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TORRES DE ARREFECIMENTO

1) DEFINIÇÃO

Torre de arrefecimento é um trocador de calor de contacto direto que se destina a reaproveitar a


água que é aquecida em um processo. No caso de um sistema de refrigeração por compressão de vapor
ela reaproveita a água que é aquecida no processo de dissipação de calor do refrigerante no
condensador. Uma representação simplificada de um sistema de resfriamento usando uma torre de
arrefecimento está mostrada na figura 1 abaixo.

Figura 1: Sistema de resfriamento com torre de arrefecimento

A água quente vinda do trocador de calor entra na torre onde é resfriada pelo ar ambiente que
entra pelas venezianas inferiores da torre succionado pelo ventilador. A água arrefecida é depositada na
parte inferior da torre de onde é novamente bombeada para o trocador de calor. Uma bomba repõe
água para compensar as perdas de água que ocorrem no processo de resfriamento.

Figura 2: Esquema simplificado da torre

A figura 2 mostra de forma simplificada o interior de uma torre de arrefecimento. Água


aquecida é pulverizada na parte superior da torre e escoa em contracorrente com o ar que é insuflado
por um ventilador para o interior da torre. A água dissipa calor para o ar que tem sua temperatura de
bulbo seco e umidade absoluta aumentada sendo descarregado no meio ambiente. A água no processo
de troca de calor com ar tem sua temperatura reduzida até uma temperatura próxima a de bulbo úmido
inicial do ar e escoa para a parte inferior da torre de onde será recirculada. A maior parte do calor
disssipado da água para o ar se deve a sua evaporação no processo. Assim admitamos que as vazões de
ar e água sejam iguais e que o ar entra na torre com temperatura de bulbo seco de 25.5 oC, umidade

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relativa de 50% e que a água deverá ser resfriada de 29.4 oC a 21.1oC (8.8oC) . Neste caso a umidade
absoluta e a entalpia inicial do ar valem 10.28 g vapor/ kg ar seco e 70.72 kJ/kg e um balanço de
energia água-ar mostra que a entalpia final do ar vale 104.57 kJ/kg o que corresponde a um acréscimo
de entalpia do ar de 33.85 kJ/ kg ar seco que representa o calor que o ar recebeu da água. Por outro
lado admitindo que a umidade relativa do ar na saída da torre é 100% conclui-se que sua umidade
absoluta vale 23.28 g vapor/ kg ar seco. Portanto o acréscimo de 13 g vapor/kg ar seco na umidade
absoluta do ar ( 23.28-10.28) se deveu à evaporação da água. Admitindo que o calor latente de
vaporização da água vale 2400 kJ/kg o calor perdido pela água por evaporação é 31.2 kJ/kg ( 0.013 x
2400 ) que corresponde portanto a cerca de 92% do calor total recebido pelo ar ( 31.2 / 33.85). É fácil
mostrar que a variação de temperatura do ar no processo foi de aproximadamente 3 oC e que portanto o
decréscimo de 8.8oC da água se deveu pràticamente à sua própria evaporação.

2) Classificação das torres quanto à tiragem

As torres podem ser classificadas em torres com tiragem natural e torres com tiragem mecânica.
As torres com tiragem natural são aquelas nas quais a diferença entre as pressões externa e interna para
permitir a circulação do ar na torre é provocada por causas naturais como a velocidade do ar ou a
diferença entre as massas especifica do ar externo e interno. Nas torres de tiragem mecânica o
escoamento do ar no interior da torre é garantido por um ventilador.
A torre atmosférica mostrada na figura 3 abaixo é de tiragem natural. A velocidade da água que
sai dos pulverizadores cria uma depressão no interior da torre que provoca a entrada do ar. Apesar de
barata não é usada por ser muito dependente das condições externas

Figura 3: Torre atmosférica

A torre hiperbólica mostrada esquemàticamente na figura 4 abaixo é também de tiragem natural


e o fluxo de ar de fora para dentro da torre ocorre devido a diferença entre as massas específica do ar
externo e interno. São usadas para grandes vazões de água como, por exemplo, em usinas
termoelétricas para atender a vazão da água de arrefecimento do condensador. Essas torres de grande
tamanho podendo atingir altura de 150 m e seu nome decorre de sua forma geométrica.

