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FACULDADE IPORÃ

CURSO DE ENGENHARIA CIVIL


DISCIPLINA DE HIDRÁULICA APLICADA
PROFº ANDRÉ LUIZ BIANCARDINE
APRESENTAÇÃO
• ANDRÉ LUIZ BIANCARDINE DE FRANÇA
• FORMAÇÃO:
- ENGENHARIA CIVIL – UNIVERSIDADE ESTADUAL DE PONTA GROSSA/UEPG
• PÓS GRADUAÇÃO:
- GESTÃO AMBIENTAL – UEPG
- AUDITORIA, PERÍCIA E GESTÃO AMBIENTAL – IPOG
- ENGENHARIA SANITÁRIA AMBIENTAL – FSP
- ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO TRABALHO – UNIJIPA
- ADMINISTRAÇÃO ESTRATÉGICA – UNIASSELVI
EMENTA
• INTRODUÇÃO.
• HIDROMETRIA EM CONDUTOS ABERTOS E EM CONDUTOS FORÇADOS.
• ESCOAMENTO EM CONDUTOS FORÇADOS EM REGIME PERMANENTE.
• ESCOAMENTO DE FLUIDOS NÃO NEWTONIANOS.
• REDES DE CONDUTOS. INSTALAÇÕES DE RECALQUE.
• ESCOAMENTO EM CANAIS SOB REGIME PERMANENTE E UNIFORME.
• BOMBAS HIDRÁULICAS.
OBJETIVOS
• - FORNECER CONHECIMENTOS EM CONDUTOS FORÇADOS. INSTALAÇÕES DE RECALQUE.
• - CONDUTOS LIVRES. ORIFÍCIOS, BOCAIS E VERTEDORES. GOLPE DE ARÍETE.
• - DETERMINAR A RESULTANTE DAS FORÇAS QUE UM FLUIDO EM REPOUSO EXERCE SOBRE UMA SUPERFÍCIE SÓLIDA;
• - IDENTIFICAR OS TIPOS DE ESCOAMENTO DOS FLUIDOS;
• - APLICAR O PRINCÍPIO DA CONSERVAÇÃO DA MASSA;
• - DETERMINAR A RESULTANTE DAS FORÇAS QUE UM FLUIDO EM MOVIMENTO EXERCE SOBRE UMA SUPERFÍCIE SÓLIDA;
• - IDENTIFICAR AS DIFERENTES FORMAS DE ENERGIA DE UM ESCOAMENTO E SABER RELACIONA-LAS;
• - DETERMINAR AS PERDAS DE ENERGIA DECORRENTES DO MOVIMENTO DO FLUIDO DENTRO DE UM TUBO;
• - DIMENSIONAR UM CIRCUITO HIDRÁULICO EM PRESSÃO COM ESCOAMENTO POR GRAVIDADE;
• - DIMENSIONAR UM CIRCUITO HIDRÁULICO EM PRESSÃO COM ESCOAMENTO POR ELEVAÇÃO;
• - IDENTIFICAR PROBLEMAS QUE PODEM OCORRER NUM CIRCUITO HIDRÁULICO EM PRESSÃO;
• - DIMENSIONAR CANAIS, EM REGIME UNIFORME;
• - DIMENSIONAR ORIFÍCIOS E DESCARREGADORES;
• - CALCULAR VAZÃO, VELOCIDADE E OUTRAS CARACTERÍSTICAS DO ESCOAMENTO LIVRE.
CONTEÚDO
. INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA HIDRÁULICA (HISTÓRICO; SISTEMAS DE UNIDADES; PROPRIEDADES DA
ÁGUA).
. HIDROSTÁTICA (PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS, MEDIÇÃO DAS PRESSÕES).
. HIDRODINÂMICA (TEOREMA DE BERNOULLI PARA LÍQUIDOS PERFEITOS, EQUAÇÃO DA
CONTINUIDADE, CLASSIFICAÇÃO DOS ESCOAMENTOS, REGIMES DE ESCOAMENTO LAMINAR E
TURBULENTO, PERDA DE ENERGIA).
. ESCOAMENTO SOB PRESSÃO (CÁLCULO DAS PERDAS DE ENERGIA AO LONGO DA TUBULAÇÃO E
DAS PERDAS LOCALIZADAS).
. ESCOAMENTO SOB PRESSÃO POR GRAVIDADE.
. ESCOAMENTO SOB PRESSÃO POR RECALQUE (BOMBAS E ESTAÇÕES DE BOMBEAMENTO, ALTURA
MANOMÉTRICA, CURVA CARACTERÍSTICA, PONTO DE FUNCIONAMENTO, POTÊNCIA HIDRÁULICA).
. HIDROMETRIA (ORIFÍCIOS, BOCAIS, VERTEDORES E OUTROS INSTRUMENTOS DE MEDIÇÃO DE
VAZÃO).
. ESCOAMENTO EM CONDUTOS LIVRES.
FORMAS DE AVALIAÇÃO

