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PRESBITÉRIO LITORÂNEO DE PERNAMBUCO

EXAME DE SERMÃO

SERMÃO EXPOSITIVO EM JUDAS 1, 2, 24, 25

Daniel Luiz Rodrigues de Andrade

RECIFE,

2005
JUDAS 1, 2, 24, 25

“1Judas, servo de Jesus Cristo e irmão de Tiago, aos chamados, amados em Deus Pai e

guardados em Jesus Cristo,


2
a misericórdia, a paz e o amor vos sejam multiplicados.
24
Ora, àquele que é poderoso para vos guardar de tropeços e para vos apresentar com

exultação, imaculados diante da sua glória,


25
ao único Deus, nosso Salvador, mediante Jesus Cristo, Senhor nosso, glória, majestade,

império e soberania, antes de todas as eras, e agora, e por todos os séculos. Amém”.
INTRODUÇÃO

Meus queridos irmãos, foi-se o tempo em que era aconselhável e possível deixar

arquivos importantes, como relatórios, folha de pagamento, trabalhos grandes e demorados,

e, no nosso caso, sermões, resenhas, resumos e monografias, armazenados apenas nos

computador pessoal. Quem nunca teve que formatar o HD e assim, perder todas as

informações gravadas? Ou quem nunca perdeu relatórios e trabalhos por conta de uma

incompatibilidade no drive de cd? É difícil, mas acontece! Ou quem jamais teve que

transportar um arquivo e ao chegar no computador, no momento de ler o disquete, uma

mensagem é apresentada dizendo que o disco flexível deve ser formatado? É frustrante!

Hoje, com a proliferação de invasões virtuais, e os chamados vírus, é mais

importante do que nunca, fazer cópias de segurança (backup) e, ainda mais, colocar estes

arquivos nos chamados discos virtuais. O Disco Virtual serve para você armazenar

arquivos, funcionando como o disco rígido do seu computador. Você pode acessar esses

arquivos de qualquer lugar do mundo, bastando ter um computador conectado à Internet.

Estes nos dão um espaço considerado e a segurança de deixar os arquivos muito bem

guardados. Além de não se preocupar em estar levando um disquete, cd ou notebook por aí.

Certamente, o disco virtual é a mais segura forma de guardar seus arquivos importantes e

ter acesso quando e onde quiser.


ELUCIDAÇÃO

A Epístola de Judas é um daqueles livros menos confirmados pelos antigos pais da

igreja. Policarpo, Irineu e Inácio, ambos do segundo século, parecem não haver conhecido

ou ignoraram este livro, além de não declararem ter sido Judas um escritor sagrado.1 Porém,

Tertuliano, Clemente de Alexandria, Orígenes, Atanásio e Jerônimo acreditavam que esta

epístola deveria fazer parte do cânon e que era Judas, o irmão de Jesus (Mt 13.55 e Mc 6.3)

aquele que a escreveu. Quanto à similaridade com 2a Pedro, estudiosos afirmam ter sido

escrito primeiro o livro de Judas e depois 2a Pedro, embora isso seja muito disputado. Uma

das razões alegadas é que Judas foi aceito primeiro, neste caso, no concílio de Catargo no

ano de 397.

Os anos entre 60-70 são mais prováveis, no tocante à datação da mesma. O local de

escrita está relacionado com a escrita de 2a Pedro, já que uma é dependente da outra. De

Roma deve ter sido sua proveniência. No que tange aos destinatários não se sabe muito bem

que eram. O versículo um é muito geral ao dizer “... aos chamados, amados em Deus Pai e

guardados em Jesus Cristo”. Segundo o contexto da época, a região que estava sendo

“atacada” pela heresia gnóstica, que parece ser a principal heresia combatida por esta carta,

de, entre outras coisas, negar a encarnação de Cristo, era a Ásia Menor. Daí deduzir-se que

este tenha sido o destino da carta.

