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DISCIPLINAS ESPIRITUAIS – DESENVOLVENDO A ESPIRITUALIDADE INDIVIDUAL

O que é espiritualidade? Uma pesquisa entre


220 pessoas cristãs mostrou o que elas
percebem.

- 87% dizem que espiritualidade é orar, é ler a


Bíblia e buscar a Deus.

- 09% dizem que espiritualidade é um caminho


que o crente trilha com Deus

- 04% dizem que espiritualidade é uma dimensão


dentro de nós que Deus quer ter acesso e
desenvolver.

Em outros artigos definimos o que é espiritualidade, e como ela se desenvolve. No


entanto creio que é sempre bom ressaltar o que é espiritualidade novamente, visto ser um
assunto pouco explorado entre cristãos.

Espiritualidade não é aquilo que nós fazemos, nem aquilo que nós fazemos para dar
oportunidade para Deus desenvolvê-la. Quem desenvolve a espiritualidade em nós é
Deus, em Sua superior sabedoria Ele sabe como fazer isso. Não temos domínio sobre
essa dimensão de nosso ser. Não temos acesso direto a essa dimensão, e não é o que
nós conseguimos fazer É Ele quem desenvolve a dimensão que não podemos acessar
por nossos meios ou medir pelos sentidos humanos. Ela não segue a lógica da matéria,
da psicologia, da matemática ou outra lógica qualquer que dominemos como seres
humanos. Como diz a Bíblia: “Ora, o homem natural não compreende as coisas do
Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se
discernem espiritualmente.” 1 Co. 2:14.

Não sabemos onde estão os botões que ligam os elementos que compõe a nossa
espiritualidade (humildade, paz, alegria, sinceridade, paciência, etc…). É Deus que
precisa fazer a Sua obra em nós, pois no final: “…tudo vem de Ti, e do que é Teu To
damos.” 1 Cr. 29:14.
Qual é a nossa parte então? “buscar-me-eis,
e me achareis, quando me buscardes com
todo o vosso coração.” Jr. 29:13 A resposta
de Deus não tardará: “Clama a mim, e
responder-te-ei, e anunciar-te-ei coisas
grandes e firmes que não sabes.” Jr. 33:3.

Como podemos buscar a Deus de todo o


coração? Como podemos clamar a Ele?
Reduzimos as nossas possibilidades à oração e leitura da Bíblia apenas? Não estou
desestimulando essas duas maneiras de se aproximar de Deus. São com certeza as
principais, mas não são as únicas.

Há outros instrumentos que alguns autores chamaram de disciplinas espirituais. Existem


várias à disposição de nossa busca de Deus. Como somos diferentes e nos aproximamos
de maneiras diferentes de Deus, Ele colocou à nossa disposição vários instrumentos para
nossa aproximação de Seu trono de Graça, para acharmos auxílio em tempo oportuno
(Hb. 4:16).

Disciplinas Espirituais são ferramentas que nos


expõe mais completamente à ação de Deus. O
desenvolvimento espiritual depende da utilização
abundante dessas ferramentas. Não há uma
disciplina espiritual que seja melhor do que a
outra e não há nenhuma que devamos rejeitar
como sendo de menor importância. Você poderá
se identificar mais com a prática de uma delas, pela sua formação e estrutura de
personalidade, mas não permita que a sua propensão e gosto pessoal privem você de
experimentar as outras.

Dica: não há disciplina espiritual que tenha efeito imediato, sempre a persistência é
recompensada. A recompensa é sempre subjetiva e seguindo uma lógica a ser
descoberta ao longo da experiência com Deus. A recompensa nunca é para gastarmos
com nossas cobiças egoístas. Tiago explica: “Quando pedem, não recebem, pois pedem
por motivos errados, para gastar em seus prazeres.” Tg. 4:3.

Existem 3 grupos de disciplinas espirituais: as INTERNAS, as EXTERNAS e as


COLETIVAS. Veja uma breve descrição de cada uma. Compartilhe a sua experiência com
cada uma dessas disciplinas espirituais. Entre as disciplinas internas, há algumas que são
centrais para o desenvolvimento espiritual. Por exemplo, não existe cristianismo de
verdade sem oração fervorosa, sistemática e dedicada. Não há cristianismo sem estudo
aprofundado da Bíblia. Mas também não podemos nos chamar de cristãos se não
meditarmos e contemplarmos. Algumas das disciplinas são complementares, não no
sentido de opcionais, mas que complementam as centrais. Exemplo: não é possível eu
estudar a Palavra, sem meditar e isso não ocorre se não for em meio ao silêncio.

