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SAE DIGITAL S/A

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Curitiba
2018

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© 2018– SAE DIGITAL S/A. É proibida a reprodução, mesmo parcial, por qualquer processo, sem autorização por escrito dos autores e do
detentor dos direitos autorais.

CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO NA PUBLICAÇÃO


____________________________________________________________________________
S132

SAE, questões enem / SAE DIGITAL S/A. - 1. ed. - Curitiba, PR : SAE DIGITAL S/A, 2018.

432 p. : il.

ISBN 978-85-9505-913-9

1. Exame Nacional do Ensino Médio (Brasil). 2. Ensino Médio - Avaliação - Brasil. 3.


Método de estudo. I. Sistema de Apoio ao Ensino.

CDD: 373.981
CDU: 373.5(81)
____________________________________________________________________________

Todos os direitos reservados.

Produção
SAE DIGITAL S/A.
R. João Domachoski, 5. CEP: 81200-150
Mossunguê – Curitiba – PR
0800 725 9797 | Site: sae.digital

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O ENEM, Exame Nacional do Ensino Médio, foi criado pelo Ministério da Educação (MEC)
no ano de 1998 com o intuito de avaliar a qualidade da educação nacional. Em 2009, passou
a ser utilizado por grande parte das instituições públicas de ensino superior do país como
vestibular. Sua importância para o ingresso na universidade cresceu tanto que hoje é obri-
gatório para os estudantes que desejam participar do Sistema de Seleção Unificada (SISU),
do Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior (FIES) e do Programa Univer-
sidade para Todos (Prouni).

Pensando em auxiliar na organização e direcionamento dos seus estudos, elaboramos o


Questões ENEM para agilizar seu aprendizado. Aqui você encontrará TODAS as questões das
provas do Enem de 2011 a 2017, separadas por disciplinas e pelos conteúdos específicos de
cada uma das áreas do conhecimento previstas pelo ENEM.

Com o Questões ENEM, você tem um material que proporciona direcionamento, rapidez
e agilidade para seus estudos.

Desejamos a você um BOM ESTUDO!

Questões de
2011 a 2017
separadas por temas

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Língua Portuguesa e Redação

Literatura

Inglês

Espanhol

Linguagens, Códigos
e suas Tecnologias Arte

Educação Física

Matemática e Matemática
suas Tecnologias

Física

Ciências da Natureza
e suas Tecnologias Química

Biologia

História
Ciências Humanas
e suas Tecnologias
Geografia

Sociologia

Filosofia

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DISCIPLINAS COMPLEMENTARES
CONTEÚDO 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017
ARTE 5 3 4 2 12 6 13

EDUCAÇÃO FÍSICA 2 1 2 2 4 6 6

ESPANHOL 5 5 5 5 10 10 10

FILOSOFIA 0 8 6 7 14 12 12

INGLÊS 5 5 5 5 10 10 10

SOCIOLOGIA 9 4 5 1 26 25 18

TOTAL POR ANO 26 26 27 22 76 69 69

TOTAL 315

30
26
25
25
QUANTIDADE DE QUESTÕES

20 18

14
15
13 12 12
12
10 10 10 10 10 10
9
10 8
7
6 6 6 6
5 5 5 5 5 5 5 5 5 5
4 4 4
5 3
2 2 2 2
1 1
0
0

2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017

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Língua Portuguesa

• Tecnologias da informação e comunicação ........................... 9


• Interpretação de texto: conteúdo e tema .............................17
• Interpretação de texto: linguagem não verbal e mista.........28
• Funções da linguagem.................................................................35
• Sequências discursivas ................................................................38
• Gêneros textuais ............................................................................41
• Análise linguística ..........................................................................52
• Variações linguísticas e níveis de registro .............................60

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Língua Portuguesa

Português
CONTEÚDO 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017
TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO 0 4 4 2 6 6 11

INTERPRETAÇÃO DE TEXTO: CONTEÚDO E TEMA 6 3 5 8 11 10 3

INTERPRETAÇÃO DE TEXTO: LINGUAGEM NÃO VERBAL


3 1 4 4 5 7 4
E MISTA

FUNÇÕES DA LINGUAGEM 2 0 1 1 3 3 2

SEQUÊNCIAS DISCURSIVAS 0 2 0 1 4 4 2

GÊNEROS TEXTUAIS 6 3 4 4 7 11 11

ANÁLISE LINGUÍSTICA 2 4 5 5 6 8 5

VARIAÇÕES LINGUÍSTICAS E NÍVEIS DE REGISTRO 5 6 3 4 7 7 11

TOTAL POR ANO 24 23 26 29 49 56 39

TOTAL 246

PORTUGUÊS
12
11 11 1111 11
10
10
QUANTIDADE DE QUESTÕES

8 8
8
7 7 7 7
6 6 6 6 6 6
6
5 5 5 5 5 5
4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4
4
3 3 3 3 3 3 3
2 2 2 2 2 2
2
1 1 1 1
0 0 0 0
0

2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017

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Língua Portuguesa

Tecnologias da informação e comunicação 3. (Enem-2017)

1. (Enem-2017)
Romanos usavam redes sociais
há dois mil anos, diz livro
Ao tuitar ou comentar embaixo do post de um de
seus vários amigos no Facebook, você provavelmente se sente
privilegiado por viver em um tempo na história em que é possível
alcançar de forma imediata uma vasta rede de contatos por meio
de um simples clique no botão “enviar”. Você talvez também re-
flita sobre como as gerações passadas puderam viver sem mídias
sociais, desprovidas da capacidade de verem e serem vistas, de
receber, gerar e interagir com uma imensa carga de informações.
Mas o que você talvez não saiba é que os seres humanos usam
ferramentas de interação social há mais de dois mil anos. É o que (CIPRIANI, F. Disponível em: <www.snmsolutions.com.br>.
afirma Tom Standage, autor do livro Writing on the Wall — Social Acesso em: 15 maio 2013. Adaptado.)
Media, The first 2 000 Years (Escrevendo no mural — mídias sociais,
os primeiros 2 mil anos, em tradução livre). O consumidor do século XXI, chamado de novo consumidor
social, tende a se comportar de modo diferente do consumidor
Segundo Standage, Marco Túlio Cícero, filósofo e político
tradicional. Pela associação das características apresentadas no
romano, teria sido, junto com outros membros da elite romana,
diagrama, infere-se que esse novo consumidor sofre influência da
precursor do uso de redes sociais. O autor relata como Cícero
usava um escravo, que posteriormente tornou-se seu escriba, A) cultura do comércio eletrônico.
para redigir mensagens em rolos de papiro que eram enviados B) busca constante pelo menor preço.
a uma espécie de rede de contatos. Estas pessoas, por sua vez, C) divulgação de informações pelas empresas.
copiavam seu texto, acrescentavam seus próprios comentários e
repassavam adiante. “Hoje temos computadores e banda larga, D) necessidade recorrente de consumo.
mas os romanos tinham escravos e escribas que transmitiam E) postura comum aos consumidores tradicionais.
suas mensagens”, disse Standage à BBC Brasil. “Membros da elite
romana escreviam entre si constantemente, comentando sobre 4. (Enem-2017)
as últimas movimentações políticas e expressando opiniões.” Texto I
Além do papiro, outra plataforma comumente utilizada Criatividade em publicidade: teorias e reflexões
pelos romanos era uma tábua de cera do tamanho e da forma
de um tablet moderno, em que escreviam recados, perguntas Resumo: O presente artigo aborda uma questão primordial na
ou transmitiam os principais pontos da acta diurna, um “jornal” publicidade: a criatividade. Apesar de aclamada pelos departa-
exposto diariamente no Fórum de Roma. Essa tábua, o “iPad da mentos de criação das agências, devemos ter a consciência de
Roma Antiga”, era levada por um mensageiro até o destinatário, que nem todo anúncio é, de fato, criativo. A partir do resgate
que respondia embaixo da mensagem. teórico, no qual os conceitos são tratados à luz da publicidade,
busca-se estabelecer a compreensão dos temas. Para elucidar
(NIDECKER, F. Disponível em: <www.bbc.co.uk>.
Acesso em: 7 nov. 2013. Adaptado.) tais questões, é analisada uma campanha impressa da marca
XXXX. As reflexões apontam que a publicidade criativa é es-
Na reportagem, há uma comparação entre tecnologias de comu- sencialmente simples e apresenta uma releitura do cotidiano.
nicação antigas e atuais. Quanto ao gênero mensagem, identifi-
ca-se como característica que perdura ao longo dos tempos o(a) (DEPEXE, S. D. Travessias: Pesquisas em Educação, Cultura, Linguagem e
Artes, n. 2, 2008.)
A) imediatismo das respostas.
B) compartilhamento de informações. Texto II
C) interferência direta de outros no texto original.
D) recorrência de seu uso entre membros da elite.
E) perfil social dos envolvidos na troca comunicativa.
2. (Enem-2017) Mas assim que penetramos no universo da
web, descobrimos que ele constitui não apenas um
imenso “território” em expansão acelerada, mas que
também oferece inúmeros“mapas”, filtros, seleções para
ajudar o navegante a orientar-se. O melhor guia para a web é a
própria web. Ainda que seja preciso ter a paciência de explorá-la.
Ainda que seja preciso arriscar-se a ficar perdido, aceitar “a perda de
tempo” para familiarizar-se com esta terra estranha. Talvez seja
preciso ceder por um instante a seu aspecto lúdico para descobrir,
no desvio de um link, os sites que mais se aproximam de nossos in-
teresses profissionais ou de nossas paixões e que poderão, portanto,
alimentar da melhor maneira possível nossa jornada pessoal.
(LÉVY, P. Cibercultura. São Paulo: Editora 34, 1999.)
O usuário iniciante sente-se não raramente desorientado no
oceano de informações e possibilidades disponíveis na rede (Homenagem ao Dia das Mães 2012. Disponível em: <www.comunicacao.
mundial de computadores. Nesse sentido, Pierre Lévy destaca com>. Acesso em: 3 ago. 2012. Adaptado.)
como um dos principais aspectos da internet o(a)
Os dois textos apresentados versam sobre o tema criatividade.
A) espaço aberto para a aprendizagem. O Texto I é um resumo de caráter científico e o Texto II, uma
B) grande número de ferramentas de pesquisa. homenagem promovida por um site de publicidade. De que
C) ausência de mapas ou guias explicativos. maneira o Texto II exemplifica o conceito de criatividade em
D) infinito número de páginas virtuais. publicidade apresentado no Texto I?
E) dificuldade de acesso aos sites de pesquisa.

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Língua Portuguesa

A) Fazendo menção ao difícil trabalho das mães em criar seus O texto trata do avanço técnico e das facilidades encontradas
filhos. pelo homem moderno em relação à prestação de serviços. No
B) Promovendo uma leitura simplista do papel materno em desenvolvimento da temática, o autor
seu trabalho de criar os filhos. A) mostra a necessidade de se construir uma sociedade ba-
C) Explorando a polissemia do termo “criação”. seada no anonimato, reafirmando a ideia de que a intimi-
dade nas relações profissionais exerce influência negativa
D) Recorrendo a uma estrutura linguística simples. na qualidade do serviço prestado.
E) Utilizando recursos gráficos diversificados. B) apresenta uma visão pessimista acerca de tais facilidades
porque elas contribuem para que o homem moderno se
5. (Enem-2017) torne acomodado e distanciado das relações afetivas.
Textos e hipertextos: procurando o equilíbrio C) recorre a clássicos da literatura mundial para comprovar o
Há um medo por parte dos pais e de alguns porquê da necessidade de se viver a simplicidade e a soli-
professores de as crianças desaprenderem quando dariedade em tempos de solidão quase inevitável.
navegam, medo de elas viciarem, de obterem informação D) defende uma posição conformista perante o quadro atual,
não confiável, de elas se isolarem do mundo real, como se o apresentando exemplos, em seu cotidiano, de boa aceita-
computador fosse um agente do mal, um vilão. Esse medo é ção da praticidade oferecida pela vida moderna.
reforçado pela mídia, que costuma apresentar o computador E) acredita na existência de uma superproteção, que impede
como um agente negativo na aprendizagem e na socialização os indivíduos modernos de sofrerem severos danos mate-
dos usuários. Nós sabemos que ninguém corre o risco de de- riais e emocionais.
saprender quando navega, seja em ambientes digitais ou em
materiais impressos, mas é preciso ver o que se está aprendendo 7. (Enem-2017) O jornal vai morrer. É a ameaça mais
e algumas vezes interferir nesse processo a fim de otimizar ou constante dos especialistas. E essa nem é uma pro-
orientar a aprendizagem, mostrando aos usuários outros temas, fecia nova. Há anos a frase é repetida. Experiências
outros caminhos, outras possibilidades diferentes daquelas que são feitas para atrair leitores na era da comunicação
eles encontraram sozinhos ou daquelas que eles costumam nervosa, rápida, multicolorida, performática. Mas o que é o
usar. É preciso, algumas vezes, negociar o uso para que ele não jornal? Onde mora seu encanto?
seja exclusivo, uma vez que há outros meios de comunicação, O que é sedutor no jornal é ser ele mesmo e nenhum outro
outros meios de informação e outras alternativas de lazer. É uma formato de comunicação de ideias, histórias, imagens e notícias.
questão de equilibrar e não de culpar. No tempo das muitas mídias, o que precisa ser entendido é que
(COSCARELLI, C. V. Linguagem em (Dis)curso, n. 3, set.-dez. 2009.) cada um tem um espaço, um jeito, uma personalidade.
Quando surge uma nova mídia, há sempre os que a apre-
A autora incentiva o uso da internet pelos estudantes, ponde- sentam como tendência irreversível, modeladora do futuro
rando sobre a necessidade de orientação a esse uso, pois essa inevitável e fatal. Depois se descobre que nada é substituído
tecnologia e o novo se agrega ao mesmo conjunto de seres através dos
A) está repleta de informações confiáveis que constituem fon- quais nos comunicamos.
te única para a aprendizagem dos alunos. Os jornais vão acabar, garantem os especialistas. E, por isso,
B) exige dos pais e professores que proíbam seu uso abusivo dizem que é preciso fazer jornal parecer com as outras formas da
para evitar que se torne um vício. comunicação mais rápida, eletrônica, digital. Assim, eles morre-
C) tende a se tornar um agente negativo na aprendizagem e rão mais rapidamente. Jornal tem seu jeito. É imagem, palavra,
na socialização de crianças e jovens. informação, ideia, opinião, humor, debate, de uma forma só dele.
Nesse tempo tão mutante em que se tuíta para milhares,
D) possibilita maior ampliação do conhecimento de mundo
que retuítam para outros milhares o que foi postado nos blogs,
quando a aprendizagem é direcionada.
o que está nos sites dos veículos online, que chance tem um
E) leva ao isolamento do mundo real e ao uso exclusivo do jornal de papel que traz uma notícia estática, uma foto parada,
computador se a navegação for desmedida. um infográfico fixo?
Terá mais chance se continuar sendo jornal.
6. (Enem-2017)
(LEITÃO, M. Jornal de papel. O tempo, n. 5 684, 8 jul. 2012. Adaptado.)
O mundo mudou
O mundo mudou. “O mundo mudou” porque está Muito se fala sobre o impacto causado pelas tecnologias da
sempre mudando. E sempre estará, até que um dia comunicação e da informação nas diferentes mídias. A partir da
chegue o seu alardeado fim (se é que chegará). Hoje vivemos análise do texto, conclui-se que essas tecnologias
“protegidos” por muitos cuidados e paparicos, sempre sob A) mantêm inalterados os modos de produção e veiculação
a forma de “serviços”, e desde que você tenha dinheiro para do conhecimento.
usá-los, claro. Carro quebrou na marginal? Relaxe, o guincho B) provocam rupturas entre novas e velhas formas de comu-
da seguradora virá em minutos resgatá-lo. Tem dificuldade de nicar o conhecimento.
locomoção? Espere, a empresa aérea disporá de uma cadeira
de rodas para levá-lo ao terminal. Surgiu uma goteira no seu C) modernizam práticas de divulgação do conhecimento hoje
chalé em plenas férias de verão? Calma, o moço que conserta consideradas obsoletas.
telhados está correndo para lá agora. Vai ficando para trás um D) substituem os modos de produção de conhecimentos
outro mundo – de iniciativas, de gestos solidários, de amizade, oriundos da oralidade e da escrita.
de improvisação (sim, “quem não improvisa se inviabiliza”, eu E) contribuem para a coexistência de diversos modos de pro-
diria, parafraseando Chacrinha). Estamos criando uma geração dução e veiculação de conhecimento.
que não sabe bater um prego na parede, trocar um botijão de
gás, armar uma rede. É, o mundo mudou sim. Só nos resta o 8. (Enem-2017)
telefone do SAC, onde gastaremos nossa bílis com impropérios A tecnologia está, definitivamente, presente na vida
ao vento; ou o site da loja de eletrodomésticos onde ninguém cotidiana. Seja para consultar informações, conversar
tem nome (que saudade dos Reginaldos, Edmilsons e Velosos!). com amigos e familiares ou apenas entreter, a internet
Ligaremos para falar com a nossa própria solidão, a nossa de- e os celulares não saem das mãos e mentes das pessoas. Por esse
pendência do mundo dos serviços e a nossa incapacidade de motivo, especialistas alertam: o uso excessivo dessas ferramentas
viver com real simplicidade, soterrados por senhas, protocolos pode viciar. O problema, dizem os especialistas, é o usuário conse-
e pendências vãs. Nem Kafka poderia sonhar com tal mundo. guir diferenciar a dependência do uso considerado normal. Hoje,
a internet e os celulares são ferramentas profissionais e de estudo.
(ZECA BALEIRO. Disponível em: <www.istoe.com.br>. Acesso em: 18 maio
2013. Adaptado.) (MATSUURA, S. O Globo, 10 jun. 2013. Adaptado.)

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Língua Portuguesa

O desenvolvimento da sociedade está relacionado ao avanço das de atrofia. A novidade afetou a Igreja Católica, as monarquias,
tecnologias, que estabelecem novos padrões de comportamento. os poderes coloniais e, com o passar do tempo, resultou nas
De acordo com o texto, o alerta dos especialistas deve-se à revoluções na América Latina, nos Estados Unidos, na França.
A) insegurança do usuário, em razão do grande número de Resultou na democracia parlamentar, na reforma protestante,
pessoas conectadas às redes sociais. na criação das universidades, do próprio capitalismo. Martinho
Lutero chamou a prensa móvel de “a mais alta graça de Deus”.
B) falta de credibilidade das informações transmitidas pelos Agora, mais uma vez, o gênio da tecnologia saiu da garrafa.
meios de comunicação de massa. Com a prensa móvel, ganhamos acesso à palavra escrita. Com a
C) comprovação por pesquisas de que os danos ao cérebro internet, cada um de nós pode ser seu próprio editor. A imprensa
são muito maiores do que se pode imaginar. nos deu acesso ao conhecimento que já havia sido produzido
D) subordinação das pessoas aos recursos oferecidos pelas e estava registrado. A internet nos dá acesso ao conhecimento
novas tecnologias, a ponto de prejudicar suas vidas. contido no cérebro de outras pessoas em qualquer parte do
E) possibilidade de as pessoas se isolarem socialmente, em mundo. Isso é uma revolução. E, tal como aconteceu no passado,
razão do uso das novas tecnologias de comunicação. está fazendo com que nossas instituições se tornem obsoletas.
(TAPSCOTT, D. Entrevista concedida a Augusto
9. (Enem-2017) Como se apresentam os atos de ler e Nunes. Veja, 21 abr. 2011. Adaptado.)
escrever no contexto dos canais de chat da internet? Segundo o pesquisador entrevistado, a internet revolucio-
O próprio nome que designa estes espaços no meio nou a história da mesma forma que a prensa móvel de Gutenberg
virtual elucida que os leitores-escritores ali estão em- revolucionou o mundo no século XV. De acordo com o texto, as duas
penhados em efetivar uma conversação. Porém, não se trata de invenções, de maneira similar, provocaram o(a)
uma conversação nos moldes tradicionais, mas de um projeto
discursivo que se realiza só e através das ferramentas do compu- A) ocorrência de revoluções em busca por governos mais
tador via canal eletrônico mediado por um software específico. democráticos.
A dimensão temporal deste tipo de interlocução caracteriza-se B) divulgação do conhecimento produzido em papel nas diver-
pela sincronicidade em tempo real, aproximando-se de uma sas instituições.
conversa telefônica, porém, devido às especificidades do meio C) organização das sociedades a favor do acesso livre à educação
que põe os interlocutores em contato, estes devem escrever suas e às universidades.
mensagens. Apesar da sensação de estarem falando, os enuncia-
D) comércio do conhecimento produzido e registrado em qual-
dos que produzem são construídos num “texto falado por escrito”,
quer parte do mundo.
numa “conversação com expressão gráfica”. A interação que se
dá “tela a tela”, para que seja bem-sucedida, exige, além das ha- E) democratização do conhecimento pela divulgação de ideias
bilidades técnicas anteriormente descritas, muito mais do que a por meio de publicações.
simples habilidade linguística de seus interlocutores. No interior
de uma enorme coordenação de ações, o fenômeno chat também 11. (Enem-2017)
envolve conhecimentos paralinguísticos e socioculturais que
devem ser partilhados por seus usuários. Isso significa dizer que
esta atividade comunicacional, assim como as demais, também
apresenta uma vinculação situacional, ou seja, não pode a língua,
nesta esfera específica da comunicação humana, ser separada do
contexto em que se efetiva.
(BERNARDES, A. S.; VIEIRA, P. M. T. Disponível em: <www.anped.org.br>. (DAHMER, A. Disponível em: <www.malvados.
Acesso em: 14 ago. 2012.) com.br>. Acesso em: 15 maio 2013.)
Importantes recursos de reflexão e crítica próprios do gênero
No texto, descreve-se o chat como um tipo de conversação “tela
textual, esses quadrinhos possibilitam pensar sobre o papel da
a tela” por meio do computador e enfatiza-se a necessidade de
tecnologia nas sociedades contemporâneas, pois
domínio de diversas habilidades. Uma característica desse tipo
de interação é a A) indicam a solidão existencial dos usuários das redes sociais
virtuais.
A) coordenação de ações, ou atitudes, que reflitam mode-
los de conversação tradicionais. B) criticam a superficialidade das relações humanas mantidas
pela internet.
B) presença obrigatória de elementos iconográficos que repro-
duzam características do texto falado. C) retratam a dificuldade de adaptação de pessoas mais ve-
lhas às relações virtuais.
C) inserção sequencial de elementos discursivos que sejam
similares aos de uma conversa telefônica. D) ironizam o crescimento da conexão virtual oposto à falta
de vínculos reais entre as pessoas.
D) produção de uma conversa que articula elementos das mo-
dalidades oral e escrita da língua. E) denunciam o enfraquecimento das relações humanas nos
mundos virtual e real contemporâneos.
E) agilidade na alternância de temas e de turnos conversacionais.
12. (Enem-2016) Até que ponto replicar conteúdo é crime?
10. (Enem-2017) “A internet e a pirataria são inseparáveis”, diz o diretor
de pesquisas americano Social Science Research
A inteligência está na rede Council. “Há uma infraestrutura pequena para contro-
lar quem é o dono dos arquivos que circulam na rede. Isso acabou
Pergunta: Há tecnologias que melhoram a vida humana, com o controle sobre a propriedade e tem sido descrito como
como a invenção do calendário, e outras que revolucionam a pirataria, mas é inerente à tecnologia”, afirma o diretor. O ato de
história humana, como a invenção da roda. A internet, o iPad, distribuir cópias de um trabalho sem a autorização dos seus
o Facebook, o Google são tecnologias que pertencem a que produtores pode, sim, ser considerado crime, mas nem sempre
categoria? essa distribuição gratuita lesa os donos dos direitos autorais. Pelo
Resposta: À das que revolucionam a história. O que está contrário. Veja o caso do livro O alquimista, do escritor Paulo
acontecendo no mundo de hoje é semelhante ao que se passou Coelho. Após publicar, para download gratuito, uma versão tra-
com a sociedade agrária depois da prensa móvel de Gutenberg. duzida da obra em seu blog, Coelho viu as vendas do livro em
Antes, o conhecimento estava concentrado em oligopólios. A papel explodirem.
invenção de Gutenberg começou a democratizar o conheci- (BARRETO, J.; MORAES, M. A internet existe sem pirataria?
Veja, n. 2 308, 13 fev. 2013. Adaptado.)
mento, e as instituições do feudalismo entraram num processo

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Língua Portuguesa

De acordo com o texto, o impacto causado pela internet propicia a 15. (Enem-2016)
A) banalização da pirataria na rede. Como escrever na internet
B) adoção de medidas favoráveis aos editores.
C) implementação de leis contra crimes eletrônicos.
Regra 1 – Fale, não GRITE!
D) reavaliação do conceito de propriedade intelectual.
Combine letras maiúsculas e minúsculas, da mesma forma
E) ampliação do acesso a obras de autores reconhecidos.
que na escrita comum. Cartas em papel não são escritas somen-
13. (Enem-2016) O hoax, como é chamado qualquer boato te com letras maiúsculas; na internet, escrever em maiúsculas
ou farsa na internet, pode espalhar vírus entre os seus é o mesmo que gritar! Para enfatizar frases e palavras, use os
contatos. Falsos sorteios de celulares ou frases que recursos de _sublinhar_ (colocando palavras ou frases entre
Clarice Lispector nunca disse são exemplos de hoax. sublinhados) e *grifar* (palavras ou frases entre asteriscos).
Trata-se de boatos recebidos por e-mail ou compartilhados em Frases em maiúsculas são aceitáveis em títulos e ênfases ou
redes sociais. Em geral, são mensagens dramáticas ou alarmantes avisos urgentes.
que acompanham imagens chocantes, falam de crianças doentes Regra 2 – Sorria :-) pisque ;-) chore &-( ...
ou avisam sobre falsos vírus. O objetivo de quem cria esse tipo de Os emoticons (ou smileys) são ícones formados por parênte-
mensagem pode ser apenas se divertir com a brincadeira (de mau ses, pontos, vírgulas e outros símbolos do teclado. Eles represen-
gosto), prejudicar a imagem de uma empresa ou espalhar uma tam carinhas desenhadas na horizontal e denotam emoções. É
ideologia política. difícil descobrir quando uma pessoa está falando alguma coisa
Se o hoax for do tipo phishing (derivado de fishing, pescaria, em em tom de brincadeira, se está realmente brava ou feliz, ou se
inglês) o problema pode ser mais grave: o usuário que clicar pode está sendo irônica, em um ambiente no qual só há texto; por
ter seus dados pessoais ou bancários roubados por golpistas. Por isso, entram em cena os smileys. Comece a usá-los aos poucos
isso é tão importante ficar atento. e, com o passar do tempo, estarão integrados naturalmente às
(VIMERCATE, N. Disponível em: <www.techtudo.com.br>. suas conversas on-line.
Acesso em: 1 maio 2013. Adaptado.) (Disponível em: <www.icmc.usp.br>. Acesso em: 29 jul. 2013.)

Ao discorrer sobre os hoaxes, o texto sugere ao leitor, como O texto traz exemplos de regras que podem evitar mal-enten-
estratégia para evitar essa ameaça, didos em comunicações eletrônicas, especialmente em e-mails
e chats. Essas regras
A) recusar convites de jogos e brincadeiras feitos pela internet.
A) revelam códigos internacionalmente aceitos que devem
B) analisar a linguagem utilizada nas mensagens recebidas. ser seguidos pelos usuários da internet.
C) classificar os contatos presentes em suas redes sociais. B) constituem um conjunto de normas ortográficas inclusas
D) utilizar programas que identifiquem falsos vírus. na escrita padrão da língua portuguesa.
E) desprezar mensagens que causem comoção. C) representam uma forma complexa de comunicação, pois
os caracteres são de difícil compreensão.
14. (Enem-2016) As plataformas digitais têm ganhado mais
espaço entre os internautas como ferramenta para D) foram desenvolvidas para que usuários de países de lín-
exercer a cidadania. Através delas, é possível mapear guas diferentes possam se comunicar na web.
problemas da cidade e propor soluções, utilizando-se E) refletem recomendações gerais sobre o uso dos recursos
das redes sociais para aproximar os moradores e articular projetos. de comunicação facilitadores da convivência na internet.
O espaço colaborativo PortoAlegre.cc, um dos mais ativos no país,
tem 150 participantes e ajudou a estudante de jornalismo Renata 16. (Enem-2016)
Gomes, 25, a chamar 80 pessoas para retirar 1 tonelada de lixo da O que é Web semântica?
orla do rio Guaíba. “Foi a partir da sugestão de um integrante da
plataforma que criei a causa. Foi fundamental porque sempre Web Semântica é um projeto para aplicar con-
senti vontade de fazer algo pela cidade, mas não sabia como”, diz ceitos inteligentes na internet atual. Nela, cada
Renata. O projeto colaborativo baseia-se no conceito de wikici- informação vem com um significado bem definido e não se
dade (inspirado na enciclopédia virtual Wikipédia), em que um encontra mais solta no mar de conteúdo, permitindo uma
território real recebe anotações virtuais das pessoas por meio de melhor interação com o usuário. Novos motores de busca,
wikispots, que se referem a uma praça, uma rua ou um bairro. “A interfaces inovadoras, criação de dicionários de sinônimos e a
ideia de wikicidade é fomentar a cocriação, elaboração e experi- organização inteligente de conteúdos são alguns exemplos de
mentação de sugestões que possam ser aplicadas em uma cidade”, aprimoramento. Dessa forma, você não vai mais precisar minerar
explica Daniel Bittencourt, um dos desenvolvedores do projeto a internet em busca daquilo que você procura, ela vai passar a
PortoAlegre.cc. se comportar como um todo, e não mais como um monte de
informação empilhada. A implementação deste paradigma
(DIDONÊ, D. Cidadania 2.0. Vida Simples, n. 119, jun. 2012.)
começou recentemente, e ainda vai levar mais alguns anos até
O texto, ao falar da utilização das redes sociais e informar sobre que entre completamente em vigor e dê um jeito em toda a
a quantidade de projetos colaborativos espalhados pelo país, enorme bagunça que a internet se tornou.
(Disponível em: <www.tecmundo.com.br>.
expõe a importância das plataformas digitais no exercício da Acesso em: 6 ago. 2013. Adaptado.)
cidadania. O espaço colaborativo PortoAlegre.cc tem como
principal objetivo Ao analisar o texto sobre a Web Semântica, deduz-se que esse
A) contratar pessoas para realizarem a limpeza de ruas e de novo paradigma auxiliará os usuários a
margens dos rios. A) armazenar grandes volumes de dados de modo mais
B) sugerir a criação de grupos virtuais de apoio à cidade e sua disperso.
divulgação na Wikipédia. B) localizar informações na internet com mais precisão.
C) reunir pessoas dispostas a utilizar sugestões virtuais para a C) captar os dados na internet com mais velocidade.
manutenção e a preservação da cidade. D) publicar dados com significados não definidos.
D) divulgar as redes sociais para que mais pessoas possam in- E) navegar apenas sobre dados já organizados.
teragir e resolver os problemas da cidade.
E) aproximar as pessoas de cidades distantes para mapear
problemas e criar projetos em comum.

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17. (Enem-2016) psicológico da Revolução da Informação, como o da Revolução


Industrial, foi enorme. Talvez tenha sido mais forte na maneira
como as crianças aprendem. Já aos 4 anos (e às vezes até antes),
as crianças desenvolvem habilidades de computação, logo ul-
trapassando seus pais. Os computadores são seus brinquedos
e suas ferramentas de aprendizado. Daqui a 50 anos, talvez
concluamos que não houve nenhuma crise educacional no
mundo – apenas ocorreu uma incongruência crescente entre a
maneira como as escolas do século XX ensinavam e a maneira
como as crianças do fim do século XX aprendiam.
(DRUCKER, P. O melhor de Peter Drucker: obra
completa. São Paulo: Nobel, 2002.)

O artigo apresenta uma reflexão sobre a Revolução da


Informação, que, assim como a Revolução Industrial, provocou
(RIC. Disponível em: <www.nanquim.com.br>. Acesso em: 8 dez. 2012.) impactos significativos nas sociedades contemporâneas. Ao
tratar da Revolução da Informação, o autor enfatiza que
O texto faz referência aos sistemas de comunicação e informa-
ção. A crítica feita a uma das ferramentas midiáticas se funda- A) o comércio eletrônico é um dos canais mais importantes
menta na falta de dessa revolução.
A) opinião dos leitores nas redes sociais. B) o computador desenvolve na criança uma inteligência
maior que a dos pais.
B) recursos tecnológicos nas empresas jornalísticas.
C) o aumento no número de empregos via internet é uma rea-
C) instantaneidade na divulgação da notícia impressa.
lidade atualmente.
D) credibilidade das informações veiculadas nos blogs.
D) o colapso educacional é fruto de uma incongruência no
E) adequação da linguagem jornalística ao público jovem. ensino do século XX.
18. (Enem-2015) Telecommuting redefine o tradicional E) o advento da Revolução da Informação causará impactos
entendimento sobre o espaço de trabalho. nos próximos 50 anos.
Atualmente, as organizações estão se focando em
novos valores, tais como inovações, satisfação, res- 20. (Enem-2015) O primeiro contato dos suruís com o
ponsabilidades, resultados e ambiente de trabalho familiar. A homem branco foi em 1969. A população indígena foi
alternativa do telecommuting complementa esses princípios e dizimada por doenças e matanças, mas, recentemente,
oferece flexibilidade aos patrões e empregados. É um conceito voltou a crescer. Soa contraditório, mas a mesma mo-
novo que, a cada dia, ganha mais força ao redor do mundo. dernidade que quase dizimou os suruís nos tempos do primeiro
Grandes empresas escolheram o trabalho de telecommuting contato promete salvar a cultura e preservar o território desse
pelas facilidades que ele gera para o empregador. A implantação povo. Em 2007, o líder Almir Suruí, de 37 anos, fechou uma parceria
do telecommuting determina regras para se trabalhar em casa inédita e levou a tecnologia às tribos. Os índios passaram a valorizar
em dias específicos da semana e, nos demais dias, trabalhar no a história dos anciãos. E a resguardar, em vídeos e fotos online, as
escritório. O local de trabalho pode ser a casa ou, temporaria- tradições da aldeia. Ainda se valeram de smartphones e GPS para
mente, por motivo de viagem, outros escritórios. delimitar suas terras e identificar os desmatamentos ilegais.
(FERREIRA JR., J. C. Disponível em: <www.ccuec.unicamp.br>. Acesso em: 1.o (RIBEIRO, A. Não temos o direito de ficar isolados.
ago. 2012. Adaptado.) Época, n. 718, 20 fev. 2012. Adaptado.)

Com o advento das novas tecnologias, a sociedade tem vivencia- Considerando-se as características históricas da relação entre
do mudanças de paradigmas em vários setores. Nesse sentido, o índios e não índios, a suposta contradição observada na relação
telecommuting traz novidades para o mundo do trabalho porque entre suruís e recursos da modernidade justifica-se porque os
proporciona prioritariamente o(a) índios
A) aumento da produtividade do empregado. A) aderiram à tecnologia atual como forma de assimilar a cul-
B) equilíbrio entre vida pessoal e profissional do trabalhador. tura do homem branco.
C) fortalecimento da relação entre empregador e empregado. B) fizeram uso do GPS para identificar áreas propícias a novas
D) participação do profissional nas decisões da organização. plantações.
E) maleabilidade dos locais de atuação do profissional da C) usaram recursos tecnológicos para registrar a cultura do
empresa. seu povo.
D) fecharam parceria para denunciar as vidas perdidas por
19. (Enem-2015) doenças e matanças.
Além da Revolução da Informação E) resguardaram as tradições da aldeia à custa do isolamento
O impacto da Revolução da Informação está provocado pela tecnologia moderna.
apenas começando. Mas a força motriz desse impacto
não é a informática, a inteligência artificial, o efeito dos compu- 21. (Enem-2015)
tadores sobre a tomada de decisões ou a elaboração de políticas
ou de estratégias. É algo que praticamente ninguém previu, nem
mesmo se falava há 10 ou 15 anos: o comércio eletrônico – o
aparecimento explosivo da internet como um canal importante,
talvez principal, de distribuição mundial de produtos, serviços
e, surpreendentemente, de empregos de nível gerencial. Essa
nova realidade está modificando profundamente economias,
mercados e estruturas setoriais, os produtos e serviços e seu
fluxo, a segmentação, os valores e o comportamento dos con-
sumidores, o mercado de trabalho.
O impacto, porém, pode ser ainda maior nas sociedades e
nas políticas empresariais e, acima de tudo, na maneira como (VEIGA, D. Disponível em: <http://dirceuveiga.
encaramos o mundo e nós mesmos dentro dele. O impacto com.br>. Acesso em: 3 maio 2012.)

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Considerando que a internet influencia os modos de comuni- Na esteira do desenvolvimento das tecnologias de informação
cação contemporânea, a charge faz uma crítica ao uso vicioso e de comunicação, usos particulares da escrita foram surgindo.
dessa tecnologia, pois Diante dessa nova realidade, segundo o texto, cabe à escola
A) gera diminuição no tempo de descanso, substituído pelo levar o aluno a
contato com outras pessoas. A) interagir por meio da linguagem formal no contexto digital.
B) propicia a continuação das atividades de trabalho, ainda B) buscar alternativas para estabelecer melhores contatos
que em ambiente doméstico. online.
C) promove o distanciamento nos relacionamentos, mesmo C) adotar o uso de uma mesma norma nos diferentes supor-
entre pessoas próximas fisicamente. tes tecnológicos.
D) tem impacto negativo no tempo disponível para o lazer do D) desenvolver habilidades para compreender os textos pos-
casal. tados na web.
E) implica a adoção de atitudes agressivas entre os membros
E) perceber as especificidades das linguagens em diferentes
de uma mesma família.
ambientes digitais.
22. (Enem-2015) A emergência da sociedade da informa- 24. (Enem-2014)
ção está associada a um conjunto de profundas
transformações ocorridas desde as últimas duas Linotipos
décadas do século XX. Tais mudanças ocorrem em O Museu da Imprensa exibe duas linotipos.
dimensões distintas da vida humana em sociedade, as quais Trata-se de um tipo de máquina de composição de
interagem de maneira sinérgica e confluem para projetar a in- tipos de chumbo, inventada em 1884 em Baltimore, nos Estados
formação e o conhecimento como elementos estratégicos, dos Unidos, pelo alemão Ottmar Mergenthaler. O invento foi de gran-
pontos de vista econômico-produtivo, político e sociocultural. de importância por ter significado um novo e fundamental avanço
A sociedade da informação caracteriza-se pela crescente na história das artes gráficas. A linotipia provocou, na verdade,
utilização de técnicas de transmissão, armazenamento de dados uma revolução porque venceu a lentidão na composição dos
e informações a baixo custo, acompanhadas por inovações orga- textos executada na tipografia tradicional, em que o texto era um
nizacionais, sociais e legais. Ainda que tenha surgido motivada composto à mão, juntando tipos móveis um por um. Constituía-se,
por um conjunto de transformações na base técnico-científica, assim, no principal meio de composição tipográfica até 1950. A li-
ela se investe de um significado bem mais abrangente. notipo, a partir do final do século XIX, passou a produzir impressos
a baixo custo, o que levou informação às massas, democratizou
(LEGEY, L. R.; ALBAGLI, S. Disponível em: <www.dgz.org.br>. Acesso em: 4
dez. 2012. Adaptado.)
a informação. Promoveu uma revolução na educação. Antes da
linotipo, os jornais e revistas eram escassos, com poucas páginas
O mundo contemporâneo tem sido caracterizado pela crescente e caros. Os livros didáticos eram também caros, pouco acessíveis.
utilização das novas tecnologias e pelo acesso à informação cada
(Disponível em: <http://portal.in.gov.br>. Acesso em: 23 fev. 2013. Adaptado.)
vez mais facilitado. De acordo com o texto, a sociedade da infor-
mação corresponde a uma mudança na organização social porque O texto apresenta um histórico da linotipo, uma máquina
A) representa uma alternativa para a melhoria da qualidade tipográfica inventada no século XIX e responsável pela dina-
de vida. mização da imprensa. Em termos sociais, a contribuição da
B) associa informações obtidas instantaneamente por todos e linotipo teve impacto direto na
em qualquer parte do mundo. A) produção vagarosa de materiais didáticos.
C) propõe uma comunicação mais rápida e barata, contri- B) composição aprimorada de tipos de chumbo.
buindo para a intensificação do comércio.
C) montagem acelerada de textos para impressão.
D) propicia a interação entre as pessoas por meio de redes
sociais. D) produção acessível de materiais informacionais.
E) representa um modelo em que a informação é utilizada in- E) impressão dinamizada de imagens em revistas.
tensamente nos vários setores da vida.
25. (Enem-2014)
23. (Enem-2015) Embora particularidades na produção Cordel resiste à tecnologia gráfica
mediada pela tecnologia aproximem a escrita da A Cariri mantém uma das mais ricas tradições da
oralidade, isso não significa que as pessoas estejam cultura popular. É a literatura de cordel, que atravessa
escrevendo errado. Muitos buscam, tão somente, os séculos sem ser destruída pela avalanche de modernidade que
adaptar o uso da linguagem ao suporte utilizado: “O contexto invade o sertão lírico e telúrico. Na contramão do progresso, que
é que define o registro de língua. Se existe um limite de espaço, informatizou a indústria gráfica, a Lira Nordestina, de Juazeiro
naturalmente, o sujeito irá usar mais abreviaturas, como faria do Norte, e a Academia dos Cordelistas do Crato conservam, em
no papel”, afirma um professor do Departamento de Linguagem suas oficinas, velhas máquinas para impressão de seus cordéis.
e Tecnologia do Cefet-MG. Da mesma forma, é preciso considerar A chapa para impressão do cordel é feita à mão, letra por
a capacidade do destinatário de interpretar corretamente a letra, um trabalho artesanal que dura cerca de uma hora para
mensagem emitida. No entendimento do pesquisador, a escola, confecção de uma página. Em seguida, a chapa é levada para a
às vezes, insiste em ensinar um registro utilizado apenas em impressora, também manual, para imprimir. A manutenção desse
contextos específicos, o que acaba por desestimular o aluno, sistema antigo de impressão faz parte da filosofia do trabalho. A
que não vê sentido em empregar tal modelo em outras situa- outra etapa é a confecção da xilogravura para a capa do cordel.
ções. Independentemente dos aparatos tecnológicos da atua- As xilogravuras são ilustrações populares obtidas por gravuras
lidade, o emprego social da língua revela-se muito mais signifi- talhadas em madeira. A origem da xilogravura nordestina até
cativo do que seu uso escolar, conforme ressalta a diretora de hoje é ignorada. Acredita-se que os missionários portugueses
Divulgação Científica da UFMG: “A dinâmica da língua oral é tenham ensinado sua técnica aos índios, como uma atividade
sempre presente. Não falamos ou escrevemos da mesma forma extracatequese, partindo do princípio religioso que defende
que nossos avós”. Some-se a isso o fato de os jovens se revelarem a necessidade de ocupar as mãos para que a mente não fique
os principais usuários das novas tecnologias, por meio das quais livre, sujeita aos maus pensamentos, ao pecado. A xilogravura
conseguem se comunicar com facilidade. A professora ressalta, antecedeu ao clichê, placa fotomecanicamente gravada em re-
porém, que as pessoas precisam ter discernimento quanto às levo sobre metal, usualmente zinco, que era utilizada nos jornais
distintas situações, a fim de dominar outros códigos. impressos em rotoplanas.
(SILVA JR., M. G.; FONSECA, V. Revista Minas Faz Ciência, n. 51, (VICELMO, A. Disponível em: <www.onordeste.com>. Acesso em: 24 fev.
set.-nov. 2012. Adaptado.) 2013. Adaptado.)

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A estratégia da gráfica constituída pela união entre as técnicas A) elemento originário dos textos eletrônicos.
da impressão manual e da confecção da xilogravura na produção B) conexão imediata e reduzida ao texto digital.
de folhetos de cordel
C) novo modo de leitura e de organização da escrita.
A) realça a importância da xilogravura sobre o clichê.
D) estratégia de manutenção do papel do leitor com perfil
B) oportuniza a renovação dessa arte na modernidade. definido.
C) demonstra a utilidade desses textos para a catequese. E) modelo de leitura baseado nas informações da superfície
D) revela a necessidade da busca das origens dessa literatura. do texto.
E) auxilia na manutenção da essência identitária dessa tradi-
ção popular. 28. (Enem-2013)
Para Carr, internet atua no comércio da
26. (Enem-2013) distração
O bit na galáxia de Gutenberg Autor de “A Geração Superficial” analisa a influência
Neste século, a escrita divide terreno com diversos da tecnologia na mente
meios de comunicação. Essa questão nos faz pensar
na necessidade da “imbricação, na coexistência e interpretação O jornalista americano Nicholas Carr acredita que a internet
recíproca dos diversos circuitos de produção e difusão do saber...” não estimula a inteligência de ninguém. O autor explica desco-
bertas cientificas sobre o funcionamento do cérebro humano e
É necessário relativizar nossa postura frente às modernas
tecnologias, principalmente à informática. Ela é um campo teoriza sobre a influência da internet em nossa forma de pensar.
novidativo, sem dúvida, mas suas bases estão nos modelos in- Para ele, a rede torna o raciocínio de quem navega mais raso,
formativos anteriores, inclusive, na tradição oral e na capacidade além do fragmentar a atenção de seus usuários.
natural de simular mentalmente os acontecimentos do mundo Mais: Carr afirma que há empresas obtendo lucro com a
e antecipar as consequências de nossos atos. A impressão é a recente fragilidade de nossa atenção. “Quanto mais tempo
matriz que deflagrou todo esse processo comunicacional eletrô- passamos on-line e quanto mais rápido passamos de uma in-
nico. Enfatizo, assim, o parentesco que há entre o computador formação para a outra, mais dinheiro as empresas da internet
e os outros meios de comunicação, principalmente a escrita, fazem”, avalia.
uma visão da informática como um “desdobramento daquilo “Essas empresas estão no comércio da distração e são experts
que a produção literária impressa e, anteriormente, a tradição em nos manter cada vez mais famintos por informação fragmen-
oral já traziam consigo”. tada em partes pequenas. É claro que elas têm interesse em nos
(NEITZEL. L. C. Disponível em: <www.geocities.com.br>. Acesso em: 1 ago. estimular e tirar vantagem da nossa compulsão por tecnologia”.
2012. Adaptado.)
(ROXO, E. Folha de S.Paulo, 18 fev. 2012. Adaptado.)
Ao tecer considerações sobre as tecnologias da contempora-
neidade e os meios de comunicação do passado, esse texto A crítica do jornalista norte-americano que justifica o título do
concebe que a escrita contribui para uma evolução das novas texto é a de que a internet
tecnologias por A) mantém os usuários cada vez menos preocupados com a
A) se desenvolver paralelamente nos meios tradicionais de qualidade da informação.
comunicação e informação. B) torna o raciocínio de quem navega mais raso, além de frag-
B) cumprir função essencial na contemporaneidade por meio mentar a atenção de seus usuários.
das impressões em papel. C) desestimula a inteligência, de acordo com descobertas
C) realizar transição relevante da tradição oral para o progres- científicas sobre o cérebro.
so das sociedades humanas. D) influencia nossa forma de pensar com a superficialidade
D) oferecer melhoria sistemática do padrão de vida e do de- dos meios eletrônicos.
senvolvimento social humano. E) garante a empresas obtenção de mais lucro com a recente
E) fornecer base essencial para o progresso das tecnologias fragilidade de nossa atenção.
de comunicação e informação.
29. (Enem-2013) O sociólogo espanhol Manuel Castells
27. (Enem-2013) O hipertexto permite – ou, de certo sustenta que “a comunicação de valores e a mobili-
modo, em alguns casos, até mesmo exige – a parti- zação em torno do sentido são fundamentais. Os
cipação de diversos autores na sua construção, a re- movimentos culturais (entendidos como movimen-
definição dos papéis de autor e leitor e a revisão dos tos que tem como objetivo defender ou propor modos próprios
modelos tradicionais de leitura e de escrita. Por seu enorme de vida e sentido) constroem-se em torno de sistemas de co-
potencial para se estabelecerem conexões, ele facilita o desen- municação – essencialmente a internet e os meios de comuni-
volvimento de trabalhos coletivamente, o estabelecimento da cação – porque esta é a principal via que esses movimentos
comunicação e a aquisição de informação de maneira encontram para chegar àquelas pessoas que podem eventual-
cooperativa. mente partilhar os seus valores, e a partir daqui atuar na cons-
Embora haja quem identifique o hipertexto exclusivamente ciência da sociedade no seu conjunto”.
com os textos eletrônicos, produzidos em determinado tipo de (Disponível em: <www.compolitica.org>. Acesso em: 2 mar. 2012. Adaptado.)
meio ou de tecnologia, ele não deve ser limitado a isso, já que
consiste numa forma organizacional que tanto pode ser conce- Em 2011, após uma forte mobilização popular via redes sociais,
bida para o papel como para os ambientes digitais. É claro que o houve a queda do governo de Hosni Mubarak, no Egito. Esse
texto virtual permite concretizar certos aspectos que, no papel, evento ratifica o argumento de que
são praticamente inviáveis: a conexão imediata, a comparação A) a internet atribui verdadeiros valores culturais aos seus
de trechos de textos na mesma tela, o “mergulho” nos diversos usuários.
aprofundamentos de um tema, como se o texto tivesse camadas,
dimensões ou planos. B) a consciência das sociedades foi estabelecida com o ad-
vento da internet.
(Ramal, A. C. Educação na cibercultura: hipertextualidade, leitura, escrita
e aprendizagem. Porto Alegre: Artmed, 2002.)
C) a revolução tecnológica tem como principal objetivo a de-
posição de governantes antidemocráticos.
Considerando-se a linguagem específica de cada sistema de D) os recursos tecnológicos estão a serviço dos opressores e
comunicação, como rádio, jornal, TV, internet, segundo o texto, do fortalecimento de suas práticas políticas.
a hipertextualidade configura-se como um(a) E) os sistemas de comunicação são mecanismos importantes
de adesão e compartilhamento de valores sociais.

