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FARMÁCIA HOSPITALAR E

GESTÃO
PROF.A MA. JANETE LANE AMADEI
Prof. Me. Ricardo Benedito de Oliveira
REITOR

Reitor:
Prof. Me. Ricardo Benedito de
Oliveira
Pró-Reitoria Acadêmica:
Maria Albertina Ferreira do
Nascimento
Prezado (a) Acadêmico (a), bem-vindo Diretoria EAD:
(a) à UNINGÁ – Centro Universitário Ingá. Prof.a Dra. Gisele Caroline
Novakowski
Primeiramente, deixo uma frase de Só-
crates para reflexão: “a vida sem desafios não PRODUÇÃO DE MATERIAIS
vale a pena ser vivida.”
Diagramação:
Cada um de nós tem uma grande res- Alan Michel Bariani
ponsabilidade sobre as escolhas que fazemos, Thiago Bruno Peraro
e essas nos guiarão por toda a vida acadêmica
e profissional, refletindo diretamente em nossa Revisão Textual:
vida pessoal e em nossas relações com a socie- Fernando Sachetti Bomfim
dade. Hoje em dia, essa sociedade é exigente Marta Yumi Ando
e busca por tecnologia, informação e conheci-
mento advindos de profissionais que possuam Produção Audiovisual:
novas habilidades para liderança e sobrevivên- Adriano Vieira Marques
cia no mercado de trabalho. Márcio Alexandre Júnior Lara
Osmar da Conceição Calisto
De fato, a tecnologia e a comunicação
têm nos aproximado cada vez mais de pessoas, Gestão de Produção:
diminuindo distâncias, rompendo fronteiras e Aliana de Araujo Camolez
nos proporcionando momentos inesquecíveis.
Assim, a UNINGÁ se dispõe, através do Ensino
a Distância, a proporcionar um ensino de quali-
dade, capaz de formar cidadãos integrantes de
uma sociedade justa, preparados para o mer-
cado de trabalho, como planejadores e líderes
atuantes.

Que esta nova caminhada lhes traga


muita experiência, conhecimento e sucesso.

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UNIDADE ENSINO A DISTÂNCIA

01
DISCIPLINA:
FARMÁRCIA HOSPITALAR E GESTÃO

FARMÁCIA HOSPITALAR NO
CONTEXTO DA SAÚDE
PROF.A MA. JANETE LANE AMADEI

SUMÁRIO DA UNIDADE

INTRODUÇÃO.............................................................................................................................................................. 5
1. FARMÁCIA HOSPITALAR E ATENDIMENTO DE SAÚDE...................................................................................... 6
1.1 BREVE HISTÓRICO................................................................................................................................................ 6
1.2 CONCEITO DE FARMÁCIA HOSPITALAR............................................................................................................ 7
1.3 ATIVIDADES DA FARMÁCIA HOSPITALAR ........................................................................................................ 7
1.4 LOCALIZAÇÃO ...................................................................................................................................................... 7
1.5 PAPEL DO FARMACÊUTICO HOSPITALAR ........................................................................................................ 8
1.6 OBJETIVOS DA FARMÁCIA HOSPITALAR........................................................................................................... 8
1.7 DIRETRIZES DA FARMÁCIA HOSPITALAR ........................................................................................................ 9
1.7.1 GESTÃO................................................................................................................................................................ 9
1.7.2 DESENVOLVIMENTO DE AÇÕES INSERIDAS NA ATENÇÃO INTEGRAL À SAÚDE...................................... 10

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1.8 MANIPULAÇÃO OU FARMACOTÉCNICA HOSPITALAR ....................................................................................11
1.8.1 MANIPULAÇÃO MAGISTRAL E OFICINAL.......................................................................................................11
1.8.2 PREPARO DE DOSES UNITÁRIAS....................................................................................................................11
1.8.3 PREPARO DE NUTRIÇÃO PARENTERAL.........................................................................................................11
1.8.4 PREPARO DE DROGAS ANTINEOPLÁSICAS E RADIOFÁRMACOS...............................................................11
1.8.5 CUIDADO AO PACIENTE.................................................................................................................................. 12
1.8.6 GESTÃO DA INFORMAÇÃO, INFRAESTRUTURA FÍSICA E TECNOLÓGICA................................................. 12
1.8.7 RECURSOS HUMANOS (RH)........................................................................................................................... 12
2. GESTÃO DE RECURSOS HUMANOS.................................................................................................................... 12
2.1 SELEÇÃO .............................................................................................................................................................. 13
2.2 CONTRATAÇÃO.................................................................................................................................................... 13
2.3 AVALIAÇÃO.......................................................................................................................................................... 13
2.4 EDUCAÇÃO CONTINUADA OU CAPACITAÇÃO.................................................................................................. 14
3. GESTÃO PELA QUALIDADE .................................................................................................................................. 15
4. PARTICIPAÇÃO DO FARMACÊUTICO NAS COMISSÕES MULTIDISCIPLINARES........................................... 18
4.1 PARTICIPAÇÃO EM COMISSÕES....................................................................................................................... 19
CONSIDERAÇÕES FINAIS ........................................................................................................................................ 24

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INTRODUÇÃO

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o hospital é parte integrante de uma


organização médica e social que tem como principal objetivo prestar assistência à população em
caráter curativo e preventivo, além de funcionar como um centro de formação e de investigação
(XAVIER, 2010).
Por outro lado, a desospitalização é uma tendência mundial, pois já existe a consciência
de que o leito hospitalar é para a fase aguda de uma doença, e não para pacientes crônicos. Na
atualidade, os grandes hospitais do País têm equipes trabalhando para que o paciente permaneça
o menor tempo possível no leito. Os planos de saúde também apontam essa solução como a mais
viável para pacientes crônicos.
Diante dessa realidade, os pacientes atendidos em hospitais estão em estado mais grave,
cujo quadro envolve maior complexidade e, portanto, tratamentos mais complexos. Logo, ações
para o uso correto de medicamentos são cada vez mais necessárias.
Entende-se por gestão em saúde o processo técnico, político e social capaz de integrar
recursos e ações para a produção de resultados. Nesse novo contexto, a farmácia hospitalar

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também está passando por mudanças, pois a busca pela eficiência exige a incorporação rápida de
novos conceitos e práticas de gestão.
A atuação da farmácia hospitalar assume, com isso, dois aspectos cruciais para o hospital:
um deles é a gestão de processos, participando das comissões decisórias e produção de indicadores
de qualidade; o outro aspecto, nas fases da assistência farmacêutica propriamente dita, envolve
seleção, armazenamento, distribuição e controle de uso de medicamentosas.
Para isso, a farmácia hospitalar deve observar as ações desenvolvidas e o perfil dos
pacientes atendidos. A execução de suas atividades deve garantir a efetividade e a segurança no
uso dos medicamentos e produtos para a saúde.
Na Unidade I, discutiremos a Farmácia Hospitalar e seu papel no atendimento de saúde,
focando seus aspectos legais e estruturais.

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1. FARMÁCIA HOSPITALAR E ATENDIMENTO DE SAÚDE

O avanço tecnológico da indústria farmacêutica e da área da saúde exige uma avaliação


criteriosa da segurança, efetividade e custo. O farmacêutico atua no sentido de assegurar uma
assistência farmacêutica integral que atenda ao perfil assistencial do hospital e às necessidades
individuais do paciente.
Para obter a integralidade do cuidado, a farmácia executa as atividades logísticas
tradicionais e realiza atividades assistenciais e técnico-científicas.
O Serviço de Farmácia Hospitalar (doravante, SFH) é o ordenador da assistência
farmacêutica no hospital, e sua estrutura deve estar de acordo com a complexidade do atendimento
prestado por ele.
O SFH deve observar e providenciar as exigências das entidades de saúde e órgãos
reguladores, bem como as políticas e convenções da empresa em que atua. Suas ações visam a
contribuir para um ambiente que tenha flexibilidade, agilidade, criatividade, eficiência, equidade
e participação social (SILVA; PROVIN; FERREIRA, 2018).

1.1 Breve Histórico

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As práticas de Farmácia Hospitalar datam da época dos gregos, romanos e árabes.
Na Idade Média, a medicina e a farmácia desenvolveram-se juntas, sob a responsabilidade de
religiosos dos conventos, nas boticas e nos hortos de plantas medicinais (BRASIL, 1994).
A primeira farmácia hospitalar de que se tem registro data de 1752, em um hospital
da Pensilvânia, Estados Unidos, onde foi apresentada a primeira proposta de padronização de
medicamentos.
No Brasil, as farmácias hospitalares mais antigas foram instaladas nas Santas Casas
de Misericórdia e Hospitais Militares, onde o farmacêutico manipulava os medicamentos
dispensados aos pacientes internados, obtidos de um ervanário do próprio hospital.
No século XIX, a botica mudou a nominação para “farmácia” e assumiu grande
importância nos hospitais da época, onde os medicamentos eram fornecidos de forma individual
para o tratamento dos pacientes e eram preparados por meio de receitas magistrais nas quais se
usavam drogas importadas e/ou produtos de herbário. Esse atendimento se dava tanto para os
indivíduos hospitalizados quanto para o tratamento ambulatorial.
Nas décadas de 1920 e 1930, o avanço da engenharia química estabeleceu as bases da
moderna indústria farmacêutica, permitindo a expansão da produção de remédios. Essa nova
realidade permitiu o tratamento de doenças para as quais não havia expectativa de cura e de
muitas patologias que, antes, demandavam internação para tratamento (SIMONETTI; NOVAES;
AFONSO, 2009).
A industrialização do medicamento permitiu o acesso ao fármaco pronto. Isso desencadeou
uma crise na profissão farmacêutica, que, até então, era entendida como manipuladora/
preparadora de medicamentos. O mesmo aconteceu com o farmacêutico de hospital.
Os hospitais de pequeno e médio portes passaram a ter estoques de medicamentos
industrializados, tornando desnecessária a presença do farmacêutico, que só foi mantido nas
instituições de grande porte.
Nesse novo contexto, as farmácias das unidades hospitalares que faziam manipulação
ativa de medicamentos se transformaram em depositários/estocadores passivos de fármacos
industrializados.

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A consequência do uso indevido dos medicamentos começou a se refletir nos pacientes:


reações adversas, falhas terapêuticas, aumento do tempo de internação e dos custos de atendimento.
Essa realidade exigiu o retorno do farmacêutico, não mais como “produtor” de medicamentos,
mas como detentor do conhecimento de estabilidade, farmacocinética, farmacodinâmica, ou
seja, como expert em medicamentos.
Na década de 1940, com o crescimento dos hospitais, a farmácia hospitalar assume papel
cada vez mais importante, tornando-se um serviço imprescindível para o funcionamento dessas
estruturas (DANTAS, 2011).
Em 1965, surgiu, nos EUA, o conceito de assistência farmacêutica, resgatando o papel do
farmacêutico na terapia do paciente. Paralelamente a isso, propõe-se a farmácia clínica, cuja meta
é o uso racional dos medicamentos. Com isso, o farmacêutico passa a ter atribuições junto aos
medicamentos e às atividades clínicas voltadas ao paciente.
Em 1975, a disciplina de Farmácia Hospitalar é inserida no currículo do curso de Farmácia
da Universidade Federal de Minas Gerais (GOMES; REIS, 2001; NOVAES et al., 2009).
Em 1995, foi criada a Sociedade Brasileira de Farmácia Hospitalar (doravante, SBRAFH),
contribuindo intensamente para a dinamização da profissão e para o desenvolvimento da
produção técnico-científica nas áreas de assistência farmacêutica hospitalar.

1.2 Conceito de Farmácia Hospitalar

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É uma unidade clínico-assistencial, técnica e administrativa da unidade hospitalar, onde
se processam as atividades relacionadas à assistência farmacêutica, dirigida exclusivamente por
farmacêutico, compondo a estrutura organizacional do hospital e integrada funcionalmente às
demais unidades administrativas e de assistência ao paciente (BRASIL, 2010).
A responsabilidade técnica da farmácia hospitalar é atribuição do profissional
farmacêutico, devidamente inscrito no Conselho Regional de Farmácia de sua jurisdição, nos
termos da legislação vigente (BRASIL, 2010).

1.3 Atividades da Farmácia Hospitalar


A organização estrutural da farmácia depende, diretamente, do tipo de atendimento
assistencial da instituição, do número de leitos, das atividades da farmácia e dos recursos
financeiros, materiais e humanos disponíveis.

1.4 Localização
A farmácia deve estar situada em local de livres acesso e circulação, tanto para atender
à distribuição de medicamentos como para receber a eles e aos demais produtos farmacêuticos
adquiridos para consumo.
A área física deve dispor de espaço suficiente para o desenvolvimento das atividades
em execução. O espaço necessário é dimensionado de acordo com o tipo de hospital (geral
ou especializado), o número de leitos, a localização geográfica, o tipo de assistência prestada
pelo hospital, a política de compras implantada no hospital (mensal, trimestral, anual, entrega
programada, por estoque mínimo) e os tipos de atividades realizadas na farmácia.
A farmácia também recebe a visita de técnicos e fornecedores, o que justifica que sua
localização deva ser em ponto estratégico para facilitar a troca de informações.

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A planta física deve ser aprovada pela vigilância sanitária e deve observar a legislação
vigente. A construção deve observar as recomendações para áreas de armazenamento (estocagem,
distribuição) e boas práticas de manipulação (fracionamento, preparo de injetáveis, nutrição
parenteral e quimioterápicos).

1.5 Papel do Farmacêutico Hospitalar


Segundo Silva (2011), a atuação da farmácia hospitalar se preocupa com os resultados
da assistência prestada ao paciente como um todo, e não apenas com a provisão de produtos e
serviços.
Como unidade clínica, o foco de sua atenção é o paciente, nas suas necessidades, e o
medicamento como instrumento.
Na atuação em unidades hospitalares, o farmacêutico tem oportunidade de:

- Interagir com o prescritor, promovendo a prescrição e o uso racional de medicamentos.


- Acessar prontuários dos pacientes, monitorando e acompanhando a farmacoterapia do
paciente, identificando reações adversas e outras ocorrências no uso do medicamento.
- Atuar nas comissões interdisciplinares.
- Participar das atividades de educação continuada, envolvendo pacientes e profissionais

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de saúde.
- Participar de estudos e pesquisas clínicas.
- Controlar a produção, a aquisição e a qualidade dos medicamentos usados no hospital.

1.6 Objetivos da Farmácia Hospitalar


Componente Objetivo
Gerenciamento Prover estrutura organizacional e infraestrutura que
viabilizem as ações da farmácia.
Seleção de Definir os medicamentos indispensáveis para suprir as
Medicamentos necessidades do hospital, segundo critérios de eficácia
e segurança, observando qualidade, comodidade,
posológicos, custo e especificações técnicas.
Programação Definir quantidade dos medicamentos a serem adquiridos,
tendo em vista o estoque, os recursos e os prazos
disponíveis.
Aquisição Suprir a demanda do hospital, observando qualidade e
custo.
Logística

Armazenamento Assegurar a qualidade dos produtos em estoque e fornecer


informações sobre as movimentações realizadas.
Distribuição Distribuir medicamentos e correlatos em condições
adequadas, com garantia de qualidade do processo.

Segmento Acompanhar o uso de medicamentos prescritos a cada


farmacoterapêutico paciente.

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Componente Objetivo
Farmacotécnica Fracionar medicamentos ou elaborar preparações
magistrais e oficinais para atender medicamentos
prescritos, observando a segurança e a qualidade.
Ensino e pesquisa Participar da formação de recursos humanos para a farmácia
e hospital, visando a produzir informação e conhecimento
para o aprimoramento das condutas e práticas vigentes.

Quadro 1 – Objetivos da Farmácia Hospitalar. Fonte: Adaptado de Dantas (2011).

1.7 Diretrizes da Farmácia Hospitalar


As diretrizes reúnem elementos necessários à efetiva implementação de ações capazes de
promover a melhoria das condições de assistência à saúde da população, otimizando resultados
clínicos, econômicos e os relacionados à qualidade de vida dos usuários. As diretrizes estão

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indicadas na Portaria nº 4.283, de 30 de dezembro de 2010 (BRASIL, 2010), e são apresentadas
na Figura 1.

Figura 1 – Diretrizes da Farmácia Hospitalar segundo a Portaria nº 4283/2010. Fonte: A autora.

1.7.1 Gestão

Essas diretrizes têm como objetivos:

- Garantir o abastecimento, dispensação, acesso, controle, rastreabilidade e uso racional


de medicamentos e de outras tecnologias em saúde.
- Assegurar o desenvolvimento de práticas clinicoassistenciais que permitam monitorar a
utilização de medicamentos e outras tecnologias em saúde.

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- Melhorar a relação entre custo, benefício e risco dos processos assistenciais e tecnologias.
- Desenvolver ações de assistência farmacêutica, que devem estar articuladas e
sincronizadas com as diretrizes institucionais.
- Participar, de forma ativa, no aperfeiçoamento contínuo das práticas da equipe de saúde.

As sugestões para adequação são:

a) prover estrutura organizacional e infraestrutura física que viabilizem ações com


qualidade, utilizando modelo de gestão sistêmico, integrado, coerente e adequado às
bases da moderna administração, observando qualidade, resolutividade e custo da
assistência. Deve haver aferição por meio de indicadores dos reflexos positivos para o
usuário, estabelecimentos e sistema de saúde.

b) na seleção de medicamentos, considerar a Relação Nacional de Medicamentos Essenciais


(doravante, RENAME) vigente e os Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas do
Ministério da Saúde.

c) promover programa de educação permanente para farmacêuticos e auxiliares.

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d) incluir a farmácia hospitalar no plano de contingência do estabelecimento.

e) observando a complexidade do estabelecimento, o farmacêutico deve ser habilitado


para participação efetiva nas comissões que tenham interface com a assistência
farmacêutica hospitalar: Farmácia e Terapêutica, Comissão de Controle de Infecção
Hospitalar, Comissão de Ética em Pesquisa, Comissão de Gerenciamento de Resíduos de
Serviços de Saúde, dentre outras

Para o acompanhamento das atividades da farmácia em hospitais, recomenda-se a adoção


de indicadores de gestão, logísticos, de assistência ao paciente e de educação.

1.7.2 Desenvolvimento de ações inseridas na atenção integral à saúde

Além das atividades logísticas tradicionais e visando à integralidade do cuidado, a


farmácia deve desenvolver, de forma interdisciplinar, ações assistenciais e técnico-científicas que
contribuam para a qualidade, para o uso racional de medicamentos e de produtos à saúde e
para a humanização da atenção ao usuário. Todas as ações do farmacêutico hospitalar devem ser
registradas para avaliação de seu impacto na promoção do uso seguro e racional de medicamentos
e de outros produtos para a saúde. Dentre as atividades que podem ser desenvolvidas, destacam-
se:

- Gerenciamento de tecnologias. São elas: qualificação de fornecedores; armazenamento;


distribuição; dispensação e controle dos medicamentos/produtos para a saúde/produtos
de higiene e saneantes usados pelos pacientes; fracionamento e preparo de medicamentos.

- Distribuição e dispensação: o farmacêutico deve priorizar a implantação de um sistema


racional de distribuição de medicamentos e produtos para a saúde, visando a processos
que garantam a segurança do paciente e o uso racional do medicamento.

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Recomenda-se o sistema de distribuição individual ou unitário. Para garantir segurança


na avaliação farmacêutica das prescrições, o sistema deve ser realizado antes do início da
dispensação ou da manipulação.
Priorizam-se aquelas que contenham antimicrobianos e medicamentos potencialmente
perigosos, observando-se a concentração, viabilidade, compatibilidade físico-química e
farmacológica dos componentes, dose, forma farmacêutica, via e horários de administração.
Os cálculos necessários ao atendimento ou manipulação dos itens prescritos (observando-
se a aplicação dos fatores de conversão, correção e equivalência, quando aplicáveis) devem ser
registrados, apostos e assinados pelo farmacêutico.

1.8 Manipulação ou Farmacotécnica Hospitalar


1.8.1 Manipulação magistral e oficinal

Esse procedimento permite a personalização da terapêutica, uso de sistemas seguros


de dispensação de medicamentos (individual ou unitário) e racionalização de custos. Se
recomendada, realizá-la de acordo com os dispositivos legais que regulam a matéria.

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1.8.2 Preparo de doses unitárias

A unitarização de doses compreende o fracionamento de medicamentos líquidos,


sólidos e injetáveis. Esses processos contribuem para a redução de custos. Devem ser registrados
para garantir a rastreabilidade e contemplar um plano de prevenção de trocas ou misturas de
medicamentos em atendimento à legislação vigente.

1.8.3 Preparo de nutrição parenteral

A manipulação de nutrição parenteral compreende operações inerentes à preparação


(avaliação farmacêutica, manipulação, controle de qualidade, conservação e orientações para
o transporte). Se o hospital terceirizar a produção, cabe ao farmacêutico realizar o controle
de qualidade para garantir a integralidade e a conservação dos preparados até o momento da
administração ao paciente. A equipe multiprofissional de terapia nutricional deve monitorar o
uso da nutrição parenteral e proceder aos registros de forma sistematizada, tanto de suas ações
quanto de suas intervenções.

1.8.4 Preparo de drogas antineoplásicas e radiofármacos

A manipulação desses fármacos exige a análise prévia das prescrições à manipulação, a


adequação aos protocolos clínicos com observação das doses máximas diárias e cumulativas,
focando a biossegurança e o uso seguro pelo paciente.
Nas atividades de manipulação, o farmacêutico deve sanar as dúvidas diretamente com
o prescritor e manter registro sistematizado de todas as ocorrências e análises realizadas, dos
problemas identificados e das intervenções. Ademais, deve monitorar os pacientes em uso desses
medicamentos e notificar queixas técnicas e eventos adversos.

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1.8.5 Cuidado ao paciente

Sua finalidade é contribuir para a promoção da atenção integral à saúde, à humanização do


cuidado e à efetividade da intervenção terapêutica. Para isso, a farmácia hospitalar deve promover
o uso seguro e racional de medicamentos e das outras tecnologias em saúde, obtendo como
resultado a redução de custos decorrentes do uso indevido de medicamentos e minimização do
tempo de hospitalização. Essa atividade pressupõe o acesso do farmacêutico ao próprio paciente
e familiar, prontuário, resultados de exames e demais informações que devem ser obtidas por
meio do diálogo com a equipe assistente. Para fins legais e de resgate histórico, as informações
relevantes para a tomada de decisão da equipe multiprofissional, bem como sugestões de conduta
no manejo da farmacoterapia, devem ser registradas e assinadas.

1.8.6 Gestão da informação, infraestrutura física e tecnológica

As infraestruturas física e tecnológica são essenciais para as atividades da farmácia


hospitalar e devem ser mantidas em condições adequadas de funcionamento e segurança.
A infraestrutura física é exigida de acordo com as exigências das atividades farmacêuticas
desenvolvidas, devendo estar de acordo com as normas legais vigentes.

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1.8.7 Recursos humanos (RH)

Os recursos humanos da farmácia hospitalar são formados por farmacêuticos e auxiliares.


O número de profissionais deve ser o necessário para o pleno desenvolvimento de suas atividades,
observando-se a complexidade do hospital, os processos desenvolvidos, o grau de informatização
e mecanização, o horário de funcionamento e a segurança para o trabalhador e para os usuários.
Para isso, deve-se considerar a gestão de recursos humanos.

2. GESTÃO DE RECURSOS HUMANOS

Para que a farmácia hospitalar atinja a excelência dos serviços prestados, é necessário
que haja profissionais em número suficiente e com perfil adequado para cada função a ser
desempenhada.
A seguir, discutiremos as etapas que devem ser observadas na contratação de pessoal de
acordo com a gestão de recursos humanos.
Na gestão pela qualidade, aumenta-se a produção quando há incentivo ao desenvolvimento
profissional com vistas à maior motivação e satisfação no trabalho.
A motivação e a satisfação para o trabalho podem ser obtidas quando: (i) os colaboradores
vivenciam os processos de adaptação, orientação e integração; (ii) obtêm-se estímulo às relações
interpessoais, educação e treinamento; (iii) a empresa analisa e avalia pessoas e equipes, ficando
atenta à remuneração, reconhecimento e participação, além de segurança e bem-estar.
O primeiro passo para se obter sucesso é o recrutamento e seleção. Se, nessa etapa, ocorrer
uma boa condução, as empresas conseguem agregar pessoas competentes aos seus quadros,
obtendo-se melhora na qualidade dos serviços prestados e na imagem da empresa perante a
sociedade.
A gestão de recursos humanos compreende quatro etapas: 1) seleção de pessoal; 2)
contratação; 3) avaliação; 4) educação continuada.

