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REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO E CULTURA


INSTITUTO NACIONAL DO DESENVOLVIMENTO DA EDUCAÇÃO – INDE

Modulo 4
12ª Classe ESG, 3º ano ETP
Médio

EMPREENDEDORISMO E GESTÃO FINANCEIRA

NOÇÕES DE EMPREENDEDORISMO
PARA

ENSINO SECUNDÁRIO GERAL


ENSINO TÉCNICO PROFISSIONAL

1
== MÓDULO 4 ==
EMPREENDEDORISMO E A GESTÃO FINANCEIRA

Este módulo faz parte de um conjunto de quatro módulos do aluno e


dois livros do professor desenvolvidos pelo Instituto Nacional de
Desenvolvimento da Educação – INDE, do Ministério de Educação e
Cultura de Moçambique.

Ficha técnica:

1. Título: Módulo 4 – Empreendedorismo e a Gestão financeira


2. Elaboradores: Adelino Novais Estêvão, Consultor; Constantino Pedro Marrengule,
Docente universitário – UEM; André Manhiça Machava, Docente universitário – UP;
José Rafael, Docente - Escola Secundária da Matola; Júlio Silva, Docente – Escola
Industrial de Maputo; Maria Bona – Técnica pedagógica – INDE; Fondo – Técnico
pedagógico – INDE; Juvêncio – Técnico Pedagógico – INDE; Chelengo – Técnico
Pedagógico – DNETP; Gina – Técnica Pedagógica – DNESG
3. Capa:
4. Maquetização:
5. Impressão:
6. Ano: 2009

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Índice

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Prefácio

O Módulo 4 é parte integrante duma série de quatro módulos e enquadra-se no


processo de desenvolvimento de livros do aluno adequados para o ensino e
aprendizagem da disciplina de Noções de Empreendedorismo nas escolas dos ensinos
secundário geral e técnico profissional em Moçambique.

Sendo o Empreendedorismo uma disciplina nova, estes módulos vêm responder a falta
de uma literatura apropriada para o ensino e aprendizagem desta matéria tendo em
conta as realidades social, económica e cultural do país.

Estes módulos contêm experiências colhidas de diversos técnicos, escolas secundárias


e técnicas, empreendimentos dos sectores privados e instituições governamentais, o
que proporciona ao aluno um quadro o mais exacto possível sobre as questões
abordadas.

Nossos votos vão para que com estes módulos, o aluno possa desenvolver o amor
pelo trabalho, o espírito e qualidades empreendedores que lhe irão permitir alcançar o
bem-estar social e económico individual e da sua comunidade.

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Introdução

O Empreendedorismo é uma disciplina profissionalizante e visa, fundamentalmente,


fazer face ao desemprego que é um dos principais problemas que determina a
prevalência da pobreza absoluta em Moçambique.

O centro desta disciplina é o de preparar o aluno para que seja capaz de aproveitar as
oportunidades que se apresentam no contexto social, económico e cultural local e no
mundo, munindo-o com atitudes, valores, habilidades e técnicas que o permitam ser
bem sucedido no trabalho e na vida.

O Módulo 4 reforça esta preparação levando o aluno a reavaliar a sua opção de


carreira profissional e de trabalho e a aumentar seus conhecimentos na elaboração de
projecto empresarial e na gestão financeira de pequenas empresas.

Os conteúdos dos módulos estão agrupados na forma de unidades temáticas. No final


de cada tema dentro de cada unidade temática, foram incluídas algumas actividades
que o aluno deve resolver antes de prosseguir para o tema seguinte.

O aluno deve praticar cada actividade com seriedade para que desta forma possa
permitir uma maior reflexão sobre a unidade temática e melhorar a compreensão das
questões discutidas.

O aluno deverá aprofundar cada tema tratado neste módulo, ouvindo a opinião de
pessoas bem sucedidas e pondo em prática as sugestões feitas nas diferentes
unidades temáticas. O aluno deverá, igualmente, ler outros livros, artigos, leis,
regulamentos e outras publicações de forma a complementar ou aprofundar as
informações obtidas.

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Agradecimentos

A riqueza destes módulos advém da variedade de experiências colhidas de diversos


técnicos, escolas secundárias e técnica, empreendimentos dos sectores privados e
instituições governamentais.

Assim, o nosso especial agradecimento vai para a equipa de elaboradores e do seu


líder o consultor Adelino Novais Estêvão.

Os agradecimentos são extensivos para as instituições tais como Universidade


Eduardo Mondlane (UEM), Universidade Pedagógica (UP), Instituto Industrial de
Maputo (IIM), Escola Secundária da Matola, Escola do Partido Frelimo da Matota,
Instituto de Desenvolvimento da Educação (INDE), Direcção Nacional do Ensino
Técnico Profissional (DNETP), Direcção Nacional do Ensino Secundário Geral
(DNESG) e Autoridade Tributária de Moçambique pela disponibilidade de seus técnicos
para participaram na elaboração dos manuais.

Os agradecimentos vão também para a UNIDO, EMOSE, Ministério de Indústria e


Comércio e Ministério de Plano e Desenvolvimento pelas suas valiosas contribuições.

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1ª – Unidade temática

1. Oportunidades de carreira e de emprego

Conteúdos
1. Oportunidades de carreira e de emprego
 Oportunidades de carreiras profissionais;
 Mercado de emprego;
 Empresariado
 Associativismo

Objectivos
 Identificar as diferentes opções de carreiras profissionais
disponíveis e em perspectiva;

 Avaliar as suas potencialidades e relacioná-las com


possíveis carreiras a seguir;

 Identificar as possíveis oportunidades de emprego e


relacioná-las com as carreiras profissionais existentes;

 Descrever as vantagens e desvantagens do empresariado;

 Descrever os benefícios do associativismo.

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1. Oportunidades de carreira e de emprego

 Introdução
Uma pergunta elementar com a qual nos deparamos de certeza e
com a qual lidamos num momento ou noutro é sobre a carreira
profissional que devemos seguir na vida. Se se recordar, esta
pergunta parece ressurgir com frequência agora que vai terminar o
ensino pré-universitário. Isto acontece porque são várias as
oportunidades de carreiras profissionais na nossa comunidade e
no mundo. Mas como sabe não podemos desempenhá-las em
simultâneo.

Tendo em vista consolidar as suas perspectivas ou aspirações de


carreira, nesta unidade temática, trataremos as oportunidades de
carreiras profissionais, mercado de emprego, empresariado e
associativismo.

 Oportunidades de carreiras profissionais


Carreira profissional corresponde à actividade em que as pessoas
se envolvem resultante de inclinação, talento ou influências com
objectivo de maximizar a sua satisfação. Algumas pessoas
escolhem ensinar, seguindo assim a carreira de professores.
Outros optam por tratar de pessoas doentes, tornando-se
enfermeiros, médicos ou técnicos de medicina e outros ainda se
tornam homens de negócio.

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 Possíveis carreiras profissionais resultantes da frequência
do ensino superior
Há várias oportunidades de educação superior e de alternativas de
especialização que levam a diferentes oportunidades de emprego.
Estas especializações são ministradas em várias instituições de
ensino público e privado. São exemplos disto:

Universidades, Institutos de formação de professores, Institutos


técnicos, Institutos politécnicas e outros. Nestas instituições pode-se
tirar vários cursos, incluindo medicina, professorado (a níveis diferentes
de ensino), engenharia, agronomia, apoio aos cuidados de saúde, por
ex: enfermagem, obstetrícia, ortopedia, serviços de secretariado, etc.

Veja na tabela que se segue alguns cursos que pode frequentar


em Moçambique.

Exemplos de Cursos e Carreiras


Instituição Curso Carreira Profissional
Universidade Licenciatura em Economia Economista
Eduardo Mondlane
Licenciatura em Direito Jurista/Advogado

Licenciatura em Engenharias Engenheiro mecânico,

químico, de construção

civil, electrotécnico.

Licenciatura em Arquitectura e Arquitecto

planeamento físico

Licenciatura em medicina Médico

Universidade Licenciatura em Ensino de Biologia Professor de Biologia

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Pedagógica Licenciatura em Ensino de Português Professor de Português

Universidade Licenciatura em Ciências Jurídicas Jurista/Advogado


Politécnica
Licenciatura em Gestão de Empresas Gestor

Instituto Superior Licenciatura em engenharia Especialista em


de Ciências e informática informática
Tecnologias

 Factores a considerar na escolha duma carreira profissional


A remuneração esperada é um factor fundamental na escolha de
carreira porque é sobre ela que assentam as suas possibilidades
de sustentar a si e à sua família. Além das condições específicas
do mercado do trabalho, a sua remuneração será condicionada
pelos seguintes factores:
 Tipo de trabalho a executar;
 Grau académico;
 Política do emprego;
 Níveis de rendimento do país;
 Nível de desenvolvimento económico do país;
 Rentabilidade do empregador, etc.

Há também outras motivações que determinam a escolha duma


carreira profissional, tais como:

. Segurança no emprego - A segurança no emprego é a certeza


que a pessoa tem sobre a continuidade na empresa.
. Tendência familiar - Algumas famílias têm tendências a favor ou
contra algumas carreiras ou profissões. Por consequência,
encorajam ou desencorajam os filhos a segui-las.

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. Procura – Isto refere-se a uma situação em que há necessidade
de busca duma dada profissão no mercado.
. Interesse pessoal - O seu interesse também é muito importante
na escolha de uma carreira.
. Satisfação no emprego - Esta é uma situação em que a pessoa
precisa sentir-se satisfeita com o seu trabalho, sobretudo quanto
às suas expectativas em termos salariais, condições de trabalho,
natureza do trabalho, segurança no emprego, perspectiva futuras,
etc.

 Mercado de emprego
No Módulo 1, falamos do estudo de mercado, do mercado de bens
e serviços e do mercado de matérias-primas. No primeiro, os
empresários vendem bens e serviços que produzem, enquanto que
no segundo compram matérias-primas e mercadorias para manter
em actividade os seus empreendimentos. O que é o Mercado de
emprego?

Mercado de emprego é uma instituição física ou virtual em que se


pratica a compra e venda de serviços da força de trabalho.

Como deve saber, os bens e serviços que consumimos requerem a

combinação de diversas capacidades que raramente são

encontradas numa única pessoa. É esta impossibilidade de reunir

todos requisitos de trabalho numa única pessoa e a necessidade

de especialização para estimular a eficiência, que sustenta a

procura e a oferta de trabalho seja também, circunscrita a

habilidades e carreiras específicas.

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Em Moçambique, o Mercado de Emprego não é uma unidade
uniforme; encontra-se segmentado em função dos ramos e
sectores de actividades que requerem determinadas habilidades.
Desde modo, a sua entrada no Mercado de Emprego pode ser
num dos seguintes ramos de actividades:
 Agricultura;
 Comércio;
 Indústria;
 Prestação de serviços.

Dentro dos ramos de actividades há vários sectores de actividades


que podem ser explorados por empresas tais como: sector
alimentar, vestuário, mobiliário, transportes, etc. Veja no quadro a
baixo:

Exemplos de sectores de Actividade


Tipos de empresas Ramo de actividade Sector de actividade
Fábrica de colchões Indústria Mobiliário
Agências de viagem Serviços Turismo
Instalações eléctricas Serviços Electricidade
Estruturas metálicas Indústria Metalo-mecânica
Venda de peças Comércio Metalo-mecânica
Oficina de batiques Indústria Artesanato

 Actores do Mercado de Emprego


Quem são os principais actores do Mercado de Emprego? O
Mercado de Emprego é composto pelos seguintes actores
principais:

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(1) Instituições e empresas – Este grupo de actores realiza a
procura da mão-de-obra, isto é, possui postos de empregos que
são preenchidos pela mão-de-obra. É geralmente denominado por
empregadores.
Assim, neste grupo encontramos:
 Estado (Administração Pública e Empresas Públicas)
 Empresas com economia mista (Estado e Privados);
 Empresas privadas;
 Cooperativas e Associações;
 Organizações Não-Governamentais (nacionais e
estrangeiras)

(2) Mão-de-obra – é constituída por pessoas com diferentes


aptidões que realizam a oferta ou venda de serviços. Na mão-de-
obra podemos distinguir:
 Qualificada, aquela que tem uma preparação ou qualificação
específica para desempenhar determinadas tarefas, e
 Não qualificada, aquela que não possuem preparação
específica.

(3) Intermediários – Este grupo é constituído por instituições ou


empresas que preparam, condicionam ou facilitam a ligação entre
empregadores e empregados. Neste grupo distinguimos:

 Ministério do Trabalho e suas representações – Regula o


Mercado do emprego e promove o seu acesso.
 Instituições de ensino e centros de formação profissional –
Podem ser públicos ou privados. Preparam e especializam a
mão-de-obra;

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 Agências de emprego – Estabelecem a ligação entre
candidatos a emprego e empregadores e que, em troca são
pagos pelo serviço prestado.

Contudo, é sua opção escolher a forma de como a pessoa quer


entrar no mercado do emprego. Isto é, a pessoa pode ser
empregadora, empregada ou intermediária.

 Fontes de Informação sobre o Mercado de Emprego


São diversas as fontes de informação sobre o Mercado de
Emprego: agências de recrutamento, jornais, rádio, internet e
próprias empresas.

As agências de recrutamento têm um interesse particular de


encontrar candidatos mais apropriados e melhorar seus negócios,
por isso, mantêm contacto com empresas que demandam
empregados.

As empresas que não recorrem as agências de recrutamento,


usam seus próprios meios para publicitar a disponibilidade de
vagas. Como deve saber recorrem com frequência a jornais,
internet, ou anúncios no próprio local de trabalho para
assegurarem o recrutamento.

Muitas pessoas procuram informações sobre emprego,


contactando trabalhadores ou gestores de empresas. Contudo, é
comum a pessoa ficar a saber da existência duma vaga de
emprego a partir dum amigo ou de outrem.

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 Empresariado
No mercado do emprego, onde distinguimos três actores principais,
isto é, empregados, empregadores e intermediários falamos que
era opção a escolha do tipo de actor que a pessoa pretende ser.
Se pretender ser empregador, então estará a seguir o
empresariado. Portanto, a pessoa terá duas opções de carreiras de
trabalho, a saber: trabalhar para alguém, isto é, ter patrão ou ser
empregado. Trabalhar por conta próprio ou seja, ser empresário, o
que o torna a pessoa empregada e patroa de si própria.

Em Moçambique é difícil arranjar um bom emprego. Num emprego


preferido não há garantia de poder fazer tudo quanto deseja e, há
riscos de poder ser despedido por alguma razão.

Todas as pessoas admiradas por causa do seu sucesso e de suas


empresas, houve dias que tiveram de tomar a decisão de serem
empresários. Para isso a pessoa precisa de identificar uma
oportunidade e criar a sua própria empresa. Deste modo, a pessoa
irá trabalhar para si e com o crescimento da sua actividade, ela irá
empregar mais pessoas e consolidar a sua carreira empresarial.

 Vantagens de ser empresário


Ao decidir seguir a carreira do empresariado, você testemunhará
as seguintes vantagens:

 Um empresário é independente;
 Em caso de sucesso, altas recompensas;
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 Trabalhar por conta própria;
 Prestígio e reconhecimento pela contribuição que sua
empresa dá;
 Ser autónomo na tomada de decisões;
 Gera emprego para os outros;
 Um empresário tem dupla realização sendo para si, e
através da sua contribuição para a sociedade.

 Desafios na carreira empresarial


A carreira do empresariado exige trabalho duro, enfrentar
dificuldades e problemas. Embora seja patrão de si mesmo, a
pessoa estará dependente de recursos financeiros, fornecedores,
clientes, empregados, leis e entre outros factores.

Veja a seguir, os desafios que a pessoa poderá enfrentar:


 Dedicar longas horas de trabalho para ter sucesso;
 Enormes responsabilidades;
 Dedicar-se a uma actividade em que não tem a certeza do
seu futuro;
 Rendimento não estável nem garantido, isto é, variável.

 Associativismo
Olhando para a vida na sua família e na escola deve ter se
apercebido que dificilmente o ser humano consegue satisfazer as
suas necessidades sem precisar da cooperação dos outros. No
futebol ou basquetebol, para se poder defrontar uma certa equipa
adversária precisamos de um determinado número de colegas do
nosso lado. Mesmo nas modalidades individuais o sucesso só
pode ser alcançado quando conseguimos mobilizar a contribuição

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de mais pessoas. Isto vem confirmar que o ser humano é um ser
social, sozinho não é capaz de maximizar a sua satisfação.

O sucesso surge quando as pessoas se juntam tendo em vista


alcançar determinados objectivos comuns. Quando isso acontece
por um período relativamente longo e com enquadramento jurídico,
dizemos que há uma associação.

As associações são uma alternativa viável para a criação de


emprego e para o desenvolvimento pessoal e comunitário. Através
delas conseguimos: reunir forças e recursos para entrarmos em
empreendimentos que individualmente não conseguiríamos;
negociarmos melhor com os nossos clientes e fornecedores;
mobilizar financiamentos e apoios do governo e de outros para
alcançarmos os nossos objectivos; partilhar informações úteis e
estimular a nossa criatividade.

Tal como aprendeu no Modulo 2, uma associação é um grupo de


pessoas, um colectivo voluntário, democrático, autónomo, cuja
finalidade é encorajar os seus membros a crescer em comunidade
e a agir colectivamente, para conseguir aquilo que não poderiam
ser capazes individualmente.

As características de associações incluem não ter fins lucrativos,


depender de contribuições voluntárias, serem independentes de
governos, serem orientados para a prestação de serviços e não ter
interesses partidários.

A estrutura organizacional duma associação integra assembleia-


geral, conselho de direcção e conselho fiscal.

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Em Moçambique há vários tipos de associações que incluem
empresariais tais como União Nacional de Camponeses,
Associações de Crédito e Poupança, Associação de fruticultores,
associações industriais, comerciais, de pescadores, de
madeireiros, etc.

 Resumo
Carreira profissional corresponde à actividade em que as pessoas se
envolvem por razões de sobrevivência e/ou para maximizar a sua
satisfação.

A remuneração esperada é um factor fundamental na escolha de


carreira porque é sobre ela que assentam as suas possibilidades de
sustentação de si e de sua família.

No mercado do emprego são as empresas e instituições que realizam a


procura enquanto que a mão-de-obra faz a oferta através dos seus
serviços. São principais actores os empregadores, os empregados ou
candidatos e os intermediários.

