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1.

(Espm) O Brasil agora é feito para a democracia, ou para o despotismo – errei em


querer dar-lhe uma monarquia constitucional. Onde está uma aristocracia rica e
instruída? Onde está um corpo de magistratura honrado e independente? E que pode um
clero imoral e ignorante, sem crédito e sem riqueza? Que resta pois?

(José Bonifácio de Andrada e Silva)

A sociedade civil tem por base primeira a justiça, e por fim principal a felicidade dos
homens. Mas que justiça tem um homem para roubar a liberdade de outro homem e o
que é pior, dos filhos deste homem, e dos filhos destes filhos?

(José Bonifácio de Andrada e Silva)

(Adriana Lopes e Carlos Guilherme Mota. História do Brasil: Uma Interpretação)

Os textos revelam posições de José Bonifácio de Andrada e Silva, constituinte


reformista e monarquista constitucional, que apresentou o projeto mais importante e
radical a respeito da abolição do tráfico e da escravidão.

Quanto às ideias contidas nos textos e ao cenário da Assembleia Constituinte de 1823 é


correto assinalar:
a) O projeto de Constituição apresentado por Antonio Carlos de Andrada, irmão de José
Bonifácio, foi promulgado com apoio unânime da Constituinte;
b) O projeto de Constituição, apelidado de “Constituição da Mandioca”, desagradou a
D. Pedro I e, por isso, ele recorreu à força para fechar a Constituinte;
c) Os jornais A Sentinela e Tamoio, vinculados aos irmãos Andrada, conseguiram
consagrar na Constituição de 1824 os planos de abolição do tráfico e da escravidão;
d) Os textos revelam a satisfação de José Bonifácio, bem como sua comunhão de ideias
e projeto com a aristocracia rural;
e) Os textos revelam o projeto de incluir na Constituição o direito de preservação da
escravidão, pilar da sociedade civil no Brasil.

2. (Enem) Art. 90. As nomeações dos deputados e senadores para a Assembleia Geral, e
dos membros dos Conselhos Gerais das províncias, serão feitas por eleições, elegendo a
massa dos cidadãos ativos em assembleias paroquiais, os eleitores de província, e estes,
os representantes da nação e província.

Art. 92. São excluídos de votar nas assembleias paroquiais:


I. Os menores de vinte e cinco anos, nos quais se não compreendem os casados, os
oficiais militares, que forem maiores de vinte e um anos, os bacharéis formados e os
clérigos de ordens sacras.
II. Os filhos de famílias, que estiverem na companhia de seus pais, salvo se servirem a
ofícios públicos.
III. Os criados de servir, em cuja classe não entram os guarda-livros, e primeiros
caixeiros das casas de comércio, os criados da Casa Imperial, que não forem de galão
branco, e os administradores das fazendas rurais e fábricas.
IV. Os religiosos e quaisquer que vivam em comunidade claustral.
V. Os que não tiverem de renda líquida anual cem mil réis por bens de raiz, indústria,
comércio, ou emprego.

BRASIL. Constituição de 1824. Disponível em: www.planalto.gov.br. Acesso em: 4


abr. 2015 (adaptado).

De acordo com os artigos do dispositivo legal apresentado, o sistema eleitoral instituído


no início do Império é marcado pelo(a)
a) representação popular e sigilo individual.
b) voto indireto e perfil censitário.
c) liberdade pública e abertura política.
d) ética partidária e supervisão estatal.
e) caráter liberal e sistema parlamentar.

3. (Enem) Entre os combatentes estava a mais famosa heroína da Independência.


Nascida em Feira de Santana, filha de lavradores pobres, Maria Quitéria de Jesus tinha
trinta anos quando a Bahia começou a pegar em armas contra os portugueses. Apesar da
proibição de mulheres nos batalhões de voluntários, decidiu se alistar às escondidas.
Cortou os cabelos, amarrou os seios, vestiu-se de homem e incorporou-se às fileiras
brasileiras com o nome de Soldado Medeiros.

GOMES, L. 1822. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2010.

No processo de Independência do Brasil, o caso mencionado é emblemático porque


evidencia a
a) rigidez hierárquica da estrutura social.
b) inserção feminina nos ofícios militares.
c) adesão pública dos imigrantes portugueses.
d) flexibilidade administrativa do governo imperial.
e) receptividade metropolitana aos ideais emancipatórios.

4. (Mackenzie) “A cena de uma rua é, a um só tempo, a mesma de todo o quarteirão.


