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ÍNDICE

INTRODUÇÃO..............................................................................................................6
TEMA 1: A PSICOLOGIA COMO CIÊNCIA.................................................................8
Ciência e Senso Comum..............................................................................................8
A CIÊNCIA....................................................................................................................9
Características da Ciência............................................................................................9
Conceito de Psicologia...............................................................................................10
Importância da Psicologia..........................................................................................11
Objecto de Estudo da Psicologia................................................................................11
A Subjectividade como objecto de estudo da Psicologia...........................................12
Estrutura e Tarefas da Psicologia..............................................................................12
Métodos da Psicologia................................................................................................13
a) Introspecção ou método introspectivo.........................................................13
b) Extrospecção ou método extrospectivo (de Expressão).............................13
c) A observação (Método de observação).......................................................13
d) A experimentação (Método experimental)...................................................13
e) Método estatístico........................................................................................13
f) Método de entrevista....................................................................................14
g) Questionário.................................................................................................14
h) Método comparativo.....................................................................................14
i) Método analítico ou psicanalítico.................................................................14
j) Testes psicológicos......................................................................................14
k) Métodos de estudo individual ou histórico do caso.....................................14
l) Métodos longitudinais..................................................................................14
m) Métodos de corte ou de selecção transversal..........................................15
n) Métodos mistos (perspectiva eclética).........................................................15
Relação da Psicologia com outras Ciências..............................................................15
Evolução da Ciência Psicológica................................................................................15
1. Os Grandes Periodos de Evolução da Psicologia.......................................16
2. O Pensamento Psicológico Antes e Depois do Século Xviii.......................16
Psicologia e História...................................................................................................16
A Psicologia entre os Gregos.....................................................................................16
A Psicologia no Império Romano...............................................................................18
A Origem da Psicologia Científica..............................................................................19
A PSICOLOGIA CIENTÍFICA.....................................................................................21
As Primeiras Abordagens Teóricas da Psicologia.....................................................22
O Funcionalismo (Escola funcionalista).....................................................................22
O Estruturalismo.........................................................................................................22
O Associacionismo.....................................................................................................22
As Principais Teorias da Psicologia do Século XX....................................................22
O Behaviorismo ou Comportamentalismo..................................................................22
Análise experimental do comportamento...................................................................23
A Psicologia da Forma: A Escola da Gestalt..............................................................24
A Psicanálise/Freud....................................................................................................24
TEMA 2: O DESENVOLVIMENTO PSIQUICO E DA CONSCIÊNCIA HUMANA.....27
O Homem como Unidade bio-psico-sóciocultural......................................................27
A Vida Antes do Nascimento (o Desenvolvimento Pré-Natal)...................................27
Fundaments Biológicos da Conduta………………………………………………….31
O Papel da Hereditariedade e do Meio na Conduta…………………………………32
Princípio Fundamental da Psicologia .........................................................................33
Psicofisiologia do Sistema Nervoso.............................................................................33
O Surgimento da Consciência no Processo da Actividade Humana...........................37
Teorias do Desenvolvimento do Psíquico....................................................................38
TEMA 3: PSICOLOGIA EVOLUTIVA ..........................................................................40
A Teoria de Desenvolvimento cognitivo Segundo Jean Piaget....................................42
O Desenvolvimento Psicossexual Segundo a Teoria Psicanalítica..............................45
O Desenvolvimento Psicossocial Segundo Erick Erickson............................................47
O Desenvolvimento Moral Segundo Jean Piaget..........................................................49
O Desenvolvimento Moral Segundo Lawrence Kohlberg..............................................49

TEMA 4: PSICOLOGIA DA PERSONALIDADE...........................................................53


Teorias da Personalidade.............................................................................................53
O Behaviorismo.........................................................................................................55
O Gestaltismo............................................................................................................55
Os Resultados da Reconstrução Psicodimíca...........................................................56
A Psicologia Analítica de Carl Jung...........................................................................56
Alfred Adler e a Psicologia Individual........................................................................59
A Teoria Disposicional...............................................................................................60
Psicologia Humanista................................................................................................60
Abraham Maslow e a Teoria da Auto-realização.......................................................61
Carl Rogers e a Perspectiva Centrada na Pessoa....................................................62
TEMA 5: PROCESSOS PSÍQUICOS........................................................................64
INTRODUÇÃO

A presente apostila de tem em vista facilitar aos estudantes do cursos de Licenciatura


de diversas Faculdades a ter conhecimento gerais sobre a Introdução à Psicologia. Trata-se,
tão somente, de uma contribuição para consulta por parte dos estudantes dos cursos em
Regime Ensino à Distância (EaD), a decorrer na UP. Pode também servir de instrumento de
consulta a outros interessados em saber um pouco mais sobre Psicologia como um corpo
cientifico que se ocupa no estudo do Comportamento humano. Os aprofundamentos teóricos
ou práticos poderão ser buscados nos materiais sugeridos na bibliografia, assim como em
outros recursos.

Nossa intenção é apenas facilitar a busca dos estudantes no que diz respeito aos
trabalhos de pesquisa académica. A estrutura deste trabalho, por si só, serve de modelo para
um trabalho realizado em sala de aula. Além disso, procuramos apresentar e explicar as regras
para cada parte de um trabalho científico.

Dada a complexidade dos temas e fenómenos psicológicos, os temas apresentados


nesta apostila são abordados de uma maneira sintética visando facilitar a leitura e interpretação
dos mesmos.

A apostila foi elaborada respeitando ao programa curricular da cadeira de Psicologia


Geral, orientando-se para os seguintes objectivos:

a) Objectivos gerais:

 Conhecer a diferença entre a Psicologia do senso comum e a Psicologia Científica:


objecto, métodos, tipos de psicologias assim como áreas de aplicação dos
conhecimentos psicológicos;
 Conhecer a evolução do pensamento psicológico
 Saber os fundamentos biológicos, sociais, genéticos do comportamento; surgimento da
consciência, teorias do psiquismo;
 Saber o conceito de desenvolvimento, seus factores; desenvolvimento psicosexual;
psicosocial; cognitivo e moral;
 Compreender as teorias da personalidade e suas propriedades individuais
 Conhecer os processos psíquicos cognitivos;
 Dominar conhecimentos referentes à esfera emocional, sentimental da personalidade.
b. Objectivos específicos:

 Explicar o objecto, os métodos, a estrutura e as tarefas da psicologia científica


 Relacionar a psicologia com outras áreas de conhecimento
 Caracterizar as três grandes fases da evolução da Psicologia
 Explicar as concepções psicológicas a partir do século XVIII
 Descrever o processo de desenvolvimento e seus factores
 Caracterizar o grupo, o colectivo e as relações sociais e interpessoais dentro do grupo
 Demostrar as diferenças entre desenvolvimento cognitivo, psicosocial, psicossexual e
moral

Segundo afirmamos, o módulo está organizado de forma que facilite a consulta,


obedecendo a lógica de agrupamento temático das matérias. O texto apresenta a seguinte
estruturação dos conteúdos programáticos:

CONTEÚDOS PROGRAMÁTICOS

Tema 1: A Psicologia como Ciência

 Psicologia do senso comum e Psicologia Científica


 O objecto e importância da Psicologia
 Estrutura e tarefas da psicologia e métodos da Psicologia
 Resenha histórica sobre a origem e desenvolvimento da Psicologia
 Algumas teorias da Psicologia

Tema 2: Desenvolvimento do Psíquico e da Consciência Humana

 O Homem como unidade bio-psico-sócio-cultural;


 Fundamentos bioló gicos da conduta;
 Psico-fisiologia do sistema nervoso;
 O papel da hereditariedade e do meio na conduta;
 Desenvolvimento filogenéntico do psíquico e suas teorias;
 Surgimento da consciência no processo da actividade humana

Tema 3: Psicologia Evolutiva/Desenvolvimento

 Conceito de Desenvolvimento;
 Factores do desenvolvimento e de crescimento;
 Desenvolvimento e a socialização;
 Desenvolvimentos (cognitivo, psicosocial, psicosexual moral)
 Teorias do desenvolvimento humano

Tema 4: Psicologia da Personalidade

 Conceitos da personalidade e sua estrutura;


 Génese e evolução da Personalidade
 Factores gerais que influenciam a Personalidade;
 Teorias da Personalidade;

Tema 5: Processos Psíquicos/Cognitivos

 Conceito de sensação, percepção, memória, pensamento, imaginação;


 Leis, características, propriedades ou particularidades dos processos
psíquicos;
 Teorias dos processos psíquicos;
 Perturbações dos processos psíquicos;
 Pensamentos e linguagem, suas relações, aquisição e desenvolvimento

Tema 6: Esfera Emocional, Sentimental e Volitiva da Personalidade

 Conceitos de Sentimento, Emoção e Vontade


 Bases fisiológicas dos Sentimentos, Emoções e Vontade
 Funções dos Sentimentos, Emoções e Vontade
 Características das Emoções, dos Sentimentos e da Vontade
 Teorias e tipos de Emoções, Sentimentos e da Vontade
 Diferenças entre Emoções humanas dos animais
A PSICOLOGIA COMO CIÊNCIA

Ciência e Senso Comum

Antes de iniciarmos o estudo da Psicologia (nosso propósito neste trabalho), mostra-se


importante apresentarmos de forma breve uma visão básica sobre ciência, para que possamos
compreender a Psicologia como ramo científico.

Conhecer é incorporar um conceito novo, ou original, sobre um fato ou fenômeno


qualquer. O conhecimento não nasce do vazio e sim das experiências que acumulamos em
nossa vida quotidiana, através de experiências, dos relacionamentos interpessoais, das leituras
de livros e artigos diversos.

Entre todos os animais, nós, os seres humanos, somos os únicos capazes de criar e
transformar o conhecimento; somos os únicos capazes de aplicar o que aprendemos, por
diversos meios, numa situação de mudança do conhecimento; somos os únicos capazes de
criar um sistema de símbolos, como a linguagem, e com ele registar nossas próprias
experiências e passar para outros seres humanos. Essa característica é o que nos permite
dizer que somos diferentes dos gatos, dos cães, dos macacos, dos leões, e outros animais
considerados irracionais; precisamente porque nao têm a capacidade pensante, que
caracteriza o homem.

Ao criarmos este sistema de símbolos, através da evolução da espécie humana,


permitimo-nos também ao pensar e, por conseqüência, a ordenação e a previsão dos
fenômenos que nos cerca.

Existem diferentes tipos de conhecimentos:

O senso comum: conhecimento da realidade

Existe um modo de vida que pode ser entendido como a vida por excelência: é a vida
do quotidiano. É no quotidiano que tudo flui, que as coisas acontecem, que nos sentimos vivos,
que sentimos a realidade.

Quando fazemos ciência baseamo-nos na realidade quotidiana e pensamos sobre ela.


O conhecimento do quotidiano (senso comum) e o conhecimento científico aproximam-se e
afastam-se contemporaneamente. Aproximam-se enquanto a ciência se refere á realidade
e afastam-se enquanto a ciência abstrai a realidade para compreender melhor, isto é,
transforma a realidade em objecto de investigação permitindo a construção do
conhecimento científico sobre o real.

Sem o conhecimento intuitivo, espontâneo, de tentativa e erros, a nossa vida quotidiana


não teria o devido sentido, de vida.

A esta experiência acumulada no quotidiano chamamos de senso comum, ou seja, é o


conhecimento intuitivo, espontâneo, de tentativas e erros que facilitam a nossa vida no dia-a-
dia. (imaginemos ter que pensar sempre que atirando algo da janela cai; que o carro em
velocidade se aproxima, etc.). Esta experiência torna-se hábito e passa de geração em
geração e assim o senso comum vai construindo suas «teorias» médicas, físicas,
psicológicas (poder de persuasão de um vendedor, um amigo que escuta bem, etc.).

O conhecimento intuitivo não é suficiente para as exigências do desenvolvimento


humano;

Os gregos, por volta do século 4 a.C. já dominavam complicados cálculos matemáticos,


ainda hoje difíceis, mas eles precisavam entender para resolver problemas arquitectónicos,
navais, agrícolas, etc. Com o tempo tais conhecimentos especializaram-se, até atingirem um
nível de satisfação que permitiu ao Homem de atingir a lua. A este tipo de conhecimento, que
definiremos com mais cuidado logo adiante, chamamos de Ciência. Deste modo foram-se
constituindo várias áreas de conhecimento, entre as quais podemos citar:

 Filosofia - Forma mais geral de perceber e compreender a natureza.. A expeculação


em torno deste tema forneceu um corpo de conhecimentos denominados de filosofia. A
Filosofia é fruto do raciocínio e da reflexão humana. É o conhecimento especulativo
sobre fenômenos, gerando conceitos subjetivos. Busca dar sentido aos fenômenos
gerais do universo, ultrapassando os limites formais da ciência. Leis mais gerais sobre
os componentes do conhecimento, por exemplo os gregos se preocuparam com a
origem e o significado da existência humana

 Religião - Formulação de um conjunto de conhecimentos sobre a origem do Homem,


seus mistérios, princípios morais. A fonte destas tradições e crenças é a Bíblia (registo
do conhecimento religioso judaico-cristão), base da conduta para muitos, diferente da
história. É um conhecimento revelado pela fé divina ou crença religiosa. Não pode, por
sua origem, ser confirmado ou negado. Depende da formação moral e das crenças de
cada indivíduo.
 Ciência (Conhecimento Científico) - procura conhecer, além dos fenómenos, suas
causas e leis. É o conhecimento racional, sistemático, exacto e verificável da realidade.
Sua origem está nos procedimentos de verificação baseados na metodologia científica.

 Arte - traduz a emoção, o belo e a sensibilidade, na prehistória encontramos desenhos


do corpo humano nas paredes das cavernas que exprimiam tal sensibilidade e emoção.

 Ética (moral) - valores morais, normas de conduta.

Ciência, Arte, Etica, Religião, Filosofia, e Senso Comum são domínios do conhecimento
humano. Nosso objectivo é definir a Psicologia como ciencia. Para tal constitui imperativo
analisar o que é ciencia?”, para que possamos compreender a psicologia como ciência.

A CIÊNCIA

Como as explicações mágicas, baseadas no senso comum, não bastavam para


compreender os fenômenos, os seres humanos evoluíram para a busca de respostas através
de caminhos que pudessem ser comprovados. Desta forma, nasceu a ciência, metódica, que
procura sempre uma aproximação com a lógica.

O ser humano é o único animal na natureza com capacidade de pensar. Esta


característica permite que os seres humanos sejam capazes de refletir sobre o significado de
suas próprias experiências. Assim sendo, é capaz de novas descobertas e de transmiti-las a
seus descendentes.

O desenvolvimento do conhecimento humano está intrinsecamente ligado à sua


característica de viver em grupo, ou seja, o saber de um indivíduo é transmitido a outro, que,
por sua vez, aproveita-se deste saber para somar outro. Assim evolui a ciência.

Ciência: do latim «scire» que significa conhecimento, pode ser definida como o
conjunto de conhecimentos sobre factos ou aspectos da realidade (objecto de estudo)
expresso por meio de uma linguagem precisa e rigorosa. Esses conhecimentos devem ser
obtidos de forma:

Características da Ciência

A Ciência é racional, sistemático, exacto e verificável da realidade. Sua origem está nos
procedimentos de verificação baseados na metodologia científica. Podemos então dizer que o
Conhecimento Científico:
 - É racional e objetivo.
 - Atém-se aos fatos.
 - Transcende aos fatos.
 - É analítico.
 - Requer exatidão e clareza.
 - É comunicável.
 - É verificável.
 - Depende de investigação metódica.
 - Busca e aplica leis.
 - É explicativo.
 - Pode fazer predições.
 - É aberto.
 - É útil (Galliano, 1979, apud Paiva Bello, 2004;s/p).

A ciencia é um processo; facto que um novo conhecimento é produzido sempre a partir


de algo anteriormente desenvolvido onde negam-se, reafirmam-se, descobrem-se novos
aspectos, e assim a ciência avança;

A Ciência deve verificar a objectividade; suas as conclusões devem ser passíveis de


verificação e isentas de emoções, para tornarem-se válidas para todos.

A Ciência possui objecto específico, linguagem rigorosa/técnica; possui métodos e


técnicas específicas,

O processo cumulativo do conhecimento, objectividade fazem da ciência uma forma


de conhecimento que supera em muito o senso comum = características que permitem que
denominemos científico a um conjunto de conhecimentos.

Não existe um divisor nítido entre o conhecimento empírico e científico, visto que a
pesquisa científica não se realiza no «vácuo intelectual», mas sempre está mergulhada em
um contexto – o conhecimento científico nasce, em ultima instância, de problemas observados
e acontecimentos encontrados na experiência humana.

Objectivos/propósitos da Ciência

1. oferecer uma explanação objectiva, factual e útil do universo. Neste caso, ela procura
uma explanação verificável dos fenómenos naturais e sociais, diferentes, pois, da
abordagem artística, religiosa, etc. (central)
2. Controlar – controle prático da natureza e vida social (ervas daninhas-agricultura;
inseminação artificial, clonação (pecuária)....

3. Descrever, compreender o mundo - curiosidade natural do Homem, compreender o


mundo, tornando-o inteligível é uma necessidade, é possível compreender o mundo
somente se conhecemos a relações e inter-relações das variáveis dos fenómenos
estudados – como controlar a malária, por exemplo, se não forem descritas as suas
características ou os seus sintomas, se não for conhecida a causa e a evolução da
doença?

4. Prever: a sistematização objectiva da ciência permite uma generalização no espaço e


no tempo e graças a este objectivo muitas vidas tem sido salvas de terremotos,
maremotos, vendavais, etc.

Conceito de Psicologia

Depois desta breve alusão geral à noção de Ciência, iniciemos agora o estudo da
Psicologia.

O termo Psicologia é de origem grego-latino, e etimologicamente pode traduzir-se no


seguinte: psiychè = alma; logia= logos= estudo ou ciência. Assim, a palavra Psicologia
significa estudo da alma ou ciência da alma, ciência que estuda as ideias, sentimentos, e
determinações cujo conjunto constitui o espírito humano.

