseia-se no estudo

A análise financeira tradicional baseia-se no estudo do balanço, como fonte de informação sobre o equilíbrio financeiro geral de uma empresa e, especificamente, como fonte de informação da solvabilidade da mesma.

Constituindo o reflexo das operações que afectaram o património de uma empresa, o balanço é um mapa financeiro estático que expressa a sua situação

patrimonial num determinado momento. Este documento caracteriza os activos que a empresa possui (elementos patrimoniais positivos, representados por bens e direitos)

e a forma como os mesmos são financiados (por capitais próprios e por capitais alheios).

Esquematicamente,

Menor grau de liquidez

Menor grau de exigibilidade

Menor grau de liquidez Menor grau de exigibilidade BALANÇO 1º Membro 2º Membro Activo Capital Próprio

BALANÇO

1º Membro

2º Membro

Activo

Capital Próprio ou Situação Líquida

Capital Alheio ou Passivo

Próprio ou Situação Líquida Capital Alheio ou Passivo Maior grau de liquidez Maior grau de exigibilidade

Maior grau de liquidez

Maior grau de exigibilidade

O balanço traduz um equilíbrio entre três variáveis: o

activo, o capital próprio (ou em terminologia contabilística,

a situação líquida) e o capital alheio (ou passivo).

A detenção de activos por uma empresa depende directamente dos fundos obtidos para a sua aquisição ou produção. Logo, o capital próprio e o capital alheio representam as origens de capital e o activo as respectivas aplicações.

Análise Financeira II

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OS MAPAS AUXILIARES À ANÁLISE FINANCEIRA Por conseguinte, e uma vez que o total das

OS MAPAS AUXILIARES À ANÁLISE FINANCEIRA

Por conseguinte, e uma vez que o total das aplicações de fundos iguala a qualquer momento o total das origens de fundos, o balanço poderá ser representado por:

BALANÇO

1º Membro

2º Membro

Aplicações de Fundos ou Investimentos

Origens de Fundos ou Financiamentos

1.2. O BALANÇO FUNCIONAL

Os princípios contabilísticos utilizados na elaboração do balanço contabilístico nem sempre permitem uma adequada análise financeira da empresa. A organização do balanço contabilístico por ordem crescente de liquidez no activo e de exigibilidade no segundo membro, não permite discernir quais os ciclos de financiamento que caracterizam a empresa. Tal impossibilidade limita a análise dos fluxos financeiros que se estabelecem e, portanto, a concepção de ajustamentos necessários à adequação dos ciclos financeiros característicos da actividade ao equilíbrio financeiro da entidade empresarial.

OS MAPAS AUXILIARES À ANÁLISE FINANCEIRA

Se

ajustarmos o esquema anterior a este contexto,

BALANÇO

Activo

Capital Próprio ou Situação Líquida

Capital Alheio ou Passivo

Próprio ou Situação Líquida Capital Alheio ou Passivo BALANÇO Imobilizado Capital Próprio ou Situação Líquida

BALANÇO

Imobilizado

Capital Próprio ou Situação Líquida

Activo Circulante

Capital Alheio de médio e longo prazo

Capital Alheio Circulante

Alheio de médio e longo prazo Capital Alheio Circulante BALANÇO Activo Fixo Activo Circulante Capitais Permanentes

BALANÇO

Activo Fixo

Activo Circulante

Capitais Permanentes

Capital Alheio Circulante

O

situação patrimonial de uma empresa que coloca em relevo o equilíbrio funcional das origens e aplicações de fundos.

balanço funcional é uma forma de apresentação da

Ao expressar a afectação, num determinado momento, das aplicações e origens de recursos às três grandes funções (ou ciclos) existentes numa empresa, o balanço funcional permite evidenciar o equilíbrio entre

financiamento e aplicação, revelando o fundo de maneio,

as necessidades de fundo de maneio e a tesouraria.

Análise Financeira II

de fundo de maneio e a tesouraria. Análise Financeira II Em que, Activo Fixo Com um

Em que,

Activo Fixo

Com um fraco grau de li- quidez, o activo fixo repre- senta as aplicações de carácter permanente (a mais de um ano) cor- póreas, incorpóreas e financeiras da empresa, assim como as dívidas de terceiros a médio e longo prazo e os acréscimos e diferimentos a mais de um ano.

Activo Circulante

Caracterizado por um grau de liquidez elevado,

o activo circulante é cons-

tituído pelas existências, pelos débitos de terceiros relativamente à empresa (com um período máximo de vencimento de um ano), pelos títulos nego- ciáveis, pelas disponibili- dades e acréscimos e diferimentos a menos de um ano.

Capitais Permanentes

Reúne as duas tipologias de origens de fundos -

própria e alheia - com um vínculo "permanente" à empresa, nomeadamente

a mais de um ano da data

do balanço. Enquadram-se

nesta rubrica os capitais com menor grau de exigi- bilidade: capitais próprios

e capitais alheios de

médio e longo prazo.

15

Passivo Circulante, Capi- tal Alheio Circulante ou Capital Alheio de Curto Prazo Representa as dívidas

Passivo Circulante, Capi- tal Alheio Circulante ou Capital Alheio de Curto Prazo

Representa as dívidas de curto prazo (menos de um ano) da empresa para com terceiros, logo com elevado grau de exigibili- dade.

Os ciclos que caracteri- zam o funcionamento de uma empresa são:

Ciclo de Investimento

São as operações desen- volvidas neste ciclo que permitem a constituição do activo imobilizado da empresa e consubstan- ciam-se na análise e selecção de investimentos.

Ciclo

Financeiras

Neste ciclo diferenciam- -se as actividades finan- ceiras directamente relacionadas com o inves- timento em imobilizado das actividades finan- ceiras associadas à activi- dade de exploração.

Operações

de

Ciclo de Exploração ou Operacional

Os elementos que cons- tituem o ciclo de explo- ração são induzidos pelas exigências e recursos da

OS MAPAS AUXILIARES À ANÁLISE FINANCEIRA

A apresentação mais comum do balanço funcional é :

 

Balanço Funcional da Empresa

n

n-1

I

Capital Próprio

   

II

Capital Alheio de médio e longo prazo

   

III

Capitais Permanentes (I+II)

   

IV

Activo Fixo

   

V

Fundo de Maneio (III-IV)

   

VI

Clientes

   

VII

Existências

   

VIII

Adiantamentos a Fornecedores

   

IX

Estado e Outros Entes Públicos (crédito sobre…)

   

X

Outros Devedores ( do ciclo de exploração)

   

XI

Aplicações Cíclicas (VI+VII+VIII+IX+X)

   

XII

Fornecedores

   

XIII

Adiantamentos de Clientes

   

XIV

Estado e Outros Entes Públicos ( crédito de…)

   

XV

Outros Credores (do ciclo de exploração)

   

XVI

Origens Cíclicas (XII+XIII+XIV+XV)

   

XVII

Necessidades em Fundo de Maneio (XI-XVI)

   

XVIII

Tesouraria Líquida (V-XVII)

   

1.2.1.

Fundo de maneio, necessidades em fundo de maneio e tesouraria

Os princípios inerentes à elaboração do balanço funcional permitem evidenciar a estrutura funcional de uma empresa, bem como o respectivo grau de liquidez e exigibilidade das aplicações e origens de fundos acumulados.

