Você está na página 1de 33

10

Análise de impactos
e riscos ambientais
FLÁVIO HENRIQUE MINGANTE SCHLITTLER

Objetivos do capítulo

Existe impacto ambiental quando uma atividade produz uma alteração no meio ou
em qualquer um de seus componentes. Analisar os impactos ambientais é qualificar
e quantificar estas alterações. Essas análises avaliam a qualidade ambiental com e
sem determinada ação ou empreendimento. É necessário que se realizem essas ava-
liações antes da realização de um projeto, com o objetivo de efetuar o planejamento
e a formulação de propostas do ponto de vista ambiental, ou seja, considerando
todos os fatores ambientais. Isto deve acontecer por parte do empreendedor da ati-
vidade ou ação e por parte das autoridades públicas quando aprovam, ou rejeitam,
uma proposta ou uma determinada alternativa. A análise de riscos ambientais é uma
atividade correlata à análise de impactos e que pode, inclusive, ocorrer em conjunto
com esta. Risco é conceituado como uma situação de perigo, com a imediata possi-
bilidade de um evento indesejável ocorrer. A análise de riscos envolve a identificação,
avaliação, gerenciamento e contenção de riscos ao ambiente e também à saúde pú-
blica. Os estudos de riscos ambientais antecipam eventos ambientalmente maléficos,
planejando ações de controle e de emergência.

INTRODUÇÃO processo de avaliação de impactos ambien-


tais no Brasil é um instrumento legal, fun-
Inicialmente, é preciso que se faça uma clara damentado na Constituição Brasileira e
identificação da diferença entre o processo preconizado na Política Nacional do Meio
de avaliação de impactos ambientais (AIA) Ambiente (Lei Federal nº 6.938, de 31 de
e a etapa de avaliação dos impactos que de- agosto de 1981). Com isso, o processo segue
correm de determinada ação ou empreen- diretrizes apropriadas, que são observadas
dimento e que têm presença obrigatória pela atuação do Conselho Nacional do
nos estudos de impactos ambientais (EIA/ Meio Ambiente (CONAMA) e de seus simi-
RIMA) e similares, como relatórios am- lares nos estados da federação brasileira.
bientais preliminares (RAP), relatórios am- Essas diretrizes estabelecem relações de in-
bientais simplificados (RES) e outros. O terdependência entre a legislação ambiental
220 Rosa, Fraceto e Moschini-Carlos (Orgs.)

vigente e a postulação de licenciamentos da água, uso e degradação dos solos, subs-


ambientais por parte dos empreendedores, tâncias radioativas, ruído, alterações na bio-
tanto de origem particular quanto pública. cenose (fauna e flora), uso do território e
Existe um impacto ambiental quando dos recursos naturais, mudanças no uso do
uma ação ou atividade produz uma altera- território, expropriação do terreno e espe-
ção no meio ou em algum de seus compo- culações imobiliárias, doenças, variação da
nentes (Bolea, 1977). população, taxa de emprego, incrementos
Fundamentalmente, nos estudos de econômicos (comércio, serviços, etc.), lo-
impactos ambientais, objetiva-se quantificar cais histórico-culturais que possam ser afe-
essas alterações, já que são variáveis relativas, tados, moradia, infraestrutura viária e sani-
posto que podem ser positivas ou negativas, tária, serviços comunitários e equipamen-
grandes ou pequenas, etc. Por outro lado, tos urbanos.
na definição de impacto ambiental, deve-se Literalmente, impacto significa mudan­
con­siderar dois aspectos importantes. O eco- ça. Qualquer mudança positiva ou negativa
lógico, orientado para os estudos de impac- de um ponto qualquer. Uma análise de im-
tos biológicos e geofísicos, e o humano, que pacto ambiental, então, é um estudo das
contempla os aspectos sociais, políticos, eco- prováveis mudanças de várias característi-
nômicos e culturais. Os estudos de impacto cas socioeconômicas e biogeofísicas de um
ambiental devem avaliar as consequências de ambiente que deve resultar de uma ação
uma ação, com o intuito de prevenir a quali- proposta ou pendente.
dade do ambiente que haverá no meio após a Então, é necessário desenvolver uma
execução desta ação ou projeto. completa compreensão da ação proposta, o
Essas avaliações devem ser realizadas que deve ser feito e que tipo de materiais,
antes que algum projeto seja realizado, pois trabalho humano e os recursos que estarão
com isso podem-se efetuar um melhor pla- envolvidos, além de obter uma completa
nejamento e uma melhor e mais consistente compreensão do ambiente afetado e qual a
formulação de propostas alternativas para o natureza biogeofísica e socioeconômica que
ambiente. será modificada pela ação. É necessário,
Todo e qualquer levantamento prévio também, projetar a ação proposta para o
realizado em áreas cuja divisão seja política, futuro e determinar os possíveis impactos
tais como municípios, regiões administrati- nas características do ambiente, quantifi-
vas, ou mesmo estados, ou ainda áreas com cando as mudanças quando possível e di-
individualização geográfica, tais como ba- vulgando os resultados da análise de manei-
cias, baixadas litorâneas, estuários, espigões ra que possam ser utilizados no processo de
divisores, “cuestas”, etc., são importantes na tomada de decisão.
medida em que servem como parâmetros O procedimento exato que deve ser
para a análise ambiental da área, cujos fato- seguido no desenvolvimento de cada análi-
res ambientais, tanto do ponto de vista geo- se de impacto ambiental não é simples e di-
biofísico, como do socioeconômico, devem reto. Isto se deve basicamente ao fato de que
ser considerados como agentes e receptores muitos e variados projetos são propostos
potenciais do impacto ambiental, que são para diferentes ambientes. Cada combina-
os principais fatores ambientais que devem ção resulta numa única relação causa-con-
integrar a análise ambiental de uma deter- dição-efeito, e cada combinação deve ser es-
minada área. Obrigatoriamente, devem ser tudada individualmente para que seja de-
considerados, na avaliação de um possível im- senvolvida uma análise compreensível.
pacto ambiental, os seguintes agentes modi­ As equipes que preparam os estudos
ficadores do meio: poluição atmosférica e de impactos ambientais devem ser multi-
Meio ambiente e sustentabilidade 221

