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ARLS “BRASIL” Nº 4.587”

PEÇA DE ARQUITETURA DO GRAU DE COMPANHEIRO MAÇOM

TEMA: O SIMBOLISMO DA ROMÃ

Ir MÁRCIO DASSIÉ


CM CIM 314.769

20 de setembro de 2020 EV

ARLS “BRASIL”, Nº 4.587


Rito Brasileiro  Fundada em 13.03.2018
Filiada ao GOBSP - Federada ao GOB
Rua Rodrigues Batista, 41, Jardim da Glória, - CEP 01546090 - São Paulo – SP – Brasil
O SIMBOLISMO DA ROMÃ

ORIGEM E ASPECTOS HISTÓRICOS:

A Romã, nome científico Punica granatum, é um fruto originário do Mediterrâneo


e Oriente Médio. A romãzeira, atinge entre 2 a 8 metros de altura e vive entre 60 e 100
anos. O fruto de cor vermelha acentuada, é composto de câmaras em seu interior, nas
quais se concentram suas sementes irregulares, envoltas em uma saborosa polpa
transparente avermelhada, possuindo propriedades afrodisíacas e medicinais.

A romã fez parte da cultura e história das antigas civilizações localizadas em sua
região de origem, englobando os egípcios, gregos, judeus, árabes, fenícios, sírios, etc...

No Egito antigo, foram encontrados túmulos adornados com romãs pelos


sacerdotes que datam de 2.500 anos a.c... Para os egípcios, a romã simbolizava a vida,
a união geográfica e espiritual do Egito, compreendido assim o Alto Egito, o Meio Egito
e o Baixo Egito, que representavam os três "ninhos interiores" ou a câmara baixa; os
cinco "ninhos superiores" ou câmara alta, dos deuses Osíris, Set, Horus, Isis e Nefritis.

No calendário egípcio o mês tinha somente três semanas de dez dias cada, e o
ano doze meses, ou seja, totalizava 360 dias. Para corrigir o ano para os 365 dias que
correspondem ao tempo no qual a terra dá uma a volta completa ao redor do sol, os
egípcios acrescentavam cinco dias ao calendário, os quais correspondiam aos
correspondentes aos aniversários dos deuses Osíris, Hórus, Set, Isis e Nefritis.
Esses cinco dias acrescidos, eram considerados um período de mal agouro e
para mitigar tal azar, eram oferecidas romãs aos altares desses deuses.

As romãs também eram depositadas nas tumbas funerárias dos faraós, em


número de três agrupadas, simbolizando o Alto Egito, o Meio Egito e o Baixo Egito e
mais cinco agrupadas em honra aos cinco deuses patronos dos cinco últimos dias do
ano e mais sete, em homenagem às sete trajetórias que as almas deviam percorrer para
purificação. Eis exemplos de representações gráficas da romã, apostas pelos egípcios
nas paredes das tumbas funerárias:
Noutro aspecto histórico, no Templo de Salomão, que serviu de modelo e
inspiração simbólica para a construção dos templos maçônicos, as colunas localizadas
no pórtico, uma à direita Boaz e a outra à esquerda Jaquim, eram adornadas com romãs,
havendo expressa menção a respeito na bíblia cristão e nos Manuscritos do Mar Morto
elaborados pelos Essênios, conforme indicado abaixo:

BIBLÍA CRISTÃ:

2 Crônicas 3:15-17

“Fez também, diante da casa, duas colunas de trinta e cinco côvados de altura; e o capitel,
que estava sobre cada uma, era de cinco côvados.
Também fez cadeias no oráculo, e as pôs sobre as cabeças das colunas; fez também cem
romãs, as quais pôs entre as cadeias.
E levantou as colunas diante do templo, uma à direita, e outra à esquerda; e chamou o
nome da que estava à direita Jaquim, e o nome da que estava à esquerda Boaz.

2 Crônicas 4:19

E pôs o mar ao lado direito, para o lado do oriente, na direção do sul.


Também Hirão fez as caldeiras, as pás e as bacias. Assim acabou Hirão de fazer a obra,
que fazia para o rei Salomão, na casa de Deus.
As duas colunas, os globos, e os dois capitéis sobre as cabeças das colunas; e as duas
redes, para cobrir os dois globos dos capitéis, que estavam sobre a cabeça das colunas.
E as quatrocentas romãs para as duas redes; duas carreiras de romãs para cada rede,
para cobrirem os dois globos dos capitéis que estavam em cima das colunas.

1 Reis 7:41-45

A saber: as duas colunas, e os globos dos capitéis que estavam sobre a cabeça das duas
colunas; e as duas redes, para cobrir os dois globos dos capitéis que estavam sobre a
cabeça das colunas.
E as quatrocentas romãs para as duas redes, a saber: duas carreiras de romãs para cada
rede, para cobrirem os dois globos dos capitéis que estavam em cima das colunas.

MANUSCRITO DO MAR MORTO

Col. XXX VIII

1 [...] comerão [...] 2 [...] ... [...] 3 [...] comerão e beberão [...] 4 e comerão [...] o grão, o
mosto e o óleo [...] 5 [...] os filhos de Israel, e no dia das primícias [...] 6 comerão junto à
porta ocidental [...] 7 [...] as uvas e as romãs [...] toda a madeira que entre a [...] 8 [...] a
oferenda das oblações sobre as quais há incenso [...] a oferenda pelos zelos 9 e à direita
desta porta [...] 10 ... ali comerão os produtos... [...] 11 Vacat. 12 Farás um segundo pátio
ao redor do pátio interior, de cem côvados de largura 13 e quatrocentos e oitenta côvados
de largura no lado Leste. A mesma será a largura e a longitude de todos 14 os seus lados,
do Sul, Oeste e Norte. A largura de sua parede será de quatro côvados, e sua altura de 15
vinte e oito côvados. Haverá compartimentos feitos na parede para o exterior, e entre
compartimento e compartimento haverá três (...)
Feita essa brevíssima explanação quanto à origem e história da romã, passa-se
a articular as questões que envolvem o simbolismo maçônico do referido fruto.