OS MAPAS AUXILIARES À ANÁLISE FINANCEIRA

A concepção do modelo funcional introduz três novos parâmetros vocacionados para a análise do equilíbrio financeiro de uma empresa, nomeadamente: fundo de maneio, necessidades em fundo de maneio e tesouraria.

de maneio, necessidades em fundo de maneio e tesouraria. actividade operacional da empresa, originando os proveitos

actividade operacional da empresa, originando os proveitos e custos opera- cionais.

Fundo de maneio Sendo um dos conceitos mais antigos da análise financeira, o fundo de maneio apresenta hoje uma extensa multiplicidade de definições que o leitor poderá facilmente encontrar em bibliografia especializada. Neste manual, optou-se por desenvolver a noção de fundo de maneio que reúne maior consenso entre os analistas:

Fundo de Maneio = Capitais Permanentes - Activo Fixo (após as correcções previstas no ponto seguinte)

Sabendo pela equação de equilíbrio fundamental do balanço que o primeiro membro do balanço tem de igualar o segundo, rapidamente deduz-se que:

Fundo de Maneio = Activo Circulante - Capital Alheio Circulante

BALANÇO

Activo Fixo

Capitais Permanentes

Activo Circulante

}

Fundo de Maneio

Capital Alheio Circulante

Análise Financeira II

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OS MAPAS AUXILIARES À ANÁLISE FINANCEIRA Analisado pela primeira expressão, o fundo de maneio (quando

OS MAPAS AUXILIARES À ANÁLISE FINANCEIRA

Analisado pela primeira expressão, o fundo de maneio (quando positivo) representa o excedente de financiamento com carácter duradouro (capitais permanentes) sobre o activo fixo, e como tal, a parte de fundos estáveis que podem ser destinados a financiar o ciclo de exploração.

Nos cenários em que o fundo de maneio assume valores negativos, os recursos não duradouros (capital alheio circulante) presentes na empresa encontram-se, em parte, a assegurar decisões de investimento em capital fixo, o que induz a um elevado risco de desequilíbrio financeiro. Considerando na sua composição os elementos de curto prazo, o fundo de maneio (quando positivo) representa o excedente do activo circulante, passível de liquidez num período inferior a um ano, sobre os débitos de curto prazo com um idêntico grau de exigibilidade.

Mas, a obtenção de um fundo de maneio positivo é sinónimo de equilíbrio financeiro?

Um fundo de maneio positivo, a priori, representa um excedente de liquidez relativamente às exigibilidades de curto prazo, reunindo a empresa não só condições de satisfação dos seus compromissos, bem como, dispõe de uma reserva de liquidez.

Veja-se o exemplo da empresa "X", que apresenta o seguinte Balanço a 31/12/2004.

OS MAPAS AUXILIARES À ANÁLISE FINANCEIRA

BALANÇO Activo Capital Próprio + Passivo Capital Próprio 20.000 Activo Fixo 20.000 Capital Alheio de
BALANÇO
Activo
Capital Próprio + Passivo
Capital
Próprio
20.000
Activo
Fixo
20.000
Capital
Alheio
de
m.l.p
9.500
Activo
Circulante
Capital
Alheio
de c.p.
Existências
10.000
Fornecedores
20.000
Clientes
25.000
Empréstimo
Bancário
10.000
Disponibilidades
5.000
Estado
500
Total
do
Capital
Próprio
Activo
Total
60.000
60.000
e
Passivo

Numa primeira análise, e não relevando outros factores, podemos afirmar que a empresa encontra-se equilibrada financeiramente, uma vez que o valor dos seus activos circulantes é superior ao das suas obrigações de curto prazo, ou que as origens permanentes financiam os activos fixos e ainda uma parte dos circulantes.

Porém, tal conclusão depende da análise comparativa do grau de liquidez dos activos circulantes e do grau de exigibilidade dos capitais alheios de curto prazo.

grau de exigibilidade dos capitais alheios de curto prazo. Calculando o Fundo de Maneio : Fundo

Calculando o Fundo de Maneio:

Fundo de Maneio = Capi- tais Permanentes - Activo Fixo

Fundo

de

Maneio

=

20.000

+

9.500

-

20.000

€ = 9.500 €

Ou

Fundo de Maneio = Activo Circulante - Capital Alheio Circulante

Fundo

de

Maneio

=

10.000

+ 25.000 €

+

5.000

-

20.000

-

10.000

€ - 500 € = 9.500 €

1ª Hipótese: Grau de Liquidez > Grau de Exigibilidade

Neste cenário, o prazo médio de realização da liquidez dos activos circulantes é inferior ao prazo de exigibilidade das obrigações de curto prazo da empresa, podendo esta assegurar o seu equilíbrio financeiro com um fundo de maneio líquido negativo.

2ª Hipótese: Grau de Liquidez < Grau de Exigibilidade

Ao ser necessário um período de tempo mais dilatado, para a conversão dos activos circulantes em liquidez, do que aquele que se dispõe para o pagamento das

Análise Financeira II

19

Exemplo NFM A empresa A comercializa viaturas automóveis tendo iniciado a sua actividade muito recentemente.

Exemplo NFM

A empresa A comercializa viaturas automóveis tendo iniciado a sua actividade muito recentemente. O seu ciclo de exploração caracteriza-se pelos seguintes dados:

Vendas

diárias:

10

unidades;

Compras

diárias:

10

unidades;

Preço de Venda unitário:

10.000 ;

Preço de Compra unitário:

6.000 ;

Prazo de Armazenagem:

15 dias;

Prazo de Recebimentos:

20 dias;

Prazo de Pagamento: 20 dias.

Os primeiros dias de actividade da empresa traduzem-se nesta sequência:

Dia

1

-

Aquisição

e

Armazenagem

das

10

primeiras

viaturas

automóveis;

Dia 16 - Venda

das 10

primeiras unidades;

Dia 21 - Pagamento aos fornecedores das viaturas adquiridas no dia 1;

Dia 36 - Recebimento das vendas realizadas a 16.

OS MAPAS AUXILIARES À ANÁLISE FINANCEIRA

obrigações de curto prazo, a solvabilidade da empresa dependerá de um adequado planeamento, independentemente de apresentar um fundo de maneio positivo.

A abordagem do fundo de maneio como indicador

exclusivo da análise do equilíbrio financeiro de uma empresa deve, por conseguinte, ser ultrapassada a partir

da conjugação deste importante indicador com outros

conceitos, tais como, as necessidades em fundo de maneio e a tesouraria.

Necessidades em fundo de maneio As necessidades em fundo de maneio derivam da imperatividade de financiar o ciclo de exploração da

empresa, correspondendo ao nível de fundos necessário

ao

financiamento do excedente das aplicações relativas

às

origens associadas à actividade produtiva/comercial.

