Você está na página 1de 10

Circuitos Elétricos & Fotônica

Relatório experimento 3:
Diodos emissores de luz e a constante de planck

Discentes:
Fernando Henrique Gomes Zucatelli
Lucas Galdiano Ribeiro Santana

Profº Dr. Agnaldo Aparecido Freschi

Santo André

2010
1

1. INTRODUÇÃO

Os LED’s são dispositivos eletrônicos amplamente utilizados pela humanidade.


Um LED é fundamentalmente um junção pn feita de um material semicondutor de
bandgap (Intervalo entre as energias das bandas, níveis energéticos permitidos
pelas regras de física quântica) direto. A aplicação de uma corrente elétrica através
da junção aumenta a taxa de recombinação elétron-lacuna, quando a polarização é
feita diretamente, e consequente emissão de fótons (no caso das recombinações
radiativas). A energia do fóton emitido é aproximadamente igual à energia do gap
(hυ » EG).

2. OBJETIVOS

O objetivo deste experimento é obter a curva i x V de três LED’s de cores


diferentes, verificar se a equação teórica é um bom modelo para os dados
experimetais reais e obter um valor aproximado (ordem de grandeza) da constante
de Planck.

3. PROCEDIMENTO EXPERIMENTAL

Foram utilizados os seguintes materiais e equipamentos:


• 2 Resistor de 2,7 kΩ ¼ W.
• Fonte de tensão DC ajustável de 0 a 30 V Minipa MPL-3303
• 1 Multímetro digital marca Minipa ET-2510
• 1 Multímetro de bancada Minipa MDM-8045A
• 3 LED’s (vermelho, amarelo e verde)
• 1 Osciloscópio digital Tektronix modelo TDS 2022B.
• Matriz de contatos (“Protoboard”) ICEL MSB-300
• Cabos de conexão e jacaré e pontas de prova.

O circuito montado para o experimento está representado na Figura 1. A


medição se baseou no valor de corrente indicado amperímetro, independente do
valor da fonte de tensão que foi apenas variada sem compromisso com o valor da
2

tensão da mesma. Para cada valor de corrente, foi medida a respectiva tensão sob
cada um dos LED’s e anotada.

Figura 1 –Circuito montado para medição de tensões dos 3 LED’s sob a mesma corrente.

Até a corrente de aproximadamente 5 mA, foi usado o multímetro Minipa ET-


2510 como amperímetro, para as medições com valores acima de 5 mA até
aproximadamente 18mA foi usado o multímetro Minipa MDM-8045ª como
amperímetro. Sendo que em ambos os casos o outro multímetro foi usado como
voltímetro.
A resistência equivalente dos resistores R no circuito é de 2,7 /2 = 1,35 kΩ ≅
1,4 kΩ. Aparentemente a substituição por um único resistor de 1,4 kΩ é possível, se
existir resistor no mercado com este valor. Todavia ao se analisar a potência que
este resistor pode dissipar quando a tensão da fonte é máxima (~30V) a corrente do
circuito foi de 18mA e a soma das tensões nos LED’s foi de ~6V, restando 24V para
os resistores. Portanto a potência um único resistor dissiparia seria de ~0,43W >
0,25W, logo este resistor queimaria. Assim ao se dividir a corrente em duas garante-
se também que a potência sobre eles será menor que a máxima suportada (0,21W<
0,25W).
Resumindo P0 (único resistor com a resistência equivalente), P1(único resistor
de 2,7KΩ sendo percorrido por toda a corrente), P2(dividindo igualmente a corrente
total por 2 resistores de 2,7KΩ)
R 2 2, 7.103
P0 = I1 = .(18.10 −3 ) 2 = 0, 43W > 0, 25W (1)
2 2
P1 = RI12 = 2, 7.103.(18.10−3 ) 2 = 0,87W > 0, 25W (2)
2
2  18.10−3 
3
P2 = RI = 2, 7.10 . 
2  = 0, 21W < 0, 25W (3)
 2 
3

4. ANÁLISE DOS RESULTADOS

Após serem realizadas as medições das tensões para determinadas correntes,


gerou-se a Tabela 1 abaixo e os gráficos das Figuras 2 a 6 e 8.

Tabela 1 – Valores medidos experimentalmente da tensão em cada LED em função da corrente. Os


valores sublinhados são quando foi possível perceber a luz dos LED’s, mesmo que bem fraca.

Tensões medidas nos extremos


I (μA) dos LED’s (V)
Vermelho Amarelo Verde
12,5 1,429 1,586 1,648
135,5 1,533 1,674 1,741
355,7 1,577 1,714 1,782
500 1,595 1,731 1,799
612 1,604 1,740 1,808
698 1,612 1,748 1,815
843 1,622 1,758 1,824
948 1,629 1,765 1,831
1108 1,639 1,775 1,841
1242 1,646 1,782 1,848
2008 1,674 1,812 1,877
2949 1,699 1,839 1,903
3530 1,713 1,853 1,917
4339 1,730 1,872 1,934
4998 1,742 1,886 1,947
5004 1,746 1,889 1,951
7974 1,791 1,941 1,997
12562 1,852 2,012 2,055
16023 1,891 2,060 2,094
18032 1,910 2,086 2,115

Na Figura 2 foram plotados todos os dados da Tabela 1 e ajustada uma curva


do tipo exponencial ao dados com uso do Microsoft Excel  tal como todos os
gráficos foram feitos no mesmo software, o coeficiente R2 indica o quão bem
ajustada a curva está aos dados. Nesta figura, percebe-se que a aproximação da
exponencial se distância dos dados com o aumento da tensão.
4

Figura 2 – Gráfico de i x V dos três LED’s

O gráfico da Figura 3 e o da Figura 4 foi linearizado segundo o procedimento


na equação (4) partindo da equação de Schockley para o diodo.