Esta definiçao permaneceu até aos meados do séc. XIX devido ao seu desenvolvimento
`condicionado´com a Filosofia.

Como uma ciência autónoma com um objecto de estudo e métodos próprios de


investigaçao, ela é definida como ciencia que estuda o comportamento do homem e dos
outros animais.

A psicologia supõe-se a outras ciências sociais, especialmente a sociologia. Mas,


enquanto a sociologia concentra sua atenção nos grupos, processos grupais e forças sociais os
psicólogos sociais concentram-se nas influências que os grupos e a sociedade exercem sobre
os indivíduos. A ênfase da psicologia está no ser humano a diferença dos fisiológos
(biologia ) que se concentram no sistema nervoso, cérebro, memória, atenção, movimento,
fome, impacto das drogas, etc..
Actualmente a psicologia é definida como a ciência que se concentra no
comportamento e nos processos mentais – de todos os animais.

o Ciência: enquanto a ciência oferece procedimentos disciplinados e racionais para a


condução de investigacoes válidas e a construçao de um corpo de informaçães
coerentes e coesas.

o Comportamento: abrange tudo o que pessoas e animais fazem: conduta, emoção,


formas de comunicação, processos de desenvolvimento.

Assim, o objecto de estudo da Psicologia é o comportamento dos seres vivos


especificamente homens e animais, isto é, a Psicologia estuda a resposta ou conjunto de
respostas observáveis de um individuo ou de um grupo, a uma situação ou estímulo.

o Processos mentais - incluem formas de cognição ou formas de conhecimento, de


entre elas: perceber, participar, lembrar, raciocinar, ou resolver problemas. Sonhar,
fantasiar, desejar, ter esperança são também processos mentais.

Importância da Psicologia

Por ser uma ciência multiperspectiva e se aplicar em todas as áreas da vida humana,
tais como no Ensino, na Saúde, na Família, no Comércio, no Desporto, etc., a Psicologia
possui uma vasta importância.

 No ensino permite ao professor conhecer as particularidades individuais dos alunos


para melhor planificar e administrar as aulas, identificar e resolver os problemas de
aprendizagem segundo o desenvolvimento dos alunos e fazer uma avaliação do
processo de ensino e aprendizagem.

 Na saúde permite ao profissional de saúde estabelecer uma melhor comunicação com


o paciente e vice-versa.

 Para os governantes a Psicologia permite uma óptima comunicação com as massas.

 Também permite ao Homem conhecer-se a si próprio e a natureza de diferenciação


dos outros Homens; ajuda o Homem a resolver os seus problema s do dia – a- dia,
conhecer a forma de agir de cada um, as tendências compartimentais, as atitudes, as
motivações dos outros Homens.

Objecto de Estudo da Psicologia


O objecto ou assunto de estudo de uma determinada ciência é a realidade ou o aspecto
da realidade que ela se propõe a estudar, descrever ou explicar.

Para compreender o objecto de estudo da Psicologia é preciso compreender a


diversidade de objectos definidos por várias correntes psicológicas;

A diversidade dos objectos de estudo da psicologia

 Behaviorismo ou comportamentalismo: segundo estes teóricos o objecto de estudo


da Psicologia é o comportamento ;

 Psicanálise: para esta escola o objecto de estudo da psicologia é o inconsciente.

 Outros psicólogos: o objecto de estudo da psicologia é a consciência ou ainda a


personalidade humana.

Razões da dificuldade de definicão do objecto

 Por ser uma área de conhecimento cientifico que se constituiu recentemente (final do
sécu 19) não obstante a sua existencia dentro do da filosofia como preocupaçao
humana;

 Outro motivo que dificulta a definição do objecto de estudo da Psicologia é o facto do


cientista – o pesquisador confundir-se com o objecto a ser pesquisado – a concepçao
do Homem `contamina` inevitavelmente a sua pesquisa;

 Em terceiro lugar esta dificuldade justifica-se pelo facto dos fenómenos psicológicos
serem tão diversos, que não podem ser acessíveis ao mesmo nível de observação, não
podem ser sujeitos aos memos psdrões de descrição, medida, controle e interpretação.

A Subjectividade como objecto de estudo da Psicologia

Considerando toda esta dificuldade na definição única do objecto da psicologia,


podemos considerar como objecto a subjectividade.

A identidade da Psicologia é o que diferencia dos demais ramos das ciências humanas,
e pode ser obtida considerando que cada um desses ramos enfoca o Homem de maneira
particular (economia, política, história) trabalham essa matéria-prima de maneira particular,
construindo conhecimentos distintos e específicos a respeito dela. A psicologia colabora com o
estudo da subjectividade: é essa a sua forma particular, específica de contribuição para a
compreensão da totalidade da vida humana.

A subjectividade é a síntese singular e individual que cada um de nós vai construindo


conforme vamos nos desenvolvendo e vivenciando as experiências da vida social e cultural. É
a síntese que nos identifica por ser única e nos igua-la na medida em que os conhecimentos
que a constituem são experienciados no campo comum da objectividade social. É o mundo de
ideias, significados, emoções, construído inteiramente pelo sujeito a partir das suas relações
sociais, suas vivências e sua constituição biológica. É a fonte das manifestações afectivas. A
subjectividade é a maneira de sentir, pensar, fantasiar, sonhar, amar, e de fazer de cada um. É
o nosso modo de ser.

Entretanto a subjectividade não é inata. Ela se constrói, apropriando-se do material do


mundo social e cultural.

A subjectividade em Psicologia é vista em dois níveis: subjectividade social e individual.


A subjectividade individual representa o espaço pessoal dos sentidos que se atribui ao
mundo real (valor, cultura, experiência, ideias) e a subjectividade social é comparável com o
sentido que a sociedade atribui ao mundo real.

Estrutura e Tarefas da Psicologia

Psicologia industrial: estuda a estruturação do trabalho, a conduta dos trabalhadores,


a selecção dos trabalhadores, o incremento da produção e da produtividade, a avaliação dos
funcionários e as greves dos trabalhadores.

Psicologia pedagógica (escolar) ou de aprendizagem: estuda as leis psicológicas de


ensino e de educação do Homem. Estuda a formação do raciocínio dos alunos, os problemas
do governo do processo de assimilação dos meios e dos hábitos da actividade intelectual,
revela os factos psicológicos que influenciam o processo de aprendizagem, as relações dentro
da colectividade de alunos, as diferenças psicológico individuais dos alunos, as particularidades
psicológicas da educação e do ensino das crianças com desenvolvimento psiquismo anormal.

Em suma: estuda a problemática psicológica no quadro escolar. Tenta compreender os


problemas de adaptação, de relações e de aprendizagem.

Psicologia clínica: dedica-se a prevenção e terapia dos desajustamentos de conduta


qualquer que seja o seu grau de gravidade.
Psicologia social: estuda a conduta humana na perspectiva de grupos de
colectividades. Investiga o processo de interacção entre membros do grupo e as influências
grupais sobre a dinâmica dos individuais.

Psicologia jurídica: analisa as questões psicológicas relacionadas com a realização do


sistema do direito

Psicologia militar: estuda a conduta do Homem no campo de combate, os aspectos


psicológicos das relações entre os chefes e os subalternos, os problemas psicológicos de uso
de materiais de guerra.

Psicologia experimental: estuda os princípios psicológicos básicos; ( sensação,


percepção, atenção, motivação, memória, pensamento, pensamento e emoções) em situação
laboratorial visando a solução de problemas práticos de dia-a-dia da humanidade.

Psicologia do desporto: analisa as particularidades psicológicas do indivíduo e da


actividade dos desportistas, as condições e os métodos da sua preparação psicológica, os
parâmetros psicológicos de preparação e da capacidade do desportista e os factores
psicológicos relacionados com a organização de competições.

Métodos da Psicologia

O estudo da Psicologia como ciência pressupõe o uso de métodos, que possa facilitar a
análise do seu objecto de estudo, os fenómenos psiquicos (memória, percepção, a sensação, o
pensamento, assim como a imaginação) que numa só linguagem são reduzidos em
comportamentos.
Método: na perspectiva psicológica é o caminho ou via utilizado para exclarecer as
manifestações ou causas de um comportamento, de manifestações psíquicas.
Em psicologia, o conjunto dos métodos específicos engloba todos aqueles que
frequentemente são usados pelos psicólogos como:

a) Introspecção ou método introspectivo

Descrição cuidadosa dos fenómenos psíquicos que os estados da consciência


acusavam, mas feita pelo próprio indivíduo. Consiste na orientação da consciência reflexiva
para aquilo que se passa em nós, ou seja, concentração do espírito sobre si mesmo para
analisar os fenómenos que o indivíduo experimenta.
É a observação e a descrição que o indivíduo faz dos seus estados psíquicos. Supõe
um desdobramento do sujeito que é ao mesmo tempo observador e observado. O sujeito é o
próprio objecto.

A introspecção pode ser pessoal ou laboratorial. A introspecção pessoal consiste na


auto-análise, isto é na observação interior e análise. Na introspecção laboratorial o
experimentador (sujeito) estabelece as condições de experiência, anota e interpreta os
resultados.

b) Extrospecção ou método extrospectivo (de Expressão)

Consiste na observação, descrição e explicação dos comportamentos dos outros.


Portanto, as manifestações exteriores do sujeito, são devidamente anotadas por um
observador.

c) A observação (Método de observação)

A observaçâo como método em psicologia consiste na percepção directa ou indirecta,


atenciosa, racional, planificada e sistemática, das manifestações do comportamento nas suas
condições naturais, com o objectivo de dar uma explicação científica da sua natureza.

d) A experimentação (Método experimental)

Consiste na relação entre o objecto de investigação e a situação experimental com o


objectivo de descobrir a natureza dessa relação e as variáveis das quais ela depende.
Pressupõe a possibilidade de intromissão activa do pesquisador na actividade da pessoa
submetida a experiência.

Ë a actividade na qual o investigador provoca o fenómeno a estudar e controla os


possíveis factores e condições que podem incidir na sua produção e desenvolvimento com o
objectivo de conhecer a natureza interna do processo psíquico e desta forma descobrir as leis
objectivas que o explicam.

A experimentação como método em psicologia usa-se geralmente em estudo de casos


ao nível animal porque é difícil manipular o comportamento humano, por razões morais, éticas
até mesmo razões ligadas á saúde.

e) Método estatístico

Usa-se para fazer o estudo ao nível dos grupos maiores, isto é, para a compreensão de
fenómenos de massa.
f) Método de entrevista

É uma conversação entre investigador e o sujeito investigado através da qual o


investigador obtem informações sobre o psiquismo. Geralmente se utiliza para enriquecer e
aprofundar a informação obtida a partir da obsrvação e experimentação. Ela permite a
obtenção directa dos dados. O investigador faz a pergunta e o entrevistado apenas responde a
pergunta.

g) Questionário

Consiste num conjunto de perguntas cujo conteúdo e extensão dependem dos


objectivos da investigação e se aplica como substituto da entrevista quando se trabalha com
amostras grandes.

h) Método comparativo

Serve para fazer extrapolação de uma conclusão feita sobre o estudo de um animal
para relacionar ao Homem, permite a formação de um perfil comportamental.

i) Método analítico ou psicanalítico

É um método interpretativo que busca o significado oculto, isto é, que torna claro o
significado daquilo que é manifestado por meio das palavras e acções.

j) Testes psicológicos

Consistem num sistema de tarefas, perguntas, seleccionadas, que tem como objectivo a
avaliaçào e comparação de sujeitos quanto a qualidade da personalidade, habilidades, nível de
desenvolvimento intelectual, efectuando-se esta comparação sobre a base de normas
estabelecidas previamente.

Existem testes psicológicos para medir tanto aspectos cognitivos como aspectos
afectivos da personalidade.

Os testes psicológicos não consistem em obter dados novos que serão necessários
para o aprofundamento dos conhecimentos científicos, mas sim em estabelecer as qualidades
psicológicas da pessoa submetida á experiência para se analisar se corresponde ou não as
normas ou padrões revelados anteriormente

Este grupo de testes é utilizado para revelar a existência ou a ausência de certas


capacidades, aptidões, caracterizar com o máximo de precisão certas qualidades do indivíduo
para exercer certa profissão, etc. Podem ser: testes de inteligência, de capacidades, de
aptidões, de personalidade.

k) Métodos de estudo individual ou histórico do caso

Neste método são empregue muitos métodos e técnicas combinadas. Para se estudar o
comportamento de um indivíduo importa conhecer o maior número possível de factos sobre o
mesmo, a fim de que possam ser compreendidas as principais forças e influências que
orientam seu desenvolvimento.

O estudo do caso é frequentemente empreque pelo orientador educativo, visando


ajudar os alunos na solução de seus problemas.

Podemos citar também alguns métodos particularmente usados na Psicologia de


desenvolvimento, que é um ramo da Psicologia; atraves do qual se estuda o desenvolvimento
humano

l) Métodos longitudinais

É um processo de observação que se faz no sentido de duração. Os estudos


longitudinais têm fornecido informações excelentes e decisivas para a explicação e
compreensão do desenvolvimento humano, quer relactvamente ao crescimento físico e
desenvolvimento dos processos cotgnitivos, quer sobre a evolução da personalidade e a
aquisição da linguagem. Este método procura seguir os sujeitos, em intervalos de tempo
convenientemente escolhidos, para determinar a curva ou lei de crescimento e e
desenvolvimento.

O Método longitudinal estuda, no tempo, em períodos mais ou menos espaçados, o


comportamento dos sujeitos ou amostragens de sujeitos.

m) Métodos de corte ou de selecção transversal

Trata-se de um tipo de observação que pode estudar um grande número de sujeitos


num espaço de tempo relactivamente curto. Por exemplo, no mesmo espaço de tempo, o
investigador pode observar diferentes ou vários aspectos da estrutura do sujeito em diferentes
faixas etárias através de amostragens significativas. Pode observar crianças dos 0 aos 2 anos,
de 1 aos 3 anos, dos 2 aos 4 anos sob um determinado número de aspectos da sua
personalidade e estabelecer curvas de desenvolvimento através de processos estatísticos de
cada um desses aspectos e do seu conjunto como integrantes ou componentes de uma mesma
estrutura, a estrutura da personalidade.
n) Métodos mistos (perspectiva eclética)

Esta perspectiva de uso de métodos é baseada particularmente no recurso a diversos e


variados métodos de estudo. São aplicados simultaneamente um tipo de método em
conjugação com outros métodos. Os métodos são usados em forma de complementariudade
entre um e outros, permitindo o alcance de vários resultados.

Relação da Psicologia com outras Ciências

A Filosofia, a Antropologia, a História, a Sociologia e a Biologia, estão entre as ciências


que contribuem para a compreensão do comportamento humano, em particular. Vejamos a
possível relação que se estabelece:

Filosofia: a correlação que existe entre o corpo e a alma na Filosofia vai permitir de
modo que a psicologia especule e forneça hipóteses empiricamente testados. Neste sentido,
pode-se afirmar que a Filosofia forneceu á psicologia os primeiros quadros conceptuais.

Antropologia: interessa-se pelas formas culturais dos povos. Esses dados são
importantes porque dão ao psicólogo a consciência da relactividade cultural dos valores, dos
motivos, das aspirações dos indivíduos, o que obriga a ter presente a influência da cultura no
comportamento do indivíduo.

História: permite-nos conhecer o desenvolvimento do Homem através dos tempos e


compreender a partir dessa evolução as características actuais das várias realidades sociais
que influenciam no comportamento do indivíduo.

Sociologia: estuda a sociedade, as instituições sociais, a estrutura dos grupos e o seu


funcionamento. Estuda, também, o comportamento humano na perspectiva dos grupos.

Biologia: estuda o funcionamento e a estrutura do Sistema Nervoso, as glândulas


secretoras e o seu funcionamento. O sistema nervoso capta estímulos, os organiza e emite
respostas ou actos de conduta e, a secreção de hormonas permite que Sistema Nervoso fique
estimulado numa determinada direcção.

Um dos principais ramos da Biologia que se relaciona com a Psicologia é a Genética. A


Genética estuda os processos hereditários subjacentes ao comportamento.
Esquematicamente:

FILOSOFIA
Estudo do Homem

BIOLOGIA
HISTÓRIA Estudo do S.N. e glândulas
Importância do factor
PSICOLOGIA
Estudo do secretoras; Processos
tempo e espaço social hereditários no
comportamento
comportamento
ANTROPOLOGIA SOCIOLOGIA
Influência da cultura no Influências sociais no
comportamento comportamento

Evolução da Ciência Psicológica

1. Os Grandes Períodos de Evolução da Psicologia

Pode-se considerar três grandes períodos/fases da evolução da psicologia.

Fase filosófica

É a fase relacionada com a Ética e a Filosofia. Compreendia o estudo da natureza dos


reflexos da mente e da alma. Era um saber especulativo, de carácter racional. Os filósofos
explicavam os fenómenos da natureza (formação de cosmos e origem do próprio Homem) de
forma mitológica. O saber psicológico estava envolto à vasta área do conhecimento filosófico,
portanto, classificado como especulativo, por nãso poder provar suas conclusões.

Fase pré-científica (psicologia empírica)

Dedicava-se ao estudo dos factos psíquicos que eram interpretados com base na
experiência do dia-a-dia, isto é, do quotidiano vivido. É nesta fase que se abre o caminho para
a cientificidade da psicologia. A interpretação e consequenteconhecimento dos fenómenos
psíquicos era fundamentada em parte pelo saber filosófico, influenciado pela experiência
quotidiana (social e reflexão sistemática) dos cientistas.

Fase científica

Estuda os fenómenos e processos psíquicos, descreve-os, explica e estabelece as


relações causa-efeito. Nesta fase a psicologia torna-se ciência autónoma: define o seu objecto
de estudo, métodos e técnicas próprias, leis e princípios que regem o estudo da psicologia,
utiliza uma linguagem rigorosa e determina os seus objectivos e finalidades.

