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Legislação de Trânsito

Sistema Nacional de Trânsito

Professor Leandro Macedo

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Legislação deMatéria
Trânsito
Aula XX

SISTEMA NACIONAL DE TRÂNSITO

Conheceremos a seguir os órgãos e entidades responsáveis por planejar, projetar e implementar


o exercício do trânsito seguro em nosso país, ou seja, aqueles que compõem o Sistema Nacional
de Trânsito. Além disso, estudaremos aspectos da identificação veicular.

SNT: Conceito

O CTB nos oferta de forma gratuita a elucidação deste tema, pois em seu artigo 5º podemos
extrair esta informação.
Sendo assim, podemos visualizar o SNT como um conjunto de órgãos e entidades da União, dos
Estados, do Distrito Federal e dos Municípios que tem por finalidade o exercício das atividades
de planejamento, administração, normatização, pesquisa, registro e licenciamento de veículos,
formação, habilitação e reciclagem de condutores, educação, engenharia, operação do
sistema viário, policiamento, fiscalização, julgamento de infrações e de recursos e aplicação de
penalidades.
Cabe observar que este complexo de atividades desempenhadas, em conjunto ou
separadamente, pelos órgãos e entidades de trânsito do nosso país terão como prioridade a
defesa da vida, nela incluída a saúde e o meio ambiente.
Esta superestrutura denominada SNT é uma superposição de órgãos e entidades a uma
Administração já existente. Aproveitou-se uma série de órgãos e entidades, subordinados e
vinculados a secretarias e ministérios, e atribuiu-se a eles por meio do CTB outras missões, a
fim de acabar com a excessiva mortandade nas vias do território nacional.
A fim de explicar o que foi exposto acima, vejamos a PRF, órgão permanente na estrutura do
Ministério da Justiça, que recebeu do CTB atribuições na área de trânsito. Além disso, cabe
observar que o CTB nos informa que a PRF deverá observar as diretrizes elaboradas para o SNT,
uma vez que integra este.
É certo que dentro desta estrutura existem órgãos e entidades que foram criados exclusivamente
para fazer o SNT funcionar, como o CONTRAN e o DENATRAN, por exemplo.
Por fim, a distribuição de competências dos órgãos e entidades que compõem o Sistema
Nacional de Trânsito observa a seguinte lógica: os assuntos de interesse nacional ficaram a
cargo dos órgãos e entidades da União; os assuntos de interesse regional ficaram com os órgãos
e entidades estaduais e distritais, e os assuntos de interesse local, como ciclistas, carroça e
charrete, ficaram nas atribuições dos órgãos municipais.

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Objetivos básicos do SNT

Vamos imaginar uma estrutura qualquer: uma entidade qualquer ou uma empresa qualquer.
Com isso, saiba que toda estrutura a ser montada, por menos complexa que seja, deve ter
delineado o caminho a ser seguido para que consiga operar na plenitude de suas funções.
Diante do exposto, o legislador previu uma série de metas a serem alcançadas pelo SNT, a fim
de fazê-lo funcionar com uma maior capacidade de atender ao interesse público.
Note que as metas ou objetivos básicos, como chamou o legislador, são as diretrizes, os
parâmetros que o administrador público seguirá no desempenho da função pública a fim de
garantir o exercício do trânsito seguro.
Vejamos, então, cada uma dessas metas:

Padronização
Num país extenso como o nosso, existe a necessidade de uniformização dos procedimentos
para que tenhamos órgãos de todas as regiões trabalhando da mesma forma, respeitadas
evidentemente as peculiaridades regionais.
Dessa forma, o CTB prevê a padronização tanto dos critérios técnicos e financeiros, quanto dos
administrativos. Devendo, é claro, o melhor modelo ser copiado pelos demais.
Olhando para o CTB, podemos visualizar dois mecanismos utilizados para que se alcance uma
efetiva padronização, a saber:
a) O primeiro mecanismo trazido pelo CTB são suas regulamentações, que possuem uma
abrangência nacional, como as resoluções do CONTRAN – Conselho Nacional de Trânsito.
Essas normas do CONTRAN devem ser cumpridas por todos os órgãos e entidades do SNT,
entendemos que é a forma mais rápida e fácil (atos infralegais) de se atingir a padronização
no SNT.
b) O segundo mecanismo de padronização seria um fluxo permanente de informações entre
os órgãos.

Fluxo permanente de informações


Como visto acima, para que a padronização dos critérios técnicos, financeiros e administrativos
efetivamente ocorra, ainda que existam diversos entraves geográficos em nosso país, é
necessário que haja um fluxo permanente de informações entre esses órgãos e entidades que
compõem o Sistema Nacional de Trânsito, assim como o compartilhamento de seus bancos de
dados.
Para que o SNT funcione faz-se necessário um fluxo permanente de informações entre seus
órgãos, pois as atribuições desses órgãos se complementam. Uma comparação adequada seria
o SNT está para um relógio assim como seus órgãos estão para suas engrenagens.

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Atualmente temos uma série de bancos de dados que são compartilhados entre os órgãos do
SNT, como RENAINF, RENAEST, RENACH e RENAVAM. Tudo isso, a fim de padronizar o SNT e
estabelecer um fluxo permanente de informações entre eles.

Política Nacional de Trânsito – PNT


Além da necessidade de padronizar o funcionamento do SNT e de se estabelecer um fluxo
permanente de informações, existe a necessidade de se atacar diretamente o caos maior em
que vive o trânsito do país, por meio de uma PNT.
Sob uma ótica histórica, a elaboração do CTB surgiu da necessidade de diminuir o número de
vidas que se perdiam a cada dia no trânsito.
Diante do exposto fica fácil perceber que o objetivo maior almejado pelo legislador é a
diminuição dos gastos sociais com trânsito em decorrência do elevado índice de acidentes.
O elevado índice de acidente faz com que tenhamos uma enxurrada de pensões por morte,
por invalidez, e despesas médico- hospitalares. Imagine o quanto isso pode ser dispendioso
quando consideramos a participação, significante, da população economicamente ativa em
acidentes de trânsito.
Agora você deve estar se perguntado: Mas o que seria essa tal de PNT?
A implementação de uma PNT segue a seguinte sistemática: em primeiro lugar, o presidente
eleito expõe a sua política de governo e constitui seus ministérios, para auxiliá-lo em sua
missão. Em um segundo momento, esse mesmo presidente escolhe um ministério para ser o
coordenador máximo do SNT, que hoje é o Ministério das Cidades. Em um terceiro momento,
o ministro das cidades vai designar os membros do CONTRAN, que serão responsáveis por
elaborar as normas a serem aplicadas por todos os outros órgãos na área de trânsito. Note
que o CONTRAN apenas tem a missão de adequar as diretrizes na área de trânsito aquilo que é
desejável pelo Presidente da República.
E o conceito de PNT?
A PNT é uma vertente da política de governo a ser implementada na área de trânsito. Aquilo que
o Presidente da República entende ser conveniente nesse aspecto para que sejam alcançados
seus objetivos, legalmente instituídos: a segurança viária, a fluidez, o conforto, a educação para
o trânsito e a proteção ao meio ambiente, que passaremos a estudar separadamente.
O que representa o estudo da segurança viária, a fluidez, o conforto, a educação para o trânsito
e a proteção ao meio ambiente?
A importância do estudo de cada um desses tópicos, se dá, na verdade, pelo fato de serem
os valores maiores encontrados pelo legislador na elaboração dos dispositivos do CTB. Com
eles torna-se possível falar de um Direito de Trânsito, pois se trata dos princípios expressos da
legislação de trânsito.
Vamos então analisá-los:

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Princípio da segurança viária
A segurança viária está presente em quase todos os dispositivos do CTB, ora de forma direta,
ora de forma indireta. É o princípio fundamental do direito de trânsito, pois é ele que está
mais diretamente ligado ao principal objetivo dessa nova legislação, que seria diminuir o índice
de acidentes, tornar o trânsito seguro e dar outro destino ao dinheiro público que não sejam
gastos com acidentados e indenizações.
Sendo assim, podemos ilustrar algumas de suas aplicações dentro do Código de Trânsito
Brasileiro.
“Art. 1º, § 2º O trânsito, em condições seguras, é um direito de todos e dever dos órgãos e
entidades componentes do Sistema Nacional de Trânsito, a estes cabendo, no âmbito das
respectivas competências, adotar as medidas destinadas a assegurar esse direito.
[...]
Art. 26. Os usuários das vias terrestres devem:
I – abster-se de todo ato que possa constituir perigo ou obstáculo para o trânsito de veículos,
de pessoas ou de animais, ou ainda causa danos a propriedades públicas ou privadas;
II – abster-se de obstruir o trânsito ou torná-lo perigoso, atirando, depositando ou
abandonando na via objetos ou substâncias, ou nela criando qualquer outro obstáculo”.

Princípio da fluidez do trânsito


A fluidez do trânsito é o segundo princípio mais encontrado nos dispositivos do CTB. Não
basta que tenhamos um trânsito seguro, este também deve ter fluidez, a fim de que possamos
cumprir nossos compromissos e que a vida econômica do país transcorra entre pessoas não
estressadas.
Cabe ressaltar que embora a fluidez seja um direito a ser garantido pelo Estado, não poderia
um cidadão reclamar indenização a ser paga pelo Estado em virtude de chegar atrasado no
trabalho e ser demitido. Os danos causados pelo Estado passíveis de indenização devem ser
anormal e específico, ou seja, devem este dano ser causado a um membro da coletividade em
especial. Não haveria o menor sentido o Estado indenizar toda a sociedade. Lembre-se que a
vida em sociedade nos impõe a divisão igualitária do ônus e do bônus.
A aplicação máxima deste princípio está no capítulo das normas de circulação e conduta. Este
capítulo nos informa que:
•• Devemos nos abster de obstruir o trânsito atirando objetos os substâncias nas vias.
•• Em outro momento dispõe que devemos nos abster de todo ato que possa constituir
obstáculo para o trânsito de veículos, de pessoas ou animais, dentre muitos outros
dispositivos.
Veja alguns dispositivos a seguir:
“Art. 30. Todo condutor, ao perceber que outro que o segue tem o propósito de ultrapassá-
lo, deverá:

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I – se estiver circulando pela faixa da esquerda, deslocar-se para a faixa da direita, sem
acelerar a marcha;
II – se estiver circulando pelas demais faixas, manter-se naquela na qual está circulando,
sem acelerar a marcha;
Parágrafo único. Os veículos mais lentos, quando em fila, deverão manter distância
suficiente entre si para permitir que veículos que os ultrapassem possam se intercalar na
fila com segurança”.
“Art. 43. Ao regular a velocidade, o condutor deverá observar constantemente as condições
físicas da via, do veículo e da carga, as condições meteorológicas e a intensidade do trânsito,
obedecendo aos limites máximos de velocidade estabelecidos para via, além de:
I – não obstruir a marcha normal dos demais veículos em circulação sem causa justificada,
transitando a uma velocidade anormalmente reduzida.
[...]
Art. 62. A velocidade mínima não poderá ser inferior à metade da velocidade máxima
estabelecida, respeitadas as condições operacionais de trânsito e da via”.

Princípio do conforto no trânsito


O significado da palavra conforto, segundo Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, é “ato ou
efeito de conforta-se, estado de quem é confortado, consolo, alívio”.
Para nós, conforto no trânsito não está relacionado com os atributos do veículo, e sim com as
exigências que todos os veículos devem preencher para que o trânsito seja agradável e seguro
para o usuário dos veículos e para os demais usuários da via, ou seja, está relacionado com uma
condução sem transtornos indesejáveis.
De outra forma, a ideia de conforto está intimamente ligada a ideia de segurança, pois dirigir de
forma confortável é dirigir sem medo, com segurança.
Como normas relacionadas ao Princípio do conforto no trânsito, podemos citar algumas dentre
as inúmeras existentes no CTB.
Vejamos então:
“Art. 27. Antes de colocar o veículo em circulação nas vias públicas, o condutor deverá
verificar a existência e as boas condições de funcionamento dos equipamentos de uso
obrigatório, bem como assegurar-se da existência de combustível suficiente para chegar ao
local de destino.
[...]
Art. 41. O condutor de veículo só poderá fazer uso de buzina, desde que em toque breve,
nas seguintes situações:
I – para fazer as advertências necessárias a fim de evitar acidentes;

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II – fora das áreas urbanas, quando for conveniente advertir a um condutor que se tem o
propósito de ultrapassá-lo”.

