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VERA KOLODZIG PERDIDA NO ÍNDICO

VOLTA AO MUNDO

14 estâncias D E N E V E P A R A I R D E C A R R O

PORTFÓLIO
N .º 2 55 | J A N E I R O 2 0 1 6 | M E N S A L | A N O 2 2
Canadá
A NATUREZA SEM
FILTROS

LUXEMBURGO
SURPRESA NO
CENTRO DA
EUROPA
MADRID - LUXEMBURGO - CANADÁ - NEVE - MADAGÁSCAR - PERU N.º 255 JANEIRO 2016

Madrid
UMA VIAGEM DE SABORES
Da tradição aos novos chefs e às últimas tendências na capital
gastronómica da Península Ibérica

MENSAL, ANO 22, N.º 255, JANEIRO 2016 €4,90

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Porta
N.º 255 | janeiro 2016 | mensal | ano 22

Os dez piores
aeroportos
em 2015.

de embarque
Página 99

28
Canadá
Montanhas
Rochosas,

Patrick Grosner
Terra Nova
e Península
de Bruce.

12 24 40 56 70 84 88
Em Alta Madagáscar Madrid Luxemburgo Neve Barranco Viajantes
Um museu na O casal de atores A capital espanhola O pequeno Estado Entre no carro É o bairro com mais Renato e Magda
montanha, dois Vera Kolodzig é um destino de europeu é uma e faça-se à estrada alma e atividade Alves andam pelo
passeios de e Diogo Amaral alta-gastronomia incógnita para até 14 estâncias cultural de Lima, mundo. Apanhámo-
bicicleta, viajar foram ao Índico e que não podemos muita gente. na Europa e em a capital do Peru. -los no outro lado
até Machu Picchu trouxeram histórias perder. E neste mês Descubra-o Marrocos. Damos-lhe Um passeio pela do planeta e eles
sem sair de casa. para contar. há Madrid Fusión. em grande estilo. toda a informação. América Latina. contam-nos tudo.

Volta ao Mundo 3

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Neste mês
connosco

TENDÊNCIA
Viajar para comer
Como as experiências do palato valem tantas viagens
Patrick

Q
Grosner
uem nunca comeu um comida italiana em todo o lado para Fotógrafo
éclair no parisiense onde vão, porque é nesse confor-
Marais que atire a pri- to doméstico que se sentem bem. É uma estreia nas
páginas da Volta ao
meira pedra. Ou uma Que têm nojo do incerto e rejeitam Mundo. O fotógrafo
ostra fresca em Cancalle, ou um o que não conhecem. Por vezes as de Brasília que já
percebe numa cervejaria da gale- experiências podem não ser muito viveu em Lisboa
ga Finisterra, um pato lacado em positivas – estranhas aos nossos viajou várias vezes,
durante os últimos
Pequim, um hotdog em Coney hábitos –, mas a verdade é que o anos, pelo Canadá.
Island, um caril na zona indiana que se perde com essas está longe Trouxe o seu
Catarina de Singapura, uma coxinha de
frango num boteco do centro do
do que se ganha com todas as outras
em que nos atiramos para fora da
testemunho de um
país que é quase
Carvalho varejo, no Rio de Janeiro, uma nossa zona de conforto.
um santuário da
natureza.
alcachofra frita num restauran- Ementas em línguas estranhas,
Diretora tezinho judeu, em Roma, junto venham elas. Ementas traduzidas
catarina.carvalho@voltaaomundo.com.pt
ao Portico d'Ottavia. todas em inglês e fotozinhas dos
Uma viagem é uma entrada numa pratos, é fugir delas a sete pés e
cultura diferente, da qual os refe- nunca frequentar um restaurante
renciais que nos chegam são todos que as pratique.
sensoriais. É por isso praticamente Ultimamente o turismo gastronó-
impossível dispensar o gosto. Quem mico alcançou estatuto de categoria.
diz gosto diz sabor, palato, prazer da Há quem viaje à procura das estrelas Belén
gastronomia. Sempre me fizeram Michelin ou persiga os chefs mais Rodrigo
Jornalista
muita impressão os turistas a quem famosos. Neste mês, trazemos um
essa experiência escapa por com- guia de Madrid que faz o percurso A jornalista
pleto porque se recusam a pôr-se à pela comida – dos restaurantes aos espanhola volta às
prova, a experimentar coisas novas. chefs, relatando como a cidade se páginas da nossa
revista de viagens
Os turistas – sim, não vou cha- tornou hoje um dos polos mundiais para falar da cena
mar-lhes viajantes – que comem da gastronomia. Bom proveito. gastronómica
madrilena. Falou
com os chefs da
moda, conheceu os
restaurantes onde
é quase obrigatório
ver e ser visto
e traça-nos um
roteiro daquilo que
não pode perder na
capital espanhola.

CAPA: La Casa del


Abuelo, restaurante
tradicional de tapas
e vinhos em Madrid.
Fotografia de Bruno
Ehrs/Corbis
DR

4 VOLTA AO MUNDO

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GUILIN, CHINA

Aldeia da
roupa colorida
NA PROVÍNCIA DE GUANGXI, ONDE
HABITA O POVO YAO, HÁ TODOS OS
ANOS UM FESTIVAL DEDICADO À
SECAGEM DE ROUPA. ACONTECE
A CADA 6 DE JUNHO E NASCEU DA
IDEIA DE QUE A LUZ DO SOL NESTE
DIA TEM O PODER DE DESINFETAR
AS ROUPAS E AFASTAR OS
INSETOS.

FOTOGRAFIA DE CHINAFOTOPRESS/GETTYIMAGES

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OYMYAKON, RÚSSIA

Frio, mas frio


NO LESTE DA SIBÉRIA, AS
TEMPERATURAS RONDAM OS
50 GRAUS NEGATIVOS NO
INVERNO. A REALIDADE TÉRMICA
É TAL QUE A SIMPLES RESPIRAÇÃO
DAS RENAS PROVOCA NEVOEIRO
EM REDOR E SOBRE A MANADA.
OYMYAKON É VISTA COMO A
LOCALIDADE HABITADA MAIS FRIA
DO PLANETA.
FOTOGRAFIA DE DEAN CONGER/CORBIS

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Em Alta
{ A Milão de Carla Vieites na página 18}
Um edifício
com mil
metros.

19
Vem aí um navio de cruzeiro totalmente ecológico, uma casa espelhada nas
1007 m

montanhas Dolomitas, um hotel cheio de bem-estar no Porto Santo e uma visita


838 m

a Machu Picchu sem sair do sofá. E a embaixadora do Paquistão em Portugal.


660 m
828 m

TEXTOS DE JOÃO FERREIRA OLIVEIRA (OLIVEIRINHA1111@GMAIL.COM)

museu

O admirável homem
das montanhas
Reinhold Messner inaugurou o seu sexto e último museu, na região do Tirol. Uma declaração de amor
às montanhas daquele que é considerado o maior alpinista de todos os tempos.

O Museu de Corones está aberto todos os dias da semana entre as 10h00 e as 16h00. Entrada: 8 euros para adultos, metade para as crianças.

12 VOLTA AO MUNDO

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F oi o primeiro a escalar 14 picos acima dos 8 mil metros de altitude.
O primeiro a escalar o Evereste sem oxigénio. O primeiro a fazê-lo sozinho.
Viver do passado não lhe pareceu, ainda assim, um projeto de vida suficien­
temente ambicioso, por isso decidiu construir seis museus na parte italiana
do Tirol, a região que o viu nascer. Reinhold defende que as montanhas têm
uma dimensão cultural e que estes museus ajudam a compreender melhor
não só a nossa geografia como a nossa própria identidade. O primeiro abriu
em 2006, já o último dos seis (Corones) foi agora inaugurado. Ele diz que é
mesmo o último, se bem que os mais próximos garantam que não conseguirá
ficar por aqui. Um edifício situado a 2000 metros de altitude, com design
contemporâneo e uma enorme superfície de vidro que alguns críticos já
apelidaram de esconderijo perfeito para James Bond. Escusado será dizer que
a vista é única (em Itália mas já com cheiro a Áustria), podendo ser visitado
individualmente ou em conjunto com os restantes museus. messner-mountain-museum.it

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Em Alta
A ilha da Madeira foi distinguida,
a 12 de dezembro, como o melhor destino insular do mundo.
O reconhecimento chegou através dos World Travel Awards (WTA), prémios
atribuídos em El Jadida, Marrocos, no Mazagan Beach and Golf Resort.

+
Mar verde
Um navio de cruzeiros
totalmente ecológico
dentro de poucos anos.

Dos navios de
cruzeiros costuma
falar-se da dimensão
e do luxo que lhes estão
normalmente associados.
Mas também das preocupa-
ções ecológicas, já que têm
consumos de energia e
combustível gigantescos.
A Costa Cruzeiros anunciou
para 2019 a construção de
um novo navio para 6600
passageiros, o maior do
mundo, mas que será
também o menos poluente
de sempre. No entanto, há
destino um grupo de trinta especia-
listas que quer criar uma

espelho
embarcação totalmente
ecológica - o Ecoship.
O outro lado do O trabalho começou em
2014 e poderá estar
Nas montanhas Dolomitas há um segredo à sua espera. Arquitetura e luxo, para condizer concluído em 2020, caso
com a beleza natural circundante. haja parceiros e financia-
mento. Um conjunto de

O s museus de Reinhold Messner não são a


única das maravilhas arquitetónicas nas
montanhas. As Mirror Houses estão entre os
imagens de marca. Tudo para que a beleza da
paisagem se veja a dobrar. Ficam no coração
das Dolomitas, montanhas classificadas como
painéis solares no topo da
embarcação, baixo
consumo, reutilização das
segredos mais bem guardados quando se fala Património Mundial pela UNESCO, e relativa- águas da chuva e promessa
de alojamentos contemporâneos. E com mui- mente próximo da bela e pacata cidade italiana de zero descargas de
to charme. Um conjunto de casas onde, tal de Bolzano. resíduos nos mares são
como o nome indica, o vidro e o reflexo são as mirror-houses.com mais-valias. O design
é inspirado nas baleias.

Preço por
noite a partir
de 160 euros
por casa.
Na época
alta chega
aos 250
euros.

14 VOLTA AO MUNDO

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ões e v a s
est õ
ug

es
s
Duas sugestões em Portugal,
vindas de quem mais sabe sobre o assunto – a revista Evasões.
PORTUGAL

es
ge

su
s tõ e s e va s õ

01 CASCAIS
O chefe da Fortaleza
Antoine Westermann definiu a cozinha da Fortaleza do Guincho. Vincent Farges respeitou
a premissa e abriu-a aos produtos nacionais. Miguel Rocha Vieira é o senhor que se segue.

Miguel Rocha Vieira, o chef, es- Westermann, ex-consultor da de Rocha Vieira. Foi ele
tava há 17 anos fora de Portugal, Fortaleza, mas que foi também, quem, ao saber da partida
com passagem por vários restau- justiça lhe seja feita, um dos pri- de Farges e depois de falar
rantes estrelados (o Costes, em meiros entre nós a apostar em com o colega, deu a saber
Budapeste, deu-lhe notoriedade) produtos nacionais de grande da disponibilidade: «Sou de
e chegou à Fortaleza do Guincho qualidade, abriu caminho para a Cascais e sempre olhei para a
em agosto. Desde finais de no- mudança de equipa e de filosofia Fortaleza como um sítio onde
vembro está a mostrar ao que – «Era necessário passar final- gostaria de trabalhar quando sen-
veio. «Foram anos muito bons, mente de um chef francês para tisse que tinha bagagem para
mas agora é tempo de virar a pá- um português. Não conhecia o isso.» Conhecido do grande pú-
gina», confirma Petra Sauer, Miguel, mas, de todos com quem blico graças à sua prestação tele-
diretora deste Relais & Châteaux falei, ele foi aquele que, desde o visiva como jurado do Master-
com uma estrela Michelin desde início, melhor se encaixou no Chef, Rocha Vieira prossegue: Fortaleza do Guincho
2001. A saída de Vincent Farges projeto que temos para a Forta- «Estive estes anos todos longe Estrada do Guincho (Cascais)
em julho, que dera seguimento leza. Tive logo a confirmação: é do mar, agora quero apresentar Tel.: 214870491
à proposta inicial de alta-cozinha este!», confidencia a alemã. o máximo de peixe e de marisco Preço médio: 90 euros
francesa desenhada por Antoine A iniciativa partiu, no entanto, possível: mas não só.» JMS Web: fortalezadoguincho.pt

02 Porto São
PORTO
A pouco mais de hora e meia de Portugal continental, há uma ilha madeirense
SANTO
que desafia os paraísos das Caraíbas, Canárias e América do Sul.

quilómetros de extensão. O Vila turcos e banhos vichy. Ao longo


Baleira Resort – Porto Santo de todo o ano, Porto Santo con-
Thalassa & Spa está de porta vida. Faz-nos roer de inveja.
aberta durante a maior parte do E se ainda não acredita, faça as
inverno (encerra apenas nas malas e vá fazer observação de
FERNANDO MARQUES

duas primeiras semanas de ja- cetáceos e golfinhos em redor


neiro) e no edifício principal da ilha. Do ar, do mar ou de
encontramos o restaurante terra, Porto Santo é especial.
Atlântico, liderado pelo chef E está cada vez mais apetecível.
Manuel Santos e sua equipa. RS
Depois da Segunda Guerra de todo o mundo. Assim nasceu Rendeu-se aos produtos da ilha
Mundial, cinquenta médicos o Vila Baleira, o hotel que, de- e tem sempre peixe nas emen-
alemães renderam-se às quali- pois de algumas mudanças de tas. A caminho da praia desco- Vila Baleira Resort
dades terapêuticas das areias mão, faz agora parte do grupo bre-se o espaço de talassotera- Sítio do Cabeço da Ponta
do Porto Santo. Numa decisão Ferpinta. É aqui que se localiza pia onde podem ser tratadas Porto Santo
ainda hoje envolta em algum o maior centro de talassoterapia doenças do foro reumático, fi- Tel.: 291980800
mistério, construíram na pri- de Portugal (3500 m2 de área). siátrico e ortopédico nas diver- Preço: quarto duplo a partir
meira linha de praia um espaço Mesmo à beira de uma praia de sas salas de tratamentos e mas- de 60 euros por noite.
que pudesse receber visitantes areia dourada com mais de nove sagens ou na sauna, banhos Web: vilabaleira.com

Saiba tudo o que há de melhor em Portugal com a revista Evasões. Todas as sextas com o Diário de Notícias e com o Jornal de Notícias.

VOLTA AO MUNDO 15

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Em Alta
Óbidos e Idanha-a-Nova foram escolhidas
pela UNESCO. A primeira entrou para o lote das Cidades da
Literatura. A segunda foi oficialmente aceite no grupo de Cidades da
Música. O anúncio foi feito em Paris.

bicicletas

ANTÁRTIDA AMESTERDÃO

Explorar Descobrir
a Antártida... Amesterdão...
de bicicleta à boleia
Uma expedição de bicicleta na Antártida soa a tarefa im- Se estiver na capital holandesa e vir uma bicicleta com a
possível. Mas não é. Será uma realidade no final de 2016. grade de trás pintada de amarelo não hesite. Peça boleia.

C omecemos pelo preço para que ninguém vá ao engano:


cerca de 70 mil euros por pessoa é quando custará esta Um grupo
aventura em duas rodas pela Antártida. Um valor demasiado de jovens de
E xiste uma empresa de aluguer de bicicletas em Ames-
terdão com a sugestiva denominação de Yellow Bike.
Tal como o nome indica, as bicicletas são amarelas e podem
Amesterdão
elevado para a maioria dos leitores, se bem que os organizado- pode servir ser alugadas à hora ou ao dia. A Yellow Backie pertence à
res aconselhem a fazer a reserva com a maior brevidade possí- de guia aos casa, mas não é exatamente a mesma coisa. Aqui só a
vel, já que a procura tem sido muita. Afinal, trata-se da primei- turistas. grade traseira é amarela e ninguém lhe pedirá qualquer
Em duas
ra expedição em bicicleta realizada nesta parte do globo. Um rodas. valor em troca. Se vir alguma na rua basta fazer um sinal
programa de 18 dias que terá lugar apenas em dezembro de para parar. Ou gritar Backie. Tem de ir sentado na grade,
2016, mas que começa já no mês de fevereiro, com um estágio é um facto, mas este é na verdade um hábito muito comum
no lago Winnipeg, no Canadá, de forma a que os participantes entre os holandeses. E o que este projeto procura é preci-
possam mostrar que têm pulmão e pedalada para tamanho samente criar laços entre os habitantes locais e os turistas,
desafio. A adaptação às condições adversas é um dos pontos contornando assim alguma saturação e tensão que se vai
mais sensíveis. Chegada a hora da aventura, os participantes sentido aqui e a ali, tal o fluxo turístico ao longo das últimas
não irão diretamente para a Antártida, ficando alguns dias décadas e a quantidade de vi-
instalados em Punta Arenas, no Chile, outras duas noites numa sitantes de Amesterdão que
base glaciar e só depois começam a pedalar a sério. Que é como circulam a baixa velocidade
quem diz 111 quilómetros desde o paralelo 89 até ao polo sul, a pelas ruas. Uma forma de co-
uma média de 20 quilómetros por dia. Parece pouco, mas con- nhecer a cidade, sem pagar na­
vém não esquecer que se trata de uma superfície gelada com da e, pelo caminho, fazer algu-
temperaturas que ultrapassam os 40 graus negativos. mas amizades.
tdaglobalcycling.com/antarctica yellowbackie.org

16 VOLTA AO MUNDO

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inovar

Ir a Machu
Picchu
sem sair do sofá
A cidade inca de Machu Picchu já pode ser visitada
através do Google Street View.
Páscoa ESPECIAL

Desde
ESLOVÉNIA, CROÁCIA E BÓSNIA
1.190
A s Pirâmides do Egito, o
monte Evereste, os tem-
plos de Angkor Wat, a cida-
Tudo conseguido graças a
uma espécie de mochila
(trekker) com cerca de 22
Partida de Lisboa ou Porto (via Lisboa) a 20 mar.’16

7 noites | APA + 7 refeições



por pessoa em duplo

de jordana de Petra. A todas quilos e 15 câmaras de alta


estas «maravilhas da natu- resolução que um engenhei- Visitando: Zagreb, Ljubljana, Postojna, Zadar, Split, Dubrovnik,
reza» que já podiam ser vis- ro da Google carregou às Pocitelj, Medjugorje, Mostar e Plitvice
Inclui: avião + transfer + hotéis 3 e 4 estrelas + circuito em autocarro
tas através do Google Street costas, como se de um tu- de turismo + guia local em espanhol + entradas em museus e
monumentos de acordo com o itinerário + taxas de aeroporto,
View, junta-se agora a cida- rista se tratasse. segurança e combustível (€ 131) + Seguro Multiviagens
de inca de Machu Picchu, no
Peru. É sabido que visitar google.com/maps/about/
Desde
uma cidade através do com-
putador não é bem a mesma
behind-the-scenes/
streetview/treks/
MIAMI É VICIANTE
€ 1.753
por pessoa em duplo
Partidas de Lisboa a 19,21,24 e 26 mar.’16
coisa do que fazê-lo presen-
7 noites | Só Alojamento
cialmente, mas sempre é
melhor um passeio virtual
do que nada. Até porque a
qualidade das imagens é in- Inclui: avião + transfers + Hotel Miami Beach Resort & Spa | 3
estrelas + meio dia de visita de cidade de Miami com guia local em
questionável. Com a possi- espanhol + taxas de aeroporto, segurança e combustível (€ 375) +
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bilidade de 360 graus de
movimento horizontal e 290
graus de movimento vertical Desde

tentam reproduzir uma vi-


PERU INESQUECÍVEL
€ 2.622
por pessoa em duplo
Partida de Lisboa ou Porto a 19 mar.’16
sita a pé por esta misteriosa
construção localizada acima 9 noites | APA + 2 refeições

dos 2400 metros de altitude.

