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TUTELA1 Conceito: “É o encargo conferido por lei a uma pessoa capaz, para cuidar da pessoa do menor e administrar seus bens. Destina-se a suprir a falta do poder familiar e tem nítido caráter assistencial.”2 Assim, tutela é um ato complexo de direitos e obrigações conferidos pela lei a um terceiro, para que proteja a pessoa de um menor, que não se encontra sob o poder familiar e administre seus bens. Os filhos menores são colocados em tutela: a) falecendo os pais ou sendo declarados ausentes; b) decaindo os pais do poder familiar. Tutela e poder familiar não podem existir simultaneamente. Um é excludente do outro. Espécies de tutela Três espécies de tutela vêm disciplinadas no CC: • Testamentária (Arts. 1.729 e 1.730, CC) É a que se institui em virtude da nomeação de tutor aos menores, por ato de última vontade (testamento, codicilo ou outro documento autêntico). Documento autêntico é qualquer documento público ou particular, em que as assinaturas dos pais estejam reconhecidas por tabelião. Ex. escritura pública, escrito particular. Atribui o direito de nomear tutor: a) ao pai e à mãe (só se admite a nomeação por apenas um deles se o outro for falecido) Só podem nomear tutor para os filhos os pais que, por ocasião de sua morte detinham o poder familiar, caso contrário a nomeação será nula. Dispõe o Art. 1.733, §1º, CC que no caso de irmãos órfãos, dar-se-á somente um tutor. Finalidade: facilitar a administração do patrimônio e manter os irmãos juntos. Porém, tal regra não pode ser interpretada de forma absoluta. Pode o juiz dividir a tutela para melhor atender aos interesses dos menores irmãos. No caso de ser nomeado mais de um tutor por disposição testamentária, entende-se que a tutela foi cometida ao primeiro e que os outros lhe há de suceder pela ordem de nomeação, dado o caso de morte, incapacidade, escusa ou qualquer outro impedimento. • Legítima (Art. 1.731, CC) É a deferida pela lei aos seus parentes consangüíneos, quando não existir tutor designado por ato de última vontade. Os parentes devem ser nomeados pelo juiz na seguinte ordem preferencial: a) Ascendentes, preferindo-se os de grau mais próximo aos mais remotos. b) Irmãos, preferindo os mais velhos aos mais novos. c) Tios, preferindo os mais velhos aos mais novos.
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GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito Civil Brasileiro. São Paulo: Saraiva, v. VI, 2007, p. 572-639. GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito Civil Brasileiro. São Paulo: Saraiva, v. VI, 2007, p. 572.

Direito de Família – Professora Thatiana de Arêa Leão Candil

filhos ou cônjuges tiverem demanda contra o menor. CC) A tutela é dativa quando não há tutor testamentário. Dos Incapazes de exercer a tutela (Art. Tutela de fato (ou irregular) = dá-se quando uma pessoa passa a zelar pelo menor e por seus bens. CC) Não podem exercer a tutela pessoas que não têm a livre administração de seus bens. sem ter sido nomeada. 1. ou que tenham sido condenados por crime de natureza patrimonial e não sejam probas e honestas. ou tiverem que fazer valer direitos contra este. desaconselhando a nomeação do tutor. Quem não reúne condições para administrar seus próprios bens não pode cuidar do tutelado e de seu patrimônio. com preferência legal for inidôneo. na forma prevista pela Lei 8. Por exemplo: quando não houver laços afetivos ou quando o parente. se comprovadamente inidôneos ou incapacitados. Os menores abandonados terão tutores nomeados pelo juiz ou serão incluídos em programa de colocação familiar. no momento de lhes ser deferida a tutela. deve declarar tudo o que o menor lhe deva. pois a Constituição Federal os iguala. aos brasileiros (Art. A bem do menor pode o juiz alterá-la e até não nomear nenhum dos parentes consangüíneos.734.735. interditos. surdos-mudos que não puderem exprimir sua vontade. ou ainda que exerçam função pública incompatível com a boa administração da tutela. 1. ou cujos interesses colidam com os do menor. e aqueles cujos pais. pois o art.010/2009). O juiz deverá escolher o mais apto a exercer a tutela em benefício do menor. se acharem constituídos em obrigação para com o menor. 5º. em direitos. enquanto não reabilitados. • Dativa (Art.751 estatui que o tutor. pois deve-se sempre dar prevalência aos interesses do incapaz. não passando o suposto tutor de mero gestor de negócios. sendo sua investidura inconveniente para o menor. caput).069/90 (ECA) (Art. os absoluta ou relativamente incapazes (Arts. As hipóteses mencionadas evidenciam manifesto conflito de interesses com os do tutelado. 1. idônea e residente no domicílio do menor. b) aqueles que. não é absoluta. A exigência de residir no domicílio do menor não se estende ao tutor testamentário e legítimo. ou porque os que existem são inidôneos ou se escusaram. Não podem ser tutores e serão exonerados da tutela. menores de 18 anos. Também se denomina tutor ad hoc o curador especial nomeado pelo juiz quando os interesses do incapaz colidirem com os do autor. se o indicado tiver que fazer valer direitos contra o menor.732. Tutela ad hoc (ou provisória ou especial) = ocorre quando uma pessoa é nomeada tutora para a prática de determinado ato. É requisito que o tutor seja domiciliado no mesmo local em que o é o menor. antes de assumir a tutela. CC). se a exercerem: a) aqueles que não tiverem a livre administração de seus bens. Os seus atos não têm validade. Ex. 3º e 4º. 1. escolhendo pessoa idônea estranha à família. Não há nenhuma restrição a que estrangeiros residentes no País sejam nomeados tutores. CC – nova redação pela Lei 12. Tem caráter subsidiário. sem destituição dos pais do poder familiar. e a pena para a omissão é não poder ele cobrar do Direito de Família – Professora Thatiana de Arêa Leão Candil . nem a possibilidade de se nomear parente consangüíneo do menor ou porque não existe nenhum. os pródigos e os falidos. Observa Zeno Veloso que: “a proibição de ser nomeado tutor.2/13 Essa ordem preferencial não é absoluta. O juiz nomeará pessoa estranha à família.

