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Emissão de Poluentes

Enviado por: Eduardo Holanda | comentários


Arquivado no curso de Engenharia - Grande Área Mecânica na UFPE

Emissões de Poluentes

A poluição atmosférica é a principal decorrência ambiental do uso de combustíveis, embora outras formas de
poluição possam também estar presentes. Por exemplo, o emprego de carvão mineral leva à geração de efluente
sólido (cinzas). Ou ainda, o uso de um sistema de limpeza dos gases de combustão em via úmida leva à geração
de efluente líquido.

Nos gases efluentes de processos industriais de combustão, encontram-se vários constituintes poluentes, sendo
os óxidos de nitrogênio (NOx – NO, NO2), o material particulado (MP – orgânico, inorgânico) e os compostos de
enxofre (SOx – SO2, SO3, H2SO4) os mais preocupantes.

Outros, como o monóxido de carbono (CO) e os compostos orgânicos voláteis (VOC), são constituintes que em
equipamentos operando em condições normais são emitidos a taxas muito pequenas, não causando qualquer
dano ambiental.

Há também o dióxido de carbono (CO2), cuja abordagem como “poluente” é recente e ainda controversa, e outros
derivados de combustíveis ou de equipamentos de combustão de emprego restrito ou específico (por exemplo,
cromo na queima de resíduos de curtume ou óxido nitroso - N2O em equipamentos de leito fluidizado).

Poluição atmosférica

São considerados poluentes atmosféricos aquelas substâncias adicionadas ao ar em quantidade suficiente para
produzir efeito mensurável na fauna, flora ou em materiais em geral. Os poluentes podem estar na forma de
partículas sólidas, de gotas ou de gases e podem ser classificados em dois grupos:

• Aqueles emitidos diretamente por uma fonte identificável – “poluentes primários”

• Aqueles produzidos no ar por interação entre duas ou mais substâncias, sejam elas poluentes ou não –
“poluentes secundários”.

O NOx, o MP e o SOx são poluentes primários: A principal ação no homem consiste no ataque às vias
respiratórias.
O NOx, por exemplo, como o CO, reage com a hemoglobina do sangue, reduzindo sua capacidade de transporte
de oxigênio. O gráfico da figura ilustra o efeito do CO sobre o ser humano.

Já o Material Particulado, em particular o denominado “inalável” (diâmetro inferior a 10 micra) se aloja nas partes
internas do sistema respiratório provocando lesões bastante graves.

O NOx e o SOx são também poluentes secundários, pois ambos na atmosfera dão origem aos ácidos nítrico e
sulfúrico, respectivamente, que são os principais componentes da chuva ácida.

Além disso, o NOx participa de complexas reações fotoquímicas que levam à formação do chamado “smog”
(“smoke” + “fog”) – atmosfera negro-amarronzada constituída de substâncias de forte ação oxidante, como o
ozônio (O3), por exemplo.

Na literatura especializada se encontra, em geral, a seguinte definição para “smog”: “atmosfera resultante da
exposição à luz do sol de alguns compostos orgânicos voláteis na presença de NOx”.

Estratégias de controle da poluição atmosférica

A legislação nacional vigente, em concordância com a tendência internacional, estabelece como prioritário o
controle da poluição atmosférica pelos padrões de emissão de poluentes, reservando o uso de padrões de
qualidade do ar como ação complementar de controle.

Na estimativa da emissão de poluentes, na realização de inventários e, com base neles, a elaboração de políticas
públicas de controle da poluição ambiental é usual o emprego dos chamados fatores de emissão de poluentes.

Os padrões de qualidade do ar determinam os valores limites legais para as concentrações de poluentes no meio
ambiente, sempre medidas num certo período. Em cada país, a legislação sobre a poluição do ar estabelece tais
limites. Padrões nacionais de qualidade do ar
Os padrões de emissão determinam a quantidade máxima permissível de poluentes que pode ser emitida por uma
determinada fonte poluidora. A legislação sobre poluição ambiental de cada país estabelece tais limites.

Padrões de emissão de poluentes nacionais para fontes fixas de combustão

Formação de óxidos de nitrogênio e técnicas de controle

Os óxidos de nitrogênio formados durante processos convencionais de combustão são basicamente o NO e, em


escala bem menor, o NO2. Em processos muito particulares, outros óxidos podem estar presentes como, por
exemplo, o N2O, formado na combustão em leito fluidizado.

