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Gestão em Segurança Privada:

Safety & Security

Brasília-DF.
Elaboração

Ronaldo Balestra Choze

Produção

Equipe Técnica de Avaliação, Revisão Linguística e Editoração


Sumário

APRESENTAÇÃO.................................................................................................................................. 4

ORGANIZAÇÃO DO CADERNO DE ESTUDOS E PESQUISA..................................................................... 5

INTRODUÇÃO.................................................................................................................................... 7

UNIDADE I
SEGURANÇA PRIVADA............................................................................................................................ 9

CAPÍTULO 1
ESTABELECENDO O SERVIÇO DE SEGURANÇA PRIVADA............................................................. 9

CAPÍTULO 2
AS CARACTERÍSTICAS PRINCIPAIS DAS EMPRESAS DE SEGURANÇA PRIVADA............................. 24

UNIDADE II
ASPECTOS LEGAIS DA GESTÃO EM SEGURANÇA PRIVADA..................................................................... 44

CAPÍTULO 1
LEGISLAÇÃO APLICADA.......................................................................................................... 44

CAPÍTULO 2
OUTRAS ATIVIDADES DA GESTÃO EM SEGURANÇA PRIVADA – SAFETY & SECURITY..................... 75

PARA (NÃO) FINALIZAR...................................................................................................................... 81

REFERÊNCIAS................................................................................................................................... 82
Apresentação

Caro aluno

A proposta editorial deste Caderno de Estudos e Pesquisa reúne elementos que se


entendem necessários para o desenvolvimento do estudo com segurança e qualidade.
Caracteriza-se pela atualidade, dinâmica e pertinência de seu conteúdo, bem como pela
interatividade e modernidade de sua estrutura formal, adequadas à metodologia da
Educação a Distância – EaD.

Pretende-se, com este material, levá-lo à reflexão e à compreensão da pluralidade dos


conhecimentos a serem oferecidos, possibilitando-lhe ampliar conceitos específicos da
área e atuar de forma competente e conscienciosa, como convém ao profissional que
busca a formação continuada para vencer os desafios que a evolução científico-tecnológica
impõe ao mundo contemporâneo.

Elaborou-se a presente publicação com a intenção de torná-la subsídio valioso, de modo


a facilitar sua caminhada na trajetória a ser percorrida tanto na vida pessoal quanto na
profissional. Utilize-a como instrumento para seu sucesso na carreira.

Conselho Editorial

4
Organização do Caderno
de Estudos e Pesquisa

Para facilitar seu estudo, os conteúdos são organizados em unidades, subdivididas em


capítulos, de forma didática, objetiva e coerente. Eles serão abordados por meio de textos
básicos, com questões para reflexão, entre outros recursos editoriais que visam a tornar
sua leitura mais agradável. Ao final, serão indicadas, também, fontes de consulta, para
aprofundar os estudos com leituras e pesquisas complementares.

A seguir, uma breve descrição dos ícones utilizados na organização dos Cadernos de
Estudos e Pesquisa.

Provocação

Textos que buscam instigar o aluno a refletir sobre determinado assunto antes
mesmo de iniciar sua leitura ou após algum trecho pertinente para o autor
conteudista.

Para refletir

Questões inseridas no decorrer do estudo a fim de que o aluno faça uma pausa e reflita
sobre o conteúdo estudado ou temas que o ajudem em seu raciocínio. É importante
que ele verifique seus conhecimentos, suas experiências e seus sentimentos. As
reflexões são o ponto de partida para a construção de suas conclusões.

Sugestão de estudo complementar

Sugestões de leituras adicionais, filmes e sites para aprofundamento do estudo,


discussões em fóruns ou encontros presenciais quando for o caso.

Praticando

Sugestão de atividades, no decorrer das leituras, com o objetivo didático de fortalecer


o processo de aprendizagem do aluno.

5
Atenção

Chamadas para alertar detalhes/tópicos importantes que contribuam para a


síntese/conclusão do assunto abordado.

Saiba mais

Informações complementares para elucidar a construção das sínteses/conclusões


sobre o assunto abordado.

Sintetizando

Trecho que busca resumir informações relevantes do conteúdo, facilitando o


entendimento pelo aluno sobre trechos mais complexos.

Para (não) finalizar

Texto integrador, ao final do módulo, que motiva o aluno a continuar a aprendizagem


ou estimula ponderações complementares sobre o módulo estudado.

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Introdução
Antigamente podia-se andar nas ruas tranquilamente, cantarolar e deixar as crianças
brincando sem maiores sustos. Hoje em dia, a situação é bastante preocupante no que
tange a segurança, seja pública ou privada.

Os serviços públicos de segurança já não são mais capazes de garantir, por si sós, os
princípios fundamentais de responsabilidade do Estado, quais sejam, dentre eles, o direto
à vida, à segurança, à inviolabilidade do domicílio, da privacidade e da correspondência,
por exemplo.

Nesse estudo, falaremos a respeito da segurança privada como alternativa no oferecimento


dessas garantias por empresas especializadas, analisando tanto a parte de safety quanto
a de security.

Bom proveito!

Objetivos
»» Mostrar dados sobre a criminalidade no Brasil.

»» Apresentar a legislação aplicada à área de segurança privada.

»» Mostrar e explicar os ramos envolvidos nos serviços de segurança privada.

»» Ressaltar os requisitos para a abertura de empresas de segurança privada


e para a formação dos profissionais vigilantes.

»» Falar a respeito da formação e treinamento dos vigilantes.

»» Mostrar casos específicos e reais de atuação dos profissionais de segurança


privada.

»» Relacionar a parte de Safety & Security com a Gestão em Segurança Privada.

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SEGURANÇA PRIVADA UNIDADE I

CAPÍTULO 1
Estabelecendo o serviço de
segurança privada

A realidade brasileira
Como você se sente ao andar nas ruas hoje em dia? Seguro?

É apavorante assistir aos noticiários e ver como a criminalidade tomou conta das ruas,
das casas e das vidas de todos nós. Hoje há pessoas que não tem mais a liberdade de
fazer uma caminhada durante o dia, passear de bicicleta com as crianças, fazer um
cooper ouvindo um som no celular ou no IPod.

Tudo isso tornou-se, de uma hora pra outra, perigoso demais para uma parcela grande
de pessoas! Se você sai para um passeio desses, corre um sério risco de ser assaltado e,
mesmo entregando tudo, sem reagir, tomar um tiro a queima roupa e nunca mais voltar
para casa.

É isso o que temos visto e vivido, cada dia mais. É essa que tem sido a dura realidade de
todo um povo que não tem tranquilidade para entrar ou sair de casa, parar nos faróis
de trânsito, caminhar pela cidade, curtir um domingo de sol nas praias por medo, por
exemplo, de um arrastão.

A criminalidade chegou a um ponto que quaisquer R$ 10,00 (dez reais) são suficientes
para o cometimento de um homicídio. Não há pedido de clemência que mude o rumo
que os bandidos queiram dar para a vida das vítimas. Assim, diminui-se o respeito pelo
ser humano e a liberdade para ir e vir.

Os números da violência
Os dados relacionados à violência são alarmantes e, mesmo assim, sabemos que,
infelizmente, eles ainda não representam grande parte dos problemas que acontecem.

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UNIDADE I │ SEGURANÇA PRIVADA

Há uma boa parcela dos crimes que não contam sequer com o registro de boletins
de ocorrência.

A falta de formalização do registro pode decorrer devido alguns problemas, como


descrença que a questão não será resolvida no curto prazo, descrença na polícia ou
no governo ou preguiça. O grande problema é que exatamente a falta desses registros
fazem com que o crime inexista juridicamente e, dessa forma, não exista. Escondendo,
assim, a necessidade de patrulhamento ostensivo na região que está sofrendo com mais
assaltos, por exemplo.

Dessa forma, não há como uma vizinhança que está sofrendo com pequenos furtos e roubos
se queixar à polícia caso essas ocorrências não estejam sendo formalizadas por boletins
nas delegacias da polícia civil. Se em consulta ao sistema não constarem os registros,
a área aparecerá como tranquila. Logo, sem necessidade de cuidados e patrulhamento.

Cabe à população cobrar, fazer seu “dever de casa” e também repassar as informações
mínimas para que a polícia possa operar de forma a atender a comunidade de acordo
com as necessidades do momento.

Vejamos alguns números referentes à realidade brasileira nos últimos anos, números
esses que vêm fazendo com que nós brasileiros fiquemos cada dia mais presos dentro
de nossas próprias grades, enquanto a criminalidade anda solta pelas ruas.

Tabela 1. Homicídios por faixa etária.

Ano TOTAL 15-19anos 20-24anos 15-24anos 25-29anos 30-39anos


1980 13.910 1.532 2.795 4.327 2.432 3.218
1981 15.213 1.601 3.080 4.681 2.697 3.556
1982 15.550 1.564 3.058 4.622 2.642 3.825
1983 17.408 1.877 3.314 5.191 3.082 4.146
1984 19.767 2.208 3.935 6.143 3.594 4.700
1985 19.747 2.517 3.965 6.482 3.587 4.562
1986 20.481 2.684 4.178 6.862 3.664 4.754
1987 23.087 2.925 4.736 7.661 4.118 5.372
1988 23.357 2.931 4.660 7.591 4.183 5.592
1989 28.757 3.889 6.133 10.022 5.024 6.736
1990 31.989 4.378 6.576 10.954 5.776 7.343
1991 30.750 4.067 6.025 10.092 5.530 7.111
1992 28.435 3.584 5.611 9.195 4.906 6.532
1993 30.610 4.124 6.058 10.182 5.228 7.212
1994 32.603 4.547 6.783 11.330 5.649 7.458
1995 37.129 5.159 7.444 12.603 6.309 8.400
1996 38.894 5.338 7.848 13.186 6.558 9.144
1997 40.507 5.855 8.415 14.270 6.814 9.301
1998 41.950 6.411 8.873 15.284 7.226 9.271

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SEGURANÇA PRIVADA │ UNIDADE I

Ano TOTAL 15-19anos 20-24anos 15-24anos 25-29anos 30-39anos


1999 42.914 6.566 9.199 15.765 7.291 9.651
2000 45.360 7.274 10.227 17.501 7.557 9.926
2001 47.943 7.638 10.497 18.135 8.163 10.396
2002 49.695 7.919 11.288 19.207 8.448 10.422
2003 51.043 7.951 11.780 19.731 8.763 10.789
2004 48.374 7.529 11.070 18.599 8.404 10.109
2005 47.578 7.526 10.468 17.994 8.337 9.972
2006 49.145 7.551 10.522 18.073 8.741 10.394
2007 47.707 7.288 10.187 17.475 8.627 10.153

Fonte: <http://www.unodc.org/documents/lpo-brazil//Topics_crime/Dados/Numero_e_taxa_de_homicidios_no_Brasil_PT.pdf>.

O UNODC – Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime – disponibilizou os


dados da Tabela 1 referentes à evolução dos números de homicídios no Brasil entre os
anos de 1980 e 2007. Conforme podemos ver, o crescimento foi exorbitante. Em menos
de 3 décadas o número de assassinatos aumentou mais de 200% no Brasil. Observe que
estamos falando aqui apenas de uma população mais jovem, abaixo de 40 anos.

Vejamos, então, o comportamento dos homicídios dolosos por estado da federação.

Tabela 2.

No de Vítimas
Grupos de Estados segundo
Brasil e Unidades da Federação Nos Absolutos
qualidade dos dados (1)
2013 (3) 2014
Brasil 51.063 53.240
Alagoas 2.152 2.056
Bahia 5.440 5.663
Ceará 4.209 4.297
Distrito Federal (4)(5) 707 688
Espírito Santo 1.564 1.529
Goiás (5) 2.583 2.575
Maranhão 1.595 1.902
Mato Grosso (4)(5) 1.022 1.297
Mato Grosso do Sul (4)(5) 535 593
Minas Gerais (4)(5) 4.095 3.958
Grupo 1 Pará 3.187 3.257
Paraná (5) 2.572 2.515
Pernambuco (4)(5) 2.941 3.316
Piauí (4)(5) 506 685
Rio de Janeiro (5) 4.745 4.942
Rio Grande do Norte (4)(5) 1.287 1.599
Rio Grande do Sul (4)(5) 1.914 2.342
Roraima 99 72
Santa Catarina (6) 704 762
São Paulo (5) 4.739 4.526
Sergipe 880 999

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UNIDADE I │ SEGURANÇA PRIVADA

Acre (4)(5) 198 191


Amapá 225 233
Grupo 2 Paraíba (4)(5) 1.495 1.478
Rondônia 470 504
Tocantins 290 327
Grupo 3 Amazonas 909 934

(1) Grupos segundo qualidade estimada dos dados registrados. Grupo 1: maior qualidade das informações; Grupo 2: menor qualidade das informações;
Grupo 3: não há como atestar a qualidade dos dados informados. Maiores detalhes, vide apêndice metodológico.
(2) Por 100 mil habitantes.
(3) Retificação das informações publicadas no Anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, ano 8, 2014.
(4) As mortes em confronto com policiais em serviço estão somadas aos homicídios.
(5) As mortes em confronto com policiais fora de serviço estão somadas aos homicídios.
(6) Os dados de ocorrências de Santa Catarina referem-se ao total de vítimas de homicídio doloso.
Fonte: Secretarias Estaduais de Segurança Pública e/ou Defesa Social; Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE); Fórum
Brasileiro de Segurança Pública. Disponível em: <http://www.unodc.org/lpo-brazil/pt/crime/informacoes-adicionais.html>.

Os dados por Estado nos fazem pensar: por que será que uns estados são mais violentos
que outros? Por que São Paulo e Rio de Janeiro são lugares com índice de criminalidade
tão elevados? E os estados do Nordeste? A Bahia, por exemplo, é o estado onde houve
mais homicídios tanto em 2013 quanto em 2014. Por que?

Em números absolutos, os tipos de morte nesses períodos também assustam, conforme


tabela 3:
Tabela 3.

Crimes Letais Intencionais - CVLI Mortes Decorrentes de Intervenção Policial


Vitimização
Lesão Corporal Policial
Fora de
Homicídio Latrocínio Seguida de Em serviço Total
Serviço
Morte
Número Número Número Número Número Número Número
Absoluto Absoluto Absoluto Absoluto Absoluto Absoluto Absoluto
2013 2014 2013 2014 2013 2014 2013 2014 2013 2014 2013 2014 2013 2014
50.137 52.256 1.928 2.061 1.172 773 408 398 1.814 2.669 388 340 2.202 3.009

Fonte: Secretarias Estaduais de Segurança Pública e/ou Defesa Social; Sistema Nacional de Estatística em Segurança Pública
(SINESP); Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE); Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Disponível em: <http://www.
unodc.org/lpo-brazil/pt/crime/informacoes-adicionais.html>.

Outros dados apresentados pelo UNODC dizem respeito ao roubo de veículos. Em 2013
foram 216.627 e em 2014 esse número aumentou para 233.064. Foram registrados
51.090 casos de estupro em 2013 contra 47.646 em 2014.

Se compararmos os gastos em Segurança Pública e os números de homicídios do Brasil


com os países europeus, a situação fica ainda mais clara e alarmante.

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SEGURANÇA PRIVADA │ UNIDADE I

Tabela 4.

Nos absolutos de Taxa de


Países % em relação ao PIB
homicídios (2) homicídio (2)
União Europeia - 28 países 1,3 ... ...
Espanha 1,5 302 0,6
França (1) 1,2 777 1,2
Reino Unido (1) 1,5 602 1,0
Brasil 1,3 53.289 26,3

(1) Despesas com as subfunções police services, fire protection services, R&D public order and safety e public order
and safety nec da Função Public Order and Safety.
(2) Os dados de homicídio da União Europeia, Espanha, França e Reino Unido são de 2013; os dados do Brasil
referem-se ao ano de 2014.
Fonte: Eurostat; UNODC; Brasil; Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE); Secretarias Estaduais de Segurança Pública e/
ou Defesa Social; Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Disponível em: <http://www.unodc.org/lpo-brazil/pt/crime/informacoes-
adicionais.html>.

A maioridade penal é um assunto que tem tomado relevância nos últimos tempos e está
sendo rediscutida. Não é nada incomum, hoje em dia, o cometimento de muitos crimes
ocorrerem pelas mãos de menores de 18 anos, exatamente em razão de nossa legislação
penal abrandar a condenação desses pequenos marginais que usufruem desse benefício
para cometer os horrores que suas mentes adultas são capazes de elaborar.

Figura 1. Evolução de adolescentes em cumprimento de medida socioeducativa no Brasil entre 1996-2013.

25000
23.066

20.532
20000
19.595

17.703
16.940
16.535 16.868
15.426
15000

13.489

10000
9.555
8.579

5000
4.245

0
1996 1999 2002 2004 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013

Fonte: <http://www.unodc.org/lpo-brazil/pt/crime/informacoes-adicionais.html>.

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UNIDADE I │ SEGURANÇA PRIVADA

De posse de todos esses dados, é possível compreendermos a utilização cada vez


maior de serviços especializados de segurança os quais visam promover garantia extra
aos cidadãos.

A segurança privada é uma modalidade de atividade que tem por objetivo proteger
pessoas e patrimônios. Diferentemente da segurança pública, a qual advém do dever
do Estado de garantir segurança aos cidadãos por meio de seus órgãos, a segurança
privada é facultativa.

Os profissionais da segurança privada


Conforme falamos, a segurança privada atua como garantia extra na segurança de
pessoas, famílias, bens e empresas, as quais tenham condições financeiras suficientes de
contratar o referido serviço. Além disso, segundo a legislação, é mandatório haver nas
instituições financeiras onde haja guarda de valores ou movimentação de numerário,
contratação de segurança privada especializada quando o próprio estabelecimento
não dispuser de pessoal organizado e preparado para tal fim, aprovado em curso
de vigilante.

No Brasil, as atividades de segurança privada são reguladas, fiscalizadas e autorizadas


pela Polícia Federal e oferecidas por empresas particulares.

Dentre os serviços oferecidos por essas empresas especializadas estão: transporte de


valores, escolta armada, segurança pessoal, entre outros.

O profissional que exerce o serviço pode ter duas formações, sendo uma de nível
superior. Ao profissional da segurança privada com graduação superior confere-se o
título de tecnólogo em Gestão da Segurança Privada. Este deve fazer um curso específico
em grau superior com duração média de dois anos.

Dentre as disciplinas lecionadas ao longo do curso, o qual pode ser oferecido nas
modalidades presencial e a distância, estão:

»» Análise e Controle de Riscos Corporativos;

»» Auditoria e Investigação sobre Fraudes;

»» Comunicação Empresarial;

»» Condicionamento Físico e Defesa Pessoal;

»» Contabilidade;

14
SEGURANÇA PRIVADA │ UNIDADE I

»» Desenvolvimento Sustentável;

»» Dinâmica das Relações Interpessoais;

»» Direito Administrativo;

»» Direito Aplicado;

»» Direito Constitucional;

»» Direito Penal;

»» Direito Processual Penal;

»» Economia e Mercado;

»» Estatística Aplicada;

»» Estudos Disciplinares;

»» Ética e Legislação: Trabalhista e Empresarial;

»» Fundamentos de Administração;

»» Gerenciamento de Crises;

»» Gerenciamento de Segurança Pessoal e Executiva;

»» Matemática Aplicada;

»» Matemática Financeira;

»» Planejamento Estratégico;

»» Plano de Negócios;

»» Primeiros Socorros;

»» Recursos Humanos Aplicados à Segurança;

»» Recursos Materiais e Patrimoniais;

»» Segurança de Executivos e Dignatários;

»» Segurança do Trabalho, Saúde e Meio Ambiente;

»» Segurança Empresarial;

»» Sistemas de Segurança da Informação;

»» Técnicas de Informática;

»» Tecnologias Aplicadas à Segurança.