a falta de idoneidade e as incompatibilidades pessoais. estelionato. 29 do ECA estabelece que: “ Não se deferirá colocação em família substituta a pessoa que revele. O Art. Direito de Família – Professora Thatiana de Arêa Leão Candil . incompatibilidade com a natureza da medida ou não ofereça ambiente familiar adequado”. Ninguém pode dela fugir. contra a família ou os costumes. estelionatários e falsários.735 não estão legitimadas para exercer a tutela.3 c) os inimigos do menor ou de seus pais ou que tiverem sido por estes expressamente excluídos da tutela. devido à impossibilidade de recusar a nomeação e de renunciar a função. só serão motivo de inaptidão ou de exoneração do encargo quando restar evidenciado. v. na verdade. assistindo ao tutor o direito de pedir dispensa. por qualquer modo. O impedimento tem a mesma origem da anterior: a inidoneidade e a má conduta moral e social. d) os condenados por crime de furto. É considerada um encargo público e obrigatório. Porém. como também do mau exemplo daqueles que. uma delegação do Estado que. revelam personalidade incompatível com a responsabilidade pela criação e educação de crianças ou adolescentes. não podem ser tidas como incapacidade no sentido jurídico.3/13 pupilo a dívida. as pessoas elencadas no artigo 1. CC) O tutor exerce um munus público. São Paulo: Saraiva. f) tutela. Denota-se a intenção do legislador de resguardar o menor não só da ação maléfica de ladrões. Escusa dos tutores (Art. roubo. 2007. salvo provando que não conhecia o débito quando o assumiu”. 3 os que exercerem função pública incompatível com a boa administração da GONÇALVES. são incompatíveis com o exercício da tutela. transfere a obrigação de zelar pela criação pela educação e pelos bens do menor a terceira pessoa. não podendo exercer essa função. Direito Civil Brasileiro. enquanto exerça a tutoria.736. e) as pessoas de mau procedimento. impedimentos ao cargo. por exigirem dedicação exclusiva do agente. Entretanto. guarda e vigilância dele. Há certas funções públicas que. sua obrigatoriedade não é absoluta. 581. Carlos Roberto. Essa proibição baseia-se em razões de ordem moral. tenham ou não cumprido pena. No entanto. Há casos previstos em lei que autorizam a escusa da obrigação tutelar. que a natureza da função e a forma de exercício dificultam ou obstam à boa e diligente administração dos bens do pupilo e. ou falhas em probidade. A norma jurídica inclui todas essas hipóteses como causas de incapacidade para o exercício da tutela. especialmente. falsidade. e as culpadas de abuso em tutorias anteriores. sendo perigoso confiar-lhes a administração de bens alheios. 1. por terem sido condenados por crime contra a família ou os costumes. Por serem pessoas sem idoneidade. Na verdade. p. VI. por serem. aos deveres do tutor quanto à educação. no caso concreto.

