GESTÃO FINANCEIRA E CUSTOS

Prof. Adrian Dambrowski Prof. Carlo Enrico Bressiani

Universidade Regional de Blumenau
Reitor Prof. Dr. Eduardo Deschamps Vice-Reitor Prof. Dr. Romero Fenili Pró-Reitora de Ensino de Graduação Profa. Ms. Sônia Regina de Andrade Pró-Reitor de Administração Prof. Dr. Edesio Luiz Simionatto Pró-Reitor de Pós-Graduação, Pesquisa e Extensão Prof. Dr. Clodoaldo Machado Divisão de Modalidades de Ensino Coordenação Geral Prof. Ms. Alexander Roberto Valdameri Equipe Multidisciplinar Técnica Airton Zancanaro Alexandre Adaime da Silva Gerson Luís de Souza Léo Fath Equipe Multidisciplinar Pedagógica Profa. Ms. Daniela Karine Ramos Diego Fernando Negherbon Profa. Ms. Henriette Damm Profa. Ms. Iris Weiduschat Administrativo Viviane Alexandra Machado Saragoça Odair José Albino

Centro de Formação Profissional SAPIENCE Ltda
Dirigente Prof. Ms. Kiliano Gesser Equipe Administrativa Prof. Carlos Alberto Alves de Oliveira Prof. Dr. Carlo Enrico Bressiani Prof. Ms. Kiliano Gesser Coordenação Pedagógica Profª Olga Sansão Gesser Diagramação Alvin Noriler

2008

FURB – Universidade Regional de Blumenau Divisão de Modalidades de Ensino Rua Antônio da Veiga, 140 Bairro: Victor Konder Blumenau – SC - 89012-900 Fone: (47) 3321-0577 E-mail: dme@furb.br Site: www.furb.br/ead

SAPIENCE Educacional

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Depósito legal na Biblioteca Nacional, conforme decreto nº 1825, de 20 de dezembro de 1907. “Impresso no Brasil / Printed in Brazil”

Ficha catalográfica elaborada pela Biblioteca Universitária da FURB

D156g

Dambrowski, Adrian Gestão financeira e custos / Adrian Dambrowski, Carlo Enrico Bressiani. - Blumenau : Edifurb ; Gaspar : SAPIENCE Educacional, 2008. 102 p. : il. - (Pós-Graduação.Modalidade a distância) Bibliografia: p. 101-102. ISBN: 978-85-7114-212-1 1. Ensino a distância. 2. Administração financeira. 3. Custos. I. Bressiani, Carlo Enrico. II. Título. CDD 378.03

Professor Adrian Dambrowski Graduado em Administração (Gestão Empresarial) pela Fundação Universidade Regional de Blumenau (FURB), mestre em Administração (Gestão de Organizações) pela mesma instituição e especialista em Gestão Financeira e Custos pelo Instituto Catarinense de Pós Graduação (ICPG). Atualmente é funcionário do Banco do Brasil, docente na Sociedade Blumenauense de Ensino Superior (IBES) e atua no programa de pós-graduação a distância do convênio FURB/ Sapience. Professor Carlo Enrico Bressiani Engenheiro Civil pela Universidade Regional de Blumenau, MBA em Gestão de Empresas Industriais pelo Institut Quimic de Sarrià e Dr. em Administração e Direção de Empresas pela Universitat Ramon Llull de Barcelona. Professor de graduação e pós-graduação em disciplinas da área financeira e gestão de projetos, gerente financeiro da Unidade Design de Eventos, Diretor Administrativo-Financeiro da Sapience e consultor na área financeira. Também atua como parecerista em projetos de pesquisa da Universidade Presbiteriana Mackenzie e referee em revistas da área de administração de empresas.

.............4 Receitas .............................. 13 1...1..............................................................................2 Pay Back Descontado.............................................................................3............................................2...............................................3 Métodos de Depreciação .................................................. 11 1.......................................................2 Alavancagem Financeira ..............4...............3............1 Alavancagem Operacional .......2 Efeitos dos Impostos sobre a Renda .....3 ANÁLISE DE INVESTIMENTOS .....................2 Amortizações e Depreciações .............47 2....25 1..........3.1 DECISÕES DE FINANCIAMENTOS .....................31 1.........1 Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) ........... 47 2..........................1 Necessidade de Capital de Giro .....1. 62 ...............................3 Diferença Entre Gestão Financeira e Gestão Contábil ....3........ 60 2.................................49 2.................................................38 1...................................... 55 2..........................................1..................................2....................................9 Despesas ....2....15 1...........................................3.. 25 1.....................................1............12 1........................................................................ 14 1....................................................................................41 1..........1 Conceito de Finanças .........SUMÁRIO 1 FUNDAMENTOS DA GESTÃO FINANCEIRA ........................................................................................3.........................................................8 Estoques ................. 43 2 DECISÕES DE FINANCIAMENTOS E ANÁLISE DE INVESTIMENTOS .............2 QUADROS FINANCEIROS .....23 1............ 23 1............................ 31 1........3 Ciclo Operacional e Ciclo Financeiro ..............3 Alavancagem Combinada ..............................................................................................................2................................................................................. 49 2....................2 Balanço Patrimonial .........................3 Custo de Capital Próprio ........................................................................................53 2.....................................................4 Custo do Capital de Terceiros .............................2....3....................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................6 Impostos ...5 Receita Bruta .....40 1..................1 Investimentos ... 12 1.................................2...........2 Objetivo do Administrador Financeiro ....................4.........................1...........................................1..................................................................2..............2.......................................................................2 ALAVANCAGEM.........................54 2.................4 CAPITAL DE GIRO .............................................................2................3 DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS ..................... 57 2............. 50 2.................32 1...............1..4 Taxa Interna de Retorno ...7 Custos .....2..............................................................4. 49 2.....................24 1............................................... 33 1..1.. 16 1.................................... 15 1..................... 42 1...2.................................................................................4 Fluxo de Caixa ........ 13 1....................................... 48 2...........3 Valor Presente Líquido (VPL) ......................1 Pay Back Simples ................................... 48 2.....1 Custo de Capital ............................22 1...............................1 IMPORTÂNCIA DA GESTÃO FINANCEIRA ...................2..................................................4 Regime de Caixa x Regime de Competência . 59 2................................2 Saldo de Tesouraria ........

.....................3.......................................................................................................70 3..................................1 Custeio Direto e Indireto ......1..............................2 Markup ....................74 3........................................1....3 CUSTOS ...........1 Análise das Relações Custo...2....................................................................2 MÉTODOS DE CUSTEIO ..............................4 FORMAÇÃO DO PREÇO DE VENDA .................2 Ponto de Equilíbrio ...68 3..............................................1 FUNDAMENTOS DE CUSTOS ...............81 3...............................................................................2.........................2 Custeio por Absorção ...................................................1........... Despesas.....................................................................................4.............3 ANÁLISES DE CUSTOS ............2......................4...................................................67 3.....................................................95 3...............................3......................................... Investimentos e Perdas ..........4 Custeio ABC ....................1 Impostos ..............................2.............................................1 Separação de Custos..............................................3 Custeio Variável .................... 71 3.....3 Custo das Compras ..................................... 68 3.......77 3.........................................................98 3................................................74 3....................................................95 3......2 Avaliação de Estoques ....................99 REFERÊNCIAS ....................... 97 3...............................103 ................................98 3........86 3...................................... Volume e Lucro ............................

Bem vindo(a) à disciplina Gestão Financeira e Custos. Lembre-se. com questões para reflexão e indicam outras referências a serem consultadas. A carga horária desta disciplina é de 45 horas e cabe a você administrar sua aprendizagem e determinar o tempo para seus estudos e o aprofundamento dos temas tratados.APRESENTAÇÃO Caro(a) aluno(a). Os capítulos foram organizados de forma didática e complementar. Desejamos a você um bom trabalho e que aproveite ao máximo o estudo dos temas abordados nesta disciplina! . Este é o nosso Caderno de Estudos. Eles apresentam os textos básicos. porém. de que há um prazo limite para a conclusão dos estudos. material elaborado com o objetivo de contribuir para a realização de seus estudos e para a ampliação de seus conhecimentos sobre o assunto. Você deverá realizar as avaliações presenciais nas datas previstas no cronograma do curso.

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gerindo a ordem de saída destes para. as formas de se determinar a depreciação de bens. administrando os ativos e captando fundos para a mesma. bem como sistemas de amortizações existentes e os mais usados no Brasil. a relação de investimentos com a incidência de impostos e a discriminação dos impostos existentes no Brasil. apurar o custo da mercadoria armazenada por meios matemáticos. para o caso de uma organização empresarial. 3. Relacionar o significado do termo "finanças". INTRODUÇÃO Podemos conceituar finanças como a arte de gerir recursos que. Nesse primeiro capítulo de nossa jornada será abordada a relação triangular entre a administração financeira. Demonstrar o que são investimentos. 2. a gestão de despesas e custos.e como estes se relacionam. Explicar a demonstração contábil denominada DRE (Demonstração do Resultado do Exercício) bem como a sua estrutura. a contabilidade e a economia. 4. a determinação do saldo de tesouraria. fundamentada em conceitos econômicos e fazendo uso de informações contábeis. podendo ser vista como uma forma de economia aplicada. amortizações e depreciações. A relevância do fator econômico para o desenvolvimento do meio financeiro vai nos levar à necessidade de se situar no ambiente operacional no qual estão 11 U LO 1 . interpretar o conceito de Balanço Patrimonial e a disposição dos elementos que constituem essa demonstração contábil e demonstrar o conceito e aplicação do fluxo de caixa. além de formas de custeio e a administração dos estoques.1 FUNDAMENTOS DA GESTÃO FINANCEIRA CAP ÍT Objetivos de Aprendizagem 1. analisando projetos de investimentos. desta forma. do ciclo operacional e financeiro . Ou seja. Você vai perceber que gestão financeira está intimamente relacionada com a contabilidade e com a economia. Levantar o conceito de Capital de Giro bem como apurar a sua necessidade. estamos tratando do estudo e da gerência dos ativos empresariais. se concentra no estudo do planejamento financeiro. o papel do administrador financeiro e as diferenças entre gestão financeira e gestão contábil.

Assim. principalmente. levando-nos a situações nas quais vamos explicar do que se trata. primeiramente vamos entender do que tratam as finanças.Gestão Financeira e Custos FURB / SAPIENCE inseridas as organizações. que serão definidos e explicados no decorrer do estudo. Para melhor entendimento da importância da gestão financeira. empresas e governos (GITMAN. considerando ainda a incidência do fator tributário (impostos). vai perceber que as finanças fazem parte do dia-a-dia dela.1 Conceito de Finanças Finanças podem ser definidas como uma técnica ou ciência de administrar fundos. o que nos permitirá a compreensão dos ciclos: operacional e financeiro. que corresponde a um conjunto de recursos disponíveis circulantes em espécie. por usar dados e informações financeiras para orientar a tomada de decisão na gestão da empresa (FREZATTI. Trata-se de tarefa administrativa que permita visualizar a atual situação da empresa. Antes de adentrarmos no assunto em questão. despesas e estoques. na administração do capital de giro. contabilidade e. gerencial e estratégico. vamos dar início ao nosso estudo conhecendo a importância da gestão financeira onde. 2000). a qual está sendo administrada. Estamos falando de dois conceitos econômicos tratados por macroeconomia (ambiente global em que a organização opera) e da microeconomia (ambiente interno onde se contemplam as estratégias operacionais). 2000).1 IMPORTÂNCIA DA GESTÃO FINANCEIRA A gestão financeira representa o conjunto de ações e procedimentos administrativos que tem por tarefa o planejamento. sejam físicas ou jurídicas. 1. Ainda nesse primeiro capítulo. é importante que você compreenda o significado de finanças. custos. A gestão financeira detém a tarefa de gerir o relacionamento de instituições. que nos levarão a interpretar o que ocorre quando tratamos de investimentos. na administração geral de nível tático. conhecendo ferramentas como a Demonstração do Resultado do Exercício (DRE). Praticamente todas as pessoas. ao passo que a segunda trabalha com o regime de competência. gastam ou investem. mercados e instrumentos envolvidos na transferência de fundos entre pessoas. levando em consideração diversos fatores tais como: amortizações. 12 . a análise e o controle das atividades financeiras da organização. o balanço patrimonial e o fluxo de caixa.1. 2002). Teremos ainda a oportunidade de lhe demonstrar os quadros financeiros. obtêm receitas ou levantam fundos. onde a primeira fará uso do regime de caixa. produção. depreciações. A importância de se distinguir esse conceito é justificada pela necessidade de se analisar essas questões para prover o conhecimento da real situação econômica dos fundos da empresa. Se você observar o cotidiano de uma organização. 1. Isso fica claro no controle de recursos para compras e aquisições. tal como no gerenciamento e na própria existência da empresa em suas respectivas áreas: marketing. além de lhe explicarmos o conceito de finanças e o objetivo do administrador financeiro. explicaremos também algo sobre as demonstrações financeiras comumente usadas no dia-a-dia dos setores financeiros das organizações. com relação aos seus bens e direitos garantidos (FREZATTI. que podem ser usados em transações e negócios com transferência e circulação de dinheiro. também trataremos da distinção entre gestão financeira e gestão contábil.

o que diferencia as atividades financeiras das contábeis é que a administração financeira enfatiza o fluxo de caixa. contabilizando todo seu patrimônio. Esses profissionais desempenham uma série de tarefas.1. administração do crédito.1.3 Diferença Entre Gestão Financeira e Gestão Contábil A gestão financeira é um conjunto de ações e procedimentos administrativos que englobam o planejamento. pois o bom ou mau desempenho deste pode ocasionar êxito ou insucesso para a empresa. buscando meios viáveis para a obtenção de recursos que são destinados a financiar as operações e atividades da empresa. No decorrer desse estudo. É preciso esclarecer que a principal função do contador é desenvolver e fornecer dados para mensurar a performance da empresa. reconhecendo as receitas no momento em que são incorridos os gastos (denominado regime de competência). que demonstrará realmente a situação e capacidade financeira 13 . e procurando sempre os melhores meios para uma segura condução financeira da empresa (GITMAN. a análise e o controle das atividades financeiras de uma organização. já que as mesmas se relacionam estreitamente e geralmente se sobrepõem. elaborando suas demonstrações. 2002). o tratamento que é dado para essas informações diverge nas suas atividades.2 Objetivo do Administrador Financeiro Os administradores financeiros administram ativamente as finanças de todos os tipos de empresas. objetivando maximizar os resultados econômicos e financeiros oriundos de suas atividades operacionais (GITMAN. caso não consiga cumprir a sua tarefa principal: minimizar riscos e maximizar lucros (FREZATTI. Agora que vimos o que são finanças e o conceito mais apurado da gestão financeira. previsões financeiras. 1. Porém. sejam elas financeiras ou não. evitando desperdícios e gastos desnecessários. Porém. tais como orçamentos. avaliando sua posição financeira em presença dos impostos. administração do caixa. 2002). grandes ou pequenas. privadas ou públicas. em função dos benefícios e informações que a contabilidade proporciona para a gestão financeira e pelo relacionamento próximo que se tem de interdependência. é importante diferenciarmos a gestão financeira da gestão contábil.Capítulo 1 Fundamentos da Gestão Financeira A gestão financeira é uma ferramenta ou técnica utilizada para controlar da forma mais eficaz e eficiente possível uma série de tarefas do dia-a-dia de uma organização. que nada mais é do que a entrada e saída de dinheiro na linha do tempo. Portanto. 2000). objetivando sempre o desenvolvimento da mesma. Gestores financeiros e contabilistas trabalham lado a lado. você vai perceber que. 1. utilizando muitas vezes as mesmas ferramentas ou informações. análise de investimentos. Necessita ser um membro alocado na alta administração. tais como a liberação de crédito e a determinação de prazos para clientes e a análise de investimentos. é que muitas vezes se confunde a compreensão e a distinção dessas duas áreas. vamos situar o gestor financeiro e seus objetivos nesse contexto empresarial.

no que diz respeito à circulação de dados e informações necessárias para o exercício de cada uma. Atenção A gestão financeira não substitui a gestão contábil. assim como a gestão contábil não substitui a gestão financeira. deduz-se o valor pago de contas a pagar. independentemente da ocorrência ou não dos recebimentos das receitas ou dos pagamentos das despesas (SANTOS.3) apresenta todos os pagamentos e recebimentos esperados em um determinado período de tempo. O gestor do fluxo de caixa precisa de uma visão holística de todas as funções da empresa. Trabalham com as mesmas informações. Para a contabilidade. sem desapreciar a importância de cada atividade. compra de materiais secundários.4 Regime de Caixa x Regime de Competência Em finanças. a despesa deverá constar nos registros de janeiro. em função do pagamento. Diante do que vimos. em janeiro é computada a despesa. os contadores admitem a importância do fluxo de caixa. ao diferenciar o regime de caixa do regime de competência. criando-se uma obrigação em contas a pagar. 2007). algumas vezes ligado a um projeto específico. como: pagamentos. Todavia. 2007). Exemplo: Aquisição de mercadorias para pagamento a prazo. embora o pagamento seja feito em fevereiro. Elas caminham juntas. refere-se ao montante de caixa recebido e gasto por uma empresa no decorrer de um período de tempo determinado. 14 . porque é necessário prever o que se poderá gastar no futuro dependendo do que se consome no presente.a fim de atingir as metas da empresa (SANTOS. mas cada um com suas especificidades e maneiras de transpassar ou descrever a situação da empresa. compra de matéria-prima.Gestão Financeira e Custos FURB / SAPIENCE para satisfazer suas obrigações e adquirir novos ativos (bens ou direitos de curto ou longo prazo) . Regime de competência é o que apropria receitas e despesas ao período de sua realização.1. Na Contabilidade. Apenas dão tratamento diferenciado para essas informações.Cf). Se a compra ocorreu no mês de janeiro com pagamento em fevereiro. 1. reduzindo o valor do caixa. julgo importante a diferenciação detalhada e exemplificada que encontraremos a seguir. o fluxo de caixa (designado em inglês por cash flow . já que uma depende da outra.3. tal como o administrador financeiro se utiliza do regime de competência. uma projeção de fluxo de caixa (que será discutido com mais profundidade no item 1. e em fevereiro. recebimentos. salários e outros.

mas sim quando ocorreu o fato. não importando quando será pago ou recebido. levantando assim a necessidade de averiguar se o lucro obtido nas operações empresariais contempla a cobertura da depreciação do maquinário e/ou demais bens (SANTOS. o termo aplica-se tanto à aquisição de máquinas.). pois no futuro a empresa precisará repor o bem que esta depreciando. na data onde ocorreu o fato gerador (data de compra do material. Para a mensuração dos resultados de uma empresa é recomendada a utilização do regime de competência.2. 15 . no regime de competência o registro do documento se dá na data do fato gerador. A depreciação de um bem será discutida com mais profundidade no 1. pelo seu conceito. não importando quando será pago ou recebido. 2007).2. Num sentido mais abrangente. somente considera o registro de um documento quando o mesmo for pago. ao passo que no regime de caixa o registro do valor ocorre efetivamente na data do pagamento. Ou seja. algo que no regime de caixa não é contemplado. Fizemos isto para que você possa situar-se no cenário do gestor financeiro das organizações. investimento é toda aplicação de dinheiro com expectativa de lucro. assim como você pode observar no extrato de sua conta bancária. Como observamos. venda do bem ou artigo.2 QUADROS FINANCEIROS 1. regime este em que são contabilizados como receita ou despesa os valores dentro do mês de competência.2. Dica A diferença entre o regime de caixa e o regime de competência está exatamente na disposição da ocorrência na linha do tempo. pois este. equipamentos e imóveis para a instalação de unidades produtivas como à compra de títulos financeiros (letras de câmbio. permitindo a análise dos quadros financeiros com os olhos desses profissionais. liquidado ou recebido. prestação de serviço. 1. Até o momento.1 Investimentos Investimento é o que você faz quando aplica seus recursos em algum negócio (empresarial ou bancário) com a esperança de receber algum retorno no futuro e que este seja superior ao aplicado. pois considera também a depreciação. compensando até mesmo a perda de uso desse recurso durante o período de aplicação. ações).Capítulo 1 Fundamentos da Gestão Financeira Tal fato ocorre porque a contabilidade utiliza o regime de competência. Trata-se de um item importante para a gestão financeira de uma organização. foi abordado o significado do termo finanças. o papel do administrador financeiro e as diferenças entre gestão financeira e gestão contábil. etc.

