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CENTRO EDUCACIONAL 04

TRABALHO DE
PORTUGUÊS

Alunos: Rafael de Sousa, luzineide, Inês, Claudeci, Daniel, Alzirene alice,


Maria Regina e Domingas

Turma: 3B
Vida e Obra de Érico Veríssimo
Érico Veríssimo (1905-1975) foi um escritor brasileiro da segunda fase modernista,
chamada de fase de consolidação.
Considerado um dos mais importantes escritores do século XX, recebeu diversos prêmios
dos quais se destacam:
• "Prêmio Machado de Assis" (1954), concedido pela Academia Brasileira de Letras;
• "Prêmio Jabuti" (mais importante prêmio literário do Brasil), recebido em 1965,
pelo romance “O senhor Embaixador”.

Biografia

Érico Lopes Veríssimo nasceu no interior do Rio Grande do Sul, no município de Cruz Alta, no dia
17 de dezembro de 1905.

Seus pais, Sebastião Veríssimo da Fonseca e Abegahy Lopes, provinham de família abastada e
tradicional. Contudo, perderam grande parte dos bens, motivo pelo qual Érico começou a
trabalhar na juventude para ajudar sua família.

Desde cedo já era claro seu interesse pela literatura. Chegou a ler diversos clássicos brasileiros
como: Aluísio de Azevedo, Joaquim Manoel de Macedo, Euclides da Cunha, Monteiro Lobato,
Coelho Neto, Oswald de Andrade e Mario de Andrade.

Foi leitor também de escritores estrangeiros como Leon Tolstoi, Balzac, Proust, Émile Zola,
Dostoievski, Oscar Wilde, Friedrich Nietzsche, Aldous Huxley e Eça de Queirós.

Estudou no Colégio Elementar Venâncio Aires e, em 1920, muda-se para Porto Alegre. Na capital,
esteve matriculado no Colégio Interno Protestante Cruzeiro do Sul.

Além disso, colaborou nos jornais “Diário de Notícias”, “Correio do Povo” e foi eleito presidente da
Associação Rio-Grandense de Imprensa.

Em 1931 casou-se com Mafalda Halfen Volpe com quem teve dois filhos: Clarissa e Luís Fernando

Érico falece dia 29 de novembro de 1975, com 69 anos, em Porto Alegre, vítima de infarto.
Principais Obras
Érico Veríssimo possui uma vasta obra dentre contos, romances, novelas, ensaios,
literatura infanto-juvenil, biografias, autobiografias e traduções.
Alguns pesquisadores afirmam que sua obra pode ser dividida em três fases: romance
urbano, romance histórico e romance político.
Confira abaixo suas principais obras:

• Fantoches (1932)
• Clarissa (1933)
• A vida de Joana d’Arc (1935)
• Música ao Longe (1935)
• As aventuras do avião vermelho (1936)
• Um lugar ao sol (1936)
• Olhai os Lírios do Campo (1938)
• O urso com música na barriga (1938)
• Saga (1940)
• Gato Preto em Campo de Neve (1941)
• As Mãos de Meu Filho (1942)
• O Resto é Silencio (1943)
• A Volta do Gato Preto (1946)
• O Tempo e o Vento – 3 volumes (Vol. I “O continente” (1948), Vol. II “O retrato”
(1951) e Vol. III “O arquipélago” (1961))
• Noite (1954)
• Gente e Bichos (1956)
• O Escritor Diante do Espelho (1956)
• O Senhor Embaixador (1965)
• O Prisioneiro (1967)
• Incidente em Antares (1971)
CARACTERÍSTICAS LITERÁRIAS
Erico Verissimo se caracteriza pela sobriedade da linguagem e pela realização de obra
autêntica e inovadora, sempre com o objetivo de facilitar o entendimento para o leitor
médio, sem perder de vista a busca de "autenticidade". A composição de seu trabalho,
após 1930, é "um meio termo entre a crônica de costumes e a notação intimista". Segundo
Alfredo Bosi, "a linguagem com que resolveu esse compromisso é discretamente
impressionista, caminhando por períodos breves, justaposições de sintaxe, palavras
comuns e, forçosamente, lugares comuns da psicologia do cotidiano". No entanto, não
deixa de acrescentar novidades como: monólogos internos, trama não-linear, exposição
das personagens por focalização interna (mutuamente cruzada) e ordem temporal
estilhaçada por flashbacks.

Sua obra de ficção se divide em dois grandes ciclos: o primeiro, o ciclo urbano, incluindo os
romances e novelas voltados à luta pela sobrevivência na cidade grande no mundo em
desagregação do pós-guerra. O segundo, o ciclo político, se refere aos romances ligados a
temas internacionais e nacionais, contendo crítica mais severa às ideologias dominantes no
período.

