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Geografia e História de Rondônia – TJ/RO

Teoria e Exercícios - Aula 02 – História do Estado de Rondônia – Parte II


Prof. Leandro Signori

Aula 02 – História do Estado de Rondônia – Parte II

Caros Alunos,

Estamos de volta para o nosso último encontro…. É verdade, nosso


encontro de hoje é o último….
Ah..........
Eu também gostei muito da companhia de vocês….
De coração, agradeço a oportunidade do convívio com vocês. Foi um
imenso prazer ter ministrado este curso.

Sobre o curso, espero sinceramente que ele tenha atendido às suas


expectativas e lhes propiciado um excelente aprendizado.

Lembrem-se de que são dezenas de vagas em disputa e que vocês


precisam de apenas uma delas para ingressar no TJ-RO. Não, não é necessário
ser o primeiro. Se for, ótimo. O importante é entrar, estar na fila, nem que seja
para estar com a mão na maçaneta e fechar a porta da sala dos classificados.

E uma das vagas será sua, acredite, coloque isto na sua cabeça. VOCÊ
VAI PASSAR!

Continuo à disposição de vocês no Fórum de Dúvidas. Peço


encarecidamente que não vão para a prova com dúvidas. Antes me procurem.

Fico no aguardo de notícias positivas sobre suas aprovações, que


certamente virão.

Ótimos estudos até o dia da prova e que Deus abençoe, ilumine e os


acompanhe na parte final desta jornada, como servidor público e em toda a sua
vida,

Um grande abraço,

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Sumário

1. Exploração e Colonização do Oeste da Amazônia


2. Processo de ocupação e expropriação indígena na área do Beni. Mão de
obra para os seringais do Alto Madeira. Questão acreana e construção
da estrada de ferro Madeira‐Mamoré. Território federal do Guaporé e
criação do estado de Rondônia.
3. Questões comentadas

4. Questões propostas

1. Exploração e Colonização do Oeste da Amazônia

Na aula anterior estudamos a exploração, conquista e colonização da


Amazônia. Estudamos sobre as primeiras explorações, a escravidão indígena, os
escravos negros e a colonização portuguesa. Partindo de onde terminamos na
aula anterior, agora, vamos estudar a exploração e colonização do Oeste da
Amazônia.

Começamos na metade do século XIX (por volta de 1850), período em


que se inicia uma ocupação mais sistemática da Amazônia. Começamos
estudando o Ciclo da Borracha, um dos ciclos econômicos primário-
exportadores pelo qual o Brasil passou.

O primeiro Ciclo da Borracha (1879-1912) foi propiciado pela


Revolução Industrial que ocorria nos países centrais da Europa e nos Estados
Unidos. A vulcanização da borracha, substância que só existia na floresta
amazônica e que passou a valer ouro negro, o motivou uma intensa migração
de homens vindos de todas as partes do Brasil e do mundo. Fascinados pela
promessa de riqueza, novas levas de europeus atravessaram o oceano,
aventuraram-se em cidades e vilas até então isoladas na floresta. O contingente
mais numeroso era de sírio-libaneses, especializados no comércio, mas vieram
também italianos, franceses, portugueses e ingleses em grande número.

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Contudo, a borracha estava na floresta, espalhada em longas distâncias,


habitadas por índios. Era necessário colhê-la nas árvores, ainda líquida,
defumá-la até ficar sólida, transportá-la até as margens dos rios e daí para o
comércio nas cidades, um trabalho penoso e perigoso, que só poderia ser
realizado por um exército de homens acostumados à vida mais rude. Esse
exército veio do Nordeste do Brasil, empurrado pela miséria e pelas grandes
secas, como as de 1877 e 1878. Antes que o século findasse, mais de 300 mil
nordestinos, principalmente do sertão do Ceará, migraram para a Amazônia.

Nos seringais, esses homens valiam menos que os escravos. Na outra


extremidade da sociedade regional, os seringalistas e grandes comerciantes
usufruíam da riqueza fácil proporcionada pela borracha. Essa evidente
contradição no quadro social do Ciclo da Borracha se devia a um perverso
sistema de exploração, que consumiu a vida de milhares de homens. O
sistema de aviamento se constituía numa rede de créditos e se espalhou nos
imensos seringais que foram abertos em todos os vales amazônicos.

Por esse sistema, os seringueiros eram obrigados a comprar a crédito


somente dos seus seringalistas tudo de que necessitavam para sobreviver:
alimentos, roupas e ferramentas. Pagavam suas dívidas com a borracha
produzida. Os seringalistas compravam a crédito (aviavam) das casas
aviadoras, todas as mercadorias que vendiam para os seringueiros. Pagavam
com a produção anual do seringal. As casas aviadoras, estabelecidas
principalmente em Belém e Manaus, compravam das firmas exportadoras as
mercadorias que forneciam aos seringalistas e pagavam as exportadoras com a
produção dos seringais. Por fim, as exportadoras, na maioria de origem
inglesa ou alemã, se capitalizavam nos bancos europeus e norte–americanos
para financiar o sistema de aviamento e obtinham um extraordinário lucro com
a venda da borracha nos mercados industrializados.

A euforia econômica proporcionada pela borracha amazônica – que


chegou ao posto de segundo produto da pauta de exportações brasileira, só
perdendo para o café – foi efêmera. Em menos de três décadas a velha

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pirataria europeia conseguiu destruir todos os sonhos de grandeza amazônica.


Um biopirata inglês contrabandeou da Amazônia grande quantidade de
sementes de seringueiras para o Jardim Botânico de Londres. Rapidamente se
descobriu que as mudas de seringueira obtidas das sementes contrabandeadas
se adaptavam perfeitamente na Ásia. Logo os ingleses implantaram enormes
seringais de cultivo no sudeste asiático, racionalizando e modernizando a
produção da borracha. Assim conseguiram reduzir de forma drástica os custos
de produção, que, na Amazônia, eram extremamente altos, e derrubaram os
preços internacionais.