O óxido nítrico (NO) pode se formar na combustão via três mecanismos:

(1) térmico (“thermal”) (“NOx térmico”) (2) combustível (“fuel”) (“NOx combustível”). (3) ativo (“prompt”). (“NOx
ativo”)

NOx térmico:

O NO se forma no processo de combustão pela reação do nitrogênio do ar com oxigênio. As principais reações
que governam a formação de NO térmico, durante a combustão de misturas ar-combustível, são dadas pelas
equações de Zeldovich:
A velocidade do processo de formação é determinada pela reação direta (primeira equação, acima), que se torna
importante somente em condições de alta temperatura. A formação do NO térmico numa câmara de combustão,
ocorre principalmente em regiões de temperatura acima de 1800K.

Teores de O2 mais altos na câmara contribuem pouco para o acréscimo na formação do NO térmico.

Os gráficos mostram genericamente a influência dos parâmetros temperatura e teor de O2 na formação do NO


térmico.

NOx combustível:

O NO se forma no processo de combustão pela reação do nitrogênio do combustível com oxigênio. Os compostos
orgânicos de nitrogênio sofrem decomposição térmica na câmara de combustão, resultando em compostos como
NH3, HCN, CN, NH.

Tais compostos participam de reações competitivas de oxidação e de formação de nitrogênio molecular. Portanto,
a formação do NO combustível tende a ser maior nas regiões da câmara onde o teor de O2 for mais alto.

A combustão de óleos com maior teor de nitrogênio tende a formar mais NO. Os gráficos mostram genericamente
a influência dos teores de O2 dos gases e de nitrogênio do combustível na formação do NO combustível.

NOx ativo:

O NO se forma pela reação do nitrogênio do ar com radicais hidrocarbônicos (CH2, CH) formados no processo de
combustão. Em processos convencionais, que operam com quantidade de ar acima da estequiométrica, a
formação de NO ativo não é significativa.

Técnicas de controle das emissões de NOx:


As técnicas para controle das emissões de NOx em processos de combustão industrial se dividem em dois
grupos:

As primeiras, em geral, são mais atraentes do ponto de vista econômico. A formação de NOx no processo pode
ser reduzida, basicamente, por:

(1) redução dos teores de oxigênio ou nitrogênio nas regiões da câmara de combustão de alta temperatura, ou
redução do tempo de residência desses elementos nessas regiões.

(2) redução das temperaturas na câmara de combustão.

Isto pode ser feito de várias formas, que vão desde;

• alterações nas variáveis operacionais do processo de combustão, como; redução do excesso de ar,

• até modificações substanciais no processo, como; estagiamento no fornecimento de ar ou combustível.

Estas últimas são muito efetivas, podendo reduzir as emissões de NOx em até 70 % e são largamente
empregadas em equipamentos de combustão instalados na Europa e Estados Unidos.

Estagiamento do ar de combustão:

O estagiamento do ar de combustão é feito em geral através da substituição, ou modificação, do queimador


convencional por outro especialmente projetado para o fornecimento de ar primário, secundário e, às vezes,
terciário ao processo, de forma a se obter chamas constituídas de regiões com diferentes estequiometrias.

Numa primeira região, próxima ao bocal do queimador, uma condição redutora permitirá que boa parte do
nitrogênio presente no combustível seja convertido preferencialmente a nitrogênio molecular, e não a NOx.

Nas demais regiões, o aporte controlado de ar permitirá a oxidação completa dos demais elementos do
combustível. Essa técnica visa, além da redução do NOx, formado devido à presença de nitrogênio no
combustível (NOx combustível), a diminuição da fração do nitrogênio do ar que se converte a NOx (NOx térmico),
pois leva a temperaturas, ao longo da chama, menores e mais uniformes. Tais queimadores são os chamados
“low NOx burner”.

Estagiamento do combustível:

(Parte 1 de 4)

O estagiamento do combustível é feito em geral através do fornecimento de pequena parte do combustível numa
região à frente da zona principal de combustão.
Tal artifício visa basicamente reduzir a emissão de NOx pela sua conversão a nitrogênio molecular quando da sua
passagem pela região onde a parcela minoritária de combustível é injetada. A imposição a essa região de uma
condição redutora favorecerá as reações do NOx presente com radicais hidrocarbônicos do combustível,
resultando em sua conversão a nitrogênio molecular.