Princípio da defesa ambiental


A defesa ambiental surge como princípio em muitas outras legislações, a fim de que tenhamos
um desenvolvimento do setor automobilístico não agressivo à saúde, à vida, à natureza e, por
fim, ao meio ambiente.
O Princípio da defesa ambiental está entre as prioridades do Sistema Nacional de Trânsito,
juntamente com a defesa da vida e da saúde.
Ao estudarmos as competências do órgão e entidades que compõem o Sistema Nacional de
Trânsito, vamos verificar que está expresso que os órgãos executivos e executivos rodoviários,
assim como a PRF (Polícia Rodoviária Federal), devem fiscalizar os índices de poluentes e ruídos
do veículo em trânsito no território nacional.
Não poluir mais do que o aceitável apresenta-se também como requisito para que o veículo
possa ser licenciado, ou seja, para que transite na via pública durante um ano.
Vejamos agora um dos dispositivos que descreve o que mencionamos anteriormente:
“Art. 1º O trânsito de qualquer natureza nas vias terrestres do território nacional, abertas à
circulação, rege-se por este Código.
[...]
§ 5º Os órgãos e entidades de trânsito pertencentes ao Sistema Nacional de Trânsito darão
prioridade em suas ações à defesa da vida, nela incluída a preservação da saúde e do meio
ambiente”.

Princípio da educação para o trânsito


A educação para o trânsito ganhou tanta importância no CTB que, além de ser reproduzida em
muitos dispositivos, ganhou capítulo próprio.
O Princípio da educação para o trânsito é de implementação mais dificultosa, se comparado
com os demais. Uma educação efetiva deve ser continuada, passando pela pré-escola até o
ensino superior, e, além disso, massificada por meio de campanhas.
Com isso, para que ela atingisse seu nível máximo, deveria ser implementada por vários
governos de forma continuada, porém, como a Política Nacional de Trânsito é variável, ou
seja, está intimamente relacionada ao princípio da temporariedade do mandato, dificilmente
ocorrerá a aplicação plena de um projeto iniciado em governo anterior.
Outra vertente da educação para o trânsito trata da participação do cidadão na resolução de
problemas relacionados com o trânsito.
Diante do exposto fica fácil perceber que a educação para o trânsito tem como fundamento
a informação e a participação da população na resolução de problemas, a qual deve estar
consciente do seu papel como protagonista no trânsito.

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Vejamos alguns dispositivos referentes ao tema:


“Art. 74. A educação para o trânsito é direito de todos e constitui dever prioritário para os
componentes do Sistema Nacional de Trânsito.
§ 1º É obrigatória a existência de coordenação educacional em cada órgão ou entidade
componente do Sistema Nacional de Trânsito.
§ 2º Os órgãos ou entidades executivos de trânsito deverão promover, dentro de sua
estrutura organizacional ou mediante convênio, o funcionamento de Escolas Públicas de
Trânsito, nos moldes e padrões estabelecidos pelo CONTRAN.
Art. 75. O CONTRAN estabelecerá, anualmente, os temas e os cronogramas das campanhas
de âmbito nacional que deverão ser promovidas por todos os órgãos ou entidades do
Sistema Nacional de Trânsito, em especial nos períodos referentes às férias escolares,
feriados prolongados e à Semana Nacional de Trânsito.
§ 1º Os órgãos ou entidades do Sistema Nacional de Trânsito deverão promover outras
campanhas no âmbito de sua circunscrição e de acordo com as peculiaridades locais.
§ 2º As campanhas de que trata este artigo são de caráter permanente, e os serviços de
rádio e difusão sonora de sons e imagens explorados pelo poder público são obrigados a
difundi-las gratuitamente, com a frequência recomendada pelos órgãos competentes do
Sistema Nacional de Trânsito.
Art. 76. A educação para o trânsito será promovida na pré-escola e nas escolas de 1º, 2º e
3º graus, por meio de planejamento e ações coordenadas entre os órgãos e entidades do
Sistema Nacional de Trânsito e de Educação, da União, dos Estados, do Distrito Federal e
dos Municípios, nas respectivas áreas de atuação.
Parágrafo único. Para a finalidade prevista neste artigo, o Ministério da Educação e do
Desporto, mediante proposta do CONTRAN e do Conselho de Reitores das Universidades
Brasileiras, diretamente ou mediante convênio, promoverá:
I – a adoção, em todos os níveis de ensino, de um currículo interdisciplinar com conteúdo
programático sobre segurança de trânsito;
II – a adoção de conteúdos relativos à educação para o trânsito nas escolas de formação
para o magistério e o treinamento de professores e multiplicadores;
III – a criação de corpos técnicos interprofissionais para levantamento e análise de dados
estatísticos relativos ao trânsito;
IV – a elaboração de planos de redução de acidentes de trânsito junto aos núcleos
interdisciplinares universitários de trânsito, com vistas à integração universidades-
sociedade na área de trânsito.”

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Composição do SNT

O Sistema Nacional de Trânsito é composto por um conjunto de órgãos e entidades que tem
como atribuição operacionalizar o trânsito do país em todas as suas vertentes.
Veja um organograma com a fragmentação do SNT:

Sistema Nacional de Trânsito


ÓRGÃOS/
UNIÃO ESTADOS/DF MUNICÍPIOS
ENTIDADES
DENATRAN Órgão Executivo de
Órgãos Executivos DETRAN
(órgão máximo) Trânsito Municipal
de Trânsito Art. 22 CTB
Art. 19 CTB Art. 24 CTB
Órgãos Normativos
CONTRAN CETRAN CONTRANDIFE
Coordenadores e
Art.12 CTB Art.14 CTB
Consultivos
Órgão Rodoviário
Órgãos Executivos DNIT DER/DAER
Municipal
Rodoviários Art. 21 CTB Art. 21 CTB
Art. 21 CTB
Polícia Rodoviária DPRF Superintendência PRF Delegacia PRF
Federal Art. 20 CTB Art. 20 CTB Art. 20 CTB
Comando Geral Batalhões
Policia Militar
Art. 23 CTB Art. 23 CTB
JARI JARI JARI JARI

Atribuições do CONTRAN

Dentre os órgãos que compõem o SNT, este é o que tem maior importância, pois expede atos
administrativos normativos que vinculam todos os demais órgãos de trânsito em sua atuação.
Com isso vamos conceituá-lo: ele é o coordenador do SNT, além de ser o órgão máximo
normativo e consultivo.
Em sua composição, que detalharemos adiante, encontramos nove representantes de
Ministérios, representante da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e o diretor do
DENATRAN, que o preside.
O CONTRAN, embora integrante da estrutura do Poder Executivo, tem como funções principais
a normativa e a jurisdicional. É ele quem normatiza as disposições do CTB, por meio de suas
resoluções. Este colegiado também julga o segundo recurso de infrações de trânsito quando
ocorre a imposição da penalidade de multa, de natureza gravíssima, aplicada pela PRF ou pelo
DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes).

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Diferentemente do DENATRAN, que tem seu Regimento interno elaborado pelo Ministério das
Cidades em decorrência da relação de subordinação entre esses órgãos, é o CONTRAN que
elabora seu próprio Regimento interno, em decorrência de sua independência funcional.
Dentre as principais atribuições do CONTRAN, podemos destacar a de dirimir conflitos de
competência ou circunscrição no âmbito da União, dos Estados e do Distrito Federal.
A fim de exemplificar o exposto, vamos imaginar um conflito negativo de competência no qual
o Estado “A” alegue que certo trecho de uma via é de responsabilidade do Estado “B”, e o
Estado “B” não concorde.
Será que a via ficará abandonada, sem sinalização, fiscalização e manutenção? Claro que não!
Aí surge a figura do CONTRAN para resolver esse conflito. Imagine agora que ambos os Estados
estivessem interessados em um mesmo trecho (conflito positivo) por uma razão qualquer,
situação em que o CONTRAN também apareceria para dizer qual Estado tem circunscrição
sobre a via.
Por fim, devemos ressaltar que além das atribuições do CONTRAN, expressas no art. 12 do CTB,
existem muitas outras espalhadas pelo CTB, como em seus arts. 75, 76, 77, 78, 80, § 2º, 97, 99,
100, parágrafo único, 103, 104, 105, § 1º e outros.
Veja abaixo a redação do art. 12 do CTB:
“Art. 12. Compete ao CONTRAN:
I – estabelecer as normas regulamentares referidas neste Código e as diretrizes da Política
Nacional de Trânsito;
II – coordenar os órgãos do Sistema Nacional de Trânsito, objetivando a integração de suas
atividades;
III – (VETADO)
IV – criar Câmaras Temáticas;
V – estabelecer seu regimento interno e as diretrizes para o funcionamento dos CETRAN e
CONTRANDIFE;
VII – zelar pela uniformidade e cumprimento das normas contidas neste Código e nas
resoluções complementares;
VIII – estabelecer e normatizar os procedimentos para a imposição, a arrecadação e a
compensação das multas por infrações cometidas em unidade da Federação diferente da
do licenciamento do veículo;
IX – responder às consultas que lhe forem formuladas, relativas à aplicação da legislação de
trânsito;
X – normatizar os procedimentos sobre a aprendizagem, habilitação, expedição de
documentos de condutores, e registro e licenciamento de veículos;
XI – aprovar, complementar ou alterar os dispositivos de sinalização e os dispositivos e
equipamentos de trânsito;

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XII – apreciar os recursos interpostos contra as decisões das instâncias inferiores, na forma
deste Código;
XIII – avocar, para análise e soluções, processos sobre conflitos de competência ou
circunscrição, ou, quando necessário, unificar as decisões administrativas; e
XIV – dirimir conflitos sobre circunscrição e competência de trânsito no âmbito da União,
dos Estados e do Distrito Federal”.

Diretrizes estabelecidas pelo CONTRAN


Antes de iniciarmos o estudo deste item, vamos para aquela pergunta que você deve estar se
fazendo:
O que significa “diretriz”?
São atos administrativos normativos que traçam o caminho a ser seguidos pelos demais órgãos
de trânsito. Trata-se de um mínimo comum que cada órgão deve observar, a fim de que haja
uma padronização das atividades de trânsito.
Então, ficamos assim: as diretrizes estabelecidas pelo CONTRAN são atos administrativos
normativos de observância obrigatória por seus destinatários, objeto de fiscalização do
DENATRAN, quanto ao seu fiel cumprimento.
Veja abaixo o art. 12, incs. I, V, VI, do CTB, que faz menção a esses destinatários, e o art. 19, inc.
I, do CTB, que nos diz que são de observância obrigatória.
Observe também as diretrizes estabelecidas pelo CONTRAN:
“Art 12, I – estabelecer as normas regulamentares referidas neste Código e as diretrizes da
Política Nacional de Trânsito;
[...]
Art 12, V – estabelecer seu regimento interno e as diretrizes para o funcionamento dos
CETRAN e CONTRANDIFE;
Art 12, VI – estabelecer as diretrizes do regimento das JARI;
[...]
Art. 19, I – (Competência do DENATRAN) no CTB: cumprir e fazer cumprir a legislação de
trânsito e a execução das normas e diretrizes estabelecidas pelo CONTRAN, no âmbito de
suas atribuições.”