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30. (Enem-2012) “Ele era o inimigo do rei”, nas palavras 32. (Enem-2012)
de seu biógrafo, Lira Neto. Ou, ainda, “um romancista
que colecionava desafetos, azucrinava D. Pedro II e E-mail com hora programada
acabou inventando o Brasil”. Assim era José de
Redação INFO, 28 de agosto de 2007.
Alencar (1829-1877), o conhecido autor de O guarani e Iracema,
tido como o pai do romance no Brasil. Além de criar clássicos Agende o envio de e-mails no Thunderbird
da literatura brasileira com temas nativistas, indianistas e com a extensão SendLater
históricos, ele foi também folhetinista, diretor de jornal, autor
de peças de teatro, advogado, deputado federal e até ministro Nem sempre é interessante mandar um e-mail na hora. Há
da Justiça. Para ajudar na descoberta das múltiplas facetas situações em que agendar o envio de uma mensagem é útil,
desse personagem do século XIX, parte de seu acervo inédito como em datas comemorativas ou quando o e-mail serve para
será digitalizada. lembrar o destinatário de algum evento futuro. O Thunderbird,
o ótimo cliente de e-mail do grupo Mozilla, conta com uma
(História Viva, n. 99, 2011.) extensão para esse fim. Trata-se do SendLater. Depois de insta-
lado, ele cria um item no menu de criação de mensagens que
Com base no texto, que trata do papel do escritor José de Alencar permite marcar o dia e a hora exatos para o envio do e-mail.
e da futura digitalização de sua obra, depreende-se que Só há um ponto negativo: para garantir que a mensagem seja
A) a digitalização dos textos é importante para que os leitores enviada na hora, o Thunderbird deverá estar em execução. Senão,
possam compreender seus romances. ele mandará o e-mail somente na próxima vez que for rodado.
B) o conhecido autor de O guarani e Iracema foi importan- (Disponível em: <http://info.abril.com.br>.
te porque deixou uma vasta obra literária com temática Acesso em: 18 fev. 2012. Adaptado.)
atemporal.
Considerando-se a função do SendLater, o objetivo do autor do
C) a divulgação das obras de José de Alencar, por meio da di- texto E-mail com hora programada é
gitalização, demonstra sua importância para a história do
Brasil Imperial. A) eliminar os entraves no envio de mensagens via e-mail.
D) a digitalização dos textos de José de Alencar terá impor- B) viabilizar a aquisição de conhecimento especializado pelo
tante papel na preservação da memória linguística e da usuário.
identidade nacional. C) permitir a seleção dos destinatários dos textos enviados.
E) o grande romancista José de Alencar é importante porque D) controlar a quantidade de informações constantes do cor-
se destacou por sua temática indianista. po do texto.
E) divulgar um produto ampliador da funcionalidade de um
31. (Enem-2012) Com o texto eletrônico, enfim, parece recurso comunicativo.
estar ao alcance de nossos olhos e de nossas mãos
um sonho muito antigo da humanidade, que se po- 33. (Enem-2012) A marcha galopante das tecnologias teve
deria resumir em duas palavras, universalidade e por primeiro resultado multiplicar em enormes pro-
interatividade. porções tanto a massa das notícias que circulam
As luzes, que pensavam que Gutenberg tinha propiciado quanto as ocasiões de sermos solicitados por elas. Os
aos homens uma promessa universal, cultivavam um modo de profissionais têm tendência a considerar esta inflação como au-
utopia. Elas imaginavam poder, a partir das práticas privadas de tomaticamente favorável ao público, pois dela tiram proveito e
cada um, construir um espaço de intercâmbio crítico das ideias tornam-se obcecados pela imagem liberal do grande mercado
e opiniões. O sonho de Kant era que cada um fosse ao mesmo em que cada um, dotado de luzes por definição iguais, pode fazer
tempo leitor e autor, que emitisse juízos sobre as instituições sua escolha em toda liberdade. Isso jamais foi realizado e tende
de seu tempo, quaisquer que elas fossem e que, ao mesmo a nunca ser. Na verdade, os leitores, ouvintes, telespectadores,
tempo, pudesse refletir sobre o juízo emitido pelos outros. mesmo se se abandonam a sua bulimia*, não são realmente
Aquilo que outrora só era permitido pela comunicação manus- nutridos por esta indigesta sopa de informações e sua busca fi-
crita ou a circulação dos impressos encontra hoje um suporte naliza em frustração. Cada vez mais frequentemente, até, eles
poderoso com o texto eletrônico. ressentem esse bombardeio de riquezas falsas como agressivo e
(CHARTIER, R. A aventura do livro: do leitor ao navegador. São Paulo: se refugiam na resistência a toda ou qualquer informação.
Imprensa Oficial do Estado de São Paulo; Unesp, 1998.)
O verdadeiro problema das sociedades pós-industriais não
No trecho apresentado, o sociólogo Roger Chartier caracteriza é a penúria**, mas a abundância. As sociedades modernas têm
o texto eletrônico como um poderoso suporte que coloca ao à sua disposição muito mais do que necessitam em objetos,
alcance da humanidade o antigo sonho de universalidade e informações e contatos. Ou, mais exatamente, disso resulta uma
interatividade, uma vez que cada um passa a ser, nesse espaço desarmonia entre uma oferta, não excessiva, mas incoerente, e
de interação social, leitor e autor ao mesmo tempo. A univer- uma demanda que, confusamente, exige uma escolha muito
salidade e a interatividade que o texto eletrônico possibilita mais rápida a absorver. Por isso os órgãos de informação devem
estão diretamente relacionadas à função social da internet de escolher, uma vez que o homem contemporâneo apressado, es-
tressado, desorientado busca uma linha diretriz, uma classifica-
A) propiciar o livre e imediato acesso às informações e ao in- ção mais clara, um condensado do que é realmente importante.
tercâmbio de julgamentos.
(*) fome excessiva, desejo descontrolado.
B) globalizar a rede de informações e democratizar o acesso (**) miséria, pobreza.
aos saberes. (VOYENNE, B. Informação hoje. Lisboa: Armand Colin, 1975. Adaptado.)
C) expandir as relações interpessoais e dar visibilidade aos in-
teresses pessoais. Com o uso das novas tecnologias, os domínios midiáticos obti-
D) propiciar entretenimento e acesso a produtos e serviços. veram um avanço maior e uma presença mais atuante junto ao
público, marcada ora pela quase simultaneidade das informações,
E) expandir os canais de publicidade e o espaço mercadológico. ora pelo uso abundante de imagens. A relação entre as necessi-
dades da sociedade moderna e a oferta de informação, segundo
o texto, é desarmônica, porque
A) o jornalista seleciona as informações mais importantes an-
tes de publicá-las.
B) o ser humano precisa de muito mais conhecimento do que
a tecnologia pode dar.

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C) o problema da sociedade moderna é a abundância de infor- da pesquisa é comprovar como fatores sociais colaboram para
mações e de liberdade de escolha. reduzir esse níveis e que o objetivo da pesquisa é comprovar
D) a oferta é incoerente com o tempo que as pessoas têm para como fatores sociais colaboram para a saúde do corpo. “Isso
digerir a quantidade de informação disponível. não significa que quanto mais crianças você tiver, melhor será
E) a utilização dos meios de informação acontece de maneira sua pressão sanguínea. Os resultados estão conectados a essa
desorganizada e sem controle efetivo. relação de parentesco, mas sem considerar o número de suces-
sores ou situação profissional”, pondera Juliane.
(ALVES, I. Vivasaúde, n. 83, s.d.)
Interpretação de texto: conteúdo e tema O texto apresenta resultados de uma pesquisa científica,
objetivando
34. (Enem-2017) Essas moças tinham o vezo de afirmar A) informar o leitor leigo a respeito dos resultados obtidos,
o contrário do que desejavam. Notei a singularidade com base em dados monitorados.
quando principiaram a elogiar o meu paletó cor de
macaco. Examinavam-no sérias, achavam o pano e B) sensibilizar o leitor acadêmico a respeito da paternidade,
os aviamentos de qualidade superior, o feitio admirável. com apoio nos comentários da pesquisadora.
Envaideci-me: nunca havia reparado em tais vantagens. Mas os C) persuadir o leitor especializado a se beneficiar do exercício
gabos se prolongaram, trouxeram-me desconfiança. Percebi da paternidade, com base nos dados comparados.
afinal que elas zombavam e não me susceptibilizei. Longe disso: D) dar ciência ao leitor especializado da validade da investiga-
achei curiosa aquela maneira de falar pelo avesso, diferente das ção, com base na reputação da instituição promotora.
grosserias a que me habituara. Em geral me diziam com fran-
queza que a roupa não me assentava no corpo, sobrava nos E) instruir o leitor leigo a respeito da validade relativa da in-
sovacos. vestigação, com base nas declarações da pesquisadora.

(RAMOS, G. Infância. Rio de Janeiro: Record, 1994.) 37. (Enem-2016) Em casa, Hideo ainda podia seguir fiel
ao imperador japonês e às tradições que trouxera no
Por meio de recursos linguísticos, os textos mobilizam estraté- navio que aportara em Santos. […] Por isso Hideo
gias para introduzir e retomar ideias, promovendo a progressão exigia que, aos domingos, todos estivessem juntos
do tema. No fragmento transcrito, um novo aspecto do tema é Durante o almoço. Ele se sentava à cabeceira da mesa; à direita
introduzido pela expressão ficava Hanashiro, que era o primeiro filho, e Hitoshi, o segundo,
A) “a singularidade”. e à esquerda, Haruo, depois Hiroshi, que era o mais novo. [...]
B) “tais vantagens”. A esposa, que também era mãe, e as filhas, que também eram
irmãs, aguardavam de pé ao redor da mesa […]. Haruo reclama-
C) “os gabos”. va, não se cansava de reclamar: que se sentassem também as
D) “Longe disso”. mulheres à mesa, que era um absurdo aquele costume. Quando
E) “Em geral”. se casasse, se sentariam à mesa a esposa e o marido, um em
frente ao outro, porque não era o homem melhor que a mulher
35. (Enem-2017) O comportamento do público, em geral, para ser o primeiro […]. Elas seguiam de pé, a mãe um pouco
parece indicar o seguinte: o texto da peça de teatro cansada dos protestos do filho, pois o momento do almoço era
não basta em si mesmo, não é uma obra de arte sagrado, não era hora de levantar bandeiras inúteis […].
completa, pois ele só se realiza plenamente quando (NAKASATO, O. Nihonjin. São Paulo: Benvirá, 2011. Fragmento.)
levado ao palco. Para quem pensa assim, ler um texto dramático
equivale a comer a massa do bolo antes de ele ir para o forno. Referindo-se a práticas culturais de origem nipônica, o narrador
Mas ele só fica pronto mesmo depois que os atores deram vida registra as reações que elas provocam na família e mostra um
àquelas emoções; que cenógrafos compuseram os espaços, contexto em que
refletindo externamente os conflitos internos dos envolvidos; A) a obediência ao imperador leva ao prestígio pessoal.
que os figurinistas vestiram os corpos sofredores em
movimento. B) as novas gerações abandonam seus antigos hábitos.
(LACERDA, R. Leitores. Metáfora, n. 7, abr. 2012.)
C) a refeição é o que determina a agregação familiar.
D) os conflitos de gênero tendem a ser neutralizados.
Em um texto argumentativo, podem-se encontrar diferentes E) o lugar à mesa metaforiza uma estrutura de poder.
estratégias para guiar o leitor por um raciocínio e chegar a
determinada conclusão. Para defender sua ideia a favor da 38. (Enem-2016)
incompletude do texto dramático fora do palco, o autor usa
Texto I
como estratégia argumentativa a
Nesta época do ano, em que comprar compulsi-
A) comoção.
vamente é a principal preocupação de boa parte da
B) analogia. população, é imprescindível refletirmos sobre a importância
C) identificação. da mídia na propagação de determinados comportamentos
D) contextualização. que induzem ao consumismo exacerbado. No clássico livro O
capital, Karl Marx aponta que no capitalismo os bens materiais,
E) enumeração.
ao serem fetichizados, passam a assumir qualidades que vão
36. (Enem-2017) além da mera materialidade. As coisas são personificadas e as
pessoas são coisificadas. Em outros termos, um automóvel de
Ser pai faz bem para a pressão! luxo, uma mansão em um bairro nobre ou a ostentação de obje-
Uma pesquisa feita pela Brigham Young tos de determinadas marcas famosas são alguns dos fatores que
University, nos EUA, indica que a paternidade pode conferem maior valorização e visibilidade social a um indivíduo.
ajudar a manter a pressão arterial baixa. Os dados foram medidos (LADEIRA, F. F. Reflexões sobre o consumismo. Disponível em: <http://
em 198 adultos, monitorados por aparelhos anexados ao braço, observatoriodaimprensa.com.br>. Acesso em: 18 jan. 2015.)
em intervalos aleatórios, durante 24 horas. Comparada às do
grupo de adultos sem filhos, a média dos pais foi inferior em 4,5 Texto II
pontos para a pressão arterial diastólica. Julianne Holt-Lunstad, Todos os dias, em algum nível, o consumo atinge nossa vida,
autora do estudo, diz que outros fatores (como atividades físicas) modifica nossas relações, gera e rege sentimentos, engendra
também colaboram para reduzir esses níveis e que o objetivo fantasias, aciona comportamentos, faz sofrer, faz gozar. Às vezes

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Língua Portuguesa

constrangendo-nos em nossas ações no mundo, humilhando O jornal impresso é parte integrante do que hoje se compreende
e aprisionando, às vezes ampliando nossa imaginação e nossa por tecnologias de informação e comunicação. Nesse texto, o
capacidade de desejar, consumimos e somos consumidos. Numa jornal é reconhecido como
época toda codificada como a nossa, o código da alma (o código A) objeto de devoção pessoal.
do ser) virou código do consumidor! Fascínio pelo consumo,
fascínio do consumo. Felicidade, luxo, bem-estar, boa forma, B) elemento de afirmação da cultura.
lazer, elevação espiritual, saúde, turismo, sexo, família e corpo C) instrumento de reconstrução da memória.
são hoje reféns da engrenagem do consumo. D) ferramenta de investigação do ser humano.
(BARCELLOS, G. A alma do consumo. Disponível em: <www.diplomatique. E) veículo de produção de fatos da realidade.
org.br>. Acesso em: 18 jan. 2015.)
41. (Enem-2016) Mandinga – Era a denominação que,
Esses textos propõem uma reflexão crítica sobre o consumismo. no período das grandes navegações, os portugueses
Ambos partem do ponto de vista de que esse hábito davam à costa ocidental da África. A palavra se tornou
A) desperta o desejo de ascensão social. sinônimo de feitiçaria porque os exploradores lusita-
B) provoca mudanças nos valores sociais. nos consideravam bruxos os africanos que ali habitavam – é que
eles davam indicações sobre a existência de ouro na região. Em
C) advém de necessidades suscitadas pela publicidade.
idioma nativo, manding designava terra de feiticeiros. A palavra
D) deriva da inerente busca por felicidade pelo ser humano. acabou virando sinônimo de feitiço, sortilégio.
E) resulta de um apelo do mercado em determinadas datas. (COTRIM, M. O pulo do gato 3. São Paulo:
Geração Editorial, 2009. Fragmento.)
39. (Enem-2016)
Pérolas absolutas No texto, evidencia-se que a construção do significado palavra
Há, no seio de uma ostra, um movimento – ainda mandinga resulta de um(a) conte
que imperceptível. Qualquer coisa imiscuiu-se pela A) contexto sócio-histórico.
fissura, uma partícula qualquer, diminuta e invisível. Venceu as B) diversidade étnica.
paredes lacradas, que se fecham como a boca que tem medo de C) descoberta geográfica.
deixar escapar um segredo. Venceu. E agora penetra o núcleo
da ostra, contaminando-lhe a própria substância. A ostra reage, D) apropriação religiosa.
imediatamente. E começa a secretar o nácar. É um mecanismo E) contraste cultural.
de defesa, uma tentativa de purificação contra a partícula inva-
sora. Com uma paciência de fundo de mar, a ostra profanada 42. (Enem-2016) O Google Art é uma ferramenta on-line
continua seu trabalho incansável, secretando por anos a fio o que permite a visitação virtual dos mais importantes
nácar que aos poucos se vai solidificando. É dessa solidificação museus do mundo e a visualização de suas obras de
que nascem as pérolas. arte. Por meio da tecnologia Street View e de um
As pérolas são, assim, o resultado de uma contaminação. A veículo exclusivamente desenvolvido para o projeto, fotogra-
arte por vezes também. A arte é quase sempre a transformação fou-se em 360 graus o interior de lugares como o MoMA, de
da dor. [...] Escrever é preciso. É preciso continuar secretando Nova York, o Museu Van Gogh, em Amsterdã, e a National Gallery,
o nácar, formar a pérola que talvez seja imperfeita, que talvez de Londres. O resultado é que se pode andar pelas galerias assim
jamais seja encontrada e viva para sempre encerrada no fundo como se passeia pelas ruas com o Street View. Além disso, cada
do mar. Talvez estas, as pérolas esquecidas, jamais achadas, as museu escolheu uma única obra de arte de seu acervo para ser
pérolas intocadas e por isso absolutas em si mesmas, guardem fotografada com câmeras de altíssima resolução, ou gigapixel.
em si uma parcela faiscante da eternidade. As imagens contêm cerca de sete bilhões de pixels o que significa
que é mais de mil vezes mais detalhada do que uma foto de
(SEIXAS, H. Uma ilha chamada livro. Rio de câmera digital comum. Além disso, todas as obras vêm acom-
Janeiro: Record, 2009. Fragmento.)
panhadas de metadados de proveniência, tais como títulos
Considerando os aspectos estéticos e semânticos presentes no originais, artistas, datas de criação, dimensões e a quais coleções
texto, a imagem da pérola configura uma percepção que já pertenceram. Os usuários também podem criar suas próprias
coleções e compartilhá-las pela web.
A) reforça o valor do sofrimento e do esquecimento para o
processo criativo. (Disponível em: <http://oglobo.globo.com>. Acesso em: 3 out. 2013. Adaptado.)

B) ilustra o conflito entre a procura do novo e a rejeição ao As tecnologias da computação possibilitam um novo olhar sobre
elemento exótico. as obras de arte. A prática permite que usuários
C) concebe a criação literária como trabalho progressivo e de A) guiem virtualmente um veículo especial através dos me-
autoconhecimento. lhores museus do mundo.
D) expressa a ideia de atividade poética como experiência B) reproduzam as novas obras de arte expostas em museus
anônima e involuntária. espalhados pelo mundo.
E) destaca o efeito introspectivo gerado pelo contato com o C) criem novas obras de arte em 360 graus, consultem seus
inusitado e com o desconhecido. metadados e os compartilhem na internet.
40. (Enem-2016) D) visitem o interior e as obras de arte de todos os museus do
mundo em 3D e em altíssima resolução.
BONS DIAS!
E) visualizem algumas obras de arte em altíssima resolução e,
14 de junho de 1889 simultaneamente, obtenham informações sobre suas ori-
Ó doce, ó longa, ó inexprimível melancolia dos jornais ve- gens e composição.
lhos! Conhece-se um homem diante de um deles. Pessoa que
não sentir alguma coisa ao ler folhas de meio século, bem pode 43. (Enem-2016)
crer que não terá nunca uma das mais profundas sensações da Noites do Bogart
vida, – igual ou quase igual à que dá a vista das ruínas de uma O Xavier chegou com a namorada mas, prudente-
civilização. Não é a saudade piegas, mas a recomposição do mente, não a levou para a mesa com o grupo. Abanou
extinto, a revivescência do passado. de longe. Na mesa, as opiniões se dividiam.
(ASSIS, M. Bons dias! (Crônicas 1888-1889). Campinas: Editora da Unicamp; — Pouca vergonha.
São Paulo: Hucitec, 1990.)
— Deixa o Xavier.

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Língua Portuguesa

— Podia ser a filha dele. Mama África tem tanto o que fazer
— Aliás, é colega da filha dele. além de cuidar neném
Na sua mesa, o Xavier pegara na mão da moça. além de fazer denguim
— Está gostando? filhinho tem que entender
— Pô. Só. Mama África vai e vem
— Chocante, né? – Disse o Xavier. E depois ficou na dúvida.
mas não se afasta de você
Ainda se dizia “chocante”? Beberam em silêncio. E ele disse:
— Quer dançar? quando Mama sai de casa
E ela disse, sem pensar: seus filhos se olodunzam
— Depois, tio. rola o maior jazz
E ficaram em silêncio. Ela pensando “será que ele ouviu?”. Mama tem calos nos pés
E ele pensando “faço algum comentário a respeito, ou deixo Mama precisa de paz
passar?”. Decidiu deixar passar. Mas, pelo resto da noite aquele Mama não quer brincar mais
“tio” ficou em cima da mesa, entre os dois, latejando como um
sapo. Ele a levou em casa. Depois voltou. Sentou com os amigos. filhinho dá um tempo
— Aí, Xavier. E a namorada? tanto contratempo
Ele não respondeu. no ritmo de vida de Mama
(VERISSIMO, L. F. O melhor das comédias da vida privada. (CHICO CÉSAR. Mama África. São Paulo: MZA Music, 1995. TEXTO I.)
Rio de Janeiro: Objetiva, 2004.)
Texto II
O efeito de humor no texto é produzido com o auxílio da quebra FAMÍLIAS
de convenções sociais de uso da língua. Na interação entre o os filhos são só de
casal de namorados, isso é decorrente um dos parceiros
ou de ambos, de
A) do registro inadequado para a interlocução em contexto
54,9% Em relacionamentos
romântico.
B) da iniciativa em discutir formalmente a relação amorosa. das famílias no Brasil são 16,3% desses grupos.
anteriores, um
indicativo de
aumento das uniões
formadas por casais com filhos.
C) das avaliações de escolhas lexicais pelos frequentadores do bar. reconstituídas

D) das gírias distorcidas intencionalmente na fala do namorado. dos lares o rendimento


Mulheres são das famílias,
E) do uso de expressões populares nas investidas amorosas responsáveis por 37,3% mas em 62,7% delas ajuda no
sustento da casa.
do homem.
Elas têm cada vez
44. Enem-2016) O acervo do Museu da Língua Portuguesa menos filhos 1,9 por mulher.
é o nosso idioma, um “patrimônio imaterial” que não E engravidam mais tarde: aos 26,8 anos de idade.
pode ser, por isso, guardado e exposto em uma re-
Fonte: IBGE
doma de vidro. Assim, o museu, dedicado à valoriza- (A nova família brasileira. Disponível em: <http://veja.abril.com.br>.
ção e difusão da língua portuguesa, reconhecidamente impor- Acesso em: 17 dez. 2012. Adaptado.)
tante para a preservação de nossa identidade cultural, apresenta
uma forma expositiva diferenciada das demais instituições A pesquisa, realizada pelo IBGE, evidencia características das
museológicas do país e do mundo, usando tecnologia de ponta famílias brasileiras, também tematizadas pela canção Mama
e recursos interativos para a apresentação de seus conteúdos. África. Ambos os textos destacam o(a)
(Disponível em: <www.museulinguaportuguesa.org.br>.
A) preocupação das mulheres com o mercado de trabalho.
Acesso em: 16 ago. 2012. Adaptado.) B) responsabilidade das mulheres no sustento das famílias.
C) comprometimento das mulheres na reconstituição do
De acordo com o texto, embora a língua portuguesa seja um “pa-
casamento.
trimônio imaterial”, pode ser exposta em um museu. A relevância
desse tipo de iniciativa está pautada no pressuposto de que D) dedicação das mulheres no cuidado com os filhos.
A) a língua é um importante instrumento de constituição so- E) importância das mulheres nas tarefas diárias.
cial de seus usuários.
46. (Enem-2016) O último longa de Carlão acompanha a
B) o modo de falar o português padrão deve ser divulgado ao operária Silmara, que vive com o pai, um ex-presidiário,
grande público. numa casa da periferia paulistana. Ciente de sua bele-
C) a escola precisa de parceiros na tarefa de valorização da za, o que lhe dá certa soberba, a jovem acredita que
língua portuguesa. terá um destino diferente do de suas colegas. Cruza o caminho
D) o contato do público com a norma-padrão solicita o uso de de dois cantores por quem é apaixonada. E constata, na prática,
tecnologia de última geração. que o romantismo dos contos de fada tem perna curta.
E) as atividades lúdicas dos falantes com sua própria língua (VOMERO, M. F. Romantismo de araque. Vida Simples, n. 121, ago. 2012.)
melhoram com o uso de recursos tecnológicos.
Reconhece-se, nesse trecho, uma posição crítica aos ideais de
45. (Enem-2016) amor e felicidade encontrados nos contos de fada. Essa crítica
Texto I é traduzida
Mama África A) pela descrição da dura realidade da vida das operárias.
B) pelas decepções semelhantes às encontradas nos contos
Mama África (a minha mãe) de fada.
é mãe solteira C) pela ilusão de que a beleza garantiria melhor sorte na vida
e tem que fazer e no amor.
mamadeira todo dia D) pelas fantasias existentes apenas na imaginação de pes-
além de trabalhar soas apaixonadas.
como empacotadeira E) pelos sentimentos intensos dos apaixonados enquanto vi-
vem o romantismo.
nas Casas Bahia

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47. (Enem-2015) 49. (Enem-2015)


Texto I
Voluntário
Rosa tecia redes, e os produtos de sua pequena indústria
gozavam de boa fama nos arredores. A reputação da tapuia
crescera com a feitura de uma maqueira de tucum ornamentada
com a coroa brasileira, obra de ingênuo gosto, que lhe valera a
admiração de toda a comarca e provocara a inveja da célebre
Ana Raimunda, de Óbidos, a qual chegara a formar uma fortuna-
zinha com aquela especialidade, quando a indústria norte-ame-
ricana reduzira à inatividade os teares rotineiros do Amazonas.
(SOUSA, I. Contos amazônicos. São Paulo: Martins Fontes, 2004.)

Texto II
Relato de um certo oriente
Emilie, ao contrário de meu pai, de Dorner e dos nossos
vizinhos, não tinha vivido no interior do Amazonas. Ela, como
eu, jamais atravessara o rio. Manaus era o seu mundo visível. O
outro latejava na sua memória. Imantada por uma voz melo-
diosa, quase encantada, Emilie maravilha-se com a descrição
da trepadeira que espanta a inveja, das folhas malhadas de
um tajá que reproduz a fortuna de um homem, das receitas
de curandeiros que veem em certas ervas da floresta o enigma
das doenças mais temíveis, com as infusões de coloração san-
guínea aconselhadas para aliviar trinta e seis dores do corpo
humano. “E existem ervas que não curam nada”, revelava a
lavadeira, “mas assanham a mente da gente. Basta tomar um
gole do líquido fervendo para que o cristão sonhe uma única
noite muitas vidas diferentes”. Esse relato poderia ser de du-
vidosa veracidade para outras pessoas, mas não para Emilie. (Disponível em: <http://newsgerais.blogspot.
(HATOUM, M. São Paulo: Cia. das Letras, 2008.) com.br>. Acesso em: 1.o ago. 2012.)

As representações da Amazônia na literatura brasileira mantêm Esse texto trata de uma campanha sobre o trânsito e visa a
relação com o papel atribuído à região na construção do ima- orientação dos motociclistas quanto ao(à)
ginário nacional. Pertencentes a contextos históricos distintos, A) intolerância com a morosidade do tráfego.
os fragmentos diferenciam-se ao propor uma representação
da realidade amazônica em que se evidenciam B) desconhecimento da legislação.
A) aspectos da produção econômica e da cura na tradição C) crescente número de motocicletas.
popular. D) manutenção preventiva do veículo.
B) manifestações culturais autênticas e da resignação E) cuidado com a própria segurança.
familiar.
50. (Enem-2015) Organizados pelo Comitê Intertribal
C) valores sociais autóctones e influência dos estrangeiros.
Indígena, com apoio do Ministério dos Esportes, os
D) formas de resistência locais e do cultivo das superstições. Jogos dos Povos Indígenas têm o seguinte mote: “O
E) costumes domésticos e levantamento das tradições importante não é competir, e sim, celebrar”. A pro-
indígenas. posta é recente, já que a primeira edição dos jogos ocorreu em
1996, e tem como objetivo a integração das diferentes tribos,
48. (Enem-2015) assim como o resgate e a celebração dessas culturas tradicionais.
A edição dos jogos de 2003, por exemplo, teve a participação
de sessenta etnias, dentre elas os kaiowá, guarani, bororo, pataxó
e yanomami. A última edição ocorreu em 2009, e foi a décima
vez que o torneio foi realizado. A periodicidade dos jogos é anual,
com exceção do intervalo ocorrido em 1997, 1998, 2006 e 2008,
quando não houve edições.
(RONDINELLI, P. Disponível em: <www.brasilescola.
com>. Acesso em: 15 ago. 2013.)

Considerando o texto, os Jogos dos Povos Indígenas asseme-


lham-se aos Jogos Olímpicos em relação à
(DAHMER, A. Disponível em: <www.malvados. A) quantificação de medalhas e vitórias.
com.br>. Acesso em: 18 fev. 2013.)
B) melhora de resultados e performance.
As redes sociais permitem que seus usuários facilmente com-
partilhem entre si ideias e opiniões. Na tirinha, há um tom de C) realização anual dos eventos e festejos.
crítica àqueles que D) renovação de técnicas e táticas esportivas.
A) fazem uso inadequado das redes sociais para criticar o E) aproximação de diferentes sujeitos e culturas.
mundo.
B) são usuários de redes sociais e têm seus desejos atendidos.
C) se supõem críticos, porém não apresentam ação efetiva.
D) são usuários das redes sociais e não criticam o mundo.
E) se esforçam para promover mudanças no mundo.

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51. (Enem-2015)

OS CINCO
GRANDES MITOS
DA ADOLESCÊNCIA
Mesmo desbancados, eles são reforça-
dos pelos estereótipos que se multipli-
cam acerca dos adolescentes.

ELES NÃO LIGAM PARA O QUE ELES SÓ MUDAM DE


OS ADULTOS DIZEM COMPORTAMENTO QUANDO
Pelo contrário. Adolescentes SÃO PUNIDOS
não só ouvem como costu- Errado. Punir, principalmente
mam dar grande importância de forma mais dura, diminui
ao que dizem os adultos. as chances de o adolescente
Muitas vezes eles disfarçam e aprender ou mudar de com-
fingem não prestar atenção. portamento. O adolescente já
Mas sempre ouvem e guar- entende raciocínios mais com-
dam o que é dito. Portanto, plexos de causa e consequên-
jamais deixe de conversar com cias. Mostrar as consequências
seus filhos, principalmente os de um comportamento que
adolescentes, ainda que pare- ele tem é mais eficiente do
ça que eles não se importem. que simplesmente punir.

ELES ESTÃO AMADURECENDO


ELES NÃO TÊM “NOÇÃO” DOS ELES NÃO SABEM TOMAR
MAIS RÁPIDO DO QUE NUNCA
PERIGOS QUE CORREM DECISÕES
O grosso dos estudos nesse
Pesquisas mostram que os Estudos mostram que a
sentido aponta o inverso. A
adolescentes sabem muito dificuldade de decidir dos
adolescência e os comporta-
bem os riscos que correm. A adolescentes é praticamente
mentos típicos da adoles-
diferença é que, na adoles- a mesma dos adultos. Como
cência nunca duraram tanto
cência, os jovens estão mais nessa fase há muito o que
e foram tão lentos. O espaço
interessados nos benefícios decidir, fica a sensação de que
para uma vida verdadeiramen-
que o risco pode trazer do os adolescentes postergam
te independente nessa fase é
que no risco em si. Assim, fica a definição de assuntos
cada vez menor. A dependên-
a impressão de que eles não importantes. Isso não é regra
cia econômica e emocional
sabem reconhecer o perigo. e não está diretamente asso-
dos pais é crescente, o que
ciado ao fato de a pessoa ser
atrasa o amadurecimento.
adolescente.

(Disponível em: <www.istoe.com.br>. Acesso em: 5 dez. 2012.)

Esse infográfico resume as conclusões de diversas pesquisas científicas sobre a adolescência. Tais conclusões:
A) desconstroem os estereótipos a respeito dos adolescentes.
B) estabelecem novos limites de duração para essa fase da vida.
C) reiteram a ideia da adolescência como um período conturbado.
D) confirmam a proximidade entre os universos adolescente e adulto.
E) apontam a insegurança como uma característica típica dos adolescentes.

52. (Enem-2015) Primeiro surgiu o homem nu de cabeça baixa. Deus veio num raio. Então apareceram os bichos que comiam os
homens. E se fez o fogo, as especiarias, a roupa, a espada e o dever. Em seguida se criou a Filosofia, que explicava como não
fazer o que não devia ser feito. Então surgiram os números racionais e a História, organizando os eventos sem sentido. A fome
desde sempre, das coisas e das pessoas. Foram inventados o calmante e o estimulante. E alguém apagou a luz. E cada um se
vira como pode, arrancando as cascas das feridas que alcança.
(BONASSI, F. 15 cenas do descobrimento de Brasis. In: MORICONI, Í. (Org.). Os cem melhores contos do século. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.)

A narrativa enxuta e dinâmica de Fernando Bonassi configura um painel evolutivo da história da humanidade. Nele, a projeção do olhar
contemporâneo manifesta uma percepção que
A) recorre à tradição bíblica como fonte de inspiração para a humanidade.
B) desconstrói o discurso da filosofia a fim de questionar o conceito de dever.
C) resgata a metodologia da história para denunciar as atitudes irracionais.
D) transita entre o humor e a ironia para celebrar o caos da vida cotidiana.
E) satiriza a matemática e a medicina para desmistificar o saber científico.

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53. (Enem-2015) A discussão empreendida sobre o (des)uso do verbo “pichar”


nos traz uma reflexão sobre a linguagem e seus usos, a partir
Rede social pode prever desempenho da qual compreende-se que
profissional, diz pesquisa A) as palavras esquecidas pelos falantes devem ser descarta-
Pense duas vezes antes de postar qualquer item em seu perfil das dos dicionários, conforme sugere o título.
nas redes sociais. O conselho, repetido à exaustão por consulto- B) o cuidado com espécies animais em extinção é mais urgen-
res de carreira por aí, acaba de ganhar um status, digamos, mais te do que a preservação de palavras.
científico. De acordo com resultados da pesquisa, uma rápida
análise do perfil nas redes sociais pode prever o desempenho C) o abandono de determinados vocábulos está associado a
profissional do candidato a uma oportunidade de emprego. preconceitos socioculturais.
Para chegar a essa conclusão, uma equipe de pesquisadores D) as gerações têm a tradição de perpetuar o inventário de
da Northern Illinois University, University of Evansville e Auburn uma língua.
University pediu a um professor universitário e dois alunos para
E) o mundo contemporâneo exige a inovação do vocabulário
analisarem perfis de um grupo de universitários.
das línguas.
Após checar fotos, postagens, número de amigos e interes-
ses por 10 minutos, o trio considerou itens como consciência, 55. (Enem-2015)
afabilidade, extroversão, estabilidade emocional e receptivida- Poesia quentinha
de. Seis meses depois, as impressões do grupo foram compara- Projeto literário publica poemas em
das com a análise de desempenho feita pelos chefes dos jovens sacos de pão na capital mineira
que tiveram seus perfis analisados. Os pesquisadores encon-
traram uma forte correlação entre as características descritas a Se a literatura é mesmo o alimento da alma, então os minei-
ros estão diante de um verdadeiro banquete. Mais do que um
partir dos dados da rede e o comportamento dos universitários
pãozinho com manteiga, os moradores do bairro de Barreiro,
no ambiente de trabalho.
em Belo Horizonte (MG), estão consumindo poesia brasileira
(Disponível em: <http://exame.abril.com.br>. no café da manhã. Graças ao projeto “Pão e Poesia”, que faz
Acesso em: 29 fev. 2012. Adaptado.)
do saquinho de pão um espaço para veiculação de poemas,
escritores como Affonso Romana de Sant’Anna e Fernando Brant
As redes sociais são espaços de comunicação e interação online dividem espaço com estudantes que passaram por oficinas de
que possibilitam o conhecimento de aspectos da privacidade escrita poética. São ao todo 250 mil embalagens, distribuídas
de seus usuários. Segundo o texto, no mundo do trabalho, esse em padarias da região de Belo Horizonte, que trazem a boa
conhecimento permite literatura para o cotidiano de pessoas, além de dar uma chance
A) identificar a capacidade física atribuída ao candidato. a escritores novatos de verem seus textos impressos. Criado em
2008 por um analista de sistemas apaixonado por literatura, o
B) certificar a competência profissional do candidato. “Pão e Poesia” já recebeu dois prêmios do Ministério da Cultura.
C) controlar o comportamento virtual e real do candidato. (Língua Portuguesa, n. 71, set. 2011.)
D) avaliar informações pessoais e comportamentais sobre o
A proposta de um projeto como o “Pão e Poesia” objetiva inovar
candidato.
em sua área de atuação, pois
E) aferir a capacidade intelectual do candidato na resolução A) privilegia novos escritores em detrimento daqueles já
de problemas. consagrados.
54. (Enem-2015) B) resgata poetas que haviam perdido espaços de publicação
impressa.
Palavras jogadas fora
C) prescinde de critérios de seleção em prol da popularização
Quando criança, convivia no interior de São Paulo da literatura.
com o curioso verbo pinchar e ainda o ouço por lá D) propõe acesso à literatura a públicos diversos.
esporadicamente. O sentido da palavra é o de “jogar fora” (pi-
cha fora essa porcaria) ou “mandar embora” (picha esse fulano E) alavanca projetos de premiações antes esquecidos.
daqui). Teria sido uma das muitas palavras que ouvi menos na
capital do estado e, por conseguinte, deixei de usar. Quando
56. (Enem-2015) No ano de 1985 aconteceu um acidente
muito grave em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro,
indago às pessoas se conhecem esse verbo, comumente escuto perto da aldeia guarani de Sapukai. Choveu muito e
respostas como “minha avó fala isso”. Aparentemente, para as águas pluviais provocaram deslizamentos de terras
muitos falantes, esse verbo é algo do passado, que deixará de das encostas da Serra do Mar, destruindo o Laboratório de
existir tão logo essa geração antiga morrer. Radioecologia da Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto, cons-
As palavras são, em sua grande maioria, resultados de uma truída em 1970 num lugar que os índios tupinambás, há mais de
tradição: elas já estavam lá antes de nascermos. “Tradição”, 500 anos, chamavam de Itaorna. O prejuízo foi calculado na época
etimologicamente, é o ato de entregar, de passar adiante, de em 8 bilhões de cruzeiros. Os engenheiros responsáveis pela
transmitir (sobretudo valores culturais). O rompimento da tra- construção da usina nuclear não sabiam que o nome dado pelos
dição de uma palavra equivale à sua extinção. A gramática nor- índios continha informação sobre a estrutura do solo, minado
mativa muitas vezes colabora criando preconceitos, mas o fator pelas águas da chuva. Só descobriram que Itaorna, em língua
mais forte que motiva os falantes a extinguirem uma palavra é tupinambá, quer dizer ‘pedra pobre’, depois do acidente.
associar a palavra, influenciados direta ou indiretamente pela (FREIRE, J. R. B. Disponível em: <www.taquiprati.com.br>. Acesso em:
visão normativa, a um grupo que julga não ser o seu. O pinchar, 1.º ago. 2012. Adaptado.)
associado ao ambiente rural, onde há pouca escolaridade e
refinamento citadino, está fadado à extinção? Considerando-se a história da ocupação na região de Angra dos
Reis mencionada no texto, os fenômenos naturais que a atingiram
É louvável que nos preocupemos com a extinção de ara-
poderiam ter sido previstos e suas consequências minimizadas se
rinhas-azuis ou dos micos-leão-dourados, mas a extinção de
uma palavra não promove nenhuma comoção, como não nos A) o acervo linguístico indígena fosse conhecido e valorizado.
comovemos com a extinção de insetos, a não ser dos extraor- B) as línguas indígenas brasileiras tivessem sido substituídas
dinariamente belos. Pelo contrário, muitas vezes a extinção das pela língua geral.
palavras é incentivada. C) o conhecimento acadêmico tivesse sido priorizado pelos
(VIARO, M. E. Língua Portuguesa, n. 77, mar. 2012. Adaptado.) engenheiros.

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Língua Portuguesa

D) a língua tupinambá tivesse palavras adequadas para des- D) incentivar o aparecimento de delatores.
crever o solo. E) treinar o país em segurança digital.
E) o laboratório tivesse sido construído de acordo com as leis
ambientais vigentes na época. 59. (Enem-2014)

57. (Enem-2015)

Carta ao Tom 74

Rua Nascimento Silva, cento e sete


Você ensinando pra Elizete
As canções de canção do amor demais
Lembra que tempo feliz
Ah, que saudade,
Ipanema era só felicidade
Era como se o amor doesse em paz (Disponível em: <http://info.abril.com.br>.
Acesso em: 9 maio 2013. Adaptado.)
Nossa famosa garota nem sabia
A que ponto a cidade turvaria O texto introduz uma reportagem a respeito do futuro da tele-
Esse Rio de amor que se perdeu visão, destacando que as tecnologias a ela incorporadas serão
responsáveis por
Mesmo a tristeza da gente era mais bela
A) estimular a substituição dos antigos aparelhos de TV.
E além disso se via da janela
B) contemplar os desejos individuais com recursos de ponta.
Um cantinho de céu e o Redentor
C) transformar a televisão no principal meio de acesso às re-
É, meu amigo, só resta uma certeza, des sociais.
É preciso acabar com essa tristeza D) renovar técnicas de apresentação de programas e de cap-
É preciso inventar de novo o amor tação de imagens.
(MORAES, V.; TOQUINHO. Bossa Nova, sua história, sua gente. E) minimizar a importância dessa ferramenta como meio de
São Paulo: Universal; Philips,1975. Fragmento.)
comunicação de massa.
O trecho da canção de Toquinho e Vinícius de Moraes apresenta
marcas do gênero textual carta, possibilitando que o eu poético 60. (Enem-2014) No Brasil, a origem do funk e do hip-hop
e o interlocutor remonta aos anos de 1970, quando da proliferação
A) compartilhem uma visão realista sobre o amor em sintonia dos chamados “bailes black” nas periferias dos gran-
com o meio urbano. des centros urbanos. Embalados pela black music
americana, milhares de jovens encontravam nos bailes de final
B) troquem notícias em tom nostálgico sobre as mudanças de semana uma alternativa de lazer existente. Em cidades como
ocorridas na cidade.
o Rio de Janeiro ou São Paulo, formavam-se equipes de som que
C) façam confidências, uma vez que não se encontram mais promoviam bailes onde foi se disseminando um estilo que
no Rio de Janeiro. buscava a valorização da cultura negra, tanto na música como
D) tratem pragmaticamente sobre os destinos do amor e da nas roupas e nos penteados. No Rio de Janeiro ficou conhecido
vida citadina. como “Black Rio”. A indústria fonográfica descobriu o filão e
E) aceitem as transformações ocorridas em pontos turísticos lançando discos de “equipe” com as músicas de sucesso nos
específicos. bailes, difundia a moda pelo restante do país.
(DAYRELL, J. A música entra em cena: o UDS e o funk na socialização
58. (Enem-2014) Em uma escala de 01 a 10, o Brasil está da juventude. Belo Horizonte: UFMG, 2005.)
entre 3 e 4 no quesito segurança da informação.
“Estamos começando a acordar para o problema. A presença da cultura hip-hop no Brasil caracteriza-se como
Nessa história de espionagem corporativa, temos uma forma de
muita lição a fazer. Falta consciência institucional e um longo
A) lazer gerada pela diversidade de práticas artísticas nas pe-
aprendizado. A sociedade caiu em si e viu que é uma coisa que
nos afeta”, diz S. P., pós-doutor em segurança da informação. riferias urbanas.
Para ele, devem ser estabelecidos canais de denúncia para esse B) entretenimento inventada pela indústria fonográfica
tipo de situação. De acordo com o conselheiro do Comitê Gestor nacional.
da Internet (CGI), o Brasil tem condições de desenvolver tecno- C) subversão de sua proposta original já nos primeiros bailes.
logia própria para garantir a segurança dos dados do país, tanto
do governo quanto da população. “Há uma massa de conheci- D) Afirmação de identidade dos jovens que a praticam.
mento dentro das universidades e em empresas inovadoras que E) Reprodução da cultura musical norte-americana.
podem contribuir propondo medidas para que possamos mudar
isso [falta de segurança] no longo prazo”. Ele acredita que o 61. (Enem-2014)
governo tem de usar o seu poder de compra de softwares e Uso de suplementos alimentares
hardwares para a área de segurança cibernética, de forma a por adolescentes
fomentar essas empresas, a produção de conhecimento na área
e a construção de uma cadeia de produção nacional. Evidências médicas sugerem que a suplementação alimen-
(SARRES, C. Disponível em: <www.ebc.com.br>. tar pode ser benéfica para um pequeno grupo de pessoas, aí
Acesso em: 22 nov. 2013. Adaptado.) incluídos atletas competitivos, cuja dieta não seja balanceada.
Tem-se observado que adolescentes envolvidos em atividade
Considerando-se o surgimento da espionagem corporativa física ou atlética estão usando cada vez mais tais suplementos. A
em decorrência do amplo uso da internet, o texto aponta uma prevalência desse uso varia entre os tipos de esportes, aspectos
necessidade advinda desse impacto, que se resume em
culturais, faixas etárias (mais comum em adolescentes) e sexo
A) alertar a sociedade sobre os riscos de ser espionada. (maior prevalência em homens). Poucos estudos se referem
B) promover a indústria de segurança da informação. a frequência, tipo e quantidade de suplementos usados, mas
C) discutir a espionagem em fóruns internacionais. parece ser comum que as doses recomendadas sejam excedidas.

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Língua Portuguesa

A mídia é um dos importantes estímulos ao uso de suple- O simples fato é que, à medida que a crescente margem a
mentos alimentares ao veicular, por exemplo, o mito do corpo que chamamos de vanguarda continua suas explorações pelas
ideal. Em 2001, a indústria de suplementos alimentares investiu fronteiras do som, qualquer definição se torna difícil. Quando
globalmente US$ 46 bilhões em propaganda como meio de John Cage abre a porta da sala de concerto e encoraja os ruídos
persuadir potenciais consumidores a adquirir seus produtos. a atravessar suas composições, ele ventila a arte da música com
Na adolescência, período de autoafirmação, muitos deles não conceitos novos e aparentemente sem forma.
medem esforços para atingir tal objetivo. (SCHAFER, R. M. O ouvido pensante. São Paulo. Unesp, 1991. Adaptado.)
(ALVES, C; LIMA R. J. Pediatr. v. 85, n 4, 2009. Fragmento.)
A frase “Quando John Cage abre a porta da sala de concerto e
Sobre a associação entre a prática de atividades físicas e o uso encoraja os ruídos a atravessar suas composições”, na propos-
de suplementos alimentares, o texto informa que a ingestão ta de Schafer de formular uma nova conceituação de música,
desses suplementos representa a
A) é indispensável para as pessoas que fazem atividades físi- A) acessibilidade à sala de concerto como metáfora, num mo-
cas regularmente. mento em que a arte deixou de ser elitizada.
B) é estimulada pela indústria voltada para adolescentes que B) abertura da sala de concerto, que permitiu que a música
buscam um corpo ideal. fosse ouvida do lado de fora do teatro.
C) é indicada para atividades físicas como a musculação com C) postura inversa à música moderna, que desejava se enqua-
fins de promoção de saúde. drar em uma concepção conformista.
D) direciona-se para adolescentes com distúrbios metabóli- D) intenção do compositor de que os sons extramusicais se-
cos e que praticam atividades físicas. jam parte integrante da música.
E) melhora a saúde do indivíduo que não tem uma dieta ba- E) necessidade do artista contemporâneo de atrair maior pú-
lanceada e nem pratica atividades físicas. blico para o teatro.

62. (Enem-2014) 64. (Enem-2014)


Texto I Censura moralista
João Guedes, um dos assíduos frequentadores do Há tempos que a leitura está em pauta. E, diz-
boliche do capitão, mudara-se da campanha havia -se, em crise. Comenta-se esta crise, por exemplo,
três anos. Três anos de pobreza na cidade bastaram na cidade apontando a precariedade das práticas de leitura, lamentando
bastaram para o degradar. Ao morrer, não tinha um vintém nos a falta de familiaridade dos jovens com livros, reclamando da
bolsos e fazia dois meses que saíra da cadeia, onde estivera preso falta de bibliotecas em tantos municípios, do preço dos livros
por roubo de ovelha. em livrarias, num nunca acabar de problemas e de carências.
A história de sua desgraça se confunde com a da maioria Mas, de um tempo pra cá, pesquisas acadêmicas vêm dizendo
dos que povoam a aldeia de Boa Ventura, uma cidadezinha que talvez não seja exatamente assim, que brasileiros leem, sim,
distante, triste e precocemente envelhecida, situada nos confins só que leem livros que as pesquisas tradicionais não levam em
da fronteira do Brasil com o Uruguai. conta. E, também de um tempo pra cá, políticas educacionais
têm tomado a peito investir em livros e em leitura.
(MARTINS, C. Porteira fechada. Porto Alegre: Movimento, 2001. Fragmento.)
(LAJOLO, M. Disponível em: <www.estadao.com.br>.
Acesso em: 2 dez. 2013. Fragmento.)
Texto II
Comecei a procurar emprego, já topando o que desse e vies- Os falantes, nos textos que produzem, sejam orais ou escritos,
se, menos complicação com os homens, mas não tava fácil. Fui posicionam-se frente a assuntos que geram consenso ou des-
na feira, fui nos bancos de sangue, fui nesses lugares que sempre pertam polêmica. No texto, a autora
são para descolar algum, fui de porta em porta me oferecendo de A) ressalta a importância de os professores incentivarem os
faxineiro, mas tava todo mundo escabreado pedindo referências, jovens às práticas de leitura.
e referências eu só tinha de diretor do presídio.
B) critica pesquisas tradicionais que atribuem a falta de leitu-
(FONSECA, R. Feliz Ano Novo. São Paulo: Cia das Letras, 1989. Fragmento.)
ra à precariedade de bibliotecas.
A oposição entre campo e cidade esteve entre as temáticas C) rebate a ideia de que as políticas educacionais são eficazes
tradicionais da literatura brasileira. Nos fragmentos dos dois no combate à crise de leitura.
autores contemporâneos, esse embate incorpora um elemento D) questiona a existência de uma crise de leitura com base
novo: a questão da violência e do desemprego. As narrativas nos dados de pesquisas acadêmicas.
apresentam confluência, pois neles o(a) E) atribui a crise da leitura à falta de incentivos e ao desinte-
A) criminalidade é algo inerente ao ser humano, que sucum- resse dos jovens por livros de qualidade.
be as suas manifestações.
B) meio urbano, especialmente o das grandes cidades, esti- 65. (Enem-2014) Blog é concebido como um espaço onde
mula uma vida mais violenta. o blogueiro é livre para expressar e discutir o que
quiser na atividade da sua escrita, com a escolha de
C) falta de oportunidades na cidade dialoga com a pobreza imagens e sons que compõem o todo do texto vei-
do campo rumo à criminalidade. culado pela internet, por meio dos posts. Assim, essa ferramenta
D) êxodo rural e a falta de escolaridade são causas da violên- deixa de ter como única função a exposição de vida e/ou rotina
cia nas grandes cidades. de alguém – como em um diário pessoal –, função para qual
serviu inicialmente e que o popularizou, permitindo também
E) complacência das leis e a inércia das personagens são estí-
que seja um espaço para a discussão de ideias, trocas e divul-
mulos à prática criminosa.
gação de informações.
63. (Enem-2014) Era um dos meus primeiros dias na sala A produção dos blogs requer uma relação de troca, que aca-
de música. A fim de descobrirmos o que deveríamos ba unindo pessoas em torno de um ponto de interesse comum.
estar fazendo ali, propus à classe um problema. A força dos blogs está em possibilitar que qualquer pessoa,
Inocentemente perguntei: — O que é música? sem nenhum conhecimento técnico, publique suas ideias e
opiniões na web e que milhões de outras pessoas publiquem
Passamos dois dias inteiros tateando em busca de uma
comentários sobre o que foi escrito, criando um grande debate
definição. Descobrimos que tínhamos de rejeitar todas as
aberto a todos.
definições costumeiras porque elas não eram suficientemente
abrangentes. (LOPES, B. O. A linguagem dos blogs e as redes sociais. Disponível em:
<www.fateczl.edu.br>. Acesso em: 29 abr. 2013. Adaptado.)