- PARTICIPAÇÃO CONSTRUTIVA E COMPROMISSO COM A PROPOSTA DA DISCIPLINA


- PROVAS VISANDO AVALIAR O CONTEÚDO ABSORVIDO PELO ALUNO
- TRABALHOS INDIVIDUAIS E EM GRUPO
HIDRÁULICA
• O SIGNIFICADO ETIMOLÓGICO DA PALAVRA HIDRÁULICA É “ CONDUÇÃO DE ÁGUA” ( DO GREGO
HYDOR, ÁGUA E AULOS, TUBO, CONDUÇÃO).
• ENTRETANTO, ATUALMENTE A HIDRÁULICA TEM SIGNIFICADO MUITO MAIS AMPLO: É ESTUDO DO
COMPORTAMENTO DA ÁGUA E DE OUTROS LÍQUIDOS, QUER EM REPOUSO, QUER EM
MOVIMENTO.
• OBRAS HIDRÁULICAS DE CERTA IMPORTÂNCIA REMONTAM À ANTIGÜIDADE. NA MESOPOTÂMIA,
EXISTIAM CANAIS DE IRRIGAÇÃO CONSTRUÍDOS NA PLANÍCIE SITUADA ENTRE OS RIOS TIGRE E
EUFRATES E, EM NIPUR (BABILÔNIA), EXISTIAM COLETORES DE ESGOTOS DESDE 3750 A.C.
• O PRIMEIRO SISTEMA PÚBLICO DE ABASTECIMENTO DE ÁGUA DE QUE SE TEM NOTÍCIA, O
AQUEDUTO DE JERWAN, FOI CONSTRUÍDO NA ASSÍRIA (691 A.C.).
• ALGUNS PRINCÍPIOS DA HIDROSTÁTICA FORAM ENUNCIADOS POR ARQUIMEDES, NO SEU
TRATADO SOBRE CORPOS FLUTUANTES (250 A.C.).
• A BOMBA DE PISTÃO FOI CONCEBIDA PELO FÍSICO GREGO CTESIBIUS E INVENTADA POR SEU
DISCÍPULO HERO (200 A.C.).
A ÁGUA

• A SUPERFÍCIE DO PLANETA TERRA É FORMADA POR ¾ DE ÁGUA (DOCE E SALGADA) E APENAS


¼ DE TERRA (CONTINENTES E TERRAS), ASSIM DISTRIBUÍDA:
• 1. 0,01% NOS RIOS;
• 2. 0,35% NOS LAGOS E PÂNTANOS;
• 3. 2,34% NOS PÓLOS, GELEIRAS E ICEBERGS;
• 4. 97,3% NOS OCEANOS.
BRASIL
• O BRASIL POSSUI 13,7% DA ÁGUA DOCE DO PLANETA E 80% DAS ÁGUAS BRASILEIRAS
ESTÃO NOS RIOS DA AMAZÔNIA.
• A ÁGUA É INDISPENSÁVEL PARA A SOBREVIVÊNCIA HUMANA. SUA CRESCENTE UTILIZAÇÃO
TEM CONDUZIDO NÃO SÓ À REDUÇÃO DE DISPONIBILIDADE COMO TAMBÉM À
DEGRADAÇÃO DA QUALIDADE. O AUMENTO DA DEMANDA É CONSEQUÊNCIA DIRETA DO
CRESCIMENTO POPULACIONAL, DO DESENVOLVIMENTO INDUSTRIAL E DO AUMENTO DE
OUTRAS ATIVIDADES HUMANAS. GRANDE PARTE DAS FORMAS DE UTILIZAÇÃO DA ÁGUA
RESULTA EM RESÍDUOS, QUE POR SUA VEZ PODEM CAUSAR POLUIÇÃO.
HIDRÁULICA
• A HIDRÁULICA SEMPRE CONSTITUIU FÉRTIL CAMPO PARA INVESTIGAÇÕES E ANÁLISES
MATEMÁTICAS, TENDO DADO LUGAR A ESTUDOS TEÓRICOS QUE FREQUENTEMENTE SE
AFASTAVAM DOS RESULTADOS EXPERIMENTAIS. VÁRIAS EXPRESSÕES ASSIM DEDUZIDAS
TIVERAM DE SER CORRIGIDAS POR COEFICIENTES PRÁTICOS, O QUE CONTRIBUIU PARA QUE A
HIDRÁULICA FOSSE COGNOMINADA A “ CIÊNCIA DOS COEFICIENTES”.
• APENAS NO SÉCULO XX, COM DESENVOLVIMENTO DA PRODUÇÃO DE TUBOS DE FERRO
FUNDIDO, COM CRESCIMENTO DAS CIDADES E IMPORTÂNCIA DO SISTEMA DE
ABASTECIMENTO DE ÁGUA E, AINDA, EM CONSEQÜÊNCIA DO EMPREGO DE NOVAS
MÁQUINAS HIDRÁULICAS, É QUE HIDRÁULICA TEVE UM PROGRESSO RÁPIDO E ACENTUADO.
• A MECÂNICA DOS FLUIDOS DIVIDE-SE EM DUAS PARTES: A HIDROSTÁTICA, QUE ESTUDA O
EQUILÍBRIO DOS FLUIDOS, E A HIDRODINÂMICA, QUE ESTUDA SEU MOVIMENTO. A PRIMEIRA
NASCEU COM ARQUIMEDES - DE CUJA OBRA DANIEL BERNOULLI É CONSIDERADO UM
CONTINUADOR -, MAS RECEBEU UM ESTUDO SISTEMÁTICO SOMENTE NO FINAL DO SÉCULO
XVII, COM STEVIN E PASCAL. JÁ OS FUNDAMENTOS DA DINÂMICA DOS LÍQUIDOS SURGEM
APENAS NO SÉCULO XVIII, PRINCIPALMENTE GRAÇAS A EULER. A DINÂMICA DOS GASES
APRESENTA IMPULSO MAIOR NA ATUALIDADE, POR SUA APLICAÇÃO AO VÔO DE APARELHOS
MAIS PESADOS QUE O AR.
HIDRÁULICA E SUAS SUBDIVISÕES