A imoralidade dos mestres gnósticos, a negação da expiação pelo sangue de Cristo,2

a rejeição da “idéia” da paternidade de Deus, a perversão destes homens e a negação da

1
R. N. Champlin, O Novo Testamento Interpretado: versículo por versículo: vol. 6. São Paulo: Hagnos, 2002.
p. 324.
2
Implícito no quarto versículo: “... e negam o nosso único Soberano e Senhor, Jesus Cristo.”
salvação plena oferecida aos homens eram ensinos destes indivíduos que transformavam a

graça de Deus em libertinagem.

O propósito da carta, então, expresso no verso 3 é de combater estes homens e seus

ensinos, assim como exortar aos amados a batalharem juntos pela fé3 que de uma vez por

todas foi entregue aos santos.

Observando a proposta de esboço da Bíblia de Estudo Almeida e a dada por

Champlin em seu comentário a esse livro, arranjamos da seguinte forma a divisão do livro:

ESBOÇO

1. SAUDAÇÃO (1-2);

2. PROPÓSITO CENTRAL DA EPÍSTOLA: Exortação à batalha da fé por causa da

presença de falsos mestres entre eles (3-4);

3. EXEMPLOS HISTÓRICOS DE APOSTASIA: Destruição dos descrentes entre o povo

libertado do Egito, os anjos caídos, Sodoma e Gomorra e as cidades

circunvizinhas (5-7);

4. DESCRIÇÃO DOS FALSOS MESTRES E SEU JUÍZO (8-16);

5. ADVERTÊNCIAS E EXORTAÇÕES: os apóstolos já advertiram, edificação e oração

mútua, compaixão pelos que estão na dúvida (17-23);

6. DOXOLOGIA (24-25).

Lemos dois textos. Um do início da carta e outro do fim. Mas ambos falam de uma

coisa importantíssima que vai servir de base e estímulo para o propósito da carta e do

sermão de hoje. É o fato de Deus nos guardar em Cristo.

3
Fé em Judas tem o sentido de todo o arcabouço doutrinário teológico embasado nas Escrituras Sagradas.
SOMOS GUARDADOS EM CRISTO JESUS

Neste sermão pretendemos responder a três perguntas que nos saltam ao escutarmos

que somos guardados em Cristo Jesus. As perguntas são as seguintes: Por quem somos

guardados? De quê somos guardados? E para quê somos guardados? De modo que o

sermão se divide nestas três perguntas.

Por Quem Somos Guardados?

O verso 24 nos diz que quem nos guarda é “aquele que é poderoso”. Aquele que é

descrito aqui é o Senhor Deus todo-poderoso, ou seja, aquele que detêm o mais elevado de

todos os poderes, aquele que tem poder suficiente para nos guardar e fazer as mais difíceis

tarefas. Deus é o Deus que tem poder por habilidade e recursos próprios. Seu poder não

deriva de nada nem procede de ninguém. No contexto de Judas todo esse poder é

direcionado para o guardar, proteger. É como segurar algo com toda a força possível. Ele é

poderoso para guardar. O vocábulo utilizado é dunamenw, que tem esses sentidos

anteriormente proferidos, ainda trás em si a idéia daquele que guarda de maneira

extremamente cuidadosa. Utiliza-se essa palavra cerca de 68 vezes falar de algo que está

seguramente protegido, cuidadosamente guardado, poderosamente preservado.

Na própria epístola de Judas vemos que quando Deus decide guardar algo ou

alguém, de fato, ele guarda de maneira poderosa e definitiva. Por exemplo, os anjos que

não guardaram seu estado original estão guardados por Deus sob trevas, em algemas

eternas, para o juízo do grande dia (verso 6). Aqui há um paralelismo proposital de Judas:
os anjos não guardaram, então Deus os guarda! Há possibilidades destes anjos serem

restaurados e serem guardados para outro fim que não a condenação? Absolutamente, não!

