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TEXTOS DIVERSOS DO SITE HERMANUBIS – MARTINISMO

OS SEGREDOS DO CORDÃO MARTINISTA


Pelo Amado Irmão Monte Cristo SI

Entre tantas e necessárias diferenças entre os diversos segmentos Martinistas (


Ordens, ritos e interpretações sobre a Tradição e a descendência Iniciática), há
certos princípios e fundamentos que devem permanecer imutáveis, seja qual for a
Obediência. Uma delas diz respeito as ferramentas Martinistas, os símbolos que
invariavelmente representam em qualquer Templo e em qualquer Ordem ou grupo
independente a mesma e única idéia.

O cordão é uma delas, utilizado em conjunto com os outros paramentos o cordão é


o elo o símbolo que une o Iniciado ao seu Iniciador. Porém há um significado ainda
mais profundo, ao qual podemos discorrer:

Não há dúvidas que embora em sua maioria o Martinismo seja Cristão não
religioso, embora exista legítimos segmentos não Cristãos, a sua base filosófica é
Judaica. Portanto é necessário ao estudante ter consciência que o Martinismo é
uma mística Judaico-Cristã, pelo menos em tese.

Neste sentido é necessário sempre voltar-se ao Judaísmo e ao Cristianismo


primitivo para se compreender alguns fundamentos da ritualística e da Tradição.

A citação bíblica de "um cordão triplo não se quebra facilmente" é interpretado por
alguns estudiosos para referir-se aos três Patriarcas Hebreus- Avraham, Yitschac e
Yaacov - cujas vidas formam uma corrente inquebrável que continua a existir até
os dias de hoje na Religião Hegraica, tal qual a corrente ininterrupta que nos une
desde nosso Venerável Mestre o Filósofo Desconhecido. Há além disto uma
interpretação bastante forte que apresenta o cordão como um vínculo de amor
conectando almas afins.

A origem deste cordão é o segredo do raio inicial da luz infinita do Criador através
do Iniciador preenchendo os mundos material e espiritual. Este raio de luz, que
continua a brilhar e iluminar toda a existência, é o vínculo de amor entre o Criador
e Sua Criação, entre o Iniciado e seu Iniciador e o Iniciador deste.

A raiz da palavra mitsvá (mandamento), conforme explicada no Talmud hebraico, é


"conectar junto". O cumprimento das Leis do criador é a tentativa de retornar o raio
de luz a Origem, ou seja a Reintegração, conectando-nos e ao mundo em que
vivemos à sua Fonte, sempre aprofundando nossa conexão de amor do Criador, de
Yeschouá e aos Mestre do Passado.

O fenômeno do cordão com fios triplos revela múltiplas camadas de significado. A


letra guimel, cujo valor numérico é três, tem a forma de um pé que caminha,
representando, em níveis diferentes, a expressão do movimento dinâmico. Em
relação a anjos, aos quais se refere como "aqueles que ficam em pé", refere-se aos
homens como "aqueles que caminham": "E Eu o farei aquele que caminha dentre
aqueles que ficam em pé" (Zecharyá 3:7).
Avraham, Yitschac e Yaacov , ou Iniciado, o Iniciador e o Iniciador deste,
representam a resposta dinâmica aos desafios e provações da vida, sempre
avançando e ascendendo. As três linhas-eixo das sefirot, simbolizadas pelos três
Patriarcas Hebreus e a corrente de Iniciadores, representam os princípios de
harmonia e equilíbrio em um mundo de óbvia dualidade. Aqui está contido o
segredo de parte do Pantáculo Martinista com seus dois triângulos entrelaçados
criando uma imagem de simetria e equilíbrio.

Outra manifestação relacionada do cordão triplo é a declaração dos Sábios: "O


mundo se apóia em três coisas: na Sabedoria , na Força e na Beleza, ou ainda na
Caridade , na Fé e na Esperança e finalmente na Providencia, na Vontade e no
Destino, uma tríade formada por outra tríade na retificação do mundo.
OS SETE PODERES ESPIRITUAIS DA ALMA
Grupo Hermanubis

A natureza da alma
De acordo com a Cabala Hebraica toda alma humana possui 10 sefirot, ou poderes
espirituais. Os primeiros três são intelectuais, enquanto que os sete remanescentes
estão relacionados às emoções.

Os três poderes do intelecto são a força primária motivadora do elemento Divino da


alma. Os sete poderes emotivos são a força primária motivadora do elementos
animalesco da alma.

No estado animalesco da alma, os três poderes intelectuais obedecem os desejos


materialistas dos sete poderes emotivos. Foi para corrigir esta "confusão" que as
sete Leis de Nôach (Noé) foram outorgadas.

Para a Humanidade, a "retificação" espiritual envolve o refinamento dos sete


poderes inatos de emoção, através de um compromisso de cumprir os Sete
Mandamentos de Nôach.

Os Sete Mandamentos de Nôach


Como dissemos, os Sete Mandamentos de Nôach correspondem aos sete poderes
emotivos da alma. Estes, por sua vez, correspondem às sete partes principais do
corpo.

Parte do
Sefirá Mandamento
corpo
Braço
Chessed (bondade) Proibição de adultério
direito
Braço
Gevurá (poder) Proibição de assassinato
esquerdo
Tiferet (beleza) Proibição de roubo Torso
Netzach (vitória, Perna
Proibição de idolatria
eternidade) direita
Perna
Hod (esplendor,) Proibição de blasfêmia
esquerda
Órgão
Yesod (fundação) Proibição de comer carne
sexual
Estabelecimento de um
Malchut (reino) Boca
sistema legal

A verdadeira fé em um Criador representa a suprema vitória do homem sobre o


mal (cujo único poder real é a habilidade do mal conduzir a fé de alguém), e o
portal para a eternidade. A perversão da fé é a idolatria. Blasfêmia, o "sócio" da
idolatria, é uma perversão do reconhecimento e expressão da alma do
agradecimento ao Criador.

Enquanto os cinco primeiros e o último dos mandamentos de Nôach foram dados a


Adam (Adão) no início da Criação, o sexto foi primeiro outorgado a Nôach após o
Dilúvio. A Torá refere-se a Nôach como o tsadic (o justo), o alicerce (yessod) de
sua geração. As dez primeiras gerações da humanidade haviam sido instruídas pelo
Criador a serem vegetarianas. Após o Dilúvio, O Criador permitiu a Nôach e seus
descendentes comer carne de animais em geral, mas proibiu-os de comer membros
amputados de um animal vivo, ou de beber sangue de animal vivo.

O sétimo mandamento de Nôach é o único positivo. É o mandamento de


estabelecer um sistema legal para julgar aqueles que transgridem os sete
mandamentos prévios, desta maneira retificando e regulando a sociedade. Este
mandamento corresponde ao poder de malchut (reino), pois a lei é a fundação de
qualquer reino. Como dizem nossos Sábios: "a lei do reino é a lei a ser obedecida."
Malchut recebe energia dos outros poderes da alma, como foi dito: "Todos os rios
[os seis poderes] fluem para o mar [malchut]." No corpo do ser humano, malchut
corresponde à boca, cuja função é dirigir e controlar a sociedade.

Quando estes sete mandamentos são ordenados na estrutura sefirótica, familiar


aos estudantes da Cabalá, temos:
Gevurá
Poder
Assassinato

Chesed
Bondade
Adultério

Tiferet
Beleza
Roubo

Hod
Esplendor
Blasfêmia

Netzach
Vitória
Idolatria

Yessod
Fundação
Ingerir membros amputados de um animal vivo

Malchut
Reino
Estabelece um sistema legal
A AUTORIDADE PRIMITIVA DO HOMEM
no que consiste sua glória
Louis Claude de Saint Martin

Este Homem primitivo teria tido também legiões, sobre as quais teria tido
autoridade absoluta, comunicando a elas o seu espírito, como um general, por
assim dizer, transmite sua vontade a milhares de homens sob seu comando,
tornando-os um consigo mesmo, e tirando deles, de certa forma, suas próprias
vontades, para dar-lhes somente a sua; de outra forma, seu controle sobre os
soldados seria impossível e inexplicável.

