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Manual de Formação

1. Costureiro/a - Modista (FI-CP)


POISE-03-4229-FSE-000181

Cidadania e Empregabilidade

Susana Santos
maio de 2018

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Índice

Objetivo geral 2

Objetivos específicos 3

Enquadramento: organização política dos estados democráticos 5

Tema i – a cidadania e o cidadão 6


Tema ii: direitos, deveres e liberdades fundamentais 9
Tema iii – a democracia 22
Tema iv – história da democracia 24
Tema v – o caso português: do autoritarismo à democracia 27
Tema vi – a união europeia 32
Tema vii – a organização das nações unidas (ONU) 36
Tema viii – participação organizada e solidariedade social 39 1
Tema ix – justiça e equidade social para todos 46
Tema x – a sociedade democrática em portugal 48
Enquadramento: ambiente e sociedade

Tema xi – ambiente e sociedade 53


Tema xii – problemas ambientais 56
Tema xiii – estruturas de oportunidades e emprego 59
Bibliografia 62

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OBJETIVO GERAL

No final do módulo o formando terá de ser capaz de Saber viver em comunidade, respeitar
as diferenças e opiniões, valorizar o ambiente e aprender a estabelecer compromissos,
através das explicações fornecidas pelo formador, pesquisas em notícias, internet e em
trabalhos individuais e em pares, durante as 150h de formação.

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OBJETIVOS ESPECÍFICOS

No final de cada tema o formando terá de ser capaz de dominar certos conteúdos
programáticos, para isso tem que ser capaz de assimilar os seguintes objetivos:

TEMA I – A cidadania e o cidadão


1. Conceito de Cidadania / Cidadão:

TEMA II: DIREITOS, DEVERES E LIBERDADES FUNDAMENTAIS


1. A participação de cidadania
2. Evolução dos direitos de cidadania
3. Os Princípios e Valores que estão na base da Cidadania
4. A Cidadania e as Desigualdades Sociais
5. A Cidadania e as Instituições Sociais (Públicas e Privadas)

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TEMA III – A DEMOCRACIA
TEMA IV – HISTÓRIA DA DEMOCRACIA
TEMA V – O CASO PORTUGUÊS: DO AUTORITARISMO À DEMOCRACIA
1. Portugal antes do 25 de abril
2. Portugal depois do 25 de abril

TEMA VI – A UNIÃO EUROPEIA


1. Formação da U.E.
2. Objetivos da U.E.
3. Cidadania Europeia
4. Direitos Europeus

TEMA VII – A ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS (ONU)


TEMA VIII – PARTICIPAÇÃO ORGANIZADA E SOLIDARIEDADE SOCIAL
1. História das Instituições Particulares de Solidariedade Social
2. O que são IPSS?

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TEMA IX – JUSTIÇA E EQUIDADE SOCIAL PARA TODOS
1.Conceito de Justiça
2. Liberdade e acesso a direitos sociais

TEMA X – A SOCIEDADE DEMOCRÁTICA EM PORTUGAL


1. Portugal antes do 25 de abril de 1974
2. Portugal após o 25 de abril de 1974

TEMA XI – AMBIENTE E SOCIEDADE


1. Conceito de ambiente
2. Conceito de sociedade
3. Conceito de vida sustentável

TEMA XII – PROBLEMAS AMBIENTAIS


1. Tipos de poluição 4
2. Desastres ambientais

TEMA XIII – ESTRUTURAS DE OPORTUNIDADES E EMPREGO


1. Como procurar emprego.
2. Preencher e elaborar cartas de apresentação, currículos, etc…
3. Instituições de apoio ao emprego

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MÓDULO I: ORGANIZAÇÃO POLÍTICA DOS ESTADOS DEMOCRÁTICOS
TEMA I – A cidadania e o cidadão

 Conceito de Cidadania / Cidadão:

“A cidadania é responsabilidade perante nós e perante os outros, consciência de


deveres e direitos, impulso para a solidariedade e para a participação, é sentido de
comunidade e de partilha, é insatisfação perante o que é injusto ou o que está mal, é vontade
de aperfeiçoar, de servir, é espírito de inovação, de audácia, de risco, é pensamento que age
e ação que se pensa.”

Jorge Sampaio, in Educar para a Cidadania, Maria de Lourdes L. Paixão, Lisboa Editora

A história da cidadania confunde-se em muito com a história das lutas pelos direitos
5
humanos.
A cidadania esteve e está em permanente construção; é um referencial de conquista da
humanidade, através daqueles que lutam por mais direitos, maior liberdade, melhores
garantias individuais e coletivas, e não se conformam frente às dominações, seja do próprio
Estado ou de outras instituições ou pessoas.
Ser cidadão é ter consciência de que é sujeito de direitos. Direitos à vida, à liberdade, à
propriedade, à igualdade, enfim, direitos civis, políticos e sociais. Mas este é um dos lados
da moeda. Cidadania pressupõe também deveres. O cidadão deve ter consciência das suas
responsabilidades enquanto parte integrante de um grande e complexo organismo que é a
coletividade, a Nação, o Estado, para cujo bom funcionamento todos têm de dar sua parcela
de contribuição. Somente assim se chega ao objetivo final, coletivo: a justiça em seu sentido
mais amplo, ou seja, o bem comum (Estado Natureza vs Estado Civil).

Neste contexto, vamos tentar esclarecer melhor a definição da palavra “cidadão”.

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O que é ser cidadão?

Ser cidadão é: ter e exercer a cidadania; gozar dos direitos civis e políticos; cumprir os
deveres que temos para com o Estado e a comunidade.

A cidadania define a pertença a um Estado. Ela dá ao indivíduo um estatuto jurídico, ao qual


se ligam direitos e deveres.
Esse estatuto depende das leis próprias de cada Estado, e pode afirmar-se que há quantos
tipos de cidadãos quantos tipos de Estados. Nesta perspetiva, a cidadania não confere valor
ou dignidade suplementar ao indivíduo, apenas sanciona uma situação de facto: a de que, ao
nascer, se herda uma nacionalidade.

O Estado é uma criação humana, cultural e instrumental; costuma admitir-se que é um mal
necessário. Ressalta então a ideia de que a educação para a cidadania é um bem necessário e 6
indispensável como estimuladora da capacidade individual de análise e intervenção em
função dos valores fundamentais da comunidade em que se está inserido e da organização
estatal que lhe subjaz.
O conceito de cidadania é um conceito evolutivo, que tem vindo a conhecer, desde os
primórdios do liberalismo, que o reabilitou, um progressivo enriquecimento.

A moderna conceção da cidadania liberal assenta na igualdade de todos os homens


perante a lei. Os direitos serão, nesta conceção de cidadania, perspetivados como direitos do
indivíduo em sua defesa perante a eventual prepotência do Estado. Porém, na prática,
revelaram-se essencialmente reservados à burguesia, porque assentava em direitos cívicos
(de liberdade de expressão, de livre opinião, de propriedade) não extensíveis a todos. Esta
conceção remonta à Revolução Francesa e à Declaração Universal dos Direitos do
Homem e do cidadão de 1789.

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Declaração Universal dos Direitos do Homem e do cidadão de 1789.

Assim, se for considerado o conceito de cidadania da antiguidade clássica, veremos que


contrasta com a moderna conceção de cidadania liberal.
A conceção grega de cidadania fazia a distinção entre o cidadão e o súbdito, considerando-
os desiguais e dando primazia ao cidadão-homem, reservando à cidadania direitos como o de
participação na vida da cidade, a possibilidade de ser eleito para cargos públicos, e excluindo

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do direito de cidadania as mulheres, os escravos e os estrangeiros. Na Roma antiga, o cidadão
romano gozava de privilégios que lhe eram atribuídos por estatuto legal.

No séc. XX, o conceito de cidadania como que se alarga, podendo até, talvez, falar-se
em democratização da cidadania.

Como questão axiológica crucial, urge perguntar se tudo no homem é evolutivo ou se nele
podemos identificar, em paralelo com as transformações da História, algo de
permanentemente e estável; algo que seja um valor de referência que estimule a sua
capacidade de desejar um certo mundo melhor e, simultaneamente, contenha a vontade
necessária para participar na sua construção. Trata-se, afinal, de encontrar um sentido para a
vida.

Atualmente os referenciais de cidadania estão a mudar. Porquê?


8

 A abertura dos espaços implica-nos num problema mundial.


 Os processos migratórios, a mestiçagem progressiva da humanidade
colocou a ideia do indivíduo singular como ser de direito.

 O Estado fragilizou-se e tornou-se mais necessária a intervenção


dos cidadãos com objectivos sociais, não só prevenindo o aumento dos excluídos,
como contribuindo para a sua eliminação, ainda que gradual, se necessário.

 Começa a tornar-se insustentável que os privilégios, só de alguns e


para alguns, sejam a razão de injustiças para muitos.

 Pensa-se numa redistribuição de privilégios equitativamente mais


justa num contexto de privilégios que legitimem os direitos sociais, cívicos e
políticos de todos.

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TEMA II: DIREITOS, DEVERES E LIBERDADES FUNDAMENTAIS

Uma definição taxativa de Cidadania não parece fácil, nem será porventura o mais
importante neste contexto.

Para Barbalet (1989: 12) a “cidadania poderá ser descrita como participação numa
comunidade ou como a qualidade de membro dela”.

Podemos desde já considerar que a cidadania pressupõe a existência de uma comunidade


política, isto é, um conjunto de indivíduos com uma autoridade política comum, que gozam
de igual estatuto definido em leis gerais previamente estabelecidas e que participam no
governo dessa comunidade.

Esta definição está no entanto incompleta porque não especifica que tipo de participação nem
a qualidade de integração. 9

A participação de cidadania realiza-se nas seguintes condições:

1. Igualdade dos cidadãos perante a lei, sem discriminação com base no sexo, religião,
ideologia, classe social ou origem étnica,

2. Existência de leis gerais e de órgãos políticos que as executem e façam cumprir


(tribunais, parlamento, governos), bem como de instituições públicas que
concretizem as políticas definidas (organismos públicos, hospitais, escolas e outras
instituições e serviços públicos de implementação das políticas adoptadas),

3. Liberdade de expressão e condições para os cidadãos manifestarem a sua vontade e


imporem as orientações políticas a seguir pelo Estado, através de eleições livres.

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O Estado tem obrigações relativamente aos cidadãos, mas estes não têm apenas direitos,
têm também deveres, tais como:

a) Respeitar as leis democraticamente estabelecidas

b) Cumprir as obrigações face ao Estado, nomeadamente o pagamento de


impostos e taxas legalmente estabelecidos,

c) Respeitar os direitos dos outros cidadãos, nas condições definidas na lei (a


liberdade de cada um acaba onde começa a do outro),

d) Participar na vida comunitária.

EVOLUÇÃO DOS DIREITOS DE CIDADANIA 10

Os direitos de cidadania foram-se alargando a partir dos direitos cívicos, primeiramente


estabelecidos, e que recobrem os designados valores humanos fundamentais, nomeadamente:
direito à vida e integridade física, direito a escolher livremente o emprego, a residência e a
constituir família, direito a ter a religião que livremente escolher e a praticar o respectivo
culto, direito à liberdade e defesa judicial se for incriminado, direito à liberdade de expressão.

Alguns destes direitos começaram a vigorar ainda antes da existirem direitos políticos, mas
a sua plena concretização exige um regime democrático, isto é, poder político livremente
eleito pelos cidadãos. De facto, os cidadãos terão mais garantias de verem respeitados os seus
direitos fundamentais na medida em que lhes seja reconhecido o direito de elegerem os
poderes políticos que elaboram as leis e as fazem cumprir. Surgiram, assim, os direitos
políticos.

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A evolução das sociedades demonstrou que não era suficiente a igualdade
formal perante a lei para que todos pudessem participar com igual estatuto na vida
comunitária.