Outro exemplo, os falsos mestres são descritos como estrelas errantes para os quais está

guardada a negridão das trevas, para sempre (verso 13). Quem os tem guardado de maneira

poderosa até hoje e até o grande e terrível dia chegar afim de fazê-los depósito da ira

infinda e eterna? Aquele que é todo-poderoso! O soberano Senhor guarda os ímpios para o

juízo eterno. Sendo o Senhor Deus aquele que guarda, e sendo Ele o todo-poderoso, logo,

Deus é aquele que guarda com todo o poder. No entanto, é também Aquele que sustenta,

protege, defende, poupa, previne. Aquele que de uma maneira poderosa nos guarda. E só

Ele tem poder para isso. Ninguém mais poderia nos segurar com tanta segurança. Muito

menos eu mesmo me seguraria sem que o meu próprio peso me fizesse escorregar. Jonathas

Edward certa vez disse que estamos em terreno escorregadio e o que precisamos para cair é

nada mais nada menos que nosso próprio peso. Eu não me sustento. Você não se sustenta,

como é de costume falarmos. Eu não me protejo. Você não se protege, como é de costume

tentarmos. Eu não me guardo. Você não se guarda, como é de costume sermos

advertidos. Deus é o único capaz disso porque Ele é Aquele que é poderoso para nos

guardar.

A própria teologia bíblica mostra que uma vez debaixo das mãos de Deus, nada nem

ninguém poderá nos achar neste esconderijo secreto. Se há clamor por segurança hoje, há,

e mais uma vez se comprova, a necessidade da torre forte, da rocha eterna que protege os

pés do vacilo, há a necessidade de “aquele que é poderoso para nos guardar”. E se isso

não fosse uma coisa tão certa, e se fosse possível se confundir quem seria essa pessoa digna

de nos proteger nele, Judas citaria com todas as letras seu nome. Mas só basta dizer “aquele
que é poderoso para guardar”. Ele preserva tão bem preservado por causa do seu infinito

poder. Por causa da sua onipotência. É o El-Shadday.

Se fizermos uma caminhada, mesmo que seja apenas no Pentateuco, perceberemos

que os escritores reconheciam a Deus como que contendo todo o poder em suas mãos e o

próprio Deus se intitulava assim. Em Gênesis 17.1 o Senhor apareceu a Abraão e disse: “Eu

sou o todo-poderoso”. Isaque abençoou a Jacó no nome do todo-poderoso (Gn 28.3). Jacó

disse a José que o todo-poderoso havia se manifestado a ele numa luz (Gn 48.3). Em

Êxodo 6.3 Deus diz que se revelou a Abraão, Isaque e a Jacó como o todo-poderoso.

Mesmo nos oráculos de Balaão Deus é o todo-poderoso (Nm 24.16). Em Deuteronômio

10.17 Deus é o Deus dos deuses, o soberano dos soberanos, o grande Deus, poderoso e

temível, assim como em Josué 22.22. Muitas outras passagens afirmam este fato – Deus é o

todo-poderoso.

Ainda que reconheçamos que na epístola de Judas Deus é aquele que dá graça

(verso 4), é o libertador (5), o justo (7, 14), aquele que repreende (9), o que ama (21), o

único salvador (25), mas nenhum destes conceitos nos saltam tantos os olhos como a

verdade de que Deus é aquele que guarda até os ímpios para sua condenação. Ora,

aquele que é poderoso é Deus. O que nos guarda em Cristo Jesus é Deus e, como que sendo

redundante de propósito, o poderoso Deus nos guarda de maneira poderosa em Cristo Jesus.

O nosso Hinário Novo Cântico registra o fato de ser Deus o que guarda os seus pelo

seu poder quando no hino de número 368 chamado Despedida diz:

Deus vos guarde pelo seu poder,

Permaneça ao vosso lado,

Vos dispense o seu cuidado,


Deus vos guarde pelo seu poder!

Pelo seu poder e no seu amor,

Estaremos todos com Jesus!

Pelo seu poder e no seu amor,

Oh! Que Deus vos guarde em sua Luz!


