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A Cultura do Mosteiro na Idade Média

Este documento fornece informações sobre a Idade Média e a cultura dos mosteiros nesse período. Resume os principais conceitos como a queda do Império Romano, o surgimento do cristianismo e do monaquismo, a vida nos mosteiros e sua importância como centros culturais e econômicos. Também descreve a arte paleocristã nos primeiros séculos da era cristã.
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A Cultura do Mosteiro na Idade Média

Este documento fornece informações sobre a Idade Média e a cultura dos mosteiros nesse período. Resume os principais conceitos como a queda do Império Romano, o surgimento do cristianismo e do monaquismo, a vida nos mosteiros e sua importância como centros culturais e econômicos. Também descreve a arte paleocristã nos primeiros séculos da era cristã.
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AGRUPAMENTO DE ESCOLAS IBN MUCANA

História da Cultura e das Artes – 10ºF – 2011/2012


Ficha formativa 4
_________________________________________________________________________________________

Módulo 3 – A Cultura do Mosteiro

1. Explica o conceito de Idade Média.


 Período conturbado da histó ria que se inicia com a desagregaçã o das estruturas romanas – sécs. V e
VI.
 Iniciou-se com o fim do Império Romano do Ocidente, no século V (476), e terminou com a Queda de
Constantinopla, no século XV (em 1453).
 Prolongou-se do séc. IX ao séc. XV
2. Destaca os grandes acontecimentos ocorridos nesse período.
 476 – Tomada da cidade de Roma e simbolicamente queda do império romano, causada pelas
invasõ es bá rbaras
 Os Bá rbaros – povos que invadiram o império romano. Suevos, Alanos, Vâ ndalos, Visigodos,
Ostrogodos...
 Sucessivas vagas de invasõ es à Europa: muçulmanos (séc. VII), normandos, eslavos e
magiares, apó s o séc. IX.
3. Descreve as alterações causadas pela queda do Império Romano:
 Enfraquecimento da economia mercantil: dando origem a uma economia de cará cter agrá rio,
dependente da Natureza, na qual a moeda perdeu poder ou chega a rarear.
 Declínio e reduçã o dos centros urbanos: pela importâ ncia econó mica e politica que tinham, as
cidades eram alvos preferidos dos ataques dos bá rbaros.
 Desorganizaçã o da administraçã o pú blica: desapareceram as instituiçõ es do império,
enfraqueceu o poder central, desapareceu o exército e o poder pulverizou-se em mú ltiplos
poderes locais.
 Houve uma grande depressã o econó mica: a vida econó mica entrou em declínio, as guerras e o
receio de novos conflitos, a insegurança ameaçavam o crescimento normal das populaçõ es.
4. Em que consiste o termo “cristianismo”?
 Nasceu no Império Romano,
 Conheceu a sua grande expansã o no séc. II e II
 Oficializou-se e foi religiã o oficial do império romano, através do Concilio de Constantinopla,
381, com o imperador Teodó sio,
 Partilharam ideais de fraternidade, pacifismo e centralizaçã o.
 O termo Cristandade significa a comunidade de povos e naçõ es que professam a mesma fé cristã .
5. Descreve o papel da Igreja na Idade Média:
Os bispos cristã os aproveitam a desorganizaçã o e decadência do império para:
 Congregarem e organizarem as comunidades de fiéis.
 Cristianizarem, baptizando os bá rbaros
 Manter uma autoridade junto das populaçõ es.
 Desenvolver uma importante acçã o civilizadora: interferiram ao nível das técnicas agrícolas,
desenvolvimento das artes e letras.
Os Mosteiros – foram os centros difusores dessa nova cultura promovida pela Igreja.
6. Mostra as alterações produzidas a partir do ano Mil:
 O ano Mil mostra a inversã o das tendências depressivas que se viviam desde a queda do
império romano.
 acabaram as invasõ es,
 desenvolveu-se um clima de segurança e estabilidade,
 Aplicam-se novas técnicas agrícolas, novos arroteamentos,
 Reaparece a agricultura excedentá ria,
 lentamente a populaçã o volta a crescer
 renasce o comércio.
 Os Burgos tornaram-se símbolos do renascer na Europa; à sua volta desenvolvem-se as feiras
e mercados pró speros,as universidades e Colegiadas.