Poesias de Érico Veríssimo

Como o tempo custa a passar quando a gente espera!


Principalmente quando venta.
Parece que o vento maneia o tempo.

O amor está mais perto do ódio do que a gente geralmente supõe. São o
verso e o reverso da mesma moeda de paixão. O oposto do amor não é
o ódio, mas a indiferença...

Quando os ventos de mudança sopram, umas pessoas levantam


barreiras, outras constroem moinhos de vento.
Vida e Obra de Rachel de Queiroz
Rachel de Queiroz (1910-2003) foi uma grande escritora, jornalista, tradutora e
dramaturga brasileira. Ganhou diversos prêmios, dentre eles o "Prêmio Camões" (1993),
sendo, portanto, a primeira mulher a recebê-lo.
Além disso, foi a primeira mulher a ocupar uma cadeira na Academia Brasileira de Letras,
em 1977.
Dada sua importância para a literatura nacional, em 2003 foi inaugurado o "Centro Cultural
Rachel de Queiroz" em Quixadá (CE), cidade em que Rachel viveu.

Biografia
Rachel de Queiroz nasceu na capital cearense, Fortaleza, no dia 17 de novembro de 1910.

Filha de intelectuais, do advogado Daniel de Queiroz Lima e de Clotilde Franklin de


Queiroz, era descendente, pelo lado materno, da estirpe dos Alencar (sua bisavó materna
era prima José de Alencar).

Com apenas 7 anos sua família muda-se para o Rio de Janeiro e depois para Belém do Pará.

Depois de dois anos retornam ao Ceará e Rachel torna-se aluna interna do “Colégio
Imaculada Conceição”. Com apenas 15 anos de idade, forma-se professora em 1925.

Lecionou História e, com 20 anos, em 1930, publica seu primeiro romance, “O Quinze”.
Nessa obra, a escritora retrata a seca de 1915 no nordeste do país e a realidade dos
retirantes nordestinos.
A obra bem recebida pelo público, “O Quinze”, foi agraciada com o prêmio da Fundação
Graça Aranha.

Em 1927, após uma publicação com o pseudônimo “Rita de Queiroz” no Jornal do Ceará,
Rachel é convidada para colaborar nesse jornal. Nele, começa a publicar diversas crônicas e
a trabalhar como repórter.

Foi militante política e afiliada ao Partido Comunista Brasileiro desde 1930.

Em 1932, casa-se com o poeta José Auto da Cruz Oliveira, separando-se em 1939. No ano
seguinte, casa-se novamente com o médico Oyama de Macedo, com quem permanece até
seu falecimento, em 1982.

Em 1992, escreveu o romance “Memorial de Maria Moura”, o qual lhe conferiu o "Prêmio
Camões". Aos 92 anos, no dia 4 de novembro de 2003, na cidade do Rio de Janeiro,
descansando em sua rede, falece Rachel de Queiroz.

Obras
Possuidora de uma vasta obra, Rachel de Queiroz escreveu romances, contos e crônicas,
com destaque para ficção social nordestina. Além disso, escreveu literatura infanto-juvenil,
antologias e peças de teatro. Segue abaixo algumas obras:
• O Quinze (1930)
• João Miguel (1932)
• Caminhos de Pedras (1937)
• As Três Marias (1939)
• Três romances (1948)
• O Galo de Ouro (1950)
• Lampião (1953)
• A Beata Maria do Egito (1958)
• Quatro Romances (1960)
• O Menino Mágico (1969)
• Seleta (1973)
• Dora Doralina (1975)
• Memorial de Maria Moura (1992)
• Andirá (1992)
• As Terras Ásperas (1993)
• Teatro (1995)
• Falso Mar, Falso Mundo (2002)
CARACTERÍSTICAS LITERÁRIAS
Inserida no Modernismo, a prosa regionalista de Rachel de Queiroz retrata, numa
linguagem enxuta e viva, o nordeste; mais precisamente o Ceará. Além do interesse
social, o flagelo da seca e o coronelismo, seus dois primeiros romances - O
Quinze e João Miguel - demonstram sua preocupação com os traços psicológicos do
homem daquela região que, pressionado por forças atávicas, aceita fatalistamente seu
destino. Essa harmonização entre o social e o psicológico demonstra uma nova tomada
de posição na temática do romance nordestino. A mesma abordagem se aplica aos dois
romances seguintes: Caminho de Pedras e As Três Marias. O primeiro é
conscientemente político-social e as características psicológicas estão aí valorizadas.
No entanto, em As Três Mariaselas atingem o seu máximo.