Figura 4: Torre hiperbólica

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As torres com tiragem mecânica usam um ventilador para provocar o escoamento do ar no
interior da torre e neste caso as torres podem ser de tiragem forçada ou de tiragem induzida. Nas torres
de tiragem forçada o ventilador está montado na parte inferior da torre e succiona diretamente o ar
ambiente. A figura 5 abaixo mostra uma torre com tiragem forçada.

Figura 5: Torre com tiragem forçada

Estas torres se caracterizam por apresentar velocidade de entrada do ar na torre elevada e baixa
velocidade de saída sendo, pois suscetíveis à recirculação, isto é, mistura do ar que sai com o ar que
entra o que influencia no desempenho da torre. Usa normalmente ventiladores do tipo centrífugo que
consome mais energia que o axial anelar ( hélice ) mas que pode operar com pressões de descarga mais
elevadas associadas a uma rede de dutos quando se deseja montar o ventilador afastado da torre para
evitar a recirculação. Nas torres com tiragem induzida o ventilador está montado na parte superior da
torre como mostra a figura 6 abaixo.

Figura 6: Torre com tiragem induzida

A velocidade de saída do ar é 3 a 4 vezes maior que a sua velocidade de entrada o que não
provoca a recirculação. É o tipo de torre mais usado em pequenas ou grandes capacidades.

3) Componentes básicos da torre de arrefecimento

Uma torre de arrefecimento é constituída pelos seguintes componentes básicos: carcaça,


separador de gotas, sistema de distribuição, enchimento e bacia.

Carcaça
Pode ser fabricado em fibra de vidro, concreto, madeira e eventualmente aço e no seu interior
são montados os outros componentes da torre.

Separador de gotas
O separador de gotas tem por finalidade diminuir a quantidade de água perdida sob forma de
gotas de pequeno diâmetro que são arrastadas pelo ar que circula através da torre no processo de
resfriamento e que podem ser fonte de incomodo para edificações vizinhas e fator de risco para
instalações especiais como subestações existentes nas proximidades. Os separadores de gotas removem
as gotas de água misturadas na corrente de ar como resultado da força centrifuga gerada nas bruscas
mudanças de direção sofridas pela corrente de ar ao circular por superfícies corrugadas. As gotas de

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água aderem à superfície e retornam para o interior da torre. A retenção de gotas pode ser de até 99.7%
em condição padrão segundo um fabricante. A figura 7 abaixo mostra um tipo de superfície usada nos
separadores de gotas.

Figura 7: Separador de gotas

Sistema de distribuição
É constituído pelos componentes que distribuem a água aquecida dentro da torre nas regiões
mais adequadas ao contacto com o ar. O sistema inclui os pulverizadores que devem ser alimentados
com pressão de água adequada para garantir a pulverização da água visando aumentar a superfície de
troca de calor e massa. Os pulverizadores criam uma resistência hidráulica à passagem da água que
deve ser computada no cálculo da altura manométrica da bomba de água de condensação.

Enchimento
É o componente que mais influencia no desempenho térmico da torre. O enchimento (fill) tem
por finalidades aumentar o tempo de permanência da água no interior da torre e aumentar a superfície
de troca de calor e massa. Assim quanto maior aquele dois fatores, maior a capacidade térmica da
torre. A capacidade térmica é influenciada pelos seguintes parâmetros: área de troca térmica por
unidade de volume, fluxos de ar e água laminar ou turbulento, perda de pressão estática do ar,
distribuição uniforme do ar e água e resistência ao entupimento por sedimentação e corrosão em suas
passagens provocadas por substâncias sólidas suspensas ou dissolvidas na água. Na prática quanto
maior a capacidade de troca térmica de um enchimento maior sua tendência à obstrução. Existem dois
tipos de enchimento: tipo impacto e tipo filme.
O enchimento tipo impacto é constituído por travessas de madeira ou barras de metal ou
plástico montadas de forma não alinhada perpendicularmente ao percurso descrito pela água. Um tipo
de enchimento de impacto está mostrado na figura 8 abaixo. Ele apresenta como vantagem uma menor
tendência ao entupimento e oferece perda de carga pequena a passagem do ar. É, no entanto sensível a
fixação inadequada das barras de impacto que devem ser montadas sem inclinação para que não se
formem canais de água em diferentes trajetos prejudicando o funcionamento da torre. Este tipo de
enchimento origina também a formação de canais se a torre for montada desnivelada.

