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Contabilidade

Curso para FISCAL 2015


Professor: Silvio Sande
 
PRONUNCIAMENTO TÉCNICO CPC 23

Políticas Contábeis, Mudança de Estimativa e Retificação de Erro

OBJETIVO

1. O objetivo deste Pronunciamento é definir critérios para a seleção e a mudança de políticas


contábeis, juntamente com o tratamento contábil e divulgação de mudança nas políticas
contábeis, a mudança nas estimativas contábeis e a retificação de erro. O Pronunciamento
tem como objetivo melhorar a relevância e a confiabilidade das demonstrações contábeis da
entidade, bem como permitir sua comparabilidade ao longo do tempo com as demonstrações
contábeis de outras entidades.

DEFINIÇÕES

Os termos que se seguem são usados neste Pronunciamento com os seguintes significados:

Políticas contábeis são os princípios, as bases, as convenções, as regras e as práticas específicas


aplicados pela entidade na elaboração e na apresentação de demonstrações contábeis.

Mudança na estimativa contábil é um ajuste nos saldos contábeis de ativo ou de passivo, ou nos
montantes relativos ao consumo periódico de ativo, que decorre da avaliação da situação atual e das
obrigações e dos benefícios futuros esperados associados aos ativos e passivos. As alterações nas
estimativas contábeis decorrem de nova informação ou inovações e, portanto, não são retificações de
erros.

Erros de períodos anteriores são omissões e incorreções nas demonstrações contábeis da entidade
de um ou mais períodos anteriores decorrentes da falta de uso, ou uso incorreto, de informação
confiável que:

(a) estava disponível quando da autorização para divulgação das demonstrações contábeis desses
períodos; e
(b) pudesse ter sido razoavelmente obtida e levada em consideração na elaboração e na apresentação
dessas demonstrações contábeis.

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Tais erros incluem os efeitos de erros matemáticos, erros na aplicação de políticas contábeis, descuidos
ou interpretações incorretas de fatos e fraudes.

Aplicação retrospectiva é a aplicação de nova política contábil a transações, a outros eventos e a


condições, como se essa política tivesse sido sempre aplicada.

Reapresentação retrospectiva é a correção do reconhecimento, da mensuração e da divulgação de


valores de elementos das demonstrações contábeis, como se um erro de períodos anteriores nunca
tivesse ocorrido.

Aplicação impraticável de requisito ocorre quando a entidade não pode aplicá-lo depois de ter feito
todos os esforços razoáveis nesse sentido.

Aplicação prospectiva de mudança em política contábil e de reconhecimento do efeito de mudança


em estimativa contábil representa, respectivamente:

(a) a aplicação da nova política contábil a transações, a outros eventos e a condições que ocorram
após a data em que a política é alterada; e
(b) o reconhecimento do efeito da mudança na estimativa contábil nos períodos corrente e futuro
afetados pela mudança.

Omissão material ou incorreção material é a omissão ou a informação incorreta que puder,


individual ou coletivamente, influenciar as decisões econômicas que os usuários das demonstrações
contábeis tomam com base nessas demonstrações. A materialidade depende da dimensão e da
natureza da omissão ou da informação incorreta julgada à luz das circunstâncias às quais está sujeita.
A dimensão ou a natureza do item, ou a combinação de ambas, pode ser o fator determinante.

SELEÇÃO E APLICAÇÃO DE POLÍTICAS CONTÁBEIS

7. Quando Pronunciamento, Interpretação ou Orientação se aplicar especificamente a uma transação, a


outro evento ou circunstância, a política ou políticas contábeis aplicadas a esse item devem ser
determinadas pela aplicação do Pronunciamento, Interpretação ou Orientação, e considerando
quaisquer guias de implementação relevantes emitidos pelo CPC no tocante ao Pronunciamento,
Interpretação ou Orientação em questão.

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UNIFORMIDADE DE POLÍTICAS CONTÁBEIS

A entidade deve selecionar e aplicar suas políticas contábeis uniformemente para transações
semelhantes, outros eventos e condições, a menos que Pronunciamento, Interpretação ou
Orientação especificamente exija ou permita a classificação de itens para os quais possam ser
aplicadas diferentes políticas. Se um Pronunciamento, Interpretação ou Orientação exigir ou permitir
tal classificação, uma política contábil apropriada deve ser selecionada e aplicada
uniformemente para cada categoria.