Frases
Segue abaixo algumas frases da escritora:
• “Eu nunca fui uma moça bem-comportada. Pudera, nunca tive vocação pra alegria
tímida, pra paixão sem orgasmos múltiplos ou pro amor mal resolvido sem soluços. Eu
quero da vida o que ela tem de cru e de belo. Não estou aqui pra que gostem de mim. Estou
aqui pra aprender a gostar de cada detalhe que tenho.”
• “Não sou feminista. Acho que a sociedade tem que crescer em conjunto. A
associação mulher e homem é muito boa e acho um grande erro combater o homem.”
• “Fala-se muito na crueldade e na bruteza do homem medievo. Mas o homem
moderno será melhor?”
• “A gente nasce e morre só. E talvez por isso mesmo é que se precisa tanto de viver
acompanhado.”
• “Eu sou essa gente que se dói inteira porque não vive só na superfície das coisas.”
• “Infelizmente não acredito em Deus. Acho uma grande pobreza não ter uma fé. É
um desamparo, uma solidão muito grande.”
Vida e Obra de Graciliano Ramos
Graciliano Ramos (1892-1953) foi um escritor e jornalista brasileiro pertencente
à segunda fase do modernismo, denominada de fase de consolidação (1930-1945).
Segundo ele:
“Os modernistas brasileiros, confundindo o ambiente literário do país com a Academia,
traçaram linhas divisórias rígidas (mas arbitrárias) entre o bom e o mau. E, querendo
destruir tudo o que ficara para trás, condenaram, por ignorância ou safadeza, muita coisa
que merecia ser salva.”

Biografia

Filho de Sebastião Ramos de Oliveira e Maria Amélia Ferro Ramos, Graciliano Ramos de Oliveira
nasceu no município alagoano de Quebrangulo, dia 27 de outubro de 1892. Família de classe
média, Graciliano era o primogênito de 16 filhos.

Viveu em diversas cidades do nordeste brasileiro: Viçosa (AL), Palmeira dos Índios (AL), Maceió
(AL) e Buíque (PE).

Teve uma infância difícil assinalada por dificuldades na relação com seus pais, bastante rígidos e
frios.

Estudou no Internato em Viçosa e, em 1904, publicou no jornal da escola “O Dilúculo” sua primeira
obra: o conto “O Pequeno Pedinte”.

No ano seguinte, passou a viver em Maceió onde se matricula no Colégio Interno Quinze de
Março. Ali, ele estabelece uma relação de identificação com a língua e a literatura.

Quando terminou o segundo grau, em 1914, seguiu para o Rio de Janeiro. Na cidade maravilhosa
ele trabalhou como revisor dos jornais “Correio da Manhã”, “O Século” e “A Tarde”.

Graciliano faleceu no Rio de Janeiro, dia 20 de março de 1953, vítima de câncer no pulmão.
Obras
Graciliano escreveu romances, contos, crônicas, literatura infanto-juvenil e segundo ele:
“Qualquer romance é social. Mesmo a literatura ‘torre de marfim’ é trabalho social, porque
só o fato de procurar afastar os outros problemas é luta social”.
Algumas obras que se destacaram:
• Caetés (1933)
• Vidas Secas (1938)
• São Bernardo (1934)
• Angústia (1936)
• A Terra dos Meninos Pelados (1939)
• Brandão Entre o Mar e o Amor (1942)
• Histórias de Alexandre (1944)
• Infância (1945)
• Histórias incompletas (1946)
• Insônia (1947)

Algumas de suas obras que foram publicadas postumamente:

• Memórias do Cárcere (1953)


• Viagem (1954)
• Linhas Tortas (1962)
• Viventes das Alagoas (1962)
• Alexandre e outros Heróis (1962)
• Cartas (1980)
• O Estribo de Prata (1984)
• Cartas a Heloísa (1992)

