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Engenheiro Ricardo Portugal

(Engº Mecânico)
2. A ÉTICA, A DEONTOLOGIA E O
ASSOCIATIVISMO PROFISSIONAL
2.1. A ética e a deontologia profissionais
 Segundo Hankinson (1996), do Grego “ethiké” e do latim
“ethica” (ciência relativa aos costumes), a Ética é um ramo
de Filosofia que tem por objectivos o estudo do que
destingue o bem do mal, o comportamento correcto do
incorrecto. E os princípios éticos constituem directrizes
pelas quais o Homem rege o seu comportamento, tendo em
vista uma filosofia moral dignificante.

 Alem disso, Hankinson acrescenta que a definição da Ética


Profissional é um assunto bastante complexo. Entretanto,
em geral, a ética profissional é definida como sendo algo
que orienta as decisões quanto ao que se deve ou não se
deve fazer no exercício de actividades de um determinado
grupo profissional.
 Para Donaldson (1996) a discussão dos fundamentos da
ética é, provavelmente, uma actividade interessante para os
filósofos, sociólogos e outros especialistas em ciências
sociais. Os engenheiros não estão, em geral, vocacionados
para essas discussões, o que obviamente não os isenta de
atenderem às questões éticas que se encontram
intimamente associadas à sua actividade profissional, dada
a elevada responsabilidade das funções que desempenham.

 Desde modo, de acordo com Donaldson, para os


engenheiro importa então um conhecimento do tópico que
nas sociedades anglo-saxónicas é designado por “Applied
Ethics”, que não trata dos problemas éticos em geral, mas
sim do conjunto circunscrito do problema resultante do, ou
envolvidos no, exercício de determinada actividade
profissional. È assim que aparecem especializações, em
função do objecto de cada profissão
 Por exemplo, um código de ética profissional de Engenharia
aborda questões diferentes das abordadas num código de
ética profissional de Medicina. Na prática, os Códigos de
Ética Profissional são dificilmente separáveis da
Deontologia Profissional, pelo que é pouco frequente o uso
indiferente dos termos Ética e Deontologia.
 O termo Deontologia, segundo Hankinson (1996), surge
pela combinação da palavras grega “déontos” que significa
dever e “logos” que se traduz com discurso ou tratado.
Sendo assim, a Deontologia é uma parte da Ética
especialmente adaptada ao exercício de uma determinada
profissão.
2.2. Códigos deontológicos de engenharia
 Segundo Harris (1996), geralmente os engenheiros
debatem-se com problema típicos, inerentes ao ramo das
suas actividades, no exercícios das suas funções. Por
exemplo:
 situações de conflitos de interesses;
 responsabilidade pela saúde e segurança do público;
 secretos industriais e propriedade intelectual;
 ofertas de fornecedores;
 honestidade na apresentação de resultados de estudos; etc..

 Deste modo, as associações profissionais de engenharia


foram respondendo à esta realidade elaborando códigos
deontológicos, que geralmente representam os consensos
existentes quanto às normas de conduta que os respectivos
membros devem utilizar.
2.2.1. Princípios gerais e normas deontológicos
 Os princípios fundamentais dos códigos deontológicos de
engenharia universalmente aceites são os seguintes:
a) Os engenheiros devem usar os seus conhecimentos e
habilidades para melhorar o bem estar da humanidade;
b) Os engenheiros devem ser honestos, imparciais e servir
com fidelidade o público, seus empregadores e seus
clientes; e
c) Os engenheiros devem se empenhar no aumento da
competência e prestígio da profissão de engenheiro.