Contribuiu de forma marcante para a cientificação da Psicologia a institucionalização,


pelo psicofisiologista alemão Wilhelm Wundt, em 1879, de um laboratório de Psicologia, na
cidade alemã de Leipzig. O laboratório permitiu o desenvolvimento de métodos de estudo
próprios, a reverificação do objecto de estudo, e concequente afirmação de seu conceito como
ciência que estuda os fenómenos psiquicos, ou simplesmente, estudo do comportamento.
2. O Pensamento Psicológico Antes e Depois do Século Xviii

Psicologia e História

Por de trás de qualquer produção humana material ou espiritual (cadeira, computer,


religião), existe sempre uma história

Cada um tem uma história pessoal, longa ou curta, a psicologia tem cerca de dois mil
anos de história

Para compreender a psicologia é necessário compreender a sua história, história essa


que está ligada a cada momento histórico, ás exigências do conhecimento da humanidade, as
demais áreas de conhecimento humano e aos novos desafios colocados pela realidade
económica e social e pela insaciável necessidade do Homem de compreender a si mesmo.
A Psicologia entre os Gregos

É entre os filósofos gregos que surge a primeira tentativa de sistematizar uma


psicologia. De facto, os avanços permitem que os cidadãos se ocupem de coisas do espírito,
como a filosofia e a arte – homens como, Sócrate, Platão, Hipócrate e Aristóteles dedicam-se
a compreender esse espírito empreendedor do conquistador grego, ou seja, a Filosofia
começou a especular o Homem e a sua interioridade. O próprio termo Psiché= alma e logos=
logos (razão), portanto etmologicamente Psicologia significa `estudo da alma``.

Filósofos pré-socráticos - preocupam-se em definir a relação do Homem com o


mundo através da PERCEPÇAO = o mundo existe porque o Homem o vê ou o Homem vê o
mundo que já existe – oposição entre idealistas ( a ideia forma o mundo) e materialistas (a
matéria que forma o mundo já ´dada para a percepção).

Sócrate (496-399 a.C.)

Com ele a Psicologia na antiguidade ganha consistência: segundo Sócrate o que


distingue o Homem do animal é a RAZÃO porque permite ao Homem de sobrepor-se aos
instintos, que seriam a base da irracionalidade – definindo a razão como essência e
peculiaridade do Homem, Sócrate abre um caminho que será explorado pela Psicologia: fruto
desta reflexão são por exemplo, as Teorias da consciência que de certa forma são resultado
desta sistematização na Filosofia.

Platão (427-347 a.c)


Discípulo de Sócrate, procura o «lugar» para a razão no nosso corpo (cabeça), onde se
encontra a ALMA do Homem. A medula será o elemento de ligação da alma com o corpo -
este elemento era necessário porque Platão concebia a alma separa do corpo (dualismo).
Quando alguém morria a matéria (corpo) desaparecia, mas a alma ficava livre para ocupar
outro corpo (reincarnação).

Hipócrate e a Teoria dos Humores (496-361 a.c)

Uma análise mais acurada das diferenças individuais, estreitamente ligadas a uma
reflexão mais sistemática na relação mente-corpo, foi feita com Hipócrate de Cosmes. Médico e
a sua ciência era finalizada á medicina, mas, enquanto filósofo, funda uma verdadeira e própria
ciência do Homem onde confluíram observações sociológicas, psicológicas e fisiológicas. O
contínuo esforço de síntese e de sistematização de tais observações não tiveram precedentes
na história do pensamento humano e permanecerão em seguida apreciados por um período de
20 séculos.

Todavia, a medicina hipocrática passou na história como aquela que se baseava na


teoria dos quatro humores.

Hipócrate defende que existem 4 humores no corpo humano: o sangue, a fleuma, a


bílis amarela e a bílis preta. Segundo a prevalência de cada um destes elementos sobre o
outro a pessoa desenvolverá um certo temperamento que poderá ser respectivamente:
sanguíneo, fleumático, colérico e melancólico e também vários tipos de predisposições á
doença. O Homem é «são» quando estes humores estão «reciprocamente bem temperados
por propriedade e quantidade» e a mistura é completa. Contrariamente a isto o Homem é
doente quando existe excesso ou defeito destes elementos.

Mais importante ainda são os seus estudos neurológicos. Numa das suas obras afirma
que o cérebro é o órgão mais potente do corpo e que os órgão de sentido actuam em base á
sua capacidade de discernimento. Ainda nesta obra Hipócrate descreve os delírios e
alucinações e afirma na dependência de anomalias das faculdades intelectuais dos traumas
crânicos.

Com estas afirmações, Hipócrates põe em relevo uma concepção que se está
afirmando no pensamento grego, isto é, que o Homem é parte da natureza e pode ser
estudado com os métodos da ciência natural. Esta concepção encontrou a sua expressão mais
forte em Aristóteles.
Aristóteles (384-322 a.c)

Discípulo de Platão, foi um dos mais importantes pensadores da história da filosofia –


superou o dualismo da dissociação entre a alma e o corpo (inovação). Para ele a psyché era o
princípio activo da vida, isto é, tudo aquilo que cresce, se reproduz e alimenta possui a sua
psyché ou alma (vegetação, animais, Homem, possuem alma:

 alma vegetativa – vegetais: função reprodutiva e alimentar

 alma sensitiva – animais: função de percepção e movimento

 vegetativa, sensitiva + racional – função pensante

Aristóteles estuda as diferenças entre a RAZÃO, PERCEPÇÃO E SENSAÇÕES,


estudo sistematizado no “Da Anima” o qual pode ser considerado o primeiro tratado de
Psicologia.

Portanto, 2300 anos antes do advento da Psicologia Científica, os gregos já haviam


formulado duas “Teorias”: Platónica – que postulava a imortalidade da alma e a concebia
separada do corpo, e a Aristotélica – que afirmava a mortalidade da alma e a sua relação de
pertecimento ao corpo.

A Psicologia no Império Romano

O império romano nasce ás véspera da era cristã, domina parte da Grécia, Europa e do
Oriente Médio

Característica deste período é o advento do cristianismo. Força religiosa que passa á


força política dominante que não obstante as invasões barbarias de 400 d.C, que levam á
degradação territorial e económica, o cristianismo sobrevive e até se fortalece, tornando-se a
religião principal da Idade Média, período que então se iniciara:

Falar da psicologia neste período é relacionada ao conhecimento religioso, o qual


dominando o poder económico e político monopolizava também o saber e, consequentemente
o estudo do psiquismo.

Santo Agostinho (354-430 d.C)

Inspirado em Platão faz cisão entre corpo e alma, a diferença para ele é que a alma,
não é somente a sede da razão mas também a prova de uma manifestação divina no Homem.
A alma era imortal por ser o elemento que liga o Homem á Deus e sendo a alma também a
sede do pensamento a Igreja passa a se preocupar também com a sua compreensão.

São Tomás de Aquino (1225-1274)

Vive numa período que preanuncia a ruptura da Igreja católica, o advento do


protestantismo – época que prepara a transição para o capitalismo, com a revolução francesa e
a revolução industrial na Inglaterra. Perante esta crise social e económica a Igreja devia
encontrar novas justificações em relação ao conhecimento como a relação com Deus e o
Homem. São Tomas d’Áquino foi buscar em Aristóteles a distinção entre essência e existência
– como Aristóteles, ele considera que o Homem, na sua essência, busca a perfeição através da
sua existência mas introduzindo o ponto de vista religioso, ao contrario de Aristóteles, afirma
que somente Deus seria capaz de reunir a essência e a existência, em termos de igualdade.
Portanto, a busca da perfeição do Homem seria a busca de Deus.

S. Tomás encontra argumentos racionais para justificar os dogmas da Igreja e continua


garantindo para ela o monopólio do estudo do psiquismo.

A Psicologia do Renascimento

+ 1200 depois da morte de S. Tomás inicia uma época de transformações radicais no


mundo europeu: RENASCIMENTO ou RENASCENCA – o mercantilismo, e a descoberta de
novas terras (América, Índia, Rota pacífica) propicia a acumulação das riquezas para a Franca,
Itália, Inglaterra, Franca, Espanha. Na transição para o capitalismo emerge nova forma de
organização social e económicas, dá-se também um processo de valorização do Homem.

As transformações ocorrem no sector humano:

+ 1300 Dante escreve a “Divina Comédia”

+ 1475-1478 - Leonardo da Vinci pinta o “” quadro da Assunção”

+ 1513 – Maquiavel escreve o “Príncipe”, obra clássica da política

 Alguns marcos que definiram o avanço da ciência:

 1543 – Copérnico mostra que o nosso planeta não é o centro do universo

 1610 Galileu estuda a queda dos corpos, realizando as primeiras experiências da


física moderna – avanço que principia o inicio da sistematização do conhecimento
científico - começam a estabelecer-se métodos e regras básicas para a construção
de conhecimento cientifico.
René Descartes (1596-1659)

um dos filósofos que mais contribuiu para o avanço da ciência postula a separação
entre a mente (alma, espírito) e corpo, afirmando que o Homem possui uma substancia
material e e uma substancia pensante e que o corpo, desprovido do espírito era somente
uma máquina - dualismo corpo e mente que torna possivel o estudo do corpo humano
morto, o que era impensável nos séculos anteriores (o corpo era considerado sagrado pela
Igreja, por ser a sede da alma) e dessa forma possibilita o avanço da anatomia e da fisiologia
que inicia a contribuir muito para o progresso da Psicologia.

A Origem da Psicologia Científica

No século XIX, o papel da ciência torna-se necessário devido ao crescimento na ordem


económica – CAPITALISMO que traz a INDUSTRIALIZAÇAO. A ciência deve dar novas
respostas e soluções práticas no campo da técnica. Para melhor compreensão, analisemos as
características da sociedade nalgumas fases do desenvolvimento influenciadas pela política
social e económica:

PERÍODO FEUDAL:

Caracteriza-se pela:

 Produção de subsistência

 Relação Senhor feudal – servo

 Sociedade estável

 Papéis ascristos

 Hierarquia – base de verdade; centralização do poder;

Esse mundo fechado é o universo finito, reflectia e justificava a hierarquia social


inquestionável do fundo.

PERÍODO do CAPITALISMO

Põe o mundo em movimento com a necessidade de abastecer os mercados e produzir


mais. algumas caracteristicas desta fase:

 Buscou nova matéria – prima na natureza


 Criou novas necessidades; questiona as hierarquias para derrubar a nobreza e o
clero dos seus lugares há séculos estabelecidos

 O universo também foi posto em movimento, o sol tornou-se o centro do universo,


que passou a ser visto sem hierarquização;

 Superou-se o antropocentrismo (o Homem – centro do universo), passando a ser


visto um ser livre, capaz de construir o futuro;

 O servo, liberto do seu vínculo com a terra pode escolher seu trabalho e seu lugar
social

 o capitalismo torna todos os Homens consumidores, em potências das mercadorias


produzidas

 O conhecimento tronou-se livre, independente da fé, os dogmas da Igreja foram


questionados e a racionalidade do Homem apareceu como a grande possibilidade de
construção do conhecimento.

A BURGUESIA:

O Capitalismo tráz como consequência a formação de uma nova classe, a burguesia,


com as seguintes características:

 Disputa o poder e surge como nova classe social e económica

 Defende a emancipação do Homem para emancipar-se também

 Era preciso quebrar a ideia do universo estável, para poder transformá-lo, era preciso
questionar a NATUREZA para viabilizar a sua exploração em busca de matérias
primas – condições materiais para o desenvolvimento da ciência moderna:
CONHECIMENTO COMO FRUTO DA RAZÃO

 Possibilidade de desvendar a natureza e leis de observação rigorosa e objectiva –


não mais submetidos a leis ou dogmas religiosos ou pela actividade eclesial e
portanto sentiu-se a necessidade da ciência:

A possibilidade de realizar trabalhos de pesquisa mais aprofundados, que exigiam


algum tipo de suporte financeiro (só possivel com a classe dos burgueses) fez com que
surgissem novos contornos nas diversas áreas do saber. S~ao exemplos disso:

 Surge Charles DARWIN – enterra o antropocentrismo com a sua tese evolucionista.


(teoria da evolução das espécies – selecção natural).
 HEGEL – sublinha a importância da história para a compreensão humana – a ciência
avança e se torna referencial para o mundo – verdade procurada na ciência; a própria
filosofia adapta-se aos tempos.

 Augusto COMTE - com o seu Positivismo, postula a necessidade de maior rigor


científico na construção dos conhecimentos nas ciências humanas, desse modo
propunha o método das ciências naturais: física, como modelo de construção do
conhecimento

Consequências

Na metade do século XIX temas e problemas até então estudados pelos filósofos
passam a ser estudados pela fisiologia, neurofisiologia em particular – formulação de teorias
dobre o SNC, demonstrando que o pensamento, as percepções e os sentimentos humanos
eram produtos deste sistema.

O capitalismo trouxe uma “maquina” - criação fantástica que determinou a forma de ver
o mundo ( o mundo visto como uma máquina), o mundo como um relógio, todo o universo
como se fosse uma máquina, isto é, que podemos conhecer o seu funcionamento, a sua
regularidade, as suas leis, uma forma de pensar que atingiu as ciências humanas, facto que,
para se conhecer o psiquismo humano passa a ser necessário compreender o mecanismo e o
funcionamento da máquina de pensar do Homem: o CÉREBRO!

Assim a psicologia começa a trilhar os caminhos da fisiologia, da neuroanatomia e da


neurofisiologia.

Resultado disso, em 1846, a Neurologia descobre que a doença mental é fruto da


acção directa ou indirecta de diversos factores sobre as células cerebrais; Neuroanatomia
descobre que a actividade motora nem sempre está ligada á consciência para não estar
necessariamente na dependência dos centros cerebrais superiores, p.ex. quando alguém
queima a mão na chapa quente, primeiro tira a mão para depois perceber o que aconteceu,
fenómeno denominado REFLEXO, e o estímulo que chega a medula espinhal, antes de chegar
aos centros cerebrais superiores, recebe uma ordem para a resposta, que é tirar a mão;
caminho natural dos fiosologistas, estudo da fisiologia do olho e a percepção das cores –
fenómenos psicológicos. Foram importantes os estudos do psicofisiologista russo Ivan
PAVLOV sobre o reflexo condicionado.

Em 1860 é formulada uma lei no campo da psicofísica, a lei de Fechner–Weber que


estabelece a relação ESTÍMULO – SENSAÇÃO, permitindo a sua mensuração – aumento da
intensidade de uma luz e o seu efeito – com esta lei os fenómenos psicológicos vão adquirindo
status científicos, porque, para a concepção da ciência da época o que não era mensurável,
não era possível de estudo científico

Wilhelm Wundt (1832-1926), da Universidade de Leipzig, na Alemanha, cria um


laboratório para realizar experimentações na área da psicofísiologia – por este facto e da
extensa produção teórica na área é considerado o Pai da Psicologia Moderna, Psicologia
científica.

Em resultados de seus estudos Wundt desenvolve a concepção de:

 Paralelismo psicofísico: aos fenómenos mentais correspondem fenómenos


orgânicos, por exemplo, estimulação física: picada de agulha na pele teria uma
correspondência na mente deste indivíduo.

 Método: para explorar a mente ou a consciência do indivíduo, Wundt, cria um


método que denomina introspecionismo – o experimentador pergunta ao sujeito,
especialmente treinado para a auto-observação, os caminhos percorridos no seu
interior por uma sensorial (a picada de agulha por exemplo).

A PSICOLOGIA CIENTÍFICA

O berço da Psicologia moderna foi a Alemanha de final do século 19. Wundt, Weber e
Fechner trabalharam juntos na Universidade de Leipzing – seguiram para aquele País muitos
estudiosos dessa nova ciência; como o inglês Edward B. Titchner e o americano William
James.

Seus status de ciência é obtido a medida que se “liberta” da filosofia, que marcou a sua
história até aqui e atrai novos estudiosos e pesquisadores , que sob novos padrões de
produção de conhecimento, passam a:

 Definir seu objecto de estudo (comportamento, a vida psíquica, a consciência)

 Delimitar seu campo de estudo, diferenciando-o de outras áreas de conhecimento


como a Filosofia, Fisiologia

 Formular métodos de estudo deste objecto

 Formular teorias enquanto um corpo consistente de conhecimento na área


A Psicologia científica nasce na Alemanha mas se desenvolve, cresce rapidamente nos
Estados Unidos como resultado de grande avanço económico colocado na vanguarda do
sistema capitalista. É ali que surgem as primeiras abordagens ou escolas em psicologia, as
quais deram origem ás enumeras teorias que existem actualmente. Essas abordagens são:

O Funcionalismo, de William James (1842-1910)

O Estruturalismo, de Edward Titchner (1867 – 1927)

O Associacionismo, de Edward Thorndike (1874-1949)


As Primeiras Abordagens Teóricas da Psicologia

As primeiras abordagens ou escolas em psicologia, as quais deram origem às


enumeras teorias que existem actualmente são consideradas como tendo sido as seguintes:
O Funcionalismo (Escola funcionalista)

Primeira sistematização genuinamente americana de conhecimentos em Psiclologia –


numa sociedade que exigia o pragmatismo para o seu desenvolvimento económico acaba por
exigir dos cientistas americanos o mesmo espírito. Portanto, para a escola funcionalista de
James importa responder “o que fazem os homens e “por que o fazem”. Para responder a isto,
James elege a consciência como o centro de suas preocupações e bisca a compreensão do
seu funcionamento, na medida em que o Homem usa para adaptar-se á realidade.
O Estruturalismo

Começa com Wundt e continua com Titchner, os quais definem como o objecto de
estudo da psicologia também mas focalizando os seus aspectos estruturais, isto é os estados
elementares da consciência como estrutura do SNC. Inaugurada por Wundt mas somente o
seu seguidor Titchner usa o termo estruturalismo pela primeira vez para diferenciá-lo do
funcionalismo. O método de observação de Titchner, assim como o de Wundt, é o
introspeccionismo, e os conhecimentos psicológicos produzidos são eminentemente
experimentais, isto é, produzidos a partir do laboratório.
O Associacionismo

Edward Thorndike, primeiro fundador de uma teoria de aprendizagem na Psicologia de


aprendizagem na Preocupação da aplicação prática da psicologia e não só especulação
filosófica.

