Você está na página 1de 16

Versão Online ISBN 978-85-8015-079-7

Cadernos PDE

II
OS DESAFIOS DA ESCOLA PÚBLICA PARANAENSE
NA PERSPECTIVA DO PROFESSOR PDE
Produções Didático-Pedagógicas
FICHA PARA IDENTIFICAÇÃO PRODUÇÃO DIDÁTICO-PEDAGÓGICA

Título: Contação de Histórias: Uma ferramenta para o incentivo à leitura

Autora Aparecida José dos santos

Disciplina/Área Língua portuguesa/Ensino e aprendizagem de


leitura
Escola de
Implementação Colégio Estadual de Campo Mourão-EFMPN-
do Projeto e sua Campo Mourão- Paraná
localização
Município da escola Campo Mourão

Núcleo Regional Campo Mourão


de Educação
Professor Prof. Ms. Wilson Rodrigues de Moura
Orientador
Instituição de
Ensino Superior UNESPAR-Campus de Campo Mourão Paraná

Resumo: Este trabalho consiste na elaboração de


uma Unidade didática, visando promover o ensino
e a aprendizagem da leitura por meio da Contação
de Histórias, focando os gêneros fábulas e contos,
pois acreditamos que a contação de histórias é
uma janela que se abre para despertar o gosto
pela leitura e que todo professor tem dentro de si
um contador de histórias, apenas precisa encontrá-
lo e aprimorá-lo. Contar histórias sempre foi e
sempre será importante porque é uma forma de
incorporar a arte, a vida e encarar os livros como
Resumo fonte de prazer. Fizemos a opção pelo Método
Recepcional desenvolvido no Brasil por Bordine e
Aguiar (1993), a partir da Teoria da Estética da
Recepção de Hans Robert Jauss, pois cremos que
o educador deve utilizar um método baseado
nessa teoria para o ensino da Literatura. Também
fazer com que a contação de história seja
compreendida como ferramenta de humanização,
proporcionando momentos agradáveis de leitura e
oralidade, permitindo ao leitor ou ouvinte viajar no
mundo do sonho, da fantasia e da imaginação.

Palavras-chave (3 a 5 Contação de histórias, Leitura, Literatura, Fábulas,


palavras)
Formato do
Material Didático Unidade Didática

Público Alvo 6º ano do Ensino Fundamental II

Procedimento Didático-Pedagógicos de incentivo a leitura

Pesquisas mostram atualmente que o estudante brasileiro possui uma


forte resistência à prática da leitura, que em muitos casos estes não possuem o
hábito de ler, nem por fruição e nem por exigência curricular nas diversas áreas
do conhecimento. A leitura muitas vezes é realizada de forma fragmentada, ou
seja, dos textos que figuram no livro didático, portanto, é papel da escola
desenvolver o gosto e o prazer pela leitura, tornando os estudantes capazes de
compreender os diferentes gêneros textuais que circulam na sociedade,
formando leitores competentes e autônomos, de modo a contribuir para a sua
independência e interação no meio social em que está inserido.

Baseado nesta perspectiva, é que propomos esta produção didático-


pedagógica intitulada “Contação de histórias: uma ferramenta de incentivo
à leitura” a qual focará os gêneros fábula e conto sob a perspectiva do Método
Recepcional, visando contribuir na superação dos desafios existentes no
âmbito educacional.O material aqui apresentado foi organizado em forma de
unidade didática a ser desenvolvida com os alunos do 6º ano do Ensino
Fundamental II da rede estadual de ensino, sendo estes um público bastante
diversificado oriundos do campo e da cidade e também de classes econômicas
diversas. O colégio onde será desenvolvido este trabalho localiza-se no centro
do município de Campo Mourão, o qual atende aproximadamente 1800 alunos
divididos em três períodos, este possui uma boa estrutura física corroborando
para o êxito da implementação da presente proposta.
Justifica-se esta produção pela necessidade de um recurso pedagógico
que contribua na formação de leitores competentes, especialmente para
reavivar a arte de contar história dentro do contexto escolar, proporcionando
aos envolvidos fazer uma reflexão sobre a prática vivenciada na perspectiva do
Método Recepcional, sendo este um encaminhamento metodológico proposto
nas Diretrizes Curriculares do Estado do Paraná (2008), focaremos também
neste trabalho os três eixos do ensino da Língua Portuguesa: leitura, oralidade
e escrita, bem como a necessidade do entendimento por parte dos alunos
sobre a importância da literatura como fonte de produção humana, e que esta,
está ligada à nossa vida social.