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Língua Portuguesa

De acordo com o texto, o blog ultrapassou sua função Inicial e A) comprova cientificamente que a vitamina D não é uma
vem se destacando como vitamina.
A) estratégia para estimular relações de amizade. B) demonstra a verdadeira importância da vitamina D para a
B) espaço para exposição de opiniões e circulação de ideias. saúde.
C) gênero discursivo substituto dos tradicionais diários C) enfatiza que vitamina D é mais comumente produzida pelo
pessoais. corpo que absorvida por meio de alimentos.
D) ferramenta para aperfeiçoamento da comunicação virtual D) afirma que a vitamina D existe na gordura dos peixes e no
escrita.
leite, não em seus derivados.
E) recurso para incentivar a ajuda mútua e a divulgação da
rotina diária. E) levanta a possibilidade de o corpo humano produzir artifi-
cialmente a vitamina D.
66. (Enem-2013)
Querô 68. (Enem-2013) Na verdade, o que se chama generica-
mente de índios é um grupo de mais de trezentos
DELEGADO – Então desce ele. Vê o que arrancam povos que, juntos, falam mais de 180 línguas diferen-
desse sacana. tes. Cada um desses povos possui diferentes histórias,
SARARÁ – Só que tem um porém. Ele é menor. lendas, tradições, conceitos e olhares sobre a vida, sobre a liber-
dade, sobre o tempo e sobre a natureza. Em comum, tais comu-
DELEGADO – Então vai com jeito. Depois a gente entrega pro juiz. nidades apresentam a profunda comunhão com o ambiente em
(Luz apaga no delegado e acende no repórter, que se dirige ao que vivem, o respeito em relação aos indivíduos mais velhos, a
público.) preocupação com as futuras gerações, e o senso de que a feli-
REPÓRTER – E o Querô foi exprimido, empilhado, esmagado cidade individual depende do êxito do grupo. Para eles, o su-
de corpo e alma num cubículo imundo, com outros meninos. cesso é resultado de uma construção coletiva. Estas ideias,
Meninos todos espremidos, empilhados, esmagados no corpo partilhadas pelos povos indígenas, são indispensáveis para
e alma, alucinados pelos seus desesperos, cegados por muitas construir qualquer noção moderna de civilização. Os verdadeiros
aflições. Muitos meninos, com seus desesperos e seus ódios, representantes do atraso no nosso país não são os índios, mas
empilhados, espremidos, esmagados de corpo e alma no imundo aqueles que se pautam por visões preconceituosas e ultrapas-
cubículo do reformatório. E foi lá que o Querô cresceu. sadas de “progresso”.
(MARCOS. P. Melhor teatro. São Paulo: Global, 2003. Fragmento.) (AZZI, R. As razões de ser guarani-kalowa. Disponível em:
<www.outraspalavras.net>. Acesso em: 7 dez. 2012.)
No discurso do repórter, a repetição causa um efeito de sentido
de intensificação, construindo a ideia de Considerando-se as informações abordadas no texto, ao iniciá-
A) opressão física e moral, que gera rancor nos meninos. -lo com a expressão “na verdade”, o autor tem como objetivo
principal
B) repressão policial e social, que gera apatia nos meninos.
A) expor as características comuns entre os povos indígenas
C) polêmica judicial e midiática, que gera confusão entre os no Brasil e suas ideias modernas e civilizadas.
meninos.
B) trazer uma abordagem inédita sobre os povos indígenas
D) concepção educacional e carcerária, que gera comoção no Brasil e, assim ser reconhecido como especialista no
nos meninos. assunto.
E) informação crítica e jornalística, que gera indignação entre C) mostrar os povos indígenas vivendo em comunhão com a
os meninos. natureza, e, por isso sugerir que se deve respeitar o meio
ambiente e esses povos.
67. (Enem-2013)
D) usar a conhecida oposição entre moderno e antigo como
Texto I
uma forma de respeitar a maneira ultrapassada como vi-
É evidente que a vitamina D é importante – mas vem os povos indígenas em diferentes regiões do Brasil.
como obtê-la? Realmente, a vitamina D pode ser
E) apresentar informações pouco divulgadas a respeito dos
produzida naturalmente pela exposição à luz do sol, mas ela
indígenas no Brasil, para defender o caráter desses povos
também existe em alguns alimentos comuns. Entretanto, como
como civilizações, em contraposição a visões preconcebidas.
fonte dessa vitamina, certos alimentos são melhores do que ou-
tros. Alguns possuem uma quantidade significativa de vitamina 69. (Enem-2013)
D, naturalmente, e são alimentos que talvez você não queira
exagerar: manteiga, nata, gema de ovo e fígado. Dúvida
(Disponível em: <http//saúde.hsw.uol.com.br>. Acesso em: 31 jul. 2012.) Dois compadres viajavam de carro por uma es-
trada de fazenda quando um bicho cruzou a frente
Texto II do carro. Um dos compadres falou:
Todos nós sabemos que a vitamina D (colecalciferol) é crucial — Passou um largato ali!
para sua saúde. Mas a vitamina D é realmente uma vitamina? O outro perguntou:
Está presente nas comidas que os humanos normalmente con- — Lagarto ou largato?
somem? Embora exista em algum percentual na gordura do O primeiro respondeu:
peixe, a vitamina D não está em nossas dietas, a não ser que os — Num sei não, o bicho passou muito rápido.
humanos artificialmente incrementem um produto alimentar,
(Piadas coloridas. Rio de Janeiro: Gênero, 2006.)
como o leite enriquecido com vitamina D. A natureza planejou
que você a produzisse em sua pele, e não a colocasse direto Na piada, a quebra de expectativa contribui para produzir o efeito
em sua boca. de humor. Esse efeito ocorre porque um dos personagens
Então, seria a vitamina D realmente uma vitamina?
A) reconhece a espécie do animal avistado.
(Disponível em: <www.uma outravisao.com.br>. Acesso em: 31 jul. 2012.)
B) tem dúvida sobre a pronúncia do nome do réptil.
Frequentemente circulam na mídia textos de divulgação cientí- C) desconsidera o conteúdo linguístico da pergunta.
fica que apresentam informações divergentes sobre um mesmo D) constata o fato de um bicho cruzar a frente do carro.
tema. Comparando os dois textos, constata-se que o Texto II
E) apresenta duas possibilidades de sentido para a mesma
contrapõe-se ao I quando palavra.

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Língua Portuguesa

70. (Enem-2013) Brasil só é futebol


O que é bullying virtual ou cyberbullying? Nesses noventa minutos
É o bullying que ocorre em meios eletrônicos, com De emoção e alegria
mensagens difamatórias ou ameaçadoras circulando Esqueço a casa e o trabalho
por e-mails, sites, blogs (os diários virtuais), redes sociais e ce- A vida fica lá fora
lulares. É quase uma extensão do que dizem e fazem na escola,
mas com o agravante de que as pessoas envolvidas não estão Dinheiro fica lá fora
cara a cara. A cama fica lá fora
Dessa forma, o anonimato pode aumentar a crueldade dos A mesa fica lá fora
comentários e das ameaças e os efeitos podem ser tão graves Salário fica lá fora
ou piores. “O autor, assim como o alvo, tem dificuldade de sair
de seu papel e retomar valores esquecidos ou formar novos”, A fome fica lá fora
explica Luciene Tognetta, doutora em Psicologia Escolar e pes- A comida fica lá fora
quisadora da Faculdade de Educação da Universidade Estadual A vida fica lá fora
de Campinas (Unicamp).
E tudo fica lá fora
(Disponível em: <http://revistaescola.abril.com.br>.
Acesso em: 3 ago. 2012. Adaptado.) (SIMONAL, W. Aqui é o país do futebol. Disponível em:
<www.vagalume.com.br>. Acesso em: 27 out. 2011. Fragmento.)
Segundo o texto, com as tecnologias de informação e comunica-
ção, a prática do bullying ganha novas nuances de perversidade Na letra da canção “Aqui é o país do futebol?”, de Wilson Simonal,
e é potencializada pelo fato de o futebol, como elemento da cultura corporal de movimento e
expressão da tradição nacional, é apresentado de forma crítica e
A) atingir um grupo maior de espectadores. emancipada devido ao fato de
B) dificultar a identificação do agressor incógnito. A) reforçar a relação entre o esporte futebol e o samba.
C) impedir a retomada de valores consolidados pela vítima. B) ser apresentado como uma atividade de lazer.
D) possibilitar a participação de um número maior de autores. C) ser identificado com a alegria da população brasileira.
E) proporcionar o uso de uma variedade de ferramentas da D) promover a reflexão sobre a alienação provocada pelo futebol.
internet. E) ser associado ao desenvolvimento do país.

71. (Enem-2012) Nós, brasileiros, estamos acostumados a 73. (Enem-2012)


ver juras de amor, feitas diante de Deus, serem que-
bradas por traição, interesses financeiros e sexuais.
Casais se separam como inimigos, quando poderiam
ser bons amigos, sem traumas. Bastante interessante a reporta-
gem sobre separação. Mas acho que os advogados consultados,
por sua competência, estão acostumados a tratar de grandes
separações. Será que a maioria dos leitores da revista tem obras
de arte que precisam ser fotografadas antes da separação? Não
seria mais útil dar conselhos mais básicos? Não seria interessante
mostrar que a separação amigável não interfere no modo de
partilha dos bens? Que, seja qual for o tipo de separação, ela
não vai prejudicar o direito à pensão dos filhos? Que acordo (Disponível em: <www.assine. abril. com.br>.
Acesso em: 29 fev. 2012. Adaptado.)
amigável deve ser assinado com atenção, pois é bastante com-
plicado mudar suas cláusulas? Acho que essas são dicas que Com o advento da internet, as versões de revistas e livros
podem interessar ao leitor médio. também se adaptaram às novas tecnologias. A análise do texto
(Disponível em: <http://revistaepoca.globo.com>. publicitário apresentado revela que o surgimento das novas
Acesso em: 26 fev. 2012. Adaptado.) tecnologias
O texto foi publicado em uma revista de grande circulação na A) proporcionou mudanças no paradigma de consumo e
seção de carta do leitor. Nele, um dos leitores manifesta-se oferta de revistas e livros.
acerca de uma reportagem publicada na edição anterior. Ao B) incentivou a desvalorização das revistas e livros impressos.
fazer sua argumentação, o autor do texto
C) viabilizou a aquisição de novos equipamentos digitais.
A) faz uma síntese do que foi abordado na reportagem.
D) aqueceu o mercado de venda de computadores.
B) discute problemas conjugais que conduzem à separação.
E) diminuiu os incentivos à compra de eletrônicos.
C) aborda a importância dos advogados em processos de
separação. 74. (Enem-2011)
D) oferece dicas para orientar as pessoas em processo de Conceito e importância das lutas
separação. Antes de se tornarem esporte, as lutas ou as
E) rebate o enfoque dado ao tema pela reportagem, lançan- artes marciais tiveram duas conotações principais:
do novas ideias. eram praticadas com o objetivo guerreiro ou tinham um apelo
filosófico como concepção de vida bastante significativo.
72. (Enem-2012) Atualmente, nos deparamos com a grande expansão das
artes marciais em nível mundial. As raízes orientais foram se
Aqui é o país do futebol? disseminando, ora pela necessidade de luta pela sobrevivência
ou para a “defesa pessoal”, ora pela possibilidade de ter as artes
Brasil está vazio na tarde de domingo, né?
marciais como própria filosofia de vida.
Olha o sambão, aqui é o país do futebol (CARREIRO, E. A. Educação Física na Escola: implicações para a prática
[...] pedagógica. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2008. Fragmento.)
No fundo desse país
Um dos problemas da violência que está presente principalmen-
Ao longo das avenidas te nos grandes centros urbanos são as brigas e os enfrentamen-
Nos campos de terra e grama tos de torcidas organizadas, além da formação de gangues, que

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Língua Portuguesa

se apropriam de gestos das lutas, resultando, muitas vezes, em 77. (Enem-2011)


fatalidades. Portanto, o verdadeiro objetivo da aprendizagem
Texto I
desses movimentos foi mal compreendido, afinal as lutas
O Brasil sempre deu respostas rápidas através da
A) se tornaram um esporte, mas eram praticadas com o obje-
solidariedade do seu povo. Mas a mesma força que
tivo guerreiro a fim de garantir a sobrevivência.
nos motiva a ajudar o próximo deveria também nos motivar a
B) apresentam a possibilidade de desenvolver o autocontrole, ter atitudes cidadãs. Não podemos mais transferir a culpa para
o respeito ao outro e a formação do caráter. quem é vítima ou até mesmo para a própria natureza, como se
C) possuem como objetivo principal a “defesa pessoal” por essa seguisse a lógica humana. Sobram desculpas esfarrapadas
meio de golpes agressivos sobre o adversário. e falta competência da classe política.
(Cartas. IstoÉ. 28 abr. 2010.)
D) sofreram transformações em seus princípios filosóficos em
razão de sua disseminação pelo mundo. Texto II
E) se disseminaram pela necessidade de luta pela sobrevivên- Não podemos negar ao povo sofrido todas as hipóteses de
cia ou como filosofia pessoal de vida. previsão dos desastres. Demagogos culpam os moradores; o
governo e a prefeitura apelam para as pessoas saírem das áreas
75. (Enem-2011) Quando os portugueses se instalaram de risco e agora dizem que será compulsória a realocação. Então
no Brasil, o país era povoado de índios. Importaram, temos que realocar o Brasil inteiro! Criemos um serviço, similar ao
depois, da África, grande número de escravos. O SUS, com alocação obrigatória de recursos orçamentários com
português, o índio e o negro constituem, durante o rede de atendimento preventivo, onde participariam arquitetos,
período colonial, as três bases da população brasileira. Mas no engenheiros, geólogos. Bem ou mal, esses “SUS” organizaria
que se refere à cultura, a contribuição do português foi de longe brigadas nos locais. Nos casos de dengue, por exemplo, pode-
a mais notada. ria verificar as condições de acontecer epidemias. Seriam boas
Durante muito tempo o português e o tupi viveram lado a ações preventivas.
lado como línguas de comunicação. Era o tupi que utilizavam (Carta do Leitor. Carta Capital -7B527:. 28 abr. 2010. Adaptado.)
os bandeirantes nas suas expedições. Em 1694, dizia o Padre
Antônio Vieira que “as famílias dos portugueses e índios em São Os textos apresentados expressam opiniões de leitores acerca
Paulo estão tão ligadas hoje umas com as outras que as mulheres de relevante assunto para a sociedade brasileira. Os autores dos
e os filhos se criam mística e domesticamente, e a língua que dois textos apontam para a
nas ditas famílias se fala é a dos índios, e a portuguesa a vão os A) necessidade de trabalho voluntário contínuo para a resolu-
meninos aprender à escola.” ção das mazelas sociais.
(TEYSSIER, P. História da Língua Portuguesa. B) importância de ações preventivas para evitar catástrofes,
Lisboa: Livraria Sá da Costa, 1964. Adaptado.)
indevidamente atribuídas aos políticos.
A identidade de uma nação está diretamente ligada à cultura de C) incapacidade política para agir de forma diligente na reso-
seu povo. O texto mostra que, no período colonial brasileiro, o lução das mazelas sociais.
português, o índio e o negro formaram a base da população e D) urgência de se criarem novos órgãos púbicos com as mes-
que o patrimônio linguístico brasileiro é resultado da mas características do SUS.
A) contribuição dos índios na escolarização dos brasileiros. E) impossibilidade de o homem agir de forma eficaz ou pre-
B) diferença entre as línguas dos colonizadores e as dos ventiva diante das ações da natureza.
indígenas.
C) importância do padre Antônio Vieira para a literatura de 78. (Enem-2011) No Brasil, a condição cidadã, embora
língua portuguesa. dependa da leitura e da escrita, não se basta pela
enunciação do direito, nem pelo domínio desses ins-
D) origem das diferenças entre a língua portuguesa e as lín- trumentos, o que, sem dúvida, viabiliza melhor parti-
guas tupi. cipação social. A condição cidadã depende, seguramente, da
E) interação pacífica no uso da língua portuguesa e da língua ruptura com o ciclo da pobreza, que penaliza um largo contin-
tupi. gente populacional.
(Formação de leitores e construção da cidadania, memória e presença
76. (Enem-2011) do PROLER. Rio de Janeiro: FBN, 2008.)
Entre ideia e tecnologia
Ao argumentar que a aquisição das habilidades de leitura e escrita
O grande conceito por trás do Museu da Língua é não são suficientes para garantir o exercício da cidadania, o autor
apresentar o idioma como algo vivo e fundamental A) critica os processos de aquisição da leitura e da escrita.
para o entendimento do que é ser brasileiro. Se nada nos de-
fine com clareza, a forma como falamos o português nas mais B) fala sobre o domínio da leitura e da escrita no Brasil.
diversas situações cotidianas é talvez a melhor expressão da C) incentiva a participação efetiva na vida da comunidade.
brasilidade. D) faz uma avaliação crítica a respeito da condição cidadã do
(SCARDOVELI, E. Revista Língua Portuguesa. São Paulo: Segmento, brasileiro.
ano II, n. 6, 2006.)
E) define instrumentos eficazes para elevar a condição social
O texto propõe uma reflexão acerca da língua portuguesa, da população do Brasil.
ressaltando para o leitor a
79. (Enem-2011)
A) inauguração do museu e o grande investimento em cultu-
ra no país. SE NO INVERNO É DIFÍCIL ACORDAR,
B) importância da língua para a construção da identidade IMAGINA DORMIR.
nacional. Com a chegada do inverno, muitas pessoas
perdem o sono. São milhões de necessitados que
C) afetividade tão comum ao brasileiro, retratada através da lutam contra a fome e o frio. Para vencer esta batalha,
língua. eles precisam de você. Deposite qualquer quantia.
Você ajuda milhares de pessoas a terem uma boa
D) relação entre o idioma e as políticas públicas na área de noite e dorme com a consciência tranquila.
cultura.
(Veja. 5 set. 1999. Adaptado.)
E) diversidade étnica e linguística existente no território
nacional. O produtor de anúncios publicitários utiliza-se de estratégias
persuasivas para influenciar o comportamento de seu leitor.

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Língua Portuguesa

Entre os recursos argumentativos mobilizados pelo autor para No processo de criação da capa de uma revista, é parte impor-
obter a adesão do público à campanha, destaca-se nesse texto tante não só destacar o tema principal da edição, mas também
A) a oposição entre individual e coletivo, trazendo um ideário captar a atenção do leitor. Com essa capa sobre os desastres
populista para o anúncio. naturais, desperta-se o interesse do leitor ao se apresentar uma
B) a utilização de tratamento informal com o leitor, o que sua- ilustração com impacto visual e uma parte verbal que agrega
viza a seriedade do problema. ao texto um caráter
C) o emprego de linguagem figurada, o que desvia a atenção A) fantasioso, pois se cria a expectativa de uma matéria jor-
da população do apelo financeiro. nalística, com a natureza protagonizando ações espetacu-
D) o uso de numerais “milhares” e “milhões”, responsável pela lares no futuro.
supervalorização das condições dos necessitados. B) instrucional, pois se cria a expectativa da apresentação de
E) o jogo de palavras entre “acordar” e “dormir”, o que relati- conselhos e orientações para a precaução contra os desas-
viza o problema do leitor em relação ao dos necessitados. tres naturais.
C) alarmista, pois se reforça a imagem da natureza como um
Interpretação de texto: agressor e um inimigo temido pela sua avassaladora força
de destruição.
linguagem não verbal e mista D) místico, pois se cria uma imagem do espaço brasileiro
como ameaçado por uma natureza descontrolada, em
80. (Enem-2017) meio a um cenário apocalíptico.
E) intimista, pois se reforça a imagem de uma publicação
organizada em torno das impressões e crenças do leitor
preocupado com os desastres naturais.

82. (Enem-2017)

(Revista Bolsa, 1986. In: CARRASCOZA, J. A. A evolução do texto


publicitário: a associação de palavras como elemento de
sedução na publicidade. São Paulo: Futura, 1999. Adaptado.)

Nesse cartaz publicitário de uma empresa de papel e celulose, a


combinação dos elementos verbais e não verbais visa (Disponível em: <www.blognerdegeek.com>.
Acesso em: 7 mar. 2013. Adaptado.)
A) justificar os prejuízos ao meio ambiente, ao vincular a em-
presa à difusão da cultura. Na tirinha, o leitor é conduzido a refletir sobre relacionamentos
B) incentivar a leitura de obras literárias, ao referir-se a títulos afetivos. A articulação dos recursos verbais e não verbais tem
consagrados do acervo mundial. o objetivo de
C) seduzir o consumidor, ao relacionar o anunciante às histó- A) criticar a superficialidade com que as relações amorosas
rias clássicas da literatura universal. são expostas nas redes sociais.
D) promover uma reflexão sobre a preservação ambiental ao B) negar antigos conceitos ou experiências afetivas ligadas à
aliar o desmatamento aos clássicos da literatura. vida amorosa dos adolescentes.
E) construir uma imagem positiva do anunciante, ao associar C) enfatizar a importância de incorporar novas experiências
a exploração alegadamente sustentável à produção de na vida amorosa dos adolescentes.
livros. D) valorizar as manifestações nas redes sociais como medida
do sucesso de uma relação amorosa.
81. (Enem-2017)
E) associar a popularidade de uma mensagem nas redes so-
ciais à profundidade de uma relação amorosa.

83. (Enem-2017)

(Superinteressante, n. 290, abr. 2011. Adaptado.) (Veja, n. 42, 20 out. 2010. Adaptado.)

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Língua Portuguesa

Campanhas de conscientização para o diagnóstico das brasilei- 86. (Enem-2016)


ras, possibilitando maiores chances de cura para a paciente, em
especial se a doença for detectada precocemente. Pela análise
dos recursos verbais e não verbais dessa peça publicitária, cons-
tata-se que o cartaz
A) promove o convencimento do público feminino, porque
associa as palavras “prevenção” e “conscientização”.
B) busca persuadir as mulheres brasileiras, valendo-se do du-
plo sentido da palavra “tocar”.
C) objetiva chamar atenção para uma assunto evitado por
mulheres mais velhas.
(Disponível em: <www.paradapelavida.com.br>. Acesso em: 15 nov. 2014.)
D) convence a mulher a se engajar na campanha e a usar o
laço rosa. Nesse texto, a combinação de elementos verbais e não verbais
E) mostra a seriedade do assunto, evitado por muitas mulheres. configura-se como estratégia argumentativa para
A) manifestar a preocupação do governo com a segurança
84. (Enem-2016) dos pedestres.
B) associar a utilização do celular às ocorrências de atropela-
mento de crianças.
C) orientar pedestres e motoristas quanto à utilização respon-
sável do telefone móvel.
D) influenciar o comportamento de motoristas em relação ao
uso de celular no trânsito.
E) alertar a população para os riscos da falta de atenção no
trânsito das grandes cidades.

87. (Enem-2016)

(National Geographic Brasil, n. 151, out. 2012. Adaptado.)

Nessa campanha publicitária, para estimular a economia de


água, o leitor é incitado a
A) adotar práticas de consumo consciente.
B) alterar hábitos de higienização pessoal e residencial. Espetáculo Romeu e Julieta, Grupo Galpão.
C) contrapor-se a formas indiretas de exportação de água. (GUTO MUNIZ. Disponível em: <wwww.focoincena.com.br>.
Acesso em: 30 maio 2016.)
D) optar por vestuário produzido com matéria-prima reciclável.
E) conscientizar produtores rurais sobre os custos de produção. A principal razão pela qual se infere que o espetáculo retratado
na fotografia é uma manifestação do teatro de rua é o fato de
85. (Enem-2016)
A) dispensar o edifício teatral para a sua realização.
B) utilizar figurinos com adereços cômicos.
C) empregar elementos circenses na atuação.
D) excluir o uso de cenário na ambientação.
E) negar o uso de iluminação artificial.

88. (Enem-2016)

Quer continuar
a respirar?

(TOZZI, C. Colcha de retalhos. Mosaico figurativo. Estação de Metrô Sé.


Disponível em: <www.arteforadomuseu.com.br>. Acesso em: 8 mar. 2013.)

Colcha de retalhos representa a essência do mural e convida o Comece a


público a preservar.

A) apreciar a estética do cotidiano.


B) interagir com os elementos da composição.
C) refletir sobre elementos do inconsciente do artista. (Disponível em: <www.ideiasustentavel.com.
br>. Acesso em: 30 maio 2016. Adaptado.)
D) reconhecer a estética clássica das formas.
E) contemplar a obra por meio da movimentação física.

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Língua Portuguesa

A importância da preservação do meio ambiente para a saúde C) o questionamento seguido da resposta propõe reflexão
é ressaltada pelos recursos verbais e não verbais utilizados por parte do público-alvo, visto que o texto critica a prática
nessa propaganda da SOS Mata Atlântica. No texto, a relação de escolher para quem doar.
entre esses recursos D) as escolhas verbais associadas à imagem parecem contra-
A) condiciona o entendimento das ações da SOS Mata ditórias, pois constroem uma aparência incompatível com
Atlântica. a de uma jovem doente.
B) estabelece contraste de informações na propaganda. E) a campanha explora a expressão da jovem a fim gerar co-
moção no leitor, levando-o a doar sangue para as pessoas
C) é fundamental para a compreensão do significado da com leucemia.
mensagem.
D) oferece diferentes opções de desenvolvimento temático. 91. (Enem-2015)
E) propõe a eliminação do desmatamento como suficiente
para a preservação ambiental.

89. (Enem-2016)

(CABRAL, I. Disponível em: <www.ivancabral.com>. Acesso em: 30 jul. 2012.)

A palavra inglesa “involution” traduz-se como involução ou


regressão. A construção da imagem com base na combinação
do verbal com o não verbal revela a intenção de
A) denunciar o retrocesso da humanidade.
B) criticar o consumo de bebida alcoólica pelos humanos.
(Disponível em: <www.superplacas.com.br>. Acesso em: 3 ago. 2012.)
C) satirizar a caracterização dos humanos como primatas.
A presença desse aviso em um hotel, além de informar sobre D) elogiar a teoria da evolução humana pela seleção natural.
um fato e evitar possíveis atos indesejados no local, tem como E) fazer um trocadilho com as palavras inovação e involução.
objetivo implícito
A) isentar o hotel de responsabilidade por danos causados 92. (Enem-2015)
aos hóspedes.
B) impedir a destruição das câmeras como meio de apagar
evidências.
C) assegurar que o hotel resguardará a privacidade dos
hóspedes.
D) inibir as pessoas de circular em uma área específica do
hotel.
E) desestimular os hóspedes que requisitem as imagens
gravadas.

90. (Enem-2016)

(Disponível em: <http://fsindical-rs.org.br>.


Acesso em: 16 ago. 2012. Adaptado.)

Nesse texto, associam-se recursos verbais e não verbais na busca


de mudar o comportamento das pessoas quanto a uma questão
de saúde pública. No cartaz, essa associação é ressaltada no(a)
(Disponível em: <http://portal.saude.gov.br>.
Acesso em: 8 nov. 2013. Adaptado.) A) destaque dado ao laço, símbolo do combate à AIDS, segui-
do da frase “Use camisinha”.
Na campanha publicitária, há uma tentativa de sensibilizar o
B) centralização da mensagem “previna-se”.
público-alvo, visando levá-lo à doação de sangue. Analisando
a estratégia argumentativa utilizada, percebe-se que C) foco dado ao objeto camisinha em imagem e em palavra.
A) a exposição de alguns dados sobre a jovem procura provo- D) laço como elemento de ligação entre duas recomendações.
car compaixão, visto que, em razão da doença, ela vive de E) sobreposição da imagem da camisinha e da boia, relacio-
maneira diferente dos demais jovens de sua idade. nada à frase “Salve vidas”.
B) a campanha defende a ideia de que, para doar, é preciso
conhecer o doente, considerando que foi preciso apresen-
tar a jovem para gerar identificação.

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Língua Portuguesa

93. (Enem-2015) 95. (Enem-2015)

(Disponível em: <http://portal.saude.gov.br>. Acesso em: 31 jul. 2012.)


Pode aparecer onde menos se espera e em cinco formas diferentes.
Campanhas educativas têm o propósito de provocar uma re- É por isso que o Dia Mundial Contra a Hepatite está aí para alertar você.
flexão em torno de questões sociais de grande relevância, tais As hepatites A, B, C, D e E têm diversas causas e muitas formas de chegar até você.
como as relacionadas à cidadania e também à saúde. Com a Mas, evitar isso é bem simples. Você só precisa ficar atento aos cuidados necessários
imagem de um relógio despertador e o slogan “Sempre é hora de para cuidar do maior bem que você tem:
A SUA SAÚDE!
combater a dengue”, Campanha Nacional de Combate à Dengue
objetiva convencer a população de que é preciso Algumas maneiras de se prevenir:

A) eliminar potenciais criadouros, quando aparecer a doença. • Vacine-se contra as hepatites A e B.


• Use água tratada e siga sempre as recomendações quanto à
B) posicionar-se criticamente sobre as ações de combate ao restrição de banhos em locais públicos e ao uso de desinfetantes
mosquito. em piscinas.
• Lave SEMPRE bem os alimentos como frutas, verduras e
C) prevenir-se permanentemente contra a doença. legumes.
D) repensar as ações de prevenção da doença. • Lave SEMPRE bem as mãos após usar o toalete e antes de se
alimentar.
E) preparar os agentes de combate ao mosquito. • Ao usar agulhas e seringas, certifique-se da higiene do local e de
todos os acessórios.
94. (Enem-2015) • Certifique-se de que seu médico ou profissional da saúde es-
teja usando a proteção necessária, como luvas e máscaras,
quando houver a possibilidade de contato de sangue
ou secreções contaminadas com o vírus.

(Disponível em: <http://farm5.static.flickr.com>.


Acesso em: 26 out. 2011. Adaptado.)

Nas peças publicitárias, vários recursos verbais e não verbais


são usados com o objetivo de atingir o público-alvo, influen-
ciando seu comportamento. Considerando as informações
verbais e não verbais traduzidas no texto a respeito da hepatite,
verifica-se que
A) o tom lúdico é empregado como recurso de consolidação
(Zero Hora, jun. 2008. Adaptado.) do pacto de confiança entre o médico e a população.
Dia do Músico, do Professor, da Secretária, do Veterinário... B) a figura do profissional de saúde é legitimada, evocando
Muitas são as datas comemoradas ao longo do ano e elas, ao o discurso autorizado como estratégia argumentativa.
darem visibilidade a segmentos específicos da sociedade, opor-
tunizam uma reflexão sobre a responsabilidade social desses C) o uso de construções coloquiais e específicas da oralida-
segmentos. Nesse contexto, está inserida a propaganda da de são recursos de argumentação que simulam o discurso
Associação Brasileira de Imprensa (ABI), em que se combinam do médico.
elementos verbais e não verbais para se abordar a estreita re- D) a empresa anunciada deixa de se autopromover ao mos-
lação entre imprensa, cidadania, informação e opinião. Sobre trar preocupação social e assumir a responsabilidade pe-
essa relação, depreende-se do texto da ABI que, las informações.
A) para a imprensa exercer seu papel social, ela deve transfor-
mar opinião em informação. E) o discurso evidencia uma cena de ensinamento didático,
projetado com subjetividade no trecho sobre as maneiras
B) para a imprensa democratizar a opinião, ela deve selecio- de prevenção.
nar a informação.
C) para o cidadão expressar sua opinião, ele deve democrati-
zar a informação.
D) para a imprensa gerar informação, ela deve fundamentar-
-se em opinião.
E) para o cidadão formar sua opinião, ele deve ter acesso à
informação.

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Língua Portuguesa

96. (Enem-2014) Os meios de comunicação podem contribuir para a resolução de


problemas sociais, entre os quais o de violência sexual infantil.
Nesse sentido, a propaganda usa a metáfora do pesadelo para
A) informar crianças vítimas de abuso sexual sobre os perigos
dessa prática, contribuindo para erradicá-la.
B) denunciar ocorrências de abuso sexual contra meninas,
com o objetivo de colocar criminosos na cadeia.
C) dar a devida dimensão do que é abuso sexual para uma
criança, enfatizando a importância da denúncia.
D) destacar que a violência sexual infantil predomina durante
a noite, o que requer maior cuidado dos responsáveis nes-
se período.
E) chamar a atenção para o fato de o abuso infantil ocorrer
durante o sono, sendo confundido por algumas crianças
com um pesadelo.
99. (Enem-2013)

(WILL. Disponível em: <www.willtirando.com.br>. Acesso em: 7 nov. 2013.)

Opportunity é o nome de um veículo explorador que aterrissou


em Marte com a missão de enviar informações a Terra. A charge
apresenta uma crítica ao(à)
A) gasto exagerado com o envio de robôs a outros planetas.
B) exploração indiscriminada de outros planetas.
C) circulação digital excessiva de autorretratos.
D) vulgarização das descobertas espaciais.
E) mecanização das atividades humanas.
(CAULOS. Disponível em: <www.caulos.com>. Acesso em: 24 set. 2011.)
97. (Enem-2014)
O cartum faz uma crítica social. A figura destacada está em
oposição às outras e representa a
A) opressão das minorias sociais.
B) carência de recursos tecnológicos.
C) falta de liberdade de expressão.
D) defesa da qualificação profissional.
E) reação ao controle do pensamento coletivo.

100. (Enem-2013)
(Disponível em: <www.portaldapropaganda.
com.br>. Acesso em: 28 jul. 2013.)

Essa propaganda defende a transformação social e a diminuição


da violência por meio da palavra. Isso se evidencia pela
A) predominância de tons claros na composição da peça
publicitária.
B) associação entre uma arma de fogo e um megafone.
C) grafia com inicial maiúscula da palavra “voz” no slogan.
D) imagem de uma mão segurando um megafone.
E) representação gráfica da propagação do som.

98. (Enem-2014)
(Disponível em: <www.filosofia.com.br.>
Acesso em: 30 abr. 2010.)
Pelas características da linguagem visual e pelas escolhas vo-
cabulares, pode-se entender que o texto possibilita a reflexão
sobre uma problemática contemporânea ao
A) criticar o transporte rodoviário brasileiro, em razão da
grande quantidade de caminhões nas estradas.
B) ironizar a dificuldade de locomoção no trânsito urbano, de-
vida ao grande fluxo de veículos.
C) expor a questão do movimento como um problema exis-
tente desde tempos antigos, conforme frase citada.
D) restringir os problemas de tráfego a veículos particulares,
defendendo, como solução, o transporte público.
(Disponível em: <www.portaldapropaganda.com.br>.
E) propor a ampliação de vias nas estradas, detalhando o es-
Acesso em: 29 out. 2013. Adaptado.) paço exíguo ocupado pelos veículos nas ruas.

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Língua Portuguesa

101. (Enem-2013) Os gráficos expõem dados estéticos por meio de linguagem


verbal e não verbal. No texto, o uso desse recurso
O que a internet esconde de você
A) exemplifica o aumento da expectativa de vida da
Sites de busca manipulam resultados. Redes sociais de-
população.
cidem quem vai ser seu amigo – e descartam as pessoas
sem avisar. E, para cada site que você pode acessar, há 400 outros B) explica o crescimento da confiança na instituição do
invisíveis. Prepare-se para conhecer o lado oculto da internet. casamento.
C) mostra que a população brasileira aumentou nos últimos
cinco anos.
D) indica que as taxas de casamento e emprego cresceram na
mesma proporção.
E) sintetiza o crescente número de casamentos e de ocupa-
ção no mercado de trabalho.

103. (Enem-2012)

(GRAVATÁ, A. Superinteressante, São Paulo, Ed 297, nov. 2011. Adaptado.)

Analisando-se as informações verbais e a imagem associada a


uma cabeça humana, compreende-se que a venda
A) representa a amplitude de informações que compõem a
internet, às quais temos acesso em redes sociais e sites de
busca.
B) faz uma denúncia quanto às informações que são omiti-
das dos usuários da rede, sendo empregada no sentido
conotativo.
C) diz respeito a um buraco negro digital, onde estão escon-
didas as informações buscadas pelo usuário nos sites que
acessa.
D) está associada a um conjunto de restrições sociais pre-
sentes na vida daqueles que estão sempre conectados à
internet.
E) remete às bases de dados da web, protegidas por senhas
ou assinaturas e às quais o navegador não tem acesso.

102. (Enem-2013)
Casados e independentes (Disponível em: <www.portaldapropaganda.com.br>.
Um novo levantamento do IBGE mostra que o núme- Acesso em: 1 mar. 2012)
ro de casamentos entre pessoas na faixa dos 60 anos
cresce, desde 2003, a um ritmo 60% maior que o observado na A publicidade, de uma forma geral, alia elementos verbais e
população brasileira como um todo... imagéticos na constituição de seus textos. Nessa peça publici-
tária, cujo tema é a sustentabilidade, o autor procura convencer
o leitor a
A) assumir uma atitude reflexiva diante dos fenômenos
naturais.
B) evitar o consumo excessivo de produtos reutilizáveis.
C) aderir à onda sustentável, evitando o consumo excessivo.
D) abraçar a campanha, desenvolvendo projetos sustentáveis.
E) consumir produtos de modo responsável e ecológico.

(Fontes: IBGE e Organização Internacional do Trabalho (OIT) *Com base no


último dado disponível, de 2008. Veja, São Paulo, 21 abr. 2010. Adaptado.)

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Língua Portuguesa

104. (Enem-2011)

(COSTA, C. Superinteressante. fev. 2011. Adaptado.)

Os amigos são um dos principais indicadores de bem-estar na vida social das pessoas. Da mesma forma que em outras áreas, a internet
também inovou as maneiras de vivenciar a amizade. Da leitura do infográfico, depreendem-se dois tipos de amizade virtual, a simétrica
e a assimétrica, ambas com seus prós e contras. Enquanto a primeira se baseia na relação de reciprocidade, a segunda
A) reduz o número de amigos virtuais, ao limitar o acesso à rede.
B) parte do anonimato obrigatório para se difundir.
C) reforça a configuração de laços mais profundos de amizade.
D) facilita a interação entre pessoas em virtude de interesses comuns.
E) tem a responsabilidade de promover a proximidade física.

105. (Enem-2011)

(Disponível em: <www.ocsp.com.br>. Acesso em: 27 jul. 2010. Adaptado.)

O texto é uma propaganda de um adoçante que tem o seguinte mote: “Mude sua embalagem”. A estratégia que o autor utiliza para o
convencimento do leitor baseia-se no emprego de recursos expressivos, verbais e não verbais, com vistas a
A) ridicularizar a forma física do possível cliente do produto anunciado, aconselhando-o a uma busca de mudanças estéticas.
B) enfatizar a tendência da sociedade contemporânea de buscar hábitos alimentares saudáveis, reforçando tal postura.
C) criticar o consumo excessivo de produtos industrializados por parte da população, propondo a redução desse consumo.
D) associar o vocábulo “açúcar” à imagem do corpo fora de forma, sugerindo a substituição desse produto pelo adoçante.
E) relacionar a imagem do saco de açúcar a um corpo humano que não desenvolve atividades físicas, incentivando a prática esportiva.

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Língua Portuguesa

Funções da linguagem mim interesse de nenhuma espécie — nem sequer mental ou de


sonho —, transmudou-se-me o desejo para aquilo que em mim
cria ritmos verbais, ou os escuta de outros. Estremeço se dizem
106. (Enem-2017) bem. Tal página de Fialho, tal página de Chateaubriand, fazem
formigar toda a minha vida em todas as veias, fazem-me raivar
As atrizes tremulamente quieto de um prazer inatingível que estou tendo.
Tal página, até, de Vieira, na sua fria perfeição de engenharia
Naturalmente sintáctica, me faz tremer como um ramo ao vento, num delírio
Ela sorria passivo de coisa movida.
Mas não me dava trela (PESSOA, F. O livro do desassossego. São Paulo: Brasiliense, 1986.)

Trocava a roupa A linguagem cumpre diferentes funções no processo de comu-


Na minha frente nicação. A função que predomina nos textos I e II
E ia bailar sem mais aquela A) destaca o “como” se elabora a mensagem, considerando-se
Escolhia qualquer um a seleção, combinação e sonoridade do texto.
Lançava olhares B) coloca o foco no “com o quê” se constrói a mensagem, sen-
do o código utilizado o seu próprio objeto.
Debaixo do meu nariz
C) focaliza o “quem” produz a mensagem, mostrando seu po-
Dançava colada sicionamento e suas impressões pessoais.
Em novos pares D) orienta-se no “para quem” se dirige a mensagem, estimu-
Com um pé atrás lando a mudança de seu comportamento.
Com um pé a fim E) enfatiza sobre “o quê” versa a mensagem, apresentada com
Surgiram outras palavras precisas e objetivas.
Naturalmente 108. (Enem-2016) Ler não é decifrar, como num jogo de
Sem nem olhar a minha cara adivinhações, o sentido de um texto. É, a partir do
Tomavam banho texto, ser capaz de atribuir-lhe significado, conseguir
relacioná-lo a todos os outros textos significativos
Na minha frente para cada um, reconhecer nele o tipo de leitura que o seu autor
Para sair com outro cara pretendia e, dono da própria vontade, entregar-se a essa leitura,
Porém nunca me importei ou rebelar-se contra ela, propondo uma outra não prevista.
Com tais amantes (LAJOLO, M. Do mundo da leitura para a leitura do mundo. São Paulo:
Ática, 1993. )
[...]
Com tantos filmes Nesse texto, a autora apresenta reflexões sobre o processo de
Na minha mente produção de sentidos, valendo-se da metalinguagem. Essa
função da linguagem torna-se evidente pelo fato de o texto
É natural que toda atriz
A) ressaltar a importância da intertextualidade.
Presentemente represente
B) propor leituras diferentes das previsíveis.
Muito para mim
C) apresentar o ponto de vista da autora.
(CHICO BUARQUE. Carioca. Rio de Janeiro: Biscoito Fino, 2006 (fragmento).)
D) discorrer sobre o ato de leitura.
Na canção, Chico Buarque trabalha uma determinada função E) focar a participação do leitor.
da linguagem para marcar a subjetividade do eu lírico ante
as atrizes que ele admira. A intensidade dessa admiração está 109. (Enem-2016)
marcada em:
Poema tirado de uma notícia de jornal
A) “Naturalmente/ Ela sorria/ Mas não me dava trela”.
B) “Tomavam banho/ Na minha frente/ Para sair com outro João Gostoso era carregador de feira livre e morava no morro
cara”. da Babilônia num barracão sem número.
C) “Surgiram outras/ Naturalmente/ Sem nem olhar a minha Uma noite ele chegou no bar Vinte de Novembro
cara”. Bebeu
D) “Escolhia qualquer um/ Lançava olhares/ Debaixo do meu Cantou
nariz”.
Dançou
E) “É natural que toda atriz/ Presentemente represente/ Muito
Depois se atirou na lagoa Rodrigo de Freitas e morreu afogado.
para mim”.
(BANDEIRA, M. Estrela da vida inteira: poesias reunidas. Rio de Janeiro: José
107. (Enem-2017) Olympio, 1980.)

Texto I No poema de Manuel Bandeira, há uma ressignificação de ele-


Fundamentam-se as regras da Gramática mentos da função referencial da linguagem pela
Normativa nas obras dos grandes escritores, em cuja A) atribuição de título ao texto com base em uma notícia vei-
linguagem as classes ilustradas põem o seu ideal de perfeição, culada em jornal.
porque nela é que se espelha o que o uso idiomático estabilizou
e consagrou. B) utilização de frases curtas, características de textos do gê-
nero jornalístico.
(LIMA, C. H. R. Gramática normativa da língua portuguesa. Rio de Janeiro:
José Olympio, 1989.) C) indicação de nomes de lugares como garantia da veracida-
de da cena narrada.
Texto II D) enumeração de ações, com foco nos eventos acontecidos à
Gosto de dizer. Direi melhor: gosto de palavrar. As palavras personagem do texto.
são para mim corpos tocáveis, sereias visíveis, sensualidades E) apresentação de elementos próprios da notícia, tais como
incorporadas. Talvez porque a sensualidade real não tem para quem, onde, quando e o quê.

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Língua Portuguesa

110. (Enem-2016) parecido com uma cobra. Atretochoana eiselti é o nome científico
do animal raro descoberto em Rondônia. Até então, só havia
registro do anfíbio no Museu de História Natural de Viena e na
Universidade de Brasília. Nenhum deles tem a descrição exata
de localidade, apenas “América do Sul”. A descoberta ocorreu
em dezembro do ano passado, mas apenas agora foi divulgada.
(XIMENES, M. Disponível em: <http://g1.globo.
com>. Acesso em: 1.o ago. 2012.)

A notícia é um gênero textual em que predomina a função


referencial da linguagem. No texto, essa predominância evi-
dencia-se pelo(a)
A) recorrência de verbos no presente para convencer o leitor.
B) uso da impessoalidade para assegurar a objetividade da
informação.
C) questionamento do código linguístico na construção da
notícia.
D) utilização de expressões úteis que mantêm aberto o canal
de comunicação com o leitor.
E) emprego dos sinais de pontuação para expressar as emo-
(Disponível em: <http://portal.saude.gov.br>. Acesso em: 30 jul. 2012.) ções do autor.

Entre as funções de um cartaz, está a divulgação de campanhas. 113. (Enem-2015)


Para cumprir essa função, as palavras e as imagens desse cartaz 14 coisas que você não deve jogar na privada
estão combinadas de maneira a Nem no ralo. Elas poluem rios, lagos e mares, o
A) evidenciar as formas de contágio da tuberculose. que contamina o ambiente e os animais. Também
B) mostrar as formas de tratamento da doença. deixa mais difícil obter a água que nós mesmos usaremos.
C) discutir os tipos da doença com a população. Alguns produtos podem causar entupimentos:
D) alertar a população em relação à tuberculose. • cotonete e fio dental;
E) combater os sintomas da tuberculose. • medicamento e preservativo;
111. (Enem-2015) • óleo de cozinha;
Perder a tramontana • ponta de cigarro;
A expressão ideal para falar de desorientados e • poeira de varrição de casa;
outras palavras de perder a cabeça • fio de cabelo e pelo de animais;
É perder o norte, desorientar-se. Ao pé da letra, “perder a • tinta que não seja à base de água;
tramontana” significa deixar de ver a estrela polar, em italiano • querosene, gasolina, solvente, tíner.
stella tramontana, situada do outro lado dos montes, que guiava
os marinheiros antigos em suas viagens desbravadoras. Jogue esses produtos no lixo comum. Alguns deles, como
Deixar de ver a tramontana era sinônimo de desorientação. óleo de cozinha, medicamento e tinta, podem ser levados a pon-
Sim, porque, para eles, valia mais o céu estrelado que a terra. O tos de coleta especiais, que darão a destinação final adequada.
Sul era região desconhecida, imprevista; já o Norte tinha como (MORGADO, M.; EMASA. Manual de etiqueta. Planeta Sustentável,
referência no firmamento um ponto luminoso conhecido como jul.-ago. 2013. Adaptado.)
a estrela Polar, uma espécie de farol para os navegantes do
Mediterrâneo, sobretudo os genoveses e os venezianos. Na lin- O texto tem objetivo educativo. Nesse sentido, além do foco no
guagem deles, ela ficava transmontes, para além dos montes, os interlocutor, que caracteriza a função conativa da linguagem,
Alpes. Perdê-la de vista era perder a tramontana, perder o Norte. predomina também nele a função referencial, que busca
No mundo de hoje, sujeito a tantas pressões, muita gente A) despertar no leitor sentimentos de amor pela natureza, in-
não resiste a elas e entra em parafuso. Além de perder as estri- duzindo-o a ter atitudes responsáveis que beneficiarão a
beiras, perde a tramontana... sustentabilidade do planeta.
(COTRIM, M. Língua Portuguesa, n. 15, jan. 2007.) B) informar o leitor sobre as consequências da destinação ina-
dequada do lixo, orientando-o sobre como fazer o correto
Nesse texto, o autor remonta às origens da expressão “perder a descarte de alguns dejetos.
tramontana”. Ao tratar do significado dessa expressão, utilizando
a função referencial da linguagem, o autor busca C) transmitir uma mensagem de caráter subjetivo, mostrando
exemplos de atitudes sustentáveis do autor do texto em
A) apresentar seus indícios subjetivos.
relação ao planeta.
B) convencer o leitor a utilizá-la.
D) estabelecer uma comunicação com o leitor, procurando
C) expor dados reais de seu emprego.
certificar-se de que a mensagem sobre ações de sustenta-
D) explorar sua dimensão estética. bilidade está sendo compreendida.
E) criticar sua origem conceitual.
E) explorar o uso da linguagem, conceituando detalhada-
112. (Enem-2015) mente os termos utilizados de forma a proporcionar me-
lhor compreensão do texto.
Anfíbio com formato de cobra é
descoberto no Rio Madeira (RO) 114. (Enem-2014)
Animal raro foi encontrado por biólogos em canteiro de obras de
usina. Exemplares estão no Museu Emilio Goeldi, no Pará O exercício da crônica
O trabalho de um grupo de biólogos no canteiro de obras
Escrever prosa é uma arte ingrata. Eu digo prosa fiada, como
da Usina Hidrelétrica Santo Antônio, no Rio Madeira, em Porto
faz um cronista; não prosa de um ficcionista, na qual este é leva-
Velho, resultou na descoberta de um anfíbio de formato
do meio a tapas pelas personagens e situações que, azar dele,

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Língua Portuguesa

criou porque quis. Com um prosador do cotidiano, a coisa fia 116. (Enem-2011)
mais fino. Senta-se ele diante de sua máquina, olha através da
janela e busca fundo em sua imaginação um fato qualquer, de Pequeno concerto que virou canção
preferência colhido no noticiário matutino, ou da véspera, em
que com suas artimanhas peculiares, possa injetar um sangue Não, não há por que mentir ou esconder
novo. Se nada houver, resta-lhe o recurso de olhar em torno A dor que foi maior do que é capaz meu coração
e esperar que, através de um processo associativo, surja-lhe
de repente a crônica, provinda dos fatos e feitos de sua vida Não, nem há por que seguir cantando só para explicar
emocionalmente despertados pela concentração. Ou então, Não vai nunca entender de amor quem nunca soube amar
em última instância, recorrer ao assunto da falta de assunto, já Ah, eu vou voltar pra mim
bastante gasto, mas do qual, no ato de escrever, pode surgir o
inesperado. Seguir sozinho assim
(MORAES, V. Para viver um grande amor: crônicas e poemas.
Até me consumir ou consumir toda essa dor
São Paulo. Cia das Letras, 1991.) Até sentir de novo o coração capaz de amor
(VANDRÉ, G. Disponível em: <www.letras.terra.com.br>.
Predomina nesse texto a função da linguagem que se constitui Acesso em: 29 jun. 2011.)
A) nas diferenças entre o cronista e o ficcionista.
B) nos elementos que servem de inspiração ao cronista. Na canção de Geraldo Vandré, tem-se a manifestação da função
poética da linguagem, que é percebida na elaboração artística
C) nos assuntos que podem ser tratados em uma crônica. e criativa da mensagem, por meio de combinações sonoras e
D) no papel da vida do cronista no processo de escrita da rítmicas. Pela análise do texto, entretanto, percebe-se, também,
crônica. a presença marcante da função emotiva ou expressiva, por meio
E) nas dificuldades de se escrever uma crônica por meio de da qual o emissor
uma crônica. A) imprime à canção as marcas de sua atitude pessoal, seus
sentimentos.
115. (Enem-2013)
B) transmite informações objetivas sobre o tema de que trata
Quadrinho quadrado a canção.
C) busca persuadir o receptor da canção a adotar um certo
comportamento.
D) procura explicar a própria linguagem que utiliza para cons-
truir a canção.
E) objetiva verificar ou fortalecer a eficiência da mensagem
veiculada.

117. (Enem-2011)
É água que não acaba mais
Dados preliminares divulgados por pesqui-
sadores da Universidade Federal do Pará (UFPA)
apontaram o Aquífero Alter do Chão como o maior depósito
de água potável do planeta. Com volume estimado em 86 000
quilômetros cúbicos de água doce, a reserva subterrânea está
localizada sob os estados do Amazonas, Pará e Amapá. “Essa
quantidade de água seria suficiente para abastecer a população
mundial durante 500 anos”, diz Milton Matta, geólogo da UFPA.
Em termos comparativos, Alter do Chão tem quase o dobro do
volume de água do Aquífero Guarani (com 45 000 quilômetros
cúbicos). Até então, Guarani era a maior reserva subterrânea do
mundo, distribuída por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.
(Época. n. 623, 26 abr. 2010.)