MUDANÇA NAS POLÍTICAS CONTÁBEIS

14. A entidade deve alterar uma política contábil apenas se a mudança:

(a) for exigida por Pronunciamento, Interpretação ou Orientação; ou

(b) resultar em informação confiável e mais relevante nas demonstrações contábeis sobre os
efeitos das transações, outros eventos ou condições acerca da posição patrimonial e financeira, do
desempenho ou dos fluxos de caixa da entidade.

APLICAÇÃO RETROSPECTIVA

Quando uma mudança na política contábil é aplicada retrospectivamente, a entidade deve ajustar o
saldo de abertura de cada componente do patrimônio líquido afetado para o período anterior mais
antigo apresentado e os demais montantes comparativos divulgados para cada período anterior
apresentado, como se a nova política contábil tivesse sempre sido aplicada.

LIMITAÇÃO À APLICAÇÃO RETROSPECTIVA


. Quando for impraticável determinar o efeito cumulativo, no início do período corrente, da aplicação da
nova política contábil a todos os períodos anteriores, a entidade deve ajustar a informação comparativa
para aplicar a nova política contábil prospectivamente a partir do período mais antigo que for
praticável.

Quando a entidade aplicar a nova política contábil retrospectivamente, ela deve aplicar a nova política
contábil à informação comparativa para períodos anteriores tão antigos quanto for praticável.

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A aplicação retrospectiva a um período anterior pode ser considerada não praticável se não
for praticável determinar o efeito cumulativo nos montantes dos balanços de abertura e de
encerramento desse período. O valor do ajuste resultante, relacionado com períodos anteriores aos
apresentados nas demonstrações contábeis, é registrado no saldo de abertura de cada componente do
patrimônio líquido afetado do período anterior mais antigo apresentado. Geralmente, o ajuste é
registrado em Lucros ou Prejuízos Acumulados. Contudo, o ajuste pode ser feito em outro
componente do patrimônio líquido (por exemplo, para cumprir um Pronunciamento, Interpretação ou
Orientação específico).

MUDANÇA NAS ESTIMATIVAS CONTÁBEIS

32. Como consequência das incertezas inerentes às atividades empresariais, muitos itens nas
demonstrações contábeis não podem ser mensurados com precisão, podendo apenas ser estimados. A
estimativa envolve julgamentos baseados na última informação disponível e confiável. Por exemplo,
podem ser exigidas estimativas de:

(a) créditos de liquidação duvidosa;


(b) obsolescência de estoque;
(c) valor justo de ativos financeiros ou passivos financeiros;
(d) vida útil de ativos depreciáveis ou o padrão esperado de consumo dos futuros benefícios
econômicos incorporados nesses ativos; e (e) obrigações decorrentes de garantias.

33. O uso de estimativas razoáveis é parte essencial da elaboração de demonstrações contábeis


e não reduz sua confiabilidade.

34. A estimativa pode necessitar de revisão se ocorrerem alterações nas circunstâncias em que a
estimativa se baseou ou em consequência de novas informações ou de maior experiência. Dada a sua
natureza, a revisão da estimativa não se relaciona com períodos anteriores nem representa
correção de erro.

36. O efeito de mudança na estimativa contábil deve ser reconhecido prospectivamente,


incluindo-o nos resultados do:

(a) período da mudança, se a mudança afetar apenas esse período; ou

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(b) período da mudança e futuros períodos, se a mudança afetar todos eles

CORREÇÃO DE ERROS

41. Erros podem ocorrer no registro, na mensuração, na apresentação ou na divulgação de elementos


de demonstrações contábeis. As demonstrações contábeis não estarão em conformidade com os
Pronunciamentos, Interpretações e Orientações deste CPC se contiverem erros materiais ou erros
imateriais cometidos intencionalmente para alcançar determinada apresentação da posição
patrimonial e financeira, do desempenho ou dos fluxos de caixa da entidade. Os potenciais erros do
período corrente descobertos nesse período devem ser corrigidos antes de as demonstrações contábeis
serem autorizadas para publicação. Contudo, os erros materiais, por vezes, não são descobertos até
um período subsequente, e esses erros de períodos anteriores são corrigidos na informação
comparativa apresentada nas demonstrações contábeis desse período subsequente

As correções de erro distinguem-se de mudanças nas estimativas contábeis.

