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Estética e Cosmética

Fundamentos de Anatomia e Fisiologia


Humana
Professor Helio Sylvestre

Introdução

A importância da anatomia e fisiologia humana pode ser


dimensionado partindo da premissa de que o principal objeto de
trabalho de um (a) profissional de estética é exatamente o corpo
humano. Portanto o conhecimento das estruturas anatômicas e de seu
funcionamento é fundamental para a sua formação. Para Piazza e
Reppold Filho (2011), há séculos que a anatomia humana é tratada
com diferentes graus de profundidade, iniciando-se pelos egípcios,
seguido pelos mesopotâmios e passando por contribuições de
diversos profissionais históricos como Galeno e Versallius e até
artistas, como Leonardo da Vinci, Michelangelo.
A Anatomia como ciência tem sido definida como o ramo do
conhecimento que estuda composição do corpo humano, enquanto a
Fisiologia está voltada para o seu funcionamento pleno. Cada
estrutura do corpo humano está relacionada com a sua função. Porém
vale lembrar que os indivíduos apresentam peculiaridades, formações
anatômicas que apresentam variações em função das etapas de
desenvolvimento, de fatores étnicos, de necessidades funcionais
determinadas pelo tempo e pelo espaço geográfico. O corpo humano
tem uma arquitetura biológica, mas tem também uma construção e
interferência social.
É importante ressaltar a necessidade de formação de
profissionais da área de estética que dominem saberes mais
aprofundados do corpo humano de maneira que consigam manter o
interesse e o estímulo pelo estudo dessa disciplina durante a sua
formação, sempre de forma continuada, aprofundada e em constante
evolução.
Embora para o estudo do corpo humano seja imprescindível o
manuseio de cadáveres ou peças anatômicas artificiais, ou ainda
imagens na forma de fotos e esquemas representativos devemos ter
em mente que sempre visamos o conhecimento do corpo vivo.

Seria possível ensinar a Anatomia Humana sem a utilização de


cadáveres. Essa alternativa há benefícios como: um bom uso dos
princípios educativos, baixos custos, redução total de riscos biológicos e
sendo muito mais prático. Assim, pode-se ensinar Anatomia Humana a
estudantes de medicina, utilizando o método da anatomia clínica.
Utilizando materiais como software multimídia 3D, slides, figuras e
modelos anatômicos. (Piazza e Reppold Filho, 2011. p 52).

Assim como também estudamos os diversos sistemas


(esquelético, nervoso, tegumentar, digestório, respiratório e etc.),
mas não podemos perder o foco de que estes segmentos que serão
estudados estão interligados e são interdependentes. O presente
material tem a intenção de informar como as diferentes partes do
organismo humano estão em constante cooperação para manter a
regulação interna para a manutenção do estado de saúde -
denominamos este estado de equilíbrio dinâmico de homeostasia.
Para melhor compreensão da disciplina, costuma-se abordar a
composição do organismo em 6 níveis organizacionais:
Nível químico – estabelece a relação entre os principais átomos
– carbono (C), hidrogênio (H), oxigênio (O), nitrogênio (N), fósforo
(P), cálcio (Ca) entre outros são fundamentais para a arquitetura
orgânica. A partir de reações e ligações químicas formam-se
moléculas que são essenciais para a manutenção da vida – água,
proteínas, carboidratos, DNA, vitaminas entre outras.
Nível Celular – A partir de combinações muito especiais, as
moléculas formam as unidades celulares que formam a base
estrutural e funcional orgânica. Diferentes tipos celulares irão compor
o organismo e possibilitar que as reações bioquímicas essenciais para
a formação e manutenção do corpo humano possa acontecer.
Nível Tecidual – Os tecidos são formações celulares que
trabalham em conjunto para desempenhar funções específicas. Os 4
tipos fundamentais de tecidos (epitelial, conjuntivo, muscular e
nervoso) formam os diferentes órgãos aparelhos sistemas orgânicos.
Nível orgânico – São formas reconhecidas e limitadas que
cumprem papeis específicos no organismo. Podem ser formados por
diferentes tipos de tecidos e tem seu desenvolvimento iniciado
durante o desenvolvimento embrionário. Coração, encéfalo, fígado,
pulmões, cada órgão desempenha um papel fundamental para a
formação do corpo humano.
Nível sistêmico – Os sistemas são constituídos por conjuntos
de órgãos com finalidades específicas. O sistema digestório tem por
finalidade digerir e absorver nutrientes a partir da digestão dos
alimentos, enquanto ao sistema circulatório cabe distribuir esses
nutrientes a todas a células que formam o organismo. O mesmo
sistema distribui também o oxigênio, que incorporado graças a ação
do sistema respiratório. Perceba como os sistemas são sempre
interdependentes.
Nível orgânico – é maior e último nível organizacional,
resultados de uma incrível combinação e complementaridade de todos
os sistemas, órgãos, tecidos e células do organismo. O resultado é o
corpo humano, anatômica e fisiologicamente saudável e vivo. Os
processos vitais apresentam características que são próprias e que
terminam por distinguir o organismo vivo, do não vivo.

Fonte:
http://www.auladeanatomia.com/generalidades/niveis.jpg

Aula 1 – Termos Básicos de Anatomia

Para o estudo de anatomia e fisiologia humana é muito


importante que tenhamos precisão ao descrever o posicionamento ou
o funcionamento de determinado processo orgânico. Para padronizar
estas descrições cientistas e profissionais fazer as referências a partir
de uma posição anatômica que é padronizada e um vocabulário
específico para correlacionar os termos anatômicos. Portanto,
estabeleceram-se normas de nomenclatura, posição relativa de
situação, descrições de trajetos e movimentos. Dentro desse
contexto, ficou estabelecida uma referência de nomenclatura oficial
derivada do latim e uma referência espacial do corpo humano dado
pela chamada posição anatômica. Na posição anatômica o indivíduo
é referenciado em posição ereta, com a face voltada para frente,
membros superiores estendidos voltados para frente e colados ao
tronco, com as palmas das mãos também voltados para frente. Os
membros inferiores devem estar unidos, com as pontas dos pés
direcionados para frente. Na posição anatômica o corpo está em
posição vertical. Porém se o corpo for acomodado de forma a reclinar-
se num plano, termos dois termos importantes na atividade de um
esteticista. Se o corpo estiver reclinado com a face voltada para cima
designa-se decúbito dorsal (posição de supina). Se o corpo estiver
deitado com a face para baixo, está em decúbito ventral (posição
de prona).
Para facilitar estas referências, foram designados planos
tangenciais e planos seccionais. Os planos tangenciais emolduram o
corpo como se estivesse em um caixão de vidro. Têm-se, assim, os
seguintes planos:
• ventral ou anterior (plano vertical tangente ao ventre);
• dorsal ou posterior (plano vertical tangente ao dorso);
• lateral direito e esquerdo (plano vertical tangente ao lado do
corpo);
• cranial ou superior (plano horizontal tangente à cabeça);
• podálico ou inferior (plano horizontal tangente à planta dos
pés).
Os planos seccionais são muito importantes. São planos
imaginários que seccionam (cortam) o corpo humano estabelecendo
porções definidas. Observe a imagem proposta onde os três panos
estão situados ao mesmo tempo.

Fonte:
https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=5867035

São eles:
O plano sagital mediano passa longitudinalmente através do
corpo e o divide em metades direita e esquerda. O plano frontal ou
coronal é ortogonal ao plano mediano, ou seja, divide o corpo em
anterior ou ventral e posterior ou dorsal. E o plano transversal ou
horizontal corta o corpo dividindo em duas porções, superior e
inferior. Ao considerarmos estes planos, teremos estabelecidos os
termos de posições relativas. São posições relativas porque devemos
considerar a posição de uma estrutura em relação à outra. Por
exemplo, o coração é superior ao estômago, embora ambos estejam
localizados no tronco. Porém considera-se o coração um órgão situado
no tórax e o estômago, localizado no abdômen.

Observe a tabela abaixo:

PLANO TERMO REFERÊNCIA


LATERAL Faz referência a uma estrutura situada
mais afastada do plano sagital mediano
SAGITAL e não próximas ao plano lateral.
MEDIANO MEDIAL Refere-se a uma estrutura situada mais
próxima ao plano sagital mediano em
relação a uma outra
Faz referência a uma estrutura que se
ANTERIOR
situa mais próxima ao plano ventral em
OU VENTRAL
FRONTAL OU relação a outra.
CORONAL Faz referência a uma estrutura que se
POSTERIOR
situa mais próxima ao plano dorsal em
OU DORSAL
relação a outra.
Refere-se a uma estrutura que se situa
SUPERIOR mais próxima ao plano cranial em
TRANSVERSAL relação a outra .
OU HORIZONTAL Refere-se a uma estrutura que se situa
INFERIOR mais próxima ao plano podálico em
relação a outra .

Existem ainda outros termos para designar estruturas em


posições relativas – proximal ou distal, quanto mais próximas ou
distantes estiverem da inserção de um membro ou considerando o
plano sagital mediano. Também os termos superficial e profundo,
quando a posição relativa estiver posicionada mais externamente ou
internamente no organismo.
Além destes cabe referenciar ainda os termos de movimento:
flexão e extensão, adução e abdução, pronação e supinação, e por
último, protusão e retrusão.
Alguns termos podem ainda estar relacionados com
determinadas partes do organismo. Observe abaixo uma pequena
relação que pode facilitar nossa compreensão no dia a dia e na
literatura.

Sistêmico: Relacionado ao corpo todo.


Osteo/Ósseo: Refere-se aos ossos.
Encefálico: Refere-se ao sistema nervoso.
Ótico: Refere-se aos ouvidos.
Óptico: Refere-se aos olhos.
Cervical: Refere-se ao pescoço.
Torácico: Refere-se ao tórax.
Abdominal: Refere-se ao abdômen.
Dérmico: Refere-se à pele.
Coronário: Refere-se ao coração.
Hepático: Refere-se ao fígado.
Gástrico: Refere-se ao estômago.
Entérico: Refere-se ao intestino.
Esplênico: Relacionado ao baço.
Renal: Refere-se aos rins.
Vertebral: Refere-se às vértebras.
Aula 2 – Sistema Osteoarticular

Apesar de apresentar uma aparência simples os ossos são


formados por tecidos vivos, com células típicas e substância
intercelular bastante rígida. As células ósseas maduras são
denominadas de osteócitos e entre elas depositam-se
principalmente sais de cálcio e fibras colágenas e está em contínuo
processo de remodelamento. O suprimento de nutrientes e oxigênio
para as células ósseas é garantido pela presença de pequenos vasos
sanguíneos que percorrem os canais de Havers e de Volkman no
interior dos ossos. Não há vasos linfáticos no interior dos ossos,
apenas no periósteo que é uma membrana que reveste os ossos.
É fundamental o estudo e conhecimento dos principais ossos do
organismo, porque várias estruturas de outros sistemas
posteriormente estudadas terão seus nomes referenciados a partir
dos conhecimentos adquiridos com o sistema esquelético. O sistema
esquelético é formado pelos ossos, cartilagens e ligamentos. A
estrutura óssea basicamente realiza a sustentação do organismo, a
proteção de órgãos internos além de permitir a realização de
movimentos. As estruturas cartilaginosas estão relacionadas também
com o suporte permitindo maior flexibilidade à algumas estruturas
como nariz, pavilhão auditivo esterno, traqueia e laringe. Contribui
para a conexão entre ossos adjacentes evitando atrito entre eles. Os
ligamentos são estruturas de tecido conjuntivo resistente que
sustentam articulações móveis, permitindo movimento entre
diferentes partes do organismo. Esses movimentos são possíveis
graças a presença de músculos que normalmente estão fixados a
ossos através de estruturas de tecido conectivo denominados
tendões.
O esqueleto ósseo humano apresenta 206 ossos e divide-se em
esqueleto axial e esqueleto apendicular. Nas imagens a seguir você
pode observar graficamente a diferença.

Fonte:
https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Axial_skeleton_diagram_es.svg

O esqueleto axial é formado por três partes: a cabeça óssea, a


caixa torácica e a coluna vertebral. Está intimamente relacionado com
sustentação do corpo e proteção de órgãos vitais, como veremos mais
adiante. O esqueleto apendicular é formado pelos membros
superiores e inferiores e seus pontos de conexão estabelecidos pela
cintura ou cíngulo escapular e articulação ou cíngulo pélvico. O
esqueleto apendicular complementa a sustentação e promove os
movimentos. Ossos clavícula, escápula e ilíaco, apesar de estarem
localizados na região do tronco, eles pertencem ao esqueleto
apendicular.
São funções do sistema ostearticular:
Sustentação – os ossos fornecem uma estrutura para tecidos
e órgãos e pontos de fixação para os tendões da maioria dos músculos
esqueléticos.
Proteção – estruturas como as caixas craniana e torácica
protegem órgãos vitais como coração, pulmões e encéfalo.
Hematopoiética – a medula óssea, no interior dos ossos são
responsáveis pela produção de células sanguíneas.
Armazenamento de sais – os ossos estão constantemente
armazenando e liberando suas reservas de cálcio e fósforo para serem
utilizadas em outras funções do organismo.
O processo de ossificação – que é o crescimento ósseo durante
a vida do indivíduo ocorre de diferentes formas e etapas.