• O TERMO “HIDRÁULICA” DERIVA-SE DO GREGO HIDRO, QUE SIGNIFICA ÁGUA. POR ESTA
RAZÃO ENTENDE-SE POR HIDRÁULICA, A CIÊNCIA QUE ESTUDA AS LEIS E EQUAÇÕES
REFERENTES AO ESTUDO DOS FLUIDOS (LÍQUIDOS E GASES), EM REPOUSO OU EM
MOVIMENTO.
• A HIDRÁULICA PODE SER ASSIM DIVIDIDA:
• HIDRÁULICA PNEUMÁTICA: RAMOS DA HIDRÁULICA QUE ESTUDA OS GASES.
• HIDROSTÁTICA: ESTUDA OS LÍQUIDOS, EM REPOUSO OU EM EQUILÍBRIO.
• HIDROCINEMÁTICA: ESTUDA A VELOCIDADE E TRAJETÓRIAS DOS LÍQUIDOS, SEM CONSIDERAR
A ENERGIA OU AS FORÇAS ATUANTES.
• HIDRODINÂMICA: ESTUDA OS FLUIDOS EM MOVIMENTO, REFERE-SE ÀS VELOCIDADES, AS
ACELERAÇÕES E AS FORÇAS QUE ATUAM EM FLUIDOS EM MOVIMENTO.
• HIDRÁULICA APLICADA OU HIDROTECNIA: É A APLICAÇÃO PRÁTICA DOS CONHECIMENTOS DE
MECÂNICA DOS FLUIDOS E DA OBSERVAÇÃO CRITERIOSA DOS FENÔMENOS RELACIONADO À
ÁGUA, QUER PARADA OU EM MOVIMENTO.
AS ÁREAS DE ATUAÇÃO DA HIDRÁULICA APLICADA SÃO:
• URBANA:
 SISTEMAS DE ABASTECIMENTO DE ÁGUA;
 SISTEMAS DE ESGOTAMENTO SANITÁRIO;
 SISTEMAS DE DRENAGEM PLUVIAL
• AGRÍCOLA:
 SISTEMAS DE IRRIGAÇÃO
 SISTEMAS DE DRENAGEM: SUBTERRÂNEA E DE SUPERFÍCIE (TERRAÇOS E CANAIS)
 SISTEMAS DE ÁGUA POTÁVEL E ESGOTOS
 INSTALAÇÕES PREDIAIS: INDUSTRIAIS, COMERCIAIS, RESIDENCIAIS E PÚBLICAS;
• LAZER E PAISAGISMO
• ESTRADAS (DRENAGEM)
• DEFESA CONTRA INUNDAÇÕES
• GERAÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA
• NAVEGAÇÃO E OBRAS MARÍTIMAS E FLUVIAIS
HIDROSTÁTICA

• A HIDROSTÁTICA É RAMO DA HIDRÁULICA QUE ESTUDA AS FORÇAS QUE ATUAM NOS


LÍQUIDOS.
• ESTUDO DAS PRESSÕES EM QUE OS LÍQUIDOS ESTÃO SUBMETIDOS É DE GRANDE
IMPORTÂNCIA PARA ATIVIDADES AGRÍCOLAS, POIS OS SISTEMAS DE IRRIGAÇÃO SÃO
PROJETADOS PARA FUNCIONAREM A UMA DETERMINADA PRESSÃO. OS PULVERIZADORES
PARA FAZEREM APLICAÇÕES EFICIENTES DEVEM OPERAR EM PRESSÃO ADEQUADA. PARA ISTO
NECESSÁRIO MEDIR A PRESSÃO, E ESTA É MEDIDA POR MEIO DE MANÔMETROS.
SISTEMAS DE UNIDADES

Na hidráulica, o profissional irá trabalhar com inúmeras grandezas (Tabela 1). Portanto, o
domínio das unidades e dos fatores de conversão é requisito básico na elaboração de projetos.
PRESSÃO

• É A FORÇA EXERCIDA POR UNIDADE DE ÁREA.


• P = F/A
• P: PRESSÃO (N M-2)
• F: FORÇA (N)
• A: ÁREA (M2)
EXERCÍCIO PRESSÃO

• 1) APLICA-SE UMA FORÇA DE 80 N PERPENDICULARMENTE A UMA SUPERFÍCIE DE ÁREA 0,8 M2.


CALCULE A PRESSÃO EXERCIDA.
• 2) QUAL A PRESSÃO EXERCIDA POR UM TANQUE DE ÁGUA QUE PESA 1000 N, SOBRE A SUA
BASE QUE TEM UMA ÁREA DE 2 M2 ?
• 3) A ÁGUA CONTIDA NUM TANQUE EXERCE UMA PRESSÃO DE 40 N/M2 SOBRE A SUA BASE.
SE A BASE TEM UMA ÁREA DE 10 M 2 , CALCULE A FORÇA EXERCIDA PELA ÁGUA SOBRE A
BASE.
CONCEITOS BÁSICOS

• MASSA ESPECÍFICA.