Seguir a carreira empresarial é uma das opções de entrar no mercado


do emprego, isto é, como empregador. Ser empresário em si já é uma
recompensa que traz enorme satisfação do que aquele que trabalha por
conta de outrem.

O associativismo é uma alternativa viável para a criação de emprego,


para o desenvolvimento pessoal e colectivo. Recorrer ao associativismo
permite que a pessoa consiga aquilo que não poderia se estivesse
sozinho.

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 Actividades
1. Faça um levantamento de oportunidades de carreiras profissionais
presentes e futuros na sua localidade, distrito, cidade. Com base nisso,
produza relatório descrevendo as oportunidades de carreiras e a sua
relação com o mercado do emprego.

2. Avalie as suas potencialidades, e com base nas suas aspirações


escolha uma carreira profissional que pretende seguir no futuro.
Recolha informações sobre a carreira que escolheu e relate:
a) Quais são os aspectos atractivos e não atractivos?
b) Como irá lidar com os aspectos que não atractivos?
c) O que irá fazer para materializar o seu sonho?

3. Visite uma associação empresarial e recolha informações sobre os


objectivos que perseguem, estrutura organizativa e desafios que
enfrentam.

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2a – Unidade temática

2. Preparação de plano empresarial

Conteúdos
Plano Empresarial
 Conceito de Plano empresarial
 Importância de plano empresarial
 Capital fixo
 Capital circulante
 Custo de projecto
 Indicadores de viabilidade
 Componentes de um plano empresarial
 Projecto escolar

Objectivos
 Explicar o que é plano empresarial;
 Reconhecer a importância do plano empresarial;
 Descrever os elementos de um plano empresarial
 Distinguir elementos de capital fixo e capital circulante
 Determinar capital fixo, circulante e custo de projecto
de pequenas empresas
 Elaborar um projecto empresarial de pequenas
empresas
 Elaborar plano empresarial de projecto escolar

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2. Plano Empresarial

 Introdução
Uma ideia não se torna uma oportunidade de negócio enquanto
não demonstrar que passa em vários testes, incluindo satisfazer a
pergunta base para qualquer empreendedor: A ideia que se está a
levantar terá mesmo potencial para se tornar um negócio lucrativo?
Para responder a esta pergunta com fundamento, dependerá da
obtenção de respostas para outras questões intermédias e
sectoriais que são:

 Marketing! Os produtos dessa ideia serão bem aceites no


mercado?
 Produção! Conseguirei produzir a qualidade necessária de
produtos com uma margem de lucro aceitável? Os factores
de produção estão disponíveis?
 Finanças! Poderei alcançar os objectivos financeiros? Por
ex: o retorno do investimento/ rentabilidade. Consigo
mobilizar os fundos necessários?
 Outros! Poderei satisfazer as ambições pessoais, os meus
interesses ou ultrapassar os impedimentos e ter sucesso?

Nesta unidade temática voltaremos a falar do plano empresarial


tratado também no Módulo 2, fazendo abordagens mais
profundas nos diferentes elementos que o compõem e fazendo
uma revisão dos conceitos sobre capital fixo, capital circulante e
custo de projecto. Ainda, nesta unidade irá aprender determinar
os critérios que podem assessorá-lo na decisão de avançar ou
não na materialização do seu projecto, isto é, os indicadores de
viabilidade de um projecto de investimento.

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 Significado do plano empresarial
Um plano, segundo Alberto Marques1, é um documento final,
nunca acabado, que contém os objectivos, as estratégias e a
indicação dos meios a serem utilizados com vista a alcançarem
esses objectivos. É o resultado final do processo de planeamento e
que contêm uma posição política superiormente definida. É o
resultado de um processo específico, utilizado por uma entidade
pública, ou privada para atingir objectivos por cuja fixação é
responsável.

Este processo específico abrange:


o Determinação de objectivos;
o Escolha de método (ou tecnologia) de combinação de recursos
disponíveis, para alcançar os objectivos pretendidos (meios e
instrumentos);
o Determinação de custos e benefícios associados a efectivação
de tal escolha;
o Escolha de fontes de recursos;
o Estudos de enquadramento legais e administrativos dos
projectos.

Mas agora, o que é exactamente um plano empresarial? Vários


estudiosos e gestores têm se debruçado nesta matéria procurando
respostas realísticas sobre o significado de plano empresarial.

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Se procurarmos aglutinar as diferentes opiniões sobre o que é um
plano empresarial podemos chegar ao seguinte:

Um plano empresarial é um instrumento de gestão que aborda de


forma lógica e organizada a natureza da empresa e o caminho
que pretende seguir para um certo período de tempo.

Um plano empresarial funciona como um instrumento de controlo


através do qual os gestores da empresa conseguem medir o que
foi alcançado ou o que vai ser feito. O plano empresarial responde
a perguntas sobre a capacidade da empresa de se aguentar com
as vendas e de obter lucros que dêem ao empresário rendimentos
suficientes para reinvestir na empresa e suportar as suas outras
necessidades financeiras.

 Importância de plano empresarial


Tal como destacamos no Módulo 2, o plano empresarial serve
como uma “bússola” que orienta a si no seu projecto, antecipando
os problemas antes destes acontecerem. A elaboração deste
documento constitui um exercício fascinante que vale a pena fazer,
ora vejamos, o plano empresarial ajuda-o a:
 Decidir se deve iniciar a sua empresa ou não a partir das
previsões sobre a probabilidade de obter lucro ou não;
 Organizar as suas ideias para que possa dirigir a sua empresa
da melhor forma;
 Apresentar a sua ideia a uma instituição de crédito para obter
empréstimo;
 Obter apoios de autoridades governamentais e outros
interessados no estabelecimento da empresa.

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 Capital fixo
Não é a primeira vez que se ouve falar de capital fixo. Já aprendeu
esta matéria quando também tratamos do plano empresarial no
Módulo 2 em que destacamos que o capital fixo consistia em bens
para uso contínuo na empresa, durante mais de um ano ou por
tempo indeterminado.

Na prática, podemos afirmar que o capital fixo é investimento


necessário para o estabelecimento físico da empresa.
É constituído por elementos palpáveis, que também se designam
activos corpóreos, assim como elementos não palpáveis, que
também se designam activos incorpóreos.

Activos corpóreos incluem todos os investimentos em bens


palpáveis fisicamente; activos incorpóreos incluem todos os custos
relativos a investimentos não de natureza física.
Veja a tabela a seguir exemplos dos dois tipos de activos.

Activos corpóreos e incorpóreos


Activos corpóreos Activos incorpóreos
1. Terreno & preparação 1. Despesas preliminares e de pré-
2. Edifícios & construções produção:
3. Maquinaria & equipamento - Escrituras, estudos e projectos
4. Custo de tecnologia (know - Patentes, licenças, trespasses;
how) - Comunicação, transporte, seguros,
5. Outros activos fixos: viagens, salários e juros durante a fase
- Mobília de construção;
- Equipamento de escritório -Anúncios, recrutamento e treino de
- Veículos pessoal;
- Ferramentas - Ensaios dos equipamentos e da
- sistema de água, telefone, produção.
electricidade; 2. Margem de contingências para cobrir
- etc. imprevistos, erros de estimativas e

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variação de preços

 Capital circulante (CC)


Depois da instalação empresa, precisa-se de fundos para explorá-
la. O CC pode ser definido como sendo o montante de capital
permanente, imobilizado na forma de matérias-primas, produtos
em processo, produtos acabados, produtos em crédito e dinheiro
em mão, necessário para sustentar um determinado nível de
produção e vendas. Geralmente, o nível de capital circulante muda
continuamente em resultado de:

 Mudanças no nível de produção e vendas;


 Mudanças nos preços de matérias-primas, duração da
produção, créditos aos clientes e outras.

O CC é chamado como tal por causa da sua natureza cíclica


segundo o diagrama que segue:

Ciclo de operação de CC

+ valor Dinheiro2
Margem
Dinheiro1

+ valor
Clientes (devedores)

Matéria prima

+ valor + valor

Produto acabado + valor Produto em processamento

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O diagrama acima ilustra um exemplo prático de como funciona o
ciclo de operação de CC. Neste caso, um empreendedor tem
inicialmente o dinheiro1 e aplica-o na compra de matéria-prima que
passa por em processamento até a obtenção do produto acabado.
O produto acabado é posteriormente vendido a crédito a cliente
que pagam mais tarde com dinheiro 2. O dinheiro 2 é superior a
dinheiro 1 devido a adição de valor que ocorre em cada transacção
comercial ou transformação do produto e, a diferença entre eles
resulta numa margem de lucro para esse ciclo. Parte do dinheiro 2,
volta a ser aplicado para gerar mais margem de lucro e assim
sucessivamente. Este ciclo deve andar depressa para que o
empreendedor possa juntar várias margens de lucro.

Se o ciclo do seu capital circulante andar depressa,


sua margem de lucro no fim do exercício será maior”

Desde modo, os principais componentes do CC são:


 Dinheiro em caixa;
 Stock em matérias-primas;
 Stock em produto em processamento;
 Dívidas de clientes (devedores);

Pode-se calcular o montante necessário para o CC recorrendo a


seguinte expressão:

Custo anual total de cada componente de CC


CC 
Coeficiente de giro (CG)

Numero de dias de trabalho por ano


CG 
Numero de dias de cobertura de componentes de CC

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A base de cálculo para cada componente de CC é:

Bases de cálculo de CC
Componente de CC Base de cálculo Tempo de cobertura
Stock de matérias- Custo de compra Tempo utilizado para adquirir
primas da matéria-prima materiais e período médio de
armazenamento
Materiais em Custo inicial Tempo de processamento
processo
Produtos acabados Custos de Período médio que demoram os
produção produtos no armazém
Créditos de clientes Valor de vendas Período médio de cobrança de
dívidas

Veja a seguir como determinar o montante necessário de CC a


partir de um exemplo da empresa Nakosso que prevê um nível de
vendas de 200.000,00 MT por ano com as seguintes despesas
anuais de funcionamento:

 Compra de matérias-primas: 100.000,00 MT


 Aquisição de embalagens: 5.000,00 MT
 Despesas administrativas: 50.000,00 MT
 Total: 155.000,00 MT

A empresa trabalha 365 dias e o tempo de cobertura de cada


componente é:

Cobertura de componentes
 Matérias-primas: Uma semana

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 Embalagem: Dois meses

 Despesas a administrativas: Um mês

 Stock de produtos acabados: Uma semana

 Crédito à clientes: Quinze dias

O cálculo de CC para cada componente é como segue:


1) Matérias-primas: CC = 100.000/52 = 1.923,00 MT onde:
CG=365/7=52 ciclos
2) Embalagem: CC = 5.000/6 = 833 MT; onde CG=365/60=6 ciclos
3) Produtos acabados = 155.000/52 = 2.980,00 MT; onde
CG=365/7=52 ciclos;
4) Créditos a clientes: CC=200.000/24=8.333,00 MT; onde
CG=365/15=24 ciclos.
O valor total do CC será:

CC total = 1.923,00 MT+833,00 MT+2.980,00 MT+8.333,00


MT=11.313,00 MT

O valor 11.313,00 MT é o montante que a empresa deve manter


imobilizado para suportar as diferentes componentes de CC
activas.

 Custo de projecto
O custo de projecto é o montante necessário para implementar o
projecto que pode criar uma empresa nova ou para expandir uma
existente. Pode-se determinar este montante somando o capital
fixo ou investimento fixo e o capital circulante, com o capital fixo
sendo constituído por recursos necessários para a construção e

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equipamento do projecto, e o capital circulante que corresponde a
explorar ou operar o projecto.

Custo de projecto = Capital fixo + Capital circulante

Com base no exemplo acima, o custo de projecto da empresa


Nakosso pode ser determinado como segue:

a. Capital fixo:
Compra de instalações: 100.000,00 MT
Compra de máquinas: 50.000,00 MT
Despesas de constituição: 5.000,00 MT
Mobília: 10.000,00 MT
Instalação eléctrica, água e telefone: 5.000,00 MT
Total de capital fixo: 170.000,00 MT
b. Capital circulante:
Matérias-primas: 1.923,00 MT
Embalagem: 833,00 MT
Stock de produtos acabados: 2.980,00 MT
Capacidade de crédito: 8.333,00 MT
Capital circulante total: 11.313,00 MT
c. Custo do projecto: 170.000,00 MT + 11.313,00 MT = 181.313,00 MT

 Indicadores de viabilidade de projectos


Lembra-se que nos módulos 1 e 3 falamos do uso de rendimentos,
onde destacamos três formas principais: o consumo, a poupança e
o investimento. Diz-se que alguém está a investir quando aplica os
seus recursos ou fundos para gerarem mais rendimentos, durante
um determinado período, o que se traduz no aumento da riqueza
de quem investe. Enquanto o objectivo da aplicação dos fundos for
29
de gerar rendimento, terá que escolher a opção viável sobre em
que investir, isto é, em que oportunidade de projecto aplicar os
seus fundos. Neste caso, cabe a si escolher qual é a alternativa de
projecto de investimento que quer implementar.

Para assessorar a sua decisão, pode recorrer aos seguintes


critérios, ou seja, indicadores de viabilidade de projectos de
investimento:
 Valor Actual Líquido (VAL);
 Período de Recuperação de Investimento (PRI);
 Taxa Interna de Rentabilidade (TIR);
 Índice de Rentabilidade (IR);
 Ponto de Equilíbrio (Breakeven Point)

 Valor Actual Líquido (VAL)

Para que perceba o significado de VAL, deve primeiro ter uma


ideia sobre o que é actualização. Regra geral, os empreendedores
preferem rendimentos imediatos do que futuros que é uma
preferência que varia de pessoa em pessoa ou de empresa em
empresa, dependente das necessidades actuais e expectativas
futuras. Porém, independentemente disto, os empreendedores
estão dispostos a pagar um prémio (juro) pelo sacrifício de não
consumir hoje em troca de um consumo no futuro.

a) Valor do dinheiro no tempo


A preferência pelo presente leva-nos a afirmar que o valor do
dinheiro ao longo do tempo é devido a possibilidade dele ser
aplicado em projectos, durante o período que ficamos privados
dele, possibilitando, com isso, a obtenção de um rendimento

30
futuro, independentemente da desvalorização cambial ou inflação.
Isto permite concluir que 1 Metical no presente e 1 Metical no
futuro são recursos financeiros diferentes, não podendo ser
comparados e nem adicionados. Isto significa que podemos
afirmar que 1 Metical hoje vale mais do que 1 Metical no próximo
ano. Para isso, o valor do dinheiro no tempo pode ser obtido
recorrendo a seguinte fórmula:

Vf  Va 1  i 
n

Onde:

 Vf - é o valor futuro do dinheiro


 Va – é o valor actual do dinheiro
 i – é a taxa de juro (taxa de actualização ou capitalização)
 n – número de anos relativamente ao momento inicial
(n=1,2,3,etc anos)

Recorrendo a expressão acima, irá notar de que um investimento


de 100,00 MT hoje (Va), se o custo do dinheiro, isto é, taxa de juro
(i) for de 10%, durante o período de um ano (n=1 ano), o valor
futuro do dinheiro (Vf), será de 110,00 MT. Se n for igual a 2 anos,
Vf será igual a 120,00 MT.

Por outro lado, se um investimento valer 100,00 MT daqui a um


ano, quanto vale hoje se o custo do dinheiro for de 10%? Para
responder a esta pergunta temos que actualizar o valor futuro para
o presente. Isto significa que a fórmula acima pode ser escrita da
seguinte maneira:
31
Vf
Va 
1  i n

Recorrendo está formula, o Va é igual a 90,90 MT.

b) Determinação do VAL
O Valor Actual Líquido é um critério financeiro, destinado a avaliar
projectos de investimento por meio da comparação entre os
rendimentos gerados (cash flows) pelo projecto e o capital
investido.

Pode-se determinar o VAL de um projecto recorrendo aos passos


seguintes:

i. Conhecer a taxa de juro ou de actualização;


ii. Conhecer ou determinar o capital investido;
iii. Actualizar cada rendimento gerado (cash flows) pelo
projecto utilizando a fórmula,

Vf
Va 
1  i n

iv. Somar os rendimentos gerados (cash flows) actualizados


(obtendo o valor actual dos rendimentos de exploração);
v. Subtrair o valor actual dos rendimentos de exploração pelo
capital investido.

32
VAL> 0 – Os rendimentos gerados (cash flows) são superiores
aos exigidos, por isso, o projecto é rentável.
VAL = 0 – Os rendimentos gerados correspondem exactamente
ao investimento feito mais o retorno exigido. O erro de apenas
1% pode trazer graves consequências futuras.
VAL <0 – Os rendimentos gerados não são suficientes para cobrir
o investimento feito e nem o retorno exigido, por isso, o projecto
não é rentável e deve ser abandonado.

Agora, acompanhe o seguinte exemplo, para que com isso seja


capaz de determinar o VAL de um projecto:

Um empreendedor pretende investir 400.000,00 MT para um


projecto de cinco ano, gerando em cada ano os rendimentos que
constam na tabela a baixo.

Cálculo de cash flows Valores em milhares de MT


Ano 0 1 2 3 4 5
Cash flows - 400 140 160 160 200 200

Note que no início (ano 0), o empreendedor tirou 400.000,00 MT


por isso é representado com sinal negativo enquanto nos finais
dos anos subsequentes ele ganha rendimento (entra dinheiro) daí
a representação dos valores positivo.

Para uma taxa de actualização de 15%, obtemos os valores


actuais líquidos apresentados na tabela a baixo.

Actualização de cash flows


Valores em milhares de MT
Anos Cash flow do Factor de Cash flows Cash flows
investimento actualização: actualizados acumulados
1/(1,15)p
33
0 - 400 1.00 - 400,0 - 400,0
1 140 0.87 121.8 - 278,2
2 160 0.76 121.6 - 221,8
3 160 0.66 50.6 - 166,1
4 200 0.57 114.0 - 2,2
5 200 0.50 100.0 97.8
Nota: P é o período de exploração (P=0,1,2,3,4 e 5)

Seguindo os passos descritos acima, poderá notar que o VAL é de


97.800,00 MT, isto é, o projecto é rentável no quinto ano. Isto
significa que o empreendedor não deve investir mais de
497.800,00 MT a taxa de actualização mantendo-se de 15%, se
não irá perder dinheiro.

