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Construindo Monografias e TCC’S

Elias Ferreira Porto


Eliethe Xavier de Albuquerque
Everson Mückenberger
Kátia Corina Vieira
Leonardo Tavares Martins
Oswalcir A. de Azevedo
Paulo Gomes Lima

UNASP
2006
UNASP
CENTRO UNIVERSITÁRIO ADVENTISTA DE SÃO PAULO

ADMINISTRAÇÃO DA ENTIDADE MANTENEDORA


Presidente: Domingos José de Souza
Tesoureiro: Élnio Álvares de Freitas
Secretário: Edson Rosa

ADMINISTRAÇÃO GERAL DO UNASP


Reitor: Euler Pereira Bahia
Pró-Reitora: Thalita Regina Garcia da Silva
Pró-Reitor Administrativo: Élnio Álvares de Freitas
Secretário Geral: Paulo César de Azevedo
Pró-Reitor do Campus SP: André Marcos Pasini
Pró-Reitor do Campus EC: José Paulo Martini
Pró-Reitor do Campus HT: Alacy M. Barbosa

PRODUÇÃO EDITORIAL
Comissão de
Pesquisa:
Ausberto Silvério Castro Vera
Célia Barbosa P. dos Santos
Elias Ferreira Porto
Eliethe Xavier de Albuquerque
Everson Mückenberger
Oswalcir A. de Azevedo
Paulo Gomes de Lima
Wanderley Dorneles da Silva

Capa: Geyvison Souto


Projeto Gráfico e Diagramação: Fábio Borba
Revisão: Elias F. Porto, Eliethe X. Albuquerque, Leonardo T. Martins

Edição: Dezembro 2006

001.42 Construindo monografias & TCC´s / Elias Ferreira Porto et al. – São Paulo
C775 UNASP SP, 2006.
vi, 194 p. : il.

Referências e Tabelas.

1. Pesquisa – Metodologia 2. Pesquisa – Projetos 3. Trabalhos científicos


– Normas 4. Trabalhos científicos – Redação 5. Trabalhos científicos –
Técnicas I. Porto, Elias Ferreira. II. Albuquerque, Eliethe Xavier de. III.
Mückenberger, Everson. IV. Vieira, Kátia Corina. V. Martins, Leonardo
Tavares. VI. Azevedo, Oswalcir A. de. VI. Lima, Paulo Gomes. VII. Título.

Dados de Catalogação AACR2 2ª. ed. e Classificação CDD 22ª ed.


Realizado pelo Departamento de Bibliotecas do UNASP Campus SP
Bibliotecária responsável: Eliethe Xavier de Albuquerque
“O processo do conhecimento da investigação epistemológica
deve ser caracterizado pelo desvelamento do objeto, não de
forma fragmentária e/ou fragmentada, como se numa
perspectiva unilateral as respostas ao problema suscitado se
mostrassem suficientemente contempladas; muito pelo
contrário. Esse toma como sustentação maior a totalidade do
objeto, escrutinando os domínios conceituais e metodológicos
que, desvelando a abrangência contextual da problemática
levantada, possibilita tanto a explicação, a descrição, a
compreensão, como também encaminhamentos recorrentes
como críticas ou contribuições alternativas a uma dada
realidade” (LIMA, 1986, p.262).
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APRESENTAÇÃO
A produção de um manual que contemple os elementos metodológicos da
pesquisa científica, embora materializada, nunca é tarefa acabada, visto que a
dimensão metodológica é muito ampla, requerendo, portanto, seleção dos pontos
principais que auxiliem o trabalho do pesquisador.
Dessa forma, foram reunidos em oito capítulos os elementos considerados
imprescindíveis à construção da produção científica, como se segue.
O capítulo I enfatiza os princípios básicos da pesquisa científica a partir de
três aspectos: compromisso, comunicação e rigorosidade científica.
No capítulo II estão descritos os passos necessários à divulgação da
investigação científica através de resumos e resenhas.
O terceiro capítulo trata das questões éticas que envolvem e norteiam a
pesquisa científica.
No capítulo IV são apresentados os principais elementos a compor um projeto
de pesquisa, enquanto que o quinto capítulo descreve os passos fundamentais na
elaboração de uma monografia.
O capítulo VI trata da normalização para uso de citações, conforme a
NBR10520 da ABNT, e no sétimo capítulo estão descritos e exemplificados os
diversos tipos de referências de documentos que dão suporte teórico à pesquisa, de
acordo com a NBR 6023.
No oitavo capítulo estão arrolados os itens básicos e as iniciativas
indispensáveis à elaboração do pôster científico.
O objetivo dos autores desses capítulos e da Comissão de Pesquisa do
UNASP é dar a você o apoio necessário para ingressar nesta fantástica aventura
que é a investigação e a descoberta de novos conhecimentos !
Bom trabalho !
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PRINCÍPIOS BÁSICOS DA PESQUISA CIENTÍFICA

Paulo Gomes de Lima


paulo.gomes@unasp.edu.br

É razoável pensar-se que a ciência pode tornar-se meio de


libertação se for sustentada por uma teoria filosófica que tente
compreender o significado da atividade científica como
empreendimento de um ser pensante criativo, à procura de
compreensão da realidade que o envolve e com a qual está
interagindo (VON ZUBEN, 1995, p. 15).
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1 PESQUISA CIENTÍFICA

A pesquisa científica é uma contribuição que o pesquisador oferece ao


universo do conhecimento. Dessa forma, em sua construção, é preciso ter como fio
condutor, princípios e normas técnicas que estruturem o grau de sua confiabilidade.
Tais princípios envolvem tanto o comprometimento do pesquisador com a qualidade
e fidedignidade da pesquisa quanto a forma de comunicação da mesma.
Assim, antes da construção da pesquisa o pesquisador precisa estar atendo
aos princípios fundamentais considerados neste capítulo.

1.1 Princípio do Compromisso

A importância dos vários tipos de pesquisa científica, desde uma monografia


até uma tese, não se esgota no cumprimento de um requisito acadêmico. A posterior
divulgação das descobertas e das idéias defendidas, seja perante a banca
examinadora ou por meio da publicação de um livro, atribui à pesquisa um papel
elevado. Os conceitos divulgados podem orientar novas pesquisas, provocar
mudanças na sociedade e mesmo contribuir para o desenvolvimento do país.
Reconhecendo-se tal importância, o princípio do compromisso deve conduzir o
pesquisador, desde a escolha do tema, a seleção e a leitura das fontes
documentais, a sistematização da vida de estudos, até a redação e divulgação dos
resultados da investigação.

1.1.1 Sobre a Definição da Área de Estudo e a Escolha do Tema

A seleção do tema de estudo depende da preferência, da disponibilidade e


das inclinações do pesquisador. O tema pode ser encontrado dentro do conjunto de
interesses e dos conhecimentos imediatos acumulados pelo pesquisador.
Na escolha do tema, primeiro deve-se identificar o campo de estudo, a área
do conhecimento e o tema propriamente dito. A partir desses elementos é que será
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feita a proposta do problema a ser pesquisado, bem como a abordagem a ser


desenvolvida.
Exemplos:

Campo de estudo: Psicologia


Área do conhecimento: O inconsciente individual
Tema: O inconsciente e o processo de tomada de decisões
Problema: Em que consiste a influência do inconsciente na tomada de decisões?

Campo de estudo: Administração


Área do conhecimento: Recursos Humanos
Tema: Critérios éticos e contratação de pessoal
Problema: Por que critérios éticos estão sendo utilizados atualmente na seleção de
pessoal no mundo corporativo?

O tema deve ser escolhido partindo-se sempre do geral para o específico.


Quanto mais objetiva e delimitadamente o pesquisador define seu tema, mais
facilidade vai ter, no decorrer da pesquisa, para organizar e expandir a abordagem
sem perder o foco proposto.
Assuntos sobre os quais pouco se tem escrito ou que ainda se mostram
duvidosos podem se constituir em terreno movediço para o pesquisador médio ou
principiante. Uma escolha mais acertada do tema pode resultar de consulta prévia a
diversos autores, numa área específica. Nessa consulta, o estudante pode identificar
brechas, que ele eventualmente venha a preencher.
Salomon (1991) enumera algumas fontes de inspiração e de sugestão para a
escolha de temas de pesquisa, entre elas a observação, reflexão, senso comum,
experiência pessoal, seminários e controvérsias. A observação direta e minuciosa
dos fatos e dos comportamentos sociais conduz a problemas potenciais, cuja
pesquisa certamente apresentará resultados práticos. Por sua vez, a reflexão
permite ao pensamento perscrutar o mundo sensível e a realidade interior, de onde
podem emergir temas originais. Salomon destaca ainda que, importantes pesquisas
podem ainda ser oriundas da experiência pessoal, uma vez que cada pessoa tem
comportamentos e maneiras próprias de reagir às situações concretas da vida.
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Definido o tema de estudo, passa-se em seguida à elaboração de uma


estrutura provisória a ser seguida durante a pesquisa. Essa estruturação provisória,
bem como a definitiva, deve levar em conta a questão da interdisciplinaridade.
O mundo globalizado requer do pesquisador a habilidade de interligar
diferentes áreas de estudo, em torno da área principal escolhida. Morin (2000, p. 14),
afirma que os desenvolvimentos próprios de nossa era planetária nos confrontam,
inevitavelmente e com mais e mais freqüência, com “os desafios da complexidade”.
Segundo ele os diferentes componentes da sociedade (fator econômico, político,
sociológico, psicológico, afetivo, mitológico) são inseparáveis e “existe um tecido
interdependente, interativo e inter-retroativo entre as partes e o todo, o todo e as
partes”. Para Morin, a política da especialização, que leva o pesquisador a se fixar
numa área cada vez mais restrita, não se mantém no mundo globalizado.
Considerando essa realidade, disciplinas como psicologia, filosofia, história,
antropologia ou religião devem ser incluídas numa pesquisa voltada para a área de
administração, economia, gastronomia, saúde, comunicação ou pedagogia, dentre
outras. A pesquisa interdisciplinar parte do pressuposto de que o ser humano é um
todo interligado, bem como a sociedade e as ciências.

1.1.2 Sobre a Seleção de Fontes Técnico-Científicas Necessárias

A revolução industrial possibilitou tornar a cultura uma mercadoria a ser


produzida, vendida e consumida. Assim, o mercado editorial, em todo o mundo,
oferece uma multiplicidade de obras, cabendo ao leitor inteligente exercer senso
crítico e seletivo a fim de que seu programa de pesquisa tenha rendimento e
eficácia.
Há inúmeras leituras sem proveito, tanto para um leitor comum quanto para o
pesquisador. É preciso, portanto, realizar uma criteriosa seleção das obras. Pode-se
começar essa seleção levando-se em conta:
• a qualificação do autor e o tipo de abordagem que faz de seu tema;
• o sumário da obra; nele o pesquisador deve analisar se os itens
relacionados são claros e se podem contribuir significativamente para o
andamento coerente da pesquisa eleita;
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• nenhuma obra deve ser selecionada sem que se leve em conta ainda a
bibliografia citada. É certo que bons livros já foram publicados sem fontes
de consulta, mas a regra geral é que o valor de um trabalho está
relacionado diretamente com as fontes utilizadas;
• a apresentação da obra ou do autor, constante das orelhas, da quarta capa,
da introdução ou do prefácio pode se constituir em elemento importante no
processo de seleção de fontes;
• outros quesitos de seleção podem ser ainda o padrão e o reconhecimento
de que goza a editora que publica o material, o número de edições já
lançadas e a data de produção da obra. As edições mais recentes ou
revisadas devem ser preferidas às mais antigas;
• o pesquisador deve ampliar suas fontes, para além dos limites do livro.
Dicionários e enciclopédias são consultas básicas para qualquer pesquisa.
Há dicionários das mais variadas áreas ou ciências, como psicologia,
teologia, filosofia, sociologia, música, história, etc., sendo indispensável a
menção aos mesmos segundo a área pesquisada; além dessas fontes, o
pesquisador deve utilizar revistas e jornais, que oferecem uma abordagem
de temas variados muito próxima do cotidiano. Seminários, palestras, aulas
e debates podem também se constituir numa fonte fecunda de idéias;
• é preciso ainda que o pesquisador esteja atento à realidade que se
desdobra ante seus olhos no dia-a-dia. Muitas conclusões ou descobertas
históricas aconteceram em momentos inesperados, sendo captadas por
observadores atentos.
A pesquisa científica requer também uma observação ou análise mais detida
da realidade, na pesquisa de campo ou num laboratório. O campo da análise pode
ser uma sala de aula, uma empresa, uma cidade, uma região geográfica ou uma
faixa etária, dentre outros. Pode também ser uma seleção de documentos, atas,
relatórios, boletins, fotografias, reportagens ou entrevistas. O campo escolhido deve
ser analisado segundo parâmetros estabelecidos na introdução da pesquisa.
Há pesquisa bibliográfica e pesquisa documental, estando esta última focada
primordialmente na análise do campo definido para estudo, não dispensando,
porém, o embasamento teórico ou bibliográfico.
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1.1.3 Sobre o Ato de Ler

Estudantes de todas as áreas de conhecimento apresentam uma evidente


dificuldade de expressar-se com clareza e objetividade através da escrita. Essa
limitação, capaz até de impedir a produção de um trabalho científico, está
diretamente relacionada com a dificuldade de leitura, como fartamente indicada pela
maioria dos professores de todos os níveis de ensino. Ler fontes cuidadosamente
selecionadas e compreensivelmente, portanto, é decisivo para a produção de um
trabalho científico. Uma leitura contínua e consciente aperfeiçoa o estilo literário,
amplia os conhecimentos, melhora o vocabulário e ajuda a sistematizar as idéias na
hora de redigir.
A leitura, porém, que aperfeiçoa e enriquece, não é aquela voltada para o
entretenimento do leitor. É leitura pausada, acompanhada de anotações, pesquisa a
dicionários, resumos e tomada de posição. O pesquisador que deseja entrar no
mundo do conhecimento e dar sua contribuição deve primeiro ser atento e
observador. Medeiros (1991) pontua que a leitura exige análise, síntese, reflexão,
aplicação do conteúdo, além de concentração, constância, rejeição à passividade e
também ao excessivo espírito crítico, preguiça, deslealdade ou distorção das idéias
lidas.
A leitura constante e seguida dessas práticas pode provocar o
desencadeamento de muitas idéias proveitosas para a pesquisa que se pretenda
desenvolver. É durante a reflexão, análise e síntese dos conteúdos lidos que a
mente estabelece ligações entre as novas idéias e aquelas já armazenadas seja por
meio da visão, audição, do tato ou por leituras anteriores. Essas ligações, ou
sinapses, são indispensáveis à criatividade e ao ordenamento das idéias.
Uma leitura proveitosa jamais dispensará o ato de sublinhar. Os textos
sublinhados podem ser consultados mais rapidamente, facilitam a tomada de notas e
o resumo das idéias do autor. Só se deve sublinhar, porém, um texto após
compreendê-lo bem, a fim de que sejam destacadas as palavras ou frases-chave da
leitura. Tópicos muito importantes podem ser sublinhados com duas linhas. Trechos
obscuros podem ser indicados com um ponto de interrogação à margem. Setas ou
traços verticais à margem também servem para destacar pontos mais relevantes do
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texto. O uso de uma só das margens para todos os sinais torna a anotação mais
organizada.
É preciso considerar ainda que, no processo de execução de uma pesquisa
científica, alguns tipos de leitura se fazem necessários, segundo a finalidade com
que se lê. Os tipos de leitura podem ser classificados em quatro categorias principais
conforme Medeiros (1991):
• leitura de reconhecimento: é muito útil quando se quer ter uma visão geral
da obra, identificar a linha de argumentação do autor e suas tendências;
• leitura scanning: é também rápida e superficial, sendo útil para se
encontrar uma citação desejada ou certo tópico da obra de pesquisa e
crítica;
• leitura de pesquisa: a leitura de pesquisa requer mais tempo, e inclui o ato
de ler, reler, anotar e resumir, e resulta em armazenamento de
informações;
• leitura crítica: requer concentração, reflexão, avaliação e comparação,
proporcionando seleção e domínio dos conteúdos.

Um fator indispensável para a leitura produtiva é a concentração. Sem ela não


é possível dominar, entender e criticar idéias. Como nossa cultura é permeada de
ruídos e de exposição de imagens que concorrem a nossa atenção, é preciso criar
condições que favoreçam a concentração. Isso inclui, entre outras coisas, espaço
tranqüilo, arejado, iluminado e, principalmente, com ausência de ruídos.
No momento de redigir o texto da pesquisa é conveniente ter à mão os livros
e textos consultados, além das anotações colhidas. Mas, durante o processo de
leitura, o trabalho pode ser mais produtivo quando se lê um documento após o outro.
Cada autor deve ser lido, analisado e criticado separada e atentamente num primeiro
momento, para que, num segundo momento, ao se estabelecer relação entre
autores com diferentes linhas de pensamento, perceba-se as convergências,
divergências e contribuições originais sobre o problema em foco. Sendo possível ao
pesquisador, seu trabalho ainda se torna mais produtivo se conseguir selecionar
autores de diferentes tendências e lê-los um de cada vez, por grupos afins,
buscando a sistematização interdisciplinar de forma lógica e organizada.
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1.1.4 Sobre o Ato Intencional de Sistematizar a Vida de Estudos

No processo de produção de uma pesquisa científica, o contato com o tema


escolhido não deve se limitar à discussão mental durante a leitura. É preciso abrir
espaço para discussão do assunto em sala de aula, com amigos e mesmo em casa,
com a família. A leitura é só o início do processo de construção das idéias.
A expansão da prática de estudo e a discussão de idéias é algo mais
particular dos cursos superiores e de programas de pós-graduação. O aluno recém-
saído do curso médio deve se conscientizar de que a vida de estudos num curso
superior e a produção de uma pesquisa científica requerem seu envolvimento além
dos limites da escola e da sala de aula. Inclui também a formação de uma biblioteca
particular segundo a área da graduação escolhida e atuação profissional, o
desenvolvimento de hábitos de pesquisa e a freqüência a ambientes e eventos
acadêmicos.
Além disso, para que um programa de estudos e pesquisa se torne efetivo é
indispensável também que se defina claramente o objetivo a ser alcançado. O
pesquisador precisa delimitar seu tema e estabelecer, de início, sua meta. Feito isso,
também é necessário estabelecer um cronograma de atividades, com prazos
previamente estabelecidos. A pesquisa científica tem períodos de concepção,
amadurecimento, desenvolvimento e ponto de chegada (resultados), mesmo que
não acabado. Um cronograma com limites elásticos ou freqüentemente
flexibilizados, fatalmente compromete a conclusão da pesquisa, não sendo poucos
os que já viram seus créditos serem invalidados pelo retardamento de sua
conclusão.
O método de execução de um trabalho científico deve também ser
programado. Alguns afirmam que a redação só deveria ser iniciada após feita toda a
pesquisa. Outros entendem ser produtivo redigir durante todo o processo. Cabe ao
pesquisador identificar a prática mais adequada a seu caso ou acordar com o seu
orientador a sistematização que mais se adequa ao seu perfil. Deve-se notar,
entretanto, que durante a leitura e investigação das fontes, surgem idéias que não
podem ficar sem registro imediato. Por outro lado, durante a redação podem ficar
evidentes certas brechas na pesquisa, o que requer seleção de novas fontes e mais
consultas.
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Há pessoas que se sentem confusas quando começam a redigir o trabalho,


tendo que organizar simultaneamente um conteúdo imenso e variado. Nesse caso, o
trabalho pode ser facilitado ao se redigir trechos na medida em que o conteúdo de
cada capítulo ou seção esteja mais ou menos definido. De qualquer forma, antes de
se começar a redigir e dar forma às informações obtidas na pesquisa é
indispensável demorada e atenta reflexão.
Realizada a pesquisa, o passo seguinte é a redação e divulgação do material,
que certamente será mais eficaz seguindo-se alguns critérios ou princípios.

1.2 Princípio da Comunicação

O trabalho do pesquisador não termina com a conclusão da pesquisa ou com


a comunicação oral desta, mas com a redação e publicação de suas idéias e
descobertas. Só então seu esforço poderá se constituir numa contribuição
permanente à comunidade acadêmica e à sociedade. Sendo assim, a redação do
material deve obedecer a princípios básicos da comunicação, como objetividade,
clareza e coerência, entre outros.
Esses princípios estarão presentes no ato de escrever, na capacidade de
comunicar a descoberta de forma clara e eficiente. Um texto objetivo e coerente, não
um mero relatório ou um amontoado de termos técnicos e idéias acadêmicas; uma
contribuição literária capaz de transmitir eficazmente as idéias do emissor
(pesquisador) ao receptor (leitor).
Algumas pessoas consideram que o leitor é que deve empreender esforço a
fim de conseguir acesso e compreensão ao conteúdo de uma pesquisa acadêmica,
o que é grave equívoco. O pesquisador deve ser a pessoa mais interessada na
divulgação da sua produção. Assim sendo, deverá investir tempo e esforço na
construção de um texto lúcido, acessível ao seu público alvo. O emissor da
mensagem (pesquisador) deve comunicar suas idéias de maneira que esta possa
alcançar o receptor na condição em que se encontra. Isto significa que o leitor
depende do autor para bem entender e absorver as informações transmitidas.
Feitosa (1995) estabelece cinco motivos principais para que o pesquisador se
empenhe na comunicação eficaz de suas descobertas:
• a comunicação da ciência é indispensável ao desenvolvimento de um país;
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• a sociedade democrática exige a ampla divulgação dos feitos e inovações que


afetam o seu dia-a-dia;
• cientistas e pesquisadores ocupam obrigatoriamente o lugar de emissores no
processo de comunicação da ciência;
• o primeiro passo a ser dado para se chegar à comunicação bem-sucedida é a
caracterização do receptor;
• a eficácia da comunicação depende primordialmente da empatia que o
emissor consegue estabelecer com o seu receptor.

Dentre os vários princípios da comunicação eficaz destacamos três, a


objetividade, a clareza e a coerência, como tripé que sustenta a pesquisa científica.

1.2.1 Objetividade

Quanto mais direta e claramente a mensagem for transmitida mais chance


terá de alcançar o seu objetivo.
A objetividade de um texto resulta da resposta às questões básicas com que
se procura conhecer determinado fato ou fenômeno. Karam apud Pereira Junior
(2000) enfatiza que na Antigüidade, o historiador Marco Túlio Cícero, já havia
identificado essa questão como um dos elementos-chave para qualquer tipo de
texto. Cícero considerava que para um texto literário ser considerado apropriado,
deveria responder a algumas indagações que iriam ou não atestar a sua validade.
As perguntas eram e ainda são: Quem? (persona), O quê? (factum), Onde? (lócus),
Como? (modus), Quando? (tempus) e Por quê? (causa).
Dito de outra forma, Feitosa (1995, p.18, 35) propõe que as questões básicas
da narrativa científica são necessariamente: Qual a novidade?, Por quê?, Como? e
E agora?. Para a autora, a novidade pode ser um método, uma peça, equipamento,
conceito ou idéia, recomendação ou sugestão. Algo que foi criado, construído,
testado, provado, finalizado, supervisionado, pela pesquisa realizada.
Portanto, a primeira informação a ser dada num texto científico é a novidade,
a descoberta que se alcançou. Quando essa descoberta está clara na mente do
pesquisador é hora de começar a narrativa.
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O Por quê?, por sua vez, tem que ver com a coerência e a lógica da idéia ou
descoberta apresentada. Ao responder à questão Por quê?, o pesquisador leva o
receptor a compreender a razão e a lógica de sua descoberta. Procurando
responder à questão Como?, o autor mostra os meios que utilizou ou como
procedeu a fim de chegar àquela descoberta, oferecendo fundamentos e provas ao
leitor.
Em seguida, cabe finalmente dar as implicações ou desdobramentos da
descoberta ou idéia. Isso se faz respondendo à pergunta E agora?.
Seguindo-se esse roteiro é possível dar objetividade e concisão à narrativa
científica.
A objetividade se evidencia também com a utilização de dados e informações
concretas em lugar do uso de adjetivos ou linguagem apaixonada. Por exemplo: Em
vez de se dizer que determinado modelo de computador é muito mais veloz, deve-se
informar que ele processa as informações 30 ou 40 vezes mais rapidamente que os
modelos x e y. A frase “a televisão prejudica grandemente a formação moral das
crianças” se tornaria mais objetiva se fosse escrita assim: “a televisão brasileira
mostrou, no período de janeiro a junho de 2002, uma média diária de 40 cenas de
crime, 25 de sexo e nenhuma cena de diálogo educativo entre pais e filhos”. A
maioria dos adjetivos pode dar lugar a um dado objetivo, que acrescenta qualidade
informativa ao texto.
O envolvimento sentimental do pesquisador também pode comprometer a
objetividade do texto. Isso ocorre especialmente em pesquisas nas áreas
humanísticas, quando se trata temas políticos e sociais. O pesquisador objetivo e
comprometido com a verdade não permitirá que seus sentimentos interfiram na
formulação de julgamentos.

1.2.2 Clareza

A clareza do texto resulta do domínio das idéias por parte do autor e do uso
adequado da língua.
O texto é tão claro na apresentação do objeto de pesquisa tanto quanto forem
claras as idéias na mente do autor. A fim de expressar-se com clareza, o autor
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precisa assimilar o assunto de modo a distinguir com precisão todas as partes e a


relação entre elas.
Embora o texto de uma pesquisa seja científico, a fraseologia deve ser
simples. O vocabulário precisa ser utilizado segundo a caracterização do público
alvo. As frases devem ser curtas, pois quanto mais longas, mais dificultam o
raciocínio do leitor. A simplicidade também se alcança com o uso predominante da
ordem direta (sujeito - verbo - predicado). Quando o autor não consegue identificar
claramente o sujeito, verbo e predicado, deve reescrever a frase.
Cada parágrafo deve iniciar-se com a voz ativa e com frases fortes. As frases
indiretas e os gerúndios devem ser evitados, especialmente no início dos parágrafos.
Exemplo: “Considerando que a comunidade é um fator determinante dos hábitos da
personalidade e que o indivíduo não é uma célula isolada, conclui-se que o ser
humano é interdependente”. Essa construção seria mais clara assim: “Conclui-se
que o ser humano é interdependente, considerando que a comunidade é um fator
determinante dos hábitos da personalidade e o indivíduo não é uma célula isolada”.
A clareza de um texto pode ser testada com a formulação de uma frase-
chave, um tipo de sentença geral, para cada capítulo ou seção da pesquisa. Após
redigir o texto, o autor procura resumir o conteúdo numa única frase. Se isso não for
possível, provavelmente as idéias não estejam apresentadas com clareza. Verificada
a ausência de clareza, o texto deve ser reescrito ou revisado até que a sentença
geral se evidencie com naturalidade.
Após a redação de todo o material, o autor deve ainda proceder a algumas
revisões. Uma revisão inicial pode ser feita com o objetivo de se adequar a estrutura
e o desenvolvimento lógico das idéias. Numa segunda etapa, com uma revisão
voltada para detalhes, podem-se eliminar erros gramaticais, ortográficos e de
digitação, incluindo espaços a mais entre as palavras. Por fim, numa terceira
revisão, deve-se excluir toda informação repetitiva, que comprometa a concisão do
texto.
De modo geral, os textos acadêmicos e científicos são redigidos em
linguagem formal ou impessoal, evitando-se os pronomes você, eu e nós. Mais
recentemente essa formalidade tem perdido espaço, uma vez que demanda o uso
de variantes lingüísticas e de estruturas cansativas notadamente a voz passiva, que
torna o texto cansativo e menos claro. Isso tem facilitado certo uso da narrativa
informal ou pessoal, com inclusão dos pronomes acima citados. No entanto, esse
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uso deve guardar certa moderação a fim de que não comprometa a natureza
científica do texto.

1.2.3 Coerência

A coerência deve se manifestar ao longo de todo o trabalho científico. Uma


correlação ininterrupta deve patentear-se entre a introdução, o desenvolvimento e a
conclusão.
Ferreira (1986, p. 426) define coerência como “ligação ou harmonia entre
situações, acontecimentos ou idéias” e ainda como “conexão, nexo e lógica”. Essa
conexão ou harmonia deve ser vista entre as diferentes idéias ou os diversos
capítulos da pesquisa. Toda nova posição assumida pelo autor deve ser colocada
em paralelo com as posturas anteriores.
A seqüência lógica e crescente entre os capítulos e as seções também atribui
coerência ao texto. Essa seqüência se alcança com a elaboração de uma estrutura
adequada, na introdução da pesquisa. Durante a pesquisa, caso a estrutura
proposta inicialmente não comporte a coerência e a lógica necessárias, deverá ser
alterada.
Faz parte também da coerência do pesquisador evitar citações de citações.
Uma citação de terceiros extraída de determinada obra pode estar fora do contexto.
Pode conter erros de tradução ou de compilação. A fim de não incorrer nesses
equívocos, que certamente depõem contra a coerência, o pesquisador deve buscar
as fontes primárias ao citar o autor da frase ou pensamento em questão.
As referências de uma pesquisa científica devem ser revisadas quantas vezes
forem necessárias até que se consiga uma leitura sem que se identifique um único
erro. A revisão das referências deve levar em conta a grafia do nome do autor, a
precisão do título da obra, a edição, local de publicação, editora e data, e
especialmente o número da página.
Da mesma forma os outros documentos consultados devem ser revisados,
não se permitindo a exclusão de um só título utilizado.
Os princípios aqui expostos não esgotam os critérios da pesquisa científica,
mas certamente colocam o pesquisador numa margem de segurança, ao executar,
redigir e divulgar seu trabalho.
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1.3 Princípio da Rigorosidade Científica

A pesquisa científica é desenvolvida através de procedimentos intencionais e


sistemáticos buscando respostas para as situações-problema que são evidenciadas
pelo pesquisador. O ato intencional de estudo desse problema deve,
necessariamente, obedecer aos critérios do conhecimento científico, que conferem
maior fidedignidade e aproximação da solução das questões levantadas. A esta
conceituação denominamos de rigorosidade científica, pois requer metodologia
própria e uma leitura crítica dos referenciais teóricos e do objeto empírico
propriamente dito.

1.3.1 A Pesquisa Científica Requer Uma Metodologia Própria

Quando se trata da pesquisa científica há que se considerar uma metodologia


que lhe seja particular na condução do estudo do problema. Tal metodologia se
totaliza desde a escolha do tema a ser trabalhado, passando pela elaboração do
problema de pesquisa, levantamento de hipóteses até a comunicação dos
resultados. Portanto, a construção científica não é algo aleatório. Vai exigir do
pesquisador domínio de conceitos prévios como pré-requisitos para sua
operacionalização, que poderão ser adquiridos através de uma leitura crítica dos
referenciais teóricos e do contexto.

1.3.2 A Pesquisa Científica Requer Uma Leitura Crítica dos


Referenciais Teóricos e do Contexto do Objeto

Após a leitura dos textos, o pesquisador iniciante deve se preocupar em


analisá-los, não de forma passiva, reproduzindo literalmente ou concordando com
todas as afirmações e negações dos autores, ou mesmo discordando sem nenhuma
fundamentação teórica. O pesquisador deve utilizar a leitura crítica na pesquisa dos
diferentes referenciais teóricos, a qual lhe fornecerá elementos mais adequados para
a realização de uma leitura de mundo.
A leitura crítica é entendida como uma co-construção das idéias e conceitos
que estão sendo analisados, pois a contribuição direta do leitor sobre outro enfoque
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poderá proporcionar novos entendimentos de determinada questão, à luz das


demais leituras já efetuadas.
Para que a leitura crítica seja contemplada no processo de formação do futuro
pesquisador é necessário:
• desenvolver o hábito de leitura no campo de conhecimento ou temas de sua
preferência;
• comparar teorias, idéias e conceitos trabalhados por diferentes autores;
• através de um olhar dialético, ir construindo sua própria leitura, considerando
as contribuições e limites de cada uma das categorias estudadas. Neste
momento a leitura preocupa-se em problematizar um determinado assunto,
analisando sua consistência com o objetivo de propor sua transformação ou
superação se for o caso;
• ter consciência de que a ciência não apresenta uma característica absolutista,
imutável e inflexível, mas que se esforça por construir um diálogo permanente
entre ordem, desordem e organização no estudo das problemáticas, evitando
o paradigma da simplificação que reduz e transforma o conhecimento em
compartimentos isolados, conforme atesta morin (1999);
• discutir no espaço coletivo as novas contribuições pessoais sobre a
perspectiva científica efetuadas por esforço individual, tornando o momento
solitário em momento solidário de novas descobertas onde o aprender e o
ensinar são cíclicos;
• compreender que a leitura do contexto de determinada problemática pode ser
enriquecida pela olhar multidimensional da leitura da palavra. A partir deste
vínculo o pesquisador poderá contemplar o estudo do objeto em sua
totalidade.
20

RESUMOS E RESENHAS

Everson Muckenberger
everson.muckenberger@unasp.edu.br

Não há como desenvolver uma pesquisa epistemológica sem


considerarmos os elementos básicos de sua sustentação, dado
o caráter de investigação sistemática do objeto do
conhecimento que esta desenvolve. Este “caráter sistemático”
cremos, não fecha o estudo das possibilidades de
desenvolvimento da pesquisa científica num olhar, mas como
caminho, almeja acompanhar avaliativamente o avanço, o
retrocesso ou a estagnação da pesquisa e dos processos que
a compõem, buscando, é claro, o seu melhor crescimento e
desenvolvimento (LIMA, 2001, p.145).
21

2 LEITURA: O ALIMENTO

Por mais que existam patins, skates e até carros, um atleta de corridas, seja de
100 metros ou uma maratona, ainda precisa se exercitar primordialmente fazendo o
óbvio: correr. O mesmo acontece no preparo acadêmico. Hoje existem sites
multimídia na Internet, televisão, rádio, vídeo e DVD. Mas, a atividade básica e óbvia
para o estudante é e provavelmente continuará sendo a leitura. A leitura é o
alimento, a água, o ar do atleta acadêmico. Mas não basta apenas comer qualquer
coisa. É preciso saber selecionar o que estudar, o que ler. É preciso saber como
estudar e como ler para tirar o maior proveito. “Com a imensa maré de material
impresso a derramar-se constantemente do prelo, velhos e jovens formam o hábito
da leitura apressada e superficial, e a mente perde a sua capacidade para um
pensamento contínuo e vigoroso” (WHITE, 1997, p. 189).
Você consegue se ver na declaração acima? Acredite ou não, isto foi escrito a
mais ou menos um século atrás. Contudo, continua absurdamente atual.
Poderíamos perfeitamente acrescentar à afirmação de White todos os meios
eletrônicos de leitura disponíveis no século XXI. Com tantas opções, assim como na
alimentação de um atleta, precisamos aprender a selecionar o que vamos ler, a fim
de aproveitarmos melhor o tempo escasso que temos para a leitura e fazermos
dessa leitura uma atividade que, de fato, desenvolva a nossa capacidade mental.