CARACTERÍSTICAS LITERÁRIAS
Destacando-se como o principal romancista da segunda fase do Modernismo ao lado
de José Lins do Rego, Graciliano Ramos tornou sua obra mais uma vertente de nosso
rico romance regionalista. Com um estilo seco, conciso e sintético, o autor deixa de
lado o sentimentalismo a favor de uma objetividade e clareza. Seus textos carecem de
adjetivos, numa economia vocabular que dá ênfase aos nomes e prestigia a mensagem
direta, sem rodeios. Assim como José Lins do Rego, Graciliano vai descrever os tipos e
as paisagens do Nordeste, mas enfocando os problemas que ali se encontram. Seus
melhores romances como São Bernardo, Angústia e Vidas Secas, mostram um perfil
psicológico e sócio-político que nos incita a uma visão crítica dos rumos que a
sociedade moderna toma. A análise psicológica que o autor faz de seus personagens
parte do regional para o universal, mostrando o homem comum que convive com
classes superiores e autoritárias que, ao invés de amenizarem, aumentam seus
problemas.
Frases de Graciliano
• “Nunca pude sair de mim mesmo. Só posso escrever o que sou. E, se as personagens
se comportam de modos diferentes, é porque não sou um só.”
• “A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso. A palavra foi feita
para dizer.”
• “Quem escreve deve ter todo o cuidado para a coisa não sair molhada. Da página
que foi escrita não deve pingar nenhuma palavra, a não ser as desnecessárias. É como pano
lavado que se estira no varal.”
• “Comovo-me em excesso, por natureza e por ofício. Acho medonho alguém viver
sem paixões.”
• “Certos lugares que me davam prazer tornaram-se odiosos. Passo diante de uma
livraria, olho com desgosto as vitrinas, tenho a impressão de que se acham ali pessoas,
exibindo títulos e preços nos rostos, vendendo-se. É uma espécie de prostituição.”
• “Escolher marido por dinheiro. Que miséria! Não há pior espécie de prostituição.”
• “Ateu! Não é verdade. Tenho passado a vida a criar deuses que morrem logo, ídolos
que depois derrubo. Uma estrela no céu, algumas mulheres na terra.”
Vida e Obra de Vinicius de Moraes
Vinicius de Moraes foi um poeta, dramaturgo, escritor, compositor e diplomata brasileiro.
É autor de “Soneto de Fidelidade”, uma das mais importantes obras da literatura Brasileira,
da peça “Orfeu da Conceição”, e ainda, um dos precursores da Bossa Nova no Brasil.
Foi durante a segunda fase do modernismo no Brasil que Vinicius de Moraes teve destaque
com suas poesias eróticas e de amor.
Biografia

Marcus Vinicius da Cruz de Melo Moraes nasceu em 09 de outubro de 1913 no Rio de Janeiro.

Filho de Lydia Cruz de Moraes e Clodoaldo Pereira de Moraes, somente aos nove anos foi
registrado como Vinicius de Moraes.

Foi batizado na Maçonaria em 1920 e, aos dez anos, fez a Primeira Comunhão na Igreja da Matriz,
no bairro carioca de Botafogo.

Ainda adolescente, iniciou parcerias ao lado dos irmãos Paulo, Haroldo e Oswaldo Tapajós. Com os
amigos do colégio Santo Inácio formou, em 1927, um conjunto musical para tocar em festas.

O grupo era composto por Paulo e Haroldo Tapajós, Maurício Joppert e Moacir Veloso Cardoso de
Oliveira.

Em 1929, tornou-se bacharel em Letras pelo Colégio Santo Inácio; e no ano seguinte, ingressa na
Faculdade de Direito da Rua do Catete.

Em 1941, começa a atuar no jornal A Manhã como crítico cinematográfico. O trabalho é conciliado
com os estudos para o concurso de ingresso na carreira diplomática, tendo êxito em 1942.

Consegue conciliar a carreira diplomática e os trabalhos no suplemento literário de O Jornal até


1946. Naquele ano, assumiu o posto de vice-cônsul em Los Angeles, para onde viaja com Fernando
Sabino.

O artista morre em 9 de julho de 1980, vítima de edema pulmonar.


A obra de Vinicius de Moraes
Dentre a obra deixada por Vinicius de Moraes, podemos citar as seguintes:
• O Caminho Para a Distância (poesia), 1933

• Forma e Exegese (poesia), 1936

• Poemas, Sonetos e Baladas (poesia), 1946

• Orfeu da Conceição (teatro), 1954

• Livro de Sonetos (poesia), 1956

• Para Viver um Grande Amor (poesia) e outros livros.

• Novos Poemas II

• Antologia Poética

• Ariana, a Mulher, poesia

• Para Uma Menina com uma Flor, poesia

• O Dever e o Haver

• Chacina de Barros Filho, teatro, drama

CARACTERÍSTICAS LITERÁRIAS

Tanto no tom exaltado, cheio de ressonâncias, como no tema e forma, a poesia inicial
de Vinícius de Moraes está impregnada de religiosidade e misticismo neo-simbolistas.
Em oposição, talvez, às liberdades formais da primeira fase do Modernismo, o poeta
parece querer recuperar o espiritualismo na poesia, atitude comum dos poetas ligados
à revista Festa.

A partir de Cinco Elegias, sua poesia se transforma. Não tão longa, revela uma maior
liberdade de escolha e de expressão. Os temas desse poeta lírico são, por excelência,
agora concretos e do cotidiano; canta a mulher, o amor, o dia-a-dia e a valorização do
momento, ao mesmo tempo em que busca algo mais perene, o que revela maturidade
e matizes mais pessoais de inspiração. O eixo temático de sua obra se desloca para a
intimidade dos afetos e para um sensualismo erótico, contrativos com sua educação
religiosa; o poeta está sempre hesitando entre os prazeres da carne e as angústias do
pecador.