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2.1 Seleção
O recrutamento e a seleção são passos importantes para a qualidade do serviço. Se
eficientes, agregam qualidade ao serviço; se não adequados, isso pode gerar alta rotatividade de
pessoal, com aumento desnecessário de custo. Sugere-se que o processo seja realizado por um
psicólogo organizacional em conjunto com o farmacêutico responsável pela área que oferta a
vaga.
São processos de seleção: concurso público; processo seletivo simplificado; entrevista
com técnico de RH, com chefe de departamento ou com outros gerentes; estágio ou treinamento
introdutório.
A qualificação do candidato deve estar de acordo com as tarefas a serem desempenhadas.
Para isso, os recursos humanos têm uma descrição do cargo. Descrever um cargo significa
relacionar o que o ocupante faz, como ele faz, sob quais condições ele faz e por que ele faz. Trata-
se de um resumo do conteúdo e das principais responsabilidades do cargo.
Na análise de um cargo, é necessário detalhar quais conhecimentos, habilidades e atitudes
são exigidos dos ocupantes de forma a que possam desempenhá-lo adequadamente.
Da descrição do cargo, deve constar: título do posto de trabalho; descrição de tarefas e
responsabilidades; requisitos para qualificação: formação, experiência, capacitação, certificados de
aperfeiçoamento, conhecimento de idiomas, capacidade de raciocínio; requisitos físicos; e outros

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necessários ao desempenho da função. A estrutura de cargos pode influenciar positivamente a
motivação, o desempenho e a satisfação com o trabalho dos que os ocupam.
Como técnicas de seleção, indicam-se: entrevistas; prova ou teste de conhecimento ou
capacidade na área; testes psicométricos; testes de personalidade; técnicas de simulação.
Independentemente da forma escolhida para seleção, devem-se deixar claros todos os
deveres e responsabilidades do contratado, seus direitos e benefícios, além das exigências da
empresa: produtividade, habilidades organizacionais e interpessoais (comunicação, conduta,
identificação e normas da empresa) e como se dá o controle de riscos ocupacionais. Esclarecer
quais são as expectativas com relação ao trabalho é importante tanto para a pessoa a ser contratada
como para o suprimento da vaga. Quanto mais adequada a pessoa estiver ao perfil do cargo,
maior é a chance de resultado positivo para todos os envolvidos.
Se o candidato for aprovado para o cargo, procede-se à segunda etapa: a contratação.

2.2 Contratação
A contratação é o ato formal de admissão do pessoal na empresa. Deve ser realizada em
conformidade com a legislação vigente que regulamenta as relações de trabalho e de acordo com
a estrutura administrativa do contratante.
Após a admissão do colaborador, sua integração é feita com um treinamento introdutório,
durante o qual o colaborador recebe orientações a respeito de sua função e toma ciência das
normas e procedimentos da empresa.

2.3 Avaliação
A avaliação pode ser realizada para efeitos de admissão, demissão, promoção, aumento
salarial, dentre outros. A avaliação é uma etapa importante no aprimoramento do pessoal e na
reavaliação de técnicas ou de processos. Ela deve ser realizada regularmente, e o trabalhador tem
de estar ciente dela.

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Nas instituições públicas, a avaliação é realizada no estágio probatório, e o prazo depende


de cada instituição. No sistema privado, a maioria é formal entre o líder do setor e o trabalhador.
O gerenciamento do desempenho das pessoas na organização e, consequentemente, da
farmácia hospitalar deve ser realizado por meio de instrumentos estruturados, que permitam a
autoavaliação e a avaliação pela equipe.
O foco da avaliação é a comprovação da competência e necessidades de aprimoramento,
apresentando como meta a melhoria contínua. A comprovação da competência é um processo
interno para demonstrar a habilidade (perícia) de um colaborador para executar determinadas
tarefas, observando o foco na pessoa. Consideram-se:

- as competências técnicas: aplica-se o conhecimento para obtenção de resultados,


identificando e resolvendo problemas relacionados à função e demonstrando constante
abertura ao aprendizado.

- competências diferenciadoras: o colaborador é decidido e arrojado? Toma iniciativas e


sempre percebe as mudanças como oportunidades? Atua com reconhecida flexibilidade?

- competências comportamentais: estabelece relação de reciprocidade e colaboração


com as pessoas e está aberto tanto à comunicação como à troca de conhecimentos e

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experiências.

2.4 Educação Continuada ou Capacitação


Nessa etapa, promove-se a gestão do conhecimento como um processo articulado e
intencional, destinado a sustentar ou a promover o desempenho global da organização com base
no conhecimento.
Um programa de qualidade observa sempre o desenvolvimento humano, pois os
colaboradores são a essência de qualquer empresa. Acredita-se que, quanto mais a empresa
consegue o comprometimento dos colaboradores, maior será o desempenho profissional,
tornando-se a empresa mais produtiva.
A educação e o treinamento dos profissionais são a base de sustentação e de manutenção
do sistema de garantia da qualidade. A educação está voltada para a mente das pessoas, enquanto
seu autodesenvolvimento e o treinamento estão voltados para as habilidades nas tarefas a serem
executadas. O treinamento deve incluir orientação ao profissional sobre a importância de sua
atividade e sobre como contribuir para o alcance dos objetivos da qualidade.
A capacitação é estruturada de forma que seja uma educação continuada. Procura
aproximar o indivíduo ao perfil ideal da organização. Pode ser acadêmica, pessoal e/ou social.
Deve ser resultante de avaliação e ter propósitos mensuráveis. Para tanto, tem de ter um programa
que assegure:

- Capacitar conforme resultados da avaliação.


- Retreinar colaboradores que permaneceram por longo tempo sem executar tarefas.
- Capacitar para atualização científica e tecnológica.
- Recertificação regular da competência.
- Promover o desenvolvimento integral do indivíduo.

O farmacêutico deve manter registros por escrito das abordagens realizadas,


independentemente de as ações serem treinamentos internos, discussões de rotinas, procedimentos
operacionais padrão ou participação em atividades elaboradas por outros serviços do hospital.

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EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

Para assegurar a saúde física e mental e com as condições de saúde e bem-estar das
pessoas, além das atividades do serviço e pessoal/social, o farmacêutico tem de estar atento à saúde
ocupacional, que está relacionada às condições ambientais de trabalho. Nessa área, considera-se
a ergonomia no trabalho, que está relacionada tanto ao entendimento das interações entre os
seres humanos e outros elementos ou sistemas como à aplicação de teorias, princípios, dados e
métodos a projetos a fim de otimizar o bem-estar humano e o desempenho global do setor.
A ergonomia pode ser física, cognitiva e organizacional.

- Ergonomia física: está relacionada às características da anatomia humana,


antropometria, fisiologia e biomecânica, em sua relação com a atividade física. Considera
a postura no trabalho, manuseio de materiais, movimentos repetitivos, distúrbios
musculoesqueléticosrelacionados ao trabalho, projeto de posto de trabalho, segurança e
saúde.

- Ergonomia cognitiva: relaciona-se aos processos mentais, sendo relevante o estudo


da carga mental de trabalho (percepção, memória, raciocínio e resposta motora), que é
afetada pela interação entre seres humanos e outros itens inerentes ao trabalho: tomada de
decisão, desempenho especializado, interação homem/computador, stress e treinamento.

FARMÁCIA HOSPITALAR E GESTÃO | UNIDADE 1


- Ergonomia organizacional: refere-se à otimização dos sistemas sócio-técnicos,
incluindo suas estruturas organizacionais, políticas e de processos. Incluem-se as
comunicações, projeto de trabalho, organização temporal do trabalho, trabalho em
grupo, projeto participativo, trabalho cooperativo, cultura organizacional, organizações
em rede, teletrabalho e gestão da qualidade.

3. GESTÃO PELA QUALIDADE

A gestão pela qualidade pode ser definida como a rápida percepção das necessidades
dos clientes, objetivando a satisfação, a adequação ao uso dos produtos e a homogeneidade dos
resultados do processo. É uma ferramenta global de gestão, cujo alvo é a melhoria contínua de
todas as atividades hospitalares.
Os padrões de qualidade gerenciais envolvem todos os colaboradores do hospital
(direção, supervisão, administração, lideranças, colaboradores). Apresentam como focos a gestão
e a melhoria contínua, controle e prevenção de infecção e de riscos, segurança e administração
das instalações e equipamentos, educação continuada, qualificação de recursos humanos e gestão
da informação.
São padrões de qualidade centrados nos pacientes:

- implantar o acesso e manutenção da assistência.


- conhecer os direitos, necessidades e expectativas dos clientes e seus familiares.
- orientar os pacientes e seus familiares.

A assistência centrada no paciente é uma decisão do hospital, que indica uma equipe
interdisciplinar para se encarregar: (i) de estabelecer o plano terapêutico a cada paciente; (ii)
de acompanhar os tratamentos para avaliação dos resultados terapêuticos; (iii) de observar os
efeitos adversos; e (iv) de orientar os clientes acerca dos tratamentos quando da alta hospitalar.

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EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

A equipe deve adotar a gerência participativa como modelo de gestão, pois, mesmo com
formação e objetivos distintos, os integrantes da equipe devem ser incentivados a manifestar suas
ideias e opiniões e a participar das decisões, compartilhar informações e ter postura de liderança,
de consenso e de negociação.
Entre os padrões que devem ser analisados e desenvolvidos, destaca-se a total satisfação
dos clientes: conhecer suas necessidades presentes e futuras; antecipar suas carências e
dificuldades; avaliá-los sistematicamente; buscar interação e parceria; e esforçar-se para superar
suas expectativas.
Na farmácia hospitalar, os farmacêuticos são obrigados a garantir que os serviços
prestados sejam fornecidos com alta qualidade. O papel da farmácia na obtenção de padrões de
qualidade implica adotar as boas práticas farmacêuticas como regra. São obrigações legais do
farmacêutico fornecer medicamentos, correlatos e serviços, além de garantir a qualidade dos
produtos farmacêuticos usados no hospital.
Nesse sentido, a avaliação e a conferência dos produtos recebidos e/ou fornecidos
são cruciais para minimizar os riscos de um possível erro e para permitir a implantação de
procedimentos que garantam sua eliminação.
A mensuração de resultados desejados só é possível quando os recursos e as atividades
são gerenciados como um processo. Todas as atividades da farmácia devem ser desenhadas como
um processo operativo, que conduz a um produto ou serviço, a um processo de suporte (apoio

FARMÁCIA HOSPITALAR E GESTÃO | UNIDADE 1


aos processos operativos) ou a um processo estratégico.
A garantia da qualidade deve se basear em ações planejadas por meio da normatização
e certificação dos processos, bem como da constância das rotinas e da desburocratização. Os
processos para a qualidade na farmácia envolvem: (i) avaliação de clientes e fornecedores; (ii)
planejamento, desenvolvimento, avaliação, aperfeiçoamento e controle dos processos; (iii) assim
como integração, implantação de rotinas, melhorias e quebra de barreiras entre as áreas.
O gerenciamento deve-se basear em fatos práticos e aplicáveis à rotina diária do serviço.
Dentre eles, podemos destacar:

• Orientação sobre as informações a serem fornecidas aos pacientes.


• Estruturação do espaço físico.
• Funções e atribuições farmacêuticas e do pessoal de apoio.
• Orientação sobre as atividades associadas à distribuição, administração e controle dos
protocolos de tratamento na farmácia, no hospital, no home care ou na casa do paciente.
• Orientação sobre as atividades de aquisição, produção, manipulação e fracionamento de
medicamentos.
• Orientação sobre as atividades de prescrição e do uso racional de medicamentos.
• Orientação sobre as atividades de farmacovigilância e sobre as atividades associadas à
promoção da boa saúde, prevenção de doenças e estabelecimento de metas sanitárias.
Na farmácia hospitalar, a execução de produtos ou serviços deve conhecer as ações que
dependem de decisão baseada em informações que garantam as melhores decisões, exigindo
autonomia para decidir, iniciativa e respaldo para as ações delegadas. Os processos desenhados
devem identificar os meios de avaliação e a frequência de revisão dos processos.

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EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

Todos os envolvidos no processo devem receber divulgação. Isso exige que haja uma
sistematização dos meios de comunicação para garantir a integridade das informações, além da
velocidade e constância do fluxo de informações para que se assegure a transparência do serviço.
A melhoria contínua deve ser a meta de todos os envolvidos no processo. Para tal, é
necessário que todos estejam comprometidos e conscientes daquilo que é certo, que tenham
atitude preventiva e noção do custo, principalmente da falta de qualidade, da rejeição e do
retrabalho. Somada a isso, deve-se desenvolver a prática de não aceitação do erro.
O programa brasileiro de qualidade para instituições de saúde é denominado Acreditação
Hospitalar. A Organização Nacional de Acreditação (doravante, ONA) define acreditação como
um método de avaliação e certificação, que busca, por meio de padrões e requisitos previamente
definidos, promover a qualidade e a segurança da assistência no setor de saúde.
Para obter o certificado da acreditação, o hospital deve atender aos padrões definidos pela
ONA, que são reconhecidos internacionalmente. A adesão ao programa de qualidade é realizada
pela unidade de saúde que tem interesse na certificação. Além disso, a adesão é voluntária e
reservada, não tendo caráter fiscalizatório.
A ONA define que a acreditação é um programa educação continuada das organizações
prestadoras de serviços de saúde, sendo o programa revisto periodicamente para estimular a
melhoria contínua.
Por não ter caráter prescritivo, a metodologia de acreditação da ONA não traz

FARMÁCIA HOSPITALAR E GESTÃO | UNIDADE 1


recomendações específicas sobre ferramentas, técnicas, processos ou linhas metodológicas a
serem seguidas pelas organizações que se submetem à avaliação.
Podem se inscrever para obter o certificado de acreditação: hospitais, ambulatórios,
laboratórios, serviços de pronto atendimento, home care, serviços oncológicos, serviços de
Medicina hiperbárica, serviços de Hemoterapia, serviços de Nefrologia e terapia renal substitutiva,
serviços de diagnóstico por imagem, radioterapia e Medicina nuclear, serviços odontológicos,
serviços de processamento de roupas para a saúde, serviços de dietoterapia, serviços de
manipulação, serviços de esterilização e reprocessamento de materiais.
A certificação é concedida à instituição que atender aos critérios de segurança, incluindo
aspectos estruturais e de gestão. A metodologia da ONA acredita em três níveis, o que permite o
desenvolvimento de segurança dos processos, a gestão integrada e a evolução das organizações.

VALIDADE DO
NÍVEL CRITÉRIOS CERTIFICADO
Nível 1 A organização de saúde cumpre ou supera, em 70% ou 2 anos
Acreditado mais, os padrões de qualidade e segurança definidos
pela ONA.
São avaliadas todas as áreas de atividades da instituição,
incluindo aspectos estruturais e assistenciais.
Nível 2 A organização precisa atender a dois critérios: 2 anos
Acreditado Pleno 1) cumprir ou superar, em 80% ou mais, os padrões de
qualidade e segurança.
2) cumprir ou superar, em 70% ou mais, os padrões da
ONA de gestão integrada, com processos ocorrendo de
maneira fluida e plena comunicação entre as atividades

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EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

VALIDADE DO
NÍVEL CRITÉRIOS CERTIFICADO
Nível 3 A organização precisa atender a três critérios: 3 anos
Acreditado com 1) cumprir ou superar, em 90% ou mais, os padrões de
Excelência qualidade e segurança.
2) cumprir ou superar, em 80% ou mais, os padrões de
gestão integrada.
3) cumprir ou superar, em 70% ou mais, os padrões da
ONA de excelência em gestão, demonstrando cultura
organizacional de melhoria contínua com maturidade
institucional.

Quadro 2 - Níveis de acreditação de acordo com a ONA. Fonte: A autora.

Para saber se a instituição está apta para ser acreditada, os responsáveis devem entrar em
contato com a ONA, que procederá às orientações necessárias.

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4. PARTICIPAÇÃO DO FARMACÊUTICO NAS COMISSÕES
MULTIDISCIPLINARES

Desde 1994, a Organização Mundial da Saúde apregoa que o farmacêutico é o profissional


da saúde com melhor perfil para a condução de todas as ações destinadas à melhoria do acesso
e promoção de uso racional de medicamentos, que pode participar ativamente da prevenção de
doenças e da promoção da saúde junto a outros membros da equipe. Nesse cenário, o profissional
deve apresentar as seguintes habilidades:

a) busca do conhecimento, por meio da educação permanente e percebendo que sempre


se tem algo a aprender. Ter consciência de que as ações de saúde devem ser baseadas em
informações confiáveis, que possibilitem intervenções adequadas e oportunas para que as
reais necessidades e a utilização dos medicamentos sejam fundamentadas em evidências.
Nesse sentido, pode-se atuar em estudos, pesquisa e ensino.

b) (auto)confiança, a qual se estabelece com respeito, e não com subordinação. Se você for
um profissional comprometido com as pessoas e com o conhecimento, terá autoconfiança
e, por decorrência, obterá a confiança dos seus pacientes.

c) respeito. Devemos ser respeitados como pessoas, o que se obtém pela forma como
abordamos os pacientes e os colaboradores. Para isso, temos de ser cordiais, dar atenção
e observar o tom de voz. Ademais, devemos ser profissionais com trabalho ético e em
conformidade com o que se espera da função a ser desempenhada. Ilustre-se com
o trabalho em conjunto, o relacionamento com a equipe, a postura profissional, a
comunicação e a administração de conflitos.

d) poder de decisão, desenvolvendo os processos de escolha e de decisão.

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EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

e) abandonar as vaidades individuais, desenvolvendo uma visão voltada à comunidade,


e não a si mesmo.

4.1 Participação em Comissões


A participação em comissões pelo farmacêutico pode se dar de duas formas: obrigatória
ou por nomeação (ou convite), conforme apresentado no Quadro 3.

Obrigatória Por nomeação ou convite


Comissão de Farmácia e Comissão de Avaliação de Tecnologias.
Terapêutica. Comissão de Ética em Pesquisa.
Comissão de Licitação e Parecer Comissão de Resíduos Sólidos de
Técnico. Saúde.
Comissão de Controle de Comissão de Educação Permanente.
Infecção Hospitalar. Comissão de Gerenciamento de Riscos
Equipe multidisciplinar em Hospitalares.
Terapia Nutricional.
Comissão de Terapia

FARMÁCIA HOSPITALAR E GESTÃO | UNIDADE 1


Antineoplásica.
Comissão de Segurança do
Paciente.

Quadro 3 - Participação do farmacêutico hospitalar em comissões internas do hospital. Fonte: A autora.

Os conceitos e atribuições do farmacêutico hospitalar nas comissões estão apresentados


a seguir.

- Comissão de Farmácia e Terapêutica (CFT): seleciona os medicamentos que melhor


atendam às necessidades terapêuticas dos pacientes que utilizam aquele hospital. Nessa comissão,
as atribuições do farmacêutico são (CRF/SP, 2019):

• Participar da elaboração da política de medicamentos da instituição, incluindo seleção e


dispensação de medicamentos.
• Estipular critérios para obtenção de medicamentos que não constam da padronização.
• Participar da elaboração de protocolos de tratamento elaborados por diferentes serviços
clínicos.
• Investigar a utilização de medicamentos na instituição.
• Avaliar interações de medicamentos dos pontos de vista farmacodinâmico e
farmacocinético.
• Avaliar incompatibilidades físico-químicas entre os componentes utilizados.
• Participar ativamente da educação permanente dirigida à equipe de saúde e assessorar
todas as atividades relacionadas à promoção do uso racional.

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EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

Essa comissão tem caráter multidisciplinar e é composta por representantes de diversas


especialidades médicas e profissionais de enfermagem, de fisioterapia e de farmácia, além de
serviços normativos, como o de controle de infecção e grupo de suporte nutricional.
É, obrigatoriamente, formalizada por meio de um documento legal e de um regimento
que normaliza seu funcionamento. Se a comissão for analisar algum assunto específico, pode
recorrer à orientação de especialistas ou formar grupos técnicos de apoio.

- Comissão de Licitação e Parecer Técnico: nos órgãos públicos, as compras de materiais


e medicamentos devem obedecer à Lei Federal nº 8.666/1993.
Nos processos licitatórios, o farmacêutico hospitalar pode:

• Elaborar editais de compras e especificação técnica.


• Participar de licitações e aquisições por meio de avaliação técnica.
• Colaborar de forma decisiva na qualificação de fornecedores.

- Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH): A portaria GM/MS nº 2.616/98


considera importante a atuação do farmacêutico hospitalar na prevenção e controle das infecções

FARMÁCIA HOSPITALAR E GESTÃO | UNIDADE 1


hospitalares.
As principais atribuições dessa comissão são:

• Participar da elaboração do guia de utilização de antimicrobianos e do manual de


germicidas.
• Observar os indicadores de controle de infecção e sensibilidade dos antimicrobianos,
consumo e taxa de letalidade.
• Monitorar as prescrições de antimicrobianos.
• Verificar a ocorrência de resistência microbiana e estabelecer rotina de dispensação de
antimicrobianos.
• Auxiliar no controle de custos.
• Elaborar relatórios de consumo.

- Equipe Multidisciplinar de Terapia Nutricional: essa equipe é responsável pelo suporte


nutricional de pacientes internados. Suas competências principais são:

• Participar da elaboração de materiais educativos sobre nutrição parenteral.


• Observar os indicadores de controle.
• Monitorar as prescrições.
• Verificar a ocorrência de queixas técnicas.
• Auxiliar no controle de custos.
• Elaborar relatórios de consumo.

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EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

- Comissão de Terapia Antineoplásica: essa comissão envolve médicos, enfermeiros e


farmacêuticos ligados ao tratamento de pacientes com câncer. Compete ao farmacêutico:

• Atuar no suporte e farmacoterapia.


• Participar do processo de qualificação de fornecedores.
• Garantir a qualidade das preparações.
- Comissão de Avaliação de Tecnologias: essa comissão monitora e acompanha o
desenvolvimento tecnológico dos produtos para saúde, equipamentos e medicamentos.

- Comitê de Ética em Pesquisa Envolvendo Seres Humanos: a Resolução CNS nº


466/2012 não determina quais profissionais devem compor o Comitê de Ética em Pesquisa
(doravante, CEP). A participação do farmacêutico contribui para a avaliação dos projetos de
pesquisa, principalmente quando eles envolvem a utilização de novos medicamentos.

- Comissão de Gerenciamento de Resíduos de Serviços de Saúde: os participantes dessa


comissão têm como zelar pelo adequado gerenciamento dos resíduos resultantes das atividades
técnicas desenvolvidas nos serviços de atendimento do hospital, atendendo às normas sanitárias

FARMÁCIA HOSPITALAR E GESTÃO | UNIDADE 1


e de saúde ocupacional.

- Comissão de Educação Permanente. São atribuições dos membros dessa comissão:

• Exercer atividades de ensino por meio de programas educacionais e de formação,


contribuindo para o desenvolvimento de recursos humanos.
• Promover ações de educação para o uso racional de medicamentos, produtos para saúde
e domissanitários aos membros da equipe de saúde.
• Oferecer informações educativas aos profissionais da saúde do hospital.
• Articular parcerias interinstitucionais, acadêmicas e comunitárias.

- Comissão de Gerenciamento de Riscos Hospitalares: desenvolve ações de


gerenciamento de riscos hospitalares, tais como detecção de reações adversas a medicamentos,
queixas técnicas, problemas com produtos para saúde, domissanitários, kits diagnósticos e
equipamentos.

- Comissão de Segurança do Paciente: atua na identificação, monitoramento, análise,


notificação e prevenção dos riscos relacionados à ocorrência de eventos adversos que resultam em
dano à saúde, garantindo assistência segura e de qualidade ao paciente. Os membros se reúnem
mensalmente para analisar as ocorrências, realizar notificações de eventos adversos à Agência
Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) e propor medidas para redução de sua ocorrência.
A comissão é formada por uma equipe multidisciplinar, e os seus membros são indicados pela
Diretoria Técnica do Hospital.

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EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

A Sociedade Brasileira de Farmácia Hospitalar e Serviços de Saúde (SBRAFH)


publica os Padrões Mínimos para Farmácia Hospitalar e Serviços de Saúde da
SBRAFH, que contêm referenciais técnicos, legais, estruturais e funcionais, além
das atribuições essenciais dos serviços de forma a contribuir na execução das ati-
vidades que assegurem, minimamente, as condições de segurança e de qualidade
necessárias ao paciente hospitalizado.

O objetivo desse conteúdo é tornar-se um referencial para a


qualificação permanente dos profissionais e dos estudantes de
farmácia e para o aprimoramento dos serviços de assistência
farmacêutica nos hospitais, clínicas e demais serviços de saúde
brasileiros. Para conhecer o conteúdo, acesse o link <http://www.
sbrafh.org.br/site/public/docs/padroes.pdf>

Saiba mais sobre o processo para avaliação de acreditação a


partir da norma orientadora número 4, disponível em <https://

FARMÁCIA HOSPITALAR E GESTÃO | UNIDADE 1


www.ona.org.br/uploads/NO_4_-_AVALIACAO_PARA_A_
ACREDITACAO.pdf>

A importância dos medicamentos na atenção à saúde é crescente, mas parece


sofrer barreiras advindas da má gestão e do equivocado pensamento daqueles
gestores que entendem que a distribuição de medicamentos pode prescindir dos
serviços farmacêuticos.

Nos Estados Unidos, experiências desenvolvidas por operadoras de planos de


saúde mostraram que cada dólar investido em assistência farmacêutica gerou
uma economia de 6 dólares em internações hospitalares e em cirurgias.

Sabe-se que a ausência desses serviços pode desencadear problemas de várias


naturezas, como prejuízos à saúde dos cidadãos e aos cofres públicos e privados,
decorrentes de problemas relacionados ao uso dos medicamentos.

Tal visão justifica a necessidade de uma boa organização do sistema de assistên-


cia farmacêutica e de cuidado farmacêutico, pois essas ações contribuirão para
minimizar os prejuízos sociais e monetários decorrentes do atendimento de saú-
de inadequado e do uso não racional de medicamentos.