A rede de crédito do sistema de aviamento era como um castelo de cartas


que desabou inteiro, uma vez que foi rompido pelos grandes compradores
internacionais. Nas décadas de 1920 e 1930, milhares de seringueiros
nordestinos abandonaram os seringais e voltaram derrotados para suas regiões
de origem. A Amazônia brasileira se despovoou e entrou em um novo ciclo de
decadência econômica. Na crise, a agricultura passou a ser utilizada e isso fez
com que práticas e conhecimentos dos nordestinos se fundissem aos
conhecimentos da agricultura indígena.

O segundo Ciclo da Borracha foi mais curto que o primeiro ciclo. Na


Segunda Guerra Mundial (1939-1945) o Japão, aliado da Alemanha e da Itália
(países do Eixo) conquista e ocupa o Sudeste Asiático área que produzia
borracha e, os aliados ficam sem esse importante produto para a sua indústria.

Os Estados Unidos que entraram na guerra em decorrência do ataque


japonês a base americana de Pearl Harbour no Havaí, necessitava da borracha
para a sua indústria. O presidente dos Estados Unidos Franklin Delano
Roosevelt e o presidente do Brasil Getúlio Dorneles Vargas, assinaram os
Acordos de Washington (1942), pelo qual o Brasil comprometia-se a reativar os
seringais amazônicos, através de uma operação conjunta com os EUA.

O Brasil entrou com os seringais, mão-de-obra e 58% de capital para a


criação do Banco de Crédito da Borracha. Os EUA entraram com 42% de capital

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para o Banco de Crédito da Borracha e, forneciam meios para a produção,


transporte e escoamento.

Inicialmente, os norte-americanos investiram 5 milhões de dólares para


serem aplicados pelo Instituto Agronômico do Norte, nas pesquisas científicas
para a melhoria e fomento da produção e mais 5 milhões de dólares para o
saneamento a ser feito pela Fundação Rockfeller. Esses acordos proporcionaram
à região, a montagem de um esquema logístico institucional do qual participou
ativamente o governo brasileiro com o apoio norte-americano, abrindo-se
muitas frentes operacionais e estratégicas na área.

Os objetivos, no entanto, de um e de outro governo, eram em certo ponto


conflitante, os norte-americanos tinham seus interesses marcado pela urgência
e pelo prazo curto, enquanto o governo brasileiro tinha o interesse voltado para
o permanente e o duradouro desejo de manter na Amazônia uma política de
desenvolvimento.

Com o apoio financeiro dos EUA, o governo brasileiro montou uma


infraestrutura que possibilitou aos seringais uma expressiva produção. A
infraestrutura criada foi a seguinte:

- SEMTA (Serviço de Encaminhamento de Trabalhadores para a


Amazônia) e CAETA (Comissão Administrativa de Encaminhamento de
Trabalhadores para a Amazônia) com o objetivo de recrutar, encaminhar e
colocar trabalhadores, principalmente nordestinos, nos seringais, sob a
supervisão do Departamento Nacional de Imigração.

- SAVA (Superintendência de Abastecimento da Vale Amazônico) que fazia


o abastecimento direto dos seringais com gêneros de primeira necessidade.

- RRC (Rubber Reserve Company) que passou a posteriormente a -


denominar-se RDC (Rubber Devenlopment Company) encarregada do
transporte de passageiros e de suprimentos através da SAVA.

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- SESP (Serviço Especial de Saúde Pública): foi criado para promover o


melhoramento urbano, o combate à malária e o saneamento.

- Banco da Borracha: realizava operações de crédito, fomento à produção


e financiamento aos seringalistas. O Banco exercia o monopólio da compra e
venda da borracha.

- Criação de territórios federais: Território do Guaporé (hoje Rondônia),


Rio Branco (hoje Roraima) e Amapá, em 1943, iniciando-se assim o processo de
reorganização do espaço político amazônico.

O movimento migratório da Batalha da Borracha, que se desenvolveu no


decorrer dos anos de 1941 e início de 1943, adquiriu um novo colorido com a
chegada a partir de 1943 e durante os anos de 1944/1945, de novos
contingentes humanos, os nordestinos que ficaram sendo conhecidos como
soldados da borracha.

A diferença entre essas duas correntes de migrantes era flagrante,


enquanto a primeira se constituía na sua maioria de cearenses que se
deslocavam do interior. A partir de 1943 até 1945, provinha dos centros
urbanos, geralmente composta de homens solteiros ou desgarrados de sua
parentela, muito deles desempregados ou sem profissão definida, vinham para
a Amazônia pelo simples sabor da aventura e para fugir à convocação para a
FEB (Força Expedicionária Brasileira) que lutava na Itália.

Com o término da Guerra em 1945, foram liberadas as plantações de


borracha da região asiática, cessando o interesse norte-americano pela
borracha produzida na Amazônia, que passou a acumular em estoques
crescentes, já que o mercado interno não tinha capacidade de absorver toda a
produção. A tentativa de produzir borracha ainda permaneceu até os idos de
1960. A partir desta data, paulatinamente a produção de borracha cai,
ocasionando o fim desse ciclo.

Com a Com a ditadura militar inicia-se uma nova fase de exploração e


colonização da Amazônia. O início deste período, em meados de 1960, trouxe
novas e profundas modificações para a Amazônia. Os militares, amparados por

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um suposto perigo eminente de internacionalização, iniciaram um período


marcado pela implantação de grandes projetos que, segundo se dizia, visavam
desenvolver economicamente o Norte do país.

Com o lema “Integrar, para não entregar”, o discurso oficial do


governo militar, estimulava um novo movimento de ocupação da Amazônia a
partir de grandes projetos mineradores, madeireiros e agropecuários. Para
tanto, em 1965, o presidente Castelo Branco anunciou a Operação Amazônia e,
em 1968, criou a Sudam (Superintendência para o Desenvolvimento da
Amazônia) com amplos poderes para distribuir incentivos fiscais e autorizar
créditos para investimentos na indústria e na agricultura. O objetivo principal
era criar pólos de desenvolvimento espalhados por toda a bacia amazônica,
expandindo a fronteira pioneira.