360 graus de Visitando: Lima, Cusco, Vale Sagrado, Machu Picchu e Águas
Calientes.
movimento horizontal Inclui: avião + transfer + hotéis de categoria turística + guia local em
espanhol + taxas de aeroporto, segurança e combustível (€ 554) +

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do movimento
vertical
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COMPETÊNCIA DO CONSUMIDOR
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portugueses mais confiam
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Em Alta ESCOLHAS

cicerone

1. Duomo
Obviamente o Duomo, que é o coração
da cidade, com a Galleria Victor 4. Parco
Sempione
Emmanuel... e agora há um passeio
sobre a Galleria, por cima dos telhados,
que é fantástico. Fica por trás do Castello Sforzesco.
É um parque enorme, com o Bar Bianco
no centro, perfeito para famílias e
solteiros de todas as idades. Dá para
fazer jogging ou ouvir música ao vivo.

5. Brera
Fica a dez minutos a pé do Duomo.
Tem videntes que leem a mão, lojas de
design e alguns dos melhores happy
hours de Milão. É um must.
2. Canais
Os dois canais de Milão estão cheios
de vida. Há cafés, bares, restaurantes
e exposições. São mesmo ao pé
de minha casa e perfeitos para tomar
uma bebida depois do jantar.

Milão
DE CARLA VIEITES
E sta portuguesa licenciada em Gestão pelo Instituto Superior
de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE) nasceu em
1973 em Lisboa. Aos 22 anos terminou a sua licenciatura e no 6. Palácio Real
3. Corso Como mesmo ano começou a trabalhar como key account na P&G É um importante centro cultural e já foi
Os cafés de design, como o 10 Corso a residência real em Milão. Está mesmo
Como, são imperdíveis. É onde vou ver Portugal. Em 1997 mudou-se para a Gillette España onde exer-
ao lado do Duomo.
o World Press Photo todos os anos, e ceu as funções de brand manager e de 1999 a 2001 trabalhou
uma das zonas mais bonitas da cidade, em Portugal na Pepsi. Até que, em 2002, Carla se mudou para
sem trânsito e com ótimas geladarias. a cidade do Norte de Itália para assumir o cargo de marketing 7. Teatro Scala
manager da Pepsi South Europe. Durante os anos que tem É uma das salas de espetáculos mais
famosas do mundo e é sempre um prazer
passado em Milão desempenhou várias funções de diretora de
visitá-la. Uma experiência inesquecível.
marketing na Heinz, mas também na prestigiada Expo Milano.
Em abril de 2014 voltou ao negócio dos refrigerantes, sempre
com a Pepsi, e é lá que se mantém. O cappuccino, aqui parti-
lhado com o filho, é um dos prazeres que não dispensa em
Milão, como confessou à Volta ao Mundo. E há tanto para fazer
numa cidade que muitas vezes é vista como escura e industrial,
mas que, na realidade, é surpreendente a cada esquina. Para
viver Milão é preciso conhecê-la ou ter os melhores cicerones
à mão. Carla é um dos nossos guias.

18 VOLTA AO MUNDO

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recorde

O céu ainda é o limite?


O edifício mais alto do mundo terá um quilómetro de altura. Será construído na Arábia Saudita.

L onge vão os tempos em que o Empire


State Building era uma referência em
termos de altura. Hoje, com os seus 381
mas que dentro de cinco anos deve ser
destronado pela Kingdom Tower, empreen­
dimento localizado na cidade saudita de
de euros, alguns dos números que vêm
acoplados a este megaprojeto. Uma verda-
deira obra de engenharia que terá várias
metros, ocupa um modesto 186º lugar en- Jidá e que terá um quilómetro de altura – formas ao longo da sua estrutura, para que
tre os edifícios mais altos do mundo. Uma 1007 metros, mais precisamente. a força e possíveis estragos causados pelo
tabela que ainda é liderada pelo icónico Serão 200 andares, 80 mil toneladas de aço vento não se façam sentir. Tem vista para
Burj Khalifa, do Dubai, com 827 metros, e um investimento de cerca de 900 milhões o mar Vermelho.

OS EDIFICIOS MAIS ALTOS DO MUNDO


Acima dos 500 metros de altura, só um não fica na Ásia.
530 m
541,3 m
597 m
1007 m
838 m

530,4 m
555,7 m
601 m

492 m
660 m

632 m
828 m

508 m

Kingdom Sky Burj Pingan Shanghai Makkah Royal Clock Goldin Lote World One World CTF Tianjin Chow Thai Taipei Shanghai World
Tower City Khalifa Internacional Tower Tower Hotel Finance 117 Tower Trade Center Tower Fook Center 101 Finance Center
Arábia Saudita China Dubai China China Arábia Saudita China Coreia do Sul EUA China China China China

VOLTA AO MUNDO 19

012-021_EmAlta_ER.indd 19 15-12-2015 01:25:43


Mala Diplomática
TESOUROS DOS PAÍSES VISTOS PELOS EMBAIXADORES POR LEONÍDIO PAULO FERREIRA

Leena Salim Moazzam


«JÁ VI O K2, MAS DE AVIÃO. TÃO BELO. RODEADO DE NUVENS»

O
pai de Leena Salim Moaz­
zam, a embaixadora do
Paquistão em Lisboa,
também era diplomata. E quan­
do o governo decidiu mudar a
capital de Carachi para Islama­
bad, a família instalou-se em
Murree, uns 45 quilómetros a
norte, à espera que fossem aca­
bados os novos edifícios para a
fundação oficial da cidade em
1960. Foi ali que Leena Salim
Moazzam nasceu, «com vista
para os Himalaias», conta, «mas

REINALDO RODRIGUES/GLOBAL IMAGENS


só de manhã bem cedo».
É natural que diga adorar
montanhas. O Paquistão tem
várias acima dos oito mil metros,
com destaque para esse K2 que
com 8611 metros só fica atrás (ou
abaixo) do Evereste, na fronteira
entre o Nepal e a China. «Já vi o paquistão
K2, mas de avião. Tão belo. Ro­
deado de nuvens brancas, o pico
parecia flutuar no céu.» No seu suicidas não são muçulmanos. A embaixadora é admiradora seja só por causa da disputa com
gabinete um quadro exibe uma Matam inocentes. Desrespeitam incondicional de Mohammed a Índia por Caxemira ou dos ata­
fotografia da montanha e como Deus», diz a diplomata, que Ali Jinnah, o fundador do Pa­ ques dos talibãs paquistaneses
se fosse preciso mais para teste­ acrescenta que o exército está a quistão. E admite que foi a mor­ que o país surja nas notícias.
munhar este amor pelas monta­ fazer um bom trabalho perse­ te deste, pouco depois do nas­ «Temos uma história rica. Cida­
nhas a diplomata tem sobre uma guindo os grupos terroristas. «É cimento do país, que afetou o des lindas como Lahore. As
mesinha o livro Pakistan's Golden esse o trabalho dos militares, desenvolvimento da sociedade montanhas. Povos como os ka­
Thrones, de Tommy Heinrich, defender o país», acrescenta paquistanesa, com a democracia lash, talvez descendentes dos
um alpinista argentino. esta mulher, prestes a deixar a ser por vezes substituída por soldados de Alexandre», expli­
Filha de embaixador e casada Lisboa depois de dois anos cá. ditaduras. «Mas agora tivemos ca Leena Salim Moazzam. E sobre
com o embaixador paquistanês a primeira transferência de poder o estatuto das mulheres, num
na Holanda, Leena Salim Moaz­ «TEMOS UMA HISTÓRIA de um presidente civil para ou­ país que é uma república islâmi­
zam confessa-se otimista sobre tro», sublinha. ca, a embaixadora dá o seu
RICA. CIDADES LINDAS
o futuro do seu país, nascido em Com um historial de guerras exemplo, relembra também Be­
1947 para ser pátria dos muçul­ COMO LAHORE. AS com a Índia, com territórios dis­ nazir Bhutto, que foi primeira-
manos da Índia. «Na Europa MONTANHAS. POVOS putados na zona dos Himalaias, -ministra, e ainda Malala You­
descobriram agora o terrorismo, COMO OS KALASH, o Paquistão é um país com 190 safzai, a menina que foi baleada
mas nós sofremos com ele há milhões de habitantes, com um pelos jihadistas por defender a
TALVEZ DESCENDENTES
décadas. Sabe qual o maior pe­ potencial enorme, basta pensar educação e recebeu o Nobel da
cado para um muçulmano? Tirar DOS SOLDADOS que tem armas nucleares. A em­ Paz. «Inchallah continuemos no
a própria vida. Estes bombistas DE ALEXANDRE.» baixadora lamenta, porém, que bom caminho.»

Leena Salim Moazzam é desde 2014 embaixadora do Paquistão em Lisboa. Filha de um diplomata e casada com o embaixador atual na Holanda. Nasceu em Murree.

20 VOLTA AO MUNDO

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Passageiro Frequente

Uma crónica de José Luís Peixoto

CURITIBA

E
stava arrumada, à minha espera: apresentava Ucrânia, haverá muitas casas deste Brasil onde não se esqueceram
uma temperatura amena, uma claridade amena, as danças certas para essa celebração, onde os trajes tradicionais
um olhar sem maldade. Assim, naquela calma de são usados por gente loura que almoçou picadinho.
domingo, pareceu­‑me uma cidade para dias tão Estava arrumada, à minha espera, com uma espécie de
largos como as suas ruas e avenidas. Consegui sorriso tímido em tudo: nas fachadas dos edifícios, nas cores,
imaginar­‑nos a envelhecer juntos, a dividirmos no breve silêncio que se podia distinguir entre as vozes dos
fins de tarde. Consigo ainda imaginar­‑nos. Nada menos do que passeios, prudentes e cordiais, entre os carros da estrada,
esse compromisso me parece digno de uma seriedade como a que cumpridores e com bons travões. Era uma cidade penteada, de
vejo em ti. As propostas indecentes estão fora de questão. rosto lavado e angústia subtil.
Repito o teu nome em silêncio, os meus lábios a moldarem­ Talvez eu devesse ter desconfiado dos bigodes do Paulo Le‑
‑no, ouço­‑o na cabeça com uma minski, sujos de aliterações. Tal‑
voz que imagino ser tua. Como vez eu devesse ter desconfiado
quando esse nome foi dito pela das suas fotografias impressas na
primeira vez, em tupi ou em Apesar de todas as fronteiras, capa dos livros. Poesia como essa
guarani, e alguém lhe avaliou a precisa de matéria rugosa, ma‑
justiça, procurando entender se
visíveis e invisíveis, aqui é esse drugadas de tempestade, ossos,
dizia todo o futuro que era capaz Brasil sem Copacabana, sem alguma falta de civismo. Não há
de conceber. Cheguei já nesse fu‑ Amazónia, sem acarajé. Porque luz sem sombra.
turo. No entanto, sei que há mais o Brasil também é camisola de lã, Ainda assim, consegui
futuro ainda. Ao concebê­‑lo, sinto imaginar­‑nos a envelhecer jun‑
falta dele, sinto saudades porque
carne de onça, empate a zero tos. Tinha acabado de chegar e
sei que terei de partir. E afasto esse do Clube Atlético Paranaense faltava­‑me o mal­‑estar de pro‑
pensamento. na Arena da Baixada. curar defeitos, precisava des‑
Curitiba, empresta­‑me algum canso dessa viagem que conti‑
do teu urbanismo. Preciso dele nuava a estender­‑se a cada passo
para me endireitar. Às vezes, o que dava. Agora, consigo ainda
trânsito que me atravessa confunde­‑se e ninguém é capaz de imaginar­‑nos a envelhecer juntos. Com essa força, Curitiba, prefi‑
chegar a parte alguma, construí demasiados muros, demasiados ro encher a boca de vogais. Digo: Paraná. Aproveito essa liberdade
becos, falta­‑me um sistema funcional de transportes. inocente, como se cantasse o teu hino.
Sim, a Ucrânia, a Polónia, a Itália, a Alemanha, mas também E baixo as pálpebras sobre os olhos para sentir este sol, que é
o Brasil. Apesar de todas as fronteiras, visíveis e invisíveis, aqui é ligeiramente quente e fresco ao mesmo tempo. Como se te recor‑
esse Brasil sem Copacabana, sem Amazónia, sem acarajé. Porque dasse, devolvo a serenidade com que me olhas. E, neste dia largo,
o Brasil também é camisola de lã, carne de onça, empate a zero do nestas ruas e avenidas também largas, imagino que somos noivos,
Clube Atlético Paranaense na Arena da Baixada. E se for feriado na que estamos noivando, que sabe tão bem noivar.

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A Avenue du Baobab,
em Morondava, tem perto
de 25 árvores com mais de
Ponto de Vista 30 metros de altura cada.

VERA KOLODZIG

No meio de lugar nenhum


A atriz portuguesa Vera Kolodzig surpreendeu-se em Madagáscar. Descobriu a ilha com o também ator Diogo
Amaral que trouxe as fotografias de uma viagem que ambos não esquecem. E onde se sentiram perdidos.

T enho uma pequena ob-


sessão por mapas. Pre-
ciso de saber sempre
onde estou e qual a re-
lação entre os locais.
Nas viagens de avião vou sempre atenta ao
indicador no pequeno ecrã. Dá-me uma cer-
ta segurança saber onde estou. Gosto de me
perder por ruas desconhecidas, mas gosto
sensação que tive quando cheguei às Filipinas:
a de que tinha aterrado numa América Lati-
na asiática. A verdade é que não conheço a
América Latina, mas o meu imaginário de
telenovelas venezuelanas e pinturas da Frida
Kahlo é suficiente para me criar sensações.
Antananarivo é a capital e é, também, a
maior cidade desta ilha do oceano Índico. Foi
fundada em 1600 e construída no cimo de
íngremes e letras gigantes à Hollywood. Outro
local a não perder é o Anosy, um lago artificial
em forma de coração no sul da cidade. Nas
margens há barracas de barbeiros locais des-
providas de máquinas de barbear – as tesouras
mais parecem instrumentos de tortura.
No segundo dia de viagem apanhámos um
taxi-brousse (um autocarro local) para An­
tsirabe, com o objetivo de planear a descida
sempre de saber em que zona. Ou, no míni- doze colinas. É uma mistura de casas de ma- do rio Tsiribihina. Numa carrinha de nove
mo, saber em que cidade estou e em que deira, edifícios da era colonial francesa e lugares cabem dezasseis pessoas, e nem a
parte do país fica essa cidade. A primeira vez escritórios modernos. Dos pontos de interes- compra de quatro lugares para dois me deixou
que me senti realmente perdida foi em Ma- se destaca-se o Rova, o palácio no ponto mais mais confortável. Organizada a descida do
dagáscar. Ainda hoje não faço ideia de onde rio com um guia local, apanhámos mais um
estava, porque a pequena localidade de An­
tsikaraka não aparece em nenhum mapa.
«A primeira vez que taxi-brousse que foi um verdadeiro teste à
minha paciência. Demorámos sete horas e
Estava mesmo no meio de lugar nenhum. me senti perdida foi em meia a fazer 200 quilómetros, primeiro por-
Algures ao longo do rio Tsirihibina. Madagáscar. Estava no que queimou a embraiagem, depois porque
Tinha chegado a Madagáscar há pouco meio de lugar nenhum. ficámos sem travões e, como se não bastasse,
tempo, depois de um mês com os dias con-
tados em Moçambique. Os vistos para por-
Algures ao longo do rio iam saltando peças não sei bem de onde. As
pessoas entravam e saíam mesmo quando
tugueses são cada vez mais difíceis de obter Tsirihibina.» parecia que não cabia mais ninguém – mu-
especialmente para viajantes sem hotel mar- lheres com bebés, velhos com cestos de ga-
cado. Exceder o prazo do visto estava com- alto da cidade que serviu de residência a linhas (vivas) e homens com espingardas na
pletamente fora de questão, por isso o Diogo vários reis. Sofreu um incêndio em 1995 que mão. Na chegada a Miandrivazzo pude final-
e eu esprememos, nos trinta dias a que tínha- destruiu todo o património no interior, so- mente descansar no prometido «quarto com
mos direito, três mil quilómetros de estradas brando apenas a estrutura de pedra e os tú- casa de banho» – uma retrete sem tampo a
esburacadas num velho SUV emprestado por mulos dos maiores monarcas. Ainda assim um palmo da cama.
uma familiar que vivia em Maputo. vale a pena visitar, tanto pela vista sobre a A descida do rio Tsiribihina incluía o bar-
A primeira impressão que tive quando cidade como pelo cenário fantasmagórico. queiro, a tenda e as refeições. Senti-me uma
cheguei a Antananarivo (palavra que me Senti que podia ali ser filmada qualquer uma verdadeira Pocahontas quando me sentei na
parece sempre ter uma sílaba a mais) foi a de dessas séries de vampiros. piroga. A embarcação não passava de um
que tinha acabado de chegar a um pedaço de Depois da visita ao palácio perdemo-nos tronco cravado mas surpreendentemente
América Latina africana. Quase como a nos bairros circundantes entre escadas estável. Com a água a dois dedos do topo da

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madeira, a relação com o rio acastanhado -me dentro de uma pintura e, por momentos, tantos porque os matam para vender. Essa
cheio de crocodilos no fundo tornava-se de- acreditei que éramos as únicas pessoas no informação, apesar de triste, tinha-me pou-
masiado próxima. Parámos duas noites ao planeta. Deslizávamos tranquilamente ao pado alguns medos durante estes três dias.
longo da margem. A primeira numa pequena ritmo da corrente fraca e íamos passando por Foi assim que chegámos a Antsikaraka, a vila
comunidade, a segunda num ilhéu deserto. florestas deslumbrantes, bandos de pássaros no meio de lugar nenhum, levados num
Foi aí que assisti à morte da nossa compa- coloridos e montanhas a perder de vista. carro de bois depois da descida do rio.
nheira de viagem Clotilde, uma galinha ma- Tirei uma fotografia a um habitante da mar- Madagáscar é o país mais selvagem em que
gra que saboreei ao jantar com uma certa gem que chorou quando viu a sua imagem já estive. Em muitos momentos senti-me
amargura. A viagem pelo rio é relaxante e ao porque percebeu que estava velho. Antes de engolida pela natureza. Noventa por cento
mesmo tempo esmagadora. As paisagens são desembarcar vi o tão esperado crocodilo. das espécies de animais e plantas da ilha não
arrebatadoras, os sons muito intensos. Senti- Descobri mais tarde que já não há assim se desenvolveram em mais nenhum sítio do
mundo. Há setenta espécies de lémures e seis
espécies de embondeiros exclusivos da ilha.
«É o país Aliás, ver lémures e embondeiros era o nos-
mais so objetivo de viagem. Uma das espécies de
selvagem embondeiros que vimos tem a capacidade de
regenerar os seus troncos quando caem. Ou-
em que tra é a presente na Avenue du Baobab, em
já estive. Morondava – imagem típica e cartão-postal
Em muitos do país. Esta avenida é composta por cerca
momentos, de 25 árvores com trinta metros de altura
numa estrada de terra que foi em tempos uma
senti-me floresta. Alugámos uma moto de quatro rodas
engolida (ou melhor, pedimos emprestada aos donos
pela de um café em troca de algum dinheiro) para
natureza.» passear para trás e para a frente nesta aveni-
da até ao pôr do Sol, a hora mágica em que as
cores ficam mais intensas.

