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SEGURANÇA PATRIMONIAL

1 INTRODUÇÃO À SEGURANÇA

Antes de entrarmos na questão específica da Segurança Patrimonial é importante que façamos


algumas observações sobre a Segurança num sentido mais lato. Se considerarmos que as
empresas são estabelecimentos comerciais, industriais ou prestadores de serviços, que têm
fins lucrativos, e que são regidos dentro de normas técnicas específicas, é importante que
tenhamos uma noção do que venha a ser a Segurança Institucional como um todo.

1.1 HIERARQUIA DAS NECESSIDADES HUMANAS

1.1.1 NECESSIDADES PRIMÁRIAS

As necessidades qualificadas como primárias são aquelas sem as quais o ser humano
simplesmente não consegue sobreviver e manter-se de forma estável em seu habitat. São as
seguintes:

a) Necessidades Fisiológicas: As necessidades fisiológicas, como a própria designação diz,


são as necessidades do físico, ou seja, alimentar-se, repousar, abrigar-se das intempéries e
reproduzir-se (instinto sexual). Até aqui não existem muitas diferenças entre o ser humano e os
animais irracionais, ou seja, são necessidades capazes de garantir a sobrevivência imediata.
b) Necessidades de SEGURANÇA: Uma vez satisfeitas as necessidades do físico, a primeira
necessidade que o ser humano passa a sentir é a de segurança. No entanto, a segurança
descrita aqui por Maslow é uma segurança no sentido lato, ou seja, não apenas a segurança
contra a violência e a criminalidade, mas também a segurança contra qualquer ameaça ou
perigo, como doenças, desemprego, situações difíceis ou simplesmente o desconhecido.

1.1.2 NECESSIDADES SECUNDÁRIAS

As necessidades qualificadas como secundárias são aquelas que completam e realizam o ser
humano, mas não são indispensáveis à sua sobrevivência animal. São as seguintes:

a) Necessidades Sociais: Uma vez satisfeitas as necessidades primárias, a primeira


necessidade que o ser humano passa a sentir é a de relacionar-se, ter amigos, trabalhar,
constituir uma família. São as chamadas necessidades sociais.

b) Necessidades de Estima ou Afeto: A partir do momento em que o ser humano passa a viver
em sociedade, uma nova necessidade se manifesta, ou seja, não basta ter uma vida social, é
preciso ser estimado, admirado, amado ou reconhecido.

c) Necessidades de Auto-realização: Finalmente – e uma vez supridas as outras necessidades


– o ser humano passa a querer realizar-se como pessoa, criando, revolucionando ou
simplesmente realizando seus desejos mais íntimos.

No entanto, é importante observar que a segurança abordada por Maslow é uma segurança no
sentido genérico, ou seja, todo e qualquer evento que possa ameaçar o ser humano. Aqui, no
entanto, trataremos de uma segurança específica, a Segurança Patrimonial.
Como a atividade de segurança patrimonial está enquadrada dentro da atividade empresarial,
com ou sem fins lucrativos, aplicam-se a ela todos os princípios da Segurança Empresarial
como um todo, apenas com as devidas áreas de concentração, que devem ser ressaltadas.

2 A SEGURANÇA PATRIMONIAL

2.1 CONCEITO DE SEGURANÇA EMPRESARIAL

Conceituar o que quer que seja é sempre uma tarefa difícil e as discordâncias são inevitáveis.
No entanto, profissionais de Segurança de todo mundo, concordam que uma boa definição de
Segurança Empresarial pode ser a seguinte: “Conjunto de Medidas, capazes de gerar um
estado, no qual os interesses vitais de uma empresa estejam livres de danos, interferências e
perturbações”
O conceito acima, aparentemente simples, reveste-se, no entanto, de grande profundidade e
complexidade. Vamos analisar individualmente cada uma das designações grifadas em
negrito.

a) Conjunto de Medidas: A segurança só é eficiente se for sustentada sobre um conjunto de


medidas, onde umas possam influenciar outras. Assim, a segurança isolada ou localizada
geralmente não é eficiente. Não adianta ter uma boa segurança na portaria, por exemplo, se o
sistema anti-furto simplesmente não existe. Não adianta muito ter uma vigilância de primeira
qualidade se a instituição empresarial simplesmente não possui um bom sistema de prevenção
e combate a incêndios. Assim, as chamas podem queimar e consumir toda a empresa,
incluindo aí, muitas vezes, o próprio vigilante. Por isso, a segurança só será eficiente se for
organizada dentro de um conjunto de medidas inter-relacionadas e complementares.

b) Estado: Estado é diferente de situação. Enquanto a situação é sempre localizada e


passageira, o estado é sempre abrangente e permanente. Assim quando uma pessoa diz que
“está passando por uma situação difícil”, ela está querendo dizer que, sobre aquele assunto
específico e naquele momento as coisas não estão bem, mas que podem melhorar de uma
hora para outra. Estamos assim diante de uma situação. Por outro lado, quando uma
autoridade decreta um “Estado de calamidade pública”, ela está dizendo que a situação é
genérica, abrangente e não tem data certa para ser alterada. Isso diferencia situação de
estado. Assim uma empresa não deve ter situações de segurança, mas sim um estado de
segurança, ou seja, a segurança deve abranger toda a empresa por todo o tempo. Só assim a
segurança será eficiente e cumprirá sua função no ambiente empresarial.

c) Interesses Vitais: Vital, vem de “vida”, assim, interesses vitais são todos aqueles que são
indispensáveis para manter a empresa viva e em atividade. Infelizmente no meio empresarial
há um conceito de segurança meramente patrimonial, com a adoção de medidas contra furtos,
assaltos, incêndios e coisas do gênero mas, na maioria das vezes, não existem medidas
capazes de proteger os negócios da empresa, que, em última análise é o que mantém a
empresa funcionando. De nada adianta manter grandes instalações, super protegidas, se a
empresa simplesmente perder seu mercado, em razão de atos de espionagem e concorrência
desleal. Assim a segurança dos negócios (inteligência) é tão importante quanto a segurança
patrimonial (física).

d) Danos, Interferências e Perturbações: Finalmente, esse estado, criado por um conjunto de


medidas, deve proteger os interesses vitais da organização empresarial de danos,
interferências e perturbações.

Os danos geralmente estão relacionados a perdas materiais, como furtos, roubos, acidentes,
incêndios e outras ocorrências capazes de causar prejuízo material à empresa.
As interferências, regra geral, estão relacionadas a atos de espionagem, sabotagem, furto de
informações e concorrência desleal, ou seja, atos capazes de interferir nos negócios da
empresa, causando-lhe prejuízos financeiros.

As perturbações estão sempre relacionadas com aquelas situações que alteram, ameaçam ou
interrompem as atividades normais da empresa, geralmente com prejuízos financeiros, como
greves, paralisações, alcoolismo e drogas no ambiente de trabalho, entre outros eventos.

2.2 IMPORTÂNCIA DA SEGURANÇA

Uma das grandes dificuldades enfrentadas por Profissionais de Segurança de todo o mundo é
convencer o empresário ou dirigente de uma instituição de que empregar dinheiro em
Segurança se constitui num investimento e não em um gasto.

Um método que tem dado resultado é fazer um demonstrativo ao empresário, dos inúmeros
benefícios que uma empresa é capaz de gerar à sociedade e, ao mesmo tempo, os inúmeros
riscos a que ela está exposta.

Vamos começar aqui, enumerando os benefícios. De uma forma geral, pode-se dizer que uma
organização empresarial é capaz de proporcionar, entre outros, os seguintes benefícios à
comunidade:

a) Lucro aos acionistas ou proprietários


b) Geração de empregos diretos e indiretos
c) Desenvolvimento tecnológico
d) Crescimento do comércio local, em razão do aumento do poder aquisitivo da população.
e) Aumento de agências bancárias, em razão do aumento do fluxo de dinheiro no meio
circulante.
f) Melhoria da infra-estrutura, como estradas, portos e aeroportos, para o escoamento da
produção.
g) Investimento em atividades esportivas.
h) Apoio a iniciativas comunitárias.
i) Incentivo à cultura.
j) Aquecimento da economia, de uma forma geral, gerando maiores e melhores perspectivas de
consumo.

Até aqui os benefícios. No entanto, essa organização, capaz de gerar tantos benefícios à
sociedade e ao país, está, ao mesmo tempo, exposta a inúmeros riscos e perigos, que se não
forem previstos, evitados ou administrados com eficiência podem causar sérios prejuízos, ou
até mesmo a extinção, dessas organizações. De uma forma geral, podemos dizer que uma
organização empresarial está exposta, entre outros, aos seguintes riscos e perigos:

a) Incêndios, capazes de causar desde riscos materiais consideráveis até a destruição


completa das instalações, podendo ocorrer, ainda a perda de vidas humanas.
b) Furtos, internos ou externos.
c) Assaltos, que podem inclusive por em risco a vida de funcionários e dirigentes.
d) Atos de espionagem e concorrência desleal, que podem por a perder anos de trabalho e
investimentos.
e) Penetração não autorizada em sistemas informatizados, provocando danos ou praticando
fraudes.
f) Atos de terrorismo
g) Sabotagem e Chantagem
h) Greves violentas e paralisações provocadas intencionalmente.
i) Alcoolismo e drogas no ambiente de trabalho, prejudicando a produção e ensejando a prática
de crimes.
j) Epidemias e contaminações coletivas
k) Acidentes, explosões e desabamentos.
l) Seqüestros de dirigentes da empresa.

