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FICHA PARA IDENTIFICAÇÃO PRODUÇÃO DIDÁTICO – PEDAGÓGICA TURMA - PDE/2012

Título: A apropriação do gênero “entrevista”: a retextualização fala/escrita e o processo de letramento

Autor

Samara Felix

Disciplina/Área (ingresso no PDE)

Língua Portuguesa

Escola de Implementação do Projeto e sua localização

Colégio Estadual do Campo Nossa Senhora da Candelária

Município da escola

 

Bandeirantes

Núcleo

Regional

de

Cornélio Procópio

Educação

Professor Orientador

 

Eliana Merlin Deganutti de Barros

Instituição de Ensino Superior

 

UENP

Relação Interdisciplinar

 

Sociologia e Matemática

(indicar, caso haja, as diferentes disciplinas compreendidas no trabalho)

Resumo

A metodologia utilizada para a construção do material didático foi o procedimento didático “sequência didática”, proposto pelo Grupo de Genebra, conhecido com Interacionismo Sociodiscursivo (ISD). A sequência didática teve por objetivo desenvolver capacidades de linguagem para a leitura (reflexiva) e produção de entrevistas, no intuito que o aluno passasse por todas as etapas do processo de elaboração desse gênero:

delimitação do contexto de produção, seleção do conteúdo temático, elaboração de roteiros de perguntas, realização empírica da entrevista oral (trabalho de campo), transcrição da modalidade oral para a escrita, usando códigos da análise da conversação, retextualização para a escrita formal, e finalização da entrevista para publicação, com apresentação do entrevistado. Este material também inclui o trabalho com enquetes (gênero que usa estratégias discursivas semelhantes à entrevista) e com duas temáticas

(descrever a justificativa, objetivos e metodologia utilizada. A informação deverá conter no máximo 1300 caracteres, ou 200 palavras, fonte Arial ou Times New Roman, tamanho 12 e espaçamento simples)

 

relevantes: questões da adolescência e problemática da variação e preconceito lingüístico. A relevância deste trabalho se dá, dessa forma, tanto pelo fato de o aluno poder desenvolver capacidades linguageiras para uma prática social de suma importância para o convívio em sociedade, como pelo fato de ele poder refletir sobre a sua língua, sob o ponto de vista crítico e analítico.

Palavras-chave

(

3

a

5

Sequência didática. Gênero “entrevista”. Variação linguística.

palavras)

Formato

do

Material

Sequência didática

Didático

Público Alvo

 

Alunos do 2° Ano – Ensino Médio

Fundamentação teórica

1 Interacionismo Sociodiscursivo

Segundo Bronckart (2003, p.13), o Interacionismo Sociodiscursivo (ISD) é um quadro teórico que entende as condutas humanas como “ações situadas cujas propriedades estruturais e funcionais são, antes de mais nada, um produto da socialização”. Dessa forma, o ISD tem como objetivo maior evidenciar o papel central da linguagem no desenvolvimento humano. Para Bronckart (apud BARROS, 2012), é a dialética permanente entre

as restrições sócio-histórico-discursivas e o espaço de decisão sincrônica de um agente que parece caracterizar mais claramente o interacionismo

Sociodiscursivo. Barros (2012) acrescenta que: “[

linguística, psicológica ou sociológica, o ISD pretende ser uma corrente da ciência do humano, cuja problemática central está no desvendamento das atividades linguageiras.” (2012, p.34). Nessa perspectiva, o ISD vê a linguagem como um fenômeno social e histórico, um lugar de interação. Defende que o texto é a unidade concreta da comunicação e, o gênero, o megainstrumento (SCHNEUWLY, 2004) de toda interação interpessoal.

mais que uma ciência

]

2 Gêneros textuais e ensino

Depois da publicação dos PCN de Língua Portuguesa (BRASIL, 1998), o enfoque central do ensino da língua passou a ser a competência comunicativa dos alunos. Nesse novo enfoque, os gêneros textuais passaram a ter um papel fundamental no ensino da língua, isso porque para atingir a tal da competência comunicativa é preciso que o aluno domine os mais variados gêneros que circulam na nossa sociedade, uma porque, como vimos na seção anterior, somente nos comunicamos (oralmente ou por escrito) por meio da mediação de um gênero textual. Assim, a escola agora deve trabalhar com gêneros não só da esfera literária, como a tradição escolar sempre priorizou, mas gêneros também da esfera publicitária, jornalística, acadêmica, do entretenimento, do cotidiano, etc.

De acordo com Diretrizes Curriculares Estaduais (DCE) de Língua Portuguesa do Paraná (PARANÁ, 2008), o aluno terá maior competência linguística, nas práticas de leitura, escrita e oralidade, se lhe for oportunizado um maior conhecimento do caráter dinâmico dos gêneros textuais. Marcuschi (2008) ressalta que conhecer o funcionamento dos gêneros textuais torna-se extremamente importante, tanto para a produção, quanto para a compreensão, tendo em vista que todos os textos se manifestam sempre num ou outro gênero textual. Nessa perspectiva, o trabalho com o texto em sala de aula torna-se de extrema relevância, pois permiti ao aluno trabalhar e conhecer os diversos gêneros textuais para aprimorar sua competência comunicativa. Nesse novo enfoque, assim, os textos passam a ser a unidade de ensino da língua e, os gêneros, o objeto unificador desse ensino (cf. NASCIMENTO, 2011; BARROS,

2012).

De acordo com os PCN de Língua Portuguesa (BRASIL, 1998, p.28):

Ensinar a escrever textos torna-se uma tarefa muito difícil fora do convívio com textos verdadeiros, com leitores e escritores verdadeiros e com situações de comunicação que os tornem necessários. Fora da escola escrevem-se textos dirigidos a interlocutores de fato. Todo texto pertence a um determinado gênero, com uma forma própria, que se pode aprender.

Segundo Bronckart (2010) não existem receitas prontas de como utilizar o texto em sala de aula e afirma que “nenhuma teoria vai nos ajudar na escolha dos gêneros", sendo assim o professor deve se basear em tentativas, em acertos e erros, porque existe um problema didático na escolha dos gêneros didáticos na escola e muita diferença de gêneros que são utilizados pelos alunos em sua realidade. Os PCN assinalam alguns indicativos para a seleção de textos:

Sem negar a importância dos textos que respondem a exigências das situações privadas de interlocução, em função dos compromissos de assegurar ao aluno o exercício pleno da cidadania, é preciso que as situações escolares de ensino de Língua Portuguesa priorizem os textos que caracterizam os usos públicos da linguagem. Os textos a serem selecionados são aqueles que, por suas características e usos, podem favorecer a reflexão crítica, o exercício de formas de pensamento mais elaboradas e abstratas, bem como a fruição estética dos usos artísticos da linguagem, ou seja, os mais vitais para a plena participação numa sociedade letrada (BRASIL, 1997, pp.24,25).

Nessa perspectiva, mesmo que a escola queira trabalhar todos os gêneros textuais disponíveis durante um ano letivo, porque se entende ser uma tarefa difícil, é muito importante priorizar aqueles que propiciam o uso da linguagem e que favoreça o desenvolvimento da competência discursiva do aluno, auxiliando o desenvolvimento do censo crítico e assim assegurar ao estudante o exercício pleno da cidadania. As Diretrizes Curriculares Estaduais (DCE) de Língua Portuguesa (2008) ressaltam que o educando poderá formular seu próprio discurso e interferir de forma mais produtiva na sociedade se lhe for possibilitado o trânsito pelas diferentes esferas de comunicação e pelos seus diversos gêneros textuais. Portanto, cabe à escola viabilizar o acesso do aluno à diversidade de textos existentes em nossa sociedade, pois conhecer diversos gêneros textuais propicia o aprofundamento a um vasto repertório de informações, interpretação e interação na sociedade.

3 O ISD e a transposição didática de gêneros

De acordo com os pesquisadores do ISD, para que o processo de transposição didática de um gênero se concretize, é preciso, primeiramente, a elaboração de uma ferramenta mediadora que explicite as características (funcionais, discursivas, linguísticas e paralinguísticas) desse gênero. Essa ferramenta que mostra as dimensões ensináveis de um gênero, o ISD denomina “modelo didático do gênero”. Os autores genebrinos afirmam que a construção de um modelo didático é muito importante para que o processo de transposição didática de um gênero seja eficiente na orientação do trabalho com os gêneros em sala de aula.

De Pietro e Schneuwly (apud BARROS, 2012, p.72) elencam as seguintes características de um modelo didático:

1) uma dimensão praxeológica; 2) uma força normativa (da qual, segundo os autores, é impossível fugir); 3) pode ser implícito/intuitivo (partir do conhecimento prévio do professor) ou explícito/conceitualizado (ser elaborado a partir de um corpus de textos do gênero); 4) é o ponto de início e o ponto de chegada do trabalho didático com o gênero; 5) é uma

teorização mais genérica das atividades linguageiras; 6) é sempre o resultado de práticas de linguagem anteriores, portanto, históricas; 7) permite, a partir das práticas sociais de referência, produzir SD.

De acordo com Dolz e Schneuwly (2004, p.81), “Num modelo didático, trata-se de explicitar o conhecimento implícito do gênero, referindo- se ao conhecimento formulado, tanto no domínio da pesquisa científica, quanto pelos profissionais especialistas.” Ainda segundo Dolz e Schneuwly (2004, p.82), um modelo didático pauta-se com a aplicação de três princípios básicos:

> Princípio de legitimidade (referência aos conhecimentos que emanam da cultura ou elaborados por profissionais especialistas); > Princípio de pertinência (referência às capacidades dos alunos, às finalidades e objetivos da escola, aos processos de ensino/aprendizagem); > Princípio de solidarização (tornar coerentes os conhecimentos em função dos objetivos visados.

Esses são alguns procedimentos para a construção de um modelo didático, uma ferramenta que possibilita a construção de uma sequência didática. Segundo Dolz (apud BARROS, 2012, p.78),“escrever se aprende escrevendo em situações ‘reais’ – ou aproximadas desse ‘real’ –, e isso exige tempo e projetos que tenham certo fôlego”.