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Antananarivo,
a capital de
Madagáscar.

O meu primeiro encontro com um lé- ristas com quem nos cruzámos tinham todos a não fazer ideia de onde surgiram os habi-
mure foi num bungalow na praia de Ifaty. um roteiro estudado e organizado e a única tantes que nos ajudaram a tirar o jipe do rio.
Senti a parede de bambu a estremecer e vi rapariga que encontrámos a viajar sozinha Quando viajo gosto de viver ao máximo a
um pequeno bicho cinzento com os olhos estava em pânico porque não encontrou o vida local e em Madagáscar as experiências
vermelhos a fugir. Lido bem com baratas, espírito backpacker de que estava à espera. não podiam ter sido mais genuínas. Numa
mosquitos e outros bichos do género, mas É preciso ter muita paciência porque as in- noite, depois de alguns copos de rum barato,
só a ideia de um rato causa-me ataques de fraestruturas são muito básicas. acabámos numa festa familiar da circuncisão.
ansiedade ao estilo de Paris Hilton. Só no Para evitar mais uma jornada de taxi- O ritual inclui o sacrifício de galinhas, patos
dia seguinte um funcionário do resort dis- -brousse decidimos alugar um jipe com mo- ou bois. Agora que não como carne talvez
se que se tratava de um lémure noturno. torista (porque não podia ser de outra forma) fosse mais difícil lidar com isto. Houve muita
Até então para mim os lémures eram ani- para viajar entre Morondava e Ifaty numa comida, bebida e dança até ao nascer do dia,
mais com a cauda comprida às riscas e estrada que estava fechada naquela altura do hora em que foi feita a «operação». Segundo
sentido de humor, como no filme de ani- ano. Sabia que a estrada era má, não sabia a tradição só assim é que os rapazes se tornam
mação. Essa espécie mais «típica» só vi no que era inexistente. Demorámos dois dias, verdadeiros homens. Não fomos convidados
parque natural de Isalo. da madrugada ao cair do Sol, a percorrer mas fomos muito bem recebidos.
Madagáscar é um país cheio de surpresas. cerca de 450 quilómetros de mato denso que Madagáscar é um país único, um autên-
Não é propriamente fácil fazer uma viagem incluiu uma praga de gafanhotos e longas tico caleidoscópio de natureza. Foi aqui que
independente e foi por isso que se tornou tão horas atolados num rio. Mais uma vez não me encontrei por finalmente me ter sentido
especial. Adoro desafios e aventuras. Os tu- fazia ideia onde estava no mapa. E continuo realmente perdida.

SEN HORA D O TEM PO SEM FI M


Atriz, jovem, aventureira, mãe recen- outras. Fez também dobragens de filmes de uma viagem de quase quatro meses fotográfico na Vogue. A atriz foi escolhi-
te, Vera Kolodzig foi protagonista da de animação como Happy Feet ou Cars, pela Ásia e Oceânia assinou a coautoria da pel’O Boticário para ser a nova cara
telenovela da TVI Jardins Proibidos. participou em curtas-metragens como de Nós por Aí, livro em que revela a sua da campanha de Natal da marca. Nesta
Estreou-se no teatro em Confissões Romeu & Julieta ou The Blind Voyeur. paixão por viagens e conta como é viajar edição da Volta ao Mundo recorda a sua
de Adolescentes e participou em peças Entre os seus mais recentes trabalhos de mochila às costas. Recentemente passagem por Madagáscar com Diogo
como A Dama do Maxim, Os 39 Degraus televisivos destacam-se as telenovelas viajou com a família pela costa califor- Amaral, autor das fotografias publicadas
ou Consegues Ver os Teus Pés?, entre Doida por Ti e Espírito Indomável. Depois niana com relatos semanais no jornal i e neste Ponto de Vista.

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Canadá
AO NATURAL
FOTOGRAFIA DE PATRICK GROSNER

Com os seus quase dez milhões de quilómetros quadrados, o Canadá


é o segundo maior país do mundo quanto a área total. E um dos mais
diversos em termos de natureza. Razões de sobra para ir à descoberta
das Montanhas Rochosas canadianas, do lago Huron, na península
Bruce, e deixar-se encantar com a riqueza dos elementos da Terra
Nova. É difícil ficar indiferente a este portfólio, uma viagem
de autor, ao longo de vários anos, com os pés na terra.

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As águas pristinas da península de Bruce mostram uma vida
subaquática como não há igual no mundo.

É
nos estados da Columbia Britânica e de a ilha da Terra Nova e a região continental de Labrador. São
Alberta que encontramos as Montanhas mais de 400 mil quilómetros quadrados de área, mais de
Rochosas canadianas. Fazem parte da quatro vezes o tamanho de Portugal, com uma população de
Cordilheira Canadiana, que liga as meio milhão de habitantes, quase todos a viver na Terra Nova.
pradarias à costa do oceano Pacífico. O terceiro ponto desta viagem em forma de portfólio
Ao sul, delimitam a fronteira com é a península de Bruce, no estado de Ontário, entre a baía
os estados de Idaho e Montana, nos Georgiana e a bacia do lago Huron. É nesta península que
EUA. São vários os picos observados pode ser admirada a formação geológica conhecida por
nesta paisagem canadiana, com destaque para o monte Escarpa do Niagara. Aqui existem dois parques nacio-
Robson e os seus 3954 metros de altitude. Foi por estas nais, oito parques estaduais e quatro parques naturalistas.
paragens que Patrick Grosner começou a fotografar. O destaque maior vai para a Reserva Mundial da Biosfera
Apaixonou-se pela paisagem, pela rudeza e pela beleza do Parque Nacional da Península de Bruce, com os seus
de locais pouco conhecidos da maioria dos europeus. penhascos impressionantes, densas florestas e pequenos
E não quis outra coisa. Continuou a sua viagem pelo lagos. Na lista de preferências também está a primeira Área
Canadá ao longo dos anos e descobriu outros pontos de de Conservação Marinha Nacional do Canadá – a Fathom
interese, como a Terra Nova. Five, com os seus 22 destroços de navios afundados. Mer-
Newfoundland e Labrador, como é denominado no gulhar por estas paragens é uma experiência só ao alcance
original em inglês, é a província mais oriental deste país da dos mais afortunados. E corajosos.
América do Norte. Fica à beira do Atlântico e compreende Venha descobrir um pouco do Canadá connosco.

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À esquerda,
um dos
exemplos
dos faróis
centenários
que ajudam
à navegação
pela península.

É um
importante
ponto de
passagem
para aves e
habitat de
animais como
o urso-preto,
a cascavel ou
o mocho.

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Entre o norte gelado e a montanha, o Canadá é muito mais do que o
vizinho de cima dos EUA. É um destino de natureza todo o ano.

À esquerda,
um dos
exemplos
dos navios
afundados
que servem
de habitat
a diversas
espécies
marinhas.

À direita,
The Grotto,
a formação
rochosa
e baía de
águas claras
mais famosa
deste parque
nacional.

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No século XIX, a pesca do bacalhau na Terra Nova era prática
corrente entre os pescadores portugueses.

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Os primeiros
vestígios de
presença
humana na
Terra Nova
datam de há
mais de nove
mil anos.

Os primeiros
europeus a
chegar a estas
costas terão
sido os povos
do Norte
da Europa,
vikings.
Fizeram-no
há cerca de
mil anos.

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Os cinco parques naturais das Montanhas Rochosas do Canadá
foram designados Património da Humanidade pela UNESCO.

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VOLTA AO MUNDO 37

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Para mais informações sobre um país surpreendente e com
muito para oferecer visite destinationcanada.com.

Patrick Grosner
Fotógrafo, nasceu em Brasília em 1970.
Começou a fotografar em 1989, no Cana-
dá. Nos anos 1990 frequentou o curso de
Artes Plásticas na UnB, Universidade de
Brasília, e fotografou grande parte da cena
musical produzida na capital brasileira.
Em 1998 mudou-se para Portugal, tendo
trabalhado como fotojornalista. Colabo-
rou com várias revistas e jornais, desta-
cando-se o semanário O Independente.
Voltou a Brasília em 2006 e hoje trabalha
como freelancer. Em 2014 lançou o docu-
mentário Geração Baré-Cola - Usuários
de Rock, que retrata o movimento musical
de Brasília nos anos 1990.
Estreia-se na Volta ao Mundo com
aquilo de que tanto gosta: natureza. Os
seus trabalhos podem ser vistos no site
patrickgrosner.com.

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O Canadá
recebe
anualmente
cerca de 16
milhões de
visitantes
estrangeiros.
Percebe-se
porquê.

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As criações de
Ramón Freixa
(à esquerda)
passaram
de Barcelona
para Madrid.
Ao lado, o seu
restaurante
na capital.

Madrid
gastronómica
UMA CIDADE PARA COMER E CHORAR POR MAIS
O mundo da gastronomia em Madrid vive um dos seus momentos
mais altos. A capital espanhola tem alguns dos melhores restaurantes
do mundo e muitos dos mais conceituados chefs estão por aqui. Em
mês de Madrid Fusión, o grande evento gastronómico espanhol (25
a 27 de janeiro), fomos escutá-los para saber mais sobre a revolução
à mesa. Eles contam-nos onde ir e o que comer em Madrid.
TEXTO DE BELÉN RODRIGO

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D
urante muitos anos, as mais modernas. Em Madrid há muitas e O Diverxo David Muñoz,
(em cima) é ao lado, tem
quando se falava da variadas tapas, sem dúvida, mas não só,
o restaurante aura de enfant
melhor gastrono- e, por estranho que possa parecer, nesta da moda em terrible. Aos
mia espanhola, as cidade come-se o melhor peixe das costas Madrid. Tem 35 anos é um
três estrelas dos chefs
atenções iam para a espanholas. Os mais importantes chefs de
Michelin e mais criativos
Catalunha e para o cozinha reconhecem que destacar-se em menus de do mercado.
País Basco, onde se Madrid não é fácil. Esta é uma cidade exi- degustação a
partir de 145
encontra o maior gente e até pode parecer hostil, mas todos
euros.
número de chefs distinguidos com as tão sabem que triunfar na capital tem uma
procuradas estrelas Michelin. No entanto, repercussão maior e é mais importante do
de forma silenciosa, Madrid começou a que noutras cidades.
consolidar-se como um dos destinos mais Pratos tão típicos como o cozido, os
procurados em Espanha para quem gosta de callos (parecido à dobrada), as moelas ou
pratos originais e diferentes sabores. É difícil as batatas bravas continuam a ser servidos
definir a cozinha madrilena – são muitas as na cidade, mas a gastronomia madrilena
influências que recebe e as receitas mais deixou-se influenciar pelos melhores sa-
tradicionais convivem ou misturam-se com bores vindos de toda a Espanha e de muitos

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«Quero comer o mundo», disse David Muñoz.
O chef espanhol abriu um restaurante em
Londres e tem outro projeto de street food
na capital espanhola - o StreetXO.

outros países. Na capital espanhola está o gastronómica. Locais com vida, onde o de-
restaurante mais antigo do mundo, Casa sign quer também cativar os comensais.
Botín (data de 1725), com o seu famoso A decoração da sala combina muitas ve-
leitão assado, e um outro local mítico, Lhar- zes com a decoração dos pratos, está tudo
dy (a funcionar desde 1839). São mais de pensado ao mais ínfimo pormenor, porque
sete mil restaurantes nesta região central os chefs sabem que a viagem gastronómica
do país, com ofertas para todos os gostos não começa no paladar, mas sim na visão.
e orçamentos – bares, tascas, tabernas e Um dos principais responsáveis por colocar a
restaurantes de todos as dimensões. Mas gastronomia madrilena nas bocas do mundo
são os locais com mais prestigio que fazem é David Muñoz. O seu restaurante Diverxo
que os peritos gastronómicos olhem para ganhou a terceira estrela Michelin em 2014,
Madrid como olham para Paris ou para algo que não acontecia na capital desde 1995.
Nova Iorque. A modernidade na gastro- Este jovem madrileno (nasceu em 1980) é
nomia de Madrid acompanha a evolução um cozinheiro atípico, instalado desde 2007
do conceito do espaço. Os restaurantes na cidade depois de uma etapa em Lon-
são também protagonistas da experiência dres a trabalhar em restaurantes asiáticos.

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O restaurante Terraza del Casino tem dois menus
de degustação, o curto e o longo. Os valores são
de 100 e 135 euros, respetivamente. Os produtos
usados são do melhor que há em Espanha.

No Diverxo só há espaço para a criatividade David em várias entrevistas. Para já, acaba Bogotá e México. Roncero aprendeu muito
e para a boa disposição. Muñoz não para de de abrir um restaurante em Londres, um do que sabe ao lado de um dos grandes chefs
inventar coisas novas com produtos de di- dos seus sonhos, e a sua ambição parece não espanhóis, o catalão Ferran Adrià. «Com ele
ferentes cantos do mundo. A ninguém passa ter limites. Em Madrid conta também com mudei a forma de entender a gastronomia
despercebida a sua inteligência para fundir StreetXO, uma sucursal low-cost do Diverxo. e ao viajar pelo mundo consegui abrir a
aromas, sabores e texturas. É preciso ir ao Também de Madrid é outro dos chefs minha mente», explica Roncero à Volta
Diverxo com a mente aberta e um paladar mais procurados na capital – Paco Roncero, ao Mundo. Este génio da cozinha considera
que assimile a mistura de sabores doces, áci- nascido em 1969. É o chef executivo e di- que em Espanha se come muito bem em
dos, amargos, azedos, picantes ou fumados. retor do NH Collection Casino de Madrid e qualquer cidade. O chef madrileno diz que a
Aqui não há carta, só duas opções em função do restaurante La Terraza del Casino, com cozinha do La Terraza del Casino «está muito
do número de pratos (145 ou 200 euros por duas estrelas Michelin. Conta também com basea-da no produto e trabalhamos com
pessoa). «Quero comer o mundo», disse outros espaços em Madrid, Ibiza, Xangai, muito carinho e cuidado, sendo a técnica

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Ao lado, o chef O Casino de também muito importante.» É uma cozi- bem». E dá dois exemplos, o Ventorrillo
Paco Roncero Madrid recebe nha de vanguarda «sem nunca esquecer as Murciano e o japonês Janatomo.
e um dos eventos há
seus pratos mais de 165 nossas bases». Para Paco Roncero, duas das Roncero aprecia o azeite, o queijo e a
de eleição: a anos. O seu vantagens de Madrid como destino gastro- carne de Madrid e também os legumes,
moluscada. terraço é um nómico são a oferta globalizada de qualquer mas gosta de cozinhar com produtos de
must nas
noites quentes país do mundo e os clientes durante o ano toda a Espanha: de cogumelos e trufas de
do verão todo. «É um destino gastronómico como Sória e Guadalajara às carnes de caça de
madrileno. Londres, Paris ou Nova Iorque», sublinha, Castela-Mancha. Entre os pratos-estrela
mas lembra que não só se devem visitar os encontram-se os Filipinos de chocolate
restaurantes com estrelas Michelin como com foie e Horta. Existem dois menus de
também «é importante conhecer os luga- degustação, curto e longo, de 100 e 135
res menos turísticos e onde se come muito euros, respetivamente.

VOLTA AO MUNDO 45

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46 VOLTA AO MUNDO

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Restaurante
Terraza del
Casino, no
hotel NH
Collection
Casino de
Madrid. Tem
duas estrelas
Michelin.

VOLTA AO MUNDO 47

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Ramón Freixa, O prato
ao lado, outonal
tem o seu dedicado
restaurante às trufas
no bairro de é imagem

De Barcelona
Salamanca. de marca do
restaurante
que tem o
nome do chef.

a Madrid
S
e há algo que carateriza a cidade de «Estou cá para crescer, ofereceram-me de felicidade, de técnica, de produto, de
Madrid é a mistura da sua gente e na esta oportunidade e decidi fazer as malas sentimento». Gosta de brincar com o clien-
gastronomia não podia ser de outra e vir para a capital», afirma Ramón Freixa te mas garante que a sua cozinha «tem
forma. Não só os chefs madrilenos triunfam a esta revista. Está à frente do restaurante muito fundo». Ramón não tem medo de
na capital como cada vez mais os grandes com o seu nome, situado no Hotel Único arriscar e no menu encontra-se «o mercado
cozinheiros de outras zonas de Espanha do bairro de Salamanca. «O cliente tem no prato». Os clientes visitam-no para «se
querem instalar-se em Madrid. É o caso uma experiência de 360o, distinta, singular, divertir e comer bem». Assegura que «em
de Ramón Freixa (nascido em Barcelona a minha cozinha, um sorriso, uma mise-en- Madrid há peixe espetacular e uma horta
em 1971), que decidiu mudar-se há seis -scène, uma cozinha de vanguarda mas com muito boa». O seu produto fetiche é o ovo,
anos depois de um grande percurso no sabor tradicional.» A sua influência é catalã, «por ser tão versátil». Com pai cozinheiro
restaurante familiar El Racó d’en Freixa, «as minhas raízes não se esquecem». Freixa e avô padeiro, Freixa recorda: «Em criança
posteriormente chamado Freixa Tradició. define o seu trabalho como «uma cozinha não ia ver jogos de futebol, ia ajudar na

48 VOLTA AO MUNDO

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Duas estrelas Michelin fazem de Ramón Freixa cozinha.» Está-lhe nas veias. Afirma não
ter apego aos seus pratos «para não sofrer
um dos chefs espanhóis a ter em atenção nos quando deixo de os fazer».
O chef catalão considera que em Madrid
próximos anos. As influências mediterrânicas há uma oferta gastronómica viva, variada,

combinam-se com jogos visuais inusitados. para todos os níveis. Além de passar pelo
seu restaurante, Freixa aconselha que se
vá tapear à Latina, visitar alguma oferta
estrangeira como a mexicana ou a chinesa
e seguir os madrilenos. É grande fã de um
dos pratos típicos de Madrid, o cozido, e de
tudo o que seja «boa cozinha».