Não bastasse. já que os encargos matrimoniais podem torná-lo assoberbado a tal ponto de não poder ser tutor. p. “destinado a regular os direitos assegurados às pessoas com idade igual ou superior a sessenta anos”. a partir da referida idade. espiritual e social. mas ante a especialidade da norma do art.”4 “Tal inciso I deveria ter sido extirpado do art. Cabe questionar se a mantença de união estável autoriza a recusa. São Paulo: Saraiva. São Paulo: RT. Maria Berenice. DINIZ. vol.736. AZEVEDO. I). 2007. 1. p. vol. Maria Helena. pois não defere tal faculdade ao homem casado.”5 “A exceção é preconceituosa. entretanto.736 ora comentado malfere. ante seus inúmeros afazeres profissionais e domésticos. O critério adotado pelo CC/2002 foi reforçado pelo Estatuto do Idoso (Lei n. p.”6 “ O Código Civil de 1916 conferia às mulheres o direito de escusa. Tal discriminação não foi recepcionada pela Constituição Federal de 1988. o homem casado escusar-se de exercer a tutela. dogmatizado no art. na qual o casamento colocava a mulher em situação de tal submissão que a condição de casada. d) 4 5 Os impossibilitados por enfermidade. 344. Curso de Direito Civil Brasileiro. a ponto de prejudicá-lo e também à sua família. completamente. ao homem casado. que em mais de um dispositivo proclama a igualdade entre o homem e a mulher. intelectual..2º). 583. qualquer que fosse o seu estado civil. nem se são adotivos. por si só. Álvaro Villaça. da mesma forma.587.4/13 Podem escusar-se da tutela: a) Mulheres casadas. 5º. ainda mais. Comentários ao Código Civil. embora o dispositivo em estudo seja de caráter especial. 10. porque agravou.736. 6.”7 b) Maiores de 60 anos. I. São Paulo: Saraiva. com direito a todas as facilidades “para preservação de sua saúde física e mental e seu aperfeiçoamento moral. 226.960/2002. e entre os cônjuges. 1. 6 DIAS. a situação. da Carta Magna. podendo. § 6º. o diploma de 2002 continuou dando ensejo às críticas nesse sentido que eram endereçadas ao Código anterior.960/2002 propõe a sua exclusão. Cit. onerar demais o tutor. Malgrado o caráter assistencial da tutela. o princípio constitucional da igualdade entre o homem e a mulher. resquício da família patriarcal. Essa possibilidade revela. pelo § 5º do art. também. Não cabe distinguir se os filhos foram havidos do casamento ou não. de forma escancarada. “Por sofrerem redução de seu tempo disponível. em condições de liberdade e dignidade” (art. Direito de Família – Professora Thatiana de Arêa Leão Candil . ao possibilitar a escusa à mulher casada. porém. Op. Manual de Direito das Famílias. c) Aqueles que tiverem sob sua autoridade mais de 3 filhos. o inciso apontado não alude à mulher que vive em união estável. justificava a escusa. p. 2007. 7 GONÇALVES. 2003. em tramitação no Congresso Nacional. poderão ser dispensadas. Carlos Roberto. 1. 537-538. ele acaba sendo discriminatório. enfatizado no art. pois o casamento traz os mesmos direitos e obrigações aos cônjuges. como hoje vivem em concorrência com os homens. 5. pois o inciso I do art. não se podendo falar em inconstitucionalidade. art. 226 da Constituição Federal de 1988. que está com seus direitos e deveres igualada. por esse motivo o Projeto de Lei n. que gozam de proteção integral. o exercício da tutela se torne cada vez mais difícil. não pode ela. Por todas essas razões a sua exclusão é proposta no Projeto n. 6.741/2003). Desse modo. 19. 5º. com efeito. não deveriam ter esse privilégio (CF. Ao permitir tal escusa somente se a mulher for casada (inciso I). Presume a lei que.

1. ainda que os pais o tenham dispensado. Quem não for parente do menor poderá recusar a tutela. no lugar. “É um dever impostergável do juiz nomear tutor nos casos previstos. O juiz decidirá o pedido de recusa..193.Se o juiz não admitir a escusa. exercerá o nomeado a tutela. CC).737.8 8 GONÇALVES. Se não cumpre o seu dever. e) Aqueles que habitarem longe do lugar onde se deve exercer a tutela. visto que encontrarão maiores dificuldades para administrar o patrimônio do tutelado. CPC). f) Os que já estiverem no exercício de tutela ou curatela.738. na administração da pessoa ou dos bens do tutelado. CC). A exoneração do encargo é compreensível. Se o motivo escusatório ocorrer depois da aceitação da tutela. Carlos Roberto. uma vez que os encargos sociais devem ser distribuídos na comunidade.5/13 Precisam comprovar que a moléstia de que padecem é incompatível com o seu exercício do encargo. ou não o houver feito oportunamente (Art. 1. cit. ou por retardar o ato designativo. 1. exercerá o nomeado a tutela. g) Os militares em serviço. poderá o juiz condicionar o exercício da tutela à prestação de caução bastante. Se o patrimônio do menor for de valor considerável. entendendo-se que renunciou ao direito de alegá-la. consangüíneo ou afim. e não o remove de pronto.739. sob pena de caducidade. p. legítimo ou dativo) descumpre as suas obrigações. parágrafo único. Os cegos podem escusar-se por esse motivo. 1. CC). 1. possibilita-se a divisão do encargo. em condições de exercê-la (Art. nem o removido. em prejuízo do pupilo. CC . Direito de Família – Professora Thatiana de Arêa Leão Candil . Art. de plano. estão sujeitos a transferências constantes de um lugar para outro. O juiz responde subsidiariamente pelos prejuízos que sofra o menor quando não tiver exigido garantia legal do tutor.745. comete falta funcional pela qual responde direta e pessoalmente. CC determina que os bens do menor sejam entregues ao tutor mediante termo especificado deles e seus valores. enquanto não for dispensado por sentença transitada em julgado (Art. Op. e direta e pessoalmente quando não tiver nomeado o tutor. CC).745. Para que eventual nomeação não venha a prejudicar o exercício de tutela ou de curatela existente. responde subsidiariamente pelos danos conseqüentes. O pedido de dispensa deverá ser feito no prazo decadencial de 10 dias após a designação do nomeado. Se chega ao seu conhecimento que o tutor nomeado (não importa se o testamentário. Garantia da tutela Visando resguardar os interesses do tutelado. bem como para zelar por sua pessoa. 1. o Art. ou por deixar de nomeá-lo. Entende o legislador que os membros das Forças Armadas que estejam na ativa. A legitimidade para promover os procedimentos pertinentes além do Ministério Público cabe a quem demonstre legítimo interesse”. se houver. contar-se-á tal prazo a partir do dia em que surgiu a causa da dispensa (Art. atribuindo-se o novo a outra pessoa.744. tanto que se tornou suspeito. parente idôneo. em razão da natureza do trabalho que executam. enquanto o recurso interposto não tiver provimento. e responderá desde logo pelas perdas e danos que o menor venha a sofrer. 588. Se não a admitir. 1. podendo dispensá-la se o tutor for de reconhecida idoneidade (Art.

