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Lição 20

O PROFETA EM FUGA

Textos: Jonas 3.1-10

Chave: "e não hei de eu ter compaixão da grande cidade de Nínive em que há mais
de cento e vinte mil pessoas, que não sabem discernir entre a mão direita e a
mão esquerda, e também muitos animais?" (4.11).

Devocional: Jn 3.1-10

Hinos Sugeridos: 33; 312; 318

ROTEIRO PARA LEITURA SEMANAL


Segunda-Feira: Jonas, seu chamado e sua negligência (Jn 1.1-3).
Terça-Feira: Jonas e as conseqüências por fugir da vontade de Deus (Jn 1.4-17).
Quarta-Feira: Jonas e a oração feita de um coração quebrantado (Jn 2.1-10).
Quinta-Feira: Jonas e o sucesso na mais curta e bem sucedida pregação (Jn 3.1-10)
Sexta-Feira: Jonas e a sua revolta ao ver a conversão da nação inimiga . (Jn 4.1-5).
Sábado: Jonas e a pedagogia perfeita do Deus de misericórdia (Jn 4.6-11).
Domingo: Jonas, sua vontade e a vontade soberana de Deus (Jn 1.1-3; 3.1-4).

Introdução

A vida e o livro de Jonas são extraordinários. O livro narra a história de um


profeta que amava, de tal forma, o seu povo, que estava disposto a enfrentar a
própria morte do que levar a salvação a uma nação que, potencialmente, seria o
destruidor de Israel. O livro é um relato e contraste entre o grande amor e da grande
compaixão de Deus a um povo que merecia ser totalmente destruído e a fuga do
profeta que tinha paixão pelo seu povo, mas lhe faltava compaixão para com os
demais povos devido seu patriotismo exagerado.

O livro nos aponta, portanto, o fato de que a misericórdia do SENHOR é muito


mais abrangente, indo de encontro, inclusive, de povos inimigos do Seu povo
especial. O Propósito do livro é revelar a compaixão especial de Deus para com
os gentios, no Velho Testamento. A Palavra-Chave é "COMPAIXÃO". O
Versículo Chave é: "e não hei de eu ter compaixão da grande cidade de Nínive em
que há mais de cento e vinte mil pessoas, que não sabem discernir entre a mão
direita e a mão esquerda, e também muitos animais?" (4.11). Cristo em Jonas: o
Senhor Jesus “traçou uma ligação entre ele e o sinal do profeta Jonas (Mt 12.39;
16.4; Lc 11.29). Numa época em que muitos israelitas se recusavam a obedecer à
palavra profética que lhes fora dada, a libertação de Jonas de um enorme peixe
após três dias, levaria ao arrependimento. Jesus previu que sua própria futura
libertação da sepultura, após três dias, levaria ao arrependimento dos gentios,
conquanto muitos judeus ainda rejeitassem a sua palavra profética” (Introdução do
comentário de Jonas da Bíblia de Genebra, p.1157).
Vamos conhecer melhor a vida de Jonas, o seu ministério, o contexto histórico
e a teologia que podemos tirar deste livro intrigante e maravilhoso inspirado pelo
Santo Espírito de Deus.
I - JONAS, VIDA E MINISTÉRIO
A Bíblia nos diz que Jonas era filho de Amitai (1.1 e 2Rs 14.25-27) e morava
na cidade de Gate-Hefer, uma aldeia situada mais ou menos à três quilômetros de
Nazaré, da tribo de Zebulom, no norte de Israel, reino do Norte e dezenove
quilômetros a oeste do mar da Galiléia. Portanto, Jonas era um profeta galileu e o
sinédrio, nos dias de Jesus, se equivocou quando disse que da Galiléia não procedia
nenhum profeta. Jonas era contemporâneo dos profetas Amós e Oséias.
Seu nome significa “pombo” e aponta diretamente para o seu ministério
profético, pois, profetizou paz nos dias do rei Jeroboão II e também levou uma
mensagem de juízo que trouxe a paz dos ninivitas com Deus.
A vida e o ministério de Jonas está situado no tempo do rei Jeroboão II entre 790-
770 com base no registro de 2 Rs 14.25.
Segundo Glagliard Jr., o livro foi escrito para os judeus exclusivistas de todas
as gerações e épocas. Para Michael C. Griffiths, Jonas “transmitiu uma mensagem
aos judeus não arrependidos da época do nosso Senhor. Ele também tem diversas
aplicações para nós hoje”. (Griffiths, C. Michael, Comentário Bíblico NVI, Editora
Vida Nova, São Paulo, SP, 2008, p.1272). Provavelmente, Jonas escreveu este livro
“no seu retorno, ao final de seu ministério, ele escreveu este livro como lição a
Israel... o livro foi escrito para o povo de Deus, embora o seu conteúdo relate o
ministério de Jonas em Nínive. Foi pensando em seu povo, e nas lições que aqueles
acontecimentos podiam lhes trazer, que Jonas, pela ordenança de Deus, escreveu
sua história” (Ângelo Gagliardi Jr., Panorama do Velho Testamento, Editora Vinde,
Niterói, RJ,1995, p.290).

