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Algumas passagens transcritos do:

LIVRO DE PRIVILÉGIOS, JURISDIÇÕES, SENTENÇAS, IGREJAS


DESTE REAL MOSTEIRO DE SANTA MARIA DE ALCOBAÇA
(Direção Geral de Arquivos/TT, Ordem de Cister,
Mosteiro de Santa Maria de Alcobaça, liv. 92).
Url:http://digitarq.dgarq.gov.pt/details?id=1459083
Agro, partilha dos Frutos

[Fólio 2, Img 10]

Sentença do Juízo da Coroa dada no ano de 1674 contra os oficiais da Câmara da Vila de

Alfeizerão [Alfeizarão], em que se lhe não deu provimento no agravo que interpuseram pelo Juiz

Conservador Apostólico, ao condenar a que restituíssem ao Mosteiro a posse de cobrar os direitos a

feixes no agro. (Livro 20 de Sentenças, fólio 276; e sobre a sentença, fólio 314)

Sentença do Juiz Conservador Apostólico dada no ano de 1673 contra os ditos oficiais da

Câmara de Alfeizerão da força que fizeram em mandar apregoar [«apergoar»] que ninguém pagasse

milho grosso a feixes no Agro (Livro 20 de Sentenças, fl. 322).

Milho Grosso

[Fólio 179, Img 187]

Sentença dada no ano de 1661 contra Manuel de Oliveira, o Velho, de Alfeizerão, e Braz

de Figueiredo, do Couto, termo de Salir do Mato, pelos quartos do milho grosso (Livro 7.º de

Sentenças, fl. 453).

Sentença de força dada no ano de 1673 pelo Juiz Conservador Apostólico contra os

oficiais da Câmara de Alfeizerão por impedirem com pregões que se não pagasse o milho grosso no

agro por avenças (Livro 2.º de Sentenças, fl. 338; e sobre sentença, fl. 322); de que eles apelaram,
mas não se lhe recebeu a apelação senão no efeito devolutivo, de que agravando para a Coroa, não

tiveram provimento (no dito Livro, fl. 276), e se passou contra eles de participantes (Livro 24 de

Sentenças, fl. 386).

Legumes

[Fólio 167, Img 174]

Sentença do Juiz Conservador Apostólico dada no ano de 1615 contra vários moradores do

termo desta vila de Alcobaça, e de Alfeizerão, em que são condenados a pagar o quarto e dízimo

dos legumes na forma dos Forais, e posse (Livro 4.ª de Sentenças, fl. 393). Confirmada no Tribunal

da Legacia, fl. 408; e executada, fl. 405.

Sentença do Juízo da Coroa dada no ano de 1666 contra António Roiz Lobo da Silva, da

vila de Alfeizerão, pela qual foi condenado a pagar o 4.º dos feijões, e nesta sentença está copiado

o Foral, e bem explicadas as palavras quanto aos legumes (Livro 20 de Sentenças, fl. 178).

Sentença do Juiz dos Direitos Reais dada no ano de 1669 contra Isabel Gomes Loba,

viúva de António Roiz Lobo, em execução da sentença acima (Livro 10 de Sentenças, fls. 335 e

536).

Sentença do Juízo da Coroa dada no ano de 1673 contra os oficiais da Câmara da vila de

Alfeizerão, e povo da dita vila, sobre o direito do 4.º dos feijões. É boa sentença a respeito dos

mais legumes (Livro 20 de Sentenças, fl. 204, e a sobre-sentença no fl. 314).

Sentença de liquidação dos feijões que devia António Belo do Souto, de Alfeizerão (Livro

20 de Sentenças, fl. 312). Sentença de liquidação dos feijões que devia Diogo Dias da dita vila
(idem, fl. 380). Outra semelhante contra Pedro Batista (id., fl. 400). Outra semelhante contra João

Gomes (id., fl. 410). Outra semelhante contra António Fernandes Moreno (id., fl. 420). Outra

semelhante contra Rafael Coelho (id., fl. 230).

Sentença do Juiz dos Direitos Reais confirmada pelo Ouvidor contra a Câmara e povo

d’Alfeizerão, condenados a pagar o quinto da uva preta em cestos na eira, e o quarto dos alhos,

cebolas e mais legumes, e que não deem sesmarias (Livro 29 de Sentenças, fl. 424).

Sentença do Juiz dos Direitos Reais confirmada na Coroa contra Vicente Gonçalves, de

Alfeizerão, em que foi condenado no perdimento dos feijões (Livro 8.º de sentenças, fl. 280).

Sentença de liquidação dos feijões que devia Leonardo de Sousa, d’Alfeizerão (Livro 8 de

Sentenças, fl. 300).

Sentença do Juiz Ordinário contra João Diniz, de Famalicão, pelo quarto dos feijões

(Livro 8 de Sentenças, fl. 324).

Sentença do Juiz Executor, do ano de 1762, contra Eusébio do Couto, de Famalicão,

termo de Alfeizerão, pelos direitos dos ferregiais que excederem uma teiga de semeadura, que são

dois alqueires (Livro 42 de Sentenças, fl. 253).


Moinhos e Moendas

[Fólio 169, Img 176]

Sentença do Juízo da Coroa, dada no ano de 1535, contra os moradores da vila da

Pederneira, para que vão fazer as suas farinhas aos moinhos do Mosteiro (Livro 1.º de Sentenças,

fl. 320).

Sentença da Correição do Cível da Coroa, dada no ano de 1595, contra Isabel de Brito e

seus filhos, da Pederneira, para que não usem de uns moinhos em Rio de Moinhos, por causarem

prejuízo aos do Mosteiro, sem embargo da licença que se lhe tinha dado (Livro 1º de Sentenças, fl.

437).

Sentença do Juízo da Coroa dada no ano de 1638 contra João Domingues, da Pederneira,

em que julgou que o Mosteiro lhe não fizera força em lhe mandar derrubar umas atafonas que fez

na dita vila sem licença (Livro 5.º de Sentenças, fl. 38).

Matas, Madeiras, Montados

[Fólio 171, Img 178]

Carta D’El Rei D. Afonso IV que pede por mercê ao Dom Abade [que] deixe cortar arcos

nas suas matas para as suas cubas (Livro 6.º dos Dourados, fl. 120).
Instrumento feito no ano de 1435 por qual o Dom Abade mandou soltar sobre fiança

certos homens que estavam presos no castelo por ti rarem landes e madeiras das matas sem licença

(Livro 6.º Dourados, fl. 140).

Sentença da Coroa que julga pertencer a este Mosteiro o montado dos porcos das matas dos

Coutos (Livro 6.º Dourados, fl. 139) i.

Carta D’El Rei D. Manuel que roga aos regedores deste Mosteiro lhe deixem cortar nas

matas madeiras para caravelas (Livro 6.º Dourados, fl. 189).

Instrumento de avença com o concelho de S. Martinho sobre o montado dos porcos (Livro

4.º Dourados, fl. 46).

Sentença de Agravo do Juízo da Coroa a favor deste Mosteiro, que não é obrigado a dar

madeira aos pescadores da Pederneira, sem eles jurarem que é para as suas embarcações (Livro 4.º

de Sentenças, fl. 1).


Águas

[Fólio 4, Img 11]

Sentença de força contra o Padre Simão Luís e António Rodrigues Ráscoa [?] de

Famalicão de Baixo sobre as águas (Livro 22 de Sentenças, fl. 378, ano de 1685).

Munitório do Juiz Conservador contra Manuel Fernandes e seus filhos por entupirem o

Rio da Pedra e da Mota, ó’redor [ao redor] do Casal da Mouraria, termo de Óbidos, e desistência

que fizeram (Livro 4 de Sentenças, fl. 297, e a Sentença, fl. 273).

Rios e Valas

[Fólio 274, Img 283]

Conforme as Cartas de Povoação das vilas de Alfeizerão e S. Martinho, e aos aforamentos

e emprazamentos que depois disso o Mosteiro fez de vários herdamentos e juncais que constam do

Livro 2.º da Fazenda, são os enfiteutas obrigados a abrir os rios, valas e sarjetas, e trazerem as

terras bem cultivadas.

No ano de 1616, por ordem D’El Rei, fez o Juiz de Fora de Óbidos abrir o rio de

Alfeizerão para o que fintou todos os interessados, e considerando que também este Mosteiro o

era, foi fintado em cento e tantos mil reis, a que, por parte do Mosteiro, se acudiu que tal

obrigação como essa não tinha, porque toda caía sobre os seus enfiteutas, conforme seus Fo rais e

aforamentos; e ouvido o povo, que assim o confessou, se julgou que o Mosteiro não é obrigado a
concorrer para a dita abertura (Livro 8 de Sentenças, fl. 372; e no fl. 371, está um assento que

disso se fez na Câmara).

No ano de 1746 também se fintou o Mosteiro na abertura que mandou fazer o Ouvidor

como Superintendente, a que o Mosteiro acudiu, alegando o referido, e ouvidas as Câmaras das

vilas de Alfeizerão e S. Martinho, se julgou que o Mosteiro não é obrigado a concorrer para as

ditas aberturas (Livro 34 de Sentenças, fl. 24).

No ano de 1680, houve uma notável questão com Silvério da Silva da Fonseca sobre o

custo da abertura do seu campo e Prazo d’Alfeizerão, e o rio que por ele passa. Foi o caso que,

mandando El Rei no dito ano, abrir o rio da Mota à custa dos interessados, sendo por isso

fintados, pretendeu o dito Silvério da Silva que, pelo que tocava a ele, se fizesse [calculasse] a

finta respetiva ao lucro que tinha das terras rotas, e não dos juncais; e que nela se fintasse o

Mosteiro pelos lucros que também tinha. O Mosteiro, pela sua parte, alegou que o dito Silvério da

Silva devia à sua custa só, abrir o rio nas suas terras por ter essa obrigação pelos seus Prazos, e

precedendo informação do Provedor, mandou El Rei que se abrisse à custa do dito Silvério da

Silva da Fonseca. Todas estas arengas se declaram nos papéis que estão no Livro 24.º de

Sentenças, do fl. 971 em diante; e nas Razões no fl. 1035 do dito Livro estão bem expendidos os

fundamentos por onde o Mosteiro não é obrigado a concorrer em nenhuma parte, ainda sem

embargo do iníquo contrato no fl. 983 que se mostra nulo (fl. 971), nem foi atendido na Sentença

do Livro 34, fl. 179, pelas razões no dito Livro, no fl. 802.

No ano de 1650, passou El Rei D. João IV um Alvará para que em cada ano se lancem

oito mil reis de fábrica ii pelos interessados para a abertura e conservação do rio de Alfeizerão, e

que os Ouvidores dos Coutos sejam superintendentes da conservação do dito rio (Livro 33 de

Sentenças, fl. 155).


No ano de 1651 passou outro Alvará pelo qual confirmou o Contrato que fizeram os de S.

Martinho para tirarem quinze mil reis cada ano dos frutos das terras da Lagoa, para a fábrica e

abertura da Vala Real, e mais abertas da dita Lagoa, e que o Ouvidor dos Coutos seja executor da

dita fábrica, assim como o era do rio de Alfeizerão (Livro 33 de Sentenças, fl. 153; e o Contrato a

que se refere está no Livro 20 de Sentenças, fl. 84). Estas fábricas já as não há, porque o Prazo

que se tinha feito àquelas pessoas que fizeram o Contrato da Lagoa se desfez, e se fez outro de

novo a um só, com obrigação de abrir à sua custa.

Pelo que o costume é abrirem-se os ditos rios e valas de Alfeizerão e S. Martinho quando é

necessário, e para isso se recorre ao Ouvidor como Superintendente, para mandar fazer a obra, e a

finta do custo dela pelos interessados. Mas nunca o Mosteiro deve ser fintado pelas razões já

referidas, e sentenças na matéria.

No ano de 1649, passou El Rei D. João IV um Alvará para o Dr. Frutuoso de Campos

Barreto mandar abrir os rios e valas de Alfeizerão e S. Martinho à custa dos interessados (Livro

5.º de Sentenças, fl. 190). Do qual D. Micaela da Silva iii pediu vista para embargos, suspensa a

execução que se lhe lançou, por mandar o Alvará se fizesse a obra sem embargo de quaisquer

embargos, e agravando, não teve provimento (Livro 5 de Sentenças, fl. 182).

Carta do vigário desta vila, José de Almeida Brandão, em que pede licença para pescar

(Livro 45 de Sentenças, fl. 198).

Por uma Provisão de D. José I, lavrada a 2 de Setembro de 1775, pede ao Mosteiro [para]

fazer citar os Juízes e Câmaras das vilas da Cela, Maiorga, Alfeizerão, Alcobaça, Cós e

Pederneira, para os reparos dos cômoros e motas destruídos por efeitos das cheias (Caixão das 3

Chaves, Gaveta 8).


Caminhos e estradas

[Fólio 16v.º, Img 25]

Alvará D’El Rei D. Duarte pelo qual dá poder ao D. Abade deste Mosteiro que possa

constranger aos concelhos dos Coutos que consertem os caminhos e estradas pelas [vezes] que forem

necessárias (Livro 6º D., fl. 181).

Carta do Secretário de Estado Mendo Fóios iv, escrita em nome D’ El Rei D. Pedro II ao

D. Abade Geral, pela qual lhe ordena mande às Câmaras das vilas da Pederneira e Alfeizerão

consertem logo os caminhos para se conduzirem as madeiras para os navios que mandava fazer em

S. Martinho, ano de 1697, e o mandado que se passou.


Castelo de Alcobaça e Alfeizerão

[Fólio 17 v.º, Img 26]

El Rei D. Fernando ordenou que todos os moradores dos coutos fossem escusos de ir servir

na aduana da vila de Santarém, e que por isso os Abades os poderiam constranger para o

refazimento e repairo dos castelos dos coutos. E El Rei D. Afonso V no ano de 1450 passou um

Alvará e Regimento em que cometia [competia] ao Abade deste Mosteiro a vedoria do

corregimento e reparo das torres e barreiras do castelo do Mosteiro para o que havia por bem que

não fossem escusas nenhumas pessoas dos coutos. Assim o julgou por Sentença El Rei D. João II

no ano de 1481. E assim o diz a Sentença no Livro 1º Dourados, fl. 17 v.º e 18.