O ISD, na sua vertente didática, tem como postulado a articulação de práticas linguageiras a um projeto de comunicação coletivo, concretizado no desenvolvimento do procedimento sequência didática (SD), a partir do qual uma turma de aprendizes deve trabalhar sistematicamente para a resolução de um problema de comunicação (de preferência real, ou ficcionalizado pela ação didática). Problema esse que é materializado pela produção/leitura de um gênero de texto. (BARROS, 2012, p.78).

De acordo com Schneuwly e Dolz (2004, p. 97) uma "sequência didática" é um conjunto de atividades escolares organizadas, de maneira sistemática, em torno de um gênero textual oral ou escrito. Ou seja, é um procedimento metodológico organizado a partir de um conjunto de atividades

ligadas entre si, tendo como objeto unificador (NASCIMENTO, 2009) um gênero textual. Esse procedimento organiza o planejamento do conteúdo, ou seja, das dimensões ensináveis do gênero, objeto da SD, e propicia ao aluno o domínio de uma prática de linguagem “real”, facilitando sua aprendizagem de forma progressiva. A estrutura de base de uma SD é constituída pelos seguistes passos:

Figura 1 – Esquema da Sequência didática

passos: Figura 1 – Esquema da Sequência didática Dolz, Noverraz e Schneuwly (2004, p. 98) O

Dolz, Noverraz e Schneuwly (2004, p. 98)

O esquema apresentado pelos autores inicia-se com a APRESENTAÇÃO DA SITUAÇÃO, etapa em que o professor deve apresentar um problema de comunicação que será “resolvido” com a produção de um gênero. Em seguida, ele deve socializar com os alunos a proposta de trabalho com a SD. Nessa etapa também é preciso apresentar o gênero da forma como ele circula na sociedade, no seu suporte convencional. A segunda etapa é a PRODUÇÃO INICIAL. Nessa etapa a situação de comunicação deve ser bem definida, a fim de que os alunos sejam capazes de produzir um texto. Nessa etapa não se espera que o aluno produza um texto exemplar, pois ele ainda não passou por um processo sistematizado de ensino em relação ao gênero. O objetivo é diagnosticar as capacidades do aluno em relação à produção do gênero textual selecionado, a fim de que o professor possa intervir melhor no processo de ensino-aprendizagem. A terceira etapa é a dos MÓDULOS. Nessa etapa, devem ser trabalhados, na medida do possível, os problemas diagnosticados na primeira produção.

1. Trabalhar problemas em níveis diferentes: representação da situação comunicativa (contexto de produção); elaboração dos conteúdos; aluno deve conhecer técnicas para buscar, elaborar ou criar conteúdos; planejamento do texto, referente à infra-estrutura do texto; realização do texto; escolha dos meios de linguagem mais eficazes para escrever o texto.

2. Variação das atividades e exercícios: atividades de observação e análise de textos; tarefas simplificadas de produção de textos; elaboração de uma linguagem comum.

3. Capitalizar as aquisições (listas de constatações): Investigar as

aprendizagens. A quarta e última etapa é a da PRODUÇÃO FINAL, a qual permite ao aluno colocar em prática os conhecimentos internalizados durante a SD. Nessa etapa é importante que o texto do aluno passe por processos de revisão e reescrita. Dolz (2010) enumera cinco questões que considera fundamentais e que justificam a utilização das sequências didáticas para o desenvolvimento da linguagem.

É possível trabalhar com projetos de comunicação; (2) parte-se

da produção inicial dos alunos, isso permite identificar as

capacidades presentes e, também, as lacunas e os obstáculos,

e a partir dos obstáculos pode-se adaptar o ensino; (3) a

sequência didática é organizada em oficinas, umas depois das outras, para facilitar o aumento das capacidades e a aprendizagem de dimensão por dimensão, pensando sempre na progressão dos alunos; (4) a sequência didática é uma maneira de trabalhar intensivamente concentrado no conjunto de capacidades necessárias para escrever um texto. Além disso, a sequência didática propõe ferramentas externas para a interiorização das novas capacidades e automatização das capacidades já trabalhadas; (5) a sequência didática permite avaliar o progresso do aluno entre o que sabia fazer inicialmente (produção inicial) e o quanto avançou (produção final); além disso, o próprio aluno vê seu progresso e o professor o avalia em relação ao trabalho desenvolvido em aula. (p. 5)

Desde a publicação dos PCN de Língua Portuguesa (BRASIL, 2008) é considerável o aumento de materiais didáticos que propõem o trabalho com as práticas de linguagem a partir dos gêneros textuais.

Pensando no processo de ensino/aprendizagem da língua materna, as sequências didáticas são muito importantes, pois possibilitam um direcionamento no trabalho do professor, tendo em vista o desenvolvimento das capacidades de linguagem dos alunos, contribuindo para o acesso à língua em funcionamento e maiores condições para entender e produzir diversos textos.

Desta forma, o objetivo principal em utilizar uma sequência didática no ensino de um gênero, de acordo com Dolz e Schneuwly (2004), é permitir aos alunos utilizar a língua em várias situações comunicativas do cotidiano com competência. Ainda segundo os autores, a sequência didática tem como finalidade levar o aluno ao domínio de um gênero textual, permitindo o uso da fala e da escrita de maneira mais adequada em determinada situação de comunicação. Diante dessa perspectiva, outra vantagem do trabalho com as sequências didáticas é o fato de o ensino/aprendizagem da leitura, escrita, oralidade e dos aspectos gramaticais poderem ser trabalhados em conjunto, o que faz mais sentido para quem aprende.

4 O gênero “entrevista”

Sabemos que a entrevista é um gênero que requer um entrevistador e um entrevistado e que tem por objetivo colher informações e opiniões, experiências pessoais e profissionais de alguma pessoa. De acordo com Hoffnagel:

A entrevista já se tornou uma força poderosa na sociedade moderna. Desde muito cedo enfrentamos perguntas colocadas por educadores, psicólogos, pesquisadores da opinião pública, médicos e empregadores. Escutamos, assistimos e lemos entrevistas na mídia. (HOFFNAGEL, 2010, p.195)

Reconhecemos que o gênero “entrevista” permite ao individuo interagir em diferentes situações de comunicação, pois em algum momento da vida um individuo é submetido a diversas situações de entrevistas, por exemplo, quando se procura emprego ou em uma consulta médica. Medina (1986) ressalta que:

A entrevista, nas suas diferentes aplicações, é uma técnica de

interação social, de interpretação informativa, quebrando assim

isolamentos grupais, individuais, sociais; pode também servir à pluralização de vozes e à distribuição democrática da informação. Em todos estes ou outros usos das Ciências Humanas, constitui sempre um meio cujo fim é o inter- relacionamento humano (p.8).

Assim sendo, podemos entender que a finalidade da entrevista é servir como um meio para a interação do homem na sociedade. Hoffnagel (2010, p.196) entende que se tomarmos o “gênero como um evento comunicativo e não uma forma linguística”, a entrevista pode ser considerada “como uma constelação de eventos possíveis que se realizam como gêneros (ou subgêneros) diversos”. Assim sendo, a autora diz que teríamos vários exemplos de entrevistas, como: entrevista jornalística, entrevista médica, entrevista científica, entrevista de emprego, entre outras. Marcuschi (2000 apud HOFFNAGEL, 2010, p.196), aponta as diferenças encontradas em diversos tipos de entrevistas:

há eventos que parecem entrevistas por sua estrutura geral

de pergunta e resposta, mas distinguem-se muito disso. É o caso da ‘tomada de depoimento’ na Justiça ou do inquérito policial. Ou então um ‘exame oral’ em que o professor pergunta

e o aluno responde. Todos esses eventos distinguem-se em

alguns pontos (em especial quanto aos objetivos e a natureza

dos atos praticados) e assemelham-se em outros.

] [

De acordo com Souza (2010), a entrevista é um gênero discursivo/textual comum e ainda muito presente no cotidiano da sociedade, e que o trabalho com esse gênero abre um leque de possibilidade de interpretação e de uso, pois é construído a partir dos conhecimentos críticos dos participantes, a cerca de um determinado tema, por isso possui características que o tornam único. O autor ainda expõe que a linguagem na entrevista tem um papel de fundamental importância, pois é por meio dela o que homem comunica-se. Ainda relata que:

] [

qual estão inseridos os participantes. No caso da produção nas

entrevistas, a linguagem é elaborada para atender as

a mesma sofre influência direta ou indireta do contexto o

especificidades do tema, e do formato da entrevista, isto é, uma entrevista de caráter jornalístico, por exemplo, requer dos participantes um uso mais apurado da linguagem. (SOUZA, 2010, p.1)

Para Fávero (1998), as pesquisas realizadas com textos falados têm apontado para os traços gerais que caracterizam as estruturas textuais, dentre os quais a dialogicidade, a interação centrada, o planejamento local. Há muito o que se dizer dos textos falados, especialmente quando se trata dos textos de entrevistas. A autora ainda ressalta que voltar a atenção para textos que se constroem sob a forma de entrevistas significa deparar com uma escala de possibilidades que abrange do menor ao maior grau de dialogicidade. Portanto, a entrevista é um texto oral e escrito difundida em meios jornalísticos, construída com a interação de dois ou mais indivíduos, o entrevistador e o entrevistado, centrados em um tema. Segundo Hoffnagel (2010), a entrevista tem uma organização básica, seguindo o seguinte esquema.