disciplinares, com diferentes profissionais faixas de rolamento; ferrovias, portos e ter-


que trabalham com os variados componen- minais de minério, petróleo e produtos quí-
tes do ambiente. Assim, formadas por gru- micos; aeroportos; oleodutos; gasodutos;
pos de biólogos, economistas, engenheiros, minerodutos; emissários de esgotos sani-
ecólogos, sociólogos, planejadores, quími- tários; linhas de transmissão superiores a
cos, agrônomos, arquitetos e outros espe- 230 Kv; obras hidráulicas como irrigação,
cialistas ou generalistas, estas equipes de- saneamento, drenagem, canais de navega-
senvolvem a análise dos impactos ambien- ção, retificação de cursos d’água, diques,
tais com base interdisciplinar. O estudo etc; extração de combustíveis fósseis (pe-
deve envolver a coleta de dados, tanto de tróleo, xisto, carvão); extração de miné-
campo como de fontes de recursos existen- rios; aterros sanitários, processamento e
tes. Com base nestes dados e no julgamento destino final de resíduos tóxicos ou peri-
dos analistas, projeções de mudanças no gosos; usina de geração de eletricidade
ambiente são feitas, finalizando-se estas pro­ (qualquer que seja a fonte primária – hi-
jeções na forma de documentação. dráulica, termoelétrica); complexo de uni-
As avaliações de impacto ambiental dades industriais e agroindustriais (petro-
nasceram nos Estados Unidos (Jain et al. químicas, siderúrgicas, cloroquímicas, des-
1977), como consequência da lei nacional de tilarias de álcool, hulhas, extração e cultivo
política ambiental, a NEPA (National Envi- de recursos bióticos); distritos industriais e
ronmental Policy Act), de 01 de Janeiro de zonas estritamente industriais (ZEI); explo-
1970, e é exatamente onde se tem feito a ração econômica de madeira ou lenha, em
maior parte de estudos deste tipo e onde se áreas superiores a 100 ha ou menores; pro-
tem desenvolvido a maioria dos métodos jetos urbanísticos (superiores a 100 ha), ou
empregados. em áreas consideradas de relevante interes-
se ambiental, a critério do IBAMA ou dos
órgãos estaduais e municipais; qualquer ati-
AVALIAÇÃO DOS IMPACTOS vidade que utilize carvão vegetal, em quan-
tidade superior a 10 ton/dia; e projetos
AMBIENTAIS NO BRASIL
agropecuários que contemplem áreas supe-
riores a 1.000 ha ou menores, neste caso,
Resolução CONAMA quando se tratar de áreas significativas em
no 01 de 23 de janeiro de 1986 termos percentuais ou de importância do
ponto de vista ambiental, inclusive nas
Embasada juridicamente na Política Nacio- áreas de proteção ambiental (APAs).
nal do Meio Ambiente, esta resolução defi- O EIA deve atender à legislação, em
ne, no Brasil, a necessidade e obrigatorieda- especial os objetivos expressos na lei da Po-
de da apresentação de estudo de impactos lítica Nacional do Meio Ambiente, com as
ambientais para empreendimentos, de na- seguintes diretrizes:
tureza privada ou pública, considerados po-
tencialmente impactantes. A própria reso- 1. Contemplar todas as alternativas tec-
lução 01/86 condiciona que dependem do nológicas e de localização do projeto,
EIA/RIMA, e da sua aprovação pelo órgão confrontando-as com a hipótese da
estadual ou pelo CONAMA (Conselho Na- não execução do projeto.
cional do Meio Ambiente), o licenciamento 2. Identificar e avaliar sistematicamente
de atividades modificadoras do meio am- os impactos ambientais gerados nas
biente, as seguintes ações e empreendimen- fases de implantação e operação da ati-
tos: estradas de rodagem com duas ou mais vidade.
222 Rosa, Fraceto e Moschini-Carlos (Orgs.)