Incumbe ao tutor. por culpa. CC. E são solidariamente responsáveis pelos prejuízos as pessoas às quais competia fiscalizar a atividade do tutor. mas tem direito a ser pago pelo que realmente despender no exercício da tutela e a perceber uma remuneração proporcional à importância dos bens administrados.752. quanto à pessoa do menor: Art. CC. não mais se justifica a sua existência com o surgimento do poder familiar em virtude do reconhecimento. CC) (Art. com autorização do juiz: Art.752. de dois em dois anos.art. 1. CC). que transfere ao adotante o poder familiar. pois adquire plena capacidade civil.762. CC.741. Dos bens do tutelado: Arts.748. autoriza o juiz a nomear um protutor para fiscalização dos atos do tutor. 1. 1. Certos atos.755 a 1. e as que concorreram para o dano (Art. §§1º e 2º. Incumbe ao tutor. As contas são verificadas pelo promotor e julgadas pelo juiz (Art. 1. 1. CC). sob forma contábil. CC) Direito de Família – Professora Thatiana de Arêa Leão Candil . 1.734. CC. Incumbe-lhe auxiliar o juiz. • pela sua emancipação (a emancipação do tutelado dá-se por sentença judicial) • caindo sob o poder familiar. 1. 1. no caso de reconhecimento ou adoção Sendo a tutela um sucedâneo do poder familiar. de sua administração. CC inovando. 1. 1. mas não se lhe equipara.747. pois sofre algumas limitações. CC). fiscalizando a atuação do tutor e informando o magistrado sobre a má administração dos bens por ele recebidos mediante termo especificado.753 e 1. CC). 1. • se falecer 2) Em relação ao tutor. sendo ainda sujeito à inspeção judicial. pelo pai.6/13 Exercício da tutela O exercício da tutela assemelha-se ao poder familiar.740. o tutor não pode praticar nem mesmo com autorização judicial. O tutor é obrigado a apresentar balanços anuais e a prestar contas em juízo. 1.750.765. sem que cesse a tutela: • expirando o termo em que era obrigado a servir (são obrigados a servir somente pelo prazo de dois anos . Ao protutor será arbitrada uma gratificação módica pela fiscalização efetuada.749. Protutor O artigo 1. Cessação da tutela Cessa a tutela: 1) Em relação ao pupilo: • com a maioridade (18 anos). Incumbe ao tutor.742. do filho havido fora do matrimônio ou da adoção. salvo no caso dos menores abandonados (Art. sob a inspeção do juiz: Art. sob pena de nulidade (Art. ou dolo. causar ao pupilo. Responde o tutor pelos prejuízos que.754.

tutela e curatela não se confundem. sem condições de zelar por seus próprios interesses.766. que continuará a representá-lo mesmo depois de atingida a maioridade. que sofra das faculdades mentais. Maria Berenice. enquanto a curatela pode compreender somente a administração dos bens do incapaz. ser-lhe-á nomeado curador. poderá ser destituído da tutela). Op. em sua ausência. que também teria de participar do ato. “Apesar das semelhanças. os ausentes.735 e 1. em razão da enfermidade ou doença mental. p. p. sendo também necessária a nomeação de curador ao relativamente incapaz.. b) tem caráter publicista 9 GONÇALVES. como no caso dos pródigos. DIAS. em função do poder familiar ou pelo tutor.”11 Características A curatela apresenta cinco características relevantes: a) os seus fins são assistenciais O instituto da curatela completa o sistema assistencial dos que não podem. reger sua vida e administrar seu patrimônio. Sujeitam-se também à curatela os nascituros.736 a 1.”9 “A curatela é instituto protetivo dos maiores de idades mas incapazes. 11 GONÇALVES. revelando-se negligente ou prevaricador. por si mesmos. a curatela é sempre deferida pelo juiz. para reger a pessoa e administrar os bens de que. b) a tutela pode ser testamentária. que substitui os pais. Carlos Roberto. O CC prevê a curatela do nascituro. Conceito: “Curatela é o encargo deferido por lei a alguém capaz.739. A curatela está ligada a representação do maior incapaz.. O menor é representado ou assistido pelos pais. cit. em regra maior. isto é.. 1. à proteção de incapazes. DA CURATELA A curatela se apresenta na prática com muita freqüência. cit. igualmente. 543. Op. enquanto a curatela é deferida. porque não pode praticar nenhum ato da vida civil. 10 Direito de Família – Professora Thatiana de Arêa Leão Candil . não pode fazê-lo por si mesmo. com nomeação do tutor pelos pais. p. 608. impedindo-o de exercer o ofício tutelar) • sendo removido (Arts. Não podendo haver essa participação. em regra. Carlos Roberto. a maiores. Não é absoluta a regra de que a curatela destina-se somente aos incapazes maiores. Op. destinando-se. insalubre ou imoral ou se maltratar. cit. Podem ser apontadas as seguintes diferenças: a) a tutela é destinada a menores de 18 anos de idade. c) a tutela abrange a pessoa e os bens do menor.7/13 • sobrevindo escusa legítima (Arts. reger sua pessoa e administrar seus bens. os enfermos e os deficientes físicos. d) os poderes do curador são mais restritos do que os do tutor.”10 Assemelha-se à tutela por seu caráter assistencial. Exemplo: se concorrer por ação ou omissão. para que o pupilo trabalhe em local perigoso. CC) (por se tornar incapaz de exercer a tutoria. maior de 16 anos e menor de 18. 607. 1. O tutor só poderia assistir o menor. CC) (se advier causa que afete sua pessoa.