O

ciclo de exploração da empresa é composto por

rubricas induzidas pelas exigências da exploração - aplicações cíclicas (existências, créditos concedidos a

clientes, entre outros) e pelas origens geradas pela exploração - origens cíclicas (fornecedores, estado, outros credores).

de

exploração é quantificado pela diferença entre as aplicações e as origens cíclicas:

O

nível

de

financiamento

necessário

ao

ciclo

NFM = Aplicações Cíclicas - Origens Cíclicas

O início de um ciclo produtivo/comercial exige um

conjunto de pagamentos operacionais anteriores aos recebimentos dos clientes, sendo fulcral assegurar o seu

OS MAPAS AUXILIARES À ANÁLISE FINANCEIRA

OS MAPAS AUXILIARES À ANÁLISE FINANCEIRA adequado financiamento (pagamentos de matérias primas, mercadorias, produtos

adequado financiamento (pagamentos de matérias primas, mercadorias, produtos secundários, pagamentos aos técnicos, serviços e outros necessários ao desenvolvimento das várias fases do ciclo produtivo/comercial).

Frequentemente, a empresa inicia outro ciclo de exploração ainda não tendo obtido o recebimento do primeiro, o que conduz a uma sobreposição de ciclos e a um financiamento permanente do ciclo de exploração. Vejamos o exemplo da empresa A.

Esquematicamente,

Rubrica/Dias

1

2

3

4

5

6

7

8

9

10

11

12

13

14

15

16

17

18

19

20

Aquisição diária de 10 viaturas

                                       

Venda diária de 10 viaturas

                                       

Pagamento diário aos fornecedores de 10 viaturas

                                       

Recebimento diário das vendas de 10 viaturas

                                       

Rubrica/Dias

20

21

22

23

24

25

26

27

28

29

30

31

32

33

34

35

36

37

38

39

Aquisição diária de 10 viaturas

                                       

Venda diária de 10 viaturas

                                       

Pagamento diário aos fornecedores de 10 viaturas

                                       

Recebimento diário das vendas de 10 viaturas

                                       

As aplicações cíclicas permanentes resultantes do ciclo de exploração são dadas pelo investimento em existências e pelo crédito concedido a clientes, ou seja:

Aplicações

Cíclicas

=

900.000

+

2.000.000

=

2.900.000

Análise Financeira II

Até ao dia 35, inclusive, a empresa investiu na cons- tituição do seu stock e na concessão de crédito a clientes, sem ter recebido qualquer valor das ven- das. A partir do dia 36, a empresa entrou em ritmo de cruzeiro, comprando,

vendendo, recebendo e pagando diariamente os valores correspondentes a 10 viaturas automóveis.

Os saldos de clientes, fornecedores e existên- cias estabeleceram-se então nos montantes:

Existências:

15

900.000

x

10

x

6.000€

=

Crédito de Fornecedores:

20

x

10

x

6.000

=

1.200.000

 

Crédito a Clientes:

 

20

x

10

x

10.000

=

2.000.000

21

OS MAPAS AUXILIARES À ANÁLISE FINANCEIRA Em termos de origens cíclicas, devemos considerar os créditos

OS MAPAS AUXILIARES À ANÁLISE FINANCEIRA

Em termos de origens cíclicas, devemos considerar os créditos obtidos de fornecedores:

Origens Cíclicas = 1.200.000

Logo,

Necessidades em Fundo de Maneio = 2.900.000

1.200.000 = 1.700.000

-

Tesouraria As rubricas de curto prazo de uma empresa podem estar ligadas à exploração ou serem de carácter extra- -exploração com uma natureza essencialmente financeira. No balanço funcional surge a noção de tesouraria líquida, que traduz o valor das aplicações circulantes de carácter não cíclico, líquido do valor das origens de curto prazo com a mesma natureza, ou seja:

Tesouraria Líquida = Tesouraria Activa - Tesouraria Passiva

Representando os activos com maior liquidez, a tesouraria activa inclui as disponibilidades (leia-se depósitos bancários, caixa e títulos negociáveis), assim como, as importâncias de outros devedores e acréscimos e diferimentos não registadas noutras rubricas.

Compõe a tesouraria passiva, o capital alheio imediato ou quase imediato relacionado com a gestão de financiamentos: empréstimos (obrigacionistas, bancários e outros), outros credores e acréscimos e diferimentos não relacionados com a actividade produtiva/comercial (ciclo de exploração).

OS MAPAS AUXILIARES À ANÁLISE FINANCEIRA

OS MAPAS AUXILIARES À ANÁLISE FINANCEIRA 1.2.2. A passagem do balanço contabilístico ao balanço funcional O

1.2.2. A passagem do balanço contabilístico ao balanço funcional

O balanço funcional deriva do balanço contabilístico, requerendo a realização de pequenas correcções ao último, para se poder proceder a uma fidedigna análise financeira. Mas quais as correcções a realizar?

Activo fixo Não devem ser consideradas nesta rubrica:

Obrigações

e

títulos

participativos

da

própria

empresa;

Dívidas de terceiros a médio e longo prazo com origem no ciclo de exploração.

Aplicações cíclicas

Clientes:

Esta rubrica engloba os valores contabilísticos das contas de clientes c/c, clientes com títulos a receber e clientes de cobrança duvidosa, assim como, os valores de letras descontadas e não vencidas.

Existências:

Não devem ser considerados nesta conta:

¥ Os aprovisionamentos estratégicos (os quais devem ser remetidos para a rubrica activo fixo);

¥ Os adiantamentos por conta de compras.

Análise Financeira II

23

OS MAPAS AUXILIARES À ANÁLISE FINANCEIRA Adiantamentos a Fornecedores: Inclui os adiantamentos por conta de

OS MAPAS AUXILIARES À ANÁLISE FINANCEIRA

Adiantamentos a Fornecedores:

Inclui os adiantamentos por conta de compras e adiantamentos a fornecedores, não considerando as aplicações resultantes de aprovisionamentos estratégicos (devendo ser classificadas como activo fixo).

¥ Estado e Outros Entes Públicos:

Inclui os valores que a empresa possui de crédito sobre o Estado.

¥ Outros Devedores:

Associada ao ciclo de exploração, esta conta inclui os valores em dívida de outros devedores e ainda os acréscimos e diferimentos de idêntica natureza.

Tesouraria activa Inclui as disponibilidades (depósitos bancários e caixa), os títulos negociáveis e as importâncias de outros devedores e acréscimos e diferimentos não registadas noutras rubricas.

Capital próprio Deve ser considerado como fundos próprios, representando os capitais à disposição da empresa, reajustando-se, como tal, as seguintes rubricas:

¥ Accionistas:

Capital subscrito, mas não regularizado, deve ser subtraído ao capital próprio;

¥ Resultados Líquidos:

Deduzir

constituindo, como tal, uma dívida a sócios ou

distribuída,

a

importância

que

vai

ser

accionistas;

OS MAPAS AUXILIARES À ANÁLISE FINANCEIRA

OS MAPAS AUXILIARES À ANÁLISE FINANCEIRA Os subsídios ao investimento concedidos por entidades governamentais e

Os subsídios ao investimento concedidos por entidades governamentais e registados contabilisticamente como acréscimos e diferimentos, devem ser adicionados aos capitais próprios e subtraídos da conta de acréscimos e diferimentos;

As provisões para riscos e encargos com uma maturidade longa, ou com natureza de reserva, devem ser adicionadas aos capitais próprios, pois têm um carácter estável.

Capital alheio de médio e longo prazo Engloba os recursos alheios estáveis da empresa podendo, inclusive, incluir dívidas classificadas contabilisticamente de curto prazo, não pertencentes ao ciclo de exploração, mas com uma natureza duradoura (por exemplo: fornecedores de imobilizado).

