Você está na página 1de 376

No Monte das

Bem-Aventuranças
Xj^aminhe com Jesus no Monte das
Bem-aventuranças, enquanto você ex­
plora a profundidade de Seu sermão e
experimenta o poder transformador
de Suas palavras.
George Knight, professor de História
da Igreja, na Universidade Andrews, faz
uma exposição progressiva dos 111
versos dos capítulos 5 a 7 de Mateus e
mostra como eles abrangem quase to­
dos os aspectos da fé e do viver cris­
tãos. Ele também nos conduz a muitos
textos da Bíblia que fornecem luz adi­
cional ao sermão de Jesus no monte.
Através de sete passos, você desco­
brirá como é possível ter um viver
transformado e cumprir a regra áu­
rea: amar a Deus e aos semelhantes.

507073
Meditações Diárias

no Monte das Bem-aventuranças

George R. Knight

Tradutores:
José Barbosa da Silva
Vera Michel de Matos
Neila D. Oliveira

Casa Publicadora Brasileira


Tatuí - São Paulo
Título do Original em Inglês
WALKING WITH JESUS
ON THE MOUNT OF BLESSING

Direitos de tradução e publicação para o


território brasileiro reservados à
Casa Publicadora Brasileira
Rodovia SP 127 - km 106
Caixa Postal 34
18270'970 - Tatuí, SP
Fone: (0xxl5) 250-8800
Fax: (0xxl5) 250-8900
Atendimento Direto: (0xxl5) 250-8888

Primeira edição
Quarenta e cinco mil exemplares
2001

Editoração: Rubem M. Scheffel


Paulo Pinheiro
Neila D. Oliveira
Programação Visual: Manoel A. Silva
Capa: Maria Jose Bienemann

IMPRESSO NO BRASIL
Printed in Brazil

6918/7069

/SS». Todos os direitos reservados. Proibida a repro-


f JMtX doÇão total ou parcial, incluídos textos, ima-
gens e desenhos, por qualquer meio, quer por
ERITORAAFn.rAnA sistemas gráficos, reprográficos, fotográficos,
etc., assim como a memorização e/ou recuperação parcial,
ou inclusão deste trabalho em qualquer sistema ou arquivo
de processamento de dados, sem prévia autorização escrita
do autor e da editora, sujeitando o infrator às penas da lei
disciplinadora da espécie.
Uma Palavra aos Meus
Companheiros de Viagem

Sejam bem-vindos. Neste ano despenderemos 365 dias ca­


minhando com Jesus no Monte das Bem-aventuranças.
Avançaremos através do Sermão do Monte, seguindo sete
passos essenciais na vida do cristão. Diferente do costume uti­
lizado nos livros devocionais, que extraem seus textos de toda
a Bíblia, o volume des,te ano se restringe à exposição progres­
siva dos 111 versos dos capítulos 5 a 7 de Mateus. Mas en­
quanto a exposição avança através desses três capítulos, tor-
nou-se necessária a seleção de outros versos para meditação,
além dos de Mateus 5 a 7. No entanto, a mensagem desses
versos está diretamente interligada à apresentação de Jesus no
sermão.
O Sermão do Monte provê uma excelente base para um es­
tudo diário no decorrer do ano, porque abrange quase todos os
aspectos da fé e do viver cristãos. Além disso, coloca as ques­
tões de doutrina e estilo de vida no contexto do evangelho.
Existem muitos livros sobre o Sermão do Monte, mas
achei que as obras de quatro autores são especialmente úteis
para os propósitos devocionais: O Maior Discurso de Cristo, de
Ellen White, os dois volumes de Studies in the Sermon on the
Mount, de D. Martyn Lloyd-Jones, Matthew: The Christbook,
de Frederick Dale Bruner, e as várias obras sobre o Sermão do
Monte de William Barclay.
A preparação deste livro seria impossível sem o eficaz au­
xílio de minha secretária, Bonnie Beres.
Uma Visão Geral da Jornada

O Primeiro Passo
O Caráter do Cristão (Mat. 5:3-12)
12 de janeiro a 5 de março

O Segundo Passo
A Influência do Cristão (Mat. 5:13-16)
6 a 25 de março

O Terceiro Passo
A Justiça do Cristão (Mat. 5:17-48)
26 de março a 22 de junho

O Quarto Passo
A Piedade do Cristão (Mat. 6:1-18)
23 de junho a 17 de agosto

O Quinto Passo
Alvos e Prioridades do Cristão (Mat. 6:19-34)
18 de agosto a 11 de outubro

O Sexto Passo
Os Relacionamentos do Cristão (Mat. 7:1-12)
12 de outubro a 13 de novembro

O Sétimo Passo
O Compromisso do Cristão (Mat. 7:13-29)
14 de novembro a 31 de dezembro
Versões Bíblicas Usadas:
ARC - Almeida Revista e Corrigida
BLH - A Bíblia na Linguagem de Hoje
BV - A Bíblia Viva
NVI - Nova Versão Internacional
Quando não especificada, a versão usada foi a
Almeida Revista e Atualizada, T- edição.
O Caráter do Cristão Segunda-feira
Ia de janeiro

O Reino Radical
“Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos
Céus. ” Mateus 5:3, ARC.
Essa não parece uma boa maneira de começar um sermão. Que­
ro dizer, não é politicamente correto. Falta a delicadeza e bom senso de
alguém especializado em relações públicas.
Afinal, quem deseja ouvir sobre pobreza de espírito? Esse pregador
não está sintonizado com o mundo. Para ser “bem-sucedido”, você tem
que dar às pessoas o que elas querem; tem que apresentar-lhes as pala­
vras e idéias que elas desejam ouvir.
E qualquer ouvinte sabe que as pessoas se enchem de alegria com
mensagens tais como: “Bem-aventurados os ricos” ou “Bem-aventura­
dos os ricos de espírito”.
Bem, se Jesus realmente desejava atrair uma multidão, Ele tinha
que inteirar-Se dos métodos do mundo. Com uma mensagem do tipo:
“Bem-aventurados os pobres de espírito”, Ele nunca atingiría a maio­
ria das pessoas. Ele nunca alcançaria o tipo de sucesso que é respeita­
do pela cultura em geral.
Mas é exatamente aí que está a diferença entre os valores conven­
cionais e Jesus. Ele não estava preocupado com a admiração do mun­
do à Sua volta. Preocupava-Se em estar em sintonia com Deus.
Como resultado, Sua mensagem é o oposto daquela da cultura em
geral. É uma mensagem contrária à sabedoria .do mundo. Aos olhos do
mundo, Jesus está pregando uma mensagem contracultural. Na reali­
dade, essa primeira bem-aventurança inverte o sistema de valores do mun­
do. Ela revoluciona as coisas.
O reino de Jesus é um reino radical, e seus cidadãos também serão
radicais. Essa é a mensagem surpreendente das Bem-aventuranças, do
Sermão do Monte, e de todo o Novo Testamento.
“Bem-aventurados os pobres de espírito.” Essa é uma das declara­
ções mais radicais do mundo. Contudo, constitui a base da mensagem
cristã de Jesus.
E essa mensagem é pessoal, para mim e para você. Temos que es­
colher entre Jesus e o mundo - entre seus valores e os dEle. Nas Bem-
aventuranças, Jesus estabeleceu os princípios centrais de Seu reino ra­
dical.

Ano Bíblico: Gênesis 1-3. — Juvenis: Gênesis 1 e 2.


TERÇA-FEIRA O Caráter DO CRISTÃO
2 de janeiro

O Ataque de Jesus à "Humanidade"


Não é esta a grande Babilônia que eu edifiquei para a casa real, com o
meu grandioso poder e para glória da minha majestade? Daniel 4:30.

abucodonosor é o ser humano bem-sucedido por excelência.


Ele era o máximo, e sabia disso. Tinha orgulho - de quem ele era, de
suas realizações, de sua dignidade. Ele era qualquer coisa, menos hu­
milde de espírito. Tinha orgulho do seu espírito e gostava dele.
A atitude espiritual de Nabucodonosor está exatamente no centro
do problema do pecado. O pecado é amor mal dirigido. A essência do
pecado é desviar nosso amor de Deus e de nosso próximo para nosso
próprio eu. É colocar nosso insignificante eu no centro de nosso uni­
verso e ter orgulho dele.
Esse foi o problema de Lúcifer. “Eu subirei ao céu”, ele cogitou;
“acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono e no monte da con­
gregação me assentarei, ... subirei acima das mais altas nuvens e serei
semelhante ao Altíssimo.” Isa. 14:13 e 14- Em poucas palavras, Lúci­
fer se tornou o deus de sua própria vida. Ao fazer isso, se tornou Sata­
nás, o adversário de Deus e de Cristo.
Adão e Eva seguiram um caminho semelhante quando escolheram
sua própria vontade, acima da vontade e palavras de Deus em Gênesis
3. Esse pecado rebelde tem resultado em toda a miséria que desde então
infectou o planeta Terra. O orgulho e a auto-suficiência permanecem
exatamente no centro do problema do pecado. È por isso que Jesus co­
meçou expondo os princípios de Seu reino com “Bem-aventurados os
pobres de espírito”. Ele precisava atacar imediatamente a raiz do proble­
ma. Nada podería ser feito até que o cerne do problema fosse exposto.
A maior necessidade dos seres humanos é de um transplante de co­
ração. Deus deseja tomar minha vida egoísta e centralizada no eu e
transformá-la em uma vida de amor transbordante, tanto por Ele co­
mo por meus semelhantes.
O primeiro passo na cirurgia realizada por Deus no coração é diag­
nosticar o problema. Assim Jesus “ataca” nossa “humanidade” - nossos
métodos “normais” centralizados no próprio eu.
Ele deseja que eu (e você) percebamos que o primeiro passo para
entrar no Seu reino é a humildade de espírito.
A questão é: Estou disposto a ser humilde em favor do reino?

Ano Bíblico: Gênesis 4-7. — Juvenis: Gênesis 3 e 4.


O Caráter do Cristão Quarta-feira
3 de janeiro

Orgulho de Minha Bondade


Ó Deus, graças Te dou porque não sou como os demais homens,
roubadores, injustos e adúlteros, nem ainda como este publicano; jejuo
duas vezes por semana e dou o dízimo de tudo quanto ganho.
Lucas 18:11 e 12.
JBem, agora você deve estar pensando: Não sou tão tolo como al­

gumas pessoas pensam. Sei que é errado desejar poder e bens terrenos. De­
sisti desse modo de vida. Minha vida está focalizada nas coisas espirituais.
Não sou como essas outras pessoas lá fora. Tenho tudo sob controle.
Espere! Não vá adiante! Acho que você se esqueceu de um ponto.
Não tenho certeza se você já caiu num penhasco espiritual. Mas se is­
so não aconteceu, você está correndo o mesmo risco.
Afinal, o homem do nosso texto bíblico de hoje era um “bom” ho­
mem. Ele também desistiu do modo de vida do mundo e centralizou
sua vida e pensamentos nas coisas espirituais.
Mas ele não se aprofundou o suficiente. Colocou em ordem seus
atos superficiais, mas não havia se tornado “pobre de espírito”. Na ver­
dade, ele ainda tinha orgulho interior. Simplesmente havia transferi­
do seu orgulho das coisas terrenas para as assim chamadas coisas espi­
rituais. Como resultado, ainda tinha a mesma doença. Mas agora ele a
tinha de uma forma mais sutil - estava orgulhoso de sua bondade.
Não há nada mais perigoso para o verdadeiro cristianismo do que o
orgulho espiritual. Como Ellen White apresenta: “Nada é tão ofensivo
a Deus nem tão perigoso para o ser humano como o orgulho e a presun­
ção. De todos os pecados é o que menos esperança incute, e o mais ir­
remediável.” - Parábolas de Jesus, pág. 154. Isto é verdade porque “o or­
gulho não sente necessidade alguma, e assim fecha o coração a Cristo e
às infinitas bênçãos que veio dar”. - Caminho a Cristo, pág. 30.
O publicano é o verdadeiro herói em Lucas 18, porque ele sabia
que era indigno e precisava de ajuda. “O Deus, tem misericórdia de
mim, pecador!” (verso 13, ARC), foi sua oração. Porque era humilde
de espírito, Deus pôde perdoá-lo.
Senhor, ajuda-me neste dia a perceber a extensão de minha neces­
sidade de Ti. Ajuda-me a estar disposto a ser humilde de espírito.

Ano Bíblico: Gênesis 8-11. — Juvenis: Gênesis 6 e 7.


Quinta-feira Caráter do Cristão
4 de janeiro

 Obra do Consolador
Mas Eu vos digo a verdade: convém-vos que Eu vá, porque, se Eu
não for, o Consolador não virá para vós outros; se, porém, Eu for, Eu vo-lo
enviarei. Quando Ele vier, convencerá o mundo do pecado, da justiça e
do juízo. João 16:7 e 8.
U™ das coisas mais maravilhosas sobre o cristianismo é que
nunca estamos sozinhos. Por causa do amor infinito de Deus, cada um
de nós tem o auxílio do Espírito Santo na vida pessoal.
O Espírito Santo, em nosso texto de hoje, é caracterizado em vá­
rias traduções não apenas como “o Consolador”, mas como “o Auxi-
liador” (BLH) e “o Conselheiro” (NVI). Na verdade, Ele é tudo isso e
muito mais. De todas as pessoas, os cristãos são os mais abençoados
porque têm um Membro da Divindade trabalhando ativamente com
eles todos os dias. Precisamos louvar mais a Deus pelo Consolador.
Mas a obra do Espírito em nossa vida não se resume só em conso­
lar - ou pelo menos não de imediato. Algumas vezes Sua obra é ini­
cialmente a de incomodar. Até mesmo magoar. Porque, você sabe, é
obra do Espírito nos convencer do pecado. É obra do Espírito nos di­
zer que algo está errado em nossa vida; que não somos o que devíamos
ser; até mesmo que somos egoístas, mesquinhos ou orgulhosos. Ele
sempre está esquadrinhando as áreas de nossa vida que gostaríamos de
manter secretas.
Mas, na verdade, essa obra é unicamente de misericórdia. È como
aquela do médico que nos examina no nível físico para precisar se te­
mos uma doença perigosa.
Ouça o Espírito Santo. Ele tem uma mensagem que precisamos ou­
vir. E a mensagem de que somos indignos desde o nascimento. Ele nos
convence de nossa pobreza espiritual. Mas Sua obra envolve mais do
que isso. O Consolador também aponta a solução para todos os nossos
problemas - Jesus Cristo, Seu sacrifício por nós na cruz, e a justiça ili­
mitada que Ele deseja nos imputar.
Louve a Deus pela obra do Consolador. Ele aponta nossa pobreza
para que possamos nos tomar ricos em Jesus.

Ano Bíblico: Gênesis 12-15. - Juvenis: Gênesis 8; 9:1-17.


O Caráter do Cristão Sexta-feira
5 de janeiro

Heróis da Pobreza
Ai de mim! Estou perdido! Porque sou homem de lábios impuros,
habito no meio dum povo de impuros lábios, e os meus olhos viram o Rei,
o Senhor dos Exércitos! Isaías 6:5.

~ Bíblia é um livro estranho porque repetidas vezes caracteriza


como heróis pessoas que admitem suas fraquezas e necessidades. —
Nas prateleiras de minha biblioteca, tenho muitos volumes sobre
“grandes” pessoas - presidentes, intelectuais, pessoas de destaque na
sociedade, e líderes militares. Os mais exatos desses volumes apontam
a fraqueza dos indivíduos dos quais eles tratam, mas enfatizam que eles
foram importantes porque venceram suas fraquezas através de esforço
heróico e constante.
A Bíblia pinta um quadro totalmente diferente. Seus heróis são
grandes porque eles reconhecem que suas fraquezas mais importantes
estão longe de serem vencidas através do esforço humano. Admitem
que eles necessitam da ajuda de Deus. São pobres de espírito.
Repetidas vezes os heróis da Bíblia expressam sua indignidade. Foi
isso que aconteceu com Isaías, no texto bíblico de hoje. Ao ser dada
uma visão da magnitude e glória de Deus, ele confessou totalmente sua
fraqueza. Percebeu que não era nada. Tornou-se pobre de espírito.
Moisés partilhou o mesmo espírito. Sentiu-se profundamente in­
digno para realizar a tarefa que Deus colocou sobre ele. Estava total­
mente consciente de que não era a pessoa adequada. O mesmo pode
ser dito de Davi, Gideão e outros heróis do Antigo Testamento.
Encontramos a mesma verdade no Novo Testamento. Vem à men­
te o exemplo do apóstolo Pedro. A natureza de Pedro era a de um ho­
mem agressivo, arrogante, autoconfiante - um típico homem do mun­
do. Ele era qualquer coisa, menos pobre de espírito. Mas isso mudaria
totalmente na cruz e depois, quando ele teve um vislumbre mais com­
pleto de sua fraqueza e necessidade de Deus.
A nova vida de Pedro começou ao pé da cruz, quando ele se tor­
nou pobre de espírito. Assim é com cada um de nós.
Não é acidentalmente que Jesus começa o debate dos princípios do
Seu reino com a pobreza de espírito. È esse senso de nossa impotência
espiritual que nos força a olhar para Jesus em busca das bênçãos ines­
timáveis que Ele deseja conceder a cada um de nós.

Ano Bíblico: Gênesis 16-19. — Juvenis: Gênesis 11:1-9; 12:1-10.


Sábado O Caráter, do Cristão
6 de janeiro

Cidadãos do Reino
Naqueles dias, apareceu João Batista pregando no deserto da Judeia e
dizia: Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos Céus. Mateus 3:1 e 2.
J esus começou Sua pregação exatamente com a mesma mensa­
gem de João (ver Mateus 4:17). O reino chegou com o início do minis­
tério de Jesus. E na primeira bem-aventurança, os pobres de espírito são
chamados abençoados porque “deles é o reino dos Céus” (Mat. 5:3).
Note que na primeira bem-aventurança, a bênção é uma realidade
presente. Essa mesma verdade é repetida no verso 10, enquanto mui­
tas das bênçãos interpostas são declaradas no tempo futuro.
O que isso significa? O reino não virá na segunda vinda de Jesus?
A resposta é tanto sim como não.
O Novo Testamento tem dois pontos de vista do reino dos Céus.
O reino chegou com o ministério público de Jesus, mas não será esta­
belecido em sua plenitude até que Jesus volte nas nuvens do céu. O
primeiro desses aspectos do reino pode ser considerado como o reino
da graça, enquanto o segundo pode ser visto como o reino da glória.
Dessa forma, os crentes já são cidadãos do reino de Deus, e já têm
a vida eterna (João 5:24; 6:47). A posse é algo atual.
Como isso aconteceu? Como nos tornamos cidadãos do reino? El­
len White apresenta a resposta de maneira precisa: “Todos os que têm
a intuição de sua profunda pobreza de alma”, escreve ela, “e vêem que
em si mesmos nada possuem de bom, encontrarão justiça e força
olhando para Jesus. ... Ele vos ordena que troqueis a vossa pobreza pe­
las riquezas de Sua graça.... Qualquer que tenha sido vossa vida passa­
da, por mais desanimadoras que sejam vossas circunstâncias presentes,
se fordes a Jesus exatamente como sois, fracos, incapazes e em desespe­
ro, nosso compassivo Salvador irá grande distância ao vosso encontro,
e em torno de vós lançará os braços de amor e as vestes de Sua justiça.
Ele nos apresenta ao Pai, trajados nas vestes brancas de Seu próprio ca­
ráter.” - O Maior Discurso de Cristo, págs. 8 e 9.
Louve a Deus hoje, porque se você é humilde de espírito, já é um
membro do reino dos Céus. Louve a Deus hoje por Suas bênçãos infi­
nitas em Jesus.

Ano Bíblico: Gênesis 20-22. — Juvenis: Gênesis 13.


O Caráter do Cristão Domingo
7 de janeiro

Bem-aventurado ou Feliz?
Felizes são vocês, os pobres, porque o Reino de Deus é de vocês. Lucas
6:20, BLH.
(Zmda uma das bem-aventuranças de Jesus, em Mateus e Lucas,
começam com a palavra grega makarios. Essa palavra pode ser traduzi­
da de várias maneiras, incluindo “Bem-aventurados” (ARA, ARC,
NVI) e “felizes” (BLH, BV).
Existe a idéia de que crentes em Jesus são felizes e têm direito à fe­
licidade. Afinal de contas, conforme notamos ontem, eles já são mem­
bros do reino de Deus.
Mas no conjunto, “felizes” é uma tradução inadequada para maka­
rios, porque a maioria de nós vê a felicidade como um estado subjetivo.
Isto é, felicidade é como nos sentimos. Sentimo-nos tristes ou felizes.
Mas a vida do cristão não é baseada em um sentimento subjetivo.
Certa vez um rapaz veio até o meu escritório, totalmente frustrado por­
que não se sentia feliz. Esses sentimentos o haviam levado a um pro­
fundo desânimo espiritual. Afinal, Jesus não disse repetidas vezes que
se ele era um cristão, seria feliz? Portanto, sendo que ele não estava fe­
liz, não devia ser um cristão. Algo devia estar errado em sua vida, mas
ele não conseguia imaginar o que era. Como uma pessoa sincera, ele
estivera vivendo no abismo do desespero.
Expliquei a meu amigo estudante que ele havia entendido tudo er­
rado. Nossa aceitação de Deus não está baseada em sentimentos sub­
jetivos de felicidade ou tristeza, mas no fato objetivo de que Jesus mor­
reu pelos nossos pecados e que todos os que aceitam o Seu sacrifício
pela fé, já foram perdoados e adotados na família do concerto, e se tor­
naram cidadãos do reino.
Em outras palavras, ele era bem-aventurado não importava como
se sentia. As boas novas são que nossa salvação é um fato consumado.
Assim, embora eu possa não me sentir feliz por ser “perseguido por
causa da justiça” (Mat. 5:10), posso ainda ter paz porque tenho sido
abençoado por Jesus. Essa é a realidade. E enquanto existe a consciên­
cia de que posso ser feliz por causa dessa paz de coração, a bem-aven­
turança é mais do que felicidade. “Bem-aventurados”, disse Jesus, “os
pobres de espírito, porque deles é o reino dos Céus.”

Ano Bíblico: Gênesis 23-25. - Juvenis: Gênesis 14.


Segunda-feira O Caráter do Cristão
8 de janeiro

Jesus Novamente
Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados. Mateus 5:4.

semelhança da primeira bem-aventurança, esta contraria a


sabedoria e métodos do mundo. Os não cristãos “normais” consideram
tal declaração como absolutamente ridícula.
O lema do mundo não é “Bem-aventurados ou felizes os que cho­
ram”, mas “Bem-aventurados e felizes são aqueles que estão livres da
necessidade de chorar”. O pranto é algo que o mundo procura evitar
com todas as suas forças. A filosofia do mundo é: “Esqueça seus proble­
mas”; “Faça o seu melhor para fugir de problemas”.
A vasta indústria do entretenimento tem como alvo ajudar as pessoas
a evitar a necessidade de chorar, de gastar muito tempo pensando nos
problemas que enfrentamos como mundo em geral e como indivíduos.
A obsessão pelos prazeres é de muitas formas uma válvula de esca­
pe para graves aflições. A TV é, em grande escala, um narcótico visual
ou tranqüilizante. Ela apresenta uma programação relativamente fútil
como escape de uma vida diária relativamente sem significado. O mes­
mo pode se dizer de esportes organizados. Eles nos ajudam a desligar-
nos do mundo real e sintonizar-nos com um mundo que não é tão
ameaçador. O entretenimento em massa é com freqüência uma fuga da
vida real, e não a realidade. As pessoas desejam desesperadamente ser
felizes. Prover felicidade é a maior indústria da América do Norte.
Mas tal “sabedoria” não é a de Jesus. “Bem-aventurados [ou felizes]
os que choram.” Lucas, em sua passagem paralela da segunda bem-
aventurança, mostra Jesus tornando esse ponto mais claro: “Ai de vós,
os que agora rides! Porque haveis de lamentar e chorar.” Luc. 6:25.
Como em todas as bem-aventuranças, Jesus desafia as convenções
do mundo. Ele apresenta o ideal cristão como o oposto daquele do
mundo não convertido. A pessoa cristã é diferente do mundo no nível
mais profundo.
Ao mesmo tempo que os cristãos têm uma profunda alegria em sua
salvação, não são daqueles que buscam felicidade vazia e sem sentido.
Na verdade, de acordo com Jesus, o percurso do pranto é o único ca­
minho para a felicidade duradoura.
Senhor, ajuda-me a compreender melhor o que significa chorar
como Cristo chorou.

Ano Bíblico: Gênesis 26 e 27. - Juvenis: Gênesis 15.


O Caráter do Cristão Terça-feira
9 de janeiro

O Negativo Antes do Positivo


Desventurado homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte!
Romanos 7:24.

expressão “choram”, em Mateus 5:4, é a palavra mais forte


para pranto na língua grega. É a palavra usada para prantear os mortos.
Como tal, é um ardente lamento por alguém amado. No Antigo Tes­
tamento grego é a palavra escolhida para expressar a dor de Jacó quan­
do acreditou que seu filho José estava morto (Gên. 37:34). Ela reflete
dor profunda. Por isso, William Barclay amplia a segunda bem-aven­
turança assim: “Bem-aventurado é o homem que chora como alguém
que chora pelos mortos.”
Contudo, apesar do choro pelos mortos reproduzir a intensidade
da experiência de Mateus 5:4, não reflete seu significado. A profunda
experiência da segunda bem-aventurança é reproduzida no texto bíbli­
co de hoje: “Desventurado homem que sou! Quem me livrará do cor­
po desta morte?” Rom. 7:24- Esse clamor nos diz algo sobre o significa­
do do choro. Reflete alguém tão aflito pela dor que ele ou ela chora em
agonia de espírito. Os cristãos conhecem a experiência de sentir-se to­
talmente sem esperança por causa de suas falhas.
“Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne”, clamou o
apóstolo Paulo, “não habita bem nenhum, pois o querer o bem está em
mim; não, porém, o efetuá-lo. Porque não faço o bem que prefiro, mas
o mal que não quero, esse faço.” Rom. 7:18 e 19.
Os cristãos choram por causa de seu profundo senso de indignida­
de. Não é por acaso que a primeira palavra de Jesus em Mateus é “ar­
rependei-vos”. Arrepender-me é reconhecer minha pecaminosidade e
renunciá-la. É lamentar que eu seja pecador e voltar-me para Deus em
busca de perdão.
Essa não é uma experiência superficial. É sincera e profunda. É co­
mo a tristeza que se sente quando alguém morre. Mas com o pranto
vem a esperança. Afinal, “se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel
e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça”.
I João 1:9.
Assim, o choro traz vitória. O negativo vem antes do positivo. Es­
tou convencido do pecado, de modo que posso experimentar a alegria
da salvação.

Ano Bíblico: Gênesis 28-30. - Juvenis: Gênesis 17:1-5; 18.


Quarta-feira O Caráter do Cristão
10 de janeiro

O Pranto na Cruz
Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras.
I Coríntios 15:3.
\ocê já feriu outra pessoa por causa de um descuido de sua parte?
Tenho um quadro em minha mente que sou incapaz de apagar.
Aconteceu numa tarde de primavera em Houston, Texas. Minha filha
Bonnie, de seis anos, sempre ficava muito feliz ao ver-me depois de mi­
nha longa ausência enquanto estava no trabalho.
Um dia, enquanto distraída e descuidadamente eu entrava com o
carro no caminho para a garagem, ela correu em volta da casa para re-
ceber-me com os braços abertos.
A próxima coisa que vi foi sua cabeça batendo no capô quando eu
atingi seu frágil corpo. O impacto a arremessou longe. Os próximos se­
gundos foram repletos de pensamentos rápidos. Teria o meu descuido
custado a vida dela? Teria eu causado algum dano físico irreparável?
Como eu podia ter sido tão tolo? Tão imprudente?
Felizmente, Bonnie saiu ilesa. Mas fiquei desolado e totalmente es­
gotado com a experiência. Auto-recriminações encheram minha men­
te. Fiquei num estado de profundo pesar por causa de minhas ações.
Meu descuido havia colocado em risco a vida de minha única filha.
Como cristãos, experimentamos um sentimento semelhante em
nosso relacionamento com Jesus. Nosso pecado, nossa rebelião, nossa
imprudência, colocaram Jesus na cruz do Calvário. Ele morreu por cau­
sa de nossos pecados. Não! Não! Não! E mais pessoal do que isso. Ele
morreu por causa dos meus pecados.
Quando olhamos para a cruz precisamos ter a percepção total do
que o pecado pode fazer. Ele tomou a vida mais amada da história e
despedaçou-a sobre uma cruz.
Uma das funções mais importantes da cruz é abrir nossos olhos pa­
ra a imensidão e horror do pecado. Quando vemos o que o pecado fez
a Cristo, não podemos evitar sentir profunda tristeza pelo nosso peca­
do. Por isso, nosso lamento não é apenas por nossos pecados pessoais,
mas também pelo que esses pecados fizeram a Jesus.
O cristianismo começa com a percepção do pecado. Mas não pára
aí. Afinal de contas, os que choram serão consolados. Deus toma as
coisas essencialmente ruins e salienta o que há de bom nelas.

Ano Bíblico: Gênesis 31-33. - Juvenis: Gênesis 19:1-28.


O Caráter do Cristão Quinta-feira
11 de janeiro

Jesus Também Chorou


Era desprezado e o mais rejeitado entre os homens; homem de dores que
sabe o que é padecer. Isaías 53:3.
Jesus nunca teve qualquer pecado próprio para lamentar, mas mes­
mo assim Ele lamentou o pecado e seus efeitos. No sepulcro de Lázaro, le­
mos que “Jesus chorou” (João 11:35). Novamente perto do fim de Sua
jornada terrena, lemos de Seus sentimentos pelos judeus: “Jerusalém, Je­
rusalém! Você mata os profetas e apedreja os mensageiros que Deus lhe
manda! Quantas vezes Eu quis abraçar todo o seu povo, assim como a ga­
linha ajunta seus pintinhos debaixo das suas asas, mas você não quis!
Agora a sua casa ficará completamente abandonada.” Mat. 23:37 e 38,
BLH. O verso seguinte continua a discutir a destruição de Jerusalém.
Alguns cristãos parecem imaginar que se estão bem com Deus, es­
tarão perpetuamente sorridentes e continuamente radiantes. Essa pers­
pectiva não é bíblica. De acordo com Jesus, a vida do cristão não é fei­
ta só de alegria e sorrisos.
Os cristãos não apenas choram porque seus pecados colocaram Je­
sus na cruz, mas eles, como seu Senhor, choram por um mundo perdi­
do e dilacerado pela violência.
Jesus chorou pelos pecados do mundo e da igreja, e assim devemos
fazer, como fizeram os profetas bíblicos. “Torrentes de água nascem dos
meus olhos”, lamentou o salmista, “porque os homens não guardam
Tua lei.” Sal. 119:136. Ezequiel ouviu o povo fiel de Deus ser descrito
como aqueles “que suspiram e gemem por causa de todas as abomina-
ções” que se cometiam em Jerusalém (Ezeq. 9:4). E Paulo escreveu de
sua tristeza pelos falsos mestres que causavam problemas nas igrejas de
seus dias. “Pois muitos andam entre nós, dos quais... vos digo, até cho­
rando, que são inimigos da cruz de Cristo.” Filip. 3:18.
Os cristãos choram. Eles lamentam tanto pela morte de um ser
amado quanto por seus pecados que crucificaram Jesus. E eles lamen­
tam por um mundo condenado por causa do pecado, que precisa do
amor e salvação de Deus.
Mas o paradoxo do evangelho é que esse choro é o caminho para
a alegria. Os que choram são consolados diariamente por Jesus; eles
acharão mais conforto ainda quando se encontrarem com o amado Se­
nhor nas nuvens do céu.

Ano Bíblico: Gênesis 34-36. — Juvenis: Gênesis 21:1-21; 22:1-19.


Sexta-feira O Caráter, do Cristão
12 de janeiro

Consolo Presente
Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai de
misericórdias e Deus de toda consolação! É Ele que nos conforta em toda
a nossa tribulação, para podermos consolar os que estiverem em qualquer
angústia, com a consolação com que nós mesmos somos contemplados por
Deus. II Coríntios 1:3 e 4.

O consolo vem de muitas formas. Criancinhas são freqüente-


mente consoladas com um brinquedo especial ou seu cobertor prefe­
rido. Pessoas mais velhas são consoladas pelas ternas lembranças de
lugares, pessoas ou eventos que têm significado especial para elas. E
pessoas de todas as idades parecem ser confortadas por um toque cari­
nhoso de alguém amado ou por palavras de bondade.
Os consolos humanos são bons, mas os confortos de Deus são me­
lhores. Alguns de seus confortos para nós estão no presente, enquanto
outros ainda estão no futuro.
Entre os confortos presentes disponíveis ao cristão estão o perdão
de Deus e a certeza da salvação.
Os que se entristecem por seus pecados e espontaneamente admitem
sua necessidade, são total e completamente perdoados por Deus. O perdão
de Deus é tanto imediato como gratuito. Não nos custa nada. Através de
Sua morte, Cristo o tomou acessível a todos os que nEle crêem.
Alguns anos atrás parei em uma mercearia na Virgínia. A manche­
te do jornal no balcão chamou minha atenção. “Marido Rasteja 1.500
Quilômetros Para Suplicar Perdão.” E assim, imaginei, que alguns pen­
sam de Deus.
Mas Deus não é assim. Ele não nos concede Seu perdão por inter­
médio da vida em um convento. Ele não sugere que nos ajoelhemos so­
bre grãos para orar ou façamos qualquer outro tipo de penitência.
Não, Ele nos ama. E por causa de Seu amor, Ele está mais do que
ansioso para nos perdoar. Tudo o que Ele pede de nós é que verdadei­
ramente nos arrependamos de nossos pecados e aceitemos o sacrifício
de Jesus. O resultado é instantâneo. Somos perdoados.
È aí que entra o choro. A tristeza pelo pecado nos conduz a Deus,
em busca de purificação. “Bem-aventurados os que choram, porque se­
rão consolados.” Mat. 5:4- E que maior conforto poderia existir do que
estar bem com Deus?

Ano Bíblico: Gênesis 37-39. — Juvenis: Gênesis 23.


O Caráter do Cristão Sábado
13 de janeiro

Consolo Futuro
Não queremos, porém, irmãos, que sejais ignorantes com respeito
aos que dormem, para não vos entristecerdes como os demais, que não têm
esperança. I Tessalonicenses 4:13.

T J em um anúncio no jornal: “Túmulo no mausoléo de um jar­


dim, construído de concreto reforçado, granito e bronze, à prova das
intempéries, provê paz de espírito que vem apenas de saber que os res­
tos preciosos de pessoas amadas estão protegidos dos elementos desfa­
voráveis da terra.”
Ah, é? Um túmulo seguro que provê paz de espírito quanto a nos­
sos queridos mortos? Não concordo. Quando li essa propaganda, o
comentário de Paulo sobre aqueles que não têm esperança além do
túmulo veio à minha mente. Não encontrei conforto ou esperança
na promessa do anúncio.
Mas isso não significa que não existe esperança para o cristão.
“Bem-aventurados os que choram”, diz a segunda hem-aventurança,
“porque serão consolados.” Note que enquanto a promessa da primei­
ra bem-aventurança está no presente, esta outra está no futuro. Os
crentes já têm o reino dos Céus, mas eles serão consolados.
Conforme percebemos no devocional de ontem, a promessa da se­
gunda bem-aventurança tem sido de alguma forma cumprida no sen­
tido de que os que choram pelos seus pecados são perdoados. Mas o
tempo futuro do verso sugere mais do que isso.
O verdadeiro consolo do cristão tem lugar na segunda vinda de Je­
sus - aquele evento descrito por Paulo como a “bendita esperança”
(Tito 2:13). A fim de alcançar os tessalonicenses desolados, o apósto­
lo escreveu: “Porquanto o Senhor mesmo, dada a Sua palavra de or­
dem, ouvida a voz do arcanjo, e ressoada a trombeta de Deus, descerá
dos céus, e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro; depois, nós, os
vivos, os que ficarmos, seremos arrebatados juntamente com eles, en­
tre nuvens, para o encontro do Senhor nos ares, e, assim, estaremos pa­
ra sempre com o Senhor.” I Tess. 4:16 e 17.
Bem, existe esperança; há abundância de conforto para os que
choram.

Ano Bíblico: Gênesis 40-42. - Juvenis: Gênesis 24.


Domingo O Caráter do Cristão
14 de janeiro

Mais Consolo Ainda


Eis que vos digo um mistério: nem todos dormiremos, mas transformados
seremos todos, num momento, num abrir e fechar d’olhos, ao ressoar a
última trombeta. A trombeta soará, os mortos ressuscitarão incorruptíveis,
e nós seremos transformados. I Coríntios 15:51 e 52.
O consolo futuro para os que choram é quase ilimitado. Graças
a Deus que esta vida não é tudo. Graças a Deus que a sepultura não é
o fim para os que crêem em Jesus.
Paulo coloca isso de forma precisa quando escreveu que “se a nos­
sa esperança em Cristo se limita apenas a esta vida, somos os mais in­
felizes de todos os homens”. I Cor. 15:19. A grande verdade é que Je­
sus obteve vitória sobre a morte e a sepultura - os pontos de apoio de
Satanás e seu reino de morte.
Essa vitória é o que dá sentido ao fato de Cristo ter ressuscitado Lá­
zaro, em João 11. Jesus tem poder sobre a morte. Ele demonstrou esse
poder quando tirou Seu amigo da sepultura.
Dwight L. Moody costumava dizer que Jesus fora cuidadoso ao
mencionar o nome de Lázaro antes das palavras “vem para fora”, por­
que se não o fizesse, todas as tumbas seriam abertas ao Seu comando.
Mas um dia acontecerá exatamente isso para todos os que aceitaram o
sacrifício de Jesus em seu favor.
A ressurreição de Lázaro, no entanto, foi apenas um marco impor­
tante no caminho para a vitória. Foi a ressurreição do próprio Jesus que
anunciou a vitória sobre a morte e pavimentou o caminho para a res­
surreição de todos os Seus seguidores.
A sepultura não pôde detê-Lo, e por isso ela não será capaz de nos
prender. A ressurreição dEle assegura a nossa. Paulo chama Jesus de “as
primícias dos que dormem. ... Assim como, em Adão, todos morrem,
assim também todos serão vivificados em Cristo”. I Cor. 15:20-22.
Parte do consolo glorioso do evangelho é que algum dia o “último
inimigo”, a morte, será completa e finalmente destruído (verso 26).

Ano Bíblico: Gênesis 43-45. — Juvenis: Gênesis 27.


O Caráter do Cristão Segunda-feira
15 de janeiro

Consolo Eterno
E Deus lhes enxugará dos olhos toda lágrima. Apocalipse 7:17.
-^Vqueles que amam a Jesus e os que sentem tristeza por seus pe­
cados, os pecados da igreja e do mundo, recebem consolo em vários ní­
veis. Há conforto presente no perdão dos pecados e adoção na família
de Deus. Há consolo futuro na segunda vinda e na ressurreição. E há
consolo eterno nas promessas que se encontram na Bíblia acerca do
Céu e da Nova Terra.
“Nós, porém, segundo a Sua promessa”, escreveu Pedro, “espera­
mos novos céus e nova terra, nos quais habita justiça.” II Ped. 3:13. Es­
sa experiência da Nova Terra é a suprema esperança e o supremo con­
solo para os que choram por causa do pecado e suas conseqüências nes­
ta época em que vivemos.
O consolo de todos os consolos será o estabelecimento do lar eter­
no dos santos na Terra renovada. O revelador nos dá um vislumbre do
conforto futuro dos seguidores de Jesus, quando escreveu que Deus
“enxugará dos olhos toda lágrima, e a morte já não existirá, já não ha­
verá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram”.
Apoc. 21:4-
“Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados.” Mat. 5:4.
Não sei como você se sente, mas tais promessas me fazem desejar
estar bem com Deus; me fazem desejar tornar o reino de Deus a prio­
ridade em minha mente e coração.
Deus não nos deixou à nossa mercê. E isso é bom, porque somos
indefesos, sem esperança e pobres de espírito. Perceber nossa verdadei­
ra condição nos leva a chorar por causa de nossos pecados e nosso
mundo pecaminoso. Mas chorar não é o fim. Esse é o lado negativo.
De uma natureza mais positiva será a fome e sede pelas coisas divinas.
Senhor, ajuda-me hoje a perceber mais completamente a desespe­
rança de meu mundo e minha vida sem Ti. Aguardo com todo o meu
coração Seu reino vindouro. Aguardo as alegrias do Céu e a Terra re­
novada. Ajuda-me neste dia a ter um contato mais íntimo contigo.
Amém.

Ano Bíblico: Gênesis 46 e 47. - Juvenis: Gênesis 28.


Terça-feira O Caráter do Cristão
16 de janeiro

O Homem "não Natural"


Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a Terra. Mateus 5:5.

semelhança das bem-aventuranças anteriores, esta é inteira­


mente oposta ao pensamento do que a Bíblia chama de “homem natu­
ral”. O mundo julga em termos de poder, auto-confiança, agressivida­
de, e conquista. Mas Jesus exaltou traços impopulares de caráter, tais
como humildade de espírito, pesar e agora mansidão.
Jesus é verdadeiramente o Revolucionário dos revolucionários. Ele
verdadeiramente inverteu o sistema de valores da cultura dominante.
A radicalidade dos ensinos de Cristo implica um estilo de vida to­
talmente diferente para Seus seguidores. Não é por acaso que Jesus Se
refere ao fato de alguém tomar-se cristão como sendo um novo nasci­
mento (João 3:3 e 5). Como Paulo coloca: “E, assim, se alguém está em
Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram
novas.” II Cor. 5:17.
O.çristãQ renasciçLq pertence a um.reino inteiramenre.diferente.do
da cultura em geral, e até mesmo, infelizmente, danultura.de muitas
igrejas. Como resultado, ele tem um novo conjunto de valores.
O ensino de Cristo na terceira bem-aventurança mais uma vez se
coloca contra a sabedoria aceitável de nosso mundo. De acordo com
Ele, não são os desordeiros, violentos, agressivos, ou egoístas que her­
darão a Terra. E sim, os mansos. São os que perceberam sua debilidade
(e por isso possuem humildade de espírito), os que choraram por suas
deficiências, e se comprometeram com o estilo de vida dos mansos,
que posteriormente acabarão herdando a Terra. Esse ensinamento não
pode ser obtido de lições de história ou da leitura do jornal diário.
As palavras da terceira bem-aventurança não devem ser lidas su-
perficiaímente. São palavras profundas, repletas de sabedoria. São pa­
lavras impossíveis de serem vividas por nós através de nossas próprias
forças. A medida que avançarmos nas Bem-aventuranças, teremos
uma maior compreensão de nossa necessidade do poder transformador
do Espírito Santo em nossa vida.
Hoje precisamos orar para que Deus não apenas nos conceda dis­
cernimento para percebermos o caminho de Jesus, mas que Ele nos dê
poder para caminharmos nele.

Ano Bíblico: Gênesis 48-50. - Juvenis: Gênesis 29:1-8; 31:2, 3, 17 e 18.


O Caráter do Cristão Quarta-feira
17 de janeiro

Mansidão não é Fraqueza


O amor é paciente, é benigno; o amor não arde em ciúmes, não se
ufana, não se ensoberbece, não se conduz inconvenientemente, não procura
os seus interesses, não se exaspera, não se ressente do mal; não se alegra com a
injustiça, mas regozija-se com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera,
tudo suporta. I Coríntios 13:4-7.

palavra grega traduzida como manso significa “gentil”, “pon­


derado” e “cortês”, e implica o exercício do domínio próprio que toma
essas qualidades possíveis. Por isso, a New English Bible está perfeita­
mente em harmonia com os pensamentos de Jesus, quando traduz Ma­
teus 5:5 como: “Bem-aventurados os de espírito gentil.” O significado
de mansidão engloba muitos dos traços característicos da magistral de­
finição do amor, que Paulo dá na leitura do texto bíblico de hoje.
A mansidão bíblica não deve ser confundida com indolência. Al­
guns que aparentam ser mansos podem ser simplesmente negligentes.
Nem deve ser confundida com fraqueza de personalidade ou caráter. Co­
mo veremos nas duas próximas leituras, os personagens que a Bíblia cha­
ma de mansos tiveram grande firmeza de caráter. A pessoa mansa pode
permanecer tão firme ao lado da verdade, que estaria disposta a morrer
por ela se fosse necessário. Os mártires foram mansos, mas não fracos. A
mansidão bíblica é compatível com grande força e autoridade.
A mansidão interior nos leva a uma visão do próprio eu. Quando
finalmente reconhecer que sou um pecador sem esperança e sentir
tristeza por isso, estarei pronto para a mansidão. Estarei preparado pa­
ra colocar todo o orgulho de lado.
Porque têm uma visão realística de si mesmos, os mansos não são
escravizados por atitudes defensivas ou de retaliação. Ellen White nos
ajuda nesse ponto quando escreve: “E o amor do próprio eu que destrói
a nossa paz. Enquanto o eu está bem vivo, estamos continuamente
prontos a preservá-lo de mortificação e insulto; mas, se estamos mor­
tos, e nossa vida escondida com Cristo em Deus, não levaremos a sé­
rio as desatenções e indiferenças.” Novamente ela menciona: “Muito
melhor nos é sofrer sob falsa acusação, do que nos infligirmos a nós
mesmos a tortura da desforra sobre os nossos inimigos.” - O Maior Dis­
curso de Cristo, págs. 17 e 18.
Uma das maiores necessidades de nosso mundo, igreja e famílias é
de mansidão.
Ano Bíblico: Êxodo 1-4. - Juvenis: Gênesis 32.
Quinta-feira O Caráter do Cristão
18 de janeiro

O Tratamento de Choque Continua


Não por força nem por poder, mas pelo Meu Espírito, diz o Senhor dos
Exércitos. Zacarias 4:6.

JDem-aventurados os mansos, porque herdarão a Terra.” Mat.


5:5. Essa declaração deve ter causado um grande choque para os judeus
dos dias de Jesus. Afinal de contas, eles estavam aguardando um Mes­
sias que os libertaria do poder de Roma através da força armada.
O Messias, eles acreditavam, seria como Davi, o rei guerreiro. Afi­
nal, os Salmos de Salomão (livro pseudoepígrafo escrito durante o pe­
ríodo entre o Antigo e o Novo Testamentos) não anunciavam que o
ungido Filho de Davi seria um rei que se levantaria dentre o povo pa­
ra libertar Israel de seus inimigos? Ele “aniquilaria todos os seus bens
com vara de ferro, para destruir as nações ímpias com a palavra de Sua
boca”. Salmos de Salomão 17:26 e 27.
A última coisa que os judeus do primeiro século desejavam era um
Messias manso. Eles queriam um líder que pudesse e desse a Roma o
que ela merecia. Jesus era o oposto do modelo que eles desejavam e
aguardavam.
Bem, é fácil para nós cristãos percebermos que os judeus estavam
errados. Mas não somos culpados de apresentar o mesmo tipo de pen­
samento às vezes? Também não temos a tendência de prestar honras
aos bem-sucedidos e glorificar as realizações dos “grandes” pregadores
e líderes da igreja, como se a batalha fosse ganha pelas palavras e es­
forços humanos? E não somos também tentados, como Davi, a confiar
em organização e números em busca de força? Boas como essas coisas
possam parecer, elas não são a fonte do sucesso do cristão.
Deus tem inúmeras maneiras de levar a cabo a comissão do evan­
gelho e introduzir a plenitude do reino, das quais nada sabemos. De vez
em quando precisamos reler a história de Gideão. No caso dele, Deus
continuou reduzindo os números em vez de acrescentar, antes de con­
ceder a vitória.
No reino de Cristo, é a mansidão que está na base do sucesso, e
não o poder humano. Precisamos nos lembrar de que a vitória, tanto
em nossa vida pessoal como na igreja em geral, não vem “por força,
nem por poder, mas pelo Espírito de Deus”.

Ano Bíblico: Êxodo 5-8. - Juvenis: Gênesis 33.


O Caráter do Cristão Sexta-feira
19 de janeiro

Mansos Apesar de Tudo


Era o varão Moisés mui manso, mais do que todos os homens que havia
sobre a terra. Números 12:3.

mansidão não veio naturalmente para Moisés. Ele havia sido


treinado como um príncipe egípcio, e indubitavelmente tinha uma ex­
celente auto-estima como jovem governante. Num momento de des-
cçntrole, matou um egípcio que ele vira maltratando um israelita
(Êxo. 2:12). Ele pensou que sabia como cuidar do povo de Deus e re­
solver as batalhas dEle.
Esse homicídio levou o jovem príncipe a fugir para o deserto a fim
de salvar sua vida. Foi lá que sua educação se tornou completa. Moisés
teve que desaprender muitas das lições que lhe foram ensinadas na eli­
te da Universidade do Egito. Foi naquele intervalo de 40 anos, longe
do poder, que ele aprendeu a mansidão como pastor de ovelhas.
Foi essa mansidão que o qualificou para se tornar o primeiro líder
da nova nação de Deus, Israel. Foi essa mansidão que fez de Moisés o
representante de Cristo para o povo de Deus (ver Deut. 18:18).
O novo Moisés estava longe de ser fraco ou vacilante, mas ele foi
manso. Em grande parte havia perdido seu orgulho e ira descontrola­
da, mas não foi fraco. Ao contrário, foi um líder poderoso e destemido
sob a orientação divina. Mas sua força, poder e autoridade foram ago­
ra temperados pela mansidão. Porque havia sido transformado, ele foi
escolhido para liderar o povo de Deus.
A Bíblia está repleta de heróis mansos. Tome como exemplo Davi
em seu relacionamento com Saul. Davi sabia que devia ser rei, no en­
tanto, como ele sofreu sob o tratamento injusto e cruel de Saul! Ele
exemplificou a mansidão num grau extraordinário.
E no Novo Testamento temos o exemplo de Paulo, que foi conver­
tido a Jesus enquanto estava numa missão para perseguir os cristãos.
Paulo também se educou no deserto, entre sua função como líder do
judaísmo e como líder do cristianismo. Ele se tornou um exemplo de
mansidão para com aqueles que o maltrataram, tanto dentro como fo­
ra da igreja. Na base de sua força estava a mansidão gentil que não fa­
zia parte do seu eu natural.
E há você e eu. Também precisamos ser transformados; também
precisamos aprender as lições de mansidão, para que possamos ser usa­
dos por Deus.
Ano Bíblico: Êxodo 9-11. - Juvenis: Gênesis 35:1-20, 27-29.
Sábado O Caráter do Cristão
20 de janeiro

A Mansidão Suprema
Tomai sobre vós o Meu jugo e aprendei de Mim, porque sou manso e
humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma. Mateus 11:29-
A_s vidas de Moisés, Davi e Paulo são úteis, mas é o exemplo de
Jesus que tem extrema importância para os cristãos. A vida de Cristo
foi o exemplo por excelência de mansidão. Vemos isso em todos os lu­
gares dos Evangelhos. Percebemos isso em Sua reação com as pessoas,
especialmente quando Ele sofreu perseguição, desprezo e escárnio.
“Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem”, Ele foi capaz de di­
zer aos que O crucificaram. Sendo Deus, Jesus tinha poder para vingar-
Se daqueles que zombavam dEle enquanto morria. Mas Ele preferiu
não fazê-lo. Ele preferiu morrer até mesmo por aqueles que estavam
maldosamente usando e abusando dEle.
Ao mesmo tempo que a mansidão de Jesus é vista em relação a ou­
tras pessoas, ela é até mais evidente em Sua submissão ao Pai. Contem-
ple-O no Getsêmani, onde Ele teve finalmente que ficar face a face
com a crise da cruz. Três vezes ele orou para permanecer submisso à
vontade de Seu Pai. Embora fosse um Homem destemido e de grande
firmeza de caráter, Jesus foi submisso a Deus. Sua mansidão estava evi­
dente em tudo que fazia e dizia.
Filipenses 2:5-8 é especialmente útil na compreensão da mansidão
de Jesus, quando Paulo nos diz para seguir o exemplo de “Cristo Jesus,
pois Ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o
ser igual a Deus; antes, a Si mesmo Se esvaziou, assumindo a forma de
servo, tornando-Se em semelhança de homens; e, reconhecido em fi­
gura humana, a Si mesmo Se humilhou, tornando-Se obediente até à
morte e morte de cruz”.
Esta passagem proporciona a cada um de nós um exemplo incrível
para seguirmos em nossa vida diária. Jesus era Deus, contudo consen­
tiu em viver a vida terrena, não como um rei que merecia respeito, mas
como Alguém que tinha a missão de servir os outros.
Isto, meus amigos, é a essência do cristianismo. Deus deseja liber­
tar-nos do orgulho e auto-suficiência, para que possamos nos tornar
Seus servos e servos de nossos semelhantes.

Ano Bíblico: Êxodo 12 e 13. - Juvenis: Gênesis 37.


O Caráter do Cristão Domingo
21 de janeiro

Uma Ordem Impossível


Não vos vingueis a vós mesmos, amados, ... porque está escrito: A Mim
Me pertence a vingança; Eu é que retribuirei, diz o Senhor. Pelo contrário,
se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber;
porque fazendo isto, amontoarás brasas vivas sobre a sua cabeça. Não te
deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem. Romanos 12:19-21.
CZomo seria o mundo se as pessoas levassem em consideração os
conselhos de Paulo sobre a vingança? Como seria se as pessoas esco­
lhessem viver pelos princípios da mansidão, em vez dos princípios do
orgulho e autodefesa?
A conclusão é óbvia. Não seria o nosso mundo. Seria o Céu. E sen­
do que nunca veremos o mundo nesse estado perfeito antes da segun­
da vinda de Jesus, cada um de nós pode começar a experimentar isto
aqui e agora. O ponto de partida sou eu.
Como cristãos, por muito tempo temos esperado que uma nova re­
forma comece em outro lugar. Muitos de nós estão esperando que a re­
forma comece na Associação Geral ou em alguma outra corporação
importante.
Esse modo de pensar está totalmente equivocado. A reforma bíbli­
ca não começa na Associação Geral, União, Associação local ou mes­
mo na igreja local. Começa com indivíduos que entregam o coração a
Deus e se dedicam a viver os princípios do reino de Deus em sua vida
diária, aqui e agora. A reforma começa comigo.
“Bem”, você deve estar pensando, “isto é impossível. Não posso
alimentar e cuidar de meus inimigos. Tal ordem está além de minhas
forças.”
Você está certo. Você não pode fazer isto. Mas Deus pode, se você
estiver disposto a permitir que Ele viva em sua vida, através do poder
do Espírito Santo.
Oh, como Ele deseja abençoá-lo hoje! Como Ele deseja libertá-lo
de seu “eu” natural e abençoá-lo com a mansidão de Cristo.
Querido Pai, hoje desejo que Tu entres em minha vida e faças por
mim o que não posso fazer por mim mesmo. Ajuda-me a não revidar
àqueles que me trataram mal. Dá-me força para partilhar Tua bondade
com eles. Dá-me a graça de vencer o mal com o bem.

Ano Bíblico: Êxodo 14 e 15. — Juvenis: Gênesis 39.


Segunda-feira O Caráter do Cristão
22 de janeiro

Herdeiros da Terra
Porque o Senhor Se agrada do Seu povo; Ele adornará os mansos com a
salvação. Salmo 149:4, ARC.
Al economia política terrena está baseada em segurança e poder.
Não está numa quantidade infinita de riquezas. Como resultado, ho­
mens e mulheres, em todos os lugares, lutam para obter sua parte - ou,
falando honestamente, mais do que a sua parte.
Os resultados da agressão e egoísmo humanos são vistos em todo
lugar. Nação luta contra nação no cenário internacional, enquanto in­
divíduos batalham por posição na escala corporativa.
Parece que a herança dos mansos não seria grande coisa. A recom­
pensa final de Jesus foi a cruz. E muitos dos Seus fiéis seguidores foram
perseguidos, aprisionados e levados à morte.
Os jornais diários parecem contradizer diretamente a sentença de
Jesus de que os mansos herdarão a Terra. O ponto de vista terreno pa­
rece estar posicionado a favor da lei darwinista da selva: a sobrevivên­
cia do mais apto.
Mas as realidades aparentes não são as únicas realidades. Nem são
as realidades definitivas.
A promessa da terceira bem-aventurança está no futuro. “Os man­
sos... herdarão a Terra”, no final de todas as coisas (Mat. 5:5).
Mas não será a Terra que conhecemos atualmente, com sua des­
truição, egoísmo e poluição. Será uma Terra restaurada à sua condição
edênica. Será uma Terra na qual não haverá mais tristezas, funerais ou
hospitais. Será um planeta que verdadeiramente valerá a pena.
Como Isaías diz:
“Então, se abrirão os olhos dos cegos, e se desimpedirão os ouvidos
dos surdos; os coxos saltarão como cervos, e a língua dos mudos canta­
rá; pois águas arrebentarão no deserto, e ribeiros, no ermo. A areia es-
braseada se transformará em lagos, e a terra sedenta, em mananciais de
águas.” Isa. 35:5-7.
Não apenas as características físicas da Terra serão diferentes, mas
também seus cidadãos. A mansidão será uma característica de todos.
Apenas os que têm como característica a mansidão herdarão a Terra.

Ano Bíblico: Êxodo 16 e 17. - Juvenis: Gênesis 40.


O Caráter do Cristão Terça-feira
23 de janeiro

Uma Profunda Experiência Cristã


Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão fartos.
Mateus 5:6.

ordem das Bem-aventuranças não é impensada ou acidental.


Longe disso. E uma seqüência bem planejada que representa “uma pro­
gressão na experiência cristã”. - O Maior Discurso de Cristo, pág. 13.
Um exame das primeiras quatro bem-aventuranças comprova esse
ponto. O ponto de partida da vida cristã é sentir nossa necessidade de
Jesus. Sem a consciência dessa necessidade, não há desejo de mudan­
ça ou preenchimento. Dessa forma, o primeiro passo no caminho de
uma pessoa cristã é ser humilde de espírito, para perceber a extrema
desesperança das pessoas e de si mesma.
O segundo passo é entristecer-se por causa de nossa inutilidade e
desesperança. Nesse ponto, começamos a reconhecer nosso estado la­
mentável, mas ainda não estamos certos quanto à solução.
Essa percepção nos conduz a uma visão humilde de nossa condi­
ção, à qual a Bíblia se refere como mansidão. Ficamos espantados com
a profundidade de nosso problema.
A quarta bem-aventurança representa o maior avanço em nossa
progressão da experiência. Ao passo que as primeiras duas bem-aven­
turanças exemplificaram o reconhecimento de nossa fraqueza humana
e pecado, e a terceira expressou nossa humildade à luz dessa fraqueza,
a quarta é o direcionamento ao aspecto positivo do cristianismo. È a fo­
me e sede de justiça e semelhança de Deus.
Por isso, a quarta bem-aventurança desvia o foco do problema pa­
ra a solução. Na lista das bem-aventuranças, a quarta cria uma ponte
que liga as três primeiras às quatro últimas.
Ao passo que as duas primeiras bem-aventuranças representam as
necessidades humanas que conduzem à salvação, as quatro últimas re­
sultam de um relacionamento salvador com Jesus e têm uma natureza
mais ativa do que as três primeiras. Ser misericordioso, puro de coração,
e assim por diante, são os frutos de ter encontrado justiça em Jesus.
Precisamos nos lembrar de que a vida cristã é equilibrada e aceita
integralmente a mensagem do evangelho com todas as suas partes. Je­
sus ensinou essa lição aos Seus seguidores no primeiro segmento de Seu
grande sermão.

Ano Bíblico: Êxodo 18-20. - Juvenis: Gênesis 41.


Quarta-feira O Caráter do Cristão
24 de janeiro

O Evangelho Desvendado
Escutem, os que têm sede: venham beber água! Venham, os que não têm
dinheiro: comprem comida e comam! Venham e comprem leite e vinho, que
tudo é de graça. Isaías 55:1.

quarta bem-aventurança é uma das promessas mais impor­


tantes da Bíblia. Os que têm fome e sede de justiça serão fartos. Essa é
uma promessa categórica. Ela não diz que eles “podem” ser fartos, mas
que “serão”. E a boa nova que permanece no ponto focal do Novo Tes­
tamento.
Justiça é uma palavra com muitos significados. Nesse contexto,
implica o clímax sublime de estar bem com Deus em relacionamento
e de ser como Ele em caráter.
Os seres humanos têm tristemente falhado nesses aspectos. Paulo
coloca isso de forma sucinta, quando menciona que “todos pecaram e
carecem da glória de Deus”. Rom. 3:23. O reconhecimento desse fato
em nossa experiência pessoal é o que significam humildade de espírito
e lamentação. Os que são guiados pelo Espírito têm um profundo sen­
so de indignidade acerca de sua impotência para fazer qualquer coisa.
E, no entanto, a última coisa que desejamos fazer é admitir aberta­
mente nossa pobreza espiritual. Desejamos ser dignos e justos aos nos­
sos próprios olhos. Esse desejo induziu os judeus dos dias de Jesus a se
gabarem das obras de justiça. Se tivessem se esforçado e se dedicado o
suficiente, eles creriam, e poderiam se tornar não apenas justos com
Deus, mas como Ele. A mesma linha de pensamento levou os monges
da Idade Média a um frenesi de atividades. A mesma noção equivoca­
da ainda existe atualmente. “Como podemos ser bons o suficiente?” A
resposta é que não conseguimos ser bons por nós mesmos.
Deus sabia disso. Por isso, Ele enviou Jesus para morrer em nosso
lugar. A justiça é uma dádiva gratuita para aqueles que reconhecem
sua desesperança (as duas primeiras bem-aventuranças) e a fome e se­
de dela (a quarta).
Ellen White é precisa quando escreve: “A justiça de Deus se acha
concretizada em Cristo. Recebemos a justiça recebendo-O a Ele. Não é
por meio de penosas lutas ou fatigante lida, nem de dádivas ou sacrifícios,
que alcançamos a justiça; ela é, porém, gratuitamente dada a toda alma
que dela tem fome e sede.” - O Maior Discurso de Cristo, pág. 18.

Ano Bíblico: Êxodo 21-23. - Juvenis: Gênesis 42.


O Caráter do Cristão Quinta-feira
25 de janeiro

Mais Sobre Justiça


Todos os Seus mandamentos são justiça. Salmo 119:172.
Tio Evangelho de Mateus, justiça representa mais do que estar
bem com Deus. Também implica ser como Deus em caráter. Portanto,
embora na quarta bem-aventurança a justiça seja principalmente algo
a ser recebido pela fé na graça de Deus, em vez de algo a ser alcança­
do pelos próprios esforços, esse aspecto não está totalmente ausente.
Afinal de contas, os justos devem ser misericordiosos (a quinta bem-
aventurança) e puros de coração (a sexta).
Em resumo, a justiça com a qual os que têm fome e sede devem es­
tar repletos é tanto ativa como passiva. Em outras palavras, a justiça
está relacionada com a santificação tanto quanto com a justificação.
O evangelho de Cristo não apenas me salva da penalidade do pe­
cado, mas também do poder reinante do pecado em minha vida diária.
Em vez de um disseminador de contendas, Deus deseja tornar-me um
pacificador. Em vez da concupiscência, Ele deseja impregnar-me com
pureza de coração. Em vez de egoísta e imperceptivelmente mesquinho
(e às vezes não tão imperceptivelmente), Ele deseja me transformar em
um cristão misericordioso. Em resumo, Deus deseja que cada um de
nós se torne como Ele em caráter.
Por isso, a palavra “justiça” na quarta bem-aventurança abrange as
duas partes das Bem-aventuranças. Jesus promete tanto nos perdoar de
nossos pecados e imperfeições como nos transformar à Sua imagem.
Mas essa transformação - isto deve ser constantemente enfatizado
- não é a transformação do nosso próprio eu. Ao contrário, é Deus nos
enchendo com Seu Santo Espírito, para que tenhamos condições de
viver a vida cristã.
Tanto a graça perdoadora de Deus como Sua graça habilitadora es­
tão refletidas na palavra “justiça”, da quarta bem-aventurança. Ambas
vêm através da fé no Deus que amou tanto o mundo, que deu Seu úni­
co Filho para salvar seres humanos inúteis e sem esperança.
Louvado seja Deus pelas boas novas!

Ano Bíblico: Êxodo 24-27. - Juvenis: Gênesis 43.


Sexta-feira O Caráter do Cristão
26 de janeiro

Uma Lição em Meio ao Desespero


Ó Deus, Tu és o meu Deus forte; eu Te busco ansiosamente; a minha
alma tem sede de Ti; meu corpo Te almeja, como terra árida, exausta, sem
água. Salmo 63:1.
ÍBem poucos de nós já enfrentaram fome e sede que ameaçassem
a vida. Pensamos em sede como ter que esperar uma hora num dia
quente para beber algo, e em fome como ficar sem comer duas refei­
ções. Esse não é o tipo de fome e sede das quais Jesus está falando em
Mateus 5:6. Ele está Se referindo à fome que não pode ser saciada com
uma refeição no meio da manhã, à sede desesperada de pessoas que
sentem que morrerão, a menos que bebam água.
E. M. Blaiklock conta a história de uma grande tropa de soldados
Aliados na Primeira Guerra Mundial. Enquanto perseguiam o inimigo
em retirada através do Deserto Árabe, eles deixaram para trás a tropa
de camelos que carregava a água. Quando as provisões de água acaba­
ram, a cabeça deles começou a doer, os lábios ficaram secos, e eles fi­
caram abatidos e desorientados. Começaram a ver miragens. Só pen­
savam em água, enquanto seus companheiros morriam no deserto.
Eles estavam literalmente lutando pela sobrevivência quando ex­
pulsaram as forças turcas de Sherish e de seus poços doadores de vida.
Enquanto a água era distribuída, foi exigido que milhares dos que
estavam em melhores condições ficassem de lado, enquanto os feridos
e outros recebiam sua porção. Passaram-se quatro horas até que o últi­
mo homem bebesse. No entanto, durante esse tempo, eles estiveram a
poucos metros de milhares de litros da mesma substância que fora sua
maior preocupação nos dias de marcha pelo deserto.
Relata-se que um dos oficiais salientou o seguinte: “Acredito que
todos aprendemos nossa primeira verdadeira lição bíblica na marcha
de Berseba aos Poços de Sherish. Se essa fosse a nossa sede por Deus,
por justiça, e por Sua vontade em nossa vida, se fosse um desejo arden­
te e prioritário, quão ricos no fruto do Espírito seríamos.”
Jesus disse: “Àquele, porém, que beber da água que Eu lhe der nun­
ca mais terá sede” (João 4:14) e “Eu sou o pão da vida; o que vem a
Mim jamais terá fome; e o que crê em Mim jamais terá sede”. João
6:35.

Ano Bíblico: Êxodo 28 e 29. - Juvenis: Gênesis 44.


O Caráter do Cristão Sábado
27 de janeiro

Uma Questão de Prioridades


Ali, desejava ele fartar-se das alfarrobas que os porcos comiam; mas
ninguém lhe dava nada. Então, caindo em si, disse: Quantos trabalhadores
de meu pai têm pão com fartura, e eu aqui morro de fome! Levantar-me-ei,
e irei ter com o meu pai. Lucas 15:16-18.
CsXuão ruins as coisas têm que se tornar? A que ponto elas têm
que chegar antes que eu reconheça minha necessidade? Quão miserá­
vel tenho que me tornar antes de voltar-me para as riquezas de meu Pai
celeste?
John Darby escreveu: “Sentir fome não é suficiente; preciso estar
realmente morrendo de fome para chegar a reconhecer o que está no
coração de Deus para mim. Quando o filho pródigo estava com fome,
ele foi se alimentar das alfarrobas, mas quando ele ficou morrendo de
fome, voltou-se para seu pai.” Essa é a fome à qual se refere a quarta
bem-aventurança.
Como pastor evangelista, eu freqüentemente recebia pessoas que
vinham a algumas de minhas reuniões ou estudos bíblicos e então de­
sistiam. Algumas dessas pessoas desejavam ser religiosas, mas não mui­
to. Tinham uma pequena fome das coisas de Deus, mas não um tipo de
fome insaciável. Muitas pessoas desejam escolher a dedo o que lhes
convém, para mordiscar as beiradas da religião. Sentem-se basicamen­
te felizes da maneira que são. Não reconhecem uma profunda necessi­
dade de humildade de espírito. Contudo, não caem em si, como fez o
filho pródigo.
Isso as priva da bênção que Deus tem para elas. Como Maria, a
mãe de Jesus, colocou: Ele “encheu de bens os famintos e despediu va­
zios os ricos”. Luc. 1:53.
Estamos lidando aqui com uma questão de prioridades. Cada um
de nós preenche a vida com alguma coisa todos os dias. Mas essa coi­
sa varia grandemente de pessoa para pessoa.
Precisamos perceber neste dia que apenas os que desesperadamen­
te, com todo o coração, têm fome e sede da justiça de Deus é que serão
fartos.
Hoje é o dia de colocar o estudo diário da Bíblia e a oração since­
ra no topo de sua lista de prioridades.

Ano Bíblico: Êxodo 30 e 31. — Juvenis: Gênesis 45.


Domingo O Caráter do Cristão
28 de janeiro

As Muitas Faces do Desejo


Quando ouviram a voz do Senhor Deus, que andava no jardim pela
viração do dia, esconderam-se da presença do Senhor Deus, o homem e sua
mulher, por entre as árvores do jardim. E chamou o Senhor Deus ao homem
e lhe perguntou: Onde estás? Ele respondeu: Ouvi a Tua voz no jardim, e,
porque estava nu, tive medo, e me escondi. Gênesis 3:8-10.

'1 odos os problemas no mundo atual resultam do fato de que a


humanidade não está bem com Deus. Todos os nossos anseios e frus-
trações se originam nesse conceito.
Ter fome e sede de justiça basicamente significa desejar estar livre
do pecado em todas as suas formas. Conseqüentemente, essa fome e se­
de é um desejo de estar bem com Deus.
D. Martyn Lloyd-Jones nos ajuda a entender a questão quando es­
creve: “O homem que tem fome e sede de justiça é aquele que vê que
o pecado e a rebelião o separam da presença de Deus, e anseia restau­
rar o antigo relacionamento, o relacionamento original de justiça na
presença de Deus. Nossos primeiros pais foram criados justos na pre­
sença de Deus. Eles habitaram e caminharam com Ele. Esse é o rela­
cionamento que tal homem deseja.”
Ter fome e sede de justiça também significa desejar estar livre do
poder do pecado em nossa vida diária, um poder que nos induz à sujei­
ção aos maus hábitos e a relacionamentos deficientes.
Mas ter fome e sede de justiça é mais do que isso. É o desejo de fi­
car livre do próprio desejo de pecar. Mesmo os cristãos devem lidar
com o horrível fato de que ainda desejam pecar, embora depois reco­
nheçam seu poder de destruição.
No fim das contas, ter fome e sede é o desejo de ficar livre do eu e
da centralização no eu com todas as suas variações. È o amor ao pró­
prio eu que torna, a nós e aos que estão à nossa volta, infelizes.
Senhor, ajuda-nos hoje a ter fome e sede dessas coisas que mais
precisamos, que verdadeiramente nos fartarão.

Ano Bíblico: Êxodo 32 e 33. - Juvenis: Gênesis 46.


O Caráter do Cristão Segunda-feira
29 de janeiro

Testes da Fome Espiritual


Com minha, alma suspiro de noite por Ti e, com o meu espírito dentro
de mim, eu Te procuro diligentemente. Isaías 26:9.
Os cristãos não devem ter dúvida quanto às suas prioridades.
Cada um de nós é capaz de comprovar na intimidade de nossos pensa­
mentos que sentimos fome e sede, o que buscamos com mais diligên­
cia, e o que tem mais valor para nós. Hoje faremos um pequeno exer­
cício de exame de consciência.
O teste de máxima importância é o do coração. Seguindo essa li­
nha, descobri uma declaração em Caminho a Cristo, especialmente pe­
netrante: “Se somos de Cristo, nossos pensamentos com Ele estarão, e
nEle se concentrarão as nossas mais doces meditações. Tudo que temos
e somos a Ele será consagrado. Almejaremos trazer a Sua imagem, pos­
suir Seu Espírito, cumprir Sua vontade e agradar-Lhe em todas as coi­
sas.” - Pág. 58.
Essa citação suscita um segundo teste de nossas prioridades - o de
fazer a vontade de Deus. Afinal, ações exteriores honestas são uma ex­
tensão dos valores do coração. Naturalmente, nem todas as pessoas
têm os pensamentos e vida coerentes. Balaão, o falso profeta, disse: “A
minha alma morra da morte dos justos, e seja o meu fim como o seu.”
Núm. 23:10. Mas ao mesmo tempo que Balaão desejava morrer a mor­
te dos justos, ele não queria viver a vida dos justos. Ele tinha fome e
sede das coisas erradas.
Isso nos leva a um terceiro teste. Se tenho verdadeiramente fome
e sede das coisas de Deus, não gastarei todo o meu tempo na escravi­
dão das coisas terrenas. Na verdade, estarei livre da dependência das
coisas terrenas que promovem minha própria satisfação.
Por último, se tivermos verdadeiramente fome e sede de Deus, es­
taremos livres dos falsos pontos de vista e atitudes direcionados ao pró­
prio eu. “A vista de nossa pecaminosidade impele-nos para Ele, que é
capaz de perdoar; e quando a alma, reconhecendo o seu desamparo,
anseia por Cristo, Ele Se revelará em poder. Quanto mais a sensação
de nossa necessidade nos impelir para Ele e para a Palavra de Deus,
tanto mais exaltada visão teremos de Seu caráter, e tanto mais plena­
mente refletiremos a Sua imagem.” - Caminho a Cristo, pág. 65.

Ano Bíblico: Êxodo 34-36. - Juvenis: Gênesis 47.


Terça-feira O Caráter do Cristão
30 de janeiro

Fartos mas não Saciados


Como suspira a corça pelas correntes das águas, por Ti, ó Deus, suspira a
minha alma. A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo. Salmo 42:1 e 2.
j^Vgua e comida são os mantimentos da vida. Sem elas, todas as
outras coisas perdem o significado. Afinal, o que importa ter um carro
novo ou uma casa se o proprietário está perecendo de fome ou sede?
E ainda há algo bastante singular sobre a comida e a água. Pode­
mos comer e beber até ficarmos fartos, mas no dia seguinte sempre pre­
cisamos de mais. Ficamos fartos, mas nunca saciados num sentido per­
manente.
O mesmo é verdade em nossa experiência com Deus. Podemos es­
tar cheios, mas sempre desejamos mais. E assim será através dos sécu­
los sem-fim da eternidade. Sempre desejaremos mais do Seu amor e
companheirismo, e sempre desejaremos nos tornar mais semelhantes a
Ele. Uma das alegrias do Universo é que podemos estar fartos sem es­
tar permanentemente saciados. O Céu já começou para os cristãos no
sentido de que a alegria da fartura de Deus já começou em nossa vida.
Ao mesmo tempo que é verdade que os filhos de Deus sempre te­
rão fome de Sua amabilidade, também é importante reconhecer a im­
portância de Sua abundância no presente. Quando lemos que os que
têm fome e sede de justiça “serão fartos”, estamos lendo o evangelho
na íntegra.
A fartura é tanto uma promessa presente como futura. É Deus
quem proporciona a abundância para aqueles que O desejam. Aqui es­
tá o evangelho da graça. A abundância é um dom gratuito de Deus pa­
ra todo aquele que vem a Ele. “O que vem a Mim”, disse Jesus, “de mo­
do nenhum o lançarei fora.” João 6:37. Essa é uma promessa absoluta.
Todos os que têm fome e sede de justiça serão fartos.
Hoje eles serão fartos com a justiça perdoadora de Deus, enquan­
to são resgatados da penalidade do pecado. Diariamente eles serão far­
tos com a justiça santificadora de Deus, enquanto lhes é concedida a
vitória sobre o poder do pecado em sua vida. E na segunda vinda serão
fartos com a justiça glorificadora, enquanto são resgatados da presença
do pecado.

Ano Bíblico: Êxodo 37 e 38. - Juvenis: Gênesis 48 e 49.


O Caráter do Cristão Quarta-feira
31 de janeiro

Desviando o Foco
Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia.
Mateus 5:7.
7^. quinta bem-aventurança nos apresenta um ponto crítico. As
quatro primeiras tratam de nossa relação com Deus. A quinta começa a
tratar de nosso relacionamento com outras pessoas. O mesmo é verdade
com respeito às últimas três. Assim, a maneira mais simples de dividir as
Bem-aventuranças é como a das tábuas dos Dez Mandamentos.
Há uma verdade profunda na base dessa disposição. O cristianismo
não é simplesmente uma questão de amar e ter afeição por Deus. Lon­
ge disso. Os dois Testamentos ilustram o cristianismo como amor tanto
a Deus como às outras pessoas. Não estamos tratando de “um ou outro”,
mas de “um e outro”.
Na verdade, para mim, é impossível amar a Deus sem amar os ou­
tros. De igual forma, se realmente refletirmos nisso, é impossível amar
genuinamente as outras pessoas, sem amar a Deus. O máximo que você
transmita de amor a um irmão ou irmã, desvinculado do amor divino,
é meramente uma forma mais sutil de egoísmo humano. Isto é, eu o
amo por causa do que você pode fazer por mim.
Nosso Senhor escolheu cuidadosamente a ordem das Bem-aventu­
ranças para representar a ordem de nossa salvação. Cada bem-aventu­
rança segue a seqüência lógica da anterior. Assim, quando percebo que
não tenho justiça em mim mesmo e sou verdadeiramente humilde de
espírito, reconheço minha extrema debilidade. Clamo por livramento,
e a percepção de meu verdadeiro estado me torna genuinamente man­
so em vez de altivo e imponente. Percebendo minha condição deses­
perada, naturalmente sinto fome e sede do perdão e da capacitadora
justiça de Deus.
Nesse ponto, o Deus de todas as misericórdias entra em cena e
aceita meu arrependimento, me declara perdoado, e implanta em mim
um novo coração. Sou redimido, salvo por Sua misericórdia para co­
migo. Essa é a promessa das quatro primeiras bem-aventuranças.
Mas como devo responder? Esse é o assunto da “segunda tábua” das
Bem-aventuranças. Serei misericordioso, puro de coração, pacificador
e paciente quando tratado injustamente. Em resumo, através do poder
de Deus me tomarei mais e mais semelhante a Jesus.

Ano Bíblico: Êxodo 39 e 40. — Juvenis: Gênesis 50.


Quinta-feira O Caráter do Cristão
1“ de fevereiro

Invertendo uma das Bem-aventuranças


O Filho do homem veio buscar e salvar o perdido. Lucas 19:10.

ma das coisas mais fáceis no mundo é entender as> coisas às


avessas. Isso é o que acontece especialmente com a quinta bem-aven­
turança. Muitos a lêem como se dissesse: “Se eu tiver misericórdia e
perdoar meus semelhantes, Deus terá misericórdia e me perdoará.” Em
outras palavras, se eu sou misericordioso para com os outros, então
Deus, e só então, terá misericórdia de mim.
O problema dessa interpretação é que ela contraria totalmente as
Escrituras. Deixa de considerar quão perdido realmente sou, e quão sem
esperança. Deixa de responder pela seriedade do problema do pecado.
A Bíblia retrata Deus como Aquele que, em Sua misericórdia,
sempre toma a iniciativa de estender a mão e ajudar os perdidos em sua
condição, mesmo antes de eles saberem que estão perdidos.
Assim sendo, é Deus quem busca Adão e Eva em sua nudez após a
queda. É Deus quem toma a iniciativa de buscar a ovelha perdida e a
moeda perdida conforme Lucas 15, e é o Pai que vai conversar com o
filho mais velho na história do filho pródigo, nesse mesmo capítulo.
Deus tanto amou o mundo que tomou a iniciativa de dar Seu Fi­
lho Unigênito, e esse Filho veio “para buscar e salvar” os que estavam
sob a sentença de morte.
Ellen White deixa isso bem claro quando escreve: “É o próprio
Deus a fonte de toda a misericórdia. Seu nome é ‘misericordioso e pie­
doso’. Êxodo 34:6. Ele não nos trata segundo os nossos merecimentos.
Não indaga se somos dignos de Seu amor, mas derrama sobre nós as ri­
quezas desse amor, a fim de fazer-nos dignos.” - O Maior Discurso de
Cristo, pág. 22.
Portanto, eu não sou misericordioso porque quero ser salvo. Não!
Como cristão, sou misericordioso porque já fui salvo. Fui resgatado do
abismo do pecado e da morte pelo Deus de toda a misericórdia.
Qual é o resultado? Tenho um desejo ardente de ser misericordio­
so em minha vida diária. Quero passar adiante o dom de Deus.

Ano Bíblico: Levítico 1-4. - Juvenis: Êxodo 1 e 2.


O Caráter do Cristão Sexta-feira
2 de fevereiro

O Significado de Misericórdia
Senhor, Senhor Deus compassivo, clemente e longânimo e grande em
misericórdia e fidelidade; que guarda a misericórdia em mil gerações, que
perdoa a iniquidade, a transgressão e o pecado, ainda que não inocente o
culpado. Êxodo 34:6 e 7-

E muito fácil confundir misericórdia com uma atitude compla­


cente. Mas a pessoa misericordiosa não é aquela que sorri diante da
transgressão e do pecado. Nosso texto de hoje retrata um cuidadoso
equilíbrio no caráter de Deus, entre a terna compaixão e a firmeza que
se recusa a tolerar a pecaminosidade rebelde. Estamos aqui lidando
com o Deus que é tanto amoroso quanto justo, o Deus que permanece
firme pelos princípios, e que todavia está disposto a demonstrar mise­
ricórdia para com aqueles que têm fome e sede de uma vida melhor.
“Eu”, diz Jesus, “repreendo e disciplino a quantos amo. Sê, pois, ze­
loso e arrepende-te.” Apoc. 3:19. Deus nos ama demais para nos dei­
xar levar uma vida destrutiva, que não só afeta nossa própria felicida­
de, como perturba a comunidade em geral.
Ele deseja o que há de melhor para nós. Ele nos considera o sufi­
ciente para nos repreender quando erramos. Mas essa repreensão faz
parte da Sua misericórdia. As pessoas que não se importam é que dei­
xam seus filhos agirem de maneira selvagem. As pessoas sem conside­
ração para com os outros é que deixam de advertir seus amigos acerca
das infelizes conseqüências de sua conduta.
Esse descaso não deve ser confundido com misericórdia. Miseri­
córdia significa fazer caso das pessoas, preocupar-se com o bem-estar
dos que nos rodeiam. Desse modo, em nossa misericórdia estendemos
a mão aos outros, demonstrando interesse cristão.
Em certo sentido, misericórdia é um estado mental, um estado de
interesse pelo bem-estar de outros; é uma atitude de consideração su­
ficiente para ser tanto amável como disposto a perdoar, mesmo que is­
so signifique ter de enfrentar problemas e atos errôneos com a disposi­
ção de Cristo.
Senhor, ajuda-me hoje a assimilar a atitude misericordiosa que re­
presenta a essência do caráter de Deus. Ajuda-me a mostrar em minha
vida um equilíbrio semelhante ao que revelas em Tua vida.

Ano Bíblico: Levítico 5-7. — Juvenis: Êxodo 3; 4:1-17 e 27-31.


Sábado O Caráter do Cristão
3 de fevereiro

Misericórdia é Mais do que uma Atitude


E quem der a beber, ainda que seja um copo de água fria, a um destes
pequeninos, por ser este Meu discípulo, em verdade vos digo que de modo
algum perderá o seu galardão. Mateus 10:42.
CZZonta-se a história de Jacob Bright, que certo dia ao voltar da
cidade para casa, encontrou no caminho um vizinho pobre em grande
dificuldade. Seu cavalo sofrerá um acidente e era preciso matá-lo. As
pessoas se aglomeravam em torno daquele homem, dizendo como la­
mentavam a situação. A alguém que ficava repetindo isso em voz alta,
Jacob disse: “Eu lamento um valor de 50 dólares. Quanto o senhor la­
menta?” Ele então passou o chapéu por todos os que ali estavam para
conseguir comprar outro cavalo para aquele homem.
Ser misericordioso é mais do que uma atitude. É uma ação. Mise­
ricórdia é amor em ação.
Mas antes do amor se tornar ação, é necessário olhar para os outros.
Nas palavras de William Barclay: “Misericórdia é o oposto de egocen­
trismo. ... E a antítese de egoísmo.”
Certo teólogo sugeriu que “a igreja é companheirismo entre pes­
soas ‘mortas para si mesmas’ e vivas para Cristo”. A misericórdia entra
em cena quando o amor ao eu é substituído pelo amor a Deus e aos se­
melhantes.
Misericórdia é uma atitude do coração que gera atitudes específi­
cas para com pessoas específicas. Assim, Ellen White pode verdadeira­
mente dizer que “palavras bondosas, olhares de simpatia, expressões de
apreciação, seriam para muitas almas lutadoras e solitárias como um
copo de água fria a uma alma sedenta. Uma palavra compassiva, um
ato de bondade, ergueríam fardos que pesam duramente sobre fatiga­
dos ombros. E toda palavra ou ato de abnegada bondade é uma expres­
são do amor de Cristo pela humanidade perdida”. - O Maior Discurso
de Cristo, pág. 23.
Por que deixar para depois? Por que não fazer nesta manhã uma
gentileza não esperada para seu esposo ou esposa? Que tal começar o
dia de trabalho com um ato de bondade para com o seu colega? Que
tal surpreender seu pai, ou seu filho ou filha? Hoje é o dia de demons­
trar a outros a misericórdia de Deus. Não ao meio-dia ou depois do tra­
balho, mas agora — e depois também.

Ano Bíblico: Levítico 8-10. - Juvenis: Êxodo 5.


O Caráter do Cristão Domingo
4 de fevereiro

Religião que Embrutece


Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque dais o dizimo da
hortelã, do endro e do cominho e tendes negligenciado os preceitos mais
importantes da lei: a justiça, a misericórdia e a fé; devíeis, porém, fazer
estas coisas, sem omitir aquelas! Guias cegos, que coais o mosquito e engolis o
camelo! Mateus 25:25 e 24.
T^em toda religião é piedosa. Nem toda religião é cristã. Nem
toda religião é prestativa. Para algumas pessoas, seria melhor não ter
religião, ou pelo menos, não o tipo de religião que têm.
Isso se aplica de modo particular àqueles cuja religião os torna
mais rudes. Alguém pode pensar nos reformadores de saúde que se in­
dispõem contra membros da família ou amigos que não são tão rigoro­
sos quanto eles. Ou nas pessoas que explodem quando seus “momen­
tos de meditação” sobre a vida de Cristo são interrompidos. Pode-se
ainda imaginar a cena do purista doutrinário que se torna menos amá­
vel quando alguém discorda dele num ponto de sua crença ou interpre­
tação bíblica.
Tais pessoas se embruteceram pela assim chamada religião. Elas es­
tão caminhando na direção errada. Estão se afastando de Jesus.
Não me entenda mal. Reforma de saúde, uma vida de fiel devoção
e doutrinas corretas são importantes.
“Por quê?”, pareço ouvir alguém perguntar.
Porque as pessoas doentes se tornam resmungonas e acham difícil
demonstrar misericórdia total aos demais. O verdadeiro propósito da re­
forma de saúde é preparar-nos para viver melhor uma vida de misericór­
dia. O mesmo pode ser dito acerca do estudo devocional. Aqueles que
andam com Jesus devem ser os que agem da maneira mais semelhante
a Ele. E a exatidão das doutrinas deve ajudar-nos a compreender me­
lhor o amor de Deus, para que o experimentemos ao máximo.
Mas quando qualquer dessas assim chamadas experiências religio­
sas em nosso estilo de vida nos endurecem tanto que nos tomamos me­
nos misericordiosos e mais rudes, perdemos de vista o que é cristianis­
mo - não parcialmente, mas totalmente.
A religião de Jesus nos tornará mais misericordiosos e não mais ru­
des. Se não tiver esse efeito, estamos conectados na experiência erra­
da - seja o que for que tenhamos, não é a religião de Jesus.

Ano Bíblico: Levítico 11 e 12. — Juvenis: Êxodo 7.


Segunda-feira O Caráter do Cristão
5 de fevereiro

Religião que Abranda


Nisto conhecerão todos que sois Meus discípulos: se tiverdes amor uns
aos outros. João 13:35.

isto conhecerão todos que sois Meus discípulos: se guardar­


des o sábado.” “Nisto conhecerão todos que sois Meus discípulos: se
devolverdes o dízimo.” “Nisto conhecerão todos que sois Meus discí­
pulos: se comerdes as coisas certas.”
Alguns anos atrás li João 13:35 desta maneira numa reunião de
consultoria de leigos da Associação, em Ohio. Imediatamente após
minha apresentação, fui confrontado por um zeloso novo converso.
Ele queria saber exatamente onde estava esse texto. Na Bíblia dele,
alegava, não estava escrito assim.
O que ele realmente queria, em sua agitação, era o texto básico
que prova quem é um adventista. Alguns seriam tentados a pensar que
seria absolutamente maravilhoso se tivéssemos um verso de Jesus rei­
vindicando que poderiamos identificar Seus verdadeiros seguidores,
sem qualquer sombra de dúvida, pelo simples averiguar se guardam o
sétimo dia, o sábado.
E Jesus poderia ter-nos dado tal texto. Mas não o fez.
Ele, porém, nos deu um modo, o único, de identificar Seus legíti­
mos seguidores. Eles verdadeiramente se preocuparão com sinceridade
uns pelos outros e amarão uns aos outros.
Nunca será demais afirmarmos que os verdadeiros cristãos de­
monstram amor — amor a Deus e uns aos outros.
O cristianismo fará de você uma pessoa mais bondosa. O cristia­
nismo fará com que você tenha mais consideração pelos outros. Ele
transformará sua vida.
É impossível que um cristão seja mesquinho e rude; seria uma eviden­
te contradição. Temos de ser uma coisa ou outra: cristãos ou levianos, cris­
tãos ou cruéis. Não podemos ser ambas as coisas. O cristianismo abranda
tanto nossas atitudes como nossas ações. Ele as orienta com amor.
Senhor, hoje oramos a Ti para que nos ajudes a amar e ser genuí­
nos. Ajuda-nos a interiorizar o grande princípio do Teu caráter, ajuda-
nos a ser mais semelhantes a Jesus. Além disso, mostra-nos alguém a
quem possamos expressar o Teu amor neste dia.

Ano Bíblico: Levítico 13 e 14. — Juvenis: Êxodo 8.


O Caráter do Cristão Terça-feira
6 de fevereiro

Misericórdia "Naquele" Dia


O Senhor conceda misericórdia à casa de Onesíforo, porque muitas ve­
zes ele me reanimou e não se envergonhou por eu estar preso; pelo contrário,
quando chegou a Roma procurou-me diligentemente até me encontrar. Con­
ceda-lhe o Senhor que, naquele dia, encontre misericórdia da parte do Se­
nhor! 11 Timóteo 1:16-18, NVI.

recompensa dos misericordiosos é que alcançarão misericór­


dia. A quinta bem-aventurança é a única em que a recompensa é a
mesma virtude. A bem-aventurança poderia simplesmente dizer que
eles alcançariam “maior misericórdia” ou “misericórdia em abundân­
cia”, uma vez que esses fiéis já estavam experimentando a misericórdia
de Deus. Afinal, foi em resposta à misericordiosa graça de Deus que
eles foram inspirados a ser misericordiosos.
A sua recompensa: mais misericórdia. Existe algo especialmente
lindo a respeito da seqüência desta promessa. Com Deus, a vida se tor­
na cada vez melhor e continuará assim pela eternidade. Que promessa!
A recompensa da misericórdia vem em duas etapas. Primeiro,
aqueles que são misericordiosos aqui na Terra, freqüentemente rece­
bem misericórdia de outras pessoas na vida diária. É geralmente verda­
de que somos mais bondosos para com os que são misericordiosos e co­
meteram um erro do que para com os que são cabeça-dura. Aqueles
que são cruéis têm maior probabilidade de receber crueldade de volta.
Mas nem sempre é assim. O triste fato é que pessoas bondosas são mui­
tas vezes tratadas mal aqui neste mundo.
E isso nos leva à segunda etapa da promessa de misericórdia. Essa
etapa terá lugar por ocasião da segunda vinda de Jesus. Todos os que
foram misericordiosos durante a vida, desfrutarão misericórdia sem-fim
“naquele dia”.
Naquela ocasião, todas as injustiças da Terra serão corrigidas. Os
misericordiosos alcançarão a misericórdia divina no mais amplo senti­
do da palavra.
Como cristãos, aguardamos ansiosos “aquele dia”, mais do que to­
dos os demais. E uma das grandes verdades da Bíblia é que a maneira
como vivemos agora determinará a maneira como viveremos então.

Ano Bíblico: Levítico 15 e 16. - Juvenis: Êxodo 9.


Quarta-feira O Caráter do Cristão
7 de fevereiro

O Lado Escuro das Bem-Aventuranças


Porque o juízo é sem misericórdia para com aquele que não usou de
misericórdia. A misericórdia triunfa sobre o juízo. Tiago 2:13.

em tudo é cor-de-rosa no tocante às bem-aventuranças. Elas


têm um lado escuro, assim como o evangelho tem um lado escuro pa­
ra aqueles que o rejeitam.
Deus pode apenas nos convidar à mesa do evangelho; Ele não po­
de nos forçar a participar. E embora Jesus convide cada pessoa para
aceitar Sua salvação, Ele não compelirá ninguém a aceitá-la.
Semelhantemente, Jesus apresentou as maravilhosas promessas das
bem-aventuranças, mas cabe a nós individualmente escolher aceitá-las
ou rejeitá-las. Para aqueles que aceitam, as promessas são claramente
definidas.
Para aqueles que recusam as boas novas e as bênçãos, o resultado
será de igual modo certo. Por exemplo: Aqueles que se recusam a ser
misericordiosos, freqüentemente deixam de alcançar misericórdia nes­
te mundo e certamente não a alcançarão no juízo final.
Esse último ponto não é simplesmente uma decisão arbitrária da
parte de Deus. Ele quer que todos em Seu reino eterno sejam felizes,
sintam-se bem ali. Mas se eu não assimilei as características de Deus,
não me sentirei à vontade no Seu reino eterno.
Deixe-me ilustrar. Lembro-me da primeira vez que almocei com
um pregador. O convite veio antecipadamente e eu me preocupei du­
rante toda a semana. Eu estava morando num navio na Baía de São
Francisco naquela época, e isso estava definitivamente em desarmonia
com os princípios dele.
Depois que me convertí, alguns anos mais tarde, cheguei à conclu­
são de que a pior coisa que poderia acontecer a uma pessoa não conver­
tida seria ela ter de passar a eternidade na presença do Deus de amor, que
conhece não só todos os nossos atos, mas até nossos pensamentos. Tal
existência seria pior do que o inferno. Seria preferível não existir.
As bênçãos das bem-aventuranças são para aqueles que interiori­
zam as características estabelecidas. Todos os outros ficarão do lado de
fora do reino.

Ano Bíblico: Levítico 17-19. — Juvenis: Êxodo 10 e 11.


O Caráter do Cristão Quinta-feira
8 de fevereiro

Todo Bom Sermão tem um Plano


Felizes os que têm o coração puro, pois eles verão a Deus. Mateus 5:8, BLH
Todo bom sermão realmente tem um plano. Isso é verdade a res­

peito do Sermão do Monte em geral, e às bem-aventuranças em parti­


cular.
Anteriormente mencionamos como cada uma das bem-aventuran­
ças conduz à seguinte. Assim, todos os que compreendem sua pobreza es­
piritual, choram por causa de suas faltas, e verdadeiramente chegam ao
ponto em que, com sinceridade, se sentem humildes e mansos.
Essa compreensão os levou a ter fome e sede de algo melhor - da
justiça de Deus como graça perdoadora, bem como graça transforma­
dora e fortalecedora.
Essa quarta bem-aventurança (ter fome e sede) estabelece o cen­
tro das bem-aventuranças. As três que a antecederam tratam da pessoa
em relação a Deus. As que se seguem tratam do relacionamento de ca­
da indivíduo com outras pessoas.
A recompensa dos que têm fome e sede é que eles serão fartos.
“Mas fartos de quê?” pode alguém perguntar. Da justiça que buscam!
Eles são perdoados e transformados em pessoas que possuem nova pers­
pectiva da vida.
Parte dessa fartura está explícita na “segunda parte” das bem-aven­
turanças. Eles se tomarão misericordiosos, puros e pacificadores. Que
bênção! Que transformação! Que dom precioso! Glórias a Deus, por
meio de quem todas as bênçãos nos advêm!
Há outra coisa importante a respeito do plano das bem-aventu­
ranças. A quinta, sexta e sétima bem-aventuranças correspondem à
primeira, segunda e terceira, tendo a quarta como o ponto central. É
como subir de um lado da montanha nas primeiras três, chegando ao
topo na quarta, e então descer do outro lado nas últimas três.
De igual modo, os puros de coração são aqueles que anteriormen­
te choraram por causa de sua impureza de coração. Em seqüência se­
melhante, os pacificadores são aqueles que se tornaram mansos.
A grande verdade é que Jesus não tem um plano só nas bem-aven­
turanças; Ele tem um plano definido para a minha vida.
Ajuda-me, Pai, a compreender o Teu plano.

Ano Bíblico: Levítico 20-22. - Juvenis: Êxodo 12.


Sexta-feira O Caráter do Cristão
9 de fevereiro

A Essência do Assunto
Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele
procedem as fontes da vida. Provérbios 4:23-
CsXuando Sir Walter Raleigh foi levado ao cepo de execução, seu
executor perguntou se sua cabeça estava na posição correta. Raleigh
respondeu: “Pouco importa, meu amigo, como está a cabeça, contanto
que o coração esteja bem.”
De maneira semelhante, quando vou ao médico para fazer uma ci­
rurgia na perna, a primeira coisa que o médico faz é examinar meu co­
ração. Afinal, se o coração não estiver bem, não há necessidade de
consertar a perna. Sem um coração sadio, a melhor perna do mundo
de nada me serve.
No campo físico, o coração é o centro da vida. E o pulsar daquele
músculo que espalha vida ao restante do corpo.
O mesmo acontece no campo espiritual. Daí a ênfase bíblica sobre
a importância de um coração reto para com Deus.
Jesus pronuncia Sua bênção sobre aqueles que são “puros de cora­
ção”. Isso significa que Ele não elogia aqueles que são intelectuais. Ele
não diz: “Bem-aventurados os que compreendem a doutrina correta­
mente, porque eles verão a Deus.” Seu destaque está no coração.
Mas, por favor, não me entenda mal. Doutrina correta é importan­
te, não é, porém, a essência do assunto. Você pode ter uma compreen­
são correta das doutrinas e ser mais mesquinho do que o diabo. Uma
pessoa pode ser “direita” no que se refere às doutrinas, e contudo ser
uma maldição para a igreja e um falso representante de seu Senhor.
Como acontece na vida física, o centro da existência cristã é o co­
ração. O coração que está bem, tanto com Deus como com outras pes­
soas, estabelece o cenário para a compreensão correta da doutrina e a
correta expressão da fé na vida diária da pessoa. Sem um coração espi­
ritual sadio, você está espiritualmente morto, não importa quão bem
você entenda teologia ou quanto da Bíblia conseguiu memorizar.
São os puros de coração que verão a Deus.
Senhor, ajuda-me hoje a estabelecer minhas prioridades correta­
mente. Ajuda-me hoje a entregar meu coração a Ti. Ajuda-me hoje a
começar a ver-Te melhor.

Ano Bíblico: Levítico 23-25. - Juvenis: Êxodo 13:17-22; 14.


O Caráter do Cristão Sábado
10 de fevereiro

O Centro de Controle
Ouvi e entendei: não é o que entra pela boca o que contamina
o homem, mas o que sai da boca... O que sai da boca vem do coração, e
é isso que contamina o homem. Porque do coração procedem maus desígnios,
homicídios, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos, blasfêmias.
Mateus 15:10-19.

o mundo da Palestina do primeiro século, pensava-se que o


coração era muito mais do que um órgão do corpo humano que bom­
beava sangue. A palavra grega kardia, é traduzida para o inglês como
“heart” e para o português como coração. E o que deu origem à pala­
vra cardíaco e outros termos semelhantes.
Do começo ao fim da Bíblia, kardia é o centro dos motivos e atitu­
des das pessoas, bem como o centro da personalidade. Inclui ainda a
mente e a vontade. Por isso, Jesus podia dizer: “Por que cogitais o mal
no vosso coração?” (Mat. 9:4), e o sábio podia afirmar que “como ima­
gina em sua alma [coração], assim ele é”. Prov. 23:7.
A Bíblia estabelece que o coração é o centro de controle da men­
te e da vontade, bem como das emoções. O coração é o manancial de
onde fluem todas as demais coisas na vida de uma pessoa.
amo resultado, é de suma importância que o coração seja puro.
Um coração impuro pode levar a uma vida impura; um coração puro,
porém, resulta em uma vida em harmonia com os princípios divinos.
O centro de controle é extremamente importante. “Bem-aventurados
os puros de coração.
Jesus transmitiu "Seus ensinos a respeito do coração num mundo
em que a espiritualidade das pessoas era julgada pelo seu exterior. A
maneira como lavavam as mãos, como se vestiam e com quem co­
miam, se tornaram pontos pelos quais eram julgados. A religião se tor­
nara exterior no entendimento dos judeus.
Não é muito diferente hoje. Inúmeros cristãos professos ainda ava­
liam outras pessoas pelas ações exteriores. E a sua vara de medir é com
freqüência a vara da tradição e da perspectiva humana usada pelos an­
tigos fariseus. E isso acontece até entre os adventistas do sétimo dia.
Os ensinos de Jesus colocam um fim a todas essas formas de avalia­
ção. Sua preocupação é o centro de controle. Se as coisas estiverem cer­
tas no centro, elas também estarão certas na periferia da minha vida.

Ano Bíblico: Levítico 26 e 27. - Juvenis: Êxodo 15.


Domingo O Caráter do Cristão
11 de fevereiro

Pureza é Importante
Nela, nunca jamais penetrará coisa alguma contaminada, nem o que
pratica abominação e mentira, mas somente os inscritos no livro da vida do
Cordeiro. Apocalipse 21:27.
O significado básico de puro é “sem impurezas, limpo, sem con­
taminação”. O termo grego é com freqüência usado para referir-se a
metais que foram refinados até que toda a impureza tenha sido remo­
vida, restando só o metal puro.
Assim, nesse sentido, pureza significa sem mistura, não adulterado,
genuíno. Quando esse pensamento é aplicado ao coração, pensamos
em motivos puros, ou, melhor ainda, em sinceridade, devoção indivi­
dual, uma pessoa que é totalmente dedicada a Deus, de acordo com os
Seus princípios.
O oposto de pureza no campo espiritual é ser inconstante. A pes­
soa inconstante procura seguir ao Senhor e ao mundo ao mesmo tem­
po. O coração impuro é um coração dividido. E um coração que busca
alcançar dois alvos incompatíveis ao mesmo tempo.
Jesus disse que isso é impossível. “Ninguém pode servir a dois se­
nhores; porque ou há de aborrecer-se de um e amar ao outro, ou se de­
votará a um e desprezará ao outro.” Mat. 6:24- Tiago enfatiza a mesma
coisa quando escreve que “ser amigo do mundo é ser inimigo de Deus.
Quem quiser ser amigo do mundo se toma inimigo de Deus”. Tiago
4:4, BLH.
Deus deseja que dominemos nossos atos. Quer que decidamos
quem é na verdade o Deus de nossa vida - as coisas da Terra ou o Se­
nhor Jesus. Essas duas áreas representam dois reinos estabelecidos so­
bre duas diferentes séries de princípios.
Quando Jesus nos diz que Seus seguidores devem ser puros de co­
ração, Ele quer dizer mais do que meramente limpeza das coisas exte­
riores que contaminam nossa vida. Ele quer dizer também que precisa­
mos compreender que vivemos em um campo de batalha espiritual, e
que é necessário que escolhamos com cuidado a quem nos sujeitamos.
Ser puro de coração é entregar totalmente nossa vida, mente e vonta­
de a Deus e aos Seus princípios. Tais pessoas terão seus nomes escritos
no livro da vida e verão a Deus.

Ano Bíblico: Números 1-3. - Juvenis: Êxodo 16.