15
UNIDADE I │ SEGURANÇA PRIVADA

Após a conclusão do curso, o profissional está apto a conduzir diversas funções relativas
à segurança, dentre elas a:

»» gestão da segurança privada patrimonial pública e privada;

»» segurança privada;

»» elaborar projetos de segurança com base em análises e índices da


realidade socioeconômica;

»» trabalhar com a segurança do trabalho no que tange a prevenção de


acidentes e a integridade física dos funcionários;

»» apoiar as atividades de investigação e perícia judicial; e

»» como autônomo, atuar na área de segurança da tecnologia, além de gerir


equipes em eventos públicos, sociais ou corporativos.

Existem, também, os cursos de formação de vigilantes, os quais não requerem graduação


de nível superior, mas apenas 4a série do ensino fundamental, conforme veremos mais
adiante.

A Portaria no 3.233 de 10/12/2012 define as regras para o estabelecimento de ensino


que se propõe a formar os profissionais vigilantes. A referida portaria especifica que esse
serviço é vedado a estrangeiros e requer, dentre outras coisas, que as instalações tenham:

Art. 74

e) “[...] capacidade mínima para formação mensal simultânea de


sessenta vigilantes, limitando-se o número de quarenta e cinco alunos
por sala de aula [...]”

[...]

h) “estande de tiro próprio ou de outra instalação da empresa na mesma


unidade da federação ou convênio com organização militar, policial,
curso de formação ou clube de tiro.”

A normativa define, ainda, em seu Art. 155, que para ser vigilante são necessários alguns
requisitos mínimos:

I - ser brasileiro, nato ou naturalizado;

II - ter idade mínima de vinte e um anos;

III - ter instrução correspondente à quarta série do ensino fundamental;

16
SEGURANÇA PRIVADA │ UNIDADE I

IV - ter sido aprovado em curso de formação de vigilante, realizado por


empresa de curso de formação devidamente autorizada;

V - ter sido aprovado em exames de saúde e de aptidão psicológica;

VI - ter idoneidade comprovada mediante a apresentação de certidões


negativas de antecedentes criminais, sem registros indiciamento em
inquérito policial, de estar sendo processado criminalmente ou ter sido
condenado em processo criminal de onde reside, bem como do local em
que realizado o curso de formação, reciclagem ou extensão: da Justiça
Federal; da Justiça Estadual ou do Distrito Federal; da Justiça Militar
Federal; da Justiça Militar Estadual ou do Distrito Federal e da Justiça
Eleitoral;

VII - estar quite com as obrigações eleitorais e militares; e

VIII - possuir registro no Cadastro de Pessoas Físicas.

O Anexo I da Portaria explicita as diretivas a respeito dos cursos de formação. De acordo


com aquele documento, o objetivo principal desses cursos é dotar os profissionais
vigilantes com a capacidade de compreender que as pessoas têm direitos que devem
ser respeitados.

Os vigilantes devem desenvolver um bom convívio com a sociedade; deve-se proceder


uma vigilância dinâmica e alerta, além de prevenir ocorrências em sua área de atuação,
antecipando-se a eventos danosos; operar com técnica equipamentos de segurança
patrimonial; manusear e empregar com segurança armamento letal para sua proteção
ou de terceiros quando necessário, defender-se com técnicas adequadas, manter-se
saudável e em forma física; prestar primeiros socorros, proteger o meio ambiente,
inclusive combatendo incêndios, e o que mais se fizer necessário pelas suas atribuições.

A carga horária total do curso de vigilantes é de 200 horas/aula, com uma carga diária
máxima de 10 h/a. As aulas teóricas devem ser intercaladas com as práticas de educação
física, defesa pessoal e armamento e tiro.

A grade curricular deve conter as seguintes matérias:

1. Noções de Segurança Privada;

2. Legislação aplicada e direitos humanos;

3. Relações Humanas no trabalho;

4. Sistema de Segurança Pública e crime organizado;

5. Prevenção e combate a incêndio;

17
UNIDADE I │ SEGURANÇA PRIVADA

6. Primeiros socorros;

7. Educação Física;

8. Defesa Pessoal;

9. Armamento e tiro;

10. Vigilância;

11. Radiocomunicações;

12. Noções de segurança eletrônica;

13. Noções de criminalística e técnicas de entrevista prévia;

14. Uso progressivo da força;

15. Gerenciamento de crises.

Entre no link a seguir (Portaria no 3.233, de dezembro de 2012) e entenda os


objetivos e planos de ensino para cada uma das matérias relacionadas na grade
curricular constantes do Anexo I (no final da página) do plano de formação de
vigilantes:

Portaria no 3.233/2012: <http://www.lex.com.br/doc_24057336_PORTARIA_N_


3233_DE_10_DE_DEZEMBRO_DE_2012.aspx>.

Anexo I: <http://www.lex.com.br/AbreAnexos.aspx?ID=12190425>.

Após certificação no curso de formação, o vigilante deve proceder ao registro no


Departamento de Polícia Federal para que possa obter sua CNV (Carteira Nacional de
Vigilante), documento de identificação profissional, de uso obrigatório no exercício
da função. Além dos dados de identificação, a CNV traz as atividades para as quais o
vigilante está habilitado.

A CNV deve ser requerida nas Delegacias de Controle de Segurança Privada (Delesp),
no Departamento de Polícia Federal (DPF).

A legislação define, ainda, que a cada dois anos o vigilante, após ingressar no mercado
de trabalho, deverá retornar às salas de aula para efetuar um curso de extensão ou
reciclagem, não determinando, porém, a temática a ser seguida, deixando-a a critério
do profissional para que escolha dentre eles o que mais vier ao encontro de seus
interesses profissionais.

18
SEGURANÇA PRIVADA │ UNIDADE I

Características das empresas de segurança


privada – requisitos gerais
As atividades de segurança privada são regidas pela Lei no 7.102, de 1983, e estabelece,
em seu Art. 101, que:

Art. 10. São consideradas como segurança privada as atividades


desenvolvidas em prestação de serviços com a finalidade de:

I - proceder à vigilância patrimonial das instituições financeiras e de


outros estabelecimentos, públicos ou privados, bem como a segurança
de pessoas físicas;

II - realizar o transporte de valores ou garantir o transporte de qualquer


outro tipo de carga.

§ 1o Os serviços de vigilância e de transporte de valores poderão ser


executados por uma mesma empresa.

§ 2o As empresas especializadas em prestação de serviços de segurança,


vigilância e transporte de valores, constituídas sob a forma de empresas
privadas, além das hipóteses previstas nos incisos do caput desse artigo,
poderão se prestar ao exercício das atividades de segurança privada
a pessoas; a estabelecimentos comerciais, industriais, de prestação
de serviços e residências; a entidades sem fins lucrativos; e órgãos e
empresas públicas.

§ 3o Serão regidas por esta lei, pelos regulamentos dela decorrentes e pelas
disposições da legislação civil, comercial, trabalhista, previdenciária e
penal, as empresas definidas no parágrafo anterior.

§ 4o As empresas que tenham objeto econômico diverso da vigilância


ostensiva e do transporte de valores, que utilizem pessoal de quadro
funcional próprio, para execução dessas atividades, ficam obrigadas ao
cumprimento do disposto nesta lei e demais legislações pertinentes.

Conforme vimos anteriormente, a administração e a propriedade dessas empresas são


vedadas a estrangeiros, assim como a atividade de vigilância. Dos diretores e demais
empregados é exigida ficha criminal limpa.

O capital integralizado para constituição de empresas especializadas de segurança


privada não pode ser inferior a cem mil UFIR (Unidade Fiscal de Referência, que é um
indexador usado como parâmetro de atualização do saldo devedor dos tributos e de
1 <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L7102.htm>.

19
UNIDADE I │ SEGURANÇA PRIVADA

valores relativos a multas e penalidades de qualquer natureza) e é essencial para início


das operações a comunicação à Secretaria Pública do respectivo Estado, Território ou
Distrito Federal.

Vale ressaltar que as armas destinadas ao uso dos vigilantes são de propriedade e
responsabilidade das empresas especializadas, a não ser quando as instituições
financeiras que contratarem os serviços da empresa dispuserem de armamento e ambas
assim combinarem.

Porém, as armas nunca serão dos vigilantes (aos vigilantes será permitido portar,
quando em serviço, revólver calibre 32 ou 38 e utilizar cassetete de madeira ou de
borracha e quando estiverem trabalhando em atividade de transporte de valores têm
autorização para utilizar espingarda de calibre 12, 16 ou 20 de fabricação nacional).

O Sebrae (Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) de Minas Gerais elaborou


um manual chamado “Ponto de Partida” sobre como abrir um negócio na área de
segurança privada2. Esse documento, de bastante valia para o empreendedor que
quer abrir um negócio, explica que essa é uma área que demanda um investimento
considerável, já que envolve pessoal muito bem treinado, carros equipados e blindados
com alta tecnologia e armamento de ponta.

O Sebrae alerta, ainda, para a necessidade de se conhecer muito bem a funcionalidade do


negócio antes de começar a operar, além de se manter sempre muito bem informado
quanto a legislação vigente e as novidades do setor e contar com bons fornecedores
que garantam a procedência e a qualidade de seus produtos e que sejam pontuais em
suas entregas.

Existe a possibilidade de abertura de uma empresa de segurança não armada.


A estrutura dessas empresas, no caso, não é muito grande uma vez que os vigilantes ficam,
a grande maioria do tempo, na empresa que contrata o serviço. A empresa especializada,
nesse caso, precisa de um espaço físico apenas para funcionamento do escritório que
operacionaliza o negócio.

Porém, quando os serviços de transporte de valores e segurança armada forem


oferecidos, a estrutura física da empresa deve dispor de cofres apropriados para
guarda das armas, uma sala blindada ou com estrutura reforçada para recebimento dos
malotes, além de disponibilizar banheiros para os funcionários, salas de reuniões, copa
e estacionamento para a frota.

O ambiente da empresa, segundo orientação do Sebrae, deve ser agradável e transmitir


confiança, já que os serviços podem ser requisitados presencialmente.
2 <https://www.sebraemg.com.br/atendimento/bibliotecadigital/documento/Cartilha-Manual-ou-Livro/Como-abrir-uma-
Empresa-de-Vigilancia-e-Seguranca-Privada>.

20
SEGURANÇA PRIVADA │ UNIDADE I

Algumas recomendações gerais3:

»» As portas devem ter um vão livre mínimo de 0,80m e altura mínima de


2,10m.

»» As roupas e os objetos pessoais devem ser guardados em locais específicos


e reservados para esse fim.

»» É importante a existência de armários individuais para os funcionários.

»» Em todos os locais de trabalho deve haver iluminação, natural ou artificial,


adequada à natureza da atividade.

»» As empresas devem oferecer a seus empregados condições de conforto


e higiene que garantam refeições adequadas por ocasião dos intervalos
previstos na jornada de trabalho, bem como meios para conservar e
aquecer o alimento na hipótese de o trabalhador o trazer de casa.

»» Todos os estabelecimentos devem ser providos de extintores portáteis,


colocados em locais assinalados, de fácil acesso e visualização, indicado
pelo órgão competente.

O órgão relembra, também, a importância de se contratar um quadro de colaboradores


com alto grau de técnica em segurança e equilíbrio emocional, aliados a experiência
e qualificação. Esses profissionais devem ter formação específica para os cargos que
querem ocupar e passar pelo curso de reciclagem obrigatório anual, conforme exige
a legislação.

Vale lembrar que os profissionais atuam sempre em nome da empresa para a qual
trabalham. Suas armas estão registradas em nome dessas empresas e, portanto,
qualquer problema que causem e qualquer situação que deixem de zelar, estarão assim
fazendo em nome da empresa. Por esse motivo, cabe à empresa zelar pela qualificação
dos profissionais que a representam.

O Sebrae sugere a composição de uma equipe de trabalho básica com:

»» auxiliar de serviços gerais;

»» auxiliar-administrativo e financeiro;

»» equipe de segurança;

»» equipe de vendas;

3 <https://www.sebraemg.com.br/atendimento/bibliotecadigital/documento/Cartilha-Manual-ou-Livro/Como-abrir-uma-
Empresa-de-Vigilancia-e-Seguranca-Privada> p. 8.

21
UNIDADE I │ SEGURANÇA PRIVADA

»» gerente;

»» supervisor.

E alguns prestadores de serviço:

»» advogado;

»» bombeiro hidráulico;

»» contador;

»» eletricista;

»» serviços de manutenção.

Em relação aos equipamentos para composição inicial da empresa e atendimento


satisfatório aos clientes, estão:

»» armas e munições;

»» botas e calçados de segurança;

»» central de rastreamento;

»» cerca elétrica;

»» equipamento para blindagem e rastreamento;

»» lacres de segurança;

»» malotes e maletas para transporte de valores;

»» rádios de comunicação;

»» sistema de circuito fechado de TV;

»» software para rastreamento; e

»» veículo para transporte de valores.

No que tange os requisitos legais, as licenças e registros necessários para funcionamento,


atualmente, são:
Tabela 5.

Tipo Quem concede


Licença ou alvará de funcionamento Prefeitura
Vistorias e observância às normas de segurança Corpo de Bombeiros
Licença ambiental Órgãos municipais ou estaduais de meio ambiente
Autorização de funcionamento Departamento de Polícia Federal
Autorização especial para uso de arma e munição Ministério da Justiça, por meio do Departamento de Polícia Federal
Fonte: <https://www.sebraemg.com.br/atendimento/bibliotecadigital/documento/Cartilha-Manual-ou-Livro/Como-abrir-uma-
Empresa-de-Vigilancia-e-Seguranca-Privada>

22
SEGURANÇA PRIVADA │ UNIDADE I

Faz-se importante ressaltar que a legislação brasileira está em constante alteração.


Desta forma, cabe ao empreendedor que deseja abrir uma empresa nesse ou em qualquer
outro ramo, consultar as autoridades fiscais e os profissionais de segurança a respeito
das exigências legais para a abertura de empresas.

23
CAPÍTULO 2
As características principais das
empresas de segurança privada

A Constituição Federal estabelece, em seu artigo 144, que a segurança pública é dever do
Estado, direito e responsabilidade de todos, com a finalidade de preservação da ordem
pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio. Pelo Estado a segurança será
exercida pela Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Polícia Ferroviária Federal,
Polícias Civis, Polícias Militares e Corpos de Bombeiros Militares.

Quando a segurança promovida por essas forças não se faz suficientemente presente
nas comunidades e a sensação da população é de insegurança, abre-se uma lacuna para
o emprego, cada vez maior, da segurança privada em suas várias formas de atuação,
conforme veremos agora4.

Algumas terminologias
»» Vigilante: profissional capacitado, por curso de formação, empregado de
empresa especializada ou de empresas que possuam serviço orgânico de
segurança, devidamente registrado no Departamento de Polícia Federal
(DPF) e responsável pelas atividades de segurança privada.

»» Empresas especializadas: prestadoras de serviço de segurança


privada, conforme autorização DPF para proceder vigilância patrimonial,
transporte de valores, escolta armada, segurança pessoal e cursos de
formação de vigilantes.

»» Empresas com serviço orgânico de segurança: não especializadas,


porém autorizadas a constituir serviço próprio de vigilância patrimonial
ou de transporte de valores.

»» Estabelecimentos financeiros: quaisquer estabelecimentos que


realizem a guarda e movimentação de numerário.

»» Transporte de valores: transporte de numerário, bens ou valores,


mediante utilização de veículos comuns ou especiais.

4 Vale ressaltar que para esse capítulo utilizamos, dentre outros materiais, o Manual do Vigilante desenvolvido pelo Departamento
de Polícia Federal, encontrado em: <http://www.pf.gov.br/servicos/seguranca-privada/legislacao-normas-e-orientacoes/
manual-do-vigilante/manual_vigilante.zip/view>.

24
SEGURANÇA PRIVADA │ UNIDADE I

De acordo com a Portaria no 387/2006 - DPF, o transporte de numerário


de valor igual ou superior a 20.000 UFIR deverá ser feito em veículos
especiais guarnecidos com, no mínimo, 4 vigilantes. Já o transporte de
valores entre 7.000 e 20.000 UFIR poderá ser feito em veículo comum,
com, no mínimo, 2 vigilantes.

»» Segurança pessoal privada: exercida por profissionais especializados,


visa garantir a incolumidade física das pessoas.

»» Esacolta armada: visa garantir o transporte de qualquer tipo de carga ou


valores. Composta por 4 vigilantes, dentre eles o motorista, o veículo terá 4
portas e contará com sistema de comunicação e identificação externa.

Vigilância patrimonial
A vigilância patrimonial é uma atividade exercida pelos vigilantes em qualquer
estabelecimento, seja da iniciativa privada (instituições financeiras, empresas, shopping
centers, hospitais etc.) ou da Administração Pública Direta ou Indireta (nesta modalidade
as empresas especializadas devem ser contratadas mediante licitação) com a finalidade
de preservar a integridade patrimonial, garantir a ordem interna, proteger a integridade
das pessoas, constatar possíveis irregularidades e tomar as devidas providências.

Instituições financeiras

Conforme falamos anteriormente, a segurança patrimonial em bancos não é opcional


e sim, mandatória. A vigilância, dessa forma, deve ser ininterrupta durante o horário
de funcionamento da instituição, garantindo a proteção das pessoas e do patrimônio,
uma vez que a guarda e a movimentação de valores é alvo dos criminosos que analisam
o comportamento das pessoas que frequentam esses locais e, muitas vezes, cometem os
delitos logo na saída dos bancos.

A localização do vigilante deve ser sempre estratégica e privilegiada para que ele tenha
sempre o melhor ângulo de visão, tenha suas costas protegidas evitando, desta forma,
ser atacado de surpresa pelos criminosos. Seu deslocamento pela agência deve acontecer
em momentos de menor movimento, com as costas protegidas, coldre aberto, mão na
arma, arma no coldre e dedo fora do gatilho.

A porta giratória detectora de metais é um aparato tecnológico opcional bastante


utilizado com o intuito psicológico de inibir a ação de criminosos e auxiliar o serviço de
vigilância patrimonial.

25
UNIDADE I │ SEGURANÇA PRIVADA

O equipamento é composto de porta giratoria, detector eletrônico de metais, sistema


de travamento automático, comando manual de controle remoto, interfone (vigilante –
cliente) opcional e passa-malote opcional.

Os pórticos detectores de metais geralmente são ajustados para detectar massas


metálicas correspondentes as das menores armas de fogo industrializadas: revólveres
calibre 22 e pistolas 6,35 mm.

É muito comum encontrarmos essas portas na maioria das instituições financeiras


em nosso país. Houve um tempo em que abriu-se uma ampla discussão a respeito do
desrespeito moral que algumas pessoas acreditavam passar quando se viam barradas
nas entradas dos bancos.

Depois de um certo tempo, alguns bancos optaram por oferecer armários para a guarda
gratuita de bolsas e acessórios, localizados antes das portas giratórias e outras instituições,
inclusive, abriram mão dessa ferramenta e abriram suas portas completamente, sem
barreiras físicas.

Fato é que o procedimento de entrada nos locais onde ainda existem as tais portas
giratórias é conhecido por todos: deve-se aproximar da porta, colocar objetos metálicos
no local pré-determinado e, só depois, rodar a porta para adentrar à instituição.

