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COMARCA DE SANTARÉM

INSTÂNCIA CENTRAL DE SANTARÉM


1ª SECÇÃO DE FAMÍLIA E MENORES

EXMO. SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO

…………………………………….., casada, titular do CC nº ………………………., emitido pela


República Portuguesa e válido até …………………….., NIF ………………….., residente na
…………………………………….., vem ao abrigo do disposto no artigo 409º do CPC e como preliminar
da ação de divórcio sem o consentimento do outro cônjuge, instaurar

PROCEDIMENTO CAUTELAR DE ARROLAMENTO DOS BENS COMUNS DO CASAL

Contra o seu marido ……………………………., casado, titular do CC nº ……………………….,


emitido pela República Portuguesa e válido até …………………………., NIF …………………………,
residente na …………………………………., nos termos e com os seguintes fundamentos:

I - LEGITIMIDADE

1. Requerente e Requerido contraíram casamento civil, sem precedência de convenção antenupcial,


no dia ………………………., no …………………., conforme certidão de assento de casamento que se
junta sob o doc. nº 1 e cujo o teor de dá por integralmente reproduzido para todos os efeitos legais.

II - FUNDAMENTOS DA ACÇÃO E DO ARROLAMENTO

2. A Requerente irá intentar contra o seu, ainda, marido, ação de divórcio sem o consentimento
do cônjuge, alegando comportamentos do Requerido que impossibilitam definitivamente a vida em
comum do casal e que afastaram qualquer hipótese futura de restabelecimento da mesma.

3. Isto porque, no seguimento de desavenças entre Requerente e Requerido, desde 2012 a


degradação da vida familiar tem vindo a intensificar-se.

4. No passado mês de abril de 2016, a Requerente manifestou ao Requerido a sua intenção de se


divorciar, tendo inclusive entregado ao mesmo minutas para o divórcio para mútuo consentimento, tendo
o Requerido respondido que iria analisar e pensar no assunto.

5. Porém, a partir dessa altura, o Requerido começou a delapidar os bens comuns do casal, à
revelia da Requerente.

6. Nomeadamente, os veículos do casal - veículo automóvel, marca ………………., modelo


………………., matrícula …………………….. e veículo automóvel, marca ……………., modelo
…………., matrícula …………….. -, que são bens comuns, foram passados pelo Requerido para o nome
do seu pai – …………….. -, no dia 3.5.2016, sem que a Requerente tenha tido conhecimento desses
factos – cf. docs. que se juntam como nºs 2 a 5 e se dão por integralmente reproduzidos.

7. Também em relação às contas bancárias do casal, o Requerido procedeu ao levantamento de


montantes vários, nomeadamente procedeu:

- Ao levantamento de €4.800,00 no dia 22.04.2016 e a transferência no valor de €250,00 no dia


29.04.2016 da conta …………………….do Banco BIC – cf. doc. que se junta como nº 6;
- À liquidação do depósito a prazo no valor de €1.532,22 passando-o para a conta à ordem e, de
seguida, ao levantamento do valor de €1.529,90, no dia 27.04.2016, da conta ……………………. do
Banco BIC, conta esta que pertence ao filho menor do casal – cf. doc. que se junta como nº 7;

- À liquidação antecipada do depósito a prazo no valor de €1.000,00 passando-o para a conta à


ordem e, de seguida, ao levantamento do valor de €1.005,20, no dia 02.05.2016, da conta
………………………………. do Banco Santander Totta – cf. doc. que se junta como nº 8;

8. Ora, a Requerente perdeu toda a confiança que tinha no Requerido, factos que revelam a
impossibilidade de manutenção do casamento.

9. Manifestará então, na ação principal, a Requerente o propósito, inequívoco, de não


reestabelecer a vida em comum, visto as atitudes do Requerido, e nomeadamente a sua reiteração, terem
comprometido definitivamente qualquer possibilidade nesse sentido.

10. Os factos descritos integram os fundamentos legais para o decretamento da providência nos
termos dos artigos 405º do nº 1 do CPC.

11. Perante o, sucintamente descrito é claro que a comunhão de vida entre Requerente e
Requerido chegou ao seu termo.

12. Assiste à Requerente o direito de arrolar todos os bens comuns nos termos do artigo 405º do
CPC, como incidente ou preliminar na ação de divórcio sem necessidade de alegação e prova do justo
receio de extravio ou dissipação dos bens, de acordo com o disposto no nº 3 do mesmo preceito, apesar da
Requerente ter alegado e provado o justo receio de extravio e dissipação dos bens.

13. Sendo ainda pacífico na jurisprudência ser desnecessário a alegação e prova da


comunicabilidade dos bens já que esta se presume. (Cf. Ac. RC , de 05021985, BMJ, 344, pág. 466).