SOMOS GUARDADOS EM CRISTO JESUS

Sabemos até agora que somos guardados em Cristo Jesus por Deus, o todo-

poderoso, mas agora nos cabe uma segunda pergunta que equivale ao segundo ponto deste

sermão nesta noite.

De Quê Somos Guardados?

O versículo 24 diz que “aquele que é poderoso para vos guardar de tropeços...”. E

não é difícil observar internamente quais são os tropeços, os obstáculos que são colocados

no caminho daqueles que são guardados em Cristo Jesus pelo Senhor Deus todo-poderoso.

A apostasia é o perigo maior. O que aconteceu com Sodoma e Gomora, o que sobreveio aos

anjos desobedientes, ao povo descrente que foi libertado do Egito não aconteceria aos

crentes daquela comunidade. Porque Deus era suficientemente poderoso para os guardar.

As doutrinas degradantes dos heréticos não influenciariam os irmãos definitivamente.

Tropeço aqui é a disposição pecaminosa de diminuir a obra ou a pessoa de Jesus Cristo, o

Filho de Deus encarnado como se vê que professam estes indivíduos ímpios que

penetraram sorrateiramente na igreja primitiva. O gnosticismo da época prega a

malignidade total da carne e que se Cristo ou alguma divindade se tornasse figura humana,

como foi o caso de Jesus, esse Deus perderia sua essência divina. Isso é um grande tropeço!

A NVI ao invés de dizer “guardar de tropeços” traduz por “aquele que é poderoso

para impedi-los de cair” que é a mesma idéia do texto da Bíblia de Jerusalém que traduziu

da seguinte forma: “aquele que pode guardar-vos da queda”. Essa parece ser a melhor

tradução tendo em vista o fato de que o crente autêntico jamais cairá definitivamente. Isso
segundo a regra de interpretação reformada que diz que a Bíblia interpreta a própria Bíblia

e que um texto obscuro deve ser interpretado à luz de um texto mais claro. No entanto, é

possível que esse mesmo tropece. Isaías nos adverte que devamos tirar os tropeços e

preparar o caminho para o povo de Deus (Is 57.14). A palavra tropeço também é encontrada

em Romanos 14.13 quando Paulo nos exorta a não servimos de tropeço para o irmão mais

novo na fé. Certamente, esta palavra está relacionada ao fazer alguém pecar ou ser como

uma pedra no caminho daqueles que querem e estão caminhando. No nosso contexto, o

pecado, como já dissemos antes, é, de uma maneira geral a apostasia. A incredulidade. A

diminuição da obra e pessoa de Jesus Cristo. Isso é o tropeço. E a pedra é o ensino e os

ensinadores heréticos que fazem com que os crentes não se aproxime de Deus devidamente.

Somos guardados de seguir e ensinar doutrinas que não condizem com a Palavra de Deus.

O conceito de Deus como aquele que nos guarda de maneira poderosa em Cristo

Jesus da queda definitiva é, de novo, expresso no Hinário Novo Cântico quando diz:

Eu creio, Senhor, na divina promessa,

Vitórias já tive nas lutas aqui.

Contudo, é mui certo que a gente tropeça;

Por isso, Senhor, eu preciso de ti.

Bem sei que nas preces eu posso buscar-te,

Jamais dessa benção na vida eu descri;

Contudo, é possível que dela me afaste;

Por isso, Senhor, eu preciso de ti.


SOMOS GUARDADOS EM CRISTO JESUS

É certo que somos guardados em Cristo Jesus pelo Deus todo-poderoso e que Ele

nos guarda da queda, dos tropeços que podem nos afastar de Deus por algum tempo, mas

qual a finalidade desta proteção e preservação do todo-poderoso? Porque Ele nos livra das

pedras afiadas que os caminhos nos proporcionam? Pra quê? Qual a finalidade disso?

PARA QUÊ SOMOS GUARDADOS?