O resultado destas frentes de expansão simultâneas foi a formação da


maior fronteira pioneira da história da humanidade, com área total superior a
200 milhões de hectares (2 milhões de km2), em apenas 40 anos. Esta é a
região hoje conhecida como “Arco do Desmatamento”, envolvendo mais de
cem municípios. Nesta área, se encontram mais de 90% da área desmatada da
Amazônia. A fronteira pioneira é a região de maiores conflitos fundiários e de
maior impacto sobre o meio ambiente. Veja no mapa da página seguinte, em
vermelho, o Arco do Desmatamento, cujo, sua ponta oeste, está no Estado de
Rondônia.

O período do “milagre econômico” acelerou ainda mais a velocidade dos


investimentos em infraestrutura. Teve início a construção da Transamazônica,
que deveria integrar todo o sul da Amazônia ao cortá-la no sentido leste-oeste,
assegurando, pelo menos em teoria, o controle brasileiro da região. A expansão
da fronteira pioneira na Amazônia aconteceu simultaneamente em diversas
frentes, com a abertura de várias estradas e grandes projetos de colonização.

Com o discurso de “Terras sem homens para homens sem terra”, o


presidente Médici (1969-1974) prometeu resolver o problema do Nordeste,
oferecendo terras amazônicas. Estabeleceu então o PIN (Plano de Integração

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Nacional) segundo o qual deveriam ser reservados 100 km de cada lado da


estrada para o assentamento prioritário de nordestinos.

Arco do Desmatamento

Fonte: THÉRY, H.; MELLO, Neli. Atlas do Brasil: disparidades e dinâmicas


do Território. São Paulo: Edusp, 2006, p. 70

Ao mesmo tempo, a Sudam começou a aprovar grandes projetos


agropecuários e o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária)
aumentou o índice de distribuição de terras para os fazendeiros. Isso fez com
que a taxa de desmatamento subisse assustadoramente. Apesar dos amplos
financiamentos concedidos, na época – que abrangiam a mineração na serra
dos Carajás, a construção de hidrelétricas, a implantação do polo tecnológico e
industrial da Zona Franca de Manaus e a construção de rodovias – o resultado
mais evidente da nova política desenvolvimentista não foi a prosperidade

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econômica da Amazônia, mas a degradação e o acirramento das relações


sociais em toda a região.

A ocupação ocorrida no período militar teve características distintas das


anteriores. Antes, os colonizadores buscavam a região para explorar as riquezas
da floresta, e agora querem a terra para expandir a agricultura e a pecuária. O
modelo de latifúndio dos seringais, até então dominante na Amazônia,
propiciava a permanência dos trabalhadores na floresta. O novo latifúndio, a
fazenda para criação de gado, promovia a chamada “limpeza do terreno”, ou
seja, a retirada da floresta e do povo que lá vivia.

2. Processo de ocupação e expropriação indígena na área do Beni.


Mão de obra para os seringais do Alto Madeira. Questão acreana e
construção da estrada de ferro Madeira‐Mamoré. Território federal do
Guaporé e criação do estado de Rondônia.

A ocupação do território habitado por indígenas e que hoje forma o Estado


do Acre teve início com o primeiro ciclo econômico da borracha, por volta da
segunda metade da década de 1800. A ocupação do Estado do Acre,
diferentemente de outros Estados da Amazônia, apresenta algumas
particularidades que merecem destaque, por suas consequências sociais,
culturais e políticas. Grande parte dessas particularidades está associada com
questões fundiárias históricas e as lutas que essas desencadearam, desde 1867,
quando o governo do Império do Brasil assina o Tratado de Ayacucho,
reconhecendo ser da Bolívia o antigo espaço que hoje pertence ao
Estado do Acre.

A partir de 1878, a empresa seringalista alcançou a boca do rio Acre


controlando a exploração em todo o médio Purus e, em 1880, ultrapassou a
Linha Cunha Gomes, limite final das fronteiras legais brasileiras, expandindo-se
para território boliviano.

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Conforme descrito no tópico anterior, a mão-de-obra necessária para o


empreendimento extrativista nos dois ciclos da borracha, seja no Acre, em
Rondônia, no Alto-Madeira ou nos seringais da Amazônia veio do Nordeste.

Assim, em 1877, um grande número de nordestinos chegou aos seringais


do Acre. Na sequência, em 1882, os migrantes que vieram do Nordeste
brasileiro fundaram o seringal Empresa, que mais tarde veio a ser a capital do
Acre, Rio Branco.

Nessa época, o governo da Bolívia pretendia passar o controle do


território do Acre para o Anglo-Bolivian Syndicate de Nova York, por meio de
um contrato que concedia não só o monopólio sobre a produção e exportação
da borracha, como também auferia os direitos fiscais, mantendo ainda as
tarefas de polícia local. A reação dos acreanos se concretizou com a rebelião de
Plácido de Castro. Também o governo brasileiro iniciou ações diplomáticas,
capitaneadas pelo Barão de Rio Branco.

Em 1901, Luís Galvez, com o apoio do governador do Estado do


Amazonas, proclamou o Acre Estado Independente, acirrando os conflitos entre
bolivianos, seringueiros e seringalistas.

As negociações entre o governo brasileiro e o boliviano chegaram a um


acordo em 1903, com a assinatura do Tratado de Petrópolis, por meio do
qual o Brasil incorporou ao território nacional uma extensão de terra de 191 mil
km², referente a atual Estado do Acre, que foi entregue a 60 mil seringueiros e
suas famílias para que lá pudessem exercer as funções extrativas da borracha.
O governo brasileiro indenizou a Bolívia em dois milhões de libras esterlinas e
assumiu formalmente o compromisso de construir a Estrada de Ferro Madeira-
Mamoré (EFMM), com liberdade de trânsito por essa ferrovia e pelos rios
brasileiros até o Oceano Atlântico de produtos bolivianos. A Anglo-Bolivian
Syndicate também foi indenizada pelo Brasil.