Origens cíclicas

¥ Fornecedores:

Considera as contas de balanço de fornecedores c/c, fornecedores facturas em recepção e conferência e fornecedores títulos a pagar. No caso de haver atrasos no pagamento a fornecedores por dificuldades financeiras, o analista deve classificar esta rubrica como tesouraria passiva.

¥ Adiantamentos de Clientes:

Inclui as contas de adiantamentos por conta de vendas e adiantamentos de clientes.

Análise Financeira II

25

Da observação do Ba- lanço Histórico apercebe- mo-nos que: - Em 2004 verificou-se a realização

Da observação do Ba- lanço Histórico apercebe- mo-nos que:

- Em 2004 verificou-se a realização de investi- mentos em imobilizado incorpóreo (assumindo maior relevo as despe- sas de instalação);

- Comparativamente a 2003, a rubrica de imobi- lizado corpóreo - edifí- cios e outras cons- truções - sugere a aquisição ou construção de infra-estruturas

imóveis;

- Em 2004 verifica-se um acréscimo significativo do Activo Circulante, especialmente nas rubri- cas relacionadas com a actividade de exploração da empresa;

- Há um acréscimo do valor de cobranças duvi- dosas, apesar de tal subida não ser propor- cional ao dinamismo da

actividade demonstrado pelas outras contas cícli-

cas;

- As aplicações finan- ceiras de curto prazo apresentam um incre-

mento de 420 m. euros,

o que pode sugerir a

existência de exce- dentes de tesouraria;

- As disponibilidades da

empresa para fazer face

a obrigações imediatas

apresentam em 2004 um saldo de mais 439 m. de

euros face a 2003;

OS MAPAS AUXILIARES À ANÁLISE FINANCEIRA

¥ Estado e Outros Entes Públicos:

Composta pelas dívidas da empresa ao Estado resultantes do ciclo de exploração, deve ser englobada em tesouraria passiva num cenário de atrasos de pagamento devido a dificuldades financeiras.

¥ Outros Credores:

Associada ao ciclo de exploração, esta conta inclui os valores em dívida a outros credores, tais como:

dívidas a consultores, remunerações a liquidar, etc.

Tesouraria passiva

Considera o capital alheio de curto prazo resultante de decisões de financiamento: empréstimos bancários, empréstimos por obrigações, outros credores. As letras descontadas não vencidas devem ser adicionadas à tesouraria passiva de modo a contrabalançar a reclassificação realizada no activo. Os

acréscimos de custos, como despesas a pagar, são também registados nesta conta, se tiverem uma natureza de curto prazo e não pertencerem ao ciclo de exploração.

A relevância do balanço funcional na análise financeira é demonstrada pelo caso da empresa Z que apresenta, a 31 de

Dezembro de 2004, o balanço histórico da página seguinte.

A análise deste balanço histórico não permite, no entanto, indagar sobre o equilíbrio financeiro entre as aplicações de fundos realizadas pela empresa Z, nos dois exercícios

económicos, e as suas origens. Para tal, temos de

recorrer ao balanço funcional.

OS MAPAS AUXILIARES À ANÁLISE FINANCEIRA

Balanço histórico

Unid: M. de Euros

     

Activo

Activo

     
 

Activo

 

Activo

Bruto

Amort/

Provisões

Líquido

2004

Líquido

2003

Capital Próprio e Passivo

2004

2003

Imobilizado

       

Capital Próprio e Passivo

   

Imobilizações Incorpóreas

 

Capital

9000

9000

Despesas de Instalação

1580

960

620

430

Reserva legal

 

868

750

Despesas

de

Inv.

e

   

Desenvol.

294

73

221

140

Resultados transitados

-3400

5500

Imobilizações Corpóreas

 

Resultado Líquido do exercício

2300

-8900

Edifícios

e

outras

     

construções

 

1755

351

1404

1276

Total do Capital Próprio

 

8768

6350

Equipamento Básico

 

2890

1734

1156

1734

     

Equipamento de Transporte

230

115

115

172,5

Passivo

Dívidas a terceiros de médio

Equipamento Administrativo

1350

810

540

810

e longo prazo

 

Fornecedores

de

imobilizado

 

2769

2300

Circulante

Dívidas a terceiros de curto prazo

Existências:

 

Dívidas a instituições de crédito

4800

2381

Adiantamentos por conta

Mercadorias

4220

4220

2560

de vendas

 

1350

890

Dívidas de terceiros de curto prazo:

Fornecedores c/c

 

2700

1900

Fornecedores-facturas em

Clientes conta corrente

 

3400

3400

2700

recepção

150

 

Estado

e

outros

entes

Clientes cobrança duvidosa

780

780

659

públicos

1050

80

Adiantamentos a

 

fornecedores

 

1050

1050

800

Outros credores

 

18

Estado

e

outros

entes

 

públicos

3700

3700

1679

Outros devedores

 

2600

2600

Total do Passivo

 

12837

7550,5

Títulos negociáveis

     

Aplicações de tesouraria

 

980

980

560

Depósitos bancários e caixa

Depósitos bancários

 

763

763

367

Caixa

56

56

13

Activo Total

 

25648

4043

21605

13901

Total do Capital Próprio e

21605

13901

Passivo

Análise Financeira II

e 21605 13901 Passivo Análise Financeira II - Em 2003 a empresa apresenta um resultado líquido

- Em 2003 a empresa apresenta um resultado líquido negativo de 8.900 m. euros, recu- perando em 2004 ao obter um lucro de 2300 m. euros que se reflectiu no incremento dos capi- tais próprios;

- O Passivo aumentou 5.287 m. euros em 2004, sendo tal subida justifi- cada não só pelo pre- sumível dinamismo da actividade económica (com a obtenção de mais créditos sobre os fornecedores e o Estado), mas também pelo agravamento do endividamento de curto prazo a instituições de crédito.

27

Da análise do Balanço Funcional realçam-se as seguintes conclusões: - Em 2004 verificou-se um acréscimo

Da análise do Balanço Funcional realçam-se as seguintes conclusões:

- Em 2004 verificou-se um acréscimo do fundo de maneio justificado pelo excedente de capitais permanentes comparati- vamente às aplicações de médio e longo prazo;

- A empresa investiu no seu ciclo de exploração concedendo um maior volume de crédito aos clientes e praticamente duplicando o valor em stock das suas existên- cias, o que se reflectiu no crédito sobre o Estado;

- O acréscimo das apli- cações cíclicas (7352 m. de euros) não foi acom- panhado pelos fundos de idêntica natureza (ori- gens cíclicas - 2398 m. de euros) o que por si, não é representativo de desequilíbrio financeiro, uma vez que, a empresa pode recorrer ao exce- dente de capitais estáveis ( referido no primeiro ponto). No entanto, como os capi- tais permanentes não foram suficientes para colmatar as necessi- dades em fundo de maneio advindas do ciclo de exploração, veri- ficou-se uma deterio- ração da tesouraria, e por conseguinte, um desequilíbrio financeiro de curto prazo.