(XAVIER, C. Disponível em: <www.releituras.com>. Acesso em: 24 abr. 2010.) Essa notícia, publicada em uma revista de grande circulação,
apresenta resultados de uma pesquisa científica realizada por
Os objetivos que motivam os seres humanos a estabelecer uma universidade brasileira. Nessa situação específica de comu-
comunicação determinam, em uma situação de interlocução, nicação, a função referencial da linguagem predomina, porque
o predomínio de uma ou de outra função de linguagem. Nesse o autor do texto prioriza
texto, predomina a função que se caracteriza por
A) as suas opiniões, baseadas em fatos.
A) tentar persuadir o leitor acerca da necessidade de se toma-
rem certas medidas para a elaboração de um livro. B) os aspectos objetivos e precisos.
B) enfatizar a percepção subjetiva do autor, que projeta para C) os elementos de persuasão do leitor.
a sua obra seus sonhos e histórias. D) os elementos estéticos na construção do texto.
C) apontar para o estabelecimento de interlocução de modo E) os aspectos subjetivos da mencionada pesquisa.
superficial e automático, entre o leitor e o livro.
D) fazer um exercício de reflexão a respeito dos princípios que
estruturam a forma e o conteúdo de um livro.
E) retratar as etapas do processo de produção de um livro, as
quais antecedem o contato entre leitor e obra.

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Língua Portuguesa

Sequências discursivas 120. (Enem-2016)


Galinha cega
118. (Enem-2017) Garcia tinha-se chegado ao cadáver, O dono correu atrás de sua branquinha, agar-
levantara o lenço e contemplara por alguns instantes rou-a, lhe examinou os olhos. Estavam direitinhos,
as feições defuntas. Depois, como se a morte espiri- graças a Deus, e muito pretos. Soltou-a no terreiro e lhe atirou
tualizasse tudo, inclinou-se e beijou-a na testa. Foi mais milho. A galinha continuou a bicar o chão desorientada.
nesse momento que Fortunato chegou à porta. Estacou assom- Atirou ainda mais, com paciência, até que ela se fartasse. Mas
brado; não podia ser o beijo da amizade, podia ser o epílogo de não conseguiu com o gasto de milho, de que as outras se apro-
um livro adúltero [...]. veitaram, atinar com a origem daquela desorientação. Que é que
seria aquilo, meu Deus do céu? Se fosse efeito de uma pedrada
Entretanto, Garcia inclinou-se ainda para beijar outra vez o
na cabeça e se soubesse quem havia mandado a pedra, algum
cadáver, mas então não pôde mais. O beijo rebentou em solu-
moleque da vizinhança, aí… Nem por sombra imaginou que era
ços, e os olhos não puderam conter as lágrimas, que vieram em
a cegueira irremediável que principiava.
borbotões, lágrimas de amor calado, e irremediável desespero.
Eortunato, à porta, onde ficara, saboreou tranquilo essa explosão Também a galinha, coitada, não compreendia nada, ab-
de dor moral que foi longa, muito longa, deliciosamente longa. solutamente nada daquilo. Por que não vinham mais os dias
luminosos em que procurava a sombra das pitangueiras?
(ASSIS, M. A causa secreta. Disponível em: <www.dominiopublico.gov.br>.
Acesso em: 9 out. 2015.)
Sentia ainda o calor do sol, mas tudo quase sempre tão escuro.
Quase que já não sabia onde é que estava a luz, onde é que
No fragmento, o narrador adota um ponto de vista que acom- estava a sombra.
panha a perspectiva de Fortunato. O que singulariza esse pro- (GUIMARAENS, J. A. Contos e novelas. Rio de
cedimento narrativo é o registro do(a) Janeiro: Imago, 1976. Fragmento.)

A) indignação face à suspeita do adultério da esposa. Ao apresentar uma cena em que um menino atira milho às
B) tristeza compartilhada pela perda da mulher amada. galinhas e observa com atenção uma delas, o narrador explora
C) espanto diante da demonstração de afeto de Garcia. um recurso que conduz a uma expressividade fundamentada na
D) prazer da personagem em relação ao sofrimento alheio. A) captura de elementos da vida rural, de feições peculiares.
E) superação do ciúme pela comoção decorrente da morte. B) caracterização de um quintal de sítio, espaço de
descobertas.
119. (Enem-2017) C) confusão intencional da marcação do tempo, centrado na
infância.
Doutor dos sentimentos D) apropriação de diferentes pontos de vista, incorporados
afetivamente.
Veja quem é e o que pensa o português António Damásio,
um dos maiores nomes da neurociência atual, sempre em E) fragmentação do conflito gerador, distendido como apoio
busca de desvendar os mistérios do cérebro, das emoções e à emotividade.
da consciência
121. (Enem-2016)
Ele é baixo, usa óculos, tem cabelos brancos penteados para
trás e costuma vestir terno e gravata. A surpresa vem quando A partida de trem
começa a falar. António Damásio não confirma em nada o clichê Marcava seis horas da manhã. Angela Pralini pa-
que se tem de cientista. Preocupado em ser o mais didático pos- gou o táxi e pegou sua pequena valise. Dona Maria
sível, tenta, pacientemente, com certa graça e até ironia, sempre Rita de Alvarenga Chagas Souza Melo desceu do Opala da filha
que cabível, traduzir para os leigos estudos complexos sobre o e encaminharam-se para os trilhos. A velha bem-vestida e com
cérebro. Português, Damásio é um dos principais expoentes da joias. Das rugas que a disfarçavam saía a forma pura de um nariz
neurociência atual. perdido na idade, e de uma boca que outrora devia ter sido cheia
Diferentemente de outros neurocientistas, que acham e sensível. Mas que importa? Chega-se a um certo ponto – e o
que apenas a ciência tem respostas à compreensão da mente, que foi não importa. Começa uma nova raça. Uma velha não
Damásio considera que muitas ideias não provêm necessaria- pode comunicar-se. Recebeu o beijo gelado de sua filha que foi
mente daí. Para ele, um substrato imprescindível para entender embora antes do trem partir. Ajudara-a antes a subir no vagão.
a mente, a consciência, os sentimentos e as emoções advém da Sem que neste houvesse um centro, ela se colocara do lado.
vida intuitiva, artística e intelectual. Fora dos meios científicos, o Quando a locomotiva se pôs em movimento, surpreendeu-se
nome de Damásio começou a ser celebrado na década de 1990, um pouco: não esperava que o trem seguisse nessa direção e
quando lançou seu primeiro livro, uma obra que fala de emoção, sentara-se de costas para o caminho.
razão e do cérebro humano. Angela Pralini percebeu-lhe o movimento e perguntou:
(TREFAUT, M. P. Disponível em: <http://revistaplaneta.terra.com.br>. Acesso — A senhora deseja trocar de lugar comigo?
em: 2 set. 2014. Adaptado.) Dona Maria Rita se espantou com a delicadeza, disse que
não, obrigada, para ela dava no mesmo. Mas parecia ter-se
Na organização do texto, a sequência que atende à função perturbado. Passou a mão sobre o camafeu filigranado de ouro,
sociocomunicativa de apresentar objetivamente o cientista espetado no peito, passou a mão pelo broche. Seca. Ofendida?
António Damásio é a Perguntou afinal a Angela Pralini:
A) descritiva, pois delineia um perfil do professor. — É por causa de mim que a senhorita deseja trocar de lugar?
B) injuntiva, pois faz um convite à leitura de sua obra. (LISPECTOR, C. Onde estivestes de noite.
C) argumentativa, pois defende o seu comportamento Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1980. Fragmento.)
incomum.
A descoberta de experiências emocionais com base no cotidia-
D) narrativa, pois são contados fatos relevantes ocorridos em no é recorrente na obra de Clarice Lispector. No fragmento, o
sua vida. narrador enfatiza o(a)
E) expositiva, pois traz as impressões da autora a respeito de A) comportamento vaidoso de mulheres de condição social
seu trabalho. privilegiada.
B) anulação das diferenças sociais no espaço público de uma
estação.

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Língua Portuguesa

C) incompatibilidade psicológica entre mulheres de gerações C) advertir o leitor mais jovem sobre o mau uso que se faz do
diferentes. tempo nos dias atuais.
D) constrangimento da aproximação formal de pessoas D) incentivar o leitor a organizar melhor o seu tempo sem dei-
desconhecidas. xar de ser nostálgico.
E) sentimento de solidão alimentado pelo processo de E) convencer o leitor sobre a veracidade de fatos relativos à
envelhecimento. vida no passado.

122. (Enem-2016) A obra de Túlio Piva poderia ser objeto 124. (Enem-2015)
de estudo nos bancos escolares, ao lado de Noel,
Ataulfo e Lupicínio. Se o criador optou por perma-
necer em sua querência – Santiago, e depois Porto
Alegre, a obra alçou voos mais altos, com passagens na Rússia,
Conecte-se
1
Estados Unidos e Venezuela. Tem que ter mulata, seu samba
maior, é coisa de craque. Um retrato feito de ritmo e poesia, Estabeleça relações com as pessoas a sua volta. Os
uma ode ao gênero que amou desde sempre. E o paradoxo: relacionamentos são a base da vida diária e investir
misto de gaúcho e italiano, nascido na fronteira com a tempo neles enriquecerá seu dia e garantirá apoio quando pre-
Argentina, falando de samba, morro e mulata, com categoria. cisar. As pesquisas mostram que quem tem menos de três pessoas
E que categoria! Uma batida de violão que fez história. O tango em sua rede de contatos próxima – entre família e amigos – tem
transmudado em samba. mais chance de desenvolver uma doença mental.
(RAMIREZ, H.; PIVA, R. (Org.). Túlio Piva: pra ser samba brasileiro. Porto
Alegre: Programa Petrobras Cultural, 2005. Adaptado.)
Seja ativo
O texto é um trecho da crítica musical sobre a obra de Túlio
Piva. Para enfatizar a qualidade do artista, usou-se como recurso
2 Caminhe ou corra, ande de bicicleta, pratique um
esporte, dance. Os exercícios fazem as pessoas se
argumentativo o(a) sentirem bem – o importante é cada pessoa achar a atividade
A) contraste entre o local de nascimento e a escolha pelo gê- que lhe dá prazer e que é adequada a seus limites. Estudos de
nero samba. longo prazo sugerem que a prática de uma atividade física
previne o declínio das capacidades mentais e protege contra a
B) exemplo de temáticas gaúchas abordadas nas letras de ansiedade e a depressão.
sambas.
C) alusão a gêneros musicais brasileiros e argentinos.
Preste atenção
D) comparação entre sambistas de diferentes regiões.
E) aproximação entre a cultura brasileira e a argentina. 3 Seja curioso, saboreie os momentos da vida e tome
consciência de como se sente. Refletir sobre suas ex-
123. (Enem-2016) periências ajuda a descobrir o que realmente importa e garantir
que você viva o presente. Uma pesquisa mostrou que pessoas
Você pode não acreditar treinadas a prestar atenção em seus sentimentos durante oito a
Você pode não acreditar: mas houve um tempo 12 semanas apresentaram melhora no bem-estar por anos.
em que os leiteiros deixavam as garrafinhas de leite
do lado de fora das casas, seja ao pé da porta, seja na janela.
Continue aprendendo
4
A gente ia de uniforme azul e branco para o grupo, de
manhãzinha, passava pelas casas e não ocorria que alguém Tente algo novo, matricule-se em um curso, faça uma
pudesse roubar aquilo. nova tarefa no trabalho. Tente consertar algo em
Você pode não acreditar: mas houve um tempo em que casa. Aprenda a tocar um instrumento ou a cozinhar. Escolha
os padeiros deixavam o pão na soleira da porta ou na janela um desafio que você vai gostar de perseguir. Os estudos suge-
que dava para a rua. A gente passava e via aquilo como uma rem que o bem-estar está ligado a ter metas – desde que elas
coisa normal. sejam estabelecidas pelos próprios indivíduos e tenham a ver
Você pode não acreditar: mas houve um tempo em que com seus valores pessoais.
você saía à noite para namorar e voltava andando pelas ruas
da cidade, caminhando displicentemente, sentindo cheiro de Doe-se
jasmim e de alecrim, sem olhar para trás, sem temer as sombras.
Você pode não acreditar: houve um tempo em que as
pessoas se visitavam airosamente. Chegavam no meio da
5 Agradeça a alguém, ajude um amigo ou um estranho.
Sorria, faça trabalho voluntário, junte-se à associação do
bairro. Olhe para fora, além de olhar para dentro de si. Fazer parte
tarde ou à noite, contavam casos, tomavam café, falavam da
saúde, tricotavam sobre a vida alheia e voltavam de bonde de uma comunidade traz benefícios – entre eles relações sociais
às suas casas. mais significativas. As pesquisas mostram que as pessoas que têm
um interesse maior pelo outro tendem a se considerar mais felizes.
Você pode não acreditar: mas houve um tempo em que
o namorado primeiro ficava andando com a moça numa rua (Disponível em: <www.revistaepoca.globo.com>. Acesso em: 27 fev. 2012.)
perto da casa dela, depois passava a namorar no portão, depois
tinha ingresso na sala da família. Era sinal de que já estava Ao interagirmos socialmente, é comum deixarmos claro nosso
praticamente noivo e seguro. posicionamento a respeito do assunto discutido. Para isso,
muitas vezes, recorremos a determinadas estratégias argumen-
Houve um tempo em que havia tempo.
tativas, dentre as quais se encontra o argumento de autoridade.
Houve um tempo. Considerando o texto em suas cinco partes, constata-se que há
(SANT’ANNA, A. R. Estado de Minas, 5 maio 2013. Fragmento.) o emprego de argumento de autoridade no trecho:
Nessa crônica, a repetição do trecho “Você pode não acreditar: A) “Seja curioso, saboreie os momentos da vida e tome cons-
houve um tempo em que...” configura-se como uma estratégia ciência de como se sente. Refletir sobre suas experiências
argumentativa que visa ajuda a descobrir o que realmente importa”.
A) surpreender o leitor com a descrição do que as pessoas fa- B) “As pesquisas mostram que quem tem menos de três pes-
ziam durante o seu tempo livre antigamente. soas em sua rede de contatos próxima [...] tem mais chan-
ces de desenvolver uma doença mental”.
B) sensibilizar o leitor sobre o modo como as pessoas se rela-
cionavam entre si num tempo mais aprazível.

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Língua Portuguesa

C) “Caminhe ou corra, ande de bicicleta, pratique um esporte, A) emprega sinais de pontuação em excesso.
dance. Os exercícios fazem as pessoas se sentirem bem”. B) recorre a termos e expressões em desuso no português.
D) “Tente algo novo, matricule-se em um curso [...] Escolha um C) apresenta-se na primeira pessoa do singular, para conotar
desafio que você vai gostar de perseguir.” intimidade com o destinatário.
E) “Fazer parte de uma comunidade traz benefícios – entre D) privilegia o uso de termos técnicos, para demonstrar co-
eles relações sociais mais significativas.” nhecimento especializado.
E) expressa-se em linguagem mais subjetiva, com forte carga
125. (Enem-2015)
emocional.
Não adianta isolar o fumante
Se quiser mesmo combater o fumo, o governo 127. (Enem-2015) João Antônio de Barros (Jota Barros)
precisa ir além das restrições. É preciso apoiar quem nasceu aos 24 de junho de 1935, em Glória de Goitá
(PE). Marceneiro, entalhador, xilógrafo, poeta repen-
quer largar o cigarro.
tista e escritor de literatura de cordel, já publicou 33
Ao apoiar uma medida provisória para combater o fumo em folhetos e ainda tem vários inéditos. Reside em São Paulo desde
locais públicos nos 27 estados brasileiros, o Senado reafirmou 1973, vivendo exclusivamente da venda de livretos de cordel e
um valor fundamental: a defesa da saúde e da vida. das cantigas de improviso, ao som da viola. Grande divulgador
Em pelo menos um aspecto a MP 540/2011 é ainda mais ri- da poesia popular nordestina no Sul, tem dado frequentemente
gorosa que as medidas em vigor em São Paulo, no Rio de Janeiro entrevistas à imprensa paulista sobre o assunto.
e no Paraná, estados que até agora adotaram as legislações mais (EVARISTO, M. C. O cordel em sala de aula. In: BRANDÃO, H. N. (Coord.).
duras contra o tabagismo. Ela proíbe os fumódromos em 100% Gêneros do discurso na escola: mito, conto, cordel, discurso
dos locais fechados, incluindo até tabacarias, onde o fumo era político, divulgação científica. São Paulo: Cortez, 2000.)
autorizado sob determinadas condições. A biografia é um gênero textual que descreve a trajetória de
Uma das principais medidas atinge o fumante no bolso. O determinado indivíduo, evidenciando sua singularidade. No
governo fica autorizado a fixar um novo preço para o maço de caso específico de uma biografia como a de João Antônio de
cigarros. O imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) será Barros, um dos principais elementos que a constitui é
elevado em 300%. Somando uma coisa e outra, o sabor de A) a estilização dos eventos reais de sua vida, para que o rela-
fumar se tornará muito mais ácido. Deverá subir 20% em 2012 to biográfico surta os efeitos desejados.
e 55% em 2013. B) o relato de eventos de sua vida em perspectiva histórica,
A visão fundamental da MP está correta. Sabe-se, há muito, que valorize seu percurso artístico.
que o tabaco faz mal à saúde. É razoável, portanto, que o Estado
C) a narração de eventos de sua vida que demonstrem a qua-
aja em nome da saúde pública.
(Época, 28 nov. 2011. Adaptado.)
lidade de sua obra.
D) uma retórica que enfatize alguns eventos da vida exemplar
O autor do texto analisa a aprovação da MP 540/2011 pelo da pessoa biografada.
Senado, deixando clara a sua opinião sobre o tema. O trecho que
apresenta uma avaliação pessoal do autor como uma estratégia E) uma exposição de eventos de sua vida que mescle objetivi-
de persuasão do leitor é: dade e construção ficcional.
A) “Ela proíbe os fumódromos em 100% dos locais fechados”. 128. (Enem-2014)
B) “O governo fica autorizado a fixar um novo preço para o O Brasil é Sertanejo
maço de cigarros”.
Que tipo de música simboliza o Brasil? Eis uma
C) “O Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) será ele-
questão discutida há muito tempo que desperta
vado em 300%”.
opiniões extremadas. Há fundamentalistas que desejam impor
D) “Somando uma coisa e outra, o sabor de fumar se tornará ao público um tipo de som nascido das raízes socioculturais do
mais ácido.” país. O samba. Outros, igualmente, nacionalistas, desprezam
E) “Deverá subir 20% em 2012 e 55% em 2013.” tudo aquilo que não tem estilo. Sonham com o império da
MPB de Chico Buarque e Caetano Veloso. Um terceiro grupo,
126. (Enem-2015) formado por gente mais jovem, escuta e cultiva apenas a
Exmº Sr. Governador: música internacional, em todas as vertentes. E mais ou menos
Trago a V. Exa. um resumo dos trabalhos realiza- ignora o resto.
dos pela Prefeitura de Palmeira dos Índios em 1928. A realidade dos hábitos musicais do brasileiro agora Está cla-
[…] ro, nada tem a ver com esses estereótipos. O gênero que encanta
ADMINISTRAÇÃO mais da metade do país é o Sertanejo, seguido de longe pela
MPB e pelo pagode. Outros gêneros em ascensão, sobretudo
Relativamente à quantia orçada, os telegramas custaram
entre as classes C, D e E, são o funk e o religioso, em especial o
pouco. De ordinário vai para eles dinheiro considerável. Não
gospel. Rock e música eletrônica são músicas de minoria.
há vereda aberta pelos matutos que prefeitura do interior não
ponha no arame, proclamando que a coisa foi feita por ela; co- É o que demonstra uma pesquisa pioneira feita entre agosto
municam-se as datas históricas ao Governo do Estado, que não de 2012 e agosto de 2013 pelo Instituto Brasileiro de Opinião
precisa disso; todos os acontecimentos políticos são badalados. Pública e Estatística (Ibope). A pesquisa Tribos musicais – o
Porque se derrubou a Bastilha – um telegrama; porque se deitou comportamento dos ouvintes de rádio sob uma nova ótica faz
pedra na rua – um telegrama; porque o deputado F. esticou a um retrato do ouvinte brasileiro e traz algumas novidades.
canela – um telegrama. Para quem pensava que a MPB e o samba ainda resistiam como
baluartes da nacionalidade, uma má notícia: os dois gêneros
Palmeira dos Índios, 10 de janeiro de 1929.
foram superados em popularidade. O Brasil moderno não tem
Graciliano Ramos mais o perfil sonoro dos anos 1970, que muitos gostariam que
(RAMOS, G. Viventes das Alagoas. São Paulo: Martins Fontes, 1962.) se eternizasse. A cara musical do país agora é outra.
(GIRON, L. A. Época, n. 805, out. 2013. Fragmento.)
O relatório traz a assinatura de Graciliano Ramos, na época,
prefeito de Palmeira dos Índios, e é destinado ao governo do
estado de Alagoas. De natureza oficial, o texto chama a atenção O texto objetiva convencer o leitor de que a configuração da
por contrariar a norma prevista para esse gênero, pois o autor preferência musical dos brasileiros não é mais a mesma dos
anos 1970. A estratégia de argumentação para comprovar essa
posição baseia-se no(a)

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A) apresentação dos resultados de uma pesquisa que retra- Todas as características tidas como exclusivas dos humanos são
ta o quadro atual da preferência popular relativa à música compartilhadas por outros animais, ainda que em menor grau.
brasileira. INTELIGÊNCIA
B) caracterização das opiniões relativas a determinados gêne- A ideia de que somos os únicos animais racionais tem sido des-
ros, considerados os mais representativos da brasilidade, truída desde os anos 40. A maioria das aves e mamíferos tem
como meros estereótipos. algum tipo de raciocínio.
C) uso de estrangeirismos, como rock, funk e gospel, para AMOR
compor um estilo próximo ao leitor, em sintonia com o ata- O amor, tido como o mais elevado dos sentimentos, é parecido
que dos nacionalistas. em várias espécies, como os corvos, que também criam laços
duradouros, se preocupam com o ente querido e ficam de luto
D) ironia com relação ao apego a opiniões superadas, toma- depois de sua morte.
das como expressão de conservadorismo e anacronismo,
com o uso das designações “império” e “baluarte”. CONSCIÊNCIA
Chimpanzés se reconhecem no espelho. Orangotangos ob-
E) contraposição a impressões fundadas em elitismo e pre- servam e enganam humanos distraídos. Sinais de que sabem
conceito, com a alusão a artistas de renome para melhor quem são e se distinguem dos outros. Ou seja, são conscientes.
demonstrar a consolidação da mudança do gosto popular.
CULTURA
129. (Enem-2012) O primatologista Frans de Waal juntou vários exemplos de ce-
táceos e primatas que são capazes de aprender novos hábitos
não, não, e de transmiti-los para as gerações seguintes. O que é cultura
obrigada. obrigada.
se não isso?
(BURGIERMAN, D. Superinteressante, n. 190, jul. 2003.)

(LAERTE. Disponível em: <http://blog.educacional.com.br>. Acesso em: 8 set. 2011)


O título do texto traz o ponto de vista do autor sobre a suposta
supremacia dos humanos em relação aos outros animais. As
estratégias argumentativas utilizadas para sustentar esse ponto
de vista são
A) definição e hierarquia.
com mais 10,00 você
ganha um celular. B) exemplificação e comparação.
questão de
técnica C) causa e consequência.
D) finalidade e meios.
E) autoridade e modelo.

Gêneros textuais
(LAERTE. Disponível em: <http://blog.educacional. 131. (Enem-2017) PROPAGANDA — O exame dos textos
com.br>. Acesso em: 8 set. 2011.) e mensagens de Propaganda revela que ela apresenta
posições parciais, que refletem apenas o pensamento
Que estratégia argumentativa leva o personagem do terceiro de uma minoria, como se exprimissem, em vez disso,
quadrinho a persuadir sua interlocutora? a convicção de uma população; trata-se, no fundo, de convencer
A) Prova concreta, ao expor o produto ao consumidor. o ouvinte ou o leitor de que, em termos de opinião, está fora do
B) Consenso, ao sugerir que todo vendedor tem técnica. caminho certo, e de induzi-lo a aderir às teses que lhes são
apresentadas, por um mecanismo bem conhecido da psicologia
C) Raciocínio lógico, ao relacionar uma fruta com um produto
social, o do conformismo induzido por pressões do grupo sobre
eletrônico.
o indivíduo isolado.
D) Comparação, ao enfatizar que os produtos apresentados
(BOBBIO, N.; MATTEUCCI, N.; PASQUINO, G. Dicionário de política. Brasília:
anteriormente são inferiores. UnB, 1998. Adaptado.)
E) Indução, ao elaborar o discurso de acordo com os anseios
do consumidor. De acordo com o texto, as estratégias argumentativas e o uso da
linguagem na produção da propaganda favorecem a
130. (Enem-2012) A) reflexão da sociedade sobre os produtos anunciados.
Não somos tão especiais B) difusão do pensamento e das preferências das grandes
massas.
C) imposição das ideias e posições de grupos específicos.
D) decisão consciente do consumidor a respeito de sua
compra.
E) identificação dos interesses do responsável pelo produto
divulgado.

132. (Enem-2017)
Uma noite em 67, de Renato Terra e Ricardo Calil.
Editora Planeta, 296 páginas.
Mas foi uma noite, aquela noite de sábado 21 de
outubro de 1967, que parou o nosso país. Parou pra ver a fina-
líssima do III Festival da Record, quando um jovem de 24 anos
chamado Eduardo Lobo, o Edu Lobo, saiu carregado do Teatro
Paramount em São Paulo depois de ganhar o prêmio máximo

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do festival com Ponteio, que cantou acompanhado da charmosa ODORICO - Povo sucupirano! Agoramente já investido no
e iniciante Marília Medalha. cargo de Prefeito, aqui estou para receber a confirmação, a
Foi naquela noite que Chico Buarque entoou sua Roda viva ratificação, a autenticação e por que não dizer a sagração do
ao lado do MPB-4 de Magro, o arranjador. Que Caetano Veloso povo que me elegeu.
brilhou cantando Alegria, alegria com a plateia ao som das gui- Aplausos vêm de fora.
tarras dos Beat Boys, que Gilberto Gil apresentou a tropicalista ODORICO - Eu prometi que o meu primeiro ato como pre-
Domingo no parque com os Mutantes. feito seria ordenar a construção do cemitério.
Aquela noite que acabou virando filme, em 2010, nas mãos Aplausos, aos quais se incorporam as personagens em cena.
de Renato Terra e Ricardo Calil, agora virou livro. O livro que está ODORICO - (Continuando o discurso:) Botando de lado os
sendo lançado agora é a história daquela noite, ampliada e em entretantos e partindo pros finalmente, é uma alegria poder
estado que no jargão jornalístico chamamos de matéria bruta. anunciar que prafrentemente vocês já poderão morrer des-
Quem viu o filme vai se deliciar com as histórias — e algumas cansados, tranquilos e desconstrangidos, na certeza de que
fofocas — que cada um tem para contar, agora sem os cortes vão ser sepultados aqui mesmo, nesta terra morna e cheirosa
necessários que um filme exige. E quem não viu o filme tem de Sucupira. E quem votou em mim, basta dizer isso ao padre
diante de si um livro de histórias, pensando bem, de História. na hora da extrema-unção, que tem enterro e cova de graça,
(VILLAS, A. Disponível em: <www.cartacapital.com.br>. Acesso em: 18 jun. conforme o prometido.
2014. Adaptado.)
(GOMES, D. O bem amado. Rio de Janeiro: Ediouro, 2012.)
Considerando os elementos constitutivos dos gêneros tex-
tuais circulantes na sociedade, nesse fragmento de resenha O gênero peça teatral tem o entretenimento como uma de
predominam suas funções. Outra função relevante do gênero, explícita nesse
trecho de O bem amado, é
A) caracterizações de personalidades do contexto musical
brasileiro dos anos 1960. A) criticar satiricamente o comportamento de pessoas
públicas.
B) questões polêmicas direcionadas à produção musical bra-
sileira nos anos 1960. B) denunciar a escassez de recursos públicos nas prefeituras
do interior.
C) relatos de experiências de artistas sobre os festivais de mú-
sica de 1967. C) censurar a falta de domínio da língua padrão em eventos
sociais.
D) explicações sobre o quadro cultural do Brasil durante a dé-
cada de 1960. D) despertar a preocupação da plateia com a expectativa de
vida dos cidadãos.
E) opiniões a respeito de uma obra sobre a cena musical de
1967. E) questionar o apoio irrestrito de agentes públicos aos ges-
tores governamentais.
133. (Enem-2017)
135. (Enem-2017)

(Época, n. 698, 3 out. 2011. Adaptado.)

Os textos publicitários são produzidos para cumprir deter-


(Disponível em: <www.agenciapatriciagalvao.org.br>. Acesso em: 15 maio
minadas funções comunicativas. Os objetivos desse cartaz
2017. Adaptado.) estão voltados para a conscientização dos brasileiros sobre a
necessidade de
Campanhas publicitárias podem evidenciar problemas sociais.
O cartaz tem como finalidade A) as crianças frequentarem a escola regularmente.
A) alertar os homens agressores sobre as consequências de B) a formação leitora começar na infância.
seus atos. C) a alfabetização acontecer na idade certa.
B) conscientizar a população sobre a necessidade de denun- D) a literatura ter o seu mercado consumidor ampliado.
ciar a violência doméstica. E) as escolas desenvolverem campanhas a favor da leitura.
C) instruir as mulheres sobre o que fazer em casos de agressão.
136. (Enem-2017)
D) despertar nas crianças a capacidade de reconhecer atos de
violência doméstica.
Aí pelas três da tarde
E) exigir das autoridades ações preventivas contra a violência
doméstica. Nesta sala atulhada de mesas, máquinas e papéis, onde in-
vejáveis escreventes dividiram entre si o bom-senso do mundo,
134. (Enem-2017) aplicando-se em ideias claras apesar do ruído e do mormaço,
Segundo quadro seguros ao se pronunciarem sobre problemas que afligem o
Uma sala da prefeitura. O ambiente é modesto. homem moderno (espécie da qual você, milenarmente cansado,
Durante a mutação, ouve-se um dobrado e vivas a talvez se sinta um tanto excluído), largue tudo de repente sob
Odorico, “viva o prefeito” etc. Estão em cena Dorotéa, Juju, Dirceu, os olhares a sua volta, componha uma cara de louco quieto e
Dulcinéa, o vigário e Odorico. Este último, à janela, discursa. perigoso, faça os gestos mais calmos quanto os tais escribas
mais severos, dê um largo “ciao” ao trabalho do dia, assim como

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quem se despede da vida, e surpreenda pouco mais tarde, com Vocabulário


sua presença em hora tão insólita, os que estiveram em casa Vau: lugar do rio ou outra porção de água onde esta é pouco
ocupados na limpeza dos armários, que você não sabia antes funda e, por isso, pode ser transposta a pé ou a cavalo.
como era conduzida. Convém não responder aos olhares inter-
rogativos, deixando crescer, por instantes, a intensa expectativa (MAGALHÃES, L. L. A.; MACHADO, R. H. A. (Org.). Perdizes, suas histórias,
sua gente, seu folclore. Perdizes: Prefeitura Municipal, 2005.)
que se instala. Mas não exagere na medida e suba sem demora
ao quarto, libertando aí os pés das meias e dos sapatos, tirando As anedotas são narrativas, reais ou inventadas, estruturadas
a roupa do corpo como se retirasse a importância das coisas, com a finalidade de provocar o riso. O recurso expressivo que
pondo-se enfim em vestes mínimas, quem sabe até em pelo, configura esse texto como uma anedota é o(a)
mas sem ferir o decoro (o seu decoro, está claro), e aceitando
ao mesmo tempo, como boa verdade provisória, toda mudança A) uso repetitivo da negação.
de comportamento. B) grafia do termo “Oropas”.
(NASSAR, R. Menina a caminho. São Paulo: Cia. das Letras, 1997.) C) ambiguidade do verbo “ir”.
D) ironia das duas perguntas.
Em textos de diferentes gêneros, algumas estratégias argumen-
tativas referem-se a recursos linguístico-discursivos mobilizados E) emprego de palavras coloquiais.
para envolver o leitor. No texto, caracteriza-se como estratégia
139. (Enem-2017) Este mês, a reportagem de capa veio do
de envolvimento a
meu umbigo. Ou melhor, veio de um mal-estar que
A) prescrição de comportamentos, como em: “[...] largue tudo comecei a sentir na barriga. Sou meio italiano, piz-
de repente sob os olhares a sua volta [...]”. zaiolo dos bons, herdei de minha avó uma daquelas
B) apresentação de contraposição, como em: “Mas não exage- velhas máquinas de macarrão a manivela. Cresci à base de fari-
re na medida e suba sem demora ao quarto [...]”. nha de trigo. Aí, do nada, comecei a ter alergias respiratórias
C) explicitação do interlocutor, como em: “[...] (espécie da qual que também pareciam estar ligadas à minha dieta. Comecei a
você, milenarmente cansado, talvez se sinta um tanto ex- peregrinar por médicos. Os exames diziam que não tinha nada
cluído) [...]”. errado comigo. Mas eu sentia, pô. Encontrei a resposta numa
nutricionista: eu tinha intolerância a glúten e a lactose.
D) descrição do espaço, como em: “Nesta sala atulhada de Arrivederci, pizza. Tchau, cervejinha.
mesas, máquinas e papéis, onde invejáveis escreventes di-
vidiram entre si o bom-senso do mundo [...]”. Notei também que as prateleiras dos mercados de repente
ficaram cheias de produtos que pareciam ser feitos para mim:
E) construção de comparações, como em: “[...] libertando aí leite, queijo e iogurte sem lactose, bolo, biscoito e macarrão sem
os pés das meias e dos sapatos, tirando a roupa do corpo glúten. E o mais incrível é que esse setor do mercado parece ser
como se retirasse a importância das coisas [...]”. o que está mais cheio de gente. E não é só no Brasil. Parece ser
em todo Ocidente industrializado. Inclusive na Itália.
137. (Enem-2017)
O tal glúten está na boca do povo, mas não está fácil enten-
der a real. De um lado, a imprensa popular faz um escarcéu, sem,
O exercício da crônica
no entanto, explicar o tema a fundo. De outro, muitos médicos
Escrever prosa é uma arte ingrata. Eu digo prosa fiada, como ficam na defensiva, insinuando que isso tudo não passa de
faz um cronista; não a prosa de um ficcionista, na qual este é modismo, sem fundamento científico. Mas eu sei muito bem
levado meio a tapas pelas personagens e situações que, azar que não é só modismo – eu sinto na barriga.
dele, criou porque quis. Com um prosador do cotidiano, a coisa O tema é um vespeiro – e por isso julgamos que era hora
fia mais fino. Senta-se diante de sua máquina, acende um cigarro, de meter a colher, para separar o joio do trigo e dar respostas
olha através da janela e busca fundo em sua imaginação um confiáveis às dúvidas que todo mundo tem.
fato qualquer, de preferência colhido no noticiário matutino, ou (BURGIERMAN, O. R. Tem algo grande aí.
da véspera, em que, com as suas artimanhas peculiares, possa Superinteressante, n. 335, jul. 2014. Adaptado.)
injetar um sangue novo.
O gênero editorial de revista contém estratégias argumentati-
(MORAES, V. Para viver um grande amor: crônicas e poemas.
São Paulo: Cia. das Letras, 1991.) vas para convencer o público sobre a relevância da matéria de
capa. No texto, considerando a maneira como o autor se dirige
Nesse trecho, Vinicius de Moraes exercita a crônica para pensá-la aos leitores, constitui uma característica da argumentação
como gênero e prática. Do ponto de vista dele, cabe ao cronista desenvolvida o(a)
A) criar fatos com a imaginação. A) relato pessoal, que especifica o debate do assunto
abordado.
B) reproduzir as notícias dos jornais.
B) exemplificação concreta, que desconstrói a generalidade
C) escrever em linguagem coloquial.
dos fatos.
D) construir personagens verossímeis.
C) referência intertextual, que recorre a termos da
E) ressignificar o cotidiano pela escrita. gastronomia.
138. (Enem-2017) D) crítica direta, que denuncia o oportunismo das indústrias
alimentícias.
Pra onde vai essa estrada? E) vocabulário coloquial, que representa o estilo da revista.

140. (Enem-2017)
— Sô Augusto, pra onde vai essa estrada?
Texto I
O senhor Augusto:
Frevo: Dança de rua e de salão, é a grande alucina-
— Eu moro aqui há 30 anos, ela nunca foi pra parte nenhu-
ção do Carnaval pernambucano. Trata-se de uma
ma, não.
marcha de ritmo frenético, que é a sua característica principal.
— Sô Augusto, eu estou dizendo se a gente for andando E a multidão ondulando, nos meneios da dança, fica a ferver. E
aonde a gente vai? foi dessa ideia de fervura (o povo pronuncia frevura, frever) que
O senhor Augusto: se criou o nome frevo.
— Vai sair até nas Oropas, se o mar der vau.
(CASCUDO, L. C. Dicionário do folclore brasileiro.
São Paulo: Global, 2001. Adaptado.)

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Texto II Nessa campanha, as informações apresentadas têm como


objetivo principal
Frevo é Patrimônio Imaterial da Humanidade A) conscientizar o doador de sua corresponsabilidade pela
qualidade do sangue.
O frevo, ritmo genuinamente pernambucano, agora é do
mundo. A música que hipnotiza milhões de foliões e dá o tom B) garantir a segurança de pessoas de grupos de risco duran-
do Carnaval no estado foi oficialmente reconhecida como te a doação de sangue.
Patrimônio Imaterial da Humanidade. O anúncio foi feito em C) esclarecer o público sobre a segurança do processo de cap-
Paris, nesta quarta-feira, durante cerimônia da Organização das tação do sangue.
Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). D) alertar os doadores sobre as dificuldades enfrentadas na
(Disponível em: <www.diariodepernambuco. coleta de sangue.
com.br>. Acesso em: 14 jun. 2015.)
E) ampliar o número de doadores para manter o banco de
Apesar de abordarem o mesmo tema, os textos I e II diferenciam- sangue.
-se por pertencerem a gêneros que cumprem, respectivamente,
a função social de 143. (Enem-2016) O livro A fórmula secreta conta a história
de um episódio fundamental para o nascimento da
A) resumir e avaliar.
matemática moderna e retrata uma das disputas
B) analisar e reportar. mais virulentas da ciência renascentista. Fórmulas
C) definir e informar. misteriosas, duelos, públicos, traições, genialidade, ambição –
D) comentar e explanar. e matemática! Esse é o instigante universo apresentado no
E) discutir e conscientizar. livro, que resgata a história dos italianos Tartaglia e Cardano
e da fórmula revolucionária para resolução de equações de
141. (Enem-2017) terceiro grau. A obra reconstitui um episódio polêmico que
marca, para muitos, o início do período moderno da
O tapete vermelho na porta é para você se sentir matemática.
nas nuvens antes mesmo de tirar os pés do chão. Em última análise, A fórmula secreta apresenta-se como
uma ótima opção para conhecer um pouco mais sobre a his-
(Campanha publicitária de empresa aérea.)
tória da matemática e acompanhar um dos debates científicos
(Disponível em: <http://quasepublicitarios.wordpress.com>. Acesso em: 3 mais inflamados do século XVI no campo. Mais do que isso, é
dez. 2012.) uma obra de fácil leitura e uma boa mostra de que é possível
abordar temas como álgebra de forma interessante, inteligente
Ao circularem socialmente, os textos realizam-se como práticas e acessível ao grande público.
de linguagem, assumindo configurações de especificidade, de
(GARCIA, M. Duelos, segredos e matemática. Disponível em: <http://
forma e de conteúdo. Para atingir seu objetivo, esse texto pu- cienciahoje.uol.com.br>. Acesso em: 6 out. 2015. Adaptado.)
blicitário vale-se do procedimento argumentativo de
A) valorizar o cliente, oferecendo-lhe, além dos serviços de Na construção textual, o autor realiza escolhas para cumprir
voo, um atendimento que o faça se sentir especial. determinados objetivos. Nesse sentido, a função social desse
B) persuadir o consumidor a escolher companhias aéreas que texto é
ofereçam regalias inclusas em seus serviços. A) interpretar a obra a partir dos acontecimentos da narrativa.
C) destacar que a companhia aérea oferece luxo aos consumi- B) apresentar o resumo do conteúdo da obra de modo
dores que utilizam seus serviços.
impessoal.
D) enfatizar a importância de oferecer o melhor ao cliente ao
C) fazer a apreciação de uma obra a partir de uma síntese
ingressar em suas aeronaves.
crítica.
E) definir parâmetros para um bom atendimento do cliente
durante a prestação de serviços. D) informar o leitor sobre a veracidade dos fatos descritos na
obra.
142. (Enem-2016) E) classificar a obra como uma referência para estudiosos da
Qual é a segurança do sangue? matemática.
Para que o sangue esteja disponível para aque-
144. (Enem-2016) Centro das atenções em um planeta
les que necessitam, os indivíduos saudáveis devem
cada vez mais interconectado, a Floresta Amazônica
criar o hábito de doar sangue e encorajar amigos e familiares
expõe inúmeros dilemas. Um dos mais candentes
saudáveis a praticarem o mesmo ato.
diz respeito à madeira e sua exploração econômica,
A prática de selecionar criteriosamente os doadores, bem
uma saga que envolve os muitos desafios para a conservação
como as rígidas normas aplicadas para testar, transportar, esto-
dos recursos naturais às gerações futuras.
car e transfundir o sangue doado anteriormente.
Apenas pessoas saudáveis e que não sejam de risco para Com o olhar jornalístico, crítico e ao mesmo tempo didáti-
adquirir doenças infecciosas transmissíveis pelo sangue, como co, adentramos a Amazônia em busca de histórias e sutilezas
hepatites B e C, HIV, sífilis e Chagas, podem doar sangue. que os dados nem sempre revelam. Lapidamos estatísticas e
estudos científicos para construir uma síntese útil a quem dire-
Se você acha que sua saúde ou comportamento pode co-
ciona esforços para conservar a floresta, seja no setor público,
locar em risco a vida de quem for receber seu sangue, ou tem
seja no setor privado, seja na sociedade civil.
a real intenção de apenas realizar o teste para o vírus HIV, NÃO
DOE SANGUE. Guiada como uma reportagem, rica em informações ilus-
tradas, a obra Madeira de ponta a ponta revela a diversidade
Cumpre destacar que apesar de o sangue doado ser testado
de fraudes na cadeia de produção, transporte e comerciali-
para as doenças transmissíveis conhecidas no momento, existe
zação da madeira, bem como as iniciativas de boas práticas
um período chamado de janela imunológica em que um doa-
que se disseminam e trazem esperança rumo a um modelo
dor contaminado por um determinado vírus pode transmitir a
de convivência entre desenvolvimento e manutenção da
doença através do seu sangue.
floresta.
DA SUA HONESTIDADE DEPENDE A VIDA DE QUEM VAI
(LELA, M.; SPINK, P. In: ADEODATO, S. et al. Madeira de ponta a ponta: o
RECEBER SEU SANGUE. caminho desde a floresta até o consumo. São
(Disponível em: <www.prosangue.sp.gov.br>. Paulo: FGV ERA, 2011. Adaptado.)
Acesso em: 24 abr. 2015. Adaptado.)

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A fim de alcançar seus objetivos comunicativos, os autores como funciona uma língua, por outro. Se se quiser descobrir os
escreveram esse texto para problemas com os quais uma sociedade se debate, uma coleção
A) apresentar informações e comentários sobre o livro. de piadas fornecerá excelente pista: sexualidade, etnia/raça e
outras diferenças, instituições (igreja, escola, casamento, política),
B) noticiar as descobertas científicas oriundas das pesquisas. morte, tudo isso está sempre presente nas piadas que circulam
C) defender as práticas sustentáveis de manejo da madeira. anonimamente e que são ouvidas e contadas por todo mundo
D) ensinar formas de combate à exploração ilegal de madeira. em todo o mundo. Os antropólogos ainda não prestaram a devida
atenção a esse material, que poderia substituir com vantagem
E) demonstrar a importância de parcerias para a realização da
muitas entrevistas e pesquisas participantes. Saberemos mais a
pesquisa.
quantas andam o machismo e o racismo, por exemplo, se pes-
145. (Enem-2016) quisarmos uma coleção de piadas do que qualquer outro corpus.
(POSSENTI, S. Ciência Hoje, n. 176, out. 2001. Adaptado.)
Querido diário
A piada é um gênero textual que figura entre os mais recorrentes
Hoje topei com alguns conhecidos meus na cultura brasileira, sobretudo na tradição oral. Nessa reflexão,
a piada é enfatizada por
Me dão bom-dia, cheios de carinho
Dizem para eu ter muita luz, ficar com Deus A) sua função humorística.
Eles têm pena de eu viver sozinho B) sua ocorrência universal.
[...] C) sua diversidade temática.
Hoje o inimigo veio me espreitar D) seu papel como veículo de preconceitos.
Armou tocaia lá na curva do rio E) seu potencial como objeto de investigação.
Trouxe um porrete a mó de me quebrar 148. (Enem-2016)
Mas eu não quebro porque sou macio, viu Lições de motim
(HOLANDA, C. B. Chico. Rio de Janeiro: Biscoito Fino, 2013. Fragmento.) DONA COTINHA — É claro! Só gosta de solidão
quem nasceu pra ser solitário. Só o solitário gosta
Uma característica do gênero diário que aparece na letra da
de solidão. Quem vive só e não gosta da solidão não é um
canção de Chico Buarque é o(a)
solitário, é só um desacompanhado. (A reflexão escorrega lá
A) diálogo com interlocutores próximos. pro fundo da alma.) Solidão é vocação, besta de quem pensa
B) recorrência de verbos no infinitivo. que é sina. Por isso, tem de ser valorizada. E não é qualquer um
C) predominância de tom poético. que pode ser solitário, não. Ah, mas não é mesmo! É preciso ter
D) uso de rimas na composição. competência pra isso. (De súbito, pedagógica, volta-se para o
homem.) É como poesia, sabe, moço? Tem de ser recitada em
E) narrativa autorreflexiva. voz alta, que é pra gente sentir o gosto. (FAZ UMA PAUSA.)
146. (Enem-2016) Você gosta de poesia? (O HOMEM TORNA A SE DEBATER. A
VELHA INTERROMPE O DISCURSO E VOLTA A LHE DAR AS
Receita COSTAS, COMO SEMPRE, IMPASSÍVEL. O HOMEM, MAIS UMA
VEZ, CANSADO, DESISTE.) Bem, como eu ia dizendo, pra viver
Tome-se um poeta não cansado, bem com a solidão temos de ser proprietários dela e não in-
Uma nuvem de sonho e uma flor quilinos, me entende? Quem é inquilino da solidão não passa
de um abandonado. É isso aí.
Três gotas de tristeza, um tom dourado,
(ZORZETTI, H. Lições de motim. Goiânia: Kelps, 2010 Adaptado.)
Uma veia sangrando de pavor.
Quando a massa já ferve e se retorce Nesse trecho, o que caracteriza Lições de motim como texto
Deita-se a luz dum corpo de mulher, teatral?
Duma pitada de morte se reforce, A) O tom melancólico presente na cena.
Que um amor de poeta assim requer. B) As perguntas retóricas da personagem.
(SARAMAGO, J. Os poemas possíveis. Alfragide: Caminho, 1997.) C) A interferência do narrador no desfecho da cena.
D) O uso de rubricas para construir a ação dramática.
Os gêneros textuais caracterizam-se por serem relativamente
E) As analogias sobre a solidão feitas pela personagem.
estáveis e podem reconfigurar-se em função do propósito
comunicativo. Esse texto constitui uma mescla de gêneros, pois 149. (Enem-2016)
A) introduz procedimentos prescritivos na composição do Primeira lição
poema.
Os gêneros de poesia são: lírico, satírico, didático,
B) explícita as etapas essenciais à preparação de uma receita.
épico, ligeiro.
C) explora elementos temáticos presentes em uma receita.
O gênero lírico compreende o lirismo.
D) apresenta organização estrutural típica de um poema.
Lirismo é a tradução de um sentimento subjetivo, sincero e
E) utiliza linguagem figurada na construção do poema. pessoal.
147. (Enem-2016) É a linguagem do coração, do amor. O lirismo é assim denomi-
nado porque em outros tempos os versos sentimentais eram
O humor e a língua
declamados ao som da lira.
Há algum tempo, venho estudando as piadas, com
ênfase em sua constituição linguística. Por isso, embo- O lirismo pode ser:
ra a afirmação a seguir possa parecer surpreendente, creio que a) Elegíaco, quando trata de assuntos tristes, quase sempre
posso garantir que se trata de uma verdade quase banal: as piadas a morte.
fornecem simultaneamente um dos melhores retratos dos valores b) Bucólico, quando versa sobre assuntos campestres.
e problemas de uma sociedade, por um lado, e uma coleção de
fatos e dados impressionantes para quem quer saber o que é e c) Erótico, quando versa sobre o amor.

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Língua Portuguesa

O lirismo elegíaco compreende a elegia, a nênia, a endecha, 151. (Enem-2016)


o epitáfio e o epicédio. Receitas de vida por um mundo mais doce
Elegia é uma poesia que trata de assuntos tristes. Pé de moleque
Nênia é uma poesia em homenagem a uma pessoa morta. Ingredientes
Era declamada junto à fogueira onde o cadáver era incinerado. 2 filhos que não param quietos
Endecha é uma poesia que revela as dores do coração. 3 sobrinhos da mesma espécie
Epitáfio é um pequeno verso gravado em pedras tumulares. 1 cachorro que adora uma farra
Epicédio é uma poesia onde o poeta relata a vida de uma 1 fim de semana livre
pessoa morta. Preparo
Junte tudo com os ingredientes do Açúcar Naturale, mexa
(CESAR, A. C. Poética. São Paulo: Companhia das Letras, 2013.)
bem e deixe descansar. Não as crianças, que não vai adiantar.
No poema de Ana Cristina Cesar, a relação entre as definições Sirva imediatamente, porque pé de moleque não para. Quer
apresentadas e o processo de construção do texto indica que essa e outras receitas completas?
o(a) Entre no site cianaturale.com.br.
A) caráter descritivo dos versos assinala uma concepção irô- Onde tem doce, tem Naturale.
nica de lirismo. (Revista Saúde, n. 351, jun. 2012. Adaptado.)
B) tom explicativo e contido constitui uma forma peculiar de
expressão poética. O texto é resultante do hibridismo de dois gêneros textuais. A
respeito desse hibridismo, observa-se que a
C) seleção e o recorte do tema revelam uma visão pessimista
da criação artística. A) receita mistura-se ao gênero propaganda com a finalidade
de instruir o leitor.
D) enumeração de distintas manifestações líricas produz um
efeito de impessoalidade. B) receita é utilizada no gênero propaganda a fim de divulgar
exemplos de vida.
E) referência a gêneros poéticos clássicos expressa a adesão C) propaganda assume a forma do gênero receita para divul-
do eu lírico às tradições literárias. gar um produto alimentício.
150. (Enem-2016) D) propaganda perde poder de persuasão ao assumir a forma
do gênero receita.
Fraudador é preso por emitir atestados com
erro de português E) receita está a serviço do gênero propaganda ao solicitar
que o leitor faça o doce.
Mais um erro de português leva um criminoso às
mãos da polícia. Desde 2003, M.O.P., de 37 anos, administrava 152. (Enem-2016)
a empresa MM, que falsificava boletins de ocorrência, carteiras Adoçante
profissionais e atestados de óbito, tudo para anular multas de
trânsito. Amparado pela documentação fajuta de M.O.P., um Quatro gotas do produto contêm 0,04 kcal e
motorista poderia alegar às Juntas Administrativas de Recursos equivalem ao poder adoçante de 1 colher (de chá)
de Infrações que ultrapassou o limite de velocidade para levar de açúcar.
uma parente que passou mal e morreu a caminho do hospital. Ingredientes – água, sorbitol, edulcorantes (sucralose e
O esquema funcionou até setembro, quando M.O.P. foi acesulfame de potássio); conservadores: benzoato de sódio e
indiciado. Atropelara a gramática. Havia emitido, por exemplo, ácido benzoico, acidulante ácido cítrico e regulador de acidez
um atestado de abril do ano passado em que estava escrito aneu- citrato de sódio.
risma “celebral” (com l no lugar de r) e “insuficiência” múltipla Não contém glúten.
de órgãos (com um I desnecessário em “insuficiência” – além Informação nutricional – porção de 0,12 mL (4 gotas).
do fato de a expressão médica adequada ser “falência múltipla Não contém quantidade significativa de carboidratos, pro-
de órgãos”). teínas, gorduras totais, gorduras trans, fibra alimentar e sódio.
M.O.P. foi indiciado pela 2.ª Delegacia de Divisão de Crimes Consumir preferencialmente sob orientação de nutricionista
de Trânsito. Na casa do acusado, em São Miguel Paulista, zona ou médico.
leste de São Paulo, a polícia encontrou um computador com
(Cosmed Indústria de Cosméticos e Medicamentos S/A. Barueri, SP.)
modelos de documentos.
(Língua Portuguesa, n. 12, set. 2006. Adaptado.) Esse texto, rótulo de um adoçante, tem como objetivo transmitir
ao leitor informações sobre a
O texto apresentado trata da prisão de um fraudador que emitia
A) composição nutricional do produto.
documentos com erros de escrita. Tendo em vista o assunto, a
organização, bem como os recursos linguísticos, depreende-se B) necessidade de consultar um especialista antes do uso.
que esse texto é um(a) C) medida exata de cada ingrediente que compõe a fórmula.
A) conto, porque discute problemas existenciais e sociais de D) quantidade do produto que deve ser consumida diariamente.
um fraudador. E) correspondência calórica existente entre o adoçante e o
B) notícia, porque relata fatos que resultaram no indiciamen- açúcar.
to de um fraudador.
C) crônica, porque narra o imprevisto que levou a polícia a
153. (Enem-2015) O mundo das grandes inovações tecno-
prender um fraudador. lógicas, dos avanços das pesquisas médicas e que já
presenciou o envio de homens ao espaço é o mesmo
D) editorial, porque opina sobre aspectos linguísticos dos do- lugar onde 1 bilhão de pessoas dormem e acordam
cumentos redigidos por um fraudador. com fome. A desnutrição ocupa o primeiro lugar no ranking dos
E) piada, porque narra o fato engraçado de um fraudador 10 maiores riscos à saúde e mata mais do que a AIDS, a malária e
descoberto pela polícia por causa de erros de grafia. a tuberculose combinadas. O equivalente às populações da
Europa e da América do Norte, juntas, está de barriga vazia. E um
futuro famélico aguarda a raça humana. Em 2050, apenas por
razões ligadas às mudanças climáticas, o número de pessoas sem
comida no prato vai aumentar em até 20%.
(Disponível em: <www.correiobraziliense.com.br>. Acesso em: 22 jan. 2012.)