Este Homem primitivo teria, igualmente, contemplado a si mesmo em sua legião, e


assim teria obtido a verdadeira glória, porque poderia valer por algo que possuía, a
beleza de seus exércitos, sua coragem ao defender a causa da justiça, ou seja,
todas as maravilhas que poderia, de fato, fazer brotar de si mesmo e florescer em
todos os seus subordinados à vontade. Ao invés disto, neste plano, suas legiões
aparecem diante dele já vestida, armada e treinada; aqui, não é sempre ele próprio
quem semeia aquilo que colhe, já que a maioria nunca tenha visto, e nem ao
menos saiba o seu nome; uma espécie de conhecimento deveria ter constituído a
verdadeira força do Homem primitivo, assim como venerar suas cortes.

Ora, o que dizemos aqui a respeito da ordem militar, pode ser dito de todas as
nossas outras instituições, políticas e sociais; poderíamos dizer também em relação
à Natureza, pois o Homem poderia ter cooperado com toda região e com todos os
poderes, em cada ordem, para produzir aquelas imagens maravilhosas, aqueles
sinais arrebatadores, que teriam enchido seus olhos, por todos os lugares, e
preenchido seu coração com uma glória meritória e justamente adquirida, enquanto
que, sem seu presente e limitado estado, o homem freqüentemente vale muito
pouco em tudo aquilo que está a sua volta, e em tudo o que ele escala.

Mas se é do alto que o homem recebeu e ainda recebe tudo de melhor para o
governo de seus semelhantes, quanto mais ele decifrar as alturas, mais boas coisas
irá descobrir para seu próprio benefício, e da natureza humana; já que é das
alturas que vem o processo de cura, enviado pelo Amor Supremo para a sua
recuperação.
"Mysterium Magnum", de Jacob Boehme: A respeito de uma membrana religiosa
aberta ao homem pelo Amor Supremo, convido o leitor a extrair, se puder, algo
apropriado da obra de Jacob Boehme, Mysterium Magnum, o "Grande Mistério".

O leitor encontrará ali numerosas ramificações da árvore do convênio que o Amor


Supremo tem renovado com o Homem desde a sua degradação. Verá ali a seiva
desta árvore, manifestando-se, antes de tudo nas raízes, e então desenvolvendo-se
nos diferentes brotos, na medida em que crescem e, finalmente, nas flores e frutos
da árvore, desenvolvendo todas as propriedades contidas em seus gérmens, e
trazendo-as à luz através de seus canais. Verá ali a verdadeira linhagem sob o
manto daquela que é simbólica e, mesmo assim, uma só seiva corre através destas
duas linhagens, simultaneamente e de forma distinguível, apesar das diversidades
de características que possuem; assim, há uma harmonia entre todas as épocas
que ela abarca em seu curso. Mas, o leitor verá também, uma seiva contrária,
circulando da mesma forma pela terra, desde o momento em que fomos
aprisionados nela e apresentamos, desde aquela primeira época, até os dias atuais,
um santuário de abominações, ao lado do santuário da santidade. As descrições
que encontrará neste autor, irão instruí-lo completamente, sobre o curso daquelas
diferentes instituições religiosas que se espalharam pela terra; e fico satisfeito ao
indicar tal obra, senão deveria transcrevê-la ou traduzi-la quase que inteiramente
SALMO 139

Ó Eterno, Tu perscrutas meu íntimo e me conheces totalmente. Sabes quando me


sento ou levanto e antecipas meu pensamento onde quer que eu esteja. Estás
comigo quando repouso ou caminho, e Te são conhecidos todos os meus passos.
Antes que eu venha a pronunciar uma palavra, ela já é conhecida pelo Eterno. De
todos os lados e em todos os tempos me amparas e sobre mim estendes Tua mão
protetora, embora eu não possa compreender como nem porquê. Para onde eu
poderia ir se me quisesse afastar de Teu espírito?

Como poderia fugir de Tua Presença? Se aos céus eu ascendesse, lá Te encontraria,


e se às profundezas me lançasse, também lá estarias. Se com as asas da aurora eu
me puser a voar, e se aos confins dos mares eu me dirigir, Tua Mão me continuará
a conduzir e Tua Destra a me sustentar. Se eu disser: “Certamente a escuridão me
há de ocultar”, eis que à minha volta se iluminará a noite. De Ti nada encobrem as
trevas e para Ti brilha a noite como o dia, pois luz e trevas são para Ti iguais Minha
mente foi por Ti criada, e no seio de minha mãe me formaste.

Louvar-Te-ei por me teres tão maravilhosamente plasmado, pois admiráveis são


todas as Tuas obras como bem o sabe minha alma. De Ti não esteve oculta minha
essência quando em segredo fui gerado; nos recônditos da terra fui moldado. Teus
olhos fitaram meu ser ainda disforme, pois em Teu livro estão registradas todas as
criaturas que, a seu tempo, serão criadas. Para o Eterno, entretanto, todas são
como se fossem somente uma. Quão valiosos são para mim Teus pensamentos e
quão vastos!

Se pretendesse contá-los, perceberia serem mais numerosos que os grãos da areia,


pois, mesmo ao terminar, continuaria a estar contigo, ó Eterno! Se destruísses os
malévolos, ir-se-iam de mim os sanguinários, que pronunciam Teu Nome para
intrigas e O usam em vão. Repudio os que Te odeiam e combaterei os que contra Ti
se levantarem. Eu os abomino e verdadeiramente os considero meus inimigos.
Analisa-me, ó Eterno! Perscruta meu coração, testa-me e esquadrinha meus
pensamentos. E se vires em mim um mau caminho, guia-me ao caminho certo.
O TRABALHO NO TEMPLO
Pelo Amado Irmão Monte Cristo SI

A Tradição Martinista é oral, ou seja, transmitida pessoa a pessoa , Iniciado perante


o Iniciador, é portanto uma Fraternidade de Templo, Templo alias é a designação
do local onde se reúnem os obreiros para estudar e praticar o Martinismo que é
uma fraternidade Universal.

Numa certa cidade, um Templo Martinista estava sendo construído pelos membros
de uma Ordem, passo a passo, tijolo a tijolo... Ela era inteiramente revestida de
pedras muito claras, e dezenas de obreiros moviam-se por todos os lados para
levantá-la nos finais de semana.

Um dia, um Dignitário ilustre passou para visitar a construção. O visitante observou


como aqueles Martinistas passavam, um após o outro, carregando pesadas pedras,
e resolveu entrevistar três deles todos Associados. A pergunta foi a mesma para
todos.
O que você está fazendo?

Carregando pedras, disse o primeiro !, Mas para que carregas pedra, perguntou o
Visitante, Ele respondeu: eu carrego estas pedras daquele monte para aquele outro
monte de pedras. Mas o prédio fica na outra direção afirmou o Visitante....

Já no segundo questionamento recebeu como resposta: Trabalhando para meu


Mestre, respondeu o segundo. Mas qual é a obra que seu Mestre está construindo?
A Obra eu ainda não fui informado é segredo que somente saberei quando for
também um Mestre. Mas quem é seu Mestre? Ele é secreto tão secreto que nem eu
mesmo o conheço. Isto explicava porque ele estava carregando de dentro para fora
as pedras que já havia sido assentadas.

O terceiro indagado respondeu: Estou construindo um pequeno Templo para a


minha Ordem, muitos serão recebidos lá dentro como eu já o fui, todos os meus
amados irmãos se lembrarão de cada pedra aqui colocada, todos os obreiros tem
igual importância, aqui eu e meus filhos pretendemos receber uma herança, não
uma herança material, mas um legado espiritual e intelectual, esta herança
segundo Papus é composta de alguns pontos e duas letras...

O que essa estória nos indica ? Ela nos mostra que nossa fraternidade não será
perfeitamente construída por aqueles que detém a força física ou por aqueles que
não entendem ao certo o que está sendo edificado.

Demonstra que a sua Ordem não pode ser arquitetada por obreiros que seguem
seus Mestres realizando tudo o que estes lhes pedirem, podendo seguir cegamente
a outros cegos.
Finalmente demonstra que a sua Loja somente irá crescer e se fortificar se houver
interesses, objetivos, e sonhos em comum, mesmo realizando o pesado trabalho de
carregar pedras, nivelando Associados, Iniciados e SI's, todos devem saber
exatamente qual é o objetivo da obra, qual é o objetivo de tamanho esforço e qual
será a recompensa final, a recompensa que não pode ser expressa em moeda, em
poder, em valorização do Ego, mas que poder ser mensurado por uma herança
intelectual e espiritual.