Quando, ainda assim, a porta trava, cabe ao vigilante, alguns procedimentos:

1. deslocar-se para perto da porta e perguntar se a pessoa está portando


algum objeto metálico, em caso afirmativo, pedir que ela mostre o objeto
e conferí-lo;

2. solicitar que a pessoa retorne e tente novamente passar pela porta, caso a
porta não detecte nenhum problema, devolver o objeto à pessoa e liberá-la;

3. se o detector acusar a presença de outro objeto, indagar a pessoa sobre


a existência de outros objetos e repetir os passos acima (se for mulher,
solicitar abertura da bolsa ou da sacola para uma rápida revista visual);

4. se o travamento ocorrer com pessoa que esteja portando arma de fogo


e que tenha avisado o vigilante sobre essa condição, cabe ao vigilante
verificar o registro e o porte de arma e confirmar com a gerência se a
pessoa é cliente da agência, se a pessoa não tiver a autorização da gerência,
esta deve retornar posteriormente sem a arma;

5. se o travamento ocorrer por arma de policial civil ou militar, cabe ao


vigilante solicitar a identificação funcional e conferí-la com cuidado (da
mesma forma deve proceder quando se tratar de policial militar fardado).

26
SEGURANÇA PRIVADA │ UNIDADE I

A realidade no Brasil

Sabemos que no Brasil o vigilante faz um pouco de tudo. Ele não só atua na vigilância
da instituição como, também, presta informação a respeito das filas, da localização de
cada setor, dos toaletes e, até mesmo, sobre as funcionalidades dos caixas eletrônicos.

Sabemos, ainda, que já houve diversos casos de discussões entre vigilantes e correntistas
em função das portas giratórias, exatamente em razão das pessoas acreditarem que
os vigilantes atuam aleatoriamente travando as portas de acordo com a pessoa que
está passando.

Alguns desses casos viraram caso de polícia e chegaram a ser noticiados, como foi o caso
de um correntista do banco Itau do Rio de Janeiro, que após discussão com o vigilante
por se sentir constrangido por ser barrado na porta giratória e ter que tirar tudo do
bolso e ser ainda obrigado a tirar o cinto, levou um tiro no peito e foi a óbito no local5.

Há, ainda, que se falar a respeito dos crimes chamados “saidinhas de banco”.
Essa modalidade de crime é bastante conhecida e trata-se dos delitos praticados logo
após a pessoa sair do banco após efetuar alguma transação e estar de posse de valor
em espécie.

Muitas vezes, os bandidos atuam em número mínimo de dois estando um deles dentro
do banco e o outro do lado de fora. O que está dentro do banco fica responsável por
verificar quem será a vítima e repassar ao companheiro que aguarda do lado de fora
as características específicas para a abordagem: características físicas da pessoa
(cor da pele, olhos, cabelo, estatura), roupa que está vestindo, se está acompanhada,
quais são as características dessa outra pessoa, o momento que está deixando a
agência, onde foi colocado o dinheiro, por onde está deixando a agência, enfim, todas
as informações necessárias para que a abordagem seja feita com sucesso.

A pessoa que fica do lado de fora, por sua vez, escolhe o momento e o local ideal para
promover o delito: logo do lado de fora do banco? Seguir de carro até um segundo local?
Fazer um sequestro relâmpago?

Se bem treinado e atento, o vigilante poderá perceber o comportamento suspeito do


sujeito que está interno na agência bancária e, quem sabe, evitar esse tipo de crime.

Shopping Centers
Passeios em shopping centers também podem sair muito caros, literalmente.
Shopping centers são locais onde as pessoas vão para se divertir e relaxar, portanto,
5 <http://oglobo.globo.com/rio/seguranca-de-banco-mata-homem-que-ficou-preso-na-porta-giratoria-4537174>.

27
UNIDADE I │ SEGURANÇA PRIVADA

não estão dispostas a ter que se preocupar com alguma coisa, nem que essa “coisa” seja
sua própria segurança.

Quem imaginará que em um passeio no shopping pode ser assaltado ou, até mesmo, ser
vítima de uma bala perdida?

Ninguém, não é verdade?

Mas, a realidade não é bem essa, infelizmente. Em 2011, após um assalto a uma joalheria
em um shopping de São Paulo, os bandidos sairam atirando em várias direções,
causando pânico em todos os visitantes que passeavam durante o horário do almoço.
Felizmente, ninguém se machucou6.

Em 2014, um trio de bandidos assaltou uma joalheria em um shopping de Recife


fazendo um funcionário e uma cliente de reféns7.

A explosão de caixas eletrônicos também é recorrente e já se viu até a utilização de um


barco para permitir a fuga dos ladrões após o crime8.

Assim, todo o ambiente do shopping deve estar seguro, compreendendo desde o


estacionamento, os corredores, as lojas, a praça de alimentação, a playlândia, os caixas
eletrônicos, as escadas de emergência, as docas de carga e descarga, os toaletes etc.

A criminalidade não tem limites e está a cada dia mais desenvolvida, organizada e
paramentada. Dessa forma, apesar de estar em um ambiente de descontração para os
que ali passeiam, o vigilante deve prestar seu trabalho com responsabilidade e atenção,
buscando estar sempre em contato com os lojistas para averiguar possíveis anormalidades
ou comportamentos suspeitos.

Vigilância em hospitais

A vigilância em hospitais é de extrema importância e necessidade. O controle do acesso


deve ser feito de forma bastante rigorosa, já que hospitais são locais em que podem
ocorrer alguns tipos de crimes, tais como: furto de medicamentos, de pertences pessoais,
sequestro, troca de recém-nascidos, assassinatos e resgate de criminosos internados.

Dessa forma, faz-se necessário um controle rígido, principalmente, nos horários de


visita em que há um volume maior de entrada de pessoas, sendo o horário preferido
pelos criminosos para atuar.

6 <http://tvuol.uol.com.br/video/assalto-a-joalheria-de-shopping-termina-em-tiroteio-em-sp-04029A3466D8891327>.
7 <http://g1.globo.com/pernambuco/noticia/2014/04/trio-assalta-joalheria-e-troca-tiros-com-segurancas-de-shopping-no-
recife.html>.
8 <http://www.atribuna.com.br/noticias/noticias-detalhe/policia/barco-utilizado-em-assalto-a-caixa-eletronico-e-localizado/
?cHash=9e93eef4c045f098f12dfb5785185966>.

28
SEGURANÇA PRIVADA │ UNIDADE I

Além disso, faz-se necessário apoiar-se em outras medidas de segurança tais como circuito
fechado de TV (CFTV), alarmes, câmeras, acesso controlado por meio de senhas pessoais
nas farmácias, por exemplo (mais adiante falaremos a respeito dessas funcionalidades).
Para os pacientes deve existir um sistema de acesso por pulseiras com código de barras
identificador, principalmente nos berçários.

Em algumas maternidades, o acesso aos berçários só se dá mediante a identificação por


impressões digitais. Os bebês só saem do hospital entregues pelas mãos da enfermeira
chefe diretamente à mãe no estacionamento.

Temos conhecimento de casos de bebês trocados por erro em maternidades, mas, também,
temos muitos casos de bebês roubados de maternidades. Isso só foi possível em função
da falta de vigilância ostensiva nos locais.

Você se lembra do caso do menino Pedrinho, roubado de uma maternidade em Brasília


em 1986? Somente em 2002 a mãe biológica, que o procurava desde o seu sumiço, teve
a oportunidade de conhecê-lo, em Goiânia, onde ele morava com sua sequestradora,
Vilma, que também havia sequestrado outra menina em 1979, em outra maternidade
em Goiânia.

Vigilância em escolas
A vigilância em locais de ensino requer muito preparo já que nessa modalidade os
profissionais atuam como auxiliares do processo educativo. O vigilante deve manter
sua postura de educação e maturidade, não oferecendo liberdade aos alunos para que
ele seja respeitado em suas demandas.

O controle de acesso deve ser feito por meio de algumas ferramentas tais como uso de
uniformes e catracas e a segurança deve ser garantida com a utilização de ferramentas
tais como rondas permantentes e circuito fechado de TV, por exemplo.

Vale ressaltar que os problemas que atingem a escola não estão restritos apenas ao
ambiente escolar. Os arredores das escolas representam grande perigo para a comunidade
escolar vez que o tráfico de entorpecentes e a prostituição infantil circulam livremente
por toda parte.

Dessa forma, faz-se necessária a ronda permanente dentro e fora do ambiente escolar
de forma a relatar à diretoria da escola e, posteriormente, à Secretaria de Segurança
Pública para que sejam adotadas as providências cabíveis relacionadas ao entorno.

Dentro da escola, os procedimentos disciplinares serão conduzidos pela própria


diretoria com os alunos e pais por meio de advertências, suspensões e, mais criticamente,
expulsão, nos casos de reinscidência.
29
UNIDADE I │ SEGURANÇA PRIVADA

Tabela 6. Percepção dos avaliadores sobre se a escola apresenta sinais de depredação em 2013.

Brasil e Unidades Sim, muita. Sim, pouca. Não Branco/Nulo


da Federação N Absolutos
os
% N Absolutos
os
% N Absolutos
o
% N Absolutos
os
%
Brasil 26.468 44,7 26.017 43,9 2.511 4,2 4.255 7,2

Fonte: <http://www.unodc.org/lpo-brazil/pt/crime/informacoes-adicionais.html>.

Vigilância na indústria

A vigilância nas indústrias tem o papel grandioso, não só de controlar o acesso de pessoas
às dependências físicas da empresa como, também, protegê-la de possíveis furtos,
espionagens industriais, sabotagens e invasões por quadrilhas ou bandos.

As principais medidas de segurança para uma indústria são9:

»» Na entrada de veículos instalar clausuras (espaços entre dois portões).

»» Revistar todos os veículos que forem adentrar ao pátio interno, após ser
analisada a real necessidade de acesso.

»» Controle de acesso com base na biometria (impressões digitais, íris etc.).

»» Revista moderada de funcionários de acordo com a legislação vigente.

»» Manter banco de dados de funcionários.

»» Promover investigação social de candidatos às vagas da indústria.

»» Barreiras perimetrais que impeçam a invasão, podendo, inclusive, utilizar


cercas eletrificadas.

»» Instalação de circuito fechado de TV, com sala de monitoramento 24


horas por dia.

»» Palestras aos funcionários buscando a conscientização de todos, como


colaboradores da funcionalidade do sistema de segurança.

Vigilância em prédios

A vigilância em prédios divide-se em residenciais e comerciais. Nos prédios residenciais


a atividade de vigilância ocorre em decorrência da necessidade de se proteger o lar
como asilo inviolável, conforme confere o direito descrito na Constituição Federal.

9 <http://www.pf.gov.br/servicos/seguranca-privada/legislacao-normas-e-orientacoes/manual-do-vigilante/manual_
vigilante.zip/view> p. 109

30
SEGURANÇA PRIVADA │ UNIDADE I

A lei garante que o acesso à casa de qualquer pessoa, contra sua vontade, só pode se
dar em caso de flagrante delito ou desastre, para prestação e socorro ou, durante o dia,
com ordem judicial. Fora essas condições, o ingresso ao lar de terceiros constitui crime.

Além da contratação do serviço de vigilantes para que promovam a segurança privada


do condomínio, por meio da ronda permanente, outras possibilidades de agregação de
medidas preventivas de segurança são10:

»» barreiras perimetrais;

»» circuito fechado de TV;

»» sistema de alarmes;

»» clausuras tanto na entrada de veículos como na de pessoas;

»» instalação de portinholas (passagens de objetos);

»» treinamento dos vigilantes e conscientização dos moradores a respeito de


como entrar e sair do condomínio.

Já nos prédios comerciais, o acesso de pessoas deve ser controlado pelo emprego de
tecnologias mais modernas como, por exemplo, controles de acesso por biometria,
catracas eletrônicas, clausuras, além da utilização de circuitos fechados de TV, botão de
pânico e, também, serviço de manobrista de forma a direcionar os visitantes para que
entrem apenas pelo acesso de pessoas e não se misturem com os funcionários entrando
pela garagem.

Ademais, normas internas e rondas permanentes complementarão o sistema de


prevenção dos prédios comerciais.

Escolta armada
A escolta armada, conforme vimos, é feita em veículo de 4 portas, devidamente
identificado, com vigilantes armados. Geralmente os serviços de escolta contam com
algumas tecnologias tais como rastreamento por satélite e radiocomunicação para
auxiliar e fortalecer o processo de segurança e localização exata das cargas.

O roubo de cargas nas estradas brasileiras é muito comum e, por esse motivo, na situação
atual de insegurança do país, falar em transporte de valores e logística de cargas mais
valiosas sem escolta armada é praticamente inviável. Em muitos casos, a criminalidade
consegue estar mais presente do que a segurança pública.
10 <http://www.pf.gov.br/servicos/seguranca-privada/legislacao-normas-e-orientacoes/manual-do-vigilante/manual_
vigilante.zip/view> p. 110

31
UNIDADE I │ SEGURANÇA PRIVADA

A contratação de escolta armada para acompanhamento de transporte de valores


e de cargas é uma alternativa bastante assertiva e que garante aos proprietários o
recebimento ou a entrega desses volumes conforme contratação.

Os vigilantes, conforme o tipo de treinamento, estão preparados para agir em casos


extremos e entram em contato com as autoridades policiais caso necessitem de apoio
especial em ações criminosas.

Figura 2.

Fonte: <http://www.macor.com.br/nossas-solucoes/escolta-armada/>.

Transporte de valores
O transporte de valores é feito por veículo blindado, popularmente conhecido no Brasil
como carro forte. Tratam-se de carros que possuem blindagens especiais, fechaduras
diversificadas e um cofre forte para efetuar transporte de dinheiro, joias, documentos e
quaisquer outras mercadorias que tenham valor.

Dentre as empresas que mais utilizam os serviços de transporte de valores estão os


bancos, obviamente, os museus, lojas e o governo.

A utilização desses veículos é restrita às empresas especializadas que possuem


autorização do Departamento de Polícia Federal sendo, portanto, vedado o acesso ao
público em geral.

Conforme vimos anteriormente, o transporte de valores não precisa, necessariamente,


ser feito em carro forte. Quando o numerário a ser transportado estiver entre 7.000 e
20.000 UFIR, este pode ser transportado em veículo comum com acompanhamento
de 2 vigilantes armados. Apenas para valores acima de 20.000 UFIR são exigidos os
transportes em carro forte com presença de 4 vigilantes.

32
SEGURANÇA PRIVADA │ UNIDADE I

Segurança pessoal
A segurança pessoal é uma modalidade de segurança de elite, acessível apenas às
camadas mais abonadas da sociedade.

A segurança pessoal privada nos dias atuais visa oferecer ao contratante do serviço a
sensação de segurança e liberdade que falta a todos nós ao caminhar nas ruas, entrar
e sair de casa, ir ao banco, passear no shopping, buscar as crianças na escola, sair para
jantar, voltar tarde de um compromisso social e até mesmo buzinar para alguém em um
farol no trânsito.

Atualmente, qualquer atitude é considerada suspeita e passível de causar problemas a


qualquer indivíduo, seja mulher ou homem, jovem, idoso, adolescente ou até mesmo
criança, pode representar ameaça à nossa integridade física e de nossa família.

Dessa forma, a presença de um segurança pessoal treinado, atento aos riscos eminentes
e pronto para neutralizar qualquer problema, permite que o cidadão se sinta mais
aliviado na condução de sua vida diária e se disponha a pagar uma pequena fortuna
para “comprar” a sua paz e tranquilidade.

A segurança pessoal visa dar assistência para executivos, personalidades e autoridades.


Uma das formas de proceder essa assistência é por meio da avaliação dos roteiros
previstos de atividades desses indivíduos e levantamento das áreas de risco. A partir
daí são realizados os planos de segurança e é feita a sua segurança.

Existe, inclusive, curso de graduação em Gestão da Segurança Privada, com duração de


2 anos. A matriz curricular inclui11:

»» Armamentos, Munições e Explosivos;

»» Direito Processual Penal;

»» Direitos Humanos;

»» Empreendedorismo;

»» Equipamentos e Tecnologia de Segurança;

»» Filosofia;

»» Gerenciamento de Conflitos e Crises;

»» Gestão de Negócios;

»» Gestão de Recursos Humanos;


11 <http://fatej.edu.br/gestao-de-seguranca-privada/>.

33
UNIDADE I │ SEGURANÇA PRIVADA

»» Gestão de Segurança Bancaria e Transporte de Valores;

»» Gestão do Conhecimento, Inteligência e Contra-inteligência;

»» Informática Básica e Técnica;

»» Inglês Instrumental;

»» Introdução ao Direito do Trabalho;

»» Introdução ao Direito Penal;

»» Legislação de Segurança Privada;

»» Legislação de Segurança no Trânsito;

»» Legislação Especial;

»» Liderança;

»» Comunicação e Expressão;

»» Noções de Direito Constitucional;

»» Planejamento e Projetos Estratégicos de Segurança;

»» Primeiros Socorros;

»» Psicologia;

»» Relacionamentos Interpessoais;

»» Gestão de Segurança Corporativa e Privada;

»» Segurança do Trabalho e Saúde Ocupacional;

»» Segurança Física de Instalações;

»» Segurança Pessoal e Privada.

Já o curso de pós-graduação MBA Segurança Privada e Gestão de Negócios tem uma


carga horária de 360 horas/aula e visa aprimorar a formação dos profissionais que
atuam no ramo da segurança privada, dotando-os de referenciais inovadores.

O conteúdo programático do curso inclui Direito Constitucional, Legislação e Direito


Aplicado, Gestão de Negócios, Planejamento e Estratégias de Segurança, Gestão de
Riscos e Segurança em Eventos, Metodologia e Didática do Ensino Superior e finaliza
com a produção de um artigo científico12.

12 <http://fatej.edu.br/mba-em-seguraca-privada-e-gestao-de-negocios/>.

34
SEGURANÇA PRIVADA │ UNIDADE I

A existência de outros cursos de extensão e profissionalização na área de segurança


faz-se importante para que os profissionais possam estar cada dia mais atualizados
com as novidades do mercado, com as novas tecnologias aplicadas, a legislação
vigente, as novas formas de criminalidade, além de poderem promover uma renovação
na força de trabalho, nas ideias e nos ideais que os movem por meio de grupos de
trabalho com outros alunos que também estão em busca de inovação por meio do
ensino aplicado.

Segurança de autoridades

A segurança de autoridades é um ramo da segurança privada que requer um nível de


estratégia operacional mais integrada. As autoridades, quer sejam elas políticas ou
religiosas, por exemplo, estão sujeitas, por sua própria natureza, a gerarem nas pessoas
sentimentos diversos.

Muitas vezes esses sentimentos são conflituosos e fazem com que algumas pessoas
nutram um sentimento negativo e até odioso em relação àquela autoridade e queiram
buscar uma forma de ação contra ela.

A todo momento as autoridades estão cercadas pela população e não se sabe nunca se
as pessoas ao redor são apoiadores ou buscam vingança ou algum tipo de repúdio.

Por esse motivo, os seguranças precisam estar sempre muito alertas para que possam
garantir a segurança e a integridade das autoridades no desempenho de suas funções.

Os criminosos que, de fato, buscam uma ação mais direcionada e assertiva estudam
cuidadosamente os passos da pessoa que querem atingir bem como a conduta da
segurança que a conduz. Percorrem sua agenda e escolhem o momento mais adequado
para agir. Foi assim em muitos casos: no assassinato de JFK, quando João Paulo II foi
baleado, entre outros.