INTERNAS:

Oração: Em outro artigo entraremos nos diversos modelos de oração que existem, e o
que biblicamente significa a oração quando Jesus explicou. Um artigo do Pr Mark Finley,
explicando oração de uma maneira que todos possam entender e se sentir estimulados a
praticar.

Intercessão: é um tipo de oração que tem como objetivo específico orar por outras
pessoas. É a oração sem solicitações pessoais ou egoístas, ela se concentra em ajudar
outra pessoa. O que acontece quando oramos intercessoriamente por alguém? Enviamos
alguma energia positiva para essa pessoa? Anulamos o livre arbítrio dela, a ponto de ela
não poder decidir por conta própria? Não, apenas nos posicionamos ao lado de Deus no
conflito entre o bem e o mal, em prol da pessoa pela qual oramos.

Leitura da Bíblia: Não temos como conhecer a Deus sem nos expormos à revelação que
Ele fez de Si mesmo. Uma leitura mais panorâmica da Bíblia é imprescindível para
descobrirmos os contextos, e a maneira como Deus agiu na vida das diversas pessoas ao
longo da história. Quem fica apenas na “leitura de rendimento”, isto é, leitura que pretende
cobrir muito texto em pouco tempo, pode nunca ter a percepção da profundidade da
Palavra e os detalhes que Deus quer comunicar.

Estudo da Bíblia: Diferente da leitura mais ampla, o estudo é como cavar fundo na
Palavra. Pode ser um tema, pode ser um recorte, um capítulo, um livro, ou um autor da
Bíblia. Já tive a experiência de ficar 2 meses em cima de 3 versículos que me desafiavam
e eu sentia que Deus tinha uma mensagem mais profunda do que eu poderia ver na
superfície. Princípio: permita que sempre uma parte da Bíblia esclareça e explique outra
parte. Uma parte mais fácil ajude na mais difícil. É assim que começou o movimento
Adventista em seus primórdios, com a Bíblia na mão, inquietos querendo descobrir o que
Deus tinha para dizer para cada um deles.
Contemplação: Olhar, observar com atenção. Somos transformados naquilo que
contemplamos. Se gastarmos mais tempo contemplando o mal, o crime, o sexo egoísta, a
pornografia, a corrupção, a maldade, a tortura, seremos inevitavelmente transformados a
essa semelhança. O bem, a pureza, a alegria genuína, a paz acaba não fazendo mais
sentido para a mente que contempla o oposto.

Se nos dedicarmos às coisas puras, santas, justas e boas (cf. Fl 4:8), ocuparmos a nossa
mente e desviarmos os olhos de contemplar o mal, ajustando a nossa mente aquilo que
agrada Deus, transformação é muito mais provável que ocorra. Se nos concentramos,
não apenas em evitar o mal, mas em colocar nosso pensamento na pessoa de Jesus, e o
acompanhamos mentalmente em Sua vida, vamos aprendendo uma lógica que nunca
antes se apoderou de nós – a lógica do Reino de Deus, a lógica de uma espiritualidade
sadia.

“Contemplando-O serão eles transformados à Sua imagem.” CBV, 144. Aquilo que mais
observamos, com o que mais ocupamos a nossa mente, é aquilo que mais vai influenciar
a nossa vida. Inevitavelmente vamos nos transformando naquilo que mais contemplamos.
Os homens se transformam de acordo com aquilo que contemplam. CPPE, 460.

João 6:39-40: “E esta é a vontade daquele que me enviou: que eu não perca nenhum dos
que ele me deu, mas os ressuscite no último dia. Porque a vontade de meu Pai é que
todo o que olhar para o Filho e nele crer tenha a vida eterna, e eu o ressuscitarei no
último dia”.

“Far-nos-ia bem passar diariamente uma hora a refletir sobre a vida de Jesus. Deveremos
tomá-la ponto por ponto, e deixar que a imaginação se apodere de cada cena,
especialmente as finais. Ao meditar assim em Seu grande sacrifício por nós, nossa
confiança nEle será mais constante, nosso amor vivificado, e seremos mais
profundamente imbuídos de Seu espírito.” DTN, 83. Imagine adquirirmos a espiritualidade
de Cristo?!…

Esse é um exercício que custa persistência. Não é natural para um coração manchado
pelo pecado, que se delicie com a contemplação da vida de Jesus. Não é um exercício
que apela para a nossa natureza carnal. É preciso praticar, repetir, tomar tempo para
fazer isso.

