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JOSÉ MLARILO D 1‹; ‹tz\R\fz\1 ,1 lo

A FORMAÇÃO
. QQ; ó

DAS ALMAS
o 1MA‹;1NÁR1‹› DA REPúBL1‹:.~\ No màxsll
N. Chlm.: 981.05 C33lf2008
Titulo: A formação das alnws z u
imaginário da República no Brasil .

1045382 Ac. 20I3I(› ä


Ex.l UEMG SW

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II-""

_
ÍNDICE

Agradecimentos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Utopias republicanas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
As proclamações da República . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Tiradentes: um herói para a República . . . . . . . . . . .
República-mulher: entre Maria e Marianne . . . . . . .
Bandeira e hino: o peso da tradição . . . . . . . . . . . . . .
Os positivistas e a manipulação do imaginário . . . . .
«Concleusão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Notas | Q Q Q O 0 O 0 I Q Q I I I Q I 0 O 0 0 I I I O U u Q I u U Q n U o Q Q 0 Q

das ilustrações . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

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Pv'

¡NrRoDuçÃo

Estudo anterior sobre a implantação da República mostrou a nula


participação popular em sua proclamação e a derrota dos esforços de parti-
cipação nos anos que se seguiram.' Mas permaneceram comigo algumas
indagações. Teria o novo regime se consolidado apenas com base na força
do arranjo oligárquico? Não teria havido, como acontece quase sempre,
tentativas de legitimação que o justificassem, se não perante a totalidade da
população, pelo menos diante de setores politicamente mobilizados? Em
caso positivo, qual teria sido esse esforço, quais as armas utilizadas e qual
o resultado?
O instrumento classico de legitimação de regimes políticos no mundo
moderno é, naturalmente, a ideologia, a justificação racional da organização
do poder. Havia no Brasil pelo menos três correntes que disputavam a defi-
nição da natureza do novo regime: o liberalismo a americana, o jacobinismo
ã francesa, e o positivismo. As três correntes combateram-se intensamente
nos anos iniciais da República, até a vitória da primeira delas, por volta
da virada do século.
Embora fundamentalmente de natureza discursiva, as justificativas
ideológicas possuíam também elementos que extravasavam o meramente
discursivo, o cientificamente demonstravel. Supunham modelos de repú-
blica, modelos de organização da sociedade, que traziam embutidos aspec-
tos utópicos e visionários. .No caso do jacobinismo, por exemplo, havia a
idealização da democracia clássica, a utopia da democracia direta, do go-
verno por intermédio da participação direta de todos os cidadãos. No caso
do liberalismo, a utopia era outra, era a de uma sociedade composta por
individuos autônomos, cujos interesses eram compatibilizados pela mão
invisivel do mercado. Nessa versão, cabia ao governo interferir o menos
na vida dos cidadãos. O positivismo possuia ingredientes utópicos
mais salientes. A república era ai vista dentro de uma perspectiva
que postulava uma futura idade de ouro em que os seres hu-
triam plenamente no seio de uma humanidade mitificada.

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_ . ~ 5 fg ublicanas permaneciam
C om o discurso.
~ ` 35
l das elites educadas.
'dcologm P M as seja
' pelg pmpr.
enclflusu-
fadas no fechado clrtu 0 tos utópicos elas acabzvz IO con'
tendo do discurso. sejfl Pelos-elemen d das elites acaba dm por post”
lar a saida do fechado 6 fffimo m.un O l i 'dvam «p-Or delfnder
cada uma a sua maneira, o envolvimÊ_nt(.) polm af nã-Vl a p°l1UCa. Este era m-

Cffläflli'
nte o caso dos jacobifl05› da Republica,
aula essa
iiisplraçaø revolução
“eta Ef21 a era 0 exe
RevoluÇão
o ular na arena publica. .
Era também z de
Francesa. A ép0Cfi da Pmflamaçãø , _
. -vistas ortodoxos. Embora em principm CO n-

P lo mais poderoso de expl0Sã0 P P o


certo modo, o. caso dos positi.
olucionários,
o tinham
. a Revolução de 1739 com
trários a movimentos rev
marco na historia da humanidade e sua visao da sociedade ideal era çgmum
tária e incorporadora. Em menord escala, o modelo
articipaçao. Por liberal poderia
permitirem, outambém
mesmo
p ideologias são aqui discutidas (Ca Pl*.
incluir exigências de ampliaçao a as
exigirem, tal transbordamento,
tulo 1). 2-e ite,
O e x travasamento das visões de república para o mundo extr 1
- i que me interessarag d'
ou as tentativas de operar tal extravasamento
por meio doédiscurso, ' inaces '
~ ire-
tamente. Ele nao poderia ser feito ' - ' ria de ser
- feito med'
público com baixo nivel de educação formal Ele teas` ima 86115, as ale 80rias,
acil, como '
' ' -
sinais mais universais, de leitura mais f' ' ' lante
aÇfl0 dos jacobi nos
os simbolos, os mitos - De fato . u m exame preliminar
' da "
e positivistas já me tinha revelado o emprego de ta' '
temente sob inspiração francesa. As descrições d ls' Instrumentos, freqüen'
ao costume dos republicanos brasileiros de canta epoca trazem referências
Pfefieflfflfflm a República com o barrei f - . .Mem a Mafselheffl, de re-
luta
_ _ dos posit-ivistas
- pela nova bandeiraEe. 1`1810;
Søbl. informam
d, tamb'em sobre A
niçao do panteão cívico do novo regim e. 6 a isputa em torno da defi '
AP1'0fl1ndando a investiga
' ° ão - - .
alegorias rt _ rances, também houve entre ni a em escala me'
uma bmzuläl EE1ia:-ilgrante. das batalhas ideológica :S (lšiltalha de simbolos e
- - . 0 da imagem do novo regime › CU121 finalidade
P _ 1f1_Ca. era atin-
Tratziva-se de
8” °*m381nário P0Pular para recr' OS valores republicanos. A
- iá-lo dentro d
maglnário popular fepllblicang será o tema central deste livro.
pelo 1 .
A
A elabora
quê! rzegime Wlítico
. g"'á“° É Parte in tegrame da legitimação
. .
de qual-
_ -É por meiod ' -
mas de m . ° lmflginár'
i ¿euod° especlali 0 coraÇão isio que se P0d€m atingir não só
im v°' Cledades
É Ilele que ag: S00. definem suas
é' as a3PÍ1'6ÇÕeS, identi-E
os medos
qm; . E iffem Seus inim- _
“á"° 5°Cial é conlšiliiiärganlzam seu passado, presente
mas também -- e é O e se eXP1`€SSa por ideologiaS 6
mitos. _Si.¡-nboloz que_aql1Í me interessa --' p0f
°@d¡£iCad~a i torenar-se
mltoselementos
podem, por seu caráíef
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É _

I- [I-_

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tenham exito em atingir ‹› irnâijiinárm, podt-m tarribern plasmar vis‹'›es de
mundo e modelar c‹mdutzt\.'
/\ fllallipttlatçzlii do im;iginâiri‹› sm izil I- partir ularrnemi- irnportantf- em
momentos de mutlzmçzi polltitzi v siitial, em m‹›rn‹~nt‹›s di- ri-d‹-finição de
identidâttles txiletivas. Não foi por acâtsu que a R‹°v‹›l|içã‹› f*`ran‹ esa, em suas
vtiriâts fases, tornou-se um exemplo clássico de tentativa de manipular os
sentimentos coletivos no esforço de criar um novo sistema p‹›litic‹›_ uma
nova sociedade, um homem novo. Mirabeau disse-o com clareza: não basta
mostrar a verdade, e necessario fazer com que o povo a ame, e necessário
apoderar-se da imaginação do povof' Para a Revolução, educação pública
significava acima de tudo isto: formar as almas. Em l792, a seção de propa-
ganda do Ministério do Interior tinha exatamente este nome: Bureau de
l`Esprit.
A atuação de David, como pintor, revolucionário e teórico da arte,
é o melhor exemplo do esforço de educação cívica mediante o uso de sim-
bolos e rituais. À época da Revolução, o pintor já se tornara um dos prin-
cipais representantes do classicismo, especialmente por sua tela O jura-
mento dos Hordcios. Para ele, no entanto, classicismo não era apenas um
estilo, uma linguagem artística. Era também uma visão do mundo clássico
como um conjunto de valores sociais e políticos. Era a simplicidade, a no-
breza, 0 espirito cívico, das antigas repúblicas; era a austeridade espartana,
a dedicação até o sacrifício dos heróis romanos. O artista devia usar sua arte
para difundir tais valores.5
Em 1792, o pintor fora eleito membro da Convenção e participava da
Comissão de Educação Pública e de Belas-Artes. Envolveu-se profunda-
mente no esforço de redefinir a política cultural, reformar os salões artis-
ticos, produzir símbolos para o novo regime. Foi ele quem desenhou a ban-
deira tricolor e organizou o grande ritual da Festa do Ser Supremo em 1794.
Presidiu ao comitê escolhido pela Convenção para indicar o júri que iria
atuar na exposição de 1792. Nessa condição, apresentou à Convenção um
relatório (se não redigido, certamente influenciado por ele) em que se esta-
beleciam as novas diretrizes para os artistas e as novas idéias sobre a natu-
reza e o papel da arte. O relatório dizia: ' “As artes são imitação da natureza
nos aspectos mais belos e mais perfeitos; um sentimento natural no homem
o atrai para o mesmo objetivo' °. Continuava afirmando que as artes deviam
inspirar-se em idéias grandiosas e úteis. Seu fim não era apenas encantar os
olhos mas, sobretudo, contribuir poderosamente para a educação pública
penetrando nas almas. Isso porque ' 'os traços de heroísmo, de virtudes ci-
vicas, oferecidos aos olhos do povo, eletrificam suas almas e fazem surgir as
paixões da glória, da devoção à felicidade de seu país' '.° O pintor da Revo-
lução foi talvez o primeiro a perceber a importância do uso dos símbolos
na construção de um novo conjunto de valores sociais e politicos.

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ntklãniflflifl “ G'
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A vasta produção simbólica da Revolução Ó por demais Conhecid
Ela passa pela bandeira tricolor e pela /l/larse//)esa,_tão carregadas de Omã
ção; pelo barrete frigio, simbolo da liberdade; pela imagem feminina Q 9,4,
,árvore da liberdade; pelo tratamento por cidadão, de enorme førça ¡gUa`hd
im-iii; pelo calendário revolucionário iniciado em 1792, esforço de marcar (c
inicio de uma nova era; pelas grandes festas cívicas como as da p¿,d€raÇã(›
1794, randes ocasiões de comunhã0 CíV¡Ca›
em 1790 e do Ser Supremo em g
' d vários simbolos e alegorias menores. , com‹J
Poder-se-iam acrescentar ain a .
'
a balança, o nive , l o feixe , o leme, a lança, o galo gaulês, o leão etc. Com
maior ou menor aceitação, esses símbolos foram exaustivamente utilizados,
não tendo sido menos hostilizados pelos inimigos da Revolução. Uma ver-
dadeira batalha de simbolos, em busca da conquista do imaginário social.
travou-se ao lon g o de quase um século de história, ao sabor das ondas revo-
lucionárias de 1789, 1830, 1848 e 1871 e das reações monárquicas Q mn-
servadoras.
Os repu bl'ic anos brasileiros que se voltavam para a França como seu
modelo tinham á disposiçao," portanto, um ri'co material em que se inspiraf_
` ' ' era facilitado pela falta de competi-
O uso dessa simbologia revolucionaria
ção por parte da corrente liberal, cujo modelo eram os Estados Unidos. Esta
não contava com a mesma riqueza simbólica a sua disposição. Por razões
que não cabe aqui discutir, talvez pela menor necessidade de conquistar o
coração e a cabeça de uma população já convertida aos novos valores, a
revolução americana foi muito menos prolífica do que a francesa na produ-
ção de símbolos revolucionários. Além disso, não interessava muito á cor-
rente “americana” promover uma república popular, expandir alem do
mínimo necessário a participação política. Limitava-se á batalha da ideolo-
gia; quando muito, insistia em sua versão do mito de origem do novo re-
gime e nas figuras que o representavam: uma briga pelos fozmding fathers.
Desse modo, o campo ficava' '
quase livre ` das correntes
para a atuaçao
francesas.
Entre os propagandistas, o entusiasmo pela França era inegável. A
' ' S`lva
P roximidade do centenário da revolução de 1789 só fazia aumenta-lo. 'l i la-
Jardim P regava abertamente a derrubada do Antigo °Regime ' no' Brasifuzila-
i
zendo-a coincidir com o centenário. Não se esquecia de incluir
' o nado
mento do conde [)›Eu, o francês, a quem destinava o papel do infortu
“' 0 d.121
Luís XVI numa réplica tropical do drama de 1792. O entusiasmo nao P
'I
- ' rec0f'
ser mellwf @XP1'€SS0 (10 que nas palavras de um oficial da Marinha,iraçõesi
dando em 1912 05 Í€mP0S da propaganda: “Todas as nossas HSP _
f to c0P1a'
md” 35 P1'€0Cupações dos republicanos da propaganda, eram de 21 ,
das das tradições francesas ° Falávamos na França bem-amada s na influëflfila
' ' 35 felem'

da cultura ffafiC€Sflz nas menores coisas das nossas lutas politic - de


brá ° e sabiarn05
co Vam°S H (frança. A Marselhesa era nosso hino de guerra, l_ ,i
r os episó ios da Srande revoluçao.
~ Ao nosso brado ‹ Viva- a REP i'ib 163-

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Sêguia-Se quase sempre o de 'Viva a Françal`. A França era a nossa
guiadora, dela fal;'ivaiiios sempre e sob qualquer pretexto' 'Í
Não só a /'lfl‹¡r.i'e//.›e.i'iiz era tomada de emprestimo. A alegoria feminina
da República já era utilizada mesmo antes da proclamação; o barrete frigio
aparecia invariavelmente, isolado ou cobrindo a cabeça da figura feminina;
o tratamento por cidadão foi adotado - cidadão presidente, cidadão minis-
Im. C¡<l1iklÍÍ0 general ~, substituindo o solene, imperial e católico “Deus
guarde Vossa Excelência” da correspondência oficial; foi introduzido o
“Saúde e Fraternidade".“ Nesse esforço, salientavam-se jacobinos e positi-
vistas, os últimos com a especificidade que os marcava e que tinha a ver
com a visão histórica, filosófica e religiosa de Auguste Comte, e com sua
concepção da estratégia politica a ser adotada no Brasil para promover as
transformações sociais. Ambos os grupos se mostraram conscientes da
importância do uso dos simbolos e dos mitos na batalha pela vitória de sua
versão da república.
A tarefa que me proponho agora é discutir mais a fundo o conteúdo
de alguns dos principais simbolos utilizados pelos republicanos brasileiros e,
na medida do possivel, avaliar sua aceitação ou não pelo público a que se
destinava, isto é, sua eficácia em promover a legitimação do novo regime.
A discussão dos símbolos e de seu conteúdo poderá fornecer elementos
preciosos para entender a visão de república que lhes estava por trás, ou
mesmo a visão de sociedade, de história e do próprio ser humano. Ela pode
ser particularmente importante para revelar as divergências e os conflitos
entre as distintas concepções de república então presentes. A aceitação ou
rejeição dos símbolos propostos poderá revelar as raízes republicanas pre-
existentes no imaginário popular e a capacidade dos manipuladores de sim-
bolos de refazer esse imaginário de acordo com os novos valores. Um sim-
bolo estabelece uma relação de significado entre dois objetos, duas idéias,
ou entre objetos e idéias, ou entre duas imagens. Embora o estabelecimento
dessa relação possa partir de um ato de vontade, sua aceitação, sua eficácia
política, vai depender da existência daquilo que Baczko chamou de comuni-
dade de imaginação, ou comunidade de sentido.° Inexistindo esse terreno
comum, que terá suas raizes seja no imaginário preexistente, seja em aspi-
rações coletivas em busca de um novo imaginário, a relação de significado
não se estabelece e o símbolo cai no vazio, se não no ridículo.
Entre os vários símbolos, alegorias e mitos utilizados, foram selecio-
nados alguns que pareceram mais evidentes e mais capazes de jogar luz
sobre 0 fenômeno da República e de sua implantação. Cada um será objeto
de um capitulo á parte. O capítulo 2 discutirá o mito de origem da Repú-
blica A criação de um mito de origem é fenômeno universal que se verifica
não só em regimes políticos mas também em nações, povos, tribos, cidades.
Com freqüência disfarçado de historiografia, ou talvez indissoluvelmente
nela enredado, to mito de origem procura estabelecer uma versão dos fatos,
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ii sentido e legitimidade à giruação ven
"ql ou Imfifi' midi. 111" . _ eg, ii mito
- estabele ced or
`
.Ir novos rigim
_' ` I .
Cera 3 verdad 2.
No isso da «rias ‹ ` w 1,, do passado ou da op‹r_e¡çã0_ S` e da
. ~ -cdoftl umlfil I* fi. . . ( nã
um os fatos adquirirãii. na versão m¡r,¡,¿.ada di äri
nhertaiiirnte disiiirii nsiiiisslii dii ideia de des‹'IahiIida‹I‹- i--(|,. ,U _ "lffn
sñcs II'f“|`"'d" ii "O i distorÇã0 .sofrerão as P<'rs‹›naite A p0rmrld@‹l‹›
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lim”
. . indiçw
~ n ' i i - ' am d e i'ma em e m o d e l o "-ir ~
ci\'it¬n e salientar ÍlR\|f35 que flw Para os mi_-mim F
.¿ ¿ _ Embora heróis possam ser iguras totalmente mii‹›lor¿,¿,-'
da comum a c M
nos te m P0.s modernos ~são pessoas reais. as o_ processo de h¿.¡0¡¡¡Caçãr H
)
inclui necessariamente a transmutação da figura real, a fim de town
urquetipo de valores ou aspirações coletivas. Há tentativas de construção da
heróis que falham pela incapacidade da figura real de permitir tal transfor-
mação. Há situações em que a mesma figura pode apresentar diferem?
imagens de herói para diferentes setores da população, como é 0 Caso ãs
Abraham Lincoln nos Estados Unidos. Para a população negra E da Coste
leste em geral, Lincoln é o herói-salvador do povo, o mártir. Para 0 mma
oeste e o oeste, ele é o herói-conquistador, o desbravador, o homem dg
fronteira.” Por ser parte real, parte construido, por ser fruto de um pm
cesso de elaboração coletiva, o herói nos diz menos sobre si mesmo do que
sobre a sociedade que o produz.
Uma das mais populares alegorias da República na França foi a figura
feminina. A inspiração foi, sem dúvida, buscada na Antiguidade gre a
. . . _
romaria, em que divindades femininas representavam idéias valores Êeu
e
timentos. Palas Atena era a deusa da sabedoria, na guerra óu na pai
.
detido aparecer também como a deusa da vitória; . Afrodite era o amor, ai fer-
P9'
ällidade, a beleza; Ceres, a deusa das colheitas e da abundância “ Os repu-
canos braêileiros
simbolo ' ° ° '
tentaram .utilizar - . A aceitação
a mesma simbologia. ' . do
na 1`aflÇa e sua rejeiçao no Brasil permitem, mediante a compa-
ão Pge¿°flÍffi-Sie.
bfíiçcas r .
€SC1arecer aspectos das duas sociedades e das duas repú-
- esse o tema do capitulo 4.
Modem
obrigatório -
coamentfi, alguns simbolos .
nacionais se tornaram de uso quaS€
v 010 8 andeira e o hmo. Tornaram-se identificação oficial de
mlses. Mas tudu
gr l fl' eles P°5§U€lTl uma história, nem sempre pacífica, QUHSÊ
. . . sem ao nasc¡m°m°
Algumas bandeiras da naÇã0iescaparam
e hinos Seja á implantação
mesmo às defronteiras
um fe'

i taímça d° 5Íml>0lismo que encarnavam. A época da Pf°Cl“


,em esse 0 Caso da Marselbesa, símbolo nao ~ S ó da
"A Moda fev°l“€ã0› de todo movimento libertário 110
°5 9 bflndeiras constitui, assim, outro instrfl
.
P *C-°flfeúdo valorativo ou mesmo ideo lÓg1C°

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de regimes politicos, se não de sociedades inteiras. A discussão da bandeira
e do hino será feita no capitulo 5.
Finalmente, uma vez que foram os positivistas ortodoxos os mais arti-
culados manipuladores de símbolos do novo regime, superando na organi-
zação e na perseverança os jacobinos, será a eles dedicado um capitulo á
parte. Portadores de uma visão de mundo integrada, que incluía um cÓdi80
operacional e uma tática politica bem definida, os ortodoxos foram os que
melhor entenderam a importância da manipulação simbólica na reconstru-
ção do imaginário social. Sua inspiração numa filosofia em muitos. P0fif°5
alheia à cultura nacional, de um lado, e sua ênfase no valor da tradição, de
outro, contribuiram para que sua ação fosse um misto de êxitos e fracassos.
Tornam-se nítidas, ai também, a limitação do voluntarismo na manipulação
do imaginário e a importância da comunidade de sentido.

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1
UTOPIAS
REPUBLICANAS*

A conferência pronunciada por Benjamin Constant em 1819, no


Athenée Royal de Paris, pode servir de ponto de partida para a discussão
dos modelos de república existentes ao final do século XIX. Intitula-se
“Da liberdade dos antigos comparada à dos modernos”. Nela o termido-
riano Constant, inimigo dos jacobinos mas também de Napoleão, atribuia
os males da Revolução de 1789 à influência de filósofos como Mably e Rous-
seau, defensores de um tipo de liberdade que não mais se adaptaria aos
tempos modernos.' A liberdade por eles defendida, e adotada pelos jacobi-
nos, era aquela que caracterizara as repúblicas antigas de Atenas, Roma e,
especialmente, Esparta. Era a liberdade de participar coletivamente do go-
verno, da soberania, era a liberdade de decidir na praça pública os negocios
da república: era a liberdade do homem público. Em contraste, a liberdade
dos modernos, a que convinha aos novos tempos, era a liberdade do homem
privado, a liberdade dos direitos de ir e vir, de propriedade, de opinião,
de religião. A liberdade moderna não exclui o direito de participação poli~
tica, mas esta se faz agora pela representação e não pelo envolvimento di

(') Versão modificada deste capitulo foi publicada sob o titulo “Entre a liberdade dos
antigos e a dOs modernos: a República no Brasil”, em Dados. Revista de Ciências Sociais,
vol. 32. n9 3 (1989). PP- 265°30-
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lvimento
do comercio e da indústria não permitia mas
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tica tem por funçao d aisliberdade
garantir tipos de c_ivi
liberdade,
. que
- e também
. z Qposição
A oposição entre os 0 _
entre duas maneiras de conceber a organização
l ão Americana de politica
1776, queda optou
sociedade-_
claramemesteveC'
presente também na Revo uç
pela liberdade dos modernos. e
oltasOs
com republicanos
o problema brasileiros
de justificarque no ¡¡na¡
o novo feg¡mdo
seculo passado se viam as v Q

não podiam esc p a ar de tal debate . Os temas do interesse do individuo


Q
Q d
'd dania, encarnados na ideia de república 6513,,
grupos, da nação, da ci a .

no centro das p reocupações dos construtores da República brasileira C0. os


e
pais exportador de mat ria p ` s- rimas e importador de ideias e instituições
' e
modelos de república existentes na Europa e na América especialmeni
nos Estados Unidos e na França ' serviriamsde referência
modelos Íor constam °
e aosdbra-
sileiros. Esse capitulo discutirá como esse icana.
adaptados às circunstâncias locais pela elite politica repu[:1r°n Interpreta Os e

As Duas uBERDADEs
O conceito de república era am
~ g¡.m¿e república moderna › a dos
mm, bÍ8\10 para Unidos
E stados os ƒoim d'
damg fatbers . da
América Como
pri-

muitgdlmn“{nf)bt::vX¡;i¡Êäf;1;êã;>E‹:I› conceito seaplicara a formas de governo

jmb
05 reis; aos Paises Bgäb: qlretälrg Senad° Vl¡a1ÍCi0; a Roma.
que tinha aristocracia e mon; ' 2 am jmtireza hereditária? A
¢0m0 governo da lei qma. Republica podia significar
fundadoms ' onea governo popular.
Sfflflde maioria De uma
deles: a basecoisa.
filo-
.-1....-iÊ: Í:i¡:t°:rne::ë›ü:dl>8§e do novo pacto poli-
ide Hume em a bm làflqllal, da busca da feli-
tmdos os bom G e inspiração comum de
i ens eram velhacos tknaivsl
:°d¡I-Ê10 a seus interesses pessoais
e hberdade Que se adaptava per
n°d°m°$ COIIIO descrita por Benjamin
'hs paixões, ou no máximo o
-° da virtude no sentido

colocava dificuldades
mais comum foi a de
individuais.

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como na famosa fórmula de Mandeville: vicios privados, virtude pública.
Para explicar o fato inegável de que algumas pessoas em certas circunstân-
cias eram movidas por razões outras que o simples interesse material, Ha-
milton recorreu ainda a outra paixão: o amor da gloria e da fama. Esse amor
poderia combinar a promoção do interesse privado com o interesse público.
De qualquer modo, o que aparece em Ofederalista, como observou Stourzh,
e a visao de uma nação sem patriotas, ê a visão de uma coleção de individuos
em busca de uma organização política que garantisse seus interesses. Não
ha identidade coletiva, sentimento de comunidade ou de pátria.
Sem se discutir se era correta a visão da ausência de identidade coletiva
entre os habitantes das Treze Colônias, a ênfase no individuo levou os fun-
dadores a se preocupar particularmente com os aspectos organizativos da
nova sociedade. Se não havia laços afetivos de solidariedade, tornava-se
mais dificil, com base apenas no calculo do interesse, fundar a nova socie-
dade politica. Como observa Hannah Arendt em On revolulion, no caso
americano a verdadeira revolução já estava feita antes da independência. A
revolução era a nova sociedade que se implantara na América. Coube aos
fundadores promover a constitutio libertatis, a organização da liberdade,
mais do que fazer a declaração da liberdade. Talvez por isso, ainda segundo
Hannah Arendt, a Revolução Americana tenha sido a única que não devo-
rou seus filhos, tenha sido a de maior êxito em se institucionalizar. O con-
traste com a Revolução Francesa é nítido. Nesta, predominou a declaração
da liberdade em prejuízo de sua ordenação. Nos Estados Unidos, Montes-
quieu era o autor mais importante; na França, era Rousseau. A separação
dos poderes como garantia de liberdade, a duplicação do Legislativo como
instrumento de absorção das tendências separatistas e a força dada a Su-
prema Corte como elemento de equilíbrio foram inovações institucionais
responsáveis, em boa parte, pela durabilidade do sistema americano. Vere-
mos adiante o apelo que tais inovações na engenharia política teve para
alguns republicanos brasileiros.
Outro modelo Óbvio de república era 0 francês. As repúblicas da
América Latina ou eram consideradas simplesmente derivações do mo-
delo americano, ou não se qualificavam como modelos devido à turbu-
lência política que as caracterizava. Dizer modelo francês e incorreto: havia
mais que um modelo francês, em decorrência das vicissitudes por que pas-
sara a república naquele país. Pelo menos a Primeira e a Terceira Repú-
blicas francesas constituíam pontos de referência, naturalmente para pú-
blicos distintos.
A imagem da Primeira República se confundia quase com a da Revo-
lução de 1789, da qual se salientava principalmente a fase jacobina, os as-
pectos de participação popular. Isto é, a fase que mais se aproximava da
concepção de liberdade ao estilo dos antigos, segundo Benjamin Constant.
Era a república da intervenção direta do povo no governo, a república dos

19

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'_`“`N.ç do (Íomitê de Salvaçílo Pú~
. uianil ` ¿
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Onpiliação entre
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b¡¢ fm , se 9**undo ele. 080 f€50 ° QUÊ tm ' ha pouca liberdade.
. _ . _ pelo lmpéI'10¬
que tinha pOLlC0 _ . 80* emo . nem
. ' ' ais reocupações dos ho-
Tornar a Republica . goverriav
- el era uma (1215 PI`1flC1P_
s republicanosP brasi,I eiros,
. C ons-
mens ~ da Terceira Republica ' ~Mas, ~ Pfiffl 0
~ pois ' estava por demais - ligado
- a.
'
tam não poderia ser fonte de inspiraçao,
tradição imperial. _
O modelo da Terceira República, ou melhor, uma variante dele, che-
gm, 30 Brasil por intermédio principalmente dessa curiosa raça de pensa-
dores que foram os positivistas, de aquém e de além-mar. A transmissão foi
facilitada pela estreita ligação que tinham os positivistas franceses com os
politicos da Terceira República, alguns deles positivistas declarados, como
Gambetta e Jules Ferry, do chamado grupo dos ° “oportunistas” `. A propria
expressão “oportunista” fora cunhada por Littré, o lider dos positivistas
não-ortodoxos. Um dos pontos centrais do pensamento politico dos positi-
vistas, expresso na divisa “Ordem e Progresso' ' , era o mesmo de Benjamin
Constant, isto é, tornar a República um sistema viável de governo, ou, na
frase de Jules Ferry: “La République doit être un gouvernement ° ° Í'
Havia divergências quanto à maneira de tornar a República um go-
verno. Dentro do próprio positivismo, havia os ortodoxos do grupo de Lai-
ñtte, que não aceitavam o parlamentarismo adotado pela Constituição Fran-
cesa de 1875 e se impacientavam com a demora no rompimento das relaçõ€S
em" 3 Í8I'€ia e o Estado e com a timidez das politicas educacionais. OS
ortodoxos ainda adotav am a idéia de ditadura republicana desenvolvida p0 r
§:Lm°_o BYUPO de Littré aceitava o parlamentarismo, tendo ele prÕpfi0
ele” 5°1Wl01'. 8 admitia compromissos em torno de questoes ~ impor -
Imã,
° das f°lflÇÕ€S entre o Estado e a Igreja, em nome do oportu
. isto é, em termos positivist -
a V P s _ _ as, em nome da necessidade de aguflf
amem' . $°°¡°¡Ô81C0
R adequado
C todosse _ ° P ar a intervir.
'
.. De qualquer m0d0
Max
' m5Pl1'flVflm politicamente no Appe
'__'-_"*-t-1-.

20

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C0f2Sefvateur.r que Comte publicara em 1855. Nesse texto, o conceito de
conservador provinha de sua visão particular da Revolução, que procurava
fugir, de um lado, ao jacobinismo robespierrista, rousseauniano, chamado
de metafísico, e, de outro, ao reacionarismo do restauracionismo clerical.
Era conservador, na visão de Comte, aquele que conseguia conciliar o pro-
gresso trazido pela Revolução com a ordem necessária para apressar a tran-
sição para a sociedade normal, ou seja, para a sociedade positivista baseada
na Religião da Humanidade.
O ponto importante em que a ortodoxia positivista se separava das
idéias de Benjamin Constant era a rejeição do governo parlamentar. A di-
vergência era relevante para os republicanos brasileiros. Comte tirara sua
idéia de ditadura republicana tanto da tradição romana como da experiência
revolucionária de 1789, essas duas, aliás, também relacionadas. A expres-
são implica ao mesmo tempo a idéia de um governo discricionário de salva-
ção nacional e a idéia de representação, de legitimidade. Não se trata de
despotismo. Para Comte, Danton era um ditador republicano e Robespierre
era um déspota. Mas a idéia era ambígua, na medida em que no Appel aux
ccmservateurs ele apresenta o legitimista Carlos X como a melhor encar-
nação do ditador republicano.
Seja qual for o conteúdo preciso da expressão, suas conseqüências
para a idéia de representação e para a organização da politica republicana
eram importantes. A idéia de representação embutida na figura do ditador
se aproxima da representação simbólica, ou da representação virtual. Nes-
sas duas acepções, o representante se coloca no lugar do representado, em
relação ao qual possui grande independência? O ditador republicano seria,
por exemplo, vitalício e poderia escolher seu sucessor. Se ele deve teorica-
mente representar as massas, pode na prática delas se afastar. Na realidade,
o bom ditador comtiano seria aquele que conduzisse as massas. No espírito
do Appel aux conservateurs, a ditadura monocrática, republicana, conser-
vadora tem o claro sentido de um governo da ordem cuja tarefa é fazer
9

d'en baut a transição para a sociedade positiva. A ditadura republicana


aparece aí como algo muito próximo do conceito de modernização conser-
. . - ó
vadora difundido por Barrington Moore.
O positivismo, especialmente na versão de Laffitte, possuía outro
traço que o tornava relevante para a discussão da situação brasileira. Vimos
o ideal hamiltoniano de uma nação sem patriotas, ao qual se opunha a visão
rousseauniana com ênfase no coletivo, na idéia de virtude cívica, de homem
público. O comtismo introduziu uma variante nessas duas vertentes. omo
é sabido, após o encontro de Comte com Clotilde de Vauxem 1845, sua
obra sofreu uma transformação profunda. Os elementos religiosos passaram
a predominar sobre os aspectos científicos, o sentimento foi colocado acima
da razão, a comunidade foi sobreposta ao indivíduo. Segundo sua propria
mnfissão, Comte passou a unir ` o instinto social dos romanos (a virtude ci-

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1, ,|¡, ,-×pr‹-ssa nas tradições do catoligsm
sic
' ' il ' lciiliiira .ili'ii\'.i
z ‹|.i lil.itl‹' .Wiilt i - .IU
ii iitilvlilliit H I iit |~iv ¡li!
k Íí ilismti mas
- s - em
.' O
S (iu lugãll' nao
,
. liii,i.i 'I _, . ‹'.iil.
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.›|iit‹~,
(
individualismo` Q V On-
l)('\'s( lIlUllU~ "H “tv ›¿,.¡_¡| ,Ii Rtiiiss I p P_. ( .
ç () qui- o tortitismo immdu .
- lia
“limitliiililiddiiiii .iiiilto× II“'~*'"" lnliluhifll 'i '
:,.,¡.Í,:,,"_:` ,m.m_,` th. ,.,\.~.*¡-ii'iii ioiiiunitilria, a familia, a patria ‹,-_ (_-‹,m,, (.U\m,l,
“JUN JU w_m.(_W, ,.,.,,|u¡¡e‹›_ a humanidade (que Cointi- i.-s‹r‹àV¡¡, um h

iii.iiiisi`iilol.
De i-_×-pecial importância e a ênfase dada-por Comte abnoçãtii dt» ¡,¿,,m_
.›\ patria e a mediação necessária entre a familia a humanidade, tf- a m,ç_m,d
ego necessária para o desenvolvimento do instinto social. Ela d¿›t,¿.` para
atender a tal função, constituir verdadeira comunidade de convivência, H,-3,)
podendo, portanto, possuir territorio excessivamente grande. A pátria par-
feita deveria ter como caracteristica os dons femininos do sentimento Q do
amor. A boa pátria será a mátria. Tal visão, se era incompatível com a idéia
de nação sem patriotas, também fugia do comunitarismo de Rousseau, QUÊ
possuía elementos contratuais e, portanto, traços de individualismo. O 5,-
dadão positivista não age na praça pública, não delibera sobre as questões
públicas. Ele se perde nas estruturas comunitárias que o absorvem iQ¡ai_
mente.
`
Havia, assim, p elo menos três modelos de república a disposição dos
republicanos brasileiros. Dois deles, o americano e o positivista, embora
`
partindo de premissas totalmente distintas, acabavam dando ênfase a a5p@C_
tos de organização" d o p oder . O terceiro colocava a intervenção popular
como fundamento do novo regime, desdenhando os aspectos de institucio-
" E verdade que a idéia de ditadura republicana era usada pelos dois
nalizaçao.
m odelos franceses, mas na versão jacobina ela permanecia vaga ao passo 9

que os positivistas detalhavam o papel do ditador, do congresso as normas


eleitorais, a política educacional etc. . . _ _ d
Idéias e institui Ç ões nor te - americanas e européias já tinham sido a ap-
tadas por politicos im eriai
À ' ¡ b _

iiões coloniais iinh am-s p e m5P1fa_d0


.S' filmes Sela
meSm° da1“d@P@fld@f1<I1fl
' na Revoluçao . do nais.seja
~ Americana, re. na
8
Francesa - Im ortzf model _ não era
assim exclugivid d d 05» OU 1fi5P1fflr se em exemplos externos, ¬
a e o 5 fepublicanos
° - - .
brasileiros. Os próprios foundmg.
fat/vers
u.d d americanos b UScaram
- ' - ~ em idéias
inspiraçao . ' ' ° ões da Anti-
e instituiç
3 1 3 6, da Renascença da In lar as. A Re-
volução Francesa , por stia vez erra e da Ff3flÇ8
. contemporâne
lo americano
pontos de referência O fenô i ivera nos clássicos e no exemp
os é universal
Isso não significa no entflnt meno de buscar modelos ezzem entender uma
sociedade particular Que id? queele não possa ser um para
. , ' U 0 0

s fa
ler, tudo isso pode ser revelaäas ailotfiflf, como adotá-las, Cine adaPtaÇõe
pre
dominam n 3 50 ' . Or `°1`ÇflS politic as e dos valores que
cledade "UP0rt-adora.