1. Entrevistador: pergunta [estabelece um tópico]

2. Entrevista: responde [em relação ao tópico proposto]

3. Entrevistador: pergunta [sobre o mesmo ou outro tópico]

4. Entrevistado: responde [em relação ao posto]

A autora ainda afirma que “a entrevista é um gênero primordialmente oral” e que” a maioria refere a interações orais (entrevista com médico, entrevista para conseguir emprego, entrevista coletiva etc. (p.197). Souza (2010, p.6) afirma que “a entrevista apresenta uma pluralidade de vozes, isto é, constitui-se pelos vários discursos dos participantes, e bem como, do público.” Ainda segundo o autor:

o contexto em que se produz o gênero entrevista propicia o desenvolvimento sócio-cognitivo dos indivíduos, ou seja, o teor discursivo de entrevista pode contribuir significativamente para formação crítica dos indivíduos. Já que esse tipo de gênero é construído a partir dos ideais de cada participante a cerca de determinado tema. (SOUZA, 2010, p.4)

De acordo com Hoffnagel (2010, p.208) “é preciso mostrar as atividades

sociodiscursivas desempenhadas pelos diferentes gêneros e os recursos

linguísticos que as sustentam”. Dessa forma, a autora sugere uma comparação

entre entrevistas nas revistas e na mídia televisiva e radiofônica, para que se

possa ilustrar como as duas modalidades da mídia, escrita e oral, exploram o

mesmo gênero.

Para Dolz (1999, p.12) a entrevista mantém uma ligação fundamental

com o universo da mídia quando se compara a outros gêneros: “Seu lugar

social de produção é a imprensa escrita, o rádio ou a televisão. A exigência de

mediatização preside todas as atividades que se depreendem daí.”

5 Modelo didático do gênero entrevista

Abaixo, quadro com o corpus de entrevistas utilizadas para o processo

de modelização didática:

Quadro 1 – Corpus da modelização

Textos/

Títulos

Nome dos

Publicação/Circulação

vídeos

entrevistados

Texto

Gravidez

Maria Helena

na

Vilela

Adoles-

cência

Texto

 

Danilo Gentili

Texto

Uma vida

Cristina S.

dedicada

ao

próximo

Vídeo

Adoles-

Psicóloga Léa

cente

Michaan

Quadro 2 – Características contextuais da entrevista

A prática social do gênero entrevista refere-se à interação entre dois falantes: um que assume o papel de entrevistador e outro que assume

o papel de entrevistado.

É um gênero que pode ser publicado tanto na modalidade oral quanto escrita.

Pertence à esfera de comunicação jornalística.

Esse gênero é caracterizado pela alternância de perguntas e respostas

O gênero entrevista é produzido por profissionais da área do jornalismo (entrevistadores).

O destinatário é o público que se interessa por esse tipo de gênero.

O

papel

discursivo

do

emissor

é

o

de

alguém

interessado

em

informações/relatos/opiniões do entrevistado.

 

O

papel

discursivo

do

destinatário

é

de

alguém

que

detém

as

informações que o entrevistador procura.

A finalidade é divulgar informações, relatos, opiniões do entrevistado por meio de um jogo de perguntas e respostas.

Os textos do gênero entrevista tratam de temas conhecidos pelo entrevistado, geralmente relacionados à sua vida pessoal e/ou profissional/acadêmica.

O suporte do gênero entrevista são as revistas, jornais, televisão,

internet

entre outros.

Quadro 3 – Características discursivas da entrevista

O gênero entrevista é estruturado por um par pergunta e resposta. A pergunta é formulada a partir de uma sentença interrogativa. Às vezes, antes da indagação, o entrevistado pode relatar/descrever alguma situação para contextualizar a pergunta. A resposta tem um caráter heterogêneo do ponto de vista discursivo, podendo ser constituída por relatos, descrições, explicações, argumentações, etc. Realiza-se sempre através do discurso direto.

A pergunta sempre se reporta a segunda pessoa – o entrevistado – e raramente aparecem casos de primeira pessoa, pois o foco é a fala do entrevistado. A resposta é sempre em primeira pessoa, por isso mantém um diálogo muito próximo com o interlocutor.

A estrutura geral desse gênero será sempre caracterizada por perguntas e respostas, envolvendo pelo menos dois indivíduos – o entrevistador e o entrevistado.

Algumas entrevistas impressas trazem título, e normalmente tem um texto de abertura, com a apresentação do entrevistado.

O conteúdo temático é diverso, mas sempre com foco no entrevistado.

Como os textos da entrevista são organizados em turno de perguntas

e respostas, esse gênero estrutura-se pela sequência dialogal

Quadro 4 – Capacidades linguístico-discursivas

No caso das entrevistas impressas, há um trabalho de retextualização do oral para a escrita, que envolve várias estratégias linguístico- discursivas de adaptação da modalidade falada para a modalidade escrita formal.

As retomadas textuais são feitas por diversas estratégias lingüístico- discursivas, dependendo do grau da modalidade – oral ou escrita –, do grau de formalidade da entrevista, do conteúdo temático, etc.

O tempo verbal de referência da pergunta é sempre o presente. No caso da resposta, vai depender do tipo de discurso utilizado.

da

entrevista. No caso das entrevistas orais há a mobilização de marcadores interacionais da conversação, como né, entendeu?, etc.

A variação linguística depende muito do entrevistado, se é uma entrevista oral pode ser mais coloquial e informal, no entanto quando a entrevista é impressa, ela ganha um caráter mais formal, pois passa por um processo de retextualização. Podemos verificar tanto pela sintaxe quanto pelo vocabulário usado pelo entrevistado.

A escolha do léxico está ligada ao conteúdo temático da entrevista.

Os pontos de interrogação estão presentes em toda pergunta, quando esta é escrita. No caso das entrevistas orais eles são substituídos pela entonação. Nas respostas, não há uma pontuação específica, ela está condicionada às convenções da escrita formal.

Podemos encontrar o uso de metáforas e várias expressões com sentido conotativo, assim como a ironia.

O tom do texto vai depender da relação entrevistador/entrevistado, dos propósitos comunicativos, do conteúdo temático e do veículo de divulgação. Muitas vezes, é o entrevistador que pode ditar o tom da entrevista.

Na entrevista, mesmo a pergunta se caracterizando como um discurso direto, ela não é expressa, quando impressa, com o auxílio dos travessões e dois pontos, como acontece nas narrativas. Dependendo do tom da entrevista, do grau de formalidade, dos propósitos comunicativos, são freqüentes as modalizações discursivas, para atenuar opiniões negativas, enfatizar opiniões positivas, etc

da

podemos

Nas

linguagem verbal, elementos paratextuais e supratextuais como imagem, títulos, cores, tamanhos diferenciados de fontes, etc

Os

conectivos

também

são

de

diversas

ordens,

dependendo

entrevistas

impressas

encontrar

também,

além

SEQUÊNCIA DIDÁTICA Gênero “Entrevista”

MÓDULO 1 CONHECER PARA APRENDER

Gênero “Entrevista” MÓDULO 1 CONHECER PARA APRENDER Objetivos ∑ Tomar o primeiro contato com o gênero

Objetivos

Tomar o primeiro contato com o gênero “entrevista”.

Conhecer a estrutura e a funcionalidade do gênero entrevista.

Relacionar a entrevista ao seu contexto de produção.

ATIVIDADE 1

Nessa aula introdutória será usada uma dinâmica em grupo, simulando uma entrevista entre os alunos e o professor, pois a dinâmica da entrevista é especialmente adequada para que os alunos percebam que esse gênero é realizado por meio da estrutura “perguntas e repostas”. Os alunos serão divididos em grupos de quatro. Após essa divisão, serão explicadas as seguintes regras: o professor fará perguntas oralmente a cada grupo, com foco em sua vida pessoal, no entanto, só deve responder um participante de cada vez; se ele não conseguir responder, pode dizer “passo”. Os demais estudantes não devem tecer comentários, apenas ouvir as respostas dos colegas. Algumas questões que poderão ser utilizadas são as seguintes:

O que você mais gosta de fazer?

Qual é o seu time preferido? Você coleciona algum objeto? Qual? Qual é o seu melhor amigo? Tem bicho de estimação? Qual? Qual o último livro que leu?

Qual o teu programa de televisão preferido? Qual o natal que recorda com mais prazer? Qual o teu prato favorito?

O que mais gosta de fazer em teu tempo livre?

Qual a melhor qualidade dos seus pais?

Qual episódio da sua vida fez você rir? Qual episódio da sua vida fez você chorar? Qual a viagem dos seus sonhos?

O que faria se ganhasse muito dinheiro?

Qual o seu grande sonho? Qual foi o presente que mais gostou de receber? Qual a característica que os outros gostam mais em você? Se pudesse, o que você mudaria no mundo?

Na sequência, o professor deverá refletir com os alunos sobre a estrutura pergunta/resposta e discutir os gêneros de texto que se utilizam dessa estrutura. O professor deve levá-los a perceber que a entrevista vale-se dessa estratégia, pois é um intercâmbio verbal para obter informações a respeito de uma pessoa ou um fato em especial.

ATIVIDADE 2

Nessa atividade, o professor deverá explicar que há textos que pertencem tanto ao universo da fala quanto ao da escrita, como por exemplo: a reportagem, a entrevista, a notícia jornalística, enquetes, entre outros. E que a entrevista é uma das maneiras que temos para obter informações e opiniões, experiências pessoais e profissionais de alguma pessoa.