A aplicação dessa técnica, conhecida como requeima (“reburning”), exige ainda o fornecimento de ar suplementar
ao processo, ao final da câmara de combustão, objetivando a oxidação completa do combustível.

Independente do combustível utilizado na zona principal, gás natural é o combustível comumente injetado à frente
da zona principal.

Formação de material particulado e técnicas de controle:

A formação e emissão de material particulado em processos de combustão só é relevante na queima de


combustíveis líquidos e sólidos.

Na queima de combustíveis líquidos o material sólido "arrastado" pelos gases de combustão para fora do sistema
provêm de três possíveis fontes: • material orgânico resultante da coqueificação das gotas ("coque" ou
"cenosfera");

• material orgânico formado a partir de frações evaporadas das gotas ("fuligem") e

• material inorgânico presente no combustível ("cinzas").

A combustão de líquidos em caldeiras convencionais é precedida pela sua nebulização imediatamente a jusante
do bocal do queimador (gotas de 10 a 100 µm). Cada gota, desprezando-se o efeito das demais, à medida que se
desloca no interior da câmara de combustão e atravessa regiões de temperaturas crescentes, vai se aquecendo e
se evaporando, de tal forma que vai se formando à sua volta uma camada de mistura ar primário/gases de
combustão/vapor do líquido.

Num dado ponto, de temperatura e concentração da mistura adequadas, se dá a ignição da mistura gasosa. A
partir daí se estabelece uma chama em torno da partícula, a qual passará a fornecer calor para que a gota
continue evaporando.

Após a ignição, na medida em que a gota se evapora, entre a zona de reação (interface

O2/combustível de alta temperatura, que se estabelece ao redor da gota) e a própria gota, parte das moléculas do
combustível no estado vapor, encontrando condições propícias
(alta temperatura; deficiência de O2) sofrem craqueamento e polimerização simultânea, dando origem às
partículas de fuligem.

Tais partículas, de diâmetro inferior a 20 Å, tendem a acompanhar as linhas de corrente no interior da câmara de
combustão, sofrendo, simultaneamente, processos de oxidação, coagulação e crescimento superficial até serem
emitidas, via gases de combustão, individualmente (esferóides de diâmetro inferior a 1µm), ou agregadas a
inorgânicos ou a partículas de coque.

As gotas, em seu deslocamento pela câmara de combustão, vão tomando forma de cenosferas, com composição
se aproximando à do coque (elevada relação C/H) e mantendo ainda relativamente altos teores de enxofre e
metais.

Ao final da câmara de combustão, gotas não totalmente oxidadas, serão emitidas na forma de partículas esféricas
ocas, geralmente denominadas "coque" ou "cenosfera", de diâmetro na faixa de 1 a 100 µm e em cujas cavidades
poderão estar alojados fuligem e inorgânicos.

Quanto aos inorgânicos do combustível, são em sua maioria oxidados na chama, formando muitas vezes
compostos complexos resultantes da interação de óxidos e sulfatos. Este material, na fase vapor, líquido ou
sólido, é "arrastado" pelos gases de combustão indo se depositar nos feixes de tubos e nas paredes da caldeira
por efeito de impacto ou de difusão, ou é emitido, em sua maioria, na forma de partículas sólidas, relativamente
pequenas, muitas vezes agregadas ao material orgânico efluente do processo, denominadas genericamente de
"cinzas".

Técnicas de controle das emissões de material particulado:

As técnicas para controle das emissões de material particulado em processos de combustão industrial se dividem
em dois grupos: as aplicadas ao processo de combustão e as aplicadas aos gases de combustão.

As primeiras, em geral, são mais atraentes do ponto de vista econômico e consistem na adequação do sistema de
queima e de suas condições operacionais ao uso de óleos combustíveis “pesados”.

Quanto às técnicas aplicadas aos gases de combustão, consistem na implantação de sistema de separação do
Material Particulado dos gases. Há, basicamente, três alternativas:

• Precipitador eletrostático,

• Lavador de gases.
Formação de compostos de enxofre e técnicas de controle:

No processo de combustão, o enxofre, encontrado na maioria dos combustíveis fósseis, reage com oxigênio
formando o SO2 e, em menor proporção, o SO3.

O SO3, por sua vez tende a reagir com água formando o ácido sulfúrico e com inorgânicos presentes no
combustível dando origem a compostos inorgânicos complexos (sulfatos, óxidos).