Pelos Forais dados às vilas dos coutos pelo rei D. Manuel se determina que os vizinhos e

moradores dos coutos sirvam por mandado do Abade ou dos seus oficiais nas obras e muros das

ditas fortalezas; mas isto será quando El Rei assim o houver por seu serviço e bem de seus reinos,

de se fazerem ou refazerem os ditos castelos, muros e obras deles; e eles então por seu especial

mandado ao Dom Abade, mandarem fazer: assim consta de todos os forais.

Instrumento passado no ano de 1534, pelo qual consta que os moradores de Pataias e da

Ribeira do Pereiro são obrigados em cada ano, ir limpar os muros do castelo [de Alcobaça] por fora

e por dentro (Liv. 6º dos Dourados, fl. 189).

Petição de Francisco Pereira Pinto, administrador da Abadia no ano de 1627, de que era

Comendatário o Cardeal Infante D. Fernando, em que pede a El Rei que o dinheiro que o Povo

tinha pedido para fazer uma nova cadeia nesta vila, pela do castelo se ir arruinando, se gastasse
no reparo do castelo, e se não fizesse uma nova cadeia fora dele (Liv. 13 de Sentenças, fl. 275 e

276).

Protesto que fez em 1456 Dom Fr. Gonçalo de Ferreira, abade de Alcobaça, perante o Juiz

e Procuradores de vários concelhos, que no refazimento da torre de menagem [«homenagem»] do

castelo de Alcobaça, em que eram obrigados a trabalhar, não era o Mosteiro obrigado a dar-lhes

soldo ou mantimento (Liv. 6 dos Dourados, fl. 121).


Alcaide-mor de Alcobaça

[Fólio 5, Img 13]

Apresenta o Reverendíssimo Padre Dom Abade Geral, um Alcaide-mor do castelo desta

vila de Alcobaça: tem de ordenado vinte mil réis em dinheiro, tem mais u ma cerrada junto do

castelo e leva os frutos dela sem pagar direitos.

Leva mais os foros de várias moradas de casas que estão ó’redor do chão do castelo, e

constam no Livro 1º da Fazenda. Nestes foros se introduziram os Alcaides-mores sem título,

porque os prazos todos foram feitos pelo Mosteiro. E quanto à cerrada, trata dela o contrato feito

entre o Comendatário e Vasco de Pina, Alcaide-mor (Livro 14 de Sentenças, fl. 222). E quanto aos

foros das casas, constam no Tombo do Souto serem aforadas pelo Mosteiro já no ano de 1601,

sendo Alcaide-mor D. Lopo de Almeida, lhe pôs o Mosteiro demanda para lhe reivindicar a dita

cerrada e foros, e já então veio com uma exceção de prescrição que lhe não foi recebida, e consta da

sentença no 4º Livro de Sentenças, a fl. 107. Não consta se prosseguisse este pleito. Bom fora dar-

lhe agora algum remédio, que só poderá ser quando se apresentar Alcaide-mor e reservar o Mosteiro

para si os ditos foros, ainda que o equivalente deles se lhe acrescente em dinheiro.

Forma de homenagem que devem fazer os Alcaides-mores, feita por António de Sousa

Tavares, tirada dos Livros D’El Rei, e da Casa de Bragança (Livro 13 de Sentenças, fl. 482).

O Cardeal Infante D. Fernando, sendo Comendatário do Mosteiro, apresentou por

Alcaide-mor D. João de Almeida, e lhe acrescentou no ordenado 8 moios de pão, e sucedendo a

feliz [«felice»] aclamação do Senhor Rei D. João IV, restituiu ao Mosteiro a dita comenda por
falecimento do dito Comendatário. E pretendendo o Mosteiro que a dita Alcaidaria-mor ficasse

vaga, e que o Alcaide-mor restituísse os 8 moios de pão que levara depois da morte do

Comendatário, julgou-se no ano de 1651 que o dito Alcaide-mor em sua vida fosse conservado na

posse da dita Alcaidaria, mas que restituísse os 8 moios de pão que lev ara depois da morte do

Comendatário, pois este, por ser somente administrador, só em sua vida podia ter lugar aquele

acrescentamento (Livro 7º de Sentenças, fl. 571).

O dito D. João de Almeida renunciou à dita Alcaidaria-mor no ano de 1658 (Livro 13 de

Sentenças, fólios 149 e 155).

Foi apresentado Manuel Teixeira Homem (Livro de Dataria, fl. 84; e a posse no Livro 13

de Sentenças, fl. 156; e Maço 1º de Privilégios, nº 17, Gaveta 1ª).

Foi apresentado André Bravo (Livro da Dataria, fl. 84. E a posse no Livro 13 de

Sentenças, fl. 162).

Foi apresentado o D. Giraldo Pereira Coutinho (Livro da Dataria, fl. 85. E a posse no

Livro 23 de Sentenças, fl. 356).

O Doutor Bartolomeu de Lemos (Livro da Dataria, fl. 87 vº.).

Bento Luís Correia da Silva (Livro da Dataria, fl. 88 v.º; e Livro 54 de Sentenças, fls. 80

e 81)

Sentença do Corregedor da Comarca a favor do dito Alcaide-mor, pela qual julga que não é

obrigado aos reparos do castelo que serve de cadeia (Livro 33 de Sentenças, fl. 958).

Pela Sentença do Juízo da Coroa de 1655, e Alvará do Senhor D. Afonso [IV] de 1667

[data de publicação do alvará, porque D. João IV faleceu em 1666], está decidido que a
Alcaidaria-mor desta vila é data [dada, concedida pelo] do Mosteiro (Livro 25 de Sentenças, fls.

308 e 193].

[parágrafo um tanto ilegível sobre o aforamento indevido a sete pessoas pelo Alcaide-mor

do castelo, de uma terras na ladeira do castelo. Ano de 1786].

Por desistência do Alcaide-mor Bento Luís Correia de Melo, fez Preito e Homenagem a

novo Alcaide-mor apresentando José de Melo Pereira Correia Coelho aos 25 de Abril de 1779

[Livro da Dataria, fl. 90).

Por falecimento do sobredito, fez Preito e Homenagem, o Barão da Portela, Bernardo

Doutel de Almeida, novamente apresentado pelo Nosso Reverendíssimo aos 13 de Abril de 1833

(Livro da Dataria, fl. 91).


Alcaide-mor de Alfeizerão

[Fólio 7, Img 15]

Apresenta o Reverendíssimo, um Alcaide-mor do castelo de Alfeizerão, e tem de ordenado

12000 reis cada ano. E, além disso, uma grande cerrada ao redor do castelo, da qual deve pagar a

este Mosteiro o oitavo das novidades pelos títulos apontados no Livro 2 da Fazenda, fl. 143 v.º,

n.º 38.

Silvério da Silva da Fonseca foi Alcaide-mor.

Bernardo de Freitas de Sampaio, Livro da Dataria, p. 350. Desistência que fez Livro 33

de Sentenças, fl.1 em 1695 apresentado, e desistência em 1738.

João Carlos de Freitas e Sampaio. Livro da Dataria, fl. 351 v.º, em 1738.

Pela sentença do Juízo da Coroa de 1655 e pelo Alvará do Sr. D. Afonso VI de 1657 se

decidiu que a data da alcaidaria-mor desta vila pertence ao Mosteiro (Livro 25 de Sentenças. fl.

308, e fl. 193).

Na carta de povoação que no ano de 1342 deu o Mosteiro aos moradores de Alfeizerão,

reservou para si o castelo com as suas entradas, saídas e pertenças (Tombo Velho, fl. 166); o mesmo

confirma o Foral de El Rei D. Manuel (Livro novo dos Forais, fl. 5 v.º).

Sentença proferida a favor de Silvério da Silva da Fonseca contra o Mosteiro, e foi este

condenado a pagar-lhe o ordenado de Alcaide-mor de Alfeizerão (Liv. 1º de Sentenças, fl. 21).


Diogo Botelho da Silveira era Alcaide-mor de Alfeizerão em 1596 v (Tombo do Souto, fl.

382); contra o mesmo obteve o Mosteiro sentença no Juízo da Ouvidoria em 1596, e nela foi

condenado a pagar o oitavo e dízimo da cerrada do Castelo (Liv. 2 de sentenças, fl. 168).

Posse que o Mosteiro tomou da Alcaidaria-mor desta vila, em 1642, por virtude da doação

do Senhor D. João IV (Liv. 20 de Sentenças, fl. 9).

Desistência que fez da alcaidaria-mor de Alfeizerão, António Félix da Silva Barradas, nas

mãos [«maons»] do Reverendíssimo Donatário (Liv. 52 de Sentenças, fl. 545 v.º, Livro da

Dataria, fl. 352, desistência, fl. 354 v.º). Fez homenagem em 1765.

Joaquim José de Freitas e Sampaio, alcaide-mor em 1769 (Liv. da Dataria, fl. 353 v.º).

Notícia sobre a dívida de 200$00 que o Alcaide-mor deve ao Mosteiro, e sobre o ordenado que este

lhe deve. Livro da Dataria e Livro Index das Jurisdições = feito por ___.

Alcaides pequenos vi

[Fólio 8, Img 16]

Alfeizerão – Um alcaide [pequeno] da apresentação do Alcaide Mor (Liv. 25 de

Sentenças, fl. 308).


Capitão-mor

Fronteiro-Mor dos Coutos

[Fólio 19, Img 27]

Cartas e Alvarás por onde consta que na vila da Pederneira e de S. Martinho se não devem

fazer soldados (Livro 24 das Sentenças, de 787 até 797).

Duas cartas do Marquês de Tancos vii para o Reverendíssimo [o Abade], como Capitão-mor

sobre a Capitania da vila de S. Martinho (Livro 42 das Sentenças, fl. 232 e 234).

Carta do Marquês de Tancos, como general, escrita ao novo Reverendíssimo, como capitão -

mor em que lhe ordena faça prender um filho do capitão da Alvorninha (Liv. 45 das Sentenças, fl.

528, e carta do mesmo para a soltura fl. 530).

Carta do mesmo [marquês de Tancos] para o novo Reverendíssimo mandar pôr guardas e

vigias e embaraçar, que do corsário real inglês Jorge não desemb arque pessoa alguma nestes coutos

(Liv. 45 de Sentenças, fl. 32 e Carta para se recolherem os mesmos guardas no fl. 34).
Bens do Mosteiro

[Fólio 11 v.º, Img 20]

Sentença proferida pelo Juiz do Fisco e mais adjuntos em 1673, com a qual foi condenado

o Procurador Fiscal a pagar ao Mosteiro os foros vencidos de alguns prazos que foram confiscados

a D. Isabel de Brito viii, e o condenaram também a vendê-los logo (Livro 21 de Sentenças, fl. 413).

Criados do Mosteiro e seus privilégios

[Fólio 13, Img 21]

Sentença de desagravo do Provedor de Leiria dada no ano de 1644, a favor de André

Fernandes, criado deste Mosteiro na g. [granja] de S. Martinho pelos oficiais da Câmara da dita

vila lhe lançarem um rol de sisa (Liv. 8 de Sentenças, fl. 200).

Cabanas da Pederneira

[Fólio 16, Img 24]

Sentença do Juiz de Fora de Leiria dada no ano de 1697 contra Lourenço Pereira da vila

da Pederneira por levantar uma cabana na praia sem licença do Mosteiro; de que ele desistiu

(Livro 23 de Sentenças, fl. 236).


Sentença-crime da Relação dada no ano de 1699 contra os oficiais da Câmara da vila da

Pederneira, por ajuntarem o povo, e com ele em forma de motim, irem derrubar uma cabana que o

Mosteiro fazia na praia, pelo que cada um foi condenado em quatro mil réis para as despesas (Liv.

23 de Sentenças, fl. 550).

Coutos ix

[Fólio 20, Img 28]

El Rei e Senhor D. Afonso Henriques, na primeira Doação que fez a Nosso Pe. S.

Bernardo, na Era de 1191 [Era de César], que fica sendo no ano de Cristo de 1153, fez Coutos

todas as terras da dita Doação. Assim o confirmaram os seus sucessores, como consta da sua

Doação (na Gaveta 1, e no Livro 1º dos Dourados, fls. 1 e 2).

El Rei Dom Dinis, na Era de 1329, condenou a Luís Gomes [?] de Alpedri z, por

quebrantar o Couto do Mosteiro; e suposto lhe modificou a pena, manda que sempre a dos

encoutos fique em pé, a qual confirmou D. João II no 1.º Caderno Preto. E também El Rei D.

João III no 2.º Caderno Preto, que ambos estão na Gaveta 1.ª do Caixão.

Couto de homiziados era o âmbito ou circuito desta vila, pelo modo e limite que se declara

no Instrumento do Livro 1.º de Sentenças, fl. 77, e está curioso [«coriozo»], porque se mostra que

no princípio não havia povoação.

El rei D. Manuel no ano de 1506, concedeu que o abade D. Jorge de Melo fizesse um lugar

novamente arredado do Mosteiro, que se chamaria Vila de S. Bernardo, e que para ela se mudasse

o Couto e homiziados que havia em Alcobaça, a qual Vila de S. Bernardo ficaria Couto para
sempre, e que valesse a todos os homiziados, exceto heresia, traição, aleive, sodomia, moeda falsa e

morte de propósito (Maço 1.º de Privilégios, nº 35, Gaveta 1, e Liv. 7 de Dourados, fl. 128).

El Rei D. João III, no ano de 1538, houve por bem que, por não ter efeito a Vila de S.