Sua linguagem se transforma: é direta e ardente, usando palavras realistas e ao


mesmo tempo muito líricas para descrever a confidência, a ternura física e a plenitude
dos sentidos. Os sonetos são considerados a parte mais importante de sua obra. Com
toques de erotismo e competência, ele revigorou essa forma de composição, ignorada
pelos modernistas da primeira fase, produzindo, assim, alguns dos mais belos sonetos
de nossa língua.
Vida e Obra de Murilo Mendes
Murilo Mendes foi um escritor brasileiro pertencente à segunda fase do modernismo no
Brasil. Ele é considerado um dos mais relevantes poetas brasileiros do século XX.

Biografia

Murilo Monteiro Mendes nasceu em Juiz de Fora, Minas Gerais, dia 13 de maio de 1901.

Filho de Onofre Mendes e Eliza de Barros Mendes, Murilo passou sua infância em Minas Gerais.

Mais tarde, foi estudar em Niterói; e em 1920, mudou-se para o Rio de Janeiro.

Na cidade maravilhosa trabalhou como Arquivista no Ministério da Fazenda e foi funcionário do


Banco Mercantil.

No Rio começa sua carreira literária publicando alguns de seus poemas em revistas que estavam
vinculadas ao movimento modernista: “Verde” e “Revista de Antropofagia”.

Em 1930, Murilo publicou seu primeiro livro de poesias intitulado “Poemas”. Começou a ser
reconhecido no meio literário e por esta obra recebeu o prêmio Graça Aranha.

Ainda no começo da década de 30, Murilo se converteu ao catolicismo. Alguns de seus trabalhos
refletem a questão religiosa.

Murilo casou-se com Maria da Saudade Cortesão. Mas nunca tiveram filhos. Viajou por diversos
países da Europa (França, Itália, Bélgica, Holanda, Portugal e Espanha), donde sofreu influências
das correntes vanguardistas do cubismo e do surrealismo

Faleceu em Lisboa, dia 13 de agosto de 1975.


Obras

Murilo Mendes utiliza a linguagem coloquial e os neologismos para compor seus textos.
Escreveu poemas, antologias e algumas obras em prosa, das quais se destacam:

• Poemas (1930)
• Bumba-meu-poeta (1930)
• História do Brasil (1933)
• Tempo e eternidade (1935) – com colaboração de Jorge Lima
• A poesia em pânico (1937)
• O visionário (1941)
• As metamorfoses (1944)
• O mundo enigma (1945)
• Poesia liberdade (1947)
• Contemplação de Ouro Preto (1954)
• Tempo Espanhol (1959)
• A idade do serrote (1968)
• Convergência (1970)
• Poliedro (1972)
• Antologia Poética (1976)

Poemas
Conheça melhor a linguagem utilizada pelo escritor por meio da leitura de dois poemas:
O homem, a luta e a eternidade
Adivinho nos planos da consciência
dois arcanjos lutando com esferas e pensamentos
mundo de planetas em fogo
vertigem
desequilíbrio de forças,
matéria em convulsão ardendo pra se definir.
Ó alma que não conhece todas as suas possibilidades,
o mundo ainda é pequeno pra te encher.
Abala as colunas da realidade,
desperta os ritmos que estão dormindo.
À guerra! Olha os arcanjos se esfacelando!

Um dia a morte devolverá meu corpo,


minha cabeça devolverá meus pensamentos ruins
meus olhos verão a luz da perfeição
e não haverá mais tempo.
Frases
• “Sou um espírito dialético, eu busco a lógica oculta entre a sensualidade e
cristianismo, racionalismo e irracionalismo.”
• “Ainda não estamos habituados com o mundo. Nascer é muito comprido.”
• “É necessário conhecer seu próprio abismo. E polir sempre o candelabro que o
esclarece.”
• “Só não existe o que não pode ser imaginado.”

CARACTERÍSTICAS LITERÁRIAS
Murilo Mendes destaca-se pelo senso de modernidade. Seus poemas estão repletos de
conteúdos originais e de imagens cotidianas, tingidas de surrealismo, linguagem
religiosa e de preocupação com o social destacam-se, igualmente, os processos
surrealistas e de montagem, abrindo espaço para a "sequência onírica", obtida por
meio de combinação associativa. A justaposição sintática e o emprego do simbólico
dão cor e sentido aos versos.