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Língua Portuguesa

Considerando a natureza do tema, a forma como está apresen- 156. (Enem-2015)


tado e o meio pelo qual é veiculado o texto, percebe-se que seu
principal objetivo é
A) divulgar dados estatísticos recentes sobre a fome no mun-
do e sobre as inovações tecnológicas.
B) esclarecer questões científicas acerca dos danos causados
pela fome e pela AIDS nos indivíduos.
C) demonstrar que a fome, juntamente com as doenças endê-
micas, também é um problema de saúde pública.
D) convidar o leitor a engajar-se em alguma ação positiva
contra a fome, a partir da divulgação de dados alarmantes.
E) alertar sobre o problema da fome, apresentando-o como
um contraste no mundo de tantos recursos tecnológicos.
154. (Enem-2015) Como estamos na “Era Digital”, foi ne-
cessário rever os velhos ditados existentes e adaptá-
-los à nova realidade. Veja abaixo...
1. A pressa é inimiga da conexão.
2. Amigos, amigos, senhas à parte.
3. Para bom provedor uma senha basta.
4. Não adianta chorar sobre arquivo deletado.
5. Mais vale um arquivo no HD do que dois baixando. (Caras, n. 34, ago. 2011.)

6. Quem clica seus males multiplica. Tendo em vista seus elementos constitutivos e o meio de divul-
7. Quem semeia e-mails, colhe spams. gação, esse texto identifica-se como
8. Os fins justificam os e-mails. A) verbete enciclopédico, pois contém a definição de um item
lexical.
(Disponível em: <www.abusar.org.br>. Acesso em: 20 maio 2015. Adaptado.)
B) cartaz, pois instrui sobre a localização de um ambiente que
No texto, há uma reinterpretação de ditados populares com o oferece atrações turísticas.
uso de termos da informática. Essa reinterpretação C) cartão-postal, pois a imagem mostra ao destinatário o local
A) torna o texto apropriado para profissionais da informática. onde se encontra o remetente.
B) atribui ao texto um caráter humorístico. D) anúncio publicitário, pois busca persuadir o público-alvo a
visitar um determinado local.
C) restringe o acesso ao texto por público não especializado.
E) fotografia, pois retrata uma paisagem urbana de grande
D) deixa a terminologia original mais acessível ao público em impacto.
geral.
E) dificulta a compreensão do texto por quem não domina a 157. (Enem-2015)
língua inglesa.
Embalagens usadas e resíduos devem
155. (Enem-2015) Manter as contas sob controle e as fi- ser descartados adequadamente
nanças saudáveis parece um objetivo inatingível para
Todos os meses são recolhidas das rodovias brasileiras
você? Tenha certeza de que você não está sozinho. A
centenas de milhares de toneladas de lixo. Só nos 22,9 mil qui-
bagunça na vida financeira compromete os sonhos
lômetros das rodovias paulistas são 41,5 mil toneladas. O hábito
de muita gente no Brasil. É por isso que nós lançamos, pelo
de descartar embalagens, garrafas, papéis e bitucas de cigarro
terceiro ano consecutivo, este especial com informações que
pelas rodovias persiste e tem aumentado nos últimos anos. O
ajudam a encarar a situação de forma prática. Sem malabarismos
problema é que o lixo acumulado na rodovia, além de prejudicar
– mas com boa dose de disciplina! – é possível quitar as dívidas,
o meio ambiente, pode impedir o escoamento da água, contri-
organizar os gastos, fazer planos de consumo que caibam em
buir para as enchentes, provocar incêndios, atrapalhar o trânsito
seus rendimentos mensais e estruturar os investimentos para
e até causar acidentes. Além dos perigos que o lixo representa
fazer o dinheiro que sobra render mais.
para os motoristas, o material descartado poderia ser devolvido
Ter dinheiro para viver melhor está diretamente relacionado a para a cadeia produtiva. Ou seja, o papel que está sobrando nas
sua capacidade de se organizar e de eleger prioridades na hora rodovias poderia ter melhor destino. Isso também vale para os
de gastar. Aceite o desafio e boa leitura! plásticos inservíveis, que poderiam se transformar em sacos de
(Você S/A, n. 16, 2011. Adaptado.) lixo, baldes, cabides e até acessórios para os carros.
(Disponível em: <www.girodasestradas.com.br>. Acesso em: 31 jul. 2012.)
No trecho apresentado, são utilizados vários argumentos que
demonstram que o objetivo principal do produtor do texto, em Os gêneros textuais correspondem a certos padrões de compo-
relação ao público-alvo da revista, é sição de texto, determinados pelo contexto em que são produ-
zidos, pelo público a que eles se destinam, por sua finalidade.
A) conscientizar o leitor de que ele é capaz de economizar. Pela leitura do texto apresentado, reconhece-se que sua função é
B) levar o leitor a envolver-se com questões de ordem A) apresentar dados estatísticos sobre a reciclagem no país.
econômica.
B) alertar sobre os riscos da falta de sustentabilidade do mer-
C) ajudar o leitor a quitar suas dívidas e organizar sua vida cado de recicláveis.
financeira.
C) divulgar a quantidade de produtos reciclados retirados das
D) persuadir o leitor de que ele não é o único com problemas rodovias brasileiras.
financeiros. D) revelar os altos índices de acidentes nas rodovias brasilei-
E) convencer o leitor da importância de ler essa edição espe- ras poluídas nos últimos anos.
cial da revista. E) conscientizar sobre a necessidade de preservação ambien-
tal e de segurança nas rodovias.

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Língua Portuguesa

158. (Enem-2015) Ela sorriu, olhinho baixo. Abílio espreitou o cometa partir.
Manhã cedinho saltou a cerca. Sinal combinado, duas batidas
Por que as formigas não morrem quando na porta da cozinha. A dona saiu para o quintal, cuidadosa de
postas em forno de micro-ondas? não acordar os filhos. Ele trazia a capa de viagem, estendida na
As micro-ondas são ondas eletromagnéticas com frequência grama orvalhada.
muito alta. Elas causam vibração nas moléculas de água, e é isso O vizinho espionou os dois, aprendeu o sinal. Decidiu imitar
que aquece a comida. Se o prato estiver seco, sua temperatura a proeza.
não se altera. Da mesma maneira, se as formigas tiverem pouca No crepúsculo, pum-pum, duas pancadas fortes na porta.
água em seu corpo, podem sair incólumes. Já um ser humano O marido em viagem, mas não era dia do Abílio. Desconfiada, a
não se sairia tão bem quanto esses insetos dentro de um forno de moça surgiu à janela e o vizinho repetiu:
micro-ondas superdimensionado: a água que compõe 70% do seu — Como é o negócio?
corpo aqueceria. Micro-ondas de baixa intensidade, porém, estão
Diante da recusa, ele ameaçou:
por toda a parte, oriundas da telefonia celular, mas não há com-
provação de que causem problemas para a população humana. — Então você quer o velho e não quer o moço? Olhe que
eu conto!
(OKUNO, E. Disponível em: <http://revistapesquisa.fapesp.br>. (TREVISAN, D. Mistérios de Curitiba. Rio de
Acesso em: 11 dez. 2013.) Janeiro. Record,1979. Fragmento.)
Os textos constroem-se com recursos linguísticos que materia-
Quanto à abordagem do tema e aos recursos expressivos, essa
lizam diferentes propósitos comunicativos. Ao responder à per-
gunta que dá título ao texto, o autor tem como objetivo principal crônica tem um caráter
A) defender o ponto de vista de que as ondas eletromagnéti- A) filosófico, pois reflete sobre as mazelas sofridas pelos
cas são inofensivas. vizinhos.
B) divulgar resultados de recentes pesquisas científicas para B) lírico, pois relata com nostalgia o relacionamento da
a sociedade. vizinhança.
C) apresentar informações acerca das ondas eletromagnéti- C) irônico, pois apresenta com malícia a convivência entre
cas e de seu uso. vizinhos.
D) alertar o leitor sobre os riscos de usar as micro-ondas em D) crítico, pois deprecia o que acontece nas relações de
seu dia a dia. vizinhança.
E) apontar diferenças fisiológicas entre formigas e humanos. E) didático, pois expõe uma conduta a ser evitada na relação
entre vizinhos.
159. (Enem-2015)
161. (Enem-2014) A última edição deste periódico apre-
Posso mandar por e-mail? senta mais uma vez tema relacionado ao tratamento
Atualmente, é comum “disparar” currículos na dado ao lixo caseiro, aquele que produzimos no dia
internet com a expectativa de alcançar o maior nú- a dia. A informação agora passa pelo problema do
mero possível de selecionadores. Essa, no entanto, é uma ideia material jogado na estrada vicinal que liga o município de Rio
equivocada: é preciso saber quem vai receber seu currículo e se Claro ao distrito de Ajapi. Infelizmente, no local em questão, a
a vaga é realmente indicada para seu perfil, sob risco de estar reportagem encontrou mais uma forma errada da destinação
“queimando o filme” com um futuro empregador. Ao enviar o do lixo: material atirado ao lado da pista como se isso fosse o
currículo por e-mail, tente saber quem vai recebê-lo e faça um ideal. Muitos moradores, por exemplo, retiraram o lixo de suas
texto sucinto de apresentação, com a sugestão a seguir: residências e, em vez de um destino correto, procuram dispen-
Assunto: Currículo para a vaga de gerente de marketing sá-lo em outras regiões. Uma situação no mínimo incômoda. Se
Mensagem: Boa tarde. Meu nome é José da Silva e gostaria você sai de casa para jogar lixo em outra localidade, por que não
de me candidatar à vaga de gerente de marketing. Meu currículo o fazer em local ideal? É muita falta de educação achar que aquilo
segue anexo. que não é correto para sua região possa ser para outra. A reci-
(Guia da língua 2010: modelos e técnicas. Língua clagem do lixo doméstico é um passo inteligente e de consciên-
Portuguesa, 2010. Adaptado.) cia. Olha o exemplo que passamos aos mais jovens! Quem
O texto integra um guia de modelos e técnicas de elaboração aprende errado coloca em prática errado. Um perigo!
de textos e cumpre a função social de (Disponível em: <http://jornaldacidade.uol.com.br>.
Acesso em: 10 ago. 2012. Adaptado.)
A) divulgar um padrão oficial de redação e envio de currículos.
Esse editorial faz uma leitura diferenciada de uma notícia veicu-
B) indicar um modelo de currículo para pleitear uma vaga de
lada no jornal. Tal diferença traz à tona uma das funções sociais
emprego.
desse gênero textual, que é
C) instruir o leitor sobre como ser eficiente no envio de currí-
A) apresentar fatos que tenham sido noticiados pelo próprio
culo por e-mail.
veículo.
D) responder a uma pergunta de um assinante da revista so- B) chamar a atenção do leitor para temas raramente aborda-
bre o envio de currículo por e-mail. dos no jornal.
E) orientar o leitor sobre como alcançar o maior número pos- C) provocar indignação dos cidadãos por força dos argumen-
sível de selecionadores de currículos. tos apresentados.
160. (Enem-2014) D) interpretar criticamente fatos noticiados e considerados
O negócio relevantes para a opinião pública.
Grande sorriso do canino de ouro, o velho Abílio E) trabalhar uma informação previamente apresentada com
propõe às donas que se abastecem de pão e banana: base no ponto de vista do autor da notícia.
— Como é o negócio? 162. (Enem-2014) O correr da vida embrulha tudo. A vida
De cada três dá certo com uma. Ela sorri, não responde ou é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sos-
é uma promessa a recusa: sega e depois desinquieta. O que ela quer da gente
— Deus me livre, não! Hoje não... é coragem.
Abílio interpelou a velha: (ROSA, J. G. Grande sertão: veredas. Rio de Janeiro. Nova Fronteira, 1988.)
— Como é o negócio?
Ela concordou e, o que foi melhor, a filha também aceitou o No romance Grande sertão: veredas, o protagonista Riobaldo
trato. Com a dona Julietinha foi assim. Ele se chegou: narra sua trajetória de jagunço. A leitura do trecho permite
— Como é o negócio? identificar que o desabafo de Riobaldo se aproxima de um(a)

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Língua Portuguesa

A) diário, por trazer lembranças pessoais. 165. (Enem-2013) Art. 2.º – Considera-se criança, para os
B) fábula, por apresentar uma lição de moral. efeitos desta Lei, a pessoa até doze anos de idade
C) notícia, por informar sobre um acontecimento. incompletos, e adolescente aquela entre doze e de-
zoito anos de idade. [...]
D) aforismo, por expor uma máxima em poucas palavras.
Art. 3.º – A criança e o adolescente gozam de todos os direi-
E) crônica, por tratar de fatos do cotidiano. tos fundamentais inerentes à pessoa humana, sem prejuízo da
proteção integral de que trata esta Lei, assegurando-se-lhes, por
163. (Enem-2014) lei ou por outros meios, todas as oportunidades e facilidades,
a fim de lhes facultar o desenvolvimento físico, mental, moral,
espiritual e social, em condições de liberdade e de dignidade.
Art. 4.º – É dever da família, da comunidade, da sociedade em
geral e do poder público assegurar, com absoluta prioridade, a
efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação,
à educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura,
à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e
comunitária. [...]
(BRASIL. Lei n. 8.089 de 13 de julho de 1990 Estatuto da criança e do
adolescente. Disponível em: <www.planalto.gov.br>. Fragmento.)

Para cumprir sua função social, o Estatuto da criança e do ado-


lescente apresenta características próprias desse gênero quanto
ao uso da língua e quanto à composição textual. Entre essas
características, destaca-se o emprego de
A) repetição vocabular para facilitar o entendimento.
B) palavras e construções que evitem ambiguidade.
C) expressões informais para apresentar os direitos.
D) frases na ordem direta para apresentar as informações
(Scientific American. Brasil, ano 11, n. 134, jul. 2013. Adaptado.) mais relevantes.
E) exemplificações que auxiliem a compreensão dos concei-
Para atingir o objetivo de recrutar talentos, esse texto publicitário
tos formulados.
A) afirma, com a frase “Queremos seu talento exatamente
como ele é”, que qualquer pessoa com talento pode fazer 166. (Enem-2013)
parte da equipe.
B) apresenta como estratégia a formação de um perfil por
meio de perguntas direcionadas, o que dinamiza a intera-
ção do texto-leitor.
C) utiliza a descrição da empresa como argumento principal,
pois atinge diretamente os interessados em informática.
D) usa estereótipo negativo de uma figura conhecida, o nerd,
pessoa introspectiva e que gosta de informática.
E) recorre a imagens tecnológicas ligadas em rede, para sim-
bolizar como a tecnologia é interligada.
164. (Enem-2013)

A diva
(Folha de S.Paulo, 5 ago. 2011. Adaptado.)
Vamos ao teatro, Maria José? Um leitor interessado nas decisões governamentais escreve uma
Quem me dera, carta para o jornal que publicou o edital, concordando com a
Desmanchei em rosca quinze kilos de farinha, resolução sintetizada no Edital da Secretaria de cultura. Uma
frase adequada para expressar sua concordância é:
Tou podre. Outro dia a gente vamos.
A) Que sábia iniciativa! Os prédios em péssimo estado de con-
Falou meio triste, culpada,
servação devem ser derrubados.
E um pouco alegre por recusar com orgulho.
B) Até que enfim! Os edifícios localizados nesse trecho desca-
TEATRO! Disse no espelho. racterizam o conjunto arquitetônico da Rua Augusta.
TEATRO! Mais alto, desgrenhada. C) Parabéns! O poder público precisa mostrar sua força como
TEATRO! E os cacos voaram guardião das tradições dos moradores locais.
sem nenhum aplauso. D) Justa decisão! O governo dá mais um passo rumo à elimi-
Perfeita. nação do problema da falta de moradias populares.
(PRADO, A. Oráculos de maio. São Paulo: Siciliano.) E) Congratulações! O patrimônio histórico da cidade merece
todo empenho para ser preservado.
Os diferentes gêneros textuais desempenham funções sociais
diversas, reconhecidas pelo leitor com base em suas caracterís-
ticas específicas, bem como na situação comunicativa em que
ele é produzido. Assim, o texto A diva
A) narra um fato real vivido por Maria José.
B) surpreende o leitor pelo seu efeito poético.
C) relata uma experiência teatral profissional.
D) descreve uma ação típica de uma mulher sonhadora.
E) defende um ponto de vista relativo ao exercício teatral.

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Língua Portuguesa

167. (Enem-2013)

(GRUPO ESCOLAR DE PALMEIRAS. Redações de Maria Anna de Biase e J. b Pereira sobre Bandeira Nacional, Palmeiras (SP), 18 NOV, 1911 Acervo APESP – Coleção
DAESP. C10279. Disponível em: <www.arquivoestado.sp.gov.br>. Acesso em: 15 maio 2013.)

O documento foi retirado de uma exposição on-line de manuscritos do estado de São Paulo do início do século XX. Quanto à relevância
social para o leitor da atualidade, o texto
A) funciona como veículo de transmissão de valores patrióticos próprios do período em que foi escrito.
B) cumpre uma função instrucional de ensinar regras de comportamento em eventos cívicos.
C) deixa subentendida a ideia de que o brasileiro preserva as riquezas naturais do país.
D) argumenta em favor da construção de uma nação com igualdade de direitos.
E) apresenta uma metodologia de ensino restrita a uma determinada época.

168. (Enem-2012) Lugar de mulher também é na oficina. Pelo 169. (Enem-2012)


menos nas oficinas dos cursos da área automotiva for-
necidos pela Prefeitura, a presença feminina tem au-
mentado ano a ano. De cinco mulheres matriculadas
em 2005, a quantidade saltou para 79 alunas inscritas neste ano
nos cursos de mecânica automotiva, eletricidade veicular, injeção
eletrônica, repintura e funilaria. A presença feminina nos cursos
automotivos da Prefeitura – que são gratuitos – cresceu 1 480%
nos últimos sete anos e tem aumentado ano a ano.
(Disponível em: <www.correiodeuberlandia.com.br>. Acesso em: 27 fev.
2012. Adaptado.)

Na produção de um texto, são feitas escolhas referentes a sua


estrutura, que possibilitam inferir o objetivo do autor. Nesse
sentido, no trecho apresentado, o enunciado “Lugar de mulher
também é na oficina” corrobora o objetivo textual de
A) demonstrar que a situação das mulheres mudou na socie-
dade contemporânea.
B) defender a participação da mulher na sociedade atual.
C) comparar esse enunciado com outro: “lugar de mulher é na
cozinha”. Cartaz afixado nas bibliotecas centrais e setoriais da
Universidade Federal de Goiás (UFG), 2011.
D) criticar a presença de mulheres nas oficinas dos cursos da
área automotiva.
Considerando-se a finalidade comunicativa comum do gênero
E) distorcer o sentido da frase “lugar de mulher é na cozinha”. e o contexto específico do Sistema de Biblioteca da UFG, esse
cartaz tem função predominantemente
A) socializadora, contribuindo para a popularização da arte.
B) sedutora, considerando a leitura como uma obra de arte.
C) estética, propiciando uma apreciação despretensiosa da
obra.
D) educativa, orientando o comportamento de usuários de
um serviço.
E) contemplativa, evidenciando a importância de artistas
internacionais.

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Língua Portuguesa

170. (Enem-2012) O anúncio publicitário está intimamente ligado ao ideário de


consumo quando sua função é vender um produto. No texto
Texto I
apresentado, utilizam-se elementos linguísticos e extralinguís-
A característica da oralidade radiofônica, então, ticos para divulgar a atração “Noites de Terror”, de um parque
seria aquela que propõe o diálogo com o ouvinte: a de diversões.
simplicidade, no sentido da escolha lexical; a concisão e coerên-
O entendimento da propaganda requer do leitor
cia, que se traduzem em um texto curto, em linguagem coloquial
e com organização direta; e o ritmo, marcado pelo locutor, que A) a identificação com o público-alvo a que se destina o
deve ser o mais natural (do diálogo). É esta organização que vai anúncio.
“reger” a veiculação da mensagem, seja ela interpretada ou de
improviso, com objetivo de dar melodia à transmissão oral, dar B) a avaliação da imagem como uma sátira às atrações de
emoção, personalidade ao relato de fato. terror.
(VELHO, A. P. M. A linguagem do rádio multimídia.
C) a atenção para a imagem da parte do corpo humano sele-
Disponível em: <www.bocc.ubi.pt>. Acesso em: 27 fev. 2012.) cionada aleatoriamente.
D) o reconhecimento do intertexto entre a publicidade e um
Texto II dito popular.
A dois passos do paraíso E) a percepção do sentido literal da expressão “noites do ter-
ror”, equivalente à expressão “noites de terror”.
A Rádio Atividade leva até vocês
Mais um programa da séria série 172. (Enem-2011)
“Dedique uma canção a quem você ama”
Eu tenho aqui em minhas mãos uma carta No capricho
Uma carta d’uma ouvinte que nos escreve
O Adãozinho, meu cumpade, enquanto esperava pelo de-
E assina com o singelo pseudônimo de legado, olhava para um quadro, a pintura de uma senhora. Ao
“Mariposa Apaixonada de Guadalupe” entrar a autoridade e percebendo que o cabôco admirava tal
Ela nos conta que no dia que seria figura, perguntou: “Que tal? Gosta desse quadro?”
o dia mais feliz de sua vida E o Adãozinho, com toda a sinceridade que Deus dá Ao
cabôco da roça: “Mas pelo amor de Deus, hein, doto! Que muié
Arlindo Orlando, seu noivo feia! Parece fiote de cruis-credo, parente do deus-me-livre, mais
Um caminhoneiro conhecido da pequena e horríver que briga de cego no escuro.”
Pacata cidade de Miracema do Norte Ao que o delegado não teve como deixar de confessar,
Fugiu, desapareceu, escafedeu-se um pouco secamente: “É a minha mãe.” E o cabôco, em cima
da bucha, não perde a linha: “Mais dotô, inté que é uma feiura
Oh! Arlindo Orlando volte caprichada.”
Onde quer que você se encontre (BOLDRIN, R. Almanaque Brasil de Cultura Popular.
Volte para o seio de sua amada São Paulo: Andreato Comunicação e Cultura, n. 62, 2004. Adaptado.)

Ela espera ver aquele caminhão voltando Por suas características formais, por sua função e uso, o texto
De faróis baixos e para-choque duro... pertence ao gênero
(BLITZ. Disponível em: <http://letras.terra.com.br>. A) anedota, pelo enredo e humor característicos.
Acesso em: 28 fev. 2012. Fragmento.)
B) crônica, pela abordagem literária de fatos do cotidiano.
Em relação ao texto I, que analisa a linguagem do rádio, o texto C) depoimento, pela apresentação de experiências pessoais.
II apresenta, em uma letra de canção, D) relato, pela descrição minuciosa de fatos verídicos.
A) estilo simples e marcado pela interlocução com o receptor, E) reportagem, pelo registro impessoal de situações reais.
típico da comunicação radiofônica.
B) lirismo na abordagem do problema, o que o afasta de uma 173. (Enem-2011)
possível situação real de comunicação radiofônica.
C) marcação rítmica dos versos, o que evidencia o fato de o
texto pertencer a uma modalidade de comunicação dife-
rente da radiofônica.
D) direcionamento do texto a um ouvinte específico, diver-
gindo da finalidade de comunicação do rádio, que é atingir
as massas.
E) objetividade na linguagem caracterizada pela ocorrência Nós adoraríamos dizer que somos perfeitos. Que somos
rara de adjetivos, de modo a diminuir as marcas de subje- infalíveis. Que não cometemos nem mesmo o menor deslize. E
tividade do locutor. só não falamos isso por um pequeno detalhe: seria uma mentira.
Aliás, em vez de usar a palavra “mentira”, como acabamos de
171. (Enem-2011) fazer, poderíamos optar por um eufemismo. “Meia-verdade”, por
exemplo, seria um termo muito menos agressivo. Mas nós não
usamos esta palavra simplesmente porque não acreditamos que
exista uma “Meia-verdade”. Para o Conar, Conselho Nacional de
Autorregulamentação Publicitária, existem a verdade e a mentira.
Existem a honestidade e a desonestidade. Absolutamente nada no
NO ERR

meio. O Conar nasceu há 29 anos (viu só? não arredondamos para


T
ITE OR

30) com a missão de zelar pela ética na publicidade. Não fazemos


SD
O

isso porque somos bonzinhos (gostaríamos de dizer isso, mas, mais


uma vez, seria mentira). Fazemos isso porque é a única forma da
propaganda ter o máximo de credibilidade. E, cá entre nós, para
(Disponível em: <www.ocsp.com.br>. Acesso em: 26 jul. 2010. Adaptado.) que serviria a propaganda se o consumidor não acreditasse nela?
Qualquer pessoa que se sinta enganada por uma peça publicitária

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Língua Portuguesa

pode fazer uma reclamação ao Conar. Ele analisa cuidadosamente vez maior, assim como a diversidade de usos que se faz dela.
todas as denúncias e, quando é o caso, aplica a punição.  Do estilo “querido diário” à literatura concisa, passando por
(Anúncio veiculado na Revista Veja. São Paulo: Abril. aforismos, citações, jornalismo, fofoca, humor etc., tudo ganha
ed. 2120, ano 42, n. 27, 8 jul. 2009.) o espaço de um tweet (“pio” em inglês), e entender seu sucesso
pode indicar um caminho para o aprimoramento de um recurso
Considerando a autoria e a seleção lexical desse texto, bem como vital à escrita: a concisão.
os argumentos nele mobilizados, constata-se que o objetivo do (Disponível em: <www.revistalingua.com.br>.
autor do texto é Acesso em: 28 abr. 2010. Adaptado.)
A) informar os consumidores em geral sobre a atuação do
O Twitter se presta a diversas finalidades, entre elas, à comuni-
Conar.
cação concisa, por isso essa rede social
B) conscientizar publicitários do compromisso ético ao elabo-
A) é um recurso elitizado, cujo público precisa dominar a
rar suas peças publicitárias.
língua-padrão.
C) alertar chefes de família, para que eles fiscalizem o conteú-
do das propagandas veiculadas pela mídia. B) constitui recurso próprio para a aquisição da modalidade
escrita da língua.
D) chamar a atenção de empresários e anunciantes em geral
para suas responsabilidades ao contratarem publicitários C) é restrita à divulgação de textos curtos e pouco significati-
sem ética. vos e, portanto, é pouco útil.
E) chamar a atenção de empresas para os efeitos nocivos que D) interfere negativamente no processo de escrita e acaba
elas podem causar à sociedade, se compactuarem com por revelar uma cultura pouco reflexiva.
propagandas enganosas. E) estimula a produção de frases com clareza e objetividade,
fatores que potencializam a comunicação interativa.
174. (Enem-2011) O hipertexto refere-se à escritura ele-
trônica não sequencial e não linear, que se bifurca 176. (Enem-2011) O tema da velhice foi objeto de estudo
e permite ao leitor o acesso a um número pratica- de brilhantes filósofos ao longo dos tempos. Um dos
mente ilimitado de outros textos a partir de escolhas melhores livros sobre o assunto foi escrito pelo pensa-
locais e sucessivas, em tempo real. Assim, o leitor tem condi- dor e orador romano Cícero: A Arte do Envelhecimento.
ções de definir interativamente o fluxo de sua leitura a partir Cícero nota, primeiramente, que todas as idades têm seus encan-
de assuntos tratados no texto sem se prender a uma sequência tos e suas dificuldades. E depois aponta para um paradoxo da
fixa ou a tópicos estabelecidos por um autor. Trata-se de uma humanidade. Todos sonhamos ter uma vida longa, o que significa
forma de estruturação textual que faz do leitor simultanea- viver muito anos. Quando realizamos a meta, em vez de celebrar
mente coautor do texto final. O hipertexto se caracteriza, pois, o feito, nos atiramos a um estado de melancolia e amargura. Ler
como um processo de escritura/leitura eletrônica multilinea- as palavras de Cícero sobre envelhecimento pode ajudar a aceitar
rizado, multisequencial e indeterminado, realizado em um melhor a passagem do tempo.
novo espaço de escrita. Assim, ao permitir vários níveis de (NOGUEIRA, P. Saúde & Bem-Estar Antienvelhecimento.
tratamento de um tema, o hipertexto oferece a possibilidade Época, 28 abr. 2008.)
de múltiplos graus de profundidade simultaneamente, já que
não tem sequência definida, mas liga textos não necessaria- O autor discute problemas relacionados ao envelhecimento,
mente correlacionados. apresentando argumentos que levam a inferir que seu objetivo é
(MARCUSCHI, L. A. Disponível em: <www.pucsp.com.br>.
A) esclarecer que a velhice é inevitável.
Acesso em: 29 jun. 2011.) B) contar fatos sobre a arte de envelhecer.
O computador mudou nossa maneira de ler e escrever, e o hiper- C) defender a ideia de que a velhice é desagradável.
texto pode ser considerado como um novo espaço de escrita e D) influenciar o leitor para que lute contra o envelhecimento.
leitura. Definido como um conjunto de blocos autônomos de tex- E) mostrar às pessoas que é possível aceitar, sem angústia, o
to, apresentado em meio eletrônico computadorizado e no qual envelhecimento.
há remissões associando entre si diversos elementos, o hipertexto
A) é uma estratégia que, ao possibilitar caminhos totalmente
abertos, desfavorece o leitor, ao confundir os conceitos cris-
Análise linguística
talizados tradicionalmente.
B) é uma forma artificial de produção da escrita, que, ao desviar 177. (Enem-2017) João/Zero (Wagner Moura) é um cien-
o foco da leitura, pode ter como consequência o menospre- tista genial, mas infeliz porque há 20 anos atrás foi
zo pela escrita tradicional. humilhado publicamente durante uma festa e perdeu
Helena (Alinne Moraes), uma antiga e eterna paixão.
C) exige do leitor um maior grau de conhecimentos prévios, Certo dia, uma experiência com um de seus inventos permite
por isso deve ser evitado pelos estudantes nas suas pesqui-
que ele faça uma viagem no tempo, retornando para aquela
sas escolares.
época e podendo interferir no seu destino. Mas quando ele
D) facilita a pesquisa, pois proporciona uma informação especí- retorna, descobre que sua vida mudou totalmente e agora
fica, segura e verdadeira, em qualquer site de busca ou blog precisa encontrar um jeito de mudar essa história, nem que para
oferecidos na internet. isso tenha que voltar novamente ao passado. Será que ele con-
E) possibilita ao leitor escolher seu próprio percurso de leitura, seguirá acertar as coisas?
sem seguir sequência predeterminada, constituindo-se em (Disponível em: <http://adorocinema.com>. Acesso em: 4 out. 2011.)
atividade mais coletiva e colaborativa.
Qual aspecto da organização gramatical atualiza os eventos
175. (Enem-2011) apresentados na resenha, contribuindo para despertar o inte-
O que é possível dizer em 140 caracteres? resse do leitor pelo filme?
A) O emprego do verbo haver, em vez de ter, em “há 20 anos
Sucesso do Twitter no Brasil é oportunidade única de atrás foi humilhado”.
compreender a importância da concisão nos gêneros de escrita B) A descrição dos fatos com verbos no presente do indicativo,
A máxima “menos é mais” nunca fez tanto sentido como como “retorna” e “descobre”.
no caso do microblog Twitter, cuja premissa é dizer algo – não C) A repetição do emprego da conjunção “mas” para contrapor
importa o quê – em 140 caracteres. Desde que o serviço foi ideias.
criado, em 2006, o número de usuários da ferramenta é cada

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Língua Portuguesa

D) A finalização do texto com a frase de efeito “Será que ele O pronome oblíquo “o”, nos versos “A vida exige, para o conse-
conseguirá acertar as coisas?”. guirmos” e “Nós o conseguimos”, garante a progressão temática
E) O uso do pronome de terceira pessoa “ele” ao longo do tex- e o encadeamento textual, recuperando o segmento
to para fazer referência ao protagonista “João/Zero”. A) “Ó José Carlos”.
B) “perdas e perdas”.
178. (Enem-2017) O homem disse, Está a chover, e depois,
Quem é você, Não sou daqui, Anda à procura de co- C) “A vida exige”.
mida, Sim, há quatro dias que não comemos, E como D) “Fazer 70 anos”.
sabe que são quatro dias, É um cálculo, Está sozinha, E) “irmão-em-Escorpião”.
Estou com o meu marido e uns companheiros, Quantos são, Ao
todo, sete, Se estão a pensar em ficar conosco, tirem daí o sentido, 181. (Enem-2017)
já somos muitos, Só estamos de passagem, Donde vêm, Estivemos Querido Sr. Clemens,
internados desde que a cegueira começou, Ah, sim, a quarentena, Sei que o ofendi porque sua carta, não datada de
não serviu de nada, Por que diz isso, Deixaram-nos sair, Houve outro dia, mas que parece ter sido escrita em 5 de julho,
um incêndio e nesse momento percebemos que os soldados que foi muito abrupta; eu a li e reli com os olhos turvos de lágrimas.
nos vigiavam tinham desaparecido, E saíram, Sim, Os vossos Não usarei meu maravilhoso broche de peixe-anjo se o senhor
soldados devem ter sido dos últimos a cegar, toda a gente está não quiser; devolverei ao senhor, se assim me for pedido...
cega, Toda a gente, a cidade toda, o país,
(OATES, J. C. Descanse em paz. São Paulo: Leya, 2008.)
(SARAMAGO, J. Ensaio sobre a cegueira. São Paulo: Cia. das Letras, 1995.)
Nesse fragmento de carta pessoal, quanto à sequenciação dos
A cena retrata as experiências das personagens em um país atin- eventos, reconhece-se a norma-padrão pelo(a)
gido por uma epidemia. No diálogo, a violação de determinadas
regras de pontuação A) colocação pronominal em próclise.
A) revela uma incompatibilidade entre o sistema de pontua- B) uso recorrente de marcas de negação.
ção convencional e a produção do gênero romance. C) emprego adequado dos tempos verbais.
B) provoca uma leitura equivocada das frases interrogativas e D) preferência por arcaísmos, como “abrupta” e “turvo”.
prejudica a verossimilhança. E) presença de qualificadores, como“maravilhoso”e“peixe-anjo”.
C) singulariza o estilo do autor e auxilia na representação do
ambiente caótico. 182. (Enem-2016) O senso comum é que só os seres hu-
manos são capazes de rir. Isso não é verdade?
D) representa uma exceção às regras do sistema de pontua-
ção canônica. Não. O riso básico – o da brincadeira, da diversão, da
expressão física do riso, do movimento da face e da
E) colabora para a construção da identidade do narrador pou-
vocalização – nós compartilhamos com diversos animais. Em
co escolarizado.
ratos, já foram observadas vocalizações ultrassônicas – que nós
179. (Enem-2017) não somos capazes de perceber – e que eles emitem quando
estão brincando de “rolar no chão”. Acontecendo de o cientista
Acho que educar é como catar piolho na cabeça provocar um dano em um local específico no cérebro, o rato
de criança. deixa de fazer essa vocalização e a brincadeira vira briga séria.
É preciso ter confiança, perseverança e um certo Sem o riso, o outro pensa que está sendo atacado. O que nos
despojamento. diferencia dos animais é que não temos apenas esse mecanismo
É preciso, também, conquistar a confiança de quem se quer básico. Temos um outro mais evoluído. Os animais têm o senso
educar, para fazê-lo deitar no colo e ouvir histórias. de brincadeira, como nós, mas não têm senso de humor. O
(MUNDURUKU, D. Disponível em: <http://caravanamekukradja.blogspot. córtex, a parte superficial do cérebro deles, não é tão evoluído
com.br>. Acesso em: 5 dez. 2012.) como o nosso. Temos mecanismos corticais que nos permitem,
por exemplo, interpretar uma piada.
Concorrem para a estruturação e para a progressão das ideias
(Disponível em: <http://globonews.globo.com>.
no texto os seguintes recursos: Acesso em: 31 maio 2012. Adaptado.)
A) Comparação e enumeração.
B) Hiperonímia e antonímia. A coesão textual é responsável por estabelecer relações entre
as partes do texto. Analisando o trecho “Acontecendo de o
C) Argumentação e citação.
cientista provocar um dano em um local específico no cére-
D) Narração e retomada. bro”, verifica-se que ele estabelece com a oração seguinte
E) Pontuação e hipérbole. uma relação de
A) finalidade, porque os danos causados ao cérebro têm por
180. (Enem-2017) finalidade provocar a falta de vocalização dos ratos.
Fazer 70 anos B) oposição, visto que o dano causado em um local específi-
co no cérebro é contrário à vocalização dos ratos.
Fazer 70 anos não é simples. C) condições, pois é preciso que se tenha lesão específica no
A vida exige, para o conseguirmos, cérebro para que não haja vocalização dos ratos.
perdas e perdas no íntimo do ser, D) consequência, uma vez que o motivo de não haver mais
como, em volta do ser, mil outras perdas. vocalização dos ratos é o dano causado no cérebro.
[...] E) proporção, já que à medida que se lesiona o cérebro não é
Ó José Carlos, irmão-em-Escorpião! mais possível que haja vocalização dos ratos.
Nós o conseguimos...
E sorrimos 183. (Enem-2016) Quem procura a essência de um conto
de uma vitória comprada por que preço? no espaço que fica entre a obra e seu autor comete
Quem jamais o saberá? um erro: é muito melhor procurar não no terreno que
(ANDRADE, C. D. Amar se aprende amando. São Paulo: Círculo do Livro,
fica entre o escritor e sua obra, mas justamente no
1992. Fragmento.) terreno que fica entre o texto e seu leitor.
(OZ, A. De amor e trevas. São Paulo: Cia. das Letras, 2005. Fragmento.)

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Língua Portuguesa

A progressão temática de um texto pode ser estruturada por Malaquias, meu primo, vivia com uma velha de oitenta anos.
meio de diferentes recursos coesivos, entre os quais se destaca a A velha era sua avó, esclareço. Malaquias tinha dezoito filhos,
pontuação. Nesse texto, o emprego dos dois pontos caracteriza mas nunca se casou. Isto é, nunca se casou com uma mulher
uma operação textual realizada com a finalidade de que durasse mais de um ano. Agora, sentado à nossa frente,
A) comparar elementos opostos. Malaquias fura o coração com uma faca. Depois corta as pernas
e o sangue do porco enche a bacia.
B) relacionar informações gradativas. Nos bons tempos passeávamos juntos. Eu tinha um carro.
C) intensificar um problema conceitual. Malaquias tinha uma namorada. Um dia rolou a ribanceira. Me
refiro a Malaquias. Entrou pela pretoria adentro arrebentando
D) introduzir um argumento esclarecedor. porta e parou resfolegante junto do juiz pálido de susto. Me
E) assinalar uma consequência hipotética. refiro ao carro. E a Malaquias.
(FERNANDES, M. Trinta anos de mim mesmo. São Paulo: Abril Cultural, 1973.)
184. (Enem-2016)
Nesse texto, o autor reorienta o leitor no processo de leitura,
L. J. C. usando com recurso expressões como “refiro-me/me refiro”,
“estou me referindo”, “de que estou falando agora”, “digo”, “es-
— 5 tiros? tou falando da”, “esclareço”, “isto é”. Todas elas são expressões
— É. linguísticas introdutoras de paráfrases que servem para
— Brincando de pegador? A) confirmar.
— É. O PM pensou que… B) contradizer.
C) destacar.
— Hoje?
D) retificar.
— Cedinho.
E) sintetizar.
(COELHO, M. In: FREIRE, M. (Org.). Os cem menores contos brasileiros do
século. São Paulo: Ateliê Editorial, 2004.) 187. (Enem-2016)
Os sinais de pontuação são elementos com importantes funções Grupo transforma pele humana em neurônios
para a progressão temática. Nesse miniconto, as reticências Um grupo de pesquisadores dos EUA conseguiu
foram utilizadas para indicar alterar células extraídas da pele de uma mulher de
A) uma fala hesitante. 82 anos sofrendo de uma doença nervosa degenerativa e con-
B) uma informação implícita. seguiu transformá-las em células capazes de se transformarem
virtualmente em qualquer tipo de órgão do corpo. Em outras
C) uma situação incoerente. palavras, ganharam os poderes das células-tronco pluripotentes,
D) a eliminação de uma ideia. normalmente obtidas a partir da destruição de embriões.
E) a interrupção de uma ação. O método usado na pesquisa, descrita hoje na revista
Science, existe desde o ano passado, quando um grupo liderado
185. (Enem-2016) Descubra e aproveite um momento pelo japonês Shinya Yamanaka criou as chamadas iPS (célu-
todo seu. Quando você quebra o delicado chocolate, las-tronco de pluripotência induzida). O novo estudo, porém,
o irresistível recheio cremoso começa a derreter na mostra pela primeira vez que é possível aplicá-lo a células de
sua boca, acariciando todos os seus sentidos. Criado pessoas doentes, portadoras de esclerose lateral amiotrófica
por nossa empresa. Paixão e amor por chocolate desde 1845.
(ELA), mal que destrói o sistema nervoso progressivamente.
(Veja, n. 2 320, 8 maio 2013. Adaptado.) “Pela primeira vez, seremos capazes de observar células
com ELA ao microscópio e ver como elas morrem”, disse Valerie
O texto publicitário tem a intenção de persuadir o público-alvo
Estess, diretora do Projeto ALS (ELA, em inglês), que financiou
a consumir determinado produto ou serviço. No anúncio, essa
intenção assume a forma de um convite, estratégia argumen- parte da pesquisa. Observar em detalhes a degeneração pode
tativa linguisticamente marcada pelo uso de sugerir novos métodos para tratar a ELA.
(KOLNERKEVIC, I. Folha de S.Paulo. 1 ago. 2008. Adaptado.)
A) conjunção (quando).
B) adjetivo (irresistível). A análise dos elementos constitutivos do texto e a identificação
C) verbo no imperativo (descubra). de seu gênero permitem ao leitor inferir que o objetivo do autor é
D) palavra do campo afetivo (paixão). A) apresentar a opinião da diretora do Projeto ALS.
E) expressão sensorial (acariciando). B) expor a sua opinião como um especialista no tema.
C) descrever os procedimentos de uma experiência científica.
186. (Enem-2016) Certa vez, eu jogava uma partida de
D) defender a pesquisa e a opinião dos pesquisadores dos EUA.
sinuca, e só havia a bola sete na mesa. De modo que
a mastiguei lentamente saboreando-lhe os bocados E) informar os resultados de uma nova pesquisa feita nos EUA.
com prazer. Refiro-me à refeição que havia pedido ao
garçom. Dei-lhe duas tacadas na cara. Estou me referindo à bola.
188. (Enem-2016)
Em seguida, saí montando nela e a égua, de que estou falando Apesar de
agora, chegou calmamente à fazenda de minha mãe. Fui encon- Não lembro quem disse que a gente gosta de
trá-la morta na mesa, meu irmão comia-lhe uma perna com uma pessoa não por causa de, mas apesar de. Gostar
prazer e ofereceu-me um pedaço: “Obrigado”, disse eu, “já comi daquilo que é gostável é fácil: gentileza, bom humor, inteligên-
galinha no almoço”. cia, simpatia, tudo isso a gente tem em estoque na hora em que
Logo em seguida, chegou minha mulher e deu-me na cara. conhece uma pessoa e resolve conquistá-la. Os defeitos ficam
Um beijo, digo. Dei-lhe um abraço. Fazia calor. Daí a pouco guardadinhos nos primeiros dias e só então, com a convivência,
minha camisa estava inteiramente molhada. Refiro-me a que vão saindo do esconderijo e revelando-se no dia a dia. Você en-
estava na corda secando, quando começou a chover. Minha tão descobre que ele não é apenas gentil e doce, mas também
sogra apareceu para apanhar a camisa. um tremendo casca-grossa quando trata os próprios funcioná-
Não tive remédio senão esmagá-la com o pé. Estou falando rios. E ela não é apenas segura e determinada, mas uma chorona
da barata que ia trepando na cadeira. que passa 20 dias por mês com TPM. E que ele ronca, e que ela
diz palavrão demais, e que ele é supersticioso por bobagens, e

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Língua Portuguesa

que ela enjoa na estrada, e que ele não gosta de criança, e que aquele fogaréu ... quando o professor saiu ... eu chamei umas duas
ela não gosta de cachorro, e agora? Agora, convoquem o amor colegas minhas pra mostrar a experiência que eu tinha achado
para resolver essa encrenca. fantástico ... só que ... eu achei o seguinte ... se o professor colocou
(MEDEIROS, M. Revista O Globo, n. 790, 12 jun. 2011. Adaptado.) um pouquinho ... foi aquele desfile ... imagine se eu colocasse
mais ... peguei o mesmo béquer ... coloquei uma colher ... uma
Há elementos de coesão textual que retomam informações no colher de cloreto de sódio ... foi um fogaréu tão grande ... foi uma
texto e outros que as antecipam. Nos trechos, o elemento de explosão ... quebrou todo o material que estava exposto em cima
coesão sublinhado que antecipa uma informação do texto é da mesa ... eu branca ... eu fiquei ... olha ... eu pensei que eu fosse
A) “Gostar daquilo que é gostável é fácil [...]”. morrer sabe ... quando ... o colégio inteiro correu pro laboratório
pra ver o que tinha sido ...
B) “[...] tudo isso a gente tem em estoque [...]”.
(CUNHA, M. A. F. (Org.). Corpus discurso & gramática: a língua falada e
C) “[...] na hora em que conhece uma pessoa [...]”. escrita na cidade de Natal. Natal: EdUFRN, 1998.)
D) “[...] resolve conquistá-la.”
Na transcrição de fala, especialmente, no trecho “eu branca ... eu
E) “[...] para resolver essa encrenca.” fiquei ... olha ... eu pensei que eu fosse morrer sabe...”, há uma
estrutura sintática fragmentada, embora facilmente interpretá-
189. (Enem-2016) “Ela é muito diva!”, gritou a moça aos
vel. Sua presença na fala revela
amigos, com uma câmera na mão. Era a quinta edição
da Campus Party, a feira de internet que acontece A) distração e poucos anos de escolaridade.
anualmente em São Paulo, na última terça-feira, 7. B) falta de coesão e coerência na apresentação das ideias.
A diva em questão era a cantora de tecnobrega Gaby Amarantos, C) afeto e amizade entre os participantes da conversação.
a “Beyoncé do Pará”. Simpática, Gaby sorriu e posou paciente- D) desconhecimento das regras de sintaxe da norma-padrão.
mente para todos os cliques. Pouco depois, o rapper Emicida,
E) característica do planejamento e execução simultânea des-
palestrante ao lado da paraense e do também rapper MV Bill,
se discurso.
viveria a mesma tietagem. Se cenas como essa hoje em dia fazem
parte do cotidiano de Gaby e Emicida, ambos garantem que isso 191. (Enem-2015)
se deve à dimensão que suas carreiras tomaram através da in-
Da timidez
ternet – o sucesso na rede era justamente o assunto da palestra.
Ambos vieram da periferia e são marcados pela disponibilização Ser um tímido notório é uma contradição. O tími-
gratuita ou a preços muito baixos de seus discos, fenômeno que do tem horror a ser notado, quanto mais a ser notório.
ampliou a audiência para além dos subúrbios paraenses e pau- Se ficou notório por ser tímido, então tem que se explicar. Afinal,
listanos. A dupla até já realizou uma apresentação em conjunto, que retumbante timidez é essa, que atrai tanta atenção? Se ficou
notório apesar de ser tímido, talvez estivesse se enganando jun-
no Beco 203, casa de shows localizada no Baixo Augusta, em
to com os outros e sua timidez seja apenas um estratagema para
São Paulo, frequentada por um público de classe média alta.
ser notado. Tão secreto que nem ele sabe. É como no paradoxo
(Disponível em: <www.cartacapital.com.br>. psicanalítico, só alguém que se acha muito superior procura o
Acesso em: 28 fev. 2012. Adaptado.) analista para tratar um complexo de inferioridade, porque só
ele acha que se sentir inferior é doença.
As ideias apresentadas no texto estruturam-se em torno de
[...]
elementos que promovem o encadeamento das ideias e a
progressão do tema abordado. A esse respeito, identifica-se O tímido tenta se convencer de que só tem problemas com
no texto em questão que multidões, mas isto não é vantagem. Para o tímido, duas pes-
soas são uma multidão. Quando não consegue escapar e se vê
A) a expressão “pouco depois”, em “Pouco depois, o rapper diante de uma plateia, o tímido não pensa nos membros da
Emicida”, indica permanência de estado de coisas no plateia como indivíduos. Multiplica-os por quatro, pois cada
mundo. indivíduo tem dois olhos e dois ouvidos. Quatro vias, portanto,
B) o vocábulo “também”, em “e também rapper MV Bill”, reto- para receber suas gafes. Não adianta pedir para a plateia fechar
ma coesivamente a expressão “o rapper Emicida”. os olhos, ou tapar um olho e um ouvido para cortar o descon-
C) o conectivo “se”, em “Se cenas como essa”, orienta o lei- forto do tímido pela metade. Nada adianta. O tímido, em suma,
tor para conclusões contrárias a uma ideia anteriormente é uma pessoa convencida de que é o centro do Universo, e que
seu vexame ainda será lembrado quando as estrelas virarem pó.
apresentada.
(VERISSIMO, L. F. Comédias para se ler na escola.
D) o pronome indefinido “isso”, em “isso se deve”, marca uma Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.)
remissão a ideias do texto.
Entre as estratégias de progressão textual presentes nesse
E) as expressões “a cantora de tecnobrega Gaby Amarantos, trecho, identifica-se o emprego de elementos conectores. Os
a ‘Beyoncé do Pará’”, “ambos” e “a dupla” formam uma ca- elementos que evidenciam noções semelhantes estão desta-
deia coesiva por retomarem as mesmas personalidades. cados em:
190. (Enem-2015) A) “Se ficou notório por ser tímido” e “[...] então tem que se
explicar”.
E: Diva ... tem algumas ... alguma experiência pes-
soal que você passou e que você poderia me contar B) “[...] então tem que se explicar” e “[...] quando as estrelas
virarem pó”.
... alguma coisa que marcou você? Uma experiência
... você poderia contar agora... C) “[...] ficou notório apesar de ser tímido [...]” e “mas isto não
I: É ... tem uma que eu vivi quando eu estudava o terceiro ano é vantagem”.
científico lá no Atheneu ... né ... é:: eu gostava muito do laboratório D) “[...] um estratagema para ser notado [...]” e “Tão secreto
de química ... eu ... eu ia ajudar os professores a limpar aquele que nem ele sabe”.
material todo ... aqueles vidros ... eu achava aquilo fantástico ... E) “[...] como no paradoxo psicanalítico [...]” e “[...] porque só
aquele monte de coisa ... né ... então ... todos os dias eu ia ... quando ele acha [...]”.
terminavam as aulas eu ajudava o professor a limpar o laboratório
... nesse dia não houve aula e o professor me chamou pra fazer
uma limpeza geral no laboratório ... chegando lá ... ele me fez uma
experiência ... ele me mostrou uma coisa bem interessante que ...
pegou um béquer com meio d’água e colocou um pouquinho de
cloreto de sódio pastoso ... então foi aquele fogaréu desfilando ...