Bernardo, que se não fizera, e não ser justo que junto do Mosteiro houvesse Couto, se mudasse este

para a vila de Alfeizerão, que por ter poucos moradores, seria ocasião de se aumentar (Livro 7

Dourados, fl. 128).

El Rei D. Sebastião houve por bem de mudar o Couto e homiziados da vila de Alfeizerão

para a vila de Paredes no ano de 1570, pelo Alvará no Livro 17 de Sentenças, fl. 251 x.
Fornos

[Fólio 45, Img 53]

Pelas cartas de povoação dadas às vilas dos Coutos reservou o Mosteiro para si todos os

fornos, e por isso ninguém os pode ter nem fazer sem licença do Mosteiro, porque só ele os pode ter,

o que assim está confirmado pelos Forais.

Sentença confirmada no Juízo da Coroa no ano de 1561 contra Estevão Domingues, de

Barrantes, com que se julga que cada um dos moradores da vila de Salir do Mato e seu termo deve

pagar de fornagem dois alqueires de pão (Livro 1.º de Sentenças, fl. 495).

Instrumento passado no ano de 1437, como o Ouvidor, de mandado do Dom Abade,

derrubou os fornos que tinham feito alguns da Maiorga (Livro 6.º dos Dourados, fl, 68).

Sentença dada pelo Ouvidor no ano de 1513 [?] contra António Pires Valbom, morador no

seu Casal de Vale Paraíso [«Val Paraíso»}, termo de Alfeizerão, para que derrube um forno que

tinha no dito Casal, e no fim um Termo [depois de o derrubar] que poderia usar do dito forno

pagando cada ano um alqueire de trigo e uma galinha, e havendo mais moradores no dito Casal,

nenhum poderia cozer no dito forno; e fazendo o contrário, cada um pagaria 6 alqueires de trigo

(Livro 2.º de Sentenças, fl. 232).

Sentença do Juiz dos Direitos Reais contra Maria d’Almada, de Alfeizerão, para que não

tenha forno (Livro 7 de Sentenças, fl. 313).


Sentença proferida no Juízo dos Direitos Reais contra Alexandre Pereira e Maria Sorda

[?], e outros do lugar do Valado, para não fazer seu pão nos fornos do lugar do Valado (Livro 65

de Sentenças, a fl. 106).

Preços do Pão Fiado

[Fólio 260, Img 269]

Sentença do Juiz Executor dada no ano de 1728 a favor de José Rodrigues Fragoso,

rendeiro de Alfeizerão, contra os oficiais e povo da mesma vila, em que se julgou que o pão fiado

da dita renda se deve pagar pelo maior preço que valer até 15 de Agosto na forma da lei (Livro 29

de Sentenças, fl. 302). Foi confirmada no Juízo da Coroa pelo acórdão incerto na dita sentença.

Lagares de Azeite e de Vinho

[Fólio 163, Img 170]

Ninguém pode ter nem fazer nas vilas e terras destes Coutos sem licença do Mosteiro,

porque nas primeiras Cartas de Povoação que se deram, reservou para si este direito, e o mesmo

consta dos Forais do Ilustríssimo Rei D. Manuel, sobre o que há as sentenças seguintes.

Sentença do Corregedor de Leiria, pela qual revoga capítulos da Correição que deixou em

Alfeizerão, para que o Mosteiro sempre traga consertados os lagares de vinho, pena de dois mil reis

(Livro 10 de Sentenças, fl. 404).


Sentença do Juiz dos Direitos Reais dada no ano de 1658 contra Nuno de Brito Alão, que

derrube um lagar de vinho que tinha feito na quinta da Cavalariça sem licença (Livro 27 de

Sentenças, fl. 53).

Sentença do Juiz dos Direitos Reais contra o padre Silvério da Silva, de A lfeizerão, por

fazer um lagar de vinho sem licença na dita vila de Alfeizerão (Livro 32 de Sentenças, fl. 201).

Touros

[Fólio 288, Img 297]

Provisão passada no ano de 1754 para ser notificado Manuel Pedro da Silva da Fonseca,

desta vila, para lançar fora dos Coutos uma manada de touros, que neles trazia, e para não ter

trato com certas pessoas, de que fez termo, e esteve preso em sua casa um mês (Livro 39 de

Sentenças, fl. 251).

Com o mesmo Manuel Pedro da Silva da Fonseca, trazia o Mosteiro uma causa sobre a

copulação dos mesmos touros, que não chegou a sentenciar-se, e se acha encadernado em um livro

de pergaminho que tem por fora o título seguinte: Causa sobre a Mata do Cano, e outra sobre os

touros.
Pinhais do Camarção

[Fólio 247, Img 256]

No termo da vila da Pederneira e no da vila de Alcobaça tem este Mosteiro pinhais e

matas que vulgarmente se chamam Camarção.

No ano de 1620 ofereceram os Mordomos de N.ª Sra. da Nazaré um libelo contra o

Mosteiro para lhe reivindicarem as terras e pinhais de entre os rios da vila de Alcobaça e a água a

que chamam Furadouro, a saber, desde a foz do rio do Pau, de Alcobaça, por Águas Belas, e as

que se continuavam entre o mar e a mata de Pataias até acabar no Furadouro de Águas Belas;

fundados na Doação de D. Fuas Roupinho, a que o Mosteiro se opôs com exceção de presunção,

fundado na posse e Doação D’El Rei D. Afonso I, e afinal se julgou provada, e foi o Mosteiro

absoluto do pedido pela sentença no Livro 27 de Sentenças, fl. 55, e sobre-sentença no fl. 166.

Nesta sentença estão muitos e bons documentos, e de tudo está o Mosteiro de posse, e compreende

todo o camarção da Pederneira.

Quanto ao que toca ao limite da vila de Paredes, como está, de todo se despovoou, tratou o

Mosteiro de emprazar uns moinhos que ainda ficaram, e uma ribeira com muitos matos ao redor,

como se declara no Livro 1.º da Fazenda, fl. 338. E o mais ficou em camarção, como sempre foi.
Perdimento dos Frutos Sonegados

[Fólio 250, Img 259]

Sentença do Juiz dos Direitos Reais contra os herdeiros de Manuel Pires, do Casal de Vale

de Paraíso, condenados no perdimento de 21 alqueires de trigo sonegados (Livro 7.º de Sentenças,

fl. 151.

Comisso xi

[Fólio 21 v.º, Img 30]

Quando se não satisfazem as condições estipuladas nos aforamentos, incorrem em Comisso

os enfiteutas, como duas vezes se julgou no Juízo da Coroa, contra os possuidores da Quinta

chamada do Seixas, e no termo de Alfeizerão (Livro 7 de Sentenças, fl. 600; e Liv. 34, fl. 495); em

que julgaram o mesmo Comisso, por não abrirem e valarem os enfiteutas.

Inquirições

[Fólio 74, Img 82]

Sentença do Juízo da Coroa do ano de 1659 em que se julgou que o Mosteiro era agravado

pelo Juiz de Alfeizerão por embaraçar uma Carta de Inquirição e tirarem-se as testemunhas. Foi
condenado em 4000 reis para as despesas por que se portou absoluto (Livro 7 de Sentenças, fl.

642).

Jurisdições

[Fólio 54, Img 62]

PEDERNEIRA: Dois Juízes Ordinários e dos Órfãos, e se fazem por eleição. Dois
Escrivães do Judicial e Notas, e dos Órfãos. Um Escrivão da Câmara, e Almotaçaria, e da Ri brª
[Ribeira ]. Um Inquiridor e Contador. Todos estes Oficiais são data do Mosteiro.

ALFEIZERÃO: Dois Juízes Ordinários, que se fazem na forma referida. Um Escrivão


do Judicial e Notas, Órfãos e Barra. Um Escrivão da Câmara e Almotaçaria. Um alcaide da
apresentação do alcaide-mor. Este, com outros oficiais, são data do mosteiro.

S. MARTINHO xii: Um Juiz Ordinário, que se elege como os mais dos Coutos. Um Juiz
dos Órfãos, que também serve na vila de Alfeizerão (este ofício já se extinguiu). Servem nesta vila
os Escrivães e Tabeliães de Alfeizerão.

Sentença do Ouvidor dada no ano de 1742 contra José do Couto, de Famalicão, que saindo

por Vereador da Pederneira, não foi confirmado por ser parente do Juiz, e recorrendo ao

Corregedor, o confirmou; mas desistiu da dita confirmação e do dito cargo (Livro 34 de Sentenças,

fl. 1).

Sentença do Ouvidor dada no ano de 1742 contra o Procurador e o Concelho da

Pederneira, pela qual julgou em grau de apelação que não fora bem julgado pelo Juiz da dita vila

em proceder a eleição de Juiz da dita vila feita de Barrete xiii, com negação dos votos na pessoa do

Doutor José de Almeida Salazar xiv, proibindo que se não votasse nele, pelos impedimentos que por

isso tomou por escusa, por que [pelo que] devia mandar escrever os votos em todas as pessoas com

que livremente fossem dados, sem se intrometer a conhecer dos ditos impedimentos no caso em que
os houvesse, pois esse conhecimento e apuração da dita eleição só pertencia ao Donatário apelante

por seus privilégios (Livro 34 de Sentenças, fl. 162).

Sentença da Relação dada no ano de 1708, a favor de Francisco de Oliveira Baena, em que

se lhe manda dar posse do ofício de Juiz Ordinário da vila de Alfeizerão, para que foi eleito e

confirmado pelo Dom Abade sem embargo de quaisquer embargos, na conformidade do dito Alvará

(Livro 24 de Sentenças, fl. 955).

Sentença D’El Rei D. Duarte dada no ano de 1437 pela qual julgou que nas vilas dos

Coutos não haja Juízes dos Órfãos, e sirvam os Juízes Ordinários, como sempre foi uso (Livro 1.º

dos Dourados, fl. 8 v.º; está confirmada por El Rei D. João II no dito Livro, fls. 11 v.º e 12; e no

2.º Caderno Preto, e por El Rei D. João III no 2.º Caderno Preto, ambos na Gaveta 1.ª).

Pela Sentença das Jurisdições no Livro 25 delas, a fl. 308, e pelo Alvará de Confirmação

no dito Livro a fl. 193, está julgado e confirmado o ofício de Juiz dos Órfãos das vilas de

Alfeizerão e S. Martinho ser data do Mosteiro. Foi apresentado nele Mateus Rebelo, da Cela

(Livro da Dataria, fl. 380) o qual o renunciou (Livro 22 de Sentenças, fl. 402). E foi de novo

apresentado a Manuel Rodrigues no ano de 1690 (Livro da Dataria, fl. 380).

Desistência e Aceitação que nas mãos de S. Majestade fez Mateus do Couto, da vila de

Alfeizerão, dos Ofícios que constam na sua petição, que corre no Livro 57 de Sentenças, no fl. 399.

Sentença do Juízo da Coroa dada no ano de 1657 contra Manuel Roiz, Juiz de S.

Martinho por impedir com motim que os Oficiais dos Direitos Reais não executassem uma

sentença do dito Juízo, e pelo dolo com que o fez foi condenado nas Custas, e em quatro mil reis

para as despesas (Livro 7 de Sentenças, fl. 642).


Provisão por que se houve por nula a eleição que se fez com suborno em Alfeizerão no ano

de 1764, por virtude da conta dada pelo Ouvidor (Livro 48 de Sentenças, fl. 425).

Sentença do Ouvidor confirmada na Relação contra o Juiz d’Alfeizerão por que se julgou

nulo, um ato e devassa que tirou do Executor e os seus oficiais, e os prendeu por darem varejos na

dita vila (Livro 3º de Sentenças, fl. 166; e a sobre-sentença no fl. 150).

Sentença do Juiz Conservador Apostólico dada no ano de 1603 contra os Oficiais de

Justiça de Alfeizerão por impedirem os mandados do Executor em ordem a se darem varejos nas

casas dos lavradores (Livro 2º de Sentenças, fl. 323).

Desistência que no ano de 1615 fez o Juiz Ordinário e dos Direitos Reais desta vila, da

força que fazia em se intrometer na jurisdição do Executor (Livro 3º de Sentenças, fl. 262).

Sentença do Ouvidor, confirmada no Juízo da Coroa, dada no ano de 1617 contra o Juiz dos

Direitos Reais desta vila por impedir o Executor na sua execução, dando auto dele, e prendendo -o

(Livro 6 de Sentenças, fl. 558).

Carta de Confirmação do Ofício de Tabelião Público Judicial, Notas e Orfãos da vila da

Pederneira, passada no ano de 1708 a Sebastião Neto Froes [«Froez»], apresentado pelo Dom

Abade (Maço 2º de Privilégios, nº 29, Gaveta 1ª).

Provisão por onde se confirmou o Ofício de Escrivão da Câmara das vilas de S. Martinho e

Alfeizerão em Manuel Fortunato do Couto e Aguiar, apresentado pelo Dom Abade Geral (Livro

35 de Sentenças, fl. 246). E Procuração que fez sua mãe como sua tutora, para em seu nome se

renunciar ao dito Ofício (no fl. 247).

[Nova regulação dos oficiais apresentados pelo Mosteiro nas vilas de que era donatário,

por resolução da rainha D. Maria I, por Alvará de 25 de Julho de 1785:].


Alfeizerão - Um Escrivão da Câmara, Almotaçaria, Contador e Inquiridor na mesma vila

e termo, e na de S. Martinho. Um escrivão do Judicial, Notas e Órfãos.

Pederneira – Um Escrivão da Câmara, Almotaçaria, Contador e Inquiridor. Um Escrivão

das Dízimas do Pescado. Não falou [o Alvará da rainha] em Escrivão do Judicial e Notas.

S. Martinho – Um Escrivão da Câmara e Almotaçaria, Judicial, Notas e Órfãos.


Varejos

[Fólio 289, Img 298]

Certidões de como é uso e costume dar-se varejos em casa dos lavradores, aonde se suspeitar

[que] há frutos sonegados (Livro 3 de Sentenças, fl. 79) xv.