Os poemas, anteriores a l930, carregados de humor, apresentam a análise humorística


do Brasil provinciano. Nos posteriores, em tom grave, o poeta revela o homem
angustiado diante do Bem e do Mal e ultrapassando, algumas vezes, esse mesmo
dilema, transporta-o para o plano metafísico.

Em Tempo e Eternidade (1935), escrito em colaboração com Jorge de Lima, destaca-se


a influência de Péguy e Claudel, impressa nas imagens terrestres, contrapostas ao
tempo e espaço. Em outras obras, encontram-se a obsessão pelo caos, a presença do
eterno-feminino, tensionada entre o profano e o sagrado, expostos que são pelas
rupturas e colagens. Outras características são a exatidão métrica, o respeito à
semântica, o emprego de séries compactas de nomes e verbos, encontrados
em Contemplação de Outro Preto (1954).
Vida e Obra de Jorge Amado
Jorge Amado foi jornalista e um dos maiores representantes da literatura brasileira
modernista, com uma obra marcada pelo regionalismo e pela denúncia social.
Foi o quinto ocupante da cadeira 23, na Academia Brasileira de Letras, em 1961 e, além
disso, recebeu vários prêmios com destaque para o “Prêmio Camões” (1994) e o “Prêmio
Jabuti”, o qual fora agraciado duas vezes (1959 e 1995)

Biografia

Jorge Leal Amado de Faria nasceu no dia 10 de agosto de 1912, no distrito de Ferradas, município
de Itabuna, no sul do Estado da Bahia.

Viveu sua infância em Ilhéus (BA) e depois mudou-se para Salvador, onde estudou no Internato
Colégio Antônio Vieira, de padres jesuítas, e no Ginásio Ipiranga.

Desde jovem se envolve com a vida literária e começa a escrever para o jornal: “Diário da Bahia”.

Fundou a “Academia dos Rebeldes”, grupo de jovens artistas, sobretudo literatos, empenhados
em renovar a literatura baiana.

Já no Rio de Janeiro, publica seu primeiro romance, com 19 anos, intitulado “O País do Carnaval”
(1931).

Dois anos depois casa-se com Matilde Garcia Rosa com quem teve uma filha. Em 1935, torna-se
Bacharel em Direito pela Faculdade Nacional de Direito do Rio de Janeiro.

Na política, Jorge Amado lutou pela liberdade religiosa, sendo o autor da lei, ainda hoje em vigor,
que assegura o direito à liberdade de culto religioso; ademais, foi autor da emenda que garantia os
direitos autorais.

Casa-se pela segunda vez com a escritora Zélia Gattai, e com ela tem dois filhos. Em 1955,
afasta-se da militância política e dedica-se totalmente à literatura, sendo ocupante da cadeira 23,
na Academia Brasileira de Letras, a partir de 1961.

Falece na capital baiana, Salvador, no dia 6 de agosto de 2001, com 89 anos.


Obras
Possui uma vasta obra literária, com aproximadamente 45 livros publicados dentre
romances, poesias, contos, crônicas, peças de teatro, literatura infantil.
Ademais, sua obra foi traduzida para 50 idiomas, sendo, portanto, um escritor reconhecido
mundialmente.
Romances

• O País do Carnaval (1930)


• Cacau (1933)
• Suor (1934)
• Jubiabá (1935)
• Mar morto (1936)
• Capitães da areia (1937)
• Terras do Sem-Fim (1943)
• São Jorge dos Ilhéus (1944)
• Seara vermelha (1946)
• Os subterrâneos da liberdade (1954)
• Gabriela, cravo e canela (1958)
• A morte e a morte de Quincas Berro d'Água (1961)
• O Compadre de Ogum (1964)
• Dona Flor e Seus Dois Maridos (1966)
• Tenda dos milagres (1969)
• Teresa Batista cansada de guerra (1972)
• Tieta do Agreste (1977)
• Farda, fardão, camisola de dormir (1979)
• Tocaia grande (1984)
• O sumiço da santa, romance (1988)
• A descoberta da América pelos turcos (1994)

Literatura Infantil

• O gato Malhado e a andorinha Sinhá (1976)


• A bola e o goleiro (1984)

Biografias e Memórias

• ABC de Castro Alves (1941)


• O cavaleiro da esperança (1942)
• O menino grapiúna (1982)
• Navegação de cabotagem (1992)
CARACTERÍSTICAS LITERÁRIAS

Jorge Amado, em largos painéis coloridos, retrata o regionalismo nordestino,


mostrando a desgraça e a opressão do negro, do pobre e do trabalhador, nas zonas
cacaueiras e urbanas da Bahia. Através desses tipos marginalizados, apresentados
com humanidade, simpatia calorosa e um vivo senso do pitoresco, analisa toda uma
sociedade.