14. Sendo os bens cujo arrolamento se requer são os seguintes:

a) Prédio urbano destinado a habitação sito na ………………., descrito na Conservatória do


Registo Predial do ………… sob o n.º ………… da freguesia de …………… e inscrito na respetiva
matriz predial urbana sob o n.º ……………., com o valor patrimonial de €72.237,63 – cf. docs. que se
juntam como nºs 9 e 10;

b) Veículo automóvel, marca Mercedes-Benz, modelo C 220 CDI, matrícula …………., no valor
de €10.000,00 – cf. doc. que se junta sob nº 11;

c) Veículo automóvel, marca Mitsubishi, modelo Canter, matrícula ………………., no valor de


€10.000,00 – cf. doc. que se junta como nº 12;

d) Recheio da casa de morada de família, sita na ………………………….., no valor de


€20.000,00;

e) Conta bancária nº ……………………., à ordem ou a prazo, junto do Banco BIC;

f) Conta bancária nº …………………….., à ordem ou a prazo, junto do Banco BIC;

g) Conta bancária nº ……………………………, à ordem ou a prazo ou outros produtos


associados, junto do Banco Santander Totta;

h) Certificados do Tesouro, existentes junto dos CTT – Correios de Portugal, no valor de


€1.800,00.

15. Para lá dos bens indicados, existem outros bens comuns, dinheiro, em quantidade que não
consegue precisar, que se encontra depositado em contas bancárias, que a Requerente também não
consegue identificar, mas que se requer o respetivo arrolamento,…

16. …notificando-se, para tanto, os bancos abaixo descriminados, para que estes procedam ao
arrolamento das contas bancárias nas quais conste o Requerido como titular, individualmente ou em
conjunto com mais titulares, ou, atendendo aos factos alegados em nome do pai do Requerido -
………………., a saber:
a) Banco BIC Português, S.A., com sede na Avenida António Augusto de Aguiar, 132, 1050-020
Lisboa;

b) Banco Santander Totta, S.A., com sede na Rua do Ouro, nº 88, 1100-063 Lisboa;

c) Caixa Geral de Depósitos, com sede na Av. João XXI, 63 – 1000-300 Lisboa;

d) Banco BPI, S.A., com sede na Rua Tenente Valadim, 284, 4100-476 Porto;

e) Novo Banco, S.A., com sede na Av. Liberdade, 195, 1250-142 Lisboa;

f) Banco Comercial Português, S.A., com sede na Praça D. João I, 28 – Porto;

g) Caixa Económica Montepio Geral, com sede na Rua Áurea, 219 a 241, 1100 – 062 Lisboa;

h) Caixa de Crédito Agrícola Mútuo do Cartaxo, com sede na Rua 5 de Outubro, 5-G, 2070-059
Cartaxo;

i) Caixa de Crédito Agrícola Mútuo de Pontével CRL, com sede na Rua Luís Duarte, 11-lj 2,
2070-426 Pontével;

j) Banco Popular Portugal, S.A., com sede na Rua Ramalho Ortigão 51, 1099-090 Lisboa.

Nestes termos, e nos demais de direito requer-se a V. Exa.:

A) Seja julgado procedente o presente procedimento cautelar e, em consequência, se digne mandar


efetuar o presente arrolamento;

B) Que a providência seja decretada sem audiência do Requerido, para não comprometer a sua
finalidade;
C) A Requerente, seja nomeado fiel depositária dos bens que constituem o recheio da casa de
morada de família e do veículo automóvel marca Mercedes-Benz, modelo C 220 CDI, matrícula
…………………., em virtude regularmente o utilizar como meio de transporte para o trabalho e
para a vida diária.

PROVA:

A) Documental: Os 12 Documentos ora juntos.

B) Declarações de parte da Requerente:

Requer-se a prestação das declarações de parte da Requerente, ao abrigo do disposto no artigo 466º do
CPC, aos artigos 3º a 8º do presente requerimento inicial.

C) Testemunhal, cuja notificação para comparência se requer:

1) ……………………….., residente na Rua ………………….;


2) …………………….., residente na …………………………..

D) Requer-se a V. Exa. a gravação da audiência.

Nos termos do disposto no artigo 552º, nº 5, última parte, dada a urgência do presente procedimento, em
virtude do Requerido estar a dissipar os bens comuns, a Requerente instaura o mesmo, apresentando
comprovativo do pedido de apoio judiciário requerido, mas ainda não concedido.
Valor: €115.000,00 (cento e quinze mil euros)

Junta: Doze Documentos, procuração forense e comprovativo do pedido de apoio jurídico.

A Advogada,
(assinado eletronicamente pelo CITIUS)