Sentença do Juiz Conservador Apostólico contra a Câmara e outros homens d’Alfeizerão,

pela força que faziam ao Mosteiro em impedirem aos Executores a dar varejos, e os prenderem

(Livro 2.º de Sentenças, fl. 323).

Sentença do Ouvidor confirmada na Relação contra o Juiz d’Alfeizerão, em que se anulou

a Devassa que tirou contra os Executores, e rendeiros, por exercerem a sua jurisdição, e dar varejos

na dita vila (Livro 3.º de Sentenças, fl. 166; e a sobre-sentença na fl. 15).

Sentença do Juízo da Coroa contra Bartolomeu Álvares de Aljubarrota, que julga se

podem dar varejos aonde se suspeitar que há pão sonegado, com declaração que se não tire da casa

dos lavradores, nem sejam executados sem primeiro serem ouvidos (Livro 5.º de Sentenças, fl.1).
Laudémios

[Fólio 160, Img 167]

Laudémios devem pagar todos os foreiros que venderem fazendas foreiras a algum

senhorio, a saber, a quarentena, salvo se no Contrato de Aforamento se declarar outra coisa, que

então se deve pagar na forma dele (Ordenações, Livro 4, título 38).

Laudémio pagou Cristóvão Álvares da Serra da Pescaria das fazendas que comprou dentro

dos Coutos por sentença que contra ele deu o Juiz Conservador Apostólico pelo Mosteiro estar

nessa posse, e todos o deviam de quarentena, a qual sentença se confirmou no Tribunal da Legacia

no ano de 1604 (Livro 3.º de Sentenças, fl. 276; e um treslado, fl. 330).

Laudémio pagou Sancho de Toar [?] da quinta da Cavalariça; sentença no Livro 6.º delas,

fl. 480.

Certidão da sentença contra Francisco Lopes Pimenta, enfiteuta da Quinta de S. Gião, em

que foi condenado a restituir ao Mosteiro o laudémio que tinha cobrado de alguns subenfiteutas

da dita Quinta (Livro 4.º de Sentenças, fl. 492).


Sesmarias

[Fólio 281, Img 290]

Pela Doação do Senhor Rei D. Afonso Henriques, pertencem a este Mosteiro todas as

terras dos Coutos, rotas e por romper, e o mesmo se confirma pelos Forais, e que ao Mosteiro

pertence dar as sesmarias, e nesta posse se conserva.

Sentença do Corregedor do Cível da Corte contra a Câmara da vila de S. Martinho e o

Doutor Manuel Lopes Madeira xvi sobre o paúl da Lagoa de S. Martinho que a dita Câmara lhe

tinha dado de sesmaria (Livro 23 de Sentenças, fl. 249).

Sentença do Juiz dos Direitos Reais contra Domingos do Couto, Simão do Couto e outros

de Famalicão, termo de Alfeizerão, porque se julga que o Mosteiro pode dar os maninhos [terras

maninhas, baldios] sem dependência da Câmara (Livro 29 de Sentenças, fl. 371).

Sentença do Juiz dos Direitos Reais contra Simão do Couto, de Famalicão, por romper um

pedaço de maninho sem licença do Mosteiro (Livro 29 de Sentenças, fl. 352).

Sentença do Juiz dos Direitos Reais contra os oficiais da Câmara e Povo de Alfeizerão,

que se não intrometam a dar sesmarias (Livro 29 de Sentenças, fl. 424).

Sentença proferida no Juízo da Coroa contra Pedro da Silva da Fonseca em 1713, em que

se julgou que pela amplíssima doação do Senhor Rei D. Afonso I, pertencia ao Mosteiro os

maninhos e incultos (Livro 94 de Sentenças, fl. 349).


Prescrição

[Fólio 256, Img 265]

Sentença proferida no Juízo da Coroa de 1673 contra a Câmara de Alfeizerão, em

confirmação de outra proferida pelo Juiz dos Direitos Reais, nas quais se julgou que contra os

bens deste Mosteiro não havia prescrição, não somente por serem bens da Coroa, mas também por

serem bens eclesiásticos, contra os quais não há prescrição por menos agravo de 100 anos, por

Breves Pontifícios, como é opinião comum e seguida no ____ concelho (Livro 20 de Sentenças, fl.

285). A certidão desta sentença vem transcrita em pergaminho…

Prelação

[Fólio 259, Img 268]

A quinta da Cavalariça houve este Mosteiro pela prelação na arrematação que se fez pelo

Fisco Real (Livro 21 de Sentenças, fl. 1).

Quartos, Quintos, Oitavos e Dízimos

[Fólio 263, Img 272]

Sentença contra Cristóvão Álvares [?] d’Alfeizerão pelos quartos de uma terra onde

chamam a Nateira (Livro 2.º de Sentenças, fl. 160).


Sentença do Ouvidor dada no ano de 1597 contra Diogo Botelho da Silveira, Alcaide-mor

de Alfeizerão sobre a cerrada do castelo, que por sua morte se pague o 8.º das novidades (Livro 2

de Sentenças, fl. 168).

Sentença Cível contra os moradores desta Comarca que possuem vinhas, principalmente os

de Famalicão, Serra da Pescaria, Cela e seu termo, e Valado; pela razão de vindimarem as uvas e

levá-las a vender, para não pagarem direito delas (Livro 62 de Sentenças, fl. 457).

Quarteiros

[Fólio 267, Img 276]

Licenças que deu o Vigário Geral de Santarém no ano de 1650 aos quarteiros e carreteiros

do Mosteiro, para acarretarem o pão aos dias santos (Livro 9 de Sentenças, fl. 401); ao que veio

com embargos o vigário d’Alfeizerão, e sem embargo deles se mandou cumprir o Despacho (fl. 385).

Viúvas

[Fólio 292, Img 301]

Sentença da Relação proferida em 1650 contra D. Micaela da Silva, na qual se julgou que

não fora agravada pelo Juiz dos Direitos Reais em não receber a exceção declinatória para o Juízo

do Cível da Corte, para onde queria declinar por ser viúva (Livro 5.º de Sentenças, fl. 207; e a

sobre-sentença no fl. 174).


Dízimos

[Fólio 25, Img 33]

14. xvii Além disto, o Bispo, por si, e seus sucessores, limitou às Igrejas de Cós, de

Aljubarrota, da Pederneira, de S. Martinho e de Alvorninha, os dízimos comuns de todo o cou to

do Abade [?], concedendo que todo o Couto ou território do dito Mosteiro deve entre as sobreditas

igrejas paroquiais constituídas no dito território ou couto, limitar por si ou por outro, e fazer

quanto mais depressa for possível, que se limitem. Finalmente, cada uma das ditas igrejas

paroquiais tenha paróquia certa e determinada.

Mais é certo que no ano de 1248 deu a licença para se fundarem as primeiras três igrejas

que houve nos coutos, como fora a de Aljubarrota, Cós e Alvorninha. Logo, se não havia igrejas

nos coutos até aquele ano, como podia haver habitadores católicos?

No ano de 1425, foi apresentado para vigário de Alfeizerão e S. Martinho, Gonçalo

Vicente, e se lhe assinou de ordenado dois moios de trigo e todos os dízimos dos moradores de S.

Martinho e seu termo, dez donde moravam João Vicente e Lopo Anes (Liv. 5º de Sentenças, fl.

257).

No ano de 1434, se julgou por sentença o concerto feito entre o Mosteiro e o dito Gonçalo

Vicente, a saber, que o Mosteiro haja todos os dízimos dos moradores de Alfeizerão, ainda que

sejam em terras semeadas no termo de S. Martinho, e o dito Gonçalo Vicente haveria os dízimos de

todos os moradores de S. Martinho, ainda que lavrassem no termo de Alfeizerão (Liv. 5 de

Sentenças, fl. 312).


Sentença da Legacia dada no ano de 1612 contra o padre António Ribeiro, vigário de S.

Martinho, em que se julga que o quinto dos vinhos pertence ao Mosteiro, e não ao dito vigário

(Liv. 9 de Sentenças, fl. 139)

Sentença do Vigário da Vara dada no ano de 1591 contra o vigário de S. Martinho, que

julga pertencerem ao Mosteiro os dízimos do peixe seco (Liv. 2 de Sentenças, fl. 306).

Certidão das Sentenças da Legacia dadas no ano de 1641 em que se julgou que o dízimo do

peixe salgado pertencia ao vigário de S. Martinho, mas não o quinto dos vinhos, que pertenciam ao

Mosteiro, e que este não é obrigado a pagar dízimo da sua quinta [?] de S. Martinho, em quanto,

per si e seus criados for fabricada (Liv. 12 de Sentenças, fl. 328).

Sentença de força dada no ano de 1728 contra João Ribeiro, da Serra da Pescaria, em que

se julga que o pão de pragana do Campinho do Morgado do Pestana xviii que está no termo da Cela,

se deve partir a feixes no agro, tirando para o Mosteiro o dízimo, e depois o Senhorio da que fica o

seu direito (Liv. 29 de Sentenças, fl. 388).

Sentença da Relação dada a favor do Mosteiro em que foi absolvido da força que contra

ele deu o vigário de S. Martinho, João Batista, sobre os dízimos do peixe seco, e certo limite de

terras, e o quinto dos vinhos (Liv. 12 de Sentenças, fl. 308).

Nos Forais das vilas de Cós, Maiorga, Pederneira e Alfeizerão, se determina que de dia 15

de Agosto por diante, se pague o quinto e o dízimo de fruta.

No ano de 1558, dividiu o Monarca Cardeal [D. Henrique] as rendas deste Mosteiro entre

si e os monges, e destinou para sustento destes os quartos e dízimos de Alcobaça; os quartos e

dízimos do julgado, e Alfeizerão, Famalicão de Cima [«Sª.»] (Tombo do Souto, fl. 531 v.º). Esta

separação foi confirmada pelo Papa Gregório XIII por uma Bula dada em Roma, apud Sanctum
Petrum, aos 17 das Calendas de Outubro do ano de 1579, que principia = Celestis Patris pero

videntia = ratificando a Bula de Pio IV de 1559 que está no Caixão das três Chaves, Caderno 21,

fl. 1.

Sentença contra os oficiais da Câmara e povo da vila da Cela proferida em 1749, na qual

foram condenados a pagar quintos e dízimos da fruta de espinho (Liv. 38º de Sentenças, fl. 688).

Na causa que o Mosteiro moveu aos moradores de Salir de Matos [Selir do mato] para os

obrigar a pagarem vários direitos, articulando os mesmos moradores na sua reconvenção, que o

Mosteiro percebia [sic] os quartos do vinho, devendo somente cobrar de quintos; foi o Mosteiro

absoluto pelas sentenças do Juiz Ouvidor confirmado no Juízo da Coroa em 1724 com o

fundamento de que o Mosteiro não percebia quartos do vinho, mas quintos e dízimos por ambos

estes direitos lhe serem devidos (Liv. 30 de Sentenças, fl. 145).

Nas sentenças proferidas contra os moradores de Turquel no Juízo da Coroa em 1742 e em

1748 se julgou que não obstante perceber o Mosteiro os dízimos sobre e al em a igreja na forma da

mercê [?] da ereção da paróquia (Livro 43 de Sentenças, fl. 206), porém, como na Cela e

Alfeizerão, as mesmas cláusulas se julgou no dito Juízo em 1760, 1761 e 1762 que, pelo Mosteiro

perceber os dízimos, devia ornamentar e fazer as tais igrejas (Livro 42 de Sentenças, fl. 263, e Liv.

43, fl. 516).


Dízima do Mar

S. Martinho

[Fólio 34, Img 42]

El Rei D. Diniz, na Era de 1322, que é o ano de Cristo de 1284, fez graça e mercê ao Dom

Abade e convento de Alcobaça, que os homens de S- Martinho de Salir [«S. Martinho de Selir»]

tenham três barcas de pescar, e delas não paguem ao dito rei nenhum foro (Livro 6.º dos Dourados,

fl. 125).

Na Era de 1412, que é o ano de Cristo de 1374, a rainha D. Leonor m andou aos seus

almoxarifes de Óbidos que não impedissem ao Mosteiro de levar a dízima dos navios que

aportassem da banda de S. Martinho segundo a sua posse; e se alguma coisa lhe tinham levado,

lho restituíssem, e isto em sua vida dela; e depois ficasse o direito salvo aos reis e rainhas, e ao

Mosteiro em razão de sua posse e propriedade (Livro 6º Dourados, fl. 125).

No ano de 1424, o abade D. Fernando arrendou uma barca nova [em S. Martinho] a

Fernandes Anes Gago e a Vicente Redondo (Liv. 6 D., fl. 125v.º).

No ano de 1426, pretenderam os rendeiros do Infante cobrar os direitos de um pescador, a

saber, a dízima de pescado, de que foi absoluto (Liv. 6º D., fl. 126).

No ano de 1429, mandou a Infanta ao seu Almoxarife de Óbidos que o direito da barca e

portagem que tinham tomado da barca de S. Martinho, entregassem logo ao Abade e Convento de
Alcobaça, e lho deixem haver assim como até aí houveram, ficando a ela resguardado algum direito

se depois o houvesse (Liv. 6º D., fl. 126 v.º).

No ano de 1440, recebeu João Afonso, alcaide de Alfeizerão, em nome do Mosteiro, a

dízima de cinco milheiros de sardinha (Liv. 6º D., fl. 128 v-º).

A 12 de Dezembro do ano de 1442, pagaram Álvaro Pires [?] e Martim Vasques,

pescadores, a este Mosteiro, a dízima da sardinha que pescaram no porto de S. Martinho. Pelo

Instrumento do Liv. 6º dos Dourados, fl. 128 v.º.