à ampliação da capacidade produtiva. podendo ser o reembolso de ambos. Como está diretamente ligado à compra de bens de capital e. realizados através de um planejamento. o investimento líquido mede com mais exatidão o crescimento da economia.Gestão Financeira e Custos FURB / SAPIENCE Em economia.2 Amortizações e Depreciações Amortização é um procedimento de eliminação de uma dívida por meio de pagamentos periódicos.2. podendo ser dividido em dois tipos: Investimento bruto e Investimento líquido (GITMAN. 16 . com os juros sempre calculados sobre o saldo devedor (NOGUEIRA.Exemplos de investimentos e fatores de decisão. de modo que cada prestação corresponde à soma do pagamento do capital ou com o pagamento dos juros do saldo devedor. que possa ser trocado por moeda rapidamente. investimento significa exatamente a aplicação de capital em meios que levam ao crescimento da capacidade produtiva (instalações. O investimento bruto corresponde a todos os gastos realizados com bens de capital (máquinas e equipamentos) e formação de estoques. 2002). que deve ser computado financeiramente. Todos os investimentos passam por um processo natural de depreciação. ou seja. A rentabilidade é o que mede o retorno sobre o capital investido e a segurança é o item que avalia o potencial de perda o capital investido. 1. os mesmos são passíveis de amortizações. meios de transporte). ao exemplificar os tipos de investimentos mais comuns apresentados acima. máquinas. Em alguns casos. como no de investimentos financeiros. estes foram classificados quanto a três importantes indicadores utilizados na tomada de decisão ao se optar por uma linha de investimento para seu dinheiro. como veremos a seguir. 2002). equipamentos e instalações desgastadas pelo uso. ao passo que investimento líquido não leva em consideração as despesas com manutenção e reposição de peças. portanto. São exemplos de Investimentos: Investimento Poupança Ações Imóveis Veículos Máquinas e Equipamentos Liquidez Alta Alta Baixa Alta Baixa Rentabilidade Baixa Alta Alta Baixa Alta Segurança Média Baixa Alta Baixa Alta QUADRO 1 . isto é. em bens de capital. Estamos tratando da liquidez. da rentabilidade e da segurança: um investimento líquido é aquele que é de venda rápida (fácil solvência). FONTE: Os autores Como você deve ter observado.

os sistemas comumente utilizados são: o sistema francês de amortização. O método de amortização baseado nas tabelas de Richard Price. associamos a expressão amortização contábil à depreciação contábil. Para Figueiredo (2004). Confira o artigo de Daiani Furtado acessando o site abaixo: http://www. a seguir: Sistema Francês de Amortização (Tabela price) Sistema de Amortização Constante (SAC) Sistema de Amortização Misto (SAM) Sistema Americano de Amortização Sistema Americano com Sinking Fund Sistema de Amortização Variável Sistema Alemão de Amortização Arrendamento Mercantil (Leasing) Saiba Mais No Brasil. encontramos a amortização contábil. seguido pelo arrendamento mercantil. Trata-se de um método usado em amortização de empréstimo. além da diminuição de dívidas. provenientes da teoria de dimensão econômica dos fundos contábeis. tratando de recursos naturais (SÁ. que em seu conceito. existe uma série de tipos de sistemas de amortização.br/sistema-deamortizacao/ O sistema francês de amortização faz uso da Tabela Price. e em outras situações o sistema de amortização constante.com. Tomando como exemplo um empréstimo de R$10. contempla também direitos intangíveis classificados no ativo.Capítulo 1 Fundamentos da Gestão Financeira No Brasil. com juros de 1% ao mês. e à exaustão contábil.microepequenasempresas. que trata da redução de bens tangíveis.000. 1990). somente depois da 2ª revolução industrial que sua metodologia de cálculo foi aproveitada para cálculos de amortização de empréstimo (NOGUEIRA. 2002). Assim. construído por juros compostos. O processo de cálculo da tabela price é iterativo. Porém. caracterizado por prestações iguais. na realidade foi idealizado pelo seu autor para pensões e aposentadorias.00 para ser pago em 10 parcelas mensais. 17 .

82 O valor do juro será sempre o valor do saldo devedor do período anterior. multiplicado pela taxa (Nesse caso: 1% ou 0. subtraindo a amortização que ocorreu no período.055. FONTE: Os autores Primeiramente você precisa determinar o valor de cada parcela pela seguinte fórmula: PMT = (PV x i) / 1 – (1 + i ) . Atenção: Juros . 18 . levando-se em consideração os juros.Gestão Financeira e Custos FURB / SAPIENCE TABELA 1 – Sistema Francês de Amortização. Saldo Devedor . O valor da amortização será resultado da diferença entre o valor da parcela e o valor do juro.01).O quanto da dívida foi paga.Valor devido pelo prazo de pagamento. Ou seja. apura-se o juro para identificar quanto da parcela paga corresponde à quitação do valor que se está devendo. Amortização .O quanto da dívida está pendente para ser paga. acrescentado ao saldo devedor na transição do mês anterior para o atual. O saldo devedor em cada momento será o resultado do saldo devedor anterior. em cada mês. PMT = R$ 1.n Onde: PV = Valor Presente (valor a ser financiado) i = Taxa (sempre em %) n = Período (número de parcelas) PMT= Parcela (o valor de cada parcela a ser paga) Assim.

1998). ou amortização.Capítulo 1 Fundamentos da Gestão Financeira Abaixo. Taxa acordada entre as partes. Operacional e Leasing back. que julgamos interessante lhe explicar: Devedor ou mutuário Taxa de juros Pessoa que recebe algo pelo empréstimo. por devolver o bem arrendado à arrendadora ou dela adquirir o bem. Prestações menos juros. tipicamente. Ao fim do contrato o arrendatário pode optar por renová-lo por mais um período. FONTE: MATHIAS. Ed. Já o Leasing Back ocorre quando uma empresa necessita de capital de giro. Prazo de amortização Intervalo de tempo em que são pagas as amortizações. No sistema de amortização constante (SAC) a parcela de amortização da dívida é calculada tendo por base o total da dívida. ser. pois o valor que é pago da dívida. considerando um sistema linear. Custo do dinheiro. alguns termos usados no meio econômico/financeiro em relação à amortização. no entanto. por um prazo definido. como um percentual fixo da dívida. Na operação de leasing operacional. dividido pelo prazo do financiamento. locar ao mesmo. O Leasing Financeiro se assemelha a um aluguel. O leasing ou arrendamento mercantil é um contrato por meio do qual a arrendadora ou locadora (entidade que se dedica à exploração de leasing) compra um bem escolhido por seu cliente para. com a diferença que se pode comprar o bem no final do prazo pré-determinado por um valor já determinado anteriormente. contratado por pessoa física (BLATT. em seguida. Ela vende seus bens a uma empresa que a aluga novamente à primeira (BLATT. podendo. Prestação Soma da amortização acrescida de juros e encargos. Calculada sobre o saldo devedor. Washington Franco. Existem três formas de Leasing: Financeiro. uma empresa. O cliente deste tipo de crédito é. Prazo de carência Período entre o prazo de utilização e o pagamento da primeira amortização. a arrendadora arca com os custos de manutenção dos equipamentos. Prazo de utilização Intervalo de tempo em que o empréstimo é transferido do credor ao devedor. 1998).1989.Termos usados no meio econômico/financeiro. José Maria. e aviso prévio para a empresa ou pessoa física contratante. No SAC a prestação inicial é um pouco maior que na Tabela Price. e a arrendatária pode desfazer o contrato bastando apenas esperar o período mínimo de noventa dias a contar do início do contrato. QUADRO 2 . pelo valor de mercado ou por um valor residual previamente definido no contrato. também denominado saldo devedor. GOMES. São Paulo. também. Matemática Financeira. é maior. assim como determina o Banco Central. Parcelas de amortização Parcelas de devolução do principal. Atlas. 19 .

Gestão Financeira e Custos FURB / SAPIENCE assim. nesse caso. que neste caso será um valor fixo. pois o próprio saldo devedor está sendo reduzido. como ele se comporta pelo sistema de amortização constante: Tratamos novamente de um empréstimo de R$10. multiplicado pela taxa. FONTE: Os autores Assim como no sistema francês de amortização. pois a formação do saldo devedor. TJLP ou INCC) durante o financiamento (MATHIAS. GOMES.000. 1989). 20 . descontando a amortização que ocorreu no período. porém dessa vez pelo SAC. não soma juros retidos de períodos passados. O saldo devedor em cada momento será o resultado do saldo devedor anterior. O valor da amortização será determinado ao dividir o valor financiado pelo número de parcelas em que será dividido.Sistema de Amortização Constante. Com isso. você estará menos exposto em caso de aumento do indexador do contrato (a TR.00 para ser pago em 10 parcelas mensais. com juros de 1% ao mês. você estará liquidando mais da dívida desde o inicio do financiamento e pagando menos juros ao longo de contrato (MATHIAS. por conseguinte a prestação. no SAC. Vejamos então o mesmo exemplo do caso anterior (price). GOMES. o valor do juro será sempre o valor do saldo devedor do período anterior. TABELA 2 . desta forma. tendem a decrescer. 1989). o saldo devedor e a sua prestação tendem a decrescer de forma constante desde o início do financiamento e não permite a ocorrência de valor residual ao término das prestações. porém diferente em cada momento. a parcela dos juros e. Conforme a dívida é amortizada.

Conforme o art. A partir de então. de matéria-prima. instalados em estabelecimento da empresa. os ativos vão perdendo valor.Capítulo 1 Fundamentos da Gestão Financeira Dica Nesse sistema de amortização. os bens depreciáveis são: Edifícios e construções. o administrador pode estabelecer fórmulas mais adequadas a sua realidade empresarial. 2005). Veículos do tipo caminhão. compradores e vendedores. deverá ser depreciado em 5 anos no máximo. Bens móveis utilizados nas atividades operacionais. Bens imóveis utilizados como estabelecimento da administração. sendo calculada sempre pela soma da amortização ao valor dos juros. utilizados no transporte de mercadorias e produtos adquiridos para revenda. 25 da IN SRF nº 11/96. Compare a Tabela 1 com a Tabela 2. Assim. um veículo. atribuindo a ele um novo valor. deverá ser feita uma reavaliação do bem. Na possibilidade desse veículo ainda ter condições de ser utilizado. Projetos florestais destinados à exploração dos respectivos frutos. Essa perda de valor deve ser apropriada pela contabilidade periodicamente. veículos. bem como os utilizados nas entregas de mercadorias. Bens móveis e imóveis utilizados no desempenho de atividades de contabilidade. ao determinar a depreciação. as bicicletas e motocicletas utilizadas pelos cobradores. mesmo tendo uma vida útil de 5 anos ou mais. Veículos utilizados no transporte coletivo de empregados. aplicados a produção. caminhonete de cabine simples ou utilitário. baseado em dados técnicos. com a obsolescência natural ou desgaste com uso na produção. referente ao saldo devedor. Por depreciação devemos interpretar como sendo o custo ou a despesa decorrente da deterioração ou da obsolescência dos ativos imobilizados (máquinas. continua-se com a depreciação até a completa exaustão do bem. produtos intermediários e de embalagem. Ao longo do tempo. móveis. 21 . imóveis e instalações) da empresa. nas atividades de cobrança. compra e venda. caminhonete de cabine simples ou utilitários. Contudo. pois passado este período estará completamente obsoleto. a parcela não será fixa. Veículos do tipo caminhão. até que esse bem tenha valor reduzido a zero (SILVA.

locados pela pessoa jurídica. Este método é próprio das empresas industriais. Método das Horas de Trabalho Este método consiste em determinar o número de horas de trabalho durante o tempo de vida útil previsto para o bem. o valor correspondente à diminuição do valor dos bens do ativo. Esse artigo determina ainda os seguintes métodos de depreciação: Método Linear O método linear é o mais freqüentemente utilizado e se caracteriza pela aplicação de taxas constantes durante o tempo de vida útil estimado para o bem.Gestão Financeira e Custos FURB / SAPIENCE Bens móveis e imóveis utilizados em pesquisa e desenvolvimento de produtos e processos. 22 . Calculamos a depreciação. ação da natureza e obsolescência normal. com taxa de depreciação de 10%. podemos computar como custo ou encargo. a serem produzidas ao longo de sua vida útil. e que tenham a locação como objeto de sua atividade. dentre outros motivos. em cada período de apuração. A parcela de depreciação de cada período será obtida dividindose o número de unidades produzidas no período pelo número de unidades estimadas. pela pessoa jurídica que tenha objeto essa espécie de atividade (art. objeto de arrendamento mercantil nos termos da Lei 6099/74. Veículos utilizados na prestação de serviços de vigilância móvel. 305 do RIR/99. Métodos das Unidades Produzidas Também utilizado por empresas industriais. termos uma apuração mais real dos lucros obtidos nas operações empresariais.a. Exemplo: Um bem tem vida útil de 10 anos. Bens móveis e imóveis próprios. Para tanto. 1. para deduzi-la das receitas e. assim. vamos ver a seguir o que são essas receitas de onde as depreciações e/ou amortizações serão descontadas.2. pela pessoa jurídica arrendadora. Consiste em determinar a quantidade total de unidades que devem ser produzidas pelo bem no decorrer de sua vida útil. Bens móveis e imóveis. resultante do desgaste pelo uso. A parcela de depreciação será obtida dividindo-se o número de horas trabalhadas no período pelo número de horas de trabalho estimadas durante a vida útil do bem. 307 do RIR/99). Taxa de Depreciação = 100% / tempo de vida útil TD = 100% / 10 anos = 10% a.3 Métodos de Depreciação Conforme determina o art.

não incluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. Segundo Neves. Porém.2. No Brasil denominase contabilmente esse grupo de receitas de Outras Receitas Operacionais. dentre outros.4 Receitas Receita é o aporte de valores que ocorre em uma entidade (Contabilidade) ou patrimônio (Economia). o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria.decorrente da receita da atividade principal e representa rendimentos complementares. Receita acessória ou complementar . São excluídos do conceito da receita bruta. Viceconti (2001). também visto como o faturamento da organização (SÁ. Para fins de legislação do PIS e COFINS. quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. rendimentos). Receitas não-operacionais . é a receita total decorrente das atividades-fim da empresa (atividades para as quais a empresa foi constituída. 1.2. Ou seja.relacionada à atividade principal da empresa como venda de produtos. mercadorias ou serviços. é o produto da venda de bens e serviços. visando redução de contribuições a pagar. segundo seus estatutos ou contrato social). para fins tributários: o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e o Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS). Considera-se receita bruta.ingressos de valores no caixa derivados de transações não inclusas nas atividades principais ou acessórias da empresa. Normalmente esse aporte vem em forma de dinheiro ou créditos representativos de direitos. podendo ser classificadas da seguinte forma: Receita da atividade técnica ou principal .5 Receita Bruta A receita bruta. as receitas operacionais são oriundas do objeto de exploração da empresa. tais como comissões recebidas. 1990). o que motivou muitas empresas a questionarem este conceito na justiça. o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia. para fins tributários. que devem ser compostos basicamente de Receitas Financeiras (juros. a Receita Bruta tem diferentes composições. para fins de aplicação do Simples Nacional.Capítulo 1 Fundamentos da Gestão Financeira 1. no Brasil. a receita bruta é o total de receitas contabilizadas. 1990). Nas empresas privadas a receita normalmente corresponde ao produto de venda de bens ou serviços – aqui denominado faturamento – classificando-se em operacionais e não-operacionais (SÁ. 23 . aluguéis. independentemente de originária do faturamento. para a contabilidade.

ITR . 1983). Impostos podem ser pagos em moeda (dinheiro) ou em mercadorias.Imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza. os tributos somente são aceitos em forma de dinheiro. 1990).00 Da Receita Líquida.Imposto sobre a exportação de produtos nacionais ou nacionalizados. IPI .000. São exemplos de impostos: Impostos federais II .Imposto sobre Operações de Crédito.000.00 1.00 R$ 10. No Brasil.000. embora o pagamento em mercadorias nem sempre seja permitido ou classificado como imposto em todos os sistemas tributários. IR .00 R$ 31. podem ser feitas ainda as seguintes deduções: (=) Receita Líquida (-) Custos (=) Lucro bruto (-) Despesas (=) Lucro líquido R$ 35.000.6 Impostos Imposto é uma contribuição percentual paga obrigatoriamente por pessoas ou organizações para um governo. a receita líquida é representada pela receita bruta com deduções.00 R$ 21.00 R$ 4. É uma forma de tributo que tem como principal finalidade.500. IE . IOF .Imposto Territorial Rural. Esses tributos podem incidir sobre renda ou patrimônio.000. 24 .000.Gestão Financeira e Custos FURB / SAPIENCE Para a contabilidade.2.00 R$ 1.000.00 R$ 8. Renda diz respeito ao valor recebido pelo trabalho de indivíduos ou de organizações e patrimônio são os bens de posse que têm valor como imóveis e veículos (SMITH.Imposto sobre Produtos Industrializados.00 R$ 35.Imposto sobre a importação de produtos estrangeiros. como no exemplo a seguir: Receita bruta de Vendas (-) Devoluções de Vendas (-) Descontos Comerciais (-) Impostos (=) Receita Líquida R$ 50. Câmbio e Seguro ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários.500.000. a partir de uma base de cálculo e de um fato gerador.00 R$ 5. custear o Estado (SÁ.

Imposto sobre operações relativas à Circulação de Mercadorias e prestação de Serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação. uma pessoa ou um governo. Sob a visão contábil. ITBI .Impostos sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISSQN). 1. A Contabilidade gerencial incorpora esses e outros conceitos econômicos para fins de elaborar relatórios de custos de uso da administração da empresa (LEONI. no orçamento empresarial. vamos discorrer acerca do tema custos.2. ITCMD . a seguir. Impostos municipais IPTU . durante o processo de fabricação. os custos são medidas monetárias derivadas da aplicação de bens e serviços na produção de outros bens e serviços.Imposto sobre Transmissão inter vivos de Bens e Imóveis e de direitos reais a eles relativos. que uma empresa pode aproveitar para dar origem a um bem.Capítulo 1 Fundamentos da Gestão Financeira Impostos estaduais ICMS . que será mais amplamente abordado no terceiro capítulo de nosso estudo.Imposto sobre a Propriedade predial e Territorial Urbana. Assim. São quantidades armazenadas ou em processo de produção.2. 1.Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA). de produtos acabados ou em processos de fabricação gera outro custo para as organizações.7 Custos Os custos são medidas monetárias dos dispêndios financeiros com os quais uma organização. utilizados na obtenção de outros bens ou serviços. Outro importante item acerca dos custos das mercadorias é a relação que a empresa tem com sua gerência de estoques. Tanto os impostos pagos quanto os substituídos. IPVA . Não adentraremos mais no tema custos porque este será tema do capítulo 3. sendo considerados como objetivos a utilização de um produto ou serviço qualquer. que será tratado a seguir.Imposto sobre Transmissões Causa Mortis e Doações de Qualquer Bem ou Direito. ISSQN . A armazenagem de matéria prima. são computados como custos e agregados assim ao valor do produto ou serviço produzido. 1996). com a o objetivo de criar uma 25 . precisa arcar para atingir seus objetivos.8 Estoques Estoques são recursos disponíveis em um determinado momento.

1989). de modo a suportar o seu desenvolvimento e sobrevivência. 1989). Compra-Produção.Gestão Financeira e Custos FURB / SAPIENCE independência entre os vários estágios da cadeia produtiva. pode-se dizer que os estoques servem de reguladores. assim como na vida quotidiana das pessoas. 1996). Já nos custos fixos. possibilitando também adquirir a baixos preços para se revender quando os preços são elevados. Quando existe a compreensão que os estoques geram desperdícios e quando se identificam as razões que indicam a necessidade de estoques. manutenção dos estoques. A gestão de estoques é um conceito que está presente em todo tipo de empresa. materiais operacionais e instalações. em relação aos custos associados à gestão de estoques. Produção-Distribuição) (LUBBEN. o propósito é usá-las de uma forma eficiente (LUBBEN. Desde o início da sua história que a humanidade tem usado estoques de variados recursos. Custos de manutenção de estoques são custos proporcionais à quantidade armazenada e ao tempo que ela fica em estoque. Um dos custos mais importante é o custo de oportunidade do capital. porém níveis baixos de estoque podem originar perdas de economias e custos elevados devido à falta de produtos. Uma visão comum é considerar o custo de manutenção de estoque de um produto como uma pequena parte do seu valor unitário (LEONI. (Compra-Venda. 1989). A tarefa de encontrar o ponto ideal de estoques (também determinado ponto de equilíbrio) é bastante árdua (LUBBEN. obsolescência e deterioração e custos de perdas. 26 . mesmo sendo essa procura mais ou menos constante. O armazenamento de materiais compreende dois tipos de custos: fixos e variáveis. Nos custos variáveis podemos considerar os custos de operação e manutenção dos equipamentos. equipamentos de armazenagem e manutenção. 1989). benefícios a funcionários e folha de pagamentos e utilização do imóvel e mobiliário (LEONI. Ou seja. o que vai significar uma perda de espaço físico e perdas de investimento. Custos de pedido e Custos de falta. estes podem ser separados em três áreas principais: Custos de manutenção de estoques. o excesso de estoques representa custos operacionais e de oportunidade do capital empatado. No meio empresarial. devido ao fato das operações entre entregas e utilizações se efetuarem em tempos diferentes. e evitam o desconforto devido a entregas e aquisições com elevada freqüência. Para Leoni (1996). seguros. Quando a empresa detém estoques desnecessários. pois representa a perda de receitas por ter o capital investido em estoques e não tê-lo investido em outra atividade econômica. Uma das vantagens dos estoques é o fato de poderem ser usados para enfrentar uma situação de privação do que é necessário podendo enfrentar variações ou balanços da procura. entre esses dois processos (LUBBEN. tais como ferramentas e alimentos (LUBBEN. ocorre um desaproveitamento de estoque. 1996). 1989).