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EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

Sugerimos a leitura dos conteúdos apresentados como complemento ao que dis-


cutimos nesta Unidade I. Seguem:

- Comissão de Farmácia e Terapêutica, disponível por meio do


link <http://www.cff.org.br/sistemas/geral/revista/pdf/134/
encarte_farmAcia_hospitalar_pb81.pdf>

- Gestão de Pessoas na Farmácia Hospitalar e Serviços de Saúde,


disponível em <http://www.cff.org.br/sistemas/geral/revista/
pdf/127/encarte_farmacia_hospitalar.pdf>

FARMÁCIA HOSPITALAR E GESTÃO | UNIDADE 1


Indicamos o vídeo sobre o dia a dia do farmacêutico hospitalar,
apresentado pela primeira vez na X Jornada de Farmácia Hospitalar
(Novos Caminhos para os Desafios de Hoje), disponível em <https://
www.youtube.com/watch?v=b8uRJGCCuos>

E sobre como funciona a farmácia hospitalar, acesse <https://www.


youtube.com/watch?v=5rjQjwmpVSE>

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EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Nesta Unidade I, resgatamos o histórico da Farmácia Hospitalar e como ela se tornou


imprescindível ao atendimento de saúde por meio de sua participação no controle de custos e por
atuar na segurança do paciente de forma efetiva.
Para isso, esclarecemos o conceito dessa área de atuação da Farmácia e apresentamos seus
objetivos e os requisitos necessários para a estruturação, pois essas ações são a base de sustentação
do serviço.
Discutimos, também, conceitos básicos de recursos humanos, pois essa parte da gestão
é essencial para se conseguir sucesso. Nesse sentido, elencamos as etapas para contratação do
pessoal e sugerimos a leitura de um encarte elaborado pelo Conselho Federal de Farmácia.
Para fecharmos a unidade, apresentamos as comissões obrigatórias e aquelas de que o
farmacêutico pode ser convidado a participar, evidenciando as atividades que deve desempenhar.
Lembramos que a participação em comissões permite a inserção do farmacêutico de
forma efetiva na equipe multidisciplinar, permitindo-lhe se inteirar dos processos. Na área dos
medicamentos, isso passa a ser um referencial por meio do estabelecimento de protocolos clínicos
e diretrizes terapêuticas, propiciando o melhor acesso à farmacoterapia baseada em evidências

FARMÁCIA HOSPITALAR E GESTÃO | UNIDADE 1


e estabelecendo o equilíbrio entre a demanda e os recursos, proporcionando ao paciente um
atendimento de qualidade e segurança.

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UNIDADE ENSINO A DISTÂNCIA

02
DISCIPLINA:
FARMÁRCIA HOSPITALAR E GESTÃO

ESTRUTURA FÍSICA E OPERACIONAL DA


FARMÁCIA PARA O CUIDADO FARMACÊUTICO
PROF.A MA. JANETE LANE AMADEI

SUMÁRIO DA UNIDADE

INTRODUÇÃO............................................................................................................................................................. 27
1. ASSISTÊNCIA FARMACÊUTICA EM HOSPITAIS ................................................................................................ 28
1.1 CONCEITO DE ASSISTÊNCIA FARMACÊUTICA................................................................................................. 28
1.2 ETAPAS DO CICLO DE ASSISTÊNCIA FARMACÊUTICA................................................................................... 28
1.3 SELEÇÃO DE MEDICAMENTOS.......................................................................................................................... 29
1.4 PROGRAMAÇÃO E AQUISIÇÃO........................................................................................................................... 31
2. ARMAZENAMENTO............................................................................................................................................... 33
2.1 CONDIÇÕES DE ARMAZENAMENTO E ESTABILIDADE DOS MEDICAMENTOS ........................................... 35
2.2 ATIVIDADES DO ARMAZENAMENTO ............................................................................................................... 36
2.3 EQUIPAMENTOS PARA ARMAZENAMENTO ................................................................................................... 36
2.4 FORMAS DE ARMAZENAMENTO ..................................................................................................................... 38

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2.5 ESPECIFICAÇÕES DA ÁREA DE ARMAZENAMENTO...................................................................................... 38
3. DISTRIBUIÇÃO....................................................................................................................................................... 39
3.1 SISTEMAS DE DISTRIBUIÇÃO DE MEDICAMENTOS ......................................................................................40
3.2 TIPOS DE SISTEMAS DE DISTRIBUIÇÃO DE MEDICAMENTOS.....................................................................40
3.2.1 SISTEMA COLETIVO ........................................................................................................................................40
3.2.2 SISTEMA INDIVIDUALIZADO 24 HORAS ...................................................................................................... 41
3.2.3 SISTEMA INDIVIDUALIZADO POR TURNO.................................................................................................... 42
3.2.4 SISTEMA INDIVIDUALIZADO POR HORÁRIO DE ADMINISTRAÇÃO ......................................................... 42
3.2.5 SISTEMA DE DISTRIBUIÇÃO EM DOSES UNITÁRIAS (S.D.M.D.U.)............................................................ 43
3.2.6 FARMÁCIAS SATÉLITES ................................................................................................................................. 44
4. CONCILIAÇÃO MEDICAMENTOSA OU FARMACÊUTICA................................................................................... 45
CONSIDERAÇÕES FINAIS.........................................................................................................................................48

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EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

INTRODUÇÃO

O gerenciamento inadequado e o uso incorreto de medicamentos e de outras tecnologias


em saúde acarretam sérios problemas à sociedade e aos sistemas de saúde público e privado,
gerando aumento da morbimortalidade, elevação dos custos diretos e indiretos e prejuízos à
segurança e à qualidade de vida dos usuários (BRASIL, 2010).
A Política Nacional de Medicamentos (doravante, PNM), instituída pela Portaria do
Ministério da Saúde nº 3.196/1998 (BRASIL, 1998), é parte integrante e indispensável para a
execução das ações da assistência à saúde da população. Essa política apresenta as seguintes
finalidades: garantir as necessárias segurança e eficácia à qualidade dos medicamentos;
promover o uso racional dos medicamentos e sua produção; fomentar a produção pública de
medicamentos e o acesso da população àqueles considerados essenciais a partir da Relação
Nacional de Medicamentos (RENAME). A Organização Mundial de Saúde, em 2002, definiu que
medicamentos essenciais são aqueles que atendem as necessidades prioritárias de saúde de uma
população.
Nesse contexto, a assistência farmacêutica integra as diretrizes da Política Nacional de

FARMÁCIA HOSPITALAR E GESTÃO | UNIDADE 2


Medicamentos e é considerada uma das atividades prioritárias da assistência à saúde, pois o
medicamento é de fundamental importância e tem grande impacto sobre a capacidade resolutiva
do que envolve a saúde.

WWW.UNINGA.BR 27
EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

1. ASSISTÊNCIA FARMACÊUTICA EM HOSPITAIS

O gerenciamento de estoques e de tecnologias atinge diretamente o custo dos estoques e


a disponibilidade de itens, quesitos críticos para a prestação dos serviços de saúde.

1.1 Conceito de Assistência Farmacêutica


Definida como

[...] um conjunto de ações voltadas à promoção, proteção e recuperação da


saúde, tanto individual como coletiva, tendo o medicamento como insumo
essencial e visando ao acesso e ao seu uso racional. Este conjunto envolve a
pesquisa, o desenvolvimento e a produção de medicamentos e insumos, bem
como a sua seleção, programação, aquisição, distribuição, dispensação, garantia
de qualidade dos produtos e serviços, acompanhamento e avaliação de sua
utilização, na perspectiva da obtenção de resultados concretos e da melhoria da
qualidade de vida da população (BRASIL, 2004).

FARMÁCIA HOSPITALAR E GESTÃO | UNIDADE 2


1.2 Etapas do Ciclo de Assistência Farmacêutica
O ciclo da assistência farmacêutica apresenta seis etapas (Figura 1), sendo que o resultado
de uma etapa é o ponto de partida da outra etapa e, portanto, a execução incorreta de uma delas
compromete o resultado esperado.

Figura 1 – Etapas do ciclo da assistência farmacêutica. Fonte: Santos (2001).

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EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

a) SELEÇÃO: processo de escolha de medicamentos, baseado em critérios epidemiológicos,


técnicos e econômicos, estabelecidos por uma Comissão de Farmácia e Terapêutica
(doravante, CFT) para garantir a disponibilização de medicamentos seguros, eficazes e
custoefetivos, com objetivo de racionalizar o uso de medicamentos, harmonizar condutas
terapêuticas, direcionar o processo de aquisição, produção e políticas farmacêuticas.

b) PROGRAMAÇÃO: essa etapa reflete-se no abastecimento e acesso ao medicamento.


Consiste em estimar quantidades a serem adquiridas para atendimento a determinada
demanda dos serviços por determinado período de tempo dos produtos definidos
na etapa de seleção, que devem ser listados por nome genérico, forma farmacêutica e
apresentação.

c) AQUISIÇÃO: realizada para suprir necessidades de medicamentos em quantidade,


qualidade e menor custoefetividade, além de manter a regularidade do sistema de
abastecimento. Ocorre a partir de um conjunto de procedimentos administrativos por
meio dos quais se efetiva o processo de aquisição dos medicamentos, observando uma
programação estabelecida.

d) ARMAZENAMENTO: é o conjunto de procedimentos técnicos e administrativos cuja

FARMÁCIA HOSPITALAR E GESTÃO | UNIDADE 2


finalidade é assegurar as condições adequadas de recepção, armazenamento, conservação
e controle de estoque eficaz. Deve garantir a disponibilidade dos medicamentos em todos
os locais de atendimento ao usuário.

e) DISTRIBUIÇÃO: é o suprimento de medicamentos às unidades de saúde, em


quantidade, qualidade e tempo oportunos. Deve garantir rapidez e segurança na entrega,
eficiência no controle e informação.

f) UTILIZAÇÃO: formada por três fases consecutivas - prescrição, dispensação e uso.


A prescrição é elaborada por um profissional autorizado por meio de um documento
formal e escrito. É na prescrição que o profissional define o medicamento a ser usado
pelo paciente, com a respectiva dosagem, duração do tratamento e intervalo de uso. A
dispensação é o ato profissional farmacêutico que consiste em disponibilizar os itens
prescritos. Por fim, o uso é realizado com apoio ou não de um profissional habilitado.

1.3 Seleção de Medicamentos


O lançamento contínuo, a multiplicidade de produtos farmacêuticos e a escassez de
recursos financeiros exigem que se estabeleçam prioridades na seleção de medicamentos seguros,
eficazes e que atendam às reais necessidades da população, obtendo-se benefícios terapêuticos e
econômicos como resultados.
A seleção de medicamentos é um processo dinâmico, contínuo, multidisciplinar e
participativo com o objetivo de selecionar medicamentos e os correlatos necessários para uso na
instituição e fornecidos pelo mercado, adotando-se critérios de eficácia, segurança, qualidade e
custo, propiciando condições para o uso seguro e racional de medicamentos (ROSA; GOMES;
REIS, 2003).

WWW.UNINGA.BR 29
EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

A seleção de medicamentos possui como objetivos:

1. Promover o uso racional de medicamentos.


2. Assegurar o acesso aos fármacos seguros, efetivos e com qualidade.
3. Minimizar custos do tratamento.
4. Realizar controle do uso dos medicamentos e estudos de utilização de medicamentos.
5. Selecionar com critérios científicos e econômicos.
6. Padronizar condutas terapêuticas baseadas em evidências científicas.
7. Desenvolver mecanismos de gestão de risco que assegurem segurança e eficiência do
plano terapêutico e que garantam qualidade na assistência.

A seleção de medicamentos é realizada pela CFT, uma equipe multidisciplinar composta


por médicos, enfermeiros, farmacêuticos, administradores e demais profissionais envolvidos no
uso de medicamentos e correlatos. Na seleção de antimicrobianos e germicidas, deve haver a
participação da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (doravante, CCIH).
A CFT é um órgão assessor da diretoria técnica ou clínica, com caráter consultivo,
deliberativo e multidisciplinar, que serve como linha oficial de comunicação entre o corpo clínico
e o serviço de farmácia hospitalar. A nomeação deve ser realizada por meio de instrumento legal.
As atribuições da CFT são as que seguem:

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1. Estabelecer normas e procedimentos para a seleção.
2. Estabelecer normas de conservação, prescrição, dispensação e administração dos
medicamentos padronizados.
3. Realizar análises de uso e da qualidade dos medicamentos.
4. Regular o uso de medicamentos de uso restrito por risco de emprego; necessidade de
diagnóstico especializado; custo, com avaliação prévia para uso.
5. Elaborar, revisar e monitorar protocolos de tratamento.
6. Regular a atividade promocional dentro da instituição.
7. Realizar a seleção de antimicrobianos e germicidas em conjunto com a CCIH.
8. Padronizar medicamentos pelo princípio ativo.
9. Elaborar, revisar e atualizar o Guia Terapêutico da instituição, com critérios de inclusão
e exclusão bem definidos.

Os critérios para a seleção de medicamentos são:

1. Selecionar medicamentos com níveis elevados de evidência de segurança e eficácia


clínicas.
2. Eleger medicamentos de menor toxicidade relativa e maior comodidade posológica.
3. Resguardar a qualidade, minimizando o custo do tratamento/dia e o custo da duração
do tratamento.
4. Evitar a inclusão de medicamentos associados.
5. Escolher, dentre medicamentos de mesma ação farmacológica, um representante
de cada categoria química ou com característica farmacocinética e/ou farmacológica
diferente e com vantagem no uso terapêutico.
6. Priorizar formas farmacêuticas que possibilitem fracionamento e adequação à faixa
etária.

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1.4 Programação e Aquisição


Para a programação da aquisição dos itens selecionados, é necessário conhecer a política
de compras da instituição. Em instituições públicas, as normas para aquisição estão estabelecidas
na Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993, que estabelece como devem ser realizadas as licitações.
Na programação, realiza-se a gestão de estoques. Essa análise é contínua e dinâmica das
variações sofridas em um período de tempo, bem como das suas causas e efeitos. A partir do
estudo da demanda, é possível, com certo grau de confiabilidade, detectar a tendência futura e
prever o seu desempenho provável.
A gestão diária de estoques permite ganhos, tais como eficiência, redução de falhas e
custos, rapidez, confiabilidade e capacidade de rastreamento.
Nas farmácias hospitalares, a gestão de estoques é ferramenta fundamental para a
eficiência de prestação dos serviços farmacêuticos, pois uma ruptura dos níveis de estoque pode
determinar a interrupção das atividades assistenciais ou compras emergenciais, o que demandaria
maiores custos de aquisição.
O farmacêutico tem como obrigações o estabelecimento e a manutenção de padrões que
assegurem a qualidade em vários focos: qualificação de fornecedores, especificação correta dos
produtos, decisões técnicas no que concerne às aquisições, controle dos estoques, armazenamento
e uso seguro de todos os fármacos e insumos.

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A avaliação de fornecedores deve basear-se em dois passos:

1. Verificar a capacidade de o fornecedor prover insumos e serviços dentro dos requisitos


de qualidade exigidos;
2. Desempenho do fornecedor durante a realização da compra, do recebimento, do uso
e no pós-venda.

A cadeia de suprimentos apresenta quatro princípios que o farmacêutico deve observar


para obter sucesso, como mostrados no Quadro 1.

Princípio Atividade Requisitos


Levantamento dos recursos financeiros • Tomada de decisões.
1º Planejamento disponíveis, estabelecimento • Configurar a cadeia de
das necessidades de consumo, suprimentos.
planejamento de inventários, avaliação • Planejar a capacidade de
das necessidades de distribuição de atendimento.
materiais e verificação da capacidade • Gerenciar a padronização de
de todos os serviços. produtos.
Aquisição, recebimento, inspeção, • Administração de bancos de
2º Abastecimento armazenamento e dispensação dos preços.
produtos. • Avaliação da qualidade, a
certificação de fornecedores.

Ações de solicitação e recepção • Avaliação da necessidade de


3º Execução de materiais, produção e teste mudanças no sistema, mobiliário,
dos produtos, armazenamento, equipamentos.
embalagem e dispensação. • Melhoria da qualidade dos
serviços produzidos.
• Agendamento de compras.

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Princípio Atividade Requisitos


4º Dispensação ou Implantação e manutenção de • Manutenção de base de dados de
fornecimento pedidos. medicamentos e clientes.
• Criação de rótulos e embalagens
específicas.
• Consolidação de prescrições e
dispensação de produtos.

Quadro 1 - Princípios, atividades e requisitos de cada etapa da cadeia de suprimentos. Fonte: A autora.

Os processos de compras têm por finalidade suprir as necessidades do hospital,


observando quantidade certa, momento certo, qualidade necessária e preço oportuno. Essa ação
tem um papel estratégico na autonomia financeira da instituição. O Quadro 2 apresenta quatro
sistemas de compras e como eles se realizam.

Sistema de compras Como se realiza


Sistema de compras a três cotações. A partir de um número mínimo de três cotações de preço.
Sistema de preço objetivo. Realizada a partir do conhecimento prévio do preço justo,

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o que permite a negociação.
Sistema de duas ou mais aprovações. Estabelece-se que, no mínimo, duas pessoas estejam
envolvidas em cada decisão de escolha do fornecedor.

Sistema de documentação escrita. Faz-se uma documentação escrita do processo de


compras, que fica anexada ao pedido, o que permite, na
segunda assinatura, revisar cada fase de negociação e
esclarecer qualquer dúvida posterior.

Quadro 2 - Sistemas de compras e como elas se realizam. Fonte: A autora.

As compras ou contratação de serviços em órgãos públicos são realizadas por meio do


processo administrativo denominado licitação.
A licitação tem princípios legais básicos a serem respeitados. A licitação é disciplinada
por lei (Lei  nº 8666/1993), a qual estabelece critérios objetivos de seleção das propostas de
contratação mais vantajosas ao interesse público.
Não existe licitação secreta; todas devem ser publicadas na mídia ou de forma interna,
o que depende do tipo de processo e de sua importância. Não se pode favorecer ou excluir
fornecedores; todos têm direito igual.
O edital de compra mostra aos participantes os bens, produtos ou serviços que serão
adquiridos, assim como as regras para a aquisição. Os critérios para qualificação dos fornecedores
devem ser especificados no edital e visam ao cumprimento do contrato. As regras não podem ser
alteradas durante o processo de licitação. O julgamento das propostas deve considerar parâmetros,
como qualidade, rendimento do produto, preços, prazos de pagamento e entrega.
A modalidade de licitação escolhida depende dos valores envolvidos no processo,
definidos pela legislação. Podem ser:

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- Carta convite: usada para valores menores, com prazo de cinco dias para recebimento
das propostas. Permite a contratação de fornecedores cadastrados ou não. A abertura dos
envelopes pode ser feita a partir da apresentação mínima de três propostas.

- Tomada de preços: só podem participar fornecedores previamente cadastrados até três


dias antes da data marcada para a licitação. As tomadas devem ser noticiadas na imprensa
de forma resumida, com referência ao local de retirada do edital completo. A abertura das
propostas só pode ser marcada quinze dias após a publicação do edital.

- Concorrência: para contratos de maior valor. A publicação do edital deve ser feita em
jornais de grande circulação e no Diário Oficial, pelo menos, trinta dias antes da data de
abertura das propostas. Essa modalidade possui as fases de qualificação e de classificação
de fornecedores.

- Pregão: os editais são publicados pela Internet, no Diário Oficial e nos jornais de grande
circulação. Pode ser utilizado para qualquer valor estimado. As propostas devem ser
entregues à comissão de licitação. A de menor preço e as ofertas de preço até 10% superior
são selecionadas para os lances verbais. Nesse processo, também podem ser abertas as
propostas de preço antes da classificação dos fornecedores para exame da documentação

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da melhor proposta, deixando a fase de habilitação para depois da classificação e do
julgamento das propostas. O vencedor do pregão é aquele que apresentou o menor preço
e foi posteriormente habilitado.

- Dispensa: é uma solicitação feita ao ordenador da despesa, em casos de calamidade,


guerra, valores dentro dos limites legais, ausência de interessados após duas tentativas de
aquisição de produtos quando exclusivos.

A aquisição de medicamentos é fundamental como suporte às ações de saúde. Considera


os itens preconizados na seleção e avaliados na programação e na política de compras da
instituição (BRASIL, 2006).
As análises necessárias estão disponíveis no encarte Gestão de Compras em Farmácia
Hospitalar, do Conselho Federal de Farmácia, disponível no link http://www.cff.org.br/sistemas/
geral/revista/pdf/137/encarte_farmAcia_hospitalar_85.pdf.

2. ARMAZENAMENTO

As boas práticas de armazenamento dos medicamentos são indispensáveis para preservar


a qualidade e a eficácia dos mesmos, além de reduzir perdas. Cabe ao armazenamento manter a
qualidade garantida pelos fabricantes.
A área de recepção, armazenamento e dispensação da farmácia hospitalar é denominada
Central de Abastecimento Farmacêutico (doravante, CAF), cuja chefia deve ser exercida por
farmacêutico já que a legislação específica exige tal responsabilidade pela guarda de medicamentos.
O local destinado para estocagem de medicamentos deve ter área, construção e localização
adequadas para facilitar a manutenção, limpeza e operação, com espaço suficiente para estocagem
racional dos medicamentos. Deve ser exclusiva para esse fim e, se possível, permitir adequações
futuras.

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As Boas Práticas de Estocagem, do Ministério da Saúde (BRASIL, 1990), recomendam que


ela contenha as seguintes áreas internas:

• de recepção e de recebimento.
• de quarentena.
• de expedição.
• de estocagem geral.
• de estocagem de medicamentos termolábeis.
• de estocagem de medicamentos controlados.
• de estocagem de imunobiológicos.
• de administração.

instalações sanitárias para os funcionários da área de estocagem (com chuveiro) e para os


funcionários administrativos.

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Trate-se, a seguir, de cada uma delas.

- Área de recepção: deve ser de fácil acesso para fornecedores/entregadores, mas separada
das outras áreas da CAF, porque a mercadoria só pode ser armazenada e dispensada após ser
oficialmente recebida e conferida. Deve ser dimensionada para proteger os produtos e depende
da realidade de cada hospital - número de produtos, volume de compras e dos produtos.
No ato do recebimento, os produtos devem ser examinados quanto à integridade das
embalagens e se estão de acordo com o pedido - fornecedor, quantidade, preço, condições de
pagamento, conferência de lotes e prazo de validade.
De acordo com as Boas Práticas de Distribuição, as seguintes informações devem constar
obrigatoriamente das notas fiscais: razão social do fornecedor, data de emissão e designação
dos produtos farmacêuticos, com nome genérico e/ou comercial, número do lote, quantidade
fornecida, forma farmacêutica, nome e endereço do fornecedor com CNPJ, número de autorização
de funcionamento e de licença estadual, preços unitário e total, além do valor total da nota.
Em relação à validade dos lotes, a Comissão de Farmácia Terapêutica deve delimitar o
prazo para recebimento, pois isso depende da realidade da localização do hospital.
O recebedor/conferente deve assinar o canhoto da Nota Fiscal, evidenciando nome, data
da entrega e carimbo. Se constatada qualquer irregularidade - embalagens violadas, manchadas,
molhadas ou úmidas, o farmacêutico deve avaliar e tomar as medidas cabíveis.

- Área de quarentena: toda CAF deve ter uma área para guarda de produtos retidos com
proibição de seu emprego, em observação, interditados ou sob suspeita.

- Área de expedição: outra área que deve ser separada da estocagem é a de expedição.
Na atualidade, o pessoal do CAF entrega os produtos no setor solicitante, mas isso não exclui a
necessidade de se ter um local apropriado para separar e deixar à disposição os produtos a serem
entregues.

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- Área de estocagem geral: as recomendações gerais apresentadas a seguir são aplicáveis


a todos os medicamentos. Recomenda-se que, para o armazenamento, observem-se as
características de cada produto a ser armazenado. As exceções são os medicamentos termolábeis
e os controlados pela Portaria 344/98.
Os medicamentos termolábeis são aqueles que não podem sofrer variações excessivas de
temperatura. As medições de temperatura devem ser efetuadas, pelo menos, em dois períodos
por dia e registradas em planilha própria, por escrito. Esses registros devem ficar disponíveis para
auditoria e fiscalização sanitária e profissional. Os aparelhos usados (geladeira, freezer) devem
dispor de sistemas de alerta que possibilitem detectar defeitos no equipamento para pronta
reparação.
Os medicamentos controlados pela Portaria 344/98 devem obedecer à legislação vigente,
que exige o armazenamento em armário fechado, cuja chave deve ficar de posse do farmacêutico
responsável.
A área de armazenamento é um aspecto importante do sistema de controle de
medicamentos. Em qualquer local que houver estoque de medicamento, exige-se controle
ambiental adequado (temperatura, luz, umidade, sanitização, segurança, ventilação e segregação).
Para o bom funcionamento do setor, a organização é fundamental. Para isso, consideram-
se o acesso aos medicamentos, flexibilidade do arranjo físico, uso adequado do espaço, minimizar
a necessidade de equipamentos para movimentação e as perdas por deterioração ou desvio dos

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produtos, além da garantia dos requisitos mínimos de segurança individual e coletiva.