 Taxa Interna de Rentabilidade (TIR)

A TIR de um projecto de investimento é a taxa de actualização que


anula o VAL (VAL = 0). Isto acontece quando TIR=i, ou seja, os
rendimentos gerados pela exploração do projecto igualam-se ao
capital investido o que torna o VAL=0. Podemos afirmar que a TIR
é a taxa mais elevada na qual o empreendedor pode contrair
empréstimo, para financiar um investimento, sem perder dinheiro.

Na prática para se determinar a TIR é mais simples recorrer a um


processo de interpolação, de dois valores de VAL,
respectivamente positivo e negativo, correspondentes a dois
valores de i, tão próximos quanto possível. Isto significa que, pode-
se determinar o valor da TIR, por meio de interpolação, através da
seguinte expressão:

 i  i VAL1 
TIR  i1   2 1 
 VAL1 VAL2 
34
Onde:
 i1 – taxa de juro para qual o VAL>0;
 i2 – taxa de juro para qual o VAL<0;
 VAL1 – Valor Actual Líquido positivo;
 VAL2 – Valor Actual Líquido negativo.

A representação gráfica da TIR é a seguinte:

VAL

TIR

Taxa de actualização (i)

Figura 2: Representação gráfica da TIR

Veja o exemplo a seguir de como calcular a TIR. Neste exemplo,


assumimos dois valores de i (i1 = 15% e i2 = 30%) de modo a
obtermos um VAL>0 e outro VAL<0.

Cálculo da TIR
Anos Cash flows Factor de VAL1 Factor de VAL2
de actualização actualização
investimento com i=15% com i=30%
0 - 400 1.00 - 400,0 1.00 - 400,0
1 140 0.87 121.8 0.77 107.8
2 160 0.76 121.6 0.59 94.4

35
3 160 0.66 50.6 0.46 73.6
4 200 0.57 114.0 0.35 70.0
5 200 0.50 100.0 0.26 52
Total 163,0 - 2.2

Recorrendo a expressão acima para o cálculo da TIR, temos:

TIR = 0.15 + [(0.30 – 0.15) + 163/(163-(-2.2))] = 29.8%

Portanto, a taxa mais elevada que o empreendedor pode contrair


empréstimo sem perder dinheiro é de 29.8%.

 Período de Recuperação de Investimento (PRI)

O PRI é geralmente determinado através da seguinte expressão:

I  I 
PRI   n 
 Cf 

Cf  
n

Onde:
 I – Valor do capital investido;
 Cf – Valores de rendimentos gerados (cash flows) de
exploração;
 n – Número de período de análise do investimento.

Ainda recorrendo ao exemplo anterior de projecto de investimento


cujo cash flow é:

36
Cash flow Valores em milhares de MT
Ano 0 1 2 3 4 5
Cash flows - 400 140 160 160 200 200

Cf = 860

Utilizando a expressão acima para determinar o PRI, sem


considerar actualizações, temos:

PRI = 400/(860/5) = 2,3 anos.

Isto significa que o investimento é recuperado no 2º ano de


exploração.

Considerando a actualização, temos o PRIA (PRI Actualizado).


Veja o exemplo a baixo.

PRIA actualizado
Anos Cash flow do Factor de Cash flows
investimento actualização: actualizados
1/(1,15)p
0 - 400 1.00 - 400,0
1 140 0.87 121.8
2 160 0.76 121.6
3 160 0.66 50.6 562
4 200 0.57 114.0
5 200 0.50 100.0

PRIA = 400/(562/5) = 3.6 anos

Isto significa que utilizando os cash flows actualizados, o


investimento é recuperado nos meados no 3º ano e não no 2º ano.
37
 Índice de Rentabilidade (IR) ou Retorno de Investimento
O retorno de investimento é um índice de rentabilidade, isto é, dá-
nos a rentabilidade efectiva por unidade de capital investida.

Pode-se determinar o índice de rentabilidade de um projecto


dividindo os rendimentos gerados (cash flows) pela exploração do
capital investido.

Este índice pode ser igual, inferior ou superior a 1:


 Igual a 1 significa VAL = 0;
 Superior a 1 significa VAL> 0 (projecto rentável);
 Inferior a 1 significa VAL < 0 (Projecto não rentável).

 PONTO DE EQUILÍBRIO
O ponto de equilíbrio (break even point) corresponde ao volume de
produção no qual as vendas se igualam com os custos totais da
produção. Isto significa que as empresas devem produzir e vender
acima do break even point para não incorrer prejuízos.

Veja a seguir a representação gráfica do ponto de equilíbrio

Cf
MT
Q 
Pv  Cv

R
R2
Lucro

Ponto de
equilibrio Ct

* Cf
R
R 
C
C1 1 v
Pv
Cf Prejuizo
R1

38
q1 q* q2 q
Onde:
R1 – volume de vendas mínimo
V2 – volume de vendas máximo
q1 – quantidade inicial
q2 – quantidade final
q* - quantidade vendida em que a empresa iguala custos e
receitas
R* - valor das vendas que corresponde a quantidade q*
Ct – custo total
Cf – custo fixo
Pv – Preço de venda

Repare-se que se a empresa vender menos que q*, por exemplo


q1, então o seu custo é C1, maior que R1 que serão as receitas que
obterá para essa quantidade. Nesta situação gerar-se-á prejuízos.
Porem se a empresa vender q2, terá receitas R2 e custos C2,
gerando lucros.

 Componentes de um plano empresarial


Para que o plano empresarial tenha significado e seja coerente
deve ser completo em termos de conteúdos e dados. Assim, um
plano empresarial deve compreender os seguintes componentes
principais, de conforme ilustração a seguir.

39
Componentes do plano Empresarial

Descrição geral do projecto

Missão, metas e objectivos

Plano de marketing

Plano de produção
Plano Empresarial
Plano gestão administrativa

Despesas pré-operação

Plano financeiro

Plano de acção

O empreendedor deve estar a par das suposições feitas e dos


factores subjacentes a cada número no plano empresarial, da força
motriz do empreendimento e do plano de acção para a sua
implementação.

Aspectos a ter em consideração em cada componente do plano


empresarial.

1) Descrição geral da empresa


Neste componente, deve-se descrever resumidamente a empresa,
considerando e explicando o seguinte:

 O tipo de empresa a planear;


 As necessidades do mercado que se pretende satisfazer;
 O que torna esta empresa diferente das outras
 As principais forças, oportunidades, fraquezas e ameaças
(análise FOFA)

40
2) Descrição da missão, metas e objectivos
Neste componente deve-se reflectir no seguinte:

. Descrição da missão – Indicar a principal actividade que pretende


levar a cabo.

. Metas - São aspirações a médio e longo prazo que se pretende


alcançar. A meta da empresa baseia-se na descrição da sua
missão. Exemplo: “Produzir e vender produtos de alta qualidade
aos meus clientes”.

. Objectivos - São alvos específicos fixados, que farão avançar em


direcção às metas e em última análise cumprir a sua missão. Tal
como a missão pode ter mais do que uma meta, uma meta pode
ter mais do que um objectivo.

Exemplos de objectivos duma empresa:

 Aumentar as vendas em 20% por ano durante um período


de cinco anos;
 Melhorar a produtividade da fábrica em 20% num ano.

3) Plano de Marketing

No plano de marketing dum plano empresarial explica-se o


seguinte:

. Mercado Alvo
 Quem são os seus clientes? Descreva-os tão detalhadamente
quanto possível.
 Onde se encontram?

41
 Quais são as necessidades deles que são ou vão ser satisfeitas
pelos seus produtos/serviços?
 Com que frequência eles compram os seus produtos/serviços?
 Seu mercado está a crescer? Está parado? A diminuir?
 É suficientemente grande para que as operações da sua
empresa sejam rentáveis?

. Produtos ou Serviços Oferecidos


 Quais são os seus produtos ou serviços principais?
 Como são embalados os seus produtos?
 Que percentagem das suas vendas representa este produto
principal?
 Que outros produtos ou serviços oferece e que são importantes
para a sua empresa?
 Quais são as características dos seus produtos (incluindo
valores alheios ao produto) que os distinguem dos produtos dos
seus concorrentes?

. Concorrência
 Quem são os seus concorrentes directos mais próximos? (que
negoceiam em produtos semelhantes)
 Quem são os seus concorrentes indirectos? (fabricam produtos
que podem ser substituídos pelos seus)
 Quais são os pontos fortes dos seus concorrentes?
 Quais são os pontos fracos dos seus concorrentes?

. Fixação de preços e vendas


 Quais são os seus preços? Que estratégias de fixação de
preços vai usar? Porquê?
42
 Como se comparam os seus preços com os dos seus
concorrentes? Os seus são mais baixos ou mais altos? Qual é
a diferença? Faça uma comparação dos preços no quadro.

Comparação de preços

Produto O seu Preço Concorrente Diferença

 C
Com que frequência revê os seus preços?
 Os seus concorrentes vendem a crédito, a pronto pagamento, a
prestações, etc?
 Quais são os termos de venda que vai adaptar?
 Quanto espera vender por mês com base nas suas actividades
de promoção? Isto é realístico tendo em conta o seu mercado
alvo?

. Vendas projectadas - Pode ser por semana/ mês/ ou ciclo


económico:

Vendas projectadas
Produto Quantidade Preço Montante (MT)

Total vendas
projectadas

. Promoção e Publicidade
 Quais são os seus objectivos ao promover e anunciar?
 Quais são os instrumentos de promoção que vai usar e porque
os escolheu?
43
 Como vai medir a eficácia da sua estratégia de promoção?

. Estratégia de Distribuição
 Como vai distribuir o seu produto? Vai vendê-lo pessoalmente
ou vai usar distribuidores/ grossistas/ retalhistas, etc. Porquê?
 Tem representantes de vendas? Se tiver, quantos? Quanto lhes
paga? Que áreas geográficas cobrem?
 Qual é a sua capacidade de distribuição? (Descreva o tipo de
serviço de distribuição que oferece, prazo para entrega de
encomendas, etc.).

. Despesas previstas de marketing


 Que despesas pensa que vai fazer com o marketing?
 Vai fazer promoções pela rádio?
 Vai ter despesas de representação?
 Vai pagar comissões sobre as vendas?

Resumo das Despesas de Marketing


(Por semana/ mês/ ciclo económico)
Métodos Custo em MT
Promoções radiofónicas
Cartazes
Cartões-de-visita
Despesas de Representação
Comissões sobre as vendas
Total

4) Plano de produção

Nesta componente, pense e arranje o seguinte (se for importante


para a sua empresa)

44
. Instalações e localização da empresa
 Onde vai situar a sua empresa? (Seja tão exacto quanto
possível)
 Porque escolheu esta localização?
 Se precisar de terras, como vai arranjá-las?
 Vai construir ou arrendar um edifício/oficina existente? Se for
arrendado quais são os termos e condições do contrato de
arrendamento?
 Qual é o tamanho da oficina? Vai arrendá-la ou lhe pertence?
Se vai arrendar de quanto é a renda mensal?
 Qual é o layout da sua oficina? Garante o fluxo fácil de
materiais e o processo de produção?

Custo dos terrenos e do edifício


Item Custo (MT)
Arrendar as instalações
Arrendamento do terreno (se for o caso)
Construção do edifício (se for o caso)
Melhoramento do edifício
Custo total do terreno e do edifício

. Processo de produção
 Que tipo de processo vai ser empregue?
 É este o melhor processo para o seu produto? Teve em conta
os procedimentos de controlo de qualidade?
 Baseando-se na procura prevista, quanto espera produzir por
semana?

. Escolha de equipamentos

45
 Que equipamentos serão necessários? Quais são as suas
características técnicas? Porque o escolheu?
 Qual é a capacidade da fábrica? É para turnos de 8 horas?
Esta capacidade satisfaz o seu mercado alvo? Se for
demasiada, haverá outros equipamentos com menor
capacidade? Se não houver, o que vai fazer com o excesso de
capacidade?
 Quem são os fornecedores de equipamentos? São
conhecidos? Quem apresentou a melhor oferta?
 Os equipamentos vão ser importados? Qual é o preço, seguro,
frete e IVA?
 Quais são os termos e condições do fornecedor de
equipamentos?
 Há peças sobresselentes disponíveis localmente? Há algum
apoio técnico para os equipamentos?
 Precisa dum gerador para a sua empresa? Quanto custa? Qual
é a capacidade do gerador? Tem capacidade suficiente para
fornecer energia aos equipamentos?

Lista de equipamentos
No. Detalhes e características Preço unitário MT Total MT

Custo total

. Necessidades de mão-de-obra
 Vai contratar trabalhadores? Que tipo de trabalho vão fazer?
Que qualificações devem ter?
 Quanto lhes vai pagar? Vão ter outros incentivos como
assistência médica, almoço, transporte, etc?
46
 Que condições de segurança no trabalho devem ser
observadas?

Custo da mão-de-obra (por semana/ mês/ ciclo)


Posição Número Salário (MT) Total (MT)

Custo total

. Matérias-primas
 Quais são as matérias-primas/inputs de que precisa para
fabricar o produto (ou prestar os seus serviços)?
 Onde vai comprar as matérias-primas? Estão sempre
disponíveis?
 Quais são as estratégias de compra, por ex: com que
frequência faz encomendas, qual é o nível do stock que
mantém para assegurar um bom fluxo de produção?
 Vai comprá-las a pronto pagamento ou a crédito?
 Qual é o custo das matérias-primas e respectivo transporte?
 Que quantidade de matéria-prima precisaria por ciclo de
produção?

Custos de matéria-prima (por semana/ mês/ ciclo)


Tipo de matéria-prima Quantidade Preço unitário Custo total
(MT) (MT)

Total

. Embalagem

47
 Que tipo de embalagens serão necessárias por ciclo de
produção?
 Onde vai comprar as embalagens? Quem são os fornecedores?
 Como vão ser embalados os produtos? (garantir
compatibilidade com o seu plano de marketing);
 Que quantidade de embalagens são necessárias?
 Que stock deve ser mantido prevendo as entregas ou a próxima
compra?
 Qual é o custo de embalagens?

Custo de embalagens (por semana/ mês/ ciclo)


Tipos de Quantidade Custo/unidade Custo total (MT)
embalagens (MT)

Total

. Energia e serviços públicos


 A empresa vai precisar de energia eléctrica? Está disponível?
Se estiver, qual é o consumo de electricidade previsto por mês?
 Se for necessário um gerador, qual será o consumo de
energia? E de combustível?
 A empresa vai precisar de água? Está disponível?

Custo de electricidade e serviços (por semana/ mês/ ciclo)


Despesas Custo total (MT)
Electricidade
Água
Outras despesas
Total

. Transporte

48
 A sua empresa vai precisar duma viatura para entrega de
matérias-primas e transporte de produtos acabados?
 Se não tiver viatura própria, terá capacidade para alugar?

. Tratamento de lixo
 Quais são os resíduos sólidos da empresa? Que quantidade de
lixo produz?
 Poderá transformar os resíduos sólidos em outros produtos que
possa vender?
 Como vai tratar o lixo?

. Outras necessidades
 Que bens móveis e acessórios serão necessários? Que
quantidade?

Lista de materiais/Mobiliário de escritório


Item Quantida Custo unitário Custo Total
de (MT) (MT)

Total

. Outras despesas gerais


Que outras despesas gerais relacionadas com a produção de
bens/ serviços espera fazer? ( exemplos: depreciação das
máquinas e do edifício, seguro das máquinas, reparações e
manutenção, renda do edifício, salário do capataz, transporte de
matérias-primas, combustível, benefícios dos trabalhadores, etc.).

Lista das despesas gerais

49
Item Quantidade Preço (MT) Custo total (MT)

Total

5) Plano de Gestão e de Administração


 Quem vai gerir a empresa?
 Quais são as suas responsabilidades?
 Quais são as suas qualificações?
 Quanto vai ganhar?
 Vai contratar outra pessoa para ajudar na gestão? Por exemplo
um contabilista a tempo inteiro ou parcial, um recepcionista, etc.
 Em caso afirmativo, quais são as suas responsabilidades?
 Quanto lhes vai pagar?
 Pensa que a sua empresa pode suportar esta despesa?

Lista de despesas com os salários (por semana/ mês/ ciclo)


Posição No Salário mensal (MT) Total (MT)

Total

. Despesas Administrativas
Que despesas administrativas terá a empresa no seu
funcionamento diário? Note-se que estas despesas são diferentes
das despesas gerais. As despesas gerais estão directamente
relacionadas com a produção enquanto que as despesas
administrativas estão directamente relacionadas com a gestão
quotidiana da empresa.

Pense nas suas despesas numa base semanal, mensal ou por 50


ciclo de transacção, dependendo das previsões anteriores para
as vendas, produção, custo de mão-de-obra, etc.
Lista de despesas administrativas
(por semana/ mês/ ciclo)
Despesas Custo total (MT)

Total

6) Despesas de pré-operação
Antes de a empresa começar a funcionar plenamente, é
necessário fazer algumas despesas. Deve fazer um orçamento
para essas despesas (porque, se não o fizer, então poderá ter que
usar o montante orçamentado para as operações normais da
empresa e assim o capital de exploração da empresa acabará por
não ser suficiente).
As despesas anteriores ao funcionamento são:

Lista de despesas de pré-operação


Item Quantidade Preço unitário Custo (MT)
(MT)

Total

7) Plano Financeiro

Plano de investimento
Item Custo Total
i) Capital fixo
51
Compra de terreno
Construção de edifício
Renovação do edifício/ oficina
Compra de Equipamentos
Compra de ferramentas
Total Capital Fixo

ii) Despesas iniciais


iii) Necessidades de capital circulante
Item Custo mensal Prazo (para Total
(custo periódico) produzir, vender e
cobrar)
Matérias-primas
Mão-de-obra directa
Despesas
indirectas/ gerais
Despesas
administrativas
Despesas de
Marketing
Vendas a crédito
Total
Capital circulante necessário
Total estimado de custos da empresa

Fontes de financiamento
Montante Implicações do %
Origem dos fundos (MT) custo por ex: taxas,
juro anual, etc.
Fundos próprios
Da família. Amigos e parentes
Subsídios/donativos (se houverem)
Facilidades de crédito comercial
Empréstimos a curto prazo

52
Empréstimos a longo prazo de
bancos/instituições de crédito
Total

Rentabilidade da empresa
Descrição 1° Período 2° Período 3° Período
(MT) (MT) (MT)
Receitas das vendas
Outras receitas
Total Receitas
Menos: Despesas de produção
previstas
Lucro Bruto
Desp. Administrativas Desp.
Gerais
Lucro antes dos impostos
Menos: Imposto a pagar
Lucro líquido
Percentagem do lucro líquido
Sobre vendas = (9/ 1) x 100%
Sobre investimento.
Cálculo do VAL
Cálculo da TIR

Relatório de tesouraria

Descrição 1° Período 2° Período 3° Período

(MT) (MT) (MT)

Entrada de fundos

Transporte do ano/ período


anterior
Receita (antes do imposto e
da depreciação)
Outra receita (se houver)

Depreciação

53
Fundos próprios

Da família. Amigos e
parentes
Subsídios/ donativos (se
houverem)
Facilidades de crédito
comercial
Empréstimos a curto prazo

Empréstimos a longo prazo

de bancos/ instituições de

crédito

Total
Saídas de Fundos
Despesas preliminares/
anteriores ao funcionamento
Custos fixos/investimentos
(capital fixo necessário)
Capital de exploração
Reembolso do empréstimo
Juros
Pagamento de impostos
Total
Saldo a transportar (Entradas
menos saídas).