Também devemos considerar que a contação de histórias é uma


estratégia pedagógica que pode favorecer de maneira significativa a prática
docente e que esta contribui para estimular a imaginação, educar, instruir,
desenvolver habilidades cognitivas, dinamizando o processo de leitura e
escrita, além de ser uma atividade interativa que potencializa a linguagem. À
medida que o professor busca levar para o contexto da sala de aula
atividades lúdicas, este estará contribuindo no processo ensino
aprendizagem, desenvolvendo a responsabilidade e a auto expressão, assim
o aluno sente-se estimulado e, sem perceber desenvolve e constrói seu
conhecimento sobre o mundo. Em meio ao prazer, à maravilha e ao
divertimento que as narrativas criam, acontece a aprendizagem de novos
vocabulários, favorecendo a alfabetização e o letramento.

Teoricamente esta proposta está embasada na concepção de


linguagem que tem por base a interação nos pressupostos de Bakthin, e
demais autores que abordam sobre a temática em estudo como: Celso Sisto,
Bruno Bettelheim, Richard Bamberger, Cléo Busatto, Regina Zilberman,
Bordini e Aguiar entre outros.

Esta unidade didática foi planejada para (32) trinta e duas horas-aulas,
a qual contará com (02) dois momentos, abordando as cinco etapas do
Método Recepcional, buscando salientar na primeira parte deste material, as
origens da contação de histórias nos primórdios da humanidade, sendo esta
uma arte milenar surgida muito antes da linguagem simbólica – escrita.
Sendo também desenvolvida nesta etapa atividades com o gênero fábula
evidenciando a práxis metodológica. Na segunda parte, traremos para o
contexto de nossas aulas as contribuições das histórias lidas ou contadas
pelos alunos e seus familiares, bem como, isto influência no desenvolvimento
dos mesmos. Proporemos para este momento um trabalho embasado no
gênero conto, enfatizando as múltiplas formas de se contar uma história, bem
como, as diferenças entre ler e contar. Para fechamento deste trabalho
faremos a produção de um livro de histórias, encerrando com os alunos
narrando suas histórias ou de outros autores, este trabalho ficará como
acervo disponível na biblioteca escolar de nossa instituição.

Ressaltando que todo planejamento é passível de mudanças, portanto o


mesmo poderá sofrer algumas alterações no decorrer da implementação.

O Método Recepcional elaborado pelas autoras Bordini e Aguiar (1993)


desenvolve-se por meio das seguintes etapas:

1 – Determinação do horizonte de expectativa: Consiste em o


professor fazer um levantamento dos valores prezados pelos educandos,
compreendendo suas crenças, suas preferências, modos de vida, preconceitos
morais ou sociais e, principalmente, o interesse específico pela literatura, é
fundamental pesquisar as obras lidas pelos alunos.

2 – Atendimento do horizonte de expectativa: O resultado do


levantamento realizado na etapa anterior deve ser o de proporcionar à classe
experiências com textos literários que venham satisfazer suas necessidades de
duas formas: uma, que os textos escolhidos para o trabalho em sala de aula
correspondam ao que ela espera; outra, que as estratégias adotadas em sala
de aula partam de procedimentos conhecidos e aprovados pelos alunos.

3 – Ruptura do horizonte de expectativa: Nesta etapa, o professor


deve apresentar novos textos aos alunos de forma a abalar suas certezas e
convicções. Deve, necessariamente, partir de textos que deem continuidade
aos textos trabalhados na etapa anterior em termos de linguagem, tema,
tratamento e estrutura. A diferença residirá em que os textos agora
apresentados, possibilitarão perceber que ingressam em um terreno novo,
onde talvez sintam-se inseguros, mas não a ponto de rejeitarem a experiência.
Os textos exigem mais dos alunos por apresentarem visões de mundo ainda
desconhecidas, ou por utilizarem recursos literários mais complexos.

4 – Questionamento do horizonte de expectativa: Consiste em


realizar a comparação com as etapas anteriores. Os alunos verificam o
progresso aferindo os conhecimentos escolares e vivências pessoais , que as
etapas proporcionam, ampliando a capacidade de entendimento do texto ou
abrindo-lhes caminho para resolver os problemas detectados. Isto é
conseguido, retomando-se constantemente aos textos utilizados nas etapas
anteriores.