VOLTA AO MUNDO 49

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Outras cozinhas
de Espanha
Ó
scar Velasco, natural de Segóvia, falta o típico leitão segoviano, mas a sua
está à frente do Santceloni, um dos cozinha baseia-se no bom produto de cada
restaurantes mais galardoados de estação. Inovação, mas «sem esquecer as
Madrid, com duas estrelas Michelin. Discí- nossas raízes», diz.
pulo do falecido Santi Santamaría, anterior Diego Guerrero (natural de Vitoria e nas-
chef do espaço situado no hotel Hesperia, cido em 1975) abandonou as duas estrelas
Velasco oferece outra das melhores ofertas Michelin obtidas no Club Allard para criar
gastronómicas da capital com matéria- o seu próprio espaço – DSTAgE, aberto
-prima de qualidade, perfeição técnica e em julho em 2014. Em poucos meses já
uma elegante criatividade. «A minha co- tinha uma estrela Michelin. «A cozinha
zinha parte de tudo o que vi e vivi ao lado que fazemos tem de oferecer algo diferente,
de grandes cozinheiros. É um mestrado de que transmita a nossa experiência de 22
vida e de cultura», explica o chef àVolta ao anos», explica o cozinheiro basco. Deixou
Mundo. Reconhece que Madrid tem um um projeto consolidado para começar outro
ritmo diferente e que os cozinheiros devem do zero. Guerrero quer que os seus clien-
adaptar-se à cidade. Nos seus pratos não tes se sintam como em casa de um amigo.

50 VOLTA AO MUNDO

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Diego
Guerrero
(em cima),
basco de
nascimento,
abriu em julho
de 2014 o
restaurante
DSTAgE.

Na página À direita,
ao lado, o a sala do
chef Iván restaurante
Domínguez e Santceloni,
um dos pratos duas estrelas
que serve no Michelin,
restaurante chefiado por
Alabaster. Óscar Velasco.

Por isso são recebidos com um aperitivo no


bar e depois passam à cozinha, onde estão
A «Linguagem da pós-vanguarda» é o tema do
a ser feitos os pratos do jantar, e petiscam Madrid Fusión deste ano, a decorrer de 25 a 27
«tal como fazemos em casa dos amigos».
Há um contacto muito direto com a equipa de janeiro no Palácio Municipal de Congressos.
toda, além de encontrar na mesa um grande
leque de sabores de todas partes do mundo.
Saiba mais em madridfusion.net.
O chef basco adora viajar e traz produtos de
longe que adapta às receitas, como a folha Madrid é uma cidade com muita força, os que merecem ser citados. Zalacaín,
de pandan. «com grande oferta e muita gente que Sergi Arola Gastro, Álbora, La Buena Vida,
Desde o ano passodo que está em Madrid procura essas ofertas». Famosa é a pesca- La Manduca de Azagra ou Viavélez são só
o reconhecido chef galego Iván Domínguez da com pil-pil de lima-limão e espinafres alguns deles. Espaços dirigidos por grandes
com o restaurante Alabaster, do grupo Al- refogadas. Iván define a sua cozinha como chefs com uma grande história de vida.
borada. «Temos produto galego de primeira «limpa, direta, espontânea e baseada no Madrid é o ponto de encontro de todos
qualidade e tentamos não lhe modificar o sabor das coisas». A lista de restaurantes eles. A cidade soube puxar pelo melhor
sabor», afirma o cozinheiro. Considera que e as propostas não têm fim e são muitos de cada um deles.

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Álvaro
Castellanos e
Iván Morales
brindam ao
sucesso do
A Japanese
Kiritaka
(em baixo).

Oferta
internacional
M
adrid não é só conhecida pela portuguesa. É um espaço onde se pode
oferta gastronómica de todos os comer uma excelente representação dos
cantos de Espanha, mas também melhores sabores lusitanos «e também
pela variedade e qualidade dos restaurantes galegos, tudo o que nos traz o Atlântico»,
estrangeiros. Entre as mais recentes inaugu- como afirma o dono, português, Nuno de
rações encontra-se o A Japanese Kiritaka, Noronha. Existem produtos comuns nos
uma taberna japonesa onde a cozinha asiáti- países mediterrânicos, mas na zona do
ca se funde com a espanhola; e o Benares, do Atlântico cozinha-se de forma diferente,
internacionalmente conhecido chef indiano «com um maior uso do carvão e o forno».
Atul Kochhar, que propõe cozinha indiana Conta com uma ementa variada de carne
de autor, sendo ao mesmo tempo um ponto e peixe com todos os pratos para partilhar.
de encontro com a cozinha espanhola. Não faltam os peixinhos da horta nem as
Atlantik Corner é outra das novida- pataniscas de bacalhau e, neste restaurante,
des, esta com forte influência da cozinha cozinha-se um delicioso bacalhau à Brás.

52 VOLTA AO MUNDO

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Ao lado, Nuno Em cima,
de Noronha, a sala do
o português Atlantik
proprietário Corner, onde
do Atlantik são servidos
Corner. pratos
portugueses
como
peixinhos
da horta.

As cozinhas do mundo estão presentes em


Madrid como em todas as grandes capitais
mundiais. Portugal também lá está.
VOLTA AO MUNDO 53

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Entrevista

MARIA MARTE
De lavar pratos a ter
duas estrelas Michelin
A
história de Maria Marte (nascida O que tenta oferecer nessa viagem? Só com o passar do tempo me perguntaram o
em 1976 em Jarabacoa) dava um Quero que os clientes conheçam coisas no- que queria fazer. Então, aproveitei a saída
bom argumento para um livro ou vas. Gosto de ensinar, transmitir conheci- de um cozinheiro e entrei na equipa. Tinha
filme. Esta jovem dominicana chegou a mentos às pessoas, é esse o meu repto. O receio de ser a última a entrar, mas acabei
Madrid em 2003 e começou a trabalhar cliente deve deixar-se levar e é o melhor por mostrar valor e consegui estar na co-
na cozinha do prestigiado Club Allard a para nós, podemos surpreendê-lo. Temos zinha sem descuidar os meus trabalhos de
lavar pratos. Ninguém sabia da sua paixão três tipos de menus segundo o número de limpeza. Desde aí lutei pelos meus sonhos,
pela cozinha e ela passava as horas a ver o pratos. São pratos pequenos com grandes que agora se tornaram realidade.
que faziam os cozinheiros. Durante algum porções de sabor. Diego Guerrero era o chef de cozinha. Foi o seu
tempo acumulou os trabalhos de limpeza Qual era a sua relação com a gastronomia grande mestre?
da louça com um primeiro contacto com espanhola antes de chegar a Madrid? Diego ensinou-me muito e penso que
as panelas, quase sem tempo para dormir. Conhecia coisas básicas e da República aprendeu também muito comigo. Troca-
O seu sacrifício teve recompensa e a vida Dominicana trouxe o conhecimento das mos muita cultura e por isso trabalhamos
acabou por lhe dar a oportunidade sonhada. minhas raízes. Em Madrid percebi que es- muito bem juntos. Ele ensinou-me muito
Hoje é a única mulher em Madrid que tem tava no berço da gastronomia e aqui obtive e eu fui uma boa aluna.
o reconhecimento do Guia Michelin: conta muitos conhecimentos. Quando ele deixou o Club Allard, Maria
com duas estrelas. Vem de família de cozinheiros? decidiu ocupar o seu lugar. O que sentiu?
O meu pai dirigiu o único restaurante que ha- Senti tristeza por ele se ir embora, mas foi
Que traz Maria Marte à gastronomia de Madrid? via na minha cidade e a minha mãe era uma o momento de tomar uma decisão. Tudo
Consegui uma mistura muito interessante grande pasteleira. Cresci entre fogões e, de acontece por alguma razão. Sem a sua saída
de sabores da minha terra com os tradi- oito irmãos, algum teria de seguir os passos. não teria enfrentado o maior desafio da
cionais de Espanha. Com a minha cozinha Chegou ao Club Allard para lavar pratos. Alguém minha vida, ficar responsável pela cozinha
quero que o cliente faça uma pequena via- conhecia o seu interesse pela cozinha? deste espaço. Claro que senti vertigem, era
gem gastronómica sem sair do seu lugar. Ninguém sabia nada de mim, da minha paixão. normal, mas correu tudo bem.

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Guia
de Madrid

«As pessoas dizem


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meira chegou em 2007 e a segunda em 2012,
quando eu já era chef de cozinha. Recebi Hotel Atlántico
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duas estrelas, consegui mantê-las e em TEL. +34 915226480
seis meses não existia rastro da cozinha de HOTELATLANTICO.ES
Diego Guerrero. Cozinho com o coração e QUARTO DUPLO DESDE 150 EUROS

isso acaba por dar os seus frutos.


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consegui tudo isto. Espero que cada vez
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sejamos mais. A mão feminina nota-se na QUARTO DUPLO DESDE 170 EUROS
confeção dos pratos. As pessoas dizem que
os meus pratos são pequenas obras de arte.

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WADE ZIMMERMAN

Cidade do

Em três dimensões
Luxemburgo
A capital do pequeno e rico país europeu é diminuta no tamanho e enorme
na diversidade que oferece: cenários inesperados, belíssimas áreas verdes,
Património UNESCO, arquitetura moderna, gastronomia apetitosa, compras
para todos os gostos, belos museus e até jazz ao pequeno-almoço.

TEXTO DE TERESA FREDERICO

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Escondido entre Bélgica, França e Alemanha, o grão-ducado do Luxemburgo é um
mistério. Está entre os dez Estados menos populosos do mundo e o seu nível de vida
é elogiado internacionalmente. Aterramos na capital para decifrar o enigma.

O
lojas de pronto-a-vestir internacionais bastante acessíveis.
Numa esquina, um músico de rua canta sucessos do rock
bem mais velhos do que ele, a poucos passos de uma loja
de malas tão famosas quanto caras. Mais acima, uma co-
nhecida cadeia de fast food está a uma dezena de metros de
um dos três restaurantes com estrela Michelin da capital,
La Cristallerie, no Hotel Le Place d’Armes, membro da
rede Relais & Châteaux.
No quarteirão vizinho, a Place Guillaume II acolhe
mercados de produtos alimentares, flores e vestuário em
segunda mão à quarta-feira e ao sábado de manhã. Nas
imediações, a incontornável Oberweis fabrica artesanal-
mente chocolates deliciosos, elegantes e dispostos de uma
forma que quase parecem joias.
Na direção oposta fica a Place de la Constitution, com o
seu monumento de homenagem aos soldados luxembur-
gueses mortos na Primeira Guerra Mundial, encimado pela
estátua conhecida por Gëlle Fra, ou «mulher dourada».
É também um miradouro sobre o vale do rio Pétrusse:
O mundo todo cabe nesta cidade com pouco mais de cem abruptamente a terra termina, revelando outra dimensão
mil habitantes oriundos de 160 países. Inúmeras línguas, da capital, a «cidade baixa». Para já, a caminhada fica-se
muitas incompreensíveis, ouvem-se pelas ruas da capital pelas alturas, com visita à Catedral Notre-Dame, construída
do grão-ducado do Luxemburgo e a portuguesa, dado pelos jesuítas entre 1613 e 1621, posteriormente aumentada
que a maior comunidade emigrante no país é de origem e ornamentada com vistosos vitrais dos séculos xix e xx,
lusa, não demora a revelar-se: «É de Lisboa? Eu vim para esculturas modernas e portais em bronze do luxemburguês
cá há 13 anos. Vive-se bem aqui, mas tenho saudades do Auguste Trémont.
sol e da nossa alegria! Pretendo regressar em breve. Quer Daí à Rue du Marché-aux-Herbes é um saltinho e o
Em 2014, torradas?», pergunta Lídia, responsável pelos pequenos- Go Ten um bom lugar para almoçar em tons asiáticos,
de acordo -almoços do Hotel Simoncini. Não, só queremos saber por sobretudo japoneses. Ao fim do dia, tapas acompanham o
com a ONU, onde começar uma visita de poucos dias. «É tudo bonito!» aperitivo, depois o espaço transforma-se em bar, repleto
o Luxemburgo
estava no é a resposta e havemos de concordar plenamente no final de gente a tagarelar simultaneamente em várias línguas,
top 3 mundial desta escapadinha. funcionários da União Europeia incluídos. Entre copos e
quanto a A localização do hotel, bem no centro, é ótima para risos fala-se de tudo, inclusive mal de medidas europeias e
produto
interno bruto partir à descoberta. Para a esquerda ficam ruas cheias de do futuro de Schengen, o tratado que popularizou o nome
per capita. lojas sedutoras. Marcas de luxo surgem lado a lado com de uma vila situada no Sul do país.

58 VOLTA AO MUNDO

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SABINO PARENTE

A Oberweis,
loja de
chocolates
artesanais,
tem de fazer
parte deste
roteiro.
Destaque
ainda para
o hotel
Simoncini
(em cima) e a
sua receção.

VOLTA AO MUNDO 59

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CORBIS

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O centro da
cidade divide-
-se em zona
alta e baixa.
Descubra os
mais de vinte
quilómetros
de túneis
subterrâneos.

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Uma das Ao lado, o
escolhas na restaurante
capital deste Um Plateau,
país é o hotel que também
Le Place funciona como
d'Armes, com bar vínico com
o restaurante cerca de 25
La Cristallerie referências
(em baixo). a copo.

A nova
Luxemburgo
O Simoncini não é só um hotel, é também uma galeria de
arte contemporânea. Na verdade, trata-se de uma galeria
com hotel e não o contrário, como muitas vezes sucede.
O espaço expositivo existia há cerca de 35 anos, propriedade
de André Simoncini, filho de emigrantes italianos nascido
no Luxemburgo, desde sempre galerista e empresário na
área da hotelaria. Em 2008, juntou tudo no atual edifício:
35 quartos, com obras de arte aqui e ali, e a galeria homóni-
ma, que anualmente apresenta meia dúzia de exposições,
com destaque para trabalhos de artistas japoneses, pelos
quais sente especial fascínio. Também poeta, dedica-se ainda
à edição limitada de livros de poesia, nomeadamente de Gao
Xingjian, escritor chinês de língua francesa distinguido com
o Prémio Nobel da Literatura.
Arte e contemporaneidade são boas dicas para deixar
ANN SOPHIE LINDSTRÖM

o hotel e ir descobrir a «nova» Luxemburgo, Kirchberg, a


área que acolhe instituições como o Parlamento Europeu, o
Banco Europeu de Investimento, o Tribunal de Contas ou o
de Justiça da União Europeia, muitos escritórios mas também
escolas internacionais, um centro desportivo com piscina

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Em cima, a
exposição
de Damián
Ortega,
Miracolo
Italiano 2005,
em exibição no
MUDAM até
17 de janeiro.
Em baixo,
o ambiente
animado do
restaurante
Go Ten.

FILIPE BRAGA
ANN SOPHIE LINDSTRÖM

VOLTA AO MUNDO 63

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RÉMI VILLAGGI
A Philarmonie
(ao lado) leva
o nome da
grã-duquesa
Josefina
Carlota. É uma
das principais
salas de
espetáculos
da Europa.
THOMAS LENAERTS

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Os trabalhos
do checo
Bohumil
Kostohryz
estiveram
expostos
na LUCA,
Fundação de
Arquitetura e
Engenharia do
Luxemburgo
(ao lado).

Nem só de
copos vive
o Lifebar
(ao lado).
Também
tem um menu
de pratos
de inspiração
italiana.


Do total de 525 mil habitantes do Rodeado por uma agradabilíssima área verde, o vizinho
Luxemburgo, em 2013, quase 90 mil MUDAM, Musée d’Art Moderne Grand-Duc Jean, é o outro
grande motivo para vir até Kirchberg. Desenhado pelo au-
eram de origem portuguesa. tor da pirâmide no Louvre, Ieoh Ming Pei, que usou como
«apoio» para o edifício a fortificação Thüngen, do século
olímpica, restaurantes e outros espaços que se pretende que xviii, apenas recebe exposições temporárias. A atual, Eppur
contribuam para fixar aqui a população. Si Muove, criada para o semestre em que o Luxemburgo
A Philharmonie é um dos orgulhos desta zona da cidade. preside à União Europeia e que pode ser visitada até 17 de
Com um grande auditório de acústica excecional, desde que janeiro, aborda a relação/influência da ciência e da técnica
foi inaugurada, em 2005, já recebeu mais de milhão e meio sobre a arte contemporânea.
de visitantes e algumas das mais reputadas orquestras e ma- O caminho de volta pode incluir mais duas paragens
estros a nível mundial. O próprio edifício é uma obra de arte dedicadas ao design e à arquitetura: uma na Rob Vintage,
do arquiteto francês Christian de Portzamparc, distinguido casa/loja com peças autênticas dos anos 1950 e 1960 cuja
com o Prémio Pritzker. Também acolhe espetáculos de jazz proprietária, Michele, adora partilhar ideias sobre «mobili-
e música do mundo (Mariza cantou aqui em novembro) e ário com história»; e outra no LUCA, Centro Luxemburguês
concorridos concertos para crianças e adolescentes. para a Arquitetura, que promove interessantes exposições.

VOLTA AO MUNDO 65

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O grão-ducado foi invadido pelas
forças nazis em maio de 1940 e só seria
libertado no início de 1945. A resistência
luxemburguesa teve um papel
fundamental na vitória.

Na cidade
baixa
É a maior e mais bonita surpresa numa capital cheia de
contrastes. Descendo na direção do rio, a paisagem urbana
transforma-se, dando lugar a mais história, a mais espaços
verdes – que, no total, cobrem um terço da cidade – e a
uma inesperada serenidade.
Exemplo especial da arquitetura militar durante vários
séculos, e na qual colaboraram afamados especialistas
europeus, entre eles Vauban, engenheiro de Luís XIV, a For-
taleza consta das listas do Património Mundial da UNESCO
desde 1994. É possível viajar até ao passado caminhando
por 23 quilómetros de túneis subterrâneos escavados no
rochedo Bock, que em tempos idos abrigaram soldados,
respetivos cavalos e equipamentos, mas percorrer o Chemin
de La Corniche, conhecido como «a mais bela varanda da
Europa», revela-se muito mais aprazível.
Chega-se ao Grund, no fundo do vale profundo, que
mais parece uma aldeia pitoresca do que parte integrante
de uma capital europeia. Ruelas estreitas, casas baixinhas,
pontes velhas que cruzam o rio Alzette, músicos de rua e
artesãos concentrados nas suas artes contribuem para um
cenário com um charme verdadeiramente único.
Também há restaurantes e bares, que pela noite esta
zona tranquila ganha especial animação, a caminho do
Centro Cultural Neimënster. A abadia erguida em 1606,
expropriada quando da Revolução Francesa, depois prisão,
O rio Alzette até 1980, é o edifício que acolhe hoje conferências, expo-
nasce em sições e concertos, designadamente de jazz nas manhãs
França,
passando de domingo, os Apéro’s Jazz, com entrada livre.
pela cidade do Há que chegar cedo para conseguir lugar, que as mesas
Luxemburgo. são rapidamente tomadas por gente a ler o jornal e a beber
Tem 73
quilómetros galões enquanto espera, lado a lado com quem leva o ape-
de extensão. ritivo mais à letra e pede um crémant, vinho espumante

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VOLTA AO MUNDO 67

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ALFONSO SALGUEIRO LORA
O Grande A oferta


Auditório da gastronómica
Philarmonie da capital
(em cima) tem é uma boa
capacidade surpresa.
para 1500 Um Plateau
pessoas. (em baixo)
é exemplo
disso.

