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CORNELIS BIJL

APRENDER A CRER

ESTUDOS SOBRE A CONFISSÃO DE FÉ

PRODUÇÃO E ADAPTAÇÃO:
2

PETER W.VAN DE KAMP

ÍNDICE GERAL

Página
INTRODUÇÃO 1
Artigo 1 - O Único Deus 3
Artigo 2 - Como conhecemos Deus 7
Artigo 3 - A palavra de Deus 13
Artigo 4 - Os livros canônicos 15
Artigo 5 - A autoridade da Sagrada Escritura 18
Artigo 6 - A diferença entre os livros canônicos e apócrifos 21
Artigo 7 - A Sagrada Escritura: perfeita e completa 24
Artigo 8 - A Trindade: um só Deus, três pessoas 28
Artigo 9 - O testemunho da Escritura sobre a Trindade 32
Artigo 10- Jesus Cristo é Deus 35
Artigo 11- O Espírito Santo é Deus 38
Artigo 12- A criação do mundo; os anjos 42
Artigo 13- A providência de Deus 46
Artigo 14- A criação do Homem. Sua queda e sua incapacidade de fazer o bem 50
Artigo 15- O pecado original 56
Artigo 16- A eleição eterna por Deus 61
Artigo 17- O Salvador, prometido por Deus 66
Artigo 18- A encarnação do Filho de Deus 69
Artigo 19- As duas naturezas de Cristo 74
Artigo 20- A justiça e a misericórdia de Deus em Cristo 79
Artigo 21- A satisfação por Cristo 83
Artigo 22- A justificação pela fé por Cristo 88
Artigo 23- Nossa justiça perante Deus em Cristo 93
Artigo 24- A santificação 97
Artigo 25- Cristo, o cumprimento da lei 103
Artigo 26- Cristo, nosso único Advogado 108
Artigo 27- A igreja católica ou universal 113
Artigo 28- O dever de juntar-se à igreja 117
Artigo 29- As marcas da verdadeira igreja, de seus membros e da falsa igreja 121
Artigo 30- O governo da igreja 129
Artigo 31- Os ofícios na igreja 133
Artigo 32- A ordem e a disciplina da igreja 137
Artigo 33- Os sacramentos 141
Artigo 34- O santo batismo 147
Artigo 35- A santa ceia 154
Artigo 36- O ofício das autoridades civis 161
3

Artigo 37- O juízo final 166


Perguntas (para facilitar o estudo da “Confissão de Fé”) 173
A CONFISSÃO DAS IGEJAS REFORMADAS

(também conhecida como “Confissão Belga”)

INTRODUÇÃO (algumas observações)

01 – A importância de uma confissão .


a) A “Confissão de Fé” foi escrita há mais de quatro séculos (no ano de 1561). Antes de
prestarmos atenção a ela, queremos saber se vale a pena estudar um “livrinho” tão antigo.
b) Para descobrirmos o valor da “Confissão de Fé”, temos que conhecer o conteúdo dela.
Na opinião de muitas pessoas, a Confissão de Fé é apenas um documento que mostra como
nossos antepassados pensavam sobre Deus e a palavra Dele. Eles falavam sobre esses
assuntos, como se diz, como seres humanos dá época deles. E toda época tem suas próprias
opiniões. Os homens de hoje tem opinião diferentes. Assim chega-se à conclusão de que a
opinião dos homens depende da época e que ela facilmente fica antiquada.
c) Então, será que encontramos, na “Confissão de Fé”, apenas artigos de fé antiquados dos
nossos antepassados? Quem pensa assim, não vai querer que membros da igreja de hoje se
comprometam com confissões antigas. Por isso, muitos preferem dizer que a igreja de hoje
deve confessar a fé em comunhão com a confissão “antiga”, não de acordo com a
confissão “antiga”. A diferença é manifesta: toda a ênfase cai no ato de confessar a fé de
maneira contemporânea (moderna), assim como nossos antepassados, outrora, confessavam
a fé na “moda da época”. A conseqüência é que pode haver muita divergência entre a
confissão dos “pais” e a dos “filhos”; “pais” e “filhos” confessam a fé, mas o conteúdo da
confissão deles é bem diferente.
d) É claro que encontramos, na Confissão, a fé dos nossos antepassados. Porém, eles não
confessavam apenas o que eles mesmos pensavam, pois, confessar é “dizer a mesma coisa”
(conforme o sentido da palavra que encontramos no Novo Testamento, Mateus 10.32;
Romanos 10.9-10). Ou seja: quem está confessando, não dá sua própria opinião, mas
repete (com suas próprias palavras) o que as Escrituras dizem. Pelo fato de tal confissão ser
baseada na palavra de Deus, ela não se torna antiquada ou gasta, ainda que percebamos as
marcas da época em que ela nasceu. Pois “a palavra do Senhor permanece eternamente” (1
Pedro 1:25ª).
e) Muitas pessoas, porém, vão até mais longe (no caminho errado); dizem que a própria
Bíblia é apenas uma coleção de testemunhos de fé humanos; quer dizer: a própria Bíblia
fica antiquada, porque está “presa” na época e na cultura dela. Tanto na Bíblia, como nas
confissões baseadas na Bíblia, encontraríamos, portanto, opiniões humanas.
Contra esse parecer moderno, cremos que a Bíblia é a palavra atual de Deus e que a
confissão está baseada nesta palavra e, por isso, é atual também.
f) quem conhece a Bíblia, não encontra a novidades na confissão (nem na Confissão de Fé).
Por que a igreja, então, não se contenta as Escrituras? As Escrituras são a palavra infalível
de Deus; uma confissão não é infalível. Mesmo assim, a igreja precisa de uma confissão
(ou de confissões) pelos os seguintes motivos:
1) para defender a verdadeira doutrina contra heresias (os hereges também usam a
Bíblia!);
4

2) para testemunhar a verdade da Bíblia, perante Deus e perante o mundo (o


testemunho perante o mundo foi um dos principais motivos, que deu origem à “Confissão
de Fé das Igrejas Reformadas”);
3) para mostrar e conservar a unidade entre os fiéis e, assim, entre as igrejas locais de
um país (podemos pensar também na unidade da igreja de ontem, de hoje e de amanhã);
4) para ensinar a doutrina bíblica às futuras gerações (as crianças de hoje são os adultos
de amanhã).

02 - A origem da “Confissão de Fé”.


a) A “Confissão de Fé das Igrejas Reformadas” data do ano de 1561 e foi escrita na língua
francesa, porque era a língua materna do autor, Guido de Brès. Contudo, ele não era
francês, mas holandês (naquela época, os Países Baixos eram maiores do que hoje; Guido
de Brès viveu na região que atualmente pertence à Bélgica, próxima da fronteira com a
França).
Guido de Brès (1522 – 1567) levou uma vida agitada; foi pastor em várias cidades;
também viveu como fugitivo em Londres e, mais tarde, em Genebra, onde foi aluno de João
Calvino. Ele morreu como mártir, por enforcamento.
b) Guido de Brès conhecia a Confissão de Fé das Igrejas Reformadas da França (que data
de 1559). Foi Calvino quem inspirou esta confissão. Guido de Brès seguiu o exemplo dela;
contudo, ele achou necessário, para seu próprio país, elaborar uma outra confissão de fé,
principalmente para contradizer as opiniões dos anabatistas.
c) Na noite de 1 para 2 de novembro de 1561, a “Confissão de Fé”, na forma de um
livrinho, foi lançada sobre o muro do castelo da cidade onde Guido de Brès estava (a cidade
de Doornik). Ele queria que os comissários, que haviam chegado àquela cidade para
destruir a Reforma, achassem o pacote, endereçado ao rei Felipe II (não sabemos se Felipe
II realmente chegou a ver ou ler a “Confissão de Fé”).
Através do livrinho, Guido de Brès pretendia desmentir a queixa de que os reformados
eram revolucionários e hereges. Por isso, uma carta estava inclusa, em que se pedia
liberdade de religião.
d) A “Confissão de Fé das Igrejas Reformadas” nasceu na luta. Ela se opõe principalmente
aos equívocos dos católico-romanos e dos anabatistas. Mas isto não quer dizer que, na
“Confissão de Fé”, ouvimos apenas sobre os erros dos outros. De fato, ela é uma defesa da
verdadeira doutrina; mas, ao mesmo tempo, ela é muito mais uma exposição da fé cristã. A
força da Confissão de Fé das Igrejas Reformadas realmente é a exposição da doutrina
cristã.
5

ARTIGO 1

O ÚNICO DEUS

Todos nós cremos com o coração e confessamos com a boca1 que há um só Deus2. Um
único e simples ser espiritual3. Ele é eterno4, incompreensível5, invisível6, imutável7,
infinito8·, todo-poderoso9; totalmente sábio10, justo11e bom12, e uma fonte abundante de todo
bem13.
1- O assunto do artigo 1.
O artigo 1 da “Confissão de fé” trata (exclusivamente) de Deus.
a) Quatorze virtudes ou atributos de Deus são alistados; incluindo a palavra “ser”,
encontramos até quinze expressões que dizem quem Ele é.
b) Contudo, essa “lista” não tem o objetivo de fornecer uma definição exata de Deus. Nós,
homens, não somos capazes de fazer uma “lista” completa dos atributos de Deus, porque
Ele excede nosso entendimento. Aliás, a “lista” nem sequer é completa (não se fala, por
exemplo, da santidade de Deus). O objetivo do artigo 1 se explica nas primeiras onze
palavras: “Todos nós cremos com o coração e confessamos com a boca”. Dizemos e
repetimos, com nossas próprias palavras e de maneira espontânea, o que o próprio Deus
vivo revelou de si mesmo, na Palavra dEle.

02- “Todos nós cremos com o coração e confessamos com a boca”.


a) o apóstolo Paulo usa, em Romanos 10.9-10, a expressão “crer com o coração e confessar
com a boca”. O artigo 1, de propósito, repete as palavras de Paulo. Porque os católico-
romanos dizem que crer, primeiramente, é que nosso cérebro (nosso entendimento) aceita o
que Deus diz, sem participação do coração (Calvino respondeu que a fé cristã não é
conhecimento que “circula” no cérebro, sem tocar no coração). Porém, crer é
principalmente confiar em Deus cordialmente. Por isso, o artigo começa assim: “Todos nós
cremos com o coração”.
b) “...e confessamos com a boca” . Na época perigosa em que a “confissão de fé” foi
escrita, muitos homens (que simpatizavam com a reforma) tinham medo de demonstrar a
fé. Talvez tenha sido o mesmo medo que, outrora, fez com que Nicodemos fosse ter com
Jesus de noite (João 3). Por isso, esses homens eram chamados “Nicodemitas”. Eles não
somente tinham medo de confessar a fé, mas diziam também que não era necessário. Crer é,
na opinião deles, uma coisa pessoal de que você não precisa falar com ninguém (veja,

1
Romanos 10:10
2
Deuteronômio 6:4 ; 1 Coríntios 8:4 ,6 ; 1 Timóteo 2:5.
3
João 4:24
4
Salmo 90:2
5
Romanos 11;33
6
Colossenses 1:15 ; 1 Timóteo 6:16
7
Tiago 1:17
8
1 Reis 8:27 ; Jeremias23:24
9
Gênesis 17:1 ; Mateus 19:26 ; Apocalipse 1:8
10
Romanos 16:27
11
Romanos 3:25,26 ; Romanos 9:14 ; Apocalipse 16:5,7
12
Mateus 19:17 Veja também Isaías 40 , 44 e 46.
13
Tiago 1:17
6

porém, Mateus 10.12-33). Por causa desta atitude dos Nicodemitas, o artigo diz:
“confessamos com a boca”.
c) “Todos nós cremos...”. Nenhum membro da igreja pode deixar de crer, pensando que
outros crêem por ele. Na igreja, podemos fazer muita coisa uns pelos outros, mas um não
pode crer pelo outro. Não podemos dizer: a igreja (ou seja: o clero, os teólogos) crê por
mim. Portanto, “todos nós cremos”.
d) Não podemos provar a existência de Deus. Nenhuma das chamadas provas da existência
de Deus conseguiu convencer todos os homens; e nenhuma vai conseguir. Porque a
existência de Deus não depende de provas humanas. Deus existe e nós devemos crer que
Ele existe. A Bíblia simplesmente pressupõe a existência de Deus (veja Gênesis 1.1). Há
apenas um meio de que todos os homens precisam pra realmente crer em Deus: a palavra
dEle (veja Lucas 16.27-31); somente através da Bíblia é que podemos crer em Deus.

03- “Há um só Deus, um único e simples ser espiritual”.


a) A primeira frase da “Confissão de fé” foi e está sendo bastante criticada, principalmente
no que diz respeito à maneira como ela fala sobre Deus. Um diz que se trata de “uma
fórmula morta”, outro diz que a palavra “ser” tem cheiro filosófico. Contra estas criticas
temos que enfatizar que a Confissão não quer “definir” Deus (com ajuda da filosofia). A
igreja fala sobre Deus em termo que ela mesma, em parte, escolheu, de acordo com a
revelação do próprio Deus, na palavra dEle.
b) Tal termo é a palavra “ser”, que não encontramos na Bíblia como “nome” de Deus. Mas,
com esta palavra, a igreja quer dizer, de maneira clara e conforme a Bíblia, que Deus é uma
pessoa, que Ele é “alguém”, o Deus vivo que realiza grandes obras.
c) Deus é “simples”, ou seja: Ele não é composto ou dividido. Nós somos sim. Por
exemplo: damos preferência, de vez em quando, ao sentimento e não ao bom senso.
Podemos dizer também: quero mostrar misericórdia em vez de justiça. Porém, o que Deus
é, Ele sempre é de maneira total. NEle não há divisão, contradição ou divergência dos
atributos dEle. Por isso, jamais podemos destacar um dos atributos dEle (por exemplo, o
amor ou a justiça ), em detrimento dos outros.
e) Deus é “espírito”, João 4.24. Ele não tem forma corporal. Entretanto, a Bíblia fala sobre
as mãos de Deus, os ouvidos, os olhos, a boca dEle. Desta maneira, ela não dá uma idéia
errada sobre Deus, mas nos quer convencer de que temos um Deus que, de fato, realiza
obras (Ele tem mãos) e que é capaz de ver e ouvir. Falando sobre Deus, as Escrituras se
adaptam ao nosso entendimento e ao nosso modo de falar; assim como uma mãe se adapta
ao “mundo” da criança, sem violar a verdade.
É preciso saber que Deus é Espírito, porque este ato tem as maiores conseqüências para
o modo de servirmos a Ele. Veja o segundo mandamento: também Deuteronômio 4.15-20
(servir a Deus por meio de uma imagem esculpida significa “corromper-se”, v. 16!) e João
4:24.
04) Mais alguns atributos de Deus.
a) os atributos de Deus, mencionados nesse artigo 1, não têm o objetivo de providenciar
“assuntos” de uma teoria sobre Deus. É impossível falar sobre os atributos de Deus sem
pensar em nossa vida com Deus. O principal objetivo da “lista” é que nós, homens,
louvemos a Deus. Por isso, queremos indicar o que cada atributo significa para o nosso dia-
a-dia cristão.
b) Deus é:
7

- eterno: Ele, de maneira alguma, está sujeito ao temporário; Ele transcende o tempo. Ele
não tem aniversários, nem envelhece. Ele não precisa aguardar o que o futuro trará. No
meio de eventos chocantes, podemos saber que o eterno Deus prevê tudo, que tudo está nas
mãos dEle e que tudo aconteceu conforme os planos dEle (Isaías 40.27-28).
-incompreensível: não podemos entender totalmente o que Deus faz. Porém, não se trata de
um “labirinto”, e, sim, de uma profundidade de riqueza. Podemos contentarmos com o que
Deus revela na Palavra dEle e tranqüilamente confiar no que Ele faz (Isaías 55.8,9,12).
-invisível: nossos olhos não têm a mínima condição de ver a Deus. Ele “habita em luz
inacessível” (1 Timóteo 6.16). Por isso, nos alegramos, com muita gratidão, porque o
soberano Deus nos fará ver (!) o filho dEle , Jesus Cristo (1 Timóteo 6.15).
-imutável: jamais haverá uma mudança brusca nos propósitos de Deus. Ele não se nega a si
mesmo. E jamais nos negará (2 Timóteo 2.12,13).
-infinito: Deus transcede todo o espaço, e ao mesmo tempo está presente em toda parte. Em
qualquer lugar, Ele nos guardará (Salmo 139.5-10).
-todo-poderoso: isto não significa que Deus também pode praticar injustiça. Não podemos
confundir “todo-poderosos” com “arbitrário”. Deus é capaz de fazer tudo o que quer fazer;
mas “de maneira nenhuma pode negar-se a si mesmo” (2 Timóteo 2.13). Ainda que nossa
situação pareça impossível, Ele nos livrará dela.
-(totalmente) sábio: até no que os homens acham uma loucura, brilha a sabedoria de Deus,
a saber: na maneira com que Ele nos salva (1 Coríntios1.18-25). Tudo o que Deus faz
conosco e em nosso favor, é fruto da sabedoria dEle.
-(totalmente) justo: trata-se aparentemente de uma palavra “severa”; mas podemos ter a
certeza de que Deus realiza as promessas que nos fez, mesmo que a situação seja
ameaçadora. Sempre podemos considerar-nos seguros. Quando Davi escapou da situação
perigosa do Salmo 22, ele glorificou a justiça(!) de Deus (Salmo 22.31).
-(totalmente) bom e uma fonte muito abundante de todo bem: talvez seja o mais bonito que
podemos dizer de Deus. “Rendei graças ao SENHOR, porque Ele é bom” (Salmo 136.1).
Todo homem experimenta as provas da bondade de Deus. O que recebemos dEle, são “boas
dádivas” e “dons perfeitos” (Tiago 1.17).

Fontes e perguntas para pensar:


1- Aqueles que tinham medo de confessar a fé abertamente, eram chamados
“nicodemitas”. Este nome faz jus a atitude do Nicodemos (João 7.50-52 e 19.39)?
2- Não podemos usar, na obra missionária, as chamadas provas existenciais de Deus;
por exemplo, ao dizer que, contudo alguém deve ter feito este mundo?
3- A bíblia afirma que Deus é amor (1 João 4.18). Isto significa que o amor é o
atributo mais dominante de Deus?
4- Conforme as Escrituras, Deus pode ter arrependimento. Mas o arrependimento
dEle não contradiz que Deus é imutável? Confira 1 Samuel 15.1 com 15.29 !
5- Deus é invisível. Mas como você, então, explica Mateus 5.87. Ajuda: temos que
fazer distinção entre Deus, como Ele é em si mesmo (1 Timóteo 6.16: ninguém
pode vê-lo), e nós (Mateus 5.8).
8

ARTIGO 2

COMO CONHECEMOS DEUS

Nós o conhecemos por dois meios. Primeiro: pela criação, manutenção e governo do
mundo inteiro, visto que o mundo, perante nossos olhos, é como um livro formoso1, em que
todas as criaturas, grandes e pequenas, servem de letras que nos fazem contemplar “os
atributos invisíveis de Deus”, isto é “o seu eterno poder e a sua divindade”, como diz o
apóstolo Paulo (Romanos 1.20). Todos estes atributos são suficientes para convencer os
homens e torná-los indesculpável.
Segundo: Deus se faz conhecer, ainda mais clara e plenamente, por sua sagrada e divina
Palavra2, isto é, tanto quanto nos é necessário nesta vida, para sua glória e para a salvação
dos que Lhe pertencem.

1- O assunto do artigo 2.
O assunto do artigo 2 da “confissão de fé” diz que Deus se revela a nós, homens, por dois
meios:
a) Pelo o que Ele fez e ainda faz. Ele criou o mundo e até hoje o mantém e governa. Por
isso, a criação é como um livro formoso sobre Deus, cujas criaturas são as letras do livro.
Assim podemos “ler” o que, sem este livro, seria invisível, isto é, o eterno poder de Deus e
sua divindade (Romanos 1.20). O livro é tão convincente que aos homens não resta
nenhuma desculpa que justifique a sua ignorância.
02-“Nós o conhecemos”: uma surpresa.
a) As primeiras três palavras do artigo 2 são significativas: “nós o conhecemos”. Conhecer
Deus, de maneira alguma é normal ou lógico, porque o artigo 1 falou que Ele é eterno,
incompreensível e infinito. O conhecido teólogo Suíço Karl Barth (1886-1968) ensinou que
é impossível ter verdadeiro conhecimento de Deus, portanto, não somos capazes de saber
quem Ele é e o que Ele quer. Na opinião de Barth, não podemos deixar Deus “preso” na
medida humana do nosso entendimento.
b) Em parte Barth tem razão: realmente não podemos pretender “fechar” Deus no
entendimento humano; seria uma arrogância. Por outro lado, Deus se faz conhecer
justamente de acordo com a medida do nosso conhecimento (desta realidade Barth não quis
saber).
Deus se “adapta” ao nosso entendimento limitado. Um exemplo pode esclarecer este modo
de falar: uma criança conhece sua mãe, mesmo que não saiba tudo sobre ela. Apesar disso,
o conhecimento da criança é absolutamente fiel. Entre mil outras mães, ela conhece a sua
mãe. Assim os filhos de Deus conhecem seu pai celestial.

03-Deus se revela através de um “livro formoso”.


a) o primeiro meio para conhecermos Deus é “a criação, a manutenção e o governo do
mundo inteiro”.
A criação nos faz pensar, principalmente, na natureza que à sua maneira, proclama que
Deus é poderoso (veja Salmo 19:1-6 e Salmo 104).
Na manutenção ou (preservação) se manifesta o poder divino, que sustenta e conserva
toda esta criação. Deus “dá o alimento aos animais e aos filhos dos corvos, quando
1
Salmo 19:1-4.
2
Salmo 19:7, 8; 1 Coríntios 1:18-21.
9

clamam” (Salmo147.7-9); Ele faz com, que “não deixe de haver sementeira e ceifa, frio e
calor, verão e inverno, dia e noite” (Gênesis 8.22).
A palavra governo indica que Deus dirige todos os eventos, até as mais terríveis, como
mostra, por exemplo, a história de José que foi vendido pelos seus irmãos (Gênesis 50.20;
veja também Atos 2.23).
b) Todo este cuidado múltiplo de Deus faz, do mundo “um livro formoso”. E um livro
formoso corresponde às maiores exigências: é claro, bem legível, instrutivo, impressionante
e convincente. O próprio Deus é o autor desse livro. Ele faz com que as palavras do livro
sejam e forneçam uma mensagem, uma pregação; elas nos dão a entender “o seu eterno
poder e a sua divindade”, que são o assunto desse livro bonito, que Deus é tanto o autor
como o personagem principal.

04- “Suficiente para convencer os homens e torná-los indesculpáveis”.


a) O artigo 2 usa as palavras do apóstolo Paulo (Romanos 1.20) para mostrar o caráter
convincente do livro da criação. As criaturas (as letras do livro) nos fazem contemplar “os
atributos invisíveis de Deus”, que são suficientes para convencer os homens e torná-los
indesculpável. Sem duvida, os homens vão tentar justificar sua vida sem Deus. A maior
desculpa será que não sabiam e nem podiam saber de Deus (porque nada ouviram sobre
Ele). Mas esta desculpa será refutada pelo fato de que eles possuíam o livro formoso da
criação, em que poderiam observar o eterno poder e a divindade de Deus. Este livro foi e é
suficiente e convincente; por isso, eles não têm desculpa válida. Deus lhes mostrou o livro
“escolar” dEle. Eles viram as estrelas e as flores, os animais e os peixes, e tudo mais.
Apesar disso, não reconheceram Deus.
b) Mas não é verdade que a pessoa, que não tem a bíblia, jamais pode conhecer Deus
através do mundo em que está vivendo? É verdade!
Não há ninguém que conheça o eterno poder e a divindade de Deus, porque “leu” muito
bem o livro da criação. Para conhecer Deus, a palavra escrita dEle é indispensável.
Mesmo assim, aquela desculpa (“não o sabíamos”) não é válida. Pois, o ponto decisivo
não é: podiam eles ler o livro da criação? O ponto decisivo é que Deus lhes havia dado o
livro!
O fato de que os homens não podem e não querem ler é outra coisa. Aliás, este artigo 2
não diz que até os gentios possam conhecer o poder e a divindade de Deus apenas pela
leitura do livro da criação. Diz, sim, que eles são indesculpáveis. Por quê? Porque o livro da
criação é suficientemente claro e porque é deles a culpa de não poderem ler. Pois Deus
criou de tal maneira que pudessem ler. Mas os homens se privaram desta capacidade. Com
o livro formoso da criação “na mão”, “obscureceu-se-lhes o coração insensato” (Romanos
1.21). Por isso, não há desculpa, apenas culpa, porque “desprezaram o conhecimento de
Deus” (Romanos 1.28).
c) Entretanto, a verdade é que a criação ou a natureza não nos comunica como Deus enviou
seu Filho para conciliar nossos pecados. Ninguém é capaz de conhecer Cristo e a obra dEle
através da criação ou da natureza.
Mas o mínimo que os gentios deviam ter conhecido e reconhecido (o eterno poder e a
divindade de Deus) é negado por eles. Por isso mesmo, são indesculpáveis.

05-“Sua sagrada e divina palavra”.


a) “Segundo: Deus se faz conhecer, ainda mais clara e plenamente, por sua sagrada e divina
palavra”. Tratava-se da Palavra escrita dEle, como foi falada, anteriormente, pelos profetas,
10

pelos apóstolos e por Cristo. Este segundo meio nos faz conhecer Deus mais clara e
plenamente do que o primeiro meio (a criação). Pois, em sua palavra, Deus fala aos
homens em palavras humanas que todos podem entender. Salmo 104, por exemplo, fala
mais claramente do poder eterno de Deus do que qualquer flor. Além disto, a Palavra de
Deus também fala mais plenamente, porque somente através dela sabemos que “Deus
amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito” (João 3.16).
b) Às vezes se diz que, conforme o artigo 2 da confissão, os dois meios (para conhecer
Deus) são dois livros de igual importância, que podem ser lidos separadamente. Um é o
livro formoso da criação, o outro é a palavra escrita de Deus. O argumento é que o segundo
meio apenas fala “mais clara e plenamente”; então, somente complementa o primeiro meio.
Seria possível, portanto, conhecer Deus razoavelmente bem somente pela criação ou pela
natureza.
Neste contexto fala-se sobre o chamado “conhecimento natural de Deus”. Os católico-
romanos acreditam neste conhecimento natural (como foi decidido no I concílio do
Vaticano, em 1870).
Pórem, o artigo 2 não ensina assim. Se você pergunta: quem conhece Deus pelos dois
meios, a resposta é: nós, ou seja: os fiéis, as mesmas pessoas que falam no artigo 1. Os
incrédulos não conhecem Deus, nem pelo livro da criação, nem pelo livro da bíblia; usam,
como cegos, o livro da criação. Para realmente enxergar a criação, precisamos dos “óculos”
da Bíblia (veja 1 coríntios 2.9-10 e Romanos 10.14).
c) No entanto, nosso conhecimento de Deus não é completo, não pela Bíblia e muito menos
pela criação. Deus transcende nosso entendimento. Mas o que sabemos dEle, é fidedigno; e
é também suficiente, porque é tudo quanto “nos é necessário nesta vida, para sua glória e
para a salvação dos que Lhe pertencem”. São palavras sensatas. Deus não se revela para
satisfazer nossa curiosidade. Mas Ele se faz conhecer para nos salvar e para ser glorificado
por nós.

Fontes e perguntas para pensar:


1- Você acha que há uma diferença entre, por exemplo, um biólogo cristão e um
biólogo não-cristão, quando pesquisam a natureza?
2- Será que o artigo 2 da confissão nos fornece um argumento para cuidar bem do
meio-ambiente?
3- Há pessoas (principalmente no meio pentecostal) que dizem que podemos conhecer
Deus sem a Bíblia, por uma “manifestação” direta do Espírito Santo. Como avalia
esta opinião?
4- Às vezes se diz que o próprio Deus fez com que surgisse o paganismo; então, Ele
mesmo é responsável pelo fato de que muitas pessoas não o conhecem, porque não
se revelou a todos. Você acha que é verdade? Leia, por exemplo, Gênesis 3:9-19 e
9:8-9.

ARTIGO 3
11

A PALAVRA DE DEUS

Confessamos que a Palavra de Deus não foi enviada nem produzida “por vontade humana,
mas homens falaram da parte de Deus, movidos pelo Espírito Santo”, como diz o apóstolo
Pedro (2 Pedro 1:21).
Depois, Deus, por seu cuidado especial para conosco e para com a nossa salvação,
mandou seus servos, os profetas e os apóstolos, escreverem sua Palavra revelada1. Ele
mesmo escreveu com próprio dedo as duas tábuas da lei2.
Por isso chamamos estas escritas: sagradas e divinas Escrituras3.

01-O assunto do artigo 3.


Neste artigo confessamos que a Bíblia é a Palavra de Deus.
a) Esta Palavra de Deus não se originou por vontade humana, mas pelo Espírito de
Santo, que moveu certas pessoas a falar em nome de Deus, como afirma o apostolo
Pedro.
b) Depois, Deus mandou os profetas e apóstolos escreverem a Palavra revelada dEle;
como servos, eles fizeram o que Deus queria que fizessem. Possuímos a
Palavra.Escrita de Deus, “por seu cuidado especial para conosco e para com a nossa
salvação”.
02-“Não por vontade humana”.
a) A igreja, com muita ênfase, confessa (e deve confessar) que a Palavra de Deus, de fato,
vem dEle mesmo e não de qualquer outra pessoa. Ela não foi inventada pelo cérebro
humano; ela não é uma filosofia ou teoria humana, nem mesmo de um apostolo ou um anjo
do céu (Gálatas 1:8).
Deus têm falado, Hebreus 1:1. Foi Ele quem tomou a iniciativa; não foram os profetas
que começaram a falar. Vários textos da Bíblia claramente mostram que os profetas
resistiram à vontade de Deus.
Moisés protestou e disse: “Ah! SENHOR! Eu nunca fui eloqüente”; “envia aquele em que
hás de enviar, menos a mim” (Êxodo 4:10-17).
Jeremias disse: Ah! SENHOR Deus! Eis que não sei falar; porque não passo de uma
criança “(Jeremias 1:6); mais tarde ele pediu demissão, porque sofreu muito (Jeremias
20:7-9). O próprio Amós falou: “Eu não sou profeta(...). Mas o SENHOR me tirou de após
o gado” (Amós 7:14-15). Jonas fugiu da presença do SENHOR; ele não quis ir à cidade de
Nínive. Deus até fez homens incrédulos profetizarem, como Balaão (Números 22:22-24) e
caifas (João 11:50-51).
b)Mas há ainda outra prova de que os profetas não “comunicaram” suas próprias idéias e,
sim, a Palavra de Deus. Pedro diz que os profetas “indagaram e inquiriram” e estavam
“investigando atentamente” para saber o sentido de suas próprias profecias (1 Pedro 1:10-
12). Quer dizer, eles mesmos não inventaram as profecias; se tivessem inventado, teriam
entendido o que falaram (veja também Daniel 12:8-9).
c) Por isso, há muita diferença entre os verdadeiros e os falsos profetas. Estes não foram
chamados por Deus e falam “por conta própria”. Facilmente suas palavras não aceitas,
porque eles falam o que os homens querem ouvir. O exemplo de 2Crônicas 18 é claro: o rei
1
Êxodo 34:27; Salmo 102:18; Apocalipse 1:11, 19.
2
Êxodo 31:18.
3
2Timóteo 3:16.
12

Acabe quer pelejar contra a Síria e todos os (falsos) profetas dele dizem: “Assim diz o
SENHOR (...); o SENHOR a entregará nas mãos do rei” (2Crônicas 18:10-11). Apedido do
rei Josafá, Acabe consulta também o (verdadeiro) profeta Micaías. O mensageiro que vai
chamar o profeta, fala (v. 12): “Eis que as palavras dos profetas a uma voz predizem
cousas boas para o rei; seja, pois, a tua palavra como a palavra de um deles, e fala o que é
bom”. Em Jeremias 28 encontramos o falso profeta Hananias (que “profetizou” o que o
povo de Judá queria ouvir, contradizendo as profecias de Jeremias).
A Bíblia não somente fala de falsos profetas, mas também de falsos apóstolos. Jesus
escreve na carta à igreja de Éfeso sobre aqueles “ que a si mesmos se declaram apóstolos e
não são, o os achates mentirosos” (Apocalipse 2:2).
Portanto, é uma colocação bem certa a do artigo 3 que chama os profetas e apóstolos:
“servos de Deus”. Assim enfatiza-se que eles não anunciaram as opiniões deles mesmos,
mas que falaram em nome de Deus.

03-“Homens falaram da parte de Deus, movidos pelo Espírito Santo”.


a) O artigo 3 cita a palavra do apóstolo Pedro: “porque nunca jamais qualquer profecia foi
dada por vontade humana, entretanto homens (santos) falaram da parte de Deus movidos
pelo Espírito Santo” (2 Pedro 1:21). A palavra “movidos” é a mesma palavra (grega) que
encontramos em Atos 27:15, 17, onde se fala de um navio levado pelo vento. Assim os
escritores da Bíblia foram “arrastados” e “levados” pelo Espírito Santo.
b) Um texto importante também é 2 Timóteo 3:16, onde Paulo diz que “toda Escritura é
inspirada por Deus”. Apalavra (grega) que Paulo usa tem a ver com sopro, fôlego,
respiração. Precisa-se de fôlego (respiração) para falar; palavras são, por assim dizer, a
respiração de uma pessoa. Assim as Escrituras são a “respiração” de Deus; por isto, elas são
puramente divinas. Além disto, a palavra “inspirada” tem a ver com Espírito. Quer dizer: a
Bíblia é a Palavra que foi falada (“respirada”) pelo Espírito de Deus.
c) Outros textos importantes são 1 Tessalonicenses 2:13 e Gálatas 1:8-9, que provam que o
apóstolo Paulo tinha a certeza absoluta de que anunciou a Palavra de Deus.
d) Conforme Hebreus 1:1, Deus falou “de muitas maneiras” aos homens. Algumas
maneiras são: bem diretamente no paraíso, Gênesis 1:28; em sonhos, por exemplo a José,
filho de Jacó, em visões, por exemplo a Daniel; em manifestações (aparições), por exemplo
a Abraão.

04-“Deus andou pôr por escrito sua Palavra revelada”.


a) O artigo 3 faz distinção entre a palavra falada e a Palavra escrita, mas enfatiza que
também o “processo” de escrever não foi obra de homens e, sim, do próprio Deus. As
palavras faladas não foram anotadas porque os homens as consideraram falidas de serem
conservadas. É verdade que Lucas, no prólogo do seu evangelho, diz: “igualmente a mim
me pareceu bom (...) dar por escrito uma exposição em ordem” (Lucas 1:3). E Paulo
escreveu suas cartas porque, para ele, muitas vezes foi o único meio de comunicação.
Porém, em última análise, o verdadeiro motivo de ter sido escrita a Palavra foi “o cuidado
especial de Deus para conosco e para com nossa salvação”. Ele quer que sejamos salvos e,
por isso, fez com que o Evangelho da salvação chegasse a nós de maneira intacta. Uma
palavra falada facilmente é torcida ou perdida. E Deus queria que sua Palavra nos
alcançasse sem distorções.
13

b) Tudo isso significa, ao mesmo tempo, que o processo de escrever se realizou de maneira
infalível. Deus dirigiu os autores da Bíblia de tal maneira que se lembraram de palavras
faladas e de eventos ocorridos. Eles anotaram tudo quanto Deus queria e como Ele queria.
Nem tudo o que foi falado, também foi escrito. Geralmente os profetas devem ter dito
mais do que escreveram nos seus livros (das palavras e obras de Jesus fala-se assim em
João 21:25). Mas isto não quer dizer que temos, na Bíblia, as palavras de Deus, apenas na
medida em que os escritores da Bíblia se lembraram delas ou as consideraram válidas.
Trata-se do cuidado especial de Deus; a Palavra dEle não “nasceu” por acaso ou pela
vontade e pela arbitrariedade de homens.
c)Mesmo que o artigo 3 fale sobre os autores da Bíblia como “servos de Deus”, isto não
significa que tudo lhes foi ditado, palavra pr palavra. Deus mão usou os autores da Bíblia
como instrumentos passivos (ou como máquinas). Por isso dizemos que a inspiração não foi
“mecânica”. Deus não eliminou o talento, a vontade e a capacidade dos autores de
investigar, de compor, de escrever etc. Dizemos, portanto, que a inspiração foi “orgânica”.
Lucas, por exemplo, teve que se preparar muito bem para escrever seu livro sobre Jesus
(Lucas 1:3-4).
Entretanto, mantemos a convicção de que a “obra literária” destes homens é realmente a
Palavra de Deus.
d)Chama a atenção o artigo 3 que enfatiza o fato de Deus ter escrito, com o próprio dedo, as
duas tábuas da lei. Sobre este exemplo do cuidado de Deus para com seu povo. João
Calvino faz observações válidas. Devia ter sido suficiente que Deus somente falasse,
porque dá para contar a lei nos (dez) dedos (e os pais deviam ensinar a lei às crianças). Mas
Deus sabe que somos fracos e que temos memória limitada. Por isso, Ele não somente
anunciou a lei, mas também a escreveu. Assim, Ele nos deu sua Palavra, que é a base da
nossa fé.

05-A Palavra de Deus e a crítica.


a) No século XVI ainda não havia pontos de divergência entre os reformadores e os
católico-romanos a respeito da doutrina da inspiração. Mas os anabatistas já tinham,
naquela época, uma opinião diferente. Eles desprezaram a Palavra escrita e a consideraram
“letra morta”, mas destacaram a palavra “interior” com que Deus, na opinião deles, falaria
diretamente ao homem. É por causa dessa opinião dos anabatistas que o artigo 3 fala sobre
“sagradas e divinas Escrituras”. E foi por causa da mesma dos anabatistas que João Calvino
disse (com razão!) que devemos às Escrituras o mesmo respeito que devemos ao próprio
Deus.
b) Desde o século XVI a doutrina da inspiração começou a ser negada cada vez mais.
Temos que constatar, infelizmente, que a maioria dos teólogos modernos não mais quer
saber da inspiração. De um modo geral dizem o seguinte:
Mesmo que Deus tenha falado claramente aos autores da Bíblia (mas há dúvidas
também sobre este fato), estes escreveram, de maneira insuficiente, o que entenderam,
como homens de sua época, eles tinham a opinião contemporânea sobre Deus e sua obra.
Por exemplo, eles fizeram uso de mitos, porque era normal. A essência da história deles
pode ser verdadeira, mas a forma (a “embalagem”), hoje, é antiquada, por exemplo: a
essência de Gênesis 1-2 é apenas que Deus fez o mundo, não como o fez. O autor escreveu
uma história impressionante, mas nem tudo deve ter acontecido como ele diz. Quando
lemos que Deus “formou o homem do pó da terra” (Gênesis 2:7), a essência da notícia é
que Deus criou o homem, mas isto não excluiu a possibilidade de que o homem “nasceu”
14

num processo de evolução. A informação de que Deus formou o homem do pó da terra,


somente faz parte da “embalagem” da mensagem.
Tudo isso tem como conseqüência não podermos mais dizer (com a mão na Bíblia):
assim Deus falou e assim é.
c)É inegável que os escritores da Bíblia escreveram seus livros como homens da época e da
cultura do seu próprio povo, naquele tempo. Porque o próprio Deus dr “adaptou” ao
entendimento deles, formado e caracterizado pela época e cultura deles. Por isso, a Bíblia
se tornou um livro “israelita”. Certamente teríamos uma Bíblia diferente, se Deus se tivesse
revelado aos brasileiros ou ao coreanos. Mas tudo isso não muda o fato de que este livro (a
Bíblia), que se originou numa determinada época e numa determinada cultura, é sobretudo
a eterna Palavra de Deus, escrita por homens que foram movidos pelo Espírito.

Pontos e perguntas para pensar:


1- A inspiração implica em que os quatro evangelistas anotaram as palavras de Jesus
literalmente? Confira, por exemplo, Mateus 6:9-13 e Lucas 11:2-4, Mesmo assim,
os quatro evangelhos são igualmente fidedignos?
2- Avalie o seguinte raciocínio:
a) A Bíblia de originou pela obra do Espírito Santo; homens foram movidos por Ele (2
Pedro 1:21);
b) O mesmo Espírito opera também em nós: Ele nos guia para toda a verdade (João
16:13; Romanos 8:14);
c) Conclusão: guiados pelo Espírito, posemos “adaptar” a Bíblia à nossa época e, se
for necessário, discordar do apóstolo Paulo.
Ajuda: temos que fazer distinção entre inspiração (ser “movido” pelo Espírito) e
iluminação (o fado de que o Espírito habita em todos os fiéis).
3- Que diz a Escritura sobre mitos? Veja 2 Pedro 1:16.
4- Que diferença há entre as seguintes afirmações:
a) A Bíblia é a Palavra de Deus.
b) A Palavra de Deus está na bíblia?

ARTIGO 4
15

OS LIVRO CANÔNICOS

A Sagrada Escritura consiste de dois volumes: o Antigo e o Novo Testamento, que são
canônicos e não podem ser contraditos de forma alguma.
A Igreja de Deus reconhece a lista seguinte:
Os livros do Antigo Testamento:
Gênesis, Êxodo, Levítico, Números, Deuteronômio (os cincos livros de Moisés); Josué,
Juízes, Rute, 1 e 2 Samuel, 1 e 2 Reis, 1e 2 Crônicas, Esdras, Neemias, Ester, Jô, Salmos,
Provérbios, Eclesiastes, Cantares, Isaías, Jeremias (com Lamentações), Ezequiel, Daniel (os
quatro profetas maiores); Oséias, Joel, Amós, Obadias, Jonas, Miquéias, Naum,
Habacuque, Sofonias, Ageu, Zacarias e Malaquias (os doze profetas menores);
Os livros do Novo Testamento:
Mateus, Marcos, Lucas, João (os quatro evangelistas); Atos dos Apóstolos; Romanos, 1 e 2
Coríntios, Gálatas, Efésios, Filipenses, Colossenses, 1 e 2 Tessalonicenses, 1 e 2 Timóteo,
Tito, Filemon (as treze epístolas do apóstolo Paulo); Hebreus, Tiago, 1 e 2 Pedro, 1, 2 e 3
João, Judas e Apocalipse.

01-O assunto do artigo 4.


Este artigo trata da base da nossa fé, a saber: a Sagrada Escritura.
a) Da Escritura se diz que contém dois volumes: O Antigo (AT) e o Novo
Testamento (NT), O AT tem 39 livros, o NT tem 27. Estes livros são
chamados “canônicos” porque, de forma alguma, podem ser contraditos.
b) Em seguida, os 66 livros bíblicos são alistados.
2- Os livros bíblicos são canônicos.
A palavra “canônico” vem de “cânon”, que quer dizer: regra, norma; ou seja: os livros
canônicos são a norma absoluta para nossa fé e nossa vida. Eles têm a máxima autoridade e,
por isso, não é lícito discordar deles.
Podemos e devemos ler, de maneira crítica, qualquer outro livro, mas não os livros
canônicos da Bíblia. Eles têm autoridade divina. Assim, estes 66 livros têm uma
posição especial dentre milhões e milhões de outros livros.

3- O Antigo e o Novo Testamento.


Já na primeira frase do artigo 4 se diz que o AT e o NT são perfeitamente equivalentes.
Sobre ambos confessamos: “são livros canônicos e não podem ser contraditos de forma
alguma”.
a) Os apóstolos ainda deviam repreender uma preferência injusta, que principalmente
os cristão-judeus davam às regras e cerimônias do AT, como mostra a resistência de
Paulo aos ‘judaizantes’ (veja Atos 15 e a carta aos Gálatas).
Mais tarde, porém, o AT sempre foi a ‘vítima’ das críticas. No século II, Marcião faz
distinção entre o ‘deus’ do AT e o do NT. O primeiro foi o criador do mundo; ele, na
opinião de Marcião, era o deus inferior do judeu, que gostava de guerras e até fez parar o
sol (Josué 10:13) para que um maior número de pessoas fossem mortas. Também a árvore
do conhecimento do bem e do mal já provou que esse ‘deus’ queria fazer mal aos homens.
O ‘deus’ do NT, conforme Marcião, é bom, excelente e pacífico. Foi ele que enviou Jesus à
terra e, portanto, devemos rejeitar o ‘deus’ do AT.
16

A conseqüência desta opinião foi que Marcião não aceitou o AT e que, do NT,
somente aceitou o evangelho de Lucas (mas purificado das máculas judaicas) e dez cartas
de Paulo (também ‘purificadas’).
Marcião teve muita influência e formou muitas ‘igrejas’.
b) Na época da reforma (no século XVI) foram os anabatistas que depreciaram o AT. Pois,
o AT nos ensinaria a vingar-nos ao invés de amar nossos inimigos (como ensina o NT); o
AT nos ensinaria a fazer juramentos ao invés de dizer que nosso ‘sim’ é suficiente (como
ensina o NT). O AT seria, na opinião deles, um livro terrestre e não-espiritual. Por isso, o
AT deveria ser rejeitado e substituído pelo NT, que é um livro superior e espiritual. É
contra esta opinião que o artigo 4 confessa que a Escritura consiste de dois volumes.
Nos séculos XIX e XX, o AT continuou sendo o alvo das críticas. Um exemplo
conhecido e muito vergonhoso foi a atitude dos chamados “Cristãos Alemães” que
simpatizavam com Hitler, odiavam os judeus e, conseqüentemente, injuriavam o AT como
um livro judaico pornográfico.
c) Em oposição a estes ataques a igreja confessa que o AT e o NT são igualmente a Palavra
de Deus. É uma confissão que se baseia na Bíblia. O próprio Jesus aceitou o AT como a
Palavra de Deus. Ele disse que não tinha vindo para “revogar a lei ou os profetas”
(expressão para indicar o AT!), mas para cumpri-los (Mateus 5:17-18; veja também Lucas
24:27, 44-45).
Estes textos (e outros) mostram como é a relação entre os dois Testamentos: o que o AT
promete, se cumpre no NT. O prometido é o Cristo. Por isso, precisamos até hoje do AT
para entender o NT. E podemos entender o AT somente à luz do NT (conf. Também o
artigo 25 da “Confissão de Fé”).

04-O número dos livro bíblicos é completo.


a) O artigo 4 alista todos os livros canônicos e, assim, mostra que se trata de um número
fixo; há 66 livros, nem mais, nem menos.
De fato, há mais livros inspirados do que temos na Bíblia. Fala-se do “livro dos justos”
(Josué 10:13) e da “história do profeta Ido” (2 Crônicas 13:22); em 1 Coríntios 5:9, Paulo
fala sobre uma carta dele aos Coríntios que não possuímos. Pelo fato de que a própria
Escritura fala sobre estes livros e a eles se refere, podemos considerá-los também
inspirados.
b) Mas, se fosse descoberto o tal livro no deserto ou numa gruta no Oriente-Médio e se
houvesse certeza de que se tratava de um livro profético ou de uma carta apostólica, seria
necessário acrescentá-lo à Bíblia? Não, porque a Bíblia não é apenas o restante de livros
divinos, que por acaso ficou conservado; ela não é uma coleção incompleta e danificada
porque diversas ‘peças’ foram perdidas. Cremos que Deus nos deu uma Bíblia completa e
que Ele fez com que nela ‘entrasse’ cada livro que Ele queria conservar. Não foi à toa que o
artigo 3 da confissão falou sobre “cuidado especial de Deus para conosco e para nossa
salvação”.
05-E os autores?
Às vezes fala-se sobre “os Salmos de Davi”, mas nem todos os Salmos têm Davi como
poeta. Fala-se também sobre Salomão como o autor de Eclesiastes, o que é um assunto
discutido.
O objetivo deste artigo não é obrigar-nos a crer que certos autores escreveram certos
livros. O objetivo é mostrar que estes livros são canônicos (a discussão sobre a autoria de
um determinado livro bíblico não muda necessariamente a canonicidade do livro!).
17

Pontos e perguntas para pensar:


d) Em que livro do NT fala-se amplamente sobre a relação dos dois Testamentos?
e) Não podemos entender o NT sem conhecer o AT. Até o último livro do NT, o
Apocalipse, contêm muitos ‘motivos’ do AT. Leia Apocalipse 1:12; 2:14, 20; 3:7;
4:8; 5:5 e indique estes ‘motivos’.
f) A língua original do AT é o hebraico (uma pequena parte é em aramaico); a língua
original do NT é o grego. Você acha que só aqueles que conhecem estas línguas,
podem ler a Bíblia? Ou podemos dizer que Deus nos fala também em português?
18

ARTIGO 5

A AUTORIDADE DA SAGRADA ESCRITURA

Recebemos1todos estes livros, e somente estes, como sagrado e canônico, para regular,
fundamentar e confirmar nossa fé2. Acreditamos, sem dúvida nenhuma, em tudo que eles
contêm, não tanto porque a igreja aceita e reconhece estes livros como canônicos, mas
principalmente porque o Espírito Santo testifica em nossos corações que eles vêm de Deus 3,
como eles mesmos provam. Pois, até os cegos podem sentir que as coisas, preditas neles as
cumprem4.

1- O assunto do artigo 5.
Este artigo trata da autoridade absoluta dos livros que foram alistados no artigo 4 (e explica,
portanto, a frase do artigo 4: “que não podem ser contraditos de forma alguma”).
a) Sobre “todos os livros” confessamos que os recebemos “como sagrados e
canônicos” e que têm importância decisiva para nossa fé; e que acreditamos em tudo
o que está escrito neles.
b) Em seguida explica-se o porquê: não tanto porque a igreja também aceita
estes livros, mas principalmente porque o Espírito Santo nos convence de que eles
vêm de Deus, como eles mesmos provam. Até os cegos podem sentir que as coisas,
preditas neles, realmente acontecem. Então, o conteúdo da Escritura é totalmente fiel.
2- A importância dos livros bíblicos para nossa fé.
a) A Bíblia é indispensável para nossa fé. O artigo 5 usa três verbos para deixar
claro que a Bíblia tem importância decisiva: regulamos nossa fé conforme ela,
fundamentamos nossa fé nela e confirmamos nossa fé com ela. Em outras palavras
a Bíblia é a norma, a base e o alimento da nossa fé.
b) (1) a Bíblia é o indicador da direção de nossa fé. Ela é o nosso ‘fio de
prumo’ (norma, cânon). Só ela determina o que acreditamos ou não acreditamos,
mesmo que considerássemos algo uma loucura. “Porque a loucura de Deus é mais
sábia do que os homens” (1 Coríntios 1:25).
(2) Baseamos nossa fé na Bíblia. A fé não está baseada em raciocínios ou provas, que
sempre possam ser questionados, quer hoje quer amanhã. Assim já fé estaria baseada
num fundamento não-fidedigno; “a palavra do Senhor, porém, permanece
eternamente” (1 Pedro 1:24-25).
(3) Quanto mais conhecemos a Bíblia, tanto mais forte fica a nossa fé. O apóstolo
Pedro chama a Bíblia: “O genuíno leite espiritual, para que por ele vos seja dado
crescimento para salvação” (1 Pedro 2;2).
03- Como os livros bíblicos chegaram até nós.
a) A primeira palavra do artigo 5 diz de que maneira os livros bíblicos chegaram até nós:
“recebemos todos estes livros como sagrados e canônicos”. Não é a igreja que examina e
seleciona. A Bíblia não é a escolha da igreja. Aliás, a igreja não tem, por si mesma, a norma

1
1 Tessalonicenses 2:13.
2
2 Timóteo 3:16,17.
3
1 Coríntios 12:3; 1 João 4:6; 1 João 5:6b.
4
Deuteronômio 18:21,22; 1 Reis 22:28; Jeremias 28:9; Ezequiel 33:33.
19

para determinar as condições as quais um livro divino deve corresponder. Por isso, ela
recebe da mão de Deus, esses livros.
b) Não sabemos exatamente de que maneira Deus, no decorrer dos séculos, conservou e
colecionou os livros bíblicos. Em todo caso, de uma longa história ‘nasceu’ primeiro o
Antigo Testamento como uma coleção fixa, que tem (por exemplo) o nome de “a escritura”
(João 2:22) ou “as escrituras” (João 5:39).
Com o Novo Testamento aconteceu a mesma coisa. Nos primeiros séculos ainda havia
alguma dúvida, porque o Novo Testamento não ‘caiu do céu’, Paulo, por exemplo, escreveu
suas cartas a diversas igrejas. Umas cartas foram perdidas; outras foram conservadas e
multiplicadas. Mas este ‘processo’ não se realizou por acaso. O próprio Deus fez com que o
numero de livros, determinado por Ele, continuasse circulando. E estes, por seu caráter
divino, se destacaram tanto que a igreja, sem muito esforço, os conheceu e reconheceu
como livros divinos. A igreja, de fato, não fez mais do que receber os livros bíblicos já
existentes.
Quer dizer: a igreja não chegou até à Bíblia, mas a Bíblia chegou até à igreja!

04- O papel da igreja na aceitação da Bíblia.


a) Os católico-romanos dizem que a igreja faz um papel decisivo na aceitação da Bíblia. Ela
é que, de maneira infalível, declara que certos livros são divinos.
Assim, a igreja se coloca acima da Palavra de Deus, com sérias conseqüências. A igreja
católico-romana, na Bíblia dela (!), tem também livros apócrifos que não são fidedignos;
além disto, ela ensina, a respeito de Maria, coisas que não encontramos na Bíblia, mas que
a igreja católico-romana declarou canônica.
b) Porém, seria precário, se aceitássemos a Bíblia (tão atacada)!) como a palavra de Deus,
com base na autoridade de homens falíveis do passado. Assim, sempre surgiria a pergunta:
esses homens não se enganaram quando declararam canônicos certos livros?
c) O artigo 5 não nega que a igreja tem uma certa influencia. Pois, aceitamos os livros
bíblicos “não tanto porque a igreja aceita e reconhece estes livros...”. Para nós significa
muito que gerações anteriores tenham aceitado a Bíblia como a Palavra de Deus. Num certo
sentido devemos a fé à igreja. Porque, dela, ouvimos o Evangelho. Como teríamos fé sem
ter ouvido o Evangelho (Romanos 10:14)?
Contudo, não cremos, afinal de contas, na Bíblia porque a igreja manda crer nela, mas
porque ouvimos Deus falar nela. Podemos pensar aqui no que os samaritanos disseram à
mulher samaritana: “Já agora não é pelo que disseste que nós cremos: mas porque nós
mesmos temos ouvido” (João 4:42).

05- A importância do Espírito Santo na aceitação dos livros bíblicos.


a) Acreditamos nos livros bíblicos “principalmente porque o Espírito Santo testifica em
nossos corações que eles vêm de Deus”. Isto não significa que o Espírito ‘cochicha’, no
fundo do nosso coração, que a Bíblia realmente vem de Deus. O conteúdo do testemunho
do Espírito não é diferente do conteúdo da Bíblia. Mas o Espírito faz com que as palavras
escritas da Bíblia entrem em nosso coração e que as aceitamos. O Espírito penetra no
coração e, lá, ‘elimina’ os impedimentos que evitam a aceitação da Palavra de Deus. A
Bíblia diz sobre Lídia (a vendedora de púrpura): “o Senhor lhe abriu o coração para atender
às cousas que Paulo dizia” (Atos 16:14).
b) Isto se realiza assim: o poder do Espírito sempre acompanha a Bíblia. Ao lermos a
Bíblia, o Espírito Santo nos convence a respeito de Deus, de Cristo, da salvação e também
20

do fato de que Deus é o autor da Bíblia (1 Coríntios 2:14-15). É o Espírito que produz a fé
em nosso coração pela pregação do Evangelho. Quer dizer: o Espírito nos convence
também da origem divina da Bíblia, que é “o poder de Deus para a salvação de todo aquele
que crê” (Romanos 1:16).
c) Chegamos, portanto, a uma conclusão animadora: nossa fé na Bíblia não depende da
nossa opinião ou de raciocínios e provas de outros homens, mas é fruto da convicção pelo
Espírito Santo.

06- “Como eles mesmos provam”.


Finalmente o artigo 5 diz que os próprios livros bíblicos provam que vem de Deus. Porque
tudo o que se prediz neles, se cumpre. Assim Deus, pelo nascimento de Cristo, fez “como
prometera aos nossos pais”, a Abraão e à sua descendência (como Maria diz, Lucas 1:5), e
“como prometera desde a antiguidade, por boca dos seus santos profetas” (como Zacarias
diz, Lucas 1:70). A Bíblia inteira é uma só prova de tudo isso.
Quando o sol brilha no céu, ninguém nega a presença dele. Até aquele que fecha os
olhos, sente o calor do sol. De maneira mais intensa, a majestade e a fidelidade de Deus
‘brilham’ na Bíblia. Ela não é um livro morto, mas ela é “viva e eficaz, e mais cortante do
que qualquer espada de dois gumes” (Hebreus 4:12); ela é “o poder de Deus para a
salvação” (Romanos 1:16), um “fogo” que consome, “martelo que esmiúça a penha”
(Jeremias 23:29).

Pontos e perguntas para pensar:


1- Alguém (certa vez) disse que o cânon é uma escolha feliz da igreja antiga e
que assim, de muito material, o mais valioso ficou selecionado e
conservado. Como você avalia esta opinião?
2- Confessamos que a Bíblia é a palavra de Deus. Os islamitas (muçulmanos)
dizem a mesma coisa de seu Alcorão. Então, não há diferença?
3- Tudo, na Bíblia, tem (literalmente) autoridade divina? Também (por
exemplo) Gênesis 3:4-5 (palavras do Satanás) e jó 4 e 5 (repreensões dos
amigos de jó)? Em que medida estes textos são Palavra de Deus?
4- Precisamos ter medo de que, um dia, a ciência vença a Escritura? Veja 1
Pedro 1;24-25.
21

ARTIGO 6

A DIFERENÇA ENTRE OS LIVROS CANÔNICOS E APÓCRIFOS

Distinguimos estes livros sagrados dos livros apócrifos que são os seguintes: 3 e 4 Esdras,
Tobias, Judite, Sabedoria, Eclesiástico, Baruc, os Acréscimo ao livro de Ester e Daniel, a
Oração de Manasses e 1 e 2 Macabeus.
A igreja pode, sim, ler estes livros e tirar deles ensino, na medida em que concordem
com os livros canônicos. Porém, os apócrifos não têm tanto poder e autoridade que o
testemunho deles possa confirmar qualquer artigo da fé ou da religião cristã; e muito menos
os podem diminuir a autoridade dos sagrados livros.

01- O assunto do artigo 6.


a) Mais ou menos uma dezena de livros, indicados como “os livros apócrifos”, são
alistados. Devemos distingui-los dos livros bíblicos.
b) Esta ‘distinção’ significa que a igreja pode ler os livros apócrifos e tirar deles ensino, na
medida em que correspondem aos livros canônicos. Por outro lado, não podemos basear
neles nenhum artigo de fé. E os livros apócrifos não podem diminuir a autoridade dos
sagrados livros.

02- Que são livros apócrifos?


a) Os livros apócrifos não constam da ‘nossa’ Bíblia (tradução João Ferreira de Almeida).
A Bíblia dos católico-romanos (a chamada vulgata) tem a maioria dos livros apócrifos
alistados neste artigo 6. Por que existe esta diferença? Os livros apócrifos pertencem ou não
pertencem à Bíblia?
b) A palavra “apócrifo” significa: escondido; então, trata-se de livros ‘escondidos’. Por
quê? Havia duas maneiras de usar esta expressão. Uns queria dizer que estes livros deviam
ficar escondido durante os cultos da igreja; não podiam ser lidos no púlpito, porque o
conteúdo era de baixo nível. Outros queriam dizer que o autor de um apócrifo muitas vezes
era desconhecido (‘escondido’), mesmo que o livro tivesse o nome de um profeta. É
conveniente juntar estas duas explicações, ou seja: livros apócrifos são livros que oferecem
tantas dúvidas (a respeito de sua origem e de seu conteúdo) que não podem ser a Palavra
de Deus.

03- Como os livros apócrifos ‘entraram’ na Bíblia?


a) De maneira alguma podemos pensar que os livros apócrifos entraram na Bíblia (no
cânon) da mesma maneira que entraram os livros canônicos e que, mais tarde, foram
cortados pela igreja. Se fosse assim, a igreja teria decidido sobre a composição e o
conteúdo da Bíblia; e a igreja de hoje poderia perguntar se esses livros, com razão foram
cortados da Bíblia. Mas a história é outra.
b) No século III a.C. (provavelmente), eruditos judaicos traduziram o Antigo Testamento,
do hebraico, para o grego (língua mundial da época). Fizeram esta tradução (a famosa
septuaginta) para os judeus que não mais falavam o hebraico, e também para alcançar não-
judeus. Por motivos ainda desconhecidos, eles incluíram, nessa nova Bíblia grega, também
os livros apócrifos. Nem precisaram traduzi-los, porque já eram escritos em grego. Então,
22

as pessoas, ao lerem essa tradução grega, não podiam duvidar da autenticidade dos livros
apócrifos. Foi assim que eles ‘entraram’ na Bíblia.

04- Por que os livros apócrifos não fazem parte da Bíblia?


a) Já o fato de que os livros apócrifos não eram escritos em hebraico, é duvidoso. Porque,
quando foram escritos, ainda era a época em que Deus se revelava a seu povo de Israel. E a
língua de Israel era o hebraico.
b) Os judeus nunca incluíram os apócrifos no cânon (do Antigo Testamento). Embora estes
livros já existissem na época de Jesus e dos apóstolos, estes jamais se referiram aos
apócrifos. Ou seja: no Novo Testamento, os livros apócrifos são negados.
c) Mais importante ainda é que o conteúdo dos apócrifos, em vários pontos, é contestável.
No livro de Judite se diz que Nabucodonosor era o rei dos assírios e que morava em Nínive
(!); também se diz que ele lutou contra Israel depois do exílio. No livro de Eclesiástico
encontramos frases estranhas e de baixo nível, tais como: “sentaste-te a uma grande mesa?
Não sejas tu o primeiro a abrir a tua garganta”, e: “usa como um homem sóbrio do que se te
puser diante, não suceda que, por comeres muito, te torne odioso” (capitulo 31),. Mais
grave é a maneira com que homens piedosos (principalmente Daniel) são honrados por
causa de suas boas obras.
Não negamos que os livros apócrifos contem muitos provérbios sábios e (como 1
Macabeus) histórias fidedignas. Mas claramente não pertencem à Bíblia.

05- Os livros apócrifos nunca foram aceitos por unanimidade.


Por que estes livros, durante séculos, foram aceitos como a Palavra de Deus? Será que só
no século XVI se descobriu que havia alguma coisa errada?
Em razão destas perguntas é importante saber que, desde o século II, tem havido ‘padres
(pais) da igreja’ que não aceitam os livros apócrifos. O famoso Jerônimo (cerca de 350-
420) traduziu a Bíblia para o latim (vulgata). Mas ele traduziu os livros apócrifos sem
muito interesse. Pois os criticava muito.
Portanto, havia sempre duas opiniões. Alguns aceitavam a septuaginta (inclusive os
livros apócrifos), outro (como Jerônimo) somente aceitavam o cânon hebraico do Antigo
Testamento.

06- O julgamento deste artigo sobre os livros apócrifos.


a) O julgamento do artigo 6 sobre os livros apócrifos é ameno. Não encontramos uma
severa advertência. “A igreja pode, sim, ler estes livro e tirar deles ensino, na medida em
que concordem com os livros canônicos”. Isto significa que os livros apócrifos podem ser
lidos nos cultos da igreja?
b) O conhecido sínodo de Dort (1618-19), na Holanda, tomou a resolução de mandar fazer
uma nova tradução da Bíblia (esta ‘versão holandesa’ teve muita influencia e foi usada por
João Ferreira de Almeida para a tradução da Bíblia em português)! O sínodo mandou
traduzir também os livros apócrifos. Porém, mandou colocá-los à parte nas edições da
Bíblia: depois do Novo Testamento. Além disto, o sínodo resolveu que os livros apócrifos
deveriam ter um prefacio em que o leitor seria informado e advertido a respeito do caráter
destes livros. Nesse prefacio (“advertência ao leitor dos livros apócrifos”) se diz que estes
livros “não devem ser lidos abertamente na igreja”, mas pode ser útil “que, de vez em
quando, sejam lidos particularmente”. Portanto, quando o artigo 6 diz que “a igreja pode,
23

sim, ler os apócrifos”, temos que entender isto assim: os membros da igreja podem lê-los
particularmente, em casa.

Pontos e perguntas para pensar:


1- Os católico-romanos tem os livros apócrifos na Bíblia deles, mas os consideram
“deutero-canônicos” (ou seja; de mais importância para a moral do que para a
doutrina). Esta ‘posição’ não é mais ou menos igual à do artigo 6 que diz: “a igreja
pode ler estes livros e tirar deles ensino”?
2- Há uma forte tendência, atualmente, de incluir os livros apócrifos nas traduções da
Bíblia. Você acha que esta tendência tem a ver com a opinião também moderna de
que a Bíblia nos comunica a opinião pessoal e subjetiva dos seus escritores?
24

ARTIGO 7

A SAGRADA ESCRITURA: PERFEIRA E COMPLETA.

Cremos que esta Sagrada Escritura contém perfeitamente a vontade de Deus e


suficientemente ensina tudo o que o homem deve crer para ser salvo 1. Nela Deus descreveu,
por extenso, toda a maneira de servi-Lo. Por isso, não é lícito aos homens, mesmo que
fossem apóstolos “ou um anjo vindo do céu”, conforme diz o apóstolo Paulo (Gálatas 1:8),
ensinarem outra doutrina, senão aquela da Sagrada Escritura2. É proibido “acrescentar algo
à Palavra de Deus ou tirar algo dela”3 (Deuteronômio 12:32; Apocalipse 22:18, 19). Assim
se mostra claramente que sua doutrina é perfeitíssima e, em todos os sentidos, completa4.
Não se pode igualar escritos de homens, por mais santos que fossem os autores, às
Escrituras divinas. Nem se pode igualar à verdade de Deus, costumes, opiniões da maioria,
instituições antigas, sucessão de tempos ou de pessoas, ou concílios, decretos ou
resoluções5. Pois a verdade está acima de tudo e todos os homens são mentirosos (Salmos
116:11) e “mais leves que a vaidade” (Salmo 62:9).
Por isso, rejeitamos, de todo o coração, tudo que não está de acordo com esta regra
infalível6, conforme os apóstolos nos ensinaram: “provai os espíritos se procedem de Deus”
( 1 João 4:1), e: “ se alguém vem ter convosco e não traz esta doutrina, não o recebais em
casa” ( 2 João 1:10).

01 – O assunto do artigo 7.
Este artigo destaca a perfeição da Palavra de Deus, como mostram as palavras que
encontramos: “perfeitamente, suficientemente, por extenso, perfeitíssima, (em todos os
sentidos) completa, infalível”.
a) A Sagrada Escritura contém tudo o que devemos saber sobre a vontade de Deus. Ela
nos ensina suficientemente o que devemos crer para sermos salvos. E ela descreve
amplamente a maneira de servirmos a Deus.
b) Disto há tanta certeza que o artigo, em nome da Escritura, confessa que até apóstolos ou
anjos nada podem acrescentar à Escritura ou tirar dela.
c) O artigo fala também sobre os escritos dos mais santos homens e vários ‘poderes’ ( como
costumes ou decretos de concílios), que não podem ser igualados às Escrituras.
O argumento de rejeitar todas essas palavras humanas é que todos os homens são
mentirosos (veja Salmo 116:11) e “mais leves que a vaidade” (Salmo 62:9).
d) “Por isso, rejeitamos, de todo o coração, tudo que não está de acordo com esta regra
infalível” (da Escritura). Assim nos ensinaram os apóstolos.

1
2 Timóteo 3:16,17 ; 1 Pedro 1: 10-12.
2
1 Coríntios 15:2 ; 1 Timóteo 1:1.
3
Deuteronômio 4:2; Provérbios 30:6; Atos 26:27: Romanos 15:4. 4:6.
4
Salmo 19:7; João 15:15; Atos 18:28; Atos 20:27; Romanos 15:4.
5
Marcos 7:7-9; Atos 4:19; Colossenses 2:8; 1 João 2:19.
6
Isaías 8:20; 1 Coríntios 3:11; Efésios 4:4-6; 2 Tessalonicenses 2:2; 2 Timóteo 3:14,15.
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02 – A Escritura é perfeitamente eficaz.


a) Para muitas pessoas, a Bíblia não é perfeita nem completa, porque esperam, da Bíblia, o
que ela não quer nem pode oferecer. Por isso, ficam irritadas por causa da maneira
deficiente (como dizem) com que a Bíblia relata a história. Às vezes, fatos notáveis são
negados. Livros e cartas inspirados (por exemplo, do apóstolo Paulo) foram perdidos. E não
foi assim que aconteceu muito mais do que está escrito na Bíblia (veja João 21:25)?
Conforme estes critérios, a Bíblia não é perfeita.
b) Porém, tais pessoas cometem um grave erro: não querem entender o objetivo da Bíblia.
O apóstolo João fala sobre o objetivo do evangelho, escrito por ele, assim: “para que creiais
que Jesus é o Cristo, o filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome” (João
20:31). E o apóstolo Paulo diz que a Escritura serve para habilitar para toda a boa obra (2
Timóteo 3:17).
Na Bíblia, tudo, inclusive a maneira de relatar a história, está sujeito a este objetivo. A
Bíblia tem seu método próprio para contar a história, de acordo com o objetivo especial
dela. A muitas perguntas curiosas a Bíblia não responde, perguntas nossas sobre, por
exemplo, a criação e a queda. Mas é muito arrogante julgar as histórias bíblicas conforme
as nossas normas.
Também sobre o número dos livros bíblicos que ficou conservado, confessamos que é o
número perfeito que Deus queria ter na Bíblia. Outros livros não foram perdidos por acaso.
No mais, mesmo que seja verdade que Jesus fez mais do que agora sabemos, em todo caso
conhecemos o suficiente.
Por isso, cremos que a Escritura é perfeitamente eficaz e, “em todos os sentidos,
completa”.

03 – A Escritura é perfeitamente completa.


a) (1) A igreja católico-romana ensina que a Escritura contém a Palavra de Deus, apenas
de maneira incompleta. Além disto, essa Palavra incompleta foi incluída na Bíblia por
circunstâncias casuais. O raciocínio é o seguinte: nem tudo o que Jesus e os apóstolos
falaram e fizeram, está anotado na Escritura. Livros e cartas canônicos foram perdidos.
Os Apóstolos escreveram cartas conforme a necessidade de uma certa situação, ou seja:
mais ou menos casualmente. Nelas, trataram dos problemas daquele momento. Muitos
assuntos nem foram abordados. A doutrina nunca é explicada em sua totalidade. Na
opinião dos católico-romanos, até os evangelhos seriam incompletos, porque os homens
já sabiam muito pela tradição oral. Por todos estes motivos a Escrituras, no que diz
respeito ao conteúdo dela, seria incompleta e casual.
(2) A Bíblia, portanto, precisa de complementos, que a tradição providencia. Pois, muitas
coisas que não ficou registrada, entrou na chamada tradição; quer dizer: foi transmitida de
uma para a outra geração, a partir da época em que Jesus esteve na terra ( veja o artigo 7:
“a sucessão de tempo ou de pessoas”).
A esta tradição pertencem as histórias mais fantasiosas. Mas, como se pode saber o
que pertence ou não pertence a tradição fidedigna? A resposta dos católico-romanos é: a
igreja é o corpo de Cristo; Ele habita nela e fala por ela; por isso, neste ponto, ela não
pode errar. O I Concílio do Vaticano, 1870, determinou que a igreja, pela boca do papa
que fala de maneira infalível, pode decidir sobre o que pertence à tradição. O papa pode
até ‘inventar’ uma nova doutrina (por exemplo, sobre Maria)
b) Esta posição católico-romana é absolutamente insustentável:
26

(1) A opinião de que a Bíblia teria apenas um conteúdo deficiente e casual contradiz a
informação de Lucas 1:1-4 e João 20:31.
Já o livro de Deuteronômio mostra que o povo de Deus se compromete com a
revelação escrita. Esta devia ser colocada no Tabernáculo (Deuteronômio 31:24-28). Os
sacerdotes deviam ler esta lei diante de todo o povo (Dt 31:9-13). Até o rei devia ter
consigo um traslado da lei (Dt 17:18-20). Em resumo: a norma para todos, já naquela
época, não era a tradição oral, mas as Sagradas Escrituras.
Quanto aos fatores humanos e ‘casuais’: é verdade que Paulo escreveu cartas, ou
porque ele não podia visitar uma certa igreja, ou porque ele estava preocupado, ou porque
deixou sua capa em algum lugar (2 Timóteo 4:13). Mas o erro básico dos católico-
romanos é que se limitam apenas a esses fatores casuais e que, a partir desses fatores,
querem explicar tudo. Mas há também o ‘fator’ divino. Nossos antepassados falavam de
uma Bíblia “predestinada”. Assim queriam dizer: foi o próprio Deus que, do material
abundante, fez duma escolha. Foi Ele, não o acaso, que determinou a quantidade de livros
necessária à igreja.
(2) Os católico-romanos dizem que a Escritura precisa ser completada pela tradição. Mas,
num dos últimos versículos da Bíblia (Apocalipse 22:18, 19), encontramos uma séria
advertência contras os acréscimos à profecia (e contra os ‘cortes’). No sentido estrito, esta
advertência se refere ao próprio Apocalipse. Mas, pelo fato de que este livro
irrefutavelmente faz parte de toda a Escritura, a advertência vale também para toda a
Escritura. Aliás, encontramo-la muitas vezes (Deuteronômio 4:2, 12:32; 1 Coríntios 4:6;
Gálatas 1:8,9).
De uma Bíblia incompleta e casual jamais se pode falar assim.