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A HERANÇA iivii>ERi/xi-
O Imperio lirasilviro rt-ali/.arâi urna engenhosa combinação de €lf2
mentos iiiiportiitlos. Na ‹›rj.›,~.iiii1.ziçã‹› politica, inspirava-se no constituciona-
lismo iii_i1li'*s. viii liviijiiiiiiii (jonstéint. Hein ou mal, zi i\/lonarqiiia brasileira
ensaiou um governo de gabinete com partidos nacionais, i.-li-ic‹"›es, imprensa
livre. Em m;itt"ria administrativa, a inspiração veio de Portugal e da França,
pois eram esses os paises que mais se aproximavam da politica ceritrali/.ante
` ` ` " ' tt; atraente
do Imperio. O direito administrativo frances era particularmcn
para o vies estatista dos politicos imperiaisf Por fim, até mesmo certas
formulas anglo-americanas, como a justiça de paz, o júri e uma limitada
descentralização provincial, serviam de referência quando o peso centrali-
zante provocava reações mais fortes.
Todas essas importações serviam à preocupação central que era a or-
ganização do Estado em seus aspectos politico, administrativo e judicial.
' ` " ' ` d l'tica do
Tratava-se 1 antes de tudo 9 de garantir a sobrevivencia da unida e po i
pais de organizar um governo que mantivesse a união das provincias e a
3

ordem social. Somente ao final do Império começaram a ser discutidas ques-


tões que tinham a ver com a formação da nação, com a redefrniçao da cida-
dania. Embora no inicio da vida independente brasileira um dos principais
politicos da época, ]osé Bonifácio, já tivesse alertado para o problema da
formação da nação, mencionando particularmente as questões da escravidão
e da diversidade racial, tudo isso ficou em segundo plano, pois a tarefa mais
urgente a ser cumprida era a da sobrevivência pura e simples do pais.
Após a consolidação da unidade política, conseguida em torno da me-
tade do seculo, o tema nacional voltou a ser colocado, inicialmente na lite-
ratura. O guarani, de José de Alencar, romance publicado em 1857, bus-
cava, dentro do estilo romântico, definir uma identidade nacional por meio
da ligação simbólica entre uma jovem loura portuguesa e um chefe indígena
acobreado. A união das duas raças num ambiente de exuberância tropical,
longe das marcas da civilização européia, indicava uma primeira tentativa
de esboçar o que seriam as bases de uma comunidade nacional com identi-
dade própria. No âmbito politico, a temática nacional só foi retomada
quando se aproximou o momento de enfrentar o problema da escravidão e
seu correlato, a imigração estrangeira. Tais problemas implicavam também
o da centralização politica, uma vez que afetavam de maneira distinta as
várias províncias. Os republicanos tinham de enfrentar esses desafios. Mais
ainda, em boa parte a opção pela república e o modelo de república esco-
lhido tinham a ver com a solução que se desejava para tais problemas.
A Monarquia aboliu a escravidão em 1888. Mas a medida atendeu
antes a uma necessidade politica de preservar a ordem pública ameaçada
pela fuga em massa dos escravos e a uma necessidade econômica de atrair
mão-de-obra livre para as regiões cafeeiras. O problema social da escravi-

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- - vos ã vida nacio -
.|. ine‹›rp0ra‹;fl0 4°” ex eíwa - nal e` “WS
ilileiiii ‹ J t não (Oi resolvido e mal começava a ser
'L jah). tw
-, idtnti
¡¡ ¡¡¬fópri.i ¬ . dade (lã "dc
. - f
-
'-

¿¡¡5 lúcidOS. Os reformistas


aos
.
monárquicog_ ¡¡_
.i¡nt. _ . OQ ¡,b0|¡e¡onistas m Í , .
viitrcnizido. ~ d~¿¿¡§ nessa direÇão. como a re orma agraria e a educação
. osto me 1 ~ , Ab ' ~ _
tnham pmp Mas no curto
los libtr . periodo de um ano entre a olijçao e a Repu-
OVG mo ,mperial gastou quase to a sua enflma
. ' 1 Í . ' _

- - _.
a foi feiIO. P015 O É _ _ ~ -
bh” "ad X- foprietarios de escravos que nao se conf0r_
resistindo aos ataques d0S É P . ão
m avam com a aboliÇã0
_ . Sem mdemzaç
[fo lado, i enfrentado o pro bl ema da redefim-
O lm ério tinha. P0f OU _ _ _ ._
P ' a dificultar a incorporação dos libertos. A je,
ão da cidadania de maneira 0 _
Çeleitoral de l88l.<1Ue introduzia
_ o voto
_ direto em umt.turno.
. a ãoSob1 pretexto
. de
moralizar as eleiÇÕ€S. l'€ClU7-IU drasticamente 3 par lap Ç E imoral' A0
. _ - 1 E 3551-ever, reduziu O eleitorado. que era de
exigir dos eleitores saber er _ '
10% da popu 1 aÇa0.
" a menos de 1% numa _ populaçao
_ de cerca
, de _ 14 milhõeg_
Se o gove rno imperial contava com simpatias p0PU121f€S¬ Inclusive da popu-
lação negra, era isso devido antes ao simbolismo da figura paternal do rei do
que à participaçao real dessa população na vida politica do pais.

A OPÇÃO REPUBLICANA
I ¶ 4-

Substituir um governo e construir uma naçao, esta era a tarefa que os


gepiciibliçlanos täiham de enfrentar. Eles a enfrentaram de maneira diversi-
ca .a, e acor o com a visao' ~ que cada grupo republicano
- tinha
. da solução
desejada. Esquematicamente, podem ser distinguidas três pOS.çÕ
[_ . A. Primeira _ era a dos proprietários
' ' rurais,- especialmente
- 1 es'a dos pro-
p ietarios paulistas. Em Sao Paulo existia desde 1875 '(1 °
cano mais organizado do pais formado r_ , . 1 . 0 parti .o republi-
província passam por gmnde.surt0 de p incipa mente por Proprietários. A
pela centralização monárquica Par expansão do café e sentia-se asfixiada.
` 3 esses h0m€'flS. a república ideal era
sem dúvida a do modelOamerican ' '
0. Convinha-lhes . . __ individua-
a definiçao _ . .
lista do pacto social . Ela e ° i ~ . _
na implantação como vi ava O apelf) 3 ampla participação popular tanto
. 110 governo ~ - . . _, _ ,
blico como a soma dos interesses
- fla Republica.
md' -d . Mais ainda i ao definir o P u-
Para a defesa de seus interesses lvl
° W115. ela lhes fornecia a justificatii"-1
XIX da D0stura liberal era o d particulares' A versão do final dc Século
intermédio de S - _ “USITIO social, absorvido no Brasil p0f
- PCIICQI, 0 _ _
blica, Alberto Sales. inspirador d° Pr1flClpal teórico paulista da RGPÚ'
Convinhflh
não apenas por esta;
es na t d_ a ënfase 'americana
também . na organização do p0<l€f~
Pílçãocom a ordem Socialfae ¡Ç ãado pais mas, principalmente,
_ pela pfeocu-
de °SCravos. Convinha-lhes P0de tma' próílfla de uma classe de ex-senh0f¢5
i modo esmfifll. a solução federalista arflffi'
É

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«_ J

\ j f

1. Alberto Sales,
ideólogo da república liberal.

cana. Para os republicanos de São Paulo, de Minas Gerais e do Rio Grande


do Sul, três das principais províncias do Império, o federalismo era talvez o
aspecto mais importante que buscavam no novo regime. O sistema bica-
meral era parte da solução federativa.
O modelo americano, em boa parte vitorioso na Constituição de 1891,
se atendia aos interesses dos proprietários rurais, tinha sentido profunda-
mente distinto daquele que teve nos Estados Unidos. Lá, como lembrou
Hannah Arendt, a revolução viera antes, estava na nova sociedade iguali-
tária formada pelos colonos. A preocupação com a organização do poder,
como vimos, era antes conseqüência da quase ausência de hierarquias so-
ciais. No Brasil, não houvera a revolução prévia. Apesar da abolição da
escravidão, a sociedade caracterizava-se por desigualdades profundas e pela
concentração do poder. Nessas . circunstâncias,_ o liberalismo
. . adquiriaAum
car ater de consagração da desigualdade, de sançao da lei do mais forte. co-
P lado
. ao presidencialismo, o darwinismo republicano tinha em mãos os ins-
trumentos ideológicos e políticos para estabelecer um regime profunda-
mente autoritário.
Não era esse, sem dúvi d a, o modelo que convinha a outros desafetos
da Monarquia. Havia um setor da pop ulação urbana, formado por pequenos
proprietários, profissionais liberais, jornalistas, professores e estudantes,
25

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0 limitador das oportunidades de
~ › 'al fipafecla com d sistema im er' l
.m 0 rt'l¿lmv 'mpi li' iuftllll' 3 lcnudãp O i 'p la l meSm0
|““" qm DU*›o ".ih.irei'i1l
.|.¡|hU, ._
l
¡ ›×('t'.\'5
Wa C,-.ntrzilizaÇão. 8 l0fl2<3V1Clade de alguns
irii ` m_|_H¡,,,|,§.i‹›.'i i dm Senadores_ vitalicios,
- ' '
p O r exemplo) eram
¡'11! plnlllt ' (hu. pflllllg-gl ( ` _ desses ¡flS8llSlÊllOS, QU3fl(lO 3 Causa E
\ ` “lu"|¡\\ \ Ê. . _ I . . Í S"

e . . . '
Úirllus UUIIIU J Çzlllsil dOliCl(;ÍlllO 3 pÍÓPÍl3 Êscravldãoá on r
llmltalld O› rnefC€i(lO.
iiv.i em outros lalfilrü ue 3 PfÓPfIa avflllação . a 3 qula U3 COnCli-
tlv lr.i|mlliol. f\CimwCcull)liCafl3S- A V€fsã0 laCObma° em particular* lfiffldia
t_“m¿u¡a ¡,,.¡,is ideiasN§tP mma brasileira os mesmos vicios do Anne" Ré,
. , az ‹ Oflfl _ ' .
J Pmwzr sobrt .imcnos comparávms que fossem 215 duas realidades. V,¿_S,¿
.LW'ne lraiicvS~l”°r. .
‹. ' brasileiro. P
or exemplo, 0 atraso' da
_ 35 pfOmOÍOf€S
O pnvlléglm. a CO"UPÇäo.
arte e da ciencia, quando
.
no lmpirio d or em dos maior~ d _ I ria, quan d o o in d ice e mora”
o -V ' d

quando o impera as nominal E nao here ita


. zi en
anobrtza era P
,
história
_
. independente
. do Brasil. Mas
. ~ lvez o mais alto d 21
dade publica era ta _ -
as acusações eram feitas P1`0VaVe1meme de boa fé” faziam parte da Crefiféfl
repubhcana. " _ r 1 ortodoxa nao - era atraent '
Para essas pessoas, 21 SOÍUÇHO hbe omico
Aa _ e social
_ capazes de colocâ-135
ez P015
não cöntrolavam recursos
' de poder econ ~ livre.
etiçao _ _ atraidas
Eram mais ' pelos
em vantagem num sistemad delberdade,
comp . . _
da igualdade, da participação, em-
apelos abstratos em faV0f 21 1
bora nem sempre fosse claro de que maneira tais _ apelos poderiam ser ope-
' ` ` d d de visualizar sua operacionalização
racionalizados. A própria dificul a e abstrações. A idéia de povo era abs-
ivel das
fazia com que se ficasse no n
trata. Muitas das re ferências eram quase simbólicas. Os radicais da Repú-
blica fa I avam em revolução (queriam mesmo que esta viesse no centenário
d a gr ande Revolução de 1789), falavam do povo nas ruas pediam zi mm-ze
do principe-consorte da herdeira do trono (era um nobre francêsl) canta-
vam a Marselbera P elas r uas. Mas, caso tivesse
' sido
- tentada qualquer revo-
ar a
gfsãâlgíetëpfilãgíägfiílfâš °~P0V0_I1ue em.Paris saiu às ruas para tom
gosas do Rio de Janeiro eâltãâorãírrialqaülpírecídoá As simpatias das classes Peri-
jacobina do cidadão foi aqui logo ada odta as a. Monarquia. igualdade
ddadão, O C¡dadão_dout0re até mes Pta .H as hierarquias locais: havia o
Pela PróPria imPlausibilid d mo O Cldadao-doutor-general'
dade à antiga formavam u a e dessa S°lUÇã0, OS partidários da liber-
Parte Clêsse Srupo de desco
m gf“P° Pequeno, embora agressivo. A inai0f
-- nten les Percebia- a dificuldade,
. . se não a impossi-
les a
° P ncia ' . do E“ff H fepúblic . .
im mà a na praça Publica. Era muito clara~ para e o
Estado . O Estado5t3<l0.
era 0 Eram
meio Con
mgtra fo regime. monárquico, nao contra
Comeo abolicionista
. _ is ' .
e *Cal de conseguirem . .
seus obietivos
Jo
aquifll Nab u - .
~

Brasil 3 50 Co' perceblam que a escravidao ef21com


tad '
ela Se nao~ lhes interessava 0, mas ¡ .. em 0 Estado seria dificil
' ' Que s . . . acabar
l3C0l)l11a E
' ffl necessário
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7 «_ í 4* *

2. Silva Jardim,
pregador da república jacobina.

A versão positivista da república, em suas diversas variantes, oferecia


tal saida. O arsenal teórico positivista trazia armas muito úteis. A começar
pela condenação da Monarquia em nome do progresso. Pela lei dos três esta-
dos, a Monarquia correspondia a fase teológico-militar, que devia ser supe-
rada pela fase positiva, cuja melhor encarnação era a república. A separação
entre Igreja e Estado era também uma demanda atraente para esse grupo,
particularmente para os professores, estudantes e militares. Igualmente,
a idéia de ditadura republicana, o apelo a um Executivo forte e interven-
cionista, servia bem a seus interesses. Progresso e ditadura, o progresso
pela ditadura, pela ação do Estado, eis ai um ideal de despotismo ilustrado
que tinha longas raizes na tradição luso-brasileira desde os tempos pomba-
linos do século XVIII. Por último, a proposta positivista de incorporação do
proletariado à sociedade moderna, de uma politica social a ser implemen-
tada pelo Estado, tinha maior credibilidade que 0 apelo abstrato ao povo e
abria caminho para a idéia republicana entre o operariado, especialmente o
estatal.
Um grupo social que se sentiu particularmente atraído por essa visão
da sociedade e da república foi o dos militares. O fato é extremamente irô-
nico, de vez que, de acordo com as teses positivistas, um governo militar

27
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¿¡[,¿)`烿)/()5` dd ffipu hhtzsaiflhffl
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. ' ‹ ~ resas ue l.1'1.eni iiite


seria uma retrogr21d3Çâ0 Social. D*/mil elidíecigs ai\dc>oÍ1LfeÉe queqof iiiilitares ii-
ressante o fenômeno da adaptaÇao *e à foflèwção literária da CMC mw C
nham formação técnica. em 0posiÇap f se dada pelo positivismo À Úônmu
sentiam-se fortemente atra1d05 Pela en a lado por serem parte do i¬f\*l`fí°

ao desemvohiimdeƒno
Estado. nã0 P0 *am _ (ctdiiiíi instrumento
les um fortedeapelo,
. aÇf¡° l“*~"hÚ“'
enibofl IUA
idéia de ditadura republicana tinha Para e. me dq defesa do Nmip
Améfâzz Lzzm pudesse aPf°*'““*.f“Se Pe“g°S*““e f . . .
lhismo militar e assim tenha sido vista por observad?.:Íeí°tÃ;::*`fnMM._,m _,
c¡¡¡meme europeus, durante os dois governos mi i ‹ _
' °8. ., -' .int
Republgldr razões históricas especificas, o modelo positivista >‹l*'Íl\'l_'L“`tl'i"ÍO. O
bém os republicanos do Rio Grande do Sul. .A tradiça0_m1H\f~ílf\“¿N_i'Phm L.
fato de os republicanos serem lá uma minoria quê li>_l`<'3'C15*“ *I fl ¬`“ wM,¿_
coesão para impor-se, a menor complexidade da sociedade loca L, ,lo PW A
ração com São Paulo e Rio de Janeiro talvez tenham contribuii fihumd
adesão mais intensa às idéias politicas do positivismo. Mais do qui nvnws
outra. a Constituição do Estado do Rio Grande do Sul incorP0“_)“ f L 'E\_L,L.u-
positivistas, particularmente no que se refere à predominância 4° '
tivo; ao Legislativo de uma câm
ara e de caráter orçamentário,
-. -›. U4* lt`
A ,11istfl
-_._..___
9 si
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referencia ii Deus, stibstituldo pelo trinômio liiinilliii, l'.'itri.i, lliiiiiaiiiilatle.
il política educacional e social."

A CIDADANIA E A ESTADANIA

Com a exceção dos poucos radicais, os vâlrios grupos que procurzivaiii


em modelos republicanos uma saida para a Monarquia acabavam danilo en
fase ao Estado, mesmo os que partiam` de premissas liberais.
' l,". t vav.'tzllssti _
em parte, a longa tradição estatista do pais, herança portuguesa reforçada
pela elite imperial. A sociedade escravocrata abria também poucos espaços
ocupacionais, fazendo com que os deslocados acabassem por recorrer direta
mente ao emprego público ` ou a' intervençao
' " do Estado
~ ' para' af brir p erspec-
tivas de carreira. Bachareis desempregados, militares insatisfeitos com os
baixos salários e com minguados orçamentos, operários do Estado em busca
de uma legislação social, migrantes urbanos em busca i ¬' de emprego. 1 todos
acabavam olhando para o Estado como porto de salvaçao. A inserção de
todos eles na política se dava mais pela porta do Estado do que pela afirma-
ção de um direito de cidadão. Era uma inserção que se chamaria com mai
` 'or
precisão de estadania.
Já foram mencionados os obstáculos sociais à solução jacobina.
O ponto merece ser expandido. O exercício da liberdade dos antigos exigia a
P osse da virtude republicana pelos cidadãos, isto e, a posse da preocupaçao
com o bem público. Tal preocupação era ameaçada sempre que cresciam as
oportunidades de enriquecimento, pois surgia então a ambição e desenvol- X __
via-se a desigualdade social. A virtude republicana era uma virtude espar- ul
. - - - - . /"" `

tana. Já percebido por Maquiavel, esse tema foi retomado às vésperas da


criação das repúblicas modernas. Na França, Montesquieu e, especial-
mente, Mably viam como condição para a virtude cívica certa igualdade
social. Mably achava que apenas a Suiça possuia tal condiçao, estando os
Estados Unidos já corrompidos pela desigualdade. Jefferson, o mais “an-
tigo” ' dos fozmding fat/vers, tinha também dúvidas quanto às possibilidades
da vigência da virtude republicana nos Estados Unidos devido ao avanço do
comércio e da indústria, fontes de corrupção. Dentro de tal visão, o patríota
era quase incompatível com o homem econômico, a cidadania incompatível
com a cultura. 9 Era essa, aliás, a posição de Benjamin Constant, para quem
o desenvolvimento do comércio e da indústria seria a causa fundamental da
inadequação da liberdade antiga ao mundo moderno.
Ora, além de ter surgido em uma sociedade profundamente desigual e
hierarquizada, a República brasileira foi proclamada em um momento de
intensa especulação financeira, causada pelas grandes emissões de dinheiro
feitas pelo governo para atender às necessidades geradas pela abolição da
escravidão. A febre especulativa atingiu de modo especial a capital do país,
__.29 -

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ram a República. Em vez da agnação do
_ › |()5 qui? l('V3 " -
u.mro dos at ontem imt tt _ _ hmfli,-ira
. . nasceu no meio . da agitação
. dos ¿›5p,¿._
z : blica
.
T('|'Ç('lI'0 [Sl fldfi. 3 RPPÚ . r 'la contin
. . .
culadores. attllflšifi GU"
' fl* só lu' aumenta
culação, lx. . nação
de enriquecimento da D0litica
pessoal 3 ,M0
einissionista. O espirito de espc
custo. denunciado amplamente na imprensa. na tribuna. nos romance;
dava no novo regime uma marca incompfllívfl C0m 3 Vlflfldt' repuh1¡Cana.
Em tais circunstancias,' não se podia nem dosmesmo falarindividuais.
interesses na definiçãoS¡mp|¿,,,,
utiliiz.
rista do interesse público como a soma . _
' m o publico. Predominava a mentalidade
mente não havia preocupação co v
predatória, o espirito do capitalismo sem a etica protestante.
°
Houve reação a tal situação d uran te o segundo governo militar, 3 fase
jacobina da República. Não po r acaso , esseAgoverno se destacou pelo com-
em mais popular do ma,
ba te aos especuladores e aos banqueiros. imag
rechnl Floriano Peixoto era a do guardião do Tesouro, uma pálida versão
' al do Robes p ierre dos tempos do Comitê de Salvação Pública cha-
tropic
mudo o lncorruptivel. Mas durou pouco a reação. A corrupção e a nego
cinta voltaram a caracterizar o novo regime, fazendo com que O am l80.
antes de corrupto, aparecesse já como símbolo de austeridade pú-
ca. s representações da Republica nas caricaturas da época mostram z
rtpida deterioração da imagem do regime Da classic f'
mümm romana paSSa_Se
. rapi.d amente para' a cortesã renascentista.
3 lgura da austera
Não
muva 'Penas da Imagem- Um ministro da Fazenda f ` se
do século, de ter feito reproduzir o retrato de sua am ol racusadoi na virada
Tesouro, como representação da República an e em uma nota do
As dificuldades
_ dec im plantaçao
~ seja dei um - - . . _
uma republica moderna no Bras`l a repiibhca a amlgib Sela dff
especmmente os republicanos O1 , preocupavam os int e 1 ectuais
- da epoca.
.
O - 'à . ~ P0nto central do deh t _.
,mv °° Público. o individuo e a comu '(1 a.e em 3 relaçao em”
fimvam a do individualismo angrlb ade; Vários pensadores iden-
Illfilfldede brasileira para of . Sflifao como fator explicativo
_ 3616.5, GPÓS Segamzaf
Albato ter fa 3¡¿Sociedade P0 l'itica.
' O teórico
'
¡ll|¢0S obr ' ' P amente
. desencantado com o
éägâizgišragqmâiërš socíáveis mas pouco soli-

sefilmdoa ele eraâmpos mas eram


uàacidalãatamente “icapfii
a valorizaçao
E de organizar-se que
flrnesma
linha, Silvio Ro-
e~i°“l1fl$. para caracterizar a
i-Colfllllllláfiá, em Qposição
iència que Sílvio Ro-
sa ausência entre
íülfiliva, a excessiva
chamava de politica
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Alt* tttcutto um ptisitivutta como Anibal Falcão lormulava a antino~
mid I\\\\ I\\t'snt\\.\ tcrmt\.\. A dilerença e que Falcão. como born positivista.
tolocava a valoraçilo ¡×isitiva do lado brasileiro. A tradição brasileira. ou
iberica em geral. salientava ns aspectos integrativos, participatorios. afeti-
vtxs. A tradição anglu saxõnica era individualista. egoísta. materialista.
mntlitiva. O tuturo da humanidade estava na primeira tradição. Em poli-
NN- Y*¢`R\Il\do Falcão. o individualismo levava il dispersão e ao conflito. ao
passo que o comunitarismo levava al ditadura republicana de natureza
integrativa."
O debate poderia ser seguido ate a atualidade. bastando lembrar sua
retomada recente por Richard M. Morse.” Segundo Morse. um severo cri-
tico da cultura anglozsaxõnica. a cultura iberica traria até hoie a marca da
enfase na integração. na incorporação. na predominância do todo sobre o
individuo. Tal tradição adviria de uma opção feita na Espanha do limiar da
Idade Moderna pela visão tomista do Estado e da sociedade. visão em que
predominariam as noções de comunidade e a concepção do Estado como
instrumento para a promoção do bem comum.
Tal concepção. é fácil de verificar. aproxima-se da de Anibal Falcão
e da dos positivistas ortodoxos em geral. Não por acaso, Comte dizia ter-se
inspirado nas tradições cristãs da Idade Media. As propostas concretas dos
positivistas, e não apenas suas posições filosóficas, iam também na direção
de promover a integração. A começar por sua demanda basica de incor-
poração do proletariado à sociedade. De preferência, essa incorporação de-
veria ser feita pelo reconhecimento, por parte dos ricos. do dever de prote-
ger os pobres, por meio de mudança de mentalidade, e não pelo conflito de
classes. Óutras propostas concretas iam na mesma direção não-conflituosa:
a aboliçlo da escravidão pelo governo, a defesa dos indios, a oposição as leis
Contra a vagabundagem. Até mesmo a transição republicana deveria ser
ieita de maneira suave: os ortodoxos queriam que o imperador tomasse a
iniciativa de se proclamar ditador republicano.
Mas, apesar da admirável dedicação dos ortodoxos, suas propostas
tiveram efeito reduzido e passageiro. O apelo à integração aos valores comu-
nitários, feito nas circunstâncias de desigualdade social extrema. de luta
imggsg pelo poder, de especulação financeira desregrada, caia no vazio.
Algumas propostas. como as que se referiam à exaltação do papel da mulher
e dl familia, estavam sem duvida dentro de uma tradição cultural enraizada.
Mas seus efeitos aim antes de natureza conservadora, na medida em que
fgfqfçzvun 0 patriarcalismo vigente. Quanto ã proposta de fazer do Estado.
por intermédio da ditadura republicana, um agente do bem comum, um
ü. um preparador da sociedade positivista ba-
sociais, ela reforçava, na melhor das hipo-
. Na pior, acabava levando água para o

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' IU ou sem os militares, (jnmun.l
tarism lnvras. se não mistificação.

nxfinho th) .ügf ÍÔffl.V.Ín`$c mem od 1 d d d

stava com
Juh. iäkififirculdadf brasileira tal'/Cl
05 0°
(1015'ÚÍllenâfíjc. cmg :ea
a na realidade muito
parte qm'anti-
C ›impgname
H dos tais
ps e a dos rl;I0df'."':5;; mn" mu que er
modf .
kn nw gvgv rc ° . .
mb”. pu, O [ui-içionamefllo deles. a Para
dãos aceitassem que ¡unCm
liberdade púbhca
ou mesrn:ú\l')'|'¡'C" ¶n¡¡¿¡ para que os cida
n assr I ' .
. ¿ ¿¢ mdividualz arte° à influência
para que funcionasse ' sobre
- m0d¿.ma`
a republica negocios
em troca da Iiber a
para .que os cidadãos(13renunciassem em boa p-- paraisso.
liberdade individual . talvez fosse n¿.ceS_
publicos em favor ' d comunidade, de identidade ¢0i¿._
saria a existencia anterior do sentimento e
ente podia ser o de pertencer a uma
ode-se ci.d ade se
perguntar e que m0¿er_
a repúbim
tiva. que antigam
narnente e o de pertencer a uma nação. P
sem patriotas de Hamilton poderia sobreviver sem esse sentimento, apesar
de todo o aparato institucional inventado pelos fundadores. Pode-se igual-
mente perguntar se. no caso francês, algo da experiência revolucionâfla
um fenomeno que mobilizava' mas que também
de nação dividia apelas
despertado sociedade,
guerrasterizi
ex-
podido sobreviver sem o sentimento
' 'I' atória que os soldados franceses acreditavam
temas e pela cruzada civi iz tido da identidade seria, nesse caso O
estar realizando na Europa. O sen
cimento comum aos dois ` m odelos . Em si mesmo. ele não seria siiíigieme
1' rlegligenciar o fato universal da
para fundar uma comunidade politica, po
diversidadeedo conflito. A'ie Stava' pfovavehnemei 0 efllllivoco da ProP0sta
sin-
do positivismo ortodoxo. Mas sem ele os dois modelos também se de '
tegrariam.
No Bras'I d° mic” da RF-'PÚbliCa, inexistia tal sentimento. Havia.
sem dúvida alguns elementos que em geral falem Parte de uma identidade
d litica
Ãacional, como a unidade da língua, da religião e mesmo a unida
Blleffl Contra o Par ' e P0 -
desentimento iiadoniiIliuh?air›uio(i'Êci:1a'de igefo P1'0duzira, é certo, um inicio
tas gd; mam, ¿¡ escravidão Er mt°hm1tfidf> Pelas complicações impos-
¡¡¡¡¡¡?¡¡¡bu_uvam seus escravo-S 8: gleral a resistência ao recrutamento. e
tentou mobilimr op at -util' em SEU lugar. ]á na República. 0
zmmaoncabavz
~ _, levando
eram 05maispà
P011 (ir-l(it'sm°
,visão do °°
QUÊR¡° de Janeiro.
à União. Mas M1
O alvo principfll
hfififi- Brain ponuguescsirngufm» QUE constituíam
que se vimtltitos comerciantes 20% da popu'
e banqueiros. mas
mae, O movimeàílssim. excluídos da República ¡aco-
¡. por eles _° aflflfqutsta atacou explicitamente
ge memiafàstmmento .de dominação dos pfl'
coleüv OS e da divisão da classe operária.
flfãfl
mia para °_Pflis. de uma base p
'E p°f5°8\11I` 8 geração intelectual da
'Sei na realidade, de uma busca

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bases a redelinição da República, para o estabelecimento de um
que não fosse uma caricatura de si mesmo. Porque foi
tleiencanto
com a obra de 1889. Os propagandistas e os principais
movimento republicano rapidamente perceberam que não
de seus sonhos. Em 1901, quando seu irmão exercia
da República, Alberto Sales publicou um ataque virulento
f¢8Ífl1¢. que considerava corrupto e mais despotico do que o
A formulação mais forte do desencanto talvez tenha
Torres, iá na segunda decada do seculo: ' 'Este Estado não
este não é um a sociedade,
' ' esta gente não e um

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~€S23\
2
As PRoci.AMAÇõEs
DA REPUBLICA*

A gente fica a pensar se a história


não Jerd em grande parte um
romance de bistoriado res.
Tobias Monteiro'

Não decorrera ainda um mês da proclamação da República quando


o enc arre g ado de negócios da França no Rio de Janeiro, Camille Blondel.
anotava a tentativa dos vencedores de 15 de novembro de construir uma
versão oficial dos fatos destinada à história. Tentava-se, segundo Blondel.
ampliar ao máximo o papel dos atores principais e reduzir ao minimo a parte
d o acaso nos acontecimentos? O encarregado percebera um fenômeno co-
mum aos grandes eventos: a batalha pela construçao de uma versão oficial
dos fatos, a luta pelo estabelecimento do mito de origem. No caso da Re-
pública a batalha era tão importante, se não mais que a propria procla-
5

mação, um evento inesperado, rápido, incruento. Estavam em jogo a defi-


. . . d
nição dos papéis dos vários atores, os titulos de propriedade que ca a um
` l 8 ava ter sobre o novo regime, a propria natureza do regime.
IU
O fato de ter sido a proclamação um fenômeno militar, em boa parte
desvinculado do movimento republicano civil, significa que seu estudo nao
pode, por si só, expl`car
i a natureza do novo regime. O advento da Repú-
blica não po d e se r reduzido à questão militar e à insurreição das unidades
militares aquarteladas em São Cristóvão. De outro lado, seria incorreto

(°) Versão r`esumida deste capitulo foi publicada em Ci`enci`a Hoje. 59 (novembro,

35

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bro como se fossem -
. a ä novcm b d . slmplä
¡;gr|t¢aIIl¢“'°° úblitl devam ser. tasca as mais Ion
W Í 8 nu? a. VÚOÍ $.IÍnbÔl.ICO Irlegável.
ge. ÉIÚG' mguuflfifi)
."Â*.|un&>. o 010 a ,Manto st lutou P0' 5"' dciimçãg timónca' Dffldoro
OU
. uz rulv 42e I . » Bowuva.
° Floriano eiitoto: na0 hà - '
ug: Cmnmt. Q“mtm° ¿0 papel de cada uma dessas perwnagg:
MP” W. ,zhi::;l£:'_"i'° Em , M mass aisúmzs sobre z z.,.,,,,e¿

ar R‹v~>N¡°'-

its |=›itocLAMAÇOt-:S
- ° as diferentes versões dadas
,ndo reconstituir . pelos pan¡c¡_
,
90:15Nm
do 1_FindÉ novembro BastaBenjamin
¿e Deoàmo, observar Constant,
Que P°f ml-“¡° ÍemP0Bocaiúva,
Quintino dlgladia-

nm.:
Q;-¡¡no` Peixoto. A diSP“ ta tomava às vezes carater apaixonado e girava em
lino, ¿,pm¡°5
dum” gparentcmente
¡ guerra dosirrelevantes.
vivas QuemTome-se como
deu vivas exemplo
a quem, ou ao quê
que

8 mummto? As versões são desencontradas. Deodoro


_ teria dado um
aoentrar no Quartel-General? Ao .sair do Quartel? Ben-
ã República para abafar o viva ao imperador dado
,Q este censurado os vivas à República dizendo que ainda
ao povo? O que significa o famoso Óleo
versão oficial e sagrada do momento da
o estaria naquele momento
ea tl do sministério) dando vivas ao
,i vivas, mandando dar uma salva de
pelo êxito da proclamação?
il que ro tenha procla-

iuçño de Deodoro, outras


Todos estiø
militares (I Õ*

de sun INfl€¡°
de funílldul'
sido ele IN”
oe

Scanned by CamScanner
que o próprio Benjamin reconhecia que sem Deodoro nada poderia ter sido
feito, pois só 0 velho general tt-ria condições de galvanizar a tropa pela lide-
rança qui- sobre ela exercia. Benjamin, nessa versão, não passava de um
professor desconhecido de boa parte da tropa aquartelada. Os republicanos
históricos, especialmente Quintino Bocaiúva, chefe do Partido Republicano
'
Brasileiro, e Francisco Glicério, ` representante dos rep ublicanos paulistas,
'
repisam as hesitações '
de Benjamin ` tanto na v é spe ra da proclamação como
no próprio dia 15. Segundo seu depoimento, Benjamin hesitou até o final da
tarde daquele dia. Os históricos tentam preservar a figura de Deodoro, ao
mesmo tempo em que enfatizam o próprio ' papel diante
' da recon hecida falta
de convicção republicana do marechal e das duvidas' ` ` min.
de Benja
Por fim, após a subida de Floriano ao governo, não faltaram os que
atribuissem à sua atuação o papel central no dia 15. Serzedelo Correia é 0
principal defensor dessa posição. A dubiedade ' `
de Floriano, apon tada p or
' `
muitos, ou mesmo sua hostilidade '
ao movimento, denuncia' d a p or deodo-
ristas, são transformadas por Serzedelo em astúcia destinada a facilitar o
êxito da revolta. A ele se deveria o fato de ter sido proclamada a República
l 'a sido
de maneira tão tranqüila, sem derramamento de sangue. E e teri
mesmo um republicano de longa data.
' ' Constant, Quintino
Deodoro, Benjamin ` ` B oca iúva , Floriano Peixoto:
a briga persistiu por longo tempo e pode ser seguida nos artigos e editoriais
de O Paíz, o jornal de Quintino Bocaiúva, porta-voz do oficialismo repu-
blicano. A dança dos adjetivos, definidores do papel de cada um desses ho-
mens, prossegue até os dias de hoje. A luta maior é pela qualificação de
fundador, disputada pelos partidários de Deodoro e Benjamin Constant.
Quintino é raramente fundador; com freqüência aparece como patriarca ou
apóstolo. Em torn o de Floriano há mais consenso, pois veio depois: ele será
o consolida d or, 0 salvador da República . Os que tiram de Deodoro a quali-
dade d e fun dador lhe dão, em compensação, o título de proclamador. A dis-
tri'b u i ç ão de papéis é comentada com humor por “ 'Gavroche” (pseudônimo
de Arthur Azevedo), em O Paiz de 19/11/1895:

Retratos

O Nicromante, pelos modos,


Satisfazer procura a todos:
Traz Benjamin, que é o fundador,
Deodoro, que é o proclamador,
Floriano, o consolidador,
Prudente, o pacificador!
Isto é que é ser engrossador!