Figura 8: Enchimento de impacto

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O enchimento tipo filme consiste de canais onde se formam películas de água sobre as quais
circula o ar. Um enchimento tipo filme está mostrado na figura 9 na página seguinte. Este tipo de
enchimento oferece um efeito de resfriamento maior ocupando um espaço menor e seu projeto deve
garantir um fluxo uniforme de ar em toda a superfície de contacto. Seu uso deve ser evitado quando a
água apresentar grande quantidade de impurezas.

drop in an aerodynamic, durable design.

Figura 9: Enchimento tipo filme Bacia

A bacia da torre é a parte inferior da torre onde é armazenada a água resfriada. Por ser o local
onde são depositadas as impurezas removidas do ar deve apresentar facilidade de limpeza e drenagem
e ser protegida por telas para evitar a entrada de impurezas e pássaros. A profundidade da bacia varia
entre 34 cm e 60 cm e deve ser suficientemente profunda de modo a manter uma reserva de água no
caso de interrupção da água de reposição A bacia é alimentada com água de reposição diretamente da
caixa d’água por meio de uma bóia para manter constante o nível da água e estabilizar a temperatura
da água numa situação de grande variação de carga.

Ventiladores
Os ventiladores usados na torre podem ser axiais e centrífugos. Os ventiladores são fontes
potenciais de ruído o que pode ser atenuado usando-se motores elétricos de seis pólos particularmente
em torres que atendem instalações de ar condicionado em hospitais, hotéis, etc. que funcionam noite e
dia sem interrupção.
O ventilador pode ser controlado por um termostato cujo sensor está localizado na bacia da
torre que desliga o ventilador quando a temperatura da água diminui. Um controle mais efetivo do
ventilador é o uso de um conversor de freqüência também comandado por um termostato com o sensor
na bacia da torre. Decréscimos na temperatura da água são acompanhados por decréscimos na rotação
do motor ocasionando diminuição no consumo de energia e diminuição nas perdas de água por
arrastamento.

4) Materiais de fabricação

Os materiais para a fabricação dos componentes das torres de arrefecimento vêm evoluindo ao
longo do tempo. Assim a madeira que era usada para a fabricação da carcaça e do enchimento foi
substituída pelo plástico já se podendo encontrar torres totalmente fabricadas com esse material.
Modernamente a estrutura pode ser fabricada com poliéster reforçado com fibra de vidro substituindo
o aço carbono com larga vantagem por afastar definitivamente o problema da corrosão.

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5) Classificação das torres quanto a direção do escoamento do ar.

Neste caso as torres podem ser classificadas em torres em contra corrente ou torres com
escoamento cruzado. A figura 10 mostra os diferentes tipos de torre.

Figura 10: Torres com escoamento em contracorrente e cruzado

Na figura 10 as torres mostradas na primeira linha são de tiragem induzida com escoamento do
ar em contracorrente. As torres mostradas na segunda linha da mesma figura são torres de tiragem
induzida com fluxo cruzado. A maior parte das torres usadas em ar condicionado é do tipo
contracorrente.