2.1 Condições de Armazenamento e Estabilidade dos Medicamentos


Os fatores que afetam a estabilidade dos medicamentos podem ser intrínsecos ou
extrínsecos.
Os fatores intrínsecos são de competência da indústria farmacêutica e estão relacionados
ao processo de fabricação do medicamento. São procedimentos, métodos, técnicas, equipamentos,
envase, embalagens, princípios ativos, princípios inativos (conservantes, corantes, aromatizantes),
interações entre fármacos e solventes, pH do meio, tamanho das partículas, alteração nos aspectos
físicos e incompatibilidades.
Os fatores extrínsecos estão relacionados às condições ambientais e devem ser
monitorados. Entre eles, destacam-se:

a) Temperatura: é a responsável direta pelo maior número de alterações e/ou deteriorações


nos medicamentos. Temperaturas fora do padrão pré-estabelecido aceleram a indução de
reações químicas e a decomposição dos medicamentos, alterando sua eficácia. Para o
controle de temperatura, é necessário o uso de termômetros nas áreas de estocagem, com
registros diários em mapas de controle.
A temperatura deve considerar as condições de armazenamento do produto: ambiente de
15 a 30º C, sob refrigeração de 2 a 8º C, congelado de -5 a -20º C.

b) Umidade: o alto índice de umidade no ambiente pode afetar a estabilidade dos


medicamentos (dependendo da sua forma), favorecendo também o crescimento de
fungos e bactérias no produto, causando possíveis reações químicas. A umidade relativa
do ar em ambientes de armazenamento não pode ultrapassar 70%.

c) Luminosidade: o ambiente de armazenamento deve ter iluminação natural adequada


ou iluminação artificial com lâmpadas fluorescentes. A incidência de raios solares acelera
reações químicas, alterando a estabilidade dos medicamentos.

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d) Manuseio e transporte: fator crítico dos medicamentos uma vez que o manuseio
inadequado altera a qualidade. Devem-se usar equipamentos e carros adequados para
que o transporte garanta a integridade do produto.

e) Ventilação: a circulação do ar no ambiente de armazenagem é importante para


conservar bem os produtos. Em temperaturas naturais, a estocagem deve ter espaçamento
adequado entre os produtos, e o local deve ter janelas ou elementos vazados que facilitem
a ventilação natural. Em ambientes com temperaturas abaixo ou acima da temperatura
ambiente (câmaras e estufas), faz-se necessária uma boa distribuição dos medicamentos
para que ocorra a circulação correta do ar (quente ou frio).

2.2 Atividades do Armazenamento


O armazenamento é o conjunto de procedimentos técnicos e administrativos que envolve
seis grandes atividades, quais sejam:

- Recebimento de medicamentos: examinar e conferir os medicamentos detalhadamente,


observando as informações contidas nas embalagens dos produtos, bem como seu
documento de solicitação.

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- Estocagem: organização dos medicamentos em espaço pré-estabelecido a fim de se
obterem segurança e rapidez na dispensação.
- Segurança: proteção do medicamento armazenado, em especial contra danos físicos,
adulterações, furtos e roubos.
- Conservação: manter a estabilidade dos medicamentos a fim de preservar as
características físico-químicas dos medicamentos.
- Controle de estoque: registro de entrada, saída e estocagem de medicamentos.
- Dispensação: medicamentos devem chegar ao paciente com a garantia de condições
adequadas e de manutenção de suas características.

2.3 Equipamentos para Armazenamento


A estocagem dos medicamentos depende da dimensão, do volume dos produtos, do
espaço disponível, das condições de conservação exigidas para cada item e das recomendações
do fabricante.

Figura 2 - Alguns exemplos de símbolos que devem ser observados nas embalagens de medicamentos para realizar
o armazenamento de acordo com o fabricante. Fonte: Deposit Photos (2020).

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O empilhamento dos medicamentos deve obedecer às recomendações dos fabricantes


quanto ao limite de peso e quantidade de volumes a serem empilhados (normalmente, essa
informação consta da caixa). Os produtos empilhados devem sê-lo feito conforme orientação do
fabricante.
Ao empilhar caixas de papelão, deve-se observar se os cantos estão alinhados para que
haja adequada distribuição do peso.

Figura 3 - Empilhamento de caixas de papelão no armazenamento. Fonte: Setha Embalagens (2020).

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Os principais equipamentos que podem ser utilizados para armazenar medicamentos
são:

- Estrados/Pallets: são plataformas horizontais de tamanhos variados e de fácil manuseio.


Podem ser de plástico, borracha e alumínio. Não se recomendam estrados de madeira,
pois podem ser úmidos e mofar. Se for necessário usar um desses, eles devem ser
impermeabilizados por pintura com tinta impermeável.

Figura 4 - Empilhamento correto em pallets. Fonte: Setha Embalagens (2020).

- Prateleiras: são um meio mais econômico e simples, usadas para produtos leves
e estoques reduzidos. As prateleiras devem ser mantidas a um metro de distância das
paredes e do teto a fim de se evitarem zonas de calor e facilitar a circulação interna do ar.
A mesma recomendação que se fez para o estrado de madeira deve ser observada quanto
às prateleiras de madeira.

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Figura 5 – Prateleiras. Fonte: A autora.

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- Armários: são recomendados para o armazenamento de medicamentos de controle
especial pela Portaria 344/98, que devem ser mantidos fechados e com chave. Para que
o armazenamento seja eficiente, os medicamentos devem ser distribuídos de maneira
facilitada para seu acesso, identificação, manuseio e controle.

2.4 Formas de Armazenamento


A distribuição dos produtos deve ser clara para facilitar as operações de inventário e
balanços.

- Ordem alfabética: observa-se o nome  genérico do produto e permite ao operador


estabelecer uma sequência na tomada de pedidos e na contagem.
- Forma farmacêutica: organiza os itens por forma farmacológica do produto. Isso
contribui à racionalização do espaço e evita erros na contabilização e no despacho do
produto.
- Grupo terapêutico: esse modelo organiza os medicamentos por seus grupos terapêuticos.
É muito utilizado e auxilia no controle de inventários, pois cobre um amplo número de
produtos de uma mesma classe.
- Alfanumérico: usa um sistema de sinalizações nas áreas, prateleiras e estrados. É
indicado para grandes quantidades.

2.5 Especificações da Área de Armazenamento


- Área física: deve ser projetada de acordo com a demanda.
- Localização: deve ser estratégica em relação às unidades de saúde que serão abastecidas.
Além disso, deve facilitar o abastecimento e a provisão de insumos e serviços aos pacientes,
contando com meios de transporte internos e externos adequados, em quantidade e
qualidade à atividade de forma a preservar a integridade dos medicamentos e demais
produtos para a saúde, bem como a saúde dos trabalhadores (BRASIL, 2010).

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- Estrutura física externa: deve contar com espaço: (i) suficiente para a manobra dos
caminhões que farão a entrega dos produtos; (ii) com plataforma para carga e descarga;
(iii) cobertura para evitar a incidência direta de luz ou chuva sobre os produtos durante
a descarga; (iv) altura correspondente à base da carroceria de um caminhão, o que
corresponde a aproximadamente 1 metro; (v) rampas que facilitem a locomoção dos
carrinhos. Por fim, as portas externas devem ser confeccionadas em aço.
- Edifício: deve ser isento de rachaduras, pinturas descascadas, infiltrações etc. Os
arredores devem estar limpos e não devem existir fontes de poluição ou contaminação
ambientais próximas.

Quanto à estrutura física interna:

- Piso: deve ser plano, de fácil limpeza e resistente para suportar o peso dos produtos e a
movimentação dos equipamentos.
- Paredes: de alvenaria, cor clara, laváveis e isentas de infiltrações e umidade.
- Portas: esmaltadas ou de alumínio, contendo fechadura e/ou cadeado.
- Teto: de preferência, de laje. Devem-se evitar telhas de amianto, porque absorvem muito
calor.
- Sinalização interna: as áreas e estantes, além dos locais dos extintores de incêndio,

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precisam ser identificadas.
- Instalações elétricas: devem ser mantidas em bom estado, evitando-se o uso de
adaptadores. O quadro de força deve ficar externo à área de estocagem, e as fiações devem
estar em tubulações apropriadas.

Outras recomendações igualmente importantes são:

- A área de armazenamento deve ser restrita somente para colaboradores do setor,


previamente treinados para a segurança local e profissional.
- Os colaboradores devem usar uniformes para facilitar a identificação.
- Não é permitido comer ou fumar na área de estocagem.
- Os produtos devem ser armazenados por grupos (medicamentos, correlatos, germicidas,
controlados pela Portaria 344/98, dentre outros).
- A segurança do local deve impedir roubos, adulterações ou incêndio.

3. DISTRIBUIÇÃO

Na unidade hospitalar, a distribuição e a utilização ou uso ocorrem simultaneamente.


A distribuição consiste no fornecimento de medicamentos e insumos às unidades de saúde,
observando-se qualidade e tempo. A utilização depende da prescrição dos medicamentos a serem
dispensados e de sua administração pelo serviço de enfermagem. Esse processo é denominado
Sistema de Distribuição e deve ser adotado de acordo com a realidade do hospital. Salientamos
que a Vigilância Sanitária não admite o sistema coletivo em virtude do risco que ele oferece aos
pacientes.

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3.1 Sistemas de Distribuição de Medicamentos


A dispensação de medicamentos no hospital é realizada por meio de uma prescrição
médica prévia, e a estrutura da farmácia deve estar apta para preparo e dispensação dos
medicamentos prescritos em tempo hábil para a correta terapêutica do paciente. O sistema de
distribuição deve atender todas as áreas onde são usados medicamentos e correlatos.
Quanto ao conceito, Sistema de Distribuição de Medicamentos é o ato da entrega racional
de medicamentos, prestando-se informações sobre eles, características farmacodinâmicas,
análise da posologia, verificação de interações com medicamentosas e/ou alimentos, estabilidade
das drogas, indicação e contraindicação terapêuticas.
Os objetivos dos sistemas de distribuição são:

- Distribuir os medicamentos de forma ordenada, racionalizando a dispensação e a


administração.
- Diminuir erros de medicação e os custos com medicamentos.
- Prestar informações sobre medicamentos.
- Aumentar a segurança para o paciente e o controle sobre os medicamentos, com acesso
do farmacêutico às informações sobre o paciente.

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Segue o fluxo geral de um sistema de distribuição:

3.2 Tipos de Sistemas de Distribuição de Medicamentos


3.2.1 Sistema coletivo

É um sistema em que os pedidos de medicamentos à farmácia são feitos por meio da


transcrição da prescrição médica pela enfermagem. Esses pedidos não são feitos em nome dos
pacientes, mas, sim, em nome dos setores. Cada setor tem um estoque para atendimento. A rotina
operacional do sistema coletivo está apresentada no Quadro 3.

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Rotina operacional do sistema coletivo

Medico Prescreve os medicamentos para os diversos pacientes nas folhas de


prescrições médicas.

Enfermagem Transcreve prescrição médica para o Formulário de Solicitação de


Medicamentos em nome do setor.
O funcionário da Enfermagem envia o formulário à farmácia.

Farmácia Separa os itens pedidos e envia-os ao setor para repor o estoque.

Quadro 3 - Rotina operacional do sistema coletivo de distribuição de medicamentos. Fonte: A autora.

As vantagens do sistema coletivo são: (i) disponibilidade de medicamentos na unidade, o


que facilita o uso imediato dos medicamentos; (ii) diminui os pedidos à farmácia; (iii) diminui as
tarefas a serem executadas pela farmácia.
Por outro lado, as desvantagens do sistema coletivo são: (i) erros de transcrição da
prescrição médica; (ii) omissões e trocas de medicamentos; (iii) aumento do gasto com
medicamentos por incapacidade de a farmácia controlar o uso e a conservação dos medicamentos;

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(iv) desvio de medicamentos (em torno de 30%); (v) mau acondicionamento de medicamentos;
(vi) falta de controle do prazo de validade e das condições de armazenamento; (vii) devolução de
medicamentos sem identificação à farmácia; (viii) aumento do potencial de erros de administração
de medicamentos

3.2.2 Sistema individualizado 24 horas

Sistema no qual os pedidos de medicamentos são feitos especificamente


para cada paciente (24 horas) de acordo com a segunda via da prescrição médica.
Esse sistema está mais orientado para a farmácia do que o anterior visto que se busca um melhor
controle dos medicamentos. A rotina desse sistema está evidenciada no Quadro 4.

Rotina operacional do sistema individualizado 24 horas

Medico Prescreve na folha de prescrição médica (PM) em duas vias.

Enfermagem Anota os horários de administração dos medicamentos: 1ª via – prontuário do


paciente; 2ª via – farmácia.

Farmácia Farmacêutico: Avalia a 2ª via da PM e libera para separação.


Auxiliar de farmácia: separa os medicamentos e embala-os em sacos plásticos
individuais, identificados com os dados do paciente.
Farmacêutico: confere os medicamentos embalados.

Farmácia e Realiza dupla checagem por meio de conferência com 1ª via do prontuário.
Enfermagem Assina as vias e devolve para a farmácia.

Enfermagem Organiza os medicamentos e soros nas gavetas por paciente/ leito e armários
de soros.

Quadro 4 - Rotina operacional do sistema individualizado 24 horas de distribuição de medicamentos. Fonte: A


autora.

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Cabe observar que, nesse sistema, o farmacêutico:

- Controla o estoque e registra as receitas de psicotrópicos e entorpecentes de acordo com


a legislação vigente.
- Realiza fiscalizações periódicas nas unidades.
- Analisa o perfil farmacoterapêutico do paciente, levando em conta possíveis interações,
não padronizados ou dúvidas de prescrição.
- Supervisiona a reposição dos medicamentos de uso esporádico (se necessário),
medicamentos da portaria 344 (psicotrópicos), entorpecentes e armário de reservas dos
soros (soluções de grande volume - S.G.V.).

As vantagens do sistema individualizado 24 horas são: (i) diminuição dos estoques nas
unidades assistenciais; (ii) facilidade de devolução à farmácia; (iii) redução potencial de erros de
medicação; (iv) reduz tempo do pessoal da enfermagem quanto às atividades com medicamentos;
(v) redução de custos com medicamentos; (vi) controle mais efetivo sobre medicamentos; (vii)
aumento da integração do farmacêutico com a equipe de saúde.
Por outro lado, as desvantagens do sistema individualizado 24 horas são: (i) incremento
das atividades desenvolvidas pela farmácia; (ii) necessidade de plantão na farmácia hospitalar;
(iii) permite erros potenciais de medicação; (iv) exige investimento inicial; (v) necessidade de

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plantão na farmácia hospitalar.

3.2.3 Sistema individualizado por turno

Esse sistema é processado da mesma forma como o sistema individualizado 24 horas. A


diferença é que, aqui, os medicamentos são enviados de forma individualizada de acordo com o
turno de enfermagem.
Exemplo: a enfermagem faz os seguintes turnos: manhã (das 7 às 13 horas), tarde (das
13 às 19 horas) e noite (das 19 às 07 horas do dia seguinte). A farmácia separará a medicação
prescrita de acordo com os horários de forma que a enfermagem de cada turno receba somente
os medicamentos inerentes ao seu turno de trabalho.

3.2.4 Sistema individualizado por horário de administração

A rotina de separação dos medicamentos é a mesma do sistema individualizado 24 horas.


A diferença reside no fato de que, aqui, as medicações são separadas por horário de administração.
Em termos de segurança para o paciente, essa forma de dispensação não lhe oferece
nenhuma garantia, demandando muito trabalho para a farmácia.

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Figura 6. Modelo de dispensação por prescrição individual. Fonte: Brasil (1994).

3.2.5 Sistema de distribuição em doses unitárias (S.D.M.D.U.)

A farmácia hospitalar que adota esse sistema de dispensação fornece uma quantidade
ordenada de medicamentos preparados de acordo com a prescrição médica e prontos para
administração ao paciente. Toda medicação injetável é preparada na farmácia hospitalar, assim
como os medicamentos sólidos e líquidos são nela fracionados. A enfermagem recebe exatamente
a dose prescrita para o paciente.
No preparo, o farmacêutico avalia a prescrição (identificando se o medicamento, a via e
a dose são compatíveis), identifica o diluente e as embalagens corretas para os medicamentos.
Ademais, identifica corretamente o destinatário do medicamento preparado, minimizando os
erros de troca de paciente ou de medicamento.
A adoção desse sistema permite:

• A verificação dos erros de medicação.


• Fidelidade das doses.
• Como o farmacêutico realiza a avaliação da prescrição e do preparo, isso facilita a
identificação de interações medicamentosas, reações adversas e outras causas no uso do
medicamento.
• O acondicionamento dos medicamentos observa as características do fármaco.

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EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

• Proporciona à administração hospitalar um sistema de distribuição de medicamentos


financeiramente viável.
• O farmacêutico torna-se essencial na equipe de saúde.
• Proporciona melhor segurança, rastreabilidade e identificação dos medicamentos.
• Racionaliza o processo de distribuição, eliminando os estoques periféricos e reduzindo
custos.

O sistema de distribuição por dose unitária apresenta vantagens para vários setores do
hospital conforme apresentado no Quadro 5.

Vantagens da dose unitária

Hospital - maior prestígio e controle na correta utilização dos medicamentos e respectivos


gastos, permitindo a redução destes.
- disponibilidade de informações relevantes para a gestão hospitalar e apuramentos
estatísticos.
- atendimento com qualidade. 

FARMÁCIA HOSPITALAR E GESTÃO | UNIDADE 2


Medico segurança de que as ordens farmacoterapêuticas são cumpridas com exatidão.

Enfermagem - disponibilidade para as tarefas para as quais se está vocacionado, resultando na


melhora dos cuidados prestados ao paciente.
- dignificação e realização profissionais.

Paciente - qualidade dos cuidados recebidos.


- disponibilidade da enfermagem no seu cuidado e humanização.

Farmácia - consegue intervenção mais ativa no processo terapêutico e efetua troca de


informação de forma rápida e completa com outros profissionais.
- maior tempo para tarefas técnicas, proporcionando-lhe maior realização e
dignificação profissionais.

Quadro 5 - Vantagens do sistema de distribuição por dose unitária para os diversos setores do hospital. Fonte: A
autora.

Como desvantagem, exige investimento inicial para o aumento das necessidades de


recursos humanos e infraestrutura da farmácia hospitalar.

3.2.6 Farmácias satélites

No hospital, existem setores com atendimento de urgência e emergência – pronto-


socorro, prontoatendimento, centro cirúrgico, unidade de terapia intensiva e outros –, em que
os pacientes apresentam características específicas, e a rotina tem fluxo diferenciado de uma ala
hospitalar.

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EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

Farmácia Satélite é uma farmácia que fica localizada no próprio setor da dispensação
(centro cirúrgico, pronto-socorro, prontoatendimento, Unidade de Terapia Intensiva – UTI)
com as finalidades de estocar adequadamente os medicamentos e materiais, dispensar de forma
imediata e proporcionar uma assistência farmacêutica efetiva e direta de forma que o paciente
seja prontamente atendido (CAVALLINI; BISSON, 2002).

Justificativas para implantação de Farmácia Satélite:


A implantação dessas unidades se justifica quando a unidade, mesmo usando estoques
elevados de materiais e medicamentos, não mantém um controle efetivo. O consumo de itens
é alto; o custo unitário do que é consumido é alto; há desperdícios e existem itens que exigem
cuidados especiais no armazenamento e no controle.

Critérios de escolha do setor para implantar a Farmácia Satélite:


O setor possui estoque elevado de fios de sutura, agulhas, seringas, soros e outros; consumo
excessivo de materiais; alto custo unitário dos materiais (válvulas cardíacas, cateteres, implantes,
clips de aneurisma e outros); armazenamento inadequado de materiais e medicamentos;
necessidade de assistência farmacêutica efetiva.
Quanto às vantagens da Farmácia Satélite, no uso de materiais e medicamentos, há:
(i) racionalização do uso: (ii) redução do desperdício; (iii) ausência de estoques nas salas de

FARMÁCIA HOSPITALAR E GESTÃO | UNIDADE 2


atendimento; (iv) redução da contaminação cruzada; (v) interação entre equipe multiprofissional;
(vi) controle e acesso à produtividade por meio de relatórios periódicos.
As farmácias satélites atendem individualmente, possibilitando maior agilidade na
dispensação de materiais e medicamentos hospitalares.

4. CONCILIAÇÃO MEDICAMENTOSA OU FARMACÊUTICA

É considerada uma ferramenta estratégica para a segurança do paciente pelos principais


programas de qualidade em saúde, sendo atividade descrita pelos manuais de acreditação
hospitalar como tendo o objetivo de aumentar a segurança do paciente.
Entre as causas de erros de medicação em hospitais, podemos destacar algumas confusões
que ocorrem quando medicamentos são suspensos ou introduzidos ou quando prescrições
anteriores são transcritas. Essas discrepâncias podem ser justificadas pela situação clínica ou não
justificadas por omissão, duplicação, erros de doses ou potenciais interações. Tais ocorrências
podem ter como resultado danos adicionais e evitáveis aos pacientes.
Para evitar que tal ocorra, orienta-se que se proceda à conciliação medicamentosa, uma
prática que objetiva a harmonização dos planos terapêuticos dos pacientes, desde a admissão até
à alta, incluindo todas as mudanças de nível assistencial.
A conciliação medicamentosa é um processo que consiste na obtenção de uma lista
completa e precisa dos medicamentos de uso habitual do paciente e posterior comparação com
a prescrição em todas as transições de cuidado (admissão, alta hospitalar ou transferência entre
unidades de internação). Quando discrepâncias são encontradas, elas podem ser consideradas
erros de medicação.

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EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

Encontre mais informações sobre a área de armazenamento no


ebook Boas Práticas de Estocagem, do Ministério da Saúde. Apesar
de ser uma publicação de 1990, ainda é documento válido para
dimensionamento e organização da área. Está disponível no link
<http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/cd05_05.pdf>

Fabíola Sulpino Vieira, em seu artigo Qualificação dos serviços


farmacêuticos no Brasil: aspectos inconclusos da agenda do
Sistema Único de Saúde ( <https://www.scielosp.org/article/
rpsp/2008.v24n2/91-100/> ), reflete e chega à conclusão de que o
acesso a medicamentos essenciais é fundamental para a melhora
e manutenção do estado de saúde da população, e que o uso

FARMÁCIA HOSPITALAR E GESTÃO | UNIDADE 2


inadequado de medicamentos torna-se um risco, interferindo na qualidade de vida
e aumentando custos à saúde.

Com isso, configura-se a necessidade da promoção do uso racional de medica-


mentos, garantindo aos pacientes o medicamento correto nas doses adequadas
pelo tempo necessário e menor custo possível, tanto para o próprio paciente quan-
to para a comunidade.

O uso racional de medicamentos só se tornará realidade se o farmacêutico assu-


mir e cumprir os seus papéis de: (i) garantir medicamentos com maior eficácia,
segurança, efetividade e razão de custo-efetividade; (ii) preservar a qualidade no
recebimento e armazenamento; e (iii) orientar os pacientes quanto ao uso.

O uso correto e seguro de medicamentos e a possibilidade de


rastreabilidade são, na atualidade, uma forma de caracterizar a
segurança do atendimento de saúde tanto para o paciente como
para os profissionais envolvidos. Sugerimos a leitura do conteú-
do disponibilizado pelo Conselho Federal de Farmácia (CFF) so-
bre a Rastreabilidade de Medicamentos, elaborado pelo farma-
cêutico Nilson Gonçalves Malta. O link é o <http://www.cff.org.
br/sistemas/geral/revista/pdf/129/pb79_encarte_farmacia_hospitalar.pdf>

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O vídeo Por dentro do hospital - o caminho do medicamento,


disponibilizado pelo Hospital Albert Einstein, permite-nos ter
uma visão global dos processos desenvolvidos em uma unidade
hospitalar, desde o recebimento até o paciente. Cabe atentar-se
para a operacionalização dos processos da farmácia com o uso de
tecnologias. O vídeo está disponível no link <https://www.youtube.
com/watch?v=lmrHWiZL5mU>

Para você visualizar como se desenvolve o trabalho do


farmacêutico em uma farmácia satélite, assista ao vídeo Atuação do
farmacêutico hospitalar nos processos de controle de dispensação
de medicamentos no Centro Cirúrgico ( <https://www.youtube.com/
watch?v=zyC0eNAH89w> ). Esse vídeo foi enviado para a SBRAFH
por ocasião do concurso de vídeo visando ao Título de Especialista
em Farmácia Hospitalar de 2015.

FARMÁCIA HOSPITALAR E GESTÃO | UNIDADE 2

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EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O armazenamento e a distribuição dos medicamentos são etapas da cadeia logística e


fazem parte da assistência farmacêutica.
O armazenamento é a etapa do ciclo da assistência farmacêutica que visa a garantir a
qualidade e a guarda segura dos medicamentos nas organizações da área da saúde.
A qualidade dos medicamentos é garantida quando se observam condições adequadas de
conservação (características indicadas para as instalações de armazenagem, layout dos locais de
distribuição cuidados no recebimento, métodos de localização dos itens e tipos de distribuição),
somadas a um controle de estoque eficaz e à disponibilidade garantida dos medicamentos em
todos os locais de atendimento aos usuários. É imprescindível que as organizações de saúde
estabeleçam e monitorem critérios que assegurem que os medicamentos estão sendo recebidos,
estocados e controlados de maneira eficaz e correta.
A distribuição ocorre em todos os níveis de atendimento e, se não há confiança entre o
usuário e o responsável pela distribuição, torna-se a maior área de conflitos dentro do hospital,
pois envolve vários grupos de profissionais – farmácia, enfermagem, médicos, administração e
outros –, além de propiciar a criação de estoques periféricos. A distribuição correta e racional

FARMÁCIA HOSPITALAR E GESTÃO | UNIDADE 2


de medicamentos deve garantir rapidez na entrega, sem atrasos, nas quantidades e produtos
corretos, na qualidade desejada e com transporte que observa as características de segurança.
A movimentação deve ser monitorada por sistema de informação confiável, atualizado e
parametrizado.
Independentemente do processo a ser realizado, exige-se a manutenção de procedimentos
escritos e o seguimento de normas definidas em que o controle e a avaliação são realizados a
partir de indicadores de desempenho e qualidade.
Por fim, reforce-se que todos os envolvidos devem estar comprometidos com o uso
racional de medicamentos e com a prevenção de erros.