04 – A Escritura é perfeitamente clara.


a) A igreja católico-romana também se queixa do fato de que a Bíblia não seria clara. O
conteúdo dela é abundante, mas infelizmente há muitas maneiras de explicar a Escritura.
Nela são baseadas várias e diferentes opiniões. Portanto, a própria Escrituras não é ‘capaz’
de decidir a questão destas opiniões diferentes. É a tradição que decide. Quer dizer: Além
dos complementos, a tradição também providencia a interpretação certa da Bíblia. Só
assim a igreja teria condições de rejeitar as heresias e de resistir às opiniões erradas.
b) O artigo 7, porém, defende a clareza (perspicuidade) da Escritura. Diz que a Bíblia
“contém perfeitamente a vontade de Deus e suficientemente ensina tudo o que o homem
deve crer para ser salvo” e, que, nela, “Deus descreveu, Por extenso, toda a maneira de
servi-Lo”. Isto não significa que a Bíblia é um livro fácil. O apostolo Pedro diz que nas
cartas de Paulo “há certas cousas difíceis de entender”. Mas ‘não-fácil’ não quer dizer ‘não-
claro’. A Bíblia é a lâmpada para os nossos pés (Salmo 119:103).
c) No entanto, entender a Escritura depende, sim, de uma condição: devemos ler a Palavra
de Deus com fé. Porque somente as ovelhas ouvem e reconhecem a voz do seu Pastor (João
10:3-5).
d) Mas não é assim que também as igrejas Reformadas (ou, em geral, as Igrejas
Protestantes) tem seus pastores para explicar a Bíblia? E o etíope não disse: “como poderei
entender, se alguém não me explicar?” (Atos 8:31). Porém, a diferença fundamental é que o
‘ponto de partida’ dos reformados é a clareza da Bíblia. A pregação não torna clara a
Escritura, mas mostra que a Escritura é clara, conferindo a Escritura com a Escritura, Assim
Felipe explicou o Antigo Testamento à luz do Novo (Atos 8:35).
27

05 – A Escritura é perfeitamente decisiva.


a) Ao lermos o artigo 7, sentimos o alivio da igreja que ficou livre da ‘burocracia’ da
tradição. A igreja realmente se livra de um jugo, quando confessa: “Por isso, rejeitamos, de
todo o coração, tudo que não está de acordo com esta regra infalível”. Só a Palavra de Deus
é o fundamento da igreja.
b) Alguns ‘poderes’ que sempre ameaçam a autoridade da Bíblia, são alistados:
- livros de autores piedosos;
-costumes (“assim fazemos as coisas”)
-opiniões da maioria (“assim pensa todo mundo”);
-instituições antigas (“assim sempre era”);
-sucessão (não interrompida) de tempos ou de pessoas (confira 03.a2);
-concílios, decretos ou resoluções (“os teólogos entendem as coisas”).
Mas a igreja não mais pode impressionar-se com todos estes poderes. Porque não? Porque
todos os homens são mentirosos (Salmo 116:11) e “mais leves que a vaidade” (Salmo
62:9).

Pontos e perguntas para pensar:


01. Avalie o seguinte raciocínio: Cristo prometeu que sempre estaria com a igreja até à
consumação dos séculos (Mateus 28:20); então, a igreja pode dar certeza a respeito de
assuntos que não constam da Bíblia (por exemplo, a respeito de Maria).
02. Jeremias 31;33 diz que Deus imprimirá as leis na nossa mente (coração). Conforme os
interprétes católico-romanos, este texto prova que a igreja não pode ficar comprometida
com a Bíblia escrita. Deus fala diretamente ao coração do seu povo. Que você acha desta
opinião?
03. Você concorda com a opinião de que a pregação atualiza a Palavra antiga e não-atual?
28

ARTIGO 8

A TRINDADE UM SÓ DEUS , TRÊS PESSOAS.

Conforme esta verdade e esta Palavra de Deus, cremos em um só Deus1, que é um único
ser, em que há três pessoas: o Pai, o Filho e o Espírito Santo2. Estas são, realmente e desde
a eternidade, distintas conforme os atributos próprios de cada Pessoa.
O Pai é a causa, a origem e o princípio de todas as coisas visíveis e invisíveis 3. O Filho é
o Verbo, a sabedoria e a imagem do Pai4. O Espírito Santo, que procede do Pai e do Filho, é
a eterna força e o poder5.
Esta distinção não significa que Deus está dividido em três. Pois, a Sagrada Escritura
nos ensina que cada um destes três, o Pai e o Filho e o Espírito Santo tem sua própria
existência, distinta por seus atributos, de tal maneira, porém, que esta três Pessoas são um
só Deus. É claro, então, que o Pai não é o Filho e que o Filho não é o Pai; que também, o
Espírito Santo não é o Pai ou o Filho.
Entretanto, estas Pessoas, assim distintas, não são divididas nem confundidas entre si.
Porque somente o Filho se tornou homem, não o Pai ou o Espírito Santo. O Pai jamais
existiu sem seu Filho6 e sem seu Espírito Santo, pois todos os três têm igual eternidade, no
mesmo ser. Não há primeiro nem último, pois todos os três são um só em verdade, em
poder, em bondade e em misericórdia.

01 – O assunto do artigo 8.
Este artigo trata de um novo assunto (a Trindade). Porém, a confissão, com palavras
expressas, liga esse novo assunto aos artigos 2-7, que falam da Bíblia: a Escritura é a
decisiva e fidedigna Palavra de Deus; ela é o alicerce. A primeira ‘parede’ que é erigida
neste alicerce, é a doutrina da Trindade.
a) Esta doutrina implica em que há um só Deus, mas nEle há três Pessoas. Cada uma destas
Pessoas tem atributos (características) que as outras duas não possuem. São os chamados
‘atributos incomunicáveis’. Portanto, há uma verdadeira distinção entre as três Pessoas.
Elas têm sua ‘autonomia própria’.
Isto se mostra nos nomes. O Pai é o princípio de todas as coisas; o Filho é a imagem do
Pai; e o Espírito Santo é o eterno poder, que procede do Pai e do Filho.
b) Duas conclusões erradas são rejeitadas:
(1) As três pessoas não podem ser separadas uma das outras. Jamais houve ou há uma sem
as outras. E, quanto ao seu poder ou bondade, “não há primeiro ou último”. Em tudo isso as
três Pessoas são totalmente iguais.

1
1 Coríntios 8:4-6.
2
Mateus 3:16, 17; Mateus 28:19.
3
Efésios 3:14,15.
4
Provérbios 8:22-31; João 1:14; João 5:17-26; 1Coríntios 1:24; Colossenses 1:15-20; Hebreus 1:3;
Apocalipse 19:13.
5
João 15:26.
6
Miquéias 5:1; João 1;1,2.
29

(2) As três Pessoas também não podem ser confundidas uma entre as outras, como um só
exemplo já deixa claro: “somente o filho se tornou homem, não o Pai ou o Espírito Santo”.

02- A Trindade deve ser confessada.


a) Por que é necessário falar tão abundantemente sobre a Trindade (o assunto do artigo 9
também é a Trindade)? Vale a pena pensar nesta pergunta, porque a própria palavra
“Trindade” já indica que se trata de um assunto que nunca podemos entender totalmente: há
um só Deus e, contudo, há três Pessoas. Para mostrar o conteúdo dessa palavra difícil usam-
se palavras que nem sequer encontramos na Bíblia, tais como ‘pessoa, existência, atributos
incomunicáveis’. Até mesmo a palavra “Trindade” não encontramos na Escritura. Então, o
resultado final não será uma teoria lógica e ‘seca’ que tentamos entender ao invés de crer
nela?
São perguntas que Lutero e Calvino já fizeram. Eles se perguntaram se não seria melhor
não dizer nada sobre esse mistério difícil. Contudo, falaram sobre o assunto. Por que a
igreja deve falar da Trindade?
b) (1) Trata-se da honra de Deus. Nós ficaríamos sentidos se nossos amigos que nos
conhecem bem, se comportassem como se não nos conhecessem. É uma comparação
ainda fraca com Deus que se revelou em sua Palavra. Ele cada vez mais claramente se
manifestou como o Deus Triuno. Por isso, seria muito grosseiro se não respondêssemos
a esta revelação. Nosso Deus quer ser honrado conforme ele se faz conhecer. É por isso
que o artigo 8 começa com a confissão de que nós cremos no Deus Triuno “conforme
esta verdade e esta Palavra de Deus”.
(2) Ao mesmo tempo se trata da nossa riqueza. Em Deus há três Pessoas e, Portanto,
Ele jamais esta sozinho. Ele possui, de si mesmo, uma perfeita riqueza de ‘contatos’
(Deus não precisa de contatos com homens para ‘se realizar’). Porém, é a nossa riqueza
que este Deus quer ser nosso Deus. De maneira alguma Ele precisa de nós e, contudo,
gozamos do amor e da bondade dEle.

03- A Trindade deve sr defendida.


a) Desde a época dos apóstolos a doutrina da Trindade tem sido atacada, porque a lógica
humana resiste à verdade de que há um só Deus e três Pessoas. À lógica humana (a nossa!)
raciocina assim: se há um só Deus, deve haver uma só Pessoa! É o inicio e a base de todas
as heresias (a respeito da Trindade).
b) Há dois tipos de heresias (basicamente):
(1) Alguns reconhecem só o Pai como Deus. O Filho e o Espírito Santo não fazem parte
do ser divino. Mas, assim, não há mais unidade em Deus; o Pai é separado do Filho e do
Espírito.
Em resumo: eles mantêm o número três, mas em detrimento da unidade (conf. 01bl).
Assim pensou Ário; e também as testemunhas de Jeová, que dizem que só o Pai (que
eles erradamente chamam de Jeová) é Deus.
(2) Outros dizem que Deus, por assim dizer, alternativamente faz o papel de Pai, Filho
ou Espírito Santo. No Antigo Testamento teríamos a ver com o Pai, no novo com o
Filho e, após pentecoste, com o Espírito Santo. Em todo caso, desta maneira se nega
que há três divinas Pessoas distintas.
30

Em resumo: eles mantém a unidade, mas em detrimento do número de três (conf. 01


b2).
Assim pensou e ensinou, por exemplo Sabélio.

04- O que significa “um” na Trindade.


a) Mesmo que haja três Pessoas, jamais podemos abalar a unidade absoluta de Deus. No
“Credo Atanasiano” se diz que o Pai gerou o Filho. Isto não significa, porém, que o Filho é
dependente do Pai, como se tivesse recebido do Pai a divindade. Também o Filho e o
Espírito Santo têm a divindade em si mesmo. “Todos os três têm igual eternidade, no
mesmo ser”.
Não posemos compreender isto, mas o Pai está inteiramente no Filho e o Filho
inteiramente no Pai, como o próprio Jesus falou: “o Pai está em mim, e eu estou no Pai”
(João 10:38).
O Pai, o Filho e o Espírito Santo, por assim dizer, ‘se interrelacionam’ uns aos outros.
Eles são tão unidos que “estas três Pessoas são um só Deus”.
b) Esta unidade é tão forte que se diz do Filho ou do Espírito, o que antes foi dito do Deus
Triuno. O que, por exemplo, Salmo 102:25 diz sobre Deus Triuno, encontramos em
Hebreus 1:10 como obra do Filho. Por isso, todos so três são conforme o artigo 8, “um só
em verdade, em poder, em bondade e em misericórdia”.

05- O que significa “três” na Trindade?


a) As três Pessoas são “realmente e desde a eternidade distintas”. Cada uma tem “sua
própria existência”. Quer dizer: cada uma tem algo característico que não pode ser
transferido (comunicado) às outras Pessoas (atributos incomunicáveis(. Por isso, as três
Pessoas não podem ser confundidas entre si.
b) Quais são estes atributos?
(1) Os nomes mostram que um não é o outro. O Pai se chama Pai, porque (somente) Ele
de fato, em relação ao Filho, é o Pai. Assim também o Filho se chama Filho, porque
(somente) Ele é o Filho deste Pai. E o Espírito se chama Espírito, porque (somente) Ele
é, por assim dizer, a respiração (pneuma=Espírito) que procedo do Pai e do Filho.
Portanto, as três Pessoas têm sua posição específica, uma em relação às outras.
(2) As três Pessoas também atua de maneira distinta. O artigo 8 diz: “Porque somente o
Filho se tornou homem, não o Pai ou o Espírito Santo”.
Contudo, um nunca faz nada sem o outro. Devemos falar cuidadosamente, talvez
assim: o Pai se destaca em nossa criação, o Filho em nossa salvação e o Espírito Santo
em nossa santificação (veja também o catecismo de Heidelberg, Domingo 8 p/r 24).
(3) No artigo 8, o Pai é chamado “a causa, a origem e o Princípio de todas as coisas
visíveis e invisíveis” (Efésios 4:6; Colossenses 1:16).
O Filho é “o verbo, a sabedoria e a imagem do Pai” (João 1:14; 1 Coríntios 1:24;
Colossenses 1;15; veja também o artigo 10).
O Espírito Santo é chamado “a eterna força e o poder, que procedo do Pai e do
Filho” (Romanos 15:13; veja também o artigo 11).

Pontos e perguntas para pensar:


31

01. Existe uma história sobre um certo indígena que pensou ser capaz de explicar a
Trindade através de uma figura da natureza. Como a mesma água que cai em forma
de chuva, neve ou chuva de pedra, assim também Deus se revelaria na forma de três
Pessoas. Como você avalia esta história? Será que é lícito explicarmos a Trindade
através de certas figuras (monte com três picos, etc.)?
02. Voe pode indicar que João 1:1 ensina tanto a própria existência (autonomia) do
Filho, como também sua unidade com o Pai?
03. Qual é a diferença entre os atributos de Deus dos artigos 1 e 8?
04. O catecismo de Heidelberg (Domingo 8, p/r 24) fala de “Deus Pai e nossa
criação”. Mas o Filho e o Espírito não participaram da criação? Confira João 1:3 com
Gênesis 1:2.
32

ARTIGO 9

O TESTEMUNHO DA ESCRITURA SOBRE A TRINDADE

Tudo isto sabemos, tanto pelo testemunho da Sagrada Escritura1, como pelas obras das três
Pessoas, principalmente por aquelas que percebemos em nós.
Os testemunhos das Sagradas Escrituras, que nos ensinam a crer nesta Trindade, se
acham em muitos lugares do Antigo Testamento. Não é preciso alistá-los, somente escolhê-
los cuidadosamente. Em Gênesis 1:26, 27, Deus diz: “Façamos o homem à nossa imagem,
conforme a nossa semelhança etc. Criou Deus, pois, o homem à sua imagem; homem e
mulher os criou”. Assim também em Gênesis 3:22: “Eis que o homem se tornou como um
de nós”. Com isto se mostra que há mais de uma Pessoa em Deus, por que Ele diz:
“Façamos o homem à nossa imagem”; e, em seguida, Ele indica que há um só Deus,
quando diz: “Deus criou”. É verdade que Ele não diz quantas Pessoas há, mas o que é um
tanto obscuro, para nós, no Antigo Testamento, é bem claro no Novo. Pois quando nosso
Senhor foi batizado no rio Jordão, ouviu-se a voz do Pai que falou: “Este é o meu filho
amado “ (Mateus 3:17); enquanto o filho foi visto na água e o Espírito Santo se manifestou
em forma de pomba2.
Além disto, Cristo instituiu, para o batismo de todos os fiéis, esta forma: Batizai todas as
nações “em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo” (Mateus 28:19). No evangelho
segundo Lucas, o anjo Gabriel diz a Maria, mãe do Senhor: “Descerá sobre ti o Espírito
Santo e o poder do Altíssimo te envolverá com a sua sombra, por isso também o ente santo
que há de nascer, será chamado Filho de Deus” (Lucas 1:35). Do mesmo modo: “A graça
do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo seja com todos
vós” (2 Coríntios 13:13). * Em todos estes lugares, nos é ensinado que há três Pessoas em
um só ser divino. E embora esta doutrina ultrapasse o entendimento humano, cremos nela,
baseados na Palavra, e esperamos gozar de seu pleno conhecimento e fruto do céu.
Devemos considerar, também, a obra própria que cada uma destas três Pessoas efetua
em nós: o Pai é chamado nosso Criador, por seu poder; o Filho é nosso Salvador e
Redentor, por seu sangue; o Espírito Santo é nosso Santificador, porque habita em nosso
coração.
A verdadeira igreja sempre tem mantido esta doutrina da Trindade, desde os dias dos
apóstolos até hoje, contra os judeus, os muçulmanos e falsos cristãos e hereges como
Marcião, Mani, Práxeas, Sabélio, Paulo de Samósata, Ário e outros. A igreja antiga os
condenou, com toda a razão. Por isso, nesta matéria, aceitamos, de boa vontade, os três
Credos ecumênicos, a saber: o Apostólico, o Niceno e o Atanasiano; e também o que a
igreja antiga determinou em conformidade com estes credos.

* Originalmente o texto incluía aqui as seguintes palavras: “E: “há três que dão testemunho
no céu: o Pai, a Palavra, e o Espírito Santo; e estes três são um” (1 João 5:7)”. A referência
a 1 João 5:7b é duvidosa, porque este texto não se acha nos manuscritos antigos.

1
João 14:16; João 15:26; Atos 2:32, 33; Romanos 8:9; Gálatas 4:6; Tito 3:4-6; 1 Pedro 1:2; 1 João 4:13,14; 1
João 5:1-12; Judas :20,21; Apocalipse 1:4,5.
2
Mateus 3:16.
33

01. O assunto do artigo 9.


a) O que se confessou, no artigo 8, sobre a trindade é o ensino que encontramos na
Escritura; além disto, nós mesmos percebemos que as três Pessoas atuam em nossa vida.
b) No que diz respeito à Bíblia, já no antigo Testamento encontramos tantas referências que
é prudente fazer uma escolha cuidadosa de alguns textos.Gênesis 1:26 e 3:22 deixam claro
que, em Deus, há mais de uma Pessoa, porque estes textos falam de “nós”; eles mostram,
também, que há um só Deus, porque Gênesis 1;27 diz: “Deus criou”.
O Novo Testamento mostra, de maneira mais clara, quantas Pessoas há: três. A
Confissão alista os seguintes textos: Mateus 3:17 (batismo de Jesus); Mateus 28:19 (a
forma do batismo); Lucas 1:35 (a mensagem do anjo Gabriel a Maria); 2 Coríntios 13:13
(benção apostólica).
Esta doutrina ultrapassa nosso entendimento. Cremos nela somente porque a Bíblia fala
assim. E esperamos que, depois desta vida, entendamos tudo isso bem melhor.
c) Nós mesmos percebemos que cada uma das três Pessoas efetua, em nós, sua obra
própria. Porque o Pai nos criou por seu poder; o Filho nos salvou por seu sangue; e o
Espírito Santo nos santifica porque habita em nós.
d) Não propagamos uma nova doutrina. Aceitamos o que a igreja tem mantido, desde a
época dos apóstolos. Juntamente com nossos antepassados condenamos os mesmo hereges.
E aceitamos, de boa vontade, os três Credos ecumênicos e o que, no decorrer dos séculos,
foi determinado de acordo com estes credos.

02. A Bíblia e a Trindade.


a) Os textos de Gênesis 1 e 3 são claros. Seria possível pensar que o pronome pessoa “nós”
é um plural majestático (habitual nas mensagens do trono ). Mas no hebraico (a língua
original do Antigo Testamento) não se usa este modo de falar.
b) Também os textos do Novo Testamento são claros. É importante que a Confissão
indique o progresso na revelação da parte de Deus (“mas o que é um tanto obscuro, para
nós, no Antigo Testamento, é bem claro no Novo”).
c) A Confissão não tenta fazer compreender a doutrina da Trindade, abertamente
reconhece-se que esta doutrina ultrapassa nosso entendimento.
Porém, o artigo 9 mostra a expectativa de gozarmos “de seu pleno conhecimento (da
Trindade) e fruto no céu”. Quer dizer: realmente não se trata de um conhecimento teórico e
seco. Pois, fala-se do “fruto” da doutrina da Trindade, de que “gozarmos” (ou seja: depois
desta vida, conheceremos Deus de maneira melhor e mais profunda).

03. Nossa ‘experiência’ e a Trindade.


Conhecemos a doutrina da Trindade também “pelas obras das três Pessoas, principalmente
por aquelas que percebemos em nós”. Portanto, mais uma vez fica claro que esta doutrina
não é teoria! Falamos do Deus vivo que é Triuno. Assim Ele se manifesta a nós. Assim Ele
está presente em nossa vida. Percebemos (experimentamos), na ‘prática’, que Ele é assim
mesmo.
Falando sobre Deus que nos criou, pensamos principalmente no Pai. Falando sobre
nossa salvação, pensamos principalmente no Filho. Falando sobre Deus que nos opera,
pensamos principalmente no Espírito Santo. Sentimo-nos filho do Pai, salvos pelo Filho e
santificados pelo Espírito (conf. 01.c).
34

04. A igreja universal e a Trindade.


No último parágrafo do artigo 9, a igreja da Reforma se junta à igreja antiga. Desta maneira
ela desmente a desconfiança de que queria propagar uma nova doutrina . Na época da
Reforma (no século XVI) os católico-romanos falavam isto abertamente. Mas as igrejas
Reformadas enfatizaram a união com a igreja antiga e, assim, continuaram ecumênicas. Por
isso, aceitaram os Credos ecumênicos (=geralmente ou universalmente aceitos).
Não é preciso falar dos hereges que o artigo 9 menciona. Eles sempre pertencem a um
dos dois grupos, de que tratamos no comentário do artigo 8 (confira 03. b, pág. 29-30).

Pontos e perguntas para pensar:


01. Às vezes se diz que Deus, em Gênesis 1:26, fala aos anjos: “façamos o homem”;
Por isso, Ele falaria de “nós” (plural). Como você avalia esta opinião?
02. O Credo Atanasiano começa e termina com a afirmação de que nossa salvação
depende da aceitação da doutrina da Trindade. Tal afirmação não é exagerada?

ARTIGO 10
35

JESUS CRISTO É DEUS.

Cremos que Jesus Cristo, segundo sua natureza divina, é o único Filho de Deus 1, gerado
desde a eternidade, Ele não foi feito, nem criado – pois, assim, Ele seria uma criatura –,
mas é de igual substancia do Pai, co-eterno, “o resplendor da glória e a expressão exata do
seu Ser” (Hebreus 1:3), igual a Ele em tudo2.
Ele é o Filho de Deus, não somente desde que assumiu nossa natureza, mas desde a
eternidade3, como os seguintes testemunhos nos ensinam, ao serem comparados uns aos
outros:
Moisés diz que Deus criou o mundo4, e o apóstolo João diz que todas as coisas foram
feitas por intermédio do Verbo que ele chama Deus5. O apóstolo diz que Deus fez o
universo por seu Filho6 e, também, que Deus criou todas as coisas pro meio de Jesus
Cristo7. Segue-se necessariamente que aquele que é chamado Deus, o Verbo, o Filho e
Jesus Cristo, já existia, quando todas as coisas foram criadas por Ele. O profeta Miquéias,
portanto, diz: “Suas origens são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade”
(Miquéias 5;2); e a carta aos Hebreus testemunha: “Ele não teve principio de dias, nem fim
de existência” (Hebreus 7:3).
Assim, Ele é o verdadeiro, eterno Deus, o Todo-poderoso, a quem invocamos, adoramos
e servimos.

1. O assunto do artigo 10.


Este artigo prova, segundo a Escritura, que Jesus, que é o Filho de Deus, ao mesmo tempo
é, Ele mesmo, perfeitamente Deus.
a) Jesus é o Filho de Deus. Mas Ele não foi criado, porque, se assim fosse, Ele seria uma
criatura. Ele tem uma natureza divina. Por isso, Ele é igual a Deus em tudo.
Ele, no tempo determinado por Deus, assumiu nossa natureza. Mas Ele é, desde a
eternidade, o Filho de Deus. Pois, Ele foi gerado desde a eternidade.
b) Isto, em seguida, é provado segundo a Bíblia. Pois, a Bíblia diz que Deus criou o mundo;
mas diz também que Deus criou o mundo por seu Filho, ou por Jesus Cristo, ou pelo Verbo
que é chamado Deus.
Por isso, Ele certamente já existia quando tudo foi feito por Ele. A vida dEle não tem inicio,
nem fim, como nos ensinam Miquéias e a carta aos Hebreus.
O Filho, portanto, é o verdadeiro, eterno Deus, o Todo-poderoso, a quem invocamos,
adoramos e servimos.
02. A importância da confissão de que Cristo é Deus.
a) No artigo 10 confessa-se e defende-se que Cristo, na verdade, é Deus. Muitas pessoas
glorificam Jesus como um grande profeta, ou como um excelente professor de religião, ou
1
Mateus 17:5; João 1:14,18; João 3:16; João 14:1-14; João 20;17,31; Romanos 1:4; Gálatas 4:4; Hebreus
1:1; 1 João 5:5, 9-12.
2
João 5:18, 23; João 10:30; João:9; João 20:28; Romanos9:5; Filipenses 2:6; Colossenses 1:15; Tito 2:13;
Hebreus 1:3; Apocalipse 5:13.
3
João 8:58; João 17:5; Hebreus 13:8.
4
Gênesis 1:1.
5
João 1:1-3.
6
Hebreus 1:2.
7
1 Coríntios 8:6; Colossenses 1:16.
36

como pregador de reformas socais. Desta maneira, estas pessoas, apesar dos elogios,
roubam a Jesus sua glória divina. Por isso, este artigo não trata de questões teóricas. Trata-
se realmente da glória divina de Jesus Cristo.
b) Além disto, a confissão de que Cristo é Deus, tem, para nós, uma vital importância. Pois
se o próprio Cristo não é Deus, a fé cristã não tem nada ‘especial’, mais fica igual a outras
religiões. Neste caso, a fé cristã também ensinaria (como as outras religiões ensinam) que
somos salvos por uma criatura (o que não é salvação). Se fosse assim, teríamos recebido, de
uma criatura, nosso conhecimento a respeito de Deus. Mas quem garante que esta criatura
não se enganou, quando falou de Deus?
Quer dizer: também nossa salvação e a certeza da nossa fé estão ‘em jogo’, ao
confessarmos que Cristo é Deus.

03. A negação da divindade de Cristo.


a) A igreja antiga, nos primeiros séculos d.C., teve que lutar muito pela confissão da
divindade de Cristo. O artigo 10 lembra esta luta, porque encontramos termos (expressões)
já antigos, como (por exemplo) “gerado desde a eternidade”.
Também a maneira de mostrar e provar que Jesus é Deus, é mais antiga do que o próprio
artigo 10. Já no ano 325, a igreja confessou, contra o herege Ário, que Cristo era Deus.
b) Ário, um Líbio, foi ordenado sacerdote em Alexandria, no ano de 313. Ele negou que
Jesus fosse Deus. Disse que Jesus era a criatura superior. Mas Ário cometeu dois erros. Ele
pensou sobre Deus Pai e Deus Filho em termos de pai e filho terrestres, assim: um filho
sempre nasce quando o pai já existe; os dois não podem ter a mesma idade. Por isso, Deus
Filho deve ter um início, enquanto Deus Pai não tem início. Deus se tornou Pai, somente
gerou Jesus. Quer dizer: houve uma época em que o Filho não existia. Porém, não podemos
pensar sobre Deus Pai e Filho, como se fossem criaturas.
O segundo erro de Ário foi a maneira de ele tentar justificar, através de textos bíblicos, a
opinião dele. Ele indicou que Jesus crescia em sabedoria (Lucas 2:52); que Ele devia
perguntar onde tinham sepultado Lázaro (João 11:34). Assim teria sido provado que Jesus
era uma criatura que não sabia tudo. Mas estes textos (e outros) claramente falam da
natureza humana que Jesus assumiu.
c) As Testemunhas de Jeová são verdadeiros arianos. Também muitos teólogos modernos
negam a divindade de Cristo. Muitas vezes afirmam que Jesus, na Escritura, é chamado e
considerado Deus (eles mesmos também falam sobre Cristo como Deus). Mas a palavra
“Deus” seria somente um título da honra. Ou seja: o fato de Jesus ser chamado Deus, não
significa que Ele, de fato, seja Deus.
Mas há mais uma maneira de não levar a sério as afirmações bíblicas a respeito da
divindade de Jesus. Os escritores do Novo Testamento teriam idealizado (a pessoa de)
Jesus. Em seu entusiasmo, eles O teriam designado como Deus. Por isso, os teólogos têm
que ‘descobrir’ o verdadeiro Jesus histórico nas histórias exageradas da Bíblia. O resultado
de tudo isso foi que cada teólogo inventou seu Jesus próprio (o revolucionário, o Amigo
dos pobres, o grande Liberal etc.). Há muitas imagens de Jesus.

04. Provas da divindade de Cristo.


37

a) O artigo 10 não alista textos bíblicos que mostrem a divindade de Cristo. Certamente há
tais textos e eles têm seu valor, como Isaías 9:6; João 20:28; Romanos 9:5; Colossenses
2:9. Observamos que o artigo 10, ao final do primeiro parágrafo, se refere a Hebreus 1:3.
b) No que diz respeito às provas, o artigo 10 usa uma outra maneira: mostra a relação entre
as palavras de Moisés (Gênesis 1:1), de João, que Jesus participou da obra divina da criação
e que já existia, sim, que existia desde a eternidade (veja o próprio artigo). Chamamos esta
maneira de “conferir a Escritura com a Escritura”.

Pontos e perguntas para pensar:


01. Para indicar a relação entre Deus Pai e Deus Filho, o artigo 10 cita Hebreus 1:3ª.
Que figuras (duas) são usadas neste texto e o que querem dizer?
02. Jesus é o único (unigênito) Filho de Deus; mas também “o primogênito entre
muitos irmãos” (Romanos 8:29). Este último nome não coloca Jesus no nosso nível? Ou
será que “primogênito” indica somente a posição jurídica dEle (Salmo 89:27)?

ARTIGO 11
38

O ESPÌRITO SANTO È DEUS

Cremos e confessamos, também, que o Espírito Santo procede do Pai e do Filho, desde a
eternidade. Ele não foi feito, nem criando, nem gerado, mas procede de ambos1.
Na ordem, Ele é a terceira Pessoa da Trindade, de igual substância, majestade e glória
do Pai e do Filho, verdadeiro e eterno Deus, como nos ensinam as Sagradas Escrituras2.

01. O assunto do artigo 11.


a) O Espírito Santo “não foi feito, nem criado”. Ele nem mesmo foi gerado, como o artigo
10 disse a respeito do Filho. Somente podemos dizer: o Espírito “procede do Pai e do Filho,
desde a eternidade”.
b) Pelo fato de que o Espírito Santo “procede de ambos”, Ele é, nesta ordem, a terceira
Pessoa da Trindade. Ao mesmo tempo, porém, Ele é “de igual substância, majestade e
glória do Pai e do Filho”. Por isso, Ele é, de fato, verdadeiro e eterno Deus. Assim nos
ensinam as Escrituras.

02. O Espírito Santo é Deus.


a) Desde o início, a igreja cristã tem confessado a divindade do Espírito Santo, como
mostra a fórmula do batismo, usada pela igreja (Mateus 28:19), em que o Espírito Santo é
considerado totalmente igual ao Pai e Filho.
b) Por outro lado, a igreja, nos primeiros séculos, manifestou uma certa indecisão em seu
falar do Espírito Santo. Mas isso não surpreende ao conscientizarmo-nos dos seguintes
pontos:
(1) É mais fácil imaginar e entender o que é um pai ou um filho do que imaginar e
entender o que é um espírito. Além disto, a palavra grega para indicar espírito (pneuma)
também significa respiração (fôlego) e vento.
(2) O Espírito Santo é chamado de “dom” (Atos 2:38) ou de “poder” (Lucas 1:35), ou
de fogo que não pode ser “apagado” (1Tssalonicenses 5:19). Por causa destas
características foi difícil considerar o Espírito uma Pessoa (um alguém).
Então, a divindade do Espírito era confessada, mas não havia uma total clareza sobre a
Pessoa dEle. Precisava-se de tempo para alcançar essa clareza.
c) No século IV, o combate às heresias levou a igreja a um entendimento melhor a respeito
do Espírito Santo. Lembramo-nos de que Ário negou a divindade do Filho (veja o
comentário do artigo 10, 03b, pág. 35). Ele não falou nada sobre o Espírito Santo. Mas os
alunos dele se mostraram conseqüentes: negaram também a divindade do Espírito. A igreja
rejeitou esta nova heresia no concílio de Constantinopla, no ano de 381.
d) A Escritura ensina claramente que o Espírito Santo é Deus:
(1) O apóstolo Pedro afirma que mentir ao Espírito Santo é mentir a Deus (Atos 5:3,4).
(2) Nosso corpo é santuário do Espírito Santo (1 Coríntios 6:19); só Deus habita num
santuário.
(3) Nas ‘palavras’ do batismo, o Espírito Santo está ao lado do Pai e do Filho (Mateus
28:19).
1
João 14:15-26; João 15:26; Romanos 8:9.
2
Gênesis 1:2; Mateus 28:19; Atos 5:3,4; 1 Coríntios 2:10; 1 Coríntios 6:11; 1 João 5:6.
39

(4) O pecado contra o Espírito Santo não será perdoado (Mateus 12:31). Por isso, Ele
deve ser Deus.
e) O Espírito Santo é mais do que um dom ou poder impessoal. Ele é uma pessoa viva, um
alguém. Pois, podemos até entristecê-Lo (Efésios 4:30).

03. O Espírito Santo procede do Pai e do Filho.


a) O Espírito procede do Pai, embora não saibamos exatamente de que maneira Ele procede
do Pai. Mas, sobre o Filho, a igreja diz quase a mesma coisa: Ele foi gerado pelo Pai, desde
a eternidade.
Então, tanto o Filho como o Espírito, de um certo modo, procedem do Pai. Contudo,
Eles não estão na mesma relação com o Pai. Por isso, a igreja escolheu duas expressões
diferentes: o Filho é gerado pelo Pai, mas o Espírito procede do Pai. O artigo 11 enfatiza
que o Espírito não foi gerado.
Não sabemos exatamente a diferença entre “gerado pelo Pai” e “proceder do Pai”. Deus,
para nós, é incompreensível. Mas a Escritura claramente ensina que há diferença. Por isso,
devemos usar duas expressões diferentes. Ao mesmo tempo reconhecemos que não somos
capazes de entender e explicar a diferença. O máximo que podemos dizer é que a expressão
“gerado pelo Pai” combina bem com o nome “Filho” e que a expressão “proceder do Pai”
combina bem com o nome “Espírito”, que significa “respiração/sopro” (veja também Salmo
13:6).
b) Mas o Espírito Santo não somente procede do Pai, mas também do Filho. Ele é chamado
“o Espírito do Pai” (Mateus 10:20), como também “o Espírito do Filho” (Gálatas 4:6).
Numa só frase, Jesus diz que o Espírito procede do Pai e que o Filho enviará o Espírito.
Assim fica claro que o Espírito procede também do Filho (João 15:26).
c) Por que é tão importante confessarmos que o Espírito procede também do Filho? A
história da igreja Oriental mostra esta importância. Uma das características da Igreja
Oriental é que ela crê que o Espírito procede do Pai, mas não do Filho. Ela ‘coloca’ o Filho
e o Espírito um ao lado do outro, mas de tal maneira que os dois ficam subordinados ao
Pai. Assim o Filho e o Espírito não estão diretamente relacionados um com o outro, pois
Eles procedem cada um por si, do Pai.
Esta opinião tinha e tem sérias conseqüências. Porque, assim, o homem tem dois
caminhos para chegar a Deus: o caminho do Filho e, separadamente, o do Espírito. O Filho
mos leva ao Pai através da pregação. Mas o Espírito nos leva ao Pai, operando diretamente
no coração; o sentimento, portanto, é a essência da religião. E, no fundo, o caminho do
Espírito foi considerado o mais bonito pela Igreja Oriental. A pregação ficou desvalorizada;
uma boa confissão (em conformidade com as Escrituras) não foi considerada importante.
Importante mesmo era o sentimento piedoso no coração.
d) Não acreditamos em dois caminhos separados que levam ao Pai. Há um só: o caminho
da verdadeira pregação, que se realiza pelo poder do Espírito e que trata de Cristo e seus
benefícios. Ao ser anunciada a Palavra, o Espírito está atuando, mas é de Cristo que Ele
recebe tudo (João 16:14,15).
e) Este ponto de divergência é indicado pela expressão latina “filioque”, que quer dizer:
também do Filho (o Espírito procede do Pai e também do Filho). A Igreja Oriental negou a
verdade do “filioque” e, por esta causa, houve uma separação (divisão) entre a Igreja
Oriental e a Igreja Ocidental que até hoje existe.
40

04. O Espírito Santo é a terceira Pessoa.


Uma terceira Pessoa nos faz pensar em alguém que vem depois de ma primeira e uma
segunda pessoas. Um terceiro, então, é o último ou o mais novo. O artigo 11 exclui
qualquer pensamento deste tipo, afirmando que o Espírito é “de igual substância, majestade
e glória do Pai e do Filho”.
O Espírito é a terceira Pessoa, não porque procede do ambos.

05. O Espírito Santo e os pentecostais.


a) Os pentecostais dão muita ênfase aos dons do Espírito, porém, principalmente no dom de
línguas, as revelações especiais (Testemunhos) e as curas milagrosas. Eles dizem que havia
estes dons não somente no dia de Pentecoste, mas também depois de Pentecoste e que,
portanto, deve haver estes dons na igreja viva de hoje. A igreja tem que abrir-se para as
manifestações espetaculares do Espírito, a não ser que ela queira ‘congelar’.
b) É claro que podemos falar muito sobre o ponto de vista pentecostal. Trata-se de um
assunto muito amplo. Mas, neste comentário, limitamo-nos a duas observações:
(1) O apóstolo Paulo escreveu àqueles que deram muita ênfase ao dom de línguas:
“prefiro falar na igreja cinco palavras com o meu entendimento, para instruir outros, a
falar dez mil palavras em outra língua” (1 Coríntios 14:19). E quando ele ‘alista’, em
Gálatas 5:22, os frutos do Espírito, não encontramos nenhuma manifestação espetacular
de que os pentecostais tanto falam.
(2) Mais importante é que Jesus não enviou seus discípulos para ensinar os homens a
falar em línguas ou fazer curas, mas para “ensiná-los a guardar todas as cousas que vos
tenho ordenado” (Mateus 28:20). Os discípulos têm o dever de divulgar, sem restrições,
o ensino que receberam de Jesus. A tarefa mais importante da igreja é a pregação do
Evangelho.

06. O pecado contra o Espírito Santo.


a) A Escritura fala, mais de uma vez, sobre pecado imperdoável (Mateus 12:31,32; Hebreus
6:4-6; 1 João 5:16). Jesus chama este pecado de “a blasfêmia contra o Espírito”.
b) Este pecado pode ser cometido somente por aquele que perfeitamente entendem o
Evangelho, mas o rejeitam, de maneira consciente.
c) Jesus faz distinção entre o pecado contra o Filho e o contra o Espírito (Mateus 12:31-32).
O primeiro será perdoado, mas o último não. O motivo não é que o Espírito seja mais
importante do que o Filho. Jesus quer dizer: enquanto Eu, como homem humilhado, estou
na terra, minha glória ainda está ‘escondida’. Quem, neste momento, me rejeita (= comete o
pecado contra o Filho), ainda não está perdido. Mas, depois, o Espírito será derramado e
Ele “vos guiará a toda a verdade” (João 16:13). Quem, então, ainda resistir e
conscientemente rejeitar o Evangelho (= cometer o pecado contra o Espírito), não será
perdoado.
d) Talvez não possamos nunca acusar alguém deste pecado. Por que, então, precisamos
saber que este pecado é possível? Porque, desta maneira, somos advertidos para não resistir
teimosamente contra o Evangelho. Pois assim podemos ultrapassar o limite, sem
possibilidade de voltar. Conversão não pode ser adiada; adiamento é muito perigoso.
41

Pontos e perguntas para pensar:


01. “Pois o Espírito até nesse momento não fora dado, porque Jesus não havia sido
glorificado ainda” (João 7:39). Como você entende este versículo?
02. O Espírito Santo, na época do Antigo Testamento, atuou também entre os homens?
03. O Espírito Santo atua também fora da igreja?

ARTIGO 12

A CRIAÇÃO DO MUNDO; OS ANJOS


42

Cremos que o Pai, por seu verbo –quer dizer: por seu Filho-, criou, do nada, o céu, a terra e
todas as criaturas, quando bem Lhe aprouve1. A cada criatura Ele deu sua própria natureza e
forma e sua própria função para servir ao seu Criador. Também, Ele ainda hoje sustenta
todas essas criaturas e as governa segundo sua eterna providência e por seu infinito poder,
para elas servirem ao homem, a fim de que o homem sirva a seu Deus.
Ele também criou bons os anjos para serem seus mensageiros e servirem aos eleitos2.
Alguns deles caíram na eterna perdição3, da posição excelente em que Deus os tinha criado,
mas os outros, pela graça de Deus, perseveraram e continuaram em sua primeira posição.
Os demônios e os espíritos malignos são tão corrompidos que são inimigos de Deus e de
todo o bem4. Como assassinos, com toda a sua força, estão à espreita da igreja e de cada uns
de seus membros, para demolir e destruir tudo com sua astúcia5. Por isso, por causa de sua
própria malícia, estão condenados à maldição eterna e aguardam, a cada dia, seus tormentos
terríveis6.
Neste ponto, rejeitamos e detestamos o erro dos saduceus que negam a existência de
espíritos e de anjos7; também o erro dos maniqueus que dizem que os demônios têm sua
origem em si mesmo e são maus por natureza; eles negam que os demônios se
corromperam.

01. O assunto do artigo 12.


a) O Pai, quando Ele mesmo o quis, criou, do nada, tudo o que existe. Ele criou falando;
portanto, criou tudo por seu Verbo. Podemos dizer também: por seu Filho (porque o Verbo
é o Filho).
b) “A cada criatura Ele deu sua própria natureza e forma e sua própria função para servir ao
seu Criador”.
Deus, também, ainda sustenta tudo, de maneira cuidadosa, por seu poder infinito. Isto
Ele faz em favor do homem, mas o objetivo é que o homem O sirva.
c) Deus também criou bons os anjos. Eles deviam ser os mensageiros dEle para servir aos
eleitos. Alguns dos anjos perderam sua posição excelente e definitivamente pereceram. Os
outros, pela graça de Deus, perseveraram na sua posição do início.
Os demônios (anjos caídos) são “tão corrompidos que são inimigos de Deus” e, por isso,
de todo o bem. “Como assassinos, com toda a sua força, estão à espreita da igreja e de cada
um de seus membros”. O objetivo deles é destruir tudo. “Por isso, por causa de sua própria
malícia, estão condenados à maldição eterna e aguardam, a cada dia, seus tormentos
terríveis”.
d) Rejeitamos o erro dos saduceus que negam a existência de anjos; e também o erro dos
maniqueus que dizem que os demônios sempre foram maus e não se tornaram maus.

1
Gênesis 1:1; Gênesis 2:3; Isaías 40:26; Jeremias 32:17; Colossenses 1:15,16; 1 Timóteo 4:3; Hebreus 11:3;
Apocalipse 4:11.
2
Salmo 103:20,21; Mateus 4:11; Hebreus 1:14.
3
João 8:44; 2 Pedro 2:4; Judas :6.
4
Gênesis 3:1-5; 1 Pedro 5:8.
5
Efésios 6:12; Apocalipse 12:4, 13-17; Apocalipse 20:7-9.
6
Mateus 8:29; Mateus 25:41; Apocalipse 20:10.
7
Atos 23:8.
43

02. De que maneira a criação se realizou.


a) Deus criou, do nada, tudo o que existe. Sobre esta verdade não houve divergência com os
católico-romanos (na época em que a Confissão foi elaborada). Mais tarde, principalmente
no século XIX, o assunto deste artigo ficou mais polêmico, quando as teorias da evolução
foram inventadas. Estas teorias se baseiam na idéia de que a vida evoluiu de uma célula
primitiva e que formas complicadas evoluíram de formas simples. Desta maneira, o homem
se teria originado de matéria orgânica morta.
b) A Bíblia não diz literalmente que Deus criou tudo “do nada”. Porém, objetivamente não
há dúvida sobre este ponto. “Pois ele falou, e tudo se fez; ele ordenou, e tudo passou a
existir” (Salmo 33:9; veja também Salmo 148:5; Isaías 48:13 e, principalmente, Gênesis
1:3,6,9,11,14,20). À luz destes textos, o verbo “criar” de Gênesis 1 realmente tem o sentido
de ‘fazer do nada’. Aliás, o verbo “criar” se usa exclusivamente com referência a Deus.

03. Por quem a criação se realizou.


O Pai criou tudo “por seu Verbo –quer dizer: por seu Filho-“. Então, o Verbo é o Filho de
Deus. O artigo 12 claramente diz que o Verbo é aquele Verbo pelo qual Deus criou, do
nada, o céu, a terra e todas as criaturas. Ou seja: trata-se de todas as ‘ordens’ de criação que
encontramos em Gênesis 1, ordens como “haja luz” etc.
Poderíamos pensar que essas palavras e ordens já desapareceram e que a então voz de
Deus (a voz ‘criativa’) já ‘morreu’, como acontece com as nossas palavras.
Mas confessa-se, neste artigo, com base na Escritura, que todas essas palavras de Deus
são o eterno Verbo. Este Verbo jamais perde poder e continua valendo e existindo. É o
Verbo divino, ou seja: o Verbo é Deus (o Filho de Deus). Por isso, este artigo diz que Deus
fez o mundo “por seu Verbo, quer dizer: por seu Filho”. Há uma forte relação entre o falar
de Deus na criação e o Filho dEle, tão forte que a igreja confessa: aquele Verbo é o Filho
dEle. Isto significa: o Filho executou esse Verbo e ainda o executa, porque “sustenta todas
as cousas pela palavra do seu poder” (Hebreus 1:3). O Filho se identificou para sempre com
o Verbo. Por isso, Ele é o Verbo, pessoalmente. “Todas as cousas foram feitas por
intermédio dele” (João 1:3).
É por tudo isso que João 1:1 diz: “no princípio (quando foram criados o céu e a terra)
era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus”.

04. Quando e por que a criação se realizou.


a) O Pai criou tudo “quando bem Lhe aprouve”. Pessoas curiosas sempre perguntam: por
que Deus não fez tudo mais cedo ou mais tarde? Para esse tipo de perguntas há uma só
resposta: Deus fez tudo quando Ele mesmo o quis. Conforme uma anedota que Agostinho
já conhecia, um zombador, que perguntou o que Deus fazia antes de fazer o mundo,
recebeu a respostas: Ele criou o inferno para pessoas curiosas.
b) Este artigo também responde a perguntas como: por que Deus fez o mundo? Por que Ele
o fez de maneira que fez? Por que não fez mais de um? Deus criou o mundo porque foi a
vontade dEle (conf. Apocalipse 4:11: “Tu és digno, Senhor e Deus nosso, de receber a
glória, a honra e o poder, porque todas as cousas tu criaste, sim, por causa de tua vontade
vieram a existir e foram criadas”).
Rejeitamos qualquer especulação a respeito de outros motivos de Deus (como se Ele
fizesse o mundo para receber mais glória, ou para ‘vencer’ a solidão etc.).
44

05. A função das criaturas.


a) louvar Deus é a tarefa de todas as criaturas. O artigo 12 fala de “servir”, mas a melhor
maneira de servir a Deus é louvá-Lo. Salmo 148 exorta as várias criaturas a louvar o
SENHOR: anjos, sol, lua, estrelas, céu, nuvens, monstros marinhos, abismo fogo, saraiva,
neve, vapor, ventos, procelosos, montes, Arvores, animais, homens (de tosas as posições e
idades). É uma só exortação para todos eles!
É claro que todos eles têm sua própria maneira de louvar. Este artigo confessa que Deus
deu a cada criatura sua natureza e forma para servir a seu Criador.
b) O homem tem uma posição especial entre as criaturas. O artigo 12 até diz que Deus
governa todas as criaturas “para elas servirem ao homem”. A criação é como uma bela casa
espaçosa, mobiliada de maneira abundante (como disse Calvino). Esta casa foi preparada
por Deus para o homem. Tudo foi feito para que o homem se sentisse feliz. Todas as
criaturas devem servir ao homem (de uma ou outra maneira). Até hoje, Deus “serve ao
homem” por meio dessa criação formosa, que Ele sustenta e governa. Mas o objetivo é que
“o homem sirva a seu Deus”.

06. A posição dos anjos na criação.


a) A Escritura não satisfaz nossa curiosidade a respeito dos anjos. Como sempre, Deus
revela também sobre os anjos somente aquilo que nos é necessário; no caso, aquilo que é
necessário para fortalecer-nos e advertir-nos.
b) (1) Precisamos saber que parte dos anjos se revoltou contra Deus. Não sabemos
como esta revolta de anjos pôde acontecer (eles ainda não tinham pecados). Os
maniqueus disseram que o sabiam, afirmando que os demônios sempre foram maus.
E, de fato, é difícil imaginar que os demônios (‘outrora’) eram bons anjos que
serviam e louvavam a Deus. Mas a Escritura deixa bem claro que houve uma
revolta, ela fala sobre “anjos que pecaram” (2 Pedro 2:4). E sobre “anjos que não
guardaram o seu estado original, mas abandonaram o seu próprio domicílio”
(Judas :6). O artigo 12 diz que eles “caíram na eterna perdição, da posição excelente
em que Deus os tinha criado”.
(2) Os outros anjos, “pela graça de Deus, perseveraram a continuarem em sua
primeira posição”. Embora eles fossem totalmente responsáveis pela escolha pró ou
contra Deus, foi a graça de Deus que os fez perseverar. Então, por que perseverou
um e outro não? Por causa da eleição da parte de Deus. O apóstolo Paulo, na
verdade, fala sobre “os anjos eleitos” (1 Timóteo 5:22).
c) Para sermos fortalecidos, a Bíblia nos diz que os bons anjos são mensageiros de
Deus e que, nesta função, servem aos verdadeiros fiéis. Quer dizer: também estas
criaturas “servem” ao homem (veja 05.b). “Não são todos eles espíritos
ministradores enviados para serviço, a favor dos que hão de herdar a salvação?”
(Hebreus 1:14; veja também Salmo 91:11).
A Bíblia não informa sobre o modo de os anjos nos servirem. Mas temos a
certeza de que realmente nos ajudam. “Os que estão conosco são mais do que estão
com eles” (2 Reis 6:16).
d) Somos advertidos, com ênfase, sobre maus anjos. Veja o próprio artigo 12!
45

Pontos e perguntas para pensar:


01. Você acha que a maneira de Gênesis 1 falar sobre os seis dias (da criação)
favorece a opinião de que se trata de períodos mais longos? Por que se defende esta
opinião?
02. Gênesis 2:7 diz que Deus “formou ao homem do pó da terra “. Mas Gênesis
1:27 diz (até três vezes) que Ele criou o homem (= fez do nada). Estes dois textos,
então, não se contradizem um ao outro?
03. Você acha que cada crente tem seu próprio anjo da guarda (Salmo 91:11;
Mateus 18:10)?

ARTIGO 13

A PROVIDÊNCIA DE DEUS.
46

Cremos que o bom Deus, depois de ter criado todas as coisas, não as abandonou, nem as
entregou ao acaso ou à sorte1, mas que as dirige e governa conforme sua santa vontade, de
tal maneira que neste mundo nada acontece sem sua determinação2. Contudo, Deus não é o
autor , nem tem culpa do pecado que se comete3. Pois seu poder e bondade são tão grandes
e incompreensíveis, que Ele ordena e faz sua obra muita bem e com justiça, mesmo que os
demônios e os ímpios ajam injustamente4. E as obras dEle que ultrapassam o entendimento
humano, não queremos investigá-las curiosamente, além da nossa capacidade de entender.
Mas, adoramos humildes e piedosamente a Deus em seus justos julgamentos, que nos estão
escondidos5. Contentamo-nos em ser discípulos de Cristo, a fim de que aprendamos
somente o que Ele nos ensina na sua Palavra, sem ultrapassar estes limites6.
Este ensino nos traz um inexprimível consolo, quando aprendemos dele, que nada nos
acontece por acaso, mas pela determinação de nosso bondoso Pai celestial. Ele nos protege
com um cuidado paternal, dominando todas as criaturas de tal modo que nenhum cabelo –
pois estes estão todos contados- e nenhum pardal cairão em terra sem o consentimento de
nosso Pai (Mateus 10:29,30). Confiamos nisto, pois sabemos que Ele reprime os demônios
e todos os nossos inimigos, e que eles, sem sua permissão, não nos podem prejudicar7.
Por isso rejeitamos o detestável erro dos epicureus, que dizem que Deus não se importa
com nada e entrega tudo ao acaso.

01. O assunto do artigo 13.


No artigo 13, a igreja confessa que este mundo, em que demônios e ímpios estão agindo, é
governado por nosso bom Deus.
a) Deus não fez o mundo para, em seguida, abandoná-lo. Ele continha dirigindo todas as
coisas. Por isso, “nada acontece sem a determinação de Deus”.
b) Como Ele dirige tudo e faz acontecer tudo, assim tudo é bom e justo, “mesmo que os
demônios e os ímpios ajam injustamente”. Tão grandes e incompreensíveis são o poder e a
bondade dEle.
c) Não queremos, portanto, investigar as obras de Deus que ultrapassam nosso
entendimento. “Adoramos humilde e piedosamente a Deus em seus justos julgamentos, que
nos estão escondidos”. Somos discípulos de Cristo. O que Ele nos ensina na sua Palavra é o
suficiente e, ao mesmo tempo, o limite do nosso conhecimento.
d) “Este ensino nos traz um inexprimível consolo”. Porque assim entendemos que nada
acontece por acaso. Deus nos protege como nosso Pai celestial. Por isso, sabemos que os
demônios e todos os nossos inimigos não nos posem prejudicar sem a vontade e a
permissão de Deus.
e) “ Por isso rejeitamos o detestável erro dos epicureus, que dizem que Deus não se importa
com nada e entrega tudo ao acaso”. Eles são os adeptos do filosofo grego Epícuro (300 a.
C. ) que ensinou que os deuses não se preocupam com a vida terrestre. ,

1
João 5:17; Hebreus 1:3.
2
Salmo 115:3; Provérbios 16:1, 9,33; Provérbios 21:1; Efésios 1:11; Tiago 4:13-15.
3
Tiago 1:13; 1 João 2:16.
4
Jó 1:21; Isaías 10:5; Isaías 45:7; Amós 3:6; Atos 2:23; Atos 4:27,28.
5
1 Reis 22:19-23; Romanos 1:28; 2 Tessalonicenses 2:11.
6
Deuteronômio 29:29; ! Coríntios 4:6.
7
Gênesis 45:8; Gênesis 50:20; 2 Samuel 16:10; Romanos 8:28,38,39.
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02. Que quer dizer a providência de Deus?


a) O título do artigo 13 é “a providência de Deus”, mas não encontramos a palavra
“providência” neste artigo. Mas, no artigo 12, a igreja confessa que Deus governa todas as
criaturas “segundo sua eterna providência”. Porém, o artigo 12 não aborda este assunto
importante; o artigo 13, sim, trata da providência de Deus e diz (em resumo) que a
providência é que Deus “dirige e governa todas as coisas conforme sua santa vontade, de tal
maneira que neste mundo nada acontece sem sua determinação”.
b) Nada acontece sem Deus saber. Em todos os atos de homens ou anjos, a mão de Deus
está agindo, de uma ou de outra maneira. Deus, conforme diz o artigo, “não abandonou
todas as coisas, nem as entregou ao acaso ou à sorte”.
Jesus diz que pardais são baratíssimos: “dois por um asse”. Mas tal passarinho não cai
em terra sem o consentimento de Deus. “Até os cabelos todos da cabeça estão contados”
(Mateus 10:29,30). Quer dizer: a providência de Deus se manifesta até nas coisas pequenas.

03. A providência de Deus e o mal neste mundo.


a) No que diz respeito ao mal que nos possa acontecer, podemos pensar em adversidades e
prejuízos de que não podemos acusar ninguém (fome, doença, solidão etc.) . Porém, a
Escritura diz que “nenhum mal sucede à cidade, sem que o SENHOR o tenha feito” (Amós
3:6).
b) Mas o artigo 13 trata principalmente da inimizade contra Deus e contra a igreja dEle,
porque fala sobre “o pecado que se comente”, sobre “os demônios e os ímpios que agem
injustamente” e sobre “os demônios e todos os nossos inimigos”. O mal, portanto, é
principalmente a inimizade que os fiéis enfrentam por parte do mundo e do diabo.
c) Este mal da inimizade, porém, não acontece sem o ‘controle’ de Deus, como a Bíblia nos
mostra:
-Pedro repreende os judeus por terem crucificado Jesus. Mas ele acrescenta que este crime
se realizou “pelo determinado desígnio e presciência de Deus” (Atos 2:23).
-Um tal Simei amaldiçoou terrivelmente Davi. Ele o fez por inimizade contra Davi. Mas
este mesmo disse: “Ora deixai-o amaldiçoar; pois se o SENHOR lhe disse: Amaldiçoa a
Davi, quem diria: por que assim fizeste?” (2 Samuel 16:9-12).
-O rei Roboão, um mau governador, causou a separação entre as tribos de Israel. Foi a
culpa dele mesmo, mas aconteceu porque Deus o queria (1 Reis 12:15).
-Os egípcios começaram a odiar os israelitas que estavam morando no Egito. Foi a maldade
deles. Mas Salmo 105:25 diz que Deus “mudou-lhes o coração para que odiassem o seu
povo”.
-A igreja de Jerusalém, ameaçada e perseguida, confessou perante o Senhor que os
inimigos dela se ajuntaram “para fazerem o que a tua mão e o teu propósito
predeterminaram” (Atos 4:28).
d) Da totalidade da Escritura fica claro que a providência de Deus se cristaliza até nos
piores crimes. Por isso surge a pergunta: quem afinal de contas, é responsável por todas
essas coisas más?

04. A providência de Deus não causa o pecado.


a) o artigo 13 diz que Deus dirige tudo “conforme sua santa vontade” e que “nada acontece
sem sua determinação”.
Quer dizer: Deus seria capaz de evitar o pecado e de impedir todos os maus atos. Mas
Ele não o faz! Ele deixa acontecer o mal. Então, Deus não é responsável pelo pecado? No
48

nosso entender parece a única conclusão possível. Mas o artigo 13 diz: “contudo, Deus não
é o autor, nem tem culpa do pecado que se comete”.
b) Mas como é possível que Deus ‘dirija’ também os atos pecaminosos, sem ser
responsável por estes? Não somos capazes de entender isso; os juízos de Deus são
insondáveis (Romanos 11:33). Nosso entendimento , neste ponto, alcança seus limites. Mas
a nossa fé aceita o que a Bíblia diz. E ela diz que Deus “ordena e faz sua obra muito bem e
com justiça”, mesmo quando Ele permite que os demônios e os ímpios ajam injustamente.
Mas de que maneira a Escritura explica que Deus permite o pecado, sem ser responsável
pelo pecado? Quando um homem pode impedir um homicídio, mas não o impede, ele é co-
responsável pelo crime. Mas pode permitir que um homicídio aconteça, sem ser
responsável? Como é possível? O artigo 13 responde: tão grandes são o poder e a bondade
de Deus. Por seu poder Deus permite o pecado que Ele odeia, enquanto Ele, por sua
bondade, de maneira alguma tem culpa.
Pela fé dizemos, ao mesmo tempo, duas coisas: Deus odeia homicídio, adultério, tortura,
roubo e, por sua bondade, Ele detesta todos os pecados. Mas Ele também tem o
incompreensível poder de permitir que o mal aconteça, sem que o ódio dEle contra o
pecado diminua. A bondade de Deus não traz limites ao poder dEle, assim como o poder
dEle não ‘prejudica’ a bondade dEle.
Mais não podemos nem devemos dizer. A maneira de a bondade e o poder de Deus
cooperarem ultrapassa nosso entendimento. Por isso, o artigo 13 diz que tanto o poder
como a bondade dEle “são incompreensíveis”.

05. Nossa atitude para com a providência de Deus.


a) Não podemos entender que nosso bom Deus deixe acontecer coisas más. O artigo 13,
neste ponto, fala de maneira muito cuidadosa e, repetidas vezes, diz que muitas obras de
Deus “ultrapassam o entendimento humano”. O artigo não tenta explicar esta realidade.
Muitas pessoas tentam explicá-la assim: aos doentes se diz que a miséria deles não vem da
mão de Deus e que Deus não tem nada a ver com a doença deles. Assim coloca-se a
bondade de Deus contra o poder dEle (veja 04). Porém, nós, conforme diz o artigo,
“contentamo-nos em ser discípulos de Cristo, a fim de que aprendamos somente o que Ele
nos ensina na sua Palavra, sem ultrapassar estes limites”.
b) Mas também não podemos ‘exagerar’, no sentido de passivamente dizer, quanto à
providência de Deus: ‘aconteça o que acontecer’. Pois, o artigo 13 também diz: “Mas,
adoramos humilde e piedosamente a Deus em seus justos julgamentos que nos estão
escondidos”. Ou seja: mesmo que nem sempre entendamos a obra de Deus, nós a
adoramos pela fé e confessamos que sempre se trata de justos julgamentos. Isto implica em
sempre falarmos positivamente sobre a obra de Deus; como Jó que falou: “o SENHOR o
deu, e o SENHOR o tomou; bendito seja o nome do SENHOR!” (Jó 1:21).

06. O consolo da providência de Deus.


a) Quase a metade do artigo 13 (o segundo parágrafo) fala do “inexprimível consolo” da
doutrina da providência de Deus. Quer dizer: não se trata, aqui, do problema da
providência, mas do consolo. Sempre podemos confiar, de todo o coração, no nosso
poderoso e bom Pai celestial, até nas situações mais difíceis. A mão de Deus está presente
em tudo, ainda que tudo seja muito confuso. Ele faz com que tudo sirva para o nosso bem
(Romanos 8:28; Gênesis 45:8). O que nós consideramos “desvantagem, Deus muda em
vantagem”.
49

b) Não se trata de um ‘papo furado’(!). A igreja confessou tudo isso em épocas difíceis
(perseguições!). Precisamos aprender a crer no consolo de que o artigo 13 fala. Por isso,
confessa-se: “Este ensino nos traz um inexprimível consolo, quando aprendemos dele, que
nada nos acontece por acaso, mas pela determinação de nosso bondoso Pai celestial”.

Pontos e perguntas para pensar:


01. Você acha que 2 Samuel 24:1 e 1 Crônicas 21:1 se contradizem um ao outro?
02. Confira como Jesus fala das nossas preocupações (Mateus 6:25-34):
- Será que adianta andar preocupado (v. 27)?
- Por que Jesus fala de pássaros e lírios (vv. 26,28)?
- Por que não precisamos nos preocupar com o dia de amanhã (v. 34)?
03. Ter um seguro ou deixar vacinar-se não contradiz a fé na providência de Deus?

ARTIGO 14
50

A CRIAÇÃO DO HOMEM: SUA QUEDA E SUA INCAPACIDADE DE FAZER O


BEM.

Cremos que Deus criou homem do pó da terra1, e o fez e formou conforme sua imagem e
semelhança: bom, justo e santo2, capaz de concordar, em tudo, com a vontade de Deus.
Mas, quando o homem estava naquela posição excelente, ele não a valorizou e não a
reconheceu. Dando ouvidos às palavras do diabo, submeteu-se por livre vontade ao pecado
e assim à morte e à maldição 3. Pois transgrediu o mandamento da vida, que tinha recebido
e, pelo pecado, separou-se de Deus, que era sua verdadeira vida. Assim ele corrompeu toda
a sua natureza e mereceu a morte corporal e espiritual4.
Tornando-se ímpio, perverso e corrupto em todas as suas práticas, ele perdeu todos os
dons excelentes5, que tinha recebido de Deus. Nada lhe sobrou destes dons, senão pequenos
traços, que são suficientes para deixar o homem sem desculpa6. Pois toda a luz em nós se
tornou em trevas7 como nos ensina as Escrituras: “A luz resplandece nas trevas, e as trevas
não prevaleceram contra ela” (João 1:5). Aqui o apóstolo João chama os homens “trevas”.
Por isso, rejeitamos todo o ensino contrário, sobre o livro arbítrio do homem, porque o
homem somente é escravo do pecado e “não pode receber coisa alguma se do céu não lhe
for dada” (João 3:27). Pois quem se gloriará de fazer alguma coisa boa pela própria força,
se Cristo diz: “Ninguém pode vir a mim se o Pai que me enviou não o trouxer” (João 6:44)?
Quem falará sobre sua própria vontade sabendo que “o pendor da carne é inimizade contra
Deus” (Romanos 8:7)? Quem ousará vangloriar-se sobre seu próprio conhecimento,
reconhecendo que “o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus” (1 Coríntios
2:14)? Em resumo: quem apresentará um pensamento sequer, admitindo que não somos
“capazes de pensar alguma coisa como se partisse de nós”, mas que “a nossa suficiência
vem de Deus” (2Coríntios 3:5)?
Por isso, devemos insistir nesta palavra do apóstolo: “Deus é quem efetua em vós tanto
o querer como o realizar, segundo a sua vontade” (Filipenses 2:13). Pois somente o
entendimento ou a vontade que Cristo opera no homem, está em conformidade com o
entendimento e vontade de Deus, como Ele ensina: “Sem mim nada podeis fazer” (João
15:5).

01. O assunto do artigo 14.


Este artigo destaca a confissão a respeito da absoluta incapacidade e da natureza
corrompida do homem.
a) Deus criou o homem do pó da terra, mas o fez tão excelente que a vontade dele e a de
Deus perfeitamente podiam concordar uma com a outra.
b) Porém ao invés de conscientizar-se da sua posição, o homem prestou atenção às palavras
do diabo. Assim, ele se submeteu, por livre vontade, ao pecado e, ao mesmo tempo, à

1
Gênesis 2:7; Gênesis 3:19; Eclesiastes 12:7.
2
Gênesis 1:26, 27; Efésios 4:24; Colossenses 3:10.
3
Gênesis 3:16-19; Romanos 5:12.
4
Gênesis 2:17; Efésios 2:1; 4:18.
5
Salmo 94:11; Romanos 3:10; 8:6.
6
Romanos 1:20, 21.
7
Efésios 5:8.
51

morte e à maldição. Pelo pecado ele transgrediu o mandamento que promete a vida, e
cortou a ligação com a verdadeira vida (ou seja: ele rompeu com Deus).
c) O homem se tornou tão mau que perdeu todos os dons excelentes que tinha recebido de
Deus. Restaram só alguns pequenos traços desses dons. Entretanto, estes traços são
suficientes para tirar-lhe qualquer desculpa de sua maldade. Não é à toa que o apóstolo João
caracteriza o homem como “trevas”, que não prevaleceram contra a luz que resplandece.
d) Por isso rejeitamos todo ensino em que se defende o chamado livre arbítrio do homem,
quer dizer: todo ensino que afirma que o homem, por força própria, é capaz de escolher
tanto o bem como o mal. Isto é impossível visto que o homem, agora, é escravo do pecado.
Ele é incapaz de fazer o bem, nem “pela própria força”, nem por “sua própria vontade”,
nem por “seu próprio conhecimento” nem por “um pensamento sequer” ( veja o artigo 14, a
partir de : “pois quem se gloriará de ...”).
Só quando Cristos nos renovar, nossa vontade e nosso entendimento concordarão com a
vontade e o entendimento de Deus, porque sem Cristo nada podemos fazer.

02. Nossa vontade e nosso entendimento: o que aconteceu?


a) Conforme o título, três assuntos fundamentais são abordados no artigo 14. Mas é
importante observamos que os primeiros dois assuntos servem para destacar o terceiro. O
primeiro assunto é a criação do homem, o segundo é a queda dele, mas o artigo 14 quer
tratar do terceiro: que o homem se tornou corrupto. Por força própria não fazemos o bem,
nem sequer queremos fazer o bem e nem sabemos mas o que é bom. Submetemo-nos “por
livre vontade ao pecado”.
b) Por isso verifica-se que um desastre aconteceu com nossa vontade e nosso entendimento.
Repetidas vezes encontramos, neste artigo, a palavra “vontade” (veja também palavras
como “entendimento, conhecimento, pensamento, força”). Ou seja: o artigo 14 conta, em
resumo, a história de nossa vontade e nosso entendimento. E, quanto ao homem, é uma
história bem triste.

03. Nossa vontade e nosso entendimento: como Deus nos fez?


a) O homem não tem motivo para pensar que ele, por si mesmo, é ‘alguma coisa’, porque
ele foi feito de material terrestre: “Então formou o SENHOR Deus ao homem do pó da
terra” (Gênesis 2:7). Quer dizer: por si mesmo, o homem não é mais que pó; o próprio Deus
diz a ele: “tu és pó” (Gênesis 3:19).
b) Contudo, o homem, feito de pó, recebeu uma “posição excelente”. Deus o fez e formou
conforme sua imagem e semelhança. Isto não se diz de nenhuma outra criatura, nem mesmo
dos anjos. Porém, o fato de o homem ter sido criado à imagem de Deus não significa que
ele, de uma ou de outra maneira, pode ser comparado a Deus (veja Isaías 40:25 e o artigo
1). Então, o que significa a expressão “à imagem de Deus?”.
(1) Com esta expressão se diz uma coisa importante sobre a relação do homem com
Deus. Deus fez o homem de forma familiar (íntima), como um pai vive com seu
filho. Tal convivência Deus nem tem com os anjos, que são chamados (veja o artigo
12) apenas “seus mensageiros”, enquanto nós somos filhos de Deus.
(2) A relação do homem com a criação depende dessa relação com Deus, porque
foi a seus filhos que Deus entregou o domínio sobre a criação. Ele mesmo disse:
“Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; tenha ele
domínio sobre os peixes do mar, etc.” (Gênesis 1:26).
52

c) Entendemos, portanto, que o homem, feito do pó, deve a posição excelente dele
exclusivamente ao fato de que ele foi criado à imagem de Deus. Foi em razão disso que
Deus deu ao homem todos aqueles “dons excelentes”, como (por exemplo) o corpo, a
inteligência e a vontade.
Em resumo: o homem possuía todo o necessário para, como imagem de Deus,
(1) conviver com Deus;
(2) cultivar a terra, conforme Deus mandou.
Para o homem cumprir esta tarefa dupla, Deus o fez tão “bom, justo e santo” que ele era
“capaz de concordar, em tudo, com a vontade de Deus”.

04. Nossa vontade e nosso entendimento: o que fizemos?


a) lamentavelmente, o homem “não valorizou e não reconheceu sua posição excelente” e
deu ouvidos às palavras do diabo. O artigo 14 não tenta esclarecer a queda do homem (tão
pouco como a própria Bíblia). Estamos aqui diante de um terrível mistério. Mas aconteceu:
o homem “se submeteu por livre vontade ao pecado”.
b) Quem se submete ao pecado, ao mesmo tempo se submete “à morte e à maldição”.
Porque o pecador não obedece à lei, que o artigo 14 chama de “o mandamento da vida”,
pois indica o único caminho da vida. Quem ignora esta lei, se desvia do caminho da vida e
se entrega à morte.
Podemos dizer também (veja o artigo): o pecador se separa de Deus, que justamente é
sua verdadeira vida.
Cometer pecado é sempre optar pela morte e, assim, pela maldição. Pecado, morte e
maldição pertencem uns aos outros.
Agora, quando o homem perde sua posição excelente e é atingido por este ‘trio
poderoso’ (pecado, morte, maldição), as conseqüências para a vontade e o entendimento
dele devem ser grandes e sérias.