5 – Ampliação do horizonte de expectativa: Etapa em que os alunos


estão conscientes do progresso, podendo confrontar seu horizonte inicial de
expectativas com os interesses atuais. O horizonte de expectativas se amplia
quando os alunos decidem partir em busca de novos textos, que satisfaçam
suas exigências, agora maiores, e realimentem sua capacidade de decifrar o
que não é conhecido.

A consequência natural será uma nova aplicação do método, dando início a um


espiral, levando os alunos a um constante questionamento, cada vez mais
conscientes sobre a literatura e a vida, tornando-se um agente de
aprendizagem, responsável pela continuidade do processo, num constante
alargamento cultural e social.

Ler uma história para os alunos é uma forma de apresentar a obra conforme
sua linguagem original, nas palavras do autor. Já contar histórias envolve a
improvisação, a interação com a turma e a possibilidade de agregar outros
elementos ao enredo. Diante do exposto, é interessante que a escola alterne
estas duas práticas, que haja momentos em que o professor faça a leitura e
mostre para os alunos o porquê da escolha do autor e apresente o objeto livro,
um bem cultural que guarda a literatura. Já na contação, temos a oportunidade
de resgatar e trazer de volta a tradição da cultura oral narrando e exercitando a
improvisação que foram transmitidas de geração em geração. Assim temos as
duas situações diferentes de trabalho com a linguagem.

Desenvolvendo a proposta
Antes de iniciar o trabalho com o gênero os estudantes tomam
conhecimento do projeto que é apresentado pela professora, a qual esclarece
que eles irão trabalhar com os gêneros fábula e conto e que realizarão um
trabalho por meio de leitura e Contação de histórias, o mesmo será dividido em
cinco etapas cada, que se organizam em torno de um tema principal.

Para iniciar o trabalho apresentaremos um vídeo, ressaltando a


importância da leitura em nossa vida, objetivando chamar a atenção dos
estudantes para a realização das leituras subsequentes. A professora instiga-
os informalmente sobre o que entenderam do vídeo e o que eles pensam da
fábula e do conto.

Após essa contextualização, a professora contará o conto. ”A estrela


verde” de autor desconhecido, utilizando um avental para ilustrar a história. Em
seguida, faremos uma abordagem, possibilitando a expressão oral com o
intuito de investigar se os alunos têm o hábito de ler ou ouvir histórias ou não:
Você já ouviu alguma história? Qual? Quem contou para você? Relate-a
oralmente. A partir desse diálogo, a professora fundamentará sobre os
procedimentos adequados para se contar uma história e encantar o ouvinte.

Ainda nesta aula haverá uma visita à biblioteca para que os alunos
conheçam o regulamento, o funcionamento e o ambiente. Neste momento,
quem tiver os dados necessários poderá estar se cadastrando e adquirindo a
sua carteirinha para empréstimo de livros ou outras leituras de seu interesse.

Objetivos:

- Apresentar o projeto para os alunos;


- Dialogar com os educandos sobre a importância do ato de ler e contar
histórias;
- Introduzir o tema com o gênero música;
- Introduzir o gênero fábula;
- Compreender o gênero Fábula e a situação de comunicação social em que é
praticado;
- Reconhecer diferentes formas de abordar uma informação ao comparar textos
que tratam do mesmo tema;
- Sondar a possibilidades de estudo sobre o tema amizade.
Introduzindo o tema do primeiro momento

Para introduzir este primeiro momento, levaremos a música de Leandro


Borges – Precisamos de amigos, disponível
https://www.youtube.com/watch?v=HdzrHyfIkWQ
Após ouvi-la, faremos um questionamento oral para que os alunos se
familiarizem com o tema. O que você entendeu da música? Você já leu, viu ou
ouviu uma história parecida com essa? Narre-a oralmente. O que chamou mais
a sua atenção na música? Por quê? Você gostou da música? O que você
entende por “Amizade”? Como você preserva uma amizade?
Também nesta etapa estaremos conceituando o tema, contribuindo para
que haja provocações no vocabulário, levando-os a ampliar as interpretações.
As questões aqui dirigidas servirão de começo para o primeiro contato com o
tema.
Para encerrar, assistiremos ao vídeo “Sementes da Amizade – Ursinho Puff”,
disponível no link abaixo: http://videos.disney.com.br/ver/sementes-da-
amizade-ursinho-puff-4f07e7477be509ca8c9c4d50

1. Determinação do horizonte de expectativas


Neste momento levantaremos os questionamentos dos conhecimentos
prévios dos alunos sobre o tema que será abordado e também sobre o gênero
inicial desta proposta, dessa forma estaremos colhendo subsídios que serão
relevantes no processo de implementação.

