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GEOGRAFIA

GEOGRAFIA
► Cardeais:
NOÇÕES BÁSICAS DE CARTOGRAFIA: N - Norte (0º)
ORIENTAÇÃO: PONTOS CARDEAIS; S - Sul (180º)
LOCALIZAÇÃO: COORDENADAS L - Leste – ou Este (90º)
GEOGRÁFICAS (LATITUDE E O - Oeste (270º)
LONGITUDE); REPRESENTAÇÃO:
LEITURA, ESCALA, LEGENDAS E ► Colaterais:
CONVENÇÕES. NE - Nordeste (45º)
SE - Sudeste (135º)
NO - Noroeste (315º)
SO - Sudoeste (225º)
Uma breve introdução sobre a Ciência Cartográfica
► Subcolaterais:
Quando o objeto de estudo é a Cartografia percebe-se, desde os NNE - Nor-nordeste (22,5º)
primórdios da humanidade, que o Homem busca meios de se orien- ENE - Leste-nordeste (67,5º)
tar no espaço terrestre. À medida que o mesmo foi ampliando sua ESE - Leste-sudeste (112,5º)
capacidade técnica, a busca por se localizar e se movimentar am- SSE - Sul-sudeste (157,5º)
parado por referências foi se tornando uma necessidade ainda mais SSO - Sul-sudoeste (202,5º)
evidente. Isso porque, muitas vezes, conhecer caminhos era questão OSO - Oeste-sudoeste (247,5º)
de sobrevivência, seja para buscar áreas férteis para a produção de
ONO - Oeste-noroeste (292,5º)
alimentos, seja para se proteger de invasões de outros povos.
NNO - Norte-noroeste (337,5º)
Ainda nesse processo de evolução, outras ações exigiam co-
nhecimentos cartográficos, como para estabelecer rotas de nave-
gação e de atividades comerciais, definir estratégias de guerra, Esses pontos são representados pela Rosa, que pode ter diferen-
delimitar espacialmente a ocorrência de recursos etc. Enfim, a so- tes formas de representação. Eis um exemplo:
ciedade, historicamente e com seus recursos disponíveis, procurou
fazer uso da cartografia. Esta pode ser entendida como a ciência da
representação gráfica da superfície terrestre, tendo como produtos
finais mapas, maquetes, cartas etc. Ou seja, é a ciência que trata da
concepção, produção, difusão, utilização e estudo desses materiais,
principalmente de mapas (amplamente utilizados). Para isso, as
representações do espaço podem ser acompanhadas de um amplo
conjunto de informações, como figuras geométricas, símbolos, uso
de cores, linhas e diversos outros elementos.
E, conforme já foi mencionado, nota-se uma evolução muito
grande dessas técnicas ao longo da história. As práticas da cartogra-
fia remontam à Pré-História, quando rústicos desenhos eram usados
para delimitar territórios de caça e de pesca; na Babilônia (Antigui-
dade), os mapas do mundo já eram impressos em madeira (mapas,
obviamente, a partir das técnicas limitadas da época, muito dife-
rentes das projeções atuais). A evolução ainda passa pelas ideias de
Ptolomeu, na Idade Média e dos mapas relativamente complexos
da época das Grandes Navegações. Foi aproximadamente nesse pe-
ríodo que algumas projeções de superfícies curvas passaram a ser Como forma de orientação/localização, também podem ser usa-
impressas em superfícies planas. A mais conhecida foi a de Mer- das as coordenadas geográficas (ou terrestres), que são linhas imagi-
cator. nárias que se cruzam e dão a localização geográfica de um determi-
Hoje, com os amplos avanços da ciência cartográfica, os instru-
nado ponto na superfície. Através do “cruzamento” entre o paralelo
mentos para a obtenção de informações e elaboração de materiais
e o meridiano de um lugar, ficamos sabendo sua localização exata na
são mais modernos e precisos. O uso de fotografias aéreas, imagens
superfície terrestre.
de satélites, digitalização de imagens, cruzamento de informações,
realização de mapas temáticos, sempre com maior precisão e menor Os paralelos estão relacionados com as latitudes, ou seja, a va-
distorção, garantem maior eficiência e confiabilidade aos produtos riação em graus a partir da Linha do Equador, para o Norte e para o
apresentados. Sul (variam de 0º a 90º).Para alguns paralelos foram estabelecidos
nomes especiais, como Trópicos de Câncer e Capricórnio e Círculo
Noções de Orientação Polares Ártico e Antártico. Nota-se que a variação latitudinal possui
várias funções, entre elas, a de delimitar as zonas térmicas do planeta.
Existem diferentes maneiras de se localizar no espaço terrestre. Já as longitudes estão relacionadas aos meridianos (variação em
Entre elas, uma das mais utilizadas é a rosa dos ventos. Antes, a graus a partir do Meridiano de Greenwich, para Oeste e para Leste
rosa dos ventos não estava associada aos pontos cardeais, mas sim (de 0 a 180 para cada extremo). O meridiano de Greenwich e as lon-
à direção dos ventos. Posteriormente, foi utilizada para delimitar a gitudes são muito importantes na definição dos fusos horários das
direção de pontos. São eles (o ponto e os graus dentro dos 360º): diversas partes do planeta.

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Quando se cruza um paralelo com um meridiano, tem-se a coordenada de um ponto, por exemplo: Ponto X: 30º lat N; 60º long O.
Veja alguns exemplos na ilustração a seguir:

O ponto D, por exemplo, estaria a 60º de Latitude Norte e 30º de Longitude Oeste. Nenhum outro ponto do planeta possui essa locali-
zação.
Ressalta-se que os sistemas de coordenadas e a própria rosa dos ventos são conhecimentos-chave para a utilização de tecnologias e
equipamentos modernos utilizados atualmente, como os aparelhos receptores de GPS.

Representação da realidade
Existem diferentes maneiras de se representar a realidade. Entre elas, uma das mais utilizadas é o mapa. Os mapas vão muito além de
simples ilustrações, meros desenhos, pois são carregados de informações, e, por meio de uma boa leitura, transmitem vários aspectos sobre
a realidade mapeada.
Fica evidente que, por mais técnicas que se usem, mesmo extremamente modernas, os mapas representam as realidades, mas não são
elas. Por isso, algumas informações são suprimidas e/ou distorcidas, dependendo das técnicas e ideologias utilizadas.
O mapa representa a realidade com o uso de uma escala, que nada mais é do que uma relação de proporção entre o mapa e a realidade
mapeada (dimensões reais). As escalas podem ser numéricas ou gráficas.
• A escala numérica pode ser representada por uma fração ordinária (1 / 200.000), ou por uma razão (1: 200.000, onde se lê “um
para duzentos mil”). Na escala de 1 : 200.000, a área representada foi diminuída 200 mil vezes; isso quer dizer que 1 cm no mapa equivale a
200.000 cm no terreno; ou que um metro no mapa equivalem a 200.000 Km na realidade. Nota-se que a escala é uma relação de proporção,
independente da unidade utilizada.
• Já a escala gráfica é representada por uma linha reta dividida em partes iguais; essa escala conta com a vantagem de possibilitar
que as distâncias sejam percebidas diretamente no mapa, sem a necessidade de fazer cálculos, como na escala numérica. Ela permite a vi-
sualização dessa distância. Veja a seguir um exemplo dessa forma de representação da escala.

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Independente da escala utilizada percebe-se que a Cartografia trabalha com escalas de redução, fazendo com que a realidade possa ser
representada em projeções menores do que ela.
As escalas não são proporções definidas aleatoriamente. Escalas diferentes estão associadas a funções diferentes dos mapas. Observe:
• Quanto à natureza da representação:
CADASTRAL - Até 1:25.000: As cadastrais são representações em escala grande, geralmente planimétrica e com maior nível de deta-
lhamento, apresentando grande precisão geométrica. Normalmente é utilizada para representar cidades e regiões metropolitanas, nas quais
a densidade de edificações e arruamento é grande.
GERAL TOPOGRÁFICA - De 1:25.000 até 1:250.000: Carta elaborada a partir de levantamentos aerofotogramétrico e geodésico
original ou compilada de outras cartas topográficas em escalas maiores. Inclui os acidentes naturais e artificiais, em que os elementos pla-
nimétricos (sistema viário, obras, etc.) e altimétricos (relevo através de curvas de nível, pontos colados, etc.) são geometricamente bem
representados.
GEOGRÁFICA - 1:1:000.000 e menores: Carta em que os detalhes planimétricos e altimétricos são generalizados, os quais oferecem
uma precisão de acordo com a escala de publicação. A representação planimétrica é feita através de símbolos que ampliam muito os objetos
correspondentes,alguns dos quais muitas vezes têm que ser bastante deslocados. A representação altimétrica é feita através de curvas de
nível, cuja equidistância apenas dá uma ideia geral do relevo e, em geral, são empregadas cores hipsométricas.

Projeções Cartográficas

Uma das tarefas mais árduas da Cartografia é projetar a superfície da Terra, que é arredondada, nos mapas, que são planos. Por conta
disso, acabam sendo utilizadas diferentes técnicas de projeções, cada uma proporcionando distorções diferentes. Nota-se que as projeções
também possuem uma função ideológica, pois algumas áreas são valorizadas em detrimento de outras, conforme a técnica adotada. Nota-se
que os sistemas de projeções constituem-se de uma fórmula matemática que transforma as coordenadas geográficas, a partir de uma su-
perfície esférica (elipsoidal), em coordenadas planas, mantendo correspondência entre elas. O uso deste artifício geométrico das projeções
consegue reduzir as deformações, mas nunca eliminá-las. Vejam as principais projeções a seguir:

Projeção de Mercator

Os meridianos e paralelos que se cortam em ângulos retos. É uma projeção cilíndrica conforme, que acaba exagerando as regiões po-
lares e o hemisfério Norte em geral.

Projeção de Peters

Arno Peters, em 1973, propôs uma Projeção também cilíndrica, mas equivalente, que determina uma distribuição dos paralelos com
intervalos decrescentes desde o Equador até os pólos. Ela compromete a forma dos continentes, mas permite proporções mais adequadas
em relação àMercator.

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Projeção de Mollweide

No caso de Mollweide, os paralelos são linhas retas e os meridianos, linhas curvas. Sua área é proporcional à da esfera terrestre, tendo a
forma elíptica. As zonas centrais apresentam grande exatidão, tanto em área como em configuração, no entanto, as extremidades apresentam
grandes distorções. Observe a mesma a seguir:

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Projeção de Goode

É uma projeção descontínua, e usa essa descontinuidade para eliminar várias áreas oceânicas, e, com isso, reduzir as distorções.

Também existem projeções cônicas, nas quais os meridianos convergem para os polos e os paralelos, são arcos concêntricos situados a
igual distância uns dos outros. Elas apresentam pouca distorção para as chamadas latitudes médias. Também existem as projeções azimutais
que consiste na tomada de um determinado ponto e a delimitação de áreas tangentes a partir deste (muito usada para mapear as áreas polares,
por exemplo.
Destaca-se que, no caso da Terra, a maneira mais adequada (mas nem sempre possível) de representá-la é a partir do Globo, pois este,
a partir de uma escala, procura fazer uma representação próxima ao formato original da área mapeada.

A Leitura dos Mapas

Um dos primeiros a ser observado em um mapa é o seu título. Seguramente ele trará duas informações importantes, de imediato: o que
foi mapeado e em que lugar (e em alguns casos a data/período em questão). Não observar o título de um mapa pode comprometer toda a
sua análise.
Ademais, para que possa ser realizada uma boa leitura das informações presentes nos mapas, a legenda acaba sendo uma ferramenta
fundamental, pois esta vai expressar valores e aspectos diversos presentes dentro do mapa, como linhas, cores, figuras geométricas etc. No
mapa, estas informações não seriam apresentadas, pois seria gerada uma poluição visual desnecessária, o que comprometeria sua leitura.
Diante disso, alguns aspectos sem significado explícito no mapa acabam sendo identificados por meio da legenda. Em resumo, a legenda
decodifica símbolos usados no mapa. Veja um exemplo a seguir, no qual a legenda auxilia no entendimento das áreas delimitadas no mapa.

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Algumas informações abordadas no mapa e suas respectivas representações ficam a critério do organizador do mapa. Por outro lado,
outras acabam respeitando convenções cartográficas regionais, nacionais e internacionais, pois estas buscam universalizar alguns significa-
dos e facilitar a interpretação dos mapas. É o caso de símbolos específicos para ferrovias, aeroportos, hospitais, usinas nucleares etc. Vejam
alguns exemplos de convenções adotados pelo DAER-RS:

Ainda com relação à leitura dos mapas, alguns pontos merecem destaque, como, por exemplo, as isolinhas. No caso da Cartografia, as
mais utilizadas são as curvas de nível (isoípsas), que ligam pontos de mesma altitude; as isóbaras (linhas com pontos de mesma pressão);
isoieta (mesma precipitação pluviométrica em um determinado período); isoterma (mesma temperatura) etc. Veja um exemplo das curvas
de nível e da construção de um perfil topográfico a partir delas:

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ASPECTOS FÍSICOS E MEIO


AMBIENTE NO BRASIL (GRANDES
DOMÍNIOS DE CLIMA, VEGETAÇÃO,
RELEVO E HIDROGRAFIA;
ECOSSISTEMAS).