 A Igreja lançou a Tréguas e a Paz de Deus; incentivou as peregrinaçõ es a lugares santos;
organizou as Cruzadas.
 Foi neste ambiente de reabertura econó mica e renovaçã o cultural que surgiu a Arte
Româ nica.
7. Explica a origem do monaquismo.
 Séc IV - no Oriente- Egipto, Síria, Á sia Menor
o Nasceu ligado ao desejo de isolamento do mundo profano – o ascetismo
o Nasceu de iniciativas individuais – depois surgiram comunidades de monges/monjas
que seguiam o seu mestre.
 No Ocidente:
o séc.V, surgiu por iniciativa de bispos
o Sécs VI e VII – apareceram os primeiros legisladores – [Link] de Nú rsia: em 529,
escreveu os primeiros Regulamentos, na abadia de Montecassino que serviram de
modelo para a maioria da vida dos mosteiros até ao sé[Link].
8. Descreve a vida nos mosteiros.
 Obrigaçõ es: oficio do culto; oraçã o e trabalho no scriptorium; os cargos e tarefas de cada um eram
hierarquizadas; có digo penal para faltosos (flajelamentos, isolamentos, jejum, abstinência,
meditaçã o)
 Localizaçã o: localizados em zonas isoladas (eram centros de meditaçã o, oraçã o e ascese); eram
concebidos como pequenos mundos autó nomos – auto-suficientes; por isso, estavam virados para o
interior, rodeados de muralhas, vigiados; as entradas eram limitadas a horá rios rígidos; havia uma
hierarquia (nem todos os que entravam no mosteiro tinham o mesmo tratamento social: os nobres
eram privilegiados, podiam ter alojamento; outros nã o passavam da hospedaria).
9. Descreve o plano arquitetónico definido por S. Bento.
O mosteiro era uma organizaçã o complexa:
-No coraçã o do complexo: a Igreja, de planta basilical (junçã o do Céu e da Terra)
- Sul – o claustrum, de acesso reservado
-Ala nascente (junto à cabeceira da igreja):
. destinada à s funçõ es espirituais: sala do Capítulo, escola, escritó rio
. residência da Irmandade (o abade teve residência à parte até ao sé[Link])
-Ala Sul do Claustrum:
. dependências funcionais; refeitó rio, cozinha, despensa, adega, banhos, latrinas, está bulos,
pomares, horta, vinhas, jardins)
-Oeste (junto à entrada) – os que se iniciam na vida religiosa, os hó spedes, doentes, velhos e o cemitério
[Link] a importância dos mosteiros.
Foram: centros de dinamizaçã o econó mica (técnicas agrícolas, artesanato e comércio); centros de
produçã o cultural: teologia, letras, ciência e escolas.
11. Descreve o cenário cultural na Europa Ocidental durante e Idade Média.
 Mundo romano: era alfabetizado, com escolas e bibliotecas em todas as cidades; adquiriu um forte
dinamismo devido aos filó sofos, academias, sá bios e professores. A cultura e um saber pró prio
circulavam entre o Ocidente e o Oriente.
 Entre os sécs. V e VIII – devido à s invasõ es bá rbaras, desapareceu este cená rio cultural, no Ocidente.
Muitas escolas fecharam, desapareceu um poder forte e centralizado dinamizador da actividade das
instituiçõ es, destruíram escolas e teatros. A populaçã o fugiu para os campos, ruralizando o seu modo de
vida. A instabilidade e insegurança – conduziu o mundo ocidental a uma depressã o cultural – as crianças
nã o iam à escola, desenvolveu-se o analfabetismo e uma cultura popular nã o escolarizada, nã o escrita –
baseada na tradiçã o oral.
12. Explica a importância da vida de S. Bernardo.
S. Bernardo foi um monge da Ordem de Cister, autor de uma extensa obra escrita. Defendeu o regresso a uma
religiã o de autenticidade e ascese mística, vivida no mais rígido voto de pobreza e desprendimento dos bens
materiais. Contribuiu para o lançamento das cruzadas e fundou vá rias abadias, ente as quais se destaca o
Mosteiro de Claraval.