A formação do osso ocorre em quatro situações principais: (1) a


formação inicial de ossos no embrião e no feto, (2) o crescimento dos
ossos durante a infância e a adolescência até seu tamanho adulto ser
alcançado, (3) a remodelação do osso (substituição do tecido ósseo
velho por tecido ósseo novo durante toda a vida) e (4) o reparo de
fraturas (rupturas nos ossos) durante toda a vida. (TOTORA, 2016, p.
121).

Esqueleto axial
CABEÇA ÓSSEA
A cabeça óssea é dividida em duas porções – crânio
(neurocranio) e face (viscerocranio). A caixa craniana, tem um
aspecto de capacete que aloja e protege o encéfalo em seu interior. É
formado por um conjunto de ossos chatos que se articulam através
de suturas. É composta por 8 ossos, alguns pares outros ímpares.
frontal (01) occipital (01) esfenóide (01) etmóide (01) temporal (02)
parietal (02). Separando a estrutura óssea do encéfalo, encontramos
três membranas que se estendem por dentro a coluna vertebral,
denominadas de meninges. Essas membranas protegem o tecido
nervoso e regulam a pressão interna pela presença de um líquido
céfalo-raquidiano. São denominadas de dura-máter, aracnoide e pia-
máter. Quando ocorre um processo inflamatório seja por agente
bacteriano, viral ou até mesmo fungos, denominamos de meningite.
Os ossos da face são em maior quantidade – 14 ossos
localizados na porção anterior da cabeça. São eles: mandíbula (01)
vômer (01) zigomático (malar) (02) maxila (02) palatino (02) nasal
(02) lacrimal (02) concha nasal inferior (02).
Os ossos que formam a cabeça óssea apresentam elevado grau
de complexidade em suas estruturas e articulações porque recebem
e emitem grande variedade de estruturas musculares, vasculares,
nervosas e linfáticas. Alguns aspectos devem ser ressaltados. O único
osso móvel na cabeça óssea é a mandíbula através da articulação
temporomandular – a ATM. Estende-se até os temporais permitindo a
formação da ATM. O meato acústico externo é o canal no osso
temporal que conduz até a orelha média. Os ossos zigomáticos,
chamados de malares formam um arco que Interessante é observar
a formação das cavidades orbitais que sustentam os olhos: são
formadas por um quebra cabeça composto pelo osso frontal,
esfenoide, etmóide, lacrimal, maxila, zigomático e palatino. O osso
occipital, na porção posterior apresenta uma abertura – o foramém
magno, que comunica o encéfalo com a medula espinhal.
Fonte:
http://www.anatomiadocorpo.com/wp-content/uploads/2016/04/ossos-do-cranio.jpg

Fonte
http://www.anatomiadocorpo.com/wp-content/uploads/2016/04/ossos-da-face.jpg

COLUNA VERTBRAL
A coluna vertebral por uma série de ossos, chamados vértebras,
que estão sobrepostos formando de uma coluna. É constituída por 24
vértebras, sacro e cóccix. Superiormente, se articula com o osso
occipital (crânio), e inferiormente, articula-se com o osso ilíaco. É
subdividida em 3 regiões – região cervical, composta por 7 vértebras
(C1- C7), região torácica, formada por 12 vértebras (T1-T12) e
região lombar com 5 vértebras (L1-L5). Inferiormente estão o sacro
(fusão de 5 vértebras sacrais) e o cóccix (fusão de 4 vértebras
coccígeas).
Entre as vértebras, a segunda vértebra cervical até o sacro,
existem discos intervertebrais. Os discos intervertebrais são formados
por tecido cartilaginosos que permite movimento à coluna vertebral e
absorvem impactos. Pelo canal vertebral passa a medula espinhal de
onde partem nervos para estimular diferentes regiões do organismo.
São funções da coluna vertebral proteger a medula espinhal e os
nervos espinhais, suporta o peso do corpo, fornece um eixo de
sustentação e mobilidade para a cabeça, de ponto de fixação para as
costelas, a cintura pélvica e os músculos dorsais. Apenas 2 vértebras
apresentam nomes especiais - a C1 denominada de Átlas e a C2 de
Áxis.

Fonte:
https://www.auladeanatomia.com/novosite/wpcontent/uploads/2015/11/colunas.
bmp?x73193
Numa vista lateral, a coluna vertebral apresenta várias
curvaturas consideradas fisiológicas e normais. São elas:
Lordose na região cervical, cifose na região torácica, lordose
na região lombar.
Se qualquer dessas curvaturas for acentuada, denominamos de
hipercifose (região dorsal) ou hiperlordose (região lombar). Na
vista anterior ou posterior, a coluna vertebral não apresenta
curvatura. Quando ocorre alguma curvatura lateral chamamos de
escoliose.

TORAX

Formado por uma caixa óssea composta pelas costelas e um


osso central anterior denominado de externo. A caixa torácica, assim
denominada tem como função a proteção de órgãos vitais como
coração, situado posteriormente ao osso esterno e pulmões
circundados pelos arcos costais. O esterno é um osso chato, ímpar,
que desempenha importante atividade hematopoiética. Apresenta
três regiões – manúbrio na porção superior, corpo do esterno, e
uma porção terminal inferior denominado de processo xifoide. O
processo xifoide é um importante ponto de referência anatômica de
superfície. As costelas apresentam-se em 12 pares. Mas onde estão
inseridas essas costelas? Gostaria de enfatizar que as costelas
articulam-se posteriormente com a coluna vertebral a partir das
vértebras torácicas – T1 até a T12, e são classificadas como:
• 7 Pares - Verdadeiras: articulam se diretamente ao esterno
• 3 Pares - Falsas: articulam-se indiretamente (cartilagens)
• 2 Pares - Flutuantes: são livres e se articulam apenas com as
vértebras.
Esqueleto apendicular

MEMBRO SUPERIOR

Atenção: os ossos do membro superior apresentam quatro


segmentos, portanto braço. A partir de agora é apenas um os
segmentos do membro superior. Observe:
• cintura escapular formada pela clavícula e escápula.
• braço composto pelo úmero.
• antebraço que apresenta ulna e rádio.
• mão formada por vários ossos.
A cintura escapular é a articulação de maior capacidade de
movimentação no corpo humano, razão pela qual forma um complexo
muscular entre os ossos clavícula, escápula, úmero e costelas.
Estabelece a ligação entre o membro superior e o tronco. Embora
aparentemente localizados na porção torácica, a clavícula e escápula
são considerados ossos pertencentes ao esqueleto apendicular.
Fonte:
https://static.todamateria.com.br/upload/os/so/ossosmembrosuperior-1.jpg

Braço – porção proximal do membro superior é formada por um


único osso, o úmero.
Antebraço – composto por dois ossos, o rádio que se situa
alinhado em direção ao polegar enquanto a ulna está localizada em
paralelo ao rádio. Na ulna, em sua epífise proximal, encontra-se um
acidente ósseo denominado olécrano, que popularmente é conhecido
como cotovelo.
Mão – Apresenta três regiões – carpo, metacarpo e falanges. A
região carpal é formada por 8 ossos dispostos em duas fileiras. A
fileira proximal e composta por escafoide, semilunar, piramidal e
pisiforme. A fileira distal apresenta o trapézio, trapezoide, capitato e
hamato. Os ossos metacarpianos são designados por número de 1 a
5, tendo como referência 1, o metacarpiano do polegar. As falanges
são em número de 14 e formam os dedos. Cada dedo apresenta três
falanges – proximal, média e distal (unha) exceto o polegar designado
como dedo 1, e que apresenta apenas 2 falanges – proximal e distal.

MEMBRO INFERIOR

O membro inferior participa ativamente da sustentação, da


movimentação e equilíbrio do corpo. Os membros inferiores estão
unidos ao tronco a partir da bacia pélvica. Os dois ossos que formam
a bacia pélvica são denominados de ilíacos e articulam-se
posteriormente com o sacro e anteriormente entre si a partir da sínfise
púbica. Cuidado. Assim como ocorreu no membro superior, a partir
de agora, perna refere-se apenas a um dos segmentos do membro
inferior, apresentam na verdade 4 porções:
• Cintura Pélvica – formada pelos ossos ilíacos (osso do quadril)
• Coxa – constituída pelo fêmur e patela
• Perna – formada pela tíbia e fíbula
• Pé – formado por vários ossos.

Cintura pélvica é a região de transição entre os membros


inferiores e a porção terminal do tronco. É formada pela pelos ossos
ilíacos articulado com o sacro e cóccix. O ilíaco, por sua vez é
composto pela fusão de três ossos: ílio, ísquio e púbis, localizados na
região anterior que se articulam entre si a partir da sínfise púbica.
Atua na transferência de peso para os membros inferiores e a
diferença de tamanho entre a bacia pélvica masculina e feminina é
uma característica na determinação do sexo. A cabeça do fêmur
articula-se com uma cavidade denominada acetábulo do ilíaco.
Fonte:
https://static.todamateria.com.br/upload/os/so/ossosmembroinferior-0.jpg

Coxa – região proximal do membro inferior apresenta um osso


longo, o maior do organismo – fêmur. O fêmur, em sua epífise
proximal tem duas regiões bem distintas – a cabeça do fêmur e uma
tuberosidade lateral chamada trocanter maior. A patela é um osso
sesamóide, que se articula apenas com o fêmur na epífise distal.
Perna – Formada por dois ossos longos denominados de tíbia e
fíbula. Nas epífises distais, tanto a tíbia quanto a fíbula apresentam
projeções ósseas denominadas de maléolos, conhecidos
popularmente como “ossinhos do tornozelo”. O maléolo da tíbia é o
maléolo medial, enquanto que o da fíbula é o maléolo lateral.
Pé – Porção terminal do membro inferior é formado por um
conjunto de 26 ossos e divide-se em três regiões – tarso, metatarso
e falanges. Destacam-se entre eles o calcâneo que apoia o corpo no
solo, e acima dele o tálus que se articula com a tíbia e a fíbula. Os
dedos dos pés apresentam uma similaridade com os das mãos, sendo
formados por três falanges, com exceção do dedo hálux que
apresenta apenas duas e é, assim como o polegar, o dedo de
referência – dedo 1.
Aula 3 – Sistema Digestório

Os seres humanos precisam de alimentos para obtenção de


energia e nutrientes que garantam seu crescimento e manutenção.
São os alimentos que fornecem esses elementos básicos denominados
de nutrientes. Para que os nutrientes possam ser absorvidos e
aproveitados por todas células, o organismo transforma os alimentos
ingeridos, que passam por várias etapas digestivas. Os diferentes
órgãos, ou partes do corpo, que participam desse processo compõem
o sistema digestório.

Fonte:
TORTORA, G. J.; DERRICKSON, B. Princípios de Anatomia e fisiologia. 14. ed.
– 2016. Pg 478
Dois grupos de órgãos formam o sistema digestório, o trato
gastrointestinal (GI), ou canal alimentar, que é um tubo contínuo com
5 a 7 metros de comprimento. Os órgãos principais do sistema
digestório são a boca, o esôfago, o estômago e intestino delgado e o
intestino grosso. Participam também, paralelamente, os dentes,
língua, as glândulas salivares, o fígado e o pâncreas que auxiliam no
processamento desses alimentos. No processo digestivo consideram-
se 2 tipos de eventos – a digestão química formada pelos sucos
digestivos (enzimas) agindo sobre os alimentos e a digestão
mecânica que atua no permitindo a trituração e o movimento do
alimento durante o seu percurso.

A atividade enzimática e a motilidade são dois dos mais


complexos mecanismos pelos quais o alimento é reduzido à sua forma
mais simples para ser absorvido. A motilidade do sistema digestório é
denominada peristalse, definida como o movimento de ondas de
contração por várias distancias, pela qual o canal alimentar e os demais
tubos do sistema digestório propulsionam o seu conteúdo. (DANGELO e
FATTINI. 2007. p. 157).

A digestão química refere-se à insalivação, à formação do quimo


e do quilo, no estômago e intestino, respectivamente. A digestão
mecânica é formada peça mastigação, deglutição e os movimentos
peristálticos realizados pelo tubo digestivo a partir do esôfago.