Iniciaremos nossa conversa sobre a importância de se ter amigos,


analisando e discutindo como eles veem os laços de amizade existentes entre
as pessoas, se conseguem perceber as verdadeiras amizades e principalmente
evidenciar que é necessário não apenas ter amigos, mas sim de ser e preservar
nossas amizades.

Será questionado também sobre os hábitos de leitura e sua preferência


quanto aos gêneros lidos, enfatizando a respeito do que sabem sobre as
fábulas, sua composição, estilo, origem e principais características. Com o intuito
de estimular ainda mais o estudo do gênero deste primeiro momento,
contemplaremos os alunos com a contação da seguinte fábula de Esopo “Os
Dois Viajantes e o Urso” .

2 - Atendimento do horizonte de expectativa

Conceituando o gênero

De acordo com o Dicionário Michaelis fábula é: Pequena narrativa em que se


aproveita a ficção alegórica para sugerir uma verdade ou reflexão de ordem
moral, com intervenção de pessoa, animais e até entidades inanimadas.
(Moderno Dicionário de L. Portuguesa – Michaelis, 2009).

Origem do gênero fábula

A humanidade sempre teve a necessidade de se comunicar e contar fatos


ocorridos em seu cotidiano, com isso as pessoas se valeram de muitos tipos de
gênero para satisfazer esses anseios e um dos gêneros muito utilizado foi a
fábula, palavra de origem latina que significa “narrar/contar”. Gênero que
segundo alguns estudiosos surgiu no Oriente, por volta dos século V - a.C. Trata-
se de histórias de caráter moral e alegórico, pois por meio de diálogos o autor
transmite lições que pretendem servir de aprendizado ao homem.
A fábula perpassa por três períodos, a saber: 1º fábulas orientais que visava
a moralidade como parte fundamental; 2º a fábula se caracteriza pelas inovações
do fabulista latino Fedro, o qual fixou a forma literária do gênero, escrevendo
sátiras amargas em verso; 3º neste terceiro período da fábula compõe todos os
fabulistas modernos, destacando-se Jean de La Fontaine, fabulista e poeta
francês considerado o pai da fábula moderna. Dentre os escritores que se
destacaram no mundo das fábulas temos:
Esopo, escravo que nasceu na Frígia, viveu até meados do século VI a.C.
Conta-se que ele inventava histórias em que as personagens que eram
animais dialogavam entre si sobre seus conflitos, transmitindo sabedoria de
cunho moral e o mesmo se utilizava da oralidade para mostrar como os seres
humanos podiam agir, para o bem ou para o mal.
Fedro, escritor latino, nascido na Trácia, pouco conhecido, mas sabe-se que
nasceu escravo e em sua juventude viveu na Itália. Homem de vasta cultura e
teve suas obras inspiradas no escritor Esopo.
La Fontaine, escritor francês nascido em 1621 e falecido em 1695, foi um dos
mais conhecidos e importantes fabulistas, também foi um precursor de Esopo
do qual, reescreveu e readaptou inúmeras obras.
Monteiro Lobato, um dos maiores fabulistas brasileiro, que muito contribuiu
para a nossa literatura, principalmente a infantil.

Características das Fábulas

 Gênero de narrativa breve;


 Apresenta tempo indeterminado na história;
 Utilizada para transmitir um conselho ou um ensinamento;
 Suas personagens são representadas geralmente por animais, podendo
ser também pessoas ou seres inanimados;
 Apresenta conflito entre o querer e o poder;
 A fábula trata de atitudes humanas, como a disputa entre fortes e fracos, a
esperteza, a ganância, a gratidão, o ser bondoso, o não ser tolo.
 Por ser uma narrativa breve o título não deve antecipar o assunto.
 Apresenta sempre uma frase destacada chamada MORAL DA HISTÓRIA
que sempre traz um ensinamento ou um provérbio para reflexão.

Após o estudo da origem e características do gênero fábula, faremos a


leitura do texto “A cigarra e a formiga”, bem como a interpretação e
compreensão, buscando maior interação e entendimento sobre o gênero e
também para que percebam as peculiaridades e as características
evidenciadas acima.