 V 
 
 β VT 
i = is .e ; aplicar ln em ambos os lados
  V   (4)
V
ln i = ln  is .e T   = ln is +
βV

  βVT
 

Como obtém-se através da regressão linear uma equação da forma y = ax + b,


encontrou-se os valores is e βVT de acordo com (5)
1 1
ln is = b ⇒ is = eb ; a = ⇒ β VT = (5)
β VT a
5

V x ln (i)
Vermelho Amarelo Verde
12

ln (i), (i em uA) 10

0
1,400 1,600 1,800 2,000 2,200
Tensão (V)

Figura 3 – Gráfico monolog de i ×V para os três LED’s.

V x ln (i)
y = 21,756x - 28,508 y = 24,287x - 35,88 y = 23,745x - 36,529
2 2
R = 0,9985
2
R = 0,9949 R = 0,9976
8
7 Vermelho
6 Amarelo
ln (i), (i em uA)

5 Verde
4 Linear (Vermelho)
3 Linear (Amarelo)
2 Linear (Verde)
1
0
1,400 1,600 1,800
Tensão (V)

Figura 4 – Gráfico monolog de i ×V para os três LED’s com correntes entre até 1mA.

Através das medidas obtidas em laboratório e da análise gráfica da Figura 4,


gerou-se a Tabela 2 com uso da equação(5).

Tabela 2 – Valores obtidos para a corrente de saturação e o βVt (1<β<2 é adimensional)

vermelho amarelo Verde


is 41,6 x 10-18A 26,1 x 10-21A 13,7 x 10-21A
βVT 0,0460 V 0,0412 V 0,0421 V
VT 0,0260 0,0260 0,0260
β 1,7679 1,5838 1,6198

Para o obtenção da tensão de joelho foi construída uma reta projeção dos três
maiores valores de cada gráfico de cada LED.
6

Figura 5 – Gráfico de i ×V para o LED Vermelho com a aproximação dos dados da região exponencial
e da reta para análise da tensão de joelho.

Figura 6 – Gráfico de i ×V para o LED Amarelo com a aproximação dos dados da região exponencial
e da reta para análise da tensão de joelho.
7

Figura 7 – Gráfico de i ×V para o LED Verde com a aproximação dos dados da região exponencial e
da reta para análise da tensão de joelho.

Percebe-se que o ajuste de todos os valores juntos é bem distinto daquele com
a separação das regiões exponenciais e lineares dos gráficos. A diferença do
comportamento se deve ao fato de que em maiores correntes a a resistência interna
do próprio LED passa a interferir nos resultados. Dessa forma a adição de um
resistor ao conjunto do modelo do LED refinaria a explicação do comportamento do
LED (Figura 8).

Figura 8 – Modelo do LED com a interpretação do resistor R intrínseco.

Com os gráficos e as equações das retas para grandes tensões dos LED’s foi
construída a Tabela 3 com as tensões de joelho de cada LED

Tabela 3 – Tensões de joelho obtidas do gráfico da respectivas figuras

LED’s
Vermelho (Figura 5) Amarelo (Figura 6) Verde (Figura 7)
Tensão de joelho (V) 1,72 1,85 1,91
8

Utilizando as medidas das tensões nos LED’s e levando em consideração os


comprimentos de onda relativos a cada cor: λvermelho = 646nm, λamarelo = 585nm,
λverde = 568nm; gerou-se o gráfico da Figura 9.

Figura 9 – Gráfico V0×(1/λ) para os três LED’s em i ≈ 12,5 μA

Pela Equação de Einstein (6) , a energia associada a ejeção de um elétron é:


(6)
Algebricamente,

(7)
Supondo que = 1= 2 = 3 e comparando com a expressão obtida com a
tendência linear dos dados, calcula-se . Daí, ≈ 2,3341x10-20 J.
Ainda, utiliza-se a equação (8) em (7) de modo a obter a equação (9).

(8)

(9)
Onde c é a velocidade da luz no vácuo e e é a carga elementar do elétron
(1,6x10-19C), e, como (1/λ) é a variável independente do gráfico da Figura 9, tem-se
por comparação que:
9

Pelo valor obtido para a constante de Planck, nota-se que o erro porcentual
relativo é de aproximadamente 19,35% sob o valor de referência de 6,626x10-34 J.s
Calculado com base em (10).
hexperimento − hteórico
Erelativo percentual = ×100 (10)
hteórico

Erro relativamente baixo se considerarmos que o experimento não foi realizado


com todo o rigor necessário para o cálculo desta constante devido a limitação física
do instrumento utilizado.

5. CONCLUSÃO

O experimento realizado permitiu obter as curvas de i x V de LED’s de cores


diferentes e caracterizar alguns dos valores da equação de Shockley com uso dos
gráficos e de procedimentos de regressão linear e também uma aproximação da
tensão de joelho.
Também foi possível concluir que a equação de Schockley não se torna um
bom modelo para explicar o comportamento da curva de i x V pois a parte
resistência ôhmica do diodo interfere na curva, sendo que um modelo mais real
consideraria também esta resistência.
E estimando os comprimentos de onda de cada LED dentro da média para
cada cor, também foi possível estimar a ordem da constante de Planck com o valor
de 5,34356x10-34 com erro de 19,35%.

6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

[1] NILSSON, James W.; RIEDEL, Susan A. Circuitos elétricos. 8 ed. São Paulo:
Pearson Prentice Hall, 2009.

[2] B.E.A. Saleh; M.C. Teich. Fundamentals of Photonics. Wiley, 2006.