𝑚𝑚
• 𝜌𝜌 =
𝑉𝑉
• 𝜌𝜌 - MASSA ESPECÍFICA, EM KG/M3 OU G/CM3
• M- MASSA DA SUBSTÂNCIA, EM KG OU G
• V- VOLUME, EM M3 OU CM3
EXEMPLO
MASSA ESPECÍFICA - ANÁLISES

• A MASSA ESPECÍFICA ESTA RELACIONADA COM A MASSA E O VOLUME DOS CORPOS;


• ANALISANDO APENAS A QUESTÃO DA MASSA, SABEMOS QUE 1KG DE CHUMBO É IGUAL A
1KG DE ISOPOR;
• O VOLUME DE ISOPOR NECESSÁRIO PARA 1KG É MUITO MAIOR QUE O VOLUME DE CHUMBO
NECESSÁRIO PARA O MESMO 1KG.
ANÁLISES
1 LITRO = 1.000,00 CM³ (DICA)
EXERCÍCIO 02

• SUPONHAMOS QUE VOCÊ POSSUA 60 G DE MASSA DE UMA SUBSTÂNCIA CUJO VOLUME


POR ELA OCUPADO É DE 5 CM3. CALCULE A DENSIDADE ABSOLUTA DESSA SUBSTÂNCIA
NAS UNIDADES G/CM3 E KG/M3 E MARQUE A OPÇÃO CORRETA.
• A) 12 G/CM3 E 12 . 10-4 KG/M3
B) 1,2 G/CM3 E 12 . 104 KG/M3
C) 14 G/CM3 E 12 . 104 KG/M3
D) 12 G/CM3 E 12 . 104 KG/M3
E) 8 G/CM3 E 12 . 10-4 KG/M3
SOLUÇÃO
• CALCULAMOS A DENSIDADE DE UMA SUBSTÂNCIA ATRAVÉS DO QUOCIENTE ENTRE A MASSA E
O VOLUME. RETIRANDO AS INFORMAÇÕES FORNECIDAS PELO EXERCÍCIO, TEMOS:

• CONVERTENDO AS UNIDADES, TEMOS:

• ALTERNATIVA “D”
EXERCÍCIO 3

• CALCULE A DENSIDADE DA MISTURA DE DOIS LÍQUIDOS HOMOGÊNEOS DE MASSAS IGUAIS


E DENSIDADES RESPECTIVAS DE 4,2 G/CM3 E 1,4 G/CM3. MARQUE A OPÇÃO CORRETA
CUJA UNIDADE SEJA DADA EM G/CM3.
• A) D = 2,1 G/CM3
B) D = 5,2 G/CM3
C) D = 1,6 G/CM3
D) D = 0,4 G/CM3
E) D = 2,5 G/CM3
SOLUÇÃO
• COMO AS MASSAS DOS LÍQUIDOS SÃO IGUAIS, PODEMOS DIZER QUE OS VOLUMES SÃO
DIFERENTES, APLICANDO O CONCEITO DE DENSIDADE, TEMOS:

• COMO M1 = M2 = M, A DENSIDADE DA MISTURA SERÁ CALCULADA DA SEGUINTE FORMA:

ALTERNATIVA “A”
CONCEITOS BÁSICOS

• PESO ESPECÍFICO

𝑃𝑃
• 𝛾𝛾 =
𝑉𝑉
• 𝛾𝛾 - PESO ESPECÍFICO, EM KGF/M3 OU N/M3;
• P- PESO DA SUBSTÂNCIA, EM KGF OU N.
• V- VOLUME, EM M3 OU CM3
PESO ESPECÍFICO

• O PESO ESPECÍFICO (REPRESENTADO PELA LETRA GREGA 𝛾𝛾) DE UMA SUBSTÂNCIA, QUE
CONSTITUI UM CORPO HOMOGÊNEO, É DEFINIDO COMO A RAZÃO ENTRE O PESO P E O
VOLUME V DO CORPO CONSTITUÍDO DA SUBSTÂNCIA ANALISADA.
CONCEITOS BÁSICOS

• DENSIDADE

𝛾𝛾𝛾𝛾𝛾𝛾𝛾𝛾𝛾𝛾𝛾𝛾𝛾𝛾𝛾𝛾𝛾𝛾𝛾𝛾𝛾𝛾
• 𝑑𝑑 =
𝛾𝛾𝛾𝛾𝛾𝛾𝛾
𝜌𝜌𝑠𝑠𝑠𝑠𝑠𝑠𝑠𝑠𝑠𝑠𝑠𝑠𝑠𝑠𝑠𝑠𝑠𝑠𝑠𝑠
• 𝑑𝑑 =
𝜌𝜌𝐻𝐻𝐻𝐻𝐻
PESO ESPECÍCO RELATIVO

• O PESO ESPECÍFICO RELATIVO É DEFINIDA COMO A RELAÇÃO ENTRE O PESO ESPECÍFICO DO


FLUIDO “A” E O PESO ESPECÍFICO DE UM FLUIDO “B”.

𝛾𝛾𝑎𝑎
• 𝛾𝛾𝑒𝑒 =
𝛾𝛾𝑏𝑏
• GERALMENTE, O FLUIDO “B” É A ÁGUA;
• EM CONDIÇÕES DE ATMOSFERA PADRÃO O PESO ESPECÍFICO DA ÁGUA É 10000N/M3;
• O PESO ESPECÍFICO RELATIVO É UM NÚMERO ADIMENSIONAL.
Álcool Etílico 0,79 g/cm³
Ferro 7,87g/cm³
EXERCÍCIO

• TRANSFORME 100 MCA, EM ATM, PA, KGF/CM2, CMHG;