Grandes Domínios Climáticos no Brasil


Quando se fala em classificação climática, é importante ressaltar que existem diversas metodologias para tal, e os resultados acabam
sendo igualmente diferentes. Entre elas, podem ser citadas as classificações de Köppen, de Lysia Bernardes e de Strahler. Esta última
classificação baseia-se no estudo das dinâmicas das massas de ar e é amplamente abordada em concursos. Vejamos alguns detalhes desta
classificação, primeiro mostrando as massas de ar atuando no Brasil em diferentes momentos e, posteriormente, a classificação a partir deste
critério:

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A seguir, algumas características de cada tipo climático identificado:


• Equatorial Úmido: É o clima da maior parte da Amazônia. É controlado pela massa Equatorial continental e caracterizado pela
combinação de temperaturas sempre elevadas, chuvas abundantes e pequena amplitude térmica.
• Clima Litorâneo Úmido – Ocorre no litoral leste (regiões Nordeste e Sudeste) e é controlado principalmente pela massa tropical
atlântica. No litoral da Região Sudeste, principalmente nos trechos em que a Serra do mar avança sobre o mar, as chuvas são muito intensas.
A localidade de Itapanhaú, no litoral de Bertioga (SP), detém o recorde de chuvas no país, com o índice de 4.514 mm em um ano.
• Clima Tropical com duas Estações – É o mais característico do Brasil. Abrange uma vasta porção do país que inclui a maior
parte das Regiões Centro-Oeste e Sudeste, grande parte do Nordeste e o Estado do Tocantins. A principal característica desse clima é a exis-
tência de duas estações bem diferenciadas: verões quentes e chuvosos e invernos secos.

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• Clima Tropical Semi Árido – Abrange o sertão nordestino e o norte de Minas Gerais. Caracteriza-se por apresentar temperaturas
muito elevadas e chuvas escassas e mal distribuídas durante o ano. Apresenta os menores índices pluviométricos do país.
• Clima Subtropical Úmido – Ocorre na Região Sul do país. É controlado pela Massa Polar Atlântica. Esse clima apresenta chu-
vas bem distribuídas no decorrer do ano, possui as estações do ano bem diferenciadas e apresenta invernos relativamente rigorosos. A forte
penetração do ar frio no inverno acarreta quedas de temperatura acompanhada por geadas e, às vezes, por queda de neve nas áreas mais
elevadas, como por exemplo, São Joaquim,em Santa Catarina.
Outra classificação bastante abordada em concursos é a da Geógrafa Lysia Bernardes, que adapta a classificação de Köppen à realidade
brasileira. Divide o Brasil em cinco climas básicos:
Clima equatorial: Com médias térmicas e pluviométricas elevadas, chuvas bem distribuídas ao longo do ano, como na Amazônia;
Clima Tropical: Com chuvas de verão e estiagem no inverno. E o clima da região Centro-Oeste, parte do Nordeste e Norte Ocidental.
Clima Semiárido: Caracterizado por chuvas escassas e mal distribuídas ao longo do ano; é o clima do Polígono das Secas ou sertão do
Nordeste.
Clima Tropical de altitude: Semelhante ao clima tropical, mas com acentuadas quedas de temperatura no inverno. Ocorre nos trechos
mais elevados do Sudeste e no sul do Mato Grosso do Sul, influenciado pelo fator altitude.
Clima Subtropical: É o clima do sul do país; apresenta médias térmicas menores de 20º C, devido à influência da massa polar atlântica.
A chuva é bem distribuída ao longo do ano, sem uma grande seca definida.
Muito se comenta, no Mundo em geral, sobre as chamadas mudanças climáticas. A sociedade, de modo geral, promove uma intensa
exploração de recursos naturais, incorrendo em mudanças drásticas na paisagem e na emissão de gases potencializadores do Efeito Estuda
natural da Terra, podendo levar, entre outros aspectos, ao aumento nas temperaturas médias do Planeta. O Brasil, nesse sentido, não está
dissociado das causas, tampouco imune às consequências.
A figura a seguir mostra alguns impactos a serem observadas no Brasil a partir das mudanças climáticas:

Fonte: http://www.mudancasclimaticas.andi.org.br/node/147

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Relevo Brasileiro

O relevo brasileiro foi classificado por diferentes autores, sen-


do que os critérios adotados acabam sendo distintos. Além disso,
as classificações foram realizadas em momentos diferentes, com
recursos e tecnologias igualmente distintas. Portanto, é importante
compreender qual é a classificação solicitada, para evitar a utili-
zação errônea de conceitos. Seguem, a seguir, as principais clas-
sificações.
Um dos pioneiros na classificação do relevo brasileiro foi
Aroldo de Azevedo, ainda nos anos 1940. Baseava-se na altime-
tria, dividindo que dividia o Brasil em planícies, áreas de até 200
metros de altitude, e planaltos, áreas superiores a 200 metros de
altitude. O autor dividiu o Brasil em quatro planaltos (das Guianas,
Atlântico, Central e Meridional) e  quatro planícies (Amazônica,
do Pantanal, Costeira e Gaúcha). O mapa a seguir apresenta a clas-
sificação de Azevedo:

Mais recentemente, no final da década de 1980 (89), surge


uma nova classificação, elaborada por Jurandyr Sanches Ross, da
USP. Com base em dados do Projeto Radam Brasil, o autor di-
vidiu o Brasil em 28 unidades de relevo, considerando caracte-
rísticas morfoestruturais (estruturas geológicas), morfoclimáticas
e as características morfoesculturais do relevo (ação dos agentes
externos). A grande diferença dessa classificação fica por conta da
introdução do conceito de depressão, que não estava presente nas
classificações anteriores. Portanto, no relevo do Brasil, segundo
Ross, existem Planaltos, Planícies e Depressões.
Os planaltos, segundo a classificação de Jurandyr Ross, cor-
respondem às estruturas que cobrem a maior parte do território e
são consideradas formas residuais, ou seja, constituídas por rochas
que resistiram ao trabalho de erosão. São onze planaltos, divididos
em quatro grupos:
- Planaltos em Bacias Sedimentares: constituídos por rochas
sedimentares e circundados por depressões periféricas ou margi-
nais.
- Planaltos dos Cinturões Orogênicos: originados pela erosão
sobre os antigos dobramentos sofridos na Era Pré-Cambriana pelo
Já no final dos anos 1950, outra importante classificação ga- território brasileiro.
nha destaque, ou seja, a do geógrafo Aziz Nacib Ab’Sáber. O autor - Planaltos em Núcleos Cristalinos Arqueados: estruturas que,
baseou-se na abordagem morfoclimática, considerando os efeitos embora isoladas e distantes umas das outras, possuem a mesma
do clima sobre o relevo. A classificação engloba sete planaltos forma, ligeiramente arredondada.
(Planalto das Guianas, Planalto Central, - Planaltos em intrusões e coberturas residuais da plataforma
Planalto Meridional, Planalto Nordestino, Planalto do Mara- (escudos):formações antigas da era Pré-Cambriana que possuem
nhão-Piauí, Planalto Uruguaio Sul Rio grandense, Serras e Pla- grande parte de sua extensão recoberta por terrenos sedimentares.
naltos do Leste e Sudeste)  e  três planícies (Planície Amazônica,
Planície do Pantanal e Planície Costeira), conforme mostra o mapa Nas planícies, espaços onde a sedimentação é predominante,
a seguir: as constituições das rochas se diferenciam dos planaltos e das de-
pressões por serem formadas por sedimentação recente, com ori-
gem no Quaternário. São seis no Brasil: Planície do Rio Amazo-
nas, Planície do Rio Araguaia, Planície e Pantanal do Rio Guaporé,
Planície e Pantanal Matogrossense, Planície da Lagoa dos Patos e
Mirim, Planície e Tabuleiros Litorâneos.

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As depressões áreas rebaixadas por erosão que circundam as bordas das bacias sedimentares, interpondo-se entre estas e os maciços
cristalinos. São subdivididas em:
- Depressão Periférica: estabelecidas nas regiões de contato entre estruturas sedimentares e cristalinas.
- Depressão Interplanáltica: estabelecidas em áreas mais baixas em relação aos planaltos que as circundam.
- Depressão Marginal: margeiam as bordas de bacias sedimentares, esculpidas em estruturas cristalinas.

O mapa a seguir mostra a classificação do relevo brasileiro segundo Ross:

Vegetação no Brasil
Ainda com relação à caracterização física do território brasileiro, outro tema amplamente abordado em concursos são as características
dos biomas que cobrem o território. Segundo o próprio IBGE, um Bioma é um conjunto de tipos de vegetação que abrange grandes áreas
contínuas, em escala regional, com flora e fauna similares, definida pelas condições físicas predominantes nas regiões. Esses aspectos cli-
máticos, geográficos e litológicos (das rochas), por exemplo, fazem com que um bioma seja dotado de uma diversidade biológica singular,
própria. No Brasil, os biomas existentes são (da maior extensão para a menor): a Amazônia, o cerrado, a Mata Atlântica, a Caatinga, o Pampa
e o Pantanal.

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A seguir, conheça cada bioma do Brasil (informações do IBGE).

• Amazônia
Trata-se da a maior reserva de biodiversidade do mundo e o maior bioma do Brasil – ocupando quase metade (49,29%) do território
nacional. Cobre totalmente cinco Estados (Acre, Amapá, Amazonas, Pará e Roraima), quase totalmente Rondônia (98,8%) e parcialmente
Mato Grosso (54%), Maranhão (34%) e Tocantins (9%). É dominado pelo clima quente e úmido (com temperatura média de 25 °C) e por
florestas. As chuvas são torrenciais e bem distribuídas durante o ano e rios com fluxo intenso. É marcado pela bacia amazônica, que escoa
20% do volume de água doce do mundo.
A vegetação característica é de árvores altas. Nas planícies que acompanham o Rio Amazonas e seus afluentes, encontram-se as matas
de várzeas (periodicamente inundadas) e as matas de igapó (permanentemente inundadas). Estima-se que esse bioma abrigue mais da meta-
de de todas as espécies vivas do Brasil.

• Cerrado
O segundo maior bioma da América do Sul e cobre 22% do território brasileiro. Ocupa totalmente o Distrito Federal e boa parte de
Goiás (97%), de Tocantins (91%), do Maranhão (65%), do Mato Grosso do Sul (61%) e de Minas Gerais (57%), além de cobrir áreas
menores de outros seis Estados. É no Cerrado que está a nascente das três maiores bacias da América do Sul (Amazônica/Tocantins, São
Francisco e Prata), o que resulta em elevado potencial aquífero e grande biodiversidade. Esse bioma abriga mais de 6,5 mil espécies de
plantas já catalogadas.
Predominam formações da savana e clima tropical quente sub úmido, com uma estação seca e uma chuvosa e temperatura média anual
entre 22 °C e 27 °C. Além dos planaltos, com extensas chapadas, existem nessas regiões florestas de galeria, conhecidas como mata ciliar e
mata ribeirinha, ao longo do curso d’água e com folhagem persistente durante todo o ano; e a vereda, em vales encharcados e que é composta
de agrupamentos da palmeira buriti sobre uma camada de gramíneas (estas são constituídas por plantas de diversas espécies, como gramas
e bambus).

• Mata Atlântica
É um complexo ambiental que engloba cadeias de maciços antigos, vales, planaltos e planícies de toda a faixa continental atlântica leste
brasileira, além de avançar sobre o Planalto Meridional até o Rio Grande do Sul. Ocupa totalmente o Espírito Santo, o Rio de Janeiro e Santa
Catarina, 98% do Paraná e áreas de mais 11 Unidades da Federação.
Tem como principal tipo de vegetação a floresta ombrófila densa, basicamente composta por árvores altas e relacionada a um clima
quente e úmido. A Mata Atlântica já foi um dos mais ricos e variados conjuntos florestais pluviais da América do Sul, mas atualmente é
reconhecida como o bioma brasileiro mais descaracterizado, fruto dos intensos desmatamentos relacionados aos episódios de colonização
no Brasil e os ciclos de desenvolvimento do país levaram o homem a ocupar e destruir parte desse espaço (cana de açúcar, café, pecuária,
urbanização, industrialização etc.).