Em grande parte por razões económicas e culturais, parte da população continuava excluída
da vida comunitária, sem condições efectivas de poder participar socialmente, por carência
de meios e recursos. Surgiu, assim, a reivindicação dos direitos económicos e sociais, que
se concretizaram no direito à segurança social, ao emprego, à saúde, à educação, à habitação,
entre outros.

Estes últimos direitos são mais recentes e de natureza diferente. A sua plena realização
depende dos recursos disponíveis do Estado. Terão que ser concretizados à medida que
cresça a economia do país e, consequentemente, os recursos do Estado para aplicar nas
políticas sociais.

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Quais os Princípios e Valores que estão na base da Cidadania?

Nas sociedades tradicionais, como as sociedades de ordens ou de castas, os indivíduos


nascem desiguais e assim permanecem toda a vida. As leis, se existem, são “privi-leges”, isto
é, só se aplicam a certos grupos ou indivíduos. As situações são aceites com base na tradição.

Exemplo: nas sociedades medievais aos membros da nobreza


não podiam ser aplicados castigos ou penas corporais,
que eram usualmente aplicados aos estratos sociais
mais baixos (pobres e os trabalhadores)

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Com o advento das sociedades modernas verifica-se uma mudança de valores. As
desigualdades de nascença deixam de ser aceites como válidas. Os novos valores assentam
na igualdade de nascença dos indivíduos e na liberdade de cada um procurar a felicidade
no respeito pelos outros e pelas normas estabelecidas.
Estes valores tiveram consagração na Declaração dos Direitos do Homem proclamada em
França em 1789, aquando da Revolução Francesa.

12

Revoulção Francesa

Posteriormente, já no século XX, surgiram os direitos económicos, sociais e culturais. Eles


poderão ser entendidos como um prolongamento do direito à vida. Sem condições mínimas
de existência os indivíduos deixam efetivamente de poder gozar os seus direitos cívicos e
políticos. O direito à saúde, à segurança social, à habitação, ao ensino, por exemplo, incluem-
se nesses direitos. O estado deve diligenciar, na medida das suas possibilidades financeiras,
para que os cidadãos estejam socialmente integrados na comunidade, com recursos e proteção
social adequados.
Em 1948, depois do final da II Guerra Mundial, foi aprovada na Assembleia Geral das Nações
Unidas a Declaração Universal dos Direitos do Homem, que incluía agora os direitos

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económicos e sociais, cujos princípios vieram a ser incorporados nas Constituições dos
estado democráticos.
Em Portugal os primeiros direitos individuais modernos surgiram com as
constituições liberais do século passado, alargados com a I República e restringidos durante
o período do Estado Novo. A plena consagração desses direitos só foi estabelecida em 1976,
data de entrada em vigor da Constituição da República Portuguesa, aprovada em
Assembleia Constituinte.

À conquista dos direitos cívicos sucedeu-se a reivindicação dos direitos políticos, que
se concretizam na possibilidade de os cidadãos participarem, diretamente ou através dos
representantes eleitos, nos poderes que geram as leis e a sua aplicação. A estes direitos estão
associadas as liberdades políticas: de associação nomeadamente em partidos e sindicatos,
de expressão pública de ideias políticas, incluindo a comunicação social, etc. (ver
Constituição da República, Princípios Fundamentais).
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Em Portugal, alguns direitos sociais foram instituídos antes do 25 de Abril, como o sistema
de reformas e pensões e o ensino básico obrigatório, mas foi efetivamente depois do 25 de
Abril que se afirmaram estes direitos, dentro do modelo do Estado Providência,
nomeadamente com as seguintes medidas:

 criação do salário mínimo (DL nº 49-A/77) e subsídio de desemprego (DL


nº 169-D/75 de 31 de Março),

 criação do Serviço Nacional de Saúde (Lei 56/79 de 15 de Setembro),

 reforma da segurança social (Lei de bases da Segurança social, Lei 28/84


de 14 de Agosto), que passou a abranger as diversas situações de precariedade económica e
social,

 alargamento do ensino obrigatório e sua democratização.

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Os direitos cívico-políticos exigem menos recursos do Estado (regras, instituições e recursos
materiais) do que os direitos económicos, sociais e culturais. No entanto, todos eles assentam
nos mesmos valores de dignidade da pessoa humana.

O alargamento e aprofundamento dos direitos tem-se realizado segundo um processo gradual,


envolvendo lutas reivindicativas e a construção de uma nova consciência social, que se veio
a refletir na ordem política estabelecida.

Exemplo prático:
A criação do rendimento mínimo garantido inscreve-se nas políticas de
concretização dos direitos económico-sociais, mas com implicações noutros
campos.

Questões a refletir:
• RMG não é uma dádiva de caridade, que sempre existiu nas 14
sociedades tradicionais, mas um direito conferido aos cidadãos que implica também
deveres,
• Os usufrutuários do RMG comprometem-se contratualmente com o
Estado a cumprirem certas obrigações:
• Enviarem os filhos à escola,
• Fazerem desintoxicações no caso de serem toxicodependentes,
• Frequentarem cursos de formação profissional,
• Aceitarem um emprego quando estiverem em condições de o fazer,
etc.
• RMG não se restringe a um apoio financeiro para os que estão em
condições de maior pobreza; pretende ser também um meio para os indivíduos
acederem plenamente à cidadania e integrarem-se socialmente.

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Os Direitos e Liberdades do Campo Cívico
Os direitos e deveres do campo cívico correspondem aos direitos fundamentais da pessoa
humana. Neles se incluem:

• Direito à vida e integridade física,


• Direito a igual dignidade e tratamento perante a lei,
• Direito à vida pessoal e privacidade, nomeadamente a casar e escolher livremente
o local de residência, bem como a sua profissão,
• Direito a não ser privado da liberdade excepto com decisão judicial,
• Direito de defesa judicial,
• Liberdade de expressão, de reunião e de escolha de religião (ver Constituição
Portuguesa).

Na nossa Constituição estes direitos estendem-se ao campo laboral, com a liberdade sindical,
o direito à greve e à segurança no emprego. 15

Para fazer valer os seus direitos os cidadãos devem conhecer as condições de aplicação e as
instituições que os podem ajudar quando esses direitos são violados.

Para fazer valer os seus direitos os cidadãos podem agir individualmente, mas em
muitos casos a maneira mais eficaz é através de associações (sindicatos, associações de
moradores, associações de defesa do consumidor e do ambiente, associações de pais, etc.).

Os cidadãos dispõem também do apoio de instituições públicas ou semi-públicas, em certas


questões específicas, como por exemplo, o Provedor da Justiça, a CITE - Comissão para a
Igualdade no Trabalho e no Emprego, a Inspecção do Trabalho, a Comissão para a Igualdade
e os Direitos das Mulheres, o Gabinete do Alto Comissário para a Imigração e Minorias
Étnicas, etc.

Em último recurso os cidadãos podem recorrer aos Tribunais, que têm o poder de decidir em
termos legais.

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Os limites dos direitos de cidadania são os direitos dos outros, nas condições legalmente
estipuladas. Vejamos alguns exemplos:

• A liberdade de expressão fica limitada quando atentamos contra o bom nome de outrem,
mas só o tribunal poderá ajuizar da falta, segundo as leis existentes,

• O direito à greve exige que se cumpram determinados quesitos, nomeadamente o pré-aviso


e, em certos casos, que sejam assegurados serviços mínimos,

• A ordem de prisão policial tem um limite de 48 horas, depois do qual só um juiz poderá
confirmar a prisão por um período de tempo limitado por lei,

• O direito à propriedade pessoal, inclusive à sua habitação, não impede a expropriação pelo
Estado, no caso de estar em causa um bem comum para toda a comunidade (lançamento de
uma estrada, ponte, por exemplo), ainda que o cidadão tenha o direito de apresentar queixa 16
no tribunal se considerar que ficou lesado.

Os Direitos e Liberdades do Campo Político

Estes direitos relacionam-se com a participação dos cidadãos na vida política. Desde logo,
há a considerar o direito de sufrágio, isto é, de participar em todas as eleições, desde que
maior de 18 anos e ressalvadas as incapacidades previstas na lei geral.

A participação também abrange os cargos não eleitos, isto é, cargos públicos da


administração, a cujo acesso todos devem ser tratados em condições de igualdade. Se um
homem ou mulher for eleito para um cargo político não poderá por esse facto ficar
prejudicado no seu emprego.

Os direitos políticos englobam, também, o direito de associação: criar e participar em


partidos políticos ou associações (a lei ordinária defina as condições para a criação de

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partidos políticos) e através deles concorrer democraticamente para a formação da vontade
popular.

Nem sempre os cidadãos necessitam de estar filiados em partidos para concorrerem a órgãos
eleitos ou manifestarem a sua posição. Para as Juntas de Freguesias e para as Câmaras
Municipais (esta última situação ainda não está regulamentada) podem concorrer grupos de
cidadãos independentes.

A Constituição reconhece também o direito de petição aos órgãos de poder político,


nomeadamente à Assembleia da República. No art.º 52º diz-se que “todos os cidadãos têm o
direito de apresentar, individual ou colectivamente, aos órgãos de soberania ou quaisquer
autoridades, petições, representações, reclamações ou queixas para defesa dos seus
direitos...”

Interessa ainda dizer que a Constituição concede o direito de voto aos cidadãos estrangeiros, 17
para os órgãos de poder local, em certas condições.

Os Direitos do Campo Económico e Social

Como já foi referido os direitos económicos e sociais surgem quando se reconheceu que o
Estado não poderia ignorar as condições económicas e sociais de vida dos cidadãos,
relegando totalmente essas questões para o âmbito privado.

O direito à vida, reconhecido pelo Estado, tinha de prolongar-se no direito ao trabalho, direito
à saúde e segurança social, direito à protecção social relativamente aos cidadãos mais
dependentes, quer por deficiência, quer pela idade.

Em primeiro lugar esses direitos assentam em valores fundamentais que terão de ser
assegurados a todos os cidadãos. Em segundo lugar, sem estarem assegurados esses direitos
dificilmente os cidadãos poderão integrar-se socialmente e terem participação política.

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Também já se disse que estes direitos têm uma natureza diferente. Em alguns casos, como
no direito à saúde e à segurança social, a sua plena realização depende dos recursos
financeiros do Estado. Daqui advêm também deveres para os cidadãos e as empresas de
contribuírem financeiramente, de acordo com a lei, para os sistemas sociais que gerem e
distribuem esses benefícios.

Em Portugal os direitos económicos e sociais foram substancialmente alargados depois do


25 de Abril. Esses direitos estão genericamente enunciados na nossa Constituição (Título III,
cap. I, II e III), em que se poderão destacar os seguintes:

• Direito ao trabalho (art.º 58) - incumbindo ao Estado promover o emprego e a igualdade


de oportunidades na escolha da profissão, sem discriminações de sexo, ideologia ou religião;
• Direitos dos trabalhadores - englobando o direito à justa retribuição do trabalho,
salvaguardando as condições de higiene, segurança e saúde e com garantias de assistência
em situações de precaridade (doença profissional, acidente de trabalho); 18
• Direito à segurança social e solidariedade - incumbindo ao Estado a criação de um sistema
de segurança social unificado e descentralizado;
• Direito à saúde - através da criação de um sistema nacional de saúde universal e geral,
tendencialmente gratuito;
• Direito à habitação - em que se reconhece que todos têm direito a uma habitação digna, e
as instituições públicas deverão apoiar os mais necessitados na sua obtenção;
• Direitos do ambiente e qualidade de vida - incumbindo ao Estado prevenir e evitar a
poluição, ordenar o território e garantir a conservação da natureza;
• Direito à educação e cultura - incumbindo ao Estado assegurar o ensino básico universal
e gratuito, democratizando e alargando os outros graus de ensino.

A Constituição define estes direitos genericamente, pois, como já dissemos, os direitos


económicos e sociais deverão ser concretizados de acordo com os recursos financeiros
disponíveis.