BOCA

A boca ou cavidade oral é formada lateralmente pelas


bochechas, e superiormente pelos palatos duro e mole e inferiormente
pela presença da língua. A digestão inicia-se na boca, onde os dentes
amassam e trituram os alimentos. Algumas glândulas constituem
formações bem individualizadas, localizando nas proximidades do
tubo, como qual se comunicam através de ductos, que servem para o
escoamento de seus produtos de elaboração. As glândulas salivares –
parótidas, submaxilares e sublinguais produzem a saliva que é
rica em enzimas digestivas. A amilase salivar inicia a digestão de
carboidratos na boca. A enzima lisozima tem propriedades
antissépticas destruindo bactérias. A secreção da saliva está sob
controle autônomo de sistema nervoso. A língua participa misturando
as partículas de alimento com a saliva. É o principal órgão do sentido
do gosto e um importante órgão da fala, além de auxiliar na
mastigação e deglutição dos alimentos. Localiza-se no soalho da boca,
dentro da curva do corpo da mandíbula. Ao mesmo tempo em que
inicia a ação enzimática, a saliva umedece e amolece os alimentos,
favorecendo a deglutição. Esse processo é quando o alimento passa
pela faringe, chegando ao esôfago.
Os dentes são estruturas acessórias cônicas duras, fixadas nos
alvéolos da mandíbula e maxila usados na mastigação e no auxílio ao
processo de fonação. O organismo apresenta duas dentições. Na
infância, crianças têm 20 dentes decíduos (ou de leite). Na fase adulta
normalmente observamos 32 dentes secundários (ou permanentes).
Os dentes têm função de cortar, perfurar, rasgar e triturar os
alimentos favorecendo sua deglutição e digestão. São classificados
como dentes incisivos centrais e laterais, caninos, pré-molares e
molares.
Fonte:
NETTER, Frank H. Atlas de Anatomia Humana. 2ed. Porto Alegre: Artmed, 2000.

FARINGE

Quando o alimento é deglutido, passa da boca para a faringe,


um tubo afunilado composto por uma musculatura esquelética e
revestida por uma membrana mucosa. A faringe pode ainda ser
dividida em três partes: nasal (nasofaringe), oral (orofaringe) e
laríngea (laringofaringe). A faringe comunica as vias respiratória e
digestória. Durante a deglutição, o alimento normalmente não pode
entrar nas vias nasal e respiratória em razão do fechamento
temporário das aberturas dessas vias. Assim durante a deglutição, o
palato mole move-se em direção a abertura da parte nasal da faringe;
a abertura da laringe é fechada quando a traqueia se move para cima
e permite a uma prega de tecido, chamada de epiglote, cubra a
entrada da via respiratória. Na deglutição normalmente o alimento é
direcionado para o esôfago, um longo tubo que se esvazia no
estômago.

ESÔFAGO

O esôfago é um tubo musculoso de 15 a 20 cm que se estende


desde a faringe até estômago. Se localiza posteriormente à traqueia
começando na altura da 7ª vértebra cervical. Perfura o diafragma pela
abertura chamada hiato esofágico e termina na parte superior do
estômago. Aqui se inicia o peristaltismo, quando as paredes do
esôfago se contraem lentamente impulsionando o alimento até este
chegar ao estômago. O refluxo gastresofágico se dá quando o
esfíncter esofágico inferior (localizado na parte superior do esôfago)
não se fecha adequadamente após o alimento ter entrado no
estômago, o conteúdo pode refluir para a parte inferior do esôfago.
Fonte:
https://escola.britannica.com.br/levels/fundamental/assembly/view/134092

ESTÔMAGO

O estômago é um órgão semelhante a uma bolsa que recebe e


armazena o alimento ao mesmo tempo que realiza sua digestão. O
estômago está situado no abdome, logo abaixo do diafragma,
anteriormente ao pâncreas, superiormente ao duodeno e a esquerda
do fígado. O estômago está localizado no quadrante superior esquerdo
do abdome, entre o fígado e o baço. Para impedir o refluxo do
alimento para o esôfago, existe uma válvula o óstio cárdico ou
simplesmente cárdia, situada logo acima da curvatura menor do
estômago. É assim denominada por estar próximo ao coração.
Durante esse processo recebe o suco gástrico que contém enzimas
que transformam o alimento numa solução pastosa denominada de
quimo. O pH do quimo é extremamente baixo devido a presença de
ácido clorídrico no suco gástrico. O padrão químico do estômago
garante o processamento dos alimentos, a ativação da pepsina, e uma
atividade antisséptica, eliminando microrganismos presentes no
alimento. Este alimento pode demorar até duas horas durante sua
preparação para seguir adiante. Para impedir que o bolo alimentar
passe ao intestino delgado prematuramente, o estômago é dotado de
uma poderosa válvula muscular, um esfíncter chamado piloro ou
óstio pilórico.

INTESTINO DELGADO

A principal parte da digestão ocorre no intestino delgado, que se


estende do piloro até a junção ileocólica (ileocecal), que se reúne com
o intestino grosso. O intestino delgado é um órgão indispensável. Os
principais eventos da digestão e absorção ocorrem no intestino
delgado, portanto sua estrutura é especialmente adaptada para essa
função.
O intestino delgado é dividido em três regiões – duodeno,
jejuno e íleo. Passando pela válvula pilórica devido aos movimentos
peristálticos, o bolo alimentar trafega inicialmente pela primeira
parte, o duodeno. É a primeira porção do intestino delgado. Recebe
este nome por ter seu comprimento aproximadamente igual à largura
de doze dedos (25 centímetros). É a única porção do intestino delgado
que é fixa. Não possui mesentério. Neste ponto o bolo alimentar é
neutralizado - (deixa de ser ácido) - pela contribuição dada pelo fígado
(bile) e pâncreas (suco pancreático). No duodeno o bolo alimentar
passa a ser chamado de quilo e sofre seus principais desdobramentos
em nutrientes mais simples que podem ser absorvidos pela mucosa
intestinal. Estes nutrientes atingem para a corrente sanguínea e são
distribuídas para todas as células do corpo. Fibras vegetais não são
digeridas e auxiliam os movimentos peristálticos além de fornecerem
substratos para ação bacteriana. Jejuno é a parte do intestino
delgado que faz continuação ao duodeno, é mais largo, e sua parede
é mais espessa e mais vascular que o íleo. Íleo é o último segmento
do intestino delgado e juntos medem de 6 a 7 metros. É mais estreito
e menos vascularizado que o jejuno. Na porção terminal o íleo
desemboca no intestino grosso num orifício que recebe o nome de
válvula ileocecal.

INTESTINO GROSSO
O intestino grosso é mais largo e mais curto que o intestino
delgado, mede em torno de 1,5 metros. É subdividido em ceco, a
porção inicial, depois em colo ascendente, transverso,
descendente, reto a abertura terminal em ânus e está fixo à parede
posterior do abdômen pelo mesocolo. O intestino grosso é separado
do delgado pela válvula ileocecal. A primeira porção, o ceco,
apresenta uma projeção – o apêndice vermiforme que quando sofre
processos inflamatórios causa a apendicite. No intestino grosso o bolo
alimentar sofre intensa desidratação fornecendo um aspecto pastoso
e formando o bolo fecal. Esse processo de desidratação é importante
para que o corpo recupere parte a água que forma o bolo fecal. Por
isso o perigo muitas vezes em que crianças e idosos são acometidos
de diarreias fortes, precisarem de soro para evitar a desidratação
refletida na eliminação de fezes liquefeitas. As fezes são assim
eliminadas contendo apenas o material que não foram absorvidas pelo
organismo.

Fonte:
NETTER, Frank H. Atlas de Anatomia Humana. 2ed. Porto Alegre: Artmed, 2000.

FIGADO
Considerado a maior e mais volumosa glândula do corpo, Está
localizado na região superior do abdômen, logo abaixo do diafragma,
ficando mais a direita, e pesa cerca de 1.500 g. O fígado é dividido
em lobos. A Face Diagramática apresenta um lobo direito e um lobo
esquerdo, sendo o direito pelo menos duas vezes maior que o
esquerdo. A divisão dos lobos é estabelecida pelo ligamento
falciforme. Na extremidade desse ligamento encontramos um cordão
fibroso resultante da obliteração da veia umbilical, conhecido como
ligamento redondo do fígado. Desempenha várias funções vitais
para o organismo, entre elas destacamos o armazenamento de
glicogênio, o principal órgão de desintoxicação do organismo e realiza
síntese de colesterol. Além disso, converte amônia em ureia, é
responsável pela reabsorção de hemácias, pelo metabolismo de
lipídios e armazenamento de vitaminas A, D, K e B12. A bile é
produzida no fígado e armazenada na vesícula biliar, que a libera
quando gorduras entram no duodeno. A bile emulsiona a gordura e a
distribui para a parte distal do intestino para a digestão e absorção.
O principal pigmento da bile é a bilirrubina. Quando os eritrócitos
desgastados são decompostos liberam ferro, globina e bilirrubina. A
bile é liberada no duodeno através do canal colédoco que se une
com o ducto pancreático numa abertura única denominada ampola
hepato-pancreática. Hepatites A, B e C assim como a cirrose
hepática são doenças associadas ao fígado. Hepatócitos são as células
funcionais do fígado que realizam funções endócrinas, metabólicas e
secretoras.
Fonte:
TORTORA, G. J.; DERRICKSON, B. Princípios de Anatomia e fisiologia. 14. ed.
– 2016. Pg 489

O sistema porta hepático é designado à um conjunto formado


pela veia porta e suas tributárias. Este sistema transporta o sangue
dos órgãos abdominais diretamente para o fígado. Este sistema
venoso permite que todas as substâncias absorvidas no trato
digestivo passem primeiro pelo fígado onde são transformadas, antes
de passarem à circulação sistémica pela veia hepática. Isto é porque
contém nutrientes e toxinas que são absorvidos ao longo do trato
digestivo. Antes de essas substâncias irem para a circulação
sistêmica, elas devem ser filtradas para remover ou modificar toxinas
que possam estar presentes nos alimentos ingeridos.
PÂNCREAS

É uma glândula anfícrina localizada posteriormente ao estômago


que se comunica com o duodeno através do canal pancreático. O
pâncreas é achatado no sentido antero-posterior, ele apresenta uma
face anterior e outra posterior, com uma borda superior e inferior e
sua localização é posterior ao estômago. O comprimento varia de 12,5
a 15 cm e seu peso na mulher é de 14,95 g e no homem 16,08 g.
Divide-se em cabeça (aloja-se na curva do duodeno), colo, corpo e
cauda. Além de secretar a insulina e o glucagon, que são hormônios
importantes no metabolismo da glicose, produz o suco pancreático
que é composto por várias enzimas – amilases, proteases, lipases -
que vão atuar no bolo alimentar vindo do estômago. A não produção
de insulina determina uma doença – a diabetes, associada ao mau
funcionamento do pâncreas. Descrição sobre as diabetes podem ser
observadas a partir do link abaixo.
Além do suco pancreático, e da insulina, o pâncreas produz o
glucagon, outro hormônio importante na via metabólica da glicose.
Resumidamente o pâncreas tem as funções:
 Dissolver carboidratos a partir da produção da enzima amilase
pancreática;
 Dissolver proteínas a partir da produção das enzimas tripsina,
quimotripsina, carboxipeptidase e elastase;
 Dissolver triglicerídeos nos adultos a partir da produção da
enzima lípase pancreática;
 Dissolver ácido nucleicos a partir da produção das enzimas
ribonuclease e desoxirribonuclease.
PERITÔNIO

O peritônio apresenta duas porções e é a mais extensa


membrana serosa do corpo, preenchendo importante espaço da
cavidade abdominal. A parte que reveste a parede abdominal é
denominada peritônio parietal e a porção que se estende sobre as
vísceras constitui o peritônio visceral. O espaço entre os folhetos
parietal e visceral do peritônio é denominada cavidade peritoneal.
Aula 4 – Sistema Respiratório

Basicamente o sistema respiratório tem como função a


oxigenação dos tecidos a partir da captação do O2 atmosférico. É um
sistema que leva o ar com oxigênio das fossas nasais até os pulmões
onde ocorre a troca gasosa, passando o O2 e retirando o CO2 da
corrente sanguínea. Para que ocorra o funcionamento adequado dos
pulmões participam músculos importantes como o diafragma e os
intercostais. Hematose é o nome dado para a troca de gases que
acontece na porção mais íntima dos pulmões, os alvéolos pulmonares.
O O2 e o CO2 prendem-se ao núcleo de ferro presente no interior das
moléculas de hemoglobina, nas hemácias, que são as células
responsáveis pelo transporte desses gases por todo o corpo. Fica
assim evidenciado que o sistema respiratório é um processo bastante
dinâmico e vital para o organismo. Perceba que assim como o sistema
digestório, o sistema respiratório também é um sistema de captação
e eliminação de compostos para o perfeito funcionamento orgânico.
Possibilitar ao organismo essa troca de gases com o ar atmosférico,
assegurando permanente concentração de oxigênio no sangue,
necessária para as reações metabólicas, e em contrapartida servindo
como via de eliminação de gases residuais, que resultam dessas
reações.
Este sistema é constituído pelos tratos respiratórios superior e
inferior. O trato respiratório superior é formado por órgãos localizados
fora da caixa torácica. O trato respiratório inferior consiste em órgãos
localizados na cavidade torácica. Fazem parte do sistema respiratório
as seguintes estruturas: fossas nasais, faringe, laringe, traqueia,
brônquios, pulmões e os músculos respiratórios.
Fonte:
http://s3.online24.pt/foto/sistema-respiratorio_bg.jpg