O professor deverá ressaltar que a entrevista é uma conversação entre duas ou mais pessoas (o entrevistador e o entrevistado) onde perguntas são feitas pelo entrevistador para obter informações do entrevistado. Informar que a maioria das entrevistas, antes de ser publicadas, passa por um processo de retextualização em que a linguagem oral é transformada em escrita, por meio da chamada edição jornalística. Para que os alunos possam aprofundar mais seus conhecimentos sobre as características e funcionalidade do gênero entrevista, o professor deverá organizar os alunos em duplas e entregará uma entrevista escrita (sugestão:

ANEXO 1), que pode ter sido publicada em um jornal, revista ou site da internet. As duplas farão uma leitura silenciosa e depois será proposta uma análise escrita direcionada pelos seguintes questionamentos:

1- Qual é o propósito, o objetivo da entrevista? 2- Quem é o entrevistado? 3- Quem é o entrevistador? 4- A qual público se destina a entrevista? 5- Quando essa entrevista foi produzida e onde circulou? 6- Qual é o veiculo de comunicação, ou seja, onde foi publicada? 7- Na entrevista analisada, percebe-se a predominância de qual linguagem, formal ou informal? Transcreva algum trecho da entrevista que possibilita essa análise. 8- Qual é o tema principal da entrevista? E os temas secundários? 9- Como é estruturada a entrevista? Há uma apresentação do entrevistado e do entrevistador? Quem faz a pergunta? Quem dá a resposta? 10- Há uma articulação entre uma pergunta e outra? Como é feita essa articulação? 11- Será que o entrevistado respondeu as perguntas por escrito ou a entrevista foi feira oralmente? 12- Há marcas da oralidade nas respostas do entrevistado? Qual o motivo desse fato? Ou seja, sabendo-se que a entrevista é um gênero que nasce na oralidade, por que na sua versão escrita não aparecem marcas próprias da oralidade?

Após a conclusão da atividade, os alunos deverão fazer comentários

sobre o conteúdo da entrevista, observando, também, como são elaboradas as perguntas. O professor deverá chamar a atenção para as indicações contidas

na entrevista que revelam que se trata de um texto originalmente oral, mas que

foi retextualizado para a modalidade escrita. Por exemplo, observar que é comum encontrar indicações entre parênteses que revelam as expressões do entrevistado - (risos), (silêncio). Nesse momento, o professor deverá apresentar o projeto aos alunos, poderá colocar em um quadro ou utilizar a TV multimídia para explanar sobre o trabalho com a SD e com o gênero entrevista, informando-os que eles vão aprender a ler e produzir entrevistas. Será criado também um blog onde deverão ser publicadas as atividades

dos alunos referentes ao projeto. A temática do blog será sobre “Adolescência”

e abordará assuntos sobre o universo do adolescente, seus conflitos,

incertezas e relacionamentos. O professor incentivará os alunos a escolherem um nome para o blog que poderá ser escolhido por sorteio.

MÓDULO 2 Descobrindo quem somos através de entrevistas

MÓDULO 2 Descobrindo quem somos através de entrevistas Objetivos  Realizar uma primeira versão de uma

Objetivos

Realizar uma primeira versão de uma entrevista.

ATIVIDADE 1

Nessa atividade, será proposto aos estudantes que, em grupo de três, entreviste um adolescente, que poderá ser de outra turma, sobre o tema “vivendo a adolescência”. Para a escolha desse tema, foi levado em consideração que hoje os adolescentes são muito mais participativos e têm uma maior consciência no papel que representam para a sociedade. Através dessa atividade os alunos poderão experimentar o papel de entrevistados e

mostrar como cada um se posiciona em relação a temas relacionados à adolescência, como: namoro, diversão, escola, moda e relação com a família. O professor deve, já nessa fase, criar um contexto de produção preciso para a escrita da entrevista:

Emissor (entrevistado): estudante Emissor (entrevistador): um colega de sala de aula Papel discursivo do entrevistador: “jornalista” que deseja conhecer melhor o posicionamento de uma turma de estudantes em relação à adolescência. Papel discursivo do entrevistado: estudante/adolescente que tem ideias próprias. Destinatário: comunidade escolar e internautas que se interessam pelo assunto Papel discursivo do destinatário: alguém que tem interesse na opinião dos jovens Objetivo: compreender o universo do adolescente, seus conflitos, incertezas e anseios, pela voz do próprio adolescente Meio de divulgação: Blog da turma

Para estimular os estudantes, o professor deverá trabalhar o tema em sala de aula. Algumas formas de abordar o tema é promover um debate com os alunos, levando-os a refletir sobre o assunto. O professor Iniciará o debate com um diálogo sobre os anseios e sonhos do adolescente e o papel que exerce hoje na sociedade. Nessa etapa, o aluno deverá elaborar um roteiro de perguntas, por escrito. Importante que o professor estabeleça um mínimo de perguntas para o roteiro. A entrevista, primeiramente, deve ser feita oralmente, com gravação em áudio. Por isso, é importante um acompanhamento do professor para que as questões técnicas da entrevista sejam esclarecidas. Na sequência, os alunos deverão transcrevê-las para a modalidade escrita, depois da transcrição na íntegra, o professor deverá passar alguns códigos da análise da conversação para que apontem: pausas, truncamentos etc. (ANEXO 2). Após a realização da entrevista, ela deverá ser retextualizada para a modalidade “escrita formal”, pois o objetivo principal é mostrar aos alunos que

adaptações são sempre necessárias para transformar um relato oral em uma entrevista escrita formal. Na sequência, será proposto aos discentes que, em dupla, realizem a troca dos textos com outros alunos para que revisem os textos do colega. Com todas as alterações já feitas pelos alunos, o professor deverá avaliar as entrevistas e corrigir com os estudantes a ortografia e os problemas gramaticais. Ao final, o professor deverá postar as melhores entrevistas em um blog, informando que é a primeira produção e não foram corrigidas questões discursivas realizada pelos alunos. Cada aluno deverá trazer uma foto para que seja colocada no blog.

Módulo 3 Retextualizar: uma forma de aprender

no blog. Módulo 3 Retextualizar: uma forma de aprender Objetivos  Desenvolver capacidades para a

Objetivos

Desenvolver capacidades para a retextualização de um texto oral para um texto escrito formal, utilizando elementos pertinentes à modalidade escrita formal.

Aprimorar a capacidade linguageira de produção escrita formal.

ATIVIDADE 1

O professor irá colocar trechos das entrevistas realizadas pelos alunos

para que eles ouçam e realizem a transcrição do oral para o escrito. O professor deverá orientá-los para essa transcrição, para que usem a lista dos códigos da transcrição de entrevistas (ANEXO 2). Nessa etapa os alunos deverão também retextualizar a transcrição feita

O professor deverá explicar que

para a modalidade escrita

retextualizar implica em perdas, como: eliminação de palavras repetidas; articulação da ordem das frases etc. O professor deverá trabalhar algumas operações textual-discursivas para a retextualização propostas por Marcuschi (2005, p. 75), fazendo as devidas adaptações para o gênero “entrevista”.

1. Primeira operação: o professor deverá pedir que retirem do texto as marcas características da produção oral. Essas marcas podem ser truncamentos, repetições, e também marcas interacionais, como "né?"; "daí::"; "aí", entre outros.

2. Segunda operação: o professor deverá orientar os alunos a procurarem no texto assuntos que possam ser agrupados em sentenças e fazer a introdução da pontuação, conforme a funcionalidade, tais como: ponto final, exclamação, interrogação ou reticências. Depois deve inserir as virgulas, ponto e virgulas e dois pontos, conforme a convenção escrita permite, respeitando o sentido da fala do entrevistado.

3. Terceira operação: o professor deverá pedir aos alunos que apaguem as

repetições e redundâncias , exemplo: o menino foi correndo, o menino caiu Quarta operação: o professor deverá trabalhar com os alunos a reestruturação sintática (problemas de concordância, pronomes, adequação de formas verbais, conectivos, etc.). Ainda nesse módulo, será proporcionado aos alunos uma reflexão mais profunda do processo de retextualização. O professor deverá entregar as duplas atividades xerocadas (ANEXO 3) para que façam a resolução das mesmas. Após o término das atividades, o professor, junto com os alunos, deverá fazer as correções.

MÓDULO 4

Aprofundando os conhecimentos sobre o gênero entrevista

4 Aprofundando os conhecimentos sobre o gênero entrevista Objetivos ∑ Aprofundar o conhecimento sobre as

Objetivos

Aprofundar o conhecimento sobre as características estruturais e funcionais do gênero “entrevista”.

Entrar em contato com diferentes estilos de entrevistadores da mídia televisiva brasileira.

ATIVIDADE 1

O professor deverá propiciar aos alunos uma análise de entrevistas escritas. Para isso, ele deverá levar para os alunos diversas entrevistas escritas (ANEXOS 4, 5, 6). Essa atividade deverá ser realizada em duplas. Cada dupla lerá três entrevistas. Após a leitura será solicitado aos alunos que preencham um quadro comparativo entre as entrevistas apresentadas. Dessa forma, ficarão mais claras para os alunos as variáveis que estão envolvidas na composição de uma entrevista.

1. Título

2.Entrevistado

3.Entrevistador

4.Veículo

5.Público

6. Foco

da

7. Perfil do entrevistado

alvo

entrevista

ATIVIDADE 2

Para iniciar essa

do

atividade

da

levantamento

questionamentos orais.

interesse

o professor deverá

fazer

turma

por

entrevistas,

um pequeno

de

através

Quem tem o costume de assistir a programas de entrevistas na TV?

Quem são os grandes entrevistadores brasileiros?

O professor deverá projetar fotos de entrevistadores na TV multimídia

para saber se os alunos os reconhecem. Exemplos: Jô Soares, Marília

Gabriela, Marcelo Tas, Leda Nagle, Danilo Gentili, etc.

Na sequência, o professor mostrará aos alunos vídeos com trechos de

entrevistas, oportunizando aos estudantes perceber se há diferenças de estilo

entre os entrevistadores: cômico, irônico, sério, politicamente correto, sabe

escutar, interrompe o entrevistado a toda hora, complementa as respostas do

entrevistado, grosseiro, etc.

Depois dessa atividade, os alunos deverão fazer um relatório escrito

com o que aprenderam sobre o gênero “entrevista” até o momento. Os

melhores relatórios devem ser fixados na parede da sala de aula.

Sugestão de vídeos:

Jô Soares entrevista Ariano Suassuna Disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=HVl-9lJ9KjQ

Danilo Gentilli entrevista MV Bill Disponívelem: http://www.youtube.com/watch?v=gdlGtVkcEao&f eature=related

Marcelo Tas entrevista crianças de 04 a 10 anos Disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=4_USWFvrnHc

Marília Gabriela entrevista William Bonner Disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=S4JgwQRWkIM

Leda Nagle entrevista Carlos Drummond de Andrade.