Como se pode ver, numa análise atenta de custo/benefício, é muito importante o investimento
na segurança das atividades empresariais. A se lamentar apenas que, nem sempre, os
empresários têm uma exata percepção dessa necessidade. No entanto, o que estamos
falando aqui não é nenhuma novidade. Já no ano de 1916, Henri Fayol, considerado um dos
pais da moderna Administração, em razão de ter sido o fundador da Escola Clássica da
Administração, já alertava o meio empresarial para a necessidade de se manter sistemas
eficientes de segurança nas empresas.

2.3 A SEGURANÇA NA OBRA DE FAYOL

Henri Fayol era francês, nascido em Constantinopla, então sob domínio da França, em 1841.
Formou-se em engenharia de minas aos 19 anos de idade e passou a trabalhar em diversas
empresas metalúrgicas e carboníferas da França. Durante seu trabalho nessas empresas,
Fayol adquiriu o hábito de tomar notas de todos os detalhes que chamavam sua atenção,
sempre objetivando uma melhoria da produção e da administração. Com base nessas
anotações, Fayol lançou o seu livro “Administração Industrial e Geral”, dando início assim à
Escola Clássica da Administração.
Não vamos fazer maiores considerações sobre os detalhes das teorias de Fayol, mesmo
porque esse não é o nosso objetivo aqui. Sob o ponto de vista da Segurança, é importante
ressaltar que, já naquela época, Fayol considerou a atividade de Segurança, como essencial,
dentro de uma organização empresarial.
Segundo Fayol, uma empresa tem seis funções essenciais, que são as seguintes:

a) Funções Técnicas
b) Funções Comerciais
c) Funções Financeiras
d) Funções de Segurança
e) Funções Contábeis
f) Funções Administrativas

2.4 SEGURANÇA EMPRESARIAL NO BRASIL E NO EXTERIOR

Muito embora esse gênio da Administração, que foi Henri Fayol já ter previsto, a tanto tempo, a
necessidade de se manter sistemas eficientes de segurança no meio empresarial, infelizmente,
no Brasil, essa atividade tem sido relegada a um segundo plano pela maioria das empresas.
Observe-se também que Fayol não colocou nenhuma função como dependente da outra.
Assim, a atividade de Segurança, segundo Fayol, está em pé de igualdade com as demais
funções dentro da empresa.
No Brasil, é possível observar que as outras funções são contempladas com cargos de direção
e gerência dentro das empresas, enquanto a segurança geralmente é contemplada apenas
com um modesto cargo de chefia.
As áreas Técnicas, Administrativas, Comerciais e Financeiras são contempladas com cargos
de diretoria. As funções contábeis são contempladas com cargos de gerência, enquanto as
funções de Segurança são contempladas apenas com um cargo de Chefia, assim mesmo
dentro de apenas um dos aspectos da Segurança Empresarial (segurança patrimonial), quando
se sabe que a segurança de uma empresa não se limita apenas à proteção de seu patrimônio
físico, como veremos mais adiante.
Em outros países, principalmente Estados Unidos e Europa, a Segurança Empresarial é
tratada da forma mais profissional possível, com a existência de cursos de graduação e pós-
graduação especificamente em Segurança Empresarial, naqueles países.
No Brasil, felizmente, algumas universidades já estão começando a entrar na área de ensino
da segurança empresarial. Universidades como a Fundação Álvares Penteado, de São Paulo,
Universidade Estácio de Sá e Fundação Getúlio Vargas, ambas do Rio de Janeiro, já oferecem
cursos de pós-graduação e MBA em algumas áreas da Segurança Empresarial. É possível que
em outras regiões do Brasil também já existam outras instituições de ensino que também
ministrem cursos na área de Segurança.

2.5 SEGURANÇA TRIDIMENSIONAL

Como já dissemos anteriormente, no Brasil, infelizmente, confunde-se a Segurança


Empresarial com a Segurança Patrimonial, simplesmente. Quando conceituamos a Segurança
Empresarial, dissemos que ela tem por função proteger os “interesses vitais” da empresa, ou
seja, tudo aquilo que diz respeito à vida da empresa e não apenas seu patrimônio físico.
Assim, podemos dizer que a Segurança Empresarial possui três dimensões que poderíamos
classificar da seguinte forma:

a) Segurança Física (Patrimonial)


b) Segurança Estratégica (Inteligência)
c) Segurança Especial (Complementar)

Uma empresa ou instituição que organizar e administrar essas áreas, ainda que com algumas
alterações superficiais ou pontuais, estará certamente contando com um sistema de segurança
satisfatório.
Aqui trataremos especificamente da Segurança Patrimonial, ou seja da segurança das
instalações e do patrimônio físico da empresa.

3 PROTEÇÃO PERIMETRAL

3.1 A PROTEÇÃO DO PATRIMÔNIO FÍSICO

A primeira providência a ser adotada pela empresa, na organização de um bom sistema de


Segurança Patrimonial, é proteger suas instalações de violações ou acessos não autorizados,
o que deve ser feito através de um eficiente sistema de Proteção Perimetral, que nada mais é
do que o cercado colocado em torno das instalações do estabelecimento.
A Proteção Perimetral tem por função proteger o local contra acessos não autorizados,
obrigando dirigentes, funcionários, visitantes e fornecedores a entrarem na empresa por locais
determinados para cada um.
A Proteção Perimetral deve ser forte e resistente o suficiente para impedir ou dificultar sua
violação por vândalos ou delinqüentes e impedir acessos não autorizados.

3.2 TIPOS DE CERCADO

De uma forma geral, são utilizados numa Proteção Perimetral um dos seguintes materiais:

a) Muros
b) Alambrados
c) Grades
d) Estrutura de madeira
e) Estacas de concreto
f) Cercas de arame farpado

Os materiais mais utilizados em Proteção Perimetral são, no entanto, o muro, a grade e o


alambrado.
Normalmente, nas empresas é comum a utilização do alambrado, por sua praticidade e baixo
custo.
Outra vantagem do alambrado, é que ele permite que o pessoal da segurança veja o que se
passa do lado de fora da empresa, podendo identificar, assim, possíveis suspeitos nas
redondezas ou mesmo prever e antecipar-se a alguma ameaça ou atentado.
O cercado deve ser alto o suficiente para impedir sua transposição por pessoas estranhas.
Recomenda-se a altura mínima de 3,00 metros, podendo chegar até 5,00 metros.
No topo do cercado deve ser colocada uma rede de proteção, que pode ser de arame farpado
ou qualquer outro material que cumpra a mesma função.
3.3 ZONA LIVRE INTERNA E EXTERNA

É importante observar a Zona Livre Interna e a Zona Livre Externa. A primeira é o espaço
existente entre o cercado e as instalações da empresa e o segundo é o espaço existente entre
o cercado e a via pública.
No primeiro caso, a metragem ideal a ser observada é em torno de 15 metros e no segundo,
algo em torno de 4 a 5 metros.
Essas medidas são necessárias para manter um espaço vazio entre o cercado e a via pública e
entre o cercado e as instalações da empresa, obrigando assim um eventual invasor a ter que
se expor em campo aberto, o que chamaria a atenção do pessoal de segurança.
Observe-se, no entanto, que nem sempre isso é possível, principalmente para empresas que já
estão construídas e em atividade, mas é uma regra fundamental a ser seguida para futuras
edificações.

3.4 CONDIÇÕES DO TERRENO

O terreno deve ser preferencialmente plano, evitando buracos, morros ou acidentes


geográficos capazes de ocultar um invasor, principalmente no período noturno.
Caso o terreno em torno da empresa seja muito acidentado, é necessário providenciar uma
terraplanagem. O ideal é que o terreno seja cimentado ou coberto de grama.

3.5 ÁRVORES E VEGETAÇÕES

Evite tanto quanto possível a existência de árvores ou vegetações nas proximidades da


proteção perimetral. Pode ser bonito, mas também contribui para ocultar invasores, bombas,
aparelhos de escuta ou outras ameaças à empresa.
No entanto, é necessário tomar muito cuidado com essas questões, para que não ocorra uma
violação da lei ambiental. Assim, antes de cortar árvores ou vegetações existentes na empresa,
é necessário consultar os órgãos de fiscalização ambiental para verificar se isso é possível sob
o ponto de vista legal.