O Caráter do Cristão Segunda-feira
12 de fevereiro

Vendo Deus Aqui e Agora


Ninguém jamais viu a Deus. I João 4:12.
Homem nenhum verá a Minha face e viverá. Êxodo 33:20.
Felizes os que têm o coração puro, pois eles verão a Deus. Mateus 5:8,
BLH.
O que a Bíblia quer dizer quando afirma que os puros de cora­
ção verão a Deus? E essa uma experiência presente ou algo que terá lu­
gar no futuro? A resposta inclui as duas coisas.
Moisés é um bom exemplo dessa questão. Depois da trágica expe­
riência do bezerro de ouro, e pouco antes de Deus dar a Moisés os Dez
Mandamentos pela segunda vez, o profeta pediu para ver a glória de
Deus. Em Sua bondade, Deus colocou Moisés na fenda de uma rocha
e prometeu deixá-lo ver Suas costas: “Tu Me verás pelas costas; mas a
Minha face não se verá.” Exo. 33:23.
Assim acontece conosco. Embora vá chegar a ocasião em que “ha­
veremos de vê-Lo como Ele é” (I João 3:2), atualmente, por assim di­
zer, só O vemos pelas costas - nós O vemos parcialmente.
Mas esse vislumbre parcial é uma realidade presente. Afinal, Jesus
disse que aquele que O vê, vê o Pai (João 14:9). Jesus veio para reve­
lar o Pai ao mundo. Como resultado, quando estudamos a história do
evangelho, captamos o melhor vislumbre do Pai que está disponível
agora. Logicamente, aquilo que é verdade a respeito dos quatro Evan­
gelhos, é também verdade acerca do restante da Bíblia em menor sen­
tido. Todas as Escrituras são apenas um reflexo parcial de Deus.
Os cristãos não só captam vislumbres de Deus na Bíblia, mas, atra­
vés dos compreensíveis olhos da fé, podem perceber o toque de Deus
na natureza, nos eventos da História e na maneira como Ele os trata
diariamente. Conquanto apreciemos os vislumbres de Deus, aguarda­
mos com ansiosa antecipação aquele dia em que O veremos face a fa­
ce na Terra renovada. Os vislumbres de Sua glória e amor, que nos são
permitidos agora, nos dão apenas uma pálida noção do que virá para
aqueles que com toda sinceridade dedicaram a vida a Deus.

Ano Bíblico: Números 4-6. — Juvenis: Êxodo 17.


Terça-feira O Caráter do Cristão
13 de fevereiro

Vendo a Deus Então e no Além


Amados, agora, somos filhos de Deus, e ainda não se manifestou o que
haveremos de ser. Sabemos que, quando Ele Se manifestar, seremos semelhantes
a Ele, porque haveremos de vê-Lo como Ele é. E a si mesmo se purifica todo o
que nEle tem esta esperança, assim como Ele é puro. IJoão 3:2 e 3.
'Ontem observamos que no mundo atual podemos captar vis­
lumbres de Deus de vez em quando, mas que nunca O vemos na ple­
nitude prometida aos puros de coração. Isso mudará. Como Paulo des­
creve: “Agora, vemos como em espelho, obscuramente; então, vere­
mos face a face. Agora, conheço em parte; então, conhecerei como
também sou conhecido.” 1 Cor. 13:12.
Nesta vida, vemos apenas o início do cumprimento da promessa de
Deus aos puros de coração.
Pense por um momento sobre o que significará permanecer na pre­
sença do Rei do Universo. Você e eu estamos sendo preparados para
entrar na presença absoluta do Rei dos reis e Senhor dos senhores. A
compreensão dessa idéia revolucionará nossa vida.
Agora O vemos como que através de um vidro escuro, mas então
O veremos face a face. Pense nisso. Medite sobre isso. Leia a respeito
do trono de Deus em passagens como Apocalipse 4 e 5, e Ezequiel 1.
Depois leia alguns dos grandes cânticos de louvor em Apocalipse.
“Vi”, registra João em Apocalipse 5:11-14, “e ouvi uma voz de muitos
anjos..., cujo número era de milhões de milhões e milhares de milha­
res, proclamando em grande voz: Digno é o Cordeiro, que foi morto,
de receber o poder, e riqueza, e sabedoria, e força, e honra, e glória, e
louvor. Então ouvi que toda criatura que há no Céu e na Terra, ... es­
tava dizendo: Àquele que está sentado no trono e ao Cordeiro, seja o
louvor, e a honra, e a glória, e o domínio pelos séculos dos séculos. E
os quatro seres viventes respondiam: Amém; também os anciãos pros­
traram-se e adoraram.”
Um dia você estará diante desse trono! “Bem-aventurados os lim­
pos de coração, porque verão a Deus.” Mat. 5:8.

Ano Bíblico: Números 7 e 8. - Juvenis: Êxodo 18.


O Caráter do Cristão Quarta-feira
14 de fevereiro

Como Ser Puro?


Cria em mim, ó Deus, um coração puro e renova dentro em mim
um espirito inabalável. Salmo 51:10.
Se confessarmos os nossos pecados, Ele éfiel e justo para nos perdoar e
nos purificar de toda injustiça. I João 1:9.
CIZomo pode nosso coração se tomar puro? Homens e mulheres
têm lutado com esse assunto através de séculos. Alguns pensam que a
resposta está em isolar-se do mundo como os eremitas, monges, freiras,
ou em alguma outra forma de comunidade “pura”.
Um desses beatos foi Simeão Stylites (aproximadamente 390-459
d.C.). Depois de ter ficado enterrado até o pescoço durante vários me­
ses, Simeon decidiu que a maneira de se santificar seria sentando-se no
topo de um pilar de mais de 18 metros de altura, onde ficaria livre de
toda tentação. Durante 36 anos (até sua morte) “Santo” Simeão per­
maneceu em cima do seu pilar. Seu corpo não só “se encheu” de bi­
chos, mas ele também executava exercícios torturantes muito acima
do solo desértico. Uma vez, por exemplo, ele disse ter tocado os pés
com a testa mais de 1.244 vezes seguidas.
Outros atletas ascéticos encarceraram-se em celas tão pequenas
que não podiam ficar totalmente deitados, nem totalmente em pé.
Muitos deixaram de tomar banho e usaram vestes de couro, com os pê­
los roçando a pele. Conta-se que outros ainda sobreviviam comendo
grama, que cortavam com foices.
Tais homens e mulheres estavam desesperados para estar bem com
Deus. Procuraram a pureza de coração com todas as suas forças.
Infelizmente estavam seguindo o caminho errado. Não compreen­
deram o poder do pecado em sua vida. Jeremias identifica com precisão
a condição do ser humano, quando diz: “Pode, acaso, o etíope mudar a
sua pele ou o leopardo, as suas manchas? Então, poderieis fazer o bem,
estando acostumados a fazer o mal.” Jer. 13:23. A resposta é óbvia. De
nós e por nós mesmos, somos verdadeiramente um caso perdido. Não
importa o que façamos, ainda temos o mesmo coração impuro.
Os textos de hoje colocam a situação sob a perspectiva correta,
quando salientam que é Deus quem limpa nosso coração e o toma puro.
Muito obrigado, Senhor, por ajudar-nos em nossa grande necessi­
dade.

Ano Bíblico: Números 9-11. — Juvenis: Êxodo 19.


Quinta-feira O Caráter do Cristão
15 de fevereiro

Não Há Nada que Possamos Fazer?


Assim, pois, amados meus, como sempre obedecestes, ... desenvolvei a
vossa salvação com temor e tremor; porque Deus é quem efetua em vós tanto
o querer como o realizar, segundo a Sua boa vontade. Filipenses 2:12 e 13.
Falando com franqueza, nada há que possamos fazer para purificar
nosso coração. Esse é um trabalho de Deus. Ele é quem pode limpar, é
o grande purificador. E o Seu poder que nos dá um novo coração, novo
entendimento e uma nova perspectiva da vida. Tudo que podemos fa­
zer é aceitar a dádiva divina. Mas essa aceitação é importantíssima.
Deus não força a Sua salvação sobre ninguém.
Entretanto, uma vez que Deus nos transformou em novas criatu­
ras, com novos valores, existe algo que podemos fazer à medida que Ele
progressivamente procura purificar nossa vida. Podemos cooperar com
Ele. Como Paulo colocou tão bem no texto para a leitura de hoje, Deus
opera em nosso interior, através do poder do Espírito Santo, para de
maneira progressiva purificar nossa vida diária, a fim de que nossos
atos combinem com nosso novo coração. Nós “operamos” nossa salva­
ção através do poder dinâmico de Deus.
Algumas pessoas parecem ter a idéia de que todas as obras são er­
radas. Isso é verdade se estamos tentando nos tornar salvos. A Bíblia é
contra qualquer tentativa de obter a salvação - ela é dádiva de Deus.
Mas, uma vez que a pessoa é salva em Jesus, ela vai de maneira na­
tural e alegre desejar viver sua nova vida em harmonia com os princí­
pios de Deus. A pureza de coração levará a pessoa a desejar pureza em
tudo o que fizer.
Por isso, Paulo pôde falar da “fé que atua pelo amor”. Gál. 5:6. Ele
elogia “a operosidade da... fé, [e a] abnegação do... amor” dos tessalo-
nicenses. I Tess. 1:3. E parte da sua tarefa era chamar os gentios à “obe­
diência por fé”. Rom. 1:5; 16:26.
Talvez a ilustração mais clara de Paulo quanto à seqüência da sal­
vação, se encontra em Efésios 2:8-10: “Porque pela graça sois salvos,
mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus. ... Pois somos fei­
tura dEle, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de an­
temão preparou para que andássemos nelas.”
A pureza de coração leva naturalmente à pureza de vida.

Ano Bíblico: Números 12-14. - Juvenis: Êxodo 20.


O Caráter do Cristão Sexta-feira
16 de fevereiro

Novamente Surpreendidos
Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de
Deus. Mateus 5:9.
CZomo as outras bem-aventuranças, esta vai contra a maneira de
pensar dos judeus.
Desde seu primeiro capítulo, Mateus apresenta Jesus como o Mes­
sias e o Filho de Davi. Na mente dos judeus, os títulos dados às pessoas
tinham implicações políticas. Os dois títulos vêm juntos na imagem de
um rei terreno. Davi fora um ilustre guerreiro vencedor, e os judeus do
primeiro século esperavam que o seu Rei Messias seguisse o mesmo
programa. O Messias (ou Cristo) devia ser um libertador nacional.
Por exemplo, nos Salmos de Salomão (um livro judeu escrito no
período entre o Antigo e o Novo Testamentos), o ungido Filho de Da­
vi é um rei que se levantaria dentre o povo para libertar Israel dos seus
inimigos. Esse rei davidiano seria dotado de dons sobrenaturais. De
igual modo, em IV Esdras (um apocalipse do primeiro século d.C.) o
Messias reina sobre um reino messiânico temporário durante aproxi­
madamente 400 anos.
Houve três grandes períodos de escravidão na história de Israel: o
egípcio, o babilônico e agora o romano. Os primeiros dois encontra­
ram solução política, e o mesmo se esperava do terceiro.
Para os judeus do primeiro século, um Messias que nem sequer li­
bertasse politicamente a nação, dificilmente podia ser considerado um
Messias genuíno.
E à luz dessa expectativa que vemos a proclamação radical de Je­
sus de que os pacificadores seriam abençoados, em vez do Zelote que
cravava seu punhal no lado de um soldado romano.
Como de costume, Jesus inverteu as coisas. Seu reino é de uma or­
dem diferente dos reinos do mundo. E de uma ordem diferente daque­
la esperada pelos judeus.
Naturalmente, Jesus viera como vencedor. Ele viera para derrotar
as forças do mal. Viera para subjugar os princípios do reino de Satanás
e “salvar o Seu povo dos pecados deles”. Mat. 1:21.

Ano Bíblico: Números 15 e 16. — Juvenis: Êxodo 24.


Sábado O Caráter do Cristão
17 de fevereiro

Os Mansos Serão Pacificadores


Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; o governo está
sobre os Seus ombros; e o Seu nome será: Maravilhoso, Conselheiro, Deus
Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz. Isaías 9:6.

JDem-aventurados os pacificadores.” Essa bênção corresponde


a “Bem-aventurados os mansos”, na primeira parte das Bem-aventu­
ranças. Aqueles que são humildes e gentis serão também pacificadores.
Essas características indicam o radicalismo da explicação que Jesus
deu acerca do caráter cristão. Normalmente não somos mansos nem
pacificadores por natureza. Isso é evidente no mundo turbulento ao
nosso redor e nas famílias e lares conturbados. Estamos aqui tratando
dos princípios de um reino específico, em oposição aos princípios dos
reinos deste mundo. Todos os cidadãos desse novo reino hão de ter
uma nova natureza.
Não porque sejamos totalmente maus. Afinal, como Ellen White
coloca: “Existe em cada coração não somente poder intelectual, mas
espiritual - percepção do que é reto, anelo de bondade.” - Educação,
pág. 29. Esse desejo, porém, luta em nosso coração contra a tendência,
herdada de Adão, de escolher o mal.
Em vários sentidos, a vida seria bem mais simples se individual­
mente fôssemos todos bons ou todos maus. Da maneira como somos,
nossa vida é um quadro da controvérsia em escala microcósmica, pois
diariamente permanecemos em conflito entre os princípios do reino de
Cristo e os princípios do reino do mal.
Studdart Kennedy detectou a essência do problema quando men­
cionou que há um pouquinho de santo e algo de pecador em cada um
de nós; aquela parte de nós é do Céu e a outra parte da Terra. Kennedy
também escreveu bem, ao observar que cada pessoa é nada mais do que
um “grande começo”.
Esse é o centro do problema. Um grande começo não é o suficien­
te. Deus quer entrar em nossa vida e completar a obra. Parte dela será
tornar-nos pacificadores, para que sejamos mais e mais semelhantes ao
Príncipe da Paz.

Ano Bíblico: Números 17-19. — Juvenis: Êxodo 32.


O Caráter do Cristão Domingo
18 de fevereiro

A Razão do Conflito no Mundo


O cobiçoso levanta contendas, mas o que confia no Senhor prosperará.
Provérbios 28:25.
'CZada governo tem seu exército, sua polícia, juizes, tribunais e

sistema penal. A história do mundo é repleta de guerras e agressões, e


o noticiário diário constantemente nos apresenta relatos de crimes.
Por quê? Por que precisamos viver em um mundo de guerra e crime?
A resposta é simples - por causa do pecado. Por trás de todos os
problemas humanos, quer entre indivíduos ou entre nações, está a ca­
racterística pecaminosa da cobiça, ganância, egoísmo e egocentrismo.
Não podemos nem começar a entender os problemas de nosso
mundo senão quando conhecermos a doutrina bíblica do pecado. E o
pecado e seu sórdido resultado que tornam tão difícil manter a paz no
mundo. Foi o pecado que levou ao fracasso todos os importantes pla­
nos de paz que ocuparam as galerias da história diplomática.
Os problemas básicos de nosso mundo não são políticos, econômi­
cos ou sociais. Não! O verdadeiro problema é a atitude das nações e dos
indivíduos, de colocarem a vontade e os desejos pessoais acima de tudo.
Como resultado, se eu sou grande e forte o suficiente, levarei o que
quiser, imediatamente, pela força. E lógico que se eu não for forte o su­
ficiente para tanto, eu o farei quando você não estiver olhando.
Para a paz algum dia reger o mundo, serão necessários novos cora­
ções, e novas mentes e atitudes.
Conta-se a história de dois homens religiosos devotos que viveram
em paz isolada um com o outro por muitos anos em um esconderijo na
montanha. Certo dia, eles decidiram quebrar a monotonia, agindo co­
mo o restante do mundo.
Isso envolvia discussão. Para começar, um deles sugeriu que o ou­
tro pegasse uma pedra e colocasse entre os dois, alegando que ela era
somente sua. Disposto a concordar com seu amigo, o segundo disse:
“Esta pedra é minha.”
Demorando-se a refletir sobre os muitos anos de amizade, o outro
homem concluiu: “Bem, irmão, se ela é sua, conserve-a.” E assim ter­
minou a discussão.
Esse é o espírito pacificador tão necessário em nosso mundo cheio
de contendas.

Ano Bíblico: Números 20 e 21. — Juvenis: Êxodo 33.


Segunda-feira O Caráter do Cristão
19 de fevereiro

A Razão do Conflito na Igreja


Não façam nada por interesse pessoal ou por desejos tolos de receber elo­
gios; mas sejam humildes, e cada um considere os outros superiores a si mes­
mo. Filipenses 2:3, BLH.
^/Ãartinho Lutero gostava de contar a história de dois bodes que
se encontraram sobre uma ponte estreita e alta, construída por cima de
um profundo vale. “Eles não podiam voltar e não ousavam brigar. De­
pois de uma breve conversa, um deles se deitou e deixou o outro pas­
sar por cima dele, e assim nenhum dano ocorreu.”
“A moral da história”, comentava Lutero, “é fácil: Fique contente
se você for pisado a pés em favor da paz.” Lutero se apressou em acres­
centar que estava falando do orgulho e dignidade de uma pessoa, não
da consciência dela.
Tal atitude resolvería inúmeras dificuldades que enfrentamos, tan­
to no mundo como na igreja.
Mas por que temos tais problemas na igreja?, você poderia pergun­
tar. Não deixamos o mundo para nos unir à igreja?
A resposta, uma vez mais, é simples - por causa do pecado! Mas os
cristãos não desistiram do pecado para seguir a Cristo? Sim, os cristãos
desistiram, mas ser um membro de igreja não é o mesmo que ser um
cristão. E ser um cristão não quer dizer que o eu não apareça furtiva­
mente de vez em quando, e cheio de orgulho exija que a sua vontade
seja feita na igreja e no lar cristão.
Seria maravilhoso se todo membro de igreja alcançasse plena e
perfeita santidade no momento em que assinasse o livro da mesma.
Mas esse não é o caso. Não só há alguns membros não convertidos,
mas até os verdadeiros conversos têm de encarar a realidade de que a
santificação é obra de uma vida inteira.
Essa verdade, no entanto, não é razão para não se tomar humilde,
cheio de consideração e amável hoje mesmo. Deus quer tomá-lo hoje e fa­
zer de você um pacificador para Seu reino. Existe um gracejo que diz:
“Viver com os santos no Céu será felicidade e glória.
Mas viver com os santos na Terra é geralmente outra história.”
Deus chama você hoje para tornar a igreja um lugar diferente do
mundo. Ele o chama individualmente para tornar-se um pacificador à
semelhança de Jesus.

Ano Bíblico: Números 22-24. — Juvenis: Êxodo 34:1-14 e 21-35.


O Caráter do Cristão Terça-feira
20 de fevereiro

O Caminho Para a Paz Suprema


Não penseis que vim trazer paz à Terra; não vim trazer paz, mas
espada. Pois vim causar divisão entre o homem e seu pai; entre afilha e sua
mãe. ... Quem ama seu pai ou sua mãe mais do que a Mim não é digno de
Mim; quem ama seu filho ou sua filha mais do que a Mim não é digno de
Mim; quem não toma a sua cruz e vem após Mim não é digno de Mim.
Quem acha a sua vida perdê-la-á; quem, todavia, perde a vida por Minha
causa achá-la-á. Mateus 10:34-39.
U m dos grandes paradoxos da vida de Cristo é que mesmo sen­
do Ele o “Príncipe da Paz” (Isa. 9:6), o fato de aceitá-Lo traz uma es­
pada tão cortante que os conversos freqiientemente descobrem que
seus mais íntimos relacionamentos são rompidos.
Esse paradoxo está baseado no fato de que os princípios do reino
de Cristo são diametralmente opostos aos dos íeinos deste mundo.
Por isso, quando alguns membros de uma família ou comunidade
trabalham de acordo com uma série de princípios, enquanto os outros
de acordo com outra série, a hostilidade é o resultado inevitável. Jesus
argumenta que, em tais casos, a maior lealdade do cristão deve ser pres­
tada a Ele e Seus princípios, mesmo que essa posição cause problema.
Conquanto os cristãos freqiientemente desfrutem paz de espírito
nesta vida, para eles a plenitude da paz exterior não será alcançada se­
não na segunda vinda de Cristo. Até então os filhos de Deus são obri­
gados a existir nos reinos deste mundo, enquanto procuram viver de
acordo com os princípios do reino do Céu.
Sua dupla cidadania tem suas próprias ansiedades. Mas na força de
Jesus, os cristãos não desistem de seus princípios. Afinal, a bênção é
para os pacificadores, não para os que amam a paz.
O caminho para a paz suprema está em firmar-se nos princípios de
Deus. Se a pessoa ama a paz da maneira errada, ela pode causar proble­
mas em vez de paz. Tal pessoa, por exemplo, pode permitir que se de­
senvolva uma situação ameaçadora ou perigosa sem dizer coisa alguma.
William Barclay menciona que “a paz que a Bíblia diz ser abençoada
não provém da evasão das situações; vem de enfrentá-las, lidar com
elas e vencê-las”.

Ano Bíblico: Números 25-27. - Juvenis: Êxodo 35.


Quarta-feira O Caráter do Cristão
21 de fevereiro

Promover a Paz Requer Nova Atitude


Se alguém quer vir após Mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz
e siga-Me. Porquanto, quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; e quem
perder a vida por Minha causa achá-la-á. Mateus 16:24 e 25-
Promover a paz, como mencionamos poucos dias atrás, não é
uma atitude normal para o ser humano. A pessoa “normal” neste mun­
do se preocupa principalmente, e em primeiro lugar, com seu próprio
orgulho e privilégios.
Como as pessoas estão me tratando? Estou recebendo minha justa
porção? As pessoas demonstram o devido respeito por mim? Essas são
as perguntas mais importantes. Essas são também as perguntas que des-
troem a paz e geram contenda.
Como resposta a essa linha de pensamento, Jesus aponta para a cruz.
A maioria de nós jamais terá de suportar uma cruz de verdade, mas
todo cristão deve crucificar a natureza obstinada que, acima de tudo,
deseja colocar o eu em primeiro lugar e fazer a própria vontade.
Para compreender o que Jesus queria dizer no texto de hoje, preci­
samos nos lembrar de que pecado, em seu sentido mais básico, é colo­
car no centro de nossa vida o próprio eu e a própria vontade, em vez
de Deus e Sua vontade. Pecado é rebelião contra Deus por fazermos do
eu o controle e foco central.
É o princípio de vida centralizado no eu, tão natural ao ser huma­
no, que precisa morrer. Por isso, Dietrich Bonhoeffer falou ao coração
quando escreveu sobre o que significa ser cristão, dizendo: “Quando
Cristo chama alguém, Ele o convida a vir e morrer.”
Quando enfrento as reivindicações de Cristo face a face, ou preciso cru-
cificá-Lo ou deixar que Ele me crucifique. Não há meio-termo. Felizmente,
depois da cruz na vida da pessoa, vem o novo nascimento em Cristo.
O processo de tornar-se pacificador começa com essa crucifixão e
novo nascimento. Sem essa experiência, seremos meramente membros
de igreja teimosos, contenciosos ou egoístas - uma verdadeira catástro­
fe nos bancos da igreja. Passando por essa experiência, porém, nos tor­
namos servos do Deus Vivo e pessoas que amam seus semelhantes.
Com isso, estamos no caminho que nos leva a ser pacificadores.
Ajuda-nos hoje, querido Pai, a encontrarmos a cruz, que é o início
do processo que nos torna verdadeiros pacificadores cristãos.

Ano Bíblico: Números 28-30. - Juvenis: Êxodo 40.


O Caráter do Cristão Quinta-feira
22 de fevereiro

A Prática de Promover a Paz - I


Todo homem, pois, seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio
para se irar. Porque a ira do homem não produz a justiça de Deus. Tiago 1:19.

T« ideais é algo bom e maravilhoso, mas eles não valem nada a


menos que sejam acompanhados da prática.
Talvez uma das mais importantes habilidades do pacificador seja
saber como ficar quieto. Se as pessoas soubessem controlar a língua,
haveria bem menos discórdia no mundo.
A passagem bíblica para hoje sugere que devemos ser prontos pa­
ra ouvir, mas tardios para falar. Temo, porém, que muitos de nós seja­
mos ágeis para falar e lentos para ouvir.
Um mundo de tristeza e discórdia poderia ser evitado, se tão-so­
mente nos recusássemos a repetir as coisas, quando sabemos que elas
causarão dano. Uma função importante de promover a paz é permane­
cer silente, mesmo quando somos tremendamente tentados a passar
adiante essa ou aquela fofoquinha. O “homem natural” dentro de nós
é forte, mas por amor à paz, os cristãos controlam a língua. Lembre-se
de que nunca é bom dizer coisas pouco amáveis ou desagradáveis.
Tiago compara a língua a uma pequena fagulha que pode dar iní­
cio ao incêndio de uma grande floresta. Uma vez que as palavras saem
da nossa boca, não podem ser recolhidas. Elas passam de uma pessoa
para outra; geralmente com grande parte de exagero e distorção.
O temperamento está intimamente relacionado com o controle da
língua. Quando somos atacados, como é fácil perder a esportiva e dar
às pessoas o que achamos que elas merecem. Isso resulta em falta de paz
para elas e para nós.
Felizmente, a língua pode ser usada para promover a paz tanto co­
mo para fazer guerra, como podemos notar no seguinte texto:
“Uma palavra descuidada pode inflamar um conflito,
Uma palavra cruel pode arruinar uma vida;
Uma palavra áspera pode instilar ódio,
Uma palavra brutal pode ferir e matar;
Uma palavra bondosa pode suavizar o caminho,
Uma palavra alegre pode iluminar o dia;
Uma palavra oportuna pode reduzir a tensão,
Uma palavra amável pode curar e abençoar.”

Ano Bíblico: Números 31 e 32. — Juvenis: Números 9:15-23; 10:29-36.


Sexta-feira O Caráter, do Cristão
23 de fevereiro

A Prática de Promover a Paz - II


Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade,
benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio.
Contra estas coisas não há lei. Gálatas 5:22 e 23.
CZ-ontrolar meu temperamento e minha língua pode ser conside­
rado como promover a paz passivamente. Mas passividade não é tudo
na questão. Igualmente importante é promover a paz ativamente.
A oração de Francisco de Assis apresenta alguns dos aspectos ativos:
“Senhor, faze-me instrumento de Tua paz.
Onde houver ódio, que eu leve o amor;
Onde houver ofensa, que eu leve o perdão;
Onde houver discórdia, que eu leve a união;
Onde houver dúvida, que eu leve a fé;
Onde houver erro, que eu leve a verdade;
Onde houver desespero, que eu leve a esperança;
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria;
Onde houver trevas, que eu leve a luz.
Ó Mestre, faze que eu procure mais consolar, que ser consolado;
Compreender, que ser compreendido;
Amar, que ser amado.
Pois é dando que se recebe,
E perdoando que se é perdoado,
E é morrendo que se vive para a vida eterna.”
O processo de promover a paz é uma atividade que possui muitas
facetas. Para ser um pacificador é preciso avaliar cada situação à luz do
evangelho. Deve-se perguntar: Quais sãos as implicações disso? Afinal,
outros estão envolvidos além de mim. Que influência terão sobre eles
as minhas ações? Que influência terão elas sobre o nome de Cristo? Ou
sobre a igreja? Ou sobre a comunidade? Um pacificador anda de acor­
do com a luz da mensagem do evangelho.
O pacificador é também um evangelista. A pessoa pacificadora se
envolve em ajudar as pessoas a desenvolverem com Deus, através de
Jesus Cristo, um relacionamento que resulte em salvação. O pacifica­
dor é um ministro de reconciliação.
Ser pacificador é ser uma bênção ao mundo. Que nunca nos esqueça­
mos de que neste mundo ou somos parte da solução ou parte do problema.

Ano Bíblico: Números 33 e 34. - Juvenis: Números 11.


O Caráter do Cristão Sábado
24 de fevereiro

Filhos de Deus
Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus.
Filipenses 2:5.

recompensa dos pacificadores é que “serão chamados filhos


de Deus”. Mat. 5:9. Não é apenas um privilégio; é também uma res­
ponsabilidade. Ser filho de Deus significa ser semelhante a Ele. E co­
mum os filhos serem parecidos com os pais.
De modo semelhante, os cristãos são chamados a se assemelharem
a Deus. Devemos, como menciona o texto de hoje, ter o sentimento
[mente] de Cristo. E como era Cristo? Se continuarmos lendo a passa­
gem, veremos que Ele Se humilhou e Se tornou obediente até à mor­
te. Ele Se tornou para nós um servo.
Em outro lugar, nos é dito que “Deus amou ao mundo de tal ma­
neira que deu o Seu Filho unigênito, para que todo o que nEle crê não
pereça, mas tenha a vida eterna”. João 3:16.
Assim é que devemos ser. Devemos nos tornar servos, não só de
Deus, mas de nossos semelhantes. Devemos dar de nós mesmos co­
mo Cristo deu a nós. Devemos ser semelhantes a Deus porque somos
Seus filhos.
Os pacificadores não serão apenas semelhantes a Deus ao promo­
ver Sua paz. Eles experimentarão também a paz de Deus em sua vida
diária.
Lemos no livro O Maior Discurso de Cristo que “não há outra base
de paz” (pág. 27), senão estar em paz com Deus na própria vida, renun­
ciando ao pecado e abrindo nosso coração ao amor de Cristo.
A passagem continua a afirmar que “a graça de Cristo, recebida no
coração, subjuga a inimizade; afasta a contenda, e enche o coração de
amor. Aquele que se acha em paz com Deus e seus semelhantes, não se
pode tornar infeliz. Em seu coração não se achará a inveja; ruins sus­
peitas aí não encontrarão guarida; o ódio não pode existir. O coração
que se encontra em harmonia com Deus partilha da paz do Céu, e di­
fundirá ao redor de si sua bendita influência. O espírito de paz repou­
sará qual orvalho sobre os corações desgostosos e turbados pelos con­
flitos mundanos”. - Págs. 27 e 28.
Essa é a bênção de ser um filho de Deus.

Ano Bíblico: Números 35 e 36. - Juvenis: Números 12.


Domingo O Caráter do Cristão
25 de fevereiro

A Última Bênção
Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, porque deles é o
reino dos Céus. Mateus 5:10.
CZ/om o verso 10, chegamos à última bem-aventurança. A pro­
messa dessa bem-aventurança é idêntica à da primeira - “deles é o rei­
no do Céu”. Mat. 5:3 e 10.
Assim, Jesus começou e terminou com a mesma promessa. A pro­
messa da primeira bem-aventurança e da última formam um pacote
verbal bastante abrangente, com Mateus 5:11 e 12 provendo um co­
mentário sobre o verso 10.
Nesse pacote, Jesus colocou alguns dos mais importantes conse­
lhos de Seu ministério. Nele, Ele descreveu a essência do caráter de ca­
da cristão.
O fato de que Jesus apoiou esse importante segmento de Seus en­
sinos com a menção do reino de Deus, é altamente significativo. O
centro, tanto da Sua mensagem (Mat. 4:17) como da mensagem de
João Batista (Mat. 3:2), era que o reino de Deus era chegado.
A importância do Sermão do Monte, é que ele apresenta os prin­
cípios do reino de Jesus no início do Seu ministério. E esses princípios,
como mencionamos repetidas vezes nestes dois últimos meses, são ex­
tremamente diferentes dos princípios do mundo, e até mesmo dos
princípios do mundo religioso dos dias de Jesus (e dos nossos).
Os judeus esperavam um reino de poder e glória, mas Jesus disse
que antes daquele reino chegar, Seus seguidores viveriam em um reino
de humildade de espírito, lamento pelo pecado, mansidão, fome e se­
de de justiça, misericórdia, pureza, promoção da paz, e perseguição.
Para colocar em termos simples, o reino de Jesus não era o que os judeus es­
peravam. Aquele reino virá em sua plenitude por ocasião da segunda vinda de
Cristo. No reino de poder e glória, os caminhos do mundo e do mundo religio­
so não terão lugar. Muito pelo contrário, seus caminhos serão de mansidão, paz,
misericórdia e assim por diante.
Para mim, isso significa que a época presente é o tempo de come­
çar a viver os princípios do Céu. Meu caráter não será transformado
por ocasião do segundo advento. Continuarei sendo o que tenho sido.
Agora é o tempo de permitir que Deus mude meu coração e minha vi­
da para que eu possa estar preparado para a plenitude do reino.

Ano Bíblico: Deuteronômio 1-3. - Juvenis: Números 13.


O Caráter do Cristão Segunda-feira
26 de fevereiro

Jesus Nunca nos Prometeu


um Mar de Rosas
Se o mundo os odeia, tenham em mente que antes odiou a Mim. Se
vocês pertencessem ao mundo, ele os amaria como se fossem dele. Todavia,
vocês não são do mundo, mas Eu os escolhi, tirando-os do mundo; por
isso o mundo os odeia. João 15:18 e 19, NVI.
O cristianismo, conforme Jesus apresentou, não é como um pi­

quenique pacífico. Entre todos os importantes educadores do mundo,


talvez Ele seja o mais honesto. Vez após outra, Jesus salientava o fato
de que Seus seguidores seriam perseguidos porque eram semelhantes a
Ele, porque andariam de acordo com princípios totalmente opostos aos
da cultura em geral.
O cristianismo tem resultado em perseguição em todas as áreas da
vida cristã: no trabalho, por causa das questões de observância do sá­
bado; na família, por causa das responsabilidades e prioridades; e na vi­
da social, por causa de novos estilos de vida.
A realidade é que o verdadeiro cristianismo muda as pessoas. Ele
as deixa fora de sintonia com a cultura humana “normal” (isto é, “pe­
caminosa”). E o resultado é perseguição.
E essa perseguição nem sempre tem sido suave. O imperador Ne­
ro, por exemplo, cobriu os cristãos de piche e os incendiou, para que
servissem de tochas vivas para iluminar seu jardim. Ele também os cos­
turou dentro de peles frescas de animais e colocou os próprios cães de
caça atrás deles para os atacarem e estraçalharem. Outros cristãos fo­
ram costurados dentro de peles frescas de animais e colocados ao sol
para secar e morrer, enquanto as peles se encolhiam e lentamente os
sufocavam e esmagavam seu corpo indefeso. Ainda outros tiveram par­
tes do seu corpo decepadas e assadas diante de seus olhos, ou recebe­
ram uma chuva de chumbo derretido fervendo.
A lista de atrocidades seria infinda. O próprio Jesus não ficou isen­
to. Ele morreu a terrível e humilhante morte de cruz.
A perseguição e discriminação ainda não estão no fim. A Bíblia
nos diz que elas continuarão até o fim dos tempos.
Tais coisas, porém, não quebrantam o espírito dos seguidores de
Cristo, porque eles sabem que este mundo não é seu lar. Eles sabem que
aqueles que são “perseguidos por causa da justiça” herdarão o reino de
Deus.
Ano Bíblico: Deuteronômio 4-7. — Juvenis: Números 14.
Terça-feira O Caráter do Cristão
27 de fevereiro

Perseguidos, Por Quê?


Todos quantos querem viver piedosamente em Cristo Jesus serão
perseguidos. II Timóteo 3:12.
Todos os tipos de pessoas que alegam ser cristãs são perseguidas.
Será que a perseguição delas significa que são cristãs?
A resposta bíblica a essa pergunta é um categórico “não”! Jesus
não disse: “Bem-aventurados aqueles que são perseguidos”, mas “Bem-
aventurados os que são perseguidos por causa da justiça”.
Existe uma grande diferença entre essas duas idéias. Tenho um
amigo que pertence a certo grupo religioso, que acredita que a perse­
guição que sofrem é sinal de que suas doutrinas e estilo de vida estão
corretos.
A essa altura, precisamos ler nossa Bíblia atentamente. Ela não diz:
“Bem-aventurados os que são perseguidos por serem censuráveis ou di­
fíceis.” Nem tampouco promete bênçãos aos que são perseguidos, por
serem tolos ou insensatos na maneira de darem seu testemunho.
Encaremos a realidade. Algumas pessoas testemunham de manei­
ra que verdadeiramente ofende as pessoas sensíveis. É a noção ridícu­
la de testemunhar que provoca sua perseguição. Essa perseguição pode
ter pouco ou nada a ver com o que Jesus está dizendo.
O mesmo pode ser dito acerca daqueles que são extremamente ze­
losos ou fanáticos. O fanatismo e o extremismo nunca são elogiados no
Novo Testamento.
A passagem final das bem-aventuranças é bastante específica. Ela
diz: “Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça." Mat.
5:10. Eles são considerados abençoados porque vivem de acordo com os
princípios de Jesus, os princípios das bem-aventuranças. Como resulta­
do, são encontrados fora de sintonia com a cultura geral e até mesmo
com grupos religiosos que assimilam os princípios da cultura geral.
Conforme indica nosso texto para hoje, a perseguição sobrevirá,
de uma forma ou outra, a toda pessoa que procura viver piedosamente
em Cristo Jesus. O mundo não tem capacidade nem disposição para
aceitar os princípios radicais do evangelho. O verdadeiro cristianismo
está fora de sintonia com a cultura, porque ele se baseia em um con­
junto radical de princípios.

Ano Bíblico: Deuteronômio 8-11. - Juvenis: Números 16 e 17.


O Caráter do Cristão Quarta-feira
28 de fevereiro

As Pessoas Boas e os Cristãos


Ai de vós, quando todos vos louvarem! Porque assim procederam seus
pais com os falsos profetas. Lucas 6:26.
^/Juitos de nós achamos o texto de hoje complicado. Afinal,
não deveríam os cristãos ser os melhores cidadãos, os vizinhos mais
amigáveis e os colegas de trabalho mais prestativos? Por que Jesus pro­
nuncia um “ai” em vez de uma bênção sobre aqueles a quem todos
louvam?
Precisamos nos lembrar de que bem-aventurados não são aqueles
que são perseguidos por serem bons ou por serem nobres ou altruístas.
Esses traços são geralmente apreciados pela cultura pagã. Como D.
Martin Lloyd-Jones coloca: “Você provavelmente não será perseguido
por ser bom... [ou] nobre. O mundo... geralmente louva, admira e ama
os bons e os nobres.”
Lloyd-Jones continua sugerindo que os bons e os nobres raramen­
te são perseguidos, porque até os pagãos acham que essas pessoas são
exatamente como eles mesmos. Não são os bons que são perseguidos,
mas os justos, aqueles que estão vivendo a vida de Jesus como é apre­
sentada nas Bem-aventuranças. A verdadeira justiça cristã faz com que
a mera bondade e nobreza humanas tenham aparência egocêntrica e
esfarrapada.
Uma coisa é ser bom; e outra bem diferente é ser humilde e man­
so. Uma coisa é ter orgulho de nossas nobres realizações; mas outra
bem diferente é ser humilde de espírito e ter fome e sede da justiça e
bondade que unicamente Deus pode suprir.
Precisamos aceitar o fato. As Bem-aventuranças definem a linha
de batalha entre os princípios do reino de Satanás e os do reino de
Cristo. E cada conversão aos princípios de Cristo, é um ato no drama
do grande conflito entre as forças do bem e do mal.
Ellen White coloca isso de forma precisa, quando escreve: “Quem
manifestar, na conduta, o amor de Cristo e a beleza da santidade, sub­
trai a Satanás os seus súditos, e por isso o príncipe das trevas contra ele
se levanta. Opróbrio e perseguições atingirão a todos os que estão
cheios do Espírito de Cristo.” - O Maior Discurso de Cristo, pág. 29.
Portanto, precisamos avaliar bem a nossa situação quando “todos” nos
“louvam”.

Ano Bíblico: Deuteronômio 12-14. - Juvenis: Números 18 e 19.


Quinta-feira O Caráter do Cristão
1° de março

Galeria de Honra dos Perseguidos


Bem-aventurados sois quando, por Minha causa, vos injuriarem,
e vos perseguirem, e, mentindo, disserem todo mal contra vós. Regozijai-vos
e exultai, porque é grande o vosso galardão nos Céus; pois assim perseguiram
aos profetas que viveram antes de vós. Mateus 5:11 e 12.
CZonforme mencionamos há poucos dias, esses dois versos não
formam uma nova bem-aventurança. São, porém, complemento e co­
mentário sobre a oitava bem-aventurança. Como tal, há várias coisas
que devemos observar nos versos 11 e 12.
A primeira delas é que através do curso da história, os profetas de
Deus têm sido perseguidos. Na verdade, no Antigo Testamento eram
os falsos profetas, e não os verdadeiros, que eram geralmente bem acei­
tos pelo povo, pelas autoridades políticas e freqüentemente pelos líde­
res religiosos também. Isso acontecia porque eles traziam mensagens
suaves e agradáveis. Como Deus disse a Ezequiel: “[Eles] andam enga­
nando Meu povo, dizendo: Paz, não havendo paz.” Ezeq. 13:10, ARC.
As pessoas preferem ouvir coisas suaves do que o chamado de Deus
para o arrependimento e reforma. Foi esse chamado direto que trouxe
rejeição e perseguição aos mensageiros de Deus através dos tempos.
A galeria de honra dos perseguidos está repleta de nomes de pes­
soas que seguiram a Deus através dos séculos. Abel foi perseguido por
Caim porque ofereceu “uma oferta mais agradável”. Noé foi ridiculari­
zado como sendo fanático e alarmista. Davi foi perseguido por Saul, e
Elias por Acabe. Daniel passou algum tempo na cova dos leões, e Pau­
lo foi perseguido em todos os seus empreendimentos pelas pessoas de
fora e até de dentro da igreja.
O “status quo" não gosta de ser desafiado pela verdade divina
quando ela é realmente a verdade de Deus. Aqueles que são rejeitados
por causa de Cristo têm uma herança sem paralelo. Precisamos estar
sempre alerta “quando todos” nos “louvam”. Luc. 6:26. Não foi coisa
tão boa no caso dos profetas de Deus. Nem foi bom para o mais impor­
tante dentre o povo de Deus - Jesus. Ele morreu na cruz por causa da­
quilo que ensinou e viveu.
Pai, ajuda-nos hoje a nos revestirmos de coragem, considerando a
história do Teu povo quando os problemas atravessarem nosso cami­
nho. Ajuda-nos a viver nos Teus princípios, a despeito das dificuldades.

Ano Bíblico: Deuteronômio 15 e 16. - Juvenis: Números 20.


O Caráter do Cristão Sexta-feira
2 de março

Saltos de Alegria em Meio aos Problemas


Bem-aventurados vocês, quando os homens os odiarem, expulsarem
e insultarem, e eliminarem o nome de vocês, como sendo mau, por causa do
Filho do homem. Regozijem-se nesse dia e saltem de alegria, porque grande
é a recompensa de vocês no Céu. Lucas 6:22 e 25, NVI.
Isso é espetacular! Quem quer “saltar de alegria” por ser odiado,
expulso, insultado e rejeitado? Acho que esse é, dos mandamentos de
Jesus, o mais difícil de colocar em prática.
Minha primeira reação quando insultado é insultar de volta, quan­
do rejeitado, rejeitar. Isso é humano, mas os modos de Cristo são divi­
nos e Ele alega existir uma bênção em tudo isso.
Poucos dias atrás, tive oportunidade de saltar de alegria por ser mal­
tratado. Minha família e eu construímos uma linda fogueira para um pi­
quenique no sábado à noite, dentro do buraco próprio para fogueiras no
Smoky Mountain National Park. Mas depois do fogo estar queimando
bem, com lindas chamas, o guarda-florestal me disse que teria que sair
dali porque aquele buraco ainda não estava aberto ao público.
Eu havia usado aquele poço várias vezes antes, no início do verão, sem
nenhum problema. Mas dessa vez fui “expulso”. Meus primeiros pensa­
mentos não foram os mais agradáveis. Mas conservei minha boca fechada
e me mudei para uma área de piquenique uns dez quilômetros abaixo.
Ali conseguimos fazer um delicioso “cachorro-quente vegetaria­
no” na brasa, tivemos um alegre serviço de cânticos e alguns momen­
tos de meditação inspiradores.
Por volta das 10:00 da noite estávamos prontos para retornar ao nos­
so alojamento. Naquele momento, um carro chegou perto de nossa fo­
gueira. Seus ocupantes nos informaram de que acabara a gasolina do seu
carro. Estavam felizes por nos encontrar, pois o posto mais próximo fica­
va a uns 23 quilômetros dali e os acampantes mais próximos dali, além
de nós, deviam estar a mais de sete quilômetros de distância.
Logo descobrimos que nossos novos conhecidos eram dois teolo-
gandos de um Colégio Adventista. Foi um privilégio ajudá-los e fazer
novos amigos. Sem sabermos o que estava acontecendo, Deus nos ha­
via colocado no lugar certo, na hora certa. Todos saltamos de alegria
ao considerarmos Seu providencial cuidado, embora tivéssemos sido,
no início, tratados injustamente.

Ano Bíblico: Deuteronômio 17-19. — Juvenis: Números 21.


Sábado O Caráter do Cristão
3 de março

Cristãos se Preocupam com


Recompensas?
Já agora a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, reto
juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos
quantos amam a Sua vinda. II Timóteo 4:8.
J^lgumas pessoas parecem pensar que os cristãos não devem se
preocupar com a recompensa final. Isso quer dizer que eles deveríam
viver acima do pensamento da promessa eterna ou do temor do infer­
no. O verdadeiro cristão, conforme pensam, vive a vida cristã pelo
simples prazer de ser cristão.
Bem, parece haver um pouco de verdade nessa linha de pensamen­
to. Afinal, ninguém será salvo por temer o inferno. Nem tampouco as
pessoas estarão no reino eterno de Deus meramente porque o conside­
ram a melhor coisa que existe. Além disso, as pessoas não recebem
uma bênção intrínseca simplesmente porque a vida cristã é melhor do
que as outras alternativas.
Essas verdades, porém, não constituem a verdade total. A Bíblia
não deixa dúvidas ao falar acerca de recompensas e castigos por oca­
sião do segundo advento. Mateus 5:12, com suas palavras a respeito da
grande recompensa no Céu para os fiéis, é simplesmente um dos mui­
tos textos sobre o assunto. Tiago fala acerca da “coroa da vida, a qual
o Senhor prometeu aos que O amam”. Tiago 1:12. E Paulo não deixou
dúvidas na passagem de hoje de que ele aguardava o recebimento de
sua “coroa da justiça” por ocasião da volta de Cristo.
Deus ama Seus filhos. Ele deseja abençoá-los mais abundantemen­
te do que eles podem imaginar. Parte de Sua bênção é a recompensa
futura na Terra renovada.
Esse pensamento nos transporta de Mateus a Apocalipse: “Eis que
venho sem demora”, lemos no último capítulo de Apocalipse, “e co­
migo está o galardão que tenho para retribuir a cada um segundo as
suas obras.” Apoc. 22:12.
Conquanto nossa motivação principal não seja a esperança de re­
compensa e o temor do castigo, precisamos ir além da idéia não-bíbli-
ca de que esses não devem ser os motivadores. Deus quer que deseje­
mos as melhores coisas. E Seu desejo que almejemos o Céu ao peregri­
narmos neste mundo, que não é o ideal.

Ano Bíblico: Deuteronômio 20-22. — Juvenis: Números 22.


O Caráter do Cristão Domingo
4 de março

Outro Vislumbre do Céu


Pois eis que Eu crio novos céus e nova terra; e não haverá lembrança
das coisas passadas, jamais haverá memória delas. Isaías 65:17.
Jantes de sairmos do assunto das Bem-aventuranças e da idéia
da recompensa divina para os crentes fiéis, devemos considerar mais
um vislumbre do Céu. Afinal, as oito bem-aventuranças são apoiadas
pela promessa de que a recompensa dos seguidores de Jesus será o rei­
no do Céu.
Quando Jesus falava sobre o Céu, Seus ouvintes tinham em men­
te as promessas do Antigo Testamento. E, nesse testamento, um dos li­
vros mais explícitos nesse assunto é Isaías. Por isso, nesta manhã gos­
taríamos de considerar rapidamente a recompensa do Céu, através do
raciocínio de Isaías.
Uma das minhas passagens favoritas acerca do Céu, no livro de
Isaías, é aquela que nos diz que “o lobo habitará com o cordeiro, e o
leopardo se deitará junto ao cabrito; o bezerro, o leão novo e o animal
cevado andarão juntos, e um pequenino os guiará. ... Não se fará mal
nem dano algum em todo o Meu santo monte, porque a Terra se en­
cherá do conhecimento do Senhor, como as águas cobrem o mar”. Isa.
11:6-9.
Uma segunda passagem está em Isaías 35: ‘“Veja, o seu Deus... vai
salvar você!’ Quando Ele vier, vai abrir os olhos dos cegos e destapar
os ouvidos dos surdos. Os aleijados pularão e caminharão perfeitamen-
te, e os mudos cantarão! Fontes brotarão na terra seca e rios correrão
no deserto! ...
“Estes, que foram comprados pelo Senhor, passarão por esse cami­
nho, indo para Sião e de lá voltando com canções de alegria. Para eles
nunca mais haverá dor ou tristeza, porque eles receberam a alegria per­
feita.” Versos 4-10, BV. •
Que promessas! Que bênçãos! Essas são promessas que Deus dese­
java conceder a Israel. Mas, sendo que Israel rejeitou a Jesus, elas são
agora promessas para a igreja. São promessas para cada um de nós.
Senhor, eu desejo estar lá. Aguardo ansioso a oportunidade de vi­
ver na plenitude do Teu reino, um reino onde as doenças da presente
era terão se tomado história.

Ano Bíblico: Deuteronômio 23-25. — Juvenis: Números 23.


Segunda-feira O Caráter do Cristão
5 de março

Diante do Ideal de Deus


O Senhor é a minha luz e a minha salvação; de quem terei medo? O
Senhor é a fortaleza da minha vida. Salmo 27:1.

D urante os dois últimos meses, nossos pensamentos se concen­


traram em Mateus 5:2-12 - as Bem-aventuranças. Observamos ante­
riormente em nosso estudo que aquelas oito características devem
constituir o centro da vida de todo cristão. Cristão é uma pessoa hu­
milde de espírito, mansa, que tem fome da justiça de Deus, é miseri­
cordiosa, e outras coisas mais.
Sem todas as oito características, não estamos vivendo vida cristã.
O ideal de Deus para cada um de nós é que vivamos as bem-aventu­
ranças todos os dias, através do poder do Espírito Santo. Elas são os
princípios do Seu reino aqui na Terra e na Terra por vir. Elas definem
o caráter cristão.
Mas você pode estar pensando: Minha vida não é tudo que devia ser;
diariamente falho diante do ideal de Deus.
Você tem razão! Você e eu falhamos. Isaías, em sua visão de Deus,
clamou: “Ai de mim!” Quando nos deparamos face a face com Deus e
Seus princípios, nos sentimos “perdidos” (Isa. 6:5).
As boas novas são que Jesus conhece nossas falhas e provê uma so­
lução para o nosso dilema no Sermão do Monte.
Primeiramente, o reconhecimento de nossa fraqueza de caráter es­
tá no centro das Bem-aventuranças. Esse reconhecimento é que nos
torna humildes de espírito, nos leva a chorar pelos nossos erros, nos
ajuda a trocar a arrogância espiritual pela mansidão e nos conduz a Je­
sus, ao sentirmos fome e sede de justiça.
A segunda e terceira provisões de Jesus para nossas faltas na vida
cristã são encontradas na Sua importante oração. Ele nos aconselha a
orarmos para que Deus “perdoe as nossas dívidas” e “livre-nos do mal”.
A primeira dessas recomendações tem a ver com a graça perdoadora de
Deus; a segunda, em parte, tem a ver com a graça habilitadora.
Exaltado seja Deus por ter feito provisões para nossas fraquezas.
Louvado seja Jesus pelos ideais que nos ajudam a reconhecer quando
falhamos e que nos conduzem a Ele para obter perdão e forças.

Ano Bíblico: Deuteronômio 26-28. - Juvenis: Números 24.


A Influência do Cristão Terça-feira
6 de março

O Segundo Passo
Vocês são o sal da terra. Mas se o sal perder o seu sabor, como
restaurá-lo? Não servirá para nada, exceto para ser jogado fora e pisado pe­
los homens. Mateus 5:13, NVI.
CZ-hegamos ao nosso primeiro ponto decisivo na caminhada com
Jesus no Sermão do Monte. Nas Bem-aventuranças de Mateus 5:3-12,
Jesus define os elementos essenciais do caráter do cristão. Entretanto,
na metáfora do sal e da luz, nos versos 13 a 16, Ele considera a influên­
cia do cristão.
Na verdade, essas duas seções do Sermão do Monte estão intima­
mente relacionadas. Afinal, a influência do cristão depende do seu ca­
ráter. Sem um caráter cristão, não pode haver influência cristã.
Esta última sentença pode parecer muito trivial para a maioria de
nós, para ter algum significado. O que queremos dizer quando falamos
que sem um caráter cristão, não há influência cristã?
Simplesmente isto: que os assim chamados cristãos, que não são
misericordiosos, mansos, nem puros de coração e outras coisas mais,
não são realmente cristãos, embora pertençam à igreja. Essa pessoa
exercerá alguma influência, mas sua influência não será cristã.
E aí está um problema para a igreja. Porque como a pessoa é cha­
mada de cristã e pertence à igreja, suas ações são vistas pela comuni­
dade em geral como representando aquilo que significa cristianismo.
Mas isso é um falso testemunho. A maneira trapaceira de alguns faze­
rem negócios e o orgulho ou difamação de outros apresentam um falso
testemunho à comunidade. Isso não é testemunho cristão. A pessoa
precisa ser cristã conforme as Bem-aventuranças, se ela quer exercer
uma influência cristã.
Devemos observar também que Mateus 5:13 diz que os cristãos são
o sal da Terra. Se eles são cristãos, não há outra escolha. Essa é a nona
declaração de Jesus sobre os cristãos em Seu sermão. Assim sendo, co­
mo são mansos e pacificadores, também serão o sal do mundo. E por­
que somos o sal do mundo, precisamos estudar cuidadosamente a utili­
dade do sal.

Ano Bíblico: Deuteronômio 29-31. - Juvenis: Números 35.


Quarta-feira A Influência do Cristão
7 de março

O Problema do Mundo
Viu o Senhor que a maldade do homem se havia multiplicado na
terra e que era continuamente mau todo desígnio do seu coração; então se
arrependeu o Senhor de ter feito o homem na Terra. Gênesis 6:5 e 6.
U m ponto importante para se compreender nas palavras de Je­
sus, ao dizer que os cristãos são o sal da terra, ou do mundo, é que elas
não só descrevem o cristão, mas inferem uma descrição do mundo on­
de o cristão deve atuar como sal. Jesus coloca o sal contra o mundo;
Ele quer dizer que os cristãos são diferentes e distintos do mundo. Uni­
camente por serem diferentes e distintos, podem eles ser reconhecidos
como sal e ter o efeito do sal.
Esse capítulo já descreveu o cristão, mas não descreve o mundo.
Essa descrição é encontrada na Bíblia inteira.
A primeira descrição da Terra ou do mundo na Bíblia é: “Viu Deus
tudo quanto fizera, e eis que era muito bom.” Gên. 1:31. Mas essa qua­
lidade de “bom” não perdurou. Gênesis 3 relata a entrada do pecado e
da corrupção no mundo e na raça humana.
Gênesis 4 assimila essa descrição de corrupção e apresenta a situa­
ção do mundo através da história de Cairn e Abel. No capítulo 6 en­
contramos Deus declarando que a Terra e seus habitantes haviam ver­
dadeiramente se corrompido ao máximo.
Mais tarde, a Bíblia descreve o Dilúvio e Deus começando tudo de
novo com Noé. O novo começo, porém, falhou. A corrupção conti­
nuou a se alastrar.
A Bíblia é a história de um mundo enfermo e de um Deus que pro­
cura resgatá-lo. E à luz desses fatos que precisamos ler as palavras de Je­
sus. G. Campbell Morgan disse com muita propriedade que: “Ao con­
templar Jesus a multidão de Seus dias, via a corrupção, a desintegração
da vida em todos os sentidos, seu colapso, sua ruína; e por causa do Seu
amor às multidões, Ele sabia que a coisa que mais precisavam era o sal,
a fim de que a corrupção fosse detida.”
Os cristãos têm uma função no mundo. Eles são o sal da Terra.

Ano Bíblico: Deuteronômio 32-34. — Juvenis: Deuteronômio 32.


A Influência do Cristão Quinta-feira
8 de março

A Natureza do Sal
Não peço que os tires do mundo, e sim que os guardes do mal. Eles não
são do mundo, como também eu não sou. João 17:15 e 16.

1J ma das grandes tensões da vida diária é que nós, cristãos, so­


mos cidadãos de dois reinos ao mesmo tempo. Somos cidadãos do rei­
no do Céu, mas nossa existência diária tem lugar em um dos reinos
deste mundo. Jesus disse isso de maneira um pouco diferente quando
observou que os cristãos vivem no mundo, mas não são do mundo.
Quer dizer, eles não vivem isolados do mundo. Aos cristãos é dito
que sua mente e perspectivas devem se concentrar em outro mundo,
mas nunca que devem sair desse mundo ou deixar de se importar com
o mundo. Esse foi o erro do monasticismo. De acordo com esse concei­
to, para viver a vida cristã suprema, a pessoa devia se afastar da socie­
dade e desfrutar uma vida de contemplação.
A declaração de Jesus a respeito do sal contesta categoricamente
essa suposição. Os cristãos devem ser o sal da Terra. Isso quer dizer, co­
mo Dietrich Bonhoeffer descreve, que eles “não devem somente pen­
sar no Céu; eles têm uma tarefa a cumprir na Terra também”.
O sal tem muitas funções. Nas sociedades que não possuem refri­
geração, ele é usado como preservativo. E friccionado na carne para
evitar sua deterioração. Uma função positiva do sal é dar sabor. Mui­
tos alimentos ficam mais saborosos quando se lhes acrescenta o sal. Pa­
ra ter efeito, porém, o sal precisa estar em contato com o alimento. Se
deixarmos o sal a uns poucos centímetros de distância do alimento, ele
não pode preservá-lo, nem lhe dar sabor.
Os cristãos funcionam como o sal ao misturar-se com a cultura ao
seu redor. Embora os cristãos nem sempre reconheçam, sua vida coti­
diana modera o povo e a sociedade que os circunda à medida que vi­
vem de acordo com as Bem-aventuranças. A vida deles “dá sabor” à so­
ciedade através de pequenos atos de bondade praticados, da humilda­
de que demonstram e assim por diante. Até mesmo pessoas orgulhosas
e de coração endurecido geralmente acham difícil não respeitar verda­
deiros cristãos, embora possam preferir não imitá-los.
Senhor, ajuda-me a ser hoje como o sal - em meu lar, em minha
vizinhança e no local de trabalho.

Ano Bíblico: Josué 1-4. - Juvenis: Deuteronômio 33.


Sexta-feira A Influência do Cristão
9 de março

Vida de Sal
Não sabeis que um pouco defermento leveda a massa toda? I Coríntios 5:6.
O sal é como o fermento no que se refere à sua capacidade de
permear o alimento com o qual entra em contato. Assim como o fer­
mento transforma toda a massa feita de farinha e água na qual foi
acrescentado, também o sal dá sabor a uma grande panela cheia de fei­
jão. O sal muda as coisas.
A influência, logicamente, pode ser boa ou má. Diz-se que Oliver
Wendell Holmes afirmou: “Eu poderia ter ingressado no ministério se
certos clérigos que conheço não tivessem a aparência e nem agissem
como empreiteiros.” E o escritor Robert Louis Stevenson anotou em
seu diário, como se estivesse registrando um fenômeno singular: “Esti­
ve na igreja hoje e não estou deprimido.”
O sal da influência cristã será positivo, não negativo. Será edifi­
cante e promissor. A vida cotidiana do cristão deixará em seu desper­
tar um vestígio e uma atmosfera de paz, mesmo em tempos turbulen­
tos. Ela dará sabor a tudo que tocar, porque pela fé está em contato
com o Deus que tem cuidado de Seus filhos. O cristão demonstra as ca­
racterísticas divinas porque “o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz,
longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio
próprio”. Gál. 5:22 e 23. Que sabor excelente para qualquer sopa, qual­
quer comunidade!
Talvez o principal ingrediente de uma influência cristã seja o amor
transbordante e genuíno. “Quando o amor enche o coração”, lemos
em O Maior Discurso de Cristo, “fluirá para os outros, não por causa de
favores recebidos deles, mas porque é o amor o princípio da ação. O
amor modifica o caráter, rege os impulsos, subjuga a inimizade e eno­
brece as afeições. Este amor é vasto como o Universo, e está em har­
monia com o dos anjos ministradores. Nutrido no coração, adoça a vi­
da inteira e derrama seus benefícios sobre todos ao redor. E isto, e isto
unicamente, que nos pode tomar o sal da Terra." - Pág. 38, itálico acres­
centado.

Ano Bíblico: Josué 5-8. - Juvenis: Deuteronômio 34.


A Influência do Cristão Sábado
10 de março

O Lado Social do Sal


Irmãos, venho lembrar-vos o evangelho [boas novas] que vos anunciei...
que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, e que foi
sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras.
I Coríntios 15:1-4.

boas novas do evangelho são que Jesus morreu por nossos pe­
cados; além disso, Sua ressurreição é a garantia da nossa ressurreição fu­
tura. Alguns gostariam que créssemos que as boas novas são o fato de que
a igreja cristã efetuará uma reforma social na economia e nos governos
humanos. Eles vêem a função de sal da igreja como aquela na qual seu
papel é fazer pronunciamentos acerca da situação geral do mundo no to­
cante a coisas como política, economia e relações exteriores.
O problema com essa abordagem da analogia do sal é que ela não
é encontrada no Novo Testamento. Em lugar nenhum vamos encon­
trar Jesus ou Paulo trabalhando em prol da reforma do governo roma­
no ou emitindo decisões à corte imperial para fazer isso ou aquilo.
Aqueles que têm considerado a função de sal do cristão como es­
sencialmente social, basearam sua compreensão nos profetas do Anti­
go Testamento. Mas há um problema com essa maneira de ver, pois em
Israel não havia distinção entre Igreja e Estado. Por isso, os profetas do
Antigo Testamento tinham de considerar a vida inteira da nação.
No Novo Testamento é diferente. A igreja não é identificada com
nação nenhuma, nem grupo de interesses específicos. Pelo contrário, a
principal função é pregar o evangelho da salvação em Jesus a todas as
nações. Mas uma vez que a igreja começa a interferir num ou noutro
assunto econômico ou social, ela deixa de alcançar aqueles que estão
do outro lado da questão.
Aqui, no entanto, precisamos ser cuidadosos para não ir de um ex­
tremo ao outro. Conquanto a igreja deva estar alerta para não tomar
partido, os cristãos individualmente têm a responsabilidade de votar e
fazer com que sua voz seja ouvida na comunidade, bem como testemu­
nhar dos princípios bíblicos em sua vida diária.
Senhor, ajuda-nos hoje, como igreja e como indivíduos, a apren­
der melhor como ser o sal da Terra.

Ano Bíblico: Josué 9-13. - Juvenis: Josué 1.


Domingo A Influência do Cristão
11 de março

Sal Insípido
O sal é excelente. Mas se for sem sabor, é inútil, não serve para nada.
Vocês estão prestando atenção nisso? Realmente ouvindo' Lucas 14:34 e 35,
Message.
Sal é sal. Sal é salgado. Se não for salgado, não é sal.
Como, no entanto, pode o sal ser insípido? O fato é que não pode.
Se não for salgado, não é sal.
“E daí?” Você pode perguntar a essa altura. “Que significado esse
ponto, um tanto esotérico, tem a ver com minha vida?”
Tem tudo a ver, porque Jesus não disse que Seus seguidores devem
ser o sal, podem ser o sal ou possivelmente se tornarão o sal. Não! Ele
diz categoricamente que os cristãos são o sal.
Os cristãos não têm outra escolha quanto a ser ou não o sal. Jesus
declarou: “Vós sois o sal da terra.” A única escolha que temos como
cristãos é rejeitar nossa função de sal dada por Deus.
E como podemos fazer isso? Não sendo como Jesus, que viveu e
morreu pelo bem dos outros.
Recusamos a função de sal quando deixamos de nos misturar com
o mundo, quando os cristãos se separam daqueles que necessitam de sua
preservadora influência. Rejeitamos a função de sal quando não somos
amáveis e bondosos. Contrariamos a função de sal quando colocamos
nossos desejos e vontades acima das necessidades dos demais. Recusa­
mos a função de sal quando deixamos de viver as bem-aventuranças.
Quando fazemos essas coisas, perdemos o sabor, pois não somos sal.
Tornamo-nos parte do mundo e vivemos de acordo com os seus prin­
cípios. Já não somos mais o sal. Isso nos toma parte do problema e não
da solução. Recusar a função de sal é negar os princípios do reino. Ne­
gar esses princípios é rejeitar o Senhor que os estabeleceu.
E o resultado? Esses tais serão “jogados fora”. Com essa afirmação
em Mateus 5:13, chegamos à primeira alusão ao juízo no Sermão do
Monte. Jesus volta a abordar esse tema no sermão.
A moral da história é simples. Os princípios que aceitamos em
nossa vida e como nos relacionamos com as pessoas na vida diária fa­
zem diferença. Afinal, os cristãos são o sal.

Ano Bíblico: Josué 14-17. - Juvenis: Josué 2.


A Influência do Cristão Segunda-feira
12 de março

Vocês São Luz


Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder a cidade edificada sobre
um monte. Mateus 5:14.
44 V
V ós sois a luz do mundo.” Essa é uma declaração extraordiná­
ria quando consideramos a quem Jesus estava falando. Ele não estava
se dirigindo a líderes religiosos. Não estava encorajando pregadores ou
teólogos. Estava falando com pessoas comuns - pessoas totalmente
sem importância do ponto de vista do mundo daquela época.
Tal declaração deveria nos fazer levantar e prestar atenção. Ser
cristão é uma coisa notável. Jesus não disse que os filósofos eruditos ou
estrategistas políticos eram a luz do mundo, mas você, o senhor, a se­
nhora ou a senhorita, um cristão comum. Podemos dizer que é uma de­
claração excepcional, sem exagerarmos.
Observe mais uma vez a expressão “vós sois’’. Os cristãos são a luz
do mundo pelo próprio fato de serem cristãos.
Você pode estar pensando: “Como pode ser isso?” Assim é, porque
você é um cristão que conhece a Jesus. Você sabe que Ele morreu pe­
los seus pecados e foi ressuscitado ao terceiro dia para dar-lhe vida. Es­
sa é a mensagem da salvação.
Paulo nos diz que visto que “o mundo não conheceu a Deus pela
Sua sabedoria, aprouve a Deus salvar os crentes pela loucura da prega­
ção”. I Cor. 1:21. A cruz de Cristo é loucura para o mundo em geral,
mas é o coração da mensagem cristã. É o elemento decisivo em nossa
salvação.
Todo cristão é uma luz que ajuda outros a encontrarem a salvação
em Jesus. Todo cristão é um missionário para falar a outros a respeito
do amor de Deus e de Seu perdão em Jesus.
Isso quer dizer você. “Você é a luz do mundo.” Todos os dias Deus
lhe dá a oportunidade de testemunhar em favor dEle. Que privilégio!
Senhor, ajuda-me hoje a ser a Tua luz no mundo em trevas. Põe-
me em contato hoje com alguém que necessite ter um vislumbre do
Teu amor. E então dá-me sabedoria para ser a Tua luz de maneira mais
eficaz.

Ano Bíblico: Josué 18-21. — Juvenis: Josué 3.


Terça-feira A Influência do Cristão
13 de março

A Verdadeira Luz
De novo, lhes falava Jesus, dizendo: Eu sou a luz do mundo; quem Me
segue não andará nas trevas; pelo contrário, terá a luz da vida. João 8:12.
jA^.cho que você tem condições de ser humilde apesar de tudo.
Você não é a verdadeira luz do mundo. Jesus é. Você é luz porque está
ligado a Ele, porque O segue.
Você não tem luz em si mesmo, assim como a Lua não tem luz sem
o Sol, nem a lâmpada sem estar ligada à fonte de energia elétrica.
Sim, devemos nos alegrar porque Deus nos deu grandes privilégios
como cristãos, mas devemos ser humildes em nossa alegria. Não somos
a verdadeira luz, mas um reflexo ou extensão da luz refletida por Jesus.
E, portanto, de suma importância que a cada momento permane­
çamos ligados à fonte de poder espiritual.
Uma ilustração baseada na lamparina do Oriente Próximo nos aju­
dará nesse ponto. Essa lamparina consiste de um vaso cheio de óleo e
um pavio com a ponta para fora.
O óleo é absolutamente essencial ao funcionamento da lamparina.
Sem o suprimento de óleo, a lamparina era inútil e não produzia luz.
Assim acontece conosco. Precisamos ter Cristo em nós através do
Espírito Santo a cada dia. Não podemos funcionar como luzes sem ter
Cristo em nosso interior diariamente, sem um relacionamento íntimo
com o Senhor da luz.
Esse suprimento de luz não é algo que acontece uma vez, por oca­
sião da conversão, e dura para sempre. Não, precisamos ir a Jesus dia­
riamente por meio da oração e do estudo da Sua Palavra. A medida
que recebemos o óleo diariamente, temos luz para levar a outros.
O pavio é outro elemento essencial nas lamparinas. Quando o pa­
vio se toma desgastado e começa a fumegar, deixa de dar luz adequa­
damente. Precisa então ser aparado para que sua luz possa brilhar no­
vamente.
Assim é em nossa vida espiritual. Precisamos dia a dia avaliar a nós
mesmos à luz do amor de Deus e das bem-aventuranças, e “aparar” nos­
sa vida a fim de mantermos o pavio queimando, de modo a emitir luz
e não fumaça.

Ano Bíblico: Josué 22-24. - Juvenis: Josué 4.


A Influência do Cristão Quarta-feira
14 de março

A Comissão Missionária
Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em
nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas
as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até
à consumação do século. Mateus 28:19 e 20.
^Vmnos dar mais uma olhada na declaração que Jesus fez em Ma­
teus 5:14, dizendo que os cristãos “são a luz do mundo". Quando consi­
deramos as duas últimas palavras da frase, ficamos ainda mais admira­
dos do que quando consideramos a primeira parte. As pessoas comuns
às quais Jesus estava falando não só eram a luz; elas eram a luz “do
mundo”.
Aqui encontramos um tema que Mateus continua a desenvolver
através de todo o seu Evangelho. Jesus não disse que eram a luz da Pa­
lestina, do Império Romano ou de qualquer outra parte do mundo.
Não! Ele disse que Seus seguidores são a luz do mundo inteiro.
Aqui encontramos a comissão missionária que será outra vez abor­
dada e enfatizada nos últimos versículos do primeiro Evangelho. Co­
mo discípulos de Cristo, devemos transmitir Seus ensinos a todas as
nações.
A idéia se toma ainda mais notável quando compreendemos que
Jesus falava aos judeus, e que naquela época a nação judaica havia se
tornado exclusiva. Ela havia erigido uma muralha ou separação entre
si e todas as outras nações.
A despeito do exclusivismo deles, Jesus disse aos Seus ouvintes ju­
deus que eles eram (bem como nós) a luz do mundo. Assim, como le­
mos em O Maior Discurso de Cristo, “Cristo derriba a parede de separa­
ção, o amor-próprio, o separatista preconceito de nacionalidade, e en­
sina amor a toda a família humana. Ergue os homens do estreito círcu­
lo que lhes prescreve o egoísmo; elimina todos os limites territoriais e
as convencionais distinções da sociedade. Não faz diferença entre vi­
zinhos e estrangeiros, amigos e inimigos. Ele nos ensina a considerar
todo ser humano necessitado como nosso semelhante, e o mundo co­
mo nosso campo”. - Pág. 42.
“Vós sois a luz do mundo.”

Ano Bíblico: Juizes 1-3. — Juvenis: Josué 5:10-15; 6.


Quinta-feira A Influência do Cristão
15 de março

O Novo Israel de Deus


E, se sois de Cristo, também sois descendentes de Abraão e herdeiros se­
gundo a promessa. Gálatas 3:29.
CsXuando Jesus expôs aos Seus seguidores a Sua missão para o
mundo, fazendo deles o sal da terra e a luz do mundo, Ele na realidade
lhes deu a missão que pertencera a Israel anteriormente.
No Antigo Testamento, Israel era o povo do Concerto de Deus,
era “a luz aos outros povos”. Isa. 42:6. Israel era o povo, nação escolhi­
da, preciosa e santa de Deus. Ele dera a Israel uma missão para o mun­
do inteiro. Oportunamente, “chamarão a Jerusalém o trono do Se­
nhor; nela se reunirão todas as nações em nome do Senhor e já não an­
darão segundo a dureza do seu coração maligno”. Jer. 3:17. “Todos os
que... se volvessem da idolatria ao culto do verdadeiro Deus, deveriam
unir-se ao povo escolhido. Quando o número de Israel aumentasse, de­
veriam ampliar os limites até que seu reino abarcasse o mundo.” - Pa­
rábolas de Jesus, pág. 290.
Mas Israel não cumpriu o propósito de Deus para ele. Como resulta­
do, Jesus deu a missão aos Seus seguidores. Talvez esse fato tenha ficado
bem claro na parábola dos lavradores arrendatários (Mat. 21:33-46).
Nessa parábola, o proprietário plantou uma vinha e a arrendou aos
lavradores. Quando envia servos para receber sua renda eles são mal­
tratados. Finalmente ele envia o próprio filho, a quem eles matam. Co­
mo resultado, “[Ele] fará perecer horrivelmente a estes malvados e ar­
rendará a vinha a outros lavradores”. Então Jesus acrescenta Sua lição:
“O reino de Deus vos será tirado e será entregue a um povo que lhe
produza os respectivos frutos.” Versos 41-43.
Aquela “nação”, logicamente, é a igreja cristã. Ela foi chamada de
“nação santa” e “povo peculiar” para dar testemunho de Cristo ao
mundo inteiro. Por isso, “os da fé [em Jesus] é que são filhos de
Abraão” e “o Israel de Deus”. Gál. 3:7 e 6:16.
Ê sobre a igreja que todas as bênçãos do Antigo Testamento re­
caem. Mas não só as bênçãos. A igreja, você e eu, temos a responsabi­
lidade de cumprir a missão dada a Israel como luzes do mundo.

Ano Bíblico: Juizes 4 e 5. - Juvenis: Josué 7.


A Influência do Cristão Sexta-feira
16 de março

Castiçais Removidos
Lembra-te, pois, de onde caíste, arrepende-te e volta à prática das
primeiras obras; e, se não, venho a ti e moverei do seu lugar o teu candeeiro,
caso não te arrependas. Apocalipse 2:5-
Os primeiros três capítulos de Apocalipse retratam Cristo an­
dando no meio de sete castiçais de ouro, que representam Sua igreja.
Nesses últimos dois dias estudamos a importante verdade de que nós,
como igreja de Deus, somos a luz do mundo. Por isso, os castiçais do
templo são uma representação adequada da igreja de Deus. Eram os
castiçais ou candelabros que proviam luz para o templo na Terra, nos
tempos do Antigo Testamento.
Mas o que acontece quando os castiçais não funcionam fielmente
como deviam? São removidos. Por isso, como vimos ontem, Israel foi
removido de sua posição como povo do concerto de Deus por ocasião
da primeira vinda de Jesus ao mundo, e Sua comissão de ser luz de Deus
ao mundo foi dada à igreja cristã. Desde então, a história tem testemu­
nhado uma sucessão de organizações cristãs que difundiram brilhante­
mente a luz de Deus nos primeiros anos, mas perdeu seu claro testemu­
nho bíblico em anos posteriores. Como resultado, os castiçais foram
removidos, por assim dizer, à medida que surgem movimentos de refor­
ma na tentativa de conseguir de volta uma visão mais clara da palavra
de Deus na Bíblia.
O adventismo é um dos inúmeros movimentos de reforma. Deus
tem uma missão para o adventismo - pregar a mensagem dos três an­
jos de Apocalipse 14:6-12 “a cada nação, e tribo, e língua, e povo”, an­
tes da grande ceifa da Terra.
Como adventistas do sétimo dia, precisamos orar nesta manhã e
cada manhã para que Deus nos ajude a ser castiçais fiéis para Ele, fiéis
luzes ao mundo, para que nosso castiçal não seja removido.
Que bênção Deus nos tem concedido, de viver Sua vida e compar­
tilhar Sua Palavra com outras pessoas. Que privilégio ser luz e não tre­
vas, ser uma bênção aos que nos rodeiam, até os confins da Terra!
Senhor, ajuda-nos a conservar nosso castiçal.

Ano Bíblico: Juizes 6-8. — Juvenis: Josué 8.


Sábado A Influência do Cristão
17 de março

 Função da Luz
No meio de uma. geração pervertida e corrupta... resplandeceis como
luzeiros no mundo. Filipenses 2:15.
Subentendida em nosso estudo acerca dos cristãos como “luz do

mundo”, está a compreensão de que os cristãos, por definição, são di­


ferentes de seus vizinhos não cristãos. Por isso, a luz é significativa,
pois é diferente do meio em que se encontra, assim como o sal é dife­
rente daquilo a que ele dá sabor ou preserva.
A força das ilustrações de Jesus está nessas diferenças. Se o sal não
tiver sabor e a luz não tiver claridade, eles não têm função nem utili­
dade. Como cristãos nascidos de novo, somos luz do mundo e sal da
Terra só quando somos diferentes da cultura que nos rodeia, da mesma
maneira que Jesus foi diferente do mundo. Exercemos influência no
mundo porque nos mostramos, porque permanecemos em pé, porque
vivemos as bem-aventuranças e porque nossos valores são radicalmen­
te diferentes dos daqueles que nos rodeiam.
“Bem”, você pode perguntar, “como pode o cristão mostrar que é
verdadeiramente ‘a luz do mundo’?” A resposta está em considerarmos
as funções da luz.
A luz tem muitas funções. Uma delas é expor as trevas e as coisas
que pertencem às trevas. Há lógica no fato de as pessoas não se cons­
cientizarem das trevas até que se acenda a luz. Precisamos imaginar as
luzes de um carro repentinamente atravessando a escuridão de uma es­
trada isolada. A luz muda todas as coisas, tanto para o motorista como
para os que andam às apalpadelas na estrada escura.
Há lógica no fato de Jesus ter exercido essa função quando aqui
veio. Mateus nos diz que “o povo que jazia em trevas viu grande luz”.
Mat. 4:16. A luz da vida de Jesus, as trevas ficavam expostas, as coisas
se tornavam diferentes.
Como acontece com a minha vida? Será que eu simplesmente me
misturo com a cultura em geral, ou me destaco como alguém especial
e diferente? Será que a minha vida ajuda outras pessoas a verem o “me­
lhor caminho” com mais nitidez?

Ano Bíblico: Juizes 9 e 10. — Juvenis: Josué 24.


A Influência do Cristão Domingo
18 de março

Outra Função da Luz


Lâmpada para os meus pés é a Tua palavra, e luz para os meus
caminhos. Salmo 119:105.
Ontem vimos que, como “luz do mundo”, a vida do cristão ex­
põe as trevas pelos próprios princípios e pela maneira de viver. Mas ex­
por a escuridão não é a única função da luz. Em certo sentido muito
real, a luz serve de guia.
Quando penso na função da luz como guia, me lembro das fileiras
de luzes dos dois lados das pistas de um aeroporto. As luzes mostram
aos pilotos onde exatamente é a pista, onde é seguro aterrissar.
A luz é um guia que nos ajuda a saber a direção que devemos se­
guir. Quando seguimos a orientação da luz, estamos seguros. Quando,
porém, tentamos aterrissar nas trevas, dirigir na escuridão, ou mesmo
caminhar através de uma floresta desconhecida na escuridão, logo nos
achamos em dificuldade. Descobrimos imediatamente que precisamos
da luz para nos guiar.
Jesus veio a este mundo para ser esse guia. E embora Ele tenha volta­
do para o Céu, não nos deixou em trevas. Ele nos deu a Sua Palavra como
uma lâmpada para guiar nossos pés através das complexidades da vida.
Os cristãos se tornam luzes àqueles que os rodeiam quando com­
partilham a Palavra de Deus com outros, não só através de sua vida
diária, mas através de estudos bíblicos e outras maneiras de partilhar os
conselhos da Bíblia.
A luz não tem apenas a função de guiar; tem também a função de
advertir. Ainda me lembro de quando surgiram os semáforos em nossa
comunidade. Foi logo depois da Segunda Guerra Mundial. Minha
mãe, não habilitada para dirigir, desejando a segurança do filho de seis
anos em sua primeira viagem desacompanhado pela cidade, me ensi­
nava cuidadosamente que a luz vermelha significava “siga” e a luz ver­
de “pare”. Felizmente meu pai ouviu a conversa e correu até a sala pa­
ra corrigir as instruções.
E muito importante que, como cristãos, não só reconheçamos as
advertências e orientações da Palavra de Deus, mas que as ponhamos
em prática em nossa caminhada com Jesus.
E ao prestarmos atenção à luz por nós mesmos, uma coisa maravi­
lhosa ocorre - nos tornamos luzes para Deus no mundo em trevas.

Ano Bíblico: Juizes 11 e 12. - Juvenis: Juizes 6.


Segunda-feira A Influência do Cristão
19 de março

A Luz Deve Ser Vista


Ninguém acende uma lamparina para pôr debaixo de um cesto. Ao
contrário, ela é colocada no lugar próprio para que ilumine os que estão na
casa. Mateus 5:15, BLH.
O Senhor quer fazer conosco o mesmo que as pessoas normal­
mente fazem com a luz. Como certo escritor descreve: “Ele não nos su­
pre de luz, toma-nos discípulos, nos embeleza e confirma vez após vez
que somos alguma coisa, para depois nos colocar debaixo de um cesto.”
A função da luz é ser vista. O cântico infantil diz isso de maneira
precisa - devemos deixar nossa pequenina luz brilhar por Jesus.
O cristianismo é algo que deve ser visto. Não existe discipulado se­
creto. Ou o sigilo destrói o discipulado ou este destrói o sigilo.
O verdadeiro cristianismo é visível a todos. Não é visível apenas
na igreja. Um cristão, cuja influência termine na porta da igreja ou on­
de termina a comunidade religiosa, não é de grande utilidade.
A visibilidade do cristianismo deve ser evidente em todas as ativi­
dades da vida cotidiana. É visível na maneira como encomendo uma
refeição no restaurante, no modo como trato aqueles com quem moro,
na maneira como me relaciono com os colegas de trabalho, na forma
como uso minha língua, como participo de jogos ou dirijo meu carro,
enfim, em tudo que faço (ou deixo de fazer).
O cristianismo desconhece dias de folga ou lugares isentos. E um
modo visível de viver para todos verem. Certamente verão mesmo. E
ao verem, estarei exposto como um hipócrita (literalmente “fazendo
de conta”) ou como seguidor de Cristo.
Algumas pessoas ficam um tanto nervosas quando pensam na res­
ponsabilidade de ser luz do mundo. Preocupam-se em quando e como
ser luzes, onde e quando testemunhar.
A resposta de Jesus é que não devemos nos preocupar a esse respei­
to. Simplesmente seja uma luz o tempo todo, onde quer que estiver.
Tão-somente viva a vida descrita nas bem-aventuranças de Jesus, e o
povo verá a luz. O êxito do programa missionário não depende de nós.
Nossa tarefa é deixar que Cristo brilhe através de nós.

Ano Bíblico: Juizes 13-16. — Juvenis: Juizes 7.


A Influência do Cristão Terça-feira
20 de março

Nem Todos Gostam de Luz


O julgamento é este: que a luz veio ao mundo, e os homens amaram
mais as trevas do que a luz; porque as suas obras eram más. Pois todo aquele
que pratica o mal aborrece a luz e não se chega para a luz, a fim de não
serem argüidas as suas obras. Quem pratica a verdade aproxima-se da luz,
a fim de que as suas obras sejam manifestas, porque feitas em Deus.
João 3:19-21.
■/X. luz é um grande separador. Ela separa a luz das trevas. Quan­

do expostos à luz, temos duas opções - saudá-la e aceitá-la ou fechar


nossos olhos e virar em direção oposta. Precisamos aceitá-la e nos be­
neficiar dela ou rejeitá-la. Com a luz, não há meio-termo.
O mesmo acontece com o cristianismo. Nosso verso de hoje diz
que alguns buscam a luz de Jesus, enquanto outros fazem tudo que po­
dem para evitá-la.
A diferença entre as duas reações reside na natureza humana. A
natureza humana caída ama as trevas ao invés da luz. Ela não gosta de
ter seus atos e motivos expostos. Muitos dos que pertencem à igreja e
a frequentam todos os sábados não gostam da luz.
Por quê? Por que razão preferiría alguém as trevas à luz? A Bíblia
nos dá a resposta dizendo que as obras dessas pessoas são más.
Mas como sabem elas que são más? Porque todas as pessoas têm
uma consciência que as impressiona com noções do que é certo e do
que é errado.
O problema é que fazemos coisas que sabemos serem erradas. Por
quê? Porque gostamos de fazer essas coisas.
O problema das pessoas não está tanto no seu intelecto como em
sua natureza. É por isso que a Bíblia nos recomenda vez após outra que
precisamos de uma nova natureza, que precisamos ser convertidos e
precisamos colocar Deus no centro de nossa vida e não prazeres pró­
prios.
Resumindo, precisamos vir para a luz e ser transformados por ela. E
isso que quer dizer cristianismo. Aqueles que não nasceram de novo
odeiam a luz, mas os que são verdadeiramente retos para com Deus, não
só amam a luz, como querem compartilhar a alegria da luz com outros.

Ano Bíblico: Juizes 17-19. - Juvenis: Juizes 13 e 14.


Quarta-feira A Influência do Cristão
21 de março

O Evangelho Escondido
Ninguém, depois de acender uma candeia, a põe em lugar escondido,
nem debaixo do alqueire, mas no velador, a fim de que os que entram
vejam a luz. Lucas 11:33.
T^Tesse texto, Jesus é bem preciso, mas há ocasiões em que exis­
tem boas razões para colocar a luz debaixo do alqueire. Vou explicar.
Ao consideramos uma casa na Palestina durante o primeiro sécu­
lo, precisamos nos esquecer de casas bem iluminadas, que podem ficar
claras pelo simples movimento de um interruptor.
Pelo contrário, as casas palestinas eram bem escuras, pois geral­
mente tinham apenas uma pequena janela de uns 40 cm de largura. E
certamente não tinham eletricidade nem interruptores.
A candeia de que Jesus fala aqui, consistia de uma pequena vasi­
lha com óleo. E havia um pavio que boiava sobre o óleo. Essa candeia
era colocada num velador a certa altura, quando a família precisava de
iluminação. Acender essa candeia requeria certa habilidade. Lembre-
se de que não havia fósforos nem isqueiros.
Conseqüentemente, ninguém gostava de extinguir a chama do pa­
vio. Muito esforço era exigido para conseguir acendê-lo outra vez. Por is­
so, quando as pessoas precisavam se ausentar da casa, era perigoso deixar
a candeia acesa no velador, de onde poderia cair e iniciar um incêndio.
Por isso, como medida de segurança, quando as pessoas precisavam
sair, tiravam a candeia do velador e colocavam debaixo de um vaso de
barro onde pudesse queimar sem perigo até que retomassem. Tão logo
alguém chegasse novamente em casa, a candeia era retirada lá de bai­
xo e colocada outra vez no velador. A função principal da candeia era
ser vista e produzir claridade.
A esse último ponto é que Jesus Se referia nas palavras registradas
em Mateus 5:14-16. Ninguém, em são juízo, acendería uma candeia
simplesmente para colocar debaixo de um vaso de barro.
Contudo, algumas pessoas que se dizem cristãs fazem exatamente
isso. A essas pessoas precisamos dizer que não há perigo de incendiar a
casa do Senhor. Muito pelo contrário, o mundo necessita de toda a luz
que puder conseguir. Assim, nós que somos cristãos, devemos constan­
temente deixar nossa luz brilhar ao máximo. Afinal de contas, somos
“a luz do mundo”.

Ano Bíblico: Juizes 20 e 21. - Juvenis: Juizes 16:4-31.


A Influência do Cristão Quinta-feira
22 de março

"Boas" e "Más" Obras


Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as
vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos Céus. Mateus 5:16.
F .
JLjssa e uma passagem interessante porque sugere que os cristãos
devem praticar “boas obras”. Ouvimos algumas pessoas conversarem,
como se as boas obras não tivessem lugar na experiência cristã. Jesus
não concordava com essa posição. Ele claramente disse que devíamos
praticar não apenas boas obras, mas também que essas obras deviam ser
evidentes como luzes para a comunidade.
Por causa dessa declaração, é importante que gastemos alguns mo­
mentos estudando o conceito de obras no Novo Testamento.
O Novo Testamento se opõe diretamente a três tipos de obras: (1)
obras da carne (Rom. 8:3-10), que são obras exteriores de natureza pe­
caminosa; (2) obras da lei (Rom. 3:28; Gál. 2:16; Efés. 2:9), que são
executadas na esperança de se obter salvação; e (3) “obras mortas”
(Heb. 6:1), que são as atividades de pessoas que não têm comunhão
com o Deus vivo e, portanto, estão destituídas da graça.
Em contraste com essas obras não santificadas, o Novo Testamen­
to coloca as obras da fé. Paulo fala aprovativamente a respeito da “fé
que atua pelo amor”. Gál. 5:6. Ele elogia a “operosidade da... fé” e “ab­
negação do... amor” dos tessalonicenses. I Tess. 1:3. E parte da tarefa
dele era chamar os gentios à “obediência por fé”. Rom. 1:5 e 16:26.
Paulo esclarece a distinção entre “boas” e “más” obras quando escreve
que “tudo o que não provém de fé é pecado”. Rom. 14:23.
Obra da lei é aquela que é feita pelas nossas próprias forças, na ten­
tativa de merecer de Deus algum favor ou a salvação. Por outro lado, as
obras da fé fluem de um relacionamento salvífico com Jesus, recebem
energia do Espírito Santo e são moldadas e suavizadas pelo amor do Pai.
O cristão não pratica obras para obter a salvação, assim como a ár­
vore não produz frutos para provar que é uma árvore. A árvore produz
frutos porque está viva.
Assim ocorre com o cristão. As ações de uma pessoa salva são sua
resposta ao amor de Deus. Martinho Lutero salienta esse fato quando
escreve que “é impossível a ela [fé] não produzir boas obras incessante­
mente”.

Ano Bíblico: Rute. - Juvenis: Rute 1 e 2.


Sexta-feira A Influência do Cristão
23 de março

Brilhando Para Deus


Imediatamente, tornou a ver e seguia-O glorificando a Deus.
Também todo o povo, vendo isto, dava louvores a Deus. Lucas 18:43.
^Zonta-se a história de quando D. L. Moody assistia a um con­
gresso de jovens que levavam muito a sério a vida religiosa. Um dos
eventos do congresso foi uma vigília de oração que durou a noite in­
teira. Na manhã seguinte, ao saírem do recinto, eles encontraram o fa­
moso evangelista.
Moody lhes perguntou o que estiveram fazendo ali. Eles lhe con­
taram e acrescentaram: “Sr. Moody, está vendo como nosso rosto bri­
lha?” Moody gentilmente respondeu: “Moisés não tinha consciência
de que seu rosto brilhava.” O que ele queria dizer? Que a bondade que
chama a atenção para si mesma não é bondade cristã. Assim, como le­
mos em Mateus 5:16, nossas boas obras não são para glorificação pró­
pria, mas para que “glorifiquem a vosso Pai que está nos Céus”.
Em resumo, fazer o bem é algo que deve ser realizado da maneira
correta. O cristão não está interessado em ostentação ou exibição. Não
devemos viver a vida cristã de modo que as pessoas nos elogiem. Não
devemos doar nosso dinheiro, nem nosso tempo, de forma que as pes­
soas pensem que somos extraordinários em nossa dedicação. Nem de­
vemos passar uma lição de Escola Sabatina, pregar um sermão, ou es­
crever um livro para que as pessoas olhem para nós.
Essas podem (ou não) ser boas obras para nós, mas são boas obras
cristãs unicamente quando são feitas para glorificar nosso Criador e
Mantenedor.
Um dos problemas mais difíceis que enfrentamos como cristãos, é
agir independentemente do desejo de glorificação própria e egocen­
trismo. Já nascemos com esse problema, e ele é parte da própria raiz do
pecado em nossa natureza.
Devemos ser luzes para que as pessoas vejam a Deus de modo mais
claro e O glorifiquem de maneira mais plena. Isso é o que Jesus fez em
Seu ministério. Suas boas obras, como vimos no texto bíblico de hoje,
levaram as pessoas a louvar e glorificar a Deus.
Senhor, ao oramos hoje, ajuda-nos a ter o espírito de João Batista,
quando disse: “Convém que Ele cresça e que eu diminua.” Ajuda-me
a viver para a Tua glória, querido Pai. Ajuda-me a brilhar por Jesus.

Ano Bíblico: I Samuel 1-3. - Juvenis: Rute 3 e 4.


A Influência do Cristão Sábado
24 de março

A Diferença Entre o Sal e a Luz


Se alguns deles não obedecem à palavra, sejam ganhos sem palavras, ...
observando a conduta honesta e respeitosa de vocês. I Pedro 3:1 e 2, NVI.
Ide e, ... dizei ao povo todas as palavras desta Vida. Atos 5:20.
CsXaando li pela primeira vez Mateus 5:13, acerca dos cristãos
sendo o sal e a luz, achei que Jesus disse a mesma coisa duas vezes por
questão de ênfase. Há um sentido em que isso é verdade. Ambas as ex­
pressões se referem ao testemunho do cristão no mundo. E tanto o sal
como a luz dão de si mesmos. Eles se expandem para o bem da substân­
cia com a qual entram em contato. Assim, eles representam exatamen­
te o oposto de todo tipo de religiosidade egocêntrica. Como resultado,
ambos se tornam ilustrações adequadas para as virtudes cristãs repre­
sentadas pelas bem-aventuranças.
Há, porém, uma diferença importante entre o sal e a luz, uma di­
ferença que é essencial que compreendamos para testemunharmos por
Jesus de maneira plena. O sal atua e se expande em segredo. Não po­
demos vê-lo atuando. Silenciosa e discretamente ele faz o que tem de
fazer - toma as coisas salgadas, sem na realidade ser visto ou ouvido.
Na vida cristã encontramos esse tipo de “testemunho do sal”. Con­
sidera-se que a silenciosa influência diária do cristão entre as pessoas
com quem se relaciona é exercida simplesmente porque ele é bondo­
so, humilde, pacificador, alegre e atencioso. As pessoas sabem que tais
indivíduos são cristãos porque eles transpiram apreciação e amor em
todo ambiente em que se encontram.
Ser como o sal é bom, mas isso não é tudo no testemunho do cris­
tão. Jesus disse que somos ambos — o sal e a luz.
A luz testemunha de modo diferente. A luz é vista. Ela atua de ma­
neira franca e visível. Nesse aspecto, pensamos sobre nossa responsabi­
lidade de compartilhar a Palavra de Deus de maneira pública através de
estudos bíblicos a outros. Aqui consideramos a responsabilidade que ca­
da cristão tem de falar a outros a respeito da verdade contida na Bíblia.
Os cristãos são tanto sal como luz. Combinadas, essas duas formas
de testemunho provêm um testemunho completo para nossa comuni­
dade. As pessoas não só vêem que somos diferentes, mas ao comparti­
lharmos a Palavra de Deus no momento certo, elas ficam sabendo por
que somos diferentes.

Ano Bíblico: I Samuel 4-6. - Juvenis: I Samuel 1.


Domingo A Influência do Cristão
25 de março

O Cristão Formal - Contradição Máxima


Tendo forma de piedade, negando-lhe, entretanto, o poder.
Foge também destes. II Timóteo 3:5.
[durante as últimas três semanas temos considerado a influên­
cia do cristão. De acordo com Jesus, cada um de nós é tanto sal como
luz. Isso quer dizer que testemunhamos ao mundo, tanto pela qualida­
de inconsciente de nossa vida cotidiana, como pelo modo ciente de
compartilharmos a verdade contida na Palavra de Deus.
Existe até mesmo algo digno de nota na ordem das metáforas do
sal e da luz. O sal vem antes da luz. Assim, Jesus enfatiza o que somos
antes de enfatizar o que dizemos. A testemunha que meramente fala,
mas não pratica, não é uma testemunha de Cristo. Dar todos os estu­
dos bíblicos e pregar todos os sermões ao mundo terá pouco efeito po­
sitivo se a pessoa não vive as bem-aventuranças. O testemunho silen­
cioso vem antes do testemunho público. O cristão é tanto sal como luz.
Mas o que dizer do “cristão” meramente formal, a pessoa que tem
o nome de cristão, mas que não tem as qualidades do cristão? Essas pes­
soas querem parecer cristãs, sem atuar como tais. Resumindo, elas são
sal sem sabor e luz sem brilho.
Não existe tal coisa.
D. Martin Lloyd-Jones salientou que “nada há no Universo de
Deus tão absolutamente inútil como um cristão meramente formal”. O
cristão formal é a pessoa que compreende o suficiente acerca do cris­
tianismo para abrir mãoYlo mundo, mas não o suficiente para produzir
real felicidade, paz e alegria.
Tais pessoas são dignas de dó. De acordo com Lloyd-Jones, “elas
são as pessoas mais patéticas do mundo”.
Deus quer que sejamos genuínos. Ele deseja que cada um de nós se­
ja um “verdadeiro” cristão. Além disso, Ele nos dá o poder necessário
para sermos assim em nossa vida diária.
Hoje Ele quer entrar em minha vida e me dar todas as bênçãos que Je­
sus veio conceder. Hoje Ele deseja me encher do Seu amor, alegria e paz.
Senhor, ajuda-me hoje a me entregar totalmente a Ti, para que eu
possa ser plenamente abençoado.

Ano Bíblico: I Samuel 7-10. - Juvenis: I Samuel 2.


A Justiça do Cristão Segunda-feira
26 de março

O Terceiro Passo
Não penseis que vim revogar a lei ou os profetas; não vim para revogar,
vim para cumprir. Mateus 5:17.
Faz quase três meses que estamos caminhando com Jesus no
Monte das Bem-aventuranças. Durante nossa caminhada, exploramos
o caráter do cristão, nas bem-aventuranças de Mateus 5:3 a 12, e a in­
fluência do cristão, de acordo com Mateus 5:13 a 16.
Agora chegamos à parte mais longa do Sermão do Monte. Mateus
5:17 a 48 trata da justiça do cristão. Em certo sentido, isso é retornar
para dar uma segunda estudada no caráter do cristão, mas dessa vez Je­
sus propositalmente trata do assunto no contexto do Antigo Testa­
mento e do código legal judaico.
Os versos 17 a 20 podem ser considerados como uma introdução
geral à opinião de Jesus sobre a justiça do cristão. Antes de entrar nos
detalhes, Ele apresenta alguns princípios básicos. E os princípios que
apresenta são os mais importantes do Novo Testamento.
A essência é que Jesus apresenta duas proposições gerais em Mateus
5:17 a 20. A primeira delas é que tudo o que Ele ensinará está em ple­
na harmonia com o Antigo Testamento. Ele não vai contradizê-lo de
forma alguma. Sua primeira proposição se encontra nos versos 17 e 18.
A segunda importante proposição de Jesus em Mateus 5:17-20 é
que, conquanto Seus ensinos estejam em harmonia com o Antigo Tes­
tamento, estão em certa desarmonia com muitos dos ensinos dos escri­
bas e fariseus, os quais eram muito bem aceitos pela população daque­
les dias. Esse segundo ponto se encontra nos versos Í9 e 20.
O restante do capítulo 5 de Mateus é um comentário ou extensão
dos versos 17 a 20. De ponto em ponto, através de seis tópicos ilustra­
tivos nos versos 21a 48, Jesus afirma que aceita a lei do Antigo Testa­
mento, mas rejeita a interpretação farisaica da mesma. Nesse processo,
Jesus nos ajuda a ver significados mais profundos na lei e em sua natu­
reza espiritual.
Uma pessoa nunca pode olhar para a lei da mesma maneira, depois
de ter realmente compreendido o que Jesus está ensinando na segunda
parte de Mateus 5. Prepare-se; Jesus está pronto para nos conduzir em
um importante trajeto para compreender a profundidade e essência da
lei de Deus.

Ano Bíblico: I Samuel 11-13. - Juvenis: I Samuel 3.


Terça-feira A Justiça do Cristão
27 de março

A Lei e os Profetas
E, começando por Moisés, discorrendo por todos os profetas,
expunha-lhes o que a Seu respeito constava em todas as Escrituras.
Lucas 24:27.
^G^uando Jesus fala acerca da lei e dos profetas, Ele está falando
a respeito da Bíblia de Seus dias - o Antigo Testamento. A lei consis­
tia dos cinco livros de Moisés e ia de Gênesis a Deuteronômio. E os
profetas eram os livros daqueles escritores posteriores da Bíblia que en­
sinavam a lei, a interpretavam e a aplicavam à nação de Israel.
A lei era um conceito central na Bíblia, do início ao fim. Por isso,
cabe a nós tomar um pouco de tempo para entender o assunto, espe­
cialmente porque Jesus disse que isso é importante.
A lei de Moisés consistia, na realidade, de vários tipos de leis. A
primeira era a lei moral dos Dez Mandamentos, que Deus escreveu em
pedras para sempre no Monte Sinai. A lei moral estabelece importan­
tes princípios que abrangem todos os atos e relacionamentos humanos.
A segunda categoria de leis encontrada nos livros de Moisés é a lei
cerimonial. Essas leis se referiam à maneira como Deus lidava com o
problema do pecado. Centralizavam-se no santuário, em sacrifícios de
sangue e no ministério sacerdotal. A lei cerimonial é de grande valor
porque prenuncia a importância de Jesus e da natureza de Sua obra.
Há uma terceira categoria de leis que devemos observar. Mas esta
não se encontra nos livros de Moisés. Trata-se da lei oral, ou seja, a in­
terpretação da Lei de Moisés pelos escribas e fariseus.
De particular importância para o restante do capítulo 5 de Mateus,
são a lei moral e a interpretação que os escribas'fazem dela. Essa era a
área de conflito entre Jesus e o partido farisaico. É importante sermos
precisos em nossa compreensão da lei de Deus - tão importante, na
realidade, que Jesus dedica a maior parte de Seus ensinos a ela.

Ano Bíblico: I Samuel 14-16. — Juvenis: I Samuel 4.


A Justiça do Cristão Quarta-feira
28 de março

Jesus Sendo Criticado


Achava-se ali [no sábado] um homem que tinha uma das mãos
ressequida. ... Então, disse ao homem: Estende a mão. Estendeu-a, e ela
ficou sã como a outra. Retirando-se, porém, os fariseus, conspiravam contra
Ele, sobre como Lhe tirariam a vida. Mateus 12:10-14.
Jesus defendia a verdade. Essa era a fonte de todos os Seus pro­
blemas com os líderes judeus. Ele não só ensinava a verdade, mas vi­
via a verdade.
Os líderes judeus foram achados em falta por Jesus em pelo menos
quatro pontos. Primeiro, Ele lhes censurou a falsa compreensão de Deus
e da lei. Algumas pessoas pensam que o cristão nunca discorda de nin­
guém, que o cristão nunca critica a religião ou a crença de outras pes­
soas. Essa idéia certamente não vem dos Evangelhos. Jesus gentilmente,
mas com firmeza, confrontava o erro onde quer que ele fosse encontra­
do. Isso O colocou em conflito com os escribas e fariseus.
Em segundo lugar, Jesus ensinou sobre a graça; que Deus perdoa li­
vremente as pessoas que uma vez se rebelaram contra Ele, se elas se ar­
rependerem. Os ensinos acerca da graça (dar às pessoas o que elas não
merecem) perturbavam os fariseus e legalistas de todas as gerações.
Em terceiro lugar, Jesus não só ensinava sobre a graça; Ele a prati­
cava quando, com intenções de resgate, Se misturava com publicanos,
prostitutas e pecadores. Existe uma classe de pessoas “religiosas” em to­
das as gerações que vêem com maus olhos essas misturas.
Por último, Jesus não tinha o tipo certo de credenciais para ser um
“bom” ministro. Não possuía educação farisaica, nem fora ordenado.
Como resultado de todas essas coisas, Jesus era suspeito desde o co­
meço, tanto entre o povo em geral como entre os líderes religiosos. Era
Ele realmente ortodoxo? Como podia Ele crer no Antigo Testamento
e mesmo assim ensinar e agir daquele modo?
Foi para responder a essas perguntas que Jesus afirmou, logo no iní­
cio de Seu ministério, que Ele cria firmemente no Antigo Testamento
e não desprezava a lei e os profetas.
A posição de Jesus sobre essas questões deve ser a minha posição.
É essencial para mim, hoje, ensinar e viver a verdade conforme é en­
contrada na Bíblia. Ajuda-me hoje, Senhor, a viver como Jesus e ter
os pensamentos dEle.

Ano Bíblico: I Samuel 17-19. — Juvenis: I Samuel 5.