A 28 de Março de 1443 mandou El Rei D. Afonso V emprazar a João Afonso, Mon teiro

[?} e Alcaide de Alfeizerão, e a Diogo Afonso, escrivão do Mosteiro, e ao padre celeireiro, para que

em nove dias [com]parecessem na Corte por certa sardinha que tomaram por força a Martim

Vasques e Martim Anes, pescadores da Pederneira; e com efeito foram notificados em 8 de Maio

do dito ano (Livro 6º dos Dourados, fl. 127). Por virtude do dito emprazamento, foi o D. Abade à

Corte requerer sua justiça a El Rei, e apresentando-lhe seus títulos e posse, o qual, informado de

tudo, declarou que ao Mosteiro pertenciam as dízimas dos pescadores, assim de S. Martinho, como

de fora que aí aportassem, e mandou que os almoxarifes de Óbidos entregassem os batéis que

tinham tomado aos pescadores, e entregassem ao Mosteiro as rendas de Torres Vedras, que por esse

motivo lhes eram sequestradas (Livro 6 D., fl. 127, ano de 1443).

No ano de 1443 ficou Garcia Pires de Alfeizerão por fiador de Afonso de Panjam, para

pagar por ele a dízima de um navio de sal que carregou em Alfeizerão (Liv. 6 dos D., fl. 127 v.º).

No ano de 1461, emprazou o Mosteiro a Diogo da Silveira os dízimos do porto de S.

Martinho (Prazos Avulsos, n.º 178).


No ano de 1493, se fez a demarcação das terras dos coutos com as de Salir do Porto e

Óbidos, e se declarou por sentença ser a divisão pela foz de Salir, e daí pelo rio acima, como consta

do Instrumento no Livro 2 de Sentenças, fl. 59; e Lº 3, fl. 29, e Lº 26, fl. 73.

O mesmo se julgou no ano de 1568 contra o comendador-mor D. Afonso de Lencastre ,

Donatário de Salir do Porto (Livro 27 de Sentenças, fl. 46).

O mesmo consta da Demarcação que se fez no ano de 1696 (Livro 22 de Sentenças, fl. 75 4,

e Livro 23, fl. 325).

No ano de 1515, saiu uma baleia na costa de S. Martinho, a qual o D. Abade mandou

arrecadar por lhe pertencer tudo o que sai nas costas da terra dos coutos, e estar nessa posse, como

diz o Instrumento no Livro 6.º dos Dourados, fl. 131.

Estando o Mosteiro pelo modo referido na posse de levar, e haver as dízimas, assim do

pescado, como das mercadorias que entravam pela foz de S. Martinho, quieta e pacificamente,

sucedeu que no Foral Novo que no ano de 1515 deu El Rei D. Manuel à vila de Salir do Porto,

carregou para lá todos os ditos direitos, e o Mosteiro foi privado da sua posse. Pelo que intentou o

Mosteiro demanda por eles, e afinal se julgou na Coroa que os direitos das fazendas que entravam

pela foz de Salir eram comuns entre o Mosteiro e a rainha, e assim se disse cumprirem a ambos os

forais. Esta sentença foi dada no ano de 1551, e anda junto aos Autos que correm com a Senhora

Rainha. Apresentando-se a dita sentença ao Juiz de Salir do Porto, que por ela dar posse ao

Mosteiro de metade dos ditos direitos, ele o não quis fazer, dizendo que lhe não tocava; de que se

agravou por parte do Mosteiro e teve provimento no ano de 1560 (Livro 2 de Sentenças, fl. 45). E

em virtude dela se tomou posse da dita metade (id. fl. 48).


Depois disto, D. Afonso de Lencastre, Comendador-mor e donatário da dita vila de Salir

do Porto, violentamente e por força, esbulhou [despojou] o Mosteiro da dita posse, de que resultou

passar El Rei uma provisão no ano de 1564 para o desembargador Diogo Lopes Pinheiro restituir

ao Mosteiro a sua posse, como restituiu pelo Instrumento no Livro 2 de Sentenças, fl. 51. No ano

de 1565, passou El Rei outra Provisão para o corregedor de Tomar fazer entregar ao Mosteiro a

posse dos ditos direitos, a saber, metade deles em execução da dita sentença, citando para isso o

Comendador-mor, e que tendo ele embargados, fossem remetidos aos Desembargadores do Paço, e

sendo com efeito citado à sua revelia, se deu a posse ao Mosteiro pelo Instrumento no Livro 2 de

Sentenças, fl. 88. Da dita execução, e posse, agravou o Comendador-mor confusamente

[«confundamente»] que a dita sentença não fora dada contra ele, nem por ela fora citado, nem

ouvido, estando na posse dos ditos direitos, e assim se não podia executar contra ele. Com efeito,

foi provido no agravo, e se mandou que fosse restituído à sua posse, e que ao Mosteiro ficasse o

direito reservado, para haver os ditos direitos pela via ordinária, como consta no dito Livro 2.º, fl.

76. E por virtude dela tornou o Comendador-mor a entrar na posse, pelo Instrumento a fl. 84. E

por este modo, tudo o que até aqui se fez, ficou em nada.

Depois disso se impetrou [requereu] por parte do Mosteiro, um alvará D’El Rei, pelo qual

mandou que os Desembargadores da Casa de Supliciação, ouvindo o Comendador-mor

sumariamente, despachassem de novo aquela contenda pelo merecimento dos autos velhos que

haviam corrido entre o Mosteiro e o Procurador D’El Rei e da Rainha, e por falecimento do

Comendador-mor D. Afonso de Lencastre, se habilitou seu filho, D. Diniz, e no ano de 1578, se

proferiu sentença a favor do Mosteiro, pela qual se julgou pertencerem ao Mosteiro todos os

direitos daquilo que entrava pela foz de Salir. Esta sentença se tirou do Livro 2 delas, e se juntou

ao feito que agora corre com a Senhora Rainha. A dita sentença se pôs em execução diante do

Corregedor do Cível da Corte, que fez citar o dito Comendador-mor para dentro de dez dias largar
a posse, e alegar o que tivesse. E por não o fazer, se passou Carta de posse que anda no Livro 2.º

de Sentenças, fl. 99. E por ela tomou posse de tudo (fls. 105 e 106). E daí em diante ficou o

Mosteiro em posse pacífica de cobrar todas as dízimas das mercadorias e do pescado que entrava

pela foz de Salir sem nenhuma contradição.

E porque esta renda ficou na repartição do Cardeal Comendatário Infante D. Henrique

quando se separaram entre ele e o Convento, e por isso, em 2 de Junho de 1579, temp o em que já

era rei, largou ao Mosteiro, e fez dele a metade dos frutos secos que viessem do Algarve aos portos

da Pederneira e S. Martinho para suas Consoadas, pelo Alvará no Livro 17 de Sentenças, fl. 185;

e ratificou por outro Alvará de 19 de Setembro do mesmo ano (fl. 247). Daqui em diante cobrou ao

Mosteiro a metade da dita fruta seca, e aos Comendatários, tudo o mais. Depois que o Senhor Rei

D. João IV restituiu ao Mosteiro a dita Comenda, entrou na posse, e cobrança de todos os direitos

e dízimas da Alfândega, e de pescado assim como o faziam os Comendatários e lhe estava julgado.

No ano de 1644, passou a Senhora Rainha Dona Luísa xix, um Decreto ao Juiz de Fora de

Óbidos para que fizesse sequestro em todos os direitos reais que este Mosteiro levava no porto de

S. Martinho, não lhe mostrando os Religiosos, títulos por onde lhe pertencessem [lhes provassem

pertencer]. E procedendo o dito Juiz de Fora na dita diligência, lhe foram apresentados por parte

do Mosteiro os títulos que havia, entre os quais foi a Sentença do ano de 1578, por treslado, com

que se deu por satisfeito por não proceder ao sequestro; e remeteu tudo à Senhora Rainha, e no seu

Cartório da Ouvidoria se acham, segundo consta da Certidão no Livro 33 de Sentenças, fl. 219.

Continuou o Mosteiro na sua posse de cobrar os direitos assim das mercadorias como do pescado,

sobre o que houve várias Sentenças no Juízo dos Direitos Reais, que constam no Livro 7.º de

Sentenças, fls. 169, 178, 325, 339, 373 e 376; no Livro 10.º fl. 243; e no Livro 19º, fl. 15.
No ano de 1665, deu o Mosteiro força no Juízo da Coroa contra o Conde da Atouguia e

Senhor das Berlengas porque com violência, por seus criados, e rendeiros, queria que os pescadores

de S. Martinho que iam pescar ao mar das Berlengas, lhe pagassem a ele os direitos, estando o

Mosteiro em posse de os ditos pescadores os virem pagar em S. Martinho; e se julgou no ano de

1674 que o dito Conde fazia força ao Mosteiro em querer levar os ditos direitos - Livro 20 de

Sentenças, fl. 159. E a fl. 153 se registou na Câmara de Peniche. E no Livro 27, fl. 227, a

liquidação de perdas e danos.

No ano de 1715 demandou o Mosteiro certos pescadores de Salir do Porto por não

quererem pagar a dízima do pescado. A esta ação veio o Procurador da Sra. Rainha com oposição,

dizendo lhe pertenciam todos os direitos, assim de mercadorias como de p escado que entrava pela

foz. O Mosteiro se defendeu mesmo mal. E por isso teve Sentença contra si, julgando-se pertencer

tudo à Sra. Rainha, e só ao Mosteiro o que se pescar dentro no seu limite de S. Martinho. Esta

Sentença se executou, e tomou posse. Depois o Mosteiro a embargou, e estão pendentes os

embargos. E quanto aos caídos em que o Mosteiro foi condenado, lhes perdoou a Sra. Rainha pelo

Alvará no Livro 33 de Sentenças, fl. 216.

No Livro 19 de Sentenças, fl. 520, está uma resposta que deu o Administrador da Câmara

a respeito da dízima de uma caravela.

Inquirição de testemunhas que o Mosteiro deu no ano de 1745 para provar os embargos

com que veio a demarcação que por ordem da Senhora Rainha se fez na vila de Salir do Porto, na

parte que confronta com S. Martinho e Alfeizerão (Liv. 40 de Sentenças, fl. 1).

Sentença proferida no Juízo da Coroa, contra a Câmara de Salir do Porto, e Juiz e Feitor

da Arrecadação dos Direitos Reais da mesma vila em 18 de Março de 1800, sobre direitos do

pescado (Livro 61 de sentenças, fl. 1).


Um Requerimento do Procurador do Real Mosteiro de Alcobaça ao Juiz dos Direitos

Reais para se porem editais para se pagar ao dito Mosteiro a dízima de todo o peixe que se pescar

na barra de S. Martinho para dentro, conforme a sentença acima (Livro 61 de sentenças, fl. 110).

Um requerimento do procurador do Real Mosteiro ao Juiz de Fora das Caldas para fazer observar

na parte que lhe toca, a sentença acima sobre o direito de pescado em S. Martinho (Livro 61 de

Sentenças, fl. 112).


Dízima do Mar

Quanto à vila da Pederneira xx

[Fólio 37, Img 45]

Instrumento de como o Concelho da Pederneira se queixou ao D. Abade de lhe não

consentir pescar na Lagoa todo o ano (Livro 1.º Dourados, fl. 71 v.º).

Instrumento de como o Concelho da Pederneira confessou que a Lagoa da Pederneira é

coutada, e sem licença do D. Abade se não podia pescar (Livro 1 Dourados, fl. 68).

El Rei D. João II, no ano de 1491, estando na Pederneira, escreveu ao D. Abade e lhe

roga não faça mal aos que pescaram na Lagoa, porque o fizeram por seu mandado e à sua Corte

(Livro 1, Dour., fl. 45).

Privilégios concedidos aos pescadores (Liv. 1 Dourados, fls. 41 e 41 v.º).

Protesto feito por parte do Mosteiro sobre a dízima das mercadorias de uma nau da Índia

que no ano de 1510 aportou com temporal no porto da Pederneira (Livro 5º de Prazos, fl. 43).

Sentença da Relação dada no ano de 1557 contra o Concelho e pescadores da Pederneira,

que sempre no Verão tenham duas barcas de pescar, e não vão todas navegar (Liv. 1 de Sentenças,

fls. 358 e 368).


Sentença do Juiz Conservador Apostólico contra os oficiais da Câmara da Pederneira por

se intrometerem a dar licença aos pescadores para pescarem na Lagoa [«alagôa»], pertencendo isso

ao Mosteiro (Liv. 4 de Sentenças, fl. 209; outra no L. 9, fl. 236).

Sentença do Juiz dos Direitos Reais contra António Moniz [?: «Múz»], Domingos Soares,

Francisco Soares e outros moradores da Pederneira por irem pescar na Lagoa sem licença do

Mosteiro, estando-lhe proibido com penas (Livro 7 de Sentenças, fl. 103) xxi .

Petições e papéis do Bispo Capelão-mor Comendatário deste Mosteiro, por onde consta que

das madeiras que se embarcam, ainda que seja para naus da Índia, se deve dízima (Livro 19 de

Sentenças, fl. 510 em diante).

Sentença do Juiz dos Direitos Reais proferida em 18 de Março de 1747 contra os

pescadores do termo da Pederneira, condenando-os a pagar os direitos de todo o peixe que pescarem

com armadilhas ou ameijoeiras, e que, ocultando, pagaram 6000 réis (Livro 39 de Sentenças, a fl.

548).
Lagoa da Pederneira

[Fólio 165, Img 172]

Sentença D’El Rei dada no ano de 1455 contra os moradores dos Coutos, que sejam

obrigados a abrir a lagoa da Pederneira quando o Dom Abade mandar (Livro 1.º Dourados, fl. 72;

e Livro 3.º de Sentenças, fl. 87).

Sentença contra os moradores de Évora e Aljubarrota, para que vão abrir a dita Lagoa

(Livro 6.º Dourados, fl 25 v.º).