Disponível em:

ATIVIDADE 3

Para essa atividade, o professor levará os alunos ao laboratório de

informática e pedirá que os estudantes sentem-se em duplas para

pesquisarem, no computador, sobre o gênero “entrevista. Antes de iniciar a

atividade de pesquisa, o professor deverá explicar à turma que existem

diferentes tipos de entrevista, como por exemplo, jornalística, de emprego,

esportiva, entre outras. Os estudantes deverão fazer a pesquisa seguindo

a orientação abaixo:

1. Definição de entrevista.

2. Preparação da entrevista.

3. Tipos de entrevista e objetivos de cada uma.

4. Características da entrevista.

5. Formas de circulação e divulgação da entrevista.

6. Tipos de entrevistador.

A fim de socializar as informações, ao finalizar a pesquisa os alunos

deverão, em grupos de três, preparar um painel contendo os tópicos

pesquisados sobre como fazer entrevista. Os painéis deverão ser expostos na

sala de aula.

ATIVIDADE 4

O professor deverá dividir a turma em grupos de 3 a 4 alunos e depois

sorteará, entre os grupos, perguntas que foram digitadas em tiras de papel,

sobre o gênero que está sendo estudado. Cada grupo irá sortear a pergunta

que deverá discutir com os colegas e registrar no caderno as respostas. Depois

de responder cada pergunta, os grupos irão socializar com a classe suas

conclusões. As perguntas seguem abaixo:

2

– A entrevista é igual a uma conversa informal? Justifique sua resposta.

4

– O que é preciso saber e fazer para realizar uma entrevista?

5 - Perguntas e respostas só existem na entrevista? Em quais outros gêneros de textos encontramos essa estrutura textual?

Após a socialização dos grupos, cada aluno irá redigir um relatório com o aprendizado sobre o gênero “entrevista”. Os melhores relatórios devem ser fixados na parede da sala de aula.

Modelo de relatório

RELATÓRIO: ENTREVISTA

Hoje, dia

de aula, o professor realizou uma atividade sobre o gênero Através dessa atividade aprendemos que

de

2013,

as

horas,

Para se fazer uma entrevista é

em nossa sala

MÓDULO 5 Aprendendo com as enquetes

é em nossa sala MÓDULO 5 Aprendendo com as enquetes ∑ Objetivo Aprofundar o conhecimento sobre

Objetivo Aprofundar o conhecimento sobre as características e funções do gênero “entrevista”.

Possibilitar interação com a comunidade escolar.

Desenvolver capacidades para a retextualização de um texto oral para

um texto escrito formal, utilizando elementos pertinentes à modalidade

escrita formal

ATIVIDADE 1

Nessa atividade, com o objetivo de possibilitar interação com a

comunidade escolar, o professor pedirá aos alunos o trabalho com enquetes.

Para isso, levará exemplos de enquetes (ANEXOS 7,8,9,10 ) para sala

de aula a fim de que se familiarizem com esse gênero textual: o contexto de

produção e as características linguístico-discursivas.

Conforme lembra Marcuschi (apud SILVA, 2011, p.12), a finalidade das enquetes é esclarecer uma questão que interessa a muitas pessoas, com o objetivo de divulgar aspectos de um determinado tema. Utiliza perguntas normalmente breves e que podem ou não estar associadas a uma lista de alternativas de respostas, e também determina respostas breves. As enquetes podem ser encontradas em diversos sites apresentando as seguintes características:

abordam temas relevantes do momento;

apresentam opções de respostas;

demonstram por meio de porcentagem.

A enquete será desenvolvida em grupo de três alunos, e deverá ser

realizada com colegas de outras turmas, professores e funcionários da escola.

Cada grupo deverá elaborar uma questão sobre o tema “Adolescência” e

realizar a enquete com até cinco pessoas. Importante o professor salientar que

a resposta das enquetes geralmente são objetivas, com opções de respostas.

Entretanto, nesse caso, a resposta não poderá ser simplesmente “sim ou não”,,

pois a enquete com justificativa proporcionará trabalhar as estratégias da

retextualização. Depois de realizadas as enquetes os alunos deverão fazer

uma apuração quantitativa e transformar os resultados em gráficos, que serão

divulgados no blog. O professor deverá orientar os alunos a gravarem as

enquetes com a utilização de aparelhos multimídia, tais como: câmeras

fotográficas digitais ou filmadoras, celulares, gravadores, dentre outros a que

eles tiverem acesso.

Mas antes de iniciar o professor trabalhará o texto de Mario Quintana

“ O adolescente” (ANEXO 11), e propor uma reflexão sobre o tema, pois será a

temática das enquetes produzidas.

Sugestões de questões que o poderão ser abordadas na enquete

A adolescência é uma fase de profunda crise existencial? Justifique.

Por que os adolescentes são tão sensíveis?

Você acredita que determinado grupo pode exercer influência sobre

alguns adolescentes, como: maneiras de vestir, comportamento etc.?

Porque tantas polêmicas em torno dos adolescentes?

Por fim, o professor pedirá aos alunos que façam a transcrição da fala,

utilizando os códigos da análise da conversação, para depois retextualizar para

a escrita formal. Depois o professor deverá selecionar algumas respostas da

enquete em que haja a presença de elementos da língua oral para serem

trabalhados coletivamente com a classe.

Para dar continuidade ao trabalho com enquete, o professor orientará os alunos a elaborar questões para a formulação de enquetes que serão lançadas no blog, para isso, é preciso divulgar o blog a alunos de outra turmas e turnos, professores, e a toda a comunidade escolar.

MÓDULO 6 Entrevistar para conhecer melhor

escolar. MÓDULO 6 Entrevistar para conhecer melhor Objetivos ∑ Conhecer a utilização da entrevista. ∑

Objetivos

Conhecer a utilização da entrevista.

Construir roteiros de entrevistas, organizar as informações da entrevista.

Trabalhar a linguagem oral e escrita e desenvolver o pensamento crítico e investigativo.

ATIVIDADE 1

Nessa atividade o professor levará uma entrevista em vídeo para exibir aos alunos utilizando a TV multimídia, onde Jô Soares entrevista João Elias tem 12 anos, é de Recife, tem um blog onde fala de futebol (Disponível em:

entrevista/) Na sequência, o professor deverá entregar para os alunos uma folha de atividades com as perguntas a seguir, para que eles façam uma análise da entrevista que acabaram de assistir. Estas perguntas deverão ser respondidas individualmente e entregues ao professor para apreciação e correção.

a. Quem é o entrevistado e o entrevistador

b. Como é a apresentação desta entrevista?

c. É possível afirmar que o entrevistador já conhecia o entrevistado? Justifique

sua resposta.

d.

Em sua opinião, qual seria o motivo que fez com que Jô Soares convidasse

o

menino João Elias para uma entrevista?

e.

Qual o público alvo dessa entrevista, particularmente? Qual o(s) tema(s) da

entrevista?

f. O entrevistado procura ser mais didático ou mais teórico? Por que ele se expressa dessa maneira?

g. Em sua opinião, por que o entrevistador perguntou a seu entrevistado, o

menino João Elias, onde ele morava?

h. O que você entende quando Jô Soares diz que “esse menino é um inferno”?

i. Você acha que o entrevistador Jô Soares influenciou as respostas do

entrevistado? Justifique sua resposta.

j. Sobre a linguagem que o entrevistado João Elias utiliza para se expressar,

você acha que é uma linguagem formal ou informal? Justifique com exemplos.

l. Que perguntas você acrescentaria à entrevista? Por quê?

m. Você consegue notar muitas marcas de oralidade na fala do entrevistado, como: “né”, “só que”, “tipo assim”, “e” , “aí”, desvios de assuntos, etc.? Qual a sua opinião sobre o uso dessa forma de se expressar?

ATIVIDADE 2

Nessa atividade, o professor dividirá a sala em grupos e cada um irá ler um capítulo do Livro “A Língua de Eulália”. Na sequência, o professor deverá reproduzir para os alunos a entrevista

a seguir, com Marcos Bagno, sobre o livro A língua de Eulália, e intermediar

uma discussão sobre a leitura do livro e da entrevista. Após os alunos deverão realizar apresentações sobre o assunto discutido, que poderão ser de forma lúdica: criação de um rap, uma paródia etc.

Marcos Bagno é escritor, tradutor, linguista e professor do Instituto de Letras da Universidade de Brasília (UnB). Iniciou sua carreira de escritor em 1988, publicando, em sua maioria, livros dedicados ao público infanto-juvenil. Desde 1997, Bagno dedica- se à produção de obras voltadas à educação. Escreveu o livro A Língua de Eulália, uma novela sociolinguística publicada pela Editora Contexto. Nessa entrevista, Marcos Bagno fala sobre o livro que vem provocando boas discussões sobre o que é “falar certo e falar errado”.

Que tipo de livro é A Língua de Eulália? Bagno – É um livro sobre alguns problemas de ensino da língua portuguesa, e principalmente um livro sobre o preconceito linguístico que impera na nossa sociedade contra as pessoas que falam uma língua diferente da ensinada nas escolas. Para tornar a leitura mais agradável e fácil para não especialistas, decidi abordar esses temas na forma de uma narrativa romanceada, com peripécias de enredo e personagens dinâmicos, que falam muito o tempo todo.

Daí o subtítulo novela sociolinguística? Bagno - Exatamente. Novela porque conta uma história, e sociolinguística porque trata de questões que têm a ver com a relação entre a língua que a gente fala e a organização da sociedade em que a gente vive.

Em que consiste o preconceito linguístico que você citou há pouco? Bagno - O preconceito linguístico é um conjunto de ideias distorcidas que se baseia no mito de que só existe uma única língua portuguesa digna deste nome e que seria a língua ensinada nas escolas, prescrita nas gramáticas e compendiada nos dicionários. Qualquer manifestação linguística que escape desse domínio escolar-normativo é considerada, pelo preconceito linguístico, errada, feia, estropiada, rudimentar, deficiente, e não é raro a gente ouvir que “isso não é português”.