3.6 ALARMES E DETECTORES

Além da utilização dos materiais e métodos adequados, é importante instalar também alguns
equipamentos eletrônicos, capazes de denunciar a presença de invasores nas proximidades da
proteção perimetral.
Existe no mercado um grande número desses produtos, cabendo à empresa escolher os
modelos que mais se adaptam à sua realidade, observando sempre os parâmetros de
qualidade, funcionalidade e custos.
Existem basicamente dois tipos de equipamentos que cumprem essa finalidade:
a) Sistemas eletrônicos de detecção de invasão
b) Sistemas eletrônicos de detecção periférica

3.7 INSPEÇÃO E MANUTENÇÃO

É necessário também fazer constantes inspeções em toda a extensão da proteção perimetral,


para verificar possíveis rachaduras no terreno, processos de erosão ou tentativas de violação.
Essa inspeção deve ser feita pelo menos uma vez por mês.
Também é importante testar o funcionamento dos equipamentos de segurança instalados ao
longo da proteção perimetral, para verificar se estão funcionando regularmente, evitando assim
que eles venham a falhar diante de uma situação real de risco ou perigo.

4 SERVIÇOS DE VIGILÂNCIA

4.1 VIGILÂNCIA PRÓPRIA OU TERCEIRIZADA

A vigilância é de fundamental importância para a segurança patrimonial da empresa.


Enquanto a Proteção Perimetral trata-se de uma segurança estática, constituída por barreiras,
a Vigilância é a segurança dinâmica, desenvolvida pelo elemento humano.
A primeira providência a ser tomada pela empresa é optar pela vigilância própria ou por
serviços terceirizados.
O primeiro caso só é recomendável para grandes corporações, em razão das muitas
exigências legais para conseguir uma autorização de funcionamento de um sistema próprio de
vigilância armada, além de custos muito elevados.
As exigências são praticamente as mesmas para a constituição de uma empresa de vigilância,
daí a dificuldade em se conseguir esse tipo de autorização para as empresas de menor porte.
Assim, o mais recomendável é a contratação de serviços terceirizados de vigilância,
principalmente da vigilância armada.
A maioria das empresas adota um sistema misto, ou seja, a vigilância armada fica a cargo de
empresas terceirizadas, enquanto os serviços de portaria e vigilância desarmada fica a cargo
da própria empresa.

4.2 SELEÇÃO E TREINAMENTO DO PESSOAL DE SEGURANÇA

Para o caso da empresa resolver manter seu próprio pessoal de segurança, recomenda-se que
a seleção dos funcionários seja rigorosa, tanto sob o aspecto técnico como de honestidade
pessoal, uma vez que, pessoas tecnicamente despreparadas podem provocar acidentes,
desastres ou danos ao ambiente empresarial.
Por outro lado, pessoas desonestas podem praticar diversos atos ilícitos na empresa ou
mesmo fornecer informações a criminosos, para que possam, posteriormente, agir contra o
patrimônio da empresa, ou mesmo contra dirigentes e funcionários.
Por isso, é importante dar atenção especial ao pessoal que irá trabalhar na segurança da
empresa.
O ideal é recrutar pessoas com experiência militar ou policial, ou ainda que já tenham
freqüentado cursos de vigilância em estabelecimentos de ensino credenciados pelo Ministério
da Justiça.

4.2.1 IMPORTÂNCIA DE UMA BOA SELEÇÃO

A eficiência profissional e a idoneidade moral dos funcionários da empresa são de fundamental


importância para a segurança do estabelecimento, uma vez que a prestação de serviços de má
qualidade ou a prática de atos ilícitos por parte dos funcionários, pode comprometer a imagem
da empresa, além de causar prejuízos de toda ordem. Daí a importância de serem bem
selecionados e treinados.

4.2.2 PROCESSO SELETIVO

Além das habilidades específicas para as funções de segurança, a empresa deve fazer as
seguintes averiguações, antes de efetivar a contratação do funcionário:
a) Verifique empregos anteriores. Procure conversar com antigos patrões e empregadores, no
sentido de obter, principalmente, informações sobre comportamento pessoal, honestidade e
integridade moral do funcionário.
b) Faça uma investigação social sobre a vida pessoal do funcionário, tomando cuidado apenas
para não cometer invasão de privacidade ou qualquer outra atitude constrangedora ou ilegal.
Procure saber, principalmente, como é sua vida social e familiar.
c) Faça uma checagem de antecedentes criminais, procurando verificar se o funcionário não
possui envolvimento ou vínculos com o mundo do crime. Com relação aos antecedentes
criminais, é importante ressaltar que o cometimento de crimes do tipo que qualquer pessoa
está exposta a cometer, como atropelamentos, lesões corporais em razão de brigas e
discussões ou outros delitos mais leves não devem ser empecilhos para sua contratação. É
perfeitamente possível que uma pessoa que tenha passado por essas experiências seja uma
pessoa íntegra e honesta. O que se deve observar é se o funcionário já praticou crimes graves,
se tem tendências a praticar crimes contra a empresa ou capazes de comprometer a imagem
da organização. Em casos como esses a não contratação é recomendada.
d) Faça também uma avaliação psicológica, principalmente para aferir o nível de sanidade
mental do funcionário. Pessoas desequilibradas ou emocionalmente instáveis podem provocar
desde situações constrangedoras até verdadeiras catástrofes no ambiente empresarial.
4.2.3 ACOMPANHAMENTO

Exija lealdade e bons serviços por parte de seus funcionários, mas, por outro lado, dispense a
eles um tratamento cordial e respeitoso.
Para evitar constantes admissões e demissões, procure pagar-lhes um salário atraente e
oferecer-lhes vantagens adicionais, capazes de mantê-los no emprego.
Não são raros os casos de envolvimento de funcionários da empresa em atividades criminosas,
seja praticando-as diretamente, seja fornecendo informações a criminosos, para que possam
agir contra o estabelecimento empresarial.
Por isso, a empresa também deve se prevenir contra ações dessa natureza, adotando o
seguinte comportamento:

a) Observe eventuais mudanças de comportamento dos funcionários, procurando investigar,


sigilosamente, quais as razões dessas mudanças;
b) Evite que funcionários recebam muitos visitantes na empresa durante o horário de trabalho.
Além de restritas, as visitas devem ocorrer em locais apropriados, como uma sala de visitas,
por exemplo. Não se deve permitir a livre circulação de amigos e parentes dos funcionários nas
dependências da empresa;
c) Mantenha um arquivo de ex-funcionários. Diante de alguma suspeita ou ameaça, verifique a
possibilidade de envolvimento de alguns deles;
e) Caso não mereçam mais sua confiança, devem ser demitidos. No entanto, pague a eles
todos os valores a que têm direito.

A melhor maneira de evitar problemas com funcionários, mantendo-os sempre leais e


motivados para o trabalho é desenvolver constantemente treinamentos, palestras e debates,
procurando fazer com que se sintam responsáveis e importantes para a vida da empresa.

4.2.4 TREINAMENTO

Todos os funcionários devem ser orientados a informar ao responsável pela segurança,


qualquer atitude suspeita ou acontecimentos estranhos que constatarem no exercício de suas
funções.
Instrua-os para que, caso venham a se deparar com cenas de crimes, como arrombamentos,
explosões, depredações ou cadáveres, não devem tocar em nada e, sim, chamar
imediatamente o responsável pela segurança.
É importante também ministrar a eles treinamentos específicos na área de segurança, com a
contratação de profissionais capacitados e idôneos para desenvolver esse tipo de trabalho.
Existem no Brasil diversas empresas especializadas em treinamento de vigilantes e de pessoal
de segurança, de uma forma geral. É necessário, no entanto, verificar se a empresa está
autorizada a funcionar pelo Poder Público e se seus serviços são satisfatórios.
Todo funcionário da empresa deve ser treinado em questões de Segurança, em especial sobre
os seguintes aspectos:

a) Como se comportar e agir diante de situações de incêndio, pânico ou catástrofe.


b) Reconhecer e identificar atitudes suspeitas de pessoas no interior da empresa.
c) Não tocar em objetos ou artefatos suspeitos, como bombas, explosivos ou equipamentos
eletrônicos. Em situações como essas o responsável pela segurança deve ser acionado.
d) Conhecer o funcionamento do sistema de segurança da empresa, para colaborar com sua
eficiência e não atrapalhá-lo ou obstruí-lo.

4.3 CONTRATAÇÃO DE EMPRESAS DE VIGILÂNCIA

A contratação de serviços terceirizados de vigilância exige, no entanto, alguns cuidados por


parte da empresa.
Procure fazer uma pesquisa de mercado para verificar a idoneidade da empresa que pretende
contratar.
Converse com clientes atuais da empresa de vigilância que pretenda contratar e procure
verificar critérios como qualidade, eficiência, honestidade e custos.
Procure averiguar também a qualidade técnica de seus vigilantes, procurando saber onde
foram treinados e se são reciclados periodicamente, como manda a lei.
Exija a apresentação do Certificado de funcionamento, fornecido pela Polícia Federal. Ele é
uma prova de que a empresa está operando dentro da lei.