6) Parâmetros mais usuais de desempenho

6.a) Vazão de água da torre

A vazão de água da torre é a mesma que circula no trocador de calor que ela atende e, portanto
no caso de um sistema de refrigeração por compressão de vapor é a água que circula no condensador
(água de condensação). A vazão de água ( V̇ ) em m3/h pode ser calculada pela expressão:

V̇  
m3
h
=
Q̇  watt 
1161 × t 2 − t 1 
(1 )

onde Q̇ é a carga térmica do trocador de calor, t2 e t1 são respectivamente as temperaturas de saída e


entrada da água no condensador (diferencial térmico do trocador). No caso do sistema de refrigeração
por compressão de vapor Q̇ é o calor dissipado no condensador ( Q̇CD ). Para sistemas de ar
condicionado com condensação a água admite-se que Q̇CD é 25% maior que a capacidade frigorífica
( Q̇ EV ) ou seja:

Q̇CD = 1.25 Q̇ EV

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Exemplo 1: Calcular a vazão de água de condensação em um sistema de refrigeração com capacidade
frigorífica de 3530 W ( 1 TR ) sabendo que o diferencial térmico do condensador vale 5.5oC.

Solução

Calor dissipado no condensador

Q̇CD = 1.25 x 3530 = 4412 W

Vazão de água

4412
V̇ = = 0.690 m3/h
1161 × 5 .5

O valor acima calculado representa a vazão de água por tonelada de refrigeração para um
diferencial térmico de 5.5oC. Na prática o valor adotado é de 0.680 m3/ h. TR.

6.b) Diferencial térmico da torre (range)

É a diferença entre a temperatura de entrada e de saída da torre e que, portanto é o mesmo


diferencial térmico do trocador de calor que a torre atende. No caso do ar condicionado o diferencial
térmico adotado é de 5.5oC. Como pode ser observado da fórmula ( 1 ) acima existe um grande número
de combinações de vazões e diferenciais térmicos para uma mesma dissipação de calor. Entretanto o
diferencial térmico varia dentro de uma pequena faixa que é limitada por considerações hidráulicas e
pelos níveis de temperatura aceitáveis para o processo térmico. Assim, por exemplo, o diferencial
térmico de torre usado em ar condicionado é 5.5oC.

Figura 11: Influência do diferencial térmico e da vazão no tamanho da torre

A figura 11 acima mostra que o tamanho da torre diminui com o decréscimo da vazão e do e o
aumento do diferencial térmico para uma mesma temperatura de bulbo úmido, mesma temperatura de
entrada da água e mesmo calor dissipado.

6c) Aproximação da torre (approach)

Aproximação (AP) é a diferença entre a temperatura de saída da torre (TST) e a temperatura de


bulbo úmido (TBU) onde ela opera isto é:

AP = TST - TBU (2)

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A temperatura mínima de saída da água da torre é a temperatura de bulbo úmido no local e,
portanto quanto menor a aproximação mais eficiente é a torre. Por outro lado a aproximação está
diretamente relacionada com o tamanho da torre, isto é, quanto menor a aproximação maior o seu
tamanho. A figura 12 abaixo relaciona a aproximação com o tamanho da torre para uma mesma carga
térmica, vazão de água e temperatura de bulbo úmido.

Figura 12 : Influência da aproximação no tamanho da torre

A figura 12 indica que a torre de referência tem aproximação de 15oF que corresponde a um
fator de tamanho de torre unitário. Assim a torre básica dobraria seu tamanho, com aumento do seu
custo, se a aproximação fosse 7oF. Se a aproximação fosse de 25oF a torre de referência poderia ser
60% menor com a conseqüente diminuição de seu custo. Por outro lado a figura 12 mostra que a curva
é assintótica ao eixo das ordenadas com o decréscimo da aproximação o que leva os fabricantes de
torre a não garantirem aproximação menor que 2.7C ( 5oF ).

6.d) Relação entre a vazão mássica de água (L) e a vazão mássica de ar (G)

A vazão L de água é definida pelo processo e logo conhecida. Assim conhecendo-se a relação
L/G pode-se calcular a vazão em massa de ar. Portanto quanto maior a relação L/G menor a vazão de
ar G e, portanto menor a potência consumida pelo ventilador da torre e menor a quantidade de água
perdida por arrastamento.