Picuinhas, anedotário, fofocas, petite bistoire , simples disputa de


poder entre os participantes dos acontecimentos? Se assim fosse, a disputa

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lvidos. Na luta pelo estabelecimemod
›- - sM°“Sc - _ttu ã
1 ' . . E

. '- snhff' “wdn


i JO ') lt' I1 ov‹'ml1ff'~ Pfla Con* ' 'Ç O de Um Dãflteão
fliln ltridi ., , ¡|r;I O I ( 1 . H- sr' (lá PTTI l0(l()% Os

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MI P‹'‹'"“ › si' A dmi, 0 . gvrállfflí
lititidii "ti corillitri
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\'if P-im l `(

. UBUCA MILITAR
oronoao. A REP

Que rePreS€ ntava deo d O da


_ o“lados
rismo7‹ Ele foi defendido . principalmente
propaganda republicana. _ por
Os deodoristae
seio resSobretudo
militares deSVlI1C
95 oficiais superiores_ .
que tinham lutado na guerra contra
am.
erparaguai Eram~ 05 inúmeros parentes que cercavam o marechal, irmaos - - fz
o - . .. -
. ' lh abriu os portoes do Quartel-General a l) de
sobrinhos, Um dos quais e . . _ . b`l` ` d
i E
embro. ram 1 05 'ovens oficiais que fizeram a mo
, i izaçao as, tropas de
"CVC - Óvão O 1o e O 90 Regimentos de Cavalaria e o 29 Regimento de
SãO Ílsl 9 ' ° _

Artilharia, e a Escola Superior de Guerra. Salientaram-se nesse grupo o


capitão Mena Barreto (que sofreu uma síncope de tanto gritar vivas à Repu-
bl'ic a no Campo de Santana, e que acordou o viscon' d e d e O uro P reto na
prisão dizendo-lhe que ia ser fuzilado), o capitão Trajano Cardoso, o tenente
Sebastião Bandeira, o alferes Joaquim Inácio Batista Cardoso (que propos
fuzilar o imperador), o alferes Manuel Joaquim Machado, o cadete-sar
gento Plácido de Abreu. Estes, menos o último, chegaram a se reunir logo
após o 15 de novembro para estabelecer o que consideravam a verdade sobre
os fatos e combater o esforço dos que tentavam, segundo eles, deturpar a
história em proveito próprioƒ' Os mais vocais do grupo foram Mena Barreto
e Sebastião Bandeira. Anos depois, já feitos generais, ainda disputavam zi
versão dos fatos.
_ Para 655€ 8f'1P0. 2 Proclamação foi ato estritamente militar. COFPO'
rativo, executado sob a liderança insubstituível de Deodoro. Os civiS POW"
ou ' '
nizrfa mg""am° Efam P0ucos no Campo de Santana e nem mesmo OIE*
01 a equadamente a mise-en-scene: “[ ] os chefes republicanos
ll
ep “am
Sebastião Bandeira d d a “nu”-`“3Çã0. para
. o momento psicolÓ8ÍCd Saiçao
da. maneir › 211 0 razão a Aristides Lobo em sua famosa E
. . a como O V ' . 'OVCDS
ofic iais - ' ' ' 9° 0 Pfesenciou
. a proclamação . 5 A visão desses 1 _ .
_ nã° P0stt1vistas co '(1' . d Oficiais
5“P€riores que Participaram
. . "Wda13GCom a do próprio Deodoro ed 5OSquai; sff
tinham depois envol 'd A uefffldo Paraguai, rnuitos 0
'1 ° M Questao .A Repúbiiez, para «SSC Bf“P°
"§í""

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Cm 0 M0 final da Questão Militar, sua solução definitiva pela eliminação
de um regime que, segundo eles, era dominado por uma elite bacharelesca
intensa aos interesses castrenses, desrespeitosa dos brios militares.
O tema corporativo foi decisivo para convencer Deodoro a participar
do movimento. E conhecida sua resistência ã admissão de civis - paisanos,
casacas, como dizia ~ na conspiração. Alegava tratar-se de assunto estri-
tamente militar. Exerceram também influência decisiva no desencadea-
mento do movimento as noticias inventadas no dia 14 pelo major Solon
sobre a prisão de Deodoro e Benjamin, e os boatos de que a tropa de São
Cristovão seria atacada pela Guarda Nacional, pela Guarda Negra e pela
policia. De fato, Ouro Preto decidira reorganizar a Guarda Nacional e forta-
lecer a policia como contrapeso à indisciplina do Exército, mas era certa-
mente falso que pretendesse reduzir o contingente do Exército, ou mesmo
extingui-lo, como se disse a Deodoro. A cada noticia dessas, trazida pelos
jovens oficiais, Deodoro explodia: “Não permitirei isso! Assestarei a arti-
lharia, levarei os sete ministros à praça pública e me entregarei depois ao
povo para julgar-me! ° '.° Até mesmo Floriano Peixoto pode ter sido levado
a não defender a Monarquia por razões corporativas. É conhecida sua res-
posta a Deodoro quando este o sondou sobre o movimento: “Se a coisa é
contra os casacas, lá tenho minha espingarda velha”. Deodoro menciona
também outra manifestação de Floriano em que este, pegando num botão da
farda, dissera: “ “Seu Manuel, a Monarquia é inimiga disto. Se for para der-
rubá-la, estarei pronto' '_ 7
Esse grupo não tinha visão elaborada de república, buscava apenas
posição de maior prestígio e poder, a que julgava ter o Exército direito após
o esforço de guerra contra o Paraguai. A elite política imperial, apesar das
muitas indicações de insatisfação militar, não abriu mão de seu civilismo,
de sua crença na necessidade do predomínio da autoridade civil. A postura
de Ouro Preto é indicativa de tal convicção levada a ponto de quase cegueira
política. Em circunstâncias normais, o imperador, valendo-se até mesmo de
suas relações pessoais, servia de anteparo ás queixas militares. Mas desde
1887 o diabetes lhe tirara a capacidade de governar. Durante a Questão
Militar, em 1887, Pelotas já usara esse argumento para “pôr as tropas na
rua”: o imperador não tinha mais vontade? Surgido o espírito de corpo,
e tendo desaparecido a possibilidade da relação privilegiada dos chefes com o
imperador, ficavam os militares diante do gabinete e do parlamento, isto é,
da elite política civil, que sempre se orgulhara de ter mantido o Brasil afas-
tado do estilo caudilhista predominante nas repúblicas vizinhas do Brasil,
indicador de barbárie politica. No dia 16 de novembro, ao receber o mensa-
geiro de Saraiva, indicado como novo presidente do Conselho, Deodoro diz
que já era tarde, que a República fora proclamada e que os culpados eram
Ouro Preto e o conde D'Eu, este por não ter impedido, com sua influência,
que os ministros oprimissem os militares.” A posição do grupo pode ser

39

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uh Mmi-ira as vésperas do movimento;
. I jfiiät _ tll . |)‹-iidoro -1. . a|ti
o "J 4. \fc|t‹)› . _

“flu 'l Iii i i'- ii ×~.i|vàiç~l“ di) Lx.,


. ‹zÍ1l|\ | 0 - i . ` . ..
`tide7 no conhecido oleo de H. Bernar-
- - . . r

l ()tl‹'‹itliirI.\tTiu ..lIl*l“U U -JO (lã R(*PÚl)lIC£I. O quadro ( lotdlmfinlí'


. _ . ri-senta. J« P fÚClarna(| fecha] que ocup a t()d() Os D rjrnff-iro
*l*`ll' qm Hp ' üestre
em Pq ' O (l0 ma `. .tura secundária. l
iliiniiiizido P' ld lmííuras aparecem ao fundo í em POS á
'.s i ~ ' ` Bocaiúva, ambos a ca»
i*lf*"°~ A* “ul” pó de igualdade com QU'“““°
_ . fo , '. n . Cm -
_ . 10 do quadro É' O da clássica exaltação do
vam. (,` 3 p¿›_ . Aristi`- des Lobo. O CSU
heroi- militar.
- ' C' levadod sobre OS C om Uns mortais montando fogoso .. animal.
h m V¡¡0¡¡050 fazedor da historia. A enfase per-
É a exaltação do SW" e OITIÊ ' '
. - ' do que 3 (10 quadro de Pedro Américo sobre a pro-
sonalista
' é ainda m810l' ' A' fi ura de Pedro l aparece interagindo com
I ma ão da Independência.. to 8 Américo, ação que está
C8 Ç l tiva no Qllfidfo de Pedro .
várias outras. Há aÇão c‹l>l.e t lvez mesmo pm-que houvesse menor necessi_
ausente no- de Bemarde li il e iro imperador nos acontecimentos. SÓ falta
dade de afirmar o Pãltâeludo Pringda O Símbolo da ação militar. Mas a falta se
esp z
ao quadro de Bel-nar e la do adro A 15 de no-
te ao fato de ter Deodoro posa para o qu - _
deve cenalmeiã levava espada flD€5flf de d€P0Íme"t°5 em contrána Repre'
ve“fz'li)lll)›i‹Ír;i111en)do
sen - a espada cdruscante, COITIO qllefla 0 maior Jacques
- - Ou'
- . . - á bastava a duvida sobre
rique, seria violar por demais a verdade dos fatos. J
o sentido do gesto de erguer 0 boné-

BENJAMIN coi\isTANTz A REPUBLICA socIocRÁT1cA


Os defensores da preponderância de Benjamin Constant na proclama-
ção representavam uma corrente politica e ideológica muito distinta. A
diferença aparece já nos adjetivos com que Benjamin era descrito ou endeu-
sado. Junto da qualificação de fundador, disputa direta com Deodoro apa-
reciam outras que melhor descreviam o papel a ele atribuido. Era o cate-
quista, o apóstolo, o evangelizador, o doutrinador, a cabeça pensante, o PW'
C@Pl0f. o mfi'Str@. o idolo da juventude militar. Benjamin não aparece em
primeiro lugar como representam d l ` ` `
e a c asse militar, como vingador e Sal'
"Í'd°' d° E*éfC'f°~ APHYCCG Como 0 professor, o teórico, o portador de uma
visão da historia d ' -
. 8 um projeto de Brasil. A ele se deveria o fato de 0
15_ dc novembro ter ido além de uma quartelada destinada a derrubar 0
ministério de Ouro Preto d
em rcvoluçãosem salvação. dae pátria,
se ter transformado em mudança de regime'
A °¡P°51Ç‹'lo
_ mais
_ d elaborada dessa vertente foi feita P elos positivistafi
ortodoxos. Benjamin
então soded d P esentendera-se com Miguel Lemos desligando-S6 da
3 6 ositivist . ' .
08 chefes da ortodoxia Loa em 1882' "WS mantivera relação amistosa C0m
foi 9°' estes Dfocuradb tšriidapós a ¡ir°clam3Çã0» U0 Clifl 17 de íwvembro'
~ 0 mantido com eles contato estreito até Wa
\g

40

`_

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morte, em l89l. Um ano depois, 'l'eix‹-ira Mendes publit ava sua biografia
Nesta. Benjamin i'~ colocado no panteão civiro do Brasil. ao lado dl- Tira
dentes e jose Bonifácio. Tiradentes na Inconfidência. Josi' B-fmifárzo na
Independencia. Benjamin na República. era essa. para os ortf›d‹zx‹rz. a 'rir.
dade clvica que simbolizava o avanço da sociedade brasileira em diff-‹,á‹.. a
seu destino histórico, que era também a plenitude da humanidade erri sua
fase positiva."
Sem dúvida, o elemento corporativo foi também manipulado por B-en
lamlfl C' 59115 Seguidores. A exaltação dos alunos da Escola Militar f- da
Escola Superior de Guerra tinha muito de corporativa. de anticivii. Fa
lava-se o tempo todo em desagravo aos brios militares. Mas. para Benja-
min, o Exército era antes um instrumento do que o fim da ação. Dai talvez
suas hesitações no dia 15. Como positivista, embora não ortodoxo. nada
tinha de militarista, repugnava-lhe a idéia do predomínio da força na polí-
tica. Pacifista, sonhava com o fim dos exércitos, com o recolhimento de
todas as armas ao museu da história. Não deixava de ser irônico que o Exer-
cito fosse usado para atingir um estado social que o rejeitava. Silvio Rorrzero
apontou na época essa incongruência. Militarismo e positivismo eram. se-
gundo ele, duas coisas que “hurlent de se trouver ensemble”. Os orto-
doxos reprovaram a Benjamin a maneira como foi feita a República. Para
eles, a transição deveria ter sido completada pela elite imperial. o imperador
à frente. Mas essa convicção não impediu Teixeira Mendes, no proprio
dia 15, de exortar os republicanos aos gritos: “Proclamem a ditaduraf Pro-
clamem a ditadura! ' '. Nem elimina o fato de que, por trás do apoio a Ben-
jamin, havia uma visão elaborada de república.”
Tal visão conflitava não só com o deodorismo mas também. e princi-
palmente, com a posição de boa parte dos históricos. Falava-se na divisão
entre as correntes democrática e sociocrática, entendendo-se por democra-
tica a posição dos históricos não-positivistas, partidários de uma república
representativa á maneira americana, ou talvez mesmo a maneira da Ter-
ceira República Francesa. Os sociocráticos, ou positivistas, eram inimigos
abertos da democracia representativa, para eles caracteristica do estado
rnetafisico da humanidade. Em seu lugar, deveria ser implantada a ditadura
republicana, forma de governo inspirada tanto na tradição clássica romana
como na figura do Danton dos tempos do Comitê de Salvação Publica da
Revolução Francesa. O Congresso, nesse modelo, cumpria apenas papel
orçamentário. O ditador republicano governaria por toda a vida e escolheria
seu sucessor. A finalidade de tal ditadura era promover a república social.
isto é, garantir, de um lado, todas as liberdades espirituais e promover, de
outro, a incorporação do proletariado à sociedade, mediante a eliminação
dos privilégios da burguesia.
Em sua forma pura, averlmte ligada a Benjamin Constant ficou res-
trita às propostas dos ortodoxos e nie encontrou aplicação prática. Mas

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“metros f
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zara Urias tnvdtdl-“ dos ¡tfOdUÇã0 do Casamento Civil bretudo
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~ \ \pttlt\l‹I . W l
a¡\ar‹*nt\‹i-Í* _ _.'__¬ , ._ , «-
mista embora essa doutrina esttusst em contradição com o milttarisrm,
sz» z ‹‹~¡:t'it~tàz.i dos «l‹'°«l0fi-*'i*5«f~°SL'"*'af-5° “l`¿**5ä° do Emfiitv. a
nt' uh-ltcaa ver * ` ' i' i i i Í. . r dlpáuu' U3
,¡¬,,,¬.m¡ do positivisnio uma visão tntegffldfl da hl5¡Ôfl3¬ Uma lfllerprcftaçâo
¿,, ¡¬_¡_c5¿¿0 e do presente e uma projeção do futuro. Incorporava, ainda, uma
¡¿.n¿¿m-¡,¡ mgggiãnica, a convicção do papel missionario que cabia aos pgq-
tivistas, tanto militares como civis. A historia tinha suas leis, seu movl-
mento predeterminado em fases bem definidas, mas a ação humana, egpe-
cialmente a dos grandes homens, poderia apressar a marcha evolutiva da
humanidade. Essa marcha, no caso brasileiro, passava pelo estabelecimento
de uma república que garantisse a ordem material, entendida como incor-
poraçlo do proletariado à sociedade, e a liberdade espiritual, isto e, a quebra
dos monopólios da Igreia e do Estado sobre a educação, a religião, a ciência.
Os ortodoxos civis pensavam realizar tudo isso pela ação de pessoas
que possuissem treinamento técnico, médicos, engenheiros, matemáticos.
Uma vanguarda aguerrida assim composta poderia, segundo eles, operar
a grande transformação. Era uma espécie de bolchevismo de classe media.
QUC Sfli diS€\1lid0 fldiante. Muitos positivistas não se coníormavam, no
Glllllw. com o uso exclusivo da tática do convencimento. Engajaram-se na
um 9°u“°*› fm ¢°¡1SP1l`flÇões e revoltas, embora tivessem de enfrentar a
Išgovacio e até a excomunhão do Apostolado. Foi o caso de Silva ]ardiH\~
hmm Constant e outros O mesmo se deu no sitivismo militar. 659€'
dllmentenodgs po
eswhs mmtmsz Que entraram num stado uase perma-
"="°
¡ ¡ d. V _ pzuúcz
<' = «mem ~
_ . mterrompido ° porQ ocasião az
apenas em 1904,
actua. O yacobinismo civil crescido em torno de Floriano.
""'°““°”°"“<““=f‹=ni‹õ==à°z¿ma°z°z
^'°"°'°1¢n0sitivista¿¢¡¡
==
blioama. ialiantamb. ` *Ou sua marca em vários monument0S fePti-
lilica da Rtpúb ' se d°d¡Cld06 a Beniamin Constant, local1zad0 fla
mlfbem 00 dedeJmfimi I Floriano Peixoto, na Cinelândia»
dos
mm” lwoitivistas Efillüdo ‹2.smh°5z em Porto Alegre, todos obrasc
sa ,¡, °5 três ümstiJim i s¡ 9 Décio Villares.
°qu°~ pouzâzos. obedecem
Semelhantes na fg;
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5. Monumento a Benjamin Constant,


Décio Villares, Rio de janeiro.

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Õ- Mo fwmento a Floriano Peixoto,


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sd, Rio de ƒaneiro.

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7. Detalhe do monumento ao lado.

estéticas, segundo as quais a arte deve ser a idealização da realidade, a exal-


tação do lado altruísta e afetivo do ser humano, deve promover o culto
cívico da família, da pátria e da humanidade. O culto cívico, no caso brasi-
leiro, segundo a orientação do Apostolado positivista, incluía, alem da ban-
deira republicana, desenhada por Décio Villares, as figuras de Tiradentes,
José Bonifácio e Benjamin Constant.
O monumento a Benjamin Constant, executado por Décio Villares e
inaugurado em 1925, já fora proposto por Teixeira Mendes em 1892. Pro-
posto e concebido. Segundo Teixeira Mendes, Benjamin devia sem duvida
ser mostrado em sua atuação de 15 de novembro, mas era preciso ficar expli-
cito que agia “sustentado moralmente pela Familia e impulsionado pela
Pátria, no serviço da Humanidade”. A figura simbólica da Republica, re-
presentada por uma mulher, deveria dominar o monumento. Benjamin de-
veria aparecer tendo cruzada sobre o peito a bandeira republicana, com des-
taque para o lema “Ordem e Progresso". Baixos-relevos representartam
cenas da vida do herói.” A obra de Décio Villares seguiu em quase tudo as
indicações de Teixeira Mendes. A única modificação significativa, que não
foge à simbologia positivista, foi a substituição da Pátria no alto do monu-
mento pela Humanidade, representada também por uma mulher, agora
com uma criança ao colo. Benjamin está voltado para o Quartel-General,
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I

I _'

I'

8. Monumento a Júlio de Castilhos,


Deczo Villares, Porto Alegre.

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1-i.

9. Detalhe do monumento ao lado.

tendo por trás a bandeira. Nos medalhões e baixos-relevos nas quatro faces
do monumento, aparecem cenas de sua vida, incluindo o momento do 15 de
novembro em que é colocado ao lado de Deodoro, em pé de igualdade,
fazendo mesmo certo contraponto com a figura do marechal: enquanto este
está de boné erguido, Benjamin mantém o seu abaixado. Aparecem nos
medalhões as figuras de Tiradentes e José Bonifácio. Em um dos baixos-
relevos, na parte posterior, há referência à Revolução Francesa, na figura de
Danton. Num dos medalhões mais arrojados, Cristóvão Colombo preside a
uma cerimônia em que Benjamin Constant devolve ao presidente Francia os
troféus da Guerra do Paraguai. O bronze utilizado proveio da fundição de
dois canhões, um brasileiro, outro paraguaio. Por todo o monumento, há
reprodução de lemas positivistas e frases de Benjamin Constant, tais como
“A religião da Humanidade é a minha religião' '.
Visão semelhante está embutida no monumento a Floriano Peixoto,
obra de Eduardo de Sá. A obra foi inaugurada em 1910. mflS 0 edital É
de 1901. A figura de Floriano é colocada no alto do pedestal, em composi-
ção intitulada Guarda â bandeira. Como no monumento anterior, a ban-
deira republicana forma o pano de fundo da estátua. Nela, em baixo-relevo,
estão as cabeças de Tiradentes e José Bonifácio e o busto de Ben jarnin Cons-
tant. A esquerda, uma figura de jovem mulher estende a mão direita, aben~

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. a zltria. A bf --
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ii formal Llfl' 3"” C' . . hQ5 do a I tar,
z for a n1 co
' l ocados quatro
mento tem z. N os FHC
revolução di 1789. O5_ grup Os representam as” três~- rfdÇ?1S lOr_
'mm 3 státua
grup is- ein bronze. e uma 6 , leirae' . . - -
¡ ¡ i da população brasi ' a religião catolica,
_ mediante a referencia 3
mitoras . wra_ Lá estao Ó Caramuru (raça brancax
. . ~ - sos de nossa litera _
Êlk‹'r‹ii$io:Í;l1Ode Paulo /if0f¡50 (f3Ç3 “e3f3)› l/'lllffl Ptruma (raça amarela)
‹.~ Ant-/,reza (catolicismo). A fisflffl de mulhe* mm. umafosa na mã°~ pra
wmjt. 5¡gn¡[¡¿-ar z raça mista surgida da fusão das tres etnias e o predomínio
' éis em baixo-relevo mostram colaboradores
do sentimento e do amor. Pain . 0
' t ntas as figuras QUE» Segundo Francisco de A555,
da obra de Floriano. Eram a
' ' à época. q ue
Barbosa, se dizia .
Floriano
'as ¡ 5
do topo do monumento parecia gn-
tar: “Aqui não sobe mais ninguém. .
larga controvérsia. Reclamava-se do caráter
O monumento provocou
sectário de sua concepção, de representar a tentativa de uma corrente de
pensamento, de uma facção politica, de se apossar indevidamente de figofa
` A olêmica entende-se pelo fato de
que pertencia a todos os republicanos. p
` ` ista ao contrário de Benjamin Constant
não ter sido Floriano um positiv ,
`lh
ejúlio de Casti os. O monumento era, de fato, uma tentativa positivista de
se apropria` r de sua memória . Não deixa de ser significativo que Floriano
tenha sido colocado no monumento guardando a bandeira republicana con-
cebida pelos positivistas. Floriano, é sabido, não gostava da bandeira e che-
gou mesmo a encorajar, quando presidente, um projeto '
de' lei que
16
propunha
modifica-la, retirando o lema positivista, como se vera adiante
Não difer
inaugurado m 'tÃlna concepção
em tir)0:01 " o monumento a Julio . ‹ ' de Castilhos,
.
- .egfe em 913. A obra é do mesmo Décio Villares
que executou o de Benjamin Constant e compõe-se de uma ` " 'd
cujo topo domina a figura da República em forma de mulhe tplräml e ein
um globo onde se distin uem 21 ri en O aos pes
indefectível “Ordem E ãrogressoestrâllas, que representam a Federação. e o
aparecem várias cenas da vida de _l.'1- a base dfl Pirâmide' nos quam) lados*
referências a Tiradentes = a José B Om
u ácio
Cie Castilhos, alémFrancesa.
e a Revolução das tradicionais
Lemas
positivistas distribuem-se pelo monumento.”

QUINTINO BQÇ AIUvAz


' A REPUBLICA
, LIBERAL
Quintino B '
Presentava em 1889 a propaganda republicana
maugllfada com al 81.1111
grande pane- POr ele ' Elriisriiazi-¡ialdhaÇ° pelo Manifesto de 1870, redigido em
Fêderal
bli
realizado S
. _ em 50 Pa l
e 1889
-
_ z durante 0 Congresso R ep ubiâzzzno
cano Bms¡l°"'°. P0siÇãouqi.)ie(llli1lnt1no
e dava fora eleito chefe dos
representação do Partido RGPU'
republicafl05
N
48

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paulislzis i' di' outras pim lui ias. Por i-ss.: rii/Jo, i'rnl›‹›r.i liiiiivi--s.~.ú~ ‹Iiv‹=ryj-ri
ttil\ tlrllllfl ilfl lhlllltlti t|tI.t|llti .tus lIlt"lt›‹l‹is .I srrvtll t'|It[›rt°¡.¿.i‹|‹i~. ¡›.|r,¡ ,| um
danca do ieiziiui-. ti IS de tiiiiettiliro ele rt-present.iv.i t‹›d‹›~. ‹›~. pr‹›p.iv.in
distin i tus
f\ dt'l‹°\a de seu papel era mais prohl‹'m.itit'a do que .i da p.irti‹ ip.i‹,.il‹,
“ll” dll” l¡\\`Õ4'\ militares, pelo simples fato de que ti l'› de n‹›v‹-nil›r‹› toi
a\`I\\ dti'\`Idlda t' lt'Vad¡| a t'lt'tl0 pelos mllltdftw. Os I'ept1l›ltF.tnt*›s ‹ ivis li›r.irii
t*\ilt×`a\l0\ ll Nf Úfl Cflflspiraçllti apenas quatro dias antes de seu tli-sli-t ho
Mfllllfl MSIIH. como vimos, contra a vontade de Deodoro. Para a lt-ititirrii
dade do movimento, no entanto, era importante que ele nao apziret rw-
oomo simples acao militar. Era fundamental que a presença dos historit os
ooiistasse do proprio evento, a fim de evitar a ironia de uma pr‹a›clariia‹_~;¡‹›
alheia ao esforço que desenvolviam havia tantos anos.
A aliança com militares para implantar a república fora cliscuiitla
entre os propagandistas. Quintino Bocaiúva era quem mais defendia tal
alternativa. Ele proprio confessou que não se dispunha a ir para a rua sem o
“botao amarelo": “Sem a força armada ao nosso lado, qualquer agitação
de rua seria não só um ato de loucura [...] mas principalmente uma derrota
antecipada"."* Era, por isso mesmo, chamado de militarista nos círculos
republicanos. Outro que aceitava a colaboração era Francisco Glicério, que
Campos Sales enviou ao Rio ao ser avisado por Aristides Lobo dos planos
conspiratorios. Havia os que discordavam da alternativa, seja por defen~
derem a implantação da república pela via revolucionária, pela revolta po~
pular, caso de Silva Jardim, seia por a desejarem pela revolução pacífica,
como Americo Brasiliense, Bernardino de Campos, Saldanha Marinho e
talvea a maioria dos republicanos paulistas. É sintomático o fato de que
nem Silva Jardim nem Saldanha Marinho tenham sido postos a par da
oonapiraçlo.
Um dos grandes problemas dos históricos era a situação do partido no
Rio de Janeiro. Seu chefe tradicional e respeitado, Saldanha Marinho, não o
conseguia disciplinar. dadas as divisões entre as várias correntes - evolu‹
clonistas. revoluelonarlas. eivilistas, militaristas. Os paulistas inquieta-
vam-se com a situaçao do Rio. Em 1887, Campos Sales escrevia a Saldanha
Marinho: ' 'l . . .I o atraso da ideia republicana no Brasil é devido quase que
totalmente a falta de uma boa organizaçao na capital do lmperio”.'° Ao
fi na l de l888, inlcio de l889. o partido estava em crise no Rio. Saldanha
escrevia aos paulistas ameaçando renunciar. Segundo ele, no Rio havia ape-
nas um simulacro de partido. Disciplina-lo. acrescentava, era tarefa supe-
rior as força: da qualquer' '.'° O desânimo em relaçao as possibilidades de
uma açlo eficaz por parte do grupo republicano do Rio de Janeiro era parti-
lhado tambem pelos radicais do grupo. No congresso do partido realizado
em 1888, Barata Ribeiro. o futuro prefeito florianista da cidade, manifestava
seu ceticismo. afirmando que era das províncias que se devia esperar a vitó-

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_ ~ de Ja neiro
O R¡()
- POderia ' no máximo, contribuir com
_ meflIO.
ria _ dO mov'
- zi - ediram aos republicanos no
apirotecnifl- . . ue 05 deodoristas p .
ra. a i›"`°[eCma ii Bandeira, nem esta foi bem Olaganizizdaafialendod
. . dooteflffl _ ' Ó ieo Aristi es o o. ssa ver~
dia 15. 51811" . b rvaçao do hist r
. ‹ ` a tiva z 30 59 - ' ' smo ar
um dos
«ão pardtaldmm
acontecim emos . era. incômoda
“vademais
A para osmilitar
presença civis, era
me inegaveo a,
* .. . ntino Bocaiu ~ ó I ° ,P I

os mi litaristas como QUI


. á-1 em mero instrumento
'
dos desi g nios
-
mas fazia-se necess ário transform 8
. ° ~ D doro lhes era simpática exatamente por ser
dos históricoš AdPoS1ÇÊ<Ê;l¿enÍ:va O apoio da corporação militar sem inter-
C0fP0ffl¡¡Va- dd Om r . ' namento.
ferência na concepção dO I10V0 1'@81me_ e rfldsmo em Se: lfunnaclfeunião de
Bastava aos históricos salientar as hesitaçoes do marec ap to NOS dois
ll de novembro e após a deposição do ministério de Ouro re . 85508
momentos, Quintino Bocaiúva aparece, na versão do grl1p0, COÍÊO É P tem
que faz Deodoro decidir-se a favor da república. No dia 15, Quintinod a
convencido o major Sólon a dizer a Deodoro que não recolocaria a espfl 3 n
bainha enquanto a república não fosse inequivocamente proclamada.
Mais importante do que afirmar a posição dos históricos frente a D€0'
doro, era afirmá-la frente a Benjamin Constant. Se a glorificação de Deddd'
ro era compativel com a proposta dos históricos, ou pelo menos Clã Um
grupo deles, a de Benjamin não o era, de vez que representava, além da
interferência militar, uma concepção de república, uma determinflÇã° de
orientar os rumos do novo regime. Os rumos de Benjamin eram OS fumos
P0sitivistas. Se havia históricos positivistas, especialmente no RÍO Gfddde
do Sul, eles não predominavam no Rio e muito menos em São Paulo, Cfndd
estava o peso maior do movimento. A república sociocrática dos P051““5[aS
era incompatível com a república democrática dos paulistas, isto é, com a
república fepresentativa á maneira norte-americana. Esta, pflf21 05 positi-
vistas, era um regime metafisico uma ditadura parlamentar uma burgue'
mcrdcia- 05 Brandes adversáriosddeológicos dos históricos eram 05 Pdsmd
v'ISIHS e não os deodoristas.
.
NãO é de estra . . ' 'V3 Ê de
Francisco Glicério b nhar , então' .que a verdad
~ de Qumtmo B0Cfi'd . o df
Deodoro. Beniamin é 'uscasse red uz” O papel de Bemamm ' ' , mais dO qd
H e deu
ai ' ~ ' mfl
são naturaleconstant@,,a¡KÍesfntado como um ingenuo, viti. apresentavam de 1n
como o firme antídoto às .h O. ligar do lider
' ' ' tas
que os positivis le que nos mo -
memos decisiv . esitaÇões de Deodoro, como aque o
.
movlmento
°5› .@SDecialmente a 11 e 15 d e novembr0» garante q U6'A-se
. - u
tão hosüame quâfilâ) genâs uma quartelada, aparecia uinj.ÊÛí¿zâi(1)1f¿gíaVz-
mento do estado de Saúíio gro, se não mais. .Noidia 14, . imOS[ra¿O total-
mente desammado r e o marechal, Benjamin seteria e resignado ao
daüâso da caus , p 0p°“d0 adiar o movimento ou lá (luas rtfl'
a _ . lia
_ que ge
mente cairia sob; preocilpado com as CÚHSCQÚÊUC135 dd fepresd
9 08 militares. 22
Dm

5O ífq

Scanned by CamScanner
5*`.\2\'|\\l\' Quintino, foi sua det'isao, apoiada por Solon, que levou à
ptoclatitaçtlo. inventando os boatos di-llagradores da movimentação dos
regimentos de Sao (Írist‹'›vao e, assim, definindo a situação. Diz mesmo que
.t Republica se le/ no dia I-l, .ls seis da tarde, no largo de São Francisco,
dutatth' sua t'‹'ut\iz\o com Solon. Sua decisao, o arrojo de Solon, o heroísmo
de Deodoro eis, segundo ele, os ingredientes que fizeram a Republica. A
de\'is.lo e dos históricos, C- do chefe do Partido Republicano; os militares são
os instrumentos livremente aceitos para implementa-la. Quintino sugere
que a propria Questao Militar teria sido parte da tática republicana de agitar
os quarteis contra o governo. Semi Madureira, “nosso companheiro”,
teria dado inicio ao conflito com tal finalidade.
ll.-`t mais. Segundo os históricos, a hesitação de Benjamin fez-se ainda
maior apos a deposição do ministerio. Até o final da tarde do dia 15 não
tinha havido nenhuma manifestação formal de proclamação da República
por parte da liderança militar do movimento. A manifestação da Câmara
Municipal. liderada por José do Patrocínio, pedia exatamente isto: a decre-
tação inequívoca do novo regime. A uma comissão que se dirigia à casa de
Deodoro para exigir tal medida, Benjamin respondera da janela (Deodoro
achava-se de cama. atacado de nova crise de dispnéia) que não se podia
impor ao pais um regime novo, que era necessário consultar a população
por meio de um plebiscito. Isso deu margem a que um dos sobrinhos de
Deodoro. participante direto dos acontecimentos, o capitão Mário Hermes
da Fonseca. se referisse a Benjamin Constant como o “homem do ple-
biscito' ` . 33
A afirmação do papel dos históricos era, portanto, importante para
garantir a posição dos civis na proclamação e a perspectiva liberal da Repú-
blica. Mas era impossivel negar o aspecto militar do evento e o caráter ines-
perado de sua eclosão. Todos os jornais do Rio registraram esses dois ele-
mentos. Um compilador das noticias publicadas nos primeiros dias da Repú-
blica reconhece “o sentimento de surpresa unânime, produzido pelo esta-
belecimento da forma republicana no Brasil” .24 Arthur Azevedo, republi-
cano insuspeito, diz que a expressão de Aristides Lobo - bestificado (sic)
-- era de uma propriedade cruel, pois “os cariocas olhavam uns para os
outros, pasmados, interrogando-se com os olhos sem dizer palavra”. Ao
voltar para casa, às duas da madrugada, tudo era calmo e deserto no Rocio
(praça Tiradentes). Cantando, quatro garis varriam a rua do Espírito Santo.
Ao vê-los, 0 teatrólogo pensou: “Esses homens não sabiam, talvez, que
. ~ 9 25
naquele dia houvera uma revoluçao° .
O caráter militar da operação era também por demais evidente para
ser negado. O que o povo da cidade viu foi, como disse Aristides, uma pa-
rada militar liderada por Deodoro. Após a deposição do ministério no
Campo de Santana, a parada seguiu pela rua da Constituição, passando pelo
Rocio, pela rua do Teatro, pelo largo de São Francisco e pelas ruas do Ou-