5 ORGANIZAÇÃO DA SEGURANÇA

5.1 IMPORTÂNCIA DA SEGURANÇA

Para que a empresa venha a ter uma segurança efetiva e satisfatória é necessário eliminar
todo empirismo e improvisação.
Como já vimos inicialmente, a atividade de segurança tem o mesmo grau de importância,
dentro da empresa, do que as demais atividades, como Produção, Marketing, Contabilidade,
Finanças e Administração.
Assim, é importante que a empresa dispense à área de Segurança os mesmos cuidados que
dispensa a outras áreas. E o primeiro passo para isso é criar uma Gerência ou Diretoria de
Segurança, colocando como responsável por ela um profissional qualificado e habilitado.
Nos países desenvolvidos, a Segurança desempenha um papel da maior importância na vida
das organizações empresariais.
5.2 CENTRAL DE SEGURANÇA

É necessário também que a empresa organize e mantenha uma Central de Segurança, ou


seja, um local onde devem estar centralizados todos os serviços de Segurança.
Essa central deverá ser dirigida pelo Gerente de Segurança, e deve possuir os seguintes
recursos:

a) Monitoramento eletrônico de todas as áreas e dependências da empresa, através de


alarmes, sensores e circuito fechado de TV.
b) Controle das tubulações de água, ar condicionado, centrais de energia elétrica e
elevadores.
c) Controle do som ambiente com canal exclusivo de penetração, para avisos sobre incêndios,
emergências e situações de crimes ou violências.
d) Central de Alarmes de furtos, assaltos, incêndios e outras emergências.
e) Central de radiocomunicação, envolvendo o pessoal de Segurança e todas as áreas da
empresa.
f) Linhas exclusivas de telefone, independentes da central telefônica e de telefonistas.
g) Burocracia interna da Gerência de Segurança.

5.3 PESSOAL DE SEGURANÇA

E para que todo esse sistema de segurança funcione adequadamente, cumprindo assim sua
função, que é proporcionar segurança ao ambiente empresarial, é necessário organizar
adequadamente a equipe que irá operá-lo.

O tamanho e complexidade da equipe de segurança vão depender diretamente do porte da


empresa. No entanto, o ideal é que seja constituída da seguinte forma:
a) Presidente ou Diretor Geral: é o responsável direto pelo comando da empresa. A ele está
subordinada a Gerência ou Diretoria de Segurança.
b) Gerente ou Diretor de Segurança: é o responsável absoluto por toda a área de Segurança
dentro da empresa. Reporta-se apenas à Presidência ou à Direção Geral.
c) Supervisor de Segurança: é o responsável pelos turnos de trabalho na área de Segurança,
que deve ser desenvolvida durante as 24 horas do dia.
d) Vigilante: Trabalha nos mais variados ambientes, como recepção, garagem, corredores e
outras instalações da empresa.
e) Pessoal de Apoio, composto por técnicos e engenheiros, capazes de agir em situações
como quedas de energia elétrica, falhas nos sistemas de comunicação, danificação de
equipamentos de segurança, ou qualquer outra missão técnica que lhes seja solicitada pelo
Gerente de Segurança.
f) Pessoal de Emergência, composto por médicos, socorristas, bombeiros, e outros
profissionais, capazes de atender prontamente a situação como acidentes, incêndios,
desabamentos e outras situações de crise ou emergência;

6 IDENTIFICAÇÃO E CONTROLE INTERNO

6.1 SISTEMAS DE IDENTIFICAÇÃO

A portaria ou recepção da empresa é de vital importância para a segurança, uma vez que é por
ela que entram e saem dirigentes, funcionários, visitantes e fornecedores. Também é por ela
que tentam passar ladrões, assaltantes, seqüestradores, terroristas, espiões e outros tipos de
criminosos.
Daí a importância em treinar adequadamente os funcionários que nela trabalham.
É importante que existam funcionários da Segurança apoiando os porteiros e recepcionistas,
sempre atentos a qualquer anormalidade.
Além do apoio humano, é necessário que o local seja monitorado com câmeras de circuito
interno de TV, controladas diretamente pela central de segurança.
O pessoal da Segurança, em serviço na recepção deve estar munido de equipamentos de
comunicação, capazes de mantê-los em contato permanente com a central de segurança.
O ingresso de qualquer pessoa, no interior da empresa, só deve ser permitido dentro de um
processo de identificação e controle de acesso eficiente.
O sistema mais prático e simples de identificação é através de crachás. Por isso, adote um
sistema específico para cada tipo de pessoa, como dirigentes, funcionários, estagiários
fornecedores, serviços terceirizados e visitantes, entre outros.
Existem no mercado diversas empresas especializadas em criar sistemas de identificação,
cabendo à empresa escolher o sistema que melhor se adapte à sua situação particular.
Os funcionários de empresas de serviços terceirizados, como empreiteiras, manutenção,
jardinagem e outros, devem receber crachás para circularem apenas nas áreas onde prestarão
seus serviços, devendo ser vedado seu acesso a outras áreas.
Alguns modelos de catracas, que podem ser utilizados no controle de acesso de funcionários,
visitantes e fornecedores.

6.2 ENTRADA E SAÍDA DE FUNCIONÁRIOS

Para o público interno é recomendável crachás com fotos e códigos de barras. Já para o
público externo, o recomendável é o sistema que fotografa automaticamente o visitante,
guardando a foto e seus dados em arquivo no computador.
Essas informações poderão ser úteis, posteriormente, em casos de furtos, assaltos e
seqüestros, ou mesmo para comprovar a presença ou não de determinada pessoa na
empresa, em determinado dia e horário.
Os funcionários de empresas de serviços terceirizados devem receber crachás para circularem
apenas nas áreas onde prestam seus serviços, devendo ser vedado seu acesso a outras
áreas.

6.3 ENTRADA E SAÍDA DE VISITANTES

Todo visitante deverá ser cadastrado na recepção, com os seguintes dados, que deverão ficar
arquivados:

a) Nome completo do visitante;


b) Endereço;
c) Número do Documento de Identidade;
d) Nome da pessoa ou setor que veio visitar;
e) Assunto ou motivo da visita; Horário de entrada; e
f) Horário de saída.

6.4 ENTRADA E SAÍDA DE FORNECEDORES

Adote um sistema semelhante para fornecedores e prestadores de serviço.


Os crachás fornecidos a visitantes e fornecedores devem possuir informações sobre o local
exato onde devem ir ou circular, através de cores, por exemplo. Assim o pessoal da Segurança
poderá observar pessoas circulando em locais não autorizados, possibilitando assim a
identificação de possíveis suspeitos.
Os veículos de visitantes e fornecedores, também, devem ser cadastrados, com todas as
informações já mencionadas, acrescidas com os seguintes dados: marca e tipo do veículo, cor,
modelo e número da placa.
Com relação aos fornecedores e visitantes mais freqüentes, é necessário tomar todo o cuidado
possível para evitar a rotina. Na maioria das vezes, quando uma pessoa, ou representante de
alguma empresa, se tornam freqüentes no ambiente empresarial, é comum a segurança
relaxar, não fazendo os registros necessários. Não raro ocorrem casos de amizade entre os
funcionários da segurança e tais pessoas.
Por isso, é muito importante treinar o pessoal da Segurança para evitar esse tipo de
comportamento. Já houve casos em que criminosos se disfarçaram de prestadores de serviço
para ingressar em empresas e cometer crimes. Assim, quando alguém se apresentar na
portaria como fornecedor ou prestador de serviço, o porteiro deve tomar as seguintes
providências:

a) Pedir a apresentação da Ordem de Serviço ou Nota Fiscal.


b) Telefonar para a empresa, pedindo confirmação do serviço ou fornecimento.
c) Comunicar à direção da empresa sobre a presença do funcionário e pedir autorização para
entrada.

6.5 SEGURANÇA DOS ESTACIONAMENTOS

Os estacionamentos também devem contar com sistemas de segurança, envolvendo a


presença física de vigilantes, instalação de circuito fechado de TV, sistemas de controle de
acesso e boa iluminação no período noturno.
Procure manter estacionamentos específicos para funcionários, visitantes e fornecedores. Os
critérios de admissão aos estacionamentos por parte de visitantes e fornecedores, devem
obedecer aos mesmos critérios adotados para o ingresso de pessoas, já mencionados
anteriormente.
Providencie credenciais ou autorizações para os veículos dos funcionários, capazes de
identificá-los junto aos vigilantes. De preferência utilize sistemas de controle, através de
cartões magnéticos específicos.
Os estacionamentos também devem contar com serviços de segurança eficientes.

6.6 SEGURANÇA DE ÁREAS RESTRITAS

Para áreas restritas como diretoria, laboratórios, centros de pesquisa, tesouraria, áreas de
risco, depósitos, almoxarifados, entre outros, deve-se criar um sistema complementar de
identificação, como digitação de códigos, leitura de mãos ou de íris ou qualquer outro sistema
igualmente eficiente.
Por ocasião da demissão de algum dirigente ou funcionário, é necessário recolher seu crachá,
chaves e outros objetos da empresa, que estejam em seu poder. Se a pessoa demitida tiver
acesso a áreas restritas, deve-se providenciar uma alteração nos códigos ou senhas.
Equipamentos de leitura biométrica, catracas codificadas e leitura de íris são ideais para o
controle de acesso em áreas restritas ou de alta segurança.