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• Caatinga
O nome é de origem indígena e significa “mata clara e aberta”. É exclusivamente brasileira e ocupa cerca de 11% do país. É o principal
bioma da Região Nordeste, ocupando totalmente o Ceará e parte do Rio Grande do Norte (95%), da Paraíba (92%), de Pernambuco (83%),
do Piauí (63%), da Bahia (54%), de Sergipe (49%), do Alagoas (48%) e do Maranhão (1%). A caatinga também cobre 2% de Minas Gerais.
Apresenta uma grande riqueza de ambientes e espécies, que não é encontrada em nenhum outro bioma. A seca, a luminosidade e o calor
característicos de áreas tropicais resultam numa vegetação de savana estépica, espinhosa e decidual (quando as folhas caem em determina-
da época). Há também áreas serranas, brejos e outros tipos de bolsão climático mais ameno. Esse bioma está sujeito a dois períodos secos
anuais: um de longo período de estiagem, seguido de chuvas intermitentes e um de seca curta seguido de chuvas torrenciais (que podem
faltar durante anos). Dos ecossistemas originais da caatinga, 80% foram alterados, em especial por causa de desmatamentos e queimadas.

• Pampa
Está presente somente no Rio Grande do Sul, ocupando 63% do território do Estado. Ele constitui os pampas sul-americanos, que se
estendem pelo Uruguai e pela Argentina e, internacionalmente, são classificados de Estepe. O pampa é marcado por clima chuvoso, sem
período seco regular e com frentes polares e temperaturas negativas no inverno.
Predomina uma vegetação constituída de ervas e arbustos, recobrindo um relevo nivelado levemente ondulado. Formações florestais
não são comuns nesse bioma e, quando ocorrem, são do tipo floresta ombrófila densa (árvores altas) e floresta estacional decidual (com
árvores que perdem as folhas no período de seca).

• Pantanal
Cobre 25% de Mato Grosso do Sul e 7% de Mato Grosso e seus limites coincidem com os da Planície do Pantanal, mais conhecida como
Pantanal mato-grossense. O Pantanal é um bioma praticamente exclusivo do Brasil, pois apenas uma pequena faixa dele adentra outros paí-
ses (o Paraguai e a Bolívia). Caracterizado por inundações de longa duração (devido ao solo pouco permeável) que ocorrem anualmente na
planície, e provocam alterações no ambiente, na vida silvestre e no cotidiano das populações locais. A vegetação predominante é a savana.
A cobertura vegetal original de áreas que circundam o Pantanal foi em grande parte substituída por lavouras e pastagens, num processo que
já repercute na Planície do Pantanal.
Uma outra forma de abordar o conceito vegetação refere-se à delimitação exclusivamente das coberturas vegetais. Nesse caso, o Brasil
possui cinco Formações Florestais, três formações arbustivas e herbáceas e duas formações complexas, conforme ilustra o quadro a seguir:

Hidrografia Brasileira

O Brasil é um país de grande extensão territorial (mais de 8,5 milhões de Km2), tendo uma extensa rede hidrográfica. Algumas carac-
terísticas dessa rede se destacam:
- Genericamente, os rios brasileiros são de planalto, o que potencializa a produção de energia por hidrelétricas, mas por outro lado,
dificulta a navegação fluvial (carece de eclusas para a ligação desses desníveis);
- Existe um predomínio de rios com regime pluvial, ou seja, abastecidos basicamente por águas das chuvas. Existem exceções, como o
Rio Amazonas, que é de regime misto (também recebe água do derretimento de neve oriunda dos Andes, no seu alto curso);
- No geral, os rios brasileiros são exorreicos, ou seja, a drenagem das águas tem como destino os oceanos. Ressalta-se que, mesmo que
a água de um rio deságue em um rio no interior (exemplo, o Rio Tietê desaguando no Rio Paraná), esse volume hídrico irá posteriormente
ao oceano, mantendo o caráter exorreico.

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- Com exceção do rio Amazonas, que apresenta uma foz mis- - Bacia do São Francisco
ta, de delta e estuário, e do rio Parnaíba, que apresenta foz em
delta, os rios brasileiros – que deságuam livremente no oceano for- Possui uma vazão média anual de 3.360m3/s, volume médio
mam estuários. anual de106Km3 e uma área de drenagem de 631.000Km2 , que
- No geral, os rios brasileiros são perenes, ou seja, possuem representa 7,5% do território nacional; onde 83% da área da bacia
água corrente o ano todo. No semiárido nordestino alguns rios são distribuem-se nos Estados de Minas Gerais e Bahia, 16% nos Esta-
intermitentes, ou seja, secam e parte do ano, na estação seca. dos de Pernambuco, Alagoas e Sergipe , e o restante 1% no Estado
A seguir, seguem as principais características das grandes ba- de Goiás e Distrito Federal.
cias hidrográficas brasileiras. Destaca-se que são vários os crité- O rio que dá o nome à Bacia, O São Francisco,tem uma ex-
rios para as definições das bacias. A classificação adotada foi a da tensão de 2.700 Km, nascendo na Serra da Canastra, em Minas
ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica): Gerais, percorrendo a longa depressão encravada entre o Planalto
Atlântico e as Chapadas do Brasil Central, segue a orientação sul-
- Bacia do Rio Amazonas norte até aproximadamente a cidade de Barra, dirigindo-se então
para Nordeste até atingir a cidade de Cabrobó, quando inflete para
A Bacia Amazônica abrange uma área de drenagem da ordem Sudeste para desembocar no Oceano Atlântico. É importância não
de 6.112 .000 Km², ocupando cerca de 42 % da superfície do terri- só pelo volume de água transportado numa região semi-árida mas,
tório nacional. É a maior rede hidrográfica mundial, estendendo-se principalmente, pela sua contribuição histórica e econômica na
dos Andes até o Oceano Atlântico. Engloba cerca de 42% da su- fixação das populações ribeirinhas e na criação das cidades hoje
perfície brasileira, ocupando também áreas da Venezuela e Bolívia. plantadas ao longo do vale, bem como pelo potencial hídrico pas-
O principal rio é o Amazonas (6.570 km). Com nascente há sível de aproveitamento em futuros planos de irrigação dos exce-
cerca de 5.000m acima do nível do mar. Entra no Brasil na con- lentes solos situados à sua margem.
fluência com o rio Javari, somente a partir da confluência com o rio
Javari, próximo a Tabatinga, sendo, então, chamado de Solimões e, - Bacia dos Rios da Região do Atântico Sul trecho Leste
somente a partir da confluência com o rio Negro, passa a ser deno-
minado de Amazonas. Próximo a Manaus, bifurca-se com o Paraná
Engloba parte dos territórios dos estados de São Paulo, Minas
do Careiro, estimando-se aí uma largura da ordem de 1.500m e pro-
Gerais, Bahia, Sergipe, além dos estados do Rio de Janeiro e Espí-
fundidade em torno de 35 m. Entre a confluência do rio Negro e a
rito Santo. Esta bacia compreende a área de drenagem dos rios que
região das ilhas, próximo a desembocadura, é conhecido por Baixo
deságuam no Atlântico, entre a fóz do rio São Francisco, ao norte,
Amazonas. Em virtude de sua posição geográfica, praticamente pa-
e a divisa entre os estados do Rio de Janeiro e São Paulo, ao sul.
ralela ao Equador, o regime do Amazonas é influenciado pelos dois
Possui uma vazão média anual de 3.690m3/s, volume médio anual
máximos de pluviosidade dos equinócios, sendo, por isso conheci-
do como regime fluvial de duas cheias. de117 Km3 em uma área de drenagem calculada em 569.000Km2.
A bacia Amazônica está sujeita ao regime de interferência, por-
tanto tem contribuintes dos hemisférios Norte e Sul, coincidindo a - Bacia do Rio Paraná
cheia de um hemisfério com a vazante do outro.
Importante bacia brasileira, possui uma vazão média anual
- Bacia do Tocantins-Araguaia de 15.620 m3/s, volume médio anual de 495 Km3 e uma área de
drenagem de1.237.000 Km2. Possui importantes rios em sua com-
Trata-se de uma importante bacia brasileira, com uma vazão posição, como o Paraná (nome da Bacia), Grande, Paranapanema,
média anual de 10.900m3/s e uma área de drenagem de 767.000Km2 Tietê etc. É fortemente utilizada para a produção de energia e para
(7,5% do território nacional). Majoritariamente no Centro Oeste, a navegação.
engloba áreas dos estados do Tocantins e Goiás (58%), Mato Gros-
so (24%), Pará ( 13%) e Maranhão (4%), além do DF ( 1%). - Bacia do Rio Uruguai

- Bacia do Atlântico trechos Norte/Nordeste Abrange uma área de aproximadamente 384.000 km2, dos
quais 176.000 km2 situam-se em território nacional, compreen-
A Bacia do Atlântico - Trecho Norte/Nordeste banha extensas dendo 46.000Km2 do Estado de Santa Catarina e 130.000Km2 no
áreas dos Estados do Amapá, Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande Estado do rio Grande do Sul. Possui uma vazão média anual de
do Norte, e parte do Estado da Paraíba, Pernambuco, Pará e Ala- 3.600m3/s, volume médio anual de 114 Km3.
goas. Inclui-se nesta região o ponto mais oriental do País, Ponta do Em sua porção nacional, encontra-se totalmente na região sul,
Seixas na Paraíba. A Bacia do Atlântico - Trecho Norte/Nordeste, possuindo as sub-bacias Canoas, Pelotas, Forquilha, Ligeiro, Pei-
possui uma vazão média anual de 6.800 m3/s e uma área de dre- xe, Irani, Passo Fundo, Chapecó, da Várzea, Antas, Guarita, Itajaí,
nagem de 996.000 Km² composta por dois trecho: Norte e Nordes- Piratini, Ibicuí, alto Uruguai e Médio Uruguai.
te. O Trecho Norte corresponde a área de drenagem dos rios que
deságuam ao norte da Bacia Amazônica, incluindo a bacia do rio - Bacia dos Rios do Atlântico Sul - trecho Sudeste
Oiapoque. A drenagem da bacia é representada por rios principais
caudalosos e perenes, que permanecem durante o ano com razoável Com uma área de 224.000 Km2 , banha extensas áreas do Es-
vazão, se comparados aos da região semi-árida nordestina. O se- tado do Rio Grande do Sul e parte dos Estados de Santa Catarina,
gundo trecho - Nordeste, corresponde a área de drenagem dos rios Paraná e São Paulo. Abarca os rios Ribeira do Iguape, Itajaí, Mam-
que deságuam no Atlântico, entre a foz do rio Tocantins e a do rio pituba, Jacuí, Taquari, Jaguarão (e seus respectivos afluentes), la-
São Francisco. goa dos Patos e lagoa Mirim.

Didatismo e Conhecimento 14
GEOGRAFIA

AS ATIVIDADES ECONÔMICAS E A
ORGANIZAÇÃO DO ESPAÇO AGRÁRIO:
MODERNIZAÇÃO E CONFLITOS; ESPAÇO
URBANO: ATIVIDADES ECONÔMICAS,
EMPREGO E POBREZA; A REDE URBANA E
AS REGIÕES METROPOLITANAS.

Nessa etapa, serão abordados diferentes aspectos ao espaço econômico brasileiro, seja no campo ou nas áreas urbanas.

Espaço Agrário Brasileiro – Breve Histórico da Estrutura Fundiária

A estrutura fundiária, ou seja, o modo como as propriedades rurais estão dispersas pelo território e seus respectivos tamanhos, mostra
que o Brasil é amplamente desigual nesse quesito, ou seja, “pouca” gente concentra a maior parte das áreas (grandes latifúndios), enquanto
uma grande maioria fica com uma fatia significativamente menor do espaço agrário. Isso mostra, portanto, uma imensa desigualdade no
acesso à terra no Brasil.
Essa estrutural fundiária configura-se como um dos principais problemas do espaço agrário brasileiro, uma vez que interfere direta-
mente na quantidade de postos de trabalho, valor de salários e, diretamente, nas condições de trabalho e o modo de vida (qualidade) dos
trabalhadores rurais.
Diante das informações, fica evidente que no Brasil ocorre uma discrepância em relação à distribuição de terras, uma vez que alguns de-
têm uma elevada quantidade de terras e outros possuem pouca ou nenhuma, esses aspectos caracterizam a concentração fundiária brasileira.
O quadro a seguir mostra algumas características da estrutura fundiária brasileira.