Associacionismo origina-se da concepção de que a aprendizagem se dá por processo


de associação das ideias mais simples ás mais complexas. Assim para aprender algo
complexo precisamos de aprender as ideias simples associadas aquele conteúdo.

Thorndike formula a “lei de efeito” que seria de grande importância na psicologia


comportamentalista. De acordo com essa lei “todo o comportamento de um organismo vivente
tende a se repetir, se nós o recompensarmos (efeito) o organismo assim que repetir/emitir o
comportamento. Por outro lado o comportamento tenderá a não acontecer, se o organismo for
castigado (efeito) após a sua ocorrência. (ex. se apertarmos o botão da rádio formos premiados
pela música, em outras oportunidades apertaremos o mesmo botão, bem como
generalizaremos essa aprendizagem para outros aparelhos, como toca discos, gravadores,
etc.
As Principais Teorias da Psicologia do Século XX

A psicologia enquanto ramo da Filosofia estuda a alma, a psicologia científica que


Wundt preconiza, a “psicologia sem alma”, o conhecimento científico produzido no laboratório
com uso de instrumentos de medição/mensuração. Da subordinação á Filosofia a Psicologia se
liga á medicina, usando o método de investigação das ciências naturais como critério rigoroso
da construção do conhecimentos.

A psicologia científica, que se constituiu de 3 escolas (Associacionismo, Estruturalismo


e Funcionalismo) foi substituída neste século XX, por novas Teorias.

As três mais importantes tendências teóricas da psicologia neste século consideradas por
enumeros autores são: Behaviorismo, Gestaltismo e a Psicanálise.
O Behaviorismo ou Comportamentalismo

O Comportamentalismo, ou Teoria S-R do inglês Stimuli – Response, nasce com o


americano Watson e se desenvolve na Ámerica em funcao das aplicacoes práticas, tornou-se
importante por ter definido o facto psicológico de modo concrecto a partir da nocao de
comportamento (behavior).

Em 1913, o americano John Watson numa revista intitulada “Psicologia – como os


behaviorista a veêm”, inaugura o termo behaviorismo. Behavior, comportamento postulado por
Watson como objecto da Psicologia, dá á psicologia a consistencia procurada por séculos:
objecto observavel, mensurável cujos experimentos poderiam ser reproduzidos em diferentes
condicoes e sujeitos.

O carácter observável do objecto contribui para o alcance de status da ciência da


psicologia, ou seja para a ruptura “definitiva” com a filosofia. Watson defende uma perspectiva
funcionalista para a psicologia, isto é, o comportamento deveria ser estudado como funcao de
certas variáveis do meio.

Watson busca uma psicologia sem alma e sem mente, livre de conceitos mentalistas e
métodos subjectivos e que tenha a capacidade de prever e controlar.

R – S + para referir-se ao que o organimo faz e as variáveis ambientais que interagem


com o sujeito
Comprtamento – unidade básica de descricao = ponto de partida para o
desenvolvimento da ciência do comportamento

O comportamentalismo nega o estudo da consciência: o comportamentalismo


representa uma reviravolta radical no que se refere ao objecto de estudo da psicologia, do
momento em que se limita ao estudo do comportamento observável e nega o estudo da
consciência. Watson afirmou que a psicologia deve considerar-se a ciência do do
comportamento, pois a “consciência” e a alma são objectos de pesquisa inconsistentes para
uma ciência empírica. Segundo Watson, a tarefa da psicologia consistia no estudar as relações
cientificamente determinadas entre as situações estimulantes (S) e a reacção provocada (R):

 Paradigma comportamentalista: Estímulo (S) Resposta (R)

Estudadas as conexões, os seus mecanismos, e identificadas as leis , pode-se explicar


cada uma das reacções como resultado de um determinado estímulo e poder prever qual
reacção pode seguir uma determinada situação estimulante.

Os comportamentalistas admitem entre o estímulo e a resposta esteja presente a


actividade do cérebro e do SNC, mas afirma que tal actividade está fora do alcance e que a
psicologia não deve interessar-se daquilo que acontece dentro do organismo (processos
neurofisiológicos, processos inconscios, etc.). Concessão esta dita “black box” sustenta que
a psicologia deve interessar-se daquilo que entra (input) na “caixa preta” e daquilo que sai
(output) sem ter que se ocupar necessariamente da complexa actividade desenvolvida pelo
cérebro no seu interior. Deste modo os comportamentalistas reduzem o âmbito da psicologia
somente ao estudo do comportamento observável mediante o uso dos métodos objectivos de
verificação, estudando a regularidade do comportamento independente dos correlatados
neurofisiológicos.

“black box”

Estimulo(R)
Resposta(R)

Processos neurofisiológicos
Processos inconscientes

O quadro negro representa a “blac box” ou seja simboliza tudo aquilo que não é do
interesse para o estudo do psicólogo comportamentalista.
Análise experimental do comportamento

Frederik SKINNER (1904-1990), americano, é considerado o mais importante sucessor


de Watson. A sua teoria tem até hoje uma influência. Inaugura o behaviorismo radical, termo
cunhado pelo próprio Skinner em 1945, para designar uma filosofia da ciência do
comportamento (que ele se propôs defender) por meio da análise experimental do
comportamento. Algumas noções importantes no behaviorismo de Skinner são:

COMPORTAMENTO OPERANTE: base da corrente formulada por Skinner, entendendo


este conceito é necessário retroceder aos conceitos de comportamento reflexo ou
respondente.

1) comportamnto respondente: usualmente chamada de “não voluntário”e inclui as


respostas que são (“produzidas”) por estímulos antecedentes do ambiente ---
interacção estímulo –resposta (ambiente – sujeito) incondicionadas (não dependem da
aprendizagem (limão -salivação; ou as famosas “lágrimas de cebola”, etc.

Reflexos condicionados – estímulos acompanhados/pareados com outros que produzem


resposta.

2) comportamento operante ( tem efeito sobre o mundo: ex: tocar um instrumento


musical)

Nos anos de 1930, na Universidade de Haward (EUA), Skinner desenvolvendo o seu


trabalho de estudo do comportamento respondente, teoriza sobre um outro tipo de relação
indivíduo-ambiente, a qual viria a ser nova unidade de análise da ciência: comportamento
operante, o qual teria a maioria das nossas interacções com o ambiente – comportamento
operante opera sobre o mundo, por assim dizer, quer directa quer indirectamente e abrange um
leque amplo de actividade humana, da actividade do recém nascido (balbuciar, acatar-se a um
objecto, etc.) aos mais sofisticados apresentados pelo adulto.

Para Keller o comportamento operante inclui todos os movimentos de um organismo


dos quais se possa dizer que, em algum momento, têm efeito sobre ou fazem algo ao mundo
em redor. O comportamento operante opera sobre o mundo, por assim dizer, quer directa, quer
indirectamente”.
A Psicologia da Forma: A Escola da Gestalt

Gestalt é um termo alemão que se pode traduzir como «forma»; «figura»;


«configuração»; entendendo também um aspecto de organização da que se entende melhor
quando se fala da percepção visível;

As principais figuras da Gestal são os alemães: Max Wertmeir, Wolfgang Kohler e


Kurt Kofka.

A Gestalt nega decompor a consciência nos seus elementos mais elementares, nega a
concepção e métodos que discendem deste estudo e que tendem a uma teoria elementista

Os psicólogos da gestalt estudam em particular os processos cognitivos em particular


a percepção visual e o pensamento

Conceito fundamental da psicologia da forma é o aforisma: «o todo é mais da soma


das partes» atraverssa todos os escritos da Gestalt

A B

As leis da percepção visiva: são leis sobre a constituição das totalidades percepctivas
que eram chamadas Gestalten ou factores estruturantes. Essas leis afirmam que as partes de
um campo perceptivo tendem a constuir outras gestalts (formas unitárias) que são de tal forma
coerentes e unidas, quanto mais os elementos são
1. vizinhos (lei da aproximação)
2. semelhantes (lei da semelhança)
3. tendem a forma formas fechadas (lei do fechamento)
4. dispostos ao longo duma mesma linha (lei da continuação)
A Psicanálise/Freud

Sigmund FREUD (1856-1939), médico vienense (Aústria), alterou, radicalmente, o


modo de pensar a vida psíquica. Freud ousou colocar os “processos misteriosos” do
psiquismo”, suas “regiões obscuras”, isto é as fantasias, os sonhos, os esquecimentos, a
interioridade do homem, como problemas científicos. A investigação sistemática destes
problemas levou Freud á criação da Psicanálise.

Freud emprega o termine Psicanálise pela primeira vez em 1896. A Psicanásile


constituiu-se como método e como teoria, e ainda como terapia. Como método consiste na
interpretacao e busca do significad ooculto daquilo que é manifesto por meio de palavras ou
accoes e como teoria pode ser definida como um conjunto de conhecimentos, sistematizados
sobre o funcionamento da vida psiquica.

Freud, como hebreu, herdou uma rica tradição do pensamento hebraico, e por outro
lado, de formação clássica (filosofia antiga) e perito linguista, ele veio a contacto com a
literatura antiga e moderna. Sobre esta base assentaram-se os seus estudos de medicina e
ciências naturais, no campo da fisiologia, neurofisiologia e farmacologia. Teve o mérito de ter
descoberto a sexualidade (base fundamental de seus estudos), embora este fosse um tema
debatido antes da publicação do sua obra intitulada ”os três ensaios sobre a teoria sexual”.

Freud postula o inconsciente como objecto de estudo da Psicologia, da mesma forma


que quebra a tradição da psicologia como uma ciência da consciência e da razão.

A Teoria da Personalidade segundo Freud

Freud considerava a personalidade constituída de três grandes sistemas/estruturas cada um


com sistemas próprios mas integrados: ID, EGO e SUPEREGO.

O Id

O ID ou incosciente (infra-eu) é o núcleo primitivo da personalidade. Não sofre as


influências das forças sociais e conscientes que forma o indivíduo. A sua preocupação é
satisfazer as necessidades instintivas de acordo com o princípio de prazer. O id é a estrutura
original básica e mais central. As leis lógicas do pensamento não se aplicam ao id. O id é a
sede das pulsões e dos desejos recalcados e representações recalcadas (recalcamento =
processo mental pelo qual pensamentos insuportáveis ao eu consciente são reprimidos)
(agressivas e sexuais). Não conhece juízos de valor, nem o bem do mal, nenhuma moralidade.
Os conteúdos do id são quase todos incoscientes, assim como o material que foi considerado
inaceitável pela consciência. O id não suporta energia de muita tensão e o seu objectivo é
reduzir a tensão dolorosa aos baixos níveis possíveis. O Id é baseado no princípio do Prazer.

Ego (Eu)
O Ego é a consciência propriamente dita . É a personalidade enquanto actua no
momento presente. Caracteriza-se pela actividade consciente (percepções exteriores e
elaboração de processos intelectuais) e a capacidade para estar em contacto com a realidade
exterior. O Ego é dominado pelo princípio da realidade (pensamentos objectivos, actos
socializados, actividade racional e verbal). Também caracteriza-se pelo estabelecimento de
mecanismos de defesa contra as invasões da pulsão. As funções básicas do ego são:
percepção, memória, sentimento, pensamento. Em suma, o ego tem a função de ajustar o
homem ao meio da realidade física e social em que vive. É um instrumento de adaptação do
indivíduo ao meio. O Ego é baseado no princípio do Realidade.

O Ego, orientado à realidade do mundo que o circunda, é a chave da adaptação que


procura de mediar as pressões ditadas pelo princípio de prazer, a busca do prazer e da
gratificação imediata, com as exigências impostas pelo principio da realidade, provenientes do
mundo externo. O ego utiliza a angústia como sinal de alarme diante dos perigos do mundo
interno (pulsional), por outro lado, organiza mecanismos de defesa que consentem de moderar
as exigências do Id com aquelas do mundo externo.

Os mecanismo de defesa: são mecanismos que o indivíduo usa para deformação da


realidade, ou melhor, são processos realizados pelo ego e são inconscientes, isto é, ocorrem
independentemente da vontade do indivíduo. Os mais comuns são:
o Recalcamento
o Formação reactiva
o Regressão
o Projecção
o Racionalização
o Sublimação
o Negação

Super-Ego (super-eu)

O super-ego é o resultado da interiorização de censuras que a criança faz suas


(identificação) e que lhe vêm dos pais ou do meio ambiente. O conteúdo do super-ego refere-
se a exigências sociais e culturais. Representa o ideal do que é real. É defensor dos impulsos
rumo a perfeição. Origina-se com o complexo de Edipo, a partir da interiorização das
proibições, dos limites e da autoridade. O super-ego é o depósito das normas morais e
modelos de conduta. As suas funções são a consciência, a auto-observação e a formação das
ideias. Podemos afirmar que o Super-Ego é baseado no princípio da Moralidade/sociabilidade.

A combinação das três camadas, segundo Freud constitui factor importante para a
formmação e estruturação da Personalidade.

As investigações sobre os conteúdos do Id, conduziram Freud à formulacão duma


doutrina geral das pulsoes nas quais a libido exprime-se percorrendo as zonas eróticas, cada
uma das quais representa uma determinada fase de evolução (os estadios do desenvolvimento
psicosexual). O desenvolvimento da libido pode acontecer naturalmente ou enfrentar bloqueos
por interferência da fixação o da regressão que bloqueiam o desenvolvimento psiquico e o
reconduzem a fases precedentes, com consequências na formacao de sintomas nevróticos.
Esta postulação chamou-se de teoria das pulsões.

O princípio do Prazer e o principio da Realidade

Contudo, segundo Freud, o bebé no nascimento é dominado duma unica estrutura de


personalidade, o Id, fonte originaria de todas as motivacoes e energias. Ele procura de realizar
esta desvarga de enrgia sem preocupar-se daquilo que é realizável o socialmente aprovável. O
seu modo de funcionamento e regulado pelo principio de prazer, que procura a gratificacao
imediata e completa das pulsoes. Mas desde o inicio dos primeiros meses de vida estas
tentativas de obter uma gratificação imediata são frustradas ou punidas. Estas experiencias
contribuem para a formação do ego (eu), o qual é governado pelo principio de realidade.
TEMA 2:
O DESENVOLVIMENTO PSIQUICO E DA CONSCIÊNCIA HUMANA

(Evolução psíquica dos indivíduos)

A evolução psíquica dos indivíduos depende da maturação e do desenvolvimento


genético; dos estímulos sociais e afectivos.
O Homem como Unidade bio-psico-social

Todo ser humano à nascença já constitui-se como indivíduo, com qualidades de


integridade próprias, particularidades que o distinguem dos outros. O mesmo não se pode dizer
em relação à Personalidade. O ser humano forma sua personalidade em resultado da sua
constituição biológica (características herdadas), das influências do meio social e cultural do
contexto em que se encontra (aquisições do meio), assim como das experiências de vida
(desenvolvimento), e sempre considerando seu desenvolvimento psicológico (estabilidade
emocional, de sentimentos). Por tal se diz ser uma unidade bio-psico-social.

Alguns termos importantes para compreender o desenvolvimento humano:

Desenvolvimento: é o conjunto de fases pelas quais o indivíduo passa ao longo do seu


ciclo de vida. É um processo multidimensional que engloba os aspectos físicos (crescimento);
fisiológicos (maturação), psicológicos (cognitivos e afectivos), sociais (socialização), e culturais
(aquisição de valores, normas).

Maturação : é a dimensão fisiológica do desenvolvimento. Refere-se ao grau de


prontidão funcional dos diversos sistemas do organismo, nomeadamente do sistema nervoso.
É que torna possível determinado padrão de comportamento. (por exemplo, a alfabetização
das crianças depende da maturação neurofisiológica para manejar o lápis, e segurá-lo com as
mãos é necessário um desenvolvimento neurológico o que a criança de 1 ou 2 anos não possui
ainda.

Maturidade: é o estádio de desenvolvimento do indivíduo indispensável para a


execução de determinada tarefa, actividade ou função.

Estado etário: fase de maturação e estruturação (anatómica, fisiológica, psíquica)


correspondente a idade ou nível de desenvolvimento do indivíduo.

A Vida Antes do Nascimento (o Desenvolvimento Pré-Natal)


O desenvolvimento pré-natal (gestação) é o período compreendido entre a fecundação
e o parto. Este pode ser dividido em três períodos:

O zigoto

O zigoto forma-se após a fecundação e flutua livremente no fluido do útero. Ao fim de


cerca de duas semanas, o zigoto (ovo) fixa-se na parede do útero recebendo oxigénio e
alimentação do corpo da me. Dois ou três dias a sua implantação no útero o novo ser passa a
chamar-se embrião.

Embrião

O segundo estádio do desenvolvimento pré-natal é o estádio embrionário. Este estádio


começa cerca de duas semanas depois da fecundação, na altura em que o zigoto (ovo) se fixa
á parede uterina.

O estádio embrionário dura cerca de oito semanas depois da concepção. As primeiras


fases de vida do embrião humano apresenta características semelhantes com os outros
mamíferos. A cabeça do embrião é muito grande em relação ao resto do corpo e membros não
são diferenciados. No final deste período o organismo é claramente identificável como humano
(tem face, olhos, nariz) e passa a se designar feto.

Feto

A partir da oitava semana até ao nascimento o novo ser passa a chamar-se feto. O feto
é capaz de ouvir, movimentar os dedos (dar pontapés, fazer punho, levar o polegar a boca,
escolher a posição de dormir, etc.) sentir sabor, etc. O desenvolvimento do feto culmina com o
nascimento.

Nascimento

O nascimento é conjunto de fenómenos físicos que tem como finalidade expulsar o feto
para o exterior. Quando a criança nasce pesa normalmente 2500 gramas e a placenta para de
introduzir alimentos. Crianças com um período de gestação reduzido e peso inferior a 25000
gramas são consideradas pré-maturas.
A primeira respiração imediatamente após o parto é difícil devido o oxigénio do
ambiente que a criança recebe, pois tem inicio a respiração pulmonar. Se o pequeno cérebro
não recebe oxigénio dentro de 8 (oito) minutos pode contrair lesões.