O livro fala o tempo todo em “português padrão” e “português não-padrão”. Como você

explica estes conceitos? Bagno - O português padrão é a língua falada pelas pessoas que detêm o poder político e econômico e estão nas classes sociais mais privilegiadas, que nós sabemos que são uma pequena minoria na população do Brasil, país que detém o triste recorde mundial de pior distribuição da riqueza nacional entre as camadas sociais.

E quem fala o português não-padrão?

Bagno - O português não-padrão é a língua da grande maioria pobre e dos analfabetos do nosso povo. É também, consequentemente, a língua das crianças pobres e carentes que frequentam as escolas públicas. Por ser utilizado por pessoas de classes sociais

desprestigiadas, marginalizadas e oprimidas pela terrível injustiça social que impera no Brasil, o português não-padrão é vítima dos mesmos preconceitos que pesam sobre essas pessoas. Ele

é considerado “feio”, “deficiente”, “errado”, “rude”, “tosco”, “estropiado”, ideias que resultam da simples ignorância dos mecanismos que governam a língua não-padrão.

E isso é grave para a educação?

Bagno - Gravíssimo. Esses preconceitos fazem com que a criança que chega à escola falando

o português não-padrão seja considerada uma “deficiente” linguística, quando na verdade ela simplesmente fala uma língua diferente daquela que é ensinada na escola.

Isso explicaria por que tantas crianças pobres acabam abandonando a escola? Bagno - Em parte, sim, junto com os fatores econômicos que as obrigam a trabalhar muito cedo para ganhar a vida, impedindo-as de continuar na escola por serem desprezadas, por não terem seus direitos linguísticos reconhecidos como tais, por serem obrigadas a assimilar conceitos veiculados numa variedade de português que é estranha para elas, essas crianças não encontram nenhum estímulo para prosseguir seus estudos.

Tudo por causa do mito da língua única? Bagno - Sim. Não escola não reconhece a existência de uma multiplicidade de variedades de português e tenta importar a variedade padrão sem procurar saber em que medida ela é, na prática, uma “língua estrangeira” para muitos alunos. Imagine que você não sabe nadar e matricula-se num curso de natação. Na primeira aula, você e todos os outros alunos são jogados, sem boia, no lado fundo da piscina. Aqueles que já souberem nadar conseguirão se salvar e prosseguirão no curso. Os que não souberem, terão que se debater até chegar à beira da piscina e serão mandados embora. Outros, quem sabe, até morrerão afogados. É um método de ensino completamente absurdo! Mas é assim que acontece na escola. Nosso sistema educacional valoriza aquelas crianças que já chegam à escola trazendo na sua bagagem linguística o português padrão, e expulsa as que não o trazem. Isso é uma grande injustiça, porque é exatamente esse português padrão que deveria ser ensinado na escola,

porque ele dá acesso aos mecanismos de ascensão social. A escola cobra na entrada o que ela mesma deveria dar na saída.

Quer dizer que as pessoas não escolarizadas falam um português “diferente” e não um português “errado”? Bagno - Exato. Com base no conhecimento das diferenças que existem entre as duas

variedades de português talvez pudéssemos perceber melhor as dificuldades que surgem para

o aluno que tem de aprender a variedade padrão. Poderíamos também, quem sabe, traçar

novas estratégias de ensino, fugir da tradicional, que é autoritária e intolerante para com o que

é diferente. Se todos compreendessem que o português não-padrão é uma língua como

qualquer outra, com regras coerentes com uma lógica linguística perfeitamente demonstrável, talvez fosse possível abandonar os preconceitos que vigoram hoje em dia no nosso ensino de língua materna.

Então é possível escrever uma “gramática do português não-padrão”, do mesmo modo como existem as gramáticas do português padrão? Bagno - É perfeitamente possível.

O seu livro é essa gramática? Bagno - Não, nem de longe. Uma gramática do português não-padrão é um trabalho para

muitos e muitos anos, e para toda uma equipe de cientistas da linguagem. Minha intenção com

A Língua de Eulália é mais modesta. Quero apenas contribuir para que o português não-padrão

deixe de ser visto como uma língua “errada” falada por pessoas intelectualmente “inferiores” e passe a ser encarado como aquilo que ele realmente é: uma língua bem organizada, coerente e funcional.

Você quer que a escola pare de ensinar o português padrão? Bagno - De modo nenhum! Em hipótese alguma eu reivindicaria a substituição da norma padrão pela norma não padrão como objeto de ensino. A existência de uma variedade padrão é desejável e necessária para que exista um meio de expressão comum a todas as pessoas cultas de um país. O que eu reivindico, isso sim, é que ela não seja ensinada como a única variedade existente, mas como outra variedade, mais uma que a pessoa poderá usar, enriquecendo assim sua bagagem linguística.

Que tipo de diferenças entre o português padrão e o não-padrão você aborda no livro?

Bagno - Por exemplo, eu explico que a transformação de L em R nos encontros consonantais

– como em Cráudia, chicrete, grobo, pranta – não é um “defeito de fala” nem tampouco um

traço de “atraso mental” dos falantes do português não-padrão, mas simplesmente um fenômeno fonético que contribuiu para a formação da própria língua portuguesa padrão. As pessoas que dizem Cráudia, grobo, chicrete, pranta estão apenas dando livre curso à mesma tendência fonética que fez, por exemplo, com que o latim fluxu desse em português frouxo, com um R bem nítido, que plaga desse praga, que sclavu desse escravo, que blandu desse brando, que flaccu desse fraco, que gluten desse grude, que o germânico blank desse em português branco, que o provençal plata desse em português prata, entre tantos outros exemplo. Se fôssemos pensar que as pessoas que dizem Cráudia, chicrete e pranta têm algum “defeito de fala”, seríamos forçados a admitir que toda a população da província romana da Lusitânia também tinha esse mesmo defeito na época em que a língua portuguesa estava se formando com base no latim vulgar. E que Camões também sofria desse mesmo mal, já que ele escreveu ingrês, pubricar, pranta, frauta, frecha na obra que é considerada o maior monumento do português literário clássico, o poema Os Lusíadas. E isso, é “craro”, seria no mínimo absurdo. No entanto, eu vi, apavorado, um programa de televisão chamado “Nossa Língua Portuguesa” classificar esse fenômeno de “defeito de fala”, sugerindo até uma “terapia fonoaudiológica” para “consertá-lo”!

Fonte:

Jornal

do

Comércio,

Recife,

29

de

outubro

de

1998.

Disponível

em:

Será realizada pelos alunos uma leitura oral da entrevista, e a cada resposta lida o professor deverá fazer reflexões e comentários.

a) Quem é o entrevistado? Ele é uma figura pública?

b) Qual o assunto da entrevista?

c) Vocês concordam com o escritor de que as pessoas não escolarizadas falam

um português “diferente” e não um português “errado”?

d) Qual é o livro escrito por Marcos Bagno de que fala a entrevista?

e) O livro “A Língua de Eulália” procura mostrar que o uso de uma linguagem

'diferente', nem sempre pode ser considerado um "erro de português". Você concorda? Justifique.

f) A personagem Eulália fala errado?

g) Qual a relação entre variedades linguísticas e classes sociais?

h) Além de variar geograficamente a língua muda, evolui?

i) O que o livro “A Língua de Eulália” procura provar quando compara o

Português padrão com o não-padrão ? j) Quais são os termos que Eulália usa e as universitárias acham engraçado? l) De acordo com o texto, porque existe o preconceito linguístico?

m) Se não há maneira errada de falar, porque estudar o português padrão na

escola?

n) O que é sociolinguística?

A partir das discussões geradas nesse debate sobre o livro “ A Língua de Eulália” de Marcos Bagno, o professor deverá orientar os alunos a formar grupos de quatro alunos e elaborarem uma enquete por grupo para serem publicadas no blog sobre preconceito linguístico. Após a conclusão das enquetes, os alunos deverão quantificar as respostas, fazer gráficos e comentários sobre os resultados. A partir dos resultados poderão abrir um fórum de discussão no blog sobre o tema “preconceito linguístico”, onde poderão participar os internautas (alunos e comunidade).

MÓDULO 7 Produzindo entrevistas

MÓDULO 7 Produzindo entrevistas Objetivo ∑ Realizar entrevistas adequando a linguagem oral a situação comunicativa.

Objetivo

Realizar entrevistas adequando a linguagem oral a situação comunicativa.

Realizar e transcrever entrevistas.

ATIVIDADE 1

Nessa atividade, o professor deverá solicitar aos alunos que produzam uma entrevista com uma pessoa da comunidade que tenha vivido sua adolescência antes dos anos de 1980. Assim eles poderão conhecer a realidade e as experiências vividas pelos adolescentes no passado. O professor deverá Informar que antes de iniciar uma entrevista devemos definir:

quem vamos entrevistar (o entrevistado);

o que queremos saber ( o assunto);

onde a entrevista será publicada;

qual o público-alvo da entrevista;

o roteiro de perguntas (as perguntas devem ser claras para que o

entrevistado responda o que realmente queremos saber). Em duplas, os alunos deverão elaborar um roteiro com os assuntos sobre os quais eles têm curiosidade e que gostariam de perguntar. Ao elaborá- las, é possível inferir as respostas para ajudar a verificar se não estão repetidas. O desafio é construir uma sequência de perguntas que ajude a pessoa a encadear seus pensamentos e organizar a narrativa à sua maneira. O professor deverá levar para seus alunos algumas informações sobre o entrevistado: nome completo, local de trabalho, função que ocupa etc. O foco da entrevista deverá ser predefinido: aspectos relevantes da vida do entrevistado devem ser ressaltados, como foi sua adolescência, as brincadeiras da época, sua visão de mundo, sua relação com a escola, seu desempenho na profissão.