51

l Biblioteca “ Prof. Nicolaas G. Plasschaert" I


Scanned by CamScanner
ide Marinha e a rua larga de São Joaq Ui_
, o Arseflfl cgfessou aos quartéis
- de São Qriwmãtri
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I ,jttdifjt _ _ .i.0n ‹.
“di-li Mari'i'h3l Honamzlii bia seiwlda Por gmlms de populares» affiflítad A
thoti tPcn_uN,_ ,i para .i ii U na rua df) Ouvidor. Pela rua IQ da Vla lr”.
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*kiwi M \ niblcia Constituinte. h0UVe q * r ““l"" 2 riam
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iii! f0Clafl18Çã0. Algl-ms GWS' como Costa JumUr` quplxä'/arr


rciii militar ft quase diárms de que; z proclamação se devera exclu-rj-.
~‹_ il?
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W550 .
que considerava -
deprimente .
ao carater "”
n¿,,_,,j
nu-nt'¬ ` ._ -- - ,j
nal. Mag - não eram só os militares constituintes, como o major ESWWJ
' de sua classe nos eventos. Republicano
Santo. QUÍ' allfmavam 3 Supremacia a criação
.d com . de uma versão' i . menøs dep”
. ~
históricos não c0mPf0me
ti os _
° ° mente o fato. Foi o caso do desabusado Martinha
mente" admitiam aberta . 66 I . _
pmgo Júnigr, o qual dizia sem peias que Os militares fizeram 3 ¡@p,¿_
blica” e criticava os civis por se terem submetido aos desígnios dos dum-
reis. A interferência militar, segundo ele, tornara possivel a proclamaç âg (10
novo regime quando os republicanos eram parte insignificante da popuja-
ção. Dai também, segundo ele, a quase nenhuma diferença entre o regime
antigo e o novo. Não era a república de seus sonhos.”
Em tais circunstâncias, era difícil, se não impossivel, elaborar um
mito de origem baseado na predominância civil. Como construir um monu-
mento à p roclamação em que Quintino, Glicério ou Aristides Lobo apare-
cessem como figuras principais? Mesmo dentro da estética positivista em
que a idealização era a regra, tal obra careceria de um minimo de credibi-
lidade. No dia E1 5, os civis
coadiuvames ' ' apareceram no fundo da cena, como atores
› 8urant GS, encarregados da pirotecnia.
° - Seu momento de
maior presen Ç a fo'i a breve e algo tumultuada cena na Camara
.. Municipal.
Masherói
seu › alémnão
de em
a'cerim '
ônia
convincelllío ° decisiva
tšr sido' ~ - para o desfecho da situaÇao
.
6. atrocinio, o vereador que promoveu o ato
ainda havia P0uco criticava
' ° -
violentamente os republicanos
. e era por eles
odiado por °
enadodceëllrlsôäigaagões com a Guarda Negra. Além de exibir um heroi
stentava também um simbolo errado. A bandeira QUE
5:. XIV, Patrocinio has .
P- Í04 Trovão ¡m¡ mou no prédm da Câmara era a do Clube Republicano 1.0965
subs
. ' “CÉU (la band ' -
tituida D8lz versão P0sitivista
_ _ fifa tomada
americana, - depois
oficiläl-le quatro dias - sem
-
~ 5°. flfflhumh iaicr republicano
imortallzado - . . teve qualquer gesto que pud€SS€
civil
581'

semelhante ao9°que“Qilhe ogol: também esteve longe de representar um Pi-*PEI


os ~
adä{>i\âl(››licm°,_ u 30Revolução Francesa de que tanto falavam
Apesar dos foi
“° - ÍÇOS de Silva Jardim nem ele própfi0
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lmsc este niiIit.ir oii itvil, l‹›s-.‹- ‹l‹- l)i-‹›‹l‹›r‹›, ll:-njainiri ou Uiiiritirio Bo
i.iii'i\'.i. U i`inii‹› ‹~.u-niplii di- inii tàitivói popular ‹›‹‹›rr‹~ii no Íirial da parada
|"|¡"¡"- filllilmlfl ils tropas do líx/~r‹ it‹› tleixavani ii /\rs‹-nal ‹la Marinha para
regressar aos i|ii;irt(~is. Us popiilares qui- iitoinpanhavarri a parada p‹-dirarn a
l‹“l“'-* Tffivilfl que lhes pagasse tim trago. A tonta de quarenta rriil r/fix
~.ic;iliou i'âiind‹› nas costas do tavifrneirii, pois Lopes 'lrovão só tinha onu-
mil~r‹."is no bolso. () anonimo comerciante tornou-se. sem qtir-ref, o rm-lbor
simbolo do papel do povo no novo regime: aquele que paga a crinta.”
As tentativas de construir o mito original da República revelam as
contradições que marcaram o inicio do regime, mesmo entre os que o pro-
moveram. Contradições que não desapareceram com o correr do tempo.
A divisão entre as correntes militares teve longa vida. Não seria despropo-
sitado, por exemplo, ver no movimento dos tenentes, iniciado em 1922.
assim como nas agitações nacionalistas lideradas pelo Clube Militar na dc'-~
cada de 1950, ressonância explícita da vertente positivista. Em 1950, falava-
se abertamente na implantação de uma ditadura republicana. Na decada
de 1950, eram freqüentes as referências a Benjamin Constant e ao intenso
envolvimento politico dos militares que caracterizou o final do Imperio e o
inicio da República. Havia até mesmo, nos anos 50, militares remanescen-
tes do positivismo ortodoxo, como os generais Horta Barbosa e Rondon.
No entanto, houve entre os militares um grande esforço para eliminar
a divisão. O deodorismo viu-se reforçado pelas tentativas profissionalizantes
levadas a cabo pelos oficiais treinados na Alemanha e pela Missão Francesa.
Na década de 30, essa corrente colocou o profissionalismo a serviço da inter-
venção política, mediante a ação de Góes Monteiro. É conhecida a critica
de Góes à influência positivista no Exército. Ele a considerava fator de cor-
rosão do espirito e da capacitação profissionais. O Estado Novo levou a
batalha pela união ao campo simbólico. A estátua de Benjamin Constant foi
deslocada de sua posição central na praça da República, em frente ao Quar-
tel-General, e ficou quase escondida em meio as árvores da praça. Mas,
como sinal dos tempos, nem Deodoro nem Floriano ocuparam o lugar de
Benjamin Para 0 novo projeto militar, era necessária uma figura que não
d'ivi'd'isse, qi ue fosse 0 próprio símbolo não só da união militar mas da união
da própria nação. O candidato teve de ser buscado no Imperio: Caxias. O
duque passou a representar a cara nacional conservadora da República.”
Se os militares conseguiram, afinal, eliminar boa pane de suas diver-
gências, permaneceram as divisões entre os civis, e entre estes e os mili-
tares. Uma das razões do fracasso das comemorações do centenário da Re-
pública pode estar exatamente no embaraço que elas causavam apos vinte
anos de governo militar. Para os civis, saídos de longa luta pela desmili-
tarização da República, era voltar a falar nos generais que a implan-

53
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e .que ii consideravam sua propriedade. Para os militares como insti-
mma. M9. inw-ggzgvg ›ret0mFlr as divergências que marcaram os
do que inclularn não apenas conflitos dentro do
fiemdto, um eum o Exército e a Armada. 3°
0 mito: da zficou inconcluso, como inconclusa ficara a Repú-

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3
T1RADENTEsz
UM HERÓI
PARA A REPÚBLICA*

A luta em torno do mito de origem da República mostrou a dificul-


dade de construir um herói para o novo regime. Herois são simbolos pode-
rosos, encarnações de idéias e aspirações, pontos de referência, fulcros de
identificação coletiva. São, por isso, instrumentos eficazes para atingir a
cabeça e o coração dos cidadãos a serviço da legitimação de regimes poli-
ticos. Não há regime que não promova o culto de seus herois e não possua
seu panteão cívico. Em alguns, os herois surgiram quase espontaneamente
das lutas que precederam a nova ordem das coisas. Em outros, de menor
profundidade popular, foi necessário maior esforço na escolha e na promo-
ção da figura do herói. É exatamente nesses últimos casos que o heroi e
mais importante. A falta de envolvimento real do povo na implantação do
regime leva á tentativa de compensação, por meio da mobilização simbo-
lica. Mas, como a criação de simbolos não é arbitrária, não se faz no vazio
social, é aí também que se colocam as maiores dificuldades na construção
do panteão cívico. Herói que se preze tem de ter, de algum modo, a cara da
nação. Tem de responder a alguma necessidade ou aspiração coletiva, re-
fletir algum tipo de personalidade ou de comportamento que corresponda
a um modelo coletivamente valorizado. Na ausência de tal sintonia, o es-

(') Versão resumida deste capitulo foi publicada no jornal do Brasil, 2/ 12/ 1989_

55 l

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- - -. . . ' _- iollticas resiiltará vão. ()s - . ~
ÍOTÇÚ df' m"'l"a5ü° dt “Rum” ~ norzidos Pt l.i rn ii ` im H "'|“lf›'› ht-mi
. ~ - ` 'J '.'.t ' 3 °' i Uria ~ ~ i *-
serão, na milhor das liipottsts it ‹ . na pi‹›f_ ,WH
larizados. 1 Í, _ |
No caso brasileiro, foi grande o es orço ‹ t tr.iiisl‹›rrri.iç.i‹, ,|,,__ WW
¡,a¡5 participantes do 15 de novembro em herois do novo rui-giimz ,\._ _/1;
tudes de cada um foram cantadas em prosa e verso. em livro-i, .. ¡,,,rW'
em mimifr-giziçoes cívicas, em monumentos, em qiiadriis, ‹-in Ii-¡~. 4,, p,,Mi
blica. Seus nomes foram dados a instituições, a ruas e praças ‹|‹- ‹ji‹l.i‹i...__
a navios de guerra. Quadros como o de Henrique Bernardelli, ‹~×.ili,,,,,|,,
Deodoro, foram expostos á admiração pública.
Deodoro era o candidato mais Óbvio ao papel de heroi ri-piil-›li‹ .iri‹,_
Não apenas pela indisputada chefia do movimento militar que di-rriiI›‹,.,
a Monarquia, mas também por certos aspectos de sua atuação na j‹›rn,,,-5,,
de 15 de novembro. O velho militar, moribundo na véspera, mal si- mar,
tendo na sela, pondo-se á frente da tropa, entrando desassombradam‹›riiz›
no Quartel-General: sem dúvida, havia aí ingredientes de heroicidatlt-, i\«las
contra ele militavam fatores poderosos. A começar por seu incerto republi-
canismo, manifesto no proprio dia 15, seu jeito de general da Monarquizi,
sua figura fisica, que lembrava a do outro ilustre velho, o imperador. Era
ainda militar demais para que pudesse ter penetração mais ampla. Nas lutas
que envolveram o início da República, uma figura tão identificada com o
Exército dividia tanto quanto unia.
Outro candidato era Benjamin Constant. Seu republicanismo era ina-
tacável. Mas o problema com ele é que não tinha figura de heroi. N ão era
lider militar nem líder popular. Na maldosa caracterização de Eduardo
Prado, era um general incruento e um sábio inédito, exibindo “sob a es-
pada virgem um livro em branco”.' Por mais que os positivistas, hábeis
fabricadores de simbolos, tentassem promovê-lo a um dos componentes da
trindade cívica nacional, ao lado de Tiradentes e José Bonifácio, seu apelo
era ainda mais limitado que o de Deodoro. No Exército, atingia apenas a
juventude militar, alunos das escolas e jovens oficiais; no meio civil, con-
tava quase só com os positivistas.
_ Candidato mais sério que Benjamin era Floriano Peixoto. Apagad0
gixgñäsäãgãäig Êmxnarquistas e republicanos, adquiriu dimensão. maiOf
ml úo pm. sua resâtêšglafltílš ng Rã? de.Jan'eiro e da Revolta Federalista no
amo delmeir vo as inspirou o jacobinismo republicano
0. movimento
_ _ que pela primeira
° ° vez deu à Re ublica
› - tintas
-
powhms'
¡-¢¡,“b¡¡cm°Pa”
por 05 llcobino ' ' e militares, era ele sem dúvida
_ S. civis p o heroi
lIneim,¡¡¡¡¿¡ excelência' A faça de seu 39610. pelo menos no Rio de
¡ J pode sel' detectadfl flfl rn Ó . 2
. - em¡¡¡m.es. dmdia os “_ em ria popular. Mas, se não dividia
filmlo. _ m II . . .
mna':;" °°flü'fl libei-¡¡s)_ As ¿::n(Exér_cito contra Marinha) e os civis
R “am” 'lfi Pureza e bra as amufles exaltadas pelos jacobinos
“na ÍÊPÍ-lbllCan33 3tam t
achadas de san _

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8U¡fláf¡flS 0 tlespóticas pelos republicanos liberais. Floriano poderia ser o
heroi de um tipo de república, a jacobina, mas não da República que aos
poucos se foi construindo.
Assim, o esforço de promoção desses candidatos a heróis resultou em
muito pouco. A pequena densidade histórica do 15 de novembro (uma pas-
seata militar) não fornecia terreno adequado para a germinação de mitos.
Era pequeno o número de republicanos convictos, foi quase nula a partici-
pação popular, e os eventos se deram na escorregadia fronteira entre o he-
róico e o cômico? Os candidatos a herói não tinham, eles também. profun-
didade histórica, não tinham a estatura exigida para o papel. Não perten-
ciam ao movimento da propaganda republicana, ativa desde 1870. Nem
mesmo eram reconhecidos como heróis militares. Sua participação na
guerra contra o Paraguai era pouco conhecida antes da República. Heróis
da guerra eram Caxias, Osório, Tamandaré. A promoção de Deodoro e
Floriano a heróis de guerra foi posterior a sua participação na proclamação
da República, já era parte do processo de mitificação das duas figuras.
A busca de um herói para a República acabou tendo êxito onde não
o imaginavam muitos dos participantes da proclamação. Diante das dificul-
dades em promover os protagonistas do dia 15, quem aos poucos se revelou
Capaz de atender às exigências da mitificação foi Tiradentesf Não que Tira-
dentes fosse desconhecido dos republicanos. Campos Sales tinha um retrato
do inconfidente em seu escritório. Os clubes republicanos do Rio de Ja-
neiro, de Minas Gerais e, em menor escala, de outras províncias vinham
tentando, desde a década de 1870, resgatar sua memória. Já em 1866,
quando presidente da província de Minas Gerais, Saldanha Marinho, futuro
chefe do Partido Republicano no Rio, mandou erguer-lhe um monumento
em Ouro Preto. Em 1881, houve no Rio de Janeiro a primeira celebração do
21 de abril. Até mesmo em província distante como o Rio Grande do Sul,
com tantos candidatos próprios a heróis republicanos, foi apresentada em
1881 proposta de monumento, feita por jornal de Pelotas.5 Mas os lideres
desses clubes não ocupariam o primeiro plano no dia 15 de novembro. O
presidente do Clube Tiradentes do Rio de Janeiro, Sampaio Ferraz, foi posto
a par dos planos da revolta, mas teve papel secundário. Como veremos, ele
encontraria problemas na promoção do culto a Tiradentes mesmo durante o
período florianista. Quais foram, então, as razões da adoção de Tiradentes e
que conteúdo teria sua figura de herói? .
Em torno da personagem histórica de Tiradentes houve e continua a
haver intensa batalha historiográfica. Até hoje se disputa sobre seu verda-
deiro papel na Inconfidência, sobre sua personalidade, sobre suas convic-
ções, sobre sua aparência física. Não me interessa aqui tal discussao. Nao
pretendo entrar no debate se Tiradentes era lider ou mero seguidor, se era
um revolucionário ou simples falastrão, se era pobre ou rico, branco ou
mulato, simpático ou mal-encarado. Ou melhor, essa discussão só me inte-
57

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nsmlção da mitologia. E certo que a
elevznte P im afeta e condiciona o debate histotlog
a . - ' l

f ~ dom
ressaz gflqllanto
_ O com a cons U-UÇZÓ1 debate, desenvolve _ se dentro de um Campo
P f€OCl-lpaça
,_ 5 ela trans Ceflde ta lmlles
_
6 os canones
A
'da historiografia, pelo
M3_ i
É ráfico. que ÊXH' avasa 05 ste Ca50 O (lO1Tl1I`llO ClO I`IlllO E' O 1magl_
raCí0f¡"'O . - 'cada ne ° _.
ici;-nos da hiS'°"9grafianiiiriiiidiÇã0 fffiffím ff “al” na pr°d“Ça° artística» nos
mlflø que se manifêstâo mito pode dar-se contra a evidência documental;
f¡ttiziis.l A lformšdinterpretat evidências segundo mecanismos simbólicos
ti ifllllginašigrãgriñs E que não se enquadram necessariamente na retórica da
que 853
ativa histórica. _ _ _
um Pouco se sa be sobre a memória _ de Tiradentes
_ _ entre
_ o povo _de I Minas
_ l _
Gerais e da cidade do Riode Janeiro. Que devia existir tal memória e dificil
negar. H a' documentos da época que _ testemunham _ o grande abalo causado
I
entre a p o p ulação da capitania e da cidade do Rio pelo processo_ dos reus e,
P articularmente, pela execução de Tiradentes. O autor anonimo da Me-
máfia do êxito que teve a conjuraçäo de Mmas, por exemplo, testemunha
ocular dos acontecimentos no Rio de Janeiro, refere-se constantemente a
grande consternação dos habitantes da cidade. Obrigado a elogiar a rainha e
sua justiça, o autor usa o artifício de personificar a cidade para exprimir seus
sentimentos pessoais. A “cidade”, diz ele, nunca vira execução mais me-
donha e de mais feia ostentação. A notícia da condenação à morte de onze
réus, dada no dia 19 de abril de 1792, abalou ° “a cidade”, que, “sem dis-
crepar de seus deveres políticos (leia-se: de prestar lealdade à rainha), não

6 se
P0d€ €SCOI1der de todo a opressão que sentia' '. Muitas famílias retiraram-se

Tiradentes, teve efeito) Ogâstl) níltšistincio do perdao de todos os réus, exceto


em um instante aliviada do deS,uSadOnao menos fortezl la cidade sentiu-se
ruas, povoaram-se as janelas,
' P650
.. muitos
. que a oprimia . Encheram-se as
grimasn 6 e muitos não sustinham as lá-

, . Frei Raimu Ildo de P . .


`indizivel concurso do enizifol-te' O Confessor dos mC°nfideme5= fala no
insiste; se não fo P 0 ao ato da execuçao. ` 'O povo foi inumero' ,
OV ~ z z , 1

. do peso deSS€m
debaixo suaias patru]haS militares,
- - . ele próprio esmagado
seria
m . . -
Vado Pela curiosidade em rellsa_ massa. Tal concurso poderia ter sido moti-
forte, testemunha insusp ÊtflÇfl0 ao espetáculo do enforcamento. Mas Pena-
nao deixa duvidas sob
~ . 0 z ' _p°15~ ffra dócil instrumento da justiça 1'6813»
a . ' ° . › r '

. re 3
PÊVO da lnfelicidade tem m0tlvaça° da multidão: ° “foi tal a compaixão do
oereceram volumariamepfral do réu, que para lhe apressarem 3 eterna
| e .

Ha lambe m O fg tstr esmolas Para. dizerem missas por sua alma


n s 9 7

in confidentes
' .
não g ` O de que J°a<1U1m .
Silvério dos Reis o traidor d0S
d ara devido
- à ° rejei I>Õde
"' v'wet em paz “O Rio de Janeiro para onde se mu- 7

grand ça0 (103 m' - _ __ ...


eque ele alterou o metros- A animosidade da popul߂ޡ em tao
9

nome, acrescentando-lhe Montenegro e foi morar

58 S

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no Maranhão. As pessoas não lhe falavam; quando o faziam, era para o
insultar. A se acreditar nele, houve até mesmo um atentado a tiros contra
sua vida e um incêndio em sua casa. "
Quanto a Minas Gerais, não (~ razoável supor que a prisão de tantas
pessoas importantes, a devassa, a exibição da cabeça de Tiradentes na praça
principal de Vila Rica não tivessem causado profunda e duradoura impres-
são nas pessoas. Não se tratava apenas de Vila Rica. A conjuração envolveu
pessoas importantes de São João del Rei (escolhida para capital da Repú-
blica). de Mariana, do Tejuco, da Borda do Campo. Documentos da epoca
afirmam que “a desolação se espalhou pela capitania", apos a prisão dos
conjuradosf' Ao visitar a província na metade do seculo XIX, Richard Bur-
ton anotou que se mantinha viva a memoria dos acontecimentos e era cor-
rente entre a população a opinião de que a pena imposta aos inconfidentes
fora excessiva e injusta.'°
Tenha-se também em conta que vários inconfidentes regressaram do
exílio. Dois deles participaram da Assembléia Constituinte de 1823: Jose de
Resende Costa, filho, e o padre Manuel Rodrigues da Costa. Resende Costa
morreu em 1841, já no Segundo Reinado, não sem antes traduzir e anotar.
a pedido do Instituto Histórico e Geográfico, o capitulo da História do Bra-
si/ de Robert Southey sobre a Inconfidência. O padre Manuel Rodrigues fez
um apelo ao governo central em favor dos revoltosos mineiros de 1842.
O participante e historiador desse movimento, padre José Antônio Mari-
nho, ao escrever que “ 'a província de Minas tem a glória de haver dado os
primeiros mártires á independência e liberdade do Brasil no seculo pas-
sado”, certamente se referia à Inconfidência." Anote-se ainda que Maria
Dorotéia Joaquina de Seixas, a musa de Gonzaga, morreu em Ouro Preto
em 1853, quando já se publicavam as primeiras referências à rebelião.
Embora fosse viva na memória popular, a Inconfidência era tema deli-
cado para a elite culta do Segundo Reinado. Afinal, o proclamador da indo
pendência era neto de d. Maria I, contra quem se tinham rebelado os incon-
fidentes. O bisneto da rainha louca governava o pais. O Brasil era uma
monarquia governada pela casa de Bragança, ao passo que os inconfidentes
tinham pregado uma república americana. Não era fácil exaltar os incon-
fidentes, e Tiradentes em particular, sem de alguma maneira condenar seus
algozes e 0 gigiema politico vigente. Não foi por acaso que as primeiras refe-
¡-eneias á rebelião vieram de um historiador estrangeiro. Robert Southey.
Sua H¡'_ç¡ór¿a do Brasil foi publicada em 1810, e a tradução portuguesa saiu
em 1362, Mas o capitulo sobre a Inconfidência, traduzido por Resende
Costa, foi publicado na Revista do Instituto Histórico e Geografico em
l846_ A fome de que Sonthey dispunha era apenas a sentença da alçada. Sua
analise e neutra, refere-se ã Inconfidência como a primeira manifestação de
principios e práticas revolucionárias no Brasil, critica a imperfeição do pm-

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.ii MM l`t'l~ll.slI¡| látilili/'iii |‹'l H i'.'›'/'Hifi
.- e 8 barbárie das leis da ('ll“° - ' o
.'ua‹.l‹in ~. I/
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(1550 ' (*Cl(l()l0UVUf l70r` , -. ¡¡||(j¡| l”l'lt°lÍ'|I‹ l;| ;|‹›'. Iliifiijji
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atuaçãfl pfllluflat
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°~ i do Rio. A‹› ana .
isss hiiflffl 8° 8°
~ _ srepubhcaflüh _' l .¡,¡¡¿|i' sua '»iiiij›;iii;i pf-l‹›'.
base iambem HPNWS na sentença da akddäs nfffirtziiliiiti-.s if' fll”'“" " "'“ ""“
febfldes S as Criticas ao governo pOrtm.uI~i. : -O fi' U |flfH'llt` tllii- ~.‹›iil›i- iiio'
¡@×l° mm as Cores própnajj dfium hcfrllƒ tm fr uma ideia ' `, iiiii-i'i""'*'*'-¿¡"
ref sem lf3C0 de temor' pois se Sacrlflcdvíi ' ~ o clima ili- lil›‹-r‹l;i‹li' v
tipica de um revolucionário francês. Embora c <>i-ill.. .I l )uh“(m'¡_¡“ (ll. WI
geme no Império de d' Pedro U' que wlinava PUSMW dll- ‹in'i‹l‹› iii-riri'
livro, ele atribui tal clima ao sangue de 'I`ira‹l‹'fllL'-Si <|U*'~ ff "fl 'G' “ls 'mm
nara. Sobre Tiradentes tem ainda uma frase que era fllf'-'*‹*i'|“ ' .V 1 mm
blicanos brasileiros e uma provocação ao monarca: .S‹:r,ia`fr.i‹|u‹ /.‹
levantar esse cadáver que Portugal arrastou pelas enxovias . '
. I 0 , - ¡ f z I ' ' 2
A Ilfefafufa bfasllelfa CÔÍTIÔÇOU 3 se Oflllpflf (IQ Iflfnd dnI( .S (.|ll( l
riografia o fizesse. As Liras de Gonzaga foram publicadas ainda na di'-cailil
de 1840. Em 1848 , a pareceu o romance de Antônio Ferreira de Souza mil
tulado Gonzaga ou a conjuração de Tiradentes. Bernardo Guimarães plllill
cou em 1867 seu conto “A cabeça de Tiradentes' '. Nesse mesmo ano. C1”
tro Alves escreveu a peça Gonzaga ou a Revolução de Minas, que foi repfl*
sentadaem 1866, em São Paulo, Salvador e Rio de Janeiro. Nessa versâl‹>~
o primeiro plano é atribuido a G '
,
sobre a liderança do movimento °"Za3a~
M 0PÇã0 que inaugura longa p‹›l0fll¡f¿l
d ° as "O P0ema que termina a peça. 0 (IHU ll'
°fl¡"Wl° Pflfl l>€f5°fl38em
_ Maria, T'ira d entes 'á a ar~¬ ' ` -alizaçzlfl
qu¿.a0sp0uC0sse¡mp0r¡a: l p tcc na idi.

â¡'l°§ ° 8¡8ante da praça,


CHSIO da mulfida t
É Tiradentes quem ii
o 0.

D _ p ssa...
eixem passar o Tititi."
. A0 QUÊ DIÍQQQ. 0 Ú › _ .
'íuâärnšelzsforreu em I›8ón;:|:›r¢<:liLl;ä:)p`T:|tiiI:: em torno da fiizura de
-¡.¡“dum..^1:ctlol¡¡-¡0 (jo Ruim ou mw. du da estátua di.
No lua" QM, ¡°:':°¿ o local eram ii pf¢¡,,¡¡ m“er:'^:|IfUiÇIo, hoje praça
"F0 da Ninha qn, °nc¿°¡d0 Tiradentes. o governo t'f|¡t':.çl° <-l0 conflito.
:`:"¡'°lUl~rda ffvolt Mm." Ú morte infam . "' "ml
,_ Teóh |° Otoni,.estátua
*¡9flu|n vim" ".¡¡Ê°d¡342. chamou a esi¡¡¡¡¡ ¡ ao
de mtu
e I\lI.'I'I`I (105 I'?I>\IbllC¡|¡°¡.
, _ d¿. Obruna..
Po Hr; iberal

oii
à__í¬-- - «._ _. r . \

p"`¡$¡0 de

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) ni . o liberal flumiiieiise Peilro l.iils Pereira de Souta compôs um poema
(to
ii ser distrilmlilo no t l ia ‹ Iii iii iiiiiiiiriiçilii
' ila estatiia . A policia apreendeu os
folhetos. mas-` ii poema siilireviveii e foi repiililiitatlii em Ouro Preto em
IRRR. O texto lala ilii expei tiitivii populiir em torno ilo iiiiimimi-nto. I'Íspera-
. )
se que seja ileiliuiilo it 'l`iraileiiti°s, mas aparei i- ii i-stíitiia ili l i-‹lr‹› lt

Nos alias ila coliardia


l°`esteja se .i tirania
l"az.em se estátuas aos reis.

Hoje o Brasil se ajoelha


E se ajoelha contrito
Ante a massa de granito
Do Primeiro Imperador!

Fala no bronze vil, lembrando a expressão de Otoni, e se refere a


Tiradentes:

Foi ele o mártir primeiro


Que pela pátria morreu.

Do sangue de Tiradentes
Brotou-nos a salvação.

E t e rmina dizendo que Tiradentes não precisa de estátua, pois o ve-


mos de p é no pelourinho, cercado de uma aureola de liberdade e fé. 15
A luta entre _a_memÓria de+Pedro_I, prom_ovida_pelo governo, eo ade
Tiradentes, símbolo dos rep!ubliçalggs, tornou-se aos pgnggg emblemáfiea
0 Conflito continuou apos a pro-
clamação, agora representando correntes republicanas distintas. Em 1895.
o Clube Tiradentes tentou encobrir a estátua de Pedro I para as comemo-
rações do 21 de abril. Houve protestos, e as comemorações acabaram sendo
canceladas. Em 1902, pensou-se em . erguer um monumento . no local
. Eque se
I
julgava ser o do enforcamento, mais ou menos onde existe hoje a sco a
Tiradentes na avenida Visconde do Rio Branco. A Câmara Federal votara lei
em 1892 mandando desapropriar o local. O monumento acabou sendo cons-
truido em frente ao novo prédio da Câmara, inaugurado em 1926 com o
nome de Palácio Tiradentes. Nesse local existira a Cadeia Velha, onde o
' '
inconfidente ' a sentença d e m orte e de onde partira para a execução.
ouvira
D. Pedro I ficou onde estava, m as foi-lhe imposta a convivência cívica com
o rival: sua praça passou a chamar-se praça Tiradentes. 1°
Havia poderosa simbologia na luta entre Pedro I e Tiradentes. Sua
expressão mais forte talvez esteja em artigo do abolicionista e republicano
._ .6._i._

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, -.¿ no iriniett"11 |tt'lIIIt'I°t› du |‹1|'IItIl t't\IIIt'Itt‹›| ,uwn m' ,I
Luls bamtt. |\llh|"^l'd$I I |,I.¡md‹,"¡¡.` (1882), U tltttlu ilu .iiligin “A 'HI
l \ . I. I ' `‹` i . ' . ` `i

¬-°-.n
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ahnl “lhmi'l(l`lFíl';:\` ' Ú Í tlllltl I`(~l(i|'Í`lll`l¡I tllfvltl
._ k,m¿¿-0|1¡ttit|t|i› ¡lt! vt'
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i _ ` d «t cruz o Rio de J“"““ ' - ` ' ~' V-lH‹› .iii

Rocio' A transformação U 'Í il IU lo imperial . lim


monumt~nto a `Pedro
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-. -. -. do iii.ir|lri‹›_
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dit thtgttliit
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- conätm nm ¬ ' ' v Õ fltl Íltt~¡lt'tlÇt'lt› itti lattlti ›
exibiram a come (fa
i da Qqázua
› ~ 'I al como
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. _ __~ _ _ _
A luta pela construcao do mito de Tiradtntts HW Um dos iiiiifmx
mais importantes em 1873
. com
¬ ~ tt PUbl¡€`1¡Ç¡¡° da “hm
.M M¡',¡¿›¡`¡-¡¡_ dv J“"q"""
Norlwrtti, qui' emN“'¡"'“‹›
clteli- ,|,.
de Souza Silva, Hi_i't‹›'rm da (.‹›n_/llflltf _
ério, descobrtra os /luƒm da I);-zi,¡_,-M
seção da Secretaria do Estado do lmP _
' m-lhe também ils mãos tt Memdrm (|,.
nos arquivos da Secretaria. Chegara _ H
' '
autor anônimo e o depoimento de Penaforte. Era uma autêntica
_ ` revoluçzii,
no estudo da Inconfidência. Norberto trabalhou treze anos nos tlociiinentos,
Em 1860, começou a ler partes do trabalho no Instituto Historico, de qm.
era socio. A publicação da obra foi` a p ressada
t ¬ ~_segundo
- seu proprio. ii›g¡,.-
'
munho, pelo surgimento do movi'mento republicano em 1870. I)ois anos
depois do Manifesto repub I':can o , em 1872 . foi proposta a construção de um
monumento a Tiradentes no Rio de Janeiro. Norberto declarou-se contra»
rio ã idéia, por considerar Tiradentes figura secundária e discordar da repre-
sentação do mártir vestido de alva, baraço ao pescoço, “como se o governo
colonial quisesse eternizar a sua lição de terror` `." Para justificar sua opo-
sição, apressou a publicação do livro.
Por revelar importantes documentos até então desconhecidos, a obra
de Norberto tornou-se ponto de referência 'f
obrigatório
` '
nos¬ estudos
¬ l.
.i I ncon-
fidência que vieram posteriormente, seia para elogia `- la, seia' para Ci-mu "~«-1‹.“*
¿
O debate sobre ela, embora disfarçado de disputa historiografica - com
todos os autorãs prelteilidtendo estar ei; busca da “verdade historica` ` -, toi
em re marca o ea t ' -
S u esífão ue me ifai inilefesínar om?
a u . N mbto de Tiradentes'
° E esse lado da
s]erviÇ0 dg Monarquia 9 de tentar gm' U0`r herto foi logo' acusado ' de estar. 8
f. h. Ó . d T. d q m ar a InC°“f¡dêflCl‹'=l. de denegrir a
igura ist rica e ira entes. Ele respondeu em 1881 elas á . ç I,
Revista do Instituto Histórico, argumentando que se bp P gmdö' U
mente nos documentos e que fizera obra de historiador aseam exduiwui
isto é, de observador isento e não de partidário apaixonad e São de Damon,
Sua isenção era muito discutivel, pois era funcionáq-
quista convicto, amigo dos principais politicos do Impérãlo Pulspco, monafc
cado ao visconde de Bom Retiro) e vice-pfefideme do I 0 (_0 livro foi dedi-
instituição quase oficiosa, tão estreita era sua hgação constituto Histórico,
próprio secretário do Instituto, cônego Fernandes Pinheko perador. O
Norberto quis com o trabalho " render sincera ` homenage › ¢SCfeveu que
m 3° @Xcel S0 prin- '
62

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Iv-

21 da
""'1"" “ """"'_" "' *'í"*'1""I
10. ' '21 de abril' ',
Revista Illustrada, 19/4/1890.

cipe em cujo reinado pode fulgir a verdade em todo o seu esplendor”.1°


Mas, curiosamente, as revelações de Norberto que despertaram maior irri-
tação eram provavelmente verdadeiras do ponto de vista histórico. Tratava-
se, principalmente, das transformações que, segundo ele, se tinham ope-
rado na pers onalidade e no comportamento de Tiradentes por força do pro-
longado periodo de reclusão, dos repetidos interrogatórios e da ação dos
frades franciscanos. Seu ardor patriótico teria sido substituido pelo fervor
religioso 3 o patibulo de gloria se teria transformado em ara de sacrifício.
Tiradentes, segundo Norberto, tinha escolhido morrer com o credo nos
o de revolta - viva a liberdade! - que
lábios em vez de o fazer com o brad
explodira do peito dos mártires pernambucanos de 1817 e 1824. Norberto
_ 6 6 ' .

resumiu assim as razões de seu desapontamento. Prenderam um patriota,


executaram um frade!”.2* T_ d b __ d
. o as
O s r e ublicanos protestaram. Negavam ter ira entes . eiia.
mãos e os pés P do carrasco; nao
" ace it a vam
. . a versão
~ de que_ teria caminhada
crucifixo' nao acreditavam que o conde-
para a forca em solilóquios com o _ › . _
na
do ao feougar se a vestir roupa por baixo da alva, tivesse dito que Nosso
_ ¢ \ ° 0°

S en haor t a mbém morrem nu por seus pecados.” _ Reagia-se,


. em suma, a ideia
. ,d anteoperioo ' d d GP risão › se tivesse__ transformado
_ em
de que Tiradelltes ur - ' Iso de rebeldia Pfltriotica que fizera dele
um místico, tivesse perdido o impu
___________..
63

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:principal figura da cot1iUf1lÇÃU-_AO d°>`qu¿¡1¡¡¡L.Í¡r íärêadšntes como rebelde.
i\`orberto tambem deslocava a liderança da blncãn t rçlctaópaäao ouvidor e
poeta Tomas Antonio Goflliltlil- Asslm fflzten o, o eg 1 reixava de ser
uma pessoa do povo Para se encarnar nom f€Df95€l1ÍfiflÍ€ 8 e lte, deixava de
ser um enforcado para se tornar um simples exilado. Um monumerizg a
Gonzaga não teria a conotação (que tanto chocou Norberto) de glortficar
um enforcado. um decapitado, um esquarteyado. E sena muito mais palará-
vel para a dinastia reinante. . _
A posiçao de Norberto estava bem altcerçada nos depotmentosde
Penaforte e do autor da Memória. Segundo sua denuncia, teria havido
mesmo tentativa de adulterar o texto da Memória, depositado no Instituto
Historico. Alguem teria coberto com tinta a expressão ' 'lhe beijou os pés' ',
relativa a reação de Tiradentes diante do carrasco Capitania. E perfeita-
mente possivel que o inconfidente tivesse sido realmente transformado em
um místico por força da experiência traumática da prisão e da verdadeira
lavagem cerebral que lhe aplicaram os frades franciscanos. Nesse caso, não
seriam de surpreender a menção a morte de Cristo, a quem queria imitar,
o beijo nos pes do carrasco. também referência clara ao perdão de Cristo
a seus algozes. e a marcha para a forca em soliloquios com 0 crucifixo que os
frades lhe tinham colocado entre as mãos atadas.
Mas tanto estava Norberto equivocado como o estavam seus críticos
ao acharem que o misticismo final de Tiradentes destruia seu apelo patrio-
tico. tirava sua credencial de heroi clvico. A partir das revelações de Nor-
berto e, quem sabe, da propria tradição oral, as representações plásticas e
literárias de Tiradentes, e mesmo as exaltações politicas, passaram a utilizar
cada vez mais a simbologia religiosa e a aproxima-lo da figura de Cristo. Se
Ribeyrolles so via o patriota, o soldado, o heroi cívico que se sacrificara por
amor a uma ideia, Castro Alves já falava no Cristo da multidão. No farto
material constante das coletâneas que todos os anos, a partir de 1882, o
Clube Tiradentes do Rio de Janeiro fazia publicar por ocasião do 21 de abril,
as referências religiosas são freqüentes. Já foi mencionado o artigo de Luis
Gama, publicado em 1882, sob o titulo “À forca o Cristo da multidão"-
Artigo de 1888, escrito por republicanos mineiros, chegava a atribuir a
Tiradentes maior fortaleza moral do que a de Cristo. Ele teria recebido com
maior serenidade a sentença: Cristo suara sangue. 2°
_ Após a proclamação da República, intensificou-se o culto cívico 8
Tiradentes. O 21 de abril foi deçlar-ado feriado nacional já em 1890, junta-
mente com o 15 de novembro. As alusões a Cristo também continuaram-
Artigo de O Paiz de 21 de abril de 1891 fala na “vaporosa e diáfana figura
do mártir da Inconfidência, pálida e aureolada, serena e doce como z de
Jesus Nazareno”. O desfile que passou a fazer parte das mmemotaçoes
do 21 de abril lembrava a procissão do enterro de sexta-feira santa. As ¿,¡-¡¡.
¡°8ÍflS apareceram já no primeiro desfile realizado em 1890. O san

4 "64 ii

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dos arredores da Cadeia Velha, em que Tiradentes estivera preso, prosse-
guiu ate a praça Tiratlentes e dai .nte o ltamaratv, onde Deodoro saudou os
manifestantes. Acompanharam o deslile representantes dos clubes abolicio-
nistas e repttblicanos, estudantes, militares. o Centro do Partido Operário
se e, em destaque, os positivistas, levando em andor um busto do mártir
esculpido por Almeida Reis. Presente tambem estava um misterioso Clube
,los Filhos de Thalma. Era a celebração da paixão (Cadeia Velha). morte
(praça Tiradentes) e ressurreição (Itamaraty) do novo Cristo. Em celebra-
ções posteriores, acrescentou-se ao final do desfile uma carreta para lembrar
a que, em 1792, servira para transportar o corpo da “santa vitima" apos o
enforcamento. Era o ` `enterro" da nova via-sacra.
Durante o desfile de 1890, Decio Villares. pintor positivista. distri-
buiu uma litogravura em que aparecia o busto de Tiradentes, corda ao pes-
coço, ornado com a palma do martírio e os louros da vitoria. Barba e cabelos
longos, ar sereno, olhar no infinito, era a propria imagem de Cristo. O Paiz,
referindo-se à obra, disse representar o grande mártir “tal como o dese-
nhou a sua [de Villares] fantasia de poeta e a sua alma de patriota".*'
Tratava-se sem dúvida de uma idealização, e isso não apenas por fazer parte
da estética positivista idealizar as figuras representadas.
N ão existia nenhum retrato de Tiradentes feito por quem o tivesse co-
nhecido pessoalmente. O que predominava quando Décio Villares fez sua
litogravura era a descrição tendenciosa retirada do livro de Joaquim Nor-
berto. Baseando-se em declaração de Alvarenga Peixoto, tirada dos Autos,
Norberto descrevera Tiradentes como “feio e espantado”, acrescentando
por conta propria que nada tinha de simpático, que era repelente. Os desmen-
tidos dessa descrição so vieram mais tarde. Dai adquirir maior importância
a interpretação de Villares, que contestava abertamente a versão tida como
verdadeira. Mais tarde, em 1928, Villares voltou a retratar o inconfidente,
dessa vez em um Óleo. Na nova obra, claramente um desenvolvimento da Rg. II!
primeira, a força das cores e a maior estilização da figura - cabelos e barba p. 98
menos revoltos -- acentuavam ainda mais a semelhança com Cristo, pelo
menos com o Cristo adocicado da maioria das representações.”
A simbologia cristã apareceu em várias outras obras de arte da época.
No quadro Martlrio de Tiradentes, de Aurélio de Figueiredo, o mártir é Fig. ll,
visto de baixo para cima, como um crucificado, tendo aos pés um frade, que p. 98
lhe apresenta o crucifixo, e o carrasco Capitania, ioelho dobrado, cobrindo 0
rosto com a mão. É uma cena de pé-da-cruz. Mesmo na representnçlo quase
chocante de Pedro Américo, a alusio a Cristo è inescapável. Seu Tiradentes Fit W.
esquaftejado, de 1393. IIIOSUU 03 P¢<l¡€°$ ÔU 1701110 Sobre o ctdthlso, como 9›
sobre um altar. A cab¢Ç¡› ¢°m l°“3¡$_b“'b¡$ ¡'“¡“5› Qfifl °°|0€l<|I om p.o~
Siçãø mais alta, tendo ao lado o crucifixo. numa dara suga-seio da gang..
lhança entre os dois dramas. I.Jm dos bracos Donde PIII fora do
citação explicita da Pulà de Michelangelo.