 Os princípios acima apresentados são complementados por


normas fundamentais, também universalmente aceites.
Estas são:
a) O engenheiro deve considerar primordial a segurança, a
saúde e o bem estar públicos, no desempenho das suas
actividades profissionais;
b) O engenheiro deve desempenhar actividades apenas nas
suas áreas de competência;
c) O engenheiro deve continuar o seu desenvolvimento
profissional ao longo da sua carreira e deve proporcionar
oportunidades de desenvolvimento profissional aos
outros engenheiros abaixo da sua supervisão;
d) O engenheiro deve agir em assuntos profissionais para
cada empregador ou cliente como um agente leal e de
confiança e deve evitar conflito de interesses;
e) O engenheiro deve construir a sua reputação profissional
com o mérito do seu trabalho e não deve competir
ilegitimamente com os outros;
f) O engenheiro deve se associar apenas com pessoas e
organizações com boa reputação; e
g) O engenheiro deve fazer declarações públicas apenas de
forma fiável, clara e objectiva.
2.2.2. Deveres dos engenheiros

 A prática da profissão de engenharia é universalmente


fundamentada nos deveres éticos aos quais o
engenheiro deve pautar a sua conduta. Estes são:
 Ante o ser humano e a seus valores, o engenheiro deve:
 oferecer o saber para o bem da humanidade;
 harmonizar os interesses pessoais aos colectivos;
 contribuir para a preservação da saúde e segurança
públicas; e
 divulgar os conhecimentos científicos, artísticos e
tecnológicos inerentes à profissão.
 Ante o meio ambiente, o engenheiro deve:

 orientar o exercício das actividades profissionais pelos


preceitos do desenvolvimento sustentável;
 considerar, na elaboração de projectos, execução de
obras ou criação de novos produtos, os princípios e
recomendações de conservação de energia e de
minimização dos impactos ambientais; e
 considerar em todos planos, projectos e serviços as
directrizes e disposições legais concernentes à
preservação dos patrimónios ambiental e sócio-cultural.
 Ante à profissão, o engenheiro deve:

 identificar-se e dedicar-se com zelo à profissão;


 preservar e desenvolver a cultura da profissão;
 preservar o bom conceito e o apreço social da profissão;
 desempenhar as suas actividades dentro dos limites das
suas atribuições e da sua capacidade;
 empenhar-se junto aos organismos profissionais na
consolidação da cidadania e da solidariedade
profissional e da coibição das transgressões éticas;
 Nas relações com clientes, empregadores e colaboradores, o
engenheiro deve:

 dar tratamento justo a terceiros, observando o princípio da


equidade;
 resguarda o sigilo profissional quanto do interesse do seu
cliente ou empregador, salvo em situações de obrigação legal
da divulgação ou informação;
 fornecer informação certa, precisa e objectiva em publicidade;
 actuar com imparcialidade em actos arbitrais e periciais;
 respeitar o direito de escolha do destinatário dos seus
serviços, oferecendo alternativas viáveis e adequadas às suas
necessidades;
 alertar sobre os riscos e responsabilidades relativos às
especificações técnicas e as possíveis consequências da sua
inobservância; e
 adequar a sua forma de expressão técnica à normas vigentes.
 Nas relações com demais profissionais, o engenheiro
deve:

 Actual com lealdade no mercado de trabalho;


 Manter-se informado sobre as normas que regulam o
exercício da profissão; e
 Preservar e defender os direitos profissionais.
2.2.3. Condutas vedadas aos engenheiros
 No exercício das suas actividades profissão o engenheiro é
vedado a prática das seguintes condutas:
a) Ante o ser humano e a seus valores, o engenheiro é vedado a:
b) prestar de má-fé orientações, propostas especificações técnicas
ou qualquer acto profissional que possa resultar em danos às
pessoas ou aos seus bens patrimoniais;
c) não cumprir voluntária e injustificadamente com os deveres
profissionais;
d) usar do privilégio profissional ou faculdade decorrente da sua
função de forma abusiva, para fins discriminatórios ou para
auferir vantagens pessoais.
 Ante o meio ambiente, o engenheiro é vedado a:
a) prestar de má-fé orientações, propostas especificações técnicas
ou qualquer acto profissional que possa resultar em danos ao
ambiente, à saúde pública e ao património sócio-cultural.
 Ante à profissão, o engenheiro é vedado a:
a) aceitar trabalho, contrato, emprego, função ou tarefa
para os quais não tenha uma efectiva qualificação;
b) omitir ou ocultar factos do seu conhecimento que
transgridam a ética profissional;
c) utilizar indevida ou abusivamente do privilégio de
exclusividade do direito profissional.