O professor trabalhará esse procedimento com os estudantes e

explicará porque isso é tão importante para o trabalho.

Os estudantes deverão ser orientados a escolherem perguntas que

sejam relevantes para o propósito da entrevista. É Importante o professor

discutir com os alunos como será o comportamento e a tarefa de cada um

durante a entrevista. Assim como, o professor deverá orientar os alunos que ao

iniciar a gravação da entrevista, façam uma introdução apresentando o

entrevistado (nome, idade, profissão, etc).

A preparação da entrevista poderá ser enriquecida com outras

atividades, como: preparar com os alunos, um convite para o entrevistado, com

dados sobre o dia, o local e a hora, assim como poderá ser combinado com os

alunos um lanche para depois da entrevista.

A entrevista deverá passar pelo processo de gravação da fala do

entrevistado, depois a transcrição do texto oral e por último a transposição do

texto oral para o texto escrito. Nessa fase, o professor deverá disponibilizar

atividades de revisão e reescrita através das entrevistas realizadas pelos

alunos. Ao final, a entrevista será postada em um blog.

Depois de os alunos entrevistarem os colegas, o professor deverá

entregar a eles uma ficha de autoavaliação:

FICHA DE AUTOAVALIAÇÃO

Critérios

Sim

Não

Quando você elaborou as questões observou a pontuação adequada ao final de cada pergunta?

Foi feita uma breve apresentação do entrevistado antes das perguntas ?

Foram criadas perguntas espontâneas durante a entrevista, fora do roteiro?

A pergunta é elaborada de acordo com a norma culta da língua? E foram feitas adequações na resposta, para se enquadrar na linguagem formal culta?

A

gravação da entrevista ficou bem apresentável. Pode-se

entender bem as perguntas e respostas?

 

Foi fiel à fala do entrevistado?

 

Você eliminou as marcas características da produção oral?

Há problemas ortográficos? De pontuação? De acentuação?

As maiúsculas foram empregadas conforme as regras? (início de frase, nos nomes próprios )

Fez

adequações

do

vocabulário,

evitando,

inclusive,

repetições?

 

Usou conectores adequados e variados?

 

Há problemas de conjugação verbal ou de concordância (verbal ou nominal) ?

O

texto ficou coerente, compreensível?

 

Adequaram o discurso à situação pedida, percebendo que existem contextos diferentes para a fala, do mesmo modo em que há contextos diferentes para escrita?

Apontamentos dos problemas encontrados:

 

Referências

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terceiro e quarto ciclos do Ensino Fundamental – Língua Portuguesa. Volume:

Linguagens, códigos e suas tecnologias. Brasília: MEC/SEB, 1998.

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com Joaquim Dolz. Revista L@el em (Dis-)curso – Volume

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Entrevista

FÁVERO, Leonor Lopes. As perguntas na organização das entrevistas. Revista da Anpoll, n" 4, p. 121-135, jan./jun. 1998

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Universidade Federal da Paraíba, Centro de Artes e Comunicação, Recife, PB.

SOUZA, José Marcos Rosendo de. Os matizes do gênero entrevista: o contexto de produção. IV Semana de Letras – Linguagem e entrechoques culturais. Língua, literatura e cultura brasileira. Catolé do Rocha – PB, 2010.

ANEXOS

ANEXO 1 - Entrevista realizada pelo repórter mirim, Pedro Dias, com o humorista Danilo Gentili

Repórter mirim Danilo Gentili fala sobre infância e carreira em entrevista Pedro Dias, 12 anos, virou repórter da VEJA SÃO PAULO por um dia e conversou com o humorista do programa 'CQC', da Band Formado em publicidade e nascido em Santo André, Danilo Gentili faz sucesso no 'CQC', programa da Rede Bandeirantes, ao abordar autoridades em tom de piada e contestação. Seu primeiro personagem ali foi o Repórter Inexperiente, cuja bisonhice irritava os entrevistados. Em seu apartamento na Bela Vista, ele recebeu um iniciante de verdade: o estudante Pedro Dias, de 12 anos, que fez as vezes de repórter de VEJA SÃO PAULO.

Pedro: Você apanhava muito quando era garoto?

Danilo: Apanhava. Do meu pai, na rua

Pedro: E o que você acha da nova lei de agressão contra os menores? Danilo: Agora o adulto não pode bater em criança, certo? O que o médico vai fazer quando o bebê nascer? Vai segurá-lo e dizer: “Chora que eu não posso mais bater em você”. Pedro: Como é entrevistar políticos correndo o risco de apanhar com o Brasil inteiro assistindo? Danilo: Tem lei para proteger você de apanhar, mas a mim a lei não protege. É o risco da

profissão. Mas não acontece só comigo. Já vi fotógrafo tomar porrada. No tumulto, todo mundo apanha. Pedro: Como você mantém a compostura diante do cinismo e da cara de pau dos entrevistados? Não dá vontade de voar na jugular deles? Danilo: Dá. E às vezes eu voo, mas o programa é editado e pareço civilizado. Não tenho compostura nenhuma Pedro: Você ia bem na escola? Danilo: De nota até que eu ia. De comportamento, não. Pedro: O que você fazia antes do ‘Custe o que Custar’? Já era repórter?

Danilo: Fiz de tudo. Carreguei caixa em shopping, trabalhei em gráfica

repórter. Isso é ofender quem estuda jornalismo. Sou humorista, uma profissão para a qual não precisa estudar nada. É igual a ser presidente. Pedro: Você é piadista desde criança ou evoluiu no CQC?

Danilo: Lá eu regredi. Eu era o engraçadinho da escola, fazia piadinha e ninguém ria. Mas eu insistia. Pedro: O que você faz quando uma piada sai errado?

Danilo: Xi

que dá certo. A não ser que o editor queira me sacanear, o que ocorre bastante. Pedro: As piadas que saem na bancada do CQC são ensaiadas? Danilo: São roteirizadas. Os responsáveis por aquilo são dois blogueiros que viraram roteiristas (Alex Baldin e Marco Aurélio Góis dos Santos). Às vezes, o Rafinha (Bastos) e o (Marco) Luque soltam alguma de improviso, mas a maioria está ali. Trabalho fácil, né? Pedro: O que você viu de mais bizarro na propaganda eleitoral? Danilo: Tudo é bizarro. Mas penso que qualquer um tem o direito de se candidatar. Isso é democracia. O que não acho democrático é ser obrigado a votar. Pedro: Queria ficar em casa, né? Danilo: É. Rindo deles na televisão. Não tenho vontade de votar. Pedro: É por isso que este país não vai para a frente. Danilo: Foi você que bolou as perguntas? Pedro: A maioria foi. Também pedi ajuda a um amigo. Danilo: Você quer ser repórter? Pedro: Eu não. E acabar como você? Danilo: É, não faz isso. O que você quer ser então? Pedro: Eu estava pensando em ser arqueólogo. Danilo: Por causa do Indiana Jones? Pedro: Não, porque gosto de história. Acho interessante essas relíquias que são preservadas ao longo do tempo. Mas estudar para acabar professor em universidade? Danilo: Ah, você tem de ir para fora. Eu já li que tem brasileira fazendo escavação no Egito Pedro: Isso é como ganhar na loteria. Não é sempre que você encontra um Macchu Picchu, por exemplo.

Eu era folgado.

Mas não me considero

Isso acontece de monte. Eu vou para a próxima. Na televisão, vai para o ar a piada

Danilo: Também não é sempre que um cara sai de Santo André e vira comediante. Não pode pensar assim. Tem de fazer o que gosta, cara.

Pedro: E você está gostando de mim como Repórter Inexperiente por um dia? Danilo: Estou, mas você está mais experiente do que eu no começo

Acesso em 25/11/2012

ANEXO 2 – Lista dos códigos da transcrição de entrevistas*

CÓDIGOS

OCORRÊNCIA

 

Pausa longa

,

Pausa curta

(

)

Recorte de trechos

(incompreensível)

Incompreensão de palavras ou segmentos

MAIÚSCULA

Entonação enfática

/

Truncamento de palavras ou desvio sintático

“ ”

Citações de falas de terceiros

?

Entonação correspondente à pergunta

!

Entonação exclamatória

* Lista adaptada de Barros (2012)

ANEXO 3 – Atividades de retextualização

1.Você sabe o que é trabalho voluntário? Leia trechos da entrevista com a idealizadora da Pastoral da Criança e saiba um pouco mais sobre o trabalho dessa entidade e também sobre o trabalho que um voluntário pode desenvolver.

e saiba um pouco mais sobre o trabalho dessa entidade e também sobre o trabalho que
Disponível em :http://www.colegiosalesiano.com.br/exercicio/atividadesdasemana23a27-05.pdf Acesso em: 30/11/2012 2.

Disponível em :http://www.colegiosalesiano.com.br/exercicio/atividadesdasemana23a27-05.pdf Acesso em: 30/11/2012 2. Após a leitura da entrevista, responda as questões abaixo:

a) Esse texto é uma entrevista. Quem são os integrantes dessa entrevista?

b) Observando a fala do entrevistador e a fala da pessoa entrevistada, qual é a

pontuação final que diferencia a fala de cada um deles? Por que isso acontece?

c) Como aparece o nome da pessoa entrevistada na 2ª. e 3ª perguntas?

d) O pronome esta que aparece iniciando a fala da entrevistada está se referindo:

I – ao inicio da história II – explicação à pergunta realizada pelo entrevistador III – a Organização das Nações Unidas

e) Sabendo que todo substantivo próprio é escrito com letra maiúscula. Identifique na primeira parte da entrevista todos substantivos próprios referentes a nomes de lugares, e a nomes de pessoas

f) Em “Depende de sua disponibilidade e de suas aptidões”. A que termo dito

anteriormente este período está se referindo?