Fora do ciclo produtivo de uma empresa. operacional e de produtos acabados. 1989). 1989). receber essa mesma encomenda e a inspeção. São formados por materiais ou produtos em condições de serem vendidos (LUBBEN. E como suporte à operação da empresa. Usualmente são materiais que se encontram em depósitos próprios para expedição. os estoques recebem diferentes denominações. 1996). tais como. Esses custos ocorrem com o pagamento de multas contratuais. substituição ou reparos tais como componentes ou peças sobressalentes. Os estoques de segurança evitam que ocorram problemas inesperados em alguma fase produtiva interrompendo as atividades sucessivas de atendimento da demanda. impressos. papel. que são as quantidades guardadas para assegurar o andamento do processo produtivo caso ocorram aumento na demanda do item por parte do processo ou atraso no abastecimento futuro (LUBBEN. O estoque operacional é um tipo de estoque criado para evitar possíveis interrupções na produção por defeito ou danos de algum equipamento. etc. perda de market share. temos também estoque de materiais administrativos. 27 . Custos de falta são custos derivados de quando não existe estoque suficiente para atender a procura dos clientes em um dado período de tempo.Capítulo 1 Fundamentos da Gestão Financeira Custo de pedido são custos referentes a uma nova encomenda. podemos ter: estoque de produtos em processo. formulários. No estoque de matéria-prima e materiais auxiliares encontramos materiais secundários. que é formado de materiais destinados ao desenvolvimento das atividades da empresa e utilizados nas áreas administrativas da mesma. que é composto pelo produto que teve seu processo de fabricação finalizado. São usualmente compostos por materiais brutos destinados à transformação. E por fim. Os custos fixos associados a um pedido são o envio da encomenda. como componentes que iram integrar o produto final. existem diversas classificações dos estoques. que se encontram nas várias fases de produção. podemos também ter um estoque de segurança. 1989). alimentando as máquinas subseqüentes durante o reparo. perdas de venda. Em empresas comerciais é chamado de estoque de mercadorias. O estoque de produtos em processo baseia-se essencialmente em todos os artigos solicitados. É constituído por lubrificantes ou quaisquer materiais destinados à manutenção. podendo esses custos ser tanto variáveis como fixos. Do ponto de vista do processo produtivo em uma empresa industrial. e ativação de planos de contingência (LEONI. deterioração de imagem da empresa. de matéria-prima e materiais auxiliares. o estoque de produtos acabados. A existência de estoques de segurança em uma fábrica evita que o processo produtivo pare em caso de uma avaria. necessários à fabricação ou á montagem do produto final. Para Lubben (1989). De acordo com a natureza dos produtos fabricados e da atividade da empresa. São ainda utilizados para prevenir uma empresa de incertezas nas suas operações logísticas (LUBBEN. O exemplo principal de custo variável é o preço por unidade de compra dos artigos encomendados (LEONI. 1996).

pois a Média nos dá um custo mediano. Com isso precisamos controlar diversos lotes com saldos no qual usamos parcialmente os custos (GARCIA. Em seguida. um lucro mediano e um estoque mediano. mas não é recomendada para se usar na formação dos preços de vendas (GARCIA. abandona-se este e começa-se a usar o último mais recente. Uma delas é que precisamos controlar vários lotes para identificarmos sempre o custo do mais antigo. UEPS (último a entrar. Existem várias desvantagens nessa metodologia. Para a contabilidade de custos não existe outra saída. 2006). sendo eles: PEPS (primeiro a entrar. 2006). partimos para o segundo lote mais antigo e assim sucessivamente (GARCIA. fazendo com que a empresa pague mais impostos e mais dividendos (GARCIA. Nesse caso o PEPS provocará um estoque com valor mais alto e um custo mais baixo. A Média é a técnica indicada para a elaboração dos cálculos de custos pela contabilidade.Gestão Financeira e Custos FURB / SAPIENCE Quanto aos critérios de avaliação de estoques. primeiro a sair). podemos considerar três critérios usualmente utilizados. O UEPS possui também suas desvantagens em relação ao PEPS. formando assim um lucro maior. 28 . Preço médio ponderado. 2006). primeiro a sair). UEPS Já o UEPS funciona de forma muito parecida com o PEPS. usamos o custo do lote mais antigo quando ocorre venda da mercadoria até que se esgotem as quantidades desse estoque. 2006). apenas que utilizamos o preço do último lote comprado para custearmos as vendas (GARCIA. inclusive no Brasil é obrigatório também o custeio por absorção real onde todos os custos contábeis são agregados e rateados na produção do mês (GARCIA. 2006). pois custo médio será sempre a divisão do saldo financeiro pelo saldo físico. PEPS No método PEPS. Preço médio ponderado Essa técnica é muito fácil de ser usada. pois mesmo que não se acabe de usar todo um lote. 2006).

em uma mesma situação.Capítulo 1 Fundamentos da Gestão Financeira Observe a aplicação dos três métodos citados. TABELA 3 .PEPS FONTE: Os autores TABELA 5 .Situação hipotética FONTE: Os autores TABELA 4 .UEPS FONTE: Os autores 29 .

utilização e armazenagem de modo a responder com regularidade aos clientes em relação a preços. A programação e planejamento são as atividades relativas à definição dos modelos necessários para a utilização de técnicas estatísticas. reduções no montante estocado se traduz na liberação de grande volume do capital necessário ao andamento do negócio como um todo (LUBBEN. Assim. e que faz com que algumas decisões sejam tomadas em função de uma série de parâmetros anteriormente estabelecidos (GARCIA. que vão desde a programação e planejamento das necessidades de materiais em estoque. 1989). Veja a seguir. aplicáveis às previsões de necessidades e à gestão de estoques da empresa. movimentação. A boa administração dos estoques é de vital importância para a saúde financeira das empresas. 2006). sendo considerada como uma questão não estratégica e limitada à tomada de decisões em níveis organizacionais mais baixos. uma vez que grande parte do capital das empresas está nos materiais envolvidos na produção. O controle é a etapa executiva responsável pela atualização e coleta dos dados de movimentação que voltam a alimentar o processo de administração de estoques. Algumas empresas já perceberam como a gestão de estoques pode ser utilizada ao longo de toda a cadeia de suprimentos da qual fazem parte. 1989). até ao controle das quantidades adquiridas. Como vimos. estoques são custos. freqüentemente a gestão de estoques é negligenciada em muitas empresas. sendo comum representarem 50% de todo o seu capital. Abrange uma série de atividades. para medir a sua localização.MÉDIA FONTE: Os autores A gestão de estoques é o principal critério de avaliação de eficiência do sistema de administração de materiais. 30 . e de todas as vantagens competitivas que isso pode vir a trazer.Gestão Financeira e Custos FURB / SAPIENCE TABELA 6 . 1989). dentro de uma produção e programação de vendas antecipadamente estabelecidas. extensão e complexidade. Apesar da sua importância. porém custos e despesas não são sinônimos. desfrutando assim destas vantagens (LUBBEN. quantidades. e prazos (LUBBEN.

31 . certamente você está habilitado a partir para o próximo passo de nosso estudo: As demonstrações financeiras. despesa não é igual a custo. despesa é o dispêndio necessário para a obtenção de receita. comissões de vendedores. aquisição de matériasprimas. administrativas e financeiras. logo abaixo do lucro líquido operacional. Elas ainda são classificadas em fixas e variáveis. No comércio.3 DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS Vamos perceber nesse item que demonstrações financeiras são representações estruturadas da posição financeira e do desempenho financeiro de uma determinada organização. Atenção: Custos diferente Despesas Custo é o gasto aplicado à produção de um bem. propaganda. etc. as despesas de entidades privadas e com fins lucrativos aparecem na Demonstração do Resultado do Exercício (DRE). enquanto que as variáveis são aquelas cujo valor a ser pago está diretamente relacionado ao valor vendido (SÁ. Estão sempre relacionadas aos valores gastos com a estrutura administrativa e comercial da empresa tais como aluguel. telefone. insumos e mão-de-obra.2. material de escritório. salários e encargos. ou do valor das vendas. aquisição de mercadorias. Na indústria. No Brasil.9 Despesas Para a contabilidade. as quais constituem os grupos de despesas com vendas.Capítulo 1 Fundamentos da Gestão Financeira 1. impostos. As despesas são gastos que não se identificam com o processo de transformação ou produção de bens e produtos. daquela demonstração. mostrando os resultados obtidos em determinados períodos.5. conforme as normas brasileiras de contabilidade. enquanto que despesa diz respeito aos gastos com a manutenção das atividades da entidade. dentre outros. 1. uma vez que este último. sendo as fixas aquelas cujo valor a ser pago não depende do volume. Os seus objetivos se concentram em propiciar informações que orientem as tomadas de decisão. Despesas são os gastos usados para a obtenção de receitas não relacionadas diretamente no produto: aluguel.2. comissões. telefone. e também no grupo despesas não-operacionais. As empresas sem fins lucrativos lançam as despesas na demonstração do déficit/ superávit do exercício. propaganda. como você identificará no item 1. É importante salientar que. Com base do que já vimos até o momento. é relacionado com o processo produtivo de bens ou serviços. contabilmente. 1990).

br/ccivil_03/ _Ato2007-2010/2007/Lei/L11638. Disponível em: <http://www. de 15 de dezembro de 1976. lucro apurado em coligadas e controladas pela equivalência patrimonial (-) Despesas não operacionais Custo dos Permanentes Vendidos.1 Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) é uma demonstração contábil dinâmica que tem por objetivo evidenciar a formação do resultado líquido em um exercício.htm>. Acesso em: 28 ago 2008.3. Acesso em: 28 ago 2008. por meio do confronto das receitas.htm>.Estrutura da DRE FONTE: BRASIL. Ganhos em participações societárias. A DRE é estruturada da seguinte forma: Faturamento Bruto (-) IPI Faturado = Receita Operacional Bruta (Venda Bruta) Vendas de Mercadorias.Gestão Financeira e Custos FURB / SAPIENCE 1. 32 . prejuízo apurado em coligadas e controladas. apuradas segundo o princípio contábil do regime de competência (SÁ. Alterada pela Lei 11. Produtos ou Prestação de Serviços (-) Deduções e abatimentos Devoluções de vendas Descontos e abatimentos comerciais Vendas anuladas e canceladas Impostos sobre vendas = Receita Operacional Líquida (-) Custos das Mercadorias. provisão para perdas prováveis em investimentos = Resultado do Exercício antes da Contribuição Social (-) Provisão para Contribuição Social = Resultado do Exercício antes do Imposto de Renda (não é necessariamente a base para o IR) (-) Provisão para o Imposto de Renda = Resultado do Exercício após o Imposto de Renda (-) Participações Debêntures Empregados Administradores Partes beneficiárias Contribuições para instituições ou Fundo de Assistência ou Previdência dos Empregados = Resultado Líquido do Exercício Lucro ou Prejuízo por Ação do Capital FIGURA 1 . 1990).404. Disponível em: <http://www. Dividendos recebidos. Dispõe sobre as sociedades por ações.gov. 6. custos e despesas.planalto. Lei n.br/ccivil_03/LEIS/ L6404consol.gov.638/07 de 28 de dezembro de 2007.planalto. Produtos ou Serviços Vendidos = Lucro Operacional Bruto (-) Despesas Operacionais Despesas com vendas / comerciais Despesas administrativas Encargos financeiros Outras despesas operacionais + Outras Receitas Operacionais Receitas de aluguéis. reversões de provisões (=) Resultado Operacional Líquido + Receitas Não Operacionais Vendas de permanentes.

denomina-se 33 . Embora sejam elaboradas anualmente para fins legais de divulgação. 2000). Observe abaixo o que ocorre com as informações nessa ferramenta de demonstração financeira. Observe um exemplo com números.Exemplo de DRE FONTE: Os autores A DRE está intimamente ligada ao Balanço Patrimonial.3. Mas em vez de se denominar balança. normalmente são feitas mensalmente para fins administrativos e trimestralmente para fins fiscais (HELFERT.Capítulo 1 Fundamentos da Gestão Financeira A demonstração do resultado do exercício oferece um resumo financeiro dos resultados operacionais e não operacionais de uma empresa em certo período. 1. TABELA 7 . porém dá posicionamentos diferentes de um mesmo período.2 Balanço Patrimonial Partimos da idéia de uma balança de dois pratos. onde sempre encontramos a igualdade.

no Balanço Patrimonial. o conjunto de bens. Já o termo patrimonial tem origem no patrimônio da empresa. ou igualdade patrimonial. representando uma posição estática (situação do patrimônio em determinada data) (SÁ. conforme a 34 . numerário em caixa. contas a receber. à amortização. São ativos que podem ser considerados como circulantes: dinheiro em caixa. à exaustão e à provisão para créditos de liquidação duvidosa e outras provisões aparecerão. mercadorias. que evidencia a situação patrimonial da empresa em determinada data (PADOVEZE.com. 2004). direitos e obrigações. deduzidas das respectivas depreciações. equilíbrio do patrimônio.br/momento/quero-abrir-um-negocio/ planeje-sua-empresa/administracao/1114/BIA_1114/integra_bia O Balanço apresenta os Ativos (bens e direitos) e Passivos (obrigações) e o Patrimônio Líquido. estoques. É a demonstração contábil que evidencia. depósito bancário. resumidamente. 1990). As contas do Ativo sujeitas à depreciação. ou seja. Juntando os dois conceitos temos o balanço patrimonial. quantitativa e qualitativamente (PADOVEZE. amortizações. Confira mais no site do SEBRAE acessando o link abaixo: http://www. financeira e economica de uma empresa em determinada data. 2004). o patrimônio da empresa.Gestão Financeira e Custos FURB / SAPIENCE balanço.sebrae. conta movimento em banco. O balanço é uma demonstração contábil que tem por finalidade apresentar a posição contábil. exaustões ou provisões para créditos de liquidação duvidosa e outras provisões (PADOVEZE. Atenção Na contabilidade. aplicações financeiras. O ativo circulante é aquele que irá se cumprir até o exercício social seguinte e é equivalente ao capital de giro. O Capital de giro ou Capital Circulante Líquido é a diferença do Ativo Circulante do Passivo Circulante. que é resultante da diferença entre o total de ativos e passivos. 2004). Saiba Mais A palavra balanço vem do equilíbrio ou da igualdade expresso nas seguintes fórmulas contábeis: Ativo = Passivo + Patrimônio Líquido Aplicações = Origens. 2004). despesas antecipadas. o ativo circulante é uma referência aos bens e direitos que podem ser convertidos em dinheiro em curto prazo. matérias-primas e títulos (PADOVEZE.

férias. Trata-se das obrigações com terceiros. impostos a recolher. empréstimos bancários com vencimento nos próximos 360 dias.Capítulo 1 Fundamentos da Gestão Financeira terminologia do DOAR ( Demonstração de origens e aplicações de recursos) dada pela Lei Federal Brasileira 6. Exemplos: impostos a recuperar. a DOAR foi substituida pelo DFC (Demonstração de Fluxo de Caixa) de 2007. que é o valor contábil devido pela pessoa jurídica aos sócios ou acionistas. notas promissórias a pagar. 1990). No balanço patrimonial.000. Passivo circulante são as obrigações que normalmente são pagas dentro de um ano tais como contas a pagar. 2004). acionistas ou participantes no lucro da companhia. como duplicatas a pagar. 13° salário. diretores. E a partir de janeiro de 2008. tais como financiamentos e títulos a pagar. dentre outros (PADOVEZE. baseado no princípio da entidade (SÁ. devem ser classificados no realizável a longo prazo). empréstimos a sócios ou diretores (direitos a receber que. um patrimônio líquido superior a R$ 1. provisões para despesas incorridas. Esta era obrigatória para as companhias de capital aberto e para as de capital fechado que apresentassem na data do balanço patrimonial. A DOAR indica as modificações na posição financeira da companhia. Tal fato ocorre por que a empresa não vai acionar seu diretor se este não pagar na data combinada.000. a diferença entre o valor dos ativos e dos passivos e resultado de exercícios futuros representa o Patrimônio Líquido (PL).457/97). contratos de mútuo valor. contas a pagar. ainda não pagas. Patrimônio líquido representa os valores que os sócios ou acionistas têm na empresa em um determinado momento. que terão seu vencimento 360 dias após a data da publicação do balanço de que fazem parte (SÁ. títulos a pagar. 2004).00 (atualizado pela Lei no 9. A seguir temos um modelo mais completo de Balanço Patrimonial: 35 .404/76. Ativo realizável a longo prazo é representado por um conjunto de bens e direitos que irão realizar-se após 360 dias da data da publicação do balanço a que faz parte. adiantamentos ou empréstimos a sociedades coligadas ou controladas. contribuições a recolher e outras. dentre outros. fornecedores. geradas. que não constituírem negócios usuais na exploração do objeto da companhia (PADOVEZE. mesmo pressuponto recebimento a curto prazo. Entram também no ativo realizável a longo prazo os direitos realizáveis após o término do exercício seguinte. 1990). assim como os derivados de vendas. porém reconhecidas pela empresa tais como imposto de renda. dívidas com fornecedores de mercadorias ou matérias-prima. impostos a recolher. São considerados exemplos de passivo circulante: Fornecedores (duplicatas a pagar) Empréstimos bancários Títulos a pagar Encargos sociais a pagar Salários a pagar Impostos a pagar Passivo exigível a longo prazo são as dívidas de uma empresa que serão liquidadas com prazo superior a um ano.

Gestão Financeira e Custos FURB / SAPIENCE QUADRO 3 .Estrutura do Balanço Patrimonial FONTE: Os autores 36 .

Capítulo 1 Fundamentos da Gestão Financeira Observe como se comportam os números aplicados ao modelo exposto: TABELA 8 .Exemplo de Balanço Patrimonial FONTE: Os autores 37 .

Para Pensar O fluxo de caixa pode ser utilizado também por pessoas físicas que tenham interesse em uma organização financeira pessoal mais eficiente? O fluxo de caixa poderá ser elaborado com relativa precisão e ter em vista várias finalidades.Gestão Financeira e Custos FURB / SAPIENCE Visto a Demonstração do Resultado do Exercício e a Balanço Patrimonial. nos resta o fluxo de caixa.4 Fluxo de Caixa O fluxo de caixa é uma ferramenta desenvolvida para a execução do planejamento e do controle financeiro a curto. Trata-se de uma ótima ferramenta para auxiliar o administrador de determinada empresa nas tomadas de decisões. mas também. médio e longo prazo da Empresa. o fluxo de caixa serve como um ponto de referência em relação a qual os valores realizados podem ser comparados (CAVALHEIRO. Observe o modelo de fluxo de caixa que é apresentado a seguir. A principal será indicar as necessidades de dinheiro para atendimento dos compromissos que a empresa costuma ter com prazos certos para serem saldados. 1. permitindose desta forma um controle efetivo sobre determinadas questões empresariais (DAMODARAN. Estas defasagens podem informar que os programas da empresa tornaram-se irreais em vista da ocorrência de acontecimentos imprevistos e incontroláveis (DAMODARAN. mostrando que deverão ser tomadas medidas corretivas e/ou saneadoras. Além disso. O fluxo não é nada mais que um plano escrito. Defasagens significativas podem indicar que os programas da empresa não estão correndo segundo o planejado. Ele não indica apenas o total de dinheiro em caixa necessário para a manutenção das operações da empresa. que trata-se de outra ferramenta de demonstração financeira.3. o período em que serão obtidos e/ou desembolsados. 38 . Veja a seguir. 1997). expresso em termos de unidades monetárias. É através deste demonstrativo que os custos fixos e variáveis são evidenciados. 1989). 1997).

as principais vantagens do uso de um fluxo de caixa são: demonstrar ao gestor financeiro o momento exato para as retiradas de caixa. sem acarretar problemas financeiros para a empresa. Inclusive. 39 . Pessoas físicas que tenham interesse em uma organização financeira pessoal mais eficiente podem fazer uso dessas técnicas.Capítulo 1 Fundamentos da Gestão Financeira TABELA 9 .Modelo de Fluxo de Caixa FONTE: Os autores Vantagens do Fluxo de Caixa O fluxo de caixa também pode ser uma ferramenta de uso pessoal. propiciar ao gestor financeiro meios de pôr em funcionamento suas disponibilidades de caixa de maneira racional e lucrativa. sem comprometer a liquidez da empresa. existem hoje no mercado diferentes tipos de ferramentas que têm por objetivo facilitar a confecção do fluxo de caixa pessoal. Segundo Damodaran (1997).

que tem como preocupação principal a análise das decisões que afetam os ativos e passivos circulantes. A projeção do fluxo de caixa consiste em uma importante e fiel ferramenta para se apurar o lucro real obtido no período e a falta deste. haverá sempre a necessidade de comparar os resultados apurados com os projetados pela empresa. Ainda segundo o mesmo autor. as instabilidades do mercado poderão prejudicar o desempenho do fluxo de caixa da empresa.4 CAPITAL DE GIRO Agora vamos começar a tratar das finanças a curto prazo. que deve ser suprido pelo capital de giro. observa-se que. permitir a escolha de alternativas mais eficazes para suprir eventuais faltas de saldo de caixa. a expressão capital de giro é associada à tomada de decisões financeiras a curto prazo. em termos. antecipando ao gestor financeiro a atitude. assim como descrito no próximo item. em função das variações nas atividades econômicofinanceiras para o período projetado. 40 . as principais desvantagens do uso de um fluxo de caixa são: quanto ao planejamento . visando o melhor planejamento de ingressos e de desembolsos de caixas futuros. auxiliar na verificação dos períodos em que a empresa terá excedentes de caixa.Gestão Financeira e Custos FURB / SAPIENCE projetar as necessidades financeiras futuras.os erros cometidos pelo gestor financeiro vinculam-se às estimativas do fluxo de caixa que. 1. Nesse contexto. permitindo que se busquem alternativas de suprimento de caixa mais rápidas e em tempo hábil quando se fizer necessário. através da utilização do fluxo de caixa. com certa freqüência. dependem da exatidão das projeções de vendas que lhe servirão de base para todo o sistema orçamentário global. visto que o fluxo estabelece os objetivos e as metas a atingir pela empresa. por sua vez. poderá haver um imediatismo por parte do gestor financeiro ou de algumas pessoas na obtenção dos resultados. apresentará restrições por parte de alguns grupos da empresa quanto a mudanças de planejamento e de controles orçamentários. estimar os valores dos saldos de caixa e os períodos em que eles irão ocorrer. destacar os pontos negativos e os pontos positivos. das medidas cabíveis para cada situação projetada para a empresa.

o curto prazo é delimitado por um período igual ao de um exercício social.htm Uma boa parte dos fundos de uma empresa destina-se ao que chamamos de capital de giro. pagamentos à vista ou descontos na venda de produtos acabados. produção em andamento e produtos acabados).404/76. as decisões financeiras tipicamente de curto prazo envolvem entradas e saídas de caixa que ocorrem no prazo de um ano ou menos.Capítulo 1 Fundamentos da Gestão Financeira Saiba Mais De acordo com a Lei das S/A's (Lei 6. estes ativos compreendem os saldos mantidos pela empresa nas contas disponibilidades. A soma destes saldos. 1. ativos circulantes ou ativos correntes. mercadorias para venda. foi publicada a Lei 11. Vamos determinar. Em geral. Confira acessando o site abaixo: http://www010. contas a receber e estoques (matérias primas. representa o montante investido pela empresa nestes itens.gov. Atenção O capital de giro precisa ser monitorado constantemente.4.404 de 15/12/1976. 1990).1 Necessidade de Capital de Giro Capital de giro é o conjunto de valores necessários para a empresa fazer seus negócios acontecerem. investimentos temporários.638/07 que altera a Lei 6. 41 . Confira as mudanças no site abaixo: http://www.htm Obs: Em 28 de dezembro de 2007. a seguir. Além de sua participação sobre o total dos ativos da empresa. o capital de giro exige um esforço para ser administrado pelo gestor financeiro maior do que aquele requerido pelo capital fixo (SÁ. em seus artigos 179 e 180). como se apura a necessidade de levantar ou aprovisionar recursos para o capital de giro nas finanças das empresas.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2007/Lei/ L11638.planalto. As dificuldades relativas ao capital de giro numa empresa são originadas pela ocorrência dos seguintes fatores: Redução das vendas. Crescimento da inadimplência. em qualquer momento. boa parte do total dos ativos de uma empresa são destinados a este capital.gov. Aumento dos custos. pois sofre o impacto das diversas mudanças econômicas enfrentadas pela empresa.dataprev.br/sislex/paginas/42/1976/6404. Na prática. Em geral. tais como encomendas de matéria prima. Aumento das despesas financeiras. que normalmente é de um ano.