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Akknw do Óbvm apelo .l tradiçãlocrtstã do povo, que Íatilitava 8 UNIS-

ntisslo da imai.t‹'m de um ( rasto t'l\'l(`0. Pfidff W113 PÍ'fÍlUflÍ3f Por Quuas


` h, ¿.\,¡,. ill- 'l`iradent‹~× como heroi republicano. Pois não foi sem
NINÍ l , W. ,.¡,. _¡¡¡ngiu tal posição. Tiradentes tinha competidores histó-
nimlmilliltillit de heroi do novo regime. alem dos rivais do dia 15 de no-
ni,`,l,l¬ll:» l'.ir.i inencionar os mais Óbvios. havia no sul os lideres da república
;_:,,,,u¡¬illia. No norte. a figura respeitável de frei Caneca. Não consta que
W ¡,-nha tentado transformar Bento Gonçalves, presidente da república sul-
W _`.“m¶,-n_×~¢, em heroi republicano nacional. O fato talvez se deva á posi-
¿_\l¬ peculiar do Rio Grande do Sul no cenario brasileiro e à suspeita de sepa-
ratismo dirigida a revolta farroupilha. Faltava aos herois gaúchos a carac-
teristica nacional, indispensável á imagem de um heroi republicano.
Frei Caneca era um competidor mais serio. Heroi de duas revoltas,
uma pela independência, a outra contra o absolutismo do primeiro impe-
rador, morrera também como mártir, fuzilado, pois nenhum carrasco se
dispusera a enforcá-lo. Joaquim Norberto censurava a Tiradentes exata-
mente o não ter morrido como os mártires de 1817 e 1824, desafiadores,
o grito de liberdade na garganta, autênticos herois civicos. Em varios dis-
cursos no Clube Tiradentes, mencionava-se o fato de não ter sido o herói
mineiro o único mártir republicano, nem o primeiro. Frei Caneca era as
vezes mencionado como merecedor de respeito.
Um dos fatores que podem ter levado á vitória de Tiradentes é, sem
dúvida, o geográfico. Tiradentes era o herói de uma área que, a partir da
metade do século XIX, já podia ser considerada o centro politico do pais -
Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo, as três capitanias que ele buscou,
num primeiro momento, tornar independentes. Ai foi também mais forte o
republicanismo e mais difundidos os clubes Tiradentes. O Nordeste, ao
final do século XIX, era uma região em decadência econômica e politica e
não se distinguia pela pujança do movimento republicano. Alem do mais,
a Confederação do Equador também apresentara tintas separatistas que a
maculavam como movimento nacional. Se é verdade que a Inconfidência
tinha em vista a libertação de apenas três capitanias, isso não se devia a
qualquer ideia separatista, mas a um cálculo tático. Libertadas as três, as
outras seguiriam com maior facilidade.
Parece-me, no entanto, que há ainda outro elemento importante na
preferência por Tiradentes. É possivel que sua vantagem estivesse exata-
mente no pgmo que Joaquim Norberto lhe criticava. Frei Caneca e seus
companheiros tinham-se envolvido em duas lutas reais, em que houve;-¡
gangue e mm-ze. Morreu como heroi desafiador, quase arrogante, num ri-
tual sem de fuzilamento. Foi um mártir rebelde, acusador, agressiva
mgffeu em-no vitima, como portador das dores de um povo. Mmfeu
lider cívico e não como mártir religioso. ¢IIll>0l^8. iwnicamente, Se
de um frade. .-

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' O patriota virou místico. A
- contrário. _
._
Tiradentes foi exatamente oco raÇu¿0 ~ como dele disse o. frade Pena-
.
d°m°nS"0u em ° 50 e não do fervor cívico. Assumiu
°°"3‹m Que f l do fervor religio .
forte -' Vlflhíi '° 'M ' ~ ¡¿¿›ntificou-se abertamente com Cristo.
explicitamente: postura de mártir. 'daíalso a forca erguida 3 altura mto
O cerimonial do enforcamento. olcfèão expècmme ___ tudo mmribuia para
mum,os soldados em volta, a multi S fi mas 3 Cmcmcação Q O mforw
t me
aoroximar os dois. eventos eoflisqtärteãmenito posterior, o sangue derras
' T radentes.
memo' Cmm ' i 'bu
e ' lao das artes p elos caminhos que antes percorrera
_ a
ando'serviram
bém 3 dm n ao 'Çsimbolismo
P da semeadura
_ do sangue d° má“"¬ que' mm”
emente de cristãos.
dissera Tertuliano. era s ` ais segredos do êxito de Tiradentes.
Talvez esteja ai um dos princip d á ação concreta poupou-lhe ter der-
O fato de não ter a coniuração passa o _ D _
ramado sangue ter exercido violência contra outras pessoas. tor Cflfldo lm-
migos. A violência revolucionária permaneceu pot€I1Cifll- T1fflCl€flf€S ffffl
' d sua túnica de condenado".3°
“o mártir ideal e imaculado na brancura e foi a vitima de um sonho,
ascos Ele
A violência real pertenceu aos carr .
` d `
de um ideal, dos “loucos eseios de uma sonhada
_ liberdade”, na expres-
são do autor da Mem óría. Foi vítima não sÓ do governo português e de seus
repres entantes, mas até mesmo de seus amigos. Vítima da traição de Joa-
Q uim Silvério, amigo pessoal, o novo Judas. E vitima também dos outros
companheiros da conspiração, que, como novos Pedros, se acovardaram
.
procuraram lançar sobre ele toda a culpa. Culpa _
que ele assumiu _de dboa
vontade. Congratulou-se com os companheiros quando foi comuriiça 3 3
Fig. V. suspensão da sentença de morte, satisfeito por ir sozinho ao Czidzfalsg Ei;
p. 99 plicitamente, como Cristo, a quem quis imitar na nudez e no perdão ao
carrasco,. incorporou as culpas, as dores e os sonhos dos com pan h eiros
` çaoe que
dos
,
compatriotas. Operava pelo sacrifício no d ' 'ominio místico,
- a salva "
nao pudera operar no dominio cívico.
Tudo isso calava profundame -
pela religiosidade cristã. Na figura deliçifaldesâzlztlmeâlto pol.mlar.° ma.r.cadO
se, ele operava a unidade mística dos cidadã S to os podiam identificar-
ção, de união em torno de um ideal fosse ¡0S” 9 Sfifltimemç, de pamcipa-
ou a república. Era o totem cívico. Não antíie a lberdafle' 3 mdependêflcla
as pessoas e as classes sociais, não divid` gomzâva ninguém' nã° dividia
passado nem do futuro. pelo Comrár. ila o Pais, nao separava 0 presente do
a proietava
° para o ideal de cre 1°' 'gava 3 ffipública, à independência e
. scente l'b
tardia, * efdade futura. A liberdade ainda que
O mais forte antagomsmo de
šgggãgrgãiséišflii dos .mçnarquistasspiäëalcicârizšlzàénlâgáicação de Tiradentes.
análise. ou a , pois indica certas nuariçzis é ro 1° P POHIO mfifefif
, antes, indica as fases pg; que at agora nao apontadas na
passou a c°“5tfUÇão do mito, e 8

Scanned by CamScanner
manutenção de certa ambigüidade em seu conteúdo. De inicio, Tiradentes
era apresentado como o herói republicano, o que certamente antagonizava
os monarquistas, dividia os cidadãos. Mais ainda, era o heroi dos propagan-
distas da república, dos clubes republicanos, de natureza popular. Não era
apenas um herói republicano, era um heroi do jacobinismo, dos setores
mais radicais do partido. A época da proclamação da República, o Clube
Tiradentes do Rio de Janeiro, organizador principal de seu culto, era diri-
gido por Sampaio Ferraz, ligado aos radicais da propaganda. Apontava-se
em Tiradentes o republicanismo, mas também seu caráter plebeu, humilde,
popular, em contraste com os companheiros que faziam parte da elite eco-
nômica e cultural de Minas Gerais. Tiradentes era sinônimo de radicalismo
republicano. Como tal, sua figura opunha-se com força ao simbolo monar-
quico representado na estátua de Pedro I e se aproximava do florianismo.
O conflito de 1893 foi o divisor de águas. Significou ao mesmo tempo
uma guinada na República e uma mudança na imagem do herói. Foi tanto
mais significativo pelo fato de se ter dado durante o período florianista,
quando ocupava a prefeitura da capital um outro jacobino, o médico Barata
Ribeiro. O incidente opôs dois jacobinos, antes aliados: Sampaio Ferraz no
Clube Tiradentes, e Barata Ribeiro na prefeitura. O prefeito havia autori-
zado os planos do Clube de cobrir a estátua de Pedro I, mas voltou atras
diante da forte resistência provocada pela idéia. A reação veio não só do que
poderia ser chamado grande imprensa conservadora da época, o jomal do
Commercio, mas até mesmo do Órgão oficioso dos republicanos, O Paiz
de Quintino Bocaiuva. O redator de O Paiz atribuia a idéia do Clube ao
espírito demagógico, à intolerância, à exaltação. Os melhores republicanos,
dizia, eram no momento os que contribuíam para o congraçamento dos
espíritos e não para a divisão. Barata Ribeiro acabou por aceitar as ponde-
rações e mandou demolir 0 coreto que cobria a estátua. O Clube, em pro-
testo, cancelou as comemorações, e Sampaio Ferraz deixou a direção.
Durante a Revolta da Armada, ao final de 1895, formou-se o Bata-
lhão Tiradentes, de caráter florianista e jacobino. O Batalhão foi dissolvido
em 1897, em meio à reação governamental contra as agitações jacobinas
que tinham culminado na tentativa de assassinato do presidente da Repú-
blica. Sua reorganização so foi permitida em 1902, no governo Campos
Sales, quando já se tinham acalmado os ânimos. Nesse ano, começaram
também oficialmente os planos para a construção do monumento a Tira-
dentes, que, como vimos, acabaria sendo erigido em outro local para evitar
o confronto com Pedro I. 27
O episódio de 1893 de algum modo indicava as condições de aceitação
do herói republicano como herói nacional: a eliminação da imagem jaco-
bina, radical. A eliminação da versão frei Caneca, ou mesmo da versão
florianista. Para consolidar-se como governo, a República precisava elimi-
69

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.~ , - .ass iido monnrquistii, incorporar
, distintas.
mir as` iirestiis. C°"*'““ ~ . 'M. wmT0'ir:
pdentes nlo deveria ser , visto como heroi
.
“_m_|m_¡ th, miubliiaitistnüi. mo hum ¿_w¡¿.¡,.f¢-li¡¡i‹›s‹›, como mártir,
~. di.-al, mas s m co _
reptililiinno rn _ d Ovo ¡n",m,_
.
miegrador, purtndi›r da iniiiiiem 0P
6 I 'm “¡¡¡¡¡.¡ que o tinham repri-sentado como
._ › ' ~ 0 t . - - _ _ ,
lista tú erii n intuit ` uniwmn da nuca” lá “nha mm., M ¡¿,.¡,,,
'\ ' ' ` u . .
LÍISÍU. Kiffll dl' ffpffi 3.( l::)u`0‹; un] Operário em Sc d¡¶.¡¡¡:
blica. Em um poema estri P
QM. 0 davi-r dos brasileiros.
Sem de opiniao saber.
É neste dia se unirem
Para preito te render.
Portanto, vos monarquistas.
E vós outros anarquistas,
Juntai aos positivistas
Os corações a bater. 2”

O mesmo poema - escrito, lembre-se, antes da Abolição - termina


vinculando Tiradentes a luta contra a escravidão: “Dos escravos as alge-
` ` l”. A ' ter retação da
mas / que bradas. , serão poemas/ a esse gênio imorta in p
Inconfidência como movimento abolicionista, alem de libertador e republi-
cano. ligava Tiradentes as três principais transformações por que passara o
pais: Independência, Abolição, República. Da trindade cívica dos positi-
vistas. Tiradentes era~o único a poder resumir e representar os três mo- L

mentos. Podia ser aceito pelos monarquistas, desde que não se e×¢lu¡55,¿
Pedro I; pelos abolicionistas (republicanos ou monarquistas); e pelos re-
publicanos.
anarq£S?al:'êfs'£qdu°e lâ°I:lf§Íir:1Lèã¢ä')1Ê:;iridlai; aãeitação de Tiradentes Pelos
endossasse. Mas o movimento operáriocbrgaiiizodmclo do séculi) talvez não
o socialista, poderia facilmente aceitar o culto a TO Içiãoflnarqmstai mesmo
tg? primeira celebração pública do 21 de abril apósrít šildílsanlienšbrãisízquši
ica, entre o . 21€ 0 3 ÊPU'
tro do Partidâ %)preIi?:rIif›I.1täcízfdädlšgãâbavam 0? rçpresentanfes do
vistassativo na organização de partidos o i-:fz Spclahsta com umas -positi-
operários como o Echo Popular, mais tardp nos e n.a rçdêção de lomms
da revolta contra a vacinação obri ato ` e um doi nclpalsbatalhadmes
8 na
ses Operarias - a Parece entre os oradores quandf) dlflglfl 0 Centro das Clas-
.
Clube Tirademe5_ das CÊIÊPWÇÕES promovidas pelo
Ao final do lm Pério
' inicio
' da Re ' -
começaram a reivindicar para gi 3 heranp ub(llica. até mesmo os monarquistas
. . _ ' .
.. _
proclamaÇao. o visconde de Taunay reâ3 e Tiradentes.
'
Escrevendo após 8
a mflva contra o monopólio
. que OS

7io`*
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republicanos, especialmente os jacobinos, queriam manter sobre a memória
do heroi. Ao libertar o pais, o Imperio, alegava, realizou o sonho de Tira-
dentes. Por essa razão, “tambem ele nos pertenct-` '."'
A aceitação de Tiradentes veio, assim, acompanhada de siia transfor-
mação em herói nacional, mais do que em heroi ri-pul›lii'ano. Unia o pais
atraves do espaço, do tempo, das classes. Para isso, sua imagem precisava ser
idealizailii, como de fato o foi. O processo foi facilitado por não ter a his-
toria registrado nenhum retrato, nenhuma descrição sua. Restaram apenas
iilguiniis indicações nos autos. A idealização de seu rosto passou a ser feita
não so pelos artistas positivistas, como Villares e Eduardo de Sá, mas tam-
bém pelos caricaturistas das revistas ilustradas da época. Para os positi-
vistas, a idealização dos herois era regra da estetica comtiana; para os outros,
era apenas parte da tentativa geral de criar o mito e o culto do heroi.
Esse esforço foi agudamente percebido por Ubaldino do Amaral Fon-
toura, orador oficial das celebrações do Clube Tiradentes em 1894. Ubal-
dino admite a existência de competidores ao posto de precursor da naciona-
lidade e da República. Mas a República, diz ele, desafia quem pretenda der-
rocar a lenda que o trabalho de um século vem construindo. Não se preo-
cupa também com os traços fisionômicos de Tiradentes. “Foi talvez uma
felicidade que esse Cristo não deixasse na terra um sudário. Cada artista lhe
tem dado diferente feição.” Já foi representado, acrescenta, com a doçura
de Jesus, com os traços dos heróis antigos, e até mesmo como caboclo. Na
estátua que o governo republicano de Minas lhe ergueu em Ouro Preto,
ele tem o porte de um profeta ou semideus. E conclui sobre os artistas:
“Nenhum teve razão, todos tiveram razão, porque é assim que as lendas
se fazem”.3°
A tentativa de transformar Tiradentes em heroi nacional, adequado a
todos os gostos, não eliminou totalmente a ambigüidade do símbolo. O go-
verno republicano tentou dele se apropriar, declarando o 21 de abril feriado
nacional e, em 1926, construindo a estátua em frente ao prédio da Câmara.
Os governos militares recentes foram mais longe. Lei de 1965 declarou
Tiradentes patrono cívico da nação brasileira e mandou colocar retratos
seus em todas as repartições públicas. Durante o Estado Novo, foram repre-
sentadas peças de teatro, com apoio oficial,_exaltando a figura do herói.”
Foi também dessa época (1940) a primeira tentativa de modificar a repre-
sentação tradicional, estilo nazareno. José Walsht Rodrigues, especialista
em uniformes militares, colaborador do integralista Gustavo Barroso, pin- Fig. VI
P- 99
tou Tiradentes como alferes da 6? Companhia do Regimento dos Dragões.
O heroi cívico é aí um militar de carreira.”
Mas a esquerda também dele não abriu mão, desde os jacobinos até os
movimentos guerrilheiros da década de 70, um dos quais adotou seu nome.
Portinari o pintou na década de 40, mantendo a aproximação com a simbo-
logia religiosa. Seu Os despojos de Tiradentes no caminho novo das Minas

Biblioteca '° Prof. Nicolaas G. Plasschaert"


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12. Tiradentes,
Francisco Andrade, estdtu
0. Rio de janeiro.
(VW "Ow 32,1>. 148. )
72 T
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mostra os P°d“Ç0S dO C0rp0 pendendo de postes e mulheres aioelhadas que
lembram a cena do Calvário. Na década de 60, o Teatro de Arena também
reviveu a imagem subversiva do inconfidente.”
O segredo da vitalidade do herói talvez esteja, afinal, nessa ambigüi-
dade. em sua resistência aos continuados esforços de esquarteiamento de
sua memoria.

"75'
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rf

`
4
REPúBticA-Mutum
ENTRE Mania E MARMNNE

Um dos elementos marcantes do imaginário republicano francês


foi o uso da alegoria feminina para representar a República. A Monarquia
representava-se naturalmente pela figura do rei, que, eventualmente. sim-
bolizava a própria nação. Derrubada a Monarquia, decapitado o rei. nos-os
simbolos faziam-se necessários para preencher o vazio, para representar 15
novas idéias e ideais, como a revolução, a liberdade, a república. a propria
pátria. Entre os muitos símbolos e alegorias utilizados, em geral inspirados
na tradição clássica, salienta-se o da figura feminina. Da Primeira a Ter-
ceira República, a alegoria feminina domina a simbologia cívica francesa.
representando seia a liberdade, seia a revolução, seja a republica.
A figura feminina passou a ser utilizada assim que foi proclamada a
República, em 1792. A inspiração veio de Roma, onde a mulher já era
símbolo da liberdade. O primeiro selo da República trazia a efigie de urna
mulher de pé, vestida à moda romana, segurando na mão direita uma lança,
de cuja ponta pendia um barrete frlgio. A mão esquerda segurava um feixe
de armas. Um leme completava a simbologia. O barrete frigio identificava
Os libertos na antiga Roma; o feixe de armas indicava a unidade, ou frater-
nidade; o leme; o governo; a lança, arma popular por excelência, era a pre-
sença do povo no regime que se inaugurava. A mulher também apareceu
em alegorias vivas, como na Festa do Ser Supremo, em 1794, em que a

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_ ~ . , ,. , ..¿ 0; uma jovem. Na praça da Revolução, uma
hhvrdadc tm R prutnm 8 P d mulher presidia às execuÇÕes na guilho-
estzliiia da lilii=rdiide em foérfglrríte ffigio na cabeça, lança na mão direita.
ti\ii.ii Era iiii;zLihfii:t:rzQice3:rÉ>gi'u Manon Roland quando, pouco antes de ser
.- c ii seiu t â . .
(,,“,\.,,¡¿,¿,,_ Qxçhmwuz “Ó liberdade, quantos crimes se cometem em teu
nome! ` `. ' . . ~ Õ U
A siorna
' d as de 1830 entraram para a história por várias raz es. ma
1 ¡ ;l.\`
«C f01,' SCÍT1 d'UV!'daz , o quadro de Delacroix intitulado A Liberdade
. guiando
.
,› ¡~,›z~,›_ Obra-priina .
da pintura -
universal, o quadro mostra a liberdade re-
prescntiida por uma figura de mulher de traÇ05 P0PUlÊfe§' O barra? frigif)
cobre-lhe os cabelos apanhados para cima. l_\la mão dlreltfl, 0UÍf0 51mb0l0
f¢¡¬ublic~.ino. a bandeira tricolor, que tinha sido abandonada durante a Res-
t.iurziç.`io c que Luis Filipe adotou, recebendo-a de Lafayeffei 0 mesmo que 3
oticiziliz-.ira em 1790. Na mão esquerda, um fuzil com b210fl€Ífl Cfilada- D€_S'
t.ic.im-se os seios, nus e agressivos, e o gesto ener81C0 de Comando em mem
.ios mortos e feridos das barricadas de Paris. Sem dúvida alguma, ela canta a
.\f.:rsc/licsú. A força do quadro está no fato de combinar elementos de idea-
lizaçíio. como a nudez dos seios e dos pes, com traços de grande verossimi-
lhaiiça. Sabe-se que Delacroix se inspirou numa combatente real, Marie
Deschamps. que se salientara na luta em uma das barricadas de julho
de 1850. O fato de ser o quadro, ao mesmo tempo, uma das principais,
se não a principal, obra do romantismo contribuiu também para o impacto
que causou.
Pouco depois de Delacroix, Rude deixou gravado em um dos pilares
do Arco do Triunfo da Place de l'Étoile uma cena de grande expressão, em
que uma figura idealizada e beligerante de mulher lidera combatentes para a
guerra. O quadro, originalmente chamado A partida dos voluntários, pas-
sou a ser conhecido, pela força da figura central, como A marselbesa. Em-
bora mais estilizado que a obra de Delacroix, o baixo-relevo de Rude tem
um mesmo sentido: uma figura de mulher, realidade ou simbolo, realidade
e simbolo. representando as lutas e os ideais da revolução, da república,
da pátria.
A proclamação da Segunda República, em 1848, renovou o interesse
pelos simbolos republicanos. Em concurso realizado para escolh ' bolo
er o asim
da R@PUb1lC3¬ 3 grande maioria dos pintores e escultores escolheu figura
feminina. Embora a qualidade artistica do concurso tenha sido desapon-
J' Q 0 ', . I .

tadora.
_ salvaram-se algumas obras . Como a de Daumier, em que a Repú-
blica_ e representada
__ _ como uma mulhe r amamentando duas crianças. N ão É
mais a figura belicosa de Delacroix e Rude: Daumier pinta uma República-
mulhff "l3fÊmfl¡~ P1'0¡€í0fflz Sfigura e sólida. Está sentada, segura a tricolor
na mao d"e"a* mm 3 mã° Êsfluerda ampara uma das crianças que lhe SU'
Bim os vastos e generosos seios.
'
represenmção fe , _ , Segundo
_ A Su lh on, ¡'á se vê uma cis
' ã o na
mlmna que dai em diante só faria crescer. Já se distinguffm
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76
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Í"r*‹1rl‹,l‹›/.\" Rllis/(Í, Í'Í‹¡‹'‹ ‹ ‹

7 7

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uma República burguesa e uma República socialista. Emboramantendo 3
figura feminina, a distinção começa a se fazer seia pela maneira de repfe-
sentar a mulher (sentada ou de pe, maternal ou combativa, cabelos pemea-
dos ou revoltos, seios cobertos ou nus), seia pelos atributos que a rodeiam_
Quanto a estes, a distinção mais marcante e a presença ou a ausência do
barrete frigio. Sempre de cor vermelha, o barrete passa a ser uma das pfin-
cipais indicações do radicalismo, à medida que a bandeira tricolor vai aos
poucos se tornando marca de moderação, da República respeitável. Note-se_
no quadro de Daumier, a postura sentada, a presença da tricolor e a ausên-
cia do barrete. A Segunda República introduziu a figura feminina como
simbolo tambem nas moedas, nas armas e nos selos postais. Em nenhum
desses casos o barrete frigio está presente. Nas armas, ele e substituído por
uma aureola em forma de raios de sol, imagem mais tarde imortalizada por
Bartholdi na estátua oferecida à cidade de Nova York.
Foi no período que precedeu a Terceira República, no entanto, que a
figura de mulher se popularizou como representação da República em opo-
sição ao Imperio de Napoleão III. A popularização veio COITI 3 ÍÍ8111'21 dê
Marianne, nome popular de mulher. Marianne passou a personificar a Re-
pública, unificando as formas anteriores de representação. Estatuetas, bus-
tos, gravuras de Marianne espalharam-se pelo pais, especialmente no sul.
Como reação, o governo incentivou o culto da Virgem Maria. Houve uma
batalha de cultos, que Agulhon com felicidade chama de mariolatria contra
marianolatria. O culto a Marianne encontrou sua expressão mais exacer-
bada na Lettre a Marianne de Felix Pyat', publicada em Londres em 1856.
A certa altura, exclama Pyat: “Para nós, republicanos proscritos, [...] tu
es tudo, refúgio, cidade, lar, nossa familia, nossa mãe, nosso amor, nossa
fé, nossa esperança, idolo ao qual sacrificamos até nossa memória. ideal
para o qual vivemos e morremos felizes”. A Lettre termina com uma
Ave Maria, ou melhor, com uma Ave Marianne: “Ave, Marianne, cheia
de força, o povo e contigo, bendito e o fruto de teu ventre a Repúbli-
caetc ”3 l
Com a Comuna e a Terceira República, o que era culto clandestino 6
perseguido se tornou aberto e oficial. Consolidada a República, apareceram
grandes monumentos com a figura feminina. Mas a cisão esboçada em 1848
tornou-se agora cada vez mais nítida, na medida em que as relações entre
República e socialismo se complicaram. Novos simbolos revolucionários
apareceram: o operário de torso nu, a Internacional* A própria Marianne
sofreu deslizamento de sentido. De simbolo da República libertária passou 3
simbolo da nação ou da França. Moveu-se para a direita. Finalmente, 3
figura feminina deixou de ser usada como simbolo da República. A p1'ÔPfÍa
República não teve mais monumentos.
Os republicanos brasileiros de orientação francesa tinham, poffflfiw*
gfflnde riqueza de imagens e simbolos em que se inspirar. Interessa-me*

78

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$è&t_

14. A República,
Honoré Daumier.

no momento. apenas o uso que fizeram da alegoria feminina. Estavam,


Q ,-,›f¡0_ em pequena desvantagem se comparados aos franceses. Enquanto
na Fr.inç.i ii Monarquia era masculina. aqui a herdeira do trono, eventual
recente. era mulher. Mas a desvantagem foi diminuída por meio da tenta-
tiva de anular a figura de Isabel, mostrando-a como simples joguete nas
mãos do conde D`Eu. Ao mesmo tempo, uma campanha sistemática foi
montada para desmoralizar o conde. Em São Paulo, um jornal humorístico
republicano foi fundado com essa finalidade. Silva Jardim seguiu o conde na
viagem ao norte do pais, buscando neutralizar sua campanha em favor do
terceiro reinado. O fato de o conde ser francês só facilitava a tarefa de iden-
tificá-lo com o Antigo Regime. Silva Jardim não hesitou mesmo em propor
para ele o mesmo destino que a Revolução reservara para Luis XVI. Abria-
se, assim, o caminho para a apropriação republicana da imagem femininas
O esforço inicial foi feito pelos caricaturistas da imprensa periódica,
I grande maioria simpática à República. Ja antes mesmo da proclamação,
lpareceram representações femininas, como se pode verificar na charge de
Angelo Agostini na Revista Illurtrada de 9 de junho de 1888. A mesma
alegoria pode ser vista no número de ló de novembro de 1889, agora dese-
Illllda por Pereira Neto° (ver reprodução no capitulo 5). Pereira Neto conti-
nuou por vários anos a reproduzir essa imagem feminina, vestida à romana,

79
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M-""

. om a nova bandeira em
lrl io. R1'"lmfme C
- ~ 'M
*l°“ ' W lk -umd¡l"“' html IK o numero d1.' 14 de dezembro de 1889,
um, ¿,_, mim \ ein se .mr ex-`i.nr':*m.,. uim ,ug irml argentina As duas
i l ' 'z . E lj ` V _ 9
Mk I RWÚNMNN
irpublii as \¡\' Í`¢`l`""'°"
mr mulheres em tudo semelhantes exceto
pilas bäiideiriis l un Mmmm .dqmfu “pacto bt|ic0$0 Exemplo curio
*“"` ' "Ê 7denovembro de 1889
so i, o da tiimra
. Qui mirar: Ê"
m Ond.
M¢¢"¡"/Í' df di
um. Cop” l Nínxdbaa de Rudé
\.¡o i* Pruiso t\l0l`\° P' '_ um. :sm
da como na
\ii× zm eiril ii helieosidade era indicada amñü em que 8 Republica
Jum dv nmmm ng de 1897 dl RWLWC dos Tudo permanecia
mulhi r saúda os mortos nl ClmP¡nh¡ de mu l
den
tro do mode ¡ o c ¡¡ \.eu-0 Arm; assumia sua feição guerreira
O origina l aban
mais
donando por algum tempo seu lado de protetora da P” “cmg 'Ã/Í U)
tompleto de uma visão guerreira da República pode SET WSÍ0 fm 0 0
de \ o de novembro
_
de 1904 A República
`
ai aparece Com 8 flfmfldllffl bëllffl
l

de -\iena esmagan doa revolta que acabara de eclodir no Rio


A mesma representação foi por longo tempo mantida em O Pat
o jornal semi-oficial dirigido por Quintino Bocaiúva Juliao Machado ai
consen ou a figura estilizada a antiga, mesmo quando a partir do inicio do
seculo a maioria de seus colegas de imprensa já começava a ridicularizar
o noto regime pela caricaturizaçao da representação feminina Ate o final
do seculo jornais e revistas não se afastaram do modelo estabelecido pela
Revista Illustrade
Os pin tores excetuando-se o positivista Decio Villares, praticamente
ignoraram o simbolismo feininmo na representação do novo regime O
único quadro que talvez mereça referência e o do baiano Manuel Lopes Ro-
drigues intitulado Alagom da República. A obra e de 1896 e foi executada
em Roma onde se achava o pintor desde antes da proclamaçao da Repu-
' É

blica. Oautor duvida baseou-se em modelo vivo mas, pelo fe5¡o_ não
íoge muito àestiliução dos caricaturistas. As vestes, túniça e m¿m0_ Sao
clássicas, assim como o são as sandálias. Tambem sao clássicos alguns sim-
h°l°5-
Md 15 Pilmí-'>› 05 10'-“'05 (110 (3850. ramos de cafe) a esp ada a cabeça d e
““ (Iêüdlbpor Atena no escudo ou na couraça). E uma
IEIIIESUI i
¡n I | ug. sen: depú hu' <l°_1843›.<l\lflndo o governo pediu que ela
'55' 3 a transmitindo - ¿ » -rd de fora
np ' 3 lmlltressao etran
¢$eg\irana.Parar -
mesmonéessário quíâfasígrriaëišgfãršãpublica ._ brasileira
__q““a
em 1896.' era
5

de autor pouco conhecido, não parece E (.)P_flis. A exceção desse quadro.


llfüileira não ¡n5p¡¡0u nenhum Davllätir outros de valor. z_\___¿'_ç_Qi;
-
Dnumier. Nem a escult - 1 nenhum Delacroix, nenhum
3

mmesmtmdoakepúblicgzlgfloltiudgši Rudes. Existem bustos de mulher


quais guardados no Museu da Repú-
- mais criativas. menos estilizadas,
' ° em que a figura feminina
flplrece sempre com O b arrete frigio e vari a entre o civico,
. . as vezes belicoso.

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15. ' 'Senhores de escravos pedem indenização à República ' ',


Angelo Agostini, Revista Illustrada, 9/6/1888.

e o sensual. Seu efeito sobre o imaginário coletivo terá sido minimo, pois
são obras refinadas de exibição doméstica, peças de escritório. Poderão lem-
brar os bustos de Marianne, com a diferença de que estes, antes de 1870,
só tinham sua exibição pública inibida pela censura. Sempre que possivel,
eram levados em procissão pelas ruas ou expostos nas janelas das casas.
Os artistas positivistas merecem referência à parte. Entre eles o uso
da alegoria feminina se baseava em um sistema de interpretação do mundo
do qual a república era apenas parte, embora importante. Na escala dos
valores positivistas, em primeiro lugar vinha a humanidade, seguida pela
pátria e pela familia. A república era a forma ideal de organização da pátria.
A mulher representava idealmente a humanidade. Comte julgava que so-
mente o altruismo (palavra por ele criada) poderia fornecer a base para a
convivência social na nova sociedade sem Deus. A mulher era quem me-
lhor representava esse sentimento, dai ser ela o simbolo ideal para a huma-
nidade. O simbolo perfeito seria a virgem-mãe, por sugerir uma humani-
dade capaz de se reproduzir sem a interferência externa. Comte chegou ao
ponto de especificar o tipo feminino que deveria representar a humanidade:
uma mulher de trinta anos, sustentando um filho nos braços. Manifestou
mesmo o desejo de que o rosto de sua adorada Clotilde de Vaux fosse utili-
zado como modelo e aparecesse em todas as bandeiras ocidentais.8

81

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17. “Proclamação da República Federativa Brasileira


O Mequetrefe, 17/11/1889.

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Os artistas positivistas brasileiros, especialmente Décio Villares Q
Eduardo de Sá foram os únicos politicamente militantes no mundo das
artes p¡áS¡¡¿.aS_ A ¿.¡¿.S 5,. ¿|¿›vem várias obras, entre pinturas, esculturas ¢
monumentos. A fiiwfál da mUlh('f Ô ai °"'pre5ef"c' embora' c°fn°_refe“d0.
rt-preseiite antes a humanidade, ás vezes a Páíflfl» dO QUÊ 3_f_'3PUb|'C3- MHS.
nu-sitio na França, houve freqüente deslizamento no significado da figura
teiniiiitia. A república, a revolução, a liberdade, a pátria freqüentemente se
intercztmliiavam. Dai não ser fora dë PÍOPÔSÍÍÚ Íflduif 3 mlmamdfidfi na
lislét. Q
Em 1890, Decio Villares pôs em prática os desejos de Comte, pin-
tando a humanidade com o rosto de Clotilde de Vaux para o Estandarte da
lr humanidade, que saiu no cortejo dedicado à memória de Tiradentes. Ati-
I
tude protetora, filho ao colo, a mulher é ai, como o desejava Comte, total-
mente mãe.” A mesma caracterização aparece nos monumentos de inspi-
ração positivista do Rio de Janeiro e de Porto Alegre, discutidos no capi-
tulo 2. No de Benjamin Constant, obra de Décio Villares, a figura feminina
segue as especificações de Comte e domina a construção. A figura do herói
está ainda sob a proteção de outra figura feminina que o envolve com a
bandeira republicana. E a pátria. Medalhões de Eduardo de Sá, em baixo-
relevo, mostram ainda a mulher de Benjamin, Clotilde e Beatriz. Benjamin
é um bendito entre as mulheres.
O monumento a Floriano, obra de Eduardo de Sá, exibe também duas
figuras salientes de mulher, embora com simbologia mais flexivel. Eduardo
de Sá optou por um usomenos ortodoxo da figura feminina, seja no simbo-
lismo que deveriam conter, seja nas próprias formas fisicas. Uma das jo-
vens, ao lado de Floriano, é o futuro da pátria: a outra, dominando todo um
lado do monumento, é o amor, a integração das raças na pátria brasileira.
Ambas, embora vestidas, como queria Comte, deixam transparecer a exu-
berância da forma física, especialmente dos seios. No monumento a Júlio de
Castilhos, Décio Villares colocou novamente a figura feminina no topo.
agora diretamente como alegoria da República.
Os pintores positivistas não se prendiam aos modelos clássicos, ainda
que suas idéias estéticas estivessem próximas das de David. Nisso levavam
vantagem sobre os caricaturistas. Mas, se escapavam de Palas Atena, caiam
nas malhas de Clotilde de Vaux. Suas alegorias femininas também se afas-
tavam de modelos brasileiros. O fato é tanto mais decepcionante se 1105
lembfafm°5 da ÍmP0I'IâflCia que os positivistas davam á raça negra, por eles
considerada superior á branca, e á incorporação dos índios e dos proletários
à fl3Çã0 bfflflletra. Décio Villares, numa exceção indiscutível, foi o único
pintor da época a exaltar a raça negra, em sua Epopeia africana no Brasil »
Mas, quando se tratava de representar a humanidade ou a república, não
XI, apareciam indias, nem negras, nem mulatas, nem proletárias, mesmo idea'
02 lizadas. Era Clotilde, mesmo quando de barrete frigio.
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18. Alegoria da República,


Manuel Lopes Rodrigues.