No entanto, a ideia de construção da ferrovia é anterior ao Tratado de


Petrópolis. Teve origem, em 1846, na Bolívia, quando o engenheiro boliviano
José Augustin Palácios convenceu as autoridades locais de que a melhor saída

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de seu país para o oceano Atlântico seria pela bacia Amazônica. O pensamento
do engenheiro justificava-se na dificuldade para transpor a cordilheira dos
Andes e na distância do oceano Pacífico dos mercados da Europa e dos EUA.
Antes da construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, houve tentativa de
construir uma ferrovia, mas que não obteve sucesso diante das dificuldades
para se realizar tal obra.

Após vários estudos e propostas, no início da década de 1870, foram


realizadas as primeiras tentativas de construção de uma ferrovia que atendesse
àqueles objetivos. Em março de 1871, o coronel norte-americano George Earl
Church, de posse de concessões dos governos boliviano e brasileiro, constituiu
a Madeira & Mamoré Railway Company Limited e contratou a empresa britânica
Public Works Construction Company para executar a obra.

O primeiro grupo de engenheiros chegou a Santo Antônio do Madeira, que


então era apenas um pequeno aglomerado de casebres, em julho de 1872.
Poucos dias depois, os primeiros carregamentos de materiais de construção,
equipamentos e operários, trazidos de navio desde os Estados Unidos chegaram
ao local. A Public Works abandonou o canteiro de obras um ano depois, sem
conseguir assentar um único metro de trilhos.

Em 09 de julho de 1873, a Public Works Construction Company entrou na


justiça britânica com um pedido de rescisão de contrato e de indenização,
alegando entre outras razões "condições sub-humanas na região". Basicamente,
a Madeira & Mamoré Railway Company Limited MMRC e a Public Works
Construction Company foram derrotadas pelo desconhecimento da região e o
mau planejamento da obra.

Diante dessa situação, a construtora norte-americana Dorsay & Caldwell


assumiu o compromisso de construir mais uma parte da linha, mesmo sem
receber pagamento, enquanto corria a disputa no foro londrino. O primeiro e
modesto grupo de trabalhadores chegou ao local da obra em janeiro de 1874.
Contudo, a comitiva retornou poucos dias depois aos EUA, após a primeira

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morte por doença e diante da constatação das dificuldades para empreender a


obra.

A empreiteira enfrentou diversos problemas, tais como a insalubridade e


as doenças, imprevistas e muitas vezes desconhecidas; os ataques de
indígenas, que defendiam suas terras milenares, de invasores que os
ignoravam; a conclusão de que os custos da obra seriam bem maiores que o
originalmente previsto e a constatação de que a ferrovia teria extensão
significativamente maior que a esperada, uma das principais causas do
aumento dos custos.

A empreiteira norte-americana P & T Collins foi então contratada para


construir a ferrovia. Em fevereiro de 1878, desembarcou em Santo Antônio com
mais de 700 toneladas de cargas para dar andamento aos trabalhos. A
construção teve início em meio as já conhecidas dificuldades. Poucos meses
depois, ainda em de 1878, a primeira locomotiva a trafegar na Amazônia andou
num trecho de somente 3km de extensão dos quais apenas 800m eram
definitivos. Mais uma vez, e pelas mesmas razões da empreiteira anterior, em
agosto de 1879, a P & T Collins paralisou oficialmente as obras da ferrovia.

Três anos depois, em 1882, os governos do Brasil e da Bolívia assinariam


um tratado inicial que possibilitaria a construção de uma estrada de ferro
ligando o rio Mamoré ao trecho navegável do Madeira, inclusive novos estudos
foram encomendados pelo governo brasileiro.

Sobre tais estudos, houve duas comissões principais. A Comissão Morsing,


em 1883, produziu um relatório que depois se mostrou basicamente correto,
apesar de inconcluso, uma vez que as doenças praticamente dizimaram a
comissão. No ano seguinte, Comissão Pinkas a substituiu e produziu um
relatório bem mais otimista que o de Morsing, embora tenha sido acusado de
tê-lo forjado. A grande discrepância entre os dois estudos deu margem a
severas críticas ao projeto da ferrovia.

Apesar desses estudos, somente em 1905, e por força do Tratado de


Petrópolis, que o governo brasileiro abriu concorrência pública para a

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construção da ferrovia, vencida pelo engenheiro Joaquim Catramby. O tratado


obrigava o Brasil a construir em território brasileiro uma ferrovia desde o porto
de Santo Antônio, no Rio Madeira, até Guajará Mirim, no Mamoré. Ainda
segundo Tratado, deveria haver também um ramal que passando por Vila
Murtinho (ou outro ponto próximo), chegasse a Vila Bela, na Bolívia, na
confluência dos rios Beni e Mamoré.

A obra iniciada em 1907 foi concluída em 1912. Trabalharam em suas


obras mais de 20.000 operários de diversas nacionalidades. Calcula-se que
6.500 trabalhadores tenham morrido vítimas das doenças tropicais. A obra
custou o equivalente a vinte e oito toneladas de ouro pelo câmbio de 1912.

A construção da ferrovia deu a Companhia Madeira-Mamoré o direito de


exploração das terras que lhe eram adjacentes. Com a crise da borracha e a
retração da economia amazônica EFMM entrou em decadência. Foi
nacionalizada em 1931 e desativada em 1972. Alguns pequenos trechos, no
entanto, foram reativados no início da década de 80 para fins turísticos em
Porto Velho e Guajará-Mirim durante o governo do Coronel Jorge Teixeira.

A construção da Estrada de Ferro Madeira Mamoré (EFMM) marcou um


importante ponto nas relações diplomáticas entre Brasil e Bolívia. Constitui-se
também num elemento definidor da ação imperialista de potências estrangeiras
na região amazônica. A Madeira Mamoré representa um dos marcos da
modernidade capitalista liberal nos confins da selva do Madeira.

Com a desvalorização do preço do látex no mercado internacional a região


ficou estagnada, a partir de 1912, por um período de aproximadamente 30
anos, e ocorreu o retorno de seringueiros a suas regiões de origem.