Outra forma de concentração de terras no Brasil, mais recentemente,é proveniente de um processo de expropriação, ou seja, a venda
de pequenas propriedades rurais para grandes latifundiários com intuito de pagar dívidas (muitas geradas em empréstimos e financiamentos
bancários) ou por não conseguir competitividade econômica frente à concorrência de grandes propriedades. Esse processo como um todo
favorece o êxodo rural, uma vez que muitos trabalhadores não conseguem se fixar no campo.
Esse cenário traz diferentes problemas: o campo, centrado na produção de matérias-primas exportáveis, diversas vezes não consegue
suprir o mercado interno com itens básicos da alimentação, inflacionando o preço dos alimentos por uma relação de maior demanda frente a
uma menor oferta. Ainda, potencializa os conflitos no campo, sobretudo aqueles encabeçados por movimentos sociais de luta pela terra, que
almejam uma estrutura fundiária mais inclusiva e com mais espaço à agricultura familiar frente ao agronegócio.

Produção no Espaço Agrário Brasileiro

O Brasil se destaca no mercado mundial como exportador de alguns produtos agrícolas como o café, o açúcar, soja e suco de laranja.
Entretanto, para abastecer o mercado interno de consumo,há a necessidade de importação de alguns produtos, com desta que para o trigo
(dos EUA, Canadá e Argentina, por exemplo), cuja área plantada foi reduzida a partir de 1990.
Ao longo da história do Brasil, a política agrícola tem dirigido maiores subsídios aos produtos agrícolas de exportação, cultivados nos
grandes latifúndios, em detrimento da produção do mercado interno, obtida em pequenas e médias propriedades. Alguns dos principais
produtos:

Didatismo e Conhecimento 15
GEOGRAFIA
Soja – O cultivo da soja desenvolveu-se no Brasil na Re- Milho – Nativo da América, o milho é cultivado em todos
gião Sul pelos imigrantes alemães no século XIX. Até a década os estados brasileiros, pois adapta-se facilmente às mais variadas
de 1960, ela permaneceu nessa região,considerada de clima mais condições climáticas. Entre as principais variedades cultivadas
favorável ao seu desenvolvimento, ao mesmo tempo em que o pe- temos: amarelo,pérola, catete, goiano, cristalino, etc. O milho é
queno consumo interno não incentivava o aumento da produção. consumido no Brasil inteiro como produto complementar da ali-
Já no final da década de 1960, a soja do Brasil foi colocada no mer- mentação, sendo que em algumas regiões toma o lugar de produto
cado internacional. Incentivada pela demanda externa, a área de básico. Paraná, Rio Grande do Sul e Minas Gerais são principais
cultivo expandiu-se bastante, especialmente pelos estados do Mato produtores.
Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, São Paulo. Hoje,o produto é Feijão – O feijão ocupa mais de 4 milhões de hectares culti-
cultivado inclusive em estados da região Norte e Nordeste, com vados no Brasil, o que corresponde a 11% do total da área ocupada
forte extensão para uma área do país denominada “MAPITOBA” pelas lavouras. Com essa cifra, ocupa o quarto lugar em área culti-
(área que une parte dos estados do Maranhão, Piauí, Tocantins e vada no Brasil. Porém muitas vezes temos que fazer a importação
Bahia. Os principais produtores são Rio Grande do Sul, Paraná e do produto para abastecer o mercado interno.
Mato Grosso. Arroz – Planta originária da Ásia, especialmente do Vietnã,In-
Café – O café chegou ao Brasil em 1727, trazido por Francis- donésia, Índia e China. É uma planta conhecida desde a antigui-
co de Melo Palheta e introduzido inicialmente em Belém, no Pará. dade e constitui o alimento básico de bilhões de seres humanos.
Na Amazônia, não encontrou condições favoráveis para se desen- Apesar de ser um dos alimentos básicos da população brasileira,
volver devido ao clima superúmido e aos solos facilmente esgotá- durante muitos anos a nossa produção não foi suficiente para aten-
veis. No início do século XIX, começou a ser plantado na Baixada der às necessidades do mercado interno. A partir de 1920, as plan-
Fluminense e se espalhou por todo o Vale do Paraíba, atingindo tações de arroz se desenvolveram no Brasil, sendo que hoje o país
as encostas da Mantiqueira e as contra encostas da serra do Mar. ocupa um lugar de destaque entre outros produtores mundiais. São
Por volta de 1860, a região de Campinas transformou-se na mais cultivadas, no Brasil, duas variedades: o arroz de várzea e o arroz
importante área cafeeira paulista, expandindo-se pelas manchas de de sequeiro ou de encosta. O arroz de várzea é cultivado principal-
terra roxa da depressão periférica paulista. O café sofreu inúmeras mente no Rio Grande do Sul, nos vales dos rios Jacuí e Uruguai,
crises, tanto de superprodução, como também perdas por causa sendo que o arroz de sequeiro é cultivado especialmente em Minas
das geadas. Atualmente, o estado de Minas Gerais domina ampla- Gerais e Mato Grosso.
mente a produção nacional, com cerca de 47% do total, seguido do Mandioca – Um dos produtos mais antigos, já era cultivado
Espírito Santo e de São Paulo. pelos índios e teve grande importância econômica no período co-
Cacau – Continua sendo importante produto de exportação. É lonial e mesmo depois da independência. Basta lembrar, que nossa
originário da América e seu desenvolvimento data do século XVIII primeira Constituição foi chamada de “Constituição da Mandio-
quando começou a ser plantado no litoral da Bahia. O cacau adap- ca”, pois esse produto foi tomado como referência para estabelecer
tou-se bem às condições de solo da Bahia,expandindo-se e vindo quem seria eleitor, haja vista, que o voto era censitário. A Bahia,
a representar, em fins do século passado, o principal produto da Rio Grande do Sul e Minas Gerais são os principais produtores
região e do estado. A Bahia e o Espírito Santo dominam a produ- nacionais.
ção brasileira. Trigo – A introdução do trigo no Brasil data da primeira expe-
Algodão – É uma das mais tradicionais culturas agrícolas do dição colonizadora, que trouxe sementes da Europa. Em 1556, ten-
país, quer como fornecedor de matéria-prima para a indústria têx- tou-se o seu cultivo na capitania de São Vicente. No Rio Grande do
til, que como fornecedor de matéria-prima para a indústria de óleos Sul, a cultura do trigo foi introduzida em1749, por colonos vindos
comestíveis. Temos dois tipos de produção: o algodão arbóreo,pre- dos Açores. Apesar de todas as pesquisas realizadas, o Brasil ainda
dominante no Nordeste, e o algodão arbustivo, encontrado no Nor- não é auto suficiente e até tem diminuído sua produção nos últimos
deste e no Sudeste. A cultura algodoeira requer investimentos de anos. Depois do petróleo, esse cereal é o produto que mais onera a
capital, pois devem ser observados os seguintes itens:* a época;* nossa pauta de importações. Aliado aos problemas de ordem técni-
o uso de inseticidas e fertilizantes;* a prática adequada de conser- ca, temos também os problemas de ordem climática. Paraná e Rio
vação e preparo dos solos. Grande do Sul possuem a maior produção.
Cana-de-açúcar – Essa cultura data da época colonial. A em-
presa agrícola canavieira no Brasil apareceu como uma solução Pecuária no Brasil
para que os portugueses ocupassem efetivamente as terras desco-
bertas e ao mesmo tempo mantivessem um fluxo de bens perma- De acordo com a classificação das atividades econômicas uti-
nentes para a Europa. De 1532 a 1660 a produção de cana-de-açú- lizadas pela ONU (Organização das Nações Unidas), a pecuária
car cresceu,conquistando o papel de maior fornecedor de açúcar compreende a criação de gado (bovino, suíno, equino, etc.), aves,-
no mercado internacional. Em 1660 a cana-de-açúcar, no Brasil, coelhos e abelhas. A criação do gado bovino é a mais difundida
sofreu a sua grande crise devido à entrada no mercado interna- mundialmente,devido à utilidade que apresenta para o homem, ou
cional do açúcar das Antilhas. Durante o início do século XVIII, seja, força de trabalho, meio de transporte e, principalmente o for-
a economia canavieira sofreu uma lenta recuperação, retornando necimento de carne, leite e couro.
ao ritmo normal só na segunda metade do século XVIII, quando
ressurgiram os grandes engenhos, tornando-se o açúcar o primeiro Áreas de Pastagens
produto de nossa economia. Hoje, a cana-de-açúcar sofre a con-
corrência do açúcar de beterraba no mercado internacional, onde a No Brasil, cerca de 20% do território é constituído pelas pas-
beterraba atende a35% do consumo mundial do açúcar. São Paulo tagens naturais e artificiais. Essa cifra tem aumentado nos últimos
detém 60% da produção nacional, seguido de Alagoas e Pernam- anos, embora de maneira lenta. As pastagens artificiais apresentam
buco. um suporte de 1,0 cabeça de gado por hectare.

Didatismo e Conhecimento 16
GEOGRAFIA
A maior parte do rebanho brasileiro está com pastos insufi- O gado leiteiro localiza-se próximo aos centros consumidores
cientes, significando que são insuficientemente alimentados. A re- devido:
gião Sul do Brasil, pelas suas características morfológicas,é a que * à maior exigência de administração e da assistência técnica;
apresenta melhores condições para o desenvolvimento dogado. * ao fato de ser a atividade mais intensiva;
A região Centro-Oeste possui um rebanho bovino muito nu- * à maior necessidade de capital;
meroso, sendo essa região responsável por boa parte do abasteci- * à maior dificuldade de conservação do leite consumido in
mento de carne para diversas partes do país. natura;
Por outro lado, o rebanho suíno, que é o segundo mais nume * à menor distância para transporte do produto, cujo forneci-
roso do país, concentra-se especialmente na região Sul, sendo o mento é contínuo;
estado do Paraná, aquele que possui o maior e melhor rebanho. * à maior facilidade da aquisição de insumos para a produção.
Podemos ainda observar que os rebanhos caprino e ovino apa- Vale a pena lembrar que a região Sul, devido às condições de
recem predominantemente nas regiões Nordeste e Sul, sendo que clima e solo, apresenta grandes extensões de campos que repre-
90% do gado caprino está no Nordeste e a maior parte do gado sentam áreas para pastos naturais de grande qualidade. O rebanho
gaúcho é de alta qualidade e é representado pelas raças hereford,
suíno na região Sul.
devon, olled angus e shorthorn para corte. Em áreas próximas às
grandes cidades criam-se os gados holandês, Jersey e normando
O rebanho bovino para a produção leiteira. As principais áreas de criação são as se-
guintes:
Introduzido no Brasil por volta de 1530 em São Vicente, e - Campanha Gaúcha – RS
logo depois no Nordeste (Recife e Salvador), o gado bovino espa- - Planalto Norte Gaúcho – RS
lhou-se com o tempo para as diversas regiões do país da seguinte - Campos de Vacaria – RS
forma: - Campos de Lajes – SC
* de São Vicente, o gado atingiu o interior paulista e daí diri- - Campos Gerais de Guarapuava – PR
giu-se às regiões Sul e Centro-Oeste;
* do litoral nordestino, o gado espalhou-se pelo Vale do São Pecuária de Corte
Francisco, Sertão nordestino (Piauí, Maranhão), região Norte(Pará)
e Minas Gerais. O rebanho de corte da região Sudeste está concentrado princi-
A partir do século XIX as raças indianas (zebu) foram intro- palmente no estado de Minas Gerais e em São Paulo. É uma ativi-
duzidas na região Sudeste, principalmente em Minas Gerais,onde dade em expansão, porém não tem mostrado significativa melhoria
adaptaram-se bem e expandiram-se. Seu cruzamento com raças na- nas técnicas de criação e produtividade dos rebanhos,guardando a
cionais de qualidade inferior, originou o gado mestiço indubrasil. sua característica de exploração tradicional de caráter extensivo e
No final do século XIX iniciou-se a importação de raças eu- de baixo nível tecnológico.
ropeias selecionadas (hereford, devon, shorthorn),principalmente No estado de Minas Gerais, destacamos as regiões do Triân-
para o Sul do país, região que permitiu boa aclimatação e grande gulo Mineiro, região do rio Doce e rio Mucuri, o médio Jequi-
expansão. tinhonha e a região de Montes Claros. No estado de São Paulo,
O gado bovino é criado de forma predominantemente extensi- destacamos a Alta Noroeste e a Alta Sorocaba, com destaque para
va, amplamente utilizada em regiões inóspitas para garantira posse as cidades de Barretos e Araçatuba.
da terra. Em regiões afastadas dos principais centros de consumo, A especialização que se desenvolveu no Brasil Central pe-
onde há deficiência no sistema de transportes, ou quando o solo cuário, tendo São Paulo como o grande centro de engorda e de
não oferece boas condições de utilização agrícola e,portanto,pro- industrialização de carne e os estados de Goiás, Mato Grosso do
Sul e parte de Minas Gerais como os fornecedores de gado magro,-
dução de ração, a pecuária intensiva é economicamente inviável.
começa a se modificar com a implantação de frigoríficos nas áreas
As principais consequências econômicas dessa realidade são:
de produção e com a expansão e a melhoria do sistema rodoviário
- baixo aproveitamento da terra; que, atingindo esses estados, permite o fluxo contínuo da carne
- predomínio de gado rústico (zebu); para os centros consumidores.
- alta incidência de doenças e subnutrição; Sistemas de Criação – Há dois sistemas de criação: o intensivo
- baixos índices de fertilidade; e o extensivo.
- baixa rentabilidade; Sistema de criação intensivo – é a criação que ocupa áreas
- obtenção de carne de baixa qualidade, o que dificulta a ex- limitadas, com rebanhos pouco numerosos. Apresenta alto ren-
portação; dimento em qualidade graças à aplicação de métodos científicos.
- desmatamento de vastas áreas florestadas. Representa, em geral, a criação destinada à produção de leite e
As principais áreas do país que apresentam essa realidade aparece no sul de Minas Gerais, no vale do Paraíba e como já vi-
são a periferia da Amazônia, o cerrado dos estados de Mato Gros- mos, em regiões próximas aos grandes centros urbanos.
so,Mato Grosso do Sul, Goiás, Tocantins e Minas Gerais, além do Sistema de criação extensivo – é a criação que ocupa extensas
Sertão nordestino e do Pantanal Mato-Grossense. áreas, com rebanhos numerosos e pastagens naturais em sua maio-
ria; apresenta rendimento de baixa qualidade. Representa a pecuá-
Produção leiteira no Brasil ria destinada ao corte e é o tipo de criação predominante no Brasil.

