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“ARTES CÊNICAS”

Marcia dos Santos Mainardi


Prof.ª. Orientadora: Maria Aparecida Francisco Alves da Silva
Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI
Curso: Artes Visuais (ART0193) – Prática pedagógicaVII
31/05/2017

RESUMO

O presente trabalho tem como objetivo abordar as artes cênicas com foco na historia e
evolução do teatro, dos meios dos jogos teatrais e improvisação. Envolvendo a menção
histórica, teorias e técnicas, e o teatro nas escolas, com o intuito de buscar informações
pertinentes às expressões corporais, movimentos e sintonia espacial do movimento.

Palavras chave: Artes cênicas. Teatro nas escolas. Técnicas.

1 INTRODUÇÃO

Artes cênicas ou artes performativas são todas as formas de arte que se desenvolve no
palco ou local de representação para um público.
No geral, pode ser dividida em teatro, ópera, dança e circo.
Os vários tipos de teatro são auto, drama, comédia, revista, musical, monólogo, stand-
up comedy, teatro de sombras, teatro de fantoches e teatro lambe e lambe.

2 DESENVOLVIMENTO

2.1 HISTÓRIA DO TEATRO

Arte Cênica é a prática de toda forma de expressão que tem necessidade de


apresentação, de representação, e assim temos o teatro e a dança. “Diderot agora reconhece...
Que a imitação é, na verdade, uma estilização:” (Jean Jacques Roubine, 2003, p. 80). As artes
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Cênicas abrangem o estudo e a prática de toda forma de expressão que necessita de uma
representação vista no teatro, a música ou a dança, são gêneros das artes cênicas.
O local destinado à apreciação da plateia ficou conhecido como palco, que podem ser
considerados as praças, ruas e espaços fechados. É uma arte aberta e dinâmica que esta em
constante evolução.
A arte da representação é uma arte tão antiga quanto à humanidade, vem da
necessidade de se expressar, de comunicar sentimentos, assim como as pinturas rupestres que
serviam para registrar atividades, comunicar-se com os outros. As primeiras representações se
davam em rituais para agradecer, festejar e até mesmo para representar acontecimentos do
cotidiano. A origem do teatro pode ser remontada desde as primeiras sociedades primitivas,
em que se acreditava no uso de danças imitativas como propiciadores de poderes
sobrenaturais que controlavam todos os fatos necessários à sobrevivência como: fertilidade da
terra, casa, sucesso nas batalhas entre outros, possuindo também caráter de exorcização dos
maus espíritos.
Quando surge a necessidade de representar algo se abre espaço para o personagem, o
ator, a pessoa que vai fingir ser algo ou alguém; a ação que é a historia, o fato ou ação a ser
representado; o espaço que é o lugar ocupado para a ação; e finalmente o expectador que é
quem esta apreciando toda a ação.
O reconhecimento do teatro veio no século VI A.C. na Grécia onde acontecia festa,
danças, musicas e cultos religiosos para homenagear/prestigiar o deus Dionísio, o deus do
vinho. Foi em meio a essas homenagens que surgiram as primeiras encenações teatrais para
publico, nessas apresentações eram contadas suas façanhas e suas historias.
Em um desses rituais, Téspis, um participante sobe ao palco e veste uma mascara
humana ornada com cachos de uva, sobe ao tablado em praça publica e diz: eu sou Dionísio,
deus da alegria. Diante da façanha o povo fica espantado com a coragem de se colocar no
lugar de um deus que era um ser intocável. Téspis possuía um talento especial em imitar as
pessoas e assim foi considerado primeiro ator da historia do teatro.
Percebendo o interesse do povo pelo teatro os governantes começaram a incentivar e
organizar eventos teatrais, os que viriam a contribuir com dois gêneros teatrais principais na
Grécia antiga e para a atualidade: a tragédia e a comedia. Por meio desses acontecimentos
socioculturais começa a surgir os prédios teatrais, eram construções ao ar livre feitas em
encostas para facilitar a distribuição das arquibancadas.
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Diderot se defende de todas as críticas de inverossimilhança passíveis de ser


articulada contra seu drama com uma referência à "verdade", a essa "realidade" que
o drama se propõe representar: "É feito como aconteceu e como devia ter
acontecido." E, como eco, o Discurso sobre a poesia dramática, no ano seguinte,
proclama. É preciso mostrar a coisa como ela aconteceu: com isso o espetáculo não
ficará senão mais verdadeiro mais instigante e mais belo. (Jean-Jacques Roubine,
2003, p. 67)

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2.1.1 Surgimento do teatro no Brasil

O teatro no Brasil surgiu no século XVI, com o intuito de propagar a fé religiosa, na


época destacou-se o padre José de Anchieta o qual escreveu composições teatrais que visava
catequizar os indígenas e também a integração entre portugueses, os índios e os espanhóis.
Gonçalves de Magalhães trouxe para o Brasil a influência romântica que iria influenciaria os
escritores, poetas e dramaturgos da época. Gonçalves Dias é o poeta romântico mais
representativo da época.