A criação do Território Federal do Guaporé, em 1943, e de mais quatro


territórios: Iguaçu e Ponta-Porã, no Sul e Centro-Oeste; Rio Branco e Amapá,
no Norte, representam uma das principais metas do governo de Getúlio Vargas.
Este estadista pretendia incentivar a ocupação nas terras da Amazônia,
desenvolver o comércio e firmar a política nacionalista, base do seu governo.
Uma ação que se tornaria possível com a assinatura do Tratado de Washington

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entre o Brasil e o Estados Unidos, durante a 2ª Guerra Mundial, que daria início
a segunda fase do ciclo da borracha propiciando o desenvolvimento econômico
e populacional da Amazônia rondoniense.

Na realidade, dez anos antes da criação dos territórios, a Sociedade


Geográfica havia sido incumbida pelo presidente Getúlio Vargas de viabilizar o
estudo para a construção de 10 territórios federais. No entanto, o estudo não
incluía o município de Porto Velho, somente Santo Antônio e Guajará-Mirim
fariam parte do território.

A interferência do militar e desbravador Aluízio Ferreira, durante este


mesmo período, foi fundamental para a concretização do ambicioso projeto de
Vargas. Aluízio aproveita a visita de Getúlio Vargas a região, em 1940, e mostra
as potencialidades econômicas de Porto Velho e a sua importância na formação
do futuro Território. Em diversas oportunidades, Aluízio Ferreira, enfatizou a
necessidade de uma nova divisão política do País e descrevia os problemas
enfrentados nos municípios em virtude da ausência política administrativa dos
governos estaduais que impediam o progresso destas regiões.

Aloizio Ferreira já realizava reuniões políticas e de divulgação para a


criação do Guaporé antes da visita de Vargas. Ele também tinha realizado
diversas visitas de chefes militares à região e enviou a Getúlio um pedido de
desmembramento dos municípios de Guaporé e Guajará-Mirim dos estados do
Mato Grosso e Amazonas. O pedido foi reforçado por assinaturas de moradores
de Guajará-Mirim recolhidas pelo diretor da Concessionária da Empresa de
Navegação do Guaporé, Paulo Cordeiro da Cruz, que destacava o desprezo dos
governadores dos dois Estados pelos municípios de Guajará-Mirim, Santo
Antônio do Madeira e Porto Velho.

Interessante situação ocorreu quando Getúlio Vargas inaugurou a usina


termoelétrica da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré e o prédio dos Correios e
telégrafos, em Porto Velho. Aluízio Ferreira e Getúlio Vargas descobriram, nos
poucos dias que passaram juntos, várias ideias em comum. O presidente

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reafirmaria a Aluízio sua intenção de criar territórios federais nas áreas


fronteiriças, o que corroborava a política de expansão para o oeste.

Com sua forte atuação para concretizar a instalação do Território Federal


do Guaporé, Aluízio Ferreira se tornaria um dos protagonistas da história da
criação de Rondônia. Vargas, inclusive reconheceu os esforços de Aluízio e o
nomeou governador do Guaporé, após a criação do Território.

Em 13 de setembro de 1943, no auge do Segundo Ciclo da


Borracha, o presidente Getúlio Vargas assinou o Decreto-Lei 5.812,
criando o Território Federal do Guaporé, com áreas desmembradas dos
estados de Mato Grosso e Amazonas.

Mais quatro municípios brasileiros também foram transformados em


territórios: Rio Branco no território do Acre, atual Estado do mesmo nome;
Amapá no território de Amapá, atual Estado de mesmo nome e Ponta-Porã e
Iguaçu –no Sul e Centro-Oeste do País, posteriormente extintos.

A criação do Território Federal do Guaporé foi um passo fundamental para


o desenvolvimento de toda a região, pois com essa decisão a região passa a ter
espaço junto ao Governo Federal, e suas reivindicações começariam a serem
ouvidas sem atravessadores ou qualquer intermediador.

O Território Federal do Guaporé passou-se a denominar Território


Federal de Rondônia em 1956, em homenagem ao Marechal Cândido
Rondon, desbravador da floresta Amazônica e construtor da linha telegráfica
Cuiabá- Porto Velho. Pessoal, ainda é a criação do Estado de Rondônia, mas sim
a mudança do nome do território federal. Governava o Brasil nesta época
Juscelino Kubitschek.

Rondônia, como o 23º Estado da Federação, foi criado em 1981,


ano em que o Congresso Nacional aprovou projeto de lei do Poder Executivo,
pelo qual o território era elevado a Estado da União. O governo do novo estado,
instalou-se em 4 de janeiro de 1982, com a posse do coronel Jorge Teixeira de
Oliveira, que já governava o território desde 15 de março de 1979. Em 31 de

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janeiro de 1983 instalou-se a Assembleia Constituinte de Rondônia, que redigiu


a primeira carta do novo estado, promulgada em agosto.

QUESTÕES COMENTADAS

01) (FUNCAB/MPR RO/2012 – ANALISTA) A evolução da malha


político-administrativa de Rondônia expressa o seu dinamismo político-
geográfico, considerando-se a criação de municípios. Neste sentido, em
que período Rondônia contava com apenas dois municípios?

a) Até os anos 1970.

b) Até o ano de1985.

c) Até o início dos anos 1990.

d) Até meados dos anos 1990.

e) Até meados dos anos 2000.

COMENTÁRIOS:

Até os anos de 1970, Rondônia contava com dois municípios – Porto Velho
e Guajará Mirim. Somente após a abertura da BR-364 começaram a ser
fundados outros municípios.

Gabarito: A

02) (FUNCAB/MPR RO/2012 – ANALISTA) Nos antecedentes da criação


do estado de Rondônia, consta a instalação do Território Federal do
Guaporé, em 1943, o qual é posteriormente transformado em Território
Federal de Rondônia. O Território Federal de Rondônia é criado no
governo do presidente:

a) Getúlio Vargas

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b) Jânio Quadros

c) João Goulart

d) Juscelino Kubitschek

e) Costa e Silva

COMENTÁRIOS:

O Território Federal do Guaporé foi criado no governo do presidente


Getúlio Vargas. Posteriormente, em 1956, passou a se chamar de Território
Federal de Rondônia, no governo do presidente Juscelino Kubitschek.