Por regra, a primeira respiração é acompanhada por grito. O grito converte-se em


breve numa forma de manifestação de dessabores ou transtornos (indisposição, desconforto,
mal estar, alerta á mãe para acções de cuidado, isto é, um estímulo chave da mãe.

Em cada dor do parto, a criança está exposta a uma pressão com cerca de 25kg. Por
isso, partos muito prolongados ou complicados colocaram a criança provavelmente numa
situação de indisposição intensiva. O acto do nascimento por si só é uma lesão psíquica, o que
serve de base para o medo original do homem, segundo a psicanálise.

Fundamentos biológicos da conduta

Hereditariedade e comportamento: mecanismos básicos

Em última instância, as diferenças entre as espécies dependem da hereditariedade, ou


herança física . A hereditariedade compartilhada por todas as pessoas permite uma série de
actividades humanas distintas. Por termos herdados polegares opostos e dedos móveis,
aprendemos facilmente a manipular ferramentas. A heranças de imensos córtices cerebrais
permite-nos processar vasta quantidade de informação.

Além das estruturas influenciadoras e dos comportamentos comuns a todas as


pessoas, a hereditariedade modela o que é exclusivo a cada pessoa. Seus genes tem algo a
dizer sobre uma capacidade de aprendizagem e se somos ou não propensos á depressão.

Genética do comportamento

A genética do comportamento, um ramo da psicologia e também da genética, estuda as


bases herdadas da conduta e da cognição. Abrange diferenças individuais e de espécie
(evolutivas).

Os geneticistas do comportamento pressupõem que tudo o que as pessoas fazem


depende, em algum grau, das estruturas físicas subjacentes. Sua tarefa é definir exactamente
quanto de um determinado acto é modelado pela hereditariedade e quanto o é pelo ambiente.
Eles pesquisam também os mecanismos biológicos pelos quais os genes afectam o
comportamento e a cognição.
O papel da hereditariedade e do meio na conduta

Hereditariedade e do ambiente: uma parceria permanente

Estará tudo nos genes?

De acordo com Robert Plomin (1993) , talvez o principal sobre a genética do


comportamento na última década, o que os cientista verificaram a repetidas vezes foi que
hereditariedade e experiência influenciam conjuntamente muitos aspectos do
comportamento. Além disto seus efeitos são interactivos – elas jogam uma com a outra.
Por exemplo, em relação a esquizofrenia, embora a evidencia indique que factores
genéticos influenciam o desenvolvimento da esquizofrenia, do outro lado não parece que
alguém herde directamente o distúrbio mas um certo grau de vulnerabilidade a ela.
Portanto, se a vulnerabilidade vai ou não se transformar num distúrbio real, isso dependerá
das experiências de cada pessoa na vida.

O herdado e o meio: qual interacção?

O organismo e o ambiente fazem parte de um todo no qual são inter-relacionados e


em constante interacção. O meio mobiliza ou favorece disposições hereditárias, mas por
sua vez a acção do meio não é independente dessas disposições.

Por um lado, qualquer factor hereditário opera de modo diferente quando as


condições do meio ambiente variam. Por outro lado, as condições do meio ambiente exercem
diferentes influências sobre as características hereditárias.

As disposições hereditárias traçam o marco do desenvolvimento e oferecem-nos um


plano de construção do organismo. Os genes exercem um papel ou acção directiva nos
fenómenos do desenvolvimento embrionário e, especialmente, dos primeiros anos de vida,
isto é, não se transmitem qualidades já desenvolvidas, mas apenas disposições ou
possibilidades para configurar essas qualidades. Por exemplo, a estatura de um indivíduo
depende de toda a carga genética, mas além disso, variará, entre outros factores de acordo
com a alimentação recebida nos primeiros anos de vida e com as vicissitudes do
desenvolvimento glandular posterior.
Herança e meio são factores que contribuem para a formação do novo ser e se
misturam de tal modo que é difícil distinguir o que corresponde a um e ao outro;

Não podem ser considerados opostos ou antagónicos mas complementares;

Era comum considerar a herança é rígida, fixa, imutável, irreversível algo como
código ou lista de instruções e procedimentos que não admite modificações e na qual
cada “instrução” age de modo independente das demais mas hoje tal posição não se
sustenta por que também os genes podem sofrer uma mutação, brusca ou não.

Portanto, Dizer que um os “genes influenciam x ou y” não quer dizer que os “genes
determinam x ou y”. Tão pouco quer dizer que o ambiente tenha pouca influência sobre a
qualidade em questão. Do início até ao fim da vida, os organismo estão denso constantemente
moldados tanto pela hereditariedade como pelo ambiente. A natureza e a extensão de uma
influência sempre depende da contribuição da outra.

Princípio fundamental da psicologia

O princípio fundamental e o seu axioma principal é o de que o organismo é produto


da hereditariedade em interacção com o meio e com o tempo, isto é, o comportamento
não é resultado de uma única causa , mas sim de causas múltiplas (biológicas, sociais,
culturais, ...). é o resultado da hereditariedade a interagir com o meio e com o tempo.

O nosso potencial hereditário pode ser enriquecido ou empobrecido dependendo do


tipo, quantidade e qualidade dos nossos encontros com o meio e depende do momento em que
estes encontros ocorrem. É pela interacção entre determinantes da hereditariedade e a
influência do meio que o indivíduo se forma, desenvolve e realiza.

Não se pode limitar aos aspectos educativos e os sócio-culturais pós-natais, os


aspectos físicos, biológicos (alimentares, etc.), e psico-afecivos (emocionais) dos primeiros
tempos da vida, nomeadamente pré-natais e perinatais são fundamentais na formação de
todas as características do indivíduo.

Psicofisiologia do sistema nervoso


A comunicação no sistema nervoso é central para o comportamento. Em breves
anotações examinaremos a organização do sistema nervoso.

Especialistas acreditam que há de 85 a 180 bilhões de neurônios no cérebro humano.


Obviamente isto é apenas uma estimativa. Se os contássemos sem parar a proporção de um
por segundo, estaríamos contando por cerca de 6 mil anos! Multidões de neurônios no sistema
nervoso têm de trabalhar junto para manter a informação fluindo eficientemente. Para fazer
isso, eles estão organizados em equipes, várias das quais têm funções e deveres
especializados que dependem, antes de tudo, de sua localização.

Sistema nervoso central

O sistema nervoso central (SNC) é a porção do sistema nervoso que fica dentro do
crânio e da coluna espinhal. Assim, o SNC compreende o cérebro e a medula e a medula
espinhal. O SNC é banhado na sua “sopa” nutritiva especial chamada fluido cérebro-
espinhal (FCE). Este fluido alimenta o cérebro e fornece-lhe uma protecção. Embora derivado
do sangue, o FC é cuidadosamente filtrado.

Para entrar no FCE, as substâncias do sangue têm de passar pela barreira cérebro-
sanguínea, um mecanismo membranoso semipermeável que impede a passagem de
certas substâncias químicas entre a corrente sanguínea e o cérebro. Esta barreira evita
que algumas drogas entrem no FCE e afectem o cérebro.

A medula espinhal

A medula espinhal liga o cérebro ao resto do corpo através do sistema nervoso


periférico. Embora se pareça com um cabo do qual os nervos somáticos saem, ela é parte do
sistema nervoso central e vai desde a base do cérebro até um nível abaixo da cintura,
abrigando aglomerados axônios que carregam os comandos do cérebro aos nervos periféricos
e conduzem sensações de periferia do corpo cérebro. Muitas formas de paralisia resultam de
danos na medula espinhal, facto que ressalta o papel crítico que ela representa na transmissão
de sinais do cérebro aos neurônios que movem os músculos do corpo.

O cérebro
Evidentemente, a glória suprema do sistema nervoso central é o cérebro, que,
anatomicamente, é a parte do sistema nervoso central que preenche a porção superior do
crânio. Embora pese apenas cerca de 2 quilos e possa ser carregado em uma das mãos, ele
contém bilhões de células que interagem, integram informação de dentro, coordenam as
acções do corpo e nos capacitam a falar, pensar, recordar, planear, criar e sonhar.

O Sistema Nervoso Periférico

O primeiro e mais importante corte separa o sistema nervoso central (cérebro e medula
espinhal) do sistema nervoso periférico . o sistema nervoso periférico é formado por todos
os nervos que ficam fora do cérebro e da medula espinhal. Nervos são aglomerados de
fibras de neurônios (axônios) que estão no sistema nervoso periférico. Essa porção do
sistema nervoso é exactamente o que parece, a parte que se estende para a periferia (parte de
fora) do corpo. O sistema nervoso periférico pode ser subdividido em dois : somático e
autônomo.

Sistema nervoso somático

O sistema nervoso somático é formado por nervos que se conectam aos músculos
esqueléticos voluntários e aos receptores sensoriais. Estes nervos são os cabos que
carregam informação dos receptores na pele, músculos e juntas ao sistema nervoso central e
também ordens do sistema nervoso central aos músculos. Estas funções requerem dois tipos
de fibras nervosa:

Aferentes, que são axônios que carregam informação para dentro do sistema nervoso
central da periferia do corpo;

Os eferentes, que são axônios que carregam informações para fora do sistema nervoso
central para a periferia do corpo.

O sistema nervoso somático permite que nos sintamos e movamos no mundo.

Sistema nervoso autônomo

O sistema nervoso autónomo é formado de nervos que se ligam ao coração, aos vasos
sanguíneos, aos músculos lisos, e ás glândulas.
Como o próprio nome indica, é um sistema separado (autónomo), embora seja
principalmente controlado pelo sistema nervoso central. O sistema nervoso autónomo controla
funções automáticas , involuntárias, em que normalmente as pessoas não pensam, como a
batida cardíaca , a digestão e a transpiração. Ele intermédia muito do despertar fisiológico, que
ocorre quando as pessoas experimentam emoções. Imagine-se, por exemplo, caminhando
para casa sozinho a noite, quando uma pessoa, de aparência pobre aparece atrás de nós e
começa a seguir-nos. Caso sintamo-nos ameaçados, a nossa batida cardíaca e respiração
intensifar-se-ão. A nossa pressão sanguínea poderá subir, possivelmente sentiremos arrepios,
e as palmas das mãos poderão começar a transpirar. Estas reacções difíceis de controlar são
aspectos do despertar autónomo.

O sistema nervoso autónomo pode ser dividido em dois ramos: simpático e


parassimpatico.

Sistema nervoso simpático

É o ramo do sistema nervoso autónomo que mobiliza os recursos do corpo para a


emergência. Ela cria a reacção de luta ou fuga. A activação deste sistema desacelera
processos digestivos e drena o sangue da periferia, diminuindo o sangramento em caso de
ferimento.

Os nervos simpáticos principais enviam sinais ás glândulas supra-renais, liberando as


hormonas que preparam o corpo para o esforço.

Sistema nervoso parassimpático

É o ramo do sistema nervoso autónomo que geralmente conserva os recursos


corporais. Ela activa processos que permitem ao corpo economizar e armazenar energia. Por
exemplo, acções dos nervos parassimpáticos diminuem o ritmo cardíaco, reduzem a pressão
sanguínea e promovem a digestão.

Desenvolvimento filogenético do psíquico


Dependência da psique ao meio

A extraordinária variedade que o meio ambiente tem (clima, condições de vida)


suscitou a diferenciação dos organismos (na terra vivem milhões de espécies de animais).
Entre toda a multiplicidade de fenómenos terrestres, existem suas mudanças cíclicas anuais, a
mudança do dia e da noite, as mudanças de temperatura etc., e todo o organismo vivente
adapta-se as condições existentes.

Uma modificação brusca do ambiente provoca no animal ou o seu desaparecimento. O


meio e a condição de existência do organismo vivo, e o factor mais importante para
determinar a vida dos seres viventes, ou seja, dito em outras palavras, a existência dos
organismos viventes esta condicionada causalmente pelo meio ambiente. Quanto mais
alta e a capacidade do reflexo dentro de um determinado meio, mais livre e a espécie do influxo
do meio.

A psique e a evolução do sistema nervoso

Para que haja um reflexo adequado e necessário antes de mais uma estrutura dos
órgãos de sentido e do sistema nervoso. O grau de desenvolvimento dos órgãos de sentido e
do sistema nervoso determina constantemente o grau e a forma do reflexo psíquico.

Em corresponderia com o desenvolvimento do sistema nervoso se tem mais completas


as formas do reflexo psíquico ou seja quanto mais completo e o sistema nervoso tanto mais
perfeita e a psique.

A evolução da psique não ë linear, ate que se aperfeiçoe em diferentes direcções. Num
mesmo meio habitam animais com os mais variados níveis de reflexo e ao contrario, em meios
diferentes podem-se encontrar diferentes tipos de animais com níveis de reflexo semelhantes.

O meio, como a mateira, não e invariável, ele evolui. A este meio em evolução adapta-
se a espécie animal que nele habita. Pode acontecer, sem duvidas, que o meio radicalmente
se modifique para alguns animais e isto influencia no desenvolvimento das funções psíquicas,
ao mesmo tempo, a mudança ocorrida não exerce uma influencia determinante no
desenvolvimento das funções dos outros animais.

O Surgimento da consciência no processo da actividade humana


Consciência

A psique como conjunto de reflexos da realidade no cérebro dos homens caracteriza-se


por possuir diferentes níveis.

O mais alto nível da psique, que é próprio do Homem, forma a consciência. A


consciência e a forma superior integrante da psique do Homem que se forma como resultado
das condições historico-sociais na actividade laboral e na permanente comunicação oral com
as demais pessoas. Neste sentido, pode-se dizer que a consciência e em ultima instancia
(como dizem os clássicos marxistas) um produto social, a consciência e a existência
consciente.

Diferença entre psique humana e psique animal

Sem duvidas existe uma imensa diferença qualitativa entre a psique humana mais
altamente organizada e a psique animal. Assim não e possível fazer uma comparação
entre “linguagem” dos animais e a linguagem humana, pois enquanto o animal com a sua
linguagem pode somente emitir sinais a seus congéneres, em relação a fenómenos
limitados por uma situação imediata, directa, pelo contrario o Homem pode informar a
outras pessoas com ajuda da linguagem, sobre o passado, o presente, o futuro e transmitir
aos outros a experiência social.

Mediante muitas pesquisas os investigadores mostraram que o pensamento pratico e


somente próprio aos animais superiores. Nenhum investigador observou a forma abstracta do
pensamento no estudo da psique dos animais. O animal pode somente actuar dentro das
marcas duma situação visivelmente percebida, da qual não pode abstrair e da qual não pode
assimilar os princípios abstractos. O animal e escravo da situação percebida de forma
imediata. A conduta do Homem caracteriza-se pela sua capacidade de abstrair-se ou
afastar-se duma situação concreta dada e prever as consequências que podem surgir em
relação a dita situação.

Desta forma, o pensamento concreto ou pratico dos animais e somente a sua


impressão directa sobre a situação dada, enquanto que a capacidade do Homem de pensar
abstractamente supera a dependência directa da situação dada. O Homem e capaz de
enfrentar não somente as influencias directas do meio, mas também pode prever
aquelas que podem suceder. O Homem tem a capacidade de abstrair em
correspondência com a necessidade conhecida, ou seja conscientemente. Esta e a
primeira distinção entre a psique humana e a psique animal;

- A outra diferença e que o Homem tem a capacidade de criar e


conservar ferramentas. O animal cria instrumentos ou ferramentas numa situação concreta.
Fora desta dada situação concreta o animal nunca identifica os instrumentos, nem se
aproveita deles, uma vez que o instrumento joga um papel naquela dada situação, que
mediatamente deixa de existir para as outras situações;

- Os homens criam instrumentos de acordo com um plano previsto


anteriormente, utiliza estes instrumentos segundo o fim a que estão destinados, e os
conserva; e todo o homem adquire experiência com os outros homens no uso destes
instrumentos;

- A transmissão das experiências sociais, caracteriza o homem o qual


dispõe duma experiência acumulada pelas gerações anteriores. As experiências sociais
transmitidas ao homem desenvolvem-se em grande parte na psique. Desde a mais tenra idade
a criança aprende a dominar as formas de utilização dos instrumentos e as formas de trata-los.
As funções psíquicas do homem mudam qualitativamente graças ao domínio de cada
sujeito em particular sobre os instrumentos do desenvolvimento cultural da
humanidade. E no homem se desenvolvem as funções superiores propriamente humanas
(linguagem, memória, pensamento atenção).

- A quinta distinção entre a psique humana e animal são os sentimentos:


para o homem e animais superiores o sentimento e mais daquilo que ocorre em seu redor, os
objectos e os acontecimentos podem suscitar nos animais e homens determinados tipos de
reacções dependendo daquilo que os influencia, ou emoções positivas e negativas. Sem
duvidas somente no homem pode existir a capacidade de sentir pena ou alegria sobre o outro
Homem, somente o homem pode experimentar determinados sentimentos ao tomar
consciência de algum aspecto vital nisto.

Terorias de Desenvolvimento do Psiquico

Teoria: forma de explicação dos factos, de forma unitária, coerente, livre de contradições
internas e que conduza a descoberta de novos factos.
A questão da abordagem do desenvolvimento do psíquico, é ainda, polémica pela existência de
várias teorias do mesmo desenvolvimento, que estão divididas em grupo.

Teorias endogénicas

O desenvolviemento psíquico é feito dependentemente de factores bilógicos: a


hereditariedade e as predisposições inatas tornam lugar de relevo. O desenvolvimento do
Homem está programado e preformado pelas disposições. Segundo esta teoria, os factores do
meio ambiente são apenas um atributo subordinado, as aptidões e qualidades psicológicas da
personalidade são reduzidas aos instintos inatos de acordo com Mendel, Weisman e Morgan.

Teorias exogénicas

O Homem seria no momento do nascimento uma tábua rasa, pelo adestramento e


hábito poder-se-ia fazer-se tudo quando são aplicados os métodos respectivos. Este grupo de
teroias acentua o meio ambiente em que decorre o desenvolvimento comparativamente aos
outros factores como força determinante de desenvolvimento psíquico.