Quinta-feira A Justiça do Cristão
29 de março

"Eu Vim"
No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era
Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por
intermédio dEle, e, sem Ele, nada do que foi feito Se fez. A vida estava
nEle. ... E o Verbo Se fez carne e habitou entre nós. João 1:1-14.
2^_posto que você não viu essas palavras. Que palavras?
“Eu vim”, no verso que temos estudado já por alguns dias - Mateus
5:17.
Essas palavras têm rico significado e são muito importantes para a
compreensão do restante de Mateus 5.
“Eu vim.” Jesus fez poucas declarações mais importantes que essa.
Ele não simplesmente veio. Ele veio de algum lugar. Esse lugar era
o lado de Deus o Pai. Ele veio do Céu à Terra. Conforme João mencio­
na no verso de hoje, Jesus estivera com Deus desde o princípio. Como
Paulo o descreve, Jesus “não julgou como usurpação o ser igual a
Deus”, pois “a Si mesmo Se esvaziou, assumindo a forma de servo, tor-
nando-Se em semelhança de homens”. Filip. 2:6 e 7.
A encarnação, porém, não foi o início para Jesus. Longe disso. “No
princípio, criou Deus os céus e a terra.” Gên. 1:1. Como parte da Di­
vindade, Jesus era Criador; Ele era Deus vindo à Terra.
No livro de Êxodo, lemos que Jesus era o “Eu Sou”, Aquele que
chamou Moisés na sarça ardente (Exo. 3:14; João 8:58). E foi Jesus
quem proclamou a lei no Monte Sinai em meio a fogo e trovões.
“Eu vim.” Palavras significativas. Ricas palavras, especialmente no
contexto de Mateus 5:17-48. O próprio Jesus, que deu a lei no Monte
Sinai, vai agora explicar a profundidade de seu mais elevado significa­
do no Monte das Bem-aventuranças. Que privilégio ouvir Suas pala­
vras. Que bênção ser capaz de lê-las e assim vivê-las.
“Eu vim.” Essas palavras dizem que quando ouvimos a Jesus, esta­
mos ouvindo a Deus. Quando adoramos a Jesus, estamos adorando a
Deus.
Ajuda-me, Senhor, a dedicar minha vida a Ti em gratidão, porque
vieste, não apenas para me ensinar, mas para morrer em meu lugar.

Ano Bíblico: I Samuel 20-23. — Juvenis: I Samuel 6; 7:1 e 2.


A Justiça do Cristão Sexta-feira
30 de março

Cristo, o Fim da Lei


Porque o fim da lei é Cristo. Romanos 10:4.
O fim da .lei é Cristo, mas Ele não é o fim da lei. Afinal, Ele cla­

ramente afirma em Mateus 5:17 que não veio revogar a lei. Veio, po­
rém, para colocar um fim no mau uso da lei entre Seus seguidores.
O mau uso da lei assume diversos aspectos. Teríamos descoberto
um deles no texto de hoje, se tivéssemos citado o verso inteiro de Ro­
manos 10:4- A passagem diz o seguinte: “Porque o fim da lei é Cristo,
para justiça de todo aquele que crê.” No curso da história do cristianis­
mo, o povo tem tentado obter a salvação através da observância da lei.
Paulo nos diz que a crença em Jesus põe um fim nessa maneira de pen­
sar e agir.
Mas Jesus também colocou um fim em outras maneiras de pensar
sobre a lei. Com toda sinceridade, os judeus haviam multiplicado re­
gras e restrições. Eles queriam proteger a lei de Deus e certificar-se de
que era observada perfeitamente. Com esse propósito, acharam que
precisavam definir todas as coisas. Assim, quando a Bíblia dizia que
não deviam trabalhar no sábado, eles tinham que definir o trabalho.
Uma dessas definições tinha que ver com levar cargas.
O que era uma carga? A lei dos escribas concluía que levar uma
carga era transportar “alimento de peso igual a um figo seco, ... leite
em quantidade suficiente para um gole, ... tinta suficiente para escre­
ver duas letras do alfabeto”, e assim por diante.
Eles gastavam horas argumentando sobre coisas como, por exem­
plo, se era pecado um alfaiate carregar uma agulha espetada na roupa
no dia de sábado, ou se as mulheres podiam usar broches ou uma pre-
silha no cabelo no santo dia. Eles discutiam até se era permissível usar
dentes postiços no sábado.
As definições eram inúmeras e abrangiam todos os aspectos da vi­
da nos sete dias da semana. Essas pessoas eram os perfeccionistas origi­
nais. Para eles, defender sua interpretação da lei era o centro da expe­
riência religiosa.
Jesus não veio para revogar a lei, mas para dar um fim a todas as
abordagens e atitudes para com a lei. Até a lei se transforma em boas
novas nas mãos de Jesus.

Ano Bíblico: I Samuel 24-27. — Juvenis: I Samuel 8.


Sábado A Justiça do Cristão
31 de março
A Lei é Boa (Às Vezes)
Por conseguinte, a lei é santa; e o mandamento, santo, e justo, e bom.
Romanos 7:12.

lei em si mesma é boa, mas não é boa para todas as pessoas,


em todas as circunstâncias. Certamente tinha seu lado negativo para
os judeus do tempo de Cristo. Como é isso?
Talvez a melhor maneira de considerar a questão, seja através de
um exame da história de Israel. Deus deu a lei a Moisés, o qual a trans­
mitiu aos israelitas. Os israelitas, porém, no início de sua história não
prestaram muita atenção às ordens de Deus.
Eles ofereciam sacrifícios no estilo pagão, adotavam os costumes
dos povos das culturas vizinhas, e com freqüência simplesmente igno­
ravam o conselho divino.
Em conseqüência, Deus enviou profeta após profeta para adverti-
los e conduzi-los de volta à fidelidade. Mas, na maioria das vezes, Israel
não dava atenção aos profetas.
O resultado foi o cativeiro babilônico, com seus 70 anos de exílio.
Depois de voltarem do cativeiro, um núcleo significativo de líderes
religiosos e políticos dos judeus decidiram que não repetiríam a expe­
riência. Observariam a lei e não se misturariam com povos pagãos, nem
adotariam seus costumes.
E o resultado? Israel conseguiu cometer o erro contrário. Sob a lide­
rança de grupos como os fariseus, eles fizeram da lei o fim em si mesma
e a utilizaram como meio de separar-se de outras pessoas. Tomaram-se
fanáticos observadores da lei. A religião se tornou uma incessante roti­
na de ritos e cerimônias. A lei se tornou o centro da vida deles. Nesse
processo, deixaram de compreender que a lei só era boa se sua natureza
espiritual fosse o centro da observância da lei.
Uma vez mais precisavam ouvir os profetas. Deviam ouvir Mi-
quéias, que escreveu que Deus não está satisfeito com a mera obediên­
cia exterior do sistema sacrifical. Se a lei é observada em espírito, nós
praticaremos a justiça, “amaremos a misericórdia” e “andaremos hu­
mildemente com Deus” (Miq. 6:8).
Precisamos de equilíbrio em nossa vida. Precisamos ouvir tanto a
lei como os profetas. Precisamos observar a lei no espírito que Deus
tencionou que a observássemos. Então ela se tornará sempre boa.

Ano Bíblico: I Samuel 28-31. — Juvenis: I Samuel 9.


A Justiça do Cristão Domingo
Ia de abril

Cumprindo a Lei - I
Eu tenho guardado os mandamentos de Meu Pai e no Seu amor
permaneço. João 15:10.
O fato de Jesus dizer que não veio revogar a lei, mas cumpri-la
(Mat. 5:17), confundiu muitas pessoas. A despeito de Suas palavras
simples, elas ainda liam e entendiam que Ele revogou a lei de Deus.
Mas cumprir não quer dizer abolir, e sim completar, dar sentido com­
pleto, desempenhar totalmente. Assim, a palavra “cumprir” pode ser
entendida, pelo menos, de três maneiras diferentes: (1) Jesus obedeceu
totalmente ao que a lei do Antigo Testamento requeria, através de
uma vida de obediência; (2) Ele cumpriu os elementos preditos no An­
tigo Testamento, e (3) Ele deu sentido completo às Escrituras dos ju­
deus, através de Seus ensinos.
Havia um sentido no qual Jesus cumpriu o Antigo Testamento nas
três maneiras. Vamos examinar cada uma.
Não há dúvida alguma a respeito da vida sem pecado de Jesus na
Terra. No fim de Sua vida, Ele podia reivindicar, sem temor de qual­
quer contradição, que havia observado os mandamentos de Seu Pai.
Ninguém podia apresentar uma justa acusação contra Ele.
Assim, Jesus viveu uma vida de perfeita obediência. Obedeceu à
lei em seus mínimos detalhes. Viveu a lei em seu mais amplo sentido
e a ela obedeceu perfeitamente.
Como resultado, Ele pôde Se tornar nosso sacrifício perfeito, “sem
mácula”, no monte chamado Calvário. Ele provou que eram falsas as
acusações de Satanás, de que ninguém conseguia obedecer à Lei de
Deus, e Sua vida perfeita fez dEle nosso substituto, tanto na vida como
na morte. Nos livros do Céu, o registro de Sua vida perfeita permane­
ce em lugar do nosso, quando O aceitamos pela fé. Temos um Salva­
dor que viveu e morreu por nós.
Jesus não apenas viveu uma vida de obediência à lei de Deus; Ele
também ensinou outros a amarem a lei de Deus e a observarem. Isso se
tornará cada vez mais evidente no restante de Mateus 5.
Portanto, há um sentido em que Jesus cumpriu a lei de Deus viven-
do-a plenamente, observando-a perfeitamente, e ajudando-nos a ver o
significado completo da lei, pela maneira em que viveu e pelos ensinos
que transmitiu.

Ano Bíblico: II Samuel 1-4. — Juvenis: I Samuel 10; 11:12-15.


Segunda-feira A Justiça do Cristão
2 de abril

Cumprindo a Lei - II
A seguir, Jesus lhes disse: São estas as palavras que Eu vos falei, estando
ainda convosco, que importava se cumprisse tudo o que de Mim está escrito
na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos. Lucas 24:44.
O segundo sentido em que Jesus cumpriu a lei e os profetas é
que Ele cumpriu as profecias do Antigo Testamento concernentes ao
Messias que haveria de vir. As predições messiânicas e seu cumprimen­
to em Jesus de Nazaré solidificaram a fé dos cristãos, desde os tempos
do próprio Jesus. Consideremos algumas das profecias do Antigo Tes­
tamento que Jesus cumpriu.
Miquéias nos fala acerca do lugar de Seu nascimento: “E tu, Be-
lém-Efrata, pequena demais para figurar como grupo de milhares de Ju-
dá, de ti me sairá o que há de reinar em Israel” (5:2; cf. Mat. 2:6). Vá­
rias outras passagens do Antigo Testamento nos falam que o Messias
viria da tribo de Judá, através da descendência de Davi. Não é aciden­
talmente que os Evangelhos freqüentemente se referem a Jesus como
o Filho de Davi.
Isaías descreve a natureza do ministério de Cristo, quando escre­
veu sobre o Messias: “O Espírito do Senhor Deus está sobre Mim, por­
que o Senhor Me ungiu para pregar boas novas aos quebrantados, en-
viou-Me a curar os quebrantados de coração, a proclamar libertação
aos cativos e a pôr em liberdade os algemados” (61:1; cf. Luc. 4:18).
O serviço sacrifical de todo o Antigo Testamento apontava para
Jesus como o “Cordeiro de Deus” (João 1:36), que morreria pelos pe­
cados do mundo.
E Isaías 53 nos diz que Jesus seria “desprezado e o mais rejeitado
entre os homens” (verso 3), não revidaria quando levado “como ove­
lha muda perante os Seus tosquiadores” (verso 7), morreria “por causa
da transgressão” do Seu povo (verso 8), e Lhe designariam “sepultura
com os perversos” (os ladrões na cruz) e “com os ricos estaria na mor­
te” (verso 9) - a tumba de José de Arimatéia.
Poderiamos ir longe nesse assunto. Jesus cumpriu as profecias do
Antigo Testamento. Nós servimos a um Deus que sabe o fim desde o
princípio.

Ano Bíblico: II Samuel 5-7. — Juvenis: I Samuel 12.


A Justiça do Cristão Terça-feira
3 de abril

A Verdadeira Plenitude da Lei


Tudo quanto ouvi de Meu Pai vos tenho dado a conhecer. João 15:15.
CZzonquanto seja verdade que Jesus desempenhou ou cumpriu o
Antigo Testamento, por ter cumprido as profecias messiânicas e por ter
observado perfeitamente a lei do Antigo Testamento, isso não consti­
tui o significado central do que Jesus quer dizer em Mateus 5:17.
O significado principal de qualquer passagem é melhor determina­
do, não pelas palavras do texto em si, mas por meio de cuidadoso exa­
me do seu contexto. E o que encontramos quando examinamos o con­
texto de Mateus 5:17?
Encontramos Jesus cumprindo o significado da lei. Isso fica claro no
restante do capítulo 5 de Mateus. Depois de fazer alguns comentários
preliminares nos versos 17 até 20, Jesus Se concentra em vários ensinos
dos judeus - o sexto e o sétimo mandamentos do Decálogo e as práticas
judaicas do divórcio, juramento, retaliação e amor ao próximo.
Jesus prefacia cada um dos seis ensinos com as palavras: “Ouvistes
que foi dito aos antigos.” Então Ele prossegue, dando a compreensão
contemporânea do assunto. Depois Ele diz: “Eu, porém, vos digo...” A
essa altura, em cada caso, Jesus continua explicando a profundidade e
a extensão da lei ou da prática em seu mais amplo sentido.
Dessa maneira, Jesus está dando sentido ou cumprindo a lei. Ele
lhe dá sentido completo. Conforme Ellen White coloca: “Sua missão
era engrandecer ‘a lei, e a tornar ilustre (ou gloriosa)’. Isaías 42:21
(Trad. Trinitária). Ele devia mostrar a natureza espiritual da lei, apre­
sentar seus princípios de vasto alcance, e tornar clara sua eterna obri­
gatoriedade.” - O Maior Discurso de Cristo, pág. 49.
Nesse processo, conforme veremos nas próximas semanas, Jesus
nos legou alguns dos Seus mais preciosos ensinos. E o que começa no
Sermão do Monte, Ele continua através do Seu ministério. Jesus des­
carta todas as concepções erradas acerca dos ensinos de Deus, que ha­
viam sido acrescentadas por seres humanos, e coerentemente conduz à
profundeza do significado e propósito encerrados pelas regras e regula­
mentos divinos. Ele nos ajuda a compreender o espírito da lei — o es­
pírito de amor, que torna cristãs a observância da lei e a obediência.
Senhor, ajuda-me hoje a ouvir o que o Mestre tem a dizer.

Ano Bíblico: II Samuel 8-10. — Juvenis: I Samuel 15.


Quarta-feira A Justiça do Cristão
4 de abril

A Perpetuídade da Lei
Porque em verdade vos digo: até que o céu e a terra passem, nem um
i ou um til jamais passará da lei, até que tudo se cumpra. Mateus 5:18.
J esus não poderia ter dito isso de maneira mais clara. A lei de Deus
não pode ser mudada no mínimo grau. Suas exigências são perpétuas.
Assim como o céu e a Terra são sinais de perpetuídade, no sentido
de que eles estão sempre aí, assim a lei de Deus é perpétua. Não é algo
que Ele muda de tempos em tempos porque sente o desejo de fazer al­
guma coisa diferente. Não, seus princípios estão embutidos na própria
estrutura do Universo.
Gosto da maneira como a [versão da Bíblia] The Message traduz a
primeira parte de nosso verso: “A lei de Deus é mais real e duradoura
do que as estrelas no céu e a terra debaixo dos seus pés. Muito depois
de as estrelas se apagarem e a Terra se desgastar, a Lei de Deus perma­
necerá viva e ativa.” Isto sim, é perpetuídade!
Mas por que essa perpetuídade? Não tem Deus livre-arbítrio? Não
pode Ele escolher o que quer fazer?
Logicamente, Ele pode fazer o que bem desejar. Mas as perguntas
omitem o ponto principal. Os caminhos da lei básica de Deus são os
caminhos da saúde e da vida. O contrário da lei é a morte, a destrui­
ção e a desordem. Considere os Dez Mandamentos, por exemplo. E im­
possível ter uma sociedade sadia na qual as pessoas matam umas às ou­
tras e não se pode confiar em ninguém.
A lei de Deus não pode ser mudada porque é uma representação vi­
sível do Seu caráter. Seus próprios princípios são para o nosso eterno bem.
Por isso, nem a menor partícula da lei de Deus, nem “um i ou um
til” (a menor letra e o menor acento do alfabeto hebraico), serão mu­
dados. Isto é para o nosso bem.
E conquanto isso seja verdade a respeito dos Dez Mandamentos, é
também verdade para todo o Antigo Testamento - a lei e os profetas.
O Antigo Testamento ainda é válido para os cristãos.
Até mesmo a lei cerimonial tem algum significado para nós. Jesus
cumpriu o tipo sacrifical, mas os princípios do sistema ainda estão sen­
do seguidos no grande santuário celestial.
Devemos ser agradecidos porque nosso Deus é um Deus de conti­
nuidade e perpetuídade.

Ano Bíblico: II Samuel 11 e 12.— Juvenis: I Samuel 16.


<TíT«>
A Justiça do Cristão Quinta-feira
5 de abril

A Lei de Deus é Eterna


A ninguém fiqueis devendo coisa alguma, exceto o amor com que vos
ameis uns aos outros; pois quem ama o próximo tem cumprido a lei.
Romanos 13:8-10.
lense sobre isso por um momento. Imagine Deus andando no

Céu, dizendo aos santos anjos: “Por favor, não cometam adultério com
nenhum dos seus vizinhos.” Eu nem tenho certeza se os anjos são ca­
pazes fisicamente de cometer adultério.
Por outro lado, pense em Deus instruindo os anjos a honrarem seus
pais e mães. Diga-me: Eles têm pais e mães?
Os anjos observavam a lei de Deus sem saber, porque ela estava es­
crita no âmago do seu coração. (Comparar com Heb. 8:10 e II Cor.
3:3.) Aos anjos não foi necessário dizer: “Não matarás” ou “Não furta­
rás”, porque eles foram positivamente motivados do íntimo do coração
para respeitarem os outros.
A lei no Decálogo, entretanto, representa um princípio universal
e eterno. Jesus salientou esse princípio quando Lhe foi perguntado
acerca do grande mandamento. E o princípio do amor a Deus e aos
nossos semelhantes.
Por causa do pecado, Deus tornou Sua lei eterna mais explícita.
Ele estabeleceu o princípio do Seu amor em dez ilustrações ou manda­
mentos que representam maneiras decisivas de amar a Deus e aos se­
melhantes. Mas envolvendo-os todos, está o princípio do amor, o ver­
dadeiro princípio do Seu caráter. (Ver I João 4:8.)
Deus deseja escrever Sua lei eterna de amor no âmago do nosso co­
ração. Quando isso for feito, será natural para nós sermos atenciosos
para com Ele e para com os demais.
Que lugares maravilhosos seriam nosso lar e nossa igreja, se deixás­
semos que Deus escrevesse mais.

Ano Bíblico: II Samuel 13 e 14. — Juvenis: I Samuel 17.


Sexta-feira A Justiça do Cristão
6 de abril

O Que a Lei Não Faz


Ninguém será justificado diante dEle por obras da lei, em razão de
que pela lei vem o pleno conhecimento do pecado. Romanos 3:20.
Há uma coisa muito importante que a lei de Deus não pode fa­
zer. Ela não nos salva. Paulo afirma que a função da lei não é justificar,
mas mostrar-nos onde erramos. Como ele diz em Romanos 7:7: “Eu
não teria conhecido o pecado, senão por intermédio da lei.”
Tiago 1:23 a 25 compara a lei com um espelho. Antes de sair para
o trabalho cada manhã, me coloco em frente ao espelho para descobrir
o que está certo e o que está errado com o rosto e os cabelos. O espe­
lho me mostra que não estou preparado para me expor ao público, que
tenho uma mancha no rosto e meus cabelos não estão bem penteados.
A função do espelho é destacar coisas que precisam melhorar. Co­
nhecedor disso, utilizo o sabonete, a bucha e o pente. De nada me va­
lerá esfregar o espelho no rosto para tirar a mancha, nem passar o es­
pelho nos cabelos para penteá-los. O propósito do espelho é mostrar
pontos que precisam melhorar.
Assim é com a lei de Deus. Quando comparo a minha pessoa com
a lei, descubro que tenho problemas na vida. Mas a lei não pode cor­
rigir esses problemas. Ela tem outra função: mostrar que sou um peca­
dor. A lei destaca meus problemas e necessidades, mas não os solucio­
na ou satisfaz.
Paulo está correto em dizer que a lei de Deus é santa, justa e boa
(Rom. 7:12). Mas ele também está correto em dizer que “a lei é boa, se
alguém dela se utiliza de modo legítimo”. 1 Tim. 1:8.
A verdade assombrosa é que a lei pode ser usada adequadamente
ou inadequadamente. Uma das maiores tentações da natureza humana
é usar a lei de Deus de maneira ilegítima.
A lei não é uma escada para o Céu. Mas ela nos deixa cientes de
nossa necessidade dessa escada. A transgressão da lei nos mostra que
somos pecadores perdidos. Se a lei transgredida fosse tudo o que tivés­
semos, seríamos os mais infelizes. Mas a lei aponta para além de si mes­
ma, para Jesus e para a verdadeira solução para os nossos problemas.

Ano Bíblico: II Samuel 15-17. - Juvenis: I Samuel 18:1-16; 19.


A Justiça do Cristão Sábado
7 de abril

A Lei Aponta Para Jesus


O salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida
eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor. Romanos 6:23.

mensagem da lei transgredida não é interessante. Ela nos diz


que fomos rebeldes contra Deus, ou pecamos. Como resultado, perma­
necemos debaixo da condenação da lei. E essa condenação é realmen­
te severa. Não é nada menos do que a pena de morte. “O salário do pe­
cado é a morte.”
Bem, isso não é uma boa nova. É a pior das notícias.
Mas é aí que se enquadram as boas novas. Porque o nosso texto
continua dizendo que “o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cris­
to Jesus”.
As boas novas (evangelho) são que “Deus amou ao mundo (a
mim) de tal maneira que deu o Seu Filho unigênito, para que todo o
que nEle crê não pereça, mas tenha a vida eterna”. João 3:16.
As boas novas do evangelho são exatamente o oposto das más no­
vas da transgressão da lei. A salvação é uma dádiva em Jesus. E deve-
se observar que a palavra para “dádiva”, em Romanos 6:23, tem a mes­
ma raiz que a palavra usada para “graça”. Graça é a dádiva de Deus a
nós em Jesus. Nós nos apossamos dessa graça através da fé em Jesus,
quando afinal compreendemos quão desamparados estamos diante do
dedo condenador da lei transgredida.
Por isso, podemos dizer que a lei literalmente nos conduz a Jesus.
Lei e graça não funcionam em oposição uma à outra. Elas trabalham
juntas. A lei transgredida me mostra que estou sujo e necessito ser pu­
rificado. E essa necessidade me conduz a Jesus. “Se confessarmos os
nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos pu­
rificar de toda injustiça.” I João 1:9.
Podemos louvar a Deus hoje porque Ele nos ama tanto que fez pro­
visões para cada uma de nossas necessidades. Podemos louvar a Deus
hoje porque, através da graça, Ele concede àqueles que aceitam o sa­
crifício de Jesus a vida eterna que eles não mereciam por si mesmos,
em lugar da morte eterna que lhes cabia como “salário”.

Ano Bíblico: II Samuel 18 e 19. — Juvenis: I Samuel 20.


Domingo A Justiça do Cristão
8 de abril

O Ensino Bíblico Mais Repugnante


Porque a vida da carne está no sangue. Eu vo-lo tenho dado sobre o
altar, para fazer expiação pela vossa alma, porquanto é o sangue que fará
expiação em virtude da vida. Levítico 17:11.
Era 1:30 da tarde. Eu acabara de chegar da igreja.
Após um rápido almoço aquecido no microondas, me dirigi até a
garagem para pegar Scottie, nosso vibrante cachorrinho. Como de cos­
tume, seu submisso corpinho atendeu meu chamado. Com confiança
ele me olhou, na esperança, sem dúvida alguma, de que eu tivesse um
ossinho escondido nas mãos atrás de mim.
Ergui-o gentilmente e levei-o até o porão, pois eu não queria que
o estranho ato que iria praticar naquele dia fosse visto pelos vizinhos.
Escondido em segurança, coloquei o cachorrinho do meu lado e arran­
jei minhas ferramentas. Depois ajoelhei-me e orei.
Então, colocando minha mão direita sobre a cabeça do animalzi-
nho, confessei meus pecados. Enquanto isso, com a mão esquerda, pas­
sei uma faca bem afiada pela garganta do confiante e ingênuo Scottie.
Por volta de 1:50 eu havia terminado.
A experiência me devastou. Eu não havia matado coisa alguma
por muitos anos, muito menos com as próprias mãos. Enquanto estava
ali ajoelhado, semiparalisado, eu podia sentir as artérias do cachorro
pulsando ao verter suas últimas gotas de sangue — cada pulsação pare­
cia fazer ecoar a mensagem: “O salário do pecado é a morte, o salário
do pecado é a morte.” Com náusea indescritível, me arrastei até a pia,
onde procurei lavar minhas mãos pegajosas daquilo que me fazia lem­
brar de que o pequeno Scottie havia morrido pelos meus pecados.
Agora, antes de você ligar para o Departamento de Proteção aos
Animais, compreenda, por favor, que toda essa história é totalmente
fictícia. Contei essa história para que você pudesse ter uma “idéia” do
que era o sistema sacrifical do Antigo Testamento.
Se a ilustração lhe causou repugnância, alcancei meu objetivo - o
propósito de salientar o preço elevado do pecado e suas terríveis con­
seqüências na vida de Cristo. Lembre-se de que Ele morreu pelos meus
pecados. Morreu em meu lugar. Ele sofreu a pena de morte que me ca­
bia, para que eu tivesse a Sua vida. Esse é o mistério da cruz, o ponto
principal dos dois testamentos.

Ano Bíblico: II Samuel 20 e 21. — Juvenis: I Samuel 24.


o
A Justiça do Cristão Segunda-feira
9 de abril

Jesus Morreu Por Mim


- Antigo Testamento
Pela fé, Abel ofereceu a Deus mais excelente sacrifício do que Caim;
pelo qual obteve testemunho de ser justo, tendo a aprovação de Deus quanto
às suas ofertas. Por meio dela, também mesmo depois de morto, ainda fala.
Hebreus 11:4.
Li pela primeira vez a história de Caim e Abel quando tinha 19
anos de idade. Fiquei enraivecido quando cheguei à conclusão. Vindo
para o cristianismo, naquela ocasião, pelo portão adventista, concluí
que o sacrifício de hortaliças tinha de ser melhor do que o de sangue.
Pensei até que a oferta de Caim fora superior à de Abel porque foi ne­
cessário mais esforço humano (trabalho) para cultivar as frutas e legu­
mes do que para sentar-se em cima de uma pedra e vigiar enquanto as
ovelhas comiam e se multiplicavam.
A situação tornou-se pior ainda quando li que Deus Se agradou da
oferta de sangue de Abel e “não Se agradou” das boas obras de Caim.
De repente, me encontrei simpatizando com Caim e partilhando de
sua ira diante de tal injustiça (Gên. 4:1-6). Eu não tinha a menor idéia
do que Deus queria dizer quando mencionou a Caim que se ele proce­
desse bem, certamente também seria aceito.
Essa história é absurda sem o conhecimento do sacrifício substituinte.
Só muito tempo depois é que li Hebreus 11:4, que nos diz que Abel “ob­
teve testemunho de ser justo” por causa do seu sacrifício de sangue. Só
nessa ocasião é que compreendí também as verdades de que sem “derra­
mamento de sangue, não há perdão de pecados” (Heb. 9:22, BLH), e que
Cristo é “o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo”. João 1:29.
Em meus anos de maior amadurecimento, pude compreender que
Caim sabia o que eu não sabia quando li a Bíblia pela primeira vez. E
considerando que a morte substituinte do Salvador está implícita no
sacrifício de Abel, ela é apresentada em maior profundidade e ampli­
tude no sistema sacrifical demonstrado por Moisés. Esse sistema é a li­
ção objetiva principal do plano da salvação no Antigo Testamento.
O sacrifício substituinte é o alicerce de todos os símbolos da salva­
ção, desde o princípio da história bíblica após a queda do homem. Mas
só na morte de Jesus é que vemos o significado total dos símbolos. Ele li­
teralmente cumpriu de forma completa o significado das leis sacrificais.

Ano Bíblico: II Samuel 22-24. — Juvenis: I Samuel 26.


Terça-feira A Justiça do Cristão
10 de abril

Jesus Morreu Por Mim


- Novo Testamento
A seguir, tomou um cálice e, tendo dado graças, o deu aos discípulos,
dizendo: Bebei dele todos; porque isto é o Meu sangue, o sangue da nova
aliança, derramado em favor de muitos, para remissão de pecados. Mateus
26:27 e 28.
Jesus não cumpre a lei e os profetas só no Antigo Testamento.
Ele faz o mesmo no Novo, ao morrer por todos nós na cruz do Calvá­
rio. Ele não só morreu em meu lugar, assumindo a penalidade da lei,
mas deu sentido completo (cumpriu) ao significado da lei cerimonial
de sacrifícios.
O sacrifício é exatamente o ponto central da linguagem usada pe­
los escritores do Novo Testamento para descrever o significado da
morte de Cristo e o significado do evangelho. A linguagem e as ima­
gens do sistema judaico permeiam as discussões do Novo Testamento.
Assim, João Batista chama Jesus de “o Cordeiro de Deus que tira o pe­
cado do mundo” (João 1:29); Paulo se refere a Cristo como “nosso
Cordeiro pascal” (1 Cor. 5:7); e Pedro reivindica que seus leitores não
foram resgatados “mediante coisas corruptíveis, como prata ou ouro, ...
mas pelo precioso sangue, como de cordeiro sem defeito e sem mácu­
la, o sangue de Cristo”. I Ped. 1:18 e 19.
É, porém, o livro de Hebreus, com sua abrangente comparação en­
tre a obra de Jesus e o sistema sacrifical judaico, que apresenta de ma­
neira mais clara a morte de Cristo como sacrifício pelo pecado do ser
humano. “Sem derramamento de sangue”, diz Hebreus, “não há remis­
são. Era necessário, portanto, que as figuras das coisas que se acham
nos Céus se purificassem com tais sacrifícios (sistema sacrifical judai­
co), mas as próprias coisas celestiais, com sacrifícios a eles superiores.”
Heb. 9:22 e 23. Jesus “Se manifestou uma vez por todas, para aniqui­
lar, pelo sacrifício de Si mesmo, o pecado”. Verso 26. Sendo que “o
sangue de touros e de bodes não pode, de modo nenhum, tirar os pe­
cados de ninguém”, “Cristo ofereceu só um sacrifício para tirar peca­
dos”. Heb. 10:4 e 12, BLH.
Vez após outra vemos que Jesus cumpriu a lei, não só através de
Sua vida e ensinos, mas também por Sua morte.
Tenho um Salvador que morreu em meu lugar.

Ano Bíblico: I Reis 1 e 2. — Juvenis: I Samuel 31.


A Justiça do Cristão Quarta-feira
11 de abril

Mais Sobre o Cumprimento da Lei


Se, porém, andarmos na luz, como Ele está na luz, mantemos
comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus, Seu Filho, nos purifica
de todo pecado. I João 1:7.
CZristo cumprindo a lei e os profetas é uma das idéias mais abran­

gentes no Novo Testamento. E exatamente no centro do Novo Testa­


mento e da fé cristã está a cruz de Cristo.
Você já pensou no formato dos Evangelhos, comparando-o com o de
outras biografias? Os Evangelhos são biografias “anormais”, no sentido
de que eles dão uma quantidade desproporcional de espaço para a histó­
ria dos últimos dias de Cristo na Terra, Sua morte e ressurreição.
Os Evangelhos são diferentes da maioria de outras biografias e pes­
soas importantes. Uma biografia “normal” pode conter algumas cente­
nas de páginas sobre a vida e as contribuições de seu personagem, e
apenas umas cinco a dez páginas sobre a morte dessa pessoa. Isso por­
que o biógrafo está preocupado principalmente com a vida da pessoa.
Os Evangelhos são inigualáveis na história da literatura mundial
nesse respeito. O seu ponto de enfoque é a morte do seu herói. João de­
dica quase a metade do seu Evangelho para dar cobertura a esse assun­
to. Mais estranho ainda, é que o herói do Evangelho não tem morte de
herói. Sua morte (pela aparência exterior) foi uma morte de abando­
no por Deus (Mat. 15:34), porque, como aprendemos dos autores do
Novo Testamento, Ele estava carregando os pecados do mundo intei­
ro e morrendo pelos pecados de toda a humanidade.
Essa é a razão por que o sangue de Jesus é tão importante para os
autores do Novo Testamento e para nós. Cada imagem da salvação no
Novo Testamento é baseada no derramamento do sangue de Cristo.
Desse modo, lemos que: “Deus O apresentou (a Cristo) como sacrifí­
cio para propiciação... pelo Seu sangue” (Rom. 3:25, BLH), “nEle te­
mos a redenção por meio de Seu sangue” (Efés. 1:7, BLH), “agora fo­
mos justificados por Seu sangue” (Rom. 5:9, BLH), e Deus assim agiu
para que “por meio dEle reconciliasse consigo todas as coisas, ... esta­
belecendo a paz pelo Seu sangue derramado na cruz”. Col. 1:20, BLH.
Muito obrigado, Jesus, por cumprires a lei em Tua vida e em Tua
morte. Muito obrigado por assumires a pena de morte por mim, para
que eu possa ter ressurreição e vida em Ti. Agradeço muito por seres o
Cordeiro de Deus.
Ano Bíblico: I Reis 3 e 4. - Juvenis: II Samuel 1.
Quinta-feira A Justiça do Cristão
12 de abril

A Justiça de Deus e a Cruz de Cristo


Digno és de tomar o livro e de abrir-lhe os selos, porque foste morto
e com o Teu sangue compraste para Deus os que procedem de toda tribo,
língua, povo e nação... Digno é o Cordeiro que foi morto de receber o poder,
e riqueza, e sabedoria, e força, e honra, e glória, e louvor. Apoc. 5:9 e 12.
I or acaso você já notou que os cânticos de Apocalipse têm pro­
funda relação com o mérito e justiça de Deus? Vamos considerá-los.
A primeira série de doxologias de louvor é encontrada em Apoca­
lipse 5. Aí, o mérito de Jesus está baseado no fato de que Ele morreu
no Calvário pela humanidade.
A segunda importante série é encontrada por ocasião do derrama­
mento das sete últimas pragas. Pelo menos três vezes a justiça e vera­
cidade de Deus são louvadas. “Tu és justo nos Teus julgamentos”
(Apoc. 16:5, BLH), proclama o anjo ao derramar a terceira praga. O
altar responde dizendo: “Certamente, ó Senhor Deus, Todo-Poderoso,
verdadeiros e justos são os Teus juízos.” Apoc. 16:7. (Ver também
Apoc. 15:3 e 4.)
A terceira cena tem lugar na segunda vinda de Cristo. O capítulo
19 começa com “grande voz de numerosa multidão, dizendo: Aleluia!
A salvação, e a glória, e o poder são do nosso Deus, porquanto verda­
deiros e justos são os Seus juízos”. Versos 1 e 2. Mais adiante, no mes­
mo capítulo, Cristo, retratado como cavalgando Seu cavalo branco,
“Se chama Fiel e Verdadeiro e julga e peleja com justiça”. Verso 11.
Por que essa preocupação com a justiça de Deus? A resposta se en­
cerra em uma questão fundamental do plano da salvação. Se a lei con­
dena à morte aqueles que a transgrediram, como pode Deus salvar al­
guns pecadores, e outros não? E não é a graça (dar perdão a algumas
pessoas a despeito de sua vida pecaminosa) algo tão injusto como qual­
quer outra coisa?
É aí que a cruz entra em cena. Como Jesus morreu por mim e eu
aceitei esse sacrifício pela fé, Deus está livre para me perdoar. Ele
manteve Sua justiça pelo fato de ter defendido a lei e a pena de mor­
te, mas Ele é também capaz de mostrar misericórdia àqueles que a de­
sejam por causa do sacrifício do Cordeiro. A cruz está exatamente no
centro de nossa fé.

Ano Bíblico: I Reis 5 e 6. - Juvenis: II Samuel 5.


A Justiça do Cristão Sexta-feira
13 de abril

Cumprindo a Lei no Céu


Ora, o essencial das coisas que temos dito é que possuímos tal Sumo
Sacerdote, que Se assentou à destra do trono da Majestade nos Céus, como
ministro do santuário e do verdadeiro tabernáculo que o Senhor erigiu,
não o homem. Hebreus 8:1 e 2.
Jesus não só deu sentido completo ou cumpriu a lei em Sua vida

perfeita, Seu ministério e Sua morte no Calvário, mas continua fazen­


do isto enquanto ministra em nosso favor no santuário celestial.
Do mesmo modo que os sacerdotes terrestres ofereciam sangue de
bodes e carneiros pelos pecados do povo, também nosso grande Sumo
Sacerdote oferece Seu próprio sangue para resgatar os pecados do Seu
povo.
Cristo Se ofereceu “uma vez por todas”. Heb. 10:10. Mas Ele não
é apenas a oferta tipificada no serviço do santuário, Ele é também o sa­
cerdote. Como Hebreus descreve: “Cristo não entrou em santuário fei­
to por mãos, figura do verdadeiro, porém no mesmo Céu, para compa­
recer, agora, por nós, diante de Deus.” Heb. 9:24.
Cristo é nosso Sacerdote celestial, nosso Advogado. E o Seu mi­
nistério será o mais bem-sucedido de todos os tempos. Seguindo a mes­
ma linha de pensamento, o escritor de Hebreus registrou que “também
pode salvar totalmente os que por Ele se chegam a Deus, vivendo sem­
pre para interceder por eles”. Heb. 7:25.
Talvez a coisa mais maravilhosa no ministério de Cristo em nosso
favor, na sala do trono de Deus, seja o fato de nós termos, conforme diz
Hebreus, “plena certeza” (6:11 e 10:22) de Seu êxito como nosso Ad­
vogado de defesa contra as acusações de Satanás.
Podemos aprender muito a respeito do trabalho de Jesus, estudan­
do o sistema do santuário no Antigo Testamento. Infelizmente, com
freqüência nos concentramos demais nos aspectos físicos do taberná­
culo. É o ministério de Jesus, tanto em perdoar pecados como em rei­
vindicar Seus seguidores por ocasião do juízo final, que marca o centro
do sistema. O serviço consiste em mais do que simplesmente tábuas e
tijolos; ele é a lição objetiva da certeza da nossa salvação.

Ano Bíblico: I Reis 7 e 8. — Juvenis: II Samuel 7.


Sábado A Justiça do Cristão
14 de abril

Leis do Antigo Testamento Hoje


É mais fácil passar o céu e a terra do que cair um til sequer da lei.
Lucas 16:17.
Porém isto não quer dizer que a Lei perdeu sua força nem mesmo no
menor ponto. Ela é tão forte e firme como o céu e a terra. Lucas 16:17,
A Bíblia Viva.
JBem, o que dizer da lei? Como cristão, de que maneira me rela­
ciono com as inúmeras leis nos livros de Moisés?
Vamos considerar esses tipos de leis, uma de cada vez.
O primeiro grupo de leis de Moisés consiste nas leis legislativas
que governam a nação de Israel. Mas Israel não é mais uma nação teo-
crática, que tem Deus como líder. Próximo do fim do Seu ministério,
Jesus salientou que uma mudança ocorrería, dizendo: “Portanto, vos
digo que o reino de Deus vos será tirado e será entregue a um povo que
lhe produza os respectivos frutos.” Mat. 21:43. Essa nova nação é a
igreja cristã. Por não existir mais a nação teocrática de Israel, as leis
civis de Moisés já se cumpriram.
Em segundo lugar, aprendemos que as leis cerimoniais retratam em
tipos a vida, morte e ministério celestial de Jesus. Uma parte disso já
se cumpriu e a outra ainda está sendo cumprida. De acordo com a de­
finição do Novo Testamento, cristão é aquele que aceita Jesus como
sua oferta queimada, seu sacrifício e seu sacerdote. Assim as leis ceri­
moniais ainda se aplicam a todos nós, não no sentido de que devamos
continuar oferecendo sacrifícios de sangue, mas em que diariamente
apliquemos o sacrifício de Cristo à nossa vida e utilizemos cada dia o
ministério de Jesus no santuário celestial.
No terceiro grupo, a lei moral refletida nos grandes mandamentos
de amor de Jesus e apresentada nos Dez Mandamentos ainda está re­
gendo a ordem moral do Universo. Por sua própria natureza, a lei mo­
ral de Deus é inalterável. Deve ser escrita em nosso coração para que
oriente nossos pensamentos e ações. Por causa da importância da lei
moral, Jesus faz uma grande apresentação da relação do cristão para
com ela em Mateus 5:20 a 48.

Ano Bíblico: I Reis 9 e 10. - Juvenis: II Samuel 15.


A Justiça do Cristão Domingo
15 de abril

Levando Deus a Sério


Aquele, pois, que violar um destes mandamentos, posto que dos menores,
e assim ensinar aos homens, será considerado mínimo no reino dos Céus;
aquele, porém, que os observar e ensinar, esse será considerado grande no
reino dos Céus. Mateus 5:19.
Porque cremos na graça, no perdão e no amor, é muito fácil pen­

sar que Deus é tão despreocupado que não importa como vivemos ou
o que fazemos. Não é assim.
Acima de todas as coisas, Deus quer a nossa felicidade, tanto ago­
ra como na eternidade. E porque Ele deseja ver-nos felizes, leva nossas
necessidades muito a sério. Somos importantes para Ele.
Como resultado dessa importância, Deus está fazendo tudo o que
pode para conduzir a vida de Seu povo. No processo, Ele estabelece
princípios de vida, para que sejamos mais saudáveis em todos os aspec­
tos - espiritual, social, físico e mental.
Ele deu muitos desses princípios ao Seu povo no Antigo Testa­
mento. Deu discernimento adicional para uma vida alegre e saudável
no Novo Testamento, e continua a guiar Seu povo nos tempos moder­
nos através dos dons do Seu Espírito.
Ele deseja que atendamos aos Seus conselhos com a maior serieda­
de, mesmo que pareçam ser “mínimos” ou sem importância para nós.
Não vai adiantar nada atenuarmos esta ou aquela instrução bíblica por
não se enquadrar em nossa agenda.
Não devemos apenas praticar os princípios divinos em nossa vida
cotidiana; devemos também ensiná-los a outros. Esse ensino inclui
nossa responsabilidade como pais e membros de família, nossas opor­
tunidades na igreja, e nossas oportunidades na comunidade e no local
de trabalho.
Somos representantes do Rei do Universo. E Ele quer que O leve­
mos a sério, tanto quanto Ele leva a sério nossas necessidades e nossos
problemas.
Por isso, como cristãos, sejamos fiéis tanto nas “mínimas” como
nas grandes coisas do livro de Deus. E viveremos todas elas no meigo
espírito de Cristo. Ajuda-nos, Pai, é nossa oração.

Ano Bíblico: I Reis 11 e 12. — Juvenis: II Samuel 18.


<n>
Segunda-feira A Justiça do Cristão
16 de abril

Fariseus São Boas Pessoas


Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder em muito a dos
escribas e fariseus, jamais entrareis no reino dos Céus. Mateus 5:20.
Essa é a afirmação mais assustadora em todo o repertório de
idéias de Jesus. Deve ter deixado Seus discípulos e demais ouvintes
muito perplexos.
Como poderia alguém ter mais justiça do que os escribas e fariseus?
Tal pensamento parecia a maior impossibilidade na mente dos judeus
do primeiro século.
Os escribas eram uma classe de pessoas que passavam todo o seu
tempo ensinando e expondo a lei de Deus. Sua vida inteira era dedi­
cada ao estudo da Palavra de Deus. Dedicação - os escribas a tinham
em abundância.
Nos tempos de Jesus, os fariseus eram uma classe seleta de aproxi­
madamente 6.000 homens. A vida deles era totalmente dedicada a
promover a vinda do Messias (a palavra grega equivalente a Messias é
traduzida comó “Cristo”) por meio de um viver perfeito.
A maioria dos cristãos precisa revisar sua concepção dos fariseus.
Eles não eram simplesmente bons homens; eram os melhores homens.
Não só eram moralmente retos, mas extremamente sinceros em buscar
a Deus e na veneração e defesa do Seu santo nome, Sua lei e Sua Pala­
vra. Certamente, a igreja e o mundo estariam infinitamente melhores
se um maior número de nós viesse a Deus diariamente com a principal
pergunta farisaica: “Que farei para herdar a vida eterna?” (Luc. 10:25;
Mat. 19:16.) Aqui estava um povo totalmente dedicado a servir a Deus,
desde o momento em que se levantavam de manhã até quando se dei­
tavam à noite.
Deturparemos a imagem do Novo Testamento se deixarmos de ver
a bondade dos escribas e fariseus.
Quanto poderia a igreja fazer se cada um de nós fosse tão dedica­
do como eles eram! Isso, porém, não quer dizer que eles faziam tudo
certo, embora pareça sugerir que sua dedicação e devoção a Deus eram
incontestáveis.
Ajuda-me, Senhor, a aprender a lição positiva de dedicação dos es­
cribas e fariseus. Ajuda-me a levar a sério a Tua Palavra.

Ano Bíblico: I Reis 13 e 14. - Juvenis: II Samuel 22.


O
A Justiça do Cristão Terça-feira
17 de abril

A Bondade dos Fariseus


Não matarás, não adulterarás, não furtarás, não dirás falso testemunho;
honra a teu pai e a tua mãe e amarás o teu próximo como a ti mesmo.
Replicou-Lhe o jovem: Tudo isso tenho observado; que me falta ainda?
Mateus 19:18-20.
Jesus não contradisse o jovem fariseu que alegava ter guardado
os mandamentos desde sua infância. Ele também não discutiu com o
fariseu que orava, em Lucas 18, agradecendo a Deus por não ser “como
os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros” (verso 11).
Podemos aprender uma lição examinando o lado “bom” desse de­
dicado grupo. Vamos observar suas qualidades dignas de louvor.
Em primeiro lugar e acima de tudo, eles eram amantes e defenso­
res da Bíblia como a Palavra de Deus. Sua tradição verbal se estabele­
cera para preservar o verdadeiro significado das Escrituras.
Em segundo lugar, os fariseus eram totalmente dedicados à lei de
Deus. Amavam a lei de todo o coração. R. Travers Herford apresenta
esse aspecto do farisaísmo de maneira concisa, quando afirma que “a
preocupação principal dos fariseus era fazer da Torah (lei) o guia supre­
mo da vida, em pensamento, palavra e ação, através do estudo do seu
conteúdo, da obediência aos seus preceitos, e, como base de tudo, um
serviço consciencioso a Deus, o qual dera a Torah".
Sua dedicação para guardar a Lei de Deus os inspirava a desenvol­
ver milhares de diretrizes, para nem sequer chegarem perto da aparência
do mal. Assim, eles tinham cerca de 1.521 regras verbais sobre como ob­
servar o sábado. Essas leis abordavam todos os aspectos de sua vida.
Além dessas qualidades, os fariseus eram cheios de zelo missioná­
rio e evangelístico e eram bons “adventistas”. Quer dizer, esperavam a
vinda do Messias com grande expectativa. Muitos deles criam que o
Messias (Cristo) viria se a Torah (lei) fosse observada com perfeição
por um dia.
Os fariseus se assemelham a alguns membros da igreja. Eles acredi­
tam em todas as coisas boas e desejam fazer o bem.
Mas aqui está a tragédia: eles não alcançavam o reino. Precisamos
estar alerta para não acabarmos sendo como os fariseus. Sabe, de algu­
ma forma eles não eram suficientemente bons.

Ano Bíblico: I Reis 15 e 16. - Juvenis: I Reis 1:28-53.


Quarta-feira A Justiça do Cristão
18 de abril

Bons, Mas Não o Suficiente


Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque limpais o exterior do
copo e do prato, mas estes, por dentro, estão cheios de rapina e intemperança!
Fariseu cego, limpa primeiro o interior do copo, para que também o seu
exterior fique limpo! Mateus 23:25 e 26.
Os fariseus eram boas pessoas, mas não suficientemente boas.
Ninguém pode ler os Evangelhos, mesmo de maneira superficial, sem
compreender que não havia coisa mais irritante para Jesus do que a re­
ligião dos escribas e fariseus.
Por quê? Por que Jesus não gritava com as prostitutas e os coleto­
res de impostos? Por que Ele não gastava mais tempo condenando a
classe de sacerdotes mundanos (os saduceus) ou o descuidado povo co­
mum? Por que os fariseus, que de acordo com toda a aparência exte­
rior, eram os melhores homens?
O último ponto é o problema. A religião deles tinha boa aparência
no exterior. Eles eram pessoas brilhantes, que usavam a vestimenta cer­
ta, moravam no melhor tipo de vizinhança e faziam as coisas certas.
As igrejas de hoje, inclusive as chamadas adventistas, iriam dispa­
rar em busca dessas pessoas para registrá-las no livro de membros da
igreja. Sem dúvida, muitos deles até se tornariam líderes leigos ou ecle­
siásticos. Seus talentos seriam bem utilizados.
Entretanto, eles tinham uma falha. Sua religião era de fachada,
não vinha do coração.
Jesus foi claro nesse ponto. Se a religião não abranda o coração e
transforma a vida de dentro para fora, ela é sem valor.
Jesus economizou Suas mais “violentas” palavras para esses “bons”
membros de igreja, porque eles eram hipócritas inconscientemente.
Faziam tudo certo, mas a própria bondade exterior era seu narcótico.
Sua bondade os embalava em um sono de condescendência própria, e
os deixava imunes ao senso de suas verdadeiras falhas e necessidades
espirituais.
Eles precisavam ser despertados para o fato de que a mera bonda­
de exterior definitivamente não é bondade. Precisavam compreender
a profundidade do cristianismo.
Eu também preciso! Senhor, dá-me olhos para ver a minha verda­
deira condição e ouvidos para ouvir os Teus conselhos.

Ano Bíblico: I Reis 17-19. — Juvenis: I Reis 3; 4:20-34.


<g>
A Justiça do Cristão Quinta-feira
19 de abril

Pior do que sem Religião


Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque fechais o reino dos
Céus diante dos homens; pois vós não entrais, nem deixais entrar os que
estão entrando! Mateus 23:13.
T^kqucla jovem buscava a Deus com toda sinceridade. E encon­
trara a Igreja Adventista do Sétimo Dia. Como estava feliz. Quão sin­
cera era ela. Como era transparente.
Ela descobriu que algumas coisas no adventismo eram diferentes
daquilo que conhecera antes, mas tinha um desejo ardente de se en­
quadrar ali, de agradar os membros efetivos e fazer a vontade de Deus.
Ela já havia freqüentado a igreja por um mês, quando foi anunciado
um almoço em conjunto na semana seguinte. Ela ficou entusiasmada.
Tendo aprendido de alguma forma que os almoços adventistas
eram vegetarianos, ela fez o melhor que pôde da cozinha vegetariana.
Estava empolgada por fazer parte do povo de Deus.
Mas a refeição foi um desastre. Certa matrona da igreja notou que
o prato daquela jovem não era suficientemente bom. Ele continha
queijo, e aquela “santa mulher” já vencera aquele tipo de alimento. Ela
deixou transparecer o que sentia sobre o assunto.
E o resultado? Nossa jovem amiga ficou oprimida. Perplexa, ela se
dirigiu a outro lugar em busca de alimento espiritual.
Algumas variações dessa história são contadas vez após outra. Ex­
periências de diáconos grosseiros, de observações feitas a respeito de
jóias ou vestidos, e acerca do tratamento de jovens que são um pouco
diferentes, são abundantes no adventismo.
Como resultado, multidões têm ido para outro lugar. E depois de
ler o Novo Testamento, acredito que Jesus teria ido com elas.
Ellen White acerta em cheio quando escreve que “uma religião le­
gal é insuficiente para pôr a alma em harmonia com Deus. A dura, rí­
gida ortodoxia dos fariseus, destituída de contrição, ternura ou amor,
era apenas uma pedra de tropeço aos pecadores”. - O Maior Discurso
de Cristo, pág. 53.
A religião do Novo Testamento conduz homens e mulheres a Deus
porque reflete o caráter de Jesus. Ele aceitava as pessoas muito melhor
do que muitos de nós. A própria aceitação, logicamente, ofendia os es­
cribas e fariseus, assim como ofendería alguns adventistas.

Ano Bíblico: I Reis 20 e 21. - Juvenis: 1 Reis 5.


Sexta-feira A Justiça do Cristão
20 de abril

Que Tipo de Justiça?


Meus irmãos, qual é o proveito, se alguém disser que tem fé, mas não
tiver obras? Pode, acaso, semelhante fé salvá-lo?... Também a fé, se não
tiver obras, por si só está morta. Tiago 2:14 e 17.
tJma das palavras-chave em Mateus 5:20 é “justiça”. “Se a vos­
sa justiça não exceder em muito a dos escribas e fariseus, jamais entra­
reis no reino dos Céus.”
Note que Jesus não destaca aqui a Sua própria justiça que nos é im­
putada. Não. Ele fala da “vossa justiça”.
Jesus não faz rodeios quando fala sobre o cristianismo que influen­
cia nossa vida diária. Ele está falando a respeito da justiça que salva,
baseada na fé. Em Mateus 5:20, a atenção é focalizada inteiramente na
obediência humana à vontade de Deus.
O fato se torna muito mais evidente quando Jesus começa a ilustrar
Seu ponto de vista nos versos 21 até 48. Vez após outra, Ele diz aos ou­
vintes exatamente como sua justiça deve exceder a dos escribas e fari­
seus. Cada uma das Suas seis ilustrações tem a ver com coisas que nós,
cristãos, fazemos na vida cotidiana. E Jesus termina essa importante
passagem, dizendo que precisamos ser perfeitos como é perfeito o Deus
do Céu. (Verso 48.) Isso indica quanto nossa justiça precisa exceder a
dos escribas e fariseus.
Essas são poderosas palavras, especialmente quando compreende­
mos que Jesus está falando da nossa justiça e não da Sua justiça impu­
tada a nós.
Nisso, Mateus e Tiago se assemelham. Para ambos, a fé produz boas
obras. Para ambos, a fé resulta em uma vida religiosa que faz bem aos
semelhantes na comunidade. Ambos acham que a fé em Deus leva a
pessoa a exemplificar o caráter de Cristo na vida diária. Tanto para
Mateus como para Tiago, a adoração a Deus resulta em mudança de vi­
da. Conduz à nossa justiça. E essa justiça precisa exceder a dos mais de­
dicados zelotes da história - os fariseus.
Cabe a nós prestar muita atenção ao que Jesus está dizendo a res­
peito da justiça no restante do capítulo 5 de Mateus. Ele tem palavras
que a igreja realmente precisa ouvir.

Ano Bíblico: I Reis 22; II Reis 1. - Juvenis: I Reis 6.


A Justiça do Cristão Sábado
21 de abril

Não Confunda Mateus com Paulo


Porque, se Abraão foi justificado por obras, tem de que se gloriar, porém
não diante de Deus. Pois que diz a Escriturai Abraão creu em Deus, e isso
lhe foi imputado para justiça. Romanos 4:2 e 3.
^/luitas pessoas se inquietam com relação aos ensinos de Ma­
teus acerca da justiça. Como resultado, a fim de escapar da “justiça pe­
las obras” de Mateus, eles sugerem que aqui Jesus não está falando
acerca da “nossa” justiça, mas da justiça de Jesus que nos é imputada.
Muito cuidado aí. Permita que o Jesus de Mateus fale por Si mes­
mo. Ele não está falando da justiça de Cristo. Está enfatizando a “vossa
justiça”. F. D. Bruner está correto quando diz que, conquanto seja lou­
vável a intenção dos que querem ver a justiça de Cristo em vez da nos­
sa sendo abordada em Mateus 5:20, sua posição está em falta com a
exegese. Ela não se enquadra no contexto.
Deixe Mateus falar por si mesmo, adverte Bruner. Não tenha pres­
sa de considerá-lo como se fosse Paulo.
Como pode ver, Mateus tem sua própria maneira de ensinar o
evangelho. È muito diferente da maneira de Paulo, mas não menos bí­
blica.
A opinião de Mateus a respeito da justiça, conforme é expressa nos
versos 17 a 48 do capítulo 5 e nas Bem-aventuranças, oportunamente
nos levará ao Pai em busca de perdão (ver Mat. 6:12) e graça (ver Mat.
19:16 a 20:16). Mateus não está em falta no Evangelho da graça es­
pontânea, mas em Mateus 5:20 ele apresenta a necessidade da “nossa”
justiça. Ele está falando do nosso relacionamento para com a lei de
Deus, nossa observância da mesma em espírito e verdade.
Mateus e Paulo têm um só evangelho, não dois. Mas como Bruner
menciona: “Paulo, de maneira mais abrangente do que Mateus, nos
mostra a fonte da justiça divina. Por outro lado, Mateus, de maneira
mais clara do que Paulo, nos mostra o alvo da justiça cristã.”

Ano Bíblico: II Reis 2 e 3. - Juvenis: I Reis 7.


Domingo A Justiça do Cristão
22 de abril

Verdadeira Santidade
Ide, porém, e aprendei o que significa: Misericórdia quero e não
holocaustos; pois não vim chamar justos, e sim pecadores. Mateus 9:13.
Jesus não nos deixa em dúvida no Sermão do Monte. Ele está in­
teressado em nossa justiça, preocupado com nossa santidade de vida.
E em que consiste essa justiça e santidade? Certamente não no for­
malismo exterior dos escribas e fariseus. Aquele tipo de vida religiosa
é condenada constantemente por nosso Senhor. A justiça cristã é mui­
to mais do que dar o dízimo ou guardar o sábado.
Ela atinge o âmago do problema humano. No Evangelho de Ma­
teus (e no restante do Novo Testamento) Jesus está procurando con-
duzir-nos a uma religião genuína, além dos rituais religiosos; uma reli­
gião de coração, que nos leve a interessar-nos pelos outros, assim co­
mo Deus Se interessa por nós.
Vamos deixar que Jesus fale sobre a verdadeira justiça no livro de
Mateus. É ser misericordioso e pacificador nas Bem-aventuranças (5:1-
9); é interessar-se pelos rejeitados, tais como os leprosos e os pagãos,
em Mateus 8:1-17; é Sua repetida admoestação à misericórdia em pas­
sagens como Mateus 9:13 e 12:7; é Sua mensagem para amarmos em
Mateus 5:43-48 e 22:34-40; é tornar-nos como crianças em Mateus
18:1-5 e 19:14; é o chamado à humildade em Mateus 5:5 e 23:8-12; e
é o convite para sofrer em Mateus 10:16-39 e 16:24-28.
Santidade é tudo isso e muito mais. É dar um copo de água fria ao
sedento, é alimentar o faminto, é amar a Deus de todo o nosso coração
e entendimento.
A “vossa justiça”, ou santidade na opinião de Jesus, é algo todo-
abrangente. Envolve todos os aspectos da nossa vida. É uma atitude, é
um modo de vida, é a maneira de ser. Quando Jesus disse que a nossa jus­
tiça precisa exceder em muito a dos escribas e fariseus, Ele Se referiu a
todas as partes de nossa vida - tanto interior como exteriormente.
Senhor, ao compreendermos mais plenamente o que significa ser
cristão, suplicamos Tua habilitadora graça em nossa vida; queremos ser
sensíveis tanto à Tua vontade como às necessidades de outras pessoas.

Ano Bíblico: II Reis 4 e 5. — Juvenis: I Reis 8.


A Justiça do Cristão Segunda-feira
23 de abril

O que Jesus Quer Dizer?


E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos
pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa,
agradável e perfeita vontade de Deus. Romanos 12:2.
O capítulo 5 de Mateus, em seus primeiros 20 versículos, nos
conduziu através de águas bem turbulentas. Primeiro, vimos qual deve
ser o nosso caráter, nas Bem-aventuranças. Depois, Ele diz que nossa
justiça precisa exceder a dos escribas e fariseus.
O que Jesus quer dizer? A explicação é realmente bem simples. Ele
quer que sejamos exatamente o oposto do que somos por natureza. Nas
palavras de João, isso pode ser descrito como nascer de novo (João 3:5
e 7). Nas palavras de Paulo, em II Coríntios 5:17, é tornar-se uma no­
va criatura. Mas de todas essas descrições, acho que a de Romanos 12:2
(verso de hoje) é a mais pitoresca.
Paulo nos diz que precisamos ser “transformados”. A palavra
“transformar” é muito interessante. Ela vem da palavra grega metamor-
phoo. Esse é o mesmo termo que dá origem à palavra “metamorfose”,
usada pelos biólogos.
E o que é metamorfose? De acordo com o Dicionário Aurélio da Lín­
gua Portuguesa, é “uma mudança notável ou completa na fortuna, no
estado, no caráter de uma pessoa”, etc.
Metamorfose é o que acontece com a larva ou lagarta quando ela
se torna uma borboleta. Para mim, essa é a melhor ilustração gráfica
daquilo que acontece com a pessoa quando ela encontra Jesus.
Deus nos encontra em nosso egocentrismo, orgulho, e caminhos
condescendentes, então nos toma e transforma nossa vida. Isso, sim, é
um milagre! Talvez seja o maior de todos os milagres.
Deus quer tomar uma larva como eu e me ensinar a voar. Deus
quer tomar répteis desbotados, e pintá-los em lindos matizes e dar-lhes
asas.
E o melhor de tudo é que Ele pode fazer isso. Louvado seja Deus!
Ele deseja me transformar. Quer que minha justiça exceda até mesmo
a dos escribas e fariseus. Ele deseja fazer de mim algo que eu não sou.
Deseja tornar-me uma nova criatura à imagem de Jesus.

Ano Bíblico: II Reis 6-8. - Juvenis: I Reis 10.


O
Terça-feira A Justiça do Cristão
24 de abril

Excedendo o Extraordinário
Portanto, santificai-vos e sede santos, pois Eu sou o Senhor, vosso Deus.
Guardai os Meus estatutos e cumpri-os. Eu sou o Senhor, que vos santifico.
Levítico 20:7 e 8.
Se justiça é uma das palavras-chave em Mateus 5:20, a segunda é
“exceder”. “Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder em
muito a dos escribas e fariseus, jamais entrareis no reino dos Céus”, dis­
se Jesus.
Nessa passagem, Jesus definitivamente alerta Seus seguidores de
que o cristianismo não é fácil. O único alvo dos escribas e fariseus era
satisfazer às exigências da lei. Eles procuravam ser santos, mas não
compreendiam a intensidade da santidade. Deixaram de ver que a ver­
dadeira santidade não é meramente uma rotina exterior de obrigações
religiosas, mas um motivo interior de amor para com Deus e as demais
pessoas, o qual constantemente encontra expressão na vida.
Ser santo é viver uma vida santificada. A palavra “santificar” quer
dizer “purificar”, “consagrar” ou “separar”. Assim foi dito a Moisés pa­
ra “purificar” (“santificar”, ARC) todo o povo de Israel ao Senhor
(Éxo. 19:10). Não apenas os israelitas eram santificados ou separados
para um propósito santo, mas também o tabernáculo e os instrumen­
tos que eram usados no serviço do santuário (Exo. 30:25-29; 40:9-11;
Lev. 8:10-13).
A palavra do Novo Testamento traduzida como “santificar” signi­
fica “tornar santo”. Assim, um santo (aquele que foi santificado) é uma
pessoa que foi separada por Deus para um santo propósito.
O Novo Testamento fala freqüentemente da santificação como um
fato realizado. Como resultado, Paulo pode escrever aos coríntios como
“aos santificados em Cristo Jesus, chamados para ser santos”. I Cor. 1:2.
Ser um verdadeiro cristão significa permitir que o nosso eu seja se­
parado para um santo propósito. Significa viver para Deus. Quer dizer,
viver a vida de Deus como foi retratada por Jesus.
Quando Jesus usou a palavra “exceder”, no Sermão do Monte, Ele
falou com grande seriedade. Como logo veremos nos versos 21 a 48 de
Mateus 5, Sua opinião a respeito de espiritualidade é muito mais pro­
funda e ampla do que a dos judeus. Através do poder do Seu Espírito,
Ele quer que excedamos os extraordinários.

Ano Bíblico: II Reis 9-11. - Juvenis: I Reis 11:6-43.


A Justiça do Cristão Quarta-feira
25 de abril

Nossa Justiça: Ponto de Salvação


Alegremo-nos, exultemos e demos-Lhe a glória, porque são chegadas
as bodas do Cordeiro, cuja esposa a si mesma já se ataviou, pois lhe foi dado
vestir-se de linho finíssimo, resplandecente e puro. Porque o linho finíssimo
são os atos de justiça dos santos. Apocalipse 19:7 e 8.
J^.lgumas pessoas não gostam desse tipo de conversa. Se assim é,
elas não gostam do tipo de conversa que Jesus usa. Em Mateus 5:20,
Ele afirmou categoricamente que a menos que a justiça de uma pessoa
excedesse a dos escribas e fariseus, ela não entraria no reino dos Céus.
Frederick D. Bruner, teólogo presbiteriano, apresenta de maneira
apropriada o intento de Jesus: “Vemos que entre os versos 17 e 20, a
ordem passa gradativamente da teoria para a prática. E finalmente Je­
sus nos deixa com a suprema advertência: Se a Escritura não nos tor­
na justos, justos além da justiça das pessoas mais sérias da comunidade
do antigo povo de Deus - os instrutores da Bíblia e os membros do fa-
risaísmo separatista - não entraremos no reino. O propósito da Escri­
tura, afinal, não é tanto a doutrina correta que ela encerra, mas a obe­
diência pessoal a ela. O alvo da Escritura é a piedade da obediência. O
assunto do pingo nos is e o corte nos tês, é o comportamento daqueles
que os lêem. O verso final na doutrina da Escritura de Jesus [Mat. 5:20]
é completamente moral e até mesmo salvífico. Jesus nos adverte de
que se a Escritura não atingir sua finalidade em nós - a justiça - ela da­
rá fim a nós. A vida ou morte depende da nossa resposta a este Livro.”
Com o texto de Mateus 5:20, Jesus monta o palco para o que vem
em seguida. Nos versos 17 a 20, Ele não só informa que Seu ensino não
é discordante da lei e dos profetas (o Antigo Testamento), como tam­
bém indica que é bem diferente do ensino dos escribas e fariseus.
Agora estamos prontos para examinar tanto a coerência como as
diferenças, enquanto Jesus, o legislador, pessoalmente nos mostra e ex­
põe a profundidade e a amplitude do significado da lei.

Ano Bíblico: II Reis 12-14. - Juvenis: I Reis 12.


Quinta-feira A Justiça do Cristão
26 de abril

"Eu, Porém, Vos Digo"


Ouvistes que foi dito aos antigos: Não matarás; e: Quem matar estará
sujeito a julgamento. Eu, porém, vos digo que todo aquele que sem motivo
se irar contra seu irmão estará sujeito a julgamento; e quem proferir um
insulto a seu irmão estará sujeito a julgamento do tribunal; e quem lhe
chamar: Tolo, estará sujeito ao inferno de fogo. Mateus 5:21 e 22.
Em Mateus 5:21, chegamos à primeira das seis ilustrações sobre
como nossa justiça deve exceder a dos escribas e fariseus.
C Em todas essas ilustrações encontramos as expressões “Ouvistes
que foi dito” e “Eu, porém, vos digo”. Quem deu origem à expressão
inicial foram líderes judeus como os escribas e fariseus, que tomaram a
lei de Deus no Antigo Testamento e criaram uma tradição verbal para
proteger essa lei e aplicá-la à vida do povo. Esses líderes judeus eram
geralmente sinceros em seu esforço por tomar a lei significativa. Mas
a sua sinceridade não os protegeu do erro.
Por isso é que Jesus Se apresenta com a expressão: “Eu, porém, vos
digo.” Estas palavras são de importância crucial na compreensão de
Mateus 5:21 a 48, e de todo o Sermão do Monte.
Observem que Jesus não hesita em apresentar-Se como uma auto­
ridade. Ele não está agindo como um rabino comum que começaria di­
zendo: “Há um ensino que diz... “ ou “O rabino fulano de tal disse
que...” Jesus não baseia Seu ensino na autoridade de outros. Não, Ele
era a autoridade no que se referia à lei.
Jesus aborda a lei não como um mero instrutor, mas como o legis­
lador, Aquele que conhece a extensão e a profundidade da lei, porque
Ele é o Deus que deu a lei.
Jesus Cristo não era mero homem, mero expositor da lei, ou sim­
plesmente um outro profeta. Ele era infinitamente mais do que isso, e
não Se envergonha de reivindicar Sua autoridade como Senhor da lei.
Afinal, Ele é Deus o Filho. Embora tenha vindo em semelhança da
carne do pecado, ainda fala com autoridade divina. Por isso, cada uma
de Suas palavras é de capital importância para nós.

Ano Bíblico: II Reis 15-17. — Juvenis: I Reis 13.


A Justiça do Cristão Sexta-feira
27 de abril

Dois Pontos de Vista


O qual nos habilitou para sermos ministros de uma nova aliança, não
da letra, mas do espírito; porque a letra mata, mas o espirito vivifica. II Co-
rintios 3:6.
Os fariseus eram excelentes na letra da lei, mas fracos no espí­
rito da mesma. Eles eram perfeccionistas por excelência, e todos os
perfeccionistas precisam de uma lista do que fazer e do que não fazer.
Os perfeccionistas precisam tornar a lei controlável, se quiserem guar-
dá-la com perfeição.
Assim, os fariseus da antigüidade, como os fariseus de nossos dias,
precisam ser cuidadosos na maneira de definir o pecado. Para eles, o
pecado era um ato.
Por isso, restringiam as proibições bíblicas de coisas como o homi­
cídio e o adultério apenas ao ato em si. A pessoa não era pecadora en­
quanto não cometesse literalmente o homicídio.
O grupo dos fariseus não só restringia o significado dos manda­
mentos para tornar a perfeição possível, como também ampliava a per-
missividade da lei a fim de que, por exemplo, um homem pudesse di­
vorciar-se de sua esposa pelas razões mais triviais, sem ser considerado
um transgressor da lei.
Jesus inverteu a tendência judaica de restringir o significado da lei
e ampliar a sua permissividade. Recusou seguir as regras do jogo deles.
Ele foi além da letra exterior da lei e até o seu íntimo propósito espiri­
tual. Assim mostrou que a raiz do problema não é o ato, mas o pensa­
mento que antecede o ato. Como resultado, até o desejo sensual por
outra pessoa é pecado; até ficar irado contra outra pessoa é pecado.
Dessa maneira, Jesus destruiu o perfeccionismo fácil dos fariseus.
Afinãh conquanto pessoas bem religiosas não tenham cometido o ato
do homicídio ou do adultério, nenhuma delas pode dizer que jamais te­
ve um pensamento sequer de ira ou de desejo.
E Jesus não apenas preencheu a profundeza espiritual do significa­
do da lei; Ele também removeu a permissividade legalista que os fari­
seus erigiram para proteger a própria imagem.
Neste dia, Jesus nos mostra o verdadeiro significado da Sua lei. Ele
deseja que vivamos pelo espírito da lei, não simplesmente pela letra.

Ano Bíblico: II Reis 18 e 19. - Juvenis: I Reis 17.


Sábado A Justiça do Cristão
28 de abril

A Segunda Tábua
Porque toda a lei se cumpre em um só preceito, a saber: Amarás o teu
próximo como a ti mesmo. Gálatas 5:14.

ma coisa que se deve notar acerca das seis ilustrações de Jesus


quanto ao verdadeiro significado da lei em Mateus 5:21-48, é que to­
das elas se originam na segunda tábua da lei. Isto é, todas elas têm a
ver com o nosso amor para com outras pessoas. Nenhuma das seis se
concentra principalmente em nosso amor a Deus, conforme é apresen­
tado na primeira tábua da lei.
“Por que é assim?”, podemos nos perguntar. “Por que gastar tanto
tempo ilustrando a segunda tábua da lei, sem expor a primeira?”
A resposta parece ser que Jesus considerava a lei como uma unida­
de no sentido de que é impossível amar a Deus sem amar ao próximo.
Por favor, lembre-se de que em Gênesis 3, quando Adão e Eva se rebe­
laram contra Deus, eles também começaram a discutir um com o ou­
tro. Assim, a entrada do pecado significou ruptura no relacionamento
tanto entre o ser humano e Deus, como entre as pessoas. Quando não
estamos bem com Deus, estamos também em desigualdade uns com os
outros. Isto é assim porque quando me coloco no centro da vida, vivo
conforme os princípios do egoísmo.
A conversão, porém, muda tudo isso. Quando sou curado por
Deus, o princípio básico de minha vida muda. Nasço de novo, com no­
vo coração e nova mente. Não mais vivo conforme os princípios do
egoísmo, mas conforme os princípios do amor divino.
Esse novo princípio me leva a ter consideração por você como pes­
soa. Você não é mais como um objeto ou coisa para mim. Assim como
eu, você é alguém por quem Cristo morreu.
É-me impossível estar bem com Deus, sem estar bem com as outras
pessoas. Essa é uma das grandes verdades centrais do Sermão do Monte.
A maneira como eu o trato (e a maneira como você me trata) é o
ponto decisivo. É no relacionamento humano que vivemos nosso cris­
tianismo diário. As relações humanas são o teste rigoroso que determi­
na se realmente nos tornamos cristãos. Esse é o ponto que Jesus está
enfatizando em Mateus 5:21-48.

Ano Bíblico: II Reis 20 e 21. - Juvenis: I Reis 18.


A Justiça do Cristão Domingo
29 de abril

Fonte de Homicídio
Não matarás. Êxodo 20:13-
TZnho que admitir isso. Nunca matei ninguém. E muito prova­
velmente jamais matarei alguém em toda a minha vida.
Esse é um pensamento confortador. Ele me faz sentir bem. E um
pensamento que me faz ser honesto comigo.
Mas é muito mais do que isso. Não só jamais matei alguém, como
também nunca ninguém me acusou desse ato.
Acho que sou uma boa pessoa, pareço ser alguém que pelo menos
em parte sabe o que faz.
Esse sentimento de justiça própria, porém, é destruído quando co­
meço a ler o que Jesus fala sobre a lei. Ele me diz que não devo sequer
ficar irado. Acho isso um tanto problemático, pois fico irado de vez em
quando. Não gosto dessa nova teologia. Sinto-me mais confortável
com minhas próprias definições. Elas me fazem sentir bem.
Mas o propósito de Jesus não é fazer-me sentir bem. E ajudar-me a
compreender a natureza do pecado e minha grande necessidade de Sua
graça perdoadora e habilitadora.
O que Jesus quis dizer ao mencionar que o fato de irar-se contra
outra pessoa está incluído no verdadeiro significado do sexto manda­
mento?
No grego existem duas palavras para ira. A primeira é thumos, e se
refere àquela ira momentânea, que se inflama como a labareda em um
monte de palha. E a ira que rapidamente arde e com a mesma rapidez
morre. Essa não é a ira a que Jesus se refere em Mateus 5:21.
Jesus usa a palavra orge. Orge é a ira duradoura, a ira da pessoa que
nutre seu sentimento contra a outra, a ira que a pessoa acaricia e recu­
sa deixá-la morrer. É a ira que busca vingança.
Essa ira, sugere Jesus, é a mesma coisa que o homicídio. E a raiz do
forte sentimento do coração e da mente que leva ao homicídio. E mes­
mo que não leve a cabo o ato, a pessoa que nutre a ira orge está em de­
sarmonia com Deus e debaixo de juízo.
Ajuda-me neste dia, Senhor, a afastar de mim a ira destrutiva.
Ajuda-me a amar os outros, assim como Tu me tens amado.

Ano Bíblico: II Reis 22 e 23. - Juvenis: 1 Reis 19.


Segunda-feira A Justiça do Cristão
30 de abril

Irar-se é Sempre Mau?


Irai-vos e não pequeis; não se ponha o sol sobre a vossa ira. Efésios 4:26.

essa altura você deve estar imaginando se há alguma ocasião


em que o verdadeiro cristão poder irar-se. Afinal, você pode pensar, Je­
sus não ficou irado com os escribas e fariseus, conforme menciona Ma­
teus 23 ? E não Se dirige a eles usando o termo proibido, tolos, nos ver­
sos 17 e 19 (BLH) do mesmo capítulo? E Deus não destruirá pessoas no
fim dos tempos?
Você tem razão. Deus odeia o pecado. Jesus odeia o pecado. Seu
coração amoroso fica sobrecarregado ao ver destruídas a felicidade e a
vida de Seus filhos. Eles estão irados com o pecado e seus resultados.
Além disso, Eles oportunamente aniquilarão o pecado e aqueles que
escolheram agarrar-se à conduta destrutiva e sem afeto. Por causa do
grande amor dos membros da Divindade pelo ser humano, Eles Se iram
contra as coisas que destroem as pessoas. A ira de Deus é uma santa in­
dignação.
Os seguidores de Cristo não só podem como devem possuir essa
mesma ira contra o pecado. Enquanto escrevo estas páginas, os destro­
ços resultantes das bombas no Alfred P. Murrah Federal Building, em
Oklahoma City, ainda estão sendo investigados em busca de sobrevi­
ventes. Quem poderia estar doente assim para perpetrar tamanho cri­
me? Fico irado por saber que crianças inocentes e outras pessoas ino­
centes foram mortas. Também me deixa irado o fato de milhões de pes­
soas estarem desnecessariamente morrendo de fome ao redor do mun­
do, enquanto outras pessoas têm mais do que podem consumir. Fico
irado quando jovens, rapazes e moças, são levados a desviar-se por tra­
ficantes de drogas e outros que se aproveitam dos solitários e fracos. Fi­
co irado pela mesquinhez na igreja entre aqueles que instigam a letra
da lei, enquanto transgridem seu espírito.
Como cristãos, devemos odiar o pecado, mas amar o pecador. In-
felizmente, com muita freqüência, tomamos o rumo exatamente opos­
to. Como resultado, geralmente nos iramos contra aqueles que nos me­
nosprezam ou ferem nosso orgulho pecaminoso.
Jesus quer que entendamos isso. Devemos ter o tipo certo de ira, a
ira que Ele tem, aquele tipo de ira que odeia o pecado, mas que deseja o
melhor para os pecadores e se recusa a abrigar qualquer ressentimento.

Ano Bíblico: II Reis 24 e 25. — Juvenis: I Reis 21.


A Justiça do Cristão Terça-feira
1° de maio

O Espírito da Lei
Que diremos então? A lei é pecado? De modo nenhum! De fato, eu não
saberia o que é pecado, a não ser por meio da lei. Pois, na realidade, eu não
saberia o que é cobiça, se a lei não dissesse: “Não cobiçarás. ” Mas o pecado,
aproveitando a oportunidade dada pelo mandamento, produziu em mim
todo tipo de desejo cobiçoso. ... Mas quando o mandamento veio, o pecado
reviveu, e eu morri. Romanos 7:7-9, NVI.

.Eaulo fora um homem orgulhoso. Era um fariseu entre os fariseus,


um dos mais zelosos da sua seita. Se qualquer deles pudesse ter guarda­
do a lei perfeitamente, esse teria sido Paulo.
Ele estava muito bem. Adorava a Deus de maneira suprema, não
se inclinava aos ídolos nem tomava o nome de Deus em vão, e era
cuidadoso em guardar as inúmeras regras a respeito da observância do
sábado. Tampouco cometera adultério, roubara, ou dissera falso teste­
munho. Afinal, concluira, ele era uma pessoa bastante boa. Paulo ti­
nha boas razões para ter certa presunção religiosa.
No entanto, ele viu a luz. Viu um mandamento “diferente”, aquele
que diz “Não cobiçarás”. De repente o pecado tomou uma nova forma.
Afinal, esse pecado implica uma atitude mental e não um ato físico.
É verdade que ele evitara o próprio ato do roubo, do adultério e
outros mais, mas aqui Paulo, o fariseu, esbarrara no significado mais
profundo da lei. A lei também tinha que ver com as atitudes.
“Não cobiçarás” atingiu Paulo como um raio. Ele começou a com­
preender o significado mais profundo da lei e sentiu-se, conforme as
palavras de Isaías, “destruído”. Ou como o próprio Paulo coloca: “O
pecado reviveu, e eu morri.”
Paulo podia ficar feliz com suas realizações enquanto estava lidan­
do com a letra da lei, mas sua ilusão de conduta perfeita foi esmagada
de uma vez por todas quando ele compreendeu a verdadeira profundi­
dade da lei.
A experiência de Paulo deve ser também a nossa. A profundidade
do problema do pecado é revelado no espírito da lei e somos conduzi­
dos até a cruz, onde também morremos para toda esperança em nós
mesmos ou nas realizações próprias.

Ano Bíblico: I Crônicas 1-3. — Juvenis: II Reis 1.


Quarta-feira A Justiça do Cristão
2 de maio

Desprezo é Homicídio
Vede, não desprezeis a qualquer destes pequeninos; porque Eu vos
afirmo que os seus anjos nos Céus veem incessantemente a face de Meu Pai
celeste. Porque o Filho do homem veio salvar o que estava perdido.
Mateus 18:10 e 11.
Em Mateus 5:22 (ARC) somos advertidos a não chamar ninguém
de “Raca”. Bem, eu imagino que você não deve ter chamado ninguém
de Raca nesta última semana, nem, talvez, em toda a sua vida.
Isso quer dizer que você está bem, certo? Não! Uma vez mais preci­
samos considerar o significado mais profundo sugerido pelas palavras de
Jesus. Raca é uma dessas palavras difíceis de traduzir. Mas não há dúvida
alguma de que seja uma palavra abusiva, um insulto. As traduções para o
português são muitas. “Idiota”, “tolo”, “louco”, “você não vale nada”, são
as que pude encontrar em algumas versões da Bíblia. A idéia básica é que
qualquer pessoa que demonstrar desprezo por outra está errada.
Mateus 5:22 também menciona que “todo aquele... que proferir um
insulto a seu irmão... estará sujeito ao fogo do inferno”. Aqui outra vez
estamos tratando de uma atitude abusiva, de desprezo por uma pessoa.
Quem é você para desprezar quem quer que seja? Quem sou eu pa­
ra menosprezar outra pessoa por qualquer motivo que seja? Aqueles
que são tão prontos a espalhar insultos espirituais ou tão inclinados a
fazer fofocas a respeito de defeitos alheios se acham debaixo da conde­
nação desse verso.
Todos nós pecamos e não atingimos os ideais de Deus. Para dizer com
franqueza, por causa do pecado nós todos somos verdadeiros tolos e sem
valor. Mas Deus, em Sua graça, nos alcançou e nos transformou em filhos
Seus novamente. Ele enviou Jesus para morrer em nosso lugar. Nosso va­
lor e verdadeira inteligência estão nEle. Sem Ele, nada somos.
E Jesus morreu não só por mim; morreu por outros também. Por is­
so, preciso tratá-los com respeito.
De acordo com Mateus 5:22, o mexeriqueiro ou difamador é ho­
micida de reputação. Desprezo para com as pessoas é a raiz do homicí­
dio. Faremos bem em seguir a ordem de Jesus: “Aquele que dentre vós
estiver sem pecado seja o primeiro que lhe atire pedra.” João 8:7.

Ano Bíblico: I Crônicas 4-6. — Juvenis: II Reis 2.


A Justiça do Cristão Quinta-feira
3 de maio

Conhecendo Geena
Então, o Rei dirá também aos que estiverem à Sua esquerda:
Apartai-vos de Mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para
o diabo e seus anjos. Mateus 25:41.
Onde é Geena? Esse lugar está localizado ao sudoeste de Jerusa­
lém e é conhecido como o Vale de Hinom.
O Vale de Hinom teve uma história bem intrigante. Era o lugar em
que o rei Acaz levou o povo de Israel à adoração de Moloque, a quem
criancinhas eram sacrificadas no fogo (II Crôn. 28:3.) O rei Josias eli­
minou a adoração de Moloque e ordenou que o vale fosse para sempre
um lugar amaldiçoado.
Jeremias predisse que por causa desse pecado, o Senhor faria do
Vale de Hinom o “Vale da Matança”, onde os cadáveres dos israelitas
seriam enterrados, até que se não achasse mais lugar para eles, e o res­
tante dos corpos serviriam de alimento para as aves dos céus (Jer. 7:32
e 33.) No tempo de Jesus, o Vale de Hinom se transformara no lugar
onde o refugo de Jerusalém era jogado e destruído. Era um tipo de in­
cinerador, onde ocorria uma contínua combustão lenta e de onde saía
uma cortina de densa fumaça perpetuamente.
Em outras palavras, o Vale de Hinom ou Geena não era um lugar
interessante. Nos tempos do Novo Testamento chegara a ser conside­
rado como um lugar de punição dos ímpios. Por isso, a maioria das ver­
sões da Bíblia traduzem Geena, em Mateus 5:22, por “inferno”.
Isso nos mostra um aspecto interessante nos ensinos de Jesus no
Sermão do Monte. Os escribas e fariseus não apenas haviam reduzido
as exigências da lei, mas também as punições associadas com a trans­
gressão da mesma. Eles diziam que qualquer que cometesse homicídio
fisicamente correría o perigo de juízo nos tribunais civis, mas Jesus afir­
mou que até mesmo aqueles que desprezassem seu semelhante corre­
ríam risco de sofrer o fogo do inferno.
Jesus nos leva a sério. E Ele sabe que a vida pode ser destruída por
aqueles que fazem fofocas a respeito de outros, aqueles que tratam os
outros indiferentemente, e aqueles que são espiritualmente arrogantes.
Jesus não está brincando conosco. Sua mensagem é que precisa­
mos ser tão bondosos, compreensivos e amáveis como é Deus, o Pai.
Nós também precisamos evitar o homicídio em todas as suas formas.

Ano Bíblico: I Crônicas 7-9. — Juvenis: II Reis 4.


Sexta-feira A Justiça do Cristão
4 de maio

Ofertas Inaceitáveis
Se, pois, ao trazeres ao altar a tua oferta, ali te lembrares de que teu
irmão tem alguma coisa contra ti, deixa perante o altar a tua oferta, vai
primeiro reconciliar-te com teu irmão; e, então, voltando, faze a tua oferta.
Mateus 5:25 e 24.

ma das importantes contribuições desses versos é que eles no


levam além do negativo, para o lado positivo da religião. Em Mateus
5:21 e 22, Jesus nos diz para evitar a ira centralizada no eu e evitar tra­
tar outras pessoas com desprezo. Mas a pessoa pode evitar todas as coi­
sas negativas e ainda assim não estar bem com Deus.
O cristianismo vai além de meramente evitar o negativo e alcançar
o positivo. Se você, meu amigo, pensa que é cristão por aquilo que evi­
ta, está totalmente errado. O cristianismo é basicamente algo positivo;
é alcançar outras pessoas, mesmo quando elas não merecem. Ninguém
jamais chegará ao Céu por causa das coisas que evitou. Jesus nos diz que
precisamos colocar nosso cristianismo em prática na vida diária.
O quadro que Jesus pinta em Mateus 5:23 e 24 torna-se muito vi­
vo para Seus ouvintes. Certo homem traz sua oferta sacrifical ao tem­
plo para ser oferecida por seu pecado, pelo sacerdote. O adorador está
em pé junto à grade do altar, pronto para colocar a mão sobre a vítima
e confessar seus pecados sobre a cabeça daquele que seria sacrificado.
Nesse momento, ele se lembra de que tem um problema não resolvido
com alguém. Jesus deixa bem claro o dever do adorador. Para que o sa­
crifício seja aceito, ele precisa primeiro ir e acertar as coisas com a ou­
tra pessoa.
Isso fala ao meu e ao seu coração. Deve falar a nós de modo mui­
to especial quando é tempo de Santa Ceia. Antes de participarmos,
precisamos acertar as coisas com nossos companheiros e irmãos da
igreja, até mesmo nos oferecendo para lavar-lhes os pés.
Essas palavras nos incomodam quando somos envolvidos em fofo­
cas a respeito de outras pessoas ou quando ficamos irados porque fomos
maltratados. Não será suficiente colocar uns R$ 20,00 a mais no prato
da oferta, como um sacrifício especial.
Como de costume, Jesus aborda o centro da questão. Se você quer
estar bem com Deus, precisa estar bem com as outras pessoas.

Ano Bíblico: I Crônicas 10-12. — Juvenis: II Reis 5.


A Justiça do Cristão Sábado
5 de maio

Reconcilie-se Depressa
Entra em acordo sem demora com o teu adversário, enquanto estás
com ele a caminho, para que o adversário não te entregue ao juiz, o juiz,
ao oficial de justiça, e sejas recolhido à prisão. Em verdade te digo que não
sairás dali, enquanto não pagares o último centavo. Mateus 5:25 e 26.

esses versos Jesus pinta novamente um quadro significativo


com Suas palavras. Pode parecer estranho que Ele retrate dois adver­
sários andando juntos para o tribunal. Isso seria algo realmente raro em
uma cidade moderna, mas não em uma vila rural da Palestina.
Nessa passagem Jesus dá a cada um de nós um excelente conselho
que, se for atendido, tornará nossa vida mais prazerosa. Há várias lições
no texto.
A primeira delas é não deixar as coisas se inflamarem. Isso me faz
lembrar de que na mão do meu avô faltava um dedo. Ele não nasceu
desse jeito; mas ficou assim. Quando ainda jovem, entrou-lhe uma las­
ca de madeira no dedo. Foi muito doloroso e difícil de remover. Por is­
so, ele deixou que a natureza se encarregasse do processo de cura. In-
felizmente, o dedo inchou e infeccionou. Um pouco do problema era
de se esperar, mas no caso dele a infecção chegou a um ponto em que
não podia mais ser controlada. Como resultado, ele perdeu o dedo.
Jesus está nos dizendo algo semelhante com respeito ao relaciona­
mento humano. Muitas discussões que poderíam ser facilmente resol­
vidas logo de início, são deixadas a inflamar e deteriorar o relaciona­
mento. Amargura gera amargura. É melhor buscar “sem demora” a res­
tauração de um relacionamento prejudicado, mesmo que não esteja­
mos em falta. Esse é um bom conselho tanto para famílias como para
igrejas e comunidades. Acreditem ou não, as coisas podem ficar piores.
Logicamente, Jesus pode também estar sugerindo que devemos nos
reconciliar e viver em paz com as pessoas, porque nunca sabemos
quando será o fim da nossa vida terrena, ocasião em que será muito tar­
de para acertar qualquer questão.
Jesus nos aconselha a demonstrar consideração uns pelos outros,
mesmo por aqueles que pensamos ser nossos adversários. Isso nem sem­
pre é fácil, mas é cristianismo. Que Deus nos ajude para que cada um
hoje possa acertar situações em que tenha ofendido a alguém ou em
que outros o tenham ofendido.

Ano Bíblico: I Crônicas 13-16. — Juvenis: II Reis 6.


Domingo A Justiça do Cristão
6 de maio

Voltando às Bem-Aventuranças
De maneira que a lei nos serviu de aio para nos conduzir a Cristo,
a fim de que fossemos justificados por fé. Gálatas 3:24.
~ ' 7^. té agora já andamos com Jesus uns 10 dias na trajetória de Sua
primeira ilustração sobre a profundidade e amplitude da lei. Ele salien­
tou coisas que a maioria de nós nunca quis saber. Por exemplo, é uma
coisa dizer que não devo matar, mas é outra bem diferente dizer que
não devo abrigar ressentimento ou olhar a outros com desprezo, tanto
no aspecto social como espiritual; ou pior ainda, que não devo sequer
falar injuriosamente ou fazer fofocas a respeito de outros. Será que Ele
realmente quis dizer que destruir (assassinar) a reputação de uma pes­
soa se enquadra no sexto mandamento?
Isso já é demais. Quem pode viver por esses padrões?
A verdade é que ninguém pode quando compreendemos a profun­
didade e a amplitude da lei. Diante do ideal de Deus, somos levados de
volta à primeira parte das bem-aventuranças. Mais uma vez compreen­
demos nossa pobreza de espírito e o peso de nossas falhas em compara­
ção com o que devíamos ser. Ao nos afligirmos e prantearmos essas fal­
tas e nossa necessidade de ser mais semelhantes a Jesus, nosso orgulho
é transformado em mansidão.
Como resultado, sentimos fome e sede da justiça, que vêm unica­
mente por meio da graça perdoadora de Deus. A lei nos conduz de vol­
ta a Cristo, para que sejamos justificados. Conquanto a passagem de
Gálatas em seu contexto se relacione com a experiência de Israel, ao
ser historicamente conduzido por Cristo à lei, ela pode também rela­
cionar-se com a nossa experiência pessoal. Diante da exposição de Je­
sus quanto à profundidade da lei, somos literalmente levados ao pé da
cruz para obter a graça purificadora de Deus.
E essa graça purificadora uma vez mais nos conduz à segunda par­
te das bem-aventuranças. Temos fome e sede da graça habilitadora de
Deus, que nos torna verdadeiramente misericordiosos, puros de cora­
ção e pacificadores.
O grande sermão de Cristo é uma unidade. Não é um grupo isola­
do de declarações sem rima ou motivo. As várias partes se encaixam,
e todas elas refletem os ideais de Deus e Seu plano de salvação. '

Ano Bíblico: I Crônicas 17-20. — Juvenis: II Reis 7.


A Justiça do Cristão Segunda-feira
7 de maio

Mais que Adultério


Ouvistes que foi dito: Não adulterarás. Eu, porém, vos digo: qualquer
que olhar para uma mulher com intenção impura, no coração, já adulterou
com ela. Mateus 5:27 e 28.
Xsto é muito sério.
Lembro-me da primeira vez que tentei compreender essa passa­
gem. Eu tinha 19 anos de idade, fora batizado poucos meses antes, e
havia sido um agnóstico.
Ali estava eu em uma loja de conveniências, olhando tolamente
para uma mulher enquanto esperava minha esposa. Lógico que eu não
estava simplesmente olhando, estava pensando o mesmo tipo de coi­
sas que pensava antes de me tornar cristão.
De repente, isto me ocorreu com o peso de uma tonelada. O Espí­
rito Santo falara à minha consciência de maneira clara e audível. “Vo­
cê não deve fazer isso. È errado desejar uma mulher e abrigar pensa­
mentos como os que você está acolhendo.”
Não me importei muito com a lição. Eu estivera “inocentemente”
me deleitando, e Ele interrompeu minha meditação. Senti vontade de
dizer ao Espírito Santo que fosse passear.
Na realidade, eu chegara à fronteira entre a tentação e o pecado. A
tentação pode se tornar pecado no momento em que me conscientizo
dela, quando reconheço que meus pensamentos vaguearam em terreno
proibido. A essa altura, tenho duas escolhas. Posso rejeitar a tentação
através do poder de Deus, ou posso escolher me demorar mais na ten­
tação e acariciá-la um pouco. Em outras palavras, posso pedir que Deus
tome conta de minha vida para que eu consiga vencer, ou posso pedir-
Lhe que “suma” a fim de que eu possa desfrutar a lascívia pessoal.
Já descobri que o desejo pelo pecado voluntário me abandona
quando me entrego à oração. É o Espírito de Deus que vem em meu so­
corro quando oro, não só para me causar repugnância pelo desejo pe­
caminoso, como também para estimular em meu coração o amor cris­
tão aos semelhantes, a mim mesmo e a Deus. A partir de então, não
desejarei praticar atos que venham prejudicar nem destruir pessoas e
relacionamentos.
Deus deseja ajudar-nos até mesmo no que se refere aos nossos pen­
samentos, se nós Lhe permitirmos.

Ano Bíblico: I Crônicas 21-24. — Juvenis: II Reis 18.


Terça-feira A Justiça do Cristão
8 de maio

Considerando a Leitura da Bíblia


Vocês são os que se justificam a si mesmos aos olhos dos homens,
mas Deus conhece os corações de vocês. Aquilo que tem muito valor entre
os homens é detestável aos olhos de Deus. Lucas 16:15, NVI.

O verdadeiro problema dos escribas e fariseus era que eles nun­


ca leram os Dez Mandamentos da maneira adequada. Se o tivessem fei­
to, teriam visto sua profundidade e compreendido que eles não podem
ser lidos isoladamente um do outro. Notamos há poucos dias que, pa­
ra Paulo, a lei assumiu novo significado quando ele finalmente com­
preendeu o décimo mandamento: “Não cobiçarás.”
Nesse ponto, a magnitude da lei o atingiu em cheio. De repente,
ele compreendeu que os Dez Mandamentos abrangem muito mais do
que as ações; eles falam dos pensamentos que cercam as ações. Só
quando Paulo compreendeu a natureza mental de “Não cobiçarás” foi
que entendeu o significado da lascívia.
O problema com a leitura legalística da Bíblia é que ela deixa de al­
cançar a intenção e a extensão das recomendações e advertências bíbli­
cas. Como resultado, os fariseus dos dias de Cristo sentiam que estariam
fora de perigo se evitassem o ato físico do adultério. Concluíram que
enquanto não fossem na realidade culpados do ato em si, o sétimo man­
damento não lhes dizia respeito e seriam perfeitamente inocentes nes­
se aspecto. Quanto ao sexto mandamento, eles tomaram a letra da lei e
a reduziram a um aspecto em particular, desse modo invalidando-o.
Esse tipo de leitura das palavras de Jesus, em Mateus 5:28, deixava
a mulher praticamente livre para desejar um homem. Afinal, não ti­
nha Jesus falado só a respeito do homem desejando uma mulher?
No Sermão do Monte, Jesus coloca um ponto final a toda essa lei­
tura legalística de meras palavras. De ponto em ponto, Ele leva à com­
preensão do significado mais profundo que as palavras encerram. Ele
conduz a mente para além da letra até o significado espiritual que dá
vida às palavras. Ele deseja que leiamos com maior entendimento.

Ano Bíblico: I Crônicas 25-27. - Juvenis: II Reis 19.


A Justiça do Cristão Quarta-feira
9 de maio

Mais do que os Olhos Vêem


Vendo a mulher que a árvore era boa para se comer, agradável aos olhos
e árvore desejável para dar entendimento, tomou-lhe do fruto e comeu e deu
também ao marido, e ele comeu. Gênesis 3:6.
CZ^Liando foi que Eva pecou? Quando tomou o fruto, ou antes de
tomá-lo?
Pare e pense sobre o assunto. Qual é a sua resposta e que razões vo­
cê dá para justificá-la? Quais são as implicações dessas razões? Que re­
lação têm essas razões com Mateus 5:27 e 28?
Pense a respeito da seqüência dos fatos em Gênesis 2 e 3. Deus dis­
se a Adão e Eva que evitassem a árvore do conhecimento do bem e do
mal (Gên. 2:17), mas o maligno sugeriu a Eva que não se podia con­
fiar em Deus (Gên. 3:1-5). Em resultado, Gênesis 3:6 relata que Eva
tomou o fruto e comeu.
Ela tomou. Mas observe que algo aconteceu na mente e no cora­
ção de Eva antes dela tomar o fruto. Quando tomou o fruto, já havia
pecado. Em outras palavras, ela dissera a Deus que Se afastasse, que ela
sabia melhor do que Ele o que era bom para si mesma. Ela rejeitou a
palavra e a vontade dEle, substituindo-as pela própria sabedoria e von­
tade. Antes de alcançar o fruto, ela já colocara a sua vontade acima da
vontade de Deus. Colocara o eu no trono da sua vida, no centro do seu
universo, destronando desse modo o próprio Deus. Na realidade, con­
centrara seu amor em si mesma, em vez de concentrá-lo em Deus. Es­
sa é a essência do pecado.
Eva cometeu pecado no momento em que amou a si mesma e ao de­
sejo próprio mais do que a Deus e a Sua vontade. Ela cometeu pecado
em seu coração. E o pecado do coração a levou a tomar o fruto e comer.
Pecados íntimos do coração conduzem a pecados por meio de atos.
Essa é a perspectiva que Jesus está desenvolvendo no Sermão do
Monte. Pecado é muito mais do que os olhos podem ver. Pecado en­
volve muito mais do que atos. Só porque evito cometer o ato, não quer
dizer que sou reto diante de Deus.

vdzzo Bíblico: I Crônicas 28 e 29. — Juvenis: II Reis 20.


Quinta-feira A Justiça do Cristão
10 de maio

A Profundidade do Pecado
Porque bem sabemos que a lei é espiritual; eu, todavia, sou carnal,
vendido à escravidão do pecado. Porque nem mesmo compreendo o meu
próprio modo de agir, pois não faço o que prefiro, e sim o que detesto.
Romanos 7:14 e 15.

CD filósofo grego Platão não era cristão, mas observava atenta­


mente a atividade humana. Platão comparou o eu interior das pessoas
a alguém cuja tarefa era conduzir dois cavalos. Um cavalo era manso e
obediente às rédeas e às palavras de ordem, mas o outro era selvagem,
indomável e rebelde. O primeiro cavalo se chamava razão, enquanto o
segundo se chamava obsessão.
Conquanto a maneira como Platão classificou o problema possa
não estar totalmente correta do ponto de vista bíblico, sua análise do
problema humano está bem próxima da de Paulo, e ilustra muito bem
a luta que enfrentamos dentro de nós mesmos na vida diária.
Até mesmo cristãos convertidos têm de lidar com os resíduos do
pecado em sua vida. Podemos ter novo coração e nova mente, mas os
velhos modos de pensar e agir estão escondidos abaixo da superfície,
prontos a saltar para fora e assumir o controle. Por isso, como diz Pau­
lo, precisamos morrer dia após dia (I Cor. 15:31). Ou como escreveu
Frank Belden, um adventista compositor de hinos: “O eu é pior do que
um gato com sete vidas, e precisa ser destruído por meio da Palavra
diariamente.” A santificação progressiva é verdadeiramente uma obra
da vida inteira.
A raiz do problema humano é a obstinação da natureza pecamino­
sa. Quando me uni à igreja, achei que todos que ali estavam desejavam
sempre fazer as coisas certas. Fiquei extremamente desapontado. Des­
cobri que alguns pensavam estar sempre fazendo a coisa certa; mas
eram tão semelhantes aos escribas e fariseus, que fiquei imaginando se
eles já haviam se deparado com a primeira parte das bem-aventu­
ranças. Sua arrogância espiritual simplesmente fazia com que criticas­
sem os outros.
E importante que, como cristãos, compreendamos a profundidade
do problema do pecado em nossa vida. Só então entenderemos nossa
necessidade da generosa graça de Deus para perdão e para verdadeira­
mente guardarmos Sua lei.

Ano Bíblico: II Crônicas 1-4. — Juvenis: II Reis 22.


A Justiça do Cristão Sexta-feira
11 de maio

O Poder de Deus e o Poder do Pecado


Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente
corrupto; quem o conhecerá? Jeremias 17:9.
Jesus não temia chamar o pecado pelo devido nome. Através dos
séculos, os fariseus e outros semelhantes a eles quiseram definir peca­
do unicamente como transgressão da lei, apenas como um ato. Mas Je­
sus deu fim a tal definição entre os cristãos. O pecado é primeiramen­
te algo interior. Depois torna-se exterior.
O aspecto interior do pecado pode ser muitas coisas. Primeiro, é a
força que escraviza a pessoa. Isso fica claro em Romanos 6:16, quando
Paulo diz que os que praticam o pecado são na verdade seus escravos.
A tradução de Romanos 3:9, na versão da Bíblia na Linguagem de Ho­
je, capta essa idéia quando diz que as pessoas “estão debaixo do poder
do pecado”. Os pecados exteriores não são senão os sintomas de uma
enfermidade chamada pecado. Contudo, os sintomas não têm impor­
tância, mas a doença.
Em segundo lugar, ele é sutil. Ele nos ilude e engana, sugerindo ao
nosso coração a idéia de que não seremos tão maus, se tão-somente
evitarmos atos pecaminosos. Muitos homens e mulheres altamente
respeitados, que jamais cometeríam adultério, levam uma vida mental
de adultério ou de impureza. Muitas dessas pessoas são fanáticas pelas
novelas, pela coluna de divórcios no jornal, ou por formas visuais ou
impressas de estimular o erotismo. E muitos são adúlteros vicários.
Em terceiro lugar, o pecado exerce um efeito perverso sobre a na­
tureza humana. Desse modo, as dádivas divinas do sexo e outros dese­
jos ficam desfiguradas de seu propósito legal. E como resultado, exce­
lentes e preciosas dádivas são usadas de maneira incorreta.
Jesus veio para nos libertar da escravidão, do efeito sutil e perver­
so do pecado. O evangelho de Sua graça pode dar-nos força para nos
libertar do poder do pecado.
Deus deseja me ajudar hoje. Ele deseja agora ajudá-lo também.
Hoje é o dia da nossa salvação. Vamos convidá-Lo a entrar em nosso
coração e vida agora mesmo, para que possamos neste dia estabelecer
uma comunhão mais íntima com Ele. Uma comunhão mais íntima
com Deus pode também significar um melhor relacionamento com
nosso cônjuge, nossos pais, filhos e demais pessoas.

Ano Bíblico: II Crônicas 5-7. — Juvenis: II Reis 23:36 e 37; 24.