Gabarito: D

03) (CESGRANRIO/TJ RO/2008 – TÉCNICO JUDICIÁRIO) O controle das


fronteiras brasileiras, sobretudo norte e sul, sempre foi motivo de
preocupação dos principais governos republicanos. Acordos de limites,
por exemplo, foram vários na República Velha. Durante o Governo
Vargas, porém, este controle foi efetivamente definido com a criação de
Territórios Federais na região, entre eles:

a) Rio Branco, atual Estado de Roraima, e Guaporé, atual Estado de


Rondônia.

b) Acre, atual Estado do Acre, e Guaporé, atual Estado de Rondônia.

c) Ponta Porã, atual Estado de Tocantins, e Rio Branco, atual Estado de


Roraima.

d) Iguaçu, atual Estado de Roraima, e Acre, atual Estado do mesmo


nome.

e) Amapá e Palmas, atualmente Estados do mesmo nome.

COMENTÁRIOS:

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Vimos na aula que Getúlio Vargas criou os territórios federais de Rio


Branco, atual Estado do Acre; Guaporé, atual Estado de Rondônia, Amapá, atual
Estado de mesmo nome e Ponta-Porã e Iguaçu, extintos posteriormente.

Gabarito: B

04) (FUNCAB/MPE RO/2012 – TÉCNICO EM CONTABILIDADE) Diversos


tratados tiveram importância na definição de limites e no processo de
povoamento da porção norte e oeste do Brasil. Um impulso no
povoamento de Rondônia foi deflagrado pela construção da Estrada de
Ferro Madeira-Mamoré.

O contexto histórico dessa construção decorre diretamente do Tratado


de:

a) Madri.
b) Petrópolis.
c) Tordesilhas.
d) Ayacucho.
e) Utrecht.

COMENTÁRIOS:

O contexto histórico de construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré


decorre do Tratado de Petrópolis, entre Brasil e Bolívia, pelo qual o Brasil
anexou ao seu território a região do Acre.

Gabarito: B

05) (FUNCAB/MPE RO/2012 – TÉCNICO EM CONTABILIDADE) A


ferrovia Madeira-Mamoré foi concluída em 1912 e teve como um de
seus principais objetivos o transporte de um produto oriundo da Bolívia

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e de grande valor econômico, à época. Esse produto, ao qual o


enunciado se refere é a:

a) castanha

b) carnaúba

c) erva-mate

d) borracha

e) pimenta-do-reino

COMENTÁRIOS:

A ferrovia Madeira-Mamoré foi concluída em 1912 e teve como um de


seus principais objetivos o transporte da borracha oriunda da Bolívia e de
grande valor econômico, à época.

Gabarito: D

06) (FUNCAB/SESAU RO/2009 - MÉDICO) O período compreendido


entre 1877 e 1910 ficou conhecido no Brasil como “Primeiro Ciclo da
Borracha”. Extraía-se a borracha na Amazônia, principalmente entre o
Brasil e a Bolívia, onde está situado o Estado de Rondônia. Um pouco
depois, a produção brasileira entrou em decadência. Podemos apontar
como causa principal do declínio desta produção:

a) o isolamento da Região Norte;

b) a falta de mão-de-obra para a exploração;

c) a produção de látex feita pelo Reino Unido;

d) a preocupação com a preservação ambiental;

e) a proposta de internacionalização da Amazônia.

COMENTÁRIOS:

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A seringueira, árvore de onde se extrai o látex, matéria prima para a


produção da borracha, é nativa da Amazônia. No entanto, os ingleses levaram
ilegalmente para fora da Amazônia, mudas da seringueira e desenvolveram com
sucesso e custo mais baixo seringais e a extração do látex na Malásia. A
produção na então colônia inglesa derrubou a produção do látex amazônico.

Gabarito: C

07) (FUNCAB/IDARON RO/2008 – ASSISTENTE ADMINISTRATIVO)


Devido à grande demanda da exploração da borracha, durante a
Segunda Guerra Mundial, muitos nordestinos foram atraídos com
promessas de trabalho nos seringais da Amazônia. Eram conhecidos
como:

a) “mercenários da borracha”;

b) “trabalhadores da borracha”;

c) “empregados da borracha”;

d) “soldados da borracha”;

e) “nordestinos da borracha”.

COMENTÁRIOS:

Soldados da borracha galera. Estes nordestinos ficaram conhecidos com


“sodados da borracha”.

Gabarito: D

08) (FUNCAB/CORPO DE BOMBEIROS RO/2008 – SOLDADO) A


retomada da demanda da extração do látex na região do vale Madeira-
Guaporé ocorreu em decorrência da 2ª Guerra Mundial pois:

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a) os seringais brasileiros se tornaram competitivos graças ao


investimento do governo brasileiro em tecnologia para extração do
látex;

b) a ação de contrabandistas ingleses, noruegueses e alemães


intensificou-se;

c) a produção do látex no Oriente (Malásia) aumentou;

d) o Tratado de Petrópolis restabeleceu a paz entre Brasil e Alemanha;

e) os seringais da Malásia foram ocupados por tropas japonesas, não


sendo possível continuar a produção.

COMENTÁRIOS:

Durante a Segunda Guerra Mundial, os japoneses ocuparam os seringais


da Malásia e bloquearam a exportação do látex para a Europa e os Estados
Unidos. Isso fez com que o governo dos EUA estabelecesse um acordo com o
governo brasileiro para a produção emergencial e em grande quantidade de
látex da Amazônia.

Gabarito: E

09) (FUNCAB/CORPO DE BOMBEIROS RO/2008 - SOLDADO) As


florestas de Rondônia são ricas em espécies vegetais. Pode-se dizer
que o primeiro produto explorado, responsável pelo povoamento dos
vales do Madeira, Mamoré, Guaporé, Machado e seus afluentes foi:

a) a madeira da espécie castanheira;

b) o mogno, madeira considerada nobre;

c) a seiva da árvore seringueira;

d) a madeira, de cor avermelhada, chamada pau-brasil;

e) o jatobá, madeira considerada nobre.