Um grande expoente do Modernismo, sua maturidade literária se revela na capacidade


de mesclar realismo e romantismo, lirismo poético e documento em sua narrativa, cuja
linguagem explicita o falar de um povo e cuja ideologia se sobrepõe na forma de uma
necessidade premente de justiça social. O caráter político e revolucionário das obras
iniciais não se encontra nos romances pós década de 50, o que tem feito críticos
dividirem sua obra em diferentes temáticas. O Romance Proletário que retrata a vida
rural e citadina de Salvador, com forte apelo social. Incluem-se nesse tipo: Suor, O
País do Carnaval e Capitães da Areia. O "Ciclo do Cacau" tem como temas os
latifúndios da região cacaueira e as lutas que, em tom épico, retratam a ganância dos
coronéis, a exploração do trabalhador rural. Pertencem a esse ciclo: Cacau, Terras do
Sem Fim e São Jorge dos Ilhéus.

A Pregação Partidária é constituída por um grupo de escritos de cunho político: O


Cavaleiro da Esperança e O Mundo da Paz.

A última fase se compõe de Depoimentos Líricos e Crônicas de Costumes e se inicia


com Jubiabá e Mar Morto, cujos temas giram em torno das rixas e amores marinheiro.
Consolidam-se com Gabriela, Cravo e Canela que, mesmo tendo Ilhéus e problemas
políticos, como pano de fundo, tende mais para crônica amaneirada de costumes. Para
Bosi, a ideologia que permeia as obras de 30 e 40 foi abandonada. A partir daí tudo se
dissolveu "no pitoresco, no saboroso, no apimentado do regional".
Vida e Obra de Dyonélio Machado

Dyonélio Tubino Machado nasceu na cidade de Quaraí, no Rio Grande do Sul, em 21 de


agosto de 1895. Ele foi um romancista, contista, ensaísta e psiquiatra.

O primeiro trabalho do escritor foi em 1903, quando ele começou a vender bilhetes de

loteria. Dyonélio também atuou como balconista e monitor de classes na escola pública.

Em 1912, ele se mudou para a capital Porto Alegre, onde conseguiu concluir o curso

secundário. Em 1921, o escrito fundou o jornal “A Informação”, ligado ao Partido

Republicano. Em 1923, publicou o ensaio “Política Contemporânea: Três Aspectos e

ingressa na Faculdade de Medicina”.

Na literatura, a estreia de Dyonélio Machado aconteceu em 1927, com o lançamento dos

Contos de Um Pobre Homem. Entre os anos de 1930 e 1931, o autor viveu no Rio de

Janeiro, onde se especializou em psiquiatria e neurologia.

Em sua trajetória literária, o escrito também publicou o romance Os Ratos, lançado em 1935 e considerado

sua obra prima. Dyonélio foi membro do Partido Comunista e se elegeu deputado em 1947, mas seu

mandato foi cassado e ele se afastou da política e da vida pública por 20 anos. Dyonélio Machado faleceu

no dia 19 de junho de 1985. Ele conseguiu se consagrar como escritor e foi um dos principais nomes da

segunda geração do Modernismo no Brasil.


Obras de

Dyonélio Machado

• . Um Pobre Homem (contos), 1927.

• . Os Ratos (romance), 1934.

• . O Louco do Cati (romance), 1942.

• . Desolação (romance), 1944

• . Deuses Econômicos (romance), 1976.

• . Prodígios (romance), 1980.

• . Endiabrados (romance), 1980.

• . Sol Subterrâneo (romance), 1981.

• . Nuanças (romance), 1981.

• . Fada (romance), 1982.

• . Ele vem do Fundão (romance), 1982.

• . Passos Perdidos (romance), 1982.

CARACTERÍSTICAS LITERÁRIAS
Envolvidos com a crise econômica e política da época, a segunda geração modernista,
ocupou-se com a discussão e a retratação da realidade brasileira gerada pela ditadura que
se instalou no Brasil com Getúlio Vargas e as relações entre o homem e o mundo. “Em 30
nós vivemos o problema do realismo, ou neorrealismo, socialista ou não, bem como a
incorporação daquilo que as vanguardas do decênio anterior tinham proposto como
inovação. Vivemos um grande surto do romance, ligado aos pontos de vista opostos na
moda pela sociologia e a antropologia, como um triunfo do social contraposto às
tendências espiritualistas e religiosas. Houve dilaceramentos e disputas, com a formação
de um antipolo metafísico e as mais rasgadas polêmicas que marcaram todos nós.”
Antônio Candido, Companhia das Letras, 1993
Vida e Obra de Cecilia Meireles
Cecília Meireles foi escritora, jornalista, professora e pintora, considerada uma das mais
importantes poetisas do Brasil.
Sua obra de caráter intimista possui forte influência da psicanálise com foco na temática
social.
Embora sua obra apresente características simbolistas, Cecília destacou-se na segunda fase
do modernismo no Brasil, no grupo de poetas que consolidaram a "Poesia de 30".
Biografia

Cecília Benevides de Carvalho Meireles nasceu no Rio de Janeiro, dia 7 de novembro de 1901.