I)

trabalho

 

II)

voluntário

III)

tipo

IV)

pastoral

g)

Na frase

[

]

a Pastoral da Criança conseguiu reduzir a mortalidade infantil a

menos da média nacional, entre as crianças por ela atendidas”. O pronome ela está

se referindo a que termo dito anteriormente ?

h) “ Assim, temos jornalistas e publicitários na Rede de Comunicadores Solidários à

Criança;” “Também temos pessoas que ajudam cuidando das crianças no dia da

pesagem,[

temos, a quem ela se refere ?

]”

Nesses dois trechos da fala da entrevistada Zilda Arns, ela usa o verbo

i) Qual é o pronome pessoal referente a essa forma verbal?

j)

encontros.” Observe que existe uma conjunção estabelecendo uma relação entre uma

oração e outra.

I- Qual é essa conjunção?

preparando cartazes para as reuniões ou tocando música durante os

“[

]

II- Que sentido ela introduz em relação às ações dos voluntários?

2- Através do texto abaixo, façam a adaptação e aprimoracão do texto oral transcrito.

“eh

como eles me tratam

meu pai

eu vou falar sobre a minha família

bem

pela minha mãe

sobre os meus pais

pequena

o que eu acho deles ela é composta pelo

dez

eu tenho uma família

pelo meu irmão

eu tenho um irmão pequeno de

anos

eh

o meu irmão não influencia em nada

minha mãe é uma pessoa super

legal

sabe?”

a. Quais são as marcas estritamente interacionais, hesitações que podemos encontrar

nesse trecho de transcrição de uma entrevista?

b. Reescreva o trecho eliminando as reticências e faça a pontuação de acordo com a

modalidade escrita formal .

c) Retextualize o trecho fazendo a retirada de repetições e redundâncias.

3- Leia o fragmento de um texto abaixo e faça as atividades pedidas:

Minha vó contava uma história quandu a família tava reunida , sobri um tiu

é tiu avô, num sei

Osvaldo! “. É qui quandu fôru registrá eli, disséru “Osvardo”, tão rápidu, cum um ô qui

nem dava pra ouví e cum um érri nu lugar di éli, qui u iscrivão intendeu Zuardo! I intão, ”

ficou assim Ana Cláudia, 04 de maio de 1999

Disponível em:

achu qui

bom, essi tiu, chamava Zuardo, mais u nomi deli era pá sê

a) Por que o texto foi escrito assim?

b) Reescreva o texto, considerando-se a norma convencional da escrita da língua

portuguesa.

ANEXO 4 –

Entrevista com a jornalista americana Alissa Quart

O problema não é comprar A jornalista americana Alissa Quart, autora de um livro sobre hábitos de compra dos adolescentes, fala do consumismo juvenil

Veja – O jovem é um consumista? Alissa Quart – Todo mundo é consumista, em maior ou menor grau, adultos ou adolescentes. Em 2001, os jovens gastaram 155 bilhões de dólares nos Estados Unidos. Em média, o adolescente americano gasta 60 dólares por semana do próprio dinheiro. Apenas 56% desse valor vem da mesada dos pais. O restante ele ganha sozinho, normalmente trabalhando em empregos de meio período. Veja – Por que os jovens estão comprando produtos de luxo? Alissa – Porque nos últimos anos as empresas adotaram a estratégia de direcionar esses produtos para os jovens. Esse avanço foi influenciado pelo estilo de vida dos astros de rap e hip hop, que valorizam esses produtos em sua música e em sua vida pessoal. Marcas caras, como Louis Vuitton, tornaram-se símbolos de cultura popular. O interesse por esses símbolos de status também cresceu bastante entre os adultos e, por conseqüência, entre seus filhos. Veja – Por que os pais não tentam barrar essa avalanche de consumismo juvenil? Alissa – Porque o consumismo não é considerado um problema. O que preocupa é se as filhas vão engravidar ou se os filhos vão se viciar em crack. Nesse contexto, consumir é inofensivo. O consumo é visto como uma conquista do adolescente, sua primeira inserção no mundo adulto. Os pais dão mesadas aos filhos como uma preparação para a responsabilidade de ter o próprio dinheiro. Na verdade, o consumismo só se torna realmente perigoso quando assume proporções exageradas. Veja – Como mostrar a um adolescente que um produto de luxo que ele deseja comprar está fora da realidade? Alissa – Pais e filhos deveriam tentar um olhar crítico em relação à mídia e à publicidade. Não é fácil, pois o marketing moderno utiliza-se de técnicas sutis para atingir os jovens. É comum nos Estados Unidos "infiltrar" num shopping center adolescentes usando marcas de grife. A idéia é estimular seus amigos a comprar aqueles produtos. Os pais não devem apenas dizer não. Precisam também estar atentos às técnicas para induzir as compras.

em 25/11/2012

ANEXO 5 - Entrevista com Alice Wegmann atriz de Malhação

A tt conferiu de pertinho a coletiva de imprensa da nova temporada de

Malhação e conversou com Alice Wegmann, protagonista da trama e intérprete de Lia. Quer saber tudo que vai rolar? Então confere:

Me fala um pouco da sua personagem?

A Lia é uma menina mais revoltada, mais rebelde, muito por causa da mãe

dela, que é uma médica sem fronteiras e viaja pelo mundo todo. Ela é muito presente pra várias pessoas, mas muito ausente pra Lia, que fica revoltada com isso. Ela toca guitarra, a roupa dela é toda rasgada, a maquiagem é mais carregada… Tem muita ironia nela e ela não quer se apegar, nem com namorado. E você fez aula pra tocar guitarra? Eu tô fazendo mais aulas, já sabia um pouquinho de violão, mas tô empenhada nas aulas. Além disso, faço aulas de canto também, pra poder cantar uma coisinha ou outra. Tá sendo um desafio, ela é bem diferente da Alice (antiga personagem dela na temporada passada). Eu tô aprendendo muita coisa!

O seu visual se misturou com o dela?

Tem muita coisa da Lia que eu usaria, não sei se tudo… Porque eu mudo um pouco, você vai me ver em dias mais chiques, isso depende muito. Eu não sei se usaria o visual completo, porque sou um pouco mais romântica, sabe?

Adoro renda! Mas tem vários acessórios dela que eu usaria sim! Mas no dia a dia sou eclética.

E seu cabelo? Tem mechas coloridas na tevê… (lá, ela estava sem)

A cor é essa mesma, eu quis repicar o corte. E na gravação uso apliques azuis. Na outra temporada, eu pintei de escuro. Sou tranquila pra mudar o cabelo. Agora, mecha azul, hmmm… (risos). Você fez Malhação, foi pra Vida Da Gente e volta agora como protagonista pra Malhação. Como é isso? Uma oportunidade maravilhosa! Quando saí da Malhação, em agosto do ano passado, senti muita falta! A energia aqui é incomparável, as amizades, a bagunça no camarim… É muito gostoso trabalhar com esse pessoal, a gente está sempre feliz! As gravações são meu refúgio, Às vezes tô com problema na escola, com amigo, vou trabalhar e esqueço tudo!

Acesso em 28/11/2012

ANEXO 6- Entrevista com o jogador argentino Lionel Messi

Messi: 'Não tenho que demonstrar nada a ninguém

Ídolo do Barcelona recebe algumas críticas por ainda não ter conquistado título de expressão com a Argentina

O jovem atacante argentino Lionel Messi, de 24 anos, vive fase excepcional a mais

de 3 anos, sendo artilheiro de todas as competições que disputa e na maioria delas, ajudando o Barcelona a se tornar campeão e trazer mais um troféu para a galeria do clube catalão. O argentino é criticado somente na Seleção Argentina ,

onde ainda não conseguiu comemorar um título de maior importância. Porém, Messi não se mostra preocupado com isso.

"Dizem muitas coisas, mas não dou importância, pois não tenho que demonstrar nada a ninguém. Sei bem o que sinto e de onde estou, por isso, o que dizem não me interessa", declarou o atacante, em entrevista à revista La Garganta Poderosa.

Em seguida, Messi diz que se sente orgulhoso em visitar todos os lugares do mundo e ver pessoas vestindo a camisa da Argentina com o seu nome escrito.

"É o máximo eu ir a outros lugares do mundo e encontrar a camisa argentina com

o meu nome, ou seja, com as cores do meu país. Eu me emociono ver as camisas

ou bandeiras do Che Guevara, de Diego [Maradona] em qualquer lugar do mundo",

acrescentou 'La Pulga', como é chamado.

Por fim, Messi mostrou humildade, como sempre fez, e acha bom ser exemplo para várias crianças do mundo. "Tento fazer bem as coisas, pois sei que há muitas

crianças que se fixam em nós e é um orgulho ser um exemplo para eles, não só pelo que faço dentro do campo mas também pelo meu comportamento fora dele, sendo humilde, sem esquecer de onde vim e lutando sempre", encerrou.

nada-ninguem. Acesso em: 26/11/2012

ANEXO 7- Enquete

nada-ninguem . Acesso em: 26/11/2012 ANEXO 7- Enquete Disponível em:

Disponível

em:

ANEXO 8 - Enquete

Acesso em 25/11/2012 ANEXO 8 - Enquete Disponível em:

ANEXO 9 - Enquete

ANEXO 9 - Enquete Disponível Acesso em 26/11/2012 em:

Disponível

Acesso em 26/11/2012

em:

ANEXO 10- Enquete

ANEXO 10- Enquete Disponível resultado/ . Acesso em: 26/11/2012 em:

Disponível

resultado/ . Acesso em: 26/11/2012

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ANEXO 11 – Poesia de Mario Quintana “ O adolescente”

O adolescente A vida é tão bela que chega a dar medo.

Não o medo que paralisa e gela, estátua súbita, mas

esse medo fascinante e fremente de curiosidade que faz o jovem felino seguir para a frente farejando o vento ao sair, a primeira vez, da gruta.

Medo que ofusca: luz!

Cumplicemente, as folhas contam-te um segredo velho como o mundo:

Adolescente, olha! A vida é nova A vida é nova e anda nua -vestida apenas com o teu desejo!

Mario Quintana

(1906-1994)