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Várias medidas foram tomadas depois do 25 de Abril para concretizar estes
direitos. Vejamos algumas:

• Institucionalização da concertação social, com liberdade de atuação dos


parceiros sociais, através da criação em 1984 do Conselho Permanente da Concertação Social
• Criação do salário mínimo (DL nº49-A/77)
• Criação do subsídio de desemprego (DL nº 169-D/75)
• Criação do Rendimento Mínimo Garantido (Lei nº 19-A/96)
• Promulgação da lei de bases da segurança social e seus desenvolvimentos na
melhoria das prestações sociais (Lei 28/84, lei de bases da segurança social)
• Criação do Serviço Nacional de Saúde extensivo a todos os cidadãos ((Lei
56/79)
• Alargamento do ensino obrigatório para 9 anos (estabelecido na Lei de Bases
do Sistema Educativo, Lei 46/86)
• Criação da rede de ensino pré-escolar (DL nº66/VII) 19
• Leis de ordenamento do território e programas de luta contra a poluição.

Os Direitos do Campo Cultural


No campo dos direitos e deveres culturais a nossa Constituição enuncia à cabeça que “todos
têm direito à educação e à cultura” (art.º 73º) e que cumpre ao Estado promover a
democratização da educação de modo a contribuir para a igualdade de oportunidades.
O acesso ao ensino é fundamental como condição base de cidadania. Em primeiro lugar
porque os conhecimentos aí adquiridos conferem competências indispensáveis para a
participação social e política. Em segundo lugar, porque esses conhecimentos são cada vez
mais indispensáveis para que os homens e as mulheres adquiram posições no mercado de
trabalho e por via disso, ganhem autonomia económica e reconhecimento social.
A nossa sociedade assenta cada vez mais no conhecimento científico e técnico, em grande
parte adquirido no sistema de ensino, cabendo ao Estado a responsabilidade pela
democratização do acesso dos indivíduos a esse meio de valorização dos cidadãos.

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Esses objetivos estão bem expressos no art.º 74 da Constituição, quando diz que “todos têm
direito ao ensino como garantia do direito à igualdade de oportunidades de acesso e êxito
escolar”. Assim “incumbe ao Estado a) assegurar o ensino básico e universal, obrigatório e
gratuito; b) criar um sistema público e desenvolver o sistema geral de educação pré-escolar;
c)...”.
Neste campo dos direitos culturais também se incluem o “direito à fruição e criação
cultural, bem como o dever de preservar, defender e valorizar o património cultural (art.º
77º).

A Cidadania e as Desigualdades Sociais

Os direitos e deveres de cidadania enquadram as relações sociais mas, obviamente, não são
a única fonte de orientação dos comportamentos, nem determinam, só por si, as posições
sociais dos indivíduos em sociedade. Quer no campo privado, quer público, os indivíduos 20
seguem as suas orientações em liberdade, desde que os comportamentos não colidam com as
regras estabelecidas.

Um dos condicionamentos principais de regulação da vida dos indivíduos, nomeadamente na


esfera do trabalho, tem a ver com o mercado. Contrariamente ao campo da cidadania, nos
diversos mercados (do trabalho, das qualificações, da luta e competição económica) geram-
se e reproduzem-se desigualdades sociais.

Neste campo de relações de mercado, em que domina a competitividade e o poder dos que
têm mais recursos, o papel da cidadania é, fundamentalmente, fazer respeitar a igualdade de
oportunidades e apoiar os mais fracos ou em situações de maior vulnerabilidade.
As regras de cidadania impõem, assim, limites ao funcionamento do mercado no sentido
do respeito por valores fundamentais (direito ao trabalho e consequentes regras no referente
aos despedimentos e condições de trabalho, por exemplo) ou para assegurar direitos
económicos e sociais de base (salário mínimo, rendimento mínimo garantido, pensões e
reformas, etc.).

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A Cidadania e as Instituições Sociais (Públicas e Privadas)

Os direitos de cidadania foram inicialmente propostos e exercidos numa perspetiva


individualista. Hoje em dia não só os próprios direitos englobam o campo social, como na
sua concretização se apela para contribuição de entidades públicas e privadas.
O Estado reconheceu que, em muitas situações, os indivíduos isoladamente poucas
possibilidades tinham de fazer valer os seus direitos. Tratou-se, em primeiro lugar, de
reconhecer o papel dos sindicatos e outras associações, nomeadamente as ONG
(organizações não governamentais), na defesa dos direitos cívico-políticos e económicos
dos cidadãos.

No entanto, para situações específicas, o próprio Estado criou agências, como a Comissão
para a Igualdade e a Família, a CITE - Comissão para a Igualdade no Trabalho e na
Empresa, Alto Comissariado para a Imigração e as Minorias Étnicas, por exemplo, para
apoiar os cidadãos na defesa dos seus direitos. 21

Quando se tratou de concretizar os direitos económicos e sociais as estruturas do Estado


cresceram exponencialmente, por exemplo nos sistemas de segurança social, saúde e acção
social. Neste caso não se trata simplesmente de fornecer apoios formais ou jurídicos, mas de
fornecer bens e serviços, ou os meios financeiros para os obter.
Estes esquemas de segurança e solidariedade social concretizam direitos dos cidadãos,
enquanto beneficiários, mas também impõem deveres aos cidadãos enquanto contribuintes.

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TEMA III – A DEMOCRACIA

Democracia vem da palavra grega “demos” que significa povo. Nas democracias, é o
povo quem detém o poder soberano sobre o poder legislativo e o executivo.
Embora existam pequenas diferenças nas várias democracias, certos princípios e práticas
distinguem o governo democrático de outras formas de governo.

 Democracia é o governo no qual o poder e a responsabilidade cívica são exercidos


por todos os cidadãos, diretamente ou através dos seus representantes livremente
eleitos.

 Democracia é um conjunto de princípios e práticas que protegem a liberdade


humana; é a institucionalização da liberdade.

 A Democracia baseia-se nos princípios do governo da maioria associados aos 22


direitos individuais e das minorias. Todas as democracias, embora respeitem a
vontade da maioria, protegem escrupulosamente os direitos fundamentais dos
indivíduos e das minorias.

 As democracias protegem de governos centrais muito poderosos e fazem a


descentralização do governo a nível regional e local, entendendo que o governo
local deve ser tão acessível e receptivo às pessoas quanto possível.

 As democracias entendem que uma das suas principais funções é proteger direitos
humanos fundamentais como a liberdade de expressão e de religião; o direito a
protecção legal igual; e a oportunidade de organizar e participar plenamente na
vida política, económica e cultural da sociedade.

 As democracias conduzem regularmente eleições livres e justas, abertas a todos


os cidadãos. As eleições numa democracia não podem ser fachadas atrás das quais
se escondem ditadores ou um partido único, mas verdadeiras competições pelo
apoio do povo.

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 A democracia sujeita os governos ao Estado de Direito e assegura que todos os
cidadãos recebam a mesma protecção legal e que os seus direitos sejam protegidos
pelo sistema judiciário.

 As democracias são diversificadas, reflectindo a vida política, social e cultural de


cada país. As democracias baseiam-se em princípios fundamentais e não em
práticas uniformes.

 Os cidadãos numa democracia não têm apenas direitos, têm o dever de participar
no sistema político que, por seu lado, protege os seus direitos e as suas liberdades.

 As sociedades democráticas estão empenhadas nos valores da tolerância, da


cooperação e do compromisso. As democracias reconhecem que chegar a um
consenso requer compromisso e que isto nem sempre é realizável. Nas palavras
de Gandhi, “a intolerância é em si uma forma de violência e um obstáculo ao 23
desenvolvimento do verdadeiro espírito democrático”.

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TEMA IV – HISTÓRIA DA DEMOCRACIA

O regime de governo democrático surgiu em Atenas, na Grécia da Antiguidade Clássica,


conhecendo seu apogeu no século V A.C. Tratava-se precisamente de um regime em que
o "povo" se manifestava directamente, reunindo-se e votando em assembleias, para tomar
as decisões a respeito da vida da sua cidade.

Todos os cidadãos atenienses tinham não só o direito, como também o dever de participar
nas assembleias. Todos os cidadãos eram iguais perante a lei e tinham o direito não só a
votar, como também expressar sua opinião e defender o seu ponto de vista, argumentando
e, eventualmente, convencendo os restantes acerca das suas ideias.

Este pode parecer ser o melhor dos mundos mas, não era bem assim. Ser um cidadão
ateniense não era uma condição de que usufruíam todos os habitantes de Atenas. Naquela
sociedade, as mulheres, os escravos e os estrangeiros não eram considerados cidadãos. 24
Por isso, estavam totalmente excluídos das grandes decisões. Desse modo, somente 10%
do povo de Atenas estavam aptos a participar da democracia.

De qualquer maneira, o simples surgimento do ideal democrático é importantíssimo:


tratava-se de um novo valor, que se contrapunha aos regimes de governo anteriores que,
segundo Aristóteles, seriam a monarquia (o governo de um só, o rei) e a aristocracia, o
governo de um grupo de elite (seja económica, militar, tecnológica). Ou seja, tipos de
governo em que um ou alguns mandam e os restantes obedecem.

Apesar da experiência democrática ateniense, os principais filósofos gregos, como


Sócrates, Platão e o próprio Aristóteles, viam com certa reserva, quando não com
desprezo, a Democracia. Bem, no fundo, eles eram “sábios” (estudiosos, filósofos,
teóricos…) e, por isso mesmo, acreditavam que só os sábios deveriam exercer o governo,
numa ordem social que poderia ser monárquica ou aristocrática...

Historicamente, depois da Grécia e de Roma, as ideias democráticas só irão reaparecer


com maior força na Idade Moderna, a partir dos séculos XVII e XVIII. Nesta época, os
abusos de poder dos monarcas levaram os intelectuais a discutir os poderes absolutos do

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governante, questionando o que tornava legítimo qualquer poder de qualquer governo.
Contra o absolutismo em vigor, ergueu-se o liberalismo.

As ideias liberais conduziram à revolta contra a ordem aristocrática que vinha da Idade
Média, quando o poder político e a propriedade tinham transmissão hereditária: os
herdeiros do rei e dos nobres recebiam não só as terras e os bens de seus antepassados,
como também o poder sobre os homens que viviam nas suas propriedades.

O pensamento liberal, ao contrário, estabeleceu uma distinção entre a esfera pública e a


privada, entre a sociedade política e a sociedade civil. Para um filósofo liberal, como John
Locke, o poder só é exercido com legitimidade se tiver origem parlamentar. O que isso
significa? Isso significa que ninguém tem o direito de ocupar um cargo político só porque
nasceu numa família nobre.

O direito ao poder, para Locke, depende de um mandato popular. Nesse sentido, a 25


representação política só adquire legitimidade se tiver surgido da vontade dos cidadãos,
expressa pelo voto. Os cidadãos elegem representantes para defender seus interesses junto
ao governo.

Mais uma vez, porém, a representação popular a que se refere o liberalismo dos séculos
XVII e XVIII, não deixava de ser elitista. Abrangia somente os grupos sociais mais
favorecidos. O voto era censitário, isto é, dependia de um censo (imposto pago para se
obter a condição de eleitor). Com isso, a grande maioria da população estava excluída do
processo político e as decisões continuavam restritas àqueles que possuíam renda e
propriedades.

Ainda no século XVIII, enquanto se levantava e valorizava a questão da legitimidade da


representação, um outro filósofo, Jean-Jacques Rousseau defendia um novo enfoque para
a democracia directa da velha Grécia.

Para ele, as sociedades humanas são construídas a partir de um pacto ou contrato social.
Por meio desse acordo, cada indivíduo aliena seu poder em favor da colectividade.
Entretanto, a vontade geral não poderia jamais ser alienada nem representada. Ou seja,
para Rousseau, os deputados e governantes não são representantes do povo, mas apenas

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seus agentes. Assim, devem estar subordinados à soberania popular, que toma decisões
através de assembleias, plebiscitos e referendos.

Vontade geral é o conceito básico para compreender como Rousseau encarava a


democracia. Do seu ponto de vista, todo indivíduo é (ao mesmo tempo) uma pessoa
privada e uma pessoa pública (cidadão): enquanto pessoa privada, trata dos seus interesses
particulares; enquanto pessoa pública faz parte de um corpo colectivo que tem interesses
comuns.