O centro da cidade do Luxemburgo


faz parte da lista de Património da
Humanidade escolhido pela UNESCO.

por aqui bastante popular. Findo o espetáculo, basta subir


ao primeiro andar para um almoço buffett de comida inter-
nacional (menu a 15 euros). A refeição, tão farta quanto se
queira, demove do passeio a pé de volta à cidade alta, mas
isso não constitui um problema graças a um elevador que,
neste contexto, nos cai verdadeiramente do céu.
Quase concluída esta escapadinha numa capital com
três dimensões tão distintas, vale a pena mencionar ou-
tro espaço gastronómico especialmente agradável, Um
Plateau, dotado de esplanada e bar. A cozinha é, uma vez
mais, internacional, tal como a clientela – e como quase
tudo nesta cidade. E é por isso que uma pequena frase em
luxemburguês, ao contribuir para preservar uma língua
ofuscada por tantas outras, é sempre bem recebida pelos
residentes: «äddi a merci», ou adeus e obrigada.

68 VOLTA AO MUNDO

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Guia
da Luxemburgo

RECORTE E LEVE
NA SUA VIAGEM

DOCUMENTOS: CARTÃO DE Go Ten MUDAM – Musée d’Art Moderne


IR A carta de gins domina as Grand-Duc Jean
CIDADÃO OU PASSAPORTE
Quer a TAP (flytap.pt) quer a atenções, mas os almoços de Este espaço de arte moderna, na
MOEDA: EURO
easyJet (easyjet.com) oferecem comida japonesa também atraem zona norte da cidade, foi projetado
FUSO HORÁRIO: GMT + 1 HORA voos diretos de Lisboa para atenções. À noite, são as tapas pelo arquiteto I.M. Pei (Prémio
IDIOMAS: LUXEMBURGUÊS, o Luxemburgo. A duração da que estão em destaque. Pritzker, entre outras distinções).
ALEMÃO E FRANCÊS viagem é de cerca de 2h40m. RUE DU MARCHÉ-AUX-HERBES Teve um custo de construção
TEL.: +352 +35226203652 de quase cem milhões de euros
QUANDO IR: NA EUROPA, JULHO
MENUS A 14,5 EUROS e foi inaugurado em 2006. Entre
E AGOSTO SÃO OS MESES MAIS os trabalhos que podem ser
SAIR GOTEN.LU
admirados estão obras de Andy
QUENTES. O INVERNO NESTE
PAÍS DE CASTELOS E PEQUENAS O Luxembourg Card permite viajar Um Plateau Warhol, Bruce Nauman, Alvar
gratuitamente nos transportes O serviço e o atendimento são Aalto ou Marina Abramović.
CIDADES TAMBÉM PODE SER públicos da cidade e dá acesso a duas caraterísticas apontadas 3, PARK DRAI EECHELEN
UMA ÉPOCA INTERESSANTE. cerca de 70 museus e atrações como positivas nas principais TEL.:+3524537851
turísticas. Custa 13 euros (um críticas online. À mesa, destaque MUDAM.LU
dia), 20 euros (dois dias) ou 28 para os pratos de carne. Uma
euros (três dias) por pessoa, mas palavra ainda para a decoração LUCA
também existe uma modalidade do espaço. O Centro Luxemburguês para a
familiar, para duas a cinco PLT. ALTMUENSTER Arquitetura situa-se no coração
pessoas, que sai mais em conta. TEL.:+35226478426 da antiga zona industrial de
PETISCOS DESDE 8 EUROS, PRATOS A Hollerich. Foi criado em 1992 e
PARTIR DE 22 EUROS desde então procura promover a
qualidade dos edifícios enquanto
DORMIR UMPLATEAU.LU
valor essencial da sociedade
Hotel Simoncini Oberweis contemporânea. Apresenta uma
Fica um quilómetro do centro Falar de chocolate no Luxemburgo vasta programação cultural,
da cidade, perto dos principais é referir este nome. Desde 1964 ciclos de conferências, debates,
monumentos, como o Castelo em funcionamento e a dar cartas visitas guiadas ou exposições
de Beaufort ou a principal no pequeno país – e fora dele. temporárias. Possui uma
infraestrutura desportiva da Os membros deste negócio biblioteca com mais de seis mil
capital, o Estádio Josy Barthel, familiar são fornecedores da referências.
e a cinco minutos de carro do família real luxemburguesa e têm 1, RUE DE L'ACIÉRIE
LUXEMBURGO Aeroporto Findel e a 15 minutos cinco lojas abertas. TEL.: +352427555
a pé da estação de comboios. 1, RUE G. KROLL LUCA.LU
6, RUE DE NOTREDAME TEL.:+352403140
TEL.: +352222844 OBERWEIS.LU Centro Cultural Neimënster
QUARTO DUPLO A PARTIR DE 145 €/NOITE Encontra-se instalado numa abadia,
HOTELSIMONCINI.LU foi inaugurado em 2004 e insere-se
na zona antiga da cidade. Tem uma
VISITAR área de doze mil metros quadrados,
Philharmonie distribuídos por três edifícios.
COMER Foi inaugurada em junho de 28, RUE MUNSTER
La Cristallerie 2005 e é um projeto arrojado TEL.: +352262052
É o ponto de encontro para quem do arquiteto Christian de NEIMENSTER.LU
gosta de cozinha refinada e está Portzamparc. Possui grande
distinguido com uma estrela auditório (1500 pessoas de
no Guia Michelin. Situa-se no capacidade), sala de música de
primeiro andar do hotel Le Place câmara (313 pessoas), espaço
COMPRAR
d'Armes, entre vitrais de época descoberta (180 pessoas) e Rob Vintage
e tetos esculpidos. A carta de órgão com 6768 tubos. É a casa ROB.LU
vinhos tem referências das mais da Orquestra Filarmónica do
importantes regiões do mundo. Luxemburgo.
18, PLACE D'ARMES
TEL.: +352274737
1, PLACE DE LÉUROPE
TEL.:+35226322632
CONSULTAR
HOTEL-LEPLACEDARMES.COM PHILHARMONIE.LU WWW.VISITLUXEMBOURG.COM

AGRADECIMENTOS:

056-069_REP Luxemburgo_AP.indd 69 15-12-2015 02:10:19


– -
C O U R C H E V E L S E R R A D A E S T R E L A – S A N I S I D R O – S I E R R A N E VA D A N – C E R L E R - B

14

D ’ I S E R E

ESTÂNCIAS PARA IR DE CARRO

TODAS AS ESTRADAS
VA L

VÃO DAR À NEVE



M O N T- D O R E

A cada inverno multiplicam-se as listas com as melhores estâncias de neve do planeta,


algumas delas situadas em locais tão belos quanto longínquos. Desta vez não lhe
sugerimos que vá até ao fim do mundo para esquiar, escolhemos antes os melhores
destinos para ir de carro. Europeus e não só, até porque Marrocos também tem neve e
fica (quase) à mesma distância de Andorra. Uma aventura para fazer em família ou com
L E

um grupo de amigos. Porque tão importante como o destino é a própria viagem.


TEXTO D E J OÃO FER R EI RA O LIVEI RA


L O U R O N
VA L

O U K A I M E D E N
CORBIS

– C E R L E R C O U R M AY E U R – S E R R A D A E S T R E L A – S A N I S I D R O – S I E R R
-

070-083 SERV_Neve_RB.indd 70 15-12-2015 02:48:12


R - B A Q U E I R A - B E R E T – B O I - TAÜ L L – G R A N D VA L I R A – O U K A I M E D E N -

- VA L
L O U R O N
-
L E
M O N T- D O R E
-
VA L
D ’ I S E R E

C O U R C H E V E L

AV O R I A Z

I E R R A N E VA D A N - B A Q U E I R A - B E R E T – B O I - TA Ü L L – G R A N D VA L I R A –

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PORTUGAL

Serra da Estrela

LEGENDA

DISTÂNCIA*

DURAÇÃO MÉDIA DA VIAGEM

CUSTO PORTAGENS

ESTÂNCIAS

* distâncias calculadas a partir de Lisboa

SERRA DA ESTRELA
298 KM 4H00
1
21,35 €

Por mais que puxemos a brasa à nossa serrinha, o telesqui de iniciação (aumenta a capacidade em FORFAIT: 15 € POR DIA. CINCO DIAS
a Estrela não é nem nunca será uma estância para pista, passando de 150 pessoas por hora para 1200), A PARTIR DE 65 €
grandes esquiadores – basta ver que a pista mais abriram uma segunda loja no topo da estância, reno- DOMÍNIO ESQUIÁVEL: 7 KM
longa tem pouco mais de dois quilómetros de extensão varam o interior da loja já existente e criaram um PISTAS: 19
e a mais difícil um desnível de cerca de 130 metros –, fun-park na zona da Torre. Outra das novidades é COTA MÁXIMA: 1988
mas não deixa de ser a nossa estância de inverno. as aulas de esqui estarem agora disponíveis a partir COTA MÍNIMA: 1851
A única. Mudar as suas caraterísticas naturais e imitar dos 3 anos. Um investimento que ronda os 700 mil SITE: SKISERRADAESTRELA.COM
o que se faz nos Pirenéus é tarefa impossível, se bem euros. Para uma escapadela de fim de semana, para
que os responsáveis estejam dispostos a encurtar matar o vício enquanto não chegam as verdadeiras
distâncias. Neste ano contrataram mesmo o antigo férias na neve, pela paisagem, pelas recordações da
diretor técnico de várias estâncias de Andorra. Mas infância que esta serra sempre desperta, todos os
não se ficaram por aqui. Construíram um novo tapete motivos são válidos para subir ao ponto mais alto de
com 170 metros de comprimento que vem substituir Portugal continental.

72 VOLTA AO MUNDO

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ESPANHA

Baqueira-Beret
San Isidro
Cerler
Boi-Taüll

Sierra Nevada

Se em Portugal todos os caminhos


vão dar à serra da Estrela, assim que
se cruza a fronteira a maioria dos
carros portugueses continuam a ter
SIERRA NEVADA
730 KM 10H00
2 9,05 €

a Sierra Nevada como principal Nem todos os lugares comuns são maus. Sierra FORFAIT: 38 € POR DIA. SETE DIAS
destino. Mas há muito mais Nevada tornou-se um destino de eleição para os 250 €. GRATUITO PARA MENORES
estâncias espanholas além da portugueses porque é perto, mas também pelas DE 6 ANOS.
andaluza. Cerca de 30 no total, excelentes condições. Esquiadores, snowboarders, DOMÍNIO ESQUIÁVEL: 106,8 KM
iniciados ou verdadeiros peritos, há lugar e espaço PISTAS: 124
espalhadas um pouco por todo o
para todos. Além de uma extensa oferta hoteleira e COTA MÁXIMA: 3300
país. Nos mui concorridos Pirenéus
muita animação après-ski. É aqui que se situam o COTA MÍNIMA: 2100
existem ainda alguns segredos mal
Pico Mulhacén, o teto da Península Ibérica (3482 m) SITE: SIERRANEVADA.ES
guardados e, mesmo aqui ao lado, e o Pico Veleta (3392 m). Das suas 124 pistas, sete
uma montanha com mais de dois estão classificadas como negras (muito difíceis),
mil metros a menos de um depósito 50 como vermelhas (difíceis), 41 como fáceis
de distância. e 19 como muito fáceis.

VOLTA AO MUNDO 73

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ESPANHA

SAN ISIDRO
747 KM 9H00 27,85€

Para quem vive no Norte do país basta mesmo meio


depósito para chegar a San Isidro, território ainda
pertencente a Castela e Leão, mas já encostado às
Astúrias. Uma estância pequena, é certo, com apenas
34 quilómetros de domínio esquiável, mas com
13 pistas vermelhas e quatro pistas negras que já
permitem alguma diversão aos mais experientes. Fica
em plena cordilheira Cantábrica. Além disso, o forfait
diário é barato, ao nível do da serra da Estrela e muito
longe do que se pratica no resto de Espanha.

FORFAIT: 19 € POR DIA PARA

3
ADULTO, 15 € PARA CRIANÇA.
CINCO DIAS 255 € E 160 €
DOMÍNIO ESQUIÁVEL: 34,01 KM
PISTAS: 35
COTA MÁXIMA: 2100
COTA MÍNIMA: 1500
SITE: NIEVELEONSANISIDRO.COM

CERLER
1163 KM 13H30 16,15 €

É um dos tais segredos mal guardados dos Pirenéus.


A sua fama pode ainda não ter chegado ao grande
público, a verdade é que em 2015 ganhou pelo segun-
do ano consecutivo o prémio de melhor estância de
esqui de Espanha – distinção atribuída nos World Ski
Awards. Zona de grande beleza natural, inserida no
vale de Benasque, tem vista para dezenas de picos,
entre eles o de monte Aneto - o maior dos Pirenéus
(3404 m). Possui também o maior desnível esquiável
desta cadeia montanhosa (1130 m).

FORFAIT: 38 € POR DIA.

4
SETE DIAS DESCONTO DE 20%.
DOMÍNIO ESQUIÁVEL: 79 KM
PISTAS: 68
COTA MÁXIMA: 2630
COTA MÍNIMA: 1500
SITE: CERLER.COM

74 VOLTA AO MUNDO

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BOI-TAÜLL
1235KM 14H 28.75€

Possuir um título que se possa ostentar é meio cami-


nho para chamar clientes. A estância Boi-Taüll também
tem o seu: a de mais alta dos Pirinéus. A cota máxima
ultrapassa os 2.750m. Além de características muito
apreciadas pelos praticantes mais exigentes é também
reconhecida pelo seu ambiente muito próprio, não
estivesse localizada no coração de La Vall de Boí. Uma
região catalã repleta de vales que ganham ainda mais
dramatismo e beleza devido à existência de mais de
uma dezena de igrejas românicas. Estão classificadas
pela UNESCO como Património Mundial.

6
FORFAIT: 30€ POR DIA.
SETE DIAS 147€
DOMÍNIO ESQUIÁVEL: 46 KM
PISTAS: 62
COTA MÁXIMA: 2.751
COTA MÍNIMA: 2020
SITE: BOITAULLRESORT.COM

BAQUEIRA-BERET
1244 KM 14H00 46,55 €

É um dos nomes incontornáveis dos Pirenéus. Para


muitos a mais exigente e mais alpina das estâncias.
Tem nada mais nada menos do que 629 desfiladeiros.
É constituída por três zonas distintas mas que se
complementam na perfeição: Baqueira para iniciados,
Beret com pistas para esquiadores experientes e
Bonaigua o setor de maior altitude com muitos qui-
lómetros fora de pista. A orientação a norte garante-
-lhe um maior número de horas de luz diária.

FORFAIT: 49 € POR DIA.


SETE DIAS 255 €

5
MENOS DE 6 E MAIORES DE 70: 3 €.
DOMÍNIO ESQUIÁVEL: 155 KM
PISTAS: 103
COTA MÁXIMA: 2510
COTA MÍNIMA: 1500
SITE: BAQUEIRA.ES

75

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ANDORRA

GRANDVALIRA
1251 KM 14H00
7 28,75€
Grandvalira

Do pequeno principado encravado entre Espanha e Melhor do que isto só nos Alpes. Ainda assim, querem FORFAIT: 46 € POR DIA PARA
França raramente se ouve falar durante quase todo continuar a crescer. Se a estância da serra da Estrela ADULTO, 42 € POR CRIANÇA.
do ano, mas faz parte do dicionário de inverno de neste ano investiu uns respeitáveis 700 mil euros, os DOMÍNIO ESQUIÁVEL: 210 KM
qualquer esquiador. As razões são semelhantes às da andorrenhos desembolsaram 16 milhões de euros em PISTAS: 128
Sierra Nevada. Não só porque ainda é suficientemen- novas infraestruturas – o maior investimento da sua COTA MÁXIMA: 2640
te perto para ir de carro e fazer a viagem de uma as- história. Mais e melhores meios mecânicos de aces- COTA MÍNIMA: 1710
sentada, sem necessidade de pernoitar pelo caminho, so às pistas, mais e melhores hotéis e restaurantes, SITE: GRANDVALIRA.COM
mas porque tem excelentes condições, quer em ter- espaços novos para as famílias, tudo para aumentar
mos de qualidade da neve e das pistas quer em termos a qualidade dos serviços e diminuir as filas e a confu-
de serviços. Mais ainda depois da junção entre as são. Era uma das críticas recorrentes à estância.
estâncias Pas de la Casa/Grau Roig e Soldeu/El Tar- As suas 128 pistas continuam com a qualidade
ter, dando assim origem à Grandvalira, o maior domí- de sempre, tal como os vários percursos free ride
nio esquiável dos Pirenéus, com 210 quilómetros. - devidamente identificados no mapa.

76 VOLTA AO MUNDO

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MARROCOS

OUKAIMEDEN
1297 KM 17H30
8 16,30€

Marrocos? Sim, Marrocos. Se há destino ideal para 3200 metros de altitude, em plena cordilheira do Atlas. FORFAIT: 10 € POR DIA.
uma road trip é este país magrebino. Pela dimensão, Ostenta mesmo, com muita pompa e grande orgulho, DOMÍNIO ESQUIÁVEL: 20 KM
pela paisagem, pela aventura, pela comida, pelas pes- o título de mais alta estância do continente africano. PISTAS: 7
soas e pela neve, que também as há. E não será de- Tudo a cerca de 80 quilómetros da vibrante e cosmo- COTA MÁXIMA: 3268
masiado longe? Nem por isso. Ir de Lisboa até à es- polita Marraquexe, uma espécie do melhor de dois COTA MÍNIMA: 2610
tância de Oukaimeden, perto de Marraquexe, é quase mundos na mesma viagem. Ainda mais a norte fica SITE: SKIRESORT.INFO/SKI-
o mesmo (pelo menos em termos de distância) do Mischliffen, perto de Fez e Meknes. Foi aqui que nas- RESORT/OUKAIMEDE
que ir até Andorra. É verdade que qualquer semelhan- ceu o primeiro clube de esqui do país, no longínquo
ça com os seus domínios esquiáveis é pura coinci- ano de 1932. Não valerá a pena fazer mais de mil
dência – se Grandvalira tem mais de 220 quilómetros, quilómetros de propósito para lá ir esquiar, até porque Oukaimeden
Oukaimeden tem apenas 20, para não falar que tem só tem quatro pistas, mas estando em Marrocos e
apenas sete pistas contra 128 –, mas não é menos sendo a neve o combustível da viagem, não deverá
verdade que cinco delas estão situadas a mais de deixar de lá passar.
CORBIS

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FRANÇA

Avoriaz
Val d’Isere
Courchevel
Le Mont-Dore

Val Louron

Q
uem vai a Andorra vai até aos
Pirenéus franceses. O mais difícil
é mesmo escolher a estância certa,
afinal são mais de 40 só do lado gaulês.
Quem quiser fazer uma paragem e
pernoitar durante a viagem, algo sempre
aconselhável numa verdadeira road trip
(snowtrip, neste caso), pode sempre andar
um pouco mais e ir até aos Alpes, a meca
do esqui europeu. Pelo caminho, há
estâncias menos sonantes mas igualmente
merecedoras de uma visita, como as do
maciço central, no centro-sul do país. Até
PAULO BARATA

porque, com ou sem neve, há poucos


países europeus tão belos e com paisagens
tão distintas como este.
78

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LE MONT-DORE
1490KM 13H50 82€

Ir de carro para a neve também pode ser uma exce-


lente desculpa para conhecer um determinado país
ou região, mesmo que não vá propriamente ao en-
contro da melhor estância do mundo. Le Mont-Dore,
em pleno maciço central francês, é um desses casos.
Com 30 pistas, tem todas as condições necessárias
para esquiadores médios, mas sobretudo uma loca-
lização única nas encostas de Puy de Sancy (1886 m),
no coração de Auvergne, nada mais nada menos do
que a região com mais vulcões da Europa. Tem também
inúmeros lagos. Não é por acaso que aqui foi cons-
truído o primeiro teleférico francês, em 1936. Entre 20
e 27 de janeiro há um festival de jazz.