6.7 MAPA DE CONTROLE

Procure fazer um mapa das atividades internas da empresa e mantenha-o em arquivo. Nunca
se sabe quando será necessário consultar dados e eventos ocorridos no passado.
O ideal é desenvolver um programa de computador, capaz de armazenar todos os dados sobre
entradas e saídas de funcionários, visitantes e fornecedores.

7 INCÊNDIOS E EMERGÊNCIAS

7.1 O RISCO DE INCÊNDIOS EM EMPRESAS


Um incêndio na empresa pode provocar uma verdadeira catástrofe, que pode ir desde danos
materiais consideráveis, passando pela perda completa das instalações, podendo causar ainda
a perda de vidas humanas.
Por isso, a empresa deve tomar todas as medidas no sentido de evitar um incêndio e, também,
de controlá-lo, caso ele venha a ocorrer, apesar de todas as precauções.

7.2 PROJETO DE PREVENÇÃO DE INCÊNDIOS

Comece providenciando um projeto de prevenção de incêndio específico para a empresa, que


deverá ser elaborado e assinado por Engenheiro de Segurança especializado.
Existe no mercado um grande número de profissionais habilitados para a elaboração desse tipo
de Projeto. Antes de contratá-los, no entanto, procure obter informações sobre suas
qualificações técnicas e legalidade de suas atividades.

7.3 CLASSES DE INCÊNDIO E AGENTES EXTINTORES

Mantenha extintores de incêndio em todos os ambientes e instalações da empresa. Todos os


dirigentes e funcionários devem receber treinamento sobre como manusear corretamente um
extintor de incêndio.
Observe sempre o prazo de validade dos extintores. Providencie para que eles sejam
recarregados quando estiverem próximos do vencimento da validade.
Os incêndios são divididos em classes e para cada classe de incêndio deve ser utilizado um
agente extintor adequado. Os incêndios podem ser divididos, basicamente, em três classes:

a) Sólidos (madeira, papelão, tecidos...)


b) Inflamáveis (gasolina, diesel, álcool...)
c) Eletro-Eletrônicos (fiações, equipamentos eletrônicos, transformadores...)

7.4 BRIGADAS DE INCÊNDIO

Faça um Plano de Emergência para os casos de incêndio, abordando o comportamento de


cada funcionário.
O Plano deve conter instruções sobre evacuação do local, socorro a feridos e acidentados e
deslocamento para a rede hospitalar.
O Plano também deve prever um plano de contingência para restabelecer as atividades
normais da empresa o mais rápido possível, apesar do sinistro, através da locação de novas
instalações, contratação de serviços terceirizados, entre outras providências.
Todo incêndio ou princípio de incêndio deve ser rigorosamente investigado por peritos
especializados. A possibilidade de incêndio criminoso nunca deve ser descartada.
É interessante que a empresa contrate empresas especializadas para o treinamento de sua
Brigada de Incêndio. Geralmente um curso de formação de brigadas de incêndio aborda os
seguintes aspectos:

7.5 EQUIPAMENTOS CONTRA INCÊNDIO

Mantenha hidrantes em locais estratégicos da empresa, bem como reservatórios de água com
grande capacidade de armazenamento.
Instale sensores de temperatura em todos os andares e ambientes da empresa, capazes de
denunciar um princípio de incêndio. De preferência, instale chuveiros (Sprinklers) capazes de
lançar jatos de água quando ocorrer um aquecimento exagerado do ambiente
A empresa deve manter um sistema de som ambiente, com um canal exclusivo de penetração
pela Segurança capaz de emitir avisos sobre incêndios e outros perigos.
De uma forma geral, os equipamentos contra incêndio indispensáveis a uma empresa são os
seguintes:

a) Porta Corta Fogo


b) Sinalizadores
c) Alarmes Contra Incêndios
d) Sensores de Temperatura
e) Chuveiros (Sprinklers)
f) Hidrantes
g) Extintores de Incêndio

7.6 COMO LIDAR COM A SITUAÇÃO

Procure saber onde fica a unidade mais próxima do Corpo de Bombeiros e quanto tempo
levaria para que uma guarnição chegasse ao local. Providencie um Plano de Emergência a ser
empregado até a chegada dos Bombeiros.
Convide membros do Corpo de Bombeiros para uma visita à empresa e colha a opinião deles
sobre a segurança do local.

7.7 CRISES E EMERGÊNCIAS

Além dos incêndios, as empresas estão sujeitas as inúmeras situações de crises e


emergências, capazes de comprometer o bom funcionamento da instituição. Por isso, a direção
deve ter sempre pronto um plano de emergência e contingência, a ser empregado nessas
situações.
Como situações de crise e emergência, podem ser mencionadas, entre outras, as seguintes:
a) Explosões;
b) Desabamentos;
c) Inundações;
d) Fenômenos naturais, como raios, furacões e tempestades;
e) Intoxicações, como vazamento de gases ou outros produtos tóxicos;
f) Pânico coletivo, como ameaças de bombas e outras situações semelhantes.

Para não ser vítima de situações como essas, a empresa deve antecipar-se ao problema,
através da adoção das seguintes providências:

a) Adote políticas preventivas, procurando analisar quais são os riscos que mais
ameaçam a empresa, considerando sua localização, estrutura de construção, áreas
vulneráveis, número de funcionários, entre outros aspectos.
b) Organize e Treine Brigadas de Emergência, compostas por dirigentes, funcionários e
pessoal da segurança.
c) Mantenha um canal de comunicação eficiente com o Corpo de Bombeiros e com a
Defesa Civil;
d) Estabeleça previamente qual o tipo de ação a ser adotada em cada situação particular,
evitando surpresas.
e) Faça exercícios simulados periodicamente, para manter o pessoal sempre alerta contra
eventuais riscos e perigos;

Os treinamentos em situações de emergência devem ser o mais próximo possível da realidade

7.8 DOENÇAS E EPIDEMIAS

Outra ameaça constante às organizações empresariais são as transmissões de doenças e


epidemias, principalmente em razão de ser, a empresa, um local com grande concentração de
pessoas, ocupando o mesmo ambiente e usando os mesmos banheiros e refeitórios.
As transmissões podem ir desde uma simples e inofensiva gripe até doenças contagiosas, com
grandes riscos para a saúde.
Os principais prejuízos que uma contaminação coletiva pode causar às empresas são, entre
outros, os seguintes:

a) Comprometimento da produção;
b) Despesas médicas elevadas;
c) Riscos de morte de pessoas;
d) Risco de interdição da empresa pelos órgãos da Saúde Pública;
e) Descrédito da empresa perante o mercado e os consumidores;
f) Exploração dos fatos pela imprensa ou pela concorrência.
Para evitar esses riscos, a empresa deve adotar as seguintes medidas:

a) Manter-se informada sobre eventuais riscos de doenças contagiosas na região, consultando


principalmente os órgãos de Saúde Pública;
b) Manter um serviço médico eficiente, capaz de diagnosticar o problema no início;
c) Instruir os dirigentes e chefes de seção para comunicar ao serviço médico qualquer
comportamento anormal de funcionários ou indícios de qualquer contaminação;
d) Tomar cuidados especiais para garantir a qualidade da água à disposição na empresa, uma
vez que muitas doenças podem ser transmitidas através da água;
e) Fazer exames médicos periódicos nos funcionários e providenciar vacinações na própria
empresa;
f) Desenvolver campanhas educativas junto aos funcionários;
g) Tomar providências imediatas em casos suspeitos.

7.9 AMEAÇAS DE BOMBA

As ameaças de bombas, na sua grande maioria, tratam-se geralmente de trotes e notícias


falsas. No entanto, o uso de explosivos como forma de chantagem ou vingança vem crescendo
a cada dia em nosso país e em outras regiões do mundo, principalmente pela facilidade de
aquisição de artefatos explosivos no mercado negro e por meio de contrabando.
Mesmo em se tratando de ameaças falsas, elas costumam causar grandes danos ou prejuízos
ao ambiente ameaçado, provocando paralisação das atividades, evacuações desnecessárias,
e pânico nas pessoas.
Ainda que a direção da empresa não leve em conta a possibilidade real de ser vítima desse
tipo de ação, é importante que o setor de Segurança tenha conhecimentos mínimos sobre esse
tema e saiba agir, caso venha a se defrontar com uma situação dessas.
Comece elaborando um Plano Operacional a ser empregado em situações de ameaças de
bombas. Esse Plano deve conter todos os aspectos preventivos, de gerenciamento da crise e
de contingência ou recuperação das atividades normais da empresa.
Normalmente, as ameaças de bomba chegam através de chamadas telefônicas anônimas,
entrega pessoal de bilhetes ou através de cartas enviadas pelo correio.
Seja qual for o meio de recebimento da ameaça, a Segurança da empresa deve começar a
fazer análises no sentido de responder a uma pergunta fundamental: A quem interessaria
causar algum tipo de dano à empresa? A partir dessa premissa, a primeira providência a ser
adotada é iniciar uma investigação no sentido de estabelecer exatamente qual o objetivo das
ameaças. É importante observar que a hipótese da ameaça estar sendo feita com colaboração
interna nunca deve ser descartada.
Logo após o recebimento da ameaça, as medidas mais recomendadas são as seguintes:
a) Evacue o local sem pânico
b) Mantenha contato com um órgão policial especializado. Existem na maioria dos Estados,
grupos policiais especializados em operações anti-bombas.
c) Convoque uma reunião do comitê encarregado do gerenciamento de crises, para analisar a
situação e apoiar o trabalho da polícia.

