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Curso de Qualificação Básica em Refrigeração e Ar Condicionado a Distância - IF - SC 1

INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E


TECNOLOGIA DE SANTA CATARINA – IF - SC

CAMPUS SÃO JOSÉ

ÁREA DE REFRIGERAÇÃO E AR CONDICIONADO

TRABALHO

CALOR

CURSO DE FORMAÇÃO INICIAL E CONTINUADA


EM REFRIGERAÇÃO E AR CONDICIONADO

MÓDULO 1
TERMODINÂMICA BÁSICA
CURSO RAC BÁSICO – PARTE 2
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1.8. Propriedades Termodinâmicas

No item 1.7 você estudou o sistema termodinâmico. Agora vamos ver que as
propriedades termodinâmicas representam as características que uma substância
possui. Elas são muitas vezes tabeladas para um determinado estado em que a
substância se encontre. Para cada substância, temos na literatura, diversas tabelas com
as propriedades termodinâmicas de interesse. Quanto uma substância tem suas
propriedades alteradas é porque a mesma sofreu uma transformação termodinâmica.
Por exemplo, o fluido refrigerante na forma de vapor é comprimido ao passar pelo
compressor.
As principais propriedades termodinâmicas são: Temperatura, pressão, energia
interna, entalpia, volume específico, condutividade térmica, calor latente de fusão,
calor latente de vaporização, entropia, título e massa específica. Convido você agora
para, juntos, explorarmos essas propriedades. Vamos lá?

1.8.1. Temperatura

A temperatura é associada à agitação molecular de um corpo. Quanto mais quente


um corpo, maior sua agitação molecular. Podemos observar que do ponto de vista
macroscópico, a temperatura está associada a uma sensação térmica de quente e de frio.
Porém, essa sensação não é suficiente para se afirmar que um corpo está quente ou frio, pois
nossa sensação é relativa.
Os equipamentos mais comuns para se medir temperatura são os termômetros. Eles
contêm em seu interior um fluido que se dilata com o recebimento de calor (por exemplo o
mercúrio, Hg) e possuem escalas graduadas que permitem aferir se um corpo está mais quente
ou mais frio que outro. Diversas escalas de temperatura são encontradas na atualidade como
Kelvin (K), Celsius (C), Fahrenheit (F) e Rankine (R). Nos dias de hoje temos também outros
dispositivos que utilizam o comportamento elétrico dos materiais para produzir sinais
elétricos como os termopares e termoresistências. Para realizarmos a transformação de uma
temperatura para outra podemos utilizar diversas equações para conversão como segue:
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Para transformar uma temperatura da escala Fahrenheit para a escala Celsius vamos
fazer:

TC (TF 32)
(1.2)
5 9

Já para transformarmos uma temperatura da escala Kelvin para Celsius fazemos:

TC TK 273,15 (1.3)

Ficou Claro? Observe a figura 1.9 e você vai ver as temperaturas de referência para
as escalas Celsius, Fahrenheit e Kelvin.

o o

C F K

EBULIÇÃO DA ÁGUA 100 212 373

FUSÃO DO GELO 0 32 273

Figura 1.9 –Escalas termométricas para medição de temperatura.

Uma forma eficaz de mostrar porque não podemos confiar na nossa sensação térmica
é esta interessante fábula:

1) Vamos converter os valores de temperatura abaixo:


( a ) 90 °F = _________ °C
( b ) 310 K = _________ °C
( c ) 110°F = _________ K
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TC 90 32 TC 58 58
a) TC 5. TC 32 C
5 9 5 9 9

b) TC TK 273,15 TC 310 273,15 TC 36,85 C

TC 110 32
TC 43,3 C
c) 5 9
TK 43,3 273,15 316,45K

Ficou claro para você? Ótimo, então vamos falar agora sobre pressão.

1.8.2. Pressão

O que
é pressão ?

RAC

Veja, a pressão atuando em um ponto de um fluido, é igual em todas as direções e


pode ser definida pela componente normal da força aplicada por unidade de área.
Observe:

Força
Pressão (1.4)
Área
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Um exemplo de pressão muito comum é a atmosfera, a qual estamos sujeitos. Esta


pressão é resultado da camada de ar sobre nossos corpos e é avaliada em 101325 pascal ou 1
atmosfera (1 atm). Para fins práticos pode-se arredondar esta pressão para 100000 Pa que é
exatamente igual a 1 bar. Você pode observar ainda que, esta pressão equivale a termos uma
camada d'água de cerca de 10 metros sobre nossas cabeças e desta forma, cada vez que um
mergulhador desce 10 metros percebe um aumento de 1 atmosfera.
Em um sistema de refrigeração há pressões elevadas (da ordem de 20 bar), muito
maiores que a atmosfera, porém em diversas situações somos obrigados a trabalhar com
pressões pequenas e até mesmo com vácuo. Você sabia que há vários tipos de pressão? Pois é,
se definirmos a pressão de um gás tendo como referência a atmosférica, então esta é chamada
de pressão relativa ou manométrica. Senão, a pressão é dita absoluta.