Os pés de chumbo (portugueses) deixam que a cabralhada (brasileiros) se aproxime o
mais possível. E inesperadamente, de todas as portas, chovem garrafas inteiras e aos
pedaços sobre os invasores. O sangue espirra, testas, cabeças, canelas... Gritos,
gemidos, uivos, guinchos.
É inverossímil.
E a raça toda, de cacete em punho, vai malhando... E os corpos a cair ensanguentados
sobre os cacos navalhantes das garrafas. ”

(Correia, V.,1933, p. 42)

O episódio, descrito acima, relata o enfrentamento entre portugueses e brasileiros, em


13/03/1831, no Rio de Janeiro, conhecido como Noite das Garrafadas. Essa
manifestação assemelhava-se às lutas liberais travadas na Europa, após as decisões
tomadas pelo Congresso de Viena.
A respeito dessa insatisfação popular, presente tanto na Europa, após 1815, quanto nos
conflitos nacionais, durante o I Reinado, é correto afirmar que
a) D. Pedro II adota a mesma política praticada por monarcas europeus; quando, ao
outorgar uma carta constitucional, contrariou os interesses, tanto da classe
oligárquica, fiel ao trono, quanto das classes populares, as quais permaneceram sem
direito ao voto.
b) o governo brasileiro também se utilizou de empréstimos junto à Inglaterra,
aumentando a dívida externa e fortalecendo a economia inglesa, a fim de sanar o
deficit orçamentário e suprir os gastos militares em campanhas contra os levantes
populares.
c) D. Pedro I, buscando recuperar sua popularidade, iniciou uma série de visitas às
províncias revoltosas do país, adotando a mesma estratégia diplomática que alguns
regentes europeus, nessa época, praticaram, sem contudo, lograrem nenhum sucesso
político.
d) as guerras travadas contra o exército napoleônico, na Europa, e o envolvimento do
Brasil, na Guerra da Cisplatina, provocaram, em ambos os casos, a enorme
insatisfação popular e revolta, diante do elevado número de combatentes mortos.
e) a retomada de políticas absolutistas, como o estabelecimento do Poder Moderador, no
Brasil, dando plenos poderes a D. Pedro I e, na Europa, a dura repressão contra as
ideias liberais, deflagradas pela Revolução Francesa, ocasionaram uma enorme
insatisfação popular.

5. (Ufrgs) Sobre a sociedade brasileira no século XIX e a construção do Estado


imperial, considere as seguintes afirmações.

I. O liberalismo, marcado pela defesa da propriedade privada e livre comércio, foi uma
das correntes de pensamento adotadas pelas elites escravocratas brasileiras.
II. A unidade nacional, a integridade territorial e a escravidão estão entre os principais
pilares da monarquia.
III. A nobreza imperial, definida como uma classe social distinta, era um segmento
restrito reservado àqueles que possuíam vínculos de consanguinidade com a
aristocracia europeia.

Quais estão corretas?


a) Apenas I.
b) Apenas II.
c) Apenas III.
d) Apenas I e II.
e) I, II e III.

6. (Unesp) A primeira Constituição brasileira, de 1824, foi

a) aprovada pela Câmara dos Deputados e estabeleceu o voto censitário.


b) imposta por Portugal e determinou o monopólio português do comércio colonial.
c) outorgada pelo imperador e definiu a existência de quatro poderes.
d) promulgada por uma Assembleia Constituinte e concentrou a autoridade no Poder
Executivo.
e) determinada pela Inglaterra e estabeleceu o fim do tráfico de escravos.

7. (Ufrgs) Leia o segmento abaixo.


Nas primeiras décadas do século XIX, a região Centro-Sul consolidou-se como eixo
político-econômico do Brasil.

Considerando esse processo histórico, assinale a alternativa correta.


a) O desenvolvimento da produção açucareira em Cuba, desde fins do século XVIII, foi
fator decisivo para a chamada “crise do açúcar” no Brasil e para o direcionamento da
economia ao mercado internacional do café.
b) O deslocamento do centro histórico-geográfico do Nordeste para a região Centro-Sul
do Brasil teve como principal consequência uma crise econômica, marcada pela
diminuição drástica das exportações de café na primeira metade do século XIX.
c) A vinda da família real para o Brasil, em 1808, integrava o projeto de consolidação
do Império português na América e foi motivada, sobretudo, pela ameaça de invasão
francesa na Bahia.
d) A definição do Rio de Janeiro como centro político do Brasil e a imposição de
medidas proibitivas do tráfico transatlântico de escravos tiveram como consequência
a redução significativa de desembarques de africanos escravizados na região sudeste
do Império.
e) A expansão napoleônica em Portugal teve profundas repercussões no Brasil,
caracterizando um processo de distanciamento do império brasileiro em relação à
cultura francesa, durante a primeira metade do século XIX.