Chegam a ter alucinações. sem lucidez.Os deficientes mentais. tais os relativamente incapazes. em regra. Ébrios habituais são aqueles que têm seu entendimento profundamente afetado pelo uso descontrolado de bebida alcoólica. “Incluem-se aqui as doenças graves que tornam a pessoa completamente imobilizada. como sucede nos casos de acidente vascular cerebral (isquemia e derrame cerebral). p. ópio. alcoolismo). 1. Excluem-se aqueles que. Deficientes mentais – podem caber aqui. que passam a exercer um múnus público. CC12 I . bem como o álcool. (absolutamente incapaz. II) Ex. ou em estado de coma. A certeza é obtida por meio de um processo de interdição. perturbada no seu juízo e na sua vontade. Cessa a incapacidade desaparecendo os motivos que a determinaram. 430-439. Álvaro Villaça. GONÇALVES. e excepcionalmente aos surdos-mudos (a hipótese é. Cit. degeneração. 615. disciplinado no art. Viciados em tóxicos .Aqueles que. Direito de Família – Professora Thatiana de Arêa Leão Candil . Op. mas com capacidade de discernimento reduzida. os ébrios habituais e os viciados em tóxicos. conservam a capacidade de se comunicar com outras pessoas.a curatela dos toxicômanos abrange os incapazes em virtude do vício ou dependência de substâncias tóxicas em geral. 3º. por enfermidade ou deficiência mental.. Dementes. cabendo em todos os casos de incapacidade que não é suprida pela tutela. do CPC. II). não tiverem o necessário discernimento para os atos da vida civil. imbecis (fracos de espírito).767. sem controle dos movimentos e incapacitadas de qualquer comunicação. e nas doenças degenerativas do sistema nervoso.”13 III .177 e s. Op. 4º. ou seja. em estado afásico. psicose tóxica (morfinismo. (relativamente incapaz – art. por outra causa duradoura.. cit. os portadores de deficiências mentais que não sejam insanos. demência afásica. impossibilitadas de compreender a fala ou a escrita. Já que o curador tem o encargo de representar ou assistir o seu curatelado. Espécies de curatela 1. tornando-o incapaz de exercer normalmente os atos da vida civil. fraqueza mental senil. de incapacidade relativa) que não hajam recebido educação adequada que os habilite a enunciar precisamente a sua vontade. Os alcoólatras estão incluídos no rol dos toxicômanos. cocainismo. (absolutamente incapaz) Portadores de arteriosclerose ou paralisia avançada e irreversível. por escrito ou sinais convencionados. d) é temporária. não puderem exprimir a sua vontade.Aqueles que. 12 13 AZEVEDO. c) tem caráter supletivo da capacidade. maconha ou outra. Tal dever é delegado a pessoas capazes e idôneas. que deixam a pessoa prostrada. uma vez que a moléstia altere o uso vulgar de suas faculdades. e) a sua decretação requer certeza absoluta de incapacidade. ao serem nomeadas curadoras. paranóia. perdurando somente enquanto a causa de incapacidade se mantiver (cessando a causa. levanta-se a interdição). morfina. p. seja cocaína. art. que os tornam irresponsáveis por seus atos ou negócios. mesmo sendo portadores de lesões de nervos cerebrais. dipsômanos (impulsão irresistível de beber). II . Carlos Roberto.8/13 O caráter publicista advém do fato de ser dever do Estado zelar pelos interesses dos incapazes.