Mandado do Ouvidor passado no ano de 1618 para os concelhos de Aljubarrota, Évora e

Maiorga mandarem abrir a dita Lagoa, [com] pena de mil reis cada pessoa que faltar (Livro 3.º de

Sentenças, fls. 90, 91, e 92).

Declaratória do Juiz Conservador contra a Câmara da Pederneira, por impedir que

ninguém pescasse na Lagoa sem sua licença, de que ela desistiu (Livro 4.º de Sentenças, fl. 209).

Sentença do Juiz dos Direitos Reais contra António Moniz [?] e outros por irem pescar à

Lagoa da Pederneira sem licença do Mosteiro (Livro 7.º de Sentenças, fl. 103).
Barcas de pescar

[Fólio 11, Img 19]

Carta do Infante dada no ano de 1429, que manda ao Almoxarife de Óbidos que entregue

o direito e portagem da barca de S. Martinho ao Mosteiro de Alcobaça (Livro 6º dos Dourados, fl.

126).

Absolvição que se deu a um pescador de S. Martinho que não deu a dízima ao Almoxarife

de Óbidos, por ser do Mosteiro de Alcobaça, ano de 1426. (Livro 6º Dour., fl. 126).

Despacho do Ouvidor dos Coutos com alçada, em que manda que as Justiças da Pederneira

não obriguem os barcos que pescam para o sustento do Mosteiro a outras cousas, para que não

falte a dita pescaria. Ano de 1598 (Livro 17 de Sentenças, fl. 133).

Navios

[Fólio 185, Img 193]

Conforme ao foral da vila da Pederneira, no capítulo 45, se deve pagar Dízima dos Navios

que pessoas de fora ali carregarem, e tirarem para fora ou aí fizerem, e tirarem, e isto a dinheiro do

que verdadeiramente valerem. O mesmo é no porto de S. Martinho, cujo foral se remete ao da

Pederneira.
O modo deste pagamento da dízima dos tais navios, ou outras embarcações, é avaliar-se

antes que se lance ao mar, e de toda essa valia pagar o dono a dízima inteira. Mas como

geralmente se faz concerto aos Rumos, dizendo que querem fazer uma embarcação de tantos

Rumos, de seis, ou dez, e quando se fizer este concerto advirta-se que se declare ao dono que

declare de quantos sobrados, ou cobertas, quer fazer a embarcação, para assim se fazer o concerto.

Cada Rumo tem seis palmos, e se medem por baixo da quilha desde o convés até abaixo da proa,

enquanto vai a quilha direita; e sendo o navio que leve duas cobertas, o mais favor que se pode

fazer é a dois mil reis cada Rumo, e se forem três cobertas, a três mil reis; e dos barcos longos de

uma coberta, mil reis cada Ruma, e sendo de duas, dois mil reis.

Sentença da Coroa sobre um agravo que o Mosteiro tirou do Juiz Ordinário da vila da

Pederneira, por se intrometer a fazer Inventário de um navio que deu à costa na praia, julgou -se

bem feito, mas que havendo dúvida sobre direitos reais, seja diante do Juiz de Alcobaça, na forma

dos forais, ano de 1682 (Livro 22 de Sentenças, fl. 135).

Carta do Secretário de Estado, Diogo de Mendonça Corte-Real, escrita em 11 de Fevereiro

de 1732, ao Padre Geral, em que dá conta que Sua Majestade resolvera em consulta que o Juiz de

Alcobaça não podia por em arrecadação e Inventário, um navio biscainho carregado de ferro que

deu à costa em S. Martinho, porque isto pertencia ao Juiz da Alfândega de Penich e (Livro 33 de

Sentenças, fl. 330).

Baleia

[Fólio 12 v.º, Img 21]


Instrumento de protesto e requerimento que fez o Mosteiro sobre uma baleia que os oficiais

da Pederneira levaram do seu porto por ordem d’El Rei (Livro 1º dos Dourados, fl. 63).

Instrumento por onde consta receber Dom Jorge de Melo, Abade de Alcobaça, um talento

que saiu em S. Martinho por lhe pertencerem os peixes reais que saírem em seus portos e estar em

posse de os receber (Livro 6º dos Dourados, fl. 134).

Peixe da Pederneira e S. Martinho

[Fólio 253, Img 262]

Na vila da Pederneira se paga a dízima de todo o pescado que se pescar na forma do Foral,

e como já fora declarado na letra D, título da Dízima do Mar.

Os pescadores de S. Martinho que aí pescarem para comer, não devem pagar nada, mas se

venderem o pescado, devem pagar a quinta parte. E as outras pessoas que aí pescarem devem pagar

a dízima, ou décima, porque assim o explica o Foral da dita vila.

De todo o pescado que se matava no mar e entrava pela foz, e também de todas as

mercadorias se pagava ao Mosteiro uma dízima como mais largamente fica declarado na letra D,

título da Dízima do Mar, a qual por ora se não arrecada, porque se julgou à Sr.ª Rainha, sobre o

que pendem embargos. E sem embargo do que ia lá no título da Dízima do Mar, ficam apontados

os títulos que há, se apontam aqui várias sentenças mais por extenso.

Sentença do Juiz dos Direitos Reais contra Mateus Mendes, de S. Martinho, pelo quinto

do peixe que pescou na sua barca, que aqui se liquidou (Livro 7 de Sentenças, fl. 3 25). Idem,

contra João Nunes, pescador de S. Martinho, e aqui se declaram os condutos que se lhe dão (Livro
7.º de Sentenças, fl. 339). Idem contra Domingos Dias (Livro 7, fl. 363); e Luís Fernandes (Livro

7, fl. 376).

Sentença do Juiz dos Direitos Reais contra Amador Velho, João Henriques, e Martinho

Lopes, moradores em Salir do Porto por se levantarem com os direitos do peixe, e não os querendo

pagar na Alfândega de S. Martinho (Livro 10 de Sentenças, fl. 243).

Contrato que fez o Mosteiro com os pescadores de S. Martinho sobre o conduto que se lhe

havia de dar (Livro 13 de Sentenças, fl. 94, às avessas).

Sentença do Juiz Conservador Apostólico contra Francisco Cavaleiro pela injúria que fez

a um Feitor do Mosteiro que ia cobrar os direitos da sardinha no porto de S. Martinho e lhos não

querer pagar (Livro 21 de Sentenças, fl. 81).

Sentença do Juiz Conservador Apostólico contra o vigário de S. Martinho, que os

quarteiros e carreteiros, aos Domingos e dias santos, podem carretar o pão e os pescadores, pescar

(Livro 9 de Sentenças, fls. 385 e 401).

Licença que concedeu o Arcebispo de Lisboa aos moradores da vila de S. Martinho, para

que nos Domingos e dias santos possam ir pescar para as Confrarias (Livro 27 de Sentenças, fl.

150).

[Seguem-se várias sentenças, requerimentos e provisões sobre a pesca na lagoa da

Pederneira, algumas delas já antes listadas neste livro].


Fábrica das Igrejas

[Fólio 46 v.º, Img 55]

Quando se ventilar a que moradores pertence ornamentar e fabricar as igrejas destes

Coutos, pertence [a resposta] à Causa no Juízo da Coroa. Nele correu com a de Alfeizerão sobre a

mesma matéria, de que está a cópia da Sentença no Livro 43 delas, fl. 416, e com a da Cela, está a

Sentença no fl. 263 do Livro 42; e declinando os de Turquel, foram por Acórdão obrigados a

responder no mesmo Juízo (Livro 43 das Sentenças, fl. 212 v.º).

Vinculados a Capelas

E Morgados que não Podem ser os Bens de Prazos

[Fólio 295, Img 299]

Treslado da sentença que no ano de 1605 alcançou Martim Luís xxii, da Pederneira, contra

Diogo Lopes de Sousa, e seu filho Álvaro de Sousa, pela qual se julgou na Casa da Supliciação que

a quinta da Mota, no termo de Alfeizerão, não podia ser vinculada por ser Prazo deste Mosteiro

(Livro 2.º de Sentenças, fl. 309).

Sentença do Ouvidor confirmada na Relação no ano de 1621 contra Ambrósio [Pereira]

Pestana, e seu sucessor Fernão Pereira, pela qual se julgou que de todas as fazendas que tinham

nestes Coutos, somente o Campinho podia ser vinculado em Morgado, e todos os mais não, os quais
eram uma sesmaria no termo da Cela, e de Alfeizerão (que agora chamam Casais dos Raposos),

quatro courelas nas várzeas adiante da Roda, um casal e quintal à Porta de Fora, e outras casas

grandes no cabo do Rossio com uns edifícios novos, e um olival além do rio, um pomar à frente da

Eliceira, e umas casas térreas na Rua de Baixo, e que todas estas dentro de 6 meses fossem

desobrigadas de Morgado. Livro 4.º de Sentenças, fl. 548; e pela sentença no fl. 633 foram

julgados por livres e depois tudo se vendeu.

Livraria

[Fólio 164 v.º, Img 172]

Consentimento da comunidade e Provisão do Reverendíssimo para se ____ [tragam?] à

Livraria deste Mosteiro os direitos das Quintas de S. Gião e Outém (Livro 46 de Sentenças, fls. 35

e 36).

Treslado da Provisão do Reverendíssimo por que a assina [«asigna»] com unânime

consentimento da comunidade de que a compra dos livros para a Livraria, a renda da Caneira

Velha, termo de Torres Vedras, e manda haja bibliotecário a que se entregue a dita renda e compre

os livros necessários (Livro 47 de Sentenças, fl. 182).


Injúrias

[Fólio 75, Img 83]

Juízes e outras pessoas condenadas por atuarem e ofenderem os Religiosos.

Sentença do Juiz e Conservador Apostólico proferida em 1603, e monitório que se passou,

em virtude da mesma, contra o Juiz de Alfeizerão, António Velho do Couto e seu escrivão António

Correia de Almeida, por autuarem o Procurador do Mosteiro que em audiência lhe falou forte, e os

condenou em 500 cruzados, e nas penas da Bula da __ [?]. Livro 20 de Sentenças. Fl. 371.

Sentença do Juízo da Coroa, aonde no ano de 1604 recorreram o mesmo Juiz e Escrivão, e não

tiveram provimento (no mesmo Livro, fl. 440).

Sentença do Vigário Geral de Santarém proferida contra João Roiz Curto, do Casal da

Nuna, termo da Pederneira, e o condenou em vinte cruzados e um ano de degredo para a vila de

Tomar, porque injuriou o Irmão Fr. Bento do Espírito Santo (Livro 17 de Sentenças, fl. 23).

Sentença do Juiz Conservador Apostólico dada no ano de 1675 contra Francisco Cavaleiro

e Tomé Martins da vila de S. Martinho, em que foram condenados em pena pecuniária e

excomunhão pela injúria que fizeram ao Religioso que cobrava os direitos do peixe, dos quais vira

[?] injuriando de palavras e puxando de uma faca para lhe darem, e dando com um pau no seu

criado (Livro 21 de Sentenças, fl. 81).


Igreja de S. Martinho e Igreja de S. João Batista de Alfeizerão

[Fólio 105, Img 113]

Da ereção e fundação da igreja de S. Martinho não consta ao certo, porém esta povoação

teve princípio na Era de 1295, que fica sendo no ano de Cristo de 1 257, porque então se lhe deu

Carta de foro e povoação, que consta do Livro 6.º dos Dourados, fls. 123 e 124. E neste tempo

parece se erigiu a igreja e paróquia.

Na Era de 1334, que fica caindo no ano de Cristo de 1296, por mandado do Bispo D. João

Martins de Soalhães se fizeram e deram rol dos limites às freguesias que então havia nestes

Coutos, que eram só cinco, e deram por limite à igreja de S. Martinho, além do dito lugar em que

ela estava, a Torre de Framondo (isto é, o castelo da Cavalariça, que assim se chamava, e o lugar a

que chamam Torre) e Alfeizerão, e o Bacelo, e todos os seus termos (Livro 2.º dos Dourados, fl. 82).

No dito Alfeizerão se fez capela, em que os moradores daí ouviam Missa.

No ano de 1337 foi colado um capelão perpétuo da igreja de S. Martinho, Marcos

Martins, por apresentação deste Mosteiro (Livro 2.º Dourados, fl. 94).

No ano de 1425 apresentou o Abade D. Fernando, e mais Convento, a Gonçalo Vicente,

clérigo de missa, para curar em sua vida às igrejas de Alfeizerão e S. Martinho, e que haveria pela

servidão que assim havia de servir, a saber, o que entrar pelas portas das ditas igrejas, fora a

dízima da igreja de Alfeizerão, que pertencia ao dito Mosteiro, e que haveria mais as falhas, e dois

moios de trigo em cada ano, pago em Alfeizerão ou em Famalicão, e que houvesse mais todas as

dízimas dos moradores de S. Martinho e seu termo desde onde morasse João Vicente e Lopo Anes,
e mais todas as miunças e dízimos dos gados, e mais todo o direi to do vinho, fora o direito do

quinto da Sacristia, e que o dito Gonçalo Vicente tirasse Carta em cada um ano à sua custa (Livro

15 de Sentenças, fl. 257). Além do referido lhe dá o Mosteiro 2800 reis de ensinar a Doutrina.

No ano de 1434, se julgou por sentença que o dito Gonçalo Vicente se houvesse os dízimos

dos moradores de S. Martinho, ainda dos que lavrassem em Alfeizerão, e os moradores de

Alfeizerão que lavrassem em S. Martinho; pagariam o dízimo ao Mosteiro (Livro 15 de Sentenças,

fl. 312).

No ano de 1557, se obrigou o povo a sustentar a Capela do Espírito Santo [de S.

Martinho?] que tinha feito e paramentá-la à sua custa (Livro 35 de Sentenças. Fl. 418).

No ano de 1591 se julgou contra o vigário Lourenço Fernandes, que lhe não pertencia a

dízima de um barco de sardinha salgada que veio de Peniche (Livro 2.º de Sentenças. Fl. 306).