Mas nem sempre o interesse de um coincide com o de outro, pois muitas vezes o que
beneficia uma pessoa em particular pode ser prejudicial ao interesse colectivo. Nesses
termos, aprender a ser cidadão é justamente saber distinguir qual é a vontade geral, típica
do interesse de todos, mesmo que à revelia dos seus próprios interesses
pessoais/particulares.

26
Rousseau não era ingénuo a ponto de desconhecer as dificuldades de implantação de uma
Democracia directa, sobretudo em nações com um extenso território e grande densidade
populacional. No mundo de hoje, de facto, esta parece inviável. Imagine que fosse
necessário colher a opinião de todas as pessoas recenseadas (cerca de 8 milhões de
pessoas) em Portugal de cada vez que uma decisão governamental tiver de ser tomada...

Por outro lado, alguns instrumentos da democracia directa (como os plebiscitos e os


referendos) são muitas vezes fundamentais para a vontade da maioria prevalecer sobre os
interesses minoritários. Para haver participação popular no exercício do poder, é
necessário que os cidadãos sejam politizados: saibam o que querem ou do que precisam
e conheçam aqueles que agirão a bem do interesse comum.

Caso contrário, a manipulação, a corrupção e o jogo de interesses acabam por transformar


a maioria da população numa massa de manobras, que agirá em detrimento dos seus
próprios interesses e necessidades. Na verdade, a cidadania e a democracia aprendem-se
no seu próprio exercício. Como dizia Aristóteles, "só construindo nos podemos tornar
mestres de obra". É um processo de tentativa e erro, no qual os portugueses, por sinal,
parecem ter errado mais do que acertado nos últimos anos... De qualquer modo, a única
alternativa é continuar a tentar.

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TEMA V – O CASO PORTUGUÊS: DO AUTORITARISMO À DEMOCRACIA

Com o fim da 2ª Grande Guerra, os regimes democráticos saíram vitoriosos. Porém, em


Portugal o regime autoritário e repressivo mantinha-se, apesar de Salazar procurar dar a
entender que o país estava a mudar e que a oposição tinha liberdade de se organizar e
afirmar livremente:
1º - Em 1945 dá-se a criação do MUD (Movimento de Unidade Democrática) líder
da oposição ao regime, depois declarado ilegal;
2º - Em 1949, temos eleições presidenciais. O candidato da oposição, Norton de
Matos, desiste;
3º - No ano de 1958, de novo eleições presidenciais. O candidato da oposição,
General Humberto Delgado, obtém largo apoio da população mas é derrotado.

Humberto Delgado conhecido como o General Sem Medo (1906 — 1965) foi um general
português da Força Aérea que corporizou o principal movimento de tentativa de derrube 27
da ditadura salazarista através de eleições, tendo contudo sido derrotado nas urnas em
1958, num processo eleitoral fraudulento que desta forma deu a vitória ao candidato do
regime, Américo Tomás.

Em 1959, na sequência da derrota, vítima de represálias por parte da polícia política, pede
asilo político na Embaixada do Brasil, seguindo depois para o exílio na Argélia.
Engrossando clandestinamente a Portugal, ao seu encontro, na fronteira Espanhola, é
enviado um comando da PIDE que o assassinou a tiro, bem como à sua secretária. Morre
assim na fronteira, sem ter conseguido regressar a Portugal, no dia 13 de Fevereiro de
1965.

Até à década de 1950, o nível de desenvolvimento económico do nosso país era dos mais
baixos da Europa. A agricultura, apesar de ocupar 50% da população activa era de
carácter tradicional e pouco produtiva. A indústria, por sua vez, conheceu um grande
incremento, em particular a metalurgia, adubos, celulose, química e construção naval.

Em resultado da estagnação agrícola e do fomento industrial, as cidades cresceram e, ao


mesmo tempo, a emigração para França, Alemanha e EUA. Na origem da emigração

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estava os melhores salários oferecidos nestes países da Europa, mas também a fuga a uma
vida de miséria, à guerra colonial e às perseguições políticas movidas pela PIDE.

Após a 2ª Grande Guerra, afirmou-se o movimento de descolonização. Na Ásia e, depois


em África, as potências coloniais concederam a independência aos seus territórios
ultramarinos.

Portugal não o fez porque considerava que o país não possuía colónias mas sim províncias
e que, portanto, não era necessário torná-las independentes. Em consequência formaram-
se nas colónias portuguesas movimentos de autonomia que, através da luta armada,
contestavam a presença portuguesa no território: em Angola o MPLA (1956), a FNLA
(1962) e a UNITA (1966), na Guiné o PAIGC (1960) e em Moçambique a FRELIMO,
desencadearam acções de guerrilha.

Do confronto entre 1961 e 1974, resultaram cerca de 10 mil mortos (de 900 mil 28
mobilizados), elevado número de deficientes e prejuízos económicos consideráveis. Em
1968, por incapacidade de Salazar, Marcelo Caetano foi nomeado chefe de governo,
criando uma grande expectativa entre os portugueses, que esperavam a resolução de dois
grandes problemas: a questão da guerra colonial e a restauração das liberdades
democráticas.

Marcelo Caetano introduziu algumas alterações a fim de efectuar uma "renovação na


continuidade": extinguiu a PIDE e criou a Direcção Geral de Segurança (DGS), apesar de
as pessoas e dos métodos não terem mudado; "aligeirou" a acção da censura, permitindo
também o regresso de alguns exilados políticos. Foi a chamada "Primavera Marcelista",
uma fraca liberalização que não agradou a ninguém por ser insuficiente e não ter resolvido
os problemas da nação.

No dia 24 de Abril de 1974, um grupo de militares comandados por Otelo Saraiva de


Carvalho instalou secretamente o posto de comando do movimento golpista no quartel da
Pontinha, em Lisboa.

O golpe militar do dia 25 de Abril teve a colaboração de vários regimentos militares que
desenvolveram uma acção concertada.

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À Escola Prática de Cavalaria, que partiu de Santarém, coube o papel mais importante: a
ocupação do Terreiro do Paço. As suas forças eram comandadas pelo então Capitão
Salgueiro Maia. O Terreiro do Paço foi ocupado às primeiras horas da manhã. Salgueiro
Maia moveu, mais tarde, parte das suas forças para o Quartel do Carmo onde se
encontrava o chefe do governo, Marcelo Caetano, que ao final do dia se rendeu, fazendo,
contudo, a exigência de entregar o poder ao General António de Spínola, para que o
"poder não caísse na rua". Marcelo Caetano partiu, depois, para a Madeira, rumo ao exílio
no Brasil.

No dia seguinte, forma-se a Junta de Salvação Nacional, constituída por militares, e que
procederá a um governo de transição. O essencial do programa do MFA é resumido no
programa dos três D: Democratizar, Descolonizar, Desenvolver.
Entre as medidas imediatas da revolução contam-se a extinção da polícia política
(PIDE/DGS) e da Censura. Os sindicatos livres e os partidos foram legalizados. Só a 26
(de Abril) foram libertados os presos políticos, da Prisão de Caxias e de Peniche. Os 29
líderes políticos da oposição no exílio voltaram ao país nos dias seguintes.

Passada uma semana, o 1º de Maio foi celebrado legalmente nas ruas pela primeira vez
em muitos anos. Portugal passou por um período conturbado que durou cerca de 2 anos,
referido como PREC (Processo Revolucionário Em Curso), marcado pela luta entre a
esquerda e a direita.

No dia 25 de Abril de 1975 realizaram-se as primeiras eleições livres, para a Assembleia


Constituinte que foram ganhas pelo PS. Na sequência dos trabalhos desta assembleia foi
elaborada uma nova Constituição que estabelecida uma democracia parlamentar de tipo
ocidental. A guerra colonial acabou e as colónias africanas tornaram-se independentes.

Portugal Antes do 25 de Abril:

 O governo de Marcelo Caetano não autorizava a existência de partidos políticos


nem de opiniões discordantes da ditadura em que Portugal vivia e que Salazar
baptizou de Estado Novo.

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 A Censura: Os jornais, os livros, o cinema e o teatro eram visados por censores
que proibiam as palavras que não agradavam ao regime. Muitos escritores,
jornalistas, cantores e músicos eram proibidos de divulgar as suas obras.
 A PIDE: A Polícia Internacional de Defesa do Estado existia para perseguir,
vigiar, prender e torturar todas as pessoas que tinham opiniões diferentes do
governo. Muitos antifascistas foram assassinados pela PIDE.
 As Prisões da Ditadura: Os opositores ao Estado Novo eram presos em Prisões
como Peniche e Caxias, onde permaneciam com péssimas condições e eram
torturados, só porque não concordavam com aquele regime político.
 O Exílio: Muitos portugueses foram obrigados a ir viver para o estrangeiro para
não serem presos ou por recusarem ir combater na injusta guerra colonial. Nos
países do exílio, continuaram a sua luta contra a ditadura.
 A Mocidade Portuguesa: Os jovens a partir dos 7 anos, eram obrigados a
pertencer a esta organização militarista de juventude, que exigia que andassem
fardados, marchassem como soldados e fizessem a saudação nazi. 30
 A Resistência: Como estavam proibidos os partidos políticos, lutava-se na
clandestinidade pela liberdade. A oposição democrática participou em eleições,
mas os resultados eram falsificados e os candidatos presos.
 A Guerra Colonial: Os territórios de Angola, Guiné e Moçambique, para
alcançarem a sua independência, foram obrigados a fazer a guerra a Portugal. Em
consequência, morreram milhares de africanos e portugueses em África.
 O Poder Autoritário: Quem nomeava os presidentes das Câmaras Municipais e
das Juntas de Freguesia eram os governantes, que não ouviam a opinião das
populações, nem tinham de cumprir um programa.
 Portugal Isolado do Mundo: O nosso país era conhecido por organizações
internacionais como a ONU, que não aceitava que continuássemos a colonizar os
territórios que tinham exigido a sua independência.

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Portugal depois do 25 de Abril:

 O 25 de Abril de 1974: Os capitães rejeitaram a guerra colonial e


resolveram organizar-se no Movimento das Forças Armadas (MFA) para acabar com a
guerra e restabelecer a Democracia.
 Liberdade de Expressão e Manifestação: O MFA extinguiu a censura
prévia. No 1º de Maio de 1974, milhões de portugueses saíram à rua em manifestações
livres por todo o país, comemorando a conquista da liberdade.
 Liberdade de Reunião e Associação: Foram legalizados, os sindicatos,
as associações de estudantes e os partidos políticos, aceitando-se a livre associação para
a difusão de ideias e propostas.
 A Libertação dos Presos Políticos: Os presos políticos foram libertados,
pondo-se fim à prática de se prender as pessoas que não concordem com o governo ou
que pertençam a partidos de oposição.
 O Regresso dos Exilados: Após o 25 de Abril, os exilados regressaram a 31
Portugal, podendo integrar-se na sociedade democrática e contribuindo para a construção
de um “novo país”.
 Escola para Todos: A escolaridade obrigatória até ao 9º ano e a proibição
do trabalho infantil permitem a todos os jovens darem o devido valor à escola e aos
estudos, preparando-se melhor para a vida activa.
 A Democracia: As eleições passaram a ser livres e os partidos políticos
podem divulgar os seus programas eleitorais para a eleição de deputados à Assembleia da
República. O Povo também elege o Presidente da República.
 O Nascimento de Novos Países: O MFA acabou com a guerra colonial, o
que originou novos países: Angola, Cabo Verde, Guiné, Moçambique e São Tomé e
Príncipe. Timor começa agora a dar os primeiros passos.
 O Poder Local: As Câmaras Municipais e as Juntas de Freguesia são
eleitas pelas populações locais, que podem fiscalizar o cumprimento das propostas
eleitorais dos respectivos autarcas.
 Portugal na União Europeia: A Democratização de Portugal e a
Independência das ex-colónias foram bem recebidas pelas organizações internacionais e
abriram-nos as portas para integrarmos a EU.