Existem e sempre existirão os estudantes que irão freqüentar a fraternidade para


cumprir um preceito pessoal. Há os que vão à Ordem para fazer seus estudos
pessoais e obter suas próprias conclusões. E há aqueles que vão ao seu Templo e
ao meu Templo para travar a boa luta, aquela que pretende afastar sem violência e
sem sangue a ignorância, a superstição, o mal e as trevas da face da Terra, aqueles
que sempre irão lutar pela diversidade, pela tolerância, pela união das ciências com
as Religiões. Pois os Verdadeiros Martinistas não lutam pela unificação da Religiões,
mas defendem a mútua aceitação entre elas, lutam para que Judeus, Cristão,
Muçulmanos, Budistas, Hinduístas compreendam que embora com características
diferentes só existe um único Deus, um único Criador de todas as coisas, e que se
trabalhassem em conjunto e em harmonia, a raça humana se beneficiaria de um
eterno período de tranqüilidade.
OS 'LANDMARKS' DO MARTINISMO
Tradução inteiramente nova a partir da versão francesa de uma Irmã
Desconhecida:

pesquisa e colaboração de Frater Zelator ( SI - SII)

O objetivo deste artigo é o de examinar os 'Landmarks' do Martinismo, os


elementos particulares ao Martinismo com os quais todos os Martinistas,
individualmente, e todas as Ordens Martinistas, coletivamente, podem concordar.
Em Franco-Maçonaria, os 'Landmarks' são elementos que definem a Maçonaria, e
sem os quais não há nada maçônico. Um 'Landmark' é, pois, uma característica que
define quem somos nós e que ajuda a definir os caminhos por onde, ? ainda que
falemos uma linguagem diferente, ou ainda que usemos diferentes vestes, ?
sejamos, todavia, membros de uma mesma família, como se pode ver em grandes
reuniões familiares. Uma grande quantidade de tinta já foi espalhada sobre os
elementos que nos separam. E, contudo, não somos nós filhos de um mesmo Pai?
Não somos Irmãos e Irmãs de uma só família iniciática?

1) Crença em Deus e invocação de Yeheshua. O Martinismo é uma Ordem


essencialmente cristã, e Yeheshua é invocado quando de cada reunião martinista e
figura em cada documento martinista. A crença na Divindade é um traço essencial
de todas as estruturas iniciáticas. Sem ela, não temos razão de ser, e nossos
juramentos são sem significação. Somos cristãos, não de um modo estreito e
dogmático, mas de um modo verdadeiramente respeitoso do mistério da
encarnação do Logos no mundo físico. Nesse sentido, os acontecimentos do drama
cristão são progressivos, e é esta participação do divino na existência que engendra
todos os milagres que se produzem em resposta a nossas preces e atos teúrgicos.
Todos os Martinistas estão, ou deveriam estar, de acordo com esse 'Landmark'.

2) A Iniciação conferida por Louis-Claude de Saint-Martin, chamada S. I..


Alternativamente, podemos considerar esta Iniciação como a transmissão de uma
essência espiritual proveniente de Martinez de Pasqually e de Louis-Claude de
Saint-Martin. É esse legado que faz de nós Martinistas. Consideramos tal legado
como a transmissão de uma essência espiritual que nos une como família iniciática.
Podemos tê-la alcançado por diferentes caminhos, como a diferença entre a filiação
russa, a filiação que veio de Papus, e aquela que veio de Chaboseau, mas é uma
filiação que, em cada caso, remonta a Saint-Martin. De acordo com a tese de nosso
estimado Irmão Robert AMADOU, trata-se, pois, de uma filiação de desejo, de uma
filiação espiritual, que pouco a pouco se formaliza ritualisticamente, sob a influência
de diversas personalidades.

3) A organização, por Papus, de uma estrutura que consiste em dois graus


preparatórios e um grau, aquele de S. I. Todas as Ordens Martinistas trabalham
com esta mesma estrutura, ainda que os nomes dos graus possam variar.
Habitualmente são: o " Associado "; o segundo " Iniciado "; e o terceiro " Superior
Desconhecido " ou " Servidor Desconhecido "i.

4) A transmissão da Iniciação de pessoa a pessoa, EM PESSOA, por um Iniciador


autorizado, qualquer que seja seu título. A Iniciação é um presente dado pelo
iniciador ao seu iniciado ou iniciada, e constitui uma marca da mais profunda
confiança entre ambos. Ela jamais pode ser transmitida pelo correio ou por telefone
ou de outra maneira que não fisicamente, por uma pessoa, e em presença dos
símbolos martinistas fundamentais. É possível que os Iniciadores tenham diferentes
títulos: Iniciador, Iniciador Livre, Filósofo Desconhecido, etc. Em todos os casos,
tais títulos querem dizer a mesma coisa, uma vez dada a autoridade por outro
iniciador para conferir a Iniciação. É verdade que, num certo grau, cada Iniciador é
livre e autônomo e, em última instância, a Iniciação é deixada à sua discrição.
Contudo, o desejo e a exigência de praticar ato de caridade intelectual e espiritual,
no Homem de Desejo, devem ser equilibrados por uma consciência da
responsabilidade implicada. Assim, um Iniciador não deveria jamais conferir a
Iniciação àqueles que são apenas curiosos, e àqueles que procuram a Iniciação
para satisfazer seus próprios egos exteriores ou àqueles que a procuram com
finalidade mercenária. Ora, se é assim para a Iniciação, quanto mais verdadeiro
não será para a posição do Iniciador? É em suas mãos que reside nossa Tradição.
Assim, cada Iniciador deve fazer todos os esforços possíveis para conservar sua
herança e para transmiti-la intacta à sua posteridade. Ele deve também assegurar-
se de que esta Tradição não seja nunca rebaixada pelo fato de ser conferida a
candidatos que não tenham sido profundamente preparados e instruídos, mas
apenas àqueles dos quais estão seguros que a manterão em sua pureza, sem
diluição alguma nem rebaixamento, fazendo dela uma simples mercadoria.

5) Os Mestres Passados. Foram eles que criaram, que têm contribuído e moldado
nossa Tradição, e que nos transmitiram sua filiação. Todos nós conhecemos alguns
deles: Papus, Sédir, Phaneg, Maître Philippe. Outros são conhecidos apenas dos
membros de uma ou outra linha de filiação. E alguns trabalham tão completamente
por trás da máscara que são conhecidos apenas de outros Santos e das grandes
almas, e não o são nem por todos aqueles que estão ao seu redor. Nós invocamos
sua presença em cada reunião e buscamos seus conselhos e proteção.

6) A liberdade essencial para o iniciado de seguir sua própria via de reintegração.


Desde o seu começo, a Ordem Martinista teve um programa da instrução e de
símbolos fundamentais. Ora, ao lado disso, cada Iniciador ou Presidente de Grupo
foi livre para instruir de acordo com sua própria compreensão e na compreensão e
interesse de seu grupo. O Martinismo é, pois, antes um lugar de encontro que um
rígido programa de estudos, e é bom que seja desse modo, porque a via de
reintegração é pessoal. Assim é que alguns trabalham em uma Ordem, e outros em
outra e ainda em outras como Martinistas Livres. Isso sempre foi assim.

7) Necessidade da Crença no processo de reintegração para emergir da Floresta


dos Erros. Desde seus mais longínquos antecedentes na doutrina de Pasqually, a
Ordem Martinista sempre afirmou que o Homem sofreu a queda, perdido na
privação e ignorando os privilégios de seu estado primordial. O papel das escolas
de Don Martinez e de Louis-Claude de Saint-Martin tem sido sempre o de relembrar
ao Homem as glórias de suas origens celestes e de indicar-lhe uma via de retorno.
Alguns preferem seguir uma via operativa; outros, a Via do Coração; entretanto,
qualquer que seja a via escolhida, a viagem deve ser começada e terminada.

8) O uso do Manto simbólico, da Máscara e o Cordão. Não é fundamental que o


Manto seja preto, branco ou vermelho, ou que o Cordão de S. I. seja branco,
vermelho ou dourado; ou que traga três nós, cinco ou nenhum ao todo. Todos os
Martinistas fazem uso desses três profundos símbolos e sua significação subjacente
é, em todo caso, a mesma.