Os esquemas de segurança das autoridades, portanto, precisam ser rigorosos e prever


riscos importantes para poder preveni-los.

A atitude do agente a ser protegido também é de extrema importância. A autoridade


precisa cooperar com o esquema feito pela equipe de segurança. Sabemos, por exemplo,
que o ex-presidente Lula era campeão em burlar os esquemas de segurança ao sair
das barreiras estipuladas, abraçar as pessoas, andar no meio do público, furar todo o
esquema e, desta forma, fragilizar as estratégias estabelecidas.

Assim também o faz o Papa Francisco, que abre mão do automóvel blindado, o
Papamóvel, como é chamado, quando em passeio pelas cidades. Dessa forma, com
35
UNIDADE I │ SEGURANÇA PRIVADA

a demanda de querer estar próximo dos fiéis, o papa coloca em risco a sua vida e o
trabalho dos seguranças que o acompanham.

O plano de segurança para autoridades é feito em forma de círculos, tendo o segurado


como ponto central e distribuindo os agentes de segurança, cada qual com sua função
específica ao longo das camadas do círculo.

As ações da equipe de segurança são previamente definidas e ensaiadas visando possíveis


ocorrências e prevendo pontos de risco. Até por isso, sempre que uma autoridade tenha
uma visita planejada a algum local, obrigatoriamente é feita uma visita precursora de
sua equipe de segurança.

A visita precursora é inquisitiva e visa levantar todos os riscos que a exposição da


autoridade, na ocasião, poderiam ocasionar. Caso julgue necessário, a equipe pode
demandar alterações de rota e de organização do evento em questão para que haja mais
segurança para os envolvidos.

Geralmente os eventos que tem autoridades, contam com um número restrito de


convidados, com acesso controlado por convite e cadastramento prévio. Quanto mais
alto o cargo da autoridade, mais exigentes são os requisitos.

Há uma distância mínima a ser respeitada entre o palco/púlpito, de onde a autoridade


profere seu discurso, e o público e jornalistas. A quantidade de seguranças, o trajeto
que a autoridade deve percorrer de onde ela chega até onde é vista pelo público e de
onde deixa o local, sua rota de fuga, a distância mais próxima de uma base aérea, enfim,
todas essas podem ser demandas de segurança dependendo da autoridade envolvida e
seus compromissos assumidos.

E quem são essas pessoas que podem querer agir contra as autoridades?

»» Antigos desafetos, agindo pessoalmente ou contratando alguém para


atentar a seu mando (matadores profissionais, “pistoleiros” ou “assassinos
de aluguel”): muitos crimes políticos já foram vistos acontecer. Crimes estes
praticados por mão própria ou contratados, como foi o caso do assassinato
do candidato ao governo de Rondônia, em 1990, Olavo Pires. Já liderando
as pesquisas no segundo turno e a poucos dias da nova eleição, Olavo Pires,
senador por RO, ao chegar em sua revendedora de máquinas agrícolas em
Porto Velho foi executado com 16 tiros (11 deles na cabeça). Os criminosos,
após fugirem, entraram em um carro da Assembleia Legislativa.
O Ministério Público indiciou 9 suspeitos por terem premeditado o crime,
mas o mandante nunca foi identificado13.
13 <http://www.terra.com.br/noticias/infograficos/politicos-assassinados/>.

36
SEGURANÇA PRIVADA │ UNIDADE I

Veja outros crimes polêmicos que envolvem políticos brasileiros em: <http://
www.terra.com.br/noticias/infograficos/politicos-assassinados/>.

Aos seguranças que estão protegendo a autoridade é inviável saber quem é um desafeto
e quem não é. Se a autoridade tem conhecimento de algum desentendimento deve
sempre repassar a informação à equipe de segurança, bem como informar todas as
características físicas da pessoa para que estejam todos alertas, sempre para que não
permitam uma aproximação dessa pessoa em nenhuma hipótese.

Outro caso marcante que ocorreu por descuido da equipe de segurança da autoridade
aconteceu em 1993, quando o Presidente da Alemanha Ocidental, Richard Von Weizsaecker,
foi atingido por um soco de um senhor de aproximadamente 50 anos, na entrada de um
teatro em Hamburgo14.

O que a segurança não havia percebido era que esse mesmo senhor, minutos antes já
estava nos arredores do teatro distribuindo panfletos que acusavam o presidente de ser
simpatizante nazista.

Se, naquela ocasião, a equipe de segurança tivesse observado a redondeza, sem dúvida
alguma teria visto que ali se encontrava um desafeto do protegido que, sem dúvida
alguma, inspirava cuidados.

O presidente egípcio Anwar Sadat foi assassinado em 1981 durante um desfile militar
por suas próprias tropas. A segurança, sabendo da insatisfação político-religiosa das
forças armadas em relação ao governo, assegurou-se de que as tropas desfilassem com
as armas descarregadas.

Porém, alguns revoltosos simularam uma pane em um dos veículos que desfilavam e,
se aproveitando do fato de estarem próximos ao palanque presidencial e estarem todos
observando o sobrevoo das aeronaves, abriram fogo contra as autoridades, matando, ao
todo, 10 pessoas, entre elas, o presidente15.

Outro caso intrigante foi a morte da Primeira-Ministra da Índia, Indira Ghandi, que foi
assassinada em 1984 por membros de sua guarda pessoal, de etnia Sikh. Um de seus
assassinos era, inclusive, seu guarda-costas de maior confiança e integrava sua segurança
pessoal há mais de 10 anos.

A motivação do crime era religiosa, pois por ordem de Indira, o Templo Dourado dos
Sikhs fora invadido, ocasião em que morrerão 800 Sikhs, seu líder máximo, Singh
Bhindranwale e 100 soldados16.
14 <http://www.viaseg.com.br/artigos/seguranca_autoridades_vinicius.htm>.
15 <http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/6804/conteudo+opera.shtml>.
16 <http://www.viaseg.com.br/artigos/seguranca_autoridades_vinicius.htm>.

37
UNIDADE I │ SEGURANÇA PRIVADA

Devemos observar, no caso da Primeira-Ministra indiana, que a própria segurança


pessoal responsável por resguardá-la foi responsável por sua morte. Desta forma, não
se sabe de onde o perigo pode vir. O fator religioso, nesse caso, foi mais forte do que o
juramento profissional feito pelos guardas da autoridade.

Abaixo seguem alguns tipos de criminosos e crimes que acontecem em casos parecidos
aos citados mais acima.

Criminosos comuns

Esse grupo de criminosos age indiscriminadamente, não escolhendo suas vítimas.


Os criminosos comuns agem por impulso, encontrando apenas uma oportunidade de
descuido da segurança não sabendo, muitas vezes sequer, quem é a autoridade envolvida
no delito.

Crime organizado

O crime organizado tem recurso financeiro disponível e de sobra para arquitetar crimes
de grande porte. Em 1992, a máfia italiana arquitetou um plano gigantesco que vitimou
o Juiz Giovanne Falcone na Sicília, sua esposa e seus seguranças. Após descobrir a rota
por onde passaria o magistrado em viagem, em seus carros blindados, a máfia explodiu
uma extensão de 50 m de estrada com cerca de 1 tonelada de explosivos, com precisão
cronométrica no momento exato que o comboio passava pelo local definido pelo grupo
para realizar o crime. Vale lembrar que os deslocamentos do Juiz eram resguardados de
sigilo e, desta forma, não se sabe como o crime organizado teve acesso às informações17.

Doenças mentais e transtornos de personalidade

A grande questão a respeito desse grupo de pessoas diz respeito à imprevisibilidade de suas
ações, podendo ir de um simples abraço ou uma conversa, até um tiro à queima roupa.

Em 2002, um jovem com problemas psiquiátricos sacou uma carabina de dentro de seu
estojo de guitarra e tentou matar o Presidente francês Jacques Chirac durante o desfile
em carro aberto. Depois disso, tentou suicidar-se. Felizmente a população conseguiu
contê-lo a tempo de evitar as duas tragédias18.

No Brasil, em julho de 2015, um homem com problemas psiquiátricos tentou invadir,


no mesmo dia, o Palácio do Planalto e o Ministério da Defesa, à força. Muito agressivo,
ele causou muita confusão e teve que ser detido e levado à delegacia19.
17 <http://www.viaseg.com.br/artigos/seguranca_autoridades_vinicius.htm>.
18 <https://www.publico.pt/mundo/noticia/jovem-de-extremadireita-que-tentou-matar-chirac-foi-candidato-as-ultimas-
municipais-162081>.
19 <http://noticias.r7.com/distrito-federal/homem-e-detido-em-brasilia-apos-tentar-invadir-o-palacio-do-planalto-e-o-
ministerio-da-defesa-13072015>.

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SEGURANÇA PRIVADA │ UNIDADE I

Organizações terroristas

Não muito tempo atrás, falar em terrorismo, homens-bomba parecia coisa de tevê e um
crime muito restrito ao oriente médio. Hoje em dia, sabemos que o terrorismo já está
alastrado e, graças a Deus, pelo menos por enquanto, ainda não chegou ao Brasil.

Em 11 de setembro de 2001 o sequestro de aviões comerciais pelo grupo terrorista


Al Qaeda, comandado por Osama Bin Laden, vitimou pessoas nos Estados Unidos e
destruíram as Torres Gêmeas. Um terceiro avião colidiu contra o Pentágono, sede do
Departamento de Defesa americano, enquanto um quarto caiu em um campo aberto na
Pensilvânia. Os acidentes vitimaram mais de três mil pessoas. Depois que o terrorismo
chegou à maior potência mundial, a guerra ao terror foi decretada.

No final de 2015 vimos mais um episódio tomar conta dos noticiários internacionais: os
tiroteios que vitimaram a cidade de Paris, matando várias pessoas e deixando à flor da
pele a sensibilidade do presidente François Hollande que estava presente no Stade de
France durante as explosões e poderia ter se tornado uma daquelas várias vítimas do
terrorismo islâmico.

Aliás, o extremismo religioso não tem fronteiras e utiliza-se de verdadeiras técnicas


de guerra para vitimar um grande número de pessoas, dentre elas autoridades, para
chamar atenção para suas causas, para buscar respeito (é o que acreditam que vão
conseguir com essas atitudes), para buscar redenção espiritual.

Figura 3. Homem-bomba após detonação.

Fonte: <http://www.viaseg.com.br/artigos/seguranca_autoridades_vinicius.htm>.

Há que se atentar, ainda, para a possibilidade de atentados de origem química e/ou


biológica ou através do envio de bombas postais. Lembrem-se dos envios de antraz para
congressistas e personalidades americanas ocorridos em 2001.

Serviços secretos ou agências de inteligência

Embora as histórias de complôs que envolvem os serviços secretos e as agências de


inteligência estejam cercadas de sigilo, há verdade envolvida na ideia de que existem
casos em que esses órgãos têm participação nos crimes praticados contra autoridades.
39
UNIDADE I │ SEGURANÇA PRIVADA

O rei Hussein da Jordânia, por exemplo, antes de falecer, contava sobre 13 atentados
contra sua vida, a maioria deles orquestrados pelo serviço secreto egípcio. O primeiro
atentado ocorreu quando um carro real, idêntico ao dele, foi pego em uma emboscada.
Porém, ele não estava dentro e o Ministro que lá estava saiu ferido. O segundo evento
foi descoberto quando um empregado colocou algo nas gotas nasais que o rei usava
contra sinusite. Tempos depois gatos mortos nos terrenos do palácio denunciaram que
o cozinheiro estava envenenando a comida. Depois, teve que atuar com muita perícia
pilotando um avião para fugir de dois mísseis mandados pela República Árabe Unida20.

Fidel Castro, ex-presidente cubano, também foi alvo de duas tentativas de envenenamento
por parte de agências de inteligência norte americanas.

Vinícius Cavalcante, profissional de segurança, em seu site <viaseg.com.br> finaliza sua


explanação a respeito de segurança de autoridades com uma ressalva muito interessante.
Ele fala a respeito do comportamento de muitos seguranças que são vistos em eventos
sociais agindo forma muito próxima aos seus dignitários, como verdadeiros amigos, ou
em filas bancos aguardando para pagar contas dos patrões.

Ele explica que esse tipo de comportamento importa em desvio de função e demonstra
uma tendência do profissional em, ao invés de cumprir sua missão de garantir a segurança
do segurado, buscar garantir sua própria empregabilidade.

Vinícius fala, ainda, a respeito da necessidade da equipe de segurança poder se apoiar


em ambientes físicos seguros os quais possuam tecnologia que ofereça ferramentas as
quais auxiliem no processo de patrulhamento ostensivo e acionamento de avisos de
segurança, bem como comunicação rápida e eficaz.

É sobre isso que falaremos agora.

A tecnologia a serviço da segurança


Os vigilantes podem ter funções em diversos postos e cada um deles exige do profissional
uma atuação diferente. Em postos fixos, tais como guaritas ou salas de monitoramento
de imagens, o vigilante não pode se afastar e sua atenção precisa ser redobrada.

Sua observação deve ser muito criteriosa objetivando não ser pego de surpresa.
Dessa forma, ele não deve permitir aglomeração de pessoas em seu posto para que seu
foco não seja desviado.

O serviço de vigilância pode ser, também, de ronda. As rondas são atividades que visam
ao controle das instalações em geral, buscando observar possíveis anormalidades no
20 <http://www.viaseg.com.br/artigos/seguranca_autoridades_vinicius.htm>.

40
SEGURANÇA PRIVADA │ UNIDADE I

ambiente. A primeira ronda deve ser feita antes mesmo de assumir o posto e, se possível,
acompanhada da pessoa que está passando o posto naquela data.

De acordo com o artigo 13 da Portaria DPF no 387/2006, as rondas só podem ser internas
no interior das instalações e áreas periféricas, entre a área construída e as barreiras
perimetrais, nunca externas.

As rondas devem ter como foco de observação quaisquer atitudes suspeitas, e uma forma
eficiente de se fiscalizar é por meio da utilização de um check-list que não permitirá
esquecer de nenhum item a ser olhado durante o trabalho, lembrando que qualquer
discrepância deve ser anotada no livro de ocorrências e comunicada a quem é de direito,
para que as devidas providências possam ser tomadas.

Durante as rondas os vigilantes costumam utilizar um relógio-vigia (que faz o controle do


percurso e, posteriormente, emite relatórios), bastão eletrônico, sensores de presença,
terminais eletrônicos, revólveres calibre 32 ou 38, cassetete de madeira ou de borracha,
algemas, lanterna, rádio transceptor portátil, colete a prova de balas, entre outros.

Quando recebe o posto de serviço, o profissional precisa prestar bastante atenção e


cuidado, principalmente com os materiais controlados pela Polícia Federal e pelo
Comando do Exército, como armamentos, munições e coletes a prova de balas já que o
furto, o roubo ou o extravio de qualquer um desses materiais obriga a empresa contratante
a fazer um Boletim de Ocorrência, além de ter que comunicar imediatamente a Polícia
Federal, uma vez que é do dono ou do diretor da empresa a responsabilidade criminal
pela não comunicação, no prazo máximo de 24 horas, da ocorrência com qualquer
desses materiais.

Além disso, conforme falamos, nas instalações físicas o profissional precisa contar
com equipamentos que permitam que a sua atuação seja feita com maior segurança.
As medidas de segurança são obstáculos representados quer seja pela ação humana
quer por barreiras e equipamentos para neutralizar ou inibir as ações criminosas.
Dentre essas medidas estão:

Medidas estáticas

São barreiras e equipamentos tais como barreiras perimetrais, circuito fechado de


TV, sistemas de alarme, portas giratórias com detectores de metais (sobre as quais
já falamos anteriormente nesse estudo), clausuras (as quais antecedem a entrada de
veículos e pessoas, entre dois portões), aparelhos de controle de acesso por biometria
(impressão digital, íris) etc.
41
UNIDADE I │ SEGURANÇA PRIVADA

As barreiras visam delimitar a área geográfica, servir como um artefato psicológico


contra o crime, impedir ou retardar tentativas de invasões e canalizar as entradas e
saídas de pessoas, materiais e veículos.

As entradas permitidas são pontos fixos de segurança, as chamadas portarias, por onde
os vigilantes fiscalizam a entrada e saída das pessoas. Quando estiver praticando o
controle de acesso de pessoas, o profissional deve fazer uma inspeção visual buscando
memorizar ao máximo as características físicas das pessoas que costumeiramente
transitam pelo local.

Além disso, pessoas mal intencionadas podem ficar desencorajadas caso percebam
que tiveram suas feições observadas de perto. Não se deixar levar pelas aparências.
Muitas quadrilhas hoje são formadas por pessoas bem vestidas, mulheres bonitas, de
alto grau de instrução, que se vestem bem e, desta forma, conseguem acessar os locais
exatamente por não parecerem suspeitas.

Caberá ao vigilante, quando estiver controlando o acesso, colher a identificação


do visitante, mediante apresentação de documento oficial com foto, anunciá-lo ao
visitado, anotando o nome de quem o autorizou, devolver o documento ao visitante,
fazer o registro dos dados e cumprir as regras internas (o mesmo vale para o acesso de
mercadorias e veículos).

Para prevenir casos de espionagem, o vigilante deverá, ainda, atentar-se para que ninguém
saia com projetos, plantas ou equipamentos sem autorização e que nenhum visitante
entre com filmadoras ou máquinas fotográficas sem que tenha a devida permissão.

É comum, também, o desenvolvimento de centrais de monitoramento, para controle


de imagens das câmeras distribuídas nos pontos mais estratégicos como as portas
de entrada, garagens, saídas de emergência, refeitórios. Em ambientes comerciais as
câmeras precisam englobar áreas de caixas e linhas de produtos para evitar furtos de
mercadorias, por exemplo.

As soluções de segurança e vigilância eletrônica devem sempre ser projetadas de acordo


com a necessidade demandada e levantada pela equipe de segurança. Algumas das
opções oferecidas pelo mercado, conforme vimos, são:

»» CFTV (circuito fechado de TV): sistema de gerenciamento, visualização


e gravação de imagens, com opção de captação das imagens com câmera
IP produzindo imagens de excelente resolução, processamento próprio,
funções de detecção de movimento, alarme e compressão de vídeo.

»» Monitoramento e sistema de alarme: composto por painéis, sensores


internos, externos e perimetrais como, por exemplo, cercas elétricas.

42
SEGURANÇA PRIVADA │ UNIDADE I

Esse sistema tem seus componentes interligados para que, além de acionar
sirenes, enviem mensagens para a central de monitoramento da empresa
terceirizada contratada e, para que esta, por sua vez, acione os órgãos
competentes.

As cercas elétricas não oferecem risco à integridade física daqueles que a tocarem.
Elas são pulsativas, dão choques, causando, desta forma, efeito moral. Costumam ser
muito eficientes já que qualquer interrupção na força das correntes ou quebra nos fios
aciona, automaticamente, o alarme.

As imagens geradas pelo sistema de monitoramento podem ser visualizadas em tempo


real e podem, também, serem gravadas para resgate posterior caso surja necessidade
de buscar alguma informação que coloque em dúvida procedimentos, falhas ou que
cause desconfianças.

»» Sistema de detecção e alarme de incêndio: por meio de um sistema


inteligente, o qual detecta a localização do ponto de incêndio para que
a evacuação seja feita de forma rápida e garantida, essa ferramenta traz
um ganho imprescindível para a segurança pessoal e patrimonial de
uma empresa.