2.1.2 Principais gêneros teatrais

No teatro, gênero é usado para definir a categoria em que a peça esta inserida, e cada
um têm características que as definem. Os gêneros mais comuns são: tragédia, drama,
comédia, musical e dança. Existem muitos outros gêneros, e podem se misturar formando
gêneros mistos como, tragicomédia (mistura elementos de comedia e drama), melodrama
(junção de drama com a musica) entre outros.

2.1.2.1 Gênero tragédia


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A tragédia imita a vida por meio de ações completas, de histórias dramáticas que
mostravam homens condicionados pela vontade dos deuses e que com qualquer deslize
poderiam cair em desgraça, mostravam situações sem saída, trabalham com temas grandiosos
nos quais os heróis tem seu destino traçado e sofrem ao se opor a ele. As tragédias inspiram
terror e piedade no público que observa, são personagens justos, nobres e corajosos que
caminham para a desgraça ou morte.

2.1.2.2 Gênero drama

O gênero drama descreve os conflitos humanos. A palavra drama é relativa no gênero


teatral, podendo ter como significado o conflito da cena sendo usado para mostrar ações de
conflitos sobre lutas sobre-humanas, lutas contra si mesmos e principalmente sobre as
injustiças sociais, a luta contra o mundo. O gênero permite que o expectador tome partido e se
interesse pela representação. É representado de forma mais descontraída se comparada à
tragédia, tem cenas cômicas e sérias ao mesmo tempo, pode ser falado e também cantado.

“A finalidade implícita do drama não é mais a participação do espectador, mas sua


alucinação. Uma vez que o critério do belo teatral é a perfeição da imitação, nada
comprova isso melhor do que a confusão do espectador incapaz de distinguir a
ficção da realidade.” (Jean-Jacques Roubine, 2003, p. 70).

2.1.2.3 Gênero cômico

A palavra comédia tem origem grega (komoidía, de kômos, que significa festa, e oidós,
cantor), o intuito é provocar risos no espectador, a comédia é voltada a ironia e incoerência. O
gênero cômico tem histórias engraçadas chamadas sátiras da vida, sempre de forma divertida,
engraçada e exagero do comportamento humano. Os temas usados e levados ao ridículo são:
rituais de fertilidade, celebração da vida e do cotidiano fazendo criticas aos costumes da
sociedade. Os personagens eram produzidos de acordo com as historias criadas, elas falavam
dos defeitos, vícios, criticas sociais e zombarias sempre de forma hilariante. Os atores
utilizavam da improvisação incentivando a intervenção do publico fazendo brincadeiras
direcionadas.
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2.1.2.4 Gênero musical

O Musical é desenvolvido através de músicas, não importa se a história é cômica,


dramática ou trágica, a narrativa é constituída por um combinado de músicas coreografadas e
diálogos falados.
O gênero musical é caracterizado pela união do teatro e da música, esse gênero pode
ser confundido com a ópera e o cabaré por terem a semelhança dos roteiros cantados,
apresentam estilos totalmente diferentes, mas, é difícil distingui-los por terem raros momentos
de interação entre as partes, os personagens e a orquestra ou a banda que fica ao fundo para
unir a trilha sonora ao espetáculo que é formado pela musica, pela interpretação e a trama. A
música e a letra são o objetivo da encenação; o enredo refere-se à parte significativa do
espetáculo e a interpretação das performances de dança, encenação e canto.
Apresentações com cerca de vinte ou trinta canções podem ter duração de uns poucos
minutos a horas. Normalmente duram de duas horas ou mais, são normalmente apresentados
com intervalos de quinze minutos entre os atos.

2.1.2.5 Gênero dança

No gênero dança engloba elementos do teatro, utiliza-se da música e das expressões


corporais, e quando esse não era o suficiente recorriam aos gestos propiciados pela “mímica”.
O surgimento do gênero de dança se deu pelas encenações e rituais para exaltar e agradecer
aos deuses pelas bênçãos recebidas, e para contar suas lendas e contos de fada.