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TEMA VI – A UNIÃO EUROPEIA

União Europeia (EU), anteriormente designada por Comunidade Económica Europeia


(CEE), é uma organização internacional constituída actualmente por 27 Estados-
Membros, estabelecida com este nome pelo Tratado da União Europeia (normalmente
conhecido como Tratado de Maastricht) em 1992, mas muitos aspectos desta união já
existindo desde a década de 1950. A UE tem sedes em Bruxelas, Luxemburgo e
Estrasburgo.

A União Europeia (UE) foi criada originalmente por 6 Estados fundadores em 1958,
cresceu até aos actuais 27 Estados membros. Houve cinco alargamentos sucessivos, o
maior ocorreu em 1 Maio, de 2004, quando 10 estados aderiram.

A UE tem 27 Estados membros desde 2007, quando a Roménia e a Bulgária aderiram.


Há negociações em curso com outros estados. O processo de alargamento é algumas vezes 32
referido como Integração Europeia. Contudo este termo é também usado para referir a
intensificação da cooperação entre os estados.

Para aderir à União Europeia, um estado precisa de satisfazer as critérios económicos e


políticos, conhecidos como Critérios de Copenhaga. De acordo com o Tratado da União
Europeia, cada estado membro e o Parlamento Europeu têm de estar em acordo com
qualquer alargamento.

A União Europeia tem muitas facetas, as mais importantes sendo o mercado único
europeu (ou seja uma união aduaneira), uma moeda única (adoptada por 12 dos 27
Estados membros) e políticas agrícola, de pescas, comercial e de transportes comuns. A
União Europeia desenvolve também várias iniciativas para a coordenação das actividades
judiciais e de defesa dos Estados Membros.

Os Tratados de Paris (1951), estabelecendo a Comunidade Europeia do Carvão e do Aço,


e o de Roma (1957), instituindo a Comunidade Económica Europeia e a Comunidade
Europeia da Energia Atómica ou Euratom, foram assinados por seis membros fundadores:
Alemanha, Bélgica, França, Itália, Luxemburgo e Países Baixos. Depois disto, a UE levou
a cabo seis alargamentos sucessivos: em 1973 Dinamarca, Irlanda e Reino Unido; em

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1981 Grécia; em 1986 Espanha e Portugal; em 1995 Áustria, Finlândia e Suécia; a 1 de
Maio de 2004, República Checa, Chipre, Eslováquia, Eslovénia, Estónia, Hungria,
Letónia, Lituânia, Malta e Polónia; e em 2007, a Bulgária e a Roménia.

Em 1972 e 1994, a Noruega assinou também tratados de adesão à União Europeia. No


entanto, nas duas ocasiões, através de referendos, a população norueguesa rejeitou a
adesão do seu país. Macedónia, Croácia e Turquia são candidatos à adesão à UE.

A UE (União Europeia) é um bloco económico, político e social de 27 países europeus


que participam de um projecto de integração política e económica. Os países integrantes
são: Alemanha, Áustria, Bélgica, Bulgária, Chipre, Dinamarca, Eslováquia, Eslovénia,
Espanha, Estónia, Finlândia, França, Grécia, Hungria, Irlanda, Itália, Letónia, Lituânia,
Luxemburgo, Malta, Holanda, Polónia, Portugal, Reino Unido, República Checa,
Roménia e Suécia. Estes países são, tendencialmente, politicamente democráticos, com
um Estado de Direito. 33

A União Europeia conta com instituições básicas como o Parlamento, Comissão,


Conselho e o Tribunal de Justiça. Todos estes órgãos possuem representantes de todos os
países membros.

Com o propósito de unificação monetária e facilitação do comércio entre os países


membros, a União Europeia adaptou uma única moeda. A partir de Janeiro de 2002, os
países membros (excepção da Grã-Bretanha) adaptaram ao euro para livre circulação na
chamada zona do euro. Ou seja, aderiram ao Euro: Alemanha, Áustria, Bélgica,
Dinamarca, Espanha, Finlândia, França, Grécia, Holanda, Irlanda, Itália, Luxemburgo,
Portugal e Suécia.

Objetivos da União Europeia:

 Promover a unidade política e económica da Europa;


 Melhorar as condições de vida e de trabalho dos cidadãos europeus;
 Melhorar as condições de livre comércio entre os países membros;
 Reduzir as desigualdades sociais e económicas entre as regiões;

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 Fomentar o desenvolvimento económico dos países em fase de
crescimento;
 Proporcionar um ambiente de paz, harmonia e equilíbrio na
Europa.

34

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O que hoje se denomina União Europeia iniciou-se após a 2ª Guerra Mundial. O nosso
continente necessitava de paz e de uma urgente Reconstrução. Alguns países da Europa
uniram-se em organizações de Cooperação económica e política. A primeira medida
nesse sentido foi concretizada com a criação da Comunidade Europeia do Carvão e do
Aço (C.E.C.A.) constituída em 1951.

Cidadania Europeia:

A cidadania europeia foi instituída pelo Tratado de Maastricht, em 1992, e confere


direitos e deveres aos cidadãos da União Europeia.

“É instituída a cidadania da União. É cidadão da União qualquer pessoa que


tenha a nacionalidade de um Estado-Membro. A cidadania da União é complementar da
cidadania nacional e não a substitui.” Artigo º 17 Tratado da EU

35

Direitos dos Cidadãos da EU: Direitos

 A Livre Circulação de Pessoas


 O Direito dos Consumidores
 A Capacidade Eleitoral
 O Direito à Protecção Diplomática e o Direito de Petição
 O Acesso ao Provedor de Justiça
 O Direito à Transparência
 A Protecção dos Dados

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TEMA VII – A ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS (ONU)

A Segunda Guerra Mundial relançou a ideia da criação de um organismo supranacional


capaz de:

 Arbitrar conflitos,
 Impedir a resolução de problemas de relacionamento entre estados
pelo recurso às armas,
 Garantir a igualdade entre os estados,
 Fazer respeitar os direitos humanos.

Todos estes objectivos, que eram uma reedição dos propósitos que haviam norteado a
criação da Sociedade das Nações após a Primeira Guerra Mundial, estavam consignados
numa Carta, aprovada em Outubro de 1945 na Conferência de S. Francisco.

36
Para a implementação dos seus objectivos, a ONU criou organismos especializados
diversos, dedicados a desenvolver esforços em áreas específicas, como:

 A FAO (Food and Agriculture Organisation), que se ocupa de


problemas da fome e do subdesenvolvimento,
 A UNESCO,
 Organização Mundial de Saúde, que intervêm no campo da
ciência, da cultura, da educação e da saúde e outros que se ocupam de questões
do trabalho, financeiras e económicas, etc.

É grande o prestígio de que estas ramificações da organização desfrutam, particularmente


em países do Terceiro Mundo que têm beneficiado de programas educacionais, de
promoção económica e social das suas populações ou de campanhas de erradicação de
doenças, de educação sanitária ou de combate a epidemias.

Na sua vertente política, no entanto, a vida da ONU tem sido atribulada, em razão
precisamente dos conflitos que pretendia controlar ou evitar.

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Desde a sua fundação, registaram-se, de facto, conflitos entre as grandes potências
vencedoras da Segunda Guerra Mundial, que dispõem de lugar permanente no Conselho
de Segurança, com direito a veto: a ONU foi, neste aspecto, vítima dos confrontos entre
os blocos político-militares que se constituíram em torno dos EUA e da URSS, o que
levou a que prevalecessem sobre todas as outras questões as preocupações com a
segurança internacional. Por outro lado, particularmente na década de 60, a entrada em
cena de numerosos países do Terceiro Mundo, muitos deles ex-territórios coloniais
recém-chegados à independência, introduziu no seio da ONU problemas relacionados
com a desigualdade económica e o direito dos povos à independência e à
autodeterminação, com os quais as grandes potências por vezes se preocupavam bem
pouco.

No âmbito das Nações Unidas, foram empreendidas ao longo de décadas acções com
resultados positivos na defesa da paz, como é o caso da interposição de forças militares
entre contendores, como sucedeu na dividida Ilha de Chipre ou em Angola. Não quer isto 37
dizer que a ONU tenha eliminado totalmente os conflitos, embora tenha contribuído
grandemente para os atenuar e encaminhar para uma solução negociada, no sentido da
paz. Nos últimos anos, a organização tem-se visto confrontada com a necessidade de
intervir em numerosos conflitos regionais, nem sempre tendo sabido manter uma atitude
claramente neutral em relação às forças que se enfrentam em cada situação, o que levanta
reservas por parte dos que se consideram lesados.

A ONU é neste momento uma organização em crise de credibilidade, aparentemente com


muitas dificuldades para acompanhar a alteração profunda da política mundial após o fim
da guerra fria e o desmantelamento dos blocos político-militares, mas é sobretudo uma
organização em crise financeira, dado que os países membros protelam o pagamento das
quotizações a que são obrigados (o maior devedor, ou pelo menos um dos maiores, são
os Estados Unidos), sabendo-se que esta atitude de não cooperação é igualmente
resultante da perda de credibilidade que afecta a organização.

Apesar da organização enfrentar situações difíceis, todo o esforço e todo o trabalho


desenvolvido nos últimos anos para a conservação da paz e dos direitos humanos
proporcionaram-lhe o prémio Nobel da Paz em 2001, prémio partilhado com Kofi
Annan (secretário-geral da organização de 1997 a 2007) que demonstrou sempre uma

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grande dedicação ao trabalho desempenhado pela organização. Esta atribuição da
Academia das Ciências sueca serve não só para valorizar o desempenho como também
para dar a devida importância à maior organização internacional de apelo à paz e
estabilidade mundial.

A 24 de Outubro, comemora-se o Dia das Nações Unidas.

38

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TEMA VIII – PARTICIPAÇÃO ORGANIZADA E SOLIDARIEDADE
SOCIAL

O Século XX, após a primeira Guerra Mundial, assiste ao renascer de Estados reafirmados
na sua posição geopolítica. A tendência mundial da descolonização obriga estes Estados
a envolverem-se nos seus assuntos internos, a reconquistar mercados e posições
estratégicas.

Como já vimos, a evolução dos Governos Europeus tende para a Democracia. Ao cidadão,
figura que evoluiu jurídica e socialmente durante o fim do século XIX e princípios do
século XX, é reconhecido um papel maior na sociedade e na manutenção do Estado-
nação. No entanto, depois do desenvolvimento industrial e da rápida evolução do mercado
livre, as “crises sociais” graves sucedem-se de forma mais ou menos avassaladora em
cada país. 39

Não se trata apenas de gerir interesses particulares dos cidadãos, mas entre estes e as
formas organizadas de trabalho, mercado, segurança, direito.
Tratava-se de reconstruir a Europa a todos os níveis.

Se num Estado democrático os cidadãos tem direitos iguais de acesso é, na falta desta
igualdade, obrigação do Estado (Estado Providência) prover que as condições sejam
equilibradas. Assiste-se a uma crescente desresponsabilização de outras instituições no
projecto comum de uma sociedade estável e solidária.

Desta fragmentação social, tanto a nível geral como local, nascem problemas
acumulados, aos quais o Estado não consegue dar respostas adequadas no tempo.
Uma vez mais, e desde o início da década de 70, com o agravamento e a mundialização
dos fenómenos que afectam os Estados, a Solidariedade é insultada e relegada para um
plano muito na retaguarda das prioridades político económicas.

Os cidadãos são embalados nesse processo e durante as duas últimas décadas do séc. XX
não encontramos grandes movimentos sociais solidários, no mundo ocidental.

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Contudo, para fazer face a esta lacuna do Estado, tem vindo a formar-se associações com
diversos objectivos, que resultam da comunhão de atitudes e de sentimentos, visando
constituir uma unidade sólida, capaz de resistir às forças exteriores e mesmo de tornar-se
ainda mais forte e defender os interesses de um determinado grupo, causa, ou minoria.
São as chamadas Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS).