 Nas relações com os seus clientes, empregadores ou


colaboradores, o engenheiro é vedado a:
a) formular propostas de salários inferiores ao mínimo
legal para a profissão;
b) apresentar propostas de honorários com valores
exorbitantes ou extorsivos, desrespeitando as tabelas
de honorários aplicáveis;
c. usar artifícios ou expedientes enganosos para a obtenção
de vantagens indevidas , ganhos marginais ou conquista
de contratos;
d. usar artifícios ou expedientes enganosos que impeçam o
legítimo acesso dos colegas à promoção ou ao
desenvolvimento profissional;
e. desrespeitar as medidas de higiene, saúde e segurança do
trabalho sob a sua responsabilidade;
f. suspender contratos de serviço de forma injustificada e
sem comunicação prévia;
g. impor ritmo de trabalho excessivo ou exercer pressão
psicológica ou seus colegas ou colaboradores; e
h. fazer o assédio sexual aos seus colegas ou colaboradores.
 Nas relações com os demais profissionais, o engenheiro é
vedado a:

a) intervir em trabalhos do outro profissional sem a devida


autorização, salvo no exercício do dever legal;
b) referir-se com preconceitos a outro profissional;
c) agir ponderosamente em detrimento de outro
profissional; e
d) atentar contra a liberdade do exercício da profissão ou
contra os direitos do outro profissional.
2.2.4. Direitos dos engenheiros
 Direitos colectivos:
 São reconhecidos os direitos colectivos universais à
profissão de engenharia, suas modalidades e
especializações, designadamente:
 à livre associação e organização em organismos profissionais;
 ao gozo da exclusividade do exercício profissional;
 ao reconhecimento legal; e
 a representação institucional.

 Direitos individuais:
 São reconhecidos os direitos individuais universais aos
profissionais de engenharia, suas modalidades e
especializações, designadamente:
 à liberdade de escolha da especialização profissionais;
 à liberdade de escolha de métodos, procedimentos e formas
de expressão;
 ao uso do título profissional;
 à justa remuneração proporcional à sua capacidade, grau
de complexidade, risco, experiência e especialização
requeridas por suas tarefas;
 ao provimento de meios e condições de trabalho dignos,
eficazes e seguros;
 à recusa ou interrupção de trabalho, contrato, emprego,
função ou tarefa quando julgar incompatível com a sua
especialização, capacidade ou dignidade pessoais;
 à protecção do seu título, de sues contratos e de seu
trabalho;
 à protecção da sua propriedade intelectual;
 à competição honesta no mercado de trabalho;
 à liberdade de associar-se à organismos profissionais;
2.2.5. Infracção ética
 Constitui infracção ética todo acto cometido pelo
engenheiro, no exercício das suas funções, que:
 atente contra os princípios éticos,
 viole os deveres profissionais;
 pratique condutas expressamente vedadas, ou
 lese direitos reconhecidos de outrem.
 Entretanto, a tipificação da infracção ética para efeitos
de processos disciplinares é geralmente estabelecida,
pelos organismos profissionais, a partir dos respectivos
códigos deontológicos, na forma que a lei determinar.
2.3. O associativismo profissional
 Existem três factores que diferenciam um grupo
profissional de uma sociedade ou de um clube, a saber:
 Os membros admitidos num grupo profissional são
exigidos a possuir um certo grau académico;
 Os padrões de desempenho, éticos e técnicos, dos
membros dum grupo profissional são específicos; e
 Os corpos gerentes dos grupos profissionais são criados
para orientar as actividades e regulamentar os padrões de
desempenho dos seus membros.
 Segundo Markel (1993), na sociedade moderna, as
profissões são caracterizadas por seus próprios perfis, pelo
saber científico e tecnológico que incorporam as expressões
técnicas e artísticas que utilizam, os resultados sociais e
económicos e impactos ambientais do trabalho que
realizam. E os profissionais são os detentores do saber
especializado de suas profissões e os sujeitos provocativos
do desenvolvimento.
Além disso, os objectivos e a acção dos profissionais são,
geralmente, voltadas para o bem estar da humanidade e o
desenvolvimento do Homem, em seu ambiente e na sua
diversa dimensão, como:
 indivíduo e/ou família;
 comunidade e/ou sociedade; e
 nação e/ou humanidade.