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UNIDADE ENSINO A DISTÂNCIA

03
DISCIPLINA:
FARMÁRCIA HOSPITALAR E GESTÃO

FARMACOTÉCNICA HOSPITALAR E
PREPARO DE MEDICAMENTOS
PROF.A MA. JANETE LANE AMADEI

SUMÁRIO DA UNIDADE

INTRODUÇÃO............................................................................................................................................................. 52
1. PREPARO DE MEDICAMENTOS .......................................................................................................................... 53
1.1 REGULAMENTAÇÃO............................................................................................................................................. 53
1.2 REQUISITOS ........................................................................................................................................................ 53
1.2.1 FUNCIONALIDADE............................................................................................................................................ 53
1.2.2 EQUIPAMENTOS.............................................................................................................................................. 53
1.2.3 PESSOAL ENVOLVIDO...................................................................................................................................... 53
1.2.4 PARAMENTAÇÃO MÍNIMA.............................................................................................................................. 54
1.2.5 ÁREA FÍSICA..................................................................................................................................................... 54
1.3 EQUIPAMENTOS ................................................................................................................................................. 55
1.4 RÓTULOS.............................................................................................................................................................. 56

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1.5 SEGURANÇA......................................................................................................................................................... 57
1.6 GARANTIA DA QUALIDADE................................................................................................................................. 57
1.7 VALIDAÇÃO DO PROCESSO................................................................................................................................ 57
1.8 DOCUMENTAÇÃO E REGISTROS........................................................................................................................ 57
2. FRACIONAMENTO DE MEDICAMENTOS SÓLIDOS E LÍQUIDOS ..................................................................... 57
2.1 DEFINIÇÃO DE FRACIONAMENTO..................................................................................................................... 57
2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS..................................................................................................................................58
2.3 RESPONSABILIDADE ................................................................................................................................................. 58
2.4 VANTAGENS.........................................................................................................................................................58
2.5 TÉCNICAS DE FRACIONAMENTO DE MEDICAMENTOS SÓLIDOS ...............................................................58
2.5.1 MEDICAMENTOS ACONDICIONADOS EM BLÍSTER OU ENVELOPE ........................................................ 58
2.5.2 MEDICAMENTOS EM EMBALAGENS SEM INVÓLUCRO UNITÁRIO (EMBALAGEM MÚLTIPLA)............. 59
2.6 FRACIONAMENTO DE MEDICAMENTOS LÍQUIDOS.......................................................................................60
2.7 CONTROLE DE QUALIDADE................................................................................................................................ 61
3. MISTURAS INTRAVENOSAS................................................................................................................................ 62
4. PREPARO DE NUTRIÇÃO PARENTERAL ............................................................................................................ 62
4.1 DEFINIÇÃO DE NUTRIÇÃO PARENTERAL......................................................................................................... 63
4.2 OBJETIVOS DA PREPARAÇÃO CORRETA.......................................................................................................... 63
4.3 EQUIPE MULTIDISCIPLINAR DE TERAPIA NUTRICIONAL ............................................................................ 63
4.4 COMPLICAÇÕES DECORRENTES DO USO DE NUTRIÇÃO PARENTERAL .................................................... 64
4.5 FONTES DE CONTAMINAÇÃO ........................................................................................................................... 64
4.6 FORMULAÇÕES DE NP....................................................................................................................................... 64
4.7 RESPONSABILIDADE DO FARMACÊUTICO...................................................................................................... 64
4.8 ÁREA DE PREPARO ............................................................................................................................................ 64
4.9 EQUIPAMENTOS ................................................................................................................................................ 66
4.10 LIMPEZA E DESINFECÇÃO............................................................................................................................... 66
4.11 MOBILIÁRIO....................................................................................................................................................... 67
4.12 ETAPAS DO PREPARO....................................................................................................................................... 67
4.13 PRESCRIÇÃO.....................................................................................................................................................68
4.14 MATERIAIS NECESSÁRIOS .............................................................................................................................68
4.15 LOCAL.................................................................................................................................................................68

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4.16 CONTROLE DE QUALIDADE..............................................................................................................................68
4.17 IDENTIFICAÇÃO.................................................................................................................................................68
4.18 CONSERVAÇÃO.................................................................................................................................................. 69
4.19 INFORME DE ATIVIDADES............................................................................................................................... 69
4.20 ADMINISTRAÇÃO............................................................................................................................................. 69
5. PREPARO DE MEDICAMENTOS ANTINEOPLÁSICOS....................................................................................... 69
5.1 RISCOS NO PREPARO DE DROGAS CITOSTÁTICAS......................................................................................... 70
5.2 EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL (EPI)....................................................................................... 70
5.3 EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO COLETIVA (EPC) .........................................................................................71
5.4 CONTROLE DE EXPOSIÇÃO................................................................................................................................71
5.5 TRATAMENTO DE RESÍDUOS CITOSTÁTICOS ................................................................................................71
5.6 RECOMENDAÇÕES ESPECÍFICAS .....................................................................................................................71
6. PREPARO DE RADIOFÁRMACOS .........................................................................................................................71
CONSIDERAÇÕES FINAIS ........................................................................................................................................ 75

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EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

INTRODUÇÃO

A maioria dos medicamentos usados no hospital é fornecida em doses padrão e em um


sistema individualizado preparado pela enfermagem. O sistema de dose unitária é preparado
na farmácia. Nos dois casos, o preparo de medicamentos pode abranger procedimentos simples
(como uma diluição) ou pode requerer cálculos complexos e muitas manipulações.
A manipulação em locais inadequados ou por profissionais inexperientes está associada a
riscos de contaminação. Erros no preparo ou administração, incompatibilidade ou instabilidade
pelo emprego de diluentes incorretos ou armazenamento inadequado, estão associados à perda
da eficácia, aumento de toxicidade e cristalização e formação de aerossóis pelos antimicrobianos,
induzindo à irritação e hipersensibilidade, além de aumentar a resistência bacteriana no ambiente.
Por exigências ética e jurídica, a manipulação de fármacos deve seguir os princípios das
Boas Práticas de Manipulação em Farmácia, conforme a RDC ANVISA nº 67/2007 (BRASIL,
2007). Essa resolução determina que, para realizar atividades de manipulação, a farmácia deve
dispor de áreas para as atividades administrativas, de armazenamento, controle de qualidade,
dispensação e salas exclusivas para a pesagem e para a manipulação propriamente dita.

FARMÁCIA HOSPITALAR E GESTÃO | UNIDADE 3


Nesta Unidade III, discutiremos a farmacotécnica hospitalar e seus requisitos estruturais
e legais.

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EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

1. PREPARO DE MEDICAMENTOS

1.1 Regulamentação
O farmacêutico deve realizar a avaliação farmacêutica da prescrição antes da manipulação.
Se houver dúvidas ou necessidade de adequação, deve entrar em contato com o profissional
prescritor. Todos os procedimentos devem ser registrados no prontuário do paciente.
Esse cuidado é necessário, pois, para todos os efeitos legais, a farmácia responde pela
avaliação das prescrições quanto à concentração, compatibilidade físico-química dos componentes,
dose, via de administração, manipulação, apresentação, qualidade e acondicionamento, bem
como por informações insuficientes ou inadequadas sobre sua utilização e riscos.
Após o preparo, o farmacêutico é responsável pela manutenção da qualidade dos
medicamentos até sua entrega ao paciente e por orientar e treinar os profissionais envolvidos no
transporte dos medicamentos para assegurar a qualidade.

1.2 Requisitos

FARMÁCIA HOSPITALAR E GESTÃO | UNIDADE 3


Na implantação de uma central de manipulação, alguns requisitos devem ser observados.

1.2.1 Funcionalidade

Para garantir que as solicitações sejam atendidas da forma mais ágil e com o menor
custo possível, sem comprometimento da qualidade final do produto ou do serviço oferecido,
devem-se considerar a demanda, a área física disponível e o fluxo de pessoas e materiais. As
áreas controladas devem ter acesso limitado. Os processos de digitação, confecção de rótulos e
registros devem ser feitos fora da área controlada.

1.2.2 Equipamentos

A escolha depende do espaço físico disponível, das características da unidade hospitalar


e das especialidades médicas (oncologia/hematologia clínicas, unidades de tratamento intensivo,
hospital pediátrico) que influenciam o tipo de manipulação necessária.
Os equipamentos devem ser instalados de forma a facilitar a operação, a limpeza e a
manutenção. Devem ser calibrados periodicamente de acordo com recomendações do fabricante.
Tais procedimentos, assim como as manutenções preventivas, devem ser registrados em livro
próprio para esse fim. O manual do equipamento deve estar disponível para verificação de sua
eficiência e uniformidade.

1.2.3 Pessoal envolvido

O farmacêutico é o profissional responsável por assegurar a aplicação do melhor


procedimento técnico; por isso, deve supervisionar todas as atividades e garantir que o pessoal
de apoio esteja adequadamente treinado para o desempenho delas. Para tanto, deve manter
programa de treinamento para manipuladores e pessoal da higienização, incluindo todos os
procedimentos da unidade de acordo com a abrangência da sua atividade.

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EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

1.2.4 Paramentação mínima

A paramentação é requerida de acordo com as exigências da área de manipulação e dos


produtos manipulados. A regra é que se devem utilizar uniformes limpos para circulação nas
áreas controladas, toucas, máscaras, botas ou propés e luvas cirúrgicas estéreis de uso único.
Os uniformes devem ser confeccionados com tecido que libere o mínimo de material
particulado. Recomenda-se o uso de capotes com punhos elásticos. Durante o preparo, as luvas
podem ser enxaguadas frequentemente com álcool a 70% e devem ser trocadas a cada duas horas.

Medicamentos Máscara Luva Gorro Capote Propés Óculos

Antimicrobianos 100% filtração Cirúrgica – dois Sim Sim Sim Sim


e hormônios com carvão pares
ativado

Injetáveis em Triplo filtro Cirúrgica – um Sim Sim Sim Sim


geral par

Líquidos e Procedimento Procedimento Sim Avental Não Não


sólidos

FARMÁCIA HOSPITALAR E GESTÃO | UNIDADE 3


Medicamentos 100% filtração Cirúrgica – dois Sim Sim Sim Sim
citostáticos com carvão pares
ativado
Nutrição Triplo filtro Cirúrgica – um Sim Sim Sim Sim
Parenteral par

Quadro 1 - Relação de paramentos necessários para manipulação e classe/forma farmacêutica preparada. Fonte: A
autora.

1.2.5 Área física

A estrutura física deve observar as seguintes especificações:

a) Se mantiver produtos em estoque, fazer controle de temperatura e umidade do


ambiente.

b) Os ambientes devem ser protegidos contra a entrada de aves, animais, insetos, roedores
e poeiras.

c) Os ambientes devem possuir superfícies internas (pisos, paredes e teto) lisas, sem
rachaduras, resistentes aos saneantes, que não desprendam partículas e devem ser
facilmente laváveis, desinfetadas com álcool 70% no início e no final de cada operação.

d) As áreas e instalações devem ser adequadas e suficientes ao desenvolvimento das


operações, dispondo de todos os equipamentos e materiais de forma organizada e
racional, objetivando evitar os riscos de contaminação, misturas de componentes e
garantir a sequência das operações. Deve ser limpa diariamente, mas no momento em
que não houver qualquer operação sendo realizada.

WWW.UNINGA.BR 54
EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

e) Os ralos devem ser sifonados e fechados. Nas áreas de manipulação, limpeza e


higienização, está vedada a existência de ralos.

f) A iluminação e a ventilação devem ser suficientes para que a temperatura e a umidade


relativa não deteriorem os produtos farmacêuticos e correlatos tampouco a precisão e o
funcionamento dos equipamentos.

1.3 Equipamentos
A área de fracionamento de medicamentos sólidos e líquidos deve ser separada da
distribuição. Deve conter uma pia exclusiva para lavagem das mãos e um refrigerador para
guardar os frascos de medicamentos abertos. O único equipamento necessário é uma seladora
para envelopar os dosadores orais em sacos plásticos depois do fracionamento.
Além das recomendações anteriores, para o preparo de injetáveis, nutrição parenteral e
medicamentos citostáticos, exige-se o uso de cabines com fluxo de ar controlado (capelas).

Medicamentos Tipo de cabine

Antimicrobianos e Vertical

FARMÁCIA HOSPITALAR E GESTÃO | UNIDADE 3


hormônios
Injetáveis em geral Horizontal
Líquidos e sólidos Não
Medicamentos citostáticos Vertical
Nutrição Parenteral Horizontal

Quadro 2 - Relação entre classe de medicamento a ser preparado e tipo de cabine de fluxo laminar exigido. Fonte:
A autora.

As cabines de fluxo laminar ou capelas são equipamentos usados para promover uma
atmosfera de ar com quantidade mínima de partículas se comparadas com a atmosfera do ambiente.
Para isso, o ar é puxado com o auxílio de um motor e passa através de filtros HEPA (filtros de
alta eficiência, com capacidade de reter 99,97% das partículas maiores que 0,3 micrômetros de
diâmetro), forçado por ventiladores. Esse ar pode chegar até à superfície da bancada da cabine de
forma horizontal ou vertical a ela (Figura 1).

WWW.UNINGA.BR 55
EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

Fluxo horizontal Fluxo vertical


Medicamentos injetáveis, excluindo-se - Antimicrobianos e hormônios.
antimicrobianos, hormônios e nutrição - Medicamentos citostáticos.
parenteral.

FARMÁCIA HOSPITALAR E GESTÃO | UNIDADE 3


Figura 1 - Cabines para preparo de soluções injetáveis de acordo com o fluxo de ar e uso no preparo de soluções
injetáveis. Fonte: Gastaldi et al. (2009).

Para evitar a dispersão de aerossóis no ambiente controlado, recomenda-se que o


funcionamento das cabines de fluxo laminar seja ininterrupto (24 horas) para se evitar refluxo
quando elas são religadas.

1.4 Rótulos
Os rótulos têm como propósito primário a divulgação de informações específicas ao
usuário dos medicamentos.
Os rótulos devem:

- aderir firmemente à embalagem e estar posicionados de modo a possibilitar a leitura


quando o medicamento estiver sendo administrado.
- possuir tamanho suficiente para permitir inspeção visual do medicamento contido na
embalagem.

Além disso, os rótulos devem conter: nome do paciente, nome da(s) substância(s), leito/
clínica, concentração, prontuário, veículo para reconstituição ou infusão, data da preparação,
via, tempo e horário de administração, validade (mês e ano), rubrica do manipulador, lote e data
de fabricação, indicação de conservação e emprego de equipos especiais (se necessário), além
de indicações especiais, como: “misture bem antes de usar”, “não mastigar” etc. As embalagens
pequenas podem apresentar, no rótulo, apenas o número do prontuário, nome da substância,
concentração e nome do paciente, mas devem ser afixadas em um cartão com todas as informações
adicionais necessárias.
Não se permitem: (i) rotulagem com uso de lápis ou caneta; (ii) sobreposição de rótulos;
(iii) rasuras ou ilegibilidade; (iv) alteração por outrem que não o pessoal do serviço de farmácia,
habilitado para tal.

WWW.UNINGA.BR 56
EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

1.5 Segurança
Os visitantes e pessoas não treinadas não devem ter acesso às áreas de manipulação. Se
necessário o acesso para manutenção de equipamentos ou quaisquer outros fins, a pessoa que o
fará deverá ser instruída sobre os procedimentos de paramentação, higiene e acompanhada por
pessoal autorizado.

1.6 Garantia da Qualidade


Para assegurar a qualidade das formulações, a farmácia deve possuir um sistema de
qualidade bem documentado e monitorado, que incorpore e descreva todas as práticas de
manipulação.

1.7 Validação do Processo


A validação e o registro anual dos procedimentos assépticos garantem o preparo de
produtos estéreis de qualidade aceitável.

FARMÁCIA HOSPITALAR E GESTÃO | UNIDADE 3


1.8 Documentação e Registros
Todo o processo de manipulação deve ser devidamente registrado para permitir o
rastreamento dos produtos manipulados nos casos de desvios de qualidade. A documentação é
exclusiva do serviço de farmácia, devendo ser posta à disposição da fiscalização durante eventual
inspeção sanitária.

2. FRACIONAMENTO DE MEDICAMENTOS SÓLIDOS E LÍQUIDOS

A Associação Americana de Farmacêuticos Hospitalares define o fracionamento


de medicamentos como o ato de dispor das doses de medicamentos prescritos de forma
individualizada e garantir a identificação do medicamento até ele chegar ao paciente. Deve-se
proteger o medicamento contra os agentes do meio ambiente e da deterioração causada pelo
manuseio, assegurando que ele seja utilizado com rapidez, segurança e comodidade.
Podem ser fracionados comprimidos, cápsulas e drágeas, pois representam o maior
volume de produtos a serem fracionados, e a exigência técnica não é muito sofisticada.
Pós, líquidos, pomadas, colírios e injetáveis devem ser fracionados somente sobre
condições especiais por um profissional habilitado, com todo o aparato técnico e de embalagens
que sejam necessárias. São consideradas formas farmacêuticas estéreis e, no fracionamento, é
necessário que se mantenha essa qualidade.

2.1 Definição de Fracionamento


Processo de manipulação de produtos farmacêuticos acabados, que tem por objetivo
principal otimizar a distribuição de medicamentos por dose individual/unitária, devidamente
embalados e identificados, garantindo-se a qualidade do produto até a administração ao paciente.
Compreende a reembalagem do fármaco produzido por determinado laboratório farmacêutico.

WWW.UNINGA.BR 57
EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

O objetivo geral é o de fornecer medicamentos nas menores unidades possíveis de


dispensação e corretamente identificados (nome genérico, concentração, lote e validade) para o
sistema de distribuição de medicamentos por dose individual ou unitária.

2.2 Objetivos Específicos


• Fracionar os medicamentos nas menores unidades de dispensação, sem lhes alterar a
qualidade.
• Reembalar os fármacos em recipientes adequados às suas características.
• Identificar corretamente os produtos: nome genérico, concentração, número do lote e
validade.
• Controlar a validade dos produtos a serem dispensados.
• Suprir o setor de distribuição de medicamentos por dose individual ou unitária.

2.3 Responsabilidade

FARMÁCIA HOSPITALAR E GESTÃO | UNIDADE 3


O processo de reembalagem deve ser de direta responsabilidade do farmacêutico, o qual
deverá instituir medidas de controle de modo a garantir um produto que possa ser utilizado com
segurança e eficácia.

2.4 Vantagens
• Administração do medicamento correto e dentro do prazo de validade adequado.
• Diminuem-se as perdas de medicamentos nas unidades de internação.
• Diminuição de trocas de medicamentos (identificação pela cor, tipo de blíster etc.).
• Minimiza custos por perdas.
• Facilita o controle de custos do tratamento.

2.5 Técnicas de Fracionamento de Medicamentos Sólidos


2.5.1 Medicamentos acondicionados em blíster ou envelope

São fracionados sem serem retirados da embalagem original. Como são mantidas as
condições do fabricante, a validade da dose unitária é a mesma do fabricante.
Segue como proceder:

• Sem lhes retirar o invólucro original, individualizar os medicamentos por meio de cortes
com tesoura.
• Reembalagem em sacos plásticos.
• Selagem individual.

WWW.UNINGA.BR 58
EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

• Identificação com etiquetas autocolantes.


• Acondicionamento em quantidades padrão (de acordo com rotina do serviço).
• Armazenamento ou envio para a dispensação.
Os medicamentos sólidos, em blíster ou envelope, podem ser apresentados pelo fabricante
de duas formas:

1. Blíster inteiro, com uma única identificação de lote e validade. Nesse caso, é necessário
individualizar e colocar uma etiqueta por comprimido (Figura 2).

2. Em dose unitária, com indicação de lote e validade por comprimido (Figura 3). Se for
assim, é só separar os comprimidos e armazená-los.

FARMÁCIA HOSPITALAR E GESTÃO | UNIDADE 3


Figura 2 - Exemplo de fracionamento de medicamentos sólidos em blíster não unitarizado. Fonte: A autora.

Figura 3 - Exemplo de fracionamento de medicamentos sólidos em blíster fornecido em dose unitária pelo fabri-
cante. Fonte: A autora.

2.5.2 Medicamentos em embalagens sem invólucro unitário (embalagem múltipla)

Como esses medicamentos são retirados da embalagem do fabricante, é necessário


recalcular a validade do medicamento fracionado.
Na atualidade, usa-se o cálculo de validade reduzida (“25% do prazo de validade restante,
não excedendo seis meses” ou “a data de validade não pode exceder 25% do tempo compreendido
entre a data de fracionamento e da validade final do fabricante).
Por exemplo:

WWW.UNINGA.BR 59
EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

FARMÁCIA HOSPITALAR E GESTÃO | UNIDADE 3


Segue como proceder:

a) Usar luva (trocar a cada produto que for fracionar), máscara de procedimento e gorro.
b) Usar bandejas plásticas ou de aço, previamente cobertas com compressas esterilizadas.
c) Colocar na bandeja os comprimidos, cápsulas ou drágeas que for reembalar.
d) Usar uma pinça para introduzir o medicamento a ser fracionado na embalagem de
fracionamento.
e) Realizar o fechamento dos produtos na máquina seladora:

• Identificação com etiquetas autocolantes.


• Acondicionamento em quantidades padrão (de acordo com a rotina do serviço).
• Armazenamento ou envio para a dispensação.

2.6 Fracionamento de Medicamentos Líquidos


Para o fracionamento de medicamentos líquidos, pode-se adquirir o dosador oral
fornecido por vários fabricantes.
Alerta-se para não se usarem seringas para esse fim. Os dosadores orais apresentam o
bico maior que o das seringas, e assim ocorre para não permitir a infusão endovenosa desses
medicamentos.
A Figura 4 apresenta um modelo de dosador oral, e a Figura 5 apresenta a técnica para
uso do dosador oral.

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Figura 4 - Modelo de dosador oral (há disponível com capacidade de volume para 5 mL, 10 mL e 20 mL). Fonte:
Prime Cirúrgica (2020).

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Figura 5 - Técnica para fracionamento de medicamentos líquidos para uso oral, sendo usado dosador oral. Fonte:
Giromed Cirúrgica (2020).

2.7 Controle de Qualidade


Para o controle de qualidade de medicamentos fracionados, exige-se:

• Registro de fracionamento.
• Observação pós-reembalagem.
• Supervisão farmacêutica.
• Considerar as Boas Práticas de Fabricação (GMP).
Todas as operações devem estar registradas, devendo-se confeccionar um Livro de
Registro de Fracionamento, no qual se anotam: descrição completa do produto (nome, dose e
forma farmacêutica); fabricante, número de lote do fabricante e da farmácia; prazo de validade
do fabricante e da farmácia; número de unidades fracionadas; nome do funcionário que realizou
o procedimento; assinatura do farmacêutico responsável. Deve-se guardar uma etiqueta junto
aos dados registrados.

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3. MISTURAS INTRAVENOSAS

O preparo de produtos estéreis é importante para o sistema de controle de medicamentos.


Ao dispensar medicamentos injetáveis, a farmácia tem a responsabilidade de assegurar que todos
os produtos: (i) são preparados com a composição exata; (ii) têm a terapêutica apropriada ao
paciente; (iii) são isentos de contaminantes biológicos, tóxicos ou partículas; (iv) são identificados
e dispensados de forma adequada.
A centralização do preparo de medicamentos intravenosos melhora a qualidade do
produto final, pois observa vários passos de controle, centralizando a responsabilidade pelo
preparo, controle e dispensação de misturas parenterais, padronizando a rotulagem das soluções
preparadas e garantindo uma condição ambiental ideal para a manipulação (STORPIRTIS et al.,
2008).
Tipos de administração intravenosa ou endovenosa:

a) IV direta (bolus) – administrado com uso de uma seringa conectada ao dispositivo


de acesso venoso.
b) infusão intermitente – a solução é administrada por curtos períodos de tempo,

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seguidos de períodos sem infusão.
c) infusão contínua – a solução é administrada de forma ininterrupta ou gradativa; com
isso, evitam-se picos de concentração e promove-se a manutenção do acesso venoso.