3. Definir os limites da área geográfica a item primordial para a correta identificação


ser direta ou indiretamente afetada causa-efeito, para o cálculo dos valores e
pelos impactos, denominada área de magnitudes dos indicadores de impacto e
influência do projeto, considerando, para a mensuração, valoração e interpreta-
em todos os casos, a bacia hidrográfica ção dos efeitos ambientais e sua possível
na qual se localiza. prevenção (SANCHEZ, 2002). Os chamados
4. Considerar os planos e programas go- indicadores de impacto são parâmetros que
vernamentais, propostos e em implan- proporcionam a medida da grandeza do
tação na área de influência do projeto e impacto no tocante aos aspectos quantitati-
sua compatibilidade. vos e qualitativos.
Existem várias e diferentes técnicas
para se avaliar os impactos ambientais de-
10.2.2 Diagnóstico ambiental correntes de determinada ação ou empreen-
dimento. Os principais e mais utilizados são:
O diagnóstico ambiental da área de influên-
cia do projeto contemplará a descrição e a a) listagens de controle;
análise dos recursos ambientais e suas inte- b) matrizes;
rações considerando os meios físico, bioló- c) sobreposição de cartas;
gico e socioeconômico. d) métodos quantitativos;
e) redes de interação.
a) Meio físico: o subsolo, as águas, o ar e o
clima, destacando os recursos minerais,
a topografia, os tipos e aptidões do solo, Listagens de controle
os corpos d’água, o regime hidrológico,
as correntes marinhas, as correntes at- São utilizadas para uma avaliação rápida de
mosféricas; impactos, de forma qualitativa, identifican-
b) Meio biológico e os ecossistemas naturais: do-os para tipos específicos de projetos a
a fauna e a flora, destacando as espécies fim de que todos os itens sejam abordados.
indicadoras da qualidade ambiental, as Os itens considerados em uma lista são de
de valor científico e econômico, as raras natureza ampla e os impactos prováveis são
e as ameaçadas de extinção, e as áreas de qualificados. Os fatores ambientais listados
preservação permanente. são associados e caracterizados com a natu-
c) Meio socioeconômico: o uso e ocupação reza do impacto.
do solo, os usos da água e a economia da
região, destacando os sítios e monu-
mentos arqueológicos, históricos e cul- Matrizes
turais da comunidade, as relações de de-
pendência entre a sociedade local, os re- Consistem em duas listagens de controle,
cursos ambientais e a potencial utili­zação dispostas em forma de matriz, uma das lis-
futura desses recursos. tagens com as atividades (ações) do projeto
e outra com os fatores ambientais que
podem ser afetados por essas atividades. O
Análise dos impactos cruzamento entre essas listas permite iden-
tificar as relações causa e efeito, ou seja, o
A análise dos impactos presentes nos docu- impacto ambiental. As matrizes se caracteri-
mentos de estudos de impactos ambientais zam por serem muito flexíveis, adaptando-se
ou similares, constitui-se, sem dúvida, em às diversas situações e projetos a serem ana-
Meio ambiente e sustentabilidade 223

lisados. A matriz mais conhecida e mais uti- les com configuração linear (ferrovias, ro-
lizada é a matriz de Leopold (Leopold et al., dovias, oleodutos e outros).
1971). Na sua concepção original, possui 88
linhas (aspectos ambientais) e 100 colunas
(atividades) perfazendo um total de 8.800 Métodos quantitativos
quadrículas. O preenchimento de uma qua-
drícula representa a identificação de um Os impactos são quantificados e transfor-
impacto para o qual são atribuídos valores mados em unidades padronizadas, ponde-
de 1 a 10 quanto a dois aspectos. O primeiro radas em função da importância relativa, e
é a definição da magnitude do impacto manipulados matematicamente. Obtêm-se
sobre um setor específico do ambiente. O índices de impacto total para um número
segundo aspecto é a medida do grau de im- de alternativas a serem comparadas. Um
portância de uma determinada ação sobre o exemplo clássico é o Sistema Battelle – Co-
fator ambiental. Se o impacto for positivo, lumbus (DEE et al 1973), que foi desenvol-
deve-se indicar com um sinal positivo antes vido para avaliar projetos de recursos hídri-
do valor de magnitude. cos e manejo de qualidade de água, mas
A matriz deve vir acompanhada de que, no entanto, podem ser adaptados para
um texto que aborde os aspectos mais rele- outros tipos de empreendimentos.
vantes dos impactos identificados. Os tópicos de interesse são divididos
em quatro categorias: ecologia, poluição
ambiental, estética, interesse humano e so-
Superposição de cartas cial. Cada categoria é composta por um
conjunto de componentes. Cada compo-
Elabora-se um inventário onde os fatores nente compreende um conjunto de fatores,
ambientais são mapeados. Esses dados são in- totalizando 78 variáveis.
terpretados em função da localização das ati- As medidas ou estimativas dos parâ-
vidades e traduz-se em mapas de capacidade metros ambientais são transformadas e
para cada atividade. A área de estudo é subdi- normalizadas através de curvas específicas
vidida em unidades geográficas (quadrícu- ou funções, em índices de qualidade am-
las). Para cada unidade são levantadas infor- biental (IQA), para permitir a comparação
mações sobre os fatores ambientais e os inte- entre os impactos. Este índice varia de 0 a 1.
resses da comunidade. Esses interesses são Quando a variável possui apenas juízo de
agrupados por categorias não conflitantes valor, a população é consultada.
(econômicas, sociais, paisagísticas), limitadas Cada variável possui um valor de im-
quanto à abrangência de identificação de im- portância relativa dentro do sistema, que é
pactos, pois só utilizam dados que podem ser fixado para projetos similares e baseia-se no
representados pela cartografia. No entanto, julgamento da equipe multidisciplinar.
esta limitação pode ser contornada com a uti- Multiplica-se o IQA de cada fator am-
lização de um Sistema de Informação Geo- biental e seu peso. A somatória desses pro-
gráfica (SIG). Assim torna-se extremamente dutos resulta no valor para o meio ambien-
eficaz para a definição de padrões espaciais e te. Faz-se o cálculo para o ambiente sem o
localização dos efeitos e impactos, pois as pre- projeto (partindo-se de medidas reais dos
visões são feitas por unidade de área. parâmetros ambientais) e com o projeto e
Esse método é adequado para síntese e suas várias alternativas.
importante na elucidação de relações espa- O impacto ambiental é expresso pela
ciais complexas e é recomendável nos pro- diferença do valor do ambiente com e sem a
jetos de desenvolvimento regional e naque- ação, mais as várias alternativas.
224 Rosa, Fraceto e Moschini-Carlos (Orgs.)