A finalidade da preservação por parte de nosso Senhor todo-poderoso está

claramente expressa nas linhas que se seguem no versículo base deste sermão nesta noite, a

saber, “para vos apresentar com exultação, imaculados diante da sua glória”.

Todos nós sabemos que ver a glória do Senhor e ficar intacto são duas coisas

impossíveis de se pensar juntamente. Foi o caso de Moisés que só pode ver pela fenda da

rocha a glória de Deus que passou de costas. Mas aqui a promessa é indubitavelmente

relacionada à segunda volta do nosso Senhor Jesus Cristo, onde todos o verão em glória e

honra exaltado. A palavra “apresentar” tem o sentido de “estabelecer”, “ficar de pé”,

“permanecer ileso”, “continuar íntegro e seguro”, e nos traz a idéia de alguém que não deve

nada. É uma postura firme diante de Deus.

O vocábulo “sthsai” (apresentar) está no aoristo e sugere uma ação pontilear, ou

seja, a ação de Deus guardar os seus culmina numa apresentação final, última e

incomparável diante da glória de Deus, ou melhor traduzindo, na presença da glória de

Deus, do seu eterno esplendor. Glória esta que resultará em exultação da parte do crente
que fora guardado debaixo das asas de Deus. Extrema alegria sentirá o guardado. Será que

haverá choro? Ah! Se ele existir, certamente será porque seus olhos não conterão o

exercício de seus lábios a se abrirem em louvor alegre. Aqui também está contido a idéia de

prazer diante de Deus. E este prazer é aquele sentimento que nós tentamos encontrar em

coisas vulgares e frívolas, diz John Piper. E em muitas vezes teimamos em buscar prazer na

impiedade e futilidades. Mas lá não! Lá no lugar que se chama presença de Deus haverá

alegria, exultação e até o prazer dos seus joelhos será se manterem dobrados. O prazer

de suas mãos será o levantamentos das mesmas e dos seus braços o soerguimento.

Em Lucas 1.44 a palavra exultação é usada quando a criança dentro da barriga de

Isabel “percebe” que sua mãe foi saudada por aquela que tinha em seu ventre o próprio

menino Jesus ainda em formação. O texto diz: “Pois, logo que me chegou aos ouvidos a

voz da tua saudação, a criança estremeceu de alegria dentro de mim”. E quando em Atos é

dito que o povo se reunia para orar, repartir o pão e isso com alegria a palavra é a mesma, a

saber, exultação (At 2.46).

Toda essa exultação é proveniente do fato de que o crente que fora guardado pelo

Deus todo-poderoso em Cristo Jesus será apresentado “irrepreensível” e aqui este vocábulo

vem recheado do conceito vetero-testamentário de sacrifício. Segundo o livro de Levíticos,

o animal a ser oferecido a Deus não poderia conter nenhum defeito ou mancha, deveria ser

perfeito. Assim também seremos apresentados diante da glória de Deus – com bastante

alegria por termos sido feitos perfeitos em Cristo Jesus, o lugar onde somos guardados. Este

termo é o mesmo que Paulo usa para falar do propósito da nossa eleição. Ele diz: “assim

como nos escolheu, nele, antes da fundação do mundo, para sermos santos e

irrepreensíveis perante ele; e em amor...”. E em Colossenses 1.22, o mesmo Paulo diz que
“fomos reconciliados no corpo da sua carne, mediante a sua morte, para apresentar-vos

perante ele santos, inculpáveis e irrepreensíveis”.

Seremos apresentados desta maneira à vista de Deus. Ora, como Deus não vê

pecado e diante dele não há variação nenhuma de mudança e malignidade, entendemos que

seremos perfeitos, íntegros na sua presença. Só um Deus todo poderoso pode nos guardar

de tropeçarmos e cairmos definitivamente com a finalidade de apresentar-nos diante dEle

mesmo sem mácula, rugas ou mesmo pecado. É justamente aquilo que Moisés desejou em

vida, mas só teve acesso após a morte.