O desenvolvimento é mais ou menos directamente reduzido á educação e formação. Contudo a


criança e o jovem são considerados como objectos positivos das influencias externas e deste
modo expostos a métodos mecânicos de educação, segundo Watson.

Teorias de convergências

O desenvolviemento do psíquico é resultado de uma convergência de factores


hereditários e factores ambientais. Logo, o desenvolvimento do psíquico da criança e do jovem
é resultado de forças desiguais da hereditariedade e do meio ambiente. Significa que, o
desenvolvimento do psíquico é determinado pela cooperação de dois factores principais:
hereditariedade e meio ambiente (Stern).

Estas teorias defendem que, no desenvolviemento do psíquico deve-se distinguir os


processos de maturidade e os processos de aprendizagem. Os processos de maturidade são
biologicamente condicionados. Enquanto que os factores de aprendizagem estão sujeitos a
regularidades sociais. Portanto, o desenvolvimento psíquico seria condicionado pelos factores
biológicos e de assimilação.

Tema 3. PSICOLOGIA EVOLUTIVA OU ESTUDO DO DESENVOLVIMENTO

O desenvolvimento humano refere-se ao desenvolvimento mental e ao crescimento


orgânico. O desenvolvimento mental e uma construção continua, que se caracteriza
pelo aparecimento gradativo de estruturas mentais. Algumas dessas estruturas
permanecem ao longo de toda a vida (...)

Conceito de desenvolvimento

Tradicionalmente, na literatura psicológica encontramos definidos:

o desenvolvimento: como o processo de crescimento e diferenciação


continuadas no tempo, resultado da maturação biológica e da interacção com o
ambiente e

a psicologia do desenvolvimento: de consequência, como aquele sector da


psicologia que estuda o processo e organização do indivíduo desde o nascimento
ate a idade adulta.

Durante o arco da vida a personalidade vai adquirindo, atrevas de processos


evolutivos seja biológicos que psicológicos, uma maior e mais eficiente harmonização
das energias que se dispõem, com uma crescente possibilidade seja de autonomia e
de novos de compreensão seja de participação afectiva e de socialização com o
mundo.

Uma das consequências desta afirmação e que os seres humanos tornam-se


sempre mais complexos na medida em que se desenvolvem. Não só, mas se o Homem
e uma criatura admiravelmente complexa, não menos surpreendente o e também a
pequena criatura, que e o recém nascido, desde os primeiros instantes em que vê a
luz.

Factores que influenciam o desenvolvimento e crescimento humano

Vários factores indissociados e em permanente interacção afectam todos os


aspectos do desenvolvimento. São eles:

 Hereditariedade

A carga genética estabelece o potencial do indivíduo, que pode ou não


desenvolver-se. Existem pesquisas que comprovam os aspectos genéticos da
inteligência. No entanto, a inteligência pode desenvolver-se aquém ou alem do seu
potencial, dependendo das condições do meio que encontra.

 Crescimento orgânico

Refere-se ao aspecto fisco. O amadurecimento de altura e o estabilização do


esqueleto permite ao indivíduo comportamentos e um domínio do mundo que antes
não existiam. Pense nas possibilidades de descobertas de uma criança, quando
comera a engatinhar e depois de andar, em relação a quando uma criança estava no
berço com alguns dias de vida.

 Maturação neurofisiologica

E ‘ o que torna possível determinado padrão de comportamento. A


alfabetização das crianças, por exemplo, depende dessa maturação. Para segurar o
lápis e maneja-lo como nos, e necessário um desenvolvimento neurológico que a
criança de 2, 3 ano não tem. Observe como ela segura o lápis.

 Meio
O conjunto de influencias e estimulações ambientais altera os padrões de
comportamento do indivíduo. Por exemplo, se a estimulação verbal for muito intensa,
uma criança de 3 anos pode ter um repertório verbal muito maior do que a media das
crianças de sua idade, mas, ao mesmo tempo, pode não subir e descer com uma
facilidade uma escada, porque esta situação pode não ter feito parte de uma
experiência de vida.

Aspectos do desenvolvimento humano

O desenvolvimento humano deve ser entendido com uma globalidade, mas,


para efeito de estudo, tem sido abordado a partir de 4 aspectos básicos.

 Aspecto fisico-motor – refere-se ao crescimento orgânico, a maturação


neurofisiologica, a capacidade de manipulação de objectos e de exercício do próprio
corpo. (ex: a criança aos 7 meses consegue levar a chupeta a boca porque já tem uma
certa concordância no movimento das mãos).

 Aspecto intelectual – e a capacidade de pensamento, raciocínio. Por


exemplo, a criança de 2 anos, que usa um cabo de vassoura para puxar um brinquedo
que esta debaixo de um móvel ou o jovem que planeja seus gastos a partir de sua
mesada ou salário.

 Aspecto afectivo-emocional – e o modo particular de o indivíduo integrar as


suas experiências. E’ o sentir. A sexualidade faz parte deste aspecto. Exemplos: a
vergonha que sentimos em algumas situações, o medo em outras, a alegria de rever
um amigo querido, etc.

 Aspecto social – e a maneira como o indivíduo reage diante das situações


que envolvem outras pessoas. Por exemplo, em um grupo de crianças, no parque, e
possível observar que algumas espontaneamente buscam outras para brincar, e
algumas que permanecem sozinhas.

Analisando cada um destes aspectos descobrimos que todos os aspectos estão


presentes em cada um dos casos. Não e possível encontrar um exemplo “puro”,
porque todos estes aspectos relacionam-se permanentemente. Por exemplo, uma
criança tem dificuldade de aprendizagem , repete o ano, vai-se tornando cada vez mais
“tímida” ou “agressiva”, com poucos amigos e, um dia, descobre-se que as dificuldades
tinham origem em uma deficiência auditiva. Quando isso é corrigido todo o quadro
reverte-se. A historia pode também não ter um final feliz, se os danos forem graves.

Todas as teorias do desenvolvimento humano partem do pressuposto de que


estes quatro aspectos são indissociados, mas elas podem enfatizar aspectos
diferentes, isto é, estudar o desenvolvimento global a partir da ênfase em um dos
aspectos. A Psicanálise, por exemplo, estuda o desenvolvimento a partir do aspecto
afectivo-emocional, isto é, do desenvolvimento da sexualidade. Jean Piaget enfatiza o
desenvolvimento intelectual.

A Teoria do Desenvolvimento Cognitivo de Jean Piaget:

A influencia de Jean Piaget não tem andado longe da Freud. Nascido em


Suécia em 1896, Piaget passou a maior a parte da sua vida dirigindo um instituto de
desenvolvimento infantil em Genebra. Publicou um numero extraordinário de obras e
trabalhos científicos, não apenas sobre o desenvolvimento da criança, mas também
sobre educação, historia do pensamento, filosofia e lógica, e manteve a sua prodigiosa
produção ate a data da sua morte em 1980.

Embora Freud tenha dado tanta importância, nunca estudou directamente a


criança. A sua teoria foi desenvolvida a partir de observações feitas no decurso de
tratamento de pacientes adultos em sessões de psicoterapia. Piaget, pelo, contrario,
passou, passou a maior parte da sua vida observando o comportamento de bebes,
crianças e adolescentes. Baseou-se muito do seu trabalho em observações minuciosas
de um numero limitado de indivíduos, mais do que no estudo de grandes amostras.
Não obstante, defendia que a maioria das suas das suas principais descobertas eram
validas para o desenvolvimento das crianças de todas as culturas.

O desenvolvimento congnitivo (desenvolvimento do pensamento)

De acordo com Piaget, o desenvolvimento cognitivo é produto do equilíbrio entre


o organismo e o meio, porque a aquisição ou assimilação de conhecimentos é um
processo evolutivo de construção, na teoria epistemologica de conhecimento ou
epistemologia genética.

No desenvolvimento cognitivo colocam-se as questões como: “ como é


possível o conhecimento”? como é que os conhecimentos aumentam,
(compreensão? extensao)? quer dizer em quantidade como em qualidade.

Um conhecimento é construído com base nos conhecimentos anteriores


organizando-se em processos cognitivos segundo a adaptação do organismo ao meio.
A ideia piagetiana é estrutural ou construcionista quando evidencia a construção ou
organização de estruturas mentais ou processos cognitivos. Por outro lado, é funcional
ou psicobiologica devido a adaptação orgânica e intelectual ao meio como condições
funcionais no sentido de surgir uma organização das estruturas cognitivas. Assim, o
desenvolvimento cognitivo surge das funções de organização e de adaptação.

O desenvolvimento leva as mudanças progressivas e sequenciais na


estrutura da organização dos processos cognitivos por causa da dialéctica ou
interacção a organização e adaptação. A progressiva adaptação orgânica e intelectual
ao meio conduz ou leva a uma progressiva mudança na sequência das estruturas
cognitivas, tendo um estado mutável e não rígido.

Assim, o processo de adaptação realiza-se por meio de equilíbrio entre


assimilação e acomodação. O equilibrio leva a aquisição de estruturas cognitivas (o
desenvolvimento cognitivo). As estruturas cognitivas se resumem em dois tipos:
esquemas e conceitos.
Um esquema é um conjunto de regras que define um género especifico de
comportamento (actividades de chuchar, apalpar, olhar, etc.) como parte da estrutura
cognitiva da criança. Quando mais cresce, vai conhecendo o seu meio, também vai
desenvolvendo estruturas mentais (conceitos segundo Piaget), referindo aquelas
normas que descrevem acontecimentos ambientais, relações entre conceitos, seus
efeitos. Pois, a adaptação ao meio ambiente faz-se através do processo de
assimilação e acomodação.

Assimilação como processo espontâneo da criança consiste em integrar ou


interiorizar a experiência do meio ambiente onde esta inserido (processo). Consiste em
acrescentar novos elementos a um conceito ou a um esquema. Enquanto, a
acomodação refere o ajustamento desses elementos a nova situação. O ajustamento
que o indivíduo faz ao incorporar a realidade externa. Se a assimilação consiste na
capacidade do sujeito interiorizar e conceptualizar as suas experiências do meio, a
acomodação é a resposta do sujeito as exigências imediatas e constrangedoras do
meio, e o grau de adaptação aos estímulos externos , mediante a reorganização
cognitiva, em vez de respostas mecânicas.

Os estádios do desenvolvimento cognitivo

Piaget divide os períodos do desenvolvimento humano de acordo com o


aparecimento de novas qualidades do pensamentos, o que, por suas vez, interfere no
desenvolvimento global.

Piaget acentua bastante a capacidade da para entender activamente o mundo.


As crianças não observam de uma forma passiva a informação, mas seleccionam e
interpretam o que vêem, ouvem e sentem acerca do mundo que as rodeia. A partir dos
estudos e de numerosas experiências que efectuou sobre as formas de pensar da
criança, chegou a conclusão de que os seres humanos atravessam vários estádios
distintos de desenvolvimento cognitivo – ou seja, vão aprendendo a pensar sobre eles
próprios e mundo a sua volta. Cada estádio implica a aquisição de novas capacidades
e esta dependente de uma de uma conclusão bem sucedida da fase anterior.

Estádio sensório-motor (0 a 2 anos de idade)

Ate uma idade máxima de quatro meses, um bebe não consegue diferenciar-se
do que o rodeia. O desaparecimento do objecto no campo visual da criança perde todo
interesse por ele (não existe/nunca existiu); por exemplo a criança não entende que
são os próprios movimentos que provocam o ranger do berço e não diferencia entre
objectos e pessoas. A actividade cognitiva e comportamental. Pensar e agir.
Irreversibilidade. O bebe não tem noção de que existe algo fora do seu campo de
visão. Como demonstram alguns estudos, os bebes aprendem de forma gradual a, a
distinguir as pessoas dos objectos, comencando a perceber que ambos tem uma
existência independente das suas percepções mais imediatas. Aos 6 meses de idade,
a criança investida as características do objecto. Procura o objecto escondido, continua
a existir.

Piaget chama a este primeiro estádio sensorio-motor, pois as crianças


aprendem usando os seus diferentes sentidos, sobretudo tocando objectos,
manipulando-os e explorando fisicamente o meio ambiente. De 1 ano e meio o
pensamento da criança esta ligado a linguagem, esquemas motores e a conceitos de
objectos e das suas características. A principal conquista neste estádio e que, no fim, a
criança já entende que o meio ambiente tem propriedades próprias e imutáveis.

Estadio pre-operatorio (2-7 anos de idade)

Foi aquele que Piaget dedicou grande parte da sua investigação. Nesta fase
desenvolvem-se outras estruturas cognitivas: a criança e capaz de distinguir o “eu” do
objecto; adquire noção de tempo e espaço. Tem inicio a reversibilidade. A criança já
domina a linguagem e se torna capaz de usar palavras para, de uma forma simbólica,
representar objectos e imagens. Uma criança de quatro anos, por exemplo, pode usar
a mão em movimento para representar o conceito de “avião” . Inicio da aquisição de
noção de conservação da massa e volume (quantidade) Piaget apelida este estádio de
pré-operacional, pois as crianças ainda não são capazes de usar, de uma forma
sistemática, as suas capacidades mentais em desenvolvimento. A maneira de ver o
mundo característica destas crianças e o egocentrismo, ela acredita que as pessoas
vêem o mundo exactamente como ela vê, p. Ex: ao contar um facto, omite pormenores
importantes “julgando” que os outros tem a mesma visão do facto. Este conceito não
se refere a egoísmo mas a tendência da criança interpretar o mundo exclusivamente
em função da sua própria posição. (ex. pedir explicação de uma ilustração enquanto o
livro esta virado para si. A criança não entende que o outro não vê); as crianças falam
ao mesmo tempo mas não com a outra, como os adultos fazem; não tem categorias de
pensamento que os adultos tem, as crianças não tem conceitos de causalidade,
velocidade, peso ou numero (mesmo se a criança observar alguém a deitar agua num
recipiente alto e estreito para o outro mais baixo e largo, não entende que o volume
continua o mesmo – mas conclui que há mais agua no segundo recipiente, porque o
nível da agua esta mais abaixo.

Estádio de operações concretas (7-12 anos de idade)

Existe um equilíbrio estável entre assimilação e acomodação. Durante esta


fase as crianças dominam noções lógicas e abstractas. São capazes de, sem
grandes dificuldade, lidar com ideias como a de causalidade. Uma criança nesta
fase de desenvolvimento e capaz de reconhecer o raciocínio falso implícito na ideia
de que o recipiente mais largo continha menos agua do que o mais estreito, mesmo
que os níveis da agua sejam diferentes. Torna-se capaz de efectuar operações
matemáticas, como a multiplicação, a subtracção ou divisão. As crianças neste
período são muito menos egocêntricas. Se perguntar a criança quantas irmãs tem
ela dirá uma, mas se perguntar quantas irmãs tem a tua irmã ela provavelmente dirá
“nenhuma” porque não e capaz de se colocar na posição da irmã, não e capaz de
raciocinar em termos hipotéticos.

Estádio das operações formais (12 –18 anos de idade)


Desenvolvimento das capacidades lógicas, de representação simbólica.
Criação de hipóteses e sua verificação. Pensamento abstracto, dedutivo (processo
de transição do geral ao particular) e indutivo. Raciocínio formal segundo a cultura.
Quando deparam com um problema, as crianças nesta fase são capazes de rever
todas as formas possíveis de resolver, examinando-o teoricamente de maneira a
chegar a uma solução. Um jovem na fase operacional, e capaz de entender porque
e que algumas questões são traiçoeiras.

De acordo com Piaget os primeiros três estádios de desenvolvimento são


universais; mas nem todos os adultos alcançam o estádio operacional formal. O
desenvolvimento deste tipo de pensamento esta dependente, em parte, dos
processos de escolaridade. Os adultos com uma educação limitada tendem a
continuar a pensar em termos mais concretos e reter largos traços de egocentrismo.

O Desenvolvimento Psicossexual Segundo a Teoria Psicanalítica

Sigmund Freud (1859-19390, fundador da Psicanálise. Interpretou os sonhos,


porque tem sentido simbólico, de acordo com eles, os sonhos estão cheios de
significados. Defendeu que as imagens sonhadas são consequência, a realização
simbólica, substitui um desejo sexual recalcado (inibido pela interdição moral).

Freud dividiu a vida psíquica em dois níveis: o inconsciente e o consciente. O


inconsciente considerou-o mais importante, é a camada mais profunda e responsável
por grande parte de nossas manifestações. A vida psíquica se centra na libido
(pulsoes sexuais), responsável pela agressividade como de origem sexual. Segundo a
concepção libidinal, dividiu a personalidade em três instancias: Id; Ego; Super-ego (ver
no capitulo anterior).

A psicanálise descreveu seja a estrutura da mente (ID, EU, Super-EU),


seja o desenvolvimento dos processos psíquicos dos primeiros anos de vidas. Este
desenvolvimento é decisivo porque nele se deitam os fundamentos da vida psíquica
do futuro indivíduo adulto e os traços persistentes da personalidade. O aspecto mais
evidente da teoria freudiana e aquele das fases do desenvolvimento psicosexual.
Segundo Freud a área do prazer sexual desloca-se duma zona erotica do corpo a
outra, segundo uma sequência determinada biologicamente na medida em que a
criança cresce. De consequência os distúrbios psíquicos do indivíduo adulto
dependeriam dum desenvolvimento não regular das varias fases da sexualidade
infantil.