FOSSAS NASAIS

O nariz é estrutura formada por ossos e cartilagens, que


apresenta duas aberturas, as narinas, que permitem a entrada do ar.
São duas cavidades que se iniciam nas narinas e terminam na faringe.
As paredes laterais da cavidade nasal apresentam saliências, as
conchas nasais, que aumentam a superfície de contato entre o ar e a
mucosa da cavidade nasal. São separadas por uma estrutura
cartilaginosa chamada de septo nasal e produzem grande quantidade
de muco. Os pelos do interior das narinas filtram grandes partículas
de poeira que podem ser inaladas. Os seios paranasais são cavidades
existentes em alguns ossos do crânio e que se abrem na cavidade
nasal. Seu revestimento é contínuo e idêntico ao da cavidade nasal.
Estes seios paranasais são identificados como seios maxilares, frontal,
etmoidal e o esfenoidal. Além disso, as cavidades nasais contêm
células receptoras para o olfato. São as estruturas responsáveis pela
percepção do sentido do olfato. As fossas nasais filtram, umedecem e
aquecem o ar para que prossiga nas vias aéreas em direção aos
pulmões.
FARINGE

É um segmento comum ao sistema digestório e respiratório,


comunicando-se com a boca. A faringe funciona como uma passagem
de ar e alimento. A faringe é dividida em três regiões anatômicas:
nasofaringe, orofaringe e laringofaringe. A tuba auditiva se comunica
com a faringe através do ósteo-faríngeo da tuba auditiva, que por sua
vez conecta a parte nasal da faringe com a cavidade média timpânica
do ouvido. A laringofaringe estende-se para baixo a partir do osso
hioide, e conecta-se com o esôfago e anteriormente com a laringe.
Como a parte oral da faringe, a laringofaringe é uma via respiratória
e também uma via digestória. O ar inspirado passa pela faringe para
comunica-se inferiormente com a laringe.

LARINGE

É um conjunto de peças cartilaginosas articuladas situada na


porção cervical superior. A parede da laringe é composta de nove
peças de cartilagens. Duas cartilagens principais destacam-se:
cartilagem tireóidea, onde de acomoda-se a glândula tireóide e a
cartilagem cricóidea logo abaixo. A cartilagem tireóidea consiste de
cartilagem hialina e forma a parede anterior e lateral da laringe, é
maior nos homens devido à influência dos hormônios durante a fase
da puberdade. A porção superior da laringe denomina-se glote e
apresenta uma estrutura cartilaginosa- a epiglote – que impede que
o alimento ao ser ingerido penetre nas vias respiratórias. Na porção
superior da laringe encontramos o hióide, – o único osso que não se
articula com nenhum outro osso do organismo. Na laringe estão
localizadas as pregas vocais, estruturas que vibram com a passagem
do ar produzindo os sons responsáveis pela vocalização.
A epiglote se fixa no osso hioide e na cartilagem tireoide. A
epiglote é uma espécie de “porta” para o pulmão, onde apenas o ar
ou substâncias gasosas entram e saem dele. Já substâncias líquidas
e sólidas não entram no pulmão, pois a epiglote fecha-se dirigindo-as
ao esôfago.

Fonte:
TORTORA, G. J.; DERRICKSON, B. Princípios de Anatomia e fisiologia. 14. ed.
– 2016. Pg 432

TRAQUEIA

A traqueia apresenta-se como um tubo cartilaginoso de 10 a 15


cm de comprimento, posicionada anteriormente ao esôfago e
revestido por um tecido epitelial ciliado. Este epitélio produz grande
quantidade de muco onde microrganismos e partículas suspensas
inaladas no ar aderem e são eliminadas. Aproximadamente na altura
da metade do osso esterno a traqueia separa-se em dois ramos,
direito e esquerdo constituindo os brônquios. O brônquio principal
direito é mais vertical, mais curto e mais largo do que o esquerdo.
Como a traqueia, os brônquios principais contém anéis de cartilagem
incompletos. Os brônquios principais entram nos pulmões na região
chamada hilo pulmonar. Ao atingirem os pulmões correspondentes,
os brônquios principais subdividem-se em estruturas menores, os
bronquíolos. Estes penetram nos pulmões e sofrem sucessivas
subdivisões formando uma rede de bronquíolos que se abrem nos
ductos alveolares. Estes ductos terminam em estruturas
microscópicas com forma de uva chamados alvéolos. Um capilar
pulmonar envolve cada alvéolo. Nos alvéolos pulmonares ocorre a
troca entre oxigênio e dióxido de carbono através da membrana
capilar alvéolo-pulmonar. Esse processo é denominado de hematose.

PULMÕES

Os pulmões são órgãos com aspecto esponjoso localizados no


interior da caixa torácica. Entre os dois pulmões aloja-se o coração,
numa região denominada de mediastino. A pleura é uma túnica
serosa laminada que envolve e protege cada pulmão. Os pulmões se
estendem do diafragma, localizado inferiormente, até pouco acima
das clavículas. A porção larga inferior de cada pulmão constitui sua
base e a porção superior mais estreita forma o ápice dos pulmões. A
região do hilo pulmonar localiza-se na face mediastinal (interna) de
cada pulmão sendo formado pelas estruturas que chegam e saem
dele, e onde encontramos os brônquios principais, artérias e veias
pulmonares e vasos linfáticos.

Fonte:
http://s3.amazonaws.com/magoo/ABAAAfu4oAK-2.jpg

Existem diferenças entre os dois pulmões. O pulmão direito é o


mais espesso e mais largo que o esquerdo. Ele também é um pouco
mais curto pois o diafragma é mais alto no lado direito para acomodar
o fígado. O pulmão direito apresenta 3 lobos, 3 subdivisões, enquanto
que o esquerdo apresenta apenas dois lobos e uma concavidade que
acomoda o coração. Em cada pulmão estima-se que existam cerca de
trezentos milhões de alvéolos pulmonares, que é o local onde ocorrem
as trocas gasosas que são denominadas de hematose pulmonar.
MOVIMENTOS RESPIRATÓRIOS

Ventilação pulmonar é o fluxo de ar entre o meio externo


atmosférico e os pulmões. As contrações e relaxamentos dos
músculos esqueléticos criam as mudanças na pressão interna do ar
nos pulmões possibilitando a respiração. Os movimentos respiratórios
são comandados a partir do bulbo, que estimula os músculos
intercostais e o diafragma. Inspiração é o nome designado para a
entrada de ar nos pulmões após as contrações dos músculos
envolvidos na respiração. Expiração é a designação dada para saída
do ar a partir do relaxamento destes músculos que diminuem o
volume da caixa torácica e expulsando o ar os pulmões.

Fonte:
https://www.sobiologia.com.br/figuras/Fisiologiaanimal/respiracao11.jpg

O volume pulmonar humano corresponde a aproximadamente 5


litros, e destes, apenas 10% é renovado em cada movimento
respiratório.
Aula 5 – Sistema Cardiovascular e Linfático

A função básica do sistema cardiovascular é a de levar material


nutritivo e oxigênio às células. O sistema circulatório é um sistema
fechado, sem comunicação com o exterior, constituído por tubos, que
são chamados vasos, e por uma bomba percussora que tem como
função impulsionar um líquido circulante de cor vermelha por toda a
rede vascular. Para efeito didático abordaremos inicialmente o
sistema cardiovascular e em seguida o sistema linfático. Os dois
sistemas têm em comum a sua estruturação a partir de vasos que
percorrem o organismo conduzindo líquidos orgânicos. O sistema
sanguíneo transporta o sangue e o sistema linfático realiza o
transporte da linfa. Basicamente a circulação sanguínea apresenta
três componentes – sangue, vasos sanguíneos e coração e tem como
função realizar o transporte e distribuição de substâncias diversas
para as células do corpo. Já o sistema linfático é composto pelos vasos
e ductos linfáticos e gânglios linfáticos, que se concentram em maior
número em determinadas regiões do corpo. Participam ainda do
sistema linfático, órgãos acessórios como o baço, o timo e as tonsilas.

SANGUE

O sangue é um tipo diferenciado de tecido conjuntivo, cuja


substância intercelular é líquida. Formado pelo plasma sanguíneo,
parte liquida onde estão dissolvidas diversas substâncias e mais as
células dispersas nesse fluido. Um homem normal apresenta de 5 a 6
litros, enquanto uma mulher deve apresentar de 4 a 5 litros de sangue
o que corresponde a cerca de 8% do peso do corpo. Entre outras,
destacamos como funções do sangue o transporte de substâncias,
regulação osmótica e térmica, além de promover a proteção e
reparação dos tecidos. Formado basicamente pelo plasma sanguíneo
e os três tipos celulares – glóbulos vermelhos ou hemácias
(eritrócitos), glóbulos brancos ou leucócitos, e plaquetas também
denominadas de trombócitos.
O plasma sanguíneo é a porção líquida do plasma composto por
mais de 90% de água. Nele estão dissolvidas substâncias como
glicose, aminoácidos, proteínas, anticorpos, hormônios, íons salinos
diversos e isoladamente apresenta uma coloração amarelada. As
proteínas plasmáticas podem ser destacadas as albuminas, as
globulinas, o fibrinogênio e os anticorpos. Outros solutos incluem
eletrólitos, nutrientes, hormônios, vitaminas, gases e produtos
residuais. O oxigênio não é um composto dissolvido e transportado
pelo plasma sanguíneo.
Hemácias ou eritrócitos são anucleadas, formam 99% da
população celular do sangue e apresentam-se com uma razão de 5
milhões por milímetro cúbico. Estão envolvidos com o transporte dos
gases da respiração (O2 e CO2), graças a presença de uma proteína
de membrana – a hemoglobina – que apresenta quatro núcleos de
ferro e determina a cor vermelha ao sangue. Com a aparência de um
disco bicôncavo, estão em constante produção, pois tem uma vida
curta, de aproximadamente 120 dias. Com esta “idade” são
reabsorvidos principalmente no fígado e no baço e até no intestino
grosso, sendo componentes reaproveitados para sintetizar novas
células a partir da medula óssea. Quando maduras não apresentam
núcleo celular.
Leucócitos são as células brancas do sangue por não conter
nenhum tipo de pigmento e estão normalmente presentes em número
de 5 a 9 mil por milímetro cúbico. Essas células apresentam núcleo e
desempenham função de defesa orgânica contra agentes invasores e
corpos estranhos. Alguns leucócitos realizam a defesa através de
fagocitose, e outros produzindo anticorpos. Os leucócitos têm ciclo de
vida também de poucos dias, e em processos de resposta a infecções
podem viver apenas algumas horas. Os leucócitos apresentam
diferentes formatos e granulações o que permitem classificação de
alguns tipos celulares como: linfócitos, monócitos (macrófagos),
neutrófilos, basófilos, eosinófilos.
Plaquetas (trombócitos) são na verdade fragmentos celulares
provenientes de células gigantes – megacariócitos – que se dividem
em 2 a 3 mil fragmentos ainda na medula óssea. Aparecem na
quantidade de 100 a 400 mil por milímetro cúbico e relacionam-se
com os processos de coagulação sanguínea. Cada fragmento forma
uma plaqueta que em geral apresentam formatos irregulares e são
anucleadas. Em vasos sanguíneos lesionados, as plaquetas formam
um tampão e a partir daí inicia-se um processo de formação de fibras
proteicas promovendo a formação de um coágulo que impede a perda
de sangue para o meio externo ou para outros tecidos internos
(hematoma). A plaqueta tem um ciclo aproximado de 5 a 10 dias,
sendo então absorvidas pelos macrófagos no fígado e no baço.
Só para complementar, hemograma é um tipo de exame que
fornece informações sobre a quantidade de células sanguíneas.
Valores desviados da normalidade podem indicar processos
infecciosos, diversas doenças envolvendo o número das células
sanguíneas, como anemia, leucopenia, leucemia que muitas vezes
requer o transplante de medula óssea, ou ainda deficiências
nutricionais. A leucocitose é um aumento no número de leucócitos,
manifestando-se como uma resposta do sistema imune indicando
processos inflamatórios ou infecciosos.
Fonte:
https://www.auladeanatomia.com/novosite/sistemas/sistema-
cardiovascular/sangue/

CORAÇÃO

O coração é um órgão oco, musculoso, localizado no centro da


caixa torácica, posterior ao esterno e entre os pulmões, numa região
denominada mediastino. Apresenta o tamanho aproximado de seu
punho fechado, tendo sua parte mais pontiaguda, o ápice, voltado
para a esquerda, para frente e para baixo, protegido pelo osso esterno
e apoiado no diafragma. Sua massa é, em média, de 250 g, nas
mulheres adultas, e 300 g, nos homens adultos. É envolvido por um
conjunto de membranas que formam o pericárdio. Miocárdio é o
nome dado ao músculo cardíaco. O coração é dividido em quatro
cavidades internas – as superiores denominadas de átrios direito e
esquerdo e as inferiores chamadas de ventrículos, também direito e
esquerdo. Existe comunicação átrio-ventricular direita e esquerda
através de válvulas, mas não existem comunicações interatrial nem
interventricular. As válvulas são presas por cordas tendíneas e
impedem o refluxo sanguíneo. A válvula atrioventricular direita é
denominada também de válvula tricúspide, enquanto a válvula
atrioventricular esquerda é chamada de válvula bicúspide ou
mitral.