A principal área produtora de leite no Brasil situa-se na Re- Urbanização Brasileira


gião Sudeste, compreendendo as bacias leiteiras do Rio de Janeiro,
São Paulo e Minas Gerais, três dos maiores centros consumidores O processo de urbanização é o aumento proporcional da popu-
do país, e o complexo industrial de laticínios da zona de Minas lação urbana em relação à população rural. Segundo esse conceito,
Gerais com o Vale do Paraíba. só ocorre urbanização quando o crescimento da população urbana

Didatismo e Conhecimento 17
GEOGRAFIA
é superior ao crescimento da população rural. Esse processo está • Favelização: multiplicação de moradias irregulares,
associado ao chamado êxodo rural, ou seja, a transferência de pes- muitas em áreas de risco, fruto de um amplo déficit habitacional e
soas dos ambientes rurais para os ambientes urbanos. da desigualdade econômica dos ambientes urbanos. Cerca de ¼ da
Somente na segunda metade do século XX, em meados da população brasileira vive em favelas, sobretudo em grandes centros;
década de 1960, o Brasil tornou-se um país urbano, ou seja, mais • Trânsito: o acelerado aumento na circulação de auto-
de 50% de sua população passou a residir nas cidades. A partir da móveis, associados a sistemas viários insuficientes, bem como a
década de 1950, o processo de urbanização no Brasil tornou-se falta de serviços de transporte coletivo adequados, faz com que os
cada vez mais acelerado. Isso se deve, principalmente, à intensifi- problemas de mobilidade urbana se multipliquem;
cação do processo de industrialização brasileiro ocorrido a partir • As cidades, no seu processo de crescimento desorde-
de 1956, como parte da “política desenvolvimentista” do governo nado, ampliam o problema denominado de macrocefalia urbana,
Juscelino Kubitschek. ou seja, um aumento populacional além das estruturas disponíveis
Industrialização e Urbanização estiveram ligadas de maneira (como nos já citados casos de déficit habitacional e mobilidade
bastante intensa no Brasil, pois as unidades fabris buscavam im- urbana, além da falta de escolas, rede de saúde, espaços para entre-
portantes fatores locacionais, como infraestrutura, disponibilidade tenimento, segurança pública, saneamento básico etc.
de mão de obra e presença de mercado consumidor. Ainda, desta- Nos últimos anos, a rede urbana brasileira vem apresentando
ca-se o fato da industrialização brasileira ter se pautado no mode- significativas mudanças, fruto de um amplo processo de integração
lo denominado substituição de importações, ou seja, no momento dos mercados a partir da Globalização.
que os investimentos no setor agrícola, especialmente no setor ca- Estas cidades são ligadas umas as outras e dependentes entre
feeiro, deixavam de ser rentáveis, além das dificuldades de impor- si dentro das novas tendências do mercado (produção, circulação,
tação ocasionadas pela Primeira Guerra Mundial e pela Segunda, consumo e os diversos aspectos das relações sociais).
passou-se a empregar mais investimentos no setor industrial. Até a década de 1970 a rede urbana brasileira caracterizava-
Os diferentes estabelecimentos comerciais, como a têxtil e a se por uma menor complexidade funcional dos seus centros urba-
alimentícia, concentraram-se principalmente no Sudeste, notada- nos, ou seja, por um pequeno grau de articulação entre estes, com
mente nos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro. Esse acelerado interações espaciais predominantemente regionais. A partir desse
desenvolvimento industrial necessitava de grande contingente de momento,a criação de novos núcleos urbanos, a crescente comple-
xidade funcional dos já existentes, a mais intensa articulação entre
mão-de-obra para trabalhar nessas fábricas, na construção civil, no
centros e regiões, a complexidade dos padrões espaciais da rede e
comércio ou nos serviços, o que atraiu milhares de migrantes do
as novas formas de urbanização, entre outros aspectos, modificam
campo para as cidades (êxodo rural).
a rede urbana, tornando-a mais complexa. As cidades brasileiras
O processo de urbanização brasileiro apoiou-se basicamente
estão bem mais integradas.
no êxodo rural. O campo, por vários aspectos já abordados no texto
Nessa rede urbana, algumas cidades se destacam hierarqui-
sobre a estrutura fundiária brasileira, acabou se transformando em
camente. São Paulo, por exemplo, é considerada uma Metrópole
um espaço de repulsão populacional. O trabalhador, na ausência
Global, pois sua influência transcende o território Nacional. Desta-
de oportunidades no campo, migrou para as cidades, levando a um
ca-se nessa perspectiva, a cidade do Rio de Janeiro, que vem cres-
enorme crescimento de muitos espaços urbanos no Brasil, dando cendo em visibilidade, sobretudo por conta dos inúmeros eventos
origem a enormes metrópoles e à multiplicação de cidades médias. já realizados e ainda por realizar, que acabam atraindo vultosos
Atualmente, a participação da população urbana no total da investimentos públicos e privados. Ademais, existem as metrópo-
população brasileira atinge níveis próximos aos países desenvolvi- les nacionais, como Belo Horizonte, Curitiba e Brasília, com papel
dos e com uma urbanização mais antiga. Em 1940, cerca de 30% de destaque no país. Ainda, existem as Metrópoles Regionais, que
do total da população do país viviam em cidades. Esse percentual acabam por exercer grande influência em determinadas regiões,
cresceu aceleradamente, sendo que em meados da década de 1960 como Belém e Campinas. Por último, alguns centros regionais aca-
a população urbana já era superior à rural. Em 2000, a população bam exercendo influência sobre as cidades no seu entorno (Bauru-
urbana era de cerca de 81% e, em 2013, cerca de 85% de pessoas -SP, Maringá-PR, Uberlândia-SP etc.).
vivem em cidades no Brasil. De acordo com projeções, até 2050, a
porcentagem da população brasileira que vive em centros urbanos Algumas informações atuais sobre a economia brasileira
deve pular para quase 95%, o que mostra que o Brasil ainda vive
um processo de urbanização. O Brasil nasceu no seio do sistema colonial, e por séculos
Destaca-se, ainda, o fato do processo de urbanização no Bra- dedicou-se quase que exclusivamente à produção de gêneros agrí-
sil possuir singularidades em relação ao europeu, sobretudo pela colas para a exportação. Mais tarde, ao longo da primeira metade
diferença de velocidade no seu crescimento. Na Europa esse pro- do século XX, o país passa por uma então modesta industrializa-
cesso é mais antigo. Com exceção da Inglaterra, único país que se ção, com vistas a produzir internamente gêneros que, antes, eram
tornou urbanizado na primeira metade do século XIX, a maioria importados. É o chamado modelo da substituição das importações,
dos países europeus se tornou urbanizada entre a segunda metade como os aplicados no México, Argentina etc.
do século XIX e a primeira metade do século XX. Ainda, nesses Na segunda metade do século XX, aliado à forte entrada de
países a urbanização foi mais ordenada, não colhendo na mesma capitais internacionais, o país passa a diversificar sua produção in-
intensidade os reflexos de uma urbanização acelerada e, muitas dustrial, inclusive com a produção de bens de consumo duráveis.
vezes, desordenada. O processo de industrialização se intensificou ao longo do regime
Entre os problemas acumulados em razão do crescimento de- militar, inclusive com momentos de grande euforia e crescimento
sordenado das cidades, alguns merecem destaque, quais sejam: da economia (milagre econômico).

Didatismo e Conhecimento 18
GEOGRAFIA
Mais tarde, na década de 1980, o país passa por graves crises O Brasil, atualmente, apresenta uma balança comercial supe-
econômicas, acumulando fracassos em planos econômicos, convi- ravitária, mesmo sendo majoritariamente um exportador de bens
vendo com níveis extremamente elevados de inflação e com uma primários e importador de gêneros industrializados. Seguem al-
indústria nacional significativamente atrasada frente aos grandes guns dos principais produtos da pauta de exportações/importações
centros. brasileira.
No início dos anos 90, o país passa por um processo de aber- Exportações: US$ 191,1 bilhões (2015) - queda de 14,1% em
tura econômica a produtos estrangeiros, inclusive com vistas a relação ao ano anterior.
aumentar a concorrência interna e estimular o investimento e o Importações: US$ 171,5 bilhões (2015) - queda de 24,3% em
crescimento. Paralelo a isso, o país passa por privatizações, dimi- relação ao ano anterior.
nuindo a participação do estado em alguns ramos e setores. Saldo da balança comercial (2015): Superávit de US$ 19,69
Com a estabilização da moeda (Plano Real, a partir de 1994), bilhões
a economia passa por momentos mais estáveis e de crescimento, Países que o Brasil mais importou (2015): Estados Unidos ,
incentivando a ascensão em vários setores, fazendo o país a ocupar
China, Argentina e Alemanha
uma posição de destaque na economia mundial.
Países que o Brasil mais exportou (2015): China, Estados Uni-
Atualmente, o Brasil ocupa uma posição de emergente no
dos, Argentina, Holanda e Japão
cenário internacional, inclusive é membro do BRICS, um grupo
Principais produtos exportados pelo Brasil (2015): minério de
que reúne algumas das economias que mais crescem no planeta.
No entanto, os últimos dados sobre o crescimento da economia ferro, ferro fundido e aço; óleos brutos de petróleo; soja e deri-
brasileira estão aquém das médias desses emergentes. Enquanto vados; automóveis; açúcar de cana; aviões; carne bovina; café e
Rússia, África do Sul e Índia cresceram, em média, cerca de 4% carne de frango.
(e a China quase 8%), o Brasil teve um modesto crescimento de Principais produtos importados pelo Brasil (2015): petróleo
0,9%. Isso se deve a problemas que a gestão econômica enfrentam bruto; circuitos eletrônicos; transmissores/receptores; peças para
em equacionar crescimento econômico a controle da inflação. Ain- veículos, medicamentos; automóveis, óleos combustíveis; gás na-
da, merece destaque o fato da estrutura brasileira (portos, aeropor- tural, equipamentos elétricos e motores para aviação.
tos, produção de energia e matérias-primas em geram aumentarem Organizações comerciais que o Brasil pertence: Mercosul,
significativamente o chamado “Custo Brasil”, dificultando a con- Unasul e OMC (Organização Mundial de Comércio).
corrência no mercado externo. Mais investimentos nesses setores A economia brasileira é bastante heterogênea com relação á
seriam fundamentais para dinamizar a economia nacional. território. No Sudeste concentra seu maior parque industrial, as
Na composição de seu PIB, a maior participação está relaciona- maiores montadoras e siderúrgicas do país e tem os serviços e o
da ao setor terciário (comércio e serviços). O gráfico a seguir mostra comércio mais sofisticados e diversificados.
a participação dos setores da economia na composição do PIB. Na região Norte funciona principalmente o extrativismo ve-
getal de madeira, látex, açaí e castanha. A mineração também é
muito forte na região com foco na extração de ferro, cobre e ouro.
Destaca-se também a Zona Franca de Manaus, que atrai empresas
por conta de incentivos fiscais que o Governo Federal oferece.
O Nordeste possuí uma economia bem diversificada, com
uma grande presença de indústrias, como nas metrópoles Recife,
Salvador e Fortaleza, além de turismo, agronegócio e a explora-
ção de petróleo. Seu principal produto agrícola é a cana de açúcar,
também existindo uma crescente fruticultura irrigada no Vale do
Rio São Francisco.
O Centro-Oeste tem uma economia que se relaciona dire-
tamente com agropecuária (soja, milho, etc.), pecuária bovina e
indústrias. Contudo, muitas industriais se instalaram nessa região
atualmente, como nas cidades de Catalão, Anápolis, Goiânia, Bra-
sília, entre outras.
A região Sul, tem a maior parte das riquezas proveniente do
setor de serviços. Já no ramo industrial é representada principal-
mente, pelos setores metalúrgico, automobilístico, têxtil e alimen-
tício, com destaque para Curitiba e Porto Alegre. Outras áreas in-
dustriais, como Blumenau, Joinville, Maringá e Londrina também
apresentam destaque. A agropecuária é forte na região, como na
produção de soja, milho, carne de frango e de porco etc.
PIB 2015 Composição
Indústria – 22,7% A pobreza no Brasil
Serviços – 72,1% A pobreza no Brasil vem diminuindo nos últimos anos, mas o
Agropecuária – 5,2% país ainda apresenta uma grande quantidade de pessoas em condi-
Fonte: IBGE ções de miséria.