9) O uso de três tecidos: negro, vermelho e branco. Como com o manto, a máscara
e o cordão, eles são de uso universal, e seu simbolismo é explicado em toda parte
da mesma maneira.
10) O uso do trígono das Luminárias. Sobre o altar martinista, há três velas
brancas dispostas de modo triangular. Em algumas lojas, elas são utilizadas apenas
em dois graus; em outras elas são utilizadas em todos os três, mas não são acesas
em apenas um deles. Todavia, o simbolismo é sempre o mesmo e pode ser adotado
por todos os Martinistas.

11) O uso do Pantáculo martinista. Em algumas Ordens, está por terra no Oriente;
em outras, encontra-se acima da cadeira do Iniciador; em outras ainda aparece nos
dois lugares. Ele aparece em todos os documentos martinistas e constitui um
símbolo martinista universal.

12) O lugar dos Mestres Passados. Em cada Templo Martinista, qualquer que ele
seja, existe um lugar, uma cadeira ou mesa, ou altar com uma vela que representa
os Mestres Passados de nossa Ordem, de nossa família iniciática. Este lugar pode
ser mais decorado, mas a vela está sempre presente e é acesa em todas as
cerimônias, para representar nossa invocação dos Mestres Passados, para
representar sua presença em nossas assembléias e para representar nossa
aspiração em nos unir a eles.

i A abreviatura S.I. corresponde a essa denominação, qual seja, a de Servidor


Desconhecido.
SILÊNCIO

Frater Zelator ( SI - SII)

Verbete sobre o silêncio no Dicionário de Símbolos do Jean Chevalier:

O silêncio e o mutismo têm uma significação muito diferente. O silêncio é um


prelúdio de abertura à revelação, o mutismo, o impedimento à revelação, seja pela
recusa de recebê-la ou de transmiti-la, seja por castigo de tê-la misturado à
confusão dos gestos e das paixões. O silêncio abre uma passagem, o mutismo a
obstrui. Segundo as tradições, houve um silêncio antes da criação; haverá um
silêncio no final dos tempos. O silêncio envolve os grandes acontecimentos, o
mutismo os oculta. Um dá às coisas grandeza e majestade; o outro as deprecia e
degrada. Um marca um progresso; o outro, uma regressão. O silêncio, dizem as
regras monásticas, é uma grande cerimônia. Deus chega à alma que faz reinar em
si o silêncio, torna mudo aquele que se dissipa em tagarelice e não penetra naquele
que se fecha e se bloqueia no mutismo.

O silêncio é uma abertura à revelação,


o mutismo, o impedimento à revelação.
O silêncio dá às coisas grandeza e majestade,
o mutismo as deprecia e degrada.
Ensinamento oral? E o silêncio? Bem próprio dos símbolos: eles realizam a
conjunção dos opostos.
O tema do Silêncio aparece diversas vezes no Corpus Hermeticum grego e nos
escritos gnósticos de Nag Hammadi. Mas sua origem é bem mais recuada. O
Hermes Trismegisto alexandrino teve sua origem no deus Thot egípcio. E o silêncio
aparece freqüuentemente na teologia egípcia arcaica.
Amon, por exemplo, era chamado de O Grande Silencioso. Em uma antiga fórmula
de oferenda a este deus gravada numa estela, cerca de 2000 a.C., está escrito:
Seja feliz aquele que repousa no braço de Amon,
O protetor dos silenciosos, [...]
Que concede seu Sopro àqueles a quem ama [...] [1]

Aqui, a palavra "silenciosos" de acordo com a antiga teologia egípcia, servindo para
designar sacerdotes e escribas, sábios e iniciados nos Mistérios. Mas não é somente
a Amon, Senhor dos Silenciosos, que dirigem hinos aqueles que aprenderam a se
afastar um pouco do burburinho profano.
Thot, Senhor das Palavras Faladas e Escritas, também é associado ao silêncio,
como nesta prece de um escriba da Casa da Vida:
Ó, Thot, coloca-me em Hermópolis,
A cidade onde é doce viver [...]
E que possas guardar a minha boca quando falo. [...]
Ó, tu, que levas a água [da vida] a locais afastados,
Vem e salva-me, pois eu sou um silencioso.
Ó, tu, fonte doce para o homem alterado no deserto!
Ela [a fonte] encontra-se selada para os tagarelas,
Mas aberta para o silencioso.
Ele vem, o silencioso, e encontra a fonte! [2]

Irineu foi um Padre da Igreja, ou seja, um daqueles primeiros intelectuais cristãos


que ajudaram na formação do Cristianismo que então engatinhava. Irineu nasceu
no ano 130 na Ásia Menor e morreu em 200 na Gália (atual França). Sua obra mais
conhecida é Adversus haeresis (Contra as heresias), é um livro escrito por ele para
defender ferozmente a Igreja contra os hereges da época, na sua maioria
gnósticos.
Nesta obra Irineu descreve um mito dos gnósticos da seguinte maneira:
[Deus é] uma entidade perfeita pré-existente, profunda, invisível e não-gerada, em
grande imobilidade e silêncio. Com ela coexistiu o pensamento, que eles [os
gnósticos] também chamam de Encanto e Silêncio. E o profundo pensou em emitir
a origem da completude. E depositou sua emanação como esperma, no ventre do
silêncio, o que então gerou o Intelecto. [1]
Esse ínfimo instante vazio da sua meditação é o espaço imediatamente anterior ao
processo criativo.
Texto relativo ao Evangelho de Mateus cap. 23 para reflexão

Frater Zelator ( SI - SII)

O evangelista Mateus afirma que Jesus falou aos seus discípulos frente à Multidão
(vers. 1); sabendo que seus discípulos sabiam "Ler" ou interpretar o que Jesus
realmente queria dizer-lhes, o que podemos deduzir de:
a) Vós, porém, não queirais ser chamados Rabis, porque um só é o vosso Mestre, a
saber, o Cristo, e todos vós sois irmãos;... Nem vos chameis mestres, porque um
só é o vosso Mestre, que é o Cristo
b) Insensatos e cegos! Pois qual é maior: o ouro, ou o templo, que santifica o
ouro?... Insensatos e cegos! Pois qual é maior: a oferta, ou o altar, que santifica a
oferta?
c) Fariseu cego! limpa primeiro o interior do copo e do prato, para que também o
exterior fique limpo