UNIDADES DE VAZÃO

• VAZÃO É O VOLUME DE FLUIDO QUE PASSA NUMA DETERMINADA SEÇÃO DE UM CONDUTO


LIVRE OUFORÇADO, POR UNIDADE DE TEMPO.
• CONDUTO LIVRE É AQUELE EM QUE O LÍQUIDO ESCOA SOB PRESSÃO IGUAL A
ATMOSFÉRICA. PODE SER UM CANAL, UM RIO OU UMA TUBULAÇÃO. JÁ NUM CONDUTO
FORÇADO, O ESCOAMENTO OCORRE SOB PRESSÃO MAIOR(POSITIVA) OU MENOR (VÁCUO)
QUE A ATMOSFÉRICA. A VAZÃO É CALCULADA PELA EQUAÇÃO:
• Q = V/T
• Q: VAZÃO (M3 S-1) A vazão também é o produto da área (A), em m2, pela velocidade de
escoamento (v), em m/s.
• V: VOLUME (M3)
• T: TEMPO (S)
MÉTODO EXPERIMENTAL
• UM EXEMPLO CLÁSSICO PARA A MEDIÇÃO DE VAZÃO É A REALIZAÇÃO DO CÁLCULO A PARTIR
DO ENCHIMENTO COMPLETO DE UM RESERVATÓRIO ATRAVÉS DA ÁGUA QUE ESCOA POR
UMA TORNEIRA ABERTA COMO MOSTRA A FIGURA.
• CONSIDERE QUE AO MESMO TEMPO EM QUE A TORNEIRA É ABERTA UM CRONÔMETRO É
ACIONADO. SUPONDO QUE O CRONÔMETRO FOI DESLIGADO ASSIM QUE O BALDE FICOU
COMPLETAMENTE CHEIO MARCANDO UM TEMPO T, UMA VEZ CONHECIDO O VOLUME V DO
BALDE E O TEMPO T PARA SEU COMPLETO ENCHIMENTO, A EQUAÇÃO É FACILMENTE
APLICÁVEL RESULTANDO NA VAZÃO VOLUMÉTRICA DESEJADA.
RELAÇÃO ENTRE ÁREA E VELOCIDADE
Uma outra forma matemática de se determinar a vazão volumétrica é
através do produto entre a área da seção transversal do conduto e a
velocidade do escoamento neste conduto como pode ser observado na
figura a seguir.
Pela análise da figura, é possível observar que o
volume do cilindro tracejado é dado por:

V=d⋅A
Substituindo essa equação na equação de vazão
volumétrica, pode-se escrever que:
d⋅ A
Qv =
t
A partir dos conceitos básicos de cinemática
aplicados em Física, sabe-se que a relação d/t é a
velocidade do escoamento, portanto, pode-se
escrever a vazão volumétrica da seguinte forma:
Qv = v ⋅ A
Qv representa a vazão volumétrica, v é a velocidade
do escoamento e A é a área da seção transversal da
tubulação.
RELAÇÕES IMPORTANTES

■ 1m³=1000litros
■ 1h=3600s
■ 1min=60s

■ Área da seção transversal circular:


π ⋅ d2
A=
4

π = 3,14
EXERCÍCIO 01

• TRANSFORME 0,015 M3/S PARA M3/H, L/S E L/H


VAZÃO EM MASSA E EM PESO

• DE MODO ANÁLOGO À DEFINIÇÃO DA VAZÃO


VOLUMÉTRICA É POSSÍVEL SE DEFINIR AS VAZÕES EM
MASSA E EM PESO DE UM FLUIDO, ESSAS VAZÕES
POSSUEM IMPORTÂNCIA FUNDAMENTAL QUANDO SE
DESEJA REALIZAR MEDIÇÕES EM FUNÇÃO DA MASSA E
DO PESO DE UMA SUBSTÂNCIA.
VAZÃO EM MASSA
■ Vazão em Massa: A vazão em massa é caracterizada pela massa do fluido
que escoa em um determinado intervalo de tempo, dessa forma tem-se que:
m
Qm =
t
■ Onde m representa a massa do fluido.
■ Como definido anteriormente, sabe-se que ρ = m/V, portanto, a massa pode
ser escrita do seguinte modo:
ρ⋅V
m = ρ ⋅V Qm =
t
■ Assim, pode-se escrever que:
Qm = ρ ⋅ Qv Qm = ρ ⋅ v ⋅ A
■ Portanto, para se obter a vazão em massa basta multiplicar a vazão em
volume pela massa específica do fluido em estudo, o que também pode ser
expresso em função da velocidade do escoamento e da área da seção do
seguinte modo:
■ As unidades usuais para a vazão em massa são o kg/s ou então o kg/h.
EXERCÍCIO 1

• 1) CALCULAR O TEMPO QUE LEVARÁ PARA ENCHER UM TAMBOR DE 214


LITROS, SABENDO-SE QUE A VELOCIDADE DE ESCOAMENTO DO LÍQUIDO É DE
0,3M/S E O DIÂMETRO DO TUBO CONECTADO AO TAMBOR É IGUAL A 30MM.
SOLUÇÃO
Cálculo da vazão volumétrica: Cálculo do tempo:

Qv = v ⋅ A Qv =
V
t
π ⋅ d2
Qv = v ⋅ V
4 t=
Qv
π ⋅ 0,032
Qv = 0,3 ⋅ 214
4 t=
0,21
Qv = 0,00021m³/s
t = 1014,22 s
Qv = 0,21 l/s
t = 16,9 min
EXERCÍCIO 2

• 2) CALCULAR O DIÂMETRO DE UMA TUBULAÇÃO, SABENDO-SE QUE PELA


MESMA, ESCOA ÁGUA A UMA VELOCIDADE DE 6M/S. A TUBULAÇÃO ESTÁ
CONECTADA A UM TANQUE COM VOLUME DE 12000 LITROS E LEVA 1 HORA, 5
MINUTOS E 49 SEGUNDOS PARA ENCHÊ-LO TOTALMENTE.
SOLUÇÃO
Cálculo do tempo em segundos: Cálculo do diâmetro:
Qv = v ⋅ A
1h=3600s
5min=300s π ⋅ d2
Qv = v ⋅
4
t=3600+300+49
2
t = 3949 s 4 ⋅ Qv = v ⋅ π ⋅ d

Cálculo da vazão volumétrica: 4 ⋅ Qv


d 2=
v ⋅π
V
Qv = 4⋅Q v 4 ⋅ 0,00303
t d=
v ⋅π 6 ⋅π
12
Qv =
3949
d = 0,0254m
Qv = 0,00303m³/s
d = 25,4 mm
EXERCÍCIOS PROPOSTOS

■ 1) UMA MANGUEIRA É CONECTADA EM UM TANQUE COM CAPACIDADE DE


10000 LITROS. O TEMPO GASTO PARA ENCHER TOTALMENTE O TANQUE É DE
500 MINUTOS. CALCULE A VAZÃO VOLUMÉTRICA MÁXIMA DA MANGUEIRA.