História das Instituições Particulares de Solidariedade Social:

 Até à criação das misericórdias no final do século XV e desde os


primórdios da nacionalidade, as necessidades da população portuguesa, em
matéria de assistência, tinham dado origem a uma multiplicidade de iniciativas.
Muitas delas eram de âmbito local, ligadas não apenas a ordens militares e
religiosas (que tiveram um importante papel na reconquista e no repovoamento do
território) como também aos municípios e às confrarias de mestres ou a simples
particulares (mercadores ricos, etc.); outras, pelo contrário, deveram a seu 40
nascimento à devoção de vários reis, rainhas e demais gente da nobreza e do alto
clero.
 No final do século XV existiam quatro tipos de estabelecimentos
assistenciais: Albergarias, Hospitais (como hospedarias para os pobres), Gafarias
ou Leprosarias e Mercearias (obrigação religiosa de fazer o bem pela alma ou
saúde de alguém).
 Apenas os hospitais, agora com uma função declaradamente de
prestação de cuidado de saúde, subsistem hoje em dia.
 A partir do século XVII a solidariedade começa a desmarcar-se do
sentido puramente religioso da caridade para se assumir como um dever social do
Estado e da sociedade civil.
 A criação da Casa Pia nos finais do século XVIII pode ser
considerada como uma referência para o lançamento da assistência social com
origem pública/estatal em Portugal.
 A Lei 2120 de 19 de Julho de 1963 instituiu as Instituições
Particulares de Assistência, que eram consideradas Pessoas Colectivas de
Utilidade Pública Administrativa (PCUPA) e assumiam as formas de Associações
de Beneficentes, Institutos de Assistência (religiosos ou não) ou Institutos de
Utilidade Local (Fundações).

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 Foi com a Constituição de 1976 (artigo nº 63) que surgiu pela primeira
vez o termo IPSS, Instituição Particular de Solidariedade Social.

As principais formas jurídicas de IPSS são:

o As Santas Casas da Misericórdia ou Irmandades da Misericórdia foram


fundadas em 15 de Agosto de 1498, aquando da criação na Sé de Lisboa da Santa Casa
da Misericórdia de Lisboa, por iniciativa da Rainha D. Leonor e de Frei Miguel
Contreiras.
o Em 1500 já existiam 23 SCM.
o As restantes tiveram origem maioritariamente na Igreja e nas Confrarias.
o Estão hoje inscritas na DGSSS, 332 SCM, todas constituídas sob ordem
jurídica canónica, que se encontram reunidas na União das Misericórdias Portuguesas
(392 associadas) criada em 1974 e confederadas com as Misericórdias internacionais na
Confederação Internacional das Misericórdias desde 1979. 41
o As SCM têm uma tradição multissecular e têm por via do seu peso
institucional já consolidado, um crescimento mais reduzido em número de instituições.
o Esta diminuição do número de instituições (usualmente uma SCM por
concelho) não é sinónimo de imobilismo, pelo contrário as SCM têm crescido em
actividades e no melhoramento do seu vasto património imobiliário.
o 85% das SCM têm, pelo menos uma valência para idosos. Por exemplo a
Misericórdia do Porto, considerada "a maior do Mundo", possui 80 milhões de activos
imobiliários dentro e fora do País, em 1993 empregava mais de 800 pessoas e
movimentava anualmente mais de 25 milhões de euros. A Santa Casa da Misericórdia de
Lisboa (SCML) não foi incluída neste estudo por ainda não estar totalmente clarificada a
sua forma jurídica. A SMCL foi criada como associação privada, sendo como todas as
SCM vindouras apoiada inicialmente pela Igreja. Em 1919 passou para a tutela do Estado,
tendo em 1991 assumido o estatuto de PCUPA. Presentemente a SCM de Lisboa é uma
entidade privada, nomeadamente na gestão do pessoal e na gestão financeira, embora
tenha características de instituição pública nos planos estrutural, orgânico e
administrativo (SCML, 1998).

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o Os Centros Sociais Paroquiais, os Centros Paroquiais de Bem-
Estar Social ou outras congregações religiosas, fortemente ligadas à Igreja
Católica, são as segundas IPSS mais antigas, denominadas antes de 1983 por
Institutos de Assistência.
o A Igreja é a instituição que em Portugal mais atenção prestou e de
um modo mais persistente à acção social.
o A Igreja sempre foi um agente determinante e uma força
fundamental na gestão das pessoas e dos meios relacionados com a solidariedade
social.
o De notar que 25% dos Centros Sociais Paroquiais são presididos
por um sacerdote.

o As Associações de Socorros Mútuos ou Mutualidades, que


tiveram um papel bastante importante no início da intervenção social, mas que
entretanto e fruto da deslocação para outras entidades do seu principal fim, o 42
fundo, vieram a perder continuamente importância.
o O melhor exemplo actual de uma Mutualidade em funcionamento
é o Montepio-Geral (Valério, 1994).

o As Associações de Solidariedade Social de iniciativa privada ou


associativa surgiram depois de 1974 como resultado do impulso de participação
na democratização da sociedade portuguesa.
o São estas novas IPSS que estão melhor preparadas e mais
vocacionadas para lidar com os novos problemas sociais (toxicodependência,
exclusão social) enquanto as IPSS mais antigas estão bastante ligadas às respostas
tradicionais (Pré-escolar, Centros de Dia, Lares).
o Há em Portugal um défice de mobilização das principais forças
impulsionadoras do movimento das instituições particulares para os novos
domínios da luta contra a exclusão.
o Isto deve-se não só à inércia institucional das IPSS, principalmente
das mais antigas, como ao Estado que tem privilegiado a instalação das valências
tradicionais.
o As principais respostas sociais onde as IPSS trabalham, além das
respostas vocacionadas para idosos (Centro de Convívio, Centro de Dia, Serviço

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de Apoio Domiciliário, Lares, etc.), são na área da infância e juventude (Creche,
Estabelecimento de Ensino Pré-escolar, Centro de Actividades de Tempos Livres, Lares
Lares de jovens, etc.); na área da deficiência (Lares e Centros de Actividades
Ocupacionais); na área da família (Centro Comunitário, etc.); na área da
toxicodependência; dos sem-abrigo e outras (Cuidados Médicos, Ensino, etc.).
o Actualmente são 53 as respostas sociais reconhecidas pela DGSS e
praticadas pelas IPSS que assistem diariamente 438.556 pessoas e onde trabalham perto
de 20.000 voluntários e 45.000 empregados.

O que são IPSS?

De acordo com o artigo 1.º do Estatuto das Instituições Particulares de Solidariedade


Social (EIPSS) aprovado pelo Decreto-Lei n.º 119/83, de 25 de Fevereiro, são
instituições particulares de solidariedade social (IPSS), as constituídas por iniciativa
de particulares, sem finalidade lucrativa, com o propósito de dar expressão 43
organizada ao dever moral de solidariedade e de justiça entre os indivíduos, que não
sejam administradas pelo Estado ou por um corpo autárquico, para prosseguir, entre
outros, os seguintes objectivos, mediante a concessão de bens e a prestação de serviços:
 Apoio a crianças e jovens;
 Apoio à família;
 Protecção dos cidadãos na velhice e invalidez e em todas as situações de
falta ou diminuição de meios de subsistência ou de capacidade para o trabalho;
 Promoção e protecção da saúde, nomeadamente através da prestação de
cuidados de medicina preventiva, curativa e de reabilitação;
 Educação e formação profissional dos cidadãos;
 Resolução dos problemas habitacionais das populações

Estes objectivos são concretizados nomeadamente, através de respostas de acção social


em equipamentos e serviços bem como de parcerias em programas e projectos.

As IPSS, nos casos em que os objectivos se enquadram no âmbito da acção


social/segurança social, podem celebrar acordos de cooperação com os Centros Distritais
do Instituto de Segurança Social (ISS), tendo em vista a promoção do acesso a serviços e

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equipamentos sociais, ou acordos de gestão através dos quais assumem a gestão dos
equipamentos pertencentes ao Estado

 Para além dos apoios financeiro e técnico previstos nestes acordos,


as instituições têm ainda acesso a outros apoios financeiros destinados a
investimentos na criação ou remodelação dos estabelecimentos sociais.
 Uma vez registadas, as IPSS adquirem o estatuto de pessoas
colectivas de utilidade pública, advindo daí, por parte do Estado, a atribuição de
benefícios (isenções fiscais, apoios financeiros) e encargos (prestação de contas,
obrigação de cooperação com a Administração Pública).

 As instituições particulares de solidariedade social podem ser de


natureza associativa ou de natureza fundacional.

44
 São de natureza associativa:

As associações de solidariedade social. São, em geral associações com fins de


solidariedade social que não revestem qualquer das formas das associações a seguir
indicadas:
 As associações de voluntários de acção social;
 As associações de socorros mútuos ou associações mutualistas;
 As irmandades da Misericórdia.
As associações mutualistas dispõem de um regime autónomo – Decreto-
Lei n.º 72/90, de 3 de Março que aprovou o Código das Associações Mutualistas
e Regulamento de Registo aprovado pela Portaria n.º 135/2007, de 26 de Janeiro.

 São de natureza fundacional:


 As fundações de solidariedade social;
 Os centros sociais paroquiais e outros institutos criados por
organizações da Igreja Católica ou por outras organizações religiosas, sujeitos ao
regime das fundações de solidariedade social.

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 Por sua vez, as IPSS, podem agrupar-se em:
 Uniões;
 Federações;
 Confederações.

Como se constitui uma IPSS e como adquire personalidade jurídica?

 Associações - constituem-se por escritura pública, através da qual


adquirem personalidade jurídica;

 Fundações - podem constituir-se por uma de duas formas:


o Por acto entre vivos, através de escritura pública do acto de instituição;
o Por testamento ou “mortis causa” - As fundações, qualquer que seja a
forma como se constituem, só adquirem personalidade jurídica pelo reconhecimento, da 45
competência do ministro da tutela, que pressupõe, nomeadamente, a verificação da
suficiência do património afectado à realização dos seus fins.

 Associações e Fundações da Igreja Católica - são criadas canonicamente


pelo bispo da diocese da sua sede, adquirindo personalidade jurídica civil pela simples
participação escrita de respectiva constituição aos Centros Distritais de Segurança Social
da área da sede das IPSS, quando prossigam fins de acção social/segurança social.

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TEMA IX – JUSTIÇA E EQUIDADE SOCIAL PARA TODOS

Um povo só se torna realmente justo quando conhece, de forma clara e objectiva, o real
significado da palavra justiça.
O termo justiça (do latim iustitia), diz respeito à igualdade de todos os cidadãos. É o
princípio básico de um acordo (Pacto Social) que objectiva manter a ordem social através
da preservação dos direitos (constitucionalidade das leis) ou na sua aplicação a casos
específicos.

Infelizmente, o princípio de justiça ainda não é muito bem compreendido pelo povo
português. Uma das causas é que, na Língua Portuguesa, a palavra justiça também é
utilizada para referir-se a órgãos Judiciais (Direito). Esta duplicidade na linguagem ajuda
a confundir os cidadãos menos esclarecidos.

A palavra justiça refere-se, antes de mais, a um princípio de equidade, de igualdade 46


proporcional; um princípio de sabedoria que deveria ser utilizado pelo Governo em todas
as áreas e, principalmente, pelo Poder Legislativo. A maioria dos cidadãos conhece
apenas duas situações: ser beneficiado ou ser prejudicado. Infelizmente, muitas vezes não
sabemos discernir entre estes extremos e a adoptar situações intermediárias. É no ponto
intermédio, entre o benefício e o malefício, que encontramos o que é justo para todos.