Redes de interação do empreendedor, com a produção periódi-


ca e sistemática de relatórios enviados ao
Identificam os impactos indiretos. Funda- órgão ambiental, ou outros, contendo:
mentam-se na construção de fluxogramas
ou redes de interação que apresentam a su- a) Rede de amostragem, seu dimensiona-
cessão de impactos ambientais gerados pelas mento e distribuição espacial.
diversas fases do empreendimento (constru- b) Metodologia de coleta e análise das
ção, operação, desativação). Identificam os amostras.
processos e as sequências pelos quais os im- c) Periodicidade.
pactos diretos e indiretos são produzidos. d) Metodologia do processamento das infor­
Não se trata de um sistema de avalia- mações levantadas.
ção de impactos, pois, apesar de identificar
as alterações, não há previsão de magnitude Observação: Quando necessário, e de
(quantificação) ou importância relativa, não acordo com a natureza do empreendimen-
havendo também previsão para a participa- to, deverá ser apresentado ao órgão am-
ção da comunidade no processo. biental um Plano de Recuperação de Áreas
Degradadas (PRAD), aplicável após sua de-
sativação.
Medidas mitigadoras
As medidas mitigadores referem-se aos im- Relatório de impactos
pactos negativos detectados no estudo, vi-
sando amenizar, ou mitigar, seus efeitos de-
ambientais (RIMA)
letérios sobre o ambiente e seus componen-
O RIMA não tem vida própria. Ele só tem
tes. Normalmente seguem uma classificação
existência em função de um estudo de im-
genérica que pretende caracterizar estas
pacto ambiental (EIA) que é o instrumento
medidas, baseada em diferentes aspectos.
que lhe oferece substância e conteúdo. O
Assim, as medidas mitigadoras adotadas
RIMA deve ser apresentado de forma obje-
podem ser classificadas quanto:
tiva e adequada ao entendimento do públi-
co, acompanhado e ilustrado por mapas,
a) Natureza (preventiva ou corretiva).
gráficos e figuras. Sua acessibilidade deve
b) Fase (construção, operação, desativação).
ser garantida pelo órgão ambiental, que,
c) Fator afetado (físico, biológico, antrópi-
sempre que julgar pertinente, realizará uma
co).
audiência pública com a participação dos
d) Prazo de validação (curto, médio ou
agentes envolvidos, da comunidade e de-
longo).
mais interessados.
e) Responsabilidade (empreendedor ou po­
O RIMA conterá os objetivos e justifi-
der público).
cativas do projeto, sua relação e compatibi-
Observação: Deverão ser mencionados lidade com políticas setoriais, planos e pro-
os impactos não mitigáveis e que não po­ gramas governamentais; a discriminação
dem ser evitados. do empreendimento e suas alternativas tec-
nológicas e locacionais, matérias-primas,
área de influência, fontes de energia, pro-
Programa de monitoramento cessos e técnicas operacionais, os prováveis
efluentes, emissões, resíduos de energia,
Indicação e justificativa de parâmetros sele- empregos diretos e indiretos a serem gera-
cionados para acompanhamento por parte dos; a síntese dos resultados dos estudos de
Meio ambiente e sustentabilidade 225