Fonte
http://proext.ledes.net/manager/titan.php?target=openFile&fileId=186

Nos grandes vasos que saem do coração também existem


válvulas reguladoras do sentido do fluxo sanguíneo. O lado direito do
coração trabalha impulsionando sempre sangue venoso, enquanto o
lado esquerdo bombeia sangue arterial. O sangue venoso,
impulsionado pelo ventrículo direito, é direcionado para os pulmões
para sofrer a hematose, já o ventrículo esquerdo direciona o sangue
para o corpo a partir da sua maior artéria – a aorta. Por isso, o
miocárdio esquerdo apresenta uma estrutura consideravelmente mais
espessa que a parede do ventrículo direito. O suprimento sanguíneo
do miocárdio é assegurado pelas artérias coronárias que partem
diretamente da aorta em dois ramos principais. Já o sangue venoso
retorna dos tecidos musculares cardíacos a partir do seio coronário
que desemboca diretamente na cavidade atrial direita.
Um ciclo cardíaco único inclui todos os eventos associados a um
batimento cardíaco. No ciclo cardíaco normal os dois átrios se
contraem, enquanto os dois ventrículos relaxam e vice-versa. A
sístole e a diástole são, respectivamente, a contração e relaxamento
do miocárdio (músculo cardíaco). A contração é ritmica e decorre de
estímulos próprios, determinados pelos nódulos sinoatriais e átrio
ventriculares. Quando o coração bate, os átrios contraem-se
primeiramente (sístole atrial), forçando o sangue para os ventrículos.
Uma vez preenchidos, os dois ventrículos contraem-se (sístole
ventricular) e forçam o sangue para fora do coração. Há um controle
nervoso, determinado pelo componente autônomo do sistema
nervoso, que pode aumentar ou diminuir a força e a frequência
cardíaca (simpático e parassimpático). A inervação do músculo
cardíaco é de duas formas: extrínseca que provém de nervos situados
fora do coração e outra intrínseca que constitui um sistema só
encontrado no coração e que se localiza no seu interior. A contribuição
extrínseca é proveniente do nervo vago, X par craniano. O controle
interno do miocárdio é regulado pelo nódulo sinoatrial (AS) localizado
átrio direito e que funciona como um marca passo natural
coordenando as contrações até o nódulo atrioventricular (AV). Do
nodulo AV, o potencial de ação chega ao feixe atrioventricular (feixe
de His), que é a única conexão elétrica entre os átrios e os ventrículos.
Após ser conduzido ao longo do feixe AV, o potencial de ação entra
nos ramos direito e esquerdo, que cruzam o septo interventricular,
em direção ao ápice cardíaco. Finalmente, as miofibrilas condutoras
(fibras de Purkinge), conduzem rapidamente o potencial de ação,
primeiro para o ápice do ventrículo e após para o restante do
miocárdio ventricular. O ciclo se repete de maneira rítmica tornando
o coração uma bomba de eficiência única.

Fonte:
https://www.auladeanatomia.com/novosite/wpcontent/uploads/2015/11/ciclo.bm
p?x73193

A irrigação do coração é assegurada pelas artérias


coronárias e pelo seio coronário. As artérias coronárias são duas,
uma direita e outra esquerda. Elas têm este nome porque ambas
percorrem o sulco coronário e são as duas originadas da artéria
aortas. Se as artérias coronárias deixarem de irrigar o miocárdio por
obstrução dos vasos pode conduzir a um infarto agudo do miocárdio
(IAM).
O coração é a bomba sanguínea do sistema circulatório, mas são
os vasos sanguíneos que distribuem o sangue para todas as partes do
corpo e coletam o sangue.

CIRCULAÇÃO E VASOS SANGUINEOS

A forma como o sangue circula nas cavidades cardíacas


determina duas circulações sanguíneas distintas – circulação venosa
e a circulação arterial. De forma esquemática temos:
[A] corpo  átrio direito  ventrículo direito  pulmões (hematose)
[B] pulmões  átrio esquerdo  ventrículo esquerdo  corpo
[A] é considerada a pequena circulação, ou circulação pulmonar,
já [B] é considerada grande circulação ou circulação sistêmica.
Observe que no lado direito do coração circula apenas sangue venoso,
rico em CO2. No lado esquerdo circula sempre sangue arterial, rico em
O2, recém-chegado dos pulmões. Da aorta o sangue atinge os
diversos tecidos e órgãos do corpo retornando fornecendo oxigênio e
nutrientes, e em seguida retorna pelas veias cavas no átrio direito.
A imagem abaixo ilustra a circulação pulmonar, a circulação
sistêmica e também a circulação que forma o sistema porta-
hepático. O sangue circulante nos intestinos converge para um
grande vaso denominado veia porta que o conduz ao fígado. Esta veia
conduz o material absorvido pelo epitélio intestinal e baço para que
seja realizado o processamento hepático inicial do que entra no
organismo a partir do sistema digestório. O coração é o órgão que
trabalha com 35 milhões de contrações por ano conduzindo mais de
15.00 litros de sangue por dia, por cerca de 100 mil quilômetros de
vasos sanguíneos.

Fonte:
https://static.wixstatic.com/media/dc88c0_28e7dec319f64d51bf72b032bf54cb6d.
jpg/v1/fill/w_478,h_663,al_c,q_80,usm_0.66_1.00_0.01/dc88c0_28e7dec319f64d51bf72
b032bf54cb6d.webp

A condução do sangue é realizada através de vasos sanguíneos


denominados de artérias e veias. Existem diferenças anatômicas
entre os dois tipos de vasos. Veias apresentam sua espessura mais
delgada, dispõem de válvulas internas para impedir o refluxo
sanguíneo, já que atuam em geral, contra a gravidade, sob baixa
pressão e em geral transportam sangue venoso. Por sua vez, as
artérias apresentam paredes mais espessas, não tem válvulas
internas, trabalham com pressão elevada e geralmente transportam
sangue arterial. As veias geralmente têm uma distribuição mais
superficial enquanto as artérias são mais profundas. Por definição
veias são os vasos que levam sangue em direção ao coração, e as
artérias conduzem o sangue do coração para outras porções do
organismo. Artérias a medida que vão distribuindo o sangue aos
tecidos, tem sua espessura diminuídas – formando arteríolas e depois
capilares microscópicos que banham as células. À medida que esses
capilares voltam a se unir para retornar ao coração, aumentam de
tamanho formando vênulas. Estas são contribuintes de veias que
apresentam espessura cada vez maior a medida que se aproximam
do coração. Grandes vasos são responsáveis pela distribuição inicial
do sangue para nossos membros e órgãos. A partir da aorta ocorrem
ramificações que estão relacionadas com o local para onde se
direcionam.
Denomina-se de tronco braquiocefálico a formação conjunta
antes da subdivisão entre carótida de subclávia. Abaixo a tabela com
as principais artérias e sua localização.

Artéria Local Artéria Local


Carótidas cabeça Renal rim
Subclávia clavícula Esplênica baço
Axilar ombro Gástrica estômago
Braquial braço Pancreática pâncreas
Radial e Ulnar antebraço Mesentérica intestinos
Ilíaca bacia pélvica Hepática fígado
Femoral coxa Coronária coração
Tibial e Fibular perna
O retorno do sangue ao coração também ocorre com a formação
de veias de grande calibre e sua respectiva localização conforme a
tabela abaixo.

Veia Local Veia Local


Jugular Cabeça Renal Rim
Subclávia Clavícula Esplênica Baço
Axilar Ombro Gástrica Estômago
Cefálica e Basílica Braço Pancreática Pâncreas
Radial e Ulnar Antebraço Mesentérica Intestinos
Intermédia Porta
Ilíaca Bacia Hepática Fígado
pélvica
Femoral Coxa Seio venoso Coração
Tibial e Fibular Perna
Safena magna /
parva

SISTEMA LINFÁTICO

O sistema linfático é mais simples quando comparado com o


sistema cardiovascular, a iniciar por não contar com uma bomba
propulsora como o coração. É composto pelos vasos e ductos linfáticos
e gânglios linfáticos que acompanham os vasos, concentrando-se em
maior número em determinadas regiões do corpo. Participam ainda
do sistema linfático, órgãos acessórios como o baço, o timo e as
tonsilas. As funções do sistema linfático é drenar o excesso de líquidos
intersticiais provenientes dos capilares sanguíneos e do metabolismo
celular, realiza o transporte de lipídios e vitaminas lipossolúveis (A,
D, E e K). A circulação linfática é responsável pela absorção de
detritos e macromoléculas que as células produzem durante seu
metabolismo, ou que não conseguem ser captadas pelo sistema
sanguíneo. Este sistema de transporte está também vinculado as
respostas imunitárias, participando ativamente, portanto, da defesa
orgânica.

LINFA

A linfa é um liquido incolor, alcalino de consistência semelhante


ao plasma sanguíneo. Apresenta pequena quantidade de aminoácidos
e proteínas sendo mais rico em lipídios. Não contém hemácias, mas
apresenta importante quantidade de leucócitos que se deslocam com
mais facilidade pelos vasos linfáticos podendo atingir diversas regiões
do organismo. Entre os leucócitos circulantes, 99% são linfócitos. A
linfa é coletada por difusão e não existe uma diferença significativa
entre a composição a linfa intersticial e a circulante. É transportada
pelos vasos linfáticos em sentido unidirecional e filtrada nos
linfonodos (também conhecidos como nódulos linfáticos ou gânglios
linfáticos). Após a filtragem, é lançada no sangue, desembocando nas
grandes veias torácicas.

VASOS E DUCTOS LINFÁTICOS

Nos vasos linfáticos a linfa desloca-se em sentido unidirecional,


sendo filtradas ao passar pelos gânglios linfáticos também
denominados linfonodos. Em peças anatômicas os vasos linfáticos são
de difícil observação por serem muito frágeis, localizados entre
músculos e órgãos e acabam por se decompor facilmente quando
sessadas as atividades metabólicas. Os capilares linfáticos são
responsáveis pela maior captação de linfa intersticial a partir de
terminações cegas. A medida que percorrem o interior dos vasos, a
linfa converge para vasos de maior calibre. Entre os fatores que
auxiliam o deslocamento da linfa, pode-se destacar a presença de
válvulas que impedem o refluxo, semelhante às válvulas venosas.

Fonte:
http://www.photovideobank.com/produto/sistema-linfatico-vaso-linfatico-fluido-
intersticial-valvula-linfatica/

Também contrações musculares, pulsações de artérias vizinhas


e até uma capacidade contrátil registrada nos linfonodos quando estão
entumecidos facilitam a circulação até atingir os ductos linfáticos. O
acumulo de linfa intersticial leva a formação de linfedemas, que
podem ter causas diversas como deficiência de atividades físicas,
alimentação inadequada, pressão arterial, traumas e procedimentos
cirúrgicos ou doenças obstrutivas. As manobras de drenagem linfática
manual auxiliam muito para a solução dessa disfunção.

Fonte:
TORTORA, G. J.; DERRICKSON, B. Princípios de Anatomia e fisiologia. 14. ed.
– 2016. Pg 424

Estes ductos principais estão localizados no tórax, quando então


os movimentos respiratórios tornam-se fundamentais para devolver
a linfa ao sistema sanguíneo. O ducto linfático torácico retorna a linfa
no tronco braquiocefálico venoso esquerdo. O ducto linfático direito
conduz a linfa para o tronco braquiocefálico direito. O tronco
braquiocefálico é formado a partir da junção entre as veias subclávias
e as jugulares.
O ducto linfático direito conduz a linfa captada a partir do lado
direito da cabeça, pescoço, membro superior direito, hemitórax
direito, incluindo o pulmão direito e parte diafragmática do fígado.