Em linhas gerais, ser justo é não oprimir nem privilegiar, não menosprezar nem endeusar,
não subvalorizar nem sobrevalorizar. Ser justo é saber dividir correctamente sem subtrair
e sem adicionar (sem roubar ou subornar). Ser justo é não nos apropriarmos de pertences
alheios e dar o correcto valor a cada coisa e a cada pessoa. Ser justo é estabelecer regras
claras sem beneficiar uns em detrimento de outros. Ser justo é encontrar o equilíbrio que
satisfaz ou sacrifica, por igual, sem deixar resíduos de insatisfação que possam resultar
em desforras posteriores.

A ausência de uma boa educação, nesse sentido, tem propiciado comportamentos


extremistas (ora omisso, ora violento) por parte de inúmeros cidadãos. Aliás, ainda hoje,
muitos cidadãos portugueses, europeus e mundiais, preferem calar-se diante das inúmeras
explorações de que são vítimas no dia a dia.

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Comportar-se de forma realmente justa, tanto na hora de dar ou de vender, quanto na hora
de cobrar ou de receber, é condição primordial para um povo se tornar pacífico e bem-
sucedido.

Em suma, a justiça e a equidade são fundamentais para o bem-estar social.

47

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TEMA X – A SOCIEDADE DEMOCRÁTICA EM PORTUGAL

A cronologia da evolução social difere da política, e para se perceberem as


continuidades e transformações da sociedade democrática é necessário recuar até à década
de 60, a partir da qual se verificaram importantes mudanças, algumas das quais se contam
entre os factores que deram origem à revolução. É o caso da emigração, por exemplo. A
sua evolução foi multifacetada, registando, por vezes, acelerações bruscas.

A emigração acompanha a História portuguesa como um factor estrutural. À grande


emigração dos anos 60, sobretudo em direcção a França, seguiu-se um abrandamento.
Nos anos 80 os portugueses migraram muito menos e os destinos alteram-se: emigraram
em direcção aos EUA, Venezuela, Canadá e Austrália.

Contudo, o movimento mais espectacular, após o 25 de Abril, foi o do regresso dos


portugueses das ex-colónias africanas; é este aspecto que caracteriza a imigração dos 48
meados da década de 70, entrando em Portugal mais de meio milhão de pessoas.

A zona do litoral - Lisboa e Vale do Tejo - recebeu quase metade dos retornados, mas
alguns distritos do centro e interior, como Viseu, Vila Real e Guarda, acolheriam também
muitos dos portugueses das ex-colónias.

Este fenómeno gerou algum mal-estar social, mas, globalmente, saldou-se como
integração pacífica. Esta integração ficou a dever-se, por um lado, ao facto da maioria
dos retornados ter ido recentemente para as colónias (anos 60), e, por outro, a sociedade
portuguesa estar ainda muito ligada à agricultura, bem como às práticas que se lhe
associam, nomeadamente a solidariedade familiar. Importante também foi o facto da
maioria destas pessoas serem jovens, em idade activa e escolarizadas.

Desta forma, os retornados contribuíram para o crescimento e o rejuvenescimento da


população em geral, da qualificação média da população activa, das iniciativas
empresariais (sobretudo médias e pequenas empresas) e para a difusão de novos valores.

Um outro movimento a destacar é o regresso contínuo de emigrantes da Europa, mas este


fenómeno, com início mesmo antes de 74 e que a partir de 80 atinge valores mais

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significativos, teve muito menos impacto, quer pelo número de pessoas que regressaram,
quer pelo facto de ser gradual.

Da mesma ordem de importância foram os fluxos de africanos, migrações sazonais, e os


de fixação definitiva. Trata-se de um movimento que se iniciou nos anos 60, ganhando
mais intensidade nos anos 80.

Portugal tornou-se, assim, recentemente, um país receptor de imigrantes, não só de


africanos dos PALOP, mas também (desde 80) do Zaire, Senegal, Brasil, Índia e China.
É a emigração clássica de força de trabalho não qualificado.

Nos trinta anos que se situam entre 1971 e 1991, registou-se um aumento da população
portuguesa (a residir em Portugal) de cerca de 1 milhão de pessoas, para depois, entre
1981 e 1991, se verificar uma estabilização da população, em torno dos 10 milhões.

49
Portugal apresentou, na década de 70, uma taxa de crescimento médio anual da ordem
dos 1,30%. Este forte crescimento ficou a dever-se, em grande medida, ao regresso de
portugueses das colónias, e, em menor escala, ao regresso de nacionais da Europa. A
década seguinte caracterizou-se, sobretudo, por uma situação de estagnação, que espelha
o real envelhecimento da população.

A evolução registada entre 60-91 revela, pois, um progressivo envelhecimento da


população no topo e na base da pirâmide etária. Entre 1970 e 1991, verifica-se uma
diminuição do grupo etário situado entre os 0 e os 15 anos, um aumento do grupo etário
entre os 15 e os 64, bem como um aumento do número de pessoas com mais de 65 anos.
Isto é, verificou-se um duplo envelhecimento, que traduz a quebra da natalidade e da
fecundidade, e também o aumento da esperança de vida (entre 74 e 91, verificou-se um
aumento da esperança de vida de cerca de 3 anos para ambos os sexos).

É de referir, ainda, a extraordinária evolução da taxa de mortalidade infantil que, em 1974,


era da ordem dos 58% e que passou para os 10% em 1991. As taxas brutas de nupcialidade
desceram (9% em 1971 para 7,3% em 1991), tendo-se verificado um aumento das taxas
de divórcio e de separação (0,12% em 1974 para 1,03% em 1991), como também um
aumento da taxa de nascimentos fora do casamento.

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Contudo, é necessário considerar que as taxas aqui apresentadas têm variações regionais
que se relacionam com os fenómenos de urbanização e litoralização da população.

No que respeita à evolução dos níveis de escolaridade, refira-se que em 1960 a maioria
da população portuguesa não havia ultrapassado o nível básico de escolaridade (nem
sequer 5% da população atingia o ensino secundário e apenas 1% o ensino médio ou
superior), andando a taxa de analfabetismo pelos 30%. Contudo, a partir dos anos 60,
assiste-se à duplicação das percentagens de indivíduos que vão, sucessivamente,
atingindo os vários graus de ensino, sobretudo no que diz respeito ao ensino médio e
superior. Este fenómeno está na origem de um processo complexo de recomposição
social.

Novas lógica sociais encontram expressão na procura e frequência de novos cursos


profissionais e especializações que o sistema actual de ensino passou a proporcionar. O 50
nível de ensino da população em geral e o aumento de mulheres no ensino superior
cresceu de forma acelerada, embora a taxa de analfabetismo seja ainda elevada,
comparativamente aos países da União Europeia. Contudo, o sistema de ensino tem
alguns problemas graves, como, por exemplo, certa ineficácia do ensino experimental e
a alta taxa de abandonos.

A procura de instrução e formação é actualmente considerada normal, mas é um


fenómeno relativamente recente.

As transformações que referimos envolveram processos complexos de recomposição


social e socioprofissional. A taxa de actividade global subiu no últimos dez anos, mas um
dos aspectos que mais transformaram e continuaram a transformar a sociedade portuguesa
é a crescente participação da mulher na actividade profissional, que alterou o seu estatuto,
a par da alteração das relações conjugais e da quebra da natalidade. O crescimento da taxa
de actividade feminina em Portugal duplicou nos últimos 20 anos, sendo maior do que
nos outros países europeus (a taxa média de mulheres na população activa, em 1990 e em
Portugal, era da ordem dos 64%, e na Comunidade pouco ultrapassava os 60%). É a
procura de realização profissional e independência pessoal por parte das mulheres.

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Este processo gera um movimento de recomposição socioprofissional onde a mulher tem
cada vez mais um papel importante, e só ao nível dos dirigentes e operários é que ainda
permanece um desequilíbrio a favor dos homens. Contudo, à mulher cabe ainda a maioria
do trabalho doméstico.

Acompanhando as alterações, ou melhor, a redistribuição nos diferentes sectores da


actividade económica, vai-se operando uma reestruturação das exigências de
qualificação, das características e pesos relativos entre as diversas actividades
profissionais.

A litoralização e a urbanização são processos que em Portugal já se começaram a


desenvolver há algum tempo, e que na época contemporânea passam por um reforço e
intensificação. Dos anos 60 em diante acentuam-se as assimetrias regionais. O litoral
urbaniza-se e industrializa-se, enquanto o interior se desertifica. Em 1991, 80% da
população concentrava-se no litoral - entre o Minho e o Algarve (à excepção do Alentejo) 51
- 15% no interior - de Bragança a Beja. Esta dualidade expressa e reproduz desigualdades
regionais, que se referem ao envelhecimento populacional, a níveis de escolaridade,
qualificação, industrialização e actividades profissionais.

Uma das grandes alterações sociais dos últimos 30 anos é o crescente peso dos
profissionais que desenvolvem a sua actividade no sector terciário. A agricultura,
tradicionalmente o sector mais produtivo e que empregava a maioria da população,
subalternizou-se em relação à indústria e serviços. A indústria reorganiza-se, mas não
mostra grande capacidade para oferecer mais emprego, ao passo que o sector terciário
absorve actualmente mais de metade da população activa portuguesa.
Assim, verifica-se uma diminuição do peso de profissionais dedicados à agricultura e à
pesca, e um aumento, sobretudo a partir dos anos 80, quer dos directores e cargos
dirigentes, quer dos profissionais da ciência e técnica. Este crescimento foi muito
acelerado nos últimos decénios, e refira-se que o grupo dos profissionais da ciência e da
técnica constitui o grupo com maior capacidade de protagonismo social.

A mobilidade social, isto é, o conjunto de alterações das possibilidades dos indivíduos e


famílias, tomando como ponto de referência a classe social de origem, é um dos aspectos
positivos da evolução da sociedade portuguesa. A evidência de trajectos de mobilidade

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social ascendente (23% dos empresários dirigentes são oriundos da classe operária) não
pode, contudo, fazer-nos esquecer outras evidências, como a persistência da pobreza e o
aumento do número de excluídos.

A sociedade portuguesa está a passar por transformações, por um lado, aceleradas e, por
outro, complexas, mas que se inserem em dinâmicas que ultrapassam as fronteiras
nacionais.

52

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MÓDULO II: AMBIENTE E SOCIEDADE
TEMA XI – AMBIENTE E SOCIEDADE

O meio ambiente é o conjunto das substâncias, circunstâncias ou condições em que


existe determinado objeto ou em que ocorre determinada ação. Envolve todas as coisas
vivas e não vivas que existem na Terra. Afeta os ecossistemas e a vida dos seres que
vivem nela. É o conjunto de condições, leis, influências e infraestruturas de ordem física,
química e biológica que permitem abrigar e reger a vida em todas as suas formas.

A atmosfera da Terra serve como um fator principal para sustentar o ecossistema


planetário. A fina camada de gases que envolve a Terra é mantida no lugar pela gravidade
do planeta. O ar seco consiste em 78% de nitrogênio, 21% oxigênio, 1% árgon e outros
gases inertes como o dióxido de carbono. Os gases restantes são geralmente referenciados
como "trace gases", entre os quais se encontram os gases do efeito estufa como o vapor
d'água, dióxido de carbono, metano, óxido nitroso e ozônio. O ar filtrado inclui pequenas 53
quantidades de muitos outros compostos químicos. O ar também contém uma quantidade
variável de vapor d'água e suspensões de gotas de água e cristais de gelo vistos como
nuvens. Muitas substâncias naturais podem estar presentes em quantidades mínimas em
amostras de ar não filtrado, incluindo poeira, pólen e esporos, maresia, cinzas vulcânicas
e meteoroide. Vários poluentes industriais também podem estar presentes, como cloro
(elementar ou em compostos), compostos de flúor, mercúrio na forma elementar, e
compostos de enxofre como o dióxido de enxofre.

A camada de ozônio da atmosfera terrestre possui um importante papel em reduzir a


quantidade de radiação ultravioleta (UV) que atinge a superfície. Como o DNA é
facilmente danificado pela luz UV, isso serve como proteção para a vida na superfície. A
atmosfera também retém calor durante a noite, assim reduzindo os extremos de
temperatura durante o dia.

Um oceano é um grande corpo de água salina e um componente da hidrosfera.