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COMENTÁRIOS:

O primeiro produto explorado, responsável pelo povoamento dos vales do


Madeira, Mamoré, Guaporé, Machado e seus afluentes foi a seiva da
seringueira, o látex, de onde se produz a borracha.

Gabarito: C

10) (FUNRIO/SEJUS RO/2008 – AGENTE EDUCADOR) Com relação à


ocupação da região amazônica, é correto afirmar que a década e o
principal motivo das preocupações do governo brasileiro terem se
agravado foram, respectivamente:

a) 1930, pois houve uma queda na exportação da borracha, importante


produto da região.

b) 1960, pela renúncia de Jânio Quadros e as repercussões na política


nacional.

c) 1970, em função de uma possível invasão americana e receio de


uma guerra civil.

d) 1980, pela criação do Estado de Rondônia e a manutenção das áreas


fronteiriças.

e) 1990, em função da elevação da taxa de juros que afetou as


exportações.

COMENTÁRIOS:

Na década de 1930, a produção exportação de borracha havia caído


vertiginosamente. Isso agravou as preocupações do governo brasileiro quanto
ao desenvolvimento e a segurança da Amazônia.

Gabarito: A

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11) (FUNCAB/DER RO/2010 – ANALISTA DE SISTEMAS) O início da


exploração da borracha amazônica foi próspero, mas a bonança durou
pouco. Em 1912, a produção atingia o pico de 42 mil toneladas. A
borracha representava 40% de todas as exportações nacionais. Em um
segundo momento, entre 1942 e 1945, a borracha teve uma sobrevida
que não foi com a mesma pujança do início do século, e logo voltou a
perder em expressão no cenário econômico nacional. Nas duas fases
mais expressivas da produção, um fator apontado abaixo pode ser
considerado como responsável pelo declínio da borracha brasileira:

a) falta de crédito à extração e ao beneficiamento do látex.

b) precariedade da mão de obra usada pelos seringueiros.

c) dificuldade para escoar a produção até o porto de Belém.

d) concorrência da borracha produzida pelos asiáticos.

e) população indígena dificultava o acesso aos seringais.

COMENTÁRIOS:

Devido aos custos de produção inferiores, a borracha produzida no


mercado asiático desbancou a produção de borracha da Amazônia. Isso ocorreu
no início do século XX. Posteriormente, na Segunda Guerra Mundial, os
seringais da Malásia foram ocupados pelos japoneses, que cortaram o
fornecimento para os mercados europeu e norte-americano, o que reavivou a
produção amazônica. Contudo, foi um ciclo brevíssimo. Com o fim da guerra e a
liberação dos seringais asiáticos, a produção da Amazônia voltou a declinar.

Gabarito: D

12) (FCC – 2010 – TCE-RO – Auditor) Considere o seguinte texto que


apresenta o compromisso do governo brasileiro para a construção da
ferrovia Madeira-Mamoré:

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Artigo VII
Os Estados Unidos do Brasil obrigam-se a construir em território
brasileiro, por si ou por empresa particular, uma ferrovia desde o porto
de Santo Antônio, no rio Madeira, até Guajará-Mirim, no Mamoré, com
um ramal que, passando por Vila-Murtinho ou em outro ponto próximo
(Estado de Mato-Grosso), chegue a Villa-Bella (Bolívia), na confluência
do Beni e do Mamoré. Dessa ferrovia, que o Brasil se esforçará por
concluir no prazo de quatro anos, usarão ambos os países com direito
às mesmas franquezas e tarifas.
(http://www2.mre.gov.br/dai/b_boli_11_927.htm)
O artigo foi retirado do Tratado de:
a) Santo Ildefonso, de 1894.
b) Petrópolis, de 1915.
c) Badajoz, de 1907.
d) Petrópolis, de 1903.
e) Santo Ildefonso, de 1905.

COMENTÁRIOS:
O texto foi retirado do Tratado de Petrópolis, assinado em 1903, entre
Brasil e Bolívia.
Gabarito: B

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QUESTÕES PROPOSTAS

01) (FUNCAB/MPR RO/2012 – ANALISTA) A evolução da malha


político-administrativa de Rondônia expressa o seu dinamismo político-
geográfico, considerando-se a criação de municípios. Neste sentido, em
que período Rondônia contava com apenas dois municípios?

a) Até os anos 1970.

b) Até o ano de1985.

c) Até o início dos anos 1990.

d) Até meados dos anos 1990.

e) Até meados dos anos 2000.

02) (FUNCAB/MPR RO/2012 – ANALISTA) Nos antecedentes da criação


do estado de Rondônia, consta a instalação do Território Federal do
Guaporé, em 1943, o qual é posteriormente transformado em Território
Federal de Rondônia. O Território Federal de Rondônia é criado no
governo do presidente:

a) Getúlio Vargas

b) Jânio Quadros

c) João Goulart

d) Juscelino Kubitschek

e) Costa e Silva

03) (CESGRANRIO/TJ RO/2008 – TÉCNICO JUDICIÁRIO) O controle das


fronteiras brasileiras, sobretudo norte e sul, sempre foi motivo de
preocupação dos principais governos republicanos. Acordos de limites,
por exemplo, foram vários na República Velha. Durante o Governo

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Geografia e História de Rondônia – TJ/RO
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Vargas, porém, este controle foi efetivamente definido com a criação de


Territórios Federais na região, entre eles:

a) Rio Branco, atual Estado de Roraima, e Guaporé, atual Estado de


Rondônia.

b) Acre, atual Estado do Acre, e Guaporé, atual Estado de Rondônia.

c) Ponta Porã, atual Estado de Tocantins, e Rio Branco, atual Estado de


Roraima.

d) Iguaçu, atual Estado de Roraima, e Acre, atual Estado do mesmo


nome.

e) Amapá e Palmas, atualmente Estados do mesmo nome.

04) (FUNCAB/MPE RO/2012 – TÉCNICO EM CONTABILIDADE) Diversos


tratados tiveram importância na definição de limites e no processo de
povoamento da porção norte e oeste do Brasil. Um impulso no
povoamento de Rondônia foi deflagrado pela construção da Estrada de
Ferro Madeira-Mamoré.