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Língua Portuguesa

192. (Enem-2015) autódromo e hipódromo. É certo que, às vezes, durante o desfile,


a escola se atrasa e é obrigada a correr para não perder pontos,
mas não se desloca com a velocidade de um cavalo ou de um
carro de Fórmula 1.
(GULLAR, F. Disponível em: <www1.folha.uol.
com.br>. Acesso em: 3 ago. 2012.)

Há nas línguas mecanismos geradores de palavras. Embora o texto


II apresente um julgamento de valor sobre a formação da palavra
sambódromo, o processo de formação dessa palavra reflete
A) o dinamismo da língua na criação de novas palavras.
B) uma nova realidade limitando o aparecimento de novas
palavras.
C) a apropriação inadequada de mecanismos de criação de
palavras por leigos.
D) o reconhecimento da impropriedade semântica dos
(Disponível em: <www.behance.net>. Acesso em: 21 fev. 2013. Adaptado.) neologismos.
E) a restrição na produção de novas palavras com o radical
A rapidez é destacada como uma das qualidades do serviço grego.
anunciado, funcionando como estratégia de persuasão em rela-
ção ao consumidor do mercado gráfico. O recurso da linguagem 195. (Enem-2015)
verbal que contribui para esse destaque é o emprego
A) do termo “fácil” no início do anúncio, com foco no processo. Azeite de oliva e óleo de linhaça:
B) de adjetivos que valorizam a nitidez da impressão. uma dupla imbatível
C) das formas verbais no futuro e no pretérito, em sequência. Rico em gorduras do bem, ela combate a obesidade, dá um
chega pra lá no diabete e ainda livra o coração de entraves
D) da expressão intensificadora “menos do que” associada à
qualidade. Ninguém precisa esquentar a cabeça caso não seja possível
usar os dois óleos juntinhos, no mesmo dia. Individualmente,
E) da locução “do mundo” associada a “melhor”, que qualifica o duo também bate um bolão. Segundo um estudo recente do
a ação. grupo EurOlive, formado por instituições de cinco países euro-
193. (Enem-2015) Em junho de 1913, embarquei para a peus, os polifenóis do azeite de oliva ajudam a frear a oxidação
Europa a fim de me tratar num sanatório suíço. Escolhi do colesterol LDL, considerado perigoso. Quando isso ocorre,
o de Clavadel, perto de Davos-Platz, porque a respeito reduz-se o risco de placas de gordura na parede dos vasos, a
dele me falara João Luso, que ali passara um inverno temida aterosclerose – doença por trás de encrencas como o
com a senhora. Mais tarde vim a saber que antes de existir no infarto.
lugar um sanatório, lá estivera por algum tempo Antônio Nobre. (MANARINI, T. Saúde é vital, n. 347, fev. 2012. Adaptado.)
“Ao cair das folhas”, um de seus mais belos sonetos, talvez o meu
predileto, está datado de “Clavadel, outubro, 1895”. Fiquei na Para divulgar conhecimento de natureza científica para um
Suíça até outubro de 1914. público não especializado, Manarini recorre à associação entre
vocabulário formal e vocabulário informal. Altera-se o grau de
(BANDEIRA, M. Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1985.)
formalidade do segmento no texto, sem alterar o sentido da
No relato de memórias do autor, entre os recursos usados para informação, com a substituição de
organizar a sequência dos eventos narrados, destaca-se a A) “dá uma chega pra lá no diabete” por “manda embora o
A) construção de frases curtas a fim de conferir dinamicidade diabete”.
ao texto. B) “esquentar a cabeça” por “quebrar a cabeça”.
B) presença de advérbios de lugar para indicar a progressão C) “bate um bolão” por “é um show”.
dos fatos.
D) “juntinhos” por “misturadinhos”.
C) alternância de tempos do pretérito para ordenar os
acontecimentos. E) “por trás de encrenca” por “causadora de problemas”.
D) inclusão de enunciados com comentários e avaliações 196. (Enem-2014)
pessoais.
E) alusão a pessoas marcantes na trajetória de vida do escritor.

194. (Enem-2015)
Texto I
Um ato de criatividade pode, contudo, gerar um
modelo produtivo. Foi o que ocorreu com a palavra
sambódromo, criativamente formada com a terminação -(ó)
dromo (= corrida), que figura em hipódromo, autódromo, car-
tódromo, formas que designam itens culturais da alta burguesia.
Não demoraram a circular, a partir de então, formas populares
como rangódromo, beijódromo, camelódromo.
(AZEREDO, J. C. Gramática Houaiss da língua portuguesa.
São Paulo: Publifolha, 2008.)

Texto II (Jornal Zero Hora. 2 mar. 2016.)


Existe coisa mais descabida do que chamar de sambódromo
uma passarela para desfile de escolas de samba? Em grego, -dro- Na criação do texto, o chargista lotti usa criativamente um inter-
mo quer dizer “ação de correr, lugar de corrida”, daí as palavras texto: os traços reconstroem uma cena de Guernica, painel de

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Língua Portuguesa

Pablo Picasso que retrata os horrores e a destruição provocados e mortalha, no céu se talha. Deus escreve direito por linhas
pelo bombardeio a uma pequena cidade da Espanha. Na charge, tortas. O que for soará. Dizia os ditados de todos, procurando
publicada no período de carnaval, recebe destaque a figura do interpretar os desígnios de Deus, transformar os seus desejos
carro, elemento introduzido por lotti no intertexto. Além dessa nos desígnios de Deus. Se achava um instrumento de Deus.
figura, a linguagem verbal contribui para estabelecer um diálogo (DOURADO, A. Uma vida em segredo. Rio de
entre a obra de Picasso e a charge, ao explorar Janeiro: Francisco Alves, 1990. Fragmento.)

A) uma referência ao contexto, “trânsito no feriadão”, esclare- O uso que prima Constança faz dos ditados populares, no texto
cendo-se o referente tanto do texto de lotti quanto da obra II, constituiu uma maneira de utilizar o tipo de saber definido
de Picasso. no texto I, porque
B) uma referência ao tempo presente, com o emprego da for- A) cita-os pela força do hábito.
ma verbal “é”, evidenciando-se a atualidade do tema abor- B) aceita-os como verdade absoluta.
dado tanto pelo pintor espanhol quanto pelo chargista
C) aciona-se para justificar suas ações.
brasileiro.
D) torna-os para solucionar um problema.
C) um termo pejorativo, “trânsito”, reforçando-se a imagem
E) considera-se como uma orientação divina.
negativa de mundo caótico presente tanto em Guernica
quanto na charge. 199. (Enem-2014)
D) uma referência temporal, “sempre”, referindo-se à perma-
nência de tragédias retratadas tanto em Guernica quanto Tarefa
na charge.
Morder o fruto amargo e não cuspir
E) uma expressão polissêmica, “quadro dramático”, remeten-
do-se tanto à obra pictórica quanto ao contexto do trânsito Mas avisar aos outros o quanto é amargo
brasileiro. Cumprir o trato injusto e não falhar
Mas avisar aos outros quanto é injusto
197. (Enem-2014) E se a água potável acabar? O que
aconteceria se a água potável do mundo acabasse? Sofrer o esquema falso e não ceder
As teorias mais pessimistas dizem que a água po- Mas avisar aos outros o quanto é falso
tável deve acabar logo, em 2050. Nesse ano, ninguém Dizer também que são coisas imutáveis
mais tomará banho todo dia. Chuveiro com água só duas vezes E quando em muitos a não pulsar
por semana. Se alguém exceder 55 litros de consumo (metade do
– do amargo e injusto e falso por mudar –
que a ONU recomenda), seu abastecimento será interrompido.
Nos mercados, não haveria carne, pois, se não há água para então confiar à gente exausta o plano
você, imagine para o gado. Gastam-se 43 mil litros de água para de um modo novo e muito mais humano.
produzir 1 kg de carne. Mas, não é só ela que faltará. A Região
(CAMPOS, G. Tarefa. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1981.)
Centro-Oeste do Brasil, maior produtor de grãos da América
Latina em 2012, não conseguiria manter a produção. Afinal, no Na organização do poema, os empregos da conjunção “mas”
país, a agricultura e a agropecuária são, hoje, as maiores con- articulam, para além de sua função sintática,
sumidoras de água, com mais de 70% do uso. Faltariam arroz, A) a ligação entre verbos semanticamente semelhantes.
feijão, soja, milho e outros grãos.
B) a oposição entre ações aparentemente inconciliáveis.
(Disponível em: <http://super.abril.com.br>. Acesso em: 30 jul. 2012.)
C) a introdução do argumento mais forte de uma sequência.
A língua portuguesa dispõe de vários recursos para indicar a D) o reforço da causa apresentada no enunciado introdutório.
atitude do falante em relação ao conteúdo de seu enunciado.
No início do texto, o verbo “dever” contribui para expressar E) a intensidade dos problemas sociais presentes no mundo.
A) uma constatação sobre como as pessoas administram os 200. (Enem-2014) Há qualquer coisa de especial nisso de
recursos hídricos. botar a cara na janela em crônica de jornal – eu não
B) a habilidade das comunidades em lidar com problemas fazia isso há muitos anos, enquanto me escondia em
ambientais contemporâneos. poesia e ficção. Crônica algumas vezes também é
C) a capacidade humana de substituir recursos naturais feita, intencionalmente, para provocar. Além do mais, em certos
renováveis. dias mesmo o escritor mais escolado não está lá grande coisa.
D) uma previsão trágica a respeito das fontes de água potável. Tem os que mostram sua cara escrevendo para reclamar: mo-
derna demais, antiquada demais. Alguns discorrem sobre o
E) uma situação ficcional com base na realidade ambiental
assunto, e é gostoso compartilhar ideias. Há os textos que pa-
brasileira.
recem passar despercebidos, outros rendem um montão de
198. (Enem-2014) recados: “Você escreveu exatamente o que eu sinto”, “Isso é
Texto I exatamente o que falo com meus pacientes”, “É isso que digo
para meus pais”, “Comentei com minha namorada”. Os estímulos
Ditado popular é uma frase sentenciosa, concisa são valiosos pra quem nesses tempos andava meio assim: é
de verdade comprovada, baseada na secular expe- como me botarem no colo – também eu preciso. Na verdade,
riência do povo, de exposta de forma poética, contendo uma nunca fui tão posta no colo por leitores como na janela do jornal.
norma de conduta ou qualquer outro ensinamento.
De modo que está sendo ótima, essa brincadeira séria, com al-
(WEITZEL, A. H. Folclore literário e linguístico. guns textos que iam acabar neste livro, outros espalhados por
Juiz de Fora: Esdeva, 1984. Fragmento.)
aí. Porque eu levo a sério ser sério... mesmo quando parece que
Texto II estou brincando: essa é uma das maravilhas de escrever. Como
Rindo brincalhona, dando-lhe tapinha nas costas, prima escrevi há muitos anos e continua sendo a minha verdade: pa-
Constança disse isto, dorme no assunto, ouça o travesseiro, não lavras são meu jeito mais secreto de calar.
tem melhor conselho. (LUFT, L. Pensar é transgredir. Rio de Janeiro. Record, 2004.)
Enquanto prima Biela dormia no assunto, toda a casa se
alvoroçava. Os textos fazem uso constante de recursos que permitem a ar-
ticulação entre suas partes. Quanto à construção do fragmento,
[Prima Constança] ia rezar, pedir a Deus para iluminar pri-
o elemento
ma Biela. Mas ia também tomar suas providências. Casamento

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Língua Portuguesa

A) “nisso” introduz o fragmento “botar a cara na janela em crô- 203. (Enem-2013) Gripado, penso entre espirros em como
nica de jornal”. a palavra gripe nos chegou após uma série de con-
B) “assim” é uma paráfrase de “é como me botarem no colo”. tágios entre línguas. Partiu da Itália em 1743 a epide-
mia de gripe que disseminou pela Europa, além do
C) “isso” remete a “escondia em poesia e ficção”.
vírus propriamente dito, dois vocábulos virais: o italiano influenza
D) “alguns” antecipa a informação “É isso que digo para meus e o Francês grippe. O primeiro era um termo derivado do latim
pais”. medieval influentia, que significa “influência dos astros sobre os
E) “essa” recupera a informação anterior “janela do jornal”. homens”. O segundo era apenas a forma nominal do verbo
gripper, isto é, “agarrar”. Supõe-se que fizesse referência ao modo
201. (Enem-2013) violento como o vírus se apossa do organismo infectado.
Jogar limpo (RODRIGUES. S. Sobre palavra. Veja, São Paulo, 30 nov. 2011.)
Argumentar não é ganhar uma discussão a
qualquer preço. Convencer alguém de algo é, antes Para se entender o trecho como uma unidade de sentido, é pre-
de tudo, uma alternativa à pratica de ganhar uma questão no ciso que o leitor reconheça a ligação entre seus elementos. Nesse
grito ou na violência física – ou não física. Não física, dois pontos. texto, a coesão é construída predominantemente pela retomada
Um político que mente descaradamente pode cativar leitores. de um termo por outro e pelo uso da elipse. O fragmento do
texto em que há coesão por elipse do sujeito é:
Uma publicidade que joga baixo pode constranger multidões
a consumir um produto danoso ao ambiente. Há manipulações A) “[...] a palavra gripe nos chegou após uma série de contá-
psicológicas não só na religião. E é comum pessoas agirem emo- gios entre línguas.”
cionalmente, porque vítimas de ardilosa – e cangoteira – sedução. B) “partiu da Itália em 1743 a epidemia de gripe [...].”
Embora a eficácia a todo preço não seja argumentar, tampouco se C) “O primeiro era um termo derivado do latim medieval
trata de admitir só verdades científicas – formar opinião apenas influentia, que significava ‘influência dos astros sobre os
depois de ver a demonstração e as evidências, como a ciência faz. homens’.”
Argumentar é matéria da vida cotidiana, uma forma de retórica, D) “o segundo era apenas a forma nominal do verbo gripper
mas é um raciocínio que tenta convencer sem se tornar mero [...]”
cálculo manipulativo, e pode ser rigoroso sem ser científico.
E) “Supõe-se que fizesse referência ao modo violento como o
(Língua Portuguesa. São Paulo, ano 5 n, 66 abr 2011. Adaptado.)
vírus se apossa do organismo infectado.”
No fragmento, opta-se por uma construção linguística bastante
204. (Enem-2013)
diferente em relação aos padrões normalmente empregados na
escrita. Trata-se da frase “não física, dois pontos”. Nesse contexto, Novas tecnologias
a escolha por se representar por extenso o sinal de pontuação Atualmente, prevalece na mídia um discurso de
que deveria ser utilizado exaltação das novas tecnologias, principalmente
A) enfatiza a metáfora de que o autor se vale para desenvolver aquelas ligadas às atividades de telecomunicações. Expressões
seu ponto de vista sobre a arte de argumentar. frequentes como “o futuro já chegou”, “maravilhas tecnológicas”
B) diz respeito a um recurso de metalinguagem, evidencian- e “conexão total com o mundo” “fetichizam” novos produtos,
do as relações e as estruturas presentes no enunciado. transformando-os em objetos do desejo, de consumo obriga-
tório. Por esse motivo carregamos hoje nos bolsos, bolsas e
C) é um recurso estilístico que promove satisfatoriamente a se- mochilas o “futuro” tão festejado.
quenciação de ideias, introduzindo apostos exemplificativos.
Todavia, não podemos reduzir-nos a meras vítimas de um
D) ilustra a flexibilidade na estruturação do gênero textual, a aparelho midiático perverso, ou de um aparelho capitalista
qual se concretiza no emprego da linguagem conotativa. controlador. Há perversão, certamente, e controle, sem sombra
E) prejudica a sequência do texto, provocando estranheza no de dúvida. Entretanto, desenvolvemos uma relação simbiótica
leitor ao não desenvolver explicitamente o raciocínio a par- de dependência mútua com os veículos de comunicação, que
tir de argumentos. se estrita a cada imagem compartilhada e a cada dossiê pessoal
transformado em objeto público de entretenimento.
202. (Enem-2013) Não mais como aqueles acorrentados na caverna de Platão,
somos livres para nos aprisionar, por espontânea vontade, a esta
relação sadomasoquista com as estruturas midiáticas, na qual
tanto controlamos quanto somos controlados.
(SAMPAIO, A. S. A microfísica do espetáculo. Disponível em: <http://
observatoriodaimprensa.com.br>. Acesso em: 1 mar. 2013. Adaptado.)

Ao escrever um artigo de opinião, o produtor precisa criar uma


base de orientação linguística que permita alcançar os leitores e
convencê-los com relação ao ponto de vista defendido. Diante
disso, nesse texto, a escolha das formas verbais em destaque
objetiva
(Disponível em: <http://clubedamafalda.blogspot.com.br>.
Acesso em: 21 set . 2011.) A) criar relação de subordinação entre leitor e autor, já que
ambos usam as novas tecnologias.
Nessa charge, o recurso morfossintático que colabora para o
efeito de humor está indicado pelo(a) B) enfatizar a probabilidade de que toda população brasileira
A) emprego de uma oração adversativa, que orienta a quebra esteja aprisionada às novas tecnologias.
da expectativa ao final. C) indicar, de forma clara, o ponto de vista de que hoje as pes-
B) uso de conjunção aditiva, que cria uma relação de causa e soas são controladas pelas novas tecnologias.
efeito entre as ações. D) tornar o leitor copartícipe do ponto de vista de que ele ma-
C) retomada do substantivo “mãe” que desfaz a ambiguidade nipula as novas tecnologias e por elas é manipulado.
dos sentidos a ele atribuídos. E) demonstrar ao leitor sua parcela de responsabilidade por
D) utilização da forma pronominal “la” que reflete um trata- deixar que as novas tecnologias controlem as pessoas.
mento formal do filho em relação à “mãe”.
E) repetição da forma verbal “é”, que reforça a relação de adi-
ção existente entre as orações.

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Língua Portuguesa

205. (Enem-2012) 207. (Enem-2012)


O senhor
Carta a uma jovem que, estando em uma roda
em que dava aos presentes o tratamento de você,
se dirigiu ao autor chamando-o “o senhor”:
Senhora:
Aquele a quem chamastes senhor aqui está, de peito ma-
goado e cara triste, para vos dizer que senhor ele não é, de nada,
nem de ninguém.
Bem o sabeis, por certo, que a única nobreza do plebeu está
em não querer esconder sua condição, e esta nobreza tenho eu.
Assim, se entre tantos senhores ricos e nobres a quem chamáveis
(BROWNE, D. Folha de S.Paulo, 13 ago. 2011.) você escolhestes a mim para tratar de senhor, é bem de ver que
só poderíeis ter encontrado essa senhoria nas rugas de minha
As palavras e as expressões são mediadoras dos sentidos pro- testa e na prata de meus cabelos. Senhor de muitos anos, eis
duzidos nos textos. Na fala de Hagar, a expressão “é como se” aí; o território onde eu mando é no país do tempo que foi. Essa
ajuda a conduzir o conteúdo enunciado para o campo da palavra “senhor”, no meio de uma frase, ergueu entre nós um
A) conformidade, pois as condições meteorológicas eviden- muro frio e triste.
ciam um acontecimento ruim. Vi o muro e calei: não é de muito, eu juro, que me acontece
essa tristeza; mas também não era a vez primeira.
B) reflexibilidade, pois o personagem se refere aos tubarões
(BRAGA, R. A borboleta amarela. Rio de Janeiro: Record, 1991.)
usando um pronome reflexivo.
C) condicionalidade, pois a atenção dos personagens é a con- A escolha do tratamento que se queira atribuir a alguém ge-
dição necessária para a sua sobrevivência. ralmente considera as situações específicas de uso social. A
D) possibilidade, pois a proximidade dos tubarões leva à su- violação desse princípio causou um mal-estar no autor da carta.
posição do perigo iminente para os homens. O trecho que descreve essa violação é:
E) impessoalidade, pois o personagem usa a terceira pessoa A) “Essa palavra, ‘senhor’, no meio de uma frase ergueu entre
para expressar o distanciamento dos fatos. nós um muro frio e triste.”
B) “A única nobreza do plebeu está em não querer esconder
206. (Enem-2012) a sua condição.”
Cabeludinho C) “Só poderíeis ter encontrado essa senhoria nas rugas de
Quando a Vó me recebeu nas férias, ela me apre- minha testa.”
sentou aos amigos: Este é meu neto. Ele foi estudar D) “O território onde eu mando é no país do tempo que foi.”
no Rio e voltou de ateu. Ela disse que eu voltei de ateu. Aquela
E) “Não é de muito, eu juro, que acontece essa tristeza; mas
preposição deslocada me fantasiava de ateu. Como quem dissesse
também não era a vez primeira.”
no Carnaval: aquele menino está fantasiado de palhaço. Minha
avó entendia de regências verbais. Ela falava de sério. Mas todo- 208. (Enem-2012)
-mundo riu. Porque aquela preposição deslocada podia fazer de
uma informação um chiste. E fez. E mais: eu acho que buscar a
beleza nas palavras é uma solenidade de amor. E pode ser ins-
trumento de rir. De outra feita, no meio da pelada um menino
gritou: Disilimina esse, Cabeludinho. Eu não disiliminei ninguém.
Mas aquele verbo novo trouxe um perfume de poesia à nossa
quadra. Aprendi nessas férias a brincar de palavras mais do que
trabalhar com elas. Comecei a não gostar de palavra engavetada.
Aquela que não pode mudar de lugar. Aprendi a gostar mais das
palavras pelo que elas entoam do que pelo que elas informam.
Por depois ouvi um vaqueiro a cantar com saudade: Ai morena,
não me escreve / que eu não sei a ler. Aquele a preposto ao verbo
ler, ao meu ouvir, ampliava a solidão do vaqueiro.
(BARROS, M. Memórias inventadas: a infância.
(Disponível em: <www.ivancabral.com>. Acesso em: 27 fev. 2012.)
São Paulo: Planeta, 2003.)
O efeito de sentido da charge é provocado pela combinação
No texto, o autor desenvolve uma reflexão sobre diferentes de informações visuais e recursos linguísticos. No contexto da
possibilidades de uso da língua e sobre os sentidos que esses ilustração, a frase proferida recorre à
usos podem produzir, a exemplo das expressões “voltou de
ateu”, “disilimina esse” e “eu não sei a ler”. Com essa reflexão, A) polissemia, ou seja, aos múltiplos sentidos da expressão
o autor destaca “rede social” para transmitir a ideia que pretende veicular.
A) os desvios linguísticos cometidos pelos personagens do B) ironia para conferir um novo significado ao termo “outra coisa”.
texto. C) homonímia para opor, a partir do advérbio de lugar, o es-
B) a importância de certos fenômenos gramaticais para o co- paço da população pobre e o espaço da população rica.
nhecimento da língua portuguesa. D) personificação para opor o mundo real pobre ao mundo
C) a distinção clara entre a norma culta e as outras variedades virtual rico.
linguísticas. E) antonímia para comparar a rede mundial de computado-
D) o relato fiel de episódios vividos por Cabeludinho durante res com a rede caseira de descanso da família.
as suas férias.
E) a valorização da dimensão lúdica e poética presente nos 209. (Enem-2011) Cultivar um estilo de vida saudável é
usos coloquiais da linguagem. extremamente importante para diminuir o risco de
infarto, mas também de problemas como morte súbita
e derrame. Significa que manter uma alimentação

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Língua Portuguesa

saudável e praticar atividade física regularmente já reduz, por si marcada pelo patriarcalismo. A música prepara a moça para o
só, as chances de desenvolver vários problemas. Além disso, é seu destino não apenas inexorável, mas desejável: o casamento,
importante para o controle da pressão arterial, dos níveis de co- estabelecendo uma hierarquia de obediência (pai, irmão mais ve-
lesterol e de glicose no sangue. Também ajuda a diminuir o estresse lho, marido), de acordo com a época e circunstâncias de sua vida.
e aumentar a capacidade física, fatores que, somados, reduzem as (Disponível em: <http://provsjose.blogspot.com.br>. Acesso em: 5 dez. 2012.)
chances de infarto. Exercitar-se, nesses casos, com acompanha-
mento médico e moderação, é altamente recomendável. O comentário do Texto II sobre o Texto I evoca a mobilização
(ATALIA, M. Nossa vida. Época, 23 mar. 2009.) da língua oral que, em determinados contextos,
A) assegura a existência de pensamentos contrários à ordem
As ideias veiculadas no texto se organizam estabelecendo vigente.
relações que atuam na construção do sentido. A esse respeito,
identifica-se, no fragmento, que B) mantém a heterogeneidade das formas de relações sociais.
A) a expressão “Além disso” marca uma sequenciação de C) conserva a influência religiosa sobre certas culturas.
ideias. D) preserva a diversidade cultural e comportamental.
B) o conectivo “mas também” inicia oração que exprime ideia E) reforça comportamentos e padrões culturais.
de contraste.
212. (Enem-2017)
C) o termo “como”, em “como morte súbita e derrame”, intro-
duz uma generalização. A língua tupi no Brasil
D) o termo “Também” exprime uma justificativa.
E) o termo “fatores” retoma coesivamente “níveis de colesterol Há 300 anos, morar na vila de São Paulo de Piratininga (peixe
e de glicose no sangue”. seco, em tupi) era quase sinônimo de falar língua de índio. Em
cada cinco habitantes da cidade, só dois conheciam o portu-
210. (Enem-2011) guês. Por isso, em 1698, o governador da província, Artur de Sá
e Meneses, implorou a Portugal que só mandasse padres que
soubessem “a língua geral dos índios”, pois “aquela gente não
se explica em outro idioma”.
Derivado do dialeto de São Vicente, o tupi de São Paulo se
desenvolveu e se espalhou no século XVII, graças ao isolamento
geográfico da cidade e à atividade pouco cristã dos mamelu-
cos paulistas: as bandeiras, expedições ao sertão em busca de
escravos índios. Muitos bandeirantes nem sequer falavam o
português ou se expressavam mal. Domingos Jorge Velho, o
paulista que destruiu o Quilombo dos Palmares em 1694, foi
(VERISSIMO, L. F. As cobras em: se Deus existe que eu seja
descrito pelo bispo de Pernambuco como “um bárbaro que nem
atingido por um raio. Porto Alegre: L&PM, 1997.) falar sabe”. Em suas andanças, essa gente batizou lugares como
O humor da tira decorre da reação de uma das cobras com Avanhandava (lugar onde o índio corre), Pindamonhangaba
relação ao uso de pronome pessoal reto, em vez de pronome (lugar de fazer anzol) e Itu (cachoeira). E acabou inventando
oblíquo. De acordo com a norma-padrão da língua, esse uso é uma nova língua.
inadequado, pois “Os escravos dos bandeirantes vinham de mais de 100 tribos
A) contraria o uso previsto para o registro oral da língua. diferentes”, conta o historiador e antropólogo John Monteiro, da
B) contraria a marcação das funções sintáticas de sujeito e Universidade Estadual de Campinas. “Isso mudou o tupi paulista,
objeto. que, além da influência do português, ainda recebia palavras de
outros idiomas.” O resultado da mistura ficou conhecido como
C) gera inadequação na concordância com o verbo.
língua geral do sul, uma espécie de tupi facilitado.
D) gera ambiguidade na leitura do texto. (ÂNGELO, C. Disponível em: http://super.abril.com.
E) apresenta dupla marcação de sujeito. br. Acesso em: 8 ago. 2012. Adaptado.)

O texto trata de aspectos sócio-históricos da formação linguística


Variações linguísticas e níveis de registro nacional. Quanto ao papel do tupi na formação do português
brasileiro, depreende-se que essa língua indígena
211. (Enem-2017) A) contribuiu efetivamente para o léxico, com nomes relativos
aos traços característicos dos lugares designados.
Texto I B) originou o português falado em São Paulo no século XVII,
em cuja base gramatical também está a fala de variadas et-
Terezinha de Jesus nias indígenas.
De uma queda foi ao chão C) desenvolveu-se sob influência dos trabalhos de catequese
Acudiu três cavalheiros dos padres portugueses, vindos de Lisboa.
Todos os três de chapéu na mão D) misturou-se aos falares africanos, em razão das intera-
O primeiro foi seu pai ções entre portugueses e negros nas investidas contra o
O segundo, seu irmão Quilombo dos Palmares.
O terceiro foi aquele E) expandiu-se paralelamente ao português falado pelo co-
lonizador, e juntos originaram a língua dos bandeirantes
A quem Tereza deu a mão paulistas.
(BATISTA, M. E. B. M.; SANTOS, I. M. E. (Org.). Cancioneiro da Paraíba. João
Pessoa: Grafset, 1993. Adaptado.) 213. (Enem-2017)
Texto II Sítio Gerimum
Outra interpretação é feita a partir das condições sociais Este é o meu lugar [...]
daquele tempo. Para a ama e para a criança para quem cantava Meu Gerimum é com g
a cantiga, a música falava do casamento como um destino na-
Você pode ter estranhado
tural na vida da mulher, na sociedade brasileira do século XIX,

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Língua Portuguesa

Gerimum em abundância nação indígena do Brasil, sendo também encontrada no Peru e


Aqui era plantado na Colômbia. Os ticunas falam uma língua considerada isolada,
que não mantém semelhança com nenhuma outra língua indí-
E com a letra g gena e apresenta complexidades em sua fonologia e sintaxe.
Meu lugar foi registrado. Sua característica principal é o uso de diferentes alturas na voz.
(OLIVEIRA, H. D. Língua Portuguesa, n. 88, fev. 2013 (fragmento).) O uso intensivo da língua não chega a ser ameaçado pela
proximidade de cidades ou mesmo pela convivência com
Nos versos de um menino de 12 anos, o emprego da palavra falantes de outras línguas no interior da própria área ticuna:
“Gerimum” grafada com a letra “g” tem por objetivo nas aldeias, esses outros falantes são minoritários e acabam
A) valorizar usos informais caracterizadores da norma por se submeter à realidade ticuna, razão pela qual, talvez, não
nacional. representem uma ameaça linguística.
B) confirmar o uso da norma-padrão em contexto da lingua- (Língua Portuguesa, n. 52, fev. 2010. Adaptado.)
gem poética.
Texto II
C) enfatizar um processo recorrente na transformação da lín-
gua portuguesa. Riqueza da língua
D) registrar a diversidade étnica e linguística presente no ter-
ritório brasileiro. “O inglês está destinado a ser uma língua mundial em senti-
E) reafirmar discursivamente a forte relação do falante com do mais amplo do que o latim foi na era passada e o francês é na
seu lugar de origem. presente”, dizia o presidente americano John Adams no século
XVIII. A profecia se cumpriu: o inglês é hoje a língua franca da
214. (Enem-2017) globalização. No extremo oposto da economia linguística mun-
dial, estão as línguas de pequenas comunidades declinantes.
Declaração de amor Calcula-se que hoje se falem de 6 000 a 7 000 línguas no mundo
todo. Quase metade delas deve desaparecer nos próximos 100
Esta é uma confissão de amor: amo a língua portuguesa. anos. A última edição do Ethnologue — o mais abrangente es-
Ela não é fácil. Não é maleável. [...] A língua portuguesa é um tudo sobre as línguas mundiais —, de 2005, listava 516 línguas
verdadeiro desafio para quem escreve. Sobretudo para quem em risco de extinção.
escreve tirando das coisas e das pessoas a primeira capa de (Veja, n. 36, set. 2007. Adaptado.)
superficialismo.
Às vezes ela reage diante de um pensamento mais compli- Os textos tratam de línguas de culturas completamente diferen-
cado. Às vezes se assusta com o imprevisível de uma frase. Eu tes, cujas realidades se aproximam em função do(a)
gosto de manejá-la — como gostava de estar montada num A) semelhança no modo de expansão.
cavalo e guiá-lo pelas rédeas, às vezes a galope. Eu queria que B) preferência de uso na modalidade falada.
a língua portuguesa chegasse ao máximo em minhas mãos. E
este desejo todos os que escrevem têm. Um Camões e outros C) modo de organização das regras sintáticas.
iguais não bastaram para nos dar para sempre uma herança de D) predomínio em relação às outras línguas de contato.
língua já feita. Todos nós que escrevemos estamos fazendo do E) fato de motivarem o desaparecimento de línguas
túmulo do pensamento alguma coisa que lhe dê vida. minoritárias.
Essas dificuldades, nós as temos. Mas não falei do encanta-
mento de lidar com uma língua que não foi aprofundada. O que 216. (Enem-2017)
recebi de herança não me chega.
Se eu fosse muda e também não pudesse escrever, e me Nuances
perguntassem a que língua eu queria pertencer, eu diria: inglês,
que é preciso e belo. Mas, como não nasci muda e pude escrever, Euforia: alegria barulhenta. Felicidade: alegria silenciosa.
tornou-se absolutamente claro para mim que eu queria mesmo Gravar: quando o ator é de televisão. Filmar: quando ele quer
era escrever em português. Eu até queria não ter aprendido deixar claro que não é de televisão.
outras línguas: só para que a minha abordagem do português Grávida: em qualquer ocasião. Gestante: em filas e assentos
fosse virgem e límpida. preferenciais.
(LISPECTOR, C. A descoberta do mundo. Rio
de Janeiro: Rocco, 1999. Adaptado.)
Guardar: na gaveta. Salvar: no computador. Salvaguardar: no
Exército.
O trecho em que Clarice Lispector declara seu amor pela língua Menta: no sorvete, na bala ou no xarope. Hortelã: na horta ou
portuguesa, acentuando seu caráter patrimonial e sua capaci- no suco de abacaxi.
dade de renovação, é:
Peça: quando você vai assistir. Espetáculo: quando você está
A) “A língua portuguesa é um verdadeiro desafio para quem em cartaz com ele.
escreve.”
(DUVIVIER, G. Folha de S. Paulo, 24 mar. 2014. Adaptado.)
B) “Um Camões e outros iguais não bastaram para nos dar
para sempre uma herança de língua já feita.” O texto trata da diferença de sentido entre vocábulos muito
C) “Todos nós que escrevemos estamos fazendo do túmulo próximos. Essa diferença é apresentada considerando-se a(s)
do pensamento alguma coisa que lhe dê vida.” A) alternâncias na sonoridade.
D) “Mas não falei do encantamento de lidar com uma língua B) adequação às situações de uso.
que não foi aprofundada.”
C) marcação flexional das palavras.
E) “Eu até queria não ter aprendido outras línguas: só para que
D) grafia na norma-padrão da língua.
a minha abordagem do português fosse virgem e límpida.”
E) categorias gramaticais das palavras.
215. (Enem-2017)
Texto I
217. (Enem-2017) Naquela manhã de céu limpo e ar leve,
devido à chuva torrencial da noite anterior, saí a ca-
A língua ticuna é o idioma mais falado entre os minhar com o sol ainda escondido para tomar tenên-
indígenas brasileiros. De acordo com o pesquisador cia dos primeiros movimentos da vida na roça. Num
Aryon Rodrigues, há 40 mil índios que falam o idioma. A maioria demorou nem um tiquinho e o cheiro intenso do café passado
mora ao longo do Rio Solimões, no Alto Amazonas. É a maior

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Língua Portuguesa

por Dona Linda me invadiu as narinas e fez a fome se acordar Já sabia ajuntar as sílabas e ler por cima toda coisa, mas
daquela rema letárgica derivada da longa noite de sono. Levei descrencei e perdi a influência de ir à escola, porque diante dos
as mãos até a água que corria pela bica feita de bambu e o escritos que o mestre me passava e das lições marcadas nos
contato gelado foi de arrepiar. Mas fui em frente e levei as mãos livros, fiquei sendo um quarta-feira de marca maior. Alívio bom
em concha até o rosto. Com o impacto, recuei e me faltou o era quando chegava em casa.
fôlego por alguns instantes, mas o despertar foi imediato. Já (BERNARDES, C. Rememórias dois. Goiânia: Leal, 1969.)
aceso, entrei na cozinha na buscação de derrubar a fome e me
acercar do aconchego do calor do fogão à lenha. Foi quando O narrador relata suas experiências na primeira escola que
dei reparo da figura esguia e discreta de uma senhora acompa- frequentou e utiliza construções linguísticas próprias de deter-
nhada de um garoto aparentando uns cinco anos de idade já minada região, constatadas pelo
aboletada na ponta da mesa em proseio íntimo com a dona da A) registro de palavras como “estranheza” e “cegava”.
casa. Depois de um vigoroso “Bom dia!”, um vaporoso aperto
de mãos nas apresentações de praxe, fiquei sabendo que Dona B) emprego de regência não padrão em “chegar em casa”.
Flor de Maio levava o filho Adão para tratamento das feridas C) uso de dupla negação em “não entender nadinha”.
que pipocavam por seu corpo, provocando pequenas pústulas D) emprego de palavras como “descrencei” e “ladineza”.
de bordas avermelhadas.
E) uso do substantivo “bichos” para retomar “pessoas”.
(GUIÃO, M. Disponível em: <www.revistaecologico.com.br>.
Acesso em: 101 mar. 2014. Adaptado.) 220. (Enem-2017)
A variedade linguística da narrativa é adequada à descrição dos
O último refúgio da língua geral no Brasil
fatos. Por isso, a escolha de determinadas palavras e expressões
usadas no texto está a serviço da No coração da Floresta Amazônica é falada uma língua que
A) localização dos eventos de fala no tempo ficcional. participou intensamente da história da maior região do Brasil.
B) composição da verossimilhança do ambiente retratado. Trata-se da língua geral, também conhecida como nheengatu
ou tupi moderno. A língua geral foi ali mais falada que o próprio
C) restrição do papel do narrador à observação das cenas
português, inclusive por não índios, até o ano de 1877. Alguns
relatadas.
fatores contribuíram para o desaparecimento dessa língua de
D) construção mística das personagens femininas pelo autor grande parte da Amazônia, como perseguições oficiais no século
do texto. XVIII e a chegada maciça de falantes de português durante o
E) caracterização das preferências linguísticas da persona- ciclo da borracha, no século XIX. Língua-testemunho de um
gem masculina. passado em que a Amazônia brasileira alargava seus territórios,
a língua geral hoje é falada por mais de 6 mil pessoas, num
218. (Enem-2017) Zé Araújo começou a cantar num tom território que se estende pelo Brasil, Venezuela e Colômbia. Em
triste, dizendo aos curiosos que começaram a chegar 2002, o município de São Gabriel da Cachoeira ficou conhecido
que uma mulher tinha se ajoelhado aos pés da santa por ter oficializado as três línguas indígenas mais usadas ali: o
cruz e jurado em nome de Jesus um grande amor, nheengatu, o baníua e o tucano. Foi a primeira vez que outras
mas jurou e não cumpriu, fingiu e me enganou, pra mim você línguas, além do português, ascendiam à condição de línguas
mentiu, pra Deus você pecou, o coração tem razões que a própria oficiais no Brasil. Embora a oficialização dessas línguas não tenha
razão desconhece, faz promessas e juras, depois esquece. obtido todos os resultados esperados, redundou no ensino de
O caboclo estava triste e inspirado. Depois dessa canção nheengatu nas escolas municipais daquele município e em
que arrepiou os cabelos da Neusa, emendou com uma valsa muitas escolas estaduais nele situadas. É fundamental que essa
mais arretada ainda, cheia de palavras difíceis, mas bonita que língua de tradição eminentemente oral tenha agora sua gramá-
só a gota serena. Era a história de uma boneca encantadora tica estudada e que textos de diversas naturezas sejam escritos,
vista numa vitrine de cristal sobre o soberbo pedestal. Zé Araújo justamente para enfrentar os novos tempos que chegaram.
fechava os olhos e soltava a voz: (NAVARRO, E. Estudos avançados, n. 26, 2012. Adaptado.)
Seus cabelos tinham a cor/ Do sol a irradiar/ Fulvos raios de amor/
Seus olhos eram circúnvagos/ Do romantismo azul dos lagos/ Mãos O esforço de preservação do nheengatu, uma língua que sofre
liriais, uns braços divinais,/ Um corpo alvo sem par/ E os pés muito com o risco de extinção, significa o reconhecimento de que
pequenos./ Enfim eu vi nesta boneca/ Uma perfeita Vênus. A) as línguas de origem indígena têm seus próprios mecanis-
(CASTRO, N. L. As pelejas de Ojuara: o homem que desafiou o diabo. São
mos de autoconservação.
Paulo: Arx, 2006. Adaptado.) B) a construção da cultura amazônica, ao longo dos anos,
constituiu-se, em parte, pela expressão em línguas de ori-
O comentário do narrador do romance “[...] emendou com uma gem indígena.
valsa mais arretada ainda, cheia de palavras difíceis, mas bonita
C) as ações políticas e pedagógicas implementadas até o mo-
que só a gota serena” relaciona-se ao fato de que essa valsa é
mento são suficientes para a preservação da língua geral
representativa de uma variedade linguística
amazônica.
A) detentora de grande prestígio social.
D) a diversidade do patrimônio cultural brasileiro, historica-
B) específica da modalidade oral da língua. mente, tem se construído com base na unidade da língua
C) previsível para o contexto social da narrativa. portuguesa.
D) constituída de construções sintáticas complexas. E) o Brasil precisa se diferenciar de países vizinhos, como
E) valorizadora do conteúdo em detrimento da forma. Venezuela e Colômbia, por meio de um idioma comum na
Amazônia brasileira.
219. (Enem-2017) Entrei numa lida muito dificultosa.
Martírio sem fim o de não entender nadinha do que 221. (Enem-2017) Pela primeira vez na vida teve pena de
vinha nos livros e do que o mestre Frederico falava. haver tantos assuntos no mundo que não compreen-
Estranheza colosso me cegava e me punha tonto. dia e esmoreceu. Mas uma mosca fez um ângulo reto
Acho bem que foi desse tempo o mal que me acompanha até no ar, depois outro, além disso, os seis anos são uma
hoje de ser recanteado e meio mocorongo. Com os meus, em idade de muitas coisas pela primeira vez, mais do que uma por
casa, conversava por trinta, tinha ladineza e entendimento. Na dia e, por isso, logo depois, arribou. Os assuntos que não com-
rua e na escola – nada; era completamente afrásico. As pessoas preendia eram uma espécie de tontura, mas o Ilídio era forte.
eram bichos do outro mundo que temperavam um palavreado Se calhar estava a falar de tratar da cabra: nunca esqueças
grego de tudo. de tratar da cabra. O Ilídio não gostava que a mãe o mandasse

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Língua Portuguesa

tratar da cabra. Se estava ocupado a contar uma história a um Texto II


guarda-chuva, não queria ser interrompido. Às vezes, a mãe Entrevistadora — Vou conversar com a professora A. D. O por-
escolhia os piores momentos para chamá-lo, ele podia estar a tuguês é uma língua difícil?
contemplar um segredo, por isso, assustava-se e, depois, irritava-
-se. Às vezes, fazia birras no meio da rua. A mãe envergonhava-se Professora — Não, se você parte do princípio que a língua por-
e, mais tarde, em casa, dizia que as pessoas da vila nunca tinham tuguesa não é só regras gramaticais. Ao chegar à escola, o aluno
visto um menino tão velhaco. O Ilídio ficava enxofrado, mas já domina e fala a língua. Se o professor motivá-lo a ler obras
lembrava-se dos homens que lhe chamavam reguila, diziam ah, literárias, e se tem acesso a revistas, a livros didáticos, você se
reguila de má raça. Com essa memória, recuperava o orgulho. apaixona pela língua. O que torna difícil é que a escola trans-
Era reguila, não era velhaco. Essa certeza dava-lhe forças para forma as aulas de língua portuguesa em análises gramaticais.
protestar mais, para gritar até, se lhe apetecesse. (MARCUSCHI, L. A. Da fala para a escrita: atividades de retextualização. São
Paulo: Cortez, 2001. Adaptado.)
(PEIXOTO, J. L. Livro. São Paulo: Cia. das Letras, 2012.)

No texto, observa-se o uso característico do português de O Texto I é a transcrição de uma entrevista concedida por uma
Portugal, marcadamente diferente do uso do português do professora de português a um programa de rádio. O Texto II
Brasil. O trecho que confirma essa afirmação é: é a adaptação dessa entrevista para a modalidade escrita. Em
comum, esses textos
A) “Pela primeira vez na vida teve pena de haver tantos assun-
tos no mundo que não compreendia e esmoreceu.” A) apresentam ocorrências de hesitações e reformulações.
B) “Os assuntos que não compreendia eram uma espécie de B) são modelos de emprego de regras gramaticais.
tontura, mas o Ilídio era forte.” C) são exemplos de uso não planejado da língua.
C) “Essa certeza dava-lhe forças para protestar mais, para gri- D) apresentam marcas da linguagem literária.
tar até, se lhe apetecesse.”
E) são amostras do português culto urbano.
D) “Se calhar estava a falar de tratar da cabra: nunca esqueças
de tratar da cabra.” 224. (Enem-2016)
E) “O Ilídio não gostava que a mãe o mandasse tratar da cabra.”
De domingo
222. (Enem-2016) PINHÃO sai ao mesmo tempo que
BENONA entra. — Outrossim…
BENONA: Eurico, Eudoro Vicente está lá fora e — O quê?
quer falar com você. — O que o quê?
EURICÃO: Benona, minha irmã, eu sei que ele está lá fora, — O que você disse.
mas não quero falar com ele.
— Outrossim?
BENONA: Mas Eurico, nós lhe devemos certas atenções.
— É.
EURICÃO: Você, que foi noiva dele. Eu, não!
— O que é que tem?
BENONA: Isso são coisas passadas.
EURICÃO: Passadas para você, mas o prejuízo foi meu. — Nada. Só achei engraçado.
Esperava que Eudoro, com todo aquele dinheiro, se tornasse meu — Não vejo a graça.
cunhado. Era uma boca a menos e um patrimônio a mais. E o peste — Você vai concordar que não é uma palavra de todos os dias.
me traiu. Agora, parece que ouviu dizer que eu tenho um tesouro. — Ah, não é. Aliás, eu só uso domingo.
E vem louco atrás dele, sedento, atacado de verdadeira hidrofo-
— Se bem que parece mais uma palavra de segunda-feira.
bia. Vive farejando ouro, como um cachorro da molest’a, como
um urubu, atrás do sangue dos outros. Mas ele está enganado. — Não. Palavra de segunda-feira é “óbice”.
Santo Antônio há de proteger minha pobreza e minha devoção. — “Ônus”.
(SUASSUNA, A. O santo e a porca. Rio de Janeiro: — “Ônus” também. “Desiderato”. “Resquício”.
José Olympio, 2013. Fragmento.)
— “Resquício” é de domingo.
Nesse texto teatral, o emprego das expressões “o peste” e “ca- — Não, não. Segunda. No máximo terça.
chorro da molest’a” contribui para — Mas “outrossim”, francamente...
A) marcar a classe social das personagens. — Qual o problema?
B) caracterizar usos linguísticos de uma região. — Retira o “outrossim”.
C) enfatizar a relação familiar entre as personagens. — Não retiro. É uma ótima palavra. Aliás é uma palavra difícil
D) sinalizar a influência do gênero nas escolhas vocabulares. de usar. Não é qualquer um que usa “outrossim”.
E) demonstrar o tom autoritário da fala de uma das personagens. (VERISSIMO, L. F. Comédias da vida privada.
Porto Alegre: L&PM, 1996. Fragmento.)
223. (Enem-2016)
Texto I No texto, há uma discussão sobre o uso de algumas palavras da
língua portuguesa. Esse uso promove o(a)
Entrevistadora — eu vou conversar aqui com a profes-
sora A. D. ... o português então não é uma língua difícil? A) marcação temporal, evidenciada pela presença de palavras
indicativas dos dias da semana.
Professora — olha se você parte do princípio… que a língua por-
tuguesa não é só regras gramaticais… não se você se apaixona B) tom humorístico, ocasionado pela ocorrência de palavras
pela língua que você… já domina que você já fala ao chegar na empregadas em contextos formais.
escola se o teu professor cativa você a ler obras da literatura… C) caracterização da identidade linguística dos interlocutores,
obras da/ dos meios de comunicação… se você tem acesso a percebida pela recorrência de palavras regionais.
revistas… é... a livros didáticos… a... livros de literatura o mais D) distanciamento entre os interlocutores, provocado pelo
formal o e/ o difícil é porque a escola transforma como eu já emprego de palavras com significados pouco conhecidos.
disse as aulas de língua portuguesa em análises gramaticais.
E) inadequação vocabular, demonstrada pela seleção de pa-
lavras desconhecidas por parte de um dos interlocutores
do diálogo.

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Língua Portuguesa

225. (Enem-2016) O nome do inseto pirilampo (vaga-lume)


As contribuições feitas pelos membros da
tem uma interessante certidão de nascimento. De
equipe serão de grande valia para o aperfeiçoamento
repente, no fim do século XVII, os poetas de Lisboa
dos processos de trabalho que estão sendo
repararam que não podiam cantar o inseto luminoso,
utilizados.
apesar de ele ser um manancial de metáforas, pois possuía um Queira, por gentileza, transmitir-lhes nossos
nome “indecoroso” que não podia ser “usado em papéis sérios”: cumprimentos.
caga-lume. Foi então que o dicionarista Raphael Bluteau inven-
tou a nova palavra, pirilampo, a partir do grego pyr, significando Atenciosamente,
‘fogo’, e lampas, ‘candeia’. Rivaldo Oliveira Andrade
(FERREIRA, M. B. Caminhos do português: exposição comemorativa do Ano Diretor Administrativo e Financeiro
Europeu das Línguas. Portugal: Biblioteca Nacional, 2001. Adaptado.)

(Disponível em: <www.pcspeed.com.br>. Acesso em: 1 maio 2012. Adaptado.)