Conjugar a leitura do evangelho com a contemplação seria talvez a melhor maneira para
a prática dessa disciplina espiritual. Ao ler, permita que a imaginação se apodere das
cenas, veja em sua mente o contexto, pense nos cheiros, nos visuais, nos ruídos que
envolvem cada momento. Use o poder da imaginação, sem afastar-se da realidade da
revelação. Leia livros como “As Parábolas de Jesus”, “O Desejado de Todas as Nações”,
“A Vida de Jesus”, etc. Eles te ajudarão a ampliar as ferramentas para uma contemplação
mais profunda e detalhada.

“… olhai para Cristo. Que o pensamento demore em Seu amor, na formosura e perfeição
de Seu caráter. Cristo em Sua abnegação, Cristo em Sua humilhação, Cristo em Sua
pureza e santidade, Cristo em Seu incomparável amor – este é o tema para a
contemplação da alma. É amando-O, imitando-O, confiando inteiramente nEle, que haveis
de ser transformados na Sua semelhança.” CC, 70-71.

Meditação: Aquietar-se diante de Deus e pensar em Sua palavra. Meditação é sinônimo


de reflexão, dar oportunidade para pensar sobre o que se viu, ouviu, leu ou experimentou.

Em nossa cultura ocidental, vamos muito rápido da impressão para a ação, sendo que
existe pelo menos mais uma fase pelo meio, a reflexão! Simplesmente parar para pensar,
permitir que a quietude invada nosso ser e nesse ambiente de tranquilidade possamos
permitir a Deus a nos ajudar em nossa reflexão. Meditar em Deus é olhar para Ele e
interagir com Ele, permitindo-Lhe a oportunidade de falar ao nosso coração (cf. Is. 45:22).
Veja:

“Todos quantos se acham sob as instruções de Deus precisam da hora tranqüila para
comunhão com o próprio coração, com a natureza e com Deus. Neles se deve revelar
uma vida não em harmonia com o mundo, seus costumes e práticas; é-lhes
necessário experiência pessoal em obter o conhecimento da vontade de Deus.
Devemos, individualmente, ouvi-Lo falar ao coração. Quando todas as outras vozes
silenciam e, em sossego, esperamos diante dEle, o silêncio da alma torna mais
distinta a voz de Deus. Ele nos manda: “Aquietai-vos e sabei que Eu sou Deus.” Sal.
46:10. Este é o preparo eficaz para todo trabalho feito para o Senhor. Entre o vaivém
da multidão e a tensão das intensas atividades da vida, aquele que é assim
refrigerado será circundado de uma atmosfera de luz e de paz. Receberá nova
dotação de resistência física e mental. Sua vida exalará uma fragrância e revelará um
poder divino que tocarão o coração dos homens.”

Não estamos aqui promovendo a meditação que busca o nada (budismo), mas a
meditação no Ser de Deus e em Sua Palavra. Assustados com a meditação oriental,
muitos jogam fora quase 50 versículos da Bíblia que nos estimulam a meditar. Mais antiga
que qualquer outra meditação, é a meditação bíblica.
Solitude: Em nossa cultura agitada e sedenta por popularidade e aplauso, uma lacuna se
infiltrou em nossa capacidade de permanecer a sós com Deus. Ligado com a disciplina
espiritual da meditação e da contemplação, a disciplina da solitude nos sintoniza com a
natureza, conosco mesmos e com Deus. “Naqueles dias retirou-se para o monte a fim de
orar; e passou a noite toda em oração a Deus.” Lc. 6:12.

“… notavam-Lhe o aspecto sereno do rosto, o vigor, a vida e o poder de que todo o Seu
ser parecia possuído. Das horas passadas a sós com Deus Ele saía, manhã após manhã,
para levar aos homens a luz do Céu.” CBV, 56.

Há pessoas para quem custa muito ficar a sós com Deus. A prática da solitude lhes
parece uma tortura. Isso pode vir da criação, pode vir da estrutura de sua personalidade,
ou do ambiente onde mais viveu essa pessoa. Mas não é porque não é natural para a
pessoa em uma experiência primeira, que essa pessoa deve deixar de praticar essa
disciplina espiritual. Há muito crescimento espiritual vindo da solitude, mesmo para o
agitado, talvez principalmente para o inquieto e agitado. A prática dessa disciplina deve
abrir-lhe uma nova dimensão à sua experiência com Deus que de outra maneira não seria
acrescentada.