Didatismo e Conhecimento 19
GEOGRAFIA
O Brasil, em função de seu histórico de colonização, desen- Além disso, para muitos especialistas, diminuir o número de
volvimento tardio e dependência econômica, além dos problemas pessoas que vivem com menos de US$1,25 por dia – critério ela-
internos antigos e recentes, possui uma grande quantidade de pes- borado pelo Banco Mundial e pela  ONU  para definir a pobreza
soas vivendo abaixo da linha da pobreza. Assim, por representar extrema – não é o suficiente. A ideia seria a de elevar esse valor na
um país subdesenvolvido emergente, a pobreza no Brasil apresen- definição de miséria e traçar uma nova meta para a redução da po-
ta elevados patamares. breza no Brasil, principalmente através de medidas que não taxem
Segundo um dado oficial do Ministério de Desenvolvimento tanto as classes média e baixa e que consigam encontrar formas
de Combate à Fome datado de 2011, existiam no Brasil até esse de diminuir a desigualdade social e a concentração de renda, que
ano cerca de 16,27 milhões de pessoas em condição de “extre- ainda são muito acentuadas no Brasil.
ma pobreza”, ou seja, com uma renda familiar mensal abaixo dos
R$70,00 por pessoa. Vale lembrar que ultrapassar esse valor não *Texto adaptado por Rodolfo F. Alves Pena
significa abandonar a pobreza por completo, mas somente a po-
breza extrema. A rede urbana do Brasil
É preciso dizer, porém, que a pobreza não é uma condição A rede urbana de uma região envolve as relações entre o cam-
exclusiva de uma região ou outra, como se costuma pensar. Prati- po e a cidade e as relações entre os diferentes tipos de cidades. A
camente todas as cidades do país (principalmente as periferias dos existência de uma rede de transportes e de comunicação é funda-
grandes centros metropolitanos) contam com pessoas abaixo da mental para que uma rede urbana seja integrada.
linha da pobreza. A rede urbana brasileira tem como principal característica as
No entanto, é válido ressaltar que, apesar dos problemas his- disparidades regionais, pois enquanto ela é bem articulada no Su-
tóricos, o Brasil vem avançando na área de combate à fome e à deste, o mesmo não ocorre nas regiões Norte e Centro-Oeste. 
pobreza no país. Segundo um relatório divulgado pelo Instituto Sudeste - a mais importante do país, porque possui as maiores
de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o número de pessoas que e as principais cidades. Bem mais articulada, é integrada por rodo-
abandonaram a pobreza no Brasil em 2012 ultrapassou os 3,5 mi- vias, aeroportos, portos, ferrovias e infovias.
lhões. Nesse estudo, o critério para pobreza extrema era, inclusi- Sul - É a segunda do Brasil. Possui duas metrópoles nacionais
ve, mais alto que o acima mencionado: R$75,00 por membro da (Porto Alegre e Curitiba) e boa infraestrutura de transportes e co-
família. municações, 
Outra boa notícia é a de um relatório apresentado pela As- Nordeste - É a terceira mais importante. A área litorânea (Zona
sembleia das Nações Unidas em 2013 que colocou o Brasil como
da Mata) concentra as principais cidades incluindo Salvador, Reci-
o 13º país que mais investe no combate à pobreza no mundo, em
um  ranking composto por 126 países em desenvolvimento. As- fe e Fortaleza), portos, indústrias, rodovias e aeroportos. 
sim, o país investe mais do que todos os demais membros do BRI- Norte e Centro-Oeste - São desarticuladas, com poucas ci-
CS (Rússia, Índia, China e África do Sul), mas ainda está atrás de dades importantes, pequena malha rodoviária e baixa densidade
nações como Argentina e Venezuela. Ao todo, segundo o relatório, urbana e industrial. 
o Brasil gasta quase US$ 4 mil dólares por ano para cada pessoa 1.
O carro-chefe atual das políticas públicas de combate à fome A hierarquia das cidades brasileiras
no Brasil é o programa Bolsa Família, criado em 2003. Trata-se de Dentro da rede urbana brasileira, encontramos uma hierarquia
uma política assistencialista de transferência de renda, em que o na qual as menores cidades estão subordinadas às grandes cidades,
governo oferece subsídio para famílias em condições de pobreza que, por sua vez, estão subordinadas às duas metrópoles globais
ou miséria acentuada. Apesar das muitas críticas e polêmicas na do Brasil.
esfera política, o programa vem recebendo elogios por parte de Segundo o Atlas nacional do Brasil, publicado em 2000 pelo
sociólogos e economistas, uma vez que gasta muito pouco (0,5% IBGE, temos no Brasil um esquema de hierarquia urbana que clas-
do PIB) e contribui substantivamente para a melhoria da qualidade sifica as cidades conforme sua grande área de influência: metrópo-
vida. Segundo o Ipea, a estimativa é a diminuição de 28% da misé- le global, metrópole nacional metrópole regional, centro regional,
ria do país em 2012 somente pelo Bolsa Família. centros sub-regional 1 e centros Sub-regional 2.
Recentemente, um apontamento do Banco Mundial revelou
que o Brasil vem servindo de modelo e exemplo no que diz res-
Regiões metropolitanas do Brasil
peito ao combate à pobreza no mundo, com a redução da miséria,
a diminuição de dependentes do próprio Bolsa Família e com a A análise da composição das regiões metropolitanas do Brasil,
criação do Cadastro Único, que visa a identificar a quantidade de às quais foi acrescentada a Região Integrada de Desenvolvimento
pessoas em extrema pobreza no país2. Tais medidas vêm sendo do Distrito Federal (Ride), revela as diferentes escalas do proces-
estudadas e até copiadas por especialistas e governantes de outras so de urbanização brasileiro. Segundo o IBGE, entre as regiões
localidades do mundo. metropolitanas podemos distinguir áreas metropolitanas plenas e
Por outro lado, há uma grande quantidade de pessoas que ain- áreas metropolitanas emergentes. Os critérios para diferenciá-las
da vivem à margem da sociedade no Brasil, problema que dificil- são internacionais: a população e a estrutura produtiva.
mente se resolverá somente com a promoção de programas assis-
tencialistas. Os principais desafios estão em vencer os problemas O complexo metropolitano brasileiro
nas áreas de saúde e educação, que vêm recebendo tímidos avan- O fenômeno do surgimento das megalópoles não se encontra
ços, e ampliar a qualificação profissional e a oferta de emprego no restrito ao hemisfério norte ou aos países desenvolvidos. O Brasil
país. é o único país subdesenvolvido a apresentar uma aglomeração ur-
1 Development Initiatives. Investiments to End Poverty. 2013. bana que é resultado de conurbação das duas metrópoles globais
2 The World Bank, 22/03/2014.  Como reduzir a pobreza: uma brasileiras, isto é, o Complexo Metropolitano do Sudeste: eixo Rio
nova lição do Brasil para o mundo? de Janeiro – São Paulo.

Didatismo e Conhecimento 20
GEOGRAFIA
Esse complexo possui características que indicam tratar-se O Brasil e a entrada de imigrantes
do esboço da primeira megalópole brasileira. Abriga mais de 30
milhões de habitantes (aproximadamente 20% da população bra- Antes da colonização, a população do atual território brasilei-
sileira) concentrados entre as áreas metropolitanas de São Paulo e ro era, segundo estimativas, de dois a cinco milhões de índios, per-
do Rio de Janeiro, ligadas pela mais movimentada rodovia do país, tencentes a vários grupos. Os grupos mais numerosos, e que ocu-
a Via Dutra. Além disso, em seu eixo - o Vale do Paraíba - está pavam as maiores extensões territoriais, eram o jê e o tupi guarani.
localizado um dos principais tecnopolos brasileiros: a cidade de A partir da colonização, a população indígena passa a convi-
São José dos Campos, no estado de São Paulo. A abrangência do ver com dois novos grupos no território, no caso, os portugueses
Complexo Metropolitano do Sudeste ultrapassa os limites do Vale enquanto colonizadores e os negros africanos sob a condição (ma-
do Paraíba e incorpora as áreas de Campinas (outro importante joritariamente) de mão de obra escrava.
tecnopolo), Jundiaí, Santos (o principal porto do país), que tem nas O início oficial da imigração no Brasil ocorreu em 1808, com
rodovias Anhanguera, Bandeirantes, Anchieta e Imigrantes impor- a assinatura, por D. João VI, de um decreto que permitia a posse
tantes vias de circulação de pessoas e mercadorias.
de terra por estrangeiro. Quando esse decreto foi assinado, o Brasil
tinha 1,2 milhão de brancos e 2 milhões de negros.
Principais problemas sociais das metrópoles brasileiras
A intensa e acelerada urbanização brasileira resultou em sé- Apesar da imigração livre e oficial ter se iniciado em 1808,
rios problemas sociais urbanos, entre os quais, podemos destacar: poucos imigrantes entraram no Brasil até 1850. O elevado contin-
- Aumento do número de favelas e cortiços que ocupam, mui- gente de escravos e a facilidade do tráfico negreiro desestimularam
tas vezes, áreas de mananciais ou áreas florestais consideradas re- a vinda de imigrantes.
giões de risco. Isso significa que os mananciais, isto é, as fontes de De fato, foi somente a partir de 1850, com a proibição do trá-
abastecimento de água, podem ser poluídos. Nas fico negreiro e a expansão da cafeicultura e principalmente a partir
áreas florestais, o desmatamento de encostas põe em risco a de 1888 (Abolição da Escravatura) que a imigração se intensificou.
vida das pessoas. No período de 1808 a 1980, o Brasil recebeu cerca de 5,5 mi-
- A falta de infraestrutura acompanha o crescimento das fa- lhões de imigrantes, dos quais cerca de 4,2 milhões permanecem
velas. A rede de esgotos, de coleta do lixo, de água encanada, de no país.
luz, de telefones é insuficiente ou clandestina. Além de os objetos O principal motivo da não-fixação definitiva de 1,3 milhão
serem jogados em rios ou em áreas de mananciais, soma se o risco de imigrantes foi o contraste entre a propaganda enganosa que o
de contaminação por roedores e insetos. Brasil fazia no exterior para atrair o imigrante e as reais condições
- Todas as formas de violência estão presentes nos centros de vida e de trabalho que o imigrante encontrava no país.
urbanos: homicídios, sequestros, assaltos, filas para atendimento De acordo com a nacionalidade, os cinco grupos mais nume-
médico, acidentes de trânsito, desemprego, etc. rosos de imigrantes que entraram no Brasil até o final dos anos
2000 foram, pela ordem: portugueses, italianos, espanhóis, ale-
*Texto adaptado por Miguel Jeronymo Filho mães e japoneses.
Atualmente, o cenário imigração/emigração apresenta infor-
mações importantes. A crise econômica a partir de 2008 gerou gra-
DINÂMICA DA POPULAÇÃO ves problemas econômicos em diversos países que constantemente
BRASILEIRA (FLUXOS MIGRATÓRIOS, recebiam brasileiros, como Japão, EUA e diversos da Europa. Essa
ÁREAS DE CRESCIMENTO E DE PERDA dificuldade em conseguir empregos e salários esperados fez com
POPULACIONAL). que o fluxo de brasileiros para o exterior reduzisse significativa-
mente.
Ademais, o Brasil passou a receber um fluxo significativo de
imigrantes. Destaque para imigrantes de países da própria Amé-
rica do Sul, como bolivianos e paraguaios. Ainda, um assunto de
População Brasileira – aspectos iniciais bastante destaque na mídia atualmente é a entrada de imigrantes
haitianos, que fogem das condições sociais complexas em seu país.
População é o conjunto de pessoas que residem em determi- Ressalta-se que esses imigrantes (haitianos, bolivianos, paraguaios
nado território, que pode ser uma cidade, um estado, um país ou etc.) por diversas vezes fazem parte de fluxos clandestinos, atuan-
mesmo o planeta como um todo. Ela pode ser classificada segunda do em trabalhos não assistidos por leis, muitos em condições ina-
sua religião, nacionalidade, local de moradia (urbana e rural), ati- dequadas. Os especialistas discutem que o Brasil precisa de um
vidade econômica (ativa ou inativa) e tem seu comportamento e maior controle fronteiriço, regularizando a entrada desses imigran-
suas condições de vida retratados através de indicadores sociais, tes e garantindo, se for o caso de incentivar tais fluxos, condições
como taxas de natalidade, mortalidade, expectativa de vida, índi- mais dignas de vida e trabalho.
ces de analfabetismo, participação na renda, etc. Com relação aos fluxos migratórios internos, alguns aspectos
O Brasil, em 2013, ultrapassou a casa dos 200 milhões de ha- merecem destaque:
bitantes. (aproximadamente 201 milhões). É um país populoso, o • A grande concentração de pessoas no Nordeste Brasileiro
quinto maior do planeta, porém, não é densamente povoado (den- ao longo do Período Colonial deve-se à forte dinâmica da cultura
sidade demográfica de aproximadamente 23,6 hab/km2. Segundo açucareira na época;
o IBGE, o país tem atualmente 201,032 milhões de habitantes, • A descoberta de ouro na região das Minas, no século
contra 199,242 milhões em 2012, um crescimento de cerca de 1 XVIII, somada ao declínio da cultura canavieira, fez com que o
por cento. Em 2000, a população brasileira era de 177,448 milhões Nordeste passasse por um processo de repulsão populacional (per-
de habitantes. da de população);