 Deste modo, a profissão deve ser exercida com base nos


preceitos de desenvolvimento sustentável na intervenção
sobre os ambientes natural e artificial e da segurança das
pessoas e dos seus bens.
 A profissão de engenheiro, apesar de ser de livre exercício
dos seus profissionais, a segurança da sua prática é de
interesse colectivo. Por isso, o seu exercício deve ser
regulado e adequadamente fiscalizado. Assim, surge a
necessidade de criação de associações profissionais de
engenharia, cujas principais atribuições são, geralmente,
de:
 zelar pelo cumprimento das regras de ética profissional;
 defender os direitos e interesses dos sues membros;
 zelar pela função social, dignidade e prestígio da profissão;
 exercer jurisdição disciplinar dos seu membros;
 apoiar o governo em assuntos de interesse público
inerentes à profissão; e
 exercer outras funções que resultem da lei.

No caso concreto de Moçambique, existe a Ordem dos


Engenheiros de Moçambique.
2.3.1. Estatuto da Ordem dos Engenheiros de Moçambique
(Lei nº 16/2002 de 26 de Junho)
 A Ordem dos Engenheiros de Moçambique foi criada para regular a
actividade de engenharia em, através do registo e certificação e do
exercício da acção disciplinar e de controlo sobre o os profissionais do
Ramo de Engenharia em actividade em Moçambique. Adiante apresenta-
se alguns artigos, de interesse comum, do Estatuto da Ordem dos
Engenheiros de Moçambique

 “Artigo 5 (Atribuições)”
a) A Ordem dos Engenheiros tem como atribuições:
b) liderar o progresso da engenharia pondo-a ao serviço do
desenvolvimento nacional;
c) registar e acreditar os engenheiros que querem exercitar a engenharia em
Moçambique;
d) zelar pelo cumprimento das regras de ética profissional e o nível de
qualificação profissional dos engenheiros;
e) defender os interesses, direitos e prerrogativas dos seus membros;
f) zelar pela função social, dignidade e prestígio da profissão de
engenheiro;
g) fomentar o desenvolvimento de ensino e investigação da
engenharia;
h) promover, organizar e apoiar a formação contínua dos seus
membros e outros técnicos de engenharia;
i) contribuir para a estruturação das carreiras de dos engenheiros;
j) atribuir e proteger o título profissional de engenheiro,
promovendo o procedimento judicial contra quem o use ou exerça
ilegalmente;
k) promover a cooperação e solidariedade entre os seus membros;
l) prestar colaboração técnica e científica solicitada por quaisquer
entidades, públicas ou privadas, quando exista interesse público;
m) desenvolver relações com outras ordens e associações afins,
nacionais e estrangeiras, podendo aderir a uniões e federações
internacionais;
n. exercer jurisdição disciplinar sobre os engenheiros;
o. zelar pela qualidade e segurança dos estudos, projectos e obras
de engenharia;
p. apoiar o Governo, tecendo pareceres sobre projectos de
desenvolvimento de infra-estruturas públicas, licenciamento
de empreiteiros para obras públicas, contratação de
engenheiros estrangeiros e sobre outros assuntos relacionados
com a engenharia, desde que haja interesse público;
q. exercer as outras funções que resultem da lei e das disposições
deste Estatuto.