II – JONAS E SEU CONTEXTO HISTÓRICO


a) Dados Históricos
Nos dias do profeta Jonas, Israel se expandia e não estava diretamente
ameaçado pela Assíria, que ainda não era a maior potência do mundo, mas estava
em ascensão.
O império assírio começou sua ascendência mais ou menos à época da
divisão do reino Israel, quando as dez tribos formaram o Reino do Norte, conhecido
como Israel, cuja capital era Samaria (2 Rs 12) e uma tribo formou o Reino do Sul,
Judá, cuja capital era Jerusalém. E, aos poucos, a Assíria foi absorvendo o Reino do
Norte, até destruí-lo completamente em 721 a.C. Este império exerceu um domínio
mundial entre 900 e 607 a.C.
De acordo com Michael, a situação e a mensagem do livro de Jonas parecem
apropriadas “à situação tanto em Nínive quanto em Israel durante meados do século
VIII a.C.”. Segundo ele, a Assíria “estava numa posição em que qualquer coisa
poderia acontecer. Desde os dias finais de Salmanescer III (859-824 a.C.), a nação
estava engajada num conflito crescente com Urartu, ao norte, onde a fronteira
estava sendo avançada em direção ao sul a ponto de ficar a menos de 160 km de
Nínive. Se os cruéis montanheses de Urartu se aventurassem a descer à planície do
rio Tigre, a batalha que sucederia seria o fim da Assíria. Isso explicaria a prontidão
de Nínive de dar ouvidos à mensagem de Jonas. ‘Nínive será destruída’ já não é
uma ameaça vaga; tanto para quem fala quanto para quem ouve, significa um
ataque rápido e decisivo desferido pelos invasores do norte” (Ibid. p.1273).
Tiglate-Peleser III assumiu o trono da Assíria no ano de 745 a.C. e foi uma
vara da ira de Deus (Is 10.5), que puniu a Israel até que deixasse de ser um povo e
Judá até que chegasse à beira da destruição (Is 1.9). Em 722 a.C., no final do
reinado de Salmaneser V (727-722 a.C.), Sargão II havia conquistado Samaria e no
ano seguinte deportou 27.200 pessoas (2 Rs 17.6,23,24). Mais tarde, Senaqueribe
devastou Judá, cercou Jerusalém e depois recuou e se retirou misteriosamente em
701 a.C. (2Rs 18.1-19.37).

b) O Exército Assírio.
Nos dias de Jonas, Nínive era símbolo de crueldade, violência e de
hostilidade em potencial contra o povo de Deus. Segundo Noberto Santandréa, “Os
prisioneiros de guerra capturados pelos soldados assírios eram submetidos a
torturas horríveis. Cortavam-lhes as mãos e os pés, o nariz, as orelhas e lhes
vazavam os olhos. Ao final de todo este intenso e cruel sofrimento os prisioneiros
eram decapitados e suas cabeças levadas para se edificar grandes pirâmides de
cabeças humanas” (Santandréa, Noberto. Igreja: Agência das Boas Novas.
Impressão: Gráfica Pimenta e Souto Ltda, 1996, p.21).
Segundo a história, a fama do exército assírio era tão terrível, que quando se
aproximava de algumas cidades, os moradores cometiam suicídio coletivo de medo
da tortura. Próximo da entrada de Nínive havia várias pirâmides de cabeças
humanas e várias peles de prisioneiros esticadas nos muros da cidade que
objetivavam amedrontar e afastar os possíveis invasores.
A grande cidade de Nínive era a capital do império Assírio, ficava a quase
1000 km de Israel, necessitando de uma viagem longa até lá, talvez cerca de três
meses naquele tempo. Estava “cercada e protegida por vários muralhas, cujas
alturas chegavam a 30 metros e cujas larguras permitiam que três carros, lado a
lado andassem sobre elas. Sua gente era sensual, promíscua e adúltera; seus
exércitos, cruéis e sanguinários” (Gagliard Jr. ibid. p.293).

c) Religiosidade
Nínive não era apenas uma grande cidade ou a maior cidade do mundo
daqueles dias, mas, era também, o maior centro de feitiçaria da época (Na 3.1-4,19).
O próprio nome “Ninive” é a tradução do assírio Ninua, que é transliteração do antigo
sumério Nina, nome da deusa Ishtar, uma das divindades dos assírios, chamada de
rainha dos céus. Essa divindade pagã chegou a ser adorada em Jerusalém (Jr 7.18).
Era considerada a deusa da guerra e do sexo. Portanto, violência e imoralidade
marcavam a existência da cidade” (Hernandes, Ibid. p,49).