Dessa forma. envolvendo o encurtamento dos prazos de estocagem.Contas a Pagar.2 Saldo de Tesouraria Tesouraria é o setor de uma organização encarregado da contabilidade e do armazenamento do dinheiro .4. a redução do ciclo de caixa requer a adoção de medidas de natureza operacional. levando as organizações a buscar soluções para esse fechamento. Trata-se de uma situação bastante saudável e confortável.4. ou até mesmo financiar um prazo maior aos clientes. Porém. da seguinte forma: T = CDG – NCG Ou seja. observa-se a evidência de que não há dinheiro suficiente para o cumprimento das obrigações. pode-se determinar a necessidade de capital de giro da seguinte forma: NCG = Contas a Receber + Estoque . que comumente se dá em buscar dinheiro no mercado financeiro. é muito importante a conciliação do fluxo de caixa. A esta situação. ao invés de necessitar de recursos para fechar seu período. está com recursos extras. significa receber mais cedo e pagar mais tarde . dá-se o nome de saldo de tesouraria. 1990). visto anteriormente. Quando negativo. a necessidade de capital de giro é maior e vice-versa. para determinarmos também os períodos em que será necessário cada montante do capital de giro apurado como necessário.em resumo. operação e vendas. Assim. além do necessário.Gestão Financeira e Custos FURB / SAPIENCE A necessidade de capital de giro surge em função do ciclo financeiro da empresa (que será explicado no item 1. trata-se da diferença entre o valor que se tem em caixa e o valor que é necessário para saldar as obrigações no período. Através do saldo das contas no Balanço Patrimonial. que pode ser investido na produção.3) possibilita mais facilmente prever a necessidade de capital de giro em função de uma alteração nas políticas de prazos médios ou no volume de vendas.caixa (SÁ. a redução do ciclo de caixa . 1.3).4. podemos determinar o valor necessário para que as operações financeiras da empresa mantenham-se com um status de saudável.deve ser uma meta da administração financeira. Você também pode determinar pelo valor residual decorrente da diferença entre o Capital de Giro e a necessidade de capital de giro. produção. nos resta crer que esta organização. O saldo de tesouraria é obtido pela diferença entre o ativo financeiro e o passivo financeiro: T = Ativo Financeiro – Passivo Financeiro. Entretanto. através de empréstimos ou venda de capital. Quando o ciclo financeiro é longo. Um saldo positivo de tesouraria representa uma reserva financeira da empresa para fazer frente a eventuais expansões da necessidade de 42 . Se não obtivermos o valor necessário para o capital de giro. O cálculo através do ciclo financeiro (desenvolvido no item 1. algum ativo financeiro. Quando positivo é sinal que existe dinheiro sobrando no caixa.

dentro de um ciclo de operações. principalmente aquelas de natureza sazonal.Capítulo 1 Fundamentos da Gestão Financeira investimento operacional em giro.3 Ciclo Operacional e Ciclo Financeiro Podemos dizer que os ativos correntes constituem o capital de empresa que circula até transformar-se novamente em dinheiro. Os investimentos que ela faz. 1. Vendas à vista Caixa >>>>> Compra de Matéria Prima Estoque de Matéria Prima >>>>> Estoque de Produtos Acabados >>>>> Vendas à prazo Duplicatas a Receber Produção FIGURA 2 . principalmente quando se considera que uma empresa certamente terá vários ciclos em andamento. A figura abaixo representa graficamente o ciclo operacional de uma empresa. Nota-se assim que o curto prazo. podem ser visualizadas nos ciclos empresariais: operacional e financeiro. dependem da natureza das operações às quais a empresa se dedica e das peculiaridades do setor em que ela atua. até o recebimento correspondente à venda do produto ou serviço (MATIAS.Ciclo Operacional FONTE: Os autores Observe que existe certa dificuldade em visualizar uma empresa real em funcionamento e examinar o processo pelo qual as etapas são vencidas nesse ciclo. e se resume ao tempo exigido para que uma aplicação de dinheiro em insumos variáveis gire inteiramente. A condição fundamental para que a empresa esteja em equilíbrio financeiro é que seu saldo de tesouraria seja positivo. desde a compra de matéria prima e o pagamento de funcionários. 2007). na verdade varia conforme a natureza das operações da empresa. Veja a seguir do que se trata. Atenção As empresas mantêm capital de giro para sustentar um dado volume de operações. em cada item. como duração desse ciclo de operações.4. simultaneamente e em etapas distintas a cada momento. 43 . Tanto situações de necessidade de capital de giro quanto em que ocorrem saldo de tesouraria.

Houve então um desembolso de R$100. Denominamos este período de Ciclo Operacional.Gestão Financeira e Custos FURB / SAPIENCE Vamos distinguir o Ciclo Operacional do Ciclo Financeiro (ou de caixa). Assim: Ciclo Operacional = 60 dias + 45 dias = 105 dias. Suponha o seguinte exemplo: num certo dia (data zero) você adquire mercadorias no valor de R$ 100. 44 .000. no entanto. Note que nada se pagou pelo estoque até 30 dias após a compra. O seja. denominado de Prazo de estocagem. representando o número de dias transcorridos desde o pagamento do estoque até o recebimento da venda. representado por 60 dias no exemplo acima. representado por 45 dias no caso do exemplo. Desta forma. o ciclo operacional é o período que vai desde a compra da mercadoria até seu recebimento.00 para pagamento num prazo de 45 dias. estes eventos podem ser resumidos conforme quadro a seguir: TABELA 10 .000. não houve qualquer recebimento até o dia 105.000.000. denominado de Período de Contas a Receber. Observe ainda que este ciclo possui dois componentes distintos. temos: Ciclo Operacional = Prazo de Estocagem + Prazo de Recebimento de Vendas Onde.00 no dia 30 e. A primeira parte é o tempo que leva para comprar e vender a mercadoria.00 (R$ 100. e Prazo de Recebimento de Vendas é determinado pelo intervalo entre a venda da mercadoria e o recebimento da venda.00 por 75 dias (105 – 30). Após 60 dias desta compra. você vende estas mercadorias por R$ 120. A este período denominamos Ciclo Financeiro. A segunda parte é o tempo necessário para receber a venda.00) Caixa FONTE: Os autores A primeira observação pertinente é que o ciclo completo.000. período de Estocagem representa o período entre a compra e a venda da mercadoria. Cronologicamente. o que evidencia a necessidade de financiamento dos R$100. A este prazo denominamos Prazo de Contas a Pagar: período entre o recebimento do estoque e seu pagamento.000. desde o momento da compra até o recebimento de caixa levou 105 dias.Cronologia de Eventos Dia 0 30 60 105 Evento Compra de Mercadorias Pagamento da Compra Venda da Mercadoria a prazo Recebimento da venda R$ 140.00 a serem pagos em 30 dias. Outra observação pertinente sobre o exemplo é que os fluxos de caixa e os outros eventos não estão sincronizados.

quando se observa a defasagem entre as entradas e as saídas de caixa. desempenhando uma série de tarefas relacionadas à movimentação de valores. apropriando receitas e despesas ao período de sua realização. entendemos que a primeira tem como visão o fluxo de caixa.Capítulo 1 Fundamentos da Gestão Financeira Com base nestas definições. ao passo que a contabilidade tem suas atenções voltadas ao regime de competência. Alteração no Prazo de Estocagem. representado pelas seqüências de pagamentos ou recebimentos. Alteração no Prazo de Contas a Pagar. Apesar de a administração financeira ter. amortizando (eliminação de uma dívida por meio de pagamentos 45 . Neste capítulo. mostrando a linha de tempo do fluxo de caixa.Ciclo Operacional FONTE: Os autores A necessidade de uma administração financeira a curto prazo fica evidente nesta figura. A gestão dessa defasagem entre entradas e saídas de caixa a curto prazo passa por opções gerenciais. os administradores financeiros administram as finanças de todos os tipos de empresas. FIGURA 3 . como vimos. cuja diferença gera o Ciclo Financeiro. aprendemos que: Finanças podem ter seu conceito representado pela técnica ou ciência de administrar fundos. independentemente da ocorrência ou não dos recebimentos das receitas ou dos pagamentos das despesas. Nesse contexto. temos então que o Ciclo Financeiro que pode ser calculado como a diferença entre o Ciclo Operacional e o Prazo de Contas a Pagar Ciclo de Caixa = Ciclo operacional – Prazo de contas a pagar A figura a seguir representa as atividades operacionais a curto prazo e os fluxos de caixa de uma empresa comercial típica. Alteração no Prazo de Contas a Receber. Esta defasagem está relacionada à extensão do Ciclo Operacional e do Prazo de Contas a Pagar. esse contato íntimo com a contabilidade. Manutenção de Reserva de Liquidez (caixa ou títulos). tais como: Empréstimos de curto prazo. Toda essa atenção à movimentação de fundos em uma organização tem um objetivo: monitorar e gerir operações de investimentos (aplicação de algum tipo de recurso com a esperança de receber no futuro um retorno superior ao investimento).

chamada fluxo de caixa. podemos acreditar que você está pronto para realizar a atividade abaixo recomendada. associada à tomada de decisões financeiras. 5) Qual a diferença entre despesas e custos? 6) O que é um DRE? Para que serve? 7) Qual o princípio fundamental do Balanço Patrimonial? 8) O que é um fluxo de caixa e como este pode ajudar na determinação da necessidade de capital de giro? 46 . Com todas essas informações financeiras que vimos.operacional e financeiro – onde o primeiro vai tratar do tempo de estocagem de produtos. impostos. que tem por objetivo evidenciar a formação do resultado líquido em um exercício confrontando receitas. representando a situação do patrimônio. onde ocorre todo o planejamento e o controle financeiro a curto. e o segundo. custos e despesas apuradas. vimos com freqüência a expressão capital de giro. São fatores importantes na apuração do lucro e. que objetiva apresentar a posição contábil.Gestão Financeira e Custos FURB / SAPIENCE periódicos) e depreciando-os quando possível ou necessário.). o resultado do ciclo operacional. se apresenta como receita líquida. financeira e econômica de uma empresa em determinada data. descontando-se o prazo para o pagamentos decorrentes das atividades empresariais. por conseqüência. conseguimos dispôlas em formas de demonstrações financeiras tais como o DRE (Demonstração do Resultado do Exercício). Surge aí a atenção aos ciclos empresariais . Com essas informações podemos ainda construir o chamado Balanço Patrimonial. Assim. pois boa parte do total dos ativos de uma empresa é destinada a este capital. Essas despesas são normalmente descontadas das receitas. vai se chamar de receita bruta e somente após as devidas deduções (despesas. quando apurada. Atividade Complementar 1) Do que trata a gestão financeira? 2) Qual a função do gestor financeiro? 3) Qual a diferença entre a gestão financeira e a contabilidade? 4) Defina amortização e depreciação. ou ainda alimentar uma terceira ferramenta que vimos. etc. estoques. citando a importância dessa tarefa. Trata-se de um conjunto de valores necessários para a empresa realizar suas operações. que tratam do aporte de valores que ocorre em uma empresa. Tratando-se das finanças de curto prazo. somado ao prazo para o recebumento das vendas dos mesmos. médio e longo prazos da empresa. A receita. Por depreciação entendemos os custos ou as despesas decorrentes do desgaste ou da obsolescência dos bens adquiridos. custos. incisivos na apuração dos resultados para a base de cálculo do imposto de renda.

2. faz-se necessária a prática de análise dos investimentos pelo gestor financeiro da empresa. 3. tais como: o Pay Back (que contempla o tempo de retorno de um investimento). seja ele próprio ou de terceiros e os efeitos dos impostos sobre a renda. cobrando juros sobre os valores. Analisar a viabilidade de um investimento por meio de técnicas matemáticas: Pay Back Simples. tais como bancos. Valor Presente Líquido (VPL) e Taxa Interna de Retorno (TIR). Distinguir a formação do custo de capital.1 DECISÕES DE FINANCIAMENTOS O financiamento das atividades executadas pelas empresas é realizado por meio da aplicação de diferentes tipos de fundos obtidos externamente ou 47 CAP ÍT U LO 2 . financeira ou combinada (operacional e financeira).2 DECISÕES DE FINANCIAMENTOS E ANÁLISE DE INVESTIMENTOS Objetivos de Aprendizagem 1. 2. Para a escolha e decisão das formas de financiamentos a se adotar. INTRODUÇÃO Podemos tratar do termo financiamento como uma ação organizacional/ empresarial realizada para pagar um produto/serviço por meio de um empréstimo. Assim. que consiste em trazer todos os fluxos previstos em um projeto ao valor presente).e a determinação da TIR (Taxa Interna de Retorno. Financiamentos normalmente são oferecidos por instituições financeiras. esse capítulo almeja orientá-lo nas decisões de financiamentos. o VPL (Valor Presente Líquido. para assim podermos projetar alavancagens (operacionais e/ou financeiras) e analisarmos a viabilidade dos investimentos por técnicas que serão abordadas. Tecnicamente. onde se faz necessário demonstrar o conceito de custo de capital (próprio ou de terceiros). Propor as formas de alavancagem empresarial: operacional. o financiamento diferencia-se do empréstimo pelo vínculo direto que ocorre com algum bem ou serviço. Pay Back Descontado. que nada mais é do que apurar a taxa de rendimento que os fluxos projetados nos retornará). Esta tarefa objetiva quantificar as vantagens e as desvantagens do projeto que a empresa pretende realizar.

Esta percentagem pode variar de acordo com a renda média anual. o custo do capital pode ser representado pela taxa de juros que as empresas usam para calcular. Ou seja.1 Custo de Capital Quando você detém um capital.2 Efeitos dos Impostos sobre a Renda O imposto de renda é um imposto devido onde cada indivíduo ou empresa é obrigado a deduzir certa porcentagem de sua renda média anual para o governo. O custo do capital tem efeito sobre as operações da empresa que. o custo da dívida é de 10% ao ano.CMPC é obtido pelo custo de cada fonte de capital ponderado por sua respectiva participação na estrutura de financiamento da empresa. levado em conta o princípio contábil da entidade. Então: CMPC = (20% x 70%) + (10% x 30%) = 17% ao ano. exige-se um retorno mínimo a título de remuneração do seu patrimônio. 2000). há 70% de capital próprio e 30% de capital de terceiros. 2.000. 2000). Sabe-se que: a remuneração requerida pelos acionistas é de 20% ao ano. o imposto de renda é cobrado mensalmente e no ano seguinte o contribuinte prepara uma declaração de ajuste anual de quanto deve do imposto ou se tem restituição de valores pagos a mais. Ao custo do capital. ou pode ser fixa em uma dada percentagem. descontando o valor do dinheiro no tempo (ATKINSON et al. sendo que esses valores deverão ser homologados pelas autoridades tributárias. 48 . O Custo Médio Ponderado de Capital . Portanto. significa o custo de capital que representa a taxa de financiamento da entidade. ao investir ou aplicar esse recurso em uma determinada entidade.000 e dívidas de R$ 30.Gestão Financeira e Custos FURB / SAPIENCE gerados no decorrer das operações. A taxa de captação dos recursos entregues à administração da empresa. Uma classificação bem simples divide esses fundos em duas categorias: capital próprio e capital de terceiros. Este pode ser obtido considerando todas as fontes dos recursos postos à disposição da empresa. observou-se que esta apresenta um Patrimônio Líquido de R$ 70. Exemplo: Analisando as contas de uma empresa. No Brasil.1. dentre outros tópicos adjacentes. Observe a seguir a influência dos impostos sobre a renda nas atividades empresariais pertinentes aos nossos estudos neste caderno.1. a serem estudados a seguir. de acordo com a participação percentual do capital próprio e de terceiros (ATKINSON et al. consequentemente vem afetar a sua lucratividade. agrega-se outro fator: o tributário. 2.

se dá na forma que a taxa de capitalização do patrimônio líquido cresce na medida da redução do custo do capital de terceiros. ao analisar as contas empresariais. o risco de patrimônio líquido se aproxima do risco de mercado comum. 2000). Com os conhecimentos somados até o momento. e pode ser encontrado pela capitalização das expectativas de retorno futuras descontadas a uma taxa apropriada. que ora vai promover melhorias operacionais. acima de tudo. os impostos estarão sempre presentes. as grandes organizações estão sempre buscando alternativas para incrementar o seu potencial produtivo. O lema hoje é a diminuição de custo.1. basta você identificar a taxa de captação de capital externo para fazer parte da estrutura de capital da sua empresa.2 ALAVANCAGEM Para Martins (2006). O valor de mercado total de qualquer companhia é independente da sua estrutura de capital. 2.1.4 Custo do Capital de Terceiros Para calcular o custo do capital de terceiros. que a questão tributária afeta tanto o uso do capital próprio quanto quando usamos capital de terceiros. considerado o risco do negócio (ATKINSON et al. podemos afirmar que o custo do patrimônio líquido é representado pela taxa de retorno que os investidores exigem para realizar um investimento patrimonial em uma empresa (ATKINSON et al. 2.3 Custo de Capital Próprio O custo do capital próprio é calculado a partir da expectativa de retorno sobre o patrimômio líquido durante um determinado período (normalmente um ano) baseado em níveis de taxa de juros e retorno de mercado do mesmo no tempo. ter lugar de destaque no mercado e diante da concorrência. 2000). Não importa como conduzimos estas questões. Para Pensar O que podemos sugerir aos gestores financeiros das organizações diante de uma economia de mercado que se apresenta muitas vezes conturbada? 49 . 2. na rentabilidade e lucratividade da empresa. ora financeiras e ora ambas simultaneamente. Para a obtenção do retorno. Então. mas se possível sem que isso tenha reflexo no volume de vendas e. podemos entrar no campo da alavancagem empresarial. no custo de capital da empresa.Capítulo 2 Decisões de Financiamentos e Análise de Investimentos Vamos observar. O efeito do crescimento do montante do capital de terceiros.

diante de uma tomada de decisão. despesas financeiras e ativo total médio. Viceconti (2001). VICECONTI. Saiba Mais Na física. ao financeiro. alavancagem é representada pelo emprego de uma alavanca para erguer um objeto. onde o que importa é a análise dos seus próprios produtos e ver o comprometimento econômico de cada um deles e. Assim. patrimônio líquido médio. essa diferença provoca alteração na taxa de retorno sobre o patrimônio líquido (MARTINS 2006). vamos dar início trabalhando a alavancagem operacional. Nesse cenário. em seguida. apresentada e discriminada com mais detalhes no próximo item. 2. é necessário ter cautela na hora de optar pela melhor decisão. onde podemos combinar os efeitos da alavancagem operacional que parte da relação entre variação no lucro sobre variação no volume. 2001).2. Nesse contexto. podemos perceber certo receio dos gestores financeiros das organizações. estando inseridos todos os quocientes analíticos das demonstrações contábeis (NEVES.Gestão Financeira e Custos FURB / SAPIENCE Vamos tentar identificar o comprometimento que existe na relação custo. Grande importância deve ser dada ao Grau de Alavancagem. O estudo da alavancagem pressupõe uma análise operacional e financeira da empresa. empregando menos força. pequenas mudanças nas vendas produzirão grandes flutuações nos lucros. se uma organização tiver uma boa alavancagem financeira e operacional. que leva em consideração o lucro líquido. volume e lucro para a tomada de decisão e de controle. pois ele reflete o nível de operacionalização da empresa do controle interno a contabilidade. do operacional. emprega-se mais ou menos força na ponta da alavanca. identificar as causas e as potencialidades estratégicas dos resultados. Daí o termo alavancar. Para nós. no que se refere a importante responsabilidade da administração. no intuito de se alcançar o melhor desempenho. O estudo da relação custo. Conforme a posição do ponto de apoio em relação ao objeto a ser movido. volume e lucro é algo de grande importância para a contabilidade gerencial e de custo. que representa a diferença entre a obtenção de recursos de terceiros a um determinado custo e a aplicação desses recursos no ativo da empresa a uma determinada taxa.1 Alavancagem Operacional Para Neves. a alavancagem operacional representa o efeito desproporcional entre a força efetuada no nível de produção e a força obtida 50 . e a importância significativa da participação dos gestores. essa expressão terá o significado de promover e estimular um negócio ou obter fundos para custear um projeto com recursos externos à empresa. pois favorecem uma visão clara que envolvem várias vertentes dentro do sistema contábil. Diante de uma economia de mercado tão conturbada quanto a que estamos vivendo. e da alavancagem financeira.

quando não há custo fixo. VICECONTI. caracterizada por baixos custos fixos e altos custos variáveis. esteja abaixo do ponto de equilíbrio. pequenas alterações no volume de vendas irão resultar em grandes mudanças nos lucros. Um fator que influencia na rápida passagem de lucro para prejuízo (ou de prejuízo para lucro) é o alto valor dos custos fixos. também será menor o risco de a empresa entrar em prejuízo caso sofra uma redução na atividade produtiva (NEVES. no que se refere a sua lucratividade. Ou seja. 51 . leva-se em consideração que. ou seja. Faz-se necessária à junção dos fatores: custos variáveis e custos fixos. Já para os produtos que têm uma baixa alavancagem operacional. Por si só a Margem de contribuição não estabelece que a baixa de vendas implique diretamente em lucro ou prejuízo. isso representa que a empresa está trabalhando próxima ao ponto de equilíbrio e o risco de melhorar ou piorar seu resultado é bastante elevado. relacionada com determinada variação percentual no volume de vendas. Caso o GAO for alto. Atenção O nível de alavancagem operacional necessita ser bem analisado. nunca haverá prejuízo (NEVES. basta verificar que. ou seja. para termos a alternância entre lucro e prejuízo. Embora o Grau de Alavancagem Operacional (GAO) tenda a diminuir de valor quando se encontra acima do ponto de equilíbrio. A Alavancagem Operacional é aferida pela proporção dos custos fixos em relação aos custos variáveis. pois reflete o comprometimento da empresa em relação ao seu nível de produção e com isso o grau de risco. caracterizada por altos custos fixos e baixos custos variáveis. Pode-se dizer que para os produtos que tem uma alta alavancagem operacional. pois a variação no volume de produção provocará menor impacto no percentual de lucro. 2001). não importa quão alta seja à margem de contribuição. quanto maior for o volume de produção e quanto mais distante a empresa estiver de seu ponto de equilíbrio. menor será o seu grau de alavancagem operacional. No caso da Alavancagem Operacional. as mudanças no volume de vendas não resultarão em grandes mudanças nos lucros (MARTINS 2006). a quantidade mínima a se produzir para que não tenha prejuízo. VICECONTI. pode ser definido como sendo a variação percentual nos lucros operacionais.Capítulo 2 Decisões de Financiamentos e Análise de Investimentos na obtenção dos lucros. 2001).