O texto descreve a mudança ocorrida na nomeação do inseto,
por questões de tabu linguístico. Esse tabu diz respeito à
A carta manifesta reconhecimento de uma empresa pelos ser-
A) recuperação histórica do significado. viços prestados pelos consultores da PC Speed. Nesse contexto,
B) ampliação do sentido de uma palavra. o uso da norma-padrão
C) produção imprópria de poetas portugueses. A) constitui uma exigência restrita ao universo financeiro e é
substituível por linguagem informal.
D) denominação científica com base em termos gregos.
B) revela um exagero por parte do remetente e torna o texto
E) restrição ao uso de um vocábulo pouco aceito socialmente. rebuscado linguisticamente.
226. (Enem-2016) C) expressa o formalismo próprio do gênero e atribui profis-
sionalismo à relação comunicativa.
Da corrida de submarino à festa D) torna o texto de difícil leitura e atrapalha a compreensão
de aniversário no trem das intenções do remetente.
Leitores fazem sugestões para o Museu E) sugere elevado nível de escolaridade do diretor e realça
das Invenções Cariocas seus atributos intelectuais.
“Falar ‘caraca!’ a cada surpresa ou acontecimento que vemos, 228. (Enem-2016) eu acho um fato interessante... né... foi
bons ou ruins, é invenção do carioca, como também o ‘vacilão’.” como meu pai e minha mãe vieram se conhecer... né...
“Cariocas inventam um vocabulário próprio”. “Dizer ‘merr- que... minha mãe morava no Piauí com toda família...
mão’ e ‘é merrmo’ para um amigo pode até doer um pouco no né... meu... meu avô... materno no caso... era maqui-
ouvido, mas é tipicamente carioca.” nista... ele sofreu um acidente... infelizmente morreu... minha
“Pedir um ‘choro’ ao garçom é invenção carioca.” mãe tinha cinco anos... né... e o irmão mais velho dela... meu
“Chamar um quase desconhecido de ‘querido’ é um carinho padrinho... tinha dezessete e ele foi obrigado a trabalhar... foi
inventado pelo carioca para tratar bem quem ainda não se trabalhar no banco... e... ele foi... o banco... no caso... estava...
conhece direito.” com um número de funcionários cheio e ele teve que ir para
outro local e pediu transferência prum local mais perto de
“O ‘ele é um querido’ é uma forma mais feminina de elogiar
Parnaíba que era a cidade onde eles moravam e por engano o...
quem já é conhecido.” o... escrivão entendeu Paraíba... né... e meu... e minha família veio
(SANTOS, J. F. Disponível em: <www.oglobo.globo.com>. parar em Mossoró que era exatamente o local mais perto onde
Acesso em: 6 mar. 2013. Adaptado.)
tinha vaga pra funcionário do Banco do Brasil e:: ela foi parar na
rua do meu pai... né... e começaram a se conhecer... namoraram
Entre as sugestões apresentadas para o Museu das Invenções onze anos... né... pararam algum tempo... brigaram... é lógico...
Cariocas, destaca-se o variado repertório linguístico empregado porque todo relacionamento tem uma briga... né... e eu achei
pelos falantes cariocas nas diferentes situações específicas de esse fato muito interessante porque foi uma coincidência incrí-
uso social. A respeito desse repertório, atesta-se o(a) vel... né... como vieram a se conhecer... namoraram e hoje... e até
A) desobediência à norma-padrão, requerida em ambientes hoje estão juntos... dezessete anos de casados…
urbanos. (CUNHA, M. A. F. (Org.). Corpus, discurso & gramática: a língua falada e
B) inadequação linguística das expressões cariocas às situa- escrita na cidade de Natal. Natal: EdUFRN, 1998.)
ções sociais apresentadas.
Na produção dos textos, orais ou escritos, articulamos as infor-
C) reconhecimento da variação linguística, segundo o grau de mações por meio de relações de sentido. No trecho de fala, a
escolaridade dos falantes. passagem “brigaram... é lógico... porque todo relacionamento
D) identificação de usos linguísticos próprios da tradição cul- tem uma briga”, enuncia uma justificativa em que “brigaram”
tural carioca. e “todo relacionamento tem uma briga” são, respectivamente,
E) variabilidade no linguajar carioca em razão da faixa etária A) causa e consequência.
dos falantes. B) premissa e conclusão.
C) meio e finalidade.
227. (Enem-2016)
D) exceção e regra.
Salvador, 10 de maio de 2012. E) fato e generalização.
Consultoria PC Speed 229. (Enem-2015) Em primeiro lugar gostaria de manifestar
Sr. Pedro Alberto os meus agradecimentos pela honra de vir outra vez
Assunto: Consultoria à Galiza e conversar não só com os antigos colegas,
alguns dos quais fazem parte da mesa, mas também
Prezado Senhor, com novos colegas, que pertencem à nova geração, em cujas
Manifestamos nossa apreciação pelo mãos, com toda certeza, está também o destino do Galego na
excelente trabalho executado pela equipe de Galiza, e principalmente o destino do Galego incorporado à
consultores desta empresa na revisão de todos os grande família lusófona.
controles internos relativos às áreas administrativas. E, portanto, é com muito prazer que teço algumas conside-
rações sobre o tema apresentado. Escolhi como tema como os

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Língua Portuguesa

fundadores da Academia Brasileira de Letras viam a língua portu- 231. (Enem-2015)


guesa no seu tempo. Como sabem, a nossa Academia, fundada
em 1897, está agora completando 110 anos, foi organizada por Ai se sêsse
uma reunião de jornalistas, literatos, poetas que se reuniam na
secretaria da Revista Brasileira, dirigida por um crítico literário e Se um dia nois se gostasse
por um literato chamado José Veríssimo, natural do Pará, e desse Se um dia nois se queresse
entusiasmo saiu a ideia de se criar a Academia Brasileira, depois
anexada ao seu título: Academia Brasileira de Letras. Se nois dois se empareasse
Nesse sentido, Machado de Assis, que foi o primeiro presi- Se juntim nois dois vivesse
dente desde a sua inauguração até a data de sua morte, em 1908, Se juntim nois dois morasse
imaginava que a nossa Academia deveria ser uma academia de Se juntim nois dois drumisse
Letras, portanto, de literatos.
Se juntim nois dois morresse
(BECHARA, E. Disponível em: <www.academiagalega.org>. Acesso em: 31 jul.)
Se pro céu nois assubisse
No trecho da palestra proferida por Evanildo Bechara, na Mas porém se acontecesse
Academia Galega da Língua Portuguesa, verifica-se o uso de es-
De São Pedro não abrisse
truturas gramaticais típicas da norma-padrão da língua. Esse uso
A porta do céu e fosse
A) torna a fala inacessível aos não especialistas no assunto
abordado. Te dizer qualquer tulice
B) contribui para a clareza e a organização da fala no nível de E se eu me arriminasse
formalidade esperado para a situação. E tu cum eu insistisse
C) atribui à palestra características linguísticas restritas à mo- Pra que eu me arresolvesse
dalidade escrita da língua portuguesa. E a minha faca puxasse
D) dificulta a compreensão do auditório para preservar o cará- E o bucho do céu furasse
ter rebuscado da fala.
Tarvês que nois dois ficasse
E) evidencia distanciamento entre o palestrante e o auditório
para atender os objetivos o gênero palestra. Tarvês que nois dois caísse
E o céu furado arriasse
230. (Enem-2015) E as virgi toda fugisse
Mudança linguística (Zé da Luz. Cordel do fogo encantado. Recife: Álbum de estúdio, 2001.)

Ataliba de Castilho, professor de língua portu- O poema foi construído com formas do português não padrão,
guesa da USP, explica que o internetês é parte da metamorfose tais como “juntim”, “nois”, “tarvês”. Essas formas legitimam-se
natural da língua. na construção do texto, pois
— Com a internet, a linguagem segue o caminho dos fenô- A) revelam o bom humor do eu lírico do poema.
menos da mudança, como o que ocorreu com “você”, que se
tornou o pronome átono “cê”. Agora, o interneteiro pode ajudar B) estão presentes na língua e na identidade popular.
a reduzir os excessos da ortografia, e bem sabemos que são C) revelam as escolhas de um poeta não escolarizado.
muitos. Por que o acento gráfico é tão importante assim para a D) tornam a leitura fácil de entender para a maioria dos
escrita? Já tivemos no Brasil momentos até mais exacerbados brasileiros.
por acentos e dispensamos muitos deles. Como toda palavra é
contextualizada pelo falante, podemos dispensar ainda muitos E) compõem um conjunto de estruturas linguísticas inovadoras.
outros. O interneteiro mostra um caminho, pois faz um casa-
mento curioso entre oralidade e escrituralidade. O internetês 232. (Enem-2015)
pode, no futuro, até tornar a comunicação mais eficiente. Ou — Não, mãe. Perde a graça. Este ano, a senhora
evoluir para um jargão complexo, que, em vez de aproximar as vai ver. Compro um barato.
pessoas em menor tempo, estimule o isolamento dos iniciados — Barato? Admito que você compre uma lem-
e a exclusão dos leigos. brancinha barata, mas não diga isso a sua mãe. É fazer pouco
Para Castilho, no entanto, não será uma reforma ortográfica de mim.
que fará a mudança de que precisamos na língua. Será a internet. — Ih, mãe, a senhora está por fora mil anos. Não sabe que
O jeito eh tc e esperar pra ver? barato é o melhor que tem, é um barato!
(Disponível em: <http://revistalingua.com.br>. — Deixe eu escolher, deixe...
Acesso em: 3 jun. 2015. Adaptado.)
— Mãe é ruim de escolha. Olha aquele blazer furado que a
Na entrevista, o fragmento “O jeito eh tc e esperar pra ver?” senhora me deu no Natal!
tem por objetivo — Seu porcaria, tem coragem de dizer que sua mãe lhe deu
A) ilustrar a linguagem de usuários da internet que poderá um blazer furado?
promover alterações de grafia. — Viu? Não sabe nem o que é furado. Aquela cor já era,
mãe, já era!
B) mostrar os perigos da linguagem da internet como poten-
cializadora de dificuldades de escrita. (ANDRADE, C. D. Poesia e prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1998.)

C) evidenciar uma forma de exclusão social para as pessoas O modo como o filho qualifica os presentes é incompreendido
com baixa proficiência escrita. pela mãe, e essas escolhas lexicais revelam diferenças entre os
D) explicar que se trata de um erro linguístico por destoar do interlocutores, que estão relacionadas
padrão formal apresentado ao longo do texto. A) à linguagem infantilizada.
E) exemplificar dificuldades de escrita dos interneteiros que B) ao grau de escolaridade.
desconhecem as estruturas da norma-padrão.
C) à dicotomia de gêneros.
D) às especificidades de cada faixa etária.
E) à quebra de regras da hierarquia familiar.

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Língua Portuguesa

233. (Enem-2015) D) deixa à mostra a separação racial e cultural que caracteriza


a constituição do povo brasileiro.
Assum preto E) expressa os rituais africanos com maior autenticidade, res-
peitando as referências originais.
Tudo em vorta é só beleza
Sol de abril e a mata em frô 235. (Enem-2015)
Mas assum preto, cego dos óio
Essa pequena
Num vendo a luz, ai, canta de dor
Meu tempo é curto, o tempo dela sobra
Tarvez por ignorança
Meu cabelo é cinza, o dela é cor de abóbora
Ou mardade das pió
Temo que não dure muito a nossa novela, mas
Furaro os óio do assum preto
Eu sou tão feliz com ela
Pra ele assim, ai, cantá mió
Meu dia voa e ela não acorda
Assum preto veve sorto Vou até a esquina, ela quer ir para a Flórida
Mas num pode avuá Acho que nem sei direito o que é que ela fala, mas
Mil veiz a sina de uma gaiola Não canso de contemplá-la
Desde que o céu, ai, pudesse oiá Feito avarento, conto os meus minutos
(GONZAGA, L.; TEIXEIRA, H. Disponível em: <www.luizgonzaga.mus.br>. Cada segundo que se esvai
Acesso em: 30 jul. 2012. Fragmento.)
Cuidando dela, que anda noutro mundo
As marcas da variedade regional registradas pelos compositores Ela que esbanja suas horas ao vento, ai
de Assum preto resultam da aplicação de um conjunto de prin-
Às vezes ela pinta a boca e sai
cípios ou regras gerais que alteram a pronúncia, a morfologia, a
sintaxe ou o léxico. No texto, é resultado de uma mesma regra a Fique à vontade, eu digo, take your time
A) pronúncia das palavras “vorta” e “veve”. Sinto que ainda vou penar com essa pequena, mas
B) pronúncia das palavras “tarvez” e “sorto”. O blues já valeu a pena
C) flexão verbal encontrada em “furaro” e “cantá”. (CHICO BUARQUE. Disponível em: <www.chicobuarque.com.br>.
Acesso em: 31 jun. 2012.)
D) redundância nas expressões “cego dos óio” e “mata em frô”.
E) pronúncia das palavras “ignorânça” e “avuá”. O texto “Essa pequena” registra a expressão subjetiva do enun-
ciador, trabalhada em uma linguagem informal, comum na
234. (Enem-2015) música popular. Observa-se, como marca da variedade coloquial
da linguagem presente no texto, o uso de
Yaô A) palavras emprestadas de língua estrangeira, de uso inusi-
tado no português.
Aqui có no terreiro
B) expressões populares, que reforçam a proximidade entre o
Pelú adié
autor e o leitor.
Faz inveja pra gente
C) palavras polissêmicas, que geram ambiguidade.
Que não tem mulher
D) formas pronominais em primeira pessoa.
No jacutá de preto velho E) repetições sonoras no final dos versos.
Há uma festa de yaô
236. (Enem-2014) Só há uma saída para a escola se ela
Ôi tem nêga de Ogum quiser ser mais bem-sucedida: aceitar a mudança da
De Oxalá, de Iemanjá língua como um fato. Isso deve significar que a escola
deve aceitar qualquer forma da língua em suas ativi-
Mucama de Oxossi é caçador dades escritas? Não deve mais corrigir? Não!
Ora viva Nanã Há outra dimensão a ser considerada: de fato, no mundo real
da escrita, não existe apenas um português correto, que valeria
Nanã Buruku
para todas as ocasiões: o estilo dos contratos não é o mesmo
Yô yôo do dos manuais de instrução; o dos juízes do Supremo não é o
mesmo do dos cordelistas; o dos editoriais dos jornais não é o
Yô yôoo
mesmo do dos cadernos de cultura dos mesmos jornais. Ou do
No terreiro de preto velho iaiá de seus colunistas.
Vamos saravá (a quem meu pai?) (POSSENTI, S. Gramática na cabeça. Língua Portuguesa,
ano 5, n. 67, maio 2011. Adaptado.)
Xangô!
(VIANA, G. Agô, Pixinguinha! 100 Anos. Som Livre, 1997.) Sírio Possenti defende a tese de que não existe um único “por-
tuguês correto”. Assim sendo, o domínio da língua portuguesa
A canção “Yaô” foi composta na década de 1930 por Pixinguinha, implica, entre outras coisas, saber
em parceria com Gastão Viana, que escreveu a letra. O texto A) descartar as marcas de informalidade do texto.
mistura o português com o iorubá, língua usada por africanos
B) reservar o emprego da norma-padrão aos textos de circu-
escravizados trazidos para o Brasil. Ao fazer uso do iorubá nessa
lação ampla.
composição, o autor
C) moldar a norma-padrão do português pela linguagem do
A) promove uma crítica bem-humorada às religiões afrobrasi-
discurso jornalístico.
leiras, destacando diversos orixás.
D) adequar as formas da língua a diferentes tipos de texto e
B) ressalta uma mostra da marca da cultura africana, que se
contexto.
mantém viva na produção musical brasileira.
E) desprezar as formas da língua previstas pelas gramáticas e
C) evidencia a superioridade da cultura africana e seu caráter
de resistência à dominação do branco. manuais divulgados pela escola.

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Língua Portuguesa

237. (Enem-2014) A forte presença de palavras indígenas em Belém, da Judeia, vai nascer o Salvador, e tá falado. Os três
e africanas e de termos trazidos pelos imigrantes a magrinhos se mandaram. Mas deram o maior fora. Em vez de irem
partir do século XIX  é um dos traços que distinguem direto para Belém, como mandava o catálogo, resolveram dar
o português do Brasil e o português de Portugal. Mas, uma incerta no velho Herodes, em Jerusalém. Pra quê! Chegaram
olhando para a história dos empréstimos que o português lá de boca aberta e entregaram toda a trama. Perguntaram:
brasileiro recebeu de línguas europeias a partir do século XX, Onde está o rei que acaba de nascer? Vimos sua estrela no Oriente
outra diferença também aparece: com a vinda ao Brasil da família e viemos adorá-lo. Quer dizer, pegou mal. Muito mal. O velho
real portuguesa (1808) e, particularmente, com a independência, Herodes, que era um oligão, ficou grilado. Que rei era aquele?
Portugal deixou de ser o intermediário obrigatório da assimila- Ele é que era o dono da praça. Mas comeu em boca e disse: Joia.
ção desses empréstimos e, assim, Brasil e Portugal começaram Onde é que esse guri vai se apresentar? Em que canal? Quem é o
a divergir, não só por terem sofrido influências diferentes, mas empresário? Tem baixo elétrico? Quero saber tudo. Os magrinhos
também pela maneira como reagiram a elas. disseram que iam flagrar o Guri e na volta dicavam tudo para
(ILARI, R.; BASSO, R. O português da gente: a língua que estudamos, o coroa.
a língua que falamos. São Paulo: Contexto, 2006.)
(VERISSIMO. L. F. O nariz e outras crônicas. São Paulo: Ática, 1994.)
Os empréstimos linguísticos, recebidos de diversas línguas, são
Na crônica de Verissimo, a estratégia para gerar o efeito de
importantes na constituição do português do Brasil porque
humor decorre do(a)
A) deixaram marcas na história vivida pela nação, como a co-
A) linguagem rebuscada utilizada pelo narrador no tratamen-
lonização e a imigração.
to do assunto.
B) transformaram em um só idioma línguas diferentes, como
B) inserção de perguntas diretas acerca do acontecimento
as africanas, as indígenas e as europeias.
narrado.
C) promoveram uma língua acessível a falantes de origens C) caracterização dos lugares onde se passa a história.
distintas, como o africano, o indígena e o europeu.
D) emprego de termos bíblicos de forma descontextualizada.
D) guardaram uma relação de identidade entre os falantes do
português do Brasil e do Português de Portugal. E) contraste entre o tema abordado e a linguagem utilizada.
E) ornaram a língua do Brasil mais complexa do que as lín- 240. (Enem-2013)
guas de outros países que também tiveram colonização
portuguesa. Até quando?
238. (Enem-2014) Não adianta olhar pro céu
Óia eu aqui de novo xaxando Com muita fé e pouca luta
Óia eu aqui de novo para xaxar Levanta aí que você tem muito protesto pra fazer
Vou mostrar pr’esses cabras E muita greve, você pode, você deve, pode crer
Que eu ainda dou no couro Não adianta olhar pro chão
Isso é um desaforo Virar a cara pra não ver
Que eu não posso levar Se liga aí que te botaram numa cruz e só porque Jesus
Que eu aqui de novo cantando Sofreu não quer dizer que você tenha que sofrer!
Que eu aqui de novo xaxando (GABRIEL, O PENSADOR. Seja você mesmo (mas não seja sempre o
Óia eu aqui de novo mostrando mesmo). Rio de Janeiro: Sony Music 2001. Fragmento.)

Como se deve xaxar As escolhas linguísticas feitas pelo autor conferem ao texto
Vem cá morena linda A) caráter atual, pelo uso de linguagem própria da internet.
Vestida de chita B) cunho apelativo, pela predominância de imagens
Você é a mais bonita metafóricas.
Desse meu lugar C) tom de diálogo, pela recorrência de gírias.
Vai, chama Maria, chama Luzia D) espontaneidade, pelo uso da linguagem coloquial.
Vai, chama Zabé, chama Raque E) originalidade, pela concisão da linguagem.
Diz que eu tou aqui com alegria
241. (Enem-2013)
(BARROS, A. Óia eu aqui de novo. Disponível em:
<www.luizluagonzaga.mus.br>. Acesso em: 5 maio 2013. Fragmento.)
Manta que costura causos e histórias no seio
de uma família serve de metáfora da memória
A letra da canção de Antônio de Barros manifesta aspectos do em obra escrita por autora portuguesa
repertório linguístico e cultural do Brasil. O verso que singulariza O que poderia valer mais do que a manta para aquela família?
uma forma característica do falar popular regional é: Quadros de pintores famosos? Joias de rainha? Palácios? Uma
A) “Isso é um desaforo”. manta feita de centenas de retalhos de roupas velhas aquecia os
pés das crianças e a memória da avó, que a cada quadrado apon-
B) “Diz que eu tou aqui com alegria”. tado por seus netos resgatava de suas lembranças uma história.
C) “Vou mostrar pr’esses cabras”. Histórias fantasiosas como a do vestido com um bolso que abri-
D) “Vai, chama Maria, chama Luzia”. gava um gnomo comedor de biscoitos; histórias de traquinagem
como a do calção transformado em farrapos no dia em que o
E) “Vem cá morena linda, vestida de chita”. menino que gostava de andar de bicicleta de olhos fechados,
quebrou o braço; histórias de saudades, como o avental que
239. (Enem-2014)
carregou uma carta por mais de um mês... Muitas histórias
A História, mais ou menos formavam aquela manta. Os protagonistas eram pessoas da
Negócio seguinte. Três reis magrinhos ouviram um família, um tio, uma tia, o avô, a Bisavó, ela mesma, os antigos
plá que tinha nascido um guri. Viram o cometa no donos das roupas. Um dia, a avó morreu, e as tias passaram a
Oriente e tal e de flagraram que o Guri tinha pintado por lá. Os disputar a manta, todas as queriam, mais do que aos quadros,
joias e palácios deixados por ela. Felizmente, as tias conseguiram
profetas, que não eram de dar cascata, já tinham dicado o troço: chegar a um acordo, e a manta passou a ficar cada mês na casa

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Língua Portuguesa

de uma delas. E os retalhos, à medida que iam se acabando, C) realização do plural conforme as regras da tradição
eram substituídos por outros retalhos, e novas e antigas histórias gramatical.
foram sendo incorporadas à manta mais valiosa do mundo. D) ausência de elementos promotores de coesão entre os
(LASEVICIUS, A. Língua Portuguesa, São Paulo, n. 76 2012. Adaptado.) eventos narrados.
E) presença de frases incompreensíveis a um leitor iniciante.
A autora descreve a importância da manta para aquela família,
ao verbalizar que “novas e antigas histórias foram sendo incor- 244. (Enem-2012)
poradas à manta mais valiosa do mundo” Texto I
A) oposição entre os objetos de valor, como joias, palácios e
Antigamente
quadros, e a velha manta.
B) descrição detalhada dos aspectos físicos da manta, como Antigamente, os pirralhos dobravam a língua diante dos pais
cor e tamanho dos retalhos. e se um se esquecia de arear os dentes antes de cair nos braços
de Morfeu, era capaz de entrar no couro. Não devia também se
C) valorização da manta como objeto de herança familiar dis-
esquecer de lavar os pés, sem tugir nem mugir. Nada de bater
putado por todos.
na cacunda do padrinho, nem de debicar os mais velhos, pois
D) comparação entre a manta que protege do frio e a manta levava tunda. Ainda cedinho, aguava as plantas, ia ao corte e
que aquecia os pés das crianças. logo voltava aos penates. Não ficava mangando na rua, nem
E) correlação entre os retalhos da manta e as muitas histórias escapulia do mestre, mesmo que não entendesse patavina da
de tradição oral que os formavam. instrução moral e cívica. O verdadeiro smart calçava botina de
botões para comparecer todo liró ao copo d’água, se bem que no
242. (Enem-2013) convescote apenas lambiscasse, para evitar flatos. Os bilontras
é que eram um precipício, jogando com pau de dois bicos, pelo
Futebol: “A rebeldia é que muda o mundo” que carecia muita cautela e caldo de galinha. O melhor era pôr
as barbas de molho diante de um treteiro de topete, depois de
Conheça a história de Afonsinho, o primeiro fintar e engambelar os coiós, e antes que se pusesse tudo em
pratos limpos, ele abria o arco.
jogador do futebol brasileiro a derrotar a cartolagem
(ANDRADE, C. D. Poesia e prosa.
e a conquistar o Passe livre, há exatos 40 anos Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1983. Fragmento.)
Pelé estava se aposentando pra valer pela primeira vez,
então com a camisa do Santos (porque depois voltaria a atuar Texto II
pelo New York Cosmos, dos Estados Unidos), em 1972, quando Palavras do arco da velha
foi questionado se, finalmente, sentia-se um homem livre. O rei
respondeu sem titubear: Expressão Significado
— Homem livre no futebol só conheço um: o Afonsinho.
Este sim pode dizer, usando as suas palavras, que deu o grito Cair nos braços de Morfeu Dormir
de independência ou morte. Ninguém mais. O resto é conversa. Debicar Zombar, ridicularizar
Apesar de suas declarações serem motivo de chacota por par-
te da mídia futebolística e até dos torcedores brasileiros, o Atleta Tunda Surra
do Século acertou. E provavelmente acertaria novamente hoje.
Mangar Escarnecer, caçoar
Pela admiração por um de seus colegas de clube daquele
ano. Pelo reconhecimento do caráter e personalidade de um dos Tugir Murmurar
jogadores mais contestadores do futebol nacional. E principal-
Liró Bem-vestida
mente em razão da história de luta – e vitória – de Afonsinho
sobre os cartolas. Copo d’ água Lanche oferecido pelos amigos
(ANDREUCCI, R. Disponível em: <http://carosamigos.terra.com.br>. Convescote Piquenique
Acesso em: 19 ago. 2011.)
Bilontra Velhaco
O autor utiliza marcas linguísticas que dão ao texto um caráter Treteiro de topete Tratante atrevido
informal. Uma dessas marcas é identificada em:
A) “[...]” o Atleta do Século acertou. Abrir o arco Fugir
B) “O Rei respondeu sem titubear[...]”. (FIORIN, J. L. As línguas mudam.
In: Revista Língua Portuguesa, n. 24, out. 2007. Adaptado.)
C) “E provavelmente acertaria novamente hoje”.
D) “Pelé estava se aposentando pra valer pela primeira vez[...]”. Na leitura do fragmento do texto Antigamente constata-se,
E) “Pela admiração por um de seus colegas de clube da- pelo emprego de palavras obsoletas, que itens lexicais outrora
quele ano”. produtivos não mais o são no português brasileiro atual. Esse
fenômeno revela que
243. (Enem-2012) eu gostava muito de passeá... saí com as A) a língua portuguesa de antigamente carecia de termos
minhas colegas... brincá na porta di casa di vôlei... andá para se referir a fatos e coisas do cotidiano.
de patins... bicicleta... quando eu levava um tombo ou B) o português brasileiro se constitui evitando a ampliação do
outro... eu era a::... a palhaça da turma... ((risos))... eu léxico proveniente do português europeu.
acho que foi uma das fases mais... assim... gostosas da minha vida
foi... essa fase de quinze... dos meus treze aos dezessete anos... C) a heterogeneidade do português leva a uma estabilidade
do seu léxico no eixo temporal.
(A. P. S., sexo feminino, 38 anos, nível de ensino fundamental.
Projeto fala Goiana, UFG, 2010.) D) o português brasileiro apoia-se no léxico inglês para ser re-
conhecido como língua independente.
Um aspecto da composição estrutural que caracteriza o relato E) o léxico do português representa uma realidade linguística
pessoal de A. P. S. como modalidade falada da língua é variável e diversificada.
A) predomínio de linguagem informal entrecortada por pausas.
B) vocabulário regional desconhecido em outras variedades
do português.

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Língua Portuguesa

245. (Enem-2012) Sou feliz pelos amigos que tenho. Um A) adapta o nível de linguagem à situação comunicativa, uma
deles muito sofre pelo meu descuido com o vernáculo. vez que o gênero entrevista requer o uso da norma-padrão.
Por alguns anos ele sistematicamente me enviava B) apresenta argumentos carentes de comprovação científica
missivas eruditas com precisas informações sobre as e, por isso, defende um ponto de vista difícil de ser verifica-
regras da gramática, que eu não respeitava, e sobre a grafia correta do na materialidade do texto.
dos vocábulos, que eu ignorava. Fi-lo sofrer pelo uso errado que C) propõe que o padrão normativo deve ser usado por falan-
fiz de uma palavra num desses meus badulaques. Acontece que tes escolarizados como ele, enquanto a norma coloquial
eu, acostumado a conversar com a gente das Minas Gerais, falei deve ser usada por falantes não escolarizados.
em “varreção” – do verbo “varrer”. De fato, trata-se de um equívoco
que, num vestibular, poderia me valer uma reprovação. Pois o D) acredita que a língua genuinamente brasileira está em
meu amigo, paladino da língua portuguesa, se deu ao trabalho construção, o que o obriga a incorporar em seu cotidiano a
de fazer um xerox da página 827 do dicionário, aquela que tem, gramática normativa do português europeu.
no topo, a fotografia de uma “varroa”(sic!) (você não sabe o que é E) defende que a quantidade de falantes do português brasi-
uma “varroa”?) para corrigir-me do meu erro. E confesso: ele está leiro ainda é insuficiente para acabar com a hegemonia do
certo. O certo é “varrição” e não “varreção”. Mas estou com medo antigo colonizador.
de que os mineiros da roça façam troça de mim porque nunca os
vi falar de “varrição”. E se eles rirem de mim não vai me adiantar 247. (Enem-2012)
mostrar-lhes o xerox da página do dicionário com a “varroa” no O léxico e a cultura
topo. Porque para eles não é o dicionário que faz a língua. É o Potencialmente, todas as línguas de todos os
povo. E o povo, lá nas montanhas de Minas Gerais, fala “varreção” tempos podem candidatar-se a expressar qualquer
quando não “barreção”. O que me deixa triste sobre esse amigo conteúdo. A pesquisa linguística do século XX demonstrou que
oculto é que nunca tenha dito nada sobre o que eu escrevo, se é não há diferença qualitativa entre os idiomas do mundo – ou
bonito ou se é feio. Toma a minha sopa, não diz nada sobre ela, seja, não há idiomas gramaticalmente mais primitivos ou
mas reclama sempre que o prato está rachado. mais desenvolvidos. Entretanto, para que possa ser efetiva-
(ALVES, R. Mais badulaques. São Paulo: Parábola, 2004. Fragmento.) mente utilizada, essa igualdade potencial precisa realizar-se
na prática histórica do idioma, o que nem sempre acontece.
De acordo com o texto, após receber a carta de um amigo “que se Teoricamente, uma língua com pouca tradição escrita (como
deu ao trabalho de fazer um xerox da página 827 do dicionário” as línguas indígenas brasileiras) ou uma língua já extinta (como
sinalizando um erro de grafia, o autor reconhece o latim ou o grego clássicos) podem ser empregadas para
A) a supremacia das formas da língua em relação ao seu falar sobre qualquer assunto, como, digamos, física quântica
conteúdo. ou biologia molecular. Na prática, contudo, não é possível, de
B) a necessidade da norma-padrão em situações formais de uma hora para outra, expressar tais conteúdos em camaiurá ou
comunicação escrita. latim, simplesmente porque não haveria vocabulário próprio
C) a obrigatoriedade da norma culta da língua, para a garan- para esses conteúdos. É perfeitamente possível desenvolver
tia de uma comunicação efetiva. esse vocabulário específico, seja por meio de empréstimos de
outras línguas, seja por meio da criação de novos termos na
D) a importância da variedade culta da língua, para a preser- língua em questão, mas tal tarefa não se realizaria em pouco
vação da identidade cultural de um povo. tempo nem com pouco esforço.
E) a necessidade do dicionário como guia de adequação lin- (BEARZOTI FILHO, P. Miniaurélio: o dicionário da língua portuguesa.
guística em contextos informais privados. Manual do professor. Curitiba: Positivo, 2004. Fragmento.)

246. (Enem-2012) Estudos contemporâneos mostram que cada língua possui sua
Entrevista com Marcos Bagno própria complexidade e dinâmica de funcionamento. O texto
ressalta essa dinâmica, na medida em que enfatiza
Pode parecer inacreditável, mas muitas das pres-
crições da pedagogia tradicional da língua até hoje se A) a inexistência de conteúdo comum a todas as línguas, pois
baseiam nos usos que os escritores portugueses do século XIX o léxico contempla uma visão de mundo particular especí-
faziam da língua. Se tantas pessoas condenam, por exemplo, fica de uma cultura.
o uso do verbo “ter” no lugar de “haver”, como em “hoje tem B) a existência de línguas limitadas por não permitirem ao
feijoada”, é simplesmente porque os portugueses, em dado falante nativo se comunicar perfeitamente a respeito de
momento da história de sua língua, deixaram de fazer esse uso qualquer conteúdo.
existencial do verbo “ter”. C) a tendência a serem mais restritos o vocabulário e a gra-
No entanto, temos registros escritos da época medieval mática de línguas indígenas, se comparados com outras
em que aparecem centenas desses usos. Se nós, brasileiros, línguas de origem europeia.
assim como os falantes africanos de português, usamos até
D) a existência de diferenças vocabulares entre os idiomas, es-
hoje o verbo “ter” como existencial é porque recebemos esses
pecificidades relacionadas à própria cultura dos falantes de
usos de nossos ex-colonizadores. Não faz sentido imaginar que
uma comunidade.
brasileiros, angolanos e moçambicanos decidiram se juntar para
“errar” na mesma coisa. E assim acontece com muitas outras E) a atribuição de maior importância sociocultural às línguas
coisas: regências verbais, colocação pronominal, concordâncias contemporâneas, pois permitem que sejam abordadas
nominais e verbais etc. Temos uma língua própria, mas ainda quaisquer temáticas, sem dificuldades.
somos obrigados a seguir uma gramática normativa de outra
língua diferente. Às vésperas de comemorarmos nosso bicen- 248. (Enem-2012) A substituição do haver por ter em
tenário de independência, não faz sentido continuar rejeitando construções existenciais, no português do Brasil,
o que é nosso para só aceitar o que vem de fora. corresponde a um dos processos mais característicos
da história da língua portuguesa, paralelo ao que já
Não faz sentido rejeitar a língua de 190 milhões de brasileiros
ocorrera em relação à ampliação do domínio de ter na área
para só considerar certo o que é usado por menos de dez milhões
de portugueses. Só na cidade de São Paulo temos mais falantes semântica de “posse”, no final da fase arcaica. Mattos e Silva
de português que em toda a Europa! (2001:136) analisa as vitórias de ter sobre haver e discute a
emergência de ter existencial, tomando por base a obra peda-
(Informativo Parábola Editorial, s/d)
gógica de João de Barros. Em textos escritos nos anos quarenta
Na entrevista, o autor defende o uso de formas linguísticas e cinquenta do século XVI, encontram-se evidências, embora
coloquiais e faz uso da norma-padrão em toda a extensão do raras, tanto de ter “existencial”, não mencionado pelos clássicos
texto. Isso pode ser explicado pelo fato de que ele estudos de sintaxe histórica, quanto de haver como verbo

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Língua Portuguesa

existencial com concordância, lembrado por Ivo Castro, e ano- D) adesão ao projeto do Comitê para Democratização da
tado como “novidade” no século XVIII por Said Ali. Informática (CDI), que, em parceria com a ONG Rede Povos
Como se vê, nada é categórico e um purismo estreito só re- da Floresta, possibilitou o acesso à web, mesmo em am-
vela um conhecimento deficiente da língua. Há mais perguntas biente inóspito.
que respostas. Pode-se conceber uma norma única e prescritiva? E) a apropriação da nova tecnologia de forma gradual, evidente
É válido confundir o bom uso e a norma com a própria língua quando os guaranis incorporaram a novidade tecnológica ao
e dessa forma fazer uma avaliação crítica e hierarquizante de seu estilo de vida com a possibilidade de acesso à internet.
outros usos e, através deles, dos usuários? Substitui-se uma
norma por outra? 250. (Enem-2011) Motivadas ou não historicamente, nor-
(CALLOU, D. A propósito de norma, correção e preconceito linguístico:
mas prestigiadas ou estigmatizadas pela comunidade
do presente para o passado. In: Cadernos de Letras da UFF, n. 36, 2008. sobrepõem-se ao longo do território, seja numa rela-
Disponível em: <www.uff.br>. Acesso em: 26 fev. 2012. Adaptado.) ção de oposição, seja de complementaridade, sem,
contudo, anular a interseção de usos que configuram uma norma
Para a autora, a substituição de “haver” por “ter” em diferentes nacional distinta da do português europeu. Ao focalizar essa
contextos evidencia que questão, que opõe não só as normas do português de Portugal
A) o estabelecimento de uma norma prescinde de uma pes- às normas do português brasileiro, mas também as chamadas
quisa histórica. normas cultas locais às populares ou vernáculas, deve-se insistir
B) os estudos clássicos de sintaxe histórica enfatizam a varia- na ideia de que essas normas se consolidaram em diferentes
ção e a mudança na língua. momentos da nossa história e que só a partir do século XVIII se
pode começar a pensar na bifurcação das variantes continentais,
C) a avaliação crítica e hierarquizante dos usos da língua fun-
ora em consequência de mudanças ocorridas no Brasil, ora em
damenta a definição da norma.
Portugal, ora, ainda, em ambos os territórios.
D) a adoção de uma única norma revela uma atitude adequa-
(CALLOU, D. Gramática, variação e normas. In: VIEIRA, S. R.; BRANDÃO, S. (Org).
da para os estudos linguísticos. Ensino de Gramática: descrição e uso. São Paulo: Contexto, 2007. Adaptado.)
E) os comportamentos puristas são prejudiciais à compreen-
são da constituição linguística. O português do Brasil não é uma língua uniforme. A variação
linguística é um fenômeno natural, ao qual todas as línguas
249. (Enem-2011) estão sujeitas. Ao considerar as variedades linguísticas, o texto
Palavra indígena mostra que as normas podem ser aprovadas ou condenadas
socialmente, chamando a atenção do leitor para a
A história da tribo Sapucaí, que traduziu para o
idioma guarani os artefatos da era da computação A) desconsideração da existência das normas populares pelos
que ganharam importância em sua vida, como mouse falantes da norma culta.
(que eles chamam de angojhá) e windows (oventã) B) difusão do português de Portugal em toda as Regiões do
Quando a internet chegou àquela comunidade, que abriga Brasil só a partir do século XVIII.
em torno de 400 guaranis, há quatro anos, por meio de um C) existência de usos da língua que caracterizam uma norma
projeto do Comitê para Democratização da Informática (CDI), nacional do Brasil, distinta da de Portugal.
em parceria com a ONG Rede Povos da Floresta e com antena D) inexistência de normas cultas locais e populares ou verná-
cedida pela Star One (da Embratel), Potty e sua aldeia logo culas em um determinado país.
vislumbraram as possibilidades de comunicação que a web traz.
Ele conta que usam a rede, por enquanto, somente para E) necessidade de se rejeitar a ideia de que os usos frequentes
preparação e envio de documentos, mas perceberam que ela de uma língua devem ser aceitos.
pode ajudar na preservação da cultura indígena. 251. (Enem-2011)
A apropriação da rede se deu de forma gradual, mas os
guaranis já incorporaram a novidade tecnológica ao seu estilo Não tem tradução
de vida. A importância da internet e da computação para eles
está expressa num caso de rara incorporação: a do vocabulário. [...]
— Um dia, o cacique da aldeia Sapucaí me ligou. “A gente Lá no morro, se eu fizer uma falseta
não está querendo chamar computador de “computador”.
Sugeri a eles que criassem uma palavra em guarani. E cria- A Risoleta desiste logo do francês e do inglês
ram aiú irú rive, “caixa para acumular a língua”. Nós, brancos, A gíria que o nosso morro criou
usamos mouse, windows e outros termos, que eles começaram Bem cedo a cidade aceitou e usou
a adaptar para o idioma deles, como angojhá (rato) e oventã
[...]
(janela) – conta Rodrigo Baggio, diretor do CDI.
(Disponível em: <www.revistalingua.uol.com.br>. Acesso em: 22 jul. 2010.)
Essa gente hoje em dia que tem mania de exibição
Não entende que o samba não tem tradução no idioma
O uso das novas tecnologias de informação e comunicação fez francês
surgir uma série de novos termos que foram acolhidos na socie- Tudo aquilo que o malandro pronuncia
dade brasileira em sua forma original, como: mouse, windows,
download, site, homepage, entre outros. O texto trata da adaptação Com voz macia é brasileiro, já passou de português
de termos da informática à língua indígena como uma reação da Amor lá no morro é amor pra chuchu
tribo Sapucaí, o que revela As rimas do samba não são I love you
A) a possibilidade que o índio Potty vislumbrou em relação à E esse negócio de alô, alô boy e alô Johnny
comunicação que a web pode trazer a seu povo e à facilidade Só pode ser conversa de telefone
no envio de documentos e na conversação em tempo real.
(ROSA, N. In: SOBRAL, João J. V. A tradução dos bambas. Revista Língua
B) o uso da internet para preparação e envio de documentos, Portuguesa. ano 4, n. 54. São Paulo: Segmento, abr. 2010. Fragmento.)
bem como a contribuição para as atividades relacionadas
aos trabalhos da cultura indígena. As canções de Noel Rosa, compositor brasileiro de Vila Isabel,
C) a preservação da identidade, demonstrada pela conserva- apesar de revelarem uma aguçada preocupação do artista com
ção do idioma, mesmo com a utilização de novas tecno- seu tempo e com as mudanças político-culturais no Brasil, no
logias características da cultura de outros grupos sociais. início dos anos 1920, ainda são modernas. Nesse fragmento do
samba “Não tem tradução”, por meio do recurso da metalin-
guagem, o poeta propõe

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Língua Portuguesa

A) incorporar novos costumes de origem francesa e america- 253. (Enem-2011) Há certos usos consagrados na fala, e até
na, juntamente com vocábulos estrangeiros. mesmo na escrita, que, a depender do estrato social e
B) respeitar e preservar o português padrão como forma de do nível de escolaridade do falante, são, sem dúvida,
fortalecimento do idioma do Brasil. previsíveis. Ocorrem até mesmo em falantes que do-
C) valorizar a fala popular brasileira como patrimônio linguís- minam a variedade padrão, pois, na verdade, revelam tendências
tico e forma legítima de identidade nacional. existentes na língua em seu processo de mudança que não podem
ser bloqueados em nome de um “ideal linguístico” que estaria
D) mudar os valores sociais vigentes à época, com o advento representado pelas regras da gramática normativa. Usos como ter
do novo e quente ritmo da música popular brasileira. por haver em construções existenciais (tem muitos livros na estan-
E) ironizar a malandragem carioca, aculturada pela invasão te), o do pronome objeto na posição de sujeito (para mim fazer o
de valores étnicos de sociedades mais desenvolvidas. trabalho), a não concordância das passivas com se (aluga-se casas)
são indícios da existência, não de uma norma única, mas de uma
252. (Enem-2011) pluralidade de normas, entendida, mais uma vez, norma como
conjunto de hábitos linguísticos, sem implicar juízo de valor.
MANDIOCA – mais um presente da Amazônia
(CALLOU, D. Gramática, variação e normas. In: VIEIRA, S. R.;
Aipim, castelinha, macaxeira, maniva, maniveira. BRANDÃO, S. (Orgs). Ensino de gramática: descrição e uso.
As designações da Manihot utilissima podem variar de região, São Paulo: Contexto, 2007. Fragmento.)
no Brasil, mas uma delas deve ser levada em conta em todo o
território nacional: pão-de-pobre – e por motivos óbvios. Considerando a reflexão trazida no texto a respeito da multipli-
cidade do discurso, verifica-se que
Rica em fécula, a mandioca – uma planta rústica e nativa da
Amazônia disseminada no mundo inteiro, especialmente pelos A) estudantes que não conhecem as diferenças entre língua
colonizadores portugueses – é a base de sustento de muitos escrita e língua falada empregam, indistintamente, usos
brasileiros e o único alimento disponível para mais de 600 mi- aceitos na conversa com amigos quando vão elaborar um
lhões de pessoas em vários pontos do planeta, e em particular texto escrito.
em algumas regiões da África. B) falantes que dominam a variedade padrão do português
(O melhor do Globo Rural. fev. 2005. Fragmento.) do Brasil demonstram usos que confirmam a diferença en-
tre a norma idealizada e a efetivamente praticada, mesmo
De acordo com o texto, há no Brasil uma variedade de nomes por falantes mais escolarizados.
para a Manihot utilissima, nome científico da mandioca. Esse C) moradores de diversas regiões do país que enfrentam di-
fenômeno revela que ficuldades ao se expressar na escrita revelam a constante
A) existem variedades regionais para nomear uma mesma es- modificação das regras de emprego de pronomes e os ca-
pécie de planta. sos especiais de concordância.
B) mandioca é nome específico para a espécie existente na D) pessoas que se julgam no direito de contrariar a gramática
região amazônica. ensinada na escola gostam de apresentar usos não aceitos
C) “pão-de-pobre” é designação específica para a planta da socialmente para esconderem seu desconhecimento da
região amazônica. norma-padrão.
D) os nomes designam espécies diferentes da planta, confor- E) usuários que desvendam os mistérios e sutilezas da língua
me a região. portuguesa empregam formas do verbo ter quando, na
E) a planta é nomeada conforme as particularidades que verdade, deveriam usar formas do verbo haver, contrarian-
apresenta. do as regras gramaticais.

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Língua Portuguesa

Gabarito
1. B 34. D 67. C 100. B 133. B 166. E 199. C 232. D
2. A 35. B 68. C 101. B 134. A 167. A 200. D 233. B
3. A 36. A 69. C 102. E 135. B 168. A 201. C 234. B
4. C 37. E 70. B 103. E 136. C 169. D 202. A 235. B
5. D 38. B 71. C 104. D 137. E 170. A 203. E 236. D
6. B 39. C 72. D 105. D 138. C 171. D 204. D 237. A
7. E 40. C 73. A 106. E 139. A 172. A 205. D 238. C
8. D 41. A 74. B 107. B 140. C 173. A 206. E 239. E
9. D 42. E 75. E 108. D 141. A 174. E 207. A 240. D
10. E 43. A 76. B 109. E 142. A 175. E 208. A 241. E
11. D 44. A 77. C 110. D 143. C 176. E 209. A 242. D
12. D 45. B 78. D 111. C 144. A 177. B 210. B 243. A
13. B 46. C 79. E 112. B 145. E 178. C 211. E 244. E
14. D 47. A 80. E 113. B 146. A 179. A 212. A 245. B
15. E 48. C 81. C 114. B 147. E 180. D 213. E 246. A
16. B 49. E 82. A 115. E 148. D 181. C 214. B 247. D
17. C 50. E 83. B 116. E 149. B 182. C 215. D 248. E
18. E 51. A 84. A 117. C 150. B 183. D 216. B 249. C
19. A 52. D 85. A 118. D 151. C 184. B 217. B 250. C
20. C 53. D 86. D 119. A 152. A 185. C 218. A 251. C
21. C 54. C 87. A 120. D 153. E 186. D 219. D 252. A
22. E 55. D 88. C 121. E 154. B 187. E 220. B 253. B
23. E 56. A 89. C 122. A 155. E 188. A 221. D
24. D 57. B 90. C 123. B 156. D 189. D 222. B
25. E 58. B 91. B 124. B 157. E 190. E 223. E
26. E 59. B 92. E 125. D 158. C 191. C 224. A
27. C 60. D 93. C 126. E 159. C 192. C 225. E
28. E 61. B 94. E 127. B 160. C 193. C 226. D
29. E 62. C 95. B 128. A 161. D 194. A 227. C
30. D 63. D 96. C 129. E 162. D 195. E 228. E
31. A 64. D 97. B 130. B 163. B 196. E 229. B
32. E 65. B 98. C 131. C 164. B 197. D 230. A
33. D 66. A 99. E 132. E 165. B 198. C 231. B

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Redação
Língua Portuguesa

• Redação .............................................................................................74

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Língua Portuguesa
Redação

As instruções que constam em todas as provas do Enem são essas:

• O rascunho da redação deve ser feito no espaço apropriado.


• O texto definitivo deve ser escrito à tinta, na folha própria, em até 30 linhas.
• A redação que apresentar cópia dos textos da Proposta de Redação ou do Caderno de Questões terá o número de linhas copiadas
desconsiderado para efeito de correção.
Receberá nota zero, em qualquer das situações expressas a seguir, a redação que:
• tiver até 7 (sete) linhas escritas, sendo considerada “texto insuficiente”.
• fugir ao tema ou que não atender ao tipo dissertativo-argumentativo.
• apresentar proposta de intervenção que desrespeite os direitos humanos.
• apresentar parte do texto deliberadamente desconectada do tema proposto.

1. (Enem-2017 – 1ª. aplicação) Texto IV


No Brasil, os surdos só começaram a ter acesso à educação
Textos motivadores durante o Império, no governo de Dom Pedro II, que criou a
Texto I primeira escola de educação de meninos surdos, em 26 de se-
Capítulo IV tembro de 1857, na antiga capital do País, o Rio de Janeiro. Hoje,
no lugar da escola funciona o Instituto Nacional de Educação de
DO DIREITO À EDUCAÇÃO Surdos (Ines). Por isso, a data foi escolhida como Dia do Surdo.
Art.27. A educação constitui o direito da pessoa com deficiência, Contudo, foi somente em 2002, por meio da sanção da Lei
assegurados sistema educacional inclusivo em todos os níveis nº10.436, que a Língua Brasileira de Sinais (Libras) foi reconheci-
e aprendizado ao longo de toda a vida, de forma a alcançar o da como segunda língua oficial no País. A legislação determinou
máximo desenvolvimento possível de seus talentos e habili- também que devem ser garantidas, por parte do poder público
dades físicas, sensoriais, intelectuais e sociais, segundo suas em geral e empresas concessionárias de serviços públicos,
características, interesses e necessidades de aprendizagem. formas institucionalizadas de apoiar o uso e a difusão da Libras
Parágrafo único. É dever do estado, da família, da comunidade como meio de comunicação objetiva.
escolar e da sociedade assegurar educação de qualidade à (Disponível em: <www.brasil.gov.br>. Acesso em: 9 jun. 2017. Adaptado.)
pessoa com deficiência, colocando-a a salvo de toda forma de
violência, negligência e discriminação. A partir da leitura dos textos motivadores e com base nos
Art.28. Incumbe ao poder público assegurar, criar, desenvolver, conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija
implementar, incentivar, acompanhar e avaliar: [...] texto dissertativo-argumentativo em modalidade escrita formal
IV – oferta de educação bilíngue, em Libras como primeira língua da língua portuguesa sobre o tema “Desafios para a formação
e na modalidade escrita da língua portuguesa como segunda educacional de surdos no Brasil”, apresentando proposta de in-
língua, em escolas e classes bilíngues e em escolas inclusivas; [...] tervenção que respeite os direitos humanos. Selecione, organize
e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para
XII – oferta de ensino da Libras, do Sistema Braille e de uso de defesa de seu ponto de vista.
recursos de tecnologia assistiva, de forma a ampliar habilida-
des funcionais dos estudantes, promovendo sua autonomia e 2. (Enem-2017 – 2ª. aplicação)
participação.
(BRASIL. Lei nº13.146, de 6 de julho de 2015. Disponível em: <www.planalto. Textos motivadores
gov.br>. Acesso em: 9 jun. 2017.)
Texto I
Texto II
A beleza parece caminhar em uma linha tênue entre as
Matrículas de Surdos na Educação Básica – Educação Especial escolhas do indivíduo e a imposição coletiva. Se, por um
30 lado, cada um pode buscar a beleza torna-se um imperati-
25 vo. Modelos funcionam como fonte de comparação social
e a exposição às imagens idealizadas da mídia tem como
Tempo (em milhar)

20 efeito uma redução no nível de satisfação dos indivíduos


15 com relação à própria imagem. Este processo de compa-
10
ração social também influencia fortemente a autoestima
do indivíduo. A percepção de uma discrepância acentuada
5 entre o eu real e o eu ideal gera ansiedade e sentimento
0 de insatisfação com relação ao seu autoconceito e, conse-
2011 2012 2013 2014 2015 2016 quentemente, uma redução na sua autoestima. Na tentati-
classes comuns (alunos incluídos) va de atingir um ideal estético socialmente aceito, muitos
classes especiais (escolas exclusivas) se dedicam a uma luta incansável para esculpir o corpo
perfeito e aproximar-se de um padrão de beleza.
Fonte: Inep
(FONTES, O. A.; BORELLI, F. C.; CASOTTI, L. M. Como ser homem e ser belo?
Texto III Um estudo exploratório sobre a relação entre masculinidade
e o consumo de beleza. Disponível em: <http://seer.
ufrgs.br>. Acesso em: 22 jun. 2015. Adaptado.)