2.1 Seleção do Que Ler

Quanto à seleção, uma boa parcela do que você terá que ler durante um
curso superior já terá sido previamente selecionada pelos seus professores. Preste
atenção ao tipo de leitura que lhe será exigida para também desenvolver ou
aperfeiçoar, a partir daí, os seus próprios critérios de seleção de leituras. Nesse
sentido, aí vão algumas sugestões que podem ser úteis na seleção do seu material
de leitura pessoal:

• Conteúdo – Em primeiro lugar, procure aquilo que edifica. Não perca


tempo com frivolidades, fofocas, matérias que fazem do ser humano
uma simples mercadoria de consumo e assuntos que em nada vão
22

contribuir para o seu crescimento pessoal e profissional. Há


determinados veículos de comunicação que, pela sua proposta básica,
nem são dignos da mais remota consideração para leitura. Daquilo que
passar por esse primeiro crivo, avalie o título, leia o resumo, as linhas
iniciais e os subtítulos, considere as ilustrações e suas legendas. Com
isso você pode decidir se o conteúdo lhe interessa e se pode ser útil
para você, além de ser possível obter uma boa noção do grau de
seriedade e confiabilidade. Desconfie de textos sensacionalistas, com
assuntos do tipo “bombástico”. É preferível um texto de aparência e
leitura “monótona”, mas de conteúdo confiável, do que um texto
cativante de conteúdo dúbio.
• Fontes – Informe-se sobre quem é o autor, o que ele faz, que
autoridade ele tem para tratar do assunto. Avalie também o veículo de
comunicação utilizado. Se for uma revista, dê preferência às revistas
mantidas por editoras conceituadas e tradicionais. Neste sentido,
atenção especial deve ser dada quando o material de leitura encontra-
se na internet. Mesmo na internet, procure descobrir quem é o autor.
Verifique quem mantém o site. São mais confiáveis sites oficiais de
órgãos mundiais (Organização das Nações Unidas, Organização
Mundial do Comércio, etc), governamentais (Ministério da Educação,
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, etc) Organizações Não
Governamentais (Greenpeace, Care, etc), imprensa (Veja, Exame,
Último Segundo, Reuters, AFP, etc) empresas (Petrobrás, Shell, etc),
universidades (Universidade de São Paulo, Universidade Estadual de
Campinas, Pontifícia Universidade Católica, etc) e bancos de dados de
artigos (SCIELO, CAPES, etc). Desconfie do que não for conhecido e
estiver com a autoria e responsabilidade pelo site mal identificados.
• Comparabilidade e Aplicabilidade – Se o material passou até aqui, com
certeza é um fonte boa à leitura. Mas, ainda vai uma dica
especialmente para textos que relatem a realidade de outro lugar, país,
ou estado: avalie bem se o conteúdo ali exposto é passível de
comparação e/ou aplicação às suas necessidades de estudo. Caso não
seja, isso não quer dizer que a leitura não vale a pena. Quer dizer
apenas que, talvez, você deva priorizar outra leitura antes dessa e que,
23

quando ler esse material, você deverá ter bem claro que o seu
conteúdo servirá apenas como informação do que aconteceu em outro
lugar. Você não poderá partir do pressuposto de que o que aconteceu
em outro lugar será válido para a sua realidade.

2.2 Como Ler

Antes de você começar o seu estudo, a sua leitura, atente para mais alguns
detalhes:
• procure um local tranqüilo, limpo, arejado e iluminado;
• Coloque-se em postura adequada. Não leia na cama, em frente da TV ligada,
ou sentado de maneira desleixada. Isso fará com que você se sinta sonolento
e desconcentrado;
• coloque ao seu alcance tudo de que vai precisar para o estudo; caneta, lápis,
borracha, régua, caneta marca-texto, folhas de papel, um copo de água;
• evite interrupções seguidas durante o seu período de leitura;
• se, depois de algum período de leitura, você se sentir cansado,
desconcentrado, sonolento ou entediado, não desista; o hábito da leitura
exige persistência; levante-se, ande um pouco, respire fundo, lave o rosto,
tome um pouco de água, alongue os músculos, enfim, faça uma pausa de uns
5 a 10 minutos e depois volte à sua leitura;
• depois que você estiver mais acostumado com o estudo e a leitura, mesmo
que você não se sinta fatigado como antes, uma pausa de 5 a 10 minutos a
cada 1 ou 2 horas será sempre revigorante. Quando você retomar à leitura,
perceberá que o seu rendimento terá melhorado.
Mas como ler? Como estudar? Assim como os atletas, sejam corredores de
100m ou maratonistas, para que você tire maior proveito de sua leitura, poderá
lançar mão de algumas técnicas. Isso não significa necessariamente que você
precisa fazer um curso de leitura dinâmica. A leitura dinâmica tem o seu lugar.
Porém, para um estudo aprofundado, provavelmente, somente a leitura dinâmica
não será suficiente.
No que diz respeito às técnicas para se entender e interpretar um texto,
apresentam-se, a seguir, as recomendações destacadas por Severino (2002):
24

• Delimitação da unidade de leitura – Antes de iniciar a leitura é


importante que você previamente defina o que e quanto pretende ler.
Por exemplo, você pretende ler um livro. Como se trata de um livro
extenso, não é possível ler tudo de uma só vez. Portanto, você define
que quando for ler o livro lerá sempre um capítulo inteiro, sem
interrupções. Assim, a sua unidade de leitura será sempre um capítulo.
Obviamente, não se recomenda espaços de tempo muito grandes
entre a leitura de uma unidade de leitura e a próxima.
Preferencialmente, faça tudo em seqüência, apenas com os pequenos
intervalos sugeridos anteriormente.
• Análise textual – Trata-se da primeira leitura do texto. Procure
conhecer o autor, descubra quais as palavras-chave do texto.
Identifique as palavras que são desconhecidas ou de significado dúbio,
verifique e assinale teorias ou acontecimentos históricos que você
desconhece, mas faça tudo isso, pelo menos por enquanto, sem
interromper a leitura. Quando terminar de ler, procure esclarecimento
para todos esses pontos. Use dicionários, enciclopédias, trabalhos
científicos, converse com especialistas, faça uma busca na internet,
enfim, procure esclarecer todos os pontos antes de continuar o seu
estudo. Sugere-se que, ao final desta etapa, você elabore um esquema
que represente a estruturação do texto: o que compõe a introdução, o
desenvolvimento e a conclusão, incluindo aí todas as subdivisões de
cada um desses itens.
• Análise Temática – Você começa a estudar o texto mais a fundo.
Procure identificar claramente qual o tema ou o assunto principal. Em
geral esta informação encontra-se de maneira mais explícita. Tente
descobrir o que inquietou o autor sobre esse assunto para que ele
fosse levado a escrever sobre ele. Este aspecto às vezes encontra-se
implícito nas entrelinhas do texto. Em seguida, preste atenção à
maneira como o autor abordou essa inquietação sobre o assunto e
como ele fez para resolvê-la. Procure encontrar respostas para as
seguintes questões: Que argumento o autor usa? Que idéia ele
defende? Como ele defende essa idéia ou argumento? O que ele usa
25

para fundamentar suas afirmações: fatos, inferências? Que provas ou


evidências ele apresenta? Onde ele buscou essas provas e
evidências? Que idéias secundárias ou paralelas ao tema central o
autor desenvolve? Ao final da análise temática você estará apto para
fazer um resumo do texto e um esquema gráfico e lógico das idéias
apresentadas no texto.
• Análise Interpretativa – A intenção nesta etapa é ter um “diálogo” com
o autor do texto. Procure entender como o texto lido se encaixa no que
o autor já escreveu antes. Tente perceber se a posição do autor
defendida no texto é coerente com alguma tendência filosófica em
específico (determinismo, materialismo histórico, liberalismo, etc).
Identifique, nas entrelinhas, que pressupostos o autor tomou para si na
construção do texto. A seguir vem a fase da crítica. Avalie o texto
quanto ao alcance dos objetivos propostos, à sua coerência lógica e
argumentativa. Considere também o nível de profundidade alcançado.
Se as idéias apresentadas pelo autor estão devidamente embasadas e
se são originais ou meras repetições das idéias de outros. Finalmente,
posicione-se e fundamente o seu posicionamento em relação ao texto.
Com este nível de análise você estará em condições de fazer uma
resenha crítica sobre o texto.
• Problematização – Cumpridas as três etapas anteriores, você deverá
ser capaz de propor discussão sobre o texto. Isso é problematizar. A
partir do que estudou, o que você gostaria de questionar ou debater
num grupo em classe ou com o professor? A partir da problematização,
você tem condições de dar os primeiros passos rumo à construção de
um seminário ou projeto de pesquisa.
• Síntese pessoal – Depois de analisar a fundo o texto, interpretá-lo,
criticá-lo e problematizá-lo, espera-se que você seja capaz de tecer
suas conclusões sobre o tema abordado pelo autor. É o momento de
você produzir a partir do que estudou. A partir da síntese pessoal, você
terá condições de propor hipóteses e desenvolver a argumentação
necessária para a produção de monografias.
26

Parece trabalhoso? Na verdade, esse tipo de estudo não se resolve numa


leitura superficial do texto nem em sua memorização. Porém, vale a pena destacar
que:

Durante séculos a educação tem tido que ver especialmente com a


memória. Esta faculdade foi sobrecarregada ao extremo, enquanto outras
faculdades mentais não foram desenvolvidas de maneira correspondente.
[...] ao sacrificar o estudante a faculdade de raciocinar e julgar por si
mesmo, torna-se incapaz de discernir entre a verdade e o erro, e cai fácil
presa do engano (WHITE, 1997, p. 230).

Não espere resultados milagrosos da noite para o dia se você não tem
desenvolvido o hábito da leitura e estudo reflexivo. Isso demanda perseverança e
força de vontade. Lembre-se de que, apesar de você viver na era do imediatismo da
TV e da Internet, esse imediatismo é ilusório. Por trás das imagens instantâneas da
TV, há horas de planejamento, produção, pesquisa, estudo, aprendizado. Por trás
dos cliques na Internet há horas de programação, planejamento, design, estudo e
testes. Se é assim com as coisas mais supérfluas apresentadas nas mídias
eletrônicas, por que então teria que ser diferente com o seu preparo profissional que
é bem mais complexo e importante do que o entretenimento eletrônico?
Mas, para ajudá-lo nesse processo de estudo e leitura, existem ferramentas
bastante simples que poderão lhe ajudar ainda mais em qualquer das etapas
envolvidas no estudo de um texto. A sublinha e os esquemas são duas ferramentas
muito utilizadas.

2.3 O Que Sublinhar

A sublinha constitui-se numa ferramenta extremamente simples, cujo uso já é


feito de maneira intuitiva por muitos. Trata-se de destacar no texto as principais
idéias, com parcimônia, procurando separar o essencial do acessório (MEDEIROS,
2004). Para este propósito podem ser usados lápis e canetas comuns, bem como
canetas propícias para este fim. Obviamente, a sublinha deve ser usada apenas se
o material de leitura for de sua propriedade. Quaisquer materiais pertencentes à
biblioteca nunca, jamais, sob hipótese alguma deverão ser riscados, amassados ou
dobrados.
27

O objetivo da sublinha é permitir que, ao pegar um texto algum tempo após a


realização da leitura, você possa rapidamente retomar o conteúdo ali exposto, sem a
necessidade de ler o texto inteiro outra vez para saber do que se trata. Por isso,
além das idéias chave, às vezes é fundamental também destacar negações e
palavras de oposição, como mas, embora, contudo, todavia, entretanto e outras.
Medeiros (2004) não recomenda a sublinha numa primeira leitura ou quando você
fizer aquela “leitura Bung Jump” pois, nesse tipo de leitura não se pode separar o
essencial do acessório com clareza. Portanto, recomenda-se o uso da sublinha
depois de uma leitura demorada e analítica do texto.
Cada um pode desenvolver o seu próprio método de sublinhar ou destacar as
idéias principais de um texto. Porém, abaixo são apresentadas algumas formas de
destaque bastante utilizadas:
• sublinha simples – apenas um traço para destacar os principais aspectos;
• sublinha dupla – dois traços para destacar palavras chave ou o principal
aspecto;
• traço vertical ao lado do texto - para destacar trechos mais longos use uma
linha vertical ao lado do texto ao invés de sublinhar diversas linhas;
• ponto de interrogação ao lado do texto – para destacar algum ponto do texto
que não ficou claro; pode ajudar se você anotar à lápis, ao lado do texto, junto
ao ponto de interrogação, a sua dúvida ou questionamento;
• ponto de exclamação ao lado do texto – para destacar algum ponto do texto
que surpreendeu ou que gerou algum insight.

É possível fazer observações às margens dos trechos destacados,


escrevendo resumidamente os seus pensamentos, conclusões ou idéias
relacionadas. Com ou sem essas anotações, depois de feita a sublinha, ao passar
os olhos sobre o que foi sublinhado e anotado será possível reconstituir o
pensamento original do texto completo.
A título de exemplo, a seguir, um texto do Prof. Dr. Rodrigo P. Silva, retirado
de sua obra “Um desconhecido galileu” (2001), já sublinhado:

Jesus Histórico e Cristo da Fé

1 – O Iluminismo Alemão
28

No século XVII, a Alemanha passou por um período de forte sobrevalorização


do racionalismo em detrimento à fé evangélica. Foi o chamado Iluminismo Alemão
(Aufkärung). Este movimento surgiu devido às seguintes situações:

A) O próprio espírito crítico-racionalista que dominou a Europa naquele tempo


(ela estava vivendo praticamente sob a influência do ponto mais alto e final da
Idade Moderna que era a Revolução Francesa).
B) O deísmo inglês que contribuiu em muito para o surgimento de conceitos
cépticos como os esboçados por Voltaire e outros pensadores que surgiram
na Alemanha.
C) A modificação radical popular do deísmo na França que se tornou quase
um cepticismo.
D) O pietismo alemão que foi um rompimento com o protestantismo
germânico que, entre outras, deu muita ênfase ao sentimentalismo, exagerou
em sua pregação o tom ascético para com o mundo e negligenciou os
elementos intelectuais da religião.

A pretensão básica dos iluministas alemães era criar uma religião cristã mais
racional e menos sentimentalista. Sentiam-se pressionados a não ceder para o
extremo de um dogmatismo infundado, como julgavam ser as crenças oficiais da
Igreja, nem cair na negação completa de Cristo, como fizeram os pensadores
franceses. Logo, começaram a surgir vários teólogos pretendendo expor teorias
sobre quem haveria de ser Jesus Cristo. Suas novas idéias acerca do fundador do
cristianismo contradiziam totalmente a visão tradicional da Igreja acerca do Filho de
Deus. Eles faziam uma distinção entre o Jesus histórico (historicher Jesus) e o Cristo
da fé (Geschichtlicher Christus). O primeiro, se existiu, constitui o Jesus
historicamente real, ao passo que o segundo, seria um ser mitológico “inventado” e
“mantido” pela Igreja através dos tempos.
29

2.4 Anotações

De acordo com Medeiros (2004) outra ferramenta disponível para a


compreensão de textos não apenas escritos, mas também de palestras, seminários
e aulas expositivas são as anotações. Talvez as anotações possam ser
consideradas o embrião de um resumo. Normalmente assumem uma de duas
modalidades: corridas ou esquemáticas, sendo que as esquemáticas podem ser
montadas através da itemização numerada ou através de chaves ou setas. Se
tomarmos o texto de Silva (2001) como referência, as anotações poderiam ser
apresentadas da seguinte forma:
• Corridas
Iluminismo alemão: racionalização. Surgimento: espírito crítico racionalista;
deísmo inglês e francês; pietismo alemão. Pretensão: religião racional; não
extremista. Resultados: teorias teológicas; Jesus histórico real e Cristo da fé
mitológico.
• Esquemáticas
Modelo 1
1 Iluminismo alemão (Séc. XVII)
1.1 Racionalismo
1.2 Século XVII
1.3 Causas
1.3.1 Espírito crítico
1.3.1.1 Revolução Francesa
1.3.2 Deísmo inglês e francês
1.3.2.1 Ceticismo
1.3.3 Pietismo alemão
1.3.3.1 Ruptura com sentimentalismo
1.4 Pretensão
1.4.1 Religião racional
1.4.1.1 Não extremista
1.5 Resultados
1.5.1 Teólogos
1.5.1.1 Teorias não tradicionais
30

1.5.1.1.1 Jesus histórico real


1.5.1.1.2 Cristo da fé mitológico

Modelo 2
Racionalismo
Século XVII Espírito crítico (Revolução Francesa)

Causas Deísmo inglês e frances (ceticismo)

Pietismo alemão (ruptura com o sentimentalismo

Iluminismo
Pretensão Religião racional e não extremista

Alemão
Jesus histórico - real
Resultados Teorias teológicas
não tradicionais Cristo da fé – mitológico
31

2.5 Resumos: Exercícios Para Desenvolver Força e


Velocidade

Um atleta não treina sempre o mesmo exercício e nem se prepara para


uma Olimpíada praticando somente a modalidade na qual irá competir. Há
diversos outros exercícios preparatórios que o ajudam a adquirir a força
necessária para que no momento certo consiga ter um desempenho adequado,
seja de velocidade, seja de resistência. Um maratonista, por exemplo, não
começa correndo 42Km. Ao contrário, aos poucos, começa com corridas
menores adquirindo a resistência necessária para sobreviver à maratona.
O resumo é um desses tipos de exercícios. Proporciona pelo menos dois
benefícios primários:
• Para quem lê – economia de tempo, pois apresenta o conteúdo de um
texto e suas principais idéias, muitas vezes eliminando a necessidade de
leitura do texto original ou, no mínimo, tornando a sua compreensão
mais simples e rápida.
• Para quem faz – excelente exercício de retenção das principais idéias de
um texto.

De acordo com a NBR 6028, resumo é uma “Apresentação concisa dos


pontos relevantes de um texto” (grifos acrescentados) Medeiros (2004)
complementa a definição da Associação Brasileira de Normas Técnicas –
ABNT, ao afirmar que um resumo é uma “Apresentação sintética e seletiva das
idéias de um texto, ressaltando a progressão e articulação delas. Nele devem
aparecer as principais idéias do autor do texto” (grifos acrescentados).
Um resumo pode ser praticado em pelo menos quatro modalidades
(Medeiros, 2004) diferentes: resumo indicativo, resumo informativo, resumo
informativo/indicativo e resumo crítico.
O Resumo Indicativo, também conhecido como Resumo Descritivo é um
sumário narrativo que elimina dados qualitativos e quantitativos. Refere-se às
partes mais importantes do texto, porém exige a leitura do original. Não são
emitidos juízos de valor ou críticas.
32

Exemplo:
PINTO, U. A. Os cursos de complementação pedagógica e a
formação de pedagogos na cidade de São Paulo (1970-2000).
Dissertação de Mestrado em Educação, PUC – Campinas, 2000, 115 p.

Trata-se de trabalho vinculado à linha de pesquisa “Avaliação


Institucional”. Tem por objetivo examinar a experiência desenvolvida
pelos cursos de Complementação Pedagógica em “habilitar o
especialista de ensino no professor de 5ª série em diante”, oferecidos a
professores já licenciados em uma graduação entre 1970 e 2000.

O segundo tipo de resumo é o Informativo ou Analítico. Neste caso o


autor do resumo deve procurar salientar as principais idéias, os objetivos,
métodos e técnicas utilizados, resultados e conclusões. Não devem ser
emitidos quaisquer juízos de valor ou críticas ao texto original. Para quem lê
este resumo, pode dispensar a leitura do original.
Exemplo:
PINTO, U. A. Os cursos de complementação pedagógica e a
formação de pedagogos na cidade de São Paulo (1970-2000).
Dissertação de Mestrado em Educação, PUC – Campinas, 2000, 115 p.

Este trabalho vinculado à linha de pesquisa “Avalição Institucional” tem


por objetivo examinar a experiência desenvolvida pelos cursos de
complementação Pedagógica em “habilitar o especialista de ensino no
professor de 5ª série em diante”. Esta modalidade do curso de
Pedagogia, prevista pelo Parecer 252/69 do MEC, foi oferecida de 1970
ao ano 2000, para professores já licenciados em uma graduação. O
estudo de caráter histórico busca registrar a experiência acumulada por
estes cursos na cidade de São Paulo ao longo deste período. Os dados
da pesquisa foram coletados em cinco instituições de ensino superior,
junto aos alunos, professores e coordenadores de curso nos anos de
1989 e 2000. A análise dos dados evidencia que a experiência docente
dos alunos facilita a articulação entre a “teoria” (conteúdo veiculado ao
curso) e a “prática” (pedagógica) na formação do especialista. As
33

conclusões do estudo são interpretadas no interior do debate atual sobre


o curso de Pedagogia, recomendando ao final que a formação do
pedagogo escolar seja acessível somente aos professores com
experiência em sala de aula.

O terceiro tipo é o Resumo Informativo/Indicativo. Trata-se de um


formato híbrido, onde é feito um sumário narrativo do texto, semelhante ao
resumo Indicativo, porém são salientadas as conclusões. Pode dispensar a
leitura do original somente quanto às conclusões.
Exemplo:
PINTO, U. A. Os cursos de complementação pedagógica e a
formação de pedagogos na cidade de São Paulo (1970-2000).
Dissertação de Mestrado em Educação, PUC – Campinas, 2000, 115 p.

Trata-se de trabalho vinculado à linha de pesquisa “Avaliação


Institucional”. Tem por objetivo examinar a experiência desenvolvida
pelos cursos de Complementação Pedagógica em “habilitar o
especialista de ensino no professor de 5ª série em diante”, oferecidos a
professores já licenciados em uma graduação entre 1970 e 2000. . As
conclusões do estudo são interpretadas no interior do debate atual sobre
o curso de Pedagogia, recomendando ao final que a formação do
pedagogo escolar seja acessível somente aos professores com
experiência em sala de aula.

Caso você deseje poderá encontrar outros exemplos de resumos na


biblioteca, em periódicos científicos, teses, dissertações e TCC´s.
O quarto e último tipo de resumo é o Resumo Crítico. É aquele que
apresenta uma síntese e uma crítica ao conteúdo do texto original. Boa parte
dos autores afirma que os resumos são exercícios que não incluem crítica,
apenas síntese. Assim, o resumo crítico é considerado uma resenha, próximo
assunto a ser abordado.
De acordo com Medeiros (2004) um resumo, normalmente deve
contemplar as seguintes características:
• Linguagem objetiva;
34

• Pouca ou nenhuma utilização de trechos inteiros copiados do original;


• Respeita a ordem de apresentação de idéias e fatos do texto original;

Quanto ao estilo de redação:


• Frases concisas;
• Evita-se enumeração de tópicos;
• A primeira frase explica o assunto do texto;
• Usa-se, preferencialmente os verbos em voz ativa e na terceira pessoa
do singular.

Quanto ao conteúdo, dependerá do tipo de resumo que se pretende


redigir (ver a definição dos tipos de resumos).
Quanto à estruturação:
• Referência bibliográfica;
• Identificação do tipo do texto (literário, didático, acadêmico, científico,
etc.);
• Resumo do conteúdo.

Finalmente, talvez o aspecto mais característico de um resumo: a


extensão. De acordo com a ABNT, dependendo do tipo do texto original, a
extensão deverá ser:
• Resumo de notas e comunicações breves = 100 palavras;
• Resumo de artigos e monografias = 250 palavras;
• Resumo de relatórios e teses = 500 palavras.

Atualmente nao é mais necessário contar as palavras, pois pode ser


utilizado o recurso específico do MSWord disponível no menu Ferramentas,
Contar Palavras.
35

2.6 Resenhas: Exercícios para Desenvolver Resistência e


Capacidade Cardiovascular

As resenhas são exercícios mais complexos do que os resumos e,


portanto, exigem preparo e amadurecimento para serem realizadas.
Definitivamente não é para atletas em início de carreira, pelo menos não como
jogo oficial.
De acordo com Andrade (2001) a resenha é um trabalho que exige
domínio do assunto, para estabelecer comparação com outras obras da
mesma área e maturidade intelectual para fazer avaliação e emitir juízo de
valor.
O principal objetivo da Resenha é oferecer informações suficientes ao
leitor, para que se decida pela leitura ou não do original. Ao escrever o
resenhista deve:
• descrever as características estruturais da obra (número de páginas,
dimensões, capítulos, etc);
• relatar as credenciais do autor, suas idéias, conclusões e metodologia
(quem é o autor, que outros trabalhos já fez, o que ele pensa, qual a sua
posição final e qual o processo que ele utilizou para coletar, tratar e
analisar as informações necessárias para confecção do texto);
• expor o quadro de referências do autor (quais as bases filosóficas e
teóricas do autor);
• apresentar uma avaliação da obra e a quem ela se destina (a obra será
de proveito para quem, quando e por que?).
A exemplo dos resumos, também há modalidades diferentes de
resenhas (Medeiros, 2004):
• RESENHA DESCRITIVA – Dispensa apreciação crítica do resenhista.
Porém são destacadas a estrutura da obra (partes, número de páginas,
capítulos, assuntos tratados, índices); informações sobre o(s) autor(es) e
tradutor(es); contém resumo da obra, destacando a perspectiva teórica
adotada, o gênero (literário, negócios, religioso, esotérico, acadêmico,
científico, romance, teatro, ensaio, dissertação, tese, etc.) e o método
adotado.
36

• RESENHA CRÍTICA – Exige a crítica do resenhista. Além do que


compõe a Resenha descritiva, são acrescentadas a crítica do resenhista
(contribuição, originalidade, estilo do autor, coerência, etc) e as
indicações (a quem é destinada a obra, para que disciplina,
possibilidade de ser utilizada como obra didática, para que curso).
A estruturação de uma resenha deve contemplar, na medida do
possível, as seguintes partes:
• REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA – incluindo número de páginas e
formato (livros);
• CREDENCIAIS DO AUTOR – informações sobre o autor (nacionalidade,
formação, títulos, outras obras publicadas, etc.);
• RESUMO DA OBRA – principais idéias e características, descrição dos
capítulos ou partes da obra, necessidade ou não de conhecimento
prévio para a compreensão, objetivos propostos, problema abordado;
• CONCLUSÕES DO AUTOR – solução do problema, resolução dos
objetivos propostos;
• METODOLOGIA – dedutivo, indutivo, histórico, comparativo, estatístico;
• QUADRO DE REFERÊNCIA DO AUTOR – apontar a teoria ou modelo
teórico utilizados pelo autor como fundamento da obra;
• CRÍTICA DO RESENHISTA – julgamento da obra, suas contribuições,
originalidade, estilo do autor, coerência, consecução dos objetivos, etc;
• INDICAÇÕES DO RESENHISTA – a quem ou para que a obra é
indicada.
É importante relembrar que tanto nos resumos quanto nas resenhas a
referência bibliográfica deve aparecer no topo da folha, antes do resumo ou da
resenha e não ao final como nos papers ou monografias.
Observe o quadro comparativo:
37

RESUMOS RESENHA
•Apenas narra ou apresenta de •Descreve a estrutura do texto original,
maneira sucinta as idéias do autor apresenta narrativa sobre o autor e o
do texto original; resumo da obra e disserta avaliando a
•Na modalidade de resumo obra, comparando-a a outras e
Analítico, serve para que se tenha destacando a quem se destina
uma visão resumida, mas completa •Na modalidade Resenha Descritiva, o
do texto original. julgamento do resenhista é dispensado;
•O objetivo do resumo é informar do •O objetivo é oferecer informações
que se trata o texto, podendo até suficientes para que o leitor da resenha
dispensar a leitura do texto original. decida-se por ler ou não ler o texto
original.
Quadro 1 Características diferenciadoras entre Resumos e Resenhas

Quando se coloca lado a lado resumos e resenhas, pode-se identificar


um crescendo em relação a abrangência e complexidade, como demonstra a
Figura 1, a seguir:

Resenha Crítica
Resumo
Resumo Resenha
Resenha
Crítico
Crítico Descritiva
Descritiva

Resumo
Resumo
Analítico
Analítico

Resumo
Resumo
Descritivo/Analítico
Descritivo/Analítico

Resumo
Resumo
Descritivo
Descritivo

Figura1 - Níveis de abrangência entre as


modalidades de Resumos e Resenhas
38

ASPECTOS ÉTICOS NA PESQUISA

Oswalcir Almeida de Azevedo


oswalcir.azevedo@unasp.edu.br

O homem moderno e civilizado preferiria pensar que a


violação sistemática dos princípios morais por parte dos
cientistas ocorria em séculos anteriores e não em
tempos recentes, porém não é assim (POLIT;
HUNGLER, 1997).
39

3 INTRODUÇÃO

Ética é a ciência que trata dos padrões de conduta nas relações


humanas. A “ciência da moral” menciona Buarque de Hollanda (1985).
O dicionário médico Dorland’s, (1994) define ética como conjunto de
“códigos ou princípios que regem a conduta correta”; já Polit e Hungler (1997)
vinculando o conceito ao âmbito da pesquisa assim a definem: “sistema de
valores que determina o grau com que os procedimentos do investigador se
apegam ás obrigações profissionais, legais e sociais que possui ante os
sujeitos de sua investigação”.
No campo da pesquisa, encontramos outro conceito fundamental que é
o de Bioética.
Bioética é definida como: “obrigações de natureza moral relacionadas à
pesquisa biológica e suas aplicações” (DORLAND’S, 1994).
Embora a literatura de metodologia científica pouco trate das questões
éticas, entendeu-se ser importante inserir nesta obra uma seção com
orientações sobre como proceder na condução de estudos de cunho científico,
especialmente aqueles em que estejam envolvidos seres humanos.
Como afirmam Polit e Hungler (1995) “quando são utilizados indivíduos
como sujeitos de investigação científica, precisa-se ter muito cuidado para
assegurar que seus direitos estejam protegidos”.
O cuidado no sentido de garantir os direitos da pessoa humana deve
ser a preocupação maior da equipe de pesquisa. O ponto central destes
direitos envolve a possibilidade de optar soberanamente em participar ou não
de determinado estudo após receber as informações que permitam ao sujeito
tomar uma decisão de forma esclarecida.
Desde a construção do projeto, o pesquisador deve ter cuidado com os
aspectos éticos referentes a: 1) utilização de textos de suporte teórico e
revisão bibliográfica; 2) respeito aos direitos humanos; 3) tratamento dos
dados; 4) autoria do trabalho.
40

3.1 Suporte Teórico e Revisão Bibliográfica

É necessário que cada texto de onde forem extraídos trechos ou idéias,


seja mencionado corretamente, indicando-se os dados bibliográficos que
permitam ao leitor saber onde encontrar o texto original. Isto tornará possível
encontrar a fonte, caso deseje ampliar seu conhecimento sobre o tema. As
normas da ABNT, descritas nos próximos capítulos, definem que informações
devem ser disponibilizadas.
A inserção de partes de um texto sem a respectiva menção dos autores
consiste em plágio.
Para saber como proceder, consulte o Capítulo 6 deste manual.

3.2 Respeito aos Direitos Humanos

O segundo aspecto se refere ao cuidado com a manutenção de um


direito inalienável do ser humano: o exercício do livre-arbítrio. Ninguém pode
ser forçado a participar de um estudo, por mais simples que seja. Deve ser
assegurado a todos os participantes o direito de tomar uma decisão de forma
autônoma, sem coerção, esclarecidamente.
Práticas que não respeitem este direito devem ser banidas dos
procedimentos de coleta de dados.
Normatiza esta questão a Resolução 196/96 do Ministério da Saúde,
que estabelece as Diretrizes e Normas Regulamentadoras da pesquisa
envolvendo seres humanos que pode ser encontrada no site do Conselho
Nacional de Ética em Pesquisa (CONEP).
Em todas as circunstâncias as pessoas devem ser respeitadas.
Requer-se da equipe de pesquisa, que apresente aos sujeitos um documento
denominado Termo de Consentimento Livre e Esclarecido o qual explicita as
intenções dos pesquisadores, a liberdade dos colaboradores em optar por
participar do estudo e de sair do mesmo no momento em que desejar sem
sofrer qualquer descontinuidade no tratamento ou atendimento, e o direito de
se manterem no anonimato.
41

3.3 Tratamento dos Dados

É necessário honestidade na apresentação dos resultados obtidos na


pesquisa. São desonestas as omissões “convenientes” (descarte dos
resultados indesejáveis) feitas a fim de se conseguir um valor estatisticamente
significante com os resultados de estudos quantitativos. Spector (2002)
recomenda que o coordenador do projeto guarde os originais de forma
organizada e em local de fácil acesso para consulta, durante cinco anos.
Havendo qualquer dúvida poderão ser revisados.
Os registros obtidos por meio de questionários, formulários, fitas
gravadas, filmagens, devem ser utilizados apenas para os objetivos do estudo
e guardados em local de acesso exclusivo dos pesquisadores, tomando-se o
cuidado necessário para garantir permanentemente o anonimato das pessoas
que participaram como sujeitos da pesquisa. Após o período determinado,
devem ser destruídos.