OS MAPAS AUXILIARES À ANÁLISE FINANCEIRA

Balanço funcional

Unid: M. de Euros

 

Balanço Funcional

2004

2003

I

Capital Próprio

8768

6350

II

Capital Alheio de médio e longo prazo

2769

2300

III

Capitais Permanentes (I+II)

11537

8650

IV

Activo Fixo

4056

4562,5

V

Fundo de Maneio (III-IV)

7481

4087,5

VI

Clientes

4180

3359

VII

Existências

4220

2560

VIII

Adiantamentos a Fornecedores

1050

800

IX

Estado e Outros Entes Públicos

3700

1679

X

Outros Devedores

2600

0

XI

Aplicações Cíclicas (VI+VII+VIII+IX+X)

15750

8398

XII

Fornecedores

2850

1900

XIII

Adiantamentos de Clientes

1350

890

XIV

Estado e Outros Entes Públicos

1050

80

XV

Outros Credores

18

0

XVI

Origens Cíclicas (XII+XIII+XIV+XV)

5268

2870

XVII

Necessidades em Fundo de Maneio (XI-XVI)

10482

5528

XVIII

Tesouraria Líquida (V-XVII)

-3001

-1441

1.3. A DEMONSTRAÇÃO DE RESULTADOS

Representando a eficiência económica de uma empresa,

a demonstração de resultados permite avaliar a sua

rendibilidade, num determinado período, face aos resultados positivos ou negativos obtidos (lucros ou prejuízos). Nesta peça financeira, as diferentes tipologias de proveitos e custos são agrupadas em conjuntos de

natureza homogénea, permitindo uma distinção nítida da sua repercussão na formação do resultado líquido.

O Plano Oficial de Contas (POC) apresenta duas formas

de elaboração da demonstração de resultados (DR):

¥ A demonstração de resultados por natureza;

¥ A demonstração de resultados por funções.

OS MAPAS AUXILIARES À ANÁLISE FINANCEIRA

OS MAPAS AUXILIARES À ANÁLISE FINANCEIRA 1.3.1. A demonstração de resultados por funções A DR por

1.3.1. A demonstração de resultados por funções

A DR por funções agrega os custos e proveitos

apresentados em função das divisões tradicionais:

operacional, distribuição, administração e financeira. Limitada a sua aplicação pela exigência de elaboração

de

uma contabilidade analítica, não realizada na maioria

do

sector empresarial português, a DR por funções tem

sido continuamente preterida relativamente à DR por natureza.

1.3.2. A demonstração de resultados por natureza

Código das Contas

   

Exercícios

 

POC

 

N

N-1

 

CUSTOS E PERDAS Custo das mercadorias vendidas e

       

61

matérias consumidas:

- Mercadorias

x

x

- Matérias

x

x

x

x

Fornecimentos e Serviços Externos

   

62

Custos com o Pessoal:

x

x

641+642

- Remunerações

x

x

x

x

643+644+645/8

- Encargos Sociais

x

x

66

Amortizações do Imob.Corp. e Incorp.

x

x

67

Provisões

x

x

x

x

63

Impostos

x

 

x

 

65

Outros Custos e Perdas Operacionais

x

x

x

x

(A)

 

x

 

x

682

Perdas em empresas do grupo e associadas

x

x

683+684

Amortizações e Provisões de Aplicações e investimentos financeiros Juros e Custos Similares:

x

- Relativos a empresas do grupo

x

x

681+685+686/8

- Outros

x

x

x

x

(C)

 

x

 

x

69

Custos e Perdas Extraordinárias

x

x

(E)

x

x

86

Imposto sobre o Rendimento do Exercício

x

x

(G)

x

x

+

+

88

Resultado Líquido do Exercício

+ - x

+ - x

x

x

Da análise da DR em epígrafe destaca-se a anexação das

Análise Financeira II

29

OS MAPAS AUXILIARES À ANÁLISE FINANCEIRA Código das Contas Exercícios POC N N-1 71 PROVEITOS

OS MAPAS AUXILIARES À ANÁLISE FINANCEIRA

Código das Contas Exercícios POC N N-1 71 PROVEITOS E GANHOS Vendas: Mercadorias Produtos x
Código das Contas
Exercícios
POC
N
N-1
71
PROVEITOS E GANHOS
Vendas:
Mercadorias
Produtos
x
x
x
x
72
Prestações de Serviços
x
x
x
Variação da Produção
+-x
+-x
75
Trabalhos para a própria empresa
x
x
73
Proveitos Suplementares
x
x
74
X
76
Subsídios à Exploração
Outros Proveitos e Ganhos Operacionais
X
X
x
X
x
(B)
x
x
782
Ganhos em empresas do grupo e associadas
x
x
784
Rendimentos de Participações de Capital:
7812+7815/6+783
Rendimentos de títulos negociáveis e de outras
aplicações financeiras:
7811+7813/4+7818
Relativos a empresas do grupo
Outros
Outros Juros e Proveitos Similares:
X
X
X
X
X
X
+785/8
Relativos a empresas do grupo
Outros
X
x
X
x
(D)
x
x
79
Proveitos e Ganhos Extraordinários
x
x
(F)
x
x
Resultados Operacionais: (B) - (A)=
Resultados Financeiros: (D-B) - (C-A)=
Resultados Correntes: (D)-(C)=
Resultados antes de Impostos: (F)-(E) =
Resultado Líquido do Exercício: (F)-(G)=
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x

rubricas de proveitos e custos de natureza similar, de modo a permitir a determinação dos diferentes resultados. Assim:

Resultados Operacionais = Proveitos Operacionais - Custos Operacionais

Resultados Financeiros = Proveitos Financeiros - Custos Financeiros

¥ A diferença entre proveitos operacionais e custos operacionais (fluxos respeitantes à actividade principal da empresa) traduz-se nos resultados operacionais;

¥ Para a determinação dos resultados financeiros concorrem as remunerações de aplicações financeiras (proveitos financeiros) e os custos de financiamento da empresa;

¥ Os resultados correntes não são mais do que a

OS MAPAS AUXILIARES À ANÁLISE FINANCEIRA

conjugação dos dois resultados anteriores;

¥ Os resultados extraordinários, à semelhança dos anteriores, resultam na relação entre proveitos extraordinários e custos extraordinários;

¥ Os resultados antes de impostos, determinam-se adicionando aos resultados correntes as rubricas extraordinárias registadas na empresa no período em análise;

¥ Por

último,

o

resultado

líquido

é

obtido

pela

dedução ao RAI dos impostos sobre resultados.

1.3.3. Da demonstração de resultados contabilís- tica à demonstração de resultados a custeio variável

A rendibilidade de uma empresa estudada a partir da análise dos seus proveitos, custos e relações estabelecidas entre estes e o nível de actividade é um importante instrumento para a tomada de decisões de gestão. Porém, a DR, tal como é apresentada pelo POC, limita e condiciona o planeamento estratégico, ao não permitir o estudo do comportamento dos custos. A imperativa necessidade de identificação das relações estabelecidas entre os consumos (de matérias, serviços, e outros) e o nível de actividade, exige o desenvolvimento, pelo analista financeiro, de significativos esforços que permitam apurar os custos variáveis e os custos fixos da empresa, elaborando-se a demonstração de resultados a custeio variável.