9
FORFAIT: 26 € POR DIA
PARA ADULTO. 6 DIAS 159 €
QUILÓMETROS ESQUIÁVEIS: 41
PISTAS: 32
COTA MÁXIMA: 1840
COTA MÍNIMA: 1200
SITE: AUVERGNE-SANCY.COM

VAL D’ISERE
1951 KM 20H00 104 €

Os Jogos Olímpicos de Inverno de 1992 ou o Cam-


peonato de Esqui Alpino de 2009, ambos realizados
nesta estância, são apenas uma amostra da sua qua-
lidade. É uma daquelas estâncias alpinas que tem o
melhor de vários mundos. Há hotéis e restaurantes
de luxo, mas também opções mais económicas,
festa para quem quiser festa e sossego para quem
quiser sossego, uma arquitetura e ambiente carate-
rísticos e pistas com excelentes condições. Está li-
gada à estância de Tignes, criando assim o Espace
Killy, domínio com 300 km. O nome é uma homena-
gem a Jean-Claude Killy, antigo esquiador que ali
viveu e foi três vezes campeão olímpico e três vezes
campeão mundial.

10
FORFAIT: 54 € POR DIA.
SETE DIAS 315 €
DOMÍNIO ESQUIÁVEL: 300 KM
PISTAS: 124
COTA MÁXIMA: 3550
COTA MÍNIMA: 1850
SITE: VALDISERE.COM

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FRANÇA

VAL LOURON
1188 KM 13H30 46,55 €

A grande vantagem das estâncias dos Pirenéus


franceses é que são, por norma, bem mais baratas
e sossegadas do que as estâncias vizinhas de
Andorra e Espanha. Em Val Louron, por exemplo,
o forfait diário é de 27 euros, ficando uma semana
por menos de 150 euros por pessoa. Uma estância
pequena, com 22 quilómetros esquiáveis, que além
do preço e da serenidade tem nas muitas ativida-
des familiares a sua imagem de marca. Se há es-
tâncias family-friendly, esta é uma delas.

FORFAIT: 27€ POR DIA

11
PARA ADULTO. 6 DIAS 127€
QUILÓMETROS ESQUIÁVEIS: 22
PISTAS: 19
COTA MÁXIMA: 2100
COTA MÍNIMA: 1455
SITE: VAL LOURON-SKI.COM
PAULO BARATA

80 VOLTA AO MUNDO

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AVORIAZ
1916 KM 21H00 106,55€

É uma estância construída de raiz para os desportos


de inverno, por isso aqui não há trânsito. Um paraíso
para as crianças. Há mesmo uma Village des Enfants,
uma vila com mais de cem instrutores que ensinam
e tomam conta das crianças enquanto os adultos
andam nas pistas. É também um paraíso para os
snowboarders, por muitos considerada a capital eu-
ropeia do snowboard. Fica localizada na região da Alta
Saboia, já a dois passos da Suíça, e integra o grande
domínio esquiável Portes du Soleil, composto por
12 estâncias, oito francesas e quarto suíças.

12
FORFAIT: 49,50€ POR DIA.
SETE DIAS 279 €
DOMÍNIO ESQUIÁVEL: 153 KM
PISTAS: 50
COTA MÁXIMA: 2466
COTA MÍNIMA: 1000
SITE: AVORIAZ.COM

COURCHEVEL
1916 KM 20H00
13 104,05 €

Não podia faltar. Dizer que tem uma superfície esquiável


de 150 quilómetros seria um cartão-de -visita mais
do que suficiente, mas Courchevel é muito mais do
que isso. É um cliché, um luxo, a estância dos hotéis
de charme e restaurantes de eleição, com uma mão-
- cheia deles distinguidos com estrelas Michelin.
A noite em plenos Alpes é mais animada e exclusiva
do que em muitas cidades europeias.

FORFAIT: 58€ POR DIA


QUILÓMETROS ESQUIÁVEIS: 150
PISTAS: 95
COTA MÁXIMA: 2738
COTA MÍNIMA: 1350
SITE: COURCHEVEL.COM

VOLTA AO MUNDO 81

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ITÁLIA

Courmayeur

COURMAYEUR
1943 KM 20H40
14 154,15 €

É difícil saber ao certo quantas estâncias de esqui


existem em Itália. Só no Norte do país há cerca de uma
centena. Entre elas está Courmayeur, situada no vale
de Aosta, no sopé do omnipresente monte Branco
(Mont Blanc), a maior montanha dos Alpes e da União
Europeia, já próximo dos cinco mil metros de altitude.
Fica longe para ir de carro, muito longe, mas vale a
pena atravessar parte do Velho do Continente para
chegar até aqui. Até porque não é apenas uma entre
cem. Dizem os especialistas que esta estância tem
um percurso off-piste como não existe em mais
nenhuma parte do mundo. Que qualquer amante de
desportos de inverno deve fazê-lo pelo menos uma
vez na vida. 24 quilómetros desde Punta Helbronner
(3,462 m) até à francesa Chamonix, já do outro lado
da fronteira. Nada como atravessar uma fronteira a
esquiar. O estilo e a alma, esses, são totalmente ita-
lianos, uma vila alpina recheada de cafés, lojas e res-
taurantes típicos. Que é como que diz gourmet.

FORFAIT: 50 EUROS POR DIA.


SEIS DIAS A PARTIR DE 254,00€
DOMÍNIO ESQUIÁVEL: 36 KM
+ 64 KM OFF-PIST
PISTAS: 29
COTA MÁXIMA: 2624
COTA MÍNIMA: 1222
SITE: COURMAYEUR-MONTBLANC.COM

82 VOLTA AO MUNDO

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VOLTA AO MUNDO 83

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ROTEIRO ∏ BARRANCO

No início do século xx foi estância


balnear, à beira do Pacífico, para as elites
de Lima. Hoje, reinventou-se como
bairro das artes, da cultura e da boémia.

De um
E tem, espalhadas pelas ruas, placas
que garantem: «Barranco: un buen lugar
para el amor.»

fôlego
TEXTO DE CATARINA PIRES
FOTOGRAFIA DE LEONARDO NEGRÃO/GLOBAL IMAGENS

H
á acasos felizes e foi um território de artes e boémia. Muito hipster. O me-
deles que nos levou a lhor isco que se pode estender a jornalistas. Neste
Barranco, depois de caso com o twist: o que pode ser hipster, no Peru?
uma manhã passada Por lá andámos perdidos, a deambular, com o
no centro histórico de tiquetaque do relógio a não permitir descobertas.
Lima, de uma visita ao Até que a placa, num quarteirão fronteiro ao mar:
magnífico Museu Larco «Barranco, un buen lugar para el amor.» Havia que
(museularco.org), que tem um riquíssimo acervo voltar, sem horas nem agenda. O encontro ficou
de tesouros pré-incas – incluindo uma espécie de marcado para uma próxima oportunidade, sob
kamasutra de cerâmica, dezenas ou centenas de pena de vivermos para sempre com uma história
peças que exibem com eloquência a antiguidade e mal resolvida. Temeu-se o pior, mas afinal, uns dias
ousadia da sexualidade sem fins reprodutivos – e depois, já sem relógios nem programas, com uma
de um excelente almoço no Huaca Pucllana, apre- cidade enorme por conhecer, foi lá que voltámos.
sentado como um dos melhores restaurantes do O Parque Municipal foi o ponto de desembar-
mundo (resthuacapucllana.com). É bem capaz de que escolhido pelo taxista. Havia um mercado,
o ser, uma vez provadas as criações das chefs Marilú que quase nos perdeu – chás, doces, artesanato,
Madueño e Andrea Massaro, das quais se destacam o joalharia, têxteis –, levando-nos os soles que resta-
incontornável ceviche e o tradicional lomo saltado. vam (não era domingo, mas todos os domingos há
As horas livres conduziram-nos a Barranco. Do mercado ali), e, ao lado, a Biblioteca Municipal, que
bairro, ou distrito, como se designa no Peru, um funciona como posto de turismo e que é de visita
dos 43 da capital, lê-se nos guias de viagem que é obrigatória, apesar de nós não termos entrado.

84 VOLTA AO MUNDO

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2

1 7

VOLTA AO MUNDO 85

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ROTEIRO ∏ BARRANCO

5 Um dia em
PERU Lima não fica
completo
Lima sem visitar
Av. San Martin
este bairro
que transpira
cultura.
LIMA

nesi
7 Barranco
Av. Jo

olog
Av. B
se
Maria

Oceano Pacífico
Egur
en

3
a
de Osm
edro
Av. P

Barranco

A nossa promessa era descobrir, flanar, deixarmo-


-nos seduzir por este lugar que outrora foi estân-
cia balnear das elites limenhas, estatuto de que
restam vestígios nos casarões ora abandonados ora recupe-
rados e feitos museus, centros culturais, restaurantes, cafés,
hotéis de charme ou livrarias cool, indicadores da transfor- 1MATE do museu, lado a lado com pe-
mação do lugar em ponto de encontro de artistas, artesãos Museu Mario Testino ruanos desconhecidos numa
e gente atraída por uma cultura alternativa à tradicional. mate.pe fabulosa produção de moda que
Na Avenida Pedro de Osma demos de caras com a parece ser ao mesmo tempo um
Madonna, o Brad Pitt e a princesa Diana, entre outras O fotógrafo peruano vive em regresso do fotógrafo às origens
celebridades pop mundiais, fotografadas pelo peruano Londres, mas criou um museu e tradições do seu país.
Mario Testino, que escolheu Barranco para construir o seu em Lima, mais precisamente em Av. Pedro de Osma, 409, Barranco,
museu: o MATE. Mais à frente, num dos tais casarões do Barranco. Já tão célebre quanto Lima
início do século xx, o Centro Cultural Juan Parra del Riego as celebridades que fotografa,
tem a receber os seus visitantes uma tela gigante com o tem os seus mais icónicos tra- 2 Centro Cultural
que parece ser um roqueiro travestido de rainha Isabel II. balhos expostos nas várias salas Juan Parra del Riego
Lá dentro, uma exposição da associação ambiental Loop, que compõem o MATE. Uma
que de desperdícios de plástico faz arte, a Baul en un Cua- delas é toda dedicada à princesa À entrada, uma tela gigante de
tro, moderna loja de design e decoração, e ao fundo, uma Diana, num conjunto de retratos um cantor pop vestido de rainha
cafetaria minimalista. Sim, o Peru sempre pode ser hipster. que revelam uma mulher muito Isabel II (talvez fosse obrigatório
Passado o Museu de Arte Contemporânea (MAC) e o diferente daquela de olhos bai- saber quem é o dito artista, mas
Museu Pedro de Osma, algures por ali, chega-se à Ponte xos e tímidos que se tornaram a não) e um alpendre com sofás
dos Suspiros, que deve ser atravessada sem respirar, de um sua imagem de marca. Madon- e cadeirões de casa dos avós.
fôlego, de modo a que o desejo pedido seja realizado. Foi. na, Brad Pitt, Naomi Campbell, À direita, a loja de design e deco-
Barranco é um bom lugar para conhecer. E o Canta Rana, Kate Moss e outras estrelas in- ração Baul en un Cuatro, peças
descoberto sem a ajuda de guias turísticos, é um excelente ternacionais «capturadas» por fantásticas, preços menos fantás-
restaurante para nos despedirmos de Lima. Hasta la vista. Mario Testino ilustram as paredes ticos. Lá dentro, uma exposição

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ROTEIRO ∏ BARRANCO

de namorados e apaixonados.
Reza a lenda que se pedir um
desejo e a atravessar pela pri-
meira vez sem respirar, este se
concretizará. Mesmo que isso
não aconteça, passar esta ponde
construída em 1876 para ligar
as ruas Ayacucho e La Ermi-
ta significa encontrar do outro
lado uma das melhores vistas
da cidade.

1
7Restaurante
Canta Rana

Propriedade de um argentino,
de obras feitas de plástico reci- e mercados de produtos típicos 5Galeria Luzia Vicente Furguiele, dos tetos
clado e textos de carácter am- do Peru. A Biblioteca Municipal, de La Ponte pendem cachecóis de clubes de
bientalista sobre o material que cujo edifício em tempos albergou gluciadelapuente.com futebol e as paredes estão for-
está a dar cabo do planeta. Ao o nunicípio, também vale a visi- radas de fotografias de cantores
fundo, um café minimalista, ta, pelos livros, pela arquitetura É uma das novas coqueluches de de tango e artistas e futebolistas
com uma varanda a dar para ne- e pelos mapas do distrito, que o Barranco e da cidade de Lima. conterrâneos. Paul McCartney,
nhures. Da programação: teatro, ajudarão a encontrar os pontos Tem como objetivo dar a conhe- dos The Beatles, lá em cima,
concertos, exposições. de interesse. cer os novos artistas plásticos numa foto autografada e dedica-
Av. Pedro de Osma, 135, Barranco, Lima peruanos e expor os «últimos da a Vicente. Apresentado como
4 Museu Pedro de Osma gritos» da arte contemporânea huarique, nome dado às tascas
3Parque e Biblioteca museopedrodeosma.org do país. É lá que fica a Dédalo, por estas bandas, vai fazer trinta
Municipais de Barranco loja de design e decoração que anos e será essa maturidade que
peru.travel Construído numa antiga man- tem dado que falar no mun- o faz estar à altura de qualquer
são do início do século xx, ao do inteiro. bom restaurante, digno de guia
É uma boa forma de começar a estilo colonioal, o Museu Pedro Paseo Sáenz Peña, 206, Barranco, gastronómico. A carta é extensa
desfiar o fio de Ariadne que o de Osma, além dos magníficos Lima e variada e convida à partilha,
guiará pelas ruas de Barranco jardins, tem um impressionante para experimentar o mais pos-
(na verdade, não tão labiríntico acervo de arte religiosa e uma 6 Ponte dos Suspiros sível. Ceviches vários, tapas de
como isso). O Parque Municipal, coleção de peças de prata, metal batata ou mariscos, e o inevi-
além de receber eventos cul- nobre muito (bem) trabalhado A caminho do mar, a Ponte dos tável lomo saltado são apenas
turais diversos, é regularmente no Peru. Suspiros é um dos ex-líbris de Bar- algumas hipóteses.
utilizado como espaço para feiras Av. Pedro de Osma, 433, Barranco, Lima ranco e local de «peregrinação» Pasaje Génova, 101, Barranco, Lima

87

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Viajantes Extraordinários

RENATO E MAGDA ALVES

PARA LESTE É QUE VAMOS


Ela é polaca, ele português. Conheceram­‑se no Porto, casaram em Gaia

N
e trabalharam no Dubai. Em comum, um projeto: sair de casa com a mochila às costas
e conhecer o mundo sem data de regresso.

TEXTO DE BÁRBARA CRUZ

ão é exagero dizer que foi o gosto Depois do casamento, traba‑ episódios mais caricatos da via‑
pelas viagens que juntou este ca‑ lharam mais de um ano no Dubai gem, nomeadamente no Laos,
sal. Magda, polaca, fez Erasmus e regressaram a Portugal. Foi des‑ onde Renato teve o infortúnio de
em Madrid e decidiu passar uma te cantinho que saíram já em maio atropelar um pintainho. «Não
semana de férias no Porto. Rena‑ de 2015, seguindo de carro até à íamos a mais de 50 km/h quando,
to, que sempre viveu no Norte e Polónia, não necessariamente em de repente, um grupo de oito ou
recebia viajantes em casa – ofe‑ linha reta. dez pintainhos saiu disparado
recia o sofá aos coachsurfers – Na Europa, não prescindiram para o meio da rua. Só tive tempo
deu­‑lhe guarida na cidade. Foi do «velho Peugeot» de Renato de meter pé e mão aos travões,
assim que se conheceram e se que, com algum esforço, lhes per‑ mas nem tentei desviar­‑me para
tornaram inseparáveis: ela voltou mitiu viajar por Espanha, Andor‑ evitar uma queda.» Um dos ani‑
à Polónia, terminou o mestrado e ra, França, Mónaco, Itália, Suíça, mais não resistiu e Renato, con‑
regressou a Portugal. Já falava es‑ Áustria, Liechtenstein e Roménia. doído, voltou para trás, pergun‑
panhol e a adaptação não foi di‑ Largaram o automóvel em terri‑ tando a uma senhora de quem
fícil. No inverno de 2014, num dia tório polaco, em casa dos pais de eram os pintainhos. Por gestos,
sem chuva, casaram­‑se numa Magda, e abraçaram os transpor‑ percebeu que o dono estaria no
praia em Vila Nova de Gaia. «Ti‑ tes públicos. Chegados entretan‑ campo e deixou 10 mil LAK (cer‑
vemos uma sorte tremenda com to ao Sul da Ásia, têm andado ca de um euro) para que a mulher
o tempo», escreve Renato, por «literalmente em todos os tipos lhos entregasse. Ainda a viu de‑
e-mail. Todos os contactos para de transporte existentes. Autocar‑ positar solenemente a carcaça do
esta entrevista foram virtuais, já ros, comboios, tuk­‑tuks, táxis, animal à entrada de uma casa.
que a Volta ao Mundo os apanhou mo­totáxis, barcos, comboios de Partiram sem percurso defi‑
na Malásia, seis meses depois de bambu e muitas, muitas motos nido: «Sabíamos que queríamos
terem começado aquele que será alugadas. Já lá vão 20 alugadas ir para leste e até agora assim tem
­– pelo menos até ao momento ­– o nesta parte do globo», precisam. sido. Com raras exceções: do Viet­
Envie as suas histórias para: grande projeto das suas vidas: uma Foi mesmo de moto, recor‑ name para o Laos e dali para
viajantes@voltaaomundo.com.pt viagem sem data de regresso. dam, que tiveram alguns dos Myanmar.» A cruzada oriental

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Em Abu Dhabi,
Magda seguiu
os preceitos
locais.
Em baixo,
o espanto de
Renato em
Angkor Wat,
Camboja.