1.8.3. Massa Específica ou Densidade

A massa específica de um corpo é caracterizada por uma relação da sua massa com
o seu volume. Ou seja, um corpo pode ter um grande volume e possuir pouca massa, como é
o caso dos isolantes térmicos. Há substâncias que têm pequeno volume mas, possuem
elevada massa. Essas substâncias têm, então, uma densidade elevada. Como exemplo,
lembramos que os navios possuem densidade inferior a da água e por isso flutuam sobre a
mesma, como uma rolha de cortiça é capaz de fazê-lo em um copo d’água.

Tabela 1.4- Massas específicas aproximadas para diferentes materiais

Material Massa específica [kg/m3]


Aço 7600
Óleos 800
Alumínio 2700
Mercúrio 13600
Água líquida 1000
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Vamos refletir juntos sobre esta questão:


Qual a massa de uma chapa de aço (densidade de 7600kg/m3), com 2 metros
quadrados de área e 4 mm de espessura (4mm é igual a 0,004m)? Para resolver a questão
devemos lembrar a definição de densidade ou massa específica:
Veja o cálculo:

massa
densidade
volume
massa densidade. volume
volume 2m 2 .0,004m 0,008m 3
kg
massa 7600 3
.0,008m 3 60,8kg
m

Acompanhou o raciocínio? Então vamos em frente.

1.8.4. Calor Específico

Nós estudamos calor no item 1.4 lembra-se? Pois bem, a pergunta agora é: você
saberia dizer o que é calor especifico?
Pois é, calor Específico de um corpo, é a quantidade de calor necessária para elevar a
temperatura de uma unidade de massa do corpo de um grau de temperatura. Em unidades
métricas, é a quantidade de calor, em Kcal, necessária para elevar a temperatura de 1 Kg do
corpo de 1 C. Pela própria definição das unidades de quantidade de calor, o calor específico
da água é 1,0. Como a maioria dos corpos requerem menos energia calorífica do que a água
para uma dada alteração de temperatura, os seus calores específicos são menores que 1,0.
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Tabela 1.5- Calor específico para diversas substâncias sólidas

Substância Calor específico Calor específico


(kcal/kgoC) (kJ/kgoC)
Cobre 0,032 0,13
Óleo 0,31 1,29
Alumínio 0,22 0,92
Água líquida 1,00 4,18
Água gelo 0,50 2,09
Água vapor 0,48 2,00

O calor específico indica a facilidade ou dificuldade que uma substância tem para
variar sua temperatura quando é adicionado ou retirado calor da mesma. Se há grande
resistência à variação da temperatura, isso significa que o corpo tem elevado calor específico.
Geralmente o calor é tomado como referência em relação à água considerada com calor
específico de 1,0 cal/g C. Ou seja, calor específico pode ser definido como a quantidade de
calor necessária para elevar a temperatura de 1 grama de água de 14,5 C para 15,5 C.

1.8.5. Condutividade Térmica

A Condutividade térmica indica a facilidade ou dificuldade que um corpo apresenta


para conduzir calor. Como exemplo, lembre-se que os metais têm maior facilidade para
transferir calor do que a madeira, por exemplo. Na tabela 1.6 a seguir, tem-se uma lista de
diversos materiais e suas respectivas condutividades térmicas.

Tabela 1.6- Condutividade térmica aproximada para diferentes materiais.

Material Condutividade térmica


(W/mK)
Aço 55
Madeira 0,16
Cobre 372
Alumínio 209
Ar 0,03
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1.8.6. Energia Interna

A energia interna é uma propriedade que indica o nível de energia interna


armazenada por uma substância devido aos efeitos da temperatura. É representada nas tabelas
de propriedades pela letra “u” (kJ/kg).

1.8.7. Entalpia Específica

A entalpia específica indica o nível de energia em que se encontra a substância


devido a sua energia interna e a sua pressão. Seu valor é encontrado em tabela de
propriedades termodinâmicas. O símbolo empregado para representá-la é “h” e sua unidade é
kJ/kg. Nas tabelas de propriedades termodinâmicas, pode-se destacar que a entalpia de um
fluido refrigerante mudando de fase numa dada pressão pode ser dada através do líquido
saturado (hl), do vapor saturado seco (hv) e do hlv (entalpia para mudança de fase ou de
vaporização).