Composição do CONTRAN
Como ocorre a nomeação dos integrantes desse colegiado?
O CONTRAN é um órgão de composição eminentemente política. Os seus membros são
designados pelo Ministério das Cidades, após indicação do respectivo ministério. Estas
nomeações, que tem como critério a confiança, têm como finalidade a regulamentação das

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diretrizes a serem seguidas no trânsito do país durante o mandato de determinado Presidente


da República.
Cabe ressaltar que não existe nenhum requisito de natureza técnica, previsto no CTB, para que
se faça parte deste Conselho. Em virtude disso, é facultado a este órgão criar câmaras temáticas
para subsidiá-lo na elaboração de suas resoluções.
A composição do CONTRAN encontra-se regulamentada no art. 10 do CTB, que teve
recentemente a inclusão de um representante do Ministério da Justiça, pela Lei 12.865/2013,
a saber:
“Art. 10. O Conselho Nacional de Trânsito (Contran), com sede no Distrito Federal e
presidido pelo dirigente do órgão máximo executivo de trânsito da União, tem a seguinte
composição: (Redação dada pela Lei nº 12.865, de 2013)
III – um representante do Ministério da Ciência e Tecnologia;
IV – um representante do Ministério da Educação e do Desporto;
V – um representante do Ministério do Exército;
VI – um representante do Ministério do Meio Ambiente e da Amazônia Legal;
VII – um representante do Ministério dos Transportes;
XX – um representante do ministério ou órgão coordenador máximo do Sistema Nacional
de Trânsito;
XXII – um representante do Ministério da Saúde. (Incluído pela Lei nº 9.602, de 1998)
XXIII – 1 (um) representante do Ministério da Justiça. (Incluído pela Lei nº 11.705, de 2008)
XXIV – 1 (um) representante do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio
Exterior; (Incluído pela Lei nº 12.865, de 2013)
XXV – 1 (um) representante da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). (Incluído
pela Lei nº 12.865, de 2013)”

Outras atribuições do CONTRAN


As competências do CONTRAN estão elencadas em maior número no art. 12 do CTB, mas não
apenas neste artigo.
Podemos encontrar outras atribuições deste colegiado espalhadas pelo código e que têm sido
objeto de questões de prova, as quais merecem comentários.
Vejamos algumas delas:
a) Compete ao DENATRAN instruir os recursos interpostos das decisões do CONTRAN
ao Ministro ou ao dirigente Coordenador máximo do Sistema Nacional de Trânsito
(Ministério das Cidades), conforme o art. 19, inc. XXVII, do CTB – cabe aqui ressaltar que
o dispositivo não se refere a recursos de infrações, pois a regulamentação destes está
expressa no art. 290 do CTB, e nos informa que, em se tratando de recurso de multa, a
instância administrativa se encerra no CONTRAN.

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Sobre que recurso o legislador estaria se referindo, então?
Os recursos a que o legislador estaria se referindo seriam aqueles que em qualquer outro caso
estivesse presente uma decisão do CONTRAN, como, por exemplo, nos processos de conflito de
competência ou em caso de recusa de autorizar sinalização em caráter experimental.
Finalmente, embora o dispositivo não esteja presente no Regimento Interno do CONTRAN,
podemos encontrá-lo no Regimento interno do DENATRAN.
b) Compete ao DENATRAN prestar suporte técnico, jurídico, administrativo e financeiro ao
CONTRAN, conforme o art. 19, inc. XXIX, do CTB.
c) O CONTRAN estabelecerá anualmente os temas e os cronogramas das campanhas de
âmbito nacional que deverão ser promovidas por todos os órgãos ou entidades do Sistema
Nacional de Trânsito, em especial nos períodos referentes às férias escolares, feriados
prolongados e à Semana Nacional de Trânsito, conforme o art. 75 do CTB.
d) No âmbito da educação para o trânsito, caberá ao Ministério da Saúde, mediante
proposta do CONTRAN, estabelecer campanha nacional esclarecendo condutas a serem
seguidas nos primeiros socorros, em caso de acidente de trânsito, conforme o art. 77 do
CTB.
e) O CONTRAN poderá autorizar, em caráter experimental e por período prefixado, a
utilização de sinalização não prevista neste Código (CTB), conforme o art. 80, § 2º, do
CTB. Podemos citar, como exemplo, as faixas exclusivas para motocicleta no Estado de São
Paulo, autorizadas em caráter experimental pelo CONTRAN.
f) É proibida a utilização das ondulações transversais e de sonorizadores como redutores
de velocidade, salvo em casos especiais definidos por órgão ou entidade competente, nos
padrões e critérios estabelecidos pelo CONTRAN, conforme o art. 94, parágrafo único, do
CTB. O assunto já foi regulamentado pelo CONTRAN, em sua Resolução 39/1998 (alterada
pela Resolução 336/2009).
g) As características dos veículos, especificações básicas, configuração e condições
essenciais para registro, licenciamento e circulação serão estabelecidos pelo CONTRAN,
em função de suas aplicações, conforme o art. 97 do CTB.
h) Somente poderá transitar pelas vias terrestres o veículo cujo peso e dimensões
atenderem aos limites estabelecidos pelo CONTRAN, conforme o art. 99 do CTB. O assunto
foi regulamentado em diversas resoluções e, de maneira mais abrangente, na Resolução
210/2006.

Atribuições do DENATRAN – Departamento Nacional de Trânsito

Como poderíamos conceituar este órgão?


É o órgão máximo executivo de trânsito da União, subordinado ao Ministério das Cidades, mais
especificamente à sua Secretaria Executiva.
Suas atribuições são quase que exclusivamente executivas (administrativas).

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Há um rol extenso e variado de competências expressas no CTB para este órgão.


Muito cuidado com a leitura dos dispositivos do CTB, por exemplo, no art. 19, inc. I, temos
expresso que compete ao DENATRAN cumprir e fazer cumprir a legislação e as normas de
trânsito.
Qual seria a amplitude deste dispositivo?
Ele nos dá a ideia equivocada de que existe atividade de fiscalização de trânsito executada pelo
DENATRAN. Isto é completamente incompatível com sua composição, uma vez que seu diretor
não poderia ser uma autoridade de trânsito, pois preside um órgão recursal, que é o CONTRAN.
Não teria o menor sentido o diretor do DENATRAN aplicar uma penalidade, como a de multa,
por exemplo e, em momento diverso, apreciá-la em grau de recurso, na condição de presidente
do CONTRAN.
Mas o que significaria, então, “fazer cumprir a legislação de trânsito”?
Ele tem a atribuição de fazer os demais órgãos de trânsito cumprir a Legislação de Trânsito.
No art. 19, incs. VI e XVII, temos as competências expressas do DENATRAN: expedir atos
ordinatórios, por meio de suas Portarias, a fim de estabelecer procedimentos a serem
adotados. É dessa forma que o DENATRAN faz com que os demais órgãos cumpram a legislação
de trânsito.

Bancos de dados nacionais


Onde podemos encontrar a previsão legal de manutenção desses bancos de dados?
O DENATRAN organiza e mantém o RENACH (art. 19, VIII, e Resolução 19/1998), RENAVAM (art.
19, IX, e Resolução 19/1998), RENAEST (Art.19, X, e Resolução 208/2006), RENAINF (art. 19, XII,
e Resolução 155/2004), que são bancos de dados nacionais e RENAVE (Resolução 584/2016).
Vejamos cada um deles:
a) RENACH: Registro Nacional de Condutores Habilitados ou de Carteiras de Habilitação. Será
organizado e mantido pelo DENATRAN, com coordenadores em cada DETRAN, conforme
art. 19, inc. VIII.
b) RENAVAM: Registro Nacional de Veículos Automotores. Será organizado e mantido pelo
DENATRAN, com coordenadores em cada DETRAN, podendo ser um único coordenador
para o RENACH E RENAVAM, conforme Resolução do CONTRAN 19/1998 e art. 19, inc. IX,
do CTB.
c) RENAINF: Registro Nacional de Infrações de Trânsito. O RENAINF é um sistema de
gerenciamento e controle de infrações de trânsito, integrado ao sistema de Registro
Nacional de Veículos Automotores – RENAVAM – e ao Registro Nacional de Condutores
Habilitados – RENACH.
Este sistema tem por finalidade criar a base nacional de infrações de trânsito e proporcionar
condições operacionais para o registro daquelas, viabilizando o processamento dos autos de
infrações, das ocorrências e do intercâmbio de informações.

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As infrações de trânsito cometidas em unidades da Federação não referentes a licenciamento
do veículo deverão ser registradas no RENAINF para fins de arrecadação.
Os órgãos e entidades executivos de trânsito dos Estados e do Distrito Federal deverão integrar-
se ao RENAINF para fins de fornecimento dos dados de veículos e de condutores, para registro
das infrações de trânsito cometidas em unidade da Federação não referentes a licenciamento
do veículo, das suas respectivas penalidades e arrecadação, bem como da pontuação delas
decorrentes.
Os órgãos e entidades executivos de trânsito responsáveis pelo registro de veículos deverão
considerar a restrição por infração de trânsito, inclusive para fins de licenciamento ou
transferência, a partir da notificação da penalidade. Com este fluxo permanente de informações,
os infratores interestaduais estão “dando adeus” à impunidade, conforme Resolução 155/2003
e art. 19, inc. XIII.
Os órgãos autuadores repassam as informações aos DETRANs de seu estado, que, por sua
vez, repassam ao DENATRAN (RENAINF), deixando para os DETRANs de registro efetuarem a
cobrança e impedirem o licenciamento e a transferência de propriedade.
d) RENAEST: Registro Nacional de Estatísticas de Acidente de Trânsito. É o sistema de registro,
gestão e controle de dados estatísticos sobre acidentalidade no trânsito, integrado ao
sistema de Registro Nacional de Veículos Automotores – RENAVAM –, ao Registro Nacional
de Condutores Habilitados – RENACH – e ao Registro Nacional de Infrações – RENAINF.
Este sistema tem por objetivo estabelecer a metodologia de registro e análise de variáveis
relativas à segurança viária e indicadores sobre a evolução da acidentalidade, com vistas à
elaboração de estudos e pesquisas que possibilitem a tomada de decisões e a correta orientação
e aplicação de diferentes medidas e ações a serem adotadas pelos órgãos e entidades do
Sistema Nacional de Trânsito – SNT.
Os órgãos e entidades executivos de trânsito dos Municípios integrados ao Sistema Nacional
de Trânsito – SNT –, as polícias militares dos Estados e do Distrito Federal e a Polícia Rodoviária
Federal deverão integrar-se ao RENAEST, por meio do órgão ou entidade executivo de trânsito
da unidade da Federação de sua circunscrição.
Então será o DETRAN de cada estado que manterá um fluxo de informação com a base nacional,
conforme a Resolução 208/2006 e art. 19, inc. X, do CTB.
e) RENAVE: Registro Nacional de Veículos em Estoque. O RENAVE será administrado pelo
Departamento Nacional de Trânsito – DENATRAN e será composto por dados do DENATRAN,
da Secretaria da Receita Federal do Brasil e das Secretarias de Fazenda dos Estados e do
Distrito Federal, representadas pelo Conselho Nacional de Fazenda – CONFAZ, tendo por
base a Nota Fiscal Eletrônica – NFe.

Competências delegáveis
Antes de enfrentarmos o tema, gostaria que você fizesse a seguinte reflexão: qual a lógica de
termos um dispositivo no CTB determinando a delegação de certas atribuições?
Em primeiro lugar, sob a ótica da territorialidade, pelo fato de a sede do DENATRAN ser no DF,
isto obriga a delegação de certas atividades.

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Em segundo lugar, sob a ótica dos objetivos básicos do SNT, a concentração de determinadas
atividades nas mãos do DENATRAN faz com que haja uma padronização no desempenho das
mesmas.
Em terceiro lugar, sob a ótica do princípio da eficiência, esta especialização é extremamente
interessante para a Administração Pública.
Em resumo, o legislador, ao dividir as competências no CTB, trouxe algumas competências
originárias do DENATRAN, que necessariamente devem ser delegadas, a fim de que seja
cumprido um dos objetivos básicos do Sistema Nacional de Trânsito, que é a padronização.
Dessa forma, para que tivéssemos uma padronização na expedição dos documentos do veículo
(CRLV e CRV), de condutores (permissão e CNH), assim como na permissão internacional
para conduzir veículo e no certificado de passagem nas alfândegas, o legislador previu como
atribuição originária do DENATRAN, a ser desempenhada pelos DETRANs ou a entidade
habilitada para esse fim pelo poder público federal, mediante delegação. Essa última foi uma
alteração feita pela Lei nº 13.258/2016.
Vejamos alguns comentários:
a) Permissão Internacional para Dirigir (PID) – o Departamento Nacional de Trânsito
(DENATRAN) lançou, em abril de 2006, o novo modelo de Permissão Internacional para
Dirigir (PID). O modelo segue o padrão estabelecido na Convenção de Viena, firmada em
08 de novembro de 1968 e promulgada pelo Decreto 86.714, de 10 de dezembro de 1981.
A PID poderá ser utilizada em mais de cem países, porém não substitui a CNH no território
nacional.
Antes da padronização da Permissão Internacional para Dirigir, ficava a cargo dos órgãos
e entidades executivos de trânsito a elaboração e expedição da permissão. Com a PID, o
DENATRAN padroniza o modelo do documento. As informações dispostas na PID estarão
descritas em língua portuguesa e nas preconizadas na Convenção de Viena.
Para obter a permissão, o condutor deverá possuir a Carteira Nacional de Habilitação (CNH),
devendo esta estar vigente. O prazo de validade da PID, a categoria da habilitação e as restrições
médicas são os mesmos referentes à CNH e, na hipótese de ocorrer qualquer alteração no
cadastro do condutor, aquela deverá ser incluída no respectivo documento internacional de
habilitação.
A Permissão Internacional para Dirigir não será emitida para o condutor habilitado somente
com a Autorização para Conduzir Ciclomotor – ACC.
Desde abril de 2006, o novo modelo pode ser fornecido pelos órgãos e entidades executivos
de trânsito dos Estados e do Distrito Federal e, a cargo deles, ficará a responsabilidade de
determinar o valor da expedição do documento, conforme informações extraídas do site do
DENATRAN.
b) Certificado de passagem nas alfândegas – vimos acima que se trata de uma competência
originária do DENATRAN, passada aos DETRANs por delegação; porém, não foi o que
aconteceu na prática, pois o DENATRAN, em virtude do exposto na resolução 359/2010
(Alterada pela Resolução Contran 379/11) do CONTRAN, assumiu diretamente essa
atribuição, até que seja possível implementar esse controle pelos DETRANS.