uma vez que com isso dissipam o que possuem). Op. ou seja. cit.772. Pródigo é o indivíduo que. CC). podendo votar.”14 “Os excepcionais são pessoas que nasceram com anormalidades físicas e mentais.9/13 IV – Os excepcionais sem completo desenvolvimento mental (relativamente incapaz . Carlos Roberto. hipotecar. I. CC). 171.. sujeitando-os à curatela. Ele só podia ser interditado havendo cônjuge. mulheres. Não há limitações referentes à pessoa do pródigo. Tais atos dependem da assistência do curador. GONÇALVES. É ele o destinatário da assistência e proteção reservada aos incapazes.782. Freqüentemente ocorrem deformações que dão aparência mongolóide ao indivíduo. p. IV). como sucede com o portador da ´Síndrome de Down´. Direito de Família – Professora Thatiana de Arêa Leão Candil . empréstimos etc. e não sua família. 1. dar quitação.782. O juiz fixará limites para a curatela que pode restringir-se ao impedimento de. No Código de 1916 essa interdição não tinha a finalidade de proteger o incapaz. I). gasta imoderadamente. 618-619. Op. p. Pronunciada a interdição das pessoas a que se referem os incisos III e IV. 1. segundo o estado ou o desenvolvimento mental do interdito.art. Os surdos-mudos podem eventualmente ser enquadrados nessa categoria. III) “Portadores da ´Síndrome de Down´ e todos os excepcionais sem completo desenvolvimento mental.. CC (Art. destacando-se o déficit mental. O ato praticado nesse momento pode ser considerado válido? 14 15 GONÇALVES. que pode viver como lhe aprouver. cit. “Preleciona PONTES DE MIRANDA que ´entre os pródigos estão os onemaníacos (impulso irresistível a comprar objetos de toda a espécie). 1. 618. alienar. por não terem recebido educação adequada e permanecerão isolados. 1.767. exigindo-se. a assistência do curador se celebrar pacto antenupcial que acarrete alteração em seu patrimônio. 617. No novo Código a interdição do pródigo visa protegê-lo. luxo. p. 4º. praticar atos que possam comprometer o seu patrimônio e não sejam de mera administração. os quais se revelam tanto no aspecto físico como no psíquico e sensorial. São portadoras de problemas neuropsíquicos. CC: as pessoas relacionadas nesses incisos serão recolhidas em estabelecimentos adequados quando não se adaptarem ao convívio doméstico (art. todos os portadores de alguma deficiência que os aliena do meio ambiente e os inabilita para a vida civil. por ser portador de um defeito de personalidade. não há propriamente uma doença mental. o juiz assinará. ser jurado. Carlos Roberto. cit. no caso dos excepcionais. mas sim a de preservar os interesses da família do pródigo. sem curador. testemunha. demandar ou ser demandado. III e IV. mas ficará privado de praticar atos que possam desfalcá-lo. Pode inclusive administrá-lo. somente neste caso. CC). 1. mas redução de sua capacidade. (art. ou tendo ascendentes ou descendentes que a promovessem. Op. doações.16 A interdição só interfere em atos de disposição e oneração de seu patrimônio. como emprestar. que poderão circunscrever-se às restrições constantes do art.Os pródigos (relativamente incapaz – art. transigir. os dipsômanos (impulso a beber. os limites da curatela. 4º. tanto que costuma seguir as regras comuns de conduta”. Carlos Roberto. Pessoa interditada que em algum momento apresenta lucidez. Art. Pode-se afirmar que. Sem essa assistência serão anuláveis (art. dissipando o seu patrimônio com o risco de reduzir-se à miséria.15 V . exercer profissão que não seja a de comerciante e até casar.”..777. os depravados de qualquer espécie que dilapidam a fortuna ou o patrimônio em diversões. 16 GONÇALVES.

Na falta das pessoas indicadas. de quando ela se manifesta.768 e 1. forem incapazes. seja obrigatória a interdição pelo MP. Havendo motivos graves. 1. os mais próximos precedem aos mais remotos. o juiz nomeará um curador. O Ministério Público só promoverá a ação: (art. o descendente que se mostrar mais apto. podendo ser estranha à família do interdito. Qualquer das pessoas indicadas pode promover a ação. Doença mental grave: não se pode dizer que. porém não ainda interditada. embora não mencionados.10/13 O nosso ordenamento jurídico não admite os chamados intervalos lúcidos. Sob esse aspecto a curatela pode ser legítima ou dativa. p. ela vale em todos os momentos da vida. • Pelo cônjuge ou por qualquer parente. Op. não separado judicialmente ou de fato. a bem do interdito. que deverá ser pessoa idônea. CC. temível. compete ao juiz a escolha do curador. quando o regime de bens do casamento for de comunhão universal. • Pelo Ministério Público.. 17 AZEVEDO. Se a pessoa se recuperar. quem vai aferir se naquele dia ele tem ou não capacidade. inclusive o companheiro ou companheira. Pessoas habilitadas a exercer a curatela – art. • Na falta do cônjuge ou companheiro. a curatela dativa. Uma vez decretada a interdição. é de direito. CC) • em caso de doença mental grave • se as pessoas mencionadas não existirem ou não promoverem a interdição • ou se existindo. pode requerer o levantamento da interdição e voltar à prática dos atos da vida civil.775. Os atos praticados pelo amental interditado serão sempre nulos. 1. Não há controle da doença. quando interdito. de riscos à sociedade. 448. mas a preferência não é absoluta. A enumeração é taxativa. a não ser especificamente nos casos de violência. • Na falta destes. CC): A interdição deve ser promovida: • Pelos pais ou tutores. Direito de Família – Professora Thatiana de Arêa Leão Candil . A ordem é preferencial. A lei indica as pessoas que devem ser nomeadas. mas não preferencial.17 O simples fato de existir pessoa sujeita à curatela. 1. Entre os descendentes. em regra.769.769. • O cônjuge ou companheiro. CC Ao decretar a interdição. de prestar contas de sua administração. salvo determinação judicial. Art. desde que maior e capaz. CC dispensa o cônjuge curador. Legitimidade para requerer a interdição (Art. 1. ainda que no momento apresentasse alguma lucidez. não sendo necessário que notifique antes as demais pessoas mencionadas no art. configurando-se então. Álvaro Villaça.768. estipulando-lhes um prazo para suprir a omissão. pode ser nomeado qualquer dos pais. curador do outro. 1. como no do doente mental perigoso. já autoriza o MP a agir.783. o juiz pode alterá-la. Cit.