13. Justifica a importância da coroação de Carlos Magno.
A Coroaçã o de Carlos Magno, ocorreu na noite de 25 de Dezembro de 800, numa época em que o rei franco
constituía uma referência como militar e governante de um reino cristã o cujo êxito ficou a dever-se à aliança
com a Igreja: nas suas campanhas fez-se sempre acompanhar por missioná rios e pregadores cuja funçã o era
de converter e baptizar os povos conquistados, enquanto os seus soldados os submetiam ao poder político e
militar. A sua coroaçã o como Imperador do Ocidente foi de grande importâ ncia política para a Igreja, na
medida em que quebrou o laço de dependência legal que havia entre o Papa e os reis ocidentais e o Império
Bizantino, visto atribuir a Carlos Magno qualidade de legítimo herdeiro dos imperadores romanos;
restabeleceu o Império Romano do Ocidente, transferindo a dignidade imperial para o rei dos Francos;
unificou o Ocidente sob o mesmo poder político ( o dos Francos) e o mesmo poder espiritual – O do
Cristianismo e dos papas de Roma.
14. Indica as finalidades da arte medieval.
 a obra de arte é um presente oferecido a Deus e, por isso, deve ser belo, de forma a agradar-lhe e a
demonstrar a capacidade de os homens se sacrificarem dos objetos materiais;
 a obra de arte é um veículo de comunicaçã o do mundo terreno com o invisível, uma forma de “ler” os
desígnios de Deus e de mostrar aos “iletrados”(a maioria da populaçã o) aquilo em que deveriam
acreditar;
 a obra de arte era uma afirmaçã o de poder, quer de Deus, quer de quem a encomendava (o Rei, o
Papa, a nobreza e o clero).
15. Diz em que consiste a arte paleocristã.
Arte paleocristã é a arte dos primeiros cristã os, no período em que a nova religiã o ainda está em expansã o,
primeiro na clandestinidade, e depois, apó s o É dito de Constantino (313), já como religiã o oficial.
16. Caracteriza arte paleocristã.
Na fase da clandestinidade, era feita em CATACUMBAS (tú neis subterrâ neos escavados pelos cristã os ) por
pessoas do povo pelo que era uma arte pobre e simples. Consistia, sobretudo, na pintura mural, ornamental
e figurativa, onde era utilizada a técnica do fresco. Eram comuns os símbolos (pomba, peixe, fênix, cruz,etc) e
episó dios bíblicos com o objetivo de divulgar a palavra de Cristo.
Depois de se tornar religiã o oficial do Império Romano, sã o construídas igrejas com dois tipos de plantas:
 Planta basilical, em cruz latina, 3 a 5 naves, separadas por arcadas, cobertas por tectos em madeira.
 Planta centrada, com cú pula, de influência oriental e helenística.
Os baptistérios (edifícios sagrados destinados à celebraçã o do baptismo), tal como os mausoléus (tú mulos),
adoptaram a planta centrada, com uma das portas orientada a leste e outra a poente, com enormes cú pulas
sobre a sala central.
17. Caracteriza a arte bizantina.
A arte bizantina aparece po volta do séc. VI (reinado de Justiniano), possui características orientais e
ocidentais e expressa o poder do Império bizantino.
A pintura possui as seguintes características: ausência de perspectiva e volume; figuras sagradas e de
imperadores; representaçã o das figuras de forma alongada; figuras todas da mesma altura; destaque para a
hierarquia(as mais importantes no centro e representadas de modo diferente); ausência de fundo figurativo;
pinturas com fundo dourado; predomínio do mosaico.
A arquitetura bizantina aracteriza-se por: utilizaçã o dos elementos construtivos romanos (arco romano,
abó bada e cú pula); planta octogonal; mistura dos elementos construtivos da arte romana com o clima místico
das construçõ es orientais; utilizaçã o do plano centrado, de forma quadrada ou em cruz grega, com cú pula
central e absides laterais; ecoraçã o interior com mosaicos, pinturas a fresco, azulejos e colunas de inspiraçã o
grega e romana, embora um pouco modificadas. Ex: Basílica de Sã o Marcos(Veneza), Basílica de Santa Sofia
(Constantinopla).
18. Caracteriza a arte durante o Renascimento Carolíngio e Otoniamo.
A partir do séc. VIII, Carlos Magno, primeiro como rei e depois como imperador, conseguiu unificar o seu
poder e formou o Sacro Império Romano-Germâ nico. Para isso promoveu uma reforma litú rgica e o
desenvolvimento da cultura e das artes - o Renascimento Carolíngio, que se prolongou até ao final do séc. X.