Sábado A Justiça do Cristão
12 de maio

A Cura Cirúrgica
Portanto, se o seu olho direito faz você pecar, arranque-o e jogue-o fora.
Pois é melhor perder uma parte do seu corpo do que o corpo inteiro ser
atirado no inferno. Mateus 5:29, BLH.
.^Vrranque-o ... corte-a.
Estas são expressões radicais para os problemas mais sérios do mun­
do. Será que realmente espera-se que eu arranque meu olho ou corte
minha mão, se estes me levam a pecar?
Orígenes, um dos principais líderes da igreja do século 111, pensa­
va assim. Como resultado, ele combinou os textos de Mateus 5:29 e
Mateus 19:12, com sua declaração de que há alguns homens “que a si
mesmos se fizeram eunucos, por causa do reino dos Céus”, e por isso se
castrou.
Um rápido movimento de faca pode solucionar todo o seu proble­
ma de pecado. Certo?
Errado! Afinal, se você arrancar um olho, ainda terá o outro. Não
é o olho esquerdo tão incômodo como o direito? E outra vez, se você
simplesmente cortar fora a mão direita, ainda terá a importuna mão es­
querda.
Talvez a resposta para o problema do pecado seja arrancar ambos
os olhos, cortar fora as duas mãos, amputar as duas pernas, e assim por
diante. Então você terá o seu problema de pecado resolvido. Certo?
Errado outra vez! Porque você ainda terá a sua memória e o seu ra­
ciocínio. A única solução para esses problemas seria explodir seu cérebro.
È isso que Jesus deseja que façamos? Não, mas é a resposta óbvia e
coerente para aqueles que dizem que as Escrituras não precisam ser in­
terpretadas. Considere esse texto de maneira literal e você não terá ou­
tra alternativa senão uma cirurgia.
=5? O sentido que Jesus dá é muito mais radical, muito mais tempestuo­
so. Ele quer que compreendamos a seriedade da natureza de nossos pro­
blemas. E mais que isso, Ele quer que sujeitemos nossa vida e todos os
membros do nosso corpo a Ele, de modo que não mais sejamos instru­
mentos do pecadof^Álém disso, Ele deseja transformar esses próprios ins­
trumentos importunos de pecado em instrumentos de justiça. As mãos e
os olhos da pessoa salva devem ser colocados ao serviço de Deus.

Ano Bíblico: II Crônicas 8 e 9. — Juvenis: II Reis 25.


A Justiça do Cristão Domingo
13 de maio

Entrar Mancando no Céu


Se a sua mão direita faz você pecar, corte-a e jogue-a fora. Pois é melhor
perder uma parte do seu corpo do que o corpo inteiro ir para o inferno.
Mateus 5:30, BLH.

E melhor entrar mancando no Céu do que saltando no inferno.


O que será que Jesus está tentando falar em Mateus 5:30? Ontem
nos concentramos na inadequabilidade da solução cirúrgica, de que
decepar a mão ou arrancar o olho de alguém não é uma solução sufi­
ciente. O problema do pecado é muito mais profundo do que os atos
executados pelos membros do nosso corpo. Jesus está dizendo que o
problema tem suas raízes no coração e na mente.
Hoje queremos nos concentrar nas palavras: “é melhor perder uma
parte do seu corpo do que o corpo inteiro ir para o inferno”. Essa idéia
foi repetida por Jesus duas vezes nos versos 29 e 30, porque Ele estava
procurando enfatizar alguma coisa.
A parte que fala de “arrancar” e “cortar” prepara o cenário para a
parte mais importante do Seu ensino nesses versos. A declaração acer­
ca da amputação chama a atenção do povo. Ninguém na encosta da­
quela montanha cochilou depois daquelas palavras.
Uma vez que Jesus conseguira a atenção de todos, Ele passou a
apresentar o ponto mais importante.
E que ponto era esse? O fato de que não há nada mais importante
em nossa vida do que nosso destino final. Ele salientou um ponto se­
melhante quando disse: “Se alguém... não aborrece a seu pai, e mãe, e
mulher, e filhos, e irmãos, e irmãs e ainda a sua própria vida, não po­
de ser Meu discípulo.” Luc. 14:26. «fe=
Nas duas passagens, o que Ele quer dizer é que qualquer coisa que
se interponha entre nós e Deus nos é prejudicial. Qualquer coisa que
se oponha à pessoa e sua salvação é considerada um inimigo e deve ser
combatida. Não devemos permitir que nada se interponha entre nós e
nosso destino eterno.
Jesus não está dizendo que há algo de errado com as partes do nos­
so corpo nem com nossos familiares, mas que eles precisam ser coloca­
dos no devido lugar em nossa lista de prioridades. E melhor entrar
mancando no Céu do que saltando no inferno.

Ano Bíblico: II Crônicas 10-13. - Juvenis: II Crônicas 36.


Segunda-feira A Justiça do Cristão
14 de maio

Levando o Pecado à Funerária


Porque, se viverdes segundo a carne, caminhais para a morte; mas,
se, pelo Espírito, mortificardes os feitos do corpo, certamente, vivereis.
Romanos 8:13.

iu não posso”, disse certo líder cristão da antigüidade, “evitar


que um passarinho sobrevoe minha cabeça. Mas certamente posso evi­
tar que ele faça ninho no meu cabelo ou que dê uma bicada no meu
nariz.”
Jesus está dizendo em Mateus 5 que precisamos levar a sério a ques­
tão do pecado. Isso quer dizer, em parte, que os cristãos precisam parar
de brincar com a tentação e o pecado. Se não o fizermos, ele acabará
nos matando. A sutileza do pecado faz com que pensamentos ilícitos e
prazeres carnais pareçam o modo normal de vida. Mas, como a prover­
bial serpente venenosa na grama, o caminho do pecado é o caminho
da morte.
O caminho que a Bíblia aponta é não deixar que o pecado nos se-
duza e leve à destruição, mas mortificá-lo, levá-lo à funerária. De acor­
do com o texto de hoje, Deus dá Seu Santo Espírito para ajudar-nos
nessa guerra. Não somos deixados a lutar em nossa própria força. Pelo
contrário, devemos “mortificar os feitos do corpo” através do Espírito.
Precisamos implorar o poder do Espírito a cada passo do caminho.
Mas como pode o Espírito ajudar-nos? Uma coisa é certa, precisa­
mos de Sua ajuda, para que possamos evitar nutrir a carne (nossa na­
tureza pecaminosa). “Revistam-se do Senhor Jesus Cristo”, ordena
Paulo, “e não fiquem premeditando como satisfazer os desejos da car­
ne.” Rom. 13:14, NVI. Existe uma chama ardente dentro de cada um
de nós. È loucura aproximar a chama de mais combustível. Precisamos
permanecer longe dessas situações, programas, livros e pessoas que fa­
zem com que a chama do pecado ganhe nova força. Devemos arrancar
e cortar certas coisas de nossa vida.
Precisamos, porém, ser cuidadosos aqui, pois é fácil nos tornarmos
confiantes demais em nossas habilidades. É necessário estar em cons­
tante oração durante o dia todo, para que não procuremos lutar con­
tra o inimigo em nossa própria força. Fazer isso seria garantir a derro­
ta. Unicamente através do poder de Deus é que podemos mortificar o
pecado em nossa vida.

Ano Bíblico: II Crônicas 14-16. - Juvenis: Esdras 1.


A Justiça do Cristão Terça-feira
15 de maio

Como Lidar com o Problema do Pecado


Se alguém pensa que tem razões para confiar na carne, eu ainda
mais: circuncidado ao oitavo dia, do povo de Israel, da tribo de Benjamim,
hebreu de hebreus; quanto à lei, fariseu; quanto ao zelo, perseguidor da
igreja; quanto à justiça que há na lei, irrepreensível. Mas o que para mim
era lucro, passei a considerar perda, por causa de Cristo. Mais do que isso,
considero tudo como perda, se comparado com a suprema grandeza do
conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor. Filipenses 3:4-8, NVI.
J^dgumas pessoas, como Paulo antes de sua conversão, acham

que o esforço humano é o caminho para a salvação. O que se pode di­


zer dos fariseus do tempo de Paulo e de todas as outras gerações é que
eles são tremendamente sinceros em procurar corrigir o seu problema
com o pecado, a fim de estar bem com Deus.
Considere Martinho Lutero (1483-1546), por exemplo. Antes de
aprender sobre a justificação pela fé, no livro de Romanos, como mon­
ge agostiniano ele passou noites inteiras afligindo o próprio corpo em
penitência. Procurou limpar como que com uma draga todo pecado
que algum dia fora tentado a cometer. Mas era um processo sem-fim.
Mal acabara de pensar que completara a tarefa, e tinha que se arrepen­
der da tentação de orgulhar-se de sua realização. Lutero buscou inces­
santemente obter paz de espírito, mas jamais conseguiu isso por meio
do seu ascetismo.
Um caso semelhante é o de Anthony (aproximadamente 251-356
d.C.), que jejuava, não dormia e torturava seu corpo. Durante 20 anos
viveu no deserto em “constante batalha contra o diabo”. No entanto,
ao final de sua vigília, Anthony não estava mais perto da vitória do
que no princípio.
Paulo nos advertiu contra a inutilidade de tal tentativa para alcan­
çar santidade. Paulo, o rígido e austero fariseu, finalmente conseguiu
vitória e paz por meio da aceitação do sacrifício de Jesus no Calvário.
Não é de admirar que Paulo considerasse sem valor tudo o que ante­
riormente entesourava, uma vez que aceitou a Cristo como seu Salva­
dor pessoal. Paulo finalmente encontrou o que Lutero, Anthony e to­
dos nós estamos procurando. Jesus nos diz: “Vinde a Mim, todos os que
estais cansados e sobrecarregados, e Eu vos aliviarei. ... Porque o Meu
jugo é suave, e o Meu fardo é leve.” Mat. 11:28-30.

Ano Bíblico: II Crônicas 17-20. — Juvenis: Esdras 3.


Quarta-feira A Justiça do Cristão
16 de maio

O Melhor Caminho
Eu vos afirmo que, de igual modo, há júbilo diante dos anjos de Deus
por um pecador que se arrepende. Lucas 15:10
d) orgulho humano sussurra em nossos ouvidos que somos capa­
zes de solucionar nossos próprios problemas, se tão-somente nos esfor­
çarmos o suficiente. Lembro-me de quando me tornei adventista, com
a idade de 19 anos. Olhei ao meu redor na igreja e cheguei a uma con­
clusão: Que confusão!
Eu acreditava que sabia qual era o problema. Os adventistas e outros
cristãos simplesmente não se esforçavam o suficiente. Caso se empe­
nhassem com maior esforço, certamente venceríam e se tomariam per­
feitos. Foi nessa altura da minha vida que fiz um voto de ser o primeiro
cristão perfeito, depois de Jesus. Em minha mente, não havia dúvida al­
guma quanto ao sucesso. A semelhança de Martinho Lutero e outros
monges medievais, me propus a derrotar o dragão do pecado por meio de
minha conduta e de esforços próprios. E tentei, com todo o coração.
Menos de uma década depois, porém, desisti sentindo-me total­
mente fracassado. Seguiram-se anos de desânimo e apostasia de tudo o
que eu sabia ser a verdade.
Só mais tarde é que encontrei o Jesus do Calvário. Eu fora adven­
tista, mas não conhecia a Jesus. Por isso, tive que me arrepender de mi­
nha auto-suficiência; tive que me arrepender de procurar a salvação
pelo método dos fariseus.
A essa altura, compreendí que o único caminho para a vitória so­
bre o pecado é sujeitar minha vontade a Deus e aceitar a vontade dE­
le e Seus caminhos em minha vida. Esse caminho é o caminho da cruz.
A cruz é a resposta de Deus para o problema do pecado. Se os se­
res humanos pudessem vencer o pecado pelas próprias forças, não ha­
vería razão para Jesus vir a este mundo; não haveria razão alguma para
a Sua morte na cruz.
Aqueles que não reconhecem a profundidade e a magnitude do
problema do pecado ainda procuram salvar-se por meio de esforços pes­
soais. Como Paulo, Martinho Lutero e uma multidão de outras pessoas,
porém, mais cedo ou mais tarde se depararão face a face com o fracas­
so. Só então serão capazes de verdadeiramente se arrepender (abando­
nar sua auto-suficiência) e voltar-se a/Deus de modo submisso.

Ano Bíblico: II Crônicas 21-23. — Juvenis: Esdras 4.


A Justiça do Cristão Quinta-feira
17 de maio

A Solução do Evangelho
Pois não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a
salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego; visto
que a justiça de Deus se revela no evangelho, de fé em fé, como está escrito:
O justo viverá por fé. Romanos 1:16 e 17.

H ouve um tremendo clarão no horizonte. A princípio não pu­


de compreender do que se tratava. Mas quando vi uma quantidade
enorme de terra sendo lançada ao ar, em poucos momentos pude ouvir
e sentir a força da explosão à medida que o som seguiu a luz e me al­
cançou a uma distância de 25 a 30 quilômetros da explosão. Só então
compreendí que testemunhara uma poderosa explosão de dinamite.
Enquanto continuei olhando através do limpo ar do deserto, pude ver
que a explosão mudara a aparência de uma montanha.
Deus quer usar dinamite para mudar nossa vida. Há poucos dias
consideramos a cirurgia para o problema do pecado, conforme é des­
crito em Mateus 5:29 e 30. Pudemos notar seus pontos fracos. A solu­
ção que Deus oferece é muito mais radical do que uma cirurgia. É po­
der sobrenatural.
O texto de hoje nos diz que o evangelho (boas novas) “é o poder
de Deus para a salvação de todo aquele que crê”. Essa palavra “poder”
me fascina porque, em grego, ela tem a mesma raiz da palavra dinami­
te.
Paulo está dizendo que o evangelho funciona como dinamite em
nossa vida quando permitimos a entrada de Deus, quando Lhe damos
autorização para reformar nossa vida, tomando-a semelhante à de Jesus.
Deus não entra e simplesmente poda este ou aquele problema.
Não, Ele está interessado em chegar à raiz do problema, destruí-lo com
uma explosão e então recriar nossa vida, tornando-a muito mais bela.
Essa é realmente uma boa nova. A verdade é que a solução de
Deus para o problema do pecado não só oferece perdão, mas também
a possibilidade de uma nova vida nEle.
Você já permitiu que a dinamite de Deus opere em sua vida? Ou
teme as mudanças que Ele poderá fazer, se você permitir que o Seu po­
der assuma o controle?

Ano Bíblico: II Crônicas 24 e 25. — Juvenis: Esdras 5.


Sexta-feira A Justiça do Cristão
18 de maio

Vida Nova
E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas
já passaram; eis que se fizeram novas. II Coríntios 5:17.
D urante os últimos poucos dias temos analisado a profundida­
de do pecado e a grandeza do plano de Deus para lidar com ele. As pro­
messas de Deus são muito maiores e mais abrangentes do que a maio­
ria de nós percebe.
A Bíblia descreve o processo de tornar-se cristão como a morte e
um novo nascimento. Ser salvo em Cristo não é uma experiência par­
cial. E uma experiência total, que afeta todos os aspectos da minha vi­
da, inclusive a maneira como penso a respeito do sexo oposto e até co­
mo me visto para estimular pensamentos impróprios. Com muita fre-
qüência, ao lermos Mateus 5:29 e 30, pensamos naqueles que nutrem
pensamentos de adultério. Acho que o princípio que o texto encerra
tem algo a ver com a maneira como nos vestimos, falamos e agimos,
uma vez que temos responsabilidade para com os outros.
Como resultado, se estou agindo como cristão, minha conversa
não será sugestiva, meu vestuário não transmitirá uma mensagem erra­
da. Quando Deus diz que todas as coisas em nossa vida podem se tor­
nar novas, Ele está falando sério.
Mas, por favor, observe mais uma vez que não fazemos de nós mes­
mos novas criaturas. Isso é obra do Deus Criador em nossa vida. Tor­
nar-se cristão significa uma transformação total de coração e mente, de
modo que aquelas coisas que uma vez odiamos, agora amamos, e as coi­
sas que antes amávamos, passamos a detestar.
Sim, isso afeta a maneira como consideramos o sexo. Muitos de nós
fomos criados com idéias egoístas a respeito do sexo. Era a lei da rua
(selva). Vá e aproveite o que conseguir, e não se preocupe com as con-
seqüências. Para alguns, era mais sutil, mas geralmente ainda egoísta.
O fato de tornar-se cristão muda tudo isso. De repente, percebe­
mos que o sexo não é tanto um ato como um relacionamento. O sexo
é uma dádiva de Deus aos homens e mulheres. Dentro do relaciona­
mento do casamento é uma das dádivas mais preciosas de Deus.
Que Deus nos ajude a pensar de modo cristão a respeito do sexo.
Possa Ele ajudar-nos a crescer e a nos tornarmos verdadeiros cristãos
que amam. /

Ano Bíblico: II Crônicas 26-28. — Juvenis: Esdras 6.


A Justiça do Cristão Sábado
19 de maio

Um Alto Conceito do Casamento


Foi dito: "Aquele que se divorciar de sua esposa, deverá dar-lhe
certidão de divórcio. ” Mas Eu lhes digo que todo aquele que se divorciar
de sua esposa, exceto por imoralidade sexual, faz que ela se torne adúltera,
e quem se casar com a mulher divorciada estará cometendo adultério.
Mateus 5:31 e 32, NVI.
Um ponto claro como cristal do Gênesis ao Apocalipse, é a

santidade do casamento. Deus não só criou nossos primeiros pais, co­


mo também abençoou o casamento e disse que os dois tornam-se uma
só carne. Jesus defendeu a santidade do matrimônio, tanto em Mateus
5 como no texto com ele relacionado em Mateus 19:1-9.
Michael Green observa que Jesus salientou diversos aspectos im­
portantes do casamento nestas duas passagens. Primeiro, que o casa­
mento foi planejado por Deus. E uma ordenança estabelecida por Deus
e não um mero contrato social.
Em segundo lugar, o casamento é uma ordenança feita entre os
dois sexos. Deus os criou - “homem e mulher os criou”. A intenção de
Deus não era criar um mundo unissex. Conforme Green comenta: “Há
diferenças e funções complementares entre os sexos que são estabele­
cidas por Deus. Isso é tão óbvio que só precisa ser declarado neste fim
de século, quando o homossexualismo chegou a ser considerado uma
alternativa igualmente válida para o casamento.”
Em terceiro lugar, o plano é que o casamento seja permanente. Nun­
ca houve a intenção de que o relacionamento conjugal fosse quebrado.
Qualquer desvio da perpetuidade do casamento é um declínio do ideal.
Em quarto lugar, ele é exclusivo. As duas pessoas - não três, quatro
ou cinco - devem tornar-se uma só carne. Um homem e uma mulher
devem se unir. Esse ideal descarta os romances convenientes de tantos
povos modernos e a poligamia dos antigos. Aparentemente, o fato de
Deus permitir a poligamia no Antigo Testamento era uma concessão
não ideal para um costume arraigado e uma fraqueza humana. Além do
mais, provia segurança para o sexo feminino em culturas onde o mes­
mo não tinha direito algum e nem havia homens suficientes.
Em quinto lugar, o casamento cria um núcleo familiar. Isso inclui
deixar os pais e unir-se ao cônjuge. Assim, o casamento se torna o mais
forte e o mais importante de todos os relacionamentos humanos.

Ano Bíblico: II Crônicas 29-31. — Juvenis: Esdras 7.


Domingo A Justiça do Cristão
20 de maio

Divórcio é Assunto Sério


Perguntaram eles: “Então, por que Moisés mandou dar uma certidão
de divórcio à mulher e mandá-la embora?”Jesus respondeu: “Moisés lhes
permitiu divorciar-se de suas mulheres por causa da dureza de coração
de vocês. Mas não foi assim desde o princípio. Eu lhes digo que todo aquele
que se divorciar de sua esposa, exceto por imoralidade sexual, e se casar com
outra mulher, estará cometendo adultério. "Mateus 19:7-9, NVI.
T^ks palavras de Jesus não deixam dúvida de que o divórcio é um
ato que não corresponde ao ideal de Deus. Por isso, Jesus concorda
com o Antigo Testamento, onde Deus disse: “Eu odeio o divórcio.”
Mal. 2:16, BLH. Todo cristão deve odiá-lo. Divórcio significa fracasso
no cumprimento do ideal de Deus para duas pessoas.
Entretanto, acontecem divórcios neste mundo imperfeito, e aconte­
cem também novos casamentos. O estigma do fracasso e a terrível reali­
dade das famílias esfaceladas pesam tremendamente sobre a mente de
muitas pessoas. A família é o bloco fundamental na edificação tanto da
sociedade como da igreja. Temos todo o direito de nos entristecermos e
até nos aborrecermos com o alto índice de divórcios na igreja.
O que deve ser feito? Tudo o que for possível, individualmente e
como igreja, para conservar as famílias unidas. Seguramente precisa­
mos dar apoio a famílias que estão enfrentando tempos difíceis. Mui­
tos de nós necessitamos oferecer um coração amorável e um ouvido
atento àqueles que lutam para manter seu casamento.
Mas o que dizer de maridos e esposas que fracassaram? Estão eles
totalmente perdidos, especialmente se casarem com outra pessoa?
Não, se cremos no Novo Testamento.
Assim como os mexeriqueiros e aqueles que se orgulham de sua es­
piritualidade, os que sofrem por causa de casamentos desfeitos são con­
duzidos de volta às bem-aventuranças da pobreza de espírito, do cho­
ro, da humildade e da fome e sede de justiça. Esses serão fartos.
De fato, as pessoas divorciadas têm talvez maior probabilidade de
voltarem-se às bem-aventuranças e à cruz do que os mexeriqueiros e
espiritualmente orgulhosos, porque as faltas e pecados do divorciado
estão mais expostos e têm menos possibilidade de serem encobertos
pela religiosidade do que os dos outros grupos, que podem não sentir
sua necessidade. Todos, porém, precisam da purificação.

Ano Bíblico: II Crônicas 32 e 33. - Juvenis: Esdras 8.


A Justiça do Cristão Segunda-feira
21 de maio

A Importância de Nossas Palavras


Também ouvistes que foi dito aos antigos: Não jurarás falso, mas
cumprirás rigorosamente para com o Senhor os teus juramentos. Mateus 5:33.

últimos poucos versos de Mateus 5, Jesus vem explicando


sobre a profundidade e extensão dos Dez Mandamentos. Nos versos 21
a 26, Ele destaca o sexto mandamento (“Não matarás”), e nos versos
27 a 32 discute as implicações do sétimo mandamento (“Não adulte­
rarás”). Agora, nos versos 33 a 37, Jesus Se concentra no nono man­
damento (“Não dirás falso testemunho”) e no terceiro (“Não tomarás
o nome do Senhor teu Deus em vão”). Estamos tendo uma exposição
sobre aspectos do significado da lei pelo próprio Doador da Lei.
À primeira vista, o mandamento de Jesus contra juramentos pare­
ce ser de menor importância e de menos relevância do que todos os
Seus mandamentos. Afinal, como comparar um juramento com o ato
de tirar uma vida ou ser infiel no casamento?
Mas pense mais uma vez! Nossas palavras estão no centro de tudo o
que fazemos como seres humanos. São a base dos negócios, das relações
familiares, do governo e das relações internacionais. Quando as palavras
não são honestas, tudo o mais começa a desmoronar. Quando um espo­
so não pode confiar na esposa, quando a mãe não pode confiar em seus
filhos, como pode a família funcionar de maneira eficiente?
E que dizer do mundo em geral? Quando os sócios de uma empre­
sa comercial mentem um ao outro, seu negócio está em perigo. Da
mesma forma, os clientes precisam ser capazes de confiar que os profis­
sionais falam sempre a verdade.
Sem dúvida, um dos maiores problemas de nosso mundo é que falar
a verdade se tornou uma virtude muito rara. E os efeitos dessa raridade
são evidentes demais em famílias desfeitas, na abundância de tribunais e
na desconfiança internacional. Vivemos em um mundo de pecado, e a
raiz de muitos deles é fruto da desonestidade. O pai da mentira teve mui­
to êxito.
Mas, como cristãos, queremos fazer parte da solução e não do pro­
blema. Ajuda-nos neste dia, querido Pai, a renovarmos nosso compro­
misso com a importância da palavra verdadeira.

Ano Bíblico: II Crônicas 34-36. - Juvenis: Neemias 1.


Terça-feira A Justiça do Cristão
22 de maio

A Questão do Juramento
Eu, porém, vos digo: de modo algum jureis; nem pelo Céu, por ser
o trono de Deus; nem pela terra, por ser estrado de Seus pés; nem por
Jerusalém, por ser cidade do grande Rei; nem jures pela tua cabeça,
porque não podes tornar um cabelo branco ou preto. Mateus 5:34-36.

1 lão jurem de jeito nenhum” (BLH). Isso é o que Jesus disse.


Mas como conciliar isso com o Antigo Testamento? Não parece
claro, à primeira vista. Na realidade, Jesus parece contradizer Moisés.
“O Senhor, teu Deus, temerás, a Ele servirás, e, pelo Seu nome, jura­
rás”, é o que lemos em Deuteronômio 6:13. Em Salmo 50:14, lemos
ainda: “Oferece a Deus sacrifício de ações de graças e cumpre os teus
votos para com o Altíssimo.” Obviamente, o salmista havia feito vo­
tos a Deus com juramento.
Como podemos resolver essas aparentes contradições entre Jesus e
o Antigo Testamento? Em Levítico 19:12 encontramos uma dica:
“Nem jurareis falso pelo Meu nome, pois profanarieis o nome do vos­
so Deus. Eu sou o Senhor.”
Desde o princípio da história de Israel como nação, um problema
duplo foi enfrentado. Por um lado, a ordem positiva de Deus por meio
de Moisés para jurar pelo Seu nome, intentava, indubitavelmente,
abordar o problema da tentação de ser desonesto. Por outro lado, co­
mo vimos ontem, sem falar a verdade coerentemente é impossível
existir uma vida social de confiança mútua. Por isso, a ordem de jurar
pelo nome de Deus tinha a intenção de refrear a tendência de não ser
totalmente verdadeiro, especialmente em questões sérias.
O pecado, porém, perverte todas as coisas. Conseqüentemente,
quando algumas pessoas descobriram que podiam conseguir que a pró­
pria vontade prevalecesse ao jurar falsamente usando o nome de Deus,
elas começaram a utilizar isso como instrumento de chantagem. Por is­
so a condenação levítica dessa prática.
Por volta do tempo de Jesus, essa questão se tomara bastante deli­
cada, como perceberemos amanhã. Como resultado, Ele questiona até
mesmo a permissão do Antigo Testamento ao explorar o significado da
lei de Deus.
Podemos aprender muito de Seus ensinos sobre o assunto. Espe­
cialmente se colocarmos em prática Seu ideal positivo.

Ano Bíblico: Esdras 1-3. - Juvenis: Neemias 2.


O
A Justiça do Cristão Quarta-feira
23 de maio

Juramento Farisaico - I
Nem jurareis falso pelo Meu nome, pois profanarieis o nome do vosso
Deus. Eu sou o Senhor. Levítico 19:12.
Os escribas e fariseus eram excelentes pesquisadores da Bíblia.

Eles conheciam todos os jotas e os tis da lei, e empenhavam-se em não


transgredi-la publicamente. Naturalmente, eles não pensavam dessa ma­
neira. Mas como não tivessem discernimento do íntimo significado da
lei, sua interpretação legalista da letra da lei permitia-lhes apenas uma
compreensão superficial da mesma. É essa falta de compreensão mais
profunda do pecado e da lei que Jesus aborda no capítulo 5 de Mateus.
Os judeus, porém, conheciam o que a lei dizia acerca do juramen­
to. Eles sabiam que não deviam jurar falsamente usando o nome de
Deus. Mas sabiam também que podiam usar o nome de Deus em jura­
mento. Essas eram as regras legais. Essas regras nada diziam a respeito
de jurar falsamente em nome de qualquer outra coisa. Vejam só! Eles
haviam descoberto uma evasiva.
Tal interpretação levou os escribas e fariseus a dividirem os jura­
mentos em duas categorias: aqueles que eram absolutamente compro­
metedores e aqueles que não o eram. Qualquer juramento contendo o
nome de Deus era absolutamente comprometedor; mas o juramento
que evitava o nome de Deus não era considerado comprometedor. Es­
se raciocínio servia de alicerce para a prática evasiva de fazer juramen­
to e pervertia o próprio princípio de falar sempre a verdade.
Nos dias de Jesus os escribas e fariseus consideravam que um jura­
mento pelo templo não era comprometedor, mas um juramento pelo ou­
ro do templo era. Igualmente, um juramento pelo altar não era conside­
rado comprometedor, mas um juramento pela oferta que estava no altar
era absolutamente comprometedor. Por tais esquemas e detalhes técni­
cos eles podiam se esquivar da honestidade e contudo ser “religiosos”.
Não é de admirar que Jesus tenha condenado tais práticas, tanto
no capítulo 5 como no 23 de Mateus. Sendo que Deus é o Criador de
todas as coisas, nada existe que não seja sagrado. Tudo pertence a
Deus. Tudo está relacionado com o Seu nome.
Como cristãos, devemos ser transparentemente honestos. Precisa­
mos evitar todas as maneiras sutis e não tão sutis de nos esquivarmos
da verdade, pois servimos ao Deus da verdade.

Ano Bíblico: Esdras 4-6. — Juvenis: Neemias 4.


O
Quinta-feira A Justiça do Cristão
24 de maio

Juramento Farisaico - II
Todo aquele que pratica o pecado transgride a lei; de fato, o pecado
é a transgressão da lei. IJoão 3:4, NVI.

pecado é a transgressão da lei.” Mas o que é a lei?


Os escribas e fariseus, no capítulo 5 de Mateus, nos diriam que lei
se refere às palavras exteriores da lei, e que pecado é praticar atos ou
manter uma conduta que transgrida a lei.
Essa é exatamente a interpretação que Jesus está condenando em
Mateus 5. Para Jesus (ver Mat. 22:35-40) e para Paulo (ver Rom. 13:8-
10 e Gál. 5:14), a essência da lei não é tanto a exposição específica dos
Dez Mandamentos, mas o imperativo moral para amar a Deus e aos
nossos semelhantes.
Isso significa que tudo que é destituído de amor é pecado. Quer di­
zer que esquivar-se da verdade por meio de um juramento é pecado. A
segunda parte da divina lei de amor abrange muito mais do que os le­
galistas antigos ou modernos são capazes de compreender. Ela abrange
nossa vida inteira.
Mas a mente farisaica fica satisfeita enquanto puder persuadir a si
mesma de estar guardando a letra da lei. Por exemplo: enquanto a pes­
soa não for culpada de adultério físico, do próprio divórcio em si, ou de
homicídio físico, ela acredita que está no caminho certo.
A mente farisaica interpreta o significado da lei de tal modo e a
define de forma tão legalística que se sente livre para fazer muitas coi­
sas que contradizem totalmente o espírito da lei de amor, e ainda as­
sim permanece sem culpa.
A mente dos fariseus mantém a seguinte posição: “Praticar um ato
proibido é pecado, mas enquanto eu não estiver praticando o específi­
co ato em si, tudo está bem.” Assim, algumas pessoas franzem a testa
ao ver outros usando uma aliança de casamento ou alguma jóia, ao pas­
so que acham perfeitamente correto viver em uma casa ostentosa ou
possuir um carro do último modelo. Elas definem o que é ser “munda­
no”, de tal forma que ficam satisfeitas em sua justiça própria. A men­
talidade do fariseu torna o pecado trivial e o acomoda dentro de limi­
tes seguros.
Jesus condena terminantemente todas essas atitudes. Tais pessoas
perdem a noção do que é cristianismo.

Ano Bíblico: Esdras 7-10. - Juvenis: Neemias 5.


A Justiça do Cristão Sexta-feira
25 de maio

Leia a Palavra Inteira


Seja o seu “sim”, “sim”, e o seu “não”, “não”; o que passar disso vem do
maligno. Mateus 5:37, NVI.
CZ/omo devemos ler os mandamentos de Jesus a respeito dos jura­

mentos? Devemos ler o texto literalmente pelo que, à primeira vista, pa­
rece dizer? Ou devemos interpretá-los à luz do Novo Testamento inteiro?
Essa pergunta é importante por duas razões. Primeiro, porque a
muitos de nós será pedido, mais cedo ou mais tarde, que juremos dizer
a verdade num tribunal de justiça, e muitos de nós já confirmamos os
votos matrimoniais. Por isso, estamos lidando com algo bem prático
em nossa vida diária.
A segunda implicação também é bastante prática. Tem a ver com
a maneira como lemos as Escrituras. A lição que aprendemos da leitu­
ra de Mateus 5:33-37, bem como da sugestão de arrancar o olho no
verso 29 do mesmo capítulo, é que a leitura absolutamente literal não
concorda com o desígnio de Jesus.
O significado totalmente literal dos ensinos de Jesus acerca do ju­
ramento é que nunca devemos jurar. Muitos grupos religiosos, inclusi­
ve os Quakers, adotam essa posição.
Mas essa interpretação literal não é apoiada pelo restante do No­
vo Testamento. “O próprio Jesus em Seu julgamento... não Se recusou
a testificar sob juramento.” (Ver Mat. 26:63 e 64.) Ellen White acres­
centa ainda que: “Houvesse Cristo no Sermão do Monte condenado o
juramento judicial, em Seu julgamento haveria reprovado o sumo sa­
cerdote, reforçando assim, para benefício de Seus seguidores, Seus pró­
prios ensinos.” - O Maior Discurso de Cristo, pág. 67.
Jesus não Se opôs ao juramento governamental, pelo contrário,
notamos que os apóstolos fizeram juramento, e o próprio Deus jurou
por Si mesmo, “visto que não tinha ninguém superior por quem jurar”.
A vida cristã é muito mais complexa do que simplesmente pegar­
mos uma prova de pré-impressão e a considerarmos como se fosse tu­
do o que Deus tivesse a dizer sobre o assunto. É preciso que tenhamos
uma percepção equilibrada dos ensinos da Bíblia sobre determinado
assunto, para que realmente compreendamos a vontade de Deus.
Ajuda-nos, Senhor, a nos tornarmos melhores estudantes da Tua
Palavra, e intérpretes mais exatos da Tua vontade.

Ano Bíblico: Neemias 1-4. — Juvenis: Neemias 6.


Sábado A Justiça do Cristão
26 de maio

Juramento no Mundo de Pecado


Pois, quando Deus fez a promessa a Abraão, visto que não tinha
ninguém superior por quem jurar, jurou por Si mesmo, dizendo:
Certamente, te abençoarei e te multiplicarei. Hebreus 6:13 e 14.
Ontem mencionamos que tanto Paulo como Jesus se submete­
ram a juramento ou fizeram uso dele. Assim, parece que nenhum deles
tomou as palavras de Jesus, em Mateus 5:33-37, como uma proibição
geral contra todo tipo de juramento. E, no texto de hoje, vemos que
até mesmo Deus usou o juramento neste mundo de pecado.
Essas três últimas palavras captam a razão para certos tipos de ju­
ramento. Vivemos em um mundo de pecado. De acordo com Mateus
5:37 (versão ARC), a própria necessidade de juramento “é de proce­
dência maligna”. Por exemplo: sempre que o juramento é usado, como
no julgamento de Jesus, a razão do seu uso é a má condição do mundo,
onde o juramento parece ser necessário para que os cidadãos sejam im­
pressionados com a seriedade especial da sua palavra em lugares como
os tribunais de justiça.
Como cidadãos, somos obrigados a assinar muitos documentos le­
gais sob juramento. A origem desses juramentos e a razão da sua neces­
sidade é a má condição do mundo, conforme Jesus mencionou em Ma­
teus 5:37. Os cristãos fazem juramentos simplesmente porque nosso
mundo mau o requer, mas essa não é sua maneira de expressar-se.
Ellen White nos ajuda a ver a lógica da questão quando escreve:
“Muitos há que não temem enganar seus semelhantes; mas foi-lhes en­
sinado, e eles foram impressionados pelo Espírito de Deus, que é terrí­
vel coisa mentir a Seu Criador. Quando postos sob juramento, é-lhes
feito sentir que não estão testemunhando apenas diante dos homens,
mas perante Deus; que se derem falso testemunho, é Aquele que lê no
coração, e que sabe a exata verdade. O conhecimento dos terríveis juí­
zos que se têm seguido a esse pecado tem uma influência refreadora so­
bre eles.” - O Maior Discurso de Cristo, pág. 67.
Mas tais expedientes não devem ser necessários para os cristãos. O
cristão compreende que Deus vê tudo, esteja ele falando sob juramen­
to ou não. Para o cristão, fazer juramento é admitir necessariamente
que o juramento tem seu lugar, embora restrito, num mundo em que as
pessoas precisam de motivações não ideais.

Ano Bíblico: Neemias 5-8. — Juvenis: Neemias 8.


A Justiça do Cristão Domingo
27 de maio

O Sim do Cristão
Mas, sobretudo, meus irmãos, não jureis nem pelo céu nem pela terra,
nem façais qualquer outro juramento; mas que a vossa palavra seja sim, sim
e não, não, para que não caiais em condenação. Tiago 5:12.
T^Tessa passagem de hoje, Tiago está citando o sentimento de Je­
sus, expresso em Mateus 5:37. Os verdadeiros cristãos não necessitam
jurar por isso nem por aquilo. Eles devem ter uma sólida reputação por
falarem a verdade. Não devem usar esse tipo de sentenças legalistas
que enganam as pessoas pela sutileza de suas palavras e deixam-nas
pensar que estão dizendo uma coisa, quando na realidade estão dizen­
do o contrário. A conversa do cristão deve ser franca, honesta e trans­
parente. Devemos ser capazes de confiar nos cristãos simplesmente por
serem cristãos.
Em Mateus 5:33-37, Jesus rejeita toda aproximação alternativa pa­
ra a verdade. Isto é, Ele rejeita a idéia de que alguns compromissos de­
vem ser mantidos porque foram feitos sob juramento de forma especí­
fica, ao passo que outros compromissos deixam as pessoas envolvidas
praticamente livres de obrigação, por não estarem vinculados a um ju­
ramento adequado.
Jesus está lutando pela integridade de todas as nossas palavras,
quer sob juramento, quer não. Não é estável a comunidade em cujas
palavras não se pode confiar.
Como cristãos, compreendemos que todas as nossas palavras são
ditas e nossos compromissos feitos na presença de Deus. As palavras e
ações do cristão são sagradas. Afinal, a conversa do cristão vem de uma
pessoa que foi separada pelo Deus Vivo para um propósito santo (isto
é santificação). A conversa do cristão é de alguém que nasceu de no­
vo. A pureza de nossa conversa, a integridade de nossas promessas, a
honestidade transparente da pessoa que somos, dão testemunho de que
somos cristãos em nossos atos e não só de nome.
Assim sendo, os negócios do cristão devem ser as mais honestas
transações comerciais que existem. Dão testemunho à comunidade de
que somos cristãos.
Quando Jesus disse que nosso sim deve ser sim, e nosso não, não,
Ele estava afirmando que cada um de nós deve ser digno de confiança
e honesto em tudo o que diz e faz.

Ano Bíblico: Neemias 9-11. — Juvenis: Ester 1 e 2.


Segunda-feira A Justiça do Cristão
28 de maio

Até as Balanças se Converteram.


Pelo que deixai a mentira e falai a verdade cada um com o seu
próximo; porque somos membros uns dos outros. Efésios 4:25.
CZZnta-se a história de um missionário na Polônia muitos anos
atrás que saiu para comprar um ganso para o jantar. Ele observou que
o armazém estava surpreendentemente limpo e as galinhas e gansos es­
tavam bem gordos e sadios.
Quando o missionário perguntou ao balconista a respeito de sua
salvação, seus olhos brilharam e seu rosto irradiou alegria ao responder:
— Sim, eu sou crente. Anos atrás aprendi a respeito de Jesus Cris­
to e O aceitei como meu Salvador.
- Mas como você sabe que está salvo? - perguntou o missionário.
- Porque - respondeu ele - minha vida mudou completamente.
Agora, quando vendo gansos e outras coisas, peso tudo corretamente
sem colocar o dedo na balança. Agora tudo dá certo. Até minhas ba­
lanças se converteram.
Essa história me faz lembrar de um conselho que Deus nos deu,
através de Moisés, em Deuteronômio 25:13 a 16 (BLH): “Não levem
na bolsa dois pesos diferentes, um mais pesado do que o outro, nem te­
nham em casa duas medidas diferentes, uma maior do que a outra.
Usem pesos e medidas certos, [porque] o Eterno, o nosso Deus, ... de­
testa todos aqueles que fazem essas coisas desonestas.”
O cristianismo faz diferença em nossa vida. Como cristãos, para
quem a verdade é a verdade, nosso sim realmente significa sim e nos­
so não quer dizer não. Nossa moral não é de alternativas, que tem pe­
sos e medidas honestos e desonestos, e palavras e ações honestas e ou­
tras não tão honestas.
As reflexões de Jesus sobre fazer juramento vão muito além da pró­
pria prática de fazer juramentos. Elas incluem nossas palavras. Incluem
não usar o nome de Deus de maneira descuidada ou em vão. Inclui, co­
mo exposto em outras palestras de Jesus sobre a lei em Mateus 5, a pro­
fundidade e a altura da lei que condena o falso testemunho daquilo em
que não pensamos com cuidado.
Naturalmente, uma coisa é entender as implicações das palavras dE­
le. E outra coisa bem diferente é colocá-las em prática. Hoje é o melhor
dia para começar a tornar nossa prática mais coerentemente cristã.

Ano Bíblico: Neemias 12 e 13. — Juvenis: Ester 3 e 4.


A Justiça do Cristão Terça-feira
29 de maio

A Lei da Desforra
Vocês ouviram o que foi dito: Olho por olho, dente por dente.
Mateus 5:38.
T^qui temos uma referência ao antigo código da lei de talião, a
lei da retaliação. Ele está entre os mais primitivos códigos de leis hu­
manas. Assim, estava no Código de Hamurabi, que reinou na Babilô­
nia antes do tempo de Moisés, mas de forma menos justa do que no
Antigo Testamento.
A lei básica de talião é encontrada em pelo menos três lugares no
Antigo Testamento. Em Deuteronômio 19:21, lemos: “Não o olharás
com piedade: vida por vida, olho por olho, dente por dente...” Em Le-
vítico 24:19 e 20, lemos: “Se alguém causar defeito em seu próximo,
como ele fez, assim lhe será feito: fratura por fratura, olho por olho,
dente por dente; como ele tiver desfigurado a algum homem, assim se
lhe fará.”
Por razões óbvias, essas leis são freqüentemente citadas pelos críti­
cos como sendo as mais brutais do Antigo Testamento. Mas, antes de
criticarmos demais, precisamos considerar a intenção das mesmas.
Em primeiro lugar, é importante compreender que o objetivo des­
sas leis _do Antigo Testamento não era crueldade legalizada, mas mi­
sericórdia. Pense por um momento na impetuosidade humana e na
desforra. Minha tendência humana, quando alguém faz algo que me
prejudica, é fazer pelo menos algo tão mau como o que me foi feito,
ou pior se puder. Assim, a desforra descontrolada aumenta à medida
que cada um retribui de maneira mais brutal. Uma inimizade sangui­
nária entre famílias em guerra é o possível resultado.
A legislação do Antigo Testamento foi dada para colocar limites
na desforra. Assim ninguém pode insistir num castigo maior do que o
merecidopelo. çritne,
— Em segundo lugar, a lei não era imposta por indivíduos, mas pelo
governo, na tentativa de manter a ordem civil. Era o juiz quem estabe­
lecia os termos da punição. Na realidade, os judeus de épocas posterio­
res geralmente trocavam a lei de talião por fundos monetários.—
Mesmo o que parece ser o lado cruel do Antigo Testamento preci­
sa ser considerado à luz de um Deus misericordioso.

Ano Bíblico: Ester 1-4. — Juvenis: Ester 5 e 6.


Quarta-feira A Justiça do Cristão
30 de maio

Considere Todos os Fatos


Não digas: Como ele me fez a mim, assim lhe farei a ele; pagarei a
cada um segundo a sua obra. Provérbios 24:29.

E sempre perigoso pegar um verso aqui, outro ali, e dizer que is­
so é o que a Bíblia ensina sobre o assunto. É importante conseguir o
quadro completo.
Ontem consideramos alguns versos nos quais a lei de talião ou do
“olho por olho” era ensinada. Percebemos que aquilo que parecia ser
uma lei brutal, era, na verdade, um aspecto de misericórdia da legisla­
ção, no sentido de que ela limitava o grau da vingança.
Mas o ideal de misericórdia divina é muito mais amplo do que is­
so no Antigo Testamento. Esse pode ter sido o limite legal da vingan­
ça, mas o verdadeiro ideal de Deus para Seu povo era um ideal de gra­
ça. Por isso, como vemos no texto bíblico de hoje, as pessoas são acon­
selhadas a não dar o troco aos outros pelo que eles lhes fizeram, não
desforrar-se à moda da lei de talião. Em Levítico 19:18, lemos: “Não te
vingarás, nem guardarás ira contra os filhos do teu povo; mas amarás o
teu próximo como a ti mesmo. Eu sou o Senhor.” E em Provérbios
25:21: “Se o que te aborrece tiver fome, dá-lhe pão para comer.”
Assim sendo, mesmo no Antigo Testamento, o ideal de Deus para
Seu povo individualmente era de misericórdia e não de justiça estrita.
Graça é a nota tônica em ambos os testamentos. Deus a concede a nós.
Nosso dever é passá-la adiante.
Prejuízos não imagináveis sobrevieram ao povo de Deus por meio
daqueles que estavam em seu meio escolhendo as mais fortes declara­
ções da Bíblia (ou dos escritos de Ellen White) para impô-las sobre ou­
tras pessoas, sem levar em consideração o contexto ou o equilíbrio dos
fatores.
Ellen White adverte contra aqueles que “escolhem as expressões
mais fortes dos testemunhos” e “querem impô-las em todos os casos” a
despeito do seu contexto. “Não apanhem os indivíduos as declarações
mais fortes, feitas a pessoas e famílias, impondo essas coisas porque de­
sejam usar o açoite e ter algo para impor.” - Mensagens Escolhidas, vol.
3, págs. 285-287.
Esse conselho se aplica também à Bíblia. Considere todos os fatos
a respeito de determinado assunto.

Ano Bíblico: Ester 5-7. - Juvenis: Ester 7 e 8.


A Justiça do Cristão Quinta-feira
31 de maio

O Papel do Governo Civil


Eu, porém, vos digo que não resistais ao mal; mas, se qualquer te bater
na face direita, oferece-lhe também a outra. Mateus 5:39.
44 NI
1 ião resistais ao mal.” Aí está uma declaração revolucioná­
ria. E também uma das mais controvertidas do Novo Testamento.
Alguns acham que essa declaração se aplica ao governo. Assim,
“não resistir ao mal” sugere que está errado ter polícia ou exército.
“Não resistais ao mal.” Será que essa frase quer dizer que é errado
resistir a pessoas como Hitler, Stalin ou criminosos secretos? Será que
devemos deixar as pessoas cruéis fazer o que quiserem? Alguns acredi­
tam ser assim. Mas é isso que a Bíblia ensina?
Para responder a essas perguntas precisamos examinar o contexto
de Mateus 5:39. A quem Jesus está falando? A quem Ele está ordenan­
do que não resista ao mal?
A resposta é que Ele está falando a pessoas cristãs, que estão viven­
do de acordo com as bem-aventuranças, e que portanto são mansas e
pacificadoras. Ele está falando a pessoas convertidas, que por definição
não são como o mundo e o que Paulo chama de “homem natural”.
Jesus está falando àquelas pessoas cuja justiça deve exceder a dos escri­
bas e fariseus.
Ele não está falando a governos nacionais ou indivíduos não con­
vertidos que não vivem de acordo com as bem-aventuranças. Para tais
pessoas, a ordem de resistir ao mal seria loucura. Viver a vida cristã é
um assunto do espírito.
Os governos, em suas funções legais e policiais, estão ainda debaixo
da lei de talião. Isso está claro em Romanos 13, onde lemos que os go­
vernos não trazem a espada sem motivo. Eles devem “castigar o que pra­
tica o mal”. (Verso 4.) O exército, a polícia e os tribunais de justiça são
necessários em um mundo de pecado. E, de acordo com Romanos 13,
Deus Se utiliza dos governos para manter a ordem e resistir ao mal.
Mas esse não é o papel de cristãos individualmente. Não devemos
impor a lei com as próprias mãos. Não devemos viver uma vida de re­
taliação. Devemos viver de acordo com as bem-aventuranças; devemos
ser pacificadores e amar nossos inimigos.

Ano Bíblico: Ester 8-10. - Juvenis: Ester 9 e 10.


Sexta-feira A Justiça do Cristão
1° de junho

Oferecendo o Outro Lado


Finalmente, sede todos de igual ânimo, compadecidos, fraternalmente
amigos, misericordiosos, humildes, não pagando mal por mal ou injúria por
injúria; antes, pelo contrário, bendizendo, pois para isto mesmo fostes
chamados, a fim de receberdes bênção por herança. I Pedro 3:8 e 9.
CDferecer o outro lado não é muito fácil quando você acabou de
ser ferido do lado direito. Uin tapa no rosto era o insulto pessoal má­
ximo para um judeu. E Jesus agora diz que devemos oferecer o outro la­
do. Impossível!
Está Jesus dizendo que se um bêbado ou um lunático violento vem
e me fere no rosto, devo imediatamente lhe oferecer o outro lado? Tal
instrução faria os ensinos do Senhor parecerem ridículos.
O que, então, está Ele querendo defender? Novamente precisamos
analisar o contexto e a quem Jesus está Se dirigindo.
Em parte, Ele estava falando dos costumes dos escribas e fariseus.
Na tradição rabínica, cada pessoa tinha permissão para desforrar-se até
a letra da lei do olho por olho. Era permitido que toda pessoa se tor­
nasse juiz, jurado e algoz. A lei de Deus era usada pelos que liam um
lado só do Antigo Testamento para justificar a retaliação. Por isso, Je­
sus está falando acerca da justificação legalista deles mesmos.
Mas Jesus está falando também aos Seus seguidores, cuja justiça
deve exceder a dos líderes religiosos judaicos. Seu destaque, em Ma­
teus 5:39, tem mais a ver com o que não devemos fazer do que com o
que devemos. Oferecer o outro lado simboliza o espírito não vingati­
vo, humilde e manso que deve caracterizar os cidadãos do reino.
Nas três ilustrações dadas em Mateus 5:39-41, Jesus está dizendo,
em suma, que devemos morrer para nós mesmos. Ele deseja mudar tan­
to nosso coração como nossas expressões exteriores. No momento em
que sou ferido, quero me desforrar. Isso é o que preocupa Jesus. Ele diz
que devemos nos libertar desse espírito. Devemos morrer para nós mes­
mos e para nosso orgulho. Precisamos aprender a ser como Jesus, que
agüentava insultos pessoais sem retribuir. Devemos deixar a vingança
com Deus.
Para isso, precisamos da graça.

Ano Bíblico: Jó 1 e 2. - Juvenis: Jó 1 e 2.


A Justiça do Cristão Sábado
2 de junho

Morrendo Para Si Mesmo


E, ao que quer demandar contigo e tirar-te a túnica, deixa-lhe
também a capa. Mateus 5:40.
Isso não é fácil de ser colocado em prática. Semelhante ao verso
39, que diz que devemos oferecer o outro lado do rosto, esse verso, a
respeito de deixar também a capa, atinge o centro de nossa defesa pes­
soal.
Para compreendermos o que Jesus quer dizer em Mateus 5:40, pre­
cisamos analisar melhor as Suas palavras. A túnica era uma veste inte­
rior, tipo saco, feita de algodão ou linho. Todas as pessoas, exceto as
mais pobres, possuíam mais de uma túnica. A capa, por outro lado, era
uma veste exterior quente, tipo de um cobertor, que a pessoa usava co­
mo manto durante o dia e como cobertor à noite. A pessoa comum só
tinha uma capa.
A-leiJudaica sustentava que a túnica de uma pessoa podia ser re­
cebida como garantia, mas não a capa, a menos que fosse devolvida an­
tes do pôr-do-sol. (Ver Exo. 22:26 e 27.) O fato é que, por lei, a capa
de uma pessoa não podia ser tomada de modo permanente.
Bem, você pode estar se perguntando: O que está Jesus nos dizen­
do então? Ele está nos dando um conselho que não queremos ouvir. Es­
tá nos dizendo que a preocupação com os nossos direitos não deve ser
o centro de nossa vida cristã. Jesus está dizendo mais uma vez que pre­
cisamos morrer para nós mesmos. William Barclay faz a seguinte colo­
cação: “O cristão não pensa em seus direitos, mas em seus deveres; não
pensa em seus privilégios, mas em suas responsabilidades. Cristão.é
uma pessoa que se esqueceu de que tem algum direito; e, aquela que lu­
ta até a morte por seus direitos legais, dentro ou fora da igreja, está lon­
ge do caminho cristão.”
Q_eDiino.de Jesus acerca da capa não quer dizer que um cristão
nunca lutará pelos direitos de outros ou pela integridade da lei e da or­
dem. Mas quer dizer que ele morreu para si mesmo. Essa era a lição do
verso anterior também. Naquele verso, entretanto, tinha a ver com a
nossa pessoa; nesse tem a ver com as nossas propriedades. Jesus real­
mente espera que sejamos semelhantes a Ele.

Ano Bíblico: Jó 3-5. — Juvenis: Jó 42.


Domingo A Justiça do Cristão
3 de junho

A Segunda Milha
Se alguém te obrigar a andar uma milha, vai com ele duas. Mateus 5:41

figura de linguagem em nosso verso de hoje é estranha para


nós, mas bem conhecida entre os ouvintes de Jesus. A lei romana da-
va a_um soldado o direito de recrutar um civil para andar uma milha
romana carregando a mochila dele. A Palestina era um território ocu­
pado; a qualquer momento um judeu podia sentir no ombro o toque de
uma lança romana e saber que estava sendo coagido a servir os roma­
nos. Isso foi o que aconteceu com Simão Cireneu, quando foi coagido
a carregar a cruz de Jesus.
A lei se destinava a aliviar o soldado, mas era considerada vil por­
que fazia com que os oprimidos carregassem o equipamento de seus
opressores. Essa tarefa incitava o temperamento de muitos judeus.
Aqui reaparece o radicalismo de Jesus. Não só deviam Seus segui­
dores carregar as cargas pela distância exigida, como também deviam
se oferecer para andar uma segunda milha, sem ressentimento. Jesus
está dizendo aos Seus seguidores que eles nunca devem resmungar por
causa de coisas pequenas. Devem cumprir seu dever com um sorriso,
mesmo que não estejam sendo tratados com a dignidade da qual se
consideram merecedores. Os cristãos não devem jamais ser trabalhado-
res ineficientes, servos ressentidos, ou ajudantes descorteses. Pelo con­
trário, os cristãos devem desempenhar toda tarefa com alegria, fazen­
do o melhor. Eles não defraudam nos impostos quando sentem o toque
da espada de lâmina larga do governo.
Todas as três ilustrações que temos estudado em Mateus 5:39 a 41
salientam o mesmo ponto. As ilustrações de oferecer o outro lado do
rosto, entregar também a capa e andar uma segunda milha sugerem a
crucifixão do eu, o ponto central dos ensinos de Jesus. É a defesa do eu
e seus direitos que nos leva a assumir o papel de Deus e desforrar-nos
contra erros supostos ou reais. Jesus ilustrou isso em termos de nossa
pessoa, nossas propriedades ou nosso trabalho. Como cristãos, deve­
mos renunciar a nossa defesa e sensibilidade próprias. Se realmente as­
sim fizermos, a igreja será um lugar maravilhoso.

And Bíblico: Jó 6 e 7. — Juvenis: Salmos 1, 15 e 19.


A Justiça do Cristão Segunda-feira
4 de junho

Devo Dar a Todos os Pedintes?


Dá a quem te pede e não voltes as costas ao que deseja que lhe
emprestes. Mateus 5:42.
Será que isso quer dizer que, como cristão, devo dar a cada bêba­
do que me pedir dinheiro? Quer dizer que os banqueiros cristãos nun­
ca devem recusar um empréstimo, mesmo a um defraudador?
Assim como os ensinos de Jesus sobre o outro lado do rosto, a ca­
pa e a segunda milha, esse ensino, se interpretado de maneira literal e
mecânica, pode parecer ridículo.
Nosso Senhor não está nos encorajando a apoiar bêbados e defrauda-
dores. Mas todos temos de enfrentar tais pessoas, por isso devemos anali­
sar cuidadosamente o que Jesus quis dizer e o que significa ajudar alguém.
Lembro-me do tempo em que servi como pastor associado da Igre­
ja Central de São Francisco. Parecia que mais pedintes do que seria a
nossa cota vinham à porta da igreja pedir alguma coisa. A maioria de­
les não pedia dinheiro para cerveja ou vinho. Geralmente diziam que
tinham esposa e três filhos e precisavam de mantimento para eles.
O pastor geral e eu queríamos ser fiéis aos ensinos de Jesus, mas
queríamos também ajudar de verdade essas pessoas. Não achávamos
que devíamos dar dinheiro a elas, porque poderiam gastar em bebida.
Nossa solução foi fazer um acordo com o pessoal do armazém local
para aceitar nosso cartão comercial com uma lista: “leite, pão e frutas”
e nossa assinatura. Quando eles atendiam a uma pessoa necessitada
com nosso cartão assinado, preparavam um saco de compras para aque­
la pessoa e nos enviavam a conta.
O mais interessante é que a maioria dos cartões nunca chegava ao
armazém, porque as pessoas não estavam interessadas em alimento.
Mas a estratégia nos ajudou a ser fiéis às instruções dadas por Jesus e ao
mesmo tempo procurar realmente ajudar as pessoas.
Jesus deseja que ajudemos os que verdadeiramente necessitam. É
importante que, em caso de dúvida, presumamos o melhor para que
não fechemos a porta aos que realmente necessitam. Esse, porém, é um
caso em que precisamos ser prudentes.
O ato de dar, enquanto isso, abre nosso coração e nos ajuda a ser
generosos em vez de egoístas. Nesse processo, estamos sendo transfor­
mados à imagem de Jesus.

Ano Bíblico: Jó 8-10. — Juvenis: Salmos 23, 24 e 27.


<S>
Terça-feira A Justiça do Cristão
5 de junho

O Espírito de Tudo Isso


Estou crucificado com Cristo; logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo
vive em mim; e esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho de
Deus, que me amou e a Si mesmo Se entregou por mim. Gálatas 2:19 e 20.
T^Jos últimos poucos dias temos_estudado sobre o problema da
retaliação, do desejo humano de ferir aqueles que nos 'ofendem. Afi­
nal, achamos que eles merecem!
e merecem mesmo, na maioria dos casos. Mas pen­
se por um_momento. O que seria de nós se Deus nos desse o que mere­
cemos por termos ferido a Ele e a outros dentre Seus filhos? Mas reco­
nheçamos que, se Deus nos desse o que merecemos, seríamos simples­
mente umas manchas de graxa poluindo a paisagem.
Deus não nos dá o que merecemos. Ele dá o que precisamos.
E o que é que precisamos? Compreensão, perdão, amor... Isso é
exatamente o que outras pessoas que nos prejudicam precisam tam­
bém. O cristão deve agir com elas como Deus - deve dar às pessoas o
que elas precisam e não o que merecem.
Mas você deve estar pensando que isso não é normal. Correto!
Deus quer que vivamos uma vida anormal em termos de padrões deste
mundo. Ele deseja que procedamos como Ele e não como o diabo.
Agora, isso sim é radicalismo. Sem dúvida! Eç> mais radical que al­
guém pode ser. Significa crucificar os velhos hábitos de defesa pessoal,
orgulho e desforra e nascer de novo à semelhança de Jesus, Aquele que
tanto amou o mundo que morreu por ele — por mim e por você, uma
vez por todas.
Religião é algo sério. Não é um jogo entre pessoas que são muito
velhas para pecar ativamente. Pelo contrário, o cristianismo represen­
ta uma mudança no coração, não na biologia. Significa deixar Jesus vi­
ver Sua vida em nós.
O chamado não é para argumentar se devemos realmente oferecer
a outra face ou andar uma segunda milha, mas para demonstrarmos
sempre uma atitude serviçal e humilde.
Isso exige a graça divina - a graça que transforma e habilita.

Ano Bíblico: Jó 11-14. — Juvenis: Salmo 37.


A Justiça do Cristão Quarta-feira
6 de junho

Boas Razões Para Morrer Para Si Mesmo


E, reconhecido em figura humana, a Si mesmo Se humilhou, tornando-
Se obediente até à morte e morte de cruz. Filipenses 2:7 e 8.
Jesus era Deus.No entanto, veio a este mundo como um ser hu­
mano. Esse é o mistério do Universo. É quase como se alguém se tomas­
se uma formiga, exceto que, pelo que sabemos acerca do tamanho e da
complexidade do Universo, é infinitamente mais fácil sermos compara­
dos a formigas do que Deus aos seres humanos. A verdade é que Jesus Se
humilhou para tomar-Se como nós, e Se humilhou ainda mais para mor­
rer por nós, especialmente para morrer como criminoso, na cruz.
A idéia central nas passagens que tratam da segunda milha e de
oferecer a outra face, conforme percebemos ontem, não é exatamente
a maneira como devemos viver dia a dia, mas a atitude ou espírito com
que devemos viver. Devemos viver a vida crucificada.
Por que devemos fazer isso? Porque nosso eu não crucificado é a
maior causa de problemas pessoais. Pense nisso. Por que eu quero me
desforrar? Porque alguém feriu meu orgulho, ou me derrotou em algu­
ma recompensa financeira e assim por diante. Como resultado, minha
defesa pessoal ou egoísmo imediatamente se inflama e estou pronto
para a guerra.
O que torna o Sermão do Monte tão difícil é que ele diz claramen­
te que precisamos deixar que Deus destrua essas atitudes e reações.
Como cristãos, reconhecemos que o eu é a principal causa de in­
felicidade. A defesa pessoal, a cobiça e a preocupação com a dignida­
de própria nos consomem. Tais coisas não só destroem nossa paz, mas
nos levam a destruir a paz dos outros e vice-versa. E o que se aplica em
nível individual, se aplica também em nível internacional. Enquanto
escrevo esta matéria, a guerra no território da antiga Iugoslávia au­
menta cada vez mais, porque um lado sente-se impulsionado a recon­
quistar as terras e o outro a proteger o que conquistou.
Assim, a situação do mundo continua indefinidamente. Mas Jesus
deseja pôr um fim nessa situação, primeiramente em nosso coração e
finalmente no sentido cósmico, por ocasião do segundo advento.

Ano Bíblico: Jó 15-17. - Juvenis: Salmos 39, 41 e 42.


Quinta-feira A Justiça do Cristão
7 de junho

Santo Como Deus


Portanto, estejam com a mente pronta para agir; sejam sóbrios e
coloquem toda a esperança na graça que lhes será dada quando Jesus Cristo
for revelado. Como filhos obedientes, não se deixem amoldar pelos maus
desejos de outrora, quando viviam na ignorância. Mas assim como é santo
Aquele que os chamou, sejam santos vocês também em tudo o que fizerem,
pois está escrito: “Sejam santos, porque Eu sou santo. ”/ Pedro 1:13-16,
NVI.
Ser santo é um mandamento da Bíblia. Mas o que significa ser
santo? Alguns consideram como ponto central da santidade a manei­
ra como guardam o sábado. Outros acham que ser santo é ser fiel no
regime alimentar ou nos dízimos e ofertas, ou ainda em todas essas coi­
sas e outras mais. Mas essas outras mais são definidas em termos de
ações exteriores. Tal definição reproduz o mesmo problema contra o
qual Jesus está falando: o problema da santidade deficiente dos escri­
bas e fariseus.
Eles eram bons em todas essas coisas. Na verdade, se orgulhavam
por sua conduta ser muito superior à de outras pessoas. Desse modo,
seu comportamento se tornava parte do problema, embora estivessem
exteriormente fazendo tudo para agradar a Deus.
Mas como pode ser isso? Como podiam eles ser deficientes em san­
tidade, se eram escrupulosos na guarda do sábado, rigorosos nos dízi­
mos e ofertas e cuidadosos no regime alimentar?
O problema deles era que a motivação para a santidade tinha suas
raízes na coisa errada. Fundamentava-se no amor a si mesmos em vez
de em seu amor a Deus e às outras pessoas.
A verdadeira santidade não se fundamenta essencialmente em
ações, mas em atitudes. Afinal de contas, verdadeira santidade signifi­
ca que fui liberto da vida centralizada no eu. Significa que minha vida
está centralizada com Deus em Cristo. Quer dizer que o centro da.rni-
nha vida não está mais naquilo que outros pensam de mim ou podem
fazer por mim, mas naquilo que eu posso fazer pelos demais.
Verdadeira santidade é a necessidade máxima do nosso mundo. E
também a minha maior necessidade hoje. A santidade é a essência do
reino de Deus. E desejo de Deus que eu seja santo como Ele é santo.

Ano Bíblico: Jó 18 e 19. — Juvenis: Salmos 46 e 47.


<e>
A Justiça do Cristão Sexta-feira
8 de junho

Jesus Exige Mais


Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo.
Eu, porém, vos digo: amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem.
Mateus 5:43 e 44.
Em quanto, exatamente, nossa justiça precisa exceder a dos es­
cribas e fariseus? (Ver Mat. 5:20.) Essa é a questão.
Desde Mateus 5:21 até aqui, Jesus tem estado a ilustrar a justiça “que
deve exceder”. E ela tem excedido ao extremo. Ele já nos disse que não
devemos ter pensamentos de ódio e desejos pecaminosos, nem divorciar-
nos com facilidade, e que nossos pensamentos e palavras devem ser pu­
ros. E definiu pecado de tal forma que ele se tomou mais do que um
comportamento. Pecado inclui também pensamentos e motivações.
Nos versos 38 a 42 Jesus parece ter chegado ao clímax, dizendo que
não podemos nos vingar daqueles que nos maltratam. Agora, nos versos
43 e 44, Ele vai mais além ainda. Para mim, uma coisa é magoá-lo quan­
do você me magoa; mas outra bem diferente é amá-lo quando você me
trata injustamente e orar por você quando me maltrata e me persegue.
Jesus exigiu algo muito difícil. Como pode alguém fazer tais coisas?
Não é normal.
Exatamente. Amar nossos inimigos não é normal, mas é uma ati­
tude cristã, e nos próximos versos Jesus nos diz por que isso é cristia­
nismo.
O parágrafo que menciona o amor aos inimigos está integralmen­
te relacionado ao anterior, ordenando que não devemos usar de reta­
liação. O primeiro parágrafo (versos 38 a 42) coloca o princípio em
termos negativos, dizendo-nos o que não devemos fazer, enquanto o
parágrafo que estamos considerando (versos 43 a 48) o coloca em ter­
mos positivos, dizendo-nos o que fazer.
Aqui, nos versos 43 a 48, atingimos o ápice do que significa ser
cristão: amar nossos inimigos e orar pelos que nos perseguem.
Você já tentou fazer essas coisas? Você consegue, pela graça habi-
litadora de Deus, praticá-las em sua vida diária?

Ano Bíblico: Jó 20 e 21. — Juvenis: Salmos 67 e 73.


Sábado A Justiça do Cristão
9 de junho

O Significado do Amor
Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o Seu Filho
unigênito, para que todo o que nEle crê não pereça, mas tenha a vida
eterna. João 3:16.
_^\_mor é definido por diferentes pessoas de maneiras diversas, al­
gumas delas nada amáveis.
O idioma grego é rico em palavras para o amor. Ele usa quatro di­
ferentes palavras. A primeira é storgê, que é o amor familiar - aquele
amor que o pai ou mãe tem pelo filho ou filha.
A segunda palavra grega para amor é eras, que dá origem à palavra
erótico. Esse é o amor de um homem por uma mulher e vice-versa, e
inclui o amor sexual.
A terceira palavra é philia. Podemos reconhecer essa palavra em
Philadelphia, a cidade do amor fraternal. Philia representa o amor afe­
tivo, o amor que as pessoas sentem por seus melhores amigos.
A quarta e a mais importante das palavras gregas para amor é
agapê. Agapê representa bondade insuperável, invencível boa vontade.
Quando consideramos uma pessoa com agapê, amamos aquela pessoa
sem nos importarmos com o que ela nos tenha feito, ou quanto nos te­
nha magoado. Queremos o melhor para as pessoas, a despeito da ma­
neira como elas nos tenham tratado. Agapê é totalmente incondicio­
nal. Jesus usa a palavra agapê em Mateus 5:44. Esse é o tipo de amor
que devemos demonstrar abundantemente aos nossos inimigos.
A essa altura, deve-se reconhecer que o amor agapê não é um senti­
mento, mas um princípio profundo. E um princípio do coração e da
mente. E a determinação de amar as pessoas a despeito de suas ações e
de nossos sentimentos humanos. Representa uma determinação da men­
te. Agapê é o poder de amar até mesmo aquelas pessoas de quem não gos­
tamos e que não gostam de nós. É parte dos frutos da conversão.
Jesus ordena que amemos nossos inimigos. Ele não disse que temos
de gostar deles. Podemos não gostar de todas as pessoas, mas é-nos or­
denado amar a todas elas. Esse mandamento é o mais abrangente em
toda a Bíblia; é o mais impossível.
Ajuda-me hoje, Senhor, a fazer o impossível. Suplico um derrama­
mento especial da Tua graça.

Ano Bíblico: Jó 22-24. — Juvenis: Salmo 78.


A Justiça do Cristão Domingo
10 de junho

O Significado de "Pai"
Amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem; para que vos
torneis filhos do vosso Pai celeste, porque Ele fiaz nascer o Seu sol sobre maus
e bons e vir chuvas sobre justos e injustos. Mateus 5:44 e 45.
Jma das palavras-chave no verso 45 é “Pai”. Essa imagem está
situada no centro do Sermão do Monte. “Pai”, para a maioria das pes­
soas, denota sentimentos calorosos de proteção e cuidado. Quando a
Bíblia usa a palavra “Pai” com relação a Deus, ela fala em termos de
bondade. “Nosso Pai” é aquele em quem podemos confiar. O Pai faz
provisões para nós. Isso é parte do que Jesus quer dizer quando Ele cha­
ma a Deus de nosso Pai.
Esse conceito de Deus é especial para a Bíblia. As religiões não
cristãs têm a tendência de considerar o Ser Supremo como um objeto
que inspira temor em vez de amor. Com freqüência, essas pessoas O
apresentam como um Deus irado, que precisa ser apaziguado com ofer­
tas. A Bíblia, porém, apresenta Deus como um Pai amoroso, que tan­
to amou o mundo que deu Seu único Filho. O quadro de Deus que Je­
sus pinta é revolucionário, mas também confortador.
Deus Se torna nosso Pai quando nos tornamos cristãos, quando
nascemos de novo da água e do Espírito e passamos a fazer parte da fa­
mília dEle. João escreve que “a todos quantos O receberam, deu-lhes o
poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que crêem no Seu no­
me; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem
da vontade do homem, mas de Deus”. João 1:12 e 13.
Deus é Pai para os cristãos. Para outros, Ele é o Deus Criador ou o
Deus Legislador. Isso não significa que Deus não ama os não cristãos,
apenas que Ele não é Pai deles da mesma maneira que é “nosso Pai”.
Esse fato, nefturalmente, nos toma Seus filhos. Como resultado, te­
mos um conjunto de princípios diferentes (as Bem-aventuranças) da­
queles que pertencem a outra família. “Nosso Pai” é um dos mais ricos
símbolos do Novo Testamento. E um símbolo genuinamente cristão.

Ano Bíblico: Jó 25-28. — Juvenis: Salmos 84 e 90.


Segunda-feira A Justiça do Cristão
11 de junho

O Significado de Proximo
Não aborrecerás teu irmão no teu íntimo; mas repreenderás o teu
próximo e, por causa dele, não levarás sobre ti pecado. Não te vingarás, nem
guardarás ira contra os filhos do teu povo; mas amarás o teu próximo como
a ti mesmo. Eu sou o Senhor. Levítico 19:17 e 18.
CD próximo, para os judeus do tempo de Cristo, significava seu
“próprio povo”. Próximos eram os outros judeus. Não é difícil com­
preender essa definição quando pensamos na sua história. Eles foram
levados para o cativeiro porque adoraram os deuses de seus vizinhos, os
cananeus. Como resultado, depois de retornarem, nos dias de Esdras e
Neemias, eles decidiram ficar afastados de toda possível contamina­
ção, para evitar os não judeus. Eles estavam constrangidos e determi­
nados a permanecer puros. Os fariseus se tornaram líderes da separação
judaica. Outras nações eram consideradas inimigas e com as quais não
deviam se associar.
E nesse contexto que a parábola do bom samaritano assume signifi­
cado especial. Essa parábola é a mais exata definição de quem é nosso
próximo. Jesus está respondendo particularmente à pergunta: “Quem é o
meu próximo?” (Luc. 10:29.) Sua resposta abalou as classes farisaicas.
E importante que Jesus respondeu à pergunta ilustrando a boa ação
do samaritano. Os judeus desprezavam os samaritanos porque estes
eram vistos como apóstatas da religião verdadeira - eram uma mistura
da religião verdadeira e da falsa.
Em Sua parábola, Jesus conta a respeito de um judeu que foi ata­
cado por salteadores na estrada para Jericó. Vários judeus passaram por
ali, mas não ajudaram seu compatriota. O samaritano, porém, um ini­
migo, atravessou a estrada para cuidar daquele judeu da melhor manei­
ra possível. O judeu não teria feito o mesmo se o samaritano estivesse
em problema. Assim, a parábola ilustra o amor aos inimigos. Ilustra o
verdadeiro amor ao próximo.
Quem é meu próximo? Qualquer pessoa que está oprimida por cau­
sa do pecado, enfermidade ou qualquer outra dificuldade. O próximo
do cristão é toda e qualquer pessoa.
Assim, Jesus continua a expandir nossa compreensão a respeito do
significado e da profundidade da lei. Não há fim nem limite para o de­
ver de amar.

Ano Bíblico: Jó 29-31. - Juvenis: Salmos 91 e 92.


A Justiça do Cristão Terça-feira
12 de junho

Ser Semelhante a Deus - I


Em Ti esperam os olhos de todos, e Tu, a seu tempo, lhes dás o alimento.
Abres a mão e satisfazes de benevolência a todo vivente. Salmo 145:15 e 16.
Ser semelhante a Deus! Eis aí um pensamento que deve nos ame­

drontar e nos deixar perplexos. Jesus falou categoricamente, em Ma­


teus 5:45, que devemos demonstrar que somos filhos do Pai em nossa
vida diária.
Mas como? Como podemos ser semelhantes a Deus? Está Ele nos
pedindo o impossível?
Mais uma vez precisamos nos lembrar de que é o contexto de qual­
quer passagem da Bíblia que nos ajuda a entender o que está sendo di­
to. E o contexto de Mateus 5:45 fala alto e de maneira clara.
Ser semelhante a Deus é amar nossos inimigos. Ser semelhante a
Deus é orar pelos que nos perseguem.
Mas, cuidado com isso aqui. È fácil ler essas declarações na teoria.
Não é tão difícil amar nossos inimigos em geral. Não é humanamente
impossível amar perseguidores indistintos, que são extensões dos nos­
sos processos de pensamento.
Se, porém, colocarmos um rosto nesses perseguidores, teremos que
fazer intenso esforço. Isso me faz lembrar de Harry Orchard, um profis­
sional contratado para matar o governador do Estado de Idaho nos pri­
meiros anos do século XX.
H. Orchard cumpriu sua missão com eficiente frieza. Mas foi apa­
nhado e levado à prisão.
Como você se sentiría se fosse a esposa do governador assassinado?
Agora você tem um inimigo que tem rosto. Esse é o desafio.
Acontece que a esposa do governador era adventista do sétimo
dia. O que você faria na situação dela? Pense um pouco nessa pergun­
ta. Discuta o assunto com aqueles que estiverem presentes ao você ler
esta meditação.
A esposa do governador sabia o que fazer. Ela precisava amar seu
inimigo. Isso significava visitar Orchard na prisão, orar com ele, per­
doar e fazer-lhe o bem.
O resultado foi que Harry Orchard se converteu. Tornou-se adven­
tista do sétimo dia e prisioneiro exemplar. Tal é o poder do amor. Con­
seguir expressar tal amor é ser semelhante ao Pai.

Ano Bíblico-, Jó 32-34. - Juvenis: Salmos 96, 97 e 98.


Quarta-feira A Justiça do Cristão
13 de junho

Ser Semelhante a Deus - II


Porque Cristo, quando nós ainda éramos fracos, morreu a seu tempo
pelos ímpios. Dificilmente, alguém morreria por um justo; pois poderá ser
que pelo bom alguém se anime a morrer. Mas Deus prova o Seu próprio
amor para conosco pelo fiato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda
pecadores. ... Porque, ... nós, quando inimigos, fomos reconciliados com
Deus mediante a morte do Seu Filho. Romanos 5:6-10.
AZrcê enviaria seu filho jovem e inocente a um covil de assassi­
nos e ladrões? Enviaria seu filho para que contasse a eles que você é
realmente uma pessoa maravilhosa? Seria capaz de fazer isso, mesmo
sabendo que eles zombariam dele, o rejeitariam e tendo oportunidade
o matariam, embora ele estivesse tentando ajudá-los?
Felizmente não precisamos fazer essa escolha. Mas Deus a fez. Ele
amou tanto o mundo que deu Seu único Filho para vir e morrer por
nós, para que pudéssemos ter a vida eterna. Assim é o Deus a quem ser­
vimos. Essa é a qualidade de amor que Ele tem. Conforme o texto bí­
blico de hoje apresenta, Jesus morreu por nós enquanto ainda éramos
Seus inimigos. Jesus falava sério quando disse que, se quisermos ser co­
mo nosso Pai celeste, precisamos amar até os nossos inimigos e dese­
jar-lhes o melhor.
Deus não só demonstrou o que significa amar um inimigo (Mat.
5:44) quando enviou Jesus para morrer por nós; Ele demonstra tam­
bém Seu amor pelos Seus inimigos diariamente fazendo “nascer o Seu
sol sobre maus e bons e vir chuvas sobre justos e injustos” (verso 45).
O amor e cuidado de Deus são uma constante em nossa vida.
A natureza humana não renovada não pode agir como Deus age.
Ela pensaria em fidelidade e chegaria à conclusão de que as pessoas
más não merecem chuva e sol. Essa conclusão estaria correta.
Mas o interessante em tudo isso é que Deus não nos dá o que me­
recemos. Ele nos dá o que precisamos.
Como cristãos, somos chamados a amar. Somos convidados a imi­
tar o Pai, Aquele que ama até mesmo Seus inimigos.

Ano Bíblico-, Jó 35-37. — Juvenis: Salmo 103.


A Justiça do Cristão Quinta-feira
14 de junho

Ser Semelhante a Deus - III


Eu vos dei o exemplo, para, que, como Eu vos fiz, façais vós também.
João 13:15.
CZ-omo podem as pessoas realmente saber se são semelhantes ao

Pai do Céu? Não é sendo membros da igreja. Ser membro da igreja sig­
nifica pertencer à igreja; significa ter seu nome registrado nos livros da
igreja em algum lugar; quer dizer que exteriormente você aceitou um
grupo de doutrinas mantidas por aquela igreja. Mas isso pode ter bem
pouco a ver com o fato de ser semelhante ao Pai. Na realidade, muitos
dos que são membros da igreja e até líderes dela têm a tendência de
agir mais como o diabo do que como o Pai.
Pertencer ao quadro de membros da igreja é importante porque a
igreja idealmente proporciona um companheirismo entre os membros,
que encoraja e fortalece uns aos outros na vida cristã. A igreja (a des­
peito de todas as suas falhas) tem preservado a mensagem cristã atra­
vés dos séculos. Mas a igreja não é Deus, assim como ser membro de
uma igreja não significa ser cristão.
Ser cristão significa ser como o Pai, que ama até mesmo Seus ini­
migos. Significa seguir o exemplo de Jesus. Jesus acertou em cheio o
que significa ser cristão quando disse: “Nisto conhecerão todos que sois
Meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros.” João 13:15. O ele­
mento decisivo é que amemos aos outros como Deus nos tem amado.
Ellen White nos ajuda a compreender esse ponto quando escreve:
“Não é a posição terrena, nem o nascimento, nem a nacionalidade,
nem os privilégios religiosos, o que prova ser membro da família de
Deus; é um amor que envolve toda a humanidade.” Ela continua di­
zendo que até os pecadores reagem diante da bondade, mas que é “uni­
camente o Espírito de Deus que dá amor em troca de ódio. Ser bondo­
so para o ingrato e o mau, fazer o bem sem esperar retribuição, é a in­
sígnia da realeza celeste, o sinal certo pelo qual os filhos do Altíssimo
revelam sua elevada condição”. - O Maior Discurso de Cristo, pág. 75.
A ordem de Jesus para mim, é que preciso ser como meu Pai.

Ano Bíblico: Jó 38-42. — Juvenis: Salmo 106.


Sexta-feira A Justiça do Cristão
15 de junho

Descartando o Deus dos Deístas


Havendo Deus, outrora, falado, muitas vezes e de muitas maneiras,
aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias, nos falou pelo Filho, a quem
constituiu herdeiro de todas as coisas, pelo qual também fez o Universo.
Ele, que é o resplendor da glória e a expressão exata do Seu Ser, sustentando
todas as coisas pela palavra do Seu poder. Hebreus 1:1-3.
CD século XVIII testemunhou a ascensão de uma ramificação do
cristianismo chamada deísmo. Deísmo era uma religião fundamentada
no raciocínio humano, em vez de na revelação divina. Foi grandemen­
te estimulada pela ascensão da ciência moderna.
Descobertas como a lei da gravidade, por Isaac Newton, estabele­
ceram o cenário para os deístas. Eles começaram a ver o Universo co­
mo uma grande máquina que funcionava por si mesma, de acordo com
as leis da natureza. Naturalmente, ainda assim precisavam de um Deus
para criar a máquina e especificar as leis de seu funcionamento. Mas
parecia óbvio aos deístas que, uma vez em funcionamento, a máquina
cósmica podia funcionar muito bem sem a interferência de Deus.
Assim sendo, o Deus deles não interferia nos assuntos da Terra e
de seus habitantes. Depois da criação, Ele saiu de férias, por assim di­
zer, e deixou a humanidade por conta própria. Como resultado, eles
desacreditaram de milagres, revelações sobrenaturais e de todos os ou­
tros elos de aproximação entre o divino e o humano.
O Sermão do Monte assume uma posição firme contra tais teorias.
Não só era Jesus um divino elo entre o Céu e a Terra por meio da en­
carnação, mas esse próprio Deus, de acordo com o capítulo 1 de He­
breus, é o Deus Criador e Mantenedor do dia-a-dia da existência.
Ellen White enfatiza os ensinos de Hebreus 1 e Mateus 5:45 ao es­
crever: “Não é em virtude de um poder inerente que a Terra produz
ano após ano sua abundância... É por meio de Seu poder [de Deus] que
verão e inverno, sementeira e sega, dia e noite se seguem em sucessão
regular. E por meio de Sua palavra que a vegetação floresce. ... Todas
as boas coisas que possuímos, todo raio de Sol e toda chuva, todo bo­
cado de pão, todo momento de vida, é um dom [uma dádiva] de amor.”
- O Maior Discurso de Cristo, págs. 74 e 75.
Somos agradecidos a Deus porque Ele “faz nascer o Seu sol’ e “vir
chuvas”.

Ano Bíblico: Salmos 1-9. - Juvenis: Salmo 119:1-56.


A Justiça do Cristão Sábado
16 de junho

A Justiça que Excede


Pois, se amardes os que vos amam, que galardão tereis? Não fazem os
publicanos também o mesmo? E, se saudardes unicamente os vossos irmãos,
que fazeis de mais? Não fazem os publicanos também assim?
Mateus 5:46 e 47, ARC.

fluência do argumento em Mateus 5 faz uma mudança inespe­


rada nos versos 46 e 47. Até aí, Jesus vinha argumentando que nossa
justiça precisa exceder a dos escribas e fariseus. Jesus nos forneceu seis
ilustrações sobre como eles deixaram de compreender a lei. Seis vezes
Ele contrastou Sua interpretação da lei com a interpretação deles.
Mas agora, no auge do Seu argumento, Jesus menciona duas vezes
os publicanos. Por quê? Por que mencionar essas pessoas, se elas estão
no outro extremo social e religioso em relação aos escribas e fariseus?
Se os fariseus se orgulhavam de sua separação de todos os gentios (in­
clusive os romanos), os injustos cobradores de impostos (publicanos)
colaboravam com o inimigo. Se os fariseus eram escrupulosos em sua
observância dos deveres religiosos, os publicanos faziam as coisas à sua
moda. Eles não se importavam com os mínimos detalhes da religião.
Estavam procurando se divertir.
Portanto, somos forçados a perguntar mais uma vez, por que Jesus
ilustrou Seu assunto mencionando os publicanos, quando Ele podia
com a maior naturalidade dizer que até os fariseus amavam os que os
amavam, e que nossa justiça deve exceder a deles?
A resposta parece ser que Jesus estava salientando o fato de que a re­
ligião legalista e a falta de religião são regidas pelos mesmos princípios:
os princípios do mundo. Em resumo, a verdadeira justiça dos escribas e
fariseus nada tinha “de mais”, nem sequer excedia a dos publicanos.
Tanto os religiosos legalistas como os liberais galardoam aqueles
que gostam deles, que os saúdam e os convidam para uma refeição. Mas
a justiça dos seguidores de Deus é radicalmente diferente da do mun­
do. À semelhança de Deus, Seus seguidores precisam aprender até a
bendizer seus inimigos, amá-los e desejar-lhes o que há de melhor.
Essa é a essência da religião radical. E a essência do verdadeiro
cristianismo e da justiça que deve exceder a dos escribas e fariseus.

Ano Bíblico: Salmos 10-17. - Juvenis: Salmo 119:57-104.


Domingo A Justiça do Cristão
17 de junho

Pessoas Normais e Pessoas Anormais


Porque, no tocante ao homem interior, tenho prazer na lei de Deus.
Romanos 7:22.
Os cristãos não são normais! Pelo menos não conforme o mun­
do define a pessoa normal. Vez após outra em nosso estudo do Sermão
do Monte neste ano, observamos que cristianismo não é a soma da
crença em Jesus e uns poucos bons hábitos na velha vida. Pelo contrá­
rio, a velha vida foi crucificada com Cristo e ressuscitou para uma no­
va maneira de pensar e agir. Mesmo as vidas consideradas boas preci­
sam morrer para o orgulho e o preconceito. Cristianismo é uma vida
transformada, uma nova criação, a experiência de um nascimento do
alto. Qualquer coisa inferior a isso não é cristianismo.
Assim sendo, perguntamos novamente, o que é que envolve esse
“de mais” mencionado em Mateus 5:47? D. Martin Lloyd-Jones, em seu
excelente estudo do Sermão do Monte, provê alguns detalhes sobre es­
se assunto. Em primeiro lugar, o cristão convertido não pensa como os
mundanos normais. A pessoa natural pode prestar obediência com
murmurações, mas o cristão tem prazer “na lei de Deus”. Cristão é aque­
le que assimilou o espírito da lei de amor, não meramente sua letra.
Aqueles que se apegam à letra não chegam a atingir o verdadeiro
significado do que é ser cristão. Por isso, uma segunda distinção entre
pessoas “normais” e cristãos, é que a pessoa natural sempre pensa no
pecado em termos de ações, coisas que fazemos ou deixamos de fazer.
Em contraste, o cristão está interessado no coração. Esse tem sido o
ponto principal de Jesus desde o versículo 20 do capítulo 5 de Mateus.
Tanto o pecado como a justiça que “excede”, estão enraizados no ínti­
mo do ser do cristão.
Mas essa justiça flui na vida diária de acordo com a lei de amor que
excede em muito a dos fariseus e dos publicanos. Essa é a terceira dis­
tinção entre a própria “religião normal” e o cristianismo genuíno.
Uma quarta diferença entre os dois grupos é a atitude do cristão
em relação a si mesmo. Enquanto a vida do mundano ou dos religiosos
legalistas é impregnada de orgulho, o verdadeiro cristão tem a humil­
dade de espírito e a fome e sede da justiça, que são a essência das Bem-
aventuranças.
Os cristãos são realmente pessoas “mais do que” normais.

Ano Bíblico: Salmos 18-22. — Juvenis: Salmo 119:105-176.


A Justiça do Cristão Segunda-feira
18 de junho

"Portanto"
Portanto, sede vós perfeitos como perfeito é o vosso Pai celeste.
Mateus 5:48.
44P
JL ortanto” é a palavra-chave no verso 48. “Portanto” significa
conclusão do que foi dito anteriormente.
O versículo 48, com seu apelo pela perfeição à semelhança de Deus,
precisa ser vinculado ao versículo 20, o qual apela por justiça maior do
que a dos escribas e fariseus. Esses dois versículos colocam, como que
entre parênteses, os seis exemplos de Jesus acerca da profundidade da
lei. Eles apresentam o ideal de Deus antes e depois das ilustrações.
Assim, há um sentido em que ser perfeito como o Pai é o mesmo
que conservar o espírito da lei, em contraste com a letra legalista. Em
certo sentido, cada uma das seis seções contidas nos versículos 21 a 48
apela para a perfeição, cada uma apresenta uma ordem absoluta que não
pode ser superada. Por exemplo: O que mais se pode fazer a respeito da
cobiça, depois de expulsá-la do coração? (Versos 17-30.) E a quem mais
se pode amar depois de ter amado aos inimigos? (Versos 43-48.)
Mas, embora a palavra “portanto” no versículo 48 se refira em cer­
to sentido a todos os ensinos de Jesus contidos nos versos 21 a 47, ela
pertence aos versos 42 até 47 de um modo mais específico ainda. Isso
pode ser demonstrado fazendo-se a comparação entre os versículos 45
e 48. Esses são os únicos dois versículos em toda essa passagem que
apelam aos cristãos para serem semelhantes ao Pai que está no Céu. Os
versículos 43 e 47 tornam explícita a essência dessa semelhança.
Jesus não está lidando com coisas abstratas aqui. Ser semelhante ao
Pai significa amar os próprios inimigos, assim como Deus amou Seus
inimigos. Afinal, Ele não proporciona sol e chuva a bons e maus? Qual­
quer pessoa, até os cobradores de impostos, podem amar seus amigos.
Deus requer de Seus filhos um amor sobrenatural por todas as pessoas.
Assim como o Pai tanto amou o mundo que deu Seu Filho para morrer
por pessoas incrédulas e inimigas dEle, devem também os cristãos amar
até mesmo aquelas pessoas que, mentindo, disserem todo mal contra
eles. Isso é o máximo em piedade e semelhança de Deus.
Assim sendo, “portanto” é uma das mais importantes palavras em
Mateus 5:48. Sem essa palavra, não poderiamos perceber claramente a
que Jesus está Se referindo quando apela para que sejamos perfeitos.

Ano Bíblico: Salmos 23-30. - Juvenis: Salmos 121, 122, 124 e 125.
Terça-feira A Justiça do Cristão
19 de junho

Perfeição é um Processo
Disse ainda: O reino de Deus é assim como se um homem lançasse
a semente à terra; depois, dormisse e se levantasse, de noite e de dia, e a
semente germinasse e crescesse, não sabendo ele como. A terra por si mesma
frutifica: primeiro a erva, depois, a espiga, e, por fim, o grão cheio na
espiga. E, quando o fruto já está maduro, logo se lhe mete a foice, porque
é chegada a ceifa. Marcos 4:26-29.

escrever estas linhas, é primavera em Michigan. Os agricul­


tores estão preparando seus possantes tratores para a semeadura. Logo
mais o milho estará brotando. Então virá o crescimento incrivelmente
rápido, enquanto os dias longos do Norte de Michigan partilham o bri­
lho do sol com as plantas em desenvolvimento. Mas, pouco mais tarde,
a estação relativamente curta do crescimento terminará e as ceifadeiras
e debulhadeiras combinadas estarão nos campos recolhendo a safra.
Gosto muito de ver as plantas crescerem. Gosto de jardinagem -
especialmente do cultivo de verduras. É agradável sair bem cedo ou ao
anoitecer e examinar as plantas em crescimento. No decorrer dos
anos, uma coisa me surpreendeu. Foi perceber que um fruto, perfeito
por ocasião da colheita, passou por um processo que mostrou perfeição
em cada etapa de seu desenvolvimento. Um_tomate maduro, de forma­
to perfeito, por exemplo, aperfeiçoava-se em cada etapa de seu desen­
volvimento, embora se tornasse maduro só na etapa final.
Tornar-se semelhante a Deus funciona dessa maneira para o cris­
tão em desenvolvimento. A perfeição se assemelha mais a uma linha
do que a um ponto. Perfeição é um processo que começa por ocasião
do novo nascimento do cristão e continua incessantemente através da
eternidade. Um cristão se torna mais e mais semelhante a Deus sem ja­
mais ficar exatamente igual a Ele. Assim é que Paulo pôde dizer que a
pessoa pode ser perfeita, sem, contudo, ter alcançado a perfeição. (Ver
EiliíUd5 e 12.)
Ellen White apresenta-nos uma idéia semelhante quando compa­
ra o desenvolvimento da vida cristã com uma planta em crescimento:
“Nossa vida pode ser perfeita em cada fase de desenvolvimento; con­
tudo haverá progresso.contínuo, se o propósito de Deus se cumprir em
nós.” - Parábolas de Jesus, pág. 65.

Ano Bíblico: Salmos 31-35. - Juvenis: Salmos 148-150.


A Justiça do Cristão Quarta-feira
20 de junho

O Significado de Perfeição
Amados, amemo-nos uns aos outros, porque o amor procede de Deus; e
todo aquele que ama é nascido de Deus e conhece a Deus. Aquele que não
ama não conhece a Deus, pois Deus é amor. IJoão 4:7 e 8.

palavra “perfeito”, em Mateus 5:48, se origina na palavra gre­


ga teleios. Essa palavra não tem nada a ver com o conceito absoluto de
perfeição ou impecabilidade. Pelo contrário, teleios quer dizer “maturi­
dade”, e assim é traduzida na maioria das versões modernas da Bíblia.
No uso bíblico do conceito, as pessoas são teleios (perfeitas) quan­
do são adultas ou atingiram a estatura plena. Assim, um estudante que
tem um conhecimento maduro de matemática é teleios (maduro ou
perfeito) em comparação com o aprendiz que está apenas começando.
A idéia básica dessa palavra bíblica, e daquelas que estão intima­
mente relacionadas com ela, é que todas as coisas têm um fim, um pro­
pósito, um alvo, ou um objetivo. Esse conceito encontrou entrada no
português através da palavra teleologia. Uma coisa é teleológica quan­
do cumpre o propósito para o qual ela foi feita ou planejada.
Precisamos, portanto, perguntar para que fim ou propósito foram
criados os seres humanos. A Bíblia não nos deixa dúvida alguma nes­
se ponto. “Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa seme­
lhança.” Gên. 1:26. Os seres humanos devem ser semelhantes a Deus.
Por isso, é muito natural para Jesus reivindicar em Mateus 5:48 que os
cristãos se tornem teleios (perfeitos ou maduros) em amor, como o Pai
no Céu. Afinal, “Deus é amor”. I João 4:8. Os cristãos devem agir com
amor como Deus, e não agir como o diabo.
Assim sendo, de acordo com o Novo Testamento, cristão “perfeito”
é o cristão maduro, íntegro, completo. O mesmo acontece no Antigo
Testamento, onde as palavras traduzidas como “perfeito” geralmente
significam “completo”, “reto”, ou “imaculado” no sentido espiritual.
Você pode estar imaginando então, de onde surgiu a interpretação
de perfeito, que significa absoluto, total, sem defeito ou pecado. Sur­
giu da mesma apostasia da igreja medieval que aceitava outras idéias
filosóficas dos gregos, tais como a consciência da alma na morte. Foi a
falsa interpretação da Idade Média que literalmente impeliu as pessoas
a tentativas monásticas de perfeição.
Os planos de Deus são os melhores.

Ano Bíblico: Salmos 36-39. — Juvenis: Provérbios 1.


9
Quinta-feira A Justiça do
21 de junho

A Perfeição de Caráter
Amai, porém, os vossos inimigos, fazei o bem e emprestai, sem esperar
nenhuma paga; será grande o vosso galardão, e sereis filhos do Altíssimo.
Pois Ele é benigno até para com os ingratos e maus. Sede misericordiosos,
como também é misericordioso vosso Pai. Lucas 6:35 e 36.

CDs adventistas do sétimo dia têm se preocupado com a perfei­


ção de caráter por boas razões. Não só Jesus assim ordena em Mateus
5:48, mas Ellen White tem muito a dizer sobre o assunto.
Uma das declarações mais notáveis de Ellen White sobre o assun­
to se encontra no livro Parábolas de Jesus, à página 69, onde lemos o
seguinte: “Cristo aguarda com fremente desejo a manifestação de Si
mesmo em Sua igreja. Quando o caráter de Cristo se reproduzir perfei-
tamente em Seu povo, então virá para reclamá-los como Seus.”
Infelizmente, muitos chegam a essa citação com a definição de
perfeição que mais se identifica com a dos fariseus, dos filósofos gregos,
e a dos ensinos da igreja medieval do que com a definição bíblica de
perfeição. Como resultado, eles pensam que caráter é essencialmente
uma lista de comportamentos, e imediatamente se propõem a colecio­
nar citações de Ellen White para apoiar sua nova teologia.
Seria melhor analisarmos o contexto da declaração do livro Pará­
bolas de Jesus, nas páginas 67 e 68. Ellen White deixa claro que “Cris­
to procura reproduzir-Se no coração dos homens”. Como resultado,
“recebendo o Espírito de Cristo - o espírito do amor abnegado e do sa­
crifício por outrem - crescerão e produzirão fruto. ... Sua fé aumenta­
rá; suas convicções aprofundar-se-ão, seu amor será mais perfeito. Mais e
mais refletirão a semelhança de Cristo em tudo que é puro, nobre e
amável”. (Itálicos acrescentados.)
A semelhança de Jesus em Mateus 5, a definição de perfeição de
caráter que Ellen White dá centraliza-se no desenvolvimento do cará­
ter de amor de nosso Deus. Esse ponto de vista se aprofunda quando é
comparado com a versão de Lucas para o Sermão do Monte. Depois de
fornecer essencialmente a mesma palestra de Mateus 5:43-47, Lucas
apresenta Jesus concluindo assim: “Sede misericordiosos, como também
é misericordioso vosso Pai.” Luc. 6:36. Assim, os escritores dos Evan­
gelhos comparam o cristão maduro ou perfeito com o cristão miseri­
cordioso. Essa equação é a essência da perfeição de caráter.

Ano Bíblico: Salmos 40-45. - Juvenis: Provérbios 3.


A Justiça do Cristão Sexta-feira
22 de junho

Voltando às Bem-Aventuranças
Esconde o rosto dos meus pecados e apaga todas as minhas iniqüidades.
Cria em mim, ó Deus, um coração puro e renova dentro de mim um
espírito inabalável. Não me repulses da Tua presença, nem me retires o Teu
Santo Espírito. Restitui-me a alegria da Tua salvação e sustenta-me com um
espírito voluntário. Então, ensinarei aos transgressores os Teus caminhos, e
os pecadores se converterão a Ti. Salmo 51:9-13.
Entre os versículos 20 e 48 de Mateus 5, Jesus falou não só que a
nossa justiça deve exceder a dos escribas e fariseus, mas que as impli­
cações da lei para a vida diária são muito mais profundas e amplas do
que qualquer fariseu jamais sonhou.
Enquanto mantivessem sua estreita e limitada definição de pecado
como um ato exterior, eles estavam seguros no que dizia respeito à sua
compreensão de perfeição.
Mas Jesus fizera explodir a presunção deles vez após outra no capí­
tulo 5 de Mateus. Não só é pecado o homicídio, mas também todo
pensamento pecaminoso e palavra impura. Não só é pecado o adulté­
rio, como também os pensamentos sensuais. E para completar, como
cristãos não podemos sequer usar de desforra. Pelo contrário, somos or­
denados a amar nossos inimigos e assim ser tão perfeitos como Deus.
Quem está apto para essas coisas? Ninguém de nós! Todos somos
incapazes. Eu me considero uma pessoa de razoável força de vontade,
e descobri que posso parar de fazer isso ou aquilo (digamos, parar de co­
mer creme de amendoim) por minhas próprias forças. Mas minha sa­
tisfação própria e auto-suficiência são totalmente destruídas pelos en­
sinos de Jesus em Mateus 5. Não tenho condições de amar todos os
meus inimigos o tempo todo, a não ser pelo poder da graça de Deus.
Por isso, Mateus 5:21 a 48, e especialmente o versículo 48, me levam
de volta, vez após outra, às Bem-aventuranças, quando reconheço minha
pobreza de espírito, minha falta de pureza e falta de misericórdia. Como
Davi na antigüidade, quando considero minha vida, comparando-a com
o que eu deveria ser, tenho fome e sede da justiça de Deus.
Agradeço a Deus diariamente porque Ele é misericordioso, perdoa-
dor e amoroso, até mesmo para com aqueles que vacilam e caem, ou se
tomam rebeldes.
Ajuda-me, Senhor, a ser mais semelhante a Ti!

Ano Bíblico: Salmos 46-50. - Juvenis: Provérbios 4.


Sábado A Piedade do Cristão
23 de junho

O Quarto Passo
Guardai-vos de exercer a vossa justiça diante dos homens, com o fim
de serdes vistos por eles; doutra sorte não tereis galardão junto de vosso Pai
celeste. Mateus 6:1.
C>om Mateus 6:1 chegamos a outro dos grandes versículos de
transição do Sermão do Monte. Durante os seis meses que ficaram pa­
ra trás, estudamos o capítulo 5 de Mateus. Esse capítulo nos apresen­
tou três grandes elementos na formação de uma vida cristã. O primei­
ro foram as Bem-aventuranças (Mat. 5:3-12), que representam os tra­
ços de caráter que todo cristão deve ter. O segundo foi o testemunho
cristão, dos versículos 13 a 16. Depois, o ensino extremamente valio­
so dos versículos 17a 48, nos quais Jesus apresentou em detalhes a jus­
tiça cristã.
Em Mateus 6 Jesus continua, aparentemente, a falar sobre a justi­
ça cristã. Mas, enquanto Mateus 5:17-48 trata da justiça moral, a pri­
meira metade do capítulo 6 apresenta o que se poderia chamar de jus­
tiça “religiosa”.
A primeira parte do capítulo trata de três áreas da piedade pessoal:
a esmola, a oração e o jejum. Visto serem esses atos comuns na pieda­
de judaica, Jesus utiliza essas áreas para ilustrar princípios aplicáveis a
todos os atos da piedade religiosa. Em outras palavras, esses três atos
exemplificam mais a piedade do que uma exaustiva lista de práticas
cristãs.
Note que Jesus não ordena essas atividades. Ele simplesmente
diz: “Quando deres esmola...”, “Quando orares...” Supõe-se que esses
atos sejam praticados pelos cidadãos do reino dos Céus. Esse é um
fato curioso, já que uma de Suas três ilustrações - o jejum - caiu em
desuso entre os cristãos evangélicos, sendo até mesmo considerado,
por alguns, perversão da Idade Média.
Orar, jejuar e dar esmolas. O que têm eles em comum? Todos são
ilustrações de atos de piedade; todos são atos devocionais que os cris­
tãos praticam em seu relacionamento com o Deus do Céu. Essa é a ra­
zão por que devemos pensar em Mateus 6:1-18 como “a piedade do
cristão”.
Ao procurarmos praticar os importantes atos de devoção, que in­
tegram a vida cristã, dá-nos hoje a Tua ajuda, ó Pai.

Ano Bíblico: Salmos 51-55. - Juvenis: Provérbios 10.


O
A Piedade do Cristão Domingo
24 de junho

Está Jesus Se Contradizendo?