Fonte:
https://image.slidesharecdn.com/sistemalinfticoydefensasdelcuerpo14021614570
3-phpapp01/95/sistema-linftico-y-defensas-del-cuerpo-8-638.jpg

O ducto linfático torácico é responsável pela condução da linfa


de todo o resto do corpo, que inclui a cavidade abdominal, membros
inferiores, e todo o lado esquerdo de cabeça e tórax. A cisterna do
quilo é uma dilatação mediana na altura do diafragma que marca o
início deste ducto, considerado o principal do organismo.
Fonte:
TORTORA, G. J.; DERRICKSON, B. Princípios de Anatomia e fisiologia. 14. ed.
– 2016. Pg 423

LINFONODOS

Localizam-se ao longo dos vasos linfáticos e são estimados em


terno de 600 gânglios com formato semelhante a um feijão. Atuam
como filtros que são atravessados por vasos linfáticos aferentes. A
medida que a linfa flui as partículas estranhas, bactérias e substancias
estranhas vão sendo capturadas por fibras nos espaços internos. Os
macrófagos realizam a fagocitose de parte desse material e os
linfócitos auxiliam nesse processo de limpeza.
Os linfonodos concentram-se em algumas regiões do corpo e é
importante que os profissionais de estética, especialmente os que se
dedicam a estética corporal, conheçam esses locais. As regiões de
maior concentração de linfonodos são: cervical, axilar, mamária,
abdominal, inguinal, poplítea.
Fonte:
TORTORA, G. J.; DERRICKSON, B. Princípios de Anatomia e fisiologia. 14. ed.
– 2016. Pg 423

BAÇO

O baço é um órgão linfoide, apesar de ser excluído do sistema


linfático. Órgão de consistência muito friável, altamente vascularizado
e de uma coloração púrpura escura. O tamanho e peso do baço varia
muito, no adulto tem cerca de 12 cm de comprimento, 7 cm de
largura. É um órgão excluído da circulação linfática, porém interposto
na circulação sanguínea e cuja drenagem venosa passa,
comunicando-se diretamente com o fígado a partir do sistema porta
hepático. Possui grande quantidade de macrófagos que, através da
fagocitose, destroem micróbios, restos de tecidos, substâncias
estranhas, células do sangue em circulação já desgastadas como
eritrócitos, leucócitos e plaquetas. Está associado com o aporte de
linfócitos B.

TIMO

O timo consiste de dois lobos laterais mantidos em estreito


contato por meio de tecido conjuntivo, o qual também forma uma
cápsula distinta para o órgão todo. Ele situa-se parcialmente no tórax
e no pescoço, estendendo-se desde a quarta cartilagem costal até o
bordo inferior da glândula tireóidea. apresenta uma coloração
cinzenta rosada, mole e lobulado, medindo aproximadamente 5 cm
de comprimento, 4 cm de largura. Muito desenvolvido nos primeiros
anos de vida, regride fortemente a partir do início da adolescência.
Está intimamente relacionado com o metabolismo de linfócitos T que
são distribuídos a partir dele povoando-os pelo corpo.
Aula 6 – Sistema Muscular

O sistema muscular corresponde ao conjunto de músculos que


formam o organismo. A grande característica das estruturas
musculares é a sua capacidade contrátil que geram movimento.
Podemos conceituar os músculos como sendo estruturas controladas
pelo sistema nervoso capazes de transformar energia química em
energia mecânica. São consideradas como funções básicas dos
músculos a produzir movimentos e ações, proporcionar estabilização
postural, auxiliar a atividade termorreguladora e ainda armazenar
substâncias. Existem três tipos de músculos em um organismo: os
músculos estriados esqueléticos, os estriados cardíacos e a
musculatura lisa.
Músculo liso- fibras alongadas, sem estrias, fusiformes, núcleo
centralizado e movimentos involuntários. Ex: órgãos internos.
Músculo estriado esquelético - fibras estriadas, alongadas,
cilíndricas, multinucleadas, movimentos voluntários. Ex: bíceps
Músculo estriado cardíaco - fibras estriadas ramificadas,
núcleo centralizado e discos intercalares, contração rítmica
involuntária. Ex: coração
Os músculos em geral atuam em grupamentos musculares.
Embora possamos ter um predomínio de determinado musculo, para
que ocorra uma ação é necessário um conjunto de músculos atuando.
Ventre muscular é a porção contrátil do músculo, constituída
por fibras musculares que se contraem. Constitui o corpo do músculo
(porção carnosa). Tendão é um elemento de tecido conjuntivo, ricos
em fibras colágenas e que serve para fixação do ventre, em ossos, no
tecido subcutâneo e em cápsulas articulares. Possuem aspecto
morfológico de fitas ou de cilindros. Fáscia muscular é uma lâmina
ou faixa larga de tecido conjuntivo fibroso, que, abaixo da pele,
circunda os músculos e outros órgãos do corpo. Músculos, portanto,
sempre se contraem e portanto sempre puxam, nunca empurram. Os
músculos podem apesentar diferentes tipos de contrações
Contração Concêntrica: o músculo se encurta e traciona outra
estrutura, como um tendão, reduzindo o ângulo de uma articulação.
Contração Excêntrica: quando aumenta o comprimento total
do músculo durante a contração.
Contração Isométrica: servem para estabilizar as articulações
enquanto outras são movidas. Gera tensão muscular sem realizar
movimentos. É responsável pela postura e sustentação de objetos em
posição fixa. As contrações isométricas são responsáveis pela postura
e sustentação orgânica, as contrações podem ser longas ou ainda
intermitentes.
A capacidade contrátil de um músculo se deve graças ao
deslizamento de fibras proteicas de actina e miosina que são
estimuladas a partir do sistema nervoso. Esta estimulação é
eletroquímica e é dada por um sinal elétrico denominado de potencial
de ação decorrente da despolarização das membranas das células
envolvidas no processo. Participam desta estimulação os
neurotransmissores, em especial a acetilcolina que atua junto com
íons Ca++, na placa motora. Devido ao elevado consumo energético,
os músculos necessitam de grande suprimento de nutrientes e
oxigênio para a produção de ATP. Os músculos contêm um pigmento
– mioglobina- que lhe confere cor avermelhada, e ainda armazena
glicogênio muscular, que permite um pequeno estoque de glicose.
Além destes, ainda pode contar com mais um recurso energético que
permite uma respiração anaeróbica por fermentação lática quando há
débito de oxigênio e/ou exaustão muscular.
Segundo a maioria dos autores existem cerca de 605 músculos
que se arranjam de maneira sobrepostas uns aos outros. Portanto
existe uma musculatura mais profunda, mais interna, e outra mais
superficial. Apresentam, para efeito de estudo, um ponto de origem,
um ponto de inserção, uma ação predominante e um nervo que o
estimula.

Fonte:
http://s3.amazonaws.com/magoo/ABAAAg4PUAC-15.jpg

Dentro do contexto da estética é importante essa visão de


funcionamento do sistema muscular assim como o nome e localização
dos principais músculos superficiais, especialmente os faciais, que
serão objeto do seu trabalho do profissional.
Músculos faciais que devemos conhecer a sua localização:

 Frontal  Orbicular da boca


 Elevador do lábio superior  Bucinador
 Nasal  Prócero
 Risório  Orbicular do olho
 Depressor do lábio inferior  Corrugador do supercílio
 Depressor do ângulo da boca  Masseter
 Mentoniano (mentual)  Platisma
Fonte:
https://ih1.pinimg.com/564x/5b/b8/77/5bb8778bd7a5a09ae16e43a01ef7c949.jp
g

Fonte:
TORTORA, G. J.; DERRICKSON, B. Princípios de Anatomia e fisiologia. 14. ed.
– 2016. Pg 206
Cabe ainda acrescentar os principais músculos que participam
da ATM – Articulação temporo-mandibular. Músculos da ATM são:
1- Temporal 2- Masseter
3- Pterigóideo Medial 4- Pterigóideo Lateral

Músculos superficiais do tronco porção ventral e dorsal que


devemos conhecer a sua localização:

 Esternocleidomastóideo  Peitoral Maior


 Deltóide  Serrátil
 Redondo Maior  Trapézio
 Redondo Menor  Reto do Abdômen
 Latíssimo do dorso  Diafragma

Fonte:
TORTORA, G. J.; DERRICKSON, B. Princípios de Anatomia e fisiologia. 14. ed.
– 2016. Pg 210
Fonte:
TORTORA, G. J.; DERRICKSON, B. Princípios de Anatomia e fisiologia. 14. ed.
– 2016. Pg 217

Músculos superficiais membro superior que devemos conhecer a sua


localização:
 Bíceps Braquial  Braquiorradial
 Braquial  Coracobraquial
 Tríceps Braquial

A articulação úmero-escapular também denominado manguito


rotator é a mais ampla de movimentos do corpo humano. A função
principal deste grupo é manter a cabeça do úmero contra a cavidade
glenóide, reforçar a cápsula articular e resistir ativamente e
deslocamentos indesejáveis da cabeça do úmero em direção anterior,
posterior e superior.
Músculos da articulação úmero-escapular
1 – Deltóide 2- Coracobraquial
3 - Redondo Maior 4 - Redondo Menor
5 - Infra-Espinhoso 6 - Supra-Espinhoso
7 – Subescapular

Fonte:
TORTORA, G. J.; DERRICKSON, B. Princípios de Anatomia e fisiologia. 14. ed.
– 2016. Pg 217

O papel dos músculos do membro inferior é a manutenção do


equilíbrio durante a locomoção, e seu papel raramente é enfatizado o
suficiente na postura. Músculos superficiais membro inferior que
devemos conhecer a sua localização:
Quadríceps Femoral
 Reto femoral  Vasto medial
 Vasto lateral  Vasto intermédio

Trígono Femoral
É uma região com forma de triângulo delimitada a margem lateral
pelo m. gracil, margem medial do m. sartório e pelo ligamento
inguinal. O assoalho deste trígono é formado pelo m. íliopsoas, m.
pectíneo e m. adutor longo. Neste trígono encontramos a feixe
vasculho-nervoso femoral, formado pela veia femoral, artéria femoral
e nervo femoral.

Fonte:
TORTORA, G. J.; DERRICKSON, B. Princípios de Anatomia e fisiologia. 14. ed.
– 2016. Pg 225

 Glúteo máximo (maior)  Adutor magno


 Glúteo médio (mediano)  Pectíneo
 Sartório  Adutor longo
 Grácil  Semimembranaceo
 Gastrocnêmio  Bíceps femoral
 Semitendineo  Sóleo

Fonte:
TORTORA, G. J.; DERRICKSON, B. Princípios de Anatomia e fisiologia. 14. ed.
– 2016. Pg 228
Aula 7 – Sistema Neuro-endócrino

Podemos considerar a constituição de um controle


neuroendócrino do organismo a partir da ação do sistema nervoso e
de um conjunto de glândulas endócrinas. Esses dois sistemas de
comando orgânico se integram formando uma unidade funcional.
Embora tenham modo de ação e origens diferenciadas, esses sistemas
frequentemente coordenam e regulam as atividades desenvolvidas
por outros sistemas. Muitas vezes as glândulas são estimuladas ou
inibidas pelo sistema nervoso na liberação dos hormônios produzidos.
Traçando um comparativo entre os dois modos de ação, podemos
dizer que o sistema endócrino atua de modo mais lento e prolongado,
além de que os hormônios podem agir em mais de um alvo. Já o
sistema nervoso atua no local onde ocorre a sinapse nervosa e em
geral nas células musculares, glandulares ou outras células nervosas.
Resumidamente, ambos são sistemas de coordenação, controle e
integração que respondem a partir de estímulos internos e externos
de forma descontínua para a manutenção da homeostasia orgânica.
Comparando as diferenças entre ambos podemos resumir da seguinte
forma:
Sistema endócrino Sistema nervoso
– Lento – Rápido
– Menos dispendioso – Dispendioso
– Afeta qualquer célula – Altamente específico
que expresse o receptor (transmissão sináptica)
Sistema Endócrino

O sistema endócrino é formado por uma grande quantidade de


glândulas produtoras de hormônios que são liberados na corrente
sanguínea. As funções dos hormônios são muito variadas, e em geral
cumprem ações em células, tecidos ou órgãos específicos. Estes
devem apresentar na superfície de suas células receptores proteicos
que permitam a interação hormônio – célula alvo. Em algumas
situações várias células alvo podem responder a um estímulo
hormonal, assim como diferentes células alvo podem responder de
maneira diferente à uma mesma estimulação hormonal.

A manutenção da homeostasia está diretamente relacionada com


a atividade hormonal. Os hormônios em geral apresentam natureza
proteica e alguns poucos são de composição lipídica. As principais
glândulas constituintes do sistema endócrino são – hipotálamo, hipófise,
tireoide, adrenais e as gônadas masculinas e femininas. (TOTORA, 2016,
p. 325).

HIPOTÁLAMO

Localizado na base do encéfalo apresenta células neuro-


secretoras sintetizam ocitocina e hormônio antidiurético –ADH– e
depois liberados nos capilares da neuro-hipófise.