3.4 Autoria do Trabalho

Conforme estabelecido nos Uniform Requirements for Manuscripts


Submitted to Biomedical Journals (conhecidos como Normas de Vancouver)
são autores apenas aqueles que participaram suficientemente do trabalho
para compartilhar a responsabilidade pública por seu conteúdo.
Para ser considerado co-autor é necessária participação em cada uma
das seguintes fases do estudo: concepção do projeto ou na análise e
interpretação dos dados; redação inicial ou na revisão crítica do manuscrito;
aprovação da versão final para publicação (SPECTOR, 2002).
Portanto, nas produções acadêmicas, orientandos e orientadores são
autores e seus nomes devem constar no trabalho onde quer que ele seja
apresentado: para bancas examinadoras, congressos, seminários, simpósios
e outros eventos de cunho científico. O mesmo se dá quando do envio para
publicação.
A retirada de nomes de algum autor ao ser enviado o trabalho para
publicação ou evento científico (especialmente quando o número de autores
42

excede o limite), fere os princípios éticos, e não pode ser feita, sob pena de
impugnação da apresentação pelo co-autor excluído. Só há exceção quando é
estabelecido acordo prévio entre os autores.

3.4.1 Resolução 196/96

A utilização de seres humanos em pesquisas, eminentemente no


período da II Guerra Mundial – durante o qual experimentos foram levados a
efeito pela comunidade médica militar na Alemanha, Estado Unidos e outros
países, utilizando seres humanos sem consentimento prévio, causando
sofrimento e mesmo a morte – gerou um movimento de repúdio na
comunidade internacional.
Este movimento resultou na elaboração do Código de Nuremberg em
1947, seguido pela Declaração dos Direitos do Homem em 1948, e pela
Declaração de Helsinque em 1964.
Em 1982, tendo como base a Declaração de Helsinque, a Organização
Mundial de Saúde elaborou as Diretrizes Internacionais Propostas para a
Pesquisa Biomédica em Seres Humanos (HADDAD, 2004).
Estes documentos estabelecem as regras que pesquisadores do
mundo todo devem respeitar, quando a pesquisa for realizada com seres
humanos.
No Brasil, em 1996, o Ministério da Saúde elaborou a Resolução
196/96 que apresenta as Diretrizes e Normas Regulamentadoras de
Pesquisas Envolvendo Seres Humanos um documento, visando regulamentar
a condução dos trabalhos científicos na área da saúde.
A mesma Resolução estabelece o Conselho Nacional de Ética em
Pesquisa (CONEP), que passa a emitir parecer sobre os projetos de pesquisa
a nível nacional, orientando os pesquisadores e servindo como órgão
regulador das práticas investigativas em humanos.
Quatro princípios básicos estão associados às práticas bioéticas
preconizadas na Resolução 196/96 quanto à conduta na pesquisa com seres
humanos:
• Autonomia
43

• Não maleficência
• Beneficência
• Justiça

3.4.2 Autonomia

Considera-se autonomia, o direito do indivíduo decidir por si próprio.


Toda pessoa adulta tem este direito assegurado por lei. Ninguém pode
legitimamente tomar decisões por outro, quando este está no pleno domínio
de suas faculdades físicas e mentais.
Ao ser abordada quanto a participar de um estudo, a pessoa deve ser
respeitada em seu desejo. Cabe ao pesquisador oferecer as informações que
sejam necessárias à tomada de decisão: tema, objetivos, procedimentos de
coleta de dados, tempo requerido, riscos envolvidos, alternativas no caso de
tratamentos ou uso de técnicas novas, entre outros. Caso não queira
participar, a pessoa não poderá ser obrigada ou coagida a fazê-lo.
Pessoas que não podem responder por si próprias: menores de idade,
indivíduos considerados incapazes, comunidades indígenas, deve-se obter
autorização do responsável legal. Entretanto, mesmo com autorização do
responsável deve haver consentimento por parte de quem se submete aos
procedimentos da pesquisa.

3.4.3 Não-maleficência

Bastante controverso, este princípio estabelece que nenhum


procedimento de pesquisa possa causar dano, mesmo que sem intenção.
Havendo possibilidade de dano, devem ser usados outros métodos.
De acordo com Spector (2001) garantir que danos previsíveis sejam
evitados.
Goldim (2005) comenta que a não-maleficência está associada ao
princípio “que justifica não fazer pequenas concessões, aparentemente sem
maiores conseqüências, em temas controversos”.
44

Por uma espécie de efeito cascata, embora pequenas, certas


concessões podem levar a outras, de forma sucessiva, atingindo proporções
que fogem ao controle do pesquisador.

3.4.4 Beneficência

Para Spector (2002) é a ponderação entre riscos e benefícios, tanto


atuais como potenciais, individuais ou coletivos; é quando a equipe de
pesquisa se compromete a promover o máximo de benefícios e o mínimo
possível de danos e riscos.
O Princípio da Beneficência é o que estabelece que devemos fazer o
bem aos outros, independentemente de desejá-lo ou não (GOLDIM, 2005).

3.4.5 Justiça ou Eqüidade

Justiça é um princípio moral. Conforme estabelecido na própria


Resolução 196/96, é a relevância social da pesquisa com vantagens
significativas para os sujeitos da pesquisa e minimização do ônus para os
sujeitos vulneráveis, o que garante a igual consideração dos interesses
envolvidos, não perdendo o sentido de sua destinação sócio-humanitária.
Pode-se dizer, portanto, que é a contribuição que o estudo trará para os
que dele participarem diretamente.
Os resultados obtidos devem trazer benefício aos que forneceram as
informações – entendendo-se como tal, as de natureza oral, escritas ou
resultantes de outros tipos de mensurações. Por este motivo os trabalhos
realizados devem ser úteis para algum fim claro, e cumpre divulgar os
resultados para os sujeitos a fim de que estes se beneficiem com eles.
Pesquisas realizadas com animais devem seguir o que está expresso
na Lei 6638, de 08 de maio de 1979, que pode ser obtida no site:
http://www.bioetica.ufrgs.br/lei6638.htm. Os animais merecem ser tratados
com dignidade e de forma humanitária. Não são admitidos maus-tratos,
causar-lhes sofrimento ou dor, exceto se a dor for o alvo do estudo. Mesmo
45

neste caso, há que se tomar cuidados reduzindo ao mínimo necessário o


número de espécimes na amostra.

3.5 Encaminhamento dos Projetos ao Comitê de Ética em


Pesquisa

Todo projeto de pesquisa, que envolva seres humanos, deve ser


submetido à apreciação de um Comitê de Ética em Pesquisa (CEP),
preferencialmente o da instituição onde será realizada a Coleta de dados. São
considerados neste caso dados obtidos diretamente dos informantes ou
indiretamente, por meio de consulta a documentos que contenham
informações referentes aos sujeitos do estudo. Arquivos de recursos
humanos, prontuários impressos ou em meio eletrônico estão aí incluídos.
Caso a instituição não possua um Comitê de Ética, o projeto será
avaliado pelo comitê da instituição de origem dos investigadores.
A fim de ser encaminhado à CEP, o projeto deverá ter sido revisado
pelo orientador, com as correções ortográficas e metodológicas necessárias, e
vir acompanhado da Folha de Rosto de pesquisa envolvendo seres humanos
que pode ser obtida, no endereço eletrônico:
http://conselho.saude.gov.br/docs/FolhaRosto0312.doc.
Para a análise da proposta, é imprescindível que os objetivos,
procedimentos ou protocolos de pesquisa estejam descritos de forma
detalhada fornecendo aos membros do Comitê os elementos necessários à
emissão do parecer que autoriza o início da coleta de dados da pesquisa.
Antes da emissão do parecer do CEP, os pesquisadores não poderão
iniciar a coleta de dados, sob pena de a proposta ser indeferida.
A revisão do projeto por este órgão visa garantir que os princípios
estabelecidos na Resolução 196/96, já descritos, estejam sendo obedecidos
rigorosamente. No caso de alguma impropriedade, o Comitê solicita aos
proponentes do projeto que façam as correções necessárias, após o que a
proposta é revisada e emitido novo parecer.
O prazo para obter a resposta do CEP aos pedidos de análise do
projeto variam de instituição para instituição, mas não é inferior a 30 dias.
46

Portanto os pesquisadores devem providenciar com a devida antecedência o


envio do material para apreciação, sabendo que havendo necessidade de
reformular alguma etapa do projeto, serão necessários mais alguns dias para
a resposta final.
Não há por parte do CEP intenção de inviabilizar os trabalhos, mas sim
de evitar que sejam cometidas infrações éticas, desrespeitando os direitos das
pessoas.
A Resolução 196/96 prevê também que cada alteração no protocolo de
pesquisa seja apreciada pelo CEP, por isto o projeto deve ser elaborado
cuidadosamente para evitar idas e vindas, o que requer tempo.

3.5.1 Termo de Consentimento

Também denominado Consentimento Informado ou ainda,


Consentimento Pós-informação, é o documento elaborado pelo pesquisador,
no qual são expostas ao participante voluntário, as informações necessárias
para que o mesmo tome a decisão sobre sua participação no estudo de forma
esclarecida e autônoma.
Francisconi e Goldim (2005) comentam alguns elementos que devem
estar presentes no Termo de Consentimento Informado, dos quais são
destacados:
• linguagem – evitar termos técnicos que sejam de difícil compreensão
para os sujeitos da pesquisa, sendo ideal um texto compreensível para
pessoas com escolaridade até 8ª série;
• informações sobre o projeto – devem ser apresentados os objetivos,
justificativas e os procedimentos a serem utilizados, sem omitir
informações. Caso seja necessária alguma omissão por razões
metodológicas, isto deve ser informado ao Comitê de ética;
• riscos e desconfortos – quando previsíveis devem ser informados,
discriminando os desconfortos rotineiros dos procedimentos daqueles
relacionados com a pesquisa em si;
• benefícios – apresentar os prováveis benefícios pessoais e sociais.
Caso não haja benefício direto para o sujeito, notificá-lo deste fato;
47

• voluntariedade – o voluntário deve ter a garantia de que a qualquer


momento poderá deixar o estudo sem que isto represente qualquer
prejuízo para o seu atendimento dentro da instituição onde o projeto
está sendo realizado; evitam-se selecionar voluntários que possam ser
coagidos de alguma maneira;
• confidencialidade e anonimato – as informações coletadas devem ter
garantia de privacidade, e o anonimato do participante deve ser
mantido todo tempo;
• indenização ou compensação por danos – embora não seja permitido
no país a remuneração por participação em pesquisas, o pesquisador
poderá ressarcir eventuais gastos que o voluntário tiver decorrentes da
pesquisa com alimentação e/ou traslados;
• crianças e adolescentes – sempre que forem estes os colaboradores,
devem ser tomadas as assinaturas dos pais ou responsáveis, para
permissão do estudo, contudo a partir dos sete anos as crianças e
adolescentes devem ser informados sobre o que será feito e
respeitados quanto a sua decisão em participar ou não da pesquisa;
• assinaturas – o Termo de Consentimento, preenchido em duas vias,
identificadas com o nome do participante e do representante legal, se
houver, datadas e assinadas, terá uma das vias arquivada pelo
pesquisador e a outra pelo sujeito da pesquisa, ou por seu
representante legal. Um número de documento do participante também
deverá ser anotado no termo.

Estas orientações, uma vez seguidas, contribuirão ao bom andamento


da pesquisa respeitando os padrões bioéticos.
Em situações especiais como uso de informações em bases de dados
ou de prontuários, o pesquisador poderá solicitar a dispensa do uso do Termo
de Consentimento ao Comitê de Ética em Pesquisa, o qual julgará a
propriedade do pedido. Entretanto o pesquisador não tem autonomia para
decidir sobre esta questão.
48

A apresentação do Termo de Consentimento junto aos instrumentos de


pesquisa é um erro, pois esta prática permitirá a identificação do informante,
transgredindo um requisito básico na pesquisa que é seu anonimato.
Antes de ser assinado o Termo de Consentimento, devem ser
oferecidas a cada sujeito as explicações quanto ao tipo de estudo, objetivos,
procedimentos, riscos, benefícios, voluntariedade, confidencialidade e demais
informações solicitadas pelo mesmo.

3.5.2 Carta de Apresentação e Termo de Esclarecimento

Por vezes é enviado um texto apresentando a proposta do estudo,


descrevendo seus objetivos, pedindo a colaboração dos respondentes,
salientando a importância da veracidade das respostas, bem como a forma
como deverá ser devolvido o questionário, e o prazo para devolução.
Este texto é chamado Carta ou Termo de Apresentação, e visa suprir
as orientações que não são possíveis oferecer de outra forma, pois o
pesquisador não estará presente – o questionário foi enviado por
correspondência ou sua entrega por outra pessoa facilita o anonimato, ou
outra razão qualquer.
Neste caso tenha certeza de que as informações sejam suficientes para
permitir a compreensão da finalidade do trabalho e conquistar o respondente a
fim de que ele colabore dando respostas fidedignas.
Garanta que o respondente não será identificado ao devolver o Termo
de Consentimento o qual deve prever a permissão para divulgação dos
resultados e oferecer segurança quanto ao sigilo da fonte. Para tal fim
questionário e Termo de Consentimento devem ser apresentados em folhas
diferentes.
Para facilitar a construção deste importante instrumento são
apresentados a seguir dois exemplos.
49

3.5.3 Folha de Rosto para Pesquisa Envolvendo Seres


Humanos

A Folha de Rosto, obrigatoriamente deve ser preenchida antes da


entrega do projeto ao Comitê de Ética da instituição onde se pretende realizar
a pesquisa.
Este documento é padronizado pela Comissão Nacional de Ética em
Pesquisa, pode ser obtido no endereço eletrônico abaixo e já vem com as
instruções de preenchimento, na página 2:
http://conselho.saude.gov.br/docs/FolhaRosto0312.doc.
As informações sobre o Pesquisador Responsável solicitadas neste
documento devem ser preenchidas com os dados do orientador no caso dos
trabalhos acadêmicos. As informações sobre outros membros do grupo de
pesquisa são descritas no projeto.

3.6 Endereços Eletrônicos Úteis

São apresentados a seguir alguns endereços úteis para esclarecimento


sobre as questões de ética na pesquisa:

• http://www.bioetica.ufrgs.br - Elaborado por pesquisadores do Núcleo


Interdisciplinar de Bioética da Universidade Federal do Rio Grande do
Sul, o portal de Bioética foi criado, em fevereiro de 1997, e é mantido
sob a responsabilidade do Prof. Dr. José Roberto Goldim. Os materiais
contidos no portal têm finalidade basicamente para pesquisa e ensino
em Bioética. Há grande riqueza nos textos contidos neste portal,
alguns dos quais foram utilizados como base para este capítulo.

• http://200.214.130.41/sisnep/pesquisador/ - SISNEP - Sistema Nacional


de Informação sobre Ética em Pesquisa envolvendo Seres Humanos
tem como objetivo beneficiar os envolvidos em pesquisas permitindo:
o Facilitar o registro das pesquisas envolvendo seres humanos;
50

o Orientar a tramitação de cada projeto para apreciação ética antes


de seu início;
o Facilitar aos pesquisadores o acompanhamento da situação de
seus projetos;
o Permitir o acompanhamento dos projetos já aprovados (em
condições de serem iniciados) pela população em geral e,
especialmente, pelos participantes nas pesquisas.

• http://www.datasus.gov.br/conselho/comissoes/etica/conep.htm ou
http://conselho.saude.gov.br/comissao/eticapesq.htm - A Comissão
Nacional de Ética em Pesquisa – CONEP – órgão do Conselho
Nacional de Saúde (CNS) foi criada através da Resolução 196/96, com
a função de implementar as normas e diretrizes regulamentadoras de
pesquisas envolvendo seres humanos, aprovadas pelo Conselho. Tem
função consultiva, deliberativa, normativa e educativa, atuando
conjuntamente com uma rede de Comitês de Ética em Pesquisa - CEP-
organizados nas instituições onde as pesquisas se realizam. Neste site
é encontrada, entre outros assuntos, a documentação relacionada com
ética em pesquisa:
o Registro, renovação de registro e acompanhamento dos CEPs;
o Documentos requeridos para apresentação de projetos de
pesquisa;
o Fluxograma para tramitação dos projetos;
o Roteiro de parecer consubstanciado a ser emitido pelos CEPs.

3.7 Termo de Consentimento

Estes modelos podem ser obtidos nos endereços eletrônicos citados e


poderão servir de base para elaboração de outros termos. Os exemplos foram
adaptados para o UNASP.
51

Modelo 11
Termo de Consentimento
Você possui as características adequadas a uma pesquisa que estamos
iniciando que são: (descrever as características que fazem do sujeito um
candidato á pesquisa) e está sendo convidado a participar do estudo intitulado
(nome do estudo). Estudos semelhantes têm permitido diversos avanços na
área da saúde, permitindo novas descobertas e melhores formas de lidar com
as doenças. Portanto sua participação é muito importante. Os objetivos deste
estudo são (colocar sumariamente) e caso você participe, será necessário
(responder perguntas sobre .... , medir .... , coletar sangue para ..., consultas
de enfermagem semanais, etc.). (Em caso de não haver riscos ou
desconfortos: Não será feito nenhum procedimento que lhe traga qualquer
desconforto ou risco à sua vida) (Ou especificar todos os desconfortos, se
houver possibilidade de que eles ocorram: Você poderá ter algum desconforto
quando receber uma picada para colher o sangue do seu braço, etc.).
Você poderá ter todas as informações que quiser e poderá não
participar da pesquisa ou retirar seu consentimento a qualquer momento, sem
prejuízo no seu atendimento. Pela sua participação no estudo, você não
receberá qualquer valor em dinheiro, mas terá a garantia de que todas as
despesas necessárias para a realização da pesquisa não serão de sua
responsabilidade. Seu nome será mantido em sigilo, não aparecendo em
qualquer momento do estudo. (Depois de lido e explicado o que estiver
expresso no documento com os detalhes de esclarecimento, o participante -
colaborador ou sujeito do estudo - deve assinar a parte final do documento,
descrita na página seguinte).

1
O modelo 1 foi consultado no endereço eletrônico: http://www.fmtm.br/
pesquisa/cep/cep-modificacoes/cep-internet/modelo_de_termo_de_consentimento.htm
Acesso em: 15 dez 2005.
52

Descrição dos Esclarecimentos

Termo de Consentimento Livre, Após Esclarecimento


Eu, (nome do voluntário), li e/ou ouvi o esclarecimento acima e
compreendi para que serve o estudo e qual procedimento a que serei
submetido. A explicação que recebi esclarece os riscos e benefícios do
estudo. Eu entendi que sou livre para interromper minha participação a
qualquer momento, sem justificar minha decisão e que isso não afetará
minha relação com a instituição onde estou sendo atendido. Sei que
meu nome não será divulgado, que não terei despesas e não receberei
dinheiro por participar do estudo.
Eu concordo em participar do estudo.

São Paulo, ............./ ............../...............

Assinatura (do voluntário ou


responsável legal): Número do RG

Assinatura do pesquisador
Assinatura do
responsável:
pesquisador orientador:

Telefone de contato dos


pesquisadores:

Em caso de dúvida em relação a esse documento, você pode entrar em


contato com o Comitê de Ética em Pesquisa do Centro Universitário
Adventista de São Paulo pelo telefone (número com DDD).
53

Modelo 22
TERMO DE CONSENTIMENTO
Eu, __________________________________, RG ____________, abaixo
qualificado, DECLARO para fins de participação em pesquisa, na condição de (sujeito
objeto da pesquisa/representante legal do sujeito objeto da pesquisa), que fui
devidamente esclarecido sobre o Projeto de Pesquisa intitulado:
________________________(Título do trabalho)_____________________________
____________________________________________________________________
____________________________________________________________________
____________________________________________________________________
desenvolvido pelo(a) aluno ______________________________________________
do Curso ______________________________do Centro Universitário Adventista de
São Paulo, quanto aos seguintes aspectos:
a) justificativa, objetivos e procedimentos que serão utilizados na pesquisa;
b) desconfortos e riscos possíveis e os benefícios esperados;
c) métodos alternativos existentes;
d) forma de acompanhamento e assistência com seus devidos responsáveis;
e) garantia de esclarecimentos antes e durante o curso da pesquisa, sobre a
metodologia, com informação prévia sobre a possibilidade de inclusão em grupo de
controle e placebo;
f) liberdade de se recusar a participar ou retirar seu consentimento, em qualquer fase
da pesquisa, sem penalização alguma e sem prejuízo ao seu cuidado;
g) garantia de sigilo quanto aos dados confidenciais envolvidos na pesquisa,
assegurando-lhe absoluta privacidade;
h) formas de indenização diante dos eventuais danos decorrentes da pesquisa;
i) formas de ressarcimento das despesas decorrentes da participação na pesquisa.
DECLARO, outrossim, que após ter sido convenientemente esclarecido pelo
pesquisador e ter entendido o que me (nos) foi explicado, consinto voluntariamente
(em participar/que meu dependente legal participe) desta pesquisa.

São Paulo, de de 200__

2
O modelo 2 foi consultado no endereço eletrônico: http://www.unit.br/
CEP/Termo-de-Consentimento-Livre-e-Esclarecido.doc Acesso em: 15 dez 2005.
54

TERMO DE CONSENTIMENTO
Sujeito da Pesquisa: (Nome):..........................................................................................
RG:........................... Data de nascimento:........ / ........ / ...... Sexo: M ( ) F( )
Endereço: ............................................................................................... nº....................
Apto: ................. Bairro:.................................. Cidade:............................
Cep:................ Tel.:.................

__________________________
Assinatura do Declarante

Representante legal:........................................................................................................
Natureza da Representação:..........................................................................................
RG:................................. Data de nascimento:......./........./...... Sexo: M ( ) F( )
Endereço:.....................................................nº................................Apto:.......................
Bairro:....................................... Cidade:.......................Cep:..............Tel.:.....................

__________________________
Assinatura do Declarante

DECLARAÇÃO DO PESQUISADOR
DECLARO, para fins de realização de pesquisa, ter elaborado este Termo de
Consentimento, cumprindo todas as exigências contidas nas alíneas acima elencadas
e que obtive, de forma apropriada e voluntária, o consentimento livre e esclarecido do
declarante acima qualificado para a realização desta pesquisa.
São Paulo, de de 200.....

__________________________
Assinatura do Pesquisador
55

A CONSTRUÇÃO DO PROJETO DE PESQUISA


Elias F. Porto
elias.porto@unasp.edu.br

Leonardo Tavares Martins


leonardo.martins@unasp.edu.br

Paulo Gomes Lima


paulo.gomes@unasp.edu.br

Qualquer que seja o campo de atividade a que o


trabalhador científico se aplique, a reflexão sobre o
trabalho que executa, os fundamentos existenciais, os
suportes sociais e as finalidades culturais que o explicam,
o exame dos problemas epistemológicos que a
penetração no desconhecido do mundo objetivo suscita, a
determinação da origem, poder e limites da capacidade
perscrutadora da consciência, e tantas outras questões
deste gênero, que se referem ao processo da pesquisa
científica e da lógica da ciência, não podem ficar à parte
do campo de interesse intelectual do pesquisador, que
precisa conhecer a natureza do seu trabalho, porque,...
este é constituído da sua própria realidade individual
(VIEIRA PINTO, 1979, p.3).
56

Para que qualquer pesquisa científica seja desenvolvida é necessário o


estabelecimento de um projeto de pesquisa. O projeto de pesquisa é o
planejamento prévio da pesquisa que sistematiza todas as etapas que serão
realizadas no desenvolvimento da mesma. Por exemplo, é no projeto de
pesquisa que se explicita o problema a ser estudado; qual campo do
conhecimento, local epistemológico e época em que se situa a problemática
(introdução); a relevância de se estudar determinado assunto (justificativa); o
que o estudo pretende demonstrar ou explicar (objetivos); que teorias e
metodologias ajudarão o pesquisador na realização de seus objetivos
(metodologia); em quanto tempo o estudo será realizado (cronograma); uma
apresentação do tema da pesquisa, demonstrando que o pesquisador já
conhece o que a literatura apresenta sobre o assunto (desenvolvimento do
tema) e todas as fontes consultadas para desenvolvimento do projeto
(bibliografia).

4.1 PROJETO DE PESQUISA

Um projeto pode ser organizado de diferentes formas, na verdade “não


existe um padrão rigidamente estabelecido e imutável” (GONSALVES, 2003,
p.13), entretanto, todo projeto, para que tenha pertinência científica, deve
reunir, no mínimo, os elementos citados anteriormente, uma vez que são eles
que proporcionarão diretrizes metodológicas válidas dentro das convenções
científicas.
Assim, o projeto de pesquisa deverá apontar para o problema a ser
estudado e para o procedimento adotado para estudá-lo. Ao se formular um
problema de pesquisa, precisamos considerar algumas regras importantes
(GIL, 1999):

4.1.1 O Problema Deve Ser Formulado Como Uma Pergunta

O problema deve responder a algo que inquiete o pesquisador, por isso


ao elaborar o projeto, deve-se ter claramente qual é questão à qual se deseja
uma resposta. Quando o problema é formulado como uma questão, facilita a
identificação da problemática que se deseja estudar. Tem-se, por exemplo, o
57

tema: “a relação entre nutrição e obesidade”, percebe-se que está muito


abrangente, mas quando formula-se uma pergunta, o problema fica mais
evidente e é possível compreender sua delimitação; veja como poderíamos
transformar este tema em um problema corretamente formulado: “Que hábitos
alimentares podem estar relacionados com a obesidade em escolares da
terceira série do ensino fundamental de uma escola particular do município de
São Paulo?”

4.1.2 O Problema Deve Ser Delimitado a Uma Dimensão Viável

O projeto deve ser exeqüível, ou seja, ao formular o problema certifique-


se de que a execução do projeto é viável. Como um problema possui muitas
dimensões, o pesquisador deverá selecionar somente aquela(s) que
interessa(m) ao estudo a ser realizado. Assim, não caberia propor um projeto
de pesquisa para estudar a obesidade e as crianças, pois sem a devida
delimitação isto seria inviável (quais crianças seriam estudadas? todas as
brasileiras? todas as crianças do mundo? todas as crianças de escola
particular?).

4.1.3 O Problema Deve Ter Clareza

Os termos utilizados na construção do projeto devem ser claros e


precisos. Atenção ao escolher as palavras para que não haja contradição nem
sentido diferente ao pretendido. Caso o problema não esteja claro, haverá
dificuldade em se compreender qual a pretensão do projeto. Por exemplo, um
projeto que se proponha a analisar o conceito de operários sobre a política
pública mostra-se incompleto e, portanto, confuso sobre qual a pretensão do
pesquisador (quais operários? de que política pública? de algum governo
específico?)
58

4.1.4 O Problema Deve Apresentar Bases Científicas Para a


Análise

Qualquer que seja o tipo de pesquisa proposto no projeto, deve-se usar


como ferramentas para análise das informações o que seja aceito
academicamente e nunca se apropriar de juízos de valor, de forma particular
pois este tipo de procedimento não tem validade científica. Assim, se os dados
a serem analisados forem quantitativos, deve-se deixar claro qual o
procedimento estatístico para tratar tais informações e ao se fazer uso de uma
proposta de estudo que seja qualitativa, deve-se deixar claro quais as fontes a
serem consideradas e qual o procedimento adotado para análise.

4.2 A Estrutura de Um Projeto de Pesquisa

Embora existam diferentes propostas de estrutura de projeto na


literatura, há similaridade entre as diferentes formas, pois os itens principais,
mencionados anteriormente, devem estar contemplados. Assim, propomos
uma estrutura didática de projeto de pesquisa que pretende ser ao mesmo
tempo eficiente e pedagogicamente viável para os pesquisadores iniciantes.

4.2.1 Esboço do Projeto de Pesquisa:

1 INTRODUÇÃO
2 OBJETIVOS
3 JUSTIFICATIVA
4 METODOLOGIA
5 DESENVOLVIMENTO DO TEMA
6 CRONOGRAMA
7 ORÇAMENTO
8 REFERÊNCIAS
59

4.2.2 Definição dos Itens Essenciais no Projeto de Pesquisa

1 INTRODUÇÃO
1.1 Apresentação e Delimitação do Tema

Delimitação inicial, definindo o campo de conhecimento. Situa-se como


pano de fundo, apresentando o que envolve o tema escolhido. Exponha como
chegou ao tema de investigação, qual foi a gênese do problema, as
circunstâncias que interferiram nesse processo, porque fez tal opção, se houve
antecedentes. Aborde o assunto geral sobre o qual se deseja realizar a
pesquisa. Apresente o campo de conhecimento que pertence o assunto e
identifique qual é a questão ou o problema a ser pesquisado. Problemas são
perguntas que a pesquisa pretende resolver. Coloque o problema em forma
interrogativa tornando-o mais diretivo, o que demandará uma resposta clara.
Ex: “Qual foi o papel desempenhado pela Associação Brasileira de Educação
(ABE) no desenvolvimento da educação brasileira?”.
A delimitação consiste na indicação, de modo breve, do tema a ser
pesquisado, definindo claramente o campo de conhecimento que pertence o
assunto, situando seus limites e o lugar que ocupa no tempo e no espaço.
Exemplo: “Este estudo delimita-se por desenvolver um estudo sobre a
contribuição da ABE para o desenvolvimento da educação formal brasileira
particularmente na década de 20, decorrente de suas Conferências Nacionais
de Educação”.
No exemplo dado acima, podemos identificar a delimitação do tema,
pois há indicação:
• Do campo do conhecimento: história da educação brasileira;
• Do local ao qual se refere o estudo (local epistemológico da pesquisa):
Brasil – Conferências Nacionais de Educação;
• Do tempo: anos 20 (época da criação da ABE).
60

2 OBJETIVOS

Nesta parte indica-se o que é pretendido com o desenvolvimento da


pesquisa. “O Objetivo é o que você pretende atingir com a sua pesquisa e não
o que você vai fazer para atingi-lo” (GONSALVES, 2003, p.56). Assim, os
objetivos servem para indicar a direção da ação. É importante que os objetivos
sejam exeqüíveis, ou seja, não é pertinente um objetivo aparentemente
importante e bem construído, mas que não poderá ser atingido. Divide-se em
objetivo geral e objetivos específicos. Deve ser sucinto e sugere-se que inicie
com verbo no infinitivo. O objetivo geral deve ser apenas um e os objetivos
específicos podem ser de 3 a 5, estes são aspectos secundários do projeto.

2.1 Objetivo Geral

Utilizando-se um verbo no infinitivo indica-se qual é a grande questão


que procuraremos estudar na pesquisa. Para formular o objetivo geral, pense
em responder à pergunta: o que você pretende com este projeto? (dentre os
verbos mais utilizados, podemos citar, como exemplo: Analisar, Avaliar,
Classificar, Comparar, Construir, Contrastar, Criticar, Decidir, Descrever,
Desenvolver, Determinar, Diferenciar, Discriminar, Discutir, Documentar,
Explicar, Entender, Esclarecer, Escolher, Especificar, Esquematizar,
Estabelecer, Estimar, Examinar, Formular, Identificar, Interpretar, Localizar,
Medir, Produzir, Propor, Selecionar, Verificar, etc...). É interessante que este
objetivo seja apenas um e que esteja ligado diretamente ao problema
levantado pelo pesquisador. Exemplos:
• Formular uma proposta de análise postural para crianças de 7 a 10
anos;
• Comparar o comportamento de crianças escolares em situação de
competição e de cooperação;
• Verificar a incidência de problemas posturais em crianças e
adolescentes, alunos do ensino fundamental da Escola Adventista de
Florianópolis;
61

• Analisar em que grau e em que medida Zeferino Vaz contribuiu para a


criação da Universidade Estadual de Campinas.

2.2 Objetivos Específicos

Aspectos que em conjunto propiciam a resolução do objetivo geral.


Estes objetivos, embora com um caráter secundário, irão contribuir para que se
alcance o objetivo geral. Aqui poderemos elencar mais de um objetivo
acessório, no entanto, não é interessante que o pesquisador desenvolva mais
de 5 objetivos específicos, pois isto poderá dificultar o controle de sua
pesquisa. Se o pesquisador elaborar de 3 a 5 objetivos específicos, não
necessariamente, mas, também, poderá indicar um objetivo específico para
cada capítulo ou caso prefira, buscar alcançá-los difusamente no
desenvolvimento do trabalho. Exemplos:
• Destacar a situação do ensino público superior no Estado de São Paulo
em geral e no sudeste paulista em particular nos anos 60;
• Analisar os modelos que foram seguidos na formulação da proposta da
Unicamp.
• Explicar a atuação direta e papel de Zeferino Vaz como ator expoente
na criação da Unicamp.

3 JUSTIFICATIVA

Nesta seção, o pesquisador procura demonstrar o valor do seu objeto de


estudo. Para tanto, destacará a relevância do assunto, tanto em termos
acadêmicos quanto nos seus aspectos de utilidade social, mostrará a
viabilidade do tema enquanto objeto de pesquisa e indicará as razões de
ordem pessoal que o levaram a eleger este tópico do conhecimento. Esta
seção deve ser redigida a partir das seguintes perguntas:
O que esta pesquisa pode acrescentar à ciência onde se inscreve?
(relevância científica);
Que benefício poderá trazer à comunidade com a divulgação do
trabalho? (relevância social);
62

O que levou o pesquisador a se inclinar e, por fim, escolher, por este


tema? (interesse);
Em termos gerais, quais são as possibilidades concretas de esta
pesquisa vir a se realizar? (viabilidade).