000 / (2. tanto operacionais quanto financeiras. com as seguintes características: Custos Variáveis Custos + Despesas Fixas Preço de Venda R$ 1.400/un R$ 100. faz-se necessária a junção desses dois fatores: Margem de Contribuição e Custos Fixos .000 = $ 20.000/ mês Sua margem de segurança é de 20 unidades. como o preço de venda é constante. Então.administradores.67%. conseguimos com isto ter uma visão mais facilmente do nível de alavancagem e sua relação com o nível de produção (para mais e para menos). Pode ser definida como a capacidade que a empresa possui de usar custos operacionais fixos para aumentar os retornos de seus investidores (MARTINS. o seu ponto de equilíbrio. (MS = (20 / 120) x 100 = 16. no nosso caso.400/un PE = 100. Em termos percentuais está com uma margem de segurança de 16. assim como os custos fixos. EXEMPLO: Se uma empresa que produz um tipo de computador. O efeito de alavancagem ocorre pelo fato de que os custos fixos são distribuídos por um volume maior de produção. pois pode ter esta redução sem entrar na faixa de prejuízo. refletindo diretamente na lucratividade da empresa. Veja mais no site abaixo: http://www.67%) 52 .com.ou.400 – 1. para que não se opere dentro dessa margem. 2006). obtendo com isso um lucro de: 20 un x $ 1. ou seja. pois o resultado pode não ser satisfatório e pode se tornar irreversível para a empresa. a alavancagem operacional ocorre quando um crescimento de x% nas vendas provoca um crescimento de n vezes x% no lucro bruto.br/artigos/ponto_de_equilibrio_uma_ ferramenta_de_gestao_eficiente/22411/ Assim sendo. fazendo com que o custo unitário da mercadoria seja reduzido.Gestão Financeira e Custos FURB / SAPIENCE Saiba Mais Todo empreendimento necessita identificar a sua margem de risco.400) = 100 unidades por mês Suponhamos que esteja produzindo e vendendo 120 unidades / mês. sendo que o fator n é o que representa o grau de alavancagem operacional.000/mês R$ 2. É necessário buscar condições.

aumento no lucro: $ 24. 2.0 => a alavancagem financeira nula Se GAF > 1. Dica Se GAF = 1. Então podemos definir a alavancagem financeira como a alavanca que esta captação produz ou não no retorno aos acionistas (NEVES.67% Se passar a produzir 144 unidades por mês. podemos também promovê-la com vistas financeiras. Isso quer dizer que a alavancagem financeira acontece.400) – (100 x 2. 120% (44000/20000).2.000. ou seja. com uma alavancagem de: GAO = variação nos lucros / variação nas vendas.2. os capitais de terceiros de longo prazo. que fica representada efetivamente pelo quociente entre o retorno sobre Patrimônio Líquido (RsPL) e o retorno sobre o ativo (RsA) da empresa.0 => a alavancagem financeira favorável Se GAF < 1. ou seja. ao qual denominamos de Grau de Alavancagem Financeira (GAF). Observe no item 2. quando os capitais de terceiros de longo prazo produzem efeitos positivos sobre o patrimônio líquido sendo vantajoso para uma empresa.2. seu lucro será de: 44 un x R$1.400))/(120 x 2. O resultado da alavancagem financeira pode ser melhor interpretado pela fórmula e seu coeficiente.00 = R$ 44.000. positiva. 2001). 20%.000.00. que correspondeu a um aumento de 120% no resultado.Capítulo 2 Decisões de Financiamentos e Análise de Investimentos Em volume de receitas segue-se o mesmo raciocínio: MS = (((120 x 2.400)) x 100 = 16. somente quando o retorno sobre o ativo for superior ao retorno sobre o patrimônio líquido. VICECONTI.00 Comparando com a situação anterior temos: aumento do volume: 24 un.2 Alavancagem Financeira Alavancagem Financeira é a capacidade da empresa em usar encargos financeiros fixos para maximizar os efeitos de variações no lucro antes de descontar os juros e imposto de renda sobre o lucro por ação. Então: GAO = 120% / 20% = 6 vezes Além da alavancagem operacional. Um acréscimo de 20% no volume de atividades.0 => a alavancagem financeira desfavorável 53 .

000 unidades de certo produto a R$5. os custos fixos R$5.00.50% / 20. os capitais de terceiros contribuem para gerar um retorno adicional de 25.250 ações ordinárias e que a alíquota do IR é de 40%.000 x 100 = 16.Gestão Financeira e Custos FURB / SAPIENCE Tomando-se por exemplo uma indústria com os seguintes dados: 2007 75.00% / 16.50% sobre o patrimônio líquido.000 / 75.000 x 100 = 20.125 A conclusão que você pode extrair é a de que.50%. em 2008 – a alavancagem financeira é favorável em 112.00/unidade.000 18. ou seja.000 / 15.125 têm o seguinte significado: em 2007 – a alavancagem financeira é favorável em 125. embora positivo.250 e 1.250. Tendo visto que podemos alavancar uma empresa tanto operacionalmente quanto financeiramente.L.000 / 90.Prazo Lucro Líquido P.00% = 1. tinha um resultado de 1.2. embora positivo. Paga juros de R$10.000 4. Sabendo-se que possui 1. o grau de alavancagem.00% sobre o patrimônio líquido.3 Alavancagem Combinada É a capacidade da empresa usar custos fixos.000.000. em 2007.00% RsA = 12.00 e dividendos referenciais de R$6. Os resultados de 1. diminuiu para 1. ou seja. Seus custos variáveis são de R$ 2.250 GAF EM 2001 RsPL = 4.00% = 1. os capitais de terceiros contribuem para gerar um retorno adicional de 12. como será observado no próximo passo nesse estudo. para aumentar os efeitos de variações nas vendas sobre o lucro liquido. tanto operacionais como financeiros.50% RsA = 18. podemos combinar então essas duas formas de alavancagem. No ano de 2001.Líquido GAF em 2000 RsPL = 3. a empresa fez crescer seu ativo incorporando mais recursos e o grau de alavancagem.000 x 100 = 20.125.00/unidade.000 / 20. Exemplo: Uma empresa vende 10.000 unidades. determinar o efeito da alavancagem combinada para uma venda estimada de 15.000 x 100 = 22.00%.000 15000 3000 12000 2008 90.00% GAF = RsPL / RsA = 22.000 20. 2.000. 54 .00.000 Ativo Exig.00% GAF = RsPL / RsA = 20.

Trata-se de elementos que nos permitem decidir em que opção de investimentos aplicarmos os nossos recursos. e isto é assim exatamente. tanto operacionais como financeiros. Porém. muitas vezes o consumo presente é mais desejável que o consumo futuro.Alavancagem FONTE: Os autores O Grau de Alavancagem Combinada (GAC) é dado pela razão entre duas variações percentuais do lucro por ação "LPA" e a variação percentual nas vendas. Assim. Por isto. que será tanto maior quanto maior for o total dos custos fixos operacionais e financeiros. 2. em outro momento. GAC = % do lucro por ação / % das vendas Então: GAC = 300% / 50% = 6 vezes Sempre que o quociente for superior a 1. vamos passar agora a discutir itens importantes nas análises de investimentos. é melhor ter um real hoje do que um real de hoje 55 . verifica-se a existência de alavancagem combinada.Capítulo 2 Decisões de Financiamentos e Análise de Investimentos TABELA 11 .3 ANÁLISE DE INVESTIMENTOS Tanto os indivíduos como as organizações querem ganhar dinheiro para gastá-lo no futuro. o Grau de Alavancagem Combinada está relacionado com o risco total da empresa e com a capacidade da empresa de cobrir seus custos fixos. Saindo do contexto da alavancagem empresarial. porque o futuro é muito incerto.

no qual todos os dados previstos de entradas e saídas de caixa precisam ser confirmados ano a ano e. Os consumidores e governos pedem emprestado por várias razões.br/Adminfin/Manual_VDT. 2005). deve ser dado algo extra para conseguir que nós adiemos esta satisfação (SILVA. Existem consumidores e negociantes que realmente precisam do valor o presente e estão dispostos a reembolsar mais do que este no futuro. 1997). mas espera-se que tenham renda suficiente no futuro para reembolsar o principal e os juros.bertolo. qual a que trará maior lucro em dinheiro (DAMODARAN. pois é ele que determina a análise das alternativas de investimentos. otimista e pessimista. Para Pensar Qual a principal dificuldade na análise de investimentos? Quando as estimativas sobre os dados do investimento são imprecisas. Acesse o site abaixo e conheça mais sobre o valor do dinheiro no tempo: http://www.pro.Gestão Financeira e Custos FURB / SAPIENCE daqui a um ano. Isto é o que chamamos de valor do dinheiro no tempo (CAVALHEIRO. aplicando dinheiro em títulos e ações. duas ou mais propostas de investimento para concluir se é financeiramente vantagem efetivá-la ou qual delas é a mais rentável financeiramente. Para que optemos por querer esse valor no futuro. 2005). 56 . Desse modo. médio e mínimo esperados (SILVA. é recomendável que a análise de investimentos utilize três hipóteses: provável. b) Investimentos Financeiros .realizados no mercado financeiro. O desenvolvimento de critérios econômicos de decisão Consiste em analisar uma. normalmente com liquidez imediata ou pequena. 1989). ou seja. Negociantes podem investir os fundos de empréstimos de capital para criar lucros que são suficientes para reembolsar os fundos de empréstimo mais os juros. Dica Aplicar o conceito de valor do dinheiro no tempo é sem dúvida fundamental.htm Os investimentos estão classificados em dois grupos principais: a) Investimentos Empresariais .ativos de um investimento empresarial (por exemplo. uma nova fábrica) têm um prazo longo e predefinido de duração. a análise de investimentos produzirá um PayBack (tempo de retorno do investimento) e um Valor Presente Líquido máximo.

nos aparecerá como fator de comparação na tomada de decisão. isto é sem considerar uma taxa de rendimento para este capital investido (DAMODARAN. Antes de iniciarmos a discussão acerca desses indicadores. Taxa Interna de Retorno. com exceção do Pay Back Simples.000.00 mensais. principalmente as projeções de entradas de caixa. vai-se perceber que a principal dificuldade será a obtenção de dados confiáveis. 2. Economia em combustível: R$ 150.1 Pay Back Simples Pay Back Simples significa o tempo necessário para obtermos o retorno do investimento feito. e a mínima taxa que podemos aceitar para a aplicação do capital da empresa num investimento. que se originam de estimativas de vendas e não de certezas de vendas e/ou recebimento das mesmas. é importante demonstrar um outro elemento que.Capítulo 2 Decisões de Financiamentos e Análise de Investimentos Ao realizar suas projeções para analisar um investimento. que aparece logo a seguir no próximo tópico.3. Valor Presente Líquido. Uma empresa está analisando um investimento para colocar gás no seu veículo de entregas. Para analisar os investimentos você deve utilizar os seguintes indicadores: Pay Back Simples. para abrir mão de um retorno certo num investimento sem risco no mercado financeiro.00. Trata-se da Taxa Mínima de Atratividade (TMA). 57 . Pay Back Descontado. Essa taxa é específica para cada empresa e representa a taxa de retorno que a empresa está disposta a aceitar em um investimento de risco. sem considerarmos o valor do tempo no dinheiro. Os dados são: Instalação do gás: R$ 3. 1997).

sugere-se a utilização do Pay Back Descontado. Vale lembrar que não estamos considerando o valor do dinheiro no tempo. como a seguir.00 no décimo mês. Por esse motivo. o Pay Back Simples não é o melhor indicador para uma tomada de decisão em investimento financeiro.Fluxo com pay back simples. Nessa linha de raciocínio (tempo para recuperar o investimento). FONTE: Os autores Com estas informações você pode determinar que o Pay Back Simples deste investimento será de 20 meses. já não terá mais o mesmo poder de compra como no dia de hoje. pois quando obtivermos o retorno de R$150. 58 .Gestão Financeira e Custos FURB / SAPIENCE TABELA 12 .

Fluxo com Pay Back Descontado FONTE: Os autores 59 .00.Capítulo 2 Decisões de Financiamentos e Análise de Investimentos 2. porém desta vez com uma taxa mínima de atratividade.2 Pay Back Descontado Tente realizar o mesmo exemplo. Instalação do gás: R$ 3. Economia em combustível: R$ 150.000.00 % a.00 mensais. TABELA 13 .3. Taxa Mínima de Atratividade: 1.m.

Igual a zero: o investimento é indiferente. podemos concluir que o retorno do investimento somente se dará entre o 22º e o 23º mês.00 ao momento presente (Mês 0). pela regra dos juros compostos onde PV = FV / (1 + TMA)n. onde trazemos todos os fluxos de uma projeção ao valor presente. pois o valor presente das entradas de caixa é maior do que o valor presente das saídas de caixa. menos o valor presente de suas saídas de caixa.Gestão Financeira e Custos FURB / SAPIENCE Pay Back Descontado significa o tempo necessário para obtermos o retorno do investimento feito. trazendo cada um dos fluxos positivos de R$ 150. 60 . Payback é a relação entre o valor do investimento e o fluxo de caixa do investimento. Outra forma de se analisar uma proposta de investimento é pelo método do valor presente líquido. isto é. Veja a seguir. considerando o valor do tempo no dinheiro. A tarefa é trazer os retornos do investimento ao valor presente e analisar se o investimento deve ser feito ou não. 1997). o mais atrativo é aquele que tem maior Valor Presente Líquido. Vamos usar o mesmo exemplo e determinar o VPL da decisão do proprietário do veículo ao instalar o Kit Gás no véu veículo. Percebeu? Ao considerar o valor do capital no tempo. O tempo de retorno indica em quanto tempo ocorre à recuperação do capital investido (DAMODARAN. 2. quando o capital começa a ser recolocado positivamente. considerando uma taxa de desconto. Podemos ter as seguintes possibilidades para o Valor Presente Líquido de um projeto de investimento: Maior do que zero: significa que o investimento é economicamente atrativo.3. considerando uma taxa de rendimento para este capital investido. Dica Entre vários projetos de investimento. pois o valor presente das entradas de caixa é igual ao valor presente das saídas de caixa.3 Valor Presente Líquido (VPL) O valor presente líquido (VPL) de um projeto de investimento é igual ao valor presente de suas entradas de caixa. Menor do que zero: indica que o investimento não é economicamente atrativo porque o valor presente das entradas de caixa é menor do que o valor presente das saídas de caixa.

Capítulo 2 Decisões de Financiamentos e Análise de Investimentos Sendo: PV = Valor Presente FV = Valor Futuro n = Período TABELA 14 .Valor Presente Líquido FONTE: Os autores 61 .

Atenção Um projeto será atrativo se o mesmo tiver uma TIR maior do que TMA. é a taxa necessária para igualar o valor de um investimento (valor presente) com os seus respectivos retornos futuros ou saldos de caixa. No caso supra citado. pois seu retorno é superado pelo retorno de um investimento com o mínimo de retorno. outro indicador importante no processo decisório no que diz respeito à aplicação de capital é a Taxa Interna de Retorno. 2005). em inglês IRR (Internal Rate of Return).37. o melhor será aquele que tiver a maior Taxa Interna de Retorno. temos: PV = 3000 PMT = 150 n =23 62 . Dica Entre vários investimentos. 2. Sendo usada em análise de investimentos significa a taxa de retorno de um projeto (SILVA. a Taxa Interna de Retorno é a taxa de juros que torna o valor presente das entradas de caixa igual ao valor presente das saídas de caixa do projeto de investimento. A TIR é a taxa de desconto que faz com que o Valor Presente Líquido (VPL) do projeto seja zero. Um projeto é atrativo quando sua TIR for maior do que o custo de capital do projeto (DAMODARAN. A Taxa Interna de Retorno de um investimento pode ser: Maior do que a Taxa Mínima de Atratividade: significa que o investimento é economicamente atrativo.Gestão Financeira e Custos FURB / SAPIENCE Então.4 Taxa Interna de Retorno A Taxa Interna de Retorno (TIR). o valor presente líquido que você obteria nesse investimento seria de R$ 68. Menor do que a Taxa Mínima de Atratividade: o investimento não é economicamente atrativo. Igual à Taxa Mínima de Atratividade: o investimento está economicamente numa situação de indiferença.3. Além do VPL. ou diretamente com o uso de calculadoras financeiras ou planilhas de cálculo. Observe abaixo do que se trata e veja ao final da explicação as situações em que apenas o VLP não nos ajuda na escolha de onde investir. 1997). O cálculo dessa equação pode ser obtido pelo processo iterativo (tentativa e erro). Matematicamente.

20% a.00 15. Como os valores do investimento não são os mesmos. onde tiver maior VPL teremos também a maior TIR.00 2.00% a.a.00 3.00 10.m.000. então TIR = 1.00 2.00 5.00 2.a.68% PROPOSTA 2 R$ R$ R$ R$ R$ R$ (30.000.Comparação de investimentos diferentes TMA = 9.90 12.00) 2.000. pois apesar da proposta 2 apresentar maior VPL.00) 3.00 3.500.000.000. Ano 0 1 2 3 4 5 VPL = TIR = PROPOSTA 1 R$ R$ R$ R$ R$ R$ (10.00 R$ 15.104.m.00 R$ 12.00 15.00 10.000.00 R$ 885.000.000.00 R$ 893.20% a.000.000.000. Ano 0 1 2 3 4 5 VPL = TIR = PROPOSTA 1 R$ R$ R$ R$ R$ R$ (20.000. FONTE: O autor TABELA 16 .00% a.000. Como o valor do investimento foi o mesmo.000.27 12.40% No caso ao lado.Comparação de investimentos iguais TMA = 9.00 3.34% PROPOSTA 2 R$ R$ R$ R$ R$ R$ (10.73 33.000.86% Já no segundo caso.30 25.000.00 3.000. temos duas propostas de investimentos com valores diferentes.000. certamente a TIR seria maior do que a TMA. FONTE: Os autores 63 .000.Capítulo 2 Decisões de Financiamentos e Análise de Investimentos 3000 CHS PV i = 1. temos duas propostas de investimentos para R$ 10.500.00 10. projetando os retornos prováveis para os 5 anos propostos na operação.500.000. a proposta 1 apresenta maior retorno sobre o investimento.000.00) 10.00 5. O indicador que será usado na escolha é indiferente.688.00 10. 150 PMT 23 n i Como o VPL foi representado por um valor positivo.500.00 3.00) 10.00. Para Pensar Quando analisar um investimento pelo VPL e quando analisar pela TIR? Observe os exemplos: TABELA 15 . optamos pela maior TIR.

costumam buscar a redução de custos e que isso tenha reflexo no volume de vendas e. brigando por um lugar de destaque no mercado diante da concorrência. precisamos antes interpretar o custo de capital. Assim. para aumentar os efeitos de variações nas vendas sobre o lucro liquido. Todas as organizações estão sempre buscando alternativas para melhorar o seu potencial. que se originam de estimativas de vendas e não de certezas de vendas e/ ou recebimento das mesmas. 64 . usando custos fixos. Ou seja. podemos criar um modo combinado entre ambas. Desse modo. baseado em níveis de taxa de juros e retorno de mercado do mesmo no tempo. o custo do patrimônio líquido é representado pela taxa de retorno que os investidores exigem para realizar um investimento patrimonial em uma empresa. Para isso. pela união de dois fatores que nos permitem a alternância entre lucro e prejuizo: custos variáveis e custos fixos. médio e mínimo esperados. Assim. pois conseqüentemente vem afetar a sua lucratividade. Assim.Gestão Financeira e Custos FURB / SAPIENCE Neste capítulo. Conhecendo essas duas formas de alavancagem. você certamente se encontra preparado para. Assim. A taxa de captação dos recursos entregues à administração da empresa significa o custo de capital (taxa de financiamento da entidade). responder às questões propostas na atividade abaixo relacionada. com esses conceitos. esperamos um retorno mínimo a título de remuneração do patrimônio. ao passo que o custo do capital de terceiro é determinado pela taxa de captação de capital externo para fazer parte da estrutura de capital da empresa. o custo do capital pode ser representado pela taxa de juros que as empresas usam para calcular. descontando o valor do dinheiro no tempo. o custo do capital próprio é calculado a partir da expectativa de retorno sobre o patrimômio líquido durante um determinado período. principalmente as projeções de entradas de caixa. a alavancagem operacional representa o efeito desproporcional. entre a força efetuada no nível de produção e a força obtida na obtenção dos lucros. aprendemos que: Quando das decisões de financiamentos. a análise de investimentos produzirá um PayBack (tempo de retorno do investimento) e um Valor Presente Líquido máximo. a alavancagem financeira é positiva quando os capitais de terceiros de longo prazo produzem efeitos positivos sobre o patrimônio líquido. na rentabilidade e lucratividade da empresa. Este fator tem relevante efeito sobre as operações da empresa. Mais uma vez. Vimos que a principal dificuldade na tarefa de análise de investimentos é a obtenção de dados confiáveis. Com estes. podemos definir se um possível investimento é viável ou não. Ao investir ou aplicar recursos em uma determinada entidade. antes de descontar os juros e o imposto de renda. tanto operacionais como financeiros. gerando vantagem para a empresa. por conseqüência. Já a alavancagem financeira visa usar encargos financeiros fixos para maximizar os efeitos de variações no lucro.

quem pode estar financiando este a uma organização? 3) Qual a diferença entre alavancagem operacional e financeira? 4) Como podemos combinar formas de alavancagem? 5) No que consiste analisar um investimento? 6) O que quer dizer “trazer valores a valor presente”? 7) Qual a influência da TMA em uma decisão de investimento? 8) Quando um investimento é economicamente viável? 65 .Capítulo 2 Decisões de Financiamentos e Análise de Investimentos Atividade Complementar 1) Por que o gestor financeiro de uma organização deve estar atento ao seu custo de capital? 2) No caso de capital de terceiros.