Na próxima unidade temática serão encontradas orientações


detalhadas sobre o que é um plano de tesouraria e como elaborá-
lo.

8) Plano de acção de implementação da empresa


Uma vez terminado o plano empresarial, deverá pensar sobre
quando é que vai implementar as actividades preconizadas no

54
plano e fazer um programa ou plano de acção para essas
actividades. A principal finalidade do plano de acção é guiar e
ajudá-lo a não se desviar da implementação da sua empresa. O
plano de acção vai ajudá-lo, em particular, a:
 Encontrar obstáculos e poder afastá-los antecipadamente;
 Localizar fontes de informação e recursos necessários;

Plano de implementação da empresa


Actividade Prazo
Pesquisa preliminar do produto/serviço
Pesquisa de mercado e finalização do plano empresarial
Escolha da localização da empresa e outras formalidades
Pedido de empréstimo/crédito comercial
Construção/arrendamento da fábrica e outros edifícios
Contrato de luz, água, telefone
Encomenda de equipamentos
Instalação de equipamentos
Escolha do pessoal
Teste de produção
Produção comercial
Formação necessária
Publicidade
Inauguração da fábrica
Etc.

9) Dificuldades que podem impedir a execução das actividades


enumeradas e como ultrapassá-las

Deste modo, o seu projecto deve fazer-se reflectir no seguinte:


 Dificuldades pessoais e externas e como ultrapassá-las;
 Possíveis fontes e natureza de ajudas ou apoios;

55
 Razões para se sentir confiante sobre a implementação da
empresa planeada:
 Outras Informações necessárias;

10) Apresentação do plano empresarial


Deverá estudar e estar totalmente familiarizado com o seu plano
empresarial. Deverá ainda conhecer as suposições que figuram
por de trás dos números e dos totais.

A sua exposição deve incidir naquilo que pretende do auditório e


evitar divagações. Deve conhecer as suas capacidades, os
desafios e saber como tenciona geri-los ao implementar o plano
empresarial. Deve sentir-se confiante de que vai gerir a sua
empresa com sucesso.

 Projectos escolares
Em função da natureza do objecto de actividade, os projectos
escolares podem ser: agrícolas, industriais, comerciais ou então de
prestação de serviços. Quando devidamente elaborados e
implementados, os benefícios dos projectos escolares incluem:
 Servir de viveiros de empresários do futuro;
 Oferecer bens e serviços para satisfação das necessidades das
comunidades locais;
 Estimular o espírito criativo e empreendedor dos alunos e das
comunidades.

56
 Como criar projectos e feiras escolares
Em associação com os colegas da turma, da classe ou da escola,
por iniciativa própria e com a supervisão dos professores e
aprovação da Direcção da escola, os alunos deverão associar
ideias e recursos, com o objectivo de materializar um projecto
escolar.

Assim, para implementar um projecto escolar observe as etapas


principais abaixo:

Etapas para criação de projecto escolar


1ª Escolha da ideia - Com seus colegas reúnem-se e escolhem a ideia de
projecto, avaliam as necessidades, fazem orçamento e
discutem com os professores e a Direcção da escola.
Devem decidir como vão usar ou partilhar os
benefícios do projecto. O projecto deve necessitar
recursos que podem ser adquiridos em associação
com os colegas.
2ª Liderança Com seus colegas, escolhem o órgão directivo do
projecto, encabeçado por um presidente que é eleito
por uma assembleia-geral constituída por todos alunos
envolvidos. Deve haver um conselho fiscal.
3ª Contribuições para Grande parte das contribuições para o projecto deve
o projecto resultar de poupanças tanto em dinheiro como em
outro tipo de recursos necessários. O dinheiro do
projecto é gerido pelos associados e deve ser
depositado num banco ou noutro local seguro.
4ª Regime de O envolvimento no projecto escolar deve ser em
trabalho momentos fora das horas normais de aulas. Podem
trabalhar no projecto num sistema de escala se for
preciso.
5ª Implementação e O arranque do projecto deve acontecer assim que
operação do projecto forem reunidas as condições. Se possível deve ser
dentro do primeiro trimestre. Todos alunos e a direcção

57
devem assistir a inauguração do projecto escolar. O
projecto termina em Outubro ou no período que
antecede a preparação para os exames. No dia de
encerramento deve acontecer uma assembleia-geral
dos alunos e serem apresentados e discutidos os
resultados finais do projecto escolar.

Alguns exemplos de projectos escolares implementados por alunos


de algumas escolas:
 Lavagem de carros e venda de refrigerantes na praia durante
fins-de-semana;
 Viveiro de plantas de ornamentação;
 Criação de galinhas e produção de ovos;
 Cultivo de hortícolas (couve, repolho, alface, cenoura, cebola,
etc.)
 Alfaiataria de uniforme e fato-macaco estudantis;
 Fabrico de materiais de construção tais como blocos, grelhas,
tanques de lavar, vasos para flores, etc.
 Organização da feira escolar onde alunos de forma individual ou
em grupos participam com seus produtos e serviços numa
exposição venda.

 Resumo
A preparação do plano de negócio é um exercício fundamental para
implementação da ideia de negócio.

Critérios de análise de viabilidade financeira que podem assessorar a


opção por um ou outro projecto:
 Valor Actual Líquido;
 Taxa Interna de Rentabilidade;
 Período de Recuperação de Investimento;

58
 Taxa de Retorno também designado por Índice de Rendibilidade.

Na sua escola, em associação com colegas podem praticar iniciação


empresarial de diversa natureza. Quando assim procederem, cultivam
o espírito empreendedor e, ganham arte de fazer gestão empresarial,
mobilizando e investindo recursos para reduzir a dependência de
terceiros
O desenvolvimento de projectos escolares exige criatividade e espírito
de trabalho em equipa.

 Actividades
1. Considere um projecto de investimento inicial de 100.000,00 MT. Os
custos de operação anual são de 50.000,00 MT. O Sr. Malaba, dono do
empreendimento, prevê gerar receitas no valor de 80.000,00 MT ao ano
e a taxa de juro de mercado para créditos é equivalente a 10%.
a) Pede-se para determinar VAL, TIR, PRI, PRI e IR.
b) Será o projecto viável? Justifique.

2. A partir da oportunidade de projecto identificada por si, prepare um


projecto para uma futura empresa.

3. Demonstre a viabilidade desse projecto determinando o VAL, TIR,


PRI e IR.

4. Elabore um plano empresarial para o projecto escolar onde esteja


envolvido.

5. Participe na organização e realização de uma feira escolar.

59
3a – Unidade temática

3. Introdução a gestão financeira

Conteúdos
Introdução à gestão financeira
 Significado e funções da gestão financeira
 Tipos de contas
 Tipos de Registos
 Livros de registos
 Principais documentos contabilísticos
 Rácios financeiros
 Orçamentação

Objectivos
 Explicar o que é gestão financeira;
 Descrever as funções da gestão financeira;
 Descrever os principais tipos de contas;
 Descrever os diferentes tipos de livros de registo;
 Efectuar (escrituração com partidas dobradas e simples)
registos de custos e vendas e movimentos de caixa e de
stock;
 Identificar os principais documentos contabilísticos;
 Determinar lucros de pequenas empresas;
 Identificar os principais rácios financeiros;
 Elaborar o orçamento de pequenas empresas.

60
3. Introdução à gestão financeira

 Introdução
Para iniciar e manter a actividade, uma empresa necessita de
adquirir equipamentos e constituir stocks que lhe possibilitem
lançar-se na sua actividade produtiva. Para ela adquirir estes
equipamentos e stocks iniciais terá que reunir meios financeiros
necessários para proceder a essa aquisição. É necessário gerir
adequadamente esses recursos financeiros de modo a
salvaguardar os objectivos da empresa.
Nesta unidade temática, abordaremos particularmente a gestão
financeira onde aprenderá o significado e importância da gestão
financeira nas organizações, tipos de contas, tipos de registos,
livros de registo, principais documentos contabilísticos, indicadores
de viabilidade e a orçamentação.

 Significado e funções da gestão financeira

 Significado da gestão financeira


A gestão financeira é uma das tradicionais áreas funcionais da
gestão, encontrada em qualquer organização e, à qual cabem as
análises, decisões e actuações relacionados com o uso de meios
financeiros necessários à actividade da organização. A gestão
financeira pode ser explicada como sendo:

Um processo constante de aquisição de recursos financeiros, capitais


próprios ou alheios, que permitem a empresa dispor dos activos que
julgue necessários para a sua actividade desejada presente e futura.

61
Por outras palavras, a gestão financeira engloba todas as
tarefas ligadas à obtenção, utilização e controlo de recursos
financeiros.

 Funções da gestão financeira

A gestão financeira deve regular essencialmente o acesso dos


recursos financeiros necessários à actividade da empresa
procurando sempre minimizar o custo que a empresa irá incorrer
pela utilização desses recursos. Nisto, deverá reter duas
categorias principais de funções da gestão financeira sendo a
primeira de curto prazo e a segunda de médio e longo prazo.

A - A curto prazo: A função da gestão financeira traduz-se na


gestão da tesouraria da empresa nomeadamente a regulação dos
pagamentos e recebimentos da empresa de forma que esta possa
fazer face, sem falhas as responsabilidades que assumiu.

B – A médio e longo prazo: A gestão financeira deve definir e


implementar estratégias de como a empresa será financiada tendo
em vista alcançar simultaneamente dois objectivos que são
estabilidade financeira e obtenção de máximo lucro.

Estabilidade e rentabilidade são os objectivos finais da gestão


financeira. Estabilidade no sentido de não afectar a produção
por falta de recursos. Rendibilidade no sentido de minimizar os
custos assumidos perante os terceiros.

62
 Tipos de contas

Antes importa explicar qual é o significado de conta. A conta a que


nos referimos não está relacionado com as expressões
matemáticas mas sim, uma conta é um registo de transacções de
natureza semelhante, geralmente expressa em termos financeiros.

 Enquadramento legal de contas


Em Moçambique, a contabilidade das empresas é regida pelo
Plano Geral de Contabilidade (PGC) aprovado pela resolução
13/84 de 14 de Dezembro. Este instrumento visa assegurar a
homogeneidade do sistema de informação e controlo económico
necessária a direcção planificada da economia nacional. Isto
significa que a sua empresa deve basear-se no PGC para todo o
trabalho de contabilidade. Neste documento, irá encontrar:
 Código de contas;
 Terminologia contabilística;
 Modalidades de funcionamento das contas;
 Critérios de valorimétricos;
 Métodos de determinação de resultados; e
 Modelos de balanço e determinação de resultados.

 Principais tipos de contas

Existem quatro tipos principais de contas:

 Conta do activo – é o registo de bens da empresa e os créditos


sobre terceiros. Nesta conta integra os valores patrimoniais em
dinheiro, ou que podem muito rapidamente ser nele
transformados.

63
Ao abrigo do PGC de Moçambique, as contas do activo tomam
as classes conforme o quadro que segue:

Contas do activo
Classe Descrição
1 Valores em caixa, depósitos à ordem, valores devidos (por
clientes, Estado, trabalhadores, sócios) e antecipações.
Valores de mercadorias, produtos acabados, produtos em curso,
2
matérias-primas, subsidiárias e materiais da empresa quer
estejam dentro ou fora.
3 Inclui valores de construções, equipamentos, grandes
reparações, encargos plurianuais (estudos, pesquisas,
constituição e expansão), imobilizações financeiras e em curso e
amortizações.

 Conta do passivo – é o registo das obrigações, isto é, das dívidas ou

responsabilidades assumidas pela empresa face a terceiros.

A luz do PGC, as contas do passivo pertencem a classe 4 que


compreendem as seguintes subcontas:

Contas do passivo
Classe Descrição
4  Créditos bancários para meios circulantes e investimentos;
 Créditos de fornecedores de mercadorias ou serviços;
 Crédito ao Estado, isto é, contas a pagar ao Estado (IRPC,
IRPS, IVA, ISPC, Sindicatos e outros);
 Crédito aos trabalhadores, em caso de não terem recebido
os seus salários;
 Crédito aos sócios, accionistas ou proprietários;
 Antecipações passivas (despesas a liquidar e receitas
antecipadas).

64
 Conta de capital próprio – É o registo do valor liquido do património
da empresa, ou seja, o resultado da diferença entre os direitos que
possui e as obrigações que se constitui.

A luz do PGC, as contas de capital próprio é da classe 5 e

compreendem as seguintes subcontas:


Contas de capital próprio
Classe Descrição
5  Fundos para meios imobilizados;
 Fundos para meios circulantes;
 Fundos para investimentos;
 Fundo social para trabalhadores;
 Capital, reservas e provisões; e
 Lucros e prejuízos acumulados

 Conta de custos e proveitos – É o registo dos encargos e os


rendimentos que a empresa vai gerando na sua actividade. A Conta
de custos ou despesas mostra as despesas da empresa
enquanto que a conta de proveitos ou receitas mostra as
receitas recebidas pela empresa devido às suas operações e a
sua proveniência.

Contas de custos e proveitos


Tipo de Classe
Descrição
conta
Custos 6  Custos de materiais vendidos ou consumidos;
 Remunerações aos trabalhadores (salários,
subsídios, indemnizações, pensões, etc.);
 Fornecimentos e serviços de terceiros (água,
electricidade, combustível, manutenções,
transporte, comunicação, etc.);
 Custos financeiros (juros, descontos, despesas em
serviços bancários);

65
 Imposto e taxas;
 Amortizações, rendas, seguros, royalties, etc.

7  Vendas de materiais e serviços;


Proveitos
 Meios circulantes materiais produzidos;
 Investimentos realizados pela empresa;
 Receitas financeiras;
 Subsídios estatais aos preços, etc.

A empresa deve manter todas as contas acima se


tiver transacções que as afectam.

A classe 8 integra as contas de resultados de exercícios e a 9 está


reservada para a Contabilidade Analítica.

 Tipos de registos/escrituração

As contas a que referimo-nos na secção anterior são registadas


recorrendo a métodos contabilísticos de escrituração.

Deve notar que a escrituração ou escrita é parte de um processo


de contabilidade que trata de registar com exactidão as
transacções comerciais numa empresa.

 Importância dos registos contabilísticos de empresa

As empresas, no seu dia-a-dia, produzem muita informação, dentre


elas a informação financeira. Esta informação deve ser registada,
conservada e usada nas tomadas de decisão.

66
Os registos contabilísticos ou simplesmente contabilidade, ajudam
a comunicar a informação da empresa que permite às partes
interessadas tomar decisões e medidas necessárias. Entre as
partes interessadas nas operações e na contabilidade da empresa
estão os empreendedores, os empregados, os investidores, os
credores, o governo, etc.

Um empreendedor e a sua equipa de gestão precisam da


informação contabilística para gerirem adequadamente a empresa
tomando decisões que se impõem em vários aspectos tais como:
 Se devem recorrer a um empréstimo bancário ou não;
 Se devem expandir o projecto ou introduzir um novo
produto;
 Se devem subir ou baixar o preço de venda de um produto e
aumentar a sua rentabilidade.

Os registos contabilísticos da empresa são necessários para o


cálculo de lucros e perdas das operações comerciais bem como o
cálculo dos impostos a pagar.

Os credores, tanto actuais como futuros, também podem estar


interessados em conhecer a capacidade da empresa de cumprir os
seus compromissos financeiros, como a capacidade de pagar em
tempo útil, etc.

O governo tem que seguir de perto o desempenho da empresa


através da informação fornecida para permitir calcular os impostos
a pagar pela empresa, formular várias políticas económicas, etc.

67
 Tipos de registos
Há dois tipos de registos, ou seja, sistema de escrituração
geralmente usados nas empresas, nomeadamente:
 Sistema de partida dobrada
 Sistema de partida simples

. Escrituração por partida dobrada - O sistema de escrituração por


partida dobrada reconhece o facto de que cada transacção
comercial tem dois efeitos; um de dar valor e outro de receber
valor. Isto significa que sempre que haja uma transacção
comercial, há pelo menos uma conta ou parte que dá e outra conta
ou parte que recebe o valor.

O sistema de escrituração por partida dobrada baseia-se no


princípio do registo do efeito duplo de cada transacção:
 Debitar - o que recebe ou o que dá o valor, dependendo da
natureza da transacção
 Creditar - o que dá ou o que recebe valor, dependendo da
natureza da transacção
Isto significa que cada débito lançado tem um crédito
correspondente para manter o efeito duplo.

Ao realizar a escrituração por partida dobrada, poderá apresentar


as contas num formato em “T” ou em colunas.

a) Escrituração com formato em “T”


No formato em T, as contas tanto de débito como de crédito são
apresentadas em lados opostos da mesma página, conforme
segue:

68
Título da conta

Débito (Db) Crédito (Cr)

Data Descrição Ref. Montante Data Descrição Ref. Montante

Note que, geralmente “Db” é a abreviatura para o débito e “Cr”


para o crédito.
A coluna da data regista a data em que a transacção foi feita, a
coluna da descrição dá os pormenores dos respectivos itens
afectados pela transacção que está a ser lançada, enquanto que a
coluna da referências regista o número da página do livro em que
se encontra a conta.
A coluna do montante regista o montante recebido no lado do
débito e o montante pago no lado do crédito.