4 METODOLOGIA

O quadro teórico-metodológico é o referencial organizativo do “como” a


pesquisa será realizada, em outras palavras é o percurso ou o caminho a ser
percorrido para se alcançar o objetivo estabelecido. Associar metodologia a
um conjunto de técnicas ou procedimentos para coleta de dados é uma
redução da amplitude deste item. Buscando o sentido etimológico de
metodologia encontraremos “Méthodos significando o caminho para chegar a
um fim, enquanto logos indica estudo sistemático, investigação. Assim,
metodologia significa o estudo dos caminhos a serem seguidos, incluindo aí os
procedimentos escolhidos” (GONSALVES, 2003, p.62). Neste item do projeto,
você deverá deixar claro quais procedimentos pretende utilizar na produção
dos dados, quais são os autores que serão as principais fontes teóricas de
sustentação da pesquisa, quais os principais procedimentos empregados para
que todos os objetivos planejados sejam satisfatoriamente alcançados, quais
as etapas da análise dos dados e outros detalhes como tipo da pesquisa,
sujeitos da pesquisa e espaço da pesquisa.
Pode-se iniciar a metodologia com a indicação dos autores que serão o
referencial da pesquisa. Ex: “Este trabalho terá como referencial teórico as
contribuições de Barros (2001), Witter (1999), Lima (2001), Silva (2003),
Ramos Lamar (1998)...” (Atenção: estes exemplos são apenas para finalidade
didática, não se tratando em hipótese alguma de referências específicas).
Indique no texto a relação entre o trabalho dos referidos autores e a
proposta contemplada em teu projeto e as possíveis diferenças.
63

4.1 Abordagem da Pesquisa

Aqui o pesquisador deverá deixar claro que tipo de pesquisa


desenvolverá: experimental, bibliográfica, estudo de caso, documental, ex-post-
facto, pesquisa ação, pesquisa participante ou ainda se a pesquisa será um
levantamento bibliográfico. É importante também indicar a natureza da
pesquisa, se qualitativa, se quantitativa ou se dialética. Dizer apenas: “Como
instrumento utilizarei a entrevista semi-estruturada” definitivamente não é
suficiente para a metodologia! Requer-se uma detalhada descrição de todo o
procedimento. Existe na literatura diferentes conceituações a respeito da
classificação da pesquisa e pode-se utilizar a perspectiva que melhor se
adequar ao seu tipo de trabalho, entretanto a partir de quatro grandes linhas de
pesquisa (Histórica, Descritiva, Experimental e Ex-Post-Facto) observe os
diferentes tipos de classificação possíveis:
• Segundo os objetivos: Exploratória; Descritiva; Experimental; Explicativa;
• Segundo as fontes de informação: Campo; Laboratório; Bibliográfica;
Documental;
• Segundo a natureza dos dados: Quantitativa; Qualitativa;
• Segundo os procedimentos de coleta: Experimento; Levantamento;
Estudo de Caso; Bibliográfica; Documental; Participativa.

4.2 Sujeitos da Pesquisa

É importante deixar claro qual a população a ser estudada e dentro de


qual universo esta população se encaixa. Algumas perguntas podem ajudar a
deixar claro este item do projeto: Quais os critérios adotados para a escolha
desta população? Quais as características particulares desta população que a
diferencias de outros grupos? Toda a população escolhida será estudada ou
será selecionada uma amostra para o estudo? Como se deu a escolha da
amostra (forma probabilística – aleatória simples ou randômica estratificada ou
não-probabilística – acidental ou intencional)?
64

4.3 Coleta de Dados e Instrumento

A forma como se procederá a coleta deve estar detalhada. Diferentes


formas de pesquisa devem esclarecer sobre o que está envolvido na forma de
se obter os dados a serem analisados, pois existem diferentes técnicas para a
obtenção dos dados: o questionário, a entrevista, o formulário, levantamento de
dados, observação direta, etc. Se a pesquisa for documental, deve-se
esclarecer sobre quais são as fontes, onde serão obtidas, o que será extraído
das fontes para a análise, se a pesquisa envolver seres vivos, deve-se
esclarecer no projeto se haverá alguma alteração no meio onde vivem, quais
alterações, se haverá a administração de algum produto aos seres em
observação, se a pesquisa prevê a aplicação de questionário, deve-se deixar
claro qual critério adotado na escolha do instrumento, se foi criado pelo
pesquisador, se foi adaptado ou se está seguindo um modelo sugerido por
outro pesquisador. Deve-se ainda evidenciar quais informações pretende obter
a partir de determinado procedimento ou instrumento e como será aplicado. Se
o projeto pretende, por exemplo, fazer a avaliação física em crianças, deve-se
dizer quem fará as medidas, em que local, quais as medidas serão tomadas,
que instrumentos serão utilizados nas avaliações. Outra informação
absolutamente necessária que o projeto deve apresentar é que, havendo seres
vivos envolvidos na pesquisa (quer seja a aplicação de um questionário, uma
entrevista, avaliação física, manipulação de animais), deverá haver aprovação
do comitê de ética para que haja continuidade do projeto.

4.4 Organização e Análise dos Dados

O processo de análise dos dados pode envolver diversos


procedimentos: codificação das repostas, tabulação dos dados e cálculos
estatísticos, análise de discurso, análise de conteúdo entre outras formas
possíveis. Este item do projeto deverá esclarecer o leitor sobre o que será feito
com os dados obtidos, ou seja, como se dará a interpretação dos dados. Se
houver cálculos estatísticos, deve-se dizer se haverá algum software ou
fórmulas específicas para a análise.
65

5 DESENVOLVIMENTO DO TEMA

Esta é a parte central do texto, onde o aluno deve apresentar de forma


mais profunda o que conhece sobre o tema, as leituras já realizadas, como a
literatura aborda o objeto de estudo e mostrar que as questões envolvidas com
o tema já são de seu conhecimento. Para facilitar a apresentação do projeto,
este item pode estar dividido em capítulos. Como o projeto e a redação final do
TCC estão muito próximos no tempo, este item mostra-se importante para que
o aluno possa alcançar o texto final completo, a partir do que foi feito no
projeto. Assim, o texto deste item será usado também no trabalho final,
logicamente que acrescido de mais informações, citações e comentários.
Retomando o que já foi anunciado na Introdução, procure agora, com
uma exposição mais objetiva e técnica, colocar o problema, ou seja, como o
tema está problematizado e, consequentemente porque ele precisa ainda ser
pesquisado. Trata-se portanto de delimitar, circunscrever, o tema-problema
com um maior aprofundamento. Na introdução é apresentado o tema de forma
mais ampla e aqui de forma mais profunda. Aqui cabe fazer a contextualização
do que há publicado sobre o assunto e como outros autores têm estudado este
tema. Se em comum acordo com o orientador, pode-se ter um capítulo
destinado a revisão de literatura, entretanto não é obrigatório este capítulo, pois
dependendo do tipo de pesquisa, a revisão se mostrará presente em vários
capítulos. Este é o momento onde os textos/documentos estudados devem
aparecer. Privilegie os textos mais importantes e mais recentes sobre seu
tema; esta é uma varredura exploratória, mas que não pode ser precária. Você
deve demonstrar domínio sobre o que outros autores estudaram a respeito do
tema escolhido e expor tais idéias.
A utilização de uma Hipótese no projeto não é obrigatória, pois há
perspectivas metodológicas que excluem a utilização de uma hipótese
afirmando que a ciência deveria ir em busca a uma resposta sem pressupor
uma possível resposta pois isto poderia influenciar no encaminhamento da
pesquisa. Entretanto, se em comum acordo com o orientador houver a
proposta para a inclusão de Hipótese no projeto, poderá ser feito dentro deste
item. Sendo a Hipótese uma resposta provisórias, anterior à pesquisa, que o
66

pesquisador oferece, caberia esta colocação dentro do desenvolvimento do


tema como a perspectiva do pesquisador sobre o problema estudado.
Evidentemente a Hipótese não deve estar dissociada de uma atenta relação
com o que a literatura apresenta sobre a temática estudada. O resultado da
pesquisa poderá negar ou confirmar a hipótese. Um bom procedimento seria
trabalhar com um problema e uma hipótese centrais e bem definidas.

6 CRONOGRAMA

Neste item deve ser feita a previsão de duração de cada fase do projeto,
delimitando o tempo para cada momento. O detalhamento dos itens mostra a
organização do pesquisador e isto poderá ser decisivo para se obter êxito na
execução do projeto. Sugere-se a seguir dois modelos distintos. Qualquer que
seja o modelo adotado, o importante é detalhar cada parte do projeto e o tempo
em que se dará cada atividade.

ANO MÊS ATIVIDADE


2006 Fevereiro Levantamento de obras que interessam à pesquisa
2006 Março a Abril Aquisição e leitura dos textos
2006 Abril a Maio Digitação da introdução
2006 Junho Encaminhamento ao comitê de ética

2006 MÊS 1
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11
ATIVIDADE 2
1. Levantamento de obras que interessam à
X
pesquisa
2. Aquisição e leitura dos textos XX
3. Digitação da introdução XX
4. Encaminhamento ao comitê de ética X

No detalhamento das atividades e do tempo necessário para a execução


você deverá definir quais itens estarão previstos para o teu projeto, a seguir
listamos alguns destes itens, de forma sugestiva, ou seja, nem todos precisam
estar mencionados em teu projeto e você poderá acrescentar outros que julgar
necessário.
• Levantamento das obras que interessam à pesquisa.
67

• Aquisição de textos ou livros pertinentes ao objeto de pesquisa


• Leituras intensivas sobre o tema
• Registro dos conteúdos (literaturas e coletas efetuadas)
• Sistematização do material
• Coleta de dados
• Interpretação dos dados, conforme categorias estabelecidas
• Primeira redação
• Correções e intervenções do orientador
• Segunda redação
• encadernação
• Apresentação do trabalho
• Correções do texto final
• Encaminhamento do texto final corrigido

7 ORÇAMENTO

A previsão orçamentária não será necessária a todos os projetos,


entretanto se você pretende utilizar reagentes, material de laboratório,
equipamentos ou se haverá despesa com pessoal, transporte, ou qualquer
outro tipo de custo para a execução do projeto ou análise dos dados, isto
deverá estar previsto. Inclua detalhadamente o valor para cada item a ser
custeado e em que momento isto deve ocorrer. É importante descrever se
haverá solicitação de financiamento para órgãos de fomento à pesquisa ou
quem deverá custear o projeto. Se teu projeto não prevê custos, não há a
necessidade de colocar este item no projeto.

8 REFERÊNCIAS

Reúne-se aqui uma relação das fontes / obras utilizadas para a


elaboração do Projeto e que serão utilizadas na Pesquisa propriamente dita,
bem como no TCC. O pesquisador deve ter claro que esta lista de referências
poderá ampliar-se ao final da pesquisa, portanto as obras aqui mencionadas
não devem servir de limite para a continuidade do projeto, já que novos
68

documentos poderão ser identificados no desenvolvimento do processo de


investigação. As referências devem seguir a norma apresentada no capítulo 7.

4.2.3 Apresentação Gráfica

O projeto deve incluir capa, página de rosto e sumário, segundo o


modelo a seguir. O texto deve estar formatado em papel A4, fonte 12, Arial,
espaço 1,5. Deixe 3cm de margem esquerda e superior e 2cm de margem,
inferior e direita. A numeração é colocada, a partir da primeira folha da parte
textual, em algarismos arábicos, no canto superior direito da folha. Siga a
ordem dos itens do projeto conforme descrito anteriormente.
69

CENTRO UNIVERSITÁRIO ADVENTISTA DE SÃO PAULO


CAMPUS ...
CURSO ...
(Arial 14 / Negrito)

TÍTULO DO PROJETO
(Arial 18 / Negrito)

AUTOR(ES)
(Arial 14 / Negrito)

CIDADE – ESTADO
ANO
(Arial 14 / Negrito)

FIGURA 1 Modelo de capa para projetos de pesquisa


70

CENTRO UNIVERSITÁRIO ADVENTISTA DE SÃO PAULO


CAMPUS ENGENHEIRO COELHO
CURSO DE PEDAGOGIA

HÁBITOS DE ESTUDO E RENDIMENTO ESCOLAR DE


ALUNOS DO ENSINO MÉDIO

FÁBIO LUIS SILVA


LUÍZA BELA SILVA

ENGENHEIRO COELHO – SP
2005

FIGURA 2 Exemplo de capa para projeto de pesquisa


71

NOME
(Arial 14)

TÍTULO
(Arial 18)

CIDADE – ESTADO
ANO
(Arial 14 / Negrito)

FIGURA 3 Modelo de folha de rosto para projeto de pesquisa


72

FÁBIO LUIS SILVA


LUÍZA BELA SILVA

HÁBITOS DE ESTUDO E RENDIMENTO ESCOLAR DE


ALUNOS DE ENSINO MÉDIO

Projeto de pesquisa apresentado ao


curso de Pedagogia do Centro
Universitário Adventista São Paulo,
campus ___, como requisito parcial à
disciplina Trabalho de Conclusão de
Curso I. de pesquisa apresentado ao curso
Projeto
. de Pedagogia do Centro Universitário
Orientador(a)
Adventista Prof.
São ___ campus EC, como
Paulo,
(Arial 12)
requisito parcial à Disciplina Trabalho de
Conclusão de Curso I.

Orientadora Prof. Ms. Maria Silva

Engenheiro Coelho – SP
2005

FIGURA 4 Exemplo de folha de rosto para projeto de pesquisa


73

SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO....................................................................................... 3
2. OBJETIVOS.......................................................................................... 5
3. JUSTIFICATIVA.................................................................................... 6
4. METODOLOGIA ................................................................................... 8
5.DESENVOLVIMENTO DO TEMA.........................................................11
5.1 Nome do Capítulo ................................................................... 11
5.2 Nome do Capítulo .................................................................. 14
5.3 Nome do Capítulo .................................................................. 16
6. CRONOGRAMA.................................................................................. 18
7. ORÇAMENTO..................................................................................... 19
8. REFERÊNCIAS................................................................................... 20

FIGURA 5 Exemplo de sumário para projeto


74

A CONSTRUÇÃO DA MONOGRAFIA

Elias F. Porto
elias.porto@unasp.edu.br

Kátia Corina Vieira


katia.vieira@unasp.edu.br

Leonardo Tavares Martins


leonardo.martins@unasp.edu.br

Paulo Gomes Lima


paulo.gomes@unasp.edu.br

A atividade de pesquisa é uma atividade racional. Implica


no mais profundo e elevado exercício da razão da parte
do homem. Talvez seja nessa atividade mais do que em
qualquer outra que o homem possa dar expressão ao seu
ímpeto de criatividade (DUSILEK, 1978, p.34).
75

5 MONOGRAFIA

O capítulo anterior apresentou o que é um projeto e como estruturá-lo.


Agora, chegou a hora de fazer tudo o que o projeto previa. É hora de usar o
projeto como um mapa, um guia, na realização da pesquisa.
Boa parte do que se escreveu no projeto foi um exercício de definição e
previsão. Definição do que se irá pesquisar, de quais objetivos pretende-se
alcançar, de argumentos que justifiquem a realização da pesquisa, definição e
previsão dos aspectos metodológicos mais adequados à realização e alcance
dos objetivos propostos e quais seriam os fundamentos teóricos essenciais,
definição das tarefas a serem realizadas, previsão de quando essas tarefas
seriam realizadas e de despesas para fazer a pesquisa. Percebe-se que tudo
que está ligado ao projeto gira em torno de planejamento. Após o planejamento
vem a execução: construção da monografia.

5.1 O Que é Uma Monografia

Após o projeto estar pronto e aprovado, pode-se pensar na monografia,


pois esta será a realização daquilo que foi expresso no projeto. Este é o
momento de buscar nas mais variadas fontes a informação necessária para
aprofundar e desenvolver a pesquisa previamente planejada e, ao final,
apresentar os resultados da pesquisa. A essa apresentação de resultados
chamamos de monografia. De acordo com Medeiros (2004, p. 248), monografia
“é uma dissertação que trata de um assunto particular, de forma sistemática e
completa.”
É necessário destacar, inicialmente, que a monografia constitui-se num
estilo específico de redação: a dissertação. Sobre este estilo, a dissertação,
vale lembrear que ela costuma discorrer sobre um tema determinado, de forma
argumentativa, ou seja, o escritor de uma dissertação costuma ter uma idéia,
uma posição, um ponto de vista e discute o tema escolhido. Para tanto, o texto
de uma dissertação costuma ser inquisidor e, às vezes, até provocativo,
através da apresentação de fatos e evidências. Quanto à estrutura, as
76

dissertações, costumam ter uma introdução, um desenvolvimento e uma


conclusão.
Em segundo lugar, deve-se notar que uma monografia deve tratar de
apenas um tema, apenas um assunto. Esse tema ou assunto foi definido e
delimitado quando da elaboração do projeto de pesquisa. Alguns elementos do
projeto definem o tema ou o assunto da monografia. Desses elementos, os
mais importantes são o problema de pesquisa e o objetivo ou os objetivos.
Estes itens do projeto mostram-se alicerces da pesquisa e, conseqüentemente,
da monografia.
Em terceiro lugar, uma monografia trata o tema de forma sistemática.
Algo sistemático, no senso comum, pode ser considerado negativo. No dia a
dia pode-se dizer que fulano é “sistemático”, como uma forma educada de dizer
que esse alguém, sob determinado ponto de vista, é uma pessoa “caxias",
“certinha demais”, “metódica demais”, “chata”. Mas, para que se compreenda o
que significa sistemático, deve-se primeiro entender o que significa a palavra
sistema, que é a origem do termo sistemático.
A definição de sistema está associada à idéia de um conjunto de partes
que se relacionam entre si e que, juntas, formam um todo. Ao traduzirmos essa
idéia para algo mais concreto, poderíamos exemplificar dizendo que o
computador no qual se produz um texto, composto de uma CPU, um monitor,
um teclado e um mouse, é um sistema. Também poderíamos dizer que o
UNASP, com seus três campi e dezenas de departamentos e cursos é um
sistema. O corpo humano, com seus órgãos, membros, células e tecidos é um
sistema.
A partir daí, se compreendemos o que é um sistema, fica mais fácil
entendermos o que significa ser sistemático. De acordo com o dicionário
Aurélio, sistemático é aquilo que é ordenado, metódico, coerente com uma
determinada linha de pensamento ou ação. Então, como podemos entender
um texto, uma redação, uma monografia dentro dessa idéia de sistema e
sistemático? Bem, a monografia será composta e estruturada a partir de
diversas partes, cada qual com sua função. Mas, quando todas essas partes
forem olhadas em conjunto, devem fazer sentido, devem compor um único
trabalho. Uma monografia deve ser sistemática porque nela deve haver
77

coerência, organização e método que lhe dêem um sentido de unidade às suas


diversas partes.
Em quarto lugar, uma monografia deve tratar de um tema ou assunto de
forma completa. Isso quer dizer que ao escrever uma monografia deve-se
atentar para a necessidade de tratar o tema escolhido em seu todo.
Evidentemente mostrar domínio completo de determinado assunto, com a
quantidade de informaçoes disponíveis atualmente, seria, no mínimo,
presunçoso, afinal, quem é que sabe tudo sobre alguma coisa para tratá-la de
maneira completa? Quem é que consegue num único trabalho escrito tratar de
tudo que faz parte de um determinado assunto? Por isso é tão importante
delimitar o tema da pesquisa. Mais uma vez, a correta definição do problema
de pesquisa e dos objetivos é essencial para que isso seja possível. Quando o
problema de pesquisa e os objetivos estão definidos, fica claro o quanto se
propõe a abranger dentro da monografia. Portanto, uma monografia deve ser
completa, inteira, dentro do que foi estipulado como problema de pesquisa e
objetivos.

5.2 Tipos de Monografia

A partir do conhecimento básico do que é uma monografia, é preciso


reconhecer que há mais de um tipo de monografia. Entende-se monografia
como um termo genérico que identifica trabalhos escritos com as
características que acabamos de discutir. A esses trabalhos chamamos de
trabalhos monográficos.
Durante um curso de graduação normalmente se produz diversos
trabalhos monográficos. É bastante comum que o professor de uma disciplina
solicite aos alunos que façam um trabalho escrito sobre um determinado tema,
a partir de pesquisa bibliográfica ou até mesmo com alguma coleta de dados
em campo, através de entrevistas ou análise de documentos. Estes trabalhos
não costumam ser muito extensos. Geralmente acabam por ter entre 10 e 20
páginas e possuem uma estruturação bastante simplificada. Essa estrutura
costuma ser composta de capa, folha de rosto, sumário, introdução, as partes
ou capítulos de desenvolvimento, conclusão ou considerações finais e
78

referências. Alguns chamam estes trabalhos de monografias, outros de papers,


outros de trabalhos acadêmicos, outros ainda apenas de trabalho escrito. De
qualquer forma, por suas características, apesar da relativa simplicidade, esses
trabalhos em geral podem ser classificados como monografias e, na medida
em que são bem produzidos, já servem como preparo para a monografia de
conclusão de curso ou TCC.
De acordo com a ABNT (NBR 14724), o Trabalho de Conclusão de
Curso (TCC) é um
documento que representa o resultado de estudo, devendo
expressar conhecimento do assunto escolhido, que deve ser
obrigatoriamente emanado da disciplina, módulo, estudo
independente, curso, programa e outros ministrados. Deve ser
feito sob a coordenação de um orientador (2000, p. 2).

Um TCC, se comparado aos trabalhos monográficos feitos durante o


curso de graduação, em geral costuma ser mais extenso e assume uma
estrutura mais complexa. Os tipos, formas e extensão dos TCCs variam
bastante de curso para curso. Na maioria dos cursos do UNASP o tipo de TCC
mais comum é aquele que apresenta os resultados de uma pesquisa científica.
Nos cursos de ciências aplicadas como Administração, Comunicação Social,
Educação Física, Enfermagem, Nutrição e outros, costuma-se recomendar
fortemente que os resultados dessas pesquisas tenham algum benefício prático
ou utilidade na atividade profissional. Há também cursos que abrem a
possibilidade ao aluno de fazer um TCC que não seja necessariamente uma
pesquisa científica, mas que seja uma espécie de relatório de atividades
profissionais desenvolvidas, ou até mesmo a proposta de um trabalho
profissional, com a possibilidade de vir a ser executado ou não. Há também a
possibilidade de algum curso oferecer a possibilidade que um aluno entregue
um artigo submetido a publicação em lugar do Trabalho de Conclusão de
Curso. Estas outras formas não serão aqui discutidas, pois dadas as
particularidades de cada curso e as diferentes alternativas, o curso deverá, ao
apresentar a proposta, apresentar também a estrutura que será aceita.
Dependendo do curso, é possível fazer um excelente TCC de 20
páginas. Em outro curso, os TCCs podem ter em geral 50 ou mais páginas. Em
alguns cursos o TCC é desenvolvido apenas individualmente, em outros pode
ser realizado em duplas ou trios. Essas questões, em geral, dependem das
79

políticas de ensino definidas em cada curso, do tipo do curso, dos recursos


humanos e materiais disponíveis, além de outros fatores que não cabe aqui
detalhar. Você deve procurar se informar sobre as peculiaridades sobre TCC
do seu curso antes de iniciar o processo de execução.
Os dois últimos tipos de trabalhos monográficos que apenas
mencionaremos, são a Dissertação e a Tese. A Dissertação é uma espécie de
TCC para quem faz um curso de mestrado e a Tese, para quem faz doutorado.
Ambas são obrigatoriamente resultantes de pesquisa científica e, obviamente,
espera-se um maior grau de profundidade e rigor do que no TCC da
graduação. Além disso, a Tese ainda se diferencia pelo fato de o autor precisar
apresentar uma “real contribuição para a área de especialidade” (NBR 14724).

5.3 Estrutura e Formatação da Monografia

A norma da ABNT que estipula os padrões dos trabalhos acadêmicos,


tais como os trabalhos monográficos, é a NBR 14724, de agosto de 2002.
Portanto, de acordo com esta norma, um TCC deve ser composto pelas
seguintes partes:
80

Quadro 1 – Elementos da monografia


ESTRUTURA ELEMENTOS
Pré-texto Capa
Folha de rosto
Ficha catalográfica
Errata*
Folha de aprovação*
Dedicatória(s)*
Agradecimento(s)*
Epígrafe*
Resumo em português
Abstract (resumo em inglês)**
Lista de ilustrações***
Lista de tabelas***
Lista de abreviaturas e siglas***
Lista de símbolos***
Sumário
Texto Introdução
Desenvolvimento****
Conclusão
Pós-texto Referências
Glossário
Apêndice(s)*
Anexo(s)*
Índice(s)*
*Elemento opcional
** Elemento definido como opcional ou obrigatório pela coordenação de TCC de cada curso
*** Elemento condicionado à quantidade de elementos a serem listados
**** O Desenvolvimento se subdivide em 5 capítulos: Objetivos, Justificativa, Metodologia,
Revisão Bibliográfica e Apresentação e Análise dos Dados
Fonte: ABNT, NBR 14724, 2002

Quanto à formatação, de acordo com a NBR 14724 (2002) o trabalho


deve obedecer aos seguintes parâmetros gerais:

Quadro 2 – Critérios e parâmetros de formatação da monografia


Item Parâmetro
Tamanho do papel A4
Cor da impressão Preta
Apenas na frente da folha, com exceção da folha de rosto
Local de impressão
que é utilizada na frente e no verso.
Tipo de letra Arial
Tamanho da letra na Texto: 16
capa e folha de rosto Título: 16 ou 18
Texto: 12
Tamanho da letra no Títulos: 14
restante do trabalho Citações longas: 11
Notas de rodapé: 10
Superior: 3 cm
Esquerda: 3 cm
Margens Inferior: 2 cm
Direita: 2 cm
81

Epigrafes e dedicatórias: 7,5 cm


Recuos Citações longas e texto da folha de aprovação: 4 cm
Início de parágrafos: 1,25 cm ou 1 tab
Texto: De acordo com a ABNT, espaço duplo; porém, para
os TCCs do UNASP, recomendamos o uso de espaço 1,5
Citações longas, epígrafes, notas de rodapé, referências,
Espaço entre linhas legendas de ilustrações, tabelas, figuras, gráficos e ficha
catalográfica: Simples
Subtítulos: 2 X 1,5 entre o subtítulo e o texto que o precede e
1 X 1,5 entre o subtítulo e o texto que sucede
Tamanho da letra: 10
Espaço entre linhas: Simples
Notas de rodapé
As notas de rodapé devem ser separadas do texto por uma
linha de 3 cm de cumprimento, a partir da margem esquerda
Títulos não numerados (errata, agradecimentos, resumo,
abstract, listas, sumário, referências, apêndices, anexos e
índice): centralizados
Alinhamento Títulos numerados (parte textual): alinhados à esquerda
Subtítulos (2º, 3º nível) numerados: alinhados à esquerda,
sem recuo
Texto: alinhamento justificado
Títulos principais ou de 1º nível: 1, 2, 3...
Subtítulos 2º nível: 1.1, 1.2, 2.1, 2.2, 3.1, 3.2...
Subtítulos de 3º nível: 1.1.1, 1.1.2, 2.1.1, 2.1.2, 3.1,1, 3.1.2...
Numeração Evitar subtítulos de 4º nível para cima (1.1.1.1)
O título ou subtítulo é separado de seu respectivo número
apenas por um espaço, não devem ser usados pontos,
hífens e quaisquer outros recursos gráficos.
Início da contagem: a folha de rosto será a primeira folha a
ser contada, mas não será numerada.
Início da numeração: a partir da primeira folha da parte
textual, ou seja, a partir da primeira folha da introdução, não
há, portanto, numeraçao no pré-texto, embora as folhas
Paginação
sejam contadas.
Término da numeração: última folha do pós-texto
Localização da numeração: canto superior direito da página
Tipo de número: arábicos
Tamanho do número: 10
Localização da ilustração: o mais próximo possível do texto
que faz referência à ilustração.
Identificação: em letra tamanho 12, abaixo da ilustração,
apresentar o termo designativo (ilustração, figura, gráfico,
quadro), seguido da numeração de ordem de ocorrência no
texto e do título; se a identificação ocupar mais de uma linha,
deve ser usado espaço simples.
Indicação da fonte: caso o que estiver sendo apresentado
Ilustrações, figuras,
não tenha sido elaborado pelo autor do trabalho, a fonte
gráficos, quadros
deve ser indicada na linha subseqüente à identificação da
ilustração.
82

Localização da tabela: o mais próximo possível do texto a


que se refere
Identificação: em letra tamanho 12, acima da tabela,
apresentar o termo designativo (tabela) seguido da
numeração de ordem de ocorrência no texto e do título; se a
Tabelas
identificação ocupar mais de uma linha, deve ser usado
espaço simples.
Indicação da fonte: caso a tabela não tenha sido elaborada
pelo autor do trabalho, a fonte deve ser indicada, logo abaixo
da tabela, alinhada á esquerda da tabela.
Fonte: Adaptado de ABNT, NBR 14724, 2002

5.4 Elementos Pré-textuais

O TCC, como toda monografia, é subdividido em três grandes partes: o


pré-texto, o texto e o pós-texto. Os elementos pré-textuais são todas as partes
que antecedem a introdução. Em geral são feitos depois que a parte textual do
TCC já está pronta. Alguns desses elementos são opcionais e, mesmo sendo
opcionais, são amplamente utilizados, especialmente aqueles de caráter
pessoal, tais como dedicatória, agradecimentos e epígrafe.
A seguir são apresentados comentários e instruções gerais sobre cada
um destes itens. Após esses comentários e antes de passarmos para a parte
textual do TCC, há um exemplo da parte pré-textual contendo os elementos em
geral incluídos em um TCC.

5.4.1 Capa

A capa deve contar as seguintes informações, exatamente nesta ordem:


Nome da instituição: centralizado, em Arial maiúsculas, tamanho 16:
Centro Universitário Adventista de São Paulo;
Unidade da instituição: centralizado, em Arial maiúsculas, tamanho 16:
Campus Engenheiro Coelho, Campus Hortolândia ou Campus São
Paulo;
Título: centralizado, em Arial maiúsculas, negrito, tamanho 16 ou 18,
dependendo do tamanho do título;
Complementos do título: centralizados, em Arial maiúsculas, sem
negrito, tamanho 16; quando houver algum complemento, após o título,
deve-se acrescentar dois pontos após a última letra do título;
83

Nome completo do(s) autor(es): centralizado(s), em Arial maiúsculas,


sem negrito, tamanho 16;
Local: centralizado, em Arial maiúsculas, sem negrito, tamanho 16:
Engenheiro Coelho, Hortolândia ou São Paulo e estado (SP);
Ano: de entrega do trabalho, centralizado, em Arial maiúsculas, sem
negrito, tamanho 16.

5.4.2 Folha de Rosto

A folha de rosto é a única de todo o TCC que apresenta conteúdo na


frente e no verso. Na frente devem ser apresentadas as seguintes informações,
nesta ordem:
Nome completo do(s) autor(es): centralizado(s), em Arial maiúsculas,
sem negrito, tamanho 16;
Título: centralizado, em Arial maiúsculas, negrito, tamanho 16 ou 18,
dependendo do tamanho do título;
Complementos do título: centralizados, em Arial maiúsculas, sem
negrito, tamanho 16; neste caso, se houver algum complemento, após o
título, a existência desse complemento deve ser indicada
acrescentando-se dois pontos após a última letra do título;
Epígrafe descritiva do trabalho: localizada a 7,5 cm da margem, em
Arial 12, alinhamento justificado, fazendo uso de letras maiúsculas e
minúsculas, sem negrito e espaço simples entre as linhas; o texto da
epígrafe deve indicar o tipo do trabalho (Projeto de Pesquisa, Trabalho
de Conclusão de Curso, Projeto Experimental, Dissertação, Tese,
Monografia de Pós-Graduação), motivo pelo qual o trabalho foi realizado
(para aprovação em uma disciplina, para obtenção do bacharelado,
licenciatura ou especialização), área de concentração (curso) e nome da
instituição à qual o trabalho será submetido à avaliação (Centro
Universitário Adventista de São Paulo, Campus Engenheiro Coelho, ou
Campus Hortolândia, ou Campus São Paulo);
84

Nome completo do orientador: deve ser apresentada, a exemplo da


epígrafe descritiva, com um recuo de 7,5 cm. A respectiva titulação e o
nome do professor, deve ser antecedido pela indicação “Orientador:” ;
Local: centralizado, em Arial maiúsculas, sem negrito, tamanho 16:
Engenheiro Coelho, Hortolândia ou São Paulo;
Ano: de entrega do trabalho, centralizado, em Arial maiúsculas, sem
negrito, tamanho 16.

5.4.3 Ficha Catalográfica

A ficha catalográfica deverá ser impressa no verso da folha de rosto. A


elaboração de ficha catalográfica envolve conhecimentos técnicos de
biblioteconomia. Por isso, para elaborá-la, procure orientação junto à
coordenação de TCC do seu curso a fim de saber como proceder. Ao final
deste item (elementos pré-textuais) incluímos um exemplo dos elementos pré-
textuais, entretanto não colocamos a Ficha Catalográfica pois a confecção
desta ficha requer conhecimentos técnicos conforme mencionamos acima e
sua elaboração está, normalmente, a cargo da biblioteca do campus.

5.4.4 Errata

A errata é opcional. Mas, o que é errata e quando incluí-la? Se, depois


de impresso o trabalho, identifica-se ainda algum erro no texto, pode-se fazer
uso da errata. Ela serve para indicar ao leitor a presença de erros no texto,
indicando qual o erro, a forma correta e a localizaçao no texto. No alto da folha
aparece o título “Errata”, centralizado, Arial 14, negrito. Logo abaixo, apresente
a errata da seguinte maneira:

Página Linha Onde se lê Leia-se


43 12 Constituisse constitui-se
52 1 Finalmnte Finalmente,

Apesar da possibilidade de utilização da errata, deve-se considerar que


a página da errata deverá ser contada, apesar de não numerada, o que alterará
a numeração de todo o texto e que, como os erros para aparecerem na errata
85

deverão estar localizados, talvez seja mais simples corrigir os erros no texto.
Vale ainda ressaltar que uma errata contendo erros mais sérios, ou muito
extensa, acaba por desqualificar todo o texto. O melhor é não terminar o
trabalho às pressas a fim de que haja tempo para se fazer uma boa revisão do
texto antes de entregá-lo.

5.4.5 Folha de Aprovação

A folha de aprovação não deve ser titulada, Arial 14, sem negrito. Deve
ser colocado, no alto, com um recuo de 4 cm, um texto semelhante ao que se
segue (justificado, espaço 1,5)):

Trabalho de Conclusão de Curso elaborado por


Lucélia Priscila Rodrigues, para obtenção do
título de Bacharel em Nutrição, sob o título
“Culinária brasileira: um estudo sobre o uso do
gengibre na culinária do sul do Brasil”,
apresentado e aprovado no dia 20 novembro de
2006, por banca composta pelos seguintes
membros:

Após este pequeno texto você deverá incluir as linhas para assinatura
dos membros da banca. Abaixo de cada linha, deve constar o nome do
componente da banca, precedido da respectiva titulação. O primeiro nome da
lista de assinaturas deve ser do professor orientador, seguido pelo avaliador.
Utilize o espaço disponível da folha completamente, distribuindo bem os nomes
dos componentes da banca. Assim, haverá espaço para assinaturas grandes.