Didatismo e Conhecimento 21
GEOGRAFIA
• O Nordeste também perdeu muita população para o Su- - Secundário: abrange as seguintes atividades: indústrias de
deste, sobretudo pela atração econômica gerada pelo crescimento transformação, construção civil e extração mineral complexa.
de cidades, como São Paulo e Rio de Janeiro; - Terciário: abrange diversas atividades relacionadas à pres-
• O Sul do Brasil apresenta marcantes características dos tação de serviços e comércio, tais como: lojas, bancos, funciona-
imigrantes europeus (italianos, alemães, eslavos etc.), fruto de um lismo público, atividades liberais, transportes, comunicação, edu-
modelo de ocupação baseado em pequenas propriedades e volta- cação etc.
das ao consumo interno; Atualmente, é grande o número de su- Aqui é importante considerar que quanto maior o nível do
listas que migram para o Centro-Oeste e Norte, no processo de atraso sócio-econômico de um país, maior é a população ativa no
expansão da fronteira agrícola brasileira; setor primário. À medida que o país vai se industrializando e se
• Apesar de serem as menores regiões em população no urbanizando, vão aumentando os ativos nos setores secundário e
Brasil, o Norte (quarta menor) e o Centro-Oeste (quinta menor) terciário.
são as regiões que proporcionalmente mais crescem no Brasil. Isso Nos países subdesenvolvidos é muito comum o fenômeno do
se deve, entre outros aspectos, pela expansão da frente pioneira, o
inchaço do terciário. Trata-se de um crescimento exagerado ou ir-
avanço da fronteira agrícola, a construção de Brasília, a dispersão
real deste setor, pois na verdade a população nele empregada não
de empresas em busca de novos fatores locacionais etc.
corresponde ao seu crescimento real – muitas estão empregadas
A figura comentada a seguir apresenta informações sobre as
ou subempregadas mas poucas de fato trabalhando. O Brasil se
migrações mais recentes no Brasil:
encaixa de certa forma nessas condições.
Nesses países, o intenso êxodo rural não foi acompanhado por
uma oferta de empregos equivalente. Além disso, como a ativida-
de industrial é geralmente restrita e não elástica, as indústrias não
absorvem os grandes contingentes de migrantes.
Se dividirmos a população ativa por setores econômicos, ve-
remos que uma grande maioria está no setor Terciário, existindo
um equilíbrio entre a população do setor Primário e do setor Se-
cundário.
A população brasileira apresenta distribuição geográfica bas-
tante irregular, mostrando de início um enorme contraste entre a
fachada litorânea, onde se encontra o grosso da população, e o
interior do país, muito vasto mas fracamente povoado.
Duas razões são importantes para explicar este fato:
1 – A condição do Brasil como ex-colônia e a consequente
O primeiro mapa (A) mostra a repulsão populacional da Re- dependência econômica e necessidade de contato com o exterior.
gião Nordeste com destino ao Sudeste Brasileiro, sobretudo por 2 – A concentração das principais atividades e da urbanização
conta do crescimento urbano-industrial de cidades como Rio de na porção oriental do país (próximas à faixa litorânea).
Janeiro e São Paulo; Já o segundo mapa (B) mostra que a repul- Do ponto de vista etário costuma-se dividir a população nas
são populacional do Nordeste persiste, mas com a ampliação dos seguintes faixas: jovens (0 a 19), adultos (20 a 59) e idosos (60 ou
destinos (Sudeste e, também, Centro-Oeste e Nordeste), além de mais).
mostrar a existência de fluxos populacionais do Sul e Sudeste para
o Centro-Oeste e Norte do Brasil (expansão da fronteira agrícola e Estrutura da população
da urbanização), fato que se acentua na terceira imagem (mapa C).
Quando se estuda a população, inegavelmente, é importante
População Economicamente Ativa e Inativa no Brasil compreender sua dinâmica de crescimento, ou seja, se ele cresce
Quanto à questão da produção ou do trabalho, a população de mais rapidamente o mais vagarosamente, ou mesmo se ela efetiva-
um país pode ser dividida inicialmente, em dois principais grupos: mente cresce. Ainda, é importante perceber, dentro da composição
a população economicamente ativa e a população economicamen- dessa população, o percentual de jovens, adultos e crianças. Essas
te não ativa. informações são bem visualizadas nas chamadas pirâmides etárias,
A população economicamente ativa é a parcela que compreen- ou seja, gráficos que mostram a composição de uma população a
de as pessoas que exercem atividades extra domésticas e remune- partir do sexo e das faixas etárias. Observe os exemplos a seguir:
radas.
A população não economicamente ativa é a parcela que não
exerce atividade remunerada ou que não está empenhada na pro-
cura de trabalho remunerado, como crianças, estudantes, donas-
de-casa etc.
No Brasil, a participação da população economicamente é
crescente, mas ainda inferior à de muitos países desenvolvidos.
De acordo com a atividade que exerce, a população ativa é
classificada nos seguintes setores:
- Primário: abrange as seguintes atividades: agricultura, pe-
cuária, silvicultura, caça e pesca.

Didatismo e Conhecimento 22
GEOGRAFIA

A pirâmide 1 mostra uma base mais estreita, o que mostra um número menor de jovens, quando comparada com a pirâmide 2, que possui
uma base bem mais larga. Por um outro lado, o topo da pirâmide 1 é mais largo que o da pirâmide 2, mostrando que no país representado por
ela é maior o número de idosos. O que se pode concluir? A pirâmide 1 mostra a presença de uma população com menor taxa de natalidade,
mas com maior expectativa de vida, exatamente o oposto da realidade representada pela pirâmide 2.
A partir do entendimento das pirâmides, é possível perceber as características das populações representadas e algumas situações que
merecem destaque: uma sociedade com baixa taxa de natalidade consegue repor satisfatoriamente sua população economicamente ativa? Ela
também consegue garantir com qualidade os serviços de previdência social? E a sociedade representada pela pirâmide 2, quais são os proble-
mas sociais que levam a uma reduzida expectativa de vida? Por quê as mulheres geram tantos filhos? São questões que podem ser estudadas
a partir dessas pirâmides.
Algumas sociedades estão em um momento de transição entre as realidades das pirâmides 1 e 2. É o caso da sociedade brasileira, que
apresenta uma redução na natalidade e um aumento na expectativa de vida. A pirâmide a seguir representa a sociedade brasileira em dois
momentos, representando essa transição:

Didatismo e Conhecimento 23
GEOGRAFIA
Em 2013, importantes dados foram apresentados sobre a evolução da dinâmica populacional brasileira. A população este ano ultrapassa
a marca de 200 milhões de habitantes, de acordo com estimativa IBGE divulgada em setembro, que projeta um pico populacional em 2042
antes de começar a recuar nos anos seguintes.
O ritmo de crescimento da população vem diminuindo nos últimos anos, segundo o IBGE, devido à menor fecundidade e à maior espe-
rança de vida. Com isso, a população deve atingir seu pico em 2042, com estimadas 228,4 milhões de pessoas. A partir deste ano, haverá um
processo de redução da população do país. A redução esperada do nível de crescimento da população estará associada, sobretudo, à queda
do número médio de filhos por mulher, que vem decrescendo desde a década de 1970.
A projeção do IBGE mostra que o número médio de filhos por mulher é de 1,77 em 2013. Em 2020, esse índice chegará a 1,61 filho em
média por mulher, recuando para 1,5 filho em 2030, o menor a ser observado. Isso, também, porque as mulheres tenderão a retardar a chegada
dos filhos. Em 2013, a média gira em torno dos 26,9 anos. Pelas projeções, atingirá 28 anos em 2020 e 29,3 anos em 2030.
A esperança de vida ao nascer atingiu 71,2 anos para homens e 74,8 para mulheres em 2013. Em 2060, espera-se um significativo au-
mento (77,8 anos para homens e de 81 anos para mulheres, configurando um ganho médio de 6,6 anos de vida para homens e de 6,2 anos
para mulheres).
Segundo o IBGE, a caracterizada transição demográfica altera significativamente a estrutura etária da população. A queda da fecundida-
de, acompanhada do aumento na expectativa de vida, vem provocando um envelhecimento acelerado da população brasileira, representado
pela redução da proporção de crianças e jovens, frente a um aumento na proporção de idosos na população.
Após atingir o pico em 2042, o IBGE projetou que em 2060 a população brasileira recuará para 218,173 milhões de pessoas, sendo
106,1 milhões de homens e 112 milhões de mulheres.

FORMAÇÃO TERRITORIAL E
DIVISÃO POLÍTICO-ADMINISTRATIVA: DI-
VISÃO POLÍTICO-ADMINISTRATIVA;
ORGANIZAÇÃO FEDERATIVA.

Brasil: Formação Territorial

O espaço brasileiro é resultado de uma sucessão/acumulação de tempos históricos. Somam-se, por exemplos, dinâmicas associadas à
maciça ocupação litorânea e, mais tarde, à interiorização da ocupação do território.
Num primeiro momento efetivo, após o curto período Pré-Colonial, o processo de formação territorial do Brasil está associado à em-
presa colonizadora, principalmente relacionada à produção da cana de açúcar. As primeiras mudas de cana foram trazidas ao Brasil por
Martim Afonso de Sousa, em 1531. Mais tarde (cerca de dois anos depois), seria construído o primeiro engenho de açúcar da colônia, em
São Vicente. A Zona da Mata, por seu clima tropical úmido e pelo seu rico solo Massapé, foi amplamente convidativa à cultura canavieira.A
partir daí, outras áreas do nordeste foram se solidificando na produção do açúcar.
No século XVII, novas atividades econômicas foram implantadas, e a fronteira produtiva do território colonial foi se interiorizando. Isso
porque a cana ocupou novas áreas, e as já existentes criações de gado foram se interiorizando ainda mais. A pecuária se expandiu na direção
do Rio São Francisco e do Rio Parnaíba.
A interiorização do Brasil buscava a diversificação de atividades. Na segunda metade do século XVII, a principal finalidade das expe-
dições bandeirantes era a localização áreas produtoras de metais preciosos, inclusive com o apoio da Coroa Portuguesa.
No final do século XVII, com a confirmação da existência de metais preciosos nas regiões planálticas de Minas Gerais, Mato Grosso e
Goiás,o afluxo populacional foi grande para essas regiões, interiorizando a ocupação do país cada vez mais. Vila do Príncipe,Vila Rica de
Ouro Preto, Caeté, Mariana,Arraial do Tijuco são exemplos de núcleos urbanos que se desenvolveram na região.
Já na metade do século XVIII, os limites traçados no Tratado de Tordesilhas estavam amplamente “desrespeitados”. O Tratado de
Utrecht (1713), era um reconhecimento dos espanhóis do domínio português na Colônia de Sacramento. Em 1750, com a assinatura do
Tratado de Madri, foi oficializada a incorporação de vastas áreas outrora espanholas ao território colonial português.
Outros tratados pós o de Madri foram realizados, como:
a) Tratado de El Pardo (1761): suspende o de Madri;
c) Tratado de Santo Ildefonso (1777): acaba com as lutas no sul, entre portugueses e espanhóis. A Colônia do Sacramento e as Missões
passam à Espanha e Portugal fica com a Ilha de Santa Catarina. O território de São Pedro do Rio Grande fica cortado ao meio, no sentido
longitudinal, passando o limite nas imediações da Santa Maria atual;
d) Tratado de Badajoz (1801): confirma o Tratado de Madri.
Posteriormente, novos tratados e acordos foram firmados, como a compra do Acre (da Bolívia) no início do Século XX, fazendo com
que o pais chegasse a uma área superior a 8,5 milhões de Km2.