Caso algum artefato suspeito seja encontra pela Segurança ou funcionários, adote as
seguintes medidas:

a) Não toque e não se aproxime do objeto


b) Isole a área
c) Aguarde a chegada de policiais especializados.

7.10 GERENCIAMENTO DE CRISES

É importante também constituir um Comitê de Crises, composta por dirigentes, funcionários e


pessoal do setor de Segurança. Esse comitê tem por função analisar todos os aspectos de
uma eventual crise e tomar as providências no sentido de debelá-la e recuperar as atividades
normais da empresa.
Um Comitê de Crises deve trabalhar no sentido de realizar as seguintes tarefas, da forma mais
rápida possível:

1º Resposta: é uma reação técnica e ordenada ao evento, estabelecendo exatamente o


que aconteceu e porque aconteceu.
2º Reassunção: consiste em manter ou fazer operar as funções mais críticas para evitar
maiores danos.
3º Recuperação: são medidas capazes de fazer com que a direção da empresa reassuma
o comando total sobre as atividades da organização, eliminando qualquer interferência,
por ventura ainda existente, do evento danoso.
4º Restauração: são providências capazes de restabelecer totalmente o funcionamento
normal da empresa.

8 PROTEÇÃO CONTRA FURTOS E ASSALTOS

8.1 AMEAÇAS AO PATRIMÔNIO DA EMPRESA

Os furtos e assaltos contra empresas vêm crescendo a cada dia. Os furtos podem ser divididos
em internos e externos. No primeiro caso, os furtos são praticados pelo público interno, ou seja,
pelos próprios funcionários.
No segundo caso os furtos são praticados por pessoas que entram na empresa com o objetivo
de furtar.
Já os assaltos e arrombamentos são praticados por criminosos profissionais, que planejam e
executam a operação criminosa.
Existem diversas medidas e providências, que a empresa pode adotar para dificultar ou impedir
a ação dos criminosos.
Para evitar crimes praticados pelo público interno, a empresa deve dar atenção especial à sua
política de Recursos Humanos, tomando cuidados especiais na contratação de pessoal,
principalmente daqueles que terão acesso às finanças e aos bens da organização.
A primeira providência a ser adotada é criar mecanismos capazes de impedir a prática de
crimes por parte do público interno. Não são raros os casos de envolvimento de funcionários e
dirigentes na ocorrência de crimes dentro da empresa, tanto os praticando diretamente, como
contribuindo para sua execução, através do fornecimento de informações para que criminosos
possam agir contra o estabelecimento empresarial
Por isso, a empresa deve ter uma política correta de contratação de pessoal, dando especial
atenção ao aspecto da Segurança, ou seja, evitando contratar pessoas que possam vir, de
alguma forma, causar dano à organização.
Com relação aos furtos e assaltos, a adoção de medidas preventivas, integrando sistemas
eletrônicos, com a vigilância desenvolvida pelo elemento humano, pode produzir resultados
extremamente positivos na inibição de atos criminosos dentro do ambiente empresarial,
conforme veremos mais à frente.

8.2 MEDIDAS PREVENTIVAS

Não existem métodos perfeitos ou infalíveis para evitar essas ações criminosas, mas existem
algumas medidas e providências que a empresa pode adotar, para dificultar ou impedir a ação
dos criminosos. Assim, recomenda-se a adoção das seguintes medidas:

a) Não deixe objetos de valor em locais onde possam ser facilmente subtraídos.
b) Instale alarmes e circuito-fechado de TV em locais estratégicos, principalmente na diretoria,
corredores, portaria, estacionamentos, corredores, depósitos, almoxarifados, laboratórios e
outras áreas consideradas sensíveis ou importantes sob o aspecto da segurança.
c) Se possível, contrate uma empresa de segurança, que mantenha um serviço de
monitoramento com apoio de um tático-movel, capaz de ser acionado em socorro da empresa,
quando isso se fizer necessário.
d) Utilize trancas e fechaduras de boa qualidade. Adote o sistema de segredos para as áreas
mais sensíveis e importantes da empresa.
e) Desenvolva campanhas educativas junto a dirigentes e funcionários. Tente mantê-los como
aliados na defesa do patrimônio da instituição.
8.3 CONTROLE INTERNO

Faça também um levantamento do patrimônio móvel da empresa e numere-os com etiquetas


com a logomarca da organização. Isso costuma desestimular furtos.
Faça um rígido controle dos materiais existentes nos depósitos e almoxarifados, para evitar
furtos ou desperdícios por parte de maus funcionários.
O acesso a depósitos e almoxarifados deve ser restrito ao pessoal que neles trabalham.
Todos os fornecedores e prestadores de serviço devem ser cadastrados e as entradas e
saídas da empresa devem ser registradas pela Segurança.
De preferência, carros e caminhões devem ser inspecionados na entrada e na saída, não
apenas para conferir eventuais desvios de materiais, como também para checar a possibilidade
de ingresso não autorizado de pessoas no interior da instituição, como ladrões,
seqüestradores, sabotadores ou terroristas.
Realize constantes auditorias em todos os setores da empresa, procurando rastrear a
movimentação de bens ou valores, no sentido de verificar possíveis casos de desvio ou má
utilização.

8.4 ATENÇÃO COM AS FINANÇAS

Procure evitar grandes quantidades de dinheiro no caixa ou nos cofres da empresa. Os


serviços bancários devem ser utilizados ao máximo.
O pessoal encarregado de lidar com as finanças e o patrimônio da empresa deve ser de
absoluta confiança e o recrutamento desses funcionários deve obedecer a padrões rigorosos.
Da mesma forma, auditorias constantes devem ser realizadas para verificar todos os detalhes
sobre a entrada e a saída de dinheiro. Essas auditorias devem ser realizadas por pessoal
especializado e, de preferência, por empresas independentes, especialmente contratadas para
isso.
Evite grandes quantidades de dinheiro no caixa da empresa. Na medida em que o dinheiro for
entrando, deve imediatamente ser colocado no cofre, através de uma operação de segurança
bem planejada e eficiente executada.
Os cofres da empresa devem ser instalados em locais de difícil acesso, não devendo ficar
expostos na sala da diretoria, tesouraria ou qualquer outra, uma vez que isso pode chamar a
atenção de ladrões. Mantenha o cofre sempre camuflado, atrás de um móvel, por exemplo.
Todos os dias o dinheiro deve ser retirado dos cofres e depositado no banco. A empresa deve
providenciar sistemas de segurança para o transporte do dinheiro até o estabelecimento
bancário. De preferência utilize sempre sistemas on-line, com transferência direta de valores,
sem qualquer contato com dinheiro vivo.
O pagamento dos funcionários não deve ser feito em dinheiro, na própria empresa. Utilize
sempre o sistema bancário. Da mesma forma, procure fazer o pagamento a fornecedores e
prestadores de serviço sempre com cheque ou por sistemas on-line.
Procure saber onde fica o órgão policial mais próximo e quanto tempo levaria para que uma
viatura chegasse até a empresa.
Convide o Delegado de Polícia e o Comandante da Polícia Militar da região para uma visita à
empresa, e procure obter informações sobre a criminalidade na região e a melhor maneira de
lidar com a situação.
Faça um levantamento topográfico nos arredores da empresa, procurando estabelecer uma
possível rota de fuga. Isso poderá facilitar o trabalho da polícia em casos de assalto.

8.5 CRIMES INFORMATIZADOS

É importante observar também que os crimes praticados através dos sistemas informatizados
estão se tornando cada vez mais comuns em todos os segmentos sociais e empresariais, por
isso a empresa deve adotar medidas de segurança de dados, contratando profissionais
especializados para esse fim.
O sistema de informática de uma empresa pode ser violado ou invadido, entre outras, pelas
seguintes razões:
a) Desvio de dinheiro do caixa do estabelecimento.
b) Fraudes e adulterações, visando comprometer o bom funcionamento da empresa.
c) Checar registros e informações sobre dirigentes, pesquisadores e funcionários, com
finalidades criminosas, como roubá-los, seqüestrá-los ou assassiná-los.
d) Verificar relação de cientistas e pesquisadores, bem como suas habilitações, para passar
informações à concorrência, que poderá tentar contratá-los, desfalcando assim a empresa
violada;
e) Copiar lista de clientes e fornecedores, para posterior prática de concorrência desleal.
f) Checar os eventos agendados pela empresa, com fins ilícitos, como sabotagem, colocação
de explosivos ou outras práticas criminosas.
g) Comprometer e neutralizar o sistema, com a introdução de vírus com alto poder de
destruição.