05. Nossa vontade e nosso entendimento: o que sobrou?


a) Submetemo-nos ao pecado, a morte e a maldição e, conseqüentemente, as nossas
capacidades foram duramente ‘feridas’. O artigo 14 amplamente ‘pinta’, conforme a norma
da Escritura, o dano que o homem sofreu. Ele “corrompeu toda a sua natureza” ele
“mereceu a morte corporal e espiritual”. Ele se tornou “ímpio, perverso e corrupto em todas
as suas práticas”.
b) Nada ao homem sobrou dos dons excelentes “senão pequenos traços”. Isto não quer
dizer que o dano, afinal de tudo, não é tão grande. Não temos que pensar em porcentagens,
como se nosso entendimento tivesse ficado menor e nossa vontade mais fraca. Nosso
entendimento e nossa vontade não somente foram ‘reduzidos’ e, sim, totalmente
corrompidos.
Porém, com seu entendimento corrompido, o homem ainda é capaz de fazer muita coisa,
como também com sua vontade. A inventividade do homem ainda é muito grande, mas
serve ao pecado. A resistência dele vence muitos obstáculos, mas é usada para coisas
erradas.
c) Então, não ficamos sem vontade ou sem entendimento. Por isso, continuamos
responsáveis. Não temos desculpa de nossa maldade. Por isso, somos indesculpáveis
(Romanos 1:20).
53

06. Nossa vontade e nosso entendimento: o que esperamos?


a) O monge britânico Pelágio foi um dos primeiros que defendeu o chamado livre arbítrio
(aproximadamente a partir do ano de 400). Pelágio combateu, em Roma, a imoralidade
daquela cidade. Ele disse que cada homem se quisesse, poderia melhorar a vida. Na opinião
dele, o homem nasce sem o pecado original e tem todas as condições de seguir o exemplo
de Cristo. Foi principalmente Agostinho, contemporâneo de Pelágio, que criticou estas
idéias erradas.
A doutrina de Pelágio, de forma mais branda, penetrou em todo o sistema doutrinário da
igreja católico-romana. Fala-se, então, de semi-pelagianismo.
O ‘sonho’ (não-bíblico) do livre arbítrio (e do bom senso) foi defendido também pelo
humanista Erasmo, que foi criticado por Lutero (na época da Reforma). No século XVII,
foram os arminianos (ou: remostrantes) que defenderam o livre arbítrio. Eles foram
condenados no Sínodo de Dort (1918-19).
Em todo caso, a opinião otimista a respeito da nossa vontade e do nosso entendimento
sempre teve e ainda tem muita influência, porque ele afirma que o homem, por si mesmo,
não é tão mau e que ele tem as condições de fazer o bem.
b) O “livre arbítrio” é, como a própria palavra diz, a vontade que, por força própria, pode
escolher entre o vem e o mal, entre o cominho de Deus e o caminho do pecado.
Entretanto, para fazer a escolha, este livre e neutro arbítrio precisa de ajuda. Deve
receber uma boa orientação, através da lei e da pregação. Com a ajuda do ‘bom’ senso, o
livre arbítrio chega a conhecer o bem e o mal.
Além disto, o ‘salário’, prometido por Deus quando os mandamentos dEle foram
observados, também é uma grande ajuda para o livre arbítrio (Erasmo: assim como um pai
mostra uma maçã para fazer sua criança andar).
Uns destacam bastante esta ajuda ao livre arbítrio, outros não tanto, mas todos eles
concordam em que nosso arbítrio tem a total ‘autonomia’ de decidir-se, quer para o bem,
quer para o mal. Na opinião deles, o pecado deixou intato o livre arbítrio.
Para defender esta opinião, os adeptos do livre arbítrio muitas vezes usam exemplos de
coragem e bom senso dos não-cristãos. Não é uma boa obra quando um gentio ajuda um
pobre? Então, ele tem uma vontade e boas idéias.
c) Contra essa visão otimista a respeito da liberdade e bondade da vontade humana, o artigo
14 não coloca uma visão pessimista, nem alista os muitos crimes e delitos da história da
humanidade. O artigo simplesmente deixa a Escritura falar.
E a Escritura ensina que o homem tem dúvida, ainda tem um arbítrio (uma vontade),
mas que ele o usa somente para fazer o mal. A Escritura também mostra que nosso
entendimento, com uma curiosidade ridícula, investiga as coisas menos importantes, ms
não se interessa pelas coisas mais importantes, nosso entendimento até detesta estas coisas
mais importantes (como falou Calvino). Veja Efésios 4:17-18: “Isto, portanto, digo, e no
Senhor testifico, que não mais andeis como também andam os gentios, na vaidade dos seus
próprios pensamentos, obscurecidos de entendimento, alheios à vida de Deus por causa da
ignorância em que vivem, pela dureza dos seus corações”. Veja também os oitos textos que
o artigo 14 cita e que são bem claros.
d) É inegável que não-cristãos muitas vezes se comportam tão bem, que se tornam
exemplos até para os cristãos. A Bíblia fala sobre “gentios que não tem lei” e que, contudo,
“procedem por natureza de conformidade com a lei” (Romanos 2:14-15). Um gentio que
mata seu próximo, não procede conforme a lei; um gentio que ajuda seu próximo, procede
conforme a lei. Mas, em ambos os casos, ele não deixa de ser o gentio que quer ser
54

autônomo e que “serve de lei para si mesmo”. Por isso, tudo o que ele faz é pecado. As
palavras de Romanos 14:23 são decisivas: “e tudo o que não provém da fé é pecado”. Em
resumo: nossos atos não são bons, quando os praticamos somente conforme a lei, mas
quando os praticamos pela fé!

07. Nossa vontade e nosso entendimento: o que está em jogo?


a) Aquele que ainda espera, de sua vontade ou de seu entendimento, alguma coisa boa e
positiva, não valoriza a graça de Deus. Tal pessoa, naturalmente, precisa da ajuda de Deus,
mas com esta ajuda se salva. O humanista se contenta com o exemplo de Cristo. O católico-
romano se contenta com a graça que dá o apoio necessário ao homem de boa vontade. Mas
nenhum deles acredita que somos salvos somente pela graça. Então, eles diminuem a
importância e o valor do sacrifício de Cristo.
b) O artigo 14 não tem prazer em mostrar a situação real do homem, mas apenas repete e
resume o ensino bíblico. Desta maneira, porém, deixa aberto o caminho para a total
‘recuperação’ da nossa vontade e do nosso entendimento, somente pela graça!

Pontos e perguntas para pensar:


01. O artigo 14 fala sobre “pequenos traços” que sobraram dos nossos “dons
excelentes”. Então, podemos falar também sobre traços da imagem de Deus? Ou
será que devemos discernir os dons (ou seus traços) da imagem de Deus? Perdemos
totalmente a imagem de Deus?
02. Você acha que uma pessoa de boa inteligência e muita força de vontade é menos
vítima da queda do que uma pessoa de pouca inteligência e pouca força de vontade?
Neste ponto podemos pensar também nos débeis mentais.
03. Não é assim que o último parágrafo do artigo 14 (Filipenses 2:13!) nos deixa
sem responsabilidade nenhuma? Será que podemos escolher, ‘voluntariamente’, em
favor de Deus?
04. O artigo 14 responde á pergunta por que o homem não tem desculpa. O artigo 2
também responde a esta pergunta. O artigo 2 fala sobre a criação (‘fora do homem’).
Como os dois artigos se complementam ao outro?

ARTIGO 15

O PECADO ORIGINAL
55

Cremos que, pela desobediência de Adão, o pecado original se estendeu por todo o gênero
humano1. Este pecado é uma depravação de toda a natureza humana2 e um mal hereditário,
com que até as crianças no ventre de suas mães estão contaminadas 3. É a raiz que produz no
homem todo tipo de pecado. Por isso é tão repugnante e abominável diante de Deus que é
suficiente para condenar o gênero humano4.
Nem pelo batismo o pecado original é totalmente anulado ou destruído, porque o pecado
sempre jorra desta depravação como água corrente de uma fonte contaminada 5. O pecado
original, porém, não é atribuído aos filhos de Deus para condená-los, mas é perdoado pela
graça e misericórdia de Deus6. Isto não quer dizer que eles podem continuar
descuidadamente numa vida pecaminosa. Pelo contrário, os fiéis, conscientes desta
depravação, devem aspirar a livrar-se do corpo dominado pela morte (Romanos 7:24).
Neste ponto rejeitamos o erro do pelagianismo, que diz que o pecado é somente uma
questão de imitação.

01. O assunto do artigo 15.


Neste artigo, a igreja confessa de que maneira o pecado domina todos os homens, e enfatiza
que este domínio é muito forte.
a) Adão não quis obedecer a Deus. A conseqüência foi que toda a natureza dele se
corrompeu. Esta corrupção ou depravação “se estendeu por todo o gênero humano”. Por
isso, falamos sobre “pecado original”. Trata-se de “um mal hereditário, com que até as
crianças no ventre de suas mães estão contaminadas”. É a raiz de que ‘nascem’ todos os
outros pecados. “Por isso é tão repugnante e abominável diante de Deus que é suficiente
para condenar o gênero humano”.
b) Mesmo em pessoas batizadas o pecado original não é totalmente anulado, porque todos
os pecados “jorram” do pecado original, “como água corrente de uma fonte contaminada”.
c) O pecado original, porém, não é atribuído aos filhos de Deus, mas perdoado, a fim de
que não sejam condenados. Isto se realiza pela graça e misericórdia de Deus. Por isso, eles
não podem continuar fazendo o mal. A misericórdia de Deus quer justamente fazê-los
reconhecer a depravação deles, para que cada vez mais desejem ser livrados desta
existência dominada pela morte.
d) Por isso, rejeitamos a opinião errada dos pelagianos que dizem que o pecado vem dos
maus exemplos de outras pessoas.

02. O pecado original existe?


a) A maioria dos homens reconhece que comentem erros e que, portanto, não são perfeitos.
Um cristão até reconhece que comete pecados o que é mau.
Mas é mais difícil reconhecer que já nascemos corruptos. E é mais difícil ainda aceitar
que Deus nos atribui esta corrupção como dívida (culpa), de tal maneira “que é suficiente
para condenar o gênero humano”. Este pecado original não surge durante nossa vida. Não
cometemos este pecado pessoalmente. Nascemos com ele. Estamos contaminados com ele.
1
Romanos 5:12-14, 19
2
Romanos 3:10.
3
Jó 14:14; Salmo 51;5; João 3:6.
4
Efésios 2:3.
5
Romanos 7:18-19.
6
Efésios 2:4,5.
56

Nós o herdamos. Por isso, temos a tendência de perguntar se é, então, por nossa culpa que
nascemos assim. Ou seja: será que o pecado original realmente existe?
b) Os pelagianos (‘discípulos‘ de Pelágio; veja o artigo 14) negam que o pecado original
existe. Na opinião deles, todo mundo nasce sem pecado. Eles acham que não é justo dizer
que o homem nasce com uma natureza corrompida e que, por isso, é condenado por Deus.
E afirmam que cada um tem um livre arbítrio para escolher entre o bem e o mal. Escolher o
mal é questão de seguir os exemplos errados; não é porque o homem nasce pecador.
c) Porém, é a Palavra de Deus que decide sobre esta questão da realidade do pecado
original. E o ensino dela é claro.
Salmo 51 (por exemplo) ensina que o pecado original é uma realidade, Davi se acusa a
si mesmo. Ele cometeu um crime terrível. Mas este crime não é um caso à parte, nem é
explicável pela influência de maus exemplos. Davi volta seus pensamentos para o passado:
para a juventude e o nascimento dele; até mesmo para o momento em que começou a vida
dele. Sempre havia o pecado. Conscientizando-se disto, ele exclama: “Eu nasci na
iniqüidade, e em pecado me concebeu minha mãe” (Salmo 51:5). Davi se sabe
‘contaminado’ nas mais profundas ‘raízes’ de sua existência.
Entretanto, a conclusão dele não é que ele, então, não tem culpa de ser assim; pelo
contrário, tudo é ainda pior, porque a iniqüidades dele já data de antes do nascimento. Davi
aceita seu pecado ‘hereditário’ como dívida perante Deus. Pois, quando diz: “apaga todas
as minhas iniqüidades” (v. 9), ele incluí também a iniqüidade em que nasceu (v.5).

03. Que é o pecado original?


a) Já ouvimos que Pelágio dizia que o homem nasce sem pecado, ou seja: por natureza, o
homem é bom (‘tem boa saúde’). Outros tais como os humanistas e arminianos, são um
pouco mais pessimistas. Na opinião deles, a natureza humana ficou fraca, mas não
totalmente contaminada. Portanto, por natureza, o homem está doente. De acordo com os
católico-romanos, também, o pecado original é principalmente uma condição negativa. O
homem perdeu muita coisa, mas não está totalmente ‘arruinado’. Por isso, o pecado original
consiste na ausência da retidão original de que o homem foi sobrenaturalmente dotado. É
um estado de aversão contra Deus e, portanto, um estado de pecado. Porém, o pecado
mesmo consiste somente naqueles atos do homem que são o resultado de uma escolha
propositada da vontade. Quer dizer: a própria natureza humana não está corrompida, mas
ele não mais está sendo dirigido por uma natureza superior ou sobrenatural.
Conforme estas opiniões não precisamos ser tão pessimistas a respeito do homem.
b) Contra esses pelagianos e semi-pelagianos, o artigo 15 considera o pecado original “uma
depravação de toda a natureza humana”. E esta depravação não ‘nasceu’ por causa dos
nossos maus atos. Ela é “um mal hereditário, com que até as crianças no vente de suas mães
estão contaminadas”. Nas trevas de nossa existência realmente não há nenhuma fonte de luz
(Salmo 51:5).
c) O pecado original não nos deixa em paz. Não se trata de um ‘tumor’ inativo; pelo
contrário, o pecado original nos pressiona a pecar cada vez mais. O artigo 15 usa duas
figuras para explicar esta realidade. Pois diz que o pecado original é “a raiz que produz no
homem todo tipo de pecado”, e compara-o a “uma fonte contaminada” de que jorra o
pecado como água corrente. Todos os pecados que comentemos, vêm do pecado original.
Assim podemos entender ainda melhor as palavras de Davi no Salmo 51, quando ele, a
partir do crime que fez, confessa a iniqüidade em que nasceu. Pois esta foi a fonte
contaminada de que jorrou aquele crime.
57

d) Por isso (pelo fato de que o pecado original constantemente pressiona o homem à
rebelião contra Deus) “é tão repugnante e abominável diante de Deus, que é suficiente para
condenar o gênero humano”.
e) Assim o artigo 15 ‘sublinha’ o artigo 14. Ali se confessa que, com todas as nossas
capacidades, somos corruptos; aqui se reconhece que estamos contaminados com esta
depravação a partir do momento em que começa nossa vida. Em outras palavras: não há
nenhuma possibilidade de que exista, no homem, alguma ‘substância’ boa ou alguma fonte
boa. O homem não é capaz de salvar-se a si mesmo; nem ele quer. Tamanho é o domínio do
pecado original.

04. O pecado original se estendeu por todo o gênero humano.


a) Acreditamos que Deus tem toda a razão de considerar todos os homens responsáveis pelo
pecado de Adão, embora nós não entendamos completamente esta razão. Não
compreendemos por que todos nós somos culpados do primeiro pecado e Adão. Inclusive,
não encontramos, na Escritura uma total explicação desta culpa.
Quanto à Escritura, já falamos sobre o Salmo 51. Jó 14:4 também é claro (“Quem da
imundícia poderá tirar cousa pura? Ninguém”).
b) Romanos 5:12-21 é um texto muito importante. Ali lemos
-Que por um só homem entrou o pecado no mundo (v.12);
-Que, naquele momento, todos pecaram (v.12), mesmo que pecassem:
“À semelhança da transgressão de Adão” (v.14);
-Que muitos morreram pela ofensa de um só (v. 15);
-Que, por uma só ofensa, o juízo veio sobe todos os homens para condenação (v. 18);
-Que, pela desobediência de um só homem, muitos se tornaram pecadores (ou melhor:
foram feitos pecadores, veja a Edição Revista e Corrigida; v.19).
c) Muitas vezes tenta-se esclarecer esta relação (‘laço’) entre Adão e nós através de figuras
e exemplos. Podemos pensar num rei (ou num presidente) que faz uma declaração de
guerra, que tem sérias conseqüências para todos os seus súditos, sem que eles pessoalmente
tenham feito esta declaração. Da mesma forma Adão foi nosso cabeça da aliança e, por
isso, o pecado dele nos é atribuído. Outros enfatizam que nós mesmos (no paraíso) pecamos
(a chamada ‘opinião realista’). Pois, Ezequiel 18:20 diz: “a alma que pecar, essa morrerá”.
Conforme esta opinião, nós realmente pecamos antes do nosso nascimento (conf. Hebreus
7:9-10, onde se diz que Davi, ainda não nascido, reconheceu, na pessoa de Abraão, a
‘superioridade’ do sacerdote Melquisedeque). Nenhuma explicação satisfaz totalmente.
Temos que aceitar simplesmente o que a Bíblia diz sobre a forte relação entre Adão e nós, e
que Deus, nesse ponto, é perfeitamente justo.
O artigo 15 não explica como o pecado de Adão nos atinge, mas confessa que o pecado
dele nos atinge. Diz simplesmente (conforme a Escritura!): “Cremos que, pela
desobediência de Adão, o pecado original se estendeu por todo o gênero humano”.

05. Nem pelo batismo o pecado original é totalmente anulado.


a) Por que fala-se, aqui, do batismo? Não podemos dizer, também, que o pecado original
não é totalmente anulado pela fé ou pela santa ceia? Contudo não é tão estranho que, aqui,
se fale do batismo. O pecado original é a depravação com que nascemos e o batismo
sempre é o primeiro ‘ato público’ de Deus em nossa vida. Por isso é até lógico que façamos
a pergunta sobre a influência do batismo sobre o domínio do pecado original.
58

Além disto, a igreja católico-romana afirma que o batismo realmente anula a


contaminação causada pelo pecado original. Aliás, a igreja católico-romano não fala de
“depravação” ou “contaminação”, mas de “falha”. Na opinião dela, a natureza humana não
está corrompida, mas não mais está sendo dirigida por uma natureza superior (veja 03.a).
Pela graça do batismo, o homem volta a ter esta natureza superior ou sobrenatural.
Contra esta opinião o artigo 15 confessa que o batismo não anula totalmente o pecado
original.
b) As palavras “não totalmente” complicam. Será que o batismo, então, anula o pecado
original numa certa medida? Mas em que medida? O artigo 15 não responde à última
pergunta. Aparentemente não conta com tal pergunta. O objetivo é outro. Vamos ver um
exemplo: alguém diz que um determinado incêndio foi tão violento e devastador que nem
os bombeiros conseguiram apagar o fogo totalmente. O objetivo desta informação não é de
dizer que os bombeiros conseguiram apagar o fogo somente numa certa medida, mas que o
incêndio foi temível.
Da mesma forma o artigo 15 diz que nossa depravação é tão grande que nem pelo
batismo é totalmente anulada. Inclusive, podemos observar que o artigo 15 mantém a
palavra “depravação” para pessoas batizadas.
c) Embora o artigo 15 aparentemente não conte com a pergunta sobre como o pecado
original é anulado pelo batismo, queremos tentar responder a esta pergunta (porque é um
assunto muito discutido)!). Por que, então, se diz que o batismo “não” anula “totalmente” o
pecado original? Sem dúvida temos que pensar, aqui, na promessa de Deus no batismo de
que Ele nos renova pelo Espírito. Deus cumpre esta promessa na vida dos seus filhos (veja,
em seguida, o artigo 34!). Portanto, seria muito limitado e ingrato dizer, em relação à
promessa de Deus no batismo, que o batismo nem sequer diminuiria a nossa depravação.
Por outro lado, diríamos demais, se afirmássemos que o batismo anula totalmente o
pecado original (nossa depravação) está sendo ‘atacado’ por Deus, como Ele nos garante no
batismo, mas nem por isso é totalmente anulado. Até o apóstolo Paulo, já convertido,
exclamou: “Desventurado homem que sou” (Romanos 7:24).

06. “O pecado original não é atribuído aos filhos de Deus”.


a) Como uma fonte contaminada, o pecado original continua produzindo novos pecados.
Nem o batismo e a renovação pelo Espírito (prometida no batismo) mudam esta situação
desesperadora. “O pecado original não é atribuído aos filhos de Deus para condená-los, mas
é perdoado pela graça e misericórdia de Deus”. Até mesmo em pessoas batizadas
permanece uma “fonte contaminada”, mas ela não lhes é atribuída como dívida.
Com que objetivo Deus faz isso?
b) Muitas vezes se diz que a doutrina da remissão dos pecados faz com que os homens
possam “continuar descuidadamente uma vida pecaminosa”. Por isso, confessa-se no artigo
15 (com ênfase!) que não é com essa intenção que Deus não nos atribui nossa depravação.
Ele visa justamente o oposto. Diz Salmo 130: “Contigo, porém, está o perdão, para que te
temam” (v. 4). Este Salmo não diz que o pecado, afinal de contas, não é tão grave porque
Deus o perdoa. O perdão ‘custa’ a Deus o sangue e as lágrimas do seu filho! Sempre
devemos lembrarmos de que a remissão dos nossos pecados foi paga pelo sofrimento e pela
morte de Jesus Cristo. Assim podemos ‘medir’ como nossos pecados são “repugnantes e
abomináveis diante de Deus”. Por isso, toda remissão de pecados nos leva a conscientizar-
nos dos nossos pecados (veja Romanos 6:1-4).
59

c) “Os fiéis, conscientes desta depravação, devem aspirar a livrar-se do corpo dominado
pela morte”. Que quer dizer a expressão “o corpo dominado pela morte”?
Paulo us esta expressão em Romanos 7:24 (“quem me livrará do corpo desta morte?”).
“corpo” indica mais do que carne e osso; é toda a nossa existência. E “morte” é mais do que
nosso falecimento. O apóstolo que dizer que a nossa existência está continuamente no
poder da morte, por causa do pecado. O pecado nos afasta de Deus e nos separa da
verdadeira vida (mesmo que, ‘por fora’, estejamos vivos e tenhamos boa saúde). Por causa
do pecado original que funciona como “fonte contaminada”. Jazemos na morte. É deste
domínio do pecado que nos mantém no poder da morte espiritual, que desejamos ser
livrados. Assim temos que entender o apóstolo Paulo quando diz: Quem me livrará do
corpo desta morte?”.

Pontos e perguntas para pensar:


01. A “Confissão de Fé” data do século XVI (1561). Mais tarde foi feita (com
relação ao pecado original) a distinção entre culpa original e corrupção original.
Você entende esta distinção?
02. A culpa original é conseqüência da corrupção original? Ou a corrupção original
é conseqüência da culpa original?
03. Que conseqüência tem a negação de toda relação entre Adão e nós? Assim pode
haver uma relação entre Cristo e nós (para nossa salvação), sendo Ele o segundo
Adão (1 Coríntios 15:22)? Podemos ter uma relação com Cristo, se negarmos a
existência do pecado original?

ARTIGO 16

A ELEIÇÃO ETERNA POR DEUS.


60

Cremos que Deus, quando o pecado do primeiro homem lançou Adão e toda a sua
descendência na perdição1, mostrou-se como Ele é, a saber: misericordioso e justo.
Misericordioso, porque Ele livra e salva da perdição aqueles que Ele em seu eterno e
imutável conselho2, somente pela bondade, elegeu3 em Jesus Cristo nosso senhor4, sem
levar em consideração obra alguma deles5. Justo, porque Ele deixa os demais na queda e
perdição, em que eles mesmos se lançaram6.

01. O assunto do artigo 16.


Neste artigo, a igreja confessa por que, apesar de tudo, uma parte dos homens perdidos é
salva: somente por que Deus os escolheu (“elegeu”) para serem salvos.
a) A transgressão ou pecado de Adão teve como conseqüência inevitável a perdição de
todos sos homens. Mas, justamente naquele momento, Deus mostrou e praticou sua
misericórdia (por isso dizemos que Ele é misericordioso). Ao mesmo tempo, Ele continuou
considerando os homens responsáveis por seus atos (por isso dizemos que Ele é justo).
b) De que maneira Deus mostrou que Ele é tanto misericordioso como justo?
Já faz muitíssimo tempo, Deus tomou a decisão definitiva de salvar, da perdição,
determinadas pessoas; não em razão do bom comportamento delas mas por graça, por causa
do sofrimento e da morte de Cristo, que uma vez iam realizar-se. É a misericórdia de
Deus. Mas, também, Ele deixa outros na perdição. E, nisto, Ele é perfeitamente justo,
porque eles mesmos se lançaram na perdição.

02.Que é a eleição por Deus?


a) O artigo 16 é a continuação do artigo 15: não somos capazes de salvar-nos a nós
mesmos. Podemos pensar num cemitério: dos mortos ali sepultados não podemos esperar
nenhuma iniciativa surpreendente. Da mesma forma não podemos esperar, de nós mesmos,
nenhuma coisa boa. Estamos “mortos nos nossos delitos e pecados” (Efésios 2:1). E morto
é morto!
b) É nessa situação que a eleição por parte de Deus começa a ‘funcionar’. Ele faz uma
escolha entre esses ‘mortos’. Ele escolheu alguns deles para serem ressuscitados da morte.
Foi uma escolha definitiva, estipulada numa decisão. O artigo 16 chama esta decisão:
“conselho” de Deus. Deus faz ou realiza tudo “conforme o conselho da sua vontade”
(efésios 1:11). Este conselho realmente é definitivo, porque Deus fala: “O meu conselho
permanecerá de pé, farei toda a minha vontade” (Isaías 46:10).
Antes de nós existíssemos (bem antes mesmo), Deus tomou essa decisão; “antes da
fundação do mundo” (Efésios 1:4), “ antes dos tempos eternos” (2 Timóteo 1:9).
A escolha de Deus não caiu nas pessoas excelentes, porque jamais haveria excelentes:
“não há justo, nem sequer um” (Romanos 3:10). Trata-se de pessoas mortas. E morto é
morto.

1
Romanos 3:12.
2
João 6:37, 44; João 10:29; João 17:2, 9,12; João 16:9.
3
1 Samuel 12:22; Salmo 65:4; Atos 13:48; Romanos 9:16; Romanos 11:5; Tito 1:1.
4
João 15:16,19; Romanos 8:29; Efésios 1:4,5.
5
Malaquias 1:2,3; Romanos 9:11-13; 2 Timóteo 1:9; Tito 3:4,5.
6
Romanos 9:19-22; 1 Pedro 2:8.
61

Ao fazer sua escolha, Deus teve seus próprios motivos que não nos revelou. “Quão
insondáveis são os seus juízos e quão inescrutáveis os seus caminhos” (Romanos 11:33).
Os eleitos de Deus seriam salvos por Cristo que, no lugar deles, pagaria a dívida.
O artigo 16 resume assim: “aqueles que Ele em seu eterno e imutável conselho, somente
pela bondade, elegeu em Jesus Cristo nosso Senhor, sem levar em consideração obra
alguma deles”. O outro lado da eleição é que “Ele deixa os demais em sua queda e
perdição”.

03. A eleição é um mistério que deve ser confessado.


a) Não conhecemos nem entendemos os motivos de Deus ter escolhido uns e outros não. É
o segredo dEle. Aliás, há mais que não entendemos. Deus tomou uma decisão definitiva
sobre nosso ‘destino’; não podemos mudar esta decisão. Então, onde fica nossa própria
responsabilidade? É mais uma questão que não podemos resolver logicamente.
b) A eleição por Deus nos coloca diante de mais de um mistério. Por isso, parece um bom
conselho não falar sobre a eleição. E não é também desnecessário falar sobre este assunto
dificílimo? Não basta confessar que aquele que crê no Filho, será salvo? Confessar assim é
conforme a Bíblia (João 3:16) e, então, podemos deixar de falar sobre a complicada
doutrina da eleição.
c) Mas o fato de nós acharmos difícil ou desnecessária a doutrina da eleição não é decisivo.
Decisivo é o que a Escritura diz. E é claro que, na Escritura, encontramos a eleição.
Portanto, seria ingrato e até teimoso, se tivéssemos a coragem de ficar calados sobre o que
o próprio Deus nos revelou. Por isso, é o nosso dever confessarmos a doutrina da eleição,
de acordo com o ensino bíblico.
d) Porém, confessar significa também: não querer saber mais do que a Escritura nos revela.
Não podemos, por curiosidade, ultrapassar os limites dela. Isto seria (como disse Calvino)
caminhar onde não há caminho. Então, por um lado temos que tomar cuidado com uma
curiosidade exagerada; que queira saber demais. Por outro lado temos que tomar cuidado
com uma ingratidão que queira negar o que Deus nos revelou. Moisés nos deu um ensino
precioso: “as cousas encobertas pertencem ao SENHOR nosso Deus; porém as reveladas
nos pertencem a nós e a nossos filhos para sempre” (Deuteronômio 29:29).

04. A eleição mostra a misericórdia de Deus.


a) Dentre os homens, Deus escolhe um número fixo que Ele salva. Assim Ele mostra e
prova que é misericordioso, porque manifesta aos homens misericórdia e ‘emoção’ com o
destino deles. Zacarias (pai de João Batista) falou, no cântico dele, sobre “a entranhável
misericórdia de nosso Deus” (Lucas 1:78), ou seja:a misericórdia vem do ‘interior’ de
Deus. Zacarias ficou admirado com esta misericórdia (veja o cântico dele). E, de fato, ela
sempre surpreende, porque salva homens que estavam ao caminho da morte.
b) Os arminianos (ou: remostrantes) ensinam que Deus escolhe os homens de quem Ele, de
antemão, sabe que crerão. Esta fé prevista por Deus seria a base da eleição. Então, Deus
escolheria para a salvação aqueles de que Ele, no futuro, esperasse alguma coisa boa (a fé).
Mas a Escritura ensina que Deus não acha, no homem, nenhum ‘ponto de partida’ para a
eleição. A fé ‘nasce’ somente porque Deus fez sua escolha. Somos eleitos para crer e não
porque cremos (ou porque havemos de crer). As palavras “para” e “para que” de Efésios
1:4 e 2:10 são muito importantes. Eleição é questão de ‘pura graça’.
c) A misericórdia de Deus não contradiz ou prejudica a justiça dEle, porque Cristo
62

assume inteiramente a culpa dos eleitos. A eleição por parte de Deus se realiza em Cristo. O
artigo 16 diz que Deus nos “elegeu em Cristo Jesus nosso Senhor”.

05. A eleição mostra a justiça de Deus.


a) Nem todos os homens foram eleitos por Deus para a salvação. Esta realidade contradiz
nosso ‘sentimento’ de justiça; pensamos que todos os homens têm direito a um tratamento
igual. Por que Deus salva uns e não salva outros? Isto é justo?
b) O erro deste raciocínio é que se pensa que todos os homens teriam direito à graça. Mas
nenhum homem tem direito à graça, muito menos ainda todos os homens! Aliás, assim a
raça não seria mais graça. É fundamental entendermos que todos os homens merecem a
morte (confira Gênesis 2:17). Deus não faria nenhuma injustiça, se condenasse todos. Pois,
“todo o mundo é culpável perante Deus” (Romanos 3:19).
c) É surpreendente que Deus salve uma parte dos homens. Mas esta ‘surpresa’ não obriga
Deus salvar todos.
Primeiro, Ele é totalmente livre para mostrar a graça a quem quiser. “Porventura não me
é lícito fazer o que quero do que é meu?” (Mateus 20:15).
Segundo, não é Deus que lança os homens não-eleitos no ‘abismo’. São eles mesmos
que querem permanecer no pecado e na morte. Então, Deus é perfeitamente justo quando
“deixa os demais na queda e na perdição, em que eles mesmos se lançaram”.

06. A eleição como confortadora doutrina.


a) O apóstolo Paulo nos ensina, em 2 Timóteo 1:8-9, como podemos ‘tirar’ conforto da
doutrina da eleição. Timóteo era ajudante de Paulo. Ele era jovem, lutava contra muita
resistência que encontrou e, por isso, facilmente poderia perder a coragem. Mas ele devia
ter medo de falhar, hoje ou amanhã, como cristão ou como pregador? Não diz Paulo,
porque o próprio Deus o escolheu.
(1) A eleição de Timóteo se realizou independentemente de suas qualidades ou
obras. Então, estas também não serão ‘contadas’, se começarem, hoje ou amanhã, a
decepcionar. Porque Deus chamou a Timóteo conforme “a graça que nos foi dada
em Cristo Jesus”.
(2) Paulo acrescenta: “antes dos tempos eternos”. Quer dizer: Deus não vai mais
mudar esta decisão. Por isso, Timóteo pode ter coragem. Paulo mesmo ainda diz:
“porque sei em quem tenho crido” (v.12).
b) Também em Efésios 1, Paulo deixa claro que a eleição nos torna alegres. Nos vv.3-4, ele
glorifica as bênçãos de Deus que têm sua base no fato de que Deus nos “escolheu antes da
fundação do mundo”.
c) Este conforto encontramos também no artigo 16. Porque a eleição eterna por Deus tem a
ver, antes de mais nada, com a misericórdia de Deus. Eleição sempre implica em que Deus
salva homens “sem levar em consideração obra alguma deles”. Justamente na eleição
observamos o caminho da misericórdia de Deus. A palavra “eleição” em si mesmo já
enfatiza que Deus salva homens que não têm nenhum direito a serem salvos. Esta eleição
para a salvação é a mensagem surpreendente da Escritura.

07. Como podemos ter certeza da nossa eleição por Deus?


a) Para tirarmos conforto da doutrina da eleição, precisamos ter certeza da nossa eleição
pessoal. Esta certeza existe? Existe sim, mas não é a certeza ‘lógica’ de 1+1=2. Nem é a
63

certeza da nossa observação física pela qual sabemos com certeza que (por exemplo) o sol
existe. Trata-se da certeza da fé.
b) A fé tem o Evangelho como base e como ‘solo alimentício’. E, no Evangelho, ele
encontra Cristo e se entrega a Ele. Agora, aquele que, pela fé, abraça Cristo, vai ter também
a crescente certeza de ser eleito por Deus. Por quê? Disse Calvino que Cristo é, por assim
dizer, o espelho em que observarmos nossa eleição por Deus. Pelo espelho (‘retrovisor’),
um motorista pode ver o que, sem espelho, ficaria escondido. O espelho aumenta muito a
visão dele. Assim Cristo é o espelho (‘retrovisor’) em que claramente observamos que Deus
nos tem destinado para a salvação, não só hoje, mas já desde a eternidade.
c) Por outro lado, que não quer olhar nesse espelho (Cristo!), jamais vai descobri sua
eleição por Deus. Não podemos ter certeza da nossa eleição sem Cristo e, portanto, sem o
Evangelho, em que encontramos Cristo. Podemos ver nossos nomes no livro de Deus, mas
não diretamente; somente através do espelho. Este espelho é o Cristo do Evangelho, que
nos garante que Ele, antes dos tempos eternos, foi destinado para salvar-nos.

08. A doutrina da eleição e a da expiação universal.


a) Conforme a doutrina (teoria) da expiação universal, Cristo morreu para todos os homens.
Então, esta doutrina parece muito ‘generosa’, mas não passa de uma aparência que engana.
Pois, de acordo com esta doutrina, Cristo somente possibilitou que fôssemos salvos. Ele
abriu a porta da prisão, mas depende dos presos se saem ou não saem. Como se um homem
por si mesmo quisesse sair da prisão de sua existência pecaminosa!
Porém, a generosidade desta doutrina (Cristo dá a possibilidade a todos os homens)
confia muito na capacidade do homem (os homens, por força própria, têm que aproveitar a
possibilidade oferecida).
Conforme a Escritura, Cristo não apenas possibilitou, mas realizou a salvação. A
salvação não é apenas uma possibilidade, mas uma realidade, porque Cristo, de fato, nos
“tira e salva da perdição”.
b) Mais decisivo ainda é que a Escritura claramente ensina que Jesus não morreu para todos
so homens, mas para os seus. “O bom pastor dá a vida pelas ovelhas” (=por suas ovelhas;
João 10:11). Jesus ora por aqueles que o pai Lhe deu (João 17:6,9,24).
c) Outra coisa é que a força e o valor da morte de Cristo são suficientes para tirar os
pecados do mundo inteiro. Mas isto não significa que Cristo morreu por todos (veja acima,
08.b).

Pontos e perguntas para pensar:


01. Verifique como Filipenses 2:12-13 mostra que a eleição por Deis não nos torna
passivos e, sim, ativos. Que conforto e que advertência nos dão estes vv.?
02. Em Romanos 8:29-30, encontramos cinco atos de salvação de Deus. São os elos
de uma corrente (cadeia). Mas esta corrente somente tem valor para nós, se
soubermos que ela foi colocada em nossas mãos. Através de que elo a corrente nos
alcança?
03. Devemos dizer, numa palestra ‘missionária’: ‘Cristo morreu para você’ ou o
sacrifício de Cristo é suficiente também para você? Que diferença há entre as duas
frases?
ARTIGO 17
64

O SALVADOR, PROMETIDO POR DEUS.

Cremos que nosso bom Deus, vendo que o homem havia se lançado assim na morte
corporal e espiritual, e se havia feito totalmente miserável, foi pessoalmente em busca do
homem, quando, este, tremendo, fugia de sua presença1. Assim Deus mostrou sua
maravilhosa sabedoria e bondade. Ele confortou o homem com a promessa de lhe dar seu
Filho, que nasceria de uma mulher (Gálatas 4:4) a fim de esmagar a cabeça da serpente
(Gênesis 3:15) e de tornar feliz o homem2.

01. O assunto do artigo 17.


Este artigo fala sobre a ‘reação’ de Deus à queda.
a) O artigo enfatiza o que Deus, imediatamente depois da queda, fez para tornar feliz (de
novo) o homem que tinha se lançado na morte corporal e espiritual. Naquele momento se
manifestaram principalmente a bondade e a sabedoria de Deus.
A maneira de falar sobre a intervenção (reação) de Deus é bem direta e pessoal: “vendo
que o homem se havia feito totalmente miserável, (Deus) foi pessoalmente em busca do
homem, quando este, confortou o homem com a promessa de lhe dar seu Filho”.
b) Este Filho nos seria dado como verdadeiro homem, porque nasceria (como todo homem)
de uma mulher. Ele esmagaria a cabeça da serpente (que é o diabo) e tornaria feliz o
homem.

02. Deus viu que o homem havia se lançado na morte.


a) Deus viu “que o homem havia se lançado assim na morte corporal e espiritual e se havia
feito totalmente miserável”. O que é a morte corporal e espiritual?
É claro que esta expressão se refere à situação de Adão e Eva, logo depois da queda. De
pessoas vivas que, inclusive, podiam raciocinar muito bem, se diz que haviam se lançado
não somente a morte espiritual, mas também na morte corporal. Quem não mais confia ao
Criador o cuidado de seu corpo e procura outro ‘endereços’, na realidade está entregando
seu corpo à morte. Tal pessoa, apesar de suas preocupações, se lança na morte corporal.
Vive e trabalha como um morto, come e bebe como um morto. Assim foi a situação do
homem depois da queda.
b) Mas a morte dele foi também “espiritual”. Isto não significa que o espírito do homem
ficou totalmente desligado ou que perdeu todas as suas capacidades. Significa que seu
espírito (ou alma) rompeu com Deus. É com seu espírito que o homem pensa e sente; ou
seja: tudo o que fazemos como homens, fazemos com nosso espírito. Quando este espírito
humano se revoltou contra Deus, todas as suas capacidades espirituais também se viraram
contra Deus que é a fonte da vida. Depois da queda, Adão e Eva abusaram de suas
capacidades espirituais para opor-se a Deus (Gênesis 3:12-13). Eles estavam
espiritualmente mortos, porque o espírito deles resistiu contra Deus.
c) Portanto, a ‘morte corporal e espiritual’ implica em que o homem, em corpo e alma,
rompeu com o Deus da vida.

1
Gênesis 3:9.
2
Gênesis 22:18; Isaías 7:14; João 1:14;5:46;7:42; Atos 13:32; Romanos 1:2,3; Gálatas 3:16; 2 Timóteo 2:8;
Hebreus 7:14.
65

Foi isto que Deus viu acontecer. Ele viu que o homem “se havia feito totalmente
miserável”. Pois, no momento em que a relação do homem com Deus é cortada, desfaz-se
também a relação entre o homem e seu próximo. Prova triste é a maneira ‘distante’ de Adão
falar sobre sua esposa (Gênesis 3:12). Aliás, também a relação entre o homem e toda a
natureza se desfaz. A terra foi maldita, com todas as conseqüências (Gênesis 3:17-19).

03. Deus foi em busca do homem e o confortou.


a) o homem, então, virou as costas para Deus e, assim, se lançou na morte. Deus viu isto. E
o que Deus, naquele momento, fez? A resposta surpreendente é: Deus foi em busca do
homem. Aqui começa o Evangelho! Pois, temos que conscientizar-nos de que nada era de
se esperar do homem. Este nem pediu socorro a Deus, mas fugiu, tremendo, da presença
dEle. E, uma vez chamado para prestar contas, nem se arrependeu. Adão deu a culpa a Eva
e, assim, a Deus; Eva deu a culpa à serpente. A iniciativa de buscar o homem veio somente
de Deus.
b)Deus foi em busca do homem e o homem se comportou de maneira revoltada. Por isso é
uma surpresa ainda maior que Deus, após ter buscado o homem, também o confortou com
a promessa de que o próprio Filho dEle viria para tornar feliz o homem. Ele nasceria de
uma mulher (conforme Gálatas 4:4), quer dizer: viria à terra como verdadeiro homem
(conf. Artigo 18).
Ele viria “a fim de esmagar a cabeça da serpente”, ou seja: a fim de vencer
definitivamente o diabo.
c) Estas palavras fazem parte de Gênesis 3:15. O artigo 17, portanto, quer afirmar que Deus
prometeu seu Filho logo depois da queda de Adão. Esse texto, com razão, é chamado a
‘mãe das promessas’, para explicar que todas as outras promessas, por assim dizer, nascem
dela. Se compararmos a Bíblia a uma bela flor totalmente ‘aberta’, então, a ‘mãe das
promessas’ é a mesma flor, mas ainda no botão. Porém, já tem tudo. Só precisa de tempo
para abrir-se. Por isso, Gênesis 3:15 já contém o Evangelho completo, mesmo que Adão e
Eva ainda não possam ter entendido que (por exemplo) o Filho de Deus deveria ser
crucificado.
d) Quer dizer: o Antigo Testamento não é apenas um livro de judeus, com promessas
passageiras (como era a opinião dos anabatistas). O Evangelho começa ‘logo depois da
queda de Adão. Todo o Antigo Testamento é Evangelho, que fala (em toda parte) sobre
Cristo. Abraão viu o dia de Cristo (João 8:56). Davi recebeu a promessa de que um dos
seus descendentes reinaria para sempre (2Samuel 7:12). Isaías 53 já fala sobre o sofrimento
de Cristo. O próprio Cristo considerou o Antigo Testamento o livro que fala dEle (Lucas
24:27,44; João 5:39).
A bíblia é um só livro que sempre trata de Cristo que veio para “tornar feliz o homem”.

04. A sabedoria e a bondade de Deus.


O artigo 17 diz que o fato de Deus ter ido em busca do homem, mostra principalmente a
sabedoria impressionante no amor de Deus para com os pecadores.
A bondade de Deus se manifestou quando Ele foi buscar o homem que fugiu dEle e
que, depois, também não mostrou muita aproximação (Gênesis 3:12-13). Por isso, o artigo
17 (assim como o artigo 13) fala sobre “nosso bom Deus”.
Ao mesmo tempo manifestou-se a sabedoria de Deus, porque ninguém era capaz de
‘inventar’ este plano de salvação. “Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais
penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que o amam”
66

(1Coríntios 2:9). Este plano de salvação por meio de Cristo crucificado é considerado
loucura pelos homens, mas esta loucura de Deus é mais sábia do que os homens (1Coríntios
1:25).

Pontos e perguntas para pensar:


01. Ás vezes se diz que há uma contradição entre os artigos 16 e 17. O artigo 16
confessa que apenas uma parte limitada de homens é salva. O artigo 17 diz que
Deus torna feliz o homem (ou seja: o homem em geral). Você acha que esta
contradição realmente existe?
02. A Bíblia diz que também os incrédulos ressuscitarão corporalmente (Daniel
12:2; Atos 24:15). Isto significa que, naquele momento, não mais podemos dizer
que essas pessoas se lançaram na morte corporal? Veja Mateus 5:29-30.
03. O artigo 17 fala sobre Deus que “pessoalmente foi em busca do homem”. Este
buscar de Deus se limitou àquele momento no paraíso? Veja Gênesis 12:1; 1 João
4:19.

ARTIGO 18
67

A ENCARNAÇÃO DO FILHO DE DEUS.

Confessamos, então, que Deus cumpriu a promessa, feita aos pais antigos pela boca dos
seus santos profetas1, quando enviou ao mundo seu próprio, único e eterno Filho, no tempo
determinado por Ele2. Este assumiu a forma de servo e tornou-se semelhante aos homens
(Filipenses 2:7), tomando realmente a verdadeira natureza humana com todas as suas
fraquezas3, mas sem o pecado4. Foi concebido no ventre da bem-aventurada virgem Maria,
pelo poder do Espírito Santo, sem intervenção do homem5. E não somente tomou a natureza
humana quanto ao corpo, mas também a verdadeira alma humana, para que fosse um
verdadeiro homem. Pois, estando perdidos tanto a alma como o corpo, Ele devia tomar
ambos para salvá-los.
Por isso, confessamos (contra a heresia dos anabatistas que negam que Cristo tomou a
natureza humana de sua mãe), que Cristo participou do sangue e da carne dos filhos de
Deus (Hebreus 2:14); que Ele, “segundo a carne, veio da descendência de Davi” (Romanos
1:3); fruto do ventre de Maria (Lucas 1:42); nascido de uma mulher (Gálatas 4:4); rebento
de Davi (Jeremias 33:15; Atos 2:30); renovo da raiz de Jessé (Isaías 11:1); brotado de Judá
(Hebreus 7:14); descendentes dos judeus, segundo a carne (Romanos 9:5); da descendência
de Abraão6, tornando-se semelhante aos irmãos em tudo, mas sem pecado (Hebreus
2:16,17; 4:15).
Assim Ele é, na verdade, nosso Emanuel, isto é: Deus conosco (Mateus 1:23).

01. O assunto do artigo 18.


a) Este artigo trata da maneira de Deus ter cumprido sua promessa, feita às gerações
anteriores pela boca dos profetas. Ele cumpriu a promessa, enviando seu Filho à terra, no
tempo determinado por Ele.
b) Com ênfase se diz que o Filho de Deus se tornou igual aos homens, mas também que
isso se realizou de maneira singular. Ele assumiu uma vida de escravo, pois – não
considerando o pecado -Ele começou a levar a vida humana com todos os pontos fracos e
limitações que, devido ao pecado, caracterizam tal vida.
Sem intervenção de um homem, Ele começou, pelo poder do Espírito Santo, sua
existência humana no ventre de Maria, que era virgem. Desta maneira, Ele não somente
tomou um verdadeiro corpo humano, mas também uma verdadeira alma humana. Ele o
queria assim e assim era necessário, porque tanto a nossa alma como o nosso corpo estavam
perdidos.
c) Apesar de Jesus ter tido uma mãe ‘terrestre’, os anabatistas negam que Ele se tornou um
verdadeiro homem. Contra eles confessamos que Ele verdadeiramente tornou-se homem.
Pois, Maria era sua mãe; Ele era descendente de Davi e Jessé, Ele pertencia à tribo de Judá;
por nascimento, era judeu, descendente de Abraão. Portanto, Ele realmente se tornou
semelhante aos seus ‘compatriotas’, mas sem o pecado.
Por isso, Ele é nosso Emanuel, quer dizer: Deus conosco.
1
Gênesis 26:14; 2 Samuel 7:12-16; Salmo 132:11; Lucas 1:55; Atos 13;23.
2
Gálatas 4:4.
3
1 Timóteo 3:16; Hebreus 2:14.
4
2 Coríntios 5:21; Hebreus 7:26; 1 Pedro 2:22.
5
Mateus 1:18; Lucas 1:35.
6
Gálatas 3:16.
68

02. Jesus veio no tempo determinado por Deus.


a) A vinda do Filho de Deus a terra tinha sido anunciada e prometida. Deus preparou o
nascimento de Cristo. Logo depois da queda, quando o homem, tremendo, fugia da
presença de Deus, a vinda de Cristo foi anunciada. O artigo 17 fala sobre a promessa de
Gênesis 3:15, mas o artigo 18 enfatiza que esta promessa não foi feita uma só vez. Pois ela
foi “feita aos pais antigos pela boca dos (seus) santos profetas”, quer dizer: durante toda a
época do Antigo Testamento. O ensino dos profetas foi uma explicação, cada vez mais
ampla, da promessa de Gênesis 3:15.
b) Jesus nasceu “no tempo determinado por Deus”. Muitas vezes tenta-se mostrar por que
aquela época foi tão bem escolhida por Deus. Havia uma língua mundial (o grego),
circunstância que muito facilitou a pregação do Evangelho; havia também boas
possibilidades de viajar; e os povos estavam (como se diz) ‘na expectativa’ da vinda de um
salvador, cansados da idolatria. Contudo, a Bíblia não dá esta explicação. A sabedoria de
Deus vai muito além da lógica humana que quer argumentar os motivos de Deus ter
escolhido certa época.
c)em Gálatas 4:4, o apóstolo Paulo diz que Deus enviou seu Filho quando “a plenitude do
tempo” tinha vindo. Ou seja: quando o tempo ‘encheu sua medida’. Mas por que? E como?
Até àquele momento, Israel estava, como “herdeiro menor” (v.1), “sob tutores e curadores”
(v.2). Mas isso não quer dizer que nós somos capazes de argumentar por que Israel, naquele
momento (e não mais cedo ou mais tarde), ficou maior (‘se emancipou’).
O principal é que o próprio Deus determinou a hora em que declarou Israel
‘emancipado’, hora que Ele achou oportuna para enviar seu Filho (“a plenitude do tempo”).

03. Jesus veio como verdadeiro homem.


a) Como todos os homens, Jesus nasceu de uma mulher e tinha uma mãe; o nascimento
dEle, em si mesmo, não foi diferente do nascimento de todos os homens. A diferença foi
que Jesus, como único homem, quis e aceitou seu nascimento. Pois, Ele “tornou-se
semelhante aos homens, tomando realmente a verdadeira natureza humana”. O nascimento
dEle foi ato dEle, para nossa salvação.
b) O artigo 18 diz que Jesus realmente tomou a verdadeira natureza humana “com todas as
duas fraquezas, mas sem o pecado”. Paulo diz que Jesus veio “em semelhança da carne
pecaminosa” (Romanos 8:3). Quer dizer: Jesus assumiu a existência humana, sem o
pecado, mas Ele, de fato, sofreu com as conseqüências do pecado (assim como um corpo,
às vezes, fica marcado pelas conseqüências de uma doença, mesmo já recuperado). A
natureza humana de Jesus era vulnerável e fraca e tinha suas limitações, como
conseqüência do pecado. Ele não tinha a natureza que Adão tinha antes da queda.
c) Jesus “assumiu a forma de servo”. Ele não veio com glória e poder, mas se humilhou e
“a si mesmo se esvaziou” (veja Filipenses 2:7, 8).

04. Jesus veio como homem completo.


a) “E não somente tomou a natureza humana quanto ao corpo, mas também a verdadeira
alma humana para que fosse um verdadeiro homem”. O artigo 18 enfatiza que Jesus, ao
nascer e viver na terra, era um homem ‘completo’ e que Ele tinha também uma alma
humana, com suas capacidades de entender e sentir. Jesus tinha uma inteligência que devia
crescer (Lucas 2:47,52). Mesmo quando adulto Jesus não sabia tudo (Marcos 13:32). Ele
se indignou contra os vendedores no templo (Marcos 11:15) e se compadeceu de pessoas
69

“que não tinha pastor” (Mateus 9:36). Ele ficou tomado de pavor e de angústia (Marcos
14:33).
b) Portanto, não aceitamos nenhuma opinião que, de uma ou de outra maneira, deixe
‘sumir’ a alma humana de Jesus e a substitua pela natureza divina dEle.
No século IV, o bispo Apolinário (na Síria) Já ensinava assim. Ele disse que Jesus tinha
um verdadeiro corpo humano e uma verdadeira alma, mas não um espírito humano. A
divindade dEle substituiu seu espírito humano. Então, Apolinário comprometeu a natureza
humana de Jesus. Esta doutrina já foi condenada pelo concílio de Constantinopla em 361.
O fato de Jesus ter recebido e assumido também a alma humana é a base da nossa
salvação: “Pois, estando perdidos tanto a alma como o corpo, Ele devia tomar ambos para
salvá-los”.

05. Jesus veio como homem sem pecado.


a) Até duas vezes se diz (no artigo 18) que Jesus se tornou semelhante aos homens, mas
sem o pecado. Ele mesmo disse: “Quem dentre vós me convence do pecado?” (João 8:46).
Ele era “santo, inculpável, sem mácula, separado dos pecadores” (Hebreus 7:16). O juiz
Pilatos considerou Jesus inocente.
b) Por outro lado, o artigo 18 enfatiza também que Jesus era igual a nós. O fato de Ele viver
sem pecado não alterou sua natureza humana. Não podemos pensar que Jesus não era um
verdadeiro homem, porque não cometeu pecado. Adão, antes da queda, também vivia sem
pecado, mas era verdadeiro homem.
c) O fato de Jesus ser homem sem pecado não significa que Ele não era suscetível de
tentações. Pois, Ele tinha uma natureza humana “com todas as suas fraquezas”. Por isso,
Ele era suscetível de fome, dor, cansaço, e até medo. Ele “foi tentado em todas as cousas, à
nossa semelhança” (Hebreus 4:15), quer dizer: Ele realmente foi ‘testado’ e teve que lutar
para vencer. Mas jamais ‘vacilou’; veja Mateus 4:1-11 (as tentações no deserto) e Marcos
14:33-36 (Jesus no Getsêmani).

06. Jesus veio pelo poder do Espírito Santo.


Jesus começou sua existência humana no ventre de Maria, “pelo poder do Espírito Santo,
sem intervenção do homem”. Desde o fim do século passado, este ‘modo’ de Jesus ter
nascido tem sido criticado.Muitos afirmam que esta parte da doutrina cristã não tem
nenhuma importância para a doutrina da salvação. Crer ou não crer o nascimento ‘virginal’
de Jesus seria indiferente.
Mas nós acreditamos que, aqui, muita coisa está ‘em jogo’
a) Eliminando o homem, Deus, na verdade, também eliminou a mulher. Sem o homem, ele
jamais pode ser mãe. Não foi à toa que Maria disse: ‘Como será isto, pois não tenho relação
com homem algum?’ (Lucas 1:34). Quer dizer: o nascimento de Jesus foi obra de Deus. Ele
enviou seu Filho, da maneia dEle: sem intervenção do homem; e na hora dEle: antes de
Maria ser casada. Quem nega tudo isso, está roubando a Deus a honra dEle.
b) O Filho de Deus existe desde a eternidade. Já falamos que o nascimento de Jesus foi o
ato dEle mesmo, porque Ele assumiu a natureza humana. Foi a própria decisão dEle de
viver como homem. Isto nem podia depender da “intervenção do homem”.
c) O fato de Jesus não ter o pecado original também tem a ver com isso. Contudo, não
dizemos que Jesus não tinha o pecado original somente porque Ele foi gerado sem
intervenção do homem. Se fosse assim, apenas o homem transmitiria o pecado original.
Porém, Jesus tinha uma mãe e ela foi uma mulher pecadora. A única razão de Jesus ter sido
70

concebido e nascido sem pecado é que o Espírito Santo o formou no ventre de Maria. O
anjo Gabriel falou: “Descera sobre ti o Espírito Santo e o poder do Altíssimo te envolverá
com a sua sombra; por isso também o ente santo que há de nascer, será chamado Filho de
Deus” (Lucas 1:35).
Em todo caso, a Escritura claramente ensina o nascimento virginal d Jesus (veja também
Mateus 1:16; Lucas 3:23).

07. Jesus veio para ser nosso Emanuel.


a) Dos anabatistas se diz, no artigo 18, que “negam que Cristo tomou a natureza de sua
mãe”, Na opinião deles, Jesus não era o verdadeiro filho de Maria. Não negam que Jesus
corporalmente ‘ficou’ em Maria, mas dizem que nada recebeu dela, nem carne nem sangue.
O pano de fundo desta opinião é que Deus deprecia este mundo, inclusive o corpo
humano. Por isso, Ele não faz nenhuma ‘ligação’ entre si mesmo e o mundo. Portanto, é
impossível que o Filho de Deus se torne homem. Há e haverá um abismo entre Deus e este
mundo e, por isso, também entre Cristo e Maria e entre Cristo e nós. Os anabatistas pensam
que Deus não vai transformar ou renovar o mundo, mas fazer um mundo totalmente novo.
b) Contra o parecer dos anabatistas, o artigo 18 diz (na frase final); “Assim Ele é, na
verdade, nosso Emanuel, isto é: Deus conosco”. Deus realmente se colocou ao nosso lado.
Ele ‘desceu’ à nossa existência humana para transformá-la e renová-la. Jesus, na vida
humana dEle, de fato faz parte dos homens, como a penúltima frase do artigo enfatiza. Dois
aspectos chamam a atenção:
(1) os muitos nomes dos antepassados de Jesus: Davi (2x), Maria, Jessé, Judá, os
judeus, Abraão;
(2) as muitas expressões que indicam a união de Jesus aos homens: “veio de”, “fruto
de”, “nascido de”, “rebento de”, “renovo de”, “brotado de”, “descendente de”.
c) A promessa, mencionada no artigo 17, realmente se cumpriu: Deus está conosco, porque
Jesus assumiu nosso corpo e nossa alma para salvá-los.

Pontos e perguntas para pensar:


01. Por que Jesus devia ser batizado, sendo Ele homem sem pecado?
02. Hebreus 5:8 diz que Jesus “aprendeu a obediência pelas cousas que sofreu”. Mas
Jesus, então nem sempre obedeceu? Ou será que a obediência dEle cada vez mais
crescia, assim como a sabedoria dEle (Lucas 2:52)?
03. Às vezes se diz que o nascimento virginal de Jesus foi impossível, porque assim
Deus teria ‘prejudicado’ o casamento que Ele mesmo instituiu. Como você avalia
esta opinião?
04. Jesus corporalmente, não era filho de José. Mesmo assim, Mateus ‘liga’ Jesus a
Davi através de José (na genealogia de Mateus 1:1-16). Por quê?

ARTIGO 19

AS DUAS NATUREZS DE CRISTO


71

Cremos que, por esta concepção, a pessoa do Filho está unida e conjugada,
inseparavelmente, com a natureza humana1. Não há, então, dois Filho de Deus, nem duas
pessoas, mas duas naturezas, unidas numa só pessoa, mantendo cada uma delas suas
características distintas. A natureza divina permaneceu não-criada, sem início, nem fim de
vida (Hebreus 7:3), preenchendo céu e terra2. Do mesmo modo a natureza humana não
perdeu suas características, mas permaneceu criatura, tendo início, sendo uma natureza
finita e mantendo tudo o que é próprio de um verdadeiro corpo 3. E ainda que, por meio da
sua ressurreição, Cristo tenha concedido imortalidade à sua natureza humana, Ele não
transformou a realidade da mesma4, pois nossa salvação e ressurreição dependem também
da realidade de seu corpo5.
Estas duas naturezas, porém, estão unidas numa só Pessoa de tal maneira que nem por
sua morte foram separadas. Ao morrer, Ele entregou, então, nas mãos de seu Pai um
verdadeiro espírito humano, que saiu de seu corpo6, entretanto a natureza divina sempre
continuou unida à humana, mesmo quando Ele jazia no sepulcro 7. A divindade não cessou
de estar nEle, assim como estava nEle quando era criança, embora, por algum tempo, não
se tivesse manifestado.
Por isso confessamos que Cristo é verdadeiro Deus e verdadeiro homem: verdadeiro
Deus a fim de vencer a morte por seu poder; verdadeiro homem a fim de morrer por nós na
fraqueza de sua carne.

01. O assunto do artigo 19.


Neste artigo, a igreja confessa que o Filho de Deus, que é e permanece Deus, se tornou
verdadeiro homem, mas de tal maneira que Ele permaneceu uma só Pessoa.
Isto significa o seguinte:
a) Quando o Filho de Deus se tornou homem, não havia dois filhos de Deus, nem duas
pessoas. Havia uma só Pessoa, mas, a partir da encarnação (artigo 18), Ele não somente era
Deus, mas também homem e, portanto, tinha uma natureza divina e uma humana.
b) Cada natureza manteve suas próprias características. Como Deus, o Filho sempre existiu,
“preenchendo céu e terra”, e isto não mudou. Mas, como homem, Ele recebeu todas as
características e todas as limitações que são próprias ao corpo humano. Ele, sim, tornou
imortal sua natureza humana pela ressurreição, mas, mesmo assim, Ele permaneceu homem
completo, com um verdadeiro corpo humano, pois nossa ressurreição depende também
desta realidade.
c) Quanto à união das duas naturezas, nem a morte as separou uma da outra. Quando Jesus
jazia no sepulcro, seu verdadeiro espírito humano tinha saído do seu corpo, mas naquele
momento, Ele era ao mesmo tempo Deus, embora não fosse visível (como na época em que
Ele ainda era criança).
“Por isso, confessamos que Cristo é verdadeiro Deus e verdadeiro homem”.

1
João 1:14, 10:30: Romanos 9:5; Filipenses 2:6,7.
2
Mateus 28:20.
3
1 Timóteo 2:5.
4
Mateus 26:11; Lucas 24:39; João 20:25; Atos 1:3,11; Atos 3:21; Hebreus 2:9.
5
1 Coríntios 15:21; Filipenses 3:21.
6
Mateus 27:50.
7
Romanos 1:4.
72

d) Esta confissão tem tudo a ver com nossa salvação. Pois, como Deus, Cristo era capaz de
vencer a morte; como homem, Ele era capaz de assumir a morte.

02. Duas naturezas numa só Pessoa: um mistério.


a) A partir do paraíso tem havido uma profunda relação (‘solidariedade’) entre Deus e o
homem, entre o Criador e a sua criatura. Deus buscou a comunicação com Adão e Eva. Por
isso eles fora criados à imagem dEle. Também depois da queda Deus queria continuar a
habitar e operar nos corações dos fiéis. Eles são chamados o santuário do Deus vivo
(2Coríntios 6:16). Com seu Espírito, Deus até ‘penetrou’ tanto nos profetas que eles
falaram a palavra dEle. Sempre havia, portanto, uma forte relação entre Deus e homem.
b)Esta relação, porém, em nenhum homem foi tão profundo como em Cristo. Ninguém é
comparável a Ele, porque Ele era e permaneceu Deus, que se tornou homem, permanecendo
uma só pessoa. Ele é verdadeiro Deus e verdadeiro homem, contudo, um só ‘Alguém’, uma
só personalidade. Nele não há um ‘Eu’ divino ao lado de um ‘eu’ humano, pois “não há
dois filhos de Deus, nem duas pessoas”. Um exemplo: Jesus usou verdadeira saliva humana
para curar um cego, mas lhe abriu os olhos com seu poder e majestade divinos (João 9:6-7).
Contudo, era uma só Pessoa que curou o cego.
c) Tentou-se esclarecer este mistério de duas maneiras bem diferentes. De acordo com uma
maneira, a divindade e a humanidade de Jesus estão misturadas de modo a formarem uma
nova natureza, parcialmente divina e parcialmente humana; quer dizer: há uma só Pessoa,
com uma só natureza. De acordo com a outra maneira, a divindade e a humanidade de Jesus
devem ser mantidas, mas de tal modo que Jesus sempre atue e fale quer como Deus quer
como homem e jamais como uma só Pessoa; quer dizer: há duas naturezas e duas pessoas.
Estas duas opiniões têm em comam a idéias de que a uma só natureza pertença a uma só
pessoa. Pois, uma diz: se há uma só pessoa, então, há também uma só natureza; a outra diz:
se há duas naturezas, então há também duas pessoas.
d) Porém, o artigo 19 afirma: há duas naturezas unidas numa só Pessoa. Pois, conforme
Filipenses 2:6-8, há um só Cristo, tanto “em for ma de Deus”, como “em figura humana”.
E, embora o v.7 diga que ele, como Deus, “se esvaziou”, é claro que esta expressão não
significa que Ele deixou de ser Deus; significa, sim, que a glória divina dEle ficou coberta.
Ou seja: Ele permaneceu Deus e, além disto, assumiu a forma de homem.
É e permanece um grande mistério. Não somos capazes de esclarecê-lo.

03. Duas naturezas numa só Pessoa: uma confissão necessária.


a) Em Cristo, Deus e o homem estão unidos numa só Pessoa; é um mistério. Então, não
seria melhor não falarmos sobre esse assunto? De fato, alguns teólogos têm afirmado que o
artigo 19 vai além dos limites (do nosso conhecimento) e que o conteúdo do artigo 19 não
passa de uma tentativa fracassada de esclarecer o mistério.
b) Mas é claro que este artigo não faz outra coisa senão apresentar o ensino da Bíblia. Isto é
o dever da igreja por mais de um motivo:
(1) Não prestamos a devida honra ao Filho de Deus, se não O louvamos como Ele
mesmo se revelou.
(2) O artigo 19 tem muita atualidade, porque muitas pessoas, hoje em dia,
consideram Jesus (apenas) um ‘verdadeiro rei’ ou um ‘homem excelente’ ou uma
‘pessoa quase divina’, mas não reconhecem que Ele é verdadeiro Deus.
(3) A confissão a respeito das duas naturezas de Cristo também é fundamental para
a nossa própria salvação, como o artigo 19 indica até duas vezes. Pois diz a
73

que “nossa salvação e ressurreição dependem também da realidade do seu corpo”. E


termina assim: “(Ele é) verdadeiro Deus a fim de vencer a morte por seu poder;
verdadeiro homem a fim de morrer por nós na fraqueza de sua carne”.

04. Duas naturezas numa só Pessoa: contudo, são inconfundíveis.


a) Eutiques (ou:Eutíquio), um monge de Constantinopla, viveu no século V e ensinou que,
quando Cristo se tornou homem, a natureza humana dEle ‘sumiu’ na natureza divina; a
divindade de Jesus absorveu a humanidade dEle. Então, as duas naturezas na sua união se
modificaram para constituir uma só natureza; e o corpo humano de Jesus ficou divino. Quer
dizer: Eutiques também pensou conforme o esquema: uma só pessoa; então, uma só
natureza (veja 02. c).
O concílio de Calcedônia (em 451) condenou a opinião de Eutiques, afirmando que as
duas naturezas de Cristo são “inconfundíveis e imutáveis”.
b) Também os anabatistas tinham uma opinião errada (mais ou menos igual à de Eutiques).
Na opinião deles, o corpo de Jesus não foi fruto do ventre de Maria e, portanto, não foi
verdadeiramente humano. O corpo de Jesus teria sido feito por Deus de maneira singular
(veja o artigo 18, 07.a, pág. 69). Quer dizer: os anabatistas também acharam que a
divindade de Jesus absorveu a sua humanidade.
c) Até Lutero errou neste ponto. Ele disse que a natureza humana de Jesus, de fato, não foi
totalmente absorvida pesa natureza divina, mas que ela se transformou. Ele comparou esta
transformação a um pedaço de ferro que se faz candente e, assim, além das características
de ferro, também tem as de fogo. Pois, aquele pedaço de ferro se torna fogo. Da mesma
forma, a natureza humana de Jesus, em que a natureza divina ‘penetrou’ totalmente, ganhou
características divinas, como (por exemplo) a onipresença. Por isso, Jesus (conforme Lutero
e os luteranos) está corporalmente presente nos sinais da santa ceia. Principalmente depois
da sua ascensão, Jesus teria começado a usar estas características divinas.
d) É contra todas essas opiniões que a igreja confessa: (1) “a natureza divina permaneceu
não-criada”, e (2) “as natureza humana (...) permaneceu criatura (...), sendo uma natureza
finita e mantendo tudo o que é próprio de uma verdadeiro corpo”.
Para os dois pontos mencionados alguns textos bíblicos:
(1) “ora, ninguém subiu ao céu, senão aquele que de lá desceu” (João 3:13). Entre a
descida e a ascensão de Jesus houve sua encarnação: Ele subiu ao céu com um
corpo humano. Mas é claro que a encarnação não mudou a divindade dEle, porque
Aquele que desceu como Deus era o mesmo que subiu como Deus e homem (veja
também João 1:18;6:62; Efésios 4:10).
(2) Contudo, Jesus, além de ser Deus, era também verdadeiro homem. Ele diz: “Eu
e o Pai somos um” (João 10:30), mas também: “o Pai é maior do que eu” (João
14:28). Ele sabe tudo (João 21:17), mas não conhece a data do último dia (Marcos
13:32). Nele “habita corporalmente toda a plenitude da Divindade” (Colossenses
2:9); contudo, Ele foi ressuscitado dentre os mortos (v. 12).
Especialmente contra a opinião luterana da onipresença do corpo de Cristo
mencionamos Atos 1:11 (“Esse Jesus que dentre vós foi assunto ao céu, assim virá”)
e 1 Pedro 1:8 (Jesus Cristo, “a quem, não havendo visto, amais”).
e) Parece que alguns dos referidos textos (de d.2) se contradizem uns aos outros. Isto tem a
ver com o mistério de que Jesus é Deus e homem. Temos que deixar intacto este mistério.
Para nós, por exemplo, é um enigma que Jesus soubesse tudo, mas não conhecesse a data
do último dia. Aparentemente, a onisciência divina, neste ponto, não era acessível a Ele.
74

Isto deve fazer parte do “esvaziar-se” de Filipenses 2 (veja 02.d). Mas aqui, chegamos ao
limite do nosso pensar e esclarecer.

05. Duas naturezas numa só Pessoa: contudo, são inseparáveis.


a) O bispo Nestório viveu no mesmo século e na mesma cidade que Eutiques (século V
Constantinopla). Ele ensinou: duas naturezas, então, duas pessoas. Na opinião dele não há
fusão das duas naturezas (como ensinou Eutiques); nem união (como ensina o artigo 19),
mas apenas ‘separação’. A divindade habita no homem Jesus como num templo. As duas
naturezas não são unidas numa só Pessoa. O já referido concílio de Calcedônia (em 451)
condenou não somente Eutiques, mas também Nestório, afirmando que as doas naturezas
são também “indivisíveis e inseparáveis”.
b) Já observamos (veja 04.d.2) que a Bíblia menciona tanto as características divinas como
as humanas de Jesus. Contudo, elas não são tão separadas que possam ser divididas entre
duas pessoas. Pois, não há “duas pessoas, mas duas naturezas, unidas numa só Pessoa”.
“Portanto há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem”
(1Timóteo 2:5). Por isso, não podemos dividir os atos e as palavras de Cristo entre o que
Ele falou e fez como Deus ou como homem. Assim separaríamos o que pertence a uma só
Pessoa. Trata-se, em todo o falar e agir de Jesus, da ‘atuação’ de um só Mediador.
c) A forte união das duas naturezas uma só Pessoa também se mostra no seguinte: muitas
vezes se diz algo sobre Cristo, que Ele somente podia fazer como homem, enquanto se fala
conforme sua divindade. Por exemplo: em Atos 20:28 diz Paulo que Deus comprou sua
igreja com o seu próprio sangue. Então, ele fala sobre o sangue de Deus (!). Tão forte é a
união do corpo e da divindade de Jesus. E, em 1 Coríntios 2:8, Paulo fala sobre “o Senhor
da glória” (divindade) que foi crucificado (como homem!).
d) O artigo 19 diz que as naturezas humana e divina de Jesus nem ficaram separadas
“quando Ele jazia do sepulcro”. E continua: “A divindade não cessou de estar nEle, assim
como estava nEle quando era criança”. O objetivo destas colocações é apenas de confessar
a maravilhosa união das duas naturezas de Jesus, não de esclarecer o mistério. Isto é claro,
porque sobre a época, em que Ele era criança, não se diz mais do que somente que a
divindade estava nEle, “embora, por algum tempo, não se tivesse manifestado”. Quer
dizer: a divindade estava presente nEle, mas aquilo que a Escritura dez sobre Jesus é bem
resumido.

Pontos e perguntas para pensar:


01. O credo de Atanásio diz (artigo 37): “pois, assim como a alma racional e a carne
são um só homem, assim Deus e homem são um só Cristo”. Você acha que esta
comparação tem o objetivo de esclarecer o mistério das duas naturezas de Cristo?
Ou será que é uma referência a outro mistério que conhecemos melhor?
02. Não podemos adorar criaturas. Por isso pergunta-se: devemos adorar Jesus de
acordo com a sua natureza humana ou de acordo com a divina? E uma pergunta
correta ou ‘frustramos’, assim, a união da Pessoa de Cristo? Pense em Tomé que
confessou, vendo as marcas das feridas (humanas) de Jesus: “Senhor meu e Deus
meu!” (João 20:28).
75

ARTIGO 20

A JUSTIÇA E A MISERICÓRDIA DE DEUS EM CRISTO.


76

Cremos que Deus, perfeitamente misericordioso e justo, enviou seu Filho para assumir a
natureza humana em que foi cometida a desobediência1. Nesta natureza, Ele satisfaz a
Deus, carregando o castigo pelos pecados, através de seu mui amargo sofrimento e morte2.
Assim Deus provou sua justiça sobre seu Filho, quando carregou sobre Ele nossos pecados 3
e derramou sua bondade e misericórdia sobre nós, culpados e dignos da condenação. Por
amor perfeitíssimo, Ele entregou seu Filho à morte, por nós, e O ressuscitou para nossa
justificação4, a fim de que, por Ele, tivéssemos a imortalidade e a vida eterna.

01. O assunto do artigo 20.


Este artigo enfatiza que Deus, ao enviar-nos seu Filho, mostrou-se tanto misericordioso
como justo.
a) Deus enviou seu Filho “para (Este) assumir a natureza humana em que foi cometida a
desobediência” . Assim Cristo podia carregar nossa desobediência, pagar nossa dívida e
sofrer nosso castigo, “através de seu mui amargo sofrimento e morte”.
b) A justiça de Deus se manifestou claramente na sua atitude com seu Filho, pois “carregou
sobre Ele nossos pecados”.
c) Mas Deus “derramou sua bondade a misericórdia sobre nós”, embora “culpados e dignos
da condenação”. Ele nos amou tão perfeitamente que, por nós, “entregou seu Filho à
morte”. Depois, ele O ressuscitou para nos dar a justiça, que Cristo conquistou para nós .
Desta maneira temos , para sempre , a verdadeira vida .

02. Deus é justo e misericordioso em enviar seu Filho.


a) As palavras “misericordioso”e “justo”, para nós, são mais ou menos opostas. Têm sua
própria conotação. “justo” nos faz pensar num rosto ‘fechado’, severo de uma pessoa
sólida que cumpre o que promete, mas também cobra dos outros o que prometera. A justiça
de Deus, de que o artigo 20 fala, indica que Ele, de fato, cumpre o que fala e mantém o que
foi ‘combinado’ (determinado). Nisto está incluída a palavra de Deus de Gênesis 2:17:
“porque no dia em que dela (da árvore) comeres, certamente morrerás”. “O salário do
pecado é a morte” (Romanos 6:23).
“Misericordioso” nos faz pensar num rosto ‘aberto’, sorridente de uma pessoa que
sempre quer ajudar os outros e procura o bens deles. A misericórdia de Deus, de que o
artigo 20 fala, indica que Ele realmente nos dá “a imortalidade e a vida eterna”, o nós
“culpados e dignos da condenação”.
b) No entanto, é fundamental observar que o artigo 20 não diz que Deus é justo, mas
também misericordioso; ou que a justiça e a misericórdia dEle se equilibram uma à outra;
ou que a misericórdia dEle prejudica a justiça dEle. Pelo contrário, o artigo diz que Deus é
perfeitamente misericordioso e justo”; ou seja: Deus, ao mesmo tempo, é perfeitamente
justo e perfeitamente misericordioso.
O fato de Deus ter enviado seu Filho mostrou tanto sua justiça como sua misericórdia.
Pois Deus não ‘deixou cair’ nenhuma palavra sua. Ele “provou sua justiça sobre seu Filho,
quando carregou sobre Ele nossos pecados”. Mas, ao mesmo tempo, Ele nos salvou dos
nossos pecados e, assim, mostrou sua misericórdia para conosco.
1
Romanos 8:3.
2
Hebreus 2:14.
3
Romanos 3:25-26; 8:32.
4
Romanos 4:25.
77

03. A maneira de Deus mostrar sua justiça.


a) O artigo 20 afirma, com ênfase, que Deus não ‘fugiu’ de sua palavra (‘exigência’) de que
o homem seria responsável por suas transgressões e por seus pecados. Por isso, Jesus devia
“assumir a natureza, em que foi cometida a desobediência”, ou seja: Ele devia tornar-se
homem. Pois, assim, Ele podia carregar “o castigo pelos pecados, através de seu ui amargo
sofrimento e morte”. A própria Bíblia fala assim: “o castigo que nos traz a paz estava sobre
Ele’ e “o SENHOR” fez cair sobre ele a iniqüidade de nós todos” (Isaías 53:5-6). “Ele o
Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (João 1:29).
b) Pode parecer que o artigo 20 favoreça a idéia de que Deus não manifesta sua justiça em
sua atitude para conosco. Pois diz que “Deus provou sua justiça sobre seu Filho” e que Ele
“derramou sua bondade e misericórdia sobre nós”. Então, a misericórdia de Deus tomou o
lugar da justiça dEle, na atitude para conosco? É claro que o artigo 20 não quer dizer isso,
porque Deus é perfeitamente justo, mesmo quando risca nossas dívidas. Por quê? Porque
essas dívidas foram pagas! “Sem derramamento de sangue não há remissão” (Hebreus
9:22). Por isso, Deus é tanto misericordioso como justo para conosco, “para ele mesmo ser
justo e o justificador daquele que tem fé em Jesus” (Romanos 3:26).
Quando o artigo 20 confessa que Deus provou sua justiça sobre seu Filho, não podemos
concluir que Ele, por isso, se esqueceu de sua justiça para conosco. O artigo 20 quer dizer
que Deus provou sua justiça exclusivamente para com seu Filho, enquanto para conosco
Ele é misericordioso e justo.