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I _ 20, ARepublica,
19. Cabeça da Repubhcaf
. › ' tor nao
~ zdentzficado,
~ ' Museu da Republic..
Umberto Catano, M1456” da Republica' da

' ' tivis


' ' i as foram os únicos a levar a sério a tentativa
. de
Os more?pO.Sl¡na Comø alegoria cívica. Com a ressalva, ainda, de
' ` a i ura emin _ .
uuhzarl ga se referia preferencialmente à humanidade. Pode-se dizer que
que 3 a Egon
- - ›~ s de vender o novo regime
' por meio da
a tentativa de copiar o esforÇ0 ffaflfíe
imagem feminina foi pequeno e redundou em estrondoso fracasso..Nem a
trans forma ção da Academia Imperial de Belas_ Artes em Escola
__ Nacional de
_
Belas Artes, sob a direção de I-I. Bernardelli, com a consequente exclusao
de artistas identificados com o antigo regime, parece ter mudado muito as
coisas. A República não produziu uma estética própria, nem buscou rede-
finir politicamente o uso da estética já existente, como o fez David. OS P051'
tivistas foram caso isolado. A pintura histórica continuou a ser feita qufifi'
do o foi, nos mesmos moldes utilizados por Pedro Américo e Vitor M€1° 9

reles. E sintomático , por exem p l o, que nos salões de arte promovidos apÓS H
República, já criada a Escola Nacional de Belas Artes, quase nada apareceu
que re fl etisse
. . . ou a exaltação cívica do novo r€'
o uso da alegoria feminina
gime por outros meios. De modo l
gera , a pintura histórica perdeu terrefl0
após a proclamação do novo regime Os
limitavam-se á tentativa de criar heróis. poucos quadros cívicos produzidofi
doro republicanos, como no caso de D€0'
_ e Tiradentes, ou de celebrar as n ovas instituições como a COHSÚ'
tuição de 1891. " ,

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21. Monumento a Benjamin Constant, detalhe,

De fato, bem depressa os caricaturistas passaram a usar a figura femi-


nina para ridicularizar a República. E certo que os inimigos da República
fizeram o mesmo na França. A virgem ou a mulher heróica dos republi-
canos era facilmente transformada em mulher da vida, em prostituta, A
df , . ,, . .
ierença e que no Brasil essa representação foi a dominante, sendo usada
mesmo pelos que inicialmente tinham apoiado o novo regime. O desapon-
tamento refletido na conhecida frase “Esta não é a república dos meus
sonhos' ° rapidamente invadiu o mundo dos caricaturistas, ao mesmo tempo
em que atingia os politicos da propaganda e os escritores.
Timidamente, já na primeira década começam as criticas. Em o
D. Quixote de 25 de novembro de 1895, A. A. mostra a República repre-
sentada por uma mulher abatida montada num burrico, voltada para trás,
enquanto as outras repúblicas americanas galopam para o progresso (ver
reprodução no capitulo 5). A partir da virada do século, especialmente em
ÔMalbo, a crítica se torna geral e impiedosa. C. do Amaral, em O Malbo
de 15 de novembro de 1902, mostra o contraste entre a República dos so-
nhos de 1889 e a de 1902. A primeira é representada por uma jovem ino-
Cente; a segunda, por uma mulher madura, de olhar debochado, soprando a
fumfiflifl de um cigarro. No ano seguinte, Raul» também em O M0150, ff-'Pfff'
Senta a República como uma mulher retida no leito, cujo marido, ao lado,

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É/
É-_ ,

'P-J /Ç 'À

32. Monumento a Floriano Peixoto, detalbe.

comenta que já se vão treze anos e ela ainda não se levantou. J. Carlos,
em O Filbote de ll de novembro de 1909 (as datas próximas ao 15 de no-
vembro eram as preferidas para as críticas), exibe uma República aberta-
mente prostituida envolvida numa orgia com os políticos da época, en-
quanto a sombra de Benjamin Constant se admira de que aos vinte anos ela
já esteja tão debochada. K. Lixto, em o Fon-Fon de 13 de novembro de
) 5. também
1( 1 z -
retrata uma Republica
' '
precocemente envelhecida
'
e deca-
dente, para a surpresa da velha Monarquia. Finalmente, para não estender
demasiadamente os exemplos, o que seria fácil, Vasco Lima, em O Gato
de 22 de março de 1913, apresenta uma República que é a versão brasileira
d o quaf d ro de Daumier.
` A Republica-mãe,
' ` '
protetora, alimentadora de Dau-
mier, mantém na caricatura de Vasco Lima os seios exageradamente vastos
5

mas, diante da estranheza do marechal Hermes, o artista justifica o detalhe


dizendo: “E a nudez crua da verdade. A República dá de mamar a tanta
gente! ”. Em vez de mãe a Re ública é a ama-de-leite a vaca leiteira, que
tem de alimentar oliticos e funcionários ue vivem dela e nã_‹_;_› para ela,
O exem po
l mais` escandaloso de desmoralização da República E por
meio da representação feminina veio de um ministro do governo Camp0S
Sales. Em 1900 . o deputado Fa us to C ardoso denunciou na Câmara dos De'
putados o ministro da Fazenda, Joaquim Murtinho, por ser “ 'um homem

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. a .is Atenz dp U Ptttete
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,\ nota e tim resumo precioso. A R °| , ' escudo e l ma'
, _, _ . ç , "PU YÍIU ~ quando não .se f fpfcsentava
Pflfl i\l*\Ir.tç.1o, tlássita ‹›u romântica só encontrava seu rosto na vcrslo da
,mittier corrompida. era umfl '05 PUÕÍÍC0. no sentido em que ii prostituta era
uma mulher pt'|hlit'a.“
As rclfirônclui 3° nf”/0 fflšime encontradas na literatura freqüente-
me nte caminh am na mesma direção. O boêmio Neiva, de Fogo /Atuo, de
Coelho Neto, não se conforma com a proclamação da República e com as
me ddas
i ' f . do governo provisório.
` ' Tudo lhe parece falso e ridiculo. Particular-
mente, não gosta do regime presidencialista. A pátria, diz, é senhora ho-
nesta, que não troca de marido. Apenas casa de novo quando fica viúva.
Não pode viver em mancebia, hoje com um, amanhã com outro.”
A visão da República como prostituta é evidente na Historia do Brasil
pelo método confuso, de Mendes Fradique. Nessa versão ao mesmo tempo
hilariante e lúcida da história pátria, a República, pobre donzela oprimida
pela tirania, é salva por Dom Quixote, que invade o quartel-general a sua
procura. Para surpresa do fidalgo, defronta-se com uma cena orgiástica, em
meio a qual se destaca ° “uma mulher seminua, de cigarro no canto da boca,
tipo característico de dioette de Montmartre”. Escandalizado, fica sabendo
por intermédio de Oliveira Lima que a dita senhora é a República. Apesar
do desapontamento, Dom Quixote a apresenta ao povo brasileiro, decla-
rando cumprida sua missão. Lamenta apenas não a ter podido entregar
como pretendia: ' 'Salva e virgem! ' °.“ O
Por que o fracasso da representação positiva da República como mu-
1h¿›¡-_? A bugezi de explicação poderá ir em várias direções. Mas o centro da
questãø talvez esteja na observação já referida de Baczko de que o imaginâ-
rio, apesar de manipulável, necessita, para criar raizes, de uma coinunida e
de imaginação, de uma comunidade de sentido. Simbolos, aleglorias, mitos
só criam raizes quando há terreno social e cultural U0 Qflfll -fe 3 lffâentafnlfi
Na ausência de tal base, a tentativa de criá-los, de maniPUlf*°l°5› Ê “[1 *Za
. -
los como elementos de leglílmaçãoi Ca'' no. Vazio'
'
q~uando
-
não no ridiculo.
~ No Brasi~ 1 ,
. de de imaginação.
Parece-me que na França havia tal comunida
não havia. 1 1 na
h resentaram pape ffifl
Para comeÇar. na FranÇa as mul ert-is irlecpo as de 1789, 1830, 1848,
Revolução i ou melhor, nas revoluções, inc
0 ~u Bastilha de as-
1871. Elas eram numerolsas entret argâultidao que que
de 4 mil ¡°m°“ a
marcharam pouCOS
salto em 1789. Foram e 85, em O 1

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25. "15 de novembro "
1(_Lixlo,Fon-Fon!,13/11/1913,

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Y 26. “Isto não é república' ',


' Vasco Lima, O Gato, 22/3/1 913 .
ISTD Nkf) Ê REÍ'UBl.|C.\.
\ ¿- h ¡.,~¡ rmn hà - ¡U "|_wn\'ul~.'|.|u¬"v . Que' r|u‹¿r. .\ÍnY‹'r\|n|' É n nuzlz-1
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27. Nota do Tesouro de


dois mil-réis, 1900.

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Mmv'~i heroína anônima
Cham¿.,,¡¡¿›f, de Saint-Milhier,
Pouco C0m0
depois surgiram 3 Cidadã
Olympe de
IOUX l' '
Bmlmmw
C i vcs, qui' :K1 ihou ituilhotinada em 1795. Pflullfle Léøn e Claire Lacombfi.
“ ll* ` d Mulheres Republicanas Revolucion¿_
.s_ _ . li ~ ma organizou
l._×.×i Till I
. ' O Clube HS . -
I d tão revolucionárias que o clube não foi aceito pela Con-
rias. ii veria 0.
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vr~iiç~.1i›, dominada por homens. The roi g ne de Mericourt organizou bata.
lhxteste
l amazonas
- ~ para lutar ao lado dos homens. O radicalismo de Claire
L HCO mbe e Pauline
, Leon acabou levando ambaS â. PfÍ5ã°
. emz ~ 1794- A0 fim,
as `.OC¡¿.dad¿.§ de mulheres foram proibidas e os direitos polit1COS 11185 foram
negados contra as promessas da Declaração dos Dir€it0S- OU ÍHÍVEZ não,
- o. is ' À .
poisz se tratava dos direitos
- - do homem e do cidadã `
POd@-q@ mesmo argumentar, em vista da resistencia dos homens a
participação efetiva das mulheres na Revolução, que o uso simbólico da
imagem feminina seria uma compensação para sua exclusao real. O argu-
mento e plausível. Mas permanece o fato de que as mulheres estavam de
fato presentes nas manifestações políticas. Eram elas, como argumenta
Hobsbawm, que (por serem as mais diretamente afetadas) compunham as
multidões que protestavam contra a escassez de alimentos. Sua ação reapa-
receu nas barricadas de 1830, como atesta a valente Marie Deschamps
imortalizada por Delacroix. Em 1848-51, houve o exemplo de madame
Perrier, que liderou uma coluna republicana no Var, empunhando a ban-
deira tricolor. E, apesar das disputas em torno da origem da figura de Ma-
rianne, ela certamente tem a ver com a mulher do povo que se envolve nas
lutas políticas. O uso da alegoria tinha uma base de sustentação, o signifi-
cante não se isolava do significado.”
Entre nós, se o povo masculino esteve ausente da proclamação, que
dizer do povo feminino? Se não havia povo político masculino, como pensar
em povo político feminina? I-Iñvia uma elite política de homens, que eram
chamados públicos. ”mu er, se pública, era prostituta. Mesmo na fase
139051112 da RQPÚNÍCH, durante o governo de Floriano a participação era
exclusivamente masculina. Nao só as mulheres não participavam, c0m0
0 . % ,

U ã° em C°fl5Ídeffld0 PfÓPfÍ° Clue elas participassem. -d€


homem. Um testemunho do d'ia 15 de novembro e' revelador. O marechal
Rondon conta em suas memorias que nesse dia pela madrugada saiu de uma
íesta eg/nl que estava mm 3 nam°1`ad3, Chiquita, sem lhe dizer o quê Ífia
az ef'_ 25120 Pam 0 POSÍÍÍVÍSHI 0rt0Cl0xo que ele já era, defensor da idéia da
superiori a e da mulher sobre o homem, politica não era coisa que dissesse
respeito ao sexo fem ,A - . .
levava pela manhã asmmofilhas à um
E “T1180
1 QUÊ, ignorando os acontecimentos,
tepceneral, um Oficial alertow O sco a Normal, P ass ando em frente ao Q uar'
nde vai l Xavier? Não é momento Clfi

passear com as filhas' '. 17

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A9 çnnsiilcrar ii p‹›lltir~ii lnril ilii i ilflipii ¿|¡. ¡¡ .pm d
d 1 Í ' | d C al mulher, Rondon na
.. 3 i' nan sl' il ils iwil i it 0110 iixig sim' '
“ rd _ _ ç l """““*- ^Pf'\ar da grande enfase no
¡,,.| lr-niminu_ apesar da derla « - - ~
‹- - v:-*
P-l ` “'95” da ~“|P('fl‹›ridade da mulher sobre 0
_
hoiiii-iii, (.omte .ç por lhe _ atrib Ulf' 0 papel tradicional
acabava ' - de mle e esposa,
,|,~ _i;ii.irilii\ do _ lar, pois era assim Q ue a1 mulher garantia - a reproduçio da
,._.¡¬,\~ii~ e ii .saude` moral da humanidad 0 . A politica ' era tarefa menor que
,~,,|¬..i .ios homens. Não por acaso, as únicas I
mu heres que surgem no episó-
,lm da implantação da República _ são as filh as. d e Benjamin Constant. Elas
,ipiirecem no papel classico das mulheres: bord zl
an o a primeira bandeira
rep uhhcana . ideahrada - _ P el OS positivistas
` e desenhada por Décio Villares.
Observando mais de P ert 0. lã l vez seia ' possivel' °
vislumbrar algumas
mulheres na proclamação e nas lutas que se seguiram. ' Rondon anota que ao
sairem as tropas dos quartéis, na madrugada do dia 15, várias mulheres de
soldados seguiram os maridos parte do caminho. Em 1896. quando as tropas
par tiram p ara Ca nu d os, supostamente em defesa da República várias
mu-
lheres, esposas ou vivandeiras, acompanharam a expedição. Em nenhum
1

dos casos a participação feminina indicava qualquer adesão ã República.


Pelo contrário, em 1904, durante a revolta contra a vacina, os jornais regis-
traram a participação de prostitutas ao lado dos rebeldes. Outras fontes in-
dicam também as simpatias monárquicas das meretrizes.” Nesse caso, a
representação da República como prostituta talvez fosse tão insultuosa para
elas como o era para o novo regime.
Gilberto Freyre sugere alguns fatores que teriam favorecido a repre-
sentação da República como mulher. Um deles era o repúdio ao patriarca-
lismo de d. Pedro II, que por tanto tempo marcara a vida politica do pais.
Outro seria a mariolatria católica.” Quanto ao primeiro, havia a dificuldade
já apontada de existir uma sucessora feminina ao trono. No máximo, a cri-
tica republicana poderia tê-la neutralizado entre a elite. Quanto ao segundo,
existia sem dúvida no pais uma mariolatria, e nela se apoiaram os positi-
vistas para insistir no uso da representação feminina da humanidade.. Mas
nesse caso se buscava substituir Maria por Clotilde. Na França, Marianne
podia representar uma oposição respeitável a Maria._No Brasil, Clotilde nao
chegava sequer a arranhar a mariolatria. A separação entffi 181'fla ff ESWÍO
efetivada pela República gerou animosidade entre a p0PUlflCa°~ C°m° O
atesta 3 ¡-evolta de (jam¡d05_ O usofde um simbolo católico para representar
a República oderia soar como pro flflflÇfi0- , _ , _
De fatg, assim como na FranÇfi d° Segundo Impe“O` tanibem E1133
sil da Primeira República Maria foi utilizada como arma anti-lrte)p\;mrian0-
Houve um esforço deliberado dos bis1I>05 Pfifa lflcennvaf O Cu `
'
sobretudo por meio de Nossa Senhora Aparecida. A par 1 t`r do inicio do
. - - ° ' setembro de 1904. Nossa
seculo, começaram as romarias oficiais. Em 8 de
Senhora Aparecida _ foi. coroada rainha
- °l. Observem-se
do Braãrncia a data m0_
uma designação 8 0
. , - ° e ,
titulo: um dia após a comemoraÇfi° da mdepen

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. N50 havia~ C0m 0 0Cu lt 3 r a comP€ÍÍÇã° entre
° 3 Igreja e Od novo
décad
narquica. ão O processo culminou 113 3 6 30,
reg¡me pela representflšão dälneía šenhora Aparecida padroeira do Brasil,
Em leee' ele` De D- eešlel§:;]tiãoeLeme.
9 perante
' uma multidão congregada ng
d 0 P ais
No ano S¢8U“"e° ' e adroeira -
a consagrou rainha P
Rio eePor
Jeeeeehl
f0 em ática que também st-fla 3 Capacidade de Aeeeeeiee de
representare a 03€ ão › 6 la sem dúvida supera em muito e ee qeeleeer eetra
_ ~ - esmo de quase todos os simbolos civicos. Além de
figura feminina, 011 m
. . ra
deitar raizes na Dm fu, n d. 3 t dição católica e mariana,
- ^ ' apresenta
léguas de distanC1fl
a vantagem
da francesa e branca
- -
ad iciona ld e ser brasi leira e .ne8fa› 3 deria fazer frente. A batalha
Clotilde. Nem mesmo a pf1f1C@5a Isabel lhe P0 . .
_ .non em den-Ota fepubliCaI1a. Mais ainda, em
pela alegoria ` feminina termi . -
› - perante o rehg ioso. 20
derrota do civico

_ . - er elos pintores
' brasileiros passava
A representaçao artistica da mlllh P .
muito longe da mulher do P0V°- Praticamente_ todos _ eles ingressavam
b 1 na
Academia- Imperial
' de B e 1 as Artes , fruto
_ da
da Missao
década Francesa e a uarte na
de 40 instituiwse da
. A ' ' e ,
Plntura academica. neoclassica. AEPÍÃÍLÃ O imperador participava direw

Aeeeeeee
mente e eeeeee
.
do apoio ee - Vleeem
aos artistas,
' e e'
financian de0 .d.0 P fÓ P rio
d bolso
r estágios na Eu '
ropa. Bom número dos mais conhecidosFpintores aletíiäšaàgcëglsíísêšgfl 1:38
Europa por longos anos, geralmente na rança e na d a , d É -
verno ou do imperador. Alguns chegaram a esten er sua esta apor ez
anos Vítor Meireles passou oito anos. Pedro Americo ficou inicialmente
cinco anos retornando depois várias vezes, inclusive para executar obras
3

como A batalha do Avaí e Independência ou morte. Acabou morrendo em


Florença. Rodolfo Amoedo, Belmiro de Almeida, Décio Villares, Antônio
Parreiras, João Timóteo da Costa, Eliseu Visconti, dos neoclássicos aos
românticos e impressionistas, todos se embeberam nas fontes europeias.
Lá produziram boa parte de sua obra.”
A figura da mulher era freqüente em sua produção artistica, na forma
de retrato ou de figuras históricas ou simbólicas. Os retratos eram de mu-
lheres de classe alta, que naturalmente os encomendavam. Não há mulataS
ou negras, ou índias. Nem mesmo Almeida Júnior (que, apesar do treina
mento na Academia e da estada na Europa, se manteve afastado do Rio e fiffl
às tradições rurais) produziu retratos de mulheres do povo. Sua tela femi-
nin a mais ` conhecida.
' O descanso do modelo, foi pintada no melhor estilo
euro P e U .O me l hor pintor
` '
negro da epoca, Estêvão da Silva, que não foi à
Europa, ded`icou-se a pintar
` naturezas-mortas.”
Mulheres índias apareciam nas telas dos pintores. Vitor Meireles 0
Decio Vilares pintaram Moem ° ' ' ' ' '
_ H, Jose Maria de Medeiros, Lindóia e Ira-
cema. Pelos próprios nomes vê~5 ~ ~ ' '
~ É Que nao sao indias de verdade, SãO \“'

94

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5¿¿5_ fecriaÇ_Õ€5_f°f_“âmlC¡*5 da figura feminina indígena. São quadros que se
inserem 11° '“d"m'5m° r°mâm_¡C0 da ëPOCa. Mas mesmo dentro da visão
roiiiàntic-.i não 0C0fr€u aos escritores nem aos pintores representar o Brasil
ou el P'-lim' C°m° “mlhef ` Qu Seja, como india. O Brasil, no Império, foi:
Sim, rt'Pf¢“5€'_“¡3d° C°m0 Ífl<ll0. reflexo do nativismo romântico. As índias
dc nossos pintores nada tinham a ver com a nação. Seria isso devido ¿
Prm_m.._¡ kk. um nionarca a frente do governo, ao patriarcalismo pr¢d0m¡-
n.intc na socicdaldc? 0 Imperio, sistema centralizador, interventor, esta-
iistii. seria masculino? OUBrasil feminino estaria limitado à Igreja, e às igre-
ias? Fic-.ini as perguntas.”
.-\ maioria das representações femininas, à época da proclamação já
tinha traços fin -de-siecle. Salientava a sensualidade, a beleza, a fragilidade
da mulher. Era a mulher da sociedade urbana carioca, se não parisiense,
wmada objeto de consumo. Não era mulher agente, ou gente, como ainda
55 podia observar em retratos como os de Décio Villares. Se aparecem algu-
mas mulheres “cívicas” `, elas vêm da Bíblia ou da historia de outros povos.
Pedro Américo pintou Judite e Joana d'Arc; não pintou Joana Angélica
nem Anita Garibaldi. Talvez a tela mais representativa da mulher-elegân-
cia, da mulher belle-epoque, seja a Dame a` la rose de Belmiro de Almeida. Fig. Xl.
p, 102
Até o nome é francês. A mulher como sensualidade perpassa a obra de
quase todos os pintores, à exceção dos positivistas que não pintavam nus.
V ítor Meireles tem sua Bacante; Amoedo pintou Salomé e vários nus, al-
guns considerados imorais pela critica da época; Almeida Júnior, O des-
canso do modelo. Honra seja feita aqui a Belmiro de Almeida, que, ao
decidir pintar um nu, o fez utilizando um modelo visto de costas, pele mur-
cha e cheia de celulite, negação dos padrões de estética feminina da época.
A tela foi rejeitada como imoral num salão de Paris.
O exemplo mais típico talvez seja o do quadro A carioca, de Pedro
Fig. XII
Américo Esse paraibano que passou a vida entre a Corte brasileira, Paris e p. 103
Florença pintou batalhas encomendadas pelo governo, pintou as heroírias
Joana d'Arc e Judite. Quando lhe ocorreu representar a mulher brasileira,
produziu um nu e lhe deu o nome das habitantes da Corte. Poderia ter es-
crito embaixo A francesa. A tela foi, aliás, pintada flfl FYEIHÇH. Em SUH Pfí'
mem eS¡a¿a ¿e cinco angs na Europa. Ofertada a Pedro II, este a devolveu
por não se ajustar aos padrões morais palacianos. _ t_
- t am nao i-
A mulher que os melhores pintores da éP0Cfl YÊPY95611 av _
uh 1 J
a ugar no mundo da poi i 1'f¢a, não tinha lugar fora d ec as a, a nao ser nos
_ S da ma do Ouvidor 2, Quan_
Salões e nos teatros elegan tes , ou nas butique
fi um bíblica ou a india
_ __,
- 3 refe_
(bela se aproximava da al€80f¡fl "' “ma 3 .
fência nãoA cívica. Não há A L`berdade
1 de Delacroix,
, . nem mcSm0
. AS
mulbgim; ¡|¢ David, em que o pintor faz uso politico alegoricosdeeuugn
tema Pefguma que pøde ser lena aqui' é: se Cgpíllzelilfog c0Piar
MS em .
r›0r que____________..
não podiam °S P““°feS ra
95

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íni----'

- , -- l ~ ri' ri ' sintar


` a RcPÚbl¡Ca como
_ mulher' inde`
.
umbëm 3 tradição frJnct|s:`:Ltç‹×4f*a| Comumdzdc de S€flltdO, pflfa (il Côpla?
9 5 ' ' ' . ¬ ' K . ' '

P<`ndentem‹'fl“
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fl's h`¡“
~
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- ii» artistas. não se libertaram
ln" . .
dO Cofldlcio-
. -

Ou' 'ndo
_ mms
. . Jiu" - n[ln
,U iq('Íit.ir.im criar a alegoria feminina da- Republica?
naniirito uitirnoi i .J hm de que mmbém os artistas estavam
. - t-.i talvez. isttfl "Ú . . .
-\ “ `l"" d Q ¡m,,_.¡¡¿\-ei; queixas de protecionismo oficial
I.¬n_..‹. da R‹i¬u ~ t mm da Momrqmz permanece verdade que o mundo
1 › ` Í la. |›\ a~ J

a . _, .in is I . ' . - .
wrlmd' - “`jw¡`
i m - lTIO.
' C m boaz parte concentrado
_ no Rio de Janeiro,
. era domi-
- ° ' ›
nado pelo patrocinio lmpifld -
'-1 por i _ .
. ‹ ~ r, mas a era ão de into-
t×'~*-*O-ll JO 'mP*`“d°'- A Repubhca temml mola 'al Agíssoçagregule se
res que a representou fora formada na tradiÇã0_lmP€" - _d d 3
falta de dramaticidade do evento da proclam3Ç3°› 3 falta de deus' a e popu'
lar. capaz de despertar a inspiração artistica. ' _
Os obstáculos ao uso da alegoria feminina eram apflfemememe IU*
transponiveis. Ela falhava dos dois lados - do Sí8flÍfiC3d°› U0 Qual 3 RÊPÚ'
bl'ILÀ
~ se mostrava longe dos sonhos de seus idealizadores, e do significante,
no qual inexistia a mulher cívica, tanto na realidade como em sua repre-
sentação artistica. .\'essas circunstâncias, a única maneira em que fazia sen-
tido utilizar a alegoria era aproximar uma república cortsiderada falsificada
da visão de mulher que a época considerava corrompida, ou pervertida,
a prostituta. lronicarnente, a República, coisa pública, acabou sendo alego-
rizada pela mulher pública da época, embora essa mulher, como pública no
sentido cívico. talvez fosse monarquista.
A alegoria se dissolvia na falta de uma comunidade de imaginação.
Ou se fragmentava em sentidos contraditórios e invertidos. Exemplo de
dissolução surgiu em 1902 num episódio da praia do Flamengo, relatado
em O Paiz.-75 Uma jovem bonita apareceu na praia em roupa de banho
usando um barrete frigio. Sua beleza e o inusitado do barrete provocaram
grande ajuntamento de povo. A moça foi aplaudida_ De¡~am-5e vivas à
República. O sentido dos vivas ficou claro quando um rapaz observou que
:xíc naodahašeriadmonarquistas. Outro curioso, refe-
da propaganda, Suspiro". “šlm é aase oi-älieSalJ0ntamento dos, republicanos
relação possível, nem alègódca engpu ca de meus sonhos . Não havia
não em bela não em deseiá 1, e a moça e a Republica. A República
' Ve › 050 era a liberdade, a nação. Da parte da
moça, o barrete .
rente Cb em apenas
de bmhg uma peça de vestimenta,
. moda ' não muito dife-
We USW2- É os curiosos certamente se pergunta-
vam ao olhá-la: á ›- . _ _
Muimm Mo af da de hmm (pmada) 0" Publica, Maria ou cocotte?

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i'(._-:`;. /"
"`~w';/_/:.)}.f|"I(.¡" “Q z” )

A FORMAÇ/7\() I)/W Al ¡\/\¡\g

Lung

I. A proclamação da República,
Henrique Bernardelli,
Academia Militar de Agulbas Negras

97
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'I |rml‹'nH"\z
Í/ Í) Hmrllllfl 'lí'
A ¡¡ [H/HI I/ll' I'ÍÍ¿¡ ÍÂÍÍÍÍIÍI/Ú:

Muwu I/1:!/›r/uz N06!//"ld

flʿ

111. Tiradentes,
óleo, Décio Villares,
Museu Mariano Procópio

IV. Tiradentes esquartejado,


Pedro Américo,
Museu Mariano Procópio

98
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í

V. A leitura da sentença,
Eduardo de Sd, Museu Histórico Nacional

VI. Alferes
Joaquim José da
Silva Xavier,
]ose Walsht
Rodrigues,
Museu Histórico
Nacional

#59”.

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Mg ¬ of-Í
VII. A liberdade guiando o povo,
Eugene Delacroix, Louvre

VIII. Sem título, O Malho,


M

I
IX. República,
26/1 I /I 904
Decio Villares,
Museu da Republica
M

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J R":I4 _. -‹.‹\l'1fI_-5,-¿{
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-z e

X Estandarte
da humanidade,
Decio Villares,
Igreja Posztzvzsta
do Brasil

'Tí'

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XI. Dame à la rose,
Belmiro de Almeida, Museu Nacional de Belas Arte
S

102 I

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5%»

XIII. Bandeira
do Imperio,
Museu Histórico
Nacional

ff'
“4

XIV. Bandeira do
Clube Republicano
Lopes Trovão,
Museu Histórico
da Cidade do
Rio de ƒaneiro

*MM

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\l li l\`.,"¡.lz`¡'.¿ f\'¡'/'¡
w Í›'

9 :ii . ll; ,¡ L* ol l ,

l"
¡,o \¡ fc .lui }\`¡4l`h /'Ill J

XVI. Bandeira
desenhada por
Décio Villares,
Igreja Positivista
do Brasil

__

X VII. Bandeira
bordado pelas
filhas de
Bfmfamin Constant,
Museu da República

_____________.
105
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`I-

Í
¡'!

Xl/lll. A pátria,
Pedro Bruno, Museu da Republica

107
l O (J

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'Ox Os

XIX. Clotilde de Vaux

108 1

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zz
*Q/:S23\~
-
5 4

BAN
o Pesd)blyffšAH¡š1I`ä?,`= o

A batalha em torno ' - .


relação à bandeira e ao hino. 13;ãlgggšltšäadgeäliâlicana deu-se também em
eäses tradicionalmente os símbolos nacionais maisa eliiilcleedigs dflgez que São
0 fÍ82tÓrio. A luta elo m' ' ~ .' uso quase
feminina, era parte il)nporr;r¡(ÊedIÍaolr;ʧ_»t¡i¡¡n;;3Ç¢ãl¿a álširilra do heroi, pela alegoria
fêveladora por não se tratar de exigência legal Moavo reglme e talvez mais
"W105 conclusivo, pois não decidia da re resent Ê er? lëulde reêlikado
República. Era batalha de contornos indefiliido dlçzli) Sim Óhca 'Oficial da
raçãg ¡mpreC¡Sa_ Não foi assim com a b d _ 5, e hoentes móveis, de du-
obrigatórios d . , . an eira e o ino. De ad0Ção e uso
, esses ois simbolos tinham de ser estabelecidos por legislação,
com data certa. Era batalha decisiva.
. .
N ão há surpresa, portanto, no fato de que a disputa
. em tomo desses
Clois si m bolos tenha sido Ela re~
- mais
. intensa,
. embora de menor duração.
Velfl C0 m nitidez
° ' algumas das clivagens
. existentes
. entre os republicanos
. e
lflmb ém permite
- enriquecer
. .
a discussão . sobre as condições
anterior . que
facil' . . ' l tivo. No caso da
banàtifm 011 dificultam a manipulação do imaginário co e
em. 2 vitória pertenceu a uma facção, os positivistas, mas ela se deveu
cer '
. *amente ao fato de que o novo simbolo incorporou elementos
da tradição
'
"“D€rial. No caso do hino, a vitória da tradição foi` to t a 1'. p ermaneceu o hino
109
_;-1.;-i

l
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. »_ vitoria '
- -. PODU lar no novo regime. 830 ha à reve-
. . ' bém a unica
antigo. Foi tam .
lia da liderança r‹'pulilitan.|.

A iiziwiii-'iii/\ “MARCA ‹3oMi~i'r/\


I tili I5 de novemliro fel
(l t|ii'\|\‹'r;lt‹i J C0m
. CIUÍ' 05 Participantes
A ° não
.
,|,ס¬ii×i-_×,×i~iii ~
de uni simbolo proprio “ par.
1 'i desfilar nas. ruas. s tropas
.lh insur-
.
' ~ do 29 Regimento de Arti aria de
ri~t.i× ii.lo tinham bandeira. Um sarf¿<'m0
53.» (fi-¡,~.ii'w.l‹i jogou fora a l ian d ei'ra imperial quando as _ tropas
_ i marchavam
_
S
p.tt`.i ii campi) tlt' ílfllaflzl, ' Í não tendo com que a substituir.
_ _ O movimento _
repiililicziiiri. como um todo ¬ não adotara bandeira _ própria. Como hino.
usa v 'ài 5sim | ilesmente
_. a Marse/besa - Poder-se-ia Pefgumafi se 3 Mafsel/7853» I _
por qiie tambem não a tricolor, a bandeira da revolução e das rfepublicas
francesas? E que a Marselbesa era simbolo que extrapolava as ronteiras
nacionais, era simbolo universal da revolução, ao passo q ue a tricolor man-
tinha as caracteristicas nacionais. A Marselbesa era a revolução, a repu-
blica radical; a tricolor era a França.
Sem dúvida, os republicanos não ignoravam que a tricolor fora tam-
bem objeto de intensa luta na França pós-revolucionária. Sua própria ori-
gem era controversa. Diziam alguns ter surgido da união das cores de Paris,
o vermelho e o azul, com o branco, a cor real; diziam outros representar
as tres ordens, o vermelho para a nobreza, o branco para o clero, o azul para
o terceiro estado; diziam ainda outros ter sido criação de Lafayette, coman-
dante da Guarda Nacional, que uniu o branco da Guarda ao azul e ao ver-
melho das milicias parisienses. Seja como for, a tricolor foi consagrada na
Festa da Federação em 1790, quando toda Paris adotara suas cores. Ela
precedera a Republica, fora quase símbolo de conciliação, como o indica a
versão de que representava as tres ordens. Talvez por isso tenha sobrevivido
aos anos iniciais de incerteza, inclusive quanto a seu desenho e à posição das
trts cores, e tenha sido adotada oficialmente pela Convenção em 1794,
quando ia passara pelo batismo de sangue nas guerras contra os invasores da
átr`a. D 'd ` ' * - . .
g m(')d(_¡Oa;;;w'l° Í”í"°' (âfmal df* R°V°¡UÇã0. amigo dos iacobinos, desenhou
ç , co ocan o as faixas em posição vertical e as cores na ordem
a/.ul-branco-vermelho.2
I JA Restaura Ç ão a b andonou _ a em troca da bandeira
. branca que se tor-
nara simbolo da Monarquia e da re ã M . _ i
. , _ af; 0. as a tricolor ia se tomara simbolo
após 3 queda de Carl X ~ RG t L uis' Filipe
fl3C10fldl. e não foi por acaso u› ° ~ . . readotá-la em 1830.
decidiu
05 . ecebeu _ a, em cena de forte simbolismo,
. . das
mãos do mesmo Lafa ett
começou a Sofrer novlá coenëlàle É consagrara em 1790. Em 1848, a tricolor
rf
' “Uai
monarquistas, mas da band eira Cl€SSa vez não da bandeira branca dos
b ver melha dos socialistas.
- . Foi_ Lamartine.
.
mem f° dO Soverno revol ucionár
' ' ,
'O' que a 5alV0U. acusando a bandeira ver-
Til?
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, . ri» iri-sentar uni partido e não f F'
iiiellia dt I ç . . _ d França- A C0flIuna a d -
' . ' Í' lli Ê i s mas' ¡'i 'l erceirii' Re U'I ) I " - . mou 3 ba"
dm” W rim i irinii-ira ci-liilira 'lord ll;-ld mlmu ao slmbnlo lá "adicional
. á 4 ' ` I . H _ '

¡›.ir¡s i-nfi-itou si ti .izu , iranto e vermelho, como na Festa da Federzçgr;


~ ulilita á era a Fr' - › .
.ii- i7‹i‹i. /\ Ri ii i *'""`“ * f°*“l“=' 2 f°fl<›lflcã‹› reviiiurionàriz
H.¡U,|,ir era seu slmliolo. i
.i
¡.j,,¡,.iiiliz se ii dificuldade que encontravam os republicanos em adorar
_, ¡¡¡,iilor. Nãiiaserizibrasileiro nem revolucionário. A escolha da b dzirz
_ _, _ _ O an
rleixoii-tis divididos, indecisos.. N30 ¿. que nãø ¿,x¡suSS¿_m tentativas de Criar
ou ,iiliitar nova liêititleira. Havia, em primeiro lugar, a bandeira dos incon-
liili~iitt'S. dt' Cflflhvfllmvfllo dos vários clubes Tiradentes que se formavam
pelo Pill-"'~ H¡Wla~ também» .PCIO menos duas versões de bandeira que se
iiispiravam no modelo americano. Uma delas foi levada pelos republicanos
civis as ruas no dia 15, de maneira algo improvi5;idz_
A história dessa bandeira, que pode ser considerada a bandeira da
Pf9Clam3çã°~ Pois fm hasteada POI" José do Patrocinio na Câmara Municipal
e lá permaneceu até o dia 19, é esclarecedora das dúvidas dos republicanos.
Ela era copia da bandeira norte-americana. Segundo vários depoimentos ao
jornal O Paiz em novembro de 1912, especialmente o do capitão Maxi-
miano de Souza Barros, pode-se inferir que fora feita pelos sócios do Clube
Republicano Lopes Trovão para a recepção desse lider republicano, quando
regressou da Europa, em 1888. Em novembro de 1889, estava guardada no
Clube Tiradentes, que se reunia no mesmo local que o Clube Lopes Tro-
vão? Nela se conservaram, nas faixas horizontais, as cores verde e amarela
da bandeira imperial. O quadrilátero, por sugestão de Fávila Nunes, era de Fígs. XIII e
fundo negro, para homenagear a raça negra. As estrelas foram bordadas em XIV, p. 104
miçangas brancas. Foi confeccionada em uma alfaiataria de propriedade do
proprio capitão Souza Barros.
O capitão vê-se em dificuldades para explicar a opção pelo modelo
americano. Houve, segundo ele, relutância de parte dos socios do clube em
aceitar a escolha. Havia entusiasmo pela república da America do Norte,
mas confessa que toda a orientação dos revolucionários era francesa. Canta-
vam a Marselbesa - cantaram-na no próprio dia 15 - e sÓ tinham a França
°°m0 modelo. Dai apressar-se ele a dizer que a escolha não significava sub-
missão aos processos americanos. De fato, a 0PÇã0 ÍOÍ 2180 5_UfPfe_@“df`_'“e°
C0!!! toda a probabilidade, o clube era formado de uma maioria de iflC0b1fl°5
.e .positivist~as, e não de ' 'd€!Tl0Cl'áliCOS" ao estilo dos paulistas. A escolha
l98ica seria uma adaptação da bandeira dos inconfidentes.. Unâa dessaš
ÍIMPÊHÇÕES lá fora usada em 1881, na primei_ra.celebraÇã0 Pflbllffl a '23 as
B Tiradentes. Ela conservava o desenho original, 20 qual acresfçema na
ÊWS Verde e amarela da bandeira imperial. Por lofl80 f°l2'1P9d'3;':;ve_
.azeffl da Noite .4 É possivel Que o ea-rWm°“'° de°'S“'° fe" 3 S' O I. tas
“lëncia de adotar um emblema que aceitável também pelos pau IS .