Mateus, 23
1 ENTÃO falou Jesus à multidão, e aos seus discípulos,
2 Dizendo: Na cadeira de Moisés estão assentados os escribas e fariseus.
3 Todas as coisas, pois, que vos disserem que observeis, observai-as e fazei-as;
mas não procedais em conformidade com as suas obras, porque dizem e não
fazem;
4 Pois atam fardos pesados e difíceis de suportar, e os põem aos ombros dos
homens; eles, porém, nem com o dedo querem movê-los;
5 E fazem todas as obras a fim de serem vistos pelos homens; pois trazem largos
filactérios, e alargam as franjas das suas vestes,
6 E amam os primeiros lugares nas ceias e as primeiras cadeiras nas sinagogas,
7 E as saudações nas praças, e o serem chamados pelos homens; Rabi, Rabi.
8 Vós, porém, não queirais ser chamados de Rabi, porque um só é o vosso Mestre,
a saber, o Cristo, e todos vós sois irmãos.
9 E a ninguém na terra chameis vosso pai, porque um só é o vosso Pai, o qual está
nos céus.
10 Nem vos chameis mestres, porque um só é o vosso Mestre, que é o Cristo.
11 O maior dentre vós será vosso servo.
12 E o que a si mesmo se exaltar será humilhado; e o que a si mesmo se humilhar
será exaltado.
13 Mas ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Pois que fechais aos homens o
reino dos céus; e nem vós entrais nem deixais entrar aos que estão entrando.
14 Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Pois que devorais as casas das viúvas,
sob pretexto de prolongadas orações; por isso sofrereis mais rigoroso juízo.
15 Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Pois que percorreis o mar e a terra
para fazer um prosélito; e, depois de o terdes feito, o fazeis filho do inferno duas
vezes mais do que vós.
16 Ai de vós, condutores cegos! Pois que dizeis: Qualquer que jurar pelo templo,
isso nada é; mas o que jurar pelo ouro do templo, esse é devedor.
17 Insensatos e cegos! Pois qual é maior: o ouro, ou o templo, que santifica o
ouro?
18 E aquele que jurar pelo altar isso nada é; mas aquele que jurar pela oferta que
está sobre o altar, esse é devedor.
19 Insensatos e cegos! Pois qual é maior: a oferta, ou o altar, que santifica a
oferta?
20 Portanto, o que jurar pelo altar, jura por ele e por tudo o que sobre ele está;
21 E, o que jurar pelo templo, jura por ele e por aquele que nele habita;
22 E, o que jurar pelo céu, jura pelo trono de Deus e por aquele que está assentado
nele.
23 Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Pois que dizimais a hortelã, o endro e o
cominho, e desprezais o mais importante da lei, o juízo, a misericórdia e a fé;
deveis, porém, fazer estas coisas, e não omitir aquelas.
24 Condutores cegos! Que coais um mosquito e engolis um camelo.
25 Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Pois que limpais o exterior do copo e
do prato, mas o interior está cheio de rapina e de iniqüidade.
26 Fariseu cego! Limpa primeiro o interior do copo e do prato, para que também o
exterior fique limpo.
27 Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Pois que sois semelhantes aos
sepulcros caiados, que por fora realmente parecem formosos, mas interiormente
estão cheios de ossos de mortos e de toda a imundícia.
28 Assim também vós exteriormente pareceis justos aos homens, mas
interiormente estais cheios de hipocrisia e de iniqüidade.
29 Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Pois que edificais os sepulcros dos
profetas e adornais os monumentos dos justos,
30 E dizeis: Se existíssemos no tempo de nossos pais, nunca nos associaríamos
com eles para derramar o sangue dos profetas.
31 Assim, vós mesmos testificais que sois filhos dos que mataram os profetas.
32 Enchei vós, pois, a medida de vossos pais.
33 Serpentes, raça de víboras! Como escapareis da condenação do inferno?
34 Portanto, eis que eu vos envio profetas, sábios e escribas; a uns deles matareis
e crucificareis; e a outros deles açoitareis nas vossas sinagogas e os perseguireis
de cidade em cidade;
35 Para que sobre vós caia todo o sangue justo, que foi derramado sobre a terra,
desde o sangue de Abel, o justo, até ao sangue de Zacarias, filho de Baraquias, que
matastes entre o santuário e o altar.
36 Em verdade vos digo que todas estas coisas hão de vir sobre esta geração.
37 Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas, e apedrejas os que te são
enviados! Quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha ajunta os
seus pintos debaixo das asas, e tu não quiseste!
38 Eis que a vossa casa vai ficar-vos deserta;
39 Porque eu vos digo que desde agora me não vereis mais, até que digais:
Bendito o que vem em nome do Senhor.

Comentários:
O Cap. 23 de Mateus traz, em breves palavras, nossas atitudes perante nós
mesmos e as obras Divinas.
Nossa labuta nos prende à matéria quando na verdade deveríamos alçar vôo aos
anjos de Deus.
Mas, segundo alguns, não será essa a artimanha do Testador? Não quererá ele que
nos atenhamos aos ardis da matéria, burocraticamente, nos perdendo nas ilusões
do ouro falso do que buscando a Deus?
O que seria da terra sem os homens a glorificá-la? Esta é uma pergunta que Jacob
Boehme nos legou como prova de que, se quisermos, podemos esquecer quem
somos e chegar a Deus. Ele, um humilde sapateiro, mesmo aparente sem instrução
chegou a ver a Criação e os seus esplendores. Mostrou em seus livros que dentro
de cada um de nós há um resquício do mal a ser superado em cada atitude e nesta
vida. Fala em suas obras sobre a regeneração do homem.
Muitas vezes temos ao nosso redor as glórias de Deus e não as percebemos, pois
nos enredamos na matéria.
Buscamos através deste caminho na Terra, e do estudo, soltar as amarras e seguir
mais alto. Lembremos que quanto maior a Luz, maior a tentação nos será
oferecida. Estamos, agora, querendo beirá-la.
Temos que limpar o nosso interior ("copos e pratos") para também limpar o corpo
externo. Um corpo limpo com mente suja é o mesmo que todo o conjunto estar
sujo. E vice-versa.
Moisés subiu ao Monte para buscar a Deus, viu r ouviu a sarça ardente. Trouxe
para baixo do Monte Santo a mensagem Dele. O povo (o ser externo) não O quis
mais. Não deixemos que façamos o mesmo. Somos muitas vezes fariseus de nós
mesmos, pois a quem traímos? A quem nos entregamos, ao mal com os nossos
atos, pensamentos e palavras? Essas três últimas são as condições iniciais para a
perfeição iniciática.
Quando fazemos uma recepção a um determinado grau Martinista o que buscamos
desde antes do ritual? Não é a purificação? Então devemos mantê-la após o mesmo
ritual e por todo o sempre.
Uso Teúrgico dos Salmos

Frater Zelator ( SI - SII)

A fonte desse material vem do trabalho do Abade Julio, renomado curandeiro,


exorcista e contemporâneo de Papus, que foi traduzido por Mouni Sadhu em seu
livro chamado "Theurgy".

O acesso a este ensaio deve ser respeitado como uma Verdade Sagrada e espera-
se que seja tratado com seu devido valor.

Como o teurgia difere da oração comum, é necessária uma boa preparação


preliminar.

1. Os teúrgicos têm o conhecimento de que são meros instrumentos da Divindade.


Procuram não impor suas próprias vontades. As operações teúrgicas têm como
princípio um profundo conhecimento que Deus é Amor, e deseja o lelhor para toda
a sua criação, sem excessões.

2. Toda operação teúrgica é desenvolvida com uma profunda convicção em Deus, o


que se faz inportante para os Teúrgicos desenvolverem com perspicácia. Qualquer
preocupação ou dúvida poderá impedir seriamente a livre corrente de energia. De
forma alguma a operação teúrgica deverá ser tentada se alguma dúvida aparecer e
não for eliminada sendo deixada de lado, através por exemplo, por um período
preliminar de oração, contemplação e meditação.

3. Todo tipo de estimulantes ou intoxicantes, como café, tabaco, vinho, carne e


sexo deverão ser evitados por no mínimo 8 horas antes da operação. Muitos
insistem em seguir uma total dieta vegetariana.

4. Ambos, teúrgico e o local de trabalhos deverão estar num estado purificado,


limpo em todos os sentidos. Normalmente, toma-se uma ducha rápida e veste-se
com uma manta ou túnica apropriada para a atividade. Isto tudo ajuda a elevar a
vibração interior.

5. O lugar deverá estar perfeitamente limpo e purificado por água e abençoado por
incenso.

6. Na Abertura deverá o iniciado estar consciente de pedir ajodos os Anjos, Santos,


Superiores Incógnitos e demais iniciados desta linhagem ou àqueles que encontra
uma profunda conexão.

7. Nenhuma quantia de dinheiro deve ser aceita para qualquer operação teúrgica. É
impossível "comprar" coisas Celestiais com dinheiro terreno.

8. Os teúrgicos devem estar empregados e livres de débitos em todos os sentidos


quantos forem possíveis. Argumentos e discordâncias são melhor resolvidas antes
de entrar no local das operações teúrgicas.

9. Uma vida diária de oração, serenidade e calma devem ser especialmente


cultivadas, desde que ajude a "carregar" a bateria teúrgica. Discursos
desnecessários, crítica e fofoca deverão ser reduzidos ao máximo.
10. Os instrumentos teúrgicos como velas, recipientes com óleo abençoado e água
sagrada devem ser mantidos em lugar apropriado ou especial, roupas, mantas,
túnicas, toalhas de altar, livros sagrados, deverão ser usados e manuseados
somente por companheiros aspirantes e iniciados.

Nunca se deve tentar praticar as operações teúrgicas de modo frívolo. Além do


mais, é necessário estar inteiramente convencido de que os atos trazem benefícios
no Plano Divino.

Após a purificação do local, inicia-se com as invocações, o Sinal da Cruz, acender


uma vela e queimar um incenso.

Os salmos são ditos vagarosamente e com consciência.

Após um breve período de meditação e agradecimentos, apaga-se a vela e diz-se


"Amém" o que significa "selado na confiança".