Nisto é glorificado Meu Pai, em que deis muito fruto; e assim vos
tornareis Meus discípulos. João 15:8.
Jesus me deixa confuso. Em Mateus 5:16, Ele me diz para deixar
minha luz brilhar, a fim de que os outros vejam minhas boas obras e
glorifiquem ao Pai celestial. Agora, em Mateus 6:1, Ele me diz para
evitar praticar minha piedade diante dos outros, com a finalidade de
ser visto por eles.
Estou confuso! Acaso dar aos pobres não é uma boa ação? Como
posso esconder minha luz e fazê-la resplandecer ao mesmo tempo?
Embora, superficialmente, esses dois versos pareçam contraditórios
entre si, são na verdade ensinos complementares. O tema abordado em
Mateus 5:16 é o testemunho público, ao passo que a oração, a esmola
e o jejum são devoções pessoais.
Mais importante ainda: o objetivo de Mateus 5:16 é a glória de
Deus, enquanto as falsas práticas de piedade do capítulo 6 visam à glo­
rificação de seus praticantes. Segundo esse critério, elas merecem con­
denação, visto que toda adoração e todo ato da vida cristã devem ter
o propósito de honrar a Deus.
Os cristãos devem viver de tal maneira que as pessoas, ao olharem
para eles, glorifiquem a Deus. Um cristão não pratica nenhum ato de
adoração para ser visto ou admirado pelos outros. Frederick Dale Bru­
ner declara belamente o sutil equilíbrio entre Mateus 5:16 e 6:1, quan­
do escreve: “E correto praticar boas obras de um modo que, quando as
pessoas as virem, pensem em Deus; é errado praticar boas obras de um
modo que, quando as pessoas as virem, pensem em nós.”
Isto não é uma coisa fácil de fazer. Todos somos tentados a amar a
nós mesmos de maneiras não muito saudáveis. Graças à maneira franca
de Jesus falar, sabemos que precisamos ser cuidadosos quanto à nossa “os­
tentação espiritual”. E assim, ao anunciarmos diante da igreja que, na se­
mana passada, Deus fez alguma coisa grandiosa em favor de alguém, por
intermédio do nosso testemunho, garantimos que o “humilde” instru­
mento de Deus (nossa pessoa) ganhe destaque. Os demais rapidamente
entenderão a estratégia e dirão para si mesmos: “Dou graças a Deus por­
que não sou como esse.” E com um único golpe caímos no mesmo poço
de farisaísmo. Dar realmente a Deus a glória constitui um ato de graça.

Ano Bíblico: Salmos 56-61. - Juvenis: Provérbios 15.


Segunda-feira A Piedade do Cristão
25 de junho

Repetição: uma Lei de Aprendizagem


Quando, pois, deres esmola, não toques trombeta diante de ti, como
fazem os hipócritas, nas sinagogas e nas ruas, para serem glorificados pelos
homens. Em verdade vos digo que eles já receberam a recompensa.
Mateus 6:2.

'1 rês vezes no capítulo 6 Jesus utiliza o mesmo padrão para atin­
gir Seu objetivo. Ele sabia que a mente humana enfraquecida pelo pe­
cado precisa ouvir as coisas mais de uma vez para assimilar uma lição.
E Jesus é o mestre por excelência.
Repare no Seu estilo. Primeiro, Ele delineia o princípio geral no
versículo inicial: Não pratique atos piedosos para ser visto pelos ou­
tros. Os que assim procedem não receberão outra recompensa a não ser
sua própria atitude egocêntrica. Depois, Ele passa a ilustrar essa lição
principal a respeito da esmola (versos 2 a 4), da oração (versos 5 e 6)
e do jejum (versos 16 a 18).
Todas as três ilustrações seguem o mesmo padrão. Primeiro, vem a
descrição da falsa forma de piedade, que se concentra na exibição pú­
blica da “santidade do adorador”. Por causa de sua falsa motivação
(pois adoram a si mesmos ou chamam a atenção para si mesmos, em­
bora afirmem estar adorando a Deus e chamando a atenção para Ele),
Jesus os chama de “hipócritas” em todas as três ilustrações.
A palavra “hipócrita”, no grego, era usada para designar um ator
no palco. Ora, há um aspecto positivo em ser ator. Afinal de contas,
uma pessoa honesta pode representar o papel de outra com sentimen­
to e exatidão. Mas o que Jesus tem em mente é o sentido negativo da
palavra. No sentido negativo, o palco é um mundo de farsa e os atores
são os que enganam. Naqueles dias os atores usavam máscaras no ros­
to; as máscaras escondiam megafones para que os atores pudessem ser
ouvidos. Assim, o hipócrita é alguém que usa um rosto falso. Ele finge
honrar a Deus, embora esteja realmente honrando a si mesmo. Essas
pessoas já receberam a sua recompensa.
A segunda metade de cada ilustração sugere a maneira apropriada de
cumprir a obrigação. Em cada caso, a idéia central é a de que a motiva­
ção para a devoção deve fundamentar-se mais no relacionamento da
pessoa com o Pai do que no desejo de aparentar bondade. As três ilus­
trações terminam com a afirmação de que Deus recompensará os fiéis.

Ano Bíblico: Salmos 62-67. - Juvenis: Provérbios 20.


A Piedade do Cristão Terça-feira
26 de junho

A Questão das Recompensas


Pois que aproveitará, o homem se ganhar o mundo inteiro e perder
a sua alma' Ou que dará o homem em troca da sua alma' Porque o Filho
do homem há de vir na glória de Seu Pai, com os Seus anjos, e, então,
retribuirá a cada um conforme as suas obras. Mateus 16:26 e 27.
(Zonta-se a história de um homem que descia por uma estrada
levando um balde de água numa das mãos e um balde de fogo na ou­
tra. Ao lhe perguntarem o que ele iria fazer com esses dois baldes, ele
respondeu que iria incendiar o Céu com o balde de fogo e inundar o
inferno com o balde de água. Seu interesse não estava nem numa nem
noutra coisa. Afirmava que sua razão para ser cristão era mais profun­
da do que as recompensas. Pregava a bondade somente por amor à
bondade. Concluía que toda a idéia de recompensa não era cristã.
Muitas pessoas acham detestável a idéia de recompensas para a
piedade pessoal. Contudo, a passagem que vai de Mateus 6:1 até 18 de­
clara repetidamente que os que são fiéis em secreto, serão recompen­
sados. Ao que parece, Jesus nunca achou que o tema fosse tão detestá­
vel quanto alguns de Seus seguidores.
Uma razão por que as pessoas parecem ser contra a idéia de recom­
pensa para a piedade pessoal, é que a princípio isto parece comunicar
a idéia de salvação por mérito. Mas esse raciocínio deixa de levar em
consideração o fato de que o Sermão do Monte é dirigido aos que já
estão salvos. Repetidas vezes nesses capítulos, Jesus fala àqueles que se
dirigem a Deus como “Pai”. Eles já pertencem à família de Deus.
Assim, seus atos de devoção não são atos meritórios para entrar no
reino, mas reações de amor e adoração por já estarem dentro dele.
Jesus não tinha problema com a idéia de Céu ou de inferno. Fala­
va repetidas vezes de ambos, como os respectivos resultados das esco­
lhas que as pessoas fazem ao longo da vida. A escolha mais importan­
te que podemos fazer é decidir quem será o Senhor da nossa vida. È
bastante apropriado almejar nossa bendita recompensa.

Ano Bíblico-, Salmos 68-71. - Juvenis: Provérbios 25.


Quarta-feira A Piedade do Cristão
11 de junho

 Recompensa do Cristão
Mas, como está escrito: Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem
jamais penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para
aqueles que O amam. I Coríntios 2:9.
Um menininho sentou-se silenciosamente num trem do Oeste.
Era um dia quente, poeirento e bastante desconfortável para os viajan­
tes. Na verdade, era o dia mais desinteressante de toda a viagem. Mas
o pequenino sentou-se e ficou a observar pacientemente os campos e
cercas que passavam em rápida sucessão, até que uma senhora idosa e
maternal se inclinou sobre ele e perguntou compassivamente:
- Você não está cansado da longa viagem, querido? Não está can­
sado da poeira e do calor?
O jovenzinho levantou os olhos que brilhavam e replicou com um
sorriso:
- Sim, estou. Mas não me importo, pois sei que meu pai vai me en­
contrar no fim da viagem.
Este é um belo pensamento. Não importa quão monótona, desani-
madora ou mesmo dolorosa seja a vida, como cristãos temos alguém à
nossa espera no fim de nossa jornada terrena. Nosso Pai nos espera. Es­
se é o nosso incentivo. È essa promessa que nos faz prosseguir. Nosso
Criador nos encontrará, trazendo consigo a Sua recompensa. Mas en­
quanto os cristãos esperam a recompensa final, não devem passar por al­
to as recompensas diárias da vida cristã. Primeiro, temos a certeza de es­
tar fazendo as coisas certas. Isso dá aos cristãos paz mental inigualável.
Segundo, já agora desfrutamos da recompensa de ajudar outras pes­
soas. Essa é uma satisfação que vale mais do que ouro ou prata. Como
cristãos, precisamos conscientemente criar oportunidades para mais
bênçãos decorrentes da caridade.
Uma terceira recompensa atual para o trabalho fiel ao Senhor é ain­
da mais trabalho. Essa é uma das grandes lições da parábola dos talentos.
Aqueles que realizaram muita coisa terão o privilégio de serviço mais
amplo à medida que se tomam mais e mais semelhantes ao seu Mestre.
Nosso Pai, ao pensarmos em nossa recompensa cristã tanto neste
mundo como no mundo vindouro, pedimos uma renovada porção de
Tua graça para que continuemos a ser recipientes de Tuas bênçãos.

Ano Bíblico: Salmos 72-77. - Juvenis: Eclesiastes 1 e 3.


A Piedade do Cristão Quinta-feira
28 de junho

Honrar a Quem?
Eu não aceito glória que vem dos homens. ... Como podeis crer, vós os
que aceitais glória uns dos outros e, contudo, não procurais a glória que vem
do Deus único? João 5:41-44.
TJma das escolhas decisivas da vida é a quem queremos honrar:
a Deus ou a homens? A quem buscamos agradar? De quem buscamos o
aplauso? O que estamos dispostos a fazer para receber esse favor ou ou­
vir esse aplauso?
Estas são perguntas um tanto chocantes, porque se aproximam do
centro do que somos e de como vivemos nossa vida diária.
Todos sabemos a resposta certa para essas perguntas. Devemos ser
como Jesus, que não dava a mínima para o aplauso humano, mas valo­
rizava apenas a aprovação do Pai.
O problema é que não somos Jesus. Todos, com demasiada freqüên-
cia, olhamos por sobre os ombros para ver os que os outros pensam de
nós. Como cristãos, sabemos que não devemos andar atrás do aplauso
mundano que poderiamos obter em Hollywood ou a glória que poderia­
mos receber como presidente da General Motors. Obviamente, reco­
nhecemos que não é o sucesso que está errado, mas o atrair a atenção
para nós mesmos como os supostos responsáveis por esse sucesso.
Como cristãos, geralmente conseguimos ver além dessa espécie de
orgulho mundano. Na maioria dos casos, esse não é o nosso problema.
Mas temos um equivalente espiritual disso. Contendemos com o orgu­
lho espiritual e eclesiástico.
Veja que grande evangelista sou eu! Que brilhante sermão eu pre-
guei! Contribuo mais com a igreja que qualquer outra pessoa! Por que
vocês não podem apenas ser humildes como eu?
Moral da história: São infinitas as formas pelas quais podemos bus­
car honra dos outros ou até de nós mesmos. Este é o problema contra
o qual os fariseus lutavam. E Jesus quer que nossa justiça, mesmo nes­
sas áreas da vida, exceda a dos escribas e fariseus. Mas se isso aconte­
cer, por favor não faça alarde nem chame a atenção para isso. Minha
suposição é a de que, se já chegamos onde devíamos estar em nossa vi­
da cristã, não saberemos sequer que chegamos, porque Deus será tudo
e reconheceremos que sem Ele nada somos.

Ano Bíblico: Salmos 78-80. — Juvenis: Eclesiastes 5.


Sexta-feira A Piedade do Cristão
29 de junho

Não se Pode Enganar a Deus


Nada, em toda a criação, está, oculto aos olhos de Deus. Tudo está
descoberto e exposto diante dos olhos dAquele a quem havemos de prestar
contas. Hebreus 4:13, NVI.
Cl) bolo estava horrível. Na verdade, foi o pior bolo que já pro­
vei na minha vida. Esse era o problema. Afinal de contas, fora feito es­
pecialmente para meu aniversário pela minha noiva. E eu não podia
ferir os sentimentos dela, mas com toda a certeza eu não conseguiría
comer aquilo.
Felizmente, no dia seguinte a meu aniversário, ela foi para a casa
da irmã dela por uns dias, deixando o resto do bolo comigo. Mas ago­
ra aqueles dias haviam terminado. Em poucas horas, ela voltaria e eu
seria apanhado.
Talvez, pensava eu, eu pudesse atirar o bolo no matagal do terreno
baldio em frente. Mas, com o azar que eu tenho, ela passaria por aque­
le terreno e iria para casa com o bolo nos sapatos. Isso não iria funcio­
nar. Jogar no lixo, também não. Algumas migalhas delatoras grudadas
no fundo do cesto seriam a minha ruína.
Finalmente tive uma idéia! Por que não pensara nisso antes?
Peguei o bolo e andei na ponta do pé até o banheiro. Com a porta
fechada, quebrei rapidamente o bolo em pequenos pedaços, lancei-os
no vaso sanitário, puxei a descarga e fiquei assistindo a um potencial
desastre de família escoar para o esquecimento.
Finalmente livre! Que sentimento maravilhoso! Minha jovem
noiva ficou encantada ao saber que eu havia “apreciado” o bolo.
A lição é simples: Você pode enganar algumas pessoas por algum
tempo.
Naturalmente, o que fonciona com as pessoas não funciona com
Deus. Ele vê não somente a ação, mas também o motivo por trás da ação.
Ele quer tomar hoje minha vida, meu coração, e purificá-los. Ele
quer ir mais fundo do que as coisas que faço, Ele quer mudar a razão
por que faço as coisas, ainda que sejam coisas cristãs. Ele quer que eu
O adore somente porque Ele é o Senhor da minha vida.
Senhor, ajuda-me hoje em minhas lutas íntimas. Ajuda-me não
apenas a fazer as coisas certas, mas a fazê-las pelas razões certas.

Ano Bíblico: Salmos 81-85. — Juvenis: Eclesiastes 7.


A Piedade do Cristão Sábado
30 de junho

Dar Como Jesus Deu


Mas quando você der esmola, que a sua mão esquerda não saiba o que
está fazendo a direita, de forma que a sua ajuda seja prestada em segredo.
E seu Pai, que vê o que éfeito em segredo, o recompensará. Mateus 6:3 e 4,
NVI.
Foi realmente muito desagradável.
A igreja estava no meio de uma campanha de construção, e o pas­
tor, postado na frente, fazia um apelo por uma oferta pública. “Quem
dará 2.000 dólares?” gritava ele com entusiasmo. “Aqueles que estive­
rem dispostos a dar 2.000 dólares, por favor, fiquem de pé!” Um irmão
se levantou, e todos os olhos se voltaram para ver quem havia dado tão
grande contribuição. Ali estava ele, de pé, com um sorriso de orelha a
orelha, agitando o talão de cheques acima da cabeça.
E ali estava eu, sentado como freqüentador mais ou menos regular
de uma congregação adventista, da qual me recusava fazer parte. Como
visitante não cristão, fiquei consternado. Naquela época eu ainda não
havia lido meu Novo Testamento todo, mas o havia feito até Mateus 6.
Por que, indagava eu, a igreja que afirma ter a verdade precisava
empregar métodos antibíblicos de levantamento de fundos? Será que a
igreja, para captar recursos, precisa manipular a vaidade óbvia de um
irmão exibido como aquele que ficou de pé? Por que será que ele esta­
va contribuindo? Por que o pastor estava usando aquele método?
Gostaria de poder dizer que aquela foi a última vez que vi essa téc­
nica sendo usada. Lamentavelmente, é mais fácil apelar para a vaida­
de do que para a dedicação. Sem dedicação, porém, a doação não va­
le nada.
A boa nova é que não somos obrigados a corresponder a essas tá­
ticas. E se estamos seguindo a Jesus, não as usaremos nem correspon­
deremos a elas. Jesus disse que devemos praticar nossas boas ações de
maneira anônima, tendo só a Deus por testemunha.
Ao dizer isto, Ele estava dando um golpe, não nas bordas do pro­
blema do pecado, mas no seu próprio centro. Deus quer que entregue­
mos a Ele nosso coração. Na verdade, Ele quer que todas as ações cris­
tãs que praticarmos procedam de um coração que O ama de maneira
suprema.
Dar é agir como Deus, que deu Seu Filho. Ele quer que imitemos
Sua pessoa caridosa, mas deseja que o façamos pelo motivo correto.

Ano Bíblico: Salmos 86-89. — Juvenis: Eclesiastes lie 12.


Domingo A Piedade do Cristão
1a de julho

A Obra Duas Vezes Bendita


Pois nunca, deixará de haver pobres na terra; por isso, eu te ordeno:
livremente, abrirás a mão para o teu irmão, para o necessitado, para
o pobre na tua terra. Deuteronômio 15:11.
44 A obra de beneficência”, lemos em O Maior Discurso de Cris­
to, “é duas vezes bendita. Enquanto aquele que dá ao necessitado be­
neficia a outros, é ele próprio beneficiado em medida ainda maior. A
graça de Cristo no coração desenvolve traços de caráter opostos ao
egoísmo - traços que refinarão, enobrecerão e enriquecerão a vida.
Atos de bondade praticados em segredo, ligarão corações entre si,
unindo-os mais estreitamente ao coração dAquele de quem provém
todo generoso impulso. As pequeninas atenções, os pequenos atos de
amor e sacrifício, os quais emanam da vida tão suavemente como o
aroma se desprende da flor - constituem parte importante das bênçãos
e felicidade da vida. E verificar-se-á por fim que a negação do próprio
eu para o bem e a felicidade dos outros, embora humilde e não louva­
da aqui, é reconhecida no Céu como o sinal de nossa união com Ele,
o Rei da glória, que era rico, e contudo Se tornou pobre por amor de
nós.” - Págs. 82 e 83.
A obra duas vezes bendita. Que pensamento primoroso! Ao ajudar
silenciosamente aos outros, estamos ajudando a nós mesmos. Estamos
desenvolvendo nosso caráter. Estamos nos tornando mais parecidos
com o Deus que foi tão generoso para conosco. E durante o processo,
estamos ajudando alguém que verdadeiramente precisa de ajuda.
O ministério da ajuda silenciosa exerce influência sobre nossa pró­
pria vida. E parte do processo pelo qual Deus toma pessoas egoístas e
as transforma à Sua imagem.
Não é, porém, um processo natural. Longe disso. O natural para
nós é reter o que é nosso e construir casas cada vez maiores e comprar
carros cada vez mais luxuosos. Ou se damos algo, achamos que deve­
mos ter ao menos um edifício ou uma sala com o nosso nome, como
lembrança de nossa generosidade.
Prestar ajuda em segredo é uma coisa bastante diferente. Mas, dis­
se Jesus, traz sua própria recompensa incomparável.
Ajuda-me, Senhor, a ser mais semelhante a Ti.

Ano Bíblico: Salmos 90-99. — Juvenis: Isaías 5.


A Piedade do Cristão Segunda-feira
2 de julho

Dando com Alegria


Aquele que semeia pouco, pouco também ceifará; e o que semeia com
fartura com abundância também ceifará. Cada um contribua segundo tiver
proposto no coração, não com tristeza ou por necessidade; porque Deus ama
a quem dá com alegria. II Coríntios 9:6 e 7.

E uma lei natural. Se você não planta sementes, não pode ter
uma colheita. Se planta apenas algumas sementes, terá apenas uma pe­
quena colheita. Se planta muito, pode esperar colher muito.
Paulo está nos dizendo que a mesma lei funciona também na esfe­
ra espiritual. Os que são mesquinhos para com Deus e para com os ou­
tros podem esperar poucas bênçãos em comparação a outros que são
mais generosos. A generosidade é contagiosa, e influenciamos os que
estão ao nosso redor, inclusive nossos filhos. Se perceberem que somos
pães-duros, a tendência deles será crescer pães-duros e mesquinhos. O
que semeamos e como semeamos produz seus efeitos à medida que nos­
sa influência irradia através do espaço e do tempo.
Deus não quer apenas que demos e demos secretamente (conforme
vimos nos dias anteriores), mas quer que contribuamos com alegria.
Uma de minhas histórias bíblicas favoritas sobre dar com alegria é
a história da viúva que depositou duas pequenas moedas no tesouro do
templo. O valor monetário de sua oferta era extremamente pequeno,
contudo Jesus, “chamando os Seus discípulos, disse-lhes: Em verdade
vos digo que esta viúva pobre depositou no gazofilácio mais do que o
fizeram todos os ofertantes. Porque todos eles ofertaram do que lhes so­
brava; ela, porém, da sua pobreza deu tudo quanto possuía, todo o seu
sustento”. Mar. 12:43 e 44-
Sua oferta foi reconhecida no Céu porque seu coração estava ne­
la. Ela era uma pessoa que dava com alegria. Isto é o que Deus quer de
cada um de nós. Ele quer que contribuamos de coração. Mais impor­
tante do que a quantidade é o espírito com que damos nossas ofertas.
O próprio propósito de dar é tornar-nos mais semelhantes a Deus,
o Pai, e Jesus, o Filho, os quais deram de Si para que fôssemos aben­
çoados, tanto neste mundo como no mundo por vir. Deus deseja que
eu dê com alegria.

Ano Bíblico: Salmos 100-105. — Juvenis: Isaías 11.


Terça-feira A Piedade do Cristão
3 de juiho

O Pecado me Seguiu até à Igreja


E, quando orardes, não sereis como os hipócritas; porque gostam de orar
em pé nas sinagogas e nos cantos das praças, para serem vistos dos homens.
Em verdade vos digo que eles já receberam a recompensa. Mateus 6:5.

coisa mais chocante acerca deste texto são suas implicações


a respeito da extensão e onipresença do pecado.
Quando falamos em pecado, geralmente pensamos em algo que
acontece no escuro, num lugar distante e em segredo. Quando falamos
em pecadores, pensamos em viciados em heroína, traficantes, ladrões
ou adúlteros.
Mas, em Mateus 6:1-18, encontramos o pecado acontecendo jus­
tamente dentro da igreja. Encontramo-lo em nossas devoções a Deus.
Encontramo-lo em nossa oferta, em nossa oração e em nosso jejum.
Agora você pode estar perguntando: “Se não pudennos_escapar
dos efeitos do pecado na oração, onde escaparemos?” A dolorosa res­
posta é: Em lugar nenhum. O pecado mancha tudo o que fazemos. O
problema com os escribas e fariseus é que eles deixavam de ver a pro­
fundidade e a extensão do pecado. Em conseqüência disso, o pecado os
surpreendia mesmo nos seus atos de devoção. Foi por isso que Jesus de­
dicou tanto tempo a esse assunto. Em sua busca pela perfeição diante
de Deus, eles caíam novamente na armadilha de Satanás.
No Sermão do Monte, Jesus está dizendo a Seus ouvintes que os
fariseus, na realidade, não compreendiam o pecado. Pensavam que era
uma ação que precisava ser evitada. Mas repetidas vezes Ele insistiu na
desconcertante verdade de que o pecado é uma tendência que infecta
toda a nossa vida. E uma egolatria vaidosa que nos segue aonde quer
que vamos./Mesmo quando alegamos estar adorando a Deus, estamos
muitas vezes empenhados ativamente na adoração de nós mesmos./
E isto que Jesus está nos dizendo por meio desses vigorosos ensinos
sobre oração, jejum e esmola. Está nos dizendo que há “pecado peca­
minoso” e “pecado religioso”.
As boas novas são que Ele quer nos purificar de toda a injustiça.
Mas sabe que primeiro precisamos reconhecer a gravidade do pecado,
para que recorramos a Ele, através da oração, pedindo purificação em
profundidade.

Ano Bíblico: Salmos 106-110. — Juvenis: Isaías 26.


A Piedade do Cristão Quarta-feira
4 de julho

"Pecados Vegetarianos"
Jesus declarou: “Digo-lhe a verdade: Ninguém pode ver o Reino de
Deus, se não nascer de novo. ... Digo-lhe a verdade: Ninguém pode entrar
no Reino de Deus, se não nascer da água e do Espírito. ”João 3:3-5, NVI.
7^ espécie mais esquiva e enganosa de pecado é a que se pode
chamar de pecado “vegetariano”.
O que, podemos perguntar, são pecados “vegetarianos”?
São os tipos de pecados ilustrados por Jesus em Mateus 6:1-18: pe­
cados essencialmente ligados às práticas religiosas, tais como orar e
ajudar os pobres. Eu os chamei de vegetarianos porque eles parecem
tão bons, tão saudáveis.
Mas nisto está o seu poder de pegar-nos desprevenidos. Esse peca­
do é enganoso porque aparenta e dá a impressão de ser religioso. Ele
pode ser verdadeiramente religioso ou pode ser apenas outra maneira
de fazer-nos sentir bem a respeito de nós mesmos, exceto que, dessa
vez, o que dá prazer não é quão ímpio eu sou, mas quão justo sou. O
poder enganador dos pecados vegetarianos reside no próprio fato de fa­
zer-nos sentir limpos, mesmo quando ainda estamos cheios da polpa
podre do pecado: a orgulhosa auto-suficiência.
Jesus quer nos salvar até de nossa auto-suficiência, até de nosso or­
gulho espiritual e até mesmo da satisfação por nossas realizações na vi­
da religiosa.
E como Ele Se propõe a fazer isso? Da mesma forma como lida com
a prostituição e o tráfico de drogas. Ele quer que nosso espírito orgu­
lhoso caia aos pés da cruz e seja crucificado. Ele quer que crucifique­
mos as atitudes erradas da adoração e a atitude de achar que somos su­
periores às pessoas das outras igrejas ou às pessoas que não têm igreja
nenhuma.
Mas além da crucificação de nossa vaidosa justiça própria, Jesus quer
proporcionar o nosso renascimento por meio da vida no Espírito. Ele
quer que nasçamos de novo com uma nova atitude. Quer que nasçamos
do alto. Quer salvar-nos até mesmo dos pecados vegetarianos. E as boas
novas são que Ele é capaz de fazer isso. Ou seja, Ele pode fazê-lo, se hu­
mildemente clamarmos, neste e em todos os dias, por Seu auxílio.

Ano Bíblico: Salmos 111-118. — Juvenis: Isaías 35.


Quinta-feira A Piedade do Cristão
5 de julho

A Importância da Oração
Para os Fariseus
Ouve, Israel, o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor. Amarás, pois, o
Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua
força. Estas palavras que hoje te ordeno, estarão no teu coração.
Deuteronômio 6:4-6.
jA passagem bíblica de hoje é importante tanto para cristãos co­
mo para judeus. Os cristãos a reconhecem porque, quando pergunta­
ram a Jesus acerca do maior mandamento da lei, Ele apresentou Deu­
teronômio 6:5, com o seu amor a Deus.
Mas essa passagem era importante para os judeus antes de Jesus
nascer. Era importante porque fazia parte do Shema. O Shema consistia
de três breves passagens da Escritura - Deuteronômio 6:4-9; 11:13-21;
e Números 15:37-41 - que tinham de ser recitadas sob a forma de ora­
ção pelos judeus toda manhã e toda tarde.
O Shema não era a única oração que os judeus deviam recitar dia­
riamente. Era seu dever também recitar o que se tornou conhecido co­
mo As Dezoito, que consistiam de 18 orações. As Dezoito tinham que
ser recitadas três vezes ao dia: uma vez pela manhã, uma vez à tarde e
uma vez à noite.
Os judeus eram um povo de oração. Levavam suas orações a sério.
Não rezavam apenas o Shema e As Dezoito, mas também tinham ora­
ções para quase todo acontecimento da vida. Assim, tinham orações
para antes e depois de cada refeição; e havia orações ligadas a coisas
como a luz, o fogo e o relâmpago; ao verem a lua nova, cometas, chu­
va e tempestades; ao verem o mar, lagos, rios; ao receberem boas notí­
cias; ao usarem mobília nova; ao entrarem ou saírem de uma cidade, e
assim por diante. Para tudo havia sua oração.
Como cristãos, temos algo a aprender com isto. Precisamos tam­
bém ver a santidade de tudo que existe ou do que acontece em nossa
vida. Precisamos ter o senso da constante presença de Deus. Devemos
também ter a vida inundada pela oração.
Mas também devemos acautelar-nos dos perigos nos quais os ju­
deus caíram. Satanás pode perverter até mesmo a oração. Mas Jesus
pode fazer melhor. Pode dar nova vida à oração e santificá-la em nos­
sa vida diária.

Ano Bíblico: Salmo 119. - Juvenis: Isaías 36.


A Piedade do Cristão Sexta-feira
6 de julho
X
A Religião é uma Coisa Boa - As Vezes
Praticam, porém, todas as suas obras com o fim de serem vistos dos
homens; pois alargam os seus filactérios e aumentam as suas franjas. Amam
o primeiro lugar nos banquetes e as primeiras cadeiras nas sinagogas, as
saudações nas praças e o serem chamados mestres pelos homens.....
[Mas] quem a si mesmo se exaltar será humilhado; e quem a si mesmo
se humilhar será exaltado. Mateus 25:5-12.

religião é uma coisa boa, às vezes. Eu digo “às vezes” porque


até mesmo a religião pode ser pervertida.
Ontem vimos que os fariseus eram praticantes entusiásticos da ora­
ção. Tinham não apenas o Shema duas vezes por dia e As Dezoito três
vezes por dia, mas também contavam com orações específicas para
quase todas as ocasiões. Isso era bom. O que havia de mau era que al­
guns deles às vezes utilizavam as ocasiões de oração para se exibirem e
teatralizarem. Isso acontecia pelo menos de duas maneiras diferentes.
A primeira forma de perversão tinha que ver com o local. Já que
certas orações deviam ser recitadas em ocasiões específicas do dia, era
bastante fácil para alguns judeus planejarem as coisas de tal maneira
que a hora da oração acontecesse quando eles se encontrassem em lu­
gar público. Assim, parecería uma coincidência estarem eles numa ex­
tremidade de uma rua movimentada ou num quarteirão da cidade api­
nhado de gente quando chegasse a hora. O resultado: todo o mundo po­
dería testemunhar a devoção de alguém orando. Era fácil, por exemplo,
estar no topo da escada da entrada para a sinagoga quando chegasse a
hora. Naquele local, uma oração longa, expressiva e fervorosa podia ser
feita de um modo que muitos pudessem apreciar a piedade envolvida.
Uma segunda forma de perversão era a maneira de fazer a oração.
O sistema judaico de oração tornava a ostentação muito fácil. O judeu
orava de pé, com as mãos estendidas, as palmas voltadas para cima e a
cabeça inclinada. Quem passava não podia deixar de ver que essa pes­
soa estava orando.
Os rabinos judeus mais sábios condenaram inteiramente essa tea-
tralização. Jesus também a condenou.
Jesus sabia que orar é falar com Deus, uma experiência espiritual.
Ele quer que oremos de coração e recebamos a extensiva bênção de
Deus.

Ano Bíblico: Salmos 120-134. — Juvenis: Isaías 37.


Sábado A Piedade do Cristão
7 de julho

Diferentes Maneiras de Orar


O publicano, estando em pé, longe, não ousava nem ainda levantar
os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Ó Deus, sê propício a mim,
pecador! Digo-vos que este desceu justificado para sua casa, e não aquele;
porque todo o que se exalta, será humilhado; mas o que se humilha, será
exaltado. Lucas 18:13 e 14.
Talvez a melhor ilustração que Jesus apresentou para exemplifi­
car a atitude correta e a incorreta na oração foi a parábola do fariseu e
do publicano, encontrada em Lucas 18:9-14-
O fariseu, neste caso, era um crente superficial, aquele tipo com o
qual Jesus foi bem firme em Mateus 6 e 23. Jesus nos dá um breve, mas
notável perfil desse religioso afetado. Diz-nos que ele confiava em suas
capacidades e realizações justas, e que desprezava os outros que não ha­
viam alcançado sua “exaltada” condição espiritual. Ele orou, enfati­
zando o fato de não ser pecador como os demais, inclusive como um
cobrador de impostos que, por acaso, estava também orando nas pro­
ximidades. O fariseu continuou a alistar suas devoções religiosas. Era
dizimista fiel e jejuava duas vezes por semana. De modo geral, ele es­
tava bastante satisfeito consigo.
Em contraste, Jesus descreve o cobrador de impostos como alguém
que, humildemente, orava e suplicava a Deus que fosse misericordioso
para com ele devido às suas muitas faltas.
E muito interessante o que Jesus tem a dizer sobre essas orações. O
fariseu, disse Jesus, não orava a Deus, mas orava “consigo”. Estava
apresentando uma carta de recomendação, e chamava isso de oração.
Lembramo-nos do Rabi Simeão ben Jochai, que afirmava: “Se houver
apenas dois homens justos no mundo, esses dois somos eu e meu filho;
se houver apenas um, esse sou eu.”
O publicano, por outro lado, orava a Deus. Não apenas isso, mas
era ouvido por Deus. Saiu dali justificado e perdoado, enquanto o fari­
seu permaneceu em seu pecaminoso orgulho, perdido, sem ao menos
dar-se conta disso.
De que maneira eu oro? É a pergunta que devo fazer depois de ler
essa parábola. Como devo orar? Como posso hoje melhorar minha vi­
da de oração?

Ano Bíblico: Salmos 135-139. — Juvenis: Isaías 38.


O
A Piedade do Cristão Domingo
8 de julho

Dizer e Praticar
Então, falou Jesus às multidões e aos Seus discípulos: Na cadeira
de Moisés se assentaram os escribas e fariseus. Fazei e guardai, pois, tudo
quanto eles vos disserem, porém não os imiteis nas suas obras; porque
dizem e não fazem. Mateus 23:1-3.

E mais fácil falar do que praticar. Todo pai sabe disso; todo ma­
rido e mulher, todo pastor, todo chefe. Mas praticar é o ponto princi­
pal. Praticar é tudo. Ainda assim, eu preferiria apenas falar.
E assim procediam os fariseus. Muitas de suas idéias eram bastante
úteis e verdadeiras, mas eles deixavam de viver o espírito de sua reli­
gião. Guardavam as leis e praticavam as devoções religiosas externa­
mente, embora demasiadas vezes lhes faltasse profundidade interior.
Esse era o problema da oração mencionada em Mateus 6:5. Eles ora­
vam não somente porque desejavam falar com Deus, mas também por­
que queriam que os outros pensassem que eles eram homens de oração.
O ponto importante para nós hoje é que algumas vezes agimos
com a mesma motivação dos fariseus do passado. Algumas vezes tam­
bém oramos para efeitos externos. Também somos por vezes tentados
a ter a reputação de uma pessoa que ora divinamente bem ou que é
profundamente “espiritual”. Jesus, no Sermão do Monte, diz que a fon­
te dessa ambição não é Deus. Ao orarmos, não devemos concentrar
nosso interesse em nós mesmos ou em nossa reputação, mas nAquele
a quem oramos. Podemos não estar orando ostentosamente nas esqui­
nas das ruas, nem fazendo tocar trombeta diante de nós para que todos
saibam que estamos orando, mas algumas vezes permitimos que saibam
que estamos cansados (ou refeitos, conforme o caso) porque levanta­
mos às 3:00 da madrugada para orar fervorosamente a Deus. Essa táti­
ca é sutil, mas não é secreta.
Outros caem na armadilha da oração farisaica nas orações públicas
das manhãs de sábado. Eles gostam que os outros comentem como foi
“bela” a sua oração. Tudo o que realmente conta, seja em público ou
em particular, é a oração sincera. E mais importante que as orações se­
jam comoventes do que belas. E absolutamente decisivo que o ponto
focal delas seja Deus.
Senhor, hoje, como no passado com Teus discípulos, nosso coração
clama: “Ensina-nos a orar.”

Ano Bíblico: Salmos 140-144. — Juvenis: Isaías 39.


Segunda-feira A Piedade do Cristão
9 de julho

Ore a Deus
Tu, porém, quando orares, entra no teu quarto e, fechada a porta,
orarás a teu Pai, que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te
recompensará. Mateus 6:6.

T arece estranho que eu tenha intitulado a leitura de hoje de


“Ore a Deus”. Mas foi isso o que Jesus nos disse para fazer em Mateus
6:6. Deves orar a “teu Pai”.
Mas, perguntará você, a quem mais poderiamos orar? Suponho que
há uma porção de respostas para essa pergunta. Jesus forneceu uma em
Lucas 18:11 na história do fariseu e do publicano. Ele disse que o fari­
seu orava_“para si mesmo”, em vez de orar a Deus. O simples fato de
passarmos tempo em oração não significa que estamos orando a Deus.
Há vários pontos que devemos considerar ao orar a Deus. O pri­
meiro é o que se pode pensar como processo de exclusão. Quando ora­
mos ao Pai, devemos excluir certas coisas. Precisamos deixar fora a
multidão de pensamentos e cuidados diários que criam obstáculos en­
tre nós e Deus. Precisamos nos concentrar na comunicação com Ele,
assim como prestamos atenção total a qualquer pessoa que respeitamos
e com a qual nos importamos. Na oração secreta, precisamos, por as­
sim dizer, entrar num quarto com Ele, a fim de que somente nós dois
fiquemos conversando. Precisamos buscar a Deus e louvá-Lo de todo o
nosso coração, mente e alma. Esse quarto pode ser um aposento de ver­
dade ou pode ser um ônibus superlotado. Podemos orar a Deus de ma­
neira secreta e exclusiva em qualquer lugar.
Um segundo ponto que precisamos considerar, ao pensarmos em
orar a Deus, é que quando oramos, entramos realmente em Sua presen­
ça. Estamos na sala de audiência do Infinito. E o Pai, sendo Pai, preo-
cupa-Se conosco exatamente como nós nos preocupamos com nossos
filhos. Ele nos escuta!
Terceiro, quando oramos a Deus, podemos ter confiança. Podemos
nos aproximar confiantemente do trono da Graça, por causa do que Je­
sus fez por nós no Calvário e está fazendo por nós no Céu.
Estas são as boas novas. Por que então não orar a Deus com maior
freqüência?

Ano Bíblico: Salmos 145-150. — Juvenis: Isaías 40.


A Piedade do Cristão Terça-feira
10 de julho

Lugar Secreto de Oração


E, despedidas as multidões, subiu ao monte, a fim de orar sozinho.
Em caindo a tarde, lá estava Ele, só. Mateus 14:23.
Jesus era um homem de oração. O Novo Testamento chama fre-
qüentemente a atenção para o fato de que Ele Se afastava para passar
toda a noite em oração. Houve ocasiões em que Ele orou em público,
como em João 17. Ele não subestimava o papel da oração pública, mas
também acreditava na oração particular e a praticava. Algumas vezes
Ele sentiu necessidade de ficar sozinho com o Pai.
Nós temos a mesma necessidade. Precisamos afastar-nos dos cuida­
dos da vida para estar com Deus. Ir à igreja, aos cultos de oração e à
Escola Sabatina é bom, mas todo cristão precisa, individualmente, de
um tempo especial na sala de audiência do Rei. Precisamos disso para
louvar o Seu nome, agradecer-Lhe por Sua bondade, confessar nossos
pecados, pedir força, interceder pelos outros e apenas conversar infor­
malmente com Aquele que Se importa.
Em resumo, cada um de nós precisa, cada dia, separar tempo sagra­
do para oração em nosso lugar “secreto”. Precisamos levar nossa vida
devocional a sério. Precisamos nutrir nossa natureza espiritual, assim
como nos nutrimos física, social e mentalmente. E essa nutrição exige
tempo. A nutrição apropriada não é obra de um breve minuto.
Muitos acham que a melhor hora para seu período secreto com o
Pai é bem cedo de manhã. Acham que, se deixarem o momento devo­
cional para mais tarde, o fluxo dos deveres urgentes acabam por torná-
lo impossível ou irregular.
Durante nosso momento com Deus, precisamos não apenas falar a
Ele em oração, mas ouvir o que Ele diz por meio de Suas palavras na
Bíblia. Esse ouvir deve ser mais profundo do que apenas ler a medita­
ção matinal, algumas páginas de Ellen White ou a lição da Escola Sa­
batina. Precisamos seguir o conselho de Ellen White e tomar-nos o po­
vo da Bíblia.
Dediquei um dia a esse assunto porque os cristãos adventistas do
sétimo dia estão ficando cada vez mais presos aos negócios deste mun­
do. Isto tem feito com que se dê menos ênfase à devoção pessoal.
Hoje é o dia de mudar essa situação.

Ano Bíblico: Provérbios 1-3. - Juvenis: Isaías 42.


Quarta-feira A Piedade do Cristão
11 de julho

Qualidade, e Não Quantidade


E, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios; porque
presumem que pelo seu muito falar serão ouvidos. Mateus 6:7.

E uma coisa maravilhosa orar várias vezes por dia e até mesmo
ter horários fixos para a oração particular. Daniel, em Babilônia, ora­
va três vezes ao dia, com o rosto voltado para Jerusalém. E os cristãos
de nosso tempo dão graças pelo alimento e fazem preces ao se levantar
pela manhã e ao ir para a cama à noite.
Há, porém, um perigo nisto tudo. E fácil a oração tornar-se formal
em vez de sincera. Ela se torna algo que você faz em certas ocasiões ou
em determinados momentos. Em conseqüência disso, fica fácil res­
mungar a oração de uma maneira ininteligível. Em minha própria vi­
da tem havido ocasiões em que as orações à mesa ou ao pé da cama se
tornaram tão rotineiras que eu não conseguia lembrar se havia orado.
A oração rotineira tem seus perigos.
Em nosso texto de hoje, Jesus fala sobre “as vãs repetições” na ora­
ção, ou, conforme traduz a Nova Versão Internacional, alguns “pen­
sam que por muito falarem serão ouvidos”.
Isto tem sido verdade em muitas culturas. Assim é que em I Reis
18:26 lemos que os profetas de Baal clamaram: “Ah! Baal, responde-
nos!” por quase meio dia. E em Atos 19:34 lemos como a multidão dos
efésios gritaram por quase duas horas: “Grande é a Diana dos efésios!”
E há alguns cristãos que dizem repetitivamente suas orações por meio
de um rosário, enquanto os hindus usam as contas de oração com o
mesmo propósito. Na história protestante, muitas vezes tem-se pensa­
do que a duração de uma oração é uma indicação de devoção.
Jesus nos diz que todas essas idéias estão erradas. Deus quer que
oremos a Ele, da mesma maneira como o fazemos quando conversamos
inteligentemente com nossos melhores amigos. Não devemos julgar
nosso sucesso pelo palavreado empregado nessas situações, nem deve­
mos pedir as coisas num estilo repetitivo. Não. Sabemos que Deus nos
ouve e Se importa conosco. Em conseqüência disso, derramamos pe­
rante Ele o nosso coração.

Ano Bíblico: Provérbios 4-7. - Juvenis: Isaías 43.


O
A Piedade do Cristão Quinta-feira
12 de julho

O Pai Ideal
Porque Deus, o vosso Pai, sabe o de que tendes necessidade, antes que
Lho peçais. Mateus 6:8.
Omito algumas palavras do início do nosso texto de hoje. Na ver­
dade, ele começa assim: “Não vos assemelheis, pois, a eles.”
A eles, quem? Aqueles que no verso 7 pensavam que pelo seu mui­
to falar Deus os ouviria.
Não sejam como eles. Por quê? Porque “o vosso Pai, sabe o de que
tendes necessidade, antes que Lho peçais”.
Nesse verso, a palavra “Pai” é usada em seu verdadeiro sentido. Al­
guns de nós que lemos essa passagem somos pais. Outros são mães. Ne­
nhum de nós (caso sejamos normais) deixamos nossos filhos mendiga­
rem aquilo que precisam na vida. Na verdade, até os dissuadimos de
implorar e choramingar para conseguirem o que querem. Não quere­
mos reforçar esse tipo de atitude manipuladora.
Além disso, somos bastante perspicazes no que diz respeito às necessi­
dades de nossos filhos. Muitas vezes conhecemos suas esperanças, temores
e desejos. Não apenas fomos filhos um dia, mas temos criado esses filhos
especiais desde a infância. Em geral, sabemos do que precisam.
Mas, de qualquer jeito, gostamos que eles nos peçam. É um sinal
de reconhecimento de que somos pais cuidadosos e protetores. Além
disso, é uma indicação, da parte deles, de que nos respeitam. È impor­
tante que eles digam “por favor” e “obrigado”. O pedido e o agradeci­
mento que fazem é para eles um lembrete de que os amamos. Natural­
mente, não damos tudo o que pedem. Nem tudo quanto desejam seria
bom para eles.
Nosso relacionamento com Deus se assemelha muito à relação sau­
dável do pai com o filho, exceto no aspecto de que Deus realmente sabe
tudo o que desejamos e tudo o que seria bom para nós.
Embora Ele não queira que mendiguemos as coisas, deseja que nos di­
rijamos a Ele de maneira respeitosa em nossas petições. É prazer de nosso
Pai atender às nossas necessidades da maneira mais saudável e útil.
O fato de Deus ser nosso Pai é um dos ensinamentos mais impor­
tantes do Novo Testamento. Hoje precisamos vê-Lo mais como um
amante Pai do que como um juiz vingativo. Ele é o Deus que Se im­
porta o bastante para responder às nossas orações.

Ano Bíblico: Provérbios 8-11. — Juvenis: Isaías 58.


Sexta-feira A Piedade do Cristão
13 de julho

Pedir é Importante
Ele se indignou e não queria, entrar; saindo, porém, o pai, procurava
conciliá-lo. Mas ele respondeu a seu pai: Há tantos anos que te sirvo...
e nunca me deste um cabrito sequer para alegrar-me com os meus amigos;
vindo, porém, esse teu filho, que desperdiçou os teus bens com meretrizes, tu
mandaste matar o novilho cevado. Então, lhe respondeu o pai: Meu filho,
tu sempre estás comigo; tudo o que é meu é teu. ’’Lucas 15:28, 29 e 31.
CéDlue tragédia!
O filho mais velho da parábola havia ficado em casa a vida toda,
mas não compartilhara das bênçãos do pai.
Por quê? Porque nunca as pediu. Trabalhou duro para guardar a lei
(verso 29) e evitar determinados pecados (verso 30), mas deixou de
compreender a generosidade do pai. Não percebeu que o pai anelava
derramar suas bênçãos sobre cada filho.
Que tragédia viver na casa do pai, mais como um empregado do
que como um filho! Precisamos lembrar-nos das palavras que o pai dis­
se ao filho: “Tudo o que é meu é teu.”
Deus quer nos abençoar. Por que somos tão relutantes em pedir?
Por cjue não somos encontrados mais vezes em oração? “Tudo o que é
ineu é teu” é a mensagem de Deus.
Uma das grandes lições do Sermão do Monte é a de que Deus é
nosso Pai. Insiste-se repetidamente nessa lição. Precisamos hoje tomar
nosso coração e ir a Deus em oração reivindicar nosso direito de pri­
mogeniture como filhos do Rei.
Deus quer que tenhamos “fome e sede” de Seus dons; quer que
“oremos sem cessar”. Ele é nosso Pai e Se deleita em abençoar Seus fi­
lhos. Está mais pronto a dar do que estamos para receber.
Hoje é o dia em que podemos começar a crescer na oração da fé.
Aproximemo-nos de nosso Pai, buscando Sua bênção para nossa vida
e para a vida dos que estão ao nosso redor. Lembre-se: Estamos lidan­
do com Alguém que possui coração infinitamente mais amoroso do
que o melhor pai terreno. Ele quer que nos acheguemos a Ele com fé.
Quer que vamos a Ele como filhos humanos vão aos pais com seus pe­
didos.

Ano Bíblico: Provérbios 12-15. - Juvenis: Isaías 60.


A Piedade do Cristão Sábado
14 de julho

 Importância da Oração
Para os Cristãos
Portanto, vós orareis assim: Pai nosso, que estás nos Céus, santificado
seja o Teu nome. Mateus 6:9.
Entre Mateus 6:9 e 6:13 temos um dos ensinamentos mais im­
portantes de nosso Senhor. Encontramos aí e em Lucas 11:1-4 a Ora­
ção do Senhor (o Pai Nosso). Em Lucas, os discípulos vieram pedir a
Jesus que lhes ensinasse a orar. Afinal de contas, alegavam, João Batis­
ta havia ensinado os discípulos dele a orar.
-*Esse é um intercâmbio importante. Sugere não somente a impor­
tância da oração, mas também que a oração pode ser ensinada^Ê Jesus
aceita essa pressuposição quando passa a ensiná-los a orar.
Orar não é apenas um “punhado de palavras” que resmungamos de
maneira desatenciosa ou entusiástica. Não, a oração é algo com ordem
e estrutura.
Examinaremos esse pensamento amanhã. Hoje queremos apenas
meditar sobre a importância da oração em nossa vida pessoal.
O tema da oração nos coloca frente a frente com um dos assuntos
mais vitais e desafiadores relacionados com a vida cristã. Certo escri­
tor observou que “orar é, sem sombra de dúvida, a mais elevada ativi­
dade da alma humana. O homem alcança sua grandeza e elevação
quando, pondo-se de joelhos, fica face a face com Deus”.
O mesmo autor continua a observar que nenhuma atividade da vi­
da cristã é mais fácil e mais natural do que a oração^Grande parte dos
outros aspectos da vida cristã tem seus equivalentes entre os não cris­
tãos. Mesmo as pessoas que jamais ouviram falar de Jesus podem exer­
cer autodisciplina e espírito filantrópico. Mas nada disso se compara à
oração sincera. •*—
Como vão as coisas entre você e Deus? Você gosta de falar com Ele
como faria a um amigo, ou fica pouco à vontade na Sua presença? Eis
agora uma questão importante. Algumas pessoas têm muita coisa a di­
zer para Deus quando oram em público, mas muito pouco em particu­
lar. Faz sentido dizer que a oração é uma prova de nossa vida espiritual.
E ali que descobrimos se realmente amamos a Deus.
Senhor, a exemplo dos discípulos, pedimos que nos ensines a orar.

Ano Bíblico: Provérbios 16-19. — Juvenis: Isaías 63.


Domingo A Piedade do Cristão
15 de julho

Orar com a Mente


Orarei com o espírito, mas também orarei com a mente.
I Coríntios 14:15.
.^Vlgumas pessoas ficam chocadas com o fato de que algo tão es­

piritual quanto a oração tenha sistema ou estrutura. Mas esse próprio


fato é um dos aspectos mais importantes na Oração do Senhor.
Quando os discípulos pediram que Cristo lhes ensinasse a orar, Ele
apresentou uma obra-prima da comunicação humana. A oração segue
esse padrão. Isso fica claro a partir das palavras introdutórias de Jesus:
“Portanto, vós orareis assim” (Mat. 6:9). A seguir Ele fornece uma ora­
ção modelo que apresenta todos os elementos essenciais de uma oração.
Embora não seja errado recitar a Oração do Senhor caso seja feita
com significado e reflexão, é melhor considerar a Oração do Senhor
como um modelo que nos fornece o esboço contendo os elementos es­
senciais que devem estar presentes, tanto na oração pública como na
particular.
Como tal, a oração esboçada por Jesus é bastante parecida com o
roteiro utilizado por muitos pregadores e outros oradores públicos. Ca­
da parte do roteiro fornece um cabeçalho de coisas que precisam ser
lembradas na oração. Cada ponto deve ser expandido e preenchido du­
rante a oração propriamente dita.
Talvez a abrangência da Oração do Senhor seja sua característica
mais ressaltada. Ela abrange todos os elementos, tanto de nosso rela­
cionamento com Deus e com os outros, como de nossas necessidades
pessoais.
Até mesmo a ordem das petições na Oração do Senhor é de im­
portância decisiva para nossas orações. As três primeiras petições têm
que ver com Deus e Sua glória, enquanto as três petições secundárias
têm que ver com nossas carências e necessidades humanas. A Deus,
portanto, deve ser dado o primeiro e supremo lugar; depois, e somente
depois, devemos voltar-nos para nós mesmos e para nossas necessida­
des e desejos. Somente quando Deus recebe o lugar que Lhe é devido,
as outras coisas se encaixam.
Agradecemos-Te hoje, ó Senhor, por tomares tempo para nos en­
sinar a orar, pois levas a sério nossas necessidades. Queremos aprender
de Ti, até mesmo em nossa vida de oração.

Ano Bíblico: Provérbios 20-24. — Juvenis: Jeremias 9.


A Piedade do Cristão Segunda-feira
16 de julho

Escolher um Pai é Importante


Ele não Se envergonha de lhes chamar irmãos. Hebreus 2:11.

N em todos os seres humanos possuem o mesmo pai. Jesus disse


aos líderes judeus de Seus dias: “Vós sois do diabo, que é vosso pai, e
quereis satisfazer-lhe os desejos. Ele foi homicida desde o princípio e
jamais se firmou na verdade, porque nele não há verdade. Quando ele
profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da
mentira.” João 8:44.
De acordo com a Bíblia, todos os seres humanos vêm a este mun­
do como membros da família do diabo. As pessoas nascem egocêntri­
cas, auto-suficientes e orgulhosas, precisando de conversão e transfor­
mação. Foi por isso que Jesus disse que precisamos nascer de novo da
água e do Espírito.
Entrar na família de Deus é uma escolha consciente. A Bíblia en­
sina que o batismo é símbolo da morte e ressurreição dos que fazem
essa escolha. Quando entramos para a família de Deus, morremos pa­
ra as velhas maneiras de pensar e de agir, e aceitamos os princípios do
reino do Céu.
Quem é que pode verdadeiramente orar a Oração do Senhor? So­
mente aqueles que podem dizer com toda a sinceridade: “Pai nosso.”
Mas quem pode realmente orar assim? Somente os que estão compro­
metidos com Jesus, somente os que nasceram do alto, somente os que
estão vivendo a vida “sobrenatural” das Bem-aventuranças. Somente os
cristãos de coração podem verdadeiramente orar a Oração do Senhor.
Parte da alegria de tomar-nos cristãos consiste no fato de que mu­
damos de pai e mudamos de deus. Abandonamos nosso antigo pai, o
diabo, pelo Pai de Jesus. Por causa disso, o livro de Hebreus nos diz que
Jesus nos chama de irmãos e irmãs. Passamos a fazer parte da família de
Deus. Renunciamos a nosso pai natural para sermos adotados por nos­
so Pai celestial.
“Pai nosso” é uma bela expressão. Significa proximidade entre
Deus e nós. Representa o lado pessoal de Deus, o lado suave. Como um
pai e uma mãe amam seus filhos, assim Deus nos ama. É um maravi­
lhoso privilégio ser capaz de chamar Deus de nosso Pai.

Ano Bíblico: Provérbios 25-27. — Juvenis: Jeremias 10.


Terça-feira A Piedade do Cristão
17 de julho

O Lado Distante de Deus


Senhor! Deus grande e temível, que guardas a aliança e a misericórdia
para com os que Te amam e guardam os Teus mandamentos. Daniel 9:4.
^jmos ontem que o “lado próximo” de Deus, Seu “lado suave” é
representado pela expressão “Pai nosso”. Mas Deus não tem apenas um
ladopróximo; Ele também tem um “lado distante”, que é representa­
do na Oração do Senhor pelas palavras “que estás no Céu”.
Uma das grandes tensões da fé cristã é que Deus está tanto perto
quanto longe; Ele é tanto imanente como transcendente; tanto “nos­
so Pai” como o governante do Universo.
È importante manter ambos os lados em equilíbrio quando lemos
as Escrituras e buscamos aplicá-las em nossa vida diária. Os que enfa­
tizam apenas o lado terno de Deus interpretam-nO como um Papai
Noel poderoso ou uma meiga vovozinha. Contudo, os que enfatizam
apenas Seu lado distante convertem-nO num juiz com mão de ferro,
destituído de toda misericórdia e brandura.
O paradoxo de Deus é que Ele tem mais de um lado. Ele é próximo
e amorável, mas, como qualquer bom pai, Ele deve ser firme. A bilate-
ralidade de Deus se reflete na oração de Daniel em nosso texto de ho­
je. Ele é verdadeiramente “grande e temível” para aqueles que conti­
nuam a praticar esse pecado que é destruir vidas humanas, o meio am­
biente, a paz mundial e mesmo o próprio ser. Se Deus verdadeiramente
é amor, Ele terá que algum dia deter essa destruição. Para os que des­
consideram Seus princípios, Deus pode ser e será “grande e temível”.
Mas, conforme Daniel observa, Deus também guarda Seu pacto de
“misericórdia” com aqueles que aceitam os Seus princípios e se unem
à Sua família. Deve-se notar que Ele deseja que todos os seres huma­
nos entrem para Sua família e experimentem Seu amor. Mas Ele não
os forçará. O amor não pode ser obtido à força, e ainda assim continuar
sendo amor.
A verdade maravilhosa é que Deus tanto é nosso Pai como o gran­
de Deus do Universo. Essa grandeza não representa nenhuma ameaça
para os que O amam. Como cristãos, podemos regozijar-nos tanto na
proximidade como na distância de Deus. <—

Ano Bíblico: Provérbios 28-31. — Juvenis: Jeremias 24.


A Piedade do Cristão Quarta-feira
18 de julho

O Formato da Oração
Um dos Seus discípulos Lhe pediu: Senhor, ensina-nos a orar... Então,
Ele os ensinou: Quando orardes, dizei: Pai, santificado seja o Teu nome.
Lucas 11:1 e 2.
./X. Oração do Senhor representa a oração ideal de Jesus. Ela foi
dada porque os discípulos pediram a Jesus que lhes ensinasse a orar. Po­
demos, portanto, aprender muita coisa dessa grande oração, tão ampla
em seu objetivo e, contudo, tão breve em sua expressão.
A oração, conforme registrada em Mateus 6:9-13, é composta de
sete petições:
—»»-“Santificado seja Teu nome.” “Venha o Teu reino.” “Faça-se a Tua
vontade, assim na Terra como no Céu.” “O pão nosso de cada dia dá-
nos hoje.” “Perdoa-nos as nossas dívidas.” “Não nos deixes cair em ten­
tação.” “Livra-nos do mal.”
Examine a oração por um minuto. Que palavra você encontra em
cada uma das três primeiras petições, mas que não se acha nas quatro
últimas? Da mesma forma, que palavra você encontra nas quatro últi­
mas, mas que se acha ausente nas três primeiras?'-—
As respostas para essas perguntas são “Teu ou Tua” e “nos”, respec­
tivamente. Esses pequenos pronomes nos dizem muita coisa sobre o
formato da oração. A oração tem uma ordem.
A verdadeira oração sempre começa com Deus e a adoração de
Sua Pessoa. Temos aqui uma lição. Jamais devemos começar a orar
preocupados com nós mesmos.
Somente depois de nos dirigir a Deus e a Seus interesses é que a
oração passa para as petições referentes às necessidades humanas. Jesus
volta a pôr o foco da oração em Deus, onde ela deveria estar, já que Ele
é a fonte de tudo quanto existe.
Descobrimos que é fácil demais deixar que nossas orações se dis­
tanciem de Deus e dos interesses mais amplos do reino, para se centra­
lizarem nos seres humanos. Note que, aproximadamente, metade da
oração é dedicada a petições relacionadas a Deus.
E para que, ao tomarmos essa oração como base, não cheguemos à
conclusão de que toda oração deva ser breve, precisamos lembrar que
Jesus passava noites inteiras em oração.

Ano Bíblico: Eclesiastes 1-4. — Juvenis: Jeremias 26.


Quinta-feira A Piedade do Cristão
19 de julho

O Significado do Nome
Uns confiam em carros, outros, em cavalos; nós, porém, nos gloriaremos
em o nome do Senhor, nosso Deus. Salmo 20:7.

os templos bíblicos o nome de uma pessoa era mais represen­


tativo do que nas culturas modernas. O nome era símbolo de todo o
caráter da pessoa.
A primeira petição da Oração do Senhor diz que o nome de Deus
deve ser santificado. Qual é Seu nome? Qual é Seu caráter?
Os nomes de Deus na Bíblia são muitos. Entre os mais comuns se
encontram El ou Elohim, que enfatiza Sua “força” ou Seu “poder”. Um
segundo nome comum para Deus é Yahweh (ou Jeová), que significa
“Aquele que existe por Si mesmo”.
Esses nomes nos ajudam a começar a ver o caráter de Deus, mas o re­
gistro bíblico nos apresenta mais alguns. D. Martyn Lloyd-Jones mencio­
na diversos nomes: ‘“O Senhor proverá (Jeová-jireh), ‘o Senhor que sara’
(Jeová-rafa), 'o Senhor nossa bandeira (Jeovámissi), ‘o Senhor nossa paz’
(]eová'Shalom), ‘o Senhor nosso pastor’ (Jeová^rdah), ‘o Senhor nossa
justiça’ (Jeová-tsidkenu.) e ... ‘o Senhor está presente’ (Jeovâ-shammah). ”
Todos esses nomes divinos se encontram no Antigo Testamento.
O nome de Deus simboliza a natureza, o caráter e a personalidade dE­
le, conforme têm se revelado à humanidade. Pelo fato de Deus ser
quem é, podemos repousar seguros em nossa fé. Foi por isso que o sal-
mista pôde escrever: “Em Ti, pois, confiam os que conhecem o Teu no­
me, porque Tu, Senhor, não desamparas os que Te buscam.” Sal. 9:10.
Encontramos um pensamento semelhante sobre o fiel cuidado de Deus
em nosso verso bíblico de hoje: “Uns confiam em carros, outros, em
cavalos; nós, porém, nos gloriaremos em o nome do Senhor, nosso
Deus.” Sal. 20:7.
A vida de Jesus nos fornece novos significados para o nome de
Deus. Em João 17:6 Jesus disse: “Manifestei o Teu nome aos homens
que Me deste do mundo. Eram Teus, Tu Mos confiaste, e eles têm guar­
dado a Tua palavra.” Jesus veio nos ajudar a compreender mais plena­
mente o nome de Deus e seu significado. Veio nos ajudar a ver o cará­
ter de Deus.
“O nome” de Deus é rico em significado. E um nome no qual po­
demos depositar fé. Mas é também um nome que merece respeito.

Ano Bíblico: Eclesiastes 5-8. — Juvenis: Jeremias 32.


A Piedade do Cristão Sexta-feira
20 de julho

Tratando "o Nome" Descuidadamente


Não tomarás o nome do Senhor, teu Deus, em vão, porque o Senhor
não terá por inocente o que tomar o Seu nome em vão. Êxodo 20:7.
J^kinda me lembro de como fiquei chocado. Eu estava morando
num navio mercante de treinamento fora da Baía de São Francisco,
mas tinha permissão para ficar em casa nos fins de semana.
Eu mal podia esperar para pegar o telefone e ligar para a garota que
havia encontrado em minha última saída. Eu sabia que ela era cristã, de
modo que exerci bastante cuidado com minha linguagem, procurando
causar uma boa impressão. Esse asseio lingüístico limitava bastante meu
vocabulário comum, embora o esforço parecesse valer a pena.
Essa foi a razão por que fiquei chocado. Depois de todo o esforço
que fiz por causa dela, ela ainda não ficou satisfeita. Afirmou, em ter­
mos bem definidos, que se eu quisesse vê-la de novo, devia parar de to­
mar o nome do Senhor em vão.
Isso realmente me pegou desprevenido. “O que você quer dizer?”
perguntei com toda a sinceridade. Eu nunca havia escutado essa ex­
pressão antes.
Ela respondeu rapidamente que era errado usar palavras como
“Deus” e “Jesus Cristo” de maneira descuidada, que beirava a profani­
dade. Foi assim que recebi minha primeira lição sobre a importância
do “nome” de Deus.
Foi uma lição importante e que tem tido grande significado para
mim através dos anos. O nome de Deus é um belo nome. Deus é um
Deus maravilhoso. Por que deveria alguém usar o Seu nome de manei­
ra descuidada e profana?
O modo como usamos o nome de Deus representa o modo como
O consideramos. Se eu fosse o diabo faria com que as pessoas usassem
o nome divino de maneira desleixada. Esse seria o primeiro passo para
levá-lo.s...a considerar a Deus de maneira descuidada, e por fim a viver
vidas descuidadas e tratar os outros descuidadamente.
Afinal de contas, a maneira como eu me relaciono com o nome de
Deus é a maneira como eu me relaciono com o próprio Deus. O nome
divino representa minha salvação, minha esperança, meu tudo. Quero
louvar o nome de Deus pelo que Ele tem feito por nós.

Ano Bíblico: Eclesiastes 9-12. — Juvenis: Jeremias 52.


Sábado A Piedade do Cristão
21 de julho

Santificando o Nome
Engrandecei o Senhor comigo, e todos, à uma, Lhe exaltemos o nome.
Salmo 34:3.
O que significa “santificar” o nome de Deus? Uma forma de
captar o sentido é reparar como a palavra é traduzida em diferentes
versões bíblicas. O Novo Testamento do Século Vinte diz “que Teu nome
seja mantido santo”. A tradução de Moffatt diz: “Reverenciado seja
Teu nome.” E na tradução de Phillips a frase é “que Teu nome seja
honrado”. Santificar o nome de Deus é reverenciá-lo, tratá-lo com res­
peito, honrá-lo. E tratá-lo como algo santo em contraste com algo or­
dinário ou comum.
O significado torna-se mais claro quando vemos o modo como a
palavra é empregada. Encontramos a mesma palavra no mandamento
do sábado na tradução grega de Êxodo 20:8. O mandamento é lembrar-
se do sábado para o santificar. O sábado é um dia diferente dos outros;
deve receber tratamento diferente dos outros dias. Deve ser santifica­
do. Outro exemplo extraído do Antigo Testamento vem da instrução
para consagrar os sacerdotes. Os sacerdotes deviam ser diferentes dos
outros homens porque eram separados para uso santo.
Assim acontece com o nome de Deus. Os cristãos devem santifi­
car o nome de Deus pelo fato de Deus ser quem Ele é. Ellen White su­
gere que “para santificarmos o nome de Deus é necessário que as pala­
vras em que falamos do Ser Supremo sejam pronunciadas com reve­
rência. ‘Santo e tremendo é o Seu nome.’ Salmo 111:9. Não devemos
nunca, de qualquer modo, tratar com leviandade os títulos ou nomes
da Divindade. Ao orar, penetramos na sala de audiência do Altíssimo,
e devemos ir à Sua presença possuídos de santa reverência. Os anjos
velam o rosto em Sua presença. ... Quanto mais deveriamos nós, seres
finitos e pecadores, apresentar-nos de modo reverente perante o Se­
nhor, nosso Criador”. - O Maior Discurso de Cristo, pág. 106.
Mas santificar o nome de Deus não se restringe apenas à hora da
oração. Inclui também nossa linguagem durante todo o dia. Além dis­
so, santificar o nome abrange todas as nossas ações, pois somos repre­
sentantes de Deus na Terra. Em todo ato da vida devemos manifestar-
Lhe o caráter, pois portamos o Seu nome.

Ano Bíblico: Cantares 1-4. — Juvenis: Daniel 1.


A Piedade do Cristão Domingo
22 de julho

"Temendo a Deus"
O temor do Senhor é o princípio da sabedoria; revelam prudência todos
os que o praticam. O seu louvor permanece para sempre. Salmo 111:10.

O que significa dizer que devemos “temer” a Deus?


Lembro-me do primeiro ano em que ensinei na Universidade An­
drews. Eu tinha na classe uma adorável jovem não cristã que acabara
de sair de uma prolongada experiência hippie. Uma das exigências pa­
ra seu certificado de magistério era que freqüentasse a cadeira de filo­
sofia da educação. Na Universidade Andrews essa filosofia se funda­
menta no contexto da visão bíblica do mundo, e pela primeira vez es­
sa estudante tinha a oportunidade de examinar a Bíblia.
Ela não tinha ido muito longe em sua leitura quando topou com a
idéia de temer a Deus. Na manhã seguinte ela estava me pressionando
sobre o significado de temer a Deus.
Fiquei feliz em dizer-lhe que temer a Deus não significa ficar com
medo dEle, mas ter por Ele temor reverente por causa do que Ele é.
Significa profundo respeito por Deus. Essa é a espécie de temor rela­
cionada à santificação do Seu nome. Naturalmente, segundo a Bíblia,
os que desprezam a Deus terão finalmente de experimentar o temor do
tipo menos desejável.
Podemos aprender aqui algo dos antigos judeus. Eles jamais empre­
gavam o nome de Deus de modo familiar. Na verdade, o nome de Deus
era tão sagrado que eles jamais o pronunciavam, para não correrem o
risco de tratá-lo de maneira leviana ou irreverente. Eles tinham temor
sagrado pelo nome de Deus.
E conquanto reconhecessem a Deus como Pai, nunca em suas ora­
ções usavam somente o conceito de “Pai”. Ao contrário, ligavam o
conceito de Pai com as idéias de Rei e Senhor. Essa prática é útil para
aqueles que têm a tendência exagerada de sentimentalizar a figura de
Deus como um Pai amoroso. Ele é isso, mas é também Rei e Senhor de
todaaTerra. Como cristãos, precisamos manter o equilíbrio. Nosso
sentimentalismo jamais deve superar nossa reverência a Deus. “O te­
mor do Senhor é o princípio da sabedoria.”

Ano Bíblico: Cantares 5-8. — Juvenis: Daniel 2.


Segunda-feira A Piedade do Cristão
23 de julho

Reverenciando a Deus
Deus continuou: Não te chegues para cá; tira as sandálias dos pés,
porque o lugar em que estás é terra santa. Exodo 3:5.
^Vocês devem ter um Deus pequeno - disse um muçulmano
para um turista americano.
- Não - respondeu rapidamente o americano. -Temos um Deus
grande e poderoso, a cuja palavra de ordem o Universo e tudo o que
nele existe veio à existência!
- Apesar disso, creio que vocês americanos têm um Deus pequeno,
pois quando oram a Ele o fazem de maneira apática e irreverente.
Quando nós muçulmanos oramos, caímos prostrados com o rosto em
terra em reconhecimento da grandeza de Deus.
Reverência. E algo sobre o qual não pensamos muito, a menos que
alguém seja irreverente conosco pessoalmente ou nos trate de manei­
ra desrespeitosa. Mas até que ponto somos sensíveis em nossa reverên­
cia para com Deus?
Alguns anos atrás tive a oportunidade de pregar numa pequena
igreja adventista do sétimo dia em Porto Rico. Era uma igreja de pes­
soas simples. Jamais esquecerei como fiquei atônito à medida que o po­
vo entrava na igreja. Antes de se sentarem, ajoelhavam-se em oração
individual. Haviam entrado na casa de Deus, estavam em terra santa,
haviam entrado na presença do Altíssimo, e tinham plena consciência
desse fato.
Ainda que não tenhamos o costume de retirar os calçados quando
entramos na igreja ou de prostrar-nos ou de ainda curvar-nos em ora­
ção, devemos reconhecer constantemente, por palavra e ação, que ao
entrarmos na igreja entramos na presença de Deus de maneira especial.
Mas não é somente na igreja que a reverência é importante. Du­
rante todo o dia preciso reconhecer a santidade do meu Deus em tudo
que eu fizer ou disser. Assim, sou cuidadoso na maneira como trato mi­
nha Bíblia, como uso o nome de Deus, como brinco e assim por dian­
te. Meu respeito por Deus me leva a tratar os outros respeitosamente;
ajuda-me a apreciar um pôr-do-sol.
Agradeço-Te, ó Deus, por seres quem és. Agradeço-Te por não se­
res Alguém que só posso adorar na igreja, mas Alguém que faz de cada
aspecto da vida uma maravilha.

Ano Bíblico: Isaías 1-4. - Juvenis: Daniel 3.


A Piedade do Cristão Terça-feira
24 de julho

Reinos èm Conflito
Venha o Teu reino. Mateus 6:10.
y^kssim como em todo o restante do Sermão do Monte, há na

Oração do Senhor uma ordem lógica. As petições seguem-se umas às


outras numa seqüência necessária.
A oração, por exemplo, começa pedindo que o nome de Deus se­
ja santificado entre os homens. Mas no momento em que essa petição
é proferida, somos lembrados do fato de que o nome e a pessoa de Deus
não são assim geralmente santificados.
Por que, perguntamos nós, isso acontece? Por que Deus não é hon­
rado como deveria ser?
A resposta é tanto simples como complexa. A resposta simples diz
que foi o pecado que provocou esse estado de coisas. A resposta torna-
se mais complexa quando percebemos que existe outro reino estabele­
cido na Terra em conflito com o reino de Deus.
Esse reino é o reino das trevas, o reino de Satanás. A Bíblia não
faz rodeios ao falar sobre o reino de Satanás. O Evangelho de João cha­
ma Satanás de “o príncipe deste mundo” (João 12:31), enquanto Pau­
lo o chama de “o príncipe das potestades do ar” (Efés. 2:2). Novamen­
te, Paulo escreve aos efésios que os cristãos precisam se revestir de to­
da a armadura de Deus, porque “nossa luta não é contra o sangue e a
carne e sim contra os principados e potestades, contra os dominadores
deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões
celestes”. Efésios 6:11 e 12.
Em contraste, Jesus é chamado de o “Soberano dos reis da Terra”
(Apoc. 1:5). E Sua pregação centraliza-se com certeza na vitória de
Seu reino sobre o reino das trevas. Na verdade, Jesus veio abrir cami­
nho para a vitória final do reino de Deus no conflito cósmico do Uni­
verso.
“Venha o Teu reino” permanece como o centro do grande confli­
to entre Cristo e Satanás. E cada ser humano (você e eu) é um solda­
do em um desses reinos. Estamos ativamente empenhados ou do lado
do Rei Jesus ou do lado de Satanás.
Como estou hoje? Que reino estou promovendo? Como eu sei?

Ano Bíblico: Isaías 5-7. - Juvenis: Daniel 4.


Quarta-feira A Piedade do Cristão
25 de julho

Um Reino em Andamento
O reino, e o domínio, e a majestade dos reinos debaixo de todo o céu
serão dados ao povo dos santos do Altíssimo; o seu reino será reino eterno, e
todos os domínios o servirão e lhe obedecerão. Daniel 7:27.
Falar sobre o reino de Deus pode ser uma coisa um tanto confu­
sa, mesmo quando provém dos lábios de Jesus. A razão por que isso
acontece é que Ele fala do reino às vezes como estando no passado, ou­
tras vezes como estando no presente e ainda outras vezes como estan­
do no futuro.
Jesus deu a entender que o reino estava no passado quando sugeriu
que Abraão, Isaque, Jacó e os profetas haviam ingressado no reino em seu
tempo de vida (Luc. 13:28). Jesus falou do reino como estando no pre­
sente quando observou que “o reino de Deus está dentro de vós” (Luc.
17:21). Também ensinou repetidas vezes que o reino de Deus estava no
futuro, quando mencionou a segunda vinda, e mesmo quando ordenou
aos discípulos que orassem pela vinda do reino, enquanto viveu aqui.
Como, perguntamos nós, pode o reino ser passado, presente e fu­
turo? Como pode o reino ser um só, e ao mesmo tempo algo que exis­
tiu, que existe e pelo qual é nosso dever orar?
A resposta encontra-se no fato de que a vinda do reino é progressi­
va. A luta entre o Príncipe de Deus (Cristo) e o príncipe deste mundo
(Satanás) começou no Céu (Apoc. 12:7 e 8), e continuou na Terra du­
rante todo o Antigo Testamento. Mesmo naquela época, alguns ficavam
ao lado do Senhor, enquanto outros a Ele se opunham. Mas com a vin­
da de Jesus, a batalha pelo coração das pessoas e pelo governo de Deus
entrou em marcha acelerada. Com Jesus, o reino da graça chegara em
poder. O reino da graça se estenderá até a segunda vinda, quando Jesus
voltará para restabelecer a soberania física de Deus sobre a Terra.
Mas conquanto se possa pensar na chegada do reino como pro­
gressiva, ela não é evolucionária. A segunda vinda trará uma drástica
descontinuidade a toda a história passada. Será Deus intervindo, de
maneira inequívoca, na história para reivindicar a Terra como Seu
reino. Os cristãos esperam e oram por esse acontecimento como por
nenhum outro.

Ano Bíblico: Isaías 8-10. - Juvenis: Daniel 5.


A Piedade do Cristão Quinta-feira
26 de julho

A Esperança Cristã
Então, aparecerá no céu o sinal do Filho do homem; todos os povos da
Terra se lamentarão e verão o Filho do homem vindo sobre as nuvens do
céu, com poder e muita glória. E Ele enviará os Seus anjos, com grande
clangor de trombeta, os quais reunirão os seus escolhidos, dos quatro ventos,
de uma a outra extremidade dos céus. Mateus 24:30 e 31.
O grande acontecimento dos séculos é a segunda vinda de Je­
sus. Devemos orar de maneira mais fervorosa por esse acontecimento,
trabalhar mais diligentemente em favor dele e pensar nele com maior
freqüência.
Uma das melhores descrições do advento encontra-se em O Gran­
de Conflito. Daremos hoje uma amostra dessa descrição.
“Nenhuma pena humana pode descrever esta cena, mente alguma
mortal é apta para conceber seu esplendor. ...
“O Rei dos reis desce sobre a nuvem, envolto em fogo chamej an­
te. Os céus enrolam-se como um pergaminho, e a Terra treme diante
dEle, e todas as montanhas e ilhas se movem de seu lugar. ...
“Por entre as vacilações da Terra, o clarão do relâmpago e o ribom­
bo do trovão, a voz do Filho de Deus chama os santos que dormem. Ele
olha para a sepultura dos justos e, levantando as mãos para o céu, bra­
da: ‘Despertai, despertai, despertai, vós que dormis no pó, e surgi!’ Por
todo o comprimento e largura da Terra, os mortos ouvirão aquela voz,
e os que ouvirem viverão. ... Do cárcere da morte vêm eles, revestidos
de glória imortal. ... E os vivos justos e os santos ressuscitados unem as
vozes em prolongada e jubilosa aclamação de vitória. ...
“Ele mudará nosso corpo vil, modelando-o conforme Seu corpo glo­
rioso. ... Os últimos traços da maldição do pecado serão removidos. ...
“Os justos vivos são transformados ‘num momento’. ... Agora tor­
nam-se imortais, e com os santos ressuscitados, são arrebatados para
encontrar seu Senhor nos ares.... Criancinhas são levadas pelos santos
anjos aos braços de suas mães. Amigos há muito separados pela morte,
reúnem-se, para nunca mais se separarem, e com cânticos de alegria as­
cendem juntamente para a cidade de Deus.” - Págs. 641-645.

Ano Bíblico: Isaías 11-14. — Juvenis: Daniel 6.


Sexta-feira A Piedade do Cristão
27 de julho

Trabalhar e Orar
E será pregado este evangelho do reino por todo o mundo, para
testemunho a todas as nações. Então, virá o fim. Mateus 24:14.
Jesus nos diz no Sermão do Monte para orarmos pela vinda do
reino. Mas em outros lugares nos diz que devemos fazer mais do que
orar. Os cristãos devem ser ativos em preparar o caminho para o reino.
E disso que tratam parábolas como a dos talentos.
Ora, é verdade que o reino de Deus encontra suas raízes no cora­
ção humano convertido. Mas também é verdade que o que está no co­
ração flui para a vida. Isso acontece tanto no reino de Deus quanto no
reino de Satanás.
Em conseqüência disso, os cristãos farão mais do que apenas orar
pelo reino. Eles trabalharão ativamente, no poder do Espírito Santo,
para disseminar o reino aqui na Terra e preparar o caminho para a vin­
da da plenitude do reino nas nuvens do céu.
É razoável que o reino se difunda através de cada ato de bondade
humana e compartilhamento do amor de Deus. Quando vivemos os
princípios cristãos, estamos expandindo as fronteiras do reino e fazen­
do recuar as fronteiras do reino das trevas.
A preparação para a vinda do reino também acontece pela prega­
ção, conforme lemos em Mateus 24:14- Depois de citar esse versículo,
Ellen White diz que o “reino [de Cristo] não virá enquanto as boas no­
vas de Sua graça não houverem sido levadas a toda a Terra. Assim,
quando nos entregamos a Deus, e ganhamos outras almas para Ele,
apressamos a vinda de Seu reino. Unicamente aqueles que se consa­
gram a Seu serviço, dizendo: ‘Eis-me aqui, envia-me a mim’ (Isaías
6:8), para abrir os olhos cegos, para desviar homens ‘das trevas’ ‘à luz,
e do poder de Satanás a Deus; a fim de que recebam a remissão dos pe­
cados, e sorte entre os santificados’ (Atos 26:18) - unicamente eles
oram com sinceridade: ‘Venha o Teu reino”’. - O Maior Discurso de
Cristo, págs. 108 e 109.
Os reinos não vêm por acidente. Deus quer me usar hoje como
agente na divulgação de Seu reino.

Ano Bíblico: Isaías 15-19. - Juvenis: Daniel 7.


A Piedade do Cristão Sábado
28 de julho

Fazendo a Vontade
Faça-se a Tua vontade, assim na Terra como no Céu. Mateus 6:10.
Cs^lual é a vontade de Deus que precisa ser feita? No contexto do

Sermão do Monte é, sem dúvida, “fazer” ou seguir as recomendações do


próprio sermão. Assim sendo, “faça-se a Tua vontade” significa “ponha-
se em prática o Teu Sermão do Monte”. E a vontade do Sermão do
Monte, em Mateus 5 e 6, é que os cristãos (1) vivam as bem-aventu­
ranças (5:2-12 - por exemplo, sendo humildes de espírito, mansos, mi­
sericordiosos, pacificadores e assim por diante); (2) sejam testemunhas
de Deus como sal e luz, tanto na vida diária como em sua consciente es­
fera de ação evangelística (versos 13 a 16); (3) vivam a largura e a pro­
fundidade plenas da lei, chegando mesmo ao ponto de, como o Pai, ter
maduro (ou perfeito amor) por seus inimigos (versos 17 a 48); e (4) se­
jam inteiramente sinceros em seus atos de devoção ao servir a Deus
com um só propósito e se relacionem com Ele como “Pai” (6:1-10).
Fazer a vontade Deus é seguir os ensinamentos de Jesus - todos
eles. Os que podem orar “venha o Teu reino”, devem certamente de­
sejar viver a vida do reino aqui na Terra. Assim sendo, a segunda peti­
ção em Mateus 6:10 flui diretamente da primeira. Fazer a vontade de
Deus é a principal ocupação dos cidadãos do reino, tanto em sua exis­
tência presente como no reino ainda por vir.
Fazer a vontade de Deus “na Terra como [é feita] no Céu” nos aju­
da a compreender a natureza cósmica da Oração do Senhor. Estamos
fazendo uma grandiosa oração quando oramos a Oração do Senhor. As
questões em jogo transcendem a existência terrena. Elas representam
princípios de importância eterna e universal. A expressão “como no
Céu” nos ensina que Deus tem um ativo empreendimento em anda­
mento com os anjos nessa esfera espiritual, além das fronteiras de nos­
so planeta lesionado pelo pecado.
Mesmo em nossa vida restrita, entramos em contato com princí­
pios galácticos: os próprios princípios que jazem no fundamento da
saúde do Universo de Deus.
Como cristãos, estamos comprometidos em fazer a vontade de
Deus em todos os aspectos de nossa vida: na escola, na família, no tra­
balho, na recreação, em tudo.
Senhor, continua a nos ensinar a Tua vontade, para sermos fiéis às
palavras de Tua oração.
Ano Bíblico: Isaías 20-23. - Juvenis: Daniel 9.
Domingo A Piedade do Cristão
29 de julho

Uma Surpresa no Formato da Oração


O pão nosso de cada dia dá-nos hoje. Mateus 6:11.

mos dias atrás que a primeira parte da Oração do Senhor con­


tém as petições dirigidas especificamente a Deus e a Seu nome. Essas
eram as petições “Teu/Tua” de Mateus 6:9 e 10.
Mas no versículo 11, chegamos a uma mudança radical. O foco se
move de Deus para nós, conforme podemos perceber pelo uso dos pro­
nomes “nós”, “nosso” e “nos”. Com o verso 11 chegamos, pois, à segun­
da parte da Oração do Senhor, aquela cujas petições giram em torno
das necessidades humanas. Primeiro vem Deus; depois, a humanidade.
Ambos são importantes, mas em sua devida ordem. Sem Deus, não
existiriamos. Sem Deus, não teríamos necessidades, nem como supri-
las. Essa verdade é expressa tanto nos Dez Mandamentos como na
Oração do Senhor. A primazia de Deus é uma verdade que sempre de­
ve ser mantida diante de nossos olhos e coração.
Choca e surpreende, portanto, ver como começa a segunda parte
da oração. Alguém poderia supor que começasse com as necessidades
humanas que se acham mais próximas de Deus: nossas necessidades es­
pirituais. Mas não é isso que ocorre. Jesus começa a segunda parte com
nossas necessidades físicas. “O pão nosso de cada dia dá-nos hoje.”
Existe aqui uma lição para nós. Quando Jesus considera nossas ne­
cessidades, começa pelo lugar certo. Começa com o físico. Sem a saúde
física, não subsistiriamos nem teríamos necessidades espirituais. Essa or­
dem aparece muitas vezes no ministério de Jesus. Primeiro Ele curava as
pessoas, depois pregava para elas. Primeiro cuidava das necessidades fí­
sicas delas, e somente depois podia atender plenamente às suas fraque­
zas espirituais.
Esse é o quadro que encontramos na ordem inesperada da segunda
parte. Primeiro precisamos do pão diário. Depois que nossa necessida­
de é satisfeita, ficamos cônscios de nossa culpa e necessidade espiritual
de perdão.
Nosso Senhor nos entende. Primeiro oramos por pão, depois por
perdão.

Ano Bíblico: Isaías 24-26. - Juvenis: Daniel 12.


A Piedade do Cristão Segunda-feira
30 de julho

"De Cada Dia" - uma Lição


Então, disse o Senhor a Moisés: Eis que vos farei chover do céu pão,
e o povo sairá e colherá diariamente a porção para cada dia, para que Eu
ponha à prova se anda na Minha lei ou não. Êxodo 16:4.
Parece haver pouca dúvida quanto ao fato de que Jesus pensa­
va no maná do deserto quando nos disse para orar pelo pão nosso de
cada dia. Conforme você deve lembrar, os filhos de Israel estavam fa­
mintos no deserto, e Deus lhes enviou o maná, o pão do Céu. Havia,
porém, uma condição importante. Eles deviam recolher o suficiente
apenas para cada dia. Quando recolhiam em excesso, o alimento
apodrecia antes de ser usado. Eles tinham que se contentar com a
porção suficiente para cada dia.
Mas havia uma exceção à regra. Na sexta-feira eles precisavam re­
colher o suficiente para dois dias, porque no sábado não havia coleta.
Foi assim que os israelitas receberam uma dupla lição do maná quase
diário. Primeiro, sua dependência diária de Deus para todas as suas ne­
cessidades. E segundo, a excepcionalidade do sábado, o dia que lhes foi
dado como lembrete dAquele que criara o pão (e tudo o mais).
A palavra usada para “diário” em Mateus 6:11 (epiousios) trouxe
para os tradutores um mar de problemas porque até recentemente es­
sa era a única ocorrência da palavra em toda a literatura grega. Mas
alguns anos atrás surgiu um fragmento de papiro com essa palavra usa­
da numa lista de compras. Ao lado de um único item da lista estava
epiousios. Era uma nota para lembrar ao comprador de comprar um de­
terminado alimento para o dia seguinte.
Assim, a quarta petição da Oração do Senhor pede-nos de manei­
ra muito singela que supliquemos a Deus que nos dê as coisas que pre­
cisamos comer no dia seguinte. É uma oração que nos ajuda a ser ca­
pazes de obter o que é necessário em nossa lista de compras para o dia
seguinte, a fim de que nós e nossa família sejamos saciados.
Temos um Deus maravilhoso. Aquele cuja mão guia as estrelas in­
contáveis está preocupado com minhas necessidades físicas diárias.
Que Deus!

Ano Bíblico: Isaías 27-29. - Juvenis: Oséias 14.


Terça-feira A Piedade do Cristão
31 de julho

Diferentes Espécies de Pão Diário


Eu sou o pão vivo que desceu do Céu; se alguém dele comer, viverá
eternamente; e o pão que Eu darei pela vida do mundo é a Minha carne.
João 6:51.
Embora o significado primário de Mateus 6:11 pareça ser “pão
diário” físico, não é incorreto expandir o conceito para a esfera espiri­
tual. Assim, Ellen White pode dizer que “a oração pelo pão de cada dia
inclui, não somente o alimento para sustentar o corpo, mas aquele pão
espiritual que nos nutrirá para a vida eterna. Jesus nos ordena: ‘Traba­
lhai, não pela comida que perece, mas pela comida que permanece pa­
ra a vida eterna.’ João 6:27. Ele diz: ‘Eu sou o pão vivo que desceu do
Céu; se alguém comer deste pão, viverá para sempre.’ Verso 51. Nosso
Salvador é o pão da vida, e é mediante a contemplação de Seu amor,
e recebendo esse amor no coração, que nos nutrimos do pão que des­
ceu do Céu”. - O Maior Discurso de Cristo, pág. 112.
E com essa compreensão que cantamos o hino :
O Tu que deste o pão,
Lá junto ao mar,
Vem dá-lo a mim também,
Jesus, vem dar!
Pois, na Palavra, ó Deus,
Pão busco achar,
O santo pão que me há de sustentar. (Hinário Adventista, ne 519.)
Semelhantemente à vida física, nosso ser espiritual não se susten­
ta por si mesmo. Ambos precisam abastecer-se constantemente pela
ingestão dos nutrientes físicos e espirituais apropriados. Lembramo-
nos dos profetas Ezequiel e João, que comeram o livrinho das palavras
de Deus.
Precisamos “comer” diariamente a Palavra da Vida. Precisamos ver
a beleza de Seu amor, precisamos imbuir-nos de Seus caminhos, preci­
samos de força para viver Sua vida.
Assim, quando oramos pelo pão nosso de cada dia, estamos reco­
nhecendo nossa constante e contínua dependência de Deus em tudo
quanto somos, quer na esfera física, quer na mental e espiritual.
Precisamos ter fome e sede diárias de justiça. Precisamos participar
diariamente do pão divino.

Ano Bíblico: Isaías 30-33. - Juvenis: Joel 2.


A Piedade do Cristão Quarta-feira
Is de agosto

 Amplitude das Necessidades Diárias


Não me dês nem a. pobreza nem a riqueza; dá-me o pão que me for
necessário; para não suceder que, estando eu farto, Te negue, e diga: Quem é
o Senhor? Ou que, empobrecido, venha a furtar e profane o nome de Deus.
Provérbios 30:8 e 9.
Jamais havia realmente discernido esse texto até o momento em
que escrevi estas palavras. Já o havia lido, naturalmente, mas não ha­
via ainda captado seu significado. Jamais o havia entendido com os
olhos do coração.
É um belo texto que contradiz muito do que os membros da igreja
ensinam aos filhos. De modo geral, ensinamos as pessoas a orarem por
riqueza como sinal da bênção de Deus. Pedimos ao Senhor que nossos
filhos e nós mesmos sejamos abençoados materialmente.
Será, porém, que temos avaliado o custo de um ensino como esse?
Temos sido tão ávidos e sinceros em adverti-los contra os perigos da
prosperidade? Deus quer que conservemos em mente a necessidade
diária que temos dEle. Quer que conservemos em mente nossa própria
mortalidade e fraqueza. Quando somos forçados diariamente a lem-
brar-nos de que dependemos dEle para o pão de cada dia, isso tende a
manter-nos no caminho estreito e reto.
Precisamos lembrar que estamos orando pelo pão de cada dia, não
pelo bolo de cada dia, ainda que o bolo possa uma vez ou outra chegar
à nossa mesa. Jesus prometeu que cuidaria de nossas necessidades. Ele
não está falando de luxo.
Mas o pão de cada dia significa mais que o mero alimento. Abran­
ge toda uma esfera de coisas que tornam o pão regularmente disponí­
vel. Assim, pão custa dinheiro; dinheiro requer trabalho estável, e tra­
balho estável requer bom governo, bons negócios e bom emprego. Em
conseqüência disso, observa E D. Bruner, “quando oramos pelo pão
nosso de cada dia, estamos também orando por dinheiro, emprego, ne­
gócio, trabalho, boas colheitas, bom tempo, boas estradas, justiça e por
tudo no âmbito econômico, político e social”.
Pai querido, quero hoje Te agradecer pelas múltiplas bênçãos que
tornam real o pão de cada dia. Quero Te agradecer porque és não só o
Criador, mas também o Mantenedor. Senhor, cada vez que vemos o
Pai, vemos a Ti.

Ano Bíblico: Isaías 34-37. — Juvenis: Amos 8.


Quinta-feira A Piedade do Cristão
2 de agosto

Lições do Pão de Cada Dia


Bem-aventurados todos aqueles que nEle confiam. Salmo 2:12, ARC.
Eis que Deus é a minha salvação; confiarei e não temerei. Isaías 12:2.
Talvez a lição central contida na petição do pão de cada dia se­
ja nossa inteira e absoluta dependência de Deus, mesmo entre os que
jamais reconheceríam essa dependência.
Pense nisto. Sem Deus não há pão - nem diário nem de qualquer
outro jeito. Sem Deus não há pão, ponto final. Estamos completamen­
te nas mãos de Deus. D. Martyn Lloyd-Jones tem razão quando afirma
que “a suprema loucura do século vinte é pensar que, por havermos ob­
tido uma certa quantidade de conhecimento das leis de Deus, somos
independentes dEle”.
A verdade é que não podemos viver sem Ele sequer um dia. Sem
Seu Sol, Sua chuva e a influência dela, não teríamos o pão de cada dia.
E que dizer das sementes? Embora os seres humanos as plantem e se­
jam inteiramente impotentes sem elas, não podem fabricá-las. Os
cientistas podem analisar as sementes e identificar seus elementos
constituintes, mas nenhuma semente sintética germina. Todas as coi­
sas vivas vêm de Deus. Nosso alimento é um dom direto. Por inferên­
cia, a quarta petição da Oração do Senhor coloca Deus em Seu devi­
do lugar.
Além disso, esse reconhecimento da dependência é uma ocupação
diária. E como se um pai rico fizesse um imenso depósito bancário pa­
ra o filho numa conta com o nome do filho. Mas o filho só pudesse fa­
zer um saque por dia, e isso mediante o preenchimento de um cheque.
Isso faz com que o filho fique sempre se lembrando da fonte de sua ri­
queza. Nossas orações funcionam como cheques pelos quais reclama­
mos as riquezas de Deus e pelos quais expressamos nossa gratidão por
Sua generosidade diária.
Deus, em Sua sabedoria, não despeja sobre cada um de nós as pro­
visões de alimento e riqueza de toda uma vida por ocasião do nasci­
mento ou em nosso vigésimo primeiro aniversário. Em nossa pecami-
nosidade, não somente desperdiçaríamos a fortuna, mas também nos
esqueceriamos do Doador. As bênçãos diárias de Deus e a necessidade
que temos delas nos fazem lembrar do Pai.

Ano Bíblico: Isaías 38-40. — Juvenis: Obadias.


A Piedade do Cristão Sexta-feira
3 de agosto

Mais Lições do Pão de Cada Dia


Então, dirá o Rei aos que estiverem à Sua direita: Vinde, benditos de
Meu Pai! Entrai na posse do reino que vos está preparado desde a fundação
do mundo. Porque tive fome, e Me destes de comer; tive sede, e Me destes de
beber; era forasteiro, e Me hospedastes; estava nu, e Me vestistes; enfermo, e
Me visitastes; preso, e fostes ver-Me. Mateus 25:34-36.
Hoje queremos focalizar a palavra “nosso” na petição pelo pão
de cada dia. Jesus não nos ensina a orar “O pão meu de cada dia dá-me
hoje”, mas “o pão nosso de cada dia dá-nos hoje”.
Há um lado social em nosso andar diário com Deus. Precisamos orar
em favor do pão de cada dia dos outros, assim como oramos pelo nosso.
Milhões de pessoas morrem de fome a cada ano, enquanto outros mor­
rem de doenças relacionadas com o comer demais. O problema não con­
siste na inexistência de alimento, mas na má distribuição dele.
A maioria dos leitores deste livro talvez não tenha que orar muito
encarecidamente pelo pão nosso de cada dia. Talvez passem boa parte
da oração agradecendo a Deus pelo suprimento abundante de alimen­
to que já possuem. Apesar disso, poucos são os que fazem essa oração
sem um sentimento de culpa por ter comida suficiente, quando gran­
de parte do mundo passa fome. Assim sendo, a quarta petição é, em
certo sentido, uma oração por justiça social. Além disso, pode ser sig­
nificativo o fato de essa petição preceder a que suplica por perdão.
Outra lição extraída do pedido pelo pão de cada dia é o enfoque
da atividade humana em ligação com a oração respondida. Como dis­
se Lutero, não devemos pedir de maneira indolente e esperar que Deus,
no último minuto, faça cair um ganso em nossa boca.
Deus pode dar condições favoráveis para a obtenção do pão de ca­
da dia, mas os seres humanos precisam fazer sua parte. Conta-se a his­
tória de um homem que admirava a fazenda frutífera do vizinho. “E
maravilhoso o que Deus pode fazer com um pedaço de terra como es­
se”, comentou o visitante.
“Sim”, disse o fazendeiro, “mas você devia ter visto essa terra
quando Ele a retinha para Si.”
A fidelidade no trabalho faz parte da oração pelo pão de cada dia.

Ano Bíblico: Isaías 41-44. - Juvenis: Jonas 1 e 2.


Sábado A Piedade do Cristão
4 de agosto

O Pecado é Abrangente
E perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nos­
sos devedores. Mateus 6:12.
T^Vntes de poder fazer essa oração, as pessoas devem reconhecer
a necessidade de fazê-la. Elas precisam admitir com franqueza que são
pecadoras. “Perdoa-nos as nossas dívidas.”
-* Muitos membros de igreja falham nesse ponto. Pensam no pecado
em termos de ser um bêbado, um assassino, etc. Contudo, o pecado é mais
amplo que isso. As cinco primeiras palavras para pecado no Novo Testa­
mento mostram que ele infecta e afeta todos os aspectos de nossa vida.
A primeira palavra é harmartia, que significa literalmente “errar o al­
vo”. O pecado como harmartia é deixar de ser o que poderiamos ter sido.
William Barclay ilustra esse ponto como três estágios na nossa vida. Pri­
meiro, vem o tempo em que as pessoas dizem: “Ele fará alguma coisa.”
Depois elas podem dizer: “Ele poderia fazer alguma coisa, se quisesse.” E
finalmente as pessoas dizem: “Ele poderia ter feito alguma coisa.”
O pecado como harmartia é abrangente. É não ser tudo quanto po­
deriamos ter sido. E quem não poderia ser um melhor esposo, esposa,
empregado, filho, filha e assim por diante?
A segunda palavra para pecado é parahasis, que traz consigo a idéia
de ultrapassar a linha que separa o certo do errado. Mais uma vez, o pe­
cado como parabasis abrange vários aspectos em nossa vida. Será que
nunca ultrapassamos a linha numa atitude indelicada ou numa palavra
ou pensamento descortês?
A_ terceira palavra para pecado é paraptoma, que quer dizer “escor­
regar”, igual ao que acontece quando uma pessoa escorrega numa es­
trada coberta de gelo. Essa espécie de pecado pode ser ilustrada pelo es­
corregar no temperamento ou nas paixões.
A quarta palavra para pecado é anomia, ou ilegalidade. Esse é o pe­
cado da pessoa que sabe o certo, mas faz o errado. Isto é o que a maio­
ria de nós considera pecado.
A última palavra para pecado é opheilema, que é a palavra usada em
Mateus 6:12. Opheilema significa débito, deixar de pagar o que se deve. E
ninguém pode alegar que pagou todas as suas dívidas para com Deus.
O pecado é mais abrangente do que imaginamos. Todos precisa­
mos orar diariamente baseados nos conceitos da Oração do Senhor.

Ano Bíblico: Isaías 45-48. - Juvenis: Jonas 3 e 4.


A Piedade do Cristão Domingo
5 de agosto

Devedores Audaciosos
E é assim também que Davi declara ser bem-aventurado o homem a quem
Deus atribuijustiça, independentemente de obras: Bem-aventurados aqueles
cujas iniqüidades são perdoadas, e cujos pecados são cobertos; bem-aventurado o
homem a quem o Senhorjamais imputará pecado. Romanos 4:6-8.
Segundo o pensamento rabínico, todo pecado criava uma dívida
para com Deus, ao passo que toda obra de justiça contribuía para o
acúmulo de créditos do crente perante Deus. Enquanto o acúmulo de
boas obras formava uma espécie de ponte para Deus, o acúmulo de dí­
vidas morais separava as pessoas dEle.
O conceito de dívida moral era, portanto, bastante familiar para os
judeus. Jesus emprega o bem conhecido conceito de dívida moral e as
idéias a ele relacionadas para nos dizer que devemos ir ao Pai e pedir-
Lhe que anule nossas dívidas.
Pense nisso! A idéia em si é bastante insolente . É uma atitude au­
daciosa para um devedor aproximar-se de um credor e pedir que lhe
perdoe um débito. Contudo, Jesus nos ensina a nos aproximarmos de
Deus dessa maneira “insolente”.
O Novo Testamento também ensina, por meio de seus diversos au­
tores, que Deus está mais do que disposto a cancelar nossa dívida, por­
que nos ama e porque aceitamos Seu amor no sacrifício de Jesus. Deus
é um cancelador de dívidas para os que buscam o Seu perdão. Esse é
um milagre da graça. Deus não nos dá o que merecemos. Ele nos dá o
que precisamos.
É interessante notar, nesse ponto, que a versão de Lucas da Ora­
ção do Senhor emprega a palavra “pecado” (Luc. 11:4) em vez de dí­
vida, conforme encontramos em Mateus. Os. pecados, obviamente, re­
presentam atos de comissão, enquanto as dívidas incluem os atos de
omissão. O perdão de Deus abrange, portanto, todos os nossos pecados.
Tanto as coisas que fazemos conscientemente contra Deus e contra o
nosso próximo, como as coisas que deveriamos ter feito por eles,
acham-se incluídas nas duas versões da Oração do Senhor.
Em resumo, todos os nossos pecados podem ser levados ao pé da
cruz. Agradecemos-Te, ó Senhor, por sermos capazes de ir confiante­
mente a Ti e por sempre atenderes aos sinceros pedidos de perdão.

Ano Bíblico: Isaías 49-51. - Juvenis: Miquéias 4.


Segunda-feira A Piedade do Cristão
6 de agosto

Adeus à Graça Barata


Perdoa-nos os nossos pecados, pois também nós perdoamos a todo o que
nos deve. Lucas 11:4.
' Ã 'alvez a palavra mais importante na versão de Mateus, da Ora­
ção do Senhor, seja a palavra “como”. Pedimos a Deus que nos perdoe
assim “como” perdoamos aos outros. Lucas emprega a palavra “pois”,
embora a idéia subjacente seja a mesma. O perdão divino e o humano
estão relacionados. Devemos perdoar, assim como somos perdoados.
Ora, isso não é fácil para a maioria de nós. A maior parte de nós
gosta de receber perdão, mas não vamos além do nosso caminho a fim
de buscar oportunidades para concedê-lo.
Jesus aqui está falando aos cristãos. E os cristãos são pessoas que
experimentaram a grandeza das misericórdias de Deus. Na verdade, os
cristãos são tão agradecidos que desejam transmitir a outros essas mi­
sericórdias.
Uma atitude como essa não surge naturalmente. Nascemos com o
desejo de retaliar e pagar na mesma moeda o que fazem conosco. Nas­
cemos com um coração que não perdoa facilmente.
Isso nos leva a um importante pormenor em Mateus 6:12. Os cris­
tãos são pessoas transformadas. Eles não somente tomam parte no ban­
quete da graça de Deus; também se tornam dispensadores dessa graça.
Os cristãos são pessoas que chegaram a compreender que não podem
amar a Deus sem amar os filhos dEle.
A graça barata denota que as pessoas recebem de Deus o perdão,
mas depois voltam a viver a mesma “vidinha” de antes. Jesus, porém,
põe um fim na graça barata. A graça de Deus por intermédio de Jesus
não apenas perdoa nossas dívidas, mas também muda nossa vida pelo
novo nascimento. Jesus não diz: “Aceite Meu perdão e continue a vi­
ver como antes.” Não. Ele diz: “Agora que você foi perdoado, vai agir
como Eu. Vai cumprir as bem-aventuranças para ser misericordioso
[Mat. 5:7]. Vai procurar ser perfeito como é perfeito o Pai que está no
Céu, porque você amará - e vai perdoar - até mesmo seus inimigos
[versículos 43 a 48].”
A salvação é um tecido sem costura. Você não pode ser perdoado
ou justificado, sem ao mesmo tempo ser santificado e transformado. Os
cristãos perdoarão como Deus perdoa; perdoarão da mesma maneira.

Ano Bíblico: Isaías 52-55. - Juvenis: Naum 1.


A Piedade do Cristão Terça-feira
7 de agosto

Chaves Para Perdoar


“Qual destes três você acha que foi o próximo do homem que caiu nas
mãos dos assaltantes?” “Aquele que teve misericórdia dele”, respondeu o perito
na lei. Jesus lhe disse: “Vá e faça da mesma forma. "Lucas 10:36 e 37, NVI.