Veja um exemplo de como efectuar a escrituração por partida


dobrada com base nas transacções que seguem:

 A 1 de Março de 2009, Nakosso comparticipou com 20.000,00


MT no capital de sua empresa.
 No dia 03 de Março de 2009, Nakosso comprou a pronto
pagamento uma máquina de soldar por 10.000,00 MT.
 A 05 de Março de 2009, Nakosso comprou stocks de matérias-
primas por 6.000,00 MT, a pronto pagamento.
 A 15 de Março pagou a renda das instalações da sua empresa
no montante de 4.000,00 MT em dinheiro.
Pretende:

69
- O registo das operações usando o sistema de escrituração
por partida dobrada.

Usando este exemplo, veja a baixo a escrituração por partida


dobrada, formato em T, de acordo com as seguintes contas:

Conta de capital Valores em MT

Débito (Db) Crédito (Cr)

Data Descrição Ref. Montante Data Descrição Ref. Montante

1.3.2009 Dinheiro 20.000

Conta de caixa Valores em MT

Débito (Db) Crédito (Cr)

Data Descrição Ref. Montante Data Descrição Ref. Montante

1.3.2009 Capital 20.000

Pode notar que nas duas contas acima, a conta de capital creditou
20.000,00 MT enquanto a de caixa debitou 20.000,00 MT.

Com base neste exemplo, se quisermos ilustrar todos registos das


transacções que envolvem a conta de caixa, isto é, a entrada e
saída de dinheiro na caixa, obtemos a seguinte escrituração:

Conta de caixa Valores em MT

Débito (Db) Crédito (Cr)

Data Descrição Ref. Montante Data Descrição Ref. Montante

1.3.09 Capital 20.000 3.3.09 Maquina de 10.000


soldar

70
5.3.09 Stocks 6.000

15.3.09 Renda 4.000

Saldo à transportar -

Total 20.000 Total 20.000

De igual modo, o dinheiro saído da conta de caixa, sob a acção do


efeito duplo do sistema de partida dobrada, resulta em contas para
máquina de soldar, stocks e renda, conforme segue a baixo:

Conta de máquina de soldar Valores em MT

Débito (Db) Crédito (Cr)

Data Descrição Ref. Montante Data Descrição Ref. Montante

3.3.2009 Dinheiro 10.000

Conta de stocks Valores em MT

Débito (Db) Crédito (Cr)

Data Descrição Ref. Montante Data Descrição Ref. Montante

5.3.2009 Dinheiro 6.000

Conta de renda Valores em MT

Débito (Db) Crédito (Cr)

Data Descrição Ref. Montante Data Descrição Ref. Montante

15.3.2009 Dinheiro 4.000

No fim do período contabilístico, que pode ser uma semana, um


mês, um trimestre ou um ano, se uma conta tiver vários
71
lançamentos, os totais em ambos os lados (débito e crédito) devem
ser somados e deve-se determinar o saldo.

Para se determinar o saldo soma-se cada lado separadamente e, a


diferença entre o total do débito e o total do crédito é designada
por saldo a transportar.

Contudo, se o montante no lado do débito for superior ao montante


no lado do crédito, isso significa que a empresa está a receber
mais do que gasta e, se o montante no lado do crédito for superior
ao do débito, isto significa que está a sair mais dinheiro do que
entra. Segundo esta explicação o saldo da conta da empresa
Nakosso seria feito como se mostra a seguir:

Conta de caixa Valores em MT

Débito (Db) Crédito (Cr)


Data Descrição Ref. Montante Data Descrição Ref. Montante
1.3.09 Capital 20.000 3.3.09 Maquina de 10.000
soldar
5.3.09 Stocks 6.000
15.3.09 Renda 4.000

TOTAL 20.000 TOTAL 20.000

b) Escrituração por colunas


As contas em colunas são ilustradas conforme segue:

Título da conta
Data Descrição Ref. Débito Crédito Saldo

72
Segundo as transacções da empresa Nakosso, as contas ficariam
como se mostra a seguir:

Valores em MT

Conta de caixa
Data Descrição Ref. Débito Crédito Saldo
1.3.09 Capital 20.000 20.000
3.3.09 Máquina de soldar 10.000 10.000
5.3.09 Stocks 6.000 4.000
15.3.09 Renda 4.000 -

Valores em MT

Conta de capital
Data Descrição Ref. Débito Crédito Saldo
1.3.09 Dinheiro 20.000 20.000

Valores em MT

Conta de máquina de soldar


Data Descrição Ref. Débito Crédito Saldo
3.3.09 Dinheiro 10.000 10.000

Valores em MT

Conta de stocks
Data Descrição Ref. Débito Crédito Saldo
5.3.09 Dinheiro 6.000 6.000

Valores em MT

Conta de renda
Data Descrição Ref. Débito Crédito Saldo
15.3.09 Dinheiro 4.000 4.000

73
O formato das contas em colunas é muito apropriado para a
contabilidade feita no computador. A vantagem que tem em
relação ao formato em “T”, é que em cada lançamento o saldo é
actualizado. Contudo, as mesmas regras de partida dobrada
aplicam-se a ambos os formatos.

c) Documentos de suporte

Devem existir comprovativos para que o registo de qualquer


transacção numa empresa se efectue. Portanto, os documentos de
suporte fornecem provas das transacções realizadas e estes
incluem, recibos, facturas, cheques, etc.

O seu propósito é indicado a seguir:

 Talões de depósito bancário: São emitidos pelos bancos


para confirmar a recepção de dinheiro do depositante.
 Extracto de conta: Mostra os detalhes dos depósitos e dos
levantamentos feitos a partir da conta bancária.
 Recibos: Prova que o dinheiro foi recebido, de quem e
quanto.
 Recibos das vendas: Registo das vendas diárias
 Factura: Mostra quanto é devido por quem ou a quem
 Guias de remessa: Prova que as mercadorias e serviços
foram entregues e recebidos pelos clientes
 Ordens de compra local: Provam que foi tomado o
compromisso de comprar ao fornecedor
 Comprovativo de pagamento: Mostra a quem foi feito o
pagamento, datas, propósito, montante e quem autorizou.

74
 Pastas do pessoal: Dão informação detalhada sobre o
pessoal, quem são, o que fazem e quanto devem ganhar.

Como pode ver, um documento de suporte confirma que a


transacção se realizou na empresa. A existência destes
documentos é essencial para a escrituração e para um bom
controlo interno. Obrigam o empreendedor e o seu pessoal a ter
disciplina pois permitem corrigir e manter com exactidão os livros e
registos da empresa. Permitem ao empreendedor ou ao seu
representante que tenham controlo total pois têm que
aprovar/autorizar algumas transacções sensíveis como vendas a
crédito, compras, pagamentos, dotações e depósitos ou
levantamentos de contas bancárias. O empreendedor ou o seu
representante devem investigar rapidamente qualquer transacção
cujo documento de suporte esteja a faltar.

. Escrituração por partida Simples - Este é o sistema mais antigo


de contabilidade. A escrituração por partida simples não segue os
princípios da partida dobrada no registo das transacções da
empresa. É um sistema de escrita em que o registo das
transacções (lançamentos) é feito só quando há entrada ou saída
de fundos em dinheiro ou em cheque.

O princípio é que apenas o dinheiro/cheque recebido ou o


dinheiro/cheque pago pela empresa é registado. O sistema de
partida simples é ideal para pequenas empresas, em especial
empresas retalhistas em que a maioria das transacções são feitas
a dinheiro e em pequenas quantidades. O sistema de escrituração
por partida dobrada não é apropriado para grandes empresas que
têm transacções que não são em dinheiro. Comparado com o
75
sistema de partida dobrada, o de partida simples tem as seguintes
limitações:

 Pode não ser possível comparar as operações dos anos


anteriores devido à forma não sistemática de escrita;
 Não se pode fazer um balancete para verificar a exactidão
aritmética dos lançamentos nas várias contas (livros);
 Dificilmente determina-se os lucros e perdas pois não há
informação disponível sobre todas as transacções da
empresa;
 A posição financeira da empresa (mapa do balanço) não é
determinada facilmente pois a informação sobre o activo e o
passivo pode não estar completa.

Usando um exemplo da empresa Nakosso, se esta usasse um


sistema de partida simples teria lançado as transacções do modo
seguinte:
Valores em MT

Data Descrição Ref. Recibos Pagamentos Saldo


1.3.09 Dinheiro de capital 20.000 20.000
3.3.09 Máquinas compradas 10.000 10.000
5.3.09 Matérias-primas 6.000 4.000
compradas
15.3.09 Rendas pagas 4.000 -

 Livros de registos

É importante que saiba que as empresas usam diferentes tipos de


livros para registar e armazenar informações referentes às suas

76
transacções comerciais e financeiras. Os livros mais comuns numa
empresa são os seguintes:
 Livro-caixa;
 Livro razão;
 Diário de compras;
 Diário de vendas;
 Livro de reembolsos externos;
 Livro de reembolsos internos.

. Livro-caixa - é um livro no qual são registadas todas as


transacções de entrada e saída de dinheiro. Uma vez que a
maioria das empresas não guarda muito dinheiro nas suas
instalações para satisfazer os seus compromissos, é normal pagar
por via de cheque e tratarem estas transacções como se tivessem
sido feitas em dinheiro. Isto significa que na maioria dos casos o
livro-caixa contém contas de caixa e bancos relativas a cheques
recebidos ou pagos por uma empresa ou clientes.

Na prática, o livro-caixa tem o formato da conta caixa e observa os


princípios de lançamento que vimos na secção anterior.

Para perceber melhor como são lançadas as transacções em


dinheiro na conta de caixa e na conta do banco, acompanhe com
atenção o exemplo da empresa Nakosso que realizou as seguintes
transacções:

 1 Janeiro 2009, o dinheiro disponível na caixa era de


1.000,00 MT e no banco era de 10.000,00 MT;

77
 5 Janeiro 2009, Cheque recebido de António no valor de
1.500,00 MT;
 7 Janeiro 2009, compras à dinheiro do valor de 1.500,00
MT;
 10 Janeiro 2009, vendas à dinheiro no valor de 2.000,00
MT;
 11 Janeiro 2009, pagamento por cheque ao Issufo no valor
de 1.000,00 MT;
 15 Janeiro 2009, compra a dinheiro de material de escritório
no valor de 200,00 MT;
 15 Janeiro 2009, pagamento de renda por um cheque no
valor de 1.000,00 MT;
 20 Janeiro 2009, recebimento por cheque de Momade no
valor de 300 MT;
 30 Janeiro 2009, pagou a Calus com cheque no valor de
500 MT

Veja agora, como se faz o lançamento das transacções acima nas


contas de caixa bancos:

Conta de caixa Valores em MT

Débito (Db) Crédito (Cr)


Data Descrição Ref Montante Data Descrição Ref. Montante
.
1.1.09 Transporte 1.000 7.1.09 Compras 1.500
10.1.09 Vendas 2.000 15.1.09 M.escritório 200

31.1.09 Sub. total 1.700


Total 3.000

Transporte
1.300
1.2.09 Saldo a
1.300 3.000
transportar Total
78
Conta bancos Valores em MT

Débito (Db) Crédito (Cr)


Data Descrição Ref Montante Data Descrição Ref. Montante
.
1.1.09 Transporte 10.000 11.1.09 Issufo 1.000
5.1.09 António 1.500 15.1.09 Renda 1.000
20.1.09 Momade 300 30.1.09 Calus 500

Sub. total 2.500


Total 11.800
31.1.09 Transporte
9.300
Saldo a
9.300
transportar Total 11.800

Ao invés de manter duas contas de caixa e bancos separadas,


poderá optar por lançar numa única conta chamada livro-caixa de
duas colunas. Veja a seguir.

Livro-caixa de duas colunas

Db Cr

Data Descrição Ref. Caixa Bancos Data Descrição Ref. Caixa Bancos

1.1.09 Transporte 1.000 10.000 7.1.09 Compras 1.500

5.1.09 António 1.500 11.1.09 Issufo 1.000

10.1.09 Vendas 2.000 15.1.09 Renda 1.000

20.1.09 Momade 300 15.1.09 M.Escritorio 200

Total 3.000 11.800 30.1.09 Calus 500

Transporte 1.300 9.300 Sub total 1.700 2.500

A transportar 1.300 9.300

79
Total 3.000 11.800

A partir do exemplo acima, notará que:

 O livro-caixa de duas colunas tem colunas para data,


descrição, referência, caixa e bancos tanto no lado do débito
como do crédito.
 A coluna de caixa representa a conta de caixa e a coluna de
bancos representa a conta de bancos.
 Na coluna de referências faz-se o registo do número da
página do livro que contém a.
 No lado do débito regista-se todos recebimentos e o no
crédito regista-se todos os pagamentos.

Por outro lado, o livro-caixa de duas colunas tem as seguintes


vantagens:
 Reduz o número de lançamentos no livro-razão;
 Facilidades do uso do mesmo.

. Livro Razão - É um livro em que são registadas todas as contas


da empresa. Normalmente, o livro razão segue as regras do
sistema de partida dobrada.

Portanto, as contas mantidas no livro razão abrangem as seguintes


categorias:

 Contas do activo;
 Contas do passivo;
 Capital;
 Contas das receitas;
 Contas das despesas.
80
. Diário de compras - O diário de compras regista por ordem

cronológica os nomes dos fornecedores e o valor dos produtos que

foram comprados a crédito. Também dá pormenores dos

descontos comerciais feitos aos fornecedores. Os dados dos

lançamentos no diário de compras são obtidos nas facturas de

compras, que são enviadas pelo fornecedor após entrega de

mercadorias.

Formato do diário de compras

Data No Factura Descrição Folha Detalhes da Montante Último dia da


(Ref.) factura factura

. Diário de Vendas - O diário de vendas regista por ordem


cronológica os nomes dos clientes (devedores) e o valor das
mercadorias que foram vendidas a crédito. Também fornece
pormenores sobre os descontos comerciais. A informação
requerida no diário de vendas é obtida nas facturas enviadas aos
clientes pelo vendedor (fornecedor). O diário de vendas é
semelhante ao diário de compras, consistindo a diferença no facto
do primeiro ser para o que é devido à empresa e o segundo para o
que a empresa deve.

Formato de diário de vendas

Data No Factura Descrição Folha Detalhes da Montante Último dia da


(Ref.) factura factura

81
. Livro de reembolsos internos - Às vezes as mercadorias vendidas
a crédito podem ser devolvidas porque têm uma incorrecção
quanto às características, ao tamanho, ao tipo de qualidade ou
estão simplesmente danificadas. A empresa normalmente
concorda com a devolução destas mercadorias para manter a sua
boa reputação de modo que os clientes continuem a negociar com
ela.

Na devolução das mercadorias, escreve-se uma nota de crédito


para informar o cliente de que a sua conta nos livros da empresa
será ajustada para reduzir o montante devido.

Formato de livro de reembolsos internos

Data Descrição Nota de crédito No Folha (Ref.) Montante

Formato de Nota de crédito

Data Nome Descrição Folha (Ref.) Montante

. Livro de Reembolsos Externos - Este livro, tal como o Livro de


Reembolsos de Compras, regista por ordem cronológica os nomes
dos fornecedores e o valor das mercadorias que lhes foram
devolvidas. Mostra os lançamentos justificados por notas de crédito

82
recebidas do fornecedor. O montante do reembolso das compras
diminui o valor das mercadorias compradas.

A luz do PGC, os livros de diário e razão são de escrituração


obrigatória. Outros documentos obrigatórios são o inventário e
 Principais documentos contabilísticos
balanço.

 Principais documentos contabilísticos

Os principais documentos contabilísticos apresentam de forma sintética


os resultados do processo de tratamento da informação, isto é, da
contabilidade. Os principais documentos contabilísticos são:

 Balanço;

 Demonstração de Resultados; e

 Demonstração de Origem e Aplicação de Fundos.

. Balanço - É um relatório que mostra a posição financeira da empresa


num determinado período. Mostra o activo, passivo e capital próprio que
é determinado pela seguinte fórmula:

Capital próprio = Activo - Passivo

O balanço é um documento importante para a análise financeira e é


elaborado com base no balancete do razão. O balanço permite também a
obtenção de rácios financeiros.

De forma simplificada, o modelo de balanço incluído no PGC é o


seguinte:

83
Modelo de balanço

Código Descrição Valores totais


da conta
Activo
1 Meios circulantes financeiros
2 Meios circulantes materiais
3 Meios imobilizados

Passivo
4 Credores

5 Contas de fundos próprios

Agora veja, como elaborar um balanço, determinando a situação


líquida com base nos seguintes elementos patrimoniais da
empresa Nakosso, a 31 de Dezembro de 2008:

Valores em MT
 Dinheiro em caixa 50.000
 Bancos 70.000
 Fornecedores 23.500
 Mercadorias 12.300
 Equipamentos 50.000
 Créditos bancários para investimentos 35.000

Do total dos Capitais Próprios (Fundos Próprios) 20% corresponde


a Reservas, 30% provisões e o remanescente a lucros e prejuízos
acumulados.

84
Balanço da empresa Nakosso a 31.12.2008

Código Descrição Valores em MT


da conta
Activo
1 Meios circulantes financeiros
11 Caixa 50.000
12 Bancos 70.000

2 Meios circulantes materiais


21 Mercadorias 12.300

3 Meios imobilizados
32 Equipamentos 50.000

Passivo
4 Credores
42 Créditos bancários para investimentos 35.000

5 Contas de fundos próprios


(total do activo - total do passivo = 147.300)
57 Reservas (20%) 29.460
58 Provisões (30%) 44.190
50 Lucros acumulados 73.650

. Demonstração de Resultados - É o documento contabilístico que


nos dá indicação de como foram obtidos os resultados da empresa
numa determinada data.
Enquanto que o balanço constitui uma “fotografia” do património da
empresa, o Mapa de Demonstração de Resultados constitui uma
“exposição” da formação dos resultados por meio dos custos e
proveitos.
85
De forma simplificada, o modelo de demonstração de resultados
incluído no PGC em Moçambique é o seguinte:

Modelo de demonstração de resultados

Código Descrição Valores totais


da conta
6 Custos
61 Custos de meios circulantes consumidos ou
vendidos
62 Remunerações dos trabalhadores
63 Fornecimentos de terceiros
64 Serviços de terceiros
65 Encargos financeiros
66 Impostos e taxas
67 Amortizações do exercício
68 Outros custos
86 Perdas extraordinárias
87 Perdas imputáveis a exercícios anteriores

7 Proveitos
71 Vendas
72 Prestações de serviços
73 Meios circulantes materiais produzidos
74 Investimento realizados pela própria empresa
75 Receitas financeiras
76 Subsídios estatais aos preços
78 Outros proveitos
86 Ganhos extraordinários do exercício
87 Ganhos imputáveis a exercícios anteriores

86
. Demonstração de Origem e Aplicação de Fundos - Este mapa dá-
nos uma informação financeira com maior dinamismo que o
Balanço, na medida em que os valores que o englobam
correspondem a um período ou intervalo de tempo e não apenas a
uma data precisa.