66 .

Analisar os resultados do custeio INTRODUÇÃO Neste Capítulo trataremos de alguns temas relacionados aos custos. No derradeiro tópico deste capítulo.3 CUSTOS Objetivos de Aprendizagem 1. o conteúdo é extremamente extenso. Daremos os primeiros passos no aprendizado da identificação e classificação dos gastos de uma organização. com a apuração dos resultados. O custo real das compras também é um assunto que será tratado. Os diferentes métodos de custeio serão o cerne do Tópico 2 do presente capítulo. A tarefa dos registros está ligada à contabilidade geral ou financeira. há uma mostra básica de como podemos utilizar os custos para a precificação ou. e não menos importante. 67 CAP ÍT U LO 3 . 3. Este é um assunto de extrema importância para qualquer gestor e. Não há intenção de esgotarmos as possibilidades de estudo. A gestão e a análise dos custos trabalham com a precificação dos produtos ou serviços. assim sendo. com as decisões de materiais e mão-de-obra e com a avaliação dos estoques. vantagens e desvantagens de cada método apresentado. Já no Tópico 3 faz-se uma exposição de algumas questões referentes à análise dos custos. 2. pelo contrário. Separar os custos diretos dos indiretos. para compararmos com os preços que utilizamos atualmente na nossa empresa. direto e indireto e Baseado em Atividades. Nele observaremos as diferenças. Comparar o método de custeio por absorção. Distinguir as diferenças entre os tipos de gastos. dentre outros temas. o objetivo é aguçar a curiosidade e dar alguns dos possíveis caminhos para um aprofundamento futuro. 4. no mínimo. já o controle dos custos está ligado à contabilidade gerencial (você deve imaginar que esta área da contabilidade é importantíssima para os administradores de todos os tipos de organização).

Para Pensar E você. manutenção dos equipamentos. Dá para imaginar a informação que cada um deles gera (faturas. Imaginem uma empresa que tenha no seu portfólio 40 produtos. custos. treinamento. etc. pagar os salários. independentemente de seu ramo de atividade. 68 . organizá-la e tomar decisões mais precisas. A contabilidade nasceu como uma forma de organizar a informação.1 Separação de Custos. compra de matérias-primas. que servirá de base para os demais itens que vem a seguir. vender. Esses gastos podem ser efetuados para administrar. gerenciamento de um projeto ou uma área. iniciaremos nosso estudo com a classificação dos gastos. independentemente de quando o produto ou serviço foi ou será consumido. O gasto pode advir da entrega (desembolso presente) ou da promessa de entrega (desembolso futuro) de dinheiro. investimento em veículos para transportar os seus produtos. Despesas. energia elétrica. já observou a quantidade de informação disponível? Esta informação está organizada? Você é capaz de entender esta organização? Simplificando a linguagem contábil. podemos chamar todos os desembolsos (saídas de caixa) como gastos.)! Com esta variedade de dados se faz necessária uma classificação para que os administradores possam entender a informação. impostos. possuem vários tipos de gastos. Investimentos e Perdas Todas as empresas efetuam gastos no seu dia-a-dia para o seu funcionamento. Os desembolsos consistem no pagamento do bem ou serviço. recibos.1.Gestão Financeira e Custos FURB / SAPIENCE Dando continuidade aos estudos de Gestão Financeira e Custos. em sua empresa. Os gastos podem ser classificados basicamente como investimentos.1 FUNDAMENTOS DE CUSTOS 3. Podemos observar que as empresas. aluguel. Para a imputação dos custos utiliza-se o princípio da competência. compra de embalagens. notas fiscais. produzir. despesas e perdas. Desejamos um ótimo estudo a todos! 3. 80 fornecedores e 280 clientes.

etc. independentemente de sua realização ou quitação. Um prédio. alimentação. sendo um ativo para a empresa e este irá gerar um benefício futuro. enfim. estará contabilizada no estoque de mercadorias. Os CUSTOS de uma organização são os gastos que foram consumidos na fabricação de um produto ou serviço. Outro exemplo mais comum são as máquinas e equipamentos adquiridos para a empresa poder produzir os seus produtos. p. semanal. depreciação dos equipamentos (perda de valor).). Esses gastos podem ser com o consumo de salários. Por exemplo: a matéria prima. Já o registro financeiro do desembolso será registrado no mês de julho. transporte. material de embalagem. representam gastos que são ativados. se foram empregadas 40 toneladas de matéria-prima no mês de maio que somente serão quitadas em julho. recebendo uma classificação como custos ou despesas. Por exemplo: queremos apurar os custos do mês de setembro de 2008. no decorrer do(s) próximo(s) exercícios. Portanto. As DESPESAS de uma organização. constam no balanço patrimonial da empresa e esses gastos ficam ali até o momento em que são utilizados ou consumidos.Capítulo 3 Custos Para continuar os estudos é importante entender o significado do regime de competência. em forma de produtos e serviços. dependendo da necessidade e disponibilidade de informação da empresa. treinamento. todos os gastos que possam ser gerados ou consumidos para fabricar um produto e/ou serviço. materiais diversos. energia elétrica. 15): 69 . matérias-primas. Correto? Então ele é um investimento. Dica Chamamos de exercício o período que está sendo analisado pela contabilidade. o lançamento contábil do gasto deve ser feito em maio. um ano. manutenção. semestral. etc. segundo Tessari (2006). o registro das receitas e despesas deve ser feito de acordo com a real ocorrência. Os INVESTIMENTOS. O exercício pode ser anual. trimestral. no momento de sua aquisição por um determinado valor.. não se pode confundir custo e despesa com desembolso. Neste regime. segundo Sens (2008. mensal. plano de saúde. O exercício será o mês de setembro. Por exemplo. O caso de uma compra de matéria-prima que não será utilizada também é um investimento. uma máquina ou um terreno normalmente é comprado para dar retorno (ser utilizado pela empresa) durante um período maior do que um exercício (um mês. ordenados e encargos. mas quando ela for gasta já é outra história. Também podemos conceituar os investimentos como gastos em itens que darão retorno para a empresa. prêmios de produção.

As PERDAS representam bens ou serviços consumidos de forma anormal e involuntária.2 Avaliação de Estoques Um dos objetivos da gestão de custos é avaliar corretamente os estoques. do presente caderno. Saber esta resposta é extremamente importante para a empresa. Podemos citar um gasto não intencional. Produtos em Processo. financeiro. 70 . O valor dos produtos que estão sendo fabricados é um valor considerável do Balanço Patrimonial desta empresa. Imaginemos uma empresa que fabrica petroleiros ou aviões. efetua gastos para o desenvolvimento da sua atividade no dia a dia. vamos aprender como avaliar os estoques da empresa para estimar corretamente os custos. depreciação dos computadores utilizados no ambiente da administração. impostos prediais.] são os gastos que foram gerados ou consumidos fora do ambiente de fabricação de um produto ou serviço.Gestão Financeira e Custos FURB / SAPIENCE [.. 3. A questão do Produto em processo é um pouco complexa. decorrente de fatores externos extraordinários ou atividade produtiva normal da empresa. não participando da fabricação do produto e ou serviço. treinamento dos funcionários e diversos outros. O departamento de contabilidade. do início ao fim do processo produtivo. qual é o valor do estoque? Dica Um ponto muito importante a ser frisado é a existência de três tipos de estoque na empresa: Matérias-Primas e Outros Materiais. Produtos Finais. Também temos que ter em mente o estoque de produtos em processo e produtos finais.1. Como exemplos de despesas podemos ter os salários. UEPS e PMP. Afinal. O prazo de fabricação. consumo de água.. Quando começamos a observar as diferentes compras que fazemos de uma mesma matéria-prima percebemos que nem sempre ela tem o mesmo valor unitário de aquisição. Um estoque elevado significa que recursos financeiros que poderiam ser direcionados a algo mais rentável estão parados! No item estoques. Um exemplo seria a queda de um meteorito na empresa (trágico) ou em caso de enchente em que se perde parte da matéria-prima. pode ultrapassar facilmente um ano. vendas. nós já estudamos os três tipos de avaliação de Estoque: PEPS. materiais de escritório. A princípio parece ser que não há nenhuma dificuldade neste processo. consumo de energia. Agora que você já conhece como separar os tipos de gastos.

fretes. Resolução: Custo Final da Matéria-prima A: Custo de Aquisição – 1.00 / 3. realizou as seguintes compras: 1.00 Custo total da MPb = R$ 24.00 Custo total da MPa = R$ 3.000.1.00 Custos de Importação = R$ 200.000. 71 .000. que os custos de importação da MP A foram de R$ 200.00 / 2 = R$ 1.000.750.00 + R$ 1.950. Devem ser computados custos de importação (impostos.000.00 Custos de Frete = R$ 1. deverão ser deduzidos do valor total da nota fiscal de compra.00 / 2 = R$ 1.00 = R$ 26.950. ou não.500 = R$ 3.000.3 Custo das Compras Quando falamos do custo de um material.000. ser recuperáveis.00 e que frete da MP B foi de R$ 1. Sabendo-se que o departamento de Compras da presente empresa tem custo de R$ 2.00 / 1.000.50 cada uma. Caso eles sejam recuperáveis.00 Divisão do departamento de Compras: R$ 2.000.000.00 + R$ 1. temos que lembrar que este custo deve ser calculado tendo-se em conta todos os gastos que ocorrerão.500 x R$ 2.000.67 a unidade Quando a empresa adquire um material para a fabricação de produtos.000.00 Custo Unitário final = R$ 26. calcule o custo de compra unitário das duas matérias-primas.000 x R$ 8.00. 3. seguros. é importante sabermos como poderemos incorporar os custos das compras aos materiais utilizados no produto ou serviço.00.00 Custo Unitário final = R$ 4. 3.00 = R$ 4. Vamos fazer um exemplo para fixar este conteúdo: A empresa Vênus Ltda. até que ele esteja dentro da empresa (ou do cliente).30 a unidade Custo Final Matéria-prima B: Custo de Aquisição – 3. Se não forem recuperáveis.750.000 unidades da Matéria-prima B a R$ 8. os impostos sobre valor agregado (IPI e ICMS) podem.000.000 = R$ 8. por exemplo).00 = R$ 24.00 Divisão do departamento de Compras: R$ 2. etc.50 = R$ 3.Capítulo 3 Custos Agora que podemos avaliar corretamente os estoques.00 + R$ 200.000. passarão a fazer parte do custo do material. matéria-prima ou serviço. dependendo do regime tributário que ela trabalha.00 + R$ 1. armazenamento. Este cálculo se faz necessário para que possamos comparar diferentes fornecedores do mesmo produto ou serviço.00 cada uma.500 unidades da Matéria-prima A a R$ 2.

) ICMS CUSTO DO MATERIAL = R$ 600.00 ICMS (12%) R$ 72.) ICMS CUSTO DO MATERIAL = R$ 600.000.) IPI ( .000.000.000.00 R$ 468.00 O custo real da mercadoria.00 R$ 72.000.000.000 kg de matéria-prima e os dados da nota fiscal são os seguintes: Total da Nota Fiscal (compra a prazo.00 Para Pensar Na empresa onde você trabalha. será o seguinte: Total da Nota Fiscal ( .00 R$ 60.000.000.00 Valor do IPI (10%) R$ 60. vencimento 60 dias) R$ 600.00 O custo da mercadoria no caso do IPI não ser recuperável será o seguinte: Total da Nota Fiscal ( . quais são os custos que podem ser incorporados às compras? 72 .00 R$ 72.00 R$ 528. no caso dos impostos serem recuperáveis.000.Gestão Financeira e Custos FURB / SAPIENCE Faremos um exemplo para fixar o conteúdo: Realizaremos uma compra de 10.000.

00 10.Capítulo 3 Custos Atividade Complementar 1) Classificar os gastos da tabela abaixo.00 12.00 1. D para despesas. colocando I para investimentos.00 13.00 55.00 23.000.200. TABELA 17 .Tipos de Gastos Gastos Embalagens Salário dos funcionários do departamento financeiro Salário dos funcionários do departamento de comercial Matéria-prima em não utilizada neste exercício Materiais Indiretos Depreciação dos equipamentos da fábrica Depreciação dos equipamentos administrativos Uma enchente estragou matéria-prima Energia elétrica consumida na fabricação dos produtos Energia elétrica consumida no depto.500.500.00 45.350.800.000.800.000.00 31.00 15.00 21.00 1.200.00 2.000.500.000.000. C para os custos e P para perdas.00 1.00 32. Administrativo Matéria-prima consumida no processo produtivo Aluguel da fábrica Aluguel de uma sala comercial Salário do funcionário que trabalha na fábrica Compra de um veículo Compra de uma Máquina Valor R$ 31.00 FONTE: Os autores Colocar abaixo o total de cada conceito: 73 .000.00 1.000.

principalmente pela necessidade de calcular o ponto de equilíbrio de cada produto. mãos à obra! 3.000.2.00 cada uma. sem fretes e custos de importação.00. montagem da mesa e de pintura é a mão-de-obra direta (MOD). Agora. diferentes formas de ratear os custos indiretos. 3. 2.00. pois vão diretamente aos produtos. os parafusos e a tinta seriam os materiais diretos. Acabamos de conhecer alguns conceitos. que é incrivelmente mais justo.200.00 e que o frete da MP A foi de R$ 500. Os custos e despesas diretos são os mais fáceis de controlar. O método mais simples (e mais utilizado nas empresas) é o custeio por absorção.1 Custeio Direto e Indireto Quando queremos determinar os custos de um determinado produto ou serviço encontramos duas classes de custos e despesas: as diretas e as indiretas. que os custos de importação da MP B foram de R$ 1. basicamente.50 cada uma. que são a base para o entendimento dos métodos de custeio que veremos a continuação. a mão-de-obra de corte da madeira. Um exemplo é o caso da fabricação de uma mesa. como a separação dos gastos. Na vanguarda dos custos está o método ABC. calcular o valor líquido da compra. Obs: O cálculo é apenas sobre o custo de aquisição. calcule o custo de compra unitário das duas matérias-primas. Iniciaremos o nosso estudo pelo mais simples dos métodos: o custeio direto e indireto e iremos trabalhando o aumento de complexidade no decorrer desta seção. porém muito mais complexo de se implantar. O método do custeio variável também é trabalhado na maioria das empresas. 3) Com os mesmos dados da atividade anterior. os métodos de avaliação de estoques e os custos de compras e sua incorporação aos materiais. já os materiais como o óleo das máquinas e o material de manutenção são 74 .000 unidades da Matéria-prima A a R$ 3.000 unidades da Matéria-prima B a R$ 7. A madeira. o aço. Sabendo-se que o departamento de Compras da empresa tem custo de R$ 1.Gestão Financeira e Custos FURB / SAPIENCE 2) A empresa Marte Ltda. realizou as seguintes compras: 1.2 MÉTODOS DE CUSTEIO Os métodos de custeio são. sabendo-se que o IPI (10%) e o ICMS (17%) são reembolsáveis.

não é o componente básico na composição do produto. De maneira similar podemos calcular os custos da mão-de-obra direta. Para calcularmos a mão-de-obra direta é extremamente importante medir o tempo de cada processo na produção de um produto ou serviço. teríamos 0. São materiais diretos devido à fácil mensuração com o produto.Capítulo 3 Custos considerados materiais indiretos. Exemplo: parafusos na mesa. São facilmente mensuráveis (quantidade por unidade) e compõem o produto final. 16 parafusos 25x17 e 200 ml de tinta preta para aço.50 m2 de madeira (18 mm de espessura).5 hora de mão-de-obra para cortar a madeira. Voltando ao nosso exemplo. Podemos identificar com precisão os custos diretos pelo seu real consumo por produto. ao serem transferidas do estoque para o processo produtivo. e a mão-de-obra do controle da qualidade e da supervisão é considerada mão-de-obra indireta (MOI).4 hora para a pintura e acabamento. é o mais empregado na produção. mas. um controle interno. do ponto de vista da quantidade. No valor total do custo de mão-de-obra é importantíssimo estarem incorporados todos os 75 . Materiais Indiretos: são os materiais empregados na fabricação do produto. Material Secundário é o material direto. uma ficha técnica de produto. 2 kg de barras de aço 8x4. Neste controle temos a quantidade precisa dos componentes integrantes do produto. Com base nesta “receita” e os valores unitários de cada material podemos saber o custo dos materiais diretos desta mesa. É o material que. Materiais Diretos: compreendem a matéria-prima (componente físico que compõe o produto). são considerados materiais indiretos. devido à dificuldade de cálculo quanto à quantidade utilizada em cada produto fabricado. materiais secundários e embalagem. Exemplo: a madeira na fabricação de mesas e o aço. de caráter secundário. Exemplo: caixa onde é embalada a mesa. As matérias-primas em estoque serão aplicadas diretamente no produto e. podemos calcular facilmente o custo de MOD. Embalagens são materiais utilizados para embalagem do produto ou seu acondicionamento para remessa. Ela sofre a transformação no processo de fabricação. mas é perfeitamente identificável ao produto. Matéria-prima é o principal material que entra na composição do produto final. Geralmente para esta identificação temos um controle de medida. 1 hora para a montagem e mais 0. transformam-se em custos de produção. Nesta mesma mesa utilizamos 0. Sabendose o custo por hora de trabalho de cada um destes profissionais.

00 + 67%) x 0.50 Total mão-de-obra direta: R$ 17.5 = R$ 5.05 = R$ 0.50 x R$ 50.0 = R$ 6. salário bruto. Voltando ao nosso exemplo. Valor Unitário da Madeira: R$ 50.00 p kg Valor Unitário do Parafuso: R$ 0. 1 hora para a montagem e mais 0.00 Encargos e Benefícios: 67% dos salários Resolução Materiais Diretos Madeira: 0. Já nos casos em que o funcionário trabalha com vários produtos ou serviços. 13º salário.Gestão Financeira e Custos FURB / SAPIENCE gastos com aqueles funcionários.00 o litro Obs: Nestes valores já estão incorporados os fretes.00 + 67%) x 0. 2 kg de barras de aço 8x4.00 = R$ 25. 16 parafusos 25x17 e 200 ml de tinta preta para aço. Vamos a um exemplo para melhor entendermos os Custos Diretos.50 m2 de madeira (18 mm de espessura). vale alimentação e demais benefícios que houver. Para empresas onde só há um tipo de produto.4 hora para a pintura e acabamento. teríamos 0.00 Valor do salário-hora do montador: R$ 4. em que um funcionário trabalhe em uma máquina que faz apenas um produto ou serviço.00 Valor do salário-hora do pintor: R$ 8. na qual são fabricados vários 76 . seguros. Um funcionário que opera uma máquina.00 o m2 Valor Unitário do aço: R$ 10.00 Aço: 2 x R$ 10. Valor do salário-hora do cortador: R$ 6.01 Montador: (R$ 4. férias.80 Total materiais diretos: R$ 45.00 + 67%) x 1. ou seja. só é considerada mão-de-obra direta caso você possa medir a quantidade de tempo que ele se dedica a cada um dos produtos. é extremamente fácil medir quantas horas ele trabalha e calcular o custo para o produto ou serviço em questão.99 Os custos indiretos são aqueles em que temos alguma dificuldade para medir exatamente a quantidade que é utilizada na produção de uma unidade de um bem.00 = R$ 20.19 = R$ 62.19 Valor total dos custos diretos: R$ 45.5 hora de mão-de-obra para cortar a madeira. FGTS.80 + R$ 17.80 Mão-de-obra Direta Cortador: (R$ 6.05 o parafuso Valor Unitário da Tinta: R$ 10. armazenamentos e demais despesas referentes às compras. ou ainda.00 Parafusos: 16 x R$ 0. vale-transporte. Nesta mesma mesa utilizamos 0.4 = R$ 5.68 Pintor: (R$ 8.