89

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No rio Mekong,
Vietname, o
casal optou
pelo meio de
transporte
tradicional.
Em baixo, um
mergulho na
Tailândia.

levou­‑os a chamar ao blogue que confesso que tivemos alguma te, família e amigos acabaram por
criaram East We Go (eastwego. sorte», contam. aceitar.
A VIAGEM,
com), uma plataforma que ali‑ Optar por uma viagem sem A viagem, longe de uma pro‑ LONGE DE UMA
mentam com relatos da viagem. regresso foi «estranho» ao início, vação, só os tem fortalecido en‑
Conseguiram mesmo o patro‑ diz Magda. Desde que se conhe‑ quanto casal, asseguram: Magda
PROVAÇÃO,
cínio da empresa onde Renato ceram que falavam numa aven‑ diz que só tem saudades de ter o SÓ OS TEM
esteve empregado no Dubai, tura deste género, mas garantem seu próprio espaço físico, porque
que os financia a troco de foto‑ que só quando entregaram as Renato «é muito fácil de aturar».
FORTALECIDO
grafias dos locais por onde vão cartas de despedimento dos res‑ Ele garante que até já se juntaram ENQUANTO
passando. «Não cobre os gastos, petivos empregos, no Dubai, é a outros viajantes, que foram
mas é uma ajuda.» que ganharam consciência do encontrando pelo caminho, para
CASAL,
O Dubai fez parte da etapa que estava a acontecer. «Parecia fazer alguns percursos, mas ASSEGURAM.
preparatória desta empreitada tudo um pouco irreal.» Houve nunca poderá separar­‑se da mu‑
sem fim à vista. Estiveram 14 me‑ quem franzisse o sobrolho, natu‑ lher porque se desorienta facil‑
ses a trabalhar nos Emirados Ára‑ ralmente. Perguntavam­‑lhes se mente. «Nunca sei o nome do
bes Unidos, cada um na sua área iam mesmo desistir assim dos hotel, nem onde é. Se nos per‑
­– Magda é professora, Renato trabalhos, «como se o mundo dermos, o que ainda não acon‑
trabalha em recrutamento ­– para tivesse acabado para nós», re‑ teceu, temos combinado ir o
amealhar dinheiro para o proje‑ cordam. «Foi tão fácil deixar o mais rapidamente possível à in‑
to. «O Dubai tem um mercado Dubai como foi para nos estabe‑ ternet para podermos comuni‑
de emprego muito dinâmico, lecermos por lá.» Eventualmen‑ car», confessa.

90 VOLTA AO MUNDO

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Como os destinos são deci‑
didos em função da vontade,
muitas decisões «são tomadas
no dia anterior». Uma conver‑
sa com outro viajante pode
mudar­‑lhes os planos para os
dias seguintes. «Se nos senti‑
mos bem e queremos ficar mais
dois ou três dias, é isso que fa‑
zemos. A única limitação é a
data do visto de cada país.»
Sem metas nem certezas,
dedicam­‑se a conhecer o mundo,
uma hora de cada vez. Não têm
por ambição pisar o solo dos cin‑
co continentes, querem apenas
Em cima, absorver tudo o que lhes for pos‑
Magda e sível. Um dia, quando voltarem
Renato em ­– quando? Sabe­‑se lá! ­– devem
Hoi An, no
Vietname. estabelecer­‑se na Polónia. Mas a
Ao lado, a vida nómada ajuda a relativizar,
herança garante Renato. Se o que encon‑
histórica de
Chiang Mai, trarem não lhes agradar, facil‑
Tailândia. mente voltarão à estrada.

91

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Viagens dos leitores

01

02

03 04
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01 PAULA SILVA
MONTE BROMO, ILHA DE JAVA, INDONÉSIA.
Fui acordada às 04h00 da madrugada e levada de jipe o mais
longe possível, montanha acima. Os últimos quilómetros foram Redação: Avenida da Liberdade, 266 (Ed. Diário de Notícias), 1250-149 Lisboa - Tel.: 213 187 500
feitos a pé, na escuridão da noite, juntamente com centenas de
Estatuto editorial disponível em: www.voltaaomundo.pt
pessoas que faziam o mesmo percurso. No topo, às escuras,
a espera pelo fim da noite começou... O amanhecer trouxe a Depósito Legal n.º 67 247 / 94. Registado na ERC sob o n.º 118 462
neblina, as cores e a surpresa de estar tão perto e com uma
vista fantástica para o monte Bromo e seus vulcões vizinhos.
DIRETORA Catarina Carvalho
As melhores experiências são aquelas para as quais DIRETOR DE ARTE Rui Leitão
não estamos preparados! EDITOR Ricardo Santos
PRODUTORA Cláudia Carvalho

02
DESIGN Pedro Botelho, diretor adjunto, Miguel Vieira, coordenador,
LEONOR RODRIGUES Ana Faleiro, Carla Maria Oliveira e Rute Cruz.
PRAGA, REPÚBLICA CHECA FOTOGRAFIA Fernando Marques
No passado mês de setembro, eu e uma amiga decidimos COLABORARAM NESTA EDIÇÃO Bárbara Cruz, Belén Rodrigo, Catarina Pires, João
Ferreira Oliveira, João Mestre, José Luís Peixoto,
visitar duas capitais europeias, uma delas, Praga, na Leonídio Paulo Ferreira, Nuno Mota Gomes,
República Checa. Era uma cidade que eu já queria visitar Teresa Frederico, Vera Kolodzig (texto), Diogo Amaral,
há algum tempo mas que, sem dúvida, superou as minhas Leonardo Negrão, Patrick Grosner (fotografia),
Lília Gomes (design) Helena Ferreira
expetativas. O centro histórico de Praga remete-nos
e Rita Bento (copy desk).
para uma época quase medieval, tanto pelo género de ASSISTENTE EDITORIAL Madalena Marques Pinto
construções como por todas as superstições e mitos COPY DESK Elsa Rocha, coordenadora, Ângela Pereira

que encontramos em sítios como a Ponte Carlos e Nuno Carvalho


DIREÇÃO DE QUALIDADE Diogo Gonçalves , diretor, Nuno Espada (coordenador) e
(Karluv Most). Além disso, ver o relógio astronómico no Pedro Nunes.
centro da movimentada Praça da Cidade Velha faz-nos DIREÇÃO DE PRODUÇÃO E DISTRIBUIÇÃO António Carvalho, diretor (ajose@globalmediagroup.pt)
voltar atrás no tempo. Mas nem só de ruas e praças Produção: Jaime Mota, João Pires, José Gonçalves
e Juvenal Carvalho
movimentadas vive a cidade. As vistas do Castelo
Distribuição: André Nunes, Martinho Ferreira,
de Praga e do Letná Park são imperdíveis para descontrair Paula Guerreiro e Raul Tavares diretor adjunto
com uma paisagem que mais se assemelha a uma MARKETING E COMUNICAÇÃO Ana Heleno, diretorJoana Machado, diretora adjunta
(marketing.nm@globalmediagroup.pt)
tela pintada.
DIRECTOR GERAL COMERCIAL Luís Ferreira
DIREÇÃO COMERCIAL Paulo Pereira da Silva,

03
RITA MONTEIRO DE BARROS Susana Azevedo (Lisboa), Vítor Cunha (Porto)
AMESTERDÃO, HOLANDA PUBLICIDADE Lisboa: Sandra Morgado
(sandra.morgado@globalmediagroup.pt)
É uma cidade bastante turística, tudo é muito caro, Vera Peres, diretora de contas
mas não faltam ótimas opções de locais a visitar: desde (vera.peres@globalmediagroup.pt). Tel.: 213 187 3 75
museus a lojas. Estive com uma amiga e foi muito giro Porto: Cristina V. Carvalho, gestora de conta
(cristina.v.carvalho@globalmediagroup.pt), Tel.: 222 096 210
«perdermo-nos» pelos imensos canais iluminados

durante a época do Natal. É um destino a repetir pela
animação nas ruas e o bom ambiente que se vive.
Aproveitámos também para conhecer Roterdão,
a uma hora de comboio. Assinaturas: Atendimento ao assinante: Dias úteis, das 7h00 às 18h00. Tel.: 707 200 508. Custo das
chamadas da rede fixa 0,10 Eur/minuto e da rede móvel 0,25 Eur/minuto, sendo ambas taxadas ao
segundo após o 1º minuto. Valores sujeitos a IVA. E-mail: apoiocliente@noticiasdirect.pt

04 LUÍSA KAMINSKI
VENEZA, ITÁLIA
Impressão e acabamento: Lisgráfica, S.A. – Estrada Consiglieri Pedroso, Casal de Santa
Durante os dez dias que passei em Veneza, e que cada
Leopoldina, 2745-553 Barcarena. Embalagem, circulação e distribuição porta a porta:
vista parecia tirada de um postal, tive a oportunidade de Notícias Direct – Tel.: 219 249 988. Distribuição em Portugal: Vasp.
conhecer algumas das ilhas ao largo numa viagem de
barco: Murano, Burano e Torcello. A que gostei mais foi
Burano: é única e cheia de alegria, as pessoas são muito
simpáticas e todas as casas têm uma cor diferente que
correspondem a diferentes proprietários. Como boa
apreciadora de arte que sou, não tive dúvida de que ficava
por lá mais tempo.
Propriedade da Global Notícias, Publicações, SA
Sede: Rua Gonçalo Cristóvão, 195 – 4049-011 Porto; Tel.: 222 096 111; Fax: 222 006 330
Filial: Avenida da Liberdade, n.º 266 (Ed. Diário de Notícias), 1250-149 LISBOA
Tel.: 213 187 500; Fax: 213 187 506
Registada na Conservatória Comercial do Porto sob o n.º de identificação

Participe! de pessoa coletiva 500 096 791. Capital social: €6.334.285,00.


Detentores com mais de 5% do capital social: Global Notícias-Media Group, S.A
Conselho de Administração: Daniel Proença de Carvalho (Presidente) Vítor Ribeiro, José Carlos
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Em Portugal, cerca de 55% do total dos postos
De Marca de trabalho nas principais atividades do setor
do turismo são ocupados por mulheres. Os dados
foram divulgados no início de dezembro pelo Eurostat.

Casa de Campo Resort ajudá-las a iniciar uma vida


& Villas, o melhor saudável.» A companhia de
resort das Caraíbas cruzeiros organiza atividades
O Casa de Campo Resort & Villas, educativas a bordo, sensibilizando
situado em La Romana, na para o trabalho da UNICEF e para as
República Dominicana, foi distingui- necessidades das crianças.
do como o melhor resort das msccruzeiros.pt
Caraíbas na edição de 2015 dos
Golf World Awards. A cerimónia
decorreu em novembro, em Mais entretenimento
Portugal, e o famoso percurso a bordo
à beira-mar Teeth of the Dog, Em dezembro, a Emirates, que a
desenhado por Pete Dye, foi partir de 1 de janeiro passa a ter
considerado o Melhor Percurso de duas ligações diárias Dubai-Lisboa,
Golfe das Caraíbas. O golfe é um dos apresentou as novidades do
mais importantes produtos programa de entretenimento a
turísticos em todo o mundo,
estimando-se que, só em 2015,
Jornadas Mundiais da bordo, nos aviões Airbus A380 e
Boeing 777-300ER. Entre estas
tenha havido cerca de sessenta
milhões de visitas a resorts e
Juventude em Cracóvia estão ecrãs de maior dimensão, em
primeira e em classe económica, e
campos de golfe. Situada na costa A organização das Jornadas Mundiais da Juventude estima que 2,5
Sudeste da República Dominicana, milhões de peregrinos visitem a cidade polaca de Cracóvia entre 26
a Casa de Campo oferece aos e 31 de julho de 2016. E os jovens portugueses já podem inscrever-
viajantes aproximadamente trinta -se no programa de voluntariado. Para isso basta consultar o site
quilómetros quadrados de beleza krakow2016.com, enviar email para volunteers@krakow2016.com
tropical, aliados a uma cozinha e ou ainda fazer a inscrição em register.wyd.va/vol/wizard?lang=en.
serviço excecionais. Dispõe de 247 Esta informação foi veiculada na apresentação das Jornadas, num
quartos e suites, 50 moradias de evento que decorreu em dezembro na Universidade Católica
luxo, piscinas privadas, assim como Portuguesa, em Lisboa. Até então, estavam já inscritos mais
campos de ténis, de tiro e de polo. de 110 mil jovens do Sul da Europa, entre eles sete mil portugueses. uma capacidade de armazenamen-
casadecampo.com.do krakow2016.com to multimédia três vezes superior.
Este sistema melhora a visualização
e dá mais escolha de filmes e de TV
(mais de dois mil canais de
Quatro milhões Elsbeth Müller, diretora executiva entretenimento, cerca de 600
para a UNICEF do Comité Suíço para a UNICEF, filmes e milhares de canais de músi-
A MSC Cruzeiros anunciou que, no mostrou a sua satisfação: ca). A provar o caminho da inovação,
âmbito da parceria com a UNICEF, «A comida terapêutica pronta a a Emirates começou a disponibilizar TEXTOS DE CLÁUDIA CARVALHO E RICARDO SANTOS
foram angariados, até à data, quatro consumir (ready-to-use thera- wi-fi gratuito a bordo no ano
milhões de euros a bordo dos seus peutic food) - subsidiada pelas passado e investiu 15 milhões de
navios. A ocasião foi assinalada na doações dos passageiros da MSC dólares para oferecer aos passagei-
Expo Milano 2015, com a entrega à Cruzeiros, permitiu-nos salvar a ros conetividade de dados.
UNICEF de um cheque simbólico. vida de milhares de crianças e emirates.com

Transavia com duas novas rotas para Lyon na primavera


A Transavia vai abrir duas novas rotas para Lyon a partir de Lisboa e Faro a 12 de maio de 2016. Mais de um ano após iniciar as ligações para Lyon
do Porto e do Funchal, a companhia low-cost do grupo Air France-KLM está a aumentar a sua oferta global na cidade francesa – no caso das rotas
portuguesas, duplicando a capacidade. Estas novas rotas serão adicionadas ao programa de verão de 2016, mas podem ser mantidas ao longo do ano.
transavia.com

96 VOLTA AO MUNDO

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POR RICARDO SANTOS | RICARDO.SANTOS@GLOBALMEDIAGROUP.PT

1.
PORT Os piores
aeroportos
HARCOURT
NIGÉRIA
Principais críticas: pouca

em 2015
amabilidade, alegada
corrupção, falta de lugares
para sentar, inexistência
de ar condicionado
em funcionamento. Um top 10 que qualquer um dos responsáveis por estes aeroportos
gostaria de esquecer. Ou como a experiência da viagem pode ser
traumatizante se tiver de aterrar ou partir desta dezena de
aerogares escolhidas pelo site de viagens The Guide to Sleeping in
Airports (sleepinginairports.net). Mais de 26 mil respostas 4. TASHKENT
USBEQUISTÃO
devidamente identificadas servem de universo a este inquérito que

5. SIMÓN BOLÍVAR
incluiu questões relativas a conforto, instalações, limpeza e serviço
ao cliente. Faça as contas e confirme se já teve a «sorte» de passar
por um deles e se concorda com a distinção. CARACAS, VENEZUELA

6. TOUSSAINT
LOUVERTURE
PORT AU PRINCE, HAITI

7. HAMID KARZAI
KABUL, AFEGANISTÃO

2.
REI ABDULAZIZ
8. TAN SON NHAT
HO CHI MINH, VIETNAME
– JEDDAH
ARÁBIA SAUDITA 3.
TRIBHUVAN 9. BENAZIR
Principais críticas: ambiente
caótico, sujidade nas casas – KATHMANDU BHUTTO
de banho, filas demasiado NEPAL ISLAMABAD, PAQUISTÃO

10.
extensas no controlo Principais críticas:
de passaportes. desorganização BEAUVAIS-
e atrasos, repete -TILLE
a posição do ano PARIS, FRANÇA
passado.

VOLTA AO MUNDO 99

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A TAP foi considerada a oitava companhia
Em Viagem mais pontual do mundo em novembro de 2015.
Quem o diz é a FlightStats, que lhe atribuiu um índice
de 87,69% de voos no horário.