Inspirada na tradiçã o romana e nas influências bizantinas, a arte carolíngia foi humana, realista, figurativa e
monumental.
As construçõ es possuíam exteriores maciços, pesados e severos e interiores ricamente decorados com
pinturas murais, mosaicos e baixos-relevos. De todas as construçõ es feitas neste período destacam-se: os
palácios de Ingelheim e de Nimègue, a capela palatina de Aix-la-Chapelle (actual Aachen) que hoje se enconta
bastante modificada exteriormente, a Igreja de Germigny-des-Près e o Mosteiro de Sã o Gall, na Suiça, cujo
projecto total é conhecido pela descriçã o num pergaminho.
Acapela palatina de Aix-la-Chapelle foi desenhada por Eudes de Metz. Tem algumas semelhanças com a de S.
Vital de Ravena. A planta é octogonal com dois polígonos concêntricos, sendo o primeiro o nú cleo central e o
outro o deambulató rio. A cú pula em pedra está apoiada num tambor com oito janelas.
Em meados do séc. X, a Alemanha era governada por Otã o I, que aproveitou a crise política que arrasava o
Norte da Itá lia e de pequenos reinos vizinhos, para os conquistar. Nasceu o Império Germâ nico, mais pequeno
e frá gil que o Sacro-Império de Carlos Magno. Tal como Carlos Magno, Otã o procurou desenvolver a cultura e
a arte - o Renascimento Otoniano, que se fez sentir entre 936 e 1024.
Inspirou-se na tradiçã o romana e na arte bizantina e carolíngia, mas criou um novo modelo, que será adotado
mais tarde pela arquitectura româ nica alemã : planta de dupla cabeceira e entradas laterais, com dois
transeptos contrapostos, com tribuna e com torres nos cruzeiros e nos extremos dos transeptos (Igreja de S.
Miguel de Hildesheim, Saxó nia).
19. Explica a origem do termo “Românico”.
O termo «românico», primeiramente utilizado como referência à s línguas europeias com origem no latim, foi
aplicado por Adrien de Gerville, em 1823, à s tipologias arquitectó nicas inspiradas nas formas e nas técnicas
da Antiguidade romana. A base estrutural do Româ nico deriva da tradiçã o construtiva romana: o arco de
volta perfeita, as abó badas e os contrafortes.
20. Localiza o Românico no espaço e no tempo.
O Româ nico foi um estilo artístico europeu dos séculos XI a fins do sé[Link]. É o primeiro estilo internacional da
Idade Média – numa época de renovaçã o arquitectó nica, que foi também uma expressã o de Fé.
21. Descreve o mundo medieval da época.
Os séculos XI e XII era um período de temor religioso (o medo do Juizo Final) onde se multiplicaram as cruzadas no
Médio Oriente e as peregrinações a Jerusalém e a Santiago de Compostela. Os Mosteiros e as igrejas eram os
centros difusores de religiosidade. O sistema político feudal e a religião – constituíram os dois pólos dinamizadores
da arte na sociedade medieval. Foi a expressão deste poder. A arte serviu para glorificar o poder temporal e o
religioso: a arte moná stica foi criada à sombra dos mosteiros e das ordens religiosas. (Abadia Beneditina de
Cluny e a Ordem dos Templá rios, de S. Bernardo).
22. Descreve a arquitetura militar da época.
A arquitectura militar tinha carácter defensivo. De início, a torre era a habitação do senhor – nobre,
estrategicamente colocada, com forma quadrangular. Evoluiu depois para o castelo, por influência dos
contactos com o oriente através das cruzadas, de forma a acolher um maior número de pessoas graças ao
sistema defensivo que implicava.
23. Indica as características gerais das igrejas românicas.
 edifícios de aspecto pesado, muros maciços, pequenas janelas
 Uso de arcos de volta perfeita e de abó badas de berço
 Plantas de esquema longitudinal, basilical, com cabeceiras complexas e transepto desenvolvido
 3 ou 5 naves (se forem grandes igrejas de peregrinaçã o)
24. Descreve as principais alterações introduzidas pelas igrejas românicas.
 As igrejas serã o as maiores até entã o devido a uma evoluçã o dos métodos construtivos e dos
materiais.
