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1. Como ele (o autor) se representa e representa/vê o outro (os personagens) que ele traz?

2. Qual (is) tema(s) aparece nesse conto a partir dessas representações?

Vê nele e nos menó uns perreco duro e largadão que quer curtir uma marola, eles
curtem ficar doidão. Ele tem ideia que não aponta nos menó. O irmão dele mando papo
reto que o rolê é doido: tem uns moleque bom que se perde no um, mas ele tem as ideia.
Ele é boladão com deixar a mãe dele sozinha, daí ele vê os cuzão e já fica vidrado, né.
O narrador se representa como uma pessoa preocupada com a mãe, alegre, que
curte alteração da percepção, sem dinheiro para curtir, revoltado com os policiais devido
à forma que eles agem com pessoas em que ele se reconhece ou que ele admira,
preocupado com o efeito de outras droga que não a maconha. Os policiais são a
personificação da opressão, do controle, da injustiça e da violência para pessoas que
compartilham alguns de seus hábitos, tanto que, ele nota que se algum assassinato
ocorresse não com um boliviano, mas com algum gringo ou morador da orla, “ia dar
merda”. Os “maconheiro playboy” são representados como covardes e intimidadores
quando em bando, miseráveis e “moscas”. O “rasta”, do maranhão, é um cara amigável,
desapegado, comunicativo. Os menó, que roubaram os “playboy”, são gatunos
profissionais e inconsequentes.

Retrata as diferenças sociais, a violência policial, a presença das drogas no


cotidiano de alguns “nichos sociais”, com maior agudeza, a desvalorização da vida de
garotos semelhantes a ele e a tensão permanente em que vivem. O retrato da diferença
social, dependendo de quais parâmetros partirmos, pode-se ser chamado de “abismo
social”, isto é, podemos assumir que Martins pretende com a narrativa mostrar a pobreza,
a indiferença dos jovens a sua vida e, consequentemente, a algumas normas sociais etc.
Contudo, é extremamente pessoal tecermos esse tipo afirmação sem ao menos saber se
uma das funções do conto seja expressar esse “abismo social”. Dito de outra forma, talvez
os índices que levam um leitor às questões da pobreza e da indiferença às normas e a vida
sejam sensações próprias daqueles que só podem ver nos aspectos representados dessa
cultura expressões negativas dos hábitos desse grupo. Mas, mesmo aceitando que a leitura
é uma tarefa bastante ativa em que o leitor a partir de seus instrumentos linguísticos
atualiza os mecanismos do texto para gerar o sentido, é necessário levar em consideração,
mesmo que no mínimo, o autor, os discursos que o atravessa, questões relativas aos seus
interesses sociais, o quadro político dos ambientes de circulação do livro, a história de
uma região etc. Esses parâmetros para valorizar a interpretação, não se pretendem
totalizantes, isto é, destrinchar analiticamente e hipoteticamente os mecanismos que
fazem funcionar o conto. Sua função é valorizar ainda mais a literatura em sua feitura e
em sua recepção para além de um objeto de consumo pelo qual cada qual satisfará suas
necessidades simbólico-sociais. Enfim, retomando quais os temas que aborda com maior
interesse para não me perder em divagações: Martins retrata o tema do cotidiano de jovens
como o narrador, a opressão policial com eles, o uso de droga em seus cotidianos, a tensão
permanente em um “simples rolêzin”.

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