Medidas dinâmicas

Essas medidas dependem única e exclusivamente da atuação inteligente do vigilante


em ações como abordagem a distância, sinalização entre integrantes da equipe quando
suspeitar de alguém, efetuar uma vigilância sempre atenta e se posicionar sempre em
pontos estratégicos onde sua visão seja ampla e sua retaguarda esteja coberta, atuar
com inteligência emocional, mesmo em situações mais críticas de safety e security na
gestão em segurança privada.

43
ASPECTOS LEGAIS
DA GESTÃO EM UNIDADE II
SEGURANÇA PRIVADA

CAPÍTULO 1
Legislação Aplicada

Direito Constitucional
As primeiras orientações as serem seguidas em qualquer profissão e por qualquer um
de nós são os princípios fundamentais estabelecidos em nossa Constituição Federal, no
artigo 5o.

Já o preâmbulo estabelece que:

Art. 5o Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza,
garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a
inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e
à propriedade21.

Dessa forma, a segurança estabelece-se como um direito de todos, sem distinção,


garantido em nossa Carta Magna.

O inciso II versa a respeito do princípio da legalidade estabelecendo que ninguém será


obrigado a fazer ou deixar de fazer algo senão em virtude da lei. Sendo assim, deve-se
sempre agir conforme a legislação, e esse princípio implicará muitas vezes nos serviços
de segurança privada, pois, aliados ao princípio da legalidade, ainda estão o da ampla
defesa e do contraditório, que garantem que ninguém seja obrigado a produzir provas
contra si mesmo.

Sendo assim, muitos criminosos acabam se beneficiando por poderem ficar calados
em processos, ficando a palavra do vigia contra a do meliante. Por esse e muitos outros
motivos, as provas materiais se fazem extremamente necessárias.

21 <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm >.

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ASPECTOS LEGAIS DA GESTÃO EM SEGURANÇA PRIVADA │ UNIDADE II

O inciso X fala sobre a inviolabilidade da intimidade, da vida privada, da honra e da


imagem das pessoas, assegurando-as o direito à indenização pelo dano material causado
ou pelo dano moral advindo de sua violação.

Essa parte da legislação tem algumas implicações que se relacionam com o serviço
de segurança privada e o crime. Os crimes de invasão de domicílio e sequestro, por
exemplo, representam séria invasão da intimidade e da vida privada. A existência de
uma segurança eficiente inibe a ocorrência desse tipo de crime.

O outro lado da moeda é o cuidado que o estabelecimento de monitoramento por


câmeras em pontos estratégicos, por exemplo, não seja feito de forma invasiva de forma
a expor as pessoas e revelar suas intimidades. Um exemplo é a instalação de câmeras
em toaletes ou vestiários.

Esses exemplos acima já adentram a especificação do texto previsto pelo inciso XI sobre
a inviolabilidade do domicílio.

Conforme falamos antes, a casa é asilo inviolável. Para penetrá-la sem a autorização do
morador só se for em flagrante delito ou em caso de desastre, para prestação de socorro
ou, ainda, durante o dia, mediante determinação judicial.

Outro nível de inviolabilidade diz respeito à correspondência, prevista no inciso XII, o


qual também inclui as comunicações telegráficas, de dados e comunicações telefônicas,
a não ser quando por ordem judicial.

Para que o serviço de segurança possa, por exemplo, prevenir que uma autoridade
ou alguém sofra um atentado por uma carta-bomba ou por uma correspondência que
contenha alguma ameaça química ou biológica deve-se ter autorização expressa para
que o serviço seja responsável por uma inspeção prévia em toda a correspondência
recebida. Caso contrário, a ação será considerada crime de violação de correspondência,
passível de punição.

O inciso XIII fala a respeito da liberdade que toda pessoa tem de exercer qualquer
trabalho, ofício ou profissão e o XV defende que a locomoção, em território nacional,
é livre em tempos de paz, podendo qualquer nele entrar, permanecer ou dele sair com
seus bens.

Em relação à livre locomoção há que se observar que o texto se refere aos espaços
públicos abertos. No que tange aos estabelecimentos particulares, estes têm regras
específicas de acesso, as quais devem ser aplicadas pelos vigilantes e obedecidas pelos
moradores e visitantes, conforme vimos anteriormente.

45
UNIDADE II │ ASPECTOS LEGAIS DA GESTÃO EM SEGURANÇA PRIVADA

O inciso XVI estabelece que todos podem reunir-se, pacificamente, sem armas, em
locais abertos ao público, e o XVII explica que é plena a liberdade de associação para
fins lícitos podendo os vigilantes se associarem aos sindicatos de classe, quando assim
considerarem de interesse pessoal.

O inciso XXII garante o direito de propriedade e o inciso LXVIII o direito de habeas


corpus, o qual confere a qualquer um o direito de concessão de habeas corpus sempre
que sofrer ou se achar ameaçado de sofrer violência ou coação em sua liberdade de
locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder.

Os Direitos Constitucionais são os princípios básicos e estão na base da pirâmide do


conhecimento legal que os profissionais da área de segurança devem ter.

Direito Penal
O Direito Penal é o ramo do Direito mais específico, inerente às atividades ligadas às
práticas criminais. Não há como lidar com o crime sem conhecer o Direito Penal.

Vejamos, a seguir, alguns conceitos importantes22:

»» Crime: pode ser conceituado como toda ação ou omissão que fere o bem
protegido pela lei (a vida, o patrimônio e o direito).

»» Autoria: autor ou agente é aquele que realiza o crime. A autoria pode ser
material (quem executa) ou intelectual (quem planeja). Quem contribui
para causar o crime, também é considerado autor. Desta forma, os
partícipes também são considerados autores.

›› Autor mediato: quem realiza o tipo penal servindo-se de outrem como


instrumento.

›› Autor imediato: quem tem o poder de decisão sobre a realização do


fato.

»» Coautoria: todas as pessoas que colaboram, de alguma forma, para a


realização do crime. É importante que dividam o trabalho e que sejam
peças essenciais na realização do plano global.

»» Crime consumado: quando se obtém o resultado proposto.

»» Crime tentado: quando o plano é iniciado, porém, por circunstâncias


alheias à vontade do agente, o crime não se consuma.

»» Crime doloso: quando o agente quer ou assume o risco do resultado.


22 <http://www.pf.gov.br/servicos/seguranca-privada/legislacao-normas-e-orientacoes/manual-do-vigilante>.

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ASPECTOS LEGAIS DA GESTÃO EM SEGURANÇA PRIVADA │ UNIDADE II

»» Crime culposo: quando o agente não quer o resultado, mas age com
imprudência, imperícia ou negligência e acaba gerando o resultado.

»» Responsabilidade penal: são inimputáveis penais ou isentos de pena


os menors de 18 anos e os doentes mentais (artigos 26 e 27 do Código
Penal). Os doentes mentais que cometerem crimes serão encaminhados
aos manicômios judiciários e os menores de 18 anos serão levados a um
Centro de Atendimento Socioeducativo ao Adolescente.

»» Excludentes de ilicitude: segundo o artigo 23 do Código Penal (CP),


não há crime quando o agente o pratica em estado de necessidade (não
podem alegar estado de necessidade aqueles que têm dever legal de
enfrentar situações de perigo, por exemplo).

»» Legítima defesa: quando alguém utiliza-se moderadamente de meios


necessários para repelir injusta agressão, atual ou iminente, a direito seu
ou de terceiro, conforme determinação do artigo 25 do CP.

»» Estrito cumprimento do dever legal ou exercício regular do


direito: algumas profissões exigem ações violentas com emprego de
força e, às vezes, uso de armas letais. Exemplo de estrito cumprimento
do dever legal (fuzilamento do condenado); exemplo de exercício regular
do direito (lutador de boxe).

»» Homicídio simples: art. 121 CP – matar alguém. Pena: reclusão de 6 a


20 anos.

»» Homicídio qualificado: art. 121 § 2o CP – matar alguém mediante


promessa de recompensa, por motivo fútil, com emprego de veneno,
fogo, tortura ou traição. Pena: reclusão de 12 a 30 anos.

»» Lesão corporal: art. 129 CP – ofender integridade corporal ou a saúde


de alguém. Pena: detenção de 3 meses a 1 ano.

»» Furto: subtrair coisa alheia móvel. No furto simples não há emprego


de qualquer meio para conseguir o resultado. A pena é de reclusão de 1
a 4 anos. O furto é qualificado quando há destruição e rompimento de
obstáculo, emprego de chave falsa, abuso de confiança, concurso de duas
ou mais pessoas. A pena para esse tipo de crime é de 2 a 8 anos.

»» Roubo: art. 157 CP – diferente do furto, o roubo consiste na subtração de


coisa móvel mediante grave ameaça. A pena é de reclusão de 4 a 10 anos.
Quando qualificado, ou roubo emprega arma, utiliza-se de duas ou mais
pessoas e/ou a vítima está em serviço de transporte de valores e a situação

47
UNIDADE II │ ASPECTOS LEGAIS DA GESTÃO EM SEGURANÇA PRIVADA

é conhecida e prevista pelo agente. Nesse caso a pena é acrescida de


1/3 a 1/2.

»» Latrocínio: art. 157 – roubo seguido de morte. Pena: 20 a 30 anos de


reclusão.

»» Extorsão: art. 158 – contranger alguém com o emprego de violência


ou grave ameaça para se obter vantagem indevida. Pena: reclusão de 4
a 10 anos. Um exemplo de extorsão praticada em ruas é a exigência de
pagamento de taxas mensais de proteção para guardas vigilantes que
fazem rondas noturnas.

»» Estelionato: art. 171 – obter vantagem ilícita, em prejuízo alheio,


induzindo ou mantendo alguém em erro. Pena: reclusão de 1 a 5 anos.

»» Sequestro e cárcere privado: art. 148 – privar alguém de seu direito


fundamental de liberdade mediante sequestro e cárcere privado. Pena:
reclusão de 1 a 3 anos.

»» Constrangimento ilegal: art. 146 – constranger alguém com emprego


de violência, grave ameaça ou após ter-lhe diminuído a capacidade de
resistência para que fazer o que a lei proíbe ou algo que ela não manda.
Pena: detenção de 3 meses a 1 ano ou multa.

»» Ameaça: art. 147 – ameaçar alguém com palavras, por escrito ou por
gestos. Pena: detenção de 1 a 6 meses ou multa.

»» Violação de domicílio: art. 150 – entrar ou permanecer em domicílio


alheio sem autorização expressa ou tácita de quem de direito. Pena:
detenção de 1 a 3 meses ou multa.

»» Violação de correspondência: art. 151 – devassar, indevidamente, o


conteudo de correspondência destinada a terceiros. Pena: detenção de 1
a 6 meses ou multa.

»» Dano: art. 163 – destruir, inutilizar ou deteriorar coisa alheia. Pena:


detenção de 1 a 6 meses ou multa.

»» Apropriação indébita: art. 168 – apropriar-se de coisa móvel alheia


sob a qual tenha posse. Pena: reclusão de 1 a 4 anos e multa.

»» Receptação: art. 180 – adquirir, receber, conduzir, ocultar coisa que


sabe ser produto de crime ou influir para que alguém de boa fé a adquira,
receba ou oculte. Pena: reclusão de 1 a 4 anos e multa.

48
ASPECTOS LEGAIS DA GESTÃO EM SEGURANÇA PRIVADA │ UNIDADE II

»» Quadrilha ou bando: art. 288 – associação de mais de 3 pessoas para


cometer crimes. Pena: reclusão de 1 a 3 anos.

»» Resistência: art. 329 – oposição à execução de ato legal, mediante


violência ou ameaça a funcionário competente para executá-la ou a quem
lhe esteja prestando auxílio. Pena: detenção de 2 meses a 2 anos.

»» Desobediência: art. 330 – desobedecer a ordem legal de funcionário


público. Pena: detenção de 15 dias a 6 meses e multa.

»» Desacato: art. 331 – desacatar funcionário público quando em exercício


da sua função ou em razão dela. Pena: detenção de 6 meses a 2 anos ou multa.

»» Corrupção ativa: art. 333 – oferecer ou prometer vantagem indevida


para funcionário público para que este pratique, omita ou retarde ato de
ofício. Pena: reclusão de 1 a 8 anos e multa.

Lei Federal no 7.102, de 20 de junho de 1983 -


Segurança privada para estabelecimentos
financeiros
Adentrando na legislação mais específica referente ao negócio da segurança privada,
precisamos conhecer melhor a Lei no 7.102, sancionada em 20 de junho de 1983 pelo
então Presidente da República João Figueiredo.

A referida Lei dispõe sobre segurança para estabelecimentos financeiros, estabelece


normas para constituição e funcionamento das empresas particulares que exploram
serviços de vigilância e de transporte de valores, e dá outras providências.

O texto estabelece, já de início, a exigência sobre a qual falamos anteriormente:


estabelecimentos com guarda de valores ou movimentação de numerário devem ter
sistema de segurança. Naquele momento, a lei determinava que o sistema devesse ser
aprovado pelo Banco Central do Brasil.

Dentre esses estabelecimentos, estão incluídos os bancos oficiais ou privados, caixas


econômicas, sociedades de crédito, associações de poupança, suas agências, postos de
atendimento, subagências e seções, cooperativas singulares de crédito e respectivas
dependências.

Os requisitos de segurança relacionados às cooperativas singulares de crédito e


suas dependências poderão ser diferenciados em casos específicos, conforme
estabelecido pela legislação, vide texto abaixo: <http://www.planalto.gov.br/
ccivil_03/LEIS/L7102compilado.htm>.

49
UNIDADE II │ ASPECTOS LEGAIS DA GESTÃO EM SEGURANÇA PRIVADA

O sistema de segurança ao qual o texto se refere inclui vigilantes, alarmes e pelo menos
mais um dos seguintes dispositivos:

I. equipamentos elétricos, eletrônicos e de filmagens que possibilitem a


identificação dos assaltantes;

II. artefatos que retardem a ação dos criminosos, permitindo sua perseguição,
identificação ou captura; e

III. cabina blindada com permanência ininterrupta de vigilante durante o


expediente para o público e enquanto houver movimentação de numerário
no interior do estabelecimento.

Geralmente os bancos possuem mais de um desses. É de praxe vermos cabines, porém


sem blindagem completa, já que as cabines normalmente só possuem proteção na parte
da frente e câmeras por todos os lados.

A lei segue especificando que a vigilância ostensiva e o transporte de valores devem


ser feitos por empresa especializada ou pela própria instituição, quando esta tiver um
serviço de segurança próprio (sem especificar, ainda, a necessidade de preparação dessa
equipe). Quanto aos estabelecimentos financeiros estaduais e federais, estes podem ser
segurados pelas Polícias Militares, a critério do Governo local.

Esta Lei definia a necessidade de utilização de carro especial para o transporte de


numerário em montante superior a 500 vezes o maior valor de referência do País
(valores entre 200 e 500 vezes o valor de referência poderiam ser transportados em
carros comuns acompanhados de dois vigilantes).

Caberá ao Banco Central do Brasil, ou às Secretarias de Segurança Pública dos


respectivos estados e do Distrito Federal, quando assim designados por ele, fiscalizar o
cumprimento da lei bem como aplicar as penalidades cabíveis que variarão conforme a
condição econômica do infrator e o índice de reincidência em advertência, multa de 1 a
100 vezes o maior valor de referência até interdição do estabelecimento.

Cabe, ainda, ao Ministério da Justiça, por intermédio de seu órgão competente ou ainda
mediante convênio com as Secretarias de Segurança Pública:

I - conceder autorização para o funcionamento:

a) das empresas especializadas em serviços de vigilância;

b) das empresas especializadas em transporte de valores e

c) dos cursos de formação de vigilantes;

50
ASPECTOS LEGAIS DA GESTÃO EM SEGURANÇA PRIVADA │ UNIDADE II

II - fiscalizar as empresas e os cursos mencionados no inciso anterior;

III - aplicar às empresas e aos cursos a que se refere o inciso I deste


artigo as penalidades previstas no art. desta Lei;

IV - aprovar uniforme;

V - fixar o currículo dos cursos de formação de vigilantes;

VI - fixar o número de vigilantes das empresas especializadas em cada


unidade da Federação;

VII - fixar a natureza e a quantidade de armas de propriedade das


empresas especializadas e dos estabelecimentos financeiros;

VIII - autorizar a aquisição e a posse de armas e munições; e

IX - fiscalizar e controlar o armamento e a munição utilizados.

X - rever anualmente a autorização de funcionamento das empresas


elencadas no inciso I.

Referente às apólices de seguro, a legislação estabelece que as coberturas não podem


ser garantidas caso todos os requisitos de segurança sejam cumpridos e no caso de
emissão de apólices que infrinjam essa norma, as mesmas não terão cobertura pelo
Instituto de Resseguros do Brasil. Além disso, terão desconto em suas apólices aquelas
instituições que possuírem, além dos requisitos mínimos previstos em lei, outros meios
de proteção.

O artigo 10 lista as atividades envolvidas na prestação dos serviços de segurança


privada: vigilância patrimonial e de pessoas físicas (segurança pessoal), transporte de
valores ou a garantia no transporte de outras cargas (por meio de serviços de escolta,
por exemplo).

A Lei versa, ainda, a respeito dos requisitos para constituição das empresas especializadas
e para se tornar vigilante além de falar sobre as armas as quais os vigilantes podem
utilizar no cumprimento de suas funções, assuntos sobre os quais já falamos
anteriormente e, por esse motivo, não há necessidade de relatarmos novamente, pois já
temos conhecimento.

Vale, mais uma vez, lembrar que as armas utilizadas em todos os serviços de segurança
privada são de propriedade da empresa especializada ou das instituições financeiras
que contratam os serviços especializados, quando assim combinarem.

Ao vigilante é assegurado o direito de utilização de uniforme especial fornecido pela


empresa para a qual ele trabalhar (o uniforme só deve ser utilizado quando em efetivo
51
UNIDADE II │ ASPECTOS LEGAIS DA GESTÃO EM SEGURANÇA PRIVADA

serviço), porte de arma (enquanto em serviço), prisão especial (se decorrente de ato
praticado em serviço), seguro de vida em grupo, feito pela empregadora.

Lei Federal no 8.863, de 28 de março de 1994 –


Serviços de Segurança Privada
Sancionada pelo então Presidente da República Itamar Franco, a Lei no 8.863, de 28
de março de 1994, altera a Lei no 7.102, de 20 de junho de 1983, especificando que
as empresas especializadas podem, a partir de então, além de oferecer seus serviços
de segurança pessoal e de vigilância patrimonial às instituições financeiras e o
transporte de valores e de cargas, oferecer o serviço de segurança privada a pessoas,
estabelecimentos comerciais, industriais, residenciais, a entidades sem fins lucrativos e
órgãos e empresas públicas.

Além disso, a Lei especifica que essas empresas serão regidas tanto por essa legislação
quanto pelas legislações civil, comercial, trabalhista, previdenciária e penal.

Lei Federal no 9.017, de 30 de março de 1995 –


Controle e Fiscalização
Estabelece normas de controle e fiscalização sobre produtos e insumos químicos que
possam ser destinados à elaboração da cocaína em suas diversas formas e de outras
substâncias entorpecentes ou que determinem dependência física ou psíquica, e altera
dispositivos da Lei no 7.102, de 20 de junho de 1983.

Essa Lei Federal altera o artigo 1o fazendo com que os estabelecimentos financeiros
devessem ter sistema de segurança aprovado pelo Ministério da Justiça e não mais pelo
Banco Central do Brasil, conforme determinava a Lei no 7.102/1983.