Para evitar tais riscos, a empresa deve tomar as seguintes providências, em relação a seus
sistemas informatizados:

a) Só adquira computadores, softwares e outros equipamentos diretamente de distribuidor


autorizado, mediante o fornecimento de nota fiscal. Resista à tentação de comprar produtos
contrabandeados e mais baratos, uma vez que eles já podem vir “grampeados” até a empresa,
o que facilitará o serviço de eventuais fraudadores.
b) Contrate uma empresa especializada e idônea para desenvolver uma Política de Segurança
de Informações para a empresa. Antes de contratá-la, faça uma investigação sobre suas
atividades. De preferência peça uma lista de clientes e procure conversar com eles sobre a
eficiência e honestidade da empresa.
c) A empresa contratada deverá apenas treinar o seu pessoal para que a empresa possa
implantar uma Política de Segurança de Informações, mas nunca realizar essa tarefa de forma
direta, tomando conhecimento assim dos detalhes do funcionamento do empresa.

8.6 EQUIPAMENTOS DE SEGURANÇA

A empresa deve dispor do maior número possível de equipamentos de segurança. O mercado


possui um número enorme desses equipamentos e uma análise detalhada e individual de cada
estabelecimento é que vai determinar quais equipamentos poderão ser utilizados. Aqui, no
entanto, vamos nos ater a equipamentos básicos, essências e até mesmo indispensáveis.
No que diz respeito à segurança das instalações da empresa, basicamente dois equipamentos
são necessários e, ao mesmo tempo, indispensáveis: alarmes e sensores.
Igualmente, existe no mercado um número enorme desses equipamentos. Uma análise mais
aprofundada, feita por profissional especializado é que vai determinar, exatamente, quais os
tipos de equipamentos adequados para cada organização.
Deve existir na empresa, uma central de Segurança, com um sistema de monitoramento
eletrônico, por imagem, das principais dependências da empresa, conforme ilustração abaixo:
As principais áreas a serem monitoras, durante todo o período de atividade da empresa, são as
seguintes: portão de entrada, recepção, estacionamentos, depósitos, vias públicas, linhas de
produção, áreas administrativas e outras áreas consideradas sensíveis ou importantes sob o
ponto de vista da segurança.

8.7 O APOIO DA POLÍCIA

Mantenha um canal de comunicação eficiente com as autoridades policiais da área, procurando


obter delas informações sobre a criminalidade da região e informando-as a respeito de
qualquer suspeita sobre possível ação de criminosos, bem como sobre os meios mais rápidos
de contar com seus serviços.

9 ILUMINAÇÃO E ENERGIA ELÉTRICA

9.1 IMPORTÂNCIA DE UMA BOA ILUMINAÇÃO

A empresa deve tomar todas as providências necessárias quanto à manutenção da segurança


das instalações elétricas, evitando assim acidentes e desperdícios, bem como garantindo a
iluminação e o fornecimento de energia elétrica em todos os ambientes.
Procure iluminar corretamente as áreas externas da empresa, como pátios, jardins, calçadas,
estacionamentos e outros ambientes, evitando a existência de pontos escuros.
Como já foi dito, o ideal é que não haja grande quantidade de árvores ou vegetações nos
arredores da empresa.
No entanto, se você resolver mantê-los, providencie para que esses locais estejam bem
iluminados, evitando assim que possam servir de esconderijo para criminosos.
A iluminação das vias públicas, nos arredores das instalações da empresa também deve ser
satisfatória. Em casos de deficiência, peça ajuda à companhia de energia elétrica responsável
pela área

9.2 ILUMINAÇÃO DE EMERGÊNCIA

Instale sistemas de iluminação de emergência nos pontos sensíveis da empresa, que possam
ser acionados automaticamente, em casos de queda de energia elétrica.

9.3 TREINAMENTO DE PESSOAL

O pessoal da manutenção deve estar em condições de restabelecer, o mais rápido possível, o


fornecimento de energia elétrica, quando o problema for provocado por fatores internos.
O pessoal da Segurança, bem como dirigentes e funcionários devem ser treinados em
questões relacionadas com energia elétrica, visando garantir a segurança e evitar
desperdícios.
Não deixe a empresa no escuro com a desculpa de economizar. Lembre-se sempre que os
criminosos preferem agir nas sombras.

9.4. SEGURANÇA DAS INSTALAÇÕES ELÉTRICAS

Proteja as instalações elétricas da empresa e dificulte ao máximo o acesso até elas. Estudos
indicam que, em casos de assalto ou atentados, a primeira coisa que os criminosos fazem é
cortar o fornecimento de energia elétrica, uma vez que isso os abriga na escuridão, além de
neutralizar alguns equipamentos de segurança e dificultar o trabalho do pessoal da segurança.
As instalações elétricas que oferecem riscos para a vida humana devem ser corretamente
sinalizadas para evitar acidentes. Somente pessoal autorizado deve ter acesso às instalações
elétricas da empresa.

10 PLANEJAMENTO DA SEGURANÇA

10.1 A IMPORTÂNCIA DO PLANEJAMENTO

É importante observar que todas as medidas de segurança aqui descritas não funcionarão e
não terão a eficácia desejada se não forem adequadamente planejadas e executadas; ou seja,
as medidas de segurança não podem ser adotadas de forma estanque ou isoladas, uma vez
que o sucesso de uma medida sempre dependerá da outra.
Como exemplo disso, pode-se constatar que uma boa proteção perimetral poderá impedir o
acesso de ladrões ao estabelecimento e um controle de acesso eficiente poderá impedir a
entrada na empresa de um eventual seqüestrador ou ladrão.
Assim, a prevenção de furtos acaba dependendo de uma boa proteção perimetral e a
prevenção de seqüestros pode acabar dependendo de um bom controle de acesso e assim por
diante.
Por isso, as medidas de segurança devem ser planejadas previamente dentro de uma visão de
conjunto.

10.2 TIPOS DE PLANEJAMENTO

Os Planos de Segurança podem regra geral, ser classificados dentro da seguinte hierarquia:

• Plano Institucional (ou Estratégico)


• Plano Setorial (ou Intermediário)
• Plano Operacional (ou de Execução)

O Plano Institucional é um planejamento amplo e abrangente, envolvendo toda a empresa e


deve ser elaborado dentro de uma visão ideal de segurança para o local.
O Plano Setorial é aquele elaborado para áreas ou setores específicos da empresa como
recepção, linhas de produção, portaria, estacionamentos, áreas administrativas e depósitos,
entre outros.
Já o Plano Operacional é elaborado em seus mínimos detalhes, visando à solução dos
problemas apontados nos planejamentos anteriores.
Pode-se dizer, assim, que um conjunto de Planos Operacionais constitui-se num Plano Setorial
e um conjunto de Planos Setoriais constitui-se no Plano Institucional de Segurança da
empresa.

10.3 CONTEÚDO DO PLANEJAMENTO

O Planejamento tem por objetivo atender determinados objetivos na área de Segurança da


empresa, por isso deve ser elaborado de forma a descrever os problemas com clareza,
identificando suas origens e desenvolvimento, além de propor soluções exeqüíveis no sentido
de solucioná-los. Para isso é necessário elaborar o documento com o seguinte conteúdo:

FASE 1 (Identificação do Problema):

a) Objetivo: Abordar as razões e a necessidade do Planejamento, procurando mostrar


claramente à chefia a existência de um problema e a necessidade de solucioná-lo.
b) Descrição do Problema: Fazer a descrição ou relato do problema existente.
c) Avaliação da Situação: Avaliar e analisar o problema ou situação sob o ponto de vista
técnico, fazendo uma abordagem pormenorizada da situação. Descer aos mínimos detalhes.
d) Medidas Resolutivas: Apontar as soluções, procurando mostrar todas as alternativas
possíveis para a resolução do problema. Aqui deve-se mostrar os aspectos positivos e
negativos de cada alternativa, como custos, tempo, material necessário, entre outros.

FASE 2 (Resolução do Problema)

a) Execução de Tarefas: Relacionar, com detalhes, as providências adotadas, de acordo com a


fase 1 do Planejamento.
b) Medidas Futuras: Fazer uma análise da situação sob a perspectiva de futuro, procurando
demonstrar se o problema está definitivamente resolvido ou se a empresa deve tomar medidas
extras ou adicionais para garantir a segurança no futuro.
c) Conclusão: Finalmente, fazer um relato completo da situação, descrevendo passo a passo
tudo o que aconteceu desde a identificação do problema até sua solução.