É aconselhado beber um copo d´água e após, retornar ao local e guardar tudo o


que foi usado, então, imediatamente voltar aos afazeres diários.
Pensamento Sobre A Morte...
Louis-Claude de Saint-Martin - N.: V.: M.: O Phil.: Desc.:

A morte! Será que ela ainda existe? Não teria sido ainda destruída?
Será que o grande sacrificador e grande instrutor da prece não
esgotou, através de seu suplício, todas as angústias dessa morte?
Será que não sofreu a morte de violência a fim de que não
tivéssemos mais senão a morte de alegria? Será que, depois que ele
consumou tudo, podemos ter ainda algo a sofrer? Não, a morte não é
para nós mais do que a entrada no templo da glória. O combate foi
travado, a vitória foi conquistada, não temos mais que receber da
morte senão a palma do triunfo. A Morte! Seria com a morte corporal
que o sábio contaria para alguma coisa? Esta morte não é senão um
ato do tempo; que relação poderia ela ter com o homem da
eternidade? O homem também não teria a idéia da morte se não
tivesse o sentimento da eternidade com o qual essa idéia da morte
contrasta, e pode-se extrair daí uma outra conseqüência: a de que o
homem sábio deve ter o conhecimento moral de sua morte particular.
Ele deve seguí-la em todos os seus detalhes; deve se ver morrer já
que sua eternidade pessoal deve ver tudo o que se passa no tempo
para ele. Mas para que cumpra com dignidade todos os instantes da
importante tarefa de sua vida - sem o que ele morre nas trevas e
sem sabê-lo, como as nações e os homens da torrente. Ora, o único
mal que poderíamos experimentar da parte da morte é o morrer
antes de nascer; porque para aqueles que nascem antes de morrer, a
morte não passa de um verdadeiro benefício.

Esta matéria foi publicada originalmente no número 4 de 1953 da


edição francesa de L'Initiation.
Preces de Abertura e Fechamento das Obras para os Grupos
Martinistas

Fonte: A Alquimia Espiritual e a Via Interior - R. Ambelain

Ao abrir

"Deus Todo-Poderoso e Eterno, que Se serviu de Seu Filho como de


uma Pedra Angular para reunir os Judeus e os Gentios, elevando-se
como dois muros sobre duas fundações opostas, e que juntou estes
dois rebanhos sob um único e mesmo Pastor. Faz Senhor, que em
vista das piedosas homenagens que Lhe rendemos neste dia e neste
lugar, Seus servidores morram unidos pelo laço indissolúvel da
Caridade, e não permita que a divisão dos espíritos e a perversidade
dos corações separe os que não formam uma só família sob a
autoridade de um só Pai, e que, recebidos num mesmo Templo, todos
residam sob Sua guarda no Edifício comum … Amém! ..."

Ao Fechar:
"Soberano Mestre do Universo, que não tem nenhuma necessidade,
Tu quis erguer Teu Templo entre nós e em nós. Digna-te então,
Senhor, a conservar esta Morada para sempre na Paz e na Harmonia.
Tu que escolheu este Templo para que Teu Santo Nome seja
invocado, faz também que continue sendo uma casa de trabalho e de
rogo para Teu Povo, e que estas Pedras Viventes que são Teus
obreiros, Supremo Arquiteto do Mundo, estejam para sempre unidas
entre si pelo cimento da Caridade … Amém! ..."
Os últimos iniciados do velho mundo:
Apolônio de Tiana, Máximo de Éfeso e Juliano.
Eliphas Levy