4. PREPARO DE NUTRIÇÃO PARENTERAL

A nutrição parenteral (doravante, NP) consiste na administração via endovenosa de


todos os nutrientes necessários à sobrevida.
O Conselho Federal de Farmácia, por meio do Decreto-lei nº 85.878/81 (BRASIL, 1981),
estabelece normas sobre o exercício da profissão de farmacêutico e delimita que o preparo de
nutrição parenteral é exclusivo do farmacêutico. Por sua vez, a Resolução nº 247/93 (BRASIL,
1993) destaca as responsabilidades e atribuições do farmacêutico no preparo de soluções
parenterais.
A organização de um serviço para manipulação de nutrição parenteral e medicamentos
injetáveis está regulamentada pela Portaria MS/ SNVS nº 272/1998 (BRASIL, 1998), que determina
o Regulamento Técnico para a Terapia de Nutrição Parenteral.
O preparo de soluções parenterais para uso no suporte nutricional não oferece riscos
ocupacionais e ambientais, mas, pelo fato de sua via de administração ser a endovenosa, sua
manipulação exige condições específicas e controladas, principalmente, pela necessidade de
esterilidade, apirogenicidade e ausência de partículas.
O suporte nutricional é importante para o paciente debilitado, pois oferece ao organismo
doente condições ótimas ao sucesso da farmacoterapia, das intervenções cirúrgicas e de outros
recursos terapêuticos.
O farmacêutico é o responsável pela avaliação da prescrição, manipulação, controle de
qualidade, conservação e transporte da nutrição parenteral e exige estreito acompanhamento do
paciente.

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4.1 Definição de Nutrição Parenteral


Segundo a portaria 272, trata-se de

[...] solução ou emulsão, composta basicamente de carboidratos, aminoácidos,


lipídios, vitaminas e minerais, estéril e apirogênica, acondicionada em recipiente
de vidro ou plástico, destinada à administração intravenosa em pacientes
desnutridos ou não, em regime hospitalar, ambulatorial ou domiciliar, visando a
síntese ou manutenção dos tecidos, órgãos ou sistemas (BRASIL, 1998).

4.2 Objetivos da Preparação Correta


Minimizar ou eliminar a frequência, a gravidade e o tipo de complicações relacionadas à
administração, além de garantir a eficácia, uso e custo eficiente.

4.3 Equipe Multidisciplinar de Terapia Nutricional


A nutrição parenteral deve ser indicada, prescrita, preparada e acompanhada por
membros da Equipe Multidisciplinar de Terapia Nutricional, composta por médico, farmacêutico,

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enfermagem e nutricionista.

Médico Avalia o paciente e prescreve os tipos e quantidade dos nutrientes requeridos


pelo paciente de acordo com seu estado mórbido.

Farmacêutico Avalia a prescrição médica; manipula as soluções;


realiza controle de qualidade; conserva as soluções até o momento da
administração; responsabiliza-se pelo transporte até chegar ao paciente.

Enfermagem Administra solução preparada no paciente.

Nutricionista Realiza a avaliação das necessidades calóricas do paciente.

Quadro 3 - Competência dos membros da Equipe Multidisciplinar de Terapia Nutricional (EMTN). Fonte: A autora.

Para a execução, supervisão e avaliação permanente em todas as etapas da TNP, é condição


formal e obrigatória a constituição de uma equipe multiprofissional.
Por se tratar de procedimento realizado em pacientes sob cuidados especiais e para
garantir a vigilância constante do seu estado nutricional, a EMTN para NP deve ser constituída
de, pelo menos, 1 (um) profissional de cada categoria, com treinamento específico para tal
atividade, a saber: médico, farmacêutico, enfermeiro e nutricionista.
A EMTN deve possuir um coordenador técnico-administrativo e um coordenador
clínico, ambos integrantes da equipe e escolhidos pelos seus componentes.
O coordenador técnico-administrativo deve, preferencialmente, possuir título de
especialista reconhecido na área de Terapia Nutricional.
O coordenador clínico deve ser médico e preencher, pelo menos, um dos critérios a
seguir relacionados: ser especialista em Terapia Nutricional com título reconhecido ou possuir
Mestrado, Doutorado ou livre docência em área relacionada à Terapia Nutricional.

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4.4 Complicações Decorrentes do Uso de Nutrição Parenteral


- Embolia pulmonar ou distress respiratório, relacionado à presença de precipitados de
fosfato cálcico.
- Erros nos cálculos de concentração e quantidades dos componentes.
- Alterações metabólicas ou eletrolíticas.
- Flebite no acesso venoso devido à osmolaridade da solução.
- Complicações infecciosas relacionadas à quebra de técnica de assepsia durante a
preparação.
- Complicações relacionadas à falta/excesso de componente ou perda de estabilidade
deles no período de conservação.

4.5 Fontes de Contaminação


- Preparo das soluções.
- Inserções repetidas de cateteres centrais.
- Uso de cateteres bilaterais ou de múltiplo lúmen.
- Inabilidade na manutenção de assepsia do sítio de inserção do cateter.

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4.6 Formulações de NP
As formulações de NP podem ser magistrais de alta complexidade devido aos componentes
usados: aminoácidos, carboidratos, lipídios, eletrólitos, vitaminas e oligoelementos.
Os componentes da formulação podem ser:
2:1 - aminoácidos, carboidratos, eletrólitos, vitaminas ou oligoelementos.
3:1 - aminoácidos, carboidratos, lipídios, eletrólitos, vitaminas ou oligoelementos.

4.7 Responsabilidade do Farmacêutico


- Revisão dos requerimentos prescritos (aporte calórico, volume, macro e micronutrientes):
está adequado ao paciente? Observar taxas habituais de aporte e requerimento e/ou
situações especiais.
- Compatibilidade dos componentes.

4.8 Área de Preparo


A área de preparo ou manipulação de NP está descrita na Portaria 272/98 (BRASIL, 1998).
A farmácia destinada à preparação de NP deve ser localizada, projetada e construída de forma a
se adequar às operações desenvolvidas e a assegurar a qualidade das preparações, possuindo, no
mínimo, os seguintes ambientes:

a) Área de manipulação ou de insumos.


b) Sala de higienização dos produtos farmacêuticos e correlatos.
c) Sala de manipulação.
d) Vestiários.
e) Área de armazenamento.
f) Área de dispensação.

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A área física de todas as áreas apresentadas deve atender às seguintes especificações: as


portas e as superfícies de todas as áreas apresentadas devem ser projetadas para permitir completa
limpeza. As superfícies de todo o local devem ser lisas e impermeáveis para evitar acúmulo de
partículas e micro-organismos, apresentando revestimento de material resistente aos agentes
sanitizantes e com cantos arredondados. Exige-se proteção para evitar contaminações por micro-
organismos, insetos ou aves e não pode apresentar tubulações aparentes.

a) Área de manipulação ou de insumos: deve ter dimensões que facilitem, ao máximo,


a limpeza, a manutenção e as operações. Nesse local, é realizada a higienização dos
medicamentos, correlatos e descarte das embalagens dos materiais usados na manipulação.
Essa área deve ser contígua à área de manipulação da NP, com passagem de dupla porta
para a entrada dos materiais usados na manipulação ou para a saída dos produtos
preparados, garantindo condições de segurança e não contaminação.

b) Sala de manipulação: o acesso só é permitido aos manipuladores e deve ser feito


exclusivamente por meio de antecâmara ou vestiário de barreira. Deve ser independente
e exclusivo para esse processo, dotado de pressão positiva e com filtros de ar para retenção
de partículas e micro-organismos, garantindo-se os graus recomendados.
Dessa área, exige-se controle do nível de contaminação ambiental do ar, seguindo

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procedimento escrito e com registros dos resultados.

c) Vestiários ou antecâmaras: devem ser em forma de câmaras fechadas, apresentando,


de preferência, dois ambientes para mudança de roupa. Devem ser ventilados, dotados de
ar filtrado com pressão inferior à da área de manipulação e superior à da área externa. As
portas devem apresentar um sistema de travas e de alerta visual e/ou auditivo para evitar
a abertura simultânea das duas portas. Os lavatórios devem ter provisão de antisséptico,
e as torneiras devem ter comandos para uso sem contato das mãos e com recurso para a
secagem delas.

d) Área de armazenamento: deve assegurar a estocagem ordenada de produtos


farmacêuticos, correlatos e materiais de embalagem.
A conservação da NP pronta para transporte deve atender às condições estabelecidas
no item Conservação e transporte e ter asseguradas as condições exigidas, mediante
verificações e monitoração devidamente registradas.
No caso de soluções fornecidas por terceiros, recomenda-se fazer uma checklist de
controle dos parâmetros avaliados, cujos registros devem ser mantidos em arquivo por
cinco anos.

e) Área de dispensação e controle de qualidade: usada para garantir a correta dispensação


da NP conforme as exigências do sistema adotado. É o local onde se realizam atividades
de inspeção final e acondicionamento da NP para transporte.

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4.9 Equipamentos
Os equipamentos usados no preparo de soluções injetáveis devem garantir a
apirogenicidade e a esterilidade do produto final preparado. Para isso, a tecnovigilância exige que:

- Os equipamentos devem ser localizados, projetados, instalados, adaptados e mantidos de


forma a estarem adequados às operações a serem realizadas. Devem visar à minimização
dos riscos de erro e permitir que os mesmos sejam efetivamente limpos e assim mantidos
para evitar a contaminação cruzada e a presença de partículas em virtude de poeiras ou
sujidade.

- Os equipamentos de lavagem e limpeza devem ser escolhidos e utilizados de forma que


não constituam fontes de contaminação.

- Elabore-se plano de limpeza e controle de funcionamento do fluxo de ar e dos


equipamentos que estiverem em uso. A limpeza deve ser realizada antes e depois do uso.

- Os equipamentos devem ser validados e periodicamente verificados e calibrados


conforme especificações e procedimentos escritos e devidamente registrados. Essa

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verificação deve ser feita por pessoal treinado, empregando-se procedimentos escritos,
com orientação específica e limites de tolerância definidos.

A periodicidade da calibração deve ser estipulada em função da frequência de uso do


equipamento e dos registros das verificações desses equipamentos. As etiquetas com datas
referentes à última e à calibração seguinte devem estar afixadas no equipamento.
A calibração dos equipamentos só deve ser executada por pessoal capacitado, utilizando
padrões rastreáveis à Rede Brasileira de Calibração, com procedimentos reconhecidos
oficialmente, no mínimo, uma vez ao ano.
Exige-se que todos os equipamentos devem ser submetidos à manutenção preventiva (de
acordo com um programa formal) e corretiva quando necessário, obedecendo a procedimentos
operacionais escritos com base nas especificações dos manuais dos fabricantes. O profissional
responsável pelo setor deve manter registros das manutenções preventivas e corretivas realizadas
e deixá-las à disposição dos órgãos oficiais para eventual averiguação.
É recomendável que o sistema de filtração de ar do fluxo laminar não seja desligado
ao término do trabalho, a menos que, após a sua parada, sejam providenciadas a limpeza e a
desinfecção do gabinete, devendo, daí, o equipamento permanecer ligado por um período de, no
mínimo, 1 hora antes do início do trabalho de manipulação.

4.10 Limpeza e Desinfecção


Programas e procedimentos operacionais de limpeza e desinfecção das áreas, instalações,
equipamentos e materiais devem estar disponíveis ao pessoal responsável e operacional.
Os produtos usados na limpeza e desinfecção não devem se contaminar com substâncias
tóxicas, químicas, voláteis e corrosivas às instalações e aos equipamentos de manipulação.

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4.11 Mobiliário
Na área de manipulação, o mobiliário deve conter o mínimo e estritamente necessário,
além de dever ser construído com material liso, impermeável, facilmente lavável, que não libere
partículas e que seja passível de desinfecção.

4.12 Etapas do Preparo


O farmacêutico é o responsável pela preparação da NP. A preparação da NP (que envolve
a avaliação farmacêutica da prescrição, a manipulação, o controle de qualidade, a conservação
e o transporte da NP) exige responsabilidade e supervisão direta do farmacêutico, devendo ser
realizada, obrigatoriamente, na farmácia habilitada para esse fim específico.
A avaliação farmacêutica da prescrição da NP quanto à sua adequação (concentração,
compatibilidade físico-química de seus componentes e dosagem de administração) deve ser
realizada pelo farmacêutico antes do início da manipulação. Qualquer alteração na prescrição
que se fizer necessária em função da avaliação farmacêutica deve ser discutida com o médico da
equipe, que é o responsável por sua alteração formal.
Os produtos farmacêuticos e correlatos adquiridos para o preparo da NP devem ser

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registrados no Ministério da Saúde e acompanhados do Certificado de Análise emitido pelo
fabricante, garantindo a sua pureza físico-química e microbiológica bem como o atendimento às
especificações estabelecidas.
Os produtos farmacêuticos produzidos devem atender às Normas de Boas Práticas de
Fabricação de Soluções Parenterais de Grande Volume e/ou de Produtos Farmacêuticos.
Os produtos farmacêuticos e correlatos para preparação da NP devem ser previamente
tratados para garantir a sua assepsia externa e inspecionados visualmente quanto à presença de
partículas.
A manipulação da NP deve ser realizada em área classificada como de grau A ou B (classe
100), circundada por área de grau B ou C (classe 10.000) de acordo com as Boas Práticas para
Fabricação e Controle de Produtos Farmacêuticos.
A manipulação da NP deve ser realizada com técnica asséptica, seguindo-se procedimentos
escritos e validados.
A formulação padronizada de NP deve ter estudos de estabilidade previamente realizados
para definir seu prazo de validade. A formulação padronizada adicionada de qualquer outro
produto por expressa prescrição médica transforma-se em uma preparação extemporânea.
A NP deve ser acondicionada em recipiente atóxico, apirogênico e compatível físico-
quimicamente com a composição do seu conteúdo. O recipiente deve manter a esterilidade e
apirogenicidade do seu conteúdo durante a conservação, transporte e administração e deve ter
registro no Ministério da Saúde.
A NP deve ser rotulada com identificação clara do nome do paciente, composição e
demais informações legais e específicas, tanto para a segurança de sua utilização como para a
garantia da possibilidade de seu rastreamento.
Após a manipulação, a NP deve ser submetida à inspeção visual para que se verifiquem a
ausência de partículas, precipitações, separação de fases e alterações de cor. Ademais, devem ser
verificadas a clareza e a exatidão das informações do rótulo.
De cada NP preparada, devem ser reservadas amostras para avaliação microbiológica
laboratorial e contraprova. A conservação deve-se dar sob refrigeração de 2º C a 8º C durante 7
dias após o seu prazo de validade.

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EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

4.13 Prescrição
Deve ser diária. Não se deve aceitar transcrição, pois isso aumenta o risco de erros.
Sempre se deve comparar com a prescrição do dia anterior. Recomenda-se impresso próprio
para a prescrição de NP ou que seja informatizada.

4.14 Materiais Necessários


- Equipos de transferência adaptados à bolsa selecionada.
- Bolsa final da NP - usar bolsas de EVA (menor permeabilidade ao oxigênio). - Capa
fotoprotetora para soluções com vitaminas.
- Seringas e agulhas (eletrólitos, vitaminas e oligoelementos).
- Equipo de infusão de acordo com a bolsa.

4.15 Local
Cabine de fluxo laminar classe 100. Deve-se cuidar para que não ocorra contaminação
por corrente de ar ou por movimentos durante a manipulação.

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4.16 Controle de Qualidade
No controle de qualidade, realizam-se os controles visual, gravimétrico, físico-químico e
microbiológico.

- Controle visual: usar luz para visualizar a presença de partículas brancas ou pretas na
solução.
- Controle gravimétrico: avaliar o peso final da bolsa, pois cada elemento tem um peso.
- Controle físico-químico: medir a concentração final de glicose em amostras aleatórias.
- Controle microbiológico: tirar alíquotas de amostra e fazer controle (bactérias e fungos).
50 ml em Agar sangue e fazer controle da capela, da área de preparo e do manipulador.

4.17 Identificação
As etiquetas devem conter:

• Identificação do paciente: nome, atendimento, setor e leito.


• Identificação da composição da nutrição: conteúdo calórico, volume total.
• Conteúdo de cada um dos componentes-base (aminoácidos, glicose, lipídios) – gramas
ou volume final.
• Conteúdo de cada um dos aditivos: eletrólitos (mEq), indicando os cátions (Na) e ânions
(Cl).
• Polivitaminas: volume usado.
• Oligoelementos: volume usado.
• Via de administração.

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• Velocidade de administração.
• Data de administração e validade.
• Condições de conservação até à administração.

4.18 Conservação
Imediatamente após o preparo e durante todo e qualquer transporte, a NP deve ser
mantida sob refrigeração (2ºC a 8ºC), exceto nos casos de administração imediata.

4.19 Informe de Atividades


Refletir a carga de trabalho e as características das nutrições elaboradas. Elaborar
indicadores de produção para apresentar à chefia imediata.

4.20 Administração

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A NP deve ser retirada da geladeira 2 horas antes da administração, e a enfermagem deve
ser orientada para aguardar que a solução atinja a temperatura ambiente antes de administrá-la. A
bolsa deve ser homogeneizada e protegida da luz (principalmente se contiver vitaminas) durante
a administração. O tempo máximo para administração da solução prescrita é de 24 horas.

5. PREPARO DE MEDICAMENTOS ANTINEOPLÁSICOS

Em Oncologia, o farmacêutico é o principal instrumento para a qualidade da


farmacoterapia. Suas atribuições excedem a simples dispensação da prescrição médica ou a
manipulação propriamente dita (ANDRADE, 2009).
Desde a década de 1990, o Conselho Federal de Farmácia, por meio da Resolução
288/96 (BRASIL, 1996), estabeleceu como função privativa do farmacêutico a manipulação de
medicamentos citotóxicos.
Em 1998, a Portaria nº 3535/98, do Ministério da Saúde (BRASIL, 1998), determina que
todo serviço de alta complexidade no tratamento do câncer, cadastrado pelo Sistema Único de
Saúde (SUS), deve contar com farmacêutico para a manipulação de quimioterápicos. Em 2004,
a ANVISA publicou a Resolução 220/04 (BRASIL, 2004), que regulamenta, a nível nacional, o
funcionamento dos serviços de terapia antineoplásica, instituindo a equipe multidisciplinar em
terapia antineoplásica (doravante, EMTA).
Na atualidade, a qualidade da assistência em oncologia se baseia na multidisciplinaridade.
A EMTA deve ser composta pelos seguintes profissionais: médico oncologista, médico
hematologista, cirurgião oncológico, enfermeiro, farmacêutico, nutricionista, psicólogo,
assistente social e fisioterapeuta.

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5.1 Riscos no Preparo de Drogas Citostáticas


As drogas citostáticas possuem potencial carcinogênico, mutagênico e/ou teratogênico.
Podem contaminar o manipulador por contato direto (irritação de pele, olhos e mucosas),
ulceração e necrose de tecidos (drogas vesicantes).
O manuseio correto dessas drogas tem como objetivo prevenir e/ou minimizar os riscos
envolvidos no manuseio das drogas citostáticas. Os riscos de exposição na manipulação podem
ocorrer pela geração de aerossóis, derrames e contaminações.
No preparo, os riscos de exposição podem ocorrer na retirada de solução do frasco-
ampola, na reconstituição do medicamento, na abertura de ampolas e na retirada de ar da seringa
que contém o medicamento.

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Figura 6 - Fontes de contaminação no preparo de drogas citostáticas. Fonte: A autora.

5.2 Equipamentos de Proteção Individual (EPI)


A exposição dos profissionais envolvidos nas diversas fases da terapia antineoplásica pode
ser controlada com a correta utilização dos equipamentos e EPIs disponíveis. Mesmo com o uso
correto de EPIs, o pessoal envolvido na manipulação deve ser submetido a avaliações médicas.
Recomendam-se os seguintes EPIs:

- Vestimenta (macacão ou avental) confeccionada em material impermeável, fechada na


frente, com mangas longas e punhos elásticos.
- Botas plásticas com solado antiderrapante ou propés de plástico.
- Óculos de proteção panorâmica.
- Respirador com filtro classe P3 (alta eficiência).
- Luvas de látex isentas de talco (powder free) – 2 pares sobrepostos.

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5.3 Equipamentos de Proteção Coletiva (EPC)


- Capela de fluxo laminar classe II, tipo B2 (apresenta fluxo unidirecional vertical, 100%
de exaustão externa do ar e 0% de recirculação interna do ar).
- Lava-olhos (pode ser substituído por solução fisiológica a 0,9%), contanto que se
manuseie o acidente como queimadura química (irrigação contínua por, no mínimo, 15
minutos e procurar ajuda médica o mais rápido possível).
- Coletor rígido para resíduos (caracterizado pela NT de 1/09/99).

5.4 Controle de Exposição


Os profissionais devem observar:

• Condições de preparo com uso de técnica adequada, uso de cabine de segurança biológica
e EPIs.
• Toda a cadeia de processos, desde o armazenamento, recebimento, transporte,
manipulação propriamente dita, dispensação, administração, geração e descarte de
resíduos de produtos até medidas em caso de derramamento e extravasamento.

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• Correta utilização das informações inerentes aos medicamentos utilizados e sua
adequação às condições terapêuticas.

5.5 Tratamento de Resíduos Citostáticos


Devem ser descartados como lixo químico, o que deve ser feito por empresa autorizada
e especializada.

5.6 Recomendações Específicas


• A central de preparo de quimioterapia deve ser de acesso restrito ao pessoal responsável
pela manipulação.
• Proibido beber, comer e aplicar cosméticos.

6. PREPARO DE RADIOFÁRMACOS

A radiofarmácia é o ramo da ciência farmacêutica que se ocupa da pesquisa e


desenvolvimento, produção, controle de qualidade, garantia da qualidade e demais aspectos
relacionados aos radiofármacos (CRF/SP, 2019).
Os radiofármacos são compostos que têm em sua composição um radionuclídeo, mas
sem ação farmacológica. São usados em Medicina Nuclear para diagnóstico e terapia de várias
doenças (EUROPEAN PHARMACOPEIA, 2005).

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EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

As características físico-químicas do radiofármaco determinam a sua farmacocinética,


ou seja, a sua fixação no órgão-alvo, metabolização e eliminação do organismo. As características
físicas do radionuclídeo determinam a aplicação do composto em diagnóstico ou terapia
(OLIVEIRA et al., 2006).
As preparações radiofarmacêuticas são empregadas na prática de Medicina Nuclear em
exames de diagnóstico e em terapêutica. Devem, por isso, reunir uma série de características
para assegurar que as doses de radiação que o paciente recebe sejam as mínimas possíveis e que
o resultado obtido seja o esperado (OLIVEIRA et al., 2006).
Com o objetivo de proteger a saúde dos pacientes, dos profissionais envolvidos e da
comunidade, os Serviços de Medicina Nuclear devem atender aos requisitos e parâmetros de
instalação e funcionamento estabelecidos pela RDC ANVISA nº 38/2008.
O Conselho Federal de Farmácia, por meio da Resolução CFF nº 486/2008, dispõe sobre
as atribuições do farmacêutico na área de radiofarmácia. O farmacêutico é responsável pela:

a) aquisição e controle de insumos.


b) preparação e fracionamento de doses.
c) marcação com radioisótopos de gerador ou precursores.
d) marcação de células sanguíneas e controle de qualidade em ambiente hospitalar.

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As áreas de manipulação de materiais radioativos devem ser projetadas levando em
consideração os aspectos relacionados à radioproteção, condições de limpeza e esterilidade. Os
requisitos mínimos para a manipulação de radiofármacos são estabelecidos pela RDC ANVISA
nº 63/2009 (BRASIL, 2009).

Uma das recomendações mais usadas em todo o mundo para reduzir erros e pos-
síveis danos ao paciente na administração de medicamentos é adotar os Cinco
Certos da Administração de Medicamentos:

1. Paciente certo: garantir que o paciente a ser medicado é o correto – verificar a


pulseira de identificação obrigatória a todo paciente internado.
2. Medicamento certo: certificar-se de que a medicação é a certa para aquele
paciente.
3. Via certa: oral, sublingual, tópica etc. Enfim, confirmar o uso correto do medi-
camento.
4. Dose certa: evitar superdosagem ou infradosagem, acertando a dose indicada.
5. Hora certa: aplicar o medicamento nos horários previstos.
Indica-se que conhecer os 5 certos e implantar sistemas e procedimentos para se
atingi-los é mais barato e vantajoso para os hospitais do que administrar os preju-
ízos causados por algum tipo de falha nessas condutas.

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EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

Diante do que foi apresentado, cabe garantir que o preparo de medicamentos é


um procedimento complexo, que exige conhecimentos específicos.

Na atualidade, na maioria dos estabelecimentos de saúde, esse procedimento é


considerado como rotina de enfermagem por ser considerado uma tarefa simples,
sendo atribuído, indistintamente, a auxiliares, técnicos ou enfermeiros.

Tal visão sobrecarrega a enfermagem, pois, além de se prestarem atenção e cui-


dado ao paciente e ao corpo clínico, somam-se às atividades de preparo de me-
dicamentos, o que pode fazer com que nem todos os itens de preparo sejam ob-
servados.

A gestão voltada à segurança do paciente tem percebido que o manejo inade-


quado de medicamentos compromete sua qualidade, com consequências para o
atendimento e para a resolução dos problemas de saúde da população.

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1. O preparo de NP é uma área de atuação exclusiva de
farmacêuticos. Para ampliar sua visão sobre o tema, sugerimos
ler o encarte da revista Pharmacia Brasileira, do Conselho
Federal de Farmácia: Nutrição Parenteral Total – da produção
à administração, disponível no link <http://www.cff.org.br/
sistemas/geral/revista/pdf/122/encarte_farmAcia_hospitalar_
pb72.pdf>

2. Além da sugestão anterior, o encarte Farmacêutico em Oncologia: interfaces


administrativas e clínicas, também do Conselho Federal de Farmácia, discute a
Oncologia no âmbito farmacêutico.