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Pelo fato de a natureza das atividades do DENATRAN serem eminentemente administrativas
e centralizadas no Distrito Federal, as empresas que pretendam efetuar transporte rodoviário
internacional de passageiros ou cargas deverão procurar empresas licenciadas pelo DENATRAN
para efetuarem as vistorias necessárias a expedição do certificado de passagem nas alfândegas.
O veículo inspecionado e aprovado receberá um selo de segurança, aposto no pára-brisa,
vinculado ao respectivo certificado, que será de porte obrigatório, na forma prevista na
Resolução 22/1998 do CONTRAN.
Por fim, cabe ressalvar que até o advento da referida resolução o Departamento de Polícia
Rodoviária Federal era o órgão responsável pela expedição desse certificado.

Atribuições do CETRAN/CONTRANDIFE –
Conselho Estadual de Trânsito do Estado e do Distrito Federal

Como poderíamos conceituar estes órgãos?


Os CETRAN e o CONTRANDIFE são órgãos colegiados, normativos, consultivos e coordenadores
do correspondente sistema estadual ou distrital de trânsito, componentes do Sistema Nacional
de Trânsito.
Estes órgãos são os responsáveis pelo julgamento, em segunda instância, dos recursos
interpostos contra penalidades aplicadas por órgãos e entidades executivos de trânsito e
rodoviários dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.
Quanto à competência para julgar recursos, temos, além do recurso de infrações em segunda
instância, os recursos contra decisões do DETRAN, em única instância, quando este declara que
o condutor ou aprendiz é considerado inapto permanentemente nos exames de aptidão física
e mental ou psicológicos feitos nos exames de habilitação para dirigir veículos automotores e
elétricos.
Finalmente, cabe observar que, nos casos julgados pelo CETRAN, em grau de recurso, encerram-
se as instâncias administrativas.

Composição
Os presidentes dos CETRAN e do CONTRANDIFE são nomeados pelos Governadores dos Estados
e do Distrito Federal, respectivamente, e deverão ter reconhecida experiência em matéria de
trânsito, não bastando para estes um conhecimento eminentemente prático.
Quanto aos demais membros do CETRAN e do CONTRANDIFE são nomeados pelos
Governadores dos Estados e do Distrito Federal, respectivamente, bastando para estes
reconhecida experiência em trânsito, conforme o art. 15 do CTB.
O mandato dos membros dos CETRAN e do CONTRANDIFE é de dois anos, admitida a
recondução, se prevista em seu Regimento Interno.

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Quanto ao seu Regimento interno, temos a previsão no art. 12, inc. V, que compete ao
CONTRAN estabelecer as diretrizes para o funcionamento dos CETRAN e CONTRANDIFE, o qual
é hoje regido pela Resolução 244/2007 do CONTRAN.
a) Composição do CETRAN: Os Conselhos Estaduais de Trânsito – CETRAN – serão compostos
por, no mínimo, um presidente e treze membros, sendo facultada a suplência e obrigatória
a representação em igual número de representantes da esfera do Poder Executivo estadual,
dos órgãos ou entidades executivos e rodoviários municipais integrados ao Sistema
Nacional de Trânsito e de entidades representativas da sociedade ligadas à área de trânsito.
Além dos representantes citados, deverá haver um integrante com notório saber na área
de trânsito, com nível superior e três membros, um de cada área específica: Medicina,
Psicologia e Meio Ambiente, com conhecimento em trânsito.
Os representantes da esfera do Poder Executivo estadual devem pertencer aos seguintes órgãos
e entidades: órgão ou entidade executivo de trânsito; órgão ou entidade executivo rodoviário;
ou policiamento ostensivo de trânsito.
Os representantes dos órgãos ou entidades executivos e rodoviários municipais devem ser da
capital do Estado; do Município com a maior população, exceto se já contemplado no item
anterior; do Município com população acima de 500 mil habitantes, exceto se já contemplado
nos itens anteriores; do Município com população entre 100 mil e 500 mil habitantes, exceto
se já contemplado nos itens anteriores; do Município com população entre 30 mil e 100 mil
habitantes, exceto se já contemplado nos itens anteriores, e assim sucessivamente, quando
existirem mais de três representantes.
Os representantes de entidades representativas da sociedade ligadas à área de trânsito devem
pertencer a: sindicato patronal; sindicato dos trabalhadores; ou entidades não governamentais
ligadas à área de trânsito.
b) Composição do CONTRANDIFE: o Conselho de Trânsito do Distrito Federal – CONTRANDIFE
– será composto por, no mínimo, um presidente e treze membros, sendo facultada a
suplência e obrigatória a representação, em igual número, de representantes da esfera
do Poder Executivo distrital e de entidades representativas da sociedade ligadas à área
de trânsito. Além dos representantes citados, deverá haver um integrante com notório
saber na área de trânsito, com nível superior, e três membros, um de cada área específica:
Medicina, Psicologia e Meio Ambiente, com conhecimento em trânsito.
Os representantes da esfera do Poder Executivo distrital devem pertencer aos seguintes órgãos
e entidades: órgão ou entidade executivo de trânsito; órgão ou entidade executivo rodoviário;
ou policiamento ostensivo de trânsito.
Os representantes de entidades representativas da sociedade ligadas à área de trânsito devem
pertencer a: sindicato patronal; sindicato dos trabalhadores; ou entidades não governamentais
ligadas à área de trânsito.

Suporte técnico e financeiro


Caberão aos órgãos ou entidades de trânsito dos Estados, Municípios e do Distrito Federal
que compõem o Conselho prestar suporte técnico e financeiro de forma a garantir seu pleno
funcionamento.

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Atribuições da JARI – Juntas Administrativas de Recursos de Infrações

E o que seriam estas juntas?


Trata-se de um colegiado com pelo menos três membros, sempre com número ímpar de
integrantes que decidem os pleitos recursais em 1ª instância.
Ainda com relação aos pleitos decorrentes de recursos de infrações temos a possibilidade de
questionar a autuação feita em sede de defesa prévia e de 2º Recurso. Em Ambos os casos, não
se trata de atribuição da JARI.
Vejamos onde encontrá-la no CTB:
•• no art. 7º, inc. VII, como componente do Sistema Nacional de Trânsito;
•• no art. 12, inc. VI, onde está previsto que compete ao CONTRAN estabelecer as diretrizes
do regimento das JARI;
•• nos arts. 16 e 17 do CTB (referências).
No art. 16, há previsão de que junto a cada órgão ou entidade executivos de trânsito ou
rodoviário funcionarão Juntas Administrativas de Recursos de Infrações – JARI –, órgãos
colegiados responsáveis pelo julgamento dos recursos interpostos contra penalidades por eles
impostas. São estes mesmos órgãos que darão apoio administrativo e financeiro do órgão ou
entidade às JARI junto as quais funcionem. No art. 17, temos previstas as suas competências,
que veremos adiante.

Composição
Cabe ressaltar que o número de JARIs que um órgão possui é proporcional ao número de
recursos interpostos. Como a legislação estipulou o prazo máximo de 30 dias para julgar os
recursos recebidos, caso não seja possível atender ao prazo, faz-se necessária a criação de nova
JARI. Caso o recurso não seja julgado no prazo, a penalidade entra em efeito suspensivo.
Cada colegiado possui, no mínimo, 3 (três) membros, e sempre que tivermos mais de uma JARI
formada, a autoridade de trânsito designará um Coordenador para as JARIs existentes, que, em
situações especiais, irá compor um colegiado especial.
Então, a JARI, órgão colegiado, terá, no mínimo, 3 (três) integrantes, obedecidos os seguintes
critérios para a sua composição:
a) um integrante com conhecimento na área de trânsito com, no mínimo, nível médio de
escolaridade, devendo ser observado o seguinte, conforme a resolução 357/2010 do
CONTRAN:
a.1) excepcionalmente, na impossibilidade de se compor o colegiado por comprovado
desinteresse do integrante estabelecido no item “a”, ou quando indicado, injustificadamente,
não comparecer à sessão de julgamento, deverá ser observado a legislação que trata da
perda do mandato, e substituído por um servidor público habilitado integrante de órgão
ou entidade componente do Sistema Nacional de Trânsito, que poderá compor o Colegiado
pelo tempo restante do mandato.

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b) um representante servidor do órgão ou entidade que impôs a penalidade.


c) um representante de entidade representativa da sociedade ligada à área de trânsito,
devendo ser observado o seguinte, conforme a resolução 357/2010 do CONTRAN:
c.1) excepcionalmente, na impossibilidade de se compor o colegiado por inexistência de
entidades representativas da sociedade ligada à área de trânsito ou por comprovado
desinteresse dessas entidades na indicação de representante, ou quando indicado,
injustificadamente, não comparece à sessão de julgamento deverá ser observado a
legislação que trata da perda do mandato, e substituído por um servidor público habilitado
integrante de órgão ou entidade componente do Sistema Nacional de Trânsito, que poderá
compor o Colegiado pelo tempo restante do mandato.

Competências da JARI

As competências da JARI vêm previstas no art. 17 do CTB e também na Resolução 357/2010 do


CONTRAN, as quais vamos enumerar e comentar:
“a) julgar os recursos interpostos pelos infratores;”
Comentário:
Antes de fazermos os comentários desta atribuição, vamos, em primeiro lugar, entender como
é exercido o direito de defesa durante o processo administrativo de aplicação das penalidades
de trânsito.
Neste processo, é facultado ao infrator três mecanismos de defesa: Antes de ser aplicada a
penalidade (sanção administrativa), o infrator dispõe da defesa de autuação, também chamada
de defesa prévia, a qual será sempre julgada pela autoridade de trânsito competente para
aplicar a penalidade. Após a aplicação da penalidade, o infrator dispõe de dois recursos: o
primeiro é sempre julgado pela JARI e o segundo depende do órgão ou entidade que aplicou a
penalidade.
Este segundo recurso também deverá ser apreciado no prazo de trinta dias e, em se tratando
de penalidade imposta pelo órgão ou entidade de trânsito da União, ou seja, PRF ou DNIT, a
previsão no art. 289 do CTB ficou assim:
a) em caso de suspensão do direito de dirigir por mais de seis meses, cassação do documento
de habilitação ou penalidade por infrações gravíssimas, o segundo recurso será julgado
pelo CONTRAN, de acordo com o CTB. Cabe ressalvar que o dispositivo apresenta uma
grande impropriedade técnica, uma vez que as penalidades de suspensão e cassação são
de competência exclusiva dos DETRANs, órgão estaduais.
b) nos demais casos, ou seja, infrações de natureza grave, média e leve, o segundo recurso
será julgado por um colegiado especial integrado pelo Coordenador-Geral da JARI, pelo
Presidente da Junta que apreciou o recurso e por mais um Presidente de Junta.
Quanto ao colegiado especial, somente será formado quando o órgão de trânsito possuir mais
de uma JARI. Sendo assim, quando não for possível formar este colegiado especial, ou seja,
quando o órgão possuir apenas uma JARI, o recurso será julgado por seus próprios membros.