 A pedra será o principal material de construçã o, reforçando o seu aspeto pesado
 O telhado de madeira será trocado por abó badas de berço e de aresta, mais condizentes com uma
igreja que representa a “fortaleza de Deus”.
 As colunas sustentam as abó badas
25. Descreve a planta das igrejas românicas (consulta o fim da ficha)
Seguem em geral dois modelos de planta:
- planta centrada (em cruz grega, hexagonal, octogonal e circular)
-planta basilical, em cruz latina ( três, cinco ou sete naves) – a mais comum
 A nave principal tinha orientaçã o de Este-Oeste; é mais alta que as laterais; o comprimento da igreja é
um mú ltiplo da largura da nave central.
 As naves laterais sã o submú ltiplas da nave central.
 As naves sã o atravessadas pelo transepto – pode ter uma nave ou tripartida;
 No cruzamento das naves com o transepto, está o cruzeiro, encimado por uma torre lanterna ou zimbó rio,
que ilumina e areja o edifício.
 Lado nascente do transepto: pode haver dois absidiolos;
 No alinhamento da nave central, depois do cruzeiro, está a abside principal, que contém a capela-mor.
 Deambulató rio – espécie de corredor que contorna, em semicírculo, a abside principal; pode ter capelas
radiantes absidiais.
 Estas capelas e o deambulató rio constituem a cabeceira.
 Na cabeceira havia também o coro (para os clérigos).
 Por baixo da cabeceira podia haver uma cripta.
26. Descreve os sistemas de cobertura utilizados nas igrejas românicas.
 Sã o totalmente abobadadas: abobada de berço, que resulta da sucessã o de arcos de volta inteira
 Nas naves laterais: utilizaram-se as abobadas de aresta: resultam do cruzamento ortogonal de duas
abó badas de berço
 Cú pulas – no Oriente bizantino
 Cada abobada com os seus elementos de descarga de forças – forma os tramos.
 Tramo:
- Constituído por dois arcos torais ou dobrados (transversalmente)
- dois arcos formeiros (longitudinalmente), que separam a nave central da lateral
- Arcos cruzeiros, que formam as arestas da abobada.
 A pressã o exercida pelas abobadas é descarregada através dos arcos para os pilares e colunas que
dividem as naves no interior e transmitida sobre as naves laterais para as paredes do exterior da igreja.
 As paredes exteriores das naves laterais sã o grossas, com poucas aberturas e reforçadas por contrafortes
adossados e chanfrados, situados exteriormente no mesmo alinhamento dos pilares.
 Pilares: situam-se no interior do edifício, na ligaçã o dos tramos, podem ser cruciformes e compostos,
possuindo um colunelo ou pilastra adossado, por cada arco definidor de um tramo.
 Por vezes os pilares sã o substituídos por grossas colunas, que separam as naves laterais da principal.
 As cú pulas estavam assentes sobre:
o Trompas – elemento que faz a transiçã o da forma quadrada da base para a circular sobre a qual se
apoia a cú pula
o Pendentes – formas triangulares cô ncavas que, construídas a partir dos â ngulos do quadrado, o
transformam numa circunferênciaa onde a cú pula assenta
27. Descreve o alçado interno da nave principal
 Clerestó rio - a zona de iluminaçã o da igreja que fica pegado aos arcos do tecto, constituído por janelas ou
frestas
 Arcada - divide a nave central das laterais e é formada por pilares ou colunas
 Tribuna - uma espécie de galeria semiabobadada, aberta para a nave central, que se destinava à s
mulheres que iam sozinhas à igreja, pois daí se assistia aos ofícios religiosos
 Trifó rio - formado por arcos e que, por vezes, substituía a tribuna e interligava o pequeno corredor
situado acima da nave lateral à nave principal (na inexistência desse corredor, o trifó rio era apenas uma
arcatura decorativa cega)
28. Refere os sistemas de iluminação do edifício.
Pouca iluminaçã o, por ter paredes compactas:
 Janelas, frestas e o clerestó rio – formas de entrada de luz
 Torre lanterna
 Janelõ es das fachadas
 Rosá ceas
29. Descreve a decoração exterior das igrejas românicas:
No exterior do edifício, a decoração escultórica estava limitada ao portal e à cornija:
 As cornijas (remate logo a seguir ao telhado) eram decoradas com arcos cegos e cachorradas
(conjunto de cachorros, isto é, peças salientes esculpidas), que podiam ter também uma funçã o de
suporte da cornija.