3. Por último, para ter uma noção sobre radiofármacos, sugerimos


acessar o artigo:
OLIVEIRA, R. et al. Preparações radiofarmacêuticas e suas
aplicações. Revista Brasileira de Ciências Farmacêuticas, São
Paulo, v. 42, n. 2, 2006. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.
php?script=sci_arttext&pid=S1516-93322006000200002&lng=e
n&nrm=iso>

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EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

Os temas abordados nesta Unidade III são muito importantes e muito cobrados
em concursos. Por isso, tem-se vasto material sobre os temas. Sugerimos os
elencados a seguir, que vêm com seus respectivos links.

a) Sobre sistema informatizado para fracionamento de


medicamentos sólidos, acesse <https://www.youtube.com/
watch?v=Afz0gtZeGTs>

b) Sobre sistema informatizado para reembalagem de


medicamentos, acesse <https://www.youtube.com/watch?v=gyK_
Q71hY4s&t=45s>

FARMÁCIA HOSPITALAR E GESTÃO | UNIDADE 3


c) Sobre como realizar o fracionamento de medicamento líquido,
acesse <https://www.youtube.com/watch?v=Zoy3uuYi6ms>

d) Sobre a atuação do farmacêutico na Oncologia, acesse <https://


www.youtube.com/watch?v=ihtgGys1n5U>

e) E sobre o preparo de quimioterápicos, acesse a parte 1 em


<https://www.youtube.com/watch?v=QgefrO63sw0> e a parte 2 em
<https://www.youtube.com/watch?v=M34Ql6ubh38>

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EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Na atualidade, a segurança do paciente tem sido debatida no âmbito mundial e tem


recebido várias interpretações, dentre as quais a de que segurança consiste na redução do risco e
danos desnecessários até um mínimo aceitável, associados à assistência em saúde.
Para garantir a qualidade dos medicamentos injetáveis, alguns detalhes devem ser
observados: na reconstituição/diluição de medicamentos, deve-se verificar o prazo de estabilidade
pós-reconstituição/diluição.
O preparo de medicamentos pela enfermagem pode comprometer sua qualidade, pois
tal ato, quando realizado na unidade de enfermagem, pode-se dar sem as condições de atenção,
avaliação das especificidades de cada droga, condições ambientais de esterilidade, entre outros
interferentes. Devido aos horários padrões e à adequação ao número elevado de tarefas que os
enfermeiros desempenham, pode ser que eles preparem o medicamento com muita antecedência
com relação ao horário em que será administrado ou pode ser que preparem os medicamentos
sem observarem os protocolos de diluição. Esses são aspectos que dificultam a prevenção do erro
e a garantia da segurança na terapia medicamentosa. A eficácia terapêutica, dessa forma, fica
comprometida.

FARMÁCIA HOSPITALAR E GESTÃO | UNIDADE 3


Diante dessa realidade, propõe-se que a Farmácia Hospitalar assuma o preparo de
medicamentos para que se forneçam as doses unitárias de acordo com o prescrito para cada
paciente.
Como vantagem, obtém-se o uso racional de medicamentos, promove-se a eficácia da
terapêutica, minimizam-se erros no preparo e padronizam-se procedimentos de preparo.
Salientamos que o preparo oferece vantagens assistenciais na medida em que minimiza
os riscos de efeitos adversos e aumenta a participação do farmacêutico na terapia do paciente,
integrando-o à equipe assistencial. Isso sem levar em conta as vantagens econômicas pela
otimização do uso de recursos materiais e de pessoal e por tornar o sistema de informação de
consumo de medicamentos mais real no aprazamento das contas hospitalares.

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UNIDADE ENSINO A DISTÂNCIA

04
DISCIPLINA:
FARMÁRCIA HOSPITALAR E GESTÃO

AÇÕES PARA O CUIDADO E


SEGURANÇA DO PACIENTE
PROF.A MA. JANETE LANE AMADEI

SUMÁRIO DA UNIDADE

INTRODUÇÃO............................................................................................................................................................. 78
1. ATIVIDADES CLÍNICAS DA FARMÁCIA COM FOCO NO PACIENTE................................................................... 79
1.1 FARMÁCIA CLÍNICA............................................................................................................................................. 79
1.2 ATENÇÃO FARMACÊUTICA................................................................................................................................. 79
1.3 SEGUIMENTO FARMACOTERAPÊUTICO...........................................................................................................80
1.4 FARMACOVIGILÂNCIA........................................................................................................................................80
1.5 ASSISTÊNCIA DOMICILIAR (HOME CARE) .....................................................................................................80
2. CONCILIAÇÃO DE MEDICAMENTOS OU CONCILIAÇÃO FARMACÊUTICA......................................................80
3. USO RACIONAL DE MEDICAMENTOS ................................................................................................................ 81
3.1 USO RACIONAL DE ANTIMICROBIANOS.......................................................................................................... 82
3.1.1 CAUSAS DO USO INADEQUADO DE ANTIMICROBIANOS ............................................................................ 82

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3.1.2 COMO INSTITUIR POLÍTICA DE USO RACIONAL DE ANTIMICROBIANOS?.............................................. 83
3.1.3 TÉCNICAS DE RACIONALIZAÇÃO DO USO DE ANTIMICROBIANOS .......................................................... 83
4. SEGURANÇA DO PACIENTE ................................................................................................................................84
4.1 PAPEL DO FARMACÊUTICO NA PRÁTICA DE SEGURANÇA DO PACIENTE ..................................................84
5. ERROS DE MEDICAÇÃO .......................................................................................................................................85
5.1 TIPOS DE ERROS DE MEDICAÇÃO ...................................................................................................................85
5.1.1 ERROS DE PRESCRIÇÃO .................................................................................................................................85
5.1.2 ERROS DE DISPENSAÇÃO ..............................................................................................................................86
5.1.3 ERROS DE OMISSÃO........................................................................................................................................86
5.1.4 OUTROS ERROS ..............................................................................................................................................86
6. CUIDADO FARMACÊUTICO E SEGURANÇA DO PACIENTE .............................................................................. 87
6.1 O PAPEL DO FARMACÊUTICO NO CUIDADO DO PACIENTE .......................................................................... 87
6.2 ASPECTOS LEGAIS E ECONÔMICOS DO CUIDADO FARMACÊUTICO...........................................................88
7. O FARMACÊUTICO E O CONTROLE DE INFECÇÃO HOSPITALAR (IH).............................................................89
7.1 CONCEITOS BÁSICOS PARA O CONTROLE DE INFECÇÃO..............................................................................90
7.2 CONCEITO DE INFECÇÃO HOSPITALAR .......................................................................................................... 91
7.3 VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA DAS IH............................................................................................................ 91
7.4 CONTROLE DE IH ............................................................................................................................................... 91
8. SISTEMA DE INFORMAÇÃO SOBRE MEDICAMENTOS E TECNOLOGIAS EM SAÚDE - PAPEL DO
FARMACÊUTICO NA INFORMÁTICA DO HOSPITAL .............................................................................................. 92
9. ENSINO, PESQUISA E EDUCAÇÃO PERMANENTE EM SAÚDE........................................................................ 93
CONSIDERAÇÕES FINAIS ........................................................................................................................................ 95

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EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

INTRODUÇÃO

O aumento das atividades clínicas do farmacêutico ocorreu por dois motivos:


primeiramente, o fenômeno da transição demográfica e epidemiológica observado na sociedade
e a polimedicação decorrente dessa longevidade exigem atenção de um profissional especializado;
em segundo lugar, a morbimortalidade relativa às doenças e agravos não transmissíveis e à
farmacoterapia é crescente e apresenta repercussão no volume de atendimentos e nos custos do
sistema de saúde.
Na atualidade, o farmacêutico atua no cuidado direto ao paciente ao promover o uso
racional de medicamentos e das tecnologias em saúde. Essa nova realidade redefine a prática
farmacêutica, partindo das necessidades dos pacientes, família, cuidadores e sociedade.
Essa prática acontece em hospitais, ambulatórios, unidades de atenção primária à saúde,
farmácias comunitárias, instituições de longa permanência, domicílios, dentre outros.
Esse contexto resgatou o farmacêutico como assistente de saúde, pois a atuação clínica
reaproxima-o do paciente e dos processos decisórios da terapia medicamentosa e da equipe
multidisciplinar. 

FARMÁCIA HOSPITALAR E GESTÃO | UNIDADE 4


Nesta Unidade IV, discutiremos as atividades clínicas e as ações desenvolvidas por
farmacêuticos hospitalares no cuidado farmacêutico com foco na segurança do paciente –
atividades clínicas, conciliação medicamentosa, uso racional de medicamentos e antimicrobianos,
segurança do paciente, erros de medicação e cuidado farmacêutico.
Finalizamos com o papel do farmacêutico na informática e na educação continuada.

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1. ATIVIDADES CLÍNICAS DA FARMÁCIA COM FOCO NO PACIENTE

Na atualidade, além das atividades logísticas - seleção, aquisição, armazenamento,


controle de estoque e distribuição, que garantem o acesso aos medicamentos prescritos –,
a Farmácia Hospitalar também desempenha atividades clínicas para possibilitar a prática e o
uso racional de medicamentos. Dentre as atividades clínicas, destacam-se a farmácia clínica, a
atenção farmacêutica, o seguimento farmacoterapêutico e a farmacovigilância (SILVA, 2012).

1.1 Farmácia Clínica


Segundo o Comitê de Farmácia Clínica da Associação Americana de Farmacêuticos
Hospitalares, essa área pode ser definida como

A ciência da saúde cuja responsabilidade é assegurar, mediante aplicação de


conhecimentos e funções, que o uso do medicamento seja seguro e apropriado,
necessitando, portanto, de educação especializada e interpretação de dados,
motivação pelo paciente e interação multiprofissional (CRF/SP, 2019).

FARMÁCIA HOSPITALAR E GESTÃO | UNIDADE 4


Para exercer a farmácia clínica, o farmacêutico precisa conhecer conteúdos específicos,
fazer interpretação de dados, ter motivação pelo paciente e interação multiprofissional.
São requisitos para implantação e sucesso da farmácia clínica no hospital:

- gestão com a visão de que o farmacêutico contribui para o uso racional de medicamentos
e evita riscos e danos ao paciente.
- serviço de farmácia bem estruturado e com processos seguros nas atividades de seleção,
aquisição, armazenamento, controle e distribuição dos medicamentos.
- sistema eficiente de distribuição de medicamentos, que garanta o acesso dos pacientes
ao medicamento no horário, dose, via e intervalos corretos.

1.2 Atenção Farmacêutica


A atenção farmacêutica pode ser desenvolvida em qualquer nível de atenção de saúde.
É definida, pelo Consenso Brasileiro de Atenção Farmacêutica (OPAS, 2002), como um modelo
de prática farmacêutica, desenvolvido no contexto da assistência farmacêutica. Compreende
atitudes, valores éticos, comportamentos, habilidades, compromissos e corresponsabilidades na
prevenção de doenças, promoção e recuperação da saúde de forma integrada à equipe de saúde.
Essa interação deve envolver as concepções dos seus sujeitos, respeitadas as suas
especificidades biopsicossociais, sob a ótica da integralidade das ações de saúde. Ocorre por
interação direta do farmacêutico com o usuário, visando a uma farmacoterapia racional e à
obtenção de resultados definidos e mensuráveis, voltados para a melhoria da qualidade de vida.
São atividades da atenção farmacêutica: a educação em saúde; a promoção do uso racional
de medicamentos; a orientação farmacêutica; a dispensação de medicamentos; a entrevista
farmacêutica; o seguimento e acompanhamento farmacoterapêuticos; o registro das atividades e
a avaliação dos resultados. Atua na adesão a medicamentos e na detecção de eventuais problemas
relacionados aos medicamentos durante o tratamento.

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EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

1.3 Seguimento Farmacoterapêutico


É o suporte das atividades da farmácia clínica e da atenção farmacêutica. Nesse processo,
o farmacêutico é responsável pelas necessidades do paciente relacionadas ao medicamento
por meio da detecção, promoção e resolução de problemas. Deve ser sistemático e contínuo,
realizado com a colaboração do paciente e/ou cuidador, juntamente com os profissionais de
saúde envolvidos no cuidado.

1.4 Farmacovigilância
É a ciência relativa à detecção, avaliação, compreensão e prevenção de efeitos adversos
ou outros problemas relacionados aos medicamentos - queixas técnicas, erros de medicação,
interações medicamentosas, reações adversas a medicamentos e uso off-label.

1.5 Assistência Domiciliar (Home Care)


As atribuições do farmacêutico na assistência domiciliar são regulamentadas pela
Resolução nº 386/2002 do CFF. Nesse serviço, o farmacêutico: (i) presta orientações para o uso,

FARMÁCIA HOSPITALAR E GESTÃO | UNIDADE 4


indicações, interações (medicamentosas e/ou alimentares), efeitos colaterais, medicamentos
via sondas (enterais e nasoenterais), guarda, administração e descarte de medicamentos para a
equipe multidisciplinar e para o paciente e seus familiares; e (ii) gerencia o armazenamento para
garantir que o medicamento e os produtos para a saúde cheguem ao domicílio do paciente de
forma segura e com qualidade (OPAS, 2002).

2. CONCILIAÇÃO DE MEDICAMENTOS OU CONCILIAÇÃO


FARMACÊUTICA

A conciliação de medicamentos tem demonstrado grande impacto na prevenção de


eventos adversos relacionados aos medicamentos.
É um procedimento de revisão da terapia medicamentosa, usado pelo paciente como
meio efetivo de obter o máximo de benefício de seus medicamentos, identificando os problemas
relacionados a eles e reduzindo o desperdício. É um método desenvolvido para racionalizar o uso
de medicamentos e tem como objetivo diminuir a ocorrência de erros de medicação quando o
paciente muda de nível de assistência à saúde (internação em unidade hospitalar; transferência
dentro do hospital para outro setor ou clínica ou para outra unidade; alta hospitalar; atendimento
ambulatorial).
A proposta da conciliação é evitar ou minimizar erros de transcrição, omissão, duplicidade
de terapia e interações medicamentosas.
O processo consiste na obtenção de uma lista completa dos medicamentos que o paciente
está utilizando, incluindo os não prescritos ou provenientes de terapias alternativas, comparando
com aqueles prescritos durante as consultas ambulatoriais, a admissão hospitalar, as transferências
ou na alta hospitalar.

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EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

3. USO RACIONAL DE MEDICAMENTOS


Para a OMS, o uso racional de medicamentos (doravante, URM) ocorre quando pacientes
recebem os medicamentos apropriados para suas condições clínicas, em doses adequadas às
suas necessidades individuais, por um período adequado e pelo menor custo para si e para a
comunidade. É considerado um dos elementos-chave recomendados pela OMS para as políticas
de medicamentos.
A Política Nacional de Medicamentos (PNM) do Brasil (BRASIL, 1998) foi aprovada pela
Portaria do Ministério da Saúde n° 3.916, em 30 de outubro de 1998, com o objetivo de garantir as
necessárias segurança, eficácia e qualidade do medicamento, além da promoção do uso racional e
do acesso da população aos medicamentos considerados essenciais.
A PNM define o uso racional de medicamentos como

[...] o processo que compreende a prescrição apropriada; a disponibilidade


oportuna e a preços acessíveis; a dispensação em condições adequadas; e
o consumo nas doses indicadas, nos intervalos definidos e no período de
tempo indicado de medicamentos eficazes, seguros e de qualidade (ESHER;
COUTINHO, 2017).

FARMÁCIA HOSPITALAR E GESTÃO | UNIDADE 4


Os motivos para o uso não racional de medicamentos são:

- Compulsão pelo uso de medicamentos.


- “Necessidade” de prescrever algo.
- Comodidade e sensação de “dever cumprido” por parte do prescritor (“atende às
necessidades” de pacientes crônicos ou poliqueixosos).
- Expectativas, crenças e fantasias de prescritores, consumidores e dispensadores a
respeito dos medicamentos.
- Desconhecimento dos aspectos farmacológico-clínicos que embasam a prescrição.
- Publicidade da indústria farmacêutica.

Por conseguinte, as consequências do uso não racional de medicamentos são:

- Progressão da patologia.
- Latrogenia.
- Aumento da incidência de efeitos adversos por uso inadequado de doses, vias, intervalos
de administração e/ou tempo de tratamento.
- Aumento do tempo de tratamento.
- Aumento dos custos.
- Não adesão do paciente ao tratamento e, portanto, insucesso terapêutico.

No entanto, há estratégias para o uso racional de medicamentos, quais sejam:

- Estimular o uso de medicamentos essenciais, que são aqueles que servem para atender
às necessidades de assistência à saúde da maioria da população. Devem estar disponíveis
a todo momento, nas quantidades adequadas e nas formas farmacêuticas requeridas.
- Protocolos clínicos e diretrizes terapêuticas.
- Regulamentação da publicidade e propaganda dos medicamentos.

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- Promover o acesso aos medicamentos por meio da disponibilidade (tipo de produto,


quantitativo e tipo de serviço necessário e ofertado), acessibilidade geográfica (localização
de serviço e do usuário), aceitabilidade (expectativa do usuário e características reais
do produto), capacidade aquisitiva (preço x capacidade de pagamento), qualidade de
produtos e serviços.

3.1 Uso Racional de Antimicrobianos


Antimicrobianos são substâncias naturais ou sintéticas que agem sobre micro-organismos,
inibindo o seu crescimento ou causando a sua destruição.
A abordagem para o URM no Brasil iniciou-se pelo Ministério da Saúde, o qual, por
meio da Portaria 930/1992, estabeleceu a obrigatoriedade do Programa de Racionalização de
Antimicrobianos dentro das Comissões de Controle de Infecção Hospitalar.

3.1.1 Causas do uso inadequado de antimicrobianos

- Decisão incorreta de que o paciente possui infecção clínica.


- Falta de assessoramento do laboratório de microbiologia ou interpretação errônea do

FARMÁCIA HOSPITALAR E GESTÃO | UNIDADE 4


antibiograma.
- Falta de conhecimento dos patógenos prevalentes nas diversas síndromes infecciosas.
- Desconhecimento do padrão de sensibilidade atualizado dos patógenos encontrados na
comunidade.
- Ignorância das propriedades farmacocinéticas dos antimicrobianos.
- Autossuficiência dos conhecimentos médicos no diagnóstico e tratamento das doenças
infecciosas.
- Crença de que “se pode fazer algum bem, é improvável que cause danos”.
- Uso de antimicrobianos de amplo espectro ao invés de drogas de menor espectro, com
igual ou maior efetividade.
- Uso por tempo prolongado.
- Tratamento por via intravenosa quando, na verdade, a via oral é igualmente eficaz.
- Uso de combinação de drogas quando a monoterapia apenas seria o suficiente.
- Falha em reavaliar a terapia empírica quando o micro-organismo e o antibiograma são
conhecidos.
- Falha na correção da dose e no intervalo de administração de acordo com as funções
renal e hepática do paciente.
- Falha na escolha inicial da terapia empírica, baseando-se nos germes e no padrão de
sensibilidade conhecidos em determinada unidade hospitalar.
- Instituição de terapia empírica inadequada para patógenos “problema” no ambiente
hospitalar quando eles, na verdade, são altamente improváveis.
- Exemplo de professores ou colegas com prestígio técnico ou testemunho de colegas.
- Extrapolação indevida de estudos específicos para diferentes populações.
- Ação persuasiva da propaganda da indústria farmacêutica.
- Pressão da comunidade para a prescrição de drogas, a qual exige “o melhor tratamento”
e, com isso, indicam-se antimicrobianos de amplo espectro e alto custo.
- Doses inapropriadas (crença de que “maiores dose e tempo é ainda melhor”).
- Uso de múltiplos antimicrobianos.
- Profilaxia inapropriada.
- Dados limitados e conflitantes (a maioria faz mais de 48h).
- Custo e falta de disponibilidade de exames complementares.

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EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

- Insuficiência de formação técnica nos cursos de Medicina.


- Falta de reciclagem dos médicos quanto ao diagnóstico e tratamento de infecções
comunitárias e hospitalares.
- Pressão da indústria farmacêutica.

3.1.2 Como instituir política de uso racional de antimicrobianos?

- Otimizar o uso de ATM na profilaxia cirúrgica e/ou a escolha e duração da terapia


antimicrobiana empírica.
- Desenvolver protocolos para o uso de ATM (guidelines).
- Melhorar a forma de prescrever ATM por meio da educação.
- Restrição do uso de ATM.
- Monitorar e promover feedback das taxas de resistência antimicrobiana.

3.1.3 Técnicas de racionalização do uso de antimicrobianos

Podem ser realizadas com medidas educativas ou restritivas. Cabe salientar que as
medidas restritivas têm maior impacto a curto prazo em relação às medidas educativas.

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Como medidas educativas, citem-se:
- Aulas, conferências, treinamentos em grupo ou individuais, impressos, elaboração de
protocolos.
- Consulta à especialista.

Como medidas restritivas, citem-se:


- Uso de formulário de restrição.
- Delimitar antimicrobianos de uso restrito.
- Exigir justificativa médica para uso por escrito.
- Implantar alertas e suspensão pelo computador.
- Estabelecer um sistema de suporte decisional.
- Realizar rodízio de antimicrobianos.
- De-escalonamento de ATM de acordo com antibiograma.

Princípios básicos do uso adequado de antimicrobianos


- Abordagem clínica do paciente.
- Diagnóstico etiológico.
- Escolha do antimicrobiano.
- Profilaxia antimicrobiana.
- Momento correto para administração do ATB.
- O padrão de suscetibilidade do provável agente infectante deve ser previsível, e o local
da infecção, acessível ao ATB.
- Profilaxia antimicrobiana (usar pelo menor tempo possível).
- Lembrar de situações especiais do paciente: idade, gestação, lactação, insuficiência renal,
insuficiência hepática, alergia anterior.

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4. SEGURANÇA DO PACIENTE

A segurança do paciente é um dos seis atributos da qualidade do cuidado e, com


a finalidade de oferecer uma assistência segura, tem adquirido grande importância para os
pacientes, famílias, gestores e profissionais de saúde. Os incidentes associados ao cuidado de
saúde, dentre eles, os eventos adversos (incidentes com danos ao paciente), representam elevadas
morbidade e mortalidade nos sistemas de saúde.
A OMS, demonstrando preocupação com a situação, criou a World Alliance for Patient
Safety (Aliança Mundial pela Segurança do Paciente) com o objetivo de organizar os conceitos
e as definições sobre segurança do paciente e propor medidas para reduzir os riscos e diminuir
os eventos adversos. A Aliança propõe que a segurança do paciente corresponde à redução, ao
mínimo aceitável, do risco de dano desnecessário associado ao cuidado da saúde.
No Brasil, por meio da Portaria GM/MS nº 529/2013 (BRASIL, 2013), criou-se o
Programa Nacional de Segurança do Paciente (doravante, PNSP) com o objetivo de contribuir
para a qualificação do cuidado em saúde em todos os estabelecimentos de saúde do território
nacional. As ações do PNSP articulam-se com os objetivos da Aliança Mundial.
No mesmo ano, a RDC/ANVISA nº 36/2013 (BRASIL, 2013a) institui ações para a

FARMÁCIA HOSPITALAR E GESTÃO | UNIDADE 4


segurança do paciente em serviços de saúde. A normativa regulamenta a implantação dos Núcleos
de Segurança do Paciente, a obrigatoriedade da notificação dos eventos adversos e a elaboração
do Plano de Segurança do Paciente.
A Portaria GM/MS nº 1.377, de 9 de julho de 2013 (BRASIL, 2013b), e a Portaria nº 2.095,
de 24 de setembro de 2013 (BRASIL, 2013c), aprovam os protocolos básicos de segurança do
paciente.

4.1 Papel do Farmacêutico na Prática de Segurança do Paciente


O uso de medicamentos sempre é lembrado por seus riscos iminentes. Para se garantir
que um medicamento seja administrado com segurança, existem diversas ações que podem ser
executadas pelo farmacêutico e pela equipe de enfermagem.
Ao farmacêutico, cabem a atenção durante a prescrição de medicamentos, checagem
da via de administração, alergias, limite de doses para diversos perfis de pacientes, interações
medicamentosas e demais informações. O profissional pode participar de visitas multidisciplinares,
auditar as prescrições quanto à reconciliação medicamentosa e orientar os pacientes quando da
alta hospitalar.
A não observação desses aspectos pode aumentar o número de erros nos serviços de
saúde, trazendo graves consequências para pacientes, organizações hospitalares e sociedade
(ASHP, 1993).
Os erros de medicação são considerados os maiores motivos de dano a pacientes
internados e podem ocorrer em qualquer um dos estágios envolvidos, desde a prescrição até à
administração do medicamento (LOMBARDI et al., 2016).