Análise Financeira II

de resultados a custeio variável. Análise Financeira II Resultados Correntes = Resultados Operacionais + Resultados

Resultados Correntes = Resultados Operacionais + Resultados Financeiros

Resultados Extra- ordinários = Proveitos e Ganhos Extra- ordinários - Custos e Per- das Extraordinários

RAI =

Resultados Correntes + Resultados Extra- ordinários

Resultado Líquido do Exercício =

Resultado Antes de Imposto - Impostos sobre Resultados

Em que,

Custos Variáveis =

representam os custos que variam em função do nível de actividade da empresa.

Custos Fixos =

independentemente do volume de actividade da empresa, estes custos mantém-se inalterados.

31

OS MAPAS AUXILIARES À ANÁLISE FINANCEIRA DEMONSTRAÇÃO DE RESULTADOS A CUSTEIO VARIÁVEL Vendas - Custos

OS MAPAS AUXILIARES À ANÁLISE FINANCEIRA

DEMONSTRAÇÃO DE RESULTADOS A CUSTEIO VARIÁVEL Vendas - Custos Variáveis = Margem de Contribuição Bruta
DEMONSTRAÇÃO DE RESULTADOS A CUSTEIO VARIÁVEL
Vendas
-
Custos
Variáveis
=
Margem
de
Contribuição
Bruta
+
Outros Proveitos Operacionais
-
Custos
Fixos
=
Resultados
Operacionais
+
Resultados
Financeiros
=
Resultados
Correntes
+
Resultados
Extraordinários
=
Resultados
antes
de
Impostos
-
Impostos
sobre Lucros
=
Resultado Líquido

O grande desafio colocado ao analista traduz-se na reclassificação dos custos registados na DR em função da sua natureza, em custos variáveis ou fixos. Embora não existam tipologias definidas, pois cada empresa tem a sua estrutura de custos, reuniram-se algumas concepções comuns:

Custo das Mercadorias Vendidas e Matérias Consumidas deduzindo-se a variação da produção no caso dos proveitos não incluírem esta rubrica

Impostos e todos os custos operacionais variáveis em função da actividade

os custos operacionais variáveis em função da actividade Custos Variáveis Fornecimentos e Serviços Exter- nos
os custos operacionais variáveis em função da actividade Custos Variáveis Fornecimentos e Serviços Exter- nos

Custos Variáveis

variáveis em função da actividade Custos Variáveis Fornecimentos e Serviços Exter- nos variáveis com a

Fornecimentos e Serviços Exter- nos variáveis com a actividade

Os Encargos com o Pessoal, são regra geral custos fixos, podendo-se verificar algumas excepções

Provisões líquidas relacionadas com o ciclo de exploração

líquidas relacionadas com o ciclo de exploração Custos Fixos Reintegrações e Amortizações do Imobi-
Custos Fixos
Custos Fixos

Reintegrações e Amortizações do Imobi- lizado corpóreo e incorpóreo

Fornecimentos e Serviços Externos, impos- tos e outros custos invariáveis com a actividade

OS MAPAS AUXILIARES À ANÁLISE FINANCEIRA

1.4. A

DEMONSTRAÇÃO

DE

ORIGENS

E

APLICAÇÕES DE FUNDOS (DOAF)

A DEMONSTRAÇÃO DE ORIGENS E APLICAÇÕES DE FUNDOS (DOAF) Criada para colmatar a insuficiência do balanço

Criada para colmatar a insuficiência do balanço em fornecer informações sobre as transformações ocorridas num determinado período, a fim de evidenciar uma lógica financeira de evolução, a demonstração de origens e aplicações de fundos regista as fontes de financiamento e as aplicações dos respectivos capitais.

Este documento financeiro é determinado a partir de dois balanços, calculando as variações das rubricas dos mesmos que permitam definir o modo de financiamento das aplicações e a utilização das origens.

O balanço pode ser analisado segundo o esquema:

APLICAÇÕES (A) ORIGENS (O) Aplicações de Médio e Origens de Médio e Longo Longo Prazo
APLICAÇÕES (A)
ORIGENS (O)
Aplicações
de
Médio
e
Origens de
Médio
e
Longo
Longo
Prazo
(ALP)
Prazo
(OLP)
Activos
Fixos
Capitais
Permanentes
Capitais
Permanentes
Activos
Fixos
Aplicações
de
Curto
Prazo
Origens
de
Curto
Prazo
(ACP)
(OCP)
Activos Circulantes
Capitais
Alheios de
Curto
Capitais
Alheios de
curto
Prazo
Prazo
Activo
Circulante
S APLICAÇÕES
=
S ORIGENS

Em suma,

APLICAÇÕES (A) ORIGENS (O) Activo Capitais Capitais Activo
APLICAÇÕES (A)
ORIGENS (O)
Activo
Capitais
Capitais
Activo

Análise Financeira II

33

A partir da DOAF eviden- ciam-se os seguintes movimentos financeiros: Capitais Significado: os compro- missos

A partir da DOAF eviden- ciam-se os seguintes movimentos financeiros:

Capitais

Significado: os compro- missos suplementares assumidos pela empresa são a contrapartida de um aumento das origens de fundos.

Capitais

Significado: representam a extinção de compromis- sos da empresa, o que exigiu a aplicação de fun- dos.

Activo

Significado: o acréscimo das aplicações de fundos representa o aumento dos activos detidos pela empresa.

Activo

Significado: representa cessões de activos da empresa, por contra- partida de um recebi- mento, conduzindo a origens de fundos.

OS MAPAS AUXILIARES À ANÁLISE FINANCEIRA

A DOAF estilizada apresenta o seguinte modelo:

Origem dos Fundos

Internas:

   

Resultados Líquidos ( lucro) Amortizações e Reintegrações do exercício Variação das provisões Externas Aumentos da situação líquida Aumentos de capital e prest. suplementares Aumentos de reservas especiais Cobertura de prejuízos Movimentos financeiros a médio e longo prazo Imobilizações financeiras Redução de créditos de médio e longo prazo Aumento de débitos a médio e longo prazo Empréstimos bancários Empréstimos de sócios/accionistas Outros Desinvestimentos Cessão de imobilizações corpóreas e incorpóreas Redução dos fundos circulantes

x

x

+-x

+-x

x

x

x

x

x

x

x

x

x

x

 

x

x

Total

 

x

Aplicação dos Fundos

 

Distribuições:

   

Por aplicação de resultados Por aplicação de reservas Reduções da situação líquida:

Resultados Líquidos ( prejuízo)

x

x

x

x

Reduções de capital e prestações suplementares Movimentos financeiros a médio e longo prazo:

x

x

 

Imobilizações financeiras Redução de débitos a médio e longo prazo Empréstimos bancários Empréstimos de sócios/accionistas Outros

x

x

x

x

Aumento de créditos a médio e longo prazo Investimentos:

x

x

 

Trabalhos para a própria empresa Aquisição de:

x

Imobilizações corpóreas Imobilizações incorpóreas Aumento dos fundos circulantes

x

x

x

 

x

Total

 

x

OS MAPAS AUXILIARES À ANÁLISE FINANCEIRA

Em que variação de fundos circulantes:

Activas

Aumento das existências Aumento de créditos a curto prazo Redução de débitos de curto prazo Aumento de disponibilidades Redução dos fundos circulantes