 A fechar os algeroses (caleiras) existiam gárgulas, que serviam para escoar a á gua da chuva e
podiam ter tanto uma forma simples como serem aproveitadas para a representaçã o de motivos
animalistas e míticos.
 Na decoraçã o da fachada, as rosáceas (além de decorarem o exterior do edifício, também iluminavam
o interior), trabalhadas com motivos geométricos e florais; os grandes janelões (que possuíam as
mesmas funçõ es da rosá cea).
 O portal, que tanto podia ser simples como encaixado num pó rtico saliente. O mais vulgar possui:
o uma entrada chanfrada, ou ombreira, ornamentada com colunelos;
o uma porta simples ou dupla, que tem a meio do vã o uma coluna, também esculpida (mainel),
que sustenta a arquitrave (lintel ou dintel), decorada com um relevo esculpido;
o e um tímpano, espaço semicircular circundado por arcos de volta inteira (arquivoltas),
sustentado pelo lintel
30. Descreve a introdução do Românico em Portugal.
A arquitectura româ nica foi introduzida em Portugal no início do séc. XII e prevaleceu até finais do séc. XIII
O quadro social, econó mico e político em que se desenvolveu foi idêntico ao dos outros países europeus, com
o acréscimo da afirmaçã o de indepedência do territó rio.
A igreja româ nica, símbolo da espiritualidade da época, esteve ligada a uma ordem religiosa, a um mosteiro
ou instalada no seio de uma comunidade agrícola. Por conseguinte, o Româ nico português possui
características fortemente rurais e está ligado à construçã o de igrejas de reduzidas dimensõ es, que
dependendo da regiã o, se revestiam de maior ou menor qualidade técnica e exuberâ ncia formal e decorativa.
31. Caracteriza o Românico em Portugal.
Apenas em cidades como o Porto, Braga, Coimbra, Tomar, É vora e Lisboa é que as construçõ es, as sés, se
revestiram de maior monumentalidade e possuíam grande riqueza e variedade técnica e formal, bastante
parecidas com as catedrais europeias. Estas cidades e os mosteiros tornaram-se os principais focos difusores
da arte româ nica em Portugal . As igrejas caracterizavam-se por:
 grande sobriedade e austeridade, a nível formal e decorativo
 uma ú nica nave com cabeceira em abside redonda ou quadrangular
 utilizaçã o do arco de volta perfeita
 aplicaçã o de cachorrada na cornijas
 cobertura com um telhado de duas á guas
 robustez (paredes grossas, contrafortes salientes e uso da pedra aparelhada)
Os castelos-residência possuíam uma só lida construçã o castrense, com aparelho de cantaria lavrado, tendo no
seu interior uma residência; apresentavam um aspeto robusto pelo cará cter defensivo que possuíam.
Os castelos refú gio tinahm como principal função: acolher os povos em perigo, eram construídos em sítios
estratégicos como locais rochosos e propícios e nã o se encontravam muito afastados das povoaçõ es, para que
a protecçã o fosse quase imediata.
A Domus Municipalis de Bragança era usada como local de reuniões e possuia um sistema recolector de
á gua da chuva e uma cisterna para a armazenar.
32. Descreve a Igreja de São Pedro de Rates.
Foi edificada sobre alicerces graníticos de antigas construçõ es encontra-se actualmente em Rates, a Igreja de
S. Pedro, cujo nome, instituiçã o e edifício estã o envoltos numa longa e complexa histó rica. O seu nome advém,
segundo a tradiçã o, de um certo judeu, que no tempo do imperador Nero foi naquele local maltratado pelos
soldados romanos, mas como ressuscitou foi convertido pelo Apó stolo S. Tiago e tornado má rtir; tido como
primeiro arcebispo de Braga, construíram -lhe um santuá rio paleocristã o que, nos séculos VI e VII, se tornou
um centro de peregrinaçã o. Nos finais do séc. IX, aí já existia, conforme o prova a arqueologia, um mosteiro
( de frades bentos) com uma igreja de três naves. Seria nesta construçã o que se iniciaram algumas alteraçõ es
por mando do conde D. Henrique em 1100, sendo a primeira construçã o da Congregaçã o de Cluny em
Portugal. Entre a primeira metade do séc. XII e a segunda metade do século XIII, o edifício da igreja foi sujeito
a muitas obras comprovadas por algumas incongruências nas estruturas arquitectó nicas (como naves laterais
com larguras diferentes, tramos desiguais, pilares e contrafortes nã o alinhados e fachada principal nã o
assimétrica) e, na decoraçã o, nomeadamente dos portais, capitéis, frisos e modilhõ es ( cujos relevos
representam elementos baseados na tradiçã o local – decoraçã o linear e quase grafítica – e nas influências dos
modelos da e do româ nica coimbrã o – com animais, como leõ es, aves de asas abertas, cabeças de boi e folhas
estilizadas, estas influências coimbrã s, que têm marcas francesas. A conclusã o da construçã o da igreja foi
precipitada certamente por dificuldades econó micas ( a prova é a cobertura das naves ter sido só em madeira
quando elas estavam preparadas para aguentar também abó badas de pedra).