As fases do desenvolvimento psicossexual segundo Freud

Freud preconiza cinco estádios do desenvolvimento psicosexual .

a) Fase oral (o –2 anos) : nos primeiros meses da vida ate cerca de 2 anos
de vida, a libido esta concentrada na zona oral (boca): o bebe tira prazer através da
zona erótica da boca, dos lábios e da língua, e nos actos de sucção, mordedura e
mastigação. No adulto, a fixação formas da sexualidade oral pode exprimir-se em
comportamentos com a sucção do próprio dedo, comer-se as unhas, comer
excessivamente, etc.

b) Fase anal (2-3anos): nesta fase o ponto focal da libido desloca-se e as


principais fontes de prazer sexual tornam as actividades esfintericas. Esta presente
seja a exigência de satisfação da necessidade (defecar) seja de aprender o controlo
fisiológico em relação as regras ditadas pelos pais e as convenções sociais. Conter as
fezes significa, duma parte, bloquear a satisfação de uma necessidade e da outra
parte, significa realizar ou cumprir as regras dos pais, que a sua volta são fonte de
gratificação quando a norma vem respeitada pela criança. A compresenca de
exigências contrastantes, o conflito, relacionado a fase anal poderá manifestar-se no
adulto em comportamentos de excessiva limpeza, pontualidade, obstinação, etc.

c) Fase fálica ( 3-5 anos) – entre 3 a 5 anos a libido desloca-se para as zonas
genitais a procura do prazer. O rapaz e a menina tocam os próprios órgãos genitais,
tornam-se curiosas em relação as diferenças entre os dois sexos. Os pais muitas vezes
proíbem o comportamento sexual das crianças desta idade pensando ou considerando
que são formas adultas da actividade sexual, enquanto normalmente exprimem a
exigência das crianças de conhecer o próprio e o outro aparato sexual. Nesta fase
manifesta-se o assim chamado complexo de Edipo, do nome do da personagem da
tragédia grega Edipo rei de Sofocle (na tragédia grega, Edipo mata o pai sem conhecer
a identidade e casa-se com a mãe). O menino chegando nesta fase do
desenvolvimento psicosexual, experimenta um desejo de hostilidade para o pai e um
desejo de amor para com a mãe. Estes dois desejos compresentes , numa forma
geralmente inconsciente, são vividos como um conflito. Por outro lado, o pai
representa para o menino a fonte da punição (vivida como castração dos próprios
órgãos) por causa do amor dirigido a mãe. O menino pode superar este conflito
atraves de um processo de identificação com o pai, mediante o qual ele assimila e faz
seu o comportamento paterno. Durante o processo de identificação , os meninos
introjectam no Super-Io grande parte das regras sociais e dos valores partilhados e
derivados da figura dos pais. Na menina verifica-se um processo em parte análogo,
primeiro de hostilidade para com a mãe e amor para com o pai e, portanto, em seguida,
de identificação com a figura materna ( tal processo e denominado de Eletra).

d) Fase da latencia (6 – inicio da adolescência): durante esta fase a


actividade da libido perde intensidade, consentindo ao “Eu” uma trégua para
consolidar o desenvolvimento anterior enquanto a criança orienta ou dirige os
próprios interesses no ambiente.

e) Fase genital (....fim da adolescência): o culmine do desenvolvimento


psicosexual verifica-se no fim da adolescência, na fase genital. O rapaz e a
rapariga completam o desenvolvimento psicosexual e orientam o próprio
comportamento sexual aos partner. Elemento característico desta fase e o
surgimento de um interesse de relação reciprocamente gratificante com os outros.
O indivíduo que se encontra nesta fase genital, esta em grau de manifestar o
interesse para com os outros, desejo de partilhar as experiências significativas e
solicitude para o seu bem estar: este empenho a reciprocidade não e alcançado por
todos.
O Desenvolvimento Psicossocial: A Teoria Do Desenvolvimento Psicosocial
Segundo Erick Erickson

o desenvolvimento psicológico, seja na dimensão cognitiva como na emotiva,


não termina com a idade adulta. Os primeiros anos de vida e o período da
adolescência são etapas fundamentais para a construção do mundo psíquico do adulto,
mas a obra da reelaboração e da reorganização da própria vida psíquica continua
incessantemente por toda a existência humana.

A ideia de que o desenvolvimento psíquico dura toda a vida e que seja


estreitamente legada as relações sociais foi elaborada por Erik Erickson. Erikson,
nasce em Frankfurt – Alemanha.

Enquanto Freud atribuía mais importância ao inconsciente , Erickson focalizava


a sua atenção no papel desenvolvido pelo “Eu” quando se devem enfrentar problemas
nos diferentes períodos da vida.

A teoria de Erikson (1950, 1968) afirma que o desenvolvimento psicossocial


atravessa oito estádios, em cada um do qual o indivíduo deve enfrentar uma serie de
problemas, ou a assim chamada crise do estádio, para poder passar ao estádio
sucessivo. Segundo Erikson, na medida em que uma criança resolve positivamente os
problemas de cada estádio, determina-se a sua possibilidade de tornar-se uma
pessoas adulta dotada de capacidade de adaptação.
Fases de Desenvolvimento Psicossocial Segundo Erikson

Estádio sensorio-oral (0-1): crise entre a confiança e desconfiança . A criança põe-


se o problema de ter confiança o não ter confiança na pessoa que toma cuidado ou se
ocupa dela (geralmente a mãe), se recebe ou não nutrição e afecto. Da confiança para
com a figura materna desenvolvera a confiança para com o ambiente externo e outras
pessoas. Se a criança não contar com o afecto e os cuidados maternos, perdera a
confiança para com as outras pessoas e pensará que o ambiente externo não lhe pode
dar confiança.

Estádio muscular-anal (1-2 anos): crise entre autonomia-duvida\vergonha, a


criança começa a explorar o mundo e a entrar em relação com outras pessoas. Na
medida em que conquista autonomamente as habilidades principais, por exemplo
aprender a caminhar, deve também não duvidar de si quando não consegue padronizar
esta tal capacidade imediatamente. A criança deve escolher se ser autónoma em tal
situação e continuar de modo independente, ou então enfrentar o futuro com duvidas.

Características: afirmação da vontade: a criança desenvolve a capacidade de


escolha, a possibilidade de auto-dominio; sentimentos de autonomia e de amor –
próprio. Pode desenvolver-se sentimentos de perca de auto-dominio, a vergonha e
duvidas quanto ao exercício da vontade.

Estádio locomotorio-genital (3 –5 anos): crise de iniciativa/sentimento de culpa.


Desenvolvem-se as estruturas anteriores e a criança encontra-se a ter que resolver o
conflito existente entre o tomar iniciativa em actividades e apreciar os resultados ou
sentir-se culpado por ter ultrapassado os limites, neste caso surge o medo de punições
ou de castigo, criticas e de consequência o sentimento inibitório( a criança pode perder
a capacidade de tomar novas iniciativas e sente-se em culpa pelos seus falimentos).
Estádio de latencia ( de 6 anos – a puberdade): crise da diligencia e complexo de
inferioridade. Nesta fase adquirem as regras fundamentais sobre o mundo externo e
as primeiras regras de comportamento social graças ao facto de frequentar a escola e
o grupo dos pares. As próprias competências podem ser desenvolvidas e reforçadas,
ou então podem ser bloqueadas. O insucesso na escola ou nas relações sociais em
geral podem gerar um sentido de inferioridade que bloca ulteriormente o
desenvolvimento cognitivo e emotivo.

Adolescência: a crise por superar é entre a identidade e confusão a cerca do papel


a desempenhar (confusão de identidade). O adolescente deve desenvolver o sentido
de identidade de si mesmo, tornar-se um indivíduo com a sua própria personalidade
distinta daquela dos parceiros e dos adultos, com próprias normas sociais e próprios
valores morais. O falimento na construção da identidade manifesta-se na “confusão de
papeis”, facto pelo qual o adolescente não consegue encontrar um papel adequado
para a sua personalidade no contexto social.

Primeira idade adulta( 20 –30 anos):. Nesta fase a crise é entre intimidade ou
amor/isolamento a pessoa enfrenta a escolha entre uma vida caracterizada de
relações de intimidade (capacidade de amizade e amor), encontrar-se em companhia,
amar alguém e a ausência de relações afectivas, e transformar-se num isolado,
evitando compromisso de amor ou amizade. É o estádio da vida em que se põe
também a problema da escolha profissional que permite a inserção na sociedade. As
duas escolhas cruzam-se, originando as vezes conflitos, sobretudo na mulher pela qual
a profissão pode contrastar com o papel de mulher e de mãe.

Meia idade (40-60 anos): a crise situa-se entre a criatividade ou


interesse/estagnação ou auto-absorção. Regista-se a consolidação do amor e da
amizade: aumento do interesse profissional, aumento da atenção para com os filhos
mas pode viver em debilidade no relacionamento, em depressão, sem interesse. Para
essa fase contribui muito a tipo de escolha profissional feito, em particular em relação a
constatação feita no que diz respeito aos objectivos ou propósitos alcançados ou não
segundo a plano traçado na juventude. O sentido do insucesso pode muitas vezes
estimular a novos interesses e opções ou a uma nova ou mais lúcida consciência das
próprias capacidades.

Velhice (dos 60 anos em diante): a crise observa-se entre o sentimento de


integração e calma/ desespero. Nesta fase emerge uma outra situação de conflito,
aquela concernente a aquisição de um sentido de integridade, que se experimenta
quando se considera que a própria vida foi completada, dando-lhe um sentido, ao qual
se contrapões o desespero, se se pensa de não ter alcançado os objectivos que
anteriormente se tinham proposto ou de não ter integrado as próprias experiências.

A pessoa pode tornar-se sabia: não se preocupa ansiosamente pela vida porque
descobriu o seu sentido e o da dignidade da sua vida; há aceitação da morte. Mas
pode não alcançar a sabedoria, ao fazer o balanço da sua vida ou a valição do seu
passado e verifica que não fez nada que valesse a pena, logo surge um sentimento de
desgosto pela vida e de desespero perante a morte.

Cada vez mais está a crescer o numero de anciãos que fica inactivo depois da
reforma e marginalizados em relação as decisões da colectividade. A psicologia deve
ser em grau de afrontar esta nova problemática para a integração dos anciãos na
sociedade.
O DESENVOLVIMENTO MORAL

O Desenvolvimento Moral Piaget

Segundo Piaget, o desenvolvimento moral dá-se em dois estádios principais:

realismo moral caracterizado pelo egocentrismo e pela obediência cega ás


regras;

 moralidade de cooperação caracterizado pela empatia e pela


compreensão do facto que uma acção vale pelos efeitos que possa ter nos
outros. Significa que as crianças entendem e seguem os princípios morais,
existe a génese da moral, embora agimos contra os nossos princípios morais.

 Outros estudos, preocupam-se com os factores que influenciam as


acções morais. Na vida, as regras morais começam pela imposição exterior
sobre a criança, passando pela interiorização. O reforço negativo ou punitivo (o
medo pelo castigo) é um dos aspectos mais importantes para o comportamento
moral, ou o apontar bons exemplos, ou a atribuição de culpa á criança (indução
do sentimento de culpa).

O Desenvolvimento Moral Segundo Lawrence Kohlberg

No desenvolvimento da personalidade joga um papel fundamental a aquisição


de regras de comportamento que reflectem os valores da cultura e da sociedade em
que o individuo vive. Lawrence Kohlberg, fortemente influenciado pela teoria de Piaget,
hipotizou que o aspecto moral desenvolve-se gradualmente por estádios.

Kohlberg introduz uma perspectiva desenvolvimentista, isto significa que


revolucionou a compreensão sobre o desenvolvimento moral, descobriu que as
pessoas não podem ser agrupadas em compartimentos definidos com rótulos
simplicistas:
o Este grupo é honesto

o Este grupo é aldrabão

o Este grupo é reverente

Segundo Kohlberg, o caracter moral das pessoas se desenvolve. Significa que


o crescimento moral se faz de acordo com uma sequência do desenvolvimento.

Para o desenvolvimento do caracter, “dizer as crianças e adolescentes para


adoptarem determinadas virtudes ou manipulá-las até que digam palavras certas não
produz um desenvolvimento pessoal ou cognitivo significativo). (Sprinthal, 1993: 170).

Segundo KOHLBERG, o desenvolvimento ocorre de acordo com uma


sequência específica de estádios, independentemente da cultura, subcultura,
continente ou país, raça.

Moral refere-se as normas e regras da conduta social que caracterizam as


concepções a respeito da justiça e injustiça, do bem e do mal. São mantidas ou
cultivadas pela força da opinião pública, hábitos, costumes e educação.

Elaborar o quadro resumo das fases do desenvolvimento moral segundo


Kohlberg.
TEMA: 4

PSICOLOGIA DA PERSONALIDADE

TEORIAS DA PERSONALIDADE

1. Génese e formação da Personalidade

Nenhum Homem nasce como personalidade. Entretanto, cada um de nós nasce


como um projecto (esboço) da personalidade, quer dizer, cada indivíduo ao nascer é
um centro de iniciativas, de buscas e de construções de boas qualidades. Isto significa
que cada indivíduo permanentemente deve trabalhar para a formação da sua
personalidade.

A personalidade do Homem constrói-se pelos sinais complexos e estáveis:


temperamento, conduta, moral, interesse bem como as necessidades que definem
as propriedades dos sentidos e do comportamento do mesmo Homem. A
personalidade capacita-se ás diversas situações da vida, aí se define a sua totalidade
pelas influencias sócio - genéticas e sócio -culturais.

 Conceito de personalidade

A personalidade exprime a totalidade de um ser, tal como aparece aos


outros e a si próprio, na sua unidade, na sua singularidade e na sua continuidade.
É o modo relativamente constante e peculiar de perceber, pensar, sentir, e de
agir do indivíduo. Inclui as atitudes, habilidades, crenças, emoções, desejos, o
modo de se comportar e, inclusive os aspectos físicos do indivíduo.

Em suma, a personalidade é o nosso ser global, inclui o consciente e o


inconsciente na sua relação com o mundo exterior.

Estrutura da personalidade

Fazem parte da estrutura da personalidade as particularidades relativamente


constantes e viáveis da própria personalidade (do sujeito).

As componentes principais da personalidade são a estrutura endopsiquica e


a exopsiquica.

Exopsiquica: determina a atitude do homem em relação ao meio externo. O


exopsiquismo contempla a experiência social (conhecimentos, hábitos, habilidades) e a
orientabilidade do indivíduo (inclinações, interesses, motivos, ideias, convicções,
sentimentos, etc.).

A exopsiquica está condicionada socialmente, é adquirida das forças do meio,.


não é biologicamente determinada.

Endopsiquica: manifesta a dependência interna mútua dos elementos e das


funções psíquicas. É identificada com a actividade psico-nervosa do homem.
Relaciona-se com os traços da personalidade como a receptividade, peculiaridade da
memória, percepção, vontade, pensamento, imaginação, etc. A endopsiquica está
condicionada biologicamente, é inata, não depende das forças do meio.

Teorias da Personalidade
A conduta humana é reconhecida como complexa. Assim, o comportamento não
é determinado por um único factor, mas sim por muitos factores, de natureza diversa.
Diante de tão complexo campo de investigação, diferentes grupos de estudiosos
enfatizam diferentes grupos de aspectos de comportamento. Alguns concentram-se em
hereditariedade e outros em influencias ambientais. Outros ainda, favorecem a
formação de um conjunto de leis gerais, entendendo o Homem como ser social e ao
mesmo tempo biológico. As teorias da Personalidade que merecem distinção especial
são: o Behaviorismo, o Gestaltismo, a Psicanálise, a Disposicional, A humanista,
A Fenomenologica, a cognitiva, a Biológica, a Evolucionista, etc.

Behaviorismo

O termo “Behaviorismo” que em Inglês “behavior” significa comportamento, foi


inaugurado pelo americano John Watson. Watson postulava o comportamento como
objecto de estudo da psicologia e defendia que este (comportamento) devia ser
estudado em função de certas variáveis do meio.

Para entender a personalidade (comportamento) deve-se analisar as


relações funcionais entre acções visíveis e suas consequências também visíveis.

A essência de todo o behaviorismo é ser a ciência do par Estimulo-


Resposta. Todo o comportamento pode ser modificado pelo meio ambiente, de tal
forma que o controle das condutas é possível e os fenómenos psíquicos são
previsíveis.

A influência do meio ambiente predetermina o comportamento. Não se


interessa pelos fenómenos como a consciência, a hereditariedade, o prazer e a dor.

O homem é considerado vítima passiva do meio ambiente. O ensino e a


experiência são blocos de construção da personalidade.

O Gestaltismo
Os fundadores da escola da Gestalt foram WERTHEIMER (1880-1943), KURT
KOFFKA (1886-1941) e WOLFGANG KOHLER (1887-1967). Todos eles negam a
fragmentação entre acções e processos humanos, defendendo o principio de
determinação relacional, isto é, que as propriedades das partes dependem do lugar,
papel e função que têm no todo. Sustentam ainda que a maior parte das
configurações, o todo não é igual á soma das partes demonstrando-se que o estímulo
deve ser considerado como uma totalidade. A Gestalt Orienta-se pelos seguintes
princípios:

 O todo é percebido antes das partes que o compõe;

 O todo é definido pelas interacções e interdependências das partes;

 As partes de uma configuração não mantém sua identidade quando estão


separadas da sua função e lugar no todo

A PSICANALISE (ver nas lições anteriores)

OS RESULTADOS DA REVISÃO (RECONSTRUÇÃO) PSICO-DINÂMICA (ALFRED


ADLER E CARL JUNG).

. A Psicologia Analítica de Carl Jung

 Breves linhas biográficos

Nasce na Suíça, em 1875 e morre em 1961.

Formação: medico, psiquiatra, docente. Trabalhou 6 anos com Freud deste modo
nasceu o interesse para o comportamento humano e separa-se de Freud em 1913 e
elabora a sua teoria denominada Psicologia Analítica ou dos complexos. Analítica
porque e uma psicologia que não procura de isolar funções singulares mas de ocupar-
se dos fenómenos que caracterizam a personalidade na sua totalidade.

Construtor da psicologia analítica, é optimista em relação ao Homem. Significa que o


Homem pode ser orientado no sentido de desenvolver os suas potências realizando-se
como eu.

 Pontos de divergência com Freud

1) Aceita a concepção da libido mas como energia psíquica neutra sem conotação
sexual; nega o papel fundamental da libido na origem da sexualidade.

1) Do ponto de vista metodológico, Jung e mais ou menos ecléctico, ou seja, usa


elementos psicológicos, mitológicos, que segundo o autor , esses devem ser
considerados porque encontram representações a nível psíquico.

2) Separa-se ainda de Freud porque segundo Jung, não e necessário considerar


somente a nível psíquico um dinamismo causal mas também finalístico, ou seja,
é necessário considerar que no comportamento existe uma meta a alcançar.