5.4.6 Dedicatória

A dedicatória é opcional e, assim como a folha de aprovação, também


não é titulada. Trata-se de um texto, em geral curto, de caráter sentimental, no
86

qual o autor dedica o trabalho a alguma instituição ou a alguém. O texto deve


aparecer na parte inferior da folha, com 7,5 cm de recuo, à margem direita e
com alinhamento justificado, Arial 14, sem negrito.

5.4.7 Agradecimentos

Também é opcional. Recomenda-se que a menção seja feita a pessoas


ou instituições que contribuíram diretamente para a realização do trabalho e
pessoas que de forma indireta foram importantes para a concretização do
trabalho. Considere que deixar de agradecer a uma instituição ou empresa que
abriu as portas para a realização da pesquisa, ou àqueles que deram suporte
técnico e operacional (como coordenação do curso, coordenação de TCC,
instituição de ensino superior, professores do curso, professor orientador),
indica no mínimo falta de humildade e maturidade acadêmica e profissional.
No alto da folha indica-se “Agradecimentos”, centralizado, Arial 14,
negrito. Logo após o título, vêm os agradecimentos, que podem ser
apresentados na forma de um texto corrido, ou em tópicos, como uma lista.

5.4.8 Epígrafe

Trata-se de mais um elemento opcional e não deve ser titulado. A


epígrafe deve aparecer na parte inferior da página, com um recuo de 7,5 cm,
junto à margem direita e com alinhamento justificado, Arial 14, negrito. Em
geral são usados para epígrafe pensamentos, provérbios, uma frase célebre,
trecho de música ou de algum texto. É interessante que, de alguma maneira,
se estabeleça uma relação entre a epígrafe e a idéia central do trabalho. Deve
ser apresentada entre aspas, em negrito e, ao final, entre parênteses, a autoria.

5.4.9 Resumo

No alto da página indique o título “Resumo”, centralizado, Arial 14,


negrito. O resumo deve ser um texto composto por frases preferencialmente
curtas. A primeira frase deve deixar claro o tema do trabalho. O restante do
87

resumo deve apresentar os objetivos do trabalho, quais os principais


fundamentos teóricos, os direcionamentos metodológicos mais importantes e
os resultados e conclusões mais relevantes. O texto deve ser apresentado num
único parágrafo justificado, Arial 12, sem negrito, espaço 1,5 e deve ter no
mínimo 150 e no máximo 500 palavras, ou seja, não deve ocupar mais do que
uma página. O resumo não deve conter minúcias sobre o trabalho, mas deve
apresentar aspectos gerais sobre a pesquisa e despertar o interesse no leitor
pelo trabalho. O resumo deve ser seguido de palavras representativas do
conteúdo do trabalho, ou seja, palavras chave.

5.4.10 Resumo em Língua Estrangeira

É a tradução do resumo para outro idioma (inglês, francês, espanhol,


italiano, etc.). A forma de apresentação e formatação é a mesma do resumo
em português, com a diferença de que o título no alto da página e centralizado
será “Abstract”, se for em inglês, “Résumé”, em francês, “Resumen”, em
espanhol, “Abstract”, também, se for em italiano. Atenção: o resumo em língua
estrangeira será definido como elemento obrigatório ou não pelo coordenador
de TCC de teu curso. Portanto, para alguns cursos este resumo será
obrigatório e para outros cursos será opcional. Certifique-se sobre a
obrigatoriedade ou não com o coordenador de TCC de teu curso. É importante
destacar que a mera tradução por meio eletrônico não garante confiabilidade
ao texto traduzido, portanto evite cometer erros grosseiros que este tipo de
tradução sempre deixa escapar; se o resumo em língua estrangeira é elemento
obrigatório, certifique-se que a tradução está adequada.

5.4.11 Listas

A existência das listas está condicionada à quantidade de elementos a


serem listados. Se o seu trabalho apresenta até quatro itens que comporiam
uma lista, então não será necessário apresentá-la. Porém, quando há cinco ou
mais elementos, a inclusão de uma lista é obrigatória.
88

Se o trabalho requer a inclusão de listas, então o título “Lista de


ilustrações”, ou “Lista de figuras”, ou “Lista de gráficos”, ou “Lista de tabelas”,
ou “Lista de abreviaturas e siglas”, ou “Lista de símbolos” deve aparecer no alto
da página, centralizado, Arial 14, negrito. A lista deve mencionar os itens, na
mesma ordem que aparecem no trabalho, com a respectiva indicação da
página onde aparece no texto. Uma lista é como um sumário, indicando o item
e a página, exceção feita para a lista de símbolos e lista de abreviaturas e
siglas, que não requer a indicação do número da página, estas devem ser
apresentadas em ordem alfabética e apresentar o símbolo, a abreviação ou a
sigla, acompanhada de seu significado por extenso.

5.4.12 Sumário

De acordo com a ABNT, NBR6027, sumário é uma “Enumeração das


divisões, seções e outras partes de uma publicação, na mesma ordem e grafia
em que a matéria nele se sucede.” Cuidado: índice não é sinônimo de
sumário. A mesma norma (NBR 6027) define índice como “Lista de palavras ou
frases, ordenadas segundo determinado critério, que localiza e remete para as
informações no texto.” (2003, p. 2). Portanto, enquanto o sumário apresenta os
diversos capítulo e suas subdivisões, na ordem em que aparecem no texto, o
índice serve apenas para localizar palavras, frases ou expressões presentes no
texto, independentemente de sua ordem de apresentação. Uma das formas
mais comuns para a utilização do índice é organizar as palavras ou frases em
ordem alfabética.
A página de sumário deve iniciar com o título “Sumário” no alto da
página, centralizado, Arial 14, negrito. No sumário devem estar listados todos
os itens que o sucedem, ou seja, todos os elementos do trabalho até aqui
apresentados (pré-texto) não devem ser incluídos no sumário.
Também deve ser indicada no sumário a subordinação existente entre
os diversos títulos e subtítulos. Isso deve ser feito através da numeração, que
já indica a subordinação dos itens e da apresentação tipográfica do texto.
Portanto, além da numeração (1 TÍTULO, 1.1 Subtítulo), a subordinação dos
subtítulos aos títulos deve ser evidenciada por meio de recuos. Nas próximas
89

páginas você poderá ver um exemplo contendo todos os elementos pré-


textuais.
90

CENTRO UNIVERSITÁRIO ADVENTISTA DE SÃO PAULO


CAMPUS ENGENHEIRO COELHO
CURSO DE LETRAS

O USO DO SIMBOLISMO NA LITERATURA


BRASILEIRA: UM ESTUDO COMPARATIVO ENTRE
JOSÉ DE ALVARENGA E GRACILIANO RAMON

RICARDO JEFFERSON VALÉRIO

ENGENHEIRO COELHO - SP
2006
91

RICARDO JEFFERSON VALÉRIO

O USO DO SIMBOLISMO NA LITERATURA


BRASILEIRA: UM ESTUDO COMPARATIVO ENTRE
JOSÉ DE ALVARENGA E GRACILIANO RAMON

Trabalho de conclusão de curso


apresentado para obtenção do título de
licenciatura em Letras, pelo Centro
Universitário Adventista de São Paulo,
campus Engenheiro Coelho
Orientador: Ms. Luis Inácio Cardoso

ENGENHEIRO COELHO - SP
2006
92

ERRATA

Página Linha Onde se lê Leia-se


43 12 constituise constitui-se
52 1 Finalemnte Finalmente,
55 21 Luisia Luzia
57 15 Noueira Nogueira
60 6 Moore MOORE
93

Trabalho de Conclusão de Curso elaborado por


Ricardo Jefferson Valério, para obtenção do título
de Licenciatura em Letras, sob o título “O uso do
simbolismo na literatura brasileira: um estudo
comparativo entre José de Alvarenga e Graciliano
Ramon”, apresentado e aprovado no dia 20
novembro de 2006, por banca composta pelos
seguintes membros:

Prof. Ms. Luis Inácio Cardoso

Prof. Dr. Fernando Henrique da Silva


94

Dedico este trabalho ao meu


saudoso avô, de quem aprendi
que com as palavras posso
expressar tudo que preciso e
desejo.
95

AGRADECIMENTOS

Este trabalho é resultado da colaboração de diversas pessoas e


organizações. Por isso agradeço em especial:

• Ao prof. Ms. Luis Inácio Cardoso, pelo incentivo e orientação precisa;


• Ao prof. Ms. Geraldo Sarney que disponibilizou, de seu acervo pessoal,
cópias das primeiras edições das obras analisadas neste estudo;
• À profa. Heloisa Helena Frossard, bibliotecária da Biblioteca Dr. Enoch
de Oliveira, por ter permitido o acesso ao acervo de obras raras e
antigas, essenciais para a realização deste estudo;
• Aos professores do curso de Letras do UNASP, campus Engenheiro
Coelho, por todo conhecimento transmitido e que foi devidamente
aplicado neste trabalho;
• Ao Jânio Quadrado, ao José Dirceu Maluf e ao Paulo Salim Brizola, que
ao criticarem este trabalho demonstraram não apenas competência e
profissionalismo, mas também coleguismo e amizade;
• Ao UNASP, Campus Engenheiro Coelho, pelo ambiente aprazível ao
aprendizado e pelos recursos disponibilizados para a realização deste
estudo;
• A Deus, que permitiu a conjunção de todas as pessoas e recursos
necessários para a realização deste trabalho.
96

“Água mole em pedra dura, tanto


bate até que fura.”
(Dito Popular)
97

RESUMO

O simbolismo utilizado na linguagem escrita foi o foco deste trabalho. O


objetivo era comparar a simbologia utilizada em dois períodos distintos da
literatura brasileira. No período do romantismo foram analisadas as obras de
José de Alvarenga e no período do modernismo as obras de Graciliano Ramon.
Como critérios de avaliação foram utilizados não apenas a quantidade de
recursos simbólicos utilizados por cada autor, mas também a qualidade desses
símbolos. O método utilizado para tanto foi o da pesquisa bibliográfica e
documental, através de análise das obras desses autores, em suas edições
primeiras, bem como através de comentários literários feitos a respeito dessas
obras. Quando comparados os dois períodos, foi possível constatar o uso de
simbologia em maior número nas obras do romantismo de José de Alvarenga.
Nas obras modernistas de Graciliano Ramon a menor número de simbologias é
compensado pela maior elaboração e complexidade dos símbolos utilizados.
Diante disto é possível concluir que, a julgar pelas obras dos dois principais
expoentes dos dois períodos analisados, com o passar do tempo o uso de
símbolos na linguagem da literatura brasileira tem diminuído quantitativamente
e melhorado qualitativamente.

Palavras-chave: Literatura brasileira – Simbolismo, Literatura brasileira –


Romantismo.
98

ABSTRACT

Simbolism within written language was the focus of this paper….o texto
continua em inglês. Deve ser uma tradução fiel do texto em português, seguido
de Key-words.
99

LISTA DE ILUSTRAÇÕES

Figura 1 – José de Alvarenga em 1850.......................................................... 15


Figura 2 – Graciliano Ramon em 1925........................................................... 17
Figura 3 – Capa da primeira edição de “A garra do leão” de José de
Alvarenga....................................................................................... 37
Figura 4 - Capa da primeira edição de “Ludmilla” de José de Alvarenga....... 39
Figura 5 - Capa da primeira edição de “O tupy” de José de Alvarenga......... 41
Figura 6 - Capa da primeira edição de “Ubiratam” de José de Alvarenga..... 43
Figura 7 - Capa da primeira edição de “Iraci” de José de Alvarenga............. 45
Figura 8 - Capa da primeira edição de “Caetanos” de Graciliano Ramon...... 49
Figura 9 - Capa da primeira edição de “Noites em claro” de Graciliano
Ramon............................................................................................................ 53
Figura 10 - Capa da primeira edição de “Jornada” de Graciliano Ramon...... 55
Figura 11 - Capa da primeira edição de “Curvas retas” Graciliano Ramon.... 67
Figura 12 - Capa da primeira edição de “Aristóteles e outros filósofos”
Graciliano de Ramon................................................................... 69
100

SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO......................................................................... 12
2 OBJETIVOS............................................................................ 14

3 JUSTIFICATIVA.................................................................................. 15
4 METODOLOGIA...................................................................... 17
5 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA................................................... 20
6 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DE DADOS........................... 36
7 CONCLUSÃO ......................................................................... 60
REFERÊNCIAS.......................................................................... 63
APÊNDICE A – Título do apêndice.......................................... 64
APÊNDICE B – Título do apêndice.......................................... 65
ANEXO A – Título do anexo..................................................... 66
101

5.5 Elementos Textuais

Conforme apresentado no exemplo de sumário apresentado, nota-se


que a estruturação da parte textual do TCC é muito semelhante à estruturação
do projeto. Por isso, um bom projeto é a melhor forma de se iniciar um bom
TCC.

5.5.1 Introdução

Pode ser chamada também de Apresentação, mas refere-se ao mesmo


conteúdo. A introdução do projeto pode ser adotada como um ponto de partida.
Verifique se o tema e o problema de pesquisa do TCC, se comparados aos
apresentados no projeto, continuam os mesmos. Se houve alguma mudança
entre o projeto e o TCC, faça os devidos ajustes e alterações necessárias,
reescrevendo o que for necessário. Mas, caso a proposta apresentada no
projeto tenha sido seguida à risca, provavelmente a introdução do projeto
possa ser utilizada como introdução do TCC.
Independentemente das particularidades de cada curso, é sempre
aconselhável que, antes de apresentar a pergunta do problema de pesquisa,
esteja claro qual é a linha de pensamento teórica e/ou prática que o levou a
formular a pergunta. Consulte sempre o seu orientador sobre o que manter, o
que mudar e o que incluir na sua introdução do projeto, para que ela possa ser
usada como introdução do TCC.

5.5.2 Desenvolvimento

Conforme descrito no Quadro 1 (elementos da monografia) o


Desenvolvimento do TCC deverá incluir cinco itens ou capítulos: Objetivos,
Justificativa, Metodologia, Revisão Bibliográfica e Apresentação e Análise dos
Dados. Boa parte do texto do projeto também será aproveitada aqui, entretanto
o último item (Apresentação e Análise dos Dados) será uma parte nova. A
seguir estão descritos cada um destes itens.
102

5.5.2.1 Objetivos

Outra vez, retome os objetivos do projeto. A exemplo da introdução,


verifique se os objetivos apresentados no projeto continuam pertinentes com os
rumos que a pesquisa tomou durante a execução. Em geral, se houver alguma
alteração no problema de pesquisa, isso leva também a alterações nos
objetivos, principalmente no objetivo geral.
Uma situação bastante comum é quando um ou mais dos objetivos
específicos apresentados no projeto não são realizados até o final da pesquisa.
Quando isso ocorrer consulte sempre o seu orientador para decidir o que fazer.

5.5.2.2 Justificativa

No projeto de pesquisa a justificativa revelou a razão do estudo em


questão. Agora que a pesquisa está pronta volta-se a ela indicando a finalidade
do trabalho, justificando e esclarecendo sob que ponto de vista o assunto é
tratado. Pode-se fazer referência aos tópicos principais do texto, sempre
mostrando a relevância científica do trabalho, a relevância social, o interesse
do pesquisador e finalmente a sua viabilidade. A justificativa é relevante porque
muitas vezes contribui diretamente na aceitação da pesquisa por alguma
agência financiadora como CAPES, CNPQ e FAPESP. É possível que o autor
da pesquisa exponha algum aspecto relacionado à sua experiência em relação
ao tema estudado, destacando sua relevância. Medeiros (2004, p. 266) cita
alguns exemplos:
“Em minha experiência como aluno do curso de Ciências Contábeis...”
“Minha experiência de redator de textos jornalísticos...”

Por fim acrescentamos que, na justificativa, pode-se pontuar as


contribuições teóricas e práticas da pesquisa:
“Este trabalho científico é relevante para a confirmação de teorias que
mostram aos interessados em obesidade infantil...”
103

O texto da justificativa é sempre pessoal, o que não exclui a


possibilidade de usar citações diretas ou indiretas. A idéia aqui é convencer o
leitor, portanto, o pesquisador tem aqui a oportunidade de testar seu
conhecimento e sua habilidade em argumentar coerentemente, utilizando
recursos adequados e suficientes para que atinja este objetivo de convencer o
leitor do valor de seu trabalho. Pense como responder à questão: porque este
trabalho é importante? Ou ainda, suponha que este trabalho será avaliado para
concorrer a uma bolsa de estudos no exterior, quais argumentos seriam
apresentados para destacar a importância da realização deste estudo?

5.5.2.3 Metodologia

Continue usando o texto do projeto como referência. Contudo, em


relação à metodologia o projeto servirá apenas como roteiro sobre os tópicos a
serem tratados (abordagem da pesquisa, sujeitos da pesquisa, procedimentos
de coleta de dados, instrumento de coleta de dados, procedimentos de
organização e análise dos dados). Lembre-se que no projeto, como era um
planejamento de procedimentos futuros de pesquisa, os verbos foram
conjugados no futuro. Agora, no TCC, a metodologia assume uma
característica mais de relatório, ou descrição de como a pesquisa foi
conduzida, portanto, os verbos devem ser conjugados no passado. É bastante
recomendável contar como tudo de fato aconteceu. Isso inclui os problemas
enfrentados na coleta de dados e como esses problemas foram solucionados.
Não poupe detalhes. Apresente justificativas plausíveis e metodologicamente
fundamentadas para todas as decisões tomadas. Em muitos trabalhos, é na
metodologia que o trabalho ganha credibilidade, especialmente no caso dos
trabalhos que envolvem pesquisa de campo ou laboratório.

5.5.2.4 Revisão Bibliográfica

Após a revisão bibliográfica realizada para o projeto, provavelmente para


o TCC será necessário apenas atualizá-la com informações mais recentemente
publicadas. É importante destacar que é a revisão bibliográfica que apresenta
104

os fundamentos teóricos de todo o trabalho. Se considerarmos que não há


trabalho científico sem fundamentação teórica, fica bastante evidente o peso e
relevância desta parte do trabalho.
As principais funções da revisão bibliográfica são (ROESCH, 2005):
• apontar soluções alternativas para o problema de pesquisa;
• contextualizar o problema de pesquisa dentro da discussão teórica atual;
• identificar métodos e instrumentos de análise apropriados;
• assegurar a originalidade do trabalho;
• proporcionar precisão conceitual;
• promover consciência crítica.
De acordo com Roesch (2005) é preciso ter algum critério para definir o
conteúdo a ser apresentado no texto da revisão bibliográfica. Para auxiliá-lo
nesta tarefa, transformamos as orientações de Roesch em perguntas:
• Este conteúdo ajuda a esclarecer as origens do problema de pesquisa
do TCC?
• Este conteúdo está em sintonia com os objetivos do TCC?
• Este conteúdo ajuda a demonstrar a relevância de se pesquisar sobre o
assunto escolhido para o TCC?
• Este conteúdo me ajuda a perceber e entender as opções de
metodologia disponíveis para tratar com o problema de pesquisa do
TCC?
• Este conteúdo me ajuda e identificar procedimentos de coleta e análise
de dados mais usados, ou mais adequados para o problema de
pesquisa do TCC?
• Este conteúdo esclarece ou define os termos e conceitos básicos e
essenciais para a pesquisa?
• Este conteúdo descreve modelos e teorias que me ajudam a sair da
superficialidade das aparências do problema de pesquisa do TCC?
• Este conteúdo permite comparação, discussão e analise crítica entre
diferentes autores sobre o tema do TCC?

Existem dois erros mais comuns nas revisões bibliográficas: um texto


extenso demais que divaga sobre diversos assuntos e não tem foco no
105

problema de pesquisa e objetivos propostos; ou o outro extremo, um texto


muito sucinto, pobre e superficial, anote e evite cometê-los.
Contudo, de acordo com Roesch (2005), e a nossa experiência nesses
anos de orientação de TCC confirma, ainda há outros erros bastante comuns
de serem encontrados nas revisões bibliográficas. Para que você não seja uma
vítima desavisada, esses erros costumam ser os seguintes:
• a revisão bibliográfica se resume a cópia pura e simples de textos de
outros autores, às vezes, sem nem copiá-los numa ordem lógica e que
faça sentido;
• o autor não faz uso de subtítulos para organizar e separar os diversos
conteúdos;
• o autor usa subtítulos em excesso, abrindo subtítulos para escrever
duas linhas ou, o que é pior, não apresenta texto algum entre títulos e
subtítulos;
• o autor não se preocupa em fazer frases de conexão entre os diversos
conteúdos, títulos e subtítulos, tornando difícil ao leitor entender que
lógica de pensamento foi usada;
• o autor apresenta páginas e páginas de conteúdo sem indicar as fontes;
lembre-se que não são apenas os trechos copiados que precisam ter
suas fontes reconhecidas; todas as idéias que não são suas, mesmo
que escritas com as suas próprias palavras precisam de indicação das
fontes;
• as normas de como fazer citações são desconsideradas ou mal
aplicadas.

É importante ressaltarmos que a forma e estilo de redação fazem toda a


diferença na revisão bibliográfica.

5.5.2.5 Apresentação e Análise de Dados

Nesta etapa o pesquisador mostrará evidências concretas que


possibilitaram a visualização dos resultados obtidos e de como estes foram
alcançados. Ao redigir este capítulo o pesquisador deve ter em mente que
106

deverá relatar detalhadamente o resultado de seu experimento. Os dados


devem ser apresentados em conformidade com sua análise estatística,
incorporando no seu texto tabelas, gráficos, quadros e outras ilustrações que
facilitarão a compreensão do leitor. Note que apenas os gráficos ou tabelas
sem texto são absolutamente indesejáveis, pois estes recursos servem como
um auxílio na compreensão do texto, servindo para deixar o texto mais
transparente. Lembrando que a função deste relato é demonstrar as evidências
a que se chegou com a pesquisa e para tanto se faz necessário que todos os
dados pertinentes sejam apresentados, mesmo que algum resultado seja
inconclusivo.
No projeto, assunto do capítulo anterior, o autor apresenta como está
planejando coletar os dados para confirmação ou negação de sua hipótese, já
na apresentação e discussão do TCC, o planejamento já foi executado,
portanto, é o momento de relatar o que foi feito. Após a apresentação dos
dados faz-se a análise dos dados coletados. Roesch (2005, p. 189) lembra que
os dados poderão ser cruzados a fim de possibilitar a identificação de pontos
críticos, problemas, descobertas etc. Os resultados também podem ser
comparados com outros projetos ou situações. Em alguns casos, pode-se
analisar os resultados à luz de modelos teóricos sobre o tema.
Na apresentação e análise dos resultados o pesquisador deve relatar,
obviamente, o que for de interesse da pesquisa, pois, por vezes, de posse de
informações diversas o trabalho acaba por apresentar detalhes dispensáveis.
Cabe ressaltar então a presença do orientador que poderá ajudar no recorte
das informações pertinentes para que o texto não se torne cansativo. As
análises estatísticas podem ser feitas por estatísticos que não seriam
necessariamente o próprio autor do trabalho, contudo, é oportuno um cuidado
especial a fim de que o autor da pesquisa compreenda as análises para que
possa discorrer sobre as mesmas em seu discurso oral e escrito.
Apresentar e analisar os dados coletados é um momento especial do
trabalho científico porque o pesquisador se depara com o resultado de uma
etapa trabalhosa, que pode apresentar agradáveis surpresas.
É sobremodo indispensável ter sempre à mão os objetivos da pesquisa
no momento em que o texto da apresentação e análise dos resultados estiver
sendo redigido. É uma cadeia que possui uma ordem a ser seguida, e dela
107

depende o sucesso do pesquisador ao comunicar os resultados de sua


pesquisa. Se os resultados apontarem para uma direção oposta em relação
aos objetivos do trabalho, há um problema sério na sistematização do TCC.
Há que se observar que diferentes formas de pesquisa evidenciarão
diferentes estruturas de dados. Por exemplo, uma pesquisa onde se faz uma
investigação quantitativa, os dados são bastante evidentes, mensuráveis e a
criação de tabelas e gráficos parece bastante pertinente, entretanto, há outros
tipos de pesquisa. Se a pesquisa for histórica, documental ou uma revisão de
literatura, os dados podem não se mostrar tão evidentes e quantificáveis,
assim, neste capítulo o autor deverá evidenciar quais são os elementos
identificados em sua investigação, quer tenha a natureza quantitativa ou
qualitativa e fazer a devida análise de tais dados. Se julgar por bem, esta parte
do trabalho pode estar dividida em mais de um capítulo.
Conforme mencionamos anteriormente, a utilização de gráficos, tabelas,
figuras, mapas ou outras imagens sempre enriquecem o texto, assim o uso
destas ilustrações não deve nunca excluir o texto, mas complementá-lo.
A forma de se apresentar as tabelas, quadros, gráficos ou outras figuras
deve seguir o padrão apresentado a seguir. “As tabelas podem ser construídas
por séries de elementos cronológicos, temporais, geográficos, de qualidade,
mista ou conjugada” (TRALDI, 2006, p. 45). As informações necessárias para a
compreensão da tabela devem estar apresentadas de forma clara e objetiva na
própria tabela. Uma tabela tem as linhas horizontais e verticais, mas não é
fechada nas laterais. A tabela deve conter um título (deve haver relação com o
conteúdo), precedido do número da tabela (exemplo: Tabela 1 Número de
pacientes ambulatoriais atendidos mensalmente por gênero), informação sobre
a forma de se avaliar, medir, ou interpretar o que está sendo apresentado,
informação acerca do fenômeno estudado e menção da fonte de onde foi
extraída (caso não tenha sido criada pelo autor da monografia). No texto o
autor deve fazer menção sobre a tabela para dirigir o leitor até ela, não
deixando a tabela solta no texto. As tabelas devem ser numeradas (algarismos
arábicos) em ordem crescente. A diferença entre tabela e quadro, é que este é
fechado nas laterais e a tabela além de não ser fechada nas laterais, tem traço
duplo em seu limite superior. Já uma figura (gráficos, fotografias, mapas,
desenhos, ilustrações são todos denominados como figura) tem o título
108

colocado abaixo e não tem moldura, mantendo a mesma forma de numeração.


Veja os exemplos a seguir.

Tabela 1 Número de pacientes ambulatoriais atendidos mensalmente por gênero

GÊNERO MÊS JANEIRO FEVEREIRO MARÇO ABRIL

Masculino 155 (45,99%) 170 (45,57%) 167 (44,89%) 172 (46,36%)

Feminino 182 (54,01%) 203 (54,43%) 205 (55,11%) 199 (53,64%)

Total 337 373 372 371


Fonte: mencionar quando o autor da tabela não for o mesmo da monografia

Quadro 1 Contratos de trabalho de professores

Tipo de contrato Forma de pagamento

Professor A1 Pagamento por hora aula ministrada

Professor DP Pagamento por dedicação parcial (20 horas aula)

Professor DI Pagamento por dedicação integral (40 horas aula)


Fonte: mencionar quando o autor do quadro não for o mesmo da monografia

quantidade 35
de alunos
30

25

20

15

10

0
11 12 13 14 15 16 17 idade
(anos)

Figura 1 Quantidade de alunos com sobrepeso por idade


Fonte: mencionar quando o autor do quadro não for o mesmo da monografia
109

5.5.3 Conclusão

Neste capítulo o autor deverá fazer um breve resumo do trabalho,


apresentando uma idéia conclusiva que fornecerá condições de se elucidar
aspectos importantes que trarão condições de responder ao problema inicial de
pesquisa enfocado na introdução. Este capítulo poderá também ser chamado
de Considerações Finais, o que não faz alterar seu conteúdo. Todos os
capítulos da monografia devem ter relação com o problema de pesquisa, assim
sendo, a conclusão deve decorrer da discussão.
Os itens que não devem faltar na conclusão são:
• Comparação entre os resultados e as hipóteses: neste momento embora
já se tenha confirmado ou refutado as hipóteses é interessante compará-
las com os resultados traçando um paralelo conclusivo.
• Confronto entre os objetivos do trabalho e as conquistas alcançadas:
agora que o autor terminou a pesquisa é possível olhar os objetivos
iniciais diante das vitórias conquistadas no decorrer do mesmo.
• Exame da ligação existente entre os fatos verificados e a revisão
bibliográfica: aqui o autor pode relacionar a prática com a teoria, ou seja,
as informações adquiridas a partir do que já está publicado sobre o
assunto e a sua vivência, as informações adquiridas com a aplicação da
pesquisa.
• Contribuição do estudo para a ciência: agora de posse dos resultados, o
autor pode constatar o valor de seu trabalho para a ciência e para a
sociedade na qual ele se insere. Na prática, em que área o trabalho será
melhor utilizado?
• Limitações do estudo: Faz-se menção aqui às opções metodológicas
para o determinado estudo. Não se trata de erros cometidos pelo
pesquisador. São exemplos de limitações: tamanho da amostra, opção
de amostragem e etc. Portanto, pode-se começar este item (as
limitações) discutindo os aspectos que limitaram as generalizações dos
resultados, como por exemplo, a característica no processo do
instrumento de coleta de dados.
110

• Sugestões para outros estudos: São percursos para novas pesquisas


relacionadas ao mesmo fenômeno ou que tenham ligação a ele. Estas
sugestões podem ter origem em novas questões que tenham se
originado durante o desenvolvimento da pesquisa. Até porque não
podemos esquecer de que a ciência é fruto do aumento de uma
pesquisa após outra, sempre se atentando para os resultados
anteriores.

5.6 Elementos Pós-textuais

Os elementos pós-textuais são todos aqueles que sucedem a conclusão


do seu TCC. Com exceção das referências, que é obrigatória, todos são
opcionais. Outra característica aos elementos pós-textuais é que você não
numera mais os títulos, apenas as páginas. A seguir você encontrará o que são
esses elementos e como elabora-los.

5.6.1 Referências

Segundo a Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT (NBR


6023: 2002 p. 2), referências “é o conjunto padronizado de elementos
descritivos, retirados de um documento, que permite sua identificação
individual”. Numa linguagem mais simples pode-se dizer que se trata de uma
listagem de autores utilizados em sua pesquisa. São as obras que você de fato
citou no texto. Todas as obras citadas no texto de sua monografia devem
constar na listagem de referência. Afinal nenhum texto científico sai da cabeça
de um autor isolado no mundo. Quando você escreve um trabalho científico
que pode ser um projeto de pesquisa, um trabalho de conclusão de curso, uma
monografia etc., irá se referir muitas vezes a outros autores. É imprescindível
que se permita ao leitor encontrar os textos com os quais você está
interagindo. Além de livros, revistas, ou seja, material impresso, nas referências
podem constar periódicos eletrônicos, CDs, DVDs, partituras, notas de aulas,
seminários, worshops, entre outros, desde que citados. Para cada tipo de
111

material há uma maneira peculiar de referenciá-lo. Consulte o capítulo VII deste


manual que trata em detalhes sobre como fazer as referências.

5.6.2 Glossário

O glossário será recomendável se no texto do TCC forem usadas muitas


palavras ou termos altamente técnicos ou de significado obscuro. Neste caso,
deve-se colocar no alto da folha o título “Glossário”, centralizado, Arial 14,
negrito. Abaixo do titulo, deve aparecer a lista de palavras em ordem alfabética.
Cada palavra deverá estar acompanhada de sua respectiva definição.

5.6.3 Apêndices

Os apêndices são documentos produzidos pelo próprio autor do TCC.


Vamos supor que tenha sido produzido pelo autor, diversas tabelas com
tratamento estatístico de dados. Ao escrever a parte de apresentação e análise
de dados você conclui que nem todas essas tabelas precisam ser
apresentadas na parte textual do trabalho. Provavelmente a apresentação de
todas as tabelas ocuparia muito espaço, tornaria a leitura muito cansativa e,
além disso, você percebe que seria possível atender aos objetivos da pesquisa
e obter os argumentos principais sem a sua apresentação na íntegra.
Contudo, no seu texto da apresentação e análise de dados, você precisa
mencionar a existência dos dados existentes nessas tabelas. Alguns leitores
provavelmente desejarão ver essas tabelas e os dados nelas contidos. Outros
leitores não se interessarão. Mas, para aqueles que desejarem ver esses
dados, a falta deles no trabalho pode fazer toda a diferença para que entendam
ou fiquem confusos sobre as análises e conclusões do seu TCC. É para essas
situações que existem os apêndices: para que se inclua o material que pode
ser consultado por algum leitor, pertinente ao trabalho, mas não essencial.
Pode-se incluir um ou mais apêndices, onde o leitor que assim desejar, poderá
consultar os dados na íntegra.
Obviamente os apêndices não servem apenas para incluir tabelas com
dados estatísticos. Podem ser incluídos textos, cartas, figuras, desenhos,
112

gráficos, mapas, plantas, organogramas, fluxogramas, enfim, o que for


necessário. Porém, tudo que estiver nos apêndices deve ser citado na parte
textual do seu TCC. Ou seja, você deve indicar ao leitor, que ele poderá
encontrar o material nos apêndices e deverá também indicar em qual apêndice,
se houver mais de um. Por exemplo:

Foram realizadas 12 entrevistas semi-estruturadas. Para tanto foi


elaborado um roteiro de entrevistas (Apêndice A).

Os apêndices devem ser identificados sempre por letras maiúsculas


consecutivas (Apêndice A, Apêndice B, Apêndice C). No sumário você deverá
indicar todos os apêndices e, no final do trabalho, todos devem ser
identificados no alto da folha, com título centralizado, Arial 14, negrigo, da
seguinte forma:

APÊNDICE A – Roteiro de entrevistas

Se dentre os apêndices houver um que seja folha já impressa, na qual


não seja possível incluir o título da maneira como foi exemplificada, então
pode-se colocar uma folha com a identificação do apêndice em destaque bem
no centro, como se fosse uma capa do apêndice. Logo após esta folha deve-se
seguir o documento.