33. Descreve o lugar atribuído à escultura e à pintura na arte românica.
A arquitectura é a base da arte româ nica. A ela se adaptam a escultura e a pintura, que estavam ao serviço da
Igreja para:
 decorar as igrejas
 transmitir os seus ensinamentos aos fiéis (a grande maioria da populaçã o era analfabeta)
 transmitir uma mensagem de eternidade, solenidade, majestade e distanciamento, persuadindo os
fieis a levarem uma vida simples e afastada dos pecados mortais (eram, portanto, uma forma de
escrita)
Por conseguinte, registou-se uma regressã o técnica, que se justificava pela valorizaçã o da mensagem em
detrimento da perícia técnica.
34. Descreve a forma de representação da figura humana pela escultura românica:
A figura humana era:
 pouco modelada
 sempre de frente
 possuía pouco realismo anató mico, notado pela desproporçã o das partes constituintes do corpo
humano e uma posiçã o e gestos formais muito rígidos
 na composiçã o, as personagens eram colocadas em simetria ou em alinhamento rítmico feito pela
isocefalia (colocaçã o à mesma altura das cabeças das figuras)
 as cenas eram tratadas em poucos planos, sem perspectiva;
 a temá tica era essencialmente religiosa, entre o alegó rico e o simbó lico, relatando histó rias bíblicas e
cenas da vida do quotidiano.
35. Caracteriza o relevo românico.
A escultura ocupava os tímpanos, as arquivoltas e os capitéis das colunas na fachada. O portal, principal
elemento do templo româ nico, representava o acesso à casa de Deus, ao Paraíso, à protecçã o e uma liçã o à
espiritualidade. O tímpano que o encima é o elemento com maior profusã o decorativa e apresenta um
cará cter religioso, pedagó gico e estético. O meio era ocupado por Cristo sentado no trono, envolto pela
mandorla ou amêndoa mística; à sua volta estã o as outras personagens, decrescendo de importâ ncia. O
tímpano era decorado com motivos narrativos, como o Pantocrator, a representaçã o de Cristo como
divindade suprema, sentado na cathedra, com a mã o direita erguida e as Sagradas Escrituras na esquerda.
Outro tema era o Tetramorfo: representaçã o simbó lica dos quatro evangelistas – o anjo de S. Mateus, leã o de
S. Marcos, touro de S. Lucas e a á guia de S. Joã o.
No interior, ou nos claustros, os capitéis eram historiados com cenas bíblicas, procurando evangelizar através
das imagens. Monstros terríveis povoavam o imaginá rio e a escultura româ nicos, lembrando sempre aos fiéis
os horrores do Inferno.
Outros locais onde o relevo cristianizava os fiéis era nas cachorradas, nos pilares, nas gá rgulas, cornijas e pias
batismais.
36. Caracteriza a estatuária românica.
A estatuá ria ou imagens de vulto redondo, nomeadamente as Virgens româ nicas, possuíam características
semelhantes à dos relevos, mas apresentavam um cariz mais popular; eram objectos de veneraçã o,
concebidos em composiçõ es simples e esquemá ticas.
As figuras eram:
 muito hierá ticas, quer na posiçã o quer nos gestos
 concebidas em funçã o do plano mural onde estavam encostadas;
 utilizaram materiais como metal precioso, madeira, gesso e pedra estucada e posteriormente
policromadas.