 Objecto de estudo da psicologia analítica

O conjunto de todos os processos psíquicos : conscientes e inconscientes.

 Ideia fundamental: no que diz respeito a realidade psíquica ele sublinha a


autonomia da realidade psíquica em relação ao fenómeno fisiológico mesmo se não
possivel uma separacao nitida entre as duas esferas. Ele fala também da realidade
fisiológica como sendo subjectiva enquanto incide somente para um enquanto a
realidade psíquica é objectiva no sentido de que algumas ideias são partilhadas , por
exemplo: simbolismo, arquétipos, etc.
Jung acreditava que somos moldados por nossas metas, esperanças,
aspirações em relação o futuro bem como do nosso passado.

A personalidade integral (psique), segundo Jung, compõe-se de três sistemas:


consciência, Inconsciente pessoal e inconsciente colectivo.

1) Consciência: é a actividade que mantém relação entre os conteúdos psíquicos


(conscientes) . Na consciência Jung focaliza o eu porque este é o sujeito da
consciência. Ele entende o eu como um conjunto de representações que constituem o
centro do campo da consciência.

 Funções do eu: pensamento, sentimento; sensação e intuição

2) O inconsciente pessoal: localiza-se abaixo da consciência, pertence ao


indivíduo. Consiste em todas as lembranças, desejos e outras experiências da vida da
pessoa que foram reprimido ou esquecidas.

3) Inconsciente colectivo: localiza-se abaixo do inconsciente pessoal. O


inconsciente colectivo compreende conteúdos que segundo Jung constituem o deposito
de modos reagir típicos da humanidade, por exemplo, medo do mal, relação entre os
sexos, entre pais e filhos, situações típicas que o indivíduo enfrenta ao longo da sua
existência.

Segundo Jung, em base as modalidades como se enfrentam estes problemas


constitui-se um deposito colectivo de predisposição ou reacção diferente, estas
situações são independentes da cultura.

Jung afirma ainda que o inconsciente pode-se alcançar directamente mas


através de manifestações: Símbolos ou Arquétipos etc.

Arquétipos

São determinantes inatos da vida mental que dispõe a pessoa a se comportar de


modo semelhante ao dos ancestrais que si viram diante da situação análoga. Referem-
se a símbolos que tem características semelhantes independentemente das diferenças
culturais: mãe terra, herói, luta contra o bem e o mal. São formas universais de
pensamento dotadas de conteúdo afectivo que cria determinada imagem de cada
indivíduo.

Persona

É a mascara da personalidade que usamos no contacto com os outros,


representando-nos tal com o queremos aparecer na realidade. A persona pode não
corresponder a verdadeira personalidade. Inclui nossos papeis pessoais, o tipo de
roupa que usamos, o nosso estilo de expressão pessoal, etc.

Sombra

É a parte mais primitiva e animalesca da pessoa. É o núcleo do material


reprimido na consciência. Ou seja, é a parte da personalidade que se ignora,
geralmente contém material desagradável, ela contem todos os desejos e actividades
imorais e inaceitáveis. A sombra nos impele a emitir comportamentos que normalmente
não nos permitiríamos.

Anima e animus

Reflectem a ideia de que cada pessoa de um sexo exibe algumas características


do outro. Anima se refere as características femininas presentes no homem e animus
as características masculinas presentes na mulher. Estas características estão ligadas
à imagem ideal do homem ou mulher que cada um de nós tem em si.

Self

É o arquétipo responsável pela integridade ou estabilidade da personalidade. O


Self é o processo central, um impulso para a individuação (realização de si mesmo) ou
aspiração a auto-realização.
O processo de realização (individuação) e integração das componentes psíquicas

Antes de tudo temos que considerar que segundo Jung todo o indivíduo possui a
libido, ou seja esta energia fundamentalmente biológica, mas é neutra, ela tende à
integração dos elementos conscientes e inconscientes. Neste caso emerge a aqui a
concepção finalistica da libido em vez da função causal.

Autorealização

Integrando as componentes conscientes e inconscientes, segundo Jung a vida


psíquica é racional que irracional. A energia libidica dá aquele estimulo para procurar
sintetizar os elementos que são em contradição. Segundo Jung, a libido tem uma
direcção que tende a realizar o indivíduo mas quando a libido encontra um obstáculo
que bloqueia o seu fluir a pessoa percebe um certo tipo de mal estar psíquico, ou seja,
desequilíbrio, mesmo se iste bloqueio pode ser positivo no sentido de que ajuda a
pessoa a enfrentar o momento e sintetizar a sua vida.

Por outro lado, a actualização de si realiza-se através deste processo de


individuação (tornar-se a pessoa própria, o actuar-se como pessoa, mesmo como
dever moral de cada pessoa). A meta ideal para tornar-se “humano” é alcançar a
conciliação entre o consciente e o inconsciente mesmo se, obviamente, um
desequilíbrio pode criar dinamismo no próprio crescimento.

Jung desenvolveu um trabalho sobre atitudes que constituem o modo como a


pessoa reage aos estímulos que chegam, são modalidades de acção e existem dois
modos fundamentais: introversão e extroversão . Na primeira atitude o sujeito dirige a
sua energia para a seu próprio interior, tende a ser introspectivo, é guiado por
referencias de tipo interior enquanto que o extrovertido dirige a sua energia para o fora
do eu, para eventos e pessoas do mundo exterior.

Alfred Adler e a Psicologia Individual


 Breves considerações biográficas

Nasce em Viena , em 1870, de família hebreia e morre em 1937. O segundo entre 6


filhos, relativamente gracioso e sofria de uma forma de raquitismo e de criança
desenvolveu uma forma de competição com o primeiro irmão que era génio e sofria
também pela limitação física, por isso desenvolveu uma certa sensibilidade para com
os mais necessitados.

De formação era médico, neurologo, psiquiatra, sociólogo. A sua atitude diante dos
doentes era especial, e rejeitava o facto de mandar os doentes ao neurologos
enquanto este não tinha nenhuma lesão e neste caso o neurologo não tinha
instrumentos necessários para resolver o problema.

A obra fundamental escrita por Adler foi intitulada de “o temperamento nervoso” .


Nesta obra evidencia a mal estar ou distúrbio psíquico como sendo consequência de
uma atitude errada que o indivíduo adopta diante da lógica no enfrentar a vivência
social. Segundo o autor, existe oposição entre o indivíduo e a sociedade.

 Causas da divergência com Freud

Adler entrou também em contacto com Freud em 1911, mas diverge com o Freud
porque não concorda que com a ideia de que a libido seja a única fonte do distúrbio
psíquico da própria personalidade mas diz que a distúrbio psíquico é resultado da
afirmação exagerada de si.

 Método

Estudo de historias de indivíduos que vem reconstruídas gradualmente através


da recordação da própria infância, o conhecimento da situação social do indivíduo.
Assume particular atenção o conhecimento com a posição em que o indivíduo ocupa
em termos de nascimento. Este método tendia a ajudar o indivíduo a compreender
porque reage num certo modo, as causas da sua inferioridade e depois a procurar um
equilíbrio a nível emotivo, por exemplo através do amadurecimento duma coragem,
confiança que até pode conduzir o indivíduo a inserir-se na sociedade.

 Aspectos fundamentais da psicologia individual

- Adler é autor da psicologia individual (porque quer sublinhar que o indivíduo é


único, irrepetível e que não é possível isolar um acto, ou acção da totalidade da
personalidade) ou Teoria da unidade do indivíduo indivisível e livre, consciente dos
seus próprios objectivos, responsável nas suas acções.

- Adler acredita que o comportamento humano é determinado por forças sociais e


não biológicas e sugeria que só podemos compreender a personalidade investigando
os relacionamentos sociais e as atitudes que a pessoa tem com os outros.

- Adler considerava a motivação humana um esforço para atingir a sua


superioridade, o poder. Assim, um sentimento generalizado de inferioridade é a força
determinante do comportamento. Somos mais influenciados por aquilo que o futuro nos
reserva.

- Adler também se concentrava na família como factor de desenvolvimento da


personalidade. Crianças com deficiências podem se considerar um fracasso , mas, por
meio da compesansão e com, a ajuda de pais compreensivos, podem transformar
inferioridade em forças.

- segundo Adler, o ser humano tende a realizar a própria personalidade, a


própria unidade e tudo aquilo que o estimula a realizar como unidade é uma
necessidade de conservação (biológica e psicológica) e de realização de si.

- A autorealização é a necessidade fundamental e é vivida na criança como


complexo de inferioridade, neste caso a criança recolhe a sua energia para poder
afirmar-se;
- o ambiente é um factor que condiciona a inserção adequada na sociedade, as
circunstâncias concretas onde o indivíduo actua o seu plano, o estilo de vida ou o
projecto existencial.

- Para entender a pessoa, segundo Adler, é necessário entender o fim a que as


próprias actividades tendem. Para entender o fenómeno psíquico precisa entender o
fim concreto que a pessoa está a perseguir.

A Teoria Disposicional

A orientação disposicional na teoria da personalidade está ligada a psicólogos


anglo-americanos: ALLPORT, CATTELL e EYSENICK.

A sua base de orientação é que o homem possui conjunto de pré-disposições


para reagir de modo determinado nas diferentes situações, isto é, a personalidade tem
um grupo de traços estáveis. Significa que o homem demonstra estabilidade
determinada nos seus procedimentos, pensamentos, emoções independentemente do
tempo e da experiência.

A Psicologia Humanista

Liderados por Abraham Maslow e Carl Rogers, os psicológos humanistas


enfatizam o potencial de crescimento de pessoas saudáveis.

Nesta corrente confluem várias expressões da psicologia que partilham a insatisfação


dos pressupostos deterministas e reducionistas da Psicanalisi e do
comportamentalismo. A psicologia humanista constitui-se como terceira força (como foi
chamada por Maslow) em oposição ás duas correntes (acima citadas) que então
dominavam. Da psicanálise foi rejeitado o determinismo biológico, na dinamicidade das
pulsões que supera a espontaneidade e a livre conduta individual enquanto o
comportamentalismo foi rejeitado o elementarismo e pelo objectivismo , que anula
aquilo que na esfera da pesquisa psicológica concerne a totalidade e a subjectividade.

O humanismo é uma orientação teórica que enfatiza as qualidades únicas dos


seres humanos, especialmente sua liberdade e potencial de crescimento
pesssoal.

Pressupostos teóricos da psicologia humanista

 A teoria humanista, é uma abordagem centrada no estudo de pessoas


saudáveis e criativas destacando o caracter único da personalidade humana, a
busca de valores e sentido de existência alem da liberdade de que demonstra a
autodirecção e auto-aperfeiçoamento. O comportamento depende do meio
social na interacção com os factores internos

 Acentua o carácter da irruducional e unitário do Homem, onde as


motivações da acção não são as pulsões, mas são promovindas por tendências não
quantificáveis como a necessidade da exploração, a criatividade, a visão do mundo
em que se exprime a própria identidade, a qualidade das relações com os outros e
sobretudo a autorealização.

 Pela sua natureza o Homem tem capacidade para auto-aperfeiçoamento ou


auto-actualização (uso e explorarão plenos de talentos, capacidades,
potencialidades).

Os psicólogos humanistas:

 Consideram os seres humanos fundamentalmente bons e as psicopatologias


subentram quando ao Homem é impedido de seguir as inclinações naturais;

 Negam a teoria freudiana segundo a qual o comportamento adulto é


inevitavelmente o produto das experiências passadas.

 Defendem que a personalidade pode modificar-se também, na idade adulta;

 Afirmam que as pessoas possuem a liberdade e a capacidade de modelar o


próprio futuro, sobretudo se aceitam as experiências do aqui e agora.
Maslow e a Teoria da Auto-Realização

Abraham MASLOW (1908-1970), em 1962, em Broohklin Colleg nos Estados


Unidos deu inicio oficialmente a psicologia humanista.

 Maslow descreveu a autorealização como a necessidade de tornar-se sempre


mais aquilo que cada um é, de tornar-se tudo aquilo que se é capaz de ser.

 Como fundador da psicologia humanista põe uma incondicionada confiança nas


potencialidades da natureza humana que é boa, onde a doença, a maldade ou as
forças destrutivas são resultado da sua frustração e da perversão da natureza humana
(insatisfação de necessidades importantes), não há traços negativos inatos.

 Segundo Maslow a pessoa é portadora de necessidades e desejos. Para


compreender a sua personalidade e o seu comportamento devem ser analisadas as
necessidades que orientam a relação da pessoa no seu ambiente. Nisto, Maslow
realizou uma organização hierárquica de cinco necessidades (a pirâmide das
necessidades segundo Maslow) que progressivamente tem sido satisfeitas para
favorecer o crescimento e a maturação da pessoa, começando pela satisfação das
necessidades fisiológicas ligadas à sobrevivência chegando a auto-realização e são
estas necessidades que constituem a base da motivação do Homem.

1) necessidades fisiológicas: ligadas a sobrevivência, e tem um nível alto de


intensidade no nascimento: respirar, beber, comer, o sono, a higiene, etc.;

2) necessidade de segurança: emergem depois da satisfação das necessidades


fisiológicas, e compreendem a necessidade da estabilidade, da dependência,
da protecção, da liberdade do medo, da ânsia e do caos, a necessidade de
ordem e de lei, etc. Necessidade de sentir que o mundo é organizado e
previsível; necessidade de se sentir a salvo, seguro e estável.

3) necessidade de pertença e afecto (afiliação e de amor):


Necessidade de amar e ser amado, de pertencer e ser aceite; necessidade de
evitar a solidão e a alienação. A pessoa deseja relações de afecto com as pessoas
em geral, deseja um lugar no seu grupo ou na sua família e procura realizar este
objectivo;

4) necessidade de autoestima e estima: depois da satisfação da necessidade de


afecto, nasce o desejo de estima de si mesmo (autoestima) e da parte dos
outros (desejo de prestigio, de fama, de gloria);

5) necessidade de autorealização: reflectem a tendência a realizar aquilo que se


‘e, tornar-se aquilo que se ‘e capaz de ser, trata-se da tendência a realizar a
própria personalidade na totalidade.

Necessidade de corresponder o seu potencial pleno e singular. Neste nível o homem


orienta-se a aqueles valores que Maslow chamou de valores do ser (being) e que
incluem a beleza, a justiça, a lealdade. A satisfação destas necessidades dá saúde,
enquanto a privação orienta a patologia.

Carl Rogers e a Perspectiva Centrada na Pessoa

O psicológo humanista Carl Rogers concordava com muito do que Maslow pensava.
Rogers considerava que as pessoas são basicamente boas dotadas de tendências
para a auto-realização. Cada um de nós é como uma semente, pronta para o
crescimento e a realização, a menos que seja frustrado por um ambiente que inibe o
desenvolvimento.

A contribuição teórica de Rogers, tem sido denominada de fenomenologica. Este


estudioso parte da descrição do Homem considerando o quadro de referencia do
indivíduo; descreve o indivíduo partindo deste seu mundo fenomenico, daquilo que o
indivíduo percebe

A teoria fenomenologica, orienta-se com base nos seguintes princípios

O comportamento duma pessoa pode ser visto:


 Do ponto de vista do observador, daquela pessoa que vê do externo o
comportamento de um determinado indivíduo;

 Do ponto de vista do sujeito que actua num determinado comportamento,


sublinhado deste modo o aspecto subjectivo (reacção do sujeito ‘a percepção
duma determinada situação assim como ele a percebe).

O campo fenoménico ou de percepção é constituído não tanto pela realidade


objectiva, mas do mundo (seja interno que externo) como é percebido pelo sujeito.
Este campo fenomenico dependendo dos autores, é exclusivamente consciente
ou compreende elementos conscientes e subconscientes; para todos é todavia
muito importante e é a verdadeira realidade do sujeito.

Rogers, (1902-1987), na base das suas observações clínicas (1961) refutou a


concepção psiconalitica do conflito de natureza sexual a favor duma concepção
positiva do indivíduo.

O indivíduo, denominado de organismo por Rogers, tende em maneira natural á


sua própria realização, de que o organismo é portador, representa o carácter
motivacional mais importante da teoria rogersiana, seja no que diz respeito ao
desenvolvimento da personalidade, seja pela importância no processo terapêutico.

O homem é visto como um ser constituído por varias partes integradas e, por isso,
relacionadas entre si. Rogers parte do conceito de eu (self) para explicar a
personalidade humana;

O conceito do “eu” exprime” um modelo interno que se vai formando a partir das
interacções que as pessoas tem com os vários contextos onde se movem. E’ um
padrão organizado de percepções, sentimentos, atitudes que o indivíduo acredita ser
exclusivamente seu.

O “eu” como objecto de consciência: inclui o conceito de si, o conceito do próprio


esquema corpóreo, o conceito das próprias qualidades, tudo aquilo que o indivíduo
sente como seu.

O “eu” como centro da motivação: a estrutura perceptiva do eu em determinados


momentos vem estimulada; o sujeito sente, por exemplo, que a execução daquela
determinada tarefa é muito importante para si, e portanto, neste caso quando o eu é
percebido como o centro de motivação este eu é muito co-ligado ao sentido do valor
pessoal porque quando existe este aspecto da motivação o alcance duma determinada
finalidade importante para o sujeito dará um sentido de valor pessoal, de satisfação, de
sucesso.

Para alem do eu, o sujeito organiza uma estrutura: o eu ideal (conjunto de


características que a pessoa gostaria de ser);

Rogers acredita que os seres humanos tem uma tendência natural para a “realização”,
esforço no sentido de congruência entre “eu” e experiência.

As interacções entre as pessoas são as que proporcionam o crescimento e o


desenvolvimento do Homem; a auto- realização ‘e é a principal forca motivadora.

Para Maslow – e mais ainda para Rogers-, um aspecto central da personalidade é o


auto-conceito, todos os pensamentos e sentimentos que temos em resposta aà
indagação “ Quem sou eu?” Se nosso autoconceito é positivo, tendemos a agir e
perceber o mundo de maneira positiva. Se é negativo – se a nossos próprios olhos
ficamos aquém do “eu ideal” sentimo-nos insatisfeitos e infelizes.
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