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Então, observe que é possível que a mesma JARI julgue o primeiro recurso e o segundo recurso,
que na verdade seria apenas uma revisão do ato de indeferimento do primeiro, uma vez que
recurso pressupõe instância superior ou independente.
Finalmente, ainda quanto ao segundo recurso, em se tratando de penalidade imposta por
órgão ou entidade de trânsito estadual, municipal ou do Distrito Federal, como os DETRANs,
DER, órgãos executivos de trânsito dos Municípios e órgãos executivos rodoviários de trânsito
dos Municípios, serão julgados pelo CETRAN ou pelo CONTRANDIFE.
“b) solicitar aos órgãos e entidades executivos de trânsito e executivos rodoviários
informações complementares relativas aos recursos objetivando uma melhor análise da
situação recorrida;”
Comentário:
Sempre que as alegações do pleiteante ensejarem que se faça uma diligência no local
da ocorrência da infração, a JARI deve solicitar que ela seja feita, ou ainda, a depender das
alegações feitas pelo pleiteante, pode ser que seja necessário extrair alguma informação do
sistema, que somente os órgãos de trânsito possuem, tais como se o infrator foi devidamente
notificado (cópia do aviso de recebimento), ou a cópia do auto de infração etc.
Enfim, tudo isso para que aquele colegiado possa tomar devidamente suas decisões.
Cabe ressaltar que alegações nitidamente protelatórias não darão ensejo a diligências, por
violarem o princípio da objetividade do interesse público, conforme o art. 2°, parágrafo único,
inc. III, da Lei 9.784/1999, assim como aquelas de caráter subjetivo, uma vez que as alegações
do agente gozam de presunção de veracidade e as do particular, não.
“c) encaminhar aos órgãos e entidades executivos de trânsito e executivos rodoviários
informações sobre problemas observados nas autuações, apontados em recursos e que se
repitam sistematicamente”.
Comentário:
Muito comum os agentes de trânsito se equivocarem quanto à aplicação de um dispositivo
legal, ou por erro de interpretação ou simplesmente por estarem desatualizados quanto à
aplicação da legislação de trânsito.
Dessa forma, a JARI, verificando erros reiterados, deve informar os órgãos e entidades
executivos de trânsito e executivos rodoviários para que tomem as providências necessárias, e
assim, diminua o número de recursos interpostos.

Órgãos e entidades que possuem JARI


Este subitem é de grande importância, pois o legislador com a redação do art. 16 do CTB nos
deu a falsa impressão de que o DENATRAN possui JARI e que a PRF não a possui. O assunto já foi
pacificado pelo CONTRAN em sua Resolução 357/10.
Os órgãos e entidades que deverão compor a JARI são: os órgãos e entidades executivos
rodoviários da União e a Polícia Rodoviária Federal; os órgãos e entidades executivos de trânsito
ou rodoviários dos Estados e do Distrito Federal e os órgãos e entidades executivos de trânsito
ou rodoviários dos Municípios.

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Nomeação e Mandato dos integrantes das JARI


A nomeação dos integrantes das JARIs que funcionam junto aos órgãos e entidades executivos
rodoviários da União e junto à Polícia Rodoviária Federal será efetuada pelo Secretário Executivo
do Ministério ao qual o órgão ou entidade estiver subordinado, facultada a delegação.
Quanto à nomeação dos integrantes das JARIs que funcionam junto aos órgãos e entidades
executivos de trânsito ou rodoviários estaduais e municipais, será efetuada pelo respectivo
chefe do Poder Executivo, facultada a delegação.
O mandato será de, no mínimo, um ano e, no máximo, dois anos. O Regimento Interno poderá
prever a recondução dos integrantes da JARI por períodos sucessivos.

Câmaras Temáticas

Estes órgãos fazem parte do SNT? São criados por lei? Qual a finalidade de sua criação?
Não fazem parte do SNT.
Não são criados por lei e sim por resolução do CONTRAN.
Quanto a sua finalidade, são órgãos técnicos criados pelo CONTRAN, com o objetivo de estudar
e oferecer sugestões e embasamento técnico sobre assuntos específicos (temas) para decisões
daquele colegiado.
Atualmente tem seu Regimento Interno definido na Resolução 586/2016 do CONTRAN.
Os serviços prestados às Câmaras Temáticas são considerados, para todos os efeitos, como de
interesse público e relevante valor social, conforme o art. 20 da Resolução 218/2006.
Esta informação vem a justificar a redação do caput, do art. 13, do CTB, que nos informa que
as Câmaras não são subordinadas ao CONTRAN, e sim vinculadas, uma vez que elas não são
criadas para atender exclusivamente aos interesses daquele colegiado, e sim ao interesse
público.

Câmaras existentes
O CONTRAN, em sua Resolução 586/2016, deixou consignado que os temas a serem trabalhados
são os seguintes:
•• de Assuntos Veiculares;
•• de Educação para o Trânsito e Cidadania;
•• de Engenharia de Tráfego, da Sinalização e da Via;
•• Esforço Legal: infrações, penalidades, crimes de trânsito, policiamento e fiscalização de
trânsito;
•• de Formação e Habilitação de Condutores;
•• de Saúde e Meio Ambiente no Trânsito.

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Suporte técnico administrativo e financeiro
As despesas dos membros participantes das Câmaras serão suportadas pelos órgãos, entidades
ou instituições que a representam, podendo o DENATRAN suportar as despesas, atendidas as
exigências legais.
O órgão máximo executivo de trânsito da União dará suporte técnico e administrativo às
Câmaras Temáticas, promovendo as atividades necessárias, por meio do Secretário Executivo.
Em regra, as despesas dos membros são suportadas pelo próprio órgão que o indicou, e o
suporte técnico e administrativo será dado pelo DENATRAN, podendo, em caráter excepcional,
suportar as despesas financeiras.

Identificação veicular

A identificação de veículo abordada no Código de Trânsito é um dos capítulos mais ricos


em regulamentações. O tema é muito importante, uma vez que o veículo necessita ser
individualizado quando for objeto de crime ou objeto de infrações de trânsito.
Abordaremos a seguir a obrigação que o fabricante tem de individualizar os veículos de sua
fabricação (numeração VIN); os elementos de identificação externa (placas); as plaquetas ou
etiquetas de capacidade, que tem a finalidade de informar aos embarcadores e transportadores
a quantidade de carga possível de ser transportada e facilitar a fiscalização; a identificação de
veículos através de faixas e por fim outras identificações.

Numeração do Chassi ou Monobloco – Numeração VIN

Da mesma forma que pessoas nascem com sua individualização, que se dá através das digitais,
o veículo também possui a sua individualização, que ocorre pela numeração VIN.
A fabricante da pessoa física (Deus) seria o responsável por esta infinidade de digitais existentes.
No veículo, o responsável pela colocação desta numeração é o seu fabricante, seja ele pessoa
física (veículos artesanais) seja ele pessoa jurídica (montadoras).
A ABNT, por meio da NBR 6066, estabeleceu em julho de 1980, dentro das normas
internacionais, um padrão único para a identificação dos veículos produzidos no Brasil. Este
padrão de codificação é composto de 17 (dezessete) dígitos que compõe o VIN – Vehicle
Identification Number ou Número de Identificação do Veículo, os quais são gravados no lado
direito do chassi do veículo preferencialmente na metade dianteira.
Ainda com relação a norma da ABNT, saiba que os 3 (três) primeiros dígitos são o Identificador
Internacional do Fabricante – WMI, World Manufacturer Identifier; do 4º ao 9º é o VDS – Vehicle
Descriptor Section ou Seção Descritiva do Veículo, estabelecido pelo fabricante e que fornece
informações as quais descrevem as características gerais do veículo; os demais compõem o
VIS – Vehicle Indicator Section ou Seção Indicadora do Veículo, que é a identificação do veículo.

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É importante ressaltar que as normas criadas pela ABNT, não possuem coercitividade, ou seja,
não são de cumprimento obrigatório por quem quer que seja.
A ABNT é uma associação com personalidade jurídica de direito privado, não integra, portanto
a estrutura do Estado. Não é composta pelos representantes do povo.
Então por que estamos estudando essas normas?
Porque elas são de cumprimento obrigatório para fabricantes de veículos.
Como assim?
Por que o CONTRAN em sua Resolução 24/98, faz uma remissão a esta norma, fazendo com
que ela seja de cumprimento obrigatório por quem fabrica veículos.
O fabricante do veículo tem a obrigação de individualizá-lo através de uma numeração que
deve ser colocada tanto no chassi (parte rígida do veículo sobre a qual deve ser colocada a
carroçaria) ou no monobloco (veículo inteiriço).
Em quantos lugares deve ser reproduzida essa numeração? Em, pelo menos, um lugar em se
tratando de veículos automotores e em pelo menos dois lugares em se tratando de reboque ou
semi-reboque.
Os veículos produzidos ou importados a partir de 1º de janeiro de 1999, para obterem registro
e licenciamento, deverão estar identificados na forma descrita pela norma.
Diante do exposto, todos os veículos automotores deverão possuir a numeração VIN? Não!
Apenas aqueles que necessitam serem individualizados dos demais em sua fabricação e que
irão transitar na via pública.
Então quais seriam as exceções? Excetuam-se:
•• Os tratores.
•• Os veículos protótipos utilizados exclusivamente para competições esportivas.
•• E as viaturas militares operacionais das Forças Armadas que, em regra, não transitam na
via.
A gravação do número de identificação veicular (VIN) no chassi ou monobloco deverá ser feita
em profundidade mínima de 0,2 mm.
Será que existe alguma outra identificação relacionada com a numeração VIN, pois quanto
mais numeração possuir o veículo, mais fácil fica sua identificação em caso de roubo, furto ou
adulteração?
Sim. Além da gravação no chassi ou monobloco, os veículos serão identificados, no mínimo, com
os caracteres VIS (número sequencial de produção) previstos na NBR3 6.066. Esta numeração
poderá ser, a critério do fabricante, por gravação, na profundidade mínima de 0,2 mm, quando
em chapas ou plaqueta colada, soldada ou rebitada, destrutível quando de sua remoção ou
ainda por etiqueta autocolante e também destrutível no caso de tentativa de sua remoção.
Lembre-se que esta numeração é uma parte da numeração VIN, que vai do 10º dígito ao seu
17º dígito.

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Em quais compartimentos ou componentes podemos encontrar a numeração VIS?
I – Na coluna da porta dianteira lateral direita.
II – No compartimento do motor.
III – Em um dos pára-brisas e em um dos vidros traseiros, quando existentes.
IV – Em pelo menos dois vidros de cada lado do veículo, quando existentes, excetuados os
quebra-ventos.
O CONTRAN, em sua Resolução 24/1998, diz: “as identificações previstas nos itens "III" e "IV"
serão gravadas de forma indelével, sem especificação de profundidade e, se adulterados,
devem acusar sinais de alteração.”
Afora essas disposições, outras devem ser destacadas, como as previstas na Resolução 24/1998
do CONTRAN:
1. “Os veículos inacabados (sem cabina, com cabina incompleta, tais como os chassis para
ônibus) terão as identificações VIS (número sequencial de produção) implantadas pelo
fabricante que complementar o veículo com a respectiva carroçaria.
2. As identificações, mencionadas nos itens III e IV, que se referem à numeração VIS dos
vidros, poderão ser feitas na fábrica do veículo ou em outro local, sob a responsabilidade
do fabricante, antes de sua venda ao consumidor.
3. No caso de chassi ou monobloco não metálico, veículos de fibra por exemplo, a numeração
deverá ser gravada em placa metálica incorporada ou a ser moldada no material do chassi
ou monobloco, durante sua fabricação.
4. E por fim, o décimo dígito do VIN, previsto na NBR3 6066, será obrigatoriamente o da
identificação do modelo do veículo.
Conforme o art. 3º da referida Resolução, será obrigatória a gravação do ano de fabricação do
veículo no chassi ou monobloco ou em plaqueta destrutível quando de sua remoção, como
assim estabelece o § 1° do art. 114 do Código de Trânsito Brasileiro.
Importante lembrar que o ano de fabricação não faz parte do VIN, mas o ano do modelo faz. O
ano de fabricação será colocado no chassi ou monobloco do veículo, assim como a numeração
VIN.

Obrigatoriedade de informar ao RENAVAM


Para fins de controle reservado e apoio das vistorias periciais procedidas pelos órgãos integrantes
do Sistema Nacional de Trânsito e por órgãos policiais, por ocasião do pedido de código do
RENAVAM, os fabricantes de veículos automotores, reboque e semi-reboque depositarão junto
ao órgão máximo executivo de trânsito da União as identificações e localização das gravações
segundo os modelos básicos, conforme a art. 5º da Resolução 24/1998. Todas as vezes que
houver alteração dos modelos básicos dos veículos, os fabricantes encaminharão, com
antecedência de 30 (trinta) dias, as localizações de identificação veicular.