ülamais perdoarei aquela mulher pelo que ela me fez.” “Jamais es­
quecerei aquela atitude cruel do meu pastor.”
Você já abrigou algum dia esses pensamentos? Já nutriu esses for­
tes sentimentos para com outra pessoa que verdadeiramente foi injus­
ta com você ou com alguém que lhe é caro?
A maioria de nós sim. A maioria de nós luta para perdoar e esque­
cer. A maioria de nós se esforça para compreender o fato de que deve­
mos ser como Jesus, que podia orar: “Perdoa-lhes, pois não sabem o que
fazem”, enquanto eles O pregavam na cruz.
Contudo, Deus diz que devemos ser como Ele. Devemos ter espí­
rito perdoador assim como Deus.
Mas como, podemos perguntar? Isso nos leva às chaves do perdão.
Há certas coisas que nos ajudarão a aprender a perdoar.
A primeira é a compreensão. Existem razões muito boas por que as
pessoas fazem as coisas. Quando dedicamos tempo para descobrir as ra­
zões delas, muitas vezes fica mais fácil perdoá-las.
A segunda é o esquecimento. Precisamos aprender a esquecer.
Muita gente continua nutrindo sentimentos de ira e ressentimento. A
maioria de nós precisa do poder purificador de Jesus para afastar essas
coisas da nossa lembrança. Temos uma escolha. Podemos permanecer
no negativo, ou podemos deixar que Ele nos encha de pensamentos
novos e limpos.
A terceira é o amor. Temos visto repetidas vezes em nosso estudo
do Sermão do Monte que o amor (agape) de Deus é essa boa vontade
para com os outros, que quer apenas o melhor para eles, não importa
como nos tratem.
A quarta é a visão da cruz. Os verdadeiros perdoadores precisam de
uma imagem diária da cruz. Precisamos reconhecer que Jesus morreu em
nosso lugar. Em conseqüência disso, reconhecemos a necessidade de ser
misericordiosos e perdoadores, assim como nosso Salvador.

Ano Bíblico: Isaías 56-58. — Juvenis: Habacuque 3.


Quarta-feira A Piedade do Cristão
8 de agosto

A Utilidade da Tentação
E não nos deixes cair em tentação; mas livra-nos do mal [pois Teu é o
reino, o poder e a glória para sempre. Amém], Mateus 6:13.

m dia Roberto recebeu instruções definidas de sua mãe para


não ir nadar no lago próximo. Pouco tempo depois ele teria que passar
pelo lago a caminho do armazém. Resolveu levar consigo a roupa de
banho para o caso de ser tentado.
Não é isso o que acontece muitas vezes com a maioria de nós? Não
apenas temos que contender com nossas fraquezas pessoais, mas ainda
por cima a Bíblia diz que Satanás está trabalhando ativamente para
criar situações que nos façam cair. Nunca devemos esquecer que vive­
mos diariamente no meio de um grande conflito entre o bem e o mal,
entre Cristo e Satanás.
Deus, diz-nos a Bíblia, a ninguém tenta (Tia. 1:13). Por outro la­
do, Ele usa a tentação para desenvolver nosso caráter. Assim, lemos em
Tiago 1:2 e 3 que devemos ter “por motivo de toda alegria o (passar­
mos] por várias provações, sabendo que a provação da [nossa] fé... pro­
duz perseverança”.
Há algo maravilhoso sobre nosso Deus, sobre o Ser que pode es­
sencialmente transformar experiências más em bons resultados. Não
há nada que Deus não possa usar para fazer o bem.
Embora seja verdade que Deus usa as provações da vida para de­
senvolver nosso caráter e fé, também é verdade que Ele utiliza nosso
esforço durante o processo. Precisamos ser como ò garoto da fazenda
que disse: “Quando passo por um canteiro de melancias, não posso dei­
xar de encher a boca de água, mas posso correr.”
Precisamos muitas vezes “correr” dos lugares vulneráveis de nossa
vida. Precisamos orar cada dia para que Deus não apenas nos ajude a
reconhecer nossas fraquezas específicas, mas também para que nos dê
determinação para vencê-las pelo poder do Espírito. A Deus não falta
poder. Mas muitas vezes nos falta determinação e persistência em pe­
dir esse poder.

Ano Bíblico: Isaías 59-62. - Juvenis: Sofonias 2.


A Piedade do Cristão Quinta-feira
9 de agosto

A Estrada do Passado ao Futuro


O Senhor é o meu pastor; nada me faltará,. Ele me faz repousar em
pastos verdejantes. Leva-me para junto das águas de descanso; refrigera-me a
alma. Guia-me pelas veredas da justiça por amor do Seu nome. Salmo 23:1-3.
Deus está guiando Seu povo. Esse é um tema constante em to­
da a Bíblia. Deus é o líder, e nós somos Seus seguidores.
Essa verdade aparece também no Sermão do Monte. Podemos ca­
minhar com Jesus no Monte das Bem-aventuranças, mas Ele Se acha
definitivamente diante dessa grandiosa excursão de princípios cristãos.
Ele é o líder; nós somos os liderados.
A progressão fica evidente até mesmo nas últimas três petições da
Oração do Senhor. A petição pelo pão, por exemplo, é uma oração pelo
presente; a petição pelo perdão é em favor da remoção de um passado
ruim; e a petição pela guia de Deus é uma oração por um bom futuro.
Deus está sempre preocupado com a direção que estamos tomando. Co­
mo um bom pastor, Ele procura guiar Suas ovelhas a pastos saudáveis.
As petições com respeito a não cair em tentação e ser livrado do
mal seguem-se naturalmente à petição por perdão. Afinal de contas, é
nosso desejo, inerente sermos livrados das próprias tentações que tor­
nam o perdão necessário. O verdadeiro arrependimento leva a um
afastamento da velha vida e dos hábitos destrutivos. Consiste numa
volta para as coisas de Deus. Assim sendo, não oramos apenas por per­
dão, mas também para sermos livrados do mal.
Existe um ponto conclusivo no desenvolvimento progressivo na
Oração do Senhor. Ela começa com o Pai e acaba com uma advertên­
cia contra o maligno. Isto fica mais evidente nas versões bíblicas que
traduzem “mal” por “maligno”. A oração fornece uma excursão do Céu
ao inferno, de Deus a Satanás. E entre essas duas posições opostas, con-
cede-nos as sete breves petições que abrangem tudo que tem importân­
cia na vida.
Faz quase um mês que estamos estudando a Oração do Senhor. E,
ao chegar a seu término, temos o mesmo pedido que os discípulos fize­
ram a princípio. Que o Senhor continue nos ensinando a orar.

Ano Bíblico: Isaías 63-66. — Juvenis: Ageu 2.


Sexta-feira A Piedade do Cristão
10 de agosto

Ponto Enfatizado
Porque, se perdoardes aos homens [as suas ofensas], também vosso Pai
celeste vos perdoará; se, porém, não perdoardes aos homens [as suas ofensas],
tampouco vosso Pai vos perdoará as vossas ofensas. Mateus 6:14 e 15.
2^. grande oração acabou, mas não o comentário sobre a oração.
E significativo que a única petição da oração sobre a qual Jesus faz co­
mentário é a quinta. Ele sabia, sem dúvida, como é difícil para a maio­
ria de nós perdoar de verdade os outros. E por isso que Ele volta a esse
ponto para enfatizar de modo especial a sua importância.
Mateus 6:12, 14 e 15 não são os únicos lugares no primeiro Evan­
gelho onde se enfatiza a lição de passarmos adiante a outros o perdão
que recebemos de Deus. Uma abordagem ainda mais vivida e comple­
ta do assunto encontra-se em Mateus 18:21-35. Dediquemos alguns
momentos à leitura cuidadosa desses versículos.
A passagem começa com Pedro fazendo uma interessante pergun­
ta. Ele quer saber quantas vezes deve perdoar aos outros.
O curioso é que Pedro também fornece uma resposta para a per­
gunta. Ele sugere sete perdões.
Quando você pensa no assunto, perdoar sete vezes parece um bom
número. E é mesmo, se isso tem que ver com você bater no meu carro
por dias sucessivos. Pense nisto.
— Pedro também achava que estava sendo generoso. Afinal de contas,
os rabinos do seu tempo sugeriam que era errado perdoar mais de três ve­
zes, pois haviam deduzido do livro de Amós que Deus só perdoa três ve­
zes. E certamente ninguém deve ser mais misericordioso que Deus. —
Mas Pedro duplicou a quantidade de perdão dos rabinos e acres­
centou um como uma boa medida. Ele deve ter pensado que era uma
pilha de perdão e admirou-se do homem generoso que ele era. Quem
sabe Jesus não lhe diria que ele estava sendo terno e generoso demais.
“Afinal de contas, Pedro, você não pode deixar as pessoas se aprovei­
tarem de você.”
Pedro deve ter sentido seu corpo estremecer quando Jesus lhe dis­
se que devemos perdoar setenta vezes sete.
Você consegue fazer isso? Deve fazê-lo?
Há algo importante aqui. Amanhã voltaremos ao ponto que Jesus
enfatizou.

Ano Bíblico: Jeremias 1-3. — Juvenis: Zacarias 4.


A Piedade do Cristão Sábado
11 de agosto

O que Pedro Realmente Queria Saber


Então, Pedro, aproximando-se, Lhe perguntou: Senhor, até quantas ve­
zes meu irmão pecará contra mim, que eu lhe perdoei Até sete vezes? Res­
pondeu-lhe Jesus: Não te digo que até sete vezes; mas até setenta vezes sete.
Mateus 18:21 e 22.

imos ontem que Jesus não poupou esforços para fazer da recipro­
cidade do perdão um ponto de ênfase em Seu ensino do Sermão do
Monte. Também vimos que Jesus ministra a mesma lição em Mateus 18.
Ali Pedro está aparentemente perguntando quantas vezes ele de­
veria perdoar outra pessoa. Mas será que era essa realmente a sua in­
tenção? Era isso o que ele realmente queria saber?
Essas perguntas nos dirigem para a essência do problema da natu­
reza humana, a essência da razão por que Jesus por três vezes enfatizou
no primeiro Evangelho a questão de transmitir aos outros o perdão que
Deus nos concede. O fato é que Pedro não está tão interessado na ex­
tensão do perdão como nos seus limites.
os
tplenjncia cristãs, Afinal de.£ontas, £ tranqüilizador saber até que pon-
to posso, com boa consciência, parar de amaraxieu-irmão. Quero saber
o momento em que cumpri minha cota moral de amor e perdão, para
que eu possa, com a consciência limpa, dar às pessoas aquilo que elas
merecem. As perguntas tipicamentediumanas que subjazem à indaga-
á? Quando _tenho-o direi-
to de explodir? Quando_posso dar o que você merece?” —
A resposta de Jesus frustra todas essas perguntas. Sua resposta não
é perdoar sete vezes, mas setenta vezes sete ou 490 vezes. Para falar a
verdade, o cristão não tem limite para o perdão.
As boas novas são que o perdão que Deus me concede é ilimitado.
Por outro lado, espera-se que eu seja tão propenso a perdoar você, co­
mo Deus é comigo. Essa é uma lição dura, mas importante. Jesus pro­
fere uma vivida parábola, conforme veremos amanhã, para sublinhar e
fixar o aspecto saliente de Seu ensino.
Jesus parece realmente falar sério quando aborda a questão da re­
ciprocidade do perdão.

Ano Bíblico: Jeremias 4-6. — Juvenis: Malaquias 3 e 4.


Domingo A Piedade do Cristão
12 de agosto

Mais uma Ilustração da Lição


Então, o seu senhor, chamando-o lhe disse: Servo malvado, perdoei-te
aquela dívida toda porque me suplicaste; não devias tu, igualmente,
compadecer-te do teu conservo, como também eu me compadecí de ti?
E, indignando-se, o seu senhor o entregou aos verdugos, até que lhe pagasse
toda a dívida. Assim também Meu Pai celeste vos fará, se do íntimo não
perdoardes cada um a seu irmão. Mateus 18:32-35.

parábola de Mateus 18:21-35 foi elaborada com base na quin­


ta petição da Oração do Senhor (que devemos perdoar os outros na
mesma proporção que Deus nos perdoa) e na pergunta de Pedro em
Mateus 18:21 a respeito da extensão do perdão.
A semelhança da maioria das parábolas de Jesus, essa é um mode­
lo de simplicidade. Estrutura-se em torno de três personagens princi­
pais: o rei (Deus), um servo a quem se perdoa uma quantia altíssima
(você e eu) e um servo (nosso próximo) que deve ao primeiro servo
(você e eu) uma soma relativamente insignificante.
A parábola também apresenta três cenas rápidas. Na cena 1, o primei­
ro servo encontra-se na sala de audiência do rei, onde recebe o perdão pe­
la grande dívida. Observe como suas súplicas por perdão são lastimosas e
sinceras. Note como ele está desesperado. Tenho estado nessa posição. Vo­
cê também. Que onda de alegria nos inunda quando somos finalmente
perdoados! Como é grande nossa vontade de louvar a Deus!
A cena 2 mostra o servo recentemente perdoado saindo para a rua,
onde encontra um vizinho que lhe deve uma quantia comparativa­
mente pequena. A parábola nos dá uma representação exata dos ape­
los lastimosos, sinceros e desesperados do primeiro servo. Mas a mise­
ricórdia não é passada adiante. Ao contrário, o primeiro servo clama
por justiça.
Ele obtém justiça, mas não da maneira como esperava. Na cena 3,
o servo incompassivo é lançado na prisão (inferno) até que pague sua
dívida impossível.
Moral da história: Precisamos demonstrar tanto espírito de perdão
aos outros quanto Deus tem demonstrado por nós (verso 33). Precisa­
mos aprender como perdoar os outros de coração.
Isso exige graça, graça transformadora e graça capacitadora.

Ano Bíblico: Jeremias 7-9. - Juvenis: Mateus 1.


A Piedade do Cristão Segunda-feira
13 de agosto

O Grande Contraste
“Portanto, Eu lhe digo, os muitos pecados dela lhe foram perdoados, pelo
que ela amou muito. Mas aquele a quem pouco foi perdoado, pouco ama. ”
Então Jesus disse a ela: “Seus pecados estão perdoados. ” Lucas 7:47 e 48, NVI.

os dias anteriores estudamos o perdão no Sermão do Monte e


na parábola de Mateus 18:21-35.
Uma das coisas mais importantes a salientar nessa parábola é o tre­
mendo contraste entre as duas dívidas.
A dívtda de 10.000 talentos (verso 24) era colossal. Um talento
equivalia a 6.000 denários ou 6.000 dias de trabalho (ver Mat. 20:2).
Tomando-se por base o salário mínimo atual de 151 reais por mês, di­
vidido por vinte, e calculando-se o valor da diária como 7,55 reais, um
talento_valeria 45.300 reais. Dez mil talentos alcançariam a incrível
soma de 453 milhões de reais. Em contrapartida, a dívida de 100 de­
nários correspondería a 100 diárias ou apenas 755 reais.
Dizendo as coisas de outra maneira, os 100 denários poderíam ser
pagos com 100 dias de trabalho, ao passo que os 10.000 talentos exigi­
ríam 164.384 anos (sete dias por semana).
Certo escritor sugeriu que, se cada denário fosse um centavo, os
100 denários poderíam ser levados em um bolso, ao passo que a dívida
de 10.000 talentos precisaria de um exército de 8.600 pessoas para car­
regá-la. Cada carregador teria um saco de aproximadamente 30 quilos,
cheio de moedas, e, se essas pessoas ficassem separadas uma da outra
por uma distância de quase um metro, formariam uma fila de mais ou
menos oito quilômetros. Jesus Se esforçou para nos apresentar um tre­
mendo contraste. Por quê?
William Barclay sintetiza belamente o sentido do contraste quan­
do escreve estas palavras:—O ponto que se quer destacar é o de que na­
da que o homem possa fazer contra nós pode, de modo algum, compa­
rar-se com o que fizemos a Deus; e se Deus nos perdoou o que lhe de­
víamos, também devemos perdoar a nossos semelhantes as dívidas que
contraíram para conosco.” —-
Jesus fez um grande esforço para enfatizar a lição da reciprocidade
do perdão porque sabia que essa é uma das lições mais difíceis de pra­
ticarmos na vida diária.
Senhor, ajuda-me hoje a ser mais semelhante a Ti no perdão.

Ano Bíblico: Jeremias 10-13. — Juvenis: Mateus 2.


Terça-feira A Piedade do Cristão
14 de agosto

Jejum Equivocado
Quando jejuardes, não vos mostreis contristados como os hipócritas;
porque desfiguram o rosto com o fim de parecer aos homens que jejuam.
Em verdade vos digo que eles já receberam a recompensa. Mateus 6:16.

ateus 6:16 apanha um fio solto no verso 6. Dos versículos 2


até o 4, Jesus adverte contra a esmola ostentosa, e nos versículos 5 e 6
faz o mesmo com relação à oração. Nos versículos 7 e 8, ministra ins­
truções importantes, e do verso 9 até o 13 apresenta um exemplo de
oração. Agora Ele está no versículo 16, para retornar a Seu tema prin­
cipal da adequada piedade (ver verso 1). Dessa vez Sua instrução tem
que ver com o jejum.
Os versículos 16-18 são a única instrução de Jesus a respeito desse
assunto, e o propósito dEle é mais advertir contra os abusos do que nos
dizer como e quando deve ser praticado.
Jejuar era algo importante para os santos, tanto do Antigo quanto
do Novo Testamento. O único jejum ordenado no Antigo Testamento
ocorria no anual Dia da Expiação, embora no tempo de Jesus os fariseus
jejuassem dois dias por semana: nas segundas e nas quintas-feiras.
Por coincidência, esses também eram os dias de feira. Assim sendo,
chegava muita gente nas cidades e vilas nos dias semanais de jejum.
Isto acabava sendo uma tentação para alguns judeus que gostavam
de auditórios maiores para suas exibições de santidade. Havia muitos
que tomavam medidas deliberadas para que os outros não deixassem de
perceber que eles estavam jejuando. Alguns caminhavam pelas ruas
com o cabelo propositadamente despenteado e com roupas intencio­
nalmente sujas e descompostas.
Embora essas exibições pudessem enganar o povo comum, certa­
mente não iludiam os rabinos mais sábios nem Jesus. Jesus afirmou a
esses exibicionistas que seu jejum era mais um ato propositado de or­
gulho espiritual do que um ato de humildade.
Bem, você deve estar pensando: Ninguém faria isso hoje.
Errado! Conheço várias pessoas que rotineiramente deixam que
determinados amigos saibam, pela falsa piedade estampada no rosto,
que estão jejuando.
A natureza humana não muda através do tempo. Mas hoje Deus
quer que nossa natureza humana seja como a dEle. Você permitirá?

Ano Bíblico: Jeremias 14-16. - Juvenis: Mateus 3.


A Piedade do Cristão Quarta-feira
15 de agosto

O Jejum Apropriado
Tu, porém, quando jejuares, unge a tua cabeça e lava o rosto, com o
fim de não parecer aos homens quejejuas, e sim ao teu Pai, em secreto; e teu
Pai, que vê em secreto, te recompensará. Mateus 6:17 e 18.
Talvez a coisa mais notável dessa passagem para a maioria dos
cristãos evangélicos seja o fato de que Jesus não está recomendando o
jejum. Afinal de contas, ele é uma das coisas mais fáceis de serem per­
vertidas. Repare na maneira mecânica como muitos judeus o pratica­
vam. E esses problemas foram “reinventados” na igreja medieval.
Note que Jesus não diz para não jejuar, mas “quando jejuares”. Ele
espera que Seus discípulos jejuem, assim como dão esmolas e oram. O
jejum certamente era algo praticado pela igreja primitiva, muitas vezes
em ligação com a oração ou com a tomada de decisões importantes. A
maneira correta de lidar com uma prática que foi usada impropriamen­
te na igreja não é aboli-la e ir para o outro extremo, mas modificar a
prática e efetuá-la de maneira que conduza a resultados espirituais.
Considerando os tempos em que vivemos, talvez os adventistas de­
vam reconsiderar a prática do jejum. Os que procuram reavivamento e
despertamento talvez devessem reexaminar a questão do jejum.
Jejuar não deve ser um acontecimento rotineiro e mecânico a ser
realizado periodicamente. Ao contrário, sua principal utilidade é du­
rante situações excepcionais em que precisamos ter mente clara e co­
ração limpo ao buscarmos a Deus com toda a nossa alma.
Jejuar não deve ser visto como um meio de colocar “moeda no co­
fre” das recompensas divinas. Também não é um fim em si mesmo. An­
tes, jejuar é um meio físico para atingir fins espirituais, enquanto a al­
ma luta consigo mesma e com Deus. Jejuar, de um modo geral, tem que
ver com a abstenção de alimento ou de certos tipos de alimento por
um dia, mas o verdadeiro jejum também pode consistir na renúncia de
outras coisas ou atividades, tendo em vista propósitos espirituais. Par­
te do propósito do jejum é limpar os condutos de nossa vida para que
possamos encontrar a Deus mais eficientemente na oração e na medi­
tação. Deus quer que partamos ao Seu encontro nos pontos decisivos
e críticos de nossa, vida.

Ano Bíblico: Jeremias 17-19. — Juvenis: Mateus 4.


Quinta-feira A Piedade do Cristão
16 de agosto

Apenas Pareça Normal


Seria este o jejum que escolhí, que o homem um dia aflija a sua alma,
incline a sua cabeça como o junco e estenda debaixo de si pano de saco e
cinza? Chamarias tu a isto jejum e dia aceitável ao Senhor? Porventura,
não é este o jejum que escolhi: que soltes as ligaduras da impiedade, desfaças
as ataduras da servidão, deixes livres os oprimidos e despedaces todo jugo?
Porventura, não é também que repartas o teu pão com o faminto, e recolhas
em casa os pobres desabrigados, e, se vires o nu, o cubras, e não te escondas
do teu semelhante? Isaías 58:5-7.

E mais fácil parecer piedoso do que ser piedoso. É mais fácil apre­
sentar uma aparência exterior do que ser um cristão autêntico na vida
diária. E mais fácil jejuar do que amar o próximo de maneira concreta.
Deus não é contra o jejum, mas se alguém tiver de escolher entre
jejuar e amar o próximo, o jejum deve ser preterido. Essa é a mensa­
gem de Isaías 58 (nosso texto de hoje) e do Sermão do Monte. A reli­
gião do coração é o elemento decisivo, e não a exibição externa.
Na verdade, em Mateus 6:16-18 Jesus é contra todas as formas de
exibição exterior durante o jejum. Ele não apenas diz para não nos
mostrarmos melancólicos, mas que devemos lavar o rosto e pentear o
cabelo e parecer normais, para que ninguém saiba nem mesmo que es­
tamos tendo um dia especial com Deus.
Isso não significa que nos dias de jejum eu tenha que me esforçar
para ser excepcionalmente “doce e feliz”. Não há nada pior do que ir
ao extremo oposto da melancolia quando estamos jejuando. Você co­
nhece o tipo. Eles podem ser asquerosamente doces e artificialmente
felizes quando praticam algum tipo de devoção. Podem encontrar-se
no extremo oposto em que estavam os judeus, mas compartilham o
mesmo buraco. Ainda estão, por suas ações artificiais, fazendo ostenta­
ção de que “estiveram com Jesus”.
Procure apenas ser normal quando estiver com Jesus. O jejum é
entre vocês dois.

Ano Bíblico: Jeremias 20-23. — Juvenis: Mateus 5-


A Piedade do Cristão Sexta-feira
17 de agosto

Outro Passeio Pelas Bem-Aventuranças


Disse mais: Eu sou o Deus de teu pai, o Deus de Abraão, o Deus de Isa-
que e o Deus de Jacó. Moisés escondeu o rosto, porque temeu olhar para
Deus. Êxodo 3:6.
T^Jão sei como você está se sentindo ao caminhar com Jesus so­
bre o Monte das Bem-aventuranças, mas eu me sinto cada vez mais hu­
milde. Ao ver o ideal de Deus para mim, reconheço novamente minhas
fraquezas e defeitos; reconheço como estou longe do ideal de Deus.
Nas semanas que ficaram para trás, dirigimos o olhar para a pure­
za de coração na adoração. Fomos postos face a face com o fato de que,
mesmo na adoração, nossos motivos algumas vezes não são puros. Ad­
mitimos que há ocasiões em que damos uma esmola, fazemos uma ora­
ção ou praticamos alguma outra devoção religiosa, em parte para be­
neficiar alguém e em parte porque desejamos parecer bons e justos aos
olhos das pessoas.
Como eu oraria, daria esmola ou agiria, caso ninguém estivesse ob­
servando? Essa é a pergunta que precisa ser respondida. Gosto quando
as pessoas me olham de frente, quando ouvem minha “bela” oração e
dizem amém, quando pensam que meu discurso ou sermão foi o “me­
lhor” de todos?
Quando reconheço que as palavras de Jesus não foram dirigidas
apenas para os fariseus do passado, sou subitamente levado de volta pa­
ra o pé da cruz. Elas foram dirigidas para mim também.
Repentinamente tomo a ser levado para as bem-aventuranças. Re­
conheço mais uma vez minha pobreza de espírito (Mat. 5:3) ao me ver
como realmente sou. Mais uma vez tenho fome e sede de justiça (ver­
so 6) porque reconheço que minha justiça não excede a dos escribas e
fariseus (verso 20), porque ainda não sou tão semelhante ao Pai (ver­
sos 43 e 48) como deveria e poderia ser.
Quando vejo o padrão de Jesus no caráter, no testemunho, no re­
lacionar o verdadeiro significado da lei e mesmo na adoração, reco­
nheço novamente minha necessidade. Minha primeira reação é me es­
conder do Seu rosto. Mas então compreendo que a vida de Jesus per­
mite que eu vá confiantemente diante do trono de Deus e novamente
encontre graça. Subitamente compreendo como é maravilhoso o Deus
a quem eu sirvo.

Ano Bíblico: Jeremias 24-26. — Juvenis: Mateus 6.


Sábado Alvos e Prioridades do Cristão
18 de agosto

O Quinto Passo
Não acumuleis para vós outros tesouros sobre a terra, onde a traça e a
ferrugem corroem e onde ladrões escavam e roubam. Mateus 6:19.
R^epentinamente caímos do Céu à Terra, da adoração para as
posses. Com Mateus 6:19, o grande sermão de Jesus faz outra radical
mudança de foco. E veremos no novo enfoque, de uma nova maneira,
a extensão do interesse de Deus por Seus filhos terrenos. Ele está inte­
ressado não só em nossa atitude para com as coisas celestiais, mas tam­
bém para com as coisas terrenas. O Sermão do Monte abrange real­
mente todas as áreas da vida. É verdadeiramente o ideal de Deus para
Seu povo.
Retrocedamos por um momento e façamos uma retrospectiva de
nossa caminhada com Jesus no Monte das Bem-aventuranças desde o
início do ano até agora. Caminhamos primeiro com Ele pelas Bem-
aventuranças, Seu ideal para o caráter cristão (Mat. 5:3-12). A seguir,
caminhamos com Ele pela responsabilidade que os cristãos têm de tes­
temunhar de Seu amor (versículos 13-16). Depois, Jesus fez conosco
um magnífico passeio pela extensão e profundidade da lei, ensinando-
nos que a justiça do cristão deve exceder a dos escribas e fariseus (ver­
sículos 17-48).
Isso nos levou ao capítulo 6. Aprendemos, nos primeiros 18 versí­
culos, que não somente as ações justas do cristão devem exceder as dos
escribas e fariseus (Mat. 5:21-48), mas também a sua piedade (Mat.
6:1-18). Agora, com os versículos 19-34, vamos descobrir que até mes­
mo os alvos e prioridades do cristão nas coisas deste mundo precisam
ser diferentes dos valores da cultura em geral. Jesus iniciou o capítulo
6 focalizando os fariseus; Ele termina o capítulo dizendo que precisa­
mos renunciar ao sistema de valores dos gentios.
A mensagem é que ser um discípulo de Jesus é ser radical. Pode­
mos ser membros da igreja sem ser radicais, mas não discípulos. Eis a
diferença crucial.
Jesus hoje está me convidando a ser mais semelhante a Ele, não
apenas na maneira como vivo e adoro, mas mesmo na forma como en­
caro minhas posses materiais.

Ano Bíblico: Jeremias 27-29. - Juvenis: Mateus 7.


Alvos e Prioridades do Cristão Domingo
19 de agosto

O Céu Versus o Mundo


Mas ajuntai para vós tesouros no Céu, onde traça nem ferrugem
[ou verme] corrói, e onde ladrões não escavam e nem roubam. Mateus 6:20.
Em Mateus 6:19-24 Jesus nos apresenta três conjuntos de antíte­
ses: a Terra versus o Céu (versículos 19-21), as trevas versus a luz (ver­
sículos 22 e 23) e o dinheiro versus Deus (versículo 24). A primeira an­
títese nos apresenta dois tesouros; a segunda, dois olhos; e a terceira,
dois senhores. Todas as três tratam de alvos e prioridades. Todas as três
tratam da “matéria-prima” da vida cotidiana. Todas as três tratam do
Céu e do mundo.
O mundo, no Novo Testamento, não é o Universo físico. Ao con­
trário, o mundo é um ponto de vista, uma mentalidade, uma maneira
de ver as coisas, uma forma de avaliar toda a vida, um modo de hierar-
quizar metas e prioridades.
Um dos problemas mais críticos que os cristãos têm que enfrentar é
seu relacionamento com o mundo. A estratégia de Satanás consiste em
fazer com que nos rendamos ao mundo, essa orientação contrária a Deus.
A fim de alcançar seus fins, o adversário apresenta-nos tentações tan­
to internas como externas, seduções tanto particulares como públicas.
Em Mateus 6, Jesus está nos preparando para o combate contra o
diabo. Na primeira parte do capítulo, Ele sugere que nos preparemos
mediante jejum e oração. E agora na segunda metade, Ele nos fornece
estratégias para fazer guerra contra o maligno no campo de batalha dos
afazeres diários.
E nas ocupações da vida diária, Ele nos prepara para dois tipos de
tentações, ambas igualmente destrutivas. A primeira é o decidido
amor pelo mundo e pelas coisas do mundo (Mat. 6:19-24), enquanto
a segunda é a ansiedade pelo mundo (versos 20-34).
A solução de Jesus não é reagirmos com o erro monástico de nos
isolarmos do mundo, com o fim de viver vida santa, mas viver como
cristãos na sociedade em geral, como Ele fez. Assim sendo, Ele nos
mostra como vencer o mundo enquanto vivemos no meio dele.
Nosso Deus é o Deus da Terra, mas é também o Deus do Céu. Ele
quer que cada um de nós viva na Terra de acordo com os princípios do
Céu.

Ano Bíblico: Jeremias 30-32. — Juvenis: Mateus 8.


Segunda-feira Alvos e Prioridades do Cristão
20 de agosto

Riqueza Transitória
O reino dos Céus é como um tesouro escondido num campo. Certo
homem, tendo-o encontrado, escondeu-o de novo e, então, em sua alegria,
foi, vendeu tudo o que tinha e comprou aquele campo. Mateus 13:44, NVI.

conservação da riqueza sempre foi um problema. Isso era espe­


cialmente verdadeiro para o mundo antigo, onde os bancos não eram
confiáveis e os recursos de armazenamento eram bastante inadequados.
Algumas pessoas, como no caso da parábola citada acima, enterravam seu
ouro no solo, apenas para morrerem sem ninguém saber a localização.
Jesus destaca em Mateus 6:19 e 20 a transitoriedade da vida. Ao fazê-
lo, tece comentários sobre as três grandes fontes de riqueza da Palestina.
Primeiro, Ele nos diz para não colocarmos nossa confiança em coi­
sas que a traça pode destruir. Na antiga Palestina, a riqueza de uma pes­
soa consistia muitas vezes em roupas caras. Assim, quando Geazi, ser­
vo de Eliseu, quis tirar proveito de Naamã, depois que este ficou cura­
do da lepra, pediu-lhe um talento de prata e duas mudas de roupa (II
Reis 5:22). E uma das coisas que tentou Acã foi “um belo manto babi-
lônico” (Josué 7:21, NIV). Jesus, porém, nos adverte de que essas coi­
sas não possuem segurança em si mesmas, pois a traça as devora ainda
que estejam bem guardadas.
Segundo, Ele nos adverte a evitar as coisas capazes de ser destruí­
das pela ferrugem ou pelos vermes (Mat. 6:19). A riqueza pode ser cor­
roída pela ferrugem e pelos vermes, ou mesmo pelos ratos e ratazanas.
As pestes destes últimos, no mundo antigo, tomavam o alimento ar­
mazenado uma fonte duvidosa de riqueza a longo prazo.
Terceiro, Jesus sugere que, se a traça, a ferrugem e outras coisas não
se apoderam de sua riqueza, os ladrões o fazem. O roubo era um pro­
blema constante na Palestina, onde as paredes da maioria das casas
eram feitas de barro cozido. O arrombador tinha apenas que escavar
através da parede. Imagine a surpresa do dono da casa ao voltar e en­
contrar não apenas uma abertura extra na parede, mas dar pela falta de
suas economias.
Dispomos hoje de mil e uma maneiras melhores de proteger nossa
riqueza, mas mesmo assim elas não se acham completamente seguras.
Ainda que nossas riquezas não passem, nós passamos. O conselho de
Jesus é tão cheio de significado para nós hoje como o foi há 2.000 anos.

Ano Bíblico: Jeremias 33-35. - Juvenis: Mateus 9.


Alvos e Prioridades do Cristão Terça-feira
21 de agosto

A Vida é uma Sentença de Morte


Não ameis o mundo nem as coisas que há no mundo. ...O mundo
passa, bem como a sua concupiscência; aquele, porém, que faz a vontade
de Deus permanece eternamente. IJoão 2:15-17.

ão importa o quanto você esteja satisfeito com sua vida atual,


as coisas podem piorar. Pense nisto. Vamos dizer que você possua uma
bela casa numa ilha que é um paraíso tropical, situada de frente para a
arrebentação, com um belo riacho de águas claras, com uma cascata
imediatamente à sua esquerda. Tudo ao redor são palmeiras, gramado,
arbustos floridos e abundância de pássaros, borboletas e flores.
E o Céu na Terra, não é mesmo? Não exatamente. Embora a cena
pareça perfeita no momento, o futuro trará algum dia invalidez, aci­
dente fatal ou doença para um dos habitantes desse paraíso terrestre.
O Céu na Terra mais cedo ou mais tarde desmorona. Nenhum de nós
é imortal. A vida é uma sentença de morte. Desde o dia em que nas­
cemos cada um de nós está sujeito à morte. A questão não é se morre­
remos, mas quando.
Essa é a verdade que Jesus está tentando nos ensinar em Mateus
6:19-21. Portanto, Ele nos adverte contra os prazeres que se desgastam
com o tempo, como se fossem uma peça de roupa. A roupa mais bela
do mundo, ainda que sem a contribuição das traças, com o tempo se
desintegra. Todos os prazeres terrenos acabam se esgotando. E para que
esses prazeres continuem a nos trazer satisfação, precisamos de doses
cada vez maiores para obtenção do mesmo efeito. Tolas são as pessoas
que põem sua esperança em coisas destinadas a oferecer retornos cada
vez menores.
Jesus também nos adverte contra os prazeres que podem ser corroí­
dos como o ferro borrifado pela água salina do mar ou como o cereal
no caminho de roedores saqueadores. Existem certos prazeres que per­
dem sua atração à medida que as pessoas envelhecem. Jesus sugere que
devemos depositar nossa confiança em coisas que o tempo é incapaz de
desgastar.
Jesus adverte ainda contra as coisas que podem ser roubadas, mes­
mo por algo impessoal como uma quebra na bolsa de valores.
A verdadeira felicidade é resultado de depositarmos nossa confian­
ça no que é eterno. Em que tenho depositado minha confiança?

Ano Bíblico: Jeremias 36-38. — Juvenis: Mateus 10.


Quarta-feira Alvos e Prioridades do Cristão
22 de agosto

Está em sua Cabeça


Porque o amor do dinheiro é raiz de todos os males; e alguns, nessa
cobiça, se desviaram da fé, e a si mesmos se atormentaram com muitas
dores. I Timóteo 6:10.
ühga-me, qual é exatamente a raiz do problema?
Paulo deixa claro que a raiz de todos os males não é o dinheiro.
Antes, é o amor ao dinheiro. Algumas pessoas farão tudo por dinhei­
ro, mas o problema está no coração e na mente humana, e não no di­
nheiro em si mesmo.
Com esse ensino, estamos de volta ao velho problema do pecado
como amor mal-direcionado, do pecado como um problema mais do
coração e da mente do que um mero problema desse ou daquele com­
portamento.
Jesus faz a mesma observação essencial em Mateus 6:19-21. Mete-
rno-nos em problemas quando amamos as coisas erradas.
Mas não fique confuso. Jesus não está tão preocupado com nossos
tesouros como com a nossa atitude para com eles. O problema não é
o que a pessoa possui, mas o que ela pensa sobre a riqueza. O que Jesus
tem em vista, antes de tudo, é uma questão de atitude.
Outro ponto de confusão surge a respeito da idéia de “tesouro”.
Não devemos limitar os “tesouros”, sobre os quais Jesus está falando, a
dinheiro ou riqueza financeira. Tesouro é um termo bastante amplo
que inclui o dinheiro, mas que abrange muito mais. Os tesouros tran­
sitórios nos quais Jesus está pensando incluem tudo aquilo que amamos
mais do que a Deus e às coisas que pertencem a Seu reino eterno.
Para alguns de nós, o tesouro pode ser de fato dinheiro, ou uma ca­
sa ou um carro. Mas para outros, pode ser o amor por honra, posição,
status, realizações e uma porção de outras coisas.
Nosso tesouro é aquilo por que vivemos, aquilo que está mais perto
do nosso coração, aquilo sobre o que pensamos em nosso tempo livre.
Essa é a essência dos comentários de Jesus. Ele quer que nosso tesouro se­
ja de valor eterno.
Ele está falando a você, meu amigo. Está falando a mim. Pare um
momento para avaliar seus verdadeiros alvos e prioridades. É necessária
uma mudança? Qual é?

Ano Bíblico: Jeremias 39-41. — Juvenis: Mateus 11.


Alvos e Prioridades do Cristão Quinta-feira
23 de agosto

O Verdadeiro Tesouro
Não temas, ó pequenino rebanho; porque vosso Pai Se agradou em
dar-vos o Seu reino. Vendei os vossos bens e dai esmola; fazei para vós outros
bobas que não desgastem, tesouro inextinguível nos Céus, onde não chega o
ladrão, nem a traça consome. Lucas 12:32 e 33.
^s^-ual é o verdadeiro tesouro sobre o qual Jesus está falando?
Qual o tesouro que devemos armazenar?
Alguns têm interpretado essa passagem de forma a sugerir que Je­
sus estava ensinando a possibilidade de comprarmos nossa própria sal­
vação. Interpretam a expressão “tesouro nos Céus” como a salvação e
destino eterno de uma pessoa. Essa interpretação, porém, contradiz o
restante da Bíblia e é obviamente incorreta.
A passagem paralela de Lucas é útil nesse caso. Em Lucas, fica cla­
ro que Jesus fala do reino como um dom. Na continuação, Ele dá a en­
tender que os tesouros são as características e as ações de valor eterno.
Os judeus conheciam muito bem a expressão “tesouro nos Céus”.
Eles associavam esse tesouro especificamente a duas coisas. A primei­
ra era a bondade. Diziam que os atos de bondade feitos por uma pessoa
na Terra convertiam-se em tesouro no Céu. Esses atos tinham valor
eterno e conseqüências eternas.
O princípio da bondade também encontra raízes na igreja cristã
primitiva. Cuidar dos pobres e doentes era uma característica da igre­
ja primitiva. Os cristãos cuidavam daqueles por quem ninguém mais se
importava.
Conta-se a história de que durante a brutal perseguição movida por
Décio em Roma, as autoridades arrombaram uma igreja cristã. Procura­
ram tesouros que acreditavam existirem na igreja. “Mostrem-me seus
tesouros”, ordenou o líder romano. O diácono apontou para as viúvas e
órfãos que estavam sendo alimentados e para os doentes que estavam
sendo tratados, e respondeu: “Estes são os tesouros da igreja.”
A bondade tem resultados eternos. A igreja, na sua melhor forma,
sempre acreditou que “o que conservamos perdemos, e o que doamos
conservamos”.
Os resultados da bondade jamais acabam. Esses são os tesouros
eternos do reino de Deus, o tipo de tesouro no qual Jesus está pedindo
que invistamos.

Ano Bíblico: Jeremias 42-44. - Juvenis: Mateus 12.


Sexta-feira Alvos e Prioridades do Cristão
24 de agosto

Outro Verdadeiro Tesouro


De fato, grande fonte de lucro é a piedade com o contentamento.
Porque nada temos trazido para o mundo, nem coisa alguma podemos
levar dele. I Timóteo 6:6 e 7.

1_J m provérbio espanhol diz que mortalha não tem bolsos. Esse
provérbio está querendo expressar a mesma verdade que Paulo em I Ti­
móteo. Pense, porém, por um momento. Não há realmente nada que
levemos conosco ao partirmos desta vida? Não acontece nada de con-
seqüências eternas durante os anos que passamos aqui? Será que tudo
a nosso respeito é apagado para que, na ressurreição, possamos come­
çar do zero absoluto? Pare um pouco para pensar ou discutir essas per­
guntas antes de prosseguir com a leitura.
Eu gostaria de sugerir que existe uma coisa que levamos conosco
desta vida para a próxima. Obviamente, não se trata de ouro, prata ou
posses. Paulo e o provérbio espanhol são bastante corretos sobre esse
ponto. Mas o que podemos e devemos levar é o tesouro do caráter - al­
go que não pode ser levado num bolso, mas que toda pessoa desenvolve
numa ou noutra direção.
Na Terra estamos formando caracteres. Esses caracteres são o que
nós somos. São nossa identidade. E possuem conseqüências eternas.
Somente os que tiverem caráter semelhante ao de Jesus serão felizes no
reino de Deus; somente esses participarão da primeira ressurreição.
Depois de aceitar Jesus, a edificação do caráter é a tarefa mais im­
portante da vida. O caráter é a única coisa que levaremos para o Céu. O
caráter tem conseqüências eternas. É por isso que Ellen White escreveu
que “a formação do caráter é a obra mais importante que já foi confiada.
a seres humanos”. - Educação, pág. 225. Desenvolver um caráter seme­
lhante ao de Cristo é ajuntar “tesouros no Céu, onde traça nem ferru­
gem corrói, e onde ladrões não escavam, nem roubam”. Mat. 6:20.
O tesouro celestial, naturalmente, tem valor terreno. Todos os
dias, homens e mulheres de bom (ou de mau) caráter influenciam os
filhos e outras pessoas com as quais entram em contato.
Hoje minha vida pode fazer diferença. E o que eu sou hoje é um
seguro prenúncio do que serei amanhã.

Ano Bíblico: Jeremias 45-48. — Juvenis: Mateus 13.


Alvos e Prioridades do Cristão Sábado
25 de agosto

Ainda Outro Verdadeiro Tesouro


Queridos irmãos em Cristo, eu os amo e anseio vê-los, pois vocês são
minha alegria e minha recompensa por meu trabalho, meus amados amigos,
permaneçam fiéis ao Senhor. Filipenses 4:1, A Bíblia Viva.
XJm terceiro tipo de tesouro que não pode ser destruído pelas
traças nem roubado pelos ladrões são as almas salvas para o reino de
Deus. No texto de hoje, Paulo as chama de “recompensa”. Na versão
Almeida Atualizada, a tradução é “coroa”. As pessoas ganhas para Je­
sus são um tesouro eterno.
“No dia final”, lemos em O Maior Discurso de Cristo, “quando a ri­
queza da Terra vier a perecer, o que acumulou tesouro no Céu contem­
plará aquilo que foi ganho pela sua vida. Se demos ouvidos às palavras
de Cristo, então, ao reunir-nos em torno do grande trono branco, ve­
remos almas que foram salvas por nosso intermédio, e saberemos que
uma salvou a outros, e estas ainda outras - um grande grupo levado ao
porto de descanso em resultado de nossos labores, para aí depositar
suas coroas aos pés de Jesus, e louvá-Lo através dos intérminos séculos
da eternidade. Com que alegria há de o obreiro de Cristo contemplar
esses remidos, que partilham da glória do Redentor! Quão precioso se­
rá o Céu para aqueles que houverem sido fiéis na obra de salvar almas!”
- Págs. 90 e 91.
Tesouro no Céu. Que pensamento! Que privilégio ser capaz de
participar no processo de ajudar outros a conhecer Jesus melhor.
Esse pensamento nos leva de volta a Mateus 5:13-16 e à função
evangelística de cada cristão. Lembre-se de que cada um de nós é sal e
luz. Cada um de nós tem um ministério diário de permitir que nosso
amor cristão permeie os que se encontram ao nosso redor (a função do
sal) e também de conscientemente testemunhar do evangelho (a fun­
ção da luz). Precisamos aproveitar as oportunidades que Deus coloca
diante de nós cada dia.
O ser sal e luz para os outros causa impacto em nossa própria vida,
à medida que nosso caráter continua a desenvolver-se para ser cada vez
mais semelhante ao caráter de Jesus.
O tesouro celestial rende juros compostos.

Ano Bíblico: jeremias 49 e 50. — Juvenis: Mateus 14.


Domingo Alvos e Prioridades do Cristão
26 de agosto
X
Uma Ultima Olhada no Tesouro
Ensina a criança no caminho em que deve andar, e, ainda quando
for velho, não se desviará dele. Provérbios 22:6.
F ilhos. Todos somos filhos, e a maioria de nós tem pelo menos
um filho. Como eles são preciosos, embora algumas vezes também se­
jam desanimadores e frustrantes.
Como pai e professor, encontro no livro Educação grande encora­
jamento. Nesse livro, a Sra. White nos diz que nosso anjo da guarda
será o primeiro a saudar-nos na manhã da ressurreição. Nosso anjo nos
colocará a par da obra de nossa vida. Lemos depois que “rodas as per-
plexidades da vida serão... explicadas. Onde para nós apareciam ape­
nas confusão e decepção, propósitos frustrados e planos subvertidos,
yer-se-á um propósito grandioso, predominante, vitorioso, uma har­
monia divina.”
Naquele tempo, continua ela, “todos os que trabalharam com um
espírito desinteressado contemplarão os frutos dos seus labores. Ver-se-
á o resultado de todo princípio correto e nobre ação.. Alguma coisa dis-
quão pouc.o dos resultados dos mais nobres traba-
o que se manifesta nesta vida aos que os fazem!
Pais e professores tombam em seu último so:
de sua vida ter sido feito em vão; nãosabem que sua fidelidade descer-
rou fontes de bênçãos que jamais poderão deixar de fluir; apenas,pela
fé vêem as crianças que educaram tomarem-se uma bênção e inspira-
ção a seus semelhantes, e essa influência repetir-se mil vezes mais. ...
Os homens [e mulheres] lançam a semente, da qual, sobre as suas se­
pulturas, outros recolhem a abençoada messe. Plantam árvores para
que outros comam o fruto. Aqui estão contentes por saberem que pu­
seram em atividade forças para promover o bem. No além serão vistas
a ação e reação de todas estas forças”. - Págs. 305 e 306.
As crianças são tesouros. Mais do que isso, são tesouros dinâmicos
que concedem bênçãos a outras pessoas.
Precisamos levar a sério nossa mordomia em favor dos jovens, ain­
da que eles não sejam nossa descendência pessoal. Todos somos pais
em Israel para todos os pequeninos de Deus.

Ano Bíblico: Jeremias 51 e 52. -Juvenis: Mateus 15.


Alvos e Prioridades do Cristão Segunda-feira
27 de agosto

Uma Olhada no Primeiro Mandamento


Porque, onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração.
Mateus 6:21.
O primeiro mandamento diz: “Não terás outros deuses diante
de Mim.” Exo. 20:3. Essa ordem é básica para o Antigo Testamento.
Ela modela a teologia, a história e a ética do Antigo Testamento.
Também modela o Novo Testamento. Em Mateus 6:19-24, por
exemplo, encontramos o primeiro mandamento ilustrado diversas ve­
zes. Talvez possamos captar a intenção de Jesus um pouco mais clara­
mente se parafrasearmos o mandamento para “não terás outros objeti­
vos diante de Mim”. Depois, sugere F. D. Bruner, parafraseamos a in­
tenção de Mateus 6:21 assim: “Onde está teu objetivo, aí estará tam­
bém teu coração.”
Esse é um vislumbre crucial, porque nossos objetivos determinam
nossas ações. Nossos objetivos determinam tudo o mais em nossa vida.
Assim sendo, onde está nosso coração, ou aquilo que nosso coração
tem em vista, é de suma importância. Seja o que for, isto há de deter­
minar tanto a maneira como vivemos como o lugar onde passaremos a
eternidade.
O que eu amo? O que verdadeiramente cativa minha imaginação,
meu tempo livre, minha elevada lealdade? Essas perguntas podem me
ajudar a descobrir tanto a localização do meu coração como a forma
dos meus objetivos. Essas são perguntas nas quais devemos meditar ho­
je ao terminarmos nossas devoções.
Lemos em João 3:19: “O julgamento é este: que a luz veio ao mun­
do, e os homens amaram mais as trevas do que a luz; porque as suas
obras eram más.”
Eles “amaram” as trevas. O amor é um assunto do coração. Todos
nós escolheremos amar alguma coisa. Felizmente, é-nos oferecida uma
escolha na questão. Não somos predestinados.
Hoje, Jesus está me oferecendo uma escolha. Hoje, Ele está ape­
lando a meu coração, afeições e lealdade.
Ele está apelando a mim no próprio contexto de Mateus 6:21, pa­
ra que eu ame as coisas de valor eterno, em vez de as coisas e os costu­
mes transitórios. Ele deseja que eu ame o tesouro “verdadeiro”.
Qual sera minha reação? Que resposta Lhe darei neste dia?

Ano Bíblico: Lamentações. — Juvenis: Mateus 16.


Terça-feira Alvos e Prioridades do Cristão
28 de agosto

Pondo as Prioridades em Ação


Todos estes morreram na fé, sem ter obtido as promessas; vendo-as,
porém, de longe, e saudando-as, e confessando que eram estrangeiros e
peregrinos sobre a Terra. ... Aspiram a uma pátria superior, isto é,
celestial. Hebreus 11:13-16.
XJFma coisa é ter alvos e prioridades corretos, outra bastante di­
ferente é colocá-los em ação.
Talvez a coisa mais importante, ao colocar em prática nossas
prioridades, é o reconhecimento de que somos apenas peregrinos
nesta vida, pessoas em trânsito na Terra. Como os heróis de Hebreus
11, somos “estrangeiros e peregrinos sobre a Terra” e desejamos “uma
pátria superior”. Um dos meus hinos prediletos do Hinário Adventis-
ta do Sétimo Dia baseia-se neste pensamento:
Sou forasteiro aqui, em terra estranha estou,
Do reino lá do Céu embaixador eu sou.
Meu Rei e Salvador vos manda em Seu amor
As boas novas de perdão. (Ne 337)
No sentido mais literal da palavra, este mundo não é nosso lar. Ca­
minhamos na Terra sob o olhar de Deus e na direção de Deus rumo à
nossa esperança eterna.
Essa perspectiva nos capacita a colocar todas as outras coisas no
seu devido lugar em nossa vida, inclusive nossos bens. Repentinamen­
te compreendemos que não somos detentores permanentes de nossas
posses ou talentos. Ao contrário, o cristão reconhece que tudo quanto
ele é ou possui pertence a Deus, e que somos apenas Seus mordomos
por um breve espaço de tempo.
Os não cristãos crêem que são realmente donos daquilo que pos­
suem. Eles podem colocar sua prioridade nas coisas por causa dessa
crença. Mas, como cristãos, reconhecemos que Deus nos emprestou
nossos talentos e haveres para serem usados em Seu serviço.
Devido a essa visão do mundo, as coisas não são o centro de nossa
existência. Nós vamos além, perguntando a cada dia como podemos
ser usados no serviço de Deus.

Ano Bíblico: Ezequiel 1-3. — Juvenis: Mateus 17.


Alvos e Prioridades do Cristão Quarta-feira
29 de agosto

A Lição do "Olho"
São os olhos a lâmpada do corpo. Se os teus olhos forem bons, todo o teu
corpo será luminoso; se, porém, os teus olhos forem maus, todo o teu corpo
estará em trevas. Portanto, caso a luz que em ti há sejam trevas, que grandes
trevas serão! Mateus 6:22 e 23.
T^Jesses versos o olho é comparado a uma janela que permite a

entrada de luz para todo o corpo. A cor ou estado dessa janela deter­
mina qual o tipo de luz e quanta luz entra no compartimento.
Se a janela estiver limpa e clara, a luz poderá inundar o quarto, ilu­
minando cada canto. Por outro lado, se o vidro da janela estiver sujo
ou coberto de gelo, a luz não conseguirá entrar. Assim, a quantidade e
a qualidade da luz que entra no quarto dependem do estado da janela
por meio da qual ela penetra.
Jesus aplica esse conceito ao olho humano. A quantidade de luz que
entra no coração ou na mente de uma pessoa depende do estado espiri­
tual dos seus olhos, já que os olhos são uma janela para todo o corpo.
No contexto de Mateus 6:19-24, esse ensino sobre o olho tem que
ver com nossos alvos e prioridades. Se nossas percepções espirituais es­
tiverem corretas, teremos uma visão correta, tanto dos tesouros terre­
nos como dos celestiais; teremos uma visão correta de qual mestre de­
vemos servir (verso 24). Mas, se nosso olho estiver em más condições,
assim estarão nossas prioridades.
A maioria de nós valoriza muito nossos olhos físicos. Reconhecemos
que sem eles nenhuma luz pode entrar em nosso corpo. Tratamos nossos
olhos com carinho e nos esforçamos para protegê-los. Na busca de uma
visão mais nítida, muitas pessoas usam óculos ou lentes de contato.
Lamentavelmente, as pessoas de hoje não manifestam o mesmo
interesse em sua visão espiritual. Alguns andam de um lado para outro
completamente cegos, embora insistam em dizer o tempo todo que en­
xergam perfeitamente. Outros vêem as coisas através de lentes distor­
cidas. Toda a vida deles é afetada por essas distorções.
Deus quer que tenhamos boa visão espiritual. O Sermão do Mon­
te é uma lente de correção para olhos deficientes.

Ano Bíblico: Ezequiel 4-7. - Juvenis: Mateus 18.


Quinta-feira Alvos e Prioridades do Cristão
30 de agosto

Evitando a Esquizofrenia Espiritual


Irmãos, quanto a mim, não julgo havê-lo alcançado; mas uma coisa
faço: esquecendo-me das coisas que para trãs ficam e avançando para as que
diante de mim estão, prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana
vocação de Deus em Cristo Jesus. Filipenses 3:13 e 14.
T^Tão sou um espectador compulsivo de esportes, mas gosto, de
vez em quando, de assistir a uma Olimpíada. Em nosso texto de hoje,
Paulo descreve um corredor se esforçando para alcançar a linha de che­
gada. O corredor não ousa olhar para trás, para que não perca a margem
de velocidade que faz a diferença entre ser o vencedor e um perdedor.
Paulo compara essa experiência com a do cristão. Os cristãos tam­
bém devem manter sua atenção e prioridades focalizadas em seu único
e incomparável objetivo.
Jesus expressou a mesma idéia em Mateus 6:22 e 23, quando falou
sobre os olhos do cristão serem “bons”. Conforme Ellen White decla­
ra: “Sinceridade despropósito, inteira devoção a Deus, eis a condição
indicada pelas palavras de nossp Salvador. Seja o desígnio de descobrir
a verdade e obedecer-lhe custe o que custar, sincero e inabalável, e ha­
veis de receber divina iluminação. A verdadeira piedade começa quan­
do termina toda transigência com o pecado” - O Maior Discurso de
Cristo, pág. 91.
Paulo tinha essa espécie de devoção em mente quando disse:
“Considero tudo como perda, por causa da sublimidade do conheci­
mento de Cristo Jesus, meu Senhor; por amor do qual perdi todas as
coisas e as considero como refugo, para ganhar a Cristo e ser achado
nEle, não tendo justiça própria, que procede de lei, senão a que é me­
diante a fé em Cristo, a justiça que procede de Deus, baseada na fé.”
Filip. 3:8 e 9.
Paulo é o oposto do homem inconstante e indeciso descrito por
Tiago. O tal é “semelhante à onda do mar, impelida e agitada pelo ven­
to”. Tiago 1:6.
Senhor, hoje recorro humildemente a Ti. Sei que meus alvos e
prioridades precisam ser mais coerentemente vividos em minha vida
diária. Confesso que às vezes tenho sido indeciso. Senhor, faze minha
visão ficar mais nítida; ajuda-me a ter em vista somente à Tua glória e
o verdadeiro tesouro de valor permanente. Obrigado, ó Pai.

Ano Bíblico: Ezequiel 8-10. — Juvenis: Mateus 19.


Alvos e Prioridades do Cristão Sexta-feira
31 de agosto

Visão Distorcida
Acautelai-vos por vós mesmos, para que nunca vos suceda que o vosso
coração fique sobrecarregado com as consequências da orgia [glutonaria,
ARC], da embriaguez e das preocupações deste mundo, e para que aquele
dia não venha sobre vós repentinamente, como um laço. Lucas 21:34.
Porque Demas, tendo amado o presente século, me abandonou.
II Timóteo 4:10.
' Ã'rata-se de uma doença que geralmente aparece com a idade. O

problema gira em torno do embaçamento do cristalino do olho. Quan­


do as estruturas oculares se tornam opacas, o resultado é cegueira par­
cial ou total. Essa é uma doença comum conhecida como catarata.
Embora saibamos que catarata é uma doença física, há no mundo es­
piritual uma dinâmica paralela que também embaça nossa visão e nos le­
va à cegueira progressiva. A visão espiritual distorcida tem muitas cau­
sas. Uma delas é a arrogância ou amor-próprio. As pessoas que não pos­
suem uma visão equilibrada nem correta do próprio eu são incapazes de
autocrítica. E os incapazes de autocrítica também são incapazes de auto-
aperfeiçoamento. Tampouco essas pessoas conseguem ver os outros co­
mo realmente são. Assim sendo, a luz em que vivem se toma trevas.
O preconceito também distorce nossa visão espiritual. Nada des-
trói mais eficazmente nossa capacidade de julgamento do que o pre­
conceito. Ele impede a formação de juízos claros e lógicos. Cega-nos
para os fatos e o significado dos fatos. Assim, nossa luz se torna trevas.
Um terceiro fator de distorção é o ciúme. A pessoa ciumenta per­
de a capacidade de pesar friamente os fatos. Os ciumentos são incapa­
zes de fazer avaliações corretas porque sua visão está enfraquecida.
Vêem muitas vezes vermelho onde deviam ver branco. Vivem numa
luz desbotada.
E os cuidados deste mundo, conforme vimos em nossa leitura bí­
blica de hoje, também transformam nossa luz em trevas. Assim acon­
teceu com Demas, um homem que fizera parte da equipe evangelística
de Paulo. Ele começou a amar as coisas erradas; perdeu a visão e final­
mente a própria fé.
O Grande Médico convida a todos quantos sofrem de catarata es­
piritual a dirigirem-se a Ele para uma cirurgia corretiva.

Ano Bíblico: Ezequiel 11-13. — Juvenis: Mateus 20.


Sábado Alvos e Prioridades do Cristão
Ia de setembro

Luz Sombria
O deus desta era cegou o entendimento dos descrentes, para que não
vejam a luz do evangelho da glória de Cristo, o qual é a imagem de Deus.
II Coríntios 4:4, NVI.
Deus é luz, e não há nEle treva nenhuma. I João 1:5.
JDeus é luz! O pecado cega! O deus desta era (Satanás) é um
agente de cegueira! Esses fatos básicos são localizados no centro do
grande conflito entre o bem e o mal.
O alvo de Satanás é cegar-nos em determinados aspectos vitais
intimamente relacionados com Mateus 6:19-24. Primeiro, ele procu­
ra cegar-nos no tocante à nossa própria mortalidade. Quando somos
jovens, parece que viveremos para sempre, seremos sempre saudáveis,
belos ou elegantes. O mundo valoriza muito esses atributos. A tal
ponto que, quando atingimos o lado descendente da vida, tentamos
algumas vezes conservar nossas características físicas ou faciais de for­
ma artificial, numa tentativa de alimentarmos a ilusão de que real­
mente parecemos jovens. Contudo, não enganamos ninguém a não
ser nós mesmos. A verdade evidente é que envelhecemos e devemos
enfrentar a velhice de maneira saudável.
Nossa beleza se desvanece, nossa força se dissipa e nossos múscu­
los se alteram e ficam sensíveis com o excesso de frio. Mais cedo ou
mais tarde morremos. Essa é a verdade que deve colocar outras verda­
des em perspectiva.
Um segundo ponto em que Satanás tenta cegar-nos é com respeito
ao valor relativo do tempo. E seu intento fazer-nos viver para o tempo
presente e esquecermos a eternidade. A sabedoria do mundo diz que é
tolice viver em função do reino por vir. Pelo contrário, as pessoas devem
fazer tudo quanto podem para gozar o máximo do presente mundo.
Mas a luz de Deus nos ajuda a ver claramente em meio às trevas.
Ele nos ajuda a ver que não há comparação entre a relativa importân­
cia do tempo e da eternidade.
No Sermão do Monte, Jesus nos coloca' face a face com essas ver­
dades. Ele procede assim porque sabe que cada um de nós precisa fazer
uma escolha a respeito da finalidade da vida. Cada um de nós deve es­
colher a visão ou a cegueira, Deus ou Satanás.

Ano Bíblico: Ezequiel 14-17. - Juvenis: Mateus 21.


Alvos e Prioridades do Cristão Domingo
2 de setembro

O Caso de Lázaro
Então, replicou: Pai, eu te imploro que o mandes [Lázaro] à minha
casa paterna, porque tenho cinco irmãos; para que lhes dê testemunho, a fim
de não virem também para este lugar de tormento. Respondeu Abraão: Eles
têm Moisés e os profetas; ouçam-nos. Mas ele insistiu: Não, pai Abraão; se
alguém dentre os mortos for ter com eles, arrepender-se-ão. Abraão, porém,
lhe respondeu: Se não ouvem a Moisés e aos profetas, tampouco se deixarão
persuadir, ainda que ressuscite alguém dentre os mortos. Lucas 16:27-31.
Eis aqui a inestimável parábola de Jesus sobre um homem cuja

luz se convertera em trevas. O homem rico, tradicionalmente conhe­


cido como Dives (em inglês), havia engolido não somente o anzol da
filosofia do mundo, mas também a linha e a chumbada. Ele havia en­
golido de uma só vez todos os oito metros de engano de Satanás.
Dives viveu para este mundo e fez isso com bastante dedicação. Dê
uma olhada nele: luxuosamente vestido em púrpura e linho finíssimo.
Também comia bem. E sua casa era algo de encher os olhos. Ele a havia
feito para este mundo. Era uma figura invejada em seu círculo social.
Depois havia o pobre e velho Lázaro, um homem evidentemente
fiel a Deus, mas que vivia em extrema penúria e com o corpo coberto
de chagas. Ele era tão pobre que ficaria feliz em comer o lixo de Dives.
Mesmo os animais mais desprezados do mundo antigo, os cães, leva­
vam vantagem sobre Lázaro: lambiam as feridas dele.
Que contraste! Mas a história não termina aí. Aproveitando uma
imagem popular, Jesus apresenta Lázaro como indo para o Céu e Dives
para o inferno.
Agora a cortina com que o diabo mascara as prioridades, alvos e
valores mais importantes é removida. A luz resplandece, e mesmo Di­
ves finalmente percebe a verdade.
Ele pede que Lázaro seja enviado para advertir seus irmãos para
que não sejam enganados. Mas lhe é dito que eles já dispõem da fonte
de luz e verdade. Eles já têm a Bíblia, o Livro que conta a verdadeira
história dos valores e alvos.
O problema é que eles não lêem a Bíblia; eles não querem a ver­
dade que ela apresenta. Mas essa luz, meus amigos, é a única luz. Igno-
rá-la significa risco eterno. Ela é a palavra de Deus a nós.

Ano Bíblico: Ezequiel 18-20. — Juvenis: Mateus 22.


Segunda-feira Alvos e Prioridades do Cristão
3 de setembro

A Natureza da Escravidão
Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de aborrecer-se de
um e amar ao outro, ou se devotará a um e desprezará ao outro. Não podeis
servir a Deus e às riquezas. Mateus 6:24.
Esse versículo soava, sem dúvida, mais vigoroso para o mundo
antigo do que para nós. O verbo traduzido como “servir” vem de dou-
los, que é nossa palavra para “escravo”. A palavra traduzida como “se­
nhor” é /curios, um termo que denota posse absoluta e é quase sempre
vertida como “senhor” no Novo Testamento. Portanto, a idéia conti­
da em Mateus 6:24 é a de que ninguém pode ser escravizado por dois
donos ou dois senhores ao mesmo tempo.
Para compreender todo o impacto dessa afirmação, precisamos en­
tender que no mundo antigo um escravo não era considerado uma pes­
soa, mas uma ferramenta viva. Os escravos não tinham direitos pessoais.
Achavam-se completamente sob o domínio de seus senhores, que po­
diam fazer com eles o que bem entendessem. Os senhores podiam ven­
der os escravos, bater neles, expulsá-los de casa e até matá-los.
Uma segunda coisa a observar é que no mundo antigo os escravos
não tinham tempo para si próprios. Todo o seu tempo pertencia a seu
senhor. Na cultura moderna, todo trabalhador dispõe de tempo livre
para si e para suas necessidades pessoais. Durante esse período, ele po­
de desfrutar de lazer ou mesmo trabalhar num segundo emprego. Mas
não acontecia assim com o mundo antigo da escravidão. O tempo de
um escravo pertencia inteiramente a seu senhor.
Jesus está dizendo que os cristãos devem permitir que Deus seja o
senhor incontestável da vida deles. Paulo trata do mesmo assunto em
Romanos 6, onde afirma que somos servos do pecado ou da justiça, de
Cristo ou de Satanás.
Se os cristãos, pois, forem servos de Jesus, sempre levarão a vonta­
de de Deus em consideração em tudo quanto fizerem. Diariamente per­
guntarão a si mesmos: “O que Deus quer que eu faça?” Todas as horas,
todos os dias, eles vivem para Deus. Deus não tem devotos de tempo
parcial, que O servem durante o expediente, mas que fazem um bico
para algum outro senhor em seu tempo livre. Quando Jesus disse que
ninguém podia servir a dois senhores, quis dizer isto mesmo.
Pense sobre o assunto. Está você tentando servir a dois senhores?

Ano Bíblico: Ezequiel 21-23. — Juvenis: Mateus 23.


Alvos e Prioridades do Cristão Terça-feira
4 de setembro

Escravidão Revertida
Não sabeis que daquele a quem vos ofereceis como servos para obediência,
desse mesmo a quem obedeceis sois servos, seja do pecado para a morte, ou
da obediência para a justiça? Mas graças a Deus porque, outrora, servos do
pecado, contudo, vieste a obedecer de coração à forma de doutrina a que fostes
entregues; e, uma vez libertados do pecado, fostes feitos servos da justiça.
Romanos 6:16-18.
TN[ão é exatamente verdade que ninguém possa servir a dois se­

nhores. A verdade é que não podemos servir a dois senhores ao mes­


mo tempo. Porém, dois senhores podem ser servidos em seqüência, um
depois do outro.
Na verdade, isso acontece com os cristãos. Toda pessoa, de acordo
com a Bíblia, nasce com inclinação para o mal. Ora, é verdade que
nem todos somos tentados para o mal da mesma maneira. Muitos
“bons” membros de igreja pensam no pecado somente em suas formas
mais externas. Pensam no pecado em termos de coisas como adultério,
assassínio, roubo, desonestidade clamorosa e assim por diante.
Mas essa é apenas a metade do quadro. Esses “bons” membros de
igreja também se esquecem muitas vezes de pecados “vegetarianos” co­
mo o orgulho, a auto-suficiência e a bondade não santificada. Esque­
cem os pecados que se encontram mais próximos do cerne do real pro­
blema do pecado. Pessoas “boas” (até mesmo pessoas de dentro da igre­
ja) são muitíssimas vezes mais difíceis de serem alcançadas pela men­
sagem convertedora e salvadora de Jesus, porque pessoas boas não sen­
tem necessidade de perdão.
De acordo com a Bíblia, porém, todos precisam se converter. Toda
pessoa precisa encontrar Jesus e descobrir a triste verdade de que pre­
cisamos nos arrepender até mesmo do orgulho que temos de nossa
bondade.
Os conceitos de arrependimento e conversão transmitem a idéia de
uma mudança total de atitude, uma inversão de sentido. Isto é o que
acontece às pessoas quando elas encontram Jesus. Elas podem estar indo
por uma direção, mas depois tomam outro rumo. Descobrem que estavam
servindo ao senhor errado. Essa descoberta as leva a escolher Jesus como
o Senhor da vida delas. Louvado seja Deus pelos milagres da graça!

Ano Bíblico: Ezequiel 24-26. — Juvenis: Mateus 24.


Quarta-feira Alvos e Prioridades do Cristão
5 de setembro

"Não Podeis"
Então, Jesus lhe ordenou: Retira-te, Satanás, porque está escrito:
Ao Senhor, teu Deus, adorarás, e só a Ele darás culto. Mateus 4:10.

'1 'alvez a expressão mais vigorosa de Mateus 6:24 seja “não po­
deis”. Ninguém pode servir a dois senhores. Nem ele, nem ela podem.
O verso não diz “talvez não possais”, nem “não podereis”, mas “não
podeis”. E impossível. E Jesus está tão preocupado em fazer-Se entendi­
do que afirma isso duas vezes no mesmo versículo. Crisóstomo, o grande
pregador da igreja primitiva, comentando o texto, observou que quando
Deus disse que isso é impossível, não diz que é possível. E não é.
Mas por quê?, perguntamos. Por que não podemos servir mais de
um senhor ao mesmo tempo?
Ellen White sugeriu a razão: “Pessoa algum pode ocupar uma posi­
ção neutra; não há classe neutra que nem ama a Deus nem serve ao ini­
migo da justiça. Cristo deve viver em Seus instrumentos humanos, e
operar mediante suas faculdades, e agir por meio de suas aptidões. ...
Aquele que não se entregou inteiramente a Deus, acha-se sob o con­
trole de outro poder, escutando outra voz, cujas sugestões são de cará­
ter inteiramente diverso. Um serviço pela metade coloca o agente hu­
mano do lado do inimigo, como bem-sucedido aliado das hostes das
trevas.” - O Maior Discurso de Cristo, pág. 94-
Pense um pouco sobre a Segunda Guerra Mundial. Um soldado
não podia ficar “um pouquinho” do lado dos aliados e “um pouqui­
nho” do lado de Hitler. Ou permanecia de um lado ou do outro. Assim
também acontece na grande guerra galáctica entre Cristo e Satanás.
Os que alegam servir a Cristo, mas são agentes “de tempo parcial” de
Satanás equivalem a espiões.
Lemos um pouco adiante que “o mais poderoso baluarte do vício
em nosso mundo, não é a vida iníqua do abandonado pecador ou do
degradado; é a vida que, ao contrário, parece virtuosa, respeitável e no­
bre, mas na qual é nutrido um pecado” (Ibidem). A presença de espiões
é embaraçosa para qualquer exército. Vale o mesmo para o exército de
Cristo. A única maneira de servi-Lo, é fazer isso de todo o coração. Vo­
cê não pode servir a Deus e às riquezas.

Ano Bíblico: Ezequiel 27-29. - Juvenis: Mateus 25.


Alvos e Prioridades do Cristão Quinta-feira
6 de setembro

Jesus, o Totalitário
Se queres ser perfeito, vai, vende os teus bens, dá aos pobres e terás um
tesouro no Céu; depois, vem e segue-Me. Tendo, porém, o jovem ouvido esta
palavra, retirou-se triste, por ser dono de muitas propriedades. Mateus
19:21 e 22.
Jesus não usa subterfúgios. Vende tudo o que tens e dá-o aos po­

bres. Essa é uma ordem muito contundente, uma afirmação muito exi­
gente.
Ora, também o é a afirmação que diz: “Quem ama seu pai ou sua
mãe mais do que a Mim não é digno de Mim; quem ama seu filho ou
sua filha mais do que a Mim não é digno de Mim; e quem não toma a
sua cruz e vem após Mim, não é digno de Mim. Quem acha a sua vida
perdê-la-á; quem, todavia, perde a vida por Minha causa achá-la-á.”
Mat. 10:37-39. Não há nada de sutil em tudo isto. Jesus está dando or­
dens absolutistas.
Contudo, se começarmos a pensar no assunto, veremos que isso
não era uma novidade que estava sendo introduzida por Jesus. Os Dez
Mandamentos determinam: “Não terás outros deuses diante de Mim.”
Exo. 20:3. Deus exigia tudo de Seu povo no Antigo Testamento. Ele
era um “Deus zeloso” que não admitia concorrência.
O conceito da adoração a Deus e a nenhum outro é apresentado
também no Novo Testamento, onde recebemos ordem para amar a
Deus de todo o coração, alma e mente.
O cristianismo não é uma religião concessória. É uma religião de
dedicação total. Essa é uma das coisas que torna o cristianismo dife­
rente da maioria das outras grandes religiões do mundo.
Lembro-me de como fiquei frustrado quando entrei em contato
pela primeira vez com o hinduísmo, uma religião de centenas de mi­
lhões de deidades. Um hindu não tem problema em aceitar a Cristo
como um deus entre milhões de outros. Mas outra coisa bastante dife­
rente é um hindu aceitar a Jesus como o único e suficiente Deus e Sal­
vador. Isso é drástico, drástico demais para a maioria.
Mas isso é o que Jesus exige. Ou pertencemos inteiramente a Cris­
to ou não pertencemos. Essa é uma escolha séria. E uma escolha que
não admite concessão. O cristianismo é uma fé radical.

Ano Bíblico: Ezequiel 30-32. — Juvenis: Mateus 26.


Sexta-feira Alvos e Prioridades do Cristão
7 de setembro

Os Cristãos São Ateus


Se o nosso Deus, a quem servimos, quer livrar-nos, Ele nos livrará da
fornalha de fogo ardente e das tuas mãos, ó rei. Se não, fica sabendo, ó rei,
que não serviremos a teus deuses, nem adoraremos a imagem de ouro que
levantaste. Daniel 3:17 e 18.
Os cristãos têm morrido pelas razões mais estranhas. Na primei­
ra perseguição movida pelo Império Romano, por exemplo, eles foram
mortos porque se presumia que fossem canibais, imorais ou ateus.
Eram vistos como canibais pelo grande público, pelo fato de come­
rem a carne e beberem o sangue de alguém chamado Jesus. Eram vis­
tos como imorais porque suas “festas de amor” aconteciam em segredo.
E considerando-se o que acontecia nas festas gregas e romanas, basta­
va apenas um devaneio da imaginação para deduzirem a imoralidade,
especialmente quando se levava em conta o fato de que já comiam car­
ne humana e bebiam sangue humano em suas “orgias” secretas.
Curiosamente, pensava-se que os cristãos primitivos também eram
ateus. Você pode ficar pensando como podia ser isto. Não tinham es­
sas pessoas dado tudo por suas crenças religiosas?
Isso é verdade, mas eles não honravam as divindades greco-roma-
nas, inclusive o imperador. Assim sendo, eram ateus do ponto de vista
das culturas em que viviam. Não apenas eram ateus, mas considerados
inimigos da humanidade, pois o fato de não adorarem os deuses civis
significava que a comunidade não podia ser plenamente abençoada
pelas divindades.
Os cristãos de hoje também devem parecer ateus. Os deuses da cul­
tura moderna são riquezas materiais e posições de prestígio e poder.
São esses os valores supremos para a maioria das pessoas. Muitos farão
qualquer coisa para obtê-los, e poucas são as pessoas que não se curvam
perante seus altares, nem mostram deferência para com os seus sumos
sacerdotes.
Os verdadeiros cristãos se recusam a entrar nesse jogo. Como os
amigos de Daniel no passado e como os primitivos cristãos, eles ado­
ram um Deus estranho; adoram Yahweh, o Deus invisível que exige
lealdade total.
Os cristãos são diferentes da cultura em geral. Servem a um senhor
diferente.

Ano Bíblico: Ezequiel 33-35. - Juvenis: Mateus 27.


Alvos e Prioridades do Cristão Sábado
8 de setembro

O Lugar das Posses Materiais


Se atentamente ouvires a voz do Senhor, teu Deus, tendo cuidado de
guardar todos os Seus mandamentos que hoje te ordeno, o Senhor, teu Deus,
te exaltará sobre todas as nações da terra. Deuteronômio 28:1.
Jesus não está nos dizendo em Mateus 6 que é errado ter posses
materiais ou riquezas. O que Ele está nos dizendo é que essas bênçãos
precisam ter o lugar apropriado em nossa vida. Em vez de ter impor­
tância suprema, elas devem ser vistas sob a perspectiva do Deus que
no-las deu. Elas não devem ser nosso senhor. Ao contrário, devemos
ser senhores das bênçãos materiais para o serviço de Deus.
Há várias coisas que precisamos lembrar a respeito das bênçãos
materiais e nossa relação para com elas. A primeira é que elas perten­
cem a Deus. “Ao Senhor pertence a Terra e tudo o que nela se contém,
o mundo e os que nele habitam”, diz o salmista (Sal. 24:1). “Pois são
Meus todos os animais do bosque e as alimárias aos milhares sobre as
montanhas. ... Se Eu tivesse fome, não to diria, pois o mundo é Meu e
quanto nele se contém.” Sal. 50:10-12.
Conta-se a história de uma aluna que fez uma excursão à zona ru­
ral. Pela primeira vez na vida, ela viu a abundância primaveril de flo­
res silvestres que atapetavam as colinas. Virando-se para sua professo­
ra, perguntou: “A senhora acha que Deus Se importaria se eu pegasse
uma de Suas flores?”
Ela estava certa. Tudo o que existe pertence a Deus.
Uma segunda coisa que nós, como cristãos, devemos observar é
que somos mordomos de Deus. Ele nos confia bens materiais para que
os compartilhemos com outros. Em parte, somos mordomos espirituais,
mas de vez em quando somos convidados a compartilhar com os de­
samparados e famintos as bênçãos materiais que Deus nos concedeu. O
princípio da mordomia envolve não somente dinheiro, mas também
nossos dons e talentos.
Na parábola de Jesus, foi o senhor quem distribuiu os talentos pa­
ra serem utilizados até que ele voltasse. Assim acontece na vida real.
Somos os mordomos da riqueza, não os seus proprietários. Somos ge­
rentes de Deus.

Ano Bíblico: Ezequiel 36-38. — Juvenis: Mateus 28.


Domingo Alvos e Prioridades do Cristão
9 de setembro

O Bezerro do Senhor
Quem éfiel no pouco também éfiel no muito; e quem é injusto
no pouco também é injusto no muito. Se, pois, não vos tornastes fiéis na
aplicação das riquezas de origem injusta, quem vos confiará a verdadeira
riqueza' Lucas 16:10 e 11.
C3onta-se a história de um fazendeiro que informou alegremen­
te à esposa e aos filhos que a melhor vaca da família havia parido dois
bezerros gêmeos: um marrom e outro branco. Ele disse que estava tão
agradecido que resolvera dedicar um dos bezerros ao Senhor.
- Vamos criá-los juntos e quando chegar a hora vamos vender um
deles e ficar com o lucro, e vamos vender o outro e doar o dinheiro pa­
ra a obra do Senhor.
- Mas qual deles é o do Senhor? - quis saber a esposa.
- Não precisamos nos aborrecer com isso agora - respondeu ele. —
Vamos criá-los da mesma maneira até que estejam prontos para a venda.
Alguns meses depois o fazendeiro voltou para casa parecendo mui­
to deprimido e infeliz. Quando a esposa lhe perguntou o motivo do de­
sânimo, ele lhe contou que o bezerro do Senhor havia morrido.
- Mas - exclamou ela - você ainda não havia resolvido qual deles
era o do Senhor!
- Oh, sim - disse ele - eu resolvera algum tempo atrás que era o
branco, e foi o branco que morreu.
Bem, podemos até sorrir com essa história singela. Mas não ria de­
mais, ou você poderá estar rindo de você mesmo. Para muitos de nós,
quem sempre morre é o bezerro do Senhor. Quando as coisas ficam di­
fíceis, um dos primeiros setores que escolhemos para fazer economia
são as nossas contribuições para a obra do Senhor. O bezerro do Se­
nhor é sempre o primeiro.
Por quê?, somos constrangidos a perguntar. Porque ainda lutamos
contra o deus mamom [riquezas]. Ainda contendemos com o direcio­
namento de nossa lealdade. Nossos padrões de contribuição falam al­
to sobre o que é importante em nossa vida.
Precisamos lembrar-nos constantemente de que não podemos ser­
vir a Deus e a mamom. Precisamos reajustar nossas prioridades finan­
ceiras. Isso não é tão difícil, uma vez que o coração esteja voltado pa­
ra a divindade correta.

Ano Bíblico: Ezequiel 39-41. - Juvenis: Marcos 1.


Alvos e Prioridades do Cristão Segunda-feira
10 de setembro

Um Argumento Progressivo
Que o próprio Deus da paz os santifique inteiramente. Que todo
o espírito, a alma e o corpo de vocês sejam conservados irrepreensíveis na
vinda de nosso Senhor Jesus Cristo. Aquele que os chama éfiel e fará isso.
I Tessalonicenses 5:23 e 24, NVI.
O Deus de nossa salvação está ansioso para nos salvar completa­
mente. Ele quer, tanto quanto possível, que estejamos em Seu reino.
Quando Paulo fala que Deus quer salvar corpo, alma e espírito, está nos
dizendo que Deus quer salvar a pessoa toda, não apenas o corpo, não
apenas a mente, nem apenas nosso lado espiritual. No reino não haverá
espíritos destituídos de corpo, nem corpos destituídos de espíritos.
Em Mateus 6:19-24, Jesus tem tratado com a pessoa toda de uma
maneira progressiva. No fim de Sua primeira ilustração, no verso 21,
Ele fala do nosso coração, a sede de nossas atitudes. Ele sabe que é de­
cisivo advertir-nos primeiro sobre a importância dos problemas do co­
ração. É o coração que se inclina na escolha de uma ou de outra ma­
neira de viver. Portanto, ao falar sobre os dois tesouros, Ele começa
com nosso coração.
Depois, nos versos 22 e 23, temos o ensinamento dos dois olhos. Je­
sus transfere o assunto rapidamente para nossos órgãos visuais, a parte de
nosso ser que abastece a mente com grande quantidade de dados sobre
os quais tomamos decisões. Se nossos olhos e mente fornecerem dados
corrompidos, teremos pouca probabilidade de fazer escolhas corretas.
A seguir, Jesus passa para nosso ser inteiro e nossa lealdade final no
ensinamento dos dois senhores. Aqui Jesus atinge o clímax para o qual
Ele vinha Se dirigindo desde o verso 19. Os frutos finais de nossas ati­
tudes e perspectiva mental são uma vida que será a favor de Deus ou
contra Ele.
Esses três ensinamentos não nos levam a nenhum meio-termo.
Nosso tesouro está nos Céus ou está na Terra. Nossos olhos estão nos
abastecendo com luz ou com trevas. Estamos servindo a Deus ou às ri­
quezas.
Jesus não poderia ter dito isto de maneira mais clara. Ele deixa, po­
rém, a decisão com você e comigo? A que senhor eu servirei hoje7.

Ano Bíblico: Ezequiel 42-44. — Juvenis: Marcos 2.


Terça-feira Alvos e Prioridades do Cristão
11 de setembro

Uma Questão de Prioridades


Quem crê no Filho tem a vida eterna; o que, todavia, se mantém rebelde
contra o Filho não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus.
João 3:36.
Jenny Lind (1820-1887) foi talvez a maior cantora de ópera de
sua época. Fama e fortuna estavam à sua disposição. Contudo, ela
abandonou a carreira quando estava no auge para nunca mais voltar.
Ela deve ter sentido falta do aplauso de milhares incontáveis de
fãs. Deve ter sentido a ausência da fama, da atenção constante e talvez
até do dinheiro. Contudo, preferiu passar o restante da vida em isola­
mento.
Certa vez um amigo britânico encontrou-a sentada na praia, com
a Bíblia na mão e os olhos fitos no pôr-do-sol. Conversaram, e o assun­
to caminhou para a pergunta inevitável:
- Por que você abandonou o palco no auge do sucesso?
- Quando todo dia - respondeu ela - eu pensava cada vez menos
nisto [colocando a mão sobre a Bíblia] e nada em tudo isto [apontan­
do para o pôr-do-sol], que mais poderia eu fazer?
Naturalmente, ela poderia ter feito muitas coisas. Poderia certa­
mente ter permanecido em sua profissão. Isso seria uma escolha válida.
Todo dia enfrentamos escolhas críticas. Em Mateus 6:24, Jesus Se
refere à escolha mais importante da vida. Diariamente devemos deci­
dir que Jesus seja nosso senhor. Diariamente devemos comprometer-
nos em ser Seus servos.
O texto bíblico de hoje nos faz lembrar de que essa escolha não é
insignificante. Escolher Jesus significa escolher a vida eterna. Rejeitar
Jesus significa permanecer sob a ira de Deus, a santa e amorosa ira con­
tra os resultados destrutivos do pecado.
O coração de Deus apela para que hoje eu venha ter com Ele, que
eu dê a Ele meu coração e que faça dEle o verdadeiro Senhor da mi­
nha vida. Os que assim o fizerem já têm a vida eterna. Já fazem parte
do reino.

Ano Bíblico: Ezequiel 45-48. - Juvenis: Marcos 3.


Alvos e Prioridades do Cristão Quarta-feira
12 de setembro

Gostamos de nos Preocupar


Portanto Eu lhes digo: não se preocupem com suas próprias vidas,
quanto ao que comer ou beber, nem com seus próprios corpos, quanto ao
que vestir. Não é a vida mais importante que a comida, e o corpo mais
importante que a roupa? Mateus 6:25, NVI.

mha vida foi cheia de terríveis infortúnios, a maioria dos


quais jamais aconteceu.” Essas palavras do filósofo Montaigne expres­
sam bem a situação humana. Gostamos de nos preocupar. Na verdade,
quando não temos algo importante com que nos preocupar, passamos
a ficar ansiosos com insignificâncias. Todos somos, muitíssimas vezes,
como a senhora que declarou: “Sempre me sinto mal quando estou
bem, pois sei que vou me sentir mal pouco tempo depois.”
Lamentavelmente, a ansiedade cobra um preço muito alto dos an­
siosos. Os antigos militares chineses tinham uma forma especial de
torturar seus prisioneiros. Amarravam-lhes as mãos e pés e os punham
sob uma bolsa de água que ficava gotejando... gotejando... gotejando,
dia e noite. Essas gotas d’água caindo incessantemente na cabeça do
condenado se tornavam como o som de golpes de martelo e acabavam
o enlouquecendo.
A preocupação é como o pingar incessante da água. O gotejar
constante da preocupação enfraquece as energias vitais de homens e
mulheres, provocando neles conseqüências como úlceras, doenças car­
díacas, insanidade e suicídio. Os hospitais estão cheios de pessoas que
sucumbiram sob o peso esmagador da preocupação e da ansiedade. A
preocupação é um assassino, tanto direta quanto indiretamente.
O Sermão do Monte enfrenta o problema da preocupação de fren­
te, e aquilo que ele recomenda ainda forma o fundamento de alguns dos
mais úteis conselhos sobre o assunto na área médica, psicológica e espi­
ritual. Jesus trata desse problema em Mateus 6:25-34- Nos próximos dias
vamos examinar Seu conselho e procurar aplicá-lo a nossa vida.
Ao examinarmos esse conselho, precisamos ter em mente o fato de
que Deus está interessado em nossa vida diária. Está interessado na
qualidade de nossa vida. Ele quer que ela seja mais abundante por cau­
sa de nossa fé.
Obrigado, ó Deus, por Te importares hoje comigo. Agradeço-Te
por não quereres para mim apenas o que é bom, mas o que é melhor.
Eu Te amo, ó Senhor.
Ano Bíblico: Daniel 1-3. — Juvenis: Marcos 4.
Quinta-feira Alvos e Prioridades do Cristão
13 de setembro

"Não vos Inquieteis"


Não andeis ansiosos de coisa alguma; em tudo, porém, sejam conhecidas,
diante de Deus, as vossas petições, pela oração e pela súplica, com ações de
graças. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o vosso
coração e a vossa mente em Cristo Jesus. Filipenses 4:6 e 7.
44 NT
I N ão andeis ansiosos de coisa alguma”, lemos no verso bíbli­
co para hoje. O que significa não andar ansioso de coisa alguma?
Essa frase é tão confusa quanto a de Mateus 6:25, conforme a tra­
dução da King James Version [Versão do Rei Tiago], onde lemos: “Não
vos inquieteis quanto à vossa vida, com o que haveis de comer, nem
com o que haveis de beber, nem quanto ao vosso corpo.” A frase “não
vos inquieteis” repete-se novamente nos versos 31 e 34- O que quer
que Jesus estivesse tentando nos dizer, deveria ser muito importante
para Ele, pois diz isso três vezes em nove versículos.
Diversas traduções inglesas da Bíblia, publicadas antes da King Ja­
mes Version, traduzem a frase como “não andeis cuidadosos quanto à
vossa vida”. Elas empregam a palavra “cuidadoso” no sentido literal de
cheio de cuidado. Essa é uma tradução mais útil do que a da KJV. Não
é a previdência comum e prudente que Jesus está condenando; é a
preocupação.
E preocupação ou ansiedade é a tradução dada pela maioria das
traduções modernas. Jesus está nos dizendo repetidas vezes que os cris­
tãos não devem preocupar-se com a vida,, nem ficar ansiosos sobre o
que devem vestir ou comer.
Os judeus da época de Cristo conheciam muito bem as atitudes re­
comendadas por Jesus. Os grandes rabis ensinavam que uma pessoa de­
via enfrentar a vida com uma combinação de sensibilidade em assun­
tos práticos por um lado e serenidade por outro. Ensinavam, portanto,
que se devia fazer planos cuidadosos, mas também confiar em Deus.
Para eles, as duas coisas deviam caminhar juntas.
Veremos nos dias a seguir que Jesus e o Novo Testamento ensinam
a mesma combinação de virtudes. Não se inquietar e não andar ansio­
so de coisa alguma deve ser entendido como: “Não fique ansioso nem
preocupado o tempo todo.” Por que deveriamos? Deus não é nosso Pai?
Não cuida Ele de nós?

Ano Bíblico: Daniel 4-6. — Juvenis: Marcos 5.


Alvos e Prioridades do Cristão Sexta-feira
14 de setembro

Um Pouco Mais Sobre Não Ser


"Cuidadoso"
Respondeu-lhe o Senhor: Marta! Marta! Andas inquieta e te preocupas
com muitas coisas. Entretanto, pouco é necessário ou mesmo uma só coisa;
Maria, pois, escolheu a boa parte, e esta não lhe será tirada. Lucas 10:41 e 42.
Duas de minhas personagens favoritas do Novo Testamento são

Maria e Marta, as duas irmãs de Lázaro de Betânia. Como elas eram di­
ferentes! Marta era uma trabalhadora infatigável. Estava sempre cheia
de cuidados com os deveres e detalhes da vida diária. Preocupava-se com
tudo o que estava sendo feito, e se estava sendo bem-feito: se as refeições
seriam adequadas para os convidados, se sairiam a tempo, se a casa esta­
va limpa, se as roupas haviam sido lavadas, se tudo funcionaria bem. Es­
sas eram as coisas que a preocupavam. Ela era uma pessoa cheia de cui­
dados. Em termos modernos, ela era ansiosa e preocupada.
Depois vinha Maria. Conforme imagino mentalmente, Maria era
como uma borboleta voando de flor em flor. Passava um bocado de
tempo cheirando as rosas da vida. Interessava-lhe mais a beleza das
coisas e os relacionamentos do que fazer as coisas na hora.
E era nesse ponto que surgia o atrito entre as duas irmãs. Jesus havia
chegado a Betânia, e Marta O convidara para o jantar. Esse convite a dei­
xou uma pilha de nervos. Afinal de contas, as camas precisavam ser fei­
tas, o assoalho precisava ser varrido, o alimento precisava ser comprado
e preparado e... A colérica Marta estava operando em alta rotação.
Mas onde está Maria? Ali está ela! Sem fazer nada! Apenas senta­
da aos pés de Jesus, ouvindo e sorrindo! Será que ela não sabe que as
coisas precisam ser feitas? Ela não liga a mínima?
Marta estava preocupada; estava cheia de cuidados. Cheia demais.
Cheia demais até mesmo para ficar algum tempo com Jesus.
Jesus lhe passa uma repreensão suave e lhe diz francamente que
Maria havia tomado a decisão mais importante. Ele não disse para
Marta que era errado limpar e cozer, mas que ela devia reajustar as suas
prioridades.
As características de Marta e Maria são necessárias. E preciso que
haja trabalhadores, mas, melhor ainda, os trabalhadores precisam estar
com Jesus primeiro.

Ano Bíblico: Daniel 7-9. — Juvenis: Marcos 6.


Sábado Alvos e Prioridades do Cristão
15 de setembro

O Lugar do Trabalho
No suor do rosto comerás o teu pão, até que tornes à terra, pois dela
foste formado; porque tu és pó e ao pó tornarás. Gênesis 3:19.
J^lgumas pessoas interpretam as palavras de Jesus em Mateus
6:25, sobre não inquietar-se sobre a vida, o alimento e o vestuário, co­
mo significando que elas não devem pensar nessas coisas. Essas pessoas
zelosas, mas equivocadas, se esquecem da necessária lição de reconhe­
cer tudo quanto a Bíblia diz sobre um assunto e de não regular nossa
vida por passagens isoladas, retiradas do seu contexto.
A ordem bíblica não é apenas “viver pela fé”, com a negligência
de nossas necessidades temporais. Longe disso. No momento da queda
no Éden, Deus estabeleceu um programa de trabalho para Adão e Eva.
Era ordem divina que os seres humanos, após a queda, devessem traba­
lhar através do suor do seu rosto. Em Mateus, Jesus não está condenan­
do os fazendeiros por lavrarem e gradarem a terra, e semearem, colhe­
rem e armazenarem em celeiros.
O apóstolo Paulo diz isso de maneira bastante explícita em sua se­
gunda carta aos tessalonicenses, quando afirma que, “se alguém não
quer trabalhar, também não coma”. Mesmo nos dias de Paulo, surgiram
na igreja indivíduos fanáticos com o argumento de que, visto que o Se­
nhor iria voltar brevemente, eles não precisavam trabalhar, mas viver
pela fé e passar o tempo em estudo da Bíblia, preparando-se assim pa­
ra a segunda vinda. Pensando assim, pararam de trabalhar e imagina­
vam-se excepcionalmente espirituais. Daí a repreensão de Paulo.
Em Mateus 6, Jesus está procurando fazer com que corrijamos nos­
sas prioridades. Embora devam trabalhar com diligência, os cristãos
não devem trabalhar compulsivamente. Nem devem ficar tão materia­
listas que se encham de cuidado e ansiedade. O lado material da vida
é importante, mas não é sumamente importante. O trabalho é impor­
tante, mas não é tudo na vida.
Temos, como cristãos, um Pai celestial que cuida de nós. Não pre­
cisamos andar inquietos, nem cheios de apreensão. Pelo fato de con­
fiarmos em Deus, temos liberdade para viver vida mais abundante em
todos os aspectos.

Ano Bíblico: Daniel 10-12. — Juvenis: Marcos 7.


Alvos e Prioridades do Cristão Domingo
16 de setembro

Um Diabo Sorrateiro
Lançando sobre Ele toda a vossa ansiedade, porque Ele tem cuidado de
vós. Sede sóbrios e vigilantes. O diabo, vosso adversário, anda em derredor,
como leão que ruge procurando alguém para devorar. 1 Pedro 5:7 e 8.
O diabo não tem escrúpulos. Não lhe importa qual a maneira

como ele vai enganá-lo. O que lhe interessa é que você tropece e caia.
Com alguns de nós, ele utiliza um tipo de tentação; com outros, outra
tática. Pode até mesmo empregar táticas opostas para alcançar os mes­
mos objetivos.
Assim, talvez pensemos que vencemos a batalha contra Satanás
porque o enfrentamos quando ele chegou na porta da frente de nossa
vida. Mas, antes que nos demos conta, percebemos que ele se introdu­
ziu sorrateiramente pela porta dos fundos. São infinitos os seus méto­
dos. Ele pode aparecer até como um anjo de luz.
Esses pensamentos nos reportam diretamente aos ensinos de Jesus
na última metade de Mateus 6. Separe tempo para ler novamente os
versos 19-34- Que verso divide esses versículos em duas partes? Qual é
o fio comum que liga as duas partes? Em que diferem essas duas partes?
O ponto decisivo desses versos é o versículo 25. Até esse ponto da
passagem, Jesus vem dizendo a Seus ouvintes para não fazerem dos bens
materiais e do sucesso seu objetivo na vida ou a coisa mais importante.
Mas no versículo 25 ocorre uma mudança. O assunto agora é não preo-
cupar-se com os bens, nem mesmo com as necessidades da vida.
O fio comum que atravessa o versículo 19 ao 34 são as posses ma­
teriais. Os versículos diferem no seguinte: a primeira parte trata da
aquisição de posses, enquanto a última parte focaliza a preocupação so­
bre elas.
Mas a estratégia do diabo é a mesma por todo o caminho. Ele quer
que o lado material da vida seja o ponto focal de nossos pensamentos.
Quer que o material domine o espiritual. E alcança seus objetivos, tão
logo consegue desordenar nossas prioridades.
Em Mateus 6, Jesus fala sobre ambos os lados da tentação comum
do materialismo. Ele apresenta uma mensagem profundamente neces­
sária para o tempo em que vivemos. Uma mensagem especialmente
necessária para mim.

Ano Bíblico: Oséias 1-4. — Juvenis: Marcos 8.


Segunda-feira Alvos e Prioridades do Cristão
17 de setembro

Primeiro Argumento Contra


a Preocupação
Aquele que não poupou o Seu próprio Filho, antes, por todos nós O
entregou, porventura, não nos darã graciosamente com Ele todas as coisas?
Romanos 8:32.
O que o versículo bíblico para hoje tem em comum com Ma­
teus 6:25: “Não andeis ansiosos pela vossa vida, quanto ao que haveis
de comer ou beber, nem pelo vosso corpo, quanto ao que haveis de
vestir. Não é a vida mais do que o alimento, e o corpo, mais do que as
vestes?” Pense em sua resposta antes de prosseguir com a leitura.
-t- A resposta é que ambas as passagens apresentam os argumentos do
maior para o menor. Romanos 8:32 argumenta que, visto que Deus deu
Seu Filho (o maior), Ele com certeza vai nos dar tudo aquilo de que ca­
recemos. Encontramos a mesma coisa em Mateus 6:25.-*-
Assim, a primeira razão para não se preocupar, apresentada em Ma­
teus 6:25-34, é que a vida, em suas propriedades mais essenciais, tem co­
mo base a confiança em Deus e a dependência dEle. Toda pessoa tem vi­
da e corpo. Jamais recebemos essas coisas por meio de ansiedade. Elas
vêm como dons de nosso amorável Criador. Portanto, Jesus nos diz que,
se Deus nos concedeu atributos tão maravilhosos, por que estarmos
preocupados com coisas tão medíocres como alimento, roupa e abrigo?
Aquele que nos deu coisas maiores (a própria vida), certamente
pode e está disposto a nos dar as menores (bens materiais) indepen­
dentemente de nossa constante impaciência. Precisamos aprender a
confiar no Deus que tem cuidado de nós.
Jesus continua ilustrando Seu ensinamento sobre a confiança em
Deus, fazendo-nos contemplar os pássaros e as flores. Mas antes de pas­
sarmos a este assunto, devemos observar que as coisas com as quais Jesus
nos diz para não nos preocuparmos são as necessidades mais elementa­
res da vida. Comida, hebida e vestuário acham-se no centro da existên­
cia. São confortos necessários. Sem comida e bebida (e até mesmo sem
roupa, dependendo do clima) deixaríamos de existir. Essas coisas são bá­
sicas para a sobrevivência. Ora, se somos instruídos a não nos preocupar­
mos com esses itens mais importantes, parece muito mais lógico que não
devamos nos preocuparmos com as coisas secundárias.

Ano Bíblico: Oséias 5-9. - Juvenis: Marcos 9.


Alvos e Prioridades do Cristão Terça-feira
18 de setembro

Agradecendo a Deus Pelo Óbvio


Um dos dez, vendo que fora curado, voltou, dando glória a Deus em
alta voz, e prostrou-se com o rosto em terra aos pés de Jesus, agradecendo-Lhe;
e este era samaritano. Então, Jesus lhe perguntou: Não eram dez os que
foram curados? Onde estão os nove? Lucas 17:15-17.
Tenho apenas as minhas próprias costas. Até chegar aos quaren­

ta anos, eu era em grande parte inconsciente desse fato. Jamais me le­


vantei de manhã e agradecí a Deus por ter costas fortes e sem dor. Da­
va aquilo como certo e seguia meu caminho.
Então aconteceu o desastre. Eu estava ajudando meu filho a colo­
car a bagagem no porta-malas do meu carro, ao visitá-lo na Academia
Monte Pisga, na Carolina do Norte. Não lembro o que levantei, mas
não pesava mais que 4,5 quilos. Não era pesado, mas, ao curvar-me, al­
go aconteceu às minhas costas.
Durante os dias que se seguiram, andei por aí como um orangotan­
go sem pêlo. Sempre que eu ficava ereto, lembrava-me de que possuía
costas. Na verdade, mesmo quando eu não conseguia ficar ereto, sabia
que tinha costas. Isso acabou se tornando o centro da minha vida.
Subitamente comecei a orar em favor das costas - não pelas costas
em geral, mas pelas minhas costas.
Ora, muitos de vocês podem contar-me uma história parecida. Pa­
ra outros, seriam histórias sobre braços, olhos, estômagos ou mesmo so­
bre a vida. As histórias são semelhantes. Começamos a orar por essa
ou por aquela parte quando as coisas não vão bem.
Minha pergunta é: Por que esperar? Por que esperar que as coisas
piorem antes de orar por elas? Não seria melhor viver em um estado de
gratidão a nosso Criador, que nos fez de modo tão maravilhoso?
Deus nos deu a vida, deu nosso corpo. Essas são coisas elaboradas
com extrema perfeição. Hoje quero agradecer ao Senhor por dois olhos
que funcionam muito bem (ainda que não perfeitamente), por dois
braços úteis e livres de dor e até mesmo pelas costas que estão saudá­
veis (enquanto faço minha parte e as exercito cada dia).
Seja agradecido agora. Não espere até que alguma coisa dê errado
para começar a orar. Louve a Deus exatamente agora por seu corpo e
pela própria vida.

Ano Bíblico: Oséias 10-14. — Juvenis: Marcos 10.


Quarta-feira Alvos e Prioridades do Cristão
19 de setembro

As Lições dos Pássaros


Observai as aves do céu: não semeiam, não colhem, nem ajuntam em
celeiros; contudo, vosso Pai celeste as sustenta. Porventura, não valeis vós
muito mais do que as aves? Mateus 6:26.
.Atlguns anos atrás o Serviço de Saúde Pública dos Estados Uni­
dos publicou uma declaração relacionando o predomínio de doenças
nervosas e a tendência de preocupar-se com o enfraquecimento e en­
curtamento da vida. Nessa declaração, estava a seguinte observação
(sem dúvida alguma, inspirada nas palavras de Jesus): “Tanto quanto
se saiba, nenhum pássaro tentou construir mais ninhos do que seu vi­
zinho. Nenhuma raposa se afligiu porque tinha apenas uma toca na
qual se esconder. Nenhum esquilo morreu de ansiedade, temendo não
ter suprimentos para dois invernos em vez de um, e nenhum cachorro
perdeu o sono pelo fato de não ter ossos reservados para sua velhice.”
O ponto que Jesus apresentou em referência ao cuidado de Deus
dispensado aos pássaros não era de que eles não trabalham. Ninguém
trabalha mais arduamente para sobreviver do que os pardais. Certamen­
te eles não se sentam nos mourões da cerca, esperando que alguém co­
loque comida em seu bico. O que. Jesus salientou é que eles não ficam
ansiosos. Não se esforçam para enxergar um futuro que eles não podem
ver, nem buscam segurança em coisas armazenadas e acumuladas.
Obviamente, afirmou Jesus, as pessoas têm mais valor do que os
pássaros. Se o Criador cuida deles, você pode confiar que Ele cuidará
de você.
A bela, delicada, mas curta vida das flores é usada no verso 28 pa­
ra ilustrar um vislumbre semelhante.
Hoje, meu Pai, quero agradecer-Te as lições da natureza, que nos
são apresentadas a cada dia. Ajuda-me, Senhor, a estar sintonizado
com o que desejas me dizer. Ajuda-me a aprender a não me afligir, e
sim confiar em Teu cuidado. Ajuda-me a encontrar paz em Teu amor.

Ano Bíblico: Joel. - Juvenis: Marcos 11.