diagnósticos ambiental da área de influên- requisitos básicos a serem atendidos nas fases
cia do projeto; a identificação dos prováveis de localização, instalação e operação, obser-
impactos ambientais da implantação e ope- vados os planos municipais, estaduais e fede-
ração da atividade, considerando o projeto, rais de uso do solo. A emissão da LP ocorre
suas alternativas, os horizontes de tempo de somente após a aprovação do EIA/RIMA.
incidência dos impactos e indicando os mé-
todos, técnicas e critérios adotados para sua
identificação, quantificação e interpretação; Licença de instalação (LI)
a caracterização da qualidade ambiental fu-
tura da área de influência comparando as Solicitada depois de concluído o projeto
diferentes situações da adoção do empreen- executivo do empreendimento e antes do
dimento e suas alternativas, bem como a hi- início das obras. É concedida após análise e
pótese de sua não realização; a descrição do aprovação dos projetos que especificam os
efeito esperado das medidas mitigadoras dispositivos de controle ambiental e as me-
previstas em relação aos impactos negati- didas de mitigação ou compensação am-
vos, mencionando aqueles que não pude- biental.
rem ser evitados, e o grau de alteração espe-
rado; o programa de acompanhamento e
monitoramento dos impactos; e, finalmen- Licença de operação (LO)
te, a recomendação quanto a alternativa
mais favorável (conclusões e comentários Solicitada antes da operação comercial do
de ordem geral). empreendimento. Autoriza, após diferentes
verificações, o início da atividade e o fun-
cionamento de seus equipamentos de con-
LICENCIAMENTO AMBIENTAL trole ambiental, de acordo com o previsto
nas licenças anteriores.
O processo de avaliação de impactos am- Os agentes que participam da elabora-
bientais (AIA), no Brasil, está vinculado, ção da avaliação de impactos ambientais
pela legislação, ao processo de licenciamen- devem conduzir suas atuações de maneira
to ambiental pelas empresas e pelo setor integrada, visando sempre aos princípios
público quando da instalação de ações, pro- norteadores da Política Nacional do Meio
gramas e projetos. O licenciamento am- Ambiente e a Legislação Brasileira. O pro-
biental apresenta uma variada gama de par- cesso de avaliação de impactos ambientais
ticularidades, cuja complexidade e nível de é, em suma, um conjunto tripartite de ações
exigências estão relacionadas com as dife- conjugadas, configurado pela participação
rentes naturezas dos empreendimentos ou dos órgãos ambientais, dos empreendedo-
projetos apresentados aos órgãos ambien- res e de equipes multidisciplinares encarre-
tais. Assim, basicamente os empreendimen- gadas de produzir documentos técnicos que
tos necessitam de três licenças fundamen- irão subsidiar as tomadas de decisão. Este
tais para seu pleno funcionamento e cum- conjunto integrado nada mais é do que o
primento das etapas de sua existência: reflexo das conjunturas formais de partici-
pação no referido processo, que são: a socie-
dade, que afinal vai julgar e decidir sobre a
Licença prévia (LP) relação custo-benefício de determinada ação
ou empreendimento; a economia de uma
Deve ser requerida pelo empreendedor no região ou país, que se consolida com a apli-
início do planejamento da obra, contendo os cação de recursos financeiros, energia e ma-
226 Rosa, Fraceto e Moschini-Carlos (Orgs.)

téria-prima em determinada ação ou em- O meio ambiente social define a forma


preendimento; e a ciência e a tecnologia como as sociedades humanas estão organi-
empregadas na elaboração dos estudos pré- zadas, e funcionam para satisfazer suas ne-
vios necessários para o licenciamento am- cessidades básicas (ou necessidades físicas:
biental da ação ou empreendimento. alimentação, saúde, moradia, vestuário) e
necessidades sociais: educação, trabalho, la­
zer, liberdade individual e possibilidade de
ESTRUTURA DOS ESTUDOS participar do sistema existente.
DE IMPACTOS AMBIENTAIS
Problemas ambientais sempre existiram, o Tipos de avaliações
que tem variado é sua escala, e a esta dimen-
são da problemática ambiental têm contri- As avaliações têm uma finalidade principal
buído muitas causas: que são as previsões. Estas podem ser inte-
grais ou parciais, ou seja, podem ser aplica-
a) Elevado crescimento demográfico. das total ou parcialmente:
b) Desenvolvimento e difusão da tecnolo-
gia industrial. a) Distintas alternativas de um mesmo
c) Avanços da medicina e do saneamento e projeto ou ação.
seus efeitos sobre a demografia. b) Estudos prévios ou preliminares deta-
d) Avanços da comunicação. lhados.
e) Crescente urbanização. c) Distintas fases do projeto (preliminar,
na fase de construção e/ou na fase de
Para conciliar a necessidade do me- operação).
lhoramento da qualidade de vida mediante
a qualidade ambiental, é necessário que se Ações e projetos contidos em um pla-
conheça e estude todos os benefícios e ma- nejamento completo, que considera várias
lefícios causados pelas realizações indus- alternativas tecnológicas e locacionais têm
triais, obras turísticas, urbanas, etc. por objetivos:
O levantamento e o estudo das causas
destas ações no ambiente podem ser feitos a) Avaliação do meio no estado pré-opera-
através de avaliações de impactos ambien- cional.
tais que têm por objetivo introduzir a vari- b) Estudo de medidas corretoras e instru-
ável ambiental nos programas de desenvol- mentos de controle.
vimento. c) Determinação dos impactos.
Primeiramente, antes de discutir o d) Cálculo da resistência do meio a esses
tema das avaliações de impacto ambiental, impactos e a sua capacidade de absorção
convém definir alguns conceitos: de tais impactos.
e) Aceitação do projeto na situação atual,
a) O meio ambiente natural: constituído introdução de melhoras e modificações.
por quatro sistemas interrelacionados:
atmosfera, hidrosfera, litosfera, biosfera,
da qual o homem faz parte. Tipos de impactos
b) O meio ambiente social: conjunto de in-
fraestruturas materiais construídas pelo a) Impactos primários – fatores físicos e
homem, os sistemas sociais e as institui- biológicos que causam maiores efeitos e
ções. são mais facilmente determinados.
Meio ambiente e sustentabilidade 227

b) Impactos secundários – aspectos sociais, b) previsão ou cálculo dos efeitos e magni-