HIPÓFISE

Pequena glândula localizada como abaixo do hipotálamo. Ela


possui duas partes: uma anterior, a adeno-hipófise, e outra posterior,
a neuro-hipófise. A parte anterior da hipófise, a adeno-hipófise, é
composta de tecido epitelial glandular e é altamente vascular e
constituída de células epiteliais de tamanho e forma variados,
dispostas em cordões ou folículos irregulares. Sintetiza e libera pelo
menos cinco hormônios importantes:
Somatotropina (STH), envolvida no controle do crescimento do
corpo;
Tirotropina (TSH), que estimula a atividade da glândula tireóide;
Hormônio estimulador do folículo (FSH), que estimula o
crescimento e a secreção de estrógenos nos folículos ováricos e a
espermatogênese nos testículos;
Hormônio Luteinizante (LH), que induz a secreção de progesterona
pelo corpo lúteo;
Hormônio estimulador de melanócitos (MSH), que aumenta a
pigmentação cutânea.

Fonte:
TORTORA, G. J.; DERRICKSON, B. Princípios de Anatomia e fisiologia. 14. ed.
– 2016. Pg 328
O lobo posterior da hipófise é uma evaginação descendente do
assoalho do diencéfalo. A porção posterior da hipófise é composta por
tecido nervoso e, portanto, é chamada de neuro-hipófise. Sintetiza
dois hormônios:
Vasopressina (ADH), antidiurético, que controla a absorção de água
através do túbulos renais;
Ocitocina, que promove a contração do músculo não estriado do
útero e da mama.
Os dois hormônios da neuro-hipófise são produzidos no
hipotálamo e transportados no interior do infundíbulo e armazenados
na glândula hipofisária até serem utilizados. Os impulsos nervosos
para o hipotálamo estimulam a liberação dos hormônios da neuro-
hipófise.

TIREÓIDE

Está localizada na região ântero-inferior do pescoço, ântero-


lateralmente à traqueia e logo abaixo da laringe e se apresenta com
dois lobos (direito e esquerdo) de cerca de 5 cm cada. Hormônios
secretados:
Calcitonina
Triiodotironina (T3)
Tetraiodotironina (T4 ou tiroxina)
Fonte
https://www.libertas.com.br/wpcontent/uploads/2014/04/2010_05_08_11_29_14
_tiroide.jpg

GLÂNDULAS SUPRA-RENAIS (ADRENAIS)

Estão situados a cada extremidade superior do rim. Circundadas


por tecido conjuntivo contendo muita gordura, são envolvidos pela
fáscia renal, mas separadas dos rins por tecido fibroso. Existem duas
glândulas suprarrenais, cada uma delas situada superior a cada rim.
Cada glândula suprarrenal tem regiões que produzem diferentes
hormônios: o córtex da glândula suprarrenal externo, que constitui
85% da glândula, e a medula da glândula suprarrenal interna
Cada uma pesa cerca de 5 g. Hormônios secretados:
Glicocorticóide é o cortisol. aldosterona
Epinefrina (Adrenalina).
Norepinefrina (noradrenalina)
Fonte:
TORTORA, G. J.; DERRICKSON, B. Princípios de Anatomia e fisiologia. 14. ed.
– 2016. Pg 340

PANCREAS

O pâncreas é um órgão alongado que se situa atrás do


estômago. Fisiologia pancreática.
Ação da iInsulina: diminui os níveis de glicose através de dois
mecanismos:
1) aumenta o transporte de glicose do sangue para o interior
das células;
2) estimula as células a queimar glicose como combustível. A
insulina é o único hormônio que diminui a glicose sanguínea.

Além de afetar o metabolismo da glicose, a insulina promove a


captação de aminoácidos pelas células do corpo e aumenta a síntese de
proteínas e de ácidos graxos no interior das células. Portanto, a insulina
é um hormônio importante quando os tecidos estão se desenvolvendo,
crescendo ou sendo reparados. (TOTORA, 2016, p. 339).

Ação do glucagon: esse hormônio aumenta a glicose sanguínea


de duas maneiras:
1) estimulando a conversão de glicogênio em glicose no fígado;
2) estimulando a conversão de proteínas em glicose.
Fonte:
TORTORA, G. J.; DERRICKSON, B. Princípios de Anatomia e fisiologia. 14. ed.
– 2016. Pg 337

Sistema Nervoso

O sistema nervoso é uma rede intrincada de bilhões de


neurônios. Os neurônios são as unidades celulares funcionais e
anatômicas cuja principal característica é a capacidade de receber,
processar e transmitir informações a partir de impulsos nervosos. As
células gliais compreendem um conjunto de células que ocupam os
espaços entre os neurônios e tem como função sustentação,
revestimento ou isolamento e modulação da atividade neural. Há
diversos tipos de células gliais. Os astrócitos, por exemplo, dispõem-
se ao longo dos capilares sanguíneos do encéfalo, controlando a
passagem de substâncias no sangue para as células do sistema
nervoso. Os oligodendrócitos e as células de Schwann enrolam-se
sobre os axônios de certos neurônios, formando envoltórios isolantes.
Fonte:
https://www.sobiologia.com.br/figuras/Fisiologiaanimal/nervoso6.jpg

Esse conjunto formado por ligações de nervos e órgãos do corpo,


tem a função de captar informações, mensagens e outros estímulos
externos. É também o responsável por iniciar todos os movimentos
voluntários e involuntários, controlar e comandar outros sistemas
fisiológicos do corpo, como o respiratório, o cardíaco, o digestivo e
etc. Uma fibra nervosa compreende um axônio e, quando presente,
seu envoltório de origem glial. O principal envoltório das fibras
nervosas é a bainha de mielina (camadas de substâncias de lipídeos
e proteína), que funciona como isolamento elétrico. Após sair do tronco
encefálico, da medula espinhal ou dos gânglios sensitivos, as fibras
nervosas motoras e sensitivas reúnem-se em feixes que se associam a
estruturas conjuntivas, constituindo nervos espinhais e cranianos. É
também responsável pelo armazenamento, identificação e
interpretação dos estímulos externos permitindo a manutenção da
homeostasia em conjunto com sistema endócrino.
Fonte:
https://abrilsuperinteressante.files.wordpress.com/2016/10/super_imgos_neuroni
os_se_regeneram.jpg?quality=70&strip=info&resize=680,453

É responsável pelas nossas percepções da vida de relação, pela


memória, pelo comportamento. Resumidamente o sistema nervoso
apresenta função sensorial, motora e integrativa. Entre os 11
sistemas corporais, o sistema nervoso e o sistema endócrino são os
que desempenham as funções mais importantes na manutenção da
homeostasia.
Fonte:
TORTORA, G. J.; DERRICKSON, B. Princípios de Anatomia e fisiologia. 14. ed.
– 2016. Pg 337

Este sistema está́ organizado em duas subdivisões principais:


parte central do sistema nervoso e parte periférica do sistema
nervoso. Uma das possibilidades de classificação do sistema nervoso
é dividi-lo em Sistema Nervoso Central –SNC- e Sistema Nervoso
Periférico – SNP – com subdivisões considerando em especial a
fisiologia, o funcionamento dos componentes.

SISTEMA NERVOSO CENTRAL


Está localizado por dentro do esqueleto ósseo axial, protegido
pala caixa craniana e pela coluna vertebral. É constituído por duas
porções principais o encéfalo protegido pela caixa craniana e a medula
espinhal que atravessa por dentro da coluna vertebral. O encéfalo e a
medula constituem o neuro-eixo. No encéfalo temos cérebro, cerebelo
e tronco encefálico.

Fonte:
https://www.auladeanatomia.com/novosite/sistemas/sistema-nervoso/

Cérebro – O cérebro é a parte mais desenvolvida do encéfalo e


ocupa cerca de 80% da cavidade craniana. Está relacionado com as
funções que requerem interpretação de grande número de
informações (visuais, auditivas, táteis...), coordenação de
movimentos além de ser a sede estruturação cognitiva e emocional.
O cérebro é dividido em telencéfalo e diencéfalo. O diencéfalo é uma
estrutura que só é vista na porção mais inferior de cérebro e
compreendem o tálamo e o hipotálamo. O telencéfalo compreende os
dois hemisférios cerebrais, direito e esquerdo. Cada hemisfério possui
uma camada superficial de substância cinzenta, o córtex cerebral, que
reveste um centro de substância branca, o centro medular do cérebro.
No interior dessa substância branca existem massas de substâncias
cinzenta, os núcleos da base do cérebro. A divisão do cérebro por
lobos e sulcos é apenas didática, pois o cérebro funciona como um
todo independente dos lobos, porém algumas áreas são específicas e
bem localizadas, tais como as indicadas na figura abaixo:
Fonte:
https://www.auladeanatomia.com/novosite/sistemas/sistema-
nervoso/telencefalo/

Cerebelo – O termo derivado do latim que significa pequeno


cérebro, é a estrutura nervosa responsável pelo controle motor.
Repousa sobre a fossa cerebelar do osso occipital e está separado do
lobo occipital por uma prega da dura-máter. Do ponto de vista
fisiológico, o cerebelo difere fundamentalmente do cérebro porque
funciona sempre em nível involuntário e inconsciente. Regula a
postura e o equilíbrio sendo essencial para atividades motoras finas.
Fonte:
https://antranik.org/wp-content/uploads/2011/11/the-cerebellum-midsagittal-
section-and-parasagittal-section.jpg

Tronco Encefálico – Região compreendida entre a medula


espinhal e o cérebro, ou seja, conecta a medula espinal com as
estruturas encefálicas localizadas superiormente. Muitos dos núcleos
do tronco encefálico recebem ou imitem fibras nervosas que entram
na constituição dos nervos cranianos. Dos 12 pares de nervos
cranianos, 10 fazem conexão com o tronco encefálico. É responsável
pelos movimentos vitais involuntários como batimentos cardíacos,
movimentos respiratórios e reflexos como tosse, espirros e etc..
Apresenta três regiões: bulbo, ponte e mesencéfalo.
Memória é a capacidade de adquirir, armazenar e recuperar
informações disponíveis internamente no cérebro. Também é o
armazenamento de informações e fatos obtidos através de
experiências ouvidas ou vividas. Do ponto de vista fisiológico, essa
capacidade é resultado de modificações na circuitaria neural em
função da interação do indivíduo com o ambiente. De acordo com
Porto (2006) a formação de novas memórias envolve mudanças nas
sinapses existentes ou a formação de novas sinapses. Essas
alterações levam à alteração e estabelecimento de circuitos neurais
que representam as memórias arquivadas.

SISTEMA NERVOSO PERIFÉRICO

Os prolongamentos de múltiplos axônios que conduzem os


impulsos nervosos formam os nervos. Conjunto de corpos celulares
de neurônios dispostos ao longo de um nervo formando uma pequena
dilatação fora do sistema nervoso central estruturam os denominados
gânglios nervosos.

Fonte:
TORTORA, G. J.; DERRICKSON, B. Princípios de Anatomia e fisiologia. 14. ed.
– 2016. Pg 255

É basicamente formado por nervos que conectam as diversas


porções do corpo com a medula espinhal e com tronco encefálico.
Seus componentes são neurônios aferentes que conduzem aos
centros nervosos impulsos originados em receptores periféricos,
informando-os sobre o que passa no meio ambiente. E os neurônios
eferentes levam aos músculos estriados esqueléticos, glândulas ou
outros órgãos o comando dos centros nervosos resultando em ações
destes diferentes órgãos. Esse processo determina os nervos
sensitivos (aferentes) e nervos motores (eferentes). Os nervos de
acordo com sua origem podem ser classificados em nervos cranianos
ligados diretamente ao encéfalo e nervos espinhais que estão ligados
à medula espinhal.