Foi criada pela sua avó católica e portuguesa da ilha dos Açores. Isso porque seu pai havia morrido
três meses antes de seu nascimento e sua mãe quando tinha apenas 3 anos.

Desde pequena recebeu uma educação religiosa e demonstrou grande interesse pela literatura,
escrevendo poesias a partir dos 9 anos de idade.

Cursou a Escola Estácio de Sá, concluindo com “distinção e louvor” o curso primário em 1910.
Tornou-se professora diplomando-se no “Curso Normal do Instituto de Educação do Rio de
Janeiro”.

Em 1919, com apenas 18 anos, publicou sua primeira obra de caráter simbolista, “Espectros”. Com
21 anos, casa-se com os pintos portugueses Fernando Correa Dias que sofria de depressão e
suicidou-se em 1935.

Cecília falece ao entardecer na sua cidade natal, dia 9 de novembro de 1964, com 63 anos,
vítima de câncer.
Principais Obras
Com uma obra intimista e densamente feminina, Cecília Meireles foi uma escritora muito
prolífica, escreveu muitas poesias, incluso, poesias infantis:

Algumas Obras

• Espectros (1919)
• Criança, meu amor (1923)
• Nunca mais... e Poemas dos Poemas (1923)
• Criança meu amor... (1924)
• Baladas para El-Rei (1925)
• O Espírito Vitorioso (1929)
• Saudação à menina de Portugal (1930)
• Batuque, Samba e Macumba (1935)
• A Festa das Letras (1937)
• Viagem (1939)
• Vaga Música (1942)
• Mar Absoluto (1945)
• Rute e Alberto (1945)
• O jardim (1947)
• Retrato Natural (1949)
• Problemas de Literatura Infantil (1950)
• Amor em Leonoreta (1952)
• Romanceiro da Inconfidência (1953)
• Batuque (1953)
• Pequeno Oratório de Santa Clara (1955)
• Pistóia, Cemitério Militar Brasileiro (1955)
• Panorama Folclórico de Açores (1955)
• Canções (1956)
• Romance de Santa Cecília (1957)
• A Bíblia na Literatura Brasileira (1957)
• A Rosa (1957)
• Obra Poética (1958)
• Metal Rosicler (1960)
• Poemas Escritos na Índia (1961)
• Poemas de Israel (1963)
• Solombra (1963)
• Ou Isto ou Aquilo (1964)
• Escolha o Seu Sonho (1964)
CARACTERÍSTICAS LITERÁRIAS
Em versos regulares ou livres, longos ou curtos, a autora, sempre empenhada em
atingir a perfeição, revela habilidade no comando da riqueza lexical e dos ritmos da
língua portuguesa. Foi talvez, segundo Bosi, "o poeta moderno que modulou com mais
felicidade os metros breves", apregoados pelo Modernismo. Na poesia inicial Espectros
e Baladas para El-Rey, há ecos dos poetas simbolistas. Fase esta que foi renegada pela
autora, ao não as incluir em sua Obra Poética.

Em Viagem, pela capacidade lírica inovadora retrata uma permanente viagem interior;
intimista e introspectiva, sugerindo num tom leve e delicado, temas de solidão,
melancolia, fuga pelo sonho, o vazio do existir, saudades e sofrimento. Essas
características percorrerão toda sua obra lírica. Algumas estão presentes em Canção
quase Melancólica, Fio, Cantiguinha e Assovio.

Outro aspecto de sua poesia é a linguagem sensorial, intuitiva e feminina, empregada


em versos plenos num jogo hábil de sons e musicalidade. Recordação transfigura a
realidade pelos elementos sensoriais. Um dos traços mais importantes de sua poesia é
a consciência da transitoriedade das coisas, revelada na delicadeza com que tematiza a
fugacidade do tempo, dos objetos e da vida, sempre espreitada pela sombra da morte.

Em Romanceiro da Inconfidência, episódios narrativos rimados - romance medieval de


tradição ibérica - Cecília revela sua preocupação social. A partir de fatos históricos,
lendas e tradições, narra a época dourada de Minas Gerais e a fatalidade que caiu
sobre os poetas conjurados e familiares. Em um conjunto de 85 romances, é um dos
mais belos poemas longos da língua portuguesa.