Num belo dia de inverno as formigas estavam tendo o maior trabalho


para secar suas reservas de trigo. Depois de uma chuvarada, os grãos tinham
ficado completamente molhados. De repente aparece uma cigarra:
__ Por favor, formiguinhas, me deem um pouco de trigo! Estou com uma
fome danada, acho que vou morrer.

Moral: Os preguiçosos colhem o que merecem.

3 - Ruptura do horizonte de expectativa

Para esta etapa de ruptura do horizonte de expectativa dos alunos,


mostraremos a eles que um texto não é único, assim também acontece com as
fábulas, pois existem várias versões de um mesmo texto. Faremos uma visita à
biblioteca e lá os alunos receberão a sacola/pasta mágica, contendo outras
versões da mesma fábula, dentre elas estão: A cigarra boa, A cigarra má, A
cigarra e a formiga - versão moderna, A fábula de Esopo na versão brasileira, A
cigarra e a formiga (Ruth Rocha) entre outras.

4 - Questionamento do horizonte de expectativa:

No questionamento dos horizontes de expectativas faremos o


fechamento das atividades de leitura, por meio de uma roda de conversa, na
qual faremos a discussão sobre as leituras realizadas na biblioteca, discutindo
sobre o que acharam das versões, qual chamou mais atenção, se houve
identificação dos mesmos com os textos lidos, se há intertextualidade entre
eles, que tipo de intertextualidade existe, enfim depreender os conhecimentos
adquiridos. Encerraremos esta fase com um trabalho em equipe de ilustração
para ser exposto em sala, fazendo a transposição da linguagem verbal para a
linguagem não verbal. Ainda faremos a relação das situações de amizade
presentes nas fábulas estudadas, destacando e analisando em qual das
versões os laços de amizade mostram-se mais presentes.

5 – Ampliação do horizonte de expectativa

É chegada a hora de fazermos o fechamento das atividades propostas


para este momento e para o qual pediremos a produção de uma fábula, tendo
em vista os conhecimentos estudados e adquiridos sobre o gênero, pedindo
que escolham um dos textos estudados e recriem ou produzam uma nova
versão, ou se quiserem poderão inventar uma fábula inédita.
Objetivos
- Introduzir o gênero conto

- Estudar as origens e características do gênero;

- Ler por prazer

- Perceber as diferenças do ler e do contar uma história;

- Produzir e confeccionar um livro de contos;

- Desenvolver a oralidade, narrando textos lidos ou de sua própria autoria.

- Identificar os elementos organizacionais e estruturais dos contos.

Introduzindo o segundo momento


Neste segundo momento iniciaremos com o estudo do gênero conto,
abordando a mesma temática “Amizade”, para iniciar faremos a contação da
história: “Coisas de amigo” de Telma Guimarães, que será dramatizada por
uma das pedagogas de nossa escola, a qual gentilmente atendeu o nosso
convite.

1- Determinação do horizonte de expectativa


Nesta etapa iniciaremos fazendo uma sondagem para verificar os
conhecimentos dos alunos sobre o gênero conto, perguntando-lhes se já leram,
conhecem, ou ouviram falar sobre este gênero. Se conhecerem,
questionaremos sobre o conteúdo da obra, pedindo que a narre oralmente para
os colegas de sala. Após esta interação faremos os questionamentos sobre os
elementos composicionais do gênero, buscando o ponto de partida para o
desenvolvimento do nosso trabalho.

2 - Atendimento do horizonte de expectativa:

Para iniciar esta etapa entregaremos para os alunos o texto a seguir o


qual servirá para estudo e reflexão.
Origem do gênero conto

Narrativa de cunho oral que surgiu praticamente junto com a civilização


humana, oriunda da necessidade que o ser humano sempre teve em relatar as
histórias ocorridas em sua vida. Essa necessidade que o ser humano tem de
se expressar mesmo sendo em situações imaginárias ou irreais, sempre traz
em sua bagagem algum conhecimento ou um despertar para o mundo real.
Historicamente muitos autores relatam que esta tradição oral foi trazida ao
Brasil pelos portugueses, passando a tomar forma de escrita apenas no
período romântico, porém muitos de nossos escritores da época não se
adaptaram muito a este gênero. A nossa literatura passou a desenvolver esse
gênero apenas no início do Realismo com o escritor Machado de Assis.
Características do gênero conto
- Narrativa breve, tanto em tamanho quanto em tempo;
- Possui poucas personagens, sendo estas geralmente fictícias;
- As personagens movimentam se em torno de uma única ação;
- Embora seja uma narrativa curta apresenta os mesmos elementos de um
romance que são: personagens, narrador, espaço, tempo, enredo;
- Todas as ações abordadas encaminham para o desenvolvimento do texto;
- Possui apenas um eixo temático;
- Quanto ao enredo, ele deve conter a apresentação, complicação ou evolução,
clímax, solução ou desfecho.