econômicos e políticos. tudes dos indicadores de impacto;
c) Impactos diretos – causados diretamente c) interpretação dos impactos e efeitos am-
por uma ação ou modificação no meio. bientais;
d) Impactos indiretos – causados pela con- d) prevenção dos efeitos.
junção de fatores determinados pelos
impactos diretos. Outro ponto importante a ser levado
em consideração é a extensão do projeto e
sua área de influência, onde deve ser reali-
Indicadores de zado o diagnóstico ambiental. A equipe rea­
impacto ambiental lizadora do estudo deverá estabelecer, com
base na caracterização geográfica da região,
São parâmetros que proporcionam a medi- a área de influência do empreendimento,
da da grandeza do impacto em aspectos ou, em última análise, considerar a bacia hi-
qualitativos e quantitativos. Podem ser in- drográfica abrangida pelo projeto.
dicadores de forma numérica ou mesmo
pelo estabelecimento de padrões (muito
mal, mal, regular, bom, muito bom; ou sim- Avaliação de tecnologias
plesmente aceitável ou não aceitável).
Os melhores indicadores são os rela- São avaliações mais profundas que as ava-
cionados com a qualidade do meio físico e liações de impactos ambientais. Pode-se
social e os que possuem um aparato legal chamar de tecnologias limpas aquelas que
estabelecendo os valores máximos permiti- têm como objetivo reduzir a emissão de re-
dos para suas ocorrências (níveis de quali- síduos antes da saída final, reduzindo a con-
dade da água, do ar, ruído, sensibilidade vi- taminação e, consequentemente, reduzindo
sual, etc). Porém, não se sabe se esses valores os impactos biológicos e socioculturais.
já estabelecidos condizem com a rea­lidade Deve-se considerar também que a tec-
do problema. nologia afeta não só o meio ambiente como
Também é importante observar que também os aspectos sociais e econômicos
não basta apresentar os resultados obtidos (positiva ou negativamente), inclusive a
através da quantificação e da compilação própria avaliação dessa tecnologia implica
dos pesos dos indicadores de impacto físico custos, por vezes relativamente altos, de-
e suas consequências, faz-se necessária tam- vendo-se, portanto, considerar as limita-
bém a observação de aspectos sociocultu- ções de uma avaliação, sendo importantís-
rais, políticos, econômicos, visando final- simo fixar claramente sua propositura e ob-
mente à proposição de novas alternativas de jetivos antes mesmo de iniciá-la.
uso para os recursos.

Relação custo-benefício
Procedimentos para
realização do EIA Não se deve esquecer que, além de oferecer
um conhecimento do ambiente regional, as
Os estudos de impactos ambientais devem avaliações pretendem também escolher as
atentar também para quatro pontos princi- melhores alternativas para um projeto ou
pais: ação determinados.
Como o objetivo fundamental de um
a) identificação causa-efeito; estudo de impacto ambiental é a otimização
228 Rosa, Fraceto e Moschini-Carlos (Orgs.)

do uso de um território e dos recursos nele da avaliadas pelo público para posterior jul-
existentes, deve-se balancear as consequên- gamento (Machado, 2009).
cias do impacto ao ambiente (que seriam
causados por um projeto) e os benefícios
socioeconômicos que este projeto poderia Tramitação do EIA
trazer para a região. (com ênfase para o
Outro ponto que deve ser analisado Estado de São Paulo)
com cuidado é a generalização de soluções,
ou seja, aplicar soluções regionais de um A Secretaria do Meio Ambiente fornece o
modo global para qualquer área física, des- Roteiro Básico para elaboração do EIA/
respeitando as características específicas de RIMA e, a partir deste, se desenvolverá o Pla­
cada região. no de Trabalho que será submetido à apro-
Os estudos ambientais podem tam- vação da Secretaria.
bém ser benéficos do ponto de vista econô- Com o Plano de Trabalho aprovado, o
mico, uma vez que podem prever e corrigir interessado (proponente do projeto e a equi-
os impactos por custos menores, uma vez pe multidisciplinar) desenvolverá e apresen-
que proporcionam amplos conhecimentos tará o EIA/RIMA, em tantas vias quantas
dos recursos ambientais existentes. forem solicitadas pela Secretaria, através do
Importante que se reconheçam que to­ Departamento de Avaliação de Impactos
dos os procedimentos a serem tomados se­ Ambientais (DAIA) que procederá:
jam bem estabelecidos legal e institucional-
mente para que existam aparatos econômi- a) à abertura de processo;
cos e humanos bem definidos pelos agentes b) ao preenchimento de ficha contendo:
que precisam realizar um estudo de impac-
– identificação e caracterização do em­
tos ambientais.
preendimento;
– localização do empreendimento;
– identificação dos principais impactos
Participação do público e das áreas técnicas a serem consulta-
das para análise do estudo.
A participação do público em um estudo de
impactos ambientais é um importante as- c) à preparação de informe a ser enviado
pecto. As audiências públicas podem ser so- pela Assessoria de Comunicação, ao Di-
licitadas pela comunidade afetada por um ário Oficial e/ou órgãos da imprensa
empreendimento ou pelo próprio órgão local, para divulgação;
ambiental, quando existem aspectos polê- d) à coordenação da análise do estudo, corre-
micos ou esclarecimentos obscuros no pro- lacionando os pareceres emitidos pelas
jeto. Não se exige cidadania brasileira para áreas consultadas, e resultando na prepa-
manifestar-se sobre os estudos ambientais. ração de parecer estabelecendo exigências,
Não se concebe um EIA sem a possibilidade ou recomendando condições em que o
de serem emitidas opiniões de pessoas e de empreendimento deva ser licenciado;
entidades (ONGs, sindicatos, universida- e) após a análise, a Secretaria submete o
des, partidos políticos, tribos indígenas, EIA/RIMA, bem como parecer ao CON-
etc). Uma decisão política, e mesmo técni- SEMA (Conselho Estadual do Meio
ca, em matéria de meio ambiente torna-se Ambiente), para decisão;
coerente quando as opiniões dos especialis- f) após a decisão do CONSEMA, o proces-
tas são esclarecidas, publicadas e em segui- so retorna ao DAIA para preparação de
Meio ambiente e sustentabilidade 229

informação aos órgãos licenciadores e à c) análise de risco: utilização sistemática de