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Regravações
As regravações do VIN e as eventuais substituições ou reposições de etiquetas e plaquetas,
quando necessárias, dependerão de prévia autorização da autoridade de trânsito competente,
mediante comprovação da propriedade do veículo (através do CRV ou do CRLV) e só serão
processadas por empresas credenciadas pelo órgão executivo de trânsito dos Estados ou
do Distrito Federal. São as Portarias do DENATRAN que tratam do credenciamento dessas
empresas.
As etiquetas ou plaquetas deverão ser fornecidas pelo fabricante do veículo.
As exigências previstas acima não se aplicam às numerações VIS dos vidros.
Quanto aos requisitos a serem preenchidos no processo de regravação do VIN e VIS, podemos
utilizar a tabela abaixo para melhorar a memorização:

REQUISITOS PARA REGRAVAÇÃO

Somente em
Autorização Comprovar a
entidade OBS.:
prévia propriedade
credenciada
VIN SIM SIM SIM
As etiquetas deverão
VIS (do motor e
SIM SIM SIM ser fornecidas pelo
coluna da porta) fabricante.
VIS (dos vidros) NÃO NÃO NÃO

Identificação de veículos de fabricação artesanal


Este item tem como objetivo apresentar a metodologia para proceder ao registro e
licenciamento de veículos de fabricação própria, através da obtenção do código VIN.
Antes de enfrentarmos o tema saiba que ele se encontra regulamentado na resolução 63/1998
e que segundo a mesma Resolução considera-se veículo de fabricação artesanal todo e qualquer
veículo concebido e fabricado sob responsabilidade de pessoa física ou jurídica, atendendo a
todos os preceitos de construção veicular, de modo que o nome do seu primeiro proprietário
sempre coincida com o nome do fabricante.
Para efeito de padronização de identificação destes veículos foi fixado pela ABNT o WMI
(IDENTIFICADOR INTERNACIONAL DO FABRICANTE), como sendo 9EZ, cujo primeiro dígito
identifica o continente, o segundo caracteriza o país e o terceiro caracteriza “Fabricação
própria”.
O quadro a seguir apresenta a composição do Código VIN, específico para os veículos de
fabricação própria.

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IDENTIFICADOR CAPACIDADE NUMERAÇÃO /
INTERNACIONAL TIPO VEÍCULO ANO MODELO IDENTIFICAÇÃO
DE CARGA SEQUENCIAL
FABRICANTE
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17
UNIDADE TABELA TABELA
9 E Z TABELA DETRAN/ CIRETRAN
FEDERAÇÃO RENAVAM RENAVAM

•• Os campos 1, 2 e 3 estão reservados para o sistema de identificação internacional WMI.


•• Os campos 4 e 5 identificarão a unidade da Federação (UF), não sendo permitido a utilização
das letras I, O e Q, substituindo-se quando necessário a letra O pelo 0 (zero) e I pelo 1.
•• Os campos 6 e 7 caracterizam o tipo de veículo – sistema RENAVAM, conforme art. 96 do
Código de Trânsito Brasileiro.
•• Os campos 8 e 9 identificam a capacidade de carga/lotação conforme a tabela abaixo:
"PC" – até 350 quilogramas.
"MC" – de 351 a 750 quilogramas.
"GC" – Acima de 750 quilogramas.
Obs.: Quando se tratar de lotação considera-se o peso normal de um passageiro como sendo
70 quilogramas.
O campo de número 10 identifica o ano de modelo, conforme dispõe a Resolução 24/1998 do
CONTRAN:

ANO CÓDIGO ANO CÓDIGO ANO CÓDIGO ANO CÓDIGO


1971 1 1981 B 1991 M 2001 1
1972 2 1982 C 1992 N 2002 2
1973 3 1983 D 1993 P 2003 3
1974 4 1984 E 1994 R 2004 4
1975 5 1985 F 1995 S 2005 5
1976 6 1986 G 1996 T 2006 6
1977 7 1987 H 1997 V 2007 7
1978 8 1988 J 1998 W 2008 8
1979 9 1989 K 1999 X 2009 9
1980 A 1990 L 2000 Z 2010 A

Uma vez criado o sistema no órgão executivo de trânsito dos Estados e do Distrito Federal, e
estabelecida a numeração sequencial, o mesmo deverá ser repassado para o órgão máximo
executivo de trânsito da União, para registro e controle.

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Placas

Devemos visualizar as placas do veículo como seu elemento de identificação externa, que o
individualiza perante aos órgãos de trânsito em caso de autuações.
Em uma comparação bem singela poderia dizer-se o seguinte: da mesma forma que o CPF está
para pessoa física, as placas estão para os veículos.
O emplacamento do veículo ocorre por ocasião do primeiro registro do veículo de maneira
simultânea com seu lacre, a partir daí o veículo está individualizado e identificado no banco de
dados do DETRAN, facilitando as possíveis autuações.
O veículo será identificado externamente por meio de placas dianteira e traseira, sendo
estas lacradas em sua estrutura, obedecidas às especificações e modelos estabelecidos pelo
CONTRAN.
Quanto ao lacre, devemos saber que os veículos, depois de identificados, deverão ter suas
placas lacradas em sua estrutura. O material a ser usado é sintético virgem (polietileno,
polipropileno ou policarbonato), ou metálico (chumbo).
Os lacres deverão possuir características de inviolabilidade e o órgão executivo de trânsito
dos Estados e do Distrito Federal deverá ser identificado em sua face externa permitindo a
passagem do arame por seu interior. Todas as especificações serão objeto de regulamentação
pelo órgão máximo executivo de trânsito da União.
Os caracteres das placas (letras e dígitos) serão individualizados para cada veículo e o
acompanharão até a baixa do registro, sendo vedado seu reaproveitamento.
Abaixo estudaremos detalhes sobre as placas de veículos automotores, tais como: tarjeta e
caracteres, mudança de categoria, cores das placas, fabricação de placas, película refletiva em
placas, obrigatoriedade da segunda placa e infrações correspondentes.
Por fim, cabe destacar que os veículos de uso bélico são os únicos veículos automotores isentos
do uso de placas (art. 115, § 5º, do CTB), de registro (120, § 2º, do CTB) e de licenciamento
(130, § 1º, do CTB).

Tarjetas e caracteres
As placas são emitidas pelos Detrans ou por fabricantes por ele credenciados, seguindo uma
sequência única em todo o país. O sistema atual, denominado RENAVAM, implantado em 1990,
é que faz a distribuição das séries de caracteres para os estados, como exemplo, podemos citar
o Rio de Janeiro, em que a série numérica disponibilizada é KMF 0000 a LVE 9999.
Após o registro no órgão de trânsito, os veículo serão identificado por placas dianteira e traseira
afixadas em primeiro plano e integrante do mesmo, contendo 7 (sete) caracteres alfanuméricos
individualizados sendo o primeiro grupo composto por 3 (três), resultante do arranjo, com
repetição de 26 (vinte e seis) letras, tomadas três a três e o segundo grupo composto por 4
(quatro), resultante do arranjo, com repetição de 10 (dez) algarismos, tomados quatro a quatro,
sendo que os veículos de 2 (duas) e 3 (três) rodas apenas devem possuir placas traseiras com as
mesmas características.

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Impende observar que as placas por ser o elemento de identificação do veículo devem observar
padrões de legibilidade e visibilidade, com isso, o CONTRAN decidiu padronizar as fontes das
placas, que passarão a ser do tipo “mandatory”, mais fácil de ser lida pelos equipamentos
registradores de imagem e pelos agentes de trânsito.
Além desses caracteres, as placas dianteira e traseira deverão conter, gravados em tarjetas
removíveis a elas afixadas, a sigla identificadora da Unidade da Federação e o nome do Município
de registro do veículo. Exceção é feita às placas dos veículos oficiais, de representação, aos
pertencentes a missões diplomáticas, às repartições consulares, aos organismos internacionais,
aos funcionários estrangeiros administrativos de carreira e aos peritos estrangeiros de
cooperação internacional. Vejamos abaixo algumas das exceções citadas:

Veículos oficiais
As placas de veículos oficiais deverão conter, gravados nas tarjetas ou em espaço correspondente
na própria placa os seguintes caracteres:
a) Veículos oficiais da União: BRASIL.
b) Veículos oficiais das Unidades da Federação: nome da Unidade da Federação.
c) Veículos oficiais dos Municípios: sigla da Unidade da Federação e nome do Município.

Veículos pertencentes a missões diplomáticas


As placas pertencentes às missões diplomáticas, às repartições consulares, aos organismos
internacionais, aos funcionários estrangeiros administrativos de carreira e aos peritos
estrangeiros de cooperação internacional, deverão conter gravados nas tarjetas ou em espaço
correspondente na própria placa os seguintes caracteres:
a) CMD para os veículos de uso dos Chefes de Missão Diplomática.
b) CD para os veículos pertencentes ao Corpo Diplomático.
c) CC para os veículos pertencentes ao Corpo Consular.
d) OI para os veículos pertencentes aos Organismos Internacionais.
e) ADM para os veículos pertencentes a funcionários estrangeiros administrativos de
carreira de missões diplomáticas, repartições consulares e representações de organismos
internacionais.
f) CI para os veículos pertencentes a peritos estrangeiros sem residência permanente que
venham ao Brasil no âmbito de Acordo de Cooperação Internacional.

Mudança de categoria e cores das placas


No caso de mudança de categoria de veículos, as placas deverão ter a cor da nova categoria,
permanecendo, entretanto, a mesma identificação alfanumérica.

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Lembre-se que a numeração da placa acompanha o veículo desde seu registro até a sua baixa,
sendo vedado seu reaproveitamento.
Cabe ressaltar que em caso de mudança de categoria, sempre será necessária a expedição de
um novo registro.
Quanto às possíveis cores de placas, temos:

Veículos oficiais de representação pessoal


São veículos destinados ao transporte de autoridades públicas, conforme veremos abaixo.
Antes de trabalharmos propriamente as cores de placa desses veículos, vamos aproveitar para
mencionar algumas peculiaridades apresentas com veículos oficiais no CTB.
Como primeira peculiaridade podemos citar o art. 120, § 1º, que faz menção a necessidade de
ressaltar o ente da federação proprietário do veículo oficial: “Os órgãos executivos de trânsito
dos Estados e do Distrito Federal somente registrarão veículos oficiais de propriedade da
administração direta, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, de qualquer
um dos poderes, com indicação expressa, por pintura nas portas, do nome, sigla ou logotipo
do órgão ou entidade em cujo nome o veículo será registrado, excetuando-se os veículos de
representação e os previstos no art. 116.”
Como segunda situação peculiar podemos citar o fato destes veículos não possuírem tarjetas
como os demais veículos.
E por fim, vamos detalhar abaixo as cores diferenciadas que eles possuem a depender da
autoridade que estiver vinculado:

Verde e amarela
Do Presidente e do Vice-Presidente da República, dos Presidentes do Senado Federal e da
Câmara dos Deputados, do Presidente e dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, dos
Ministros de Estado, do Advogado-Geral da União e do Procurador-Geral da República.

Fundo preto e caracteres cinza metálico


Dos Presidentes dos Tribunais Federais, dos Governadores, Prefeitos, Secretários Estaduais
e Municipais, dos Presidentes das Assembleias Legislativas, das Câmaras Municipais, dos
Presidentes dos Tribunais Estaduais e do Distrito Federal e do respectivo chefe do Ministério
Público.
No art. 2º da Resolução 32/1998, temos a seguinte previsão: “poderão ser utilizados os mesmos
modelos de placas para os veículos oficiais dos Vice-Governadores e dos Vice-Prefeitos, assim
como para os Ministros dos Tribunais Federais, Senadores e Deputados, mediante solicitação
dos Presidentes de suas respectivas instituições.”
Cabe aqui ressaltar que os veículos de representação, assim como os demais, deverão estar
registrados junto ao RENAVAM.

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Fundo preto e caracteres dourados
Dos Secretários de Estado do Governo Federal, conforme a Resolução 88/1999 do CONTRAN
e dos Comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica e oficias generais das forças
armadas, conforme a Resolução 275/2008 do CONTRAN.