37. Caracteriza a pintura românica.
A pintura decora paredes, frontais de altar e retá bulos, abó badas e tectos. Divide-se em frisos horizontais,
como se fosse uma banda desenhada e tem fins didá ticos e catequéticos
 Temas: Bíblicos (antigo e novo testamentos), vida da Virgem (temas marianos), vida de Cristo,
hagiográ ficos (vidas de santos, sobretudo má rtires)
 Aspetos formais: as técnicas formais e estilísticas empregues variavam de regiã o para regiã o, sendo
impossível distinguir autores, mas sim escolas ou oficinas. O seu trabalho era geralmente colectivo e a
aprendizagem era feita nos scriptoria dos conventos e catedrais. Nã o havia criatividade ou inovaçã o.
Regista-se:
o a prevalência do desenho sobre a cor;
o a falta de proporçã o e rigor anató mico nas figuras, devido à tendência para a esquematizaçã o e
estilizaçã o das mesmas; Rostos e mã os acentuados
o posiçõ es formalizadas e desarticuladas; Posiçõ es rígidas e frontais
o aplicaçã o da cor a cheio, sem sombreados ou matizados;
o bidimensionalidade (ausência de perspectiva);
o composiçõ es organizadas segundo esquemas geométricos complexos onde predominam os
rectâ ngulos e os círculos, com um grande sentido rítmico dado pela repetiçã o, na horizontal, das
figuras;
o disposiçã o das cenas em bandas ou faixas, organizadas da esquerda para a direita e de cima para
baixo, ajustadas para caberem nos suportes arquitectó nicos e separadas por frisos com motivos
geométricos ou naturalistas, de influência romana e germâ nica;
o utilizaçã o de elementos arquitectó nicos, que serviam de enquadramento cénico à obra;
o Fundos lisos monocromá ticos
 A iluminura ilustrava os livros manuscritos. Podia ser simplesmente decorativa (motivos florais,
geométricos e animalistas) ou narrativa (cenas). Geralmente, decorava as letras capitais. A iluminura
pode retratar cenas do quotidiano, ilustrar aspetos da vida e da cultura material das sociedades passadas.
Estas pinturas primavam pela fantasia dos coloridos e pelo sentido de ritmo e movimento das suas
composiçõ es, chegando a ser mais diversificadas e criativas que as dos frescos e a servir de inspiraçã o aos
mesmos. Eram os pró prios monges copistas que se encarregavam de ilustrar as obras, com desenhos
pintados onde fantasiosamente se misturavam pessoas, animais, elementos vegetalistas e formas
geométricas de elevado sentido decorativo. Crê-se que alguns deles se tenham tornado em verdadeiros
especialistas, demonstrando enorme destreza de execuçã o e de capacidade de síntese, a par de uma
extraordiná ria imaginaçã o. Por tudo isto, as iluminuras sã o mais originais e criativas do que a pintura dos
frescos, que obedeciam a programas temá ticos e a conceçõ es plá sticas mais uniformes.

PLANTA DAS IGREJAS ROMÂNICAS

1-Ná rtex: Parte coberta que antecede a igreja, na arquitetura gó tica o ná rtex é um endo-ná rtex , e na
arquitetura romana exo-ná rtex ( nã o,isso nã o é anatomia...)
o ná rtex nesse estilo de catedral "caracteriza-se como um espaço estreito transversal à nave".
2-Nave: É a ala central de uma catedral, também existem as naves colaterais que ficam aos lados.
3-Cruzeiro: Á rea do encontro da Nave com o Transepto
4-Transepto: Nave perpendicular a nave principal
5-Coro: Localizado apó s o cruzeiro, antecede o altar, geralmente destinado a pessoas especiais (como os
padrinhos no casamento ou autoridades num evento), à s vezes apresenta um presbitério
6-Presbitério: Parte do Coro destinada ao clero, perdeu sua funçã o e hoje é considerado parte do coro
7-Á bside: onde se localiza o altar , é o lugar onde se celebra a missa,e é a parte mais importante da
catedral, geralmente é decorado com vitrais ou grandes crucifixos.
8-Dreambulató rio :Localizado apó s o altar , seu nome vem do latim "ambulatorium", que significa lugar
para andar, dreambular no caso. Passagem fechada de um lado e geralmente aberta em outro por arcos
e que circula o coro e a á bside.
9-Capela radiante: Vá rias capelas pequenas localizadas perto do dreambulató rio

FIM

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