1.8.8. Calor Latente

Calor latente de Fusão (Lfusão) é a quantidade de calor necessária para fundir uma
certa quantidade de massa de uma substância. O gelo, por exemplo, necessita de 80 calorias
para que um grama do mesmo se derreta;
Já Calor Latente de Vaporização (Lvapor) é a quantidade de calor necessária para
vaporizar uma certa quantidade de massa de uma substância. A água, por exemplo, necessita
de 540 calorias para que cada grama se evapore.

Tabela 1.7 – Calor latente de fusão e de vaporização

Substância Tfusão Lfusão Lvapor


(oC) (cal/g) (cal/g)
Água 0 80 540
Chumbo 327 5,86 222
Prata 961 21,1 552
Aço ~1350 48,9 -
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1.8.9. Entropia específica

Podemos transformar a totalidade do trabalho em calor, mas a transformação inversa


não se produz de maneira completa. Em todas as transformações há sempre uma produção de
uma certa quantidade de calor. Ou seja, a energia em um sistema isolado se conserva, porém,
seu valor utilizável sempre diminui. Assim sendo, quando temos uma fonte quente e uma
fonte fria, sempre podemos realizar trabalho entre estas duas fontes, porém, à medida em que
a temperatura entre as duas fontes se igualam, a perspectiva de realização de trabalho fica
reduzida. Resumidamente podemos dizer então, que a entropia depende do estado do sistema,
aumenta sempre em todas as transformações e está ligada sempre a degradação da energia
utilizável e, dessa forma, esta propriedade representa a eficiência das transformações.
Lembre-se:Quanto mais eficiente um processo, menor o desperdício de energia. Seu símbolo
é comumente empregado como sendo “ s” e sua unidade é [kJ/(kgoC)].

1.8.10. Título

É a grandeza utilizada para indicar a quantidade de vapor existente em uma mistura


(líquido + vapor) em equilíbrio termodinâmico a uma mesma temperatura. Na refrigeração
este valor é da ordem de 30% ou 0,3 na entrada do evaporador, ou seja, significa que no
evaporador 30% do fluido refrigerante que entra é vapor e 70% é líquido.

Veja:

massavapor
x (1.5)
massalíquido massavapor

Lembre-se ainda que uma substância pura muda de fase à temperatura constante
(mantida a pressão constante). Dessa forma, uma massa de água pura congelada ao se derreter
ao nível do mar, mantém sua temperatura constante em zero grau. Já para evaporar (ao nível
do mar) a água manterá sua temperatura constante em 100oC.
Além disso, Uma substância pura apresenta uma curva de saturação onde para cada
temperatura tem-se a temperatura de mudança de vaporização/condensação equivalente.
Exemplo: a água ferve ao nível do mar (pressão de 101325Pa) em 100oC; Já na pressão de
94300Pa a água ferve a 98oC). Ou seja, a temperatura de saturação (mudança de fase)
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diminui com a diminuição da pressão). Comumente diz-se que para cada temperatura de
saturação, tem-se uma pressão de saturação e vice versa.
Em Termodinâmica, é muito comum representar o ciclo que ocorre em um processo
de refrigeração por curvas características. O diagrama mais utilizado é o diagrama Pressão
versus entalpia. Este diagrama mostra-se conveniente devido ao fato de trabalharmos sempre
com substâncias puras que se condensam e se vaporizam isobaricamente (isto é, numa pressão
constante).

Complicou ! P

H
RAC

Fique calmo, pois no próximo módulo este assunto será retomado em mais detalhes.

1.9. Primeira Lei da Termodinâmica

“Na natureza nada se cria e nada se perde, mas tudo se transforma.” Esta frase ficou
famosa e é atribuída ao físico-químico francês chamado Lavoisier. Nesta época, ainda se
acreditava que o calor era uma substância. Foi Benjamim Thompson quem formulou a tese de
que calor é uma forma de energia, a qual poderia ser transferida de um corpo para outro, sem
ser destruído. Assim podemos observar que é possível a conversão de energia mecânica em
energia térmica, um exemplo é quando atritamos dois pedaços de madeira (a maneira
primitiva de se fazer fogo). Experimentos do físico inglês Joule permitiram medir o trabalho
necessário para produzir uma certa quantidade de calor, determinando assim, o famoso
equivalente mecânico de calor, representado por Joule (figura 1.10). Ou seja, 4,186 Joules de
energia mecânica quando convertidos em calor elevarão a temperatura de 1 grama de água em
grau Celsius. (Designou-se, portanto 1 caloria como sendo equivalente a 4,186 J). Este
conceito é perfeitamente aplicado à eolípia de Heron de modo inverso, ou seja, com a
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aplicação de energia térmica o sistema realiza trabalho girando a eolípia, sendo um dos
primeiros usos da conversão de energia térmica em energia mecânica.
TRABALHO