04. A misericórdia de Deus não prejudica a justiça dEle.


a) Muitas vezes se diz que Deus é amor, no sentido de que Ele perdoa nossas dívidas sem
exigir pagamento (esta opinião, portanto, só quer saber da misericórdia de Deus e não da
justiça dEle).
Mas, desta maneira, o amor de Deus fica muito ‘barato’ e indigno dEle, porque sua
justiça é eliminada e frustrada. O amor de Deus seria simplesmente o esquecimento por Ele
dos nossos pecados.
b) Contra esta opinião, o artigo 20 afirma que o amor de Deus se manifestou de maneira
bem diferente e realmente digna dEle. “Por amor perfeitíssimo, Ele entregou seu Filho à
morte, por nós” (veja também João 3:16). O amor de Deus não significa que Ele se
esqueceu de sua justiça, mas que Ele carregou nossos pecados sobre seu próprio Filho.

05. A justiça de Deus não prejudica a misericórdia dEle.


a) Há pessoas que, então, escolheu a misericórdia de Deus como ponto de partida, mas de
tal maneira que prejudiquem a justiça de Deus (veja 04). Outros escolhem justamente a
justiça de Deus como ponto de partida. Eles têm a opinião de que Deus é tão justo que
odeia o homem pecador. Mas Jesus ‘mudou’ esta situação. Ele fez com que Deus nos
amasse. Apaziguando a ira de Deus. Jesus tornou Deus misericordioso para conosco.
Também conforme esta opinião é impossível que Deus seja, ao mesmo tempo,
perfeitamente justo e misericordioso. Ele é justo ou misericordioso. E aqueles que têm esta
opinião adoram Jesus como Aquele que transformou a ira de Deus em amor.
b) O artigo 20, porém, deixa claro que Deus não se tornou misericordioso (pela obra de
Jesus), mas que Ele é misericordioso. Pois diz que “Deus, perfeitamente misericordioso
(...), enviou seu Filho”. Quer dizer: Deus já se mostrou misericordioso para conosco,
quando enviou seu Filho. Antes da morte de Jesus na cruz, Deus já nos amava. A mesma
78

verdade encontramos nesta frase: “Por amor perfeitíssimo, Ele entregou seu Filho à morte,
por nós”.
Este ensino do artigo 20 corresponde plenamente ao ensino bíblico. A Bíblia também
diz que Deus nos amou e, por isso, “enviou o seu Filho como propiciação pelos nossos
pecados” (1João 4:10-11; veja também João 3:16 e Efésios 1:4-5). A mais profunda base da
nossa salvação não é o sacrifício de Cristo, pois o sacrifício dEle tem como base o amor
inexplicável do Deus Triuno.
c) Por outro lado, a Bíblia realmente diz, também, que nós éramos inimigos de Deus e que
“fomos reconciliados com Deus mediante a morte do seu Filho” (Romanos 5:9-10). Porém,
isto não significa que Deus nos odiava antes de Jesus ter modificado esta situação. Assim
diminuiríamos o amor de Deus, porque foi justamente pelo amor para conosco que Ele
enviou seu Filho (João 3:16). Mas é verdade que a Bíblia, ao mesmo tempo, diz que Deus
estava irado contra nós, o mesmo Deus que, por amor, enviou seu Filho ao mundo. Então,
temos que dizer as duas coisas: (1) Deus nos amou e mostrou sua misericórdia e (2) Ele
estava irado contra nós. Estas duas ‘coisas’ encontramos também em Efésios 2:3-4. Por um
lado , os fiéis, antes de sua conversão (“outrora”), são chamados “filhos da ira”, quer dizer:
a ira de Deus pesa neles. Mas, por outro lado, Deus (“sendo rico em misericórdia”) amou
esses filhos da ira com um “grande amor”.
Para nós, homens, é difícil de explicar totalmente estas duas verdades. Mas é o nosso
dever repetir o que a Escritura diz.

06. O fruto da justiça e da misericórdia de Deus.


a) Nas últimas palavras do artigo 20 encontramos o fruto da justiça e da misericórdia de
Deus em Cristo: “a fim de que, por Ele (Cristo), tivéssemos a imortalidade e a vida eterna”.
Merecíamos a morte, mas ficamos com a vida.
b) Esta surpreendente ‘virada’ é conseqüência do fato de que Deus “entregou seu Filho à
morte, por nós, e O ressuscitou para nossa justificação”. A morte (1) e a ressurreição (2) de
Cristo são a base da nossa absolvição e salvação.
(1) Não precisamos mais ser entregues à morte eterna, porque Deus entregou seu
Filho à morte, por nós.
(2) Ao mesmo tempo precisamos de um Salvador que faz com que realmente
recebamos “nossa justificação”, ou seja: precisamos de um Salvador que vive. Por
isso, Deus também “O ressuscitou para nossa justificação”.
Aquilo que Jesus conquistou, para nós, por sua morte (1), Ele realmente nos dará, Porque
Ele vive (2). Desta maneira recebemos a imutabilidade e a vida eterna.

Pontos e perguntas para pensar:


01. Na frase final do artigo 16 lemos que Deus é “justo, porque Ele deixa os demais
em sua queda e perdição”. Em relação ao artigo 20 falamos que Deus é justo
também quando salva pecadores (Romanos 3:26). Estas duas afirmações não se
contradizem uma a outra?
02. Existe a opinião de que os fiéis não recebem a imortalidade e a vida eterna
quando morreram, mas quando Cristo voltar. Você acha que o artigo 20 condena
esta opinião? Veja também João 5:24; 11:25-26.
79

ARTIGO 21

A SATISFAÇÃO POR CRISTO


80

Cremos que Jesus Cristo é um eterno Sumo Sacerdote, segundo a ordem de Melquisedeque,
o que Deus confirmou por juramento1. Perante seu pai e para apaziguar-lhe a ira, Ele se
apresentou em nosso nome, por satisfação própria2, sacrificando-se a si mesmo e
derramando seu precioso sangue, para purificação dos nossos pecados 3, conformes os
profetas predisseram4.
Pois, está escrito que “o castigo que nos traz a paz estava sobre” o Filho de Deus; e que
“pelas suas pisaduras fomos sarados”5; “como cordeiro foi levado ao matadouro”; “foi
contado com os transgressores”6 (Isaías 53:5,7,12); e como criminoso foi condenado por
Pôncio Pilatos, embora este o tivesse declarado inocente7. Assim, então, restituiu o que não
tinha furtado (Salmo 69:4), e sofreu, “o justo pelos injustos”8 (1Pedro 3:18), tanto no seu
corpo como na sua alma9, de maneira que sentiu o terrível castigo que os nossos pecados
mereceram. Assim “o seu suor se tornou como gotas de sangue caindo sobre a terra” (Lucas
22:44). Ele “clamou em alta voz: Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?”
(Mateus 27:46) e padeceu tudo para a remissão dos nossos pecados.
Por isso dizemos, com razão, junto com Paulo que não sabemos outra coisa, “senão
Jesus Cristo, e este crucificado” (1Coríntios 2:2). Consideramos “tudo como perda por
causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus”, nosso Senhor (Filipenses 3:8).
Encontramos toda consolação em seus ferimentos e não precisamos buscar ou inventar
qualquer outro meio para nos reconciliarmos com Deus, “porque com um única oferta
aperfeiçoou para sempre quantos estão sendo santificados”10 (Hebreus 10:14). Por isso o
anjo de Deus O chamou Jesus, quer dizer: Salvador, porque ia salvar “o seu povo dos
pecados deles”11 (Mateus 1:21).

01. O assunto do artigo 21.


Neste artigo, a igreja confessa o que Jesus fez como sacerdote para reconciliar-nos com
Deus.
a) Como sacerdote, Jesus é comparável a Melquisedeque, que também não teve antecessor,
nem sucessor. Por isso, Ele é um “eterno Sumo Sacerdote”. E Deus confirmou por
juramento que Jesus realmente é tal sacerdote.
b) Ele se apresentou, em nosso lugar, perante seu Pai, para apaziguar a ira dEle. Pois, (1)
Ele se sacrificou a si mesmo, satisfazendo as exigências de Deus para conosco, e (2) com
seu sangue, Ele nos purificou dos nossos pecados que provocavam a ira de Deus.
c) Assim tinha sido anunciado pelos profetas. Isaías 53 diz que Jesus, embora inocente, foi
condenado como criminoso, o Salmo 69 acrescenta que Ele então, devolveu o que não tinha
furtado.

1
Salmo 110:4; Hebreus 7:15-17.
2
Romanos 4:25; 5:8-9; 8:32; Gálatas 3:13; Colossenses 2:14; Hebreus 2:9,17; 9:11-15.
3
Atos 2:23; Filipenses 2:8; 1 Timóteo 1:15; Hebreus 9:22; 1 Pedro 1:18,19; 1João 1:7; Apocalipse 7:14.
4
Lucas 24:25-27; Romanos 3:21; 1Coríntios 15:3.
5
1Pedro 2:24.
6
Marcos 15:28.
7
João 18:38.
8
Romanos 5:6.
9
Salmo 22:15.
10
Hebreus 7:26-28; 9:24-28.
11
Lucas 1:31; Atos 4:12.
81

d) Tanto no seu corpo como na sua alma, Ele sentiu o terrível castigo que nós tínhamos
merecido. O suor dEle se tornou em gotas de sangue e Deus O desamparou. Tudo isto Ele
padeceu para a remissão dos nossos pecados.
e) Por isso dizemos, como Paulo, que não há nada mais importante para conhecer “senão
Jesus Cristo, e este crucificado”. Pois, temos a certeza de que Ele, por seus ferimentos,
definitivamente nos reconciliou com Deus e que, para sempre, nos conduz à perfeição. Não
foi à toa que o anjo de Deus O chamou Jesus, quer dizer: Salvador. Porque Ele nos salva
dos pecados que desfazem nossa comunhão com Deus.

02. Como sacerdote, Jesus é comparável a Melquisedeque.


a) Na época do Antigo Testamento, havia dois tipos de sacerdote. Um era o de Arão, da
tribo de Levi. Os sacerdotes levíticos atuavam como intermediários entre Deus e o povo.
Eles representavam o povo junto a Deus, oferecendo-Lhe sacrifícios em nome do povo, a
fim de recuperar ou confirmar a comunhão com Deus. Mas, também, eles representavam
Deus junto ao povo, abençoando o povo em nome dEle (Números 6:22-27) ou ensinando a
lei de Deus (Deuteronômio 33:10). A tarefa deles era recuperar, sustentar e aprofundar a
comunhão entre Deus e seu povo. Tratava-se sempre da reconciliação com Deus, mas pela
satisfação, quer dizer: por retribuição, por pagamento. A reconciliação devia ser paga
com sangue, ou seja: com um sacrifício vivo. Pois, “è o sangue que fará expiação em
virtude da vida” (Levítico 17:11).
b) Mas o Antigo Testamento fala também de um sacerdote bem diferente. O nome dele era
Melquisedeque, contemporâneo de Abrão que também se encontrou com ele (veja Gênesis
14:18-24). Nós o encontramos mais uma vez no Salmo 110:4. E, no Novo Testamento, é a
carta aos Hebreus que fala dele.
Chama a atenção que este sacerdote (só duas vezes mencionado no Antigo Testamento!)
é muito mais importante do que todos aqueles outros. Gênesis 14 já mostra que
Melquisedeque é mais importante do que os sacerdotes levíticos do futuro. Porque Abraão
o reconhece como ‘superior’, deixando abençoar-se por este sacerdote (e aquele que
abençoa é mais do que aquele que é abençoado) e pagando-lhe o dízimo do despojo.
Abraão fez isso como pai da tribo de Levi e, portanto, como pai dos sacerdotes. Então, na
pessoa de Abraão, os sacerdotes levíticos, antes do nascimento dele, já dobraram os joelhos
diante de Melquisedeque (Hebreus 7:4-10).
c) Não há motivo de supor que a tarefa sacerdotal de Melquisedeque tenha sido muito
diferente da dos sacerdotes levíticos. Mas por que e em que Melquisedeque, então, era mais
importante do que Arão? É a carta aos Hebreus que ampla e profundamente fala sobre essa
diferença. Mencionamos dois pontos que têm importância para o assunto do artigo 21.
(1) O primeiro ponto se refere à nomeação. Os outros se tornavam sacerdotes
porque era a ‘profissão’ da tribo (família). Eles pertenciam à tribo de Levi e era
previsível que se tornariam sacerdotes. Eles sucediam a seus pais mais ou menos
automaticamente. Mas Melquisedeque não teve pai, nem mãe, nem genealogia
(Hebreus 7:3). Isto não significa que Melquisedeque não teve pais ‘naturais’.
Significa, sim, que ele não se tornou sacerdote porque era a profissão de seus pais.
Não fio uma questão da família dele pois, de acordo com a lei de Moisés (que veio
mais tarde), ele nem poderia ter sido sacerdote. Neste sentido ele não teve pai, nem
mãe. A nomeação dele veio diretamente de Deus e, portanto, foi uma surpresa.
Assim também Jesus não teve pais de uma geração sacerdotal. “Pois é evidente que
nosso Senhor procedeu de Judá, tribo à qual Moisés nunca atribuiu sacerdotes”
82

(Hebreus 7:14). Jesus, portanto, também foi nomeado diretamente por Deus (contra
qualquer expectativa). “Portanto se testifica (de Jesus): Tu és sacerdote para sempre,
segundo a ordem de Melquisedeque” (Hebreus 7:17). E Deus confirmou esta
nomeação por juramento (Hebreus 7:20-21).
Assim mostra-se, já na nomeação (que foi bem direta e, por isso, surpreendente),
a superioridade de Melquisedeque e Jesus sobre Arão. E, no caso de Jesus, a
nomeação ainda foi confirmada por Deus por juramento.
(2) O segundo ponto se refere à duração do sacerdócio. Os filhos de Levi eram
sacerdotes temporariamente, “porque são impedidos pela morte de continuar”
(Hebreus 7:23). Mas lemos sobre Melquisedeque que não teve “fim de existência” e
que “permanece sacerdote perpetuamente” (Hebreus 7:3). Não é muito provável que
isto signifique que Melquisedeque, até hoje, seja sacerdote, no céu. Deve significar
que ele não teve sucessor. Ninguém era capaz de assumir a obra dele, quando ele
não mais teve condições de desempenhar seu ministério por causa de doença,
velhice ou morte. Ele foi sacerdote uma vez por todas e, assim, não teve fim de
existência. Ele, por assim dizer, levou seu ministério na morte e não o abandonou
para entregá-lo a um outro.
Tudo isto se cumpriu com Jesus. Ele também é sacerdote perpetuamente e, por
isso, Deus lhe disse: “Tu és sacerdote para sempre” (Hebreus 7:21). “Este, no
entanto, porque continua para sempre, tem o seu sacerdócio imutável” (Hebreus
7:24). Este fato tem importantes conseqüências para nós, pois “por isso também
pode salvar totalmente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para
interceder por eles” (Hebreus 7:25).
Estes dois pontos (1 e 2) são indicados na primeira frase do artigo 21: “Cremos que Jesus
Cristo é um eterno Sumo Sacerdote, segundo a ordem de Melquisedeque, o que Deus
confirmou por juramento”.

03. O erro dos socinianos a respeito de Jesus (como sacerdote).


Durante 16 séculos de história da igreja, o ensino bíblico sobre Jesus que, por seu
sofrimento, reconcilio-nos com Deus, praticamente não tem sido criticado. Mas na época da
grande reforma (século XVI) surgiu o socinianismo. Foram os dois primos de Socino que
começaram a atacar a doutrina de que Cristo apaziguou a ira de Deus. Os argumentos deles
são usados até hoje e, por isso, é necessário conhecê-los. Limitamo-nos aos dois
argumentos mais importantes:
(1) Temos que desistir da idéia de que Deus estaria irado contra nós (pecadores!) e
que, por isso, exigiria castigo. Pois, Deus é amor e Ele não exige satisfação, na
forma de retribuição ou pagamento com sangue (veja artigo 20, 04.a, pág. 76).
Quando Deus enviou seu Filho, a reconciliação já tinha sido realizada. Jesus veio
para nos dizer e mostrar que Deus nos amava. O fato de Deus ter permitido que seu
Filho fosse morto pelos homens, mostrou o grande amor dEle para conosco, mas a
morte de Jesus não foi pagamento.
Contra este raciocínio diz o artigo 21 que Jesus “perante seu Pai e para
apaziguar-Lhe a ira, se apresentou em nosso nome, por satisfação própria” (veja
também 04).
(2) Um outro argumento é a impossibilidade de alguém assumir o castigo devido
aos pecadores de outra pessoa. Por exemplo: mesmo que um rapaz quisesse assumir
o castigo de seu irmão culpado (ficar em casa), um educador justo não aceitaria esta
83

troca (segurando, em casa, o inocente e deixando passear o culpado). Assim também


os castigos que nós merecemos, jamais poderiam ser assumidos por um outro. Ou
seja: rejeitar-se a idéia da substituição. Jesus jamais poderia assumir nossos
castigos.
Contra este raciocínio diz o artigo 21 que Jesus “se apresentou em nosso nome”
(veja também 05).

04. Como sacerdote, Jesus apaziguou a ira de Deus.


Contra a negação da ira de Deus e a negação da reconciliação por satisfação (veja 03.1)
afirmamos o seguinte:
a) É impossível que Deus simplesmente se esqueça do pecado, porque a ira dEle contra o
pecado não é apenas uma emoção, ou um sentimento, ou um impulso, que poderia ser
vencido por seu amor. A ira de Deus é a sua santa e perfeitamente justa indignação contra o
pecado, que (antes de mais nada) deve ser satisfeita. Pois “a alma que pecar, essa morrerá”
(Ezequiel 18:4). Deus quer manter sua palavra, porque “de maneira alguma pode negar-se a
si mesmo” (2Timóteo 2:13).
b) Hebreus 9:12 mostra claramente que o pagamento era necessário para reconciliar-nos
com Deus. No dia da expiação (veja Levítico 16), o sumo-sacerdote levítico entrava no
chamado santo dos santos (a sala menor do tabernáculo e, mais tarde, do templo), onde
ficava a arca do SENHOR. Mas ele precisava trazer o sangue de um bode para dentro do
santo dos santos. E isto acontecia só uma vez por ano. Mas Jesus “pelo seu próprio sangue,
entrou no Santo dos Santos, uma vez por todas, tendo obtido eterna salvação”.
c) E Hebreus 9:26 mostra a necessidade de o pecado ser aniquilado e ‘desativado’, Jesus
“se manifestou para aniquilar pelo sacrifício de si mesmo o pecado”. Só assim, Ele podia
“comparecer, por nós, diante de Deus” (v. 24).
d) O apóstolo Paulo, em Romanos 5:9, diz que somos “justificados pelo seu sangue e,
portanto, seremos por ele salvos da ira”.

05. Como sacerdote, Jesus assumiu, nosso castigo.


A idéia da substituição, rejeitada por muitos (veja 03.2), é ensinada pela Bíblia.
a) Conforme Isaías 53, Jesus sofreu em nosso lugar. “O castigo que nos traz a paz estava
sobre ele” (v. 5) e Ele se ofereceu a si mesmo “como oferta pelo pecado” (v. 10). Por isso
também Ele, como diz o artigo 21, devia ser condenado por Pilatos, “embora este o tivesse
declarado inocente”. Assim Ele “restituiu o que não tinha furtado”, mas o que nós tínhamos
furtado (Salmo 69:4).
b) Um sinal caro de que a dívida humana pode ser transferida, era o pôr da mão sobre a
cabeça do animal de holocausto (Levítico 1:4). Assim dizia-se: transfiro minha dívida para
este animal, que será morto em meu lugar. E o animal indicava Jesus, pois Ele é o “o
cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (João 1:29).
c) Hebreus 9:28 diz que Jesus se ofereceu “para tirar os pecados de muitos” e 1Pedro 2:24
diz que Ele carregou, “em seu corpo, sobre o madeiro, os nossos pecados”.
06. Jesus é nosso único e perfeito Sumo-Sacerdote.
a) O artigo 21 fala, com respeito, sobre “o terrível castigo” que Jesus sentiu. Para nos
mostrar, ao máximo, o peso do sofrimento dEle, o artigo enfatiza que Jesus sofreu como
“justo” e, também, “tanto no seu corpo como na sua alma” (quer dizer: como homem
completo). São mencionados dois sinais do seu sofrimento: Ele suou sangue e clamou que
Deus o tinha desamparado. Tudo isso Ele sofreu “para a remissão dos nossos pecados”.
84

b) Há muito conhecimento que é útil. Mas “o conhecimento de Cristo Jesus” excede tudo.
Comparado a este conhecimento, qualquer outro conhecimento, que em si mesmo possa ser
útil, perde seu valor, conforme diz Paulo a (Filipenses 3:8). É como a carga preciosa de um
navio. Quando o navio, por seu peso, corre perigo de afundar, a carga é sacrificada para
salvar vidas. Assim também o conhecimento de Cristo crucificado, em última análise, torna
inútil qualquer outro conhecimento.
c) As seguintes palavras são muito tranqüilizadoras: “Encontramos toda consolação em
seus ferimentos e não precisamos buscar ou inventar qualquer outro meio para nos
reconciliarmos com Deus”. Todo “buscar” ou “inventar” acabou. Jesus definitivamente nos
reconciliem com Deus “com uma única oferta”.
d) A riqueza de tudo isso encontramos no nome Jesus, quer dizer: Salvador, Redentor,
Libertador. Mas o artigo 21, citando Mateus 1:21, enfatiza que se trata da salvação dos
nossos pecados, que provocam a ira de Deus e, portanto, são as causas de toda a nossa
miséria.

Pontos e perguntas para pensar:


01. Jesus era descendente da tribo de Judá e da casa de Davi. Isto foi necessário?
Veja Atos 2:30. Jesus não era descendente da tribo de Levi. Então, não foi um tipo
de ‘saída de emergência’ que O tornou sacerdote segundo a ordem de
Melquisedeque?
02. Aqueles que negam a doutrina da reconciliação por satisfação, contudo, dizem
que Jesus, conforme Mateus 1:21, salva seu povo dos pecados deles. Mas de que
maneira, conforme eles, Jesus realiza esta salvação?

ARTIGO 22

A JUSTIFICAÇÃO PELA FÉ EM CRISTO.


85

Cremos que, para obtermos verdadeiro conhecimento desse grande mistério, o Espírito
Santo acende, em nosso coração, verdadeira fé1. Esta fé abraça Jesus Cristo com todos os
seus méritos, apropria-se dEle e nada mais busca fora dEle2. Pois das duas, uma: ou não se
acha em Jesus Cristo tudo o que é necessário para nossa salvação, ou tudo se acha nEle, e ,
então, aquele que possui Jesus Cristo pela fé, tem a salvação completa3. Dizer porém que
Cristo não é suficiente, mas que, além dEle, algo mais é necessário, significaria uma
blasfêmia horrível. Pois Cristo seria apenas um salvador incompleto.
Por isso, dizemos, com razão, junto com o apóstolo Paulo que somos justificados
somente pela fé, ou pela fé sem as obras4 (Romanos 3:28). Entretanto, não entendemos isto
como se a própria fé nos justificasse5, mas ele é somente o instrumento com que abraçamos
Cristo, nossa justiça. Mas Jesus Cristo, atribuindo-nos todos os seus méritos e tantas obras
santas, que fez por nós e em nosso lugar, é nossa justiça6. E a fé é o instrumento que nos
mantém com Ele na comunhão de todos os seus benefícios. Estes, uma vez dados a nós, são
mais que suficientes para nos absolver dos pecados.

01. O assunto do artigo 22.


O artigo 21 confessou que Cristo nos reconciliou com Deus, sacrificando-se a si mesmo. O
artigo 22 trata da seguinte pergunta: de que maneira participamos desta reconciliação?
a) O artigo 22 começa por dizer que a obra da reconciliação, realizada por Cristo, é um
grande mistério. Somente pelo Espírito, que produz a fé em nosso coração, podemos
conhecer esse mistério. Pois, pela fé (por assim dizer) abraçamos Cristo com tudo o que Ele
conquistou Assim Cristo se torna nosso Salvador e nada mais buscamos fora dEle “Pois das
duas, uma”: (1) ou Cristo não é capaz de dar-nos tudo o que é necessário para sermos
salvos, mais falar assim seria “uma blasfêmia horrível” Assim Cristo seria um salvador
incompleto (2) ou Cristo tem tudo para salvar-nos; então, “aquele que possui Jesus Cristo
pela fé, tem a salvação completa”
b) Essa fé, com que abraçamos Cristo, não tem, em si mesmo, algo meritório Por isso,
falamos, como Paulo, sobre fé “sem as obras”, ou seja: sem contar as atividades da fé Pois,
não é a própria fé que nos justifica A fé não é mais de um instrumento (meio) com que
abraçamos Cristo que pe nossa justiça. E Ele deposita na nossa conta o que mereceu por
nós.
Pela fé todos estes benefícios são nossos e eles “são mais que suficientes para nos
absolver dos pecados”.

02. Sem fé, a absolvição divina continua um mistério.


a) Então, trata-se da pergunta: como obtemos “verdadeiro conhecimento desse grande
mistério?”.É claro que esse grande mistério se refere à obra de reconciliação que Cristo
realizou. Mas por que fala-se de um mistério? Os artigos 20 e 21 não falaram ampla e
claramente sobre esse assunto? E não é assim que encontramos esse mesmo assunto em
1
João 16:14; 1Coríntios 2:12; Efésios 1:17,18.
2
João 14:6; Atos 4:12; Gálatas 2:21.
3
Salmo 32:1; Mateus 1:21; Lucas 1:77; Atos 13:38, 39; Romanos 8:1.
4
Romanos 3:19-4:8; 10:4-11; Gálatas 2:16; Filipenses 3:9; Tito 3:5.
5
1Coríntios 4:7.
6
Jeremias 23:6; Mateus 20:28; Romanos 8:33; 12; 1Coríntios 1:30-31; 5:21; 1João 4:10.
86

quase cada página da Escritura, porque é o coração do Evangelho? Contudo, é com toda a
razão que o artigo 22 fala de um mistério. Pois, para nosso entendimento é inaceitável que
um só homem pague os nossos pecados, morrendo na cruz (confira 1Coríntios 1:23).
João Calvino disse que o nosso entendimento, em coisas espirituais é mais cego do que
as toupeiras e não entende esta doutrina, assim como um cego não pode discernir cores e
um burro não pode entender uma sinfonia (veja também Mateus 16:17).
É por isso que esta doutrina, tão claramente revelada, é caracterizada como um “grande
mistério”. Não podemos entendê-la porque somos homens de um entendimento
contaminado e muito limitado.
b).(1) Conforme a opinião católico-romana, nosso entendimento não está tão
contaminado não. Seria mais uma questão de ‘nível’. Quer dizer: não se trata de
contaminação, mas de pouca capacidade.
Porém, a Bíblia ensina que nosso entendimento realmente resiste contra a
Palavra de Deus e a considera uma loucura. Então, não é uma questão de pouca
capacidade, mas de inimizade. Nosso entendimento precisa ser transformado.
(2) Os arminianos (ou remostrantes) têm uma opinião quase idêntica. Dizem que o
Espírito Santo apenas precisa aconselhar o homem; eles falam de um ‘toque leve’.
Mais não seria necessário para fazer o homem entender que o evangelho é aceitável.
(3) Estas opiniões (que têm como base a convicção de que o Evangelho é aceitável
para o entendimento humano) contradizem a Escritura: Gênesis 6:5; 8:21; Salmo
94:11; João 1:5 Além disso, estas opiniões, na prática, sempre levam à adaptação da
Bíblia aos conceitos contemporâneos.
c) De que maneira, então, podemos participar da obra de reconciliação, já que não etmos,
neste ponto, entendimento e vontade? Indispensável é uma intervenção do próprio Deus
Moisés já disse que Deus tem que dar-nos coração para entender; e olhos para ver; e
ouvidos para ouvir (Deuteronômio 29:4) Portanto, a nós tem que acontecer o que aconteceu
aos discípulos de Jesus: “Então lhes abriu o entendimento para entenderem as Escrituras”
(Lucas 24:45)
O artigo 22 diz que o Espírito Santo “acende, em nosso coração, verdadeira fé”. A fé é
dom de Deus (Efésios 2:8). Ela é como uma lâmpada que ilumina nosso entendimento
Assim, o Espírito torna nosso entendimento capaz de entender a doutrina da reconciliação e
torna nossa vontade disposta para aceitá-la. Desta maneira, realmente obtemos “verdadeiro
conhecimento desse grande mistério”.

03. A fé abraça Cristo e, assim, traz absolvição.


a) A fé “abraça Jesus Cristo com todos os seus méritos”, diz o artigo 22. E uma figura que
claramente mostra o que faz a fé A fé foge para Jesus e se agarra a Ele. Lutero disse que a
verdadeira fé, alegremente, abraça o Filho de Deus, de braços estendidos, e diz: Ele é meu
amado e eu o sou para Ele. Calvino também falou deste abraçar de Cristo; assim, Ele não
fica distante de nós, mas habita em nós.
b) Suponhamos que tenhamos frustrado bastante a amizade de alguém; mesmo assim, ele
chega até nós de mão estendida Então, o caminho mais seguro de recuperar a amizade é
aceita cordialmente aquela mão estendida. Não perguntamos por que nosso amigo faz assim
u se ele é sincero. Muitas coisas talvez deva ser falada, mas, antes de mais nada, aceitamos
sua mão estendida.
Cristo, por assim dizer, é a mão de Deus estendida para nós. Por isso temos a certeza de
que Ele nos quer aceitar. Então, o caminho mais seguro para sermos reconciliados com
87

Deus é aceitar a mão estendida de Deus, ou seja: abraçar Cristo. Somente assim Deus, que
estava irado contra nós, volta a ser alcançável, como disse Jesus: “Eu sou o caminho, e a
verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim” (João 14:6). Portanto, a fé escolhe o
“caminho” que o próprio Deus abriu: Cristo. A fé também não pergunta por que Deus ama
pecadores e não diz que nossos pecados, apesar de tudo, são invencíveis. Não, a fé faz o
que deve fazer. Ela, antes de mais nada, pega a mão estendida de Deus, abraçando Cristo.
c) Quem se agarra a Cristo, ao mesmo tempo recebe todos os benefícios dEle. O artigo 22
até diz que “aquele que possui Jesus Cristo pela fé, tem a salvação completa”. Aquele que
abraça Cristo, “apropria-se dEle” e de todos os seus méritos. E estes benefícios, “uma vez
dados a nós, são mais que suficientes para nos absolver dos pecados”.
d) Não é um pouco limitado dizermos que a fé abraça Cristo? Não devemos crer na Bíblia
inteira? É claro que devemos aceitar toda a Bíblia Mas a Bíblia, em cada página, trata de
Cristo.Ele é o conteúdo da Escritura.O próprio Jesus diz que as Escrituras testificam dEle e
também que Moisés escreveu a respeito dEle (João 5:39, 46; veja também Hebreus 10:7).

04 A fé não encontra a absolvição em si mesma


a) O artigo 22 enfatiza que “aquele que possui Jesus Cristo pela fé, tem a salvação
completa”. E continua: “Dizer porém que Cristo não é suficiente, mas que além dEle, algo
mais é necessário, significaria uma blasfêmia horrível. Pois Cristo seria apenas um salvador
incompleto”.
Então, a fé parece ser a única contribuição nossa para a reconciliação com Deus. Será
que nós, pela fé, contribuímos, em parte, para a nossa absolvição?
b) O artigo 22, porém, deixa bem claro que valor a fé tem na reconciliação com Deus. Diz
que “somos justificados somente pela fé, ou pela fé sem as obras”. Principalmente a
expressão “a fé sem as obras” é importante. Para entendermos isso, é preciso que
conheçamos a opinião dos católico-romanos sobre a fé. Eles também dizem que o homem é
justificado pela fé. Mas acrescentam que à fé pertence o amor, inclusive os atos ou as obras
que fazemos pelo amor. Portanto, eles usam a palavra “fé”, mas no sentido de ‘fé mais as
obras’, tais como penitências, jejum, confissão de pecados etc. Assim, conforme os
católico-romanos, recebemos a absolvição: pela fé, mas principalmente pelas obras da fé.
Sabemos, com certeza, que a Bíblia contesta esta opinião, porque Paulo combateu o
mesmo erro (veja a carta aos Gálatas; também partes da carta aos Romanos). Em Gálatas
2:16 diz o apóstolo que somos justificados “pela fé em Cristo e não por obras da lei” (veja
também Romanos 3:28). Abraão fez muita coisa pela fé, mas ele não foi justificado por
obras (Romanos 4:2-3).
c) Mas os católico-romanos, contudo, não têm pelo menos a metade da razão? Não é assim
que fé e amor são inseparáveis? Pois, não há uma fé viva sem o amor. A verdadeira fé atua
pelo amor (gálatas 5:6). A verdadeira fé se caracteriza pelas boas obras. Porque, “se não
tiver obras, por si só está morta” (Tiago 2:17). Então, se somos absolvidos pela fé, também
não o somos pelo amor e pelas boas obras da fé?
Este tipo de raciocínio, porém, é um golpe fatal contra o coração do Evangelho, pois
significa que baseamos parte da salvação em nossa obras. O arrependimento, por exemplo,
se torna uma obra meritória, que leva Deus à absolvição.
d) Não é difícil mostrar o erro desse raciocínio. É claro que à fé pertencem o amor e as boas
obras, assim como a luz e o calor do sol são inseparáveis. Mais isto não significa que
podemos ver em função do calor do sol (e, sim, em função da luz). Assim também a fé não
existe sem as obras. Mas somos justificados somente pela fé, sem as obras serem contadas.
88

Por isso, o artigo 22 diz, com tanta ênfase, que recebemos absolvição “somente pela fé, ou
pela fé sem as obras”, ou seja: somente porque abraçamos Cristo, com todos os seus
méritos.

05. A fé é apenas o instrumento com que abraçamos Cristo.


a) O artigo 22 exclui qualquer idéia de que a fé em si mesma teria algo meritório. Por isso
diz que não é a própria fé que nos justifica. A fé é apenas uma mão vazia que não se enche
por força própria. Vazia é vazia. A fé não tem nada que tenha valor para Deus.
Mas a fé, sim é “o instrumento que nos mantém com Ele (Cristo) na comunhão de todos
os seus benefícios”. Por um lado a fé é a mão vazia, mas, por outro lado, é com ela que
aceitamos Cristo. Pela fé, todos os benefícios e dons dEle se tornam os nossos e, assim, nos
tornamos ricos; esta riqueza nos traz a absolvição dos pecados. Desta maneira abre-se o
caminho da nossa salvação completa.
b) É uma ‘felicidade’ que a nossa fé não conta na absolvição por Deus. Pois, não temos
uma fé perfeita e a nossa situação ficaria complicadíssima, se nossa absolvição dependesse
da força da nossa fé fraca. Seríamos como um navio de que a âncora teria caído dentro do
próprio navio. Isto não adianta. Uma âncora tem que encontrar solo firme fora do navio.
Assim nós não podemos buscar um fundamento em nossa própria fé (que às vezes é tão
fraca e inativa), mas em Cristo, que é a mão estendida de Deus. A verdadeira fé não diz:
venha a mim e eu darei alívio, mas ela nos leva a Cristo.
c) Parece que o artigo 22 contradiz a carta de Tiago que diz: “verificais que uma pessoa é
justificada por obras, e não por fé somente” (Tiago 2:24). Mas parece também que este
texto de Tiago contradiz a palavra de Paulo: “Concluímos, pois, que o homem é justificado
pela fé, independentemente das obras da lei” (\Romanos 3:28).
Mas não há contradição entre Tiago e Paulo. Haveria contradição se os dois
respondessem à mesma pergunta. Mas não é assim. Paulo responde à pergunta se a
reconciliação se realiza somente pela fé ou também pelas nossas boas obras; a resposta dele
é: somente pela fé sem as boas obras. Mas Tiago responde à pergunta (bem diferente) se a
reconciliação se realiza por uma fé morta e, neste contexto, fala de uma fé que deve
manifestar-se ns boas obras.
Então, Paulo faz a pergunta: recebemos absolvição por uma fé que faz obras meritórias?
A resposta dele é: não, somente pela fé, sem as obras (meritórias). Paulo diz ‘não’ a uma fé
meritória e, portanto, diz ‘não’ às obras da fé como méritos.
Tiago faz a pergunta: recebemos absolvição por uma fé que está morta? A resposta dele
é : não, não somente pela fé (morta), mas também pelas obras, ou seja: por uma fé
manifesta. Tiago diz ‘não’ a uma fé morta e, portanto, diz ‘sim’ às obras da fé, como sinais
de vida dela.

Pontos e perguntas para pensar:


01. Muitas vezes se faz uma oposição entre a fé como conhecimento (usar a
cabeça) e a fé como confiança sentir o coração). Você acha que esta oposição
existe? Observe o que o artigo 22 fala sobre “verdadeiro conhecimento” do mistério
da reconciliação, mas também sobre “abraçar Jesus Cristo”.
89

02. Romanos 4:3 diz, conforme Gênesis 15:6, que Abraão creu e que “isso lhe foi
imputado como justiça” (veja também Gálatas 3:6). Aqui, então, não se atribui à fé
(em si mesma) um certo valor (contra o artigo 22)?

ARTIGO 23

NOSSA JUSTIÇA PERANTE DEUS EM CRISTO.


90

Cremos que nossa verdadeira felicidade consiste no perdão de nossos pecados, por causa de
Jesus Cristo, e que isto significa para nós a justiça perante Deus1. Assim nos ensinam Davi
e Paulo, declarando: “Bem-aventurado o homem a quem Deus atribui justiça,
independentemente de obras” (Romanos 4:6; Salmo 32:2). E o mesmo apóstolo diz que
somos “justificados gratuitamente, por sua graça, mediante a redenção que há em Cristo
Jesus”2 (Romanos 3:24).
Portanto, perseveramos neste fundamento, dando toda a glória a Deus3, humilhando-vos
e reconhecendo que nós, homens, somos maus. Não nos vangloriamos, de nenhuma
maneira, de nós mesmos ou de nossos méritos4. Somente nos apoiamos e repousamos na
obediência do Cristo crucificado5. Esta obediência é nossa se cremos nEle6. Ela é suficiente
para cobrir todas as nossas iniqüidades. Ele liberta nossa consciência de temor,
perplexidade e espanto e, assim, nos dá ousadia de aproximar-nos de Deus, sem fazermos
como nosso primeiro pai Adão que, tremendo, quis cobrir-se com folhas de figueira7. E,
certamente, se tivéssemos que comparecer perante Deus, apoiando-nos, por pouco que
fosse, em nós mesmos ou em qualquer outra criatura –ai de nós--, pereceríamos8. Por isso,
cada um deve dizer com Davi: “Ó SENHOR, não entres em juízo com o teu servo, porque à
tua vista não há justo nenhum vivente” (Salmo 143:2).

01. O assunto do artigo 23.


Neste artigo confessa-se o fato surpreendente de que homens injustos são considerados
justos, por Deus, por causa de Cristo.
a) Nossa salvação consiste no perdão das nossas dívidas, por causa de Jesus Cristo. Este
perdão “significa para nós a justiça perante Deus” e, por isso, somos justos aos olhos dEle.
“Assim nos ensinam Davi e Paulo”. Eles declaram bem-aventurados (quer dizer: salvo e,
portanto, feliz) aquele a quem Deus atribui essa justiça que recebemos “gratuitamente, por
sua graça”, porque foi Cristo que nos salvou.
Este é o fundamento em que nos baseamos. Damos toda a glória a Deus. “Não nos
vangloriamos, de nenhuma maneira, de nós mesmos ou de nossos méritos”. Somente nos
apoiamos no que Cristo obedientemente realizou na cruz.
b) Esta obediência realmente é nossa, se crermos nEle. “Ela é suficiente para cobrir todas as
nossas iniqüidades”. Baseando-nos nesta obediência, nossa consciência fica livre de
“temor, perplexidade e espanto”. Assim temos a “ousadia de aproximarmo-nos de Deus”
sem necessidade de fugirmos, como fugiu nosso primeiro pai Adão. Pois, se tivéssemos que
apoiar-nos em nós mesmos ou em qualquer outro pessoa, estaríamos perdidos, porque
-como disse Davi - nenhum ser humano é justo.

02. O sentido de nossa justiça perante Deus.


a) O artigo 23 trata bem diretamente do nosso relacionamento com Deus. Fala-se sobre
“aproximar-se de Deus” e “comparecer perante Deus”. Ele é o juiz que nos responsabiliza.

1
1 João 2:1.
2
2Coríntios 5:18, 19; Efésios 2:8; 1Timóteo 2:6.
3
Salmo 115:1; Apocalipse 7:10-12.
4
1Coríntios 4:4; Tiago 2:10.
5
Atos 4:12; Hebreus 10:20.
6
Romanos 4:23-25.
7
Gênesis 3:7; Sofonias 3:11; Hebreus 4:16; 1João 4:17-19.
8
Lucas 16:15; Filipenses 3:4-9.
91

A Ele temos que entregar o resultado dos nossos atos. Ninguém escapa disso. Portanto, não
há pergunta mais importante do que esta: Deus aprova ou não aprova nossos atos? Se Ele
aprova, então, Ele nos aceita totalmente e somos salvos. Nossa salvação, antes de mais
nada, é que não há mais nada entre Deus e o homem.
b) Mas quando é que não há mais nada entre Deus e o homem? E com que condição Ele
aprova nossa vida? O que entregamos a Deus, todo dia, deve ser “justiça perante Ele”. É a
condição. Quer dizer: nossa vida deve corresponder totalmente às exigências que Deus
estipulou. Só assim podemos comparecer perante Deus com o resultado da nossa vida e,
portanto, não haverá mais nada entre Deus e nós.
Naturalmente não é suficiente nós mesmos acharmos que fizemos tudo muito bem.
Paulo diz, numa determinada situação, que “de nada me argüi a consciência; contudo, nem
por isso me dou por justificado, pois quem me julga é o Senhor” (1Coríntios 4:4). Homens
têm a tendência de dar, a si mesmos, um nota alta: “todos os caminhos do homem são puros
aos seus olhos, mas o SENHOR pesa o espírito” (Provérbios 16:4).
c) É neste ponto que a Bíblia dá o sinal de alarme. Pois o resultado dos nossos atos não nos
fornece nenhuma ‘justiça perante Deus’. Pelo contrário, Ele condena nossa vida e, assim,
manifesta-se a nossa grande miséria. O medo de comparecermos perante Deus, com
tamanha dívida, soa bastante nas últimas frases do artigo 23.
Fala-se de Adão que, “tremendo, quis cobrir-se com folhas de figueira”; fala-se de Davi
que disse: “SENHOR, não entres em juízo com o teu sevo, porque à tua vista não há justo
nenhum vivente”.
É a partir desta realidade horrível que a igreja confessa, no artigo 23, de que maneira
somos salvos.

03. A maneira de obtermos nossa justiça perante Deus.


a) Comparecemos perante Deus com uma dívida que nos assusta. O artigo 23 fala sobre
“temor, perplexidade e espanto” de aproximarmo-nos d Deus. E diz: “se tivéssemos que
comparecer perante Deus, apoiando-nos, por pouco que fosse, em nós mesmos ou em
qualquer outra criatura –ai de nós--, pereceríamos”.
Porém, “somente nos apoiamos e repousamos na obediência de Cristo crucificado”.
Então, o que foi que Cristo fez por nós? Ele se colocou em nosso lugar e, por assim dizer,
‘repetiu’ nossa vida. Ele carregou, em nosso lugar, o castigo que nós tínhamos merecido e
cumpriu a lei que nós tínhamos desobedecido. Em outras palavras, a obediência dEle até à
morte toma o lugar da nossa desobediência. E em vez de obediência podemos dizer
também: justiça. Apoiamo-nos nesta obediência ou justiça de Cristo. Ou seja: a justiça dEle
é “nossa justiça perante Deus”.
b) Esta justiça de Cristo se torna a nossa, porque Deus a atribui a nós. Davi considera bem-
aventurado aquele a quem Deus não atribui iniqüidade (Salmo 32:2). E Paulo explica isso,
dizendo que Deus atribui justiça a tal homem (Romanos 4:6-8; veja também 2Coríntios
5:19).
Bem expressiva também é a expressão de que nossos pecados são “cobertos” (Salmos
32:1; Romanos 4:7). Comparecermos perante Deus com as nossas iniqüidades. Mas Ele não
quer vê-las e s cobre com a obediência ou justiça de Cristo. E esta justiça “é suficiente para
cobrir todas as nossas iniqüidades”.
Isto significa, por um lado, que nossos pecados são uma realidade assustadora; mas, por
outro lado, que estão cobertos aos olhos de Deus. Ao julgar, Deus faz como se não
92

houvesse pecados. Por isso, “já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus”
(romanos 8:1).
c) Para nós só resta crer. Pois, Deus nos atribui a obediência de Cristo. E “esta obediência é
nossa, se crermos nEle”.

04. A doutrina católica-romama sobre a maneira de obter justiça.


a) Conforme a igreja católico-romana, o próprio homem, de uma ou de outra maneira, deve
se esforçar para fazer as pazes com Deus.Pois, Deus não nos daria absolvição, cobrindo
nossas iniqüidades com a justiça de Cristo, se nós não fizéssemos nada. Ele nos absolve
somente depois de termos combatido nossos pecados, pelas nossas boas obras.
O que devemos fazer de antemão? Perante Deus devemos (1) pensar honestamente, (2)
falar honestamente e (3) agir honestamente. Isto implica em:
(1) termos arrependimento sincero dos nossos pecados,
(2) confessarmos exatamente nossos pecados,
(3) assumirmos os castigos merecidos.
Somente aquele que tiver cumprido estas obrigações e assumido os castigos (até no
purgatório), será justificado. Mas é claro que, assim, a absolvição divina se baseia na justiça
humana.
b) O pior é que esta doutrina rouba a Deus sua honra de que nossa salvação é
exclusivamente a obra dEle. A igreja confessa, com ênfase, que damos “toda a glória a
Deus, humilhando-nos e reconhecendo que nós, homens, somos maus. Não nos
vangloriamos, de nenhuma maneira, e nós mesmos ou de nossos méritos” (veja também
Romanos 4:2).
Não se trata, aqui, da pergunta se Deus exige (1) arrependimento, (2) confissão de
pecados e (3) boas obras. A Bíblia claramente ensina que Deus exige estas três coisas. Mas
a pergunta decisiva é se estes três pontos (1-2-3) são a base da absolvição divina. Contra a
doutrina catõlico-romana há a convicção da igreja (que diz: “de nenhuma maneira”).
Estaríamos perdidos, se nosso arrependimento ou confissão de pecados ou nossas boas
obras fossem o fundamento da absolvição. Pois, no caso, os três deveriam ser perfeitos, e
jamais o são. Nosso arrependimento nunca é perfeito. E posemos confessar honestamente
nossos pecados, mas quem dirá que conhecemos todos os nossos pecados? E as nossas
melhores obras são todas contaminadas pelo pecado. Portanto, ninguém, desta maneira, terá
sossego. Por isso, mantemos a Palavra de Deus que diz que Deus nos atribui justiça,
independentemente de obras (veja 03.b). “Somente nos apoiamos e repousamos na
obediência de Cristo crucificado”. Comparecemos perante Deus assim como somos, sem
purificarmo-nos de antemão. Estamos profundamente envergonhados. Mas a obediência de
Cristo cobre a nossa desobediência e nossa natureza pecaminosa.

05. Nossa justiça perante Deus e nossa libertação.


a) É impressionante que Deus nos trate como se nunca tivéssemos cometido nenhum
pecado. Ele não nos trata assim, porque já estávamos combatendo nossos pecados (como
ensinam os católico-romanos). Deus absolve “o ímpio” (Romanos 4:5). Só que clama do
fundo do coração: “ó Deus, sê propício a mim, pecador!” (Lucas 18:13-14), é absolvido por
Deus.
É surpreendente como nós, em toda a nossa existência pecaminosa, podemos
comparecer perante Deus, sem medo, porque Ele cobre nossas iniqüidades com a justiça de
93

Cristo. Esta justiça “liberta nossa consciência de temor, perplexidade e espanto e, assim,
nos dá ousadia de aproximarmo-nos de Deus”.
Essa libertação é indicada, no começo do artigo 23, como “nossa felicidade”. Pois,
aquele que pode aproximar-se de Deus sem medo, é salvo e, portanto, feliz!
b) Acontece que muitos, hoje em dia, acham que a Bíblia contém uma mensagem de
libertação somente para o mundo político e social, no sentido de uma libertação de pobreza,
opressão e discriminação. O erro é que não se vê uma relação entre a ira de Deus contra o
pecado e a miséria neste mundo. Muitas vezes nega-se a realidade da ira de Deus. Deus é
considerado ‘companheiro’, na luta contra a miséria do mundo. A reconciliação com Deus
se tornou um capítulo esquecido.
Mas a Bíblia ensina que uma sociedade desequilibrada tem tudo a ver com a ira de Deus
que “se revela do céu contra toda impiedade e perversão dos homens” (Romanos 1:18;
confira também os vv. 28-32).
c) A Bíblia não nos ensina a fechar os olhos para os problemas do mundo. Ela, sim, nos
mostra a única saída para resolver os problemas. Pois, quem é reconciliado com Deus, a
principio já é libertado de todos os outros ‘poderes’. Porque “Ele nos libertou do império
das trevas e nos transportou para o reino do Filho do seu amor” (Colossenses 1:13).
A reconciliação com Deus implica em nossa libertação, no sentido mais amplo e
profundo da palavra. A conseqüência será uma nova terra e paz e justiça, a salvação
completa.

Pontos e perguntas para pensar:


01. Quando Deus justifica ao ímpio (Romanos 4:5), Ele não prejudica a justiça dEle
(valorizando mais a graça)?
02. Avalie o seguinte raciocínio: se você tem certeza da remissão, é desnecessário e
inútil ter arrependimento dos pecados.
03. Há também uma ousadia errada de aproximar-se de Deus (Lucas 18:9-14)?

ARTIGO 24

A SANTIFICAÇÃO
94

Cremos que a verdadeira fé, tendo sido acesa no homem pelo ouvira da Palavra de Deus e
pela obra do Espírito Santo1, regenera o homem e o torna um homem novo 2. Esta
verdadeira fé o faz viver na vida nova e o liberta da escravidão do pecado3.
Por isso, é impossível que esta fé justificadora leve os homens a se descuidarem da vida
piedosa e santa4. Pelo contrário, sem esta fé jamais farão alguma coisa por a mor a Deus 5,
mas somente por amor a si mesmos e por medo de serem condenados. É impossível,
portanto, que esta fé permaneça no homem sem frutos. Pois, não falamos de uma fé vã, mas
de fé, de que a Escritura dez que “atua pelo amor” (Gálatas 5:6). Ela move o homem a
exercitar-se nas obras que Deus mandou na sua Palavra. Estas obras se procedem da boa
raiz da fé, são boas e agradáveis a Deus, porque todas elas são santificadas por sua graça.
Entretanto, elas não são levadas em conta para nos justificar. Porque é pela fé em Cristo
que somos justificados, mesmo antes de fazermos boas obras6. De outro modo, estas obras
não poderiam ser boas, assim como o fruto da árvore não pode ser bom, se a árvore não for
boa7.
Então, fazemos boas obras, mas não paras merecermos algo. Pois, que mérito
poderíamos ter? Antes, somos devedores a Deus pelas boas obras que fazemos e não Ele a
nós8. Pois, “Deus é quem efetua em” nós “tanto o querer como o realizar, segundo sua boa
vontade” (Filipenses 2:13). Então, levemos a sério o que está escrito: “Assim também vós,
depois de haverdes feito quanto vos foi ordenado, dizei: Somos sevos inúteis, porque
fizemos apenas o que devíamos fazer” (Lucas 17:10). Contudo, não queremos negar que
Deus recompensa as boas obras9; mas, por sua graça, Ele coroa seus próprios dons.
E, em seguida, mesmo que façamos boas obras, nelas não fundamentamos nossa
salvação. Porque, por sermos pecadores não podemos fazer obra alguma que não esteja
contaminada e não mereça ser castigada10. E, ainda que pudéssemos produzir uma só boa
obra, a lembrança de um só pecado bastaria para torná-la rejeitável perante Deus11. Assim,
sempre duvidaríamos, levados de um lado para o outro, sem certeza alguma, e nossa pobre
consciência estaria sempre aflita, a não ser que se apoiasse no mérito do sofrimento e da
morte de nosso Salvador12.

01. O assunto do artigo 24.


No artigo 22 confessou-se que a fé é a mão vazia que se estende para a justiça de Cristo.
No artigo 24 a igreja confessa que a fé, ao mesmo tempo, é a mão ativa que faz boas obras.
Por um lado, a fé é a mão vazia com que nada acrescemos; por outro lado, ele é a mão ativa
que, contudo, recebe recompensa.
O raciocínio é assim:

1
Atos 16:14; Romanos 10:17; 1Coríntios 12:3.
2
Ezequiel 36:26, 27; João 1:12, 13; 3:5; Efésios 2:4-6; Tito 3:5; 1Pedro 1:23.
3
João 5:24; 8:36; Romanos 6:4-6; 1João 3:9.
4
Gálatas 5:22; Tito 2:12.
5
João 15:5; Romanos 14:23; 1Tmóteo 1:5; Hebreus 11:4, 6.
6
Romanos 4:5.
7
Mateus 7:17.
8
1Coríntio 1:30, 31;4:7; Efésios 2:10.
9
Romanos 2:6-7; 1Coríntios 3:14; 2João:8; Apocalipse 2:23.
10
Romanos 7:21.
11
Tiago 2:10.
12
Habacuque 2:4; Mateus 11:28; Romanos 10:11.
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a) A verdadeira fé faz com que nasçamos de novo e comecemos uma vida nova, em que
somos libertados da escravidão do pecado.
Recebemos esta fé pelo ouvir do Evangelho; é assim que o Espírito Santo opera em nós.
b) Então, é impossível que a fé nos torne indiferentes a um bom modo de viver. Pelo
contrário, é somente pela fé que somos capazes de fazer boas obras, a saber: por amor a
Deus e não por interesse próprio ou por medo do inferno. É até impossível “que esta fé
permaneça, no homem, sem frutos”. A Escritura diz que a fé atua pelo amor. Pela fé,
chegamos a treinar-nos “ns obras que Deus mandou na sua Palavra”.
Tais obras são aprovadas por Deus, porque todas as manchas dão ‘lavadas’ pela graça
dEle.
c) Entretanto, estas obras “não são levadas em conta para nos justificar”. Assim como uma
árvore tem que ser boa antes de seus frutos serem bons, assim nós também temos que
receber absolvição antes de sermos capazes de fazer boas obras. Portanto, nada merecemos,
fazendo boas obras. Aliás, “fizemos apenas o que devíamos fazer”.
d) Podemos dizer que “Deus recompensa as boas obras”, mas nossa salvação continua
sendo realizada pela graça. Pois, quando Deus recompensa as voas obras, Ele “coroa” o que
é sua própria obra e não a nossa obra.
e) Contudo, não fundamentamos nossa salvação nas boas obras. “Assim, sempre
duvidaríamos”, porque toda obra está contaminada e merece castigo. “E, ainda que
pudéssemos produzir uma só boa obra, a lembrança de um só pecado bastaria para torná-la
rejeitável perante Deus”. Em resumo: “nossa pobre consciência estaria sempre aflita, a não
ser que se apoiasse no mérito do sofrimento e da morte de nosso Salvador”.

02. A verdadeira fé cresce para as boas obras.


a) Um cristão se apóia exclusivamente na obediência de Cristo. Mas, se assim é, ele não se
torna preguiçoso quando à vida cristâ? Neste caso, que razão teria para combater o pecado e
se esforçar? Nestas perguntas talvez haja a crítica mais eficaz da parte dos católico-
romanos contra a doutrina da justificação somente pela fé, sem as obras. Por isso, o artigo
24, de maneira profunda, refuta essa crítica. Mas o motivo maior é que, para todos nós, é
importantíssimo entender bem a relação entre a fé cristã e a vida cristã.
b) Lutero já disse que a fé não é uma “idéia preguiçosa”. Ele intervém profundamente na
nossa vida. Lutero quis dizer que a fé não permanece na ‘periferia’ da nossa vida. Assim
como água aquecida permanece água, assim também o cristão permanece verdadeiro
homem, mas, contudo, um outro homem. A primeira coisa, portanto, que o artigo 24 diz
sobre a fé, é que ela “regenera o homem o torna um homem novo”. São expressões
fortíssima.
c) “É impossível que esta fé justificadora leve os homens a se descuidarem da vida piedosa
e santa”. A “fé justificadora” é a fé que, de mão vazia, aceita a absolvição divina (veja o
artigo 22). E é rejeitada a opinião de que esta fé, após ter recebido a absolvição, não tenha
mais interesse na “vida piedosa e santa”. Isto simplesmente não é verdade, pois aquele que
e verdadeiramente grato pela absolvição, não quer fazer outra coisa senão viver conforme a
vontade de Deus. A verdadeira fé “o faz viver na vida nova e o liberta da escravidão do
pecado” (não somente da dívida do pecado).
Isto não quer dizer que não mais cometemos pecado e sim que não mais somos
dominados pelo pecado (veja sobre esta diferença: 1João 3:9 e 1João 1:8).
d) Portanto, é impossível que aquele que recebeu absolvição, com prazer se envolva nos
pecados que entristecem e desagradam a Deus. Inclusive, tal caminho lhe é bloqueado.
96

Porque a absolvição da nossa dívida não é o ponto final da nossa salvação, como se
depois tivéssemos toda liberdade de cometermos pecados. Aqueles que receberam remissão
e absolvição são “transformados em servos de Deus” (Romanos 6:22).
e) Somente aquele que foi absolvido por graça, é capaz de fazer boas obras. Pois, quer se
esforça para ser justificado por força própria, pode fazer coisas boas e louváveis, mas
(como diz o artigo 24) não as faz “por amor a Deus, mas somente por amor a si mesmo e
por medo de ser condenado”.
f) O artigo 24 enfatiza que a fé nos tornas ativos, citando Gálatas 5:6 onde Paulo fala sobre
a fé que “atua pelo amor”. Fé tem que se manifestar nas boas obras. A fé nos leva a nos
exercitar “nas obras que Deus mandou na sua Palavra” (veja também Tiago 2:14-26).
g) Sobre as obras que têm a fé com raiz, confessa-se que “são boas e agradáveis a Deus,
porque todas elas são santificadas por sua graça”. Então, reconhece-se aqui que atos de fé
são aceitáveis para Deus. É um pensamento bíblico porque o próprio Jesus disse que Deus é
glorificado se os fiéis derem muito fruto (João 15:8). Ele disse também por que: os fiéis são
os ramos que totalmente dependem da videira, que é Cristo (vv. 4-5). Portanto, trata-se de
frutos que nós não produzimos, mas que vêm de Cristo. E é por isso que Deus quer aceitá-
los, mesmo que os frutos estejam contaminados pelos nossos pecados. Ele cobre e purifica,
por sua graça, o que há de errado nos frutos. Assim eles são santificados e aceitos por Ele;
somente assim.
O ‘resultado’ da nossa vida é agradável a Deus, na medida em que se manifesta
pelo poder de Cristo e é purificado pelo sangue de Cristo.

03. A origem da fé.


a) trata-se, no artigo 24, do ‘efeito’ da fé e não tanto da origem dela. Contudo, já no início,
enfatiza-se que a fé vem do Espírito Santo. É uma observação importante que tem tudo a
ver com o assunto do artigo 24. Por quê?
O artigo 24 quer mostrar o efeito da fé no homem. A fé traz, na vida do homem, uma
transformação tão radical que até se fala de um homem novo e de uma vida nova. Desta
maneira não sobra nada da afirmação de que a fé seria uma “idéia preguiçosa” e que ela nos
levaria a descuidar-nos “da vida piedosa e santa”. O ponto de partida dessa acusação
católico-romana é uma idéia bem superficial e simples sobre a fé. Fé é apenas concordar
com a doutrina da igreja. Crer é usar bem a cabeça, é uma atividade intelectual (que
dificilmente afeta o coração).
Esta opinião católico-romana faz entender melhor por que se diz, na igreja católico-
romana, sobre tal ‘cristão’ (crente) que ele, após ter concordado intelectualmente com a
mensagem da remissão, facilmente continua cometendo pecado. Pois, o coração não foi
transformado!
Mas a igreja, no artigo 24, certamente não fala de tal fé que é apenas concordar
superficialmente com o evangelho. Trata-se da fé que tem sido “acesa no homem (...) pela
obra do Espírito Santo”. Ou seja: a fé é uma criação do próprio Deus; a fé vem e depende
de Deus. É por isso que ela (contra a acusação católico-romana) faz o homem viver na vida
nova e o liberta da escravidão do pecado; é por isso que “é impossível que esta fé
permaneça, no homem, sem frutos”.
b) A igreja, ao mesmo tempo, confessa que a fé é produzida “pelo ouvir da Palavra de
Deus”. Foi necessário acrescentar isso, porque os anabatistas, na época, disseram que o
Espírito produz a fé em nossos corações de maneira direta (então, sem a Palavra de Deus?).
Na opinião deles, a Bíblia era um livro de letras mortas que não faria homem nascer de
97

novo. O espírito de manifestaria aos fiéis somente (mas verdadeiramente!) sem a Palavra,
em sonhos e visões. A Bíblia serviria apenas para iniciantes. Mas a igreja, contra essa
opinião, confessa que a fé vem pelo ouvir da Palavra (veja Romanos 10:14, 17).
A fé, portanto, realmente tem uma origem divina (contra os católico-romanos), mas ela
tem seu fundamento e sua fonte na Palavra de Deus escrita que está ao alcance e controle
de todos (contra os anabatistas).

04. As boas obras não são levadas em conta para nos justificar.
As chamadas boas obras, “se procedem da boa raiz da fé, são boas e agradáveis a Deus”;
“entretanto, elas não são levadas em conta para nos justificar”. São mencionados os
seguintes motivos:
a) Não somos capazes de fazer boas obras, a não ser que não haja mais nada entre Deus e
nós. Somente homens bons podem fazer boas obras. E, no caso, homens bons são aqueles
que receberam remissão. É impossível que façamos boas obras, antes de Deus nos aceitar
como homens bons, ou seja: como homens sem dívida (“assim como o fruto da árvore não
pode ser bom, se a árvore não for boa”). O homem, ele mesmo, deve ser aceito por Deus e
só depois suas obras o serão. Um exemplo encontramos em Gênesis 4:4, onde está escrito
que Deus “se agradou de Abel” (isto vem primeiro) e (depois e por isso) “de sua oferta”.
Somos justificados pela fé em Cristo, “mesmo antes de fazermos boas obras”. Nossas boas
obras, portanto, no que diz respeito à justificação, sempre vêm ‘atrasadas’.
b) Mais um motivo é que devemos nossa boas obras a Deus, que “efetua em nós tanto o
quere como o realizar” (Filipenses 2:13). “Antes, somos devedores a Deus pelas boas obras
que fazemos e não Ele a nós”, como diz o artigo 24. Mesmo que tenhamos feito tudo,
fizemos apenas o que devíamos fazer (Lucas 17:10).

05. Contudo, Deus recompensa as boas obras.


a) Que valor tem as boas obras para Deus, se confessamos (por um lado) que “elas não são
levadas em conta para nos justificar” e (por outro lado) que “Deus recompensa as boas
obras”?
A Bíblia claramente fala sobre a recompensa das boas obras. Jesus diz que não
perderemos o galardão (Mateus 10:42). E a carta aos Hebreus diz que “é necessário que
aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e que se torna galardoador dos que o
buscam” (11:6). Mas temos que nos conscientizar de que Deus, ao recompensar as boas
obras, coroa seus próprios dons. As boas obras não são o resultado dos nossos esforços,
porque devemo-las totalmente a Ele. Além disto, o artigo 24 diz que Ele, por sua graça,
coroa deus próprios dons.
As boas obras sempre estão contaminadas e devem ser purificadas pela graça da
remissão dos pecados. Elas podem ser recompensadas somente depois de terem sido
‘tratadas’ com a graça de Deus.
Então, as nossas boas obras realmente “não são levadas em conta para nos justificar”;
mas Deus, contudo, as recompensa.
b)Qual é a recompensa das boas obras? O artigo 24 não dá uma resposta. Em Romanos 2:7,
toda a vida eterna é considerada recompensa das obras. Jesus fala de um galardão que é
grande nos céus (Mateus 5:12). Portanto, um cristão que persevere na fé, pode ter a vida
eterna por/como recompensa.
c) Isto não quer dizer que nós mesmos merecemos a vida eterna. Por que, então, a Escritura
fala tão abertamente sobre galardão e recompensa? Para nos exortar a perseverar na fé!
98

Quem confiar em Deus, jamais será envergonhado. A fé é recompensada. Mas é e


permanece uma recompensa conforme as promessa que Deus, de antemão, fez por graça.

06. Não fundamentamos nossa salvação nas boas obras.


a) Não é assim que a avaliação das boas obras varia muito no artigo 24?
-Fala-se de obras que “são boas e agradáveis a Deus”.
-Em seguida se diz que “elas não são levadas em conta para nos justificar”.
-Mas, contudo, “Deus recompensa as boas obras”.
-E, finalmente, o artigo 24 enfatiza que “nelas não fundamentamos nossa salvação”.
Esta variação. Porém, não é conseqüência de falta de entendimento ou conhecimento. O
artigo 24 constantemente quer indicar dois perigos: um é a opinião de que as boas obras
teriam caráter meritório, e outro é a opinião de que a vida pela fé seria preguiçosa e
superficial. O ‘caminho’ entre estes dois perigos é que as boas obras são os frutos
indispensáveis da verdadeira fé, mas que jamais são o fundamento da salvação.
b) Este último ponto é destacado no último parágrafo do artigo 24. Já pela “lembrança de
um só pecado”, “sempre duvidaríamos, levados de um lado para o outro, sem certeza
alguma”. Falar assim não é um exagero. “Pois, qualquer que guarda toda a lei,mas tropeça
em um só ponto, se torna culpado de todos” (Tiago 2:10). Um tropeço em um só
mandamento já provoca a ira de Deus.
Por isso, o artigo 24, na última frase, indica (por assim dizer, com alívio) o “mérito do
sofrimento e da morte de nosso Salvador”. Este é o único e verdadeiro fundamento da nossa
salvação. É neste fundamento que nossa consciência encontra descanso.

Pontos e perguntas para pensar:


01. A recompensa de que a Escritura fala, para um será maior do que para o outro,
em conseqüência dos seus atos? Haverá também diferença em glória na nova terra e
desde já no céu? Veja em todo caso Mateus 25:20-23; Lucas 19:17-19; 1Coríntios
15: 41-42; Apocalipse 14:13.
02. Avalie o seguinte raciocínio: todos os fiéis recebem, por graça, a salvação, mas
recebem, por suas boas obras, uma glória-‘extra’. Confira principalmente 05.b.
03. Os gentios (não-crentes) podem fazer algo bom? Veja Romanos 2:14. E, se for o
caso, que valor têm as boas obras deles?
04. O que é “nascer de novo”? Veja João 3:1-8. Nascer de novo é o mesmo que
conversão ou santificação (o assunto do artigo 24)?

ARTIGO 25

CRISTO, O CUMPRIMENTO DA LEI


99

Cremos que as cerimônias e figuras da lei terminaram com a vinda de Cristo e que, assim,
todas as sombras chegaram ao fim1. Por isso, os cristãos não devem mais usá-las. Contudo,
para nós, sua verdade e substância permanecem em Cristo Jesus, em quem têm seu
cumprimento2.
Entretanto, ainda usamos testemunhos da Lei e dos Profetas para confirmarmo-nos no
Evangelho e, também, para regularmos nossa vida em toda honestidade, para a glória de
Deus, conforme sua vontade3.

01. O assunto do artigo 25.


Este artigo trata da seguinte pergunta: que mudança trouxe a vinda de Cristo na maneira de
servimos a Deus?
a) O culto da época do Antigo Testamento, com todas as suas figuras, era uma “sombra” do
que viria. Com a vinda de Cristo, estas sombras chegaram ao fim e, por isso, os cristãos não
devem mais usá-las.
b) O que as “sombras” indicavam, porém, tem um valor permanente para nós. O artigo 25
fala sobre a “verdade e substância” das sombras. Assim é indicada a obra de Cristo, pois foi
Ele quem ‘cumpriu’ as sombras.
c) Ainda fazemos uso do Antigo Testamento “para confirmarmo-nos no Evangelho” e para
aprendermos como Deus quer que sirvamos a Ele.

02. O objetivo do culto das sombras.


a) O artigo 25 fala sobre “as cerimônias e figuras da lei”, ou seja: todos aqueles eventos no
templo, em torno do altar fumegante e dos sacerdotes sacrificando. Podemos pensar
também em todas aquelas ‘regras’ que, no dia-a-dia do israelita, deviam ser obedecidas
(assim como a circuncisão, as purificações, o jejum, as festas etc.).
Todas estas prescrições a respeito da vida com Deus, dentro e fora do templo, são
caracterizadas aqui como “todas as sombras”.
b) Estas sombras, eram figuras: elas representavam e significavam algo. Elas
representavam uma realidade que havia de vir. É a própria Bíblia que usa esta linguagem
figurativa. Em Colossenses 2:17 está escrito que as cerimônias (a respeito de comida e
bebida, de dias de festa etc.) têm sido “sombra das coisas que haviam de vir”. E aquilo que
havia de vir é chamado “o corpo de Cristo” (quer dizer: a realidade que aquelas cerimônias
e regras indicavam prefiguravam, era Cristo).
A mesma idéia encontramos na carta aos Hebreus (8:5 e 10:1). Em Hebreus 9:1-10 se
diz que o sumo-sacerdote, no dia da expiação, se aproxima de Deus, entrando no Santo dos
Santos. Era uma sombra bem fraca que Cristo havia de fazer, pois Ele, de uma vez por
todas, sacrificou seu próprio sangue e entrou no céu, onde ficou para sempre, “tendo
obtido eterna redenção” (9:11-12).
As figuras (sombras) do culto do Antigo Testamento formavam, por assim dizer, uma
‘pintura’ (quadro) que visivelmente ensinava a Israel sobre a reconciliação com Deus.
c) Todo este culto das sombras indicavam Cristo. Ele é o santuário em que Deus habita
(João 2:19-22), Ele é o verdadeiro sacerdote e o único sacrifício (Hebreus 10:11-14). Com

1
Mateus 27:51; Romanos 10:4; Hebreus 9:9, 10.
2
Mateus 5:17; Gálatas 3:24; Colossenses 2:17.
3
Romanos 13:8-10; 15:4; 2Pedro 1:19; 3:2.
100

Ele, de fato começou o ano de jubileu (Lucas 4:212) e Ele é o verdadeiro cordeiro pascal
(1Coríntios 5:7).
As sobras do culto do Antigo Testamento serviam para preparar Israel para a vinda de
Cristo. Mas também tinham o objetivo de assegurar aos judeus a reconciliação com base na
obras de Cristo que Ele havia de realizar (Salmo 32:1).

03. “Todas as sombras chegaram ao fim”.


a) O artigo 25 usa fortes expressões para enfatizar que o culto das sombras acabou: “as
cerimônias e figuras da lei terminaram”, “todas as sombras chegaram ao fim” e, por isso,
“os cristãos não deviam mais usá-las”.
A própria Bíblia indica esse fim oficial do culto do templo, informando que “o véu do
santuário se rasgou em duas partes, de alto a baixo” (Mateus 27:51). E Deus mesmo disse
ao apóstolo Pedro que podia comer “cousa comum e imunda” (Atos 10:9-16).
b) As sombras, então, foram abolidas, mas para serem substituídas por Aquele que era
representado (‘retratado’): Cristo. Elas não foram anuladas, deixando um lugar vazio, mas
se tornaram desnecessárias, quando Cristo, Ele mesmo, apareceu para realizar a
reconciliação.
Uma moça gosta do ver a foto de seu namorado enquanto este estiver longe. Mas,
quando ele está com ela, a foto perde a função. Assim também o próprio Cristo veio para
realizar a expiação que estava sendo ‘retratada’ no culto das sombras. Portanto, quem
mantém o antigo culto e ainda quer ver as sombras (figuras), nega e injuria Cristo. É desta
realidade que parte aquela dura repreensão de Paulo aos Gálatas que queriam manter as
prescrições de Moisés, principalmente a circuncisão (Gálatas 2:3; 5:11; 6:13). Paulo até os
acusa de que se deixaram “passar para outro evangelho; o qual não é outro” (Gálatas 1:6-7).
É por isso também que o artigo 25 declara (até três vezes) que as sombras chegaram ao fim.
Trata-se aqui da honra de Cristo.