As estimativas contábeis, por sua natureza, são aproximações que podem necessitar de revisão à
medida que se conhece informação adicional. Por exemplo, o ganho ou a perda reconhecida no
momento do desfecho de contingência, que, anteriormente, não podia ser estimada com precisão, não
constitui retificação de erro.

01. (FCC/TRT/13/2014) Em 15/04/2014, a Cia. Amarela verificou que a despesa de depreciação de


seu ativo imobilizado, referente ao ano de 2013, foi calculada considerando o valor residual incorreto.
Sabendo que a diferença entre os valores (calculado e o que deveria ter sido calculado como despesa
de depreciação) é material, a Cia. Amarela
(A) não faz nenhum ajuste em suas demonstrações contábeis.
(B) corrige suas demonstrações contábeis de forma retrospectiva, apenas.
(C) divulga o erro nas demonstrações contábeis de 2014, apenas.
(D) corrige suas demonstrações contábeis de forma prospectiva e divulga o erro em 2014.
(E) corrige suas demonstrações contábeis de forma retrospectiva e divulga o erro em 2014.

02. De acordo com a NBC TG 23 – Políticas Contábeis, Mudança de Estimativa e Retificação de Erro,

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classifique as situações a seguir em: erro de período anterior, mudança na política contábil ou
mudança na estimativa contábil, conforme seja o caso.
I. Em 28.3.2009, uma empresa adquiriu um equipamento e, a partir de um estudo, estabeleceu que a
vida útil deste bem seria de 8 anos. Ao fazer a revisão das demonstrações contábeis do ano de 2010,
para publicação, verificou-se que o responsável pelo controle do sistema de patrimônio
imobilizou o bem e atribuiu a vida útil de 10 anos.
II. De acordo com a NBC TG 16, os estoques devem ser mensurados pelo valor de custo ou pelo valor
realizável líquido, dos dois o menor. Suponha que esta norma seja alterada e passe a determinar que
os estoques devam ser mensurados pelo custo de aquisição corrigido monetariamente.
III. Uma determinada empresa adotou, até a data de elaboração das demonstrações contábeis de
31.12.2010, o método de depreciação baseada na vida útil estimada dos bens. Em 2011, a empresa
elaborou um estudo alterando o seu processo produtivo e definiu que determinadas máquinas
deveriam ser substituídas após a produção de um determinado volume de produção, alterando, desta
forma, o padrão para depreciação destas máquinas, que passaram a ser depreciadas de acordo com o
volume de produção.
A sequência CORRETA é:
a) Erro de período anterior, mudança na estimativa e mudança na política contábil.
B) Mudança na política contábil, erro de período anterior e mudança de estimativa contábil.
C) Erro de período anterior, mudança na política contábil e mudança na estimativa contábil.
d) Mudança na política contábil, mudança na estimativa e erro de período anterior.

03. (ESAF/AFRFB/201) Na identificação e determinação de erro contábil de períodos anteriores,


devem ser consideradas as omissões e incorreções nas demonstrações contábeis da entidade de um ou
mais períodos anteriores que

a) não estavam disponíveis quando da autorização para divulgação das demonstrações contábeis
desses períodos e não retroagissem a prazo superior a dois exercícios contábeis.
b) somente quando se verifica efetivamente fraudes administrativas nos cálculos e informações que
respaldaram as informações sobre as quais as demonstrações retrospectivas foram baseadas.
c) na avaliação de seus efeitos incluíssem os efeitos decorrentes de cálculos matemáticos ou aplicação
equivocada de políticas contábeis que não retroagissem a cinco períodos contábeis.
d) contivessem informações que pudessem ter sido razoavelmente obtidas e levadas em consideração
na elaboração e na apresentação dessas demonstrações contábeis.
e) a necessidade de uma reapresentação retrospectiva exigir premissas baseadas no que teria sido a
intenção da Administração naquele momento passado e não produzissem efeitos fiscais.

