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LIÇÃO VIII – Os Dons do Espírito 

 
Qual é a evidência de que uma pessoa têm o Espírito? Como podemos saber 
se temos ou não o Espírito? 

Esqueçamos todas as especulações, ensinamentos e tradição que por ventura 
tenhamos recebido e carregado até agora. 

Ser pentecostal é ter o Espírito Santo; podemos afirmar: … somos 
pentecostais pois o Espírito nos constrange, nos ensina, nos educa, ou seja, nos 
convence do pecado da justiça e do juízo. 

Ter o Espírito, ao contrário do que podemos estar propensos a imaginar, não 
é outra coisa senão ter os frutos acima mencionados. 

Não há provas externas inconfundíveis de que o Espírito Santo habita em 
alguém, pois é antes de mais nada, a transformação do coração daquele que O 
recebe evidenciado pela mudança de procedimento e caráter que mostra que O 
Espírito habita em tal cristão. 

Fazer o bem e ser bom são coisas completamente diferentes. É possível que o 
coração não transformado realize alguma obra boa aos olhos mas desprovida do 
princípio Divino: Amai ao próximo como a si mesmo. 

Expulsar demônios, profetizar, realizar curas ou qualquer coisa do tipo, não é 
evidência de que o Espírito de Deus é quem guia esta pessoa. “Muitos me dirão 
naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não 
expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então lhes direi 
claramente: Nunca vos conheci; apartai­vos de mim, vós que praticais a 
iniquidade.” (Mat. 7:22, 23) 

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Uma pessoa pode realizar estas coisas e ser desconhecido de Jesus, afinal os 
frutos do Espírito não são as profecias, milagres, sinais, línguas, ou curas… “Mas o 
fruto do Espírito é: o amor, o gozo, a paz, a longanimidade, a benignidade, a 
bondade, a fidelidade, a mansidão, o domínio próprio; contra estas coisas não há lei.” 
(Gál. 5:22, 23). Aqueles que mostram em suas vidas estes frutos, não tenhamos 
dúvida, são guiados pelo Espírito. 

O Batismo no Espírito Santo 

A pregação de João Batista era esta: (Mat 3:11) “Eu, na verdade, vos batizo 
em água, na base do arrependimento; mas aquele que vem após mim é mais poderoso 
do que eu, que nem sou digno de levar­lhe as alparcas; ele vos batizará no Espírito 
Santo, e em fogo.” 

O Batismo ao qual João Batista se refere no Espírito e em fogo podem referir‐
se ao acontecimento de Atos dos Apóstolos (Atos cap. 2) onde foram vistas línguas 
de fogo e o Espírito Santo encheu a todos. 

Pode referir‐se também: O Espírito aos que se converterem e o fogo aos que 
permanecerem incrédulos conforme seqüência no verso 12 seguinte onde os grãos 
são recolhidos e a palha lançada ao fogo. Mas uma coisa é certa… não há êxtase, 
desmaios, tremedeiras, alucinações nem nada do tipo ao ser o cristão cheio do 
Espírito Santo. Não há nem uma só passagem ou versículo das Escrituras que 
narrem algo deste tipo acontecendo com aqueles que foram cheios do Espírito. 

Isto não aconteceu com o pai de João Batista quando a Bíblia diz : “Zacarias, 
seu pai, ficou cheio do Espírito Santo…” , pelo contrário, lemos uma das mais belas 
orações das Escrituras referentes ao Messias (LUCAS 1:67 a 79); em Atos 4:8, 
quando “Pedro, cheio do Espírito Santo” discursou aos anciãos em Israel e 
autoridades, ele não começou a tremer, ou a rolar pelo chão ou nada do tipo, mas 
fez um de seus discursos mais eloquentes sobre o Messias e Sua obra. Não 
aconteceu nenhuma manifestação animalesca com Estevão ao ser ele “cheio do 
Espírito Santo” (Atos 7:55) mas continuou a pregar sobre o Messias, repreendendo 
o pecado das autoridades de Israel, mesmo sob ameaça de morte, e em vez de 
tremer, babar ou uivar em êxtase, pronunciou esta oração antes de sua morte: 
“Senhor, não lhes imputes este pecado” (Atos 7:60).  

Continue e leia outros exemplos de filhos de Deus que ficaram cheios do 
Espírito e veja por você mesmo o que aconteceu: (Atos 9:17; 11:24; 13:9) 

O cristão quando está cheio do Espírito, faz suas as palavras de João Batista e 
diz em humildade: “É necessário que ele cresça e que eu diminua” (João 3:30) e não 
o contrário, dando um verdadeiro show na igreja, sendo o centro da liturgia onde o 
“eu” é evidenciado e Jesus posto de lado. 