Veículos oficiais
Quanto aos demais veículos oficiais, as placas são, em regra, de fundo branco e caracteres
pretos. Ainda quanto aos veículos oficiais, cabe ressaltar que como norma de exceção tem um
veículo oficial que poderá utilizar placas particulares, somente quando estritamente usados em
serviço reservado de caráter policial.
Por fim, vejamos abaixo, como o CONTRAN, regulamentou o uso de placas para veículos
pertencentes a administração pública de uma maneira geral (direta e indireta):
a) Resolução 523/1977 – estabelece placas especiais para o cerimonial do Ministério das
Relações Exteriores, na qual é previsto que deve ser substituído o nome da autoridade
usuária pelo dístico “CERIMONIAL”.
b) Resolução 529/1978 – estabelece emplacamento de veículos pertencentes a autarquias
instituídas por lei com atribuições para fiscalizar o exercício de profissão liberal e que não
recebam subvenções ou transferência à conta da União. Serão classificadas na categoria
particular. As placas têm fundo cinza e caracteres pretos.
c) Resolução 756/1991 – dispõe que os veículos de propriedade da União, dos Estados, do
Distrito Federal, dos Municípios e respectivas entidades autárquicas e fundacionais públicas
serão classificados na categoria oficial e, também, que os veículos pertencentes a empresas
públicas e sociedade de economia mista serão classificados na categoria particular.
Ao combinar o disposto com o art. 120, § 1º, do CTB, passamos a ter algumas combinações
interessantes:
1ª Teremos veículos oficiais pertencentes à administração direta com placas de fundo branco
e caracteres pretos e logotipo nas portas.
2ª Os veículos pertencentes às autarquias e fundações públicas com placas de fundo branco e
caracteres pretos e sem logotipo nas portas.
3ª Os veículos pertencentes as autarquias instituídas por lei com atribuições para fiscalizar o
exercício de profissão liberal e que não recebam subvenções ou transferência à conta da
União serão classificadas na categoria particular. As placas têm fundo cinza e caracteres
pretos.
4ª Os veículos pertencentes a empresas públicas e sociedade de economia mista com fundo
cinza e caracteres preto.

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Fabricação das placas


As placas serão confeccionadas por fabricantes credenciados pelos órgãos executivos de
trânsito dos Estados ou do Distrito Federal, obedecidas as formalidades legais vigentes. Será
obrigatória a gravação do registro do fabricante em superfície plana da placa e da tarjeta, de
modo a não ser obstruída sua visão quando afixadas nos veículos.
O código de cadastramento do fabricante da placa e tarjeta será composto por um número de
três algarismos seguido da sigla da Unidade da Federação e dos dois últimos algarismos do ano
de fabricação, gravados em alto ou baixo relevo, em cor igual a do fundo da placa.
O fabricante de placas e tarjetas que deixar de observar as especificações constantes da
Resolução 231/2007 do CONTRAN e dos demais dispositivos legais que regulamentam o
sistema de placas de identificação de veículos terá seu credenciamento cancelado pelo órgão
executivo de trânsito dos Estados ou do Distrito Federal.

Obrigatoriedade da película refletiva


Os veículos de duas ou três rodas do tipo motocicleta, motoneta, ciclomotor e triciclo ficam
obrigados a utilizar placa traseira de identificação com película refletiva, da seguinte forma,
conforme a Resolução 241/2007: “na categoria aluguel, para todos os veículos, a partir de 1º de
janeiro de 2008 e para as demais categorias, os veículos registrados a partir de 1º de janeiro de
2008 e os transferidos de Município.”
Afinal, quais são os veículos que são obrigados a usar películas refletivas?
•• Veículos de 2 ou 3 rodas da categoria aluguel.
•• Veículos de 2 ou 3 rodas das demais categorias se registrados a partir de 1º de janeiro de
2008 e os transferidos de Município.
Os demais veículos, fabricados a partir de 1º de janeiro de 2012, deverão utilizar
obrigatoriamente placas e tarjetas confeccionadas com películas refletivas, conforme Resolução
372/2011 do CONTRAN.
A película refletiva deverá ser homologada pelo DENATRAN e ter suas características atestadas
por entidade reconhecida por este órgão.
Esta película deverá exibir em sua construção uma marca de segurança comprobatória desse
laudo com a gravação das palavras APROVADO DENATRAN, com 3mm (três milímetros) de altura
e 50 mm (cinquenta milímetros) de comprimento, ser legível em todos os ângulos, indelével,
incorporada na construção da película, não podendo ser impressa. A marca de segurança
deverá aparecer, no mínimo, duas vezes em cada placa.
Finalmente, após explanado a cerca da obrigatoriedade do uso de películas refletivas em placas,
a pergunta mais comum entre os alunos é: qual a finalidade dessa obrigatoriedade? O objetivo
do CONTRAN foi ressaltar o caráter ostensivo das placas de identificação, ou seja, deixá- las
mais visíveis, sobretudo a noite; note que a exigência abrangeu de forma contundente aqueles
veículos que fogem mais facilmente de uma fiscalização de trânsito.

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Obrigatoriedade da segunda placa
Será obrigatório o uso de segunda placa traseira de identificação nos veículos em que a
aplicação do dispositivo de engate para reboques resultar no encobrimento, total ou parcial, da
placa traseira localizada no centro geométrico do veículo, conforme Resolução 231/2007 que
revogou a Resolução 783/1994 do CONTRAN. De outra forma, não será exigida a segunda placa
traseira para os veículos em que a aplicação do dispositivo de engate de reboques não cause
prejuízo para visibilidade da placa de identificação traseira.
A segunda placa de identificação será aposta em local visível, ao lado direito da traseira do
veículo, podendo ser instalada no pára-choque ou na carroceria, admitida a utilização de
suportes adaptadores e deverá ser lacrada na parte estrutural do veículo em que estiver
instalada (pára- choque ou carroceria).
Cabe ressaltar que a resolução 349/2010, nos informa que será obrigatório o uso de segunda
placa traseira de identificação nos veículos na hipótese do transporte eventual de carga ou
de bicicleta resultar no encobrimento, total ou parcial, da placa traseira. A segunda placa de
identificação será aposta em local visível, ao lado direito da traseira do veículo, podendo ser
instalada no pára-choque ou na carroceria, admitida a utilização de suportes adaptadores.
A segunda placa de identificação será lacrada na parte estrutural do veículo em que estiver
instalada (pára-choque ou carroceria).

Lacres
A placa traseira será obrigatoriamente lacrada à estrutura do veículo, juntamente com a tarjeta,
em local de visualização integral, independentemente do número de rodas do veículo, em
material sintético virgem (polietileno) ou metálico (chumbo). Note que a exigência do lacre é
somente para a placa traseira.
Os lacres deverão possuir características de inviolabilidade e ter identificado o órgão executivo
de trânsito dos Estados e do Distrito Federal em sua face externa, permitindo a passagem do
arame por seu interior. Quanto ao arame, será de material galvanizado e deverá ser trançado
com as seguintes especificações: dimensões 3 X BWG 22 (têmpera mole).
Este numeração do lacre, que foi objeto de regulamentação pelo DENATRAN, será estudada
abaixo.

Dimensões das placas


Este assunto torna-se extremamente importante, uma vez que é possível autuar o proprietário
de um veículo que porta placas em desacordo com o estabelecido pelo CONTRAN, assim como
o fabricante das placas.
Mas como autuar uma pessoa por estar em descordo sem conhecer qual é o padrão? Sendo
assim, devemos considerar três tamanhos de placas.

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Motocicleta, motoneta, ciclomotor, triciclo e quadriciclo


A forma das placas traseiras e dianteira, assim como suas dimensões em milímetros, são essas:
a) dimensões da placa em milímetros: h = 170; c = 200
b) Altura do corpo dos caracteres da placa em milímetros: h = 53;

Veículos oficiais de representação


A forma das placas traseiras e dianteira, assim como suas dimensões em milímetros, são essas:
a) altura (h) = 160
b) comprimento (c) = 350

Demais veículos
A dimensão de placas dos demais veículos encontra-se atualmente regulamentada pela
Resolução 309/2009 do CONTRAN da seguinte forma:
“Art. 2º (...) Veículos particulares, de aluguel, oficial, de experiência, de aprendizagem e de
fabricante serão identificados na forma e dimensões em milímetros das placas traseiras, e
dianteira, conforme abaixo:
a) altura (h) = 130
b) comprimento (c) = 400
c) Quando a placa não couber no receptáculo a ela destinado no veículo o DENATRAN
poderá autorizar, desde que devidamente justificado pelo seu fabricante ou importador,
redução de até 15% (quinze por cento) no seu comprimento, mantida a altura dos
caracteres alfanuméricos e os espaços a eles destinados.”

Infrações correspondentes
Aquele que portar no veículo placas de identificação em desacordo com as especificações e
modelos estabelecidos pela Resolução 231/2007 do CONTRAN responde por uma infração de
natureza média com a penalidade de multa e medida administrativa de retenção do veículo
para regularização e apreensão das placas irregulares, de acordo com o art. 221 do CTB.
Cabe ressaltar que incide na mesma penalidade aquele que confecciona, distribui ou coloca, em
veículo próprio ou de terceiros, placas de identificação não autorizadas pela regulamentação,
de acordo com o art. 221, parágrafo único, do CTB.
Por fim, aquele que conduzir veículo com o lacre da placa ou a placa do veículo violado ou
falsificado sem qualquer uma das placas de identificação ou, ainda, com qualquer uma das
placas de identificação sem condições de legibilidade e visibilidade responde por uma
infração de natureza gravíssima com penalidades de multa e apreensão do veículo e medida
administrativa de remoção do veículo, de acordo com o art. 230 do CTB.

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Identificação da capacidade do veículo

Existem veículos, que pelo risco que pode causar aos demais, o dano que pode causar à via e pela
importância dada à sua carga, devem, além das identificações especificadas acima referentes à
numeração VIN/VIS e placas, possuir uma plaqueta de identificação da sua capacidade.
Na visão de Nei Pires Mitidiero, em seu livro “Comentário ao Código de Trânsito Brasileiro”,
página 698, 2ª edição: “a regra tem como destinatários, a um primeiro momento, os
fabricantes, montadores, encarroçadores, importadores e os transformadores de veículos,
que, diante das características e das capacidades de transporte de carga e passageiros efetivas,
devem especificá-las, na forma e locais preestabelecidos pelo legislador e pelo CONTRAN, e,
um segundo momento, os usuários dos veículos, isto é, o transportador, o embarcador, os
proprietários deles, veículos, ou empresas de transporte, os proprietários das cargas ou nelas
interessados, o condutor e os passageiros dos veículos, que devem ser expressamente avisados,
mediante as referidas especificações, a respeito dessas possibilidades de transportes, para fins,
preponderantemente, de garantia da segurança viária, em escala menor, mas de relevo, de
funcionalidade (fluidez), comodidade e conforto viários.
Noutra perspectiva, a norma volta-se aos agentes e autoridades de trânsito, notoriamente,
uma vez que, diante da inexistência das identificações em tela, eles estariam impossibilitados
de averiguar, pelo menos imediata e ostensivamente, a projetada capacidade de cada veículo,
cotejando-a com a realidade operacionalizada, restando em termos ideais, prejudicados na sua
função de policiar o trânsito.”
O insuspeitável mestre não poupou detalhes, e é com esta visão que devemos entender o art.
117 do CTB e a Resolução 290/2008 do CONTRAN, que trata do tema.
No CTB, temos a seguinte previsão:
“Art 117. Os veículos de transporte de carga e os coletivos de passageiros deverão conter,
em local facilmente visível, a inscrição indicativa de sua tara, do peso bruto total (PBT),
do peso bruto total combinado (PBTC) ou capacidade máxima de tração (CMT) e de sua
lotação, vedado o uso em desacordo com sua classificação.”
Por fim, para um completo entendimento do significado de cada um desses indicativos de
capacidade, vamos consultar o anexo da Resolução 290/2008 do CONTRAN:
a) Tara – peso próprio do veículo, acrescido dos pesos da carroçaria e equipamento, do
combustível – pelo menos 90% da capacidade do(s) tanque(s), das ferramentas e dos
acessórios, da roda sobressalente, do extintor de incêndio e do fluido de arrefecimento,
expresso em quilogramas.
b) Lotação – carga útil máxima, expressa em quilogramas, incluindo o condutor e os
passageiros que o veículo pode transportar para os veículos de carga e tração ou número
de pessoas para os veículos de transporte coletivo de passageiros.
c) Peso Bruto Total (PBT) – o peso máximo (autorizado) que o veículo pode transmitir ao
pavimento, constituído da soma da tara mais a lotação.
d) Peso Bruto Total Combinado (PBTC) – Peso máximo que pode ser transmitido ao
pavimento pela combinação de um veículo de tração ou de carga, mais seu(s) semi-
reboque(s), reboque(s), respeitada a relação potência/peso, estabelecida pelo INMETRO

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– Instituto de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial, a Capacidade Máxima


de Tração da unidade de tração, e o limite máximo estabelecido na Resolução CONTRAN
211/2006, e suas sucedâneas.
e) Capacidade Máxima de Tração (CMT) – máximo peso que a unidade de tração é capaz
de tracionar, incluído o PBT da unidade de tração, limitado pelas suas condições de
geração e multiplicação do momento de força, resistência dos elementos que compõem a
transmissão.