Total

Passivas

Diminuição das existências Redução de créditos a curto prazo Aumento de débitos de curto prazo Redução de disponibilidades Aumento dos fundos circulantes

Total

1.4.1. A DOAF e o fundo de maneio

fundos circulantes Total 1.4.1. A DOAF e o fundo de maneio A partir da DOAF evidenciam-se

A partir da DOAF evidenciam-se algumas variações do fundo de maneio:

Σ

Aplicações =

Σ

Origens

- OCP = OLP - ALP

ALP + ACP = OLP + OCP

ACP

1ª Hipótese: OLP > ALP

Se as origens de médio e longo prazo forem superiores ao valor das aplicações da mesma natureza , este valor pode ser afecto ao financiamento de aplicações de curto prazo, o que representa um aumento do fundo de maneio

OLP - ALP > 0

FM > 0

2ª Hipótese: ALP > OLP OCP > ACP FM < 0

Se a diferença entre origens de médio e longo prazo e aplicações da mesma natureza for negativa pressupõe-se que a empresa financiou uma parte das suas aplicações duradouras com origens de curto prazo, o que implica uma diminuição do fundo de maneio.

Análise Financeira II

35

OS MAPAS AUXILIARES À ANÁLISE FINANCEIRA 1.5. A DEMONSTRAÇÃO DE FLUXOS DE CAIXA A demonstração

OS MAPAS AUXILIARES À ANÁLISE FINANCEIRA

1.5. A DEMONSTRAÇÃO DE FLUXOS DE CAIXA

A demonstração de resultados apresenta o resultado líquido de um determinado exercício económico, assumindo que todos os proveitos encontram-se recebidos e todos os custos pagos. Na maioria das organizações e num contexto de curto prazo, este cenário não é fiel à realidade. É frequente as empresas apresentarem resultados líquidos positivos e, simultaneamente, encontrarem-se numa débil situação financeira. A justificação para tal reside na dificuldade de transformar em liquidez os seus créditos perante terceiros e na imperatividade do pagamento das suas dívidas. Apresentando-se como um documento revelador dos meios financeiros efectivamente gerados num período, a demonstração de fluxos de caixa permite reconstituir os fluxos financeiros que deram origem à variação das disponibilidades, avaliando a contribuição de cada ciclo financeiro da empresa (operacional, de investimento e de financiamento) para a mesma.

A demonstração de fluxos de caixa pode ser elaborada segundo duas metodologias: o método directo e o método indirecto (abordaremos apenas o primeiro).

OS MAPAS AUXILIARES À ANÁLISE FINANCEIRA

DEMONSTRAÇÃO DE FLUXOS DE CAIXA

Actividades Operacionais:

Recebimentos de Clientes Pagamentos a Fornecedores Pagamentos ao Pessoal

Sub-Total

Pagamento/Recebimento do IRC Outros pagamentos/recebimentos operacionais

Sub-Total Recebimentos relacionados com rubricas extraordinárias Pagamentos relacionados com rubricas extraordinárias

I - Fluxo das Actividades Operacionais

Actividades de Investimento:

Recebimentos provenientes de:

Investimentos Financeiros Imobilizações Corpóreas Imobilizações Incorpóreas Subsídios de Investimento Juros e proveitos similares Dividendos Etc Pagamentos respeitantes a:

Investimentos Financeiros

Imobilizações Corpóreas

Imobilizações Incorpóreas

Etc

II - Fluxo das Actividades de Investimento

Actividades de Financiamento Recebimentos provenientes de:

Empréstimos Obtidos Aumentos de Capital Subsídios e Doações Venda de Acções Próprias Cobertura de prejuízos Juros e proveitos similares Etc. Pagamentos respeitantes a:

Empréstimos Obtidos Amortizações de contratos de locação financeira Juros e Custos similares Dividendos Reduções de Capital Aquisição de acções próprias Etc

III - Fluxo das Actividades de Financiamento

Informações adicionais:

IV-Variação de caixa e seus equivalentes [I+II+III] Efeito das diferenças de câmbio Caixa e seus equivalentes no início do período Caixa e seus equivalentes no fim do período

1.5.1.

A demonstração de fluxos de caixa para análise financeira

O modelo da demonstração de fluxos de caixa apresentado encontra-se normalizado por directrizes contabilísticas. A classificação inerente à disposição das diferentes rubricas em função da natureza dos ciclos de actividade encontra-se, no entanto, desadequada à obtenção de fidedignas informações financeiras. A inclusão de rubricas extraordinárias e de impostos sobre o

Análise Financeira II

e de impostos sobre o Análise Financeira II O mapa de fluxos de caixa agrupa-os nos

O mapa de fluxos de caixa agrupa-os nos três ciclos de actividades da empresa: ciclo opera- cional, ciclo do investi- mento e ciclo do financiamento.

A determinação dos:

Fluxo de Actividades Operacionais + Fluxo das Actividades de Investi- mento + Fluxo das Activi- dades de Financiamento

conduz

=

líquida de caixa.

A

variação líquida de

caixa indica alterações numa, ou em todas, as actividades dos ciclos da empresa, que devem ser analisadas no sentido de compreender as suas causas.

O fluxo de caixa opera-

cional é um indicador fun-

do

damental

desenvolvimento da actividade económica da empresa ao realçar se a sua exploração conduz à geração ou absorção de recursos financeiros.

O fluxo das actividades

de investimento conduz

à tomada de decisões de

financiamento, depen- dendo dos valores gera- dos pelo investimento ou desinvestimento em imo- bilizações.

37

Os fluxos das activi- dades de financiamento identificam as variações verificadas na estrutura financeira da

Os fluxos das activi- dades de financiamento identificam as variações verificadas na estrutura financeira da empresa.

Os Investimentos podem ser classificados em:

- Investimentos de expansão - são os investimentos cuja finali- dade é aumentar a capacidade produtiva da empresa;

- Investimentos de diversificação - carac- terizam-se, como o próprio nome indica, por serem investimentos em áreas de negócio difer- entes da(s) área(s) de actuação normal da empresa;

- Investimentos de subs- tituição - traduzem-se na mera substituição do equipamento produtivo (e outros meios) já exis- tentes na empresa.

Os fluxos de caixa associa- dos aos acréscimos e diferimentos devem ser registados na demons- tração em função da sua natureza. Consoante a informação obtida da empresa deverá ser ajus- tada a inserção destas rubricas específicas.

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rendimento nos fluxos operacionais e a não consideração das diferentes tipologias de investimento e financiamento, limitam a utilidade financeira deste mapa. Propõe-se, então, o modelo de DFC de seguida apresentado.

Esta peça financeira permite ao analista um maior

controlo ao destrinçar minuciosamente a natureza dos fluxos de entrada e saída e ao facultar, por cada ciclo, o saldo dos fluxos de caixa. Através deste modelo, podem-se caracterizar os investimentos em função da sua finalidade (expansão,

diversificação ou substituição) e obter uma percepção imediata sobre a tipologia de fontes de financiamento a que a empresa recorreu para a concretização dos mesmos.