SIMBOLOGIA MAÇÔNICA:

Como descrito na bíblia cristã e na forma como construídos os templos maçônicos,


na entrada do pórtico, encontram-se duas colunas denominadas Boaz e Jaquim,

Essas duas colunas sustentam no ápice de seus capitéis um idêntico conjunto de


três romãs dispostas na forma triangular a fim de ornamentá-las.

Maçonicamente, as colunas significam a dualidade existente em cada ser


humano, nossos solstícios interiores, o físico e o espiritual, a matéria e a energia, a
substância e a essência, o mal e o bem, etc.., dualidades humanas estas que são o
baluarte da Maçonaria Universal, a qual adotou a romã como um dos seus símbolos
representativos.

Iniciando o estudo do simbolismo do fruto, num primeiro olhar a romã não parece
atraente ou saborosa, vez que sua casca é dura e áspera de cor amarronzada ou
amarelada, mostra-se quase inacessível e impenetrável, desinteressante aos olhos do
desatento, tal qual se mostra a Maçonaria Universal aos olhos dos profanos.

A transposição da casca não se dá de modo fácil e normalmente é preciso


aguardar o espontâneo amadurecimento para revelar, no seu devido tempo, o esplendor
guardado em seu interior, o qual é recheado de beleza, cor e sabor.

Neste sentido, a Maçonaria é como a romã, hermética e inacessível para os olhos


dos desavisados que a enxergam de longe, porém, é sedutora e bela para aqueles que
decidem mirar o seu olhar com profundidade e atenção. Para estes, será possível viver
a extraordinária beleza interior que se descortina após a iniciação.

Essa beleza se expande conforme os mistérios da arte real são desvendados,


mediante o incessante desbaste progressivo da pedra bruta, trazendo engrandecimento
ao espírito e à construção do templo interior, de forma análoga ao lento e progressivo
amadurecimento do fruto, que culmina com a exposição de seus brilhantes grãos,
assemelhados a pequenas pedras polidas.
A aspereza e rigidez de sua casca não foi criada em vão, pois serve como barreira
impenetrável a um mundo hostil que não concebeu a luz, verdadeira fortaleza erigida
para a preservação da beleza, harmonia e conservação de seus nutritivos grãos, assim
como a Maçonaria Universal serve como imensa malha protetora aos maçons, a fim de
lhes assegurar a senda da luz outorgada no dia do renascimento e início da vida
maçônica.

Mas o simbolismo da romã adotado pela Maçonaria Universal não se resume a


aspereza e a consistência rígida da casca que dificulta e protege o acesso à sua beleza
oculta. Transpassada essa etapa, as sementes desvendadas simbolizam a fraternidade
maçônica, ou seja, a união e solidariedade entre os irmãos, pois embora heterogêneas
quanto às suas formas e tamanhos, juntas apoiam-se umas nas outras formando um
conjunto coeso e harmônico entre si, como uma verdadeira loja maçônica fraterna deve
ser.

Lembre-se que a harmonia e fraternidade insculpida nos maçons jamais fincou-se


na aparência física, opinião, forma de pensamento, costume, capacidade financeira,
capacidade intelectual ou religião professada, pelo contrário, a fraternidade maçônica
repousa em pilares absolutamente diferentes, os quais contemplam a investigação
incessante da verdade, sob o exercício de uma unidade de designíos convergentes e um
sentimento de que somos guiados pelo mesmo espírito de prosperidade que nutre a vida
maçônica, representada pelo SADU.

Assim, a romã revela-se como verdadeiro amálgama afetivo, criador de laços


indissolúveis, seus grãos brilhantes, belos e unidos ocupam e se ajustam ao fruto de
maneira harmônica em cada espaço que lhes são reservados, tal como nós maçons
ocupamos a ordem e nossa loja em fina sintonia, vibrando em frequência única, para que
possamos, desta forma possibilitar, além do aperfeiçoamento de nosso templo interior,
a criação de uma egrégora grandiosa e sadia.

Por fim e não menos importante, a numerosa quantidade de sementes na romã


erige simbolicamente a caridade expressada pela nossa ordem, um verdadeiro símbolo
do amor ao próximo.
CONCLUSÃO:

Diante de tudo quanto exposto, conclui-se que as romãs não repousam sobre as
colunas Boaz e Jaquim no átrio do templo maçônico por mero acaso. Na realidade, lá
foram colocadas para relembrar que são símbolo de harmonia da loja e sua egrégora
aos irmãos que estão prestes a adentrar ao templo, para sempre rememorarem que
estão ali por um ideal comum, por uma unidade de desígnios convergentes, devendo-se
ajustar “ombro à ombro” com os seus demais pares, para que formem um conjunto
realmente coeso e harmônico entre si, como uma verdadeira fraternidade, deixando de
lado eventuais desajustes ou vibrações em frequências dissonantes fora do templo, para
que os trabalhos se desenvolvam com força e vigor, convergindo com a grandiosa e
prospera obra alicerçada sobre os auspícios do SADU.

MÁRCIO DASSIÉ
CIM 314.769

Referências bibliográficas:

https://www.revistauniversomaconico.com.br/simbologia/o-simbolismo-da-roma/

Maçonaria - 100 instruções de aprendiz (Raymundo D’ellia Junior)

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