■ 2) CALCULAR A VAZÃO VOLUMÉTRICA DE UM FLUIDO QUE ESCOA POR UMA


TUBULAÇÃO COM UMA VELOCIDADE MÉDIA DE 1,4 M/S, SABENDO-SE QUE O
DIÂMETRO INTERNO DA SEÇÃO DA TUBULAÇÃO É IGUAL A 5CM.
EXERCÍCIOS PROPOSTOS

 3) CALCULAR O VOLUME DE UM RESERVATÓRIO, SABENDO-SE QUE A VAZÃO


DE ESCOAMENTO DE UM LÍQUIDO É IGUAL A 5 L/S. PARA ENCHER O
RESERVATÓRIO TOTALMENTE SÃO NECESSÁRIAS 2 HORAS.

 4) NO ENTAMBORAMENTO DE UM DETERMINADO PRODUTO SÃO UTILIZADOS


TAMBORES DE 214 LITROS. PARA ENCHER UM TAMBOR LEVAM-SE 20 MIN.
CALCULE:
 A) A VAZÃO VOLUMÉTRICA DA TUBULAÇÃO UTILIZADA PARA ENCHER OS
TAMBORES.
 B) O DIÂMETRO DA TUBULAÇÃO, EM MILÍMETROS, SABENDO-SE QUE A
VELOCIDADE DE ESCOAMENTO É DE 5 M/S.
 C) A PRODUÇÃO APÓS 24 HORAS, DESCONSIDERANDO-SE O TEMPO DE
DESLOCAMENTO DOS TAMBORES.
EXERCÍCIOS PROPOSTOS

■ 5) UM DETERMINADO LÍQUIDO É DESCARREGADO DE UM TANQUE CÚBICO DE 5M DE ARESTA POR


UM TUBO DE 5CM DE DIÂMETRO. A VAZÃO NO TUBO É 10 L/S, DETERMINAR:
a) A VELOCIDADE DO FLUÍDO NO TUBO.
b) O TEMPO QUE O NÍVEL DO LÍQUIDO LEVARÁ PARA DESCER 20CM.

■ 6) CALCULE A VAZÃO EM MASSA DE UM PRODUTO QUE ESCOA POR UMA TUBULAÇÃO DE 0,3M DE
DIÂMETRO, SENDO QUE A VELOCIDADE DE ESCOAMENTO É IGUAL A 1,0M/S.
• DADOS: MASSA ESPECÍFICA DO PRODUTO = 1200KG/M³

■ 7) BASEADO NO EXERCÍCIO ANTERIOR, CALCULE O TEMPO NECESSÁRIO PARA CARREGAR UM


TANQUE COM 500 TONELADAS DO PRODUTO.
EXERCÍCIOS PROPOSTOS

■ 8) A VAZÃO VOLUMÉTRICA DE UM DETERMINADO FLUÍDO É IGUAL A 10 L/S.


DETERMINE A VAZÃO MÁSSICA DESSE FLUÍDO, SABENDO-SE QUE A MASSA
ESPECÍFICA DO FLUÍDO É 800 KG/M3.

■ 9) UM TAMBOR DE 214 LITROS É ENCHIDO COM ÓLEO DE PESO ESPECÍFICO


RELATIVO 0,8, SABENDO-SE QUE PARA ISSO É NECESSÁRIO 15 MIN. CALCULE:
a) A VAZÃO EM PESO DA TUBULAÇÃO UTILIZADA PARA ENCHER O TAMBOR.
b)O PESO DE CADA TAMBOR CHEIO, SENDO QUE SOMENTE O TAMBOR VAZIO
PESA 100N
c)QUANTOS TAMBORES UM CAMINHÃO PODE CARREGAR, SABENDO-SE QUE O
PESO MÁXIMO QUE ELE SUPORTA É 15 TONELADAS.
EXERCÍCIO PROPOSTO
• 10) OS RESERVATÓRIOS I E II DA FIGURA ABAIXO, SÃO CÚBICOS. ELES SÃO
CHEIOS PELAS TUBULAÇÕES, RESPECTIVAMENTE EM 100SEG. E 500SEG.
• DETERMINAR A VELOCIDADE DA ÁGUA NA SEÇÃO A INDICADA, SABENDO-SE
QUE O DIÂMETRO DA TUBULAÇÃO É 1M.
FLUIDOS E SUAS PROPRIEDADES FÍSICAS