(Disponível em: <http://servicos.prt4.mtp.mp.br>.


Acesso em: 3 jun. 2017. Adaptado.)

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Língua Portuguesa
Redação

Texto II Texto II
O direito de criticar dogmas e encaminhamentos é assegurado
como liberdade de expressão, mas atitudes agressivas, ofensas
e tratamento diferenciado a alguém em função de crença ou
de não ter religião são crimes inafiançáveis e imprescritíveis.
(STECK, J. Intolerância religiosa é crime de ódio e fere a dignidade. Jornal do
Senado. Acesso em: 21 maio 2016. Fragmento.)

Texto III
Capítulo I
Dos Crimes Contra o Sentimento Religioso
Ultraje a culto e impedimento ou perturbação de
ato a ele relativo
Art. 208 – Escarnecer de alguém publicamente, por motivo
de crença ou função religiosa; impedir ou perturbar cerimônia
ou prática de culto religioso; vilipendiar publicamente ato ou
objeto de culto religioso:
Pena – detenção, de um mês a um ano, ou multa.
Parágrafo único – Se há emprego de violência, a pena é
aumentada de um terço, sem prejuízo da correspondente à
violência.
(BRASIL. Código Penal. Disponível em: <www.planalto.gov.br>. Acesso em:
21 maio 2016. Fragmento.)

(ROSSETTI, C. Disponível em: <www.carolrossetti. Texto IV


com.br>. Acesso em: 21 jul. 2017.) Intolerância Religiosa no Brasil
Fiéis de religiões afro-brasileiras são as principais vítimas de discriminação
Número de denúncias por religião (2011 a 2014*)
Texto III
Afro-brasileira 75
Os transtornos alimentares mais relevantes em nosso contexto
sociocultural são a anorexia e a bulimia nervosas. A anorexia Evangélica 58
nervosa se caracteriza pelo pavor descabido e inexplicável que 1 213
Espírita 27 denúncia a denúncias com
a pessoa tem de engordar, com grave distorção da sua imagem cada 3 dias religião não informada
corporal. Para atingir esse padrão de beleza “inatingível”, o Católica 22
anoréxico se submete a regimes alimentares bastante rigorosos
Ateus 8
e agressivos. Já a bulimia nervosa se caracteriza pela ingestão
compulsiva e exagerada de alimentos, geralmente muito caló- Judaica 6 20% 12%
ricos, seguida por um enorme sentimento de culpa em função dos episódios dos episódios
Islâmica 5
dos “excessos” cometidos. Não podemos perder de vista que a relatados em 2013 relatados em 2014
envolveram envolveram
formação da autoimagem corporal de cada pessoa está forte- Outras 15 violência física violência física
mente influenciada pela maneira como a sociedade “impõe” o *Até jul 2014
que é ter um corpo esteticamente apreciável. Fonte: Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República
(SILVA, A. B. B. Bullying: mentes perigosas nas escolas. Rio de Janeiro: (Disponível em: <www1.folha.uol.com.br>.
Objetiva, 2010. Adaptado.) Acesso em: 31 maio 2016. Adaptado.)

A partir da leitura dos textos motivadores e com base nos PROPOSTA DE REDAÇÃO
conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija A partir da leitura dos textos motivadores e com base nos
texto dissertativo-argumentativo em modalidade escrita formal conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija
da língua portuguesa sobre o tema “Consequências da busca texto dissertativo-argumentativo em modalidade escrita formal
por padrões de beleza idealizados”, apresentando proposta da língua portuguesa sobre o tema “Caminhos para combater a
de intervenção que respeite os direitos humanos. Selecione, intolerância religiosa no Brasil”, apresentando proposta de inter-
organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e venção que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e
fatos para defesa de seu ponto de vista. relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para
defesa de seu ponto de vista.
3. (Enem-2016 – 1.a aplicação)
4. (Enem-2016 – 2.a aplicação)
Textos motivadores Textos motivadores
Texto I Texto I
Em consonância com a Constituição da República Federativa Ascendendo à condição de trabalhador livre, antes ou depois da
do Brasil e com toda a legislação que assegura a liberdade de abolição, o negro se via jungido a novas formas de exploração
crença religiosa às pessoas, além de proteção e respeito às ma- que, embora melhores que a escravidão, só lhe permitiam inte-
nifestações religiosas, a laicidade do Estado deve ser buscada, grar-se na sociedade e no mundo cultural, que se tornaram seus,
afastando a possibilidade de interferência de correntes religiosas na condição de um subproletariado compelido ao exercício de
em matérias sociais, políticas, culturais etc. seu antigo papel, que continuava sendo principalmente o de ani-
mal de serviço. [...] As taxas de analfabetismo, de criminalidade e
(Disponível em: <www.mprj.mp.br>. Acesso em: 21 maio 2016. Fragmento.)
de mortalidade dos negros são, por isso, as mais elevadas, refle-
tindo o fracasso da sociedade brasileira em cumprir, na prática,
seu ideal professado de uma democracia racial que integrasse
o negro na condição de cidadão indiferenciado dos demais.
(RIBEIRO, D. O povo brasileiro: a formação e o sentido do Brasil. São Paulo:
Companhia das Letras, 1995. Fragmento.)

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Língua Portuguesa
Redação

Texto II Texto II
LEI N.º 7.716, DE 5 DE JANEIRO DE 1989 Tipo de violência relatada
51,68%
Define os crimes resultantes de preconceito de raça ou de cor A Violência física

B Violência psicológica
Art. 1.º – Serão punidos, na forma desta Lei, os crimes resultantes C Violência moral
de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou
31,81% D Violência sexual
procedência nacional.
E Violência patrimonial
(Disponível em: <www.planalto.gov.br>. Acesso
em: 25 maio 2016. Fragmento.) F Cárcere privado

Texto III G Tráfico de pessoas

9,68%
2,86% 1,94%
1,76% 0,26%

A B C D E F G

(BRASIL. Secretaria de Políticas para as Mulheres. Balanço 2014. Central de


atendimento à mulher: Disque 180. Brasília, 2015. Disponível em:
<www.spm.gov.br>. Acesso em: 24 jun. 2015. Adaptado.)

Texto III

(Disponível em: <www12.senado.leg.br>. Acesso em: 25 maio 2016.)

Texto IV
O que são ações afirmativas
Ações afirmativas são políticas públicas feitas pelo governo ou
pela iniciativa privada com o objetivo de corrigir desigualdades
raciais presentes na sociedade, acumuladas ao longo de anos.
Uma ação afirmativa busca oferecer igualdade de oportuni-
dades a todos. As ações afirmativas podem ser três tipos: com o
objetivo de reverter a representação negativa; para promover
igualdade de oportunidades; e para combater o preconceito e
o racismo.
Em 2012, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu por una-
nimidade que as ações afirmativas são constitucionais e políticas (Disponível em: <www.compromissoeatitude.org.br>. Acesso em: 24 jun.
essenciais para a redução de desigualdades e discriminações 2015. Adaptado.)
existentes no país.
No Brasil, as ações afirmativas integram uma agenda de Texto IV
combate à herança histórica de escravidão, segregação racial e O impacto em números
racismo contra a população negra. Com base na Lei Maria da Penha, mais de 330 mil processos
(Disponível em: <www.seppir.gov.br>. Acesso em: 25 maio 2016. Fragmento.) foram instaurados apenas nos juizados e varas especializados

PROPOSTA DE REDAÇÃO 332.216 processos que envolvem a


A partir da leitura dos textos motivadores e com base nos Lei Maria da Penha chegaram, entre setembro
conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija de 2006 e março de 2011, aos 52 juizados e
texto dissertativo-argumentativo em modalidade escrita formal varas especializados em Violência Doméstica e
da língua portuguesa sobre o tema “Caminhos para combater o Familiar contra a Mulher existentes no País. O
racismo no Brasil”, apresentando proposta de intervenção que que resultou em:
respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione,
de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de
seu ponto de vista.
33,4% 58 mulheres e 2
5. (Enem-2015 – 1.ª aplicação) A partir da leitura dos textos motiva- homens enquadrado
dores seguintes e com base nos conhecimentos construídos ao de processos julgados da Penha estavam pr
longo de sua formação, redija texto dissertativo-argumentativo
9.715
dezembro de 2010. C
em modalidade escrita formal da língua portuguesa sobre o tema Janeiro e Rio Grande
“A persistência da violência contra a mulher na sociedade prisões em flagrante constam desse levan
brasileira”, apresentando proposta de intervenção que respeite pelo Departamento
os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma
coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto 1.577 Nacional.
de vista. prisões preventivas decretadas

Texto I
Nos 30 anos decorridos entre 1980 e 2010 foram assassi-
nadas no país acima de 92 mil mulheres, 43,7 mil só na última
década. O número de mortes nesse período passou de 1 353 para
4 465, que representa um aumento de 230%, mais que triplican-
do o quantitativo de mulheres vítimas de assassinato no país.
(WALSELFISZ, J. J. Mapa da violência 2012. Atualização: Homicídio de
mulheres no Brasil. Disponível em: <www.mapadaviolencia.
org.br>. Acesso em: 8 jun. 2015.)

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Língua Portuguesa
Redação

Texto II
processos que envolvem a 237 mil relatos de violência
chegaram, entre setembro foram feitos ao Ligue 180, serviço
e 2011, aos 52 juizados e telefônico da Secretaria de
os em Violência Doméstica e Políticas para as Mulheres.
ulher existentes no País. O

33,4% 58 mulheres e 2 777


homens enquadrados na Lei Maria
e processos julgados da Penha estavam presos no País em

9.715
dezembro de 2010. Ceará, Rio de
Janeiro e Rio Grande do Sul não
Sete de cada dez vítimas
que telefonaram para o Ligue 180
isões em flagrante constam desse levantamento feito
afirmaram ter sido (Disponível
agredidasem: <www.sinpro-rs.org.br>. Acesso em: 26 jun. 2015. Adaptado.)
pelos
pelo Departamento Penitenciário
1.577 Nacional.
companheiros. Texto III
O estatuto social e econômico é a chave para o estudo
isões preventivas decretadas
dos professores e da sua profissão. Num olhar rápido temos a

237 mil relatos de violência impressão que a imagem social e a condição econômica dos
professores se encontram num estado de grande degradação,
foram feitos ao Ligue 180, serviço sentimento que é confirmado por certos discursos das organi-
telefônico da Secretaria de zações sindicais e mesmo das autoridades estatais. Mas cada vez
Políticas para as Mulheres. que a análise é mais fina, os resultados são menos concludentes
e a profissão continua a revelar facetas atrativas. É evidente
que há uma perda de prestígio, associada à alteração do papel
tradicional dos professores no meio local: os professores do
ensino primário já não são, ao lado dos párocos, os únicos agen-
heres e 2 777 tes culturais nas aldeias e vilas da província; os professores do
ensino secundário já não pertencem à elite social das cidades.
nquadrados na Lei Maria (NÓVOA, A. O passado e o presente dos professores. In: NÓVOA, A. (Ed.).
estavam presos no País em Profissão Professor. Porto: Porto Editora, 1995. Adaptado.)
de 2010. Ceará, Rio de
io Grande do Sul não
Sete de cada dez vítimas Texto IV
que telefonaram para o Ligue 180
esse levantamento feito
afirmaram ter sido agredidas pelos
rtamento Penitenciário
companheiros.

Fontes: Conselho Nacional de Justiça, Departamento Penitenciário Nacional


e Secretaria de Políticas para as Mulheres.
(Disponível em: <www.istoe.com.br>. Acesso em: 24 jun. 2015. Adaptado.)

6. (Enem-2015 – 2.ª aplicação) A partir da leitura dos textos moti-


vadores seguintes e com base nos conhecimentos construídos
ao longo de sua formação, redija texto dissertativo-argumen-
tativo em modalidade escrita formal da língua portuguesa
(Disponível em: <www.sinprodf.org.br>. Acesso em: 26 jun. 2015.)
sobre o tema “O histórico desafio de se valorizar o professor”,
apresentando proposta de intervenção que respeite os direitos
humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e 7. (Enem-2014) A partir da leitura dos textos motivadores seguintes
coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista. e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua
Texto I formação, redija texto dissertativo-argumentativo em norma
padrão da língua portuguesa sobre o tema “Publicidade infantil
A escolha profissional passava necessariamente pela ideia em questão no Brasil”, apresentando proposta de intervenção,
de frequentar um curso de qualidade, que dava uma excelente que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacio-
cultura geral e preparo adequado para exercer uma profissão ne, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa
que era reputada como digna e prestigiada, fosse ela exercida de seu ponto de vista.
por homens ou por mulheres. A figura da mulher que lecio-
nava era bem aceita e apontada às moças como exemplo de Texto I
honestidade e ideal a ser seguido. O mesmo acontecia com o A aprovação, em abril de 2014, de uma resolução que con-
professor. A família tinha a figura da professora e do professor sidera abusiva a publicidade infantil, emitida pelo Conselho
em grande consideração e estes detinham um prestígio social Nacional de Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda),
que estava em claro desacordo com a remuneração salarial deu início a um verdadeiro cabo de guerra envolvendo ONGs
percebida. Eles desfrutavam um prestígio advindo do saber, e de defesa dos direitos das crianças e setores interessados na
não do poder aquisitivo. continuidade das propagandas dirigidas a esse público.
(ALMEIDA, J. S. D. Mulher e educação: a paixão pelo possível. São Paulo: Elogiada por pais, ativistas e entidades, a resolução estabe-
Unesp, 1998. Adaptado.)
lece como abusiva toda propaganda dirigida à criança que tem
“a intenção de persuadi-la para o consumo de qualquer produto
ou serviço” e que utilize aspectos como desenhos animados,
bonecos, linguagem infantil, trilhas sonoras com temas infantis,
oferta de prêmios, brindes ou artigos colecionáveis que tenham
apelo às crianças.

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Redação

Ainda há dúvidas, porém, sobre como será a aplicação


prática da resolução. E associações de anunciantes, emissoras,
revistas e de empresas de licenciamento e fabricantes de produ-
tos infantis criticam a medida e dizem não reconhecer a legitimi-
dade constitucional do Conanda para legislar sobre publicidade
e para impor a resolução tanto às famílias quanto ao mercado
publicitário. Além disso, defendem que a autorregulamentação
pelo Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária
(Conar) já seria uma forma de controlar e evitar abusos.
(IDOETA, P. A.; BARBA, M. D. A publicidade infantil deve ser proibida?
Disponível em: <www.bbc.co.uk>. Acesso em: 23 maio 2014. Adaptado.)

Texto II
A publicidade para crianças no mundo (Disponível em: <www.brasil.gov.br>. Acesso em: 20 jun. 2013.)

Lei Seca em números

(OMS e Conar/2013) (Disponível em: <www1.folha.uol.com.br>. Acesso em:


24 jun. 2014. Adaptado.)
Texto III
Precisamos preparar a criança, desde pequena, para receber
as informações do mundo exterior, para compreender o que está
por trás da divulgação de produtos. Só assim ela se tornará o
consumidor do futuro, aquele capaz de saber o que, como e por Fonte: DataSUS. (Disponível em: <www.operacaoleisecarj.rj.gov.br>. Acesso
que comprar, ciente de suas reais necessidades e consciente de em: 20 jun. 2013. Adaptado.)
suas responsabilidades consigo mesma e com o mundo.
Repulsão magnética a beber e dirigir
(SILVA, A. M. D.; VASCONCELOS, L. R. A criança e o marketing: informações
essenciais para proteger as crianças dos apelos do marketing A lei da Física que comprova que dois polos opostos se
infantil. São Paulo: Summus, 2012. Adaptado.) atraem em um campo magnético é um dos conceitos mais
populares desse ramo do conhecimento. Tulipas de chope
8. (Enem-2013) A partir da leitura dos textos motivadores seguintes e bolachas de papelão não servem, em condições normais,
e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua for- como objetos de experimento para confirmar essa proposta.
mação, redija texto dissertativo-argumentativo na modalidade A ideia de uma agência de comunicação em Belo Horizonte foi
escrita formal da língua portuguesa sobre o tema “Efeitos da bem simples. Ímãs foram inseridos em bolachas utilizadas para
implantação da Lei Seca no Brasil”, apresentando proposta descansar os copos, de forma imperceptível para o consumidor.
de intervenção, que respeite os direitos humanos. Selecione, Em cada lado, há uma opção para o cliente: dirigir ou chamar
organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e um táxi depois de beber. Ao mesmo tempo, tulipas de chope
fatos para defesa de seu ponto de vista. também receberam pequenos pedaços de metal mascarados
com uma pequena rodela de papel na base do copo. Durante
Qual o objetivo da “Lei Seca ao volante”?
um fim de semana, todas as bebidas servidas passaram a pre-
De acordo com a Associação Brasileira de Medicina de gar uma peça no cliente. Ao tentar descansar seu copo com a
Tráfego (Abramet), a utilização de bebidas alcoólicas é respon- opção dirigir virada para cima, os ímãs apresentavam a mesma
sável por 30% dos acidentes de trânsito. E metade das mortes, polaridade e, portanto, causando repulsão, fazendo com que o
segundo o Ministério da Saúde, está relacionada ao uso do descanso fugisse do copo; se estivesse virada mostrando o lado
álcool por motoristas. Diante deste cenário preocupante, a Lei com o desenho de um táxi, ela rapidamente grudava na base do
11.705/2008 surgiu com uma enorme missão: alertar a sociedade copo. A ideia surgiu da necessidade de passar a mensagem de
para os perigos do álcool associado à direção. uma forma leve e no exato momento do consumo.
Para estancar a tendência de crescimento de mortes no (Disponível em: <www.operacaoleisecarj.rj.gov.
trânsito, era necessária uma ação enérgica. E coube ao Governo br>. Acesso em: 20 jun. 2013. Adaptado.)
Federal o primeiro passo, desde a proposta da nova legislação
à aquisição de milhares de etilômetros. Mas para que todos 9. (Enem-2012) A partir da leitura dos textos motivadores seguintes
ganhem, é indispensável a participação de estados, municípios e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua
e sociedade em geral. Porque para atingir o bem comum, o formação, redija texto dissertativo-argumentativo em norma
desafio deve ser de todos. padrão da língua portuguesa sobre o tema “O movimento imi-
(Disponível em: <www.dprf.gov.br>. Acesso em: 20 jun. 2013.) gratório para o Brasil no século XXI”, apresentando proposta
de intervenção, que respeite os direitos humanos. Selecione,
organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e
fatos para defesa de seu ponto de vista.

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Redação

Ao desembarcar no Brasil, os imigrantes trouxeram muito 10. (Enem-2011) Com base na leitura dos textos motivadores
mais do que o anseio de refazer suas vidas trabalhando nas seguintes e nos conhecimentos construídos ao longo de sua
lavouras de café e no início da indústria paulista. Nos séculos formação, redija texto dissertativo-argumentativo em norma
XIX e XX, os representantes de mais de 70 nacionalidades e padrão da língua portuguesa sobre o tema “Viver em rede no
etnias chegaram com o sonho de “fazer a América” e acabaram século XXI: os limites entre o público e o privado”, apresentan-
por contribuir expressivamente para a história do país e para a do proposta de conscientização social que respeite os direitos
cultura brasileira. Deles, o Brasil herdou sobrenomes, sotaques, humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e
costumes, comidas e vestimentas. coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista.
A história da migração humana não deve ser encarada Liberdade sem fio
como uma questão relacionada exclusivamente ao passado; A ONU acaba de declarar o acesso à rede um direito funda-
há a necessidade de tratar sobre deslocamentos mais recentes. mental do ser humano – assim como saúde, moradia e educação.
(Disponível em: <www.museudaimigracao.org. No mundo todo, pessoas começam a abrir seus sinais privados
br>. Acesso em: 19 jul. 2012. Adaptado.)
de wi-fi, organizações e governos se mobilizam para expandir a
rede para espaços públicos e regiões onde ela ainda não chega,
Acre sofre com invasão de imigrantes do Haiti
com acesso livre e gratuito.
(ROSA, G.; SANTOS, P. Galileu. n. 240, jul. 2011. Fragmento.)
A internet tem ouvidos e memória
Uma pesquisa da consultoria Forrester Research revela que,
nos Estados Unidos, a população já passou mais tempo conec-
tada à internet do que em frente à televisão. Os hábitos estão
mudando. No Brasil, as pessoas já gastam cerca de 20% de seu
tempo online em redes sociais. A grande maioria dos internautas
(72%, de acordo com o Ibope Mídia) pretende criar, acessar e
manter um perfil em rede. “Faz parte da própria socialização
do indivíduo do século XXI estar numa rede social. Não estar
equivale a não ter uma identidade ou um número de telefone
no passado”, acredita Alessandro Barbosa Lima, CEO da e.Life,
empresa de monitoração e análise de mídias.
As redes sociais são ótimas para disseminar ideias, tornar
alguém popular e também arruinar reputações. Um dos maiores
desafios dos usuários de internet é saber ponderar o que se pu-
blica nela. Especialistas recomendam que não se deve publicar o
(Disponível em: <http://mg1.com.br>. Acesso em: 19 jul. 2012.)
que não se fala em público, pois a internet é um ambiente social
Nos últimos três dias de 2011, uma leva de 500 haitianos e, ao contrário do que se pensa, a rede não acoberta anonimato,
entrou ilegalmente no Brasil pelo Acre, elevando para 1  400 uma vez que mesmo quem se esconde atrás de um pseudônimo
a quantidade de imigrantes daquele país no município de pode ser rastreado e identificado. Aqueles que, por impulso, se
Brasileia (AC). Segundo o secretário-adjunto de Justiça e Direitos exaltam e cometem gafes podem pagar caro.
Humanos do Acre, José Henrique Corinto, os haitianos ocuparam (Disponível em: <www.terra.com.br>. Acesso em: 30 jun. 2011. Adaptado.)
a praça da cidade. A Defesa Civil do estado enviou galões de
água potável e alimentos, mas ainda não providenciou abrigo.
A imigração ocorre porque o Haiti ainda não se recuperou
dos estragos causados pelo terremoto de janeiro de 2010. O
primeiro grande grupo de haitianos chegou a Brasileia no dia 14
de janeiro de 2011. Desde então, a entrada ilegal continua, mas
eles não são expulsos: obtêm visto humanitário e conseguem
tirar carteira de trabalho e CPF para morar e trabalhar no Brasil.
Segundo Corinto, ao contrário do que se imagina, não
são haitianos miseráveis que buscam o Brasil para viver, mas (DAHMER, A. Disponível em: <http://malvados.wordpress.com>. Acesso em:
pessoas da classe média do Haiti e profissionais qualificados, 30 jun. 2011.)
como engenheiros, professores, advogados, pedreiros, mestres
de obras e carpinteiros. Porém, a maioria chega sem dinheiro.
Os brasileiros sempre criticaram a forma como os países
europeus tratavam os imigrantes. Agora, chegou a nossa vez –
afirma Corinto.
(Disponível em: <www.dpf.gov.br>. Acesso em: 19 jul. 2012. Adaptado.)

Trilha da costura
Os imigrantes bolivianos, pelo último censo, são mais de 3
milhões, com população de aproximadamente 9,119 milhões de
pessoas. A Bolívia em termos de IDH ocupa a posição de 114.º
de acordo com os parâmetros estabelecidos pela ONU. O país
está no centro da América do Sul e é o mais pobre, sendo 70%
da população considerada miserável. Os principais países para
onde os bolivianos imigrantes dirigem-se são: Argentina, Brasil,
Espanha e Estados Unidos.
Assim sendo, este é o quadro social em que se encontra a
maioria da população da Bolívia, estes dados já demonstram
que as motivações do fluxo de imigração não são políticas, mas
econômicas. Como a maioria da população tem baixa qualifica-
ção, os trabalhos artesanais, culturais, de campo e de costura
são os de mais fácil acesso.
(OLIVEIRA, R. T. Disponível em: <www.ipea.gov.
br>. Acesso em: 19 jul. 2012. Adaptado.)
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Redação

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Literatura

• Classicismo .................................................................................... 83
• Barroco ........................................................................................... 83
• Arcadismo ...................................................................................... 83
• Romantismo ................................................................................. 84
• Realismo ......................................................................................... 84
• Naturalismo................................................................................... 85
• Parnasianismo ............................................................................. 86
• Simbolismo ................................................................................... 86
• Pré-Modernismo ......................................................................... 87
• Modernismo ................................................................................. 88
• Literatura Contemporânea ...................................................... 95
• Teoria da literatura e análise de texto literário ................. 100

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Literatura

Literatura
CONTEÚDO 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017

CLASSICISMO 0 1 0 0 0 0 0

BARROCO 0 0 0 1 0 0 0

ARCADISMO 0 0 0 0 0 1 0

ROMANTISMO 0 0 0 0 1 0 0

REALISMO 0 0 1 1 0 1 0

NATURALISMO 1 0 0 0 1 0 1

PARNASIANISMO 0 0 1 0 1 0 0

SIMBOLISMO 1 0 0 1 0 0 0

PRÉ-MODERNISMO 0 1 0 1 1 0 2

MODERNISMO 4 4 3 1 5 4 3

LITERATURA CONTEMPORÂNEA 0 9 0 0 7 3 1

TEORIA DA LITERATURA E ANÁLISE DE


2 0 2 1 0 1 4
TEXTO LITERÁRIO

TOTAL POR ANO 8 15 7 6 16 10 11

TOTAL 73

L ITER ATUR A
8
7 7
7

6
QUANTIDADE DE QUESTÕES

5
5
44 4 4
4
3 3 3
3
2 2 2
2
1 1 1 1 1 11 1 1 1 1 1 1 1 1 1 11 1 1 1 1
1
0 00000 000 000 00000 0 0 00 00 00 0 0 000 0 00 0 00 00 000 0 0 0 0 00 0 0
0

2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017

82

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Literatura

Classicismo Barroco
1. (Enem-2012) 2. (Enem-2014)
Quando Deus redimiu da tirania
LXXVIII (Camões, 1525?-1580) Da mão do Faraó endurecido
Leda serenidade deleitosa, O Povo Hebreu amado, e esclarecido,
Que representa em terra um paraíso; Páscoa ficou da redenção o dia.
Entre rubis e perlas doce riso;
Debaixo de ouro e neve cor-de-rosa; Páscoa de flores, dia de alegria
Àquele Povo foi tão afligido
Presença moderada e graciosa, O dia, em que por Deus foi redimido;
Onde ensinando estão despejo e siso Ergo sois vós, Senhor, Deus da Bahia.
Que se pode por arte e por aviso,
Como por natureza, ser fermosa; Pois mandado pela alta Majestade
Nos remiu de tão triste cativeiro,
Fala de quem a morte e a vida pende, Nos livrou de tão vil calamidade.
Rara, suave; enfim, Senhora, vossa;
Repouso nela alegre e comedido: Quem pode ser senão um verdadeiro
Deus, que veio estirpar desta cidade
Estas as armas são com que me rende O Faraó do povo brasileiro
E me cativa Amor; mas não que possa (DAMASCENO, D. (Org.) Melhores poemas: Gregório de Matos.
São Paulo: Globo, 2006.)
Despojar-me da glória de rendido.
(CAMÕES, L. Obra completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2008.) Com uma elaboração de linguagem e uma visão de mundo que
apresentam princípios barrocos, o soneto de Gregório de Matos
apresenta temática expressa por
A) visão cética sobre as relações sociais.
B) preocupação com a identidade brasileira.
C) crítica veleada à forma de governo vigente.
D) reflexão dobre os dogmas do cristianismo.
E) questionamento das práticas pagãs na Bahia.

Arcadismo
3. (Enem-2016)

Soneto VII

Onde estou? Este sítio desconheço:


Quem fez tão diferente aquele prado?
Tudo outra natureza tem tomado;
SANZIO, R. (1483-1520) A mulher com o unicórnio. Roma,
E em contemplá-lo tímido esmoreço.
Galleria Borguese.

(Disponível em: <www.arquipelagos.pt>. Acesso em: 29 fev. 2012.) Uma fonte aqui houve; eu não me esqueço
A pintura e o poema, embora sendo produtos de duas lingua- De estar a ela um dia reclinado:
gens artísticas diferentes, participaram do mesmo contexto Ali em vale um monte está mudado:
social e cultural de produção pelo fato de ambos Quanto pode dos anos o progresso!
A) apresentarem um retrato realista, evidenciado pelo unicór-
nio presente na pintura e pelos adjetivos usados no poema.
Árvores aqui vi tão florescentes,
B) valorizarem o excesso de enfeites na apresentação pessoal
Que faziam perpétua a primavera:
e na variação de atitudes da mulher, evidenciadas pelos ad-
jetivos do poema. Nem troncos vejo agora decadentes.
C) apresentarem um retrato ideal de mulher marcado pela so-
briedade e o equilíbrio, evidenciados pela postura, expres- Eu me engano: a região esta não era;
são e vestimenta da moça e os adjetivos usados no poema. Mas que venho a estranhar, se estão presentes
D) desprezarem o conceito medieval da idealização da mu- Meus males, com que tudo degenera!
lher como base da produção artística, evidenciado pelos
adjetivos usados no poema. (COSTA, C. M. Poemas. Disponível em: <www.dominiopublico.gov.br>.
Acesso em: 7 jul. 2012.)
E) apresentarem um retrato ideal de mulher marcado pela
emotividade e o conflito interior, evidenciados pela expres-
são da moça e pelos adjetivos do poema.

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Literatura

No soneto de Cláudio Manuel da Costa, a contemplação da paisa- de peão. Há ainda a diferença da cor, branca e preta, mas esta
gem permite ao eu lírico uma reflexão em que transparece uma não tira o poder da marcha de cada peça, e afinal umas e outras
A) angústia provocada pela sensação de solidão. podem ganhar a partida, e assim vai o mundo.
B) resignação diante das mudanças do meio ambiente. (ASSIS, M. Obra completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1964. Fragmento.)

C) dúvida existencial em face do espaço desconhecido. O fragmento do romance Esaú e Jacó mostra como o narrador
D) intenção de recriar o passado por meio da paisagem. concebe a leitura de um texto literário. Com base nesse trecho,
E) empatia entre os sofrimentos do eu e a agonia da terra. tal leitura deve levar em conta
A) o leitor como peça fundamental na construção dos sentidos.
Romantismo B) a luneta como objeto que permite ler melhor.
C) o autor como único criador de significados.
4. (Enem-2015) Quem não se recorda de Aurélia D) o caráter de entretenimento da literatura.
Camargo, que atravessou o firmamento da corte como E) a solidariedade de outros autores.
brilhante meteoro, e apagou-se de repente no meio
do deslumbramento que produzira seu fulgor? Tinha 6. (Enem-2014) Talvez pareça excessivo o escrúpulo
ela dezoito anos quando apareceu a primeira vez na sociedade. do Cotrim, a quem não souber que ele possuía um
Não a conheciam; e logo buscaram todos com avidez informa- caráter ferozmente honrado. Eu mesmo fui injusto
ções acerca da grande novidade do dia. Dizia-se muita coisa que com ele durante os anos que se seguiram ao inven-
não repetirei agora, pois a seu tempo saberemos a verdade, sem tário de meu pai. Reconheço que era um modelo. Arguíam-no
os comentos malévolos de que usam vesti-la os noveleiros. de avareza, e cuidado que tinham razão; mas a avareza é apenas
Aurélia era órfã; tinha em sua companhia uma velha parenta, a exageração de uma virtude, e as virtudes devem ser como
viúva, D. Firmina Mascarenhas, que sempre a acompanhava na os orçamentos: melhor é o saldo que o déficit. Como era muito
sociedade. Mas essa parenta não passava de mãe de encomenda, seco de maneiras, tinha inimigos que chegavam a acusá-lo de
para condescender com os escrúpulos da sociedade brasileira, bárbaro. O único fato alegado neste particular era o de mandar
que naquele tempo não tinha admitido ainda certa emancipação com frequência escravos ao calabouço, donde eles desciam a
feminina. Guardando com a viúva as deferências devidas à idade, escorrer sangue; mas além de que ele só mandava os perversos
a moça não declinava um instante do firme propósito de governar e os fujões, ocorre que, tendo longamente contrabandeado
sua casa e dirigir suas ações como entendesse. Constava também em escravos, habituara-se de certo modo ao trato um pouco
que Aurélia tinha um tutor; mas essa entidade era desconhecida, mais duro que esse gênero de negócio requeria, e não se pode
honestamente atribuir à índole original de um homem o que
a julgar pelo caráter da pupila, não devia exercer maior influência
é puro efeito de relações sociais. A prova de que o Cotrim tinha
em sua vontade, do que a velha parenta.
sentimentos pios encontrava-se no seu amor aos filhos, e na
(ALENCAR, J. Senhora. São Paulo: Ática, 2006.) dor que padeceu quando morreu Sara, dali a alguns meses;
prova irrefutável, acho eu, e não única. Era tesoureiro de uma
O romance Senhora, de José de Alencar, foi publicado em 1875. confraria e irmão de várias irmandades, e até irmão remido de
No fragmento transcrito, a presença de D. Firmina Mascarenhas uma destas, o que não se coaduna muito com a reputação da
como “parenta” de Aurélia Camargo assimila práticas e conven- avareza; verdade é que o benefício não caíra no chão: a irman-
ções sociais inseridas no contexto do Romantismo, pois dade (de que ele fora juiz) mandara-lhe tirar o retrato a óleo.
A) o trabalho ficcional do narrador desvaloriza a mulher ao (ASSIS, M. Memórias póstumas de Brás Cubas.
retratar a condição feminina na sociedade brasileira da Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1992. Fragmento.)
época. Obra que inaugura o Realismo na literatura brasileira, Memórias
B) o trabalho ficcional do narrador mascara os hábitos sociais póstumas de Brás Cubas condensa uma expressividade que ca-
no enredo de seu romance. racterizaria o estilo machadiano: a ironia. Descrevendo a moral
do seu cunhado, Cotrim, o narrador-personagem Brás Cubas
C) as características da sociedade em que Aurélia vivia são re- refina a percepção irônica ao
modeladas na imaginação do narrador romântico.
A) acusar o cunhado de ser avarento para confessar-se injusti-
D) o narrador evidencia o cerceamento sexista à autoridade çado na divisão da herança paterna.
da mulher, financeiramente independente.
B) atribuir a “efeito de relações sociais” a naturalidade com
E) o narrador incorporou em sua ficção hábitos muito avança- que Cotrim prendia e torturava os escravos.
dos para a sociedade daquele período histórico.
C) considerar os “sentimentos pios” demonstrados pelo per-
sonagem quando da perda da filha Sara.
Realismo D) menosprezar Cotrim por ser tesoureiro de uma confraria e
membro resumido de irmandades.
5. (Enem-2016) E) insinuar que o cunhado era um homem vaidoso e egocên-
trico, contemplado com um retrato a óleo.
Esaú e Jacó
7. (Enem-2013)
Ora, aí está justamente a epígrafe do livro, se eu lhe quisesse pôr Capítulo LIV – A pêndula
alguma, e não me ocorresse outra. Não é somente um meio de Saí dali a saborear o beijo. Não pude dormir; esti-
completar as pessoas da narração com as ideias que deixarem, rei-me na cama, é certo, mas foi o mesmo que nada.
mas ainda um par de lunetas para que o leitor do livro penetre Ouvi as horas todas da noite. Usualmente, quando eu perdia o
o que for menos claro ou totalmente escuro. sono, o bater da pêndula fazia-me muito mal; esse tique-taque
Por outro lado, há proveito em irem as pessoas da minha soturno, vagaroso e seco parecia dizer a cada golpe que eu ia ter
história colaborando nela, ajudando o autor, por uma lei de um instante menos de vida. Imaginava então um velho diabo,
solidariedade, espécie de troca de serviços, entre o enxadrista sentado entre dois sacos, o da vida e o da morte, e a contá-los
e os seus trabalhos. assim:
Se aceitas a comparação, distinguirás o rei e a dama, o bispo — Outra de menos...
e o cavalo, sem que o cavalo possa fazer de torre, nem a torre — Outra de menos...
— Outra de menos...
— Outra de menos...

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Literatura

O mais singular é que, se o relógio parava, eu dava-lhe corda, baiano. Nada mais que os primeiros acordes da música crioula para
para que ele não deixasse de bater nunca, e eu pudesse contar que o sangue de toda aquela gente despertasse logo, como se
todos os meus instantes perdidos. Invenções há, que se trans- alguém lhe fustigasse o corpo com urtigas bravas. E seguiram-se
formam ou acabam; as mesmas instituições morrem; o relógio outras notas, e outras, cada vez mais ardentes e mais delirantes. Já
é definitivo e perpétuo. O derradeiro homem, ao despedir-se não eram dois instrumentos que soavam, eram lúbricos gemidos
do sol frio e gasto, há de ter um relógio na algibeira, para saber e suspiros soltos em torrente, a correrem serpenteando, como
a hora exata em que morre. cobras numa floresta incendiada; eram ais convulsos, chorados em
Naquela noite não padeci essa triste sensação de enfado, frenesi de amor: música feita de beijos e soluços gostosos; carícia
mas outra, e deleitosa. As fantasias tumultuavam-me cá den- de fera, carícia de doer, fazendo estalar de gozo.
tro, vinham umas sobre outras, à semelhança de devotas que (AZEVEDO, A. O cortiço. São Paulo: Ática, 1983. Fragmento.)
se abalroam para ver o anjo-cantor das procissões. Não ouvia
perdidos, mas os minutos ganhados. No romance O cortiço (1890), de Aluízio Azevedo, as personagens
(ASSIS. M. Memórias póstumas de Brás Cubas. Rio de Janeiro: nova Aguilar,
são observadas como elementos coletivos caracterizados por
1992. Fragmento.) condicionantes de origem social, sexo e etnia. Na passagem
transcrita, o confronto entre brasileiros e portugueses revela
O capítulo apresenta o instante em que Brás Cubas revive a prevalência do elemento brasileiro, pois
sensação do beijo trocado com Virgília, casada com Lobo Neves. A) destaca o nome de personagens brasileiras e omite o de
Nesse contexto, a metáfora do relógio desconstrói certos para- personagens portuguesas.
digmas românticos, porque
B) exalta a força do cenário natural brasileiro e considera o do
A) o narrador e Virgília não têm percepção do tempo em seus português inexpressivo.
encontros adúlteros.
C) mostra o poder envolvente da música brasileira, que cala o
B) como “defunto autor, Brás Cubas reconhece a inutilidade fado português.
de tentar acompanhar o fluxo do tempo.
D) destaca o sentimentalismo brasileiro, contrário à tristeza
C) na contagem das horas, o narrador metaforiza o desejo de dos portugueses.
triunfar e acumular riquezas.
E) atribui aos brasileiros uma habilidade maior com instru-
D) o relógio representa a materialização do tempo e redirecio- mentos musicais.
na o comportamento idealista de Brás Cubas.
E) o narrador compara a duração do sabor do beijo à perpe- 10. (Enem-2015) Um dia, meu pai tomou-me pela mão,
tuidade do relógio. minha mãe beijou-me a testa, molhando-me de lá-
grimas os cabelos e eu parti.
Duas vezes fora visitar o Ateneu antes da minha
Naturalismo instalação.
Ateneu era o grande colégio da época. Afamado por um
8. (Enem-2017) sistema de nutrido reclame, mantido por um diretor que de
tempos a tempos reformava o estabelecimento, pintando-o
— Recusei a mão de minha filha, porque o senhor é...
jeitosamente de novidade, como os negociantes que liquidam
filho de uma escrava.
para recomeçar com artigos de última remessa; o Ateneu desde
— Eu? muito tinha consolidado crédito na preferência dos pais, sem
— O senhor é um homem de cor!... Infelizmente esta é a levar em conta a simpatia da meninada, a cercar de aclamações
verdade... o bombo vistoso dos anúncios.
Raimundo tornou-se lívido. Manoel prosseguiu, no fim de um O Dr. Aristarco Argolo de Ramos, da conhecida família do
silêncio: Visconde de Ramos, do Norte, enchia o império com o seu
— Já vê o amigo que não é por mim que lhe recusei Ana Rosa, renome de pedagogo. Eram boletins de propaganda pelas
mas é por tudo! A família de minha mulher sempre foi muito províncias, conferências em diversos pontos da cidade, a pedi-
escrupulosa a esse respeito, e como ela é toda a sociedade do dos, à substância, atochando a imprensa dos lugarejos, caixões,
Maranhão! Concordo que seja uma asneira; concordo que seja sobretudo, de livros elementares, fabricados às pressas com o
um prejuízo tolo! O senhor, porém, não imagina o que é por cá ofegante e esbaforido concurso de professores prudentemente
a prevenção contra os mulatos!... Nunca me perdoariam um tal anônimos, caixões e mais caixões de volumes cartonados em
casamento; além do que, para realizá-lo, teria que quebrar a Leipzig, inundando as escolas públicas de toda a parte com a
promessa que fiz a minha sogra, de não dar a neta senão a um sua invasão de capas azuis, róseas, amarelas, em que o nome
branco de lei, português ou descendente direto de portugueses! de Aristarco, inteiro e sonoro, oferecia-se ao pasmo venerador
dos esfaimados de alfabeto dos confins da pátria. Os lugares
(AZEVEDO, A. O mulato. São Paulo: Escala, 2008.) que os não procuravam eram um belo dia surpreendidos pela
enchente, gratuita, espontânea, irresistível! E não havia senão
Influenciada pelo ideário cientificista do Naturalismo, a obra
aceitar a farinha daquela marca para o pão do espírito.
destaca o modo como o mulato era visto pela sociedade de
fins do século XIX. Nesse trecho, Manoel traduz uma concepção (POMPÉIA, R. O Ateneu. São Paulo: Scipione, 2005.)
em que a Ao descrever o Ateneu e as atitudes de seu diretor, o narrador re-
A) miscigenação racial desqualificava o indivíduo. vela um olhar sobre a inserção social do colégio demarcado pela
B) condição econômica anulava os conflitos raciais. A) ideologia mercantil da educação, repercutida nas vaidades
C) discriminação racial era condenada pela sociedade. pessoais.
D) escravidão negava o direito da negra à maternidade. B) interferência afetiva das famílias, determinantes no proces-
so educacional.
E) união entre mestiços era um risco à hegemonia dos
brancos. C) produção pioneira de material didático, responsável pela
facilitação do ensino.
9. (Enem-2011) Abatidos pelo fadinho harmonioso e D) ampliação do acesso à educação, com a negociação dos
nostálgico dos desterrados, iam todos, até mesmo os custos escolares.
brasileiros, se concentrando e caindo em tristeza; mas,
E) cumplicidade entre educadores e famílias, unidos pelo in-
de repente, o cavaquinho de Porfiro, acompanhado
teresse comum do avanço social.
pelo violão do Firmo, romperam vibrantemente com um chorado

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Literatura

Parnasianismo Coerente com a proposta parnasiana de cuidado formal e


racionalidade na condução temática, o soneto de Raimundo
Correia reflete sobre a forma como as emoções do indivíduo
11. (Enem-2015) são julgadas em sociedade. Na concepção do eu lírico, esse
julgamento revela que
A pátria A) a necessidade de ser socialmente aceito leva o indivíduo a
agir de forma dissimulada.
Ama, com fé e orgulho, a terra em que nasceste!
B) o sofrimento íntimo torna-se mais ameno quando compar-
Criança! não verás nenhum país como este!
tilhado por um grupo social.
Olha que céu! que mar! que rios! que floresta!
C) a capacidade de perdoar e aceitar as diferenças neutraliza
A Natureza, aqui, perpetuamente em festa, o sentimento de inveja.
É um seio de mãe a transbordar carinhos. D) o instinto de solidariedade conduz o indivíduo a apiedar-se
Vê que vida há no chão! vê que vida há nos ninhos, do próximo.
Que se balançam no ar, entre os ramos inquietos! E) a transfiguração da angústia em alegria é um artifício noci-
vo ao convívio social.
Vê que luz, que calor, que multidão de insetos!
Vê que grande extensão de matas, onde impera,
Fecunda e luminosa, a eterna primavera! Simbolismo
Boa terra! jamais negou a quem trabalha
O pão que mata a fome, o teto que agasalha… 13. (Enem-2014)

Quem com o seu suor a fecunda e umedece, Vida obscura


Vê pago o seu esforço, e é feliz, e enriquece!
Ninguém sentiu o teu espasmo obscuro,
Criança! não verás país nenhum como este: ó ser humilde entre os humildes seres,
Imita na grandeza a terra em que nasceste! embriagado, tonto de prazeres,
(BILAC, O. Poesias infantis. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1929.) o mundo para ti foi negro e duro.

Publicado em 1904, o poema “A pátria” harmoniza-se com um


projeto ideológico em construção na Primeira  República. O Atravessaste no silêncio escuro,
discurso poético de Olavo Bilac ecoa esse projeto, na medida a vida presa a trágicos deveres
em que e chegaste ao saber de altos saberes
A) a paisagem natural ganha contornos surreais, como o pro- tornando-te mais simples e mais puro.
jeto brasileiro de grandeza.
B) a prosperidade individual, como a exuberância da terra, in-
Ninguém te viu o sentimento inquieto,
depende de políticas de governo.
magoado, oculto e aterrador, secreto,
C) os valores afetivos atribuídos à família devem ser aplicados
também aos ícones nacionais. que o coração te apunhalou no mundo,
D) a capacidade produtiva da terra garante ao país a riqueza
que se verifica naquele momento. Mas eu que sempre te segui os passos
E) a valorização do trabalhador passa a integrar o conceito de sei que cruz infernal prendeu-te os braços
bem-estar social experimentado. e o teu suspiro como foi profundo!
12. (Enem-2013) (SOUZA, C. Obra completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1961.)

Com uma obra densa e expressiva no Simbolismo brasileiro,


Mal secreto Cruz e Souza transpôs para seu lirismo uma sensibilidade em
conflito com a realidade vivenciada. No soneto, essa percepção
Se a cólera que espuma, a dor que mora
traduz-se em
N`alma, e destrói cada ilusão que nasce,
A) sofrimento tácito diante dos limites impostos pela discriminação.
Tudo o que punge, tudo o que devora
B) tendência latente ao vício como resposta ao isolamento social.
O coração, no rosto se estampasse;
C) extenuação condicionada a uma rotina de tarefas degradantes.
D) frustração amorosa canalizada para as atividades intelectuais.
Se se pudesse, o espírito que chora, E) vocação religiosa manifesta na aproximação com a fé cristã.
Ver através da máscara da face,
Quanta gente, talvez, que inveja agora 14. (Enem-2011)
Nos causa, então piedade nos causasse!
Lépida e leve

Quanta gente que ri, talvez, consigo Língua do meu Amor velosa e doce,
Guarda um atroz, recôndito inimigo, que me convences de que sou frase,
Como invisível chaga cancerosa! que me contornas, que me vestes quase,
como se o corpo meu de ti vindo me fosse.
Quanta gente que ri, talvez existe, Língua que me cativas, que me enleias
Cuja ventura única consiste os surtos de ave estranha,
Em parecer aos outros venturosa! em linhas longas de invisíveis teias,
(CORREIA, R. In: PATRIOTA, M. Para compreender Raimundo Correia, de que és, há tanto, habilidosa aranha...
Brasília: Alhambra, 1995.) [...]

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Literatura

Amo-te as sugestões gloriosas e funestas, O mobiliário, o vestuário das camas, as camas, tudo é de uma
amo-te como todas as mulheres pobreza sem par. Sem fazer monopólio, os loucos são da pro-
veniência mais diversa, originando-se em geral das camadas
te amam, ó língua-lama, ó língua-resplendor, mais pobres da nossa gente pobre. São de imigrantes italianos,
pela carne de som que à ideia emprestas portugueses e outros mais exóticos, são os negros roceiros, que
e pelas frases mudas que proferes teimam em dormir pelos desvãos das janelas sobre uma esteira
nos silêncios de Amor!... esmolambada e uma manta sórdida; são copeiros, cocheiros,
moços de cavalariça, trabalhadores braçais. No meio disto,
(MACHADO, G. In: MORICONI, I. (Org.). Os cem melhores poemas muitos com educação, mas que a falta de recursos e proteção
brasileiros do século. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.)
atira naquela geena social.
A poesia de Gilka Machado identifica-se com as concepções (BARRETO, L. Diário do hospício e O cemitério dos vivos. São Paulo: Cosac
artísticas simbolistas. Entretanto, o texto selecionado incorpora & Naify, 2010.)
referências temáticas e formais modernistas, já que, nele, a poeta
No relato de sua experiência no sanatório onde foi interno,
A) procura desconstruir a visão metafórica do amor e abando- Lima Barreto expõe uma realidade social e humana marcada
na o cuidado formal. pela exclusão. Em seu testemunho, essa reclusão demarca uma
B) concebe a mulher como um ser sem linguagem e questio- A) medida necessária de intervenção terapêutica.
na o poder da palavra.
B) forma de punição indireta aos hábitos desregrados.
C) questiona o trabalho intelectual da mulher e antecipa a
construção do verso livre. C) compensação para as desgraças dos indivíduos.
D) propõe um modelo novo de erotização na lírica amorosa e D) oportunidade de ressocialização em um novo ambiente.
propõe a simplificação verbal. E) conveniência da invisibilidade a grupos vulneráveis e
E) explora a construção da essência feminina, a partir da po- periféricos.
lissemia da “língua”, e inova o léxico. 17. (Enem-2015)

Pré-Modernismo
15. (Enem-2017)

O farrista

Quando o almirante Cabral


Pôs as patas no Brasil
O anjo da guarda dos índios
Estava passeando em Paris.
Quando ele voltou de viagem
O holandês já está aqui.
O anjo respira alegre:
“Não faz mal, isto é boa gente,
Vou arejar outra vez.”
(MAGRITTE, R. A reprodução proibida. Óleo sobre tela, 81,3 x 65 cm. Museum
O anjo transpôs a barra, Boijmans Van Buningen, Holanda, 1937.)
Diz adeus a Pernambuco,
Faz barulho, vuco-vuco, O Surrealismo configurou-se como uma das vanguardas artísti-
cas europeias do início do século XX. René Magritte, pintor belga,
Tal e qual o zepelim apresenta elementos dessa vanguarda em suas produções.
Mas deu um vento no anjo, Um traço do Surrealismo presente nessa pintura é o(a)
Ele perdeu a memória... A) justaposição de elementos díspares, observada na imagem
E não voltou nunca mais. do homem no espelho.
(MENDES, M. História do Brasil. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1992.) B) crítica ao passadismo, exposta na dupla imagem do ho-
mem olhando sempre para frente.
A obra de Murilo Mendes situa-se na fase inicial do Modernismo, C) construção de perspectiva, apresentada na sobreposição
cujas propostas estéticas transparecem, no poema, por um eu de planos visuais.
lírico que
D) processo de automatismo, indicado na repetição da ima-
A) configura um ideal de nacionalidade pela integração gem do homem.
regional.
E) procedimento de colagem, identificado no reflexo do livro
B) remonta ao colonialismo assente sob um viés iconoclasta. no espelho.
C) repercute as manifestações do sincretismo religioso.
D) descreve a gênese da formação do povo brasileiro. 18. (Enem-2014)
E) promove inovações no repertório linguístico.
Psicologia de um vencido
16. (Enem-2017) Chamou-me o bragantino e levou-me
Eu, filho do carbono e do amoníaco,
pelos corredores e pátios até ao hospício propria-
mente. Aí é que percebi que ficava e onde, na seção, Monstro de escuridão e rutilância,
na de indigentes, aquela em que a imagem do que a Sofro, desde a epigênesis da infância,
Desgraça pode sobre a vida dos homens é mais formidável. A influência má dos signos do zodíaco.

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