O sacrifício de si mesmo pelos outros tem algo de aparentemente tão insensato,


mas tão sublime em realidade, que esse antagonismo que se encontra entre a
razão egoísta e o entusiasmo do devotamento justifica totalmente o Credo quia
absurdum do paradoxal Tertuliano. A fé, como a antiga Minerva, nasceu armada e
se apresenta inicialmente como triunfante. A própria natureza, a santa e imortal
natureza, parecia vencida por um instante, porque estava superada. No dia em que
o homem morreu voluntariamente para salvar os outros, o sobrenatural foi
provado. Então os sábios deste mundo e os raciocinadores se espantaram;
procuraram no Evangelho o segredo do poder do cristianismo e não o encontraram.
Viram apenas uma compilação mística de parábolas judaicas e de alegorias
egípcias; resolveram opor um livro a esse livro e um homem a Jesus Cristo, e assim
foi escrita a vida de Apolônio de Tiana. Esse monumento contemporâneo dos
Evangelhos não foi suficientemente estudado: encontram-se aí histórias e símbolos;
a fábula aí obscurece a verdade, mas esta fábula é sempre uma doutrina
apresentada sob o véu da alegoria. É dessa forma que a viagem de Apolônio à Índia
e sua visita ao rei Hiarchas no país dos Sábios representam todo o dogma de
Hermes e contêm todos os signos convencionados, todo o segredo dos antigos
santuários, isto é, a grande obra da ciência e da natureza. Os dragões da montanha
são os metalóides ígneos que contêm o mercúrio filosófico; o 41 poço onde se
encontram os reservatórios da chuva e do vento é a adega onde fermenta o fogo
eletromagnético alimentado pelo ar e excitado pela água. O mesmo acontece com
outros símbolos. O rei Hiarchas parece enganar-se quanto ao fabuloso Hiram, do
qual Salomão obtinha os cedros do Líbano e o ouro de Ophir. Notemos que Jesus
não pedia nada aos reis de seu tempo e que quando Herodes o interroga ele não se
dá ao trabalho de responder. Apolônio é sóbrio; é casto como Jesus e como ele se
devota a uma vida errante e austera. A diferença essencial entre um e outro é que
Apolônio favorecia as superstições e Jesus as destruía. Apolônio incita a derramar o
sangue e Jesus maldiz as obras do gládio. Uma cidade está afligida pela peste;
Apolônio chega, o povo, que o vê como um taumaturgo, precipita-se em torno dele
e o conjura a fazer cessar o flagelo. A peste que vos aflige, ei-la! exclama o falso
profeta mostrando um velho mendigo. Apedrejai este homem e o contágio cessará.
Sabe-se do que é capaz uma multidão furiosa, cheia de superstição e de medo. O
velho desapareceu sob um monte de pedras. Filostrato acrescenta que depois
desentulharam o lugar do assassínio e que lá só encontraram o cadáver de um
grande cão negro; e aqui o absurdo não chega a justificar a atrocidade. Jesus não
fazia apedrejar ninguém, nem mesmo a mulher adúltera; rejeitava os flagelos
públicos sobre a cabeça do pobre Lázaro, que o mau rico repelia de sua porta e do
qual os cães tinham piedade. Para curar a miséria, esta peste aos olhos dos
afortunados, oferecia o paraíso e não o último suplício. Apolônio aqui não é senão
um miserável feiticeiro, e Jesus é o filho de Deus. Apolônio tem visões; assiste em
espírito a morte do tirano de Roma e solta gritos de alegria. Coragem! diz ele
dirigindo-se aos assassinos; batei, imolai esse monstro! Jesus não tem uma palavra
de maldição contra Herodes e contra Pilatos e ora mesmo por eles ao mesmo
tempo que por seus algozes, quando diz esta palavra sublime: Pai, perdoai-lhes;
porque não sabem o que fazem! O gênio de Apolônio é uma brilhante loucura que
se revolta e protesta, o de Jesus é uma razão modesta que aceita e se submete.
Com Apolônio de Tiana o velho mundo parecia ter dito sua última palavra; mas a
Providência, que é boa jogadora, deu-lhe ainda Juliano, para que ele pudesse, mais
uma vez, tomar sua desforra. Juliano era um filósofo como Apolônio e um
imperador como Marco Aurélio. Mas também era um sofista à maneira de Libânio, e
concedia toda sua confiança a charlatões como Jâmblico e Máximo de Éfeso. Jamais
este espírito inflexível e elevado pôde compreender os doces mistérios da
manjedoura. Juliano não amava as mulheres e não tinha filhos, era casto menos
por sacrifício que por menosprezo ao prazer; sua rudeza filosófica o fazia
negligenciar até os mais comuns cuidados de limpeza. Ele confessa, no Misopogon,
que seus cabelos e sua barba eram freqüentados pelos mais sórdidos insetos e o
diz quase como se fosse um mérito. Aqui o César pediculosus torna-se
verdadeiramente grotesco. Oh! o belo queixo de bode! oh! o barbudo mal
penteado!, cantavam os habitantes de Antióquia. Juliano acredita responder
exprobando aos cantores sua debilidade e seus desregramentos. Como se os vícios
de uns pudessem autorizar a imundície de outros. Esse herói sujo, que, apesar de
tudo, havia recebido do cristianismo uma nuance indelével de filantropia, era, por
religião, amante dos sacrifícios e do sangue. Que vítima foi esse grande filósofo!
que açougueiro esse excelente príncipe! diziam os antepassados de Pasquino.
Também o vemos sempre com as roupas arregaçadas e as mãos repletas de
vísceras fumegantes. Não estávamos mais no tempo em que os príncipes gregos,
cantados por Homero, estrangulavam e despedaçavam, eles próprios, as vítimas.
Juliano não compreendia nem sua época nem a dignidade de sua classe. Nero
pudera fazer-se histrião porque, segundo a bela expressão de Tácito, o terror era
razão do menosprezo; mas Juliano, bom demais para se fazer temer, muito
desagradável para se fazer amar, não podia escapar ao ridículo ao exercer as
funções repugnantes dos sacrificadores antigos. Sacrifica-se enfim ele próprio, e o
mundo cristão aplaude. Afirma-se que após sua morte foram abertas as portas de
um pequeno templo que ele havia feito emparedar antes de partir para sua
expedição à Pérsia, e que lá foi encontrado o cadáver de uma mulher nua
pendurada pelos cabelos e com o ventre aberto. É uma invenção do ódio ou a
revelação de um mistério? Seria essa mulher um mártir ou uma vítima voluntária?
Pendemos para essa última idéia. Talvez se tenha encontrado uma jovem fanática
que quisera opor seu sacrifício ao do Cristo para a prosperidade do reino de Juliano
e o retorno aos velhos deuses. O imperador fechara os olhos e só o grande pontífice
assistira ao holocausto. O templo murado, a vítima sangrenta suspensa entre o céu
e a terra como uma prece palpitante, tudo isso parece uma paródia da crucificação.
Sabe-se que numa época bastante próxima da nossa havia moças que se faziam
crucificar assim pelo triunfo do protesto jansenista, e, se pensarmos nos ritos
bárbaros que desonravam a religião de Juliano, não rejeitaremos imediatamente
como uma calúnia póstuma a história da mulher sangrenta e do templo
emparedado. Juliano havia sido iniciado nos grandes mistérios por Máximo de Éfeso
e acreditava na virtude onipotente do sangue. Com efeito, fora através de um
batismo de sangue que Máximo de Éfeso o havia consagrado aos antigos deuses.
Juliano, conduzido à cripta do templo de Diana, seminu e com os olhos vendados,
recebeu das mãos de Máximo um cutelo, e uma voz misteriosa lhe ordenou que
batesse numa pálida figura humana que ele podia apenas entrever; a venda foi
recolocada nos olhos do neófito, conduziram sua mão e o fizeram tocar numa carne
quente e viva; nela ele cravou o gládio sagrado, e depois foi forçado a se
prosternar sob a fonte que acabara de abrir. Uma aspersão quente e nauseabunda
o fez estremecer, mas guardou silêncio e recebeu até o fim a consagração do
sangue vertido. Por esse sangue, dizia Máximo, eu te lavo da impureza do batismo.
Tu és o filho de Mitra e cravaste o gládio no flanco do touro sagrado. Que a 42
purificação do taurobólio te purifique! Juliano acabava de sacrificar um homem? não
havia ele imolado apenas um touro? é o que ele próprio então devia ignorar; mas
que esses ritos foram aqueles dos grandes mistérios, disso não poderíamos
duvidar, visto que os encontramos ainda nas tradições do iluminismo e nos antigos
rituais da maçonaria, herdeira, como sabem todos os eruditos desta especialização,
das doturinas e das cerimônias da antiga iniciação. Segundo o uso dos historiadores
antigos, Ammien Marcellin compôs um belo discurso que coloca na boca de Juliano
agonizante, como se um homem com o fígado atravessado por um dardo pudesse
sonhar em fazer discursos. Aqui achamos melhor acreditar na tradição cristã do que
na história sofística. Ora, eis o que diz essa tradição: Quando foi retirado o dardo
de três gumes da ferida de Juliano, quando seu sangue corria em abundância e ele
se sentia desfalecer, ele encheu as duas mãos com esse sangue que perdia e os
ergueu em direção ao céu pronunciando estas misteriosas palavras: Tu venceste,
Galileu! Tomam-se essas palavras por uma blasfêmia, mas não seriam antes uma
retratação tardia? O iniciado do taurobólio compreendia tarde demais que o
sacrifício de si mesmo triunfa sobre o sacrifício dos outros. Ele sentia que dando
seu próprio sangue pelos homens, o Cristo derrogou para sempre os sacrifícios
sangrentos do velho mundo. O soberano pontífice de Júpiter concedia sua demissão
oferecendo ao céu, por um lado, seu próprio sangue ao invés daquele dos bodes e
dos touros. Sim, ele parecia dizer, tu que por desprezo eu chamava de Galileu, tu
és maior que eu e tu me venceste! Toma, eis meu sangue que te dou como tu
deste o teu. Eu morro e reconheço que tu és meu mestre! Tu venceste, Galileu! As
mãos do infeliz imperador enfraqueceram, o sangue voltou à sua cabeça, e
acredita-se que ele as quis acenar em direção ao céu. Talvez assim ele se tenha
purificado das máculas do taurobólio e renovado os traços apagados de seu
batismo. Seu ato de arrependimento não foi reconhecido e deixou pesar o anátema
sobre sua memória. Mas ele fora bom e justo e Deus não deixa perecer para
sempre os que amaram e procuraram o bem, mesmo nas sombras do erro. Com
base na fé nos fantasmas evocados por Máximo de Éfeso Juliano havia acreditado
na existência real de seus deuses, e esses fantasmas eram alucinações do sangue.
Afirma-se que Juliano, esgotado pelos jejuns preparatórios e morno ainda de seu
batismo de sangue, viu passar diante dele todas as divindades do velho Olimpo. Ele
não as viu tais como são representadas pelos poetas da antigüidade, mas tais como
existem na imaginação desencantada das multidões: velhos, decrépitos, miseráveis
e abandonados. Não eram mais as grandes divindades de Homero, eram os deuses
grotescos de Luciano, tanto é verdade que os pretensos espíritos que se evocam
são miragens ou reflexos de uma imaginação coletiva. O espiritismo visionário é a
fotografia dos sonhos. As fotografias mentais são, aliás, mais duradouras que as
fotografias solares, porque se as primeiras se apagam podemos renová-las sempre
lançando o espírito nas mesmas aberrações. Vimos em 93 os últimos iniciados nos
grandes mistérios, os filantropos da escola de Juliano, perseguirem através de uma
nuvem de sangue o fantasma da liberdade. Vimos de alguma forma escapar da
tumba Brutus grotescos e Publícolas sórdidas que juravam pela santa guilhotina
invocando deuses. São Justo sonhava com um mundo governado por velhos
laboriosos e vitoriosos ornados por um cinto branco. Robespierre fez de si próprio
grande pontífice, e, segundo a lei sangrenta dos antigos mistérios, teve que perecer
sob a faca daqueles que havia iniciado; todos os filósofos e apóstatas como Juliano
pereceram, como ele, desesperados em relação ao futuro. Mas, menos generosos
que ele, talvez menos sinceros, pereceram sem presentear o céu com a oferenda
de seu próprio sangue e sem confessar que mais uma vez Galileu havia vencido. Eis
onde levam os sonhos, eis o que produz a evocação dos mortos. Se os houvessem
deixado dormir em suas tumbas, os Brutus e os Cassius, se os espectros do
areópago e do fórum não se tivessem erigido nos cérebros excitados desses
homens cuja razão era tão bem representada por uma mulher devassa, não se
teriam lançado aos milhares os filhos da França na goela devoradora do Moloch
revolucionário. Mas as larvas que nos vêm do além-túmulo são sempre frias e
alteradas; os fantasmas pedem sangue, e quando as cabeças se desorganizam a
ponto de criar visões, as mãos estão bem perto de cometer crimes. - Dai-me
flechas!, exclamava Quanctius Aucler, que um débil hierofante de Ceres vinga a
natureza ultrajada! Trata-se de matar os sacerdotes; mas nosso homem, que a
alucinação revolucionária havia tornado completamente louco, queria matá-los a
golpes de flechas, para dar a seu suplício uma cor mais antiga. Esse Quanctius
Aucler, que se dizia hierofante de Ceres, deixou um livro curioso intitulado a
Treicie, onde pede seriamente a volta do culto a Júpiter, visto que não seria
possível aderir-se ao reino de Saturno. Mas a Revolução não quis adorar nem
Saturno nem Júpiter; ela própria foi Saturno, e, segundo a sombria profecia de
Vergniaud, ela devorou todos os seus filhos
Sentido superlativo ou metafísico do emblema Iod He Vav He
Por Stanislas de Guaita

Para a obtenção do significado de nosso pantáculo, do ponto de vista metafísico, é


necessário revelar todos os mistérios do Tetragrama incomunicável UYUW (iod-he-
vau-he), síntese divina do Universo vivo.