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V

Pelos rcliublicanos liberais. Scifil Cfimfi lUf~ fm 3 bandeira Hamiiricanah que


foi leviitlii eni desfile por Patrocltiio e outros até a Cflmara Municipal Q» já
liasteiidii.
Um griipii peqiiciio mas entusiasta de empregados do c‹›m(~rci‹›, lidi-_
initliis pelo liitcigriilii Augusto Malta, coflÍt'CC¡0fl0U f'¡*`l“Ú3'“""`lf'. Para um
pi~opriti_ outra baiideira, copiada da do Clube Lopes lrovão. (.a‹la uni di-ii
tiiico iiiil reis, compraram o material, fizeram a bandeira e a desfilaram fl
i,iftlt~ pela rua do Ouvidor, contornando o largo do Paço e dando vivas 5,
Ri-piiblica, algo receosos por ser ainda perigoso levantar 1815 vI\/HS no dia l'›_
segundo assegura Malta.5
Independentemente, ao que parece, um oficial da Marinha, Gabriel
Cruz, estacionado em Pernambuco, fez em 1888 uma bandeira também
inspirada na americana e a enviou a Quintino Bocaiúva e a José do Patro-
cinio. Mantinha as faixas horizontais em verde e amarelo. Mas no quadrilá-
tero, de fundo azul, colocava o Cruzeiro do Sul, circulado por vinte estrelas.
As estrelas em circulo, representando os estados, eram inspiradas na bandei-
ra imperial. Não se sabe o destino que teve essa bandeiraf' Outra ban-
Fig Xl deira ao estilo americano foi içada a bordo do navio Alagoas, que levou a
p IUS familia imperial para o exílio (retirada quando o navio passava por São Vi-
cente). Essa bandeira, que Tobias Monteiro julgava ser a que fora hasteada
na Câmara, era na verdade cópia dela. Não podia ser a mesma, porque o
navio partiu antes que a outra fosse retirada. Além disso, segundo a des~
crição de Tobias Monteiro, o quadrilátero era de cor azul e não negraf
Com toda a probabilidade, é a bandeira que esteve no Museu Naval e hoje
se encontra no Museu da República. Malta não dá informação sobre a cor
do quadrilátero de sua bandeira. A do Alagoas já era azul, e várias testemu-
nhas do dia 15, anos depois, julgavam ser também azul o quadrilatero da
bandeira do Clube Lopes Trovão .8 Essa bandeira se encontra hoje no Museu
da Cidade: a cor é preta. Das duas, uma: ou os observadores não prestaram
atenção à cor, ou resolveram não prestar atenção. A última hipótese é mais
provável para os que a copiaram. Nesse caso, cabe ainda a dúvida: conhe-
ceriam o significado dado à cor negra pelo Clube Lopes Trovão? DESSC
conhecimento dependeria saber se mudaram a cor por razões estéticas ou
racistas. Talvez o fizessem pelas duas razões.
Seja como for, foi imediata a reação dos positivistas ortodoxos a ban»
deira do Clube Lopes Trovão. Rapidamente conceberam outro modelo, GW'
Décio Villares desenhou, e o enviaram ao governo provisório por interme-
Fig. XVI dio de Benjamin Constant .° Na concepção da bandeira positivista, como em
e XVII, Qllflfifi' UKÍ0- 05 0ff0<l0X0S seguiram as indicações de Comte. Segundo eSI1'~
p. 105 na primeira fase da transição orgânica da hummidzfie deveriam ser mami'
das as bandeiras vigentes, com o acréscimo da divisa politica “Ordem 6
Progresso”. Tomaram então a bandeira imperial, conservaram 0 fUfld°
verde, o losango amarelo e a esfera azul. Retiraram da calota os emblemafi

117
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irflPe
riais: a cruz,
.
a esfera armilar, e comg ' os fflmos de Café Q “bu0 As
| 5 que circulavam a esfera forem ¡¡.¡m¡"¡d A
estff .3 al inovação.
_ a que gerou mem, mum,ÍCI, ¡ quf ||nda
.
d.‹n“nna
.
pt'iflC¡P _ _ _ CIIISI fais,
¡z 1 foi a introdução da divisa "0¡dcm C Pros ÍCSÊOH fm um. ,
ÍIIXI qug
,eme-sentando o zodiaco. cruzava a esfera em .
quefdg para a direita. Uffllido dexendmte d. c
Rui Barbosa. um convicto liberal dev 3-
. - 9 e .
andar a ideia de colocar uma divisa tão claramfffr
\(
emesentido a dificuldede
POSilivi5[¡ ¿t
"Í bflflddfz

. -eiial. Sem querer polemizar com seu C° ¡ 982 Ben'lamin


naci ° Constari Í, qug
fe,-3 o verdadeiro ideólogo da república entre - -
mz; pediu a Teixeira Mendes que iustiñcasseos nèillitares, PU icameme Q n OVO
aceitou a idéia
gm-

blema. O decreto do governo provisórie


saiu no dia 19 de novembro, quatro diaS afläe adorava a bandeira p05¡¡¡,,¡m
tração da eficácia da ação dos ortodoxos à 3 proclamação, numa demomr
saiu no Diário Oficial de 24 de novembré e _lUStificação de Teixeira Mende,
os dois principais apóstolos da ortodoxizi
.
esltriliiitilšiliiioeunliiiâlliaiiiclolêmíëca efm Qllc
OS at O jm de
suas vidas.”
3 an eira
Em sua primeira defesa,
. Teixeira
justificaMendes
a nova nãobandeira"
menciona b d
que circulou no dia 15 Apenas - . .
acordo com princi pios ' ' -
' positivistas i ale ga que o emblema n acional deve ser
- ' Sempre de
simbolo de fraternidade e li gaf 0 PflSSad0 ao presente e ao futuro A liga
com o passa Cl o se dava na conservação de parte da bandeira . im Perial, ' se-
gundo ele Obfa de José Bonifácio (O d esenho i em de Debfefi discípulo
.
de
David o pintor
9 ` da tricolor
' francesa) . Co nservavam-se o desenho Imperial ' ° e
aswfesi fePf€5€flÍflÇÕes de nossa natureza e nossas riquezas Até
cniz permaneceu no Cruzeiro do Sul uma cruz leiga q O d- mesmo 8
com simpatia Pelos catól`icos. _ Reconhecia-
_ i _ ° se, desse modo,ueeo po
passado,
la ser avis"
rre-
hígâtantolpolitica como re I igiosa, po15 21 Monarquia e o catolicismo eram
a evo ução da hum anidade,
' a ser superadas, mas necessárias . e por-tz-
duras de aspectos positivos.
A bandeíffli
- continua
. . ` Mendes, tinha de representar também
Teixeira
futuro A divisa ' 'Ordem e Progresso”
of I , H › 0 novo regime, e o .
Iwmfifisfipapel. De um mundo até então'ddividido entre asde
r excessos duas tenden-
progresso,
as ~ ~ sendo substitui os po
fdaã descobertas cientificas da dinamica social
imia os dois pólos. Tal concepção era a
universal, prenúncio da fase final
seria, segundo Teixeira Men-
Descreve, a seguir, a colo-
. Por fim, num autêntico
a nossa filiação com a França,
lado ' 'a toda a evolução
verde representaria a espe-

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¡ HM ¡¿,.W,|U¿-aii Francesa. Os atacantes da Basti-
, ., ...i pa/.
r.in‹,.i‹ .›^‹iiira‹as›' , do Palais.
iiial H 'uma mma” v¿,¡d¡._., affzncadas as árvores
1 . Í I _. . ç' ' H . . 0 . _
llia liivaraiii ‹'‹›in|‹› (Mm também ¡¿,mi,¡¡,f¡z Iiradentes, cuja rebelião ¡0¡
Royal. Por ai ii mn . ' , ., ,
da R‹'volu<.`5“ i'“""“¿'
di niint iódzi niiilni I
. -if
va bandeira fui mmbóm ¡m¿,d¡a¡¡¡_ O Dzdrm do Cpm-
I ' ' , v ~ .

A ‹›i›‹›.~.i§ › M 24 acusou O ¡¿,,v¿›i-no de adotar um simbolo que se


jr '_ .J ( , , ' , z 1

maré/o d‹› inilsni Ii qm rcflctia 3 pmição de uma 3¿›¡¡z religiosa, não con.
.z z z z ' oc '
prisiava .io rulitu Omü s¡m|,¡,]0 *
nacional. ,
Teixeira Mendes retrucou pelf,
' if n ‹›, C ~e . -
yiiidii' por 'z 2( m artigo irritado e do8má“C°"2 Insme em qm' 3
Dizlrm ()fic1ald‹›dia ii "U _ , -t- -Smo Tr t __
divisa "°()rdem e Proišfí'-950” "ã° lmphca adesãc ao pos, l.vl. ' a a se
d ` . ã .vUsa¡ de aspiração de todo o povo brasileiro. Poderá 0
- um ' . . -
- i dspimçque
iornalista O criticou
° ° ai d'ivisa
" dizer que o povo_ brasileiro não.d deseja
d A a. or-
ênios da humani a e, ristó-
dem e 0 progresso? Comte, como outros 8 _ _
tl›: Confúcio Descartes etc. apen as resumiu a aspiração de sua época. , _
ECS' ' .Í . ii - - - d er da Republica,
Por outro lado 1 argumenta, a seita P°5lt““5ta , na a qu -
nem mesmo cargos políticos. Quer apenas a ditadura rêpllbllfafifl Pfiffl 821'
rantir a ordem e o progresso. Finalmente, justifica a introiugígdišrtšäígâlã:
. - - s. -
as imagens são mais efetivas se acompanhadas de sinai t
nha aos novos
f'd
i en te possuia legenda. Não foi adotada p0f<lU@ 1150 Com" .
- ~ - ' - condi ão ara
tempos. A liberdade não era mais um fim em si mesma era Ç P
a ordem e o progresso. Ela de fato se tornara, por assim dizer, Ífiffllfl-
A crítica voltou-se também para 2 <ÍÍ5P05ÍÇã0 da-5 estrelas* afgumen'
tando Q ue havia equívoco científico, que o novo regime pretendia levar a
revolução ao céu e ã astronomia. Consultando um astrônomo europeu, um
jornalista enviara de Paris um artigo para a Gazeta de Notícias em que
argumentava que a posição das constelações estava invertida, que a dimen-
são do Cruzeiro estava exagerada, que a posição de várias estrelas estava
incorreta.” Teixeira Mendes voltou ã carga em publicação do Apostolado
de 3 de junho de 1890." Acusa o jornalista da Gazeta de falta de patriotismo
por ridicularizar um símbolo nacional! A seguir, faz um jogo ambiguo. De
um lado, menciona a opinião do astrônomo Manuel Pereira Reis, consultor
Í científico da nova bandeira, segundo a qual a disposição das estrelas refletia
o aspecto do céu do Rio de Janeiro na
PQ
do dia 15 de novembro
de 1889. De outro lado, em vista das argumenta que
bandeira é idealização, é simbolo, é prender á rigo-
K./J'/3-§,l¡,.tJd rosa representação da realidade. zestrelas, ela
f' lembra o céu brasileiro, o que não imperial,
I

* nem 'as estrelas da bandeira i :daquele


pais. A emblematização permite '
__precipua de uma bandeira.
' No mesmo ano de 1890
novo regime, publicou um livro
entre outras criticas, insiste na

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mm..`i'~ Ifiliiiirilii l'riulo entra t I
tv*
*""l' N ›~ 'unos si'guit|tt°s ii ltttti til ‹›nll.os dualhel
'ni . para mlmnr 3
iu* ‹itIt`\ll"~ l i l | I ' (quit. awwcli
. “¡.,,,¡ii-iite iurittiteÍ.o periodo
I .
v iacohino H~ mais
. Tudo indica queagressivos
Q p,›(,¡,,¡0
till" l ' '
l) JW, ,,,i.i lu .uu sutis i ito tom .i nova bandei
i H ¿j,..i-.i.uit, ‹-I‹~
__
ti-iui
_
procurado reforma I
fa- APÓS a morte de Bm.
|¡||lI
~ Ir .¡-‹_m.,|ii Mi-titles, que ameaça o mar¢¿~h¡¡| ~ ii, provocando novamente z
i|‹l * 1 l _ Í d d I com o fantasma de Ben
~ - ‹› vt -r < aiteiro
“NHL ¡i.u.i ili. _ _ ti " "' Pl fd- Rlpüblltfl,
- ' '- it garantia
- contra as
l' m.\ mi-tullsii tis, cleritfiiis e seliasttunistas
|t'J\
N.-iii iuesiiio l'loriano ficou livre da vigilância positivist;-i_ A 7 de
“_H_m|,,,, .|i- lH*).2, um incidente agitou a cidade. Um comerciante da rua da
\ \ ,i-iulileizi, uiu portugues, certamente mo ` ' '
“_ “.¡,,~i›si-iitâivâi ai bandeira positivista, na narquista, exibiu uma tabuleta
/
qual a divisa “Ordem e Pro-
ill _W," fora substituída por um “distico infamante”, segundo o Diário de
iii/ii/i‹'i‹i.i', Não se diz qual era o distico. Provavelmente era a “Marca Co-
“".¡¡,' '_ iioiiie dado pelos opositores ã nov b `
a andeira, por se parecer com a
|i|`l) Wii;-iiitlii
* de um produto com aquele nome, a faixa da divisa podendo ser
(til iliiiidida com o rastro de um cometa. Uma persona em d F
Lv¡ (~ “hu Neto refere-se poucos dias após a proclamação,
Á 0 , 1
g e ãago fdtuo,
bandeira
,.Mw.a Qumi-ia"_“' De qualquer modo, naquele dia 7 data da Inde en-
“im-¡¡, algumas pessoas se irritaram com a irreverência , do comerciante, P
l P -l. z l 'a arrancaram todas as tabuletas e foram em procissão levar
invadiram .mz l~¿› 0 Itamaraty então palacio presidencial, entre vivas a
ämu_¡l)IiiÊ;k:r: Êiofiano No palácio, houve discursos exaltados, tendo-se
UP" ) ' li 4' ' - ' deira
iiiuntado uma Pequena mulgldão. EJmEaSt‹ëeoi'Êi(i):lÍ)0dÊflÊ:)<3lul<§10e1:1píolälfinciou
Para mmlgálla à guarcia de. (inim 'l a defender a bandeira nacional, mas
alttumas Palavras ambiguas re ativas Osi ão dam contra sua modificação.
Que todos interPretaram como um.21nPO dšia 9 telegrafou aos governadores
Miguel Lemos nã0 Pefdeu tempo' - à udaflÇa
dizendo QUÊ 0 Pf¢5¡d°`“*° em °.°l"“"'° .m de Flririario ensaiado num i›f°'
O deputado Valadão, militar Próximo Om O apoio» do marechal, teh-
l0l0 (le mU<lfiflCa da bandeira, Certamende ii interPretaÇão dada P0f Miguel
grafou a seguir aos S0V°mad0reS n-6-ga-n O manifestaram-se. Os alunos da
Lemos. Alguns 8°V°madores positivistas anifesto virulento, em nome de
Escola Superior de Guerra lançaram um “EW a bandeira. O manifesto era
Benjamin Constant, contra a idéia de mll uioritário. A razão da reação
positivista, antipolitico e profundamente afetende-se profanaf 2 m°'“Ó'_'“
contra a bandeira. flfflumentaval em dara. iima imitaÇão emplflca e Semi'
de Beniamin Constant “mascarafld°' poiiacionalidade"- l-ela`S,e: qilerelil
n verdadeira filiação histórica de nossa uerem uma r¢t>Úbl'Êa_ hbemf
Itltmr o modelo da bandeira fimeflcatilieai-ia pregada i>¢l° P°S¡“`"iln
¿°m'°°l'¡lfÍ€li *N di lditadufl mpg) manifesto falava ainda na lr 1 1
«ar
.
ar. marzo» ' P
fi*=fi°°*“-
sv ,g il har atães
Mm mdeceme eioot¬mpI°f* ' “ Pâflflmemanc

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(` ›ii|ti'i~\s‹i e ao chefe dv R0VÍ'm° autoridade
" l'|ilii|i_ iH'Il°W*¡ Ú" " , sd
l`“l““ '"` . . |.¡¡,¡ç 5.;. Ih-iiptmtll.i U* liefi' da r‹'VUlUl.¡“
p df' l 9 “O”
- i|‹°\t' _
\i*inl\ii~_ Iiiiliii i‹| (`liili‹- Ri-puhlii ano Sul- Rio
. i 'ii I H. U -
~. i i~.|~iitem-siiilttisitsiliiiltiiim V ' d H
||'\llllll.| il '
. iii iii un ifvsliiti-st' flfl fllflmfi “ml “-
QI .Illi t' ~ . nii.i lniiiili ni |›‹\\IHVI\ ‹
' ii'W¡.,..¡.-|.z
H '
.i¡~|i~׋~i\|iiili› sw ÍMIHU' '*‹«ii por
p ValadãoW e 4 iiutrm d‹'putad‹›‹.
1'
¡ ¡ ¡, m¿,.m¡ ,¡ ¿|wW¡ ¡,m¡||vista i' sulistituir as estre as pelas
|\Ii'li'|li til It' Iil - tl t ~ l ~ _ ' i 7 li- wii-mlir‹› ele |á . ti-li-fonara

.ll ill. i \ i li. Rriiiililii .i /\iiti'\ ilit ¢'l""“*lm I) LU i'il›lit'‹›


i f . dissera
ia . ` . .
que Í'lorian‹›
.im i;.›\i'ii\.tiliiii'\ priltttilu stlil Upllllilfl. 4' P ' ¬
- la iii.iitili-st.iç.l‹› dos alunos da ftscola Su
\'| .Í I .|\l ii lwl lmiiil.iiiç.i. l)‹ pois t
z 0
d batalhões e chefes de guar
pri mi ili- tiueiia. ioiisultou os
. i“‹›inandanli'.'~›
. . ~ 1'
d Migtiel -
Lemos. _ sido
teria ' t des-
iii\‹\‹~× snliii' u .t\\i|ttl‹›. /\ ft'.\|×l\l‹l. Wllu" 0
~
l.t\‹\i.l\‹'l .l Ittivtltlitlólgltl. A Qflmdfd
` - ~ d CU*diu que se consultassem as assem-
.
ic ais sobre a supressão, na bandeira,
l~l‹'~i.i× i-×i.tilu.iis i' iiilentlôntias mtin 'ip . ~
do "\iiiil›‹\lo de qttitlqtier seita'°. A Consulta, aparentemente, não foi feita,
e .t t`.¡m.ii¬.i. ao ri-iniciar os trabalhos, não voltou ao assunto. Como parte
dos mriileiites, note-se ainda a recusa do bispo do Rio de Janeiro em aben-
`
çoai .i nova bandeira. como lht- pedira
` um comandante da Guarda Nacio-
' ` ” ` era a presença na bandeira da divisa da seita religiosa
nal. A iustificativii
|×\siti\'ista."'
A a Ê'ao dos ortodoxos foi extremamente hábil e eficaz. Ainda que
minoria. conseguiram mobilizar setores jacobinos da população e. princi-
palmente. o radicalismo militar. A mudança foi barrada por um veto desses
setores. Fl oria
` no , embora contra a bandeira - não era positivista -, tin a
. Õ O O . h

neles sua base de apoio. Participava de muitos de seus preconceitos espe- 9

cialniente da ojeriza aos politicos e ao Congresso. Não podia enfrenta-los


abertamente em assunto tão delicado. Uma comissão da Escola Militar che-
gou a visita-lo para protestar contra a mudança. Ao final de 1393 sua si-
tuação tornou-se ainda mais precária, com o rom iment i ' °
O assunto da bandeira morreu. Os positivistas ainda tri tiidilaãi' guerrl: civil.
mfmófífl. ffguendo-lhe um monumento em que O uadp ' an? so re sua
mava Guarda a bandeira. O marechal a ar d q i to prmclpal cha-
. _ _ P cce escoberto em respeito ao
Plvllhlo. espada na mão direita pronto ara l P
ban deira
- com as figuras
. de Tiradentes J é B ° ° or trás dele,
_ ' P 3 Uta. - - enorme
iam, Bem v¡5¡ve¡, a d¡v¡sa “Ordem e Plrogtäss ,oriifácio e Beniamin Cons-
Apesar da resistencia á divisa posit' ' O l .
dias de hoie. a bandeira republicana t Msiai que talvez perslsta até os
caÇ¡o dos heróis do 15 de novembro eeve maior aceitação do que a mitifi'
do Que a fi3uraÇão feminina da Repúbiienageme desiaenou maior respeito
nas rePresentaÇões alegoricas do novo ca.. S carmmstas l°3° 5 fldmafam
Revista [Ilustrada do dia 16 de novembegudml Há mesmo uma Charge da
constitui um enigma F0¡ . , r° 9 1339» de Pereira Neto, que
' 3 Primeira re .
de mulher no novo regim¢_ pfe5¢0¡flÇão da República em forma
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114
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' 'Q '
i .
_ ; At* ' . __.-4

RIA Á iumiiii nom aos imnoi-is no nu is ni: NovmtBR0 DE l889.


Hougugggia DA "REVISTA ILLUSTR/iDA"

28. ' 'Glória a pa'tria/ ' ', 89


Pereira Neto, Revista Illustrada, 16/11/18 '

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_ Ónpo
. que já
° examinamos
l . O mg-

A f' ura feminina não ÍOBÊ 3°_ estcfíl-cada Pela eSP8da e Pelo escudo.
. z são uerreira, I _
delo e Atena em sua vtr .8 ustém na mão esquerda. Trata se, sem
O que surpreendi Ó .1 bin t ` `/0-90 8 Ca|0¡a azul atravessada pela faixa do
1 ' 2 d S '

dúvida, da nova häfldizira. obser' Í d. cut () problema é a data. Como


ZOdm.O_ dcstinilinii diisq
Í ` á . › ' z ¡`-
_ _ dm 5¿.gU¡mo á proclamação? Alvarug
a

. , ., . - Q á fl()
foi Possivel piililitar tal tharg l mio como que aguardando O acomeü
mm...
. 1 qui i .i
. ri › vista
` ' la ts
3. I eo robkma
p da bandeira.
, Segundo informaçao
' -t.

x Q ' ` ` ' V p . °
m'm°'I.-- Md*z. mo não› tea Ós ver a bandeira
' “americana” no dia 15 e Que
dos_ positivistas. Somcfl P Ode]0_ Havia, então, O trabalho de
¬ . mobilizara
st ' ' m P ara a P resentar outroPereira
m _ Vmares
Reis, chamar Déclo ,
concebe-lo, consultar o astrônomo _ _
para desenha-lo. Alem disso, segu .ndo Teixeira
. Mendes,
_ 21 Pflmfflffi
_n Cønstam) fora 511865-
de
tão por ele feita ao governo provisório (l€13'5e Benlafnf _ ~
adotar a bandeira que Comte propunha Para 3 terceira fase da transiçao
orgânica: fundo verde orlado pelas cores de cada nacionalidade. M18U€l Í-6-
mos lembrou-lhe que o Brasil estava na primeira fase e que o novo ešmbâema
deveria conservar o imperial, acrescentando a divisa. SÓ entao oi ese
nhada a nova bandeira. No relato do encontro dos positivistas com Ben-
jamin Constant no dia 17 não há menção à bandeira, embora haja referência
à introdução da divisa. Já estava então decidido o novo modelo? Nesse caso,
Teixeira Mendes já deveria ter falado a Benjamin Constant sobre o assunto
no encontro que teve com os membros do governo provisório no dia 15.20
Mas naquele momento certamente ainda não falara com Miguel Lemos e,
se sugeriu uma bandeira, foi a da terceira fase da transição e não a que
acabou sendo adotada.
Fica a dificuldade: a charge é do dia 16. Embora certamente dese-
nhada apos a proclamação, como o indica a figura de Deodoro com o boné
na mão, em pose quase idêntica à do quadro de Bernardelli, só o poderia ter
sido no proprio dia 15, para permitir a impressão e distribuição no dia 16
Como então já continha a nova bandeira? O mistério fica mais inn-incadg se
lembrarmos que O Mequetrefe do dia 17 traz a alegoria feminina da Repú-
blica e José do Patrocínio empunhando a bandeira ' “americana” ' que foi por
ele hasteada na Camara Municipal.
Como resol ver ? Trata - se de coincidência?
° ' - Pei-eira
- Neto tema. tomado
a bandeira im P erial , elim'inado os simbolos
' .
do velho regime 3 ¢010¢ad0 0
Cruzeiro (símbolo també ' °
U1 C0flh€C1do, havia uma Ordem do Cruzeiro) na
calota azul? É curioso ue não -
fl COI1Sta de sua bandeira a divisa “Ordem e
Progresso”.
bandeira Mas rdquuteaegâäxiilfãiifia
positivismo; _ ° do zodiaco,
. exatamente como na
l adia
ção, a revista não tenha oirculado no e É16que» apesar da data de publica-
› mas um ou dois dias depois,.
quando o desenhista já teria tido tempo de entra
tivistas, rejeitando, no entanto sua divisa Í em COUÍHÍÍO COITI OS POSI'
9 .
Seja comos fort . os cartunistas
'
Passa film a usar sistematicamente
- . a nova
tm

118

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m a divisa a partir de dezembro d 0 1 88 9. A m
deira» C0 ' _ esma R8!/iƒta
ban 3 ap
resenta com d' ' e 2 l de junho de 1890
I//i , reconhecimento pela República F fflflces a _ A
6 Sflllda O Pflsar de 59 Pfestar
qu-llmffllfi il o ridiculo, como o atesta a “M C (lã , O TIOVQ Simbolo
S1

fat _
do, mesmo a partir do inicio das critie 35 ¡eringg ¿ R ÊPU b lica que se
foi POUWC .
am do uso da figura da mulher Uma das
titilllíw _ M i razões P0<leria ter ' do
I ' . _ _ SI 0
mt-do de f@Pfe5áha` as fa “W310 Era mais real no in
particularmente na fase i - jacobina.
. . A. partir do gov ernolcio do novo
' femme `
após a derrota dos militares positivistas em 1904 ess Rodrigues Alves,
fizziva. Pode-se supor, então, que a bandeira foi reS ef' tiemor não se ju5¡¡-
que era o simbolo oficial, ou porque, de ajguma m p lia a e acima °U POT-
. I . . ,

dade. Um dos poucos exemplos de alteração da div_isaelffl. maispossuia legii,m,_. .


que debochado, é uma charge de Angelo Agostini noiz) Q e.m [Om C““C0
novembro de 1895. A República, como mulher a are . uixote de 25 de
f€Çã0 OPOSU1 30 Pf081`€550, Em contraste com os,E P d Ce Cal./algand° na di'
rep úblicas _ latino-amèr'icanas. Em lugar de “Ordem Sta eOsPUmd°5 EHHS Outr as
deira traz inscrito “Desordem e Retrocesso” U d mgresso ` 8 ban'
. . - ma
sismo esta claramente expressa no cartaz lev 3 d 0 por Prudente
as razõesdedoMorais,
regresi
que diz: “Politica positivista” '_
A bandeira aparece men os na arquitetura
' e na pintura.
' Os monu-
mentos positivistas, como já vimos , a colocam sempre . em posiçao ' " de des-
taque, representando a pátria e a Re publica.
' ' Ela envolve as fi guras de Ben-
jamin Constant e Floriano Peixoto no Ri 0 de Janeiro ° - No mon umento a
N
Júlio de Castilhos, ela domina o quadro principal â frente da . ,, _d
-
pintura, ha. o quadro de Pedro Bruno * talvez o mais importliint iram 1 Í).re oa
e so
Fig. XVIII
tema. É de execu Ç ão um t an t 9 Íafdlfl,
° 1919, e talvez por isso busque çon- p. 107
ciliar as P os'IÇ õ 65 que Se digladiaram
' ' - z - da Republica.
no inicio , . O quadro apre-
senta tra Ç os claram ente positivistas. Embora seu objeto
- ~ a bandeira,
seja
I
. o d .

titu 0 atria a g
Ú l É “P ' ' ” o osto dos ortodoxos O conteudo também po ei-135€;
endossado DOF Miguel' Lemos.. um grupo i de .mulheres de todas as idades,
,
fil has W165,
9
“ avós confecciona . . E uma exaltação tanto a ban-
a bandeira.
deira e à ' ° ,
Culto do Pfltlila quanto ao papel moral da mulher na educação dos filhos e no
, S va ores morais da família e da pátria. O simbolo materno
e abraça e beijaé tam-
uma
bem Ób '
V10 na mulher que amamenta e na outraelho qu quase escondido no
crian . . .
ça' A Presença masculina limita-se la um v
ente ao fato de terem as filhas
Canto direito.
' O quadro refere‹~se provave m
de Be nlamin
' ° Constant bordado uma bandeira ' positivista,
` ` ` que foi oferecida à
Escol ' ' . m retrato de Tiradentes
a Mllltar. Ainda como traço positivista, há u
preg3d0 113 Parede.
` ' istas Em primeiro lugar, a fi-
Mas há também elementos não positiv .
gllfa de elos ortodoxos, particularmente
na a
De°d°f0,
.
que jamais seria aceita p como na bandeira_
da Rusšnflfi de Benjamin' Constant. Em S€8l1fld° 11182",
ev'-Via Illustrada do dia 16, não aparece a d'iv1S' a “Ordem e Progresso”.

119
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Í'"" ' ¡fl! fiul: irfvmf.
l .

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29' _' .A Reflública Francesa' ',


Revista Illustrada, 21/6/1890

120

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~.'.:.'è-1 1
iä ›'f."".*='.U'
_ O I

30. “O ano de 1396 1 -,


A”¿'“¡° A¿'°“¡"¡› D- Quixote, 25/11/1395

O artista, usando o truque de apresentar uma bandeira incom l


clui a divisa, embora registre a faixa branca. Por fim há umr 'gui ui
& Nossa Senhora sobre a mesa, numa clara opção pelo ,¡m¡,°:_,mâ::
lioaobre o positivista de Clotilde. Salientand '
Mimi bandeira como na figura de Tiradeniiesísehšdfiio? ‹fu°i:¡:¡p.”.dD¡,0¡¡¡|¡;
Ilfilflnnte, por meio da figura da Virgem católica, e ainda conciliando
Deodoro as correntes republicanas, o quadro, que nleu eo
de viagem à Europa, bem representa as rude: do exito
~'¿%L°á4bmdeira. Ela não se desviiiculavii da tndiçlo cultural e
osortodoxos acertaram. O losango amarelo em fundo
de guerra e nos campos de batalha dunnte a
.dl ls noticias de vitoria eram como
' as cores nacionais. como ates-
.flllstnlø de Henri<I\I¢ WW-
indepcndente do P015 ¢
npubliemo como Castro
pendno' ', apesar da

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31. “A primeira notícia ' ',


H. Fleiurs, Semana Illustrada, 12/3/1865-

o “TA -R/i IA -TA -TCHIN' VITÓRIA Do Povo


Mais do que a batalha da bandeira, a do hino nacional significou uma
vitória da tradição , pode - se mesmo d'izer uma vitoria
' popular, talvez a única
intervenção vitoriosa do povo na implantação do novo regime.
Os republicanos da propaganda não tinh
am hino
era a Marrelbera, cantada em todas as manifestações co próprio. Seu hino
e Albuquerque.” A data do 14 de julho er li , mo atesta Medeiros
a, a ás, uma dor de cabeça
representante francês, pois os republicanos dela se aproveitavarn para o
para cantar
livremente o hino libertário e combater a M '
onarquia. O diplomata
dilema de fazer a festa e arriscar um conflito Com o governo, ou nãoficava
a fazernoe
desagradar a seus com patriotas.”
Aparecia ai com clare
za a ambigüidade do hino francês. A Marse-
Ibera, até o final do seculo passad
_ 0, era tanto o hino francês como o hino
dos revolucionários de todos os paises Nz
, atribulada.
carreira , Foi com posta em -abril' Pfopria França, ela teve uma
H de 1792 por Rouget de Lisle
como o Canto de guerra para o exército d ''
ão d R i _ o Reno , ainda antes da procla~
gx _ 3 BÍÊ'bl_'Ca° (f"“"d_° 3 Ff311% acabara de declarar guerra ao rei da
ungria t ›mia. Difundiu-se rapidamente, competindg mm outras can-
ÇÕCS Pflplllflres e patnoticas °
C°m° ° C0 lffl e La carmagnok.” Em inlh0

l22

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52. Rouget de Lisle canta a .llarse//_›es.i


diante do prefeito de Estrasburgo, Pils-

de 1792, quando os federados marselheses partiram para Paris cada um


levava um exemplar da canção. Cantaram-na ao longo do perçufw C» N
chegar a Paris. Cantaram-na principalmente a 10 de agosto. quando ainda-
ram a invadir as Tulherias, a depor a Monarquia, a proclamar a Republica.
O nome consagrou-se: era a canção dos marselheses. A nwrse//iz~.‹.;. Com-
posição guerreira por excelência, foi levada aos campos de batalha. desper-
tando entusiasmo sempre que era executada. Um general escreveu .to go-
verno: ' 'Enviem-me mil homens ou uma edição da Zllzirse//_›a.tzi` Ô
A Convenção adotou-a como hino oficial da Republica em 1.04. A
Partir dai, teve uma história conturbada, ao sabor das reviravoltas politicas.
` `' \ Ol
Ôlhada com suspeição sob o Império, rejeitada durante a Resttiuraçao. ' -
' - “ " Ufltllll O
ÍOU triunfante nas barricadas de 1850. A Liberdade de Delat roi.\ t
- ‹ f la l'i'ruri`.i na
POVO â luta cantando-a É também ela que €XPl0d€ da¬' 3*"~*-im”
.

iQ\'¢›¡`flQ tl(` LLHS
9SCultl1ra de Rude Mas tornou-se de novo subversiva DO l~
‹ da Rc*pLll¬l|t'.!. l\O
FÍIÍPE. Em 1848, estava de volta nas barricadas e na Se8U“ _ _ _
am Sfiguinte, PilS pintou o quadro famoso, embora histoncainente unter;
rem' em que representa Rouget de Lisle cantando sua corn posiÇao›
Pfflfeito de Estrasburgo. No Segundo lmP¿'fÍ°¬ Voltou 3 Clandtmm L l
Para ser recuperada durante a guerra de 1870 e a Comuna. ha O nmünfl
E SÓ fim 1879 que Gambetta lhe restitui o carater de lfl ~
___________....
123

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Alltiiiis, cnlans de la iiatriel


Le jour de glolre est iii-tive' l
Lgunlf 'f

53. “/lllons, enfans [sic] de la patria/ ' ',


O Diabo a Quatro, 19/11/1872.