Somos Guardados em Cristo Jesus pelo Deus todo-poderoso de tropeçar e cair

definitivamente com a finalidade de sermos apresentados sem pecado nem mancha diante

dele naquele dia e isso nos dá muitas aplicações para nossas vidas. Apresentaremos

algumas agora, não pretendendo esgotar o tema.


APLICAÇÃO

1. Somos Guardados em Cristo – aqui está implícita a doutrina da união mística com

Cristo onde estamos estritamente ligados a Jesus. Sepultados em Cristo, porém, ressurreto

nele. Isso nos dá uma segurança inabalável porque estamos guardados nele e se Deus não

despreza seu Filho, conseqüentemente não nos desprezará. Se Deus ama seu Filho,

conseqüentemente nos amará. Se Deus aceita o louvor que constantemente Seu Filho lhe dá

nos céus, conseqüentemente, nele, Deus aceita sempre o nosso louvor. Se Deus nunca

deixará Seu Filho e sempre o guardará, conseqüentemente Deus nos guardará para sempre.

Todas as expressões “nele”, “em Cristo” nos dão esta idéia. Eu e você somos guardados

nEle. Cristo é o nosso lugar seguro, por isso devemos nos aproximar cada vez mais através

da oração e leitura bíblica. Eu e você jamais seremos abandonados ou deixados ao acaso.

Estamos em Jesus, portanto, a frase que devemos escutar todos os dias ao acordarmos é a

seguinte: “Jesus/Daniel, Kennede, Felipe, Ana, Ithamar, Bruno tu és o meu filho amado em

quem me comprazo”.

2. Estamos Cercados pela Proteção do Todo-poderoso – O texto traz o conceito da

segurança, “guardados em Cristo” e termina com o mesmo conceito, “aquele que é

poderoso para nos guardar”. Isso indica que do começo da nossa vida até o final, devemos

ter a certeza de que Deus nos cerca com a sua segurança. Deus cerca a nossa igreja das

heresias com interfaces modernas. Ainda que se levantem falsos profetas, Deus nos

guardará. Ainda que se levantem falsos ensinos, Deus nos guardará. Ainda que sejamos

sujeitos a tropeços, Deus nos guardará da queda definitiva. Do nascente ao ocaso Deus nos

guarda. Do nascimento à morte, Deus nos guarda. Das primeiras palavras balbuciadas até o
último suspiro, Deus nos Guarda. Do engatinhar ao deitar-se no túmulo, Deus nos guarda.

Do berço ao leito, Deus nos guarda. Dos primeiros passos à última deitada, Deus nos

guarda. Do primeiro sono à última cochilada, Deus nos guarda. Dos primeiros dentes ao

cair deles, Deus nos guarda. Portanto, saibamos queridos que estar guardado em Deus

significa ter a totalidade da vida em suas mãos. Dedique a sua a ele.

3. Só Deus é Poderoso o Suficiente para nos Guardar em Cristo – Ninguém é tão

poderoso como o Deus El-Shadday. Ninguém é tão poderoso quanto o é o nosso Deus todo-

poderoso. Quem é Deus como o nosso Deus, poderoso e grande El-Shadday já dizia o

grupo de música da Igreja Batista da Lagonhia cantando o texto bíblico. Ele está guardando

os anjos caídos para a maldição, guarda os infiéis de Sodoma e Gomorra para o julgamento

e estes jamais podem ser resgatados. Quando Deus guarda Ele guarda de verdade. E nós

jamais poderemos sair da guarda de Deus como um filho que prefere a proteção do abraço

do Pai a um exército israelita. Jesus mesmo disse que nunca ninguém arrebatará ninguém

das suas mãos. Uma vez protegidos debaixo das asas de Deus nunca jamais sairemos

porque nEle subsiste todo o poder do universo. O salmo 93 diz que Ele está vestido de

poder e majestade.