 

DEMONSTRAÇÃO DE FLUXOS DE CAIXA

Valor

1

- Vendas

 

2

- Acréscimo de clientes

293.069

265

3

- Acréscimo de adiantamentos de clientes

4

- Acréscimo de adiantamentos por conta de vendas

 

5 - Recebimentos Operacionais (1-2+3+4)

292.804

6

- Custos dos produtos vendidos

150.013

7

- Despesas administrativas

75.654

8

- Impostos

 

9 - Custos Operacionais Desembolsáveis(6+7+8)

9 - Custos Operacionais Desembolsáveis(6+7+8)

225.667

225.667

10 - Acréscimos de existências de matérias-primas e mercadorias

-3.875

11 - Acréscimo de existências de produtos acabados

-402

12 - Acréscimos de adiantamentos por conta de compras

13 - Acréscimos de adiantamentos a fornecedores

-47

14 - Acréscimo de fornecedores

-20.406

15 - Acréscimo do Estado e Outros Entes Públicos de exploração a pagar

-286

16 - Acréscimo do Estado e Outros Entes Públicos de exploração a receber

12.719

A - Acréscimo de custos (acréscimos e diferimentos)

-542

B - Acréscimo de custos diferidos (acréscimos e diferimentos)

-395

 

17 - Pagamentos Operacionais (9+10+11+12+13-14-15+16-A+B)

254.901

18 - Investimentos de substituição

 

19 - Acréscimos de adiantamentos a fornecedores de imobilizado de substituição

20 - Acréscimos de fornecedores de imobilizado de substituição

OS MAPAS AUXILIARES À ANÁLISE FINANCEIRA

OS MAPAS AUXILIARES À ANÁLISE FINANCEIRA 21 - Pagamentos de Investimentos de Substituição (18+19-20) 0 22

21 - Pagamentos de Investimentos de Substituição (18+19-20)

0

22

- Fluxo de Caixa Operacional (5-17-21)

22 - Fluxo de Caixa Operacional (5-17-21)

37.903

37.903

23

- Resultados Financeiros

-16.897

24

- Resultados Extraordinários

25

- Imposto sobre o rendimento

0

26

- Acréscimo do Estado-Imposto sobre o rendimento

27

- Fluxos de Caixa Extraordinários(23+24-25+26)

27

- Fluxos de Caixa Extraordinários(23+24-25+26)

-16.897

-16.897

28

- Fluxos de Caixa para Decisões Estratégicas( 22+27)

28

- Fluxos de Caixa para Decisões Estratégicas

21.006

21.006

29

- (Investimentos de Expansão-Desinvestimentos de Expansão)

54.507

30

- Acréscimos dos fornecedores de imobilizado

24.859

31

- Acréscimos de adiantamentos a fornecedores de imobilizado

C - Acréscimos de proveitos diferidos

-3.341

32 - Pagamentos de Investimentos no Negócio (29-30+31+C)

32.989

33 - Meios Libertos (28 - 32)

33 - Meios Libertos (28-32)

-11.983

-11.983

34 - Investimentos de diversificação

 

35 - Acréscimo de fornecedores de imobilizado para invest.de diversificação

36 - Acréscimo de adiantamentos a fornecedores de imob.p/invest.de diversificação

37

- (Investimentos financeiros-desinvestimentos financeiros)

38 - Pagamentos de Investimentos de diversificação (34-35+36+37)

0

39

39 - Fluxos de Caixa disponíveis para Accionistas e Credores (33-38)

- Fluxos de Caixa disponíveis para Accionistas e Credores (33-38)

-11.983

-11.983

40

- Dividendos

 

41

- Acréscimo de dividendos antecipados

42

- Acréscimo de adiantamentos por conta de lucros pagos

43

- (Acréscimo de accionistas-lucros disponíveis)

44 - Pagamento de Dividendos (40+41+42-43)

0

45

- Saldo de Financiamento ( 39-44)

45 - Saldo de Financiamento ( 39-44)

-11.983

-11.983

46

- Acréscimo de dívidas de médio e longo prazo a instituições de crédito

-33.603

47

- Aumentos de capital em dinheiro

48

- Meios Libertos Líquidos(45+46+47)

48

- Meios Libertos Líquidos(45+46+47)

-45.586

-45.586

49

- Acréscimo de dívidas de curto prazo a instituições de crédito

5.273

50

- Acréscimo de outros credores

48.926

51

- Acréscimo de outros devedores

57.634

52 - Variação dos Depósitos Bancários e Caixa (48+49+50-51)

-49.022

A empresa "Pães Quentes, Lda" dedica-se à produção e comercialização de artigos de padaria e pastelaria, apresentando o seguinte balanço a 31/12/2004.

Análise Financeira II

39

OS MAPAS AUXILIARES À ANÁLISE FINANCEIRA   Activo Activo       Activo 2004 2003

OS MAPAS AUXILIARES À ANÁLISE FINANCEIRA

 

Activo

Activo

     

Activo

2004

2003

Capital Próprio e Passivo

2004

2003

Imobilizado

   

Capital Próprio

   

Imobilizações incorpóreas

4.477

4.477

Capital social

5.000

5.000

Imobilizações corpóreas

395.909

341.402

Prestações Suplementares

99.760

99.760

Amor.reintegrações

-236.382

-206.008

Reservas

2.061

2.061

acumuladas

Imobilizado Líquido

164.004

139.871

Resultados Transitados

-59.618

-50.225

     

Resultados Líquidos

20.131

-9.392

Activo Circulante

   

Capital Próprio

67.334

47.204

Existências:

         

Matérias -primas

2.948

5.156

Dívidas a terceiros de médio e longo prazo

   

Mercadorias

 

1.667

Empréstimos Bancários

148.803

182.406

Produtos acabados

317

719

Fornecedores de Imobilizado

24.859

 

Dívidas de terceiros de curto prazo:

         

Clientes c/c

68.084

67.819

Dívidas a terceiros de curto prazo

   

Clientes de cobrança duvidosa

   

Empréstimos Bancários

11.346

6.073

Sócios

9.383

18.457

Fornecedores

54.780

75.186

Adiantamentos a fornecedores

1.036

1.083

Sócios

23.926

 

Estado e outros entes públicos

52.834

40.115

Estado e outros entes públicos

2.587

2.873

Outros devedores

72.503

5.795

Outros Credores

27.081

2.081

Títulos negociáveis

   

Acréscimos e Diferimentos

   

Aplicações de tesouraria

   

Acréscimo de custos

6.265

6.807

Depósitos bancários e caixa

   

Proveitos diferidos

11.819

15.160

Depósitos bancários

3.499

256

     

Caixa

3.006

55.271

Passivo

311.466

290.586

Acréscimos e Diferimentos

         

Custos diferidos

1.186

1.581

     

Activo Líquido Total

378.800

337.790

Total do Capital Próprio e Passivo

378.800

337.790

Considerando as informações complementares, a Demonstração de Fluxos de Caixa da empresa "Pães Quentes, Lda" seria a apresentada anteriormente nas páginas 38 e 39.

OS MAPAS AUXILIARES À ANÁLISE FINANCEIRA

OS MAPAS AUXILIARES À ANÁLISE FINANCEIRA Informações Complementares sobre a empresa "Pães Quentes, Lda" ( ano

Informações Complementares sobre a empresa "Pães Quentes, Lda" ( ano de 2004):

Vendas Custos Variáveis:

293.069

Custo das mercadorias vendidas

101.729