5.6.4 Anexos

As situações de uso e os procedimentos para inclusão de anexos são os


mesmos dos apêndices. Há apenas uma diferença entre apêndices e anexos:
Os anexos são documentos elaborados ou criados por outra pessoa. Ou seja,
se há algum documento que se deseja deixar à disposição para que o leitor
possa consultar e esse documento tenha uma autoria diferente da autoria do
TCC, então, deve-se colocá-lo como anexo.
113

Os anexos também devem ser identificados com letras maiúsculas


consecutivas, exatamente da mesma maneira que os apêndices. Basta apenas
usar o termo Anexo ao invés de Apêndice.

5.6.5 Índice

O índice deve ser identificado no alto da página, com letras maiúsculas,


centralizado, Arial 14, negrito. O que deve conter um índice já foi apresentado
quando da explicação do sumário.

5.7 Sugestões Sobre a Apresentação

Temos visto, nas apresentações de TCC, alguns equívocos que podem


ser evitados facilmente, desde que se observem alguns detalhes importantes.
Assim, colocamos a seguir uma série de sugestões e advertências que servirão
para melhorar a qualidade da apresentação orall e também do trabalho escrito.
No dia da apresentação oral do trabalho considere:
• apresentação pessoal – a maneira como o aluno se apresenta pode
representar o valor que se dá ao trabalho;
• saudação – ao treinar sua apresentação, não esqueça de incluir um
rápido cumprimento (bom dia / boa noite) à banca examinadora;
• se você estiver usando apresentação com projetor multimídia ou outra
forma de apresentação visual, não esqueça de incluir no slide de
abertura o título do trabalho, o nome dos autores, o nome do orientador
e Centro Universitário Adventista de São Paulo;
• se julgar conveniente, inclua os autores como rodapé nos outros slides;
• enquanto estiver falando, procure olhar para a banca examinadora, isto
o aproxima da banca;
• atenção com tua posição - procure não ficar na frente da banca,
encobrindo a projeção;
• como apontar na tela – evite entrar na frente da projeção para mostrar
algum ponto específico da projeção;
114

• atenção com as imagens na apresentação – embora uma imagem possa


equivaler a 1.000 palavras e este seja um aspecto positivo do uso de
imagens, não sature a apresentação com excesso de imagens e cuidado
para não haver contradição entre o que você fala e alguma imagem
projetada;
• cor da letra e contraste com o fundo – algumas apresentações ficam
nítidas no monitor do computador, mas no momento da apresentação
ficam quase ilegíveis. Para evitar isto, use cores de fundo e das letras
que tenham contraste;
• tamanho da letra – evite um texto longo na projeção, lembre-se que o
texto os avaliadores já receberam. Além de evitar textos longos, evite
projetar textos com tamanho de letra pequeno. A fonte de tamanho 12
serve muito bem para o texto impresso, mas não serve para uma
projeção. O tamanho ideal da letra variará de acordo com o tipo de letra
escolhida, sua posição na projeção, a existência ou não de imagens sob
o texto, assim, para evitar problemas, teste antecipadamente;
• palavra errada - reveja atentamente a apresentação para evitar o uso de
palavras erradas, falta de letras e erros de acentuação na projeção;
• tópicos fora de ordem – atenção para não inverter a ordem dos itens que
você estará apresentando, ou seja, apresentar a conclusão antes do
objetivo é um equívoco grave;
• uso de siglas – cuidado com o uso de siglas na projeção, pois se não há
explicação do significado o avaliador pode ficar em dúvida sobre o que
você está falando;
• domínio do tema – a apresentação do TCC é o momento de demonstrar
domínio do tema, embora possa existir certa apreensão e nervosismo,
esteja seguro sobre o que você vai apresentar e evite chegar o momento
de tua apresentação sem que haja segurança e domínio do tema a ser
explanado;
• extrapolar o tempo dado – a apresentação precisa ser treinada várias
vezes, inclusive com marcação do tempo necessário para ela. Se você
estiver ultrapassando o tempo predeterminado, reveja a apresentação e
faça os cortes necessários;
115

• tempo verbal e pessoa usada – atenção para manter sempre o mesmo


tempo verbal, não misture ações do passado e do futuro no presente.
Lembre-se que o projeto é relativo ao futuro e que o TCC é relativo ao
que já foi estudado, cabendo o futuro apenas para propostas, sugestões,
projeções. Se o trabalho foi realizado em dupla ou em trio, evite falar na
primeira pessoa do singular, pois isto deixa a banca examinadora em
dúvida se o trabalho foi realizado por apenas uma pessoa ou por todo o
grupo;
• anotar / gravar o que a banca fala – as sugestões e/ou críticas feitas
durante a apresentação oral do trabalho pela banca são importantes e
têm por objetivo melhorar o trabalho, então não perca este momento,
sugerimos que as observações feitas sejam anotadas ou até mesmo
gravadas, para que as devidas correções sejam feitas para a versão
final do trabalho;
• não esqueça a mídia de apresentação – não corra o risco de chegar o
momento da apresentação e não poder apresentar, por isso não
esqueça a mídia e não leve apenas uma mídia. As máquinas não são
infalíveis, portanto não corra o risco de levar apenas um disquete e ele
não funcionar, leve mais de uma mídia e em formas diferentes (disquete,
cd, drive portátil);
• calma para responder as questões – certamente o momento que a
banca faz algumas questões é um momento de apreensão. Lembre-se,
entretanto, que o objetivo da banca não é te desmoralizar, pelo
contrário, é o momento de te avaliar sobre o que você já estudou por
meses e de contribuir para aperfeiçoar o trabalho, então mantenha a
calma para que as respostas alcancem o que a banca de fato pergunta;
• falar de modo formal – a apresentação não deixa de ser um momento de
avaliação, portanto evite construções extremamente coloquiais e
desprovidas de argumentação embasada academicamente;
• cuidado com o que dizer – evite demonstrar insegurança com
colocações tais como “que mais posso falar?” ou “acho que acabou”,
pois isto releva certa fragilidade de conteúdo;
116

• orientador não recebeu texto – este tipo de problema é fácil de ser


resolvido: não esqueça de encaminhar ao orientador o texto para revisão
antes de ser entregue para a apresentação;
• citação que não está nas Referências – cuidado para não fazer citações
no texto e não referendá-los ao final.

O coordenador de TCC de teu curso poderá encaminhar outras dicas de


apresentação e também o que é específico de cada área.
117

CITAÇÕES E NOTAS DE RODAPÉ

Eliethe Xavier de Albuquerque


eliethe.albuquerque@unasp.edu.br

No Egito, as bibliotecas eram chamadas ‘Tesouro dos


remédios da alma’. De fato é nelas que se cura a
ignorância, a mais perigosa das enfermidades e a origem
de todas as outras (BOSSUET, 2006).
118

6 CITAÇÕES E NOTAS DE RODAPÉ

Citação é a menção de informações extraídas de fontes documentais,


com o objetivo de ratificar, esclarecer ou ilustrar o assunto que está sendo
apresentado no texto. A Norma Brasileira que regulamenta tecnicamente as
formas de citação é a NBR10520, da Associação Brasileira de Normas
Técnicas (ABNT).
Quando um assunto é de conhecimento público, amplamente divulgado,
rotineiro, ou quando se tratar de uma abordagem didática, as citações são
dispensadas.
A NBR10520 prevê que as citações podem estar no sistema autor-data
ou numérico. A escolha de um destes sistemas definirá também o padrão da
Referência do documento citado.
O sistema numérico é o que utiliza um número sobrescrito logo após a
citação, remetendo à Referência:

Segundo Dumas, as idéias nasceriam na terra dos sonhos e ao se


concretizarem passariam a habitar o mundo real 1.

Albuquerque afirma que “A habilidade reflexiva vem pelo exercício;


professor e aluno juntos trabalhando com posturas crítico-reflexivas.” 2.

Os números sobrescritos indicam a Referência do documento citado.


Observa-se que neste tipo de citação não se menciona datas e paginações.
Apenas o sobrenome do autor e ao final da citação, a indicação numérica da
referência. Assim, na lista de referências, os autores citados aparecerão na
ordem em que foram citados (e não alfabeticamente), como segue:

1
DUMAS, F. D. Filosofia do pensamento humano. 45. ed. São Paulo :
ATA, 2002.

2
ALBUQUERQUE. E. X. de. Construindo o perfil do pesquisador. São
Paulo : UNASP, 2003.
119

A opção Autor-Data, a ser adotada neste Manual, menciona o nome do


autor, ano e paginação, conforme demonstra o exemplo a seguir:

As idéias nasceriam na terra dos sonhos e ao se concretizarem


passariam a habitar o mundo real (DUMAS, 2002, p. 104).

“A habilidade reflexiva vem pelo exercício; professor e aluno juntos


trabalhando com posturas crítico-reflexivas” (ALBUQUERQUE, 2003, p.
98).

O sistema autor-data possibilita a imediata identificação da autoria e da


atualidade da citação; neste sistema as referências serão mencionadas em
ordem alfabética, como exemplificado a seguir:

ALBUQUERQUE, E. X. de. Construindo o perfil de pesquisador. São


Paulo : UNASPRESS, 2003.

DUMAS, F. F. Filosofia do pensamento moderno. 45. ed. São Paulo :


ATA, 2002.

Utilizando-se do sistema autor-data, o pesquisador terá à sua disposição


a possibilidade de optar entre dois tipos básicos de citação: direta e indireta.

6.1 Citação Indireta

Citação indireta é aquela em que a menção é feita através de um texto


redigido pelo autor do trabalho ou pesquisa, baseada em um ou mais autores
de documentos pesquisados, respeitando fielmente o sentido do texto original
na(s) obra(s) citada(s). A citação indireta aparecerá na forma de paráfrase ou
de condensação.

A citação indireta parafraseada expressa a idéia contida em uma


pequena parte do(s) documento(s) pesquisado(s), porém com palavras do
120

autor da pesquisa ou trabalho. Não utiliza aspas, espaços ou tamanhos de


letras diferentes; esta citação integrará o texto, e poderá aparecer a qualquer
momento, inclusive dando continuidade a um dos parágrafos.
Exemplo:
O estudo sistemático deste tema pode favorecer grandemente
aos interessados nos resultados das pesquisas genéticas, tais como
portadores e familiares de pessoas com doenças degenerativas e
terminais, seqüelados por acidentes (ALVARENGA, 2005, p. 37-54).

A citação indireta condensada expressa a idéia contida em um ou


mais capítulos do(s) documento(s) pesquisado(s), ou mesmo na obra completa.
A menção da citação indicará o capítulo ou, quando se tratar de toda a obra,
apenas o ano de publicação.
Exemplo:
Nas suas publicações sobre a importância da pesquisa na
formação de alunos com perfil crítico-reflexivo, os dois Pedros deixam
claro que não haverá aluno pesquisador se antes não houver professor
pesquisador (DEMO, 2001; DEMO 2003; GOERGEN 2004; DEMO
2005).

6.2 Citação Direta

Citação direta é a transcrição literal de um texto ou de parte dele; na


citação direta conserva-se a grafia, pontuação, uso de maiúsculas, o idioma
original do texto citado. Recomenda-se o uso de citações diretas apenas
quando as palavras do autor citado tiverem tal significado que uma
alteração ocasionaria perda da força do texto.

As citações diretas classificam-se em dois grupos: com até três linhas e


com mais de três linhas.

Citação direta com até três linhas – Também chamadas de citações


curtas, as menções deste grupo poderão ser incorporadas ao texto
121

corrido, com o mesmo tipo e tamanho de fonte (ou letra), mesmo espaço
entre as linhas, destacadas apenas por aspas.
Exemplo:
O tema motivação tem sido cada vez mais recorrente nas
empresas que valorizam o capital intelectual, nos mais variados
aspectos. “A motivação constitui o fator principal e decisivo para o êxito
da ação em qualquer empreendimento coletivo.” (MONTEIRO, 2000, p.
26). Neste caso, é possível considerar a motivação como elemento
agregador, que impulsiona as equipes e os indivíduos.

Citação Direta Com Mais de Três Linhas – Quando a citação direta


tiver mais de três linhas, deverá ser destacada do texto corrido, recuada
a 4cm da margem esquerda, sem deslocamento de parágrafo na
primeira linha; a fonte (letra) será a mesma do texto, tamanho 11, com
espaço simples entre as linhas. Neste caso não será necessário o uso
de aspas.
Exemplo:
White (2002, p. 672) refere-se à provação afirmando que:

Os homens não podem compreender os caminhos de


Deus; e, olhando às aparências, interpretam os transes,
provações e experiências que Deus permite que venham
sobre eles, como coisas que contra eles são, e que
apenas farão a sua ruína. Assim Davi olhava para as
aparências, e não para as promessas de Deus.

6.3 Citação de Poemas e de Textos Teatrais

Estas citações não têm limite de tamanho e seguem as mesmas regras


para as citações com mais de três linhas, em estrofes:

Sou bem nascido.


Menino
Fui, como os
demais, feliz.
Depois veio o
mau destino
122

E fez de mim o
que quis.

Veio o mau
gênio da vida,
Rompeu em
meu coração,
Levou tudo de
vencido
Rugiu como um
furacão.
(BANDEIRA, 1970, p. 5)

6.4 Omissões em Citação

É permitida a omissão de parte do texto citado, desde que o seu sentido


não seja alterado. Estas serão indicadas pelo uso de reticências entre
colchetes no local da omissão:

Omissão no início da citação:


“[...] e, se depositarem confiança em sua força, jamais se tornarão
joguete das circunstâncias” (WHITE, 2001, p. 421).

Omissão no meio da citação:


“§ 2º - Qualquer dos membros pode pedir vistas do processo pelo prazo
de uma sessão e desde que a matéria não seja urgente [...] Sendo
vários os pedidos, a Secretaria providencia a distribuição do prazo,
proporcionalmente, entre os interessados” (OAB, 1998, p. 99-100).

Omissão no final da citação:


“É muitos fácil chorar com os que choram; difícil é se alegrar com os que
se alegram. Diante do sucesso do outro o lado escuro da natureza
humana entra em cena, abastecido pela inveja e pelo ciúme e as críticas
tendem a fluir [...]” (SWINDOLL, 2004, p. 234).

Omissão em poemas ou textos teatrais:


123

Será indicada por uma linha pontilhada no local da omissão, para


cada verso omitido:
Sou bem nascido.
..........................
..........................

Depois veio o
mau destino
E fez de mim o
que quis.
(BANDEIRA, 1970, p. 5)

6.5 Interpolações em Citação

Interpolações em citação são acréscimos, explicações ou comentários


do autor do trabalho, inseridos nas citações; estas inserções são feitas entre
colchetes, para indicar que não fazem parte do original da citação:

“A alimentação vegetariana [frutas, legumes, verduras, grãos]


proporciona um aumento das defesas orgânicas e potencializa a energia
vital” (GARCIA, 2003, p. 11).

6.6 Incorreções e Incoerências

Os erros de ortografia e coerência textual encontrados no texto que está


sendo citado, não serão corrigidos ao se fazer a citação direta, mas apenas
referidos através do termo [sic] que aparecerá imediatamente após o
erro/incoerência; sic, que significa Assim mesmo, indica que está conforme o
original.
Exemplo:

“Os exercícios de alongamento deverão ser rpaticados [sic] a cada 50


minutos, sob a orientação do coordenador da ginástica laboral; todos os
fumcionários [sic] deverão participar da atividade, em conjunto, uns
apoiando os outros” (FEITOSA; MOURA, 2005, p. 321).
124

6.7 Ênfase e Destaque em Citação

Quando o autor do trabalho considerar importante e indispensável


enfatizar um trecho da citação, poderá fazê-lo servindo-se de uma exclamação
entre colchetes [!] colocada imediatamente após a parte a ser enfatizada; se
desejar dar destaque a uma parte da citação, poderá negritar aquela parte e
indicar com grifo nosso a distinção feita.
Exemplo:
“Mesmo no Brasil, país em desenvolvimento, o número de internautas se
amplia exponencialmente [!] a cada dia, o que nos remete à questão
financeira que envolve a inclusão digital hoje” (BARROSO, 2001, p. 43).

“O interesse no estudo da genética hoje já não está confinado à paredes


dos laboratórios especializados; antes transcendendo os interesses
dos pesquisadores, passou a fazer parte da agenda de interesse de
grande parte da população” (ALBERGARIA, 2005, p. 489, grifo nosso).

Se o grifo já faz parte da citação, indica-se como segue:

“A participação em iniciação científica e mesmo na pesquisa realizada


pelo docente, estimulará o aluno e despertará nele o desejo de ser
também um pesquisador” (ALBUQUERQUE, 2002, p. 213, grifo do
autor).

6.8 Notas de Rodapé

O uso de notas de rodapé deve ser evitado; considera-se que este


recurso favorece ao desvio da atenção do leitor para fora do texto principal.
Assim, as notas de rodapé serão usadas, preferencialmente, apenas para
Citação de Citação.
Uma citação de citação é considerada fonte de informação menos
confiável que uma citação de fonte direta, por isto mesmo o seu uso é pouco
125

recomendável e só deve ser feito em casos de extrema necessidade por falta


de acesso ao documento original. Neste caso, indica-se no texto
primeiramente o autor do documento consultado, seguido de citado por, e
então a menção do autor cujo assunto é objeto da citação. A referência do
documento onde se encontra o texto do primeiro autor será feita em Nota de
Rodapé e a do segundo autor aparecerá na lista de Referências (lista de todos
os documentos citados) ao final do trabalho.
Exemplo:
Segundo Goergen1, citado por Balzan (2004, p.36), o que se espera no
trabalho docente transcende ao exercício do ensino, vai além; é mais
que uma mera transmissão de conhecimentos; é um partilhar de
experiências, de vivências que favorecem a independência na aquisição
de novos saberes e na geração de novas perspectivas científicas.”

Desta citação, a Referência do Goergen irá aparecer em nota de rodapé


e a de Balzan, na lista de Referências.
Assim, no rodapé:

_____________
1
GOERGEN, P. Professor pesquisador: um desafio para as
universidade brasileiras. Campinas : Papirus, 2003. 349 p.

E na Referência:

REFERÊNCIAS

BALZAN, N. C. Novos paradigmas da docência no ensino superior.


Campinas : Papirus, 2005, 407 p.
126

6.9 Citação de Informação Obtida por Canais Informais

Citação de informação obtida por canais informais são aquelas


originárias de entrevistas, palestras, conferências, seminários, etc.
Preferencialmente devem ser usadas apenas quando extremamente
necessárias e somente se puderem ser comprovadas por meio de documentos
que atestem sua fidedignidade (gravações, registros escritos e similares), com
a autorização explícita do autor da informação.
Assim, a citação será feita e relacionada na lista de Referências, como
segue:
Na citação:
“Pesquisar é, antes de tudo, despir-se de certezas e paradigmas já
estabelecidos e partir em busca do desconhecido, com possibilidades de
aparentes fracassos” (GOERGEN, 2001).

E na Referência:

REFERÊNCIAS

GOERGEN, P. Pesquisa e docência no ensino superior. 2001. Palestra


proferida na PUCCAMP.

6.10 Citação de Trabalhos Não Publicados

Preferencialmente devem ser usadas apenas quando extremamente


necessárias; na referência serão fornecidas todas as informações já
disponíveis, seguidas do termo no prelo ou em fase de elaboração.
Assim, na citação:
“Há muito a tarefa do professor escolar transcende o ensinar; alcança as
fronteiras do educar e vai além: forma cidadãos atuantes desde a
primeira infância” (ALBUQUERQUE, no prelo).
127

Na Referência:

REFERÊNCIAS

ALBUQUERQUE, E. X. de. Novos professores. Novos tempos. Capinas :


Papirus, 2007?. no prelo.

6.11 Citação de Informações Retiradas da Internet

As informações extraídas da Internet devem ser usadas com cautela,


sempre depois de garantida a sua autenticidade e atualidade. Considerados
estes importantes detalhes, a Citação será feita normalmente e a Referência,
conforme indicado no próximo capítulo, no item referente a referências de
fontes eletrônicas.

6.12 Citação da Bíblia

Após o texto citado, indica-se entre parêntese a fonte (a obra em si), o


livro, capítulo e versículos.
Exemplo:
“O caminho de Deus é perfeito. As suas promessas sempre se
cumprem” (BÍBLIA, A. T. Salmos, 18:31).

A forma de fazer a Referência será indicada no próximo capítulo.

6.13 Tradução em Citação

A citação de um texto em língua estrangeira pode ser traduzida para o


idioma do trabalho através de citação indireta. Se o autor do trabalho optar,
pode citar no idioma original; neste caso a citação será direta. Em ambos os
casos, segue-se a regra já estabelecida para citações diretas ou indiretas. Se
128

desejar, o pesquisador poderá apresentar a tradução do texto citado em língua


estrangeira, em nota de rodapé.
Se a tradução é apenas de uma expressão dentro do texto original,
pode-se indicar logo após a chamada da citação que se trata de um texto
traduzido.
Exemplo:
“Estudos matemáticos indicam que o uso das calculadoras têm
favorecido cada vez mais a fuga discente às práticas de cálculo”
(Zimmermann, 2001, p. 44, tradução nossa).

6.14 Algumas Orientações Sobre Fontes (Documentos) Citadas

Quando uma citação tiver mais de um autor, estes serão indicados como
segue:
Dois Autores:
Castanho e Balzan (2004, p. 255) afirmam que ..... .

“[...] cientes de sua particularidade imediata no que se refere ao


paciente” (MOURA; RAVEL, 2003, p. 564)
Três Autores:
“A metodologia da pesquisa pode....” (ALMEIDA JÚNIOR ; FERREIRA ;
ALBUQUERQUE, 2002, p. 117-119).

Ferreira, Moura e Barreto (2005, p. 65) sinalizam que o estudante de


física necessita de....

Quatro ou mais autores:


Pasqualli et al. garantem que o sistema solar.... (2000, p. 90).

Na busca pela identidade do estudante, o docente precisa... (SAVIER et


al., 2001, p. 35-104).
129

Quando a responsabilidade de um texto citado estiver a cargo de uma


Entidade ou Instituição:

Departamento Subordinado a Instituição:


“... valores atribuídos às sociedades hodiernas” (CENTRO
UNIVERSITÁRIO ADVENTISTA DE ENSINO. Curso de Comunicação
Social, 2004, p. 3).

Instituição cujo nome é uma sigla:


“[...] tratando-se de direito dos alunos, a instituição deve ser a primeira a
sair em defesa destes” (UNASP, 2002, p. 2).

Textos condensados de um mesmo autor:


... os nutrientes serão balanceados de acordo com as características de
cada paciente (GÜNTERYT, 2002, 2003, 2005).

Vários documentos de um mesmo autor, publicados num mesmo


ano:
Utiliza-se uma letra minúscula logo após a data, para cada publicação
citada, conforme a ordem de citação. Na Referência, este recurso se
repetirá, visando relacionar cada texto citado à sua correspondente
publicação. Assim, na Citação:

A interpretação equivocada ocasiona erros e impossibilita ao


aluno a execução e solução dos problemas matemáticos
propostos (CARDOSO, 2002a, p. 18; CARDOSO, 2002b, p. 87).

E na Referência:
REFERÊNCIA

CARDOSO, S. Problemas matemáticos são um problema ! São Paulo


: Saraiva, 2002a. 123 p.
130

___________ . Problemas propostos e mal resolvidos : o que


acontece na hora da avaliação. Belo Horizonte : ALP, 2002b. 231 p.

Vários autores citados para reforçar uma mesma idéia:


A isenção e a ética são características condicionais à prática jornalística.
O perfil exigido ao bom profissional da imprensa já ultrapassou há muito,
estas fronteiras; dele hoje se espera que vá muito além (TRANCOSO,
2001, p.12; ALBERGARIA, 2001, 78; FERREIRA MOTTA, 2004, p. 154).

Documentos sem data:


Citações de documentos que não apresentam data específica de
publicação não são recomendadas; sugere-se evitar o uso deste tipo de
documento. Todavia, quando imprescindível, seguirão o mesmo padrão
para Referências, apresentado no capítulo a seguir.

Citação de Eventos Científicos:


Neste caso, logo após a citação, menciona-se o nome completo do
Evento, todo em letra maiúscula, seguido do ano, conforme o padrão
para Referências – próximo capítulo – tudo entre parêntese.
Exemplo:
“... especialmente as possíveis discussões do direito privado”
(ENCONTRO BRASILEIRO DE JURISTAS, 2004).

Documentos Anônimos:
Citações de documentos cuja autoria é desconhecida, serão indicadas
pelo título – que terá a primeira palavra toda em letra maiúscula,
inclusive o artigo definido, seguida da data e paginação, tudo entre
parêntese:
“... mesmo porque, o projeto genoma não está patenteado nem
por uma nem por outra.” (GENOMA. Uma ideologia ou uma
saída?, 2003, p. 67).

Se o título for muito longo, poderá abreviado com o uso de reticências.


131

Documentos eletrônicos:
Seguirão o mesmo padrão para Referências, conforme referido no
capítulo a seguir.
132

ELABORAÇÃO DE REFERÊNCIAS

Eliethe Xavier de Albuquerque


eliethe.albuquerque@unasp.edu.br

O perfil do pesquisador implica compartilhamento não


apenas de conhecimento, mas de fontes; o compreender
saberes e conhecer suas origens anda junto. O
pesquisador tem o dever de deixar claro aos que o
acompanham, quais as suas fontes de pesquisa. Estas
fontes podem ser agrupadas em documentos impressos e
registrados e documentos e informações eletrônicas
(ALBUQUERQUE, 2002a; UFPR, 2000b, p.1-3.).
133

7 REFERÊNCIAS

Segundo a ABNT, NBR6023, atualizada em 2002, Referência é o


conjunto padronizado de informações agrupadas em elementos descritivos,
retirados de um documento e que permitem a sua identificação no todo ou em
parte. Em outras palavras, cada referência conterá um padrão de informações
que permita ao interessado identificar o documento pesquisado. O conjunto de
referências é uma lista ordenada – alfabeticamente ou numericamente – com
os dados dos documentos citados pelo autor de uma pesquisa, no texto.
Documento é qualquer suporte que contenha uma informação registrada
graficamente, visualmente, eletronicamente, por meio sonoro, etc. Por
exemplo: livros, periódicos, materiais cartográficos, normas técnicas, gravações
sonoras ou de vídeo, fotografias, selos, arquivos eletrônicos, entre outros
(UFPR, 2002a, v. 6, p.1-3).
As informações para a elaboração das referências devem ser obtidas,
sempre que possível, da principal parte do documento, ou seja:
Da folha de rosto de documentos impressos, como livros, monografias,
periódicos e similares;
De etiquetas e invólucros de disquetes, fitas de vídeo, fitas cassetes,
discos e similares;
De molduras e materiais explicativos de slides, transparências e
similares;
Do próprio documento, quando este se constitui em uma única parte,
como globos, cartões postais, cartazes, selos e similares.

Quando não for encontrada a informação no próprio documento e esta


for conhecida ou obtida de outra fonte (bibliografias, catálogos de editoras,
pessoas ou outra), pode-se incorporá-la à referência, devendo-se para isso
colocá-la entre colchetes (UFPR, 2002b, v. 6, p.3).
Antes de elaborar a referência de um documento, é necessário conhecer
alguns detalhes que auxiliarão na indicação correta dos elementos
fundamentais à identificação da fonte pesquisada por outros interessados.
Estes importantes detalhes também são mencionados na NBR6023, o que
significa que não podem ser ignorados:
134

Elementos Essenciais da Referência: São as informações que


obrigatoriamente devem aparecer: autor, título, local de publicação,
editora, ano ou data da publicação. Se o documento não fornecer estas
informações, a Norma definirá como proceder.
Elementos Complementares da Referência: São as informações que
auxiliarão numa melhor identificação do documento: subtítulo, número
de páginas. Mesmo não sendo fundamentais a sua menção é
importante, especialmente para o pesquisador iniciante.

Os elementos que comporão a referência podem variar conforme o


documento; todavia, alguns padrões são válidos para qualquer tipo de fonte
pesquisada.

7.1 Elementos

Autoria: o nome do autor iniciará sempre pelo último sobrenome, que


será indicado todo em letra maiúscula, seguido das iniciais dos prenomes.
Exemplo: A referência do autor João Augusto da Fonseca ficará assim:
FONSECA, J. A. da.

Indicação de Parentesco: Tais como Filho, Segundo, Neto, Júnior, etc.,


aparecerão imediatamente após o sobrenome, antes dos prenomes.
Exemplo: A referência do autor Cristian Vasile Segundo ficará assim:
VASILE SEGUNDO, C.

Exemplo: A referência do autor Antonio Castro de Moares Júnior ficará


assim:
MORAES JÚNIOR, A. C. de.

Cargos, Formação Profissional: Não são indicados na referência.


Exemplo: A referência do autor Doutor Carlos Sampaio Filho ficará
assim:
SAMPAIO FILHO, C.
135

Exemplo: A referência do autor M. D. Silvio Monteiro de Almeida ficará


assim:
ALMEIDA, S. M. de.

Ordens Religiosas: Serão indicadas pelo nome do autor, na ordem


direta (ou seja, do prenome para o sobrenome), seguido pelo título religioso.
Exemplo: A referência do autor Papa Bento XVI ficará assim:
BENTO XVI, Papa.

Exemplo: A referência da autora Madre Tereza, ficará assim:


TEREZA, Madre.

Dois ou Três Autores: Serão indicados na ordem em que aparecem no


documento.
Exemplo: A referência dos autores Enio Antunes Santos e Fernando
Monteiro ficará assim:
SANTOS, E. A.; MONTEIRO, F.

Exemplo: A referência dos autores Daniel Monclaro, Francisca Dames e


Alisandra Bitencourt Castro ficará assim:
MONCLARO, D.; DAMES, F.; CASTRO, A. B.

Mais de Três Autores: Indica-se apenas o primeiro autor mencionado


no documento, seguido da expressão et al., que deriva do latim e quer dizer e
outros.
Exemplo: A referência dos autores Silvio Murilo Melo de Azevedo,
Gustavo Martins de Souza, Petrônio Albergaria Filho e Pedro Pellegrini
ficará assim:
AZEVEDO, S. M. M. de et al.

Exemplo: A referência dos autores Maria Eugênia Castanho, Maria


Dulce de Almeida Santos, Adalgisa Fialho, Ruth de Souza Scobbar
ficará assim:
CASTANHO, M. E. et al.
136

Pseudônimos: Se o autor do documento usou um pseudônimo para se


identificar, indica-se o pseudônimo do autor. Se o nome verdadeiro for
conhecido, pode-se indicar este nome entre parêntese após o pseudônimo.
Exemplo: A referência do autor Gugu Liberato ficará assim:
LIBERATO, G. (e não LIBERATO, A. de Augusto Liberato que é o nome
verdadeiro do Gugu).

Exemplo: A referência do autor Tristão de Athayde (cujo nome


verdadeiro é Alceu de Amoroso Lima) ficará assim:
ATHAYDE, T. de [Alceu de Amoroso Lima].

Entidades Coletivas 1: Se o autor do documento é um órgão da


administração governamental direta (Ministério, Secretaria, etc.), começa-se a
referência pelo nome geográfico (lugar onde fica o órgão – o país, o estado ou
o município).
Exemplo: A referência do autor Secretaria da Saúde de São Paulo
começará assim:
SÃO PAULO (Município). Secretaria da Saúde.

Exemplo: A referência do autor Ministério do Planejamento do Brasil.


Secretaria de Finanças começará assim:
BRASIL. Ministério do Planejamento. Secretaria de Finanças.

Entidades Coletivas 2: Se o autor do documento é uma sociedade,


organização, instituição ou entidade de natureza científica ou cultural, começa-
se a referência pelo nome da entidade todo em letra maiúscula. Em caso de
ambigüidade (duas ou mais instituições com o mesmo nome), acrescenta-se o
local geográfico onde fica a entidade, entre parêntese. As unidades
subordinadas são mencionadas após o nome da instituição, apenas com as
iniciais em letra maiúscula.
Exemplo: A referência do autor Centro Universitário Adventista de São
Paulo ficará assim:
CENTRO UNIVERSITÁRIO ADVENTISTA DE SÃO PAULO.
137

Exemplo: A referência do autor Biblioteca Nacional que fica em Londres,


ficará assim:
BIBLIOTECA NACIONAL (Londres).

Exemplo: A referência do autor Curso de Pós-graduação em


Administração Hospitalar do Centro Universitário Adventista de São
Paulo ficará assim:
CENTRO UNIVERSITÁRIO ADVENTISTA DE SÃO PAULO. Curso de
Pós-graduação em Administração Hospitalar.

Entidades Conhecidas por Siglas: Se o autor de um documento for


Entidade e no documento aparecer a SIGLA correspondente à Entidade
(SOMENTE se aparecer a SIGLA), esta pode ser utilizada no lugar do nome
da Entidade por extenso.

Exemplo: A referência do autor Empresa Brasileira de Correios e


Telégrafos – EBCT poderá ficar assim:
EBCT.

Exemplo: A referência do autor Instituto Brasileiro de Geografia e


Estatística / IBGE poderá ficar assim:
IBGE.

Eventos Científicos: Se o autor de um documento é um Evento –


Congresso, Reunião, Seminário, Simpósio, Conferência, etc. – a referência
dele iniciará pelo nome do evento, seguido do número do evento indicado em
algarismo arábico, do ano e do local de realização do evento.

Exemplo: A referência do Segundo Encontro Brasileiro de Profissionais


da Enfermagem, ocorrido em Gramado, Rio Grande do Sul, em 2004,
ficará assim:
ENCONTRO BRASILEIRO DE PROFISSIONAIS DA ENFERMAGEM, 2.,
2004, Gramado.
138

Exemplo: A referência do XVI Congresso Internacional de telejornalistas,


ocorrido em São Paulo, em junho de 2005, ficará assim:
CONGRESSO INTERNACIONAL DE TELEJORNALISTAS, 16., 2005,
São Paulo.