10.4 DOCUMENTOS DE SEGURANÇA

Um documento de planejamento de segurança deve possuir as seguintes características:

a) REDAÇÃO OBJETIVA: Use uma linguagem simples e de fácil compreensão. Evite gírias,
erudição ou frases capazes de provocar interpretações dúbias ou incompletas. A compreensão
errônea de uma norma de segurança pode provocar verdadeiras catástrofes. Por isso seja o
mais simples e objetivo possível.
b) CLASSIFICAÇÃO SIGILOSA: Os documentos de segurança não devem ser de domínio
público. Somente pessoas autorizadas devem ter acesso a eles. O carimbo deve ser colocado
no alto e em baixo do papel.
c) NUMERAÇÃO DE PÁGINAS: A numeração das páginas deve apresentar o número da
página junto com o número de páginas. Ex.: 1/12. Isso quer dizer que o documento possui 12
páginas e a página que está sendo lida é a de número 1 e assim por diante. Isso evita fraudes
ou adulterações.
d) NUMERAÇÃO DO DOCUMENTO: Os documentos de Segurança devem ser numerados por
ordem de elaboração;
e) RÚBRICA, ASSINATURA E CARIMBO: Cada página do documento deve ser rubricada por
quem o elaborou e um carimbo deve ser colocado junto com a rubrica. Na última página, deve
constar a assinatura do Planejador e carimbo.
f) DATA: Os documentos de segurança devem ser sempre datados;
g) ASSUNTO: O objetivo do planejamento deve ser mencionado logo no seu início;
h) ORIGEM: A pessoa ou o setor responsável pelo planejamento deve ser mencionado;
i) DIFUSÃO: Deve-se mencionar o destinatário ou os destinatários do documento, sendo
vedado o acesso a outras pessoas não autorizadas;
j) ANEXOS: Os documentos avulsos que acompanham o Planejamento devem ser
mencionados.

11 OPERACIONALIZAÇÃO DA SEGURANÇA

11.1 DOCUMENTOS DE SEGURANÇA

Conforme vimos no capítulo anterior, a importância de uma burocracia bem estrutura é muito
importante para que a Segurança da empresa atinja seus objetivos.
Assim como o Planejamento de Segurança deve ser elaborado dentro de certos padrões
técnicos, os Relatórios de Segurança também o devem ser.
Podemos classificar os Relatórios de Segurança da seguinte forma:

a) Relatórios Periódicos
b) Relatórios de Situação
c) Relatórios de Ocorrência

Os Relatórios Periódicos são aqueles elaborados periodicamente, ou seja: diário, semanal,


quinzenal, mensal, bimestral, semestral e anual. Esses relatórios são elaborados
rotineiramente, independentemente da ocorrência ou não de qualquer fato envolvendo a área
de Segurança. As grandes empresas devem elaborar relatórios diários ou semanais, enquanto
as pequenas ou médias podem elaborar apenas relatórios mensais e anuais.
Os Relatórios de Situação são aqueles elaborados para relatar uma situação particular, não
necessariamente urgente, mas que requer providências ou, no mínimo, deva ser do
conhecimento da chefia.
Os Relatórios de Ocorrência são aqueles elaborados quando da ocorrência de algum fato
comprometedor da segurança, como acidentes, assaltos, incêndios ou qualquer outra
ocorrência que comprometa ou possa comprometer as atividades normais da empresa.
A área de segurança também deve manter os seguintes documentos:

a) Livro Diário, onde devem ser feitas as anotações referentes ao dia-a-dia da atividade de
segurança na empresa;
b) Registro de Ocorrência, onde deverão ser feitas as anotações sobre fatos e acontecimentos
comprometedores da segurança;
c) Arquivo de Planejamentos;
d) Arquivo de Relatórios;
e) Arquivo de Correspondências Internas;
f) Arquivo de Correspondências Externas;

11.2 GERENCIAMENTO DA SEGURANÇA

O responsável pela segurança da empresa deverá estar sempre atento para qualquer
anormalidade no ambiente e realizar cotidianamente as seguintes tarefas:

a) Inspeções em todos os ambientes da empresa;


b) Verificação de Ocorrências, tomando as providências necessárias.
c) Organização e supervisão de Treinamentos e Simulações.
d) Avaliações constantes (individual e coletiva) e
e) Bom relacionamento com as outras áreas da empresa

11.3 CONTRATAÇÃO DE SERVIÇOS TERCEIRIZADOS

A empresa pode optar por contratar serviços terceirizados, seja na área de vigilância, seja na
área de monitoramento e alarmes. Antes de uma contratação é importante verificar a
idoneidade da empresa prestadora de serviços, para evitar futuros aborrecimentos.

11.4 AQUISIÇÃO DE EQUIPAMENTOS

A aquisição de equipamentos de segurança, principalmente em se tratando de produtos


eletrônicos e de informática, requer uma atenção especial do responsável pela segurança da
empresa.
Antes de adquirir tais equipamentos, procure antes responder às seguintes perguntas:

a) Os equipamentos possuem uma origem idônea?


b) O fabricante ou revendedor opera legalmente?
c) Existe alguma garantia?
d) O equipamento é realmente necessário?
e) O custo é compensador?
f) Existe pessoal habilitado para operá-lo?
g) Ele atende às necessidades da empresa?
h) É de fácil manutenção?
i) É de tecnologia atualizada?
j) A qualidade e eficácia foram testadas?

Só após essa análise criteriosa, será possível adquirir materiais e equipamentos de boa
qualidade, realmente úteis e necessários à empresa.
11.5 PRINCÍPIOS BÁSICOS DA SEGURANÇA PATRIMONIAL

Toda atividade humana, para ser bem sucedida, deve basear-se em princípios. Com a
Segurança Patrimonial não é diferente. Regra geral, sete são os princípios que regem as
atividades de Segurança Patrimonial:

1º. Segurança é Prevenção - A segurança é sempre preventiva. Não há que se falar em


Segurança depois que os fatos aconteceram. A função principal da Segurança é prever os
riscos e perigos e, assim, evitá-los. Em última análise, deve estar preparada para agir
imediatamente após a ocorrência dos fatos danosos, restabelecendo a normalidade e
retomando o controle da situação.

2º. Prevenção é Treinamento - Se Segurança é prevenção, a melhor forma de obtê-la é


através de treinamentos constantes. O treinamento gera condicionamento, que, por sua vez,
gera disciplina, contribuindo assim para o desenvolvimento de medidas preventivas, uma vez
que as pessoas passam a conviver com a idéia de uma situação ideal de segurança.

3º. O investimento em segurança é proporcional ao risco que se corre - Um dos grandes


problemas das organizações empresariais é justamente em relação aos investimentos em
Segurança.
A tendência geral é economizar quando as coisas estão sob controle e depois gastar
excessivamente quando alguma coisa acontece no ambiente, comprometendo a segurança.
O ideal é o equilíbrio. Não há porque a empresa gastar grandes somas em Segurança se os
riscos não são tão grandes. Por outro lado, não deve omitir-se quanto a essa importante área
com a desculpa de economizar.
Uma Análise de Vulnerabilidades, feita por profissional qualificado é que vai determinar o
quanto gastar com Segurança. Qualquer coisa, além disso, é desperdício e qualquer coisa
aquém é omissão e irresponsabilidade.

4º. A Segurança não deve impedir nem dificultar a livre marcha da empresa - Não é
preciso transformar a empresa num quartel ou delegacia de polícia para que a Segurança seja
eficiente. A atividade de Segurança é uma “atividade meio”, que tem por função proteger a
empresa para que ela atinja sua “atividade fim”, que é a produção. Por isso, a Segurança
deverá ser eficiente e até rígida em determinadas situações, mas nunca autoritária ou inibidora,
a ponto de causar constrangimento às pessoas ou entraves no processo produtivo.

5º. A Segurança sustenta-se numa burocracia eficiente - Inicialmente esse princípio pode
parecer contraditório, uma vez que as atividades de Segurança sempre lembram ação e
operacionalidade e não burocracia. No entanto, se essas ações e operações não forem devida
e corretamente planejadas, catalogadas, administradas e relatadas a eficiência da segurança
pode ficar comprometida. Por isso, Manter um correto sistema de Administração da Segurança
é de fundamental importância para o sucesso nessa importante área da empresa.

6º. A Segurança deve estar integrada às outras áreas da empresa - A Segurança não deve
funcionar como uma ilha dentro da empresa, nem como um quartel ou delegacia de polícia,
como já foi dito. Ela deve estar integrada às outras áreas da empresa, prestando a elas um
serviço satisfatório e, em contra partida, recebendo delas apoio e cooperação. É muito
importante esclarecer às outras áreas da empresa os detalhes das atividades da Segurança,
bem como sua importância e operacionalidade e como cada uma delas pode colaborar para
que as pessoas e as instalações da empresa estejam sempre protegidas e em segurança.

7º. A Segurança deve ser compreendida, admitida e aprovada por todos - Para que a
Segurança seja eficiente, ela deve ser, primeiramente, compreendida por todos, desde a alta
direção até o mais modesto dos funcionários do escalão inferior da empresa. Uma vez
compreendida a necessidade e as formas de atuação da Segurança, todos passam a admitir
sua necessidade. E, uma vez admitida sua necessidade, ela deve ser aprovada por todos e,
por via de conseqüência, todos devem colaborar com ela e respeitar suas regras. Só assim
será possível manter um sistema de segurança eficiente no meio empresarial.