A parcela do enxofre que irá formar um ou outro produto é função de uma série de fatores porém, na média, pode-
se considerar que mais do que 95 % do enxofre deixe o processo de combustão na forma de SO2, 1 a 5 % como
H2SO4 e 1 a 3 % forme compostos inorgânicos complexos.

Na estimativa das emissões e na realização de balanços de massa e energia em processos de combustão


industrial costuma se considerar que todo o enxofre do combustível é convertido a SO2. A parcela menor do
enxofre que forma outros compostos só é considerada quando se está preocupado com corrosão das partes
internas do equipamento de combustão.

A denominação genérica “SOx” é muitas vezes utilizada quando se quer referir às emissões resultantes da
presença de enxofre no combustível.

Ciclones Lavador de Gases


Lavador de Bandeja Torre de Nebulização

Lavador tipo Venturi:

Nesse tipo de separadores a água entra na garganta do venturi já nebulizada por um sistema de bocais.

A eficiência da separação é função do tamanho e trajetória das gotas, da velocidade do gás e da relação líquido
gás.
Separadores Eletrostáticos:

Filtros de baixa tensão: 10 a 30 kV Filtros de alta tensão: > 30 kV

Nesses separadores o ar é ionizado ao ser submetido a uma alta diferença de potencial entre um fio ionizador e
uma placa coletora. Os íons formados depositam-se nas partículas carregandoas eletricamente (os particulados
devem apresentar propriedades elétricas adequadas) e, em conseqüência, proporcionando que as partículas
migrem para as placas coletoras.

Filtros de Manga:

O processo de filtragem é um dos mais antigos métodos de remoção de partículas de um fluxo gasoso,
apresentando uma ampla gama de remoção de partículas.
Corrosão provocada por compostos de enxofre:

Em equipamentos de combustão podem ocorrer dois tipos básicos de corrosão relacionados com a presença de
enxofre nos combustíveis: corrosão a alta temperatura e corrosão a baixa temperatura.

A corrosão a alta temperatura ocorre em superfícies metálicas a temperaturas acima de 400 ºC e a de baixa
temperatura em superfícies metálicas a temperaturas abaixo da temperatura de orvalho de H2SO4, normalmente
abaixo de 180 ºC.
Corrosão a alta temperatura: Parcela do SO3 pode reagir com inorgânicos do óleo e formar compostos de baixo
ponto de fusão, que podem se depositar nas superfícies internas dos equipamentos de combustão expostas a
altas temperaturas e dar origem a um processo de corrosão. A presença de sódio e vanádio no combustível
potencializa o processo. É identificada a formação de uma série de compostos formados pela combinação desses
elementos com enxofre, que tendem a se depositar por impacto ou por difusão sobre a superfície metálica, na
forma fundida (“slagging”) ou sinterizada (“fouling”), e atacar o ferro.

A deposição deste material no interior dos equipamentos funciona também como uma superfície catalítica para a
oxidação do SO2 a SO3. Ou seja, o processo se auto alimenta: o SO3 dá origem aos depósitos que, por sua vez,
levam a formação de mais SO3.

Corrosão a baixa temperatura: Parcela do SO3 pode reagir com água, geralmente presente nos gases de
combustão, e formar H2SO4. Não é identificado nos gases ácido sulfúrico puro, mas sim soluções aquosas com
diferentes concentrações de H2SO4. A temperatura na qual surge a primeira gota de solução aquosa de H2SO4 é
a denominada “temperatura, ou ponto, de orvalho de ácido sulfúrico”. Ela pode ser calculada medindo-se os teores
de SO3 e H2O dos gases de combustão e empregando-se expressões empíricas, como por exemplo.

T é a temperatura de orvalho em oC

PH2O é a pressão parcial da água nos gases de combustão em Pascal

PSO3 é a pressão parcial do SO3 nos gases de combustão em Pascal

Técnicas de controle da corrosão e das emissões dos compostos de enxofre:

(Parte 2 de 4)

As técnicas para controle das emissões de SOx em processos de combustão industrial se dividem em três grupos:

Aqui um material absorvente deve reduzir o SOx formado ainda na câmara de combustão. Um exemplo é o
controle aplicado na combustão em leito fluidizado. Para tanto são adicionados ao leito óxidos de metais alcalino-
terrosos, como cal e dolomita, com a função de absorver o enxofre.