As Origens de Fundos definem-se, genericamente, pelas reduções


do Activo e aumentos do Passivo e Capital Próprio e a Aplicação
de Fundos define-se pelos aumentos do Activo e redução do
passivo e Capital Próprio.

Modelo de mapa de Demonstração das


Origens e Aplicações de Fundos
ORIGENS
Valores APLICAÇÕES Valores

Internas Internas

 Auto financiamento Prejuízos


(resultados líquidos,
amortizações e variação
Externas
de provisões)
 Redução de capital
Externas
 Reembolsos de dívidas à
 Aumento de capital
médio e longo prazos
 Contracção de dívidas à
 Investimentos
médio e longo prazos
 Aquisição de investimentos
 Desinvestimentos
financeiros
 Cessão de investimentos
 Aumento das necessidades
financeiros
em fundos financeiros
 Redução das
necessidades em fundos
circulantes

87
 Rácios financeiros
Pode-se avaliar um conjunto de indicadores na análise da situação
económico-financeira de sua empresa, recorrendo desde modo
aos rácios.
O que é rácio financeiro? Um rácio não é mais do que o quociente
entre duas grandezas que podem ser extraídas directamente da
informação contabilística de empresa.

Os rácios são usados:


 Para apurar mudanças ocorridas na empresa ao longos de
anos;
 Para comparar com os de outras empresas;
 Para servir de base para políticas futuras da empresa.
 Na avaliação de acções da empresa junto de terceiros.

Muitos autores consideram quatro os principais grupos de rácios


financeiros, que são:

1º Rácios de estrutura: Medem a capacidade da empresa para


solver os seus compromissos a médio e longo prazos. Comparam
os fundos de capitais próprios com fundos de capitais alheios.

O Rácio de Solvabilidade é calculado Segundo a fórmula:

Solvabilidade = Activo total Liquido/Passivo Total.

88
Este rácio deve ser superior a 1 (um), caso não, a empresa
encontra-se em falência técnica.

2º Rácios de liquidez ou tesouraria: Medem a capacidade da


empresa para fazer face às suas obrigações a curto prazo.
Permitem, pois verificar se a empresa tem ou não capacidade para
pagar as suas dívidas na data do seu vencimento.

a) Liquidez Geral

Activo Circulante
Liquidez Geral 
Passivo a Curto Pr azo

Se o valor apurado for do que 1 (um), a empresa pode utilizar


activos líquidos para liquidar dívidas a menos de 1 ano.

Costuma dizer-se que quanto maior for o indicador, melhor. Porém,


isto pode significar o seguinte:
 Bastantes stocks inúteis no armazém;
 Um valor bastante elevado de dívidas por parte dos clientes;
 Grandes disponibilidades em caixa ou em bancos.

Para empresas bem geridas, valores entre 1.2 e 1.4 são ideais.

b) Liquidez Reduzida

ActivoCirculante  Existencias
Liquidez Re duzida 
Passivo a Curto Pr azo

89
Este indicador diz-nos qual o peso dos stocks na estrutura da
empresa. Se houver uma diferença exagerada entre o valor da
Liquidez Geral e de Liquidez Reduzida, devemos acautelar-nos,
pois tal facto poderá significar que a empresa está a produzir para
o armazém e não para o mercado, estando a criar stocks “mortos”,
que pesam bastante em termos de custos para a empresa.

c) Rácio de liquidez imediata

Disponibil idades
Liquidez imediata 
Passivo de funcionamento

Este rácio permite ter uma ideia da capacidade de sua empresa


pagar de imediato parte do seu passivo de funcionamento. Um
valor próximo de 1, é bastante satisfatório.

3º Rácios de rendibilidade: Medem a aptidão da empresa em obter


lucros. Relacionam os lucros ou prejuízos com os capitais
investidos.

Rendibilidade é a taxa de remuneração dos fundos investidos pela


empresa. A fórmula para o seu cálculo é a seguinte:

Lucros
Re ndibilidad e  100 o o
Capitais

A análise de rendibilidade pode ser em termos de:

90
 Rendibilidade de capitais próprios (rendibilidade financeira);
 Rendibilidade de activo total (rendibilidade económica);
 Rendibilidade de vendas.

4º Rácios de actividade: Medem a forma como a empresa está a


utilizar os recursos de que dispõe.

 Orçamentação
Certamente que já ouviu falar de orçamento. Para construir-se
uma escola, os construtores fazem um orçamento. As nossas
famílias preparam sempre um orçamento. O nosso governo
prepara e executa anualmente um orçamento. Mas então, qual é o
significado de orçamentação?

Orçamentação – é a expressão quantitativa e monetária de um plano de


actividades.

Um orçamento diz respeito a um determinado período de tempo e


contém indicação das fontes e usos de recursos financeiros.

Dado que muitas empresas trabalham organizadas em sectores de


actividades e as necessidades são categorizadas em vendas,
marketing, compras, produção, recursos humanos, investimentos e
outros. Está análise por sector é um benefício para o próprio
processo de orçamentação, dado que obriga os responsáveis de
cada sector a reflectirem sobre as suas necessidades e de forma
articulada.

91
Processo de orçamentação

Orçamento de vendas Orçamento de


Tesouraria
Orçamento de compras

Orçamento de pessoal ------------------------------


------------------------------
Orçamento de marketing ------------------------------
------------------------------
Orçamento de investimento

Orçamento de serviços de
terceiros.
-------------------------------------
-------------------------------------

Como pode ver, no diagrama acima, assim que terminar a


preparação das várias categorias de orçamento, os valores
apurados, devem em seguida serem transferidos para o orçamento
de tesouraria.

Desde modo, o orçamento de tesouraria visualiza dois fluxos de


caixa (dinheiro) que ocorrem na empresa num determinado
período de tempo, a saber:

 Recebimentos – São entradas de meios financeiros que pode


ser em forma de dinheiro, cheque, transferência bancária, etc.
Grande parte destes recebimentos provém das vendas
efectuadas pela empresa.

 Pagamentos – São saídas de dinheiro que também podem ser


em dinheiro, cheque, transferências, etc.

92
Em suma, podemos afirmar que o orçamento de tesouraria
corresponde ao registo de todos recebimentos e pagamentos que
ocorrerão num determinado período de tempo (dia, semana, mês,
trimestre, semestre, ano).

Modelo de orçamento de Tesouraria para um trimestre


Jan. Fev. Março Total
1. Recebimentos de Exploração
2.1. Vendas e prestação de serviços
2.2. I.V.A. a Receber
2.3. Outros
Total
3. Pagamentos de exploração
3.1. Pessoal
3.1.1. Salário líquido
3.1.2. Taxa social única
3.1.3. Outros
3.2. Fornecedores
3.2.1. Fornecedores de mercadorias
3.2.2. Fornecedores de serv. externos
3.3. Impostos
3.3.1. I.R.P.S
3.3.2. I.V.A. a pagar
3.3.3. Imposto de selo
3.3.4. I.R.P.C
3.4. Outros
Total
Saldo de exploração
4. Recebimento de extra-exploração
4.1. Empréstimos bancários
4.2. Reembolsos de empréstimos
4.3. Reembolso de aplicações financeiras
4.4. Juros de aplicações financeiras
4.5. Outros
Total
5. Pagamento extra-exploração
5.1. Reembolso de empréstimos Bancários
93
5.2. Empréstimos
5.3. Despesas de investimentos
5.4. Despesas bancárias
5.5. Realização de partic. capital social
5.6. Aplicações financeiras
5.7. Outros
Total
Saldo extra-exploração
Saldo total

 Resumo
Gestão financeira refere-se ao processo constante de aquisição de
recursos financeiros, capitais próprios ou alheios, que permitem a
empresa dispor dos activos que julgue necessários para a sua
actividade desejada no presente e futuro. A curto prazo, a gestão
financeira consiste na gestão da tesouraria enquanto a médio e longo
prazos, ela deve garantir a estabilidade e rentabilidade da empresa.

Toda a informação financeira de uma empresa deve ser registada sob a


forma de contas. São quatro os principais tipos de contas, a saber: do
activo, do passivo, de capital próprio e de custos e proveitos.

As contas são geralmente escrituradas utilizando um sistema de partida


dobrada que pode estar nos formatos em “T” ou colunas. Este sistema é
apropriado para grandes empresas que têm transacções não só em
dinheiro mas também a crédito. O outro sistema é por partida simples
que é apropriado para pequenas empresas, tais como: retalhistas, cujas
transacções são geralmente em dinheiro.

As empresas utilizam vários livros que servem para registar e


armazenar informações das transacções. Os mais comuns são: de
caixa, razão, diário e de reembolsos.

O resumo de todo trabalho de contabilidade pode ser apresentado nos


94
principais documentos contabilísticos que são: Balanço, Demonstração
de Resultados e Demonstração de Origem e Aplicação de Fundos.

Rácios financeiros são indicadores que permitem avaliar a situação


económico-financeira de uma empresa. São quatro, os principais grupos
a saber: de estrutura, liquidez, rendibilidade e actividade.

Um orçamento de tesouraria de uma empresa é o registo dos


recebimentos e pagamentos que ocorrerão num dado período.

 Actividades
1. A Empresa Mondlane Lda. dedica-se a produção e venda de bolas de
futebol nos arredores da cidade de Maputo. Até 31 de Dezembro de
2008 tinha realizado as seguintes transacções. O Sr. Mondlane
disponibilizou para o arranque das actividades um montante no valor de
1.500,00 MT. No dia 25 de Marco do mesmo ano pagou 700,00 MT a
fornecedores de peles. Pagou salários no valor de 250,00 MT e 50,00
MT de energia eléctrica. O Material químico para o tratamento de peles
foi comprado no dia seguinte ao preço de 300,00 MT. Em Junho
recebeu uma encomenda de 100 bolas da Associação Desportiva de
Mucucuine. Esta associação pagou a pronto tendo cada bola custado
100,00 MT.

a) Usando o método de Partida Dobrada, apresentar a situação das


contas da empresa do Sr. Mondlane;
b) Apresente o Balanço, Demonstração de Resultados e Origem e
Aplicação de Fundos.

3. O PGC contém explicações exaustivas de como apresentar a conta


de resultados de exercício duma empresa, contas de classe 8, o que
permite saber se a empresa obteve lucros ou prejuízos. Faça uma
leitura desde documento e a partir disso ilustre um exemplo de uma

95
conta de resultados contendo detalhes das seguintes subcontas:
81 – Resultados de exploração do exercício;
84 – Resultados das actividades sociais;
86 – Resultados extraordinários do exercício;
87 – Resultados imputáveis a exercícios anteriores;
88 – Impostos sobre rendimentos.

4. A empresa Nakosso previu os seguintes movimentos de tesouraria


durante os meses de Janeiro, Fevereiro e Março de 2010.
 Vendas mensais: 10.000,00 MT, sem IVA;
 Recebimentos de vendas referentes ao ano anterior: Jan.:
15.000,00 MT; Fev. 13.000,00 MT; Mar: 10.000,00 MT.
 Salários mensais: 3.000,00 MT;
 Encargos com segurança social: 300,00 MT;
 IRPS: 500 MT (mensal);
 Imposto de selo: 100,00 MT (mensal);
 Amortização de empréstimos bancários: 2.500,00 MT (em Fev.);
 Encargos financeiros: Capital: 5.000,00 MT; Taxa de juro anual:
5%; pagamentos de juros mensalmente;
Apresente o orçamento de tesouraria.

96
4a – Unidade temática

4. Gestão de recursos humanos

Conteúdos

Gestão de recursos humanos

 Importância de gestão de recursos humanos


 Legislação laboral
 Políticas de gestão de recursos humanos
 Motivação de recursos humanos
 Avaliação de desempenho
 Gestão de risco de HIV/SIDA
 Relações públicas

Objectivos

 Identificar a importância de recursos humanos para o sucesso


da empresa;
 Identificar os principais regulamentos em vigor da legislação
laboral;
 Descrever os direitos e as obrigações básicas da empresa para
com os empregados e vice-versa;
 Identificar os principais factores que determinam a motivação
de recursos humanos no local de trabalho;
 Descrever os principais elementos para avaliação de
desempenho;
 Identificar as diferentes formas para minimizar o impacto
negativo do HIV-SIDA no local de trabalho;
 Identificar as boas formas para desenvolver relações
interpessoais ao nível interno e externo da empresa

97
4. Gestão de recursos humanos

 Introdução

Para explorar com sucesso a sua empresa, é preciso ter as


pessoas certas, nos lugares certos e na altura certa. Estas
pessoas devem fazer o seu trabalho correctamente de modo a
contribuírem positivamente para se alcançar os objectivos gerais
da empresa. Quando uma empresa tem mais do que uma pessoa,
a gestão das pessoas torna-se um importante factor de sucesso
nas suas operações. Isto acontece porque o sucesso de empresa
nos tempos que correm está, antes de mais, nas mãos das
pessoas que nela trabalham. As pessoas erradas ou insatisfeitas
ou desmotivadas podem levar ao colapso duma empresa. Pior
ainda, mesmo as melhores pessoas mal geridas podem custar
milhões à empresa em oportunidades perdidas e na sua eventual
falência.

Nesta unidade temática, abordaremos de como podem ser geridos


os recursos humanos da sua empresa, onde discutiremos sobre a
importância, o quadro legal, políticas, motivação e avaliação de
desempenho. No final da unidade, falaremos de gestão de risco de
HIV-SIDA e relações públicas.

 Importância da gestão de recursos humanos


A gestão dos recursos humanos é essencial para o bem-estar e a
sobrevivência a longo prazo da empresa. A gestão dos recursos
humanos também contempla considerações sobre as implicações
humanas e sociais de mudança na organização interna, aos
métodos de trabalho e a ponderação sobre as mudanças

98
económicas e sociais na comunidade e seus efeitos nas pessoas
que constituem as empresas. Gerir recursos humanos inclui:
 Reunir pessoas com qualificações adequadas para
assegurar a produtividade;
 Reduzir danos nos equipamentos usando o pessoal
tecnicamente competente;
 Garantir que as pessoas actuem com eficiência e eficácia
para o alcance de metas;
 Reduzir custos associados a recursos e tempo.

A finalidade da gestão de recursos humanos (RH) é reunir e


organizar de forma eficaz os homens e mulheres que constituem a
empresa. Também implica ter em conta o bem-estar de indivíduos
e grupos de trabalhadores para lhes permitir que contribuem da
melhor forma para o seu sucesso.

 Legislação Laboral
Antes de entrarmos nos aspectos específicos da arte de gerir
recursos humanos, vamos tomar nota da questão da legislação
laboral. O que é legislação laboral? A legislação laboral
compreende o conjunto de normas que regula as relações laborais
das empresas querem elas sejam pequenas ou grandes. Nela se
embelece o conjunto de deveres e direitos dos trabalhadores da
Empresa.

Em Moçambique, as relações de trabalho nas empresas tem de


respeitar a constituição, a lei do trabalho e as demais leis e
regulamentos específicas que visam harmonizar o relacionamento
entre empregadores e empregados incluindo aspectos sobre
higiene e segurança no trabalho, HIV-SIDA e convenções
99
internacionais sobre o trabalho ratificadas por Moçambique como a
que proíbe o trabalho infantil.

A Lei de trabalho (23/2007) de 1 de Agosto define os princípios


gerais e estabelece o regime jurídico aplicável às relações
individuais e colectivas de trabalho subordinado, prestado por
conta de outrem e mediante remuneração. Esta Lei no seu Artigo 2
fala das relações jurídicas de trabalho subordinado estabelecidas
entre empregadores e trabalhadores, nacionais e estrangeiros, de
todos os ramos de actividade, que exerçam a sua actividade no
país. Aplica-se também às relações jurídicas de trabalho
constituídas entre pessoas colectivas de direito público e os seus
trabalhadores, desde que estes não sejam funcionários do Estado
ou cuja relação não seja regulada por legislação Específica.

São reguladas pela legislação específica:


 As relações jurídicas de trabalho dos funcionários do
Estado;
 As relações jurídicas de trabalho das pessoas ao serviço de
autarquias locais.

Aplica-se ainda, com as necessárias adaptações, às associações,


às Organizações não Governamentais e ao sector cooperativo, no
que respeita aos trabalhadores assalariados.

São regidas por legislação especial as relações de trabalho


doméstico, no domicílio, mineiro, portuário, marítimo, rural,
artístico, desportivo, segurança privada, em regime de empreitada,
em regime livre e em regime de avença.

100
Ao abrigo da lei de trabalho tanto o empregado como o
empregador gozam de determinados direitos e deveres, na relação
jurídica entre os dois. Veja nos quadros a baixo alguns desses
direitos e deveres.

Direitos e deveres do trabalhador


Direitos do trabalhador Deveres do trabalhador
. Ter um posto de trabalho em . Pontualidade e assiduidade;
função de suas capacidades; . Prestar um trabalho com zelo e
. Estabilidade do posto de diligência;
trabalho; . Respeitar e tratar com correcção
. Ser tratado com correcção e e lealdade ao empregador;
respeito; . Obedecer as instruções legais;
. Ser remunerado em função da . Conservar os bens e equipamento
qualidade e quantidade do de trabalho;
trabalho; . Guardar sigilo profissional;
Ter direito a um descanso; . Não utilizar para fins alheios os
. Beneficiar de protecção, higiene meios e equipamentos do
e segurança no trabalho; empregador;
. Beneficiar de assistência médica . Tratar com respeito e deferência
e medicamentosa e os seus colegas
indemnização; independentemente do seu
. Associar-se livremente. estatuto social, sexo, origem
étnica, cor, etc.

Deveres e poderes do empregador


Deveres do empregador Poderes do empregador
. Respeitar os direitos e garantias Dentro dos limites decorrentes do
do trabalhador; contrato e das normas que o
. Garantir a observância das regem, compete ao empregador ou

101
normas de HST; à pessoa por ele designada, fixar,
. Respeitar e tratar com correcção dirigir, regulamentar e disciplinar os
e urbanidade o trabalhador; termos e as condições em que a
. Manter inalterável o local e o actividade deve ser prestada.
horário de trabalho do
trabalhador;
. Pagar ao trabalhador com
remuneração justa;
. Criar boas condições físicas e
morais no local de trabalho.