Didatismo e Conhecimento 24
GEOGRAFIA
Brasil: Localização Geográfica

O Brasil é o quinto maior país do planeta em extensão, com 8.515.767,049 km2, ocupando aproximadamente 47% da América do Sul.
Fica totalmente localizado no Hemisfério Ocidental, e dividido entre os Hemisférios Norte e Sul (7% e 93%, respectivamente).
Grande parte do país está localizado na Zona Intertropical (mais de 90%). O restante está localizado ao Sul do Trópico de Capricórnio,
na Zona Temperada Sul.
O Brasil possui aproximadamente 4.300 Km de distância, tanto nos entre os extremos Leste/Oeste como nos extremos Norte/Sul, sendo
considerado, portanto, um país equidistante.
O Brasil possui cerca de 15.700 Km de fronteiras terrestres. Excetuando Chile e Equador, o Brasil faz fronteira com todos os demais
países da América do Sul.
Com relação às fronteiras marítimas, o Brasil possui cerca de 7.360 Km. Desde a Foz do Rio Oiapoque (Norte) até a Barra do Arroio
Chuí (Sul). No litoral, o Brasil tem acesso a uma ZEE (Zona Econômica Exclusiva (aproximadamente 4,3 milhões de km2 em mar aberto).
O Brasil possui algumas ilhas oceânicas na composição de seu território. São elas: Atol das Rocas, Trindade e Martim Vaz, Arquipé-
lagos de Fernando de Noronha, São Pedro e São Paulo.
Com relação aos fusos horários, o Brasil possui, a partir de 2008, três fusos (-2, -3 e -4 GMT), conforme ilustra o mapa a seguir:

Didatismo e Conhecimento 25
GEOGRAFIA
Divisão Político-Administrativa do Brasil

A divisão A divisão política e administrativa do Brasil nem sempre foi a mesma, baseada nos mesmos critérios. Do século XVI ao século
XX, o país teve diversos arcabouços político-administrativos: donatarias, as capitanias hereditárias, as Províncias e finalmente os Estados,
os Distritos e os municípios. O quadro a seguir mostra momentos distintos:

Atualmente, segundo o IBGE, o Brasil está dividido com base na seguinte estrutura:
• Distrito Federal: é a unidade onde tem sede o Governo Federal, com seus poderes: Judiciário, Legislativo e Executivo;
• Estados: em número de 26, constituem as unidades de maior hierarquia dentro da organização político-administrativa do País. A
localidade que abriga a sede do governo denomina-se Capital;
• Mesorregião: uma área individualizada em uma Unidade da Federação, que apresenta formas de organização do espaço geográfico
definidas pelas seguintes dimensões: o processo social, como determinante, o quadro natural, como condicionante e, a rede de comunicação
e de lugares, como elemento da articulação espacial. Estas três dimensões possibilitam que o espaço delimitado como mesorregião tenha
uma identidade regional. Esta identidade é uma realidade construída ao longo do tempo pela sociedade que ali se formou.
Criadas pelo IBGE, são utilizadas apenas para fins estatísticos. Não se constituem em entidades político-administrativas autônomas.
• Microrregiões foram definidas como parte das mesorregiões que apresentam especificidades quanto à organização do espaço.
Essas especificidades não significam uniformidade de atributos, nem conferem às microrregiões auto suficiência e tampouco o caráter de
serem únicas, devido à sua articulação a espaços maiores, quer à mesorregião, à Unidade da Federação, quer à totalidade nacional. Essas
especificidades se referem à estrutura de produção: agropecuária, industrial, extrativismo mineral ou pesca. Essas estruturas de produção
diferenciadas podem resultar da presença de elementos do quadro natural ou de relações sociais e econômicas particulares.
• Municípios: os municípios constituem as unidades de menor hierarquia dentro da organização político-administrativa do Brasil. A
localidade onde está sediada a Prefeitura Municipal tem a categoria de cidade;
• Distritos: são unidades administrativas dos municípios. A localidade onde está sediada a autoridade distrital, excluídos os distritos
das sedes municipais, tem a categoria de Vila.

Didatismo e Conhecimento 26
GEOGRAFIA
A seguir, alguns dados do IBGE com base no Censo de 2010:

Didatismo e Conhecimento 27
GEOGRAFIA
QUESTÕES d) Os mapas temáticos tratam de temas específicos como re-
levo, clima, solo, hidrografia, sem abordar temas econômicos, po-
01) (PUCRJ) Observando-se a projeção cartográfica apresen- líticos e sociais.
tada, conclui-se que: e) Uma escala gráfica é representada sob a forma de uma ra-
zão (1:50.000) ou de uma proporção (1/50.000), uma numérica se
expressa por meio de uma linha reta graduada.

04)(FGV-SP) A urbanização - o aumento da parcela urbana


na população total - é inevitável e pode ser positiva. A atual con-
centração da pobreza, o crescimento das favelas e a ruptura social
nas cidades compõem, de fato, um quadro ameaçador. Contudo,
nenhum país na era industrial conseguiu atingir um crescimento
econômico significativo sem a urbanização. As cidades concen-
tram a pobreza, mas também representam a melhor oportunidade
de se escapar dela.
Situação da População Mundial 2007: desencadeando o po-
tencial de crescimento urbano. Fundo de População das Nações
Unidas (UNFPA), 2007, p. 1.

Assinale a alternativa que apresenta uma afirmação coerente


com os argumentos do texto:
a) No mundo contemporâneo, os governos devem substituir
políticas públicas voltadas ao meio rural por políticas destinadas
ao meio urbano.
b) A urbanização só terá efeitos positivos nas economias mais
pobres se for controlada pelos governos, por meio de políticas de
a) o planeta Terra é uma esfera dividida somente por paralelos. 
restrição ao êxodo rural.
b) na latitude de 90° N, os meridianos se encontram no pólo
c) A concentração populacional em grandes cidades é uma das
norte. 
principais causas da disseminação da pobreza nas sociedades con-
c) as representações latitudinais e longitudinais se encontram
temporâneas.
sempre a 0°. 
d) Nos países mais pobres, o processo de urbanização é res-
d) há um maior distanciamento entre os paralelos nas faixas
mais setentrionais da Terra.  ponsável pelo aprofundamento do ciclo vicioso da exclusão eco-
e) a dimensão territorial dos EUA e do Canadá se deforma nômica e social.
devido aos meridianos e paralelos. e) Os benefícios da urbanização não são automáticos, pois há
necessidade da contribuição das políticas públicas para que eles
02) (IFPE) Um professor do Curso de Licenciatura em Geo- se realizem.
grafia do Instituto Federal de Pernambuco (IFPE) entregou aos
seus alunos um mapa feito na escala 1:1.000.000 cuja distância em 05)(FGV) O bioma, que ocupa 22% do território brasileiro, já
linha reta entre duas cidades é de 5 cm. O professor pergunta: qual perdeu quase 1 milhão de quilômetros quadrados, cerca de 48% de
a distância real, em km, entre as cidades? sua cobertura total. Somente entre 2002 e 2008, foram des- mata-
a) 10 dos 85 075 quilômetros quadrados, segundo dados do Ministério
b) 20 do Meio Ambiente.
c) 50 Em todo o bioma, a expansão das lavouras de cana-de-açúcar
d) 500 e de soja, além da produção de carvão e das queimadas (naturais
e) 5.000 ou provocadas), são os principais fatores de desmatamento. A pe-
cuária também tem contribuição significativa para a sua destrui-
03)(UFRO) Sobre aspectos cartográficos, assinale a afirmati- ção, principalmente por causa do modelo de produção extensivo,
va correta. que chega a destinar mais de um hectare para cada boi.
 a) As elevações do relevo são representadas por linhas iso- (http://noticias.ambientebrasil.com.br/cli-
báricas que ligam pontos ou cotas de igual altitude em intervalos pping/2010/09/16/60444-)
iguais.
b) O elemento que estabelece a relação ou a proporção entre O texto refere-se
a dimensão real de um lugar e sua representação no mapa é deno- a) à caatinga.
minado escala. b) à mata atlântica. 
c) Uma escala pequena (1/2.000 ou 1/10.000) é utilizada para c) ao cerrado. 
os mapas de áreas urbanas, uma escala grande (1/1.000.000 ou d) ao pantanal. 
1/50.000.000) para os de áreas de estados, países, continentes ou e) aos campos.
mesmo o mapa-múndi.

Didatismo e Conhecimento 28
GEOGRAFIA
06)(UNIOESTE) Sobre o domínio de vegetação formado pela Está correto o que se afirma em
Mata Atlântica, assinale a alternativa correta. a) III
a) A floresta atlântica é fisionomicamente semelhante ao do- b) I e II
mínio de vegetação do cerrado. c) II
b) Em toda sua extensão de abrangência a rede hidrográfica d) I e III
caracteriza-se pela predominância de rios intermitentes e sazonais. e) I
c) Originalmente, antes de ter a maior parte de sua área devas-
tada, o território ocupado por esse tipo de vegetação estendia-se da 10) (Espcex (Aman) 2013) “A agricultura é hoje o maior ne-
faixa litorânea da região sul até a fronteira com a Bolívia, domi- gócio do país. (...) Apenas [em 2005], a cadeia do agronegócio
gerou um Produto Interno Bruto de 534 bilhões de reais.”
nando a paisagem do centro-oeste brasileiro.
(Faria, 2006 in: Terra, Araújo e Guimarães, 2009).
d) Desenvolve-se predominantemente em áreas de baixo índi-
ce pluviométrico e de solo arenoso.
A atual expansão da agricultura e do agronegócio no Brasil
e) Apesar da redução significativa de sua área de abrangên- deve-se, entre outros fatores ao(à)
cia, ao longo de séculos de ocupação, ainda destaca-se pela gran- a) forte vinculação da agricultura à indústria, ampliando a
de biodiversidade encontrada por hectare nos fragmentos de mata participação de produtos com maior valor agregado no valor das
preservados. exportações brasileiras, como os dos complexos de soja e do setor
sucroalcooleiro.
07)A Região Sul diferencia-se das demais regiões brasileiras b) expansão da fronteira agrícola no Centro-Oeste e na Ama-
por suas características naturais, políticas e populacionais, entre zônia e ao emprego intensivo de mão de obra no campo, nessas
outras. áreas, determinando o aumento da produtividade agrícola.
Pode(m)-se, então, afirmar:  c) difusão de modernas tecnologias e técnicas de plantio na
I. Tem grande importância geopolítica, pois é uma região de maioria dos estabelecimentos rurais do País, contribuindo para a
fronteiras com Argentina, Uruguai e Paraguai, favorecendo o in- expansão das exportações brasileiras.
tercâmbio comercial e cultural. d) modelo agrícola brasileiro, pautado na policultura de ex-
II. A unidade de relevo mais importante é o Planalto da Bacia portação e na concentração da propriedade rural.
do Paraná, de origem vulcânica, drenado por afluentes da margem e) Revolução Verde, que, disseminada em larga escala nas
esquerda dos rios Paraná e Uruguai. pequenas e médias propriedades do País, incentivou a agricultura
III. É a terceira região mais populosa, mas é a de menor rit- voltada para os mercados interno e externo.
mo de crescimento populacional do país, principalmente por mu-
Gabarito:
dança no comportamento reprodutivo e por migrações para outras
01-B
regiões. 02-C
Está(ão) correta(s) 03-B
a) apenas I. 04-E
b) apenas II. 05-C
c) apenas III. 06-E
d) apenas I e II. 07-E
e) I, II e III. 08-D
09-B
08)(Ufam) Os maiores centros industriais da região Nordeste 10-A
são:
a) Recife, Maceió e São Luís.
b) João Pessoa, Maceió e Salvador.
c) São Luís, Natal e Teresina. ANOTAÇÕES
d) Fortaleza, Salvador e Recife.
e) Salvador, Fortaleza e João Pessoa.

09) (UECE) Analise as seguintes afirmações que tratam do


processo de industrialização no Brasil. —————————————————————————
I. No governo de Getúlio Vargas, foram criadas determina-
das condições de infraestrutura necessárias para a industrialização —————————————————————————
brasileira. —————————————————————————
II. O governo de Juscelino Kubitschek priorizou a construção
de rodovias e obras para geração de energia. —————————————————————————
III. A década de 1990 foi marcada pela globalização da econo-
—————————————————————————
mia e pela consolidação do Brasil como grande produtor e expor-
tador de tecnologia. —————————————————————————

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