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04. (FCC/TRT/2014) Considere as seguintes assertivas sobre retificações de erros:

I. Um erro de período anterior deve ser corrigido por reapresentação retrospectiva, salvo quando for
impraticável determinar os efeitos específicos do período ou o efeito cumulativo do erro.
II. A retificação de erro de período anterior deve ser excluída dos resultados do período em que o erro
é descoberto.
III. As mudanças nas estimativas contábeis à medida que se conhece informação adicional, se constitui
retificação de erro.

Está correto o que se afirma em


a) I e II, apenas.
b) II, apenas.
c) III, apenas.
d) I, apenas.
e) I, II e III.

05. (CFC/2014) Com relação à retificação dos erros de períodos anteriores, estabelecida na NBC TG
23 – Políticas Contábeis, Mudança de Estimativa e Retificação de Erro, julgue os itens abaixo e, em
seguida assinale a opção CORRETA.

I. Podem ocorrer erros no registro, na mensuração, na apresentação ou na divulgação de elementos de


demonstrações contábeis.
II. Os potenciais erros do período corrente descobertos nesse período devem ser corrigidos somente
depois de as demonstrações contábeis serem autorizadas para publicação.
III. Um erro de período anterior deve ser corrigido por reapresentação retrospectiva, salvo quando for
impraticável determinar os efeitos específicos do período ou o efeito cumulativo do erro.

Está(ão) certo(s) o(s) item(ns):


a) III, apenas.
b) I e II, apenas.
c) I e III, apenas.
d) I, II e III.

06. (FUNCAB/2015) Em relação às mudanças nas estimativas contábeis e retificações de erros,

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alguns tratamentos contábeis devem ser seguidos. Sobre este assunto, analise as afirmativas seguintes
e marque a alternativa correta:

I- Mudanças em estimativas contábeis devem ser reconhecidas retrospectivamente.


II- Erros materiais de períodos anteriores devem ser corrigidos retrospectivamente.
III- Erros materiais descobertos no período corrente devem ser corrigidos antes de as demonstrações
contábeis serem autorizadas para publicação.
a) Apenas as afirmativas I e II estão corretas.
b) Apenas as afirmativas I e llI estão corretas.
c) Apenas as afirmativas II e III estão corretas.
d) Apenas a afirmativa II está correta.
e) Todas as afirmativas estão corretas.

07(CESGRANRIO/BNDES/2013) Nos termos do CPC 23 do Comitê de Pronunciamentos Contábeis,


que trata de políticas contábeis, mudança de estimativa e retificação de erros, a entidade deve
selecionar suas políticas contábeis e aplicá-las de modo uniforme em transações semelhantes.
Entretanto, o próprio CPC oferece à entidade a probabilidade de fazer mudança nas práticas contábeis.

Nesse aspecto da mudança de práticas contábeis, o CPC informa que a entidade deve alterar uma
política contábil apenas se a mudança
a) atender às necessidades gerenciais de ordem interna.
b) contribuir de forma mais relevante para a evidenciação e segurança dos ativos.
c) for imposta pela Assembleia Geral dos Acionistas, controladores e não controladores.
d) resultar em informação confiável e mais relevante nas demonstrações contábeis sobre os efeitos
de transações, posição patrimonial e financeira, desempenho ou dos fluxos de caixa.
e) ocorrer por livre decisão dos órgãos administrativos para gerar informações gerenciais mais
confiáveis e relevantes para a tomada de decisão.