 Políticas da gestão de recursos humanos


Políticas de empresa são regras definidas para governar funções e
assegurar que as mesmas sejam desempenhadas de acordo com
os objectivos desejados. Elas visam impedir que os empregados
exerçam actividades indesejáveis ou que ponham em risco o
sucesso de funções específicas da empresa. Assim, políticas são
guias e acções. Servem para prover respostas ás questões ou aos
problemas que podem ocorrer com certa frequência, fazendo com
que os subordinados procurem, sem urgência, seus supervisores
ou controladores para esclarecimento ou solução de cada caso.

Segundo CHIAVENATO, 2002, “as políticas de recursos humanos


referem-se as maneiras pelas quais as organizações pretendem
lidar com seus membros e por intermédio deles atingir os
objectivos organizacionais, dando condições para o alcance dos
objectivos individuais”.

A gestão dos recursos humanos refere-se sobretudo ao


desenvolvimento e a aplicação de políticas que regem o seguinte:

102
 Planeamento do potencial humano;
 Recrutamento;
 Selecção;
 Formação de recursos humanos
 Remuneração e termos de referência, métodos, condições
de trabalho e serviços
 Comunicação formal e informal e consulta através de
representantes de empregadores e empregados e a todos
os níveis dentro da empresa.
 Negociação e aplicação de acordos sobre salários e
condições de trabalho, procedimentos para evitar e
solucionar disputas. A gestão dos recursos humanos
também se refere às implicações humanas e sociais de
mudança na organização interna, aos métodos de trabalho e
às mudanças económicas e sociais na comunidade.

 Motivação de recursos humanos


Tanto os gestores como todos os que se interessam pelos
problemas de gestão têm verificado o facto de que alguns
empregados trabalham sistematicamente mais e melhor do que os
outros que dispõem os mesmos talentos e qualificações.
A motivação é um processo psicológico que dá ao comportamento
um objectivo e uma orientação que podem ser tangíveis, como um
vencimento superior, ou intangíveis como reputação ou prestígio
pessoal.

Ser motivado ajuda um indivíduo a contribuir positivamente para a


execução da actividade desejada ou para alcançar uma meta ou
uma posição.

103
Diferentes estudiosos têm escrito sobre os factores de motivação.
A teoria de Abraham Maslow em 1943, da Hierarquia das
Necessidades, avançou a ideia de que as pessoas são motivadas
por uma hierarquia previsível de cinco tipos de necessidades. Veja
diagrama a baixo.

Pirâmide das necessidades de Maslow

Auto
realização

Necessidades mais Prestígio


elevadas surgem a
medida que as de Afecto

tipo inferior são


Segurança
satisfeitas

Fisiológicas

Figura 6: Pirâmide de Maslow

Ainda Segundo a teoria de Maslow, é importante fazer com que os


empregados sintam que o trabalho que desenvolvem, os ajuda a
satisfazer as suas necessidades.

Ao basear-se nos termos e condições de emprego, aumentos


regulares dos vencimentos/salários, irá ajudar a cuidar da vontade
do empregado de satisfazer as suas necessidades maiores logo
que as básicas tiverem sido satisfeitas. Mais uma vez é satisfeita a
teoria de Maslow, que diz que o motivo satisfeito deixa de ser um
motivador.

104
Nos anos 50, Frederick Herzberg, um outro estudioso, propôs uma
teoria da motivação baseada na satisfação pessoal. A sua teoria
implica que um empregado satisfeito encontra motivação no seu
interior para trabalhar mais e melhor e que um empregado
insatisfeito não se encontra auto motivado.

Frederick descobriu duas ordens de factores associados à

satisfação ou insatisfação dos empregados

Teoria dos dois factores de Herzberg

Factores de insatisfação Factores de satisfação


(Factores mencionados mais vezes (Factores mencionados mais
por empregados insatisfeitas) vezes por empregados satisfeitas)
1. Politica da empresa e 1. Realização
administração 2. Reconhecimento
2. Supervisão 3. O trabalho em si
3. Relação com o supervisor 4. Responsabilidade
4. Condições de trabalho 5. Avanço
5. Salário 6. Crescimento
6. Relação com colegas ao mesmo
nível
7. Vida pessoal
8. Relação com subordinados
9. Status
10. Segurança.

Segundo esta teoria, a insatisfação tende a ser associada as


queixas a cerca do contexto de trabalho ou factores no ambiente
imediato do trabalho. A satisfação, por seu lado, centra-se na
própria natureza das tarefas, isto é, os empregados surgem
105
motivados pelo conteúdo do trabalho e por aquilo que fazem todos
dias.

Então, os trabalhos enriquecidos com conteúdos mais


estimulantes são a chave para a auto-motivação

- Formas de motivar os empregados


Motivar os empregados incide sobretudo em fazer com que se
sintam satisfeitos e portanto conseguir mais deles. Portanto, há
necessidade de se descobrir como levantar a moral dos
empregados e encorajá-los a dedicarem-se mais ao seu trabalho.
Isto pode ser feito duma das seguintes formas:

. Conteúdo do Cargo - Esta é a quantidade de trabalho que um


empregado deve fazer durante um certo tempo. O conteúdo do
cargo que se pode tomar em consideração inclui os seguintes
elementos:
 Desencorajar uma cultura de trabalho deficiente. Hábitos
tais como: chegar atrasado, absentismo, falta de educação,
etc;
 Indisciplina entre supervisores e gestores;
 Falta de regras de trabalho adequadas ou a sua não
divulgação;
 Inconsistência no cumprimento da disciplina;
 Gestão fraca e indecisa;
 Falta de regulamentos para lidar com as reclamações dos
empregados;
 Excessivo autoritarismo por parte da direcção;
 Favoritismo a alguns grupos e facções, fomentados pela
direcção.
106
. Gestão da disciplina - É importante que a disciplina dos
empregados e líderes da organização seja cumprida. Isto
proporciona uma gerência adequada e motivação.

. Formação em exercício - A formação motiva os trabalhadores pois


prevêem o seu progresso profissional e o melhoramento das suas
capacidades.

. Remuneração atempada e adequada - É importante pagar aos


empregados a tempo e adequadamente. Isto irá motivá-los a
trabalhar com dedicação pois ao fazê-lo, poderão satisfazer as suas
necessidades.

 Avaliação de desempenho
Avaliar o desempenho dum seu empregado é fazer a sua apreciação
com base em várias considerações para além da oportunidade. Isto
permite a si e ao empregado medir o seu desempenho real segundo
termos de referência e outros atributos considerados importantes
pela organização.

É necessário fazer a avaliação regular do desempenho do seu


empregado pelas seguintes razões:
 Ajuda a decidir sobre os aumentos de vencimento a fazer;
 Permite formar uma opinião sobre o empregado;
 Identifica as necessidades de formação dos empregados;
 Motiva o empregado a fazer o melhor de si;
 Facilita a tomada de decisão de futuras condições de trabalho do
empregado.

107
O desempenho dos empregados pode ser avaliado pelos seguintes
métodos:

. Classificação – O supervisor classifica os seus subordinados pelo


mérito, normalmente segundo o seu desempenho geral.
. Graduação - Os empregados são agrupadas em séries pré
determinadas de mérito, geralmente com base no seu desempenho
global.
. Uma escala de classificação – Este é o método mais comum de
avaliação utilizado. Consiste numa lista de características pessoais
ou factores aos quais se aplica uma escala que vai até cinco pontos
e que serve de base ao supervisor para avaliar o seu subordinado.
. O método livre - É uma inovação recente introduzida devido à
insatisfação provocada pela escala de classificação.

. Escalas de expectativas de comportamento – A pessoa que faz a


avaliação têm que escolher alguns aspectos do comportamento dos
supervisionados considerados críticos para a avaliação dum
determinado aspecto do seu cargo. Isto dá uma imagem clara do
comportamento duma pessoa.

 Gestão de risco de HIV-SIDA


O HIV-SIDA é uma pandemia com consequências no local de
trabalho e deve ser abordada como qualquer outra doença ou em
situação grave, existente no local de trabalho. Tal abordagem é
necessária, não apenas porque atinge trabalhadores e a economia
da empresa mas também, o local de trabalho se insere na
comunidade local e tem uma função a desempenhar na luta global
contra a propagação e os efeitos desta doença.

108
Assim, é importante que se identifique formas para minimizar o
impacto negativo desta pandemia no local de trabalho sendo
dentre elas: [citação, fonte]

. Não discriminação - No espírito do trabalho digno e no respeito


pelos direitos do homem e pela dignidade das pessoas infectadas
pelo HIV-SIDA, os trabalhadores não devem ser vítimas de
discriminação por motivo do seu estatuto HIV, quer este seja real
ou suposto. A discriminação e a estigmatização das pessoas que
vivem com o HIV-SIDA são um obstáculo aos esforços de
prevenção.

. Igualdade entre homens e mulheres - As incidências do HIV/SIDA


sobre a situação dos homens e das mulheres devem ser
reconhecidas. As mulheres, por razões biológicas, socioculturais e
económicas, estão mais expostas ao risco de infecção e afectadas
de forma mais desfavorável pela pandemia do HIV/SIDA.

. Ambiente de trabalho saudável - O ambiente de trabalho deve ser


saudável e seguro, de forma a prevenir na medida do possível a
transmissão do HIV-SIDA, em conformidade com a convenção (nº
155) sobre a segurança e a saúde dos trabalhadores, 1981. Um
ambiente de trabalho saudável é propício a uma boa saúde física e
mental e permite adaptar as funções às capacidades e ao estado
de saúde física e moral dos trabalhadores.

. Diálogo social - A cooperação e a confiança entre a entidade


patronal, os trabalhadores e os seus representantes e, caso
necessário, o governo, bem como a implicação activa dos
109
trabalhadores infectados e afectados pelo HIV/SIDA, são
necessárias para que a aplicação das políticas e programas
relativos ao HIV/SIDA tenha sucesso.

. Rastreio tendo em conta a exclusão do emprego - Não deve exigir


o rastreio do HIV/SIDA aos candidatos a um emprego ou às
pessoas que estejam já empregadas.

. Confidencialidade - Nada justifica exigir dos candidatos ao


emprego ou aos trabalhadores informações pessoais relacionadas
com o HIV. O acesso aos dados pessoais relacionados com o
estatuto HIV de um trabalhador deve ser submetido a regras de
confidencialidade conforme a recolha de directivas práticas do BIT
sobre a protecção dos dados pessoais dos trabalhadores, 1997.

. Manutenção da relação de emprego - A infecção pelo HIV não

constitui um motivo de despedimento. Como para muitas outras

patologias, as pessoas atingidas por doenças associadas ao HIV

devem poder continuar a trabalhar durante o tempo em que

estejam clinicamente aptas a ocupar um posto disponível e

apropriado.

. Prevenção - A infecção pelo HIV pode ser prevenida. A


prevenção de todas as formas de transmissão pode ser realizada
por meio de diversas estratégias adaptadas às situações nacionais
e às especificidades culturais.

110
A prevenção pode ser reforçada através das alterações de
comportamento, através da melhoria dos conhecimentos, e através
da criação de um ambiente não discriminatório. Os parceiros
sociais estão numa posição chave para favorecer os esforços de
prevenção particularmente no que diz respeito às alterações de
atitudes e de comportamentos, à formação, à educação e à acção
sobre os factores socioeconómicos.

. Responsabilização e apoio - A solidariedade, a responsabilização


e o apoio devem inspirar as medidas relativas ao HIV-SIDA no
mundo do trabalho. Todos os trabalhadores, incluindo os que estão
infectados pelo HIV, têm direito a serviços de saúde acessíveis.
Nem eles, nem as pessoas sobre suas responsabilidades devem
ser objecto de discriminação no aceso às prestações de segurança
social e às dos regimes profissionais previstas por lei.

 Relações públicas
Uma das funções das Relações Públicas é planear, implantar e
desenvolver o processo total da comunicação institucional da
organização, como recurso estratégico, com a finalidade de
estabelecer e manter relações sãs e produtivas com certos
sectores da opinião pública como, por exemplo, os clientes, os
empregados, os accionistas ou o público em geral.

De facto, as empresas preocupam-se hoje não só com a


comunicação dirigida para objectivos comerciais, mas também com
a comunicação cujo objectivo específico é a promoção da imagem
da empresa junto dum determinado público (comunidade científica,
poderes públicos, colectividades locais, etc.).

111
Qualquer que seja o público (interno ou externo) a quem se destina
a comunicação, a empresa dispõe de um conjunto vasto e variado
de formas e meios para desenvolver boas relações públicas tais
como:

 Contactos pessoais através de reuniões, clubes,


participação em congressos ou seminários, etc;
 Acontecimentos através de concursos, exposições, feiras,
salões, provas desportivas, etc;
 Notícias através de conferências de imprensa, convites para
acontecimentos relevantes, etc;
 Patrocínios através de apoio financeiro a manifestações de
carácter desportivo, cultural, social, etc;
 Publicações da empresa através de relatório anual,
brochuras e folhetos, artigos em revistas, jornal interno,
vídeos, cartazes, etc;

Deve-se envolver mais os clientes, trabalhadores e todos utentes


interessados na instituição com a finalidade de garantir um bom
relacionamento e a execução da própria actividade e
comercialização dos produtos.

 Resumo
A gestão de recursos humanos é fundamental para o sucesso
empresarial. São os recursos humanos que criam valor nas empresas e
permitem a maximização de lucros.

Em Moçambique, as relações entre empregadores e empregados, são


regidas pela Lei de Trabalho. Este instrumento jurídico estabelece os
direitos e deveres tanto do empregador como do empregado.

112
A empresa deve estabelecer políticas de gestão de recursos humanos,
que englobe critérios desde o recrutamento e que inclua acções
motivadoras, uma abordagem positiva sobre a questão de HIV-SIDA,
para promoção e manutenção de bom desempenho da força de trabalho
o que contribui para o sucesso da empresa.

A empresa deve velar também pelo bom nome e imagem, como um


património também produtivo a preservar, por meio de promoção de
boas relações públicas com os empregados, accionistas, clientes,
governo, sociedade civil e o público em geral.

 Actividades

1. Faça um pequeno levantamento sobre a importância da gestão de


recursos humanos, conversando com pessoas que trabalham nesta
matéria na sua escola, comunidade, vila ou cidade.

2. Contacte autoridades de trabalho na sua localidade, distrito ou


autarquia e identifique quais são os regulamentos específicos vigentes
relacionados com a Lei de trabalho.

3. Com base nas práticas na sua escola, faça um resumo falando sobre:
 Factores motivadores dos funcionários e professores;
 Acções em curso tendentes a uma gestão pró-activa dos riscos
de HIV-SIDA;
 Como caracterizar as relações públicas na sua escola
considerando como público-alvo os alunos, professores e a
comunidade a redor.

113
5a – Unidade temática

5. Ética empresarial

Conteúdos
Ética Empresarial
 Relação com clientes
 Relação com a concorrência
 Relação com governo
 Relação com comunidade a redor
 Relação com os empregados
 Responsabilidades ambientais e sociais

Objectivos
 Descrever os benefícios da empresa do uso da ética
empresarial para o sucesso nos negócios e harmonia social; e

 Identificar responsabilidades sociais e ambientais de uma


empresa.

114
5. Ética Empresarial
 Introdução
Para que uma empresa ou organização seja bem sucedida, tem
que relacionar-se de forma eficaz com clientes, trabalhadores,
governo, etc. Ao lidar com eles é importante que o empreendedor
conheça e respeite os seus interesses e os trate de modo a
respeitar a ética empresarial.

Nesta unidade temática, vamos revisitar a ética empresarial tratada


no Módulo 2, destacando particularmente de como se pode praticar
a ética empresarial em relação a clientes, empregados, governos,
etc, e que benefícios a sua empresa podem lograr desta prática.

 Significado de Ética Empresarial


Ética empresarial diz respeito aos comportamentos aceitáveis
exibidos ou aos modos de como as empresas devem conduzir as
relações entre clientes, empregados, a sociedade, o governo e às
outras empresas envolvidas.

 Ética Empresarial para com os Clientes


No relacionamento com clientes, a empresa deve tomar em
consideração e assegurar que respeita e segue os seguintes
padrões da ética empresarial:

. Honestidade - Ser honesto com seu cliente pode significar não


tentar se aproveitar dele, por exemplo omitindo-lhe alguma
informação ou dando falsas promessas, mas sim ser leal. Ao ser
desonesto, mais tarde ou mais cedo, o cliente descobre e perderá
a confiança. Algumas práticas de desonestidade tais como venda
115
de artigos pirateados, fora de prazo ou com quantidades reduzidas
são puníveis por lei.

. Cortesia – A sua empresa sai a ganhar quando opta em tratar os


clientes de igual modo e com respeito. Ao fazer isto, eleva a
qualidade de prestação de serviços o que fará com que a sua
empresa tenha mais clientes.

. Jovialidade – Deve procurar demonstrar alegria aos seus clientes


e não deixar que os seus maus hábitos interfiram negativamente
com eles. Nunca grite, maltrate ou ralhe com um cliente mesmo
que, pelo ambiente gerado, a sua vontade seja essa.

. Responsabilidade - Deve empenhar-se para cumprir com as suas


obrigações como combinado. Por exemplo, deve cumprir os seus
deveres contratuais no prazo combinado, fazer entregas a tempo e
cumprir a sua parte do negócio.

 Benefícios da ética para com os clientes


Uma empresa que pratica a ética em relação aos seus clientes tem
possibilidades de expandir o mercado, mantendo os seus clientes
e atraindo novos clientes. Os clientes estarão felizes e satisfeitos
com os produtos da empresa e a fatia do mercado da empresa
aumentará.

 Ética Empresarial para com os empregados


Tal como discutimos na gestão de recursos humanos, os
empregados são um recurso importante para a sua empresa.

116
Observar a ética empresarial para com os seus empregados pode
significar:

 Pagamento de salário justo, isto é, compatível com as


competências, funções e desempenho do trabalhador;
 Estabelecer uma relação contratual clara, justa e com
condições de trabalhos adequados as tarefas a realizar;
 Oferecer-lhes garantias de segurança no emprego e, em
caso de falhas, repreendê-los de forma construtiva.

 Benefícios da ética para com os empregados


Como resultado da prática da ética, os seus empregados estarão
motivados e satisfeitos com a sua empresa. Com isso, terá
trabalhadores empenhados, fiéis e cooperativos, contribuindo
desde modo para o sucesso cada vez mais da sua empresa.