Alvos e Prioridades do Cristão Quinta-feira
20 de setembro

Contemplando
Oro também para que os olhos do coração de vocês sejam iluminados,
a fim de que vocês conheçam a esperança para a qual Ele os chamou, as
riquezas da gloriosa herança dEle nos santos e a incomparável grandeza do
Seu poder para conosco, os que cremos, conforme a atuação da Sua poderosa
força. Efésios 1:18 e 19, NVI.
D eus quer que olhemos para as coisas que nos fazem entender

melhor a Sua Pessoa e o Seu amorável cuidado por nós. As primeiras


palavras que a versão Almeida Corrigida usa para traduzir Mateus 6:26
são “olhai para”. Na Almeida Atualizada lemos “observai”. Deus quer
que retiremos os olhos de nós mesmos e de nossos problemas. Ele quer
que enxerguemos além de nossas necessidades e desejos.
Ele pede, portanto, que “olhemos para” as aves do céu. Elas têm
uma lição para nós. Paulo diz isso de maneira magistral em nossa pas­
sagem bíblica de hoje, quando afirma que os olhos do nosso coração
precisam ser iluminados com respeito à grandeza do amor de Deus e ao
plano que Ele tem para nós. Seus planos para nós são mais elevados do
que aqueles que fazemos para nós mesmos.
A fim de contemplar a extensão e a profundidade do amor de Deus
por nós, precisamos “olhar para” Ele, tanto em Sua Palavra como no
livro da natureza.
Nossa passagem nos leva um passo adiante na compreensão de
Mateus 6:28, onde recebemos ordens para “considerar” a lição dos lí­
rios. A palavra “considerar” é um termo mais forte e enérgico do que
a expressão “olhar para”. Pressupõe meditação e consideração das coi­
sas divinas num nível mais profundo.
Deus quer que nós O compreendamos melhor. Quer que com­
preendamos mais plenamente Seu grande amor e cuidado por nós. De­
seja que nos volvamos, para além da ansiedade e da preocupação, em
direção à fé. É por isso que nos ordena “olhar” e “considerar” Suas li­
ções na natureza e na Bíblia.
“Aquietai-vos e sabei que Eu sou Deus”, diz o Senhor por intermé­
dio do salmista (Sal. 46:10). Quão quieto você tem andado ultima­
mente? Você passa a maior parte do tempo olhando para o quê?
A resposta a essas perguntas revelará muita coisa sobre seus obje­
tivos e prioridades; a resposta dirá muito sobre a qualidade da sua fé.

Ano Bíblico: Amós 1-4. — Juvenis: Marcos 12.


Sexta-feira Alvos e Prioridades do Cristão
21 de setembro

A Preocupação é Cega
Sinto abatida dentro de mim a minha alma; lembro-me, portanto, de Ti
nas terras do Jordão, e no monte Hermom, e no outeiro de Mizar. Salmo 42:6.
Aumos ontem que Jesus nos disse para “olhar para” as aves e
“considerar” os lírios. Ele nos afirmou que, se olhássemos para essas
coisas e as considerássemos, aprenderiamos lições inestimáveis de con­
fiança na solicitude de Deus.
Mas a preocupação é cega. Não tem olhos para as aves, nas quais
poderia encontrar paz; não tem mente para as flores, nas quais poderia
descobrir a verdade. A preocupação recusa-se a aprender as lições da
natureza.
A preocupação também se recusa a aprender as lições da história.
E aqui que entra nosso texto bíblico de hoje. O salmista se sente ani­
mado com a lembrança da história, com a lembrança da terra do Jor­
dão e do monte Hermom. Esses lugares lhe trazem à mente o concer­
to e as promessas divinas. Sua alma talvez estivesse abatida, mas ele
conseguia lembrar-se da promessa de Deus a respeito de um futuro me­
lhor; conseguia lembrar-se da orientação de Deus na história passada.
Podia ter esperança no futuro porque se lembrava do que Deus havia
feito no passado.
Esse pensamento nos faz relembrar da lição ensinada por Ellen Whi­
te sobre a direção divina no passado. “Ao recapitular a nossa história
passada, havendo percorrido todos os passos de nosso progresso até ao
nosso estado atual, posso dizer: Louvado seja Deus! Quando vejo o que
Deus tem executado, encho-me de admiração e de confiança na lideran­
ça de Cristo. Nada temos que recear quanto ao futuro, a menos que es­
queçamos a maneira em que o Senhor nos tem guiado, e os ensinos que
nos ministrou no passado.” - Mensagens Escolhidas, vol. 3, pág. 162.
A preocupação não é cega somente às lições da natureza e da his­
tória, mas também às lições da vida. Vamos combatê-la, pois ainda es­
tamos aqui; conseguimos fazer isso até aqui na vida, vencendo obstá­
culos que pareciam insuperáveis. Com a ajuda de Deus, suportamos o
insuportável e realizamos o irrealizável. O Deus que nos ajudou ontem,
nos ajudará amanhã.
A principal diferença entre a fé e a preocupação é que a primeira
tem olhos, enquanto a segunda não os tem.

Ano Bíblico: Amós 5-9. — Juvenis: Marcos 13.


Alvos e Prioridades do Cristão Sábado
22 de setembro

Vosso Pai
Porque não recebestes o espírito de escravidão, para viverdes, outra
vez, atemorizados, mas recebestes o espírito de adoção, baseados no qual
clamamos: Aba, Pai. O próprio Espírito testifica com o nosso espírito que
somos filhos de Deus. Ora, se somos filhos, somos também herdeiros,
herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo; se com Ele sofremos, também
com Ele seremos glorificados. Romanos 8:15-17.
-^^ateus 6:26 nos diz que Deus é Pai, “vosso Pai Celestial”. Isto

é emocionante. A realidade de Deus ser Pai de cada cristão é um dos


grandes e recorrentes temas do Sermão do Monte.
Todos quantos nasceram de novo foram adotados na família de
Deus. Essas pessoas renunciaram a seu antigo pai e a seus hábitos peca­
minosos e aceitaram a Deus como Pai. Passaram a fazer parte da grande
família dos redimidos. Estão, portanto, em condições de chamar Deus de
“Aba, Pai”. Aqueles que ainda têm o diabo como pai não podem fazer
isso. “Aba” é um termo carinhoso, como a palavra “papai” em português.
Que maravilha! O Deus do Universo é meu Papai. Não admira que eu
não precise me preocupar. Não admira que eu não tenha temor. Deus é
Aba para mim. Esse fato fornece a base da confiança.
Contudo, Deus não tem apenas a proximidade de um papai; Ele
também possui o poder de um Criador. Foi Ele quem trouxe os mun­
dos à existência. “Os céus por Sua palavra se fizeram, e, pelo sopro de
Sua boca, o exército deles.” Sal. 33:6. “Pois Ele falou, e tudo se fez; Ele
ordenou, e tudo passou a existir.” Verso 9. Nosso Aba também é o po­
deroso Criador das aves e das flores.
Essa é a razão por que não devo me preocupar. Ele tem a proximi­
dade de um papai e o poder de um Deus galáctico. Que Senhor!
Mas isso não é tudo. Nosso Aba Criador também tem o coração de
um redentor. Ele nos amou tanto que deu Seu Filho para morrer em
nosso lugar, a fim de que tivéssemos vida eterna.
Este é o Deus a quem servimos. Ele é Papai, Criador e Redentor,
tudo de uma vez. Seu cuidado por nós não se limita apenas à esfera es­
piritual; abrange também nosso vestuário e sustento de cada dia.
Quem pode ficar ansioso tendo tal Senhor como amigo?

Ano Bíblico: Obadias e Jonas. — Juvenis: Marcos 14.


Domingo Alvos e Prioridades do Cristão
23 de setembro

O Ápice da Criação
Não se vendem dois pardais por um assei E nenhum deles cairá em terra
sem o consentimento de vosso Pai. E, quanto a vós outros, até os cabelos todos
da cabeça estão contados. Não temais, pois! Bem mais valeis vós do que
muitos pardais. Mateus 10:29-31.
1L) ignidade humana. Esse é um tema muito debatido em nossos
dias. E proclamado nos jornais, pelos escritores de livros e pelos noti-
ciaristas de rádio e de televisão.
E na Bíblia, porém, que encontramos uma perspectiva mais ampla
da dignidade humana. Lemos no Salmo 8 que Deus nos fez um “pouco
menor do que os anjos” e nos coroou “de glória e de honra”. Fomos fei­
tos para exercer domínio sobre todas as criaturas de Deus (ver versos
5-8). E Gênesis 1:26 e 27 nos diz que fomos feitos à imagem e seme­
lhança da Divindade. Os seres humanos são o ápice da criação, as mais
preciosas de todas as criaturas de Deus.
Talvez o maior presente já dado à natureza humana foi a encarna­
ção da segunda pessoa da Trindade como Jesus de Nazaré. Pare para
pensar um pouco sobre isto. Deus Se tornou um ser humano. Deus Se
tornou um de nós, um conosco.
Todos os outros conceitos de dignidade humana perdem o brilho e
se tornam insignificantes em face da luz que a Bíblia derrama sobre es­
se assunto. São falsas e mesquinhas as visões mundanas de grandeza
humana.
É a partir da perspectiva do conceito bíblico de dignidade e valor
humano que precisamos compreender a extensão e a profundidade do
cuidado de Deus por nós. Jesus está nos dizendo na leitura bíblica de
hoje que, se Deus cuida até mesmo de humildes pardais, certamente
haverá de tratar com maior solicitude a parte mais importante de Sua
criação. Conforme Jesus perguntou em Mateus 6:26: “Porventura, não
valeis vós muito mais do que as aves?”
Esse argumento de Jesus é importante. Se Deus cuida das aves sem
que elas precisem viver diariamente ansiosas, não cuidaria Ele tanto
quanto ou até mesmo mais da obra coroadora da criação?
Amigos cristãos, hoje é o dia de confiar mais em Deus. Hoje é o
dia de aprender mais plenamente a lição do cuidado divino.

Ano Bíblico: Miquéias 1-4. - Juvenis: Marcos 15.


Alvos e Prioridades do Cristão Segunda-feira
24 de setembro

Segundo Argumento Contra


a Preocupação
Qual de vós, por ansioso que esteja, pode acrescentar um côvado ao
curso da sua vida? Mateus 6:27.
O segundo argumento de Jesus contra a preocupação é a inuti­

lidade dela. A preocupação não leva a nada.


Um soldado francês levava consigo durante a Primeira Guerra
Mundial a seguinte receita contra a preocupação: “De duas coisas, uma
é certa. Ou você está na vanguarda, ou na retaguarda da batalha. Se
estiver na vanguarda, de duas coisas uma é certa. Ou você se encontra
exposto ao perigo, ou num lugar seguro. Se você está exposto ao peri­
go, de duas coisas uma é certa. Ou você está ferido, ou não está. Se es­
tiver ferido, de duas coisas uma é certa. Ou vai se recuperar, ou vai
morrer. Caso se recupere, não deve se preocupar. Caso morra, não te­
rá como se preocupar. Por que, então, se preocupar?”
Outra pessoa sugeriu que existem pelo menos duas coisas sobre as
quais nunca devemos nos preocupar. Primeiro, com as coisas sem con­
serto. Se não podemos remediá-las, ficar preocupado é com certeza a
coisa mais tola e inútil a fazer. Segundo, com as coisas que podemos
consertar. Se podemos fazer algo a respeito, devemos é agir e não ficar
desperdiçando nossas forças, preocupando-nos.
Jesus ilustrou a inutilidade da preocupação, declarando que nin­
guém é capaz de, por meio da ansiedade, acrescentar um côvado (apro­
ximadamente 45cm) ao curso de sua vida ou à sua estatura. Tive no
passado um amigo adolescente com problemas de crescimento, que vi­
via constantemente aborrecido com sua baixa estatura. Charles se
preocupava dia e noite com o problema. Ele acabou crescendo até qua­
se atingir 1,82 m de altura, embora fique bastante evidente que não foi
a sua preocupação que desencadeou seu tardio surto de crescimento.
O termo traduzido por “côvado” na versão Almeida também apre­
senta o sentido de tempo em outras versões. Mas é óbvio que preocu-
par-se em adicionar tempo à vida é uma tolice maior que tentar acres­
centar tamanho à estatura. A preocupação tende a encurtar a vida.
Jesus nos faz ver a inutilidade da preocupação, a qual não somente
consome nossas energias, mas também nos desvia da esfera de atividade.

Ano Bíblico: Miquéias 5-7. - Juvenis: Marcos 16.


Terça-feira Alvos e Prioridades do Cristão
25 de setembro

As Lições das Flores


Epor que andais ansiosos quanto ao vestuário? Considerai como
crescem os lírios do campo: eles não trabalham, nem fiam. Eu, contudo,
vos afirmo que nem Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer
deles. Mateus 6:28 e 29.

Em Mateus 6:26 Jesus declarou que, observando as aves, podía­


mos aprender uma lição sobre a preocupação. Agora, nos versos 28-30,
Ele chama a nossa atenção para a lição similar das flores.
Um dos pontos focais do ensino de Jesus sobre as flores é o forno,
mencionado no versículo 30. Os fornos da Palestina eram feitos de
barro. Pareciam uma caixa, colocada sobre o fogo. Quando a cozinhei­
ra desejava aumentar a temperatura rapidamente, lançava um punha­
do de ervas secas e flores silvestres no forno e ateava fogo nelas.
As flores tinham um período de vida relativamente curto antes de
serem atiradas no forno para acelerar a cozedura. As flores secas não
prestavam para nada a não ser para serem usadas como combustível no
preparo do pão, apesar disso Deus as vestia com uma beleza que nem
mesmo Salomão conseguiu imitar.
O argumento de Jesus é este: Se Deus dá beleza a uma flor de vida
tão curta, não devotará maior cuidado a Seus filhos humanos? Aquele
que é generoso o bastante para esbanjar beleza numa flor [efêmera],
certamente não se esquecerá de nós, os seres humanos, a obra coroa-
dora da criação de Deus.
Naturalmente, a maioria de nós não usa ervas nem flores secas em
nossos fornos. Mas a maioria de nós do século vinte continua a admi­
rar a beleza das flores. Admiramo-las tanto que gastamos grandes so­
mas de dinheiro para comprá-las em festas de casamento, dia dos na­
morados, etc.
Não podemos, porém, conservá-las por tempo indefinido. Desde o
momento em que as cortamos, elas começam a murchar e a morrer. Le­
vamo-las para casa no auge de sua beleza, mas acabam indo para o li­
xo dentro de poucos dias.
As pessoas, porém, não foram criadas para um tempo limitado, e
sim para a eternidade. Quando compreendemos o fato de que Deus já
deu vida eterna a todo cristão (ver João 3:36; 5:24), começamos a en­
tender por que temos tão poucas razões para preocupar-nos.

Ano Bíblico: Naum. - Juvenis: Lucas 1.


Alvos e Prioridades do Cristão Quarta-feira
26 de setembro

A Glória de Salomão
Vendo, pois, a. rainha, de Sabá, toda a sabedoria de Salomão, e a casa
que edificara, e a comida da sua mesa, e o lugar dos seus oficiais, e o serviço
dos seus criados, e os trajes deles, e seus copeiros, e o holocausto que oferecia
na Casa do Senhor, ficou como fora de si e disse ao rei: Foi verdade a
palavra que a teu respeito ouvi na minha terra e a respeito da tua sabedoria.
Eu, contudo, não cria naquelas palavras, até que vim e vi com os meus
próprios olhos. Eis que não me contaram a metade: sobrepujas em sabedoria
e prosperidade a fama que ouvi. I Reis 10:4-7.

glória de Salomão era proverbial entre os judeus. Pode-se ler


a respeito de sua magnificência no Antigo Testamento. Suas roupas
magníficas; seus palácios de madeira de cedro, com mobília revestida
de ouro e embelezada com pedras preciosas. E, contudo, Jesus afirma
que toda essa glória perde o brilho quando comparada com o mundo
das flores, com toda a sua imponência multicor.
Posso dizer amém a esse pensamento. Tive recentemente a opor­
tunidade de passar uma semana às margens desertas do Lago Superior
no Alto Michigan. Tive ali o privilégio de caminhar por entre as co­
loridas e adornadas aquilégias. De tempos em tempos eu ficava extre­
mamente feliz em descobrir uma orquídea silvestre. A variedade de
forma, padrão e cor das flores selvagens de junho pareciam infinitas.
Deus é amante do belo.
Esse é um pensamento importante. Também é uma lição secundária
que devemos extrair da lição de Jesus sobre as flores. Deus ama a beleza.
Assim foi na criação. Assim foi na construção do tabemáculo terreno
por Moisés e no Templo construído posteriormente por Salomão.
Alguns cristãos equivocados querem nos fazer crer que Deus fica­
ria feliz se nossa roupa, lares e igrejas fossem destituídos de beleza. Es­
sa, porém, não é a mensagem da Bíblia. O Deus que criou as flores, os
pássaros e os peixes tropicais coloridos é um Deus harmonioso. Ele é
amante do belo, não apenas na cor, mas também no som e na forma.
Deus ama o que é belo, e quer que sejamos como Ele.

Ano Bíblico: Habacuque. — Juvenis: Lucas 2.


Quinta-feira Alvos e Prioridades do Cristão
27 de setembro

Pequena Fé
Ora, se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã
é lançada no forno, quanto mais a vós outros, homens de pequena fé?
Mateus 6:30.
CZ-om as palavras “homens de pequena fé” Jesus apresenta um re­
sumo do argumento com o qual vinha trabalhando desde Mateus 6:25.
A conclusão de Seu detalhado argumento sobre aves e flores é que
Seus ouvintes não haviam tirado as deduções óbvias do mundo criado
ao redor deles. Em conseqüência disso, faltava-lhes fé: eles possuíam
“pequena fé”.
Note que Jesus não disse que eles não tinham fé. Eles possuíam al­
guma fé. As pessoas a quem Jesus Se dirige no Sermão do Monte são
crentes. As bem-aventuranças são uma realidade na vida delas. A
mensagem destina-se aos humildes de espírito, aos que choram por
causa de seu senso de culpa, aos que se consideram perdidos e desam­
parados e que sentem fome e sede de verdadeira justiça. Seus ouvintes
são os que amam a Deus como a um Pai.
O problema deles não é a ausência de fé, mas o possuir “pequena
fé”. Ou seja, a fé deles é inadequada; é imatura. É uma fé insuficiente.
A expressão “pequena fé” é empregada cinco vezes nos Evangelhos, e
todas as vezes é usada com relação aos discípulos. Eles possuíam fé, mas
essa fé era insuficiente.
O que é “pequena fé”? Alguns têm sugerido, levando-se em con­
ta o contexto aqui em Mateus 6:30 e em outros lugares, que essa “pe­
quena fé” é uma fé que aceita o fato de Jesus ser o Salvador dos peca­
dos, mas não consegue ser aplicada em outros aspectos da vida. Essas
pessoas possuem fé salvadora, mas param nisso. A fé delas não se es­
tende até as ocupações da vida diária. Elas não conseguem entender
o fato de que Deus tem interesse em todos os setores da nossa vida.
Não conseguem reconhecer que, em virtude do interesse de Deus em
todos os aspectos da nossa vida, não temos necessidade de preocupar-
nos. A “pequena fé” não entende que Deus está conosco tanto no lu­
gar de trabalho quanto no lugar de adoração.

Ano Bíblico: Sofonias. — Juvenis: Lucas 3.


Alvos e Prioridades do Cristão Sexta-feira
28 de setembro

A "Pequena Fé" em Ação


E eis que sobreveio no mar uma grande tempestade, de sorte que o
barco era varrido pelas ondas. Entretanto, ]esus dormia. Mas os discípulos
vieram acordá-lo, clamando: Senhor, salva-nos! Perecemos! Perguntou-lhes,
então, Jesus: Por que sois tímidos, homens de pequena fé? Mateus 8:24-26.
C-Dlue contraste! Jesus dorme, e os discípulos sentem medo. No

entanto, talvez mais importante do que o tamanho do contraste é a ra­


zão para isso. Por que os discípulos estavam tão temerosos, enquanto
Jesus dormia em perfeita paz?
Essa é uma das passagens em que é útil comparar as leituras nos
quatro Evangelhos. Tome um momento para ler e comparar Mateus
8:23-27 com Marcos 4:36-41 e Lucas 8:22-25. O que cada passagem
tem a dizer sobre fé? Quais as implicações das variações das perguntas
feitas tanto por Jesus como pelos discípulos em cada Evangelho?
Perceba que, enquanto em Mateus Jesus só chama os discípulos de
“homens de pequena fé”, em Lucas Ele lhes faz a penetrante pergunta:
“Onde está a vossa fé?”
“Onde está a vossa fé” quando as coisas ficam difíceis? “Onde está
a vossa fé” quando surgem as tempestades da vida? Todos sabemos que
não é difícil ter o que chamamos de fé quando tudo vai bem, quando
o barco da nossa vida navega em águas calmas. Mas onde está nossa fé
quando as coisas pioram? Essa é a prova que demonstra se temos pe­
quena fé ou fé madura.
A pergunta dos discípulos, em Marcos 4:38, também ajuda a com­
por esse incidente: “Mestre, não Te importa que pereçamos?”
E claro que Ele Se importa. Esses homens eram o coração de Sua
futura igreja. Ele tinha muita consideração por eles. O problema esta­
va nos discípulos, e não em Jesus. Faltava-lhes a confiança de que Deus
Se importava com eles em todos os aspectos da vida. Foi por isso que
Jesus lhes perguntou: “Por que sois assim tímidos? Como é que não
tendes fé?” Verso 40.
Onde está a minha fé? Onde está ela quando enfrento ameaças e
crises reais? Faço parte do grupo dos de “pequena fé”, ou realmente ve­
jo que Deus Se importa comigo em todas as circunstâncias e que sou
objeto de Sua solicitude?

Ano Bíblico: Ageu. - Juvenis: Lucas 4.


Sábado Alvos e Prioridades do Cristão
29 de setembro

A Pequena Fé e as Promessas
Pelas quais nos têm sido doadas as Suas preciosas e mui grandes
promessas, para que por elas vos torneis co-participantes da natureza divina,
livrando-vos da corrupção das paixões que hã no mundo. II Pedro 1:4.
Ontem e anteontem examinamos o que significa ter “pequena
fé” e o que significa ter uma fé que compreende o fato de que Deus vai
nos salvar, mas não consegue entender que Ele está ativamente empe­
nhado em cuidar de nós em todos os aspectos de nossa vida diária.
O resultado: a pequena fé se preocupa; a pequena fé não sabe co­
mo confiar no Pai. A pessoa de pequena fé é controlada por preocupa­
ções e temores. A mente de uma pessoa assim anda em círculos sem
chegar a soluções confiáveis. Essas pessoas ficam acordadas por horas a
fio durante a noite, enquanto a mente se angustia com os mesmos de­
talhes deprimentes sobre pessoas e coisas. Nessas situações, as pessoas
não têm o controle de seus processos mentais. Ao contrário, estão sen­
do controladas por algo, e esse algo, caso o processo continue, acabará
por levá-las a um estado de preocupação. A pequena fé é uma condi­
ção que permite que as circunstâncias nos controlem e dominem. Mas
Deus quer que tenhamos o tipo de fé que domina a situação, que lan­
ça a ansiedade para trás e prossegue numa ação construtiva, fundamen­
tando sua confiança no Deus que Se importa.
No seu fundamento, a pequena fé não consegue levar Deus e Sua
Palavra a sério; não consegue crer em Suas “preciosas e mui grandes
promessas”. Temos muito que aprender com as promessas de Deus. Te­
mos muito que aprender com os personagens bíblicos que levaram as
promessas de Deus a sério e que exerceram grande fé. Precisamos
aprender destes crentes imperfeitos, mas heróicos, como Abraão, Da­
vi, Daniel, Pedro e Paulo.
Como Paulo, precisamos lembrar que nosso Deus pode fazer “infi­
nitamente mais do que tudo quanto pedimos ou pensamos, conforme
o Seu poder que opera em nós”. Efés. 3:20. Precisamos reconhecer “a
suprema grandeza do Seu poder”. Efés. 1:19. À luz dessas declarações,
toda preocupação parece infundada.

Ano Bíblico: Zacarias 1-4. - Juvenis: Lucas 5.


Alvos e Prioridades do Cristão Domingo
30 de setembro

Transformando a Pequena Fé
em Grande Fé
Portanto, não vos inquieteis, dizendo: Que comeremos' Que beberemos?
Ou: Com que nos vestiremos? Mateus 6:31.

JL
44 Portanto” é a palavra-chave de nosso verso bíblico de hoje.
“Portanto” é a conjunção que une o que foi dito nos versos 25 a 30 com
o que se segue a partir do verso 31. “Portanto” pressupõe que, se realmen­
te pensarmos nas maravilhas da natureza, nas belezas naturais e na ma­
neira como Deus cuida da natureza em termos de seres como aves e flo­
res, não teremos motivo para nos preocupar com coisas como comida, be­
bida e vestuário. Na verdade, nem seremos capazes de preocupar-nos.
“Portanto” implica que, se realmente começamos a compreender o
que significa ter Deus como Pai, não teremos motivos para preocupar-
nos com as necessidades básicas da vida. O problema com muitos cris­
tãos é que não compreendem o que é ser filho de Deus; não vêem Seus
propósitos misericordiosos com respeito a nossa vida. Será impossível
ficarmos preocupados, quando verdadeiramente aceitarmos a Deus co­
mo nosso Pai pessoal.
“Portanto” também implica que a pequena fé pode transformar-se nu­
ma grande fé quando aprendemos as lições que Jesus nos apresenta a res­
peito tanto do lugar das posses materiais em nossa vida (versos 19-24) co­
mo da desnecessidade de preocupar-nos com essas coisas (versos 25-34).
O ideal de todo seguidor de Jesus é possuir grande fé. A grande fé
se constrói sobre as promessas da Bíblia e sobre a aplicação dessas pro­
messas a todos os aspectos da vida. A grande fé é parte do “portanto”
do verso 31. Ainda que, como cristãos, tenhamos que enfrentar prova­
ções, problemas, aflições e tristezas, não precisamos temer, porque “em
todas estas coisas, porém, somos mais que vencedores, por meio dA-
quele que nos amou. Porque eu estou bem certo de que nem a morte,
nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do pre­
sente, nem do porvir, nem os poderes, nem a altura, nem a profundi­
dade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de
Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor”. Rom. 8:37 e 38.
Senhor, ajuda-me hoje a tornar-me uma pessoa de grande fé. Per­
mite, pelo Teu poder, que eu esqueça minha pequena fé para sempre.

Ano Bíblico: Zacarias 5-8. — Juvenis: Lucas 6.


Segunda-feira Alvos e Prioridades do Cristão
Ia de outubro

Terceiro Argumento Contra


a Preocupação
Porque os gentios é que procuram todas estas coisas; pois vosso Pai celeste
sabe que necessitais de tudo isso. Mateus 6:32.
O terceiro argumento de Jesus contra a preocupação é que ela
é pagã, se não for ateísta. Preocupar-se com bens materiais, reputação
ou mesmo a salvação é agir como os que não possuem fé ou confiança.
Uma característica de muitos gentios ou não crentes é ter toda a vida
centralizada nas coisas que possuem. Ficam felizes ou infelizes confor­
me ganham ou perdem as coisas.
Os pagãos aqui são aqueles que não têm fé em Deus e que se en­
tregam às preocupações. Eles não entendem que “Deus amou o mundo
de tal maneira que deu Seu Filho unigênito para que todo aquele que
nEle crê não pereça, mas tenha a vida eterna”. João 3:16. Não com­
preendem a realidade de que o Criador é um Pai amoroso que cuida de
cada pessoa com um amor que excede em muito ao amor humano
(Luc. 15:11-32). Ainda não entenderam o fato de que Jesus está vol­
tando à Terra para pôr um fim ao problema do pecado e preparar uma
nova Terra para Seu povo, onde não mais haverá dor, doença, destrui­
ção e morte: um lugar onde a fonte da preocupação humana não mais
existirá (João 14:1-3; Apoc. 21:1-4).
A preocupação é, em sua essência, desconfiança de Deus. O cris­
tão preocupado é uma contradição. O crente não pode ser vencido pe­
la preocupação porque conhece o amor de Deus e acredita nesse amor.
Quando compreendermos realmente nosso Deus, não teremos
mais preocupações. Quando nos dermos conta do amor que Ele tem
por nós, nossa ansiedade se dissipará como a névoa ao ser atingida pe­
los cálidos raios do sol matinal.
Com a sugestão de que preocupar-se é agir como alguém que não
conhece a Deus, Jesus atinge o clímax do Seu argumento contra a
preocupação. Os preocupados não conseguiram aprender a lição da na­
tureza, de que Deus cuida de Sua criação. A preocupação não é apenas
uma coisa inútil; é também pagã. Nos dois versos a seguir Jesus irá su­
gerir maneiras de vencer a preocupação.

Ano Bíblico: Zacarias 9-11. - Juvenis: Lucas 7.


Alvos e Prioridades do Cristão Terça-feira
2 de outubro

Mundanos Espirituais
Então lhes recomendou: Tende cuidado e guardai-vos de toda e qualquer
avareza; porque a vida de um homem não consiste na abundância dos bens
que ele possui. Lucas 12:15.
^/Jundanos espirituais! O mundo está cheio deles. A igreja es­
tá cheia deles.
Mas quem são eles? O que significa ser mundano espiritual?
Talvez a melhor definição seja esta: pessoas que possuem um ponto
de vista correto sobre a salvação, mas que são mundanas em seus pen­
samentos sobre a vida em geral. Ou seja, elas são corretas quando falam
sobre salvação, mas parecem pagãs quando falam sobre a vida diária:
têm uma filosofia mundana. Andam preocupadas com casas, roupas e
carros. Estão sempre falando sobre riquezas, bens e posições. São essas
as coisas que realmente as dirigem. Dependem dessas coisas para serem
felizes ou infelizes. Isso, diz Jesus, é ser como os gentios, ser como os que
não conhecem a Jesus como Senhor, nem a Deus como Pai.
Os cristãos não são controlados por coisas. Sua felicidade central
não vem da posse de coisas, nem sua infelicidade central deriva da per­
da delas.
Ser um mundano espiritual é, sem dúvida, uma condição grave, da
perspectiva do Novo Testamento. Mas como as pessoas sabem se estão
sofrendo desse mal?
Algumas perguntas podem nos ajudar a fazer o diagnóstico. Para
onde, por exemplo, dirijo meus pensamentos quando tenho tempo li­
vre? O que enfatizo mais em minhas conversas? O que me faz feliz ou
infeliz? Quando acontece algo preocupante, minha reação é essencial­
mente diferente daquela que eu teria se não fosse cristão?
A pura verdade é que as únicas coisas realmente valiosas são aque­
las que continuarão a ter valor daqui a 10.000 anos. A perspectiva cris­
tã da vida se encontra no extremo oposto tanto do mundanismo comum
quanto do mundanismo espiritual.
Senhor, Tu sabes como é fácil para mim estabelecer prioridades er­
radas. Ajuda-me hoje a deixar para trás todas as formas de mundanismo
e marchar em direção à esfera do cristianismo autêntico.

Ano Bíblico: Zacarias 12-14. — Juvenis: Lucas 8.


Quarta-feira Alvos e Prioridades do Cristão
3 de outubro

O Pai Sabe
E o meu Deus, segundo a Sua riqueza em glória, há de suprir, em
Cristo Jesus, cada uma de vossas necessidades. Filipenses 4:19.

ateus 6:32 não diz que Deus ignora a necessidade que temos
de coisas terrenas. Ao contrário, afirma que “vosso Pai celeste sabe que
necessitais de todas elas”, isto é, de comida, bebida e roupas. Do mes­
mo modo, lemos no verso 8 que “o vosso Pai sabe o de que tendes ne­
cessidade, antes que Lho peçais”.
Não temos somente um Pai que “sabe” de nossas necessidades; nós
sabemos que temos esse Pai. São esses os pontos nos quais diferimos
dos gentios.
Precisamos lembrar que jamais nos encontraremos numa situação
ou estado alheios ao conhecimento e cuidado de Deus. Ele não apenas
conhece nossas necessidades físicas, mas também está interessado em to­
da a nossa vida. Está disposto a guiar-nos dia a dia. Lemos em O Deseja-
do de Todas as Nações que “Deus nunca dirige Seus filhos de maneira di­
versa daquela por que eles próprios haveriam de preferir ser guiados, se
pudessem ver o fim desde o princípio e perscrutar a glória do desígnio
que estão realizando como colaboradores Seus”. - págs. 224 e 225.
Que Pai! Que Deus! Não admira que os cristãos não devam se
preocupar. Eles jamais se encontram fora do raio de ação da solicitude
de Deus. Ele está sempre com eles, não importa quão negras as circuns­
tâncias possam parecer no momento. Ele sempre antevê as suas neces­
sidades.
E Ele tem um coração condizente com Seu conhecimento. Deus
Se importa conosco mais do que nos importamos com nossos filhos.
“Acaso, pode uma mulher esquecer-se do filho que ainda mama, de
sorte que não se compadeça do filho do seu ventre? Mas ainda que es­
ta viesse a se esquecer dele, Eu, todavia, não Me esquecerei de ti. Eis
que nas palmas das Minhas mãos te gravei; os teus muros estão conti­
nuamente diante de Mim.” Isa. 49:15 e 16.
Nosso Pai sabe. Esse é um dos pensamentos mais confortadores das
Escrituras. Ele sabe de todas as minhas necessidades, de todos os meus de­
sejos e de todas as minhas potencialidades, e deseja que essas necessida­
des sejam atendidas mais do que eu mesmo desejo atender às necessida­
des dos meus próprios filhos. Sou bastante grato por saber que Ele sabe.

Ano Bíblico: Malaquias. — Juvenis: Lucas 9.


Alvos e Prioridades do Cristão Quinta-feira
4 de outubro

Estratégia n° 1 Para Vencer


a Preocupação
Buscai, pois, em primeiro lugar, o Seu reino e a Sua justiça [de Deus],
e todas estas coisas vos serão acrescentadas. Mateus 6:33.
Jesus não nos condena por nossa preocupação. Ao contrário,
mostra-nos a saída para o problema para que sejamos mais saudáveis e
felizes. Apresenta-nos duas sugestões simples, mas profundas, para ven­
cer esse hábito incapacitante.
Sua primeira sugestão é que busquemos em primeiro lugar o reino
de Deus e Sua justiça. A maioria de nossas preocupações tem sua ori­
gem no fato de estarmos, demasiadas vezes, caminhando na direção
oposta à indicada por Jesus. Ambicionamos coisas materiais e nos in­
quietamos por causa delas, e esperamos que Deus de alguma forma nos
introduza furtivamente no Seu reino. Por outro lado, Jesus diz que para
obtermos genuíno sucesso, temos de pôr as primeiras coisas em primei­
ro lugar.
Somente quando buscarmos e compreendermos a afeição, a soli­
citude e a justiça de Deus é que as preocupações se desfarão. Quando
virmos a Deus como Ele realmente é, não conseguiremos mais preo­
cupar-nos. Esse é o xis da questão.
De fato, Jesus está dizendo que, se devemos preocupar-nos com al­
guma coisa, que seja com a nossa relação com Deus. Talvez você esteja
procurando as coisas erradas da vida. Se puser as coisas mais importan­
tes em primeiro lugar, as coisas secundárias virão como o subproduto
natural. Jesus estava convicto de que, quando realmente confiamos em
Deus e O amamos e entendemos, a preocupação ansiosa não encontra
lugar em nossa vida.
Querido Pai, hoje estou interessado em minhas prioridades pes­
soais. Sei que Te amo. E sei que dedico a Ti algum tempo cada dia. Afi­
nal de contas, estou lendo este livro devocional.
Mas, Pai, sinto uma necessidade mais profunda, uma necessidade
de colocar a Ti e a Teu reino no próprio centro da minha vida, e não
apenas nas margens dela. Quero hoje dedicar-me novamente a Ti. Por
favor, entra no meu ser, não apenas como Salvador, mas também co­
mo Senhor de todos os meus pensamentos e ações. Dá-me a graça de
dar-Te o primeiro lugar, até mesmo antes de mim mesmo.

Ano Bíblico: Vista geral do Antigo Testamento. — Juvenis: Lucas 10.


Sexta-feira Alvos e Prioridades do Cristão
5 de outubro

Outra Olhada nas Prioridades


Portanto, se fostes ressuscitados juntamente com Cristo, buscai as coisas
lá do alto, onde Cristo vive, assentado à direita de Deus. Pensai nas coisas lá
do alto, não nas que são aqui da Terra; porque morrestes, e a vossa vida está
oculta juntamente com Cristo, em Deus. Colossenses 3:1-3.
.Ato ordenar que buscássemos primeiro a Deus e a Sua justiça, Je­
sus está nos dizendo para virar as costas para os deuses da Terra (bens
e posições) e dirigir nossa atenção primeiramente para a busca das coi­
sas espirituais. Essa ordem se concentra na palavra “seu”. Não devemos
buscar nossa justiça nem estabelecer nosso próprio reino. Longe disso.
Devemos buscar Sua justiça e Seu reino.
A ordem para buscar Sua justiça é um retorno à quarta bem-aven-
turança: “Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque
serão fartos.” Mateus 5:6. Observamos que a quarta bem-aventurança
é a primeira de todo um clamor sincero a ser coberto com a justiça de
Cristo, porque temos visto nossa pobreza espiritual, chorado a respeito
de nossos defeitos e ansiado por perdão.
Mas notamos que a quarta bem-aventurança também pressupõe o
nascimento e crescimento da santidade divina em nós. Portanto, a
conseqüência natural de Sua justiça em nós produzirá frutos em virtu­
des como misericórdia, pureza e pacificação (a quinta, a sexta e a séti­
ma bem-aventuranças).
A santidade ou o viver santo é parte de nossa busca pela justiça di­
vina. Quanto mais permitirmos que Ele viva Seu caráter em nós, tan­
to mais plenamente O conheceremos e seremos capazes de nEle con­
fiar. Quando nos tornarmos filhos e filhas fiéis, mais adequadamente O
conheceremos como Pai fiel.
Temos bastante vitalidade. E tantas são as coisas nas quais pode­
mos nos empenhar cada dia. O que estamos tratando nesta parte do
Sermão do Monte é com uma questão de prioridades. Qual é a nossa
verdadeira prioridade na vida? São todas essas coisas, ou são Deus, Seu
reino e Sua justiça? Pela própria natureza das coisas, tudo não pode ser
uma prioridade. Lenta, mas seguramente, Jesus está nos levando ao
ponto da decisão.

Ano Bíblico: Mateus 1-4. — Juvenis: Lucas 11.


Alvos e Prioridades do Cristão Sábado
6 de outubro

Outra Lição de Salomão


Também até o que Me não pediste Eu te dou, tanto riquezas como
glória; que não haja teu igual entre os reis, por todos os teus dias. Se andares
nos Meus caminhos e guardares os Meus estatutos e os Meus mandamentos,
como andou Davi, teu pai, prolongarei os teu dias. I Reis 3:13 e 14.
O que você pediria a Deus se Ele lhe dissesse: “Pede o que que­
res que Eu te dê.” Foi isso que Deus disse a Salomão. Nós não sabemos
exatamente que pensamentos passaram pela mente de Salomão antes
de ele responder, mas podemos com certeza pensar em qual seria nos­
sa resposta. O que você pediria? Férias perpétuas em algum paraíso en­
cantador? Boa aparência ou físico vigoroso? Um carro novo, uma casa
nova, ou ambas as coisas? Um cargo de influência no primeiro escalão?
O que aconteceria se isso fosse realmente um cheque em branco da
parte de Deus? Como você o preenchería?
Salomão havia acabado de receber um cheque em branco. Feliz­
mente, a pergunta divina encontrou o jovem rei num de seus momen­
tos de sabedoria. Ele percebeu humildemente sua falta de sabedoria e
sua incapacidade para liderar o povo de Deus. Por isso, orou: “Dá, pois,
ao Teu servo coração compreensivo para julgar a Teu povo, para que
prudentemente discirna entre o bem e o mal.” I Reis 3:9.
Esse era o tipo certo de pedido. Não era um pedido egoísta, mas
um pedido para promover o reino de Deus na Terra. Deus Se agradou
desse pedido. “Já que pediste esta coisa e não pediste longevidade,
nem riquezas, nem a morte de teus inimigos; mas pediste entendimen­
to, para discernires o que é justo, eis que faço segundo as tuas pala­
vras: dou-te coração sábio e inteligente, de maneira que antes de ti
não houve teu igual, nem depois de ti o haverá.” Mas Salomão não
conseguiu apenas o que ele pediu. Ele também recebeu “riquezas e
glória”. I Reis 3:11-13.
Salomão é uma ilustração da orientação de Jesus para buscarmos
primeiro o reino de Deus e Sua justiça. Salomão procedeu assim, e to­
das as coisas secundárias lhe foram acrescentadas. Note, porém, que
todas as outras coisas vieram como um subproduto; não foram o obje­
tivo principal. Deus quer nos abençoar muito mais do que a maioria de
nós sequer imagina.

tIwo Bíblico: Mateus 5-7. — Juvenis: Lucas 12.


Domingo Alvos e Prioridades do Cristão
7 de outubro

Estratégia n- 2 Para Vencer


a Preocupação
Portanto, não vos inquieteis com o dia de amanhã, pois o amanhã
trará os seus cuidados; basta ao dia o seu próprio mal. Mateus 6:34.
''Viver um dia de cada vez é a segunda sugestão de Jesus para ven­
cer a preocupação. “Não fiquem ansiosos pelo amanhã; o amanhã cui­
dará de si mesmo. Cada dia já tem problemas demais.” Mat. 6:34, New
English Bible.
Na primavera de 1871, um jovem apanhou um livro e leu 22 palavras
que mudaram sua vida. Estudante de Medicina em Montreal, ele estava
preocupado em passar nas provas finais, com o local em que iria após a gra­
duação, em como formar uma clientela e em como ganhar a vida.
As 22 palavras que esse jovem estudante de Medicina leu em 1871
ajudaram-no a tornar-se o médico mais famoso de sua geração. Tempos
depois ele organizou a Escola de Medicina da Universidade Johns
Hopkins, recebeu a maior honraria de medicina do Império Britânico
e foi nomeado cavaleiro pelo rei da Inglaterra.
Seu nome era Sir William Osler, e estas são as 22 palavras que ele
leu: “Nossa principal ocupação não é enxergar o que se acha turvamen­
te a distância, mas fazer o que temos claramente em nossas mãos.” Essas
palavras, de Thomas Carlyle, ajudaram Osler a concentrar suas energias
nas tarefas presentes, libertando-o do desgastante fardo da ansiedade.
Achamo-nos no limiar de duas vastas eternidades: o passado e o
futuro. Apesar disso, vivemos no presente. Se quisermos viver com
êxito no presente, devemos lidar com cada momento e com cada dia à
medida que forem chegando. Isto não desacredita o valor do planeja­
mento inteligente em relação ao futuro, mas sugere a futilidade de
preocupar-nos com acontecimentos que estão fora de nosso controle.
Viver um dia de cada vez é a segunda recomendação de Jesus para
vencer a preocupação.
Conta-se a história de que Abraão Lincoln e um grupo de viajan­
tes souberam que um rio transbordara. Durante dias algumas pessoas
do grupo ficaram doentes de preocupação sobre como fariam a traves­
sia quando chegassem ao rio. Mas Lincoln disse com sabedoria: “Ja­
mais cruzarei um rio enquanto não alcançá-lo.”

Ano Bíblico: Mateus 8-10. - Juvenis: Lucas 13.


Alvos e Prioridades do Cristão Segunda-feira
8 de outubro

Outra Lição do Maná


E comeram os filhos de Israel maná, quarenta anos, até que entraram
em terra habitada; comeram maná até que chegaram aos termos da terra de
Canaã. Êxodo 16:35.
O maná dificilmente era uma comida paradisíaca. Na verdade,

esse pão do Céu podia ser completamente frustrante. Basta olhar para
a maneira como ele surgia e como devia ser coletado.
O problema não era haver carência do material branco e escamo­
so. Ao contrário, havia abundância dele. Ele literalmente cobria o so­
lo seis manhãs por semana. Tudo quanto se precisava fazer era apanhar
um cesto e recolhê-lo. Toda pessoa tinha que apanhar um gômer (cer­
ca de dois litros) dele diariamente e o dobro na sexta-feira a fim de ha­
ver suficiente para o sábado.
E nesse ponto que o assunto se torna problemático. Por que não
colher vários gômeres por dia como garantia contra enfermidade ou
velhice? Afinal de contas, você sabe, imprevistos acontecem.
Mas esse não era o modo como as coisas funcionavam. Estranho
assunto, esse maná. Embora ficasse bem conservado de sexta para sá­
bado, se fosse armazenado em qualquer outro dia da semana, enchia-se
de vermes e ficava impróprio para o uso no dia seguinte. Não se demo­
rava nem mesmo sobre a terra. Quando não era recolhido (mesmo na
sexta-feira), derretia-se ao calor do sol. Portanto, aqueles que não o re­
colhessem em dobro na sexta-feira, passavam fome no sábado. Os is­
raelitas logo aprenderam diversas lições do maná sobre a santidade e
observância do sábado.
Mas o maná também apresenta uma lição aplicável à preocupação.
Assim como cada dia tinha seu suprimento de maná, assim tamhém
cada dia tem seu suprimento de preocupação. E assim como o maná
apodrecia para aqueles que tentavam armazená-lo, assim também as
preocupações esmagam e poluem a vida dos que buscam colher mais
do que a sua porção diária.
Confiar diariamente em Deus era o único procedimento seguro ao
lidar com o maná. Confiar em Deus é a única maneira de lidar com os
cuidados da vida.

Ano Bíblico: Mateus 11-13. — Juvenis: Lucas 14.


Terça-feira Alvos e Prioridades do Cristão
9 de outubro

Uma Lição do "Mal"


Irmãos, não sejais meninos no juízo; na malícia, sim, sede crianças;
quanto ao juízo, sede homens amadurecidos. 1 Coríntios 14:20.
^/lateus 6:34 diz que “basta ao dia o seu próprio mal”. A pala­
vra “mal” é um dos termos em que estamos interessados hoje. Que con­
clusão devemos tirar dessa tradução? Será que é uma ordem para pecar,
no sentido de que preciso tomar parte na minha cota diária de obras e
experiências más? O que essa passagem significa para os cristãos, visto
serem eles o público-alvo visado por Jesus nas palavras que proferiu no
Sermão do Monte?
Para começo de conversa, devemos observar que, na Oração do
Senhor, Jesus nos instrui a pedir a Deus que nos livre do mal (verso
13). Um aspecto importante que deve ser considerado é que, embora
tanto Mateus 6:13 quanto Mateus 6:34 empreguem a palavra “mal” na
versão Almeida Revista e Atualizada, os dois versos usam na realidade
duas palavras gregas diferentes.
No verso 13 a palavra é poneros. Poneros significa ímpio, mal, vil,
vicioso, degenerado. Verdadeiramente, os filhos de Deus devem orar
diariamente para ser livrados desses traços de caráter. Poneros não tem
lugar na vida cristã. O mal moral não é o ingrediente do viver cristão.
Já no verso 34, porém, a recomendação é para que nós, como cris­
tãos, tenhamos a parte que nos cabe do mal diário. A palavra traduzi­
da ali como “mal” é kakia. O Novo Testamento tende a empregar ka­
kia no sentido de dificuldade ou infortúnio. E por isso que muitas tra­
duções modernas vertem kakia no verso 34 como “dificuldade”.
Que significa isto para mim como cristão? Em primeiro lugar, sig­
nifica que, embora eu espere ser livrado da necessidade do mal moral,
não estou isento dos sofrimentos, desastres naturais e outros problemas
decorrentes da própria natureza de um planeta doente.
Ser cristão não significa isenção automática dos problemas da vi­
da. Significa, sim, que podemos confiar em Deus ao passarmos por es­
ses problemas. Significa que temos um Pai que cuidará de nós de uma
forma não disponível aos que não são cristãos.

Ano Bíblico: Mateus 14-16. - Juvenis: Lucas 15.


Alvos e Prioridades do Cristão Quarta-feira
10 de outubro

Uma Lição Negativa


Confia os teus cuidados ao Senhor, e Ele te susterá; jamais permitirá
que o justo seja abalado. Salmo 55:22.
7^ exposição de Jesus sobre a preocupação apresenta um final

um tanto surpreendente. Leia Mateus 6:25-33 novamente. Preste


atenção ao fluxo do pensamento. Observe como o ensino se encerra de
maneira perfeita no verso 33. E perfeito e dispensa comentário. Jesus
disse o que pretendia dizer.
Quando você pensa no verso 34 e no conselho ali contido, sobre
deixar que cada dia cuide de si mesmo, ele parece uma reflexão tardia.
Jesus havia concluído Seu ensino com uma nota positiva no verso 33.
Depois vem o negativismo do versículo 34, com seus pensamentos um
tanto desconcertantes. Por que o acréscimo do verso 34?
Jesus compreende, de uma maneira que a maioria de nós não com­
preende, os efeitos devastadores da preocupação. A maioria de nós pare­
ce gostar de um pouco de preocupação. Percebi que, em meus primeiros
anos, se eu não tivesse algo importante com que me preocupar, tomava-
me ansioso com coisas sem importância. A maioria de nós conserva
sempre cheia a nossa “caixa de preocupação”. E um hábito. E alguns de
nós age como se fosse errado estar despreocupado. Por exemplo, mesmo
depois de um amigo passar horas ajudando-nos a ver que não temos o
que temer sobre determinado assunto, ainda replicamos: “Sim, está tudo
bem, mas o que dizer do amanhã? Que dizer da semana que vem? Do ano
que vem?” E assim prosseguimos, à medida que nossa imaginação evoca
todo o tipo de coisas com as quais nos preocupar.
O resultado é que a preocupação acaba nos controlando num grau
maior do que admitimos. Ela destrói nossa paz e bloqueia nossa utili­
dade atual.
Jesus sabe que somos demasiadas vezes relutantes ou incapazes de
reconhecer isso. Ele quer nos libertar da preocupação e da ansiedade,
tanto agora como no futuro. Foi por isso que acrescentou o verso 34.
Será que não é tempo de lançar nossos fardos sobre o Senhor? Não
é hora de parar de gastar mais tempo com pensamentos ansiosos do que
pensando em nosso Senhor e compartilhando Seu amor? Está mais do
que na hora de jogarmos fora nossa caixa de preocupações.

Ano Bíblico: Mateus 17-20. - Juvenis: Lucas 16.


Quinta-feira Alvos e Prioridades do Cristão
11 de outubro

De Volta às Bem-Aventuranças
Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem
nenhum, pois o querer o bem está em mim; não, porém, o efetuá-lo. Porque
não faço o bem que prefiro, mas o mal que não quero, esse faço. Romanos
7:18 e 19.
CsàXie complicação! Senhor, eu fiz isso de novo!
Ao ler rapidamente o capítulo seis de Mateus, sinto-me tão perdido
como quando passei uma vista de olhos sobre o capítulo cinco. Eu era
mau o bastante para entender que nem sempre fora o tipo de sal e luz
que devia ser em meu testemunho diário, que a lei tem profundezas de
significado que afetam minha vida, tanto na esfera do pensamento
quanto na esfera da ação, e que não era tão perfeito em amar ou outros
como Tu és. Mas no capítulo seis Tu me humilhaste novamente.
Eu realmente não gosto de fazer alarde, Senhor. Bem, gosto só um
pouco, mas sei que é errado, tanto na esfera espiritual quanto na esfe­
ra da vida diária. Naturalmente, depois de ler o sermão, reconheço que
as duas esferas não podem ser separadas, mas Tu sabes o que quero di­
zer. Ajuda-me hoje a esquecer o egoísmo e a exibição pessoal. Ajuda-
me a ser humilde de espírito, a ser manso e a ter fome e sede de justi­
ça. Ajuda-me a não ter orgulho, nem mesmo de estar sendo espiritual
ao fazer esse pedido.
E por favor, perdoa minhas fraquezas na área abrangida pela segun­
da metade do capítulo seis. Tu sabes como tem sido fácil para mim, fa­
zer das coisas e posições meus alvos. E Tu sabes melhor do que nin­
guém como tenho lutado contra ansiedades e preocupações. O proble­
ma não é eu saber que a preocupação é contraproducente. Isto eu sei.
Parece que simplesmente não consigo ajudar a mim mesmo. Continuo
a me preocupar com os erros do passado e a me angustiar com as pos­
sibilidades negativas do futuro, em vez de apenas viver um dia de cada
vez na confiança de que Tu resolverás as coisas.
Hoje, meu Pai, ajuda-me a evoluir de uma pequena fé para uma fé
madura. Graças Te dou por me levares de volta mais uma vez às bem-
aventuranças e à Tua justiça salvadora. Admito sinceramente, ó Pai,
minha pobreza e necessidade. “Completa-me hoje” é minha oração.

Ano Bíblico: Mateus 21-23. - Juvenis: Lucas 17.


Os Relacionamentos do Cristão Sexta-feira
12 de outubro

O Sexto Passo
Não julgueis, para que não sejais julgados. Mateus 7:1.
X 'emos percorrido um longo caminho em nossa caminhada com

Jesus no Monte das Bem-aventuranças no decorrer do ano. Primeiro,


passamos pela descrição feita por Jesus do caráter do cristão nas bem-
aventuranças de Mateus 5:3-12. Depois, examinamos a explicação por
parte de Jesus da influência do cristão nos versos 13-16. Em Mateus 6,
caminhamos com Jesus pela exposição que Ele fez da piedade cristã
(versos 1-18) e os alvos e prioridades do cristão (versos 19-48).
O grande sermão de Cristo toca em quase todos os aspectos da vi­
da cristã. Agora, na primeira metade de Mateus 7, estamos prontos pa­
ra considerar os relacionamentos do cristão tanto com as outras pes­
soas (versos 1-6) como com Deus (versos 7-12). Passaremos depois à
exposição feita por Jesus do comprometimento de um cristão nos ver­
sos 13-29.
A palavra-chave do nosso verso de hoje é “julgar”: “Não julgueis,
para que não sejais julgados.” Esse verso estabelece o padrão para a in­
teireza de Mateus 7. O tema subjacente do capítulo é o julgamento:
nosso julgamento acerca dos outros, o julgamento divino a nosso res­
peito e nosso julgamento acerca da melhor maneira de viver.
Esse é um capítulo que nos coloca face a face com as realidades
eternas - realidades relacionadas com o juízo. Precisamos aqui lembrar
que andamos sempre debaixo dos olhos de Deus. Felizmente, confor­
me vimos nos capítulos 5 e 6, nosso Deus nos olha com amor, mas até
mesmo o amor (ou especialmente o amor) deve finalmente dar um bas­
ta ao problema do pecado. Daí o juízo final.
O que importa para muitas pessoas é o que os outros pensam delas;
mas o que importa para os cristãos é o que Deus pensa deles. Do início
ao fim do capítulo 7, somos postos face a face com o julgamento; face
a face com a vida eterna.
O que Jesus pretende nessas passagens não é amedrontar-nos. Ao
contrário, Ele quer que estejamos despertos para nossas escolhas; quer
que a maneira como vivemos faça uma diferença importante. Em ter­
mos de eternidade, essas escolhas fazem toda a diferença.

Ano Bíblico: Mateus 24-26. — Juvenis: Lucas 18.


Sábado Os Relacionamentos do Cristão
13 de outubro

Não Julgueis
Assim, pois, cada um de nós dará contas de si mesmo a Deus.
Romanos 14:12.
64 NT
llão julgueis.” O que Jesus quis dizer com essa declaração?
A semelhança de muitos versos bíblicos, Mateus 7:1 também po­
de ser lido de maneira errada e distorcida. Alguns acham que o verso
deve ser entendido literalmente. Nesse caso, um cristão nunca deve
expressar a opinião a respeito de ninguém. Os que assim raciocinam,
dizem que devemos ser complacentes e tolerantes, permitindo que to­
dos sejam o que quiserem ser. Amor e união é o que interessa, prosse­
gue o raciocínio. Essa interpretação é bastante popular numa cultura
permissiva, e até mesmo em igrejas permissivas.
Embora esse ensinamento possa parecer confortável e cristão, cer­
tamente não é bíblico. Se lermos, por exemplo, os seis primeiros ver­
sos de Mateus 7, vamos descobrir que não devemos dar aos cães o que
é santo, nem lançar nossas pérolas aos porcos. Como podemos obede­
cer a esse verso sem exercer julgamento? E evidente que não podemos.
Nesses seis versos Jesus nos diz ao mesmo tempo para não julgar (ver­
so 1) e para julgar (verso 6).
Também nos diz para acautelar-nos dos falsos profetas no verso 15
e para avaliarmos os frutos, nos versos 19 e 20. E em vários lugares nas
epístolas de Paulo e de João recebemos instrução para não seguir o
exemplo das pessoas imorais.
O que devemos entender de tudo isso? Que não devemos julgar,
mas também que devemos julgar.
O julgamento que não devemos praticar é o julgamento da conde­
nação. Não devemos condenar ninguém. Não devemos julgar-lhes os
motivos, nem falar como se conhecéssemos seu verdadeiro caráter ou
o veredicto final de Deus sobre a vida deles.
Por outro lado, recebemos ordens expressas para discriminar (com
base nas ações externas) os que se rebelam obstinada e abertamente
contra Deus. Nessa conformidade, Paulo aconselhou os coríntios a não
tolerarem um homem que viva maritalmente com a própria madrasta
(ICor. 5:1-5).
Senhor, ajuda-me hoje a ter a capacidade de saber a diferença en­
tre a discriminação necessária e o julgamento ilícito.

Ano Bíblico: Mateus 27 e 28. - Juvenis: Lucas 19.


Os Relacionamentos do Cristão Domingo
14 de outubro

O Espírito Condenatórío
Não julgueis e não sereis julgados; não condeneis e não sereis condenados;
perdoai e sereis perdoados. Lucas 6:37.
^\^imos ontem que o “não julgar”, de Mateus 7:1, significa não
condenar nem procurar julgar os motivos alheios, mas que isso não
quer dizer que os cristãos não devam exercer discriminação.
Examinaremos hoje a diferença entre o que chamamos de crítica
construtiva e crítica desapiedada. A verdadeira crítica, no sentido
mais pleno da palavra, é uma coisa excelente. Embora ela realmente
aponte nossas faltas, seu propósito principal é tornar as coisas melho­
res. É mais construtiva do que destrutiva. Nasce do desejo de ajudar os
outros. E cristã em suas intenções.
Em Mateus 7:1, Jesus não está condenando a crítica construtiva. Ao
contrário, o que Ele visa ali são os hipercríticos. A hipercrítica, ou a crí­
tica excessiva, é negativa por natureza. Deleita-se na crítica pela crítica.
As pessoas hipercríticas adoram encontrar faltas nos outros. Parecem de­
sejar ardentemente encontrar imperfeição. Seus ouvidos estão sempre
abertos aos últimos boatos intrigantes, os quais prontamente passam
adiante. O espírito hipercrítico não é cristão. Assemelha-se mais ao es­
pírito de Satanás, “o acusador de nossos irmãos” (Apoc. 12:10).
Uma das maneiras mais fáceis de descrever o espírito hipercrítico
é observando que ele é o oposto do amor definido em 1 Coríntios 13.
Ele é indelicado, ciumento, prepotente, rude, arrogante, ressentido e
se alegra com os erros alheios. Em suma, obtém uma satisfação mali­
ciosa e perversa em encontrar defeitos e deformidades. E espiritual­
mente doentio.
O espírito que promove o julgamento hipercrítico é o espírito que
sente prazer em escutar algo desagradável a respeito de alguém. E uma
atitude que se compraz quando um concorrente comete grave equívo­
co. Não é esse o amor presente no caráter de Jesus.
Todos lutamos contra essas tentações. E todos necessitamos do
poder de Jesus para vencê-las. Precisamos do Seu espírito hoje. Eu
preciso do Seu espírito hoje. Quero superar todas as formas de crítica
destrutiva condenadas por Jesus.

Ano Bíblico: Marcos 1-3. - Juvenis: Lucas 20.


Segunda-feira Os Relacionamentos do Cristão
15 de outubro

Ser Como Deus


Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se vos abrirão os
olhos e, como Deus, sereis conhecedores do bem e do mal. Gênesis 3:5.
Pois o Filho do homem não veio para destruir as almas dos homens,
mas para salvã-las. Lucas 9:56.
Ser como Deus, usurpando as prerrogativas divinas, tem sido a
tentação da humanidade desde o princípio no Éden. Quando julgamos
os motivos dos outros ou os condenamos, estamos tomando indevida­
mente o lugar de Deus. Estamos assumindo uma prerrogativa que per­
tence só a Ele.
Uma coisa é fazer a crítica amorosa das teorias, doutrinas ou estilo
de vida de alguém; outra bastante diferente é condenar a pessoa. O
momento em que nos tornamos seu juiz é o momento em que começa­
mos a fazer o papel de Deus. Jesus nos diz, de maneira direta, que essa
atitude não é o comportamento aceitável para um cristão.
Precisamos reconhecer nossas próprias fraquezas. Precisamos ad­
mitir que, sem Deus, estamos totalmente perdidos. Precisamos humi­
lhar-nos. Foi Deus, e somente Deus, quem abriu para nós o caminho
da vida. Se Ele nos desse o que merecíamos, já não existiriamos. Se as
coisas são assim, por que então estar tão empenhados em dar aos ou­
tros o que eles merecem?
Deus não nos dá o que merecemos, mas o que precisamos. Ele nos
dá salvação do pecado, resgata-nos do abismo do inferno e continua a
resgatar-nos e a suster-nos diariamente.
Quando compreendemos a grandeza de Sua graça, começamos a
admitir que deveriamos ser mais agradecidos. Ser cristão é persistir
nesse espírito de gratidão; é ser como Deus no sentido de dar a nosso
semelhante, não o que ele merece, mas aquilo que precisa.
Quando Jesus foi rejeitado pelos samaritanos, em Lucas 9, os dis­
cípulos queriam dar àqueles ingratos o que eles mereciam: fogo e en­
xofre. Mas Jesus disse que “o Filho do homem não veio para destruir as
almas dos homens, mas para salvá-las”. Versos 51-56.
Uma forma ilegítima de ser como Deus é procurar ser juiz dos outros.
Uma forma legítima é tomar-se um veículo de transmissão da Sua salva­
ção a outros no planeta Terra, que não a merecem tanto quanto nós.

Ano Bíblico: Marcos 4-6. — Juvenis: Lucas 21.


Os Relacionamentos do Cristão Terça-feira
16 de outubro

O Lado Inverso da Quinta


Bem-aventurança
Se vós soubésseis o que significa: Misericórdia quero e não holocaustos,
não teríeis condenado inocentes. Mateus 12:7.
Ser misericordioso é um item importante na maneira como Mateus

entende a mensagem evangélica. Um dos aspectos do ser misericordio­


so é não julgar os outros, não condenar, nem ser hipercrítico das ações e
motivos dos outros.
Algumas pessoas acham que Mateus 7:1 (“Não julgueis e não se­
reis julgados”) seja a quinta bem-aventurança (“Bem-aventurados os
misericordiosos”) ao inverso. A misericórdia também está no coração
da quinta petição da Oração do Senhor: “Perdoa-nos as nossas dívidas
assim como perdoamos aos nossos devedores.” E misericórdia é, com
certeza, o coração da ordem contida em Mateus 5:48, onde somos en­
sinados a ser perfeitos como Deus é perfeito. Vimos alguns meses atrás
que essa declaração surge no contexto do amor misericordioso de
Deus, tanto por Seus inimigos como por Seus amigos. Ele faz descer o
sol e a chuva sobre todos, independentemente do mérito pessoal ou da
falta de mérito do beneficiado. Essa ligação é melhor explicitada em
Lucas 6:36, que interpreta a declaração de Jesus de sermos perfeitos co­
mo o Pai, de sermos misericordiosos como o Pai é misericordioso.
Misericórdia é um fato que atravessa todo o Sermão do Monte, o
primeiro Evangelho e todo o Novo Testamento. O dom de Deus em
Jesus é um ato de misericórdia. E o juízo final, de acordo com Mateus
25:31-46, levará em conta o fato de os crentes em Jesus terem ou não
internalizado o caráter misericordioso de Deus.
Ser implacável ou ser misericordioso são extremos opostos. E signifi­
cativo que ambas as atitudes sejam enfatizadas repetidas vezes no Novo
Testamento. Essas são as características centrais dos dois lados na grande
batalha entre Cristo e Satanás.
Nosso problema humano é que, desde o nascimento, temos a ten­
dência de julgar os outros. Inclinamo-nos para o mal. Jesus, porém, quer
entrar em nossa vida e fazer-nos propender para os princípios do reino
de Deus. Ele deseja que a misericórdia se tome a característica central
de nosso ser, e almeja erradicar de nós todo espírito condenatório.

Ano Bíblico: Marcos 7-9. — Juvenis: Lucas 22.


Quarta-feira Os Relacionamentos do Cristão
17 de outubro

Argumento n& / Contra o Julgar


E, quando a erva cresceu e produziu fruto, apareceu também o joio. ...
Os servos lhe perguntaram: Queres que vamos e arranquemos o joio? Não!,
replicou ele, para que, ao separar o joio, não arranqueis também com ele o
trigo. Deixai-os crescer juntos até à colheita, e, no tempo da colheita, direi
aos ceifeiros: ajuntai primeiro o joio, atai-o em feixes para ser queimado;
mas o trigo, recolhei-o no meu celeiro. Mateus 13:26, 28-30.
jAulguns membros de igreja são como os servos da parábola profe­
rida por Cristo. São ciosos da honra e da pureza da igreja. Por isso, que­
rem livrar-se rapidamente dos membros que, na sua opinião, não estão
“vivendo a verdade”. Querem que apenas o bom grão permaneça no jar­
dim do Senhor. Naturalmente, eles acham que fazem parte do trigo.
Em muitos casos, esse amor pela igreja é louvável. Em casos de pe­
cado aberto e confirmado, a extirpação das ervas daninhas pode e de­
ve acontecer. A maior parte dos pecados, porém, não são abertos nem
confirmados. Nesses casos, os elementos do julgamento humano cos­
tumam sobressair-se. Em nosso zelo, é provável pensarmos que todas as
normas de Deus estabeleçam critérios exatamente iguais aos nossos. A
solução, portanto, é simples: excluir os patifes.
Mas Jesus chama a nossa atenção para um perigo aqui existente.
Devido ao nosso conhecimento incompleto dos motivos e das circuns­
tâncias, a extirpação precipitada das ervas daninhas acaba também for-
çosamente arrancando o trigo.
Que jardineiro ainda não parou de limpar o canteiro apenas para
constatar que, se houvesse manifestado maturidade, teria poupado
uma planta útil? A única maneira legítima de limpar um canteiro sem
prejudicar as boas plantas é esperar até que todas amadureçam.
A história da igreja está pontilhada de destroços de vidas que foram
prematuramente “extirpadas”. O problema é que os seres humanos são
incapazes de fazer julgamentos corretos. Em geral, não compreendemos
plenamente os fatores envolvidos, nem somos capazes de discernir as in­
tenções. É por isso que Jesus nos adverte para não julgar, porque, dife­
rentemente de Deus, somos incapazes de proferir sentenças justas.

Ano Bíblico: Marcos 10-12. - Juvenis: Lucas 23.


Os Relacionamentos do Cristão Quinta-feira
18 de outubro

O Critério dos Fariseus


Porque não ousamos classificar-nos ou comparar-nos com alguns que se
louvam a si mesmos; mas eles, medindo-se consigo mesmos e comparando-se
consigo mesmos, revelam insensatez. II Coríntios 10:12.

E extremamente fácil para as pessoas que levam a religião a sé­


rio, julgarem amigos, parentes e até mesmo membros de sua igreja que,
do ponto de vista delas, parecem não ser bastante diligentes e zelosos
em sua caminhada com Deus. Essa era a doença dos fariseus, embora o
problema exista com certeza na igreja moderna.
Lamentavelmente, uma atitude como essa é fatal para a religião.
Ellen White mostra que a satisfação das pessoas com suas próprias de­
finições de ortodoxia e realizações religiosas cria uma “atmosfera de
crítica egoísta e estreita [que] sufoca as nobres e generosas emoções, fa­
zendo com que os homens se tornem egocêntricos juizes e mesquinhos
espias”. - O Maior Discurso de Cristo, pág. 123.
Eis uma armadilha na qual é fácil de se cair, especialmente porque
os que assim procedem geralmente são sinceros em suas crenças e ze­
losos em sua vida religiosa.
Parte do problema é que eles parecem estar mais preocupados com
o que os outros estão fazendo, ou pensando, ou comendo, do que com
o seu próprio desenvolvimento espiritual. Em conseqüência disso,
quando lêem a Bíblia ou os escritos de Ellen White, acham que essa
passagem se aplica a seu esposo ou esposa, e que aquela passagem se
aplica a seu pastor, que obviamente (do seu ponto de vista) não está
agindo certo. Conforme Ellen White observa, as próprias realizações
deles tomavam-se a norma pela qual julgavam os outros. “Revestindo-
se das vestes da própria dignidade”, sentavam-se na “cadeira de juizes
para criticar e condenar.” - Ibidem.
Mas esse “modo de pensar” ou esses “mesquinhos espias” não con­
seguem compreender a veracidade do argumento de Paulo em Roma­
nos 1 a 3. No primeiro capítulo, o apóstolo observa que os gentios são
pecadores. Todos os judeus metidos a santos rapidamente diriam amém
a isso. Mas a seguir, no capítulo dois, Paulo mostra que os judeus estão
na mesma condição perdida. No capítulo 3 ele adverte que todos pe­
caram e precisam do sangue justificador de Cristo.
Moral da história para todos os mesquinhos espias: Cuidem de sua
própria vida.
Ano Bíblico: Marcos 13 e 14. — Juvenis: Lucas 24.
Sexta-feira Os Relacionamentos do Cristão
19 de outubro

Argumento n° 2 Contra o Julgar


Portanto, você que julga os outros é indesculpável; pois está condenando
a si mesmo naquilo em que julga, visto que você que julga, pratica as
mesmas coisas. Romanos 2:1, NVI.
CHonta-se a história de um juiz persa que, sob a influência de um
vultoso suborno, mostrou-se parcial no pronunciamento de uma sen­
tença. Quando o rei soube o que havia acontecido, ordenou que o juiz
fosse executado. Mandou depois que a pele do corpo do juiz fosse reti­
rada e preservada. Com essa mesma pele humana cobriu o assento da
cadeira em que se assentavam os juizes quando administravam julga­
mento, como um amargo lembrete para nunca permitirem que o pre­
conceito afetasse suas sentenças.
Embora essa história pareça tão macabra quanto impressionante,
salienta, na melhor das hipóteses, um ideal humano inalcançável. A
verdade é que nenhum ser humano é completamente imparcial. A
imparcialidade acha-se fora de nosso alcance. Somente Deus é verda­
deiramente imparcial, portanto, somente Ele pode julgar com inteira
isenção.
Todos nós, finitos seres humanos, proferimos qualquer sentença
carregados de opiniões preconceituosas e reações irrazoáveis que favo­
recem a nossa pessoa em detrimento das outras. Assim sendo, não ape­
nas nos falta conhecimento decisivo para julgar os outros (argumento
ny 1 contra o julgar), mas também o conhecimento de que dispomos é
parcial e eivado de preconceitos (argumento n22 contra o julgar).
Com isto em mente, é fácil compreender por que recebemos a se­
guinte advertência em O Maior Discurso de Cristo: “Não façais de vos­
sas opiniões, vossos pontos de vista quanto ao dever, vossas interpreta­
ções da Escritura, um critério para outros, condenando-os em vosso co­
ração se não atingem vosso ideal. Não critiqueis a outros, conjeturan-
do os seus motivos e formando juízos.” — Pág. 124-
Senhor, ajuda-me hoje a reconhecer minhas próprias fraquezas e
faltas. Mais do que isso, ajuda-me a lutar sinceramente contra elas ao
procurar relacionar-me contigo e com outras pessoas. Estou impressio­
nado com a seriedade do julgamento. Ajuda-me a evitar uma tarefa
que jamais deste a mim ou a qualquer outro ser humano.

Ano Bíblico: Marcos 15 e 16. — Juvenis: João 1.


Os Relacionamentos do Cristão Sábado
20 de outubro

Sobre sua Própria Cabeça


Pois, com o critério com que julgardes, sereis julgados; e, com a medida
com que tiverdes medido, vos medirão também. Mateus 7:2.
Nos versículos precedentes, Jesus apresentou o princípio de que

não devemos julgar. No verso de hoje Ele fornece uma razão bastante
prática por que não devemos julgar os outros. Em suma, a maneira co­
mo tratamos os outros, em termos de julgamento, acabará caindo so­
bre nossa própria cabeça.
Ora, essa é uma conseqüência tão pessoal quanto é possível ser.
Mas o que isso significa?
Alguns têm sugerido que as pessoas que vivem censurando e criti­
cando os outros acabam também sendo criticadas por outras pessoas
que tendem a aplicar-lhes uma dose de seu próprio remédio. O oposto
também é geralmente verdadeiro. Os que são menos críticos dos outros
são, em geral, mais apreciados e atacados com menor freqüência. Há,
portanto, um significado temporal em nosso texto. Mas esse significa­
do não é o único em Mateus 7:2.
A mais importante implicação do sermos julgados de acordo com
o juízo com que julgamos os outros deve ser vista em termos do juízo
final de Deus. As implicações disto são um tanto assustadoras, quando
paramos para pensar no assunto.
Muitos de nós dão pouquíssima atenção às observações críticas que
fazemos sobre membros da família, líderes da igreja, colegas de traba­
lho ou vizinhos. Apenas abrimos a boca, e elas vão saindo dali de ma­
neira quase automática.
Damos pouca atenção até para o que Deus pensa a respeito de nos­
sas atitudes e ações indelicadas e condenatórias. Jesus está nos dizen­
do, em termos bem definidos, que devemos pensar acerca do que Deus
pensa sobre o assunto. E o que Deus pensa está carregado de conse-
qüências eternas.
A Bíblia ensina claramente e repetidas vezes que, no juízo final,
Deus nos dará o que demos aos outros. Deus nos dá graça, e espera que
a transmitamos a outros. Deus nos dá misericórdia, e espera que a trans­
mitamos. Se recusarmos, se transmitirmos apenas condenação e grosse­
ria, podemos aguardar condenação no juízo. Todos quantos hão de en­
trar no reino eterno terão internalizado o caráter amoroso de Deus.

Ano Bíblico: Lucas 1 e 2. — Juvenis: João 2.


Domingo Os Relacionamentos do Cristão
21 de outubro

Os Cristãos não Estão Acima


de Julgamento
Em verdade, em verdade vos digo: quem ouve a Minha palavra e crê
nAquele que Me enviou tem a vida eterna, não entra em juízo, mas passou
da morte para a vida. João 5:24.
CZZomo, perguntam alguns, podemos nós, os cristãos, comparecer­
mos perante o juízo final, se João 5:24 afirma claramente que já temos a
vida eterna e não entramos em juízo? E o que dizer de Romanos 8:1, que
alega já não haver nenhuma condenação para os que estão em Cristo Je­
sus? Não provam esses textos que a nossa salvação já está garantida?
Alguns intérpretes acreditam que esses textos provam a doutrina
da eterna segurança. Ou seja, uma vez que as pessoas tenham vindo a
Jesus e tenham sido justificadas, estão seguras nEle por toda a eterni­
dade. Não existe juízo futuro para elas, pois já foram julgadas.
Essa crença só é verdadeira enquanto mantivermos nossa fé em Jesus.
Mas a salvação é mais um processo contínuo do que um acontecimento
do tipo “uma vez salvo, salvo para sempre”, que ocorre no momento da
justificação inicial. A Bíblia ensina que as pessoas podem cair da graça,
que as pessoas podem dar as costas para Cristo e voltar-se para o mundo.
Para conservar a certeza da salvação, portanto, as pessoas devem perma­
necer numa relação pactuai com Deus por meio de Cristo.
Um dos ensinos mais relevantes ministrados por Jesus no Sermão
do Monte e em outros lugares é o de que haverá um juízo final, até
mesmo para aqueles que dizem “Senhor, Senhor” e fazem muitas obras
em nome dEle (ver Mat. 7:21 e 22).
Os que negam a necessidade e realidade de um juízo final escato-
lógico para a humanidade, cometem o erro de superestimar alguns
ensinos bíblicos e negligenciar outros. O conselho de Paulo é que
prestemos atenção a todos os ensinos da Bíblia. Quando procedermos
assim, veremos que eles se harmonizam.
Os cristãos verdadeiros nada têm que temer quanto ao juízo final.
O propósito do juízo é apenas confirmar perante o Universo que eles
estão “em Cristo”, que aceitaram Seu sangue e que, portanto, amam a
Deus de todo o seu coração. Verdadeiramente “nenhuma condenação
há para os que estão em Cristo Jesus”.

Ano Bíblico: Lucas 3-5. - Juvenis: João 3.


Os Relacionamentos do Cristão Segunda-feira
22 de outubro

Argumento n- 3 Contra o Julgar


Por que vês tu o argueiro no olho de teu irmão, porém não reparas na
trave que estã no teu próprio' Ou como dirás a teu irmão: Deixa-me tirar o
argueiro do teu olho, quando tens a trave no teu? Mateus 7:3 e 4.

suprema razão por que Jesus nos recomendou não julgar os ou­
tros, é que não existe ninguém suficientemente bom. Para ilustrar Seu
ponto de vista, Jesus apresentou a vivida cena de um homem com uma
tábua de aproximadamente 5 x 10cm pregada nos olhos, tentando en­
contrar e extrair uma partícula de serragem do olho de um amigo.
Que senso de humor! Jesus não temia empregar o humor para chegar
às coisas sérias. Em minha opinião, se você permitir que o lado cartunis­
ta do seu cérebro evoque essa figura, ela perde apenas para a declaração
de Jesus sobre o peneirar mosquito e engolir camelo. Essas são imagens
vigorosas que não apenas fixam o assunto, mas também são fáceis de lem­
brar e até nos fazem rir da tolice de nosso oculista cego. Jesus não era con­
tra o uso do humor num sermão. E até acho que Ele ria na igreja.
Mas o que toma Suas ilustrações fortes e memoráveis é o fato de se­
rem elas tão verídicas. Quem já não teve o duvidoso “privilégio” de rece­
ber o conselho de alguém com um problema dez vezes pior que o seu?
Na realidade física é quase impossível ajudar alguém a retirar algo
do olho quando estamos sendo importunados por algo no nosso, quer
se trate de um cisco ou de uma trave. É lamentável que nossas facul­
dades espirituais não sejam tão sensíveis quanto nossos olhos. Nenhum
de nós está isento de argueiros e traves. Nenhum de nós é suficiente­
mente bom para julgar os outros. Tomo a repetir: Somente Deus é su­
ficientemente bom. Essa é a razão por que Ele deve ser o juiz final de
cada um de nós.
Senhor, peço-Te hoje que me tornes sensível às minhas próprias
faltas e me dês paciência para lidar com as faltas alheias. Ajuda-me a ter
uma visão mais clara de mim mesmo, a despeito dos meus problemas.

Ano Bíblico: Lucas 6-8. — Juvenis: João 4.


Terça-feira Os Relacionamentos do Cristão
23 de outubro

A Lei da Trave
Jesus Se levantou e lhes disse: Aquele que dentre vós estiver sem pecado
seja o primeiro que lhe atire pedra. João 8:7.
Eis uma história bíblica bem conhecida. Os escribas e fariseus ar­
rastam uma mulher apanhada em “flagrante” adultério até Jesus para
saber se Ele está em harmonia com a ordem de Moisés de apedrejar os
adúlteros até a morte.
Se Jesus dissesse não, eles poderíam acusá-Lo perante o povo de ser
infiel a Moisés. Por outro lado, se concordasse em apedrejá-la, poderia
ser denunciado às autoridades romanas, visto que os judeus não ti­
nham o direito de aplicar penas capitais. Os escribas e fariseus tinham
Jesus onde O queriam. Qualquer resposta destruiría a Sua influência.
Era um dia glorioso para esses defensores da “justiça”.
Contudo, está faltando algo! Onde está o homem? Eles não afir­
mam que ela foi apanhada em flagrante? É fato bem conhecido que são
necessárias pelo menos duas pessoas para se configurar um adultério.
Isto é uma cilada, e Jesus o percebe.
O Mestre não responde diretamente. Apenas dobra os joelhos e
começa a escrever na areia. Um por um, os judeus compreendem que
foram desmascarados. Estão tramando a morte de Jesus e usando essa
mulher para cumprir seu objetivo. São transgressores contumazes da lei
de Deus em diversos aspectos, e Jesus bem o sabe. Então Ele diz que
aquele que não tiver pecado lance a primeira pedra. Depois continua
a escrever, enquanto os judeus escapolem um por um, acusados pela
própria consciência.
Que história! Que ilustração da lei da trave (tentar remover um
argueiro do olho do outro quando temos uma trave em nosso próprio)!
Por que somos tão exigentes com os defeitos alheios e tão esquecidos
dos nossos próprios? Como podemos ser tão duros com os outros e tão
flexíveis conosco mesmos?
Não se desvie dessas perguntas. Jesus está falando com você. Ele
está falando comigo. Não largue este livro devocional e corra para se
esconder detrás de alguma oração piedosa. Não! Não faça isso! Jesus
está nos chamando a prestar contas exatamente agora. Deixe-O falar
com você. Você e eu precisamos disso.

Ano Bíblico: Lucas 9-11. - Juvenis: João 5.


Os Relacionamentos do Cristão Quarta-feira
24 de outubro

A Doença do Espírito
Tu, porém, por que julgas teu irmão? E tu, por que desprezas o teu? pois
todos compareceremos perante o tribunal de Deus. Romanos 14:10.
447AX. critiquice”, afirma Douglas Hare, “é a mania de criticar o
que os outros dizem e fazem. E uma doença do espírito” na qual “o crí­
tico arrogantemente atribui a si mesmo a superioridade que o autoriza
a avaliar as falhas alheias”.
Quando Jesus fala sobre julgar os outros, em Mateus 7:1-5, decla­
ra que a justiça superior de Seu reino (ver Mateus 5:20) envolve a de­
cidida renúncia da tentação de julgar os outros de maneira mais impla­
cável do que a nós mesmos.
E, contudo, como é fácil exigir dos outros um padrão mais eleva­
do. Lembro-me de minha esposa me ajudando a datilografar um proje­
to quando eu era universitário. Contávamos com dois datilógrafos e
trabalhávamos tão rápido quanto podíamos para cumprir meu prazo.
Então surgiu um problema. Eu disse que o trabalho dela não era sa­
tisfatório. Tinha esse problema e aquele. Ela ficou bastante indignada.
Mas logo deu um basta nessa atitude quando me fez ver que minhas pá­
ginas estavam mais cheias de erros do que as dela.
Ajuda-me, Senhor, a vencer minha doença do espírito.
Apesar da ordem de Jesus de sermos perfeitos (Mat. 5:48), ninguém
é perfeito. Precisamos esforçar-nos para limpar nossa própria vida, an­
tes de estarmos em condição de aconselhar bondosamente os outros.
E mesmo então esse conselho bondoso deve sempre ser dado dentro do
contexto da tema misericórdia que Deus tem para conosco.
Á luz das palavras de Jesus, fico sempre desconfiado dos que se es­
pecializam em criticar os outros, principalmente quando adotam uma
atitude arrogante e/ou sarcástica.
A atitude dos fariseus continua a existir em indivíduos metidos a
santos que, aos seus próprios olhos, se esforçaram mais e foram além
dos outros na caminhada cristã. Uma atitude como essa faz vista gros­
sa tanto à fraqueza da natureza humana como à abundante misericór­
dia de Deus. Todos nós temos motivos para humilhar-nos. Todos nós
temos doenças do espírito. Todos nós compareceremos como iguais pe­
rante o tribunal de Cristo.

Ano Bíblico: Lucas 12-14. — Juvenis: João 6.


Quinta-feira Os Relacionamentos do Cristão
25 de outubro

Perversão Santificada
Não nos julguemos mais uns aos outros; pelo contrário, tomai o propósito
de não pordes tropeço ou escândalo ao vosso irmão. Romanos 14:13.

como nós gostamos de julgar os outros! Primeiro, definimos


por nosso próprio critério quais são as normas ortodoxas de Deus, e de­
pois aplicamos essas normas aos outros. Se eles não se ajustam a elas,
é porque não são fiéis, não crêem no “testemunho direto” e assim por
diante.
Naturalmente, sempre exercemos o cuidado de basear nosso julga­
mento em textos bíblicos ou em citações de Ellen White. É bastante
curioso que essa abordagem também era praticada nos dias em que ela
viveu. Felizmente, ela tratou dessa questão mais de uma vez. Veremos
um único exemplo hoje.
Ela chamou a atenção para o fato de alguns estarem apanhando as
observações que ela fazia sobre reforma de saúde e fazendo delas uma
“prova”. “Eles escolhem declarações feitas acerca de alguns artigos de
alimentação que são apresentados como censuráveis... Eles se demo­
ram nessas coisas, tornando-as tão fortes quanto possível, entretecen-
do seus próprios e censuráveis traços de caráter nessas declarações e as
impõem com grande força, tornando-as assim uma prova e inculcan-
do-as onde só causam dano. ...
“Vemos os que escolhem as expressões mais fortes dos testemunhos
e sem fazer uma exposição ou um relato das circunstâncias em que são
dados os avisos e advertências, querem impô-los em todos os casos. ...
Há sempre os que são propensos a apossar-se de alguma coisa de tal ín­
dole que possa ser usada por eles para prender as pessoas a rigorosa e
severa prova... Escolhendo algumas coisas nos testemunhos, impõem-
nos a todos, e, em vez de ganhar almas, repelem-nas. ...
“Não apanhem os indivíduos as declarações mais fortes, feitas a
pessoas e famílias, impondo essas coisas porque desejam usar o açoite
e ter algo para impor.” - Mensagens Escolhidas, vol. 3, págs. 285-287.
Uma das maiores tragédias do adventismo é usarmos nossas com­
pilações pessoais dos escritos de Ellen White para fabricar provas “re­
ligiosas” com que julgar os outros. Temos usado os escritos dela para
transgredir os ensinos de Jesus no Monte das Bem-aventuranças.
Perdoa-nos, Senhor, e ajuda-nos a ser mais cristãos.

Ano Bíblico: Lucas 15-17. — Juvenis: João 7.


Os Relacionamentos do Cristão Sexta-feira
26 de outubro

Deturpando o Evangelho
Portanto, não julguem nada antes da hora devida; esperem até que
o Senhor venha. Ele trará à luz o que está oculto nas trevas e manifestará
as intenções dos corações. I Coríntios 4:5, NVI.
' Ã'emos condições de ser pacientes. O Senhor sabe o que está fa­

zendo. A salvação do mundo (ou da minha alma) não depende de al­


guém viver à altura de minhas idéias do que é certo e errado. Contu­
do, essa era a perspectiva dos antigos fariseus; perspectiva que está vi­
va (e bem viva!) no adventismo moderno.
Os fariseus da antigüidade possuíam um fardo de múltiplas regras,
regulamentos e provas de comunhão, pelas quais se podia avaliar a fi­
delidade de uma pessoa. Acontece o mesmo com os fariseus modernos.
Tenho em meus arquivos um artigo de um zeloso grupo de adventistas
“reformados”, no qual alistam mais ou menos uma dúzia de coisas que,
segundo Ellen White, não deviam ser consideradas provas. O artigo es­
boça minuciosamente cada questão e depois conclui que todas elas são
provas hoje, porque vivemos no tempo do fim.
Será que nunca vamos aprender? Nunca lutaremos contra o peca­
do do farisaísmo?
O problema com muitos que se inquietam em corrigir os outros
não é apenas a mensagem que comunicam, mas o espírito que adotam.
De acordo com O Maior Discurso de Cristo, “é a própria falta do espíri­
to de paciência e amor que o leva [uma pessoa] a fazer um mundo de
um simples átomo. Aqueles que nunca experimentaram a contrição de
uma completa entrega a Cristo, não manifestam em sua vida a suavi-
zadora influência do amor do Salvador. Representam mal o brando,
cortês espírito do evangelho, e ferem almas preciosas, por quem Cris­
to morreu. Segundo a figura empregada por nosso Salvador [quando fa­
la de argueiro e trave], aquele que condescende com o espírito de cen­
sura é culpado de um pecado maior do que aquele a quem acusa; pois
não somente comete o mesmo pecado, como acrescenta ao mesmo
presunção e espírito de crítica”. - Pág. 125.
Por que não dar a Deus a chance de ser Deus, a fim de termos tempo
e energia para fazer o que Ele pede de nós no Sermão do Monte?

Ano Bíblico: Lucas 18-20. — Juvenis: João 8.


Sábado Os Relacionamentos do Cristão
27 de outubro

Removedores de Argueiro
Seu hipócrita! Retire primeiro a tábua do seu olho; então você vai
conseguir enxergar claramente para remover o cisco do olho do seu irmão.
Mateus 7:5, Phillips.
Depois de dizer e fazer tudo sobre argueiros e traves, é impor­
tante observar que nós temos realmente a responsabilidade de ajudar
nosso próximo a tirar do olho seu argueiro real (em vez de algum ar­
gueiro imaginário colocado ali por nosso preconceito).
Nunca esqueçamos, porém, que não recebemos ordem para ser re-
movedores de argueiro enquanto não nos tornarmos peritos extratores
de traves. Em outras palavras: “precisais ser bons para que possais fazer
o bem. Não vos será possível influenciar os outros a se transformarem
enquanto vosso coração não se houver tornado humilde, refinado e
brando por meio da graça de Cristo. Quando esta mudança se houver
operado em vós, ser-vos-á tão natural viver para beneficiar a outros,
como o é para a roseira dar suas perfumosas flores, ou a videira produ­
zir purpurinos cachos”. - O Maior Discurso de Cristo, pág. 128.
È de se lamentar que muitos não mostrem o seu melhor lado quan­
do tentam (muitas vezes sinceramente) ajudar os outros. Sua maneira
condenatória, “piedosa” e censuradora toma-se a principal trave a blo-
quear-lhes a visão e o discernimento espiritual. Sua obra em relação
aos outros tende a implantar mais argueiros, em vez de removê-los.
Se quisermos realmente ser removedores de argueiros em vez de im-
plantadores, precisamos ter a mente de Cristo em relação aos outros.
Lemos no livro Educação que, apesar de reprovar “com fidelidade”,
Cristo olhava esperançosamente para cada pessoa, não importava o
quanto estivesse ela decaída.
“Olhando aos homens em seu sofrimento e degradação, Cristo en­
trevia lugar para esperança onde apenas apareciam desespero e ruína.
Onde quer que se sentisse a percepção de uma necessidade, ali via Ele
oportunidade para reerguimento. As almas tentadas, derrotadas, que se
sentiam perdidas, prontas a perecer, Ele defrontava, não com acusa­
ções, mas com bênçãos. ... Em cada ser humano Ele divisava infinitas
possibilidades. Via os homens como poderiam ser, transfigurados por
Sua graça.” — Págs. 79 e 80.
Vai tu e faze o mesmo.

Ano Bíblico: Lucas 21 e 22. — Juvenis: João 9.


Os Relacionamentos do Cristão Domingo
28 de outubro

Ajudando Realmente as Pessoas


Antes, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo nAquele
que é a cabeça, Cristo. Efésios 4:15, NVI.
Os cristãos devem ter o desejo de ajudar as pessoas, mas essa

“ajuda” deve proceder de motivos puros e espírito correto. Todo dese­


jo de criticar, toda exultação pelo mal alheio e toda disposição de cri­
ticar devem ser banidos. Devemos sempre lembrar-nos de que não
existe pecado mais grave do que o de ter um espírito condenatório.
Bem, você deve estar se perguntando, como podemos prestar aju­
da a alguém, de forma que seja uma ajuda real? D. Martyn Lloyd-Jones
oferece várias sugestões. Na primeira, ele pede para lermos diariamen­
te I Coríntios 13 (o grande capítulo do amor). Por que não fazer isso
agora? Pense por um momento: que conselho específico desse capítulo
você poderia aplicar à sua vida hoje?
Na segunda sugestão, procure lembrar-se das afirmações que você
fez a respeito dos outros. Sente-se, analise essas declarações e pergun­
te a si mesmo o que elas realmente significam. No passado eu achava
essa providência muito dolorosa. Ao tratar com outro colega, eu fizera
afirmações que, no espírito e no conteúdo, nem de longe eram cristãs.
Isso não significa que a pessoa em questão não tivesse algumas faltas
clamorosas, mas quando sentei e elaborei minha tática, passei a reco­
nhecer que toda a minha abordagem contradizia o próprio evangelho
que eu pensava estar defendendo. Isso é assustador. Existem traves em
cada canto de nossa vida.
A terceira sugestão é a seguinte: Lembre-se de que retirar algo do
olho de alguém é uma operação delicada. Nenhum órgão do corpo é
mais sensível do que o olho. Ao tratar do olho, precisamos usar simpa­
tia, paciência, calma e cálculo. Essas qualidades precisam ser transferi­
das para o domínio espiritual ao lidarmos com outras pessoas. Confor­
me disse Paulo, precisamos aprender a falar a verdade em amor. Real­
mente sou grato às pessoas que me abordaram dessa maneira quando
tiveram de me confrontar. Esse sentimento contrasta com o desperta­
do por aqueles que se aproximaram de mim como o proverbial touro
numa loja de porcelana.
Agradeço-Te hoje, ó Senhor, pelos espíritos gentis. Que o meu
também possa melhorar.

Ano Bíblico: Lucas 23 e 24. — Juvenis: João 10.


Segunda-feira Os Relacionamentos do Cristão
29de outubro

Porcos e Cães
Não deis aos cães o que é santo, nem lanceis ante os porcos as vossas
pérolas, para que não as pisem com os pés e, voltando-se, vos dilacerem.
Mateus 7:6.
Surpresa!
Depois de cinco versos que nos falam de maneira bastante enérgi­
ca para não julgarmos, Jesus agora nos diz que precisamos julgar. E nos
diz que somos capazes de julgar adequadamente e de distinguir porcos
e cães das criaturas mais dignas.
Antes de examinarmos o significado dessa passagem, precisamos
olhar para o significado dos cães e porcos pela perspectiva judaica. Pa­
ra nós, um cão é um bichinho de estimação que muitos de nós adora
ter e abraçar. O cão é, para muitos, “o melhor amigo do homem”. Não
era assim, porém, no mundo antigo. Os cães eram carniceiros semi-sel-
vagens. O próprio nome deles era um termo desagradável e desonroso.
De maneira similar, para a mente judaica o porco representava tudo
quanto era impuro e proibido.
Não estamos, portanto, lidando com julgamentos de limites estrei­
tos, mas com uma discriminação baseada em atributos externos. Qual­
quer pessoa pode dizer a diferença entre um porco e uma ovelha. As­
sim, os cristãos também devem julgar no sentido da discriminação,
com base nas ações exteriores de uma espécie “suína”.
E muito bom que Mateus 7:6 esteja incluído em nossa Bíblia. Se
contássemos apenas com os cinco primeiros versos do capítulo, tería-
mos apenas metade do quadro. A única conclusão a que chegaríamos
era a de que seria errado julgar os outros de qualquer forma. Mas o ver­
sículo 6 traz equilíbrio. Sem o parecer que ele nos dá, não haveria ba­
se para a disciplina na igreja, nem para a discriminação entre os falsos
ensinos e os verdadeiros.
Há na leitura bíblica de hoje uma lição. Precisamos tomar todo o
conselho da Palavra de Deus. Os cristãos se metem em problemas por­
que apanham esse ou aquele texto ou citação, mas não conseguem ler
a informação equilibrada. Quando vemos apenas um lado da questão e
nos apressamos, ficamos suscetíveis àquele extremismo e fanatismo
que atormentaram o cristianismo desde o seu início. Somos chamados
a ser o povo de todo o Livro, e não apenas de parte dele.

Ano Bíblico: João 1-3. — Juvenis: João 11.


Os Relacionamentos do Cristão Terça-feira
30 de outubro

Porcos e Cães Novamente


Então, Paulo e Barnabé, falando ousadamente, disseram: Cumpria que
a vós outros, em primeiro lugar, fosse pregada a palavra de Deus; mas, posto
que a rejeitais e a vós mesmos vos julgais indignos da vida eterna, eis aí que
nos volvemos para os gentios. Atos 13:46.

idéia fundamental subjacente ao conceito de “santo” na Bíblia


é a idéia de ser separado para o serviço de Deus. E aquilo que é separado
deve ser usado apenas para propósitos santos. Desde que cães eram con­
siderados impuros, é simplesmente lógico que eles não devam ser reci­
pientes das coisas santas. De forma semelhante, as coisas belas não serão
apreciadas pelos porcos. Os porcos não são conhecidos por sua sensibili­
dade estética.
Ora, você pode estar se perguntando o que Jesus quis dizer em
Mateus 7:6 sobre não dar aos cães o que é santo, nem lançar nossas
pérolas aos porcos.
Em resposta, precisamos lembrar-nos de que não há nada mais san­
to que a mensagem evangélica. Essa mensagem deve ser pregada a toda
nação. Deve ser pregada a prostitutas, gângsteres, pessoas comuns e até
mesmo a beatos empedernidos.
A preciosa mensagem deve ser livremente oferecida a todos, mas
quando for repetidamente ignorada ou ridicularizada por aqueles que
não têm o menor desejo de escapar à escravidão do pecado, devemos
levar a mensagem do Salvador para solos mais férteis. E isto, em parte,
o que Jesus quis dizer quando instruiu os discípulos a sacudirem o pó
dos pés e seguirem adiante quando a mensagem que levavam não fos­
se recebida (ver Mat. 10:14).
Paulo tomou medidas semelhantes em Antioquia (Atos 13:46) e
para com os judeus em Corinto. A respeito da experiência por que ele
passou em Corinto, lemos: “Opondo-se eles e blasfemando, sacudiu
Paulo as vestes e disse-lhes: Sobre a vossa cabeça, o vosso sangue! Eu
dele estou limpo e, desde agora, vou para os gentios.” Atos 18:6.
A tarefa evangélica é grande, e os trabalhadores são poucos. Deus
não espera que continuemos para sempre tentando fazer com que in­
solentes aceitem a mensagem, mas nos ordena que testemunhemos
com sinceridade em esferas cada vez mais amplas. Lembre-se: Nós so­
mos o sal e a luz.

Ano Bíblico: João 4-6. - Juvenis: João 12.


Quarta-feira Os Relacionamentos do Cristão
31 de outubro

Cheque em Branco
Pedi, e dar-se-vos-á; buscai e achareis; batei, e abrir-se-vos-á. Mateus 7:7.
Será que isso é realmente verdade? A oração é um cheque em
branco? Deus dá aos crentes tudo quanto pedem?
Tenha cautela aqui. Entramos em grande dificuldade quando alte­
ramos textos ou apanhamos declarações fora do contexto e depois as
generalizamos de maneira irresponsável.
Sejamos honestos nesse ponto. Deus já lhe concedeu tudo quanto
você pediu? Por que não? Como isso afetou a sua fé?
Essa afirmação sobre a oração é uma promessa absoluta do que
Deus fará em nosso favor, mas possui um contexto bem definido. Esse
contexto é o juízo, o tema que atravessa todo o capítulo sete de Ma­
teus. Precisamos ver nossa vida terrena como uma escola na qual cons­
truímos o caráter para a vida por vir. Deus quer que estejamos prepa­
rados para a vida eterna. Assim sendo, está disposto a dar-nos tudo
quanto precisamos para o desenvolvimento cristão simétrico.
Os primeiros seis versos de Mateus 7 trataram do problema de
julgar os outros e ser mais exigentes com eles do que somos conosco
mesmos. Eles nos dizem que, em grande medida, os juízos injustos
que pronunciamos repercutirão sobre nós mesmos. Ao reconhecer
nossas fraquezas, clamamos: “Quem é suficiente para estas coisas?
Como podemos viver à altura de um padrão como esse?” A resposta
de Cristo é que Ele nos dará o que precisamos, se pedirmos, buscar­
mos e batermos.
O que é verdade para Mateus 7:1-6 é verdade para todo o Sermão
do Monte. Ficamos desalentados quando vemos as exigências da ver­
dadeira justiça. E no contexto dessas exigências que Cristo oferece Sua
graça, para que possamos viver a vida cristã. “Pedi, e dar-se-vos-á; bus­
cai e achareis; batei, e abrir-se-vos-á.”
Realmente temos um cheque em branco, em Mateus 7:7, para a
graça de Deus. Os imperativos de Cristo são humanamente impossíveis
de ser cumpridos. Os que levam a sério as tremendas exigências do Ser­
mão do Monte devem também levar a sério a boa vontade de Deus em
nos ajudar. Os que pedem, buscam e batem por auxílio, não ficarão de­
cepcionados.

Ano Bíblico: João 7-9. — Juvenis: João 13.


Os Relacionamentos do Cristão Quinta-feira
1“ de novembro

Quem Procura por Quem


Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a Minha voz e abrir a
porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele, comigo. Apocalipse 3:20.
Há na instrução de Jesus para buscá-Lo, algo que jamais deve­

mos esquecer: O fato de que Ele Se deu porque esteve sempre procu­
rando por nós. Esse foi o propósito da Sua encarnação. Ele veio “bus­
car e salvar o perdido” (Luc. 19:10). Como Deus procurou por Adão,
afligido pelo fardo do pecado, no Éden, assim Jesus vem à nossa procu­
ra. Ele continua a buscar-nos e permanece à porta do nosso coração,
querendo entrar. A grande pergunta é: Permitiremos que Ele entre?
A condição na qual nos aproximamos de Cristo e permitimos que
entre em nós não é nosso mérito, mas nossa perdição. É nossa necessi­
dade de ser limpo e purificado de toda iniqüidade que nos leva a rea­
gir favoravelmente à Sua iniciativa, que nos leva a pedir, a buscar e a
bater pelo perdão de Deus.
A recomendação é para pedirmos, e nos será dado. Ellen White es­
creveu que “se a Ele vos chegais com sincera contrição, não tendes que
pensar ser presunção de vossa parte o pedir aquilo que o Senhor pro­
meteu. Quando pedis as bênçãos de que necessitais a fim de aperfei­
çoar um caráter segundo a imagem de Cristo, o Senhor vos garante que
pedis em harmonia com uma promessa que se cumprirá. O fato de vos
reconhecerdes pecador, é base suficiente para implorardes Sua compai­
xão e misericórdia”. - O Maior Discurso de Cristo, págs. 130 e 131.
Buscar e bater significam que continuamos a pedir. Vimos no estu­
do da quarta bem-aventurança que nossa fome e sede de justiça não é
um ato isolado no passado. Ao contrário, o cristão percebe continua­
mente as suas faltas e sente constante fome e sede daquela justiça que
somente Deus pode conceder. O pedir, o buscar e o bater correspondem
a essa fome e sede contínuas. Deus está constantemente respondendo à
oração da fé e concedendo-nos aquilo que pedimos. É ilimitado o Seu
suprimento de graça.
Senhor, ajuda-me a aprender buscar as coisas mais importantes.
Ajuda-me a ansiar por Tua graça.

Ano Bíblico: João 10 e 11. — Juvenis: João 14.


Sexta-feira Os Relacionamentos do Cristão
2 de novembro

A Oração Não Respondida de Paulo


Pois todo o que pede recebe; o que busca encontra; e, a quem bate,
abrir-se-lhe-á. Mateus 7:8.
JBem, essa é uma belíssima frase, uma magnífica promessa, mas a
pura verdade é que as pessoas não recebem nem encontram tudo o que
pedem e buscam. Tome o exemplo do apóstolo Paulo. Ele pediu repe­
tidas vezes por uma cura, mas sem efeito. A palavra de Deus a Paulo
foi: “A Minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraque­
za.” II Cor. 12:8 e 9. De maneira semelhante, Jesus orou três vezes pa­
ra que o cálice de Sua crucifixão fosse afastado dEle, mas acabou sen­
do crucificado (Mat. 26:36-46).
Nem Jesus nem Paulo se queixaram de suas orações “não respon­
didas”. Não acusaram a Deus de fazer promessas e não cumpri-las.
Nunca perderam a fé. Pelo contrário, o que Jesus fez foi dizer: “Seja fei­
ta a Tua vontade.” E Paulo disse: “Eu me gloriarei ainda mais alegre­
mente em minhas fraquezas, para que o poder de Cristo repouse em
mim.” II Cor. 12:9, NVI.
Nem Jesus nem Paulo consideraram Mateus 7:7 como um cheque
em branco para tudo quanto pedissem. Ambos parecem ter interpreta­
do o versículo no sentido de que Deus lhes daria graça para fazerem tu­
do quanto precisava ser feito. Portanto, interpretaram a ordem para
pedir, bater e buscar no contexto do Sermão do Monte: de que Deus
lhes daria poder para viverem as bem-aventuranças, amarem seus ini­
migos e levarem uma vida de confiança, ainda que em meio a crises
produtoras de ansiedade. A vida de Jesus e a de Paulo são um testemu­
nho de que Deus realmente cumpre a promessa do pedir, do bater e do
buscar segundo o objetivo que tem em vista. Eles realmente tiveram
graça para viver vida exemplar.
Podemos obter a mesma graça. Na verdade, sem ela, continuaría­
mos a ser as mesmas pessoas egocêntricas e críticas que éramos antes
de encontrar Jesus.
Louve a Deus hoje porque Ele é gracioso e Ele está mais do que
disposto a nos capacitar a viver a vida cristã. Porque Suas promessas
jamais falham.
Louve a Deus hoje porque, se pedirmos, Ele dará; se buscarmos,
encontraremos; se batermos, Ele abrirá.

