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UNIVERSIDADE DO ALUNOS:
ESTADO DO AMAZONAS
PROFESSOR:
FACULDADE: CoutinhoD.
Ph.
J. Sandro NORMAL Manoel do
–SUPERIOR
0111010048 Carmo da Silva
NSM02
DISCIPLINA:
J. Alves Bezerra
FILOSOFIA Campos
– 0111010008
DA EDUCAÇÃO
Leidielson Lobato Fonseca – 0111010041
Ricardo da Costa Meirelles – 0111010006
Vivaldo Serafim de Almeida Júnior - 0111010026

Manaus-am, 08 de abril de 2002

INTRODUÇÃO

Poucas ciências podem ser consideradas ao mesmo tempo sedutoras e penosas


como a Análise Pedagógica. A Pedagogia é sedutora porque trata diretamente da
transmissão do conhecimento humano e nos ensina como é possível melhora-la. Mas é
penosa porque nos obriga a cair na realidade e a tomar consciência de que, em matéria
educacional, o que é possível costuma ficar muito aquém do desejável.
Em essência, a Análise Pedagógica cuida do aproveitamento e da distribuição de
uma educação de qualidade. Item muitas vezes escasso, devido a vários fatores.
Todos os indivíduos têm necessidade ou desejam que a educação venha
acompanhada de determinados “acessórios”, como: democratização no processo de
distribuição do conhecimento formal, noções teóricas e práticas de cidadania, certeza de
pertencer a uma sociedade e não apenas ser mais um item excluído da mesma, etc. Como o
mundo não é o paraíso terrestre, a maioria destes itens dificilmente pode ser conseguida
individualmente. E sabemos que nem todos gostam de colaborar quando o assunto é
coletividade... O que podemos fazer, então? Descambar para o mais cínico pessimismo?
Não obrigatoriamente, pois sempre há algo que podemos fazer para adaptar um pouco a
realidade (ou, ao menos, parte dela).
As circunstâncias ideais para uma boa aprendizagem realmente mostram-se
rarefeitas e para obtê-las é necessário intervenção direta. E esta intervenção não só exige
sacrifícios mas, também, possui limites de possibilidades. A análise desse processo de
obtenção precisamente é o objeto de uma Nova Pedagogia que todos ansiamos.
Como somos seres determinados pelo espaço-tempo, logicamente nosso período
histórico caracteriza-se por problemas e soluções próprias, que só servem para o momento
atual. E o que caracteriza este momento? O tecnicismo arrogante, a resposta cientificista
onipresente, a amargura por um mundo com tantos recursos tão pobremente distribuídos,
etc. Logicamente tudo isto se reflete no Processo Pedagógico. Pois, se de um lado
somássemos tudo o que nós (educadores e educandos) desejamos para nossas escolas,
contabilizando tudo o que queremos e podemos produzir; chegaríamos à conclusão de que
os desejos ultrapassariam de muito as possibilidades. Nesse sentido, o famoso slogan: “a
cada um segundo as suas possibilidades, a cada um segundo as suas necessidades”
representa um sonho utópico inconciliável com a realidade, a menos que se definam as