Assessoria de Comunicação sobre a de- informação disponível para identificar
cisão do CONSEMA. perigos e estimar riscos. Estudo quantita-
tivo de riscos numa instalação industrial,
baseado em técnicas de identificação de
ANÁLISE DE perigos, estimativa de frequência e conse-
RISCOS AMBIENTAIS quências, análise da vulnerabilidade e na
estimativa do risco (CESTEB, 2009).
Segundo Sanchez, (2006), a avaliação de d) gerenciamento de riscos: processo de
riscos é uma atividade correlata à avaliação controle de riscos compreendendo a
de impactos ambientais, mas as duas se de- formulação e a implantação de medidas
senvolveram em contextos separados, em e procedimentos técnicos e administra-
comunidades profissionais e disciplinares tivos que têm por objetivo prevenir, re-
diferentes. duzir e controlar os riscos, bem como
Em um sistema de gestão ambiental manter uma instalação operando dentro
preparado para uma instituição, a organiza- dos padrões de segurança considerados
ção pode optar por escolher uma das duas toleráveis dentro da sua vida útil (CE-
abordagens (que, na verdade, andam lado a TESB, 2009).
lado) ou optar pela realização de estudos le-
vando em consideração os dois conceitos.
A avaliação de impactos e riscos en- Avaliação de riscos
volve a identificação, avaliação, o gerencia-
mento e comunicação de riscos ao meio Cerri (1963) admitiu que o conceito de risco
ambiente e também à saúde da população. envolve a probabilidade de ocorrências e as
Permite antecipar e atuar sobre eventos am- consequências sociais e econômicas advin-
bientalmente danosos, de forma a planejar das disso. Apresentou uma fórmula geral
ações de controle, montar equipes e agir em para identificação de riscos, onde a probabi-
emergências (Feliciano, 2005) lidade de ocorrência era multiplicada pelas
Algumas definições são importantes consequências. Como detalhamento, a ser
no estabelecimento de parâmetros utiliza- escolhido caso a caso, acrescentar-se-ia sua
dos nas análises de riscos ambientais: multiplicação por um ou mais fatores, como
tempo de recorrência, vul­nerabilidade, mag-
a) perigo: definido como uma situação ou nitude, etc.
condição que tem potencial de acarretar Atualmente existem inúmeras formas
consequências indesejáveis. O perigo é convencionais de análise de riscos, ou seja,
uma característica intrínseca a uma subs­ aquelas que são normalmente utilizadas no
tância, uma instalação ou um artefato levantamento de riscos de processos produ-
(Sanchez 2006). tivos e que são plenamente conhecidas e
b) risco: conceituado como a formatação utilizadas pela engenharia de segurança das
de uma situação de perigo, ou seja, a empresas. Este sistema de análise apresenta
possibilidade de materialização do peri- uma composição altamente estatística e ba-
go ou de um evento indesejado ocorrer. seia-se na concepção de que ocorrências in-
Risco pode ser definido como a combi- desejáveis apresentam índices indicadores
nação da probabilidade de ocorrência para o controle e administração de poten-
de um dano e a gravidade de tal dano ciais riscos. A avaliação de riscos ligada com
(Sanchez, 2006). a avaliação de impactos ambientais decorre
230 Rosa, Fraceto e Moschini-Carlos (Orgs.)