2016

Não
perca!
1 0 FE S
STAS E EV E NTO

1 Route 66 2 Mardi Gras 3 Equinócio 4 Shakespeare 5 Gnaoua


É uma das mais famosas Começa a 9 de fevereiro e A 20 de março de 2016 Em 2016, no fim de É no Sul de Marrocos,
estradas do mundo, faz a todos os anos é o evento celebra-se o equinócio da semana de 23 e 24 de na cidade costeira de
ligação entre as costas que mais visitantes leva a primavera ou do outono abril, lembram-se os 400 Essaouira, que acontece
atlântica e pacífica dos Nova Orleães, no estado em Chichén Itza, depende anos da morte do todos os anos um dos
EUA e todos os anos é do Louisiana. A tradição do hemisfério em que nos dramaturgo inglês William mais importantes festivais
invadida por milhares de desta festa começou na iremos encontrar. E as Shakespeare. Os fãs vão internacionais de músicas
automobilistas em busca Europa medieval e na pirâmides maias mexica- poder aceder a peças de do mundo. Em 2016 será
de uma experiência quase década de 1730 já era nas são um local a ter em teatro, palestras e a um de 12 a 15 de maio
cinematográfica. Em 2016, celebrada pelas ruas desta conta para as festividades desfile especial pelas ruas e aguardam-se
a Route 66 faz 90 anos e a cidade norte-americana. que resultam de séculos da sua cidade natal: confirmações dos cabeças
cidade de Flagstaff, no Máscaras, colares de de tradição na astronomia, Stratford-upon-Avon, de cartaz.
Arizona, vai organizar 66 contas e muita animação na agricultura e na ao sul de Birmingham. festival-gnaoua.net
eventos ao longo do ano estão garantidos. engenharia. Shakespeares-england.
para celebrar o momento. mardigrasneworleans. chichenitza.inah.gob.mx co.uk/shakespeare-2016
flagstaffarizona.org/ com
route66

6 Jogos 7Capital 8 Burning Man 9 Trufas 10 Diwali


Olímpicos do Design Todos os anos, no deserto Na gastronomia, as trufas Também conhecido por
De 5 a 21 de agosto, Rio de Em 2016, Taipé é a Capital de Black Rock, no estado com mais renome são as Festival das Luzes, este
Janeiro, no Brasil, recebe a Mundial do Design. norte-americano do brancas que podem ser antigo festival hindu
primeira edição de uns Sob o tema Cidade Nevada, milhares de encontradas na região celebra-se no outono do
Jogos Olímpicos na Adaptável – Design festivaleiros encontram- italiana de Alba. É por isso hemisfério norte e é uma
América do Sul, a segunda em Movimento, estão -se para um evento que todos os anos, em das festas mais importan-
na América Latina (depois preparadas diversas alternativo que se realiza outubro, ali se realiza tes do calendário.
da Cidade do México em atividades em locais como desde 1986. O Burning a feira internacional Acontece entre meados
1968). Reserve já a viagem cafés, estações de Man é uma instituição dedicada à trufa branca. de outubro e meados de
e os bilhetes para os comboio, hotéis e salas de entre os eventos de Os especialistas novembro e é dia feriado
eventos que forem mais exposição, entre outros. cooperação e espírito de e os apreciadores não no Nepal, Índia, Sri Lanka
do seu agrado. Wdc2016. comunidade. Em 2016 podem faltar. ou Malásia, entre outros
rio2016.com taipei/en acontece de 28 de agosto fieradeltartufo.org países.
a 5 de setembro. diwalifestival.org
burningman.org

100 VOLTA AO MUNDO

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4 SITES
que valem a pena
Liquidspace.com Vayable.com
Tem um assunto importante para tratar, tem de reunir com Quando um grupo de apaixonados pelas viagens se junta para partilhar
parceiros de negócios, precisa de um espaço para pensar experiências nasce um site que explora todas as possibilidades que os
aquele novo projeto com a sua equipa e não tem onde fazê- mais diversos destinos podem oferecer. Aventura, Família, Noite, Jantar,
-lo? Então vá já ao site da Liquidspace e descubra um espa- Arte e Design, Gastronomia, Fotografia, Compras, Vinho e Romance são
ço para reunião nos EUA, Canadá e Austrália. Sim, por en- algumas das áreas propostas neste site que permite a pesquisa por
quanto a iniciativa é apenas disponibilizada nestes países, eventos com dicas de quem vive nos destinos procurados.
mas a tendência é de mudança e não faltará muito até que
chegue à Europa. Esta é uma rede de escritórios que liga Incrediblue.com
startups e equipas de trabalhadores freelancers a agências Se já lhe passou pela cabeça fazer umas férias a velejar entre as mais
imobiliárias e demais empresas que tenham espaços de belas ilhas do mundo e não tem embarcação nem carta de marinhei-
trabalho para arrendar. O pagamento pode ser feito ao mês ro, nada está perdido. Através deste site poderá marcar as suas férias
e os resultados estão à vista: mais de 42 mil negócios em à vela por um preço similar ao de um quarto de hotel, carro alugado
1100 cidades foram realizados graças à Liquidspace. ou bilhete de ferryboat. A equipa que teve a ideia é grega e de ilhas
percebem eles.

Dopios.com
Este é um ponto de encontro para via-
jantes e habitantes locais de quase 400
cidades em 80 países. Escolha o progra-
ma que quer fazer em determinado des-
tino e seja guiado por quem lá vive.
É fácil, barato e permite uma experiência
total de integração na realidade local.
CORBIS

VOLTA AO MUNDO 101

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Ainda 2016 não se apresentou de forma
Em Viagem conveniente e já a Organização das Nações Unidas
declarou 2017 como o Ano Internacional do Turismo
Sustentável para o Desenvolvimento.

20 citações sobre o ato de viajar


Milhares de páginas já foram escritas sobre as mais e menos mirabolantes viagens, mas algumas
frases ficaram para a história. Escolhemos 20 mas poderiam ser 50 ou 100. Em todas elas, uma coisa em comum: viajar
é uma experiência pessoal, logo diferente para cada indivíduo. Descubra com qual ou quais delas mais se identifica.

«Nunca vá de viagem com alguém «Se desejas viajar para longe e de forma
de quem não goste.» rápida, leva pouca bagagem. Deita fora
ERNEST HEMINGWAY, escritor norte-americano todas as tuas invejas, ciúmes, mágoas,
do século xx egoísmos e medos.»
CESARE PAVESE, escritor italiano do século xx
«Um bom viajante não tem planos fixos
e dele não se espera que chegue.» «Paris é sempre uma boa ideia.»
LAO TZU, filósofo e alquimista chinês do século vi a.C. AUDREY HEPBURN, atriz belga do século xx

«As pessoas não fazem viagens, «Não me digas quão educado és, diz-me
as viagens é que fazem as pessoas.» quanto já viajaste.»
JOHN STEINBECK, escritor norte-americano MAOMÉ, figura máxima do islão
do século xx
«Não existem terras estrangeiras.
«Uma vez por ano, vá a algum local É apenas o viajante que é estrangeiro.»
onde nunca tenha ido.» ROBERT LOUIS STEVENSON, escritor britânico
DALAI LAMA, atual líder religioso budista do século xix

«É melhor viajar bem do que chegar.» «A curiosidade é a única coisa


BUDA, figura máxima do budismo invencível na natureza.»
FREYA STARK, escritora francesa
«As nossas malas de viagem usadas do século xx
estavam empilhadas novamente no
passeio; tínhamos caminhos mais longos «A forma mais eficaz de fazer alguma
para percorrer. Mas isso não importa, coisa é fazê-la.»
a estrada é a vida.» AMELIA EARHART, aviadora norte-americana
JACK KEROUAC, escritor norte-americano do século xx
do século xx
«O destino de alguém nunca é um lugar,
«Só quando estamos perdidos mas uma nova forma de ver as coisas.»
começamos a encontrar-nos.» HENRY MILLER, escritor norte-americano
HENRY DAVID THOREAU,
autor e naturalista do século xx
norte-americano do século xix
«Como mulher, não tenho país.
«Como todos os grandes viajantes, Como mulher não quero um país.
já vi mais do que me recordo e recordo Como mulher, o meu país é o mundo
mais do que aquilo que já vi.» inteiro.»
BENJAMIN DISRAELI, escritor e político britânico VIRGINIA WOOLF, escritora britânica
do século xix dos séculos xix e xx

«Se rejeitas a comida, ignoras os hábitos, «A primeira condição para entender


receias a religião e evitas as pessoas, um país é cheirá-lo.»
mais vale ficares em casa.» RUDYARD KIPLING, escritor britânico
JAMES MICHENER, escritor norte-americano dos séculos xix e xx
do século xx
«Uma viagem é como um casamento.
«Nem tudo o que luz é ouro, tal como A melhor forma de se estar errado
nem todos os que vagueiam andam é pensar que o podemos controlar.»
perdidos.» JOHN STEINBECK, escritor norte-americano
J.R.R. TOLKIEN, escritor britânico do século xx do século xx

102 VOLTA AO MUNDO

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viajar de ouvido
Guia expresso de estilos musicais para
destinos de viagem: LUXEMBURGO

TRÊS DISCOS ESSENCIAIS

Nous les Amoureux


JEAN-CLAUDE PASCAL
{ 1961 }
Balada de proporções cinemato-
gráficas sobre dois amantes que
o mundo quer separar, na voz de
um comediante francês que sabe
também vestir, com competência,
a pele de crooner.

Poupée de Cire, Poupée de Son


FRANCE GALL
{ 1965 }
Pop ye-ye animado e épico, canta-
do em francês por uma «boneca»
francesa, que facilmente encaixa
na playlist dos amantes de pop
vintage. Com um nome de peso
a reboque: música e letra foram
escritas por ninguém menos do
que Serge Gainsbourg.

Tu te Reconnaîtras
ANNE-MARIE DAVID
{ 1973 }
SEBASTIEN GREBILLE/ONT

Mais uma francesa a entregar os


louros ao Luxemburgo – com a
façanha de ter deixado para trás
um peso-pesado chamado Cliff
Richard, em representação da Grã-

Reis da Eurovisão
-Bretanha. O tema é uma chanson
cadenciada de jeito motivacional,
bem ao estilo que a Eurovisão
sempre adorou.

O Festival da Eurovisão pode não dizer muito aos portugueses. E o pouco


que diz não vai muito além do repetido falhanço em chegar aos lugares
cimeiros da tabela. No Luxemburgo, o caso é diferente. Muito diferente: para
um país tão pequeno e limitado em termos de exportação musical, o grão-
-ducado é um verdadeiro portento neste concurso. Além de dois terceiros
lugares e outros tantos segundos, venceu nada menos do que cinco vezes – e
é, após Irlanda (sete) e Suécia (seis), o país com mais vitórias. Um verdadeiro
feito, se tivermos em conta a importância destes dois países no panorama
musical internacional.
Além de terem erguido o troféu, Jean-Claude Pascal (1961), France Gall (1965), France Gall
nasceu em 1947
Vicky Leandros (1972), Anne-Marie David (1973) e Corinne Hermès (1983) em Paris, o que
têm outro detalhe em comum: nenhum deles é luxemburguês. Tal como não não a impediu
eram Lara Fabian, que conseguiu um quarto lugar em 1988, ou Nana Mous­ de representar
o Luxemburgo
kouri, que em 1963 não foi além do oitavo posto. Pouco importa: há que no Festival da
contratar os reforços necessários se se está a jogar para ganhar. POR JOÃO MESTRE Eurovisão.

VOLTA AO MUNDO 103

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Grémio Mundos imaginários, bizarrias

Geográphico
geográficas e outras curiosidades
de bolso. Por João Mestre ILHAS REUNIÃO

joao.mestre@globalmediagroup.pt

atlas imaginário lupa geográphica

Utopia, América Latina União tropical


Europeia
Há quem lhe chame a sociedade perfeita. Tanto que o seu nome se tornou, com o tempo, o próprio ILHA DE REUNIÃO
significado de um extremo inatingível de equilíbrio social. Bem-vindos a uma ilha onde não há 21°08’08”S 55°30’21”E
pobreza, o crime é praticamente inexistente e quase todos os cidadãos são iguais perante a lei.

Q ual é o território mais

T
udo começa por bater surpresas e mal-entendidos. parâmetros materialistas), com remoto da União Euro-
certo na geografia. Utopia Desaconselha-se, desde logo, o reservas de ouro que servem para peia? Não é o Corvo. Fica bem
é uma ilha, porém não uso de joias ou adornos, uma vez contratar mercenários na even- mais longe, a 6 mil quilóme-
fica longe da costa. Em termos que o ouro, a prata e as pedras tualidade de uma guerra. tros da respetiva capital, Pa-
de dimensão, não é grande nem preciosas não só não têm valor A moda é, também ela, inexis- ris. Também terá sido desco-
pequena: 300 quilómetros de intrínseco como quem os osten- tente. Toda a gente se veste de berta por navegadores
largura na sua parte mais ampla, ta é malvisto. O ouro é usado para igual, pelo que não há alfaiates portugueses, que lhe chama-
adelgaçando nas extre- nem boutiques – Utopia ram Santa Apolónia, ainda
midades, que quase se não é um grande destino que a coroa nunca tenha de-
tocam, formando um es- de compras. Aliás, a vai- cidido povoá-la. Os franceses
treito de 17 quilómetros dade e o consumo osten- não se fizeram rogados e to-
com uma lagoa interior sivo fazem parte daquilo maram posse da ilha em
abrigada de tempestades. que os utopianos conside- 1642. Em 1946, foi promovi-
Um croissant geográfico, ram «prazeres ilusórios», da a département, gozando
protegido por uma série por oposição a prazeres do mesmo estatuto político
de rochedos e baixios «naturais» como a con- que a França continental.
ocultos que só os utopia- templação da verdade ou Reunião fica no Índico e
nos conhecem, o que tor- a compreensão de algo, o tem como vizinha mais pró-
na praticamente impossí- derradeiro objetivo dos xima a Maurícia, a coisa de
vel uma invasão marítima. seres humanos. Sobre se 150 quilómetros. A capital
O urbanismo foi pensado é ou não uma sociedade é Saint-Denis, onde vivem
ao milímetro. Há 54 cida- perfeita, o visitante trata- perto de 150 mil pessoas. As
des, mais ou menos idên- rá de tirar as suas conclu- restantes 600 mil espa-
ticas e equidistantes, aces- sões. Mas convém partir lham-se pela orla costeira,
síveis entre si com um dia ciente da ordem das coi- mais plana e acessível do
de caminhada no máximo. sas: os mais novos devem que o interior. Mas é no co-
A capital, Amaurota, fica submeter-se aos mais ração da ilha que reside o
no centro. A sua planta velhos, as mulheres de- maior encanto: o Parque
obedece a um desenho pendem da autoridade Nacional de Reunião, Patri-
quadrado, com três quilómetros fazer penicos, os criminosos são do marido e a escravatura é prá- mónio da Humanidade que
de lado, e está rodeada de mu- condenados a usar colares e anéis, tica comum. Igualitarismo será ocupa 40% da superfície e
ralhas, torres e fortins. Diz-se e as pedras preciosas servem para assunto para outras utopias. reúne impressionantes ce-
que foi fundada pelo próprio as crianças brincarem. Dinheiro, nários de picos, caldeiras e
Utopos, pai da nação utopiana. propriedade privada, riqueza e Em 2016 assinala-se o 500.º um vulcão ativo. Cozinha
É um país com pouco turismo, pobreza, são conceitos desconhe- aniversário da obra futurista de crioula, arquitetura colonial
porém hospitaleiro com quem cidos para os utopianos, que tra- Thomas More, Utopia. Ao longo do e oceano Índico completam
vem por bem. Os utopianos são balham apenas pelo valor do ano, a Somerset House (utopia2016. o quadro. Com a vantagem
uma sociedade pacífica, toleran- trabalho e para cumprir o seu com), em Londres, apresenta uma de que não é preciso vistos
te e segura, mas é importante papel na sociedade. Isso não in- programação ampla de exposições, nem câmbio. Viva o lado
que o visitante conheça os cos- valida, porém, que o país em si debates e workshops subordinados tropical da União Europeia!
tumes e regras locais, para evitar seja sobejamente rico (segundo ao tema «A sociedade ideal».

104 VOLTA AO MUNDO

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para o esquecimento e mais além E agora...

Dumitru Dan 5 capitais em


part-time
Caminheiro, geógrafo, professor (1890-1978) 1. CHILE
Sim, Santiago é a capital. Mas
anos de preparação física e es- depois Cantão e rumaram a Pe- em é Valparaíso que está
tudo de línguas. Os quatro de- quim. Nas montanhas de Nan sediado o Congresso Nacional
dicaram-se a aprender músicas Ling, sofreram a segunda baixa: Chileno.
e danças tradicionais do seu Negreanu cai num precipício e
país, e esse viria a ser o sustento não resiste aos ferimentos. 2. HOLANDA
da viagem. Por onde passavam, Reduzidos a dois, contornam a A Constituição holandesa
davam espetáculos de folclore. costa siberiana e, pelo Estreito define Amesterdão como
Mais do que atravessar todas as de Bering, alcançam o Alasca, capital. Contudo, Haia alberga
latitudes do globo, Dumitru e daí descendo até ao México. o Parlamento, o governo e o
companhia percorreram seis Voltam de barco à Europa, com supremo tribunal.
continentes, ziguezagueando um desvio pelo Magrebe. Sobem
de modo a fintar rigores inver- da Sicília até Edimburgo, e con- 3. MONTENEGRO
nais e outras complicações. Pelo seguem passagens num paque- Além da oficial Podgorica
caminho, foram presos, foram te com destino ao Canadá. An- (lê-se «Podgoritsa»), há
roubados, mas também tiveram dando para sul, atingem a também a antiga capital real
receções dignas de heróis. Florida, onde Paul, com mazelas Cetinje, onde fica a residência

T al como a de Phileas Fogg,


esta viagem começou com
um desafio e um prémio choru-
Começaram a 1 de abril de 1910,
em Bucareste. Foram pelo Nor-
te da Europa, depois Rússia,
causadas pela travessia da Sibé-
ria, desiste da empreitada. Du-
mitru não se deixou derrotar. Na
oficial do presidente da
república.

do. Porém, ao invés da persona- Médio Oriente e cumpriram a Venezuela, apanha um transa- 4. ÁFRICA DO SUL
gem de Júlio Verne, Dumitru «contracosta» de África até Mo- tlântico para Lisboa. Por Espa- É dividir o mal pelas cidades: o
Dan partiu sem prazos. çambique. De Madagáscar se- nha, segue até Marselha e em- poder administrativo e
Em 1908, o Touring Club de guiram para a Austrália de barco, barca para Salonica. executivo está em Pretória, o
France lançou um concurso: mas não pararam. Nos dias em- A 29 de março de 1916 ei-lo de legislativo na Cidade do Cabo
daria cem mil francos (hoje barcados, passavam 10 a 12 ho- novo em Bucareste. Faltam 4 mil e o judicial em Bloemfontein.
equivalentes a 500 mil euros) a ras caminhando no convés. quilómetros. Em 1923, com a
quem percorresse outros tantos Seguir-se-iam Nova Zelândia, Europa recuperada da I Guerra 5. SUAZILÂNDIA
quilómetros a pé. Entre as duas Sri Lanka e Índia, onde Pascu Mundial, lança-se à «reta fi- É um dos países mais
centenas de inscritos estavam morreu de overdose de ópio. nal»: Jugoslávia, Itália, Suíça e pequenos da África
quatro romenos, estudantes em Regressaram a África. Foram da França. Chega a Paris a 20 de continental. Mas não lhe
Paris. Dumitru e Paul Pârvu, que Boa Esperança ao Senegal, e em julho, 15 anos após a partida. bastava Mbabane. Lobamba
cursavam Geografia, e Gheorghe Tenerife iniciaram a travessia até Com a inflação, o prémio não é não só sede do poder
Negreanu e Alexandru Pascu, ao Brasil. Percorreram a Améri- valia um décimo. Mas ficou para legislativo como capital
alunos de conservatório. ca do Sul e, já no Panamá, apa- a história. E com histórias para espiritual da nação suazi.
A viagem foi antecedida por dois nharam o barco para o Japão, contar.

o mundo é um estranho lugar

O RELEVO DO PROTESTO (Sófia, Bulgária)


Com a queda do bloco soviético, Ronald McDonald e o Pai Natal.
a propaganda comunista tornou- Não durou mais de dois dias até
se um troféu para artistas urbanos ser limpo pelas autoridades. Mas
com sentido de ironia. Bom exem- perdura na Internet, para quem
plo é a estátua de Lenine de Odes- quiser admirá-lo. De caminho,
sa, que foi notícia ao ser conver- ation havia feito das suas no Mo- bre o inimigo, os protagonistas serviu também de tela a outros
tida num monumento a Darth numento ao Exército Soviético de ganharam as cores de outros he- protestos: pelas Pussy Riot, em
Vader. Antes disso, porém, já o Sófia. Num painel de relevo que róis: Super-Homem, Wolverine e memória da Primavera de Praga,
coletivo búlgaro Destructive Cre- retrata um pelotão a carregar so- Capitão América, mas também pela revolução ucraniana.

VOLTA AO MUNDO 105

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Última Chamada

No próximo mês
Vamos à procura dos melhores destinos para 2016.
Curtas e longas viagens, odisseias de uma vida,
promoções e segredos por desvendar.
Férias à vista!

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