CC. ante duas circunstâncias: • Se o pai falecer estando a mulher grávida. A lei não lhe concede personalidade. e prestar contas. mas que ainda se encontra no ventre materno. Somente pode alienar bens imóveis mediante prévia avaliação judicial e autorização do juiz. CC) e proibitórias (Art. o ordenamento jurídico desde logo preserva seus interesses futuros. À curatela são aplicáveis as disposições legais relativas à tutela. caso em que seu curador será o do nascituro. Curso de Direito Civil. Op. mas de um enfermo ou deficiente físico que tem problemas com sua capacidade de locomoção. etc.778. vol. sendo semelhante à questão da tutela. É obrigado a prestar caução bastante. a qual só lhe será conferida se nascer com vida.779. Ele não pode embolsar renda relacionada com esta administração. em breve serão seus. Sílvio. quando exigida pelo juiz. legado ou doação. Trata-se de uma curadoria prorrogada. p. de direito tutor dos filhos menores não emancipados do incapaz. CC “Nascituro é o ser já concebido. requer autorização determinando a venda. Art. Não se trata de incapacidade mental. 1. CC19 Não é requisito a falta de discernimento ou a impossibilidade da expressão de vontade por parte do curatelando. mesmos encargos. sempre que envolver alienação de patrimônio é imprescindível autorização judicial. limites de atuação.774. 1. 1. apenas no âmbito da administração. cabem-lhe os direitos e deveres especificados no capítulo que trata da tutela.36. mesma obrigação. A regulamentação da posse em nome do nascituro encontra-se no CPC. GONÇALVES. como provavelmente nascerá com vida. 1. tomando medidas para salvaguardar os direitos que. Mas. 1. com muita probabilidade. pois tal sanção abrange toda a prole.. O curador não pode alienar bens do seu interditado sem autorização judicial e se houver necessidade.11/13 Exercício da curatela A nomeação do curador gera poderes de administração do patrimônio do interdito. Curatela do nascituro – Art. A curatela no dia a dia. 877 e 878.”18 A lei prevê a possibilidade excepcional de se dar curador ao nascituro.736. como ocorre na tutela. Curatela do enfermo ou portador de deficiência física – Art. 2002.780. Direito de Família – Professora Thatiana de Arêa Leão Candil .735. 18 19 RODRIGUES. é próxima do tutor. com apenas algumas modificações – Art. inclusive o nascituro. cit. Só há interesse na nomeação de curador ao nascituro se tiver de receber herança. Tem poder de representação do interditado nos atos da vida civil. arts. Essa última hipótese só pode ocorrer se ela tiver sido destituída do poder familiar em relação a filhos havidos anteriormente. 1. assim. • Não tendo a mãe o exercício do poder familiar. responsabilidade dos atos dos incapazes. 622-624. tem que apresentar contas periódicas. Carlos Roberto. 1. Basta a condição de enfermo ou deficiente físico aliada ao propósito de receber curador. Vigoram para o curador as escusas voluntárias (Art. Poderá ocorrer também se estiver interditada. no exercício dessa representação. p. São Paulo: Saraiva. CC). CC – o curador nomeado para o interdito é. prestação de contas.

1. colher parecer médico. Qualquer das pessoas legitimadas (CC 1. bens e do mais que lhe parecer necessário para ajuizar do seu estado mental (art. 1. antes que ele acabe com o patrimônio. cit. Caso ele não possa exprimir a sua vontade. A interdição tem a finalidade de retirar da pessoa a capacidade civil e a livre disposição de seus bens. Os pródigos também costumam contestar.768) também pode requerer a curatela. Ele pode impugnar dizendo que não está com nenhum tipo de anomalia que justifique a interdição. 1. o juiz nomeará perito médico para proceder ao exame do interditando e apresentar o respectivo laudo (Art. Cuida-se de curatela de menor extensão. CC). mas esta só será concedida se houver a concordância do interditando. A família fica preocupada. 99% das vezes não há impugnação. o juiz lhe nomeará curador à lide.12/13 Não se trata de uma verdadeira interdição. No entanto. mas o interditando poderá constituir advogado para defender-se. o mais usual é o doente e o incapacitado físico simplesmente nomearem um procurador. defendendo seus interesses (CPC. O interditando será citado para ser interrogado pelo juiz. Se o pedido for formulado pelo MP. mas de repente.181. Tal interrogatório em audiência é obrigatório.. para realizar o interrogatório. semelhante a um mandato. será nomeado curador à lide ao interditando. em vez de fazerem uso de uma ação judicial para que alguém atenda a seus interesses”. O juiz pode recusar o pedido de interdição se não tiver demonstração de incapacidade. pensa que ele ficou louco e quer interditá-lo. que administra sua empresa.780).771. Porém. do representante do MP e de seu advogado ou do curador especial que lhe foi nomeado. CC. Se não o fizer. até porque não se destina a um incapaz.20 O Processo de Interdição – art. passa a gastar seu dinheiro com presentes. Após o interrogatório e no prazo de 5 dias. são raras situações pedindo interdição de pródigos. O requerente é que definirá o âmbito de abrangência da curatela.177 e seguintes do CPC Procedimento especial de jurisdição voluntária. mas de mera transferência de poderes. 