04. O culto das sombras e a opinião católico-romana.


a) O artigo 25 decididamente diz que o culto das sombras acabou. Esta firmeza tem como
pano de fundo também a opinião católico-romana.
O culto católico-romano está cheio de cerimônias que vêm das do Antigo Testamento.
Como outrora (na época do Antigo Testamento), no centro das atenções há altar, sacerdote
e sacrifício, com uma grande variedade de consagrações, lavagens, romarias, dias de festa
par os santos, queimar velas etc. Tudo isto é uma negação do fato de que Cristo cumpriu
tudo. Principalmente o altar, em que Cristo diariamente é sacrificado, é uma prova triste
dessa negação.
Foi Calvino (mais que Lutero) que resistiu contra estas práticas. Ele as considerou uma
agressão contra a glória de Cristo.
b) Num culto exuberante há o perigo de que a pompa sirva como uma parede par evitar que
o coração se manifeste. Há vários atos litúrgicos que devem ser realizados ou assistidos,
mas não há mais o encontro com Deus. Fé e conversão facilmente são ‘enterradas’ (mesmo
sem querer) sob uma liturgia teatral, assim como pessoas podem esconder sua indiferença a
outros atrás de muita gentileza. A Bíblia adverte contra esse perigo (Isaías 1:10-17; Amós
5:21-22; Mateus 15:8-9). Uma liturgia exuberante facilmente leva à hipocrisia e comédia.
c) Entretanto, isto não significa que contestamos qualquer forma solene. Calvino citou
1Coríntios 14:40, onde Paulo diz que “tudo, porém, seja feito com decência e ordem”. Por
isso, não é indiferente (conforme Calvino) a atitude que tomamos ao orarmos ou de que
101

maneira os sacramentos são administrados ou como realizamos um sepultamento. Porém,


isso jamais pode levar a uma liturgia teatral que chama mais atenção para si mesmo do que
para Cristo. Em cada culto (liturgia) deve haver o papel centra da pregação do Evangelho.

05. O culto das sombras e o movimento litúrgico.


a) Em muitas igrejas protestantes surgiu o chamado ‘movimento litúrgico’ e foi defendida a
idéia de realizar várias solenidades simbólicas no culto. Principalmente a celebração da
santa ceia foi muito ‘experimentada’, quase sempre em detrimento do lugar central da
pregação no culto. Os adeptos desse movimento litúrgico dizem (por exemplo) que a
pregação apenas anuncia a vinda de Cristo, mas que a vinda dEle, na santa ceia, é
celebrada.
b) O movimento litúrgico muitas vezes foi saudado como um meio de aproximar católico-
romanos e protestantes uns aos outros. Esta aproximação realmente aconteceu, porque o
movimento litúrgico fez com que os protestantes se tornassem mais católico-romanos! Mais
de um ‘advogado’ do movimento passou a ser membro da igreja católico-romana
A crítica que fizemos à opinião católico-romana (veja 04), podemos fazer também ao
movimento litúrgico. Um ponto principal é que a pregação do Evangelho perde seu papel
fundamental, o que contradiz (por exemplo) Mateus 28:19; Romanos 10:14, 17; 1Coríntios
1:21.

06. A verdade e substância do culto das sombras.


a) Após ter dito, com ênfase, que os cristãos “não devem mais usá-las” (as sombras), o
artigo 25 continua: “Contudo, para nós, sua verdade e substância permanecem em Cristo
Jesus, em quem têm seu cumprimento”. O que estas palavras (“verdade e substância”)
querem dizer?
Na (figura, da) sombra de uma árvore reconhecemos a própria árvore. Esta é, por assim
dizer, ‘a verdade (realidade) e substância’ daquela sombra. Assim também Cristo é a
verdade (ou realidade) e a substância do antigo culto com as suas sombras.
b) Portanto, não precisamos nem podemos manter o culto das sombras (como se ainda
vivêssemos na época do Antigo Testamento). Por outro lado, também não podemos
desprezar as sombras, porque essas têm “sua verdade e substância” permanentes. Assim
elas podem nos ajudar a entender melhor o Evangelho. Por exemplo, o ritual de um sumo-
sacerdote, entrando, uma vez por ano, no santo dos santos com um sacrifício, esclarece a
obra de reconciliação que Cristo realizou. O Antigo Testamento ajuda a entender o Novo,
assim como não podemos entender o Antigo Testamento sem o Novo. Eles se ‘explicam’
um ao outro, porque ambos têm a mesma “verdade e substância”: Jesus Cristo (João 5:39).

07. Com que objetivo usamos o Antigo Testamento.


O artigo 25 diz que “ainda usamos os testemunhos da lei e dos profetas”. Cristo e os
apóstolos sempre se referiam ao Antigo Testamento. Não podemos entender a maior parte
da carta aos Hebreus sem conhecermos o Antigo Testamento. E até o último livro da Bíblia
(Apocalipse) que fala sobre tempos futuros, está cheio de alusões ao Antigo Testamento
(veja também 1Pedro 1:10-12).
Há dois objetivos para ainda usarmos o Antigo Testamento:
(1) “para confirmarmo-nos no Evangelho”, quer dizer: para nos dar mais certeza
ainda sobre a verdade e a autenticidade do Evangelho. Quem estudar o Antigo
102

Testamento, terá mais entendimento no Novo Testamento e ficará cada vez mais
impressionado com a forte unidade da Bíblia.
(2) “para regularmos nossa vida em toda honestidade, para a glória de Deus,
conforme sua vontade”. Isto significa que Deus, já no Antigo Testamento, revelou
como Ele queria que nós vivêssemos hoje. Mas como? Ele não exige de nós a
mesma coisa que outrora exigiu dos judeus. Então, será que a vontade de Deus
mudou e que o Antigo Testamento, neste ponto, está antiquado? Não, de maneira
alguma. Um pai manda seu filho, quando pequeno, para escola porque quer que ele
estude; quando adulto, o filho não é mais mandado para escola, porque ele mesmo
tem que entender que estudos são importantes. Mas isto não significa que o pai
mudou de opinião sobre a necessidade de sou filho estudar. Mas o ‘tratamento’
mudou (pois o filho pequeno se tornou adulto). Assim também Deus tratou Israel
como filho menor. Um grego (na época de Paulo) muitas vezes tinha um tutor ou
aio para educar e ensinar seus filhos menores. Assim também Deus deu a lei com
todas as suas regras para educar e ensinar Israel (veja Gálatas 3:24). O Antigo
Testamento é, por assim dizer, o ‘livro escolar’ de Deus para crianças, mas o Novo
Testamento é o livro para adultos que têm maior responsabilidade (veja Hebreus
12:25; “muito menos nó...”). Mas em ambos os livros fala o mesmo Pai e a vontade
dEle não mudou!

Pontos e perguntas para pensar:


01. a) Ás vezes se diz que os dez mandamentos também fazem parte do culto das
sombras e que, portanto, não precisamos mais observá-los. Porém, é claro que
dentro do Antigo Testamento, os dez mandamentos têm seu lugar especial. Pois,
quem os escreveu com o próprio dedo e onde eram guardados? Veja também (sobre
o valor permanente dos dez mandamentos no Novo Testamento) Romanos 7:7;
13:8-10; Efésios 6:2-3; Tiago 2:11.
b) Romanos 10:4 diz que Cristo é “o fim da lei”. Usa-se este texto para afirmar que
os dez mandamentos perderam seu sentido e valor, porque Cristo teria cumprido a
lei e ‘cancelado’ o valor permanente dela. Mas o que significam (em Romanos 10:4)
as palavras “o fim da lei”? Veja Gálatas 3:13ª.
c) Então, podemos deixar de observar o quarto mandamento (deixar de “guardar o
sábado”, ou seja: o dia de descanso), como se fosse uma questão da nossa liberdade
cristã?
02. Você acha que o encontro de Deus com seu povo é o essencial de um culto?
03. Por que é bom e importante cantar salmos (do Antigo Testamento!) no culto?
Leia (por exemplo) Salmo 2; 32; 122.

ARTIGO 26

CRITO, NOSSO ÚNICO ADVOGADO.


103

Cremos que nenhum acesso temos a Deus, senão pelo único Mediador1 e advogado Jesus
Cristo, o Justo2. Porque Ele se tornou homem e uniu as naturezas divina e humana, para que
nós, homens, tivéssemos acesso à majestade divina3. De outro modo, nenhum acesso
teríamos. Mas este Mediador que o Pai constituiu entre Ele e nós, não nos deve assustar por
sua grandeza, aponto de fazer-nos procurar um outro, conforme nossa própria vontade.
Porque não há ninguém, nem no céu, nem na terra, entre as criaturas, que nos ame mais que
Jesus Cristo4. “Pois ele, subsistindo em forma de Deus... a si mesmo se esvaziou,
assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens” por nós, “em todas as
coisas ... semelhante aos irmãos” (Filipenses 2:6,7; Hebreus 2:17).
Agora, se tivéssemos que buscar outro mediador que nos fosse favorável, quem
poderíamos encontrar que mais nos amasse senão Ele que entregou sua vida por nós, sendo
nós ainda inimigos (Romanos 5:8,10)? E se tivéssemos que buscar alguém que tivesse
poder e estima, quem os teria tanto quanto Ele que está sentado à direita do seu Pai 5, e que
tem “toda a autoridade... no céu e na terra” (Mateus 28:18)? E quem seta ouvido antes do
que o próprio bem-amado Filho de Deus6?
Foi, então, somente falta de confiança que levou os homens ao costume de desonrar os
santos em vez de honrá-los. Pois fazem o que estes santos jamais fizeram ou desejaram,
mas sempre rejeitaram conforme era seu dever7, como mostram seus escritos.
Aqui não se deve alegar que não somos dignos; pois não apresentamos as orações a
Deus em razão de nossa dignidade, mas somente pela excelência e dignidade de nosso
Senhor Jesus Cristo8, cuja justiça é a nossa, mediante a fé 9. Por isso, a Escritura nos diz,
querendo tira de nós esse tolo receio, ou antes, essa falta de confiança, que Jesus Cristo
tornou-se “em todas as coisas... semelhante aos irmãos, para ser misericordioso e fiel sumo
sacerdote nas coisas referentes a Deus, e para fazer propiciação pelos pecados do povo.
Pois naquilo que ele mesmo sofreu, tendo sido tentado, é poderoso para socorrer os que são
tentados” (Hebreus 2:17, 18). E a Escritura diz também, para animar-nos ainda mais a ir
para Ele: “Tendo, pois, a Jesus, o Filho de Deus, como grande sumo sacerdote que entro
nos céus, conservemos firmes a nossa confissão. Porque não temos sumo sacerdote que não
possa compadecer-se das nossas fraquezas, antes foi ele tentado em todas as coisas, à nossa
semelhança, mas sem pecado. Acheguemo-nos, portanto, confiadamente, junto ao trono da
graça, a fim de recebermos misericórdia e acharmos graça para socorro em ocasião
oportuna”10 (Hebreus 4:14-16). A Escritura diz ainda: “tendo, pois, irmãos, intrepidez para
entrar no Santo dos Santos, pelo sangue de Jesus... aproximemo-nos... em plena certeza de
fé etc.” (Hebreus 10:19-22). E também: Cristo “tem o seu sacerdócio imutável. Por isso
também pode salvar totalmente os que por que ele se chegam a Deus, vivendo sempre para
interceder por eles”11 (Hebreus 7:24,25).

1
1Tmóteo 2:5.
2
1João 2:1.
3
Efésios 3:12.
4
Mateus 11:28; João 15:13; Efésios 3:19; 1João 4:10.
5
Hebreus 1:3; 8:1.
6
Mateus 3:17; João 11:42; Efésios 1:6.
7
Atos 10:26; 14:15.
8
Jeremias 17:5, 7; Atos 4:12.
9
1Coríntios 1:30.
10
João 10:9; Efésios 2:18; Hebreus 9:24.
11
Romanos 8:34.
104

Então, do que precisamos mais, visto que o próprio Cristo declara: “Eu sou o caminho, e
a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim” (João 14:6)? Por que buscaríamos
outro advogado visto que agradou a Deus nos dar seu Filho como Advogado? Não O
abandonemos para buscar outro que nunca encontraremos. Pois quando Deus O deu a nós,
bem sabia que éramos pecadores.
Por isso, conforme o mandamento de Cristo, invocamos o Pai celestial mediante Cristo,
nosso único Mediador1, como nos foi ensinado na oração do Senhor2. E temos a certeza de
que o Pai nos concederá tudo o que Lhe pedirmos em nome de Cristo3 (João 16:23).

01. O assunto do artigo 26.


Este artigo é o último, na “Confissão de Fé”, sobre a obra de reconciliação que Cristo
realizou. Tanto pelo seu estilo comovente como por sua minuciosidade, o artigo fala por si
mesmo e não precisa de muito comentário.
a) Este artigo trata de uma só coisa: Cristo -e nenhum outro- é o Mediador que nos dá
“acesso a Deus”. Ele é Deus e homem e, assim, nós, homens, temos “acesso à majestade
divina. De outro modo, nenhum acesso teríamos”.
b) Para falar desta verdade, o artigo 26 precisa de poucas frases. Mas para ‘defender’ este
único Mediador “que o Pai constituiu entre Ele e nós”, o artigo usa muitas frases, porque
quer evitar que busquemos outro Mediador. Esta defesa é assim:
(1) Quanto à grandeza de Cristo: ela “não nos deve assustar, a ponto de fazer-nos
procurar um outro, conforme nossa própria vontade”. Pois, ninguém é capaz de
amar-nos mais do que Aquele que, por nossa causa, “a si mesmo se esvaziou” e se
tornou semelhante a nós em todos os sentidos (Filipenses 2:6-7; Hebreus 2:17).
Quem nos amaria mais do que Aquele “que entregou sua vida por nós, sendo nós
ainda inimigos” (Romanos 5:8, 10)?
Aliás, essa grandeza de Cristo é indispensável, porque “quem será ouvido antes
que o próprio bem-amado Filho de Deus” que tem tanto “poder e estima” e que está
“sentado à direita de seu Pai” (Mateus 28:18)?
Por isso, é somente por falta de confiança que buscamos os chamados ‘santos’
para orar por nós. Assim fazemos “o que estes santos jamais fizeram ou desejaram,
mas sempre rejeitaram conforme era seu dever, como mostram seus escritos”.
Assim, de fato, os desonramos em vez de honrá-los.
(2) Quanto à nossa indignidade (de orarmos diretamente a Deus): “apresentamos as
orações a Deus (...) somente pela (...) dignidade de nosso Senhor Jesus Cristo, cuja
justiça é a nossa, mediante a fé”. Por isso, a Escritura quer tirar de nós “esse tolo
receio, ou antes, essa falta de confiança” e exortar-nos a ir para Ele. O artigo 26
apresenta nada menos que quatro citações da carta aos Hebreus para falar de Jesus,
o Sumo Sacerdote. Por um lado enfatiza-se que Cristo, em todos os sentidos, se
tornou semelhante a nós e, por isso, pode “compadecer-se das nossas fraquezas”.
Por outro lado confessa-se que Ele é o “grande sumo sacerdote” que pelo seu
sangue nos abriu o acesso a Deus e que, agora, está sentado ao lado de Deus para
sempre interceder por nós.

1
Hebreus 13:15.
2
Mateus 6:9-13; Lucas 11:2-4.
3
João 14:13.
105

(3) Os últimos dois parágrafos exortam mais uma vez a não buscar “outro
advogado”. Os argumentos são:
-o próprio Cristo se declara a si mesmo o único caminho a Deus (João 14:6);
-o próprio Deus nos deu este Mediador e Ele “bem sabia que éramos pecadores” ou
seja: Ele não se enganou a si mesmo;
-não invocamos o Pai celestial conforme nossa teimosia, mas “conforme o
mandamento de Cristo”, que nos ensinou o ‘Pai nosso’.
A ultima frase resume tudo: “E temos a certeza de que o Pai nos concederá tudo o que Lhe
pedirmos em nome de Cristo”.

02. Cristo é nosso único e perfeito Mediador.


a) “Cremos que nenhum acesso temos a Deus, senão pelo único Mediador e Advogado
Jesus Cristo, o Justo”.
Por causa dos nossos pecados não podemos aproximar-nos de Deus que é “fogo
consumidor” (Hebreus 12:29). Podemos pensar em Adão que tremendo, fugiu da presença
de Deus; e no povo de Isael que, com muito medo, pediu que Moisés servisse de
intermediário, “para que não morramos” pela voz do SENHOR (Êxodo 20:19).
b) Cristo é nosso único Mediador, por que Ele “uniu as naturezas divina e humana”. Ele,
portanto, é um de nós, e também é Deus. Por isso, não há nenhum outro que nos possa dar
acesso à majestade divina.
Cristo transformou (Conforme uma palavra conhecida de Calvino) o trono da glória de
Deus num trono de graça (Hebreus 4:16).
c) É bem claro que o artigo 26 é um só protesto contra a doutrina da invocação dos
(chamados) santos. Estes são um tipo de ‘alta sociedade’ entre os homens; fizeram muitas
obras boas e meritórias; Maria é a principal destes santos. Teríamos que apelar para eles a
fim de que defendessem nossa causa junto a Deus ou Cristo.
d) A maneira de o artigo 26 refutar essa doutrina chama a atenção. Porque não fala mil dos
santos em si mesmos. Pelo contrário, eles jamais gostariam de ser invocados, “como
mostram seus escritos”. Assim são indicadas as cartas de Paulo e Pedro e João, e também
os livros de homens como Agostinho que escreveu: uma oração que não se faz em nome de
Jesus Cristo, além de não ‘tirar’ o pecado, é pecado. Aquele que invoca os santos, não lhes
presta nenhum serviço. Ele não os honra, mas os desonra. O artigo 26, então, não critica os
santos (nem poderia criticá-los), mas os protege.
e) É interessante (e impressionante) também que a radical refutação da invocação dos
santos se dá na forma positiva de uma forte apologia que quer ganhar os homens para
Cristo como o único e perfeito Mediador. Para entendermos esta apologia, temos que
conscientizar-nos de que os católico-romanos não somente tinham acrescentado ao único
Mediador Cristo um ‘exército’ de outros mediadores e mediadoras, mas também tinham
caricaturado o único Mediador. Eles tinham feito de Cristo um severo e duro juiz que, no
máximo, pudesse ser contido em sua ira através de Maria ou outros santos. A igreja, aqui,
não busca seu forte (de maneira negativa) na eliminação da invocação dos santos, mas (de
maneira positiva) na confissão da “excelência e dignidade de nosso Senhor Jesus Cristo,
cuja justiça é a nossa, mediante a fé”.

03. A ‘advocacia’ de Cristo.


a) O artigo 26 não mais trata da obras sacerdotal, que Cristo realizou na terra. Desta obra
sacerdotal trataram os artigos 17-25. Mas o artigo 26 trata da continuação da obra
106

sacerdotal de Cristo no céu. Ele intercede pelos homens junto ao trono celestial de seu Pai
“vivendo sempre para interceder por eles” (Hebreus 7:25). Lá Ele, dia e noite, é nosso
Advogado (como sacerdote) e esta ‘advocacia’ é até o objetivo da existência de Cristo
como homem.
b) Melhor advogado não achamos. Pois, “quem será ouvido antes que o próprio bem-amado
Filho de Deus?”. Mas, ao mesmo tempo, “não há ninguém, nem no céu, nem na terra, entre
as criaturas, que nos ame mais que Jesus Cristo”.
Então, ninguém tem laços tão fortes tanto para Deus como para nós.
c) O laço forte dEle para nós O faz entender perfeitamente a nossa situação atual na terra (o
artigo 26 se refere a isso até duas vezes). O próprio Jesus sofreu nas tentações e, por isso,
“é poderoso para socorrer os que são tentados” (Hebreus 2:18); e Ele pode compadecer-se
das nossas fraquezas, porque “foi ele tentado em todas as coisas, à nossa semelhança”
(Hebreus 4:15). É muito animador que Alguém, que conheça nossa situação, interceda por
nós.
d) O laço dEle para Deus faz com que Deus O ouça. Para nós, isto implica em que não
somos mais condenados, apesar dos pecados, porque Ele intercede por nós (Romanos 8:24).
É animadora a observação (do artigo 26) de que Deus bem sabia que éramos pecadores,
quando nos deus seu Filho para interceder por nós. Isto significa que Deus, de antemão,
aprovou e aceitou a intercessão de Cristo em favor de pecadores.
e) O artigo 26 termina com uma observação importante a respeito das nossas orações: o Pai
nos concederá tudo o que Lhe pedirmos em nome de Cristo. Em razão do assunto do artigo
26, temos que pensar principalmente nas orações em que pedimos remissão, reconciliação e
proteção. Devemos admitir como certo que orações, feitas “em nome de Cristo”, realmente
são apresentadas ao Pai em nome de Cristo e, por isso, certamente serão ouvidas.

Pontos e perguntas para pensar:


01. Confira como a invocação dos santos e rejeitada em Isaías 63:16; Jeremias 15:1;
Ezequiel 14:13-16. Portanto, não podemos apelar para os falecidos santos a fim de
orarem por nós. Mas as orações deles não têm nenhuma importância para nós? Veja
Apocalipse 5:8 e 6:9-10.
02. Confira como deve e como não deve ser nossa atitude para com os falecidos
santos. Veja (por um lado) Hebreus 6:12; 13:7 e (por outro lado) Atos 10:25-26;
Apocalipse 22:9.
03. Avalie o seguinte raciocínio:
-o amor jamais acabará (1Coríntios 13:8);
-este amor se manifesta principalmente nas orações de uns pelos outros;
-portanto, os falecidos santos oram por nós.
04. Na oração ‘Pai Nosso’ não encontramos o nome do Filho (Cristo). Esta oração,
então, é feita “em nome de Cristo”?

ARTIGO 27

A IGREJA CATÓLICA OU UNIVERSAL.


107

Cremos e confessamos uma só igreja católica ou universal1. Ela é uma santa congregação e
assembléia2 dos verdadeiros crentes em Cristo, que esperam toda a sua salvação de Jesus
Cristo3, lavados pelo sangue dEle, santificados e selados pelo Espírito Santo4.
Esta igreja existe desde o princípio do mundo e existirá até o fim. Pois, Cristo é um Rei
eterno, que não pode estar sem súditos5. Esta santa igreja é mantida por Deus contra o furor
do mundo inteiro6, mesmo que ela, às vezes, por algum tempo, seja muito pequena e, na
opinião dos homens, quase desaparecida7. Assim, Deus guardou para si, na perigosa época
de Acabe, sete mil homens, que não tinham dobrado os joelhos a Baal8.
Esta santa igreja também não está situada, fixada ou limitada em certo lugar, ou ligada a
certas pessoas, mas ela está espalhada e dispersa pelo mundo inteiro9. Contudo, está
integrada e unida, de coração e vontade, no mesmo Espírito, pelo poder da fé10.

01. O assunto do artigo 27.


a) Este e o primeiro de alguns artigos sobre a igreja. Há muitas opiniões sobre o assunto.
Mas a igreja, neste artigo, não quer dar sua própria opinião, porque ela crê no que a
Escritura diz sobre a igreja e quer repetir o ensino da Escritura. “Cremos e
confessamos...”.
b) Em primeiro lugar, confessa-se sobre a igreja que há uma só, que (portanto) é católica ou
universal (a palavra “católica” significa universal!). A igreja são todos os verdadeiros
“crentes”, assim como Cristo os reúne. De Cristo eles “esperam toda a sua salvação” e não
mais têm dívidas, porque são “lavados pelo sangue dEle, santificados e selados pelo
Espírito Santo”.
c) “Esta igreja existe desde o princípio do mundo” e ela certamente “existirá até o fim”,
porque “Cristo é um rei eterno, que não pode estar sem súditos”. Às vezes, a igreja parece
desaparecida por causa do “furor do mundo inteiro”, mas Deus sempre a mantém. Mesmo
na época perigosa de Acabe, Deus fez com que sete mil homens não dobrassem os joelhos a
Baal.
d) Esta igreja também não está fixada ou limitada em certo lugar (um país, uma cidade ou
um prédio), nem ligada a certas pessoas (o papa, os bispos etc.). Ela “está espalhada e
dispersa pelo mundo inteiro”.
e) Mas, mesmo espalhada pelo mundo inteiro, ela é uma comunidade unida, no mesmo
Espírito, pelo poder da fé.
02. Cremos e confessamos uma igreja.
a) Nada parece mais simples do que ter uma opinião sobre a igreja. Todo mundo pode vê-
la, pois ela não tem nada para esconder. Todo mundo pode assistir aos cultos da igreja,
porque ela quer alcançar todos os homens com a mensagem da Bíblia. Por isso, parece fácil
dizer o que é a igreja.

1
Gênesis 22:18; Isaías 49:6; Efésios 2:17-19.
2
Salmo 111:1; João 10:14, 16; Efésios 4:3-6; Hebreus 12:22, 23.
3
Joel 2:32; Atos 2:21.
4
Efésios 1:13; 4:30.
5
2Samuel 7:16; Salmo 89:36; 110:4; Mateus 28:18, 20: Lucas 1:32.
6
Salmo 46:5; Mateus 16:18.
7
Isaías 1:9; 1Pedro 3:20; Apocalipse 11:7.
8
1Reis 19:18; Romanos 11:4.
9
Mateus 23:8; João 4:21-23; Romanos 10:12,13.
10
Salmo 119:63; Atos 4:32; Efésios 4:4.
108

Contudo, alguém que tenha todas as informações sobre a igreja, mas tente analisá-la
com seus olhos humanos e seu entendimento humano, não pode dizer o que é realmente a
igreja.
b) Pois, o essencial, o característico da igreja não é visível ao olho humano, nem
disponível ao entendimento humano.
O essencial da igreja é que o Filho de Deus a reúne e que Ele é seu rei. Isto não é visível,
nem demonstrável, nem controlável. Isto sabemos somente pela Bíblia. Sabemos o que é a
igreja exclusivamente através da Bíblia; ou seja: sem a Bíblia e sem fé não podemos saber o
que é a igreja. É por isso que o artigo 27 começa com as palavras: “Cremos e confessamos
uma só igreja”.

03. Uma só igreja católica ou universal.


a) A “Confissão de Fé” (inclusive o artigo 27) data da época (do século XVI) em que os
fiéis estiveram diante do ‘colosso’ da igreja católico-romana, que com muita veemência
afirmava que somente ela era a verdadeira igreja de Cristo. Além disto, havia, já naquela
época, muitas seitas que também se chamavam ‘igreja’. Sem que deixasse confundir-se por
essa grande variedade, a igreja se baseou na Bíblia para ouvir que há uma só igreja católica
ou universal.
b) Então, não há duas ou três igrejas. Isto significaria que havia também doas ou três
maneiras de sermos salvos: a maneira católico-romana, a maneira reformada etc.
Significaria também que cada igreja estaria livre para explicar a Bíblia à sua maneira. Mas
há uma só maneira de explicar o Evangelho, a saber: a maneira que a própria Bíblia indica e
que a igreja (aquela igreja católica ou universal) deve praticar.
c) O próprio Jesus falou: “então haverá um (só) rebanho e um (só) pastor” (João 10:16). E o
apostolo Paulo diz sobre a igreja: “há somente um corpo e um Espírito, como também
fostes chamados numa só esperança da vossa vocação; há um só Senhor, uma só fé, um só
batismo; um só Deus e “Pai de todos” (Efésios 4:4-6). Com base nestas palavras da
Escritura confessamos que há uma só igreja (católica) universal.

04. O que é a igreja universal?


a)Após ter confessado que há uma só igreja, o artigo 27 também diz o que é a igreja. Mas
a igreja (no artigo 27) não mostra uma foto de si mesma. Ela não diz: nós somos a igreja e
quem nos observar bem, sabe o que é a igreja.
Porém, isto não significa que os ‘confessores’ deste artigo não ousaram dizer que
pertenciam à verdadeira igreja. Já disseram, no artigo 9, que “a verdadeira igreja sempre
tem mantido esta doutrina da Trindade, desde s dias aos apóstolos até hoje”. Falando assim,
claramente se consideraram a si mesmo a verdadeira igreja. Mas para saber o que é a igreja
e o que deve ser a igreja, ela não se refere a si mesma, mas à Bíblia é decisiva. A Bíblia diz,
com autoridade, o que é a igreja. E o que ela diz, nós confessamos.
O que é a igreja? “Ela é uma santa congregação e assembléia dos verdadeiros crentes em
Cristo, que esperam toda a sua salvação de Jesus Cristo, levados pelo sangue dEle,
santificados e selados pelo Espírito Santo”.
Os seguintes pontos são importantes:
b) Quem faz parte da igreja? São “os verdadeiros crentes em Cristo, que esperam toda a sua
salvação de Jesus Cristo”. Os artigo 16-26 da Confissão amplamente falaram dessa
salvação em Jesus Cristo. Aqui se confessa que aqueles que aceitam esta doutrina,
pertencem à igreja. Portanto, há uma forte relação entre os artigos sobre a igreja (a partir do
109

artigo 27) e os artigos sobre a obra de Cristo! Isto é claro, porque a igreja é o fruto dessa
obra de Cristo. Deus comprou a igreja com o sangue de Cristo (Atos 20:28).
Por isso, a igreja não pode ser tolerante para com aqueles que se desviam dessa doutrina
(a respeito da obra de salvação em Jesus Cristo). Assim, ela destruiria o fundamento em
que se apóia, e envenenaria sua fonte de vida. Pelo contrário, ela deve dar proteção contra
“todo vento de doutrina” (Efésios 4:14; veja também Apocalipse 2:14,20).
Os verdadeiros crentes também são chamados “santificados”, ou seja: eles não
pertencem mais ao mundo. E eles são “selados pelo Espírito Santo”: o que está selado, fica
fora do alcance de ‘estranhos’; assim também o Espírito Santo selou todos os que esperam
toda a sua salvação de Jesus Cristo, de tal maneira que eles ficam fora do alcance de
poderes ‘estranhos’; aquela que espera tudo de Cristo, está sendo protegido por Ele e pelo
Espírito Santo.
c) (1) Precisamos prestar atenção especial às palavras (do artigo 27) “congregação
e assembléia”. Pois a igreja é a congregação dos verdadeiros crentes. A palavra
grega, que encontramos no Novo Testamento para indicar a igreja (comunidade
cristâ), é “ekklèsia”. Originalmente esta palavra tinha o sentido de uma assembléia
pública de cidadãos gregos. O uso desta palavra no Novo Testamento (para
significar a igreja) mostra que a igreja era considerada uma congregação de pessoas;
e também que estas pessoas eram uma unidade. Milhares de pessoas que assistem a
um jogo de futebol num estádio, não são uma congregação. Ou seja: a igreja é mais
do que uma ‘turma’ de muitas pessoas, como a figura do rebanho com seu pastor
muito bem explica (João 10).
Portanto, o artigo 27 caracteriza a igreja como uma congregação, uma
assembléia, uma unidade, uma comunhão, um corpo, um rebanho.
(2) Contudo, essa congregação (assembléia) tem algo especial. Pois, o artigo 27 não
se refere à igreja (comunidade) que, a cada domingo, num determinado lugar, se
reúne num certo prédio, e cujos membros convivem uns com os outros, d maneira
cordial, mostrando muita unidade. Trata-se, aqui, da igreja que “está espalhada e
dispersa pelo mundo inteiro”. Conseqüentemente, nem todas as pessoas (que fazem
parte desta igreja) se conhecem uma às outras, pelas grandes distâncias e diferentes
línguas; às vezes vivem escondidos e nem sabem da existência de outros cristãos,
assim como Elias, “na perigosa época de Acabe”, não sabia que havia ainda sete mil
fiéis. Então, chama a atenção que esta igreja, espalhada pelo mundo inteiro, é
caracterizada não somente como a totalidade (soma) de todos os fiéis, mas como a
congregação e assembléia de todos os fiéis, ou seja: um rebanho co Cristo como
Supremo Pastor, e um corpo de que Ele é o cabeça, (uma igreja) “integrada e
unida, de coração e vontade, no mesmo Espírito, pelo poder da fé”.
(3) Agora vem a pergunta prática: será que faz muita diferença se a igreja universal
é a totalidade (soma) dos crentes ou se ela é a congregação e assembléia dos
crentes?
Muitas vezes se diz que não é importante de que igreja você, na terra, seja
membro (você pode até não ser membro de uma igreja). Quando se trata de um
“verdadeiro crente” (ainda conforme este raciocínio), ele esta unido à Cristo, o
Pastor, e ‘automaticamente’ faz parte do rebanho, da igreja universal. Isto seria
verdade, se a igreja fosse (somente) a totalidade de todos os fiéis. Mas o artigo 27
confessa, com ênfase e conforme a Bíblia, que a igreja é uma congregação e
assembléia e o artigo 28 (veja a seguir) diz que se acha “esta assembléia” em toda
110

igreja (comunidade) local que seja fiel. Portanto, alguém que queira pertencer à
assembléia ou ao rebanho da igreja universal, deve juntar-se à igreja de sua
‘vizinhança’ (cidade), pois lá o rebanho de Cristo está ao seu alcance. É lá que
Cristo quer ter-nos, pois lá Ele alimenta e protege suas ovelhas pela pregação do
Evangelho e pela distribuição dos sacramentos e pela obra dos presbíteros e
diáconos.
Por isso, há uma forte tensão entre amar ao Supremo Pastor e ficar afastado do
rebanho do mesmo pastor. É impossível dizer espontaneamente ‘sim’ ao pastor e
quer ser alimentado e protegido por sua mão e, ao mesmo tempo, dizer ‘não’ ao
rebanho daquele pastor. Por isso, temos que exortar aquele que diz estar unido a
Cristo, a juntar-se ao rebanho de Cristo.

05. “Desde o princípio do mundo até o fim”.


a) A igreja universal esta caminhando neste mundo, normal e realmente, há séculos. Ela
“existe desde o princípio do mundo” (ou seja: a partir da queda do homem).
b) E ela sempre existirá. “Cremos e confessamos” isto. Aqui, no artigo 27, não se faz um
prognóstico, mas fala-se com base na Escritura que diz que Cristo é um rei eterno (veja
2Samuel 7:16, em relação a Lucas 1:32-33 e Apocalipse 22:16).
Um eterno Rei sempre tem súditos. Por isso, será impossível eliminar, da terra, a igreja
de Cristo.

Pontos e perguntas para pensar:


01. Você acha que não pode haver, de maneira alguma, divergência de opinião na
igreja?
02. Podemos falar sobre uma ‘igreja no céu’? Às vezes nega-se esto, com o
argumento de que no céu não há mais a pregação do Evangelho, nem a
administração dos sacramentos, nem a obra pastoral de ministros. Ou será que o
essencial da igreja é a presença de Cristo, juntamente com os seus que O adoram
(Apocalipse 7:14-17)?
Aliás, o artigo 27 não trata da ‘igreja no céu’, porque localiza a igreja universal
na terra.

ARTIGO 28

O DEVER DE JUNTAR-SE À IGREJA.


111

Esta santa assembléia é a congregação daqueles que são salvos, e fora dela não há
salvação1. Cremos, então, que ninguém, qualquer que seja a posição ou qualidade, deve
viver afastado dela e contentar-se com sua própria pessoa. Mas cada um deve se juntar e se
reunir a ela2, mantendo a unidade da igreja, submetendo-se à sua instrução e disciplina3,
curvando-se diante do jugo de Jesus Cristo4 e servindo para a edificação dos
irmãos5,conforme os dons que Deus concedeu a todos, como membros do mesmo corpo6.
Para observar melhor tudo isto, o dever de todos os fiéis é, conforme a Palavra de Deus,
separar-se daqueles que não pertencem à igreja7, e juntar-se a esta assembléia8 em todo
lugar onde Deus a tenha estabelecido. Este dever deve ser cumprido, mesmo que os
governos e as leis das autoridades o contrariem e mesmo que a morte ou a pena corporal
sejam a conseqüência disto9.
Por isso, todos os que se separam desta igreja ou não se juntam a ela, contrariam a
ordem de Deus.

01. O assunto do artigo 28.


O artigo 27 explicou o que é e deve ser a igreja universal. O artigo 28 fala sobre o dever de
juntar-se a esta igreja.
a) Ninguém, “qualquer que seja a posição ou qualidade”, deve viver afastado dessa igreja
universal. Pois, é nessa igreja que se reúnem aqueles que são salvos. Fora dela não há
salvação. Portanto, é necessário juntar-se a ela.
b) Assim a igreja permanece unida. Porque, quando todos se submetem à sua instrução e
disciplina, todos se curvam diante de Cristo; e quando todos servem e ajudam uns aos
outros conforme os dons que Deus concedeu a cada um, todos formam um só corpo.
c) Para poderem observar melhor tudo isto, todos os fiéis, conforme a Palavra de Deus, têm
o dever de “separar-se daqueles que não pertencem à igreja, e juntar-se a esta assembléia
em todo lugar onde Deus a tenha estabelecido”. Este dever é tão primordial que deve ser
cumprido, “mesmo que os governos e as leis das autoridades o contrariem e mesmo que a
morte ou a pena corporal sejam a conseqüência disto”.
d) Portanto, aqueles que abandonam a igreja ou não se juntam a ela, “contrariam a ordem
de Deus”.

02. Cada um deve se juntar à igreja.


a) O artigo 28 exorta todos os fiéis a untar-se à igreja. Isto não seria necessário, se todos os
fiéis já se tivessem juntado a ela. Portanto, há fiéis fora da igreja. São aqueles de que se diz,
aqui, que vivem afastados, que se contentam dom sua própria pessoa, que não se juntam à
igreja, que não se reúnem com ela ou se separam dela.

1
Mateus 16:18, 19; Atos 2:47; Gálatas 4:26; Efésios 5:25-27; Hebreus 2:11-12; 12:23.
2
2Crônicas 30:8; João 17:21; Colossenses 3:15.
3
Hebreus 13:17.
4
Mateus 11:28-30.
5
Efésios 4:12.
6
1Coríntios 12:7, 27; Efésios 4:16.
7
Números 16:23-26; Isaías 52:11, 12; Atos 2:40; Romanos 16:17; Apocalipse 18:4.
8
Salmo 122:1; Isaías 2:3; Hebreus 10:25.
9
Atos 4:19,20.
112

Para entender esta exortação, que se dirige a todos os fiéis, é necessário explicar por que
aqueles que já são fiéis (crentes) devem juntar-se à igreja. Por que um fiel (crente)
necessariamente deve juntar-se à igreja?
b) O artigo 28 fala de maneira bem radicai “ninguém deve (viver afastado dela)”. E à
palavra “ninguém” ainda se acrescenta: “qualquer que seja a posição ou qualidade”.
Absolutamente ninguém deve viver afastado “desta santa assembléia”. E não é difícil de
adivinha de que assembléia se fala: é a igreja universal (o assunto do artigo 27), ou seja: a
“santa congregação e assembléia dos verdadeiros crentes”.
c) É importante observar que a igreja, aqui, não faz sua própria exigência. Não é a igreja
que ordena que todo crente deva juntar-se a ela. Falar assim seria uma arrogância. O artigo
28 diz: “Cremos, então, que ninguém...”. Portanto, o apelo que a igreja faz, vem da Palavra
de Deus.
d) Nem todos os fiéis, na época em que a Confissão foi escrita, reconheceram que ninguém
deveria viver afastado da igreja. Alguns pensavam que era suficiente estarem pessoalmente
unidos a Cristo, e não se juntavam à igreja. Podemos pensar nos muitos fiéis na França que
se tinham decidido em favor da Reforma. Mas, sob ameaça de tortura e morte, era-lhes
proibido realizar cultos. Ainda havia mais dificuldades. Quem não participava da missa ou
não deixava batizar sua criança na igreja católico-romana, já era suspeito. Por isso, muitos
fiéis se sentiam obrigados a assistir a esses cultos (referindo-se, como desculpa, aos
exemplos de Nicodemos, João 3:1-2, e de Naamã, 2Reis 5:18-19).
O artigo 28 é a prova de que a igreja, naquela época difícil, não cedeu ao raciocínio de
que o laço de fé para Cristo permitiria a alguém ficar afastado da igreja. Isto não seria
possível “mesmo que a morte ou a pena corporal” fossem a conseqüência.
e) Já havia, naquela época, outro argumento para não se juntar à igreja. Os anabatistas
gostavam de falar mal das imperfeições não somente da igreja católico-romana, mas
também das igrejas da Reforma (aliás, isto nunca é difícil). Os pecados dos membros da
igreja lhes serviam de pretexto para não se juntarem à igreja. Eles enfatizavam muito o laço
pessoal de cada crente para com Deus. O Espírito Santo não estaria interessado em
nenhuma igreja e jamais se comprometeria com a pregação e os sacramentos. A igreja não
teria nenhuma importância para a obra do Espírito Santo (que “sopra onde quer”). É
também contra esta indiferença para com a igreja que o artigo 28 luta.
f) A obra missionária da igreja também tem a ver com essa questão. Muitas vezes se diz
que é importante ganhar alguém para Cristo, mas não ou não tanto para a igreja. Decidir-
se a favor de Cristo é (como se diz) a coisa principal e decidir-se a favor da igreja é menos
importante. O laço para Cristo é decisivo e este laço pode existir também sem a igreja ou
fora dela.
Ninguém pode negar que se deve distinguir entre as duas coisas. De fato há fiéis fora da
igreja e incrédulos dentro dela. Mas esta realidade não nos pode levar à conclusão de que
ser membro da igreja não seja importante. Decisivo é que o próprio Deus diz que devemos
juntar-nos á igreja e, também, que Lea dá proteção. São estes dois motivos que se destacam
no artigo 28.

03. Por que cada um deve se juntar à igreja?


a) O primeiro argumento para juntar-se a igreja é (no artigo 28): “esta santa assembléia (da
igreja universal) é a congregação daqueles que são salvos”. Então, que desculpa alguém
ainda poderia inventar para viver afastado desta assembléia?
113

A figura do pastor com seu rebanho já esclarece muito. As ovelhas devem juntar-se ao
rebanho, porque é lá que o pastor garante proteção. É lá que há (por exemplo) os
presbíteros, constituídos pelo próprio Espírito Santo, para pastorear o rebanho (Atos 20:28).
Por isso, apela-se para “todos os fiéis” a juntar-se a esta assembléia em todo lugar onde
Deus a tenha estabelecido”.
b) Muitos acham que juntar-se à igreja é apenas uma opção, uma questão de ‘organizar-se
sem compromisso’. O importante é que as pessoas se convertam. Como elas depois se
organizam é uma questão menos importantes. Pois, o laço para com Cristo vem em
primeiro lugar; só depois vem a igreja. Conforme esta opinião, a igreja é a filha dos fiéis.
São eles que têm fé e, em seguida, se organizam (eventualmente) numa igreja. Os fiéis são
a mãe e a igreja a filha. E a igreja existe graças aos fiéis. Mas o apóstolo Paulo diz que a
igreja é “nossa mãe” (Gálatas 4:26). E, assim como uma criança não pode viver sem mãe,
assim também os fiéis não podem viver sem a igreja. Uma mãe educa seus filhos e o artigo
28 fala sobre a instrução e disciplina da igreja, ou seja: o jugo de Cristo, pois é Ele que dá
poder e ‘volume’ à instrução e à disciplina da igreja.
c) O artigo 28 não fala de uma unidade teórica entre “todos os fiéis” ou entre os eleitos (ou
seja: a unidade dos crentes que pertencem a diferentes ‘denominações’). Fala, sim, de
maneira bem prática, sobre “a unidade da igreja” que deve ser mantida, e exorta todos os
fiéis a esforçar-se para esta unidade. Há unidade quando todos se submetem à instrução da
“nossa mãe”. Assim, todos os fiéis realmente são uma só família e servem para “a
edificação dos irmãos”, “como membros do mesmo corpo”.
d) Outro argumento para juntar-se a “esta santa assembléia” é que “fora dela não há
salvação”. O que significa isto? Às vezes explicam-se estas palavras, assim: ninguém é
salvo fora da totalidade dos eleitos. Esta verdade é inegável e ninguém vai contestá-la. Mas
o artigo 28 não fala de todos os eleitos, mas da “santa assembléia” que é a igreja universal à
qual cada um se deve juntar e que, na terra, tem seus endereços (lugares) onde se pode e
deve bater na porta, porque fora dela não há salvação.
Portanto, tudo indica que aquelas palavras (“fora dela não há salvação”) não são uma
verdade geral, mas uma advertência. Isto faz diferença. Por exemplo: quando está
chovendo, você ode dizer àqueles que, com você, estão em casa: lá fora está chovendo. É
uma verdade incontestável. Mas quando o médico diz ao doente (atacado de gripe): é
melhor ficar uns dias na ama. Pois lá fora vai apanhar frio, então, é uma advertência.
Quando o doente se arrisca e, contudo, não sofre nada, não podemos dizer que o médico
mentiu.
O médico apenas advertiu. Com razão. Advertências devem ser bem claras. De vez em
quando até fortes. Para evitarmos que alguém caia, dizemos (para advertir): cuidado, você
cai! Para evitar que uma ovelha se desvie, um bom pastor diz: fora do rebanho você está
perdida. E para evitar que nos afastemos da proteção que Cristo nos dá na igreja, adverte-
se: fora dela não há salvação.
Para entendermos bem esta advertência, não podemos limitar a palavra “salvação” à
vida vindoura (depois da nossa morte). Trata-se também da salvação que desde já
desfrutamos na igreja. A salvação é distribuída pela pregação, que nos estimula e fortalece
e que abre perspectivas. Na igreja há ‘fontes’ que hoje nos tornam felizes (Salmos 87:7).
e) Então, o artigo 28 não fala (da maneira positiva ou negativa) sobre a fé pessoal e a
salvação pessoal daqueles fiéis que não se juntam á igreja. Diz que são “fiéis”. Pois se trata
de “dever de toso os fiéis” (1) “separar-se daqueles que não pertencem à igreja, e juntar-se
a esta assembléia”. Fala-se, aqui, claramente sobre os fiéis (crentes) que ainda não
114

pertencem à igreja. O fato de a igreja chamá-los fiéis não significa que Lea aprove a atitude
errada deles para com ela. Ela os chama fiéis para tanto mais exortá-los a cumprir seu
dever. (2) Mas, se não cumprem seu dever, a igreja deve confessar que eles “contrariam a
ordem de Deus”.
f) O próprio Deus exorta todos os fiéis a “separar-se daqueles que não pertencem à igreja”,
como mostram 2Coríntios 6:17 (“separai-vos, diz o Senhor”); João 10:5, 8; Romanos
16:17-18; Apocalipse 18:4. E Efésios 1:22 ensina como é importante juntarmo-nos à igreja,
porque diz que Deus “deu Cristo à igreja”. É a regra: quem quiser encontrar-se com Jesus,
deve juntar-se a comunidade cristã. Uma ovelha que queira ser alimentada e protegida deve
tomar seu lugar no rebanho. Lá está o pastor. Assim terá salvação.
Aqui não falam fanáticos que consideram a igreja importante: aqui falam aqueles que
acreditam no que o próprio Deus, em sua Palavra, diz sobre a igreja.

Pontos e perguntas par pensar:


01. Aparentemente há uma tensão entre a confissão de que a igreja é “uma santa
congregação e assembléia dos verdadeiros crentes em Cristo” (artigo 27) e o fato de
que há fiéis (crentes) fora da igreja (artigo 28). Mas quem é responsável por esta
tensão?
02. Movimentos ecumênicos, como o Conselho Mundial de Igrejas, sempre se
baseiam em João 17:20-21 para promover a unidade de todas as igrejas, mas
geralmente não se preocupam muito com a doutrina cristã. Que relação há entre a
unidade e a doutrina da igreja? É verdade que (como se diz) a doutrina separa?
03. Confessa-se, da igreja, que “fora dela não há salvação”. Isto significa que é a
igreja que salva?
04. Ninguém deve viver afastado da igreja. Então, como deve ser nosso
procedimento para com “os de fora”?
05. Suponhamos que descubramos uma outra comunidade (igreja) que realmente
viva como uma verdadeira igreja cristã. O que devemos fazer em tal caso?

ARTIGO 29
115

AS MARCAS DA VERDADEIRA IGREJA, DE SEUS MEMBROS E DA FALSA


IGREJA.

Cremos que se deve discernir diligentemente e com muito cuidado, pela Palavra de Deus,
qual é a verdadeira igreja, visto que todas as seitas, que atualmente existem no mundo, se
chamam igreja, mas sem razão1. Não falamos aqui dos hipócritas que, na igreja, se acham
entre os sinceros fiéis; contudo, não pertencem à igreja, embora sejam membros dela2. Mas
queremos dizer que se deve distinguir o corpo e a comunhão da verdadeira igreja, de todas
as seitas que se dizem igreja.
As marcas para conhecer a verdadeira igreja são estas: ela mantém a pura pregação do
Evangelho3, e a pura administração dos sacramentos4 como Cristo os instituiu, e o exercício
da disciplina eclesiástica para castigar os pecados5. Em resumo: ela se orienta segundo a
pura Palavra de Deus6, rejeitando todo o contrário a esta Palavra7 e reconhecendo Jesus
Cristo como o único cabeça8. Assim, com certeza, se pode conhecer a verdadeira igreja; e a
ninguém convém separar-se dela.
Aqueles que pertencem à igreja podem ser conhecidos pelas marcas dos cristãos, a
saber: pela fé9 e pelo fato de que eles tendo aceitado Jesus Cristo como único Salvador,
fogem do pecado e seguem a justiça10, amando Deus e seu próximo11, não se desviando para
a direita nem para a esquerda e crucificando a carne, com as obras dela12. Isto não quer
dizer, porém, que eles não têm ainda grande fraqueza, mas, pelo Espírito, a combatem, em
todos os dias de sua vida13, e sempre recorrem ao sangue, à morte, ao sofrimento e à
obediência do Senhor Jesus. Nele, eles têm a remissão dos pecados, pela fé14.
Quanto à falsa igreja, ela atribui mais poder e autoridade a si mesma e a seus
regulamentos do que à Palavra de Deus e não quer submeter-se ao jugo de Cristo15. Ela não
administra os sacramentos como Cristo ordenou em sua Palavra, mas acrescenta ou elimina
o que lhe convém. Ela se baseia mais nos homens que em Cristo. Ela persegue aqueles que
vivem de maneira santa, conforme a Palavra de Deus, e que lhe repreendem os pecados, a
avareza e a idolatria16.
É fácil conhecer estas duas igrejas e distingue-las uma da outra.
01. O assunto do artigo 29.
O artigo 29 tratou do dever de todos os fiéis de juntar-se à igreja. O artigo 29 explica de que
maneira podemos achar esta igreja, no meio de tantas ‘organizações’ que se chamam igreja.

1
Apocalipse 2:9.
2
Romanos 9:6.
3
Gálatas 1:8; 1Timóteo 3:15.
4
Atos 19:3-5; 1Coríntios 11:20-29.
5
Mateus 18:15-17; 1Coríntios 5:4, 5,13; 1Tessalonicesses 3:6, 14; Tito 3:10.
6
João 8:47; 17:20; Atos 17:11; Efésios 2:20; Colossenses 1:23; 1Timóteo 6:3.
7
1Tessalonissences 5:21; 1Timóteo 6:20; Apocalipse 2:6.
8
João 10:14; Efésios 5:23; Colossenses 1:18.
9
João 1:12; 1João 4:2.
10
Romanos 6:2; Filipenses 3:12.
11
1João 4:19-21.
12
Gálatas 5:24.
13
Romanos 7:15; Gálatas 5:17.
14
Romanos 7:24, 25; 1João 1:7-9.
15
Atos 4:17, 18; 2Timóteo 4:3, 4; 2João :9.
16
João 16:2.
116

a) Quase todas as seitas se chamam igreja, mas sem ração. Por isso devemos discernir,
“diligentemente e com muito cuidado”, a partir da Escritura, qual é a verdadeira igreja.
Não consideramos, aqui, os hipócritas que se acham na igreja, mas, na realidade, não
pertencem a ela. Falamos sobre a igreja organizada, que devemos distinguir de todas as
seitas que se dizem igreja.
b) Da igreja como organização (instituição) as características são:
-ela usa a pregação de tal modo que esta transmita o Evangelho de maneira pura;
-ela usa os sacramentos como Cristo os instituiu;
-ela usa a disciplina de tal maneira que os pecados sejam castigados.
Em resumo: ela se orienta segundo a Palavra de Deus, rejeita tudo o que contradiz a
Palavra, e reconhece Cristo como o único Cabeça da igreja. Por meio destas marcas
podemos saber, com certeza, o que é a verdadeira igreja e, por isso, ninguém tem o direito
de separar-se dela.
c) Também os membros da igreja são reconhecíveis. Deles as características são:
-têm fé;
-aceitaram Jesus Cristo e, por isso, querem fugir do pecado e praticar a justiça;
-amam a Deus e ao próximo;
-estão no rumo certo;
-se negam a si mesmo.
Isto não significa “que lês não têm grande fraqueza, mas , pelo Espírito, o combatem”. E
eles sempre recorrem a Jesus, pois, pela fé nEle, têm a remissão dos pecados. Porque Ele
pagou com seu sangue.
d) Porém, há também uma falsa igreja. Dela as características são:
-ela atribui mais poder e autoridade a si mesma e às suas resoluções do que à Palavra de
Deus; ela não se submete à autoridade de Cristo;
-ela não administra os sacramentos como Cristo ordenou em sua Palavra, “mas acrescenta
ou elimina o que lhe convém” e, portanto, “se baseia mais nos homens que em Cristo”.
-ela persegue aqueles que vivem conforme a vontade de Deus e que lhe repreendem os
pecados, como a avareza e a idolatria.
e) Para aquele que segue e obedece a este ensino, “é fácil conhecer estas duas igrejas (a
verdadeira e falsa) e distingui-las uma da outra”.

02. A Escritura determina o que é a verdadeira igreja.


a) A igreja é uma comunidade unida, dirigida por seu único Cabeça Cristo, e todos os fiéis
têm o dever de juntar-se a ela. Então, deveria haver, no mundo inteiro, apenas uma igreja.
Mas a realidade é que “todas as seitas, quer atualmente existem no mundo”, se dizem
igreja, mesmo que o façam “sem ração”. Por isso é importante a pergunta como a
verdadeira igreja, no meio de tantas outras, pode ser reconhecida.
b) Não é positivo que tantas ‘instituições’ diferentes usem o nome de ‘igreja’? E não é
arrogante dizer, sobre elas, que “se chamam igreja, mas sem razão”? Ou será que estas
palavras radicais vêm da luta (na época) contra a igreja católico-romana?
Observamos, porém, que, no artigo 29, não aparece (pelo nome) a igreja católico-
romana, nem seita alguma. Por que não? Porque não se trata, neste artigo, somente de uma
polêmica contra a então igreja católico-romana ou somente da luta daquela época; trata-se
da ‘linha de batalha’ durante toda a história da igreja.
Sabe-se que Lutero e Calvino consideravam a luta atual da época deles a continuação da
luta que, desde Caim e Abel, já estava durando séculos. Muitas vezes, eles encontravam, na
117

Escritura, o abuso do nome de igreja; e também o parecer da Escritura a respeito deste


abuso.
c) Lutero disse que, durante toda a história mundial, há duas igrejas, como já havia na
época de Caim e Abel, porque Caim fingiu que servia ao SENHOR. Lutero se sentiu unido
ao profeta Jeremias que, sozinho, enfrentou todos os profetas e sacerdotes que, com ele,
diziam: “assim diz o SENHOR” (Jeremias 23:16, 17,21). Lutero lembrou Mateus 7:15 onde
Jesus diz: “Acautelai-vos dos falsos profetas que se vos apresentam disfarçados em
ovelhas, mas por dentro são lobos roubadores”. Nas suas pregações, Lutero se referiu, mais
de uma vez, a João 16:1-2 onde Cristo diz: “Tenho-vos dito estas coisas para que não vos
escandalizeis. Eles vos expulsarão das sinagogas; mas vem a hora em que todo o que vos
matar julgará com isso tributar culto a Deus”. E dizia que não poderíamos estranhar se tal
coisa nos acontecesse.
d) Chama a atenção que Calvino, muitas vezes, usava os mesmo textos que Lutero. Ele
também apontou para o perigo de que a igreja, internamente, seria ameaçada por homens
que se escondem sob o título de ‘pastor’ (Atos 20:29; 2Pedro 2:1; 1João 2:19).
Calvino enfatizou que eram justamente os profetas fiéis os acusados de prejudicar a
igreja; mas eles permaneciam firmes. O exemplo deles fortaleceu Calvino para permanecer
firme também. Os profetas lutavam contra uma igreja disfarçada, como já aconteceu na
tenda de Abraão na figura de Ismael que perseguiu Isaque (Gálatas 4:22, 29).
Os reformadores, na sua luta, não se sentiam sozinhos, porque sabiam que participavam
da tremenda batalha que já havia em toda a época do Antigo e do Novo Testamento. Isto
lhes dava coragem de perseverar. Consideravam-se a si mesmos ‘companheiros’ de Abel
(contra Caim), de Isaque (contra Ismael), de Jeremias (contra os profetas e sacerdotes), de
Jesus (contra os escribas).
e) Podemos saber, com certeza, qual é a verdadeira igreja e qual a falsa ou disfarçada? A
última frase do artigo 29 diz que é “fácil” distinguir a verdadeira e a falsa igreja uma da
outra. Mas é a última frase. Na primeira frase, o artigo 29 diz que devemos estudar a Bíblia
para saber o que ela diz sobre esse assunto e para não ficarmos confusos por causa das
muitas igrejas e seitas. Por isso, “cremos que se deve discernir diligentemente e com
muito cuidado, pela Palavra de Deus, qual é a verdadeira igreja”.

03. “não falamos aqui dos hipócritas”.


a) A Palavra de Deus determina o que é a verdadeira igreja. Mas o artigo 29 mostra que, na
igreja, nem sempre há só brilho. A verdadeira igreja não é a igreja perfeita. Na época
eram os anabatistas que queriam uma igreja de pessoas perfeitas. Mas quem quiser saber o
que é a igreja e onde ela está, não deve olhar demais para os membros da igreja. Pois, no
meio deles, pode haver hipócritas. É até possível que entre os ministros (pastores,
presbíteros e diáconos) haja hipócritas (confira as palavras de Jesus em Mateus 23:1-2, 13-
36). Ao falarmos sobre a igreja, não devemos considerar a presença destes hipócritas,
porque “não pertencem à igreja, embora sejam membros dela”.
b) o que, então, devemos considerar? Conforme o artigo 29 devemos considerar “o corpo e
a comunhão da verdadeira igreja”, ou seja: devemos avaliar a igreja como organização
(corpo e comunhão). Não podemos julgar a igreja conforme os bons ou maus atos de alguns
dos seus membros, pois eles não determinam o rumo da igreja. Os documentos oficiais da
igreja são decisivos, ou seja: as confissões dela, em que diz o que é, para ela, o significado
da Palavra de Deus etc. Assim conheceremos a igreja. Em seguida, temos que ver se uma
determinada igreja realmente vive conforme sua própria confissão.
118

Desta maneira podemos “distinguir o corpo e a comunhão da verdadeira igreja”.

04. As marcas da verdadeira igreja.


a) A primeira e decisiva marca da igreja é “a pura pregação do Evangelho”. Quer dizer: a
pregação deve ser sincera.
Pregações não podem transmitir a opinião pessoa do pregador, mas devem transmitir a
mensagem do evangelho. A igreja precisa ouvir, na pregação, a voz de Cristo, seu Pastor,
como ela a conhece pelo evangelho. Assim acontecerá o que Jesus diz: “e elas (as ovelhas)
o seguem porque lhe reconhecem a voz; mas de modo nenhum seguirão o estranho, antes
fugirão dele porque não conhecem a voz dos estranhos” (João 10:4b-5).
Não pode haver, na pregação, fantasias. Se um pregador, por exemplo, diz que Jesus não
veio à terra para pagar, com seu sangue, os nossos pecados, mas apenas para dar um bom
exemplo, então, á a voz de um estranho. É normal que as ovelhas fujam dele!
Podemos dizer também que a pregação serve para alimentar a fé. E alimentação
envenenada é fatal. Há também a possibilidade de que um pregador não fale mentiras, mas
constantemente deixe de falar das verdades centrais bíblicas. Assim as ovelhas ficam
subnutridas. E, ao longo prazo, isto também é fatal.
Por isso, a primeira marca é a distribuição do Evangelho pela pregação de maneira pura
e completa.
Desta maneira as ovelhas reconhecem a voz do bom pastor, mesmo que aquela voz diga
coisas surpreendentes. Um bom exemplo são os judeus da cidade de Beréia, que ouviram o
apóstolo Paulo anunciar as boas novas sobre Jesus e que começaram a “examinar as
Escrituras todos os dias para ver se as cousas eram de fato assim” (Atos 17:11). Só assim
somos “edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas” (Efésios 2:20). E só assim
é válida a promessa de Cristo: “onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali
estou no meio deles” (Mateus 18:20; confira também Gálatas 1:8-9).
b) A segunda marca se refere à pura administração dos sacramentos e está intimamente
ligada à primeira. Uma igreja que, na pregação, adapte o evangelho à sua própria opinião,
obriga-se a si mesma a adaptar também os sacramentos. Pois, os sacramentos são as
‘ilustrações’ da Palavra. Quando a Palavra for mudada, as ilustrações também devem ser
mudadas. Quem negar a doutrina da reconciliação, não mais pode considerar o batismo o
sinal (a ilustração) da purificação dos pecados.
Os sacramentos são também selos que confirmam a Palavra. Quando muda-se a Palavra,
o selo também tem outro valor. Quem negar a doutrina da reconciliação, não mais pode
considerar a santa ceia uma ceia em que Cristo nos alimenta com seu corpo crucificado e
seu sangue derramado (como pagamento dos nossos pecados). Conforme a doutrina
católico-romana, a graça de Deus está ‘empacotada’ nos sacramentos e esta opinião fez
com que a igreja católico-romana não se contentasse com dois sacramentos e inventasse
mais cinco.
A violação da Palavra audível (a pregação) sempre vai de mãos dadas com a violação da
Palavra visível (os sacramentos). Por isso, podemos reconhecer a verdadeira igreja também
pela pura administração dos sacramentos.
c) A terceira marca é o “exercício da disciplina eclesiástica para castigar os pecados”. A
igreja jamais pode usar a disciplina para livrar-se daqueles que a criticam com base na
Escritura (como, na época, o papa fez com Lutero). A disciplina serve e deve servir para
castigar os pecados (1Coríntios 5). Esta terceira marca também está intimamente ligada à
primeira. Pois, uma igreja que adapte o evangelho, ao mesmo tempo muda as normas dadas
119

por Deus, e não sabe mais o que é e o que não é pecado. a conseqüência é que verdadeiros
fiéis podem ser perseguidos por ela. É também possível que tal igreja simplesmente deixe
de exercer a disciplina. Mas, nos dois casos, a causa é a mesma.
A primeira marca (a pregação) trata da Palavra audível e a segunda (os sacramentos) da
Palavra visível. Essa terceira marca (a disciplina) trata, por assim dizer, da Palavra
palpável. Assim fica claro que a questão sempre é o que a igreja faz com o evangelho.

05. As marcas dos cristãos.


a) O artigo 29 também chama atenção para as marcas dos membros da igreja. Eles se
caracterizam por seu modo de viver e agir. Aquilo que o artigo diz sobre estas marcas é tão
claro que uma explicação não é necessária.
b) Mas qual é o objetivo de falar sobre as marcas dos membros da igreja e não somente
sobre as da igreja como organização? O objetivo é cortar duas opiniões erradas a respeito
da igreja:
(1) Os membros da igreja podem estar tão contentes com a pureza da pregação, dos
sacramentos e da disciplina que se esquecem de que tudo isto será inútil, se os
membros da igreja não mudarem ou não se corrigirem. Assim haverá a situação
perigosa que havia na igreja de Éfeso (Apocalipse 2:1-3). Lá estava tudo bem com a
pregação e a disciplina. Mas eles tinham abandonado o seu primeiro amor (v.4) e
pereceriam se não se convertessem (v.5).
Portanto, a situação está ruim quando a pregação e os sacramentos e a disciplina
vão bem, enquanto os membros da igreja não mudam. A situação está ruim quando
a pregação e os sacramentos e a disciplina não têm nenhum impacto na vida dos
membros da igreja. Os católico-romanos acham que é suficiente crer naquilo que a
igreja crê. Mas o artigo 29 deixa claro que ser membro da igreja, em si mesmo, não
é suficiente, embora importante.
(2) Outro perigo é que se espere dos membros da igreja que sejam perfeitos. Muitos
dizem que evitaram ou até abandonaram a igreja devido às suas experiências
decepcionantes com cristãos.
Porém, o artigo 29 não diz que os verdadeiros fiéis são super-homens. Mesmo
que procedam como cristãos, eles “ainda têm grande fraqueza” e, por isso, “sempre
recorrem ao sangue, à morte, ao sofrimento e à obediência do Senhor Jesus”.
Quem vai em busca da verdadeira igreja, não pode pensar que está buscando a
comunhão com homens perfeitos.

06. A falsa igreja.


a) Não é pouca coisa dizer que uma igreja é falsa. Por isso deve ser bem claro o que este
juízo significa e não significa.
É um mal-entendimento pensar que esse juízo (“falsa igreja”) implica num juízo direto
sobre todos os membros de tal igreja. E o mal-entendido se torna ainda pior quando se
pensa que todos esses membros são falsos no sentido de mentirosos, imfames. Assim, a
falsa igreja seria uma igreja cheia de gente falsa.
É necessário, portanto, examinar o que significam as palavras “falsa” e “igreja”.
b) Comecemos com a palavra igreja. Assim como no caso da verdadeira igreja, devemos
distinguir entre a falsa igreja como organização e os seus membros. “falsa igreja” é um
juízo sobre a organização, não sobre os membros de tal igreja. Podemos chamar doente um
corpo, enquanto alguns órgãos ainda estão funcionando. Assim também podemos chamar
120

falsa uma igreja, enquanto nela ainda há verdadeiros fiéis e até pastores que pregam
conforme a Escritura e que advertem para ajudar a recuperar a igreja doente.
Esses fiéis estão lá contra “a ordem de Deus” (artigo 28).Mas –e disso se trata aqui-,
assim como os órgãos sãos não podem evitar que o doente seja declarado doente, assim
também esses fiéis não podem evitar que a igreja deles como organização deva ser
chamada falsa. Pois, ela (1) não faz ouvir a voz do bom pastor, (2) despreza os sacramentos
e (3) persegue os fiéis que abertamente lhe dizem a verdade.
Portanto, a expressão “falsa igreja” não carimba todos os membros de tal igreja como
“falsos fiéis” (a expressão “verdadeira igreja” também não significa que todos os seus
membros são “verdadeiros fiéis”).
c) Agora, qual é o sentido da palavra “falsa” (na expressão “falsa igreja”)? É verdade a
falsa igreja “persegue aqueles que vivem de maneira santa, conforme a Palavra de Deus”, e
que Jesus falou sobre “os falsos profetas que se vos apresentam disfarçados em ovelhas,
mas por dentro são lobos roubadores” (Mateus 7:15). Dirigida por seus ‘profetas’, a falsa
igreja realmente é capaz de agir com violência. Porém, essas observações não explicam
ainda o sentido principal da palavra “falsa”.
Temos que pensar numa moeda falsa. Esta parece verdadeira, mas não vale nada. Uma
igreja falsa perece verdadeira. Ela tem a aparência de uma igreja séria. Realiza cultos, tem
ministros e apela para o evangelho. E na é uma aparência ‘planejada’. Ela age na convicção
de ser igreja. Ela julga “tributar culto a deus” (João 16:2). Por isso, ela pode proceder, às
vezes, e maneira tão fanática.
Mas, apesar de tudo isso, “ela atribui mais poder e autoridade a si mesma e a seus
regulamentos de que à Palavra de Deus”.
d) A expressão “falsa igreja” não significa que, em tal igreja, não há mais nada do
evangelho ou dos sacramentos. Calvino disse que Deus, por sua fidelidade, estava
conservando sua aliança e o batismo na então igreja católico-romana, apesar da
incredulidade dos homens, “para que a igreja não parecesse totalmente”. Deus queria que,
“depois da destruição, sobrasse um prédio semi-caído”.
07. “É fácil conhecer estas duas igrejas”.
a) O artigo 29 diz que é fácil distinguir a verdadeira igreja da falsa. Mas é claro que esta
‘facilidade’ só aparecerá quando estudarmos, neste ponto, a Palavra de Deus
“diligentemente e com muito cuidado”. Precisamos crescer mais e mais no pleno
conhecimento e toda percepção (Filipenses 1:9) e estar dispostos a aceitar o ensino da
Bíblia. Desta maneira ninguém precisa ficar na incerteza sobre onde se ouve a voz do bom
pastor Jesus, porque Ele mesmo nos assegura que as ovelhas “lhe reconhecem a voz” (João
10:4-5).
b) Contudo, isto não significa que uma igreja que mostra sérias falhas (por exemplo, na
pregação) logo deve ser chamada falsa. Ela se torna falsa, quando não mais se deixar
advertir e, em seus atos e palavras, persistir no rumo errado. Na Idade Média, a igreja
católico-romana, embora fraca e bastante desviada, era a legítima igreja, mas se tornou
falsa quando rejeitou o apelo para a reforma e mandou eliminar os fiéis.
Portanto, o decisivo não é se há erros ou heresias na igreja. Pois, sabemos que isto
acontecerá: “dentre vós mesmos se levantarão homens falando cousas pervertidas, para
arrastar os discípulos atrás deles” (Atos 20:30: veja também 2Pedro 2:1; 1João 2:19). O
decisivo é o que uma igreja faz contra erros ou heresias, depois de ter sido advertida.
121

Pontos e perguntas para pensar:


01. Em Filipenses 1:18, o apóstolo Paulo diz: “uma vez que Cristo, de qualquer
modo, está sendo pregado, quer por pretexto, quer por verdade, também com isto
me regozijo, sim, sempre me regozijarei”. Será que Paulo, aqui, não se importa
muito com a pureza da pregação? Ou será que devemos distinguir entre o conteúdo
da pregação e os motivos do pregador? Veja também as palavras de Jesus sobre os
escribas (Mateus 23:3).
02. Às vezes há divergência de opinião na igreja. Quais são os limites desta
divergência?
03. Como você avalia o argumento daqueles que acham que a igreja deles está se
desviando muito do ensino bíblico, mas que permanecem nela, dizendo: “mas nosso
pastor tem boa vontade” ou “nossos presbíteros são bons”?
04. Avalie o seguinte raciocínio e a crítica a ele:
Raciocínio: em geral, não se pode dizer sobre as seitas que perseguem a igreja;
então, elas não têm a terceira marca da falsa igreja e, por isso, pertencem a uma
categoria de que o artigo 29 não fala.
Crítica: (a) as seitas, moitas vezes, severamente criticam a igreja e isto é um certo
tio de ‘perseguição’ (confira o sentido mais amplo de “perseguir” em Gálatas 4:29,
em relação a Gênesis 21:9; (b) mesmo que não haja perseguição, não podemos
esquecer que a primeira marca é decisiva. Isto significa também que nosso juízo
sobre a “falsa igreja” sempre deve ser bem pensado, porque há diferença entre uma
e outra “falsa igreja”. Toda a situação histórica deve ser considerada (veja 07.b); há
diferença também entre falta de vontade e falta de capacidade etc.

ARTIGO 30

O GOVERNO DA IGREJA
122

Cremos que esta verdadeira igreja deve ser governada conforme a ordem espiritual, que
nosso Senhor nos ensinou na sua Palavra1. Deve haver ministros ou pastores para pregaram
a Palavra de Deus e administrarem os sacramentos2; deve haver também presbíteros3 e
diáconos4 para formarem, com os pastores, o conselho da igreja5. Assim, eles devem manter
a verdadeira religião e fazer com que a verdadeira doutrina seja propagada, que os
transgressores sejam castigados e contidos, de forma espiritual, e que os pobres e os aflitos
recebam ajuda e consolação, conforme necessitam6.
Desta maneira, tudo precederá, na igreja, em boa ordem, quando forem eleitas pessoas
fiéis7, conforme a regra do apóstolo Paulo na carta a Timóteo8.

01. O assunto do artigo 30.


Este artigo (como também o artigo 31) trata do governo da igreja.
a) Nosso ponto de partida é a fé em como a igreja deve sr governada: conforme uma forma
de governo chamada “espiritual” (para distingui-la das formas de governo civis ou
mundanas). O próprio Senhor nos ensinou essa forma em sua Palavra.
b) Isto implica em que deve haver pastores para pregarem a Palavra de Deus e
administrarem os sacramentos; ms também presbíteros e diáconos para formarem, com os
pastores, o conselho da igreja.
c) Desta maneira eles devem fazer com que:
-a verdadeira religião seja mantida e a verdadeira doutrina não seja bloqueada;
-os transgressores sejam castigados e contidos, mas “de forma espiritual” (ou seja: não
conforme as autoridades castigam seus súditos);
-os pobres e os aflitos recebem ajuda e consolo, “conforme necessitam”.
d) Esta é à maneira de, na igreja, fazer tudo proceder bem. Mas há uma condição devem ser
eleitas pessoas fiéis, conforme a regra do apóstolo Paulo na carta a Timóteo.