do processo de gerenciamento de riscos, por de uma série de informações sobre a


abrangendo os aspectos da identificação e implantação de realizações industriais, ur-
análise destes riscos, envolvendo metodolo- banas, turísticas, energéticas e de obras pú-
gias específicas para estes aspectos. blicas, com o objetivo de que a opinião pú-
A instituição empreendedora da ava- blica possa pronunciar-se e, sobretudo,
liação de riscos ambientais deve, em seu possa julgar e avaliar realmente se os efeitos
processo de implementação, identificar os destas realizações são ou não importantes,
aspectos ambientais de suas mais variadas se são ou não prejudiciais e, em especial, se
atividades, identificando aqueles que pos- a comunidade, que vai receber tanto os be-
sam ser controlados e aqueles que o organi- nefícios como os inconvenientes destes pro-
zador possa influenciar (ABNT, 2004). jetos, está disposta a assumir as consequên-
A base estrutural para a implantação cias originadas pela ação proposta.
de um sistema de gestão ambiental em uma Estas informações também são neces-
empresa, por exemplo, é a eficácia da avalia- sárias para os planejadores e para tomado-
ção dos impactos e dos riscos ambientais res de decisão dos setores público e privado.
inerentes à atividade ou atividades desen- Para que isto ocorra, é imperativa a necessi-
volvidas (Sanchez, 2006). É recomendável dade de se efetuarem avaliações completas
que se levem em consideração algumas eta- sobre o impacto ambiental de tais ações,
pas importantes, tal como a identificação sejam obras públicas ou projetos privados.
dos aspectos ambientais de cada atividade. A visão teológica e filosófica do ho­
Essa etapa deve considerar as diferentes mem como guardião da Terra vigora outra
condições de operação, como condições vez, agora sob a ótica científica, muito
normais de trabalho, condições anormais mais por necessidade do que por benevo-
como partidas e paradas ou picos de de- lência para com a Natureza. Assim, é de in-
manda, além de situações de emergência. cumbência da humanidade examinar suas
Outra etapa importante é a identifica- ações e harmonizá-las para que possam as-
ção dos impactos e riscos associados a esses segurar a viabilidade do planeta continuar
aspectos: contaminação do solo, perigo à habitável. Os estudos de impactos e de ris-
saúde humana, poluição das águas, etc. Por cos ambientais são o primeiro passo racio-
fim, a avaliação da importância dos impac- nal nesse processo, pois representam a
tos e riscos, definindo quais impactos e as- oportunidade para o homem considerar,
pectos são realmente significativos. na sua tomada de decisão, os efeitos das
ações que normalmente não o são no mer-
cado de troca de bens e serviços. Esses efei-
CONSIDERAÇÕES FINAIS tos precisam ser discutidos contra as van-
tagens econômicas derivadas de uma de-
O desejo de melhorar a qualidade de vida terminada ação.
mediante uma melhor qualidade ambiental A palavra ambiente significa coisas di-
e a consciência da limitação dos recursos ferentes para pessoas diferentes. Significa
naturais são fundamentais para o entendi- modificações humanas nas vizinhanças ou
mento da divergência entre a proteção do limites imediatos. Outros ainda relacionam
meio ambiente e o crescimento econômico. o ambiente com ecologia e pensam nas in-
Este dilema incide de forma contundente terações plantas e animais, nas cadeias ali-
nos diferentes empreendimentos econômi- mentares, nos nichos ecológicos e hábitats.
cos, provocando notáveis conflitos sociais. Atualmente o ambiente é a combina-
É, portanto, evidente a necessidade de ção de todos esses conceitos e muito mais.
se obter um completo conhecimento, e dis- Ele inclui não apenas o solo, o ar, a água, as
Meio ambiente e sustentabilidade 231

plantas, animais e microrganismos, mas econômicos que devem ser considerados


também outros fatores naturais e antrópi- pela análise dos impactos ambientais.
cos que constituem a totalidade do nosso Impõe-se, portanto, a compreensão
mundo. Assim, o sistema de transportes, as do funcionamento do planeta como um
características do uso da terra, as estruturas, todo, dos ecossistemas que o compõem e do
comunidades, estabilidade econômica, en­ equilíbrio das variáveis nestes inseridas.
fim, todos têm uma coisa em comum com o Neste ponto é que se torna importante o
nível de gás carbônico, partículas sólidas uso desses, e de outros, métodos de avalia-
dissolvidas na água e a vegetação terrestre ção e análise de impactos e de riscos am-
natural. Todas elas são características do bientais, contribuindo para que as ações do
ambiente. Em outras palavras, o ambiente é homem no mundo a que pertence não
constituído de elementos biofísicos e socio- sejam, no futuro, tão incertas.

EXERCÍCIOS

1) SIMULAÇÃO I

n EMPREENDIMENTO – Reflorestamento com Eucalyptus sp.


n EMPREENDEDOR – Associação de Industrias Siderúrgicas Reunidas (AISR)
n LOCAL – Município de Tesouras – BR
n CARACTERÍSTICAS DO MUNICÍPIO –
n Solo – Arenoso, profundo e friável.
n Clima – “Cwa”, inverno seco e verão chuvoso.
n Temperatura média = 21ºC
n Precipitação anual = 1380 mm
n Relevo – Suave ondulado
n Vegetação original – Cerrado
n Hidrografia – Bem drenado, conforme Figura 10.1.
n Economia – pequenas roças, fecularias, carvoarias, mão de obra barata, poucas perspectivas.

HISTÓRICO DO MUNICÍPIO

O município é antigo (século XVIII), inicialmente pouso de tropeiros, dedicou-se à pecuária extensiva utili-
zando o cerrado. A partir de 1930, instalou-se na região (na cidade de Morocotó, distante em 60 km), uma
siderúrgica de grande porte, em função do minério de ferro ali existente. Assim, os municípios vizinhos
passaram a fornecer carvão vegetal proveniente do cerrado para a indústria siderúrgica. A devastação foi
intensa, embora houvesse recuperação natural do cerrado.
A partir de 1970, novas siderúrgicas instalaram-se na região e atualmente elas formam um consórcio
denominado Associação das Indústrias Siderúrgicas Reunidas (AISR) que decidiu implantar um grande re-
florestamento com eucalyptus no município de Tesouras, com o objetivo de suprir de carvão vegetal os
fornos das siderúrgicas, em vista da atual escassez dos recursos naturais da região.

CARACTERÍSTICAS DO EMPREENDIMENTO

n Reflorestamento com Eucalyptus


n Área adquirida = 20.000 ha
n Área a ser utilizada = 10.000 ha (a AISR pretende criar uma unidade de conservação de 10.000 ha na
área)
n Sistema de plantio = rodizio de 6 anos
n Práticas culturais = controle de saúvas, cupins e ervas daninhas durante o primeiro ano (Mirex-s, fosfo-
rados ou piretroides, fipronil, herbicidas)