Este processo é conhecido como dessulfurização do combustível. Este método é ideal pois previne a formação de
SOx pela redução do enxofre presente no combustível antes do processo de combustão. Entretanto o processo de
dessulfurização é caro e pode tornar o uso de determinado combustível inviável do ponto de vista econômico.

Esta técnica é conhecida como dessulfurização dos produtos da queima. Este processo de dessulfurização no
gases da combustão é menos dispendioso que o seu semelhante nos combustíveis. A maior parte destes
processos de dessulfurização em produtos da combustão consiste naa lavagem dos produtos da combustão com
um agente absorvente que contem cal, pedra calcária ou cinza alcalina.

Quanto ao controle da corrosão; A estratégia trivial para minimizar a corrosão a baixa temperatura é a de manter a
temperatura das superfícies em contato com os gases de combustão acima da temperatura de orvalho de H2SO4.
Um erro muito comum no meio industrial é supor que, estando os gases de combustão a temperaturas acima da
de orvalho de H2SO4, não ocorre condensação de solução ácida. O que define a condensação, bem como a sua
taxa, é a temperatura da superfície em contato com os gases de combustão e não a dos gases. Se a temperatura
desta superfície estiver abaixo da temperatura de orvalho de H2SO4 haverá condensação e ataque ácido, mesmo
que a temperatura dos gases esteja bem acima desta. Isto é particularmente importante em chaminés metálicas
expostas ao meio ambiente que, submetidas a ventos e chuvas, freqüentemente atingem temperaturas, no lado
em contato com gases de combustão, abaixo da temperatura de orvalho de H2SO4.

A corrosão a baixa temperatura também é reduzida pelo emprego de materiais resistentes à corrosão por ácido
sulfúrico nas regiões de temperatura abaixo do ponto de orvalho de H2SO4. Podem ser usados materiais
cerâmicos ou ligas metálicas especiais, como o aço inox 316 ou ligas de alto teor de cromo, molibdênio, níquel e
tungstênio.

A corrosão a alta temperatura pode também ser reduzida pelo emprego de um aditivo ao processo. Compostos de
magnésio, em geral óxidos e hidróxidos, são freqüentemente utilizados. Sua função é a de, no lugar de compostos
complexos de sódio, vanádio e enxofre de baixo ponto de fusão, levar à formação na câmara de combustão de
outra família de compostos, igualmente complexos, porém de alto ponto de fusão. Esta ação contribui também
para a diminuição da corrosão a baixa temperatura, pois a redução dos depósitos reduz a oxidação do SO2 a SO3
devido à ação catalítica deles.

Dióxido de Carbono:

Resulta da oxidação completa do carbono em combustíveis hidrocarbonetos.

• A presença de CO2 na atmosfera contribui para o aquecimento global (o chamado efeito estufa). Este gás (assim
como alguns outros) permitem a penetração de radiação solar, mas absorvem a radiação infravermelha vindo da
terra.

• Embora, incertezas pairem sobre o real papel de cada gás nesse processo, estimativas indicam que o CO2 é
responsável por cerca da metade da radiação infravermelha retida na atmosfera.

• Desde a década de 1950 as concentrações na atmosfera de gases que absorvem radiação infravermelha
aumentaram em muito (este fato é associado à industrialização crescente das nações).

• Nas décadas de 1980 e 1990 os índices de aquecimento global se tornaram alarmantes.

Sistemas de Medição de Poluentes

Face à importância dada ao controle de processos seja devido à racionalização no uso de energia, aumento de
eficiência do processo, controle das emissões atmosféricas ou preservação da integridade do equipamento, o
conhecimento qualitativo e quantitativo das espécies químicas existentes nas correntes de um dado processo
torna-se cada vez mais importante, sobretudo em equipamentos de grande porte.

No caso do processo de combustão industrial, a análise da composição das espécies químicas presentes nos
produtos de combustão, permite avaliar o processo e equipamentos no que se refere à eficiência na conversão do
combustível e às emissões atmosféricas.
A análise de gases de combustão pode ser feita de maneira contínua, utilizando analisadores em linha ou de
forma descontínua utilizando-se analisadores por amostragem.

Os analisadores, sejam eles contínuos ou descontínuos, utilizam como princípio de detecção e medição
propriedades físicas e químicas das substâncias, sendo mais ou menos seletivos para cada tipo de gás.