02. A forma de governo da igreja se baseia na Escritura.


a) Como deve ser governada a igreja?
A esta pergunta antecede outra pergunta: nós mesmos podemos decidir sobre a maneira
de a igreja ser governada ou a Bíblia dá a resposta decisiva? A prática aparentemente
ensina que os homens decidem, porque quase todas as denominações e seitas têm sua
própria forma de governo (o exército da Salvação tem seus ‘oficiais’, no sentido militar;
muitas seitas se orgulham de que, no meio delas, todo mundo pode tomar a palavra; a igreja
católico-romana tem seu clero sob a direção do papa etc.).
Esta grande variedade parece indicar que a forma de governo da igreja depende das
circunstâncias e das opiniões humanas.
b) De fato tentou-se mostrar (principalmente a partir do século passado) que a Bíblia não
indica a maneira de a igreja ser governada. São usados dois argumentos:

1
Atos 20:28; Efésios 4:11, 12; 1Timóteo 3:15; Hebreus 13:20, 21.
2
Lucas 1:2; 10:16; João 20:23; Romanos 10:14; 1Coríntios 4:1; 2Coríntios 5:19, 20; 2Timóteo 4:2.
3
Atos 14:23; Tito 1:5.
4
1Timóteo 3:8-10.
5
Filipenses 1:1; 1Timóteo 4:14.
6
Atos 6:1-4; Tito 1:7-9.
7
1 Coríntios 4:2.
8
1Timóteo 3.
123

(1) A forma de governo da igreja é uma questão de utilidade. Temos que ver
simplesmente o que é necessário numa determinada época e não fixar-nos numa só
forma. Assim como há várias formas de governar países (existem reinos e
repúblicas), assim também há várias formas de governo na igreja. O argumento da
utilidade decide sobre a forma mais conveniente.
(2) Conforme o Novo Testamento foram os apóstolos que dirigiram a igreja. Não
havia ainda uma forma de governo fixa. Não sabemos exatamente como as igrejas,
época, eram governadas e, portanto, não podemos copiar nada na época atual. É
impossível dizer:
Assim era e assim o fazemos hoje também.
c) Se a última afirmação (b.2) é verdade, então, temos que buscar, nós mesmos, uma forma
de governo da igreja.
Mas ela não é verdade. O Novo Testamento, de fato, mostra uma certa evolução.
Primeiramente havia os apóstolos, ajudados pelos evangelistas; havia também profetas.
Mas logo depois daquela época inicial (que, em vários sentidos era especial e única). As
igrejas receberam uma organização fixa. O próprio Novo Testamento nos informa sobre
essa organização, por exemplo, na primeira carta de Paulo a Timóteo e na carta a Tito (que
provavelmente já tenham sido escritas durante a terceira viagem missionária de Paulo!).
Nestas duas cartas ‘pastorais’, Paulo, inspirado pelo Espírito Santo, escreve sobre a
organização da igreja para os séculos vindouros.
Por isso: “Cremos que esta verdadeira igreja deve ser governada conforme a ordem
espiritual que nosso Senhor nos ensinou em sua palavra”. A Palavra de Deus é a norma.
Não há lugar para argumentos de utilidade.
d)Encontramos duas vezes, no artigo 30, a palavra “espiritual”, na primeira frase
(“conforme a ordem espiritual”) e, depois, quando se fala sobre castigar “de forma
espiritual”.
Assim indica-se que a ordem da igreja e os castigos da parte dela são especiais. Aqui,
“espiritual” é o oposto de “mundano” (“mundial”). Quer dizer: a igreja deve ser governada,
mas de uma maneira que é diferente da do estado. A igreja deve castigar (se for necessário),
mas de uma maneira que é diferente da das autoridades civis.
A história da igreja ensina que uma forma de governo mundana facilmente pode
dominar a igreja. Basta pensar no ‘poder’ do papa, como se ele fosse um rei o um
presidente, e na maneira como a igreja católico-romana castigava e mandava castigar os
hereges.
Por isso é fundamental, para a igreja, escolher a organização “que nosso Senhor nos
ensinou em sua Palavra”. “Nosso Senhor” é Jesus, o Cabeça da igreja quem dá à igreja seus
oficiais (conforme Efésios 4:11).

03. O governo da igreja.


a) O oficio de apostolo era temporário. Só Judas que perdeu “o seu encargo” (Atos 1:20),
teve um sucessor; os outros não.
Os evangelistas eram os ajudante (cooperadores) dos apóstolos e, com estes,
‘desapareceram’ (mas a tarefa dos evangelistas é comparável à tarefa dos pastores-
missionários de hoje). Também os profetas da época inicial (Atos 21:9-10) desapareceram.
Nas suas cartas a Timóteo e Tito, o apostolo Paulo dá instruções a respeito de uma
forma de governo mais fixa. Os ofícios permanentes são os de presbítero e diácono (veja
124

Filipenses 1:1: “... a todos os santos em Cristo Jesus, inclusive bispos –presbíteros e
diáconos, que vivem em Felipos”).
b) O Novo Testamento usa dois nomes para o presbítero. O primeiro é “prebyteros” ou
ancião. Este nome indica que se trata de pessoas de uma certa idade (e, portanto, de uma
certa sabedoria e experiência).
O segundo nome é “episkopos” ou supervisor (o nome “bispo” vem da palavra
“episkopos”, confira Filipenses 1:1). De fato poderíamos dizer que os presbíteros são
bispos; falando assim, porém, falamos de todos os presbíteros e não de alguns (com na
igreja católico-romana). Na sua última conversa com os “presbíteros” da igreja de Éfeso
(Atos 20:17), Paulo os chama também de “bispos” (v. 28).
O nome (título) “episkopos” ou “bispo” ou “supervisor” indica alguém que dirige a
igreja.
c) Então, todos os presbíteros são chamados tanto presbíteros (anciãos) como bispos.
Entretanto, o Novo Testamento ensina também que há presbíteros com uma tarefa
especial. Paulo diz, em 1Timóteo 5:17, que “devem ser consideramos merecedores de
dobrados honorários os presbíteros que presidem bem, com especialidade os que se
afadigam na palavra e no ensino”. Todos os presbíteros devem “presidir” (dirigir), mas
alguns deles trabalham na pregação e no ensino. São os pastores de hoje (que, portanto, são
presbíteros com uma tarefa especial, nada mais e nada menos).
d) Na igreja não pode haver pessoas que, sem ajuda e consolo por parte dos outros
membros, sofram por causa de doenças, solidão ou pobreza. Por isso há também diáconos.
A palavra característica (no Novo Testamento) para o trabalho dos diáconos é “servir”.
Diaconia (diaconato) significa serviço.
Em Filipenses 1:1, os diáconos são mencionados ao lado dos presbíteros. Em 1Timóteo
3, o apóstolo Paulo fala tanto sobre os presbíteros (vv. 1-7) como sobre os diáconos (vv.8-
10). É importante frisar que os diáconos não são ‘ajudantes’ dos presbíteros. Os diáconos
têm sua tarefa própria, que é diferente da dos presbíteros.

04. A tarefa dos oficiais.


a) Sobre os pastores diz Paulo em 1Timóteo 5:17 que “se afadigam na palavra e no
ensino”. O apóstolo Paulo fala da mesma maneira: diz que os pastores devem pregar a
Palavra de Deus e administrar os sacramentos (que são os sinais e selos da Palavra!).
Esta tarefa (obra) é fundamental. Por isso se diz, principalmente sobre os pastores:
“Assim, eles devem manter a verdadeira religião e fazer com que a verdadeira doutrina seja
propagada”.
b) Os presbíteros são chamados também “supervisores” (bispos). Este nome indica que
eles devem dirigir a igreja e isto corresponde àquilo que 1Timóteo 5:17 diz sobre os
presbíteros “que presidem bem”. Isto implica, conforme Atos 20:28, em “pastorear a igreja
de Deus”. O artigo 30 apenas diz que, por eles, devem ser “castigados e contidos os
transgressores, de forma espiritual”. É claro que “pastorear” significa mais do que aquilo
que o artigo 30 aparentemente quer destacar a autoridade de os presbíteros governarem a
igreja.
c) Sobre os diáconos se diz que, por eles, “os pobres e os aflitos” devem receber “ajuda e
consolação, conforme necessitam”.

05. “Quando foram eleitos pessoas fiéis”.


125

a) O artigo 30 explica como o Senhor quer que sua igreja seja governada. Ele mesmo
instituiu os ofícios na igreja. Por isso podemos ter a certeza de que “desta maneira, tudo
procederá, na igreja, em boa ordem”.
Mas há uma condição: devem ser “eleitas pessoas fiéis, conforme a regra do apóstolo
Paulo na carta a Timóteo”. Encontramos esta “regra” em 1Timóteo 3:2-12, onde Paulo aliás
não fala tanto sobre fidelidade e, sim, sobre aptidão (capacidade). Aquele que é fiel, nem
sempre é apto para o ministério.m Fidelidade é a primeira condição, mas a aptidão também
deve ser manifesta. Podemos dizer que “a regra do apóstolo Paulo” inclui as duas condições
(fidelidade e aptidão).
b) As palavras de Paulo em 1Timóteo 3 mostram tanto a igualdade como a diferença entre
presbíteros e diáconos.
A igualdade deles se mostra porque as qualificações de ambos os ofícios são
praticamente as mesmas.
A diferença, porém, existe porque (por exemplo) espera-se do presbítero que seja “apto
para ensinar” (1Timóteo 3:2).

Pontos e perguntas para pensar:


01. Em Efésios 4:11 fala-se sobre “pastores e mestres”. Trata-se de um só ofício
(“pastor e mestre”). Você acha correto dizer, por isso, que um pastor é mestre
quando está pregando a Palavra de Deus, e que ele é pastor quando está visitando
um doente?
02. É bom e necessário que pastores, presbíteros e diáconos visitem os membros da
igreja para conhecerem o ‘rebanho’ e saberem o que está acontecendo na igreja.
Quer dizer: é bom que eles façam ‘visitas pastorais’. O que você espera (pode
esperar) de uma visita pastoral?

ARTIGO 31

OS OFÍCIOS NA IGREJA
126

Cremos que os ministros da Palavra de Deus, os presbíteros e os diáconos devem ser


escolhidos para seus ofícios mediante eleição legítima pela igreja, sob invocação do nome
de Deus e em boa ordem, conforme a Palavra de Deus ensina1.
Por isso, cada membro deve cuidar para não se apoderar do ofício por meios ilícitos,
mas deve esperar a hora em que é chamado por Deus, a fim de ter, assim, a certeza de que
sua vocação vem do Senhor2.
Quanto aos ministros da Palavra, eles têm, onde quer que estejam, igual poder e
autoridade, porque todos são servos de Jesus Cristo3, o único Bispo universal e o único
Cabeça da igreja4.
Além disto, a santa ordem de Deus não pode ser violada ou desprezada. Dizemos,
portanto, que cada um deve ter respeito especial pelos ministros da Palavra e presbíteros da
igreja, em razão do trabalho que realizam5. Cada um deve viver em pez com eles, tanto
quanto possível, sem murmuração, contenda u discórdia.

01. O assunto do artigo 31.


O assunto deste artigo é a pergunta: como alguém se torna oficial da igreja? E acrescenta-se
que oficiais não podem dominar uns aos outros e que a igreja deve respeitá-los.
a) Cremos que pastores, presbíteros e diáconos devem ser indicados mediante eleição
legítima pela igreja. Esta eleição deve ser realizada “sob invocação do nome de Deus e em
voa ordem”. Assim o ensina a Palavra de Deus.
b) “Por isso, cada membro deve cuidar para não se apoderar do ofício por meios ilícitos”.
Um ofício na igreja é uma tarefa para a qual alguém é chamado por Deus. Portanto, deve-
se esperar a hora em que Deus chama. Assim haverá a certeza de que a vocação vem do
Senhor.
c) Quanto aos pastores: um não está acima do outro. “Eles têm, onde quer que estejam,
igual poder e autoridade”. Todos eles são servos de Jesus Cristo, o único Bispo e o único
Cabeça da igreja.
d) “Além disto”, trata-se aqui de uma “santa ordem de Deus” que hão pode ser
desobedecida. É por isso que todos devem ter respeito especial pelos pastores e presbíteros
“em razão do trabalho que realizam”. E todos devem viver em paz com eles, “tanto quanto
possível”.

02. A eleição legítima dos oficiais.


a) De que maneira ‘consegue’ a igreja pastores, presbíteros e diáconos? E com alguém se
torna pastor, presbítero e diácono e quer decide sobre isso?
Na igreja católico-romana os oficiais não são eleitos pela igreja. Os oficiais ‘superiores’
escolhem os ‘inferiores’. Um oficial realmente está acima do outro. O mais alto é o papa,
que é escolhido pelo colégio dos cardeais. Cada escolha e nomeação é um ‘negócio’ de
oficiais, de que os membros da igreja católico-romana não participam.
b) Os anabatistas ‘inventaram’ um outro extremo. Eles pensavam que ninguém tinha o
direito de decidir sobre a escolha e a nomeação de oficiais: nem os membros da igreja, nem
1
Atos 1:23, 24; 6:2, 3.
2
Atos 13:2; 1Coríntios 12:28; 1Timóteo 4:14; 5:232; Hebreus 5:4.
3
2Coríntios 5:20; 1Pedro 5:1-4.
4
Mateus 23:8, 10: Efésios 1:22; 5:23.
5
1Tessalonicenses 5:12, 13: 1Timóteo 5:17; Hebreus 13:17.
127

os outros oficiais. Por isso, muitos anabatistas se declaravam a si mesmos pastores,


alegando que foram chamados diretamente por Deus. Baseavam-se na chamada ‘vocação
interna’ (o que até hoje acontece em certas igrejas pentecostais).
c) Em oposição a essas maneiras erradas de indicar ou escolher oficiais, o artigo 31 fala
sobre a “eleição legítima pela igreja”, que está de acordo com a Escritura. Quando o lugar
vazio de Judas devia ser ocupado, a igreja propôs dois (“então propuseram dois”, Atos
1:23). O chamado ‘colégio dos sete’ também foi escolhido pela comunidade (Atos 6:5). E
mesmo depois de Paulo ter sido indicado por Deus como missionário, o Espírito Santo usou
a comunidade de Antioquia para escolher e separar Paulo e Barnabé “para a obra, a que os
tenho chamado” (Atos 13:2-3). Assim fica claro que a igreja deve participar da escolha de
oficiais.
A Bíblia, porém, não fala detalhadamente sobre a maneira de a igreja participar. O artigo
31 também não toca no assunto. Cada igreja local tem que organizar essa participação dos
membros na eleição dos oficiais da igreja.
d) O artigo 31 fala também sobre a oração com que a eleição deve ser feita: “sob invocação
do nome de Deus”.
Calvino explicou que a igreja, assim, reconhece que pode errar na escolha dos oficiais e
que, por isso, pede que Deus faça sua própria escolha que sempre é boa. “Tu, Senhor, que
conhece o coração de todos, revela-nos qual destes dois tens escolhido” (Atos 1:24). A
igreja também pede que Deus queira conceder sabedoria aos escolhidos.
e) A eleição deve ser realizada também “em boa ordem”. Esta boa ordem torna
indispensável um regulamento que cada igreja local tem que elaborar.

03. “cada um deve esperar a hora”.


a) “Por isso, cada membro deve cuidar para não se apoderar do ofício pr meios ilícitos”.
Para ser carpinteiro, professor o bancário, você tem que estudar, treinar, ter prática etc.
Você pode até fazer ‘autopropaganda’. Mas a maneira de tornar-se presbítero ou diácono é
outra.
O apóstolo Paulo não condena o desejo de ser oficial da igreja. Pelo contrário: “se
alguém aspira ao episcopado, excelente obra almeja” (1Timóteo 3:1). Não é errado se
alguém quer ser pastor, presbítero ou diácono. Mas ele não pode se candidatar a si mesmo
ou fazer propaganda para si mesmo a fim de ganhar mais votos. Por que não? Porque deve
haver certeza absoluta de que o ofício vem do Senhor. Oficiais devem ter a certeza de que o
próprio Deus os envia. “E como pregarão se não foram enviados?” (Romanos 10:15).
“Ninguém, pois, toma esta honra para si mesmo, senão quando chamado por Deus”
(Hebreus 5:4). “Por isso, cada membro deve esperar a hora em que é chamado por Deus a
fim de ter, assim, a certeza de que sua vocação vem do Senhor”.
b) Muitas vezes se diz sobre alguém que queira ser pastor: deve ter ou sentir vocação. E já
falamos (veja 02. b) sobre pastores que não são chamados ou indicados por ninguém, mas
que se baseiam na ‘vocação interna’ (ou seja: a voz de Deus no coração que, de maneira
secreta, faz sentir que alguém deve ser pastor).
Mas Deus chama para o ofício por meio da igreja. È bom que alguém queira ser pastor;
vai ter que estudar bastante. Mas só é chamado para o ofício de pastor quando uma igreja o
tiver chamado. No sentido estrito da palavra não se pode estudar para ser pastor e, sim, para
ser engenheiro ou professor. Para ser pastor, alguém tem que ser chamado pela igreja.

04. Os oficiais da igreja têm igual poder.


128

a) Os discípulos de Jesus já discutiram “sobre qual deles parecia ser o maior” (Lucas 22:24-
27; veja também Mateus 23:8-11 e João 13:14). Mas Jesus os ensina que todos eles são
iguais e que devem servir uns aos outros. O Novo Testamento, de maneira nenhuma,
‘alimenta’ a idéia de que um apóstolo ou presbítero é mais importante do que o outro. A
igreja católico-romana coloca Pedro acima de todos os outros oficiais. Mas ele mesmo,
dirigindo-se aos presbíteros, diz que é “presbítero como eles” (1Pedro 5:1). Mesmo como
apóstolo ele não se coloca acima dos presbíteros a quem escreve.
Logo após a morte dos apóstolos, a igreja se desviou do ensino do Novo Testamento. E
não é para estranhar que o artigo 31 diz justamente sobre os pastores (os “ministros da
Palavra”) que “têm, onde quer que estejam, igual poder e autoridade”, embora isto se refira
também aos presbíteros e diáconos. Mas principalmente os pastores se mostravam
inclinados a elevar-se. Muitas vezes ‘conquistavam’, dentro da sua comunidade, a maior
autoridade e cada vez mais se destacavam dos presbíteros e diáconos. Tornavam-se os
bispos da igreja. Além disto, o bispo de uma igreja numa cidade grande era considerado
mais importante do que o de uma igreja pequena no interior. E ainda mais importantes se
tornavam os bispos de cidades como Roma e Éfeso onde os apóstolos haviam trabalhado.
Assim, aos poucos, ‘crescia’ a organização papal; e finalmente um só bispo, o papa de
Roma, elevou-se como o ‘cabeça’ do todos.
b) O artigo 31 rejeita toda esta ‘escada’ de ofícios (a chamada hierarquia). Todos os
pastores, “onde quer que estejam” (numa igreja grande ou numa pequena; muna cidade ou
no interior), têm igual poder. Aliás, uma igreja também não é mais importante do que a
outra.
Um ofício não é mais importante do que o outro. Os ofícios são diferentes. O ofício de
diácono é diferente do de presbítero, mas não inferior. E o ofício de presbítero é diferente
do de pastor, mas não inferior.
c) O artigo 31 também aponta o motivo da igualdade de todos os oficiais. Este motivo não
parte de um determinado princípio de emancipação, no sentido de: todos os oficiais têm os
mesmos direitos, porque tal princípio se baseia na igualdade de todos os homens. Porém os
oficiais da igreja têm “igual poder a autoridade, porque todos são servos de Jesus Cristo, o
único Bispo universal e o único Cabeça da igreja”. Esta frase, de fato, é o coração do artigo
31! A igreja tem um só bispo: Jesus Cristo. É por isso que os oficiais devem proceder de
maneira humilde, como sevos de Cristo, e honrar uns aos outros como servos de Cristo.
Os oficiais não podem dominar a comunidade de Cristo, nem dominar uns aos outros. Eles
devem demonstrar, no seu trabalho pastoral, o amor de Cristo para com sua igreja. Para
demonstrar este amor, eles mesmos devem ‘diminuir’. Só assim são verdadeiros servos de
Cristo.

05. Cada um deve ter respeito especial pelos oficiais.


a) oficiais da igreja não podem dominar. Devem ser humildes; devem servir. O próprio
Cristo mostrou isso, quando lavou os pés dos discípulos (João 13).
Contudo, cada um deve ter “respeito especial” pelos oficiais da igreja. Isto não depende
da posição social deles ou da impressão simpática que deles temos. Assim, nosso respeito
poderia ser menor por um oficial que tenha uma profissão simples. Por isso, a igreja
confessa que devemos respeitá-los “em razão do trabalho que realizam” (como oficiais).
Devemos viver em paz com eles “tanto quanto possível”. Estas últimas palavras ao mesmo
tempo indicam um limite: oficiais da igreja não são pessoas ‘intocáveis’ que jamais
podemos criticar. Contudo, o apóstolo Paulo (em 1Tessalonicenses 5:12-13) exorta a tê-los
129

“com amor em máxima consideração, por causa do trabalho que realizam”. E na carta aos
Hebreus lemos que eles “valem por vossas almas, como quem deve prestar contas, para que
façam isto com alegria e não gemendo; porque isto não aproveita a vós outros” (13:17).
b) O artigo 31 diz “que cada um deve ter respeito especial pelos ministros da Palavra
(pastores) e “presbíteros da igreja”. Por que não se fala aqui dos diáconos? Será que eles
não merecem respeito?
Isto tem a ver com a história do texto da Confissão de Fé. Originalmente usava-se, em
lugar da palavra “presbíteros”, a palavra “regentes”; esta palavra incluía também os
diáconos (“regentes” no sentido de homens que fazem com que tudo, na igreja, proceda em
boa ordem). Mais tarde esta palavra “regentes” foi mudada me “presbíteros” e, assim,
‘caíram’ os diáconos. Mas isto não importa muito. O artigo 31 trata dos ofícios na igreja. O
que se diz de um ofício, pode-se dizer também do outro. Portanto, devemos ter aquele
“respeito especial” também pelos diáconos.

Pontos e perguntas para pensar:


01. Os católico-romanos dizem que todos os seus oficiais, através do papa, são
sucessores dos apóstolos. Na época, a igreja católico-romana repreendeu Calvino
por ele ter-se ‘separado’ desta sucessão. Porém, o que é mais importante: que o
ofício dos apóstolos seja transferido ou a doutrina deles? Veja 1 Timóteo 6:10;
2Timóteo 1:13-14; 3:14.
02. Quais são (muitas vezes) as tristes conseqüências quando, nos lares cristãos,
sempre se critica os oficiais da igreja? Você acha que 2Reis 2:23-24 nos ensina algo
a respeito?

ARTIGO 32

A ORDEM E A DISCIPLINA DA IGREJA


130

Cremos que os que governam a igreja devem cuidar para não se desviarem do que Cristo,
nosso único Mestre, nos ordenou1; embora seja útil e bom que, entre eles, se estabeleça e
conserve determinada ordem para manter o corpo da igreja.
Por isso, rejeitamos todas as invenções humanas e todas as leis que se queiram
introduzir para servir a Deus, mas que venham, de qualquer maneira, comprometer e
constranger a consciência2. Aceitamos, então, somente o que serve para promover e guardar
a concórdia e a unidade e para manter tudo na obediência a Deus3.
Esta ordem (caso desobedecida) exige a excomunhão, feita confirme a Palavra de Deus,
com todas as suas conseqüências4.

01. o assunto do artigo 32.


Este artigo trata do valor e da utilidade de boas regras para ao vida da igreja (“ordem e
disciplina”) e principalmente das qualificações destas regras.
a) Os oficiais devem governar a igreja. Por isso, é “útil e bom que, entre eles, se estabeleça
e conserve determinada ordem” para sustentar a vida da igreja.
b) Contudo, cremos que eles “devem cuidar para não se desviarem do que Cristo, nosso
único Mestre, nos ordenou”. É por isso que rejeitamos tudo o que os homens inventam e
“todas as leis () venham, de qualquer maneira, comprometer e constranger a consciência”.
c) Portanto, “aceitamos somente o que serve para promover e guardar a concórdia e a
unidade e para manter tudo na obediência a Deus”.
d) Esse objetivo torna indispensável a obrigação de, se for necessário, excluir alguém da
comunhão da igreja, conforme a Palavra de Deus. Esta obrigação abrange todas as
conseqüências da excomunhão.

02. Um a determinada ordem na igreja.


a) O artigo 32 diz que é “útil e bom que se estabeleça e conserve determinada ordem”. Esta
ordem se refere, em primeiro lugar, às muitas regras da vida eclesiástica que organizam a
‘comunicação interna’ de uma igreja local, como também a comunicação entre as igrejas de
um só país.
É impossível mencionar todas essas regras. Por exemplo: o horário dos cultos e outras
atividades; assuntos referentes à tradução da Bíblia e ao hinário. É importante que haja uma
constituição que as igrejas de um determinado país aceitem e cumpram. Tal constituição
trata dos presbíteros (reuniões de representantes das igrejas locais de uma certa região), dos
sínodos regionais (reuniões de representantes dos presbíteros de uma região maior), do
sínodo geral (reunião dos representantes dos sínodos regionais); trata também da maneira
de chamar e eleger os oficiais da igreja etc. Muitas dessas regras são puramente práticas,
porque não podem ser deduzidas da Bíblia (pense, por exemplo, no horário dos cultos).
Contudo, isto não quer dizer que a Bíblia não tem nada a ver com esses assuntos.
Um elemento importante da ordem da igreja é a disciplina. O artigo 32 fala dela na frase
final (veja 04).
b) O artigo 32 faz uma ampla e séria advertência contra uma ordem que se baseia em leis e
regras que contradizem a Escritura. Sem dúvida, a igreja católico-romana era, na época em
1
1Timóteo 3:15.
2
Isaías 29:13; Mateus 15:9; Gálatas 5:1.
3
1Coríntios 14:33.
4
Mateus 16:19; 18:15-18; Romanos 16:17; 1Coríntios 5; 1Timóteo 1:20.
131

que a Confissão de Fé foi elaborada, o exemplo assustador de uma igreja com uma ordem
inventada por homens.
Em relação a estes males da igreja católico-romana, os anabatistas achavam que
nenhuma regra ou ordem era necessária. Isto lhes parecia o melhor para a igreja. Esta
atitude reacional sempre volta na história da igreja, Depois de terem lutado contra uma
ordem (constituição) errada ou abusada, alguns nem querem mais saber de ordem nenhuma.
O artigo 32 mostra uma posição equilibrada. Embora aponte os perigos, fazendo uma séria
advertência, o artigo confessa que é “útil e bom” que, entre os oficiais da igreja, “se
estabeleça e conserve determinada ordem”.
c) Por que uma ordem é boa e útil? Foi Calvino que disse: jamais acontecerá que todos os
membros da igreja achem tudo bonito e bom; por isso, muitas coisas devem ser bem
organizadas para evitar confusão e arbitrariedade.
Porém, decisivo mesmo é que a própria Bíblia ensina que deve haver uma boa ordem.
Na igreja de Corinto, os membros não contavam uns com os outros; cada um vivia por
conta própria. Às vezes, no culto, várias pessoas profetizavam ao mesmo tempo. Até na
mesa da santa ceia o rico não tomava conta do pobre. Era uma situação impossível e, por
isso, o apóstolo Paulo deu várias regras, para a celebração da santa ceia (1Coríntios 11:28-
34), para as profecias no culto e para a posição da mulher (1Coríntios 14:26-40).
O forte argumento para esta ordem é: “porque Deus não é de confusão; e, sim, de paz”
(1Coríntios 14:33 a). Esta oposição de “confusão” e “paz” é reveladora, porque mostra que
o objetivo não é a ordem em si mesma, mas a paz. Não deve haver ordem só pela ordem.
Isto leva a uma religão-de-regras. O artigo 32 rejeita este tipo de ordem, quando diz que
“rejeitamos todas as invenções humanas e todas as leis que se queira introduzir para servir a
deus, mas que venham, de qualquer maneira, comprometer e constranger a consciência”.
Até com regras que em si são boas, pode-se praticar idolatria, quando as colocamos ao lado
ou em lugar de Deus para confiar nelas. A ordem da igreja deve servir para estabelecer
a paz com Deus e com todos.

03. As qualificações da ordem da igreja.


a) A igreja tem uma certa liberdade ao fazer ‘leis’ que devem garantir a boa ordem. Mas o
objetivo da boa ordem não justifica os meios. Vamos dar um exemplo. Certas
denominações optam por uma organização em forma de hierarquia e suas igrejas locais são
as ‘subdivisões’ de uma organização que tem um sínodo ou um supremo concílio como
direção geral. Porém, mesmo que assim aja uma boa ordem, estes tipos de organização
devem ser rejeitadas. Por quê? Porque o Espírito Santo não constituiu sínodos ou concílios
para as igrejas, mas presbíteros (Atos 20:28). O ponto decisivo não é o que homens
consideram útil ou eficaz, mas o que Cristo considera útil e bom. Portanto, devemos cuidar
“para não nos desviarmos do que Cristo, nosso único Mestre, nos ordenou”.
A grande condição é que Cristo, na igreja, permaneça Senhor e Mestre (Mateus 17:5;
23:8).
b) No entanto, nem todas as regras na igreja podem ser deduzidas na Bíblia. Por exemplo: é
bom realizar um culto no dia do Natal, mas não é a Bíblia que determina assim. Nestes
pontos pode até haver diferença entre uma e outra igreja (estas diferenças podem aumentar
entre igrejas de países ou culturas diferentes). Realmente há uma certa liberdade que tem
seu limite na Palavra de Deus. O artigo 32 diz isto assim: “Aceitemos, então, somente o que
serve para promover e guardar a concórdia e a unidade e para manter tudo na obediência
a Deus”.
132

c) Portanto, há várias coisas que a igreja deve organizar, mas sobre as quais a Bíblia não dá
uma regra ou uma orientação. Sobre estas coisas pode haver divergência de opinião. Mas
podemos resolvê-las por maioria de votos. É claro que aqueles que votarem contra, também
devem cumpri o que foi resolvido, a não ser que a decisão contradiga a Palavra de Deus ou
a constituição aceita.

04. A excomunhão.
a) A última frase do artigo 32 trata da excomunhão que faz parte da ordem da igreja e que é
a última conseqüência da disciplina.
b) O artigo 32 não diz muito sobre a excomunhão. Contudo, diz exatamente o necessário:
(1) A excomunhão tem como objetivo a unidade da igreja e a obediência a Deus.
Pois o artigo 32 diz que “esta ordem (caso desobedecida) exige a excomunhão”. E
sobre “esta ordem” diz o artigo que ela deve servir “para promover e guardar a
concórdia e a unidade e para manter tudo na obediência a Deus”.
(2) A excomunhão é uma exigência.
(3) Ela deve ser feita “conforme a Palavra de Deus”.
(4) Não se trata somente da última conseqüência da disciplina (que é a
excomunhão), mas também de todo o processo da disciplina. Porque o artigo 32
fala sobre a excomunhão “com todas as suas conseqüências”.
Fazemos algumas observações sobre estes pontos.
c) O objetivo da excomunhão é guardar a unidade e de manter tudo na obediência a Deus.
(1) Para aquele que está sendo excomungado, a excomunhão é a última tentativa de
levá-lo àquela unidade e àquela obediência (veja 1Coríntios 5:5; Hebreus 12:4-11).
(2) Para a igreja que pratica a excomunhão, esta é a última tentativa de guardar a
unidade e de manter a obediência, porque o mal, sem a excomunhão, continua
existindo (1Coríntios 5:6), o que provoca a ira de Deus sobre toda a comunidade
(1Coríntios 11:30-32).
(3) Num certo sentido, a excomunhão é também a última tentativa de ‘salvar’ o
nome de Deus. Pois uma igreja que nada faz contra pecadores, dá motivo aos de
fora para blasfemarem o nome de Deus.
d) A excomunhão é uma exigência, porque nós a encontramos na Escritura. Muitas vezes se
diz que a excomunhão é muito ‘dura’ e que ela atrapalha o Espírito Santo, porque assusta e
endurece o pecador. Também se diz aquele que pratica a excomunhão (a disciplina) supõe
ser superior aos outros.
Mas, contra estes opiniões, dizemos que é necessário obedecer à Escritura. O apóstolo
Paulo ficou indignado quando a igreja de Corinto deixou de praticar a excomunhão quando
era necessário (1Coríntios 5). É nas cartas às sete igrejas da Ásia, o próprio Cristo toda
neste assunto (Apocalipse 2:2; 14-16; 20; veja também 2Tessalonicenses 3:14-15).
e) A excomunhão deve ser feita “conforme a Palavra de Deus”. Isto implica em
considerarmos tanto a doutrina como a vida. Às vezes se diz que a doutrina é apenas a
teoria que uma pessoa tem, mas que é mais importante o que uma pessoa faz na prática da
vida. Ou seja: as palavras de alguém não são importantes e, sim, seus atos. Porém, quem
ensinar e propagar uma doutrina que contradiz a Palavra de Deus está num caminho muito
perigoso. Porquê? Porque está envenenando a fonte de que deve beber. Por isso, não
podemos pensar: ele está se desviando da Bíblia, mas está vivendo de maneira sincera e
exemplar (os atos neutralizam as palavras). Pois a Escritura ensina que o desvio da doutrina
133

cristã (isto é: o desvio da própria Palavra de Deus) exige a disciplina e (em último caso) a
excomunhão (veja Romanos 16:17; Gálatas 1:6-9; 1Timóteo 1:20).
f) A excomunhão deve ser feita “conforme a Palavra de Deus”. Isto significa também que
deve ser claro que se cometeu pecado contra Deus e não contra “invenções humanas”. Para
a disciplina e a excomunhão é fundamental a palavra de Jesus: “Em verdade vos digo que
tudo o que ligardes na terra, terá sido ligado no céu, e tudo o que desligardes na terra, terá
sido desligado no céu” (Mateus 18:18). Quer dizer: o limite que a igreja marca na terra
deve ser o mesmo que Cristo marca no céu. A igreja não pode ultrapassar o limite que
Cristo marcou no seu ensino. Aqui são válidas as palavras: “assim na terra como no céu”.
Infelizmente a igreja muitas vezes ‘ligou’ na terra o que Cristo não ‘ligou’ no céu. Mas o
abuso da excomunhão não exclui o bom uso.

Pontos e perguntas para pensar:


01. Há diferença entre pecados públicos e pecados secretos (ou velados). No caso
de pecados secretos vale a regra de Mateus 18. Qual é esta regra (Mateus 18:15-17)?
E por que esta regra não vale no caso de pecados públicos?
02. Um argumento contra a disciplina poderia ser que, na igreja, o “joio” deve
crescer com o trigo e não pode ser arrancado (Mateus 13:29-30). Mas por que não
podemos usar a parábola do joio desta maneira? Veja Mateus 13:37-38.
03. Às vezes se diz que uma igreja que suspende seus pastores porque se desviaram
da doutrina cristã e das confissões, arrisca a unidade da igreja. Mas quem ameaça
(arrisca) a unidade da igreja, conforme Romanos 16:17?

ARTIGO 33

OS SACRAMENTOS
134

Cremos que nosso bom Deus, atento à nossa ignorância e fraqueza, instituiu os
sacramentos, a fim de nos selar suas promessas e mos conceder penhores de sua
benevolência e graça para conosco, e, também, alimentar e sustentar nossa fé1. Ele
acrescentou os sacramentos à Palavra do Evangelho2 para melhor apresentar aos nossos
sentidos tanto o que Ele nos declara por sua Palavra, côo o que Ele opera em nossos
corações.
Assim, Ele confirma a salvação de que nos faz participar. Pois os sacramentos são
visíveis sinais e selos de uma realidade interna e invisível. Através deles, Deus opera em
nós, pelo poder do Espírito Santo3. Por isso, os sinais não são vãos nem vazios para nos
enganar, porque Jesus Cristo é a verdade deles e, sem Ele, nada seriam.
Além disto, nos contentamos com o número dos sacramentos que Cristo, nosso Mestre,
instituiu e que não são mais de dois: o sacramento do batismo 4 e o da santa ceia de Jesus
Cristo5.

01. O assunto do artigo 33.


Os artigos 33, 34 e 35 são um ‘trio’ e tratam dos sacramentos. O artigo 33 fala sobre os
sacramentos em geral, o artigo 34 sobre o batismo e o artigo 35 sobre a santa ceia.
a) Deus é tão bom que leva em conta nossa ignorância e a fraqueza da nossa fé. Por isso,
Ele instituiu os sacramentos. Ele quer selar suas promessas e nos dar garantias de sua
benevolência e graça para conosco.Desta maneira Ele quer alimentar nossa fé (ou seja:
mantê-la no nível certo).
b) Deus fala através de sua Palavra. Para ouvi-la temos que usar nossos ouvidos. Mas
através dos sacramentos Deus faz com que usemos mais “sentidos” do que apenas nossos
ouvidos. Pois os sacramentos tornam visível e papável “tanto o que Ele nos declara por sua
Palavra, como o que Ele opera em nossos corações”.
c) Pelos sacramentos, Deus “confirma a salvação de que nos faz participar”. Pois os
sacramentos tornam visível o que Deus faz em nossos corações e o que, portanto, é “uma
realidade interna e invisível”. Nunca eles são “vãos nem vazios (quer dizer: sem poder e
sem conteúdo) para nos enganar”. Deus lhes dá o poder do Espírito Santo e Cristo é o
verdadeiro conteúdo (a verdade) deles. Sem Ele os sacramentos nada seriam.
d) O número dos sacramentos é suficiente. Foi Cristo que decidiu esta questão e Ele
instituiu dos sacramentos, o batismo e a santa ceia.

02. Os sacramentos vêm de Deus.


a) Na Bíblia não encontramos a palavra “sacramentos” (que vem do latim). Um dos
significados da palavra é “juramento”, o juramento com que um soldado se unia ao seu
general. Então, podemos dizer que aquele que se deixa batizar e celebra a santa ceia, mostra
vontade de ser soldado de Cristo. Assim pode ser esclarecido por que a antiga igreja cristã
introduziu a palavra “sacramento” para caracterizar batismo e santa ceia.
Contudo, a palavra “sacramento” não diz tudo; ela se refere (veja a explicação a cima) a
um só aspecto do assunto: àquilo que os homens fazem no batismo e na ceia. Mas é muito
1
Gênesis 17:9-14; Êxodo 12; Romanos 4:11.
2
Mateus 28:19; Efésios 5:26.
3
Romanos 2:28, 29; Colossenses 2:11, 12.
4
Mateus 28:19.
5
Mateus 26:26-28; 1Coríntios 11:23-26.
135

mais importante aquilo que Deus e Cristo fazem. Pois é claro que o sacramento é
sacramentos somente pelo que Deus e Cristo fazem.
b) Antes de mais nada deve ser claro que o próprio Deus instituiu os sacramentos. Um
certificado de garantia tem valor somente quando tiver sido dado e assinado por aquele com
quem fechamos um negócio. Os sacramentos, de fato, são certificados de garantia, ou
“penhoras”, da “benevolência e graça” de Deus para conosco. Tais penhores têm valor
somente quando tiveram sido dados pelo próprio Deus. Pois só Ele é capaz de concedera
graça que vem dEle mesmo. Sacramentos, instituídos pela própria igreja (a igreja católico-
romana instituiu, ela mesma, sacramentos), não têm nenhum valor. Porque só Deus tem o
direito de instituir sacramentos; a igreja não tem este direito.
É por isso que o artigo 33 começa assim “Cremos que nosso bom Deus (...) instituiu os
sacramentos”.
c) O artigo 33 enfatiza que, no que diz respeito aos sacramentos, Deus e Cristo fazem tudo.
Ou seja: Deus e Cristo não somente instituíram os sacramentos, mas Eles também
participam de qualquer nova administração dos sacramentos.
É fundamental que Deus participe de tudo o que acontece nos sacramentos e pelos
sacramentos. Eles vêm dEle e permanecem dEle; só assim o sacramento realmente é
sacramento.

03. Os sacramentos são uma prova da bondade de Deus.


a) O artigo 33 fala sobre “nosso bom Deus”. Com muita razão. Pois o fato de Deus ficar
“atento à nossa ignorância e fraqueza” é uma prova incontestável da bondade dEle. Nossa
ignorância nos torna indóceis e duros, justamente quando se trata do Evangelho. Pois o
Evangelho não é terrestre, enquanto nós somos terrestres porque vivamos na terra.
Mas o que faz o Senhor? Ele nos ajuda justamente nesse ponto de estarmos presos à
terra nosso modo de pensar e entender. Porque Ele usa elementos terrestres (água, pão,
vinho) para melhor apresentar o Evangelho que não é terrestre.
b) Deus fica atento também à nossa fraqueza (que é principalmente a fraqueza da nossa
fé). Através dos sacramentos Deus nos quer convencer cada vez mais da sua graça para
conosco. Os sacramentos nos fornecem mais certeza.
Os sacramentos, portanto, dão mais clareza e mais certeza. Estes dois objetivos,
inclusive, estão interligados porque nossa certeza a respeito da graça de Deus aumenta na
medida em que ela é apresentada de maneira boa e clara.
c) O objetivo de Deus com os sacramentos (dar mais clareza e certeza) explica por que
sempre havia e ainda há tanta polêmica sobre os sacramento. A causa dessas controvérsias
não é que a Bíblia fala pouco sobre os sacramentos ou que o assunto seja tão difícil. A
causa é outra. O ‘esforço’ de Deus para nos dar clareza e certeza, irrita o diabo (satanás).
Este não vai deixar de criar, na igreja, confusão e incerteza, porque odeia os sacramentos. É
por isso que muitos conflitos nas igrejas têm a ver com os sacramentos.

04. O caráter dos sacramentos


a) O artigo 33 diz que os sacramentos são “sinais e selos de uma realidade interna e
invisível”. Será que esta realidade ‘acontece’ exclusivamente no fundo do nosso coração?
Muitas vezes fala-se assim. Mas o artigo 33 diz também que os sacramentos selam as
promessas de Deus e estas estão escritas na Bíblia. Portanto, a pergunta importante aqui é
esta: os sacramentos são sinais e selos daquilo que se realiza invisivelmente no nosso
coração ou daquilo que cada um pode ler na Bíblia?
136

A resposta é que não precisamos nem podemos separar essas duas coisas.
Vamos ver uma comparação. Um pai que está viajando, manda uma carta a seu filho e
lhe promete dar uma bicicleta quando voltar. É claro que a bicicleta não acompanha a carta;
por enquanto está na loja (invisível ao menino). O que acompanha a carta é uma figura
(ilustração) da bicicleta, que o menino admira todo dia, até o diz em que ele realmente
ganha e vê a bicicleta.
Agora a Bíblia. Ela é, por assim dizer, a carta em que Deus nos promete sua graça. E
assim como aquele pai ‘acrescentou’ às suas palavras uma figura a fim de ‘apresentar
melhor’ ao filho o presente, assim Deus acrescenta à sua Palavra um sinal e selo para
melhor nos apresentar sua graça.
Mas –e esta é a diferença com a bicicleta-, mesmo quando Deus realmente dá sua graça
prometida, ela continua invisível. Todo mundo vê que aquele menino ganho uma bicicleta.
Pois uma bicicleta não é “uma realidade interna”. Mas a realidade de alguém receber a
graça (perdão dos pecados e um novo coração) continua invisível. Pois é “uma realidade
interna” que Deus “opera em nossos corações”.
Por isso, os sacramentos têm um duplo objetivo. Primeiro: eles enfatizam e esclarecem o
que Deus “nos declara (promete) por sua Palavra”. Segundo: enfatizam e esclarecem
também “o que Ele opera em nossos corações”. O artigo 33 não hesita em colocar estas
duas verdades uma ao lado da outra, mas na seqüência certa: os sacramentos apresentam
“tanto o que Ele (Deus) nos declara por sua Palavra, como o que Ele opera em nossos
corações”.
b) Os sacramentos são um sinal das promessas de Deus, ou seja: eles retratam (‘plantam’)
essas promessas anunciadas e escritas, pelo uso de água, pão e vinho. Os sacramentos são
ilustrações (retratos) das promessas de Deus.
O batismo é uma purificação com água; no batismo usa-se água, como todo mundo pode
ver com seus próprios olhos. Assim o batismo retrata o que Deus nos promete na sua
Palavra e o que Ele opera em nossos corações, a saber: Ele nos purifica dos nossos pecados.
E a santa ceia é, como ceia, uma bonita ilustração tanto do que Deus nos promete na sua
Palavra como do que Ele opera em nossos corações, a saber: Ele alimenta e sacia nossa
vida espiritual.
Podemos caracterizar batismo e santa ceia como a pregação visível das promessas de
Deus. Aliás, além da nossa vista (olho), usamos também, na santa ceia, nossas mãos e
nossa boca (língua), enquanto o adulto que é batizado, sente a água. Portanto, Deus, de
fato, nos ajuda, sendo nós homens terrestres com sentidos terrestres.Ele faz isso “para
melhor apresentar aos nossos sentidos tanto e que Ele nos declara por sua Palavra, como o
que Ele opera em nossos corações”.
c) Além de sinais, os sacramentos são também selos das promessas de Deus. Um
documento selado tem credibilidade maior (assim como um selo postal garante que foi
pago o serviço de o correio entregar uma carta no seu destino). Batismo e santa ceia são
selos das promessas de Deus que garantem sua credibilidade. Deus nos dá garantias
máximas. Observamos que o artigo 33 usa fortes palavras: “a fim de nos conceder penhores
de sua benevolência e graça para conosco”.
d) Assim fica claro também que os sacramentos se referem às mesmas promessas das quais
fala o Evangelho; elas não dão uma nova mensagem ou uma outra graça. Os sacramentos
são exclusivamente uma ilustração e garantia das promessas do Evangelho: estão ligados ao
Evangelho, de que são sinais ou ilustrações e selos ou penhores.
Acrescentamos ainda que encontramos as palavras “sinal” e “selo” em Romanos 4:11.
137

05. O poder e a finalidade dos sacramentos.


a) O artigo 33 faz as seguintes observações:
-“Assim, Ele (Deus) confirma a salvação”.
-“Através deles (dos sacramentos), Deus opera em nós, pelo poder do Espírito Santo”.
-“Por isso, os sinais não são vãos”.
Então, qual é o poder dos sacramentos?
b) A igreja católico-romana isolou, do Evangelho, os sacramentos e os fez meios
autônomos. Conforme a doutrina católico-romana, os sacramentos são ‘veículos da graça’,
ou seja: a graça está embrulhada (empacotada) nos sacramentos. Quem recebe o
sacramento, também não recebe a graça (conforme esta opinião, uma criança que morra
sem ser batizada, não é salva).
É claro que a doutrina católico-romana sobre os sacramentos muda também o caráter da
pregação: ela seve para preparar os homens para receber os sacramentos. De acordo com
essa função da pregação, o púlpito não é o lugar central (centro das atenções) numa igreja
católico-romana, e, sim, o altar.
c) Em relação a esse erro católico-romano, os anabatistas afirmavam que os sacramentos
não têm nenhum poder divino; são sinais vazios com que Deus não garante nada, porque
não são Deus e Cristo, mas os homens que estão agindo no batismo e na ceia. No batismo
não é ^Deus que se apresenta (como o primeiro e o mais importante) para garantir suas
promessas, mas aquele que é batizado e se entrega a Deus tem o papel principal. E na santa
ceia não é Cristo que, como anfitrião, é a figura central, mas os participantes da mesa são os
mais importantes, porque confessam sua fé.
d) Portanto, há duas opiniões contrárias sobre o poder dos sacramentos. A igreja católico-
romana lhes atribui um poder que eles na realidade não têm; os anabatistas os reduzem a
sinais vazios.
Mas estas duas opiniões têm uma coisa em comum: ambas separam os sacramentos do
Evangelho. É o erro básico. E é contra essas opiniões erradas que a igreja confessa que os
sacramentos explicam e garantem o Evangelho. Por isso, o poder dos sacramentos é o poder
do Evangelho, que é, ao mesmo tempo, o poder do Espírito Santo. O artigo 33 diz que
Deus, através dos sacramentos, opera em nós “pelo poder do Espírito Santo”. E: “Por isso,
os sinais não são vãos nem vazios para nos enganar, porque Jesus Cristo é a verdade deles”.
Estas últimas palavras querem dizer que atrás de tudo o que acontece no batismo e na ceia
está o próprio Cristo e que Ele está presente e se oferece nos sinais de água, pão e vinho. Só
assim “os sinais não são vãos nem vazios para nos enganar”.
e) Fazemos ainda uma pergunta importante.
O que acontece quando pessoas recebem os sacramentos com incredulidade? Será que
assim o seu batismo fica sem poder e que sua participação da ceia não tem sentido?
Não podemos esquecer que Deus, através dos sacramentos, sempre opera em nós, pelo
poder do Espírito. E Cristo sempre á a verdade deles. Então, quem rejeitar os sacramentos,
vai ter que enfrentar o Deus Triuno.quem rejeita o batismo, se afoga na água do batismo;
quer rejeita a santa ceia, faz com que sua participação da ceia agrave seu juízo.
Os sacramentos não perdem seu poder. Se não é para o bem da pessoa (que é a
finalidade dos sacramentos), então é para o mal. Foi Calvino que usou uma figura bem
clara: o mesmo calor do sol faz crescer um corpo vivo, mas cheirar mal um corpo morto. O
poder salvador do sacramento é fatal para o descrente.
138

06. O número dos sacramentos.


a) Um documento selado tem valor somente quando tiver sido selado pelo próprio autor. Se
um estranho selar o documento, não tem nenhum valor.
Os sacramentos são os selos do Evangelho que é o ‘documento’ das promessas de Deus.
Só Ele tem o direito de selar se documento. Sabemos com certeza que Cristo instituiu dois
sacramentos. O fato de o artigo 33 chamar Cristo “nosso Mestre” enfatiza que só Cristo
deveria decidir sobre o número dos sacramentos.
b) A igreja católico-romana tem sete sacramentos: além do batismo e da missa (ceia),
também a confissão, o crisma, a extrema unção, o matrimônio (casamento) e a consagração
sacerdotal. Estes cinco, porém, não merecem o nome “sacramento”, porque foram
inventados por homens e estão baseados em fantasias.
c) É importante observarmos que o artigo 33 declara com certa ênfase: “além disto, nos
contentamos com o número dos sacramentos que não são mais de dois”. A igreja da
Reforma não considerou um sacrifício ou uma perda a “queda” de cinco dos sete
sacramentos. Pois o que a igreja católico-romana pensou ganhar na multiplicação do
número, ela perdeu por ter destruído os sacramentos. Aliás, a maior parte dos fiéis, até com
sete sacramentos, acaba ficando no purgatório.
A igreja da Reforma confessa que os dois sacramentos, instituídos por Cristo, é
suficiente porque nos dão os certificados de garantia da graça de Deus para conosco.

Pontos e perguntas para pensar:


01. Será que Deus deu sinais e selos já na época do Antigo Testamento? Veja
Gênesis 9:12-17; Êxodo 4:1-7; Juízes 6:17-24;
02. por que diz o apóstolo Paulo que “não me enviou Cristo para batizar, mas para
pregar o evangelho” (1Coríntios 1:17)? Batizar não é importante?
03. A igreja católico-romana baseia a prática da ‘confissão’ (de confessar-se) em
Tiago 5:16 (“confessai, pois, os vossos pecados uns aos outros”). Será que ela leva
a sério as palavras “uns aos outros”? Mas será que nós levamo-las a sério?

ARTIGO 34

O SANTO BATISMO

Cremos e confessamos que Jesus Cristo, o qual é “o fim da lei” (Romanos 10:4),
derramando seu sangue, acabou com qualquer outro derramamento de sangue, que se possa
139

ou queira realizar para reconciliação e remissão dos pecados. Tendo abolido a circuncisão,
que se praticava com sangue, Ele instituiu, em lugar dela, o sacramento do batismo1.
Pelo batismo somos recebidos na igreja de Deus e separados de todos os outros povos e
outras religiões para pertencermos totalmente a Ele2, tendo sua marca o estandarte. O
batismo nos serve para testemunhar que Ele eternamente será nosso Deus e misericordioso
Pai.
Por isso, Cristo mandou batizar todos os seus “em nome do Pai e do Filho e do Espírito
Santo” (Mateus 28:19), somente com água. Desta forma Ele nos dá a entender que assim
como a água tira a impureza do corpo, quando derramada em nós, e também assim como a
água é vista no corpo de quer recebe o batismo, assim o sangue de Cristo através do
Espírito Santo3, lava a alma, purificando-a dos pecados4, e faz com que nós, filhos da ira,
nasçamos de novo para sermos filhos de Deus5.
Porém, não somos purificados de nossos pecados pela água do batismo6, mas pela
aspersão com o precioso sangue do Filho de Deus7. Ele é nosso Mar Vermelho8, que
devemos atravessar para escapar da tirania de Faraó -que é o diabo - e para entrar na Canaã
espiritual.
Os ministros, por sua parte, nos administram somente o sacramento, que é visível, mas
nosso Senhor nos concede o que o sacramento significa, a saber: os dons invisíveis da
graça. Ele lava nossa alma, purificando-a e limando-a de todas as impurezas e iniqüidades9.
Ele renova nosso coração, enchendo-o de toda a consolação, e nos dá a verdadeira certeza
de sua bondade paternal. Ele nos reveste do novo homem, despindo-nos do velho com todas
as suas obras10.
Por isso, cremos que quem quer entrar na vida eterna, deve ser batizado só uma vez11. O
batismo não pode ser repetido, porque também não podemos nascer duas vezes e porque
este batismo tem utilidade não somente no momento de recebê-lo, mas durante a vida
inteira.
Rejeitamos, portanto, o erro dos anabatistas, que não se contentam com o batismo que
uma vez receberam e que, além disto, condenam o batismo dos filhos pequenos dos crentes.
Nós cremos, porém, que eles devem ser batizados e, com o sinal da aliança, devem ser
selados, assim como a crianças em Israel eram circuncidadas com base nas mesmas
promessas que foram feitas a nossos filhos12. Cristo, de fato, derramou seu sangue para
lavar, igualmente, as crianças dos fiéis e os adultos13. Por isso, elas devem receber o sinal e
o sacramento da obra que Cristo fez para elas, como o SENHOR, outrora, na lei,
determinava que as crianças participassem, pouco depois do seu nascimento, do sacramento

1
Colossenses 2:11.
2
Êxodo 12:48; 1Pedro 2:9.
3
Mateus 3:11; 1Coríntios 12:13.
4
Atos 22:16; Hebreus 9:14; 1João 1:7; Apocalipse 1:5b.
5
Tito 3:5.
6
1Pedro 3:21.
7
Romanos 6:3; 1Pedro 1:2; 2:24.
8
1Coríntios 10:1-4.
9
1Coríntios 6:11; Efésios 5:26.
10
Romanos 6:4; Gálatas 3:27.
11
Mateus 28:19; Efésios 4:5.
12
Gênesis 17:10-12; Mateus 15:14; Atos 2:39.
13
1Coríntios 7:14.
140

do sofrimento e da morte de Cristo, através da oferta de um cordeiro14, que era um


sacramento de Jesus Cristo.
Além disto, o batismo tem, para nossos filhos, o mesmo efeito que a circuncisão tinha
para o povo judeu. É por esta razão que o apóstolo Paulo chama ao batismo: “a circuncisão
de Cristo” (Colossenses 2:11).

01. O assunto do artigo 34.


Sobre o batismo confessa-se o seguinte:
a) Cremos que a vinda de Cristo marcou o fim da obrigação da lei, ou seja: marcou o fim do
derramamento de sangue como pagamento do pecado. Ele aboliu a circuncisão (“que se
praticava com sangue”) e instituiu o batismo (no lugar da circuncisão).
b) “Pelo batismo somos recebidos na igreja de Deus e separados de todos os outros povos e
outras religiões”, para que tenhamos a marca de Deus (porque pertencemos a Ele) e o seu
estandarte (porque somos soldados dEle). Assim o batismo é a prova de que Ele (Deus) será
nosso Deus e Pai para sempre.
c) “Por isso, Cristo mandou batizar todos os seus, em nome do Pai e do Filho e do Espírito
Santo”. O batismo deve ser realizado com água normal, porque Cristo quer deixar claro o
seguinte: assim como a água nos lava por fora, assim o sangue de Cristo nos lava por
dentro, purificando nossa alma através do Espírito Santo.nossa alma é purificada de tal
maneira que nós (ameaçados pela ira de Deus) “nasçamos de novo para sermos filhos de
Deus”. Isto não acontece pela própria água do batismo, mas pelo sangue do Filho de Deus.
Israel, outrora, escapou das mãos de Faraó, atravessando o Mar Vermelho, agora Cristo
é nosso Mar Vermelho, que devemos atravessar para escaparmos do diabo e para entramos
na Canaã espiritual.
d) A parte dos ministros (pastores) é que administram o sacramentos na medida em que
possamos vê-lo. Mas o Senhor ‘administra’ o que o sacramento significa e isto não
podemos ver, pois são os dons da graça; por exemplo: Ele nos transforma por dentro e nos
garante que é um bom Pai.
e) No batismo, Deus nos promete e dá nada menos do que a nova vida. Esta ‘renovação’ se
realiza só uma vez “porque também não podemos nascer duas vezes”. Por isso, o batismo,
em que Deus nos promete e dá a nova vida, não precisa ser repetido.
A ‘repetição’ do batismo não é necessária porque aquilo que Deus nos promete e dá no
batismo, “tem utilidade” durante toda a nossa vida e não apenas durante os momentos em
que a água fica em nossa cabeça.
f) “Rejeitamos, portanto, o erro dos anabatistas”. Estes não se contentam com o batismo
que uma vez receberam. Além disto, condenam o batismo das crianças pequenas. Porém:
(1) As crianças em Israel eram circuncidadas com base nas promessas de Deus. Mas
às nossas crianças Ele dá as mesmas promessas e, por isso, elas devem ser
batizadas.
(2) Outrora era oferecido um cordeiro para as crianças recém-nascidas. Era um
sacramento que indicava Cristo, e uma prova de que Ele derramaria seu sangue
tanto para os adultos como para as crianças. Portanto, as crianças devem receber o
batismo.
(3)

14
Levítico 12:6.
141

Batismo e circuncisão têm o mesmo efeito. É por isso que o apóstolo Paulo chama
ao batismo: a circuncisão de Cristo.

02. Em lugar da circuncisão.


a) Toda pregação que ouvimos é uma proclamação da promessa de Deus de que Ele nos
purifica dos nossos pecados com o sangue de Cristo. Tais pregações deveriam ser
suficientes, mas não o são por causa de duas sérias falhas nossas: ignorância e fraqueza
da nossa fé (conf. o artigo 33). Essas falhas fazem com qe não entendamos a promessa de
Deus e que não depositemos confiança nela. Mas Deus é tão bom que se mostra atento as
nossa falhas. Por isso, Ele nos dá o batismo, que é um sinal (ilustração) com que Ele retrata
a promessa da purificação a fim de que a entendamos melhor; e também é um selo
(garantia) com que Ele garante sua promessa afim de que depositemos confiança nela.
O batismo, por tanto, dá clareza e certeza.
b) O artigo 34 enfatiza que Cristo, “derramando seu sangue, acabou com qualquer outro
derramamento de sangue” e que, “tendo abolido a circuncisão, que se praticava com
sangue, instituiu, em lugar dela, o sacramento do batismo”.
Então, a circuncisão sangrenta foi abolida. Aliás, na época em que a “Confissão de Fé”
foi escrita, a pergunta não era se a circuncisão tinha sido abolida ou não. Todos os
‘partidos’ da época (protestante, católico-romanos, anabatistas) diziam que não havia mais
circuncisão.
A polêmica era: o que tomou o lugar da circuncisão? Os anabatistas responderam: nada!
Mas a igreja da Reforma confessou: algo que é melhor, a saber: o batismo. O
derramamento do sangue de Cristo significa, conforme a igreja, o fim da circuncisão e, ao
mesmo tempo, o fundamento do batismo. Pois Cristo não mudou: Ele “ontem e hoje é o
mesmo, e o será para sempre” (Hebreus 13:8). Por isso, Ele continua garantindo a mesma
promessa que garantia “ontem”, porém não mais através da operação dolorosa da
circuncisão, mas através do batismo, sem dor.
c) Há muita diferença entre circuncisão e batismo. A circuncisão realmente era uma
operação dolorosa (“todo macho entre vós será circuncidado; circuncidareis a carne do
vosso prepúcio”, Gênesis 17:10-11). O batismo é feito sem dor. Mas ambos têm o mesmo
objetivo. Ambos são sinal e selo da mesma promessa. Pois tanto no Antigo como no Novo
Testamento, tratava-se da mesma aliança. O que prometeu a Abraão e a seus filhos
(Gênesis 17), Ele também promete no dia de Pentecoste (Atos 2:39). E isto se confirma em
Colossenses 2:11, onde o batismo é caracterizado como “a circuncisão de Cristo” (veja
também 07.a, c).

03. O batismo garante que pertencemos a Deus.


a) O batismo é um evento importante, porque é através do batismo que “somos recebidos na
igreja de Deus”. Isto não significa que o próprio batismo nos torna membros da igreja.
Crianças nascidas são membros da igreja por que Deus, conforme Gênesis 17, fez aliança
com os fiéis e com seus filhos, batizados ou não batizados. Eles não são batizados para
assim se tornarem membros da igreja, mas por serem membros. O batismo é o ato oficial e
público com que somos recebidos na igreja e, portanto, é uma festa.
b) O batismo nos separa “de todos os outros povos e outras religiões”. Pois pertencemos
totalmente a Deus, “tendo sua marca e estandarte”.
Escravos, muitas vezes, tinham uma marca na pelo. Era a prova inextinguível de que
pertenciam a seu dono (mestre). Assim o batismo é a marca inextinguível de que
142

pertencemos a Deus. Soldados tinham seu estandarte. Era o sinal que não deixava dúvida
sobre o exército a qual pertenciam. Assim o batismo é o nosso estandarte que nos faz
reconhecíveis como soldados de Deus e de Cristo.
c) “O batismo nos serve para testemunhar que Ele eternamente será nosso Deus e
misericordioso Pai”, conforme explica a fórmula de batismo de Mateus 28:19: “batizando-
os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo”. O que significam estas palavras?
Não há melhor maneira de nossas mãos entrarem em contato dom água do que colocá-
las na água. Assim também não há maneira mais convincente de sermos unidos a Deus do
que sermos submersos no seu nome. No batismo, de fato, somos batizados ou submersos
com nosso nome (que é pronunciado com voz alta), no nome do Pai Triuno. Seu nome se
torna o nosso. Por isso somos chamados filhos de Deus. Pertencemos a Ele.

04. A linguagem própria do batismo.


a) Já falamos sobre a fórmula do batismo. Devemos falar também sobre o evento do
batismo.
O evento do batismo tem sua linguagem própria. É a linguagem da água. A igreja
católico-romana dá um tratamento especial à água do batismo (acrescentando sal, entre
outras coisas). Pois pensa-se que a graça de Deus está ‘escondida’ na água. A água se torna
um ‘veículo’ d graça. É por esta razão que o artigo 34 diz que a água do batismo deve ser
água (normal). Pois a graça de Deus não está na água. Isto, porém, não significa que a água
não tem valor, pois é pelo sinal da água que Deus nos dá uma ilustração a fim de nos
mostrar, de maneira clara e visível, que Ele nos salva.
b) Trata-se, no batismo, da comparação entre a água que “tira a impureza do corpo” e o
sangue de Cristo que “lava a alma, purificando-a dos pecados”. O resultado da purificação é
que nascemos de novo “para sermos filhos de Deus”.
A comparação entre a água do batismo e o sangue de Cristo não implica em igualdade.
Pois “não somos purificados de nossos pecados pela água do batismo, mas pela aspersão
com o precioso sangue do Filho de Deus”. É o Espírito Santo que realiza isto.
c) O artigo 34 usa mais uma comparação para explicar o sentido da água do batismo. O
povo de Israel, certo dia, atravessou o Mar Vermelho e escapou das mãos de Faraó. Assim
o sangue de Cristo é, por assim dizer, nosso Mar Vermelho: por sermos aspergidos com o
sangue de Cristo, o diabo não mais pode dominar-nos; pelo contrário, entramos numa nova
vida que o artigo 34 chama de “Canaã espiritual” (veja também 1coríntios 10:2).

05. O poder do batismo.


a) qual é o poder do batismo, se “não somos purificados de nossos pecados pela água do
batismo”? Neste ponto temos que distinguir bem (como o artigo 34 faz) entre aquilo que o
ministro dá e aquilo que o Senhor realiza. O ministro nos administra “somente o
sacramento que é visível”. Visível é a água que ele usa, mas a graça não está na água. O
ministro mostra a ilustração (sinal) da purificação da alma. Mais ele não pode fazer.
b) Mas isto não significa que o batismo é apenas um gesto bonito, pois “nosso Senhor nos
concede o que o sacramento significa, a saber: os dons invisíveis da graça”. Em seguida, o
artigo 34 explica que estes dons da graça implicam numa profunda renovação (veja o
artigo). É nesta renovação que se manifesta o poder do batismo. O batismo não adiantaria
nada, se apenas pudéssemos dizer: o ministro dá o batismo visível, mas somente Deus pode
conceder o que o sacramento significa. Queremos ter a certeza de que Deus realmente dá o
que o sacramento significa. E é isso que se confessa aqui. O ministro mostra a ilustração, o
143

retrato da purificação da alma. Mas ele o faz em nome de Deus que garante: o que o
ministro torna visível pela aspersão com água, Eu darei. No batismo temos a ver sempre
com Deus (veja também o artigo 33, 05. e).
esta garantida de Deus é tão fiel que até podemos dizer que o batismo é “o lavar
regenerador” (Tito 3:5) e “a lavagem dos pecados” (Atos 22:16).

06. “O batismo não pode ser repetido”.


a) O artigo 34 diz sobre os anabatistas “que não se contentam com o batismo que uma vez
receberam”. Facilmente eles se deixavam batizar de novo, apesar de terem sido batizados
quando crianças (1). Mas também nos seguintes casos: quando achavam que não estavam
suficientemente convertidos nos seu último batismo (2); quando descobriram que o batismo
tinha sido administrado por um pastor ‘errado’ (3); e quando achavam que o batismo tinha
sido realizado numa igreja que não era suficientemente santa (4). O pano de fundo destes
argumentos é que, na opinião dos anabatistas, o homem é o mais importante no batismo. O
mais importante não é Deus que se apresenta ao homem com as promessas dEle, mas é o
homem que apresenta a Deus para confessar sua fé. Porém, assim a base do batismo ficaria
bem fraca. Pois o batismo se tornaria infiel tanto quanto o homem é infiel. E seria
necessário repetir sempre o batismo e considerar inválido o batismo anterior. Disse Guido
de Brès (o autor da “Confissão de Fé”) que, se fosse assim com o batismo, seria necessário
ter a cabeça continuamente na água.
O argumento principal contra a repetição do batismo é que, assim, o batismo perderia
seu poder e glória. Batizar de novo é como repetir o dia do casamento, quando você está
feliz com sua esposa (ou com o seu marido).
b) Há dois argumentos para não repetir o batismo:
(1) O artigo 34 supõe que aquele que quer ser batizado de novo seja alguém que
queira entrar “na vida eterna”. Sobre tal pessoa diz o artigo: “Por isso, cremos que
quem quer entrar na vida eterna, deve ser batizado só uma vez”. As palavras “por
isso” se referem ao que já se confessou; em resumo: Deus concede o que o batismo
significa, isto é, a nova vida e o novo nascimento. Não podemos desprezar essa obra
de Deus, recebendo (como os anabatistas) mais um batismo. Assim queremos ter de
Deus o que Ele já deu: o novo nascimento. Isto não é possível e, portanto, não
devemos repetir o batismo, “porque também não podemos nascer duas vezes”.
(2) O segundo argumento é que o batismo “tem utilidade não somente no momento
de recebê-lo, mas durante a vida inteira”. Ainda que um batizado tivesse vivido sem
Deus durante anos e, de novo, se convertessem não seria necessário batizá-lo de
novo pois o batismo não perde a validade. Neste ponto podemos comparar o
batismo a um casamento. Quando um homem, durante anos e às escondidas, é infiel
à sua esposa, mas si arrepende e torna a ser fiel, o casal não precisa casar de novo.
Porque o casamento ‘oficial’ deles (com suas obrigações) não ficou desfeito pela
infidelidade do marido. Muito menos ainda perde seu poder o batismo com que
Deus dá garantias e obrigações.

07. O batismo das crianças pequenas.


O artigo 34 apresenta três argumentos para o batismo das crianças.
a) Conforme os anabatistas não é Deus, mas é o homem que, no batismo, está no centro das
atenções. É o homem que confessa sua fé e promete fidelidade a Deus. Para poder fazer
144

isso, ele deve ser adulto porque crianças pequenas não têm fé nem podem prometer nada a
Deus.
Mas conforme a Bíblia é Deus que, no batismo, tem o papel principal: Ele nos garante
suas promessas.
Por isso é decisiva a pergunta se essas promessas de Deus se dirigem também às
crianças de pais crentes. A resposta é afirmativa. Tanto na época do Antigo Testamento (ou
seja: na época da circuncisão) como na época atual, as crianças têm as mesmas promessas
que os pais (adultos) têm. O apóstolo Pedro, no dia de Pentecoste, ‘atualiza’ (Atos 2:39) as
promessas de Deus feitas a Abraão e a seus filhos (Gênesis 17:7-10). Quer dizer: essas
promessas ainda são válidas tanto para adultos como para crianças, Ele as sela também
hoje; outrora pela circuncisão, hoje pelo batismo. Pos as crianças eram circuncidados “com
base nas mesmas promessas que foram feitas a nossos filhos”.
b) A questão do batismo das crianças pode ser considerada também por um outro lado: será
que a Escritura mostra que Cristo derramou seu sangue também pelas crianças e que Ele
garante isso às crianças, embora pequenas, por um sacramento? Se for assim, devem ser
batizadas.
O artigo 34 se refere a Levítico 12:6, um texto que fala sobre a oferta da purificação que
a mãe devia trazer depois do nascimento de uma criança. Os anabatistas diziam que este
texto mão exigia nada a respeito da criança. Mas Lucas 2:22 informa sobre esta oferta em
relação ao nascimento de Jesus e diz: “passados os dias da purificação deles” (plural!), ou
seja: tanto de Maria como da criança Jesus. E aquela oferta (um cordeiro ou, se este era
caro demais, um par de pombinhos) se referia ao sacrifício de Cristo na cruz. O artigo 34
fala sobre a “oferta de um cordeiro, que era um sacramento de Jesus Cristo”.
Assim se prova (a) que o sangue de Cristo foi derramado também pelas crianças e (b)
que isto deve ser confirmado por um sacramento logo depois do seu nascimento. Portanto,
as crianças pequenas devem ser batizadas.
c) Um texto importante é Colossenses 2:11 (-12), onde o apóstolo Paulo diz que aquele que
foi batizado, não precisa mais da circuncisão. O apóstolo faz uma comparação entre a
circuncisão e o batismo e demonstra que a circuncisão está incluída na comunhão com
Cristo, que se estabelece definitivamente no batismo. Por isso ele diz que o batismo é “a
circuncisão do Cristo” (podemos até traduzir: “a circuncisão cristã”). Ou seja: o batismo, na
época atual (na época do Novo Testamento), tomou o lugar da circuncisão, por causa do
próprio valor que o batismo tem. Portanto, o batismo é uma circuncisão (mas sem sangue) e
tem o mesmo objetivo que a circuncisão tinha.

Pontos e perguntas para pensar:


01. A igreja católico-romana diz que o batismo é um ‘veículo’ da graça (ou seja: a
graça está na água). Os teólogos católico-romanos se baseiam em Atos 22:16 onde
Ananias diz a Paulo: “recebe o batismo e lava os teus pecados”. Na opinião deles,
Paulo teria recebido a purificação dos seus pecados simplesmente pelo ato do
batismo. Será que isto é verdade? Como fala Ananias sobre Paulo nos vv.
Anteriores (Atos 22:13-15)?
02. Em Romanos 6:1-5, o apóstolo Paulo fala sobre o batismo em relação à morte de
Cristo. Você entende o que Paulo quer dizer?
145

ARTIGO 35

A SANTA CEIA
146

Cremos e confessamos que nosso Salvador Jesus Cristo ordenou e instituiu o sacramento da
santa ceia1, a fim de alimentar e sustentar aqueles que Ele já fez nascer de novo e
incorporou à sua família, que é sua igreja.
Agora, aqueles que nasceram de novo têm duas vidas diferentes2. Uma é corporal e
temporária: eles a trouxeram de seu primeiro nascimento e todos os homens a têm. A outra
é espiritual e celestial: ela lhes é dada no segundo nascimento que se realiza pela Palavra do
Evangelho3, na comunhão com o corpo de Cristo. Esta vida apenas os eleitos de Deus
possuem. Assim Deus ordenou para a manutenção da vida corporal e terrestre, pão comum,
terrestre, que todos recebem como recebem a vida.
Porém, a fim de manter a vida espiritual e celestial, que os crentes possuem, Ele lhes
enviou um “pão vivo, que desceu do céu” (João 6:51), isto é, Jesus Cristo4. Ele alimenta e
mantém a vida espiritual dos crentes5 quando é comido, quer dizer: aceito espiritualmente e
recebido pela fé6.
A fim de nos figurar este pão espiritual e celestial, Cristo ordenou um pão terrestre e visível
como sacramento de seu corpo e o vinho como sacramento de seu sangue7. Com eles nos
assegura: tão certo como recebemos em nossa alma pela fé8 -que é a mão e a boca da nossa
alma-, o verdadeiro corpo e o verdadeiro sangue de Cristo, nosso Único Salvador, para
manter nossa vida espiritual.
Agora, há certeza absoluta de que Jesus Cristo não nos ordenou seus sacramentos à toa.
Então, Ele realiza em nós tudo o que nos apresenta por estes santos sinais, embora de
maneira além da nossa compreensão, como também a ação do Espírito Santo é oculta e
incompreensível9.
Entretanto, não nos enganamos, dizendo que, o que comemos e bebemos, é o próprio
corpo natural e o próprio sangue de Cristo. Porém, a forma pela qual os tomamos não é pela
boca, mas, espiritual, pela fé. Desta maneira, Jesus Cristo permanece sentado à direita de
Deus, seu Pai, no céu10 e, contudo, Ele se comunica a nós pela fé. Nesta ceia festiva e
espiritual, Cristo nos faz participar de si mesmo com todas as suas riquezas e dons e deixa-
nos usufruir tanto de si mesmo como dos méritos de seu sofrimento e morte 11. Ele alimenta,
fortalece e consola nossa pobre alma desolada pelo comer de seu corpo, e a reanima e
renova pelo beber de deu sangue.
Depois, embora os sacramentos estejam unidos com a realidade da qual são um sinal,
nem todos recebem ambos12. O ímpio recebe, sim, o sacramento, para sua condenação, mas
não a verdade do sacramento, como Judas e Simão, o Mago: ambos receberam o

1
Mateus 26:26-28; Marco 14:22-24; Lucas 22:19-20; 1Coríntios 11:23-26.
2
João 3:5-6.
3
João 5:25.
4
João 6:48-51.
5
João 6:63; 10:10b.
6
João 6:40, 47.
7
João 6:55; 1Coríntios 10:16.
8
Efésios 3:17.
9
João 3:8.
10
Marcos 16:19; Atos 3:21.
11
Romanos 8:32; 1Coríntios 10:3, 4.
12
1Coríntios 2:14.
147

sacramento, mas não a Cristo que por este é figurado1. Porque somente os crentes
participam dEle2.
Finalmente, recebemos na congregação do povo de Deus 3 este santo sacramento com
humildade e reverência. Assim comemoramos juntos, com ações de graça, a morte de
Cristo, nosso Salvador, e fazemos confissão da nossa fé e da religião cristã4. Por isto,
ninguém deve participar da ceia antes de ter-se examinado a si mesmo, da maneira certa,
para, enquanto comer e beber, não comer e beber juízo para si (1Coríntios 11:28, 29). Em
resumo, somos movidos, pelo uso deste santo sacramento, a um ardente amor para com
Deus e nosso próximo.
Por esta razão rejeitamos como profanação dos sacramentos todos os acréscimos e
abomináveis invenções que o homem introduziu neles e misturou come eles. E declaramos
que se deve contentar com a ordenação que Cristo e seus apóstolos nos ensinaram e falar
sobre os sacramentos conforme eles falaram.