• FLUIDO É QUALQUER SUBSTÂNCIA NÃO SÓLIDA, CAPAZ DE


ESCOAR E ASSUMIR A FORMA DO RECIPIENTE QUE O CONTÉM. OS
FLUIDOS PODEM LÍQUIDOS OU GASES.
CLASSIFICAÇÃO
• QUANTO AO ESTADO FÍSICO:
• - LÍQUIDOS: POSSUEM FORMA INDEFINIDA E VOLUME DEFINIDO.
• - GASES: POSSUEM FORMA E VOLUME INDEFINIDOS.
• NA PRÁTICA, PODEMOS DISTINGUIR OS LÍQUIDOS DOS GASES DA SEGUINTE FORMA: OS
LÍQUIDOS QUANDO COLOCADOS EM UM RECIPIENTE, TOMAM O FORMATO DESTE,
APRESENTANDO, PORÉM, UMA SUPERFÍCIE LIVRE, ENQUANTO QUE OS GASES PREENCHEM
TOTALMENTE O RECIPIENTE, SEM APRESENTAR QUALQUER SUPERFÍCIE LIVRE.
CLASSIFICAÇÃO

• QUANTO À VISCOSIDADE:
• - FLUIDO IDEAL OU PERFEITO: É UM FLUIDO IMAGINÁRIO, QUE APRESENTA VISCOSIDADE
NULA, HOMOGÊNEO E PERFEITAMENTE MÓVEL, OU SEJA, NÃO HÁ FORÇAS TANGENCIAIS DE
ATRITO ENTRE SUAS MOLÉCULAS. NA PRÁTICA, ESTE TIPO DE FLUIDO NÃO EXISTE.
• - FLUIDO REAL: SÃO TODOS OS FLUIDOS QUE REALMENTE EXISTEM. APRESENTAM
VISCOSIDADE POSITIVA, A QUAL VARIA EM FUNÇÃO DA TEMPERATURA. EXEMPLO: ÁGUA,
ÓLEO, GRAXA, MERCÚRIO, MEL DE ABELHA, BIOGÁS, MELAÇO DE CANA.
CLASSIFICAÇÃO

• QUANTO À COMPRESSÃO: COMPRESSÍVEIS (GASES) E INCOMPRESSÍVEIS.


• OS FLUIDOS INCOMPRESSÍVEIS MANTÉM VOLUME CONSTANTE COM O AUMENTO DA
PRESSÃO. A MAIORIA DOS LÍQUIDOS TEM UM COMPORTAMENTO MUITO PRÓXIMO A ESTE,
PODENDO, NA PRÁTICA, SEREM CONSIDERADOS COMO FLUIDOS INCOMPRESSÍVEIS.
• OUTROS ASPECTOS, COMO A INFLUÊNCIA DA TEMPERATURA NA VISCOSIDADE, POR EXEMPLO,
SERÃO ESTUDADOS A PARTE.
• NA ENGENHARIA, A MAIORIA DAS APLICAÇÕES O FLUIDO UTILIZADO É A ÁGUA.
PROPRIEDADES FÍSICAS DOS FLUIDOS

• MASSA ESPECÍFICA

É a razão entre a massa de uma substância pela unidade de volume que ela ocupa.

m ρ (rô): massa específica (kg m-3)


ρ= m: massa do fluido (kg)
V V: volume ocupado pelo fluido (m3)
Água (4ºC): 1000 kg/m3 Mercúrio (15ºC): 13.600 kg/m3
PROPRIEDADES FÍSICAS DOS FLUÍDOS

• PESO ESPECÍFICO
É a razão entre o peso de uma substância pela unidade de volume que ela ocupa.
γ (gama): peso específico (N m-3)
P
γ= P: peso da substância (N)
V V: volume (m3)

Água a 4,0 ºC (graus Celsius): γ = 9810 N m-3 = 1000 kgf m-3


1,0 kgf = 9,81 N

Observação:
F = m.a
P = m.g
RELAÇÃO ENTRE PESO ESPECÍFICO E MASSA
ESPECÍFICA
Como o peso (P) de uma substância é o produto de sua massa pela aceleração da gravidade
local, resulta a seguinte relação, entre peso específico e massa específica.

P
γ= γ: peso específico (N m-3)
V m: massa do fluido (kg)
m⋅g
γ= V: volume (m3)
V ρ: massa específica (kg m-3)
γ = ρ ⋅g g: aceleração da gravidade (m s-2) = 9,81 m s-2, ao nível do mar
EXEMPLO: UMA CAIXA DE 1,5 X 1,0 X 1,0 M ARMAZENA
1.497,5 KG DE ÁGUA. DETERMINE O PESO ESPECÍFICO DA
ÁGUA, EM N/M3 E KGF/M3. CONSIDERE G = 9,81 M/S2

3
14690,5 N γ= 9793,6 N/m
γ=
Peso = 1495,5 kg ⋅ 9,81 m s-2 1,5 m3 9,81 m s-2

Peso = 14690,5 N
γ = 9793,6 N m3 γ = 998,3 kgf m3
DENSIDADE RELATIVA
É a razão entre a massa específica de uma substância e a massa específica de uma substância de
referência, considerada padrão. Para substâncias em estado líquido ou sólido, a substância de referência
é a água. Para substâncias em estado gasoso a substância de referência é o ar.
Adotaremos a água à temperatura de 4,0ºC, como substância padrão.
d: densidade relativa ou densidade (adimensional)
ρfluido
d= ρágua a 4ºC = 1,0 g cm-3 = 1000 kg m-3
ρágua ρmercúrio = 13,6 g cm-3
EXEMPLO

Um reservatório de glicerina possui massa de 1,2 t e volume de 0,952 m3. Determine a densidade
relativa da glicerina.