2.2 TEORIAS E TÉCNICAS DOS JOGOS TEATRAIS E DE IMPROVISO

Os jogos teatrais e de improviso são técnicas de teatro que auxiliam na descontração


dos atores para a manutenção e organização da peça teatral, sendo prática e muitas vezes
ligada diretamente as habilidades das pessoas, futuros atores.
No giro de ideias, segundo Augusto Boal (2007) chamava de “espect-ator” às pessoas
da plateia que participavam diretamente de suas encenações, o termo refere-se à ideia de que
todos os seres humanos são espectadores, porque observam, e atores, porque agem.
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Conforme Boal (2007), diversos jogos teatrais pode ser utilizados no âmbito escolar,
são eles:
Hipnotismo com a mão: Esse jogo teatral, inspirado na proposta de Boal, visa buscar
novos movimentos corporais, quebrando a mecanização do corpo. É um jogo bem
divertido e dinâmico. O importante é que sejam feitos movimentos corporais
inusitados, para que cada um possa desmecanizar seus gestos e estimular sua
consciência corporal.
Faça esse exercício em duplas. Um participante, que será o hipnotizador, deve
colocar a palma da mão aberta, a uma distancia de uns 20 cm do nariz do outro
participante, que será hipnotizado. A regra do jogo é que o hipnotizado não deve
afastar o nariz da mão do hipnotizador, mantendo, a qualquer custo, a mão na
distancia inicial. O hipnotizador inicia o movimento com a mão, fazendo o
hipnotizado ir para frente, para trás, para baixo e para cima. Todas as possibilidades
de movimentos devem ser estimuladas, até mesmo passar por baixo das pernas do
hipnotizador, por exemplo.
Adivinhando a mímica: A mimica é um jogo que visa trabalhar unicamente a
comunicação não verbal, estimulando a comunicação exclusiva do corpo, sem o uso
de qualquer palavra. Organize a turma em dois grupos. Aqui a ideia é comunicar um
nome de filme, livro, peça de teatro ou mesmo de uma novela ou serie sem usar as
palavras, apenas com gestos e expressões corporais e faciais. Um animador, que
pode ser o professor, convidara um representante de cada grupo e falara em tom
baixo, no ouvido dos representantes, o nome escolhido, sem que o grupo escute. Ao
sinal do animador, os representantes deverão retornar para o grupo de origem e
transmitir, somente por meio de sua expressão corporal, o nome que ouviu do
animador. O grupo que acertar o nome primeiro ganhará o ponto, gerando uma
disputa saudável e divertida. Vocês podem fazer quantas rodadas desejarem, mas
combinem antes o numero total.

2.3 TEATRO NAS ESCOLAS

O teatro na escola tem uma importância fundamental na educação, podendo ser usado
como uma ferramenta pedagógica. A escola que insere o teatro traz a possibilidade do aluno
se colocar no lugar do outro, e desenvolver alguns aspectos como a criatividade, coordenação,
memorização e vocabulário. O contato com a linguagem teatral ajuda crianças e adolescentes
a perder continuamente a timidez, se relacionar melhor com os colegas e o meio onde vive,
desenvolver e priorizar a noção do trabalho em grupo, ter melhor desempenho em situações
onde é exigido o improviso. O teatro é um exercício de cidadania e um meio de ampliar o
repertório cultural de qualquer estudante. A escola não precisa de um espaço com poltronas
confortáveis ou ricos figurinos para montar uma peça bastam criatividade.
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3 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Artes cênicas como um todo, é a prática de toda a forma de expressão que tem
necessidade de apresentação e representação.
No teatro gênero é usado para usar a categoria em que a peça está inserida e cada um
tem característica que as define. Os mais comuns são: tragédia, drama, comédia, musical e
dança.
O teatro nas escolas tem grande importância pedagógica, pois traz a possibilidade do
aluno se colocar no lugar do outro e desenvolver alguns aspectos como criatividade,
coordenação, memorização e vocabulário, além de perder a timidez, relacionar-se melhor com
os colegas e trabalhar em equipe.

REFERÊNCIAS

BOAL, Augusto. Jogos para atores e não atores. 10. Ed. Rio de Janeiro: Civilização
Brasileira, 2007.

http://www.infoescola.com/artes/drama/ Acesso em 26 abril 2017.

https://image.slidesharecdn.com/areligiaoeaculturanagreciaantiga-110519125542-
phpapp02/95/a-religiao-e-a-cultura-na-grecia-antiga-16-728.jpg?cb=1305809961 Acesso em
26 abril 2017.

https://poeticasdocorpo.wordpress.com/2010/06/13/96/ Acesso em 26 abril 2017.

https://xchegraffitix.files.wordpress.com/2015/06/teatro-de-delfos.jpg Acesso em 26 abril


2017.

https://xchegraffitix.wordpress.com/2015/06/25/historia-da-arte-grecia-o-berco-e-o-
aprimoramento-da-arte-mundial-03/ Acesso em 26 abril 2017.

JUNIOR, Raymundo Magalhães. Biblioteca educação e cultura. Rio de Janeiro: Bloch,


1980.

ROUBINE, Jean-Jacques. Introdução às grandes teorias do teatro. Rio de Janeiro: Jorge


Zahar, 2003.

ROUBINE, Jean-Jacques. Introdução às grandes teorias do teatro. Tradução André Telles.


Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2003.