Na prática. Outros exemplos de custos indiretos são a energia. para serem incorporados aos produtos. No método mais simples. utilizamos atividades como base de rateio para os custos e despesas indiretas.Capítulo 3 Custos produtos.” O exemplo clássico é a energia elétrica. a separação dos custos em diretos e indiretos leva em conta a relevância e o grau de dificuldade de medição. Você vai perceber que esta é a única parte em que atuam os diferentes métodos de custeio. constando apenas na Demonstração de Resultados do Exercício. necessitam da utilização de algum critério de rateio. O fato de termos trabalhado primeiro o estudo dos materiais diretos é explicado pela sua utilização em todos os demais métodos de custeio. Os custos diretos (materiais diretos e direta) e os custos indiretos (depreciação. As despesas não serão incorporadas ao cálculo do custo de produção de um produto ou serviço. Os critérios mais comuns são as horas de mãode-obra direta e a quantidade produzida. Segundo Crepaldi (2002. Com base neste critério. por conseqüência. custos diretos e indiretos. etc. etc). devemos classificar esta mão-de-obra como indireta. 18) “os custos indiretos são os que. dentro dos departamentos. primeiro alocaremos todos os custos aos departamentos e depois ratearemos.2 Custeio por Absorção No custeio por absorção devemos escolher um critério para fazermos o rateio dos custos indiretos aos produtos. o recolhimento do imposto de renda.2. Já no método por departamentalização. que é o custeio por absorção. proporcionalmente. Já no custeio ABC. Neste incorporados mão-de-obra manutenção. 3. depreciação de máquinas. aluguel de fábrica. aluguéis. p. método de custeio todos os custos de produção devem ser aos produtos no período. onde o custo é direto. aos produtos. não estão incorporadas na conta de custo do produto vendido. O método de custeio por absorção é um dos métodos válidos para a elaboração das demonstrações financeiras. e não é possível medir o tempo de produção de cada produto. calcula-se. com o custeio por absorção. porém a dificuldade de medição é tão grande que a maioria das empresas considera como indireto. obedecendo aos princípios fundamentais de contabilidade para a apuração dos lucros e. agora vamos trabalhar conceitos um pouco mais avançados. Dica Há várias formas de se ratear os custos indiretos. Muito importante observar que ao custo de produção somente serão incorporados os gastos de produção. simplesmente criaremos um critério de rateio e aplicaremos diretamente. 77 . os valores de cada um dos custos indiretos que devem ser absorvidos por cada produto. Visto o método de custeio direto e indireto.

É especializada em produzir cadeiras. 5) Elabore a DRE.000. 4) Aproprie os Custos Indiretos em função da MOD.000.00 madeira R$ 150.000.000.000 unidades a R$ 34.Vendas: Ps = 10.Salários: Fábrica: R$ 200.00 Demais: R$ 10.00 cada R$ 200.00 Escritório: R$ 5. Médium (Pm) e Premium (Pp).00 .Despesas Gerais: Fábrica: R$ 25.00 aço .000.000.000. Os dados obtidos junto ao controller da empresa no fim do exercício a ser analisado foram: .Energia Elétrica Fábrica: R$ 60.00 Demais: R$ 50.000.Mão-de-obra: Pede-se: 1) Calcule as Vendas de cada produto e o total da empresa.000.000.000 unidades a R$ 60.000 unidades a R$ 26.Comissões sobre vendas: R$ 45.Armazenagem de produtos acabados: R$ 12.000.00 . 3) Aproprie os Custos Diretos.Madeira: 35% Standart 35% Médium 30% Premium 25% Standart 30% Médium 45% Premium 15% Standart 25% Médium 40% Premium .Materiais Diversos de Fábrica: R$ 50. sendo suas principais linhas a Standart (Ps).00 Custos Diretos: .Depreciação Fábrica: R$ 80.000.Matéria-prima: .Aluguel: Fábrica: R$ 12.Aço: .000.Gestão Financeira e Custos FURB / SAPIENCE No exemplo abaixo utilizaremos como critério de rateio as horas de mãode-obra: A empresa Sillas SA. 2) Separe os Custos das Despesas.00 Demais: R$ 25.00 .00 .00 .00 cada Pp = 10.00 . 78 .000.00 .00 cada Pm = 10.

00 25% Pm = R$ 200.25% para o Pm e 50.00 2.00 = 50.00% Assim sendo.00 x 45% = R$ 67.000.00 x 35% = R$ 70.00 = R$ 260.00 x 30% = R$ 60.00 2.1.25% Pp = R$ 80.00 30% Pp = R$ 200.000.00 O percentual dos Custos Indiretos que vão a cada tipo de Produto será calculado como a divisão entre o valor de MOD de cada um pelo total de MOD da empresa.000. 31.000.000.00 45% Pp = R$ 150.000.00 x 15% = R$ 30.00 Obs: O restante (20%) é considerado Mão-de-obra Indireta.500.000.75% dos custos indiretos vão para o Ps.00 Divisão: 35% Ps = R$ 200.000.00 = R$ 600.00 40% Pp = R$ 200.00 x 25% = R$ 37.000.00 x 40% = R$ 80.00 Pp = 10. Custos Diretos 2.00 + R$ 50.000.00 = 18.00 Pm = 10.00 ÷ R$ 160.00 x 30% = R$ 45.00 = R$ 340.000.00 ÷ R$ 160.000.000.00 + R$ 80.000.00 x 35% = R$ 70.000.00 x 25% = R$ 50.Capítulo 3 Custos Resolução: 1.000 X R$ 60. pois estão ligados à produção dos produtos.500.000.2 Aço Custo Total do Aço: R$ 150.1 Madeira Custo Total da Madeira: R$ 200.000.000.2 Mão-de-obra Direta Salários de Fábrica: R$ 200.00 = R$ 160.00 = 31.000.00 30% Pm = R$ 150. 79 .000. 18.000.00 Divisão: 25% Ps = R$ 150. Ps = R$ 30.00 (esta é a parte dos salários que são custos. dentro deste valor estão a Mão-de-obra Direta e a Mão-de-obra Indireta).00% para o Pp.000. 3.1.000. MOD: R$ 30.000.000.000 X R$ 26.1 Materiais Diretos 2.000.000 ÷ R$ 160.000. Receita Ps = 10.00 35% Pm = R$ 200.000 X R$ 34. Critério de Rateio Utilizaremos como critério de rateio a MOD.000.000. Divisão: 15% Ps = R$ 200.000.000.75% Pm = R$ 50.00 2.

50 ÷ 10. Custo Direto: Ps = R$ 70.000. dividiremos os custos totais pelas unidades produzidas.000. somaremos os custos diretos (materiais e mão-de-obra) e os custos indiretos.00 R$ 25. Para calcular os custos unitários.000.500.00 Pp = R$ 60.84 a unidade Pp = R$ 439.00 + R$ 67. Perdas (não havia) e Despesas.00 + R$ 50.500.000.500.Energia Elétrica Fábrica: .Gestão Financeira e Custos FURB / SAPIENCE 4.50 Pp = R$ 207.Despesas Gerais: Fábrica: .000 = R$ 21.00 = R$ 137.000.00 + R$ 37.000.000.Materiais Diversos de Fábrica: .50 = R$ 298.00 Pm = R$ 70.000.500. Cálculo dos Custos Totais e Unitários por Produto Para calcular os custos totais.00 + R$ 45.Depreciação Fábrica: .00 ÷ 10.00 Custo Direto + Indireto Ps = R$ 137.00 = R$ 207.00 + R$ 231.Aluguel: Fábrica: R$ 50.437.50 ÷ 10.062.00 = R$ 165.000.00 + R$ 30.000.000.25% = R$ 133. 80 . As opções são: Investimentos (não havia).00 = R$ 439. No nosso exemplo estes gastos são: .562.00 + R$ 80.437. Custos Indiretos São considerados custos indiretos os gastos ligados à produção de bens ou serviços.500.000 = R$ 43.75% = R$ 80.437. alguns não foram contabilizados como custos.000 = R$ 29.000.76 a unidade Pm = R$ 298.000.500.437.00 + R$ 133.062. Despesas Dos gastos que tínhamos inicialmente.000.500.00 6.00 5.00 R$ 60.50 Pm = R$ 165.562.00 x 31.00 R$ 12.50 = R$ 217. Rateio dos Custos Indiretos Seguindo o que havíamos determinado nos critérios de rateio: Ps = R$ 427.00 Valor total dos Custos Indiretos: R$ 427.00 x 50.50 Pp = R$ 427.500.000.00 R$ 200.00 + R$ 80.000.Salários: Fábrica: .000.000.000.00% = R$ 213.000.00 x 18.00 Custos Unitários Ps = R$ 217.00 R$ 80.000.50 Pm = R$ 427.90 a unidade 7.

Comissões sobre vendas: R$ 12. podem ser classificadas em Administrativas. fixos e semi-fixos.00 R$ 45. leva-se em consideração o comportamento do custo.000.00 Despesas Administrativas: .Despesas Gerais: .00 O total de despesas administrativas é de R$ 90. DRE TABELA 18 – Demonstração do Resultado do Exercício FONTE: Os autores Após o estudo do sistema de rateio de custos indiretos mais simples.00 R$ 5.000. as restantes são consideradas administrativas.000. aprendemos que existe a necessidade de um critério para a divisão deste tipo de custo.00 R$ 50. além de separar os custos de uma forma distinta.Depreciação: .000. As despesas financeiras são basicamente gastos com juros. As comerciais são aquelas ligadas à comercialização.2. o que também não há.Aluguel: Demais: Demais: Demais: Escritório: R$ 25.3 Custeio Variável Neste método de custeio.000. No custeio variável estudaremos uma outra opção.000. por sua vez.Armazenagem de produtos acabados: . Quanto ao comportamento os custos.00 O total de despesas comerciais é de: R$ 67.Capítulo 3 Custos As despesas. 3.00 8. Comerciais e Financeiras. podem ser classificados em: variáveis.Salários: .000. armazenagem e distribuição dos produtos finais. Despesas Comerciais: . 81 .00 R$ 10. Sobraram as despesas comerciais e financeiras.000.

Gestão Financeira e Custos

FURB / SAPIENCE

Já havíamos visto, na seção anterior, os custos diretos. Aqui eles se chamam custos variáveis. Ao longo desta seção trabalharemos com as questões relacionadas a este tipo de comportamento dos custos. Custos Variáveis Quando medimos o nível de atividade em unidades produzidas, há custos que são sempre iguais por unidade. A quantidade de madeira utilizada na fabricação de um tipo de mesa sempre será a mesma. Quando falamos do comportamento dos custos como variáveis significa que eles variam em função da quantidade produzida. Se produzimos uma mesa, consumimos 0,2 metros cúbicos de madeira, por exemplo. Já se produzimos 10 mesas, utilizaremos 0,2 x 10 mesas = 2 metros cúbicos, isto é; varia proporcionalmente à quantidade produzida. Graficamente ficaria da seguinte forma:

CUSTO TOTAL

CUSTO VARIÁVEL TOTAL

CUSTO UNITÁRIO

CUSTO VARIÁVEL UNITÁRIO

UNIDADES

UNIDADES

FIGURA 4: Comportamento dos Custos Variáveis AUTOR: Os autores Você pôde observar que o custo variável unitário se mantém fixo (a quantidade de madeira que gasta em uma mesa, por exemplo) e o valor total do custo variável cresce proporcionalmente à quantidade produzida. A seguir estudaremos a sua antítese, os custos fixos. Custos Fixos São componentes do custo final do produto que não apresentam variação com a mudança no nível de atividade (número de unidades produzidas) pela empresa. Utilizando ainda a fábrica de mesas, o valor do seguro da fábrica ou o salário do supervisor não variam em função das unidades que são produzidas.

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Capítulo 3

Custos

Graficamente ficaria da seguinte forma:

CUSTO UNITÁRIO

CUSTO TOTAL

CUSTO FIXO UNITÁRIO

CUSTO FIXO TOTAL

UNIDADES

UNIDADES

FIGURA 5: Comportamento dos Custos Fixos FONTE: Os autores Afirmam Bruni e Fama (2004) que os custos fixos existem mesmo que não haja produção. Uma forma de agrupá-los é: Custo Fixo de Capacidade (CFC): custos relativos às instalações da empresa, como depreciação, amortização, etc. Custo Fixo Operacional (CFO): relativos à operação das instalações da empresa, como seguro, imposto predial, etc.

Você deve estar atento aos custos fixos, que não variam em função da produção e sim de outros fatores. Por exemplo, se uma conta de telefone apresenta valores diferentes todos os meses, porém não correlacionados com a produção, esses gastos devem ser classificados como fixos - mesmo que possuam variações mensais.

Ao estudarmos os custos variáveis e fixos, ficaram claras as diferenças entre eles. O fato dos custos variáveis unitários manterem-se sempre no mesmo nível, enquanto os custos fixos unitários são decrescentes, é um ponto a se seguir de perto. Outra questão extremamente importante é o custo variável total, que cresce proporcionalmente à quantidade, enquanto os custos fixos não se alteram. Como na vida nada é simplesmente preto e branco, há também os custos semi-fixos, que estudaremos a seguir. Custos Semi-fixos São custos que não se alteram até determinado patamar, tornando-se variáveis a partir de então. Ocorre normalmente quando fechamos “pacotes” com empresas, onde se contrata uma quantidade fixa de algum insumo e, após este patamar, o excedente passa a ser variável. Contas de água, telefone e casos de fornecimento específico de energia se enquadram nesta denominação.

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Gestão Financeira e Custos

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Como você pode perceber, a classificação dos custos em fixos e variáveis é, em teoria, extremamente simples, já a sua aplicação na prática é um pouco mais complicada. A outra opção que temos, e devemos tomar cuidado para não confundir, são os custos semi-variáveis. Custos Semi-variáveis São aqueles custos que trabalham como degraus de uma escada. Mantêmse constante até atingirem um certo patamar e depois crescem verticalmente. Um exemplo é o custo do encarregado (supervisor) de cada turno. Até X pessoas operando naquele turno (por exemplo, 20), ele pode trabalhar sozinho; ao chegar a 21 pessoas se faz necessária a contratação de mais um supervisor. O mesmo ocorre com o aluguel: até que um galpão não esteja totalmente ocupado, o aluguel será de apenas um galpão, caso a empresa necessite de mais espaço ela dificilmente consegue alugar apenas alguns metros quadrados, ela tem que alugar outro galpão. Assim os custos semi-variáveis trabalham em saltos. Agora que conhecemos as quatro maneiras de classificar os custos, em função de seu comportamento unitário (fixos, variáveis, semi-fixos e semi-variáveis), vamos montar uma demonstração de resultados utilizando os custos fixos e variáveis. DRE pelo Método do Custeio Variável Para os gestores de empresas é de extrema importância o conceito de margem de contribuição. Também chamada de contribuição marginal, ela se define como a “sobra” de recursos, já deduzidos os custos e despesas variáveis. Este método de apresentação de resultados não é permitido para fins de apresentações públicas e/ou fiscais, porém tem um importante olhar sobre o gerenciamento do dia-a-dia das empresas, sendo base para a tomada de decisão. Neste método consideramos apenas os custos e despesas variáveis para calcular o custo final do produto, tanto vendido como em estoque. Também é de extrema importância, pois é a base para o cálculo do ponto de equilíbrio, tema que veremos no próximo tópico. Segue abaixo a estrutura de uma DRE pelo método do Custeio Variável: Receita Operacional Bruta (-) Impostos sobre Vendas (=) Receita Operacional Líquida ( - ) Custo do Produto Vendido Variável ( - ) Despesas Variáveis ( = ) Margem de Contribuição ( - ) Custos Fixos ( - ) Despesas Fixas ( = ) Resultado

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00 = R$ 450.00 a unidade = R$ 800. Para Pensar Você já tentou fazer uma DRE da sua empresa? Mesmo que os valores não sejam totalmente reais vamos completar o esquema abaixo: Receita Operacional Bruta (-) Impostos sobre Vendas (=) Receita Operacional Líquida ( .00 85 .00 R$ 300. Custos e Despesas Variáveis = R$ 100.) Custos Fixos ( .00 R$ 50. deduzimos a receita já líquida (após impostos) dos custos e despesas variáveis.00 + R$ 300. A margem de contribuição da DRE (a soma das margens dos diversos produtos) deve ser superior aos custos e despesas fixas do período para que o resultado seja positivo.) Despesas Variáveis ( = ) Margem de Contribuição ( .000.Capítulo 3 Custos Na demonstração acima você pode observar que.00 + R$ 50.00 R$ 250.000 unidades 1) Elaborar a Demonstração do Resultado do Exercício pelo Método de Custeio direto e ou variável.000.000. Receita = 40. 2) Qual é a margem de contribuição? Resolução: 1.00 Preço Unitário do Produto: R$ 20.A.00 a unidade Quantidade Produzida: 40. teve a seguinte estrutura de custos no ano de 2007: Materiais diretos Mão-de-obra direta Custo Indireto Variável de Fabricação Custo Indireto de Fixo de Fabricação R$ 100.000.000.000. para o cálculo da margem de contribuição.000.00 2.) Custo do Produto Vendido Variável ( .000.000 unidades x R$ 20.) Despesas Fixas ( = ) Resultado Vamos resolver o exemplo a seguir para melhor entender o funcionamento deste método: A empresa do Zé S.000.

por exigir controles mais rígidos. O início de qualquer trabalho pelo método ABC é a definição de quais atividades serão medidas. Custos e Despesas Fixas = R$ 250. Conforme Eller (2000. Existe a necessidade de mensurar vários aspectos relacionados às atividades.000. Elas devem ser importantes para a produção do bem ou serviço. Martins (2003. é um método de custeio onde o rateio dos custos indiretos se faz em função das atividades ligadas ao processo produtivo da empresa.00 R$ 450. 87).82). em Harvard. p. tendo como objetivo a produção de produtos”. possibilita a implantação e o aperfeiçoamento dos controles internos da empresa.00 Vistos os métodos de custeio por absorção e o custeio variável.] direcionadores de custos de atividades”. onde também trabalhamos a DRE e a margem de contribuição.00 R$ 350. 3.00 3. onde necessitamos dos conceitos de custos diretos e indiretos e aprenderemos o que é e como se comporta uma atividade.00 R$ 100. de forma adequada..000. A idéia básica é atribuir primeiramente os custos às atividades e posteriormente atribuir custos das atividades aos produtos. DRE Receita (-) Custos e Despesas Variáveis (=) Margem de Contribuição (-) Custos e Despesas Fixas (=) Resultado R$ 800. métodos e seu ambiente.000. ou custeio ABC (Activity Based Costing).000. 86 . Segundo Martins (2003.000. p.4 Custeio ABC Custeio baseado em atividades. pessoas. dependendo da sua necessidade. o Custeio Baseado em Atividades “é uma metodologia de custeio que procura reduzir sensivelmente as distorções provocadas pelo rateio arbitrário dos custos indiretos”.00 R$ 250. p. O sistema de custeio baseado em atividades procura amenizar as distorções provocadas pelo rateio. explica atividade “como um processo que combina. Esta metodologia foi desenvolvida pelos professores americanos Robert Kaplan e Robin Cooper em meados da década de 80.96) para atribuir custos às atividades e posteriormente aos produtos utilizam-se de direcionadores. O nível de detalhamento pode variar de empresa a empresa.Gestão Financeira e Custos FURB / SAPIENCE 4. p. necessário aos métodos tratados anteriormente.. Segundo Martins (2003.] direcionador de custos de recursos. p.2.. Um dos diferenciais do método de custeio ABC é que a sua utilização.. e os [.42). Já Nakagawa (2001. materiais. agora seguiremos nosso estudo com o método de custeio ABC. “o Custeio Baseado em Atividades parte da premissa de que as diversas atividades desenvolvidas geram custos e que os produtos consomem essas atividades”. tecnologias. duas das ferramentas mais importantes para um gestor.000.96) diz que: “há que se distinguir dois tipos de direcionador: [.

Preço da diária R$ / apto.00 o fashion duplo (FD). durante o ano. 3º Incorporação dos Custos Indiretos às Atividades. A quantidade de quartos de cada tipo: Básico Simples (Bs) – 10 quartos Básico Duplo (Bd) – 20 Fashion Simples (Fs) – 5 quartos Fashion Duplo (Fd) – 15 quartos Os custos diretos e os preços são os seguintes: TABELA 19 – Custos Diretos e Preços Unitários Standard Simples Custos Diretos R$ / apto. R$ 130. 2º Determinação dos Custos e Despesas Indiretas. Os preços das diárias são de R$ 70. 4º Cálculo do número de vezes que cada Atividade é realizada para cada Produto.Capítulo 3 Custos O esquema de custos ABC segue o seguinte esquema: 1º Diagnóstico das Atividades que serão o critério de rateio. FONTE: Os autores 15 75 Duplo 30 100 Luxo Simples 20 150 Duplo 35 200 87 .00 o básico duplo (BD).00 o fashion simples (FS) e R$ 200.00 o básico simples (BS). 5º Incorporação das Atividades aos Produtos. A taxa de ocupação média dos quartos básicos é de 70% e dos quartos fashion é de 65%. R$ 110. e de categoria Fashion simples e duplo. Exemplo: O Hotel Alfa possui apartamentos das categorias Básico simples e duplo.

Gestão Financeira e Custos FURB / SAPIENCE Por meio de entrevistas.Atividades Atividades Inspecionar apartamentos Recepcionar hóspedes Requisitar materiais Lavar roupa (enxoval) Total FONTE: Os autores Os custos e despesas fixos estruturais totalizam R$ 387.500 h 2 por diária 4.000 Luxo Simples 500 h 1 por diária 670 4. c) O lucro operacional do Hotel.600 147.000 Duplo 1.230 37.467.900 147.000 Duplo 1. 88 .500 13. e não devem ser rateados. em porcentagem.00 por ano.500 579. b) O custo de cada categoria.000 R$ ano 149. A administração fez um levantamento dos direcionadores de custos dessas atividades. etc. verificouse que os principais custos indiretos referiam-se às seguintes atividades relevantes: TABELA 20 . por categoria de apartamento. pelo ABC. São eles: TABELA 21 – Direcionadores de Custos Standard Simples Tempo gasto por inspeção Nº de hóspedes 300 h 1 por diária 700 5.553 134.100 h 2 por diária 1. análise de dados na contabilidade.553 Nº de requisições Quilogramas de lavagem FONTE: Os autores Pede-se calcular: a) A Margem Bruta.