6.e) Característica da torre

O processo de transferência de calor e massa em uma torre de arrefecimento foi estudado por
Merkel e considera como força motriz para a transferência de calor e massa uma diferença de entalpia.
Assim supõe-se que uma gotícula de água no interior da torre está envolvida por uma película de ar
saturado na temperatura da água e a diferença de entalpia entre a água e a película de ar se constitui na
força motriz para o processo de transferência de calor e massa. A figura 13 abaixo mostra em um
diagrama temperatura- entalpia a representação do balanço térmico entre ar e água em uma torre de
arrefecimento. No diagrama está mostrado o processo sofrido pelo ar que se aquece representado pela
linha CD e o processo sofrido pela água que se resfria representado pela linha AB.

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Figura 13: Diagrama temperatura – entalpia para a torre

Os pontos A e B representam respectivamente as condições de entrada e saída da água,os


pontos C e D representam respectivamente as condições de entrada e saída do ar. A equação de linha
CD, obtida de um balanço térmico entre água e ar, é da forma:

hD = hC + L/G x cp x ( TA – TB )

onde cp é o calor específico a pressão constante da água e os índices referem-se à figura 13. O
potencial de entalpia para a transferência de calor e massa é a diferença entre a entalpia da água ( hW )
e a entalpia do ar ( ha ) à mesma temperatura. A Característica da Torre representada pela expressão
kaV/L é calculada pela equação de Merkel que na sua forma integral é:
T2
kaV dT
=∫
L T hw − ha
1

Nela k é o coeficiente de transferência de massa, a é a relação entre a área de contacto e o


volume molhado, V é o volume ativo, L a vazão mássica de água, dT diferença infinitesimal de
temperatura da água, hw entalpia específica da água e ha a entalpia específica do ar. A característica da
torre k aV/L é um número adimensional e quanto maior seu valor maior a dificuldade que a torre tem
em realizar sua função. Seu valor pode ser obtido integrando o segundo membro da equação de
Merkel pelo método devido a Tchebycheff conforme mostrado abaixo.

kaV T2 dT T − T2 1 1 1 1
= ∫T = 1     
L 1 h
w − h a 4 Δh 1 Δh 2 Δh 3 Δh

onde os Δh representam variações de entalpia calculados da forma abaixo especificada.

Δh1 = hw – ha calculado a uma temperatura T2 + 0.1 ( T1 – T2 )


Δh2 = hw – ha calculado a uma temperatura T2 + 0.4 ( T1 – T2 )
Δh3 = hw – ha calculado a uma temperatura T1 - 0.4 ( T1 – T2 )
Δh4 = hw – ha calculado a uma temperatura T1 - 0.1 ( T1 – T2 )

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onde T1 e T2 representam respectivamente as temperaturas de entrada e saída da água da torre.
Na prática utilizam-se diagramas, às vezes chamados de Curva de Demanda, que fornecem a
Característica da Torre como função da relação L/G para diversos valores de aproximação. Cada
diagrama é obtido para uma temperatura de bulbo úmido e um diferencial térmico definidos. A figura
14 abaixo mostra uma Curva de Demanda. A abscissa é a relação L/G e a ordenada a Característica da
Torre. As curvas internas no diagrama são linhas de aproximação constante cujos valores diminuem na
direção vertical. O diagrama mostrado foi obtido para uma temperatura de bulbo úmido de 26.5oC,
diferencial térmico de 5.5oC e pressão barométrica de 101.325 kPa.
Da mesma forma existe um kaV/L para o enchimento e portanto uma Curva Característica do
Enchimento obtida experimentalmente pelo fabricante. Locando-se na Curva de Demanda da Torre a
Curva Característica do Enchimento no ponto de intercessão das duas curvas obtém-se a relação L/G
da torre.

Figura 14: Característica da torre versus relação L/G

8) Perdas de água na torre

As perdas de água na torre se devem à evaporação da água, arrastamento e purga de


desconcentração.