O artigo 3o da Lei no 7.102/1983 é alterado exigindo dos estabelecimentos financeiros


que, caso optem por ter pessoal próprio para manutenção do serviço de vigilante, estes
sejam organizados, destacados e preparados para tal fim, mediante curso de formação
autorizado pelo Ministério da Justiça.

Além disso, ainda no artigo 3o, excluem-se os estabelecimentos federais de serem


segurados pelas Polícias Militares, provavelmente porque a Polícia Militar é uma
organização de âmbito estadual e que atua, inclusive, com verbas advindas do Governo
do Estado.

A partir desse momento ficou definido o valor de 20.000 UFIRs como limite para
transporte de valores em veículos comuns com dois vigilantes. A partir desse montante

52
ASPECTOS LEGAIS DA GESTÃO EM SEGURANÇA PRIVADA │ UNIDADE II

exige-se o transporte em veículo especial e presença de 4 vigilantes. Esses veículos


podem pertencer tanto ao estabelecimento financeiro quanto à empresa especializada.

A Lei no 9.017/1995 transfere ao Ministério da Justiça, o que antes era o poder do Banco
Central do Brasil, ou às Secretarias de Segurança Pública dos respectivos Estados e do
Distrito Federal, quando assim designados por ele, fiscalizar o cumprimento da lei bem
como aplicar as penalidades cabíveis que variarão conforme a condição econômica do
infrator e o índice de reincidência em advertência, multa de 1.000 a 20.000 UFIRs até
interdição do estabelecimento.

A Lei no 7.102/1983 estabelecia que o capital integralizado das empresas especializadas


não poderia ser inferior a 1.000 vezes o maior valor de referência vigente no país
enquanto a Lei no 9.017/1995 atualizou esse capital para 100.000 UFIRs.

A referida Lei define, ainda, que as competências estabelecidas nos artigos 1o, 6o e 7o
da Lei no 7.102/1983 ao Ministério da Justiça serão exercidas pelo Departamento de
Polícia Federal (DPF) e que esta instituição se utilizará da tabela que se segue para
cobrança dos serviços prestados com a finalidade de custear a manutenção de suas
atividades-fim:

Tabela 7.

SITUAÇÃO UFIR
1 - Vistoria das instalações de empresa de segurança privada ou de empresa que mantenha segurança própria 1.000
2 - Vistoria de veículos especiais de transporte de valores 600
3 - Renovação de certificados de segurança das instalações de empresa de segurança privada ou de empresa que mantenha segurança
440
própria

4 - Renovação de certificado de vistoria de veículos especiais de transporte de valores 150

5 - Autorização para empresa de armas, munições, explosivos e apetrechos de recarga 176

6 - Autorização para transporte de armas, munições, explosivos e apetrechos de recarga 100

7 - Alteração de Atos Constitutivos 176

8 - Autorização para mudança de modelo de uniforme 176

9 - Registro de Certificado de Formação de Vigilantes 05

10 - Expedição de alvará de funcionamento de empresa de segurança privada ou de empresa que mantenha segurança própria 835

11 - Expedição de alvará de funcionamento de escola de formação de vigilantes 500

12 - Expedição de Carteira de Vigilante 10

13 - Vistoria de estabelecimentos financeiros, exceto cooperativas singulares de crédito, por agência ou posto (Redação dada pela Lei no
1.000
11.718, de 2008)

14 - Recadastramento Nacional de Armas 17

15 - Vistoria de cooperativas singulares de crédito. (Incluído pela Lei no 11.718, de 2008) 300

Fonte: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9017.htm>.

53
UNIDADE II │ ASPECTOS LEGAIS DA GESTÃO EM SEGURANÇA PRIVADA

Decreto Federal no 89.056, de 24 de novembro


de 1983 – Autorização para funcionamento
Regulamenta a Lei no 7.102, de 20 de junho de 1983, e estabelece, dentre outras coisas, que
quando o estabelecimento financeiro for requerer autorização para seu funcionamento
esse deve juntar ao pedido o plano de segurança (o qual compreende os vigilantes, em
número adequado, o sistema de alarme e ao menos mais um dos dispositivos listados),
os projetos de construção, instalação e manutenção desses sistemas de alarme e dos
outros dispositivos de segurança instalados.

Caberá ao Banco Central do Brasil autorizar o funcionamento do estabelecimento


financeiro após parecer favorável da Secretaria de Segurança Pública da Unidade da
Federação onde estiver situado o estabelecimento caso esse atenda aos requisitos mínimos
de segurança, além de proceder ao menos uma fiscalização anual para verificação do
cumprimento das disposições relativas ao sistema de segurança.

O número mínimo de vigilantes para atendimento ao estabelecimento financeiro dependerá


das peculiaridades de cada estabelecimento, sua localização, área, instalações e encaixe.

Os veículos especiais deverão ser mantidos em perfeito estado de conservação e ser


periodicamente vistoriados pelos órgãos de trânsito e policial competentes e onde não
for possível a utilização de veículo especial, o Banco Central do Brasil poderá autorizar
o transporte de numerário por via aérea, fluvial ou outros meios, sempre acompanhado
de, no mínimo, dois vigilantes.

Além de ressaltar os requisitos mínimos para o exercício da profissão de vigilante, o


Decreto explicita, ainda, que o exame de sanidade física e mental e o exame psicotécnico
deverão ser realizados de acordo instruções do Ministério do Trabalho e que o exame de
saúde física e mental deverá sofrer revisão anual rigorosa.

A legislação em questão especifica que os cursos de formação de vigilantes somente


podem ser ministrados por instituições capacitadas e devidamente autorizadas para
essa finalidade.

As instalações físicas dos cursos devem ser seguras e adequadas, de uso exclusivo, para
treinamento teórico e prático dos candidatos. Quando o município onde o curso de
formação ocorrer não dispuser de estande de tiro pertencente às polícias militares ou
civis, será concedida autorização para a construção de um estande de tiro próprio nas
instalações do curso.

Somente farão a prova de avaliação final para formação no curso de vigilante aqueles
candidatos que tiverem frequência mínima de 90% da carga horária de cada disciplina.

54
ASPECTOS LEGAIS DA GESTÃO EM SEGURANÇA PRIVADA │ UNIDADE II

A avaliação final conterá exame teórico e prático e os candidatos aprovados receberão


um certificado nominal da instituição de ensino a qual cursaram.

O Decreto no 89.056/1983 nomeia a segurança de pessoas físicas como segurança pessoal


privada e a garantia do transporte de valores ou de outras cargas como escolta armada.

O texto listava, ainda, os documentos os quais deveriam ser apresentados ao Ministério


da Justiça quando do pedido de autorização para funcionamento das empresas
especializadas:

a) requerimento assinado pelo titular da empresa;

b) cópia ou certidão dos atos constitutivos devidamente registrados no


registro de pessoas jurídicas;

c) comprovante de inscrição nos órgãos administrativos federais


competentes;

d) modelo de uniforme especial de seus vigilantes;

e) cópia da carteira de identidade, CPF, título de eleitor e certificado de


reservista ou documento equivalente dos sócios-proprietários, diretores
e gerentes da empresa; e

f) prova de que os sócios-proprietários, diretores e gerentes da empresa


não tenham antecedentes criminais registrados.

Com relação ao uniforme, a legislação regulamenta que este deverá ser adequado às
condições climáticas do lugar onde o vigilante prestará serviço para que ele não seja
prejudicado no exercício de suas atividades. O uniforme deve conter um apito com cordão,
o emblema da empresa e uma plaqueta com a identificação do vigilante (contendo o nome,
número de registro na Delegacia Regional do Trabalho e fotografia 3x4 do vigilante e terá
validade de apenas 6 meses).

Na comunicação que deve ser feita à Secretaria de Segurança Pública da Unidade da


Federação onde a empresa especializada está situada quando iniciarem suas operações,
devem constar os seguintes documentos:

I - cópia do instrumento de autorização para funcionamento;

II - cópia dos atos construtivos da empresa;

III - nome, qualificação e endereço atualizado dos sócios-proprietários,


diretores e gerentes da empresa; bem como dos responsáveis pelo
armamento e munição;

55
UNIDADE II │ ASPECTOS LEGAIS DA GESTÃO EM SEGURANÇA PRIVADA

IV - relação atualizada dos vigilantes e demais funcionários;

V - endereço da sede, escritório e demais instalações da empresa;

VI - especificações do uniforme especial aprovado para uso dos vigilantes;

VII - relação pormenorizada das armas e munições de propriedade e


responsabilidade da empresa;

VIII - relação dos veículos especiais, no caso de empresa especializada


em transporte de valores (o Decreto no 1.592/1995 incluiu nesse
inciso as empresas que executam os serviços orgânicos de transporte
de valores);

IX - relação dos estabelecimentos aos quais são prestados serviços de


vigilância ou de transporte de valores; e

X - outras informações, a critério da respectiva Secretaria de Segurança


Pública.

Em caso de paralisação ou extinção da empresa especializada ou do curso de formação


de vigilantes ou do estabelecimento financeiro, o armamento e as munições serão
recolhidos ao Ministério da Justiça para custódia (aqui, também, o Decreto no 1.592/1995
inclui as empresas executantes de serviços orgânicos de segurança).

O Ministério da Justiça terá um prazo de 30 dias para encaminhar ao Serviço de


Fiscalização de Produtos Controlados Regional (SFPC) do Ministério do Exército, os
seguintes dados:

I - nome dos responsáveis;

II - números máximo e mínimo de vigilantes com que opera ou está


autorizada a operar;

III - quantidade de armas que possui ou está autorizada a possuir e


respectiva dotação de munição;

IV - qualquer alteração na quantidade de armas a que se refere o item


anterior;

V - certificado de segurança para guarda de armas e munições;

VI - transferência de armas e munições de uma para outra unidade da


Federação; e

VII - paralisação ou extinção de empresas especializadas e de serviços


de segurança.

56
ASPECTOS LEGAIS DA GESTÃO EM SEGURANÇA PRIVADA │ UNIDADE II

Para finalizar, o texto ressalta que as apólices de seguro contra furto e roubo não devem ser
emitidas quando não comprovados os requisitos de segurança exigidos. Caso contrário,
essas não terão cobertura pelo Instituto de Resseguros do Brasil. Além disso, relembra
que os segurados que possuírem mais meios de resguardar sua segurança receberão
descontos em suas apólices.

Esses descontos constarão das tarifas dos seguros aprovados pela SUSEP (Superintendência
de Seguros Privados) e enquanto os descontos não forem incluídos nas tarifas, as
seguradoras deverão oferecer tratamento privilegiado aos segurados que dispuserem
de meios de proteção além dos mínimos exigidos por lei.

Decreto Federal no 1.592, de 10 de agosto de


1995 – Serviços Orgânicos de
Segurança Privada
Altera dispositivos do Decreto no 89.056, de 24 de novembro de 1983 incluindo,
principalmente, os serviços orgânicos de segurança privada, conforme falamos no
subcapítulo anterior.

As empresas que tenham outros objetivos que não a vigilância ostensiva e o transporte de
valor, porém que utilizem de pessoal próprio para fazer essas atividades, denominam-se
executoras de serviço de segurança orgânica. A lei determina que estas empresas ficam
obrigadas ao cumprimento desta e das demais legislações vigentes: legislações civil,
comercial, trabalhista, previdenciária e penal.

Os serviços de segurança orgânica não podem ser comercializados, conforme estabelece


a lei.

Esse Decreto, em específico, regulamenta os pedidos de autorização para o exercício


das atividades de segurança pessoal privada e escolta armada, definindo que, nesses
casos, deve-se apresentar, ao Ministério da Justiça:

»» comprovante de funcionamento nas atividades de vigilância ou transporte


de valores, há pelo menos um ano; e

»» prova de que a empresa e suas filiais estão em dia com as obrigações


fiscais, com as contribuições previdenciárias e com o FGTS (Fundo de
Garantia por Tempo de Serviço).

As exigências feitas ao estabelecimento de serviços de segurança orgânica são,


basicamente, as mesmas feitas às empresas especializadas.

57
UNIDADE II │ ASPECTOS LEGAIS DA GESTÃO EM SEGURANÇA PRIVADA

Será requerida revisão anual das autorizações de funcionamento das empresas


especializadas e dos serviços orgânicos de segurança, mediante a apresentação de
alguns documentos:

a) comprovante de quitação das penas pecuniárias que tenham sido


aplicadas à empresa por transgressões às normas que regulamentam a
atividade;

b) Certidão Negativa quanto à Dívida Ativa da União, Estado e Município;

c) comprovante de recolhimento previdenciário e do FGTS;

d) Certificado de Segurança atualizado;

e) prova de que os sócios-proprietários, diretores e gerentes da empresa


de segurança privada não tenham condenação criminal registrada; e

f) prova de que os sócios-proprietários, diretores e gerentes da empresa


que executa serviços orgânicos e de que os responsáveis pelo seu setor
de segurança não tenham condenação criminal registrada.

O texto da norma define que para o desempenho das atividades de segurança pessoal
privada e escolta armada, não basta apenas ter o curso de formação de vigilante.
O profissional deve, ainda, preencher alguns requisitos extras, tais como:

a) possuir experiência mínima, comprovada, de um ano na atividade de


vigilância;

b) ter comportamento social e funcional irrepreensível;

c) ter sido selecionado, observando-se a natureza especial do serviço;

d) portar credencial funcional, fornecida pela empresa, nos moldes


fixados pelo Ministério da Justiça; e

e) frequentar os cursos de reciclagem, com aproveitamento, a cada


período de dois anos, a contar do curso de extensão.

Portaria da Diretoria Geral do Departamento


de Polícia Federal-DG/DPF no 346, de 3 de
agosto de 2006 - GESP
Institui o GESP (Sistema de Gestão Eletrônica de Segurança Privada) e dá outras
providências.

58
ASPECTOS LEGAIS DA GESTÃO EM SEGURANÇA PRIVADA │ UNIDADE II

O GESP tem o objetivo de informatizar os processos administrativos relativos à


segurança privada em todo o território nacional. Por meio dele, serão recebidos e
processados os cadastros, as atualizações e as solicitações das empresas de segurança
privada pelas DELESPs e Comissões de Vistoria do DPF.

A Portaria esclarece a responsabilidade de cada um dos órgãos internos da DPF


no processo:

»» Coordenação-Geral de Controle de Segurança Privada (CGCSP):


responsável pela regulação, coordenação, controle e fiscalização das
atividades de segurança privada, assim como pelas atividades desenvolvidas
pelas DELESPs e CVs.

»» Delegacia de Controle de Segurança Privada (DELESP): unidade


regional, ligada a uma Superintendência Regional, responsável pelo
controle e fiscalização das atividades de segurança privada em sua área.

»» Comissão de Vistoria (CV): unidade vinculada a uma Delegacia de


Polícia Federal descentralizada, responsável pelo controle e fiscalização
das atividades de segurança privada em sua circunscrição.

»» Coordenação de Tecnologia da Informação (CTI): responsável


pela infraestrutura tecnológica e sistemas de informação do DPF.

Além disso, esclarece algumas terminologias importantes para acompanhamento dos


processos, tais como:

»» Programa Gerador de Demanda (PGD): módulo do GESP que


constitui o programa de geração, envio e recepção de dados, documentos
eletrônicos ou imagens para a base de dados do DPF de forma sistemática.

»» Módulo de Críticas: responsável por realizar críticas e validações nos


dados dos processos enviados pelas empresas.

»» Modulo de Trabalho (Workflow): controla o fluxo de processos


enviados ao DPF.

»» Sistema Nacional de Segurança e Vigilância Privada (SISVIP):


sistema, interligado ao GESP, responsável pelo armazenamento e acesso
de dados e informações.

»» Sistema de Vigilância e Segurança Privada (SISEV): programa


utilizado pelas empresas de segurança privada para manutenção e
atualização de dados junto ao DPF.

59
UNIDADE II │ ASPECTOS LEGAIS DA GESTÃO EM SEGURANÇA PRIVADA

A Portaria estabelece que os dados transferidos pelo PGD deverão ser digitalizados e
que, para essa finalidade, as empresas devem possuir certificação digital, vinculada
a um dos sócios da empresa ou a um empregado por ele designado, fornecida por
autoridade certificadora integrante da Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileiras
– ICP – Brasil.

Todo o procedimento será feito eletronicamente, devendo a empresa ter pessoal


capacitado para operar o sistema e comprometido a consultá-lo sempre, uma vez que
todas as comunicações e demandas também serão feitas por meio dele. Inclusive os
alvarás serão expedidos eletronicamente e deverão ter sua autenticidade confirmada
na página eletrônica do DPF.

Portaria da Coordenadoria Geral de Controle


de Segurança Privada do Departamento de
Polícia Federal - CGCSP no 30.544, de 19 de
fevereiro de 2013 – Expedição da CNV
Dispõe sobre a forma e o prazo de prorrogação da validade do protocolo de requerimento
de expedição da Carteira Nacional de Vigilante.

A Portaria estabelece que os requerimentos devem ser formulados, por escrito,


pelas empresas especializadas, pelos sindicatos de classe ou pelo próprio vigilante e
protocolados em qualquer unidade da PF, dirigidos à Delesp ou CV do local onde a
empresa estiver instalada. Os requerimentos podem também ser feitos pessoalmente
pelo vigilante interessado.

O prazo para requerimento da prorrogação da CNV iniciará 15 dias antes de seu


vencimento. Ocorrendo após o vencimento haverá incidência de infração.

Entre no site do Departamento de Polícia Federal e conheça outras Portarias


que dispõem sobre outras matérias concernentes a, por exemplo, Curso de
Instrutor em Segurança para Grandes Eventos; novos modelos e forma de
confecção, controle e emissão de Certificado de Segurança, Aprovação de Plano
de Segurança, Certificado de Vistoria e de Guia de Autorização de Transporte
de Armas, Munições e Apetrechos de Recarga; Normas relacionadas à forma de
emprego dos meios de comunicação entre as empresas de segurança privada
e seus veículos, e entre os vigilantes que atuam na atividade de transporte de
valores. Disponível em: <http://www.pf.gov.br/servicos/seguranca-privada/
legislacao-normas-e-orientacoes/portarias/2013>.

60
ASPECTOS LEGAIS DA GESTÃO EM SEGURANÇA PRIVADA │ UNIDADE II

Portaria da Diretoria Geral do Departamento


de Polícia Federal-DG/DPF no 3.233/2012, de
10 de dezembro de 2012 – Atividades de
Segurança Privada
Dispõe sobre as normas relacionadas às atividades de Segurança Privada. Essa Portaria
é a mais completa de todas, tendo, no total, 219 páginas de texto.

Nas disposições preliminares, o texto estabelece como finalidade da política de


segurança privada, o seguinte23:

I - dignidade da pessoa humana;

II - segurança dos cidadãos;

III - prevenção de eventos danosos e diminuição de seus efeitos;

IV - aprimoramento técnico dos profissionais de segurança privada; e

V - estímulo ao crescimento das empresas que atuam no setor.

Aqui são especificadas mais detalhadamente as atribuições de cada órgão que compõe
a Coordenação-Geral de Controle de Segurança Privada (CGCSP).