08. (VUNESP/2014) Na observância do pronunciamento técnico que trata das Políticas Contábeis,
Mudança e Estimativa e Retificação de Erro, quando for impraticável determinar os efeitos de erro em
um período específico na informação comparativa para um ou mais períodos anteriores apresentados,
a entidade deve
a) ratificar os saldos de abertura do balanço patrimonial para o período mais antigo para o qual tenha
sido impraticável a reapresentação retrospectiva (que pode ser o período corrente)

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b) retificar os saldos de abertura de ativos, passivos e patrimônio líquido para o período mais antigo
para o qual seja praticável a reapresentação retrospectiva (que pode ser o período corrente)
c) apresentar os saldos acumulados do balanço patrimonial, mas sem ajustes, considerando os erros
materiais que afetem o capital circulante líquido, desde que tenha sido impraticável a reapresentação
retrospectiva.
d) apresentar os saldos de abertura do balanço patrimonial pelo seu valor de custos e para o período
mais recente para o qual tenha sido impraticável a reapresentação prospectiva (que pode ser o período
futuro).
e) reapresentar somente os valores ratificados de ativos e passivos, informando as reais razões pela
ratificação, de forma retrospectiva.

09. (FCC/TCE/RS/2014) Em abril de 2014, a Cia. Revisão verificou que o valor da despesa com
Provisões, reconhecidas em 2013 e decorrentes de seus processos tributários, foi calculado
considerando informações incorretas do departamento jurídico. Considerando que a diferença entre os
valores (calculado e o que deveria ter sido calculado) é material, a Cia. Revisão

(A) precisa apenas ajustar suas demonstrações contábeis de 2013 para fins de comparação com as de
2014.
(B) não precisa fazer nenhum ajuste nas demonstrações contábeis nem divulgar tal fato, considerando
que é apenas um erro.
(C) precisa apenas divulgar o erro nas demonstrações contábeis de 2014.
(D) precisa divulgar o erro em 2014 e corrigir suas demonstrações contábeis de forma prospectiva.
(E) precisa divulgar o erro em 2014 e corrigir suas demonstrações contábeis de forma retrospectiva.

PRONUNCIAMENTO TÉCNICO CPC


33(R1)
Benefícios a Empregados

DEFINIÇÕES

Benefício a empregado é toda forma de compensação proporcionada pela entidade a seus


empregados em troca dos serviços prestados por esses empregados.

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Benefício de curto prazo a empregado é o benefício (exceto benefício por desligamento) devido
dentro de um período de doze meses após a prestação do serviço pelos empregados.

Benefício pós-emprego é o benefício a empregado (exceto benefício por desligamento) que será
pago após o período de emprego.

Plano de benefício pós-emprego é o acordo formal ou informal pelo qual a entidade compromete-
se a proporcionar benefícios pós-emprego para um ou mais empregados.

Plano de contribuição definida é o plano de benefício pós-emprego pelo qual a entidade


patrocinadora paga contribuições fixas a uma entidade separada (fundo de pensão), não tendo a
obrigação legal ou construtiva de pagar contribuições adicionais se o fundo não possuir ativos
suficientes para pagar todos os benefícios devidos.

Plano de benefício definido é o plano de benefício pós-emprego que não seja plano de contribuição
definida.

O Passivo Atuarial aparece no caso de benefícios pós-emprego, no caso de plano de benefício definido.

Benefícios pós-emprego: distinção entre plano de contribuição definida e plano de benefício


definido.

Os benefícios pós-emprego incluem, por exemplo:

(a) benefícios de aposentadoria e pensão; e


(b) outros benefícios pagáveis após o término do vínculo empregatício, tais como assistência médica e
seguro de vida na aposentadoria.

Os planos de benefício pós-emprego classificam-se como planos de contribuição definida ou de


benefício definido, dependendo da natureza econômica do plano decorrente de seus principais termos
e condições.

PLANOS DE CONTRIBUIÇÃO DEFINIDA

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Planos de contribuição definida são planos de benefícios pós-emprego pelos quais a entidade
patrocinadora paga contribuições a uma entidade separada (fundo de pensão), não tendo a obrigação
legal ou construtiva de pagar contribuições adicionais se o fundo vier a não possuir ativos suficientes
para pagar todos os benefícios devidos. Nos planos de contribuição definida:

(a) a obrigação legal ou construtiva da entidade está limitada à quantia que ela aceita contribuir para
o fundo. Assim, o valor do benefício pós-emprego recebido pelo empregado é determinado pelo
montante de contribuições pagas pela entidade (e, em alguns casos, também pelo empregado) para
um plano de benefícios pós-emprego ou para uma entidade de seguros, juntamente com o retorno dos
investimentos provenientes das contribuições; e
(b) em consequência, o risco atuarial (risco de que os benefícios sejam inferiores ao esperado) e o
risco de investimento (risco de que os ativos investidos sejam insuficientes para cobrir os benefícios
esperados) recaem no empregado.