Princípio de detecção Compostos comumente analisados absorção de radiação infravermelha CO2, CO, CH4,
SO2, NO, C2H6 absorção de radiação ultra violeta NO2, SO2 condutibilidade térmica CO2, O2, SO2, H2, N2
suscetibilidade magnética O2 quimioluminescência NO, NO2 eletroquímico CO, O2, SO2, NO, NO2 ionização de
chama CnHn absorção química (análise descontínua) CO2, O2, CO

Os sistemas de análise da composição de gases podem ser compostos de dispositivo de amostragem (sondas),
dispositivos para condicionamento do gás e analisador e são classificados em dois grupos denominados de
sistema extrativo e sistema “in situ”.

Sistema extrativo com diluição:

No sistema extrativo de análise com diluição, uma amostra de gás é extraída continuamente do fluxo de gás e é
diluída com ar antes de ser enviada para os analisadores.

A vantagem em utilizar-se sistemas extrativos com diluição reside no fato de que a diluição condiciona a amostra
às necessidades do analisador quanto a temperatura, concentração de material particulado e ponto de orvalho,
adequa a concentração para a faixa do analisador disponível, aumenta a vida útil das células eletroquímicas
utilizadas, etc.

Análise Orsat

Este método consiste em coletar uma amostra de gás dos produtos da combustão (gases de exaustão) e passar
esta amostra através de soluções para absorver;

• Dióxido de carbono;

Soluções Químicas:

Absorção de Dióxido de Carbono: 1 parte de hidróxido de potássio e 2 partes de água destilada. Tem capacidade
de absorver 20 vezes o seu volume.
Absorção de Oxigênio: 5 gramas de ácido pirogálico em pó e 100 cm3 de hidróxido de potássio. Absorve 2 vezes
o seu volume.

Absorção de Monóxido de Carbono: 25 gramas de óxido de cobre; 500 cm3 de ácido hidroclórico comercial e
aproximadamente 200 gr. de fio de cobre.

Sistema extrativo sem diluição:

O sistema de análise extrativa sem diluição extrai continuamente a amostra de gás do ponto de amostragem
passando-a por dispositivos como bombas, válvulas, filtros, chillers, etc, cuja finalidade é captar, transportar e
condicionar a amostra no que se refere a temperatura, umidade, concentração de material particulado, etc., às
condições que o analisador exige.

Este tipo de sistema apresenta em relação ao anterior, a vantagem de as concentrações dos compostos que se
quer determinar serem mais elevadas exigindo menor sensibilidade dos analisadores. No entanto, sistemas como
estes em geral apresentam-se mais complexos, exigindo manutenção freqüente, sobretudo nos aspectos relativos
à estanqueidade, corrosão de partes metálicas e obtenção de tempos de respostas adequados.
Sistemas de análise “in situ”:

Estes sistemas utilizam analisadores nos quais o sensor é colocado diretamente em contato com o fluxo gasoso,
não necessitando de condicionamento da amostra antes da análise. Estes analisadores podem ser passagem ou
pontual.

Analisadores de passagem: o sensor é colocado diretamente no fluxo de gás e medem ao longo de uma seção
transversal de um duto ou de uma chaminé. O opacímetro é um exemplo típico desta família de analisadores,
onde o feixe de luz atravessa o fluxo de gás e a interação da luz com as partículas existentes no gás é usada para
determinar a opacidade do fluxo.

Os analisadores de passagem podem ser divididos em simples passagem ou dupla passagem.

• simples passagem, o feixe de radiação atravessa o fluxo de gás encontrando o detetor que está localizado no
lado oposto ao emissor do feixe.

• dupla passagem, o feixe de radiação é refletido por um espelho localizado no lado oposto ao emissor e então
detectado.

Analisadores pontuais: o sensor é instalado na extremidade de uma pequena sonda, que retira o gás do ponto de
amostragem e este passa pelo sensor sem ser condicionado. A distância entre o sensor e o ponto de medição não
ultrapassa poucos centímetros.

Analisadores por absorção de radiação Infravermelha:

Os analisadores de absorção de radiação na faixa do infravermelho foram desenvolvidos para monitorar


moléculas heteroatômicas ou seja, moléculas que possuam mais de um elemento químico em sua constituição.