3 - Ruptura do horizonte de expectativa:

Nesta etapa para romper com os horizontes de expectativas dos alunos,


apresentaremos a obra “Coisas de amigo”, a qual foi dramatizada para
introduzir o segundo momento. Faremos a explanação passo a passo,
começando pela capa do livro para que os educandos observem os detalhes
como as cores e as ilustrações e posição em que se encontram as
personagens. Após, cada aluno receberá um exemplar da obra para realizar a
leitura integral da mesma. Também faremos uma roda de conversa para
dialogarmos se os alunos perceberam a diferença entre o ler e contar uma
história.
Ilustrado por João Pepes

4 - Questionamento do horizonte de expectativa:

Momento de análise e reflexão sobre o gênero estudado, nesta etapa


faremos a mediação dos encaminhamentos como segue: aferição dos
elementos composicionais do gênero, evidenciando as características e todas
as peculiaridades presentes no conto. Discutiremos sobre a essência do
conteúdo abordado, enfatizando a temática e mostrando a importância de
termos amigos e vivermos em união. Elaboraremos também um quadro
comparativo dos dois gêneros estudados, focando as principais características
de cada um.

Tendo em vista que o nosso intuito é a contação de histórias, neste


momento os alunos novamente farão uma visita à biblioteca para a escolha de
um conto ou fábula de sua preferência para ser oralizado em sala.
5 - Ampliação do horizonte de expectativa:

Considerando todo o trabalho realizado é hora de verificarmos os


avanços obtidos, confrontando os saberes iniciais e os atuais que os alunos
assimilaram no decorrer do processo de implementação da presente proposta.
Solicitaremos a produção de contos com o tema trabalhado “Amizade”, tais
produções comporão uma coletânea que fará parte do acervo bibliográfico da
escola.

Encerraremos nossas atividades com um momento de contação de


histórias no “salão nobre” do colégio, com apresentações de alguns
contadores, dentre eles, professores, pais e os próprios alunos.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BAKHTIN, Mikhail. Estética da criação verbal. São Paulo: Martins Fontes,


2006.

BAMBERGER, Richard. Como incentivar o hábito de leitura. 6. ed. São


Paulo: Ática, 1995.

BORDINI, Maria da Glória; AGUIAR, Vera Teixeira de. Literatura: a formação


do leitor – alternativas metodológicas. 1993.

COELHO, Betty. Contar histórias: uma arte sem idade. 6. ed. São Paulo:
Ática, 1995.

JAUSS, Hans Robert et al. A literatura e o leitor: textos de estética da


recepção. Coord. e Trad. Luís Costa Lima. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1979.

MATOS, Gislayne Avelar. A palavra do contador de histórias. São Paulo:


Martins Fontes, 2005.

PARANÁ, Secretaria de Estado da Educação. Diretrizes Curriculares da


Educação Básica: Língua Portuguesa. Paraná: 2008.

SISTO, Celso. Textos e pretextos sobre a arte de contar histórias. Curitiba:


Positiva, 2005.

ZILBERMAN, Regina. A literatura infantil na escola. 11. ed. São Paulo:


Global, 2003.

______________. Estética da recepção e história da literatura. São Paulo:


Ática, 1989.
SMOLKA, Neide. Esopo - Fábulas Completas. Editora Moderna Ltda. 1997

MONTEIRO, Lobato. Fábulas. Editora Brasiliense, 50ª edição, São Paulo. 1994

-LA FONTAINE- Fábulas de La Fontaine (Tradução Bocage). Rio de Janeiro –


Brasil América. 1985.

ROCHA, Ruth. Fábulas de Esopo. São Paulo: Melhoramentos,


1986.

http://www.qdivertido.com.br/verconto.php?codigo=9

http://www.fabulasecontos.com/era-uma-vez-o-eu-o-tu-e-o-ele

http://www.recantodasletras.com.br/ acesso em 11/11/2014 às


19h09m. Domínio público.