01. O assunto do artigo 35.


a) A santa ceia foi instituída por nosso Salvador Jesus Cristo. Ele a instituiu para sustentar a
vida daqueles “que Ele já fez nascer de novo” e que Ele fez membros vivos da sua família,
“que é a sua igreja”.
Estes membros têm duas vidas diferentes. Uma eles trouxeram (como todos) de seu
primeiro nascimento. Mas a outra vida lhes é dada no segundo nascimento, que se realiza
pelo Evangelho, assim como o ouvem como membros da igreja de Cristo. Só aqueles que
Deus escolheu têm essa segunda vida.
b) Deus sustenta com pão comum a vida como todos os homens a têm. Mas a outra vida se
origina pelo Espírito e tem uma origem celestial. Para manter essa vida Deus fez descer do
céu, na pessoa de Cristo, um pão vivo, que alimenta a vida espiritual dos fiéis. Então, a
condição é que eles, por assim dizer, comam Cristo, quer dizer: que O aceitam e nEle
confiem.
c) Este pão do céu, Cristo, é invisível. Mas Ele nos dá uma ilustração do pão celestial na
forma de pão comum que é o sinal do seu corpo, e de vinho que é o sinal do seu sangue.
Assim Ele nos assegura:
-tão certo como recebemos o pão e o vinho, e os temos em nossas mãos, e os tomamos
com nossa boca, para sustentarmos nossa vida com este alimento comum,
-tão certo nossa alma recebe o corpo e o sangue do nosso único Salvador, pela fé (que é a
mão e a boca da nossa alma), para sustentarmos nossa vida espiritual.
d) “Há certeza absoluta de que Jesus Cristo não nos ordenou seus sacramentos à toa”. O
que Ele nos faz ver pelo pão e vinho, Ele realiza em nós. A maneira de realizá-lo, porém,
vai além do nosso entendimento “como também a ação do Espírito Santo é oculta e
incompreensível”. Mas não nos enganamos ao dizermos que aquilo que comemos e
bebemos, realmente é o próprio corpo natural e o próprio sangue Cristo. Mas não comemos
o corpo de Cristo nem bebemos seu sangue com nossa boca, mas pela fé. E assim acontece
que Cristo, que está longe (no céu, à direita do Pai), “se comunica a nós pela fé”.
e) Por isso falamos sobre uma “ceia festiva”, porque Cristo nos faz participar de si mesmo
com todas as suas riquezas. Ele nos adquiriu com seu sofrimento e morte. Ele reanima
1
Lucas 22:21, 22; Atos 8:13, 21.
2
João 3:36.
3
Atos 2:42; 20:7.
4
Atos 2:46; 1Coríntios 11:26.
148

totalmente “nossa pobre alma desolada” e a renova, deixando-a comer seu corpo e beber
seu sangue.
f) Mais ainda, o sacramento é mais do que a ilustração: não somente retrata a realidade de
que é um sinal, mas traz também esta realidade. Porém, não é assim que todo mundo recebe
automaticamente, com o sacramento, a realidade do sacramento, a saber: Cristo. O ímpio
recebe o sacramento (o que leva à sua condenação), mas não a verdade do sacramento
(como aconteceu a Judas, o traidor, e a Simão o Mago). Só os fiéis recebem Cristo.
g) “Finalmente, recebemos na congregação do povo Deus este santo sacramento”, ou seja:
num culto oficial da igreja. E o recebemos como pessoas humildes, que mostram respeito.
Comemoramos juntos a morte do nosso Salvador, pela qual damos graças. Assim
expressamos nossa fé.
É também por essa razão que ninguém pode participar da ceia “antes de ter-se
examinado a si mesmo”. Devemos evitar que comamos e bebamos juíza para nós,
participando sem pensar. “E resumo, somos movidos, pelo uso deste santo sacramento, a
um ardente amor para com Deus e nosso próximo”.
h) Por isso, rejeitamos como profanação tudo o que se acrescentou, inventou e misturou em
relação à ceia. E enfatizamos que se deve contentar com o que Cristo e seus apóstolos
ensinaram. Devemos falar sobre os sacramentos conforme eles falaram.

02. Atenção especial para a santa ceia.


a) O artigo 35 é o mais comprido da “Confissão de Fé”. Na época da Reforma, a
controvérsia com a igreja católico-romana sobre a ceia era forte, porque a doutrina sobre a
‘missa’ é de uma importância vital para o sistema católico-romano. ‘Roma’ fez, da mesa da
ceia, um altar, e, da ceia, um sacrifício. O sacrifício da missa é a fonte de toda a graça.
b) Porém, é um engano pensar que o artigo 35 se dirija somente contra a doutrina católico-
romana sobre a ceia (missa). Pois só no último parágrafo são rejeitadas as opiniões erradas
que, aliás, nem são definidas. O artigo 35 certamente refuta a doutrina católico-romana.
Mas, antes, encontramos neste artigo o reconhecimento positivo do grande valor do
sacramento da santa ceia (veja também 01. e).

03. Instituição e objetivo da ceia.


a) Temos a certeza de que a ceia não é uma invenção da igreja, mas que o próprio Cristo a
instituiu (Mateus 26:26; Marcos 14:22; Lucas 22:19; 1Coríntios 11:23). Este fato indica a
importância da ceia (conf. Artigo 33, 02. b).
b) O objetivo da ceia é “alimentar e sustentar aqueles que Ele (Cristo) fá fez nascer de novo
e incorporou à sua família, que é a sua igreja”. Esta figura é explicada amplamente. Os fiéis
têm uma segunda vida que é camada “espiritual e celestial” porque vem do Espírito e do
céu. Fala-se sobre o “segundo nascimento”, com que os fiéis se tornam membros da família
de Cristo. Agora, Cristo garante à sua família (à igreja) sustento de vida. Mas assim como
nossa vida terrestre precisa de pão comum (terrestre), assim a vida celestial precisa de pão
celestial. O artigo 35 diz: “um pão vivo, desceu do céu, isto é, Jesus Cristo”.
De onde vem este modo de falar?
c) O próprio Cristo fala desta maneira em João 6. ali Ele ainda não fala sobre a santa ceia,
pos ainda deve ser instituída. Mas já encontramos o modo de falar que é característico da
ceia. No v. 51 diz Jesus: “Eu sou o pão vivo que desceu do céu”. De fato, Ele deve ser
comido: “quem de mim se alimenta, por mim viverá” (V.57). o contexto deixa claro que
Jesus quer enfatizar que os homens devem aceitá-Lo completa e cordialmente. ‘Comer
149

Jesus’ não é um ato que se faz de maneira secreta, mas simplesmente pela aceitação das
Palavras dEle. “As palavras que eu vos tenho dito, são espírito e são vida” (v. 63).
Na mesa da ceia acontece fundamentalmente a mesma coisa. Trata-se de aceitarmos
Cristo e de unirmo-nos a Ele. Isto se realiza ao cremos na suas palavras. Pois a ceia
confirma as palavras de Cristo. Comer Cristo ou comer seu corpo e beber seu sangue quer
dizer: aceitá-Lo crendo nas suas palavras. Então, na realidade comemos e bebemos Cristo
em todo culto da igreja, mas a santa ceia nos mostra isso com mais clareza.

04. A linguagem da ceia.


a) A santa ceia é uma refeição. O artigo 35 diz que a igreja é a família de Cristo. Este é
como um pai que reúne os seus em redor da mesa para comerem e beberem. Assim a santa
ceia dá mais clareza (conforme a natureza de um sacramento; veja artigo 33, 03. a).
Jesus é o “pão vivo, que desceu do céu”. Mas, como homem, Ele é invisível porque está
no céu. Então, não podemos ver esse pão celestial. Ms “a fim de nos figurar este pão
espiritual e celestial, Cristo ordenou um pão terrestre e visível como sacramento de seu
corpo e o vinho como sacramento de seu sangue”. Na ceia usamos olhos, mãos e boca
(conforme o artigo 33 diz: “para melhor apresentar aos nossos sentidos tanto o que Ele nos
declara por sua palavra, como o que Ele opera em nossos corações”).
b) Além de mais clareza, a santa ceia dá também mais certeza. Ou seja: a ceia não é apenas
uma ilustração bonita daquilo que Jesus nos quer dar, mas através da ceia Ele também
garante: tão certo como você vê o pão e o tem na sua mão e o come com sua boca, tão certo
lhe dou o meu corpo que foi crucificado.
Decisiva é a pergunta: por que uma coisa é tão certa quanto a outra? Por que ver, ter e
comer o pão comum é tão certo quanto receber Cristo e sua graça? A base desta certeza é
que o próprio Cristo disse (quando instituiu a ceia): “tomai, comei; isto é meu corpo”
(Mateus 26:26). É como alguém que, ao ver uma foto da sua mãe, diz: é minha mãe,
embora seja apenas uma foto da sua mãe. Mas a foto é um retrato tão fiel que leva a dizer: é
a minha mãe. Assim também nós podemos dizer, com o pedaço de pão da mão e na boca:
isto é o corpo de Cristo. Principalmente porque o próprio Cristo o disse assim.

05. O efeito da ceia.


a) Como refeição e a ceia é bem simples: por pessoa um pedaço de pão e um pouco de
vinho. Mas o efeito dessa refeição ultrapassa em muito a simplicidade dela. Pois pão e
vinho servem “para manter nossa vida espiritual”. Não é estranho que coisa tão simples
tenham um efeito tão profundo para a nossa alma? Respondendo a esta pergunta, o artigo
35 diz que Cristo “realiza em nós tudo o que nos apresenta por estes santos sinais, embora
de maneira além da nossa compreensão, como também a ação do Espírito Santo é oculta e
incompreensível”. Portanto, trata-se de um mistério. De fato é incompreensível que, por
uma refeição tão simples, aconteçam coisas tão impressionantes em nossa alma. Mas é o
próprio Espírito Santo quem as realiza.
b) Entretanto, não deixa de ser verdade que Cristo usa essa refeição simples como um meio
fiel para alimentar nossa vida espiritual. Pois o que comemos e bebemos “é o próprio corpo
natural e o próprio sangue de Cristo”. Assim se expressa que realmente tomamos Jesus
como Ele morreu por nós. Porém, a condição absoluta é que creiamos naquilo que Ele disse
sobre o valor da ceia como alimento.
150

Aliás, também não entendemos totalmente como pão comum sustenta nossa vida. É
também um mistério. Mas acreditamos que pão comum nos alimenta e usamos nossa mão e
boca para comê-lo na certeza de que assim sustentamos nossa vida.
Ao participarmos da ceia, não entendemos como ela pode sustentar nossa vida espiritual.
Mas cremos em Cristo, que nos deu sua palavra. E esta fé é a mão e a boca com que
tomamos o pão e o vinho. E o efeito é realmente que nossa vida espiritual é sustentada e
que nossa fé é fortalecida. Pois “há certeza absoluta de que Jesus Cristo não nos ordenou
seus sacramentos á toa”.

06. O caráter festivo da ceia.


a) Na ceia devemos comemorar a morte terrível de Cristo. Pão e vinho são os sinais do seu
corpo crucificado e seu sangue derramado. Por isso é válido observarmos que o artigo 35,
contudo, fala sobre uma “ceia festiva”, Cristo devia morrer pro nós; mesmo assim,
podemos celebrar a ceia de maneira festiva. Por quê? Porque Cristo “alimenta, fortalece e
consola nossa pobre alma desolada”.
b) São mencionados dois aspectos festivos:
(1) “Cristo nos faz participar de si mesmo (...) e deixa-nos usufruir de si mesmo”.
E o mais importante. Apesar da distância entre o céu e a terra, “Ele se comunica a
nós pela fé”.
(2) Cristo também nos faz participar de “todas as suas riquezas e dons”, ou seja:
“dos méritos de seu sofrimento e morte”. E como uma moça pobre que se casa com
um homem rico. Ela é duplamente fica: com seu marido e com os bens dele.
Notamos que o artigo 35 acumula palavras para dizer que Cristo “alimenta, fortalece e
consola”, “reanima” e “renova” nossa alma.

07. “O ímpio recebe, sim, o sacramento”.


a) O que acontece quando um incrédulo participa da ceia? Esta não é uma pergunta teórica,
pois o artigo 35 fala, neste contexto, sobre Judas e Simão, o Mago (podemos perguntar se
estes realmente receberam o sacramento; mas não é tão importante; na realidade existe a
possibilidade de hipócritas participarem da ceia). A questão básica é a seguinte: será que
alguém, por sua incredulidade, pode deixar a ceia sem valor? Será que existe uma ceia
vazia?
b) Não, não existe. Na ceia o sacramento sempre está unido com a realidade da qual é um
sinal. Em outras palavras: o que Cristo retrata na ceia, Ele também realiza; quer dizer: Ele
se dá a si mesmo, até a um ímpio rejeita a ‘verdade’, isto é, o verdadeiro conteúdo do
sacramento, que é Cristo. Portanto, ele não recebe Cristo. Mas, justamente por rejeitar um
sacramento cheio e não vazio, ele recebe o sacramento “para sua condenação” (veja
também artigo 33, 06, f).

08. AS maneira de celebrar a ceia.


a) “Recebemos na congregação do povo de Deus este santo sacramento”. Um pastor deve
administrar a ceia num culto oficial. Assim rejeita-se a prática de um sacerdote celebrar a
ceia sozinho, sem a comunidade, e o costume de levar a hóstia (o pão sagrado) as casas dos
doentes. Pois a ceia é a festa da comunhão cristã (1Coríntios 10:17).
b) Os reformados (na época) não queriam ajoelhar-se diante da hóstia. Os católico-romanos
consideravam isto arrogante e irreverente. Mas o artigo 35 diz que recebemos a ceia “com
humildade e reverência”.
151

“Humildade” quer dizer: consideramos grandes tanto Deus tanto sua bondade e,
portanto, consideramos pequenos nós mesmos. É uma atitude que nos cabe na ceia. Porque
a ceia chama nossa atenção para a morte de Cristo pelas nossas dívidas. Diz o artigo 35:
“Assim comemoramos juntos, com ações de graça, a morte de Cristo”. Em resumo: a ceia
deve ser celebrada com humildade, reverência e ações de graça (ou gratidão).
c) E assim “Fazemos confissão da nossa fé e da religião cristã”. Isto significa que
justamente a celebração da ceia expressa a essência da religião cristã. Reconhece-se a
verdadeira igreja pela pura administração desse sacramento.
d) O artigo 35 também diz que “ninguém deve participar da ceia antes de ter-se examinado
a si mesmo” (veja também 1Coríntios 11:28). Isto não significa que cada um decide, por si
mesmo, se participa ou não da ceia. Pois Cristo ordena: “tomem, comam”. Mas Ele impõe
cartas obrigações às quais devemos corresponder (a forma para a celebração da santa ceia
explica o auto-exame).
e) O artigo 35 relaciona o auto-exame com Deus e com nosso próximo, pois diz que
“somos movidos, pelo uso deste santo sacramento, a um ardente amor para com Deus e
nosso próximo”.

09. Rejeição de erros.


Já notamos (veja 02. b) que o artigo 35 nem chega a definir opiniões erradas a respeito da
ceia. Nada ouvimos sobre a famosa doutrina (católico-romana) da transubstanciação (a
transformação do pão e do vinho no corpo e no sangue de Cristo). O forte do artigo 35 de
fato é a explicação positiva da ceia e, só assim, é uma rejeição dos erros da igreja católico-
romana e de outros. O grande argumento da rejeição de erros é que “se deve contentar com
a ordenação que Cristo e seus apóstolos nos ensinaram”.

Pontos e perguntas para pensar:


01. O artigo 34 diz (no começo e no fim) que o batismo veio em lugar da
circuncisão. O artigo 35 não diz que a ceia substituiu a festa da Páscoa. Por que
não?
02. “Isto é meu corpo”, diz Jesus sobre o pão. É no sentido literal destas palavras
que a igreja católico-romana baseia sua doutrina da transubstanciação. Ela, então,
leva mais a sério a Bíblia do que nós?

ARTIGO 36
152

O OFÍCIO DAS AUTORIDADES CIVIS

Cremos que nosso bom Deus, por causa da perversidade do gênero humano, constituiu reis,
governos e autoridades1. Ele quer que o mundo seja governado por leis e códigos 2, para que
a indisciplina dos homens seja contida e tudo ocorra entre eles em boa ordem 3. Para este
fim Ele forneceu às autoridades a espada para castigar os maus e proteger os bons
(Romanos 13:4).
Seu ofício não é apenas cuidar da ordem pública e zelar por ela, mas também proteger o
santo ministério da igreja a fim de * promover o reino de Jesus Cristo e a pregação da
Palavra do Evangelho em todo lugar4, para que Deus seja honrado e servido por todos,
como Ele ordena na sua Palavra.
Depois, cada um, em qualquer posição que esteja, tem a obrigação de submeter-se às
autoridades, pagarem impostos, render-lhes honra e respeito, obedecer-lhes5 em tudo o que
não contrarie a Palavra de Deus6, e orar em favor delas para que Deus as guie em todos os
seus caminhos, “para que vivamos vida tranqüila e mansa com toda piedade e respeito”
(1Timóteo 2:2).
Neste assunto rejeitamos os anabatistas e outros revolucionários e em geral todos os que
se opõem às autoridades e aos magistrados, e querem derrubar a ordem judicial7,
introduzindo a comunhão de bens, e que abalam os bons costumes que Deus estabeleceu
entre as pessoas.

01. O assunto do artigo 36.


Este artigo não fala somente sobre o ofício das autoridades civis (veja o título), mas
também sobre o dever dos cidadãos (súditos) para com as autoridades. Então, fala-se tanto
sobre o que as autoridades devem fazer como sobre o que nós devemos fazer.
a) A igreja, antes de mais nada, louva o Senhor como seu “bom Deus”. Todos os homens
são maus e, justamente por isso, Deus constituiu reis, governos e autoridades. “Ele quer que
o mundo seja governado por leis e códigos”, com o objetivo de conter a indisciplina dos
homens. Assim haverá “boa ordem”.
b) Para este fim Deus concedeu poder às autoridades “para castigar os maus e proteger os
bons”.
c) O dever das autoridades não é apenas “cuidar da ordem pública”, mas também proteger a
igreja par que Lea possa cumprir sua missão. As autoridades devem possibilitar que o reino

* Originalmente o texto incluía aqui as seguintes palavras: “... impedir e exterminar toda
idolatria e falso culto a Deus, destruir o reino do anticristo e...”.
de Cristo seja promovido e que o Evangelho seja pregado em todo lugar.
d) Cada um (“em qualquer posição esteja”) tem o dever de submeter-se às autoridades,
pagar impostos e obedecer-lhes em tudo “o que não contrria a Palavra de Deus”. Devemos

1
Provérbios 8:15; Daniel 2:21; João 19:11; Romanos 13:1.
2
Êxodo 18:20.
3
Deuteronômio 1:16; 16:19; Juízes 21:25; Salmo 82; Jeremias 21:12; 22:3; 1Pedro 2:13-14.
4
Salmo 2; Romanos 13:4ª; 1Timóteo 2:1-4.
5
Mateus 17:27; 22:21; Romanos 13:7; Tito 3:1; 1Pedro 2:17.
6
Atos 4:19; 5:29.
7
2Pedro 2:10; Judas: 8.
153

orar também em favor das autoridades, no sentido de que Deus “as guie em todos os seus
caminhos”, a fim de que haja ‘espaço’ para a vida cristã.
e) Rejeitamos a opinião dos anabatistas e de todos os revolucionários que não aceitam
governo ou autoridade, mas que querem derrubar a ordem judicial, e que abalam as boas
regras que Deus deu para que se pudesse agir e viver com responsabilidade.

02. As autoridades são uma prova da bondade de Deus.


a) A existência e a ação das autoridades, com seu poder, sem sempre agradam. Por
exemplo: quase ninguém gosta de pagar impostos ou de ser multado.
Mas na época em que a “Confissão de Fé” foi escrita a situação era pior. O último
artigo da Confissão (artigo 37) diz que havia muitas “autoridades” que condenavam a causa
da igreja “como herética e ímpia”. Naquela época havia muitas tensões entre autoridades e
igrejas. Muitas autoridades usavam violência para desfazer a reforma da igreja. Os adeptos
da “Reforma” eram perseguidos e alguns até mortos. Teria sido estranho se a igreja, nessa
situação toda, tivesse ignorado as autoridades ou tivesse exortado a uma atitude de
desobediência a elas?
b) Portanto, é surpreendente que a igreja, perseguida pelas autoridades, diga que reis,
governos e autoridades vêm do “nosso bom Deus”. A igreja dá um testemunho positivo
sobre as autoridades e não deixa nenhuma dúvida sobre sua posição diante de governos e
reis.
O artigo 36 explica por que as autoridades são uma prova da bondade de Deus. Fala-se
sobre: “a perversidade do gênero humano” e “a indisciplina dos homens”. Por isso seria um
desastre se os homens pudessem fazer o que quisessem. Assim haveria a situação horrorosa
de Juízes 17-22: “naqueles dias não havia rei em Israel: cada um fazia o que achava mais
reto” (Juízes 21:25).
Então, a igreja não acreditou que os homens se tornassem cada vez melhores e pudesse
viver sem autoridades. Pelo contrário, numa época em que as autoridades ameaçavam
destruí-la, ela falou sobre o bom Deus que “constituiu reis, governos e autoridades”. Ela
não se deixou levar por emoções ou experiências decepcionantes, mas falou de acordo com
a Escritura. Portanto, temos aqui um belo exemplo daquilo que é e deve ser ‘confessar a fé’.

03. É de Deus que as autoridades recebem seu poder e sua competência.


a) Deus “forneceu as autoridades a espada”. Isto significa que elas têm poder para impor
sua vontade. Por isso falamos sobre o ‘braço forte’ das autoridades. A igreja não tem esse
poder, nem mesmo quando tem que punir os pecadores. Mas as autoridades podem executar
a pena da morte defender seu território por meio de um forte exército. Pois, conforme
Romanos 13:1, “não é sem motivo” que as autoridades trazem a espada.
b) As autoridades têm poder para impor sua vontade. Mas elas têm também competência
para fazer isso, e até obrigação. Foi Deus que lhes forneceu a espada para usá-la se for
necessário. “Visto que a autoridade é ministro de Deus, para teu bem” (Romanos 13:4).
Um argumento comum contra a pena da morte é que as autoridades, assim, eliminam a
possibilidade de conversão (de um condenado). Mas devemos enfatizar que é o próprio
Deus que, num caso tão grave, termina a vida humana (Gênesis 9:6; Romanos 13:4; 1Pedro
2:13-14).
c) Como devemos avaliar a atitude das autoridades que, ao invés de protegerem, perseguem
e matam seus súditos cristãos? Era essa (cada vez mais) a situação na época em que a
“Confissão de Fé” foi escrita. Pode a igreja, numa tal situação, reconhecer as autoridades
154

como um presente do “nosso bom Deus”? O artigo 36 mostra muita fidelidade às


autoridade. Mas há um limite a esta fidelidade, pois não podemos fazer nada contra a
Palavra de Deus. Agora, não obedecer às autoridades num determinado ponto, não significa
que elas não sejam mais reconhecidas como autoridades. Por que não?
A igreja (no artigo 36) pratica o ensino da Bíblia, que diz que as autoridades são
instrumentos de Deus. Mas não há exceções? Não há autoridades que não agem como
instrumentos de Deus? Claro que sim. Mas isto não muda a regra. O apóstolo Paulo, em
Romanos 13, não fala sobre autoridades neutras ou cristãs, mas sobre “as autoridades que
existem” (v. 1). E Jesus disse ao governador Pilatos que Ele não teria nenhuma autoridade
sobre Ele, “se de cima não te fosse dada” (João 19:11). Nem mesmo João Batista disse aos
soldados que deviam abandonar sua profissão. A igreja mantém a regra de que as
autoridades “foram instituídas por Deus”.

04. As autoridades devem cuidar da ordem pública.


a) O ofício das autoridades e “cuidar da ordem pública e zelar por ela”. Então, elas devem
fazer com que haja boa ordem na vida pública. Isto implica na responsabilidade das
autoridades de fazer que o nome de Deus seja respeitado na vida pública. Pois as
autoridades não ministros de Deus (Romanos 13:4) e não podem tolerar que o nome de
Deus seja blasfemado na vida pública.
b) Entretanto, o ofício das autoridades de observarem os mandamentos de Deus, na ‘área’
de sua competência, é limitado. Elas não podem impor aos seus súditos esses mandamentos
no seu sentido total. Porque assim deveriam obrigar (por exemplo) os homens a assistir aos
cultos da igreja (quarto mandamento) ou a amar seus inimigos (sexto mandamento). Isto
não é possível nem viável. As autoridades devem, sim, ‘promover’ o domingo como dia de
descanso. Também devam fazer com que o sexto mandamento (“não matarás”) seja
observado em relação a muitas questões (aborto, eutanásia, crime, proteção do meio-
ambiente, segurança no trânsito, defesa etc.). Então, (1) as autoridades não podem
comprometer à força a consciência dos seus súditos, (2) mas também não podem tolerar
que os mandamentos de Deus sejam desrespeitados.

05. As autoridades devem proteger “o santo ministério da igreja”.


a) Não é preciso ser cristão para ter a opinião de que deve haver liberdade de religião.
Muitas vezes esta opinião é conseqüência da convicção de que deve haver liberdade de
consciência par todos, inclusive para a igreja. Mas o artigo 36 tem um outro ponto de
partida. Não se fala aqui sobre a igreja como um grupo de pessoas que têm suas próprias
idéias e precisam de liberdade para praticá-las. A igreja age conforme a ordem de Deus. O
ministério da igreja não é uma invenção humana, mas foi ordenado e constituído por Deus
(por isso é chamado: o santo ministério da igreja; veja o artigo 36). Portanto, as autoridades
devem “proteger o santo ministério da igreja”.
b) É neste contexto que artigo 36 também diz que as autoridades devem “promover o reino
de Jesus Cristo e a pregação da Palavra do Evangelho em todo lugar, para que Deus seja
honrado e servido por todos, como Ele ordena na sua Palavra”.
Isto não significa que as autoridades devem ordenar pastores. Mas, na área de sua
competência, elas devem fazer com que o reino de Cristo seja promovido (por exemplo:
são as autoridades que permitem que sejam construídas igrejas etc.). As autoridades não
podem ser neutras. Pois elas devem ter o objetivo de governar de tal modo que Deus seja
honrado e servido por todos. Por que? Porque é assim que Deus ordena na sua Palavra.
155

As autoridades não podem obrigar seus súditos a servir a Deus. Mas elas devem fazer
com que as pessoas tenham livre acesso à pregação. Pois não é pelo poder das autoridades,
mas é pelo poder divino do Evangelho pregado que as pessoas honram e sevem a Deus. Por
isso, as autoridades devem proteger e promover a pregação do Evangelho.

06. “Cada um tem a obrigação de submeter-se às autoridades”.


a) Após ter explicado o ofício das autoridades, o artigo 36 não diz que devemos obedecer
somente às autoridades que agem conforme o ensino bíblico. O artigo diz que cada um
“tem a obrigação de submeter-se às autoridades” (veja 1Pedro 2:13-14). Já notamos que
Paulo, em Romanos 13, se refere às autoridades “que existem”. Na época era o imperador
romano Nero, um incrédulo.
Nossa obediência às autoridades tem um só limite: quando elas nos obrigarem a
desobedecer à Palavra de Deus, devemos recusar, porque “antes importa obedecer a Deus
do que aos homens” (Atos 5:29).
b) Como exemplo de obediência às autoridades, o artigo 36 fala sobre “pagar impostos”
(Mateus 22:21; Romanos 13:5-7), sobre “render-lhes honra e respeito” e sobre “orar em
favor delas”. Devemos orar pelas autoridades no sentido de que Deus as use como seus
instrumentos e para que “vivamos vida tranqüila e mansa, com toda piedade e respeito”
(1Timóteo 2:1-2), ou seja: para que vivamos como verdadeiros cristãos.

07. Opiniões inaceitáveis.


a) Apesar de suas experiências decepcionantes com as autoridades, a igreja rejeita “todos os
que se opõem às autoridades o aos magistrados”. São principalmente os anabatistas que
“querem derrubar a ordem judicial, introduzindo a comunhão de bens”. O artigo 36,
portanto, sem dar maiores argumentos, rejeita a idéia da ‘comunhão de bens’ como
revolucionária. Assim derruba-se a ordem da sociedade. Naquela época, a aventura
anabatistas na cidade de Münster, na Alemanha (considerada ‘a nova Jerusalém’), tinha
demonstrado essa desordem. Naquela cidade tinha sido introduzindo um certo tipo de
comunismo, sob a direção de um regime revolucionário.
b) Também se diz sobre os revolucionários que eles “abalam os bons costumes que Deus
estabeleceu entre as pessoas”. Quais são estes “bons costumes”? Esta expressão indica que
as pessoas sabem como devem e como não devem viver (em termos de respeito,
responsabilidade, honestidade, comportamento social etc.). até aqueles que não servem a
Deus, muitas vezes mostram esses “bons costumes”. Sem conhecerem ou reconhecerem os
mandamentos de Deus, eles “procedem de conformidade com a lei” (Romanos 2:14-15).
No seu dia-a-dia fazem muita coisa conforme principalmente a segunda tábua da lei: não
matam, não furtam, respeitam o casamento. Isto não é assim porque são pessoas perfeitas,
mas porque o poder e a sabedoria dos mandamentos de Deus têm um efeito tão forte que
marcam os atos dessas pessoas. Bons costumes conservam a ordem judicial.

Pontos e perguntas par apensar:


01. É bom e justo que o governo adapte as leis à opinião da maioria do povo? Pode
um governo permitir (por exemplo) que se pratique o aborto?
02. Você acha que o artigo 36 opta por uma certa forma de governo? O que é
melhor: que um povo tenha um presidente ou um rei?
156

ARTIGO 37
157

O JUÍZO FINAL

Finalmente, cremos conforme a Palavra de Deus que, quando chegar o momento


determinado pelo Senhor1 -o qual todas as criaturas desconhecem-, e o número dos eleitos
estiver completo2, nosso Senhor Jesus Cristo virá do céu, corporal e visivelmente 3, assim
como subiu ao céu (Atos 1:11), com grande glória e majestade 4. Lhe se manifestará Juiz
sobre vivos e mortos5, enquanto porá em fogo e chamas este velho mundo para purificá-lo6.
Naquele momento comparecerão perante este grande Juiz, pessoalmente, todas as
pessoas que viveram neste mundo7: homens, mulheres e crianças, citados pela vez do
arcanjo e pelo som da trombeta divina (1Tessalonicenses 4:16). Porque todos os mortos
ressuscitarão da terra8 e as almas serão reunidas aos seus próprios corpos em que viveram.
E a respeito daqueles que ainda estiverem vivos: eles não morrerão como os outros, mas
serão transformados num só momento. De corruptíveis se tornarão incorruptíveis9.
Então, se abrirão os livros e os mortos serão julgados (Apocalipse 20; 12), segundo o
que tiverem feitos neste mundo, seja o bem ou o mal10 (2Coríntios 5:10). Sim, “de toda
palavra frívola que proferirem os homens, dela darão conta” (Mateus 12:36), mesmo que o
mundo a considere apenas brincadeira e passatempo. Assim será trazido à luz diante de
todos o que os homens praticaram às escondidas, inclusive sua hipocrisia.
Portanto, pensar neste juízo é realmente horrível e pavoroso para os homens maus e
ímpios11, mas muito desejável e consolador par aos justos e eleitos. A salvação destes será
totalmente completada e eles receberão os frutos de seu penoso labor12. Sua inocência será
reconhecida por todos e eles presenciarão a vingança terrível de Deus contra os ímpios, que
os tiranizaram, oprimiram e atormentaram neste mundo13. Os ímpios serão levados a
reconhecer sua culpa pelo testemunho da própria consciência. Eles se tornarão imortais, ms
somente para serem atormentados no “fogo eterno14, preparado para o diabo e seus anjos”15
(Mateus 25:41).
Os crentes e eleitos, porém, serão coroados com glória e honra. O Filho de Deus
confessará seus nomes diante de Deus, seu Pai (Mateus 10:32), e seus anjos eleitos16

e Deus “lhes enxugará dos olhos toda lágrima”17 (Apocalipse 21:4). Assim ficará manifesto
que a causa deles, que agora por muitos juízes e autoridades está sendo condenada como

1
Mateus 24:36; 25:13; 1Tessaloniceses 5:1, 2.
2
Hebreus 11:39, 40; Apocalipse 6:11.
3
Apocalipse 1:7.
4
Mateus 24:30; 25:31.
5
Mateus 25:31-46; 2Timóteo 4:1; 1Pedro 4:5.
6
2Pedro 3:10-13.
7
Deuteronômio 7:9-11; Apocalipse 20:12-13.
8
Daniel 12:2; João 5:28, 29.
9
1Coríntios 15:51, 52; Filipenses 3:20, 21.
10
Hebreus 9:27; Apocalipse 22:12.
11
Mateus 11:22; 23:33; Romanos 2:5, 6; Hebreus 10:27; 2Pedro 2:9; Judas :15; Apocalipse 14:7 a.
12
Lucas 14:14; 2Tessalonicenses 1:3-10; 1João 4:17.
13
Apocalipse 15:4; 18:20.
14
Mateus 13:41, 42; Marcos 9;48; Lucas 16:23-28; Apocalipse 21:8.
15
Apocalipse 20:10.
16
Apocalipse 3:5.
17
Isaías 25:8; Apocalipse 7:17.
158

herética e ímpia, é a causa do Filho de Deus. E, como recompensa gratuita, o Senhor os fará
possuir a glória que jamais poderia surgir no coração de um homem18.
Por isso, esperamos este grande dia com grande anseio para usufruirmos plenamente das
promessas de Deus em Jesus Cristo, nosso Senhor.

01. O assunto do artigo 37.


O último artigo da “Confissão de Fé” trata do juízo final.
a) Cremos conforme a Palavra de Deus que nosso Senhor Jesus Cristo voltará do céu no
tempo determinado por Deus. Nenhuma criatura sabe quando Cristo voltará, mas será no
momento em que estiver completo o número das pessoas que Deus quer salvar.Cristo virá
em sua forma humana, visível a todos os homens, “assim como subiu ao céu”. “Ele se
manifestará Juiz sobre vivos e mortos”. E purificará com fogo este velho mundo.
b) “Naquele momento comparecerão perante este grande Juiz, pessoalmente, todas as
pessoas que viveram neste mundo”. Serão citadas pela voz de um anjo importante e pelo
som de uma trombeta celestial.
Porque todos os mortos ressuscitarão da terra e suas almas serão reunidas aos seus
próprios corpos em que viveram. Aqueles que ainda estiverem vivos, não mais morrerão
normalmente, mas serão transformados num só momento e ficarão imortais.
c) Os livros serão abertos e os mortos serão julgados “segundo o que tiverem feito neste
mundo, seja o bem ou o mal”. Os homens darão conta de toda palavra vazia, mesmo que o
mundo diga que tais palavras eram apenas brincadeira ou passatempo. Será trazido à luz
tudo aquilo que os homens fizeram às escondidas ou praticaram com hipocrisia.
d) Por isso é horrível, para os incrédulos, pensarem nesse juízo. Mas, para os fiéis, é
desejável e consolador, pois naquele dia, sua salvação será completa e “seu penoso labor”
será coroado. Todos terão de reconhecer que lês são inocentes.
Inclusive, os fiéis verão como Deus castigará, de maneira terrível, os incrédulos “que os
tiranizaram, oprimiram e atormentaram neste mundo”. Estes, por sua vez, serão obrigados a
reconhecer sua culpa porque sua própria consciência começará a falar.eles se tornarão
imortais, mas apenas para serem atormentados no fogo eterno.
Os fiéis, porém, receberão a coroa da glória. “O Filho de Deus confessará seus nomes
diante de Deus” e diante de seus anjos eleitos. Ele declarará publicamente que pertencem a
Ele. E Deus lhes enxugará todas as lágrimas. “Assim ficará manifesto que a causa deles,
que agora por muitos juizes e autoridades está sendo condenada como herética e ímpia, é a
causa do Filho de Deus”. Como recompensa, o Senhor lhes dará a glória que ninguém
jamais poderia imaginar.
e) “Por isso, esperamos este grande dia com grande anseio para usufruirmos plenamente
das promessas de Deus em Jesus Cristo, nosso Senhor”.

02. Virá um juízo definitivo.


a) A igreja fala, neste último artigo, sobre o segredo da sua força, pela qual ela é capaz de
perseverar nas mais amargas perseguições. Este segredo é que ela luta por uma causa já
ganha. Ela sabe que está participando da grande luta entre satanás e Cristo, em que este, de
fato, já venceu. No meio dessa luta, ela O espera do céu. E esta esperança dá coragem e
força. Lutero costumava falar sobre ‘o querido último dia’ e Calvino sobre “o dia da nossa

18
Daniel 12:3; Mateus 5:12; 13:43; 1Coríntios 2:9; Apocalipse 21:9-22:5.
159

salvação”. Pois, naquele dia, toda injustiça será punida definitivamente e os fiéis serão
justificados publicamente.
b) Cristo “se manifestará juiz sobre vivos e mortos”. A Bíblia ensina claramente que Deus
Lhe concedeu o direito ou a autoridade de julgar (João 5:22, 27). Pedro diz que é Ele
“quem foi constituído por Deus Juiz de vivos e de mortos” (Atos 10:42). E Paulo falou aos
filósofos de Atenas que Deus “estabeleceu um dia em que há de julgar o mundo com justiça
por meio de um varão que destinou e acreditou diante de todos, ressuscitando-o dentre os
mortos” (Atos 17:31).
c) Cristo também “porá em fogo e chamas este velho mundo para purificá-lo”. Então, Ele
não destruirá o mundo, porque Deus não quer abandonar ou sacrificar sua criação. Ela tem
um grande futuro. Deus não a entrega aos destruidores. A nova terra de apocalipse 21 e 22
é a continuação do mundo de Gênesis 1 e 2, mas também do de Gênesis 3. isto significa que
nosso trabalho de todo dia tem valor permanente para a nova terra (Apocalipse 14:13;
Mateus 25:14-30).
d) Jesus virá do céu “corporal e visivelmente”. Pois os anjos, logo após a ascensão,
disseram aos discípulos que Ele viria “do modo como o viste subir” (Atos 1:11). Todos os
homens “verão o Filho do homem vindo sobre as nuvens” (Mateus 24:30, 31), com grande
glória e majestade (veja também 1Tessalonicenses 4:16).

03. Quando virá o juízo final?


a) O artigo 37 diz que “todas as criaturas desconhecem” a data da volta de Cristo (confira
também Marcos 13:32). Isto parece desvantagem, mas é vantagem! Pois foi justamente pela
incerteza sobre a data da volta de Cristo que a igreja, no correr dos séculos, tem sido
estimulada a combater pecado e a viver de tam maneira que, a cada momento, possa
aguardar seu Senhor.
Uma igreja que não viva na expectativa da volta de Cristo, deixa de vigiar. Ela
facilmente dá toda a atenção a este mundo e à época em que está vivendo. Deus, em sua
sabedoria, não divulgou a data para que os fiéis ficassem acordados e vigilantes. O próprio
Jesus disse: “vigiai e orai; porque não sabeis quando será o tempo” (Marcos 13:33).
b) Agora, muitas vezes se diz que o Novo Testamento, de fato, nos deixa na incerteza sobre
a data, mas que contou com uma volta de Cristo não muito demorada e que, então, se
enganou. O próprio Jesus falou: “Aprendei, pois, a parábola da figueira: quando já os seus
ramos se renovam e as folhas brotam, sabeis que está próximo o verão. Assim também vós:
quando virdes acontecer estas cousas (veja Marcos 13:1-23), sabei que está próximo, às
portas” (Marcos 13:29). Na última página da Bíblia, Jesus diz, repetidas vezes, que Ele vem
(Apocalipse 22:7, 12, 20). E o apóstolo Paulo escreve que “o tempo se abrevia” (1Coríntios
10:11).
Esta expectativa de Cristo e da igreja antiga não se teria cumprido, porque a volta de
Cristo demorou (e demora até hoje). Então, o Novo Testamento se enganou. Mas será que
realmente se enganou?
c) O Novo Testamento mostra que a volta de Cristo pode demorar e que se deve esperar por
Ele, esperar muito. O noivo pode tardar (Mateus 25:5), conforme as palavras do próprio
Jesus.
O artigo 37 não fala diretamente sobre a pressa com que Jesus está vindo. Diz que Ele
voltará “quando chegar o momento determinado por Deus” (momento que todas as
criaturas desconhecem) e que será quando “o número dos eleitos estiver completo”. Ou
160

seja: o último dia virá depois de Deus cumprir seu programa de trabalho. Isto já indica um
prazo mais demorado. A Bíblia diz também que:
-deve vir uma grande apostasia (2Tessalonicenses 2:3-8);
-devem sobrevir tempos difíceis (2Timóteo 3:1);
-satanás sairá a seduzir muitas nações (Apocalipse 20:7-8).
E o apóstolo Pedro, mais tarde, fala sobre escarnecedores que dizem: “Onde está a
promessa da sua vinda? Porque desde que os pais dormiram, todas as coisas permanecem
como desde o princípio da criação” (2Pedro 3:3-8). Mas o apóstolo não se mostra
decepcionado por causa da demora da volta do Senhor!
d) Descobrimos, portanto, que a Escritura diz (1) que aquele dia vem logo, (2) que a data é
desconhecida e (3) que, antes, deve acontecer muita coisa.
Estes três pontos não se contradizem. Podemos interligá-los assim: nos grandes
acontecimentos da história (3) percebemos os passos apressados de Cristo (1) que pode vir
a qualquer momento (2).

04. Todos serão julgados.


a) Jesus e, conforme o artigo 37, “Juiz sobre vivos e mortos” (veja também 2 Timóteo 4:1).
Ninguém escapará dEle, porque perante este grande Juiz comparecerão pessoalmente
“todas as pessoas que viveram neste mundo: homens, mulheres e crianças”.
b) Os mortos ressuscitarão da terra e voltarão a ter “seus próprios corpos em que viveram”.
O corpo ressuscitado deles será diferente do corpo em que viveram, mas também
essencialmente igual. Tais coisas desde já conhecem: o corpo de alguém que hoje tem
oitenta anos é essencialmente igual ao corpo que tinha quando criança, apesar das muitas
diferenças.
Por que enfatiza o artigo 37 que cada um comparecerá perante Cristo no corpo em que
viveu? Para mostrar que cada um é e permanece responsável or tudo o que “tiver feito por
meio do corpo”, mesmo há mil anos (2Coríntios 5:10). Ninguém poderá dizer: mas não fui
eu! A identidade de todos permanece intacta.
É provável que o artigo 37 não queira dizer que as pessoas que comparecerem perante
Cristo, realmente terão aparência de homens, mulheres e crianças. Assim deveria haver
também idosos nenês. O objetivo é enfatizar tanto quanto possível (1) que ninguém faltará
por idade ou posição de então.
c) Os incrédulos também receberão de volta seu corpo. Paulo diz que “haverá ressurreição,
tanto de justos como de injustos” (Atos 24:15; veja também Daniel 12:2; João 5:29;
Apocalipse 20:12-13).
d) Paulo diz também o que acontecerá aos fiéis que ainda estiverem vivos quando Cristo
voltar: eles não dormirão (morrerão), mas serão transformados, num momento, “num abrir
e fechar dos olhos, ao ressoar da última trombeta” (1 Coríntios 15:51-52).
e) Quem diz que é impossível que a terra devolva um corpo já apodrecido (decomposto),
esquece que Deus fez a terra e que Ele dispõe de todos os elementos. Não podemos
compreender isto, mas há mais coisas que não compreendemos: um grão de trigo cai na
terra, morre e devolve novo trigo (1Coríntios 15:35-38).

05. Todos os atos serão julgados.


Embora não use muitas palavras, o artigo 37 dá uma descrição chocante do juízo final. Os
livros serão abertos. Nada ficará esquecido ou escondido.
161

Os homens darão conta “de toda palavra frívola que preferirem” (Mateus 12:36).
Também aquilo que foi feito às escondidas “será trazido à luz diante de todos” (veja
Eclesiastes 12:14; Romanos 2:16). Todos os atos estão registrados e serão julgados
(Apocalipse 20:12).
O artigo 37 fala sobre “os livros”: são os documentos do processo que Deus usará no
juízo (Apocalipse 20:12; veja também Daniel 7:10).

06. Juízo assustador.


a) “Pensar neste juízo é realmente horrível e pavoroso para os homens maus e ímpios”. Eles
não poderão negar ou se defender de seus crimes. “Serão levados a reconhecer sua culpa”.
Isto não quer dizer que se arrependerão e se converterão realmente. Reconhecerão (como
no caso de Judas) que erraram. O artigo 37 diz que eles serão levados a reconhecer sua
culpa “pelo testemunho da própria consciência”. Então, o reconhecimento de culpa será
mais do que superficial. Temos que pensar num amargo remorso que os atormentará.
b) Os incrédulos “se tornarão imortais, mas somente para serem atormentados no ‘fogo
eterno, preparado para o diabo e seus anjos’” (Mateus 25:41; veja também Apocalipse
21:8). Não encontramos aqui nenhuma sombra de dúvida: assim será mesmo. De fato, isto é
“horrível e pavoroso”, mais do que o pior que possa acontecer a alguém na terra.
c) A igreja não considera os ímpios apenas como pessoas que têm outra opinião, mas como
aqueles que “tiranizaram, oprimiram e atormentaram” os fiéis. Era a época das
perseguições sangrentas. Por isso fala-se sobre “a vingança terrível de Deus contra os
ímpios”. Porém, não se trata aqui da sede de vingança de um grupo de terroristas. É a igreja
que repete a Palavra de Deus. E esta Palavra diz que o sangue do primeiro mártir, Abel, já
clamou a Deus (Gênesis 4:10) e que, no céu, se pede a vingança por parte de Deus
(Apocalipse 6:10). A vingança de Deus é a do Juiz justo que desfaz toda injustiça.
d) É bom e importante lembrar que também os incrédulos que não praticam o mal, mas
amam a paz, são inimigos de Cristo. Pois dizem ‘não’ ao amor de Cristo e à sua exigência
de reconhecê-lo e aceitá-lo. É verdade que Deus castiga um mais do que o outro (Mateus
11: 22, 24). Mas, afinal, não há mais do que dois grupos e todos os homens pertencem a um
grupo só (Mateus 25:32-33): você é pró ou contra Cristo.

07. Juízo libertador.


a) O juízo final e libertador para os fiéis, como o artigo 37 amplamente explica (veja
também 01.d).
b) Mas os cristãos também cometeram pecados. Não há motivos para eles temerem o
último dia? Será que eles não darão conta “de toda palavra frívola”? Por que, então, fala o
artigo 37 sobre “sua inocência”?
a palavra “inocência” não quer dizer que eles não cometeram pecados, mas que
aceitaram Cristo e que, por isso “a causa deles (...) é a causa do Filho de Deus”. Portanto,
não precisam ter medo do Juiz. Porque este juiz é também o Salvador. “Quem nEle crê não
será julgado” (João 3:18).
O artigo 37 se expressa de maneira ainda mais forte, quando fala sobre a “recompensa
gratuita” que o Senhor lhes dará, a saber: a glória eterna. Quem aceitar Cristo, então, será
recompensado. O artigo 37 fala sobre a mesma realidade também de outra maneira: “eles
receberão os frutos de seu penoso labor”. Aliás, fala-se sobre “recompensa gratuita”:
receber recompensa e fruto se realiza dentro do contexto da obra de Deus e com base na sua
graça (veja o artigo 24, 05).
162

Até lemos que os fiéis “serão coroados com glória e honra”.


c) “Por isso esperamos este grande dia com grande anseio para usufruirmos plenamente das
promessas de Deus em Jesus Cristo, nosso Senhor”. Nesta frase final não há medo ou
preocupação por causa daquele grande dia. Pelo contrário, palavras como “esperar” e
“grande anseio” e “usufruir plenamente” manifestam o forte desejo de Cristo voltar logo.
“Vem, Senhor Jesus” (Apocalipse 22:20).
A certeza de que o grande dia nos trará salvação, se baseia nas sólidas “promessas de
Deus em Jesus Cristo”. “Em Jesus Cristo” quer dizer: Jesus pagou com seu sangue para que
essas promessas fossem cumpridas. É uma garantia absoluta e divina.
É por isso que os fiéis não esperam o grande dia de Cristo com medo. Pois eles possuem
as promessas fidedignas de Deus e têm grande anseio de usufruir delas plenamente.

Pontos e perguntas para pensar:


01. Alguns têm dificuldade de entender o valor do juízo final. Dizem que a
‘sentença’ final já fica definitiva e imutável depois da morte. Pois os fiéis vão até
Cristo, os outros não, o mendigo foi levado para o seio de Abraão, mas o homem
rico não (Lucas 16:22-23; veja também João 3:18).
Então, será que o juízo do último dia é uma farsa? Veja ainda Apocalipse 6:10.
02. Existe a opinião de que, antes da volta definitiva de Cristo, virá um reino
messiânico que durará mil anos (o chamado ‘milênio’). Esta opinião se baseia
principalmente em Apocalipse 20:1-4. Confira, porém, que (a) Apocalipse 20:4 fala
sobre almas e que (b) Apocalipse 20:4 diz, sim, que essas almas “viveram”, mas
não ressuscitaram corporalmente.
03. Muitas vezes se diz que nossa alma, depois da morte, dorme até a volta de
Cristo. Seria uma idéia pagã pensar que corpo e alma poderiam ser separados.
Então, depois de morrer, o homem inteiro não sabe mais nada e só volta a viver
quando Cristo voltar. A alma, portanto, depois desta vida, não é elevada para Cristo.
Refuta esta opinião errada com os seguintes textos: Mateus 10:28; Lucas 20:38;
23:43; João 11:25-26; Filipenses 1:23; Apocalipse 20:4.
04. Antes de Cristo voltar, virá o anticristo. Muitas vezes pensa-se num homem
poderoso que dominará a terra. Porém, é mais provável que devamos pensar num
determinado tipo de homem (assim como falamos sobre ‘o homem moderno’).
Confira que João fala sobre anticristos (plural), até sobre muitos (1João 2:18).
Em relação a isto: você acha que Jesus possa voltar hoje de noite?

PERGUNTAS
163

Para facilitar o estudo da “Confissão de Fé” (as perguntas se referem ao comentário a cada
artigo e podem ser usadas também para grupos de estudo bíblicos).

PERGUNTAS SOBRE O ARTIGO 1


01. Qual o assunto desse artigo?
02. Quantos atributos de Deus são mencionados?
03. A ‘lista’ dos atributos de Deus é completa?
04. Somos capazes de fazer uma ‘lista’ completa dos atributos de Deus?
05. O artigo diz: “todos nós cremos com o coração e confessamos com a
boca”. Como você entende estas palavras?
06. De onde vem a expressão: “crer com o coração e confessar com a boca?
07. É com o coração que cremos. Por que falamos assim?
08. Como o artigo enfatiza que devemos testemunhar a fé abertamente?
09. Qual foi a atitude dos chamados Nicodemitas (conf João 3)? Que
argumento eles usaram para defender essa atitude?
10. “Todos nós cremos”: de que maneira a palavra “todos” se opõe à opinião
dos católico-romanos sobre a fé?
11. Podemos provar a existência de Deus?
12. De que maneira fala a Bíblia sobre a existência de Deus?
13. De que meio todos os homens precisam para crer em Deus? Veja a
parábola de Lucas 16:19-31.
14. Por que o nome “ser”, nesse artigo 1, foi criticado? Mas o que a igreja quer
dizer com este nome?
15. Por que Deus é chamado “um único ser?” Você não acha que estas
palavras são muito ‘frias’?
16. Deus é chamado também “um simples ser”. O que significa esta
expressão?
17. Por que a Bíblia fala sobre Deus como espírito (“ser espiritual”), enquanto
ela fala também sobre os olhos, os ouvidos etc. dEle?
18. É necessário sabermos que Deus pe espírito?
19. Que objetivo tem a ‘lista’ dos atributos de Deus, na sua opinião?
20. Será que é possível falar sobre os atributos de Deus, mencionados nesse
artigo (“eterno, incompreensível, invisível, etc.”), sem pensar em nossa vida
com Deus? Você sabe explicar esses atributos em relação à nossa vida com
Deus?

PERGUNTAS SOBRE O ARTIGO 2.


01. Qual é o assunto do artigo 2?
02. Qual é o primeiro meio para conhecer Deus?
03. Com que esse primeiro meio é comparado?
04. Que função tem, nesse contexto, as criaturas?
05. Que atributos de Deus, assim, ficam manifestos? Quem diz isto e onde?
06. Para que esse primeiro meio é suficiente?
164

07. Qual é o segundo meio para conhecer Deus?


08. Por que esse segundo meio é mais importante do que o primeiro?
09. Em que medida Deus se nos dá a conhecer?
10. Quais são as primeiras três palavras desse artigo?
11. Você acha que pe normal que conheçamos Deus?
12. O artigo 2 resume em três palavras o ‘cuidado’ de Deus para com o
mundo, Que palavras são?
13. Que proclamam os céus e o firmamento, conforme Salmo 19?
14. De que maneira fala Salmo 147 sobre nuvens e chuva e sobre o alimento
dos animais? Você sabe como é a relação entre a seqüência das estações e a
fidelidade do Deus da aliança (Gênesis 8:22)?
15. O artigo 2 diz que a criação é “um livro formoso”. Qual é o assunto deste
livro?
16. O livro da criação é suficiente “para convencer os homens e torná-los
indesculpáveis”. Que desculpa os homens vão querer usar? Por que não é
válida?
17. Mas por que é impossível que um pagão conheça Deus através da criação?
E por que esta impossibilidade não serve para desculpar a ignorância dele?
18. Você acha que alguém, através da criação (natureza), possa conhecer
Cristo e a obra dEle?
19. Por que a Bíblia fala de maneira mais clara sobre Deus do que a natureza?
E por que a Bíblia fala de maneira mais plena?
20. Muitas vezes fala-se sobre o chamado ‘conhecimento natural de Deus’.
Como você entende esta expressão?
21. Você acha que o artigo 2 fala de tal maneira que todo homem pode
conhecer Deus através da natureza?
22. Será que conhecemos Deus completamente? Nosso conhecimento dEle é
fidedigno? E é suficiente?

PERGUNTAS SOBRE O ARTIGO 3.


01. Qual é o assunto desse artigo?
02. Que diz o artigo 3 sobre a origem da Palavra de Deus? Que texto bíblico é
citado?
03. Que fez Deus para ‘conservar’ sua Palavra falada? Por quê?
04. Que diz o artigo 3 sobre os Dez mandamentos?
05. Que importância tem Gálatas 1:8 para afirmar que a Palavra de Deus não
foi inventada pelos apóstolos ou pelos anjos?
06. De que maneira vários textos da Bíblia (como, por exemplo, Êxodo 4:10-
17; Jeremias 1:6) mostram que foi o próprio Deus que fez com que seus
profetas falassem a Palavra dEle?
07. Você conhece alguma característica dos falsos profetas?
08. Que diz 2Pedro 1:21? Que significa a palavra “movidos”?
09. Que diz 2Timóteo 3:16? Como você entende versículo?
10. Você acha que o apóstolo Paulo tinha a certeza de que anunciou a Palavra
de Deus? Veja 1Tessalonicenses 2:13.
165

11. Hebreus 1:1 diz que Deus, outrora, falou “muitas vezes, e de muitas
maneiras, aos pais”. Você conhece algumas destas maneiras?
12. Lucas diz que “igualmente a mim me pareceu bem, depois de acurada
investigação de tudo desde sua origem, dar-te por escrito excelentíssimo
Teófilo, uma exposição em ordem” (Lucas 1:3). Então, Lucas escreveu seu
evangelho somente porque ele mesmo o quis?
13. O artigo 3 afirma que Deus “mandou seus sevos, os profetas e os
apóstolos, escreverem sua Palavra revelada”. Você tem a opinião de que os
autores da Bíblia escreveram seus livros de maneira infalível e, também, que
lembraram, de maneira infalível, de palavras e eventos?
14. A Bíblia contém todas as palavras de Deus? Veja João 21:25.
15. Confessamos que a Bíblia é a Palavra inspirada de Deus. Mas existem
opiniões erradas a respeito da inspiração. Fala-se, por exemplo, sobre a
‘inspiração mecânica’, quer dizer: os autores da Bíblia eram meros
instrumentos passivos na produção de sus livros. Será que é uma opinião
correta?
16. Como a inspiração, na sua opinião, se realizou? Você acha que podemos
falar de ‘inspiração orgânica’ (ou seja: Deus usou os autores como eram, com
seu caráter, temperamento, instrução, cultura, vocabulário, estilo etc.)?
17. Disse João Calvino: “Devemos às Escrituras o mesmo respeito que
devemos ao próprio Deus”. É correto falar assim?
18. É inegável que os escritores da Bíblia escreveram seus livros como
homens da época, da cultura e do povo deles. Você acha que este fato diminui
a autoridade da Bíblia?

PERGUNTAS SOBRE O ARTIGO 4.


01. Qual é o assunto deste artigo?
02. Por que os livros bíblicos são chamados “canônicos”?
03. Você acha que o artigo 4 dá alguma preferência al Antigo Testamento ou
ao Novo Testamento? Você daria preferência a um dos Testamentos?
04. Marcião, um herege do século II, fez distinção entre o ‘deus’ do Antigo
Testamento e do Novo. O primeiro foi um deus cruel; mas o deus do Novo
Testamento é bom e pacífico. Que conseqüência tem esta opinião para o
Antigo Testamento?
05. Na época da Reforma foram os anabatistas que depreciaram o Antigo
Testamento (que seria um livro terrestre e não-espíritual). Para eles, somente o
Novo testamento era a Palavra de Deus. De que maneira o artigo 4 resiste a
esta opinião?
06. Você acha que Jesus aceitou o Antigo Testamento como a Palavra de
Deus? Veja Mateus 5:17-18 e Lucas 24:27, 44-45.
07. Será que podemos dizer: conforme Mateus 5:17-18, que no Novo
Testamento se cumpre o que o Antigo promete? Mas o que é prometido?
08. Por que precisamos ainda do Antigo Testamento?
09. Em 1Coríntios 5:9, Pulo fala sobre uma carta dele aos Coríntios, que não
Possuímos? Você acha que esta carta também é inspirada?
166

10. Se fosse descoberta mais uma carta do apóstolo Paulo, poderíamos


acrescentá-la à Bíblia?

PERGUNTAS SOBRE O ARTIGO 5.


01. Que autoridade tem os livros bíblicos para nossa fé?
02. Que motivos encontramos, neste artigo, para aceitar a Bíblia como a
Palavra de Deus?
03. O artigo 5 diz que “até os cegos podem sentir que as coisas , preditas neles
(nos livros bíblicos), se cumprem”. O que diz esta forte expressão sobre o
conteúdo da Bíblia?
04. Para nossa fé, a Bíblia é indispensável. Que três verbos o artigo 5 usa para
indicar a importância da Bíblia?
05. A Bíblia é o fundamento da nossa fé. Você acha que seria perigoso se a fé
fosse baseada em raciocínios brilhantes?
07. A Bíblia também “confirma” nossa fé, de que maneira?
08. O artigo 5 diz que “recebemos todos estes livros (bíblicos)”; quer dizer:
não é a igreja que examina e seleciona os livros da Bíblia. Você acha que a
igreja teria condições de examinar se um livro é divino (inspirado)?
09. Conforme os católico-romanos é a igreja que, de maneira infalível, declara
que certos livros são divinos e canônicos. É uma opinião errada que até hoje
tem sérias conseqüências na doutrina da igreja católico-romana. Mas você
acha que o artigo 5 exclui qualquer influência da igreja na nossa aceitação da
Bíblia?
10. O motivo principal de cremos nos livros da bíblia é que “o Espírito Santo
testifica em nossos corações que eles vêm de Deus”. Como você entende isso?
De que maneira o Espírito Santo testifica em nossos corações?
11. O artigo 5 afirma que também os próprios livros bíblicos “provam” que
vêm de Deus. Como provam isso?
12. De que maneira fala Hebreus 4:12 sobre a Bíblia?

PERGUNTAS SOBRE O ARTIGO 6:


01. Qual é o assunto deste artigo?
02. Podemos ler os livros apócrifos? Em que medida eles são úteis?
03. Que diz o artigo 6 sobre a autoridade dos livros apócrifos?
04. Você entende a palavra “apócrifo”?
05. No século III a.C. (provavelmente), eruditos judaicos traduziram o Antigo
Testamento, do hebraico, para o grego. Por motivos desconhecidos eles
incluíram, nessa nova Bíblia grega (a chamada Septuaginta), também os livros
apócrifos, que já tinham sido escritos no grego. Então, uma pessoa, ao ler essa
tradução grega, odeia saber da diferença entre livros canônicos e apócrifos?
06. Os livros apócrifos já existiam na época de Jesus e dos apóstolos, mas não
são citados no Novo Testamento. Este fato favorece a ‘posição’ dos livros
apócrifos?
167

07. No livro apócrifo de Judite se diz que Nabucodonosor era o rei dos assírios
e que morava na cidade de Nínive; também se diz que ele lutou contra Israel
depôs d exílio. É verdade?
08. Você considera o julgamento sobre os livro apócrifos, no artigo 6, severo
ou ameno?
09. O artigo 6 diz que “a igreja pode ler estes livros (apócrifos)”. Você acha
bom que um pastor, no culto, leia um texto dos apócrifos e faça uma pregação
sobre uns versículos deles?

PERGUNTAS SOBRE ARTIGO 7:


01. Que característica da Bíblia se destaca neste artigo? Que palavras mostram esta
característica?
02. Quais são (conforme este artigo) os três assuntos que a Escritura ensina?
03. O que não se pode igualar às Escrituras? Por que não?
04. O que rejeitamos, por isso, de todo o coração?
05. Quem nos ensinou a rejeitar opiniões humanas? O que eles falaram?
06. Para muitas pessoas, a Bíblia não é perfeita nem completa, porque ela mesma
diz que aconteceu mais do que foi escrito (João 20:31); estas pessoas acham
também que a maneira bíblica de relatar fatos é deficiente (conforme critérios
modernos). Que erro comete tais pessoas? Pense no objetivo da Bíblia (veja João
20:31; 2Timóteo 3:17).
07. Você acha que a Bíblia é perfeita, embora livros inspirados tenham sido
perdidos?
08. Você acha que o Novo Testamento é perfeito (e completo), mesmo que Jesus
tenha feito e dito muito mais do que o Novo Testamento informa?
09. Os católico-romanos dizem que a Escritura contém a Palavra de Deus apenas de
maneira incompleta. Por isso, a Escritura precisa de complementos que a chamada
‘tradição’ providencia. Que quer dizer esta tradição?
10. Os católico-romanos dizem também que a Bíblia é deficiente e casual, porque
muitos assuntos não são abordados e porque os autores da Bíblia, muitas vezes,
escreveram sue livros conforme a necessidade de uma certa situação. Você
consegue refutar esta opinião, com a ajuda de Lucas 1:1-4 e João 20:31?
11. Nossos antepassados falavam de uma Bíblia “predestinada”. Como você entende
esta expressão?
12. Você acha que, à luz de Apocalipse 22:18-19, a Bíblia pode ser complementada
pela tradição?
13. Os católico-romanos também se queixam do fato de que a Bíblia não seria clara,
porque várias e diferentes opiniões são baseadas nela. De que maneira o artigo 7
resiste a esta opinião?
14. Você acha que qualquer pessoa pode entender a Bíblia, sem condição alguma?
15. Como você avalia a opinião de que também as Igrejas Reformadas (ou as Igrejas
Protestantes) consideram a Bíblia não muito clara, pelo fato de terem pastores para
explicar a Bíblia?
16. De que maneira o artigo 7 fala da autoridade da bíblia para a igreja?
168

PERGUNTSA SOBRE ARTIGO 8:


01. Qual é o (novo) assunto deste artigo?
02. Que quer dizer a palavra “Trindade”?
03. Este artigo rejeita duas conclusões erradas a respeito da trindade. Quais?
04. Por que a igreja, na sua opinião, deve falar da Trindade?
05. Você acha que a necessidade de falar da trindade tem a ver com a honra de
Deus?
06. O Deus Triuno é e quer ser nosso Deus. Então, o que a doutrina da Trindade
significa para a nossa vida?
07. A doutrina da trindade sempre foi e ainda é o alvo de muitas críticas. Por quê?
08. As Testemunhas de Jeová dizem que só o Pai (Jeová) é Deus. Quer dizer: o
Filho e o Espírito Santo não são Deus. Você acha que, assim, o Pai é separado do
Filho e do Espírito?
09. No Credo Atanasiano se diz que o Pai gerou o Filho. Isto significa que o Filho é
dependente do Pai? Como o próprio Jesus falou sobre sua relação com o Pai (João
10:38)?
10. Chama a atenção que Hebreus 1:10 atribui ao Filho (Cristo) o que Salmo 102:25
disse sobre o Deus Triuno. Que quer dizer isto?
11. o artigo 8 fala sobre “os atributos, próprios de cada Pessoa” (ou: atributos
incomunicáveis). Como você entende esta expressão?
12. Você acha que os nomes das três Pessoas (Pai, Filho, Espírito Santo) já mostram
a distinção das Pessoas? Como?
13. O que o artigo 8 diz sobre os atributos, próprios de cada Pessoa?

PERGUNTAS SOBRE ARTIGO 9:


01. O artigo 9 fala sobre dias maneiras de conhecermos a doutrina da Trindade.
Quais?
02. Que textos do Antigo Testamento são mencionados? Você acha que estes textos
são provas da Trindade?
03. Que importância tem o Novo Testamento, conforme o artigo 9, para a doutrina
da Trindade?
04. Que diz este artigo sobre nosso entender da Trindade?
05. Que obra própria efetua cada uma das três Pessoas em nós?
06. Por que o artigo 9 diz que “aceitamos, de boa vontade, os três Credos
ecumênicos”?
07. O artigo 9 cita Gênesis 1:26-27, onde Deus diz: “Façamos o homem à nossa
imagem ...”. Você acha que é possível pensar, aqui, no chamado plural majestático?
Se fosse assim, qual seria a conseqüência?
08. Que perspectiva mostra o artigo 9 a respeito do nosso conhecimento da
Trindade?
09. A primeira frase deste artigo fala sobre as “obras das três Pessoas,
principalmente (por) aquelas que percebemos em nós”. Então, trata-se de
conhecimento teórico?
169

10. Na época em que a “Confissão de Fé” foi escrita, muitos estavam desconfiando
de que a igreja da Reforma queria propagar uma nova doutrina (os católico-romanos
falavam isto abertamente). Então você entende a importância do falto de que a igreja
da Reforma tenha aceitado, com tanta ênfase, os Credos ecumênicos?

PERGUNTAS SOBRE ARTIGO 10:


01. Qual é o assunto deste artigo?
02. Por que é impossível que Jesus, o Filho de Deus, tenha sido criado? Que
natureza Ele tem? O que significa isto para a relação dEle com o Pai?
03. Desde quando Ele é o Filho de Deus?
04. Que participação teve Jesus na obra da criação? O que diz esta participação
sobre o ‘inicio’ da existência dEle?
05. O que se defende e se confessa no artigo 10?
06. Muitas pessoas glorificam Jesus apenas como um grande profeta ou como um
excelente professor de religião. Estas pessoas roubam a Jesus a honra divina dEle?
07. Se Jesus não fosse Deus, a fé cristã teria alguma base? Quem teria realizado,
então, a salvação para nós? E quem nos teria dado, então, conhecimento sobre
Deus?
08. O herege Ário (século IV) negou que Jesus fosse Deus; disse que um filho
sempre nasce quando o pai já existe e que os dois não podem ter a mesma idade. Por
isso, Deus Filho deve ter um inicio. Por que este raciocínio de Ário é inaceitável?
09. Ário também disse que a própria Bíblia mostra que Jesus era uma criatura que
não sabia tudo (veja, por exemplo, João 11:34). Por que foi um erro que ele, assim,
tentasse justificar a própria opinião?
10. Muitos teólogos modernos afirmam que Jesus, na Bíblia, é chamado Deus, mas,
ao mesmo tempo, dizem que a palavra “Deus” seria somente um ‘título de honra’.
Você acha que esta opinião é uma negação da divindade de Cristo?
11. Você conhece textos bíblicos que afirmam que Jesus é Deus?
12. A maneira como o artigo 10 prova que Jesus é Deus, chamamos de “conferir a
Escritura com a Escritura”. Você sabe explicar de que maneira o artigo 10 confere a
Escritura com a Escritura?

PERGUNTAS SOBRE ARTIGO 11:


01. Qual é o assunto deste artigo?
02. O que confessamos a respeito da relação do Espírito Santo com o Pai e o Filho?
03. A igreja cristã, desde o inicio, tem usado as palavras de Mateus 28:19 como
formula do batismo. O que diz isto sobre a confissão da igreja de que o Espírito
Santo é Deus?
04. A igreja, nos primeiros séculos, manifestou uma certa indecisão em seu falar do
Espírito Santo (no que diz respeito à Pessoa dEle). Você acha que esta indecisão
tem a ver com o fato de que é mais fácil de imaginar o que é um pai ou um filho do
que imaginar o que é um espírito?
05. Você conhece textos bíblicos que afirmam que o Espírito é Deus?
170

06. Muitas vezes se diz que o Espírito é apenas um dom ou um poder impessoal. De
que maneira as palavras de Efésios 4:30 contradizem esta opinião?
07. Confessamos que o Filho é “gerado pelo Pai” e que o Espírito “procede do Pai”.
Você acha que esta diferença é importante? Em outras palavras: podemos inverter
essas expressões e dizer que o Filho “procede do Pai” e que o Espírito “é gerado
pelo Pai”?
08. Você sabe provar, pela bíblia, que o Espírito procede do Pai e do Filho?
09. A (chamada) Igreja Oriental confessa que o Espírito procede do Pai, mas não do
Filho. Qual é a conseqüência desta opinião?
10. O Espírito procede também do Filho. Que significa esta confissão, de maneira
positiva, ao pensarmos na pregação do Evangelho (veja João 16:1-15)?
11. O Espírito Santo é a terceira Pessoa da Trindade. Então, Ele é inferior ao Pai e
ao Filho?
12. Os pentecostais dão muita ênfase aos dons de Espírito, mas principalmente ao
dom de línguas, a revelações especiais e a curas milagrosas. Você acha que a Bíblia
também dá tanta ênfase às manifestações espetaculares do Espírito (veja 1Coríntios
14:19; Gálatas 5:22)?
13. Qual é a tarefa mais importante da igreja, conforme Mateus x :3-20?
14. O que é o pecado contra o Espírito Santo?
15. Será que é importante sabermos que o pecado contra o Espírito existe?

PERGUNTAS SOBRE ARTIGO 12:


01. Quando Deus Pai criou tudo? Por quem Ele criou tudo?
02. O que Ele deu a cada criatura? Com que objetivo?
03. Com que objetivo Deus ainda sustenta tudo o que criou?
04. Que função tem os anjos em relação a Deus? E que função em relação aos fiéis?
05. O que aconteceu com alguns anjos?
06. De quem e do que, agora, eles são inimigos?
07. Que ‘posição’ têm os anjos caídos em relação à igreja?
08. O artigo 12 rejeita dois erros. Quais?
09. As chamadas teorias da evolução se baseiam na idéia de que a vida evoluiu de
uma célula primitiva. Você acha que essas teorias contradizem a história bíblica
sobre a criação?
10. O artigo 12 diz que Deus criou tudo “do nada”. Mas, em Gênesis 1, não
encontramos a informação de que Deus criou tudo, no dada. De que maneira Salmo
33:9 (por exemplo) mostra que o artigo 12 tem razão quando fala de “criar do
nada”?
11. O Pai criou tudo “por seu Verbo” (diz o artigo 12). Quem é este Verbo?
12. Por que Deus não fez o mundo mais cedo ou mais tarde?
13. Deus poderia ter feito um mundo diferente do mundo atual? Como Apocalipse
4:11 responde a este tipo de pergunta?
14. Que tarefa tem todas as criaturas (conf. Salmo 148)?
15. Você acha que o homem tem uma posição especial entre as criaturas?
16. A Bíblia não dá muitas informações sobre os anjos. Por que não?
17. Como 2Pedro 2:4 e Judas: 6 falam sobre a revolta e a queda dos anjos?
171

18. Por que os outros anjos “perseveraram e continuaram em sua primeira posição”?
19. Você acha que há muitos anjos (conf. 2Reis 6:16)?
20. Será que Cristo morreu também pelos anjos caídos (demônios) e será que eles
podem ser salvos? Veja o artigo.