4. Ele nos Guarda de Cair Definitivamente – Tropeços teremos. Obstáculos, mais ainda.

Mas definitivamente caídos nunca! Isso deve gerar em nós alegria e exultação, pois estamos

constantemente sujeitos à queda. Constantemente esquecemos que a graça de Deus e o seu

favor nos mantêm íntegros e em pé. É sua graça que nos faz levantar toda manhã. É sua

Graça que nos faz deitar toda noite. É sua guarda que nos impedi de cair definitivamente.

Acredito que devemos agradecer a Deus por ter nos dado a oportunidade de ouvirmos o
evangelho da graça e de não sermos hereges. Devemos agradecer a Deus o fato de termos

acesso ao ensino fiel das escrituras, até porque a temos em nossas mãos. Devemos

agradecer a Deus porque Deus tem motivos de sobra pra fazer esse teto desabar sobre nós

agora. Ele tem motivos de sobra para fazer se abrir debaixo de nossos pés um grande vale.

Se Deus tem motivos de sobra pra fazer assim, nós também temos motivos de sobra para

agradecer sempre por ele ter nos preservado e guardado das heresias que assolam nossa

época. Sua oração deveria ser em certo momento a seguinte: “não deixe, Senhor, que a tua

igreja se perca neste “sincretismo doutrinário” que nos bate a porta todos os dias, e

obrigado porque o Senhor me dá a consciência que devo ser um fiel ensinador da Palavra.

5. Seremos Considerados Perfeitos à vista de Deus – uma vez aceito o sacrifício de

Cristo por nós como forma de expiar nosso pecado o Espírito Santo imputa em nós a justiça

de Cristo e no tribunal de Deus somos declarados justos e perfeitos diante do Juiz. Todo

cuidado que sentimos que Deus tem por nós é porque somos seus filhos adotivos e também

porque quer que fiquemos firmes no seu grande e terrível dia. Hoje, não precisamos mais

temermos nossos próprios pecados, somos aceitos por Deus desde já. Não devemos viver

tendo como referencial o pecado. E sim a graça de Deus que superabunda o mal. Você não

precisa correr e lutar por auto-imagem porque sua imagem agora é a imagem de Cristo.

Você não precisa lutar para ser aceito por pessoas porque você já é aceito por Deus. Você

não precisa mais lutar por autojustiça, porque sua justiça agora é a justiça de Cristo. Não se

engane! Sendo você um eleito, confirmando a cada dia sua eleição, Deus lhe aceita e lhe

ver pela lente que é Cristo, por isso você perseverará até o fim mesmo que na caminhada

aja espinho, você perseverará. Mesmo que ajam pedras você perseverará. Mesmo que aja

terreno escorregadio, você perseverará. Mesmo que ajam tropeços você perseverará até o
fim. Porque Deus é quem te guarda de cair definitivamente e tem a finalidade última de te

apresentar diante da sua infinda e luzente glória.

6. Ajuda Mútua: No entanto, existem conselhos valiosíssimos ainda na epístola de Judas

quanto a nossa responsabilidade nisso tudo. Existe aqui a realidade da soberania de Deus e

a responsabilidade humana. Judas pede que nos guardemos no amor de Deus. Mas como?

Ele continua (verso 17) lembrando sempre das palavras dos apóstolos. Guardando a Palavra

de Deus. Outra coisa é orando uns pelos outros no Espírito afim de sermos fortificados e

edificados mutuamente. E ainda, utilizando a linguagem de Judas arrebatando do fogo os

que estão na dúvida e odiando o ódio, amando o amor e se guardando em Deus.

CONCLUSÃO

Amanhã certamente inventarão outras mídias mais seguras que os discos virtuais, mas

nunca ninguém inventará outro lugar e ninguém que esteja em algum outro lugar estará

mais seguro do que se estiver em Cristo Jesus. Somos Guardados pelo todo-poderoso de

cair definitivamente e com o propósito de ser apresentado perfeitamente diante da glória de

Deus.

Eu e você, os guardados em Cristo, experimentaremos estar de pé e exultantes diante da

Glória eterna de Deus.