Os analisadores por absorção de radiação infravermelha são amplamente utilizados dada a sua simplicidade e ao
fato de permitirem determinar qualitativa e quantitativamente, a presença de um componente em uma mistura
gasosa de dois ou mais componentes, sendo portanto seletivos e específicos em relação ao componente a ser
determinado.

Bandas de absorção de radiação infravermelha para alguns gases de combustão

Observa-se na tabela que alguns gases possuem bandas de absorção sobrepostas. Esta sobreposição pode
interferir na determinação do componente desejado quando, na amostra a ser analisada há outros gases com
bandas de absorção que se sobrepõem a ele.

O conhecimento qualitativo do gás que será amostrado é fundamental na especificação do analisador, uma vez
que é a partir deste conhecimento que o fabricante poderá projetar adequadamente dispositivos que eliminam a
interferência devido a outros gases presentes na amostra.

Analisadores por absorção de radiação ultravioleta (UV):

A absorção da radiação UV por uma substância provoca a excitação dos elétrons de baixa energia e elétrons
desemparelhados de radicais livres.

As absorções de radiações UV por uma substância ocorrem em níveis eletrônicos e não moleculares como no
caso da absorção de radiação na faixa do infravermelho.

(Parte 3 de 4)

Comparando-se os espectros de absorção no UV de algumas substâncias, com os espectros de absorção no


infravermelho, verifica-se que;

• Os analisadores por infravermelho são muito mais seletivos que os por UV,

• Porém, a sensibilidade dos UV é da ordem de 10 vezes maior que a dos detetores por infravermelho.
A taxa de absorção de radiação UV pela amostra segue a Lei de Lambert-Beér.

E2.Energia do feixe de radiação após atravessar a amostra E1. Energia do feixe de radiação antes de atravessar
a amostra

K1 Coeficiente de absorção; função da amostra e da radiação incidente L Distância percorrida pelo feixe de
radiação na amostra c Concentração

Os elementos básicos de um analisador UV são: fonte, célula de análise, filtros óticos, detetor e indicador.

A determinação da concentração é feita medindo-se a energia que incide no detetor após o feixe de radiação
atravessar a amostra. O filtro permite a seleção do comprimento de onda no qual a substância a ser analisada
absorva o máximo de radiação e as outras substâncias presentes nada absorvam.

Nos analisadores UV a fonte exerce um papel fundamental, pois além de gerar o feixe de radiação também tem
função seletiva, na medida em que cada uma proporciona um espectro de emissão particular.

As fontes de UV são lâmpadas divididas em 2 categorias: as de espectro largo (lâmpada de tungstênio) e as de


linhas espectrais (lâmpada de vapor de mercúrio).

Feixe simples

Feixe duplo

Método Quimioluminescente:

Luminescência é o fenômeno caracterizado pela emissão de luz de uma molécula que estava no seu estado
excitado. Existem três tipos de luminescência que são utilizadas em análise de gases quais sejam: a
fotoluminescência normalmente conhecida como fluorescência, a quimioluminescência e a fotometria de chama.
A quimioluminescência é amplamente utilizada para determinar a concentração dos óxidos de nitrogênio nos
gases de combustão.

Este princípio aplicado à determinação do óxido de nitrogênio (NO) é baseado na reação do (NO) com o ozônio
(O3) produzindo dióxido de nitrogênio (NO2) e oxigênio (O2). Uma parcela das moléculas de NO2 produzidas
está, inicialmente no estado eletronicamente excitado (NO2). Estas moléculas são imediatamente revertidas ao
estado fundamental emitindo fótons. Esta emissão é detectada por um fotodetetor, cuja intensidade é diretamente
proporcional a concentração de NO na amostra.

O método de quimioluminescência possui grande sensibilidade para a determinação de NOx porém, apresenta
alguns problemas quanto à interferência de outros componentes na amostra.

Método Paramagnético:

Este método é amplamente utilizado para medir a concentração de oxigênio em fluxos gasosos podendo ser
utilizado somente em sistemas de amostragem extrativos. Ele usa uma propriedade específica do oxigênio que é
sua alta suscetibilidade a um campo magnético. Esta alta suscetibilidade magnética do oxigênio faz com que ele
seja fortemente atraído por um campo magnético quando exposto ao mesmo. Entende-se por suscetibilidade
magnética a capacidade de magnetização que uma substância apresenta sob o efeito de um campo magnético
indutor.

(Parte 4 de 4)