No ano de 1612, se deu sentença na Legacia contra o vigário de S. Martinho sobre os

quintos das vinhas que se intrometia a cobrar (Livro 9.º de Sentenças, fl. 139).

No ano de 1625, sendo vigário de Alfeizerão e S. Martinho o Padre João Batista, deu

força contra este Mosteiro pelos dízimos do peixe salgado que entrava pela foz de S. Martinho e

pelos quintos do vinho da dita freguesia, que dizia estava de posse de tudo, e o Mosteiro a forçara,

mas foi absoluto, ficando ao dito vigário direito reservado sobre a propriedade (Livro 18 de

Sentenças, fl. 308).

Depois o dito vigário João Batista demandou ao Mosteiro ordinariamente para que lhe

largasse a cobrança dos dízimos do peixe salgado que entrasse pela foz de S. Martinho e o 5.º dos

vinhos da dita vila e lhe pagasse o dízimo dos frutos da Quinta que tinha na mesma vila, e foi

julgado na Legacia que o dito vigário pertenciam os dízimos do peixe seco, mas os quintos dos
vinhos lhe não pertenciam, mas ao Mosteiro, e que em quanto este, por si ou seus criados,

cultivassem a Quinta, não deviam pagar o dízimo. Consta no Livro 12 de Sentenças, fl. 328.

No ano de 1537, mandou o Cardeal Infante D. Afonso, Comendatário deste Mosteiro,

pelas Cartas do Livro 15 de Sentenças, fls. 218 e 219, a seu Procurador, o Licenciado [«L.do.»]

André Lopes, que se informasse, ouvindo os concelhos dos Coutos, quem era obrigado a pagar os

custos das fábricas das igrejas dos Coutos, assim do corpo da igreja, como da Capela-mor, e

ornamentá-la; e fazendo a dita diligência com os concelhos de S. Martinho e de Alfeizerão a

respeito da fábrica das ditas duas igrejas, declararam o que consta do Livro 15 de Sentenças, Fls.

222 e 224. E no ano de 1538, foi visitada a igreja de Alfeizerão, sufragânea da de S. Martinho,

na qual se proveu várias coisas para a fábrica da dita igreja (Livro 15 de Sentenças, fl. 252).

Sendo Comendatário o Infante D. Fernando de Castela [era filho de Filipe II], fez

concerto com os povos de algumas das igrejas dos Coutos sobre lhe p agar para a fábrica delas uma

certa quantia anual, e com efeito a dita igreja de Alfeizerão se pagavam oito mil reis e à de S.

Martinho, dois mil reis. E depois, no ano de 1681, se fez nova fábrica de quatro mil reis para a

igreja de S. Martinho (Livro 29 de Prazos, fl. 29).

No ano de 1697, fizeram os oficiais da Câmara e Povo de Alfeizerão, como fabricaram da

sua igreja uma justificação sobre a ruína dela, e de quem levou os materiais (Livro 31 de

Sentenças, fl. 239).

No ano de 1719 se fez uma justificação por parte do Mosteiro em como as paredes da

igreja de Alfeizerão se fizeram de novo com dinheiro que estava depositado de acréscimo das sisas,

e outro que se tirou das Confrarias, e que as madeiras que estavam para a fábrica da dita igreja e

telha, as levaram várias pessoas, como também algumas pedras com licença dos Fabricários [sic], e

que o Mosteiro, para a dita obra, não concorreu com coisa alguma (Livro 35 de Sentenças, fl. 171).
O Eminentíssimo Patriarca 1.º de Lisboa não quis estar pelas ditas fábricas anuais, por se

lhe não mostrarem autorizadas pelo Ordinário, e pretende que o Mosteiro as fabrique à sua custa

de todo o necessário.

No ano de 1634, concedeu o Mosteiro à Confraria do Santíssimo Sacramento de

Alfeizerão por modo de doação e esmola, uma terra junto ao castelo, com obrigação de pagar dela

somente o dízimo (Livro 15 de Sentenças, fl. 114).

No ano de 1618 se julgou na sagrada Rota [o Tribunal da Rota Romana] contra o

Arcebispo de Lisboa, que todas as igrejas destes Coutos são anexas e do padroado in solidum deste

Mosteiro, e por isso não podem ser postas em concurso, cuja sentença e decisão está no Caderno 20,

Gaveta 3.ª do Caixão.

No ano de 1642, por falecimento do Cardeal Infante D. Fernando, Comendatário deste

Mosteiro, lhe restituiu o Ilustríssimo Rei D. João IV a dita comenda e tudo o que a ela pertencia,

em virtude do que tomou o Mosteiro posse do padroado das ditas duas igrejas (Livro 20 de

Sentenças, fl. 9 e 21).

No ano de 1517, o Comendatário deste Mosteiro, D. Jorge de Melo, apresentou e colou em

vigário das ditas duas igrejas de S. Martinho e Alfeizerão, a António Vieira, seu capelão, e no ano

de 1525 o confirmou o Cardeal Infante D. Afonso, Comendatário deste Mosteiro e administrador

do Arcebispado de Lisboa (Livro 31 de Sentenças, fl. 1).

No ano de 1532, foi colado pelo Cardeal Infante D. Afonso, Arcebispo de Lisboa e

Comendatário deste Mosteiro, Rui Vieira, como vigário de S. Martinho e sua anexa, S. João de

Alfeizerão (Livro 15 de Sentenças, fl. 308).


No ano de 1656, sendo vigário das ditas igrejas, João Batista, fez renúncia delas ao padre

Antão Carreira, sem licença do Mosteiro, que recorreu ao Ordinário, e fez citar o dito Antão

Carreira para exibirem termo de três dias as Bulas, para as embargar de objetícias e subjetícias [sic]

e por não as exibir no dito termo, se passou mandado anulatório, como consta do Livro 28 de

Sentenças, fls. 95 e 99. Por bem do que não teve efeito a dita renúncia.

No ano de 1674, vagaram as ditas igrejas por falecimento do dito João Bati sta, e o

Mosteiro apresentou nelas o dito Antão Carreira, que foi colado no dito ano (Livro 31 de

Sentenças, fl. 53).

No ano de 1678, foi apresentado e colado nas ditas igrejas de S. João de Alfeizerão, e sua

anexa de S. Martinho, a António Roiz Quaresma, por vacatura do dito Antão Carreira (Livro 31

de Sentenças, fls. 129 e 133).

No ano de 1685, foi apresentado e colado nas ditas igrejas de S. João e S. Martinho, o

padre António Cerveira do Souto. Consta tudo do Livro da Dataria, fl. 318.

No ano de 1734, foi apresentado e colado nas ditas igrejas de S. João Batista de

Alfeizerão e sua anexa de S. Martinho, o Doutor Manuel Romão (Livro 28 de Sentenças, fl. 113;

e Livro da Dataria, fl. 218).

Instrumento [?] e Termo que fez a Câmara de S. Martinho sobre o conserto da igreja

(Livro 36 de Sentenças, fl. 516).

Sentenças e Sobre-sentenças do Juízo da Coroa de 1760 e de 1761 em que o Mosteiro foi

condenado a fazer e ornamentar a igreja de Alfeizerão (Livro 43 de Sentenças, a fl. 526).

Termo que fizeram em 24 de Junho de 1766, o Juiz e oficiais da Câmara da vila de S.

Martinho, declarando tinham por esmola um sino que o Mosteiro lhe deu, sem que desta ação
capitulasse e pudesse ser o Mosteiro obrigado a paramentar a igreja de S. Martinho. Livro dos

Prazos, fl. 239 v.º; Livro 36 de Sentenças, fl. 516.

No ano de 1696, fizeram o prior e fregueses de S. Martinho à sua custa, o primeiro

sacrário da dita igreja: compraram véstias, pálio, ceras, e se obrigaram a o azeite da lâmpada do

Santíssimo [Sacramento]; consta tudo isto de uma certidão extraída do próprio original, assim

como da Licença para se dizer missa na capela de S. António da mesma vila. Livro 63 de

Sentenças, a fl.__.

Miscelâneas

[Fólio 295, Img 304]

Resposta que se deu ao vigário de Alfeizerão sobre a feitura [«fattura] da nova igreja, a

que o Mosteiro não é obrigado (Livro 34 de Sentenças, fl. 521).


Igreja de Nossa Senhora da Vitória de Famalicão

Filial da igreja da Pederneira

[Fólio 117, Img 125]

Os fregueses da Igreja de Nossa Senhora da Vitória de Famalicão foram desanexados da

igreja matriz da vila da Pederneira, e alguns da de Alfeizerão por Bula Apostólica no mesmo

tempo em que se desanexaram as outras igrejas novas de Salir e do Vimeiro, que foi no ano de

1565, sendo Comendatário o Cardeal Infante D. Henrique, a qual nova igreja os ditos fregueses

erigiram e fizeram à sua custa, como eles mesmos confessaram no Livro 15.º de Sentenças, fl, 242.

No ano de 1577 passou o dito Cardeal Infante D. Henrique, Comendatário deste

Mosteiro, uma Provisão pela qual concinou [concedeu?] a João Fernandes, capelão da igreja nova

de N. Sra. Da Vitória de Famalicão, de côngrua cada ano de 12 mil reis em dinheiro, um moio de

trigo e uma pipa de vinho (Livro 15 de Sentenças, fl. 272)

No ano de 1578, o mesmo Infante Cardeal D. Henrique proveu, por morte do dito João

Fernandes, a Fernande Anes em vigário da dita igreja de Famalicão, e haveria a mesma côngrua

que tinha o dito João Fernandes seu antecessor.

No ano de 1614, fizeram os fregueses da dita igreja, petição ao Bispo Dom Pedro de

Castilho, governador do reino e Procurador e administrador do Cardeal Infante D. Fernando,

Comendatário, para que mandasse visitar a dita igreja e provê-la do necessário, confessando que

eles a erigiram, e o dito Bispo lhe pôs por despacho que, obrigando-se eles à fábrica da dita igreja
toda que fizeram à sua custa, o Senhor Infante mandaria ornamentar a Capela-mor (Livro 15 de

Sentenças, fl. 242).

No mesmo ano de 1614, fizeram os ditos fregueses escritura em que se obrigaram a fabricar

a dita igreja toda que seus antepassados fizeram à sua custa, e isto de tudo o que fosse necessário

à dita igreja e aos seus altares colaterais (Livro 15 de Sentenças, fl. 243). Depois disto, [com] o

mesmo Cardeal Infante D. Fernando foi feita fábrica de dois mil reis cada ano, tanto [?] para a

fábrica do altar-mor; e assim se observou muitos anos; porém depois a comenda veio ao Mosteiro:

se não satisfizeram os dois mil reis declarados, antes o Mosteiro tomou sobre si a dita comenda do

altar-mor. Mas porque não contribuía com todo o necessário, tornaram os fregueses da dita igreja

a pedir a este Mosteiro lhe tornasse a contribuir com os ditos dois mil reis cada ano para a fábrica

do altar-mor, e com efeito se fez a escritura no ano de 1670, com condição que os ditos dois mil reis

se não gastariam senão na fábrica da dita capela-mor, porque a fábrica de toda a igreja pertencia

aos fregueses (Livro 15 de Sentenças, fl. 231). Em Mesa de Fazenda de 1 de Setembro de 1799 se

lhe acrescentaram mais 200 [?] reis.

Em algumas visitas se mandou que o Mosteiro mandasse fabricar de ornamentos e outras

coisas a dita igreja de Famalicão e outras. E no ano de 1736 se mandou fa zer sequestro, a que se

opôs o Mosteiro, recorrendo ao Eminentíssimo Cardeal Patriarca com o fundamento acima

referido, de que não era obrigado à fábrica e reparos da dita igreja, o qual no ano de 1737 declarou

por seu despacho que o Mosteiro não era obrigado à dita fábrica, e que pelos Capítulos da visita se

não procedesse, e por outro despacho declarou que a prestação anual de dois mil reis se aplicaria na

forma estipulada na escritura, em virtude de que o Vigário Geral mandou não se procedesse contra

o Mosteiro, e houve por levantado o sequestro qu e tinha feito, ficando o Mosteiro só obrigado a

contribuir anualmente com os dois mil reis, e que se satisfizesse o que se estava devendo; o que o
Mosteiro replicou, que suposto se devessem os ditos dois mil reis desde o ano de 1726, contudo

depois disso tinha dado por conta da dita fábrica vários ornamentos e obras para a dita igreja, qu e

deviam ser avaliados, e a sua importância se devia compensar na dita fábrica; e com efeito se fez a

avaliação, mas o Vigário Geral não deferiu a dita compensação [«compenção»] que poderia

requerer por outra via, como também os fregueses [ou cofres?] da igreja poderiam haver por outra

via os atrasados, como tudo mais largamente consta da sentença no Livro 33 delas, fls. 17 e 249.

Pelo dito modo são os fregueses obrigados a toda a fábrica da dita igreja, e o Mosteiro

somente a dar-lhe dois mil reis cada ano para a fábrica da capela-mor. Estes dois mil reis se devem

desde o ano de 1726 em diante; mas na sua importância se deve descontar o valor das obras e

ornamentos que o Mosteiro deu e fez na dita igreja, e enquanto não estiverem satisfeitos do dito

valor, não deve contribuir com os ditos dois mil reis.

Não consta no Cartório da avaliação das ditas coisas, e sua importância, somente no Livro

35 de sentenças, fl. 179, está um rol de tudo o que fez no cômputo da avaliação que se há-de achar

nos autos de que se extraiu a sentença de que acima se faz menção. Bom será saber esta certeza.

No ano de 1738, deixou um Visitador um capítulo que o Mosteiro acudisse à ruína que

ameaçava a dita igreja, o qual revogou por dizer [?], declarando ser esta obrigação dos fregueses

(Livro 35 de Sentenças, fl. 177)

No ano de 1605 se decidiu e julgou na Rota Romana, que a dita igreja e todas as mai s dos

Coutos são anexas a este Mosteiro, e do seu padroado in solidum, e por isso não deviam ir a

concurso, cuja sentença está no Caderno 20, na Gaveta 3.ª do Caixão.