Quando o empregado tiver prestado serviços a uma entidade durante um período, a entidade deve
reconhecer a contribuição a ser paga para o plano de contribuição definida em troca desses serviços:

(a) como passivo, após a dedução de qualquer contribuição já paga. Se a contribuição já paga exceder
a contribuição devida relativa ao serviço prestado antes do período contábil a que se referem as
demonstrações contábeis, a entidade deve reconhecer esse excesso como um ativo, na medida em que
as antecipações conduzirão, por exemplo, à redução nos pagamentos futuros ou ao reembolso em
dinheiro; e

(b) como despesa, salvo se outro Pronunciamento Técnico exigir ou permitir a inclusão dos benefícios
no custo de um ativo (ver, por exemplo, os Pronunciamentos Técnicos CPC 16 e CPC 27).

PLANO DE BENEFÍCIOS DEFINIDOS

Planos de benefício definido são planos de benefícios pós-emprego que não sejam planos de
contribuição definida. Nos planos de benefício definido:
(a) a obrigação da entidade patrocinadora é prover os benefícios acordados com os empregados
atuais e antigos; e
(b) o risco atuarial (risco associado ao descasamento das premissas de que o custo dos benefícios seja
maior que o esperado) e o risco de investimento recaem parcial ou inteiramente na entidade

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patrocinadora. Se a experiência atuarial ou de investimento for pior que o esperado, a obrigação da
entidade pode ser elevada.

A contabilização pela entidade patrocinadora dos planos de benefício definido envolve os seguintes
passos:

(a) utilização de técnicas atuariais para estimar de maneira confiável o montante de benefício obtido
pelos empregados em troca dos serviços prestados no período corrente e nos anteriores. Isso exige
que a entidade determine quanto de benefício é atribuível aos períodos corrente e anteriores e que
faça estimativas (premissas atuariais) acerca de variáveis demográficas (tais como rotatividade e
mortalidade dos empregados) e variáveis financeiras (tais como projeções de aumentos salariais e nos
custos médicos) que influenciarão o custo do benefício;
(b) desconto desse benefício usando o Método de Crédito Unitário Projetado, a fim de determinar o
valor presente da obrigação de benefício definido e do custo do serviço corrente;
(c) determinação do valor justo dos ativos do plano;
(d)determinação do montante total dos ganhos e das perdas atuariais que serão reconhecidos;
(e) quando da introdução ou alteração de plano de benefício, determinação do custo do serviço
passado resultante;
(f) quando um plano tenha sido reduzido ou liquidado, determinar o ganho ou a perda resultante;
(g) reconhecimento dos componentes de custo de benefício definido;
(h) determinação dos juros sobre o valor do passivo(ativo) de benefício definido;e
(i) remensurar o valor líquido do passivo (ativo) de benefício definido líquido.

01. (CESPE/TELEBRÁS/2013) Nos planos de benefício definido, o risco atuarial e o risco de


investimento recaem, substancialmente, sobre o empregado.

02. (CESPE/TELEBRÁS/2013) Nos planos de contribuição definida, a obrigação da entidade


patrocinadora é mensurada por meio de premissas atuariais, que podem provocar tanto perdas quanto
ganhos atuariais.

03. (CESPE/TELEBRÁS/2013) Nos planos de benefício definido, o valor da contribuição devida pela
entidade patrocinadora, em determinado período contábil, não equivale, necessariamente, à despesa
que ela deve reconhecer contabilmente em relação a esse mesmo período.

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04. (CESPE/TELEBRÁS/2013) Além da obrigação legal, constituída com base nos termos formais do
contrato de benefício pós-emprego, o plano de benefício definido requer o reconhecimento das
chamadas obrigações construtivas, que podem surgir de práticas informais da entidade patrocinadora
do plano.