 Ética Empresarial para com a Sociedade


A sociedade na qual a sua empresa está inserida, possui recursos
e valores que devem ser preservados. Ter ética com a sociedade
pode significar o seguinte:

 A sua empresa contribui na preservação do meio ambiente,


evitando ou minimizando os impactos negativos como por
exemplo poluições e operações que põe em perigo a saúde
e o bem-estar das pessoas;

 Respeitar, valorizar e promover cultura, hábitos e tradições


das comunidades onde a sua empresa está inserida;

 Apoiar através de acções de responsabilidade social para


minorar o sofrimento das comunidade, por exemplo
contribuir para o acesso aos serviços de saúde, educação,

117
vias de acesso, transporte, comunicação, emprego, apoios
as pessoas carenciadas e com necessidades especiais ou
em caso de calamidades, etc;

 Benéficos da ética para com a sociedade


Uma empresa que segue a ética nos negócios em relação à
sociedade tem a possibilidade de aumentar o mercado para os
seus produtos, conseguir trabalhadores, conseguir protecção
da sociedade para as suas operações e para os seus bens, ter
acesso fácil às matérias-primas, etc.
Ao praticar a ética empresarial em relação à sociedade,
ganhará uma boa reputação e a sua imagem irá melhorar
continuamente, bem como as suas operações e perspectivas
futuras.

 Ética Empresarial para com o Governo

A sua empresa deve cumprir com rigor todas obrigações legais


inerentes ao processo de estabelecimento e funcionamento tais
como:
 Estar devidamente informando sobre os procedimentos e
requisitos legais para implantação e exploração da sua
actividade económica;
 Registo e licenciamento da actividade da empresa;
 Cooperar e cumprir com as obrigações fiscais, pagar os
impostos e taxas devidas atempadamente e de forma
honesta, abster-se da fuga ao fisco, contrabando, fraudes,
burlas, piratarias e todas outras violações de leis e
regulamentos;

118
 Disponibilizar às autoridades competentes sem omissão de
detalhes de toda informação exigidas e previstas no
exercício da sua actividade empresarial;
 Assegurar a observância da higiene e segurança no
trabalho e normas de padrões de qualidade e ambientais de
produtos e processos;

 Benefícios da ética para com o Governo


Uma empresa que segue a ética empresarial, executa as suas
actividades sem receio de ser processada ou encerrada pelo
governo. As empresas honestas atraem o apoio do governo e a
simpatia em períodos de necessidade. Por exemplo, ganhar
alguns concursos públicos locais e estrangeiros, deduções nos
impostos, ajuda em momentos difíceis, etc.

 Responsabilidades ambientais e sociais da empresa


As empresas devem a sua existência e sobrevivência ao ambiente,
isto é, à sociedade e ao meio ambiente, que fornecem matérias-
primas e outros factores de produção, mão-de-obra, mercado,
segurança, etc. O negócio é uma actividade económica com
implicações no bem-estar geral. Portanto, a responsabilidade
social das empresas é um elemento fundamental da ética
empresarial.

A acção do homem é a
maior responsável pelas
emissões poluentes a
atmosfera.

119
Poderá contribuir para a preservação do meio ambiente agindo da
seguinte maneira:
 Racionalizar o uso de energia;
 Garantindo o bom uso das matérias-primas, na medida do
possível criando substitutos, por ex: replantando árvores;
 Incentivando a reciclagem de produtos e subprodutos;
 Integrando o princípio do uso sustentado e do
desenvolvimento do meio ambiente;
 Reduzindo as emissões de gases prejudiciais, por ex: gás
carbónico;
 Educando os consumidores sobre o uso e como se desfazer
dos seus produtos;
 Desenvolvendo novas tecnologias, que exijam menos
recursos naturais e produzam artigos de melhor qualidade.

Ao abordar matérias de carácter ambiental nas actividades da sua


empresa, em simultâneo, irá gerir as preocupações com a
segurança, a qualidade e o valor.

. Responsabilidades sociais – O negócio é uma prática económica


que tem implicações sociais. Algumas dessas implicações têm
efeitos positivos enquanto que outras têm efeitos negativos na
sociedade. Neste sentido, as empresas devem ter alguma
responsabilidade para com ela de modo a melhorar os efeitos
positivos e reduzir ou controlar os efeitos negativos.

A sua empresa pode reduzir os efeitos negativos de seguinte


modo:

120
 Produzindo bens e serviços que resolvam ou satisfaçam os
problemas ou necessidades das pessoas. Por exemplo, no
mundo actual, com a epidemia do SIDA, a sociedade espera
que as empresas produzam medicamento e vacinas para
resolver o problema;

 Pagando taxas e impostos devidos ao governo central e


local nos termos da lei, que serão aplicados para
desenvolver e prestar a sociedade serviços sociais como
educação, saúde, segurança, transportes (estradas), etc;

 Contribuindo voluntáriamente para programas de


desenvolvimento comunitário que incluem serviços de
saúde, educação, construção de estradas, preservação da
herança cultural, protecção ambiental etc. As contribuições
podem ser em género ou em dinheiro.

 Tratando resíduos ou lixo, usando-os como matéria-prima.


Por ex: empresas que reciclam o lixo para produzir carvão
vegetal, biogás, estrumes, etc.

 Resumo
A sua empresa deve relacionar-se de forma eficaz com os clientes,
empregados, sociedade, governo e outras empresas, ou seja, praticar a
ética empresarial.

Na sequência desta prática, todas essas entidades, quer de forma


directa ou indirecta, irão retribui-lo com estímulo e apoio para o
crescimento e sucesso da sua empresa.

A sua empresa estará praticando a ética empresarial se estiver


engajada em acções que visam a preservação do meio ambiente assim
121
como contribuir para o bem-estar das comunidades, através da
responsabilidade ambiental e social.

 Actividades
1. Uma comunidade participou o caso de uma empresa que punha em
perigo a saúde e a vida das pessoas com as suas operações, não
ajudava a camada desfavorecida, não criava oportunidades de
emprego, ralhava com os seus empregados e clientes. Faça um
comentário em relação a esta situação.

2. Fala da ética empresarial de empresas que tenha visitado ou tenha


alguma informação, dando exemplos concretos sobre:
 Práticas que ilustram ética empresarial;
 Práticas que ilustram falta de ética empresarial;
 Benefícios que a empresa obteve na sequência da prática da
ética.

122
6a – Unidade temática

6. Uso das TICs nas Empresas

Conteúdos
Uso das TICs nas Empresas
 Importância das TICs
 TICs como meios de comunicação
 TICs como instrumentos de registo e banco de
dados
 TICs como instrumentos de planificação

Objectivos
 Explicar o que são TICs;
 Reconhecer a importância das TICs para pequenas
empresas;
 Usar TICs para Comunicação e Pesquisa;
 Usar TICs para o Registo e Banco de Dados
 Usar TICs para a Planificação e monitoria

123
6. Uso das TICs nas empresas

 Introdução
Vamos fechar o estudo da disciplina de Noções de
Empreendedorismo discutindo, nesta unidade temática, sobre o
papel das tecnologias de informação e comunicação nas
empresas. Na era moderna é difícil uma empresa ser competitiva
sem recorrer a aplicação das várias tecnologias de comunicação e
informação (TICs).

 Significado de TICs
TICs são recursos tecnológicos e computacionais usados na
geração e uso de informação. Por outras palavras:

TICs referem-se a tecnologias e dispositivos usados para


compartilhar, distribuir e reunir informação, bem como para
comunicar-se individualmente ou em grupo, mediante o uso de
computadores e redes de computadores interconectados.

Matematicamente, a definição básica de TI = Hardware + Software


e SI = TI + Pessoas + Procedimentos + Dados

A palavra TIC (tecnologias da informação e comunicação) tem


consequência das seguintes palavras:

 Informática – tratamento automático de informação em


computadores;
 Tecnologias de informação – processo de tratamento
central e comunicação da informação, através do hardware
e software;

124
 Tecnologias de informação e comunicação – transmissão
de informação através de redes de computadores e meios
de comunicação.

 Importância das TICs nas empresas


Na prática, as TICs são utilizadas pelos organismos de
administração pública, empresas, famílias e indivíduos.

A sua empresa pode usufruir das TICs por exemplo para controlar
o fabrico, as acções de gestão, contactos, entre outras actividades.
Os computadores gerem grandes complexos e efectuam cálculos
em segundos que demorariam muitos anos para os humanos,
sendo estes usados para controlar electricidade, redes telefónicas,
satélites e até a bolsa, movendo muitas somas de dinheiro. Isto
trás vantagem muito significativa na operacionalização duma
empresa pois permite reduzir custos, aumentar eficiência, eficácia
e produtividade.

O diagrama abaixo foi extraído do [fonte] e ilustra áreas e subáreas


de aplicação de TICs.

125
Campos de aplicação das TICs

Aréas das TICs

Computadores Comunicação Controlo e


automação

Telecomunicação Robótica CAD-CAM


Informática Burótica Telemática

 TICs como Meios de Comunicação


A comunicação é um dos domínios que sofreu mudanças mais
radicais, alterou irreversivelmente o modo de transmitir
mensagens, quer pela rádio, pela televisão e, mais recentemente,
pelos computadores.

As TICs permitem estabelecer contactos a qualquer altura e em


qualquer lugar. Actualmente, quando queremos falar com alguém,
recorremos sempre os meios de comunicação. Entre eles
destacam-se o telefone, fax, e-mail, entre outros. Estes meios são
mais eficazes e rápidos em comparação com a carta.

A sua empresa pode recorrer as seguintes dispositivos de TICs no


processo da comunicação:
 Os computadores pessoais (PCs, personal computers);
 Câmeras de video e foto para computador ou webcams;
 Telefonia móvel (telemóveis ou telefones celulares);
 TV a cabo;
 Correio electrónico (e-mail);

126
 Internet;
 Serviço de fax;
 Etc;

As principais vantagens do uso da internet e de telefones celulares


são:
 Comunicação entre as pessoas de uma forma rápida e
eficaz;
 Novas oportunidades para constituir redes de pessoas e de
grupos, que não eram possíveis antes do aparecimento das
novas tecnologias;
 Possibilidade de estabelecer laços à escala mundial;
 Melhorar a capacidade de gerar informação.

O aparecimento das redes electrónicas não aumenta o isolamento,


nem prejudica a sociedade, a cultura e as relações humanas; pelo
contrário, constata-se que as TICs são úteis para estimular as
cooperações, partilhar conhecimentos e ideias, desenvolver
parecerias e enriquecer as actividades.

Hoje em dia, seja qual for o meio a utilizar, a transmissão de


informação é realizada em poucos segundos e pode ser enviada
para vários locais.

 TICs como instrumentos de registo e banco de dados


Antes importa definir um banco de dados , para melhor
compreender o contributo das TICs no seu registo. De uma forma
simples podemos definir um banco de dados como sendo uma
colecção de dados, como por exemplo dados pessoais de
127
empregados, inventário de equipamentos da empresa, lista de
clientes de um banco, etc., que permanecem armazenados para
uso corrente ou posterior.

A sua empresa pode usar as TICs para registar e armazenar


informação por meio de diferentes dispositivos de gravação oral,
escrita e de imagem que podem estar também conservados num
banco de dados.

Uma das situações em que se utiliza um banco de dados é uma


simples ida a uma caixa multibanco. Todas as operações aí
realizadas implicam consulta, ou actualização de uma, ou mais,
bancos de dados. Por exemplo quando fazemos uma transferência
de dinheiro entre duas contas de bancos diferentes haverá um
banco de dados onde será debitado um determinado montante e
outra onde será creditado.

Todas as demais tecnologias (telefone, rádio, Tv., vídeo, áudio,


etc.), que antes eram utilizadas separadamente, hoje foram todas
integradas através do computador e seus periféricos, câmaras de
vídeo, impressoras, estações de rádio e TV acessíveis via internet,
dentre outros. Esta integração tornou possível o armazenamento
da informação sob as mais diversas formas e nos mais diversos
meios, assim como sua transformação de uma forma em outra com
muita facilidade, tornando o computador o centro de
processamento que possibilita todas estas operações.

128
 TICs como instrumentos de planificação
Por planificação entende-se como o processo contínuo de
definição de objectivos, estratégias de implementação e monitoria.

A sua empresa pode servir-se das TICs no processo de


planificação o que irá torná-la moderna e competitiva.

Através das TICs, a sua empresa pode buscar novas informações


que alimentam os planos, tornando disponíveis para o consumo
público o que tem de melhor, ajudando assim a atingir os
objectivos planificados. São exemplos desta aplicação, a busca de
informações sobre mercados, preços, fornecedores, mão-de-obra,
que pode acedê-las via internet, telefone e trocas de
correspondência por fax, celular, correio electrónico, etc.

As informações recolhidas ou armazenadas podem ser tratadas


num processamento computacional, onde é possível visualizar
estatísticas, projecções e cálculos a ser usados no planeamento.

Por exemplo, na elaboração dum plano de negócio, dum


orçamento, plano de produção, plano de vendas ou inventário pode
recorrer as TICs não somente para o registo como também para
efectuar cálculos, comparar ou actualizar dados e representar
diagramas.

No mundo em geral, diferentes empresas usam as TICs para


programação e controlo de processos produtivos a partir dum
computador central que acciona e monitora processos de produção
automatizados.

129
Existem no mercado empresas que fornecem softwares integrados
para preparar orçamentos, garantir o seu controlo contabilístico,
controlo da logística, recursos humanos, e relatórios financeiros
para actualizar a gestão sobre o decurso do plano e orçamento.

 Resumo
Tecnologia de Informação e Comunicação é o recurso tecnológico e
computacional para geração, conservação, uso e controlo da
informação.

As TICs ajudam a organizar e gerir melhor as empresas e são uma


excelente fonte de minimização de custos e aumento da produtividade.
As tecnologias de informação desempenham um papel importante em
várias vertentes incluindo o de servir como meio de comunicação,
registo e conservação de dados e planificação e monitoria.

As TICs parecem favorecer uma tendência para as empresas terem


fronteiras cada vez menos demarcadas em relação ao seu meio
ambiente, a trabalharem cada vez mais “em rede” com outras
empresas.

 Actividades
1. As TICs podem ser usadas para comunicar, registar e planificar.
Tendo em conta isto, identifique exemplos concretos de como a sua
escola poderia servir-se melhor das TICs para melhorar o processo de
ensino e aprendizagem.

2. Identifique cinco formas de fazer negócio baseadas sobretudo no uso


de TICs.

3. Na sua comunidade, distrito ou autarquia, identifique uma forma

130
prática de usar as TICs para resolver um problema crónico que aflige:
a) Empresas ou negócios existes;
b) Comunidades da região no geral;
c) Grupos de pessoas por exemplo alunos, professores,
crianças, camponeses, jovens, idosos, etc.

131
Referências bibliográficas

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para Moçambique. PINO, O & NOVAIS, A. 2006.Noções de Empreendedorismo
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2. Sareen, S.B (2001), Programa de Formação para Criação de Novas Empresas,
Instituto de Desenvolvimento Empresarial – India.
3. Behrens, W. & Hawranek, P.M (1991), Manual for the Preparation of Industrial
Feasibility Studies, UNIDO, Vienna.
4. SOUSA, António (1990). Introdução à Gestão. Editorial Verbo, Lisboa.
5. BRITO, Dalva (2005). Plano Geral de Contabilidade. Moçambique Editora,
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6. LOUSÃ, Aires (2000). Técnicas de Organização Empresarial – Bloco I e II. Porto
Editora Portugal.
7. CHIAVENATO, I(2002). Recursos humanos – Edição Compacta, 7a edição, SP,
Ed.Atlas SA.Pp147 – 164.
8. SOUSA, M. J. et all. Gestão de Recursos Humanos. Edições técnicas, Lda. 2ª
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9. COSTA, H. & RIBEIRO, P. C. Criação & Gestão de Micro-Empresas & Pequenos
Negócios. Edições técnicas, Lda. 6ª Edição, Lisboa – Porto.
10. MARQUES, Alberto, Concepção e análise de projectos de investimentos, Edição
Sílabo, 3aEdição, 2006, Pp (26-86);
11. BARROS, Carlos, Gestão de projectos, 1a Edição, Edições Silabo, 1994, Pp (37-
42);
12. ESPERANÇA, José P. Et al, Finanças Empresariais, 1a Edição, Dom
quixote,2005, Pp (29-60);
13. .ACKOFF, Russel L. Planejamento Empresarial. 1a Edição, Rio de Janeiro:
LTC.1975;

132
Competências básicas do aluno:
 Valoriza os diferentes tipos de carreiras profissionais e de trabalho
independentemente da natureza do trabalho a elas associado;
 Segue carreiras que correspondem as suas potencialidades;
 Cultiva o espírito de associativismo para desenvolvimento conjunto.
 Reconhece a importância da elaboração do plano empresarial antes de realizar
quaisquer investimentos;
 Calcula o custo de projecto de uma pequena empresa;
 Avalia indicadores de viabilidade de pequena empresa;
 Elabora plano empresarial antes de efectuar quaisquer investimentos e avalia
os indicadores básicos de viabilidade.
 Reconhece a importância da gestão financeira para o sucesso empresarial
 Elabora orçamentos para funcionamento de uma pequena empresa
 Organiza um sistema de registos básicos;
 Reconhece a importância dos recursos humanos para o sucesso empresarial
 Promove acções que visam maximizar o desempenho de recursos humanos
com observância da legislação laboral
 Promove acções que visam minimizar o impacto negativo do HIV&SIDA no
local de trabalho
 Demonstra honestidade, cortesia, jovialidade e responsabilidade com os seus
clientes;
 Demonstra educação e respeito com seus empregados;
 Procura criar condições de trabalho apropriadas, com justeza e segurança com
os seus empregados;
 Preserva o meio ambiente contribuindo para o bem-estar individual e colectivo;
 Contribui com ideias, trabalho ou outras formas para criação de condições que
beneficiam pessoas com necessidades especiais, idosos e crianças.
 Cumpre com a legislação no exercício de actividade económica
 Aplica os princípios da ética empresarial assegurando a estabilidade e sucesso
do negócio e promovendo a harmonia social
 Reconhece a importância das TICs no desenvolvimento de actividades
pessoais e institucionais.
 Usa as TICs nos sistemas de produção para maximizar o proveito das
empresas

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