Ano Bíblico: João 12 e 13. - Juvenis: João 15.


Os Relacionamentos do Cristão Sábado
3 de novembro

Tome uma Cobra, Filhínho


Ou qual dentre vós é o homem que, se porventura o filho lhe
pedir pão, lhe dará pedra' Ou, se lhe pedir um peixe, lhe dará uma cobra?
Mateus 7:9 e 10.

uitas pessoas que estão lendo este devocional são pais. Ama­
mos nossos filhos, e eles sabem disso. Eles sentem liberdade de vir até
nós e pedir-nos este ou aquele favor. Confiam em nós, e fazem bem em
confiar.
A ilustração usada por Jesus no verso bíblico de hoje é interessan­
te por ser bastante comum. Até mesmo o pai mais mesquinho se sen­
te compelido a prover algum alimento para os filhos. Não lhes dariam
uma pedra em lugar de pão. Por quê? Porque uma pedra é algo absolu­
tamente inútil como alimento.
O caso da cobra em lugar do peixe não parece tão claro à primei­
ra vista. Embora haja alguma diferença de opinião quanto à natureza
precisa da cobra, pois muitos julgam tratar-se de uma enguia, o certo é
que tal criatura, por não ter barbatanas nem escamas, seria imunda.
Portanto, não serviría como alimento para crianças judias.
Lucas apresenta uma terceira ilustração nesse ponto de sua narra­
tiva. Acrescenta que nenhum pai daria ao filho um escorpião, se ele
lhe pedisse um ovo. O escorpião, naturalmente, é um animal extrema­
mente peçonhento, que parece não servir para alimento nem para ou­
tra coisa qualquer. Nenhum desses artigos, no contraste fornecido por
Jesus, era próprio para alimento. Nenhum deles podia ser visto como
uma dádiva graciosa e amorável.
A parte mais importante do argumento apresentado nos versos 9 e
10 aparece no verso 11, onde Jesus conclui que, se até mesmo os pais
terrenos amam seus filhos a ponto de lhes darem o que necessitam,
quanto mais não será capaz o Deus generoso?
Esse é um pensamento importante. Talvez estejamos subestiman­
do demais a generosidade divina em abastecer-nos com aquilo que pre­
cisamos tanto em nossa vida temporal quanto na eterna.
O argumento principal de Mateus 7:7-11 é que Deus jamais irá vi­
rar as costas para as nossas orações. Acima de tudo, Deus deseja que se­
jamos felizes, saudáveis e completos. Que oportunidade!

Ano Bíblico: João 14 e 15. — Juvenis: João 16.


Domingo Os Relacionamentos do Cristão
4 de novembro

Louve a Deus Pela Oração


"Não Respondida"
Pai, se queres, passa de mim este cálice; contudo, não se faça a Minha
vontade, e sim a Tua. Lucas 22:42.
J^jnda me lembro daquele dia. Fazia tempo que meu filho de 14
anos vinha querendo uma bicicleta. Eu havia feito o melhor que podia
para dissuadi-lo, mas cheguei finalmente à conclusão de que, se ele ti­
nha mesmo de possuir uma, que fosse de boa qualidade. Mas uma coi­
sa boa custa dinheiro. Com esse argumento, eu esperava retardar o pro­
cesso de aquisição.
Dentro de alguns dias, porém, Jeff chegou em casa com a informa­
ção de uma bicicleta realmente barata. Sob sua insistência, saí para vê-
la. Para ser franco, era uma porcaria. Era não apenas feia, mas também
quase imprestável. Disse-lhe isso em termos bem definidos. Seria um
erro gastar dinheiro com aquele lixo.
Mas ele continuava a implorar que eu a comprasse para ele. Era,
segundo ele, justamente o que ele queria.
Finalmente, contra meu melhor juízo, cedi. Como ele ficou em­
polgado! No primeiro dia, andou para cima e para baixo de maneira ar-
fante e imprudente pelos terrenos da vizinhança. Mas aquele primeiro
dia também foi o último. A bicicleta nunca mais andou.
Podemos até sorrir desse capricho juvenil. Mas não sorria de ma­
neira tão escancarada. Você iá orou_(ou até mesmo implorou) a Deus
que lhe desse isso ou aquilo, apenas para descobrir depois que o que vo­
cê desejou tão ardentemente não era realmente o que você precisava?
Isso já aconteceu comigo. E nesses casos fiquei contente por Deus não
ter respondido à minha oração.
A essa altura, devo perguntar se é correto dizer que Deus não res­
pondeu à minha oração. Talvez Ele tenha respondido, mas a resposta
foi não. Muitas vezes “não” é a melhor resposta para nossas orações.
Pense na oração que Jesus fez no Getsêmani, pedindo para nãobe-
ber o cálice da cruz. A resposta de Deus para essa oração foi “não”. Je-
sus aceitou essa resposta. Resultado: Ele foi ao Calvário por você e por
mim; Ele morreu por nós para que pudéssemos ter vida eterna. Em Sua
sabedoria, Deus nos dá aquilo que precisamos, e não o que queremos.

Ano Bíblico: João 16-18. - Juvenis: João 17.


Os Relacionamentos do Cristão Segunda-feira
5 de novembro

Orações Sempre Respondidas


Ora, se vós, que sois maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos,
quanto mais vosso Pai, que está nos Céus, dará boas coisas aos que Lhe
pedirem? Mateus 7:11.
De acordo com o nosso texto para hoje, Deus Se empenha em
nos dar “boas dádivas”. Isso é maravilhoso, pois gostamos de boas dá­
divas.
Nos versos que estamos estudando (Mat. 7:7-11), Jesus não esta­
belece condições para a oração, tais como ter fé ou pedir em harmonia
com a vontade de Deus. Essas condições já foram explicadas em outra
parte e parecem tidas por certo no capítulo 7 de Mateus. Aqui, Ele Se
concentra mais na verdade maravilhosa de que o Pai dá liberalmente
a todos quantos Lhe pedem.
Apesar de haver condições para a oração ser respondida, existem
algumas petições que Deus responderá sempre, porque consistem sem­
pre em Sua vontade e só podem ser pedidas por meio da fé.
Entre as orações que Deus sempre responde está o sincero pedido
de perdão. “Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para
nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça.” I João 1:9.
Deus não é mesquinho em perdoar. Ele sempre honra a oração sincera
de alguém que, curvado sob o peso da culpa, suplica perdão.
Uma segunda oração que Deus responde sempre é a que pede pelo
poder do Seu Espírito para nos tomar mais amorosos e reproduzirmos
mais perfeitamente o caráter de Jesus. Tomar-nos mais amorosos é san­
tificação. Essa é a característica central dos que estarão no reino por to­
da a eternidade. Deus pode até permitir que algumas coisas ou pessoas
estressantes sejam postas em nosso caminho para o desenvolvimento
desse amor, mas o objetivo é sempre ajudar-nos a crescer em amor.
Uma terceira oração que Deus responderá sempre é a oração por
paz em nosso coração e mente. Embora possamos nos encontrar numa
atmosfera de luta, Deus sempre concederá paz aos cristãos confiantes.
Olhe para Jesus indo para o Calvário. Olhe para Estevão sendo apedre­
jado. Eles conseguiram suportar o sofrimento porque tinham no cora­
ção a paz do Pai.

Ano Bíblico: João 19-21. - Juvenis: João 18.


Terça-feira Os Relacionamentos do Cristão
6 de novembro

Que Tipo de Deus?


Toda boa dádiva e todo dom perfeito são lá do alto, descendo do Pai das
luzes, em quem não pode existir variação ou sombra de mudança. Tiago 1:17.

E bastante natural querer conhecer Aquele a quem oramos. De­


sejamos conhecer o tipo de atmosfera na qual nossa oração será ouvi­
da. Estamos acaso orando a um Deus que precisa ser constrangido a nos
dar as coisas? Estamos orando a um Deus cuja ira precisa ser aplacada?
Ou estamos orando a um Deus cujo coração é tão bondoso que está
mais disposto a dar do que estamos a pedir?
Jesus está tentando encaminhar-nos diretamente para essas per­
guntas. Ele não apenas está descrevendo, em Mateus 7:7-11, um Deus
que anseia responder às nossas orações com “boas dádivas”, mas tam­
bém mostrando que toda a Sua vida foi uma revelação do amoroso ca­
ráter de Deus. Conseguimos ver a Deus de maneira mais clara através
das lentes da vida e dos ensinos de Jesus.
Todos nós, de certa forma, estamos numa situação insegura em
nossa vida diária. Jamais sabemos ao certo que tipo de coisas boas ou
ruins encontraremos pela frente.
Nesse sentido, somos como Abraão, que foi chamado do lar dos
seus antepassados para Canaã. Quando Abraão partiu, não sabia exa­
tamente para onde estava indo, mas sabia que Deus ia com ele. E sa­
ber disso fez toda a diferença do mundo para ele. Saber disso, deu-lhe
coragem e paz; deu-lhe esperança e direção; deu-lhe segurança e con­
forto.
Esse Deus, que foi Pai para Abraão, quer também ser o meu Pai.
Quer dirigir minha vida, exatamente como dirigiu a de Abraão, ao sair
ele de Ur dos caldeus. O Senhor me ama assim como amou Abraão, Da­
niel, Pedro, João, Paulo, Martinho Lutero, John Wesley e José Bates.
Esse é um pensamento maravilhoso. O Deus do Universo é meu
Pai pessoal. Não é à toa que consiga me ajoelhar com fé diante do Seu
trono. Aos necessitados, de maneira nenhuma Ele lançará fora. Ele dá
boas dádivas àqueles que Lhe pedem.

Ano Bíblico: Atos 1-3. — Juvenis: João 19.


Os Relacionamentos do Cristão Quarta-feira
7 de novembro

Que Tipo de Povo?


Pois todos pecaram e carecem da glória de Deus. Romanos 3:23.
O contraste apresentado em Mateus 7:11, entre o bom Pai Ce­

lestial e os seres humanos, que são maus, não poderia ser maior. Na
verdade, o argumento principal de Jesus nesse texto não é a natureza
pecaminosa da humanidade, mas é tanto mais convincente pelo fato
de a veracidade de Sua afirmação ser tão óbvia para Ele que Ele é ca­
paz de usá-la numa comparação de improviso. A crença de Jesus é a de
que a humanidade é má e pecaminosa, a despeito de todas as formas de
humanismo.
Lembro-me de como fiquei empolgado ao preparar minha disserta­
ção doutorai. Meu campo de estudo era a filosofia da revolução. Na­
quele tempo, eu estava em rebelião contra Deus e contra a igreja, e não
queria outra coisa senão encontrar para a vida uma nova explicação
que fizesse sentido.
Como me emocionava ante os projetos revolucionários propostos
por alguns que alegavam, em essência, que os seres humanos podem fa­
zer o Céu na Terra, criando sistemas econômicos e políticos justos. Is­
to soava tão bem que todos deviam contribuir o máximo possível com
a sociedade e retirar apenas o mínimo.
Tudo isso era maravilho na teoria. Foi então que fui forçado a fa­
zer a dura pergunta: Por que essas boas idéias nunca funcionam na vi­
da real? Por que a história é um catálogo de fracassos utópicos, um após
o outro? Fui obrigado a admitir que a natureza humana é essencial­
mente egoísta e pecaminosa; e que, afinal de contas, o cristianismo
tem a resposta.
Devemos observar que Jesus não Se incluiu na descrição da huma­
nidade pecadora. “Vós, que sois maus” são as Suas palavras. Jesus não
era mau. Ele possuía o coração e a mente de Deus. Nisso, Ele é diferen­
te de nós.
Mas Ele deseja tornar-nos semelhantes a Ele. Esse é o alvo da con­
versão e do novo nascimento. Deus quer que mudemos para sermos se­
melhantes a Ele.
Obrigado, ó Pai, por não desistir de mim. Obrigado por Se impor­
tar o bastante para colocar Seu Filho em risco dentro de um mundo de
pecado, a fim de que eu pudesse ter vida eterna.

Ano Bíblico: Atos 4-6. — Juvenis: João 20.


Quinta-feira Os Relacionamentos do Cristão
8 de novembro

Amor Além da Lei


Assim, em tudo, façam aos outros o que vocês querem que eles lhes
façam. Mateus 7:12, NVI.
CZIhegamos com esse verso ao ponto máximo da ética cristã.
Aqui está a principal característica do que significa agir como cristão.
Apesar disso, podemos perguntar, que há de tão especial nessa afir­
mação? Outros grandes pensadores não disseram coisas semelhantes?
Sim, você está certo. Vamos dar uma olhada em algumas delas. O
rabino Hillel disse: “Tudo quanto você não quiser que os homens lhe
façam, não faça isso a eles. Disto depende toda a Lei. O resto é apenas
explicação.” Até mesmo os não judeus tinham um dito semelhante. Os
estóicos, por exemplo, afirmavam: “O que você não deseja que lhe fa­
çam, não faça isso a ninguém.”
Sendo assim, que há de diferente no que Jesus falou? Muita coisa,
pois Ele colocou o provérbio na forma positiva, em vez de na negativa.
Quando posto na negativa, o adágio não passa de uma declaração
simples e sensata que possibilita o convívio social. A forma negativa
não se dá ao trabalho de fornecer algo extra. Uma pessoa pode cum­
prir a forma negativa da regra apenas permanecendo inativo, sem fazer
nada.
Mas a forma positiva da regra de ouro, conforme proferida por Je­
sus, implica em uma nova atitude para com os outros. Jila não diz que
eu não devo fazer aos outros o que eu não concordaria que fizessem a
mim, mas que eu devo sair de meu caminho para ajudar outras pessoas
e ser bondoso com elas, assim como eu gostaria que elas me ajudassem
e fossem bondosas comigo.
Certo homem ilustrou a diferença desta maneira: A lei pode obri-
gar uma pessoa com um automóvel a dirigir de uma maneira a não pre­
judicar ninguém, mas nenhuma lei pode obrigar essa pessoa a parar e,
por amor, ajudar alguém em dificuldades.
Os cristãos que vivem a regra de ouro tratam os outros não como
a lei permite, mas como o amor ordena. E ninguém pode fazer isso sem
passar por uma cirurgia do coração, que remova o antigo coração egoís­
ta e o substitua por um coração cheio do amor de Deus.

Ano Bíblico: Atos 7-9. — Juvenis: João 21.


Os Relacionamentos do Cristão Sexta-feira
9 de novembro

Outra Olhada na Perfeição do Caráter


Mestre, qual é o grande mandamento na lei? Respondeu-lhe Jesus:
Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de
todo o teu entendimento. Este é o grande e primeiro mandamento. O segundo,
semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois
mandamentos dependem toda a lei e os profetas. Mateus 22:36-40.
dzom a regra áurea de Mateus 7:12, chegamos ao ápice da con­
duta cristã, um elemento-chave na definição bíblica da perfeição do
caráter, um elemento essencial da demonstração escriturística do que
significa ser semelhante a Jesus.
Comentando esse texto, O Maior Discurso de Cristo sugere que
“homem algum que tenha o verdadeiro ideal quanto a um caráter per­
feito, deixará de manifestar o espírito de compreensão e ternura de
Cristo. A influência da graça há de abrandar o coração, refinar e puri­
ficar os sentimentos, dando uma delicadeza e um senso de correção de
origem celeste”. - Pág. 135.
No mesmo livro, lemos que “a norma da regra áurea é a verdadei­
ra norma do cristianismo; tudo que a deixa de cumprir, é um engano.
Uma religião que induz os homens a estimarem em pouco os seres hu­
manos, avaliados por Cristo em tão alto valor que por eles Se deu; uma
religião que nos leve a negligenciar as necessidades humanas, seus so­
frimentos ou direitos, é religião espúria. ... É porque os homens usam o
nome de Cristo ao passo que Lhe negam o caráter na vida que vivem,
que o cristianismo tem no mundo tão pouco poder”. - Págs. 136 e 137.
Ao examinar a maneira como Jesus retrata a regra áurea, chegamos
ao coração da definição feita por Ele da perfeição do caráter. Uma das
grandes tragédias de alguns círculos adventistas é identificarem a per­
feição do caráter com coisas tais como regime alimentar, observância
do sábado e praticar (ou não praticar) isto ou aquilo.
Que confusão! A alimentação e outros elementos do estilo de vi­
da adventista são meios na consecução de um fim, e não um fim em si
mesmos. Deus quer que tenhamos saúde para que possamos ser mais
amáveis, e não apenas para sermos melhores cumpridores de regras.

Ano Bíblico: Atos 10-12. — Juvenis: Atos 1.


Sábado Os Relacionamentos do Cristão
10 de novembro
X
Praticando a Regra Aurea
Como quereis que os homens vos façam, assim fazei-o vós também a
eles. Lucas 6:3 1.

lí ) urante os últimos dois dias estivemos estudando a regra áurea.


Vimos que essa regra expressa o que significa ser cristão, é o ápice do
que significa ser perfeito no caráter, assim como Jesus é perfeito.
Mas alguém pode perguntar como isso pode ser colocado em prá­
tica. Não pode ser feito consistentemente com nossos próprios recur­
sos. Nosso egoísmo se intromete e nossa preguiça nos propulsiona a fa­
zer o mínimo pelos outros. Não somos propensos à regra áurea. Na ver­
dade, nosso caráter se inclina para o outro lado. Até mesmo quando
beneficiamos alguém, geralmente esperamos alguma espécie de reco­
nhecimento e recompensa em troca.
A pura verdade é que fazer genuinamente aos outros aquilo que
queremos que nos façam, não pode ser realizado pelo poder humano.
Exige a impulsão e a propulsão dinâmica e transformadora do Espírito
Santo. Viver coerentemente a regra é viver a vida cheia do Espírito.
Com essa compreensão, precisamos agora examinar algumas suges­
tões práticas de como colocar a regra áurea em prática. Talvez uma das
primeiras providências seja fazer uma lista de todas as coisas que eu
gostaria que as pessoas fizessem por mim. Não comece pelos outros.
Comece por você mesmo. Mencione todas as coisas que você gostaria
que os outros fizessem por você.
Mas não pare aí. Pegue essa lista e comece a fazer essas coisas pe­
los outros. Você gostaria de ser tratado com bondade e respeito? Então
aja assim com os outros. Gostaria que alguém lhe desse a mão quando
está atarefado? Então é isso que você precisa fazer por alguém. Por en­
quanto, você tem a idéia.
A seguir, faça uma lista de todas as coisas que você não gosta. En­
tão aplique essa lista em sua vida diária. Evite essas atitudes em seu re­
lacionamento com os outros.
Senhor, eu preciso de ajuda! Ajuda-me hoje a fazer da Tua regra a
regra da minha vida.

Ano Bíblico: Atos 13-15. - Juvenis: Atos 2.


Os Relacionamentos do Cristão Domingo
11 de novembro
X
Por que não Gosto da Regra Aurea
Por isso o ser humano se torna inimigo de Deus quando a sua mente
é controlada pela natureza humana. Porque ele não obedece à lei de Deus e
de fato não pode obedecer a ela. Os que obedecem à sua natureza humana
não podem agradar a Deus. Romanos 8:7 e 8, BLH.
T^Jão gostamos da regra áurea porque ela interfere na maneira
como conduzimos nossa vida. E isso é irritante!
Por trás de nossa antipatia pela regra áurea está nossa antipatia pe­
la lei de Deus, que afirma claramente ser o amor a Deus e ao próximo
o verdadeiro viver. E por trás de nossa antipatia pela lei está a antipa­
tia pelo Deus que a outorgou. Por que Ele não cuida da própria vida e
deixa que cuidemos da nossa?
Essa pergunta nos leva à verdadeira raiz do problema. A razão por
que não gostamos da regra aúrea, da lei e mesmo de Deus, é que essas
coisas interferem no curso natural de nossa vida egoísta e pecaminosa
fora de Cristo. Jamais devemos esquecer que o amor ao eu é o centro
do pecado. A natureza pecaminosa é inteiramente egocêntrica, ao pas­
so que a regra áurea, a lei e Deus são centrados nos outros. Essas coisas
interferem em nossa vida egocêntrica. E essa interferência nos põe em
inimizade com elas.
A vida centrada no eu diz que, se você gosta de alguma coisa, pe-
gue-a; se deseja o marido ou a mulher de outra pessoa, use o corpo de­
le ou dela para sua satisfação própria; se convém a seus propósitos
mentir, então minta. Mas aí vêm Deus e Jesus, e Sua lei e regra intro­
metidas para frustrarem nosso ego natural. Fazer-nos sentir completa­
mente odiosos algumas vezes.
É nisso que Jesus quer que ponhamos um fim. Ele quer transformar
nosso coração e mente para que fiquemos em harmonia com Deus,
com Sua lei e com Sua regra. Quer escrever os princípios de Seu reino
em nosso coração. Só então conseguiremos amar a regra áurea.
Ajuda-me hoje, Senhor, a ver as coisas mais claramente. Ajuda-
me hoje a querer ver, ajuda-me a querer Tua ajuda. Ajuda-me a amar
Tua regra áurea e a colocá-la em prática.

Ano Bíblico: Atos 16-18. — Juvenis: Atos 3.


Segunda-feira Os Relacionamentos do Cristão
12 de novembro

De Volta à Lei e aos Profetas


Se vós, contudo, observais a lei régia segundo a Escritura: Amarás
o teu próximo como a ti mesmo, fazeis bem. Tiago 2:8.
CZ-om Mateus 7:12 - “Tudo quanto, pois, quereis que os homens
vos façam, assim fazei-o vós também a eles; porque esta é a lei e os profe­
tas” - completamos o circuito de Mateus 5:17: “Não penseis que vim re­
vogar a lei ou os profetas; não vim para revogar, vim para cumpri [-las].”
Tanto Mateus 5:17 como 7:12 destacam a lei e os profetas. A men­
ção que esses versos fazem da lei e dos profetas abrange a essência do
Sermão do Monte. Em conseqüência, a regra áurea deve ser vista co­
mo uma síntese da interpretação que Cristo faz da lei dos profetas, sen­
do Mateus 5:21-7:17 Sua expansão ou desdobramento dos diversos
princípios inerentes a essa síntese.
Depois de Mateus 7:12 passamos por uma mudança principal no ser­
mão. Os princípios foram estabelecidos; agora estamos prontos para a
apresentação feita por Cristo do juízo que deve basear-se nesses princípios.
Podemos ser gratos por Jesus dedicar tanto tempo completando os
princípios da lei e dos profetas, porque, como seres humanos, parecemos
propensos e determinados a compreender erroneamente o propósito das
Escrituras. Mesmo depois de Jesus ter esclarecido repetidas vezes que os
princípios da lei do Antigo Testamento não deviam ser vistos como re­
gras relacionadas apenas com a ação, ainda encontramos pessoas que
empregam as palavras do Senhor exclusivamente com o intuito de criar
mais regras de atos exteriores.
Será que nunca conseguiremos captar a verdadeira importância do
Seu ensino? Nunca entenderemos que Sua lei é mais uma forma de vi­
ver e de pensar do que uma lista de proibições?
E precisamos reconhecer que a lei eterna é, em sua essência, algo
mais positivo do que negativo. È fazer algo pelos outros; é amar a Deus
e ao próximo de todo o nosso coração, mente e alma.
Obrigado, Jesus, por nos tornares clara a natureza espiritual da lei.
Obrigado por não fazeres isso apenas em palavras, mas em Tuas ações
diárias. Ajuda-nos a desejarmos ser semelhantes a Ti.

Ano Bíblico: Atos 19-21. - Juvenis: Atos 4.


Os Relacionamentos do Cristão Terça-feira
13 de novembro

Novamente de Volta às
Bem-aventuranças
E o filho lhe disse: Pai, pequei contra o Céu e diante de ti; já não sou
digno de ser chamado teu filho. O pai, porém, disse aos seus servos: Trazei
depressa a melhor roupa, vesti-o, ponde-lhe um anel no dedo e sandálias nos
pés; trazei também e matai o novilho cevado. Comamos e regozijemo-nos,
porque este meu filho estava morto e reviveu, estava perdido e foi achado.
E começaram a regozijar-se. Lucas 15:21-24.
T ai, será que nunca vai acabar o número de vezes que terei que
voltar às bem-aventuranças? Será que minhas falhas não têm fim? Ao
olhar para a minha tentação não apenas de julgar os outros, mas tam­
bém de ser mais rigoroso com eles do que comigo mesmo; ao olhar pa­
ra minha falha em buscar a Ti e a Teu poder como deveria; e ao deixar
de viver plenamente em harmonia com Tua regra áurea, sinto de no­
vo minha pobreza de espírito. Mais uma vez sou levado a chorar por
causa de meus defeitos, e outra vez encho-me de mansidão ante Tua
presença. Mais uma vez dirijo-me a Ti, com fome e sede de justiça.
Pai, será que já ficaste cansado de eu recorrer a Ti em meus fracas­
sos? Louvo a Ti sempre. Louvo a Ti pela história do filho pródigo.
Agradeço-Te por haver festa no Céu toda vez que alguém vem a Ti em
arrependimento.
Graças Te dou por Tua boa vontade em ouvir-me pedir, buscar e
bater através da oração; por Tua boa vontade em satisfazer minha
constante necessidade de graça; por Tua boa vontade em tornar a co­
locar meus pés na senda da integridade.
Pai, em certo sentido, tenho percorrido ao Teu lado uma longa jor­
nada em nossa caminhada pelo Monte das Bem-aventuranças. Meu
conhecimento de Tua pessoa ficou maior, e aumentou minha capaci­
dade de seguir-Te. Mas há outro sentido no qual não tenho progredi­
do desde Is de janeiro. Ainda sinto necessidade, tanto do Teu poder,
quanto do Teu perdão. Por favor, satisfaze minha fome e sede; mas, por
favor, conserva-me também faminto e sedento de Tua justiça.

Ano Bíblico: Atos 22 e 23. — Juvenis: Atos 5.


Quarta-feira O Compromisso do Cristão
14 de novembro

O Sétimo Passo
Entrai pela porta estreita; porque larga é a porta, e espaçoso o caminho
que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela. Mateus 7:13.
Pai, é difícil acreditar que estejamos caminhando juntos há tan­
tos meses pelo Monte das Bem-aventuranças. Aqui estamos na reta fi­
nal do ano, e nossa jornada está quase completa.
Lembramo-nos da declaração registrada em Mensagens Escolhidas,
vol. 3, de que nada temos que recear quanto ao futuro, a menos que es­
queçamos a maneira como o Senhor nos guiou no passado (pág. 162).
Compreendemos que essa passagem é, antes de tudo, uma afirmação de
como Tu tens liderado Tua igreja nos últimos dias de sua história, em­
bora vejamos que esse conceito também se aplica à nossa vida pessoal.
Ajuda a não nos esquecermos de como nos guiaste através das
bem-aventuranças, ao explicar-nos os elementos essenciais que devem
ser encontrados em cada caráter cristão. E ajuda-nos a lembrar da glo­
riosa oportunidade que nos dás de testemunhar em nossa vida diária,
como sal que permeia e luz que ilumina.
Como podemos algum dia esquecer a grande explicação que nos
deste sobre a profundidade da lei ao descreveres a justiça cristã? E obri­
gado mais uma vez por Teu conselho sobre a piedade ao pensarmos so-
hre oração, esmola, jejum e outros atos de adoração. Também somos
gratos por pensares em nós, em nossas lutas materiais ao lermos Teu in­
comparável conselho a respeito de nossas prioridades e a falta de sen­
tido da preocupação. E, por último, queremos Te agradecer por Teu
conselho sobre nossos relacionamentos com os outros.
Nossa caminhada tem sido uma bênção. Não foi dolorosa, embora
tenha sido uma caminhada na qual crescemos no sentido de ter nosso
caráter mais semelhante ao Teu.
Agora estamos prontos para Tua conclusão, Senhor. Compreende­
mos que, ao concluíres Tua mensagem, queres falar sobre nossos com­
promissos finais. Nossos ouvidos estão abertos às Tuas palavras. Reco­
nhecemos que o julgamento desses compromissos é uma realidade ain­
da por vir. Queremos, de todas as formas, estar prontos para que Tu
aproves nossas escolhas.

Ano Bíblico: Atos 24-26. — Juvenis: Atos 6.


O Compromisso do Cristão Quinta-feira
15 de novembro

O Julgamento do Tempo do Fim


O reino dos Céus é ainda semelhante a uma rede que, lançada ao
mar, recolhe peixes de toda espécie. E, quando já está cheia, os pescadores
arrastam-na para a praia e, assentados, escolhem os bons para os cestos e os
ruins deitam fora. Assim será na consumação do século: sairão os anjos,
e separarão os maus dentre os justos, e os lançarão na fornalha acesa;
ali haverá choro e ranger de dentes. Mateus 13:47-50.
Frederick D. Bruner nos mostra que “Jesus começou Seu sermão

com ternura ilimitada”, mas “o conclui com dureza ilimitada.” Depois de


fazer a introdução referindo-se à multiforme bênção das Bem-aventuran-
ças, o sennão passa a descrever cenas de juízo nos seus versos de encerra­
mento. E como se Jesus estivesse nos dizendo que Sua mensagem não é
uma opção intelectual, nem uma filosofia facultativa dentre muitas.
O Sermão do Monte termina em Mateus 7 com três vigorosas ilus­
trações escatológicas (relativas ao tempo do fim) relacionadas ao juízo
e ao compromisso cristão: os dois caminhos (versos 13 e 14), as duas
árvores (versos 15-20) e os dois edificadores (versos 24-27).
As cenas de juízo não são exclusivas do Sermão do Monte no
Evangelho de Mateus. Mateus registra cinco dos sermões de Jesus, qua­
tro dos quais se encerram com três cenas de juízo. Portanto, as três úl­
timas unidades do discurso missionário do capítulo 10 (versos 32 e 33;
34-39; 40-42) têm que ver com recompensas e punições do tempo do
fim. Isso também acontece com as três últimas unidades das parábolas
do reino no capítulo 13 (versos 44, 45 e 46; 47-50) e com as três últi­
mas parábolas contidas no sermão escatológico de Jesus em Mateus 24
e 25 (25:1-13, 14-30, 31-46). O sermão pedagógico mais importante
proferido por Jesus, que não segue o padrão de três advertências esca­
tológicas, rompe apenas com o aspecto tríplice, não com o elemento
escatológico recompensa/punição. Sendo assim, o sermão sobre per­
dão, em Mateus 18, encerra-se com uma parábola de punição para os
que se recusam a perdoar seu semelhante.
Esse ensino repetido de juízo final em todos os cinco sermões men­
cionados por Mateus e a ligação dessas cenas de juízo com a conduta
cristã são importantes. Jesus nos diz repetidas vezes que a maneira co­
mo vivemos e tratamos os outros é importante para Deus. Portanto, a
maneira como vivemos cada dia também deve ser importante.

Ano Bíblico: Atos 27 e 28. — Juvenis: Atos 7.


Sexta-feira O Compromisso do Cristão
16 de novembro

Deixe o seu Lixo Para Trás


Esforcem-se para entrar pela porta estreita, porque Eu lhes digo que
muitos tentarão entrar e não conseguirão. Lucas 13:24, NVI.

vida desligada da lealdade a Jesus é espaçosa naquilo que per­


mite. Você pode fazer ou ser o que desejar. Os limites morais são am­
plamente elásticos. Se você se sente bem, faça-o. Se o deixa eufórico,
beba-o.
O caminho de Jesus, por outro lado, é assinalado por restrições. E es­
treito porque respeita o direito dos outros, porque se baseia no amor a
Deus e a Seus princípios e porque leva as pessoas a tratarem seu corpo
com respeito. O caminho de Jesus é estreito porque proíbe retaliação,
ódio, concupiscência e espírito condenatório. E estreito porque ordena
àqueles que o percorrem que sejam misericordiosos e pacificadores.
O evangelismo deve ser sincero. Jesus era sincero. Ele ensinava
claramente que as pessoas não podem entrar no reino com os braços
cheios da bagagem deste mundo. A Bíblia não conhece religião fácil,
que diz: Apenas creia e seja salvo. Ao contrário, a religião de Jesus or­
dena: “Creia, seja transformado, viva os princípios do Sermão do Mon­
te e seja salvo.” Essa mensagem ficará mais forte e mais direta ao pas­
sarmos para as duas próximas cenas de juízo de Mateus 7: a árvore que
produz frutos, e os que dizem “Senhor, Senhor”, mas estão perdidos de
qualquer jeito.
Cristianismo não é jogo nem brincadeira, e Jesus nunca pretendeu
que fosse assim. O caminho é difícil.
E, conforme Lucas nos diz na leitura bíblica de hoje, a porta não é
de fácil acesso. Tome cuidado nesse ponto. O problema não é que a sal­
vação seja difícil. Jesus está de braços abertos, convidando a todos que
venham a Ele. O verdadeiro problema é que alguns de nós tentamos
entrar pela porta carregando a bagagem do mundo. Não que a carre­
guemos abertamente. Algumas pessoas lançaram fora os símbolos ex­
teriores de mundanismo, embora ainda estejam procurando entrar
com o mesmo orgulho e amor por posição - só que aliando essas coi­
sas a símbolos religiosos. Isso não é radical o bastante para Jesus. Ele
quer que você abandone todo o seu “lixo”. Leve isso a sério.

Ano Bíblico: Romanos 1-4. — Juvenis: Atos 8.


O Compromisso do Cristão Sábado
17 de novembro

A Maior Batalha da Vida


Tu, porém, ó homem de Deus, foge destas coisas; antes, segue a justiça, a
piedade, a fé, o amor, a constância, a mansidão. Combate o bom combate da
fé. Toma posse da vida eterna, para a qual também foste chamado e de que
fizeste a boa confissão perante muitas testemunhas. I Timóteo 6:11 e 12.
A/hnos ontem que, para entrar no caminho apertado, precisamos
deixar nosso lixo para trás. No entanto, essa é uma coisa mais fácil de
dizer do que fazer. Afinal de contas, gostamos de nosso lixo. Ansiamos
por isso; sonhamos com isso; desejamos isso. Tornar-se como Jesus vai
contra nossa inclinação natural. Envolve uma luta, um combate inter­
no, tanto contra as potestades do mal como contra nós mesmos.
Ellen White repete Paulo quando afirma que “a vida cristã é uma
batalha e uma marcha”. - O Maior Discurso de Cristo, pág. 41. Feliz­
mente, não somos deixados sozinhos nessa batalha. Deus nos oferece o
Espírito Santo e o ministério dos anjos. O campo de batalha é cada co­
ração humano. Cada pessoa precisa escolher entrar pela porta estreita.
Não somos salvos por nações, tribos, famílias ou grupos.
Mas render-se é uma batalha. Ellen White diz que a maior batalha
já travada “é a entrega do próprio eu à vontade de Deus, a sujeição do
coração à soberania do amor. A velha natureza, nascida do sangue e da
vontade da carne, não pode herdar o reino de Deus. As tendências he­
reditárias, os hábitos antigos, devem ser renunciados”. - Ibidem.
Mas, conforme vimos anteriormente, não podemos fazer isso por
nós mesmos. Precisamos do auxílio divino. Felizmente, Ele está pron­
to a nos dar toda ajuda que desejarmos. Essa é uma das orações à qual
Deus sempre responderá quando pedirmos, buscarmos e batermos. Es­
taremos dia após dia de volta à soleira da Sua porta, com o chapéu na
mão, fazendo mais pedidos, mas Ele conhece tanto as nossas fraquezas
como a intensidade da batalha. Ele está mais disposto a perdoar-nos e
ajudar-nos do que imaginamos.
O caminho talvez seja estreito, a batalha talvez seja renhida, mas
todos quantos verdadeiramente desejarem entrar, poderão fazê-lo e o
farão, quando submeterem a vontade e o coração a Jesus.

Ano Bíblico: Romanos 5-7. — Juvenis: Atos 9.


Domingo O Compromisso do Cristão
18 de novembro

Portas e Caminhos
Eu sou a porta. Se alguém entrar por Mim, será salvo; entrará, e sairá,
e achará pastagem. João 10:9.
Os dois símbolos principais de Mateus 7:13 são a porta e o ca­
minho.
Naturalmente, do ponto de vista de Jesus, há mais de uma porta e
mais de um caminho. Há dois, mas não mais do que dois. Ou estamos
por Cristo, ou estamos contra Ele. Ou temos Deus como nosso Pai, ou
temos o diabo. Não existem outras opções.
Podemos pensar na porta como nossa decisão de seguir a Jesus.
Conforme Ele afirma em João 10, Ele mesmo é a porta. Em Atos 4:12,
lemos que “não há nenhum outro nome dado aos homens pelo qual de­
vamos ser salvos” (NVI). Entrar pela porta é decidir seguir a Jesus.
É interessante notar que, em Mateus 7:13 e 14, não se faz nenhu­
ma menção de alguém entrando pela porta larga. Por quê? Porque já
nascemos no caminho espaçoso que conduz à destruição. Esse é um fa­
to congênito, e não uma decisão consciente. Podemos tomar a decisão
de abandonar o caminho espaçoso, mas não a de entrar nele.
Se a porta simboliza nossa aceitação inicial de Jesus como Salva­
dor, então o caminho significa nossa vida cristã subseqüente a essa
aceitação.
A própria vida de Mateus é uma ilustração da porta e do caminho.
Encontramo-lo em Mateus 9, sentado em seu gabinete na coletoria.
Naquele momento, Jesus entra em cena e diz: “Segue-Me.” Mateus
abandona seu emprego e seus velhos hábitos e dá início a uma nova
maneira de viver. Deixa para trás suas ações injustas de publicano, suas
velhas amizades e seus antigos alvos e compromissos. Mateus agora
tem um novo Senhor. Isso quer dizer que ele também tem novos valo­
res, novos amigos e novos propósitos.
Cristianismo não é um lampejo de luz nem um sentimento cálido
e indistinto. Essas coisas podem (ou não) acontecer, mas a idéia prin­
cipal contida na ilustração do caminho é a de que cristianismo é um
compromisso vitalício com Jesus e com o modo de vida apresentado no
Sermão do Monte. O cristianismo autêntico domina tudo o que faze­
mos. É verdadeiramente um “modo” de vida.

Ano Bíblico: Romanos 8-10. - Juvenis: Atos 10.


O Compromisso do Cristão Segunda-feira
19 de novembro

O Exemplo da Minoria
Estreita é a porta, e apertado, o caminho que conduz para a vida, e são
poucos os que acertam com ela. Mateus 7:14.
Se a democracia fosse o meio para se chegar à verdade, o diabo

vencería todas as vezes. Ele tem os votos. E fácil seguir a Satanás e a


seus caminhos. Na verdade, é natural.
Lembro-me de quando me tomei membro da igreja. Naquela época,
números representavam muito para mim. Como podia essa pequena
igreja adventista ter a verdade, quando todas as grandes igrejas não acre­
ditavam nas mesmas coisas? Elas não guardavam o sábado do sétimo dia,
não criam que as pessoas dormem na sepultura até a ressurreição, não
enfatizam o ministério de Cristo no santuário celestial, e assim por dian­
te. Como era possível que os adventistas estivessem certos?
Levou tempo para eu entender que apenas um único voto tem im­
portância, quando esse voto estabelece verdades éticas e espirituais.
Esse voto é emitido pela Palavra de Deus e está na Bíblia. A minoria
moral segue essa Palavra como seu guia de vida. O provérbio “se todos
estão fazendo isso, então isso é bom” não os influencia. Escolheram se­
guir a orientação da Bíblia. Acham-se no caminho apertado.
Nosso texto de hoje diz que são poucos os que encontram a porta
estreita. Isso parece ser verdade, mas essa afirmação não quer dizer que
o número deva ser pouco. Em contraste, lemos em Mateus 8:11 que
“muitos virão do Oriente e do Ocidente e tomarão lugares à mesa com
Abraão, Isaque e Jacó no reino dos Céus”. E Apocalipse 7:9 descreve
os salvos como “uma grande multidão que ninguém podia enumerar”.
A palavra “poucos”, de Mateus 7:14, parece ser um termo compa­
rativo para indicar que os salvos serão proporcionalmente poucos em
relação aos muitos que vão se perder.
E por que muitos se perderão? Essa é a parte mais importante no
argumento da cena de juízo das duas portas em Mateus 7:13 e 14. Os
perdidos deixaram de entregar a vida a Jesus; deixaram de entrar pela
porta estreita e viajar pelo caminho apertado.
Como você está nesta manhã? Onde estão seus compromissos? A
quem dedica suas afeições? Como você sabe que suas respostas a essas
perguntas estão corretas?

Ano Bíblico: Romanos 11-13. — Juvenis: Atos 11.


Terça-feira O Compromisso do Cristão
20 de novembro

O Significado de "Fácil"
Há caminho que ao homem parece direito, mas ao cabo dá em
caminhos de morte. Provérbios 14:12.

u m dos importantes contrastes entre os dois caminhos de Ma­


teus 7:13 e 14 é que o espaçoso é um caminho “fácil” e o apertado é
um caminho “difícil”.
Lembro-me de alguns anos atrás, quando excursionei com uma mo­
chila nas costas na Wind River Range, cordilheira integrante das Mon­
tanhas Rochosas do Wyoming. Eu havia caminhado o dia todo por uma
trilha escarpada e havia finalmente chegado a um platô que corria para­
lelamente ao Pico Lizardhead. Estava morto de cansaço. Carregar minha
bagagem de quase 30 quilos pelos onze ou doze quilômetros seguintes,
até o vale mais próximo, parecia mais do que eu podia suportar.
Aquela altura encontrei outro excursionista, que me falou de um
atalho que me pouparia algumas horas. Era muito mais “fácil”. O su­
posto atalho podia até ser mais curto, mas não era mais fácil. Esforcei-
me por um dia e meio sobre um terreno que julguei não ser capaz de
atravessar com uma mochila cheia.
Moral da história: As coisas nem sempre são o que aparentam. O
caminho fácil acaba algumas vezes se tornando o caminho difícil.
É assim que o caminho se afigura a muitos que viajam pelo cami­
nho espaçoso. Ressacas, Aids e muitas outras doenças decorrentes da
vida na trilha rápida, coisas que tornam a vida mais difícil do que se­
ria se eles fossem mais temperantes.
Mas convenhamos. Muitas pessoas que viajam pelo caminho espaço­
so não enfrentam essas dificuldades. A vida delas é moderada e até mes­
mo moralmente boa, no sentido secular do termo. Seu caminho realmen­
te parece fácil. Simplesmente fazem o que lhes vem naturalmente.
Mas é aí que entra o outro grande contraste entre os dois cami­
nhos. O caminho espaçoso, diz-nos Jesus, conduz à destruição, en­
quanto o caminho estreito conduz à vida. E mais uma vez, não há al­
ternativas. Todos receberão, algum dia, ou a recompensa celestial ou
serão eternamente destruídos.
Cada um de nós precisa fazer sua escolha nessa questão. Preferire­
mos o que é mais fácil agora e difícil depois, ou o que é difícil agora e
fácil depois?

Ano Bíblico: Romanos 14-16. — Juvenis: Atos 12.


O Compromisso do Cristão Quarta-feira
21 de novembro

Escolhas
Os céus e a terra tomo, hoje, por testemunhas contra ti, que te propus a
vida e a morte, a bênção e a maldição; escolhe, pois, a vida, para que vivas,
tu e a tua descendência. Deuteronômio 30:19.
-^/Joisés havia chegado ao fim de seus dias. No livro de Deute­

ronômio, ele descreveu a maneira como Deus havia guiado Israel para
fora do Egito, através do deserto, até às próprias fronteiras da Terra
Prometida. Nos capítulos 28 e 29, ele fez um resumo das promessas e
obrigações do concerto. As duas coisas sempre caminham juntas. Ja­
mais podem ser separadas. A obrigação da obediência e lealdade a
Deus está sempre associada à promessa do concerto.
Moisés está pronto para subir o monte Nebo numa viagem só de ida.
Mas antes de passar as rédeas da liderança para Josué, intima seu povo a
decidir se querem andar no caminho da vida ou no caminho da morte.
As escolhas são a matéria-prima da vida. Cada dia, cada um de nós
é posto numa encruzilhada. As decisões que tomamos determinam não
apenas os acontecimentos daquele dia, mas também nosso destino
eterno.
Esse tema encontra-se por toda a Bíblia, bem como nos ensinos de
Moisés e de Jesus sobre os dois caminhos. Assim é que encontramos Jo­
sué apelando aos israelitas: “Decidam hoje a quem vão servir. Resolvam
se vão servir os deuses que os seus antepassados adoravam na terra da
Mesopotâmia ou os deuses dos amorreus, na terra de quem vocês estão
morando agora.” Josué concluiu expressando sua decisão pessoal: “Po­
rém eu e a minha família serviremos ao Deus Eterno.” Josué 24:15, BLH.
Jeremias fez uma afirmação semelhante quando disse: “Eis que ponho
diante de vós o caminho da vida e o caminho da morte.” Jer. 21:8.
Que caminho sua alma tomará? Essa é a pergunta oculta no ensi­
no de Jesus a respeito das duas portas. È a pergunta mais importante
que se pode fazer.

Ano Bíblico: I Coríntios 1-4. — Juvenis: Atos 13.


Quinta-feira O Compromisso do Cristão
22 de novembro

Uma Progressiva Linha de Juízo


Acautelai-vos dos falsos profetas, que se vos apresentam disfarçados em
ovelhas, mas por dentro são lobos roubadores. Mateus 7:15.
Jesus parou de falar em portas e caminhos. Agora Ele está pron­
to para os falsos profetas que vêm em roupas enganosas. Há entre essas
duas cenas de juízo uma progressão que não deve escapar à nossa ob­
servação.
A ilustração das duas portas e dos dois caminhos separa os muitos
dos poucos, os que entram pela porta larga dos que entram pela porta
estreita. Para ser mais explícito, a primeira ilustração trata da separa­
ção entre os cristãos e o mundo, entre os que estão se dirigindo para a
vida eterna e os que estão viajando no caminho da destruição eterna.
Mas no verso 15 a cena muda. Vemos aqui pela primeira vez, nes­
sa seqüência, que existem problemas mesmo dentro da igreja, entre os
que professam estar no caminho estreito. Jesus não era um sonhador
utópico. Ele sabia que haveria problemas na igreja, mesmo entre os
que declaravam ser mestres e líderes do rebanho. È por isso que Ele nos
diz aqui para acautelar-nos dos falsos profetas. A suposição subjacente
a essa advertência é a de que precisamos ser juizes dessas pessoas, ape­
sar da admoestação feita por Jesus no verso 1 para não julgarmos. No
entanto, mais uma vez Jesus nos adverte contra julgar os motivos. Diz
que devemos examinar o fruto que essas pessoas produzem. Se formos
pacientes, cada mestre, cada líder, produzirá fruto. Então, e somente
então, seremos capazes de distinguir o verdadeiro do falso.
A terceira ilustração nessa seqüência de juízo irá levar-nos um pas­
so além da ilustração do falso profeta. Nos versos 21 a 23, Jesus nos dirá
que precisamos julgar até mesmo as coisas que estão dentro do nosso pró­
prio ser, as quais nos inclinam para ouvir Suas palavras, enquanto nos
afastam de praticá-las. É o chamado para um exame de consciência.
Precisamos julgar até nós mesmos.
Jesus nos leva a sério; leva a sério também nossa profissão de fé. Ele
quer que levemos nossas crenças tão a sério como Ele mesmo o faz.
Quer que encaremos a religião como uma coisa séria.

Ano Bíblico: I Coríntios 5-7. - Juvenis: Atos 14.


O Compromisso do Cristão Sexta-feira
23 de novembro

Lobos e Ovelhas
Então, disse o Senhor a Moisés: Vê que te constituí como Deus sobre
Faraó, e Arão, teu irmão, será teu profeta. Tu falarás tudo o que Eu te
ordenar; e Arão, teu irmão, falará a Faraó, para que deixe ir da sua terra
os filhos de Erael. Êxodo 7:1 e 2.

U m profeta é alguém que fala em nome de Deus. A profecia, se


você pensar sobre isso por um momento, é uma das grandes maravilhas
do Universo. Na profecia, o Criador de tudo Se humilha para falar
com o pó, para falar com seres humanos obstinados. Desde a queda de
Adão e Eva, no Gênesis, Deus não fala mais diretamente com homens
e mulheres. Desde aquele tempo Ele tem selecionado indivíduos para
falar em nome dEle. Conforme indica o texto bíblico de hoje, as idéias
que um profeta verdadeiro comunica são as idéias de Deus transmiti­
das pela intermediação humana.
Falar em nome de Deus. Que privilégio! Que tremenda responsa­
bilidade! Os profetas sempre tiveram, merecidamente, um lugar de
honra na história de Israel e da igreja.
Mas há um problema. Nem todos os profetas são íntegros; nem to­
dos são o que afirmam ser; nem todos são enviados por Deus. Na ver­
dade, alguns deles aparecem disfarçados de ovelhas, embora interior­
mente sejam lobos devoradores.
Ovelhas e lobos apresentam um nítido contraste. As ovelhas estão
entre os animais mais inofensivos de que se tem notícia, enquanto que
os lobos possuem por vezes a reputação de serem cruéis e sanguinários.
Ora, não é difícil distinguir um lobo de uma ovelha. Mas o problema
aqui não é esse. A situação que Jesus está descrevendo é a de lobos que
chegam na igreja disfarçados de ovelha. Ou seja, embora aleguem es­
tar falando em nome de Jesus, estão na verdade a serviço do diabo.
Eis um problema que surge devido à sutileza da situação. Eles são
lobos interiormente. Para todas as aparências externas, esses homens e
mulheres são profetas verdadeiros. Õnde são aceitos como tais, depre­
dam a alma e a carteira dos crentes.
Esse, e outros problemas relacionados a esse, têm flagelado o cris­
tianismo desde os seus primórdios. Jesus está tentando nos dizer que
não devemos ser ingênuos.

Ano Bíblico: I Coríntios 8-10. - Juvenis: Atos 16.


Sábado O Compromisso do Cristão
24 de novembro

Bons e Maus Frutos


Pelos seus frutos os conhecereis. Colhem-se, porventura, uvas dos
espinheiros ou figos dos abrolhos? Mateus 7:16.
44P
II elos seus frutos os conhecereis.” Por causa da sutileza dos fal­
sos profetas, nem sempre você pode identificá-los pela aparência exte­
rior. Você precisa verificar os frutos que eles produzem.
E uma lei da natureza que macieiras produzam maçãs e coqueiros
produzam cocos. Você não tira cocos de videira brava, nem colhe ma­
çãs de cardos. A natureza é coerente e previsível. Assim são as pessoas.
Se você lhes der bastante tempo e espaço, seu verdadeiro caráter se re­
velará. Assim acontece com os profetas e outros líderes religiosos. Eles
também podem ser provados por seu fruto.
Mas o que Jesus quis dizer com fruto em Mateus 7? Os intérpretes
diferem. O primeiro grupo diz que o fruto de um profeta é seu ensino.
Um profeta verdadeiro terá a doutrina correta. Alguns intérpretes afir­
mam que ter a doutrina correta é o único significado para bom fruto.
Outros, porém, são tão duros quanto o diamante na opinião de que
o bom fruto tem que ver com o caráter do profeta. O bom fruto, argu­
mentam eles, é unicamente a espécie de vida que eles levam. Essa in­
terpretação é parafraseada pela versão The Message [A Mensagem]:
“Sejam cautelosos com os falsos pregadores, que sorriem muito e pare­
cem transpirar sinceridade por todos os poros. As chances são de que
eles estejam roubando vocês de uma maneira ou de outra. Não fiquem
impressionados com o carisma deles; olhem para o caráter. A coisa
mais importante não é o que dizem, mas o que são."
Parece que ambos os grupos de intérpretes estão provavelmente
certos e errados. Estão errados em dizer que o fruto deve ser ou o ensi­
no ou o caráter. Estão certos no que afirmam. É errado traçar uma linha
entre ensino e caráter, visto que aquilo que as pessoas ensinam geral­
mente se reflete na vida diária delas.
A coisa principal é mantermos os olhos bem abertos. Por um lado,
não sejamos tão ingênuos a ponto de sermos enganados por imposto­
res. Mas por outro, não nos tornemos tão cépticos a ponto de perder­
mos as bênçãos de Deus.
Ajuda-nos, ó Pai, a termos espírito de discernimento ao procurar­
mos ouvir a Tua voz.

Ano Bíblico: I Coríntios 11-13. — Juvenis: Atos 17.


O Compromisso do Cristão Domingo
25 de novembro

Inspecionando o Fruto
Não apagueis o Espírito. Não desprezeis as profecias; julgai todas as
coisas, retende o que é bom. 1 Tessalonicenses 5:19-21.
j^Jgumas semanas atrás um homem combinou uma entrevista co­

migo para compartilhar uma “nova luz”. Ele era uma pessoa impressio­
nante de se ouvir. Havia estudado intensamente a Bíblia e os escritos de
Ellen White. Também fiquei impressionado com sua sinceridade, ainda
que eu tenha de concluir que ele estava sinceramente enganado.
Fundamentado em que, você deve estar perguntando, devo tomar
a decisão de que esse homem estava errado? A sinceridade não é tudo?
Deus não vai julgar as pessoas inteiramente pelos seus motivos? Não,
não vai. A verdade também é importante. Não tenho dúvida quanto à
sinceridade do diabo, mas tenho certeza de que ele está errado. A ver­
dade doutrinária não é tudo, ainda que a Bíblia defenda que ela é im­
portante como guia de nossa vida.
Meu visitante havia chegado com o que ele cria ser a verdade de
Deus. Um aspecto dessa “verdade” era que não há juízo, no sentido de
Deus realmente destruir as pessoas. Visto que Deus é amor, a destrui­
ção da vida humana, por qualquer razão, nada tem que ver com Ele.
Fiz meu visitante ver que a morte de pessoas como Coré e Abirã,
no Antigo Testamento, era obviamente um ato de Deus. A resposta
que ele me deu foi que essas histórias do Antigo Testamento são pri­
mitivas e que não devem ser aceitas literalmente. A seguir fui para as
mortes em sequência de Ananias e Safira em Atos 5. Mas ele argumen­
tou que isso nada mais era do que o resultado natural das próprias ações
erradas do casal. Deus nada tinha que ver diretamente com aquilo.
Deus nunca tira vidas, mesmo na fase executiva do juízo final.
No momento em que terminamos, meu visitante havia rejeitado a
maior parte do Antigo Testamento e tudo quanto ele não gostava em
Paulo. Então lhe disse por fim que era provável que o próprio Jesus ha­
via ensinado mais do que ninguém a respeito da destruição final dos
ímpios. A isto ele replicou que também não aceitava todos os ensinos
de Jesus.
Esse homem viera ao meu escritório dizendo-se mensageiro de luz,
mas, quando ele saiu, cheguei à conclusão de que não passava de um
lobo disfarçado em pele de ovelha.

Ano Bíblico: I Coríntios 14-16. — Juvenis: Atos 18.


Segunda-feira O Compromisso do Cristão
26 de novembro

A Prova Doutrinária
à lei e ao testemunho! Se eles não falarem desta maneira, jamais
verão a alva. Isaías 8:20.
Todos os mestres religiosos, sejam eles leigos, sejam clérigos, pre­
cisam submeter-se à prova da Palavra de Deus. Precisamos ouvir com
ambos os ouvidos o que está sendo dito e o que não está sendo dito.
A maioria de nós pode identificar e classificar uma heresia logo
que a ouvimos. Mas não é assim que os lobos vestidos em pele de ove­
lha atuam. Eles vêm a nós com um monte de citações da Bíblia e tal­
vez grande quantidade de passagens de Ellen White. Olhem o que eu
estou lhes ensinando. E bíblico. Ficamos impressionados. Eles enten­
dem do assunto.
Mas espere um minuto. Essas pessoas parecem estar dizendo coisas
corretas, mas será que elas as mantêm em equilíbrio? Estão pregando
toda a Palavra de Deus, ou apenas o que concorda com o que crêem?
O que estão excluindo? Que ensinamentos bíblicos estão evitando?
A sutileza do falso ensino nem sempre está no que a pessoa ensi­
na. Encontra-se muitas vezes nas coisas invisíveis que não mencionam.
Por exemplo, enquanto os falsos mestres podem ter muita coisa
que dizer sobre esse ou aquele pecado específico, podem falhar comple­
tamente em referir-se ao poder do pecado que nos escraviza. Assim,
eles deixam a impressão, pelo uso de versos selecionados da Bíblia, que
se apenas nos esforçarmos mais um pouco, podemos vencer. Não con­
seguem pregar a total insuficiência de cada um de nós e a nossa com­
pleta desesperança. O resultado desse ensino é uma orientação teoló­
gica conducente a uma solução por meio do esforço humano.
Outros enfatizam o amor de Deus, a ponto de Sua justiça ser negli­
genciada, enquanto outros ainda subestimam tanto a lei quanto a graça.
Os que falam em nome de Deus precisam ser íntegros na doutrina.
A prova doutrinária é a única maneira pela qual podemos aplicar a ad-
moestação de Jesus de provar os profetas pelo fruto.
Ajuda-nos, Pai, a tornar-nos melhores estudantes da Bíblia, para
que possamos detectar a verdade e o erro.

Ano Bíblico: II Coríntios 1-4. — Juvenis: Atos 19.


O Compromisso do Cristão Terça-feira
27 de novembro

Lobos do Tempo do Fim


Porque surgirão falsos cristos e falsos profetas operando grandes sinais e
prodígios para enganar, se possível, os próprios eleitos. Mateus 24:24.

crise das eras acontece precisamente antes da segunda vinda


de Cristo. Satanás fará o máximo esforço em sua última tentativa de
triunfar. Veremos provavelmente grande manifestação de sinais e pro­
dígios, e lobos disfarçados de ovelhas surgirão por toda parte.
Falando daquele tempo, João diz que a besta semelhante a cordei­
ro, de Apocalipse 13, há de operar “grandes sinais, de maneira que até
fogo do céu faz descer à terra, diante dos homens”. Apoc. 13:13.
Não estou certo do que ele quer dizer quando afirma que a besta
semelhante a cordeiro terá poder para fazer até fogo descer do céu, mas
está claro que ela terá êxito onde os sacerdotes de Baal falharam no
tempo de Elias. Os enganos do tempo do fim serão os mais poderosos
já vistos. Multidões, inclusive grande número de adventistas, serão en­
ganadas.
Como podemos permanecer firmes num tempo como esse? Em O
Grande Conflito, lemos que “apenas os que forem diligentes estudantes
das Escrituras, e receberem o amor da verdade, estarão ao abrigo dos
poderosos enganos que dominam o mundo. Pelo testemunho da Bíblia
estes surpreenderão o enganador em seu disfarce. Para todos virá o
tempo de prova.... Acha-se hoje o povo de Deus tão firmemente esta­
belecido em Sua Palavra que não venha a ceder à evidência de seus
sentidos? Apegar-se-á nesta crise à Bíblia, e a Bíblia só? Sendo possí­
vel, Satanás os impedirá de obter o preparo para estar em pé naquele
dia. Disporá as coisas de tal maneira a lhes ohstruir o caminho; emba-
raçá-los-á com os tesouros terrestres, ... [de modo que o] dia de prova
venha sobre eles como um ladrão”. — Págs. 625 e 626.
Hoje é o dia de separar mais tempo para o estudo da Bíblia. Por
que adiar?

Ano Bíblico: II Coríntios 5-7. — Juvenis: Atos 20.


Quarta-feira O Compromisso do Cristão
28 de novembro

Lobos à Esquerda e à Direita


Eu sei que, depois da Minha partida, entre vós penetrarão lobos
vorazes, que não pouparão o rebanho. Atos 20:29.
A.s palavras de Paulo no verso bíblico de hoje foram dirigidas
aos efésios de seu tempo, embora lamentavelmente tenham sido apli­
cadas à igreja de todas as épocas. O cristianismo não tem estado isen­
to de lobos disfarçados de ovelhas.
Os lobos são mencionados um número significativo de vezes nas
Escrituras, mas nunca em termos lisonjeiros. A Bíblia nada sabe de lo­
bo bonzinho.
Nos relatos bíblicos, os lobos são encontrados tanto do lado de
dentro (Ezeq. 22:27; Sof. 3:3) como do lado de fora (Mat. 10:16; João
10:12) do aprisco. No conselho de Paulo aos efésios no texto bíblico
de hoje, somos informados de que eles estão dentro.
Toda igreja, inclusive a adventista, tem sua cota de lobos. A maio­
ria de nós tem sido advertida contra os lobos que se disfarçam de ove­
lhas do lado esquerdo (liberais) do aprisco. Somos informados de que
eles subestimam a autoridade da Bíblia e do dom de profecia, a expia-
ção vicária de Cristo na cruz e o papel de Deus como Criador.
Mas poucos de nós estamos conscientes dos lobos que entram pe­
lo lado direito (conservador) do aprisco. Esses parecem ser muito mais
cristãos, pois demonstram ser tão fiéis e bíblicos, e muitas vezes mani­
pulam grandes coleções de citações de Ellen White. Mas seus erros são
tão graves quanto os dos que se acham à esquerda. São especialmente
suscetíveis de ser enganosos em suas definições não bíblicas de perfei­
ção, tendem a usar mais Ellen White do que a Bíblia, demonstram fa­
natismo na reforma de saúde e tendência mais para a inspiração verbal
do que para a conceituai.
Tenham cuidado! Lobos são lobos não importa sua conduta. A he­
resia, mesmo do lado direito, continua sendo heresia; é tão perigosa
quanto a heresia da esquerda, e de uma forma mais sutil.
Ajuda-nos, ó Senhor, a manter os olhos abertos. Ajuda-nos a ter
equilíbrio em todas as coisas, especialmente em nossa compreensão da
Tua Palavra. Ajuda a proteger-nos, como indivíduos e como igreja, de
todas as formas de erro.

Ano Bíblico: II Coríntios 8-10. — Juvenis: Atos 21.


O Compromisso do Cristão Quinta-feira
29 de novembro

Frutos Maus
Assim, toda árvore boa produz bons frutos, porém a árvore má produz
frutos maus. Não pode a árvore boa produzir frutos maus, nem a árvore má
produzir frutos bons. Mateus 7:17 e 18.
O que é uma árvore “má” ou “que não presta” (BLH)? Você já

viu uma? Como sabia se era má ou que não prestava?


“Má” não significa podre nem estragado, pois as árvores nessa con­
dição nem sequer produzem algum fruto. Esse é um ponto importante,
visto que Jesus mais uma vez está chamando a atenção para a sutileza
dos falsos profetas. Nem sempre eles estão disfarçados de ovelhas; às
vezes aparecem travestidos de árvores bonitas, mas que no fundo são
más. Para o propósito dessa ilustração, as árvores boas e más se pare­
cem umas com as outras. Segundo todos os indícios, ambas são boas.
Só no fruto é que diferem.
Mesmo assim, o fruto não é definido como podre. É chamado “mau”,
mas ainda é um fruto. Mais uma vez somos colocados face a face com uma
diferença sutil. Mais uma vez, ao que parece, estamos lidando com uma
situação na qual as aparências exteriores podem enganar.
O perigo para o qual Jesus está chamando nossa atenção nas ilus­
trações da árvore má e dos frutos maus é o perigo dos que aparentam
ser cristãos, sem de fato o serem.
Você pode perguntar como isso pode acontecer. Pode haver tal
coisa como um “cristão mau”? Isto não seria uma contradição de ter­
mos? Sim, seria; mas é disso que trata a ilustração. Jesus está falando
sobre pessoas que alegam ser cristãs, mas que não são.
Como isso é possível? Pense por um momento. Cristãos são os que
nasceram de novo, da parte de Deus. Foram transformados de dentro
para fora. Vivem para Jesus, pois o princípio da lei de Deus (o amor)
está escrito em seu coração. Portanto, agem como cristãos. Andam pe­
lo caminho cristão.
Outros há, porém, que renunciaram apenas a algumas coisas de sua
antiga vida de egoísmo e adicionaram novos comportamentos. Mas
não estão convertidos. Dão apenas a aparência disso.
Ajuda-me, ó Senhor, a entregar-me cada dia a Ti, para que meu
fruto seja real.

Ano Bíblico: II Coríntios 11-13. — Juvenis: Atos 22.


Sexta-feira O Compromisso do Cristão
30 de novembro

Um Jovem Falso Profeta


Levantar-se-ão muitos falsos profetas e enganarão a muitos.
Mateus 24:11.
y^tualmente meu jovem amigo mora no Presídio Municipal de
São José. Ele parecia um jovem bastante cristão, extremamente sincero
e vibrante em seu testemunho. Gostei muito de passar um sábado com
ele e ouvi-lo contar como havia conseguido dramaticamente entregar-se
a Cristo após uma vida de crime e drogas. Ele falou carinhosamente a
respeito dos adventistas da região, que haviam estudado a Bíblia com ele
na prisão. Falou também do seu batismo. Que alegria foi estar em sua
companhia! Sua personalidade carismática cativou a todos nós.
Então aconteceu. Sob um excelente pretexto, ele convenceu um
de meus amigos a lhe emprestar algumas centenas de dólares. Logo
veio à tona o fato de que ele havia feito o mesmo com diversas outras
pessoas da cidade, impressionadas com esse jovem “herói para o Se­
nhor”. Hoje ele espera por julgamento.
Aqui está um jovem falso profeta em formação. Aqui está um lo­
bo disfarçado de ovelha. Aqui está uma árvore má com frutos maus.
Tudo ainda está vivido em minha mente. E eu, entre outras pessoas,
apesar de ter desmascarado diversos enganadores no passado, fui total­
mente ludibriado.
Nunca estaremos a salvo dessas pessoas? De acordo com Jesus, não.
Os falsos profetas estarão conosco até o fim do tempo.
Como podemos proteger-nos dos seus enganos? Não nos afastando
automaticamente de todas as pessoas que não conhecemos. Por meio
desse método, perderiamos as bênçãos que Deus tem para nós, e a bên­
ção de ajudar cristãos verdadeiros que se encontram em necessidade.
A resposta da Bíblia é provar os profetas, provar os que alegam ser
cristãos. Fazemos isso provando seus ensinos, para ver se se harmoni­
zam com a Palavra de Deus e provando o fruto produzido pela vida de­
les. Foi aqui que meu jovem amigo falhou.
Graças Te dou, ó Deus, por nos concederes mente aberta e discer­
nimento.

Ano Bíblico: Gaiatas 1-3. - Juvenis: Atos 23.


O Compromisso do Cristão Sábado
1“ de dezembro

A Prova do Fruto na Igreja Primitiva


Amados, não deis crédito a qualquer espírito; antes, provai os espíritos
se procedem de Deus, porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo
fora. I João 4:1.
/X igreja cristã primitiva recebia muitos pregadores itinerantes

que reivindicavam o dom profético. Na melhor das hipóteses, essas


pessoas inspiravam a igreja e ministravam instruções, assim como os
verdadeiros profetas sempre comunicaram a Palavra de Deus a Seu po­
vo. Mas a função era suscetível de abuso. Esse abuso e os modos de li­
dar com ele são tratados no mais antigo manual da igreja: o Didache.
Os ensinos do Didache provavelmente foram formulados logo de­
pois que Mateus escreveu sua advertência contra os falsos profetas.
Nos capítulos 11 e 12, o Didache recomenda que um profeta itineran­
te deve “ser recebido como o Senhor”. Mas faz a ressalva de que um
profeta deve ser provado. Como? Aqui o manual torna-se bastante prá­
tico. “Nem todo que fala em espírito é profeta, a não ser que apresen­
te o comportamento do Senhor. Pelo seu comportamento, portanto, o
profeta falso e o profeta verdadeiro serão conhecidos.” Nesse ponto, o
documento torna-se mais específico: “Profeta algum que, em espírito,
peça comida deve comê-la; do contrário ele é um falso profeta. E todo
profeta que ensina a verdade, se não pratica o que ensina, é falso pro­
feta. ... Mas quem quer que diga em espírito: ‘Dá-me dinheiro’ ou qual­
quer outra coisa, não lhes deis ouvidos; mas se vos pedir para benefi­
ciar a outros que sofrem necessidades, que ninguém o condene.”
Esse parece ser um bom conselho para as pessoas de nosso tempo.
Muita gente está proclamando hoje a Palavra de Deus. Vemos alguns
na TV e ouvimos outros no rádio. Algumas das mensagens que eles
proclamam, porém, não passam nas provas do Didache. Esse é um con­
selho prático. Alguns anos atrás um dos programas de TV mais popu­
lares dos Estados Unidos era o PTL. O nome oficial era Praise the Lord
(Louve ao Senhor), mas antes que o famoso profeta fosse preso, mui­
tos já haviam começado a chamá-lo de Pass the Loot (Entregue os des-
pojos).
Ainda precisamos ser cuidadosos. Há uma bênção em contribuir,
mas Deus espera que sejamos cuidadosos em fazer doações.

Ano Bíblico: Gálatas 4-6. — Juvenis: Atos 24.


Domingo O Compromisso do Cristão
2 de dezembro

A Prova do Espírito
Se alguém afirmar: “Eu amo a Deus”, mas odiar a seu irmão,
é mentiroso, pois quem não ama a seu irmão, a quem vê, não pode amar a
Deus, a quem não vê. Ele nos deu este mandamento: Quem ama a Deus,
ame também a seu irmão. IJoão 4:20 e 21, NVI.

quem devemos dar ouvidos? Quem tem a verdade? Quem tem


a Palavra de Deus?
Essas são perguntas cruciais para os cristãos, porque somos assedia­
dos por todos os lados pelos que alegam estar falando em nome de
Deus. Também são perguntas capciosas, porque as pessoas podem ter
doutrinas corretas, e ainda assim não serem cristãs. As pessoas podem
até mesmo possuir excelentes padrões morais e não serem cristãs.
A essa altura, você deve estar se perguntando como é que uma pes­
soa íntegra na doutrina e que leva uma vida de acordo com os princí­
pios morais pode ser um falso profeta.
A resposta é que o cristianismo é mais do que doutrina e ética. Al­
gumas pessoas gostam da teologia correta, porque, para elas a teologia
é um jogo, uma espécie de quebra-cabeça em que se faz combinar to­
das as peças corretamente. Além do mais, algumas pessoas já nascem
com temperamento fleumático e desejo por pecados menos visíveis e
ofensivos. Assim sendo, aparentam ser pessoas boas e justas.
Doutrina correta e boa conduta são importantes, mas a prova de­
cisiva de um profeta (ou de qualquer cristão) tem que ver com o fruto
do Espírito, encontrado em Gaiatas 5:22 e 23. Ele ou ela é uma pessoa
amorosa, alegre, pacífica, longânima, benigna, bondosa, fiel, mansa e
temperante, no sentido bíblico do termo? Jesus apresentou a prova do
espírito de maneira tão direta quanto foi possível, quando afirmou:
“Nisto conhecerão todos que sois Meus discípulos: se tiverdes amor
uns aos outros.” João 13:35.
Eis a prova decisiva: a prova de I Coríntios 13 na ação diária. Eis
a maneira de provar não apenas “profetas”, mas também a nós mesmos.
Estamos nós diariamente ficando mais e mais semelhantes a Jesus,
na maneira como nos relacionamos com os outros em nossa família,
igreja e local de trabalho? Conseguimos compreender de fato o que sig­
nifica refletir Seu caráter e ter o fruto do Espírito?

Ano Bíblico: Efésios 1-3. - Juvenis: Atos 25.


O Compromisso do Cristão Segunda-feira
3 de dezembro

Falando Sobre o Inferno


Toda árvore que não produz bom fruto é cortada e lançada ao foro.
Mateus 7:19.

O inferno não é um tema muito popular no século vinte. A


maioria dos cristãos acha que não é de bom tom trazer esse assunto à
tona. Mas Jesus não tinha nenhum receio disso. Na verdade, Ele tal­
vez tivesse mais o que dizer sobre o assunto do que qualquer outra pes­
soa da Bíblia.
Naturalmente, quando alguém pensa na história do inferno, não é
difícil descobrir por que a doutrina caiu em desfavor. Basta apenas re­
lembrar o ensino da igreja medieval sobre a tortura sem-fim num fogo
inextinguível, para rapidamente desenvolvermos aversão pelo tema.
Essas torturas desumanas fazem Hitler e Stalin parecerem “fichinhas”.
Com esse quadro em mente, não é de admirar que Ellen White te­
nha escrito que “está além do poder do espírito humano avaliar o mal
que tem sido feito pela heresia do tormento eterno. ... As opiniões
aterrorizadoras acerca de Deus, que pelos ensinos do púlpito são espa­
lhadas pelo mundo, têm feito milhares, e mesmo milhões de cépticos
e incrédulos”. - O Grande Conflito, pág. 536.
O fato, porém, de alguém ensinar algo errado sobre um tópico não
nos deve fazer rejeitar a verdade sobre o assunto. O fato é que Deus é
amor, e todos quantos vão finalmente se encontrar no Seu reino eter­
no viverão de acordo com esse princípio. Entretanto, Ele não força
ninguém a ser amoroso.
Em conseqüência disso, Deus é forçado a tomar uma decisão. Ou
Ele permite que os pecadores continuem a existir indefinidamente na
infelicidade, ou retira-os misericordiamente de seu voluntário estado
de miséria. Não existem outras escolhas. Deus opta pela última.
Mas o salário do pecado é a morte, e não a imortalidade no inferno
(Rom. 6:23). Sendo assim, Apocalipse 20:9 deixa explícito que o fogo
do inferno “consome” os ímpios. Os resultados são eternos. Os consumi­
dos serão queimados no fogo; e serão como se nunca houvessem sido
(Mal. 4:1). Portanto, estranho como possa parecer a princípio, Deus de­
monstra Sua misericórdia até mesmo na destruição final dos ímpios.
O oposto do inferno, naturalmente, é o Céu. Deus quer que todos
quantos se sentirão felizes no Céu estejam lá.

Ano Bíblico: Efésios 4-6. - Juvenis: Atos 26.


Terça-feira O Compromisso do Cristão
4 de dezembro

Os Frutos da Falsidade
Assim, pois, pelos seus frutos os conhecereis. Mateus 7:20.

repetição é uma lei da aprendizagem. Jesus não tinha aversão


por essa lei. E por isso que Ele torna a martelar no verso 20 a lição do
fruto, que acabara de apresentar no verso 16. Ele quer que captemos a
mensagem.
William Barclay sugere que a falsidade possui cinco frutos. Em pri­
meiro lugar, o ensino é falso quando produz uma religião que consiste
somente ou principalmente na observância de exterioridades. Esse era
o problema da religião dos escribas e fariseus. Esse foi o erro combati­
do por Jesus durante todo o Sermão do Monte. Religião não é apenas
aquilo que você faz: não carregar mais que o peso de dois figos no sá­
bado ou ser vegetariano. Religião é uma questão do coração, que ema­
na para a vida diária.
Em segundo lugar, o ensino é falso quando produz uma religião que
consiste essencialmente em proibições. Nunca será demais insistir no
pensamento de que ninguém vai se perder pelo que não fez. A essên­
cia do cristianismo é positiva. Consiste em entrar em contato com
Deus e com os outros em terna bondade.
Em terceiro lugar, o ensino é falso quando produz uma religião fá­
cil. Nunca devemos esquecer que o caminho estreito não é um cami­
nho fácil. No capítulo seis de Romanos, Paulo rejeita de maneira taxa­
tiva a fórmula de que devemos permanecer no pecado para que a gra­
ça de Deus seja abundante. A religião de Jesus nos ajuda a vencer nos­
sas inclinações naturais para o mal.
Em quarto lugar, o ensino é falso quando divorcia a religião da vi­
da. O caminho do mosteiro não é o caminho de Jesus, quer se trate de
uma ordem católica na Idade Média, quer de um grupo de adventistas
da atualidade. Como o sal e a luz, Jesus Se misturava com o povo.
Em quinto lugar, o ensino é falso quando nos torna arrogantes e or­
gulhosos de nossa “superioridade espiritual”. A religião de Jesus é sem­
pre uma religião de humildade.
Pense nisto: O que sua religião está fazendo por você? Possui ela
atributos de retidão ou requer ajustes?

Ano Bíblico: Filipenses. - Juvenis: Atos 27.


O Compromisso do Cristão Quarta-feira
5 de dezembro

Sinceramente Enganado
Nem todo o que Me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos Céus,
mas aquele que faz a vontade de Meu Pai, que está nos Céus. Mateus 7:21.
O verso de hoje é um dos mais assustadores do Novo Testamen­
to. Ele declara, sem rodeios, que posso estar perdido, apesar de chamar
Jesus de meu Salvador; que posso estar sinceramente enganado; que
posso pensar que tudo vai bem com minha vida religiosa, quando tudo
vai mal.
O texto de hoje também é um dos mais sérios da Palavra de Deus.
Jesus não está brincando. Ele dedicou grande parte do Sermão do
Monte mostrando-nos como os escribas e fariseus enganavam a si mes­
mos. Agora Ele está apontando para mim e para você. Podemos ficar
tão confusos e enganados como os escribas e fariseus, a não ser que
prestemos atenção às palavras de Jesus. Não existem palavras mais sé­
rias proferidas por Jesus do que as que se encontram em Mateus 7:21-
23. Ele está nos falando com toda a sinceridade de Sua alma. A nós,
nos compete ouvir cuidadosamente.
Nem todos os que alegam crer em Jesus como Senhor e Salvador
serão salvos, ainda que façam essa alegação no próprio dia do juízo. Es­
sa é a mensagem do verso 21. Esse é um pensamento precioso, visto ha­
ver tanta gente pregando que a salvação consiste unicamente em in­
vocar Jesus como Salvador. Jesus está nos advertindo de que ser salvo
envolve algo mais do que simplesmente fazer essa invocação. Ele não
está dizendo que é errado invocá-Lo como Senhor; está dizendo, sim,
que a salvação requer mais do que apenas isso.
Para Jesus ser realmente nosso Senhor, é preciso que Ele seja nos­
so Mestre, e nós, Seus discípulos. Um discípulo é alguém que segue seu
mestre. Um senhor é alguém que tem completo domínio sobre a vida
de uma pessoa. A vida de um discípulo é inteiramente comprometida
com o seu senhor, não por causa de bonificação ou reconhecimento
que o discípulo possa vir a receber, mas devido à glória do mestre.
Pai, ajuda-nos a ter compreensão e entender a nós mesmos ao es­
tudarmos versículos como esses, de tamanha importância. Ajuda-nos a
estar completamente comprometidos contigo.

Bíblico: Colossenses. — Juvenis: Atos 28.


Quinta-feira O Compromisso do Cristão
6 de dezembro

Fazendo a Vontade de Deus


Aquele que diz: Eu O conheço e não guarda os Seus mandamentos é
mentiroso, e nele não está a verdade. Aquele, entretanto, que guarda a Sua
palavra, nele, verdadeiramente, tem sido aperfeiçoado o amor de Deus.
Nisto sabemos que estamos nEle: aquele que diz que permanece nEle, esse
deve também andar assim como Ele andou. I João 2:4-6.
Depois de ler o alarmante texto de Mateus 7:21, a respeito de
estar perdido mesmo clamando “Senhor, Senhor” em face do juízo,
queremos naturalmente saber como evitar o auto-engano. Jesus res­
ponde nossa pergunta nesse mesmo texto, quando diz que devemos ser
praticantes e não apenas ouvintes da vontade do Seu Pai. E João refor­
ça esse ponto dizendo que “nisto sabemos que estamos nEle”, se guar­
damos os Seus mandamentos e andamos como Jesus andou.
Essas são as boas novas. Essa é a verdadeira certeza da salvação.
Nós podemos saber! Louvado seja Deus!
Mas o que significa fazer a vontade do Pai? Essa é uma pergunta im­
portante. Antes de respondê-la, precisamos lembrar que toda passagem
bíblica deve ser lida em seu próprio contexto. Também precisamos lem­
brar que o contexto de Mateus 7:21-23 é o Sermão do Monte.
Portanto, fazer a vontade de Deus nessa grande cena de juízo, é vi­
ver as bem-aventuranças; é sentir tristeza por nosso pecado e aproxi­
mar-nos de Deus como homens e mulheres famintos, que procuram sa­
ciar-se com Sua justiça; é permitir que Deus nos transforme em pessoas
pacificadoras e misericordiosas. Fazer a vontade de Deus é ser sal e luz
ao testemunhar em nome dEle. Fazer a vontade de Deus é permitir que
Ele viva em nós a altura, a largura e a profundidade de Sua lei de amor;
é amar até mesmo nossos inimigos, e assim nos tornarmos semelhantes
ao próprio Deus. Fazer a vontade de Deus significa ter uma vida de ati­
va e sincera oração e ser um alegre mordomo de Seu dinheiro. Fazer a
vontade de Deus significa ter prioridades corretas e confiar nEle, em
vez de viver uma vida centralizada em materialismo e preocupação. Fa­
zer a vontade de Deus significa evitar julgar as motivações e o destino
dos outros, mas ao mesmo tempo significa discriminar externamente o
bem do mal, com base na Sua Palavra.
Fazer a vontade de Deus é ser como Jesus.

Ano Bíblico: I Tessalonicenses. - Juvenis: Romanos 12.


O Compromisso do Cristão Sexta-ff.ira
7 de dezembro

A Prova de Amor
Sabemos que O temos conhecido por isto: se guardamos os Seus
mandamentos. IJoão 2:3.
Fazer a vontade de Deus. É mais fácil falar do que fazer; é mais
fácil prometer do que cumprir. Belas palavras, porém, nunca são um
substituto para boas ações.
A Bíblia só conhece uma única prova de amor, e essa é a prova da
obediência. E hipocrisia dizer que amamos uma pessoa e depois virarmos
as costas para ela e fazermos coisas que partam o coração dessa pessoa.
Muitos de nós, nos dias mais tenros de nossa meninice, de vez em
quando dizíamos a nossa mãe: “Eu amo a senhora.” E algumas vezes nos­
sa mãe deve ter sorrido e sussurrado consigo mesma: “Desejaria que vo­
cê demonstrasse isso um pouco mais na maneira como se comporta.”
Assim acontece em nossa caminhada com Deus. Muitíssimas ve­
zes confessamos o Senhor com os lábios, mas O negamos por nossa vi­
da. Um escritor perspicaz escreveu que “não é difícil recitar um credo,
mas é difícil viver a vida cristã. Fé sem prática é uma contradição de
termos; amor sem obediência é uma impossibilidade”.
Uma de minhas histórias bíblicas favoritas nesse sentido é a pará­
bola dos dois filhos. Hoje a leremos da paráfrase de The Message:
“Um homem tinha dois filhos. Dirigindo-se ao primeiro, disse: ‘Fi­
lho, vai trabalhar hoje na vinha.’
“O filho respondeu: ‘Não estou com vontade.’ Mas depois pensou
melhor sobre o assunto e foi.
“O pai deu a mesma ordem ao segundo filho. Ele respondeu: ‘Cla­
ro que vou.’ Mas nunca foi.
“Qual dos dois filhos fez o que o pai pediu?”
“Disseram eles: ‘O primeiro.’
“Disse-lhes Jesus: ‘Sim, e lhes digo que ladrões e prostitutas vão
entrar na frente de vocês no reino de Deus. João veio até vocês mos­
trando o caminho certo. Vocês torceram o nariz para ele, mas os la­
drões e as prostitutas acreditaram nele. O pior é que, mesmo vendo a
vida dessas pessoas transformadas, vocês não se importam o bastante
para se arrepender e crer nele.”’ Mat. 21:28-32.
“Nem todo o que Me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos Céus,
mas aquele que faz a vontade de Meu Pai, que está nos Céus.” Mat. 7:21.

Ano Bíblico: II Tessalonicenses. — Juvenis: I Coríntios 13.


Sábado O Compromisso do Cristão
8 de dezembro

Cumprir Realmente os Mandamentos


de Jesus
Se Me amais, guardareis os Meus mandamentos. João 14:15.
_[ZXirante muito, muito tempo, nós, os adventistas, temos apa­
nhado levianamente o versículo bíblico de hoje e o citado fora do con­
texto, aplicando-o aos Dez Mandamentos em nossos estudos bíblicos e
sermões evangelísticos. Ora, eu sei que Jesus, como o “EU SOU”, foi
quem deu os mandamentos a Moisés no Sinai, e que a expressão “Meus
mandamentos” possivelmente se refira ao Decálogo.
Mas não é isso o que encontramos no contexto de João 14:15. En­
contramos algo mais profundo, algo mais básico. Antes de dar uma de­
finição exata do que significa “Meus mandamentos”, é preciso fazer um
cuidadoso estudo dos capítulos 13 a 15 de João. Tomemos alguns mi­
nutos para olhar o contexto.
Uma primeira sugestão do que Jesus queria dizer, encontra-se em João
13:34 e 35: “Novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; as­
sim como Eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros. Nisto co­
nhecerão todos que sois Meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros.”
Outra passagem contextual bastante útil em nossa busca de uma
definição é João 15:12-14: “O Meu mandamento é este: que vos ameis
uns aos outros, assim como Eu vos amei. Ninguém tem maior amor do
que este: de dar alguém a própria vida em favor dos seus amigos. Vós
sois Meus amigos, se fazeis o que Eu vos mando.” E o que Jesus nos or­
dena? A resposta se encontra no versículo 17: “Isto vos mando: que vos
ameis uns aos outros.”
Portanto, o Evangelho de João está em harmonia com Jesus no Ser­
mão do Monte, quando Ele falou sobre ser como Deus e ser perfeito como
o Pai. O Evangelho de João também está em harmonia com as bem-aven-
turanças, que nos mandam ser misericordiosos e pacificadores.
Fazer a vontade do Pai é ser como Jesus; é amar como o Pai ama.
A observância dos Dez Mandamentos acha-se incluída nessa or­
dem formal, mas apenas como o subproduto de um coração imbuído de
amor a Deus e ao próximo. Alguém pode guardar a letra dos Dez Man­
damentos sem estar amando, mas é impossível uma pessoa estar aman­
do sem guardar o Decálogo, conforme ele ou ela o entende.
Jesus quer que realmente façamos a vontade do Pai.

Ano Bíblico: I Timóteo. - Juvenis: II Coríntios 9.


O Compromisso do Cristão Domingo
9 de dezembro

"Aquele Dia" Outra Vez


Muitos, naquele dia, hão de dizer-Me: Senhor, Senhor! Porventura,
não temos nós profetizado em Teu nome, e em Teu nome não expelimos
demônios, e em Teu nome não fizemos muitos milagres? Mateus 7:22.
7^ expressão “aquele dia”, conforme vimos meses atrás, refere-se
ao dia do juízo, o dia em que todas as contas serão pagas, o dia em que
as recompensas serão dadas e as punições aplicadas.
Conta-se a história de um rapaz que recebeu da mãe a tarefa de
plantar vagem na horta de casa. O trabalho começou bem. Estava fres­
quinho, os pássaros cantavam, e era agradável ter o sol da manhã ba­
tendo nas costas.
Primeiro, ele cavou com a pá, depois desfez os torrões de terra com
a enxada, e em seguida passou o ancinho e formou as fileiras. Chegou
por fim a hora de plantar cada semente, com intervalos de cinco cen­
tímetros.
Apesar do bom começo, à medida que o sol ficava mais quente, o
trabalho parecia cada vez menos atrativo. Quem, pensou ele, desejaria
tantas vagens! Que desperdício para um dia de verão! Todos os meus ami-
gos estão na piscina, divertindo-se e comendo melancia.
Esses pensamentos puseram fim à perseverante fidelidade. Mas
nosso amigo sabia que devia plantar todas as sementes. Por isso, plan­
tou um pouco da forma correta. Mas depois atirou o restante das se­
mentes no meio de uma fiada e as cobriu.
Sua mãe ficou satisfeita com o que supunha ser um trabalho bem-
feito. Então chegou “aquele dia”. Aquele dia foi quando as sementes
germinaram. Ficou bastante claro para ela o que havia acontecido.
Chegara o dia do ajuste de contas.
“Aquele dia” também vai chegar para o mundo. Então, todos sa­
berão se fomos fiéis ou infiéis. A maneira como vivemos fará diferen­
ça. Nosso presente é parte de nosso futuro. Nosso presente, de acordo
com Jesus, determinará nosso futuro.
Pai, ao meditarmos nas palavras de Jesus, compreendemos que,
embora o juízo possa ser um tema impopular, é uma realidade que pre­
cisamos levar em consideração.

Ano Bíblico: II Timóteo. - Juvenis: Gaiatas 5:19-26; 6:1-10.


Segunda-feira O Compromisso do Cristão
10 de dezembro

Texto Assustador
E eles Lhe perguntarão: Senhor, quando foi que Te vimos com fome,
com sede, forasteiro, nu, enfermo ou preso e não Te assistimos? Então, lhes
responderá: Em verdade vos digo que, sempre que o deixastes de fazer a um
destes mais pequeninos, a Mim o deixastes de fazer. Mateus 25:44 e 45.

parte assustadora de Mateus 7:22 diz respeito a quem é deixa­


do do lado de fora do reino. Como é possível sermos deixados de fora,
nós, que fomos obreiros de destaque, e que em Teu nome realizamos
tantas coisas? é a clamorosa pergunta.
Essa passagem não é a única na qual se questiona a decisão final de
Deus no juízo. A outra é a parábola das ovelhas e dos bodes, em Ma­
teus 25:31-46.
Dirigindo-Se a um grupo, Jesus diz: “Entrem no Meu reino.” Eles
perguntam: “Mas como foi que conseguimos isto? Não somos como os
fariseus, que dedicaram toda a vida procurando viver à altura de uma
multidão de permissões e proibições.”
Jesus responde: “Vocês não entendem. Quando Eu estava com fo­
me, vocês Me alimentaram. Quando Eu estava na prisão, vocês Me vi­
sitaram.”
Eles tornam a perguntar: “Espere um pouco. Como pode ser isso?
Nunca Te vimos, nem Te alimentamos.”
“Mas”, responde Jesus, “toda vez que vocês fizeram isso a um des­
tes pequeninos, vocês fizeram a Mim.”
A essa altura, o outro grupo está ficando perturbado. Há nesse gru­
po grande número de fariseus. “Espere um pouco, Senhor”, bradam
eles, “nós guardamos o sábado. Observamos todas as nossas 1.500 re­
gras sabáticas. Devolvemos o dízimo rigorosamente, até mesmo de ca­
da folha de hortelã que plantamos. Seguimos um excelente regime ali­
mentar. Senhor, Tu tens que nos salvar. Nós merecemos.”
“Bem”, replica Jesus, “só há um problema. Quando Eu estava na
prisão e tive sede, vocês pareciam não se importar.”
“Senhor”, retrucam eles, “se soubéssemos que eras Tu, teríamos
agido de outro modo.”
“Mas”, responde Jesus, “vocês não entenderam. Não assimilaram o
grande princípio do Meu reino: o amor. E se não possuem o amor, não
serão felizes por lá.”

Bíblico: Tito. - Juvenis: Efésios 6.


O Compromisso do Cristão Terça-feira
11 de dezembro

A Razão da Grande Surpresa


E irão estes para o castigo eterno, porém os justos, para a vida eterna.
Mateus 25:46.
Adimos ontem a assustadora realidade de quem foi deixado fora

do reino no juízo final, registrada em Mateus 7:22 e 25:31-46. Desco­


brimos que algumas dessas pessoas eram “bons adventistas”. Elas não
apenas invocaram Jesus como o Senhor, mas também realizaram obras
poderosas em Seu nome, guardaram o sábado meticulosamente, devol­
veram o dízimo das mínimas coisas e foram escrupulosos reformadores
da saúde. Apesar disso, ficaram profundamente chocados com a sen­
tença de Cristo no dia do juízo.
Concluímos que, de acordo com Mateus 25, o fator decisivo no
juízo é se as pessoas interiorizaram e praticaram o princípio régio do
amor. Ellen White desenvolve essa idéia: “Assim descreveu Cristo aos
discípulos, no Monte das Oliveiras, as cenas do grande dia do Juízo. E
apresentou sua decisão como girando em torno de um ponto. Quando
as nações se reunirem diante dEle, não haverá senão duas classes, e seu
destino eterno será determinado pelo que houverem feito ou negligen­
ciado fazer por Ele na pessoa dos pobres e sofredores.” - O Desejado de
Todas as Nações, pág. 637.
Se as pessoas não estão transmitindo o amor de Deus a seus seme­
lhantes, é porque não o possuem. Se as pessoas possuem o amor de
Deus no coração, não há como reprimi-lo.
Deus quer que todos quantos vão estar no Céu sejam felizes ali. E
os que serão felizes lá serão aqueles que renunciaram ao princípio do
egoísmo (pecado) e permitiram que Deus lhes infundisse no coração e
vida o grande princípio de Sua lei.
O novo nascimento inclui essa mudança do egoísmo para uma vi­
da de amor (o princípio da lei). A santificação nada mais é senão o
processo de tomar-se mais amoroso. O conceito bíblico de perfeição é
tornar-se maduro em expressar o amor divino. Os candidatos ao Céu
estão formando caráter semelhante ao de Cristo, pois “Deus é amor” (I
João 4:8). Essas pessoas estão sãs e salvas por toda a eternidade.
Senhor, obrigado por instruir-nos para não sermos apanhados de
surpresa no juízo. Ajuda-nos agora a viver o que conhecemos.

Ano Bíblico: Filemom. — Juvenis: Filipenses 4.


Quarta-feira O Compromisso do Cristão
12 de dezembro

Dedicando a Vida a Deus


Ainda que eu tenha o dom de profetizar e conheça todos os mistérios e
toda a ciência; ainda que eu tenha tamanha fé, a ponto de transportar
montes, se não tiver amor, nada serei. I Coríntios 13:2.
O que mais espanta em Mateus 7:21 e 22 são as impressionan­
tes credenciais exibidas pelos que reivindicam o Céu. Eles evidente­
mente são pessoas piedosas. A expressão “Senhor, Senhor” está cons­
tantemente em seus lábios. E são obreiros verdadeiramente zelosos. Dê
apenas uma olhada em sua lista de realizações. Profetizam, expulsam
demônios e realizam muitas obras poderosas em nome de Jesus.
Temos que enfrentar o fato. Precisamos admiti-lo. Essas pessoas
são obreiras impressionantes. A Associação Geral provavelmente lhes
atribuiria menção honrosa, e suas proezas seriam divulgadas à vista de
todos na Revista Adventista.
Mas Deus não vê as coisas dessa maneira. Ele vê os bastidores.
Acontece que mesmo exteriormente, esses obreiros eram exagerada-
mente cientes de sua própria bondade e realizações. “Olhe para tudo o
que temos feito; olhe para o tipo de crente superior que somos” é o ape­
lo que fazem. Onde está a humildade e a pobreza de espírito que carac­
terizam os verdadeiros crentes?
Em um nível mais profundo, precisamos perguntar-nos por que mo­
tivo estão eles fazendo essas coisas. Seria para obter reconhecimento co­
mo ganhadores de almas, ministradores de curso bíblico ou evangelistas
superdotados? Qual a motivação por trás de suas ações? Esse é o xis da
questão. E por que é que alguns desses “supercristãos” são tão bons em
fazer coisas ostensivas, que impressionam os outros, mas não têm prazer
nas coisas menos visíveis, tais como passar tempo com a esposa ou os fi­
lhos? Para Deus, o invisível é mais importante do que o visível.
Paulo realizou muita coisa, mas tinha em mente a perspectiva cor­
reta das coisas. Ouça o que ele diz: “Ainda que eu fale as línguas dos
homens e dos anjos, se não tiver amor, serei como o bronze que soa
ou como o címbalo que retine. ... E ainda que entregue o meu próprio
corpo para ser queimado, se não tiver amor, nada disso me aproveita­
rá.” I Cor. 13:1 e 3.
Não sei quanto a você, mas quero dedicar minha vida novamente
ao serviço de Deus.

Ano Bíblico: Hebreus 1-3. — Juvenis: Colossenses 4.


O Compromisso do Cristão Quinta-feira
13 de dezembro

As Duras Palavras de Jesus


Então, lhes direi explicitamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de
mim, os que praticais a iniqüidade. Mateus 7:23.
7~^s palavras desse versículo talvez sejam as mais duras que Jesus

terá que pronunciar. Algumas pessoas têm a idéia de que o juízo final
será o meio que Deus vai usar para extirpar do Céu tantas pessoas
quanto for possível. Mas essa é a versão de Satanás a respeito do obje­
tivo do juízo. Ele tem sido o acusador de Deus desde o princípio. Des­
de o princípio, tem ele questionado a justiça e o amor divinos.
A verdade se encontra na idéia inversa. Deus e Cristo querem ver
no Céu tantas pessoas quanto for possível. O juízo não é para mantê-
las fora do Céu, mas para introduzi-las ali. O juízo é para atestar peran­
te o Universo que elas aceitaram de fato o sacrifício de Jesus na cruz
como propiciação por seus pecados, e permitiram que Deus as preen­
chesse com o princípio do Seu amor.
Deus fez tudo quanto pôde a fim de preparar o caminho para que
o maior número de pessoas passasse pelo juízo e entrasse no reino. En­
viou Seu Filho para viver e morrer por nós; aceita o sangue de Jesus em
nosso favor; aceita o ministério de Cristo no santuário celestial em
nosso favor; e está preparando um lugar para nós em Seu reino eterno.
Depois de fazer tudo isso, é doloroso para Jesus ter que dizer: “Não
conheço você; afaste-se de Mim.” Se Ele tinha lágrimas nos olhos ao
rejeitar Jerusalém em Mateus 23, certamente terá lágrimas ao proferir
essas fatídicas palavras. Mas será obrigado a proferi-las “naquele dia”.
Deus e Cristo fizeram sua parte para evitar essa rejeição. A pergun­
ta é: Temos feito nossa parte? Temos nos arrependido de nossos peca­
dos e aceitado Jesus como nosso Salvador? Temos permitido que Ele
derrame dentro de nós o Seu amor e nos encha com Seu Espírito e nos
transforme?
Se ainda não o permitimos, por que não permitir? Se ainda não o
permitimos, por que não hoje? Hoje é o dia de entregarmos nossa vida
a Ele.

Ano Bíblico: Hebreus 4-6. - Juvenis: I Tessalonicenses 4:14-18; 5.


Sexta-feira O Compromisso do Cristão
14 de dezembro

Praticando a Iniquidade nas Coisas Boas


Por amor do qual [Cristo] perdí todas as coisas e as considero como
refugo, para conseguir Cristo. Filipenses 3:8.
CHerto dia William Wilberforce, o cristão que liderou a batalha
contra a escravidão no Império Britânico, foi interpelado por uma mu­
lher, que lhe perguntou: “Senhor Wilberforce, como vai sua alma?” Ele
virou-se para a mulher e respondeu: “Madame, eu quase esqueci que ti­
nha uma.”
Como muitos guerreiros cristãos no calor da batalha, o ardente fi­
lantropo havia começado a perder a perspectiva a respeito de contra
quem estava lutando. E fácil demais perder o caminho quando estamos
envolvidos com “boas” causas. Os “que praticam a iniqüidade”, de Ma­
teus 7:23, não estavam fazendo coisas más. Pelo contrário, estavam fa­
zendo coisas “boas”.
Quais são algumas dessas coisas que podem nos desencaminhar em
termos de salvação? Uma pode ser a freqüência à igreja. Ora, ir à igre­
ja parece bastante inofensivo. Algumas pessoas adoram ir à igreja. As
portas nunca se abrem sem que elas já estejam postadas ali. Mas essa
mania de ir à igreja nunca parece fazer algo em favor delas. Nunca ser­
ve de inspiração para ajudarem os outros, nem para compartilharem
seus talentos. Apenas se sentam ali e captam tudo. Ir à igreja acaba se
tornando um fim em si mesmo.
O mesmo pode ser dito com respeito aos que se comprazem em es­
tudar a Bíblia. Para algumas pessoas, o estudo da Bíblia é tão fascinan­
te como assistir a um programa de TV. Absorve-lhes o tempo, mas não
inspira mudanças reais em sua vida.
Outros são desencaminhados pela defesa das doutrinas denomina-
cionais. Adoram lutar em defesa do sábado e do criacionismo. Vivem
falando sobre esses temas, e têm um mundo de coisas a dizer. Mas per­
gunte-lhes o que Jesus significa para eles, e ficam mudos.
Todas essas são coisas boas que podem ser mal empregadas. Preci­
samos seguir o exemplo de Paulo, cujo alvo principal era conhecer Je­
sus e ser achado nEle. Precisamos fazer essas boas coisas, mas com a
apropriada perspectiva cristã.

Ano Bíblico: Hebreus 7-9. - Juvenis: II Tessalonicenses 2.


O Compromisso do Cristão Sábado
15 de dezembro

Evitando o Engano Próprio


Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e, assim, coma do pão, e beba
do cálice; pois quem come e bebe sem discernir o corpo, come e bebe juízo
para si. I Coríntios 11:28 e 29.
/X_queles que Jesus condena em Mateus 7:21-23 sofrem de um
problema chamado engano próprio. Pensam que estão certos, quando
estão errados - redondamente errados.
Isso é terrível. Talvez você esteja se perguntando como poderá sa­
ber se não está enganado a respeito de sua condição diante de Deus.
—t, Em primeiro lugar, é importante evitar as falsas doutrinas de segu­
rança. Algumas pessoas querem nos convencer de que justificação equi­
vale à salvação. Tudo o que você precisa fazer é crer, e ficará tudo bem.
Diga apenas: “Senhor, Senhor”, e você estará salvo. E exatamente con­
tra esse tipo de doutrina que Jesus está advertindo em Mateus 7:21.
A certeza cristã da salvação é uma doutrina bíblica, mas se baseia
no viver santo daqueles que foram justificados e nasceram de novo. De
acordo com Jesus, em Mateus 7, a certeza pertence “aos que fazem” a
vontade do Pai.
Uma segunda coisa que podemos fazer para evitar o engano a res­
peito de nossa própria condição diante de Deus é examinar a nós mes­
mos. Paulo recomenda que examinemos a nós mesmos, se realmente
estamos na fé (II Cor. 13:5). Esse exame precisa ser feito à plena luz
das Escrituras. Devemos perguntar honestamente a nós mesmos por
que estamos fazendo certas coisas e que motivos se acham por trás de
nossas palavras e ações. Precisamos encarar sinceramente a verdade,
caso estejamos fazendo coisas boas por interesse pessoal.
-#■ Uma terceira coisa que podemos fazer para evitar o engano próprio
é corrigir nossas prioridades. Primeiramente, Deus quer nosso coração;
quer que tenhamos com Ele um relacionamento amoroso, que nos le­
ve à obediência em todas as coisas. E aqui é importante ser honesto.
Alguns de nós estamos prontos a ser obedientes nas áreas de que gos­
tamos, embora evitemos a fidelidade em outras áreas. Deus quer que
aceitemos a Bíblia toda e a coloquemos em equilibrada prática.
O engano é um perigo real, mas não precisamos ser enganados.
Deus traçou um caminho claro e nítido diante de nós, caso estejamos
dispostos a segui-Lo sem reservas.

Bíblico: Hebreus 10 e 11. - Juvenis: I Timóteo 6.


Domingo O Compromisso do Cristão
16 de dezembro

Trabalhando em Meio à Insegurança


E a vida eterna é esta: que Te conheçam a Ti, o único Deus verdadeiro,
e a Jesus Cristo, a quem enviaste. João 17:3-
AAda eterna. É sobre isso que temos tratado nos últimos dias e
meses. Isso é o que desejamos de todo o nosso coração. Temos fome e
sede disso, e contudo, talvez estejamos cheios de dúvidas quanto à nos­
sa situação diante de Deus, especialmente depois de ler Mateus 7:21-23.
Não precisamos estar inseguros, nem mesmo quando lemos uma
passagem que fala de juízo e engano próprio. Jesus tomou o caminho
claro para nós, ainda que tenha sido obrigado a ser mais duro do que
gostaríamos. O propósito dEle é despertar-nos para a seriedade do as­
sunto. Mas uma vez despertos, nossa tarefa é seguir-Lhe os conselhos
ministrados no Sermão do Monte. O estudo desse sermão e a maneira
como Jesus coloca seus princípios em prática na vida diária, mudam
nosso ser. Ao contemplá-Lo, somos transformados. È por isso que pre­
cisamos contemplá-Lo com maior freqüência.
Hoje eu gostaria que você não apenas reconsagrasse tudo quanto vo­
cê é e possui a Jesus, mas também que separasse tempo cada dia para ca­
minhar com seu Senhor. Vamos ser concretos aqui. Comprometa-se a
dedicar diariamente uma quantidade específica de tempo à leitura lenta
e cuidadosa dos quatro Evangelhos. E quando você tiver terminado, fa­
ça-o de novo numa tradução diferente. Finalmente você pode querer es­
tudar os Evangelhos juntamente com as leituras bíblicas sugeridas no
início de cada capítulo de O Desejado de Todas as Nações. Esse tipo de es­