A Portaria, então, estabelece os requisitos mínimos para a abertura de cada uma das
especialidades de empresa de segurança privada. A primeira delas é a de Vigilância
Patrimonial. Para essas os requisitos são:

I - possuir capital social integralizado mínimo de 100.000 (cem mil)


UFIR;

II - provar que os sócios, administradores, diretores e gerentes da empresa


de segurança privada não tenham condenação criminal registrada;

III - contratar, e manter sob contrato, o mínimo de quinze vigilantes,


devidamente habilitados;

IV - comprovar a posse ou a propriedade de, no mínimo, um veículo


comum, com sistema de comunicação ininterrupta com a sede da
empresa em cada unidade da federação em que estiver autorizada;

V - possuir instalações físicas adequadas, comprovadas mediante


certificado de segurança, observando-se:

23 <http://www.pf.gov.br/servicos/seguranca-privada/legislacao-normas-e-orientacoes/portarias/Portaria%20n3233.12.DG-
DPF.pdf/view>.

61
UNIDADE II │ ASPECTOS LEGAIS DA GESTÃO EM SEGURANÇA PRIVADA

a) uso e acesso exclusivos ao estabelecimento, separado das instalações


físicas de outros estabelecimentos e atividades estranhas às atividades
autorizadas;

b) dependências destinadas ao setor administrativo;

c) dependências destinadas ao setor operacional, dotado de sistema de


comunicação;

d) local seguro e adequado para a guarda de armas e munições,


construído em alvenaria, sob laje, com um único acesso, com porta de
ferro ou de madeira reforçada com grade de ferro, dotada de fechadura
especial, além de sistema de combate a incêndio nas proximidades da
porta de acesso;

e) vigilância patrimonial ou equipamentos elétricos, eletrônicos ou de


filmagem, funcionando ininterruptamente; e

f) garagem ou estacionamento para os veículos usados na atividade


armada.

VI - contratar seguro de vida coletivo.

Para autorização de funcionamento das atividades de qualquer uma das atividades de


segurança privada, as instalações físicas devem obter aprovação por parte do Delegado
Regional Executivo (DREX), após vistoria da Delesp ou da CV e recolhimento da
referida taxa de vistoria.

Com a aprovação da vistoria, será emitido um certificado de segurança, o qual valerá


revisão de autorização.

Para autorização de funcionamento das empresas de vigilância patrimonial o


requerimento deve ser encaminhado à CGCSP, anexando-se os seguintes documentos:

I - cópia ou certidão dos atos constitutivos e alterações posteriores,


registrados na Junta Comercial ou Cartório de Pessoa Jurídica;

II - comprovante de inscrição nos órgãos fazendários federal, estadual


e municipal;

III - balanço ou balancete, assinado por contador ou técnico em


contabilidade, que comprove a integralização do capital social em no
mínimo 100.000 (cem mil) UFIR, juntamente com os documentos em
nome da empresa que comprovem a efetiva integralização dos bens
ou recursos, como notas fiscais e documentos de propriedade de bens

62
ASPECTOS LEGAIS DA GESTÃO EM SEGURANÇA PRIVADA │ UNIDADE II

móveis, emitidos por órgãos competentes, escrituras de imóveis e


comprovantes de saldo bancário;

IV - cópia da Carteira de Identidade, inscrição no Cadastro de Pessoas


Físicas - CPF, Título de Eleitor e Certificado de Reservista dos
administradores, diretores, gerentes e sócios;

V - certidões negativas de registros criminais expedidas pelas Justiças


Federal, Estadual e Militar dos Estados e da União, onde houver,
e Eleitoral, relativamente aos sócios, administradores, diretores e
gerentes, das unidades da federação onde mantenham domicílio e
pretendam constituir a empresa;

VI - memorial descritivo do uniforme dos vigilantes, mencionando apito


com cordão, nome e logotipo da empresa, plaqueta de identificação,
acompanhado de fotografias coloridas, de corpo inteiro de frente do
vigilante devidamente fardado;

VII - declaração das Forças Armadas, dos órgãos de segurança pública


federal e estadual, e das guardas municipais ou das Delesp ou CV,
informando que o modelo de uniforme apresentado não é semelhante
aos utilizados por aquelas instituições;

VIII - fotografias das instalações físicas da empresa, em especial da


fachada, demonstrando o nome e a logomarca da empresa e o local de
guarda de armas e munições;

IX - cópia do documento de posse ou propriedade de, no mínimo, um


veículo comum para uso exclusivo da empresa, dotado de sistema de
comunicação, identificado e padronizado, contendo nome e logotipo
da empresa;

X - fotografias coloridas da parte da frente, lateral e traseira do veículo,


demonstrando o nome e logomarca da empresa;

XI - autorização para utilização de frequência de rádio concedida pelo


órgão competente ou contrato com prestadora de serviço; e

XII - comprovante de recolhimento da taxa de expedição de alvará


de funcionamento da empresa de segurança, salvo na hipótese de
autorização para nova atividade, nos termos do art. 147, § 5o.

Estabelece, também, que deverão ser ouvidos os sócios ou proprietários para compreender
as atividades econômicas que esses exerciam anteriormente, eventuais participações em

63
UNIDADE II │ ASPECTOS LEGAIS DA GESTÃO EM SEGURANÇA PRIVADA

empresas de segurança privada, existência de dívida fiscal, tributária, trabalhista ou em


cartório de protesto de títulos e quaisquer outros esclarecimentos que se façam úteis
ao processo.

Define-se como atividade de vigilância patrimonial em grandes eventos aqueles


realizados em estádios, ginásios ou quaisquer outros eventos com público superior
a três mil pessoas. Esses eventos deverão contar com serviço prestado por vigilantes
especialmente habilitados.

Já o requisito para a autorização de funcionamento de empresas de transporte de


valores será:

I - possuir capital social integralizado mínimo de 100.000 (cem mil)


UFIR;

II - prova de que os sócios, administradores, diretores e gerentes da


empresa de segurança privada não tenham condenação criminal
registrada;

III - contratar, e manter sob contrato, o mínimo de dezesseis vigilantes


com extensão em transporte de valores;

IV - comprovar a posse ou propriedade de, no mínimo, dois veículos


especiais;

V - possuir instalações físicas adequadas, comprovadas mediante


certificado de segurança, observando-se:

a) uso e acesso exclusivos ao estabelecimento, separado das instalações


físicas de outros estabelecimentos e atividades estranhas às atividades
autorizadas;

b) dependências destinadas ao setor administrativo;

c) dependências destinadas ao setor operacional, dotado de sistema de


comunicação;

d) local seguro e adequado para a guarda de armas e munições,


construído em alvenaria, sob laje, com um único acesso, com porta de
ferro ou de madeira, reforçada com grade de ferro, dotada de fechadura
especial, além de sistema de combate a incêndio nas proximidades da
porta de acesso;

e) garagem exclusiva para, no mínimo, dois veículos especiais de


transporte de valores;

64
ASPECTOS LEGAIS DA GESTÃO EM SEGURANÇA PRIVADA │ UNIDADE II

f) cofre para guarda de valores e numerários com dispositivos de


segurança;

g) alarme capaz de permitir, com rapidez e segurança, comunicação


com órgão policial próximo ou empresa de segurança privada;

h) vigilância patrimonial e equipamentos elétricos, eletrônicos ou de


filmagem, funcionando ininterruptamente; e

i) sistema de comunicação próprio, que permita a comunicação


ininterrupta entre seus veículos e a sede da empresa em cada unidade
da federação em que estiver autorizada; e

VI - contratar seguro de vida coletivo.

Deverá haver, ainda, sistema de comunicação disponibilizado aos vigilantes que


componham uma equipe para utilização durante deslocamento externo.

Os veículos especiais também deverão ser vistoriados pela Delesp ou CV, mediante
requerimento e anexando-se cópia do documento que comprove a posse ou a propriedade
do veículo, as cópias dos certificados de conformidade, cópia da documentação que
comprove a regularidade desses junto ao órgão de trânsito competente e o comprovante
de recolhimento da taxa de vistoria.

A legislação estabelece os parâmetros de segurança mínimos para confecção desses


carros especiais como, por exemplo, o tipo de blindagem a ser instalada em cada parte
do veículo, fechaduras, sistema de comunicação, dentre outros requisitos.

Para a atividade de escolta armada será necessário preencher alguns requisitos,


conforme já falamos anteriormente. Ademais, há que se contratar e manter sob contrato
um número mínimo de 8 vigilantes que tenham curso de extensão em escolta armada
e experiência mínima de um ano nas atividades de vigilância ou transporte de valores,
além de ter que comprovar a posse ou propriedade de, no mínimo, dois veículos.

Para autorização dessas atividades, deverá ser feito requerimento à CGCSP, anexando-
se os seguintes documentos:

I - relação atualizada dos empregados, das armas, das munições e dos


veículos utilizados;

II - memorial descritivo do uniforme dos vigilantes, mencionando apito


com cordão, nome e logotipo da empresa, plaqueta de identificação,
acompanhado de fotografias coloridas de corpo inteiro de frente e
costas do vigilante devidamente fardado;

65
UNIDADE II │ ASPECTOS LEGAIS DA GESTÃO EM SEGURANÇA PRIVADA

III - declaração das Forças Armadas, dos órgãos de segurança pública


federais e estaduais e das guardas municipais ou das Delesp e CV,
informando que o modelo de uniforme apresentado não é semelhante
aos utilizados por aquelas instituições;

IV - cópia dos documentos de posse ou propriedade de, no mínimo, dois


veículos de escolta para uso exclusivo da empresa, dotados de sistema
de comunicação, identificados e padronizados na forma do art. 63,
inciso III, alínea “c”;

V - fotografias coloridas das partes da frente, lateral e traseira do veículo;

VI - autorização para utilização de frequência concedida pelo órgão


competente ou contrato com prestadora de serviço;

VII - comprovante da contratação de seguro de vida dos vigilantes;

VIII - comprovante de quitação das penas de multa eventualmente


aplicadas à empresa por infração administrativa aos dispositivos desta
Portaria; e

IX - comprovante de recolhimento da taxa de alteração de atos


constitutivos.

Já para autorização na atividade de segurança pessoal, além do requerimento ao CGCSP


deve-se encaminhar a seguinte documentação:

I - relação atualizada dos empregados, das armas, das munições e dos


veículos utilizados;

II - comprovante da contratação de seguro de vida dos vigilantes;

III - comprovante de quitação das penas de multa eventualmente


aplicadas à empresa por infração administrativa aos dispositivos desta
Portaria; e

IV - comprovante de recolhimento da taxa de alteração de atos


constitutivos.

Em relação aos produtos controlados e acessórios a lei estabelece que, em caráter


excepcional, podem ser autorizadas a aquisição e uso de outras armas e equipamentos,
considerando-se as características estratégicas de sua atividade ou sua relevância para
o interesse nacional.

Já sabemos que, quando em serviço, os vigilantes podem utilizar revólver de calibre 32


ou 38, espingardas de fabricação nacional calibres 12, 16 ou 20, cassetete de madeira ou

66
ASPECTOS LEGAIS DA GESTÃO EM SEGURANÇA PRIVADA │ UNIDADE II

de borracha. Porém, a lei determina, ainda, que as empresas de transporte de valores e


as que exercerem escolta armada poderão, também, dotar seus vigilantes de carabina
de repetição calibre 38 e pistolas semiautomáticas calibre .380 e 7,65 mm.

As empresas que exercerem a atividade de segurança pessoal podem utilizar-se de todas


essas armas, exceto a carabina de repetição calibre 38. Os cursos de formação poderão
adquirir todas elas e as empresas de segurança patrimonial e as que possuem serviço
orgânico de segurança poderão, excepcionalmente, adquirir as carabinas.

As empresas de transporte de valores deverão e as demais poderão dotar seus vigilantes


de coletes de proteção balística, observando-se a regulamentação específica do Comando
do Exército.

Cada veículo de transporte de valores ou de escolta armada deve trazer uma arma curta
para cada vigilante e, no mínimo, uma longa para cada 2 integrantes da guarnição.

Poderão, ainda, ser adquiridas armas e munição não letais e outros produtos controlados,
classificados como de uso restrito, para utilização de acordo com a atividade de
segurança exercida.

Para as atividades de segurança pessoal e vigilância patrimonial, poderão ser adquiridas


as seguintes armas e munições não letais de curta distância (até dez metros):

I - espargidor de agente químico lacrimogêneo (CS ou OC) de até 70g,


em solução (líquido), espuma ou gel; e

II - arma de choque elétrico de contato direto e de lançamento de dardos


energizados.

Já para as atividades de transporte de valores e escolta armada, as armas, agora de média


distância (até 50 metros) e outros produtos controlados que podem ser adquiridos são:

I - espargidor de agente químico lacrimogêneo (CS ou OC) de até 70g,


em solução (líquido), espuma ou gel e outras substâncias de utilização
similar, autorizadas por portaria do Coordenador-Geral de Controle
de Segurança Privada, desde que seu uso na atividade de segurança
privada seja permitido pelo Exército Brasileiro ou órgão competente;

II - arma de choque elétrico de contato direto e de lançamento de dardos


energizados;

III - granadas fumígenas lacrimogêneas (CS ou OC) e fumígenas de


sinalização;

67
UNIDADE II │ ASPECTOS LEGAIS DA GESTÃO EM SEGURANÇA PRIVADA

IV - munição no calibre 12 lacrimogêneas de jato direto;

V - munição no calibre 12 com projéteis de borracha ou plástico;

VI - lançador de munição não letal no calibre 12;

VII - máscara de proteção respiratória modelo facial completo; e

VIII - filtros com proteção contra gases e aerodispersoides químicos e


biológicos.

O uso de armas não letais exige do vigilante formação em curso de extensão específico.

Nesse momento, há que se fazer parênteses a respeito da utilização da arma de fogo


como último recurso. Há uma polêmica a respeito do emprego da força e do uso dos
armamentos letais já que apesar da finalidade dos serviços de segurança ser de evitar
ou minimizar os crimes, há, também, toda aquela proteção constitucional sobre a qual
falamos no início desse capítulo para TODOS, incluindo os bandidos. Dessa forma,
mesmo os criminosos, na prática de seus delitos, têm assegurados o direto à vida.

Porém, sabe-se que os serviços de segurança têm autorização para utilização de


armas exatamente porque cabe a eles a garantia da paz social e a garantia dos direitos
fundamentais de todos os cidadãos, principalmente os que precisam de seus serviços
para viver em segurança, liberdade, ter seus direitos observados (inviolabilidade de
domicílio, de correspondência, da vida, entre outros).

Dessa forma, o exercício do poder desses profissionais está limitado à observação de que
eles devem sim, cumprir suas funções conforme estipuladas em legislação e de acordo
com os treinamentos oferecidos, porém, não podem fazer uso impróprio da força física
e de armas de fogo de forma a violar os direitos à vida e dignidade da pessoa humana.

Utilizando-nos dos Princípios Básicos sobre o Uso da Força e das Armas de Fogo por
agentes da Lei adotado pela ONU (Organização das Nações Unidas) em 1990, em suma
temos que:

Os agentes da Lei não usarão armas de fogo contra pessoas, exceto


em defesa própria ou em defesa de outras contra ameaça iminente de
morte ou ferimentos graves, para prevenir a ocorrência de um crime
particularmente grave que envolva séria ameaça à vida ou para prender
uma pessoa que apresente este perigo e que resista à sua autoridade,
ou para evitar sua fuga e apenas quando meios menos extremos
sejam insuficientes para conseguir estes objetivos24.

24 <http://www.ouvidoria-policia.sp.gov.br/pages/UsoForLetal.htm>.

68
ASPECTOS LEGAIS DA GESTÃO EM SEGURANÇA PRIVADA │ UNIDADE II

Deve-se, prioritariamente, aplicar meios não violentos para tentar evitar ou neutralizar
as ações criminosas antes de fazerem uso da força ou de armas de fogo. Sendo assim,
se possível, devem utilizar-se de artefatos como gás lacrimogêneo, balas de borracha e
escudos, por exemplo.

As armas não letais são projetadas para incapacitar pessoas ou materiais durante um curto
espaço de tempo não causando, dessa forma, morte ou ferimentos graves e permanentes.
Dessa forma, essas armas permitem a neutralização do indivíduo facilitando a ação da
equipe de segurança.

Conheçamos um pouco a respeito das armas não letais mais utilizadas no Brasil25:

»» Granada de gás lacrimogêneo: apelidada de bailarina, após lançada


a granada salta aleatoriamente e seu efeito inicia-se de 3 a 10 segundos.
O gás causa lacrimejamento intenso, espirros, irritação na pele, mucosas
e sistema respiratório. Com tecnologia 100% brasileira, essa é a arma
mais utilizada no combate à criminalidade e no controle de distúrbios.
Só deve ser lançada em locais arejados.

»» Spray de pimenta: substância natural à base de pimenta, o spray


de pimenta pode ser utilizado tanto em ambientes abertos quanto em
ambientes fechados. Além de ser usada para combater a criminalidade e
dispersar tumultos, essa ferramenta é bastante empregada como técnica
de defesa pessoal.

»» Projétil de borracha (bala de borracha): provocando hematomas e


dores fortes, essas munições podem ser disparadas contra uma ou mais
pessoas com a finalidade de deter ou dispersar infratores.

»» Lanterna 3 em 1: essa lanterna cega momentaneamente o suspeito,


além de possuir mira a laser para dar impressão de se tratar de uma arma
letal. Além disso, possui spray de pimenta interno.

»» Taser: essas armas são chamadas de “armas da vida”. Na realidade são


armas de eletrochoque as quais aplicam uma descarga elétrica de alta
tensão que imobiliza a pessoa. Funcionando pelo princípio de interrupção
elétrica intramuscular, a descarga age direto no sistema nervoso central
(SNC), fazendo com que a vítima imobilizada fique em posição fetal.
Porém, há alguns registros de mortes causadas pela utilização dessa arma
e, por esse motivo, alguns especialistas têm preferido classifica-la como
arma de baixa-letalidade.

25 <http://www.pf.gov.br/servicos/seguranca-privada/legislacao-normas-e-orientacoes/manual-do-vigilante>.

69
UNIDADE II │ ASPECTOS LEGAIS DA GESTÃO EM SEGURANÇA PRIVADA

Figura 4. Taser.

Fonte: <http://www.analisislibre.org/500-muertes-en-eeuu-por-el-uso-policial-de-armas-taser/>.

Relembrando o estudo publicado pelo UNODC, apesar da população viver em sensação


de insegurança e abominar a prática de crimes, o referido estudo revela que uma pesquisa
direcionada à população com a máxima “bandido bom, é bandido morto” divide a
opinião pública.

Figura 5. Concordância, em percentual (%), com a frase “bandido bom, é bandido morto”.

Concorda

Não concorda, nem


discorda
45 50
Discorda

Não sabe

3
Fonte: <http://www.unodc.org/documents/lpo-brazil//Topics_crime/Dados/Numero_e_taxa_de_homicidios_no_Brasil_PT.pdf>.

Olhando esse dado por outros dois ângulos, veremos que a região Sul do país é a
que mais concorda com a frase, enquanto as outras mantêm dados iguais e que as
famílias com renda entre 2 e 5 salários mínimos são os que mais querem ver os
bandidos mortos.

70
ASPECTOS LEGAIS DA GESTÃO EM SEGURANÇA PRIVADA │ UNIDADE II

Figura 6. Concordância por região (em %).

120

100 2 1 2 2

80 37
48 44 43
Não sabe
60 7 Discorda
2 4
2 Não concorda, nem discorda
40
Concorda
48 54 52 52
20

0
Sudeste Sul Nordeste Centro
Oeste/ Norte
Fonte: <http://www.unodc.org/documents/lpo-brazil//Topics_crime/Dados/Numero_e_taxa_de_homicidios_no_Brasil_PT.pdf>.

Figura 7. Concordância por renda familiar mensal (em %).