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“necessidades” de forma absolutamente convencional e avarenta. Em uma determinada
escola paradisíaca, ideal, onde não existisse a escassez, teríamos professores bem
preparados, carismáticos e dedicados; bem como alunos interessados, e questionadores.
Resumindo: todos iríamos à escola mais por prazer do que por obrigação, mais por
satisfação pessoal do que por obrigação social. Nesta escola ideal não haveria problemas
educacionais e a teoria pedagógica não serviria sequer como hobby.
Tudo isso é absolutamente belo, porém ignora totalmente o princípio de que “para
consumir é necessário primeiro produzir”, como reza o dito dos antigos. Numa sociedade
primitiva, com poucos indivíduos e com escassa divisão de trabalho é provável que todos se
apercebam desse fenômeno. Imaginamos, para tomar o exemplo extremo, alguns náufragos
recolhidos numa ilha deserta. Esses indivíduos não tardarão a perceber que a natureza não
lhe dá diretamente todos os objetos do seu desejo, e que será preciso trabalhar para
melhorar um pouco o padrão de vida. Os indivíduos tentarão o equilíbrio entre a satisfação
de consumir mais e o sacrifício de trabalhar mais. O fato é que chegará o ponto em que
nossos náufragos não tardarão a sentir a necessidade de organizar melhor a pequena
sociedade. E neste processo organizacional, fatalmente alguns ficarão responsáveis pela
guarda da cultura (tudo o que foi elaborado pelo grupo até então) bem como pela
transmissão desse conhecimento. Eis a Educação Formal.
O problema é que nas sociedades modernas, altamente sofisticadas pela divisão do
trabalho, o homem comum perde de vista esse princípio simples. Isso se dá porque, nessas
sociedades, o elevado grau de especialização faz com que um indivíduo raramente exija
seus direitos, ou apenas exija uma parcela ínfima dos mesmos. A passagem da geração de
serviços para o consumo dos mesmos se dá através de complicados mecanismos sociais,
que levam muita gente a perder a visão de conjunto. Uma pessoa, naturalmente, pode
melhorar de vida sem produzir mais, desde que ganhe mais nas trocas com ou outros. Isto,
todavia, não deveria ocorrer com a totalidade dos bens e serviços, como por exemplo, com a
Educação. Sim, pois observamos que as chamadas “elites” econômicas das diversas
sociedades sempre obtêm as melhores escolas, professores, livros, enfim, condições. É
triste verificar que se ninguém produz mais e se alguém adquire melhora na qualidade de
ensino porque ganha mais nas trocas, alguém há de piorar ganhando menos nessas
mesmas trocas. É o início do déficit educacional.
Que o homem comum das sociedades modernas perde essa visão de conjunto é
algo que se infere em seu comportamento político. É sabido que, sobretudo nos países
desenvolvidos, os políticos que prometem dar mais a todos sem nada tirar ou exigir de
ninguém, têm conseguido apreciável sucesso eleitora. Traduzidas em linguagem simples,
essas promessas equivalem à afirmação de que todos viverão melhor sem produzir mais, o
que obviamente constitui um contra-senso. A credulidade do público, todavia, deriva da
existência dos complexos mecanismos de troca. Quando um desses políticos promete
melhorar a qualidade da educação para uma pessoa dita de baixa renda aumentando seu
salário, a promessa é de que esse eleitor potencial melhorará de vida sem produzir mais,
ganhando mais nas trocas com terceiros. Isso pode ser perfeitamente exeqüível em relação
a um indivíduo ou a um grupo de indivíduos. Mas é claro que melhorar a vida de todos
apenas por essa mágica de trocas, é o que se pode intitular pura demagogia distributiva.
Que essa demagogia distributiva teve sucesso entre nós é algo que se comprova à
farta pelo fracasso prático que se verifica em nossas escolas. Se verificarmos todas as
falhas no processo educacional veremos que , em resumo, elas se situam na tentativa de
distribuir os frutos da árvore do conhecimento em partes maior que o todo. Promete-se dar
aos professores, alunos e pais de alunos; muito além do que é possível ater-se sem a
democratização real do ensino.Dá-se mais através da construção de escolas, colégios,
institutos, etc. (quantidade) porém, não se dá mais em termos de produção real (qualidade
de ensino).
Precisamente essa visão de conjunto que falta aos que se iludem com a demagogia
política é o que nos preocupa. Eis que estamos diante do conflito final: como aproveitar e
distribuir recursos escassos? Como diferenciar Pedagogia de Demagogia?

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Bem, este trabalho é o início de uma tentativa. Sigamos adiante.

A PEDAGOGIA DA ESCASSEZ
Alguns dados ajudam a radiografar a situação atual da Educação no
Brasil.

NÍVEL DE INSTRUÇÃO DA POP. BRASILEIRA (DADOS APROX.) - 1996

NÍVEL DE INSTRUÇÃO POP. PORC.


(%)
Nunca freqüentou a escola e/ou não concluiu a 1 a.
série do ensino fundamental 15.150.000 14,1
Ensino fundamental incompleto 55.000.000 51,6
Fundamental completo e médio incompleto 16.300.000 15,3
Médio completo e superior incompleto 14.400.000 13,5
Superior completo 4.900.000 4,7
Sem declaração 850.000 0,8
total 106.600.000 100

ANALFABETISMO
1991 21,1%
1996 14,7%

TAXA DE ESCOLARIZAÇÃO (POPULAÇÃO EM IDADE ESCOLAR


OBRIGATÓRIA)
1998 95,8% (índice pouco superior ao estabelecido pela onu)

ALUNOS DO ENSINO FUNDAMENTAL EM SÉRIES NÃO


CORRESPONDENTES À IDADE
1998 48,7%

ALUNOS QUE NÃO COMPLETARAM O ENSINO FUNDAMENTAL


1998 65 %

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BRASIL MÉDIA DE ESCOLARIDADE - 1996
HOMENS 6 anos
MULHERES 5,7 anos
OBS: em alguns países europeus chega à média de 12 anos