 “Artigo 8 (Membros Efectivos)”


1. A admissão como membro efectivo depende da titularidade de
licenciatura, ou equivalente legal, em curso de engenharia e
prestação, com sucesso, de provas ou estágios, para o efeito ,
realizados pela Ordem dos Engenheiros.
2. Relativamente às provas e estágios de admissão a que se
refere o número anterior, cabe à Ordem dos Engenheiros:

a) definir as condições e formas em que se realizam, em


regulamento próprio;
b) definir critérios objectivos de dispensa de provas de
admissão, a rever periodicamente, os quais se baseiam no
curriculo dos cursos, nos meios de ensino e métodos de
avaliação das respectivas escolas de engenharia, bem
como na experiência prática.

3. Os membros efectivos são inscritos nas especialidades


reconhecidas pela Ordem dos Engenheiros:
“Artigo 28 (Direitos do Membros Efectivos)”
 Constituem direitos dos membros efectivos:
 participar nas actividades da Ordem dos Engenheiros;
 intervir e votar nos congressos, referendos e Assembleia
Geral,
 consultar as actas da Assembleia Geral;
 eleger e ser eleito para o desempenho de funções na Ordem
dos Engenheiros;
 requerer a atribuição do nível de qualificação,
 intervir na criação das especializações,
 requerer a atribuição de título de especialidade;
 beneficiar da actividade editorial da Ordem dos
Engenheiros;
 utilizar os serviços oferecidos pela Ordem do Engenheiros;
 utilizar a cédula profissional emitida pela Ordem dos
Engenheiro.
“Artigo 29 (Deveres do Membros Efectivos)”
 Constituem deveres dos membros efectivos:

 cumprir as obrigações do Estatuto, do Código Deontológico e os


regulamentos da Ordem dos Engenheiros;
 participar na prossecução dos objectivos da Ordem dos
Engenheiros;
 desempenhar as funções para os quais tenha sido eleito;
 prestar a comissões e grupos de trabalho a colaboração
especializada que lhe for solicitada;
 contribuir para a boa reputação da ordem dos engenheiros e
procurar alargar o seu âmbito de influência;
 satisfazer os encargos estabelecidos pela Ordem dos
Engenheiros;
 responder á inquéritos do Conselho Jurisdicional ou de natureza
técnico-científico.
 Estão isentos do pagamento dos encargos referidos
na alínea f) do número anterior, os membros
efectivos que não estão a exercer as funções de
engenharia e para tal requeiram a sua suspensão
temporária.
 O atraso superior a seis meses no cumprimento do
dever da alínea f ) do número um implica a
suspensão automática até a regularização da
situação.

 “Artigo 32 (Deveres do Engenheiro para com a comunidade)”


 È dever fundamental do Engenheiro, possuir uma boa preparação, de
modo a desempenhar com competência as suas funções e contribuir
para o progresso da engenharia e da sua aplicação ao serviço da
humanidade.
 O engenheiro deve defender o ambiente e a utilização racional dos
recursos naturais.
 O engenheiro deve garantir a segurança do pessoal
executante das obras, dos utentes das infra-estruturas e do
público em geral;
 O engenheiro deve opor-se à utilização fraudulenta, ou
contrária ao bem comum, do seu trabalho.
 O engenheiro deve procurar as melhores soluções técnicas,
ponderando a economia e a qualidade de produção ou das
obras que projectar, dirigir ou organizar.
 O engenheiro deve ter auto sentido de patriotismo e
defender a imagem e integridade da Nação Moçambicana.