800.00 Custos Indiretos: devemos dividir os custos indiretos (inspecionar apartamentos.100.000.110 diárias Fs = 5 x 65% x 365 = 1.300.555 x R$ 70.110 x R$ 110.200.00 Total Hóspedes: (2.Capítulo 3 Custos Resolução: RECEITA Número de Diárias: Número de Quartos x Taxa de Ocupação x Dias do Ano (365) Bs = 10 x 70% x 365 = 2.553.00 Total de horas de Inspeção: (300 + 1.00 = R$ 153.00 Fd = 3.600.00 = R$ 23.00 Fd = 3.186 x R$ 20.500 + 500 + 1.555 + 2x5.00 = R$ 38.110 + 1.00/hora = R$ 48.00 Fd = 1.850. número de hóspedes.555 x R$ 15.565. número de requisições e quilogramas de lavagem): Inspecionar Apartamentos: R$ 149.110 x R$ 30.00 Bd = 5.559) = 21.186 x R$ 130.559 diárias Receita: Número de Diárias x Preço por Categoria Bs = 2.559 x R$ 200.00 CUSTOS Custos Diretos: Número de Diárias x Custo Direto Unitário Bs = 2.00 = R$ 124.100) = 3.00 Fs = 500 horas x R$ 44.00 Recepcionar Hóspedes: R$ 147.720.00 Bd = 1.00 Fs = 1.00 Receita Total: R$ 1. requisitar materiais e lavar roupa) pela quantidade total dos direcionadores destes custos (tempo de inspeção.00 = R$ 562.186 + 2x3.00 por hora de inspeção Bs = 300 horas x R$ 44.325.600.00 Bd = 5.500 horas x R$ 44.00 Fs = 1.400 horas Custo/h de Inspeção: R$ 149.559 x R$ 35.00/hora = R$ 13.180.100 horas x R$ 44.00 = R$ 711.00 ÷ 3.400.079 hóspedes 89 .930.00 = R$ 154. recepcionar hóspedes.00/hora = R$ 22.606.00 = R$ 178.400 = R$ 44.186 diárias Fd = 15 x 65% x 365 = 3.000.555 diárias Bd = 20 x 70% x 365 = 5.00/hora = R$ 66.

100 = R$ 19.00 R$ 71.00 Bd = 10.730.00 R$ 92.500.00/hóspede = R$ 49.00 Fd = 13.00 Fs = 670 requisições x R$ 19.000.00 Bd = 4.555 hóspedes x R$ 7.00 Fs = 1.885.900.200.220 hóspedes x R$ 7.00 Número de Requisições: (700 + 4.00 Requisitar Materiais: R$ 134.500.00 R$ 53.000.50 por kg Bs = 5.500.00 ÷ 7.730.826.230 + 670 + 1.Gestão Financeira e Custos FURB / SAPIENCE Custo de recepção por hóspede = R$ 147.00 R$ 12.00 R$ 17.100 requisições Custo unitário da requisição = R$ 134.302.300.00 Bd = 37.000 kg x R$ 2.00/hóspede = R$ 8.00 R$ 22.300.00 Total: Bd = Inspecionar Recepcionar Requisitar Lavar - Total: Fs = Inspecionar Recepcionar Requisitar Lavar - Total: 90 .553.00) = 59.00 R$ 56.00 R$ 10.50/kg = R$ 12.032.00 Lavar Roupa: R$ 147.500) = 7.500.302.540.500.00/requisição = R$ 12.000 + 4.00 Fs = 4.000 + 13.370.500.50/kg = R$ 32.00 R$ 310.00 R$ 13.00 Fd = 7.00 R$ 12.118 hóspedes x R$ 7.500.00 R$ 66.410.000 kg x R$ 2.00/requisição = R$ 28.00/hóspede = R$ 71.50/kg = R$ 92.900.230 requisições x R$ 19.00 R$ 80.00 por hóspede Bs = 2.00/requisição = R$ 80.000 = R$ 2.000 kg x R$ 2.00 ÷ 21.885.500.186 hóspedes x R$ 7.00 por requisição Bs = 700 requisições x R$ 19.500 requisições x R$ 19.540.000.000.000 kg x R$ 2.079 = R$ 7.00/requisição = R$ 13.00/hóspede = R$ 17.00 Número de Quilogramas: (5.000 quilogramas lavados Custo do kg lavado = R$ 147.00 R$ 8.50/kg = R$ 10.000 + 37.00 Fd = 1.00 Total Custos Indiretos: Inspeção + Recepção + Requisição + Lavar Roupa Bs = Inspecionar Recepcionar Requisitar Lavar R$ 13.885.00 ÷ 59.370.

325.00 Para calcularmos a Margem Bruta (MB) devemos deduzir os Custos Diretos (CD) e os Custos Indiretos (CI) das Receitas. o nosso trabalho.500.885.00 = R$ 463.226.300.00 R$ 28. No exemplo acima as atividades e os direcionadores de custos já estavam delimitados.00 + R$ 53.410. e muito.00 Como nós pudemos observar.226.00 + R$ 159. Você pode se surpreender!!! 91 . porém é necessário muito mais informação para que possamos calculá-lo de forma correta.500. encontrar as principais atividades e os direcionadores de custos e montar um sistema de custeio ABC.00 = R$ 283. na sua empresa.Capítulo 3 Custos Fd = Inspecionar Recepcionar Requisitar Lavar - Total: a) Margem Bruta R$ 48.00 + R$ 310.559 = R$ 79.752. o custeio ABC (por atividades) é mais justo no rateio dos custos indiretos. facilitando.720.791.826.00 R$ 159.00 ÷ 2.72 / unidade Fd = R$ 124.467.Demonstração de Resultados do exercício por produtos e total FONTE: Os autores b) Custo Total por Categoria: CD + CI Bs = R$ 38.00 R$ 32.74 / unidade c) Lucro Operacional Nós o calcularemos deduzindo os custos e despesas fixas estruturais da Margem Bruta já calculada: Lucro Operacional: R$ 687.00 R$ 49.00 – R$ 387. Tente você.565.26 / unidade Bd = R$ 153.00 = R$ 76.110 = R$ 90.210.710.00 + R$ 56.00 ÷ 3.000.032.00 = R$ 95.467. TABELA 22.555 = R$ 37.00 ÷ 1.186 = R$ 64.75 / unidade Fs = R$ 23.00 ÷ 5.400.00 = R$ 300.

Médium (Jm) e Premium (Jp).00 cada Vm = 1.00 aço .00 Escritório: R$ 500.000 unidades a R$ 50. 5) Elabore a DRE.Depreciação Fábrica: R$ 8.Materiais Diversos de Fábrica: R$ 5.Comissões sobre vendas: R$ 2.Madeira: 25% Standart 25% Médium 50% Premium 25% Standart 40% Médium 35% Premium 35% Standart 35% Médium 30% Premium . 4) Aproprie os Custos Indiretos em função da MOD.Vendas: Vs = 1.00 Demais: R$ 2.00 .00 .000.Matéria-prima: .00 Demais: R$ 1.000.000 unidades a R$ 44. 2) Separe os Custos das Despesas.00 .500.000.Armazenagem de produtos acabados: R$ 1.500.000 unidades a R$ 36.200.000.Gestão Financeira e Custos FURB / SAPIENCE Atividade Complementar 1) A empresa Ventanas Ltda.00 .00 cada R$ 40.200.Energia Elétrica Fábrica: R$ 6.00 cada Vp = 1. 92 . sendo suas principais linhas a Standart (Js).00 .000.Salários: Fábrica: R$ 20.00 Custos Diretos: .00 .00 Demais: R$ 5.000.Aluguel: Fábrica: R$ 1.Despesas Gerais: Fábrica: R$ 2. É especializada em produzir janelas.Mão-de-obra: Pede-se: 1) Calcule as Vendas de cada produto e o total da empresa.Aço: .500.00 . 3) Aproprie os Custos Diretos.000.000. Os dados obtidos junto ao controller da empresa no fim do exercício a ser analisado foram: .00 madeira R$ 50.

00 o B Premium (Bp).000 unidades . possui duas classes de produto e duas variações de cada classe.000 unidades . O Produto A Luxo e Premium e o Produto B Luxo e Premium. A quantidade de vendas de cada tipo: .Al 4. Os preços dos produtos são de R$ 10.00 o A Luxo (Al).A.500 unidades .Ap 8.000 unidades Os custos diretos e os preços são os seguintes: 93 . R$ 13.Bp 7.00 A Premium (Ap).00 o B Luxo (Bl) e R$ 20. investimentos (I) ou perda (P).Capítulo 3 Custos 2) Os elementos seguintes podem ser classificados em custos (e despesas) fixos (CF). R$ 11. TABELA 23 – Tipos de Gastos Elemento a) Comissões sobre venda b) Consumo de madeira para a fabricação de uma mesa c) Energia elétrica consumida na área administrativa d) Energia elétrica consumida na área de produção e) Distribuição de mercadorias vendidas f) Compra de caminhões g) Fretes e Seguros sobre as matérias-primas compradas h) Depreciação máquina da fábrica i) Depreciação dos equipamentos de informática para a administração j) Manutenção das máquinas k) Compra de maquinário l) Seguros da fábrica m) Seguros das lojas comerciais n) Supervisão da linha de produção o) Limpeza e conservação do prédio administrativo p) Consumo de materiais indiretos q) Custos de um Incêndio r) Matéria-prima s) Material de escritório t) Embalagem para os produtos u) Salários do pessoal administrativos v) Despesas dos carros dos vendedores CV CF P I FONTE: Os autores 3) A Empresa Você S.Bl 2. custos (e despesas) variáveis (CV).

00 R$ ano 15.000 Duplo 15.000 FONTE: Os autores 94 .000 h 800 670 4.200 700 5.100 h 1.Gestão Financeira e Custos FURB / SAPIENCE TABELA 24 .00 R$ 11. A administração fez um levantamento dos direcionadores de custos dessas atividades.230 37.75 R$ 13.000 14.00 Premium R$ 4.000 h 3.000 3.75 R$ 20.000.600 4.00 por ano e não devem ser rateados.500 Luxo Simples 5.Direcionadores de Custo Standard Simples Tempo gasto em corte Metros de transporte No de montagens Tempo gasto em acabamento B Premium R$ 3. verificou-se que os principais custos indiretos referiam-se às seguintes atividades relevantes: TABELA 25 .500 60. São eles: TABELA 26 .000 Duplo 11.500 13.50 R$ 10.00 Luxo R$ 2. análise de dados na contabilidade.Custos Diretos e Preços Unitários A Luxo Custos Diretos Preço FONTE: Os autores Por meio de entrevistas.00 R$ 1.250 1.Atividades Atividades Cortar Produtos Transportar Produtos Montar Produtos Acabar Produtos Total FONTE: Os autores Os custos e despesas fixos estruturais totalizam R$ 30.000 h 1.000 14.000 17. etc.

Quanto maior a quantidade produzida. já que a análise dos custos só pode ser realizada se entendemos a natureza deles. Pudemos também comprovar que a única diferença entre os métodos está no rateio dos custos indiretos (nos custos diretos todos os métodos realizam os mesmos cálculos). O seguimento do nosso estudo depende da compreensão do que vimos até aqui. variável. Esta é uma questão que requer análise. que é influenciada pelo comportamento (fixo. Muitas vezes nos deparamos com gestores repetindo o mantra: “devemos produzir e vender mais para diluir os custos e despesas fixas”. Volume e Lucro Conforme já vimos no tópico anterior.00 e os custos e despesas totais fixas são de R$ 2. volume e lucro e o ponto de equilíbrio são. pelo ABC. menor o peso dos custos e despesas fixas no custo total do produto ou serviço. semi-fixo e semi-variável) dos custos. Não é nossa pretensão esgotar o tema. já que é real.000. Os custos e despesas variáveis de cada computador são de R$ 800. variáveis.000 unidades a um preço unitário de R$ 1. que é assunto de livros inteiros na bibliografia financeira.00. as ferramentas mais utilizadas no dia-a-dia. Ela recebe uma proposta de exclusividade onde a empresa TLMKT Ltda compraria a produção de um ano de atividades. A proposta da TLMKT Ltda é a compra de 10. 3.00 reais.3. c) O lucro operacional da Empresa. volume e lucro. b) O custo de cada produto.3 ANÁLISES DE CUSTOS Após entendermos os métodos de custeio. A análise das relações custo. faremos uma breve exposição de alguns tipos de análise que podem ser feitas com os dados obtidos pelos métodos de custeio. fabrica computadores de última geração.200. há custos e despesas que são fixas. direto e indireto e ABC (baseado em atividades). Vamos calcular o resultado da operação? 95 .Capítulo 3 Custos Pede-se calcular: a) A Margem Bruta. comumente. 3. Imaginemos o seguinte exemplo: A empresa Ordenadores S. A seguir trabalharemos com a relação entre custo.1 Análise das Relações Custo.000. semi-fixos e semi-variáveis – além dos métodos de custeio – por absorção.A. por produto. Aqui chegamos ao final do estudo dos métodos de custeio deste caderno. em porcentagem. Estudamos o comportamento dos custos em duas vertentes – os custos diretos e indiretos e os custos fixos. já deduzidos os impostos sobre venda.

000 unidades x R$ 1.00 ao ano DRE Receita (-) Custos e Despesas Variáveis (=) Margem de Contribuição (-) Custos e Despesas Fixas (=) Resultado R$ 14.400.800. um incremento de 20% na Receita resultou um incremento de 40% no Resultado da empresa.00 ÷ R$ 14. Com base nestes dados.000.00) da Receita e a Margem de Contribuição corresponde a 33.000.00 Custos e Despesas Variáveis 12.A. O que aconteceria com o Resultado do período? E com a Margem de Contribuição? Receita 12.00 Como nós podemos observar. A estrutura da Ordenadores S.000.000.00 Como nós podemos observar. Esta é uma análise custovolume-lucro.000.00 Custos e Despesas Fixas R$ 2.33% da Receita (R$ 4.000 unidades.00 ao ano DRE Receita (-) Custos e Despesas Variáveis (=) Margem de Contribuição (-) Custos e Despesas Fixas (=) Resultado R$ 12.000.00).200.000.000.000.000 unidades x R$ 800.000. Interpretando o resultado.400.000.44% (R$ 2.000.Gestão Financeira e Custos FURB / SAPIENCE Receita 10.00 a unidade = R$ 12.000.000.000 unidades x R$ 1.00 R$ 2.800.33% da Receita (R$ 4.400. 96 .00 ÷ R$ 12.000.000.000.00 a unidade = R$ 9. suporta este incremento sem nenhum tipo de modificação (não variam os custos fixos).000.00 Custos e Despesas Variáveis 10. etc.000.00 ÷ R$ 12.00 Custos e Despesas Fixas R$ 2.00 R$ 2.00 R$ 9.000.800.000.000. ou seja.000.00 R$ 2.000. o Resultado corresponde a 19.000.000.00) da Receita e a Margem de Contribuição corresponde a 33.00 ÷ R$ 14. descontos.600.000. o Resultado corresponde a 16.00 a unidade = R$ 8.000.00).67% (R$ 2.00 a unidade = R$ 14.00 R$ 4.600.800.00 R$ 4.400.00 R$ 8.000.000.000.000. os gestores podem tomar decisões sobre incrementos da produção.000.00 R$ 2.200.000. Vamos propor uma modificação? Imagine que a TLMKT Ltda resolva comprar 20% a mais de computadores neste ano.000.000. 12.000.000.000 unidades x R$ 800.

A fórmula de cálculo segue abaixo: Ponto de equilíbrio = Q = CF ÷ (pv-cv) Onde. são duas importantes ferramentas para os gestores.50. 97 . volume e lucro é de extrema importância para qualquer gestor.= 500 unidades R$ 100.00. Vamos a ele! 3.000. Q = Quantidade de unidades do ponto de equilíbrio.R$ 2.000.00 R$ zero taxa de M.500/5.C: 2. portanto.000 = 0.00 .00 .000.500. É importante frisar que o ponto de equilíbrio só poderá ser calculado quando utilizamos a metodologia do custeio variável. que o preço (pv) de venda por unidade de produto seja igual a R$ 100.00 Q= Resultado projetado: Receita de Vendas (-) Custos Variáveis operacionais (=) Margem de Contribuição (-) Custos Fixos operacionais (=) LAJIR R$ 50.2 Ponto de Equilíbrio O ponto de equilíbrio é o número mínimo de unidades de um determinado produto.00. cv = Custo variável unitário.00 e que o custo operacional variável por unidade (cv) seja de R$ 50. Nesse nível de vendas.000. e o total dos custos fixos. para se obter o volume de vendas no ponto de equilíbrio. aplicando a equação acima.R$ 25. No ponto de equilíbrio o resultado operacional de um dado produto é igual a 0. CF = Custos e Despesas Fixas Totais. que já vimos no custeio variável. pv = Preço unitário de venda.50 Conclusão: Caso a empresa venda 500 unidades do produto.00 R$ 25. Na literatura acadêmica você também pode encontrar a expressão em inglês break even point.000. que utiliza conceitos de custos fixos e variáveis. Façamos um exemplo para fixar o conteúdo: Supondo que uma empresa tenha custos operacionais fixos (CF) equivalentes a R$ 25.00 . Para calculá-lo devemos utilizar os valores unitários do preço e dos custos e despesas variáveis. correspondendo a um volume de vendas de R$ 50. O item que ainda nos falta para ter o tripé básico para gerenciar as informações decorrentes dos custos é o ponto de equilíbrio. os custos fixos e variáveis estão cobertos.3.000. Juntamente com o estudo da margem de contribuição. o lucro operacional da empresa deve se igualar a zero. teremos: R$ 25.Capítulo 3 Custos A análise custo.00 -----------------------.00. que deve ser produzido e vendido para que sejam cobertos os custos e despesas relativas ao ele.

Para outros serviços as margens podem ser de 16% ou 32% 98 .Gestão Financeira e Custos FURB / SAPIENCE Atividade Complementar 1) Determinar o ponto de equilíbrio operacional. vamos aproveitar o conhecimento que já acumulamos para aprender a formar o preço mínimo de venda e compará-lo com o que o mercado trabalha. Lucro Presumido ou Super-Simples na esfera federal. de uma empresa a partir dos seguintes dados e fazer a demonstração de resultado: Preço unitário de venda: R$ 60.4. Caso ela deseje vender abaixo do custo ao menos será consciente disso. quando for o caso. seja Lucro Real.1 Impostos Para calcularmos um preço. perca mais dinheiro.00 Custos operacionais fixos: R$ 400.00 Margem de contribuição: R$ 40. Também não podemos esquecer dos impostos estaduais e municipais. 3. coletando e calculando os dados para utilizálos para a tomada de decisão. em quantidade de vendas. a cada vez que vende mais. sobre cada cliente. se possível. 3. ou ao menos um valor orientativo. do preço de venda. Para as empresas que trabalham no Lucro Real os impostos são os já conhecidos (ver Capítulo 1 do presente material). No regime do Lucro Presumido.000. o fisco presume margem de lucro na maioria das atividades industriais.4 FORMAÇÃO DO PREÇO DE VENDA Os conceitos de custos são de extrema importância para a formação. ou ao menos para o controle.00 Agora que já conhecemos as principais formas de se analisar as informações geradas pelos custos. A gestão de preços é algo muito particular de cada organização. envolvendo questões estratégicas. Estes dados são úteis para que a empresa não atue no mercado com o preço abaixo dos custos e. é de suma importância conhecer o seu regime tributário. costuma ser igual a 8% da receita operacional bruta e a alíquota a ser aplicada sobre essa base presumida será de 15% a 25% mais a CSLL.00 Custos variáveis unitários: R$ 20. É importante que o gestor tenha a informação sobre cada produto e.

ou o preço. ICMS.Gastos Variáveis sobre o Preço Final Gasto Comissões Pis/Cofins ICMS Lucro Somatória FONTE: Os autores Percentual 8. Não é o objetivo deste material ser um guia de tributos.4.0 % 3. O markup nada mais é que um marcador. tais como: comissões. Para constituir um markup devemos somar os percentuais incidentes sobre o preço de venda. 12% de ICMS e quer obter 20% de lucro.2 Markup O método de custeio utilizado pela empresa é de fundamental importância na sua precificação. em que deveria estar o produto para gerar a margem de contribuição (ou lucro. utilizaremos alguns exemplos mas não entraremos nos pormenores da questão. a empresa necessita adicionar o montante das despesas operacionais aos custos para chegar ao conceito de gasto total para formar os seus preços.65% 99 . Além do conceito de custeio por absorção. 3. É o ponto. Na constituição do markup precisamos conhecer todos os gastos relacionados diretamente com as vendas. departamentalização ou ABC. p.65% 12% 20% 43. distribuição e um lucro desejado.65% de PIS/COFINS.Capítulo 3 Custos Imposto de Renda Mensal TABELA 27 – Impostos sobre diferentes atividades FONTE: ASSEF (1999. ou todos os gastos proporcionais ao preço de venda. dependendo do caso) mínima que a empresa exige. desta forma. que no nosso exemplo seria: TABELA 28 . Vamos a um exemplo: a nossa empresa de mesas e cadeiras (para que mudar se ela vai tão bem)? Imagine que a empresa paga 7% de comissões.27). Pis/Cofins. As questões tributárias devem estar muito claras na hora de analisar os preços praticados por uma empresa. 3.

65% = 56. O que significa isso? Significa que devemos multiplicar o valor que é o somatório dos custos e despesas por 1. dado o lucro que a empresa deseja.35% 20% FONTE: Os autores Saiba Mais Para você que quer se aprofundar no assunto.org. COMPROVAÇÃO TABELA 29 .51 R$ 85.00 x 1. ou ao menos o preço orientativo.com.35%.Demonstração de Resultados Preço de Venda (-) COMISSÕES (-) ICMS (-) PIS/COFINS (-) Custos e Despesas (=) Resultado da mercadoria R$ 150. então o valor orientativo de venda. será de R$ 85.7746 = R$ 150.84 R$ 12.16 100% 8% 12% 3.abcustos.00.07 R$ 18.br/ 100 . Com este valor fazemos a seguinte divisão: 1 ÷ 56. há mais informações (e extremamente atualizadas) sobre custos em: http://www.10 R$ 5.35% = 1. os impostos e as despesas com comissões.portaldecontabilidade.Gestão Financeira e Custos FURB / SAPIENCE Para calcular o preço dos produtos devemos fazer o seguinte cálculo: 100% . Imaginemos que o somatório dos custos e despesas da nossa mesa tenha sido de R$ 85.7746 para obtermos o preço final.00 R$ 30.43.65% 56.br/ http://www.7746.84.

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