NORDESTE BRASILEIRO - MÉDIA DE ESCOLARIDADE - 1996


HOMENS 4,4 anos
MULHERES 4,4 anos

NORDESTE BRASILEIRO - MÉDIA DE ESCOLARIDADE - 1996


NEGROS 3,4 anos
PARDOS 3,5 anos

MÉDIA ANUAL DE DESPESAS POR ALUNO


(segundo a ONU o ideal é de U$ 1.100,00)
GERAL U$ 935,00
PRIVADO U$ 1.100,00

MÉDIA ANUAL DE DESPESAS POR ALUNO


SUPERIOR U$ 3.500,00
FUNDAMENTAL U$ 350,00

INVESTIMENTO PÚBLICO NO ENSINO FUNDAMENTAL


1995 R$ 11,8 bilhões
1996 R$ 13,7 bilhões

ALUNOS POR NÍVEL DE ENSINO NO BRASIL – 1998


FUNDAMENTAL 35,8 milhões
MÉDIO 6,9 milhões
SUPERIOR 1,8 milhões

I. O Brasil gasta em média, incluindo os gastos públicos da União, dos


Estados e municípios 4,5% do PIB (Produto Interno Bruto) em programas de
educação, segundo o MEC. Considerando os investimentos privados, os custos
chegam a 5,5% do PIB.
Esse valor é comparável ao de países como EUA (5,3% do PIB) e
Inglaterra (5,5%).
II. Para aumentar os recursos do Ensino fundamental é criado em
dezembro de 1996 (já iniciado em janeiro de 1998), o Fundo de desenvolvimento
do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (FUNDEF), que reúne 15%
dos impostos arrecadados por estados e municípios, redistribuídos mensalmente
de acordo com o número de alunos matriculados na rede pública de ensino
fundamental.
É assegurado um valo mínimo anual por aluno, fixado por decreto
presidencial (em 1998 este valor é de R$ 315,00). Estados e municípios que não
atingirem este patamar têm ajuda do Governo Federal.
Anteriormente estados e municípios eram obrigados a investir 25% de
sua receita em todos os níveis educacionais, sem considerar o número de alunos
matriculados na rede pública. Com isto havia municípios com reduzido número de
alunos ou sem escolas públicas de ensino fundamental, com verba superior às
suas necessidades. Outras cidades, principalmente das regiões Norte e Nordeste,

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não conseguiam assegurar um gasto anual de R$ 50,00 por aluno do nível
fundamental.
III. A desigualdade na aplicação dos recursos resulta em um Ensino
Fundamental carente de material didático de qualidade e com profissionais pouco
treinados e mal remunerados.

CONCLUSÃO

Há pouco mais de 200 anos, o quadro educacional do mundo ocidental era


radicalmente outro: as escolas eram redutos de poucos privilegiados, que mais estudavam
para aumentar o próprio acervo do que para a transmissão do conhecimento. Com a
Revolução Francesa temos a primeira mudança, um novo quadro pintado através da escola
pública gratuita, do avanço geral das ciências experimentais sobre a Filosofia na explicação
dos fatos, o conformismo advindo das invenções modernas. Porém, estariam todas estas
comodidades da vida contemporânea eqüitativamente distribuídas? Será verdade esta
procura por uma “democratização da cultura” ?
Sendo mais específico, analisando o mundo atual da Educação no Brasil, é bom
nos situarmos: nossa geração vem de 21 anos de arbitrariedade então é impossível acreditar
que o autoritarismo presente em nossas escolas acabou com a saída do último presidente
militar. Ainda é possível observar o aluno como simples receptáculo de conteúdos pré-
fabricados e fornecidos para tão somente enquadrá-lo na ética comportamental vigente. Não
lhe é ensinado o desenvolvimento do espírito crítico. Claro que temos outros problemas que
afetam diretamente a Educação no Brasil, porém, creio ser de capital importância a
administração e o trabalho paritário aluno-escola e a revisão da metodologia na
reelaboração de novas estruturas educacionais.
Talvez nem o poder estabelecido, nem mesmo as peças-chave do processo
educacional (professores, alunos) tenham respostas claras para o problema tão crucial que é
a distribuição efetiva de todos os frutos nascidos na Árvore do Conhecimento. Pois se
formos enumerar todos os itens de uma educação ideal e confrontá-los com o real, talvez
não poucos fiquem decepcionados: É a Pedagogia da Escassez. Porém, longe a idéia de só
detectar falhas e defeitos. Precisamos da lúcida argumentação, da humildade em aceitar a
mudança de estruturas quase tidas como “sagradas”, por fim, é preciso a coragem da
contestação. Se não temos ainda propostas claras, porém, uma pista nós temos. A
participação, a Democracia. Onde todos sejam ouvidos atentamente. Se chegarmos a este
estágio, certamente terá sido um grande avanço: o de sentirmos que, ao menos na
Educação, já caminhamos todos juntos.

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BIBLIOGRAFIA

1. TEXTOS PRÓPRIOS NA INTRODUÇÃO E CONCLUSÃO


2. TABELAS E TEXTOS CONTÍGUOS ÀS TABELAS:
ABRIL 1999, Almanaque.
Seção “Brasil – Educação”.
pp 155-164.
São Paulo. Editora Abril.

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