120

100 2 2 0 2

80
46 43 51 48
Não sabe
60 Discorda
3
3 1 2
Não concorda, nem discorda
40
Concorda
48 52 48 48
20

0
Até 2 S.M. Mais de 2 a Mais de 5 a Mais de 10
5 S.M 10 S.M. S.M.
Fonte: <http://www.unodc.org/documents/lpo-brazil//Topics_crime/Dados/Numero_e_taxa_de_homicidios_no_Brasil_PT.pdf>.

Em suma, para finalizar esse assunto: o uso da força física e de armas de fogo só pode
ser feito quando estritamente inevitável para proteger a vida. Segundo o Manual do
Vigilante, do DPF, os vigilantes não devem utilizar desses meios contra as pessoas,
exceto nos seguintes casos26:

»» em defesa própria ou defesa de outros contra a ameaça iminente de morte


ou lesão grave;

26 <http://www.pf.gov.br/servicos/seguranca-privada/legislacao-normas-e-orientacoes/manual-do-vigilante>.

71
UNIDADE II │ ASPECTOS LEGAIS DA GESTÃO EM SEGURANÇA PRIVADA

»» para prevenir crimes particularmente sérios envolvendo grave ameaça


à vida;

»» para prender uma pessoa que representa tal risco e resiste à autoridade, ou

»» para impedir sua fuga, e somente quando outros meios menos rigorosos
forem insuficientes para alcançar esses objetivos.

Apesar de todos os dados apresentados a respeito da criminalidade, qual é a sua


opinião a respeito do uso da força e das armas de fogo?

O que você pena a respeito da frase “bandido bom, é bandido morto”?

Outras questões legais sobre a gestão em


segurança privada
É importante lembrarmos que a apresentação de certidão negativa de antecedentes
criminais para o exercício da profissão de vigilante não quer dizer, porém, que o esse
nunca tenha tido qualquer passagem pela polícia.

O que se deve comprovar é que não se tenha registros de indiciamento em inquérito


policial, de não estar sendo processado criminalmente ou de ter sido condenado em
processo criminal onde reside, onde realizou o curso de formação, reciclagem ou
extensão pela Justiça Federal, Estadual ou do Distrito Federal, pela Justiça Militar
Federal, Justiça Militar Estadual ou do Distrito Federal ou pela Justiça Eleitoral.

A Portaria no 3.233/2012, sobre a qual acabamos de falar, estabelece que não constituem
obstáculo ao registro profissional e ao exercício da profissão de vigilante27:

I - o indiciamento ou processo criminal instaurado por crimes culposos;

II - a condenação criminal quando obtida a reabilitação criminal fixada


em sentença;

III - a condenação criminal quando decorrido período de tempo superior


a cinco anos contados da data de cumprimento ou extinção da pena; e

IV - a instauração de termo circunstanciado, a ocorrência de transação


penal, assim como a suspensão condicional do processo.

Há que se ressaltar que, em relação à legislação trabalhista, alguns documentos não


podem ser exigidos na seleção e contratação de um empregado. A Lei no 9.029, de 13

27 <http://www.pf.gov.br/servicos/seguranca-privada/legislacao-normas-e-orientacoes/portarias/Portaria%20n3233.12.DG-
DPF.pdf/view>.

72
ASPECTOS LEGAIS DA GESTÃO EM SEGURANÇA PRIVADA │ UNIDADE II

de abril de 1995, sancionada pelo então Presidente da República Fernando Henrique


Cardoso, proibiu a adoção de qualquer prática discriminatória e limitativa na contratação
ou na manutenção de relações de trabalho.

A referida Lei estabelece que além de não poderem ser consideradas ressalvas as questões
de sexo, origem, raça, cor, estado civil, situação familiar, deficiência, reabilitação
profissional e idade, também constituem práticas discriminatórias, listadas no Artigo 2o28:

I - a exigência de teste, exame, perícia, laudo, atestado, declaração ou


qualquer outro procedimento relativo à esterilização ou a estado de
gravidez;

II - a adoção de quaisquer medidas, de iniciativa do empregador, que


configurem;

a) indução ou instigamento à esterilização genética; e

b) promoção do controle de natalidade, assim não considerado o


oferecimento de serviços e de aconselhamento ou planejamento familiar,
realizados através de instituições públicas ou privadas, submetidas às
normas do Sistema Único de Saúde (SUS).

Além disso, são vedadas as exigências de29:

»» comprovação de experiência prévia por tempo superior a 6 (seis) meses


no mesmo tipo de atividade;

»» certidão de que não possui processo trabalhista ajuizado (certidão


negativa trabalhista);

»» certidão negativa da SERASA, do SPC e assemelhados ou dos cartórios


de protestos;

»» informações sobre antecedentes criminais, tais como certidão negativa


criminal ou “folha corrida”; e

»» exame de HIV (AIDS).

Porém, vale ressaltar que a demanda de emissão de atestado de antecedentes criminais é


pressuposto para o exercício de algumas atividades específicas que têm a segurança como
princípio inerente. Por esse motivo, o atestado pode ser solicitado, porém, conforme
explicamos anteriormente, a legislação já prevê os fatores que excluem a possibilidade de
atuação nas funções de segurança privada e aqueles os quais são passíveis de aceitação,
mesmo para os vigilantes.
28 <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9029.htm>.
29 <http://www.guiatrabalhista.com.br/tematicas/docproib_contratacao.htm>.

73
UNIDADE II │ ASPECTOS LEGAIS DA GESTÃO EM SEGURANÇA PRIVADA

Lembramos que o cadastramento do vigilante no Departamento de Polícia Federal, após


curso de formação, para requerimento de sua CNV (Carteira Nacional de Vigilante),
determinará, também, que ele seja submetido a uma identificação, por meio de coleta
biométrica de suas impressões digitais (decadactilares) as quais serão inseridas e
pesquisadas no sistema automatizado da instituição e apenas após os resultados da
pesquisa será expedida a CNV (conforme determinação do Artigo 158 da Portaria
no 3.233, de 10 de dezembro de 2012).

É importante salientar que a pena de discriminação, nesses casos, varia de detenção de


um a dois anos e multa.

74
CAPÍTULO 2
Outras atividades da Gestão em
Segurança Privada – Safety & Security

A ação dos brigadistas


Os vigilantes brigadistas são aqueles que atuam em situações emergenciais tais como
no combate a incêndio e pronto socorrismo.

Em situações de incêndio, caberá aos brigadistas preservar a vida e manter a segurança


das pessoas. Sendo assim, eles deverão, além de auxiliar a fuga das pessoas dos locais
que estão em chamas, aplicar seus conhecimentos em primeiros-socorros, quando
assim se fizer necessário.

A prevenção é sempre a melhor e mais segura opção em relação a incêndios. Em um


local, deve-se conhecer as normas e procedimentos gerais em caso de incêndio, além da
localização dos extintores e dos demais equipamentos dispoíveis de combate ao fogo.

Os acessos ao redor desses equipamentos bem como as saídas de emergência devem


estar sempre livres, independente da situação.

O Manual do Vigilante explica que para o fogo existir é necessária a combinação de 3


elementos: calor, combustível e comburente.

O combustível é o elemento que alimenta o fogo, podendo ele estar em estado sólido,
líquido ou gasoso (madeira, papel, gasolina, GLP etc).

O comburente é o elemento que dá vida ao fogo e é encontrado no oxigênio do ar.


Quanto mais oxigênio, mais forte será o fogo.

O calor é o elemento que dá início ao processo de combustão: para que queimem, os


combustíveis precisam, primeiro, se aquecerem, transformarem em gases ou vapores
para se inflamarem.

“O incêndio nada mais é do que o fogo que foge do controle do homem, queimando aquilo
que não deveria ser queimado”30. Os incêndios podem ocorrer por causas naturais como,
por exemplo, em razão de descargas provocadas por um raio, por causas acidentais,
quando provocados por negligência, imprudência ou imperícia humana, como, por
exemplo, em uma bituca de cigarro jogada no lixo ou em um curto circuito e, ainda,
30 <http://www.pf.gov.br/servicos/seguranca-privada/legislacao-normas-e-orientacoes/manual-do-vigilante>. p. 50.

75
UNIDADE II │ ASPECTOS LEGAIS DA GESTÃO EM SEGURANÇA PRIVADA

em ações criminosas como são os casos de incêndio causados por atos incendiários ou
bombas-relógio e explosivos.

Dentre os métodos de extinção do fogo utilizados pelos brigadistas estão:

»» Resfriamento: consiste na tentativa de retirada de um dos elementos


que compõem o fogo: o calor. Dessa forma, busca-se a diminuição da
temperatura do combustível que está queimando até que ele fique abaixo
do seu ponto de fulgor e não mais desprenda gases inflamáveis.

»» Abafamento: esta tentativa visa retirar o elemento oxigênio da queima.


De acordo com o referido Manual, com o oxigênio em concentração
inferior a 16% a combustão em corpos sólidos será apenas em brasas e
em líquidos e gases inflamáveis a combustão é extinta.

»» Isolamento: essa modalidade consiste em retirar o material combustível


que está queimando.

Os brigadistas precisam, ainda, saber que existem 5 classes diferentes de incêndio e,


para cada uma delas, há um extintor específico, além de um sexto extintor que deve ser
utilizado em casos de princípios de incêndio.

Quando o incêndio envolve materiais sólidos, os quais queimam tanto na superfície


quanto em profundidade, deve-se extiguir o fogo pelo método de resfriamento, com
emprego de água.

Já no caso de incêndios com líquidos e gases inflamáveis, o método utilizado é o de


abafamento, já que estes só queimam na superfície.

Quando o fogo ocorre em materiais elétricos energizados como, por exemplo, em


instalações elétricas, deve-se usar abafamento com CO2 ou PQS (Pó Químico Seco).

Porém, se o fogo for em materiais pirofólicos (ligas metálicas), deve-se fazer o


abafamento com extintores PQSE (Pó Químico Seco a base de monoamônia). Na falta
desses, deve-se usar areia, cal, gravite ou limalha de ferro fundido todos eles secos já
que qualquer desses elementos se molhado ocasionará explosão.

Há, ainda, os extintores a base de espuma os quais agem primeiramente por abafamento
e, secundariamente, por resfriamento.

Em caso de incêndio, conforme falamos anteriormente, caberá aos vigilantes orientar a


evacuação do local em chamas. Nesse intuito, cabe a eles, oferecer e praticar as seguintes
orientações31:
31 <http://www.pf.gov.br/servicos/seguranca-privada/legislacao-normas-e-orientacoes/manual-do-vigilante>. pp. 54-56

76
ASPECTOS LEGAIS DA GESTÃO EM SEGURANÇA PRIVADA │ UNIDADE II

»» manter a calma;

»» identificar o local onde está ocorrendo e o que está acontecendo;

»» avaliar rapidamente a situação e definir o que fazer;

»» acionar o alarme de incêndio;

»» combater as chamas evitando, dessa forma, a propagação do fogo;

»» não tentar salvar objetos, primeiro deve-se salvar vidas;

»» andar e não correr;

»» descer, e não subir;

»» utilizar as escadas de emergência e não os elevadores;

»» não retirar as roupas do corpo;

»» antes de abrir as portas, verificar se estão frias (quando estão quentes é


porque há indícios de que há focos de incêndio do outro lado da porta);

»» caminhar agachado, ou mesmo rastejando, com um pano úmido no nariz,


dar rápidas respiradas e procurar uma saída;

»» chegar junto à janela pela parte inferior e pedir ajuda, porém não se deve
ficar parado na janela sem nenhuma defesa e nunca pular;

»» se estiver preso, tente arrombar paredes com impacto de qualquer objeto


que seja resistente;

»» não se tranque em compartimentos fechados;

»» ao abrir uma porta, utilize-a como escudo porque o fogo do outro lado
pode utilizar do oxigênio que vem do seu ambiente para se abastecer;

»» quando estiver preso em uma sala, jogue pela janela todos os objetos que
puderem queimar facilmente, tais como cortinas, tapetes e cadeiras;

»» se tiver que descer uma pequena altura utilizando cordas de pequeno


diâmetro, faça nós de 1 em 1 metro, para que consiga segurar;

»» uma vez fora do prédio, não mais retornar; e

»» chamar o Corpo de Bombeiros.

Em caso de vazamento de gás GLP, cabe ao vigilante desligar a chave geral e buscar
garantir que não seja produzida qualquer fonte de calor. Além disso, como o GLP é um

77
UNIDADE II │ ASPECTOS LEGAIS DA GESTÃO EM SEGURANÇA PRIVADA

gás pesado, ele se aloja bem próximo ao chão. Dessa forma, não se deve andar arrastando
os pés porque uma pedra presa ao sapato, por exemplo, poderia inflamar o gás.

Deve-se barrar a entrada de pessoas que não conheçam os procedimentos de segurança,


abrir portas e janelas, colocar o botijão em local ventilado, se possivel, apagar o fogo e,
por precaução, chamar o Corpo de Bombeiros.

O foco da brigada de incêndio deve ser, porém, não a reação, mas a prevenção.
As estruturas das brigadas de incêndio em cada empresa devem seguir a regulamentação
da NR 23 – Proteção Contra Incêndios.

Quando acionar o Corpo de Bombeiros, o vigilante, além de se identificar, deve oferecer


informações precisas sobre o endereço do incêndio, um ponto de referência para
localização mais rápida, o tipo de edificação, o que está queimando, em qual andar e a
extensão do incêndio.

Em casos específicos pode ser necessária a prestação de primeiros socorros até que
o paciente seja colocado sob cuidados médicos adequados. Para tanto, os vigilantes
recebem formação em primeiros socorros para que possam atuar com rapidez, porém
sem precipitação de forma a atender a vítima no local do acidente.

Se necessário, o vigilante fará o isolamento do local para preservar a segurança da


vítima. O segundo passo será fazer um breve exame do enfermo para verificar as lesões
aparentes existentes. Se possível, deve-se proceder ao transporte da vítima ao serviço
médico e, quando isso não for possível, deve-se acionar o serviço de resgate do Corpo
de Bombeiros, por meio do telefone 193.

Ainda assim, podem ser necessárias algumas intervenções físicas por parte dos vigilantes
e, para tanto, esses profissionais estão preparados e treinados para efetuar as seguintes
providências:

»» deter hemorragias;

»» imobilizar fraturas;

»» evitar ou tratar estados de choque;

»» ministrar ressucitação cardiopulmonar, dentre outras.

Quando estiver fazendo a avaliação do estado do enfermo, o vigilante deve, primeiramente,


detectar seu grau de consicência por meio de estímulos verbais e outros dolosos sem
causar, porém, lesões na vítima.

78
ASPECTOS LEGAIS DA GESTÃO EM SEGURANÇA PRIVADA │ UNIDADE II

Deve-se, então, abrir as vias respiratórias da vítima e, então, verificar sua respiração,
utilizando-se do método “VOS” – ver, ouvir e sentir.

Posteriormente, deve-se constatar a circulação palpando-se a artéria carótida ou a artéria


femoral. Apenas após essa primeira avaliação deve-se fazer uma análise do corpo inteiro,
buscando as lesões causadas.

A imagem das empresas de segurança privada


Antes de finalizar, gostaríamos de ressaltar a importância de que sejam contratadas
empresas idôneas para a prestação dos serviços de segurança privada.

Apesar de todo o controle existente por parte dos órgãos fiscalizadores, e, conforme
vimos, esses são muitos e rigorosos, não são os emblemas com imagens de lobos, tigres,
caveiras e garras que oferecem maior credibilidade a uma empresa assim como também
não são apenas os cursos teóricos que conferem ao vigilante o “poder” de ser um bom
profissional na execução de suas atividades.

Sabemos que as empresas de segurança não podem se utilizar de artefatos que as


façam parecer com as Forças Armadas como forma de buscar uma imagem de força e,
portanto, mais credibilidade.

A legislação, também, proíbe a utilização de nomes repetidos e nomes fantasia na


constituição dessas empresas para que não haja meio de serem confundidas e para que
sejam facilmente localizadas.

A finalidade do marketing é atrair e conservar os clientes de uma empresa. Para isso


utilizam-se várias técnicas de comunicação e técnicas visuais que muitas vezes
são apelativas.

No caso das empresas de segurança privada, muitas delas têm seus esforços direcionados
ao oferecimento de serviços não dando a devida atenção às ferramentas oferecidas
pelo método do marketing para melhorar sua carteira de clientes e implementar os
resultados de suas empresas.

Já que os serviços de segurança são onerosos, devem comprovar suas credenciais por
meio de seus materiais publicitários para que os clientes tomem conhecimento de sua
história, seus feitos e os tipos de serviço oferecidos.

Apesar de ser um serviço com características de confidencialidade, quando possível, uma


boa forma de se propagandear os serviços de uma empresa é por meio do testemunho

79
UNIDADE II │ ASPECTOS LEGAIS DA GESTÃO EM SEGURANÇA PRIVADA

de clientes que se disponham a atestar sua satisfação com os serviços prestados


pela empresa.

Além disso, deve-se fazer presente, tendo em mente o ditado: quem não é visto, não
é lembrado. Dessa forma, é importante que os representantes das empresas estejam
presentes em locais de circulação de grande público, tais como feiras de segurança, feiras
sobre eventos e feiras específicas destinadas a contratação de serviços condominiais, por
exemplo, sempre bem uniformizados, para que possam ser vistos, notados e lembrados.

80
Para (não) Finalizar

Lembre-se de dar continuidade aos estudos deste assunto para se manter sempre
atualizado, independente da finalização desta matéria!

A segurança é fator fundamental para todos nós e é importante que, diante do cenário
atual em que vivemos, conheçamos muito bem as possibilidades relacionadas à segurança
privada, tanto na parte de Safety, quando na parte de Security, como forma adicional
de proteção aos nossos direitos fundamentais.

Conclusão
O mundo está enfrentando uma onda cada vez maior de violência e o Brasil apresenta
dados cada vez mais alarmantes a respeito da criminalidade. Mesmo o Estado sendo
responsável, conforme versa a Constituição Federal, pela preservação da segurança
da população, bem como de todos os direitos fundamentais garantidos no Artigo 5o
da Carta Magna, faz-se necessária, diante do descontrole com que a criminalidade vem
tomando conta da vida diária, a existência de serviços adicionais de segurança para que
a população e o patrimônio possam, de fato, ser protegidos de forma mais ampla.

Conforme vimos, a segurança privada atua em várias frentes de Safety & Security
visando exatamente essa proteção extra onde a força pública não consegue se fazer
presente para proteger as pessoas e os bens.

A legislação que cobre o setor é ampla e rígida e os profissionais são capacitados e


treinados de forma a atender seus segurados da melhor forma.

A segurança de fato sempre será o resultado de um conjunto de atitudes que não


dependem apenas da ação da força pública ou da contratação de serviços provados.
A conscientização de cada um em relação à necessidade de se atentar para os fatores de
risco e tomar as devidas precauções é fundamental para viver em segurança!

Afinal, já sé dizia: “orai e vigiai”32!

Bom estudo!

32 Novo Testamento: Mateus, 26

81
Referências
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Contemporânea. In: MICELI; Sérgio. O que Ler na Ciência Social Brasileira. vol.
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PINHEIRO, Paulo Sérgio; ALMEIDA, Guilherme Assis de. Violência Urbana. São
Paulo, Publifolha, 2003.

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<http://g1.globo.com/pernambuco/noticia/2014/04/trio-assalta-joalheria-e-troca-
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REFERÊNCIAS

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<http://www.guiatrabalhista.com.br/tematicas/docproib_contratacao.htm>

84