Autoria Desconhecida: Se o autor de um documento é desconhecido,


a referência deste se iniciará pelo título do documento.

Exemplo: A referência do autor História das Civilizações de Todas as


Eras, cuja autoria é desconhecida – não foi citada no documento – ficará
assim:
HISTÓRIA das civilizações de todas as eras.

Exemplo: A referência do autor Problemas e Exercícios de Matemática


Financeira, cujo autor não foi mencionado no documento, ficará assim:
PROBLEMAS e exercícios de matemática financeira.

Título: O título de um documento será referenciado exatamente igual


como aparece no documento. Aparecerá sempre em destaque, que, conforme
o padrão da NBR6023, pode ser negritado ou sublinhado ou itálico. O
destaque utilizará apenas uma das opções indicadas. Ou seja, o título não
poderá ser destacado com negrito e sublinhado ou com negrito e itálico ou
ainda itálico e sublinhado. Ao definir-se uma das três opções (negritado ou
sublinhado ou itálico), esta será utilizada durante todo o trabalho; isto significa
que o destaque utilizado para os títulos não poderá ser alternado, num mesmo
trabalho, entre as opções permitidas pela NBR. Observa-se ainda a regra de
que apenas a inicial do título ou dos nomes próprios que ele contenha, estarão
em maiúscula.

Exemplo: A referência do documento cujo título é GEOGRAFIA DO


RECÔNCAVO BRASILEIRO, cujo autor é Rafael Furtado de Almeida,
ficará assim:
ALMEIDA, R. F. de. Geografia do recôncavo brasileiro.
139

Observe-se que neste caso optou-se por destacar-se o título em


sublinhado. Outro exemplo: A referência do documento cujo título é CONHEÇA
MELHOR A SUA LITERATURA, de autoria do professor Pedro Apolinário,
ficará assim:
APOLINÁRIO, P. Conheça melhor a sua literatura.

Subtítulo: O subtítulo de um documento será referenciado sem qualquer


destaque, logo após a indicação do título, e antecedido de dois pontos. Se
houver dúvida quanto a tratar-se de título ou subtítulo, coloca-se tudo em
destaque.

Exemplo: A referência de um documento de autoria de Ullianna de


Albuquerque Vasile, cujo título é ESTUDOS E EXERCÍCIOS
AVANÇADOS PARA VIOLINOS, e cujo subtítulo é UMA PERSPECTIVA
DIDÁTICA PARA JOVENS TALENTOS, ficará assim:
VASILE, U. de A. Estudos e exercícios avançados para violinos: uma
perspectiva didática para jovens talentos.

Exemplo: A referência de um documento de autoria de Tia Koc, cujo


título é UMA FORMIGUINHA CHAMADA PIMBINHA, e cujo subtítulo é
PIMBINHA VAI AO PARQUE, ficará assim:
KOC, Tia. Uma formiguinha chamada Pimbinha: Pimbinha vai ao
parque.

Título com Nomenclatura Científica: Um documento cujo título


contenha uma nomenclatura científica será referenciado com duplo destaque
para a referida nomenclatura. Esta será a única ocasião em que o título
terá duplo destaque.

Exemplo: A referência de um documento de autoria da professora


Márcia Oliveira de Paula, cujo título é CITOLOGIA DE DROSOPHILA
MELANOGASTER ficará assim:
PAULA, M. O. de. Citologia de Drosophila melanogaster.
140

Observe-se que o termo científico teve duplo destaque (sublinhado e


itálico, enquanto o restante do título foi apenas sublinhado). Um outro exemplo:
A referência de um documento de autoria do Dr. Mário Caldeira Schmidt, cujo
título é COMPREENDENDO O PORTADOR DA HIPOCEPHALEA PATHOGEN
e cujo subtítulo é CONVERSANDO COM PAIS E PROFESSORES, ficará
assim:
SCHMIDT, M. C. Compreendendo o portador da hipocephalea pathogen:
conversando com pais e professores.

Títulos em Outros Idiomas: Os documentos que estiverem escritos em


mais de um idioma, terão o título indicado no idioma que estiver em destaque
ou que aparecer em primeiro lugar.

Exemplo: A referência de um documento de autoria de Francesco


Buonno, cujo título aparece nas formas GLI AMICI ITALIANI e OS
AMIGOS ITALIANOS, ficará assim:
BUONNO, F. Gli amici italiani.

Observe-se que o título foi indicado em italiano porque este foi o


primeiro mencionado no documento. Um outro exemplo: A referência de um
documento de autoria de Ellen Gould White, cujo título aparece nas formas O
GRANDE CONFLITO e THE GREAT CONTROVERSY, terá o título indicado
em português, por ser a primeira forma mencionada; ficará assim:
WHITE, E. G. O grande conflito.

Edição: Indica-se a edição de um documento somente quando esta for


mencionada no documento e desde que não se trate da primeira edição. A
indicação deverá ser em algarismo arábico cardinal, seguido de ponto e um
espaço, e da abreviatura da palavra edição. Exemplo: A referência do
documento de autoria de Dr. Marenos Schmidt, cujo título é FALANDO
FRANCAMENTE COM O ADOLESCENTE, e que já está na Quarta Edição,
ficará assim:
SCHMIDT, M. Falando francamente com o adolescente. 4. ed.
141

Edições Revistas, Ampliadas, Atualizadas, etc.: São indicadas na


forma abreviada, conforme o padrão da ABNT:
Edição Revista – ed. rev.
Edição Ampliada – ed. ampl.
Edição Atualizada – ed. atual.
Edição Aumentada – ed. aum.
Edição Revista e Atualizada – ed. rev. e atual.

Exemplo: A referência de um documento cujo autor é Fernando


Henrique Cardoso, cujo título é SOCIOLOGIA DO BRASIL NO SÉCULO
21, cuja edição é a 3ª. Revista e Atualizada, ficará assim:
CARDOSO, F. H. Sociologia do Brasil no século 21. 3. ed. rev. e atual.

Local de Publicação: É a indicação da cidade onde o documento foi


publicado e deve ser feita após a edição (ou após o título se não houver edição
a ser indicada). Se for uma cidade desconhecida ou que tenha uma
homônima, indica-se também a sigla do estado onde se localiza a cidade que
está sendo citada. Se mais de uma cidade estiver sendo indicada, cita-se
apenas a primeira indicação. Se o local for desconhecido, indica-se com [S. l.].

Exemplo: A referência de um documento cujo autor é Mário Augusto de


Alencar, cujo título é ECONOMIA URUGUAIA VERSOS ECONOMIA
BRASILEIRA, cuja edição é a Segunda, e que foi publicado em
Campinas, ficará assim:
ALENCAR, M. A. de. Economia uruguaia versos economia brasileira. 2.
ed. Campinas

Exemplo: A referência de um documento cujo autor é Francisco Buarque


de Holanda, com título PORQUE COMPOR A BANDA, que está na
Quinta edição e foi publicado em São Paulo, ficará assim:
HOLANDA, F. B. de. Porque compor A Banda. 5. ed. São Paulo

Note-se que A Banda é nome próprio e por este motivo as iniciais são
maiúsculas.
142

Exemplo: A referência de um documento cujo autor é Pedro Bandeira,


com título POESIAS PARA BRINCAR, publicado em local desconhecido,
ficará assim:
BANDEIRA, P. Poesias para brincar. [S. l.]

Editora: Indica-se a editora responsável pela publicação do documento,


logo após a indicação da cidade onde o mesmo foi publicado, antecedida de
dois pontos. O nome da editora pode vir abreviado quando tiver mais de uma
palavra. Dispensa-se o uso da palavra ‘editora’. Se a editora não for indicada
no documento, indica-se [s. n.].

Exemplo: A referência de um documento cujo autor é Lucas Brandão,


com o título HISTÓRIA DO BRASIL, que está na 6ª. Edição, publicado
em Campinas, pela editora Papirus, ficará assim:
BRANDÃO, L. História do Brasil. 6. ed. Campinas : Papirus

Exemplo: A referência de um documento cujo autor é Paulo Souza


Ferreira, com título MINHA VIDA, publicado em Santo André, sem a
indicação do nome da editora responsável, ficará assim:
FERREIRA, P. S. Minha vida. Santo André : [s. n.].

Data da Publicação: é indicada sempre em algarismo arábicos, sem


espaçamento nem pontuação, logo após a editora indicada e antecedida por
vírgula.

Exemplo: A referência de um documento cujo autor é Frei Beto, com


título SOLIDARIEDADE, que está na segunda edição, publicada no Rio
de Janeiro, pela editora Vozes, em 2004, ficará assim:
BETO, Frei. Solidariedade. 2. ed. Rio de Janeiro : Vozes, 2004.

Se a data for desconhecida, a ABNT dá algumas opções para indicação


do período de publicação (para o caso de livros):
[2004?] para o ano provável de publicação
143

[ca 2001] para a data aproximada de publicação, cerca de...


[200-] para indicar a década certa da publicação
[200-?] para indicar a provável década da publicação
[19--] para indicar o século certo da publicação
[19--?] para indicar o provável século da publicação
[s. d.] para indicar que não há indícios da data de publicação

Se o documento estiver em vários volumes e a data de publicação do


primeiro volume for diferente da do último, indica-se as duas datas, separadas
por hífen. Exemplo: 1999-2001.

Descrição Física: É a indicação do número de páginas p, volumes v ou


folhas f de um documento. Indica-se logo após a data de publicação.

Exemplo: A referência de um documento cujo autor é Leonardo Silvério


Neto, com título QUÍMICA ORGÂNICA, subtítulo ESTUDO E ENSINO,
segunda edição, publicado em São Paulo pela editora Melhoramentos,
em 2005, que tem 240 páginas, ficará assim:
SILVÉRIO NETO, L. Química orgânica. 2. ed. São Paulo :
Melhoramentos, 2005. 240 p.

7.1.2 Localização das Referências

As opções para indicação das Referências dos documentos utilizados


em uma pesquisa, são variadas. A preferencial é a que se apresenta ao final
do trabalho, em ordem alfabética, em uma única listagem.
À lista dos conjuntos de dados para identificação (ver item 5.1) de
documentos citados no texto redigido sobre a pesquisa realizada, se
denomina Referências. À lista dos conjuntos de dados para identificação (ver
item 5.1) de documentos consultados, mas NÃO citados, no texto redigido
sobre a pesquisa realizada, se denomina Documentos Consultados. Ambas
as listagens terão a mesma formatação e seguem a normalização já descrita
até aqui.
144

A diagramação destes conjuntos de dados para identificação dos


documentos pesquisados com o objetivo de dar embasamento teórico ao
trabalho – seja Documentos Consultados ou Referências – seguirá o padrão:
• Título da listagem digitado em negrito, tamanho 14, centralizado, tudo
em letra maiúscula.
• Texto das referências – Documentos Consultados ou Referências –
digitado em tamanho 12, não negritado, espaço 1,5 entre as linhas e
duplo entre uma referência e outra, texto justificado, respeitando as
margens estabelecidas para o trabalho.
o A Fonte (modelo de letra) utilizada será a mesma do restante do
texto da pesquisa. Vale lembrar que as opções indicadas são Arial
ou Times New Roman (TNR). Em nenhum momento haverá
variação de Fonte (modelo de letra). Quanto à pontuação, é aquela
já apresentada nos tópicos anteriores. Assim, uma listagem de
Referências ou de Documentos Consultados terá o seguinte
formato:

3 cm

78

REFERÊNCIAS

ALBERGARIA, C. A. de. M. Metodologia da pesquisa científica: temas


controversos. 2. ed. rev. e ampl. São Paulo : Atlas, 2002. 230 p.

BAROSA SOBRINHO, J. J. Filosofia. 3. ed. atual. Rio de Janeiro : McGrow-


Hill, 2005, 409 p.
3 cm 2 cm
GARCIA, H. Sintaxe na língua portuguesa. Campinas : Papirus, 2003, 111 p.

LEMOS, S. Ciência em tempo real. Belo Horizonte : MMN, 90 p.

TURCCILLO, Z. Limonada suíça em tempos rosas: literatura e poesia


moderna. 2. ed. São Paulo : Melhoramentos, 2005, 780 p.

2 cm
145

A partir destes conhecimentos básicos, o pesquisador terá condições de,


consultando, elaborar as Referências ou a lista de Documentos Consultados,
de todas as fontes de informação teórica utilizadas em sua pesquisa. Os
elementos a serem indicados em cada uma destas listagens irão variar de
acordo com o tipo de documento:

7.2 Livros e Documentos Não Periódicos

Os livros e documentos não periódicos são referenciados de forma


bastante similar; todavia, cada documento, conforme a sua particularidade, é
referenciado levando-se em conta detalhes específicos. Basicamente, a
referência de documentos na forma de livro terá os elementos:

Chave:
AUTORIA. Título. Edição. Local : Editora, Ano. Número de Páginas.

Exemplo:
CERQUEIRA, J. K. Fronteiras do saber. 3. ed. São Paulo : Ática, 2005.
309 p.

Se o livro for usado apenas em parte (um capítulo, volume ou


fragmento), o ideal é que a referência seja apenas da parte utilizada.

7.2.1 Partes de Livros (Capítulos, Fragmentos, Volumes)

Se a parte (capítulo, volume ou fragmento) utilizada tiver um autor


específico (publicações em que cada capítulo tem um autor diferente, por
exemplo), a referência iniciará pelo autor da parte, seguido do título da parte
(sem qualquer destaque). Depois coloca-se o termo In: (que significa ‘dentro
de’), o autor responsável por todo o livro (se houver), o título do livro, em
destaque, e os demais elementos previstos para referência de livros. A
paginação será indicada com o número da página inicial e da página final da
parte, separadas por hífen, conforme o modelo a seguir:
146

Chave:

AUTORIA DA PARTE DA OBRA. Título da parte. In: AUTORIA DA OBRA.


Título da obra. Edição. Local : Editora, Ano. Página inicial – Página final da
parte referenciada.

Exemplo:
MORAES, L. O desenvolvimento da planta. In: HILLTER, B. ;
STADLER, T. Falando em ecologia: conceitos e estudos de casos. 2.
ed. rev. e atual. Belo Horizonte : Artes Médicas, 2000. p. 143-187.

7.2.2 Verbetes de Enciclopédias e Dicionários

Quando o documento utilizado for uma Enciclopédia ou um Dicionário, a


referência será a do verbete consultado. Verbete é o texto referente ao item
(palavra ou tema) consultado. A referência de um verbete é feita citando-se os
elementos indicados a seguir.

Chave:

PALAVRA OU TEMA DO VERBETE CONSULTADO. In: NOME da


enciclopédia ou dicionário consultado, Ano. Volume, Página (ou páginas
inicial e final, quando for o caso).

Exemplo:
MARKETING. In: MICHAELIS dicionário ilustrado. Rio de Janeiro :
Melhoramentos, 2002, v. 2, p. 1.204.

7.2.3 Relatórios Técnicos

Quando o documento utilizado for um Relatório Técnico, os elementos


que comporão a referência são:

Chave:

AUTOR DO RELATÓRIO. Título do relatório. Local : Editora, Ano.


Paginação. Indicação do tipo de documento.
147

Exemplo:
MONTEIRO, G. Análise do grau de segurança na biblioteca do Colégio
Piloto. Petrópolis : Colégio Piloto, 2001. 87 p. Relatório técnico.

7.2.4 Teses, Dissertações e Monografias

Quando o documento utilizado for resultado de produção acadêmica ou


científica (Teses, Dissertações e Monografias), os elementos que comporão a
referência são:

Chave:

AUTORIA. Título. Local, Ano. Número de folhas. Indicação de Tese, Dissertação


ou Monografia (Grau e Área) – Unidade de Ensino, Instituição.

Exemplo:
SILVEIRA, R. A Filosofia vai à escola? : estudo do programa de filosofia
para crianças de Matthew Lipman.. Campinas, 1998. 441 f. Tese
(Doutorado em Educação) – Faculdade de Educação, Universidade
Estadual de Campinas.

PEREIRA, M. Implementação do Just-in-time em uma empresa


fabricante de armações de óculos. Santa Bárbaro D’Oeste (SP), 2000.
139 f. Dissertação (Mestrado em Engenharia de Produção) – Faculdade
de Engenharia Mecânica e de Produção, Universidade Metodista de
Piracicaba – UNIMEP.

SANTOS, M. Linguagem de sinais. Engenheiro Coelho (SP). 2002. 45 f.


Monografia (Trabalho de Conclusão de Curso) – Curso de Pedagogia,
Centro Universitário Adventista de São Paulo/Campus 2.
148

7.2.5 Trabalhos Acadêmicos

Quando o documento utilizado for resultado de trabalhos acadêmicos, os


elementos que comporão a referência são:

Chave:
AUTOR(ES) DO TRABALHO. Título. Local, Ano. Número de folhas.
Indicação de Trabalho Acadêmico (Disciplina) – Curso, Instituição.

Exemplo:
SANTOS, V. Modelos matemáticos para o ensino fundamental. São
Paulo, 2002. 32 f. Trabalho Acadêmico (Didática II) – Curso de
Matemática, Centro Universitário Adventista de São Paulo/Campus SP.

7.2.6 Congressos, Conferências, Encontros e Outros Eventos


Científicos

Quando o documento utilizado for resultado de eventos científicos, os


elementos que comporão a referência são:

Chave:

NOME DO EVENTO, número do evento, ano de realização, local. Título.


Local: Editora, ano de publicação. número de páginas ou volume.

Exemplos:
ENCONTRO ANUAL DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA. 4., 2004, São Paulo.
Anais do 4º. Encontro anual de iniciação científica. São Paulo :
UNASP/Campus SP, 2005. 322 p.

CONGRESSO BRASILEIRO DE BIBLIOTECONOMIA E


DOCUMENTAÇÃO, 22., 2003, Florianópolis. Anais do XXII Congresso
Brasileiro de Biblioteconomia e Documentação – Superando Obstáculos
em Direção à Tecnologia. Curitiba : PUCPR, 2004. 2 v.
149

7.2.7 Trabalhos Apresentados em Eventos Científicos

Quando o documento utilizado for resultado de um trabalho apresentado


em evento científico, os elementos que comporão a referência são:

Chave:
AUTORIA. Título do trabalho. In: NOME DO EVENTO, número do evento, ano
de realização, local. Título. Local : Editora, ano de publicação. Página inicial-
final.

Exemplo:
LEANDRO FILHO, J.; LIMA, E. J. Divulgação seletiva da informação
por meio eletrônico. In: SIMPÓSIO SOBRE RECURSOS
INFORMACIONAIS EM BIBLIOTECAS VIRTUAIS, 3., 2004, São José
do Rio Preto. Anais do 3º. Simpósio sobre recursos informacionais em
bibliotecas virtuais. São José do Rio Preto : UNSJRP, 2005. p. 345-456.

7.3 Publicações Periódicas

Publicações periódicas são as publicadas de período em período –


anualmente, semestralmente, mensalmente, quinzenalmente, semanalmente,
diariamente, e assim por diante. Exemplos: jornais, revistas.
Os periódicos científicos são publicações positivamente significativas
para o pesquisador, especialmente pela possibilidade de oferecerem
informações atualizadas sobre temas do momento. Podem ser utilizados no
todo – o periódico inteiro ou sua coleção – ou em partes, quando o pesquisador
utiliza apenas um ou outro artigo de cada periódico. Em cada caso a referência
terá detalhes específicos.
150

7.3.1 Periódicos Considerados no Todo

Quando o documento utilizado for um periódico e ele for integralmente


utilizado (vários artigos de toda a coleção), os elementos que comporão a
referência são:

Chave:
TÍTULO DO PERIÓDICO. Local de publicação : Editora, Ano de início-término
da publicação.

Exemplo:
REVISTA DE EDUCAÇÃO DA PUCRS. Porto Alegre : PUCRS, 1970-
1999.

7.3.2 Artigos de Periódicos

Quando o documento utilizado for um artigo de periódico, os elementos


que comporão a referência são:

Chave:
AUTOR DO ARTIGO. Título do artigo. Título do periódico, Local de publicação,
número do volume, número do fascículo ou ano, páginas inicial-final do artigo,
data.

Exemplo:
ALBUQUERQUE, E. X. de. Teoria do currículo sim. O currículo da teoria
não. Revista de Educação da IASD, Campinas, v. 3, n. 2, p. 23-27, jan.
2002b.

7.3.3 Artigos de Jornais

Os jornais também são publicações periódicas; todavia, devido à sua


característica peculiar, tem uma referenciação particular. Quando o documento
utilizado for um artigo de jornal, os elementos que comporão a referência são:
151

Chave:
AUTOR DO ARTIGO. Título do artigo. Título do jornal, Local de publicação,
data (dia, mês, ano). Número ou título do caderno, seção, suplementos, etc.,
páginas inicial-final do artigo referenciado, número de ordem da(s) coluna(s).

Exemplo:
PADOVANI, F. A economia continua em crise. O Estado de São Paulo,
São Paulo, 22 set 2001. Economia, p. 12A-13A, coluna 3.

DONIZETTE, L. As eleições e a educação. Folha de São Paulo. 13 out.


2000. Política, p. 11-12.

7.4 Resumos

Os Resumos são textos técnicos que sintetizam livros ou artigos de


periódicos e são publicados em documentos específicos (publicações que
reservam espaços apenas para resumos ou só publicam resumos). Cada um
destes tipos terá uma referência adequada às suas características.
Quando o documento utilizado for um resumo de livro, publicado numa
seção de resumos, por exemplo, os elementos que comporão a referência são:

Chave:
AUTORIA DA PARTE RESUMIDA. Título da parte resumida. Local : Editora,
Ano. Fonte onde o resumo foi publicado. Nota indicativa de resumo.

Exemplo:
GÓIS, H. História dos povos bárbaros. Belo Horizonte : ATTB, 2001.
Revista de História da Universidade Federal de Minas Gerais, Belo
Horizonte, v. 21, n. 12, p. 233-302, ago. 2002. Resumos.
152

• No caso do exemplo acima, H. Góis fez o resumo de um texto (pode ser


livro, monografia, etc.) e publicou em 2001 este resumo. Em 2002 a
Revista de História da UFMG publicou este resumo na íntegra em um de
seus números. Esta é uma das possibilidades de se referenciar
resumos utilizados em trabalhos científicos.

Quando o documento utilizado for o resumo de um artigo de periódico,


publicado numa seção específica para resumos, os elementos que comporão a
referência são:

Chave:
AUTOR DO ARTIGO. Título do artigo. Título do periódico original de onde o
artigo foi publicado, Local de publicação do periódico original de onde o artigo
foi publicado, volume do periódico original de onde o artigo foi publicado,
número do fascículo ou ano do periódico original de artigo foi publicado,
Exemplo:
páginas inicial-final do artigo que foi resumido, data de publicação do periódico
original de onde o artigo foi publicado. Título do periódico onde o resumo foi
publicado, Local de publicação do periódico onde o resumo foi publicado,
número do volume do periódico onde o resumo foi publicado, número do
fascículo ou ano do periódico onde o resumo foi publicado, página(s inicial-
final) do resumo publicado, data de publicação do periódico onde o resumo foi
publicado. Nota indicativa de resumo.

Exemplo:
FRANCO, K. Adolescentes e gravidez. Revista de Psicologia da USP,
São Paulo, v.23, n. 1, p. 213-219, Jul. 2000. Revista de Psicologia da
Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, v. 4, n. 2, p.
44-47, Jan. 2001. Resumo.

No caso do exemplo acima, K. Franco publicou um artigo em 2000 e o


resumo deste artigo foi publicado em 2001, em um outro periódico. Quando a
autoria do resumo for indicada, acrescenta-se a nota indicativa Resumo de:
antecedendo a fonte de onde foi retirado o resumo.
153

Exemplo:
FRANCO, K. Adolescentes e gravidez. Revista de Psicologia da USP,
São Paulo, v.23, n. 1, p. 213-219, Jul. 2000. Resumo de: MENDES, O.
Revista de Psicologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul,
Porto Alegre, v. 4, n. 2, p. 44-47, Jan. 2001. Resumo.

7.5 Resenha

Resenhas são textos técnicos que resumem e comentam livros ou


artigos de periódicos e são publicadas em documentos específicos
(publicações que reservam espaços para resenhas ou só publicam resenhas).
Cada resenha terá uma referência adequada às suas características.
Quando o documento utilizado for uma resenha sem título próprio os
elementos que comporão a referência são:

Chave:
AUTORIA DA RESENHA. Título do livro ou artigo resenhado. Título do
periódico que publicou a resenha. Local de publicação do periódico, volume do
periódico, número do fascículo do periódico, páginas inicial e final do texto da
resenha, data. Nota indicativa de resenha.
Exemplo:
FRAGOSO, J. Nomeações e vetos em tempos de CPI: uma análise
comparativa. Revista de Administração da FGV. Rio de Janeiro, v. 14,
n. 2, p. 234-236, 2004. Resenha.

Quando o documento utilizado for uma resenha com título próprio os


elementos que comporão a referência são:

Chave:
AUTORIA DA RESENHA. Título da resenha. Título do periódico que publicou a
resenha. Local de publicação do periódico, volume do periódico, número do
fascículo do periódico, páginas inicial e final do texto da resenha, data. Nota
indicativa contendo Resenha de: coloca-se o nome do autor do texto
resenhado e o título do texto resenhado, seguidos das demais informações
sobre a fonte onde se encontra o texto resenhado..
154

Exemplo:
PARANHOS, E. Concepções filosóficas sobre a análise do discurso na
perspectiva de J. Duran. Revista da Faculdade de Letras da UFBA,
Salvador, v. 2, n.1, p. 63-71, Jan.-Mar. 2005. Resenha de: DURAN, J.
R. A análise do discurso: divagações ou ferramenta científica ?.
Campinas : PAPIRUS, 2004. 379 p.

7.6 Normas Técnicas

Normas Técnicas são parâmetros estabelecidos para definir posturas,


padrões, procedimentos, processos, etc.
Quando o documento utilizado for uma norma técnica os elementos que
comporão a referência são:

Chave:
ORGÃO NORMALIZADOR. Título (que em geral é o número da norma) :
subtítulo da norma, Local, Ano.

Exemplo:
PEIXOTO, S. NBR6023 : norma técnica sobre referências. Brasília,
2002.

7.7 Documentos Legislativos

São documentos legislativos as leis, os decretos, os acórdãos, as


decisões e sentenças judiciais, os pareceres, resoluções e indicações.

7.7.1 Leis e Decretos

Quando for utilizado um documento legislativo do tipo Leis e Decretos,


os elementos que comporão a referência são:
155

Chave:
NOME DO PAÍS, ESTADO OU MUNICÍPIO. Título e número da lei ou decreto,
data. Ementa. Dados da publicação que divulgou o documento.

Exemplo:
BRASIL. Decreto n. 2324, de 12 de setembro de 2002. Estabelece
parâmetros para a realização do referendo sobre a proibição da
comercialização de armas de fogo e projéteis no Brasil. Diário Oficial da
União, Brasília, v.98, n. 111, p. 45, 13 Set. 2002. Seção 1, coluna 3.

7.7.2 Acórdãos, Decisões, Sentenças de Cortes ou Tribunais

Quando for utilizado um documento legislativo nesta categoria, os


elementos que comporão a referência são:

Chave:
NOME DO PAÍS, ESTADO OU MUNICÍPIO. Nome da corte ou tribunal,
Ementa ou acórdão. Tipo e número do recurso. Partes litigantes (agravo,
Exemplo:
apelação, embargo, hábeas corpus). Relator: nome. Data. Dados da
publicação que divulgou o acórdão, decisão ou sentença.

Exemplo:
BRASIL. Do Supremo Tribunal Federal. Deferimento de habeas corpus.
Habeas corpus n. 2.218. Promotoria da cidade de São Paulo e Antonio
Pedro de Paranhos Neto. Relator: Dr. Albergaria Felinto Motta. 2 maio
2003. Diário Oficial da União, Brasília, v.98, n. 111, p. 45, 13 Set. 2002.
Seção 1, coluna 3.

7.7.3 Pareceres, Resoluções e Indicações

Quando for utilizado um documento legislativo nesta categoria, os


elementos que comporão a referência são:
156

Chave:
AUTORIA (Instituição ou Pessoa). Tipo (parecer, resolução, indicação),
número e data. Ementa. Relator ou consultor: nome. Dados da publicação que
Exemplo:
divulgou o documento.

Exemplo:
BRASIL. Consultoria Geral da República. Parecer n. 2324 de 31 mar.
2004. Competência para extradição de estrangeiros que atuam nas
instâncias do governo federal. Consultor> Alceu Amoroso Lima. In:
MONTEIRO, C. de F. Direito internacional. São Paulo : Mc-GrawHill,
2003. v.3, p. 265-266.

7.8 Bíblia
7.8.1 Bíblias Consideradas no Todo

Quando o documento utilizado for a Bíblia em sua íntegra – toda ou


quase toda a bíblia – os elementos que comporão a referência são:

Chave:
BÍBLIA. Língua. Título. Tradução ou versão. Edição. Local : Editora, Ano.

Exemplo:
BÍBLIA. Inglês. Holly Bible. Kings James Version. 22th ed. New York :
LCD, 2001.

7.8.2 Partes da Bíblia

Quando o documento utilizado for um dos livros da Bíblia, os elementos


que comporão a referência são:

Chave:
BÍBLIA. Nome do Livro da Bíblia. Língua. Título. Tradução ou versão. Edição.
Local : Editora, Ano.
Exemplo:
157

BÍBLIA. Apocalipse. Português. A Bíblia Viva. Versão Antonio Pereira de


Figueiredo. 35. ed. São Paulo : Paulinas, 2000.

7.9 Catálogos de Exposições, Editores, etc.

Muito utilizados por pesquisadores de algumas áreas específicas.


Quando o documento utilizado for um catálogo, os elementos que comporão a
referência são:

Chave:
AUTORIA (instituição, associação, organização, etc.). Título do catálogo.
Local, Ano. Nota indicativa de catálogo quando não constar no título.

Exemplo:
ASSOCIAÇÃO PRÓ-ARTE DE LONDRINA. Mostra de pintura da
UnisTest Mendel. Londrina, 2002. Catálogo.

7.10 Entrevistas

As entrevistas são excelentes ferramentas de pesquisa. Tanto as


elaboradas pelo pesquisador, quanto as publicadas. Em geral, são
instrumentos de divulgação de informações atualizadas e precisas, quando
realizadas na perspectiva científica.

7.10.1 Entrevistas Não Publicadas

Chave:
AUTORIA (nome do entrevistado – aquele que concedeu a entrevista). Ementa
da entrevista. Local, Data.

Exemplo:
HERCULES, M. Ingresso de carteiras de negócio internacionais em
instituições financeiras brasileiras. São Paulo, 2001.
158

Quando a entrevista é concedida em função de cargo ocupado pelo


entrevistado, acrescenta-se o cargo, a instituição e o local ao título.
Exemplo:
HERCULES, M. Entrevista concedida pelo Cherman do Commertz Bank
no Unibanco Brasil, São Paulo. Ingresso de carteiras de negócio
internacionais em instituições financeiras brasileiras. São Paulo, 2001.

7.10.2 Entrevistas Publicadas

Chave:
AUTORIA (nome do entrevistado – aquele que concedeu a entrevista). Título
da entrevista. Título do documento que publicou a entrevista. Dados completos
da fonte que publicou a entrevista. Indicação de entrevista.

Exemplo:
GRACIANO, Y. Cirurgias de redução do estômago. Revista de Medicina
da USP. São Paulo, v. 23, n. 112. Jul-Ago. 2002. p. 1.1230-1.254.
Entrevista.

É possível indicar o nome do entrevistador na nota da entrevista, quando


for de interesse do pesquisador. A nota de entrevista ao final da referência
deve ser omitida quando figurar no título.
Exemplo:
PEREIRA. A. A era das academias. Revista de Educação Física da
UNIMAR. Marília, v. 3, n.2, Maio 2005. p. 204-209. Entrevista concedida
a Paulo Antunes Maia.

7.11 Projetos de Pesquisa

Quando o documento utilizado for um Projeto de Pesquisa, os elementos


da referência são:

Chave:
AUTORIA (Coordenador do Projeto). Título do Projeto. Local : Unidade
executora, data de início, paginação. (Sigla da instituição mantenedora. Nome
e número do Programa – Título do programa, Código do Projeto). Nota de
status (Se é anteprojeto, projeto em andamento ou projeto concluído).
159

Exemplo:
ANDRADE, S. (Coord.). Atividades gestoras em ONGS. São Paulo :
ONG Viva Rio, 2001, 15 p. (ong Viva Rio. Programa 116 – Gestões de
ONGS. Projeto 3635). Projeto concluído.

7.12 Obras Inéditas (Documentos Não Publicados)

Quando o documento utilizado não houver sido publicado, os elementos


da referência são:

Chave:
AUTORIA. Título. Nota indicativa de origem do documento (palestra, notas de
aula, etc.).
Exemplo:
NEVES, U. de C. Teoria quântica. Palestra proferida na Faculdade de
Física da UFSCAR, São Carlos, 31 mar. 2001.

7.13 Atas de Reuniões

Quando o documento utilizado for uma Ata de Reunião, os elementos da


referência são:

Chave:
AUTORIA (Instituição, associação ou outro), Local. Título e data. Livro número,
páginas inicial-final.
Exemplo:
CENTRO UNIVERSITÁRIO ADVENTISTA DE SÃO PAULO.
Hortolândia. Ata da reunião do colegiado do Curso de Educação Física
realizada em 21 de março de 2002. Livro 23, p. 23-24.
160

7.14 Documentos Cartográficos

São documentos cartográficos os mapas, globos, atlas, e similares.

7.14.1 Mapas e Globos

Mapas e globos são referenciados de forma muito semelhante. A única


variação é o termo indicativo mapa ou globo e a dimensão que no globo será
indicado o diâmetro em cm.
Quando o documento utilizado for um mapa ou um globo, os elementos
da referência são:

Chave:
AUTORIA. Título. Local : Editora, Ano. Número de unidades físicas : indicação
de cor; altura X largura. Escala.
Exemplo:
GEOMAPAS. Relevo geográfico brasileiro. São Paulo : LTF, 2004. 1
mapa : color.; 78 x 88 cm. Escala 1:500.000.