“Artigo 33 (Deveres do Engenheiro para com a


empregadora e para como cliente)”
 O engenheiro deve contribuir para a realização dos
objectivos económicos e sociais das organizações em se
integra, promovendo o aumento da produtividade, a
melhoria da qualidade dos produtos e das condições de
trabalho, com o justo tratamento das pessoas.
 O engenheiro deve prestar os seus serviços no pleno uso
das suas capacidades mentais, com diligência e
pontualidade, de modo a não prejudicar o cliente nem
terceiros, nunca abandonando, sem justificação, os
trabalhos que lhe forem confiados ou os cargos que
desempenhar.
 O engenheiro deve respeitar os acordos com os seus
empregadores no que respeita à utilização de segredos
profissionais e informações confidenciais no exercício das
funções, salvo se em consciência, considerar poderem estar
em risco, exigências de bem comum e interesse público, e
nunca em benefício próprio.
 Ao engenheiro só deve pagar-se pelos serviços que tenha
efectivamente prestado e tendo em atenção o seu valor
justo.
 O engenheiro deve recusar compensações de mais de um
interessado do seu trabalho quando possa haver conflitos
de interesse ou não haja o consentimento de qualquer das
partes.
“Artigo 34
(Deveres do Engenheiro no exercício da profissão)”
 O engenheiro, na sua actividade associativa profissional,
deve pugnar pelo prestígio da profissão e impor-se pelo
valor da sua colaboração e por uma conduta irrepreensível,
usando sempre de boa-fé, lealdade e isenção, que actuando
em associação que individualmente.
 O engenheiro deve opor-se a qualquer concorrência
desleal;
 O engenheiro deve usar da maior sobriedade nos anúncios
profissionais que fizer ou autorizar.
 O engenheiro não deve aceitar trabalhar ou exercer funções
que ultrapassem a sua competência ou exijam mais tempo
do que aquele que ele disponha.
 O engenheiro só deve assinar pareceres, projectos ou
trabalhos profissionais de que seja autor ou colaborador.
 O engenheiro deve emitir os seus pareceres profissionais
com objectividade e isenção.
 O engenheiro deve, no exercício de função pública, na
empresa e nos trabalhos ou serviços em que desempenha a
sua actividade, actuar com maior correcção e de forma a
obstar a discriminação ou desconsideração de qualquer
tipo.
 O engenheiro deve recusar a sua colaboração em trabalhos
sobre os quais tiver de se pronunciar no exercício de
diferentes funções, ou que impliquem situações ambíguas
ou de conflitos de interesse.
“Artigo 35 (Deveres recíprocos dos Engenheiros)”
 O engenheiro deve avaliar com objectividade o trabalho dos
colaboradores, contribuindo para a sua valorização e
promoção profissional.
 O engenheiro apenas deve reivindicar o direito de autor,
quando a originalidade e a importância relativa da sua
contribuição o justifique, exercendo esse direito com
respeito pela propriedade intelectual de outrem e com as
limitações impostas pelo bem comum ou por lei.
 O engenheiro deve prestar aos colegas, desde que solicitada,
toda a colaboração possível.
 O engenheiro não deve prejudicar a reputação profissional
ou as actividades profissionais de colegas, nem deixar que
sejam menos prezados os seus trabalhos, devendo quando
necessário, aprecia-los com elevação e sempre com
salvaguarda da dignidade da classe.
 O engenheiro deve recusar substituir o outro engenheiro,
numa posição contratual ou em negociação, só o fazendo
quando as razões dessa substituição forem correctas e dando
ao colega a necessária satisfação.

“Artigo 40 (Sanções disciplinares)”

 As sanções correspondentes às infracções disciplinares são as


seguintes:
 advertência;
 repreensão registada;
 multa a ser definida no Regulamento Disciplinar;
 suspensão até seis meses;
 suspensão por mais de seis meses até doze meses;
 suspensão por mais de doze meses até cinco anos;
 proibição do exercício da profissão.
Referências
 Donaldson, T. (1996), ‘Values in Tension: Ethics Away
from Home’. ‘Harvard Business Review,
September/October, pp. 48 – 62.
 Estatuto da Ordem dos Engenheiros de Moçambique
(Lei nº 16/2002 de 26 de Junho)
 Hankinson, J. (1996), ‘O Especialista Instantâneo em
Filosofia’, Gradiva, Lisboa.
 Harris, C., Davis M. (1996), ‘Engineering Ethics:
What? Why? How? and When?’. ‘Journal of
Engineering Education, April, pp. 93 – 96.
 Markel, M. (1996), ‘An Ethical Imperative for Technical
Communicator’. ‘IEEE Transaction on Professional
Communications, vol. 36, (2), June, pp. 81 – 86.