Fonte:
https://antranik.org/wp-content/uploads/2011/11/spinal-nerves-posterior-view-
plexuses.jpg

São doze pares de nervos cranianos, designados por algarismos


romanos e 31 pares de nervos espinhais. Abaixo relação dos 12 pares
de nervos cranianos -
Par I: olfativo Par VII: facial
Par II: óptico Par VIII: vestíbulo-coclear
Par III: óculo-motor Par IX: glossofaríngeo
Par IV: troclear Par X: vago
Par V: trigêmeo Par XI: acessório
Par VI: óculo-motor externo Par XII: hipoglosso

O SNP motor ainda pode ser classificado em sistema nervoso


somático e sistema nervoso autônomo. A diferença entre eles é
simples – o primeiro regula ações voluntárias, onde somos capazes
de controlar. Já o sistema nervoso autônomo trabalha coordenando
ações involuntárias, automáticas, em conjunto com o SNC e
apresenta duas subdivisões: o sistema nervoso simpático e o sistema
nervoso parassimpático. O s. n. simpático estimula o funcionamento
dos órgãos, enquanto que o s. n. parassimpático inibe o
funcionamento desses órgãos. Ambos os sistemas possuem funções
totalmente contrárias.
O SNP sensorial pode ser classificado em sistema nervoso
sensorial somático associado com a visa de relação responsável pelo
controle da musculatura esquelética e sensibilidade da pele. Já o
sistema nervoso sensorial visceral é responsável pela musculatura
lisa, músculo cardíaco, e controle de glândulas exócrinas.
O sistema nervoso é um sistema de comunicação muito
complexo, capaz de enviar e receber simultaneamente um grande
volume de informações. No entanto, o sistema nervosos é vulnerável
a doenças e lesões. Podem ser lesões neurológicas temporárias ou
permanentes com diferentes origens – fluxo sanguíneo insuficiente,
envelhecimento ou degeneração neurológica, microrganismos,
traumatismos, tumores que podem resultar em danos ao encéfalo ou
à medula espinhal.
Aula 8 – Sistema Tegumentar

A pele é um invólucro membranoso vivo, relativamente


impermeável, mais ou menos elástico, mais ou menos móvel sobre as
partes profundas, que se estende aos orifícios naturais através das
membranas mucosas, e é ricamente vascularizada. Nenhum outro
órgão é tão exposto e observado quanto a pele. Ao mesmo tempo
reflete nossa saúde, estado nutricional, nossas emoções, idade,
estado psicológico e etnia. Distúrbios diversos, inclusive me órgãos
internos muitas vezes manifestam-se na superfície do corpo. A pele é
tão importante para a imagem do corpo que as pessoas investem
tempo e dinheiro em busca de restauração ou de uma aparência mais
jovial.
O termo tegumento comum especifica a estruturação da pele,
pelos, gordura subcutânea, glândulas sudoríferas, unhas e receptores
sensoriais. A pele ou membrana cutânea é o maior órgão do corpo em
área de superfície e peso. É formada por uma epiderme mais
superficial e fina intimamente associada a uma derme mais espessa
e profunda. Abaixo da pele encontra-se a tela subcutânea que fixa a
derme aos órgãos e tecidos subjacentes. Entre as funções da pele
cabe destacarmos:
 Proteção contra agentes biológicos, físicos e químicos
 Propriedade termorreguladora auxiliando na manutenção
da temperatura corporal.
 Percepção sensorial a partir do chamado neuro epitélio.
 Síntese da vitamina D e excreção de metabólitos
A pele é mais espessa nas regiões expostas a pressões. Assim,
a espessura da palma das mãos tem 2mm, nas plantas dos pés, 3mm,
e a da região cervico-dorsal, 4mm. Por outro lado, a pele é mais fina
na região das pregas de flexão dos membros, como por exemplo, o
cotovelo, a virilha e a zona poplítea do joelho. A pele é formada por
duas camadas – a epiderme e a derme e são camadas bem
diferenciadas sendo a derme mais espessa que a epiderme.

EPIDERME

A epiderme é formada por um epitélio estratificado escamoso


queratinizado que apresenta, como já explicitado, espessura variada
de acordo com o local. Na maior parte da superfície corporal há um
consenso de 4 camadas distintas na epiderme. São elas a lâmina
basal, a camada granulosa, camada espinhosa e camada córnea. Em
algumas regiões (palmas das mãos e plantas dos pés) pode ser
considerado uma 5ª. camada – a camada lúcida. Mais de 90% das
células da epiderme são queratinócitos – células com alta
capacidade de produção de queratina. Embora os queratinócitos
recebam proteção dos grânulos de melanina, são bastante suscetíveis
aos danos provocados pela radiação UV. Junto com eles estão os
melanócitos que são células responsáveis pela produção de
melanina, macrófagos intraepidérmicos – também chamadas de
células de Largerhans. Estas células ajudam outras células do
sistema imune a reconhecer microrganismos ou substâncias externas
e destruí-los, porém, são facilmente danificadas pela radiação UV. As
células epiteliais táteis relacionam-se com neurônios sensoriais
que detectam sensações do meio externo.
Fonte:
TORTORA, G. J.; DERRICKSON, B. Princípios de Anatomia e fisiologia. 14. ed.
– 2016. Pg 101

O epitélio estratificado da epiderme compõe-se de várias


camadas denominadas de acordo com diversas categorias, tais como
o aspecto das células, textura, composição e posição. Essas camadas
são, de superficial para profundo: estrato córneo, estrato lúcido,
estrato granuloso, estrato espinhoso e estrato basal. O estrato córneo
é remanescente das células que contém uma proteína fibrosa, a
queratina.
Camada ou lâmina basal é a porção mais interna da epiderme,
em contato com a derme, que apresenta uma única camada de
células. Apresenta grande atividade mitótica, sendo, portanto,
responsável pela contínua renovação da epiderme. Entre estas células
encontram-se os melanócitos que correspondem a cerca de 8% das
células epidérmicas.
Camada espinhosa está logo acima da camada basal
(germinativa) e é formado por um conjunto de 8 a 10 camadas de
queratinócitos fortemente justapostos. Essa camada fornece
resistência e flexibilidade à pele.
Camada granulosa aparece mais ou menos na metade da
epiderme e é formado por um conjunto celular com 3 a 5 camadas de
células achatadas que passam pelo processo de apoptose – a morte
celular geneticamente programada. As estruturas internas das células
iniciam um processo de degeneração e as deposições de queratina
passam a dominar o conteúdo celular. Essa deposição de queratina
permite impermeabilização conferida pela última camada, a camada
córnea.
Camada lúcida está presente apenas na pele espessa de áreas,
como as pontas dos dedos, as palmas das mãos e as plantas dos pés.
Essa camada consiste de 3 a 5 camadas de queratinócitos mortos.
Camada córnea é o mais superficial, com espessura bem
variada, formada por queratinócitos sobrecarregados de queratina.
Essa camada sofre contínua descamação e exercem o poder
impermeabilizante, não permitindo a entra da de substâncias, mas
também evitando a desidratação. Protege contra invasões bacterianas
e de outros invasores oportunistas.
A medida que as células se movem de uma camada epidérmica
para outra acumulam cada vez maior quantidade de queratina,
processo denominado de queratinização. O processo de renovação
completo, desde a formação na lâmina basal, até a sua descamação
dura, em média, 4 semanas, em uma epiderme com 0,1 mm de
espessura.
Fonte:
https://www.mundoestetica.com.br/wpcontent/uploads/2018/01/epiderme-
min.jpeg

Células recém-formadas no estrato basal são empurradas


lentamente para a superfície. O processo completo no qual as células
se formam, chegam à superfície e se desprendem duram
aproximadamente 4 semanas em uma epiderme com espessura
média de 0,1 mm.

DERME

É a segunda mais profunda camada da pele, formada


principalmente por tecido conectivo, rico em fibras colágenas e
elásticas. A parte mais profunda da derme, que se prende a tela
subcutânea contém fibras colágenas e fibras elásticas. Nessa região
da pele encontramos os folículos pilosos, terminações nervosas
variadas, glândulas sudoríferas e sebáceas irrigadas por uma rede de
capilares sanguíneos e linfáticos. A combinação das fibras colágenas
e elásticas conferem elasticidade e extensibilidade à pele. A derme
divide-se camada papilar mais superficial e correspondendo a mais
menos 20% da derme, e a camada reticular que representa os outros
80%. Essa camada é a mais rica em fibras colágenas e elásticas que
são produzidas por células denominadas fibroblastos. A combinação
destas fibras na parte mais profunda da pele fornece extensibilidade
e elasticidade à pele. A distensão extrema pode produzir pequenas
lacerações denominadas estrias.
A hipoderme, também denominada de tela ou manta
subcutânea não pertence a estrutura da pele. Apresenta deposição de
gorduras que auxiliam na termorregulação e proteção contra choques
mecânicos.

A COR DA PELE

Melanina, hemoglobina e caroteno são os três pigmentos


que influenciam na definição da cor da pele. A quantidade de melanina
provoca variação na coloração da pele de amarelo-claro a castanho-
avermelhado a preto. O caroteno de tonalidade amarelada está
presente na camada lipídica da hipoderme e no estrato córneo da
epiderme. A hemoglobina presente na corrente sanguínea pode ser
vista ou manifestar-se em pessoas de pela clara. A composição dos
componentes com influência maior da melanina permitem à pele uma
ampla variedade de cores. Como o número de melanócitos é o mesmo
em todas as pessoas, as diferentes tonalidades se devem
principalmente em função da quantidade de melanina produzida e
transferida aos queratinócitos.
OUTROS COMPONENTES TEGUMENTARES

Unhas – são placas de células epidérmicas, fartamente


queratinizadas, muito compactas, duras e resistentes. A queratina
presente na formação das unhas é a alfa-queratina. Uma queratina
mais dura e resistente que a da pele, mas que se aproxima da
queratina encontrada nos cabelos, pois possui alto teor de ligações
dissulfeto (cistina). É essa característica de possuir alto teor de
enxofre que confere às unhas alta resistência e uma propriedade de
semi-permebilidade.
As unhas apresentam-se nas falanges distais dos pés e mãos. O
corpo da unha é a parte visível sendo a margem livre, a parte da unha
que se estende além do final dos dedos. O leito ungueal (hiponíquio)
é uma área espessa de estrato córneo logo abaixo da margem livre
que prende a unha à ponta do dedo.

Fonte:
https://www.auladeanatomia.com/novosite/sistemas/sistema-tegumentar/

Cada unha está implantada por uma porção chamada raiz em


um sulco da pele; a porção exposta é denominada corpo e a
extremidade distal, borda livre.
Pelos – estão presentes na maioria das superfícies cutâneas,
exceto nas palmas das mãos, face palmar dos dedos, plantas dos pés.
Cada pelo é um filamento de células epidérmicas queratinizadas
mortas fundidas, que consiste em uma haste e uma raiz. Haste é a
parte mais superficial do pelo, enquanto raiz é aparte mais profunda,
em geral depositado na derme, e por vezes na tela subcutânea.
Influências genéticas e hormonais determinam a espessura e o padrão
de distribuição dos pelos. Em algumas áreas do corpo, onde ganham
nomes especiais de acordo com sua localização, como: cabelos,
sobrancelhas, cílios, barba, pelos axilares, pelos púbicos.

Fonte:
http://tudoparaesteticista.com.br/wp-content/uploads/2018/02/estrutura-pelo-
site-945x531.jpg

Glândulas sebáceas – situam-se na derme e os seus ductos


geralmente desembocam na porção terminal dos folículos pilosos. São
glândulas alveolares, onde geralmente são observados vários
alvéolos, que são em geral de dois a cinco podendo chegar a 20,
desembocando num ducto curto. Cada alvéolo é composto de uma
membrana basal transparente contendo um certo número de células
epiteliais.

Glândulas sudorípara (Su) e sebácea (Se) (100x).


Fonte:
http://www.histobasica.xpg.com.br/geral/sudor%EDpara.htm

Glândulas sudoríparas – são glândulas tubulosas simples,


enoveladas. O suor segregado por essas glândulas é um líquido,
extremamente fluido, com poucas proteínas, mas rico em sódio,
potássio, ureia, ácido úrico entre outras substâncias. Nas camadas
superficiais da derme o ducto é retilíneo, mas nas camadas profundas
o ducto é enrolado ou mesmo retorcido. São muito abundantes na
palma das mãos e planta dos pés.
Sensibilidade Tátil – compreende a sensibilidade tátil fina e a
sensibilidade tátil a pressão. A sensibilidade tátil é captada na altura
da epiderme pelas terminações livres e transmitida aos receptores
locais específicos situados na derme e na hipoderme. São sensíveis
aos estímulos mecânicos, térmicos e especialmente aos dolorosos.
Formadas por um axônio ramificado envolto por células de Schwann
sendo, por sua vez, ambos envolvidos por uma membrana basal.

Fonte:
TORTORA, G. J.; DERRICKSON, B. Princípios de Anatomia e fisiologia. 14. ed.
– 2016. Pg 101
O aspecto da superfície da pele caracteriza o ser humano. O
desenho da superfície define-o ser único na natureza, de que
constituem exemplo bem demonstrativo a individualidade das
impressões digitais. Molda o corpo e evolui ao longo do tempo,
modificando o aspecto individual, do nascimento à senescência.
Interfere decisivamente em algumas funções gerais do organismo,
contribuindo para a sua homeostasia - situação de equilíbrio. O
envelhecimento cutâneo constitui fenómeno irreversível que se
começa a observar normalmente pela quarta década de vida.
Referências

DANGELO, J. G.; FATTINI, C. C. Anatomia sistêmica e segmentar.


3.ed. São Paulo: Atheneu, 2007

PORTO, W. G. Emoção e memória. Porto Alegre: Artes Médicas, 2006.


142p.

PIAZZA, B. L; CHASSOT, A. I. Anatomia Humana, uma disciplina que


causa evasão e exclusão: quando a hipótese principal não se
confirma. Ciência em Movimento | Ano XIV | Nº 28 | 2011/2.

TORTORA, Gerard. J.; DERRICKSON, Bryan. Princípios de Anatomia e


fisiologia. 14. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2016.