Colação do padre José Pinto para vigário desta igreja, apresentado pelo Mosteiro (Livro

55 de Sentenças, fl. 2).


Em 19 de Março de 1801 se celebrou escritura de contrato com o vigário de Famalicão e

fabriqueiros xxiii dando-se-lhe adiantados quarenta e oito mil reis, ficando pagos os _____ [dois

mil reis?] que se lhe dão cada ano para a dita fábrica, e só principiarão a receber acabados os dez

anos que tiveram princípio no dia de São João Batista de 1801. Notas ____, Livro 25 de

Privilégios, fl. 286. Se fiscalizará em 1811 [«fiscalozara»].


Cartas Reais

[Fólio 22, Img 30]

Cartas que respeitam à milícia e fatura de soldados e cavalos, e outras que respeitam ao

Forte de S. Martinho (No dito Livro 1º [de Cartas Reais], do fl. 168 até 263).

Cartas pelas quais os reis pedem ao Padre Geral, madeira das matas para navios, e que

ordenem às Câmaras que as façam conduzir (Liv. 2º de Cartas Reais, de fl. 278 até 297).

Carta D’El Rei D. João III em que pede madeira da mata (Liv. 95 de Sentenças, fl. 380).

Privilégios e Mercês Reais xxiv

[Fólio 211, Img 219]

Na Era de 1286, que fica sendo no ano de Cristo de 1248, fez El Rei D. Sancho II do

nome, e 4.º rei de Portugal, seu testamento, estando em Toledo, deposto do governo do Reino.

Manda-se sepultar neste Mosteiro, e lhe deixa a vila de Porto de Mós, a vila de Cornaga

[Tornada] no termo de Óbidos, e o porto de Salir [Livro 1.º Dourados, fl. 32 v.º).

Na Era de 1332, [D. Diniz) concedeu que este Mosteiro pudesse mandar seu vinho e sal

para fora sem embargo das posturas em contrário (Livro 1.º dos Dourados, fl. 30 v.º).

A 15 de Julho de 1482 da Era de Cristo, doou a Rainha D. Leonor ao Mosteiro, as

dízimas dos navios que descarregavam em S. Martinho, e mandou aos seus Juízes e oficiais de
Óbidos que não perturbassem a posse em que o Mosteiro estava pela Doação de D. Pedro I (Livro

6.º Dourados, fl. 125).

A 4 de Junho de 1579 [o Cardeal Rei D. Henrique] hou ve por bem que os frades deste

Mosteiro tenham em cada ano, e para sempre, a metade da renda da fruta seca que se pagava de

dízimo no porto da vila da Pederneira à [para a] mesa abacial, assim e da maneira que se

arrecadaram por ele como Comendatário do dito Mosteiro. E a 4 de 1575 concedeu da mesma sorte

a metade do que viesse ao porto de Salir de S. Martinho, que era para as suas consoadas (Livro 17

de Sentenças, fls. 185 e 247) xxv.

A 28 de Fevereiro de 1635 [Filipe III] concedeu que o Mosteiro pudesse embarcar

duzentos moios de sal, dízimo mais ou menos de suas salinas de S. Martinho, sem dele levarem

direitos, e que nos portos do dito Mosteiro se não possa descarregar sal algum sem consentimento

do dito Mosteiro, exceto no caso de grande necessidade (Livro 31 de Sentenças, fl. 28).

A 17 de Dezembro de 1640 [D. João IV] passou Carta de Propriedade do ofício de

Ouvidor e Avaliador dos bens dos Órfãos das vilas de Alvorninha, Salir do Mato, Santa Catarina

e Alfeizerão, a Sebastião Machado (Maço 1.º de Privilégios, n.º 23, Gaveta 1.ª).

A 20 de Agosto de 1735, passou a rainha D. Mariana d’Áustria, mulher D’El Rei D. João

V, alvará pelo qual fez mercê de perdoar a este Mosteiro os rendimentos vencidos da foz de Salir

do Porto, que por sentença se tinham julgado pertencerem à dita Senhora Rainha (Livro 33 de

Sentenças, fl. 216).

Por sua resolução de 6 de Dezembro de 1754, [D. José I] mandou que Manuel Pedro da

Silva de Fonseca [«Affonseca»] fosse preso pelos excessos que fazia, e [se] lançasse fora os touros

(Livro 89 de Sentenças, a f. 251) xxvi.


Provisão de 26 de Outubro de 1778 e 4 de Abril de 1780, de 25 de Junho de 1790, de 6 de

Maio de 1791, e Aviso de 3 de Julho de 1790, para o Mosteiro tomar dinheiros a juros para

distrate e continuação da obra na Livraria (Caixão das 3 chaves, Gaveta 1; e o Livro 34.º de

Sentenças, fl. 285).


Demarcação dos Coutos

[Fólio 40, Img 48]

Instrumento de Contenda que no ano de 1493 teve o Mosteiro com a Rainha D. Leonor

sobre a demarcação de terras dos Coutos com a vila de Óbidos, e se julgou por Sentença que era

pela foz de Salir, e daí pela Madre da Água do rio de Salir acima (Livro 2.º de Sentenças, fl. 59; e

um treslado raro no Livro 3.º, fl. 29, e outro no Livro 26, fl. 73). Sentença dada no Juízo da Coroa

no ano de 1569 entre o Comendador-mor D. Afonso de Lencastre, donatário da vila de Salir do

Porto, pela qual se julgou que a demarcação é pela veia da água do Rio doce que chamam da Mota

[«Motta»], até se meter na foz do mar em Salir (Livro 27 de Sentenças, fl. 46).
NOTAS:
i
O montado dos porcos nos Coutos de Alcobaça, e os atritos que à conta disso existiram entre o mosteiro e as
populações assenhoreadas, foi já tratado diligentemente pela Doutora Iria Gonçalves nessa obra de
referência que é O Património do Mosteiro de Alcobaça nos Séculos XIV e XV.
(Universidade Nova de Lisboa, Lisboa, 1989).

ii
«Fábrica» surge-nos nesta obra em mais de um sentido, pelo que transcrevemos a sua definição,
recolhida no dicionário de António de Moraes Silva:

Fábrica: a estrutura, construção, organização (…) Artifício, trabalho, lavor (…) Fábrica da sacristia
ou da igreja: as rendas aplicadas às despesas da sacristia e reparos da igreja. O necessário
para a construção do edifício (…) A gente, animais de serviço, máquinas, provimentos e etc,
para alguma obra, empresa, facção (…) Fábricas: ideias, desenhos, traços, projetos (António
de Moraes SILVA, Diccionario da Lingua Portugueza, Tomo Segundo, Tipografia Lacerdina,
Lisboa, 1813).

iii
D. Micaela da Silva foi esposa do Alcaide-mor de Alfeizerão, Silvério Salvado de Morais, e, após a sua morte,
tutora do seu filho e novo Alcaide, Silvério da Silva da Fonseca (vide. O Manuscrito de Caetano José
Sarmento).

iv
Mendo de Foios Pereira. Mendo Foyo no documento.
v
No documento está escrito 1696, mas é decerto um lapso. Neste parágrafo cita -se uma sentença do ano de
1596, e noutra parte do livro, temos a indicação de uma sentença de 1597 (no título Quartos, Quintos,
Oitavos e Dízimos).
vi
O alcaide pequeno, apresentado pelo mosteiro ou eleito pela Câmara da vila, desempenhava as funções de
oficial de justiça e carcereiro.
vii
D. João Manuel de Noronha, 1º Marquês de Tancos (1679-1761).
viii
Reencontramos assim Isabel de Brito - natural da Pederneira e viúva de Adrião Ferreira Cardoso, que fora
condenada por judaísmo no ano de 1671. A sentença que lemos aqui reporta -se ao sequestro de bens e
rendimentos que lhe foi feito.
ix
Entre as leis sobre coutos e coutamento, encontra -se uma lei “ecológica” que muito poderia ensinar a
alguns autarcas modernos: Alvará D’El Rei D. Pedro em 1669 pelo qual couta os rios desta vila para neles se
não lançarem linhos a curtir – pena de perdimento e 30 dias de cadeia (Livro 33 de Sentenças, fl. 161).

x
Neste livro, volta-se a mencionar o assunto nos Privilégios e Mercês Reais: a mudança do couto para
Alfeizerão e seu termo (fl. 220 v.º / Img 230); e a mudança para a vila de Paredes no reinado de D. Sebastião
(fl. 222 / Img 231): A 17 de Julho do dito ano, concedeu que o Couto que estava na vila de Alfeizerão se
mudasse para a vila de Paredes .

xi
Pena atribuível a quem quebra ou desrespeita um contrato estabelecido.
xii
Para comparação, transcrevo o que sobre o mesmo escreveu o cronista Frei Manuel dos SANTOS, na
Alcobaça Illustrada…, Primeira Parte, pgs. 429-430 (Oficina de Bento Seco Ferreira, Coimbra, 1710): Na Villa
da Pederneira apresenta dous escrivaens do publico & judicial, dous tabeliaens de no tas, hum escrivam da
Camera & almotaçaria, hum escrivam da ribeira amovível, hum contador, & enqueredor, hum alcaide. Na Villa
de Alfeizaram apresenta hum Alcaide mo r da Villa , & seu Castello; tem de o rdenado doze mil reis; hum juiz
dos orfaons, hum escrivam do publico, & judicial, hum tabaliam de notas, hum escrivam da Camera, &
almotaçaria, hum escrivam dos o rfaons, hum contador, & enqueredor (…) Na Villa d e S. Ma rtinho hum
escrivam da Camera, & almotaçaria, hu m tabaliam do publico, & judicial, hu m tabaliam de notas, hum juiz
dos orfaons, hum escrivam dos orfaons, hu m escriva m da barra , hum Alcaide .
xiii
Eleição colegial para suprir um lugar deixado vago por qualquer motivo (desistência, morte…).

xiv
José de Almeida Salazar foi autor da obra manuscrita de 1844: Memórias da Real Casa de N. S. da
Nazareth.

xv
O varejo consistia numa busca nas casas dos lavradores, para verificar se não escondiam frutos ou
produções agrícolas para assim se escusarem a pagar os direitos devidos ao Mosteiro. Uma das explicações
possíveis para a palavra era o medir-se a casa com varas - varejar. Quando os franceses saqueiam a região no
ano de 1811, William Tomkinson escreve no seu diário que eles se haviam tornado especialistas em saquear
os camponeses, e uma das técnicas useiras era medir a casa deles por dentro e por fora para verificar se não
existia nenhuma divisão secreta onde ocultassem os frutos da terra (sobretudo o cereal, mas também as uvas
ou as olivas); esses esconderijos na casa dos camponeses, escreve o mesmo autor, eram comuns no país pelo
seu próprio sistema de governação e pelas exorbitantes exig ências dos clérigos.
O que os invasores franceses faziam era varejar, quer tivessem aprendido connosco, quer contassem com
essa prática entre as suas “artes da guerra”.

xvi
Suponho ser o mesmo Manuel Lopes Madeira que em 1744, foi nomeado Provedor das obras de Tomar por
D. Pedro II (Direção Geral de Arquivos/TT, Registo Geral de Mercês, Mercês de D. Pedro II, livro 16, fl. 65).

xvii
14ª das Cláusulas do acordo de 1297 entre o Bispo de Lisboa e o Mosteiro sobre o direito dos Dízimos.
xviii
O Campinho e Ambrósio Pestana são referidos também no título Vinculados a Capelas…

xix
Rainha Dona Luísa de Gusmão (1613-1666), esposa de D. João IV.
xx
Sentenças semelhantes contra Francisco de Almeida e Jerónimo Vaz.

xxi
Sentenças semelhantes contra Francisco de Almeida e Jerónimo Vaz.

xxii
No meu bosquejo genealógico sobre a família dos Britos da Pederneira, encontro um Martim Luís, que era
fruto da união de dois primos, Antónia de Brito (ou de Sousa) e António de Brito da Costa.
xxiii
Fabriqueiro, era aquele que cobrava as rendas da igreja (António de Moraes SILVA, Diccionario da Lingua
Portugueza, Tomo Segundo, Tipografia Lacerdina, Lisboa, 1813 ).
xxiv
Este capítulo começa com a Doação de D. Afonso Henriques aos cistercienses; documento que, com
detalhes evocativos, se descreve encontrar-se no Livro 1.º Dourado, f.º 1 , e a Original na Gaveta 1.ª do
Cayxão dentro em huma bolsa de Damasco Carmesim, com seu letreiro por fó ra. De outra carta do mesmo rei
para o mosteiro, uma Carta de Feudo, é-nos dito que se encontra no mesmo lugar em huma bolsa de
chamalote verde.

xxv
Repare-se na inversão de papéis causada pela decadência do porto de Salir (e do de Alfeizerão). Se no
reinado de D. Dinis encontrávamos documentalmente S. Martinho de Salir, duzentos anos depois, temos aqui
Salir de S. Martinho.

xxvi
Esta figura seria, presumivelmente, o pai de Francisco Manuel de Fonseca e Silva que, no ano de 1797,
detinha uma grande propriedade que se compunha da maioria dos ca mpos de Alfeizerão, segundo declara
José Rino de Avelar Fróis numa entrevista ao jornal O Alcoa de 20 de Outubro de 1949, que já reproduzimos
nesta página. Nesta família entroncaria a família dos Fróis, ou Fonseca Fróis (pelo menos, assim o pretendia
José Rino de Avelar Fróis). No título dedicado ao Alcaide-mor de Alfeizerão, aponta-se, no exercício desse
cargo, um Silvério da Silva da Fonseca que, por uma outra fonte (o manuscrito de Caetano José Sarmento),
sabemos ter sido apresentado como Alcaide-mor a 1 de Outubro de 1623.