Os Juros sobre o Capital Próprio (JSCP) constituem-se numa espécie de remuneração do capital do
sócio e/ou acionista pelo capital investido no empreendimento, sem prejuízo da distribuição dos lucros
que tem direito. A Remuneração do Capital Próprio, seria a garantia dado ao investidor pelo capital
emprestado.
A pessoa jurídica poderá deduzir na determinação do lucro real e da base de cálculo da contribuição
social sobre o lucro liquido, observado o regime de competência, os juros pagos ou creditados
individualizadamente a titular, sócios ou acionista s, a título de remuneração do capital próprio ,
calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação pro rata dia da Taxa de Juros
de Longo Prazo - TJLP (Lei no9.249, de 1995, art. 9o; RIR/1999, art. 347; e IN SRF no 93, de 1997,
art. 29).

O montante dos juros remuneratórios do capital passível de dedução como despesa operacional
(financeira) limita-se a 50% (cinquenta por cento) do maior dos seguintes valores (RIR/1999, art. 347,
§ 1o):

a) do lucro líquido do período de apuração (trimestral ou anual) a que corresponder o pagamento ou


crédito dos juros, após a dedução da contribuição social sobre o lucro líquido e antes da provisão para
o imposto de renda e da dedução dos referidos juros; ou
b) dos saldos de lucros acumulados e reservas de lucros de períodos anteriores (Lei 9.430, de 1996,
art. 78).

Cuidados:
I) no cálculo dos juros sobre o capital próprio, não devem ser computados como integrantes do
patrimônio líquido o lucro do próprio período de apuração (trimestral ou anual) – Solução de Consulta
nº 95/2000 da 10ª Região Fiscal da Receita Federal do Brasil.
II) no cálculo dos juros sobre o capital próprio não será considerado o valor da reserva de reavaliação
de bens e direitos da pessoa jurídica, exceto se esta for adicionada na determinação da base de cálculo
do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido (redação do RIR/1999).

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II) O artigo 59 da lei 11.941/2009, determina que, para fins de cálculo dos juros sobre o capital
próprio, as contas de
Ajustes de Avaliação Patrimonial não devem compor as contas do Patrimônio Líquido.

II) o valor dos juros pagos ou creditados poderá ser imputado ao valor dos dividendos obrigatórios a
que tem direito os acionistas, na forma do art. 202 da lei das S.A (6.404/76), sem prejuízo da
incidência
do imposto de renda retido na fonte.
III) Retenção na Fonte – Os juros remuneratórios do Capital Próprio ficam sujeitos a incidência do
Imposto de Renda Retido na Fonte á alíquota de 15% na data do pagamento ou crédito.

Tratamento do juros recebidos e o IRRF descontado pelo ângulo dos beneficiários:


1. pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real – o valor dos juros deverá ser contabilizado
como receita financeira e o imposto de renda retido pela fonte pagadora se rá considerado como
antecipação
do devido no encerramento do período. Ou poderá ser compensado com o que houver retido por
ocasião do pagamento ou crédito dos juro s, a seu titular, sócios ou acionistas.
2. pessoas jurídicas tributadas como base no lucro presumido ou arbitrado – os juros recebidos
integram a base de cálculo do imposto de renda e o valor do imposto retido na fonte será
considerando como antecipação do devido no encerramento do período
3. no caso de beneficiário pessoa física ou pessoa jurídica isenta – os juros serão considerados como
rendimentos da tributação definitiva , ou seja, os valores não serão incluídos nas declarações de
rendimentos e nem o imposto que foi retido poderá ser objeto de qualquer compensação.

(CESPE/SUFRAMA/2014) Os juros sobre o capital próprio, calculados com base na taxa de juros de
longo prazo, integram o grupo de despesas financeiras na DRE.

(CESPE/SEPRO/2013) Os juros sobre o capital próprio creditado aos seus beneficiários são fato
gerador para incidência de imposto de renda.