Identificação da capacidade nas resoluções do CONTRAN


O tema encontra-se hoje regulamentado na Resolução 290/2008, na qual temos a menção a
que veículos se aplicam a obrigatoriedade; as pessoas que são obrigadas a colocar a referida
plaqueta; assim como a sua localização. Sendo assim, vamos estudar cada um desses subitens.

Veículos que necessitam da plaqueta indicativa da capacidade


O estudo deste sub-item torna-se necessário, uma vez que o CONTRAN acrescentou a
obrigatoriedade aos veículos de tração, sendo exigido, portanto dos veículos de tração, de
carga e os de transporte coletivo de passageiros.

As pessoas que são obrigadas a colocar a referida plaqueta


A responsabilidade pela inscrição e conteúdo dos pesos e capacidades, conforme estabelecido
na Resolução 290/08 do CONTRAN, será:
a) Do fabricante ou importador, quando se tratar de veículo novo acabado ou inacabado. É
evidente que no veículo automotor novo acabado deve vir todas as inscrições: tara, lotação,
PBT, PBTC ou CMT; porém no veículo automotor novo inacabado, apenas o PBT, PBTC ou
CMT, pois estas são as únicas informações que o fabricante possui.
Observe que as únicas informações que o fabricante tem é quanto o seu veículo pode pesar
no máximo (resistência do material utilizado) e quanto o seu motor será capaz de tracionar
(CMT).
b) Do fabricante da carroçaria ou de outros implementos, em caráter complementar ao
informado pelo fabricante ou importador do veículo. É evidente que o veículo automotor
novo que recebeu carroçaria ou implemento deve vir apenas a tara e lotação, em
complemento às características informadas pelo fabricante ou importador do veículo.
c) Do responsável pelas modificações, quando se tratar de veículo novo ou já licenciado
que tiver sua estrutura e/ou número de eixos alterados, ou outras modificações previstas
pelas Resoluções 292/2008 e 293/2008, ou suas sucedâneas. Cabe observar que o veículo
automotor novo que teve alterado o número de eixos ou sua(s) capacidade(s) deve vir
apenas a tara, lotação e PBT, em complemento às características informadas pelo fabricante
ou importador do veículo;

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d) Do proprietário do veículo. O quê? É isso mesmo! Devemos ressaltar neste caso que para
os veículos em uso e os licenciados até a data da entrada em vigor da Resolução 290/2008,
que é 29/agosto/2008, que não possuam a inscrição dos dados de tara e lotação, fica
autorizada a inscrição dos mesmos, por pintura resistente ao tempo na cor amarela sobre
fundo preto e altura mínima dos caracteres de 30 mm, em local visível na parte externa do
veículo.
Ainda quanto a responsabilidade do proprietário, os veículos destinados ao transporte
coletivo de passageiros, a indicação de capacidade poderá ser realizada nos mesmos locais
destinados ao fabricante do veículo.

Localização da plaqueta ou etiqueta adesiva de capacidade


É de muita relevância o agente de trânsito achar de imediato a plaqueta ou etiqueta adesiva
de capacidade, uma vez que sua falta constitui infração de trânsito, além da necessidade de
consultá-la para fiscalizar se o veículo está com o peso e a capacidade máxima de tração dentro
do estabelecido. Vejamos as localizações previstas na norma:
A indicação nos veículos automotores de tração e de carga será inscrita ou afixada em um dos
seguintes locais, assegurada a facilidade de visualização:
a) Na coluna de qualquer porta, junto às dobradiças, ou no lado da fechadura.
b) Na borda de qualquer porta.
c) Na parte inferior do assento, voltada para porta. d) Na superfície interna de qualquer porta.
e) No painel de instrumentos.
Nos veículos destinados ao transporte coletivo de passageiros, a indicação deverá ser afixada
na parte frontal interna acima do pára-brisa ou na parte superior da divisória da cabina de
comando do lado do condutor. Na impossibilidade técnica ou ausência de local para fixação,
poderão ser utilizados os mesmos locais previstos para os veículos de carga e tração.
Nos reboques e semi-reboques a indicação deverá ser afixada na parte externa da carroçaria
na lateral dianteira.
Nos implementos montados sobre chassi de veículo de carga, a indicação deverá ser afixada
na parte externa do mesmo, em sua lateral dianteira.

Infrações relativa a capacidade


Finalmente, devemos comentar a respeito das infrações relacionadas com essa plaqueta de
identificação da capacidade dos veículos acima mencionados. Aquele que conduzir veículo de
carga, com falta de inscrição da tara e demais inscrições previstas no CTB, responde por uma
infração de natureza média, sujeita à penalidade de multa sem qualquer medida administrativa,
conforme o art. 230, inciso XXI, do CTB.
Quanto aos veículos de transporte coletivo de passageiro e de tração, não existe, no CTB,
uma tipificação específica. Desta forma, pode- se aplicar o art. 237 do CTB, que se refere às

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identificações em geral, que é uma infração de natureza grave, com penalidade de multa e
medida administrativa de retenção do veículo para regularização.

Identificação através de faixas

O legislador definiu a obrigatoriedade do uso de faixas em alguns veículos, evidentemente


para alertar aos demais usuários da via a respeito de uma situação peculiar. Esta peculiaridade
ora se dá pelas pessoas que estão conduzindo (aprendiz) o veículo ora pelas que estão sendo
transportadas (crianças em número expressivo). Vejamos a forma encontrada para identificar
tais veículos:

Veículos de escolares
Os veículos especialmente destinados à condução coletiva de escolares somente poderão
circular nas vias com autorização emitida pelo órgão ou entidade executivos de trânsito dos
Estados e do Distrito Federal, exigindo-se para tanto, uma pintura de faixa horizontal na cor
amarela, com quarenta centímetros de largura, a meia altura, em toda a extensão das partes
laterais e traseira da carroçaria, com o dístico ESCOLAR em preto, sendo que, em caso de veículo
de carroçaria pintada na cor amarela, as cores aqui indicadas devem ser invertidas, conforme o
art. 136, inciso III.

Veículos de autoescola
Os veículos destinados à formação de condutores serão identificados por uma faixa amarela,
de vinte centímetros de largura, pintada ao longo da carroçaria, à meia altura, com a inscrição
AUTOESCOLA na cor preta. No veículo eventualmente utilizado para aprendizagem, quando
autorizado para servir a esse fim, deverá ser afixada ao longo de sua carroçaria, a meia altura,
faixa branca removível, de vinte centímetros de largura, com a inscrição AUTOESCOLA na cor
preta, conforme o art. 154 e seu parágrafo único.
O artigo 8º, § 5º da resolução 358/2010 do CONTRAN trabalha o tema nos seguintes termos:
“Os veículos de aprendizagem das categorias B, C, D e E, devem estar identificados por uma
faixa amarela de 20 (vinte) centímetros de largura, pintada na lateral ao longo da carroceria,
a meia altura, com a inscrição “AUTO-ESCOLA” na cor preta, sendo que, nos veículos de cor
amarela, a faixa deverá ser emoldurada por um filete de cor preta, de no mínimo 1 cm (um
centímetro) de largura.”
Ainda com relação a Resolução 358/2010, podemos extrair outra informação útil em seu
artigo 8º, § 4º:
“Os veículos de aprendizagem da categoria “A” devem estar identificados por uma placa
de cor amarela com as dimensões de 30 (trinta) centímetros de largura e 15 (quinze)
centímetros de altura, fixada na parte traseira, em local visível, contendo a inscrição “MOTO
ESCOLA” em caracteres pretos.”

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Outras identificações

Reservamos um item para comentarmos acerca dos outros elementos de identificação de


veículos, a fim de fecharmos o assunto sem deixar lacunas. Quero consignar, que não nos
aprofundaremos nesses outros elementos de identificação de veículos, uma vez que não são
objetos de questões em concursos públicos. Os elementos a serem estudados são a numeração
do motor, do lacre, e o número de identificação dos equipamentos veiculares e por fim o
Dispositivo Auxiliar de Identificação Veicular.

Numeração do motor
O que representa o motor no veículo, considerando o veículo como um todo? Qual a
necessidade de termos numeração até no motor? Essas são as perguntas que nos fazemos
quando nos deparamos com a obrigatoriedade imposta pelo CONTRAN, em suas resoluções,
de termos o motor do veículo numerado. Para que possamos responder a primeira pergunta
devemos ir ao CTB, mais precisamente em seus arts. 124, V e 125, para percebermos que existe
a necessidade do fabricante informar o número dos agregados do veículo para obtenção do
código RENAVAM, assim como dos proprietários para que possam tirar o novo registro.
Observe que o legislador não definiu o que seriam esses agregados do veículo, quem definiu foi
o CONTRAN em sua Resolução de número 282/2008. Nesta Resolução o CONTRAN afirma que
o motor é um dos agregados citados no CTB.
Diante do exposto ficou fácil responder a segunda pergunta, uma vez que é fácil notar que com
a individualização dos agregados aumenta o controle sobre os desmanches de veículos.
Enquanto não existir norma técnica da ABNT regulamentando o tema, aplica-se a Resolução
282/2009 do CONTRAN. Esta Resolução nos informa que a gravação que estiver irregular,
somente poderá ser executada em superfície virgem do bloco, composta por nove dígitos com
a seguinte regra de formação:
a) primeiro e segundo dígitos: sigla da Unidade da Federação (UF) que autorizou a gravação;
b) terceiro ao nono dígitos: sequencial fornecido pelos órgãos executivos de trânsito dos
Estados e do Distrito Federal, iniciando por 0000001.
A gravação do número fornecido, será executada exclusivamente por empresas autorizadas
pelos órgãos executivos de trânsito dos Estados e do Distrito Federal.
Por fim, a gravação em bloco cuja numeração original tenha sido removida mecanicamente,
somente será autorizada após perícia realizada pela autoridade policial, sendo todas
informações registradas no RENAMO (Registro Nacional de Motores), que deverá ser criado e
implantado pelo DENATRAN.

Número do lacre das placas traseira


Segundo a Portaria 272/2007, publicada em 24/12/2007, do Departamento Nacional de Trânsito
(Denatran), os veículos emplacados a partir de 1° de julho de 2008 receberão os novos lacres,

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que deverão conter a inscrição DETRAN seguida da UF e um código de nove dígitos numéricos
e um dígito verificador. O código será incluído no banco de dados do Registro Nacional de
Veículos Automotores (Renavam).
A medida visa garantir mais segurança e reduzir a possibilidade de fraude. Por meio de um
sistema de informação de registro e armazenamento dos lacres, será possível controlar, por
exemplo, a distribuição, guarda dos estoques e instalação dos lacres. Segundo a Portaria, no
processo de emplacamento o sistema deverá permitir, no mínimo, o rastreamento dos lacres,
registros de reposição de lacre danificado, de estorno e de lacre inutilizado.
A atualização do lacre será a partir de 1º de julho de 2008, nas seguintes condições: veículos
novos quando do primeiro registro e emplacamento; veículos registrados quando da
transferência de propriedade ou mudança de Município e nos serviços em que seja necessária
a realização de vistoria. Os demais casos serão estabelecidos pelos DETRANs, desde que não
ultrapasse 31/12/2011.

NIEV – Número de identificação dos equipamentos veiculares


Conforme a portaria 27/2002 do DENATRAN, que estabelece os procedimentos para
cadastramento dos instaladores/fabricantes de Equipamentos Veiculares (carroçaria) e emissão
do Certificado de Adequação à Legislação de Trânsito – CAT, para efeito de complementação do
pré-cadastro do Sistema Nacional de Trânsito, faz menção a numeração que deve ser colocada
na carroçaria pelo instalador ou fabricante.
No art. 2° da referida portaria, temos a menção que o fabricante deve atender tanto aos
requisitos do anexo II da referida Portaria, como de identificação veicular, sendo assim,
conforme o anexo II, o fabricante/instalador da carroçaria deve informar os locais do NIEV, e
numerá-lo conforme Norma ABNT/ 13.399 (17 dígitos).
Por fim, perceba que além do número de identificação do veículo (VIN), gravado no chassi ou
monobloco, temos também a numeração NIEV, gravada na carroçaria, conforme explicitado
acima.

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