GEOMAPAS. Globo terrestre. São Paulo : LTF, 2004. 1 globo : color.;


115 cm.

7.14.2 Atlas

Quando o documento utilizado for um atlas, os elementos da referência


são:

Chave:
AUTORIA (autor e/ou editor). Título do atlas. Local : Editora, Ano.

Exemplo:
MAIA, G.; STILL, R. Atlas geográfico dos Estados Unidos da América.
Washington, 2001.
161

Quando não há autor ou editor, a referência será iniciada pelo título do


atlas.
Exemplo:
ATLAS histórico dos Estados Unidos da América. Washington, 2001.

Se a palavra atlas não aparece no título do documento, deve-se fazer a


indicação ao final da referência.

Exemplo:
GEOGRAFIA do Brasil: relevos e fronteiras. São Paulo : Ática, 2004.
Atlas.

7.15 Partituras

Quando o documento utilizado for uma partitura, os elementos da


referência são:

Chave:
AUTORIA (compositor). Título. Indicações complementares de
responsabilidade. Local : Editora, Ano. Número de partituras (quantidade de
páginas).
Exemplo:
DIAS, R. Nossa gente nossa música: ano 2002. São Paulo : UNASP,
2002. 1 partitura (8 p.)

7.16 Gravações Sonoras

São documentos em gravação sonora: CDs, vinil, videodisco laser,


cassete.
162

7.16.1 Discos Compactos Áudio – CD Áudio

Quando o documento utilizado for um CD para áudio (somente aparelho


de música), os elementos da referência são:

Chave:
AUTORIA (compositor). Título. Executante. Local : Gravadora, Ano. Número
de CDs (tempo de gravação em minutos) : tipo de gravação, número de canais
sonoros. Número de CDs.
Exemplo:
PARALAMAS DO SUCESSO. 9 luas. Rio de Janeiro : Odeon, 2001. 1
CD (50 min) : digital, estéreo. 20030-2-1020.

HANDEL, G. F. O Messias. Orquestra Filarmônica de Frankfurt, J. Klein,


regente. Toronto : WCA Music, 2001. 2 Cd (96 min). Digital, estéreo.
2320-9-80.

7.16.2 Discos de Vinil

Quando o documento utilizado for um disco de vinil, os elementos da


referência são:

Chave:
AUTORIA (compositor). Título. Executante. Local : Gravadora, Ano. Número
de discos (tempo de gravação em minutos) : número de rotação(ções) por
minuto, sulco ou digital, número de canais sonoros. Número do disco.

Exemplo:
MOTA, R. Prá cima Brasil. Regina Mota, Grupo Vocal VP. Nova
Friburgo : ADSAT, 2000. 1 disco (45 min) : 331/3 rpm, microssulco,
estéreo. D223 S145 12/89.

Em caso de coletânea, a Referência se iniciará pelo título; se


necessário, será iniciada pelo(a) intérprete.
163

Exemplo:
FONSECA, R. Chuva de bênçãos. São Paulo : RCA, 2004. 4 discos
(240 min): 331/3 rpm, microssulco, estéreo, 89208347.

Caso o pesquisador utilize apenas um dos lados do disco, somente este


lado deve ser referenciado e, neste caso, deve ser feita a designação Lado A
ou B, após a data.
Exemplo:
FONSECA, R. Chuva de bênçãos. São Paulo : RCA, 2004. Lado B, 1
disco1 (40 min): 331/3 rpm, microssulco, estéreo, 89208389.

7.16.3 Videodisco (Laser)

Quando o documento utilizado for um videodisco laser (ou CDL), os


elementos da referência são:
Chave:
AUTORIA. Título. Local : Gravadora, Ano. Número de unidades físicas
(duração em minutos) : laser, número de canais sonoros. Número do disco.

Exemplo:
CORAL CARLOS GOMES. A glória e magestade. São Paulo : RCA,
2001. 1 videodisco (35 min) : laser, estéreo. UO-34-598.

7.16.4 Cassetes

Quando o documento utilizado for um cassete sonoro, os elementos da


referência são:
Chave:
AUTORIA (compositor). Título. Executante. Local : Gravadora, Ano. Número
de unidades físicas (duração) : tipo de gravação.

Exemplo:
164

AZEVEDO, E. ; AZEVEDO, Z. Cristo ama as criancinhas. Zilda e Elias


Azevedo e os Pequenos Cantores da Colina. São Paulo : INC, 1997. 1
cassete (45 min) : son., estéreo.

7.17 Filmes e Gravações em Cassetes


7.17.1 Gravações em Cassetes

Quando o documento utilizado for uma gravação em cassete, os


elementos da referência são:

Chave:
TÍTULO. Direção de. Local : Distribuidora, Ano. Número de unidades físicas
(duração em minutos) : indicação de som (legenda ou dublagem), indicação de
cor; largura e milímetros. Sistema de gravação.

Exemplo:
SEMÕES do pastor Stina. Direção de Williams Costa Júnior. Rio de
Janeiro : Está Escrito, 2002. 1 cassete (100 min) : son.; 12 mm. VHS
NTSC.

Observações: Os dados de descrição física de filmes cinematográficos e


gravações em cassete devem ser registrados assim:
• Número de unidades físicas: deve-se utilizar os termos (bobina,
cartucho, cassete, rolo), conforme o caso.
• Tempo de projeção: deve ser indicado em minutos.
• Características de som: deve-se indicar: mudo, sonoro (son.), legendado
(leg.) ou dublado (dubl.), conforme o caso.
• Cor: deve-se utilizar as abreveaturas p & b para preto e branco ou
color. para colorido.
• Dimensão: deve-se registrar a bitola (largura) em milímetros (mm) ou
polegadas (pol).
• Sistema de Gravação para Vídeo: deve-se registrar o sistema utilizado
(VHS, NTSC, APL-M, Betamax).
165

7.18 Microfilmes, Microfichas, Slides e Diafilmes

Também chamadas de Microformas, a utilização deste material é muito


comum entre pesquisadores de algumas áreas específicas do conhecimento.
Quando o documento utilizado for um microfilme, os elementos da
referência são:

Chave:
AUTORIA. Título. Local : Editora, Ano. Número de unidades físicas, largura
em milímetros.

Exemplo:
CARVALHO, I. de S. Paleontologia. São Paulo : LTC, 2004. 2 v. 1
bobina de microfilme, 35 mm.

Quando o documento utilizado for uma microficha, os elementos da


referência são:

Chave:
AUTORIA. Título. Local : Editora, Ano. Número de unidades físicas, redução.
Exemplo:
MONTEIRO, I. de S. Geografia do Brasil. São Paulo : LTC, 2003. 3 v. 2
microfichas, redução de 1;24.000.

Quando o documento utilizado for um slide, os elementos da referência


são:
Chave:
AUTORIA. Título. Local : Produtor, Ano. Número de slides : indicação de cor;
dimensão em centímetros.

Exemplo:
MOURA, D. Trigonometria euclidiana. São Paulo: NCN: color.; 5 x 5
cm.
166

Quando o documento utilizado for um diafilme, os elementos da


referência são:

Chave:
AUTORIA. Título. Local : Produtor, Ano. Número de unidades físicas (número
de fotogramas); largura em milímetros.

Exemplo:
BARBOSA, W. Hidrografia da região nordeste do Brasil. Rio de Janeiro :
IBGE, 2002. 1 diafilme (78 fotogramas); 35 mm.

7.19 Transparências

Quando o documento utilizado for uma transparência, os elementos da


referência são:

Chave:
AUTORIA. Título. Local : Editora, Ano. Número de unidades físicas : indicação
de cor.

Exemplo:
VICENTE, S. 500 anos de história da Educação. São Paulo :
Melhoramentos, 2005. 35 transparências : p & b.

7.20 Fotografias

Quando o documento utilizado for uma fotografia, os elementos da


referência são:

Chave:
AUTORIA (fotógrafo). Título. Ano. Número de unidades físicas : indicação de
cor; dimensões.

Exemplo:
167

ALMEIDA, V. Estrutura em concreto protendido. 2004. 1 fot. : color. ; 18


x 36 cm.

Fotografias de obras de arte terão a referência iniciada pelo nome


do autor da obra, seguido do título da obra. Somente então é indicado o
nome do fotógrafo e demais dados:
Exemplo:
MICHELANGELO. Moisés. Fotógrafo René Monges, 2001. 1 fot. : p & b;
15 x 18 cm.

Se o pesquisador houver utilizado uma coleção de fotografias com


suporte físico próprio (álbum, por exemplo), este dado antecederá o número de
fotos.
Exemplo:
RAFAEL. Dois nobres na corte. Fotógrafo René Monges, 2001. 1 álbum
(50 fot.) : p & b; 15 x 18 cm.

7.21 Pôsteres

Quando o documento utilizado for um pôster, os elementos da referência


são:

Chave:
TÍTULO. Local : Editora, Ano. Número de unidades físicas : indicação de cor.

Exemplo:
FISIOLOGIA da mão. Belo Horizonte : UFMG, 2004. 1 pôster : color.

7.22 Cartas

Quando o documento utilizado for uma carta não publicada, os


elementos da referência são:
168

Chave:
AUTORIA DA CARTA. Ementa da carta. Local, data (dia, mês e ano).
Descrição física

Exemplo:
WHITE, E. G. Carta ao filho William, viajando na Suíça. Berna, 17 out.
1899. 2 f.

Quando o documento utilizado for uma carta publicada, os elementos


da referência são:

Chave:
AUTORIA DA OBRA ONDE A CARTA FOI PUBLICADA (Indicação de
responsabilidade do autor) Ementa da carta. Título da publicação. Local
(dados complementares da publicação).

Exemplo:
WHITE, E. G. Cartas de Ellen White escritas aos jovens da igreja.
Mensagens aos jovens. Tatuí : CPB, 2001. 789 p.

7.23 Bula de Remédio

Quando o documento utilizado for uma bula de remédio, os elementos


da referência são:

Chave:
NOME COMERCIAL DO MEDICAMENTO: nome genérico. Responsável
técnico. Local : Laboratório/Fabricante, Ano. Nota indicativa de bula.

Exemplo:
SINTROYD: tiroxina. Marilena Almeida Gomes. São José do Rio Preto :
NOVACIL Farmacopédia, 2002. Bula.
169

7.24 Informações e Documentos Eletrônicos

São considerados documentos eletrônicos os Arquivos Eletrônicos, os


Softwares, os disquetes, as fitas magnéticas e os CD-Roms. As informações
oriundas deste tipo de fonte (mesmo quando livros, periódicos, relatório, etc.)
receberão tratamento específico no momento de sua referenciação.

7.24.1 Disquetes e Similares

Quando o documento utilizado estiver registrado em um disquete, os


elementos da referência são:

Chave:

AUTORIA. Título. Dados complementares da fonte da informação (livro,


periódicos, etc.). Indicação de disquete e dimensão do mesmo.

Exemplo para Livro em Disquete:


FURTADO, E. Saberes e discursos sobre educação especial: uma
análise comparativa. São Paulo : EDUSP, 2001. 1 disquete 31/2 .

Exemplo para Periódico em Disquete:


PEREIRA, D. ; WALMOR, R. ; SAMPAIO, T. de H. Ética na propaganda.
Jornalista de Hoje, Fortaleza, v.34, n. 2, p. 77-79, jan. 2004. 1 disquete
31/2 .

7.24.2 Arquivos Eletrônicos

Quando o documento utilizado estiver registrado em um arquivo


eletrônico – de dados e textos criados no computador – os elementos da
referência são:

Chave:

AUTORIA DO ARQUIVO. Nome do arquivo. Extensão. Ementa. Custódia


(depositário). Local, data (dia, mês e ano). Descrição física. Programa gerador.
170

Exemplo:
CENTRO UNIVERSITÁRIO ADVENTISTA DE SÃO PAULO/Campus
HT. Curso de Pedagogia. Projeto Pedagógico. Projeto pedagógico do
curso, elaborado para utilização a partir de 2003. Biblioteca
Universitária. Hortolândia, 13 out. 2002. 3 disquetes 51/4pol. Windows
2002.

Chave:

AUTORIA DO PROGRAMA. Nome do programa e versão. Local, Ano.


Descrição física; tipo de suporte. Nota indicativa sobre aplicação do programa.

Exemplo:
MIROSOFT CORPORATION. Windows XP. Chicago, 2005. 5 disquetes
51/4pol.

Se o documento consultado for um conjunto de softwares,


contendo diferentes tipos de materiais e estejam sendo mantido juntos –
por necessidade – os elementos da referência são:
Chave:

AUTORIA. Título e versão. Local : Editor/Produtor, Ano. Descrição física; tipo


de suporte. Notas: indicação dos elementos que compõem o conjunto de
softwares.

Exemplo:
MIROSOFT CORPORATION. Projects for Windows XP. Chicago, 2005.
Conjunto de softwares: 8 disquetes 3 ½ , 5 fitas magnéticas DAT 2GB,
4mm, 2 folhetos e 1 manual.
171

7.24.3 Fitas Magnéticas e Similares

Quando o documento utilizado for uma fita magnética, os elementos da


referência são:

Chave:
AUTORIA. Título. Local, Ano. Indicação de fita magnética, dimensão.
Exemplo:
SOCIEDADE BRASILEIRA DE FISIOTERAPIA. Estudos de fisiologia do
movimento dos membros inferiores em humanos na faixa etária de 0 a
10 anos. Rio de Janeiro, 2003. Fita magnética DAT 3GB, 4mm.

7.24.4 CD-Rom, Base de Dados e Similares

No CD-Rom, que possui grande capacidade para armazenar textos e


imagens, poderão estar registrados livros, periódicos, eventos, etc. Assim, ao
referenciar as informações contidas em um CD-ROM, levar-se-á em conta, a
fonte original da informação e em seguida, faz-se a indicação da mídia onde
está contida a informação. Quando o documento utilizado for um CD-ROM, os
elementos da referência variarão conforme o caso:
• Livros no todo:
Faz-se a referência do livro, completa, e ao final, indica-se em quantos
CD-ROM está contido o livro.

Chave:
AUTORIA. Título. Local, Ano. Indicação de fita magnética, dimensão.
Exemplo:
GIROTO, E. Sermões para todas as ocasiões. São Paulo :
UNASPRESS, 2001. 24 CD-ROM

• Partes de Livros:
Faz-se a referência da parte do livro, capítulo, fragmento, e ao final,
indica-se em quantos CD-ROMS está contido o livro.
172

Exemplo:
FRANCCESCO. L. A história da arte contemporânea na Europa do
século XIX. In: BUCCO, M. História da Arte no Velho Mundo. Rio de
Janeiro : McGraw-Hill, 2004. 1 CD-ROM.

Seguindo este raciocínio, para qualquer outra situação – por exemplo:


eventos, publicações periódicas, relatórios, etc – faz-se a referência conforme o
tipo de fonte e em seguida a indicação de CD-ROM.

7.25 Fontes Eletrônicas Online

São aquelas disponíveis e acessíveis via protocolos:


• E-mail (comunicações pessoais)
• http (usado pelo www)
• ftp
• Gopher
• Telnet
• Listas de Discussões

As informações oriundas deste tipo de fonte têm como elementos da


referência:

Chave:
AUTORIA. Título. Fonte (se for documento também publicado). Disponível em:
<endereço eletrônico> Acesso em: data (dia, mês, ano).

Exemplo de documento não publicado:


XIMENES, K. Estudo do idioma alemão no Brasil: pesquisa da USP nos
Estados do Sul. Disponível em:
<http://risc.unijui.tche.br/~alemao/autodidata.html> Acesso em: 23 set.
2005.
173

Exemplo de documento publicado:


FARIA, U. Física para segundo grau. Belo Horizonte : JKL, 2002. 234 p.
Disponível em: <http://www.usp.fisica/segundograu.html> Acesso em: 01
out. 2005.

Para publicações periódicas online, observa-se o seguinte padrão: faz-


se a referência do documento – do autor/título até a data – e na seqüência a
indicação de disponibilidade e acesso.

Exemplo para eventos científicos:


KONNOR, V. O relacionamento enfermeiro(a) e familiares de pacientes
terminais. In: ENAIC, 7., 2005, São Paulo. Anais do Sétimo Encontro
Anual de Iniciação Científica do UNASP Campus SP. Disponível em:
<http://unasp.edu.br/enaic 7.html> Acesso em: 21 jan. 2005.
174

PÔSTER PARA EVENTOS CIENTÍFICOS

Eliethe Xavier de Albuquerque


eliethe.albuquerque@unasp.edu.br

O Pôster científico é um veículo de divulgação apropriado


em qualquer evento. Para trabalhos em fase de conclusão
ou já concluídos. Bem elaborado, desperta o interesse de
pesquisadores iniciantes, afins e até mesmo de
fomentadores de pesquisa. Equivoca-se aquele que não
vê num Pôster científico oportunidades semelhantes às
oferecidas por mídias como a TV e a Internet
(ALBUQUERQUE, 2005).
175

8 PÔSTER CIENTÍFICO

Concluído o trabalho de pesquisa propriamente dito, o ato de pesquisar;


chegando-se às considerações finais, chega-se também ao momento de
registrar, redigir, o trabalho, a fim de que o mesmo seja divulgado entre as
comunidades científica e acadêmica, e para a sociedade.
As opções para a efetivação desta divulgação podem ser as conhecidas
monografias, dissertações ou teses – a depender do tipo de trabalho
desenvolvido; ou ainda um artigo científico, um paper, um resumo, um pôster –
chamado por alguns de banner.
Em geral, as oportunidades para divulgação determinarão de quantas
destas opções o pesquisador se utilizará para comunicar e divulgar o seu
trabalho. É importante lembrar que o trabalho poderá ser divulgado em mais
de uma forma, concomitantemente, se as oportunidades assim permitirem.
Se a opção de divulgação for o pôster, o primeiro passo nesta direção
será “pensar” o pôster!
A função do pôster é apresentar dados relevantes de uma pesquisa, de
forma sintetizada.
Esta síntese deverá ser construída de tal forma que desperte a atenção
das pessoas que poderão ser beneficiadas com o novo conhecimento em
divulgação. Isto implica qualidade; qualidade de conteúdo e de forma!
A partir desta perspectiva, serão apresentados a seguir alguns
parâmetros a serem considerados na elaboração de um Pôster Científico.

8.1 Ler as Instruções

Quando se elabora um pôster, objetiva-se que seja exposto em algum


lugar ou em algum evento. Os coordenadores responsáveis pelo evento ou
central de exposições, disponibilizam, juntamente com a oportunidade de
participação, instruções e normas que condicionam tal participação. Em geral,
elas informam sobre:
176

8.1.1 Conteúdo

O que se espera do pôster em termos de conteúdo é muito semelhante


às expectativas para os demais meios de divulgação de pesquisas
acadêmicas: Introdução, objetivos, justificativas, metodologia, dados coletados,
análise e discussão dos dados, considerações finais e referências
bibliográficas.

8.1.2 Tamanho

As dimensões do pôster são divulgadas, considerando-se o espaço


disponível para cada participante; geralmente variam entre 60cm X 80cm a
1,20m X 1,50m. É fundamental estar atento a esta informação e respeitá-la
para evitar dificuldades no momento da exposição.

8.1.3 Local

As equipes experientes informam aos interessados o local onde o pôster


será exposto e quais são as condições destes locais; isto garantirá ao
interessado elaborar o seu pôster em material adequado às condições locais.
Caso isto não ocorra, o pesquisador deverá investigar este detalhe, evitando
assim, dificuldades no momento da exposição.

8.1.4 Fixação

O local e as condições infra-estruturais definirão o tipo de fixação que o


pôster exigirá: prego, taxinhas, fitas adesivas, etc. Um pesquisador prevenido
garantirá que o seu trabalho esteja afixado desde os primeiros momentos da
exposição.
177

8.1.5 Horário

É fundamental estar atento a este detalhe; especialmente quando


houver mais de uma sessão de exposição. Este cuidado é exigido tanto para a
fixação quanto para a retirada. Atenção a este item evitará perdas de tempo e
até mesmo o furto do pôster, por parte dos “aficionados” pela temática
trabalhada.

8.1.6 Evite os excessos de informação

Mesmo o pesquisador experiente pode ter alguma dificuldade para


“pinçar” do conteúdo de sua pesquisa, os elementos extremamente relevantes,
de modo a apresentar sob a forma de pôster, os resultados de seu trabalho.
Afinal, o envolvimento faz com que considere cada detalhe significativo.
Todavia, é fundamental que o pôster não contenha excesso de informações,
caso contrário, o pesquisador poderá afastar o seu público em potencial, ao
invés de conquistá-lo e prender a sua atenção.

8.1.7 Respeite a estrutura básica dos trabalhos científicos

Não importa a forma da divulgação, a estrutura básica do conteúdo será


a mesma – partindo da introdução e chegando às considerações finais ou
conclusão.

8.1.8 Utilize-se dos elementos básicos

O Pôster será composto de TEXTOS, DADOS (gráficos, tabelas,


diagramas, estatísticas...) e IMAGENS (desenhos, fotos, ilustrações...).
178

8.1.9 Elementos de identificação

As primeiras informações expostas no Pôster serão: O TÍTULO DO


TRABALHO (todo em caixa alta), Autor(es), Orientador, Instituição de Origem,
endereço para cont@to.

Exemplo:

EDUCAÇÃO DIGITAL INCLUSIVA

Antonia Lima Souza


Aluna do 3º sem. de Pedagogia
Centro Universitário Adventista de São Paulo
alsouza@hotmail.com

Silvio Almeida Júnior (Orientador)


Docente no Centro Universitário Adventista de
São Paulo – Disciplina: Informática aplicada
almeidajúnior.silvio@netcom.edu.br

8.2 Texto

Sobre o texto, considera-se:

8.2.1 Quantidade de conteúdo

Nem muito nem pouco; o essencial é indispensável!


179

8.2.2 Presença dos elementos básicos

Já referidos anteriormente, devem estar expostos de forma sucinta, mas


com clareza.

8.2.3 Destaque especial

Na exposição do conteúdo, as Considerações Finais merecem destaque


em relação ao restante do texto; elas são “o presente” do pesquisador para as
comunidades científica, acadêmica e cidadã.

8.2.4 Referências

Devem ser indicadas e com o devido destaque; todavia, se na exposição


for necessário optar entre estas e outros conteúdos do texto, pode-se fazê-lo,
desde que se indique onde o interessado poder conferi-las.
Exemplo:
Referências Bibliográficas: Ver alsouza@hotmail.com.

8.2.5 Diagramação

Este é um fator de grande importância, pois pode afastar ou atrair os


possíveis interessados na temática pesquisada. Ao invés de textos corridos,
pesados, eles devem ser distribuídos em colunas, leves, sempre com
alinhamento lateral (à esquerda ou à direita, conforme a localização do texto no
pôster). Textos com alinhamento centralizados ou justificados devem ser
evitados, pois dificultam a leitura, quando em posição vertical (após a fixação
do pôster no local de exposição). Além disto, o texto disposto em colunas,
“descansa a vista” do leitor... Compare os exemplos a seguir:
180

Maksdkadkçalskd
Maksdk Nalskdlç
lçksdlçkaksdçlkaslçdkaç adkçals ksdlçka
sdkalçsdklçaskdloaspdo kdlçksdl ksdçAlk
pasodpospdoasdjksdkljl çkaksdçl aslçdkaç
çksjdklsjdkljsdlj.mlçdka kaslçdk sdkalçsd
çsdkçlsdçksdlçkslçdkçs açsdkalç klçuonii
dkçlskdçksdlçksdçlkçsd sdklçask ooiooiioi
kçlskdlçkasdçlksçdksç. dl. ask.

8.2.6 Cuidado com as Fontes

O texto deve ser redigido utilizando-se fontes (modelos de letras)


simples, com traços retos, tipo: Arial, Century, Times New Roman (TNR), etc.
Evitem-se fontes artísticas ou rebuscadas. Recomenda-se usar o mesmo tipo
de fonte em todo o conteúdo do pôster. Quanto ao tamanho, o texto de
conteúdo deve ser redigido com fonte em tamanho 25, no mínimo. O texto em
CAIXA ALTA – tudo em maiúsculas – deve ser utilizado apenas para títulos.

8.2.7 Uso de Ilustrações

É importante e necessário, mas é preciso respeitar alguns parâmetros:

• Figuras de Fundo – Podem ser utilizadas, desde que não prejudiquem


a leitura do texto; preferencialmente elas devem aparecer sob a forma
de “marca d´agua”; se a figura for colocada em resolução normal, nunca
deve ser colocada sob o texto. Neste caso, o texto deve vir à margem
da figura, à esquerda ou à direita; há ainda a opção de vir acima ou
abaixo. Exemplo:

Mfklsdfkljsdfj
Qkdjaksj Mofkçsld
askldjfklasjdfk
kdjaklsjdj kfkslçdfk
lsdjfkljasdklfjs
askldjklas çskfpopoo
ldkfjlskadjflka
jdkljaskld pppdasid
sdjflkjasdklfjsl
jklasjdlaj opaispdas
adkfjklsdjfklja
dkljalsjlas çsdsdkak
sdklfjasldfkjas
jk. dçak.
ldkfjk.
181

• Cuidados com a Resolução – É comum encontrar trabalhos com baixa


qualidade na resolução de textos ou ilustrações, por variados motivos: “o
cartucho acabou bem na hora...” “a impressora deu defeito...” “Tenho
dificuldades para usar o computador...”. Todavia este tipo de justificativa
não é aceito; apenas demonstra que o pesquisador foi relapso neste
sentido.

• Não usar ilustrações do CLIPARTS – As ilustrações oferecidas por


estes recursos têm a finalidade de facilitar o dia a dia das empresas, e
não são adequadas para ilustrar trabalhos científicos. Para estes, além
das tabelas e gráficos, podem ser utilizadas fotografias ou desenhos
personalizados (elaborados especialmente para ilustrar aquele trabalho).

8.3 Composição artística

A divulgação do trabalho científico objetiva, inclusive, atrair aliados à


pesquisa, e deve utilizar dos melhores recursos disponíveis para tal. Entre
estes recursos, os da composição artística. Mesmo na mais livre composição
artística, existe princípios que devem ser observados, a fim de que a arte
também comunique. São eles:

8.3.1 Alinhamento

Sobre este item, em vários dos tópicos anteriores já existem orientações


e referências indicativas de uso.

8.3.2 Simetria e Equilíbrio

Os conteúdos expostos no pôster – texto e imagens – devem obedecer


aos princípios da harmonia simétrica, ou seja, um lado não deve ter mais
conteúdo que o outro.
182

8.3.3 Ordem

Os conteúdos devem ser apresentados na ordem estabelecida para os


elementos básicos – introdução, objetivos, justificativas, metodologia, dados
coletados, análise e discussão dos dados, considerações finais, referências
bibliográficas.

8.3.4 Oposição e Contraste

São princípios que auxiliam na percepção dos detalhes. Tanto para


ilustrações quanto para textos. Por exemplo: Texto na cor preta, em fundo
branco; figuras claras sobre fundo escuro e vice versa.

8.3.5 Simplicidade

Os excessos de toda natureza são dispensáveis! Muita ilustração, muita


informação, muito colorido, falta de colorido, pouco texto, muito texto... esses
extremos provocam o desinteresse do possível interessado na temática da
pesquisa apresentada sob a forma de pôster. A simplicidade é elegante, e
sempre bem vinda em qualquer situação que envolva a ciência.

8.4 Dicas Tecnológicas

Para elaborar o pôster, os programas mais apropriados são:


PowerPoint, CorelDraw, PhotoShop, Ilustrator, FreeHand. Sabendo utilizá-
los, os resultados são sempre gratificantes! Mas, cuidado: o que se vê na tela
do computador não é, necessariamente, igual ao que se verá impresso. Deve-
se testar a impressão com antecedência. É recomendável ter sempre à mão
uma cópia do pôster, para servir-se dela em caso de emergência.

8.5 Divulgação Eletrônica

Se pretender divulgar o Pôster na Rede deve-se utilizar o padrão:


183

• Formato: jpg
• Largura: 600x900 pixels
• Resolução: 72 dpi

8.6 Vale Lembrar

Não se deve deixar para elaborar o pôster na última hora; “deixar


descansar a massa do pão possibilita maciez e rendimento.” Recomenda-se
deixar o pôster “descansar” um ou dois dias, antes de ser impresso. Isto
possibilita a correção dos “erros invisíveis” garantindo a qualidade – irmã da
credibilidade. Os erros mais freqüentes em posters são:

• Dificuldade de ler o pôster a uma distância de 1,20m ou mais porque a


fonte ficou pequena (menor que 25);
• Excesso de informações;
• Objetivos e conclusões não destacadas.

A recomendação da American Gastroenterological Association


(AGA) é:
Cabeçalho: Cabeçalho deve empregar no mínimo fonte 150 pontos (33
mm), indicando o título do trabalho, autor(es) e instituição.

Texto: Letras do texto devem empregar fonte com 36 pontos (10mm).

Destaque as seções: Numerar ou destacar cada seção para guiar o


leitor do pôster. O uso de cores é um método efetivo de separar as
seções e garantir um impacto visual. Mas, é importante verificar se a
combinação de cores não prejudica a leitura.

Desenvolvimento: O pôster deverá incluir 3 a 5 breves sentenças


destacando as informações necessárias para compreender a pesquisa e
porque foi feita. As questões da pesquisa ou as hipóteses de trabalho a
serem testadas devem ser clara e sucintamente apresentadas.
184

Metodologia: Destacar brevemente a metodologia, apresentando


apenas detalhes de novos métodos ou modificações de métodos já
utilizados.

Gráficos: Resultados apresentados sob a forma de gráficos são muito


mais efetivos do que blocos de texto. Usar legenda para símbolos, e
incluía a interpretação dos resultados abaixo de cada gráfico.

Conclusões: Apresentar as conclusões sucintamente, em fonte maior.


(Muitos leitores lêem isso primeiro. Assim, as conclusões devem ser
facilmente identificadas e compreendidas).

Como foi dito a princípio, o pôster é apenas uma conseqüência possível,


de uma PESQUISA BEM REALIZADA. Dedicação é a palavra de ordem.
Recomenda-se ao pesquisador, especialmente o iniciante, gastar tempo
LENDO SOBRE O TEMA escolhido. E em todo o processo, BUSCAR O
APOIO DO ORIENTADOR!
185

BIBLIOGRAFIA

[...] bibliografia é um registro de documentos, livros,


inventários, escritos, impressos ou quaisquer gravações
em variados meios (madeira, metal, argila, papiro, papel,
etc.) sobre determinado assunto ou de determinado autor,
que venham a servir como fonte para consulta. A primeira
bibliografia publicada data de 1494 (Liber de scriptoribus
ecclesiasticis). Embora a palavra bibliografia só tenha
surgido em 1633, a atividade que ela designa remonta à
antiguidade: catálogo, repertório, índice, inventário, e
todas as formas pelas quais os eruditos têm procurado
reunir, sobre um assunto ou dentro de uma disciplina, à
informação mais completa (BIBLIOGRAFIA, 2006).
186

ALBUQUERQUE, E. X. de. A Atuação do docente de ensino superior na


formação de graduandos para o pensar cientificamente. Campinas, 2002a. 245
f. Dissertação (Mestrado em Educação. Docência no Ensino Superior) –
Departamento de Pós-graduação em Educação, PUCCAMP.

_____________. Como elaborar posters científicos. São Paulo : UNASP, 2005.


Conteúdo de aula.

_____________. Teoria do currículo sim. O currículo da teoria não. Revista de


Educação da IASD, Campinas, v. 3, n. 2, p. 23-27, jan. 2002b.

ANDRADE, M. M. de. Introdução à metodologia do trabalho científico. 5. ed.


São Paulo : Atlas, 2001. 174 p.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6022. Informação


e documentação – Numeração progressiva das seções de um documento
escrito – apresentação. Rio de Janeiro : ABNT, 2002.

_____________. NBR 6023. Informação e documentação - elaboração de


referências - apresentação. Rio de Janeiro : ABNT, 2002.

_____________. NBR 6027. Informação e documentação – sumário –


apresentação. Rio de Janeiro : ABNT, 2002.

_____________. NBR 6028. Informação e documentação – resumo –


apresentação. Rio de Janeiro : ABNT, 2002.

_____________. NBR 10520. Informação e documentação – citações em


documentos - apresentação. Rio de Janeiro : ABNT, 2002.

_____________. NBR 14724. Informação e documentação – trabalhos


acadêmicos – apresentação. Rio de Janeiro : ABNT, 2002.
187

AZEVEDO, I. B. de. O prazer da produção científica: diretrizes para a


elaboração de trabalhos científicos. 8. ed. São Paulo : Prazer de Ler, 2000. 205
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BIBLIOGRAFIA. In: WIKIPÉDIA, a enciclopédia livre. Disponível em:


http://pt.wikipedia.org/wiki/Bibliografia. Acesso em: 24 ago 2006.

BOSSOUET, J. Conhecimento: citações várias. Disponível em:


http://pt.wikiquote.org/wiki/Jacques_Bossuet . Acesso em: 11 nov 2006.

BRANDÃO, C. R. Repensando a pesquisa participante. São Paulo: Brasiliense,


1987.

BUARQUE DE HOLANDA, A. Dicionário da língua portuguesa. São Paulo :


Melhoramentos, 1985.

CATANI, Airton. Como preparar um pôster para um evento científico. Porto


Alegre : UFRGS, [s. d.]. Conteúdo de aula.

DORLAND’S. Illustrated Medical Dictionary. 28. ed. Philadelphia : W.B.


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DUSILEK, Darci. A arte da investigação criadora. Rio de Janeiro : JUERP,


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FEITOSA, V. C. Redação de textos científicos. 2. ed. São Paulo : Papirus,


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FERREIRA, A. B. de H. Novo dicionário da língua portuguesa. 2. ed. Rio de


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FRANÇA, J. L. (Org.). Manual para normalização de publicações técnico-


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GOLDIN, J. R. Princípio do respeito à pessoa ou da autonomia. Texto


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