1200 kg 1260,5 kg m−3


ρ= d=
0,952 m3 1000 kg m −3
ρ = 1260,5 kg m−3 d = 1,2605
VISCOSIDADE

• É A RESISTÊNCIA DOS FLUIDOS AO ESCOAMENTO, DEVIDO AO ATRITO ENTRE SUAS


MOLÉCULAS. É UMA PROPRIEDADE DOS FLUIDOS SE RESISTIREM AO CISALHAMENTO INTERNO,
ISTO É, A QUALQUER FORÇA QUE TENDA A PRODUZIR O ESCOAMENTO ENTRE SUAS
CAMADAS
• A VISCOSIDADE INFLUENCIA NO ESCOAMENTO, NOTADAMENTE NAS PERDAS DE PRESSÃO
DOS FLUIDOS. ELA DEPENDE DA TEMPERATURA E DA NATUREZA DO FLUIDO. ASSIM, QUALQUER
VALOR DE VISCOSIDADE DE UM FLUIDO, DEVE SER ACOMPANHADO DO VALOR DA
TEMPERATURA. NOS LÍQUIDOS, A VISCOSIDADE DIMINUI COM O AUMENTO DA TEMPERATURA
(TABELA 2).
Tabela 2 - Propriedades físicas da água doce, à pressão atmosférica (g = 9,81 m/s2)

Temperatura Peso Massa Viscosidade Viscosidade cinemática Tensão


superficial Pressão de Módulo de
(ºC) específico específica dinâmica (m2 s-1) centistoke vapor elasticidade
(kgf m-3) (kgf m-4 s) (kgf m-2 s) (kgf m-1) (mca) (kgf m-2)
0 999,9 101,93 181.10-6 1,78.10-6 1,78 0,00771 0,062 1,99.108
-6 -6
4 1000,0 101,94 160.10 1,57.10 1,57 0,00766 0,083 -
-6 -6
10 999,7 101,91 134.10 1,31. 10 1,31 0,00757 0,125 2,09.108
-6 -6
20 998,2 101,75 103.10 1,01. 10 1,01 0,00743 0,239 2,18.108
-6 -6
30 995,7 101,50 84.10 0,83.10 0,83 0,00726 0,433 2,20.108
-6 -6
40 992,2 101,14 67.10 0,66.10 0,66 0,00710 0,753 2,21.108
-6 -6
50 988,1 100,72 56.10 0,56.10 0,56 0,00690 1,258 2,22.108
-6 -6
60 983,2 100,22 47.10 0,47.10 0,47 0,00676 2,033 2,23.108
-6 -6
80 971,8 99,06 37.10 0,37.10 0,37 0,00638 4,831 -
-6 -6
100 958,4 97,70 28.10 0,29.10 0,29 0,00601 10,333 -
Fonte: BOTREL, T. A., Departamento de Engenharia Rural da ESALQ-USP, 2009.
Representação da viscosidade. Ex: água escoando

Força de cisalhamento (F):


dV
F = µ⋅A⋅
dZ
Em que:
µ (mi): coeficiente de proporcionalidade (viscosidade dinâmica), N.s/m2
dV: diferença de velocidade entre as duas camadas, m/s
dZ: distância entre as camadas, m
A: área, m2
VISCOSIDADE DINÂMICA

É a força por unidade de área, necessária ao arrastamento de uma camada de um fluido em


relação à outra camada do mesmo fluido. É expressa em N s m-2.
- Água a 20°C: µ = 1,01.10-3 N.s/m2 ou 1,01.10-3 Pascal.s
O símbolo utilizado para indicá-la é a letra grega "µ" (mi).
VISCOSIDADE CINEMÁTICA (V)

É a razão entre a viscosidade dinâmica e a massa específica do fluido. É expressa em m2/s.


µ
v=
ρ
- Água a 20°C: v = 1,01.10-6 m2/s
COESÃO, ADESÃO, TENSÃO SUPERFICIAL, ÂNGULO
DE CONTATO E CAPILARIDADE
• Coesão: é a força de atração entre as moléculas do próprio líquido.
Ex: mercúrio em superfície de madeira, água em superfície encerada.

• Adesão: é a força de atração entre moléculas do líquido e do sólido com o qual estabelece contato.
Ex: álcool na palma da mão (se espalha)

Representação da coesão e da adesão (ângulo de contato > 90º e < 90º)


• Tensão superficial (σ): é o trabalho por unidade de área (Joule/m2 ou N m-1), necessário para trazer
as moléculas internas à superfície ou para distender a superfície de um líquido. Atua como se fosse
uma película na superfície dos líquidos, por exemplo, na interface da água com o ar.
Quanto maior a temperatura, menor é a tensão superficial.

Representação da tensão superficial


• Ângulo de contato: é o ângulo (θ), em graus, formado entre o plano tangente à superfície de um
líquido e o sólido de contato.
Exemplos:
- Água pura em copo de vidro: superfície de H2O se encurva para cima, próximo à parede do copo.
- Mercúrio em copo de vidro: a superfície do Hg se encurva para baixo (θ = 148º).

Se adesão > coesão: θ < 90º, superfície côncava Se


coesão > adesão: θ > 90º, superfície convexa.
• Capilaridade: é a propriedade de determinados líquidos subirem em tubos capilares. No caso da
água, ela ocorre quando as forças de adesão são maiores que a coesão entre as moléculas de H2O.
Exemplos: Subida da água em tubos capilares de vidro; do querosene em pavio de lamparina; de
refrigerante em canudinhos.

h: variação de nível (m)


o (sigma): tensão superficial (N m-1)
θ (teta): ângulo de contato (º)
ρ (rô): massa específica (kg m-3) g:
aceleração da gravidade (m s-2) r:
raio do capilar (m)

Representação da capilaridade

2 ⋅σ ⋅cosθ
h=
ρ⋅g⋅r