Ora, por um lado, seria desnecessário repetir aqui as explicações bastante


detalhadas e precisas, já fornecidas anteriormente; por outro lado, o caráter
inefável do Absoluto, esse Inominável manifestado pelo nome de UYUW desafia o
esforço de nossas línguas analíticas e relativas.
Seremos, pois, extremamente sóbrio ao escrever: convém limitar esta nota a
algumas indicações bastante breves.

Que nos baste observar que Esch V} representa o Espírito puro, universal,
principalmente, que tece uma veste de luz inteligível ao místico Ain-Soph >YJ GW},
o ser-não-ser: Ser absoluto com relação a si próprio, pois ele é só, no sentido
primordial(108), não-ser em relação a nós, que somos finitos e contingentes, pois o
Relativo não pode compreender o Absoluto.

O triângulo de Aourim JWBY} figura o Verbo, indestrutível conjunção do Espírito e


da Alma Universal: como Adão-princípio produz Eva-Faculdade, constituindo com
ela uma unidade; como o Fogo V} produz a Luz BY}, constituindo com ela uma
unidade; assim, o Espírito Universal produz a Alma Coletiva, constituindo com ela
uma só e única coisa: o Verbo.

Este arcano parece ainda mais perfeitamente expresso pela figura central do
grande Andrógino. Do macho W, emana a fêmea U. Sua síntese Iah UW constitui
uma assimilação homogênea, coesa: símbolo eterno do Pai engendrando o Filho
(por intermédio da Mãe Celeste ou Natureza-Naturante) e se reproduzindo na
pessoa desse Filho. Quanto ao pássaro de Hermes, pairando acima do Andrógino,
deve-se ver nele o Espírito Santo, Y, que procede do Pai e do Filho, de Deus e da
Humanidade. Enfim, os globos que figuram abaixo representam o Reino ZYPLK
(Malkuth), esfera de ação do segundo U, onde se exerce a exaurível fecundidade do
Tetragrama no domínio da natureza naturada, mundo da substância plástica, das
formas sensíveis, das imagens.

Assim como o quaternário Iod-heve UYUW, o quaternário Agla }LO} pode servir de
chave a nosso emblema:
O primeiro Aleph (} = 1) exprime, assim, a Unidade principiante do Universo;
Ghimel (O = 3), o ternário das pessoas em Deus; Lammed (L = 12), o
desenvolvimento do ternário espiritual multiplicado pelo quaternário sensível (3 x 4
= 12), e a difusão do Ser Universal no Tempo e no Espaço. Enfim, o último Aleph, a
Unidade principiante e final, ponto de partida e ponto de chegada; a unidade
suprema para onde tudo retorna após o duplo movimento hemicíclico da Descida e
da Ascensão(109), da Desintegração e da Reintegração, da Queda e da Redenção.
Fazendo um paralelo do que foi dito acima com as noções desenvolvidas
anteriormente, será lícito ao leitor engenhoso desenvolver e completar para seu
próprio benefício o sentido superlativo ou divino do Grande Andrógino cabalístico.

Nada negligenciamos de essencial; mas, colocando os princípios, não pretendemos


demonstrá-los e, menos ainda, elucidá-los até as conseqüências que se podem
deduzir.
Exercicio diário da oração

Frater Zelator ( SI - SII)

Método de Oração - exercício da Lectio Divina


Um Método Monástico de Oração Profunda.

Recomendamos que esta prática seja realizada diariamente

A "Lectio Divina" perde-se na noite dos tempos. Pertence à Tradição Revelada.


Já a encontramos entre as comunidades Essênias da Palestina e com o advento do
Cristianismo, junto dos mosteiros do Sinai e Monte Athos. Por volta do sexto
século, Bento de Núrsia - o Patriarca dos monges do Ocidente, exorta seus
discípulos a pratica-la. Ao lado da Salmodia (Ofício Divino) e da intensa vida
litúrgica, ela torna-se o coração da vida contemplativa. A técnica que agora
explicaremos, é um desenvolvimento da "Lectio" conforme é praticada por
inúmeras famílias monásticas: Beneditinos, Cistercienses e eremitas Cartusianos. A
"Lectio Divina" nos conduz a oração profunda e nos introduz aos mistérios da
Palavra, do Santo Nome, através de sua manifestação visível: a Sagrada Escritura.
1 - A PREPARAÇÃO

o Escolha um lugar tranqüilo e uma hora sossegada do dia ou da noite.


o No início, reserve para a prática meia hora. Depois, se quiser e puder, aumente o
período. O importante é que ela seja diária.
o Lave o rosto e as mãos com água fria. Isto o ajudará a relaxar e é chamado de
Ablução.
o Sente-se confortavelmente numa cadeira ou diante de uma mesa ou
escrivaninha.
o Se desejar, coloque a sua frente uma Cruz, Crucifixo, ou mesmo um Ícone do
Cristo.
o Em seu colo, ou sobre a mesa, coloque a Sagrada Escritura (Bíblia).
o Faça 3 (três) inspirações profundas bem devagar e medite alguns segundos,
sobre o sentido do ato que fará a seguir.

2 - A PARALITURGIA

o Faça o Sinal da Cruz calmamente.


o Recite uma oração espontânea ou uma oração da Tradição Cristã, apropriada a
este momento.
o Devagar e reverentemente, abra a Sagrada Escritura.
o Leia o texto que escolheu sem pressa e com atenção. Faça a leitura mentalmente
ou em voz baixa.

3 - A LECTIO DIVINA

o Conforme vai lendo, se sentir uma especial atração por um trecho, frase ou
palavra, pare feche os olhos e imagine-se participante daquele trecho, ou repita a
frase e a palavra várias vezes. Por exemplo:
1) está lendo Mateus 13,6 (a Parábola da Figueira Estéril). Caso sinta-se tocado
neste trecho, feche os olhos e imagine-se ouvindo Jesus de Nazaré contando a
parábola. Sinta a atmosfera deste momento e a presença do Verbo Encarnado em
sua vida entre os homens. Atenção, você será apenas uma testemunha. Visualize
somente o trecho lido. Não crie situações fictícias e nem de asas a sua imaginação.
2) agora você lê o Salmo 32, 4: "meu coração tornou-se um feixe de palha em
pleno calor de verão" e sentiu-se atraído por esta frase. Ela calou fundo em seu ser
e vibrou em seu íntimo. Então feche os olhos e bem devagar, a repita inúmeras
vezes. Deixe esta frase fazer parte de você. Não se importe com o tempo,
mergulhe nela e desça as profundezas de seu coração. Entre pelo poder da Sagrada
Escritura na câmara secreta de sua alma. Se uma palavra foi a escolhida, proceda
da mesma maneira.
o Quando sentir que o seu trecho (frase ou palavra) já foi o suficientemente vivido,
bebido e experiênciado, passe adiante e continue lendo o texto bíblico.
o Não interprete ou faça exercícios mentais com o texto da Sagrada Escritura. A
"Lectio Divina" deve falar à alma e não ao cérebro.
o O mesmo trecho pode ser lido por vários dias, não se importe com o tempo. Pode
trabalhar até meses com uma frase. Aprenda a ouvir os movimentos de sua alma.

4 - ENCERRAMENTO

o Quando determinar que é hora de parar, feche a Sagrada Escritura com a mesma
calma e reverência do início.
o Recite o Pai Nosso devagar e solenemente. Depois fique alguns segundos em
silêncio.
o Faça uma oração de agradecimento espontânea ou outra oração de sua
preferência.
o Faça o Sinal da Cruz.
o Fique alguns minutos em silêncio em atitude de recolhimento.

Não tenha pressa.


Que o GADU lhes ampare e proteja.

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