CALOR

Figura 1.10– Esquema da obtenção do


equivalente mecânico entre calor e trabalho

1.10. Segunda Lei da Termodinâmica

Pela primeira lei é possível estabelecer uma equivalência entre calor e trabalho,
porém esta não especifica a ordem desta transformação, ou seja, se atritamos as mãos
produzimos calor, mas aquecer as mãos não significa fazer com que elas comecem a se
esfregar. A segunda lei vem estabelecer o sentido das transformações entre calor e trabalho,
ou seja, “Não é possível, utilizando-se de uma única fonte de calor à temperatura constante
obter trabalho”. Você compreendeu esta idéia? Um café quente se esfriando, cedendo calor ao
ambiente. Veja um exemplo interessante: a passagem de calor do ar ambiente mais frio para o
café é impossível (figura 1.11).

CALOR PARA O CALOR DO MEIO


MEIO EXTERIOR EXTERIOR

PROCESSO
IMPOSSÍVEL

Figura 1.11- Ilustração do sentido da transferência de calor


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1.11. Trocas de calor

“Se um corpo A está em equilíbrio térmico (mesma temperatura) com B e também


com C, então B e C estarão necessariamente à mesma temperatura”. Se há o equilíbrio
térmico, não há transferência de calor entre estes corpos. Isto se chama lei zero da
termodinâmica (figura 1.12).

A B C

Figura 1.12– Esquema da Lei Zero da Termodinâmica

Os efeitos das trocas de calor entre um corpo e outro podem ser percebidos na forma
sensível e na forma latente. Quando você observa que o calor aplicado modifica apenas a
temperatura do corpo, então este é chamado de calor sensível. Porém, se há modificação do
estado físico da matéria (mudança de fase), então se tem troca de calor latente.
Suponha que uma dada massa de 1 kg de gelo a –20 C seja aquecida. Neste processo
de aquecimento tem-se num primeiro momento a elevação da temperatura do gelo de –20 até
0 C (calor sensível sendo trocado, Q1= 10kcal). A água tem como característica ser uma
substância pura e desta forma, muda de fase nesta temperatura constante. Nesta etapa há
apenas troca de calor latente, Q2=80kcal Todo o gelo transforma-se em água líquida e neste
momento inicia-se o processo de aquecimento, onde há troca de calor sensível. O
aquecimento prossegue até que a água atinja o ponto de vaporização a 100 C, sendo o calor
trocado de 0 a 100 C, Q3=100kcal. Neste instante, a variação de temperatura cessa e a troca
de calor latente é iniciada. Para que você visualize melhor este processo, observe a figura 1.13
que coloco para você agora:
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T (oC)

100
80
60 LÍQUIDO
40
20
LÍQUIDO + SÓLIDO
0 S
10 90 190 CALOR TROCADO
-20 EM kcal

Q1 Q2 Q3
Sensível Latente Sensível

Figura 1.13 – Curva de aquecimento de uma massa de água

O cálculo da quantidade de calor necessária durante este processo pode ser feito
através de duas expressões. A primeira permite o cálculo do calor sensível e a segunda do
calor latente, conforme expresso a seguir:

Q1 m.csólido . T1

Q2 m.L fusão

Q3 m.clíquido . T2

Qtotal Q1 Q2 Q3

Onde: Q1 e o Q3 são chamados de troca de calor sensível, isto é, calor trocado para
variar a temperatura; m é a massa da substância a ser aquecida; c é o calor específico (o calor
específico do gelo é a metade do calor específico da água líquida); T = Tfinal- Tinicial; Tfinal é a
temperatura final e Tinicial é temperatura inicial. Já L é o calor latente de fusão e Qlatente é a
quantidade de calor que se acrescenta ao corpo e que causa uma mudança de estado, sem
mudança de temperatura.
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Todas as substâncias podem existir em três estados: (1) o estado sólido, (2) o estado
líquido e (3) o estado gasoso ou vapor. Um exemplo conhecido é a água que a temperatura
entre 0 e 100 C, se apresenta no estado líquido; a temperatura acima de 100 C, se torna
vapor; e, a temperatura abaixo de 0 C, se solidifica (gelo). A experiência determina que, para
transformar 1 kg de gelo em 1Kg de água, se deve acrescentar ao gelo uma quantidade de
calor igual a 80 kcal. Em unidades inglesas, para transformar uma libra de gelo em água, são
necessárias 144 Btu de energia calorífica. Enquanto este calor é acrescentado, a temperatura
permanece constante em 0 C, ou 32 F. Isso quer dizer que aconteceu uma mudança de estado
sem mudança de temperatura. Além disso, se o calor continua sendo acrescentado, serão
necessárias 100 kcal para elevar a temperatura desse kg de água até 100 C, ou 180 BTU para
elevar a libra de água até 212 F (pelas próprias definições de kcal e de BTU). Neste ponto, a
água começa a ferver, ou seja, a se transformar em vapor. Para passar de kg de água à vapor,
serão necessárias 538 kcal adicionais, ou, para passar 1 libra de água à vapor, serão
necessárias 970 BTU adicionais. No entanto, enquanto existir ainda algum líquido, a
temperatura não passará de 100 C ou 212 F. Nossa! Quanta explicação não é mesmo? Mas
venha comigo e juntos resolveremos uma questão sobre temperatura.

Vamos pensar:
Para aquecer 200 g de gelo de -20 graus Celsius a 30 graus Celsius, consumimos
quanto de energia?
Veja bem, para que ocorra o aquecimento, primeiro é preciso derreter o gelo,
fazendo-o passar de –20 para zero graus, mudar de fase e depois aquecer a água até 30 graus.
Logo o calor total necessário é uma soma de três grandezas conforme segue. Lembre-se de
que o calor específico da água líquida é de 1,0kcal/kgC e da água no estado sólido é de
0,5kcal/kgC.
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Então:

Qtotal Qsen s1 Q latente Qsen sível 2


Qsen s1 massagelo .calor específicogelo . T
Q latente massagelo .calor latente
Qsen s 2 massaágua .calor específicoágua . T

E:

cal
Qsen s1 200g .0,5 .(0 ( 20)) C 2000cal
g. C
cal
Q latente 200g .80 16000cal
g
cal
Qsen s 2 200g .1,0 .(30 0) C 6000cal
g. C

Ou seja, somando as três quantidades de calor acima temos o resultado total que é de
24.000 cal ou 24,0 kcal para promover o aquecimento, certo?
Ainda tem dúvidas? Tudo bem. Vamos a outro exemplo:

Vamos agora, misturar uma massa de 40 litros de água quente à temperatura de 90


graus Celsius com uma massa de 80 litros de água à 30 graus Celsius, temos certo? Uma
mistura com quantos graus? Ok! Temos agora que a temperatura resultante deverá estar entre
90 e 30 graus. Para encontrarmos o valor exato devemos considerar que o calor cedido pela
água quente é recebido para esquentar a água fria, e que a temperatura final é igual para as
duas quantidades de líquido. Isso é importante.
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Veja:

Qcedido massaáguaquente .cágua .(Tinicial T final )


Qrecebido massaáguafria .cágua .(T final Tinicial )
massaáguaquente .cágua .(Tinicial Tinicial ) massaáguafria .cágua .(T final Tinicial )

Vou substituir agora os valores de acordo com o enunciado, obterei:

40.1,0.(90 T final ) 80.1,0.(T final 30)


3600 40T final 80T final 2400

e:

6000 120T final


6000
Tfinal 50 C
120

É isso! Ao final deste Módulo 1 você tem mais exercícios com respostas para treinar
antes de fazer a avaliação do módulo.

Mas falando em temperatura final, creio que nosso Raquinho entrou numa fria, pois
confundiu 30 Kelvins com 30 graus Celsius ! Na verdade a temperatura 30K é de –240 graus
Celsius !!!
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câmara fria RAC

30 K

CUIDADO! CONGELAMENTO RÁPIDO

Questionamentos Básicos da Parte 2 do Módulo 1:

1- Cite algumas máquinas térmicas mais comuns?


2- Como fazemos a conversão de temperaturas de Farenheit para Kelvin?
3- O que significa pressão manométrica?
4- Quais as mudanças de fase que passa uma massa de 2k de gelo a -10 graus
Celsius quando aquecida até atingir temperatura de 80 graus?
5- Qual o calor necessário para viabilizar o aquecimento descrito na questão 4?

Respostas disponíveis no nosso Portal de RAC na WIKI


http://www.sj.ifsc.edu.br/wiki - Perguntas e Respostas