Aproximadamente 71% da superfície da Terra (uma área de 361 milhões de quilômetros
quadrados) é coberta pelo oceano, um contínuo corpo de água que é geralmente dividido
em vários oceanos principais e mares menores. Mais da metade dessa área está numa
profundidade maior que três mil metros. A salinidade oceânica média é por volta de 35

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partes por milhar (ppt) (3,5%), e praticamente toda a água do mar tem uma salinidade de
30 a 38 ppt. Apesar de geralmente reconhecidos como vários oceanos 'separados', essas
águas formam um corpo global interconectado de água salina por vezes chamado de
Oceano Global. Esse conceito de oceano global como um corpo contínuo de água com
um intercâmbio relativamente livre entre suas partes é de fundamental importância para
a oceanografia. As principais divisões oceânicas são definidas em parte pelos continentes,
vários arquipélagos, e outros critérios: essas divisões são (em ordem decrescente de
tamanho) o Oceano Pacífico, o Oceano Atlântico, o Oceano Índico, o Oceano Antártico
e o Oceano Ártico.

As evidências sugerem que a vida na Terra tenha existido a 3.7 bilhões de anos. Todas as
formas de vida compartilham mecanismos moleculares fundamentais, e baseando-se
nessas observações, teorias sobre a origem da vida tem tentado encontrar um mecanismo
explicando a formação do organismo de célula única primordial de onde toda a vida se
originou. Há muitas hipóteses diferentes sobre o caminho que pode ter levado uma 54
simples molécula orgânica, passando por vida pré-celular, até protocelular e
metabolismo.

Na biologia, a ciência dos organismos vivos, "vida" é a condição que distingue


organismos ativos da matéria inorgânica, incluindo a capacidade de crescimento,
atividade funcional e a mudança contínua precedendo a morte. Um diverso conjunto de
organismos vivos (formas de vida) pode ser encontrado na biosfera da Terra, e as
propriedades comuns a esses organismos - plantas, animais, fungos, protistas, archaea e
bactéria - são formas celulares baseadas em carbono e água com uma complexa
organização e informações genéticas hereditárias. Organismos vivos passam por
metabolismo, mantém homeostase, possuem a capacidade de crescimento, responder a
estímulo, reprodução e, através da seleção natural, se adaptar ao seu ambiente em
sucessivas gerações. Organismos de vida mais complexa podem se comunicar através de
vários meios

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Ética ambiental é um conceito filosófico desenvolvido na década de 1960 que amplia o
conceito de ética, enquanto da forma de agir do homem em seu meio social, pois se refere
também à sua maneira de agir em relação à natureza. Considera que a conservação da
vida humana está intrinsecamente ligada à conservação da vida de todos os seres.

O conceito de ética ambiental relaciona-se como por oposição ao antropocentrismo. Por


esse conceito, o comportamento do homem deve ser considerado em relação a si mesmo
e em relação a vivos.

Por esse conceito, todos os seres são iguais. O homem, apesar de imbuído (mergulhado)
de racionalidade, não pode continuar a ver outros seres como inferiores e, portanto, não
pode agir de forma predatória em relação aos mesmos. O homem deixa de ser "dono" da
natureza para voltar a ser parte da Natureza.

Busca-se, com a ética ambiental, criar-se uma forma saudável de convivência, onde o 55
Homem não mais satisfaça apenas seus desejos imediatos mas, ao agir, busque atender
seus desejos, limitados pelas necessidades de outros seres vivos, bem como os desejos de
gerações futuras.

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TEMA XII – PROBLEMAS AMBIENTAIS

Poluição ambiental

Poluição ambiental é o resultado de qualquer tipo de ação ou obra humana capaz de


provocar danos ao meio ambiente. É a introdução na natureza de substâncias nocivas à
saúde humana, aos outros animais e ao próprio ambiente, que altera de forma significativa
o equilíbrio dos ecossistemas.

Alguns dos "vilões" da saúde humana e principais causadores da poluição ambiental são:
a poluição do ar (queima de combustíveis fósseis, degradação do solo e das águas, com o
uso indiscriminado de agrotóxicos, etc); a poluição sonora; a poluição visual; a radiação
nuclear (liberada pelas usinas), entre outras.

A poluição ambiental representa a degradação do solo, das águas e do ar, o que


compromete a capacidade das próximas gerações de suprir as próprias necessidades.
56

A humanidade depende da disponibilidade dos recursos naturais do planeta, e essa difícil


conciliação entre o desenvolvimento e a sustentabilidade tem despertado o mundo para a
progressiva redução da poluição ambiental.

Poluição atmosférica
A poluição da atmosfera é um dos problemas mais sérios das grandes cidades e também
um dos que mais causam danos à saúde humana. A poluição do ar é resultado do
lançamento de enorme quantidade de gases e partículas na atmosfera, causando o
desequilíbrio dos já existentes.

Os principais poluentes lançados na atmosfera são:

1. Monóxido de carbono: produto da queima dos combustíveis;


2. Dióxido de enxofre: produto da combustão do enxofre presente nos combustíveis
tóxicos;
3. Monóxido de nitrogênio e dióxido de nitrogênio: resultantes de qualquer
combustão que ocorra na presença de ar atmosférico;
4. Chumbo: que costuma ser adicionado à gasolina para aumentar a octanagem;

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5. Dióxido de carbono (CO2): produto de qualquer matéria orgânica. Embora
encontrado naturalmente na atmosfera, quando lançado em excesso provoca
desequilíbrios.
6. A chuva ácida, o efeito estufa, a inversão térmica, a ilha de calor, a destruição da
camada de ozônio, são algumas das consequências da poluição do ar atmosférico.

Poluição das águas

A poluição das águas é a contaminação dos recursos hídricos do planeta, uma verdadeira
ameaça à vida. As fontes de água doce, as mais vitais para os seres humanos, são as que
mais recebem poluentes. Muitos lugares do planeta correm o risco de ficar
definitivamente sem água.

Nas grandes aglomerações urbanas, o problema da poluição das águas atinge proporções 57
catastróficas, onde uma infinidade de fontes poluidoras, tanto na forma de esgotos
domésticos como de efluentes industriais, acima da capacidade de absorção pelos
organismos decompositores e de resíduos inorgânicos não biodegradáveis, muitos
inclusive tóxicos e cumulativos são despejados nos rios, lagos e oceanos.

A poluição do lençol freático, que são as águas subterrâneas, com pesticidas usados na
agricultura e com o chorume dos lixões é também uma tragédia ecológica, que causa a
poluição dos mananciais.

Soluções para a poluição ambiental

Os cientistas têm vindo a apelar para a intervenção dos governantes e das populações em
geral, devido ao agravamento dos problemas relacionados com a atmosfera.
Para combater o smog, as chuvas ácidas, o aumento do efeito de estufa, a destruição da
camada de ozono e alterações climáticas, foram adotadas medidas de preservação da
Natureza, tais como:

1. A redução das emissões de dióxido de carbono para a atmosfera;

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2. A utilização de filtros nas chaminés das fábricas;

3. A promoção de energias alternativas, não poluentes;

4. Temos como exemplo a energia eólica que é 100% renovável que produzem
energia utilizando resíduos que poluiriam a terra e acabam fornecendo energia
poluindo o mínimo possível utilizando ao máximo os produtos.

5. A eliminação da utilização de CFC;

6. A utilização de tecnologias “limpas”.

7. As tecnologias limpas são processos industriais novos ou alterações dos processos


existentes que visam reduzir não só os impactos ambientais mas principalmente o
consumo de energia e matérias-primas utilizadas durante um determinado 58
processo
8. Tecnológico.

9. A promoção da reciclagem;

10. A reutilização de determinados produtos, por exemplo a utilização de garrafas de


vidro em substituição das de plásticos descartáveis;

11. A redução na utilização de determinados produtos mais poluentes, como o


plástico.

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TEMA XIII – ESTRUTURAS DE OPORTUNIDADES E EMPREGO

Quando necessitamos de procurar um emprego, há que nos organizar e dirigir e elaborar


um esquema bem feito.

O pensamento é importante nesta situação. Há determinadas coisas que deve ter em conta
quando sai à caça de um emprego. Tais como:

- Ir à caça de emprego é a mesma coisa que ter que se promover e mostrar o seu talento;

- Caçar um emprego demora o seu tempo, nada aparece de repente;

- Siga um plano, mas seja flexível;

- Não desista facilmente, a esperança é sempre a ultima a morrer.


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Escreva sobre si

Identifique e escreva quais são os seus pontos de interesse, quais as suas qualidades, os
seus valores, necessidades e hábitos de trabalho. Se estiver bem ciente da sua
personalidade, é mais fácil para si determinar qual o emprego ideal para si.

Determine os seus objetivos

Que tipo de função é que pretende desempenhar? Que tipo de actividades é que lhe dão
mais prazer em executar? Qual a empresa indicada para si? Tem preferência em arranjar
um emprego na sua zona geográfica, ou para si tanto faz ser perto de casa como a
quilómetros de distância? Saiba primeiro o que quer antes de começar a procurar. Se
souber o que quer logo à priori, a caça ao emprego vai ser mais fácil para si.

Crie uma pasta sobre a sua carreira


Prepare e arranje documentos tais como:

- Cartas de resposta a anúncios, cartas de resposta de empresas à sua candidatura;

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- O seu curriculum vitae;

- Cartas de recomendação;

- Diplomas de cursos, certificados;

- Prémios e Lembranças;

- Cartões de visita de empresas, de contactos.

Organize um grupo de suporte

Escolha algumas pessoas para o ajudar a completar algumas tarefas que sejam necessárias
nesta caça ao emprego. Estas pessoas para além de o ajudar neste desafio, vão apoiá -lo. 60
Não se esqueça que várias cabeças pensam melhor do que uma.

Empresas alvo

Selecione as empresas que acha que são ideais para si e que têm grandes possibilidades
de o contratar. Escolher as empresas que mais lhe interessam é meio caminho andado na
sua caça ao emprego. Procure as empresas que precisam de pessoas com o seu talento e
com o seu perfil. Tente descobrir o nome da pessoa que está responsável pelos cargos a
que você se candidata.

Prepare-se

Prepare todos os documentos necessários para apresentar a cada uma das empresas
selecionadas, nomeadamente: cartas de recomendação, certificados, currículo, etc…
Entregue em mãos ou envie por correio ou por e-mail à pessoa responsável pelas
contratações. Mostre de maneira elucidativa que você pode vir a ser uma mais valia para
a empresa.

A entrevista

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Antes de ir para a entrevista faça uma pequena pesquisa sobre a empresa em causa. Vista-
se de forma apropriada para a ocasião, pois não se esqueça que a imagem é o seu cartão
de visita. Entre para a entrevista disposto a negociar aquilo que eles lhe oferecerem, seja
humilde.

A resposta à proposta de emprego

Esta é a etapa da apreciação. Avalie as condições propostas pela empresa e caso aceite a
proposta oferecida, telefone para lá a confirmar a sua resposta e pergunte quando pode
começar o seu novo emprego. Caso recuse a oferta de emprego telefone para lá a dizer
qual foi a sua decisão e que agradece a atenção dispensada e a oportunidade oferecida.

Avalie todo o processo de caça ao emprego

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Se por acaso não conseguiu alcançar o emprego desejado, faça algumas perguntas a si
próprio:

- Fiz tudo o que era necessário fazer?

- Fiz algo de errado durante esta caça?

- Onde é que eu posso melhorar?

Não desista, pense positivo e vai ver que mais cedo ou mais tarde vai aparecer uma
daquelas propostas de emprego que dificilmente dirá que não.

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BIBLIOGRAFIA

A informação presente neste manual, foi pesquisada nos mais diversos meios de
informação:

RIBEIRO, Eva; LOPES, Rui; RIBEIRO, Vera – GPS. Porto: Porto Editora: 2014
Disponível em [https://www.unric.org/pt/informacao-sobre-a-onu]
Disponível em [https://ong.pt/dir/]

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