8.a) Perdas de água por evaporação e arrastamento

Desprezando o volume de água de reposição e as perdas de água por salpico e arrastamento


pode-se, por meio de um balanço de energia e um balanço de massa de vapor d’água na torre e
adotando um valor de 4.18 kJ/kg. K para o calor específico da água, determinar a perda de água por
evaporação em m3/h ( V̇ EV ) pela fórmula:

V̇ H O  t1 − t2   W 2 − W 1 
V̇ EV = 2

239.23  h2 − h 1 

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onde V̇ H 2 O é a vazão de água em m 3/h que circula na torre, t2 e t1 representam respectivamente a
temperatura de entrada e saída da água em oC, W2 e W1 representam respectivamente a umidade
absoluta do ar na saída e na entrada da torre em gramas de vapor por quilo de ar seco, h 2 e h1
representam respectivamente a entalpia do ar na saída e na entrada da torre.
A perda de água por evaporação ( V̇ EV ) em m3/h pode também ser estimada em função do diferencial
térmico da torre ( Δt ) em oC pela fórmula empírica:
3
m3 m
V̇ EV   = V̇ H O   × Δt  o C  × 0 .00085 × 1 . 8
h 2 h

A perda de água por arrastamento ( V̇ ARR ) pode também ser estimada empiricamente pela
relação:

V̇ ARR  GPM  = V̇ H O  GPM  × 0 . 0008


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8.b) Perda de água por purga de desconcentração

Purga de desconcentração (blowdown) é a retirada contínua ou intermitente de uma certa


percentagem da água que circula na torre para prevenir um acréscimo na concentração de substâncias
sólidas e outra impurezas. Sem a purga de desconcentração, a concentração de impurezas aumenta
ràpidamente como resultado do processo de evaporação da água na torre diminuindo a eficiência da
torre e aumentando a incrustação nos tubos do condensador. Assim se a evaporação tende a concentrar
as impurezas a purga de água e o arrastamento tendem a limitar a concentração. A vazão da purga de
desconcentração está relacionada com o Ciclo de Concentração definido como a relação entre a
concentração de sólidos existente na água que circula na torre e a concentração de sólidos da água de
reposição. Assim um Ciclo de Concentração 4 significa que a água que circula na torre contém 4 vezes
mais sólidos que a água de reposição, admitindo-se que esta é a condição limite para que não ocorra a
formação de incrustação. O Ciclo de Concentração varia normalmente entre 2 e 4.
A tabela abaixo de um fabricante de torre ( SPX Cooling Tower ) fornece a vazão de água de
reposição como um percentual da vazão de água que circula na torre em função do diferencial térmico
( cooling range ) e do número de Ciclos de Concentração admitindo uma perda por arrastamento de
0.002%. Para sistemas de ar condicionado o diferencial térmico normalmente adotado é 5.5oC ( 10oF ).

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9) Seleção de torres de arrefecimento

A seleção de torres de arrefecimento é realizada por meio de tabelas e gráficos fornecidos pelo
fabricante. Para Ar Condicionado as tabelas são particularizadas para um diferencial térmico de 5.5oC
adotando-se ainda uma TR de torre de 3725 kcal/h. Nas tabelas mostradas abaixo, obtidas de um
fabricante, o modelo de torre pode ser selecionado pela capacidade térmica da torre em TR (tabela IV)
ou pela vazão de água (tabela V) para diversas temperaturas de bulbo úmido. A equivalência entre as
duas tabelas pode ser facilmente comprovada. Assim de acordo com a tabela V a torre modelo 40 tem
capacidade de resfriamento de 38 m3/h (38000 litros por hora ou 38000 kg/h) com uma temperatura de
bulbo úmido local de 23oC. Assim admitindo que o calor específico da água vale 1 kcal/ kg.K sua
capacidade térmica será 209000 kcal/h (38000 x 1 x 5.5) ou seja 55.7 TR (1TR de torre vale
3725 kcal/h) valor constante da tabela IV para o mesmo modelo de torre.

TABELA DE SELEÇÃO DE TORRES DE ARREFECIMENTO


( AR CONDICIONADO )

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