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EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

5. ERROS DE MEDICAÇÃO
Erros de medicação acarretam custos humanos, econômicos e sociais, além de acarretarem
potencial de risco aos pacientes. São definidos como qualquer evento evitável que, de fato ou
potencialmente, pode levar ao uso inadequado de medicamento que se encontra sob o controle
de profissionais de saúde, do paciente ou do consumidor.
O erro pode estar relacionado à prática profissional, produtos usados na área de saúde,
procedimentos, problemas de comunicação, incluindo prescrição, rótulos, embalagens, nomes,
preparação, dispensação, distribuição, administração, educação, monitoramento e uso de
medicamentos.
Os fatores que influenciam nos erros de medicação são: características dos pacientes;
despreparo dos profissionais de saúde - deficiência na formação graduada e na educação
continuada dos diferentes profissionais; sistemas de atendimento à saúde sobrecarregados;
polifarmácia; uso de preparações injetáveis; automedicação.
As causas dos erros de medicação podem ser: informação relacionada ao paciente ou
ao medicamento; comunicação relacionada aos medicamentos; rotulagem, embalagem e nome
dos medicamentos; dispensação, armazenamento e padronização dos medicamentos; aquisição,
uso e monitoramento de dispositivos para administração dos medicamentos; fatores ambientais

FARMÁCIA HOSPITALAR E GESTÃO | UNIDADE 4


(iluminação, ventilação); educação e competência dos profissionais e/ou dos pacientes;
gerenciamento de risco e processos de qualidade.
As maneiras pelas quais se podem prevenir os erros de medicação são: estabelecimento
de comunicação escrita, ao invés da verbal; prescrição eletrônica; validação da prescrição médica
pelo farmacêutico; padrões para preparação e administração de medicamentos; estabelecimento
de um sistema de distribuição adequado à prevenção de erros; automação.
Algumas estratégias de prevenção são: desenvolvimento de sistemas de notificação
e análise de erros de medicação, com identificação de causas e elaboração de estratégias de
prevenção; sensibilização dos profissionais quanto à notificação de erros de medicação.

5.1 Tipos de Erros de Medicação


5.1.1 Erros de prescrição

- Escolha incorreta do medicamento (erros de indicação, contraindicação, alergias


conhecidas).
- Prescrição incorreta da dose dos medicamentos.
- Prescrição incorreta da velocidade de infusão do medicamento.
- Prescrição incorreta da forma de apresentação do medicamento.
- Prescrição ilegível, incompleta, omissão da via de administração do medicamento ou
desatualizada.

As maneiras pelas quais se podem prevenir os erros de prescrição são: padronizar


prescrições de medicamentos; evitar uso de abreviações; destacar alergias conhecidas; implantar
sistema eletrônico de prescrição de medicamentos com recursos de apoio à decisão clínica;
disponibilizar local adequado para a prescrição de medicamentos; documentar o cálculo das
doses de medicamentos de alto risco no prontuário do paciente; incluir um farmacêutico clínico
na equipe multidisciplinar, que verifique a adequação da prescrição e a dose do medicamento.
NÃO SE DEVE DISPENSAR mediante prescrições com letra ilegível ou rasuradas. Quando
houver dúvida, procure esclarecê-la com o médico prescritor ou enfermeiro da unidade.

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EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

5.1.2 Erros de dispensação

Ocorre por distribuição incorreta do medicamento prescrito ao paciente.


As maneiras como se podem prevenir os erros de dispensação são: armazenamento
adequado e estruturado; identificação completa e clara de todos os medicamentos utilizados na
instituição; desenvolver e implementar programas de educação centrados nos princípios gerais
da segurança do paciente, que incluam informações sobre o uso de novos medicamentos.

5.1.3 Erros de omissão

Não administração de um medicamento prescrito para o paciente; ausência de registro


de administração/execução de medicação; compatibilidade medicamentos; orientação paciente/
cliente; direito de recusar.
As maneiras de como se prevenirem erros de omissão são: certificar-se de que as
informações estão documentadas corretamente; seguir cuidadosamente os protocolos
institucionais de administração de medicamentos; registrar corretamente a administração do
medicamento conforme as regras da instituição e imediatamente após sua execução.

FARMÁCIA HOSPITALAR E GESTÃO | UNIDADE 4


5.1.4 Outros erros

• Erro de horário: é a administração do medicamento fora do intervalo de tempo


estabelecido pela instituição ou pela prescrição.
• Erro de administração não autorizada de medicamento ou de medicamento não prescrito.
• Paciente errado.
• Medicamento errado.
• Medicamentos prescritos “se necessário” devem ter clara sua indicação (por exemplo: se
dor, se febre, se vômito ou outros).
• Erro de dose: administração de dose maior ou menor do que a prescrita.
• Extra ou duplicação de medicamentos.
• Erros de apresentação: é a administração de um medicamento em apresentação diferente
da prescrita.
• Erro de preparo: medicamento incorretamente formulado ou manipulado antes da
administração (reconstituição ou diluição incorretas; associação de medicamentos
com incompatibilidade físico-química; armazenamento incorreto do medicamento;
identificação incorreta do fármaco; escolha inapropriada dos acessórios de infusão).
• Erro de administração.
• Erro de monitoração: falha em rever um esquema prescrito para a devida adequação ou
detecção de problemas; falha em monitorar dados clínicos e laboratoriais antes, durante
e após a administração de um medicamento para avaliar a resposta do paciente à terapia
prescrita.
• Erro em razão da não aderência do paciente e família: é o comportamento inadequado do
paciente ou cuidador quanto à sua participação na proposta terapêutica.

WWW.UNINGA.BR 86
EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

Além dos erros descritos, cabe discutir as falhas técnicas no uso de medicamentos, pois
elas comprometem a segurança do paciente:

• Assepsia no preparo e na administração.


• Técnica de administração do medicamento.
• Administração por via diferente da prescrita.
• Local errado de administração.
• Velocidade de infusão incorreta.
• Associação de medicamentos incompatíveis.
• Falha nos equipamentos ou problemas nos acessórios da terapia de infusão.
• Medicamentos deteriorados ou com data de validade expirada ou com integridade física
comprometida.
Algumas estratégias de prevenção são: desenvolver sistemas de notificação e análise
de erros de medicação, com identificação de causas e elaboração de estratégias de prevenção;

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sensibilização dos profissionais no que se refere à notificação de erros de medicação.

6. CUIDADO FARMACÊUTICO E SEGURANÇA DO PACIENTE

Do ponto de vista sanitário, o manejo inadequado dos medicamentos pode gerar


resultados danosos tanto para o paciente como para as estruturas de saúde.
Segundo a Associação Farmacêutica Americana, o cuidado farmacêutico é uma prática
profissional centrada no paciente e orientada por resultados. Ele é necessário para promover a
saúde, prevenir doenças, avaliar, monitorar, iniciar e modificar a medicação e, assim, garantir a
segurança e a efetividade na terapêutica farmacológica (BRANDÃO, 2011).
Esse modelo de prática orienta a provisão de uma variedade de serviços farmacêuticos
ao paciente, sua família e comunidade por meio da ação integrada do farmacêutico com
a equipe multiprofissional de saúde. O modelo é centrado no paciente e visa à promoção,
proteção, recuperação da saúde e prevenção de agravos, bem como à resolução de problemas da
farmacoterapia e ao uso racional dos medicamentos.
Os farmacêuticos que assumem o cuidado como seu modelo de prática profissional têm
a responsabilidade de atuar para atender a todas as necessidades de saúde do paciente no seu
âmbito profissional.

6.1 O Papel do Farmacêutico no Cuidado do Paciente


Os aspectos atuais da terapia medicamentosa exigem, cada vez mais, a prática da atenção
farmacêutica. A Política Nacional de Medicamentos define a atenção farmacêutica como o modelo
de prática farmacêutica, desenvolvido no contexto da assistência farmacêutica, compreendendo
atitudes, valores éticos, comportamentos, habilidades, compromissos e corresponsabilidades na
prevenção de doenças, promoção e recuperação da saúde de forma integrada à equipe de saúde.

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Prestar atenção farmacêutica não se limita ao atendimento dos pacientes internados,


externos ou a comunidades locais. É um tema que envolve o relacionamento direto, pessoal,
profissional e responsável com cada paciente, em atendimento individual e único para assegurar
que o uso do medicamento seja eficiente, garantindo-se segurança na terapia e qualidade de vida
(BRASIL, 1998).
Nesse novo contexto profissional, em que o paciente é o foco da terapia, o farmacêutico
assume papel fundamental na equipe interdisciplinar e na comunidade (VIEIRA, 2007).
Ao dar as informações e orientações necessárias para o restabelecimento da saúde,
o farmacêutico deixa de ser um comerciante de medicamentos e se torna um apoio para o
paciente, reassumindo o papel de assistente da saúde perante a sociedade. Espera-se que, com o
tempo, os pacientes exijam essa atenção profissional por perceberem os benefícios de tais ações
(BOVO; WISNIEWSKI; MORSKEI, 2009). Além de uma mudança operacional da profissão, isso
representará alteração importante na forma como deve se dar a formação profissional para o
futuro (ARAÚJO et al., 2008).

6.2 Aspectos Legais e Econômicos do Cuidado Farmacêutico


O sistema de saúde é uma complexa combinação de processos, de tecnologias e de
interações humanas, que pode trazer benefícios, mas que também envolve riscos de ocorrência

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de eventos adversos. Essa ocorrência apresenta múltiplos fatores e está associada aos processos
existentes e à atuação da equipe multidisciplinar (médicos, farmacêuticos, enfermagem e outros).
A dispensação de medicamentos e correlatos pela farmácia hospitalar pressupõe a
existência de uma prescrição médica individualizada e atualizada, com validade de acordo com o
definido pela Comissão de Farmácia e Terapêutica do hospital. Para sua avaliação/validação, deve-
se observar o que a lei preconiza para as prescrições médicas ou receitas em geral, apresentado a
seguir.
As Portarias GM/MS nº 3.916/98 (BRASIL, 1998) e SVS/MS nº 344/98 (BRASIL, 1998a)
definem prescrição como o ato de definir o medicamento a ser consumido pelo paciente,
apresentando dosagem, duração do tratamento e orientação de uso, praticado por profissional
legalmente habilitado.
A prescrição médica constitui-se em um documento legal pelo qual se responsabilizam
o prescritor (médico), quem dispensa o medicamento (farmacêutico) e quem o administra
(enfermagem), estando todos sujeitos às legislações de controle e vigilância sanitária
(THOMPSON, 2009; WHO, 2009).
O Código de Ética Médica, no capítulo II do art. 39, esclarece que as prescrições devem ser
apresentadas de forma clara e legível. A Lei 5.991/73 (BRASIL, 1973) estabelece requisitos para a
sua elaboração, devendo conter: nome genérico do medicamento, posologia, forma farmacêutica,
duração do tratamento, quantidade, identificação do prescritor, assinatura e data.
A Portaria n. 2.693 de 2003, em seu artigo 3º, estabelece que a prescrição de medicamentos
nas unidades do SUS deve ser escrita em caligrafia legível, à tinta, datilografada ou digitada,
observando-se a nomenclatura e o sistema de pesos e medidas oficiais, indicando a posologia
e a duração do tratamento. Deve, ainda, conter o nome completo do paciente, a denominação
genérica dos medicamentos prescritos, data de emissão, nome e assinatura do prescritor e sua
inscrição no conselho de classe correspondente. São vedadas as prescrições ou notificações
ilegíveis ou com rasuras, que podem induzir a erro ou à troca de medicação ou em código. A
prescrição exerce papel fundamental no tratamento medicamentoso por ser instrumento que
contribui ao uso correto de medicamentos (MASTROIANNI, 2009).

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A análise de prescrição pode contribuir para uma avaliação preliminar da qualidade


da terapia na medida em que evidencia falhas que comprometem o tratamento e favorecem o
aparecimento de reações adversas e falhas terapêuticas, prejudicando todo o esforço realizado.
No exercício profissional, ainda se discute se o farmacêutico pode questionar prescrição
médica adequada/inadequada já que se subentende que isso não deve ser realizado.
O Código Civil, em seu Título IX (“Da Responsabilidade Civil”), capítulo I, prescreve:

Da Obrigação de Indenizar
Artigo 927 – Aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e 187) causar dano a outrem,
fica obrigado a repará-lo.
Parágrafo único. Haverá obrigação de reparar o dano, independentemente
de culpa, nos casos especificados em lei, ou quando a atividade normalmente
desenvolvida pelo autor do dano implicar, por sua natureza, risco para os direitos
de outrem (BRASIL, 2002).

Diante disso, o farmacêutico, sob o argumento de que o medicamento foi “fornecido


como prescrito”, não poderá alegar inocência quando de terapia indevida ou ineficiente advinda
de uma prescrição mal feita ou não avaliada. É de sua responsabilidade essa avaliação, pois ele
possui capacitação técnica para tal e, em caso de dúvida, deve questionar e tomar as providências
cabíveis por ser coautor da terapia do paciente.

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Por outro lado, devem-se discutir os custos do cuidado farmacêutico, pois a gestão correta
desses custos é uma preocupação dos gestores.
O Ministério da Saúde e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, por meio da
publicação Assistência Segura: Uma Reflexão Teórica Aplicada à Prática (BRASIL, 2017), adverte
que os erros em serviço de saúde são intoleráveis sob os pontos de vista político e financeiro,
devido, principalmente, às suas consequências e custos, e não pela sua frequência ou gravidade
intrínseca.
Carvalho (2007) esclarece que estudos realizados nos Estados Unidos estimaram que,
quando os farmacêuticos participam ativamente da revisão das prescrições e da orientação a
pacientes, ocorre diminuição dos gastos de saúde na ordem de 3,6 bilhões de dólares ao ano.
Outro estudo apresentado pelo autor demonstra que 60% das intervenções do farmacêutico no
tratamento representaram redução de custos para os serviços de saúde.

7. O FARMACÊUTICO E O CONTROLE DE INFECÇÃO HOSPITALAR (IH)

A infecção hospitalar apresenta-se como um sério problema dentro da assistência


hospitalar, com grande impacto epidemiológico e consequências tanto do ponto de vista humano
quanto econômico. Com isso, todo cuidado prestado ao paciente deve ser avaliado e planejado
para se evitar ou diminuir a transmissão de infecções.
Em 1998, o Ministério da Saúde emitiu a Portaria nº. 2.616 (BRASIL, 1998), que dispõe
sobre a obrigatoriedade do programa de controle das infecções hospitalares.

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7.1 Conceitos Básicos para o Controle de Infecção


- Reservatório: local com potencial número de germes.
- Fonte de infecção. Pessoas: funcionários, visitantes e clientes; fômites ou objetos
inanimados (material e equipamentos médicos); alimentos; animais artrópodes.
- Hospedeiro: é um organismo que abriga outro em seu interior ou o carrega sobre si. A
palavra deriva do Latim hospitator e significa “visita”, “hóspede”.
- Colonização: crescimento e multiplicação de um micro-organismo em superfícies
epiteliais do hospedeiro, sem expressão clínica ou imunológica.
- Infecção: danos decorrentes da invasão, multiplicação e ação de produtos tóxicos de
agentes infecciosos no hospedeiro, ocorrendo interação imunológica.
- Portador: indivíduo que alberga um micro-organismo específico, sem apresentar
quadro clínico atribuído ao agente e que serve como fonte potencial de infecção.
- Virulência: é a capacidade de um bioagente produzir casos graves ou fatais. Relaciona-
se à produção de toxinas e à sua capacidade de multiplicação no organismo parasitado.
- Patogenidade: é a capacidade de o agente infeccioso, uma vez instalado no organismo
do homem ou de outros animais, produzir sintomas em maior ou menor proporção
dentre os hospedeiros infectados.
- Microbiota:

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a) Transitória: compreende micro-organismo adquirido por contato direto com
o meio ambiente e que contamina a pele temporariamente, pois não está aderido
aos receptores cutâneos, não sendo considerado colonizante. Pode ser facilmente
removido com uso de água e sabão ou degermante.
b) Permanente: é composta por micro-organismos que aderem aos receptores
cutâneos, permanecendo na pele por longo período de tempo. São de difícil
remoção mecânica.

- Desinfecção:
a) Baixo nível: são destruídas as bactérias em forma vegetativa, alguns vírus e
alguns fungos. O Mycobacterium tuberculosis, os esporos bacterianos, o vírus da
Hepatite B (HBV) e os vírus lentos sobrevivem.
b) Médio nível ou nível intermediário: além dos micro-organismos destruídos
na desinfecção de baixo nível, são atingidos o Mycobacterium tuberculosis, a
maioria dos vírus (inclusive o HBV) e a maioria dos fungos. Ainda sobrevivem o
Mycobacterium intracelulare, os esporos bacterianos e os vírus lentos.
c) Alto nível: resistem apenas alguns tipos de esporos bacterianos mais resistentes
e os vírus lentos.

- Antissepsia: é o conjunto de medidas propostas para inibir o crescimento de micro-


organismos ou removê-los de um determinado ambiente, podendo ou não os destruir.
Para isso, usam-se antissépticos ou desinfetantes.
- Assepsia: é o conjunto de medidas usadas para impedir a penetração de micro-
organismos em um ambiente isento deles.
- Esterilização: é o processo usado para promover a eliminação completa ou destruição
para um aceitável nível de segurança de todas as formas de micro-organismos presentes:
vírus, bactérias, fungos, protozoários, esporos.
- Degermação: é a diminuição do número de micro-organismos patogênicos ou não,
após a escovação da pele com água e sabão.

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7.2 Conceito de Infecção Hospitalar


Segundo a legislação, infecção hospitalar “[...] É aquela adquirida após a admissão do
paciente e que se manifesta durante a internação ou após a alta, quando puder ser relacionada
com a internação ou procedimentos hospitalares” (BRASIL, 1998).
Para ser considerada como hospitalar, a infecção:

1. Não deve estar presente ou em incubação por ocasião da admissão.


2. Se estiver em incubação ao tempo da admissão, deve estar relacionada à prévia
hospitalização na mesma instituição.
3. Se estiver presente na admissão, deve estar temporalmente associada à prévia
hospitalização ou a um procedimento realizado em instituição de saúde.

Não são consideradas infecções hospitalares:

1. Infecção associada à complicação ou extensão de infecção já presente na internação,


a não ser que exista um novo patógeno ou sintomas que sugiram fortemente a aquisição
de nova infecção.
2. Exceto por poucas situações referidas nas definições a seguir, não há tempo específico,

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durante ou após a hospitalização, que funcione como dado para determinar se uma
infecção é hospitalar ou comunitária.

Assim, cada infecção deve ser considerada por evidências que a correlacionem com a
hospitalização.

7.3 Vigilância Epidemiológica das IH


São fatores que influenciam no desenvolvimento das IH:
Agente etiológico: resistência antimicrobiana, virulência, inóculo.
Fatores ambientais: fontes de infecção – pacientes infectados ou portadores, superlotação
de pacientes em uma determinada área, objetos e superfícies contaminados.
Suscetibilidade do paciente: algumas condições/fatores predispõem os pacientes às
infecções por micro-organismos oportunistas, como extremos de idade, doenças crônicas,
neoplasias, imunossupressão, desnutrição, intervenções diagnósticas e terapêuticas.
Resistência microbiana: uso de antimicrobianos.

7.4 Controle de IH
Esse controle é realizado pela Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (doravante,
CCIH), que é um órgão de assessoria à autoridade máxima da instituição de saúde (no caso, a
direção do hospital) e também de execução das ações de controle das infecções hospitalares.
A equipe que compõe a CCIH pode apresentar membros consultores e membros
executores.
Os membros consultores são responsáveis pelo estabelecimento das diretrizes do
Controle de Infecção Hospitalar. Entre eles, encontram-se representantes dos serviços médicos,
Enfermagem, Farmácia, laboratório de Microbiologia e Administração.

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Os membros executores da CCIH são os membros do Serviço de Controle de Infecção


Hospitalar (SCIH) e são encarregados da execução das ações programadas de controle de infecção
hospitalar.
Nesse contexto, o farmacêutico é o profissional capacitado para avaliar as prescrições,
propor o URM e praticar a atenção farmacêutica, oferecendo informação e orientação sobre a
utilização dos mesmos.
As competências da Farmácia na CCIH (segundo a Portaria nº 2.616/1998) são:

1. Participar na promoção do uso racional de antimicrobianos, germicidas e matérias


médico-hospitalares.
2. Definir, em conjunto com a CFT, políticas de utilização de antimicrobianos, germicidas
e artigos médico-hospitalares.
3. Cooperar com o setor de treinamento e/ou responsabilizar-se pelo treinamento de
funcionários e profissionais no que diz respeito ao controle de IHs.

A Resolução nº 300/97, do CFF, indica que o farmacêutico deve manter-se membro


permanente da CCIH, exercendo as funções de sua competência. Dentre elas, participar ativamente
da seleção dos antimicrobianos e dos agentes antissépticos, desinfetantes e esterilizantes a serem
padronizados no hospital, em conjunto com a Comissão de Farmácia e Terapêutica da instituição.

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8. SISTEMA DE INFORMAÇÃO SOBRE MEDICAMENTOS E
TECNOLOGIAS EM SAÚDE - PAPEL DO FARMACÊUTICO NA
INFORMÁTICA DO HOSPITAL

Por ser conhecedor de todo o processo do uso de medicamentos dentro do hospital, a


participação do farmacêutico no processo de informatização do hospital é fundamental para a
segurança do paciente, devendo participar ativamente na escolha de novas tecnologias.
Dentre as atividades do farmacêutico na informática hospitalar, destacam-se:

- Identificar e selecionar sistemas disponíveis no mercado.


- Desenvolver padrões de vocabulários de terminologias relacionadas à decisão clínica
para melhorar a segurança e o uso de rotinas.
- Trabalhar no desenvolvimento de programas dos sistemas informatizados para entender
os recursos disponíveis e suas limitações.
- Analisar os sistemas de uso de medicamentos para encontrar vulnerabilidades e propor
estratégias de prevenção de erros de medicação.
- Realizar treinamentos em sistemas de informática.
- Visualizar riscos e aspectos negativos do uso de tecnologias no processo de uso de
medicamentos.

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9. ENSINO, PESQUISA E EDUCAÇÃO PERMANENTE EM SAÚDE

Visando à adoção de práticas seguras na assistência e cuidado, os hospitais devem


proporcionar ações de educação permanente para farmacêuticos e auxiliares. Em contrapartida,
a farmácia hospitalar deve promover ações de educação permanente dos profissionais que atuam
no hospital no que concerne às atividades por eles desenvolvidas.

Desde 2005, a World Health Organization’s World Alliance for


Patient Safety tem trabalhado no Project to Develop an International
Classification for Patient Safety (ICPS). O grupo de trabalho conta
com especialistas internacionais de diversas áreas relacionadas
à saúde, informática, legislação e pacientes/consumidores. As
publicações relacionadas ao ICPS podem ser encontradas no
site da WHO: <http://www.who.int/patientsafety/ taxonomy/
publications/en/index.html>

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Os sistemas seguros se baseiam na introdução de diferentes tipos de medidas
direcionadas não só a prevenir os erros, mas também a torná-los visíveis, detec-
tando-os e interceptando-os antes que atinjam os pacientes.

Por mais simples que sejam e por mais rotineiros que possam parecer, eles po-
dem significar a exata diferença entre a vida e a morte, entre a causa de um dano
e sua prevenção.

O CFF publicou um encarte sobre erros de medicação junto com


a Revista Pharmacia Brasileira, de janeiro/fevereiro de 2010
( <http://www.cff.org.br/sistemas/geral/revista/pdf/124/encarte_
farmaciahospitalar.pdf> ). Sugere-se sua leitura. O material está
escrito em linguagem simples e contempla os conceitos básicos
sobre erros de medicamentos.

Outra sugestão é acessar a Cartilha para promoção do uso racional


de medicamentos, elaborada pelo Ministério da Saúde e disponível
em <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/cartilha_
promocao_uso_racional_medicamentos.pdf>

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O vídeo Papel do farmacêutico no contexto de segurança do paciente


(disponível em <https://www.youtube.com/watch?v=vXUV_
zZMxIo> ) complementará os conteúdos discutidos.

Você sabe a importância do papel do farmacêutico clínico no


processo de segurança do paciente dentro de um hospital? O
vídeo Segurança do Paciente: episódio 4 - Farmacêutico Clínico
(do Hospital Albert Einstein e disponível em <https://www.youtube.
com/watch?v=0md7XThxWSs> ) explica como os farmacêuticos
clínicos atuam na prevenção de erros.

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CONSIDERAÇÕES FINAIS

O farmacêutico tem um perfil analítico, ligado aos controles necessários para utilização
de medicamentos e, ao se pensar de forma assistencial, tem um perfil cuidado, focado no paciente
e no medicamento, sem perder o controle necessário do ponto de vista logístico e da legislação.
Os programas de qualidade para hospitais são denominados acreditação hospitalar. A
acreditação hospitalar é uma certificação semelhante ao ISO, mas exclusiva para instituições de
saúde. Isso quer dizer que é um sistema de avaliação voluntário da qualidade e segurança para
serviços de saúde, voltado à melhoria contínua, sem a finalidade de fiscalização. Esses programas
focam o processo medicamentoso racional, em que a atuação do farmacêutico hospitalar é
indispensável.
Na atualidade, os gestores percebem que uma terapêutica racional aumenta a qualidade
da assistência e diminui custos hospitalares.
Na atuação clínica, o farmacêutico participa de várias etapas desse processo (avaliação de
prescrição, seguimento farmacoterapêutico dos protocolos clínicos e interações medicamentosas,
conciliação medicamentosa, cuidado do paciente).
Na realidade, para promover a segurança do paciente, a ideia é sistematizar as práticas

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assistenciais para evitar danos futuros por meio da incorporação de uma cultura de segurança, de
ferramentas de gestão de risco e desenvolvimento e fortalecimento de protocolos de segurança.
A gestão de segurança do paciente só acontecerá no dia a dia dos profissionais de saúde
a partir do momento em que incorporarem e entenderem que as mudanças estão baseadas na
redução das chances de um incidente acontecer.

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REFERÊNCIAS
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medication errors in hospitals. Am J Hosp Pharm, v. 50, n. 2, 1993.

BOVO, F.; WISNIEWSKI, P.; MORSKEI, M. L. M. Atenção Farmacêutica: papel do farmacêutico


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