PERGUNTAS SOBRE ARTIGO 13:


01. O que Deus faz e o que não faz com o mundo, depois de ter criado todas as
coisas?
02. Como o artigo 13 avalia a maneira de Deus dirigir tudo?
03. Este artigo trata precisamente de dois atributos de Deus. Quais? O que se diz
destes dois atributos?
04. Em que medida podemos investigar as obras de Deus? Como enfrentamos os
julgamentos de Deus que não podemos entender?
05. Que importância tem, para o assunto deste artigo, o fato de sermos alunos de
Cristo?
06. Por que o ensino sobre a providência de Deus nos traz muito consolo?
07. Que erro é rejeitado (no final do artigo)?
08. De que maneira o artigo 13 define a providência de Deus?
09. Você acha que a mão de Deus está agindo em tudo o que acontece?
10. Como Jesus ensina que a providência de Deus é manifesta até nas coisas
pequenas (Mateus 10:29-30)?
11. Você pensa que sempre podemos acusar alguém de adversidades ou prejuízos
que acontecem (fome, doença, solidão etc.)? Que diz Amós 3:6 sobre estes
desastres?
12. O artigo 13, falando do mal que nos possa acontecer, trata principalmente da
inimizade contra: Deus e contra a igreja. Esta inimizade acontece sem o ‘controle’
de Deus? Veja Atos 2:23; 2Samuel 16:9-12; 1Reis 12:15; Salmo 105:25; Atos 4:28.
13. Como o artigo 13 diz que todo o que acontece, tem a ver com a vontade de Deus
e com a determinação dEle?
14. Deus é capaz de evitar do pecado e de impedir o mal. Mas Ele não o faz! Então,
Deus não é responsável pelo pecado? O que confessa o artigo 13 sobre isso? O que
diz Romanos 11:33?
15. Deus pode permitir que um homicídio aconteça, sem ser co-responsável. O
artigo 13, neste contexto, fala de dois atributos de Deus, quais? Por que justamente
estes dois?
16. Você acha bom dizer a um doente que a miséria dele não vem de Deus e que
Deus não tem nada a ver com a doença dele? Você acha que, assim, coloca-se a
bondade de Deus contra o poder dEle?
17. Você acha que o ensino bíblico à respeito da providencia de ^Deus nos leva a
uma atitude passiva (no sentido de: ‘aconteça o que acontecer’)? O que diz o artigo
13 sobre nossa atitude? E o que fez Jó (Jó 1:21)?
18. O artigo 13 não trata da providência de Deus apenas como um problema, mas
fala também do consolo que esta doutrina traz. Que consolo e por quê?
172

PERGUNTAS SOBRE ARTIGO 14:


01. Qual é o assunto deste artigo?
02. Deus criou o homem do pó da terra e o fez excelente. Do que o homem, porém,
não se conscientizou e o que ele fez??
03. O artigo 14 diz que o homem se submeteu a três ‘poderes’. Quais? O homem se
submeteu a estes poderes sem querer?
04. Que aconteceu com os dons excelentes que o homem tinha recebido?
05. Por que o homem pecador não tem desculpa de sua maldade?
06. Como o apóstolo João caracteriza os homens?
07. Que é ‘livre arbítrio’? Este livre arbítrio realmente existe?
08. De que maneira nossa vontade e nosso entendimento voltam a ser bons?
09. Conforme o título, três assuntos fundamentais são abordados no artigo 14. mas
que assunto (dos três) se destaca?
10. Você acha que o artigo 14 conta uma historia triste?
11. O artigo 14 diz que Deus criou o homem do pó da terra (Gênesis 2:7), ou seja: o
homem não tem motivo para pensar que ele, por si mesmo, é ‘alguma coisa. O
homem de hoje ainda pode ser caracterizado como ‘pó’ (conf. Gênesis 3:19)?
12. O homem recebeu (de Deus) “uma posição excelente”. De que maneira o artigo
14 descreve esta posição?
13. Deus fez e formou o homem conforme sua imagem e semelhança. O que
significa isso para a relação do homem com Deus e com a criação (veja Gênesis
1:26)?
14. Por que Deus nos deu “dons excelentes”? Você sabe dar alguns exemplos destes
dons?
15. Você acha que o artigo 14 tenta esclarecer a queda do homem? Será que
podemos falar sobre o mistério do pecado?
16. Como o artigo 14 mostra que a morte é a conseqüência do pecado?
17. Que dano sofreu o homem por causa da queda (veja o artigo!)?
18. O artigo 14 afirma que nada sobrou dos nossos dons “senão pequenos traços”.
Você acha que isto significa que (por exemplo) nosso entendimento ficou menor e
nossa vontade mais fraca? Ou você entende isto de outra maneira?
19. Com que objetivo o artigo 14 diz que ainda temos “traços” dos nossos dons
excelentes?
20. O monge britânico Pelágio foi um dos primeiros que defendeu o chamado livre
arbítrio (aproximadamente a partir do ano de 400). Ele disse que cada homem se
quisesse, poderia melhorar a vida. Na opinião dele, o homem nasce sem o pecado
original e tem todas as condições de seguir o exemplo de Cristo. Por que esta
opinião errada teve e tem tanta influencia?
22. Às vezes, um não-cristão faz uma coisa conforme a lei de Deus (veja Romanos
2:14, 15). Este fato significa que o ato dele é bom (conf. Romanos 14:23)?
23. Você acha que aquele que ainda espera, de sua vontade ou de seu entendimento,
alguma coisa boa e positiva, realmente crê que somos salvos somente pela graça?

PERGUNTAS SOBRE ARTIGO 15:


173

01. Qual o assunto deste artigo?


02. Qual foi a conseqüência do primeiro pecado para o próprio Adão? Por que
falamos sobre “pecado original”?
03. Que relação há entre o pecado original e os nossos pecados e cada dia?
04. O batismo anula o pecado original?
05. O artigo 15 diz que o pecado original não é atribuído aos filhos de Deus, mas
perdoado. Em razão de que é perdoado?
06. Muitas vezes se diz que a remissão dos pecados torna os cristãos descuidados.
Como o artigo 15 fala sobre isso?
07. Que dizem os pelagianos sobre a origem do pecado?
08. A maioria dos homens reconhece que cometem erros. Você acha que a maioria
dos homens reconhece também que já nascem corruptos?
09. Os pelagianos (os ‘discípulos’ de Pelágio) negam que o pecado original existe.
Na opinião deles, todo mundo nasce sem pecado. Escolher e fazer o mal seria uma
questão de seguir os exemplos errados. Então, eles dizem que os homens são maus
ou que somente fazem o mal?
10. Leia Salmo 51, que é um salmo de Davi. Ele o fez quando tinha cometido um
crime (o caso de Bate-Seba). Como Davi confessa o pecado dele em relação ao
nascimento dele (veja v 5)? Você acha que ele aceita o pecado original como culpa
dele (veja v. 9)?
11. Pelágio dizia que o homem, por natureza, é bom, ou seja: o pecado original não
existe. De que maneira o artigo 15 combate esta opinião?
12. O artigo 15 usa doas figuras para explicar que o pecado original nos pressiona a
pecar cada vez mais. Quais?
13. Como Deus avalia o pecado original? Veja o próprio artigo 15!
14. Será que podemos entender totalmente por que Deus considera todos os homens
responsáveis pelo pecado de Adão?
15. Leia Romanos 5:12-21. que observações importantes encontramos sobre o
pecado original?
16. Você acha que Romanos 5:12-21 mostra que há uma forte relação entre Adão e
nós e que, por isso, Deus é justo ao atribuir-nos o pecado de Adão?
17. O artigo 15 diz que “nem pelo batismo o pecado original é totalmente anulado
ou destruído”. Como você entende isto (pensando na doutrina da igreja católico-
romana de que o batismo anula a contaminação causada pelo pecado original!)?
18. O pecado original não é totalmente anulado pelo batismo. Você acha que as
palavras “não totalmente” têm a ver com a promessa de Deus, no batismo, de Ele
nos renovará pelo Espírito?
19. O pecado original nos domina. Qual é, então, a única maneira de sermos salvos?
20. Você tem a opinião de que a remissão dos pecados nos leva a conscientizar-nos
dos nossos pecados (conf. Romanos 6:1-4)?

PERGUNTAS SOBRE ARTIGO 16:


01. Qual é o assunto deste artigo?
02. Que conseqüência teve o pecado de Adão para todos os homens?
03. Por que dizemos que Deus é misericordioso? E por que dizemos que Ele é justo?
04. Quando Deus tomou a decisão de salvar homens? Foi uma decisão provisória?
Veja Efésios 1:4 e 2Timóteo 1:9.
174

05. Por que Deus é justo também quando Ele não salva todos os homens?
06. Será que podemos salvar-nos a nós mesmos? O que diz Efésios 2:1?
07. Você acha que Deus, ao fazer sua escolha, teve seus próprios motivos? Como
você entende o ensino da Bíblia de que Deus escolheu homens “em Jesus Cristo”?
08. A doutrina da eleição nos coloca diante de vários mistérios. Então, não seria
melhor ficar calado sobre esta doutrina?
09. A Bíblia, em mais de um texto, fala sobre a eleição. Você acha que, por isso, é
necessário que a igreja fale sobre a eleição?
10. Como você entende Deuteronômio 29:29, em relação à doutrina da eleição?
11. De que maneira Deus mostra que é misericordioso?
12. Zacarias (pai de João Batista) falou, no seu cântico, sobre “a entranhável
misericórdia de nosso Deus” (Lucas 1:78). Que quer dizer esta expressão?
13. Os arminianos (ou: remostrantes) dizem que Deus escolhe os homens de quem
Ele, de antemão, sabe que crerão (fé prevista por Deus). Você consegue mostrar, à
luz de Efésios 1:4 e 2:10, que esta opinião é errada?
14. Por que a misericórdia de Deus, na eleição, não prejudica a justiça dEle?
15. Você acha justo que Deus salva uns e não salva outros?
16. É certo dizer que todos os homens têm direito à graça de Deus? É certo dizer
que todos os homens merecem a morte?
17. Você pensa que o fato de Deus escolher uns, O obriga a salvar todos?
18. Timóteo era ajudante do apóstolo Paulo. Ele era jovem, lutava contra muita
resistência que encontrou e, por isso, facilmente podia perder a coragem. Em
2Timóteo 1:8-9, Paulo fortalece Timóteo com a eleição dele. Como?
19. Você acha que o apostolo Paulo, em Efésios 1:3-4, mostra que a eleição nos
torna alegres?
20. Para tirarmos conforto da doutrina da eleição, precisamos ter certeza da nossa
eleição pessoal. Esta certeza existe?
21. Disse Calvino que Cristo é, por assim dizer, o espelho em que observamos nossa
eleição por Deus. Você entende esta figura?
22. Você sabe o que é a doutrina da expiação universal?
23. Para quem Cristo morreu, conforme a Bíblia?
24. A força e o valor da morte de Cristo são suficientes para reconciliar o pecado do
mundo inteiro. Mas por que isto não é um argumento para a doutrina da expiação
universal?

PERGUNTAS SOBRE ARTIGO 17:


01. De que ato de Deus fala este artigo? Quando Deus começou a agir assim?
02. Em que situação, então, o homem estava?
03. Que atributos de Deus, naquele momento, claramente se manifestaram?
04. O artigo 17 fala de maneira bem direta e pessoal sobre a intervenção de Deus.
Como? Com que confortou Deus o homem?
05. De que maneira o Filho de Deus viria e o que Ele faria?
06. O artigo 17 diz que Deus viu “que o homem havia se lançado na morte corporal
e espiritual”. Você saber explicar o que é “a morte corporal”?
175

07. E sabe explicar o que é “a morte espiritual”?


08. Você acha que a morte tem efeito negativo também sobre a relação entre o
homem e seu próximo? Veja Gênesis 3:12. há este efeito negativo também sobre a
relação entre o homem e a natureza? Veja Gênesis 3:17-19.
09. O artigo 17 diz que Deus “foi pessoalmente em busca do homem, quando este,
tremendo, fugia de sua presença”. Podemos dizer que o Evangelho começou
naquele momento?
10. Você acha que a iniciativa de buscar o homem veio somente de Deus ou o
homem ‘cooperou’ também?
11. Com que objetivo o artigo 17 cita uma parte de Gênesis 4:4?
12. Jesus esmagaria a cabeça da serpente (Gênesis 3:15). O que significam estas
palavras? A promessa de Gênesis 3:15 é chamada a ‘mãe das promessas’. Você
entende por que?
13. Você pensa que o Antigo Testamento é apenas um livro de judeus, com
promessas passageiras? Ou será que todo o Antigo Testamento é Evangelho?
14. As pessoas do Antigo Testamento (como Abraão, Davi, Isaías) esperavam a
vinda de Cristo? Veja João 8:56; 2Samuel 7:12; Isaías 53.
15. Como o próprio Cristo falou sobre o Antigo Testamento? Veja Lucas 24:27, 44;
João 5:39.

PERGUNTAS SOBRE ARTIGO 18:


01. Qual o assunto deste artigo?
02. O artigo 18 diz que Jesus tomou “realmente a verdadeira natureza humana com
todas as suas fraquezas, mas sem o pecado”. Diz também que Jesus “foi concebido
no ventre da bem-aventurada virgem Maria, pelo poder do Espírito Santo, sem
intervenção do Homem”. Então, que coisas importantes (duas) são mencionadas
sobre a vinda de Jesus à terra?
03. Que tipo de vida Jesus assumiu? Por quê?
04. Que tipo de vida Jesus começou sua existência humana no ventre de Maria? O
artigo 18 diz que Jesus adquiriu tanto o corpo humano como a alma humana. Isto
era necessário?
05. Que dizem os anabatistas sobre a vinda de Jesus à terra? Que confessamos
contra a opinião deles?
06. Quando a vinda de Cristo foi prometida pela primeira vez? De que maneira?
07. Que diz o artigo 18 sobre essa promessa? Ela foi feita uma só vez?
08. O artigo 18 diz que Cristo nasceu “no tempo determinado por Ele (Deus)”.
Muitas vezes tenta-se mostrar por que aquela época foi tão vem escolhida por Deus:
havia uma só língua mundial (o grego); havia boas condições de viajar; os povos
(cansados da idolatria) estavam ‘na expectativa’ de um salvador. Como você avalia
estas explicações?
09. Em Gálatas 4:4, o apóstolo Paulo diz que Deus enviou seu Filho quando “a
plenitude do tempo” tinha vindo. Como você entende esta expressão? Veja também
o contexto, Gálatas 4:1-4.
10. O nascimento de Jesus, em si mesmo, foi diferente do nosso? Que diferença
tinha em relação ao nosso nascimento?
176

11. O apóstolo Paulo diz (em Romanos 8:3) que Jesus veio “em semelhança da
carne pecaminosa”. Como você entende isto?
12. O artigo 18 afirma que Jesus “assumiu a forma de servo”. Que quer dizer isto?
13. De que maneira o artigo 18 enfatiza que Jesus, ao nascer e viver na terra, era um
homem ‘completo’?
14. Você sabe exemplos da Bíblia que mostram que Jesus tinha uma alma humana
(com suas capacidades de entender e sentir)? Veja Lucas 2:47, 52; Marcos 13:32;
João 11:3; Mateus 9:36; Marcos 14:33.
15. Você acha que o fato de Jesus ter recebido e assumido também a alma humana é
fundamental para nossa salvação? Veja o próprio artigo 18.
16. O artigo 18 diz (até duas vezes) que Jesus se tornou semelhante aos homens,
“mas sem o pecado”. Mas, sem pecado, Jesus podia ser verdadeiro homem?
17. Jesus foi tentado pelo diabo, como informa a Bíblia. Mas não era impossível
Jesus ser tentado, como homem sem pecado?
18. Muitas pessoas afirmam que o ensino bíblico sobre o nascimento de Jesus da
virgem Maria não tem nenhuma importância para a doutrina da salvação. Você acha
que crer ou não crer no nascimento virginal de Jesus é indiferente? O ‘modo’ de
Jesus ter nascido tem a ver com a honra de Deus?
19. Foi a própria decisão de Jesus viver como homem. Isto, então, podia depender
da “intervenção do homem”?
20. Por que Jesus não tinha o pecado original, embora fosse filho de uma mulher
pecadora?
21. Você acha que a Bíblia ensina o nascimento virginal de Jesus? Veja Mateus
1:18, 20; Lucas 1:34, 35.
22. Os anabatistas negam que Jesus “tomou a natureza humana de sua mãe”. Você
entende por que a frase final do artigo 18 (sobre Emanuel) é um ataque frontal a esta
opinião?
23. De que maneira os muitos nomes (Davi, Jessé etc.) e as muitas expressões
(“veio de”, “fruto de” etc.) da penúltima frase do artigo 18 mostram que Jesus, na
vida humana dEle, faz parte dos homens?

PERGUNTAS SOBRE ARTIGO 19:


01. Você sabe indicar o que mudou e o que não mudou quando o Filho de Deus se
tornou homem?
02. O Filho de Deus (Cristo) já era sempre uma só Pessoa. Que natureza assumiu
esta Pessoa também, a partir da encarnação?
03. O artigo 19 diz que cada natureza manteve “suas características distintas”. Como
você entende isto?
04. Jesus tornou imortal sua natureza humana por meio de sua ressurreição. Mas,
assim, Ele permaneceu homem completo?
05. O que diz o artigo 19 sobre a natureza divina de Cristo, quando Ele jazia no
sepulcro e quando Ele era criança?
06. O último parágrafo do artigo 19 indica a importância das duas naturezas de
Cristo para nossa salvação. Como?
177

07. Você acha que, a partir do paraíso, tem havido uma profunda relação entre Deus
e o homem, entre o Criador e sua criatura?
08. Por que esta relação entre Deus e o homem foi tão profunda em Cristo?
09. De que maneira diz Filipenses 2:6-8 que Jesus é Deus e homem? Que quer dizer
a expressão de que Ele, na encarnação, “se esvaziou” (v. 7)?
10. Alguns teólogos têm afirmado que o artigo 19 vai alem dos limites (do nosso
conhecimento) e que tenta (em vão) esclarecer o mistério das duas naturezas de
Cristo. Você concorda com esta critica? Ou será que o artigo 19 quer apresentar o
ensino bíblico?
11. Você acha que o assunto do artigo 19 tem a ver com a opinião daqueles que
consideram Jesus (apenas) um ‘verdadeiro rei’ ou um ‘homem excelente’?
12. O concilio de Calcedônia (451) condenou a opinião de Eutiques (um monge de
Constantinopla) e afirmou que as duas naturezas de Cristo são “inconfundível e
imutável”. Então, o que ensinou Eutiques?
13. Os anabatistas (século XVI) disseram que o corpo de Jesus não foi fruto do
ventre de Maria. Ele tinha, então, um corpo verdadeiramente humano (na opinião
deles)?
14. Lutero ensinou que a natureza humana de Jesus se transformou. Ele comparou
esta transformação a um pedaço de ferro que se faz candente e, assim, tem também
as características de fogo. O que você acha desta opinião?
15. Você acha que a natureza divina de Jesus, depois da encarnação, continuou
igual? Veja João 3:13.
16. Leia e confira João 10: 30 e 14:28. Como estes dois textos mostram que Jesus,
além de ser Deus, também era verdadeiro homem?
17. Os luteranos dizem (de acordo com Lutero) que o corpo (humano) de Cristo é
onipresente. Você acha que Atos 1:11 e 1Pedro 1:8 contradizem esta opinião?
18. A Bíblia diz que Jesus sabia tudo (João 21:17), mas que Ele não conhecia a data
do último dia (Marcos 13:32). Você sabe ou não sabe explicar isto?
19. O concilio de Calcedônia (451) também condenou a opinião de Nestório e
afirmou que as duas naturezas de Cristo são “indivisíveis e inseparáveis”. Então, o
que ensinou Nestório?
20. Você acha que podemos dividir os atos e as palavras de Cristo entre o que Ele
falou e fez como Deus ou como homem?
21. De que maneira mostram Atos 20:28 e 1Coríntios 2:8 a união das duas naturezas
de Cristo?

PERGUNTAS SOBRE ARTIGO 20:


01. Em que ato de Deus se mostram a justiça e a misericórdia dEle? Porque este ato
de Deus foi necessário?
02. Como Deus mostrou que é justo?
03. E como Ele mostrou que é misericordioso?
04. A palavra “justo” nos faz pensar (em geral) num rosto severo de uma pessoa
sólida que cumpre o que diz e promete. Este sentido da palavra “justo” serve para
explicar a justiça de Deus?
178

05. A palavra “misericordioso” nos faz pensar num rosto sorridente de uma pessoa
que sempre quer ajudar os outros e procura o bem deles. Este sentido da palavra
“misericordioso” serve para explicar a misericórdia de Deus?
06. Para um homem é quase impossível ser justo e misericordioso ao mesmo tempo.
Para Deus também é?
07. Conforme o artigo 20, o fato de Deus ter envidado seu Filho mostra tanto a
justiça como a misericórdia dEle. De que maneira?
08. O artigo 20 diz que Jesus devia “assumir a natureza humana em que foi
cometida a desobediência”. O que significa isto?
09. Como Isaías 53:5-6 e João 1:29 mostram que Jesus sofreu em nosso lugar?
10. O artigo 20 afirma que Deus “provou sua justiça sobre seu Filho”. Isto significa
que Deus não manifesta sua justiça sobre nós? Veja Hebreus 9:22 e Romanos 3:26.
11. Muitas vezes se diz que Deus é amor, no sentido de que Ele perdoa nossas
dividas sem exigir pagamento. Por que não podemos falar assim?
12. Como fala o artigo 20 sobre o amor de Deus, em relação à justiça dEle?
13. Existe uma opinião que afirma o seguinte: Deus é tão justo que Ele odeia o
homem pecador; mas Jesus ‘mudou’ esta situação; então, foi Jesus que tornou Deus
misericordioso para conosco. Como você avalia esta opinião?
14. Você acha que o artigo 20 afirma que Deus já se mostrou misericordioso para
conosco quando enviou se Filho? Veja também 1João 4:10-11; João 3:16; Efésios
1:4-5.
15. A Bíblia, por outro lado, realmente diz que nós éramos inimigos de Deus e que
“fomos reconciliados com Deus mediante a morte do seu Filho” (Romanos 5:9-10).
Mas isto significa que Deus nos odiava antes de Jesus ter modificado esta situação?
Ou será que temos de dizer as duas coisas: (1) Deus nos amou e (2) Ele estava irado
contra nós? Veja também Efésios 2:3-4.
16. Qual é o fruto da justiça e da misericórdia de Deus? Veja as ultimas palavras do
artigo 20.
17. O artigo 20 fala sobre dois atos de Deus que fizeram com que não recebêssemos
o que merecíamos. Que atos são?
18. Por que a morte e a ressurreição de Jesus foram necessárias para nossa salvação?

PERGUNTAS SOBRE ARTIGO 21:


01. Qual é o assunto deste artigo?
02. A quem Jesus, como sacerdote, é comparável? Como temos a certeza que Jesus
é tal sacerdote?
03. Em lugar de quem apresentou-se Jesus perante seu Pai? Com que objetivo?
04. Quem predisse a obra sacerdotal de Jesus? Você sabe um exemplo?
05. Por que o castigo, para Jesus, foi tão terrível?
06. Qual é, conforme o apóstolo Paulo, o mais importante para saber? E por quê?
07. Que significa o nome “Jesus”? Quem deu este nome?
08. Na época do Antigo Testamento havia os sacerdotes levíticos (da tribo de Levi),
que atuavam como intermediários entre Deus e o povo. Que tarefa tinham eles?
09. A reconciliação com Deus (na época do Antigo Testamento) era possível pela
satisfação. De que maneira? Veja Levítico 17:11.
179

10. O Antigo Testamento fala também de um sacerdote bem diferente:


Melquisedeque. De quem ele era contemporâneo (Gênesis 14:18-24)?
11. Como mostra Gênesis 14 que Melquisedeque é mais importante do que os
sacerdotes levíticos? Veja a explicação de Hebreus 7:4-10.
12. Que carta do Novo Testamento fala profundamente sobre a diferença entre o
sacerdote Melquisedeque e os sacerdotes levíticos?
13. Por que a nomeação de um sacerdote levítico não era surpresa? Mas por que a
nomeação de Melquisedeque foi, sim, uma surpresa (veja Hebreus 7:3)?
14. Jesus teve pais de uma geração sacerdotal? Por que então, tornou-se sacerdote
(Hebreus 7:17)? Como confirmou Deus a nomeação de Jesus?
15. O que diz Hebreus 7:23 sobre a duração do sacerdócio levítico? Mas que
expressões fortes usa Hebreus 7:3 sobre a duração do sacerdócio de Melquisedeque?
Como você entende estas expressões?
16. O que dizem Hebreus 7:21 e 7:24 sobre a duração do sacerdócio de Jesus? Que
sentido pratico tem isso para nós (Hebreus 7:25)?
17. Foram os dois primos Socino que, no século XVI, começaram a atacar a
doutrina de que Cristo apaziguou a ira de Deus. Disseram que temos de desistir da
idéia de que Deus estaria irado contra nós e que Ele exigiria castigo. A morte de
Jesus mostrou o amor de Deus, mas não foi pagamento. O que diz o artigo 21 contra
esta opinião?
18. Os socinianos falaram também sobre a impossibilidade de alguém assumir o
castigo de outra pessoa; então, rejeitaram a idéia da substituição. O que diz o artigo
21 contra esta opinião?
19. Você acha que Deus simplesmente se esquece do pecado? O que dizem Ezequiel
18:4 e 2Timóteo 2:13?
20. Como mostra Hebreus 9:12 que Cristo foi superior ao sacerdote levítico?
21. O que dizem Hebreus 9:24 e 9:26 sobre a opinião de que Jesus não precisava
pagar pelos nossos pecados?
22. De que maneira somos, conforme Romanos 5:9, salvos da ira de Deus?
23. Você acha que encontramos, em Isaias 53:5 e Salmo 69:4, a doutrina da
substituição (Cristo em nosso lugar)?
24. Como mostram Hebreus 9:28 e 1Pedro 2:24 que Jesus morreu em nosso lugar?
25. Que ‘aspectos’ do sofrimento de Cristo menciona o artigo 21 para nos mostrar o
peso daquele sofrimento?
26. O artigo 21 cita s palavras de Paulo de Filipenses 3:8. Como você entende estas
palavras?
27. Você sabe explicar de que maneira o conteúdo do artigo 21 está resumido no
nome Jesus?

PERGUNTAS SOBRE ARTIGO 22:


01. O que trata este artigo, em comparação ao artigo 21?
02. Como o artigo 22 caracteriza a obra de reconciliação, realizada por Cristo?
Como podemos conhecer esta obra de reconciliação?
03. De que maneira Cristo se torna nosso Salvador? O que seria, neste contexto,
uma blasfêmia?
04. O que o artigo 22 quer dizer com “fé sem as obras”?
05. O que acontece com os benefícios que Cristo conquistou, se cremos nEle?
180

06. O s artigos 20 e 21 falaram ampla e claramente sobre a obra de reconciliação


que Cristo realizou. Por que, então, o artigo 22 ainda fala de uma “grande mistério”?
07. João Calvino falou que o nosso entendimento, em coisas espirituais, é mais cego
do que as toupeiras! Não é um exagero falar assim? Confira Mateus 16:17.
08. Os Católico-romanos dizem que nosso entendimento não está tão contaminado
não; trata-se de pouca capacidade. Esta opinião é conforme a Bíblia?
09. A Bíblia ensina que a intervenção do próprio Deus é indispensável para
podermos participar da obra de reconciliação. O que disse Moisés sobre isso
(Deuteronômio 29:4)? E o que fez Jesus aos discípulos (Lucas 24:45)?
10. O que diz o artigo 22 sobre a origem da fé?
11. Que sentido tem a fé para nosso entendimento e para nossa vontade?
12. O que faz a fé em relação a Cristo, conforme a s palavras do artigo 22?
13. Você acha que podemos dizer que Jesus é a mão de Deus estendida para nós?
Esta ‘mão’ mostra que Deus nos quer aceitar?
14. O que disse Jesus sobre a única maneira de vir a Deus? Veja João 14:6.
15. Não é um pouco limitado dizermos que a fé abraça Cristo? Não devemos aceitar
a Bíblia inteira?
16. De que maneira seria Jesus, conforme o artigo 22, apenas um salvador
incompleto?
17. Os católico-romanos também dizem que o homem é justificado pela fé. Mas
acrescentam que à fé pertencem as obras (que fazemos pelo amor). Então,
receberíamos a absolvição pela fé, mas principalmente pelas obras da fé. Esta
opinião está de acordo com a Bíblia? Veja Gálatas 2:16 e Romanos 3:28.
18. Tiago diz que a fé, “se não tiver obras, por si sós está morta” (Tiago 2:17). Por
isso, dizem os católico-romanos, somos absolvidos também pelas boas obras. Qual é
o erro deste raciocínio?
19. De que maneira o artigo 22 exclui qualquer idéia de que a fé em si mesma teria
algo meritório?
20. Você gostaria de que a absolvição dependesse de sua fé em si mesma?
21. Tiago diz: “Verificamos que uma pessoa é justificada por obras, e não por fé
somente” (Tiago 2:24). Paulo diz: “Concluímos, pois, que o homem é justificado
pela fé, independentemente das obras da lei” (Romanos 3:28). Então, não há uma
contradição entre os dois?

PERGUNTAS SOBRE ARTIGO 23:


01. Qual é o assunto desse artigo?
02. Em que consiste nossa justiça perante Deus?
03. O que dizem Davi e Paulo sobre esse assunto, conforme o artigo 23?
04. O que diz o artigo 23 sobre o fundamento da nossa justiça? Como deve ser nossa
atitude?
05. De que maneira a obediência de Cristo se torna a nossa? Para que ela é
suficiente? E o que significa isto para nossa consciência?
06. O artigo 23 trata vem diretamente do nosso relacionamento com Deus. Que
expressões (do artigo 23) mostram isto?
181

07. Deus é o juiz que nos responsabiliza. Então, que pergunta, em relação à nossa
salvação, é importante?
08. Nossa vida deve corresponder totalmente às exigências que Deus estipulou.
Agora, nós, homens, temos a tendência de dar, a nós mesmos, uma nota alta no que
diz respeito à vida cristã. Como a Bíblia avalia esta tendência? Veja 1Corintios 4:4 e
Provérbios 16:4.
09. O resultado dos nossos atos não nos fornece nenhuma justiça perante Deus.
Como o artigo 23, nas ultimas frases, fala sobre isso?
10. Comparecemos perante Deus com uma divida que nos assusta. Que palavra
(três) usa o artigo 23 para mostrar nosso medo?
11. Apoiamo-nos na obediência de Cristo, ao comparecermos perante Deus. O que
Cristo fez por nós?
12. Deus nos atribui a justiça de Cristo. Davi (Salmo 32:1) e Paulo (Romanos 4:7)
dizem que nossos pecados são “cobertos”. Como você entende esta expressão? Qual
é o resultado final de tudo isso (conforme Romanos 8:1)?
13. O que nos resta, para que a obediência de Cristo seja a nossa?
14. Conforme a igreja católico-romana, o próprio homem, de uma ou de outra
maneira, ceve fazer algo para fazer as pazes com Deus. Você acha que o homem
(nós) pode (podemos) “fazer algo”?
15. O artigo 23 diz que damos “toda a glória a Deus, humilhando-nos e
reconhecendo que nós, homens, somos maus”. Então, você não acha que a doutrina
católico-romana (a absolvição divina se baseia na justiça humana) rouba a Deus sua
honra?
16. Estaríamos perdidos, se nosso arrependimento ou confissão de pecados ou
nossas boas obras fossem o fundamento da absolvição?
17. Romanos 4:5 diz que Deus “justifica ao ímpio”. Como você entende isso?
18. Do que a justiça de Cristo, conforme o artigo 23, liberta nossa consciência?
Como a primeira frase do artigo 23 caracteriza esta libertação?
19. Acontece que muitos, hoje em dia, acham que a Bíblia contém uma mensagem
de libertação somente para o mundo político e social, no sentido de uma libertação
de pobreza, opressão e discriminação. Que erro há nesta opinião, em relação à ira de
Deus (Romanos 1:18)?
20. Que saída mostra a Bíblia, como solução de todos os problemas (veja
colossenses 1:13)?

PERGUNTAS SOBRE ARTIGO 24:


01. Qual é o assunto deste artigo?
02. O que faz a verdadeira fé conosco?
03. Como recebemos a fé?
04. Será que a fé nos torna indiferentes à vida cristã sincera? De que fé fala a Bíblia
(de que tipo de fé)?
05. Por que as boas obras não levadas em conta para nos justificar?
06. O que Deus, na realidade, faz quando recompensa as boas obras?
07. Você sabe explicar o que seria, para nós, a conseqüência, se fundamentássemos
a salvação ns boas obras?
182

08. Lutero disse que a fé não é uma “idéia preguiçosa”. Como você entende esta
expressão?
09. Qual é a primeira coisa que o artigo 24 diz sobre a fé?
10. O que significa a expressão “fé justificadora” (veja o artigo)? Que opinião
errada a respeito desta fé é rejeitada?
11.Você acha que há diferença entre cometer pecado e viver no pecado? O que diz
o apóstolo João sobre isso (1João 3:9 e 1:8)?
12. Será que aquele que recebeu absolvição, com prazer se envolve nos pecados que
provocam a ira de Deus? Veja Romanos 6:22.
13. O que diz Gálatas 5:6 sobre a fé? Como você entende isto?
14. Como considera Deus nossas boas obras produzidas pela fé? O que disse Jesus
sobre estas obras (João 15:8)?
15. Por que, conforme Jesus, aceita Deus nossas boas obras?
16. O que diz o artigo 24 sobre a origem da fé? Você acha que a fé é uma ‘criação’
de Deus, ou seja: algo que vem e depende de Deus?
17. Os anabatistas, na época, disseram que o Espírito Santo produz a fé em nossos
corações de maneira direta (então, sem a Palavra de Deus). O que confessa o artigo
24 contra esta opinião (confira Romanos 10:14, 17)?
18. O artigo 24 diz que as nossas obras, “se procedem da boa raiz da fé, são boas e
agradáveis a Deus”. Mas para o que elas não são levadas em conta?
19. Você sabe explicar por que jamais poderemos ter absolvição pelas nossas boas
obras? Confira o que o artigo 24 diz sobre a árvore e seus frutos (Mateus 7:17).
20. Por que “somos devedores a Deus pelas boas obras que fazemos”? veja os textos
que o artigo 24 cita: Filipenses 2:13 e Lucas 17:10.
21. O que diz a Bíblia sobre a recompensa das obas obras? Veja Mateus 10:42 e
Hebreus 11:6.
22. o artigo 24 diz, em relação à recompensa das boas obras, que Deus, por sua
graça, “coroa seus próprios dons”. Como você entende estas palavras “por sua
graça”?
23. Qual é a recompensa das boas obras? Veja Romanos 2:6-7.
24. Por que a Escritura fala sobre recompensa?
25. O artigo 24 aparentemente fala sobre as boas obras de maneira mais e menos
positiva. Por quê?
26. O artigo 24 diz que a lembrança de um só pecado bastaria para tornar uma só
boa obra rejeitável perante Deus. Falar assim não é um exagero? Veja Tiago 2:10.

PERGUNTAS SOBRE ARTIGO 25:


01. Qual o assunto deste artigo? De que pergunta trata este artigo?
02.Que função tinha o culto da época do Antigo Testamento?
03. Que mudança trouxe a vinda de Cristo? E com que conseqüência para os
cristãos?
04. Que valor permanente tem as antigas formas? Como você entende as seguintes
palavras do artigo 25: “a verdade e substancia” das cerimônias e figuras da lei?
05. Por que ainda fazemos uso do Antigo Testamento?
06. O que quer dizer a expressão “cerimônias e figuras da lei”?
183

07. O artigo 25 caracteriza as cerimônias e figuras como “sombras”. Como você


entende isto?
08. O que diz Colossenses 2:17 sobre as (antigas) cerimônias? Como você entende
isto?
09. De que “sombra” fala Hebreus 9:1-10? Por que Cristo é bem superior ao sumo-
sacerdote do Antigo Testamento?
10. você acha que podemos dizer que as figuras (sombras) do culto do Antigo
Testamento formavam uma pintura (quadro) que visivelmente ensinava a Israel
sobre a reconciliação com Deus?
11. A Bíblia dá vários exemplos da maneira como Cristo cumpriu (‘materializou’)
as sombras. Você, por exemplo, sabe indicar isso conforme João 2:19-22; Hebreus
10:11-14; Lucas 4:21; 1Coríntios 5:7?
12. O artigo 25 usa fortes expressões para enfatizar que o culto das sombras acabou.
De que maneira?
13. Como a própria Bíblia indica o fim do culto do templo (veja Mateus 27:51)?
14. Você acha que a história de Atos 10:9-16 também mostra que as antigas
prescrições “chegaram ao fim”?
15. As sombras foram abolidas (conforme o artigo 25). Mas elas deixaram um lugar
vazio?
16. Na carta aos Gálatas, Paulo também trata das antigas prescrições (2:3; 5:11;
6:13). Do que ele acusa os Gálatas (1:6-7)?
17. O culto católico-romano está cheio de cerimônias que vêm das do Antigo
Testamento. O que diz a Bíblia sobre o perigo de um culto teatral e exuberante?
Veja Isaías 1:10-17; Amós 5:21-22; Mateus 15:8-9.
18. Em 1Coríntios 14:40, o apóstolo Paulo diz que “tudo, porém, seja feito com
decência e ordem”. Com você entende estas palavras em relação ao culto?
19. Em muitas igrejas protestantes surgiu o chamado ‘movimento litúrgico’ e foi
defendida a idéia d realizar, no culto, certas solenidades simbólicas, quase sempre
em detrimento do lugar central da pregação. Mas a pregação pode perder seu papel
fundamental? Veja Mateus 28:19; Romanos 10:14, 17; 1Coríntios 1:21.
20. Com que palavras indica o artigo 25 o valor permanente do culto das sombras?
Como você entende estas palavras?
21. Não precisamos nem podemos manter o culto das sombras (ou seja: as
cerimônias e figuras do Antigo Testamento). Mas posemos desprezar as sombras?
22. Por que ao Antigo e o Novo Testamento se ‘explicam’ um ao outro? Veja (por
exemplo) João 5:39.
23. O primeiro objetivo, conforme o artigo 25, de ainda usarmos o Antigo
Testamento é “para confirmarmo-nos no Evangelho”. Como você entende isto? Será
que você, ao ler e estudar o Antigo Testamento vai entender melhor o Novo
Testamento?
24. O segundo objetivo de ainda usarmos o Antigo Testamento é “para regularmos
nossa vida em toda honestidade, pra a glória de Deus, confirmo sua vontade”. Isto
significa que Deus, já no Antigo Testamento, revelou como Ele queria que nós
vivêssemos hoje? Mas como?
25. Será que podemos dizer que o Antigo Testamento é o ‘livro escolar’ de Deus
para crianças e que o Novo Testamento é o livro para adultos? Veja Gálatas 3:24.
184

26. Você acha que Deus exige mais de nós, hoje, do que exigiu outrora dos judeus
(na época do Antigo Testamento)? Confira Hebreus 12:25.

PERGUNTAS SOBRE ARTIGO 26:


01. Qual é o assunto deste artigo?
02. Você acha que o artigo 26 usa um estilo comovente?
03. O artigo 26 quer evitar que busquemos outro Mediador. Por isso, ‘neutraliza’
dois argumentos que poderíamos usar para não orar a Deus em nome de Cristo.
Quais? Veja o primeiro e o quarto parágrafos do artigo 26.
04. Que efeito, em nós, a grandeza de Cristo não deve causar? Por que não? Veja o
artigo.
05. Por que podemos até alegrar-nos com a grandeza de cristo?
06. De que maneira ‘explica’ o artigo 26 a ‘origem’ da invocação do chamados
santos?
07. Que opinião (sobre esse ponto) tinham os próprios santos?
08. O que diz o artigo 26 sobre o argumento de que seriamos indignos de orar a
Deus?
09. Os últimos dos parágrafos do artigo 26 exortam (mais uma vez) a não buscar
“outro advogado”. Que argumentos são usados?
10. Você acha que a ultima frase (do artigo 26) serve como resumo de todo o artigo?
11. Que títulos ou nomes de Jesus são usados na primeira frase do artigo 26? Você
sabe explicar o sentido destes nomes?
12. Por causa dos nossos pecados não podemos nos aproximar de Deus, o Santo.
Você sente esta santidade em textos como Êxodo 19:20 e Hebreus 12:29? Por quê?
13. O artigo 26, na segunda frase (“Porque...”), explica por que Cristo é nosso
Mediador. O que diz o artigo?
14. Você sabe explicar o que é a doutrina (católico-romana) da invocação dos
santos?
15. Você acha que o artigo 26 critica ou protege os santos? Mas como é
caracterizado a invocação dos santos?
16. Quantas vezes cita o artigo 26, no quarto parágrafo, a carta aos Hebreus? O que
o artigo, assim, quer mostrar?
17. O artigo 26 trata da continuação da obra sacerdotal de Cristo no céu. O que diz
Hebreus 7:25 sobre o objetivo da presença de Cristo (como homem) no céu?
18. O artigo 26 diz que não podemos encontrar melhor Advogado do que Cristo,
porque “não há ninguém, nem no céu, nem na terra, entre as criaturas, que nos ame
mais que Jesus Cristo”. Por que este laço de Cristo para nós é tão importante? Veja
as citações, no artigo 26, de Hebreus 2:18 e 4:15.
19. O artigo 26 diz que Deus, quando nos deu Cristo como Advogado, “bem saia
que éramos pecadores”. Como você entende isto?
20. Confessamos que Deus ouve nossas orações. O que diz o artigo 26 sobre este
ponto (no último parágrafo)?
185

PERGUNTAS SOBRE ARTIGO 27:


01. Qual é o assunto deste artigo?
02. Você acha que a igreja (no artigo 27) dá sua própria opinião? Ou ela confessa
(sobre si mesma) o que a Escritura diz?
03. Quantas igrejas há, conforme o artigo 27?
04. O que é (nas palavras do artigo 27) a igreja?
05. Desde quando e até quando existe a igreja? Por que é assim?
06. Às vezes de diz que ‘a igreja está, onde o bispo está’. O que diz o artigo 27
contra esta opinião?
07. A igreja “está espalhada e dispersa pelo mundo inteiro”, nas por que ela é,
contudo, uma comunidade unida?
08. Você acha que alguém, que tenha todas as informações sobre a igreja e use seu
bom senso; pode dize o que é a igreja?
09. Qual é a única maneira de sabermos o que é a igreja?
10. A “Confissão de Fé” data do século XVI, da época em que os fiéis estiveram
diante da igreja católico-romana que afirmava que somente ela era a verdadeira
igreja. Havia também, já naquela época, muitas seitas que se chamavam ‘igrejas’.
Por que a igreja não se deixou confundir por essa grande variedade de ‘igrejas’?
11. Qual seria a conseqüência se houvesse duas ou mais igrejas?
12. Como mostram (por exemplo) João 10:16 e Efésios 4:4-6 que há uma só igreja
(católica ou) universal?
13. Após ter confessado que há uma só igreja, o artigo 27 também diz o que é a
igreja. Você acha que a igreja, no artigo 27, mostra uma foto de si mesma? Ou ela
diz como é e deve ser a igreja?
14. Quem faz parte da igreja (conforme a ‘definição’ da igreja que o artigo 27 dá)?
15. Os artigos 16-26 da Confissão amplamente falaram da salvação em Jesus Cristo.
O artigo 27 diz que os verdadeiros crentes, “que esperam toda a sua salvação de
Jesus Cristo”, pertencem à igreja. Então, que forte relação há entre (os artigos sobre)
a igreja e (os artigos sobre) a obra de Cristo?
16.Por que a igreja não pode ser tolerante para com aqueles que se desviam da
doutrina da salvação em Jesus Cristo?
17. Os verdadeiros crentes também são chamados, no artigo 27, “santificados” e
“selados pelo Espírito Santo”. Como você entende estas palavras?
18. A igreja é uma “congregação e assembléia”. Você acha que milhares de pessoas
que, num estádio, assistem a um jogo de futebol, não uma congregação e
assembléia? Qual é a característica de uma congregação (assembléia)?
19. Que figura, em João 10, explica o que é uma congregação?
20. O artigo 27 não se refere à igreja (comunidade) que, a cada domingo, num
determinado lugar, se reúne. Trata-se da igreja que “está espalhada e dispersa pelo
mundo inteiro”. Por que, então, esta igreja é chamada “congregação e assembléia”?
Ela tem algo especial?
21. Será que faz muita diferença se a igreja universal é a totalidade dos crentes ou
se ela é a congregação e assembléia dos crentes? Pense no que se diz muitas vezes:
não é importante de que igreja você, na terra, seja membro.
22. O que devemos fazer para pertencer à igreja universal?
23. Um verdadeiro crente pode ficar afastado da verdadeira igreja (local) de sua
vizinhança (cidade)? Por que não?
186

24. Cremos que a igreja universal sempre existirá, porque Cristo é um rei eterno que
não pode ficar sem súditos. Como provam 2Samuel 7:16; Lucas 1:32-33 e
Apocalipse 22:16 esta verdade?

PERGUNTAS SOBRE ARTIGO 28:


01. Qual é o assunto deste artigo?
02. Qual deve ser a atitude de Ada um para com a igreja?
03. Por que é necessário juntar-se à igreja?
04. De que maneira mantém-se, conforme o artigo 28, a unidade da igreja?
05. Qual é “o dever de todos os fiéis”? Veja o artigo.
06. O que diz o artigo 28 sobre aqueles que não se juntam à igreja?
07. O artigo 28 exorta “todos os fiéis” a juntar-se à igreja. Isto seria necessário, se
todos os fiéis já se tivessem juntado à igreja? Então, há fiéis fora da igreja?
08. Que expressões usa o artigo 28 para caracterizar aqueles fiéis (crentes) que estão
fora da igreja?
09. “Ninguém, qualquer que seja a posição ou qualidade, deve viver afastado desta
santa assembléia”. De que assembléia se fala aqui?
10. Você acha que a igreja, no artigo 28, faz sua própria exigência (juntar-se a ela)?
11. A questão da igreja também é importante na nossa obra missionária. Muitas
vezes se diz que é importante ganhar alguém para Cristo, mas não ou não tanto para
a igreja; o laço para com Cristo é decisivo e este laço pode existir também sem a
igreja ou fora dela. Você concorda com esta opinião?
12. A Bíblia compara a igreja a um rebanho. Sabemos que uma ovelha que foge do
rebanho, tem pouca chance de sobreviver. Então, você não acha que o fato de a
igreja ser “a congregação daqueles que são salvos” é um forte argumento par
ajuntar-se à igreja?
13. O apostolo Paulo diz que a igreja é “nossa mãe” (Gálatas 4:26). Você sabe
explicar por que esta figura (a igreja como mãe) completamente contradiz a opinião
de que juntar-se à igreja é apenas uma opção, uma questão de ‘organizar-se sem
compromisso’?
14. Fala-se muito sobre a unidade dos crentes que pertencem a diferentes
‘denominações’. É uma unida de teórica que na pratica não funciona. Chama a
tenção que o artigo 28 fala de uma maneira bem pratica sobre “a unidade da igreja”.
Como?
15. O artigo 28 diz que “fora dela (fora da igreja) não há salvação”. Isto significa
que todos os que permanecem fora da igreja não são salvos? Ou podemos entender
estas palavras como uma advertência?
16. Você acha que a palavra “salvação” somente se refere à vida vindoura (depois
da nossa morte)? Ou trata-se também da salvação que desde já desfrutamos na
igreja?
17. Há fieis (crentes) fora da igreja (infelizmente). O artigo 28 não deixa de chamá-
los fieis. Isto significa que a igreja aprova a atitude errada eles para com a igreja? O
que confessa a igreja sobre eles?
187

18. Será que o dever de todos sos fieis realmente é “separar-se daqueles que não
pertencem à igreja”? Veja 2Coríntios 6:17; João 10:5, 8; Romanos 16:17-18;
Apocalipse 18:4.
19. Efésios 1:22 diz que Deus “deu Cristo à igreja”. Por que estas palavras mostram
a importância de juntar-se à igreja?

PERGUNTAS SOBRE ARTIGO 29:


01. Qual é o assunto deste artigo? Qual é a relação com o artigo 28?
02. Quase todas as seitas se chamam igreja. O que, portanto, devemos fazer,
conforme o artigo 29?
03. O que diz o artigo 29 sobre os hipócritas?
04. Quantas e quais são as marcas da verdadeira igreja?
05. O que é característico dos membros da igreja? O que se diz sobre as falhas
deles?
06. Quais são as marcas da falsa igreja?
07. É fácil distinguir a verdadeira igreja da falsa?
08. A igreja é uma comunidade unida, dirigida por seu único cabeça Cristo, e todos
os fiéis têm o dever de juntar-se a ela. Então, você não acha que deveria haver, no
mundo inteiro, apenas uma igreja? Mas qual é a realidade?
09. Não é arrogante dizer, sobre as seitas, que “se chamam igreja, mas sem razão”?
10. Às vezes se diz que as palavras ‘radicais’ do artigo 29 vêm da luta (na época)
contra a igreja católico-romana. Você também pensa assim? Ou será que o artigo 29
fala da luta da igreja durante toda a história da igreja?
11. A ultima frase do artigo 29 diz que “é fácil conhecer estas duas igrejas” (a
verdadeira igreja e a falsa). Por que, então, muita gente não distingue a verdadeira
igreja da falsa? Veja o que a primeira frase do artigo diz sobre este assunto!
12. Você acha que a verdadeira igreja é também a igreja perfeita? Pode haver
hipócritas na igreja?
13. É até possível que entre os ministros de igreja (pastores, presbíteros e diáconos)
haja hipócritas. O que disse Jesus sobre eles em Mateus 23:1-2, 13-16?
14. O artigo 29 diz que “não falamos aqui dos hipócritas que, na igreja, se acham
entre os sinceros fiéis”. E continua: “mas queremos dizer que se deve distinguir o
corpo e a comunhão da verdadeira igreja”. Como você entende estas palavras?
15. A primeira marca da verdadeira igreja é “a pura pregação do evangelho”. O que
é porá pregação?
16. O que acontece no caso de a pregação não ser pura? Veja João 10:4-5.
17. O que você faria, se ouvisse, na pregação, coisas surpreendentes que você ainda
não conhecia? Confira o exemplo dos judeus da beréia (Atos 17:10-14,
principalmente o v. 11).
18. A segunda marca da verdadeira igreja é “a pura administração dos sacramentos”.
Por que esta segunda marca está intimamente ligada à primeira? Pense no fato de
que os sacramentos são as ‘ilustrações’ da Palavra.
19. A terceira marca é “o exercício da disciplina eclesiástica”. Como falou Jesus
sobre isso (Mateus 18:15-17)?
188

20. Você acha que uma igreja, que adapte o evangelho à sua própria opinião, é
capaz de saber o que é e que não é pecado?
21. Como o artigo 29 resume as três marcas da igreja? Você concorda com este
resumo?
22. O artigo 29 também presta atenção às marcas dos membros da igreja. Isso é
importante. Pois, está boa a situação na igreja, se a pregação, os sacramentos e a
disciplina não têm efeito na vida dos membros? Confira a situação na igreja de
Éfeso (Apocalipse 2;1-3).
23. Muitos dizem que evitaram ou até abandonara a igreja devido às suas
experiências decepcionantes com cristãos. Mas o artigo 29 diz que os verdadeiros
cristãos são super-homens?
24. Não é pouca coisa dizer que uma (certa) igreja é falsa. Você acha que a
expressão “falsa igreja” é um juízo sobre a organização ou sobre os membros de tal
igreja?
25. Qual é o sentido da palavra “falsa” (na expressão “falsa igreja”)? Pense numa
moeda falsa (que parece verdadeira, mas não vale nada!).
26. O que é necessário para distinguir a verdadeira igreja da falsa? Veja a primeira
frase do artigo 29 e confira Filipenses 1:9.
27. O que é decisivo para uma igreja ser chamada falsa: que há erros ou heresias
nela ou que ela não reage contra erros ou heresias, depois de ter sido advertida?

PERGUNTAS SOBRE ARTIGO 30:


01. Qual é o assunto deste artigo?
02. Qual é nosso ponto de partida nesse assunto?
03. O artigo 30 diz que a igreja deve ser governada “conforme a ordem espiritual”.
Como você entende a palavra “espiritual”?
04. O que deve haver confirme aquela ordem espiritual?
05. Qual é o dever do conselho da igreja?
06. Quem deve ser eleito para que tudo, na igreja, proceda bem?
07. Você conhece algumas formas de governo da igreja?
08. Você acha que nós, homens, podemos decidir sobre a maneira de a igreja ser
governada? Ou a Bíblia dá a resposta decisiva?
09. As cartas do apóstolo Paulo a Timóteo e Tito são importantes quanto à forma de
governo da igreja. Ele fala, nestas cartas, sobre presbíteros e diáconos. Você acha
que podemos dizer que Paulo, inspirado pelo Espírito Santo,. Escreve sobre a
organização da igreja para os séculos vindouros?
10. Por que é fundamental que a igreja seja governada “conforme a ordem
espiritual, que nosso Senhor nos ensinou na sua Palavra”?
11. Você acha que o ofício de apóstolo era temporário? Ou deve haver apóstolos
também na igreja de hoje?
12. O Novo Testamento usa dois nomes para o presbítero: “presbítero” (ancião) e
“bispo” (supervisor). O que dizem estes dois nomes sobre a tarefa dos presbíteros?
13. Será que um bispo é um tipo de ministro mais importante (como na igreja
católico-romana)? Confira Atos 2:17, 28.
189

14. Como mostra 1Timóteo 5:17 que há presbíteros com uma tarefa especial? Que
tarefa especial?
15. Por que há, na sua opinião, também diáconos na igreja? Pense no significado da
palavra “diácono”: aquele que seve (ajuda).
16. O que diz o artigo 30 sobre a tarefa dos pastores? Como mostra o artigo a
importância do trabalho deles?
17. O que diz o artigo sobre a tarefa dos presbíteros? E sobre a tarefa dos diáconos?
18. Que condição existe para que, na igreja, tudo preceda em boa ordem?
19. Leia 1Timóteo 3:1-10. Qual é a regra do apóstolo Paulo, de que o artigo 30 fala?

PERGUNTAS SOBRE ARTIGO 31:


01. Qual é o assunto deste artigo?
02. De que maneira são indicados (“escolhidos”) os oficiais da igreja? Mencione
três pontos.
03. O que diz o artigo 31 sobre os meios ilícitos de apoderar-se do ofício? O que se
deve esperar? Que certeza deve haver?
04. O que se diz sobre a igualdade dos pastores? Por que eles são iguais?
05. Que atitude devemos ter para com os oficiais da igreja?
06. Você sabe como, na igreja católico-romana, alguém se torna (por exemplo)
bispo ou arcebispo?
07. O que você pensa sobre alguém que declara a si mesmo pastor, alegando que foi
chamado diretamente por Deus (mediante a chamada ‘vocação interna’)?
08. O artigo 31 enfatiza que os oficiais da igreja devem ser eleitos pela igreja. Isto é
conforme a Bíblia? Veja Atos 1:23 e 6:5.
09. A Bíblia não fala detalhadamente sobre a maneira da igreja participar da eleição
dos oficiais. Você sabe indicar algumas possíveis maneiras?
10. Por que a eleição de oficiais deve ser feita com oração?
11. O artigo 31 fala sobre “apodera-se do ofício por meios ilícitos”. Quais são esses
meios ilícitos?
12. Alguém pode ter o desejo de ser presbítero ou diácono? Veja 1Timóteo 3:1.
13. Por que ninguém pode candidatar-se a si mesmo ou fazer propaganda a fim de
ser eleito presbítero ou diácono?
14. Sobre que assuntos os discípulos de Jesus já discutiram? Veja Lucas 22:24-27. o
que Jesus lhes ensinou?
15. A igreja católico-romana coloca o apóstolo Pedro (‘o primeiro papa’) acima de
todos os outros oficiais. Será que ele mesmo teria concordado com isso? Veja
1Pedro 5:1.
16. Por que diz o artigo 31 justamente sobre os pastores que “têm igual poder e
autoridade”? Pense na história da igreja e na atual organização da igreja católico-
romana.
17. Você sabe o que é hierarquia? O que diz o artigo 31 sobre ela?
18. Oficiais da igreja têm igual poder e autoridade. Que motivo aponta o artigo 31
para esta igualdade?
19. Por que os oficiais da igreja devem proceder de maneira humilde?
190

20. Nosso respeito pelos oficiais da igreja pode depender da posição social deles?
Em que deve basear-se nosso respeito por eles?

PERGUNTAS SOBRE ARTIGO 32:


01. Qual é o assunto deste artigo?
02. O que é útil e bom para os que governam a igreja?
03. De que devem cuidar os oficiais da igreja? O que rejeitamos?
04. O que somente aceitamos no que diz respeito à ordem da igreja?
05. Qual é a obrigação da igreja, quando a ordem estabelecida for desobedecida?
06. Você acha que deve haver certas regras na igreja? Você sabe dar alguns
exemplos?
07. Você pensa que todas as regras na igreja se baseiam na Bíblia? Ou elas são
muitas vezes somente práticas?
08. Contra que tipo de ordem adverte o artigo 32?
09. O artigo 32 diz que é “útil e bom” que, entre os oficiais da igreja, “se estabeleça
e conserve determinada ordem”. Por que isto é útil e bom?
10. Quais regras deram o apóstolo Paulo à igreja de Corinto? Veja 1Coríntios 11:28-
34 e 14:26-40.
11. O que diz 1Coríntios 14:33ª sobre Deus? Como você entende isto?
12. A igreja tem uma certa liberdade ao fazer ‘leis’ que devem garantir a boa ordem.
Qual é a condição para qualquer ordem?
13. Qual é o limite da liberdade que a igreja tem para organizar sua vida? Como fala
o artigo 32 sobre isto?
14. Há várias coisas que a igreja deve organizar, mas sobre as quais a Bíblia não dá
uma orientação. Podemos resolver tais coisas por maioria de votos? E aqueles que
votaram contra, então, também devem cumprir o que foi resolvido?
15. A última frase do artigo 32 trata da excomunhão (ou seja: da última
conseqüência da disciplina). Que características da excomunhão são mencionadas
no artigo? São quatro.
16. Qual é o objetivo da excomunhão para aquele que está sendo excomungado?
Veja 1Coríntios 5:5; Hebreus 12:4-11.
17. Qual é o objetivo da excomunhão para a igreja que a pratica? Veja 1Coríntios
5:6 e 11:30-32.
18. Muitas vezes se diz que a excomunhão é muito ‘dura’ e que ela atrapalha o
Espírito Santo porque assusta e endurece o pecador. Como você avalia esta opinião?
19. Para a disciplina e a excomunhão é fundamental a palavra de Jesus em Mateus
18:19. Como você entende este texto?

PERGUNTAS SOBRE ARTIGO 33:


01. Qual é o assunto deste artigo?
02. Quais são as duas características nossas que Deus leva em conta? Como?
03. O artigo 33 diz que Deus, pelos sacramentos, “alimenta e sustenta nossa fé”.
Como você entende estas palavras? E do que são garantias (“penhores”) os
sacramentos?
04. Em que diferem os sacramentos da pregação da Palavra?
191

05. O que Deus nos quer “apresentar melhor” através dos sacramentos?
06. É o poder de quem que se une aos sacramentos?
07. Quem é a verdade (o verdadeiro conteúdo) dos sacramentos?
08. Quantos sacramentos há? Por que não há mais?
09. O que é mais importante: o que os homens fazem nos sacramentos (ser,
batizado, tomar pão e vinho etc.) ou o que Deus e cristo fazem? Por quê?
10. Os sacramentos são “penhores” ou certificados de garantia da “benevolência e
graça” de Deus para conosco. De que maneira tem valor um certificado de garantia?
11. Você acha que sacramentos, instituídos pela própria igreja, têm valor?
12. O que diz o começo do artigo 33 sobre a ‘origem’ dos sacramentos?
13. O artigo 33 enfatiza que, no que diz respeito aos sacramentos, Deus e Cristo
fazem tudo. Por que isso é fundamental?
14. Deus se mostra “atento à nossa ignorância e fraqueza”. Como você entende a
palavra “ignorância” em relação ao Evangelho? E como você entende a palavra
“fraqueza”?
15. Você acha que podemos dizer que os sacramentos nos dão mais clareza e
certeza?
16. O artigo 33 diz que os sacramentos são “sinais e selos de uma realidade interna e
invisível”. Mas diz também que os sacramentos selam as promessas de Deus (que
estão escritas na Bíblia). Com que palavra fala o artigo 33 sobre essas duas coisas
(final do primeiro parágrafo)?
17. Como retrata o batismo as duas coisas de que falamos (veja a pergunta 16)? E
como a santa ceia as retrata?
18. O artigo 33 fala sobre “melhor apresentar aos nossos sentidos”. Como você
entende isso? Que “sentidos” usamos nos sacramentos?
19. Os sacramentos são “selos”. O que quer dizer isto?
20. Você acha que os sacramentos se referem às mesmas promessas das quais fala o
Evangelho? Ou será que os sacramentos dão uma nova mensagem e uma outra
graça?
21. O artigo 33 confessa que os sacramentos explicam e garantem o Evangelho.
Você acha que, por isso, podemos dizer que o poder dos sacramentos é o poder do
Evangelho? E você acha que o poder do Evangelho é, ao mesmo tempo, o poder do
Espírito Santo?
22. O artigo 33 diz que “Jesus Cristo é a verdade deles (dos sacramentos)”. Como
você entende estas palavras?
23. O que acontece quando pessoas recebem os sacramentos com incredulidade?
Será que assim o seu batismo fica sem poder e que sua participação da ceia não em
sentido?
24. Só Deus tem o direito de instituir sacramentos. Por quê?
25. A igreja católico-romana tem sete sacramentos. Você sabe quais/
PERGUNTAS SOBRE ARTIGO 34:
01. Qual é o assunto deste artigo?
02. O artigo 34 diz que Cristo é “o fim da lei”. Por que Ele é o fim da lei? E qual é a
conseqüência disso para a circuncisão?
03. Do que somos separados pelo batismo e a quem somos unidos pelo batismo?
04. Com que devemos ser batizados? O que Deus nos quer dizer com isso?
05. Que efeito tem a purificação da nossa alma?
192

06. O artigo 34 diz que Cristo é “nosso mar vermelho”. Por quê?
07. O que dá o ministro (pastor) e o que dá o Senhor através do batismo?
08. Por que o batismo não deve ser repetido?
09. Qual é, conforme o artigo 34, a opinião dos anabatistas sobre o batismo (dois
aspectos)?
10. O que confessa o artigo 34 contra os anabatistas (três pontos)?
11. Como podemos caracterizar uma pregação?
12. Por que pregações (infelizmente) não são suficientes? De que maneira o batismo
(como sinal e selo) leva em conta nossas falhas?
13. Com que confissão começa o artigo 34?
14. Qual era a polemica na época em que a “Confissão de Fé” foi escrita? O que
responderam os anabatistas? E qual é a resposta do artigo 34?
15. Qual é o duplo efeito do derramamento do sangue de Cristo? O que diz Hebreus
13:8 neste contexto?
16. Qual é a diferença entre circuncisão e batismo? Mas qual é o objetivo de ambos?
17. Você acha que o próprio batismo nos torna membros da igreja?
18. Pelo batismo temos, confirme o artigo 34, a marca e o estandarte de Deus. Como
você entende isto?
19. O que significa a expressão “batizar em nome de Deus” (Pai, Filho e Espírito
Santo)?
20. O que acrescentam os católico-romanos à água do batismo? Por quê?
21. A água do batismo deve ser água normal. Isto significa que ela não tem valor?
22. Qual é a comparação que se faz no batismo?
23. Que Pessoa da Trindade realiza a purificação da nossa alma?
24. Qual é, no artigo 34, a relação entre Faraó e o diabo?
25. O artigo 34 diz que o ministro (pastor) administrar “somente o sacramento, que
é visível”. Então, o batismo é apenas um gesto bonito? Ou será que Deus realmente
garante que concede aquilo que o batismo retrata?
26. Os anabatistas se deixavam batizar de novo. Quais oram os quatro argumentos
deles?
27. Como pensavam os anabatistas sobre o batismo?
28. O artigo 34 diz que “o batismo não pode ser repetido, porque também não
podemos nascer duas vezes”. Como você entende este argumento?
29. O batismo também não pode ser repetido, quando alguém, depois do seu
batismo, tem vivido sem Deus durante muitos anos. Por que não? Em que sentido
podemos comparar tal situação a um casamento?
30. As crianças pequenas não devem ser batizadas, conforme os anabatistas. Por que
não? Mas qual é a base (fundamento) do batismo? Esta base também para as
crianças?
31. O que diz Levítico 12:6? Os anabatistas diziam que este texto não exigia nada a
respeito de crianças. Mas o que diz Lucas 2:22? Então, o que é provado com isso
(duas coisas)? Qual é a conclusão?
32. Que comparação faz o apóstolo Paulo em Colossenses 2:11-12? Este texto
afirma que circuncisão e batismo têm o mesmo objetivo?
193

PERGUNTAS SOBRE ARTIGO 35:


01. Quem instituiu a santa ceia? Com que objetivo? E para quem?
02. O artigo 35 fala sobre “duas vidas diferentes”. Em que sentido?
03. Qual é o alimento para aquelas duas vidas diferentes?
04. O que Cristo nos assegura através da santa ceia?
05. O que significam as palavras: “Jesus Cristo não nos ordenou seus sacramentos à
toa”? Mas o que fica incompreensível?
06. O que comemos e bebemos na santa ceia? De que maneira?
07. Por que a santa ceia é uma “ceia festiva”?
08. O que diz o artigo 35 sobre o ímpio que participa da santa ceia?
09. De que maneira deve ser celebrada a santa ceia?
10. Com o que devemos contentar-nos, conforme o artigo 35?
11. O artigo 35 é o mais comprido da “Confissão de Fé”. Qual é a causa disto? O
que fez ‘Roma’ da ceia?
12. Por que é um engano pensar que o artigo 35 se dirige somente contra a doutrina
católico-romana?
13. Que certeza temos sobre a instituição da ceia?
14. Qual é o objetivo da ceia?
15. Como Cristo se chama a si mesmo em João 6? O que Ele quer dizer com as
palavras: “alimentar-se de mim”?
16. Você sabe explicar por que comemos Cristo em todo culto (com ou sem santa
ceia)? Qual é a diferença entre os dois cultos?
17. Com que o artigo 35 compara a igreja? E com quem o artigo 35 compara Cristo?
18. De que maneira apresenta Cristo aos nossos sentidos, na ceia, o que Ele significa
para nós?
19. Quanta certeza temos de que Cristo morreu por nós? Qual é a base desta
certeza?
20. Por que a santa ceia é uma refeição simples? De que maneira, conforme o artigo
35, tem a ceia efeito em nossa vida?
21. O Espírito Santo tem que alimentar nossa fé. Por que, então, é necessário
comermos o pão e bebermos o vinho da ceia? Em que sentido podemos fazer uma
comparação com pão comum que sustenta nossa vida?
22. Não é estranho que o artigo 35 fale sobre a santa ceia como uma “ceia festiva”?
23. Que aspectos festivos da ceia são mencionados?
24. Que pessoas menciona o artigo 35 como exemplos de ímpios que recebem o
sacramento para sua condenação?
25. O que acontece e o que não acontece quando um ímpio (um incrédulo) participa
da ceia? Podemos dizer que o poder d ceia depende da fé daquele que participa?
26. Onde deve ser celebrada a ceia? Por quê?
27. O que significam as palavras: “(receber a ceia) com humildade e reverência”?
28. Por que diz o artigo 35 que, na ceia, “fazemos confissão de religião cristã”?
29. Qual é o objetivo do chamado auto-exame?
30. Qual é o grande argumento do artigo 35 contra opiniões erradas a respeito da
ceia?
194

PERGUNTAS SOBRE ARTIGO 36:


01. Qual é o assunto deste artigo ?
02. O artigo 36 (na primeira frase) fala sobre “nosso bom Deus”. Por quê?
03. Como devem as autoridades usar o poder que Deus lhes concedeu?
04. Que duplo ofício têm as autoridades?
05. O que têm as autoridades a ver com o reino de Cristo?
06. Como deve ser nossa atitude com as autoridades?
07. Em que sentido devemos orar em favor das autoridades?
08. Será que a existência e a ação das autoridades agradam sempre (leis, impostos,
multas)? Como era a relação da igreja com as autoridades na época da Reforma (no
século XVI)?
09. Por que, então, é surpreendente que a igreja diga que reis, governos e
autoridades vêm de Deus?
10. Por que são necessárias as autoridades? Que situação haveria sem elas?
11. Por que temos, no artigo 36, um belo exemplo daquilo que é e deve ser
‘confessar a fé’?
12. Que tipo de poder têm as autoridades? O que elas podem fazer com este poder?
13. Por que têm as autoridades também a obrigação de usar seu poder?
14. Um argumento comum contra a pena de morte é que as autoridades, assim,
eliminam a possibilidade de conversão (de um condenado). Como você avalia este
argumento?
15. Você acha que as autoridades são instrumentos de Deus? O que ensina a Bíblia
(veja Romanos 13:1; João 19:11)?
16. Qual é o ofício das autoridades na vida pública (veja Romanos 13:4)?
17. Você acha que as autoridades podem ou devem impor os mandamentos de Deus
aos seus súditos?
18. Como podem as autoridades fazer com que (por exemplo) o sexto mandamento
(“não matarás”) seja observado na vida pública?
19. Muitas vezes se diz que deve haver liberdade de religião como conseqüência da
liberdade de consciência para todos, inclusive para a igreja. Será que o artigo 36 tem
o mesmo ponto de partida?
20. Que ofício têm as autoridades em relação ao reino de Cristo? E em relação ao
Evangelho? Que objetivo devem ter as autoridades?
21. O artigo 36 diz que as autoridades devem “promover o reino de Jesus Cristo”. O
que elas podem fazer para que seus súditos aceitam Cristo?
22. Devemos obedecer somente às autoridades que agem conforme o ensino do
artigo 36?
23. Que exemplos de obediência e respeito dá o artigo 36?
24. Como deve ser nossa oração em favor das autoridades?
25. Qual era a atitude dos anabatistas com as autoridades?
26. O artigo 36 fala sobre “os bons costumes que Deus estabeleceu entre as
pessoas”. Quais são estes “bons costumes”? Onde os achamos? O que diz a Bíblia
sobre isto?

PERGUNTAS SOBRE ARTIGO 37:


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01. Qual é o assunto deste artigo?


02. Quando Cristo voltará?
03. De que maneira Ele voltará e com que tarefa?
04. Quem comparecerá perante Ele?
05. Por que será que todos os homens comparecerão perante Cristo “pessoalmente”
(quer dizer: em corpo e alma)?
06. Segundo o que serão julgados os homens?
07. Por que é horrível, para os incrédulos pensarem no juízo final? E por que é
desejável para os fiéis?
08. Como os incrédulos reconhecerão sua culpa?
09. O que diz o artigo 37 sobre o futuro dos incrédulos?
10. O que fará Cristo diante de Deus em favor dos fiéis? O que ficará manifesto?
11. Que recompensa receberão os fiéis?
12. Por que espera a igreja este grande dia com grande anseio?
13. Qual é o segredo da força da igreja?
14. Como Cristo se manifestará no último dia?
15. Cristo purificará este velho mundo, mas não o destruirá. O que significa isto
para nosso trabalho de todo dia?
16. O que diz a Bíblia sobre a maneira de Cristo voltar? Veja Atos 1:11; Mateus
24:30-31; !Tessalonicenses 4:16.
17. Todas as criaturas desconhecem a data da volta de Cristo. Isto é vantagem ou
desvantagem?
18. Muitas vezes se diz que o Novo Testamento se enganou a respeito da data da
volta de Cristo. Por quê? Será que o Novo Testamento realmente se enganou?
19. Que pontos (três) coloca o Novo Testamento sobre a data do ultimo dia? Por que
estes três pontos não se contradizem?
20. Que corpo receberá todo morto? O que significa isto para a nossa vida atual?
21. O artigo 37 diz que também crianças comparecerão perante Cristo. Como você
entende isto?
22. O que diz a Bíblia sobre a ressurreição dos incrédulos?
23. O que acontecera, conforme a Bíblia, aos fieis que ainda estiverem vivos quando
Cristo voltar?
24. Por que não é impossível que um corpo já apodrecido ressuscite? Como o
apostolo Paulo fala sobre isso (1Corintios 16:35-38)?
25. O artigo 37 diz que “se abrirão os livros”. O que está escrito nestes livros? Em
que sentido se diz que serão abertos?
26. Os ímpios “serão levados a reconhecer sua culpa”. Isto significa que els se
arrependerão e se converterão?
27. O que ensina a Escritura sobre o destino dos incrédulos?
28. De que maneira considera a igreja (no artigo 37) os ímpios?
29. Como a igreja fala aqui sobre a vingança de Deus? Você acha que encontramos
sede de vingança no artigo 37?
30. Que motivo pode haver para os cristãos temerem o ultimo dia? Mas por que o
artigo 37 fala sobre a inocência deles? O que Jesus diz a respeito do juízo sobre os
fieis (João 3:18)?
31. Como você explica as palavras “recompensa gratuita” do artigo 37?
32. Em se baseia a certeza de esperar o grande dia de Cristo com grande anseio?