¡ e a0 palácio - Estabeleceu-se um clima


. de expectativa.
. Não se sabe se prepa-
dido para que fosse tocado o velho
ra_ d o de antemão. ou esP0mâ“e°› °Velo O pe d l l - -
o a elo a Beniamin,
hino de Francisco Manuel da- Silva.- Serze e o evou P do o hino
_ e que
este consultou Deodoro. Decidiu-se na hora que fosse toca
e 1e continuasse
' c omo hino nacional - As bandas militares, como‹ se esperas- d ¡- -
- l r Ta-ra-ta~ta-tc/am. Pam 9 '
sem pelo resultado, irromperam com 0 popu H
. . . ' temunhas oculares. Houve
no
quem da chorasse
assistência, segundo depolmemoil
' de novo
ao ouvir dedtes
os acor es 0 vê lho .hino › carodesem
Suasdúvida
notas
..
também aos militares -
que tinham lutado nã Parâgäli pelas
ao sommas tocando O
ágeis e alegres. Finda a cerimônia, 35 ba" as 5
hino * acompanhadas pela popu1flÇã°-28 . - ° mon âr -
ter o hino
Não há registro de reação negativa à decisãtš dfizgljglo ela sem dúvida
Quico. Se houve alguma manobra P°f parte de tids militares. certamefllf
°°ff¢fii×›ndi-ia ao deseiv vflvfllflf ° “° de boa pantizi Repúbiiez ` Jvfflfllísms~ ll'
dos da Marmh
1 . , L t . ,
' ~ 'ag
' ta$ f m entusias *d de de flãfi tfocaf Ô
h lfl0s
'd na 11868551 3
gados a° g°v°m°
lembrando iá tinham
ea música de insisn O Manue1 i'á sedeenraizara
Francisco um regimena politico.
tradição

.uiffiaetftomara
simbolo da1WÍ¡° “ias que hinos de encomenda,
z f
.. t.dessas
1 opiniao.
. . . Não
e ~ e acreditaša
z o- em
elegnasife deS¢SP@f° 3° WV

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Alem da ctiiiszigraçãti popular. ii música de Francisco Manuel fora
ainda rcfcrctitlâttla nos tncios crutlitos Pflfl lflnlii-*fil flUl° Wllfl' Plãl (”0m[›_u\‹'ra
Louis Moreau (iiittsclizilli. () piiinistii dt' Nova ()rlt'ans ch`‹'Rflf¡* 30 RUI” cm
maio dc IBM, tlcliois di- Ion›t“ l'('fl`"f~*“ P"l" ^m(""“' J" Sul' P"'“'d'd“ ll”
lama di- um virtuoso do piano, reconhecido na liuropa, onde cstutlarzi tlii
rante onze itnos. l ol` r‹~c‹~bido com honras pelo imperador._, Seus c‹›ri‹e‹-rios,
p
ifs rias-
soiziiiitlo suas j t D '_ palavras,
~ faziam
- furor na Corte. Compos logo uma
li ii t-isi-i
. sobre o hino brasileiro, que executava em todas as aprr-st-ntaç‹'›‹-‹.,
,H ¿,.|¡¡¡0 ¿.¡ ¡,¡3¡¿.¡¿¡ L¿.mb¡¢-5e, para melhor entender a reação do pi]
ll- ~ ' ° . .
blico que a guerra contra o Paraguai estava em seu ultimo ano c ‹› espirito
patriotico se achava particularmente excitado.
Gottschalk, um Fitzcarraldo avant la /ettre, planejou um concerto
gigantesco com 650 músicos, nove bandas da Guarda Nacional ¬ quatro da
Marinha, duas do Exercito, uma de professores de música. Eram 55 cordas,
65 clarinetes, 60 trompetes, 60 trombones, 55 sax/mms, 50 tubas. ll pi
color etc. A cidade jamais vira algo igual. O pianista esgotava-se no cs-
forço de ensaiar essa pequena multidão: “Sou uma pilha voltaica sin-
fônica; uma máquina a vapor que virou homem. [...] Meu coração (-
um vulcão, minha cabeça um caosl”, escreveu a amigos. A estréia foi
no dia 24 de novembro, em ambiente de mil-e-uma-noites, segundo um
reporter. Depois de várias obras de Gottschalk e outros compositores, o
programa terminou com uma Marcha solene brasileira, fantasia sobre o
hino nacional, acompanhada de uma salva de canhão nos bastidores. Foi a
apoteose, que teve de ser bisada. No dia seguinte, Gottschalk quase des-
maiou de esgotamento no palco e precisou ser levado para a casa. Não se
recuperou mais e morreu a 18 de dezembro, espalhando o luto pela cidade.
Foi um meteoro musical que cruzou o Rio, deixando no rastro, entre outras
lembranças, a consagração erudita do hino de Francisco Manuel da Silva.”
O concurso do governo transformou-se então em competição para
escolher a música do hino da proclamação da República e não mais do hino
nacional. A decisão foi no dia 20 de janeiro de 1890, no Teatro Lírico, pre-
sentes os membros do governo provisório e uma platéia que lotava total-
mente a sala. Competiam alguns dos mais importantes músicos da época.
como Francisco Braga, Jerônimo de Queiroz, Alberto Nepomuceno e Leo-
poldo Miguez. Esse último era diretor do Instituto de Música.
Segundo Medeiros e Albuquerque, Rodrigues Barbosawfiuoioniflo do Mi-
nistério do Interior e colaborador de Miguez na lmámto,
providenciou uma claque para aplaudir a música do
com amigos de Miguez. O esforço foi em parte conitrabalaneodosipdoiifi'
nos do Instituto Profissional, onde ensinava Francisco Braga.

Í.Í §`z;šÊÊ`iÍ.`1Í.Í ."Z.§ÉÍ.Í,Í.`í§ÍIÍÊÊÊÍIÍ?ÊÊÉ`§“§§§.i`"'° “'-° Mim


. _ . . . . ' 2 2 Miguez.
siçao tinha na frase inicial um compasso da Marra]/Jara. O g

126

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34- HJWWO ÚPWC WWÇ00 da Republzca a'osE t d¡ o


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Biblioteca Nacional. S a Os Unidos do Bmw ' ',

f0Uz €flÍã0› que 21 música de Miguez seria do Hino da proclamaçao da R '


blica (para os que não se lembram: “Liberdade, liberdadei Abre as epa-
sobre nÓs!”). Tocado novamente o hino vitorioso, a platéia pediu O 1333
antigo, já agora novamente hino nacional. Segundo o repórter insuspeito de
OPaiz, ` 'A impressão que a composição de Francisco Manuel produziu no
nosso público não se descreve. Foi um delírio! Se no dia 15 do corrente não
se tivesse escolhido este hino, o hino nacional dos Estados Unidos do Brasil,
sena talvez aclamado e escolhido ontem” ' S"
Não havia como tentar mudar o velho hino sem incorrer em grande
desagrado e possivel resistência popular. A República ganhou cedendo lu-
gar à tradição. Ao hino de Francisco Manuel foi dada a letra de Osorio
DUCIUG Estrada, pois a letra original já estava em desuso mesmo durante a
M°flflrquia.
_ A história posterior da República confirmou as raízes populares do
h"1° imperial, agora com -a nova letra, popularizada como o Vmmdum.
Em m0mentos de oposição aos governos militares. 0 him Sem" m““a5
vezes de Canal para extravasar a emoção cívica de multidões na praça PU'
blica' N50 é outra coisa que se pede de um simbolo nacional: a cap acidade
de traduzir o sentimento coletivo de expressar a emoção cívica dos mem-
bro . 9

S de uma comunidade nacional.

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05 dot; episódios aqui eomemzdoz reforçam as =_flálíS¢S fmfflfiflfes de
mim ¿O ha-¢¡ e dg representação feminina. A República brasileira, á
rença de seu modelo francês. e também do modelo americano, não po55u¡a
sufidente densidade pop!-1111' PU* fefalef ° imaginárk' naüonal' sua mi”-95
eum esüsszs, profundas apenas em setores reduzidos da PÚPUÍÂÇÊO. nas
camadas educadas e urbanas. O grosso dá 11150 Cfíflhe ¡¡he¡°› 59 050 hos-
til, Su; proclamação por iniciativa militar também 050 Cflfllfliblliu par;
populariza-la.Oesforçoderecriaroim 'ai-iocaianovazno donão
encontrava resistência ou se prestava ao ridiculo. _
SÓ quando se voltou para tradições culturais mais profundas, às vezes
alheias à sua imagem, ê que conseguiu algum êxito no esforço de se popu-
larizar. Foi quando apelou à Indepmdültílfi ã l`€lÍ8Íã0, no caso de Ti1'a~
dentes; aos símbolos monárquicas, no caso da bandeira; à tradição cívica,
nocasodohino.EramineqümtesasqueixasdosrepublicanosemreIaçã0¿
faltadecapacidadedonovonegimedegerarentusiasmos.Emmaiodel890,
umdelesacrevünaRevirtaflu.rtfadaque,seismesespassadosdesde a
proclamação, nãohavia moeda republicana, não se ouvia a Mafselbesa nem
ohinodaproclamação, quasenãoseviaanova bandeira. Os simbolos
m0nãrquicos,continuava,ainthseviamemquasetodososedificios pú-
blicos.Oar&uIistaa¡:Iavaaog›vernoparaqueseesforçasse maispoffies-
instrumentos
devfvnflsmda-1” ~

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E A MANIPU¡_¡i\râã
oo IMAGWARIOQ

A o longo dos capitulos precedentes, a presença dos positivistas


ortodoxos foi constante e notória. Eles se envolveram intensamente em
todas as batalhas simbólicas aqui discutidas: as do mito de origem, do 1¬@fÓ¡
da alegoria feminina, da bandeira. SÓ não se manifestaram no ca so do ` i
talvez por concordarem com a solução adotada. Constituiram, sem dulizlildiil
o grupo mais ativo, mais beligerante, no que diz respeito a tentativa de
tomar a República um regime não só aceito como também amado pela
população. Suas armas foram a palavra escrita e os simbolos civicos. Por
eles e com eles lutaram com dedicação apostólica (seus inimigos diriam com
obsessão de fanáticos). Daí merecerem atenção especial.
Há pelo menos dois pontos que podem ajudar a entender sua atuação.
O primeiro e mais Óbvio é a própria doutrina comtista; o segundo é a con-
cepção dos ortodoxos sobre a tática politica que deveria ser adotada no Bra-
sil para levar adiante as reformas indicadas I>0f COME- C0m€Çflf€i P610
Primeiro.

0 IMAo1NÀR1o coMT1sTA
. '
. do encontro c,0m Clotilde de Vaux › em
Mesmo antes do episódio emo de Comte
1844, respgnsável por sua . .regeneração moral' , 0 Pénsam
_____________.
- 129

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i.i t . U l\¡,| I`ll . ll" i H |i\`~ lllnl 'hni i›r‹›viiih.im simPl<`5m‹'flf‹' de fontes cientil'
. iiilii iwlriin ilfl “rn , ,fi A influrntia
l › H .c .aim-S
, . imllll.
nl ` ' d 1 S-` › i'

'H l"""'H`“" HU. id H l - si' ii |›‹'risi|m'lit‹›.


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Mm HM. P l liistórii ‹› Pfisillvismo COmli3fl0 eV9lulli na dl tšão' di uma

ii“HH .tmnmhlud
. Ii_i.i.iii bli CUnCcpÇ¿¡o
iii. iunianitât
ç na le.. com ~sualaica,
_teologia.
fundia. Seus rituais,
- -
o religioso sua ohziíáioflrafia.
com . -
civicoç ou
lifeiviiili-iitlii sir iii _ . O santos (ja nova ¡.e|¡g¡ã0 eram
H x (¡\_|¿.O “_ mmava religioso. s
me Nf» * `
. '
gr.intli's hiimt › nse da humanidade. 05 fl- tuais
- eram festas civica
' ' s , a teologia er»
OS,,
_ ç 1 .g _ ç , O¡¡¡¡Ca 05 novos sacerdotes eram os positivistas. l\lz'b¡,§¿.
md mmom l Mid P C i te colocou o sentimento do altruismo, substituir;
LL' "ma humanidade' -031 na esteira do comunitarismo católico, salientou
da Caridade Católica. iam' É d hierarquizando-as. Na base, ficava a fam¡_
as instituiçóšs d: solidašgenë celilminação do processo, a humanidade-2
ll* seguida a p ma e'› H ° ' ' ' l na elaborada visão da
A guinada “clotildeana foi indiscutive
lher e de seu Papel na evoluçao ` l. No Cours de pbilosopbie sua o mu-
" Soma '
em relaçao ~ discrepava
~ a` mu lher nao - , p sição
' “' tradicional de inferioridade em
da visao
°
relação ao homem. Agora i misturando desco bertas da biologia e visões
° - feudais.
católico ` 6 le terminou
- por afirmar
' a superior!
' 'dade social e moral da
mu lh er so b re o homem. Tal superioridade
- ' ' no fato de
se basearia l
' ' da na tureza humana ao passo her
- e altruistico
representar o la do afetivo a mu
homem seria - o lado ativo
' e egol'sta. A mulher, como o , demonstraria
que oa
_ _ . - - ' odu ão da es écie enquanw
biologia, seria o principal responsavel pela repr Ç P
- ' t "' do ambiente à atividade indus- 9

Omai.
homem
. se presmfla mais a ' tfansformiíiaomulher
Na preservação da especie, 0 Deve 3 _ não se limitaria à rePf°'
dução , mas se d aria
` especialmente na familia, em qduei C0m° mãe» ela tem
responsabilidade da formação moral do futuro cida ão. 'a a
_
Daí à alegorização .
da figura . - era apenflS ufu P355Ê)M
feminina . AãeVirgem
alegO_
católica, alegoria da Igreja, tornou-se no positivismo a Virgem ~
ria da humanidade.
_
Como disse
_
o próprio
.
Comte, ss
o culto OC! en [al da

Virgem-Mãeltornou-selo reâ b l
p m u o espontâneo da adoraÇã0 Ufllvefs ~ al da
Humanidade . Porque o Grão - S er realiza . a utopia . feminina
° ° fecu ndand0'5e_
sem assistência alguma estranha _ . . H [0pla
` a parteno aê sua própria c0nstituiÇã0 - A U
feminina , no caso, seria
` mg nese,
gerar filho s sem a interferência
`
.
a capacidade que tem - 2 mu lher de
l'
ditava pod er d eduzir' dos avan ascu d
ina, uma . evoluçã0 QUÊ _
C° _ acre'
_ . seu
tempo. O passo seguinte
' Ços os0conhecimentos
foi' especificar bi0lÓ81°°5
tipo de mulher que deva”
. ~ gefeye'

130
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35. A humanidade personificada em Clotilde de Vaux,
Décio Villares.

arte. Segundo a estética positivista, a imaginação artística deve ter por ins-
piração o sentimento, po r base a razão, e por fim a ação. Isso significa que
ela não poderia afastar-se da realidade definida pela ciência, ao mesmo
tempo em que devia ` b usca r afetar a politica, mediante a idealização dos
valores e d as p essoas consideradas modelos para a humanidade. Em suas
próprias
~
palavras, c c A arte consi- st e sem p re em uma representaçao ideal
_
do
que é, ela se destina a cultivar nosso instinto de perfeição”.“' Trata-se de
Uma Ê stética naturalista, em que o belo se subordina
° a uma noç ão de ver-
dade e se põe a serviço do bem. Como já foi observado, é uma concepção de
. se deixarmos
arte que não se afasta muito da de David, . de lado questões d e
estilo.
sem comO 'es t'ilo nšoclassico
' ' revolucionário
' ' podia
- dar lugar ao rom ântico,
isso que rar a visão
' da natureza e finahdade
- - da arte.

A TÁTICA BOLCHEVISTA DOS ORTODOXOS'

Os ortod
tos finais ' '
de Coxos brasileiros basearam-se principalmente nos ensinamen-
omte' Sahema°d° °5 aspectos religiosos e ritualísticos. P0f

(') Al - - .
gumas
cado na Revista da 3;-das°¡ Idéias desenv°l`"d” “esta *Cão foram expostas em trabalh0 Pflbll'
no Brasil: um bølcheviflšlz)aIi2oJ;Ís;enI$;:dÊâ??9)› PP. 50-6, intitulado .‹ A Ortodoxia p0si'tivislfl

`í"3`§"
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I.

36. A humanidade personificada em Clotilde de Vaiix


Eduardo de Sá, '

essa razão,
.
foram
. .
acusados pelos adversários de excesso de ortodo X ' d
fanatismo religioso, até mesmo de lunatismo ' Ridicularizava ' se . sobreltaid
u o,e
sua clotildolatria.5
.
O que
,
os adversários nem sempre compreendizm er 2
a ortodoxia não constituía um fim em si mesmo 9 ela tinha uma finaldiide 1 e

politica. E foi exatamente no fim político a que visavam que os brasileiros se


mostraram ao mesmo tempo menos ortodoxos e mais enfáticos no uso do
Ífllflginário. Tão convencidos estavam de sua missão politica que não seria
fÍ¢Sl>r0p0Sitado chama-los de bolchevistas de classe média. A expressão faz
IUSUÇH à admiração que Comte manifestava pelos jacobinos, nos quais pro-
vavelmente via uma antecipação do sacerdócio
. . positivista. . ah .dos
C0!!! efeito Miguel Lemos e Teixeira Mendes, os dois reco eci
ch
ef” da Ofiodoxia positivista, efetuaram uma reorientaçao do movimento
,U o o u .

n° Bfasil- Anteriormente a seu ingresso, dominava a corrente mais pró-


*ima de Littré, o discípulo
' de Comte que não aceitava
` a fase pos-Clotilde do
m . t e da Sociedade Positivista do
Fafe' Til era a orientação de Pereira Barre o
Ri° de Jflneiro.
. Era também a orientação
' de ambos os lideres antes de sua
°0l'iversão em Paris,
. após contato com Pierre
, Laffitte, o chefe da_ corrente
ortodoxa. A0 ffigressar ao Brasil,' em 1881, Lemos bUSCou imediatamente
ass
posumir- a direção
. da Sociedade, convenceudo Laffitte a indica-lo para o
t°- 5112 atitude não refletia mera disputa p¢l0 P°¿°f› 9” também “ma
Questão de principios I-E0105 1150 flfieitflva que o chefe anterior, J. R. de
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133

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3 7. Templo da Humanidade
na Ria de janeiro.

Mendonça, pudesse ser, ao mesmo tempo, positivista e senhor de escravos


Tzinibeni não admitia que outro candidato a chefia, Álvaro de Oliveira
ocupasse cargo de professor na Escola Politécnica, contrariando as indica-
3

çoes de Comte. °
Dois anos mais tarde, em 1883, deu-se a ruptura com o pfópfig
Laffitte, acusado pelos brasileiros de ser infiel aos ensinamentos de Comte
especialmente no que concernia à ocupação de cargos públicos por positi-
vistas. De acordo com Laffitte, a proibição só se aplicava ao sacerdócio' ela
era apenas um conselho para os outros positivistas, isto é, para os práticos
Lemos, citando o Apelo aos conservadores, respondia que a proibição se
aplicava a todos os positivistas, tanto teóricos quanto práticos. Vários posi-
tivistas franceses, como Robinet e Dubuisson -- este último um amigo
pessoal de Lemos -, colocaram-se ao lado de Laffitte. A posição dos orto-
doxos brasileiros parecia-lhes uma demonstração de puritanismo, de fé exa-
gerada. De Londres, Harrison acusou os brasileiros de carolice pueril.
Aparentemente, tratava-se de fato de um excessoíãde igor, de uma
preocupação exagerada em seguir ao pé da letra as L de Com
te. A leitura da correspondência de Miguel Lemos nda
na Maison d°Auguste Comte em Paris, permite, .âiimfiter
pretaçãof' As cartas revelam com clareza a iustifii ua-

134
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dade
38. Altar-mor do TWWPÍÚ da Humani
no Rio de Í0”e"°'

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ção a frente dos positivistas. Miguel Lemos interpretava a realidade b¡aS¡_
leira de maneira nada ortodoxa, e um dos resultados dessa interpretaçãg em
a maior enfase na urgência da ação política. Por se tratar de ponig Central
cito com alguma extensão o trecho de uma das cartas, datada de 22 dê
agosto de 1881 (minha tradução):

Aqui [no Brasill, são as classes liberais e instruidas que farão a trans-
formação. Não temos um proletariado propriamente dito, nossa in-
dústria é exclusivamente agrícola, e o trabalhador rural é o negro
escravo. Isso modifica muito a situação dos positivistas brasileiros
e torna-a muito diferente do que ela é em Paris e em Londres. Lá,
vossa ação ainda é latente; ainda estais como que perdidos no meio
dessas grandes cidades, onde procurais vos apoiar na elite do prole-
tariado. Aqui, pelo contrário, estamos em plena evidência, perten_
cendo nós mesmos às classes liberais, sobre as quais agimos direta-
mente, todos os olhares estão voltados para nós, todos os nossos atos
e palavras se tornam imediatamente os acontecimentos do dia. O5
mundos científico e oficial, longe de ser como o vosso, cidadelas da
reação, são aqui, ao contrário, os elementos mais modificáveis, e ne-
les obtemos todos os dias adesões e simpatias. Tudo isso exige do
Positivismo u`ma atividade extraordinária, a fim de estar preparada
para atender às necessidades do público. Amanhã teremos sábios, es-
tadistas, indivíduos altamente colocados, aceitando uma parte das
nossas concepções, ou mesmo totalmente convertidos ao Positivismo.
Deveremos nos mostrar à altura das circunstâncias. Mas para chegar
lá, considerando as circunstâncias indicadas acima, não precisare-
mos apenas de devotamento e atividade, mas também de uma organi-
zação e uma disciplina suficientemente desenvolvidas.

_ - Trata-se, em primeiro lugar, de uma análise pouco ortodoxa, Comte


Jamais viu nas classes liberais um elemento de transformação. Além do
PYÓPY10 SflC€fdÓCÍ0› 05 gfllpos ou classes dos quais esperava uma ação rege-
3§;'d°fa efflm 0S_Pf0letários, o patriciado e as mulheres. A ênfase em um
es grupos variava de acordo com a recepção que encontrava. No periodo
que. Êrecedeu a feV°lUÇã° de 1343. 0 contato com alguns operários que
assistiam a seu curso sobre astronomia levou-o a ver neles os princip2Í$
mensageiros do positivismo. Um desses operários, Magnin, foi por ele
HDOHIHÕO Como modelo de estadista e indicado como membro do triunvirato
S:/efífl 80V<í`I`flflf 3 FfHflÇa na fase final. Os acontecimentos de 134_8
1

S_"ara“Í= Segundo ele» fille OS proletários estavam ainda por demais


Presos a utopia revolucionária. Voltou-se, então, para o patriciado, P3”
quem escreveu o Apelo aos conservadores (1855). Por fim, pareceu-lhe Que
O pubhco mms UÍCÊDÍÍVO Seriam as mulheres católicas. Para elas, Pfinci' l

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¡i,ilniente, fora escrito O catecismo positivista.” As classes liberais (classes


m¿.¿|¡a_~;) não tinham lugar na sociedade futura, e na França de sua epoca lhe
pareciam por demais atraídas ou para o liberalismo ou para a esquerda revo-
lucionária, dois exemplos de metafísica que ele abominava.
Lemos percebia que no Brasil o proletariado rural não existia politica-
mente e o urbano apenas começava a formar-se. Percebia também que os
conservadores estavam presos socialmente á escravidão e politicamente aos
principios do liberalismo e da Monarquia representativa. As mulheres cons-
tituíam um elemento acessivel, mas o trabalho entre elas só poderia ser de
longa duração, dada a força das tradições católicas e patriarcais. Restavam-
lhe, então, as classes médias, em que via elementos passíveis de se transfor-
mar em forças do progresso. Nessas classes, salientavam-se os profissionais
liberais de formação científica - engenheiros, médicos, matemáticos, pro-
fessores em geral. As escolas de medicina, de engenharia e mesmo de di-
reito eram os principais focos de contestação intelectual e politica e de resis-
tência ao escravismo.
ão. Lemos
A posição social dos ortodoxos aiustava-se a tal interpretaç
era filho de um oficial reformado da Marinha que não tinha sido capaz de
pagar a educação do filho. Teixeira Mendes, seu alter ego, era filho de
engenheiro. Os dados sobre a ocupação das 24 pessoas que assinaram a
circular coletiva de 3 de d€Z€mbr0 de 1885, na qual Lemos formalizava a
ruptura com Laffitte, reforçam a tese (ver quadro).
Miguel Lemos foi excluído do cálculo por estar naquele f“°me'“°
Wmpletamente dedicado ao sacerdócio. Depois da rflvwfa mm Lañme'
teve de Procurar emprego a tendo-o encontrado na Biblioteca
. Nacional-
- -
Vê-se facilmente nos dados que se tratava de indivíduos muito
h iaespeciais -
entre eles
a começar pelo fato d t d terem ocupações urbanas. Não av
e O os - neiam às camadas me-
ãimlmneses nem proprietários rurais. Dep0lS. PU W mama F¡na¡_
las' ninguém era proprietário
` ' urbano» t ~ °“ mme `
137 _

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mente, nenhum deles fazia parte da elite p0liliC8z OS SÍHHHÍÉTÍOS Gmpregados
públicos erani professores de liceu ou ocupavam cargos secundários na
administração. Havia apenas dois representantes da formação tradicional da
elite politica imperial ~ a saber, um adv083d0 9 Um IUIZ- Õ advogado não
exercia a profissão, ganhava a vida como professor de português num lic¢u_
Deduz-se dai que os ortodoxos não eram apenas pessoas pertencemes
às classes médias. Representavam um setor especifico dessas camadas, O
setor técnico e cientifico, composto por médicos, engenheiros, matem¿_
ticos. Os próprios empregados públicos eram quase todos ex-alunos das eg-
colas de medicina e da Escola Politécnica. A elite politica do Império, ao
contrário, era naquele momento dominada por advogados e juízes, seguidos
a alguma distância pelos proprietários rurais.
Não deixava de haver ai ironia, se não contradição. A base poliiig
com que Miguel Lemos julgava poder contar tinha mais afinidade com o
littréismo do que com o comtismo, ou seja, era mais próxima do Cours de
pbilosopbie do que do Systeme de politique positive. Tratava-se de uma
contra-elite que baseava seu poder no saber técnico, no cientificismo. Le~
mos procurava mobiliza-la empregando os instrumentos do segundo Comte,
inclusive as práticas religiosas, por lhe parecerem mais adequadas para for-
mar um núcleo de ativistas homogêneo e disciplinado. Os choques gerados
pela contradição não se fizeram esperar. Vários membros da Sociedade Posi-
tivista se afastaram, por não aceitarem a nova orientação. Entre eles, es-
tavam líderes republicanos importantes, como Benjamin Constant e Silva
Jardim.
Os atritos não se limitavam ao aspecto religioso. Tinham também a
ver com a dificuldade de convencer os técnicos a não aceitar as benesses do
Estado. A posição de Comte era clara quanto a esse ponto. Ele dissera no
Apelo aos conservadores que, durante a fase de transição para a sociedade
normal, tanto os positivistas teóricos quanto os práticos deveriam limitar-SB
á influência consultora “ “mesmo quando postos de direção lhes fossem ofe-
recidos
-
_ Lemos pisava
aa 9 -
aqui- em terreno sólido. Num pais em que a visibi-
lidade do governo era grande, em que a procura do emprego público 61'*
1'nt 611521, em que o favor e a proteção dos amigos determinavam 8 fl5Ce°5ã°
politica, não aceitar posições de poder era quase um ato de heroismü d“c°'
em 21 f€_l€*1Çã0 de uma prática universal embora muito criticada- Efflgflmk
a autoridade moral dai resultante. Os ortodoxos talvez não U-
mdos 3° PÊUSHY Que no Brasil o aspecto moral isto é o fato de 5113 Wa
s s
corresponder a suas palavras, a ausência de hipocrisia, pesavat ¡ml1Í°
` 1,
M
propaganda. Mais ainda, a aceitação de cargos públicos, 1331.05.
poderia também - - - às
d _ C°mDf0m€I@f os positivistas, expo-los às Mi" 8 ¿¿
se uçoes do poder e, por conseqüência, afasta-los do objetivo s\1prem° de
*
Sua aÇfl0 que era a incor
votação ao pmieizfizdo à ziviiizzçzoí
" Cam
24 ds marco de 1885 z Lziffiiie). 1°
158
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As dificuldades. no entanto. só levavam 30 mdobrar d Í
« z
‹ rtiidoxos para ganhar a adesã _
e es 0fÇ0s ¡-
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wndt.dmil
pu i l'it`‹i [ista também
' fora dt d .uvi
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ênfase E O '€5P€itopd)o
na religião t' ha 3
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for a da tr Ztllição
- católica no Brasil ¿› com 3inCO
., › om c e * re OS Cat i fl-
rizpç .io. dt , O ¿ mmdøms fora m cos se. encontravam os ouvintes mzis
rCC*`l`“vO"` S . . .Siiiiipre cuidadosos em "ão agredir 0 cato
. -.
hmmo, em n ão criar
I incom p a tibilidades, se bem que não fossem tratados
, ntlez - -
film (1 mesma ge 1 a. peløs Católicos' Havla amdfi 0 público feminino
quo falhando a estratégia da transformação rápida pela classe média pode-
da tornar-se elemento importante. Nao faltaram também esforços de amo-
,mação com o proletariado urbano.
. Os ortodoxos no Brasil mais pareciam um grupo político com idéias
muito precisas sobre a tarefa a realizar e os meios a utilizar do que um
bando de fanáticos religiosos e loucos. Poder-se-ia mesmo dizer forçando
um pouco a compfl1'flÇã0› Clllfi propunham um bolchevismo de classe média
isto é, um voluntarismo político que acreditava poder forçar a marcha da
história pela ação de uma vanguarda política bem organizada, homogênea
disciplinada ou, na expressão de Comte, pela ação de um núcleo fortemente
organizado. Como no bolchevismo leninista, não havia contradição com a
filosofia da história que lhes servia de fundamento. Para o marxismo tanto
quanto para o positivismo, a história é governada por leis que os homens
não podem modificar. Mas isso não impede que eles a possam fazer cami-
nhar mais rápido. Nos dois casos, era na verdade a crença nas leis que dava
aos militantes a certeza e a fortaleza de que tanto necessitavam.

MANIPULADORES DE SÍMBOLOS
A junção da doutrina comtista com a visão estratégica dos ortodoxos
fez desses positivistas os principais manipuladores de simbolos da Repú-
blica. Se a doutrina lhes dava o conteúdo da simbologia, a concepção estra-
tégica impulsionava-os para a ação com maior urgência do que a sentida
D€l0S positivistas franceses, ou europeus em geral, mesmo os de convicção
Comtiana. O Brasil se lhes apresentava como às portas de grandes transfor-
mflfãões, talvez mesmo de verdadeiro salto na seqüência das fases evolutivas.
Além disso, viam-se em posição privilegiada Pflffl fipfefisaf 3 marcha da
história. Dai se terem lançado à' doutrinação política com convicção e ener-
Sia de apóstol ,
OS-tinha de se basear no convencimento.
se H ação - '
IIUPUU h-eousodos
a5
Símbolos. Em primeiro lugar sem dúvida, a palavra GSCHÍZ e falada. Dela
u Q
`
¡ A -

fizeram USO abundante em livros Q jorflfliS 9 PUÚÍÍCHÇÕÊS da Igrela' conferem


z

CÍHS públicas Era sua arma principal de convencimento dos setores médios.
d 'tuais, especial-
Mas empfegflram também o simbolismo das imflgefls 9 °5 Ú
________._-
139

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mente tendo em vista dois públicos estratégicos, as mulheres e os pfmuá
rios, menos afetos, ao menos no Brasil, a palavra escrita. Atingir gm (bh
públicos, convencê-los da verdade da doutrina, era condição indisp¢m;,vc¡
ao êxito final da tarefa que se impunham. A briga pelas imagen; zdquma
importância central.
A presença de um positivista como Benjamin entre os proclzmzdom
da República fora um golpe de sorte, mas cairia no vazio se a propzgamh
não levasse adiante a tarefa do convencimento. Dai a luta incansável do,
ortodoxos pelo coração e pela cabeça dos cidadãos, por meio da batalha ,ku
simbolos. Daí sua luta pelos monumentos, pelo mito de Tiradentes, Ma
bandeira republicana, pela figura feminina. Sua ação lembrava a de todo, 0,
revolucionários modernos, desde David até o realismo socialista.
As mesmas condições sociais que levaram os ortodoxos a acredita,
que o papel de protagonista político caberia as classes educadas fizeram
com que sua influência maior fosse exercida sobre as elites. Mas, nos ez”,
em que sua ação política encontrou apoio nas tradições populares, cabe-lhe,
o mérito de ter contribuído de maneira substantiva para a construção 40
pouco que subsistiu de imaginário republicano.

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140

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~›¢mcs§;
*€S?'\'°

CONCLUSÃO R

Falharam os esforços das correntes republicanas qu r


. 3 legitimidade
- ~ - . e entar am
dl; do novo regime para além das fronteiras limitadas expan _
. . __ _ em ue

a encurralara a corrente vitoriosa. Nao foram capazes de criar um im 8 'q


. - má-
rio popular republicano. Nos aspectos em que tiveram algum êxito ei
- e se
deveu a compromissos com a tradição imperial ou com valores religiøgøg
O esforço despendidjo não foi suficiente para quebrar a barreira criada pela
ausência de envolvimento popular na implantação do novo regime Sem
raiz na vivência coletiva, a simbologia republicana caiu no vazio como foi
3

particularmente o caso da alegoria feminina.


Não por acaso, o debate mais vivo gira ainda hoje em torno do mito
de origem e das utopias republicanas. E um debate ideológico e historio-
gráfico, limitado ao pequeno circulo dos beneficiários do regime. Mesmo ai
transparece o caráter inconcluso da República: em seus cem anos de vida,
ela não foi mesmo capaz de estabelecer um consenso mínimo entre seus
adeptos. As alternativas colocadas nos primeiros dias ainda parecem a mui-
tos desejáveis e factíveis. Se o modelo liberal-democrático ganha forças,
ainda permanecem vivos fortes bolsões jacobinos, e traços positivistas ainda
se agarram tenazmente aos flancos da República. Nem mesmo há segurança
de que a moderna visão do deodorismo esteja definitivamente morta.
A falta de uma identidade republicana e a persistente emergência de
visões conflitantes ajudam também a compreender o êxito da figflffi de hffó'
personificada em Tiradentes. O herói republicano por excelência e amb18U°
mllltifacetado,
. egquzu-¡@jad0_ Disputam-no . várias correntes;
. ' ele serve
' ` oa
dlfeltfl, 80 centro e à esquerda. Ele é ,o Cristo e o herói
- civico, e o` martirae
o. A ico-
libertador; é o civil e o militar; é o simbolo da Páffla E ° Subversw. de
UOgrafia~ reflete as hesitações.
. Com barba ou se m barba.
. wmbelde:
tfimffl
É a °“
bmw
uniforme, como condenado ou como alfereS, C0fl“'t° °“ re
lh a por sua imagem,
- ~
pela im2l8€¡T_1 ' lica.
da Reriub se uir absorver todas
Ele se mantêm C0m° herói republicano lioiltíorpefar dos desafios que
es sas fraturas, sem perder a identidade.
' ' A seu se_a
21 áinda a imagem da Apa-
Surgem nas novas correntes religiosflâi talvez l
._-fl-1”-íí-_

141
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recida a que melhor consiga dll' um sentido de comunhão a vma
.‹‹.-tem az populaçao. um amido ein. M wI{fi¢fl áf vw «mma ‹z,.,¡,¡¡,
cano, só poderia vii' de fora do dominio dl 9°l¡““' Tlffiflmífi ¢flIuart¢¡¡¡b
nos braços da Aparecida: eis O que seria 8 Wfffim 91014 civico-religigu
smiizâz-z. A izaçao zzibizióo, aos pedacvv. 0 wii» d¢ mi i×w° que z nm,
blica ainda não foi capaz de reconstituir.

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