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Os dons do Espírito aos membros do corpo de Cristo 

(I Coríntios 12: 14 a 21 e 27 a 31) 
“Porque  também  o  corpo  não  é  um  só  membro,  mas  muitos.  Se  o  pé  disser: 
Porque  não  sou  mão,  não  sou  do  corpo;  não  será  por  isso  do  corpo?  E  se  a  orelha 
disser: Porque não sou olho não sou do corpo; não será por isso do corpo? Se todo o 
corpo fosse olho, onde estaria o ouvido? Se todo fosse ouvido, onde estaria o olfato? 
Mas agora Deus colocou os membros no corpo, cada um deles como quis. E, se 
todos fossem um só membro, onde estaria o corpo? Assim, pois, há muitos membros, 
mas  um  corpo.  E  o  olho  não  pode  dizer  à  mão:  Não  tenho  necessidade  de  ti;  nem 
ainda a cabeça aos pés: Não tenho necessidade de vós. 
Ora, vós sois o corpo de Cristo, e seus membros em particular. E a uns pôs Deus 
na igreja, primeiramente apóstolos, em segundo lugar profetas, em terceiro doutores, 
depois milagres, depois dons de curar, socorros, governos, variedades de línguas. 
Porventura  são  todos  apóstolos?  são  todos  profetas?  são  todos  doutores?  são 
todos  operadores  de  milagres?  Têm  todos  o  dom  de  curar?  falam  todos  diversas 
línguas? interpretam todos? Portanto, procurai com zelo os melhores dons; e eu vos 
mostrarei um caminho mais excelente.” 
 
Pelo presente texto, podemos ver que os dons são dados a cada um conforme 
a necessidade que Deus enxerga. 
Não  são  todos  profetas,  nem  todos  curam,  nem  todos  ensinam,  nem  todos 
falam em línguas. 
Não há evidência bíblica de que uma pessoa só tem o dom do Espírito se falar 
em línguas. Igualmente não se deve imaginar que todos podem e DEVEM profetizar 
caso contrário não têm o Espírito. 
 
Algumas pessoas não se satisfazem com uma reunião, a menos que 
experimentem momentos de poder e de alegria. Esforçam‐se por isso, e chegam a 
uma confusão dos sentimentos. A influência dessas reuniões, porém, não é 
benéfica. Ao passar o auge do sentimento, essas pessoas imergem mais fundo que 
antes da reunião, pois sua satisfação não proveio da devida fonte. 
As mais proveitosas reuniões para o bem espiritual, são as que se 
caracterizam pela solenidade e o profundo exame do coração, cada um procurando 
conhecer‐se a si mesmo e, com sinceridade e profunda humildade, buscando 
aprender de Cristo. 
 
No relato de I Reis 19 lemos o excepcional exemplo de que nem todas as 
manifestações precisam ser necessariamente carregadas de tremor e ruídos e 
ventos e fogo.  
Lemos em I Reis 19 : 11 a 13 – “E Deus lhe disse: Sai para fora, e põe­te neste 
monte perante o SENHOR. E eis que passava o SENHOR, como também um grande e 
forte vento que fendia os montes e quebrava as penhas diante do SENHOR; porém o 
SENHOR não estava no vento; e depois do vento um terremoto; também o SENHOR 
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não estava no terremoto; e depois do terremoto um fogo; porém também o 
SENHOR não estava no fogo; e depois do fogo uma voz mansa e delicada. E 
sucedeu que, ouvindo­a Elias, envolveu o seu rosto na sua capa, e saiu para fora, e 
pôs­se à entrada da caverna; e eis que veio a ele uma voz, que dizia: Que fazes aqui, 
Elias?” 
 
Que contraste encontramos com o mesmo profeta Elias! 
No monte Carmelo, Elias restabeleceria o culto puro ao Senhor sem mistura 
com Baal. 
No monte Carmelo os profetas pulavam e se feriam no fulgor da invocação ao 
falso Deus. Pulavam em volta do altar e gritavam em altas vozes dizendo: Ó Baal, 
responde‐nos! 
Por outro lado, Elias, sem excitação, mas parecendo mesmo com aquela voz suave 
ouvida no Horebe, pronuncia uma oração sincera e justamente por isso é 
respondido. Heis a oração:  
“Ó SENHOR Deus de Abraão, de Isaque e de Israel, manifeste­se hoje que tu és 
Deus em Israel, e que eu sou teu servo, e que conforme à tua palavra fiz todas estas 
coisas. Responde­me, SENHOR, responde­me, para que este povo conheça que tu és o 
SENHOR Deus, e que tu fizeste voltar o seu coração.  
Então caiu fogo do SENHOR, e consumiu o holocausto, e a lenha, e as pedras, e 
o pó, e ainda lambeu a água que estava no rego. O que vendo todo o povo, caíram 
sobre os seus rostos, e disseram: Só o SENHOR é Deus! Só o SENHOR é Deus!” (I Reis 
18 : 36 a 39). 
O Espírito é prometido a todo o que crê meu querido. Os dons são a 
ferramenta e o meio pelo qual a Igreja alcançará o término de sua missão. Sem 
estes dons, a igreja seria desprovida de meios para lutar. Mas lembre‐se que a 
Igreja é propensa a dar no final mais importância aos dons do que o Espírito. Se 
cada filho de Deus buscasse comunhão com o Espírito como busca por seus dons, 
certamente a Igreja seria muito mais poderosa do que é hoje. 
O Doador é mais importante do que os dons. 

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