Quietude/silêncio: Como vimos acima, saber buscar o silêncio, cultivar o silêncio interior
é essencial para o desenvolvimento da espiritualidade. Em Mateus 5:9, Jesus diz ser feliz
o pacificador, essa palavra no grego é traduzida como aquele que ama a paz e a promove
entre outros. Em Isaías 30:15 somos convidados a nos aquietar e tranquilizar, pois ali está
a nossa força e salvação. O texto é parte de uma repreensão contra Israel e termina com
“…mas não o quisestes.” Não quero excluir a nossa atitude dessa repreensão – há
pessoas que dizem, como o povo de Israel foi mal em rejeitar esse convite… No século
XXI somos piores. Imagine como pessoas na época de Isaías poderiam se cercar de
ruídos que os tirariam da paz que Deus queria lhes dar? Comparado com hoje, que
barulhos possivelmente eles poderiam ter que os afastasse de ter paz, sossego e
quietude que Deus lhes estava prometendo?

Parece que o ser humano sempre fugiu do silêncio… Será que no silêncio há alguma
coisa que seja assustadora? Será que o confronto com a vida interior e a ruptura com
Deus ficam tão claros no silêncio, que preferimos nos esconder no barulho? O que há de
tão bom no barulho que há pessoas que não conseguem ficar no silêncio? Se ali há uma
experiência especial com Deus – “…o silêncio da alma torna mais distinta a voz de
Deus…” CBV, 58, por que fugimos dela? Será que entrar no quarto, fechar a porta (Mt.
6:6) parece tão assustador? Que recompensa é essa que Deus nos promete, quando
estamos em secreto? Com certeza não a resposta de nossos pedidos, pois ele sabe de
nossas necessidades antes que lho peçamos…

Parece que buscar quietude, paz, confiança, sossego, silêncio no coração, é um exercício
que precisa ser praticado. Em meio à natureza é que se consegue maior quietude no
coração – abaixo exploraremos mais esse aspecto.

Jejum: Essa é uma prática muito mal compreendida. Na religião medieval, marcada pela
compreensão de obras como meio de salvação, uma das obras feitas para receber
méritos era o Jejum. Marcada pelo paganismo, a religião medieval ensinava a buscar a
Deus para satisfação do adorador. Se o adorador fizesse os sacrifícios necessários, Deus
o atenderia. A percepção de Deus distorcida, como se Ele tivesse prazer no sofrimento do
ser humano, era o que movia as pessoas a se flagelarem e se sacrificarem para
conseguir uma graça de Deus. Religião e barganha era o mesmo. De novo a percepção
de uma religião de ícones mágicos, do tipo: basta você fazer isso e Deus vai fazer aquilo!

O Jejum bíblico, aquele que Deus nos pede para fazer, deve ser como a oração, em
secreto. É uma prática entre o adorador e Deus. Tem como finalidade se livrar da
sobrecarga física da digestão e deixar a mente livre para se concentrar em Deus. Não sei
se o leitor sabia, mas depois de uma refeição como geralmente a fazemos, boa parte da
energia do organismo vai para o estômago, a circulação de sangue se concentra no
processo digestivo. O processo normal de digestão libera gorduras e açucares no sangue
que ao mesmo tempo que nutrem o corpo também embotam num primeiro momento as
capacidades espirituais e da mente de se conectar em Deus e perceber a realidade de
Sua perspectiva.

Pessoas que comem em excesso ou comem alimentos com altos teores de gordura e
açúcar, prolongam esse efeito ainda mais, impedindo o organismo por horas depois da
refeição de estar apto para a conexão espiritual.

O Jejum é a prática que coloca de lado esse efeito, por algumas horas ou alguns dias,
para que a mente e o corpo estejam aptos a compreenderem a realidade do ponto de
vista de Deus. Quando estamos em meio de problemas complexos, que envolvem muitos
detalhes e diversas variáveis, precisamos de oração e jejum para entendermos qual seria
o melhor caminho a seguir. O Jejum é um auxílio para realçar a percepção espiritual e
fornecer um relacionamento mais íntimo com Deus.
O jejum não deve ser praticado sem o tempo de quietude necessário para se dedicar a
Deus. Não deve ser praticado se a pessoa não tiver tempo para orar. Jejuar em meio aos
atropelos e as intensas atividades do dia a dia sem o tempo necessário para reflexão,
meditação e contemplação da vontade de Deus tem pouco ou nenhum efeito realçador no
relacionamento com Deus.

Discrição/segredo: Saber guardar segredo, ser discreto(a) faz parte de nosso


desenvolvimento espiritual. Em outras palavras é uma prática que promove espiritualidade
nas pessoas.

EXTERNAS:

Simplicidade

Serviço

Testemunho

Hospitalidade

Adoração

Submissão

Confissão

Contato com a natureza

Diário espiritual

COLETIVAS:

Adoração

Celebração

Mordomia