O contexto histórico dessa construção decorre diretamente do Tratado


de:

a) Madri.
b) Petrópolis.
c) Tordesilhas.
d) Ayacucho.
e) Utrecht.

05) (FUNCAB/MPE RO/2012 – TÉCNICO EM CONTABILIDADE) A


ferrovia Madeira-Mamoré foi concluída em 1912 e teve como um de
seus principais objetivos o transporte de um produto oriundo da Bolívia

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e de grande valor econômico, à época. Esse produto, ao qual o


enunciado se refere é a:

a) castanha

b) carnaúba

c) erva-mate

d) borracha

e) pimenta-do-reino

06) (FUNCAB/SESAU RO/2009 - MÉDICO) O período compreendido


entre 1877 e 1910 ficou conhecido no Brasil como “Primeiro Ciclo da
Borracha”. Extraía-se a borracha na Amazônia, principalmente entre o
Brasil e a Bolívia, onde está situado o Estado de Rondônia. Um pouco
depois, a produção brasileira entrou em decadência. Podemos apontar
como causa principal do declínio desta produção:

a) o isolamento da Região Norte;

b) a falta de mão-de-obra para a exploração;

c) a produção de látex feita pelo Reino Unido;

d) a preocupação com a preservação ambiental;

e) a proposta de internacionalização da Amazônia.

07) (FUNCAB/IDARON RO/2008 – ASSISTENTE ADMINISTRATIVO)


Devido à grande demanda da exploração da borracha, durante a
Segunda Guerra Mundial, muitos nordestinos foram atraídos com
promessas de trabalho nos seringais da Amazônia. Eram conhecidos
como:

a) “mercenários da borracha”;

b) “trabalhadores da borracha”;

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c) “empregados da borracha”;

d) “soldados da borracha”;

e) “nordestinos da borracha”.

08) (FUNCAB/CORPO DE BOMBEIROS RO/2008 – SOLDADO) A


retomada da demanda da extração do látex na região do vale Madeira-
Guaporé ocorreu em decorrência da 2ª Guerra Mundial pois:

a) os seringais brasileiros se tornaram competitivos graças ao


investimento do governo brasileiro em tecnologia para extração do
látex;

b) a ação de contrabandistas ingleses, noruegueses e alemães


intensificou-se;

c) a produção do látex no Oriente (Malásia) aumentou;

d) o Tratado de Petrópolis restabeleceu a paz entre Brasil e Alemanha;

e) os seringais da Malásia foram ocupados por tropas japonesas, não


sendo possível continuar a produção.

09) (FUNCAB/CORPO DE BOMBEIROS RO/2008 - SOLDADO) As


florestas de Rondônia são ricas em espécies vegetais. Pode-se dizer
que o primeiro produto explorado, responsável pelo povoamento dos
vales do Madeira, Mamoré, Guaporé, Machado e seus afluentes foi:

a) a madeira da espécie castanheira;

b) o mogno, madeira considerada nobre;

c) a seiva da árvore seringueira;

d) a madeira, de cor avermelhada, chamada pau-brasil;

e) o jatobá, madeira considerada nobre.

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10) (FUNRIO/SEJUS RO/2008 – AGENTE EDUCADOR) Com relação à


ocupação da região amazônica, é correto afirmar que a década e o
principal motivo das preocupações do governo brasileiro terem se
agravado foram, respectivamente:

a) 1930, pois houve uma queda na exportação da borracha, importante


produto da região.

b) 1960, pela renúncia de Jânio Quadros e as repercussões na política


nacional.

c) 1970, em função de uma possível invasão americana e receio de


uma guerra civil.

d) 1980, pela criação do Estado de Rondônia e a manutenção das áreas


fronteiriças.

e) 1990, em função da elevação da taxa de juros que afetou as


exportações.

11) (FUNCAB/DER RO/2010 – ANALISTA DE SISTEMAS) O início da


exploração da borracha amazônica foi próspero, mas a bonança durou
pouco. Em 1912, a produção atingia o pico de 42 mil toneladas. A
borracha representava 40% de todas as exportações nacionais. Em um
segundo momento, entre 1942 e 1945, a borracha teve uma sobrevida
que não foi com a mesma pujança do início do século, e logo voltou a
perder em expressão no cenário econômico nacional. Nas duas fases
mais expressivas da produção, um fator apontado abaixo pode ser
considerado como responsável pelo declínio da borracha brasileira:

a) falta de crédito à extração e ao beneficiamento do látex.

b) precariedade da mão de obra usada pelos seringueiros.

c) dificuldade para escoar a produção até o porto de Belém.

d) concorrência da borracha produzida pelos asiáticos.

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Geografia e História de Rondônia – TJ/RO
Teoria e Exercícios - Aula 02 – História do Estado de Rondônia – Parte II
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e) população indígena dificultava o acesso aos seringais.

12) (FCC – 2010 – TCE-RO – Auditor) Considere o seguinte texto que


apresenta o compromisso do governo brasileiro para a construção da
ferrovia Madeira-Mamoré:
Artigo VII
Os Estados Unidos do Brasil obrigam-se a construir em território
brasileiro, por si ou por empresa particular, uma ferrovia desde o porto
de Santo Antônio, no rio Madeira, até Guajará-Mirim, no Mamoré, com
um ramal que, passando por Vila-Murtinho ou em outro ponto próximo
(Estado de Mato-Grosso), chegue a Villa-Bella (Bolívia), na confluência
do Beni e do Mamoré. Dessa ferrovia, que o Brasil se esforçará por
concluir no prazo de quatro anos, usarão ambos os países com direito
às mesmas franquezas e tarifas.
(http://www2.mre.gov.br/dai/b_boli_11_927.htm)
O artigo foi retirado do Tratado de:
a) Santo Ildefonso, de 1894.
b) Petrópolis, de 1915.
c) Badajoz, de 1907.
d) Petrópolis, de 1903.
e) Santo Ildefonso, de 1905.

GABARITO

01 – A 02 – D 03 - B 04 –B 05 – D

06 - C 07 - D 08 - E 09 - C 10 – A

11 – D 12 - B

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