20 DIAS. em que o curador exercerá a administração total ou parcial do patrimônio. art. jóias.182. Maria Berenice. Decorrido esse prazo. ocasião em que será minuciosamente interrogado pelo juiz acerca de sua vida. Se formulado por outra pessoa. Se este não puder expressar-se. para que o juiz possa melhor aferir o seu estado e as suas condições. Se o estado do interditando não permitir a sua locomoção. tem que produzir provas. estará sujeito à curatela ordinária. arruma uma namorada de 20 anos. lavrando-se o respectivo termo. o juiz dirigir-se-á ao local de seu domicílio. Op. art. p. 548. 1. 1. Direito de Família – Professora Thatiana de Arêa Leão Candil . acompanhado do escrevente. CPC). mas os poucos que surgem. o juiz fará constar do termo tal fato. “O portador de deficiência física ou o enfermo podem requerer que lhes seja nomeado curador para cuidar de todos ou de alguns de seus negócios ou bens (CC 1. Nada obsta que ele mesmo constitua seu próprio advogado para atuar no feito. As respostas do interditando serão consignadas no termo de interrogatório. Trata-se do exame pessoal do interditando. o MP o representará nos autos do procedimento. o interditando poderá impugnar o pedido. pode haver impugnação. viagens etc. negócios. Por exemplo: um cidadão de 70 anos.770). descrevendo o comportamento do interditando.

21 GONÇALVES. sendo a sentença publicada pela imprensa local e pelo órgão oficial. art. segundo o estado ou o desenvolvimento mental do interdito. entende-se possível intentar ação anulatória dos atos praticados anteriormente à sentença. CC que pronunciada a interdição das pessoas a que se referem os inciso III e IV do art. bem como registrada no Cartório do 1º Ofício do Registro Civil da comarca em que for proferida. O registro e a publicação da sentença tornam-na pública. sem necessidade de prova. por 3 vezes. cessando a causa que a determinou (CPC. desde que se apresente elementos que comprovem o estado do interditando. porque o que o torna incapaz é a enfermidade ou deficiência mental e não a sentença de interdição. Todavia. os limites da curatela. Tem eficácia ex tunc. no entanto.773. embora sujeita a recurso de apelação (Art.184). porque seus efeitos são ex nunc. não se podendo falar. Em princípio. está internado em um manicômio. 1. determinar a realização de nova perícia. Levantar-se-á a interdição. cit. 1.186). A sentença de interdição produz efeito desde logo. neste caso. alguns autores entendem que a sentença é constitutiva. não podendo. tem prevalecido o entendimento de que não é constitutiva. visto que o interditando tem direito a provar que pode gerir a sua vida e administrar os seus bens. Dispõe o art. 437. art. 1. em boa-fé do terceiro. antes da interdição. Nesse caso.772. embora sujeita a apelação (CPC. O curador presta compromisso e passa a exercer a curatela. uma vez que não cria a incapacidade. 635-637. Tem este o direito também. que poderão circunscrever-se às restrições constantes do art. a eiva da nulidade pressuposta na interdição. a dispensa da realização do ato pelo magistrado será inadmissível.13/13 Se os esclarecimentos do perito não afastaram as dúvidas sobre o estado de saúde do interditando. 1. Natureza jurídica da sentença que decreta a interdição21 Embora haja controvérsia a respeito da natureza jurídica da sentença que decreta a interdição. conhecida de todos. CC). laudo do INSS dizendo que tem doença mental. verificando-se desde logo. mas apenas declaratória da existência de uma situação. nomeando curador provisório. Carlos Roberto. Somente se anulam tais negócios se a alienação mental era notória. Já os atos praticados na constância da interdição levam consigo. provar a incapacidade àquela época. são nulos os atos praticados pelo amental. o juiz assinará. por não criar o estado de incapacidade.. devendo-se. a partir daí. Direito de Família – Professora Thatiana de Arêa Leão Candil . Todavia. Decretada a interdição. a causa da incapacidade. sob o aspecto do reconhecimento de uma situação de fato – a insanidade mental como causa da interdição – tem natureza declaratória. com a oitiva de testemunhas. É possível a concessão de liminar. terceiros que celebrem contratos com o incapaz alegar ignorância de seu estado. o juiz nomeará curador ao interdito.1.782. A diferença única entre a época anterior e a época atual da interdição ocorre apenas quanto à prova da nulidade do ato praticado pelo insano: os atos anteriores à curadoria só podem ser julgados nulos provando-se que já subsistia. O juiz só designará audiência de instrução e julgamento se houver necessidade de produção de provas. pode o juiz. ao tempo em que foram exercitados. usando da faculdade prevista no art. 1. Sob a ótica processual. Op. para a prática de atos necessários ao interesse do incapaz. de indicar assiste técnico para acompanhar a perícia e apresentar críticas ao laudo do perito. como por exemplo. p. Como a incapacidade preexiste. CPC. a jurisprudência tem ressalvado os direitos do terceiro de boa-fé que negociou com o incapaz ignorando a sua deficiência mental.767.

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