III – JONAS E AS PARTICULARIDADES DA SUA VIDA E MINISTÉRIO


1 - Jonas é um único profeta a desobedecer de forma contumaz à vontade revelada
de Deus. Ele foge para não fazer vontade de Deus e mesmo quando está
encurralado pelas circunstâncias contrárias prefere a morte a obedecer a Deus (1.3;
11-12).
2 – Jonas é único profeta comissionado a ir ao encontro de uma nação pagã
gentílica para levar a salvação de Deus (1.2; 3.1-2).
3 – Jonas é único profeta que reclama da bondade e da compaixão de Deus (4.1-3).
4 – Jonas é único pregador que não preparou o seu sermão com zelo, não orou
pedindo bom êxito ao pregar e nem desejou a salvação dos seus ouvintes.
5 – Jonas é único profeta a alcançar, por meio da proclamação da Palavra de Deus,
100% dos seus ouvintes. Ao contrário do profeta Jeremias que pregou mais de 40
anos e não salvou, praticamente, ninguém.
IV – JONAS E A SUA TEOLOGIA
Deus é o centro do livro de Jonas. O livro começa e termina com agir miraculoso de
Deus. Jonas, por meio do Espírito Santo, nos apresenta alguns atributos de Deus,
dos quais destacamos os dois principais:

1 – DEUS SOBERANO – ninguém pode impedir Sua mão de agir. Jonas nos
apresenta Deus em ação. Deus está no controle absoluto de todas as coisas e tudo
obedece seu comando. Ele é o grande maestro do universo: A grande tempestade
(1.4); o grande peixe (1.17; 2.10); a execução perfeita da missão de Jonas (3.1-5); a
conversão dos ninivitas (3.5-10); o nascimento miraculoso de uma planta (4.6); o
verme destruidor (4.7) e o vento oriental (v.8). Somente Deus é o Soberano e
controla todas as coisas.
A soberania e o poder de Deus fazem com que nenhum de seus planos seja
frustrado (Jo 42.1). Nada pode impedir aquilo que Ele já decretou de antemão (Is
43.3). Todos os seus planos são conduzidos á consumação perfeita (Is 46.10).
Jonas até tentou fugir da presença do Senhor para não realizar a sua vontade, mas
foi uma tentativa inútil. Aquilo que Deus já decretou na eternidade, será cabalmente
realizado. Não há como fugir de Deus. Não há como deixar de realizar a sua
vontade, pois é Ele quem efetua em nós tanto o querer como realizar, segundo a sua
boa vontade (Fp 2.13) e dEle e por Ele e para Ele são todas as coisas (Rm 11.36).

2 – DEUS MISERICORDIOSO E COMPASSIVO – o livro de Jonas apresenta Deus


como cheio de compaixão. Ele usa de compaixão com os marinheiros (1.14-16);
com Jonas (1.17; 2.1-2,7-10; 4.4-6); com os ninivitas (3.10; 4.10-11). Embora, tanto
os marinheiros que eram politeítas, Jonas que era rebelde e negligente e os ninivitas
politeítas e cruéis merecessem a destruição eterna, Deus os perdoou e os salvou
por meio da sua infinita misericórdia e compaixão. Assim como nem os marinheiros,
nem Jonas e nem os ninivitas mereciam o perdão de Deus, assim também, nenhum
de nós, porque todos nós somos pecadores. Devemos depender unicamente da
maravilhosa graça de Deus (Ef 2.8-9) e esperar sempre na sua misericórdia que não
tem fim e se renova a cada manhã sobre a vida daqueles que o temem (Lm 3.22).

CONCLUSÃO
A vida e o ministério do profeta Jonas nos ensina que o melhor a ser feito é
obedecer à vontade revelada de Deus nas Escrituras. Querer fugir da vontade
soberana de Deus é pura perda de tempo. Não há lugar mais seguro e mais
importante para se estar do que no centro da vontade deste grande, soberano e
poderoso Deus. O livro nos ensina que é impossível fugir da presença de Deus. É
impossível não fazer a sua vontade. Aquilo que Ele determinou para cada de nós
será cabalmente realizado. Vale a pena servir este grande Deus, pois a sua
compaixão se estendeu até nós (gentios) e pela sua graça somos filhos Deus em
Cristo Jesus, aquele que é maior do que Jonas (Mt 12.41). Somente em Jesus Cristo
podemos agradar o Deus soberano de forma plena. Que Deus nos abençoe e faça
de nós servos conscientes da soberania e da compaixão de Deus a todos os povos.
Amém.