8. (Espm) Assim, as províncias do nordeste, há muito insatisfeitas com a política da


corte, e agitadas com essa guerra de palavras, manifestaram-se em uma nova explosão
revolucionária.
Contra decisões de D. Pedro I, conclamava o Typhis Pernambucano: ‘Eia,
pernambucanos! A nau da pátria está em perigo, cada um a seu posto, unamo-nos com
as províncias limítrofes. Escolhamos um piloto, que mareie a nau ameaçada de iminente
e desfechada tempestade; elejamos um governo supremo, que nos conduza à salvação e
à glória.’.

(Lúcia Bastos Pereira das Neves. "A Vida Política" in: Crise Colonial e Independência /
coordenação Alberto da Costa e Silva)

O contexto tratado deve ser relacionado com:


a) a Confederação do Equador;
b) a Revolução Pernambucana de 1817;
c) a Praieira;
d) a Sabinada;
e) a Cabanagem.

9. (Uefs) A igualdade de interesses agrários e escravocratas que através dos séculos XVI
e XVII predominou na colônia, toda ela dedicada com maior ou menor intensidade à
cultura do açúcar, não a perturbou tão profundamente, como à primeira vista parece, a
descoberta das minas ou a introdução do cafeeiro. Se o ponto de apoio econômico da
aristocracia colonial deslocou-se da cana-de-açúcar para o ouro e mais tarde para o café,
manteve-se o instrumento de exploração: o braço escravo.

(Gilberto Freyre. Casa-Grande & Senzala, 1989.)


O excerto descreve o complexo funcionamento do Brasil durante a colônia e o Império.
Uma de suas consequências para a história brasileira foi
a) a utilização de um mesmo padrão tecnológico nas sucessivas fases da produção de
mercadorias de baixo custo.
b) a existência de uma produção de mercadorias inteiramente voltada para o
abastecimento do mercado interno.
c) a liberdade de decisão política do grupo dominante local enriquecido com a
exploração de riquezas naturais.
d) a ausência de diferenças regionais econômicas e culturais durante o período colonial
e imperial.
e) a manutenção de determinadas relações sociais num quadro de modificações do
centro dinâmico da economia.

10. (cftmg) A classe dominante brasileira era, em sua maioria, conservadora (...).
Desejava manter as estruturas econômicas e sociais coloniais baseadas no sistema
agrícola, na escravidão e na exportação de produtos agrícolas tropicais para o mercado
europeu. Contudo, havia nas cidades (...) alguns liberais que esperavam mudanças mais
profundas na política e na sociedade: soberania popular, democracia e mesmo uma
república.

(BETHELL, Leslie. A independência do Brasil. In: História da América Latina. São


Paulo: EDUSP, 2009. V. 3, p. 213.)

A aceitação de D. Pedro pela elite senhorial, como líder do processo de independência


do Brasil, eclodido em 1822, visava a
a) manter nosso país sob a tutela da metrópole lusitana.
b) evitar transformações mais bruscas na ordem social e política.
c) defender a República como sistema de governo para o novo país.
d) impossibilitar a escolha do regime monárquico após a emancipação.

11. (Uece) Atente ao seguinte fragmento da obra da historiadora Emília Viotti da Costa,
a respeito do processo de independência do Brasil:

“A ordem econômica seria preservada, a escravidão mantida. A nação independente


continuaria subordinada à economia colonial, passando do domínio português à tutela
britânica. A fachada liberal construída pela elite europeizada ocultava a miséria e a
escravidão da maioria dos habitantes do país. Conquistar a emancipação definitiva da
nação, ampliar o significado dos princípios constitucionais seria tarefa relegada aos
pósteros”.

COSTA, Emília Viotti da. Introdução ao estudo da emancipação política do Brasil. In:
MOTA, Carlos Guilherme (Org.). Brasil em perspectiva. 16. ed. Rio de Janeiro: Editora
Bertrand Brasil, 1987. p.125.

Considerando o processo de independência do Brasil, assinale a afirmação verdadeira.


a) Não ocorreu nenhuma ocultação dos reais problemas sociais e econômicos do país
após a independência, já que a elite local buscou solucioná-los imediatamente.
b) Apenas ocorreu a independência econômica do Brasil, mas não a política, pois a elite
nacional europeizada submeteu-se aos interesses da Inglaterra.
c) Pelo fato de a monarquia ter sido logo adotada como forma de governo, a
independência não representou mudanças sociais significativas, pois estas ficariam a
cargo de gerações futuras.
d) Não houve acordo de independência com os Britânicos, que reagiram o quanto
puderam à independência do Brasil, já que ela representaria a real autonomia
econômica do país.

Gabarito

1–B

2–B

3–A

4–E

5–D

6–C

7–A

8–A

9–E

10 – B

11 – C