1 – (ESA/AFRFB/2005 ) - Em conformidade com a legislação societária e para que se beneficie da


dedutibilidade do valor do imposto de renda, devem as empresas de capital aberto contabilizar o
pagamento dos juros sobre o capital próprio como:
a) dividendos pagos, estornando para receita financeira na demonstração de resultados.

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b) destinação da conta de reserva de capital, revertendo o valor para resultado do exercício.
c) despesas financeiras, revertendo o valor na última linha da demonstração de resultados.
d) conta redutora do capital social, por tratar-se de remuneração para o acionista do capital
emprestado.
e) destinação de lucros acumulados sem transitar pela demonstração de resultados.

2.(CESGRANRIO/PETROBRÁS/2011) A legislação fiscal em vigor permite a dedutibilidade da


remuneração do capital próprio (juros sobre o capital próprio) desde que

• o valor da remuneração sobre o capital próprio seja limitado à aplicação pro rata dia da TJLP (Taxa
de Juros de Longo Prazo) sobre o montante do Patrimônio Líquido subtraído do saldo da Reserva de
reavaliação, salvo se esta tiver sido adicionada às bases de cálculo do Imposto de Renda (IR) e da
Contribuição Social (CS), do saldo de Ajustes de Avaliação Patrimonial e do saldo da conta de
ganhos/perdas na conversão relativo a investimento no exterior; e
• o valor apurado seja limitado ao maior valor entre

a)25% do lucro líquido do exercício, após a dedução da CS e do Imposto de Renda e antes da dedução
dos referidos juros; e 25% do somatório dos saldos de lucros acumulados e reservas de lucros.
b)50% do lucro líquido do exercício, após a dedução da CS, antes das despesas de Imposto de Renda
e antes da dedução dos referidos juros; e 50% do somatório dos saldos de lucros acumulados e
reservas de lucros.
C)50% do valor da reserva de lucros a realizar, desde que os eventos previstos para sua constituição
tenham se realizado no exercício; e 25% do valor excedente do resultado atribuído à reserva legal,
deduzida a parcela destinada ao pagamento de dividendos obrigatórios.
d)50% do lucro líquido do exercício, após a dedução da CS e do Imposto de Renda e antes da dedução
dos referidos juros; e 50% do somatório dos saldos de lucros acumulados, reservas de lucros e
reservas de capital.
e)60% do valor transferido da conta lucros acumulados para reservas de lucros, deduzidos da CS e do
Imposto de Renda e com a incorporação da reversão da reserva de contingência; e 60% do valor do
lucro do exercício, após as deduções legais e antes da constituição das reservas.

(CESGRANRIO/BNDES/2008) A Deliberação CVM no 207/96, de 13/12/96, estabelece que as


companhias de capital aberto, ao pagarem juros sobre o capital próprio, devem elaborar uma nota
explicativa às demonstrações financeiras e às informações trimestrais, onde deverão ser informados os
critérios utilizados para determinação desses juros, as políticas adotadas para sua distribuição, o

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montante do Imposto de Renda incidente e, quando aplicável, os seus efeitos sobre os dividendos
obrigatórios.
A mesma Deliberação estabelece, também, que, caso a companhia opte, para atender à legislação
tributária, por contabilizar os juros pagos ou creditados como despesa financeira, deverá
a)emitir nota explicativa própria para informar o valor dos juros sobre o capital próprio e a conta ou
contas patrimoniais utilizadas para registrar tais valores.
b)evidenciar o valor dos juros pagos ou creditados, em conta específica da Demonstração do
Resultado, em linha própria das Despesas Financeiras Líquidas.
c)reverter o valor e o registro contábil anteriormente feito, mediante crédito na conta de Lucros ou
Prejuízos Acumulados.
d)reverter o valor nos registros mercantis, evidenciando o mesmo na última linha da Demonstração do
Resultado, antes do saldo da conta do Lucro Líquido.
e)reverter o valor nos registros mercantis, evidenciando o mesmo na Demonstração do Resultado, em
linha própria de Outras Despesas Operacionais.

GABARITO

CPC 23

Dez/Und 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9
0 